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5807084 #
Numero do processo: 10983.720229/2010-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que rejeitava a proposta de conversão do julgamento em diligência. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 162          1 161  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10983.720229/2010­81  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2801­000.334  –  1ª Turma Especial  Data  20 de janeiro de 2015  Assunto  IRPF  Recorrente  MARIA ELIETE BORGES DA SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator)  que rejeitava a proposta de conversão do julgamento em diligência. Designado Redator do voto  vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.  Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Redator designado.  Participaram do  presente  julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Adriano  Keith  Yjichi  Haga,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida  e  Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adota­se  o  “Relatório”  da  decisão  de  primeira  instância (fls. 130/131 deste processo digital), reproduzido a seguir:  Trata­se  de  notificações  de  lançamento  resultantes  da  revisão  das  declarações  de  ajuste  anual  da  Interessada  relativas  aos  anos­ calendário 2007 (exercício 2008) e 2008 (exercício 2009), nas quais se  exige, respectivamente, Imposto de Renda Pessoa Física ­ Suplementar  no valor de R$ 4.614,02, acrescido de multa de ofício de 75% e juros     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .7 20 22 9/ 20 10 -8 1 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10983.720229/2010­81  Resolução nº  2801­000.334  S2­TE01  Fl. 163          2 de mora, e Imposto de Renda Pessoa Física ­ Suplementar no valor de  R$ 2.105,78, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora.  A revisão das referidas declarações de ajuste anual, de acordo com o  descrito nas notificações de lançamento, decorreu da apuração de:  a) deduções indevidas, na declaração de ajuste anual referente ao ano­ calendário  2007,  informadas  a  título  de  despesas  médicas  pagas  à  dentista Margareth Thaler do Valle (R$ 6.000,00), à psicóloga Marisa  Rodrigues Gomes Klokner (R$ 7.600,00), à CLINVASMT (R$ 700,00) e  à UNIMED ­ Grande Florianópolis (R$ 2.478,24);  b) deduções indevidas, na declaração de ajuste anual referente ao ano­ calendário  2008,  informadas  a  título  de  despesas  médicas  pagas  à  psicóloga  Marisa  Rodrigues  Gomes  Klokner  (de  um  total  de  R$  11.810,00,  a  contribuinte  comprovou  apenas  R$  6.430,00)  e  à  UNIMED ­ Grande Florianópolis (R$ 1.840,99);  c) dedução indevida a título de incentivo na declaração de ajuste anual  referente ao ano­calendário 2008 (R$ 120,00).  A apuração, na declaração de ajuste anual referente ao ano­calendário  2007,  de  deduções  indevidas  a  título  de  despesas  médicas,  ocorreu,  segundo a autoridade fiscal, da seguinte forma:  Em vista do disposto no art. 932 do Decreto nº 3000, de 26 de março  de  1999,  e  com  o  intuito  de  corroborar  os  recibos  apresentados,  intimou­se o sujeito passivo a comprovar, por intermédio de cópias de  cheques  nominativos,  transferências  bancárias,  comprovantes  de  depósitos  ou  extratos  bancários,  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas declaradas como feitas à psicóloga Marisa R. G. Klokner e à  cirurgiã­dentista Margareth T. do Valle, no total de R$ 13.600,00. No  entanto, limitou­se a reapresentar os recibos e, posteriormente, cópias  de  cheques  referentes  ao  outro  ano­calendário,  razão  pela  qual  não  restou comprovado o efetivo pagamento.  Os  pagamentos  declarados  como  feitos  a UNIMED e  à CLINVASMT  não foram comprovados.  Já  a  apuração,  na  declaração  de  ajuste  anual  referente  ao  ano­ calendário 2008, de deduções  indevidas a  título de despesas médicas,  ocorreu, segundo a autoridade fiscal, da seguinte forma:  Em vista do disposto no art. 932 do Decreto nº 3000, de 26 de março  de  1999,  e  com  o  intuito  de  corroborar  os  recibos  apresentados,  intimou­se o sujeito passivo a comprovar, por intermédio de cópias de  cheques  nominativos,  transferências  bancárias,  comprovantes  de  depósitos  ou  extratos  bancários,  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas declaradas como feitas à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes  Klokner, no total de R$ 11.810,00. Foi aceita a totalidade dos cheques  nominativos  à  profissional;  rejeitados  aqueles  não  nominativos  à  profissional  e  que,  além  disso,  não mantinham  correlação  de  data  e  valor com os recibos.  Os  pagamentos  declarados  como  feitos  a  UNIMED  não  foram  comprovados.  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10983.720229/2010­81  Resolução nº  2801­000.334  S2­TE01  Fl. 164          3 Irresignada, em parte, a Interessada apresentou as impugnações de fls.  02 a 04 e 05 a 07, instruídas com os documentos de fls. 08 a 18.  Diz  que,  até  onde  sabe,  recibos  são  prova  suficiente  de  despesas  médicas  informadas  em  declaração  de  ajuste  anual  do  Imposto  de  Renda Pessoa Física.  Afirma  que  desconhecia  que  também  deveria  guardar  cópias  de  cheques  nominativos  ou  extratos  bancários  para  comprovar  despesas  médicas perante a Receita Federal do Brasil.  Alega que não apresentou provas das despesas que informou ter pago à  UNIMED  porque  as  mesmas  não  foram  solicitadas  no  “Termo  nº  217/2009”.  Alega que as declarações de fls. 09, 10 e 15, a ficha dentária de fl. 11 e  os documentos de fls. 14, 17 e 18, comprovam as deduções informadas  nas declarações de ajuste anual referentes aos anos­ calendário 2007 e  2008, a título de despesas médicas pagas à dentista Margareth Thaler  do Valle, à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner e à UNIMED ­  Grande Florianópolis.  Requereu, ao fim, o cancelamento dos “débitos fiscais reclamados”.  A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte por  intermédio  do  acórdão  de  fls.  129/137  deste  processo  digital.  Entenderam  os  julgadores  da  instância  de  piso  que  a  glosa  de  despesa  médica  relativa  à  CLINVASMT  (R$  700,00),  exercício  2008,  e  a  glosa  da  dedução  de  incentivo  (R$  120,00),  exercício  2009,  não  foram  impugnadas,  motivo  pelo  qual  esta  parte  do  crédito  foi  transferida  para  o  Processo  nº  11516.721283/2012­85  (Termo  de  Transferência  à  fl.  140).  Em  relação  às  despesas  com  a  UNIMED lançadas nas declarações de ajuste anual, a decisão recorrida restabeleceu apenas o  valor de R$ 443,35, deduzido no exercício de 2009.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  11/05/2012  (fl.  145),  a  Interessada interpôs, em 04/06/2012, o recurso de fls. 146/150, acompanhado dos documentos  de fls. 151/159. Na peça recursal aduz, em síntese, que:  ­ A exigência de cheque nominativo substitui o recibo e pode até corroborar com  mais  firmeza  a  referida  despesa.  Entretanto,  como  reconhecido  na  decisão  recorrida,  os  comprovantes  possuem  todas  as  formalidades  legais.  De  conseguinte,  as  despesas  foram  efetivamente corroboradas.  ­  As  declarações  de  fls.  9,  10  e  15  e  a  ficha  dentária  de  fl.  11  também  corroboram  as  despesas  efetuadas,  complementando  os  comprovantes  que  possuem  todas  as  formalidades legais.  ­ Em relação à UNIMED, junta as declarações do Sindicato dos Trabalhadores  da Universidade Federal de Santa Catarina que mantém convênio com a Cooperativa Médica,  corroborando os referidos pagamentos, os quais não foram solicitados em época própria.  Após  discorrer  sobre  princípios  administrativos  aplicáveis  à  Administração  Pública, requer seja provido o presente recurso para cancelar a parte remanescente da exigência  tributária.  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10983.720229/2010­81  Resolução nº  2801­000.334  S2­TE01  Fl. 165          4 É o Relatório.  Voto Vencedor  Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado.  A par do muito bem pronunciado Voto do ilustre Relator, Conselheiro Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  manifesto  entendimento  divergente  no  seguinte  ponto,  que  transcrevo:  Anoto, todavia, que em relação às despesas médicas glosadas no ano­ calendário de 2008,  em nome da psicóloga Marisa Rodrigues Gomes  Klokner,  no  valor  de  5.380,00,  não  consta  dos  autos  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  que  intimou  a  contribuinte  a  comprovar  o  efetivo  pagamento.  Nesse contexto, em que o suposto  termo que  intimou a contribuinte a  comprovar o efetivo pagamento não se encontra adunado aos autos, a  apresentação dos  recibos médicos  com os  requisitos  formais  exigidos  pela  legislação  é,  em  meu  entendimento,  suficiente  à  dedução  das  respectivas  despesas,  motivo  pelo  qual  entendo  que  o  valor  de  R$  5.380,00, deduzido a título de despesas médicas no ano­calendário de  2008, deve ser restabelecido.  O  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  que  estabelece  as  regras  do  processo  administrativo de exigência fiscal, abre à autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento da  parte, a possibilidade da realização de diligências ou perícias, quando entendê­las necessárias.   É  fato  que  o  artigo  9º  do  mesmo  Decreto  diz  que  a  exigência  fiscal  será  formalizada  em Autos  de  Infração  ou Notificações  de  Lançamento,  os  quais  "deverão  estar  instruídos com todos os termos e demais elementos de prova à comprovação do ilícito", mas  no  caso  entendo  que  eventual  falha  ao  não  anexar  um Termo  de  Intimação  ­  se  porventura  existente então fora dada oportunidade à contribuinte para comprovação do efetivo pagamento­ , não tem o condão de "de plano" cancelar em parte a exigência fiscal.  Homenageia­se assim a verdade material, que vige no processo para ambas as  partes, e evita­se que a forma (formalização da exigência) sobreponha­se à substância.   Dessa  feita,  em  aplicação  do  princípio  citado  e  interpretando  as  regras  processuais de forma que se confira validade a todas, sistematicamente, VOTO pela conversão  do  julgamento  em Diligência  para  que  a  Unidade  preparadora,  responsável  pela  exigência  tributária, anexe a cópia do Termo de Intimação Fiscal que intimou a contribuinte a comprovar  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas,  mencionando  especificamente  aquelas  com  a  profissional Marisa  Rodrigues  Gomes  Klokner,  no  valor  de  5.380,00,  no  ano  calendário  de  2008,  exercício  de  2009,  juntamente  com  a  comprovação  de  ciência  pela  interessada,  manifestando­se expressamente em caso de inexistência de tais documentos.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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5779722 #
Numero do processo: 13807.010848/2002-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO POR SUCURSAL ARGENTINA. Somente a parcela do imposto de renda comprovadamente pago no país de domicílio da sucursal pode ser compensada com o que for devido no Brasil RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICOS. Verificado na espécie que à época, na ficha 43 da DIPJ, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela contribuinte (códigos 6147 e 6190), nem para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, as quais foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A — "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público- 37.750,94" da DIPJ 2002, impõe-se reconhecer as retenções.
Numero da decisão: 1301-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO POR SUCURSAL ARGENTINA. Somente a parcela do imposto de renda comprovadamente pago no país de domicílio da sucursal pode ser compensada com o que for devido no Brasil RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICOS. Verificado na espécie que à época, na ficha 43 da DIPJ, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela contribuinte (códigos 6147 e 6190), nem para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, as quais foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A — "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público- 37.750,94" da DIPJ 2002, impõe-se reconhecer as retenções.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13807.010848/2002­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.685  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de setembro de 2014  Matéria  IRPJ  Recorrente  ITAUTEC.COM SERVIÇOS S. A. ­ GRUPO ITAUTEC  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA  PAGO POR SUCURSAL ARGENTINA.   Somente a parcela do  imposto de  renda  comprovadamente pago no país de  domicílio da sucursal pode ser compensada com o que for devido no Brasil  RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICOS.  Verificado na espécie que à época, na ficha 43 da DIPJ, não havia previsão  para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela contribuinte  (códigos  6147  e  6190),  nem  para  informação  dos  rendimentos  obtidos  dos  órgãos  públicos,  sendo  que  na  ficha  43  da  DIPJ  2002  constam  todas  as  retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o  caso  das  retenções  efetuadas  por  órgãos  públicos,  as  quais  foram  devidamente  informadas  na  linha  14,  da  ficha  12A —  "Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  por  órgão  Público­  37.750,94"  da  DIPJ  2002,  impõe­se  reconhecer as retenções.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.  (assinado digitalmente)  Valmar Fonseca de Menezes  Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 08 48 /2 00 2- 83 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES   2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior  Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros: Valmar  Fonseca  de Menezes,  Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de  Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.        Relatório  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  acima  identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SP.  Versa o presente processo administrativo acerca de pedido de restituição (fl.  01) relativo ao saldo negativo do IRPJ referente ao ano­calendário 2001, cumulado com pedido  de compensação (fl. 02).  A  contribuinte  formalizou  ainda,  Processos  sob  os  números  13807.012457/2002­01,  13807.001241/2003­93  e  13807.012853/2002­21,  todos  apensados  a  este, por se tratarem de declarações de compensação de débitos com o saldo negativo de IRPJ e  de  CSLL  referente  ao  mesmo  ano­calendário  2001.  As  cópias  dos  pedidos/declarações  de  compensação encontram­se anexadas às folhas 138, 128 e 135, respectivamente.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  de  folhas  190  a  199,  a  DERAT/SPO/DIORT/EQPIR  deferiu  parcialmente  o  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório e, consequentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito  reconhecido.  A  contribuinte,  por  seu  turno,  apresentou Manifestação  de  Inconformidade  (fls. 212/226), alegando, em síntese, que o pedido de compensação protocolado em 20/08/2002  foi convertido em DCOMP, a teor do artigo 74, § 4º, da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei  10.833/2003) e como a ciência da decisão negativa do pleito não ocorreu dentro do prazo de  cinco anos previsto no § 5° do citado artigo,  tal  pedido convertido em DCOMP e as demais  declarações de compensação, teriam sido homologadas tacitamente.  Alegou que no tocante às retenções na fonte por órgãos públicos, anexava os  comprovantes  de  rendimentos  e,  no  que  tange  aos  créditos  oriundos  de  recolhimentos  de  IR  pago no exterior, os quais não foram reconhecidos pela autoridade fiscal, assinalou­se que foi  apresentada impugnação contra o auto de infração lavrado, que aguardava julgamento.  Quanto ao saldo negativo do CSLL, esclareceu que o crédito utilizado e não  reconhecido pela fiscalização refere­se a valores recolhidos a maior na apuração trimestral do  exercício  anterior.  Devido  a  erro  no  preenchimento  da  DCTF  original,  apresentou­se  declaração retificadora relativa ao período em questão. Em consulta aos sistemas COMPROT e  PER/DCOMP,  não  se  constataria  outro  pedido/declaração  de  compensação  relativo(a)  aos  saldos negativos de IRPJ e CSLL em questão. Consta procedimento fiscal alterando o resultado  declarado na DIPJ/2002 (Proc. 16561.000134/2007­90).  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/2002­83  Acórdão n.º 1301­001.685  S1­C3T1  Fl. 3          3 A 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas  340  a  350,  deferiu  em  parte  a  solicitação  da  contribuinte,  elaborando  o  seguinte  quadro  demonstrativo acerca das declarações de compensação da contribuinte:    Após  listar  as  declarações  de  compensação  na  tabela  reproduzida  acima,  assinalou a decisão recorrida que as DCOMP 1ª e 2ª, bem como parte da 3ª (valor compensado:  R$ 34.157,68), já haviam sido homologadas pela DERAT (fls. 205 ­ 208), de sorte que passou  a apreciar a questão suscitada acerca da ocorrência da homologação tácita em relação à parcela  restante da 3ª à 4ª DCOMP.  Nessa ordem de ideias, transcreveu­se o artigo 74, caput e §§ 4° e 5°, da Lei  nº  9.430/1996,  alterado  pelo  artigo  49  da  Lei  n°  10.637/2002  e  pelo  artigo  17  da  Lei  nº  10.833/2003, para assinalar que no expediente de folha 328, consignou­se que não consta o AR  relativo à ciência do Despacho Decisório de folhas 190 a 199 e que o relatório de folhas 319 a  320 informa­se que a sua postagem, realizada pelo núcleo de recepção e expedição, se deu em  16/01/2008, sendo que na manifestação de inconformidade, por sua vez, a interessada assevera  que teve ciência do referido despacho decisório em 17/01/2008 (fl. 214).  Destarte,  em  relação  à  parcela  restante  da  3ª  DCOMP  (R$  117.992,48),  verificou­se  que,  quando  do  despacho  decisório  que  deixou  de  homologá­la,  já  havia  transcorrido  mais  de  cinco  anos  da  data  do  protocolo  (05/12/2002),  declarando  assim  a  homologação por disposição legal dessa compensação.  Em relação à 4ª DCOMP (fl. 128), todavia, entendeu a decisão recorrida que  tal regra não se aplicaria, eis que foi entregue em 13/02/2003.  Na sequência relembrou a decisão recorrida que uma das motivações para a  DERAT/SPO/DIORT  não  reconhecer  o  direito  creditório  da  interessada,  correspondente  ao  saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2001, se refere à glosa relativa ao imposto pago  no exterior por sua sucursal argentina (linha 12 da ficha 12A da DIPJ/2002), pontuando que a  esse  respeito,  a  empresa  alega  que  a  questão  está  sendo  discutida  no  Processo  16561.000134/2007­90.  Para  a  decisão  recorrida,  de  acordo  com  Termo  de  Verificação  Fiscal  constante desses autos (cópia às fls. 332 ­ 337), tal matéria, embora examinada pela autoridade  fiscal,  não  foi  objeto  de  autuação  quanto  ao  IRPJ,  por  se  tratar  de  uma  das  deduções  do  imposto devido permitidas pela legislação.  Diante  disso,  seria  mister  analisar  a  questão  quanto  à  subsistência  do  procedimento  adotado  pela  empresa,  aduzindo  nesse propósito,  que  a  interessada  apresentou  cópia da declaração do imposto de renda do ano de 2001 e do comprovante de sua entrega ao  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES   4 órgão  responsável  da  Argentina  (impuesto  a  las  ganancias),  bem  como  prova  do  reconhecimento desses documentos pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que  foi pago o aludido imposto (fls. 159/161).  Reputou­se  ainda,  que  a  contribuinte  exibiu  cópias  de  documentos  de  arrecadação do imposto, registrando que a Fiscalização (PA 16561.000134/2007­90) entendeu  serem  suficientes  os  documentos  redigidos  em  idioma  daquele  país,  sem  a  sua  tradução  por  tradutor juramentada, sendo que de acordo com a tabela apresentada pela recorrente (fl. 157), o  imposto incidente foi pago da seguinte forma: (os valores que se seguem estão expressos em  pesos argentinos):    Ainda de acordo com a decisão recorrida, a declaração apresentada à fl. 160,  por  seu  turno,  informa  um  total  de  antecipações  de  91.847,53,  restando  um  saldo  apagar  de  1.586,46. Relativamente às antecipações (1 8 a 58 quotas), a cópia dos documentos intitulados  "Solicitud de Compensacion" (fls. 162/166 e 168) demonstraria que o fisco argentino autorizou  a compensação do imposto de renda (impuesto a las ganancias), com tributo denominado "al  valor agregado' — IVA. Em nota de  rodapé  impressa nesse documento  constaria  a  seguinte  observação:  "compensacion  de  deudas  fiscales  com  el  credito  em  el  IVA,  concedido  em  las  exportaciones ".   Tendo em vista o disposto no § 8° da  IN SRF 38/1996, entendeu a decisão  recorrida que não seria permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer  benefício fiscal, necessária a prova de que o crédito utilizado para as compensações em apreço  tinha origem em valores efetivamente pagos ao erário argentino e que a mera alegação de que a  sucursal não possui benefícios fiscais dessa natureza não se afigura suficiente para comprovar a  existência de direito à compensação no Brasil.  Quanto às 7ª e 8ª parcelas, aduziu a decisão recorrida que a contribuinte teria  informado que essas antecipações não foram utilizadas para compensar imposto no Brasil, por  se tratar de compensação na Argentina de Imposto de Renda recolhido a maior em exercícios  anteriores.  A  respeito  das  demais  parcelas,  os  documentos  de  fls.  161,  169,  172  e  173  comprovariam  o  pagamento  de  24.546,06,  registrando  que  o  montante  do  imposto  comprovadamente pago  pela  sucursal  domiciliada na Argentina passível  de dedução no ano­ calendário de 2001 corresponde apenas aos pagamentos efetuados nos meses de novembro de  2001 e  fevereiro e março de 2002,  totalizando 22.959,60 pesos argentinos, o que, convertido  em reais consoante normas e  IN SRF 38/1996, perfaz R$ 36.376,03, ocorrendo,  todavia, que  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/2002­83  Acórdão n.º 1301­001.685  S1­C3T1  Fl. 4          5 em  face  da  legislação  de  regência,  seria  necessária  a  verificação  de  qual  a  parcela  desse  montante a recorrente poderia compensar com o imposto por ela devido no Brasil.  Consignou­se que de acordo com o caput do artigo 395 do RIR/1999 e § 7°  do artigo 13 da IN SRF 38/1996, o valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não  poderia exceder o montante do imposto e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  incluídos  no  lucro  real,  sendo que  a  recorrente  informa,  na  ficha 09A de  sua DIPJ/2003  (fl.  36)  e demonstrativo de  fl.  339, que o  lucro disponibilizado  pela empresa sediada no exterior no ano de 2001 e, portanto, oferecido à tributação, foi de R$  965.618,93, fincando assim demonstrada graficamente:    Ainda  segundo  apontou  a  decisão  recorrida,  a  diferença  positiva  entre  os  valores acima calculados corresponde ao imposto proporcional aos lucros disponibilizados pela  sucursal. Dessa forma, verificou­se que o montante comprovado de imposto pago no exterior;  de R$ 70.705,79  (R$ 36.376,03 + R$ 34.329,76,  esta  já  aceita pela DERAT) não  excede  ao  montante do  imposto e adicional, devidos no Brasil,  sobre o valor dos  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  incluídos  no  lucro  real  e,  portanto,  seria  integralmente  passível  de  ser  compensado.  No  tocante  às  retenções  na  fonte  por  órgãos  públicos,  registrou  a  decisão  recorrida  que  a  contribuinte  acostou  aos  autos  os  comprovantes  de  fls.  273  a  280.  Especificamente  sobre  o  informe  de  fl.  275,  salientou­se  que  já  havia  sido  aceito  pela  DERAT/DIORT,  enfatizando que  nos  termos  da  legislação  em vigor,  à  data  da  apuração  do  saldo negativo de IRPJ, somente se admite como redução do imposto de renda devido ao final  do  período  de  apuração,  o  IRRF  incidente  sobre  receitas  computadas  na  base  de  cálculo  do  imposto, conforme art. 2º, § 4º, III, da Lei n° 9.430, de 1996.  Anotou­se, no entanto, que na ficha 43 (fls. 15/22) não estão relacionados os  rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras. Tampouco há provas de que a empresa declarou  tais receitas para efeito de apuração do imposto devido. Assim, tendo em vista a ausência de  prova cabal e inequívoca de que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, não se acatou a  alegação da empresa. Em suma, relativamente ao saldo negativo do IRPJ, além do montante já  legitimado pela DERAT, a decisão recorrida entendeu comprovada a parcela de R$ 36.376,03.  Quanto à CSLL, pontuou a decisão recorrida que uma das motivações para a  DERAT/SPO/DIORT  não  reconhecer  o  direito  creditório  da  recorrente,  correspondente  ao  saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 2001, se refere à glosa relativa ao imposto pago  pela  sucursal  argentina.  A  esse  respeito,  relembrou  que  a  empresa  alega  que  a  questão  está  sendo  discutida  no  Processo  16561.000134/2007­90  e  de  acordo  com  Termo  de Verificação  Fiscal  constante  desses  autos,  assinalou  que  tal  matéria  foi  objeto  de  autuação,  porém,  em  decisão  prolatada  por  aquela  Turma  de  Julgamento,  o  lançamento  foi  considerado  improcedente, por ter o crédito tributário sido constituído após o prazo legal. Entretanto, como  a matéria em pauta se trata de uma das deduções do imposto devido permitidas pela legislação,  entendeu­se  necessária  a  verificação  quanto  à  subsistência  do  procedimento  adotado  pela  empresa e a consequente liquidez e certeza do crédito alegado.  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES   6 Nesse  propósito,  registrou­se  que  a  empresa  somente  comprovara  a  parcela  de  imposto  pago  pela  sua  sucursal  de  R$  36.376,03,  que  foi  integralmente  utilizada  para  compensar o IRPJ devido no período. Assim, não haveria falar em compensação da CSLL nos  termos do artigo 21, parágrafo único, da MP 2.158­35/01.  Em relação à CSLL por estimativa dos meses de setembro (R$ 98.874,00) e  outubro (parcial: R$ 155.346,00) de 2001, salientou­se que aponta a autoridade administrativa  que, em DCTF (fl. 57), a empresa declarou a sua compensação com saldo negativo apurado no  ano­calendário e 2000, todavia, como a contribuinte havia apurado saldo de CSLL a pagar no  período, consoante DIPJ/2001 (fls. 58/59), essa compensação foi considerada indevida, sendo  que, na manifestação de inconformidade, a interessada esclareceu que o crédito utilizado e não  reconhecido  pela  DERAT  refere­se  a  valores  recolhidos  a  maior  na  apuração  trimestral  do  exercício  anterior.  Devido  a  erro  no  preenchimento  da  DCTF  original,  apresentou­se  declaração retificadora relativa ao período em questão, de sorte que, de acordo com a ficha 17  da DIPJ/2001, a empresa havia apurado CSLL a pagar de R$ 622.011,14, R$ 817.836,41, R$  501.151,47  e R$  171.900,12,  respectivamente  nos  1°  ao  4°  trimestre  de  2000,  valores  esses  constantes da DCTF retificadoras (fls. 307/315), entretanto, a empresa recolheu, sob o código  de receita 6012, os valores de R$ 735.669,00, R$ 817.836,00, R$ 501.151,00 e R$ 281.930,00,  respectivamente  para  esses  períodos,  consoante  sistema  SINAL  (fl.  329),  constatando­se,  portanto, que houve pagamentos indevidos ou a maior no tocante aos recolhimentos efetuados  em 28/04/2000 e 31/01/2001, nos valores de R$ 113.657,86 e 110.029,88, respectivamente.  Nesse  ponto,  relembrou  a  decisão  recorrida  que  o  artigo  14  da  IN  SRF  21/1997 dispõe que "os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido,  de  tributos  e  contribuições  da mesma  espécie  e  destinação  constitucional,  inclusive  quando  resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser  utilizados,  mediante  compensação,  para  pagamento  de  débitos  da  própria  pessoa  jurídica,  correspondentes a períodos subsequentes, desde que não apurados em procedimento de oficio,  independentemente  de  requerimento',  diante  disso,  elaborou­se  demonstrativo  de  fl.  330,  no  qual  se  constata  que  nada  há  nada  opor  quanto  à  compensação  sem  processo  realizada  pela  empresa, no tocante à CSLL por estimativa dos meses de setembro (R$ 98.874,00) e outubro  (parcial : R$ 155.346,00) de 2001. Desta feita, tendo em vista que a DERAT havia reconhecido  a quantia de R$ 24.894,77, o saldo negativo de CSLL comprovado do ano­calendário de 2001  totaliza R$ 279.114,77, todavia, conforme item 34 do despacho decisório (fl. 197), a empresa  havia declarado a utilização desse saldo negativo para compensar as estimativas de CSLL (fls.  143/144)  de  janeiro  (R$  149.268,00)  e  fevereiro/2002  (R$  99.290,00).  Assim,  elaborou­se  demonstrativo (Anexo 1), no qual, após  tais compensações, verifica­se um saldo negativo de  CSLL residual de apenas R$ 37.856,45.  Em  conclusão,  assinalou  a  decisão  recorrida  que,  relativamente  ao  saldo  negativo do IRPJ do ano­calendário de 2001, além do montante já legitimado pela DERAT (R$  398.320,30),  ficou comprovada a parcela adicional de R$ 36.376,03, proveniente de  imposto  pago  pela  sucursal  argentina.  Já  o  saldo  negativo  de CSLL  foi  parcialmente  comprovado,  o  que, deduzidas as compensações sem processo realizadas pela contribuinte, restou o montante  de  R$  37.856,45.  Diante  disso,  declarou­se  a  homologação  por  disposição  legal  da  compensação dos débitos de fl. 135 ainda não extintos por compensação SIEF (fl. 208), até o  limite do crédito informado nessa DCOMP e não homologar as compensações declaradas à fl.  128,  porquanto  o  crédito  comprovado  nos  autos  não  é  suficiente  para  extinguir  sequer  as  compensações objeto de homologação por disposição legal.  Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (354 –  366),  assinalando que em vista de a decisão  recorrida  ter  acolhido parte da Manifestação de  Inconformidade apresentada, passaria a contestar apenas as deduções referentes ao imposto de  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/2002­83  Acórdão n.º 1301­001.685  S1­C3T1  Fl. 5          7 renda  pago  pela  sua  sucursal  na  Argentina  e  às  retenções  de  IRRF  efetuadas  por  órgãos  públicos.  Quanto  ao  primeiro  item,  assinalou  que  juntou  aos  autos  a  declaração  de  Imposto de Renda da sua sucursal na Argentina (fls. 160), bem como todos os comprovantes de  pagamento/compensação das antecipações do imposto devido no ano­calendário de 2001 (fls.  162 a 173), a fim de demonstrar a legalidade da compensação realizada no Brasil, nos termos  do citado art. 26, da Lei n° 9.249/95. Muito embora, as autoridades "a quo"  tenham atestado  que  para  a  compensação  do  imposto  pago  na Argentina,  a  Recorrente  observou  o  limite  do  imposto  e  da  contribuição  incidente  no  país  sobre  o  referido  lucro  da  sucursal,  glosaram  algumas antecipações.  Segundo  a  decisão  recorrida  após  a  análise  da  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada,  a  DRJ  considerou  algumas  parcelas  de  antecipação,  não  consideradas pela DERAT, mas permaneceu com a glosa das demais, em razão do equivocado  entendimento  de  que  a  Recorrente  teria  compensado  tais  parcelas  com  crédito  advindo  de  benefício fiscal auferido, o que seria vedado pelo § 8º, do art. 13, da IN SRF 38/1996, para a  recorrente, contudo, conforme se depreende dos comprovantes de compensação ("Solicitud de  Compensacion") das parcelas não aceitas pela autoridade "a quo" (1a, 2a, 3a 0, 5a e 9a ­  fls.  162,  163,  165,  166  e168)  as  compensações  foram  realizadas  com  crédito  de  IVA  (imposto  sobre  valor  agregado)  que,  sabidamente,  incide  sobre  todos  os  negócios  praticados  na  Argentina e de competência federal (AFIP — Administração Federal de Ingressos Públicos).  Defendeu  assim,  que  por  se  tratar  de  um  imposto  não  cumulativo,  na  apuração do valor devido a título de IVA, deve ser deduzido o valor incidente nas aquisições e,  se  o  resultado  dessa  apuração  for  negativo,  a  legislação  argentina  permite  que  se  compense  esse  crédito  de  IVA  com  o  imposto  de  renda  devido  ("Impuesto  a  Ias  ganacias"),  sendo  indevida  glosa  dos  valores  compensados,  e  resultado  da  equivocada  interpretação  do  formulário  argentino  de  compensação  pela  autoridade  julgadora  "a  quo",  eis  que  se  a  Recorrente  quisesse  informar  que  seu  crédito  de  IVA  era  decorrente  de  eventual  atividade  exportadora, o  teria  feito por meio do preenchimento do campo específico ao qual a nota de  rodapé,  mencionada  na  decisão  recorrida  faz  referência  —  "(1)  Compensación  de  deudas  fiscales  com  el  crédito  em  el  IVA,  concedido  a  Ias  exportaciones.  Tachar  lo  que  no  corresponda"  Insistiu  assim,  que  de  todos  os  comprovantes  de  compensação  de  antecipações de imposto de renda que a Recorrente preencheu o formulário com a informação  do  crédito  de  IVA  decorrente  de  saldo  credor  ("Concepto:  SALDO  A  FAVOR  (LIBRE  DISPONIBILIDAU), ou  seja,  em  nenhum  caso  informou  no  campo  específico  de  origem  do  crédito, o IVA correspondente à atividade de exportação, até porque não executaria atividades  exportadoras  por  meio  de  sua  sucursal  argentina,  não  havendo  que  se  falar  nesse  benefício  fiscal.  Aduziu  ainda,  que  a  legislação  fiscal  brasileira  somente  obriga  que  se  demonstre o pagamento do Imposto de Renda no exterior, sendo certo que referido pagamento,  nos  termos  da  legislação  argentina,  pode  se  dar  por meio  da  compensação  comprovada  nos  autos e que referida glosa das antecipações do imposto recolhido na Argentina, também afetou  a base de cálculo da CSLL, eis que também para essa contribuição, a legislação brasileira, por  meio  do  parágrafo  único,  do  artigo  21,  da Medida  Provisória  n°  2.158­3512001,  permite  a  compensação do imposto pago pela sucursal no exterior.  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES   8 Por  fim,  observou  que  as  retenções  de  imposto  sofridas  ao  longo  do  ano­ calendário 2001 pela sucursal na Argentina, decorrentes de suas atividades naquele país, foram  todas convertidas pela autoridade administrativa "a quo", pela cotação de 06 de maio de 2002  (0,76413), portanto, diferentemente da regra disposta no § 3º, do artigo 26, da Lei. 9.249/95, o  que diminuiu ainda mais o saldo negativo de IRPJ informado pela Recorrente.  Quanto  às  retenções  na  fonte  realizadas  por  órgão  públicos,  ressaltou  a  recorrente  que,  relativamente  ao  ano­calendário  2001,  sofreu  diversas  retenções  relativas  ao  IRRF (conforme comprovantes de retenção juntados à Manifestação de Inconformidade como  docs. 12 a 25), de modo que, ao final do exercício, tais retenções compuseram o saldo negativo  de  IRPJ  apurado.  Todavia,  a  autoridade  julgadora  "a  quo"  houve  por  bem  glosar  referidas  retenções  sofridas  pela  Recorrente  ao  argumento  de  que  "na  ficha  43  ff/s.  95/22)  não  'estão  relacionados os  rendimentos obtidos dessas  fontes pagadoras. Tampouco há provas de que  a  empresa declarou tais receitas para efeito de apuração do imposto devido".  Segundo  arrazoou  a  contribuinte,  porém,  à  época,  na  ficha  43  citada  pela  julgadora, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela  Recorrente  (códigos  6147  e  6190),  tampouco  para  informação  dos  rendimentos  obtidos  dos  órgãos públicos,  como  aduzido pela  autoridade  julgadora  "a quo",  sendo que na  ficha 43 da  DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto as que, claramente, o MAJUR daquele  exercício, determinava que não fossem informadas (doc.02 e 03), como é o caso das retenções  efetuadas por órgãos públicos.  Afirmou, nessa ordem de ideias, que as retenções feitas pelos órgãos públicos  foram  devidamente  informadas  na  linha  14,  da  ficha  12A —  "Imposto  de Renda Retido  na  Fonte  por  órgão  Público  ­  37.750,94"  da  DIPJ  2002  (doc.  04),  otrossim,  o  fato  é  que  os  rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras teriam sido devidamente oferecidos à tributação e  corretamente  informados na declaração brasileira conforme se verifica das  linhas 07 e 08, da  ficha 06A da DIPJ 2002 (doc. 05) e, assim, também com relação aos comprovantes de retenção  de  IRRF  efetuados  pelos  órgãos  públicos,  não  pode  a  Administração  Fazendária  deixar  de  considerá­los  na  composição  do  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2001  pelos  fundamentos expostos na decisão ora recorrida.  É o relatório.  Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/2002­83  Acórdão n.º 1301­001.685  S1­C3T1  Fl. 6          9   Voto             Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admito­ o para julgamento.  A questão  trazida a  julgamento diz  respeito às declarações de compensação  relativas  a  débitos  tributários  apresentadas  pela  recorrente,  com  a  utilização  de  pretensos  créditos oriundos de saldo negativo de IRPJ e CSLL apurados no ano­calendário 2001, sendo  que  estas,  após  decisão  da  DRF  de  origem  e  da  decisão  ora  recorrida,  foram  parcialmente  homologadas, até o limite do crédito reconhecido.  Considerando  o  teor  das  decisões  acima  mencionadas,  descritas  minudentemente no  relatório,  o qual  integra o presente voto para  todos os  fins,  esclareceu  a  recorrente que o objeto do Recurso Voluntário se  restringe a discutir a parcela  formadora do  pretenso crédito que está atrelada às deduções referentes: i) ao imposto de renda pago pela sua  sucursal  na  Argentina;  ii)  às  retenções  de  IRRF  efetuadas  por  órgãos  públicos,  sendo  precisamente este o limite objetivo do enfretamento a ser realizado nesta sede.  Quanto  ao  imposto pela  sucursal  argentina,  a  recorrente  trouxe à  folha  361  uma tabela demonstrativa na qual esclarece os valores reconhecidos por cada uma das decisões  pretéritas, de sorte que reputo oportuna sua transcrição, dado o caráter elucidativo e didático:        Feitas  estas  verificações,  como  já  anotou  a  recorrente,  a  decisão  recorrida,  além daquelas já reconhecidas pela DRF, considerou algumas parcelas de antecipação (6, 9 e  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES   10 10),  mantendo  a  glosa  das  demais  (1,  2,  3,  4,  e  5),  ao  fundamento  de  que  recorrente  teria  compensado tais parcelas com crédito advindo de benefício fiscal auferido, o que seria vedado  pelo § 8º, do art. 13, da IN SRF 38/1996, implicando, portanto, no reconhecimento do direito  creditório.  Como  anotado  no  relatório  acima,  em  verdade  o  que  a  decisão  recorrida  reputou,  ao  analisar  a  declaração  apresentada  pela  contribuinte  (fl.  160),  foi  um  total  de  antecipações de R$ 91.847,53, restando um saldo apagar de R$ 1.586,46, sendo que em relação  às parcelas não reconhecidas a cópia dos documentos intitulados "Solicitud de Compensacion"  (fls. 162/166 e 168) demonstram que o fisco argentino autorizou a compensação do imposto de  renda (impuesto a las ganancias), com tributo denominado "al valor agregado' — IVA, sendo  que  em  nota  de  rodapé  impressa  nesse  documento  consta  a  seguinte  observação:  "compensacion de deudas fiscales com el credito em el IVA, concedido em las exportaciones ".   Assiste razão à decisão recorrida, portanto, ao concluir que tendo em vista o  disposto  no  artigo  13,  §  8°  da  IN  SRF  38/1996,  não  seria  permitido  o  aproveitamento  de  crédito  de  tributo  decorrente  de  qualquer  benefício  fiscal,  sendo  necessária  prova  de  que  o  crédito utilizado para as compensações em apreço tinha origem em valores efetivamente pagos  ao erário argentino e não a mera alegação de que a sucursal não possui benefícios fiscais dessa  natureza, situação que na espécie, retira os atributos de certeza e liquidez do crédito indicado,  motivo pelo qual, a meu juízo, este tópico da decisão recorrida não merece qualquer reparo.  Quanto ao  item atinente às  retenções na  fonte por órgão públicos,  tal  como  anotado  no  relatório,  a  decisão  recorrida  não  reconheceu  o  pretenso  direito  creditório  ao  fundamento  de  que  na  ficha  43,  de  folhas  95  a  122  não  estão  relacionados  os  rendimentos  obtidos  dessas  fontes  pagadoras,  tampouco  haveria  provas  de  que  a  empresa  declarou  tais  receitas para efeito de apuração do imposto devido.  Neste  tópico  específico  entendo  que  a  decisão  recorrida  merece  ser  reformada.  Com  efeito,  bem  elucidou  a  recorrente  que  à  época,  na  ficha  43  citada  pela  julgadora, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela  recorrente  (códigos 6147 e 6190),  nem para  informação dos  rendimentos obtidos dos órgãos  públicos,  sendo  que  na  ficha  43  da DIPJ  2002  constam  todas  as  retenções  previstas,  exceto  aquelas  não  deveriam  ser  ali  indicadas,  como  é  o  caso  das  retenções  efetuadas  por  órgãos  públicos,  as  quais  foram devidamente  informadas  na  linha 14,  da  ficha  12A — "Imposto  de  Renda Retido na Fonte por órgão Público­ 37.750,94" da DIPJ 2002, como se vê à folha 383.  Considera­se  assim,  que  os  rendimentos  obtidos  dessas  fontes  pagadoras  foram  todos  devidamente  oferecidos  à  tributação  e  corretamente  informados  na  declaração,  conforme se verifica das linhas 07 e 08, da ficha 06A da DIPJ 2002 (fl. 384).  Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento  ao Recurso Voluntário,  reformando a decisão  recorrida  apenas quanto  ao  item  relacionado  à  retenção na fonte por órgãos públicos.  Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2014.  (assinado digitalmente)  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.    Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/2002­83  Acórdão n.º 1301­001.685  S1­C3T1  Fl. 7          11                           Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES

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Numero do processo: 11516.001841/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 CONFISSÃO E PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Quando o contribuinte confessa e parcelando o débito, demonstra a desistência, mesmo que tácita, do recurso voluntário. Logo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela desistência do contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001841/2010­21  Acórdão n.º 2803­003.646  S2­TE03  Fl. 433          2  Trata­se de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão que manteve  o lançamento impugnado.  O  autos  vieram  à  apreciação  da  presente  turma,  mas  após  a  indicação  de  pauta, foi protocolizado no dia 29.08.2014 pedido de desistência dos mesmos.  É o relatório.  Fl. 434DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001841/2010­21  Acórdão n.º 2803­003.646  S2­TE03  Fl. 434          3      Voto             Conselheiro Gustavo Vettorato  Preliminarmente, os recurso voluntário não deve ser conhecido.  Indiferente  das  alegações  da  parte,  a  mesma  apresentou  pedido  de  desistência,  para  fins  de  parcelamento,  não  havendo  mais  questões  a  serem  conhecidas  administrativamente.  O  disposto  art.  78,§§2º  e  3º,  do  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  CARF/MF, é claro:   Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.  § 1° A desistência será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2°  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já  ter  ocorrido  decisão  favorável  ao  recorrente,  descabendo  recurso  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  por  falta  de  interesse.  Isso  posto,  voto  em  não  conhecer  o  recurso  voluntário,  em  razão  de  desistência.  É como voto.  Gustavo Vettorato ­ Relator                            Fl. 435DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001841/2010­21  Acórdão n.º 2803­003.646  S2­TE03  Fl. 435          4      Fl. 436DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 14485.002914/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14485.002914/2007­07  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2301­000.488  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  09 de outubro de 2014  Assunto  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  ORGANIZAÇÃO DE SAÚDE COM EXCELÊNCIA E CIDADANIA  OSEC(NOVO NOME EMPRESARIAL DE  ORGANIZAÇÃOSANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).   (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex  Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 02 91 4/ 20 07 -0 7 Fl. 5664DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/2007­07  Resolução nº  2301­000.488  S2­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, por  infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na  redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal  da Infração, de fls. 12 a 27, e planilhas anexas, de fls. 30 a 58, ela apresentou GFIP (Guia de  Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), com dados não correspondentes  aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.  O  Relatório  Fiscal  da  Infração  informa  que  a  Recorrente  declarou  isenta  no  código FPAS 639, mas que nunca teve isenção reconhecida, e diz ainda que:  declarou em GFIP informações equivocadas relativas ao seu código FPAS (639  ao invés de 5740) e ao percentual de isenção incompatível com sua realidade (100% quando o  correto seria 0%); deixou de declarar em GFIP para  todas as  filiais e competências as exatas  remunerações  consignadas  nas  folhas  de  pagamento  relativas  aos  segurados  empregados  (ou  seja,  foram  apuradas  divergências  entre  os  valores  lançados  pela  empresa  em  folha  de  pagamento e aqueles por ela declarados em GFIP);  deixou  de  declarar  em  GFIP  a  remuneração  destinada  aos  contribuintes  individuais de  suas  filiais,  de  forma  integral  da  competência 08/2000 a  03/2003,  e de  forma  parcial  apenas  para  a  filial  000831  de  04/2003  a  04/2004;  não  declarou  em  GFIP,  para  nenhuma filial e competência, os valores relativos a pagamento de vale transporte em dinheiro  registrado nas folhas de pagamento das diversas filiais.  Quanto a aplicação da multa o Relatório Fiscal informa que:  tendo  em  vista  o  disposto  no  artigo  284,  II  do  Regulamento  da  Previdência  Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, na redação do Decreto n.º 4.729, de  09/06/2003, e no art. 32, IV, § 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, o valor referente à aplicação  da multa  pela  apresentação  de GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias  corresponde  a  100%  do  valor  devido  relativo  à  contribuição  não  declarada,  observado  o  limite  por  competência,  em  função  do  número  de  segurados a serviço da empresa; para fins de aplicação da multa, levou­se em consideração que  a entidade declarou em GFIP informações equivocadas quanto a seu código FPAS (639 a invés  de 5740) e percentual de isenção incompatível com sua realidade (100% quando o correto seria  0%), além de informações divergentes ou faltantes com relação às remunerações pagas a seus  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais;  foram  elaboradas  planilhas  retratando  as  competências  e  filiais  envolvidas,  os  valores  devidos  não  declarados,  o  valor  total  da multa  aplicável  por  competência  e  o  número  de  segurados  da  empresa  com  base  nas  informações  constantes  da  GFIP;  a  Planilha  1  trata  dos  valores  devidos  relativos  às  contribuições  não  declaradas  à  época  referentes  a  Divergência  entre  FOPAG  e  GFIP,  Vale  Transporte  e  Autônomos; a Planilha 2 se refere aos valores devidos sobre a remuneração constante de folha  de  pagamento  e  autônomos  declarada  em GFIP  à  época,  como  se  não  houvesse  isenção,  aí  respeitado o período em que vigeu norma mais benéfica (de 08/2000 a 05/2003);  Fl. 5665DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/2007­07  Resolução nº  2301­000.488  S2­C3T1  Fl. 4          3 a Planilha 3 evidencia a totalização dos valores e cálculo final da multa aplicável  por competência, respeitado o limite legal conforme número de segurados de toda a empresa,  sendo  que  o  valor  total  da  multa  a  ser  aplicado  corresponde  ao  somatório  das  multas  por  competência  das  Planilhas  1  e  2;  foi  juntado  Termo  de  Verificação  de  Antecedentes  de  Infração,  no  qual  se  constata  não  haver  autuações  anteriores,  não  tendo  sido  registrado  circunstâncias agravantes.  Após três diligências foi lançado um novo relatório fiscal da multa, assim:  foi aplicada a multa prevista no artigo 284,  II do Regulamento da Previdência  Social (RPS) aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, na redação do Decreto n.º 4.729,  de 09/06/2003, e no art. 32, IV, § 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, correspondente a 100%  do valor devido relativo à contribuição não declarada, observado o limite por competência, em  função do número de segurados a serviço da empresa, conforme previsto no inciso I do art. 284  do RPS; a multa aplicada levou em consideração o fato de a empresa ter declarado em GFIP  informações equivocadas quanto ao seu código FPAS (639 ao invés de 5740) e percentual de  isenção  incompatível  com  sua  realidade  (100%  ao  invés  de  0%),  além  de  informações  divergentes  ou  faltantes  com  relação  às  remunerações  pagas  a  seus  segurados  empregados  e  contribuintes individuais (autônomos);  no  que  diz  respeito  ao  preenchimento  incorreto  dos  campos  “FPAS”  e  “Percentual de Isenção” da GFIP, a multa foi calculada respeitando­se o período em que vigeu  a  norma mais  benéfica  (de  08/2000  a  05/2003),  ou  seja,  a  prevista  no  art.  284,  III  do RPS;  consta no Sistema Informatizado da Previdência Social a existência do Auto de Infração (AI)  n.º  32.383.5376,  de  18/12/1997,  com  código  de  fundamentação  legal  38,  liquidado  em  30/04/1998, lavrado em ação fiscal anterior; nos termos do parágrafo único do art. 290 do RPS  e,  considerando  que,  para  fins  de  reincidência,  o  prazo  de  cinco  anos  é  contado  da  data  da  decisão administrativa definitiva da infração anterior (no caso em tela, 30/04/1998) até a data  da prática da nova infração, a entidade incorreu em reincidência genérica para as competências  08/2000 a 03/2003.  Foi emitido, então, o despacho de fls. 5.045 a 5.046, no sentido de que fossem  enviadas ao contribuinte cópias do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa Substitutivo de fls.  4.999  (processo  digital),  das  Informações  Fiscais  de  fls.  4.946  a  4.950  (processo  digital)  e  5.000 a 5.003 (processo digital), e das planilhas de fls. 4.951 a 4.985 (processo digital) e 5.004  a 5.043 (processo digital).  O prazo de defesa foi reaberto, dando oportunidade para a empresa impugnar as  novas informações trazidas aos autos, o que vez, juntando novos documentos, o que obrigou a  realização da quarta diligência.  Como  resultado  da  diligência,  a  fiscalização  anexou,  às  fls.  5.357  a  5.403,  planilhas substitutivas daquelas anteriormente juntadas às fls. 5.004 a 5.043, tendo em vista a  alteração  da  situação  relativa  à  correção  da  falta  decorrente  dos  novos  documentos  apresentados pela entidade, e emitiu a Informação Fiscal, de 30/07/2007, de fls. 5.352 a 5.356,  na qual relata:  1.  que  foram  apreciados  os  documentos  juntados  aos  autos  após  a  reabertura do prazo de defesa;  Fl. 5666DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/2007­07  Resolução nº  2301­000.488  S2­C3T1  Fl. 5          4 2.  que  foram  verificados  os  valores  constantes  no  “Sistema  CNISA  –  Relatório  Demonstrativo  de  Normalizações  e  Agregações  (DNA)”,  visando considerar todas as GFIP’s e Retificadoras que foram entregues  e processadas pelo sistema;   3.  que,  nas  competências  em  que  houve  divergência  entre  os  valores  constantes do CNISA e das GFIP’s apresentadas (desde que constatadas  nestas as formalidades de entrega, quais sejam, para GFIP’s declaratórias  o carimbo do agente arrecadador ou protocolo de envio à Conectividade  Social, para as de pagamento anteriores a 03/2005 autenticação mecânica  do agente arrecadador),   É a síntese.  Fl. 5667DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/2007­07  Resolução nº  2301­000.488  S2­C3T1  Fl. 6          5   Voto  Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator ‘ad hoc’   O presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade,  inclusive  a  tempestividade,  razão  pela  qual  dele  conheço  e  passaria  à  análise  das  questões  trazidas  à  baila  se  não  houvesse  a  questão  de  este  processo  tratar  de  obrigação  tributária  acessória.   Neste  diapasão  em  sendo  uma  obrigação  surgida  quando  se  consuma  um  fato  imponível previsto na legislação tributária, e, considerando ser um vínculo que une o credor e o  devedor para o pagamento de alguma dívida, mas, como é o caso em tela, consiste em ação ou  omissão que propicia ou facilita a ação do fisco, chamada de obrigação acessória ou prestação  negativa ou positiva, sendo dependente do não cumprimento de uma obrigação principal, penso  que há de ser analisada primeira a obrigação principal.  Portanto,  sendo  esta  dependente  daquela,  penso  que  há  de  a  Unidade  Preparadora informar o resultado de todos os processos que resultaram da mesma ação fiscal,  informando ainda qual o processo foi julgado primeiro, para o caso de análise de prevenção.  CONCLUSÃO   Diante  do  acima  exposto,  sendo  analise  de  descumprimento  de  obrigação  acessória, há de a Unidade Preparadora informar o resultado de todos os processos que tiveram  como origem a mesma ação fiscal, inclusive informando qual foi o primeiro a ser julgado, para  o caso de análise de prevenção.  É o voto.   (assinado digitalmente)  Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator     Fl. 5668DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA

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Numero do processo: 11080.914806/2012-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Fortaleza/CE,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos  resumidos na ementa seguinte:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira­se  a fato ou a direito superveniente ou destine­se a contrapor fatos  ou razões posteriormente trazidas os autos.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  DCTF.  RETIFICAÇÃO.  DECISÓRIO.  ESPONTANEIDADE.  REDUÇÃO  DE  TRIBUTO.  CONFIGURAÇÃO  DE  PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.  É  legítima  a  declaração  retificadora  que  reduzir  ou  excluir  tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal.  No  entanto,  para  que  se  atribua  eficácia  às  informações  nela  contidas,  especificamente  em  relação  àquelas  que  suportam  a  caracterização do pagamento a maior ou  indevido de  tributo, é  mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório.  Se  entregue  depois,  incumbe  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  o  seu  direito  creditório  mediante  a  juntada,  com  a  manifestação  de  inconformidade,  não  somente  da  declaração  retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que  fundamentam a retificação.  DACON. CARÁTER INFORMATIVO.  O DACON  configura  declaração  de  caráter  informativo  e  não  instrumento  de  confissão  de  dívidas  tributárias  nem  veículo  de  inscrição  desses  débitos  em  Dívida  Ativa  da  União.  A  informação  prestada  no  DACON,  desacompanhada  de  documentos  que  a  justifiquem,  não  é  suficiente  para  provar  a  existência  de  direito  creditório  pleiteado  em  declaração  de  compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição,  Ressarcimento  ou  Reembolso  e  Declaração  de  Compensação),  retificando  exclusivamente  a  Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais),  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914806/2012­01  Acórdão n.º 3802­003.806  S3­TE02  Fl. 119          3 o  que  só  veio  a  ocorrer  após  o  despacho  decisório.  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse  atrelado  à  quitação  do  débito  originário,  inviabilizando  a  homologação  da  compensação.  A DRJ manteve  a  não  homologação,  porque,  apesar  da  retificação  da Dctf  após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e  suficiente, do erro no preenchimento da declaração.  A Recorrente, nas razões de fls. 62 e ss., alega a falta de retificação da Dctf  seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando  da  apresentação  do  pedido  de PER/Dcomp. Afirma  que,  pelo  princípio  da  verdade material,  deveria  o  órgão  julgador  verificar  quais  dos  dois  documentos  (Dctf  ou  Dacon)  continha  os  valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de  demonstrar  o  valor  efetivamente  devido  à  título  de  Cofins,  bem  como  a  existência  de  pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Solon Sehn  O  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  no  dia  08/01/2014  (fls.  60),  interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 62). Assim, presentes os demais requisitos  de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido.  O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição,  Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração  de Débitos  e Créditos  Tributários  Federais).  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse  atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação.  A  compensação,  consoante  destacado,  não  foi  homologada  porque  o  Recorrente  transmitiu  o  PER/Dcomp  sem  a  retificação  da  Dctf.  Em  circunstâncias  dessa  natureza,  ao  contrário  do  que  entendeu  a  decisão  recorrida,  a Turma  tem  interpretado  que  o  contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que  apresente prova da existência do crédito compensado.  Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma:  PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO  DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA  VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO  CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução  Normativa  SRF  nº.  583/2005,  vigente  à  época  da  transmissão  das  DCTF’s  retificadoras).  A  retificação,  porém,  não  produz  efeitos quando o débito já foi enviado à Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.  (CARF.  3ª  S.  2ª  T.E.Acórdão  nº  3802­01.078.  Rel.  Conselheiro  Solon Sehn. S. 27/07/2012).  PROCESSO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  ENTREGA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  REDUÇÃO  DO  DÉBITO  ORIGINAL.  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.  Uma  vez  iniciado  o  processo  de  compensação,  a  redução  do  valor  débito  informada na DCTF  retificadora,  entregue  após  a  emissão  e  ciência  do  Despacho  Decisório,  somente  será  admitida,  para  fim  de  comprovação  da  origem  do  crédito  compensado,  se  ficar  provado  nos  autos,  por  meio  de  documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração  do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.  [...]  Recurso Voluntário Negado.  (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­01.290. Rel. Conselheiro  José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012).  COMPENSAÇÃO  COM  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  DEPOIS  DE  PROFERIDO  DESPACHO  DECISÓRIO  NÃO  HOMOLOGANDO  PER/DECOMP.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  ORIGINAL.  INADMISSIBILIDADE  DA  COMPENSAÇÃO  EM  VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA  DO CRÉDITO ADUZIDO.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos  ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a  teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.  Uma  vez  intimada  da  não  homologação  de  seu  pedido  de  compensação,  a  interessada  somente  poderá  reduzir  débito  declarado  em  DCTF  se  apresentar  prova  inequívoca  da  ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.  A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado  impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública  mediante compensação.  Recurso a que se nega provimento.  (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­001.593. Rel. Conselheiro  Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013).  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROLAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  APRESENTAÇÃO  DA  PROVA  DO  CRÉDITO  APÓS  DECISÃO  DA  DRJ.  HIPÓTESE  PREVISTA  NO  ART.  16,  §  4º,  “C”,  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914806/2012­01  Acórdão n.º 3802­003.806  S3­TE02  Fl. 120          5 PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  A  prova  do  crédito  tributário  indébito,  quando  destinada  a  contrapor  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  pode  ser  apresentada após a decisão da DRJ, por  força do princípio da  verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto  nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve  ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.  Recurso Voluntário Provido  Direito Creditório Reconhecido.  (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­01.005. Rel. Solon Sehn. S.  22/05/2012).   PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO  DECISÓRIO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  contábil  da  existência  do  crédito  compensado.  A  simples  retificação  após  o  despacho  decisório  não  autoriza  a  homologação da compensação do crédito tributário.   Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.  (CARF.  S3­TE02.  Acórdão  nº  3802­01.112.  Rel.  Conselheiro  Solon Sehn. S. 27/07/2012).  COMPENSAÇÃO.  REQUISITOS  FORMAIS.  AUSÊNCIA  DE  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  IMPOSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  PELO  CONTRIBUINTE  APÓS  DECORRIDOS  CINCO  ANOS  DA  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO.  EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF.  A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte,  ao  efetuar  pedido  de  compensação  com  base  em  créditos  decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório  (DACON,  DIPJ,  dentre  outros).  Assim,  a  ausência  de  apresentação  da  DCTF  retificadora  é  causa  para  negação  do  crédito  pleiteado.  Todavia,  excepcionalmente  se  permite  a  compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só  foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos  contados  da  extinção  do  crédito,  sendo  certo  que  a  negativa  importaria  em  situação  excepcional  de  restrição  formal  à  verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo  administrativo tributário.  Recurso voluntário provido.  Direito creditório reconhecido.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6 (CARF.  S3­TE02.  Acórdão  nº  3802­001.642.  Rel.  Conselheiro  Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013)  No presente caso, entretanto, entende­se que a documentação apresentada  é  insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito.  A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm  valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente  em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso,  também deveria  ter  sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o  art.  9.º,  §  1.º,  do Decreto­Lei  n.º  1.598/1977,  apenas  “faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos nela  registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim  definidos em preceitos legais”.  Portanto,  nada  justifica  a  reforma  da  decisão  recorrida,  porque  cabe  ao  interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição.  Vota­se pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                                Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 16682.721110/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO NA FORMA DE BENEFÍCIOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais compreende o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, inclusive as parcelas pagas na forma incentivos salariais, benefícios e/ou utilidades. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. AUTOENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. AIOP. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos; para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91 bem como para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei nº 9.430/96. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito, mantendo o lançamento nas rubricas Participação nos Lucros e Resultados, Contribuintes Individuais, Salário-Utilidade “Moradia” e Seguro Acidente do Trabalho – SAT, este porque, para a aplicação da Súmula nº 351 do STJ, pressupõe-se que o contribuinte demonstre eficazmente os graus de risco de cada um de seus estabelecimentos. Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício agravada, conforme o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, porque não restou evidenciado que os esclarecimentos não prestados pelo contribuinte tenham obstado a ação fiscal ou causado prejuízo ao Fisco. Vencido na votação o Conselheiro Relator que entendeu por negar provimento ao recurso. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO NA FORMA DE BENEFÍCIOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais compreende o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, inclusive as parcelas pagas na forma incentivos salariais, benefícios e/ou utilidades. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. AUTOENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. AIOP. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos; para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91 bem como para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei nº 9.430/96. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito, mantendo o lançamento nas rubricas Participação nos Lucros e Resultados, Contribuintes Individuais, Salário-Utilidade “Moradia” e Seguro Acidente do Trabalho – SAT, este porque, para a aplicação da Súmula nº 351 do STJ, pressupõe-se que o contribuinte demonstre eficazmente os graus de risco de cada um de seus estabelecimentos. Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício agravada, conforme o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, porque não restou evidenciado que os esclarecimentos não prestados pelo contribuinte tenham obstado a ação fiscal ou causado prejuízo ao Fisco. Vencido na votação o Conselheiro Relator que entendeu por negar provimento ao recurso. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 894          1 893  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.721110/2012­69  Recurso nº  003.537   Voluntário  Acórdão nº  2302­003.537  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de dezembro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOP   Recorrente  INTELIG TELECOMUNICAÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  SEGURADO CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.  A contribuição previdenciária  incidente  sobre  a  remuneração dos  segurados  contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de  janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da  União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III  da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  SEGURADO CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  REMUNERAÇÃO  NA  FORMA  DE  BENEFÍCIOS.  SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  O  Salário  de  Contribuição  dos  segurados  contribuintes  individuais  compreende o  total das  remunerações pagas ou creditadas a qualquer  título,  no decorrer do mês, inclusive as parcelas pagas na forma incentivos salariais,  benefícios e/ou utilidades.   CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  SAT.  AUTOENQUADRAMENO  EM  GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.  O  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  é  mensurado  conforme  a  atividade  econômica  preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de  Atividades Econômicas  ­ CNAE,  prevista  no Anexo V do Regulamento  da  Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.  É  responsabilidade  da  empresa  o  autoenquadramento  na  atividade  preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de  erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção.  Configura­se  ônus  da  empresa  a  demonstração,  mediante  documentação  idônea,  do  enquadramento  diferenciado  da  atividade preponderante  de  cada  um de seus estabelecimentos individualmente considerados.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 10 /2 01 2- 69 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   2 AIOP. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  O  percentual  de  multa  de  que  trata  o  art.  44,  I,  da  Lei  nº  9.430/96  será  duplicado  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação  para  prestar  esclarecimentos;  para  apresentar  os  arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91 bem  como para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei  nº 9.430/96.   AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.  A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício  serão  aumentados  em  50%  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii)  apresentar  arquivos  ou  sistemas  de  que  tratam  os  artigos  11  a  13  da  Lei  8.212/91;  ou  (iii)  apresentar  a  documentação  técnica  do  sujeito  passivo  usuário  de  sistema  de  processamento  de  dados.  Todavia,  a  simples  não  apresentação  de  documentos  requeridos  pela  Fiscalização,  quando  não  obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, §  2º, da Lei 9.430/96.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  quanto  ao  mérito,  mantendo  o  lançamento  nas  rubricas  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  Contribuintes  Individuais, Salário­Utilidade “Moradia” e Seguro Acidente do Trabalho – SAT, este porque,  para  a  aplicação  da  Súmula  nº  351  do  STJ,  pressupõe­se  que  o  contribuinte  demonstre  eficazmente os graus de risco de cada um de seus estabelecimentos.  Por maioria de votos  em dar provimento parcial  ao  recurso voluntário  para  excluir  do  lançamento  a  multa  de  ofício  agravada,  conforme  o  inciso  I  do  parágrafo  2°  do  artigo 44 da Lei 9.430/96, porque não restou evidenciado que os esclarecimentos não prestados  pelo  contribuinte  tenham  obstado  a  ação  fiscal  ou  causado  prejuízo  ao  Fisco.  Vencido  na  votação o Conselheiro Relator que entendeu por negar provimento ao recurso. O Conselheiro  André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.  André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente de  turma),  André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e  Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 978DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 895          3   Relatório  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  Data da lavratura dos Autos de Infração: 22/01/2013.  Data da Ciência dos Autos de Infração: 22/01/2013.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio  dos  Autos  de  Infração  nº  51.014.488­8,  51.014.489­6  e  51.014.490­0,  consistentes  em  contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais do  trabalho, e a Outras Entidades  e  Fundos,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  empregados  e  a  segurados  contribuintes  individuais,  conforme descrito no Relatório Fiscal  a  fls. 53/89.  Integram o vertente lançamento os seguintes Autos de Infração de Obrigação  Principal:  · AI DEBCAD n° 51.014.488­8 – Referente a contribuições previdenciárias  a  cargo  da  empresa  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos  riscos ambientais do  trabalho,  incidentes  sobre os valores  pagos  a  segurados  empregados,  e  que  foram  declaradas  em  GFIP  com  alíquota de GILRAT de 1%.  · AI  DEBCAD  n°  51.014.489­6  –  Referente  a  contribuições  a  cargo  da  empresa, devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  título  de  PLR,  no  mês  de  março/2009,  a  segurados  empregados que  lhes prestaram  serviços. Essas  contribuições não foram declaradas em GFIP;  · AI DEBCAD n° 51.014.490­0 – Referente a contribuições previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  incidentes  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  título  de  PLR,  durante  o  mês,  a  segurados  empregados  e  remunerações  pagas  a  segurados  contribuintes  individuais  que  lhes prestaram serviços,  não  informadas nas Guias de Recolhimento  do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência  Social ­ GFIP.    De acordo com o Relatório Fiscal, são os seguintes os fatos geradores:  Fl. 979DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   4 · Valores  pagos  a  segurados  contribuintes  individuais,  extraídos  da  contabilidade  e de RPA e não declarados  em GFIP  e nem nas  folhas de  pagamento, apurados através do exame da contabilidade e de Recibos de  Pagamento a Autônomos.  · Valores  pagos  a  título  de  aluguel  de  imóvel  para  uso  do  segurado  contribuinte  individual  Sr.  Leo  Julian  Simpson,  em  todo  o  exercício  de  2009.  · Pagamentos  realizados  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  a  segurados  empregados,  porém  pagos  em  desacordo  com  a  Lei  nº  10.101/2000;  · Diferenças  de  contribuições  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  decorrente  a  aplicação  de  alíquota de 1%, quando a correta seria a de 2%.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 649/688.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba/PR  lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 06­44.788 ­ 7ª Turma da DRJ/CTA,  a  fls.  898/920,  julgando  procedente  o  lançamento  e  mantendo  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  19/03/2014, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 924.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  928/966,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos:  · Que os valores pagos a título de PLR são imunes à tributação;   · Que valores pagos a contribuintes individuais, lançados na contabilidade e  não  declarados  em  GFIP,  não  deve  se  submeter  à  incidência  das  contribuições  previdenciárias  por  força  da  norma  isentiva  prevista  na  alínea "e" do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91;   · Que  os  valores  pagos  ao  segurado  Leo  Julian  Simpson  referentes  ao  pagamento de despesas de aluguel, condomínio, carnê­leão, dentre outras,  podem  ser  classificadas  sob  a  rubrica  “auxílio­moradia”,  e  seu  não  oferecimento  à  tributação  justifica­se  pela  ausência  de  requisitos  necessários  para  identificá­lo  como  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias;   · Que  a  Autoridade  Lançadora  ao  invés  de  atribuir  a  qualidade  de  contribuinte  do  SAT/RAT  ao  estabelecimento,  sujeitou  a  Recorrente  na  qualidade  de  empresa  como  um  todo,  mesmo  diante  da  existência  de  Fl. 980DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 896          5 estabelecimentos  com CNPJ  próprios,  inclusive  identificados  no  próprio  relatório fiscal;   · Que a Fiscalização  não  se  ocupou  em verificar  quais  eram  as  atividades  desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente;   · Que não há justa causa para a qualificação da multa de oficio;     Ao fim. Requer a declaração de insubsistência dos autos de infração.     Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 981DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   6   Voto Vencido  Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 19/03/2014. Havendo sido o recurso voluntário acostado aos autos no dia 17/04/2014,  conforme  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais  a  fl.  926,  há  que  se  reconhecer  a  tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame  do mérito.     2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não  oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª  Instância,  em razão da preclusão prevista no  art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    2.1.  DOS FATOS GERADORES   Alega  o  Recorrente  que  os  valores  pagos  a  título  de  PLR  são  imunes  à  tributação.  Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a  serôdia  ideia  de  que  a  remuneração  do  empregado  é  constituída,  tão  somente,  por  verbas  representativas  de  contraprestação  de  serviços  efetivamente  prestados  pelos  empregados.  A  retidão  de  tal  concepção  poderia  até  ter  sua  primazia  aferida  ao  tempo  da  promulgação  do  Decreto­Lei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho.  Fl. 982DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 897          7 CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO ­CLT   Art.  457  ­ Compreendem­se na  remuneração do empregado, para  todos os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente  pelo  empregador,  como  contraprestação  do  serviço,  as  gorjetas  que  receber.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  1.999/53)  §1º  ­  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas,  diárias  para  viagens  e  abonos  pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53)  §2º ­ Não se  incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para  viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo  empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53)  §3º ­ Considera­se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente  ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como  adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados.  (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229/67)    Art. 458 ­ Além do pagamento em dinheiro, compreende­se no salário, para todos os  efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura"  que  a  empresa,  por  forca  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou  drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229/67)  §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis,  não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes  do salário­mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decreto­lei nº 229/67)  § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo  empregador:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.243/2001)  I  –  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  aos  empregados  e  utilizados no  local de  trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº  10.243/2001)  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores  relativos  a  matrícula,  mensalidade,  anuidade,  livros  e  material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001)  III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso  servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001)  IV  –  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  prestada  diretamente  ou  mediante seguro­saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001)  V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001)  VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001)  VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243/2001)  §3º  ­  A  habitação  e  a  alimentação  fornecidas  como  salário­utilidade  deverão  atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  e 20%  (vinte  por  cento)  do  salário­contratual.  (Incluído  pela Lei nº 8.860/94)  §4º  ­  Tratando­se  de  habitação  coletiva,  o  valor  do  salário­utilidade  a  ela  correspondente  será  obtido  mediante  a  divisão  do  justo  valor  da  habitação  pelo  número  de  coabitantes,  vedada,  em  qualquer  hipótese,  a  utilização  da  mesma  unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94)    Fl. 983DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   8 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de  Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui,  as  relações  jurídicas  se  transformam,  acompanhando...,  os  conceitos  evolvem­se...  Nesse  compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações.  Ao  contrário,  tais  são  exigíveis.  A  sucessiva  evolução  na  interpretação  das  normas  já  positivadas  ajustam­nas  à  nova  realidade  mundial,  resgatando­lhes  o  alcance  visado  pelo  legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo  real.  Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito  às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao  empregador.  Se  assim  o  fosse,  o  décimo  terceiro  salário,  as  férias,  o  final  de  semana  remunerado,  as  faltas  justificadas  e  outras  tantas  rubricas  frequentemente  encontradas  nos  contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por  serviços executados pelo obreiro.  Paralelamente,  as  relações  de  trabalho  hoje  estabelecidas  tornaram­se  por  demais  complexas  e  diversificadas,  assistimos  à  introdução  de  novas  exigências  de  exclusividade  e  de  imagem,  novas  rubricas  salariais  foram  criadas  para  contemplar  outras  prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos,  dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente  démodé.   Antenada  a  tantas  transformações,  a  doutrina  mais  balizada  passou  a  interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo  empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho.   Com  efeito,  o  liame  jurídico  estabelecido  entre  empregador  e  empregado  segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum  minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer  ao  contratante,  além  do  seu  labor,  também  a  sua  imagem,  o  seu  não  labor  nas  empresas  concorrentes,  a  sua  disponibilidade,  sua  credibilidade  no  mercado,  ceteris  paribus.  Já  o  contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como  também uma série de vantagens diretas,  indiretas, em utilidades,  in natura, e assim adiante...  Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas  elas  ostentam,  em  sua  essência,  uma  nota  contraprestativa.  Todas  elas  colimam,  inequivocamente,  oferecer  um  atrativo  financeiro/econômico  para  que  o  obreiro  estabeleça  e  mantenha vínculo jurídico com o empregador.   Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente  figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos  patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de  trabalho e da  lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo  trabalho  realizado.  Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento:  “Fatores  diversos  multiplicaram  as  formas  de  pagamento  no  contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do  salário­base  há  modos  diversificados  de  remuneração  do  empregado,  cuja  variedade  de  denominações  não  desnatura  a  sua natureza salarial ...  (...)  Salário  é  o  conjunto  de  percepções  econômicas  devidas  pelo  empregador  ao  empregado  não  só  como  contraprestação  pelo  Fl. 984DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 898          9 trabalho,  mas,  também,  pelos  períodos  em  que  estiver  à  disposição  daquele  aguardando  ordens,  pelos  descansos  remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por  força  de  lei”  Nascimento,  Amauri  M.  ,  Iniciação  ao  Direito  do  Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005.    Registre­se, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo  “remuneração”  esposado  pelos  diplomas  jurídicos  mais  atuais  se  divorciou  de  forma  substancial daquele conceito antiquado presente na CLT.   O baluarte desse novo entendimento  tem sua pedra  fundamental  fincada na  própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece:  Constituição Federal de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos  ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos)     Do  marco  primitivo  constitucional  deflui  que  a  base  de  incidência  das  contribuições  em  realce  não  é  mais  o  salário,  mas,  sim,  a  “folha  de  salários”,  propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos  os  lançamentos  efetuados  em  favor  do  trabalhador  em  contraprestação  direta  pelo  trabalho  efetivo prestado  à empresa, ACRESCIDO  dos  “demais  rendimentos do  trabalho, pagos ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício”,  parcela  esta  que  abraça  todas  as  demais  rubricas  devidas  ao  trabalhador  em  decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação  paga  pela  empresa,  a  qualquer  título,  aos  segurados  obrigatórios  do  RGPS  encontram­se  abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição.  Nessa  perspectiva,  todo  e  qualquer  lançamento  a  conta  de  despesa  da  empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS,  que  tiver  por  motivação  e  origem  o  trabalho  realizado  pela  pessoa  física  em  favor  do  Contribuinte,  ostentará  natureza  jurídica  remuneratória,  e  como  tal,  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias.   Na prática,  inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente  suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A  importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho  que  o  obreiro  dedicou  à  empresa.  Ao  revés,  a  fração  que  ainda  for  devida  à  pessoa,  independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera  liberalidade do empregador.  Fl. 985DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   10 Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no  Texto  Constitucional  a  real  amplitude  da  base  de  incidência  da  contribuição  social  em  destaque:  as  contribuições previdenciárias  incidem não  somente  a “folha de  salários”,  como  também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à  pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11  do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de  incidência das  contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título.  Constituição Federal de 1988   Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  20, de 1998)    Portanto,  a  contar  da  EC  n°  20/98,  todas  as  verbas  recebidas  com  habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por  força  de  norma  constitucional,  o  conceito  jurídico  de  SALÁRIO  (Instituto  de  Direito  do  Trabalho)  e,  nessa  condição,  passam  a  compor  obrigatoriamente  o  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (Instituto  de  Direito  Previdenciário)  do  segurado,  se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  e  repercutindo  no  benefício  previdenciário do empregado.  Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do  seguinte julgado:  TRT­7 ­Recurso Ordinário:   Processo:  RECORD  53007520095070011  CE  0005300­ 7520095070011   Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO   Órgão Julgador: TURMA 2  Publicação: 22/03/2010 DEJT  RECURSO  DA  RECLAMANTE  CTVA  ­NATUREZA  SALARIAL  ­ CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.  A  parcela  CTVA,  paga  habitualmente  e  com  destinação  a  servir  de  compromisso  aos  ganhos  mensais  do  empregado,  detém  natureza  salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive  para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada.   RECURSO DO  RECLAMADO CEF  ­CTVA.  Com  efeito,  se  referidas  gratificações  são  pagas  com  habitualidade  se  incorporam  ao  patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua  remuneração  para  todos  os  efeitos.  Atente­se  que  a  natureza  de  tal  verba  não  mais  será  de  "gratificação"  mas  sim  de  "Adicional  Compensatório de Perda de Função"  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 899          11   A  norma  constitucional  acima  citada  não  exclui  da  tributação,  de  maneira  alguma,  as  rubricas  recebidas  em  espécie  de  forma  eventual.  A  todo  ver,  a  norma  constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título.  Ocorre,  contudo,  que  o  conceito  de  SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que  o  conceito  trabalhista  mencionado,  compreendendo  não  somente  o  SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho),  mas,  também,  todos  os  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou  creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço.  Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme  o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram  o  conceito  de  Salário  de  Contribuição,  nos  termos  e  na  abrangência  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º.  Leinº8.212,de24 de julho de 1991  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em  uma ou mais empresas, assim entendida a  totalidade dos rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e  os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços  efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador  ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;  (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos)  II  ­  para  o  empregado  doméstico:  a  remuneração  registrada  na  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência  Social,  observadas  as  normas  a  serem  estabelecidas  em  regulamento  para  comprovação  do  vínculo  empregatício e do valor da remuneração;  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou  mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta  própria,  durante  o  mês,  observado  o  limite  máximo  a  que  se  refere  o  §  5o;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  IV ­ para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado  o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de  1999).    Note­se que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência  das  contribuições  previdenciárias,  foi  estruturado  de molde  a  abraçar  toda  e  qualquer  verba  recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente  prestados,  mas  também,  no  interstício  em  que  o  trabalhador  estiver  à  disposição  do  empregador, nos termos do contrato de trabalho.  Advirta­se que o termo “remunerações” encontra­se empregado no caput do  transcrito  art.  28  em  seu  sentido  amplo,  abarcando  todos  os  componentes  atomizados  que  integram  a  contraprestação  da  empresa  aos  segurados  obrigatórios  que  lhe  prestam  serviços.  Em  verdade,  até  mesmo  a  remuneração  referente  ao  tempo  ocioso  em  que  o  empregado  permanecer  à  disposição  do  empregador  não  escapa  da  amplitude  do  conceito  de  salário  de  contribuição.  Fl. 987DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   12 Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a  literalidade  dos  enunciados  normativos  supratranscritos,  eis  que  o  texto  legal  revela­se  cristalino  ao  estabelecer,  como  base  de  incidência,  o  “total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título”.  Nesses  termos,  compreendem­se  no  conceito  legal  de  remuneração  os  três  componentes do gênero, assim especificados pela doutrina:  1­  Remuneração  Básica  –  Também  denominada  “Verbas  de  natureza  Salarial”. Refere­se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador  pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o  obreiro  aufere  de  maneira  regular,  na  forma  de  salário  mensal  ou  na  forma de salário por hora.   2­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  desenhados  para  recompensar  funcionários  com  bom  desempenho.  Os  incentivos  são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  resultados  a  título  de  recompensa  por  resultados  alcançados,  dentre  outros.   3­  Benefícios  ­ Quase  sempre denominados como “remuneração  indireta”.  Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem  uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in  natura”,  que  culminam  por  representar  um  ganho  patrimonial  para  o  trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o  profissional deixa de desembolsar diretamente.    Nesse  novel  cenário,  a  regra  primária  importa  na  tributação  de  toda  e  qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que  a  própria  lei  excluir  do  campo  de  incidência.  No  caso  específico  das  contribuições  previdenciárias,  a  regra  de  excepcionalidade  encontra­se  estatuída  no  parágrafo  9º  do  citado  art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)  a)  Os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  As  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  As  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  Fl. 988DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 900          13 art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho ­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  As  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   1.  Previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço ­FGTS;   3. Recebidas a  título da  indenização de que  trata o art. 479 da  CLT;   4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. Recebidas a título de incentivo à demissão;  6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  Recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).   8.  Recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  A  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;   g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  As  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinquenta por cento) da remuneração mensal;   i) A  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos)   l)  O  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   m)  Os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  A  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  Fl. 989DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   14 direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  As  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  O  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts.  9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r) O  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  O  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  O  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  A  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  Os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)     Cumpre  observar  que,  por  se  tratar  de  renuncia  fiscal,  deve­se  emprestar  interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, em atenção às disposições  tatuadas no art. 111, II, do CTN. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco  citada,  para  se  excluir  da  regra  de  incidência,  é  necessária  a  fiel  observância  dos  termos  da  norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supra­aludido § 9º, quando pagas  ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da  contribuição  para  todos  os  fins  e  efeitos,  sem  prejuízo  da  aplicação  das  cominações  legais  cabíveis.  Fl. 990DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 901          15 Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;      2.1.1.  DA PLR  Contextualizado  nesses  termos  o  quadro  jurídico­normativo  aplicável  ao  caso­espécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o  foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art.  28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição,  as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.  O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados ­ PLR consubstancia­ se numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as  atitudes  e  desempenho  dos  empregados  dentro  do  ambiente  de  trabalho.  Trata­se  de  um  instrumento  gerencial  bastante  utilizado  pelas  empresas,  mundialmente  disseminado,  que  auxilia  no  cumprimento  das  metas  e  diretrizes  das  organizações,  permitindo  uma  maior  participação  e  empenho  dos  empregados  na  produtividade  da  empresa,  além  do  seu  esforço  ordinário  decorrente  do  contrato  de  trabalho,  proporcionando,  dessarte,  atração,  retenção,  motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais.  Constitui­se o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles  que  efetivamente  colaboram  na  obtenção  de  lucros  e/ou  no  atingimento  das  metas  pré­ estabelecidas pelo empregador. Trata­se de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o  Constituinte  Originário,  taxativamente,  outorgado  à  lei  ordinária  a  competência  para  a  estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis:  Constituição Federal de 1988   Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:   (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei.     Merece ser enaltecido que a PLR legal comporta hipótese de não incidência  legal,  nos  termos  da  alínea  “j”  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  e  não  hipótese  de  imunidade constitucional.  Dicionário Priberam da Língua Portuguesa  des∙vin∙cu∙lar ­ (des­ + vincular)  verbo transitivo  1.  Tornar  alienável  (bens  de  morgadio).verbo  transitivo  e  pronominal  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   16 2. Libertar ou libertar­se de um vínculo.    vín∙cu∙lo  (latim  vinculum,  ­i,  laço,  atilho,  relação  de  amizade  ou  parentesco)  substantivo masculino  1. Liame; vincilho.  2. Laço; atilho; nó.  3. Tudo o que ata, liga ou aperta. = LAÇO, NÓ  4. Aquilo que liga ou estabelece uma relação (ex.: vínculo laboral).  5. [Figurado] Morgadio.  6. Bens vinculados.    Desvinculado  da  remuneração  significa,  tão  somente,  que  a  PLR  não  deve  guardar qualquer relação de vínculo com a remuneração, ou seja, ser independente do valor da  remuneração  paga  ao  empregado.  Tal  desvinculação,  todavia,  não  implica  imunidade.  De  maneira alguma.  Analise­se a hipótese de uma empresa resolver pagar um abono de dois mil  reais, a cada empregado, independentemente do cargo ou salário deste, por ocasião das festas  natalinas. Tal abono é desvinculado da remuneração, posto que se trata de um valor fixo, sem  qualquer relação com o salário nominal do beneficiário. Todavia, constitui­se base de cálculo  das contribuições previdenciárias, eis que não expressamente previsto em lei.  Atente­se  que  quando  o  Legislador  Constituinte  elegeu  hipóteses  de  imunidade  tributária,  ele  fê­lo  não  de  maneira  dissimulada,  mas,  sim,  expressamente,  conforme art. 149, §2º, I; art. 150, VI; art. 153, §3º, III e §4º, II; art. 155, §2º, X; art. 156, §2º,  I; art. 195, §7º, etc.  Nessa esteira, quando o Constituinte Originário utiliza os verbos “vincular” e  “desvincular”,  ele  o  faz  no  sentido  da  existência  ou  inexistência  de  relação  de  proporcionalidade matemática, como sói ocorrer nos incisos IV e XI do art. 7º da CF/88.  Constituição Federal de 1988   Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  IV ­ salário mínimo,  fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz  de  atender  a  suas  necessidades  vitais  básicas  e  às  de  sua  família  com  moradia,  alimentação,  educação,  saúde,  lazer,  vestuário,  higiene,  transporte  e  previdência  social,  com  reajustes  periódicos  que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação  para qualquer fim;  (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  (...)    Fl. 992DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 902          17 Como  visto,  não  se  encontra  presente  no  preceito  constitucional  em  voga  qualquer  referência,  a mínima que  seja,  a  eventual não  incidência  tributária  sobre os valores  pagos a título de PLR.  Ao  revés,  a  própria  Lei  nº  10.101/2000  dispõe  expressamente  que  sobre  a  PLR legal há incidência de tributo.  Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000   Art.  3o  A  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa  a  remuneração  devida  a  qualquer  empregado,  nem  constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se  lhe aplicando o princípio da habitualidade.  (...)  §5o  As  participações  de  que  trata  este  artigo  serão  tributadas  na  fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como  antecipação  do  imposto  de  renda  devido  na  declaração  de  rendimentos  da  pessoa  física,  competindo  à  pessoa  jurídica  a  responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto.    Ora, se fosse caso de imunidade tributária, a incidência de Imposto de Renda  sobre a PLR legal seria inconstitucional, eis que sua base de cálculo é, também, a remuneração  do trabalhador.  Trata­se, portanto, a PLR legal não de hipótese de imunidade constitucional,  mas, sim, de caso de isenção legal, prevista na alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91,  fixada nos contornos estatuídos no Código Tributário Nacional ­ CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  (...)  VI  ­  as  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  (...)    Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;  III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.    Art. 175. Excluem o crédito tributário:  I ­ a isenção;  II ­ a anistia.  Parágrafo  único.  A  exclusão  do  crédito  tributário  não  dispensa  o  cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação  principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente.    Fl. 993DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   18 Art.  176. A  isenção, ainda quando prevista  em contrato,  é  sempre  decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos  para a sua concessão, os  tributos a que se aplica e, sendo caso, o  prazo de sua duração.  Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região  do  território da  entidade  tributante, em  função de  condições a  ela  peculiares.    Assim,  nos  termos  dos  artigos  111  e  176  do  CTN,  a  fruição  da  isenção  tributária depende do adimplemento integral das condições estabelecidas na lei concessiva,  in  caso, alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. Lei nº 10.101/2000.    Sendo  um  instrumento  de  integração  capital­trabalho  e  de  estímulo  à  produtividade das empresas, busca­se por meio da regra imunizante e da consequente redução  da  carga  tributária  proporcionar  vantagens  competitivas  às  empresas  que,  regularmente,  implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que,  com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do  pagamento a título de PLR da remuneração em geral.   A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse  sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr.  Ministro do MPAS, ad litteris et verbis:   (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária ,  a  fixação  dos  direitos  dessa  participação.  A  norma  constitucional  em  foco  pode  ser  entendida,  segundo  a  consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de  eficácia  limitada,  ou  seja,  aquela  que  depende  "da  emissão  de  uma  normatividade  futura,  em  que  o  legislador  ordinário,  integrando­lhe  a  eficácia,  mediante  lei  ordinária,  lhes dê capacidade de  execução  em  termos  de  regulamentação  daqueles  interesses".  (Aplicabilidade  das  normas  constitucionais,  São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos)    Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS  nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência:   DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO  ­ TRABALHADOR  ­PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  ­  ART.  7º  ,  INC.  XI  DA  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA  ­ POSSIBILIDADE  DE  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.   1) O art.  7º  ,  inciso XI  da Constituição  da República  de  1988,  que  estende  aos  trabalhadores  o  direito  a  participação  nos  lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada.   2)  O  Supremo  Tribunal  Federal  ao  julgar  o  Mandado  de  Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida  Provisória  nº  794,  de  24  de  dezembro  de  1994,  passou  a  ser  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 903          19 lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto  constitucional.   3)  A  parcela  paga  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa  norma,  integra  o  conceito  de  remuneração  para  os  fins  de  incidência da contribuição social.  (...)  7.  No  entanto,  o  direito  a  participação  dos  lucros,  sem  vinculação  à  remuneração,  não  é  auto  aplicável,  sendo  sua  eficácia  limitada  a  edição  de  lei,  consoante  estabelece  a  parte  final do inciso anteriormente transcrito.  8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e  os  critérios  de  pagamento  da  participação  nos  lucros,  com  a  finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela.  9.  A  regulamentação  ocorreu  com  a  edição  da  Medida  Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  das  empresas  e  dá  outras  providências,  hoje  reeditada  sob  o  nº  1.769­56, de 8 de abril de 1999.  10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus  termos,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  de  participação  nos  lucros  desvinculada  da  remuneração,  mas,  destaco,  a  desvinculação  da  remuneração  só  ocorrerá  se  atender  os  requisitos pré estabelecidos.  11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao  julgar o Mandado  de  Injunção  nº  426,  onde  foi  Relator  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  que  tinha  por  escopo  suprir  omissão  do  Poder  Legislativo  na  regulamentação  do  art.  7º,  inc.  XI,  da  Constituição  da República,  referente  a  participação nos  lucros  dos  trabalhadores,  julgou  a  citada  ação  prejudicada,  face  a  superveniência da medida provisória regulamentadora.  12.  Em  seu  voto,  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  assim  se  manifestou:   O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão  do  Congresso  Nacional  em  regulamentar  o  dispositivo  que  garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e  resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendo­se a  ordem para  efeito  de  implementar  in  concreto  o  pagamento  de  tais  verbas,  sem  prejuízo  dos  valores  correspondentes  à  remuneração.  Tendo  em  vista  a  continuação  da  transcrição  a  edição,  superveniente  ao  julgamento  do  presente WRIT  injuncional,  da  Medida  Provisória  nº  1.136,  de  26  de  setembro  de  1995,  que  dispõe  sobre  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  e  dá  outras  providências,  verifica­se  a  perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os  trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma  constitucional  invocada,  terem  garantida  a  participação  nos  lucros e nos resultados da empresa. (grifei)  14.  O  Pretório  Excelso  confirmou,  com  a  decisão  acima,  a  necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º,  inc. XI),  ficando o pagamento da participação nos  lucros e sua  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   20 desvinculação  da  remuneração,  sujeitas  as  regras  e  critérios  estabelecidos pela Medida Provisória.  15.  No  caso  concreto,  as  parcelas  referem­se  a  períodos  anteriores  a  regulamentação  do  dispositivo  constitucional,  em  que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o  pagamento de parcelas a título de participação nos lucros.  16.  Nessa  hipótese,  não  há  que  se  falar  em  desvinculação  da  remuneração,  pois,  a  norma  do  inc.  XI,  do  art.  7º  da  Constituição  da  República  não  era  aplicável,  na  época,  consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos)    Tratando­se  de  norma  constitucional  de  eficácia  limitada,  esta  depende  da  integração de documento normativo editado pelo órgão  legislativo competente para que suas  disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte.   Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no  julgamento  do  Agravo  Regimental  no  Agravo  Regimental  no  Recurso  Extraordinário  n°  505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez.  EMENTA:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  A  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ART.  7º,  XI,  DA  CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94.   Com  a  superveniência  da  MP  n.  794/94,  sucessivamente  reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao  exercício  do  direito  à  participação  dos  trabalhadores  no  lucro  das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento  do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso,  DJ de 25.10.02].   Embora  o  artigo  7º,  XI,  da  CB/88,  assegure  o  direito  dos  empregados  àquela  participação  e  desvincule  essa  parcela  da  remuneração,  o  seu  exercício  não  prescinde  de  lei  disciplinadora  que  defina  o  modo  e  os  limites  de  sua  participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja  para  fins  tributários,  seja  para  fins  de  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Precedentes.  Agravo  regimental  a  que se nega provimento. (grifos nossos)     Na mesma linha de entendimento:  RE 398.284 / RJ   Rel. Min. MENEZES DIREITO   Órgão Julgador: Primeira Turma  DJe de 19­12­2008    Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade  de lei para o exercício desse direito.   1.  O  exercício  do  direito  assegurado  pelo  art.  7°,  XI,  da  Constituição  Federal  começa  com  a  edição  da  lei  prevista  no  dispositivo  para  regulamentá­lo, diante da imperativa necessidade de integração.   Fl. 996DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 904          21 2. Com  isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a  data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo.   3. Recurso extraordinário conhecido e provido.    Deflui  dos  termos  dos  julgados  suso  transcritos  que  o  exercício  do  direito  social  em  debate  se  sujeita  às  disposições  estabelecidas  na  lei  disciplinadora,  à  qual  foi  confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico  desse  benefício,  seja  para  fins  tributários,  seja  para  fins  de  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Atente­se, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art.  7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que  laboram mediante o vínculo  jurídico de  uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade  econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana,  como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis  que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício.  Das  disposições  plasmadas  no  caput  do  art.  2º  do  Diploma  Legal  acima  desfiado  ergue­se  como  fato  incontroverso  que  o  direito  social  objeto  de  regulamentação  abarca,  tão  somente,  os  empregados  da  empresa,  assim  compreendidos  os  trabalhadores  vinculados  mediante  um  liame  empregatício  com  a  entidade  empresarial  em  questão,  não  irradiando  efeitos  sobre  as  demais  categorias  de  obreiros,  aqui  incluídos  os  segurados  contribuintes individuais.  A  assertiva  ora  alinhada  encontra  amparo,  igualmente,  nas  disposições  insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê  o  apoio  e  estímulo  às  empresas  que  pratiquem  sistemas  de  remuneração  que  assegurem  ao  empregado,  desvinculada  do  salário,  participação  nos  ganhos  econômicos  resultantes  da  produtividade de seu trabalho.   Constituição Federal de 1988   Art. 218 ­ O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento  científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas.  (...)  §4°  A  lei  apoiará  e  estimulará  as  empresas  que  invistam  em  pesquisa,  criação  de  tecnologia  adequada ao País,  formação  e  aperfeiçoamento  de  seus  recursos  humanos  e  que  pratiquem  sistemas  de  remuneração  que  assegurem  ao  empregado,  desvinculada  do  salário,  participação  nos  ganhos  econômicos  resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos)     Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em  testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu  art. 28  a hipótese de não  incidência  tributária  assinalada  no  inciso  XI,  in  fine,  do  art.  7º  da  CF/88,  excluindo  do  campo  de  tributação  das  contribuições  previdenciárias  as  importâncias  pagas,  creditadas  ou  devidas  a  título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in  casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Fl. 997DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   22 Art. 28 – (...)  §9º Não integram o salário­de­contribuição:   (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.     Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento  do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços  definidores  do  direito  social  ora  em  debate,  vindo  a  sofrer,  ao  longo  do  tempo,  em  suas  reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua  definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000.  Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000  Art.1o  Esta  Lei  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração  entre  o  capital  e  o  trabalho  e  como  incentivo  à  produtividade,  nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.  Art.  2º A participação nos  lucros ou resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo: (grifos nossos)   I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos)   §1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art.  3o  A  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  §1o  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real,  a  pessoa  jurídica  poderá  deduzir  como  despesa  operacional  as  participações  atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos  da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição.  §2o  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.  Fl. 998DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 905          23 §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser  alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em  função de eventuais impactos nas receitas tributárias.  §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na  fonte,  em  separado  dos  demais  rendimentos  recebidos  no mês,  como antecipação do imposto de renda devido na declaração de  rendimentos  da  pessoa  física,  competindo  à  pessoa  jurídica  a  responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto.  Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou  resultados  da  empresa  resulte  em  impasse,  as  partes  poderão  utilizar­se dos seguintes mecanismos de solução do litígio:  I – Mediação;  II – Arbitragem de ofertas finais.  §1º  Considera­se  arbitragem  de  ofertas  finais  aquela  que  o  árbitro deve restringir­se a optar pela proposta apresentada, em  caráter definitivo, por uma das partes.  §2º O mediador  ou  o  árbitro  será  escolhido  de  comum acordo  entre as partes.  §3º  Firmado  o  compromisso  arbitral,  não  será  admitida  a  desistência unilateral de qualquer das partes.  §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de  homologação judicial.    Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga  a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de  incentivo  à  produtividade  dos  trabalhadores  e,  consequentemente,  da  empresa,  mediante  o  pagamento  de  um  plus  remuneratório,  além  do  salário  e  dos  demais  benefícios  devidos  ao  trabalhador,  como  forma  de  estimular  o  empregado  a  ter  um  rendimento  operacional  que  exceda ao desempenho ordinário que  lhe é exigido habitualmente como decorrência comum,  inerente e direta do contrato de trabalho.  O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira  clara  e  objetiva,  um  fim  extraordinário  a  ser  alcançado  pelo  desempenho  emproado  do  trabalhador,  estimulado  que  está  pela  promessa  de  um  ganho  adicional  remuneratório  consistente na PLR.   Nos  termos  do  §1º,  in  fine,  do  art.  2º  da  Lei  nº  10.101/2000,  tal  fim  extraordinário  pode  ser  estabelecido  como  um  índice  de  produtividade,  de  qualidade  da  produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de  metas,  de  resultados  ou  de  prazos,  ou  por  qualquer  uma  outra  ferramenta  gerencial  que,  efetivamente,  encoraje,  deflagre  e  estimule  o  trabalhador  a  produzir  mais  e  melhor  do  que  aquele  desempenho  ordinário  que  ele  vinha  apresentando  cotidiana  e  rotineiramente,  decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho.   Fl. 999DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   24 Assim:  · O  desempenho  regular  e  ordinário  do  trabalhador  decorrente  do  compromisso  laboral  pactuado  no  contrato  de  trabalho  é  remunerado  mediante salário;  · O desempenho extraordinário  e  túmido do  trabalhador,  visando a  atingir  objetivos  de  excelência  fixados  previamente  pela  empresa  que  excedam  aos  resultados  históricos,  é  remunerado  mediante  participação  dos  empregados nos  lucros  e  resultados da empresa,  em valores previamente  fixados nas negociações coletivas.     Realiza­se, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o  aumento  da  produtividade,  qualidade,  lucratividade,  volume  de  produção,  prazos,  etc.  O  trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na  PLR.  Conforme dessai dos  incisos  I e  II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000,  optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem  almejados  nos  planos  de  incentivo  à  produtividade,  delegando  às  próprias  empresas  a  prerrogativa  de  estabelecer  nos  seus  planos  de  PLR  os  objetivos  que melhor  de  adequem  à  realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica.  Dentre  tais  fins  extraordinários,  elencou  a  lei,  exemplificativamente,  dentre  outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições:  · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;  · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.    Mas  não  se  iludam,  caros  leitores.  Muito  embora  a  legislação  infraconstitucional  não  obrigue  a  empresa  a  seguir  este  ou  aquele  objetivo  específico,  a  existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico  a  ser  atingido  pelo  quadro  funcional  da  Entidade  é  mandatória  e  indispensável  para  a  caracterização da PLR legal.   Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios  ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que,  necessariamente,  descrever  em  detalhes,  e  de  maneira  prévia,  um  objetivo  extraordinário  específico  a  ser  almejado  pelo  seu  corpo  funcional  na  consecução  e  realização  do  plano  de  participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal.  Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer  uma  dedicação,  um  cuidado  e  um  empenho  de  excelência,  superior  ao  ordinário,  usual  e  cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito  subjetivo estipulado no plano.  Isso  porque,  conforme  já  salientado,  qualquer  verba  paga  em  razão  do  desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no  contrato  de  trabalho  tem  natureza  jurídica  de  salário,  remuneração  direta  e  inescusável  pelo  Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 906          25 labor  rotineiro  e  usual  oferecido  cotidianamente  pelo  trabalhador  à  empresa  e,  nessas  condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias.  Dessarte,  sem  o  estabelecimento  prévio  no  plano  de  PLR  de  um  objetivo  especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se  atingido  satisfatoriamente,  tem  o  condão  de  premiar  os  trabalhadores  que  efetivamente  envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do  trabalho  comum  e  ordinário,  o  qual  é  remunerado  mediante  salário,  sofrendo  a  incidência,  assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social.  O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho  comum,  ordinário,  usual  e  cotidiano  do  empregado,  desconectado  a  qualquer  incentivo  à  produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento  de  tal  rubrica  em  substituição  ou  complementação  à  remuneração  devida  a  qualquer  empregado.  As  regras  claras  e  objetivas  quanto  ao  direito  substantivo  referem­se  ao  direito  dos  trabalhadores  de  conhecerem,  previamente,  no  corpo  do  próprio  instrumento  de  negociação,  o  quanto  irão  receber  a  depender  do  lucro  auferido  pelo  empregador  se  os  objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebê­la.  Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu  desempenho,  de  como  aferi­lo  em  determinado momento  e  situação,  das metas  e  índices  de  produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançá­los, etc.  A  inexistência  de  tais  regras,  de  forma  clara  e  objetiva,  no  instrumento  de  negociação,  implica  a  sua  estipulação  e  avaliação  dos  trabalhadores  por  ato  unilateral  do  empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador.   A  exigência  de  regras  claras  e  objetivas  justifica­se  como  forma  de  inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto  criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão  de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento  da  exata  dimensão  do  direito  a  eles  concedido  e  do  esforço  e  dedicação  que  eles  devem  empreender para alcançá­lo.  Exige, ainda, a Lei n° 10.101/2000 que do acordo constem os “mecanismos  de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar  aos  empregados  a  transparência  nas  informações  por  parte  da  empresa,  o  fornecimento  dos  dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade  ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular  cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito  em debate por parte do empregado.   Como  visto,  tem  por  finalidade  precípua  o  plano  de  PLR  a  constituição  formal  de  um  direito  subjetivo  do  trabalhador,  porém  condicionado,  de  maneira  que,  satisfazendo o  empregado a  condição  assentada no Plano,  ele  trabalhador  se  imite no direito  subjetivo ali estipulado de maneira clara e precisa, sendo  justamente o plano de PLR o  justo  título  para  se  exigir  da  empresa  o  que  se  foi  ajustado  nas  negociações  entre  patrões  e  empregados.  Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   26 Por tais razões, as condições a serem adimplidas, os direitos substantivos dos  trabalhadores,  as  regras  adjetivas,  bem  como  os  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado devem constar de maneira clara e objetiva no plano  de PLR, e este deve ser previamente arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.    Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros  das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu:   "Os critérios  da participação nos  resultados não poderão  ficar  sujeitos  apenas  a  condições  subjetivas,  mas  objetivas,  determinadas,  para  que  todos  as  possam  conhecer  e  para  que  não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o  resultado almejado pela empresa".     Exsurge  a  todo  ver  que  a  regulamentação  legal  pauta­se  no  desígnio  da  proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal.  Os  sindicatos  envolvidos  ou  as  comissões,  nos  termos  do  artigo  2º  da  Lei  de  regência,  têm  liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e  resultados. Visa o Legislador Ordinário  a  impedir que  condições ou  critérios  subjetivos  e/ou  unilaterais obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa  utilize  a  rubrica  em  foco  como  forma  dissimulada  de  remuneração,  o  que  é  expressamente  vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador.   Assim,  devem  as  regras  conformadoras  do  direito  em  palco  ser  claras  e  objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o  obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos  assentados no acordo, o trabalhador passa a ser  titular do direito subjetivo ao recebimento da  importância a que faz jus. Concretiza­se, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o  incentivo à produtividade tão visados pela lei.  Mas a Lei não se  contenta  só com a  explicitação dos direitos objetivos dos  trabalhadores.  Ela  exige  que  o  instrumento  de  acordo  coletivo  especifique  os  critérios  e  procedimentos  a  serem  seguidos  para  a mensuração  do  quanto  do  acordado  já  se  houve  por  cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado  já contribuiu para o alcance  das metas propostas.  Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino  (KERTZMAN, Ivan e  CYRINO,  Sinésio.  In  Salário  de  contribuição;  Salvador,  Editora  Jus  Podivm,  2ª  edição,  2010)  realçaram  as  notas  características  da  hipótese  de  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias ora em  trato:  “A exigência de  regras claras é uma  forma de  impossibilitar a  discriminação  dos  empregados  e  de  alcançar  a  própria  finalidade  do  instituto  criado.  Se  o  objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que  estes  tenham  conhecimento  das  regras  do  benefício  proposto,  pois,  se  assim não  fosse,  não  seria  possível  a  promoção  de  um  esforço  adicional  para  alcançar  a meta  estabelecida,  e  o  programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”.     A  lei  exige  que  nos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  constem  as  regras  adjetivas  do  plano  de  PLR,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 907          27 pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e  prazos para revisão do acordo, para que o trabalhador possa saber, de antemão, como ele será  avaliado  e  como  será  apurado  o  cumprimento  das  metas  previamente  estabelecidas,  não  se  contentando a Lei com a mera divulgação, a posteriori, na internet ou em outro meio qualquer  de comunicação da empresa, da consolidação dos resultados alcançados.  A Lei preconiza um enfoque proativo, de natureza dinâmica, antecipando de  maneira  clara  e  precisa  qual  será  efetivamente  o mecanismo  de  avaliação  dos  trabalhadores  quanto  às  metas  estabelecidas  e  de  qual  será  o  critério  e  metodologia  de  apuração  do  cumprimento das metas estabelecidas no acordo. Não se satisfaz com a mera postura estática,  retroativa, de apenas medir e relatar os resultados alcançados.  Alerte­se que  a  estipulação  de metas  e  a divulgação  estática  dos  resultados  alcançados no final do período de apuração não se confundem com descrição dos mecanismos  de aferição das  informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A Lei nº 10.101/2000  exige ambas. Não se basta só com a primeira.    De  outro  eito,  decorre  por  dedução  lógica  e,  principalmente,  pelas  disposições  expressas  na  lei,  que  a  definição  e  formalização  em  documento  próprio  das  condições  de  contorno  do  plano  de  PLR  têm  que  estar  concluídas  e  tornadas  públicas  aos  empregados previamente  ao período de  apuração dos objetivos pactuados  entre  as partes,  de  maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de  como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados  os objetivos  estabelecidos pela  empresa  e de  como o  empregado  será  avaliado pela  empresa  para  fazer  jus  ao  ganho  patrimonial  especificamente  consignado  e  prometido  na  negociação  coletiva ­ REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.  Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o  ganho  de  produtividade,  exige  a  lei  a  negociação  prévia  entre  empresa  e  os  empregados,  mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade  das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados  (direito substantivo).   Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à  empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do  contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de  apuração,  para  que  os  trabalhadores  saibam,  com  precisão,  o  quê,  como,  quando  e  quanto  precisam fazer para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano  ajustado.  Por isso, os trabalhadores, antes do início do período de apuração, necessitam  ter  o  claro  e  preciso  conhecimento  de quanto  e  quando  irão  ganhar,  sob  que  forma,  e  como  serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva  à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos  substantivos dos trabalhadores.  O  espirito  da  lei  pauta­se  na  transparência,  conhecimento  e  registro  documental  prévio  dos  direitos  subjetivos  dos  trabalhadores  na  participação  nos  lucros  e  resultados da  empresa,  bem como das  condições  e dos  fins  excepcionais que deverão de  ser  atingidos com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial.   Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   28 Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como  mera peça  decorativa  na  indigitada  lei  específica, mas,  sim,  como documento  formal  para  o  registro  dos  fins  extraordinários  a  serem  alcançados  pelo  corpo  funcional  da  empresa,  das  regras  claras  e  objetivas  referentes  aos  direitos  substantivos  dos  empregados,  ou  seja,  do  incentivo contraprestacional que  irão auferir  caso atinjam os objetivos do plano, e das  regras  adjetivas,  inclusive mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo.    Deflui da simbiose dos fundamentos  jurídicos e principiológicos dimanados  dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões  e  empregados  seja  arquivado  PREVIAMENTE  na  entidade  sindical  da  categoria,  como  garantia dos direitos dos  trabalhadores, porquanto os  sindicatos ostentam, como uma de suas  principais  funções,  a  defesa  dos  interesses  econômicos,  profissionais,  sociais  e  políticos  dos  seus associados.  A  Lei  nº  10.101/2000  não  se  satisfaz  com  o  mero  convite  ou  carta  de  convocação  aos  sindicatos.  Ela  exige  a  participação  efetiva  dos  sindicatos  na  mesa  de  negociações!  A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR  não  é  excludente  da  exigência  estatuída  no  Diploma  Legal  ora  em  foco,  uma  vez  que  o  Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no art.  616 da Consolidação das Leis do Trabalho, ad litteris et verbis:  Consolidação das Leis do Trabalho   Art.  616  ­  Os  Sindicatos  representativos  de  categorias  econômicas  ou  profissionais  e  as  empresas,  inclusive  as  que  não  tenham  representação  sindical, quando provocados, não podem recusar­se à negociação coletiva.  (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229/67)  §1º Verificando­se  recusa  à  negociação  coletiva,  cabe  aos  Sindicatos  ou  empresas  interessadas  dar  ciência  do  fato,  conforme  o  caso,  ao  Departamento  Nacional  do  Trabalho  ou  aos  órgãos  regionais  do  Ministério  do  Trabalho  e  Previdência  Social,  para  convocação  compulsória  dos  Sindicatos  ou  empresas  recalcitrantes.  (Incluído  pelo  Decreto­lei nº 229/67)  §2º  No  caso  de  persistir  a  recusa  à  negociação  coletiva,  pelo  desatendimento  às  convocações  feitas  pelo  Departamento  Nacional  do  Trabalho  ou  órgãos  regionais  do  Ministério  de  Trabalho  e  Previdência  Social,  ou  se  malograr  a  negociação  entabolada,  é  facultada  aos  Sindicatos  ou  empresas  interessadas  a  instauração  de  dissídio  coletivo.  (Incluído pelo Decreto­lei nº 229/67)  §3º  ­  Havendo  convenção,  acordo  ou  sentença  normativa  em  vigor,  o  dissídio  coletivo  deverá  ser  instaurado  dentro  dos  60  (sessenta)  dias  anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter  vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decreto­lei nº  424/69)  §4º  ­  Nenhum  processo  de  dissídio  coletivo  de  natureza  econômica  será  admitido sem antes  se esgotarem as medidas  relativas à  formalização da  Convenção  ou  Acordo  correspondente.  (Incluído  pelo  Decreto­lei  nº  229/67)    Nessa esteira, não atendendo os sindicatos à convocação levada a efeito pela  Recorrente,  deveria  esta  ter  dado  ciência  do  fato  ao  órgão  responsável  do  Ministério  do  Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 908          29 Trabalho, ou ao órgão governamental competente que lhe faça as vezes, para que procedesse à  convocação compulsória dos Sindicatos recalcitrantes.   Dessarte,  sem  a  presença  de  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria  e  enquanto  não  se  promover  o  efetivo  arquivamento  do  instrumento  de  acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo  com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que  exclui  toda  e  qualquer  verba  paga  a  título  de  PLR  do  campo  de  não  incidência  tributária  delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.  Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, deve­se emprestar  interpretação  restritiva  às  normas  que  concedam  outorga  de  isenção.  Nesse  diapasão,  em  sintonia  com  a  norma  tributária  há  pouco  citada,  para  se  excluir  da  regra  de  incidência  é  necessária  a  fiel  observância  dos  termos  da  norma  de  exceção,  tanto  assim  que  as  parcelas  integrantes do supra­aludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação  pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem  prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.  Código Tributário Nacional ­CTN   Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;    Dado  à  exegese  restritiva  exigida  pelo  CTN,  somente  serão  extirpadas  da  base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação  nos  lucros e  resultados  (PLR) que  forem pagas ou creditadas a  segurados empregados, e em  estreita  e  inafastável  consonância  com  a  lei  específica  que  rege  o  benefício  em  pauta.  Do  contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição.  Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração  prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma  vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros  e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos:  · A verba paga a título de participação nos  lucros e  resultados da empresa  tem  que  ser  representativa  de  um  plano  gerencial  de  incentivo  à  produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000.  · O  plano  de  incentivo  à  produtividade  tem  que  traduzir,  portanto,  de  maneira  clara  e  objetiva,  um  fim  extraordinário  a  ser  alcançado  pelo  desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa  de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que,  efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e  melhor do que  aquele desempenho ordinário que  ele vinha  apresentando  cotidiana  e  rotineiramente,  decorrente  do  seu  compromisso  laboral  celebrado no contrato de trabalho.   Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   30 Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente  do  compromisso  laboral  pactuado  no  contrato  de  trabalho  é  remunerado mediante salário;  Ø O  desempenho  extraordinário  e  túmido  do  trabalhador,  visando  a  atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que  excedam  aos  resultados  históricos,  é  remunerado  mediante  participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em  valores previamente fixados nas negociações coletivas.   · Tem  que  resultar  de  negociação  formal  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  por  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  obrigatoriamente,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo;  · Das negociações  suso  citadas,  deverão  resultar  instrumentos  formais que  registrem o plano de  incentivo à produtividade adotado pela empresa, os  objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e  objetivas  definidoras  dos  direitos  substantivos  dos  trabalhadores,  bem  como  a  regras  adjetivas,  abarcando  os  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc.  · A  negociação  entre  empresa  e  trabalhadores  tem  que  ser  concluída  e  assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os  empregados  dele  participem  com  a  perfeita  e  exata  noção  do  que,  do  quanto,  do  quando  e  do  como  fazer  para  o  atingimento  dos  objetivos  pactuados,  do  quanto  receberão  pelo  seu  sucesso,  e  de  como  serão  avaliados para fazerem jus à PLR prometida;   · O  instrumento  formal  resultante  do  acordo  em  realce  tem  que  ser  arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores;  · A  PLR  não  pode  substituir,  tampouco  complementar,  a  remuneração  devida a qualquer empregado;  · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil;    No  caso  em  apreço,  constatou  a  Fiscalização  que  a  folha  de  pagamento  da  empresa  registrava  o  pagamento  de  PLR  a  seus  empregados,  na  competência  03/2009,  mediante a rubrica “4100 ­ PARTIC. LUCROS E RESULTADOS”.  Para  os  valores  declarados  a  título  de  PLR  no  ano  de  2009,  foram  apresentados dois acordos coletivos distintos, referentes aos sindicatos localizados no estado do  Rio de Janeiro e no estado de São Paulo.    2.1.1.1.   PLR – Estado de São Paulo  Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 909          31 Para o estado de São Paulo, foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho  2008/2009,  a  fls.  240/254,  cuja  cláusula  décima  segunda  ­  PPR  2009  contém  a  seguinte  previsão: “A  INTELIG TELECOM negociará até  julho de 2009, valores e bases para o PPR  2009”.  A  empresa  foi  então  intimada,  mediante  o  TIF  de  n°  4,  a  fornecer,  caso  houvesse, a negociação dos valores e bases descritas nestes acordos.  Em sua resposta datada de 27/07/2012, a empresa não faz qualquer menção  ao acordo de PLR do ano de 2009 para os funcionários de São Paulo. A empresa foi novamente  instada mediante os TIF de n° 6 e 8, a apresentar o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009,  protocolizado  no MTE em  14/08/2009,  com  o  SIND TRAB EMP TELECOMUNICACOES  OPER MESAS TELEFO NO ESP,  que  contém na Cláusula Décima Segunda  ­ PPR 2009  a  seguinte  informação: “ A INTELIG TELECOM negociará até  julho de 2009, valores e bases  para o PPR 2009”. Até o TIF 4 não foi apresentado o Acordo com as regras para o pagamento  do  PLR  no  ano  de  2009.  Fornecer  este  Acordo  ou Atestar  por  escrito  que  este Acordo  não  existe”    Novamente  a  empresa  não  apresentou  qualquer  resposta  por  escrito  com  relação aos questionamentos. Nos TIF n° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação:  “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à  empresa  nos TIF n  ° 6  e 8  e  que  até o  presente não  foram apresentadas  pela empresa:”  (...)  2. Em relação ao empregados filiados ao SINTETEL/SP.  2.1. O Acordo com as regras para o pagamento de PLR no ano de 2009”    Além do que já mencionado, a empresa também foi intimada nos TIF de n° 6  e 8, em seus itens 1.3 e 2.3  “1.3  Confirmar  que  ()  apenas  os  empregados  cujo  estabelecimento  se  encontra  no  Estado  de  São  Paulo  são  abrangidos  pelos  Acordos  deste  Sindicato.  2.3  Confirmar  que  (...)  apenas  os  empregados  cujo  estabelecimento  se  encontra no Estado do Rio de Janeiro são abrangidos pelos Acordos deste  Sindicato.”    Em resposta datada de 11/09/2012, a empresa afirma que:   “ 1.2 ­ Sim, a base territorial do Sindicato de SP é o Estado de SP.  2.3 ­ Sim, a base territorial do Sindicato do RJ é o Estado do RJ.”    Depreende­se  então  que  não  havia  previsão  para  pagamentos  de  valores  a  título de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo  utilizado para o Rio de Janeiro. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados  localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por um acordo de PLR, ou  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   32 este  acordo  não  foi  apresentado  a  auditoria  para  verificação  de  atendimento  dos  requisitos  legais.  Por  tais  razões,  concluiu­se  que  os  valores  pagos  a  título  de  PLR  aos  empregados localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por qualquer  acordo  de PLR,  razão  pela  qual  foram  considerados,  integralmente  como  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias, por  terem sido pagos em desacordo com a Lei nº 10.101/2000,  não se subsumindo, portanto, à hipótese de isenção prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da  Lei nº 8.212/91.    2.1.1.2.   PLR – Estado do Rio de Janeiro.  Para  o  estado  do  Rio  de  Janeiro,  foi  apresentado  o  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  2008/2009,  a  fls.  255/269,  cuja  “CLÁUSULA  NONA  ­  Participação  nos  RESULTADOS  2008”,  continha  a  previsão  de  um  plano  de  participação  nos  lucros  ou  resultados ­ PLR.   De acordo com o item “6 ­ Desenho do Programa” da Cláusula Nona, em seu  subitem “6.l ­ Meta” verifica­se que a Meta do PLR consiste no atingimento de 3 indicadores:  · Caixa:  O  valor  meta  para  o  Caixa  para  o  ano  de  2008  é  de  R$  34,64  milhões;  · Despesas  Operacionais:  O  valor  meta  de  Despesas  Operacionais  para  o  ano  de  2008  é  de  R$  229,8  milhões,  de  acordo  com  o  orçamento  da  empresa.  · Margem Bruta: O percentual meta de Margem Bruta para o ano de 2008 é  de 54% da Receita Líquida, de acordo com orçamento da empresa.    Trata­se de resultados, um número, indicadores que, por si só não podem ser  considerados como um  incentivo a produtividade, pois não guardam correlação direta com o  esforço  individual dos empregados. Com base unicamente nestes  indicadores, um empregado  pode  ser  extremamente  eficiente,  ou  totalmente  deficiente,  que  isto  não  refletirá no  valor  de  PLR a ser pago individualmente.  Emblemático  é  o  indicador  Caixa,  que  basicamente  representa  o  valor  dos  recursos  imediatamente disponíveis para efetuar pagamentos, e que de forma alguma poderia  ser utilizado para medir a produtividade de seus funcionários.   Da mesma forma o indicador Despesas Operacionais apenas mede o quanto a  empresa  despende  para  suas  despesas  do  dia  a  dia,  e,  isoladamente,  em  nada  avalia  o  desempenho dos funcionários.  Importante ressaltar que o Acordo Coletivo em questão foi protocolizado no  MTE  em  18/05/2009,  onde,  portanto,  o  valor  dos  indicadores  para  o  PLR  de  2008  já  eram  conhecidos,  uma  vez  que  o  ano  fiscal  de  2008  já  era  findo.  Desta  forma,  no  momento  da  assinatura do acordo já se sabia o percentual atingido da meta estipulada pelos indicadores, e,  por  conseguinte,  o  valor  de  PLR  a  ser  pago  já  era  perfeitamente  definido,  independente  de  qualquer desempenho futuro dos empregados.  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 910          33 Além disso,  há  outros  fatores  que  descaracterizam o  valor  pago  a  título  de  PLR pela empresa. Como já mencionado acima, a meta para o pagamento do PLR baseia­se no  atingimento de 3 indicadores. No subitem “6.2 ­ Atingimento” do Acordo Coletivo do Rio de  Janeiro tem­se que o cálculo do atingimento se daria de acordo com a tabela abaixo:   ATINGIMENTO  % DO  SALÁRIO.  PPR  85 %  25 %  90 %  50 %  100 %  100 %  125 %  125 %  150 %  150 %    A  empresa  foi  intimada  através  do  TIF  de  n°  4  a  especificar  os  valores  alcançados  nos  três  indicadores  citados;  como  estes  três  indicadores  foram  apurados  contabilmente e como foi feita a correlação entre as 3 metas/indicadores e o percentual final de  atingimento,  uma  vez  que  o  Acordo  não  trazia  esta  definição  (a  tabela  possuía  apenas  um  percentual de atingimento, todavia são 3 indicadores distintos):  “(...) De  acordo  com o  item  6.1  da  referida  cláusula,  fornecer  os  valores e como estes  foram calculados contabilmente referentes as  metas especificadas a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E  MARGEM BRUTA. De acordo com o item 6.2 da referida cláusula,  o  cálculo  do  atingimento  e  consequentemente  o  percentual  do  salário  se  dará  de  acordo  com  tabela.  Explicar  como  é  feito  a  correlação entre o atingimento e as três metas.    Em resposta datada de 27/07/2012, a empresa informou que:  “(...)Apresentamos  também  planilhas  contendo  metodologia  dos  cálculos de PPR pagos em 2008 e 2009.”    E  apresenta  a  planilha  “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”,  em  cuja  aba  denominada  “Mecânica”  apresenta  o  quadro  “Indicadores  e  Atingimento”  e  a  seguinte  observação:  “não  tenho  nenhum  dado  que  evidencie  a  apuração  dos  40%  de  atingimento.  Apenas estes % prontos”.  INDICADORES E  ATINGIMENTO                          INDICADOR  META  UNIDADE  POSSÍVEL  REAL  CAIXA  34,64  Min  40%  40%  DESPESAS OPERACIONAIS  229,8  Min R$  30%  0%  MARGEM BRUTA  54%  vs Receita Líquida  30%  0%        TOTAL  40%    Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   34 Tomando  como  base  a  planilha  apresentada  na  resposta,  bem  como  a  observação destacada, a empresa foi novamente instada nos TIF N° 6 e 8, em seu item 2.2:  “De  acordo  com  o  item  6.1  da  referida  cláusula,  fornecer  os  valores  e  como  estes  foram  calculados  contabilmente  referentes  às  metas  especificadas  a  saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM  BRUTA,  pois  na  resposta  ao  TIF  4,  na  aba  “mecânica”  da  planilha  “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”,  não  foi  apresentada  qualquer  explicação. De acordo com o  item 6.2 da referida cláusula, o  cálculo do  atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará de acordo  com  tabela. Explicar  como  é  feito  a  correlação  entre  o atingimento  e  as  três metas e fornecer o documento que contem tal correlação”    Como nenhuma  resposta ou explicação acerca do solicitado  foi apresentada  pela empresa, nos TIF N° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação:  “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à  empresa  nos TIF n  ° 6  e 8  e  que  até o  presente não  foram apresentadas  pela empresa: ”  (...)  2.2 De  acordo  com  o  item  6.1  da  clausula  nona  do  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  2008/2009,  protocolado  no MTE  em  18/05/2009,  com  o  SIND.  DOS  TRAB.  EM  EMP.  TELEC.  OP.  SIST.  TV  POR  ASS.  TRANSM.  DE  DADOS E CORREIO ELETR. TELEF. M. CEL.  SERV. TRONC.D. COM  RADI,  o  fornecimento  dos  valores,  e  como  estes  foram  calculados  contabilmente  referentes  às  metas  especificadas,  a  saber  CAIXA,  DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA.  De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e  consequentemente  o  percentual  do  salário  se  dará  conforme  tabela.  Explicação  de  como  é  feita  a  correlação  entre  o  atingimento  e  as  três  metas e fornecer o documento que contem tal correlação”    Como a empresa não apresentou nenhum dos esclarecimentos solicitados nos  Termos,  além  da  já  mencionada  planilha  “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW`”  ­  aba  “Mecânica”, passa­se então a analisar as informações contidas nesta planilha.  Do exame da planilha em tela, pode­se presumir que a empresa entende que a  correlação/pesos  entre  os  3  indicadores  é  de  40%  para  o  Caixa,  30%  para  as  Despesas  Operacionais  e  30% para  a Margem Bruta. Além  disso  a  empresa  informa  que “Não  tenho  nenhum dado que evidencie a apuração dos 40% de atingimento. Apenas estes % prontos". Em  resumo, desta informação pode­se afirmar que a empresa não possui documentação que balize  porque o rateio entre os 3 indicadores foi configurado desta forma (40 / 30/ 30), nem porque  utilizou­se do percentual final de 40% de atingimento.  Como a empresa não apresentou os cálculos dos indicadores, e nem de onde  eles  foram  extraídos,  a  Fiscalização  extraiu  os  valores  dos  indicadores  diretamente  da DIPJ,  ano calendário 2008, anexa aos autos, na forma como se segue:   a) Em relação ao indicador Caixa, podemos afirmar com base na DIPJ na  sua  ficha  “36  A”  ­  “linha  01.  Caixa”,  que  seu  valor  é  de  R$  8.565,38.  Levando­se em conta Caixa em um conceito mais amplo, temos também a  “linha 02. Bancos” com o valor de R$ 11.927.605,55. Com isso tem­se um  possível  valor  de  R$  11.936.170,93  para  o  indicador  Caixa,  e  que  representa  apenas  34,46% da meta  estipulada  no Acordo Coletivo  (meta  de R$ 34.640.000,00).  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 911          35 b) Para o Indicador Despesas Operacionais,  temos a  ficha “05 A' “linha  33.  Total  das  Despesas  Operacionais”  da  DIPJ,  cujo  o  valor  é  de  R$  307.327.927,79. Este valor representa apenas 66,26% da meta estipulada  no  Acordo  Coletivo  (meta  de  no  Máximo  R$  229.800.000,00,  ou  seja,  quanto mais despesa além da meta, pior o indicador).  c)  Para  o  Indicador  margem  bruta,  o  qual  a  empresa  não  informou  a  metodologia de  cálculo, utilizou­se a definição mais aceita pela  doutrina  do conceito. Por esta definição, margem bruta seria o Lucro bruto dividido  pela receita operacional líquida. O Lucro bruto pode ser extraído da ficha  “06  A”  ­  “linha  17.  Lucro  Bruto”  da  DIPJ,  cujo  valor  é  de  R$  283.842.843,05.  A  Receita  operacional  líquida,  conforme  ficha  “O6  A”  “linha  15.  Receita  Líquida  das  Atividades”  da  DIPJ,  é  de  R$  550.598.565,43.  Com  isso  tem­se  um  possível  valor  de  51,55%  para  o  indicador  Margem  Bruta,  e  que  representa  apenas  95,47%  da  meta  estipulada no Acordo Coletivo (meta de 54%).    Com base nas considerações acima, a Fiscalização elaborou o Quadro abaixo  que demonstra o percentual de atingimento, utilizando­se os valores informados na DIPJ e as  informações disponibilizadas pela empresa:  INDICADOR  META NO ACORDO  VALORES DIPJ  % ATINGIDO  PESO  % AJUSTADO            DA META     PELO PESO  CAIXA  34.640.000,00  11.936.170,93  34,46%  40%  13,78%  DESPESAS OPERACIONAIS  54,00%  51,55  95,47%  30%  26,64%  MARGEM BRUTA  229.800.000,00  307.327.827,79  66,03%  30%  19,88%  TOTAL DE ATINGIMENTO           100  62,30%    Do  quadro  acima,  avulta  que  o  índice  efetivamente  atingido  (62,3%)  é  significativamente  inferior  ao  índice mínimo  previsto  em  acordo  coletivo  para  uma  possível  distribuição de PLR, o qual é de 85%, conforme tabela já mencionada.  Mas  mesmo  não  sendo  atingido  o  percentual  mínimo  (85%)  houve­se  por  efetuado pagamentos a título de PLR.  Continuando a análise, a Fiscalização demonstrou que a empresa, apesar de  haver atingido, tão somente, o índice de 62,3” de atingimento de metas, ela, realmente utilizou­ se de um  fictício  índice de  atingimento de 88%, o qual  forneceria um percentual de  salários  PPR de 40%.  No  item  “5.3  Cálculo  da  Participação”  do  referido  Acordo,  encontra­se  a  tabela de múltiplos salariais (transcrita abaixo) que contém a correlação entre a grade salarial  do empregado e o multiplicador de salários a ser aplicado no salário base para que se obtenha o  PLR devido.  GRADE  nº  SALÁRIOS  SALARIAL  PPR  4  5,2  5  5,2  6  4,6  Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   36 7  4,6  8  3,2  9  3,2  10  3  11  3  12  1,6  13  1,6  14  1,6  15  1,1  16  1,1  17  1,1  18  1,1  19  1,1  20  1,1    Quadro  abaixo  fornece  a  grade  salarial,  o  multiplicador  de  salários,  bem  como o percentual que se alcança aplicando­se o atingimento de 40%.  GRADE  nº  SALÁRIOS  Nº SALÁRIOS  PPR  SALARIAL  PPR  X ATINGIM. 40%  4  5,2  208,00  5  5,2  208,00  6  4,6  184,00  7  4,6  184,00  8  3,2  128,00  9  3,2  128,00  10  3  120,00  11  3  120,00  12  1,6  64,00  13  1,6  64,00  14  1,6  64,00  15  1,1  44,00  16  1,1  44,00  17  1,1  44,00  18  1,1  44,00  19  1,1  44,00  20  1,1  44,00    A  Tabela  “Tabela  com  o  PLR  pago  e  o  percentual  obtido  em  relação  ao  salário  base  para  os  funcionários  do  RJ”,  a  fls.  77/87,  apresenta,  para  cada  empregado  da  empresa, o valor efetivamente pago a título de PLR, o salário base para o cálculo de PLR, a  grade salarial, n° de meses trabalhados e o percentual aplicado.  Esta  tabela  confirma  então  que  o  percentual  utilizado  pela  empresa  foi  de  40%, percentual este não explicado pela empresa e não obtido através da análise dos valores  Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 912          37 informados  em  DIPJ.  Esta  tabela  foi  obtida  a  partir  da  planilha  “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”  fornecida  pela  empresa  e  o  arquivo  digital  da  folha  de  pagamento.  Portanto os valores, pagos a titulo de PLR pela empresa, por se basearem (1)  em indicadores que não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados;  (2)  por  ser  um  acordo  utilizado  para  premiar  um  esforço  pretérito  e  não  estimular  uma  produtividade futura e (3) por se utilizar de um percentual para o cálculo de valor devido de  PLR  em  discordância  com  Acordo  Coletivo,  foram  considerados  em  desacordo  com  o  determinado em Lei e bases de cálculo para a Previdência Social.    2.1.1.3.   PLR – Demais estabelecimentos  Em relação aos segurados  lotados nos demais estabelecimentos da empresa,  que não as bases do Rio de Janeiro e São Paulo, empresa não apresentou, sequer, os Acordos  Coletivos,  tampouco  eventuais  acordos  de  PLR  para  os  estabelecimentos  situados  fora  dos  estados de São Paulo e Rio de Janeiro.  A empresa foi intimada mediante os TIF n° 6 e 8 a se manifestar sobre qual o  acordo  que  se  houve  por  aplicado  aos  funcionários  lotados  em  estabelecimentos  que  não  estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo  “3  ­ Explicar qual acordo é aplicado aos  funcionários  lotados em  estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de  janeiro ou no Estado de São Paulo”     A  empresa  não  apresentou  qualquer  resposta  específica  referente  ao  questionamento  acima  formulado.  Porém,  de  maneira  genérica,  informou  que  “a  base  territorial do Sindicato de SP é o Estado de SP” e que “a base territorial do Sindicato do RJ é  o Estado do RJ”.  Na  sequência,  através  dos  TIF  n°  9,  10,  11  e  12  foi  feita  a  seguinte  constatação:  “Constato  que  os  seguintes  documentos  /  informações  foram  solicitadas  à  empresa  nos  TIF  nº  6  e  8  e  que  até  o  presente  não  foram apresentadas pela empresa:”  (...)  3  ­  Explicação  sobre  qual  acordo  é  aplicado  aos  funcionários  lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado  do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo.”    Diante  do  silêncio  eloquente  da  empresa,  conclui­se  então  que  não  havia  previsão para pagamentos de valores a título de PLR a estes funcionários, e conforme atestado  pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para São Paulo.   Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos  estabelecimentos fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro não foram balizados por um  Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   38 acordo  de  PLR,  ou  este  acordo  não  foi  apresentado  a  esta  auditoria  para  verificação  de  atendimento dos requisitos legais.   Por  conseguinte  estes  valores  foram  considerados,  também,  como  fatos  geradores de contribuições previdenciárias, por  terem sido pagos em desacordo com a Lei nº  10.101/2000, não se subsumindo, portanto, à hipótese de isenção prevista na alínea ‘j’ do §9º  do art. 28 da Lei nº 8.212/91.  Por  tais  razões,  os  valores  pagos  a  título  de  PLR  foram  considerados  pela  Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991.   Nessa  vertente,  tratando­se  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  tais  Fatos  Jurígenos  Tributários  deveriam  ter  sido,  NECESSARIAMENTE,  declarados nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91.  Mas não o foram.  Por  tais  razões,  havendo  sido  as  verbas  sob  o  rótulo  de  PLR  pagas  em  desacordo com as normas fixadas na Lei nº 10.101/2000,  tais  rubricas escapam do abrigo da  legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88.  O  pagamento  de  tais  verbas,  nas  condições  em  que  se  consumaram,  não  possui  as  premissas  básicas  conformadoras  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  assentadas na Carta de 1988.  Ora,  o  pagamento  de  verbas,  a  título  de  PLR,  pagas  em  ampla  desconformidade  com  as  normas  tributárias  fixadas  na  Lei  nº  10.101/2000  transmuda  a  natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio  ou gratificação, os quais não se encontram abraçados pela hipótese de não incidência tributária  prevista na Lex Excelsior.   Frustram­se  então  os  objetivos  da  lei,  que  tem  como  inspiração  maior  o  fomento à produtividade.  Ao  não  atender  aos  requisitos  impostos  pela  Lei  nº  10.101/2000,  fugiu  a  verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art.  28 da Lei nº 8.212/91, sujeitando­se a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros  às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.   A  inobservância à aplicação de  lei  representaria,  por parte deste Colegiado,  negativa  de  vigência  aos  preceitos  inseridos  no  inciso XI  do  art.  7º  da CF/88  e  nas  Leis  nº  8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário.  Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não  havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas  circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate.     2.1.2.  DA REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.  Alega o Recorrente que os valores pagos a contribuintes individuais, lançados  na  contabilidade  e  não  declarados  em  GFIP,  não  deve  se  submeter  à  incidência  das  contribuições previdenciárias por força da norma isentiva prevista na alínea "e" do §9º do art.  28 da Lei nº 8.212/91.  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 913          39 Ninguém merece isso.    Dispõe  o  art.  195,  I,  da  Constituição  Federal,  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  dentre  outras  fontes,  mediante  recursos  provenientes  das  seguintes  contribuições  sociais  a  cargo  do  empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, incidentes sobre a folha de salários e  demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988.  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na forma da lei, incidentes sobre:  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  (...)    No plano infraconstitucional, a regulamentação da matéria foi confiada à Lei  nº 8.212/91, cujo art. 22, inciso III, estabelece o regramento concernente à contribuição social a  cargo da empresa incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer  título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestem  serviços;  (Inciso  acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos)     Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese  ora tratada, abraça o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer  do mês, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa.  Advirta­se que o termo “remunerações” encontra­se aqui empregado em seu  sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da  empresa  pelos  serviços  a  ela  prestados  pelos  seus  diretores/administradores. Tais  conclusões  decorrem  de  esforços  hermenêuticos  que  não  ultrapassam  a  literalidade  dos  enunciados  normativos supratranscritos, eis que o texto legal revela­se cristalino ao estabelecer, como base  de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”.  Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   40 Não  se  deslembre  que  o  próprio  Legislador  Constituinte  honrou  deixar  consignado  no  Texto  Constitucional  a  real  amplitude  da  base  de  incidência  da  contribuição  social  em  destaque:  as  contribuições  previdenciárias  incidem  não  somente  a  “folha  de  salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a  qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11  do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de  incidência das  contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título.  Constituição Federal de 1988   Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  20, de 1998)    Portanto,  nos  termos  da  Carta  de  1988,  todas  as  verbas  recebidas  com  habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por  força  de  norma  constitucional,  o  conceito  jurídico  de  SALÁRIO  (Instituto  de  Direito  do  Trabalho)  e,  nessa  condição,  passam  a  compor  obrigatoriamente  o  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (Instituto  de  Direito  Previdenciário)  do  segurado,  se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  e  repercutindo  no  benefício  previdenciário do empregado.  Mas  nem  só  sobre  o  Salário  incidem  as  contribuições  previdenciárias.  A  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  195  da CF/88  é  expressa  ao  dispor  que  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  é  a  folha  de  salários,  como,  também,  todos  os  demais  rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  Nesses  termos,  compreendem­se  no  conceito  legal  de  remuneração  os  três  componentes do gênero, assim especificados pela doutrina:  4­  Remuneração  Básica  –  Referente  à  remuneração  em  dinheiro  recebida  pelo  trabalhador  pela  venda  de  sua  força  de  trabalho.  Diz  respeito  ao  pagamento  fixo  que  o  obreiro  aufere  de  maneira  regular,  na  forma  de  salário mensal ou na forma de salário por hora.   5­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  idealizados  para  recompensar  os  empregados com desempenho funcional de excelência. Os incentivos são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  resultados  a  título  de  recompensa  por  resultados  alcançados, dentre outros.   Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 914          41 6­  Benefícios  ­ Quase  sempre denominados como “remuneração  indireta”.  Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem  uma  série  de  benefícios  na  forma  de  utilidades  ou  in  natura,  que  culminam  representando  um  ganho  patrimonial  para  o  trabalhador,  seja  pelo  valor  da  utilidade  recebida,  seja  pela  despesa  que  o  profissional  deixa de desembolsar, diretamente, para obtê­la.    2.1.2.1.  DAS REMUNERAÇÕES DE AUTÔNOMOS   Nesse  contexto,  os  valores  pagos  a  segurados  contribuintes  individuais,  em  virtude dos serviços prestados à empresa, extraídos dos Recibos de Pagamento a Autônomos  coletados  pela  Fiscalização  ou  apurados  na  contabilidade  da  empresa  qualificam­se  como  Salário  de Contribuição,  nos  termos  do  art.  28,  III,  da Lei  nº  8.212/91,  incidindo  sobre  tais  valores a contribuição social patronal prevista no  inciso  III do art. 22 desse mesmo Diploma  Legal.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  III  ­  para  o  contribuinte  individual:  a  remuneração  auferida  em  uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta  própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o  §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  (...)  §5º  O  limite  máximo  do  salário­de­contribuição  é  de  Cr$  170.000,00  (cento  e  setenta mil  cruzeiros),  reajustado  a  partir  da  data  da  entrada  em  vigor  desta  Lei,  na  mesma  época  e  com  os  mesmos  índices  que  os  do  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação continuada da Previdência Social.    Não procede a alegação de que os valores pagos a contribuintes  individuais  estariam  cobertos  pela  norma  isentiva  prevista  na  alínea  "e"  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91.  A uma, porque tais valores não se qualificam como “ganhos eventuais”, mas,  sim, como a própria  remuneração dos  segurados  contribuintes  individuais beneficiários,  base  de cálculo das contribuições previdenciárias consoante artigos 22, III, e 28, III, ambos da Lei nº  8.212/91.  A duas, porque mesmo os ganhos eventuais compõem a base de cálculo das  contribuições  previdenciárias,  haja  vista  que  a  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  195  da CF/88  é  taxativa ao estabelecer que a base de cálculo das contribuições previdenciárias é composta não  somente  pela  folha  de  salários  (a  qual  comporta  os  ganhos  não  eventuais),  como,  também,  todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física  que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, nesta 2ª parte incluídos, por óbvio, os  ganhos eventuais.  Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   42 Alerte­se,  de molde  a  espancar  qualquer  dúvida,  que  a  hipótese  de  isenção  prevista no item 7 da alínea ‘e’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 refere­se, tão somente, aos  ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário por força de lei.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  (grifos nossos)  (...)  e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados  pela Lei nº 9.528/97)   (...)  7.  Recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação dada  pela  Lei  nº 9.711/98). (grifos nossos)     De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, constitui­se matéria de reserva  legal as hipóteses de exclusão do crédito tributário, como assim se revela a isenção. Dessarte,  somente os ganhos eventuais desvinculados do salário por força expressa de lei stricto sensu se  ajustam na hipótese de não incidência legal prevista no supratranscrito art. 28, §9º,  ‘e’, 7, da  Lei nº 8.212/91.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  (...)  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  (...)    Art. 175. Excluem o crédito tributário:  I ­ a isenção;  II ­ a anistia.  Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o  cumprimento  das  obrigações  acessórias  dependentes  da  obrigação  principal  cujo  crédito  seja  excluído,  ou  dela  consequente.    No  caso  em  apreço,  inexiste  lei  atribuindo  isenção  à  remuneração  auferida  por segurados contribuintes individuais pelos serviços prestados à empresa.   Ao contrário. A  lei é  taxativa ao dispor  sobre a  incidência de contribuições  previdenciárias,  a  cargo  da  empresa,  sobre o  total das  remunerações  pagas ou  creditadas a  qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem  serviços.  Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 915          43 Assim,  tratando­se  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  tais  Fatos  Jurígenos  Tributários  deveriam  ter  sido, NECESSARIAMENTE,  declarados  nas GFIP  correspondentes, como assim determina o art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Mas não o foram.    2.1.2.2.  DA REMUNERAÇÃO NA FORMA DE UTILIDADES  Não  procede  a  alegação  de  que  os  valores  pagos  ao  segurado  Leo  Julian  Simpson  referentes  ao  pagamento  de  despesas  de  aluguel,  condomínio,  carnê­leão,  dentre  outras,  podem  ser  classificadas  sob  a  rubrica  “auxílio­moradia”,  e  seu  não  oferecimento  à  tributação justificar­se­ia pela ausência de requisitos necessários para identificá­los como base  de cálculo das contribuições previdenciárias.  Conforme  anteriormente  salientado,  compreendem­se  no  conceito  legal  de  remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina:  7­  Remuneração  Básica  –  Também  denominada  “Verbas  de  natureza  Salarial”. Refere­se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador  pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o  obreiro  aufere  de  maneira  regular,  na  forma  de  salário  mensal  ou  na  forma de salário por hora.   8­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  desenhados  para  recompensar  funcionários  com  bom  desempenho.  Os  incentivos  são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  resultados  a  título  de  recompensa  por  resultados  alcançados,  dentre  outros.   9­  Benefícios  ­ Quase  sempre denominados como “remuneração  indireta”.  Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem  uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in  natura”,  que  culminam  por  representar  um  ganho  patrimonial  para  o  trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o  profissional deixa de desembolsar diretamente.    No caso presente,  as verbas auferidas pelo  segurado contribuinte  individual  Sr. Leo Julian Simpson, na forma de pagamento de despesas de aluguel,  condomínio, carnê­ leão, etc., configuram­se como remuneração indireta do segurado, na forma de benefícios, pois  representam  a  parcela  que  o  beneficiário  deixou  de  subtrair  do  seu  patrimônio  inercial  para  custear as despesas de aluguel, condomínio e carnê Leão,  representando, portanto, um ganho  patrimonial do trabalhador, lançado à conta de despesa da empresa.  Assinale­se  que  a  empresa  foi  reiteradamente  intimada  a  justificar  tais  pagamentos. Como não houve justificativa alguma por parte do Autuado,  tais pagamentos de  despesas  pessoais  efetuadas  a  favor  de  segurado  contribuinte  individual,  continuadamente  durante todo o ano de 2008 e 2009, foram considerados como remuneração indireta e base de  cálculo para previdência social.  Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   44   Não  se  deslembre  que  de  acordo  com  o  inciso  IV  do  art.  7º  da  CF/88,  as  despesas  de  moradia  do  trabalhador  e  de  sua  família  devem  ser  atendidas  pelo  salário  do  segurado, mesmo que em seu valor mínimo legal, e não pela empresa, de maneira apartada ao  salário do seu funcionário.  Constituição Federal de 1988  Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  IV ­ salário mínimo,  fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz  de  atender  a  suas  necessidades  vitais  básicas  e  às  de  sua  família  com  moradia,  alimentação,  educação,  saúde,  lazer,  vestuário,  higiene,  transporte  e  previdência  social,  com  reajustes  periódicos  que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação  para qualquer fim; (grifos nossos)   (...)    Por  outro  viés,  mesmo  que  tais  verbas  pudessem  ser  classificadas  como  “Auxílio  Moradia”,  o  que  não  é  o  caso,  ainda  assim  estariam  sujeitas  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  uma  vez  que  a  natureza  jurídica  de  tais  rubricas  não  se  subsumem a nenhuma das hipóteses de isenção previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da  Lei nº 8.212/91.  Ao  contrário,  a  lei  é  taxativa  ao  dispor  sobre  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  a  cargo  da  empresa,  sobre o  total das  remunerações  pagas ou  creditadas a  qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem  serviços.  Todos  esses  ganhos  auferidos  pelo  segurado  Sr.  Leo  Julian  Simpson  em  utilidades  inserem­se  no  conceito  jurídico  de  Salário  de  Contribuição  e,  nessa  qualidade,  deveriam  ter  sido  NECESSARIAMENTE  declarados  nas  folhas  de  pagamento  e  nas  GFIP,  bem  como  nos  títulos  próprios  da  contabilidade,  como  assim  determina  o  art.  32  da  Lei  nº  8.212/91. Mas não o foram.    2.2.  DA ALÍQUOTA DO SAT  Alega  o  Recorrente  que  a  Autoridade  Lançadora,  ao  invés  de  atribuir  a  qualidade de contribuinte do SAT/RAT ao estabelecimento, sujeitou a Recorrente na qualidade  de  empresa  como  um  todo,  mesmo  diante  da  existência  de  estabelecimentos  com  CNPJ  próprios, inclusive identificados no próprio relatório fiscal.   Pondera, ainda, que a Fiscalização não se ocupou em verificar quais eram as  atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente.    Não procede.    Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 916          45 Em primeiro  lugar,  conforme se observa no Discriminativo de Débito a  fls.  05/24,  os  lançamentos  referentes  à  diferença  de  alíquota  de  SAT  foram  efetuados  individualizadamente por  estabelecimento da  empresa,  de  acordo com o CNAE Fiscal 6110­ 8/01 ­ Serviços de telefonia fixa comutada ­ STFC, correspondendo à alíquota de SAT de 2%, na  forma estabelecida no ANEXO V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec.  nº 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007.    De  outro  eito,  o  art.  202  do Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  nº  3.048/99,  dispõe que  a  contribuição  da  empresa  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado  e  trabalhador avulso, será de 1%, 2% ou 3%, para a empresa em cuja atividade preponderante o  risco de acidente de trabalho for considerado leve, médio ou grave, respectivamente.   Regulamento da Previdência Social,  Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da  aposentadoria  especial,  nos  termos  dos  arts.  64  a  70,  e  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do mês,  ao  segurado  empregado  e  trabalhador avulso:  I ­ um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o  risco de acidente do trabalho seja considerado leve;  II ­ dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou  III ­ três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante  o risco de acidente do trabalho seja considerado grave.  §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove  ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  ensejar  a  concessão  de  aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de  contribuição.  §2º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente  sobre  a  remuneração  do  segurado  sujeito  às  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física.  §3º Considera­se preponderante a atividade que ocupa, na empresa,  o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.  (grifos nossos)   §4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de  Atividades  Preponderantes  e  correspondentes  Graus  de  Risco,  prevista no Anexo V.  §5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na  atividade  preponderante,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência  Social  revê­lo  a  qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007)  Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   46 §6º Verificado erro no auto enquadramento, a Secretaria da Receita  Previdenciária  adotará  as  medidas  necessárias  à  sua  correção,  orientará  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procederá  à  notificação  dos  valores  devidos.  (Redação  dada pelo Decreto nº 6.042/2007)  §7º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  à  pessoa  física  de  que  trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º.  §8º  Quando  se  tratar  de  produtor  rural  pessoa  jurídica  que  se  dedique  à  produção  rural  e  contribua  nos moldes  do  inciso  IV  do  caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde  a  zero  vírgula  um  por  cento  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente da comercialização de sua produção.  §9º  A  contribuição  de  que  trata  este  artigo,  a  cargo  da  microempresa  e  da  empresa  de  pequeno  porte  não  optantes  pela  inscrição  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte,  corresponde ao percentual mínimo, nos termos do inciso I do art. 17  da Lei nº 8.864, de 28 de março de 1994. (Revogado pelo Decreto nº  3.265/99)  §10.  Será  devida  contribuição  adicional  de  doze,  nove  ou  seis  pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção,  incidente  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  ao  cooperado  filiado,  na  hipótese  de  exercício  de  atividade  que  autorize  a  concessão  de  aposentadoria  especial  após  quinze,  vinte ou  vinte  e  cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto  nº 4.729/2003)  §11.  Será  devida  contribuição  adicional  de  nove,  sete  ou  cinco  pontos  percentuais,  a  cargo  da  empresa  tomadora  de  serviços  de  cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor  bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a  atividade  exercida  pelo  cooperado  permita  a  concessão  de  aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de  contribuição,  respectivamente.  (Incluído  pelo  Decreto  nº  4.729/2003)  §12.  Para  os  fins  do  §  11,  será  emitida  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços  específica  para  a  atividade  exercida  pelo  cooperado  que  permita  a  concessão  de  aposentadoria  especial.  (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003)  §13.  A  empresa  informará  mensalmente,  por  meio  da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  a  alíquota  correspondente  ao  seu  grau  de  risco,  a  respectiva  atividade  preponderante  e  a  atividade  do  estabelecimento,  apuradas  de  acordo  com  o  disposto  nos  §§  3º  e  5º.  (Incluído  pelo  Decreto  nº  6.042/2007)    De molde a espancar qualquer dúvida, o §3º do transcrito art. 202 esclarece  que,  por  atividade  preponderante,  para  os  fins  colimados  pela Lei  de Custeio  da Seguridade  Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados  empregados e trabalhadores avulsos.  De outro  canto,  os  §§ 5º  e 6º do  já  citado  art.  202 do RPS,  estipula  ser da  responsabilidade  da  empresa  realizar  o  enquadramento  na  atividade  preponderante,  cabendo hoje à Secretaria da Receita Federal do Brasil ­ RFB revê­lo a qualquer tempo.  Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 917          47 Nesse  cenário,  verificado  erro  no  auto  enquadramento,  caberá  à  RFB  adotar  as  medidas  necessárias  à  sua  correção,  orientar  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido e proceder à notificação dos valores devidos.  Da leitura dos comandos legais acima ventilados, deflui que a legislação que  disciplina  a  espécie  discutida  ora  nos  autos  atribuiu  à  empresa  a  responsabilidade  pelo  enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil,  em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção.  Nessa  vertente,  a  empresa  foi  intimada mediante  o TIF  n°  3,  a  justificar  o  motivo do uso de alíquota RAT de 1% na GFIP, se o CNAE FISCAL por ela informado era o  de código 6110­8/01 ­ Serviços de telefonia fixa comutada ­ STFC, correspondendo à alíquota de  SAT de 2%.  A  empresa  em  sua  resposta  ao TIF N°  3,  datada  de  04/06/2012,  informou:  “Reconhecemos o erro apontado no item 3, quando foi utilizada alíquota RAT de 1% na GFIP  e no recolhimento da GPS, sendo o nosso CNAE FISCAL 6110801, com alíquota RAT de 2%.”  Não procede, portanto, a alegação de que “a Fiscalização não se ocupou em  verificar quais eram as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente”.   A responsabilidade pelo autoenquadramento é da empresa. Esta informou que  o seu CNAE FISCAL era o de código 6110­8/01 ­ Serviços de telefonia fixa comutada ­ STFC,  correspondendo à  alíquota de SAT de 2%,  e,  formalmente,  reconheceu o erro na utilização da  alíquota de 1%, mostrando­se consciente de que a alíquota correta era a de 2%.  Como visto, a Fiscalização concedeu à empresa, formalmente, a oportunidade  de se manifestar sobre o enquadramento correto de seus estabelecimentos para fins de alíquota  de SAT.   Na  sequência,  além  de  não  inovar  quanto  ao  reenquadramento  de  seus  estabelecimentos, a empresa reconheceu formal e expressamente que o enquadramento por ela  informado estava correto e que havia operado em erro quanto à utilização da alíquota de SAT  de 1%, mostrando­se sabedora de que a alíquota correta era a de 2%.  Vem  agora  aos  autos  o  Patrono  da  Recorrente,  sem  qualquer  fundamento,  alegar que a Fiscalização não se ocupou em verificar quais eram as atividades desenvolvidas  pelos colaboradores da Recorrente.  Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, o  Recorrente  quedou­se  inerte,  não  produzindo  as  provas  necessárias  à  elisão  do  lançamento  tributário que ora se edifica. Limitou­se a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de  esteio  em  indício  de  prova  material,  apoiando­se  única  e  exclusivamente  na  fugacidade  e  efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor  dos  reais  motivos  ensejadores  da  presente  autuação,  não  logrando  assim  desincumbir­se  do  encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao  vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a  imputação que  lhe fora  infligida pela  fiscalização previdenciária.     Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   48 2.3.  DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA  O  Recorrente  alega  inexistir  justa  causa  para  a  qualificação  da  multa  de  ofício.  Sem razão, todavia.    A majoração da multa de ofício  tem por  fundamento  jurídico o disposto no  art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44, I e §2º,  I,  da Lei  nº  9.430/96,  conforme  assentado  no  item 702 do Fundamentos Legais  do Débito  ­  FLD, a fl. 33.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto  no  art.  44  da  Lei  no  9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  (...)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o  §1o  deste  artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento pelo  sujeito passivo,  no prazo marcado, de  intimação  para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  prestar  esclarecimentos;  (Renumerado da  alínea  "a",  pela  Lei nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que  tratam os arts.  11  a  13  da  Lei  no  8.218,  de  29  de  agosto  de  1991;  (Renumerado  da  alínea  "b",  com  nova  redação  pela  Lei  nº  11.488/2007)  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38  desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela  Lei nº 11.488/2007)    No  caso  em  apreço,  consta  consignado  expressamente  no  item  16.5.5.  do  Relatório Fiscal, a fl. 67, que a empresa foi por diversas vezes intimada a apresentar diversos  documentos  à  Fiscalização  referentes  a  acordos  com  regras  para  pagamentos  de  PLR,  bem  como explicações a respeito da aplicação de tais acordos, etc.  Diz o Relatório Fiscal:  “16.5.5 A empresa foi por diversas vezes instada a apresentar:   a) O Acordo com as  regras para o pagamento do PLR no ano de  2009  em  relação  aos  empregados  localizados  no  estado  de  São  Paulo.  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 918          49 b)  Explicação  sobre  qual  acordo  é  aplicado  aos  funcionários  lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado  do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo.  c) Em relação Acordo Coletivo com as regras para o pagamento do  PLR  no  ano  de  2009  em  relação  aos  empregados  localizados  no  estado do Rio de Janeiro, a empresa não forneceu:  c.1) Os valores e o modo como são calculados os indicadores  Caixa, Despesas Operacionais e Margem Bruta.  c.2) Não forneceu o documento que define a correlação (peso)  destes 3 indicadores em relação ao percentual agrupado final.  c.3)  Porque  aplicou  o  %  de  salários  PPR  de  40%  para  o  cálculo do PLR devido aos empregados.  Como não apresentou a documentação solicitada, e nem ao menos  qualquer esclarecimento escrito,  foi aplicada a multa agravada de  acordo com o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430 de  27/12/1996 (DOU de 30/12/1996)”.    Com  efeito,  mediante  Termos  de  Intimação  Fiscal,  a  empresa  foi  formalmente  intimada  a  prestar,  por  escrito,  uma  série  de  esclarecimentos  à  Fiscalização  relacionados ao pagamento de PLR a seus empregados.  Anote­se que o dever de prestar  esclarecimentos  à Fiscalização  constitui­se  obrigação da empresa, expressamente instituída por lei formal no interesse da arrecadação e da  Fiscalização de tributos.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   (...)  III  ­  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  todas  as  informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma  por  ela  estabelecida,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008)  (...)    Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar,  executar, acompanhar e avaliar as atividades  relativas à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Medida Provisória nº 449/2008)  §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar  todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008)  §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da  Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante  Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   50 de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas  nesta  Lei.  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 449/2008)  (...)    Merece  ser destacado que o  agravamento da penalidade pecuniária previsto  no  §2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96  não  exige,  para  a  sua  incidência,  a  comprovação  de  nenhum  fim  especial  de  agir  por  parte  do  infrator,  ostentando,  nos  termos  da  Lei,  natureza  meramente objetiva.  Dessarte,  a  natureza  do  agravamento  da multa  de  ofício  tem  viés  objetivo,  sendo independente de qualquer perquirição do elemento subjetivo da conduta praticada pelo  Sujeito Passivo, bastando para a sua aplicação qualificada o mero não atendimento pelo sujeito  passivo, no prazo marcado, da intimação para a prestação de prestar esclarecimentos.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 136. Salvo disposição de  lei  em contrário, a responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos  efeitos do ato.    Por  outro  eito,  o  agravamento  da  multa  de  ofício  independe  de  qualquer  eventual ocorrência de fraude ou de sonegação de tributos por parte do Sujeito Passivo, sendo­ lhe  bastante,  suficiente  e  determinante  o  objetivo  não  atendimento,  no  prazo  assinalado,  à  intimação da Fiscalização de prestação de esclarecimento.   Assim,  tendo  em  vista  que  a  empresa  não  apresentou  a  documentação  solicitada, e  tampouco qualquer esclarecimento por escrito, houve­se por aplicada a multa de  ofício, agravada de acordo com o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96.  O  prejuízo  do  Fisco  é  evidente  na  medida  em  que  a  não  prestação  de  esclarecimentos  à  Fiscalização,  no  prazo  por  esta  determinado,  frustrou  os  objetivos  da  lei,  prejudicando  a  atuação  ágil  e  eficiente  dos  agentes  do  Fisco,  que  se  viram  impelidos  a  despender  uma  energia  investigatória  suplementar  na  investigação  da  conformidade  do  pagamento da participação nos  lucros  e  resultados  com os  requisitos  estabelecidos na Lei nº  10.101/2000, bem como na apuração dos fatos geradores objeto do vertente  lançamento, não  somente nos documentos e esclarecimentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes  de informação.  Dessarte,  presentes  todas  as  circunstâncias de  fato  e de direito previstas  no  inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, voto pela manutenção do agravamento da  multa de ofício.    3.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.  Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 919          51   É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.  Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   52 Voto Vencedor  Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado.  Multa Agravada. Como já bem destacado no voto do ilustre Relator, a multa  de  ofício  aplicada  foi  agravada,  nos  termos  do  §2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96.  Em  sua  manifestação,  destacou  que  esta  deveria  ser  mantida,  pois  o  agravamento  da  penalidade  pecuniária não exigira, para a sua incidência, a comprovação de nenhum fim especial de agir  por parte do infrator, ostentando, nos termos da Lei, natureza meramente objetiva.  Com  o  máximo  de  respeito  à  manifestação  do  Relator,  ouso  discordar  e  acolho como fundamento o pronunciamento do Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que bem  representa a tese vencedora:  Peço  licença  ao  Ilustre  Conselheiro  Arlindo  Costa  e  Silva,  para  divergir parcialmente de seu voto, apenas na parte em que trata da aplicação da multa  majorada do artigo 44, Parágrafo 2º, Inciso I, da redação atual da Lei n 9.430/96.  Isto porque entendo que as circunstâncias que permitem o agravamento  da multa em 50% (de 75% para 112,5%), exigidas pela legislação, não são encontradas  nestes autos.  A  legislação  estabelece  que  os  percentuais  de  75%  e  150%  serão  aumentados  em  50%  (sendo,  respectivamente,  112,5%  e  225%)  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação  para:  (i)  prestar  esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da  Lei 8.212/91  ; e  (iii) apresentar a documentação  técnica do sujeito passivo usuário de  sistema de processamento de dados.  Ao  examinar  os  autos,  em  especial,  o  TIPF  constante  de  fls.  92/96  e  TIFs  de  número  99/100,  103/104,  o  comprovante  de  devolução  de  documentos  ao  contribuintesde fls. 645/647, além de outros, não verifiquei (i) tentativa do Contribuinte  de  criar  obstáculo  à  legislação,  nem  (ii)  impedimento  /  dificuldade  para  que  as  Autoridades  Fiscais  realizassem  seu  trabalho:  o  levantamento  de  informações  e  a  elaboração do lançamento fiscal.  Noto  que  os  documentos  alegados  como  faltantes  pelas  Autoridades  Fiscais podem não existir, ou depender de análise de dados e interpretação (metas com  diferenciação  de  40%),  mas  em  momento  algum  tornaram  impossível  ou  frágil  o  lançamento, realizado com base na contabilidade do contribuinte.  O voto do Ilustre Relator, bem como do voto constante do Acórdão DRJ  0644.788  ­  7ª  Turma  da DRJ/CTA  – Rel. Dr.  Elton  Sidnei  Izycki,  partem de  premissa  objetiva que ouso divergir,  qual  seja,  que a não apresentação de documento por  si  só  configura a hipótese de agravamento.    “O  impugnante  sustenta  que  a  Fiscalização  não  demonstrou  intuito  defraude.  Registre­se  que  esse  dispositivo  legal  citado  Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 920          53 não  consta  na  fundamentação  legal  deste  lançamento  ou  da  multa aplicada, em nenhum momento a fiscalização fez alusão à  ocorrência  de  sonegação.  O  que  consta  das  autuações  é  o  agravamento da multa nos termos do inciso I do§2º do art. 44 da  Lei  nº  9.430/96,  nos  levantamentos  relativos  ao  pagamento  de  participação nos lucros e resultados.  Consta  do Termo de Verificação Fiscal  que  a  empresa,  apesar  de  intimada  para  apresentar  documentos  e  prestar  esclarecimentos não o fez, o que levou a Fiscalização a aplicar a  presente multa:  16.5.5 A empresa foi por diversas vezes instada a apresentar:  a) O Acordo com as regras para o pagamento do PLR no ano de  2009 em relação aos empregados  localizados no estado de São  Paulo.  b)  Explicação  sobre  qual  acordo  c  aplicado  aos  funcionários  lotados  em  estabelecimentos  que  não  estejam  localizados  no  Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo.  c) Em relação Acordo Coletivo com as regras para o pagamento  do PLR no ano de 2009 em relação aos empregados localizados  no estado do Rio de Janeiro, a empresa não forneceu:  c.1) Os  valores  e  o modo  como  são  calculados  os  indicadores  Caixa.  Despesas Operacionais e Margem Bruta.  c.2) Não  forneceu o  documento  que  define  a  correlação  (peso)  destes 3indicadores em relação ao percentual agrupado final.  c3) Porque aplicou o % de salários PPR de 40% para o cálculo  do PLR devido aos empregados.  Como  não  apresentou  a  documentação  solicitada,  e  nem  ao  menos  qualquer  larecimento  escrito,  foi  aplicada  a  multa  agravada de acordo com o inciso Ido parágrafo 2o do artigo 44  da Lei 9.430 de 27/12/1996 (DOU de 30/12/1996).  Salienta­se  que  aplicação  da  multa  agravada  em  50%  independente da Fiscalização demonstrar a conduta dolosa por  parte da empresa, a conduta infratora resta configurada quando  o  Contribuinte  deixar  de  apresentar  documentos  e/ou  prestar  esclarecimentos solicitados. (fls. 21 e 22 destes autos)    Esclareço que aqui não se deve aplicar a redução de multa em função  de qualquer princípio constitucional de proporcionalidade ou razoabilidade, o que seria  vedado pela Súmula 2 do CARF.   Tampouco  não  viola  o  artigo  136  do  CTN,  já  que  este  não  trata  de  responsabilidade  objetiva  quando  tipifica  que  a  conduta  “independe  da  intenção  do  Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA   54 agente”, mas sim subjetiva. Fica excluído o dolo, mas exigida a culpa, conforme lição de  Regina  Helena  Costa,  no  livro  Curso  de  Direito  Tributário,  pg.  290/291,  Editora  Saraiva).  E  a  culpa  se  daria  pela  omissão  do  Inciso  I,  ou  da  omissão  por  ausência / não apresentação dos documentos descritos nos Incisos II e III, do artigo 44,  da Lei 9.430/96.  Ao  pesquisar  a  jurisprudência,  verifiquei  que  este  E.  CARF  tem  diversos julgados nesse sentido, pelo que transcrevo alguns deles abaixo:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  Exercício:  2007,  2008,  2009  NULIDADE  DA  DECISÃO  RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. (...)  PERCENTUAL  DE  MULTA.  LEGALIDADE.  LEI  9.430/1996.  Constatada  a  existência  de  infração  à  legislação  tributária,  aplicam­se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996,  no  percentual  estabelecido  legalmente.  MULTA.  AUMENTO.  112,5%.  APLICABILIDADE.  JURISPRUDÊNCIA  ADMINISTRATIVA.  É  farta  a  jurisprudência  do  antigo  Conselho de Contribuintes e também deste CARF, no sentido de  que a simples não apresentação de documentos requeridos pela  Fiscalização,  quando  não  obstaculizam  seu  trabalho,  não  justifica o agravamento da multa.   Dispondo  a  fiscalização  dos  elementos  necessários  para  apuração  da  matéria  tributável,  descabe  o  agravamento  da  multa  por  não  atendimento  à  intimação  para  apresentação  dessas  informações.  Recurso  Voluntário  Provido  em  Parte".  (Processo  11634.000913/2010­76  –  Relator  Márcio  Henrique  Sales  Parada  –  Acórdão  2801­003.934  –  Data  da  sessão:  21/01/2015)  “O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre  que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor  esclarecer  a  pratica  adotada pela  empresa  no  cumprimento  da  legislação  tributária,  procederá  a  autoridade  fiscal  ao  agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de  mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente  substituído  por  outro  entregue  pela  empresa,  mas  sim,  de não  apresentação  de  qualquer  outro  documento  fiscal,  contábil,  oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos  geradores decorrente do exercício de sua atividade.      (...)  Com  isso  chega­se  a  conclusão  que  a  mera  não  entrega  de  documento,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação,  quando  possível  ao  auditor  de  forma,  simples,  valer  de  outros  documentos apresentados pelo recorrente para apurar a base de  cálculo  e  montante  devido.”  (Processo  Administrativo  16095.720400/2012­13 ­ Acórdão nº 2401003.179– 4ª Câmara  /  1ª Turma Ordinária ­ Sessão de 17 de setembro de 2013, Recurso  Voluntário Provido em Parte)  (todos os negritos são nossos)  Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/2012­69  Acórdão n.º 2302­003.537  S2­C3T2  Fl. 921          55 Pelas razões expostas, Sra. Presidente, reitero meu pedido de vênia ao  Ilustre Conselheiro Relator, para dele divergir parcialmente, e assim reformar a decisão  da 7ª Turma da DRJ/CTA, apenas no que se refere à aplicação da multa majorada do  artigo 44, Parágrafo 2º, Inciso I, da Lei 9.430/96, e nesse ponto, DAR PROVIMENTO ao  Recurso Voluntário,  para  reduzir a multa de ofício a 75%  (setenta  e cinco por  cento),  nos  termos  do  artigo  44,  Inciso  I,  da  Lei  9.430/96,  com  redação  dada  pela  Lei  11.488/2007.  É como voto.  LEO MEIRELLES DO AMARAL – Conselheiro Suplente    Assim,  em  pleno  acatamento  ao  pronunciamento  do  Conselheiro  Leo  Meirelles do Amaral, que bem representa a tese vencedora, voto por reformar a decisão da 7ª  Turma da DRJ/CTA, apenas no que se refere à aplicação da multa majorada do artigo 44, § 2º,  I, da Lei 9.430/96, e nesse ponto, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir a  multa de ofício  a 75% (setenta  e cinco por cento),  nos  termos do  artigo 44,  Inciso  I,  da Lei  9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007.  É como voto.    André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado.                    Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA

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Numero do processo: 15374.923102/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1439; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 303          1 302  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.923102/2009­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­002.551  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de novembro de 2014  Matéria  PIS  Recorrente  BUREAU VERITAS DO BRASIL SOCIEDADE CLASSIFICADORA E  CERTIFICADORA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002  PEDIDO  DE  DESISTÊNCIA.  NÃO  CONHECIMENTO.  PERDA  DE  OBJETO.  Não  se  conhece  do  recurso  voluntário  quando  o  sujeito  passivo  apresenta  pedido de desistência.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário em face da desistência    (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho ­ Presidente    (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 31 02 /2 00 9- 71 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  GILSON MACEDO  ROSENBURG  FILHO  (Presidente  Substituto),  MARIA  APARECIDA  MARTINS  DE  PAULA,  FERNANDO  LUIZ  DA  GAMA  LOBO  D’EÇA,  FENELON  MOSCOSO  DE  ALMEIDA  (Substituto),  JOÃO  CARLOS  CASSULI  JUNIOR,  FRANCISCO  MAURICIO  RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente  Sessão Ordinária.    Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/2009­71  Acórdão n.º 3402­002.551  S3­C4T2  Fl. 304          3   Relatório  Trata­se de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de  débito  de  IRPJ,  com  crédito  decorrente  de  pagamento  considerado  a maior,  a  título  de  PIS,  atinente ao período de apuração 03/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da  Perd/Comp juntada aos autos (fls. 03/07).  A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 09), pela não  homologação  da  compensação  efetuada,  pela  inexistência  do  direito  creditório  pleiteado,  em  virtude  de  o  pagamento  do  qual  seria  oriundo  já  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  outros débitos da Contribuinte.    DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE    O  contribuinte  apresentou,  tempestivamente,  Manifestação  de  Inconformidade (fls. 11/14) em face ao referido despacho.  Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição  para o PIS, no montante de R$24.960,57 está  incorreto;  sendo que o valor correto do débito  corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$23.747,03.  Ressalta que o  crédito original  informado no PER/DCOMP  (fls.  03/07),  no  valor de R$1.213,54 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado.  Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção  do referido crédito.    DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro  II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 13­31.792  (fls. 64 a 66), de 19/11/2010, nos seguintes termos:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAR.  Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP,  cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado..  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     4 Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002.  ÔNUS  DA  PROVA.  ALEGAÇÃO  DESACOMPANHADA  DE  PROVA.  Cabe  ao  impugnante  trazer  juntamente  com  suas  alegações  impugnatórias  todos  os  documentos  que  dêem  a  elas  força  probante.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido     Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor  devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 03 de 2002, se o confessado na DCTF  ou  aquele  informado  em  DIPJ.  Para  o  órgão  julgador,  o  Contribuinte  deveria  ter  trazido  documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o  que ocorreu, para  a DRJ,  foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo  que votou­se no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo­ se  integralmente  o  despacho  decisório  recorrido,  conservando  exigível  a  cobrança  do  débito  não compensado.    DO RECURSO  Cientificado  do  Acórdão  de  Primeira  Instância,  o  contribuinte  apresentou  tempestivamente o recurso voluntário.  O  recorrente  trouxe,  novamente,  todos  os  fatos  alegados  em  sede  de  Manifestação de Inconformidade.  Apresentou,  ainda,  Livro  de  Balancetes  Retificadores  (doc.  06)  onde,  segundo  o  recorrente,  resta  clara  a  existência  de  um  crédito  em  seu  favor  no  montante  de  R$1.213,54.  Ao  fim  requer  o  recebimento  do  recurso  voluntário  e  seu  regular  processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral  do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso.  DA DILIGÊNCIA DO CARF  Em 01/09/2011, às  fls. 140  (n.e.),  através da Resolução nº 3402­000.295, o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  acordou  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  sustentando  que  os  balancetes  retificadores  apresentados  não  contêm  a  comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário.  Ao final requereu as seguintes providências:    1  –  Intime  o  contribuinte  a  apresentar  a  cópia  dos  Livros  de  Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento,  especificamente  quanto  ao  período  objeto  deste  processo  administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de  encerramento;  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/2009­71  Acórdão n.º 3402­002.551  S3­C4T2  Fl. 305          5 2 –  Intime  o  contribuinte a  apresentar  cópia  fiel  e autenticada  pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao  período  objeto  deste  processo  administrativo,  contendo  os  lançamentos  que  compõem  os  Balancetes  anexados  ao  recurso  voluntário  ora  sob  julgamento,  como  também  os  próprios  Balancetes,  nos  termos  da  legislação  pertinentes  aos  livros  societários,  que  contenha  ainda  os  Termos  de  Início  e  Encerramento respectivos;  3  –  Que  a  Repartição  de  Origem  certifique  que  as  cópias  acostadas  correspondam  ao  que  contam dos  originais  contidos  no Livro Diário e respectivos Balancetes.   4  –  Finalmente,  que  a  Repartição  de  Origem  se  manifeste,  através  de  relatório  circunstanciado,  se  o  crédito  apontado  na  DIPJ  do  contribuinte  está  em  consonância  com  os  dados  contidos  no  Livro  Diário  e  Livro  de  Balancetes,  referente  ao  período  objeto  deste  processo  administrativo,  certificando  a  existência  ou  não  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  pelo  contribuinte.    DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE  Intimado às fls. 147, na data de 29/10/2013, às fls. 153 (n.e.), o contribuinte  apresentou  sua manifestação  referente  à  diligência  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF.   Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª  Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente.  Intimado  às  fls.  278,  o  contribuinte,  às  fls.  283,  manifestou­se  acerca  do  relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo.    DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume,  numerado  até  a  folha  295  (duzentos  e  noventa  e  cinco),  estando,  portanto  apto  para  análise  desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF.    É o relatório.    Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     6   Voto             João Carlos Cassuli Junior – Relator,  Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do  feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o  Regimento  Interno  deste  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  o  recorrente  poderá,  em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue:    Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.  § 1° A desistência será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2°  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já  ter  ocorrido  decisão  favorável  ao  recorrente,  descabendo  recurso  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  por  falta  de  interesse.    Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados  a seguir colacionados:     Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/12/2009  a  31/07/2010  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  DESISTÊNCIA.  A  desistência  de  recurso,  formulada  mediante  requerimento  expresso  do  sujeito  passivo  coligido  aos  autos,  implica  o  seu  não  conhecimento  em  razão  da  perda  do  objeto.  Recurso  Voluntário  Não  Conhecido.  (3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302­002.979 em 18.02.2004)    Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/12/2006  a  31/08/2007  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  DESISTÊNCIA.  NÃO  CONHECIMENTO.  A  protocolização  de  Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo  pelo  Recorrente  implica  o  não  conhecimento  do  Recurso  Voluntário  interposto,  em  virtude  da  perda  do  seu  objeto.  Recurso  Voluntário  Não  Conhecido.  (3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária / ACÓRDÃO 2302­002.424 em 02.05.2013)  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/2009­71  Acórdão n.º 3402­002.551  S3­C4T2  Fl. 306          7       Ante o exposto, vota­se pelo não conhecimento do recurso.    É como voto.    (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator.                                Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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Numero do processo: 15540.720195/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária “diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”. A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 – Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”. Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira – RMF ao Banco Unibanco, “requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente”. Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é “absolutamente falsa”. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada “com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um “laranja”. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho “deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc.” Em seguida, esclareceu que “esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como ‘rendimento’, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração”. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum “contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.”. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que “a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros”. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, “os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária “diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”. A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 – Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”. Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira – RMF ao Banco Unibanco, “requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente”. Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é “absolutamente falsa”. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada “com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um “laranja”. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho “deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc.” Em seguida, esclareceu que “esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como ‘rendimento’, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração”. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum “contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.”. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que “a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros”. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, “os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO      Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que  a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação  e  Controle  da  Atividade  Fiscal  SAPAC  da  DRF  em  Niterói,  em  razão  da  expressiva  movimentação financeira  (R$ 43.180.429,29), no ano­calendário de 2007, confrontada com a  receita  bruta  declarada  (R$  1.722.856,89),  configurando  assim,  um  indício  de  omissão  de  receita da ordem de R$ 41.457.572,40.  No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio  da  Silva  Duarte  e  Cláudio  Lopes  Duarte,  contra  Hugo  Cecílio  de  Carvalho,  referente  a  irregularidades  cometidas  dentro  da  empresa  DISFRIO  ADM.  E  SERVIÇOS  LTDA.,  com  utilização de outras empresas, dentre elas a autuada.  Segundo  relatou  a  autoridade  fazendária  “diversos  pontos  da  denúncia  evidenciam  fatos  que  demonstram  a  existência  de  confusão  patrimonial  entre  as  várias  empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há  relatos  de  movimentações  de  recursos  de  uma  empresa  na  outra,  transações  atípicas  com  cheques,  troca  de  cheques  entre  empresas,  sócios  e  terceiros,  confusão  nas  despesas  com  pessoal,  utilização  de  folha  de  pagamento  única  para  várias  empresas,  despesas  com  funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa  por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”.  A  SAPAC  verificou  que  referente  ao  ano­calendário  de  2008,  DIPJ  na  modalidade  de  Lucro  Presumido,  a  autuada  declarou  receita  bruta  no  montante  de  R$  3.858.912,34,  em  desconformidade  com  a  movimentação  financeira  apurada  por  meio  da  DIMOF­crédito  (R$91.152.624,65),  e  das  informações  de  compras  de  terceiros  (R$  75.301.188,53).  Já  no  tocante  ao  ano­calendário  de  2009,  a  DIPJ  foi  apresentada  pelo  Lucro  Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na  DIMOF­crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84).  Desta  forma,  a  ação  fiscal  que  tinha  como  período  de  análise  apenas  o  ano­ calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos­calendários de 2008 e 2009.  Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de  10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas  contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários.  Em  resposta  o  contribuinte  apresentou  documentos  contábeis  e  fiscais.  No  entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15  dias para tanto.  Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi  expedido  Termo  de  Reintimação  no  qual  se  ressaltou  que  a  não  apresentação  dos  extratos  bancários  ensejaria  a  quebra  do  sigilo  bancário.  Nesta  mesma  ocasião,  o  interessado  foi  Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 4          3 intimado  a  apresentar  alguns  esclarecimentos  referentes  a origem de  recursos movimentados  em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel  onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da  pessoa  responsável  por  compras  de  fornecedores  e  demais  despesas  nos  anos  objeto  de  fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar  cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ  Lagos,  e  ou  em  conjunto,  das  empresas  sediadas  no mesmo  endereço;  informar  porque  tais  Demonstrativos  são  mensalmente  enviados  ao  Sr.  Cláudio  Lopes  Duarte,  uma  vez  que  o  mesmo  não  integra  nenhuma  sociedade  das  empresas  localizadas  e  em  operação  no  citado  endereço.  Além  disso,  intimou­se  ainda  o  fiscalizado  para  apresentar  os  Livros Diário  e  Razão  concernentes  ao  ano­calendário  de  2009,  contendo  lançamentos  dia­a­dia,  conforme  determina o RIR/99.  Primeiramente,  em  22/06/2011,  o  contribuinte  efetuou  a  entrega  dos  Livros  Diário e Razão.  Em  11/07/2011,  o  fiscalizado  prestou  os  seguintes  esclarecimentos  (proc.  fls.  629 a ):  A  propriedade  do  imóvel  é  da  firma  DISFRIO  ADMINISTRAÇÂO  E  SERVIÇOS  LTDA.  Noticiou  que  a  empresa  está  em  processo  de  baixa  desde  21/02/2011,  portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no  endereço Av. Nelore  200  – Cabo Frio,  não  possuem nenhuma  ligação  com  a M  J Lagos  ou  sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão.  Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e  2009,  foram  assinados  pelos  procuradores  legais  da  empresa,  Peter  Malheiros  Maciokas  e  Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge  Magno Vasco da Silva.  Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr.  Cláudio  Lopes  Duarte  e  Antônio  Silva  Duarte  isoladamente,  pois  não  havia  relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”.  Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão  de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo  tem  interesses  na  empresa,  por  ser  sócio  capitalista  da M  J  lagos  e  delegava  a  seu  filho  o  controle  financeiro,  ficando  por  conta  do  Sr.  Antônio  Silva  Duarte  apenas  a  orientação  mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda  asseverou que solicitou  ao banco Unibanco a  entrega dos  extratos bancários do  exercício de  2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega.  A  autoridade  fazendária  relatou  que,  em  13/07/2011,  foram  emitidas  Requisições  de  Informação  sobre  movimentação  financeira  –  RMF  ao  Banco  Unibanco,  “requisitando, além dos extratos de movimentação de conta­corrente, relativos ao ano de 2008,  os  dados  constantes  na  ficha  cadastral  do  sujeito  passivo,  e  instrumento  de  procuração  outorgando poderes para terceiros movimentar a conta­corrente”.  Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 5          4 Em 30/08/2011, a contribuinte foi  intimada, por meio do Termo de Solicitação  de Esclarecimentos nº 01, a manifestar­se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros  (FOKO  COMÉRCIO  E  DISTRIBUIDORA  DE  BEBIDAS,  GRAU  DISTRIBUIDORA  DE  BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741).  Em  resposta,  os  sócios  da  contribuinte,  Manoel  Gonçalves  Costa  Moreira  e  Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa  GRAU referem­se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio  Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a  fiscalizada  somente  está  em  nosso  nome  por  problemas  de  ordem  particular  dos  senhores  Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos  pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos  senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem  dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi  intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a  tais  empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não  tem e nunca  teve  qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M  J  Lagos.  Ressaltou  que  a  afirmação  de  que  recebe  relatórios  e  outros  documentos  é  “absolutamente falsa”. Por fim,  informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria  Regional  da  República,  os  esclarecimentos  prestados  pela  empresa  fiscalizada  “com  o  propósito  de  demonstrar  que  o(s)  sócio(s)  de  direito  e/ou  de  fato  da  MJ  Lagos  está  (ão)  tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real  dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”.  Em  02/02/2012,  a  autoridade  fiscalizadora  solicitou  novamente  documentação  contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma,  foi expedido RMF para o Banco Bradesco.  O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários.  De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal  no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos  de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos  depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto.  Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de  origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor  declarado  de  R$  1.722.855,63,  verificou­se  omissão  de  receita  na  importância  de  R$  42.732.926,18, para o período.  Referente  ao  ano  de  2008,  apurou­se  o  total  de  R$  91.320.195,55  correspondente  aos  depósitos  de  origem  não  comprovada,  que  deduzido  do  valor  de  R$  1568.991,15, verificou­se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40.  A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração  em questão,  foram excluídos os valores  referentes a estornos, empréstimos,  transferências da  mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque.  No que concerne ao ano­calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração  com  opção  pelo  Lucro Real. No  entanto, mesmo  após  diversas  intimações  não  apresentou  à  Fiscalização  os  livros  contábeis  e  fiscais,  tais  como  Diário,  registro  de  Inventário,  Razão,  Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 6          5 apuração do Lucro Real,  bem como os documentos  comprobatórios de  seu passivo,  e,  ainda  apresentou elevados  saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à  entrega dos  livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e  contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada.  Desta  forma, a  fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530,  I do RIR/99 que  dispõe  sobre  o  arbitramento  do  lucro.  Considerou­se  para  efeito  de  cálculo  a  Receita  Bruta  conhecida,  qual  seja,  aquela  composta  dos  valores  verificados  pela  fiscalização,  de  conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON.  O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contra­denúncias e acusações  de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda.,  onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J  Lagos  Distribuidora  de  Alimentos  Ltda.,  objeto  desta  fiscalização,  estão  formalizadas  oficialmente,  em  Inquérito  Policial,  procedimento  investigatório  na  2ª  Vara  Criminal  da  Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal.  Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta  DRF  nomear  os  efetivos  integrantes  do  conluio  sem  a  indispensável  ação  policial,  o  fisco  remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o  caso  requer, dispensada  a  formalização específica, nos  termos do § 3º do art. 3º, da Postaria  RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de  sonegação  e de conluio,  bem como crimes  contra  a ordem  tributária. Desta  forma,  aplicou a  multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada.  Em  19/06/2012,  foram  lavrados  os  Autos  de  Infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS,  COFINS  referente  aos  anos­calendário  de  2007  e  2008  por  omissão  de  receita,  e  Autos  de  Infração de IRPJ e CSLL, ano­calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha.  A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982).  De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a  despeito  do  relatado  no Auto  de  Infração  como  fundamento  para  o  arbitramento  do  lucro,  a  empresa  possui  todos  os  livros  e  documentos  necessários  à  fiscalização  e  os mesmos  foram  tempestivamente  entregues  ao  fiscal.  Ademais,  o  Termo  de  Devolução  dos  Livros  e  Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros  e documentos.  Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os  respectivos  valores  dos  impostos  já  pagos  e  não  deduzidos  pelo  fiscal  e  que  serviram  de  amparo  para  o  levantamento  efetuado,  redundaram  em  erro  da  fiscalização.  Desta  forma,  o  Auto de Infração encontra­se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo  142 do Código Tributário Nacional.  No  que  concerne  à  denúncia  realizada  pelos  senhores Antônio  Silva Duarte  e  Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os  denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado  pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade  do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram  diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa  Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 7          6 pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade  sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr.  Manoel  Gonçalves  Costa  Moreira  que  consta  como  sócio  da  empresa  fiscalizada,  apenas  um  “laranja”.  Esclareceu  por  fim,  que  a  denúncia  do  Sr.  Antônio  Silva  Duarte  contra  o  Sr.  Hugo  Cecílio  de Carvalho  “deve­se  ao  fato  de  que, Manoel  Gonçalves  Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam  em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir  daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”.  Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros  ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são  os  verdadeiros  donos  (ocultos)  da  fiscalizada. Ademais,  a  contribuinte  afirmou  que  também  pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e  GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa  fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois.  No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta  prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal.  Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é  absoluta.  Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e  depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para  outra,  sacarem  valores  para  realizar  um  negócio  qualquer,  o  qual  posteriormente  não  é  concretizado,  com o  retorno  integral  dos valores  a  conta correspondente  e etc.” Em seguida,  esclareceu que “esses  fatos podem  justificar, no  todo ou em parte,  a movimentação bancária  não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito  bancário  como  ‘rendimento’,  para  fins  de  cobrança  do  imposto  de  renda.  É  necessário  comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na  respectiva  declaração”.  Por  fim,  fez  referência  à  antiga  súmula  nº  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos.  Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da  quebra  do  sigilo  bancário.  Ressaltou  que  todos  os  documentos  estavam  à  disposição  da  autoridade  fiscalizadora, e, no entanto, o  fiscal alegou não  ter  recebido nenhuma explicação,  quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá­lo.  Ressaltou  que  a  pretensa  omissão  de  receitas  imputada  à  contribuinte  é  por  “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no  texto legal apontado como infringido.  Por  fim,  a  Impugnante  afirmou  a  inconstitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial.  Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por  unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058).  Preliminarmente,  o  órgão  julgador  a  quo  se  manifestou  sobre  a  alegação  de  cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada.  Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 8          7 Em  sede  de  Impugnação,  a  fiscalizada  alegou  que  efetivamente  apresentou  os  documentos referentes ao ano­calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do  Livro Diário. No  entanto,  ressaltou  que  tal  livro  foi  escriturado  com  partidas mensais  e  não  diárias como determina a legislação.  A DRJ  asseverou  ainda  que  não  há  que  se  falar  em  apresentação  dos  demais  livros e documentos solicitados para o ano­calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado  refere­se  ao  ano­calendário  de  2007. Concluiu  o  órgão  julgador  que  a  despeito  das  diversas  intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara  e indubitável a escrituração da interessada para o ano­calendário de 2009, motivo pelo qual o  Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento.  Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa.  No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº  9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário.  A  autoridade  fazendária  alegou que  a  autuada  apresentou  apenas  justificativas  vagas  e  genéricas  para  justificar  a  movimentação  financeira  investigada  durante  o  procedimento  fiscal,  pois  afirmou  ser  comum  “contribuintes  sacarem  valores,  utilizarem  parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas,  transferirem valores de  uma  conta  para  outra,  sacarem  valores  para  realizar  um  negócio  qualquer,  o  qual  posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente  etc.”.  No  entanto,  A  DRJ  ressaltou  que  a  Impugnante  não  trouxe  à  colação,  especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação  bancária. Não  individualizou os  lançamentos oriundos de  suas  contas  correntes que estariam  sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do  computo do valor tributável.  A contribuinte  ainda questionou a  atuação do Fisco por não  ter descontado os  valores  relativos  aos  tributos  já  recolhidos  referente  à  infração  de  omissão  de  receita.  O  Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas  estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a  Turma  ainda  ressaltou  que  diferentemente  do  efetuado  no  caso  do  arbitramento,  em  que  os  valores  já  recolhidos  foram  devidamente  descontados  no  computo  das  exigências  constantes  dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de  comprovação da origem dos depósitos.  A  contribuinte  ainda  afirmou  a  ilegalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário,  pois  realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento  fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº  105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição,  acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já  quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade  de  tais  dispositivos  legais,  o  órgão  fazendário  ressaltou  que  não  possui  competência  para  apreciar  a  inconstitucionalidade  de  dispositivos  legais vigente.  Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 9          8 Por  fim,  o  Colegiado  frisou  que  não  houve  qualquer  manifestação  quanto  às  demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal  matéria encontra­se acobertada pelo manto da preclusão.  O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101).  Preliminarmente,  a  Recorrente  mais  uma  vez  invocou  a  nulidade  do  Auto  de  Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado  o  arbitramento  do  lucro,  qual  seja:  não  possuir  escrituração  na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais.  Ademais,  a  Postulante  afirmou  que  os  valores  dos  tributos  já  pagos  não  foram  deduzidos.  No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou  prejudicada,  ante  a  apresentação  de  todos  os  livros  e  documentos  fiscais.  Ressaltou  que  “a  falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são  suficientes  para  sustentar  a  desclassificação  da  escrituração  contábil  e  o  consequente  arbitramento dos lucros”.  Mais  uma  vez  afirmou  que  algumas  atividades  consideradas  normais  da  empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu  que  a  fiscalização  não  pode  simplesmente  considerar  cada  depósito  bancário  como  “rendimento”.  Referente  à  quebra  do  sigilo  bancário,  o  contribuinte  entendeu  que  deve  ser  reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado.  Ademais,  ressaltou que  todos os documentos  foram colocados  à disposição da  fiscalização.  Quanto  ao  arbitramento  do  lucro,  a  Recorrente  relatou  que  segundo  entendimento  do  1º  Conselho  de Contribuintes,  “os  lançamentos  contábeis  individualizados,  apenas  com  indicação  de  data  única  do  final  do  mês,  não  caracteriza  registro  em  partidas  mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”.  Acrescentou que  segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos  Fiscal,  para  que  se  proceda  o  arbitramento  do  lucro,  é  necessário  que  o  contribuinte  seja  previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu  no caso em análise.  Segundo  a  Postulante,  o  lucro  arbitrado  deve  ser  determinado  mediante  a  aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005.  Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou  que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a  iniciativa do  arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%.  Ademais,  não  há  nenhum  indício  de  fraude  ou  conluio,  não  sendo,  portanto,  lícita a aplicação da multa em dobro.  É o relatório.    Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 10          9 VOTO Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora  Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazem­se necessárias algumas  observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF.  A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite  às  instituições  financeiras, por meio de RMF, as  informações pertinentes ao contribuinte  sob  fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei.   A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle  concentrado  de  constitucionalidade  como  em  Recurso  Extraordinário,  estando  ambos  pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal.  De  acordo  com  o  previsto  no  art.  62­A,  §  1º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho ­ RICARF (Portaria MF nº 256/2009),  reconhecida a repercussão geral em sede de  Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser  sobrestados. Confira­se:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar o  julgamento dos  recursos  extraordinários da mesma matéria, até que  seja  proferida decisão nos termos do art. 543­B. (grifei)  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator  ou  por  provocação das partes.   Ocorre  que  desde  23/10/2009,  o  STF  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir:  “Constitucional.  Sigilo Bancário. Fornecimento de  Informações  sobre Movimentação  Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar  nº  105/2001).  Possibilidade  de  aplicação  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. Relevância  jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”.  Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre  RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o  julgamento  da  repercussão  geral  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  tendo  em  vista  que  cabe  a  este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico.  .É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Nara Cristina Takeda Taga ­ Relatora  Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 11          10       Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 13971.005271/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3403-003.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1.235          1 1.234  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.005271/2009­62  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.416  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de novembro de 2014  Matéria  AI­IPI  Recorrente  INDUSTRIAL E AGRÍCOLA RIO VERDE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004  Ementa:  IPI.  DECADÊNCIA.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO.  ART.  173,  I  DO  CTN. RESP N. 973.733/SC.  Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do  CTN,  conforme entendimento do STJ  expresso no REsp no  973.733/SC, na  sistemática do art. 543­C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por  este  tribunal  administrativo,  tendo  em  vista  o  art.  62­A  do  Anexo  II  do  RICARF.       Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.     ROSALDO TREVISAN ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente  da  turma),  Rosaldo  Trevisan  (relator),  Alexandre  Kern,  Ivan  Allegretti,  Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 71 /2 00 9- 62 Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN     2 Relatório  Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 15/12/2009 (fls. 1099 a  1109,  com  ciência  em  16/12/2009  ­  fl.  1101)1  para  exigência  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI (de dezembro de 2003 a novembro de 2004), acrescido de juros de mora  e multa de 75%, no total de R$ 1.144.447,80), por falta de recolhimento em virtude de dedução  de créditos indevidos.  No  Termo  de  Verificação  de  Infração  (TVI)  de  fls.  1111  a  1113,  narra  a  fiscalização que: (a) a ação fiscal  tratou também da análise de PER/DCOMP (de final 7403),  tratado  no  processo  administrativo  no  13971.005271/2009­62;  (b)  durante  o  procedimento,  apurou­se  que  a  empresa  escriturou  de  julho/1999  a novembro/2004  créditos  “fictos” de  IPI  (oriundos da aquisição de insumos não onerados, tributados à alíquota zero, não tributados ou  isentos), utilizando­os na dedução do IPI apurado e devido nos respectivos períodos, conforme  se  registra  no  LAIPI,  acarretando  falta  de  recolhimento  de  julho/1999  a  outubro/2004  e  recolhimento  a  menor  em  novembro/2004;  (c)  intimada  a  justificar  os  créditos,  a  empresa  informou estar amparada por decisão judicial (fls. 1040/1079); (d) ocorre que a demanda, além  de  não  estar  definitivamente  julgada,  presta­se  a  tema  diverso:  apurar  créditos  em  relação  a  aquisição de  insumos utilizados na  industrialização de produtos desonerados do  tributo; e (e)  torna­se assim devida a quantia indevidamente abatida com os descontos dos créditos “fictos”  de IPI.  A  empresa  apresenta  sua  impugnação  em  22/12/2009  (fls.  1136  a  1154),  sustentando  basicamente  que:  (a)  houve  decadência  em  relação  aos  débitos  anteriores  a  novembro de 2004, conforme art. 150, § 4o do CTN, tendo havido pagamento antecipado; e (b)  “caso se entenda que os valores declarados em DIPI e DCTF configuram confissão de débito  passível de exigência, importa ressaltar que também encontram­se extintos, pela prescrição).  Em  27/02/2013  ocorre  o  julgamento  de  primeira  instância  (fls.  1170  a  1173),  no  qual  se  decide  unanimemente  pela  procedência  parcial  da  impugnação,  sob  os  argumentos de que:  (a) com base no LAIPI, verifica­se que não houve pagamento de  IPI até  outubro  de  2004,  e  que  nos  períodos  de  novembro  de  dezembro  de  2004,  embora  seja  registrado débito, não há prova de realização de pagamentos; (b) opera, assim, a regra do art.  173, I do CTN, configurando­se a decadência para os fatos geradores de dezembro de 2003; (c)  não há que  se  falar  em prescrição, pois  a exigibilidade do  crédito  lançado está  suspensa por  iniciativa do sujeito passivo, que apresentou  impugnação à autuação; e  (d) não há defesa em  relação  ao  mérito  (deduções  de  créditos  “fictos”  de  IPI),  não  se  instaurando  o  litígio,  nos  termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972.  Cientificada  do  acórdão  da  DRJ  em  10/04/2013  (cf.  AR  à  fl.  1182),  a  empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/04/2013 (fls. 1184 a 1201), no qual  reitera os  posicionamentos  externados  na  impugnação,  acrescentando que  “mesmo não  tendo havido  o  pagamento, é possível haver a homologação de toda a atividade desenvolvida pelo contribuinte  para apurar o crédito tributário”.  É o relatório.                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/2009­62  Acórdão n.º 3403­003.416  S3­C4T3  Fl. 1.236          3   Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  Como já destacado na decisão de piso, a recorrente sequer discute o mérito da  autuação, concentrando sua argumentação de defesa tão somente na preliminar de decadência  (com linha alternativa defendendo a prescrição).  Em  relação  à  decadência,  afirmava  a  empresa  na  impugnação  que  tendo  havido pagamento antecipado, a regra aplicável era a do art. 150, § 4o do CTN.  Em sede  recursal,  ao mesmo  tempo em que mantém  tal  linha,  sustenta  que  “mesmo não  tendo havido o pagamento, é possível haver a homologação de  toda a atividade  desenvolvida  pelo  contribuinte  para  apurar  o  crédito  tributário”,  não  apresentando  qualquer  documento que comprove ter havido pagamento no período autuado.  Não merece prosperar tal entendimento, que somente pode ser encontrado em  vetusta jurisprudência administrativa (como a trazida no recurso voluntário).  Diante da ausência de pagamento antecipado, aplicável é a regra do art. 173  do CTN, conforme entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do  art.  543­C  do  CPC,  e,  portanto,  de  observância  obrigatória  por  este  tribunal  administrativo,  tendo  em  vista  o  art.  62­A  do Anexo  II  do  Regimento  Interno  deste  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF no 256, de 22/6/2009:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO. TRIBUTO  SUJEITO A LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150,  § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  quinquenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do CPC,  e  da Resolução STJ  08/2008.  (REsp  973733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso)  Nesse  sentido  já  decidiu  recentemente  esta  3a  Turma  Ordinária  de  forma  unânime (inclusive com a composição atual):  “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173,  I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a  regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme  entendimento  do  STJ  expresso  no  REsp  no  973.733/SC,  na  sistemática  do  art.  543­C do CPC,  e,  portanto,  de  observância  Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/2009­62  Acórdão n.º 3403­003.416  S3­C4T3  Fl. 1.237          5 obrigatória  por  este  tribunal  administrativo,  tendo  em  vista  o  art. 62­A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403­002.298,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  em  relação  à  matéria,sessão de 25.jun.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos  no  3403­003.106  e  107,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime,sessão  de  23.jul.2014;  e  o  Acórdão  no  3403­003.305,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  em  relação  à  matéria,sessão de 14.out.2014)  E uma simples pesquisa no sítio web do CARF permite a verificação de que a  matéria está realmente assentada no CARF, mas em sentido oposto ao que prega a recorrente  (v.g. Acórdãos no 3101­001.267, 3302­002.589, 3403­002.767, 9202­003.060, 9303­002.849 e  9303­002.857). Ademais, é vedado ao julgador, pelo Regimento Interno do colegiado, opor­se  ao entendimento expresso pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos.  Quanto  à  argumentação  alternativa  de  que  houve  prescrição,  também  não  merece acolhida,  seja porque não  se verifica  estarem os débitos  regularmente declarados  em  DCTF,  seja  porque,  como  destacou  o  julgador  de  piso,  foi  lavrada  autuação,  constituindo  o  crédito, que está em processo de discussão administrativa, inibindo a ocorrência da prescrição.    Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário apresentado.  Rosaldo Trevisan                                Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN

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Numero do processo: 10283.003958/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostra-se dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostra-se dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10          1 9  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.003958/2004­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.834  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2014  Matéria  ADUANA­ IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA/IRREGULAR  Recorrente  BRAZSHIPPING MARÍTIMA LTDA.,  TCE INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. E  SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000  ATO  DECISÓRIO.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. INEXISTÊNCIA.  Na  esteira  do  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72,  os  vícios  que  acarretam  a  nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a  preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena  validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do  direito  de  defesa  quando  é  franqueado  ao  contribuinte  o  acesso  a  todos  os  documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000  UTILIZAÇÃO  DE  DOCUMENTOS  MANIPULADOS.  DOLO.  OCORRÊNCIA.  Mostra­se  dolosa  a  conduta  deliberada  de  utilizar  faturas  comerciais  cujas  informações  foram  manipuladas  pelo  próprio  importador,  na  instrução  do  despacho  aduaneiro  de  mercadorias  de  procedência  estrangeira,  ainda  que  destinadas à Zona Franca de Manaus.  IMPORTAÇÃO.  DESPACHO  ADUANEIRO.  UTILIZAÇÃO  DE  DOCUMENTOS  FALSOS.  INFRAÇÃO  AO  ART.  463,  I  DO  RIPI/98.  CONFIGURAÇÃO.  A  utilização  de  faturas  comerciais  manipuladas  pelo  importador  para  instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita  no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para  consumo,  ou  consumo  de  produto  de  procedência  estrangeira  introduzido     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 58 /2 00 4- 19Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2 clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que  tenha  entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que  tenha  havido  registro  da  declaração  da  importação  no  SISCOMEX,  ou  desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento  aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não  se  conheceu  daquele  apresentado  pela  empresa  Brazshipping,  por  intempestivo.  Vencido  o  Conselheiro  Júlio  Ramos  quanto  à  existência  de  uma  única  empresa.  O  Conselheiro  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça  se  declarou  impedido  de  votar.  Participou  do  julgamento  o  Conselheiro  Denes  Brito.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  Dr.  Flávio  de  Sá  Munhóz  OAB/SP 131441.    Júlio César Alves Ramos – Presidente    Robson José Bayerl – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Denes  Brito,  Robson  José  Bayerl,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  Cláudio  Monroe  Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.  Relatório  Versa o presente processo sobre lançamento de multa regulamentar prevista no  art. 83, caput e inciso I, da Lei n° 4.502/1964, alterada pelo art. 1° do Decreto­Lei n° 400/68.  Tendo em conta a riqueza de detalhes e a necessária transcrição minuciosa dos  fatos ensejadores do lançamento, para confecção do presente aresto, adoto parte do relatório da  decisão de primeiro grau administrativo, verbis:  “De  acordo  com  a  descrição  dos  fatos  constante  do  Auto  de  Infração,  as  empresas  autuadas,  TCE Comércio  e  Serviços  em Tecnologia  e  Informática Ltda.  (TCE),  SDW  Serviços  Empresariais  Ltda.  (SDW)  e  Brazshipping  Marítima  Ltda.  consumiram  e  entregaram  a  consumo  produtos  de  procedência  estrangeira  importados  fraudulentamente.  Segundo  afirma  a  fiscalização,  foram  cometidas  infrações cambiais e  fiscais, além de crimes,  ficando as autuadas sujeitas à multa  equivalente  ao  valor  comercial  da mercadoria,  conforme demonstrativo anexo, de  fls. 632 (Volume 3).  3.  Ainda  conforme  o  relatório  da  fiscalização,  são  prestados  os  seguintes  esclarecimentos:  Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 11          3 3.1  a  fraude  consistiu,  principalmente,  na  falsificação  e  adulteração  de  invoices  e na constituição  fraudulenta das autuadas. As  infrações constatadas são  referentes a operações de importação ocorridas em 2000;  3.2  a  TCE  e  a  SDW  foram  diversas  vezes  autuadas  por  falsificações  e  adulterações de documentos necessários ao despacho aduaneiro;  3.3 para  ilustrar como ocorriam as  fraudes, são utilizados como paradigma  os  procedimentos  de  números  10283.002649/2004­21  (fls.  20­43)  e  10283.002594/2004­50 (fls. 44­57), haja vista que a organização criminosa seguia  a  mesma  rotina  há  vários  anos,  o  que  quer  dizer  que  as  fraudes  apuradas  não  diferem substancialmente;  3.4  no  processo  n°  10283.002594/2004­50  verificou­se  que  a  invoice  n°  C290109 (etiqueta 1 ­B, fls. 51) foi emitida pela empresa JEAN CO. LTD., situada  em Taiwan,  acobertando mercadorias  exportadas  ao Brasil  para  a  empresa TCE,  no valor de USD 592,000.00 e que nela há ordem administrativa para superfaturar  os preços dos produtos em 30%, retirando­se USD 3,000.00 do valor superfaturado;  3.5 há descrição resumida e genérica das mercadorias estrangeiras e o Term  of Payment de 0/A45 days;  3.6  a  essa  invoice,  relaciona­se  o  conhecimento  marítimo  n°  PK/MAN  0030/99 (etiqueta 1­E, fls. 56) que também aponta como shipper a JEAN CO. LTD.;  3.7 há outra via da invoice n° C290109 (com etiqueta 1A, fls. 45­50) emitida  pela  Kelsey  Commercial  S/A,  sediada  nas  Ilhas  Virgens  Britânicas,  conhecido  Paraíso  Fiscal,  acobertando  as  mesmas  mercadorias,  porém,  com  o  valor  superfaturado  em  30%,  retirados  os  USD  3,000.00,  e  com  descrição  especifica  itemizada;  3.8  nesta  via,  o  Term  of Payment  declarado  é  ‘ADVANCE PAYMENT US$  610,000.00  +  DRAF  AT  SIGHT  US$  156,000.00’,  ou  seja,  esse  documento  foi  emitido  no  Brasil,  conforme  o  número  e  ordem  referida  na  outra  invoice  (com  etiqueta  1­B,  fls.  51),  pois  esta  via  tem  descrição  específica  das  mercadorias,  necessárias  à  fruição  dos  benefícios  fiscais,  valor  30%  maior  e  simulação  do  exportador;  3.9  a  esta  invoice  irregular,  corresponde  outra  via  do  conhecimento  n°  PK/MAN 0030/99  (com etiqueta 1­F,  fls. 57), que  também aponta como shipper a  empresa Kelsey Commercial S/A, nas Ilhas Virgens Britânicas;  3.10  as  vias  da  invoice  e  do  BL  estão  em  duplicidade  e  com  dados  controversos;  3.11  o  despacho  aduaneiro  foi  instruído  pelas  vias  falsas/adulteradas  da  invoice (etiqueta 1A, fls. 45­50) e do BL (etiqueta 1­F, fls. 57), tendo em vista que as  informações  do  valor,  do  exportador,  do  termo  de  pagamento  e  da  descrição  das  mercadorias na Declaração de Importação correlata n° 99/0960874­0 (fls. 52­55),  são aquelas constantes de ambos os mencionados documentos irregulares;  3.12 a operação cambial decorre dos dados informados na DI, de modo que o  fechamento  de  câmbio  se  deu  conforme  os  dados  simulados,  enviando­se  divisas  para o paraíso  fiscal,  Ilhas Virgens Britânicas, por meio do superfaturamento das  importações e simulação do exportador;  Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 3.13 o dolo fica caracterizado nas mensagens eletrônicas de fls. 64­79 e 183­ 322;  3.14  no  processo  n°  10283.002649/2004­21,  como  nos  demais  processos  e  neste  Auto  de  Infração,  há  a  invoice  n°  M291297  (etiqueta  1­B,  fls.  33)  emitida  também pela empresa JEAN CO. LTD. acobertando mercadorias no valor de USD  74,817.00,  correspondente  ao  BL  n°  NYKS490267373  (etiqueta  1­E,  fls.  40)  indicando como shipper a JEAN (M) SDN. BHD;  3.15  a  via  falsa  (etiqueta  1­A/1,  fls.  27­32)  simula  a  emissão  pela  Kelsey  Commercial  S/A,  totalizando  USD  97,262.10  e  os  outros  itens,  como  terms  of  Payment, também foram simulados;  3.16 referente à via  falsa/adulterada da invoice,  também há outra do BL n°  NYKS490267373  (etiqueta  1­F,  fls.  41)  do  qual  consta  como  shipper  a  KELSEY  COMMERCIAL S/A;  3.17 há mais uma via da invoice falsa/adulterada (etiqueta 1­A, fls. 21­26), ou  seja, três vias diferentes da mesma invoice;  3.18  ainda  nesse  processo,  foi  apurado  que,  em  diversas  ocasiões,  era  simulado o  nome  do  importador,  ora  sendo a  TCE,  ora  a  SDW,  citando­se  como  exemplo  o  BL  NYKS490261769,  em  que,  numa  via  (etiqueta  2­E,  fls.  42),  o  consignee (importador) é a TCE e na outra via é a SDW (etiqueta 2­17, fls. 43);  3.19  no  jogo  de  documentos  de  fls.  685­802  (volume  3),  há  a  invoice  verdadeira ("B"), n° C290123 (fls. 700), acobertando mercadorias no valor de US$  1.300.000,00,  com  prazo  para  pagamento  de  0/45  days,  emitida  por  JEAN  CO.  LTD., sediada em Taiwan, com ordem para superfaturar em 30% as mercadorias;  3.20  há  ainda  a  fatura  "A"  (fls.  685­699),  emitida  pela  KELSEY  COMMERCIAL  S.A.,  sediada  nas  Ilhas  Virgens  Britânicas,  com  valor  superfaturado em 30% em relação à via verdadeira (US$ 1.687.400,00), com prazo  para  pagamento  ‘advanced  payment  US$  629,200,00  /  Suplier  credit  US$  1.058.200,00’, tendo o mesmo número da invoice verdadeira;  3.21  existe  a  participação  do  representante  nacional  do  transportador  estrangeiro, Brazshipping Marítima Ltda, que emitiu o Conhecimento de Carga n°  PK/MAN  0038/99  (fls.  802),  do  qual  consta  como  shipper  a  empresa  Kelsey,  de  acordo  com  os  dados  da  invoice  "A"  falsificada/adulterada,  embora  houvesse  emitido  outro  BL  com  o  mesmo  número  (fls.  801),  no  qual  consta  como  shipper  JEAN (M) BND, tendo recebido em 12/01/2000 por fac­simile;  3.22 na via falsa/adulterada do conhecimento de carga consta o carimbo da  Brazshipping Marítima Ltda (fls. 802);  3.23  a TCE  e  a SDW são vinculadas ao grupo CCE, acusado de  fraudar o  regime ZFM;  3.24 as simulações, fraudes e dolo também estão provados em dois relatórios:  o primeiro emitido em 08/08/2003 (fls. 58­79) e o segundo expedido em 13/01/2004  (fls. 80­386);  3.25  conforme  citados  relatórios,  a  TCE  e  SDW  foram  constituídas  com  a  finalidade  específica  de  fraudar  o  Estado  sendo  geridas  por  um  único  grupo  de  pessoas;  3.26  o  esquema  continua  em  atividade,  haja  vista  ter  sido  aberta  filial  paulista da SDW, em 03/11/2003, cujo diagnóstico fiscal era ‘irregular’, à época, e  atualmente é ‘regular’, e ter sido alterada a razão social da TCE, em 11/10/2003;  Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 12          5 3.27  tanto a matriz da TCE,  localizada em Manaus, quanto a  filial paulista  estão com o diagnóstico fiscal ‘irregular’;  3.28  embora  a  inexistência  fática  das  autuadas  TCE  e  SDW  tenha  sido  comprovada  pela  Receita  e  pelo  Ministério  Público  Federal  e  de  já  ter  sido  proposta a inaptidão de ambas as empresas, o grupo investigado continua a operar;  3.29 as alterações processadas nos cadastros e na composição societária das  autuadas,  TCE  e  SDW,  são  atos  que  visam  apenas  livrar  as  pessoas  físicas  relacionadas nos dois relatórios antes mencionados das penalidades legais (os fatos  aqui verificados foram praticados em 2000, não sendo, alcançados por esses atos);  3.30 após ter sido iniciada esta investigação, autorizada pela Justiça Federal,  o bloco SDW/TCE tem realizado diversas mudanças no seu quadro social visando  não vincular nomes de sócios ilustres ao esquema existente desde 1998 pelo menos;  3.31  os  fraudadores  falsificaram  invoices  e  conhecimentos  marítimos  de  diversas empresas, até de grupos transnacionais famosos mundialmente;  3.32 dentre outras provas, juntam­se as invoices falsificadas e adulteradas da  General Eletric Company (fls. 394­397), sendo que as respectivas vias verdadeiras  dos documentos estão juntadas as fls. 398­401;  3.33  a  GE  Plastics  afirma  que  não  emitiu  as  faturas  internacionais  falsificadas, quando respondeu aos expedientes oficiais (fls. 390­393), daí que foi a  TCE/SDW quem o fez;  3.34  os  documentos  estão  agrupados  em  jogos  numerados  (fls.  632),  sendo  que, depois do número do jogo, as invoices falsas estão etiquetadas com a letra "A",  a original/verdadeira com "B", o packing list regular com "C", a DI correlata com o  signo ‘D’ e o conhecimento com "E";  3.35 todas as vias  falsificadas­adulteradas  (A) seguem o modelo  tipográfico  (fls. 389), não trazendo quaisquer verossimilhanças com a original­verdadeira (B);  3.36 todas as faturas que têm esta tipografia são falsas (fls. 389);  3.37  é  fácil  comprovar  as  fraudes,  bastando  cotejar  a  invoice  "A"  (via  falsa/adulterada utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada  com "B" (a original/verdadeira, emitida pelo exportador), por onde se constata que  as diferenças são gritantes;  3.38  os  documentos  estavam  arquivados  juntos,  quando  foram  apreendidos  em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.4595­3;  3.39 o esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados aqui  segue o roteiro já identificado em ocorrências anteriores, que envolvem a empresa  CCE e outras do grupo, como a DM, tendo por intuito fraudar os cofres públicos e o  regime da Zona Franca de Manaus;  3.40  constam  deste  esquema  pessoas  físicas  que  são  sócias  em  várias  indústrias importadoras situadas na ZFM, dentre elas a TCE e a SDW;  3.41 as pessoas que comandam o esquema estão listadas as fls. 424­454 e os  nomes dos comandados constam do primeiro relatório (fls. 58­79) e do segundo (fls.  80­386), sendo estes os responsáveis pela operacionalização das fraudes;  Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     6 3.42  há  procedimentos  provando  a  falsificação/adulteração  de  invoices  e  conhecimentos  marítimos,  envolvendo  também  o  transportador  internacional  das  cargas  nos  episódios  irregulares  e,  por  isso,  em  alguns  casos,  foram  autuados,  concomitantemente, as empresas TCE, SDW e diversos  transportadores marítimos,  quando se provou também a falsificação de conhecimentos marítimos;  3.43  as  empresas  TCE  e  SDW  têm  sócios  vinculados  a  outras  empresas  fraudadoras do regime da ZFM, que também por meio da emissão de invoices e de  BL  falsos,  introduziram  mercadorias  estrangeiras  irregularmente  no  País,  consumindo­as e/ou entregando­as a consumo posteriormente;  3.44 como exemplo inicial das vinculações, além de as empresas TCE e SDW  haverem funcionado no mesmo local físico (imóvel de propriedade da CCE), cita­se  o  fato  de  o  Sr.  Isaac  Sverner,  figura  central  na  constituição  de  sociedades  que  cometeram  vários  ilícitos  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ser  sócio  majoritário  da  empresa TCE;  3.45 complementando o esquema, um dos sócios da SDW, Sr. Raphael Ades,  mantém vinculo familiar com o Sr. César Ades, que é parceiro do Sr. Isaac Svemer  na TCE;  3.46  é  um  ciclo  fraudador  e  vicioso  que,  ao  que  tudo  indica,  controlava  também  a  empresa  beneficiária  das  remessas  de  divisas  (geralmente  a  Kelsey  Commercial  S/A  nas  Ilhas Virgens Britânicas),  pois  constam  tomadas de decisões  administrativas  relativamente  a  esta  entidade  nas  correspondências  anexadas  aos  relatórios;  3.47 conforme se constata na cláusula 45 do contrato social da empresa SDW  (fls. 624­625), esta era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela TCE;  3.48  o  art.  136  do  Código  Tributário  Nacional;  art.  438  do  Decreto  n°  2.637/1998  e  art.  95,  inciso  I,  do  Decreto­lei  n°  37/1966,  capitulam  as  ações  irregulares, nos quais, verifica­se que a infração tributária é objetiva;  3.49  houve  simulação/fraude/dolo  na  constituição  e  gerência  das  empresas  TCE e SDW;  3.50 As simulações, fraudes e dolo estão também provadas nos dois relatórios  juntados,  em  cujos  expedientes  há  correspondências  eletrônicas,  provando  a  organização  hierárquica  do  esquema  e  a  vontade  explicita  de  lesar  a  economia  nacional;  3.51  as  empresas  SDW  e  TCP  são  uma  única  empresa  ­  a mesma unidade  econômica ­ formalizada desta forma bipartida tão­somente para fraudar o Erário e  para  usufruir  duplamente  os  saldos  de  importação autorizados pela Suframa, por  meio de aprovação de dois Processos Produtivos Básicos (PPB) distintos;  (...)  3.55  a  SDW  e  a  TCE  são  uma  só  empresa  formalizada  por  pessoas  físicas  vinculadas entre si;  3.56 o parágrafo único, da clausula 45 de uma das vias do contrato social da  empresa  SDW  (fls.  607­626),  nomeia  como  diretores  delegados  para  exercerem  o  comando administrativo da citada empresa as mesmas pessoas fisicas responsáveis  pela TCE, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades;  3.57  as  empresas  TCE  e  SDW  tinham  como  administradores  as  mesmas  pessoas físicas;  Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 13          7 3.58 nos relatórios de Diligência Fiscal (fls. 507­585) consta que: a SDW e a  TCE  estavam  estabelecidas  no mesmo  imóvel,  tratando­se,  de  fato,  de  uma  única  empresa; o endereço 21­A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na  realidade,  um  único  imóvel  com  divisões  internas,  ocupadas  por  essas  pessoas  jurídicas; o imóvel encontra­se, atualmente, sublocado à WMTM Equipamentos de  Gases Ltda., pelo Sr. Romero Reis, o qual é locatário do imóvel locado pela CCE da  Amazônia,  proprietária  do  imóvel;  considerando­se  os  dois  endereços  em  que  estiveram  estabelecidas,  num  mesmo  período  de  tempo  e  as  declarações  do  Sr.  Wilson César da C. Couto e  também a  inveracidade da existência do endereço de  número  21­A,  verificam­se  indícios  de  que  havia  um  propósito  fraudulento  na  atuação das pessoas jurídicas, pelo artifício de se passarem por empresas distintas;  (...)  3.80  a  descrição  das  mercadorias  nas  invoices  "A"  (falsas/adulteradas),  sempre  em  língua  portuguesa,  é  exatamente  aquela  constante  do  Processo  Produtivo  Básico  (PPB)  autorizado  pela  Suframa,  tendo  como  motivo  dessa  simulação  fazer  com  que  as  mercadorias  se  enquadrem  no  PPB  aprovado  pela  Suframa (fls. 455 ­506);  3.81  as  correlatas  vias  originais/verdadeiras,  que  estão  seguidamente  anexadas  às  falsas  (fls.  398­401),  têm  a  mesma  numeração  das  vias  falsificadas/adulteradas,  embora sejam completamente diferentes das  ‘fabricadas’,  conforme o modelo tipográfico para falsificação (fls. 389);  3.82  o  escritório  da  Receita  Federal  nos  Estados  Unidos  (fls.  391)  e  a  Procuradoria  da  República  no  Amazonas  (fls.  390)  remeteram  ao  grupo General  Eletric  (GE),  questionamentos  sobre  a  emissão  das  invoices  nos  0370025201  (fls.  394),  0370025401  (fls.  395),  0370025501  (fls.  396)  e  0388365601  (fls.  397),  das  quais  constam  a  marca  oficial  e  a  suposta  subscrição  de  funcionário  daquela  empresa;  3.83  a  GE  Plastics  (fls.  392­393),  referindo­se  às  vias  de  acordo  com  o  modelo de  fls. 389,  respondeu:  ‘As  três  faturas que V. Sas. anexaram à carta não  são as  faturas  originais  que  a GE Plastics  apresentou ao Banco Boa Vista  Inter­ Atlântico para estas três transações de importações (...)”  (...)  3.93 a empresa Brazshipping atuou perante a Alfândega do Porto de Manaus  como  representante  regular  e  legal  do  transportador  internacional  no  Brasil  (Sasia),  conforme  comprovam  os  cartões  de  credenciamento  as  fls.  884­896,  devendo  ser  considerada  como  parte  legitima  para  figurar  no  pólo  passivo  da  obrigação tributária, por ser responsável pelos atos praticados pelo representado;  3.94  no  BL  falso  consta  o  carimbo  da  empresa  Brazshipping,  com  a  assinatura do seu representante (fls. 676, 684, 802);  3.95  o  transporte  de  mercadorias  subordina­se  a  várias  regras  legais,  que  embutem no desempenho da atividade uma série de deveres,  como por exemplo, a  declaração da natureza da mercadoria no  conhecimento marítimo  (BL),  realizada  pelo  transportador,  deve  estar  de  acordo  com  o  produto  que  está  sendo  transportado;  (...)”  Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     8 Em  impugnação  a  Brazshipping  Marítima  Ltda.  destacou  que  se  limitaria  a  rebater a sua inclusão no pólo passivo, bem como, a imputação da responsabilidade tributária  solidária; que o auto de infração seria nulo por falta de clareza quanto à norma por ela violada,  que a adulteração dos conhecimentos de transporte (BL) não foi provada, mas baseada apenas  em  indícios;  que  a  legislação  permite  a  alteração/correção  de  tais  documentos;  que  é  equivocado  o  entendimento  que  o  armador  da  embarcação  ou  seu  representante  tenham  contribuído para a consumação do ilícito; que sua responsabilidade se restringiria ao transporte  de  mercadorias  desacompanhadas  da  documentação  comprobatória  de  sua  origem;  que,  na  condição  de  agência  representante,  seria  simples  mandatária  do  armador  estrangeiro;  que  o  termo  de  responsabilidade  assinado  não  possuiria  amparo  jurídico­legal;  e  que  não  haveria  qualquer interesse jurídico comum em relação às demais autuadas.  As  empresas  TCE  Comércio  e  Serviços  em  Tecnologia  e  Informática  Ltda.  (TCE)  e  SDW  Serviços  Empresariais  Ltda.  (SDW)  alegaram  a  inocorrência  das  infrações  apontadas pela autuação; que não haveria qualquer irregularidade na formação societária das  pessoas jurídicas; que o conceito de fraude encontra­se inserto no art. 72 da Lei nº 4.502/64;  que as normas interpretativas devem ser aplicadas restritivamente; que a caracterização do dolo  exige a demonstração do diferimento, redução ou supressão do tributo; que a fiscalização parte  de suposições e presunções para atingir suas conclusões; que as faturas tidas como falsas são  documentos “pro forma”, emitidas para atender às exigências aduaneiras, sendo procedimento  corriqueiro  nas  transações  comerciais  internacionais;  que  a  fatura  “pro  forma”  emitida  pelo  exportador  estrangeiro  nem  sempre  traz  as  informações  necessárias  ao  preenchimento  da  declaração  de  importação;  que  os  elementos  divergentes  entre  as  faturas,  detectados  e  relacionados pela autuação, não levam à conclusão de falsidade dos documentos; que entre os  documentos, mormente à luz das respostas fornecidas pela GE Plastics, existiriam apenas erros  administrativos  na  confecção  das  faturas  “pro  forma”,  o  que  não  implicaria  a  imposição  da  multa  prevista  no  art.  463,  I  do RIPI/98;  que  não  se  tratariam  de  importações  clandestinas,  fraudulentas ou irregulares; que não houve irregularidades na importação; que a regularidade  das  operações  estaria  comprovada;  que,  a  seu  tempo,  o  desembaraço  das  mercadorias  sem  qualquer exigência seria prova da inexistência da fraude; que ambas as pessoas jurídicas foram  regularmente  constituídas  e  são  independentes  na  consecução  de  suas  atividades,  além,  de  possuírem  objetos  sociais  distintos;  que  a  fiscalização  reconheceu  a  existência  de  duas  empresas  distintas  com  linhas  de  produção  autônomas;  que  a  legislação  permite  o  funcionamento de duas empresas em um mesmo endereço, assim como o compartilhamento da  mesma área; que não houve devolução da documentação apreendida em operação específica,  em  verdadeiro  cerceamento  do  direito  à  ampla defesa, motivo  pelo  qual o  lançamento  seria  nulo; que a prova da infração foi obtida por meio ilícito; que houve violação a dispositivos da  Lei nº 9.784/99; e, que não foi demonstrado o interesse comum a justificar a responsabilidade  tributária solidária entre as autuadas.  Posteriormente  foram protocoladas  petições pugnando pela  juntada de parecer  jurídico  e  outros  documentos  que  autorizariam  as  impugnantes  TCE  e  SDW  a  emitirem  as  faturas comerciais “pro forma”, o que viria a corroborar a inexistência da fraude.  A  DRJ  Fortaleza/CE  manteve  integralmente  o  lançamento  em  decisão  assim  ementada:  “PARECER JURÍDICO APRESENTADO APÓS O DECURSO DO PRAZO  IMPUGNATÓRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não  se conhece de argumentos apresentados, na  forma de parecer, após o  transcurso do prazo impugnatório.  Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 14          9 ARGÜIÇÃO  DE  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FORNECIMENTO DE CÓPIA DA PROVA DOCUMENTAL.  Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento  de  que  não  foi  devolvida  a  documentação  apreendida  no  curso  da  ação  fiscal, uma vez que a prova documental em que se baseou o auto de infração  encontra­se  acostada  aos  autos  possibilitando  o  exame  por  parte  da  defendente.  ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.  Não há que se falar em nulidade quando o auto de infração está devidamente  fundamentado  na  legislação  tributária  apropriada  e  instruído  com  os  elementos de prova em que se baseou o lançamento.  LICITUDE DA PROVA. BUSCA E APREENSÃO.  A assinatura do representante legal da empresa no termo circunstanciado da  busca  e  apreensão  não  é  requisito  exigido  pela  lei,  de  modo  que  a  sua  ausência  não  torna  ilícita  a  prova  obtida,  estando  referido  documento  assinado por duas testemunhas. A descrição genérica, no citado termo, dos  documentos  apreendidos,  não  invalida  a  prova  colhida,  quando  posteriormente é realizado o exame de toda a documentação, detalhando­se  o seu conteúdo.  LEGITIMIDADE PASSIVA.  Estando  comprovado  nos  autos  que  o  agente marítimo  atuou  efetivamente  como  representante  do  transportador  estrangeiro,  torna­se  responsável  solidário, por expressa determinação legal.  APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL.  A prova documental deve ser apresentada pela defendente juntamente com a  impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  diligencia  quando  prescindível  para  instrução  do  processo  e  solução  do  litígio.  É  descabida  a  juntada  de  documentos impertinentes à matéria discutida nos autos.  IMPORTAÇÃO  FRAUDULENTA.  FALSIFICAÇÃO  DE  FATURA  COMERCIAL E CONHECIMENTO DE CARGA.  Comprovada  a  falsidade  das  faturas  comerciais  que  instruíram  as  Declarações de  Importação,  com vista à  obtenção de vantagens  indevidas,  fica  caracterizada  a  importação  fraudulenta,  sujeitando  o  importador  à  multa prevista na legislação.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Respondem  solidariamente  pela  infração  aqueles  que,  de  qualquer  forma,  concorram para sua prática, ou dela se beneficiem.  Lançamento Procedente”  Devidamente  cientificados  os  contribuintes TCE e SDW  interpuseram  recurso  voluntário conjunto onde sustentaram, preliminarmente, i) a nulidade da decisão proferida em  Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     10 face da participação, no julgamento, de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação  de  parecer  jurídico  e  razões  complementares,  presunção  de  falsidade  de  documentos  não  vinculados  ao  lançamento,  falta  de  juntada  de  documentos  solicitados  pela  empresa;  e,  ii)  cerceamento  do direito de defesa pela  falta de acesso aos documentos  e utilização de prova  ilícita. No mérito, principiou fixando a acusação fiscal – importação fraudulenta –, em seguida  discorreu  sobre  o  conceito  de  fraude  e  as  regras  atinentes  às  normas  sancionatórias  para  concluir  pela  sua  inocorrência  no  caso  dos  autos;  defendeu  a  inaplicabilidade  da multa  por  fraude à importação, por entender inexistente uma “importação”, propriamente dita, na entrada  de produtos na ZFM,  referenciando a parecer  juntado; asseverou a  inaplicabilidade da multa  administrativa infligida por ausência de tipicidade; rechaçou a existência de irregularidades nas  operações efetuadas; acentuou a regularidade na constituição das pessoas jurídicas, destacando  que  a  própria  fiscalização,  quando  do  procedimento  de  vistoria  realizado,  reconheceu  a  existência  de  linhas  de  produção  autônomas;  e,  por  fim,  que  não  haveria  que  se  falar  em  empresas  coligadas,  bem  assim,  que  está  revestida  de  plena  legalidade  o  funcionamento  de  pessoas jurídicas distintas no mesmo endereço.  Brazshipping  Marítima  Ltda.,  cientificada  em  16/05/2006,  por  via  postal  (fl.  1.273), protocolizou diretamente neste Conselho Administrativo peça recursal inominada, em  07/11/2012,  onde  requer manifestação  e  posicionamento  quanto  à  sua  legitimidade  passiva,  questão que deve ser conhecida ex officio por se tratar de matéria de ordem pública.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  Preliminarmente, manifesto­me quanto à peça patrocinada pelo contribuinte  Brazshipping Marítima Ltda., descabendo qualquer debate quanto à perempção de seu direito a  recurso, bastando a referência ao intervalo de aproximadamente 06 (seis) anos entre a petição e  a  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  que  lhe  foi  desfavorável.  A  intempestividade  é  chapada.  Acerca  da  justificativa  apresentada  para  não  interposição  do  competente  recurso voluntário  ­  impossibilidade de  realização do depósito recursal  ­, é bem verdade que  esta  exigência  consubstanciava  requisito  de  admissibilidade  do  recurso,  entretanto,  esta  verdadeira “garantia de instância” foi suprimida pelo Supremo Tribunal Federal pela Súmula  Vinculante nº 211, publicada no Dje nº 210 de 10/11/2009 (DOU de 10/11/2009, pág. 1), e, no  entanto,  o contribuinte somente protocolizou esta “reclamação” em 07/04/2012, sem deduzir  qualquer motivo para tal demora.  Ora, se o depósito recursal era o motivo para não apresentação do recurso, a  fluência de quase 40 (quarenta) meses entre a extinção do requisito e o protocolo da peça sub  examine, por si só, lança por terra qualquer possibilidade de acolher o argumento.  No  tocante  ao  reconhecimento  de  ofício  pela  autoridade  julgadora  administrativa da legitimidade para figurar no pólo passivo do lançamento, por ser questão de  ordem  pública,  equivoca­se  o  reclamante  em  sua  premissa,  posto  que,  sendo  o  direito  tributário, assim como o direito penal, legislação de exceção2, uma vez que restringe direitos                                                              1 "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de  recurso administrativo."  2 Daí porque a submissão, dentre outros, ao princípio da tipicidade cerrada e da reserva legal, dentre outros.  Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 15          11 constitucionais  magnos  –  a  liberdade  e  a  propriedade  –,  tudo  o  que  dissesse  respeito  à  exigência  tributária,  segundo  este  raciocínio,  seria  caracterizado  como  matéria  de  ordem  pública, de sorte que o procedimento contencioso dispensaria qualquer formalidade e todos os  processos administrativos deveriam ser encaminhados para revisão, independente do interesse  do contribuinte em recorrer.  A meu sentir, a pretensão do contribuinte configura, na verdade, revisão de  ofício  e  não  julgamento  administrativo,  o  que  exigiria,  nos  termos  do  art.  145  do  Código  Tributário Nacional,  a verificação de quaisquer das hipóteses do art. 149 do mesmo diploma  para sua realização, o que não vislumbro no presente processo. Demais disso, aludida revisão  de ofício, se cabível, seria atribuição do próprio órgão do qual emanou o ato administrativo.  De outra banda, os arts. 33 e 37 do Decreto nº 70.235/72,  são  taxativos ao  estabelecer que o julgamento em segunda instância far­se­á de acordo com o regimento interno  do  CARF,  bem  assim,  prevêem  a  necessidade  do  competente  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  formalmente  hígido  e  protocolado  dentro  do  prazo  de  trinta  de  dias  da  ciência  da  decisão de piso, para manifestação das turmas julgadoras componentes deste sodalício.  Neste  sentido  é  a  redação  do  art.  1º  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09:  “Art.  1°  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  órgão  colegiado,  paritário,  integrante  da  estrutura  do  Ministério  da  Fazenda,  tem  por  finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância,  bem  como  os  recursos  de  natureza  especial,  que  versem  sobre  a  aplicação  da  legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do  Brasil.” (destacado)  Como  se  observa,  não  se  encarta  dentre  as  atribuições  deste  Conselho  Administrativo o  exame de petições ou  reclamações que busquem o exame de questões não  regularmente recorridas, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e do RICARF, ainda que sob o  pálio de se tratar de supostas questões de ordem pública.  Com estas considerações, voto por não conhecer da petição apresentada.  Na  seqüência,  relativamente  ao  recurso  manobrado  por  TCE/SDW,  em  conjunto, confirma­se sua tempestividade, bem como, o preenchimento dos demais requisitos  para sua admissibilidade, devendo ser conhecido.  Cumpre, inicialmente, enfrentar as questões preliminares opostas, o que, em  função  da  quantidade  de  vícios  apontados,  será  realizado  pela  sua  apartação  em  rubricas  distintas: vícios formais e vícios materiais.  1  PRELIMINARES  1.1  VÍCIOS FORMAIS  Sob este título serão analisadas as alegações de nulidade da decisão proferida  em  face  da  participação  no  julgamento  de  autoridade  administrativa  impedida,  falta  de  apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos  não vinculados ao lançamento e a falta de juntada de documentos solicitados pela empresa.  Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     12 Neste  passo,  mostra­se  improcedente  o  reclamo  quanto  ao  pretenso  impedimento de julgador, eis que, segundo o recurso, o AFRFB Luis Carlos Maia Cerqueira,  na  qualidade  de  Inspetor  da  Alfândega  do  Porto  de Manaus,  teria  assinado  o Mandado  de  Procedimento Fiscal – MPF do procedimento fiscal que culminou no lançamento sob vergasta,  contudo, examinando o documento juntado pelo recorrente, verifica­se que não há vinculação  direta  entre  aludido  documento  e  o  lançamento  ora  combatido,  bastando  verificar  que  os  auditores  fiscais designados  não  são  os mesmos que  lavraram o  auto  de  infração,  revelando  tratar­se de procedimentos fiscais distintos a que se submeteram os recorrentes.  Demais  disso  e  diversamente  do  que  defendem,  o  “impedimento”  a que  se  refere  o  regimento  interno  da  SRF  citado  exige  a  participação  efetiva  da  autoridade  administrativa na ação fiscal, o que não se dá pela simples emissão do MPF, que, por si só, não  deflagra  o  início  do  procedimento  fiscal,  mas  tão  somente  determina  a  sua  execução,  daí  porque não há que se falar em “impedimento”.  Como  pacificado  ainda  à  época  dos  Conselhos  de  Contribuintes,  o  procedimento  fiscal,  nos  termos da  legislação que  rege o processo administrativo fiscal,  tem  início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente cientificando o  sujeito passivo, ou seu preposto, da obrigação tributária, o que não deve ser confundido com a  emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.  Da mesma  forma,  não merece  acolhida  a  alegação  de  nulidade  da  decisão  recorrida  por  ausência  de  manifestação  sobre  parecer  jurídico  e  razões  complementares.  A  uma, porque parecer é opinião técnica sobre determinado assunto e, como tal, não se qualifica  como prova, daí porque não tem de ser objeto específico de julgamento, muito menos sopesado  na fundamentação da decisão; e, a duas, porque, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as  razões  de  fato  e  de  direito,  além  das  provas  documentais  de  que  se  dispõe,  devem  ser  apresentadas na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outra  oportunidade,  de  tal  forma que, à exceção das ressalvas do parágrafo quarto do mesmo dispositivo – que no caso  vertente,  à  época não  foram demonstradas –, não  tem a  autoridade  julgadora de piso que se  manifestar a seu respeito.  Em outra vertente, os recorrentes aduzem que houve presunção de falsidade  de documentos em operações de importação, inclusive pelas “divergências apuradas em faturas  emitidas  em  outros  períodos  que  não  o  autuado!”,  o  argumento,  porém,  imbrica­se  com  o  próprio mérito da causa, razão porque será examinado no momento apropriado do voto.  Relativamente à “falta de juntada de documentos solicitados pela empresa”,  os recorrentes não indicam quais seriam os “documentos solicitados pela empresa” e que não  foram juntados pela autoridade fiscal ao processo, parecendo­me mais um argumento retórico  do que propriamente uma alegação de defesa, o que leva à refutação da alegação.  1.2  VÍCIOS MATERIAIS  Nesta oportunidade serão examinadas a  falta de acesso aos documentos e a  ilicitude na obtenção da prova.  Conveniente  destacar,  neste  ínterim,  que  o  acesso  à  prova,  como  averbado  pelos próprios recorrentes,  fez­se mediante cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão  expedido nos autos do processo judicial 2003.32.00.004595­3, em trâmite na 2ª Vara da Justiça  Federal  do Amazonas,  encontrando­se os documentos  arrecadados em poder das autoridades  fiscais e do Ministério Público Federal, por força de ordem judicial específica.  Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 16          13 Então, tendo em conta que o Ministério Público Federal é o dominus littis, o  responsável  pela  ação  penal  decorrente  da  infração  fiscal,  a  Administração  Tributária  não  deteria,  sozinha,  a  livre  disponibilidade  da  documentação  apreendida,  o  que  a  impediria  de  devolvê­la aos contribuintes sem anuência do parquet. Além do que, todos os documentos que  embasaram a imputação de fraude, pela falsificação de documentos utilizados no despacho de  importação,  encontram­se  nestes  autos  administrativos  a  que  os  recorrentes  tiveram  amplo  acesso.  Se  entendiam  os  recorrentes  que  necessitavam  de  outros  elementos,  além  daqueles  já  coligidos  ao  processo,  cabia­lhes  especificá­los  e  requerer  o  fornecimento  de  cópias.  Aliás,  mais  uma  vez  a  argumentação  mostra­se  fluida,  eis  que  os  interessados  não  esclarecem quais seriam aludidos documentos não entregues pela fiscalização e que, pela sua  robusteza,  teriam  a  capacidade  de  profligar  a  fraude  que  lhes  é  atribuída,  valendo  aqui  o  recurso ao princípio pás de nullité sans grief, consoante a qual não há declaração de nulidade  se não houver prova do efetivo prejuízo causado à defesa.  Por  pertinente,  não  se  diga  que,  cuidando­se  de  nulidade  absoluta,  onde  o  prejuízo é presumido, não se aplicaria  tal regra, pois os tribunais superiores vem entendendo  que este princípio também se estende a estas hipóteses, como se extrai dos seguintes julgados:  STJ (HC 99996 / SP) e STF (HC 85.155/SP, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJU 15.04.05 e AI­ AgR. 559.632/MG, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 03.02.06).  Atinente à suposta ilicitude da prova ou mesmo da sua obtenção, acentuo que  a sua apropriação em estabelecimento dos contribuintes respaldou­se em mandado de busca e  apreensão  expedido  por  autoridade  judicial  competente,  de  forma  que  a  invalidade  de  tal  procedimento, se existente, deve ser discutido em âmbito judicial, como bem apontou a decisão  recorrida, verbis:  “É importante ressaltar que não compete a este órgão  julgador  administrativo se pronunciar quanto à admissibilidade ou não do  mandado  de  busca  e  apreensão,  assim  como  a  respeito  do  atendimento  de  seus  requisitos  formais,  vez  que  tal  apreciação  foi  submetida  ao  crivo  do  Poder  Judiciário,  o  qual,  como  se  sabe,  julgou  pela  pertinência  da  apreensão  dos  documentos  da  impugnante.  Qualquer  apreciação  administrativa  valorativa  sobre o mandado em evidência representaria ofensa ao Princípio  da Jurisdição Única.” (destaque no original)  Já o câmbio dos documentos de interesse da Administração Tributária, para  exigência  dos  tributos  e  penalidades  aplicáveis,  efetivou­se  por  intermédio  do  competente  processo administrativo com acesso a todos os recursos e faculdades garantidos pela legislação  de regência do procedimento contencioso fiscal, de modo que não vislumbro qualquer mácula  na sua produção e entronização nestes autos.  Também não prospera a alegação de necessidade de certificação do conteúdo  ou  origem  das  mensagens  telemáticas  obtidas,  ao  passo  que  os  transmitentes  foram  identificados  e  todos eles  têm relação, direta ou  indireta,  com as pessoas  jurídicas autuadas,  mesmo porque, tais documentos não são os elementos principais a lastrear o lançamento, mas  indícios que corroboram a prática fraudulenta.  Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     14 2  MÉRITO  Ultrapassadas as questões preliminares passa­se ao mérito.  Para melhor esclarecer o objeto de autuação sirvo­me de excerto da decisão  de primeiro grau administrativo, verbis:  “A alusão da fiscalização às faturas nos M291297 e C290109 (fls. 33 e 51), é  feita a titulo  ilustrativo, uma vez que a multa exigida no presente processo não se  relaciona  às  citadas  faturas,  as  quais  foram  objeto  dos  processos  nºs  10283.002649/2004­21  e  10283.002594/2004­50.  O  caso  concreto  se  refere  as  faturas comerciais e DIs correspondentes relacionadas às fls. 632.  Com  o  mesmo  objetivo,  a  fiscalização  menciona,  dentre  outras  provas,  invoices  emitidas  pela  empresa  General  Eletric  Company  nºs  0370025201,  0370025401, 0370025501 e 0388365601  (fls. 398­401), que  foram substituídas no  despacho  por  faturas  falsas  emitidas  pelo  importador,  com  a mesma  numeração,  mas com layout diferente (fis. 394­397). Ao ser questionada pela fiscalização, a GE  Plastics  respondeu  que  não  emitiu  as  faturas  que  instruíram  os  despacho  de  importação (fls. 390­393).  Portanto, além de demonstrar que há precedentes da prática ilícita por parte  da autuada, o comentário em relação às faturas mencionadas nos dois parágrafos  acima  serve  apenas  de  paradigma para  ilustrar  como  se perpetrou  a  adulteração  das faturas comerciais nos diversos despachos de importação, pois as constatações  em  relação  às  demais  faturas,  em  linhas  gerais,  seguem  esse  mesmo  padrão.”  (destacado)  Preambularmente,  registro  que  a  infração atribuída aos  recorrentes  consiste  entregar a consumo ou consumir produtos importados irregularmente, mediante a utilização de  faturas  irregulares,  mais  especificamente,  faturas  confeccionadas  pelos  próprios  recorrentes  TCE/SDW (item IV.2.2.2 do recurso voluntário) ­ o que será esclarecido mais detalhadamente  adiante  ­,  para  instrução das declarações de  importação  registradas,  fato este não contestado  diretamente pelos recorrentes, que em sua irresignação tentam justificar o modus operandi ou  afastar as hipóteses para a manutenção do lançamento.  Nesta  empreitada,  aduzem os  recorrentes  a  decisão  de  piso,  ao  examinar o  lançamento, textualmente imputou­lhes a prática de importação fraudulenta (item 131) e, após  socorrerem­se do conceito de “fraude” constante do art. 72 da Lei nº 4.502/64, concluíram pela  sua  inocorrência,  tendo  em  conta  que  não  houve  redução,  diferimento  ou  supressão  de  pagamento  de  tributo  como  conseqüência  da  prática  adotada,  o  que,  sob  seu  prisma  seria  condição  sine  qua  non  para  configuração  da  fraude,  tanto  assim,  afirmam,  que  não  houve  exigência de tributo no auto de infração, mas tão somente de multa administrativa.  É certo que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 conceitua fraude como “toda ação ou  omissão dolosa  tendente a  impedir ou  retardar,  total  ou  parcialmente, a ocorrência do  fato  gerador da obrigação  tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento”, entretanto, não é menos verdade que o termo “fraude”, como de resto boa parte  das palavras na língua portuguesa, é polissêmico e possui uma gama de significados, mesmo na  seara jurídica, sendo que a decisão recorrida utilizou­se do termo “fraude” como sinônimo de  ocultação da verdade, como se infere da seguinte passagem do voto condutor:  “204. Assim, em matéria aduaneira, a fraude assume uma feição  própria,  de  modo  que  o  termo  ‘importação  fraudulenta’  transcende a conduta dolosa de tão­somente evitar ou reduzir o  Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 17          15 pagamento  de  tributo,  não  se  restringindo à  ‘fraude’,  tal  como  conceituada  no  art.  72  da  Lei  n°  4.502/1964,  de  feição  estritamente  tributária.  Envolve  também  as  ações  dolosas  empreendidas para burlar os controles aduaneiros, com o intuito  de  lograr  benefícios  ilicitamente,  com  p.  ex.,  obter  vantagens  cambias, remeter divisas irregularmente etc.  205.  Em  tais  situações,  pode  ocasionalmente  não  haver  insuficiência ou falta de recolhimento de impostos, porém não se  há de negar a caracterização da  importação como fraudulenta,  porquanto  resta  evidente  a  ação  dolosa  em  ilidir  o  controle  aduaneiro  para  fruição  de  vantagens  ilícitas  em  detrimento  da  economia nacional, bens  jurídicos que a norma visa assegurar.  Então,  em  relação  a  operações  aduaneiras,  seria  um  contra­ senso exigir que a fraude se caracterizasse unicamente pela falta  ou  insuficiência  de  pagamento  dos  impostos  incidentes  na  importação.  206.  No  ordenamento  jurídico  encontramos  exemplos  dessa  acepção, em que a importação fraudulenta não necessariamente  implica supressão ou redução do  imposto devido. É o caso art.  23 do Decreto­Lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação  dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002  (DOU  31/12/2002),  que  pune  uma  espécie  de  importação  fraudulenta, caracterizada pela ocultação do sujeito passivo, do  real  vendedor,  comprador  ou  de  responsável  pela  operação,  mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros,  mesmo  não  havendo  repercussão  no  recolhimento do imposto.  207. Assim,  ‘importação  fraudulenta’  significa  importação com  fraude ao controle aduaneiro, mitigando­se a feição estritamente  tributária  de  ‘reduzir  ou  evitar  o  pagamento  do  imposto’  ocorrendo nos casos em que a falsificação ou a adulteração de  documentos  acarrete  dano  ao  citado  controle, mesmo  que  não  haja repercussão no tratamento tributário.  208.  A  propósito  observe  ­se  o  lúcido  ensinamento  de  ROOSEVELT  BALDOMIR  SOSA:  ‘consiste  a  falsidade  documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso,  ou  alterá­lo  total  ou  parcialmente de modo a  iludir o  controle  administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que  é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a  verdade’ (Comentário à  lei aduaneira: Regulamento Aduaneiro,  São  Paulo:  Aduaneiras,  1993,  vol.  III,  p.  187)  (destaquei).”  (destaques no original)  Ou seja, mesmo não sendo devido tributo algum em decorrência da utilização  de faturas irregulares, o que, em tese, poderia afastar a qualificação da infração como “fraude”,  segundo o conceito da Lei nº 4.502/64 (art. 72), não é possível desqualificar a conduta como  fraudulenta, na acepção vincada na decisão reclamada, assim entendido o expediente utilizado,  o  artifício  ou  ardil,  destinado  a  burlar  os  controles  aduaneiros,  que  no  caso  concreto  se  consubstanciou na utilização de documentos inverídicos, faturas comerciais manipuladas pelo  próprio importador.  Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     16 Outrossim, vale lembrar que o dispositivo em que incurso os contribuintes –  art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – dispõe que são apenados com multa igual ao valor da mercadoria  aqueles  que  entregarem  ao  consumo,  ou  consumirem  produto  de  procedência  estrangeira  introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha  entrado  no  estabelecimento,  dele  saído  ou  nele  permanecido  desacompanhado  da  nota  de  importação ou da nota­fiscal.  O  fato  de  não  se  apurar  supressão  de  tributo  ou  mesmo  o  emprego  dos  insumos importados no processo produtivo do contribuinte, a meu juízo, não significa refutar a  prática  deliberada  de  se  utilizar  dolosamente  de  documentos  contrafeitos  para  instrução  de  despacho aduaneiro.  Aliás, relativamente à caracterização e individualização da falsidade, entendo  que a decisão recorrida bem abordou a questão, elaborando minudente relato de sua ocorrência  (fls. 1235/1238), que adoto também como razão fática de decidir:  “Embora  negue  a  falsidade  no  tocante  ao  conteúdo  dos  documentos,  a  própria  impugnante  admite  que  as  faturas  que  instruíram  o  despacho  foram  confeccionadas  por  ela,  tendo  como  objetivo  suprir  a  suposta  ausência  de  informações  nas  faturas  comerciais  emitidas  pelo  exportador,  as  quais,  segundo  alega, nem sempre apresentavam todos os requisitos necessários  para  o  preenchimento  correto  da  DI,  tais  como  a  descrição  detalhada  dos  produtos  importados,  unidades  de  medidas  compatíveis com os padrões brasileiros etc.  (...)  Registre­se que, como reconhece a defendente, tal procedimento  não encontra amparo na  legislação. Ademais, não se vislumbra  o  alegado  óbice  ao  preenchimento  da  DI,  com  base  na  fatura  efetivamente  emitida  pelo  exportador,  a  qual  retrata  com  fidelidade  a  descrição  da mercadoria  negociada,  prestando­se,  se  for  o  caso,  outras  informações  adicionais  na DI  de modo  a  descrever  a  mercadoria  de  forma  mais  completa  possível  com  especificação detalhada de suas características. (...)  Não prospera a alegação de que a invoice ‘A’ (falsa) seria uma  fatura pro forma, emitida para atender às exigências da Aduana  quando  do  desembaraço  de  mercadorias  importadas,  e  muito  menos  que  tal  documento  refletiria  as  mesmas  informações  constantes da invoice verdadeira (invoice ‘B’).  Em  primeiro  lugar,  o  que  a  litigante  chama  de  ‘fatura  pro  forma’,  na  verdade,  é  o  documento  por  ela  expedido  para  instruir o despacho fazendo­se passar por fatura comercial, não  se  devendo  confundir  com  o  que  se  denomina  tecnicamente  de  fatura pro forma no comércio internacional.(...)  Não  prospera  a  alegação  de  que  o  documento  emitido  pelo  importador  reflete  substancialmente  as mesmas  informações  da  fatura  verdadeira  emitida  pelo  exportador.  Das  três  faturas  emitidas pelo importador anexadas aos autos (invoice ‘A’), duas  estão  acompanhadas  das  respectivas  faturas  verdadeiras  (invoice ‘B’) (fls. 677­678 e 685­700).  Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 18          17 Verifica­se que as  faturas emitidas pelo  importador possuem as  mesmas  numerações  das  correspondentes  faturas  verdadeiras,  ou seja, existem dois documentos para cada operação de compra  e  venda,  com  mesma  numeração,  porém  com  layout  diferente.  Como observou a fiscalização, o layout das faturas emitidas pelo  importador  segue  exatamente o mesmo padrão  tipográfico e de  caracteres  (formato  e  tamanho  das  letras  e  números),  tal  qual  detectado  em  outras  importações  nas  quais  os  exportadores  eram diferentes (fls. 394­401).  Cotejando­se  os  documentos  emitidos  pelo  importador  com  os  verdadeiros,  evidencia­se  a  divergência  de  informações  seja no  tocante  ao  preço,  descrição  da  mercadoria,  quantidade,  peso,  nome do exportador e termo de pagamento.  Nas  faturas comerciais emitidas indevidamente pelo  importador  que  apresentam  divergência  no  tocante  à  descrição  da  mercadoria em relação à  fatura verdadeira, não havendo como  concluir  que  tal  discrepância  possa  ser meramente  atribuída  a  detalhamento da mercadoria, pois não se pode estabelecer uma  correlação  entre  a  descrição  da  mercadoria  contida  no  documento  verdadeiro  e  no  falso.  Na  fatura  verdadeira  de  fls.  700,  a  descrição  efetuada  pelo  exportador  transforma­se,  na  fatura  confeccionada  pelo  importador  de  fls.  685­699,  em  dezenas de  itens compostos por até milhares de peças, as quais  não constam expressamente no documento original nem se pode  inferir que realmente compõem a mercadoria importada.  Diante  dessas  constatações  não  se  pode  considerar  que  as  invoices emitidas pelo importador contenham tão­somente erros  ou  equívocos  quando  do  seu  preenchimento,  porquanto  houve  adulteração  de  valores  da  transação,  de  termos  de pagamento,  da descrição da quantidade e peso das mercadorias, do nome do  exportador, elementos que retratam as informações substanciais  dos documentos. A fiscalização afirma ainda incisivamente que a  descrição das mercadorias contida nas faturas por emitidas pelo  importador  (documentos  ‘A’)  é  exatamente  aquela  prevista  no  Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, com  o objetivo de fazer com que as mercadorias se enquadrarem no  referido  PPB,  não  tendo  a  impugnante  contestado  essa  afirmação.  Das três faturas emitidas pelo importador, uma está anexada aos  autos sem estar • acompanhada da respectiva fatura verdadeira,  como observou a defendente (fls. 633 ­637).  Todavia,  com relação a  esse documento,  pode­se concluir,  com  base  nas  declarações  da  própria  impugnante,  que  consiste  em  fatura emitida por ela, uma vez que foi o documento que instruiu  o despacho aduaneiro.  Ademais, verifica ­se que essas três faturas possuem exatamente  o  mesmo  layout,  que  é  idêntico  ao  das  faturas  emitidas  irregularmente  pelo  importador,  detectadas  em  outras  importações  (fls.  394­401),  seguindo  o  mesmo  padrão  de  discriminação detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos  Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     18 de  caracteres  (formato  e  tamanho  das  letras  e  números),  conforme  modelo  tipográfico  de  fls.  389.  Como  afirma  a  litigante,  no  comércio  internacional,  inexistem  formatações  especificas  para  a  emissão  de  faturas  e,  por  isso  mesmo,  o  natural é que os documentos emitidos por diversos exportadores  tenham  diferentes  formas  de  apresentação  gráfica.  Para  efeito  comparativo,  se  consideradas  as  faturas  de  fls.  394­401,  em  nome  do  exportador  GE  Plastics,  nos  Estados  Unidos  (o  qual  declarou não ser a emissor dos documentos) e as faturas a que  se  refere  este  processo,  constata­se  que  embora  supostamente  emitidas por empresas diferentes, situadas em países igualmente  distintos  e  em  datas  cronologicamente  bem  distantes,  têm  a  mesma estrutura gráfica na sua confecção, praticamente mesma  diagramação, e idêntica tipologia alfanumérica.  (...)  É  o  caso  da  fatura  desacompanhada  do  correspondente  documento  verdadeiro  (fls.  633­637).  A  conclusão  acerca  da  falsidade  dessa  fatura  esta  assentada  em  elementos  convergentes:  possui  exatamente  o  mesmo  layout  das  demais  faturas,  inclusive  daquelas  relativas  a  exportadores  diferentes  (fls.  394­401);  esse  layout  é  idêntico  ao  das  demais  faturas  emitidas  irregularmente  pelo  importador,  conforme  modelo  tipográfico de fls. 389; segue o mesmo padrão de discriminação  detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos de caracteres  (formato  e  tamanho  das  letras  e  números),  o  que  induz  à  conclusão acerca da divergência na descrição da mercadoria em  relação ao documento verdadeiro. Tais elementos são rematados  pela  confissão  do  importador  de  que  também  emitiu  esse  documento.  (...)”  Diante  desse  contexto,  a  meu  ver,  o  dolo  da  conduta  ilícita  é  patente  e  inequívoco, não havendo motivo plausível que o justifique.  Uma vez demonstrada nos autos a prática infracional, como dito consistente  na burla aos controles aduaneiros mediante o uso de documentos falsos, tenho como admissível  e  possível  qualificá­la  como  fraudulenta,  ocasionando  a  irregularidade  no  procedimento  de  importação, que representa outro núcleo da infração atribuída aos contribuintes.  Também não prospera a assertiva de inaplicabilidade da multa infligida pela  suposta  inocorrência de verdadeira operação de “importação” quando destinados os produtos  estrangeiros à Zona Franca de Manaus, como defendem os recorrentes, haja vista que a isenção  de  tributos  nestas  hipóteses  não  tem  o  condão  de  desvirtuar  a  natureza  da  operação,  que  continua  a  corresponder  à  entrada,  no  território  brasileiro,  de  mercadoria  de  procedência  estrangeira.  O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, em seu Título  III (Dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais), Capítulo I (Da Zona Franca de  Manaus), a todo tempo faz referência à entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de  Manaus  como “importação”,  e.g.  arts.  453  e  455,  este último,  em especial,  destaca que “as  importações  no  regime  de  que  trata  este  Capítulo  (I)  estão  sujeitas  a  licenciamento  não­ automático,  previamente  ao  despacho  aduaneiro,  com  a  expressa  anuência  da  Superintendência da Zona Franca de Manaus.” (destaquei)  Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 19          19 O  Decreto  nº  91.030/85,  que  aprovou  o  Regulamento  Aduaneiro  então  vigente, por intermédio de seu art. 395, § 1º, era categórico ao estabelecer que “os despachos  de bens importados objeto dos benefícios do Decreto­lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967,  deverão ser processados na repartição que jurisdiciona o porto de Manaus”.  É notório que a legislação aduaneira não faz distinção entre a importação de  mercadorias destinadas a áreas agraciadas com benefícios fiscais daquelas sujeitas ao regime  geral de  tributação,  significando  importação, em qualquer situação, a entrada de produtos de  procedência estrangeira em território nacional.  Destaca­se,  então,  que  o  elemento  nuclear  da  importação,  para  fins  tributários,  não  é  a  incidência  tributária  propriamente,  mas  sim  a  entrada  em  território  brasileiro de mercadoria de procedência estrangeira.  Neste diapasão, entendo que a utilização de documentos irregulares (faturas  falsificadas) para proceder ao despacho aduaneiro de importação, ainda que destinada à Zona  Franca  de Manaus,  enquadra­se  à  perfeição  à  conduta  descrita  pelo  art.  463  do Decreto  nº  2.637/98, que impõe, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, multa  igual  ao  valor  comercial  da  mercadoria  ou  ao  que  lhe  for  atribuído  na  nota  fiscal,  respectivamente, àqueles que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência  estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente  ou  que  tenha  entrado  no  estabelecimento,  dele  saído  ou  nele  permanecido  sem  que  tenha  havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de  Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decreto­Lei  nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª).  A propósito, como reconhecem os próprios recorrentes, as condutas descritas  no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98) não são autônomas, mas simples variantes de  irregularidades no procedimento de importação de mercadorias de procedência estrangeira em  território nacional, o que, repito, açambarca a prática de utilizar documentos falsos para instruir  aludido procedimento de liberação das mercadorias.  Dessarte, se não há autonomia das expressões contidas no preceptivo em tela,  deduz­se que pouco importa o enquadramento da conduta realizada pelas autoridades fiscais, se  importação  fraudulenta  ou  importação  irregular,  uma  vez  que  todas  elas  convergem  para  o  mesmo  resultado,  que  é  a  prática  de  irregularidades  em  operações  de  importação,  o  que  definitivamente ocorreu na presente situação, o que  implica  infalivelmente na  imposição das  penalidades indicadas.  Como  dito  linhas  atrás,  os  próprios  recorrentes  afirmam,  na  peça  recursal  (item IV.2.2.3), que emitiam tais faturas “pro forma” para viabilizar o desembaraço aduaneiro,  arregimentando suas razões para tanto; todavia, nos documentos de fls. 51 a 53, verifica­se que  estas  faturas  foram  impressas  e  assinadas,  inclusive,  como  se  expedidas  pelo  exportador  estrangeiro.  De  fato,  foram  coligidas  declarações  devidamente  vertidas  por  tradutor  juramentado, de emissão de Daewoo Corporation, sediada na Coréia do Sul, e Jean Co. Ltd.,  sediada na China, aduzindo que, em razão da complexidade da legislação aduaneira brasileira,  mediante acordo firmado com TCE/SDW, permitiam que ambas “reimprimissem” as faturas  em conformidade com suas necessidades para nacionalização das mercadorias importadas.  Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     20 Contudo, estes “acordos” firmados, em minha opinião, não têm valor perante  a  legislação  aduaneira  brasileira,  pois,  como  bem  destacado  pela  decisão  ora  combatida,  o  regulamento aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, em seu art. 425, §  2º, dispunha expressamente que as emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deveriam  ser autenticadas pelo emitente, o que não ocorreu no caso dos autos.  Como não bastasse, a par de tais “declarações” serem emitidas ex post facto,  isto é, após a concretização dos fatos, sugere a redação adotada em ambos os documentos que  se  trata  de  textos  previamente  “encomendados”,  porquanto  não  há  como  reconhecer  coincidência  tão  grande  entre  seus  termos,  a  ponto  de  prestarem  as  empresas  exportadoras  declarações  incrivelmente  similares,  considerando  que  são  sociedades  instaladas  em  países  distintos, China e Coréia do Sul.  A título exemplificativo, transcrevo os seguintes trechos destes documentos:  “A relação estabelecida para atender as normas brasileiras foi uma operação  CKD (Complete Knock Down) na qual as fabricas da Daewoo Telecom na Coreia  e/ou China costumavam remeter um kit CKD completo para ser montado no Brasil  na  fábrica  da  TCE  e/ou  da  SDW  em Manaus  com  a  qualidade,  procedimentos  e  coordenação da tecnologia Daewoo Telecom. Nosso pessoal de produção e técnico  varias vezes visitou a fábrica da TCE e da SDW em Manaus a fim de dar suporte a  linha de produção piloto de novos produtos.  Uma vez que as normas  de  exportação  relativas a  componentes da China e  Coréia eram muito complicadas e as normas de importação do Brasil eram ainda  mais  complicadas  no  que  se  refere  a  liberação  alfandegária,  a Daewoo  Telecom  estabeleceu  um  acordo  que  permitia  a  TCE/SDW  reemitir  as  faturas  no Brasil  já  que  a  documentação  de  exportação  padrão  que  acompanhava  os  kits  exportados  pela Daewoo Telecom não  continha  informações  detalhadas  suficientes,  conforme  exigido pela alfândega brasileira.” (Daewoo Telecom)    “As  exportações  para  a TCE  e a  SDW  foram  estruturadas  como operações  CKD,  com base  nas  quais  as  fábricas  da  JEAN na Malásia  e/ou China enviavam  kits  CKD  completos  para  serem montados  localmente  em Manaus,  na  fábrica  da  TCE,  com a  qualidade, os procedimentos  e a  coordenação da JEAN,  e ate  com o  eventual suporte do pessoal técnico e de produção da própria JEAN.  Tendo  em  vista  (i)  os  complexos  regulamentos  da  China  e  da  Malásia  relativos  a  exportação  de  componentes  de  informática;  (ii)  as  complexas  normas  aplicáveis ao  desembaraço  aduaneiro  no Brasil;  (iii)  a  falta  de  preparo  de nossa  equipe  local;  (iv)  nossa  dificuldade  interna  ern  atender  algumas  solicitações  detalhadas  do  pessoal  da  TCE  e  (v)  a  conseqüente  falta  de  determinadas  informações  detalhadas  em  nossas  faturas  com  relação  aos  componentes  exportados, a JEAN autorizou a TCE e a SDW a emitirem novas faturas no Brasil,  de acordo com os regulamentos do desembaraço aduaneiro.” (Jean Co. Ltd.)  Portanto, não vejo como aceitar as preditas autorizações, como documentos  revestidos de validade jurídica para alteração e reimpressão das faturas comerciais, seja a que  pretexto for, para modificação substancial da descrição, preço e peso dos produtos importados,  como ocorrido, o que só reforça a irregularidade da documentação que instruiu o despacho de  importação.  Da mesma forma, não deve ser acolhida a ponderação segundo a qual, o fato  de as mercadorias  importadas terem sido desembaraçadas normalmente, mediante o emprego  destas  faturas  “pro  forma”,  demonstraria  a  improcedência  do  lançamento,  porquanto  as  Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 20          21 contrafações  foram  confirmadas  tão  somente  após  a  realização  do  desembaraço,  em  procedimento de  revisão  de  lançamento,  com sustentáculo no  art.  149 do Código Tributário  Nacional.  Na mesma  toada,  insubsistente o  argumento que deveriam ser aplicadas  ao  caso as penalidades previstas na legislação aduaneira, tendo em conta que a fraude teria sido  praticada  no  curso  do  despacho  de  importação,  haja  vista  que  a  conduta  subsume­se  perfeitamente àquela  infração  tipificada pela  legislação do  IPI  (art. 463 do RIPI/98), mesmo  porque o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal  que se lhes atribua.  Demais disso,  os produtos  importados,  segundo consta, eram destinados ao  processo  produtivo  dos  recorrentes,  caracterizando­se,  nesta  condição,  como matéria­prima,  material intermediário ou de embalagem, o que atrairia a incidência da legislação deste imposto  (IPI).  Como não bastasse, as modificações das faturas (invoices), consoante relato  fiscal,  visavam,  dentre  outros  objetivos,  a  adequação  dos  insumos  importados  ao  Processo  Produtivo  Básico  (PPB)  dos  recorrentes,  tal  como  aprovado  pelo  órgão  anuente,  no  caso,  a  SUFRAMA.  Também não aproveita às recorrentes a alegação que as faturas “pro forma”  correspondiam exatamente às mercadorias submetidas ao despacho aduaneiro de importação,  por ocasião do registro da DI, ao passo que a fraude imputada é justamente a apresentação de  um documento mercantil (invoice) que não é reconhecido como de sua emissão pelo suposto  exportador,  o  que  acarreta  a  sua  falsidade  e  implica  no  fato  que  aludidas  mercadorias  não  estavam devidamente amparadas por documentação hábil a instruir o despacho de importação,  no momento de sua realização.  Quanto à regularidade na constituição das recorrentes, tem­se que a pretensa  legalidade de funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço ­ o que já seria por  si só discutível ­, sob a ótica da legislação do IPI, não é admissível, quando se está a falar de  unidades produtivas, como o caso dos autos.  Nos  termos  do  art.  487,  II  e  III,  do  RIPI/98  (Decreto  nº  2.637/98),  as  expressões "fábrica" e "fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, sendo que a  expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas  atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas,  galpões  e  áreas  contínuas  muradas,  cercadas  ou  por  outra  forma  isoladas,  em  que  sejam,  normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza.  A partir desta definição não vislumbro como um único estabelecimento possa  pertencer  simultaneamente  a  duas  pessoas  jurídicas  distintas,  não  militando  em  favor  dos  recorrentes  o  pretenso  reconhecimento  por  parte  da  autoridade  fiscal  que  haveria  linhas  de  produção autônomas, uma vez que a existência de “linhas de produção autônomas” dentro de  um mesmo espaço físico ou prédios contíguos, não isolados, mas dentro de uma mesma área  delimitada, não conduz à conclusão de existência de estabelecimentos distintos.  Frise­se,  a  existência  de  linhas  de  produção  autônomas  não  significa ou  se  confunde com a existência de estabelecimentos distintos, pois, como se depreende do aludido  art.  487,  III,  o  estabelecimento  é  caracterizado  como  sendo  o(s)  prédio(s)  em  que  são  Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     22 exercidas atividades geradoras de obrigações do tributo, nele compreendidos, unicamente, as  dependências  internas,  galpões  e  áreas  contínuas  muradas,  cercadas  ou  por  outra  forma  isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra  natureza,  de  tal  sorte  que  um  estabelecimento  pode  comportar  tantas  linhas  de  produção  autônomas quanto seu espaço permitir, sem que isso o descaracterize. Entretanto, a recíproca  não  é  verdadeira,  pois  as  linhas  de  produção  autônomas  dentre  um  mesmo  espaço  físico  contínuo ou em prédios contíguos, porém, não cercados, murados ou isolados como unidades  independentes  não  se  caracterizam  como  estabelecimentos  distintos,  como  pretendem  os  recorrentes.  Pelo quadro  estampado, somado às constatações arroladas pela  fiscalização  tais como, funcionamento das pessoas jurídicas no mesmo endereço, compartilhamento da área  administrativa e áreas de entrada e saída, o fato dos produtos industrializados pela TCE serem  adquiridos  pela  SDW,  a  incumbência  da  gerência  das  pessoas  jurídicas  a  pessoas  comuns  ambas ou  interligadas por laços familiares, dentre outros, direcionam à conclusão que há, de  fato, confusão administrativa e patrimonial entre as pessoas jurídicas em destaque, cuidando­ se,  sob  o  ponto  de  vista  fático  e  prático,  de  uma  única  pessoa  jurídica,  motivo  mais  que  suficiente para imputação da responsabilidade tributária solidária, que, por seu turno, não foi  especificamente contestada.  Por  derradeiro,  em  relação  à  solicitação  de  diligência  junto  aos  armazéns  gerais Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., Aurora da AmazôniaTerminais e Serviços  Ltda. e Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas, formalizada no  curso da peça de defesa, reputo­a desnecessária para o deslinde de qualquer questão, porque as  próprias recorrentes, como consignado alhures, reconheceram que se utilizaram de faturas por  elas  mesmas  confeccionadas,  em  substituição  às  originais,  para  a  instrução  do  despacho  aduaneiro, de modo que a diligência, a meu sentir, mostra­se desnecessária.  3  CONCLUSÃO  Em  síntese,  entendo  que  o  lançamento  e  a  decisão  recorrida  devem  ser  mantidos  pelos  seus  próprios  e  sólidos  fundamentos,  não merecendo qualquer  reparo,  razão  pela qual nego provimento ao recurso.    Robson José Bayerl                              Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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