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Numero do processo: 10983.720229/2010-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que rejeitava a proposta de conversão do julgamento em diligência. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que rejeitava a proposta de conversão do julgamento em diligência. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 162 1 161 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.720229/201081 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.334 – 1ª Turma Especial Data 20 de janeiro de 2015 Assunto IRPF Recorrente MARIA ELIETE BORGES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que rejeitava a proposta de conversão do julgamento em diligência. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 130/131 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de notificações de lançamento resultantes da revisão das declarações de ajuste anual da Interessada relativas aos anos calendário 2007 (exercício 2008) e 2008 (exercício 2009), nas quais se exige, respectivamente, Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 4.614,02, acrescido de multa de ofício de 75% e juros RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .7 20 22 9/ 20 10 -8 1 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10983.720229/201081 Resolução nº 2801000.334 S2TE01 Fl. 163 2 de mora, e Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 2.105,78, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. A revisão das referidas declarações de ajuste anual, de acordo com o descrito nas notificações de lançamento, decorreu da apuração de: a) deduções indevidas, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2007, informadas a título de despesas médicas pagas à dentista Margareth Thaler do Valle (R$ 6.000,00), à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner (R$ 7.600,00), à CLINVASMT (R$ 700,00) e à UNIMED Grande Florianópolis (R$ 2.478,24); b) deduções indevidas, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2008, informadas a título de despesas médicas pagas à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner (de um total de R$ 11.810,00, a contribuinte comprovou apenas R$ 6.430,00) e à UNIMED Grande Florianópolis (R$ 1.840,99); c) dedução indevida a título de incentivo na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2008 (R$ 120,00). A apuração, na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2007, de deduções indevidas a título de despesas médicas, ocorreu, segundo a autoridade fiscal, da seguinte forma: Em vista do disposto no art. 932 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, e com o intuito de corroborar os recibos apresentados, intimouse o sujeito passivo a comprovar, por intermédio de cópias de cheques nominativos, transferências bancárias, comprovantes de depósitos ou extratos bancários, o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como feitas à psicóloga Marisa R. G. Klokner e à cirurgiãdentista Margareth T. do Valle, no total de R$ 13.600,00. No entanto, limitouse a reapresentar os recibos e, posteriormente, cópias de cheques referentes ao outro anocalendário, razão pela qual não restou comprovado o efetivo pagamento. Os pagamentos declarados como feitos a UNIMED e à CLINVASMT não foram comprovados. Já a apuração, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2008, de deduções indevidas a título de despesas médicas, ocorreu, segundo a autoridade fiscal, da seguinte forma: Em vista do disposto no art. 932 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, e com o intuito de corroborar os recibos apresentados, intimouse o sujeito passivo a comprovar, por intermédio de cópias de cheques nominativos, transferências bancárias, comprovantes de depósitos ou extratos bancários, o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como feitas à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner, no total de R$ 11.810,00. Foi aceita a totalidade dos cheques nominativos à profissional; rejeitados aqueles não nominativos à profissional e que, além disso, não mantinham correlação de data e valor com os recibos. Os pagamentos declarados como feitos a UNIMED não foram comprovados. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10983.720229/201081 Resolução nº 2801000.334 S2TE01 Fl. 164 3 Irresignada, em parte, a Interessada apresentou as impugnações de fls. 02 a 04 e 05 a 07, instruídas com os documentos de fls. 08 a 18. Diz que, até onde sabe, recibos são prova suficiente de despesas médicas informadas em declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física. Afirma que desconhecia que também deveria guardar cópias de cheques nominativos ou extratos bancários para comprovar despesas médicas perante a Receita Federal do Brasil. Alega que não apresentou provas das despesas que informou ter pago à UNIMED porque as mesmas não foram solicitadas no “Termo nº 217/2009”. Alega que as declarações de fls. 09, 10 e 15, a ficha dentária de fl. 11 e os documentos de fls. 14, 17 e 18, comprovam as deduções informadas nas declarações de ajuste anual referentes aos anos calendário 2007 e 2008, a título de despesas médicas pagas à dentista Margareth Thaler do Valle, à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner e à UNIMED Grande Florianópolis. Requereu, ao fim, o cancelamento dos “débitos fiscais reclamados”. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 129/137 deste processo digital. Entenderam os julgadores da instância de piso que a glosa de despesa médica relativa à CLINVASMT (R$ 700,00), exercício 2008, e a glosa da dedução de incentivo (R$ 120,00), exercício 2009, não foram impugnadas, motivo pelo qual esta parte do crédito foi transferida para o Processo nº 11516.721283/201285 (Termo de Transferência à fl. 140). Em relação às despesas com a UNIMED lançadas nas declarações de ajuste anual, a decisão recorrida restabeleceu apenas o valor de R$ 443,35, deduzido no exercício de 2009. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/05/2012 (fl. 145), a Interessada interpôs, em 04/06/2012, o recurso de fls. 146/150, acompanhado dos documentos de fls. 151/159. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A exigência de cheque nominativo substitui o recibo e pode até corroborar com mais firmeza a referida despesa. Entretanto, como reconhecido na decisão recorrida, os comprovantes possuem todas as formalidades legais. De conseguinte, as despesas foram efetivamente corroboradas. As declarações de fls. 9, 10 e 15 e a ficha dentária de fl. 11 também corroboram as despesas efetuadas, complementando os comprovantes que possuem todas as formalidades legais. Em relação à UNIMED, junta as declarações do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina que mantém convênio com a Cooperativa Médica, corroborando os referidos pagamentos, os quais não foram solicitados em época própria. Após discorrer sobre princípios administrativos aplicáveis à Administração Pública, requer seja provido o presente recurso para cancelar a parte remanescente da exigência tributária. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10983.720229/201081 Resolução nº 2801000.334 S2TE01 Fl. 165 4 É o Relatório. Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. A par do muito bem pronunciado Voto do ilustre Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, manifesto entendimento divergente no seguinte ponto, que transcrevo: Anoto, todavia, que em relação às despesas médicas glosadas no ano calendário de 2008, em nome da psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner, no valor de 5.380,00, não consta dos autos o Termo de Intimação Fiscal que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Nesse contexto, em que o suposto termo que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento não se encontra adunado aos autos, a apresentação dos recibos médicos com os requisitos formais exigidos pela legislação é, em meu entendimento, suficiente à dedução das respectivas despesas, motivo pelo qual entendo que o valor de R$ 5.380,00, deduzido a título de despesas médicas no anocalendário de 2008, deve ser restabelecido. O Decreto nº 70.235, de 1972, que estabelece as regras do processo administrativo de exigência fiscal, abre à autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento da parte, a possibilidade da realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias. É fato que o artigo 9º do mesmo Decreto diz que a exigência fiscal será formalizada em Autos de Infração ou Notificações de Lançamento, os quais "deverão estar instruídos com todos os termos e demais elementos de prova à comprovação do ilícito", mas no caso entendo que eventual falha ao não anexar um Termo de Intimação se porventura existente então fora dada oportunidade à contribuinte para comprovação do efetivo pagamento , não tem o condão de "de plano" cancelar em parte a exigência fiscal. Homenageiase assim a verdade material, que vige no processo para ambas as partes, e evitase que a forma (formalização da exigência) sobreponhase à substância. Dessa feita, em aplicação do princípio citado e interpretando as regras processuais de forma que se confira validade a todas, sistematicamente, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que a Unidade preparadora, responsável pela exigência tributária, anexe a cópia do Termo de Intimação Fiscal que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, mencionando especificamente aquelas com a profissional Marisa Rodrigues Gomes Klokner, no valor de 5.380,00, no ano calendário de 2008, exercício de 2009, juntamente com a comprovação de ciência pela interessada, manifestandose expressamente em caso de inexistência de tais documentos. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /02/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010848/2002-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO POR SUCURSAL ARGENTINA.
Somente a parcela do imposto de renda comprovadamente pago no país de domicílio da sucursal pode ser compensada com o que for devido no Brasil
RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICOS.
Verificado na espécie que à época, na ficha 43 da DIPJ, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela contribuinte (códigos 6147 e 6190), nem para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, as quais foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público- 37.750,94" da DIPJ 2002, impõe-se reconhecer as retenções.
Numero da decisão: 1301-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO POR SUCURSAL ARGENTINA. Somente a parcela do imposto de renda comprovadamente pago no país de domicílio da sucursal pode ser compensada com o que for devido no Brasil RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICOS. Verificado na espécie que à época, na ficha 43 da DIPJ, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela contribuinte (códigos 6147 e 6190), nem para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, as quais foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público- 37.750,94" da DIPJ 2002, impõe-se reconhecer as retenções.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.010848/200283 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.685 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente ITAUTEC.COM SERVIÇOS S. A. GRUPO ITAUTEC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PAGO POR SUCURSAL ARGENTINA. Somente a parcela do imposto de renda comprovadamente pago no país de domicílio da sucursal pode ser compensada com o que for devido no Brasil RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICOS. Verificado na espécie que à época, na ficha 43 da DIPJ, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela contribuinte (códigos 6147 e 6190), nem para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, as quais foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A — "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público 37.750,94" da DIPJ 2002, impõese reconhecer as retenções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 08 48 /2 00 2- 83 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Versa o presente processo administrativo acerca de pedido de restituição (fl. 01) relativo ao saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário 2001, cumulado com pedido de compensação (fl. 02). A contribuinte formalizou ainda, Processos sob os números 13807.012457/200201, 13807.001241/200393 e 13807.012853/200221, todos apensados a este, por se tratarem de declarações de compensação de débitos com o saldo negativo de IRPJ e de CSLL referente ao mesmo anocalendário 2001. As cópias dos pedidos/declarações de compensação encontramse anexadas às folhas 138, 128 e 135, respectivamente. Por meio do Despacho Decisório de folhas 190 a 199, a DERAT/SPO/DIORT/EQPIR deferiu parcialmente o pedido de reconhecimento do direito creditório e, consequentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte, por seu turno, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 212/226), alegando, em síntese, que o pedido de compensação protocolado em 20/08/2002 foi convertido em DCOMP, a teor do artigo 74, § 4º, da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei 10.833/2003) e como a ciência da decisão negativa do pleito não ocorreu dentro do prazo de cinco anos previsto no § 5° do citado artigo, tal pedido convertido em DCOMP e as demais declarações de compensação, teriam sido homologadas tacitamente. Alegou que no tocante às retenções na fonte por órgãos públicos, anexava os comprovantes de rendimentos e, no que tange aos créditos oriundos de recolhimentos de IR pago no exterior, os quais não foram reconhecidos pela autoridade fiscal, assinalouse que foi apresentada impugnação contra o auto de infração lavrado, que aguardava julgamento. Quanto ao saldo negativo do CSLL, esclareceu que o crédito utilizado e não reconhecido pela fiscalização referese a valores recolhidos a maior na apuração trimestral do exercício anterior. Devido a erro no preenchimento da DCTF original, apresentouse declaração retificadora relativa ao período em questão. Em consulta aos sistemas COMPROT e PER/DCOMP, não se constataria outro pedido/declaração de compensação relativo(a) aos saldos negativos de IRPJ e CSLL em questão. Consta procedimento fiscal alterando o resultado declarado na DIPJ/2002 (Proc. 16561.000134/200790). Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/200283 Acórdão n.º 1301001.685 S1C3T1 Fl. 3 3 A 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 340 a 350, deferiu em parte a solicitação da contribuinte, elaborando o seguinte quadro demonstrativo acerca das declarações de compensação da contribuinte: Após listar as declarações de compensação na tabela reproduzida acima, assinalou a decisão recorrida que as DCOMP 1ª e 2ª, bem como parte da 3ª (valor compensado: R$ 34.157,68), já haviam sido homologadas pela DERAT (fls. 205 208), de sorte que passou a apreciar a questão suscitada acerca da ocorrência da homologação tácita em relação à parcela restante da 3ª à 4ª DCOMP. Nessa ordem de ideias, transcreveuse o artigo 74, caput e §§ 4° e 5°, da Lei nº 9.430/1996, alterado pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 e pelo artigo 17 da Lei nº 10.833/2003, para assinalar que no expediente de folha 328, consignouse que não consta o AR relativo à ciência do Despacho Decisório de folhas 190 a 199 e que o relatório de folhas 319 a 320 informase que a sua postagem, realizada pelo núcleo de recepção e expedição, se deu em 16/01/2008, sendo que na manifestação de inconformidade, por sua vez, a interessada assevera que teve ciência do referido despacho decisório em 17/01/2008 (fl. 214). Destarte, em relação à parcela restante da 3ª DCOMP (R$ 117.992,48), verificouse que, quando do despacho decisório que deixou de homologála, já havia transcorrido mais de cinco anos da data do protocolo (05/12/2002), declarando assim a homologação por disposição legal dessa compensação. Em relação à 4ª DCOMP (fl. 128), todavia, entendeu a decisão recorrida que tal regra não se aplicaria, eis que foi entregue em 13/02/2003. Na sequência relembrou a decisão recorrida que uma das motivações para a DERAT/SPO/DIORT não reconhecer o direito creditório da interessada, correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, se refere à glosa relativa ao imposto pago no exterior por sua sucursal argentina (linha 12 da ficha 12A da DIPJ/2002), pontuando que a esse respeito, a empresa alega que a questão está sendo discutida no Processo 16561.000134/200790. Para a decisão recorrida, de acordo com Termo de Verificação Fiscal constante desses autos (cópia às fls. 332 337), tal matéria, embora examinada pela autoridade fiscal, não foi objeto de autuação quanto ao IRPJ, por se tratar de uma das deduções do imposto devido permitidas pela legislação. Diante disso, seria mister analisar a questão quanto à subsistência do procedimento adotado pela empresa, aduzindo nesse propósito, que a interessada apresentou cópia da declaração do imposto de renda do ano de 2001 e do comprovante de sua entrega ao Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 órgão responsável da Argentina (impuesto a las ganancias), bem como prova do reconhecimento desses documentos pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que foi pago o aludido imposto (fls. 159/161). Reputouse ainda, que a contribuinte exibiu cópias de documentos de arrecadação do imposto, registrando que a Fiscalização (PA 16561.000134/200790) entendeu serem suficientes os documentos redigidos em idioma daquele país, sem a sua tradução por tradutor juramentada, sendo que de acordo com a tabela apresentada pela recorrente (fl. 157), o imposto incidente foi pago da seguinte forma: (os valores que se seguem estão expressos em pesos argentinos): Ainda de acordo com a decisão recorrida, a declaração apresentada à fl. 160, por seu turno, informa um total de antecipações de 91.847,53, restando um saldo apagar de 1.586,46. Relativamente às antecipações (1 8 a 58 quotas), a cópia dos documentos intitulados "Solicitud de Compensacion" (fls. 162/166 e 168) demonstraria que o fisco argentino autorizou a compensação do imposto de renda (impuesto a las ganancias), com tributo denominado "al valor agregado' — IVA. Em nota de rodapé impressa nesse documento constaria a seguinte observação: "compensacion de deudas fiscales com el credito em el IVA, concedido em las exportaciones ". Tendo em vista o disposto no § 8° da IN SRF 38/1996, entendeu a decisão recorrida que não seria permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal, necessária a prova de que o crédito utilizado para as compensações em apreço tinha origem em valores efetivamente pagos ao erário argentino e que a mera alegação de que a sucursal não possui benefícios fiscais dessa natureza não se afigura suficiente para comprovar a existência de direito à compensação no Brasil. Quanto às 7ª e 8ª parcelas, aduziu a decisão recorrida que a contribuinte teria informado que essas antecipações não foram utilizadas para compensar imposto no Brasil, por se tratar de compensação na Argentina de Imposto de Renda recolhido a maior em exercícios anteriores. A respeito das demais parcelas, os documentos de fls. 161, 169, 172 e 173 comprovariam o pagamento de 24.546,06, registrando que o montante do imposto comprovadamente pago pela sucursal domiciliada na Argentina passível de dedução no ano calendário de 2001 corresponde apenas aos pagamentos efetuados nos meses de novembro de 2001 e fevereiro e março de 2002, totalizando 22.959,60 pesos argentinos, o que, convertido em reais consoante normas e IN SRF 38/1996, perfaz R$ 36.376,03, ocorrendo, todavia, que Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/200283 Acórdão n.º 1301001.685 S1C3T1 Fl. 4 5 em face da legislação de regência, seria necessária a verificação de qual a parcela desse montante a recorrente poderia compensar com o imposto por ela devido no Brasil. Consignouse que de acordo com o caput do artigo 395 do RIR/1999 e § 7° do artigo 13 da IN SRF 38/1996, o valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderia exceder o montante do imposto e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos no lucro real, sendo que a recorrente informa, na ficha 09A de sua DIPJ/2003 (fl. 36) e demonstrativo de fl. 339, que o lucro disponibilizado pela empresa sediada no exterior no ano de 2001 e, portanto, oferecido à tributação, foi de R$ 965.618,93, fincando assim demonstrada graficamente: Ainda segundo apontou a decisão recorrida, a diferença positiva entre os valores acima calculados corresponde ao imposto proporcional aos lucros disponibilizados pela sucursal. Dessa forma, verificouse que o montante comprovado de imposto pago no exterior; de R$ 70.705,79 (R$ 36.376,03 + R$ 34.329,76, esta já aceita pela DERAT) não excede ao montante do imposto e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos no lucro real e, portanto, seria integralmente passível de ser compensado. No tocante às retenções na fonte por órgãos públicos, registrou a decisão recorrida que a contribuinte acostou aos autos os comprovantes de fls. 273 a 280. Especificamente sobre o informe de fl. 275, salientouse que já havia sido aceito pela DERAT/DIORT, enfatizando que nos termos da legislação em vigor, à data da apuração do saldo negativo de IRPJ, somente se admite como redução do imposto de renda devido ao final do período de apuração, o IRRF incidente sobre receitas computadas na base de cálculo do imposto, conforme art. 2º, § 4º, III, da Lei n° 9.430, de 1996. Anotouse, no entanto, que na ficha 43 (fls. 15/22) não estão relacionados os rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras. Tampouco há provas de que a empresa declarou tais receitas para efeito de apuração do imposto devido. Assim, tendo em vista a ausência de prova cabal e inequívoca de que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, não se acatou a alegação da empresa. Em suma, relativamente ao saldo negativo do IRPJ, além do montante já legitimado pela DERAT, a decisão recorrida entendeu comprovada a parcela de R$ 36.376,03. Quanto à CSLL, pontuou a decisão recorrida que uma das motivações para a DERAT/SPO/DIORT não reconhecer o direito creditório da recorrente, correspondente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, se refere à glosa relativa ao imposto pago pela sucursal argentina. A esse respeito, relembrou que a empresa alega que a questão está sendo discutida no Processo 16561.000134/200790 e de acordo com Termo de Verificação Fiscal constante desses autos, assinalou que tal matéria foi objeto de autuação, porém, em decisão prolatada por aquela Turma de Julgamento, o lançamento foi considerado improcedente, por ter o crédito tributário sido constituído após o prazo legal. Entretanto, como a matéria em pauta se trata de uma das deduções do imposto devido permitidas pela legislação, entendeuse necessária a verificação quanto à subsistência do procedimento adotado pela empresa e a consequente liquidez e certeza do crédito alegado. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Nesse propósito, registrouse que a empresa somente comprovara a parcela de imposto pago pela sua sucursal de R$ 36.376,03, que foi integralmente utilizada para compensar o IRPJ devido no período. Assim, não haveria falar em compensação da CSLL nos termos do artigo 21, parágrafo único, da MP 2.15835/01. Em relação à CSLL por estimativa dos meses de setembro (R$ 98.874,00) e outubro (parcial: R$ 155.346,00) de 2001, salientouse que aponta a autoridade administrativa que, em DCTF (fl. 57), a empresa declarou a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário e 2000, todavia, como a contribuinte havia apurado saldo de CSLL a pagar no período, consoante DIPJ/2001 (fls. 58/59), essa compensação foi considerada indevida, sendo que, na manifestação de inconformidade, a interessada esclareceu que o crédito utilizado e não reconhecido pela DERAT referese a valores recolhidos a maior na apuração trimestral do exercício anterior. Devido a erro no preenchimento da DCTF original, apresentouse declaração retificadora relativa ao período em questão, de sorte que, de acordo com a ficha 17 da DIPJ/2001, a empresa havia apurado CSLL a pagar de R$ 622.011,14, R$ 817.836,41, R$ 501.151,47 e R$ 171.900,12, respectivamente nos 1° ao 4° trimestre de 2000, valores esses constantes da DCTF retificadoras (fls. 307/315), entretanto, a empresa recolheu, sob o código de receita 6012, os valores de R$ 735.669,00, R$ 817.836,00, R$ 501.151,00 e R$ 281.930,00, respectivamente para esses períodos, consoante sistema SINAL (fl. 329), constatandose, portanto, que houve pagamentos indevidos ou a maior no tocante aos recolhimentos efetuados em 28/04/2000 e 31/01/2001, nos valores de R$ 113.657,86 e 110.029,88, respectivamente. Nesse ponto, relembrou a decisão recorrida que o artigo 14 da IN SRF 21/1997 dispõe que "os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subsequentes, desde que não apurados em procedimento de oficio, independentemente de requerimento', diante disso, elaborouse demonstrativo de fl. 330, no qual se constata que nada há nada opor quanto à compensação sem processo realizada pela empresa, no tocante à CSLL por estimativa dos meses de setembro (R$ 98.874,00) e outubro (parcial : R$ 155.346,00) de 2001. Desta feita, tendo em vista que a DERAT havia reconhecido a quantia de R$ 24.894,77, o saldo negativo de CSLL comprovado do anocalendário de 2001 totaliza R$ 279.114,77, todavia, conforme item 34 do despacho decisório (fl. 197), a empresa havia declarado a utilização desse saldo negativo para compensar as estimativas de CSLL (fls. 143/144) de janeiro (R$ 149.268,00) e fevereiro/2002 (R$ 99.290,00). Assim, elaborouse demonstrativo (Anexo 1), no qual, após tais compensações, verificase um saldo negativo de CSLL residual de apenas R$ 37.856,45. Em conclusão, assinalou a decisão recorrida que, relativamente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, além do montante já legitimado pela DERAT (R$ 398.320,30), ficou comprovada a parcela adicional de R$ 36.376,03, proveniente de imposto pago pela sucursal argentina. Já o saldo negativo de CSLL foi parcialmente comprovado, o que, deduzidas as compensações sem processo realizadas pela contribuinte, restou o montante de R$ 37.856,45. Diante disso, declarouse a homologação por disposição legal da compensação dos débitos de fl. 135 ainda não extintos por compensação SIEF (fl. 208), até o limite do crédito informado nessa DCOMP e não homologar as compensações declaradas à fl. 128, porquanto o crédito comprovado nos autos não é suficiente para extinguir sequer as compensações objeto de homologação por disposição legal. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (354 – 366), assinalando que em vista de a decisão recorrida ter acolhido parte da Manifestação de Inconformidade apresentada, passaria a contestar apenas as deduções referentes ao imposto de Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/200283 Acórdão n.º 1301001.685 S1C3T1 Fl. 5 7 renda pago pela sua sucursal na Argentina e às retenções de IRRF efetuadas por órgãos públicos. Quanto ao primeiro item, assinalou que juntou aos autos a declaração de Imposto de Renda da sua sucursal na Argentina (fls. 160), bem como todos os comprovantes de pagamento/compensação das antecipações do imposto devido no anocalendário de 2001 (fls. 162 a 173), a fim de demonstrar a legalidade da compensação realizada no Brasil, nos termos do citado art. 26, da Lei n° 9.249/95. Muito embora, as autoridades "a quo" tenham atestado que para a compensação do imposto pago na Argentina, a Recorrente observou o limite do imposto e da contribuição incidente no país sobre o referido lucro da sucursal, glosaram algumas antecipações. Segundo a decisão recorrida após a análise da Manifestação de Inconformidade apresentada, a DRJ considerou algumas parcelas de antecipação, não consideradas pela DERAT, mas permaneceu com a glosa das demais, em razão do equivocado entendimento de que a Recorrente teria compensado tais parcelas com crédito advindo de benefício fiscal auferido, o que seria vedado pelo § 8º, do art. 13, da IN SRF 38/1996, para a recorrente, contudo, conforme se depreende dos comprovantes de compensação ("Solicitud de Compensacion") das parcelas não aceitas pela autoridade "a quo" (1a, 2a, 3a 0, 5a e 9a fls. 162, 163, 165, 166 e168) as compensações foram realizadas com crédito de IVA (imposto sobre valor agregado) que, sabidamente, incide sobre todos os negócios praticados na Argentina e de competência federal (AFIP — Administração Federal de Ingressos Públicos). Defendeu assim, que por se tratar de um imposto não cumulativo, na apuração do valor devido a título de IVA, deve ser deduzido o valor incidente nas aquisições e, se o resultado dessa apuração for negativo, a legislação argentina permite que se compense esse crédito de IVA com o imposto de renda devido ("Impuesto a Ias ganacias"), sendo indevida glosa dos valores compensados, e resultado da equivocada interpretação do formulário argentino de compensação pela autoridade julgadora "a quo", eis que se a Recorrente quisesse informar que seu crédito de IVA era decorrente de eventual atividade exportadora, o teria feito por meio do preenchimento do campo específico ao qual a nota de rodapé, mencionada na decisão recorrida faz referência — "(1) Compensación de deudas fiscales com el crédito em el IVA, concedido a Ias exportaciones. Tachar lo que no corresponda" Insistiu assim, que de todos os comprovantes de compensação de antecipações de imposto de renda que a Recorrente preencheu o formulário com a informação do crédito de IVA decorrente de saldo credor ("Concepto: SALDO A FAVOR (LIBRE DISPONIBILIDAU), ou seja, em nenhum caso informou no campo específico de origem do crédito, o IVA correspondente à atividade de exportação, até porque não executaria atividades exportadoras por meio de sua sucursal argentina, não havendo que se falar nesse benefício fiscal. Aduziu ainda, que a legislação fiscal brasileira somente obriga que se demonstre o pagamento do Imposto de Renda no exterior, sendo certo que referido pagamento, nos termos da legislação argentina, pode se dar por meio da compensação comprovada nos autos e que referida glosa das antecipações do imposto recolhido na Argentina, também afetou a base de cálculo da CSLL, eis que também para essa contribuição, a legislação brasileira, por meio do parágrafo único, do artigo 21, da Medida Provisória n° 2.1583512001, permite a compensação do imposto pago pela sucursal no exterior. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Por fim, observou que as retenções de imposto sofridas ao longo do ano calendário 2001 pela sucursal na Argentina, decorrentes de suas atividades naquele país, foram todas convertidas pela autoridade administrativa "a quo", pela cotação de 06 de maio de 2002 (0,76413), portanto, diferentemente da regra disposta no § 3º, do artigo 26, da Lei. 9.249/95, o que diminuiu ainda mais o saldo negativo de IRPJ informado pela Recorrente. Quanto às retenções na fonte realizadas por órgão públicos, ressaltou a recorrente que, relativamente ao anocalendário 2001, sofreu diversas retenções relativas ao IRRF (conforme comprovantes de retenção juntados à Manifestação de Inconformidade como docs. 12 a 25), de modo que, ao final do exercício, tais retenções compuseram o saldo negativo de IRPJ apurado. Todavia, a autoridade julgadora "a quo" houve por bem glosar referidas retenções sofridas pela Recorrente ao argumento de que "na ficha 43 ff/s. 95/22) não 'estão relacionados os rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras. Tampouco há provas de que a empresa declarou tais receitas para efeito de apuração do imposto devido". Segundo arrazoou a contribuinte, porém, à época, na ficha 43 citada pela julgadora, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela Recorrente (códigos 6147 e 6190), tampouco para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, como aduzido pela autoridade julgadora "a quo", sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto as que, claramente, o MAJUR daquele exercício, determinava que não fossem informadas (doc.02 e 03), como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos. Afirmou, nessa ordem de ideias, que as retenções feitas pelos órgãos públicos foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A — "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público 37.750,94" da DIPJ 2002 (doc. 04), otrossim, o fato é que os rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras teriam sido devidamente oferecidos à tributação e corretamente informados na declaração brasileira conforme se verifica das linhas 07 e 08, da ficha 06A da DIPJ 2002 (doc. 05) e, assim, também com relação aos comprovantes de retenção de IRRF efetuados pelos órgãos públicos, não pode a Administração Fazendária deixar de considerálos na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 pelos fundamentos expostos na decisão ora recorrida. É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/200283 Acórdão n.º 1301001.685 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admito o para julgamento. A questão trazida a julgamento diz respeito às declarações de compensação relativas a débitos tributários apresentadas pela recorrente, com a utilização de pretensos créditos oriundos de saldo negativo de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2001, sendo que estas, após decisão da DRF de origem e da decisão ora recorrida, foram parcialmente homologadas, até o limite do crédito reconhecido. Considerando o teor das decisões acima mencionadas, descritas minudentemente no relatório, o qual integra o presente voto para todos os fins, esclareceu a recorrente que o objeto do Recurso Voluntário se restringe a discutir a parcela formadora do pretenso crédito que está atrelada às deduções referentes: i) ao imposto de renda pago pela sua sucursal na Argentina; ii) às retenções de IRRF efetuadas por órgãos públicos, sendo precisamente este o limite objetivo do enfretamento a ser realizado nesta sede. Quanto ao imposto pela sucursal argentina, a recorrente trouxe à folha 361 uma tabela demonstrativa na qual esclarece os valores reconhecidos por cada uma das decisões pretéritas, de sorte que reputo oportuna sua transcrição, dado o caráter elucidativo e didático: Feitas estas verificações, como já anotou a recorrente, a decisão recorrida, além daquelas já reconhecidas pela DRF, considerou algumas parcelas de antecipação (6, 9 e Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 10), mantendo a glosa das demais (1, 2, 3, 4, e 5), ao fundamento de que recorrente teria compensado tais parcelas com crédito advindo de benefício fiscal auferido, o que seria vedado pelo § 8º, do art. 13, da IN SRF 38/1996, implicando, portanto, no reconhecimento do direito creditório. Como anotado no relatório acima, em verdade o que a decisão recorrida reputou, ao analisar a declaração apresentada pela contribuinte (fl. 160), foi um total de antecipações de R$ 91.847,53, restando um saldo apagar de R$ 1.586,46, sendo que em relação às parcelas não reconhecidas a cópia dos documentos intitulados "Solicitud de Compensacion" (fls. 162/166 e 168) demonstram que o fisco argentino autorizou a compensação do imposto de renda (impuesto a las ganancias), com tributo denominado "al valor agregado' — IVA, sendo que em nota de rodapé impressa nesse documento consta a seguinte observação: "compensacion de deudas fiscales com el credito em el IVA, concedido em las exportaciones ". Assiste razão à decisão recorrida, portanto, ao concluir que tendo em vista o disposto no artigo 13, § 8° da IN SRF 38/1996, não seria permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal, sendo necessária prova de que o crédito utilizado para as compensações em apreço tinha origem em valores efetivamente pagos ao erário argentino e não a mera alegação de que a sucursal não possui benefícios fiscais dessa natureza, situação que na espécie, retira os atributos de certeza e liquidez do crédito indicado, motivo pelo qual, a meu juízo, este tópico da decisão recorrida não merece qualquer reparo. Quanto ao item atinente às retenções na fonte por órgão públicos, tal como anotado no relatório, a decisão recorrida não reconheceu o pretenso direito creditório ao fundamento de que na ficha 43, de folhas 95 a 122 não estão relacionados os rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras, tampouco haveria provas de que a empresa declarou tais receitas para efeito de apuração do imposto devido. Neste tópico específico entendo que a decisão recorrida merece ser reformada. Com efeito, bem elucidou a recorrente que à época, na ficha 43 citada pela julgadora, não havia previsão para informação dos citados códigos das retenções sofridas pela recorrente (códigos 6147 e 6190), nem para informação dos rendimentos obtidos dos órgãos públicos, sendo que na ficha 43 da DIPJ 2002 constam todas as retenções previstas, exceto aquelas não deveriam ser ali indicadas, como é o caso das retenções efetuadas por órgãos públicos, as quais foram devidamente informadas na linha 14, da ficha 12A — "Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão Público 37.750,94" da DIPJ 2002, como se vê à folha 383. Considerase assim, que os rendimentos obtidos dessas fontes pagadoras foram todos devidamente oferecidos à tributação e corretamente informados na declaração, conforme se verifica das linhas 07 e 08, da ficha 06A da DIPJ 2002 (fl. 384). Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reformando a decisão recorrida apenas quanto ao item relacionado à retenção na fonte por órgãos públicos. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010848/200283 Acórdão n.º 1301001.685 S1C3T1 Fl. 7 11 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001841/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
CONFISSÃO E PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Quando o contribuinte confessa e parcelando o débito, demonstra a desistência, mesmo que tácita, do recurso voluntário. Logo, o mesmo não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela desistência do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Quando o contribuinte confessa e parcelando o débito, demonstra a desistência, mesmo que tácita, do recurso voluntário. Logo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela desistência do contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 41 /2 01 0- 21 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001841/201021 Acórdão n.º 2803003.646 S2TE03 Fl. 433 2 Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão que manteve o lançamento impugnado. O autos vieram à apreciação da presente turma, mas após a indicação de pauta, foi protocolizado no dia 29.08.2014 pedido de desistência dos mesmos. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001841/201021 Acórdão n.º 2803003.646 S2TE03 Fl. 434 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Preliminarmente, os recurso voluntário não deve ser conhecido. Indiferente das alegações da parte, a mesma apresentou pedido de desistência, para fins de parcelamento, não havendo mais questões a serem conhecidas administrativamente. O disposto art. 78,§§2º e 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF/MF, é claro: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Isso posto, voto em não conhecer o recurso voluntário, em razão de desistência. É como voto. Gustavo Vettorato Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001841/201021 Acórdão n.º 2803003.646 S2TE03 Fl. 435 4 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 14485.002914/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 02 91 4/ 20 07 -0 7 Fl. 5664DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/200707 Resolução nº 2301000.488 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 12 a 27, e planilhas anexas, de fls. 30 a 58, ela apresentou GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal da Infração informa que a Recorrente declarou isenta no código FPAS 639, mas que nunca teve isenção reconhecida, e diz ainda que: declarou em GFIP informações equivocadas relativas ao seu código FPAS (639 ao invés de 5740) e ao percentual de isenção incompatível com sua realidade (100% quando o correto seria 0%); deixou de declarar em GFIP para todas as filiais e competências as exatas remunerações consignadas nas folhas de pagamento relativas aos segurados empregados (ou seja, foram apuradas divergências entre os valores lançados pela empresa em folha de pagamento e aqueles por ela declarados em GFIP); deixou de declarar em GFIP a remuneração destinada aos contribuintes individuais de suas filiais, de forma integral da competência 08/2000 a 03/2003, e de forma parcial apenas para a filial 000831 de 04/2003 a 04/2004; não declarou em GFIP, para nenhuma filial e competência, os valores relativos a pagamento de vale transporte em dinheiro registrado nas folhas de pagamento das diversas filiais. Quanto a aplicação da multa o Relatório Fiscal informa que: tendo em vista o disposto no artigo 284, II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, na redação do Decreto n.º 4.729, de 09/06/2003, e no art. 32, IV, § 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, o valor referente à aplicação da multa pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, observado o limite por competência, em função do número de segurados a serviço da empresa; para fins de aplicação da multa, levouse em consideração que a entidade declarou em GFIP informações equivocadas quanto a seu código FPAS (639 a invés de 5740) e percentual de isenção incompatível com sua realidade (100% quando o correto seria 0%), além de informações divergentes ou faltantes com relação às remunerações pagas a seus segurados empregados e contribuintes individuais; foram elaboradas planilhas retratando as competências e filiais envolvidas, os valores devidos não declarados, o valor total da multa aplicável por competência e o número de segurados da empresa com base nas informações constantes da GFIP; a Planilha 1 trata dos valores devidos relativos às contribuições não declaradas à época referentes a Divergência entre FOPAG e GFIP, Vale Transporte e Autônomos; a Planilha 2 se refere aos valores devidos sobre a remuneração constante de folha de pagamento e autônomos declarada em GFIP à época, como se não houvesse isenção, aí respeitado o período em que vigeu norma mais benéfica (de 08/2000 a 05/2003); Fl. 5665DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/200707 Resolução nº 2301000.488 S2C3T1 Fl. 4 3 a Planilha 3 evidencia a totalização dos valores e cálculo final da multa aplicável por competência, respeitado o limite legal conforme número de segurados de toda a empresa, sendo que o valor total da multa a ser aplicado corresponde ao somatório das multas por competência das Planilhas 1 e 2; foi juntado Termo de Verificação de Antecedentes de Infração, no qual se constata não haver autuações anteriores, não tendo sido registrado circunstâncias agravantes. Após três diligências foi lançado um novo relatório fiscal da multa, assim: foi aplicada a multa prevista no artigo 284, II do Regulamento da Previdência Social (RPS) aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, na redação do Decreto n.º 4.729, de 09/06/2003, e no art. 32, IV, § 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, observado o limite por competência, em função do número de segurados a serviço da empresa, conforme previsto no inciso I do art. 284 do RPS; a multa aplicada levou em consideração o fato de a empresa ter declarado em GFIP informações equivocadas quanto ao seu código FPAS (639 ao invés de 5740) e percentual de isenção incompatível com sua realidade (100% ao invés de 0%), além de informações divergentes ou faltantes com relação às remunerações pagas a seus segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos); no que diz respeito ao preenchimento incorreto dos campos “FPAS” e “Percentual de Isenção” da GFIP, a multa foi calculada respeitandose o período em que vigeu a norma mais benéfica (de 08/2000 a 05/2003), ou seja, a prevista no art. 284, III do RPS; consta no Sistema Informatizado da Previdência Social a existência do Auto de Infração (AI) n.º 32.383.5376, de 18/12/1997, com código de fundamentação legal 38, liquidado em 30/04/1998, lavrado em ação fiscal anterior; nos termos do parágrafo único do art. 290 do RPS e, considerando que, para fins de reincidência, o prazo de cinco anos é contado da data da decisão administrativa definitiva da infração anterior (no caso em tela, 30/04/1998) até a data da prática da nova infração, a entidade incorreu em reincidência genérica para as competências 08/2000 a 03/2003. Foi emitido, então, o despacho de fls. 5.045 a 5.046, no sentido de que fossem enviadas ao contribuinte cópias do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa Substitutivo de fls. 4.999 (processo digital), das Informações Fiscais de fls. 4.946 a 4.950 (processo digital) e 5.000 a 5.003 (processo digital), e das planilhas de fls. 4.951 a 4.985 (processo digital) e 5.004 a 5.043 (processo digital). O prazo de defesa foi reaberto, dando oportunidade para a empresa impugnar as novas informações trazidas aos autos, o que vez, juntando novos documentos, o que obrigou a realização da quarta diligência. Como resultado da diligência, a fiscalização anexou, às fls. 5.357 a 5.403, planilhas substitutivas daquelas anteriormente juntadas às fls. 5.004 a 5.043, tendo em vista a alteração da situação relativa à correção da falta decorrente dos novos documentos apresentados pela entidade, e emitiu a Informação Fiscal, de 30/07/2007, de fls. 5.352 a 5.356, na qual relata: 1. que foram apreciados os documentos juntados aos autos após a reabertura do prazo de defesa; Fl. 5666DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/200707 Resolução nº 2301000.488 S2C3T1 Fl. 5 4 2. que foram verificados os valores constantes no “Sistema CNISA – Relatório Demonstrativo de Normalizações e Agregações (DNA)”, visando considerar todas as GFIP’s e Retificadoras que foram entregues e processadas pelo sistema; 3. que, nas competências em que houve divergência entre os valores constantes do CNISA e das GFIP’s apresentadas (desde que constatadas nestas as formalidades de entrega, quais sejam, para GFIP’s declaratórias o carimbo do agente arrecadador ou protocolo de envio à Conectividade Social, para as de pagamento anteriores a 03/2005 autenticação mecânica do agente arrecadador), É a síntese. Fl. 5667DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.002914/200707 Resolução nº 2301000.488 S2C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator ‘ad hoc’ O presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passaria à análise das questões trazidas à baila se não houvesse a questão de este processo tratar de obrigação tributária acessória. Neste diapasão em sendo uma obrigação surgida quando se consuma um fato imponível previsto na legislação tributária, e, considerando ser um vínculo que une o credor e o devedor para o pagamento de alguma dívida, mas, como é o caso em tela, consiste em ação ou omissão que propicia ou facilita a ação do fisco, chamada de obrigação acessória ou prestação negativa ou positiva, sendo dependente do não cumprimento de uma obrigação principal, penso que há de ser analisada primeira a obrigação principal. Portanto, sendo esta dependente daquela, penso que há de a Unidade Preparadora informar o resultado de todos os processos que resultaram da mesma ação fiscal, informando ainda qual o processo foi julgado primeiro, para o caso de análise de prevenção. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, sendo analise de descumprimento de obrigação acessória, há de a Unidade Preparadora informar o resultado de todos os processos que tiveram como origem a mesma ação fiscal, inclusive informando qual foi o primeiro a ser julgado, para o caso de análise de prevenção. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Fl. 5668DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914806/2012-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 06 /2 01 2- 01 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914806/201201 Acórdão n.º 3802003.806 S3TE02 Fl. 119 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 62 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/01/2014 (fls. 60), interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 62). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914806/201201 Acórdão n.º 3802003.806 S3TE02 Fl. 120 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16682.721110/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO NA FORMA DE BENEFÍCIOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais compreende o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, inclusive as parcelas pagas na forma incentivos salariais, benefícios e/ou utilidades.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. AUTOENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção.
Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados.
AIOP. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos; para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91 bem como para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei nº 9.430/96.
AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito, mantendo o lançamento nas rubricas Participação nos Lucros e Resultados, Contribuintes Individuais, Salário-Utilidade Moradia e Seguro Acidente do Trabalho SAT, este porque, para a aplicação da Súmula nº 351 do STJ, pressupõe-se que o contribuinte demonstre eficazmente os graus de risco de cada um de seus estabelecimentos.
Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício agravada, conforme o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, porque não restou evidenciado que os esclarecimentos não prestados pelo contribuinte tenham obstado a ação fiscal ou causado prejuízo ao Fisco. Vencido na votação o Conselheiro Relator que entendeu por negar provimento ao recurso. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
André Luís Mársico Lombardi Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO NA FORMA DE BENEFÍCIOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais compreende o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, inclusive as parcelas pagas na forma incentivos salariais, benefícios e/ou utilidades. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. AUTOENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configurase ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 10 /2 01 2- 69 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 AIOP. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos; para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91 bem como para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei nº 9.430/96. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito, mantendo o lançamento nas rubricas Participação nos Lucros e Resultados, Contribuintes Individuais, SalárioUtilidade “Moradia” e Seguro Acidente do Trabalho – SAT, este porque, para a aplicação da Súmula nº 351 do STJ, pressupõese que o contribuinte demonstre eficazmente os graus de risco de cada um de seus estabelecimentos. Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício agravada, conforme o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, porque não restou evidenciado que os esclarecimentos não prestados pelo contribuinte tenham obstado a ação fiscal ou causado prejuízo ao Fisco. Vencido na votação o Conselheiro Relator que entendeu por negar provimento ao recurso. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 895 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Data da lavratura dos Autos de Infração: 22/01/2013. Data da Ciência dos Autos de Infração: 22/01/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.014.4888, 51.014.4896 e 51.014.4900, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 53/89. Integram o vertente lançamento os seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal: · AI DEBCAD n° 51.014.4888 – Referente a contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados, e que foram declaradas em GFIP com alíquota de GILRAT de 1%. · AI DEBCAD n° 51.014.4896 – Referente a contribuições a cargo da empresa, devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de PLR, no mês de março/2009, a segurados empregados que lhes prestaram serviços. Essas contribuições não foram declaradas em GFIP; · AI DEBCAD n° 51.014.4900 – Referente a contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de PLR, durante o mês, a segurados empregados e remunerações pagas a segurados contribuintes individuais que lhes prestaram serviços, não informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal, são os seguintes os fatos geradores: Fl. 979DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 · Valores pagos a segurados contribuintes individuais, extraídos da contabilidade e de RPA e não declarados em GFIP e nem nas folhas de pagamento, apurados através do exame da contabilidade e de Recibos de Pagamento a Autônomos. · Valores pagos a título de aluguel de imóvel para uso do segurado contribuinte individual Sr. Leo Julian Simpson, em todo o exercício de 2009. · Pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados a segurados empregados, porém pagos em desacordo com a Lei nº 10.101/2000; · Diferenças de contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrente a aplicação de alíquota de 1%, quando a correta seria a de 2%. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 649/688. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0644.788 7ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 898/920, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/03/2014, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 924. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 928/966, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que os valores pagos a título de PLR são imunes à tributação; · Que valores pagos a contribuintes individuais, lançados na contabilidade e não declarados em GFIP, não deve se submeter à incidência das contribuições previdenciárias por força da norma isentiva prevista na alínea "e" do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91; · Que os valores pagos ao segurado Leo Julian Simpson referentes ao pagamento de despesas de aluguel, condomínio, carnêleão, dentre outras, podem ser classificadas sob a rubrica “auxíliomoradia”, e seu não oferecimento à tributação justificase pela ausência de requisitos necessários para identificálo como base de cálculo das contribuições previdenciárias; · Que a Autoridade Lançadora ao invés de atribuir a qualidade de contribuinte do SAT/RAT ao estabelecimento, sujeitou a Recorrente na qualidade de empresa como um todo, mesmo diante da existência de Fl. 980DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 896 5 estabelecimentos com CNPJ próprios, inclusive identificados no próprio relatório fiscal; · Que a Fiscalização não se ocupou em verificar quais eram as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente; · Que não há justa causa para a qualificação da multa de oficio; Ao fim. Requer a declaração de insubsistência dos autos de infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 19/03/2014. Havendo sido o recurso voluntário acostado aos autos no dia 17/04/2014, conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais a fl. 926, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES Alega o Recorrente que os valores pagos a título de PLR são imunes à tributação. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 897 7 CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243/2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243/2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 983DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo Fl. 984DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 898 9 trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, ACRESCIDO dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Fl. 986DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 899 11 A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 988DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 900 13 art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este Fl. 989DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, por se tratar de renuncia fiscal, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, em atenção às disposições tatuadas no art. 111, II, do CTN. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência, é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 901 15 Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; 2.1.1. DA PLR Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstancia se numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas pré estabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Merece ser enaltecido que a PLR legal comporta hipótese de não incidência legal, nos termos da alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, e não hipótese de imunidade constitucional. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa des∙vin∙cu∙lar (des + vincular) verbo transitivo 1. Tornar alienável (bens de morgadio).verbo transitivo e pronominal Fl. 991DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 2. Libertar ou libertarse de um vínculo. vín∙cu∙lo (latim vinculum, i, laço, atilho, relação de amizade ou parentesco) substantivo masculino 1. Liame; vincilho. 2. Laço; atilho; nó. 3. Tudo o que ata, liga ou aperta. = LAÇO, NÓ 4. Aquilo que liga ou estabelece uma relação (ex.: vínculo laboral). 5. [Figurado] Morgadio. 6. Bens vinculados. Desvinculado da remuneração significa, tão somente, que a PLR não deve guardar qualquer relação de vínculo com a remuneração, ou seja, ser independente do valor da remuneração paga ao empregado. Tal desvinculação, todavia, não implica imunidade. De maneira alguma. Analisese a hipótese de uma empresa resolver pagar um abono de dois mil reais, a cada empregado, independentemente do cargo ou salário deste, por ocasião das festas natalinas. Tal abono é desvinculado da remuneração, posto que se trata de um valor fixo, sem qualquer relação com o salário nominal do beneficiário. Todavia, constituise base de cálculo das contribuições previdenciárias, eis que não expressamente previsto em lei. Atentese que quando o Legislador Constituinte elegeu hipóteses de imunidade tributária, ele fêlo não de maneira dissimulada, mas, sim, expressamente, conforme art. 149, §2º, I; art. 150, VI; art. 153, §3º, III e §4º, II; art. 155, §2º, X; art. 156, §2º, I; art. 195, §7º, etc. Nessa esteira, quando o Constituinte Originário utiliza os verbos “vincular” e “desvincular”, ele o faz no sentido da existência ou inexistência de relação de proporcionalidade matemática, como sói ocorrer nos incisos IV e XI do art. 7º da CF/88. Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) IV salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Fl. 992DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 902 17 Como visto, não se encontra presente no preceito constitucional em voga qualquer referência, a mínima que seja, a eventual não incidência tributária sobre os valores pagos a título de PLR. Ao revés, a própria Lei nº 10.101/2000 dispõe expressamente que sobre a PLR legal há incidência de tributo. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Ora, se fosse caso de imunidade tributária, a incidência de Imposto de Renda sobre a PLR legal seria inconstitucional, eis que sua base de cálculo é, também, a remuneração do trabalhador. Tratase, portanto, a PLR legal não de hipótese de imunidade constitucional, mas, sim, de caso de isenção legal, prevista na alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, fixada nos contornos estatuídos no Código Tributário Nacional CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Assim, nos termos dos artigos 111 e 176 do CTN, a fruição da isenção tributária depende do adimplemento integral das condições estabelecidas na lei concessiva, in caso, alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. Lei nº 10.101/2000. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a título de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser Fl. 994DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 903 19 lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua Fl. 995DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 904 21 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate se sujeita às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, à qual foi confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado erguese como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 22 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 905 23 §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório, além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 24 Assim: · O desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 906 25 labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige, ainda, a Lei n° 10.101/2000 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Como visto, tem por finalidade precípua o plano de PLR a constituição formal de um direito subjetivo do trabalhador, porém condicionado, de maneira que, satisfazendo o empregado a condição assentada no Plano, ele trabalhador se imite no direito subjetivo ali estipulado de maneira clara e precisa, sendo justamente o plano de PLR o justo título para se exigir da empresa o que se foi ajustado nas negociações entre patrões e empregados. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 26 Por tais razões, as condições a serem adimplidas, os direitos substantivos dos trabalhadores, as regras adjetivas, bem como os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado devem constar de maneira clara e objetiva no plano de PLR, e este deve ser previamente arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos e/ou unilaterais obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. A lei exige que nos instrumentos decorrentes da negociação constem as regras adjetivas do plano de PLR, inclusive mecanismos de aferição das informações Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 907 27 pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, para que o trabalhador possa saber, de antemão, como ele será avaliado e como será apurado o cumprimento das metas previamente estabelecidas, não se contentando a Lei com a mera divulgação, a posteriori, na internet ou em outro meio qualquer de comunicação da empresa, da consolidação dos resultados alcançados. A Lei preconiza um enfoque proativo, de natureza dinâmica, antecipando de maneira clara e precisa qual será efetivamente o mecanismo de avaliação dos trabalhadores quanto às metas estabelecidas e de qual será o critério e metodologia de apuração do cumprimento das metas estabelecidas no acordo. Não se satisfaz com a mera postura estática, retroativa, de apenas medir e relatar os resultados alcançados. Alertese que a estipulação de metas e a divulgação estática dos resultados alcançados no final do período de apuração não se confundem com descrição dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A Lei nº 10.101/2000 exige ambas. Não se basta só com a primeira. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando e quanto precisam fazer para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Por isso, os trabalhadores, antes do início do período de apuração, necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. O espirito da lei pautase na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins excepcionais que deverão de ser atingidos com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 28 Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. A Lei nº 10.101/2000 não se satisfaz com o mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações! A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, ad litteris et verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) §1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §3º Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decretolei nº 424/69) §4º Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) Nessa esteira, não atendendo os sindicatos à convocação levada a efeito pela Recorrente, deveria esta ter dado ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 908 29 Trabalho, ou ao órgão governamental competente que lhe faça as vezes, para que procedesse à convocação compulsória dos Sindicatos recalcitrantes. Dessarte, sem a presença de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria e enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 30 Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar, a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, constatou a Fiscalização que a folha de pagamento da empresa registrava o pagamento de PLR a seus empregados, na competência 03/2009, mediante a rubrica “4100 PARTIC. LUCROS E RESULTADOS”. Para os valores declarados a título de PLR no ano de 2009, foram apresentados dois acordos coletivos distintos, referentes aos sindicatos localizados no estado do Rio de Janeiro e no estado de São Paulo. 2.1.1.1. PLR – Estado de São Paulo Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 909 31 Para o estado de São Paulo, foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, a fls. 240/254, cuja cláusula décima segunda PPR 2009 contém a seguinte previsão: “A INTELIG TELECOM negociará até julho de 2009, valores e bases para o PPR 2009”. A empresa foi então intimada, mediante o TIF de n° 4, a fornecer, caso houvesse, a negociação dos valores e bases descritas nestes acordos. Em sua resposta datada de 27/07/2012, a empresa não faz qualquer menção ao acordo de PLR do ano de 2009 para os funcionários de São Paulo. A empresa foi novamente instada mediante os TIF de n° 6 e 8, a apresentar o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolizado no MTE em 14/08/2009, com o SIND TRAB EMP TELECOMUNICACOES OPER MESAS TELEFO NO ESP, que contém na Cláusula Décima Segunda PPR 2009 a seguinte informação: “ A INTELIG TELECOM negociará até julho de 2009, valores e bases para o PPR 2009”. Até o TIF 4 não foi apresentado o Acordo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009. Fornecer este Acordo ou Atestar por escrito que este Acordo não existe” Novamente a empresa não apresentou qualquer resposta por escrito com relação aos questionamentos. Nos TIF n° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à empresa nos TIF n ° 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa:” (...) 2. Em relação ao empregados filiados ao SINTETEL/SP. 2.1. O Acordo com as regras para o pagamento de PLR no ano de 2009” Além do que já mencionado, a empresa também foi intimada nos TIF de n° 6 e 8, em seus itens 1.3 e 2.3 “1.3 Confirmar que () apenas os empregados cujo estabelecimento se encontra no Estado de São Paulo são abrangidos pelos Acordos deste Sindicato. 2.3 Confirmar que (...) apenas os empregados cujo estabelecimento se encontra no Estado do Rio de Janeiro são abrangidos pelos Acordos deste Sindicato.” Em resposta datada de 11/09/2012, a empresa afirma que: “ 1.2 Sim, a base territorial do Sindicato de SP é o Estado de SP. 2.3 Sim, a base territorial do Sindicato do RJ é o Estado do RJ.” Depreendese então que não havia previsão para pagamentos de valores a título de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para o Rio de Janeiro. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por um acordo de PLR, ou Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 32 este acordo não foi apresentado a auditoria para verificação de atendimento dos requisitos legais. Por tais razões, concluiuse que os valores pagos a título de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por qualquer acordo de PLR, razão pela qual foram considerados, integralmente como fatos geradores de contribuições previdenciárias, por terem sido pagos em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, não se subsumindo, portanto, à hipótese de isenção prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 2.1.1.2. PLR – Estado do Rio de Janeiro. Para o estado do Rio de Janeiro, foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, a fls. 255/269, cuja “CLÁUSULA NONA Participação nos RESULTADOS 2008”, continha a previsão de um plano de participação nos lucros ou resultados PLR. De acordo com o item “6 Desenho do Programa” da Cláusula Nona, em seu subitem “6.l Meta” verificase que a Meta do PLR consiste no atingimento de 3 indicadores: · Caixa: O valor meta para o Caixa para o ano de 2008 é de R$ 34,64 milhões; · Despesas Operacionais: O valor meta de Despesas Operacionais para o ano de 2008 é de R$ 229,8 milhões, de acordo com o orçamento da empresa. · Margem Bruta: O percentual meta de Margem Bruta para o ano de 2008 é de 54% da Receita Líquida, de acordo com orçamento da empresa. Tratase de resultados, um número, indicadores que, por si só não podem ser considerados como um incentivo a produtividade, pois não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados. Com base unicamente nestes indicadores, um empregado pode ser extremamente eficiente, ou totalmente deficiente, que isto não refletirá no valor de PLR a ser pago individualmente. Emblemático é o indicador Caixa, que basicamente representa o valor dos recursos imediatamente disponíveis para efetuar pagamentos, e que de forma alguma poderia ser utilizado para medir a produtividade de seus funcionários. Da mesma forma o indicador Despesas Operacionais apenas mede o quanto a empresa despende para suas despesas do dia a dia, e, isoladamente, em nada avalia o desempenho dos funcionários. Importante ressaltar que o Acordo Coletivo em questão foi protocolizado no MTE em 18/05/2009, onde, portanto, o valor dos indicadores para o PLR de 2008 já eram conhecidos, uma vez que o ano fiscal de 2008 já era findo. Desta forma, no momento da assinatura do acordo já se sabia o percentual atingido da meta estipulada pelos indicadores, e, por conseguinte, o valor de PLR a ser pago já era perfeitamente definido, independente de qualquer desempenho futuro dos empregados. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 910 33 Além disso, há outros fatores que descaracterizam o valor pago a título de PLR pela empresa. Como já mencionado acima, a meta para o pagamento do PLR baseiase no atingimento de 3 indicadores. No subitem “6.2 Atingimento” do Acordo Coletivo do Rio de Janeiro temse que o cálculo do atingimento se daria de acordo com a tabela abaixo: ATINGIMENTO % DO SALÁRIO. PPR 85 % 25 % 90 % 50 % 100 % 100 % 125 % 125 % 150 % 150 % A empresa foi intimada através do TIF de n° 4 a especificar os valores alcançados nos três indicadores citados; como estes três indicadores foram apurados contabilmente e como foi feita a correlação entre as 3 metas/indicadores e o percentual final de atingimento, uma vez que o Acordo não trazia esta definição (a tabela possuía apenas um percentual de atingimento, todavia são 3 indicadores distintos): “(...) De acordo com o item 6.1 da referida cláusula, fornecer os valores e como estes foram calculados contabilmente referentes as metas especificadas a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA. De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará de acordo com tabela. Explicar como é feito a correlação entre o atingimento e as três metas. Em resposta datada de 27/07/2012, a empresa informou que: “(...)Apresentamos também planilhas contendo metodologia dos cálculos de PPR pagos em 2008 e 2009.” E apresenta a planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”, em cuja aba denominada “Mecânica” apresenta o quadro “Indicadores e Atingimento” e a seguinte observação: “não tenho nenhum dado que evidencie a apuração dos 40% de atingimento. Apenas estes % prontos”. INDICADORES E ATINGIMENTO INDICADOR META UNIDADE POSSÍVEL REAL CAIXA 34,64 Min 40% 40% DESPESAS OPERACIONAIS 229,8 Min R$ 30% 0% MARGEM BRUTA 54% vs Receita Líquida 30% 0% TOTAL 40% Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 34 Tomando como base a planilha apresentada na resposta, bem como a observação destacada, a empresa foi novamente instada nos TIF N° 6 e 8, em seu item 2.2: “De acordo com o item 6.1 da referida cláusula, fornecer os valores e como estes foram calculados contabilmente referentes às metas especificadas a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA, pois na resposta ao TIF 4, na aba “mecânica” da planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”, não foi apresentada qualquer explicação. De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará de acordo com tabela. Explicar como é feito a correlação entre o atingimento e as três metas e fornecer o documento que contem tal correlação” Como nenhuma resposta ou explicação acerca do solicitado foi apresentada pela empresa, nos TIF N° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à empresa nos TIF n ° 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa: ” (...) 2.2 De acordo com o item 6.1 da clausula nona do Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolado no MTE em 18/05/2009, com o SIND. DOS TRAB. EM EMP. TELEC. OP. SIST. TV POR ASS. TRANSM. DE DADOS E CORREIO ELETR. TELEF. M. CEL. SERV. TRONC.D. COM RADI, o fornecimento dos valores, e como estes foram calculados contabilmente referentes às metas especificadas, a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA. De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará conforme tabela. Explicação de como é feita a correlação entre o atingimento e as três metas e fornecer o documento que contem tal correlação” Como a empresa não apresentou nenhum dos esclarecimentos solicitados nos Termos, além da já mencionada planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW`” aba “Mecânica”, passase então a analisar as informações contidas nesta planilha. Do exame da planilha em tela, podese presumir que a empresa entende que a correlação/pesos entre os 3 indicadores é de 40% para o Caixa, 30% para as Despesas Operacionais e 30% para a Margem Bruta. Além disso a empresa informa que “Não tenho nenhum dado que evidencie a apuração dos 40% de atingimento. Apenas estes % prontos". Em resumo, desta informação podese afirmar que a empresa não possui documentação que balize porque o rateio entre os 3 indicadores foi configurado desta forma (40 / 30/ 30), nem porque utilizouse do percentual final de 40% de atingimento. Como a empresa não apresentou os cálculos dos indicadores, e nem de onde eles foram extraídos, a Fiscalização extraiu os valores dos indicadores diretamente da DIPJ, ano calendário 2008, anexa aos autos, na forma como se segue: a) Em relação ao indicador Caixa, podemos afirmar com base na DIPJ na sua ficha “36 A” “linha 01. Caixa”, que seu valor é de R$ 8.565,38. Levandose em conta Caixa em um conceito mais amplo, temos também a “linha 02. Bancos” com o valor de R$ 11.927.605,55. Com isso temse um possível valor de R$ 11.936.170,93 para o indicador Caixa, e que representa apenas 34,46% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de R$ 34.640.000,00). Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 911 35 b) Para o Indicador Despesas Operacionais, temos a ficha “05 A' “linha 33. Total das Despesas Operacionais” da DIPJ, cujo o valor é de R$ 307.327.927,79. Este valor representa apenas 66,26% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de no Máximo R$ 229.800.000,00, ou seja, quanto mais despesa além da meta, pior o indicador). c) Para o Indicador margem bruta, o qual a empresa não informou a metodologia de cálculo, utilizouse a definição mais aceita pela doutrina do conceito. Por esta definição, margem bruta seria o Lucro bruto dividido pela receita operacional líquida. O Lucro bruto pode ser extraído da ficha “06 A” “linha 17. Lucro Bruto” da DIPJ, cujo valor é de R$ 283.842.843,05. A Receita operacional líquida, conforme ficha “O6 A” “linha 15. Receita Líquida das Atividades” da DIPJ, é de R$ 550.598.565,43. Com isso temse um possível valor de 51,55% para o indicador Margem Bruta, e que representa apenas 95,47% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de 54%). Com base nas considerações acima, a Fiscalização elaborou o Quadro abaixo que demonstra o percentual de atingimento, utilizandose os valores informados na DIPJ e as informações disponibilizadas pela empresa: INDICADOR META NO ACORDO VALORES DIPJ % ATINGIDO PESO % AJUSTADO DA META PELO PESO CAIXA 34.640.000,00 11.936.170,93 34,46% 40% 13,78% DESPESAS OPERACIONAIS 54,00% 51,55 95,47% 30% 26,64% MARGEM BRUTA 229.800.000,00 307.327.827,79 66,03% 30% 19,88% TOTAL DE ATINGIMENTO 100 62,30% Do quadro acima, avulta que o índice efetivamente atingido (62,3%) é significativamente inferior ao índice mínimo previsto em acordo coletivo para uma possível distribuição de PLR, o qual é de 85%, conforme tabela já mencionada. Mas mesmo não sendo atingido o percentual mínimo (85%) houvese por efetuado pagamentos a título de PLR. Continuando a análise, a Fiscalização demonstrou que a empresa, apesar de haver atingido, tão somente, o índice de 62,3” de atingimento de metas, ela, realmente utilizou se de um fictício índice de atingimento de 88%, o qual forneceria um percentual de salários PPR de 40%. No item “5.3 Cálculo da Participação” do referido Acordo, encontrase a tabela de múltiplos salariais (transcrita abaixo) que contém a correlação entre a grade salarial do empregado e o multiplicador de salários a ser aplicado no salário base para que se obtenha o PLR devido. GRADE nº SALÁRIOS SALARIAL PPR 4 5,2 5 5,2 6 4,6 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 36 7 4,6 8 3,2 9 3,2 10 3 11 3 12 1,6 13 1,6 14 1,6 15 1,1 16 1,1 17 1,1 18 1,1 19 1,1 20 1,1 Quadro abaixo fornece a grade salarial, o multiplicador de salários, bem como o percentual que se alcança aplicandose o atingimento de 40%. GRADE nº SALÁRIOS Nº SALÁRIOS PPR SALARIAL PPR X ATINGIM. 40% 4 5,2 208,00 5 5,2 208,00 6 4,6 184,00 7 4,6 184,00 8 3,2 128,00 9 3,2 128,00 10 3 120,00 11 3 120,00 12 1,6 64,00 13 1,6 64,00 14 1,6 64,00 15 1,1 44,00 16 1,1 44,00 17 1,1 44,00 18 1,1 44,00 19 1,1 44,00 20 1,1 44,00 A Tabela “Tabela com o PLR pago e o percentual obtido em relação ao salário base para os funcionários do RJ”, a fls. 77/87, apresenta, para cada empregado da empresa, o valor efetivamente pago a título de PLR, o salário base para o cálculo de PLR, a grade salarial, n° de meses trabalhados e o percentual aplicado. Esta tabela confirma então que o percentual utilizado pela empresa foi de 40%, percentual este não explicado pela empresa e não obtido através da análise dos valores Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 912 37 informados em DIPJ. Esta tabela foi obtida a partir da planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW” fornecida pela empresa e o arquivo digital da folha de pagamento. Portanto os valores, pagos a titulo de PLR pela empresa, por se basearem (1) em indicadores que não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados; (2) por ser um acordo utilizado para premiar um esforço pretérito e não estimular uma produtividade futura e (3) por se utilizar de um percentual para o cálculo de valor devido de PLR em discordância com Acordo Coletivo, foram considerados em desacordo com o determinado em Lei e bases de cálculo para a Previdência Social. 2.1.1.3. PLR – Demais estabelecimentos Em relação aos segurados lotados nos demais estabelecimentos da empresa, que não as bases do Rio de Janeiro e São Paulo, empresa não apresentou, sequer, os Acordos Coletivos, tampouco eventuais acordos de PLR para os estabelecimentos situados fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa foi intimada mediante os TIF n° 6 e 8 a se manifestar sobre qual o acordo que se houve por aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo “3 Explicar qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo” A empresa não apresentou qualquer resposta específica referente ao questionamento acima formulado. Porém, de maneira genérica, informou que “a base territorial do Sindicato de SP é o Estado de SP” e que “a base territorial do Sindicato do RJ é o Estado do RJ”. Na sequência, através dos TIF n° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à empresa nos TIF nº 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa:” (...) 3 Explicação sobre qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo.” Diante do silêncio eloquente da empresa, concluise então que não havia previsão para pagamentos de valores a título de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para São Paulo. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro não foram balizados por um Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 38 acordo de PLR, ou este acordo não foi apresentado a esta auditoria para verificação de atendimento dos requisitos legais. Por conseguinte estes valores foram considerados, também, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, por terem sido pagos em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, não se subsumindo, portanto, à hipótese de isenção prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Por tais razões, os valores pagos a título de PLR foram considerados pela Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. Nessa vertente, tratandose de fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais Fatos Jurígenos Tributários deveriam ter sido, NECESSARIAMENTE, declarados nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Mas não o foram. Por tais razões, havendo sido as verbas sob o rótulo de PLR pagas em desacordo com as normas fixadas na Lei nº 10.101/2000, tais rubricas escapam do abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio ou gratificação, os quais não se encontram abraçados pela hipótese de não incidência tributária prevista na Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. 2.1.2. DA REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Alega o Recorrente que os valores pagos a contribuintes individuais, lançados na contabilidade e não declarados em GFIP, não deve se submeter à incidência das contribuições previdenciárias por força da norma isentiva prevista na alínea "e" do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 913 39 Ninguém merece isso. Dispõe o art. 195, I, da Constituição Federal, seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, dentre outras fontes, mediante recursos provenientes das seguintes contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (...) No plano infraconstitucional, a regulamentação da matéria foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 22, inciso III, estabelece o regramento concernente à contribuição social a cargo da empresa incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese ora tratada, abraça o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase aqui empregado em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa pelos serviços a ela prestados pelos seus diretores/administradores. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 40 Não se deslembre que o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, nos termos da Carta de 1988, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Mas nem só sobre o Salário incidem as contribuições previdenciárias. A alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88 é expressa ao dispor que a base de cálculo das contribuições previdenciárias é a folha de salários, como, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 4 Remuneração Básica – Referente à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 5 Incentivos Salariais São programas idealizados para recompensar os empregados com desempenho funcional de excelência. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 914 41 6 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios na forma de utilidades ou in natura, que culminam representando um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar, diretamente, para obtêla. 2.1.2.1. DAS REMUNERAÇÕES DE AUTÔNOMOS Nesse contexto, os valores pagos a segurados contribuintes individuais, em virtude dos serviços prestados à empresa, extraídos dos Recibos de Pagamento a Autônomos coletados pela Fiscalização ou apurados na contabilidade da empresa qualificamse como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, III, da Lei nº 8.212/91, incidindo sobre tais valores a contribuição social patronal prevista no inciso III do art. 22 desse mesmo Diploma Legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Não procede a alegação de que os valores pagos a contribuintes individuais estariam cobertos pela norma isentiva prevista na alínea "e" do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A uma, porque tais valores não se qualificam como “ganhos eventuais”, mas, sim, como a própria remuneração dos segurados contribuintes individuais beneficiários, base de cálculo das contribuições previdenciárias consoante artigos 22, III, e 28, III, ambos da Lei nº 8.212/91. A duas, porque mesmo os ganhos eventuais compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, haja vista que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88 é taxativa ao estabelecer que a base de cálculo das contribuições previdenciárias é composta não somente pela folha de salários (a qual comporta os ganhos não eventuais), como, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, nesta 2ª parte incluídos, por óbvio, os ganhos eventuais. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 42 Alertese, de molde a espancar qualquer dúvida, que a hipótese de isenção prevista no item 7 da alínea ‘e’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 referese, tão somente, aos ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário por força de lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528/97) (...) 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). (grifos nossos) De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, constituise matéria de reserva legal as hipóteses de exclusão do crédito tributário, como assim se revela a isenção. Dessarte, somente os ganhos eventuais desvinculados do salário por força expressa de lei stricto sensu se ajustam na hipótese de não incidência legal prevista no supratranscrito art. 28, §9º, ‘e’, 7, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. No caso em apreço, inexiste lei atribuindo isenção à remuneração auferida por segurados contribuintes individuais pelos serviços prestados à empresa. Ao contrário. A lei é taxativa ao dispor sobre a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo da empresa, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 915 43 Assim, tratandose de fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais Fatos Jurígenos Tributários deveriam ter sido, NECESSARIAMENTE, declarados nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Mas não o foram. 2.1.2.2. DA REMUNERAÇÃO NA FORMA DE UTILIDADES Não procede a alegação de que os valores pagos ao segurado Leo Julian Simpson referentes ao pagamento de despesas de aluguel, condomínio, carnêleão, dentre outras, podem ser classificadas sob a rubrica “auxíliomoradia”, e seu não oferecimento à tributação justificarseia pela ausência de requisitos necessários para identificálos como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conforme anteriormente salientado, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 7 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 8 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 9 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. No caso presente, as verbas auferidas pelo segurado contribuinte individual Sr. Leo Julian Simpson, na forma de pagamento de despesas de aluguel, condomínio, carnê leão, etc., configuramse como remuneração indireta do segurado, na forma de benefícios, pois representam a parcela que o beneficiário deixou de subtrair do seu patrimônio inercial para custear as despesas de aluguel, condomínio e carnê Leão, representando, portanto, um ganho patrimonial do trabalhador, lançado à conta de despesa da empresa. Assinalese que a empresa foi reiteradamente intimada a justificar tais pagamentos. Como não houve justificativa alguma por parte do Autuado, tais pagamentos de despesas pessoais efetuadas a favor de segurado contribuinte individual, continuadamente durante todo o ano de 2008 e 2009, foram considerados como remuneração indireta e base de cálculo para previdência social. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 44 Não se deslembre que de acordo com o inciso IV do art. 7º da CF/88, as despesas de moradia do trabalhador e de sua família devem ser atendidas pelo salário do segurado, mesmo que em seu valor mínimo legal, e não pela empresa, de maneira apartada ao salário do seu funcionário. Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) IV salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (grifos nossos) (...) Por outro viés, mesmo que tais verbas pudessem ser classificadas como “Auxílio Moradia”, o que não é o caso, ainda assim estariam sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que a natureza jurídica de tais rubricas não se subsumem a nenhuma das hipóteses de isenção previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário, a lei é taxativa ao dispor sobre a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo da empresa, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Todos esses ganhos auferidos pelo segurado Sr. Leo Julian Simpson em utilidades inseremse no conceito jurídico de Salário de Contribuição e, nessa qualidade, deveriam ter sido NECESSARIAMENTE declarados nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como nos títulos próprios da contabilidade, como assim determina o art. 32 da Lei nº 8.212/91. Mas não o foram. 2.2. DA ALÍQUOTA DO SAT Alega o Recorrente que a Autoridade Lançadora, ao invés de atribuir a qualidade de contribuinte do SAT/RAT ao estabelecimento, sujeitou a Recorrente na qualidade de empresa como um todo, mesmo diante da existência de estabelecimentos com CNPJ próprios, inclusive identificados no próprio relatório fiscal. Pondera, ainda, que a Fiscalização não se ocupou em verificar quais eram as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente. Não procede. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 916 45 Em primeiro lugar, conforme se observa no Discriminativo de Débito a fls. 05/24, os lançamentos referentes à diferença de alíquota de SAT foram efetuados individualizadamente por estabelecimento da empresa, de acordo com o CNAE Fiscal 6110 8/01 Serviços de telefonia fixa comutada STFC, correspondendo à alíquota de SAT de 2%, na forma estabelecida no ANEXO V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007. De outro eito, o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, dispõe que a contribuição da empresa destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso, será de 1%, 2% ou 3%, para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente de trabalho for considerado leve, médio ou grave, respectivamente. Regulamento da Previdência Social, Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (grifos nossos) §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 46 §6º Verificado erro no auto enquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) §7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º. §8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. §9º A contribuição de que trata este artigo, a cargo da microempresa e da empresa de pequeno porte não optantes pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, corresponde ao percentual mínimo, nos termos do inciso I do art. 17 da Lei nº 8.864, de 28 de março de 1994. (Revogado pelo Decreto nº 3.265/99) §10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) §11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) §12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) §13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º. (Incluído pelo Decreto nº 6.042/2007) De molde a espancar qualquer dúvida, o §3º do transcrito art. 202 esclarece que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. De outro canto, os §§ 5º e 6º do já citado art. 202 do RPS, estipula ser da responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo hoje à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB revêlo a qualquer tempo. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 917 47 Nesse cenário, verificado erro no auto enquadramento, caberá à RFB adotar as medidas necessárias à sua correção, orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. Da leitura dos comandos legais acima ventilados, deflui que a legislação que disciplina a espécie discutida ora nos autos atribuiu à empresa a responsabilidade pelo enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Nessa vertente, a empresa foi intimada mediante o TIF n° 3, a justificar o motivo do uso de alíquota RAT de 1% na GFIP, se o CNAE FISCAL por ela informado era o de código 61108/01 Serviços de telefonia fixa comutada STFC, correspondendo à alíquota de SAT de 2%. A empresa em sua resposta ao TIF N° 3, datada de 04/06/2012, informou: “Reconhecemos o erro apontado no item 3, quando foi utilizada alíquota RAT de 1% na GFIP e no recolhimento da GPS, sendo o nosso CNAE FISCAL 6110801, com alíquota RAT de 2%.” Não procede, portanto, a alegação de que “a Fiscalização não se ocupou em verificar quais eram as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente”. A responsabilidade pelo autoenquadramento é da empresa. Esta informou que o seu CNAE FISCAL era o de código 61108/01 Serviços de telefonia fixa comutada STFC, correspondendo à alíquota de SAT de 2%, e, formalmente, reconheceu o erro na utilização da alíquota de 1%, mostrandose consciente de que a alíquota correta era a de 2%. Como visto, a Fiscalização concedeu à empresa, formalmente, a oportunidade de se manifestar sobre o enquadramento correto de seus estabelecimentos para fins de alíquota de SAT. Na sequência, além de não inovar quanto ao reenquadramento de seus estabelecimentos, a empresa reconheceu formal e expressamente que o enquadramento por ela informado estava correto e que havia operado em erro quanto à utilização da alíquota de SAT de 1%, mostrandose sabedora de que a alíquota correta era a de 2%. Vem agora aos autos o Patrono da Recorrente, sem qualquer fundamento, alegar que a Fiscalização não se ocupou em verificar quais eram as atividades desenvolvidas pelos colaboradores da Recorrente. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 48 2.3. DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA O Recorrente alega inexistir justa causa para a qualificação da multa de ofício. Sem razão, todavia. A majoração da multa de ofício tem por fundamento jurídico o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44, I e §2º, I, da Lei nº 9.430/96, conforme assentado no item 702 do Fundamentos Legais do Débito FLD, a fl. 33. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) No caso em apreço, consta consignado expressamente no item 16.5.5. do Relatório Fiscal, a fl. 67, que a empresa foi por diversas vezes intimada a apresentar diversos documentos à Fiscalização referentes a acordos com regras para pagamentos de PLR, bem como explicações a respeito da aplicação de tais acordos, etc. Diz o Relatório Fiscal: “16.5.5 A empresa foi por diversas vezes instada a apresentar: a) O Acordo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009 em relação aos empregados localizados no estado de São Paulo. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 918 49 b) Explicação sobre qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo. c) Em relação Acordo Coletivo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009 em relação aos empregados localizados no estado do Rio de Janeiro, a empresa não forneceu: c.1) Os valores e o modo como são calculados os indicadores Caixa, Despesas Operacionais e Margem Bruta. c.2) Não forneceu o documento que define a correlação (peso) destes 3 indicadores em relação ao percentual agrupado final. c.3) Porque aplicou o % de salários PPR de 40% para o cálculo do PLR devido aos empregados. Como não apresentou a documentação solicitada, e nem ao menos qualquer esclarecimento escrito, foi aplicada a multa agravada de acordo com o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430 de 27/12/1996 (DOU de 30/12/1996)”. Com efeito, mediante Termos de Intimação Fiscal, a empresa foi formalmente intimada a prestar, por escrito, uma série de esclarecimentos à Fiscalização relacionados ao pagamento de PLR a seus empregados. Anotese que o dever de prestar esclarecimentos à Fiscalização constituise obrigação da empresa, expressamente instituída por lei formal no interesse da arrecadação e da Fiscalização de tributos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 50 de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Merece ser destacado que o agravamento da penalidade pecuniária previsto no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não exige, para a sua incidência, a comprovação de nenhum fim especial de agir por parte do infrator, ostentando, nos termos da Lei, natureza meramente objetiva. Dessarte, a natureza do agravamento da multa de ofício tem viés objetivo, sendo independente de qualquer perquirição do elemento subjetivo da conduta praticada pelo Sujeito Passivo, bastando para a sua aplicação qualificada o mero não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, da intimação para a prestação de prestar esclarecimentos. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por outro eito, o agravamento da multa de ofício independe de qualquer eventual ocorrência de fraude ou de sonegação de tributos por parte do Sujeito Passivo, sendo lhe bastante, suficiente e determinante o objetivo não atendimento, no prazo assinalado, à intimação da Fiscalização de prestação de esclarecimento. Assim, tendo em vista que a empresa não apresentou a documentação solicitada, e tampouco qualquer esclarecimento por escrito, houvese por aplicada a multa de ofício, agravada de acordo com o inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96. O prejuízo do Fisco é evidente na medida em que a não prestação de esclarecimentos à Fiscalização, no prazo por esta determinado, frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do Fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na investigação da conformidade do pagamento da participação nos lucros e resultados com os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/2000, bem como na apuração dos fatos geradores objeto do vertente lançamento, não somente nos documentos e esclarecimentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Dessarte, presentes todas as circunstâncias de fato e de direito previstas no inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, voto pela manutenção do agravamento da multa de ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 919 51 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 52 Voto Vencedor Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado. Multa Agravada. Como já bem destacado no voto do ilustre Relator, a multa de ofício aplicada foi agravada, nos termos do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em sua manifestação, destacou que esta deveria ser mantida, pois o agravamento da penalidade pecuniária não exigira, para a sua incidência, a comprovação de nenhum fim especial de agir por parte do infrator, ostentando, nos termos da Lei, natureza meramente objetiva. Com o máximo de respeito à manifestação do Relator, ouso discordar e acolho como fundamento o pronunciamento do Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que bem representa a tese vencedora: Peço licença ao Ilustre Conselheiro Arlindo Costa e Silva, para divergir parcialmente de seu voto, apenas na parte em que trata da aplicação da multa majorada do artigo 44, Parágrafo 2º, Inciso I, da redação atual da Lei n 9.430/96. Isto porque entendo que as circunstâncias que permitem o agravamento da multa em 50% (de 75% para 112,5%), exigidas pela legislação, não são encontradas nestes autos. A legislação estabelece que os percentuais de 75% e 150% serão aumentados em 50% (sendo, respectivamente, 112,5% e 225%) nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91 ; e (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Ao examinar os autos, em especial, o TIPF constante de fls. 92/96 e TIFs de número 99/100, 103/104, o comprovante de devolução de documentos ao contribuintesde fls. 645/647, além de outros, não verifiquei (i) tentativa do Contribuinte de criar obstáculo à legislação, nem (ii) impedimento / dificuldade para que as Autoridades Fiscais realizassem seu trabalho: o levantamento de informações e a elaboração do lançamento fiscal. Noto que os documentos alegados como faltantes pelas Autoridades Fiscais podem não existir, ou depender de análise de dados e interpretação (metas com diferenciação de 40%), mas em momento algum tornaram impossível ou frágil o lançamento, realizado com base na contabilidade do contribuinte. O voto do Ilustre Relator, bem como do voto constante do Acórdão DRJ 0644.788 7ª Turma da DRJ/CTA – Rel. Dr. Elton Sidnei Izycki, partem de premissa objetiva que ouso divergir, qual seja, que a não apresentação de documento por si só configura a hipótese de agravamento. “O impugnante sustenta que a Fiscalização não demonstrou intuito defraude. Registrese que esse dispositivo legal citado Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 920 53 não consta na fundamentação legal deste lançamento ou da multa aplicada, em nenhum momento a fiscalização fez alusão à ocorrência de sonegação. O que consta das autuações é o agravamento da multa nos termos do inciso I do§2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, nos levantamentos relativos ao pagamento de participação nos lucros e resultados. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a empresa, apesar de intimada para apresentar documentos e prestar esclarecimentos não o fez, o que levou a Fiscalização a aplicar a presente multa: 16.5.5 A empresa foi por diversas vezes instada a apresentar: a) O Acordo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009 em relação aos empregados localizados no estado de São Paulo. b) Explicação sobre qual acordo c aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo. c) Em relação Acordo Coletivo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009 em relação aos empregados localizados no estado do Rio de Janeiro, a empresa não forneceu: c.1) Os valores e o modo como são calculados os indicadores Caixa. Despesas Operacionais e Margem Bruta. c.2) Não forneceu o documento que define a correlação (peso) destes 3indicadores em relação ao percentual agrupado final. c3) Porque aplicou o % de salários PPR de 40% para o cálculo do PLR devido aos empregados. Como não apresentou a documentação solicitada, e nem ao menos qualquer larecimento escrito, foi aplicada a multa agravada de acordo com o inciso Ido parágrafo 2o do artigo 44 da Lei 9.430 de 27/12/1996 (DOU de 30/12/1996). Salientase que aplicação da multa agravada em 50% independente da Fiscalização demonstrar a conduta dolosa por parte da empresa, a conduta infratora resta configurada quando o Contribuinte deixar de apresentar documentos e/ou prestar esclarecimentos solicitados. (fls. 21 e 22 destes autos) Esclareço que aqui não se deve aplicar a redução de multa em função de qualquer princípio constitucional de proporcionalidade ou razoabilidade, o que seria vedado pela Súmula 2 do CARF. Tampouco não viola o artigo 136 do CTN, já que este não trata de responsabilidade objetiva quando tipifica que a conduta “independe da intenção do Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 54 agente”, mas sim subjetiva. Fica excluído o dolo, mas exigida a culpa, conforme lição de Regina Helena Costa, no livro Curso de Direito Tributário, pg. 290/291, Editora Saraiva). E a culpa se daria pela omissão do Inciso I, ou da omissão por ausência / não apresentação dos documentos descritos nos Incisos II e III, do artigo 44, da Lei 9.430/96. Ao pesquisar a jurisprudência, verifiquei que este E. CARF tem diversos julgados nesse sentido, pelo que transcrevo alguns deles abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. (...) PERCENTUAL DE MULTA. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e também deste CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte". (Processo 11634.000913/201076 – Relator Márcio Henrique Sales Parada – Acórdão 2801003.934 – Data da sessão: 21/01/2015) “O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. (...) Com isso chegase a conclusão que a mera não entrega de documento, por si só, não autoriza a qualificação, quando possível ao auditor de forma, simples, valer de outros documentos apresentados pelo recorrente para apurar a base de cálculo e montante devido.” (Processo Administrativo 16095.720400/201213 Acórdão nº 2401003.179– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2013, Recurso Voluntário Provido em Parte) (todos os negritos são nossos) Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 2302003.537 S2C3T2 Fl. 921 55 Pelas razões expostas, Sra. Presidente, reitero meu pedido de vênia ao Ilustre Conselheiro Relator, para dele divergir parcialmente, e assim reformar a decisão da 7ª Turma da DRJ/CTA, apenas no que se refere à aplicação da multa majorada do artigo 44, Parágrafo 2º, Inciso I, da Lei 9.430/96, e nesse ponto, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de ofício a 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do artigo 44, Inciso I, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007. É como voto. LEO MEIRELLES DO AMARAL – Conselheiro Suplente Assim, em pleno acatamento ao pronunciamento do Conselheiro Leo Meirelles do Amaral, que bem representa a tese vencedora, voto por reformar a decisão da 7ª Turma da DRJ/CTA, apenas no que se refere à aplicação da multa majorada do artigo 44, § 2º, I, da Lei 9.430/96, e nesse ponto, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de ofício a 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do artigo 44, Inciso I, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007. É como voto. André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 15374.923102/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1439; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 303 1 302 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.923102/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.551 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria PIS Recorrente BUREAU VERITAS DO BRASIL SOCIEDADE CLASSIFICADORA E CERTIFICADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 31 02 /2 00 9- 71 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/200971 Acórdão n.º 3402002.551 S3C4T2 Fl. 304 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de PIS, atinente ao período de apuração 03/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 03/07). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 09), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o PIS, no montante de R$24.960,57 está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$23.747,03. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 03/07), no valor de R$1.213,54 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.792 (fls. 64 a 66), de 19/11/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado.. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 03 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso voluntário. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 06) onde, segundo o recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$1.213,54. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 140 (n.e.), através da Resolução nº 3402000.295, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/200971 Acórdão n.º 3402002.551 S3C4T2 Fl. 305 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 147, na data de 29/10/2013, às fls. 153 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 278, o contribuinte, às fls. 283, manifestouse acerca do relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 295 (duzentos e noventa e cinco), estando, portanto apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior – Relator, Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/200971 Acórdão n.º 3402002.551 S3C4T2 Fl. 306 7 Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 15540.720195/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
RELATÓRIO
Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40.
No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada.
Segundo relatou a autoridade fazendária diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc..
A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53).
Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84).
Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009.
Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários.
Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto.
Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço.
Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99.
Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão.
Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ):
A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão.
Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva.
Os relatórios gerenciais da contribuinte eram enviados mensalmente ao Sr.
Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas.
Os relatórios gerenciais eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega.
A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira RMF ao Banco Unibanco, requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente.
Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741).
Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é absolutamente falsa. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas.
Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco.
O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários.
De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto.
Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período.
Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40.
A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque.
No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada.
Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON.
O auditor fiscal ainda relatou que as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda.,
onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal.
Assim, a autoridade fazendária asseverou que em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada.
Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha.
A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982).
De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos.
Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional.
No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr.
Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um laranja. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo.
Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois.
No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal.
Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta.
Relatou que é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc. Em seguida, esclareceu que esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos.
Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo.
Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido.
Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial.
Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058).
Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada.
Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação.
A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento.
Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa.
No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário.
A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc..
No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável.
A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos.
A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente.
Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão.
O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101).
Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos.
No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros.
Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado.
Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização.
Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro.
Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise.
Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005.
Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%.
Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.. A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas. Os relatórios gerenciais eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira RMF ao Banco Unibanco, requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente. Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é absolutamente falsa. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um laranja. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc. Em seguida, esclareceu que esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. VOTO
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 19 5/ 20 12 -1 0 Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no anocalendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária “diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”. A SAPAC verificou que referente ao anocalendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOFcrédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao anocalendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOFcrédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anoscalendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 4 3 intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimouse ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao anocalendário de 2009, contendo lançamentos diaadia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 – Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”. Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira – RMF ao Banco Unibanco, “requisitando, além dos extratos de movimentação de contacorrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a contacorrente”. Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 5 4 Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestarse sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referemse a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é “absolutamente falsa”. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada “com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificouse omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurouse o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificouse omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao anocalendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 6 5 apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerouse para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contradenúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anoscalendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, anocalendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontrase eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 7 6 pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um “laranja”. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho “devese ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc.” Em seguida, esclareceu que “esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como ‘rendimento’, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração”. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldálo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 8 7 Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao anocalendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o anocalendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado referese ao anocalendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o anocalendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum “contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.”. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 9 8 Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontrase acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que “a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros”. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, “os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 10 9 VOTO Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. .É como voto. (documento assinado digitalmente) Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 11 10 Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13971.005271/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004
Ementa:
IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3403-003.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 71 /2 00 9- 62 Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 15/12/2009 (fls. 1099 a 1109, com ciência em 16/12/2009 fl. 1101)1 para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (de dezembro de 2003 a novembro de 2004), acrescido de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 1.144.447,80), por falta de recolhimento em virtude de dedução de créditos indevidos. No Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 1111 a 1113, narra a fiscalização que: (a) a ação fiscal tratou também da análise de PER/DCOMP (de final 7403), tratado no processo administrativo no 13971.005271/200962; (b) durante o procedimento, apurouse que a empresa escriturou de julho/1999 a novembro/2004 créditos “fictos” de IPI (oriundos da aquisição de insumos não onerados, tributados à alíquota zero, não tributados ou isentos), utilizandoos na dedução do IPI apurado e devido nos respectivos períodos, conforme se registra no LAIPI, acarretando falta de recolhimento de julho/1999 a outubro/2004 e recolhimento a menor em novembro/2004; (c) intimada a justificar os créditos, a empresa informou estar amparada por decisão judicial (fls. 1040/1079); (d) ocorre que a demanda, além de não estar definitivamente julgada, prestase a tema diverso: apurar créditos em relação a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos desonerados do tributo; e (e) tornase assim devida a quantia indevidamente abatida com os descontos dos créditos “fictos” de IPI. A empresa apresenta sua impugnação em 22/12/2009 (fls. 1136 a 1154), sustentando basicamente que: (a) houve decadência em relação aos débitos anteriores a novembro de 2004, conforme art. 150, § 4o do CTN, tendo havido pagamento antecipado; e (b) “caso se entenda que os valores declarados em DIPI e DCTF configuram confissão de débito passível de exigência, importa ressaltar que também encontramse extintos, pela prescrição). Em 27/02/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1170 a 1173), no qual se decide unanimemente pela procedência parcial da impugnação, sob os argumentos de que: (a) com base no LAIPI, verificase que não houve pagamento de IPI até outubro de 2004, e que nos períodos de novembro de dezembro de 2004, embora seja registrado débito, não há prova de realização de pagamentos; (b) opera, assim, a regra do art. 173, I do CTN, configurandose a decadência para os fatos geradores de dezembro de 2003; (c) não há que se falar em prescrição, pois a exigibilidade do crédito lançado está suspensa por iniciativa do sujeito passivo, que apresentou impugnação à autuação; e (d) não há defesa em relação ao mérito (deduções de créditos “fictos” de IPI), não se instaurando o litígio, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972. Cientificada do acórdão da DRJ em 10/04/2013 (cf. AR à fl. 1182), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/04/2013 (fls. 1184 a 1201), no qual reitera os posicionamentos externados na impugnação, acrescentando que “mesmo não tendo havido o pagamento, é possível haver a homologação de toda a atividade desenvolvida pelo contribuinte para apurar o crédito tributário”. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/200962 Acórdão n.º 3403003.416 S3C4T3 Fl. 1.236 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como já destacado na decisão de piso, a recorrente sequer discute o mérito da autuação, concentrando sua argumentação de defesa tão somente na preliminar de decadência (com linha alternativa defendendo a prescrição). Em relação à decadência, afirmava a empresa na impugnação que tendo havido pagamento antecipado, a regra aplicável era a do art. 150, § 4o do CTN. Em sede recursal, ao mesmo tempo em que mantém tal linha, sustenta que “mesmo não tendo havido o pagamento, é possível haver a homologação de toda a atividade desenvolvida pelo contribuinte para apurar o crédito tributário”, não apresentando qualquer documento que comprove ter havido pagamento no período autuado. Não merece prosperar tal entendimento, que somente pode ser encontrado em vetusta jurisprudência administrativa (como a trazida no recurso voluntário). Diante da ausência de pagamento antecipado, aplicável é a regra do art. 173 do CTN, conforme entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Nesse sentido já decidiu recentemente esta 3a Turma Ordinária de forma unânime (inclusive com a composição atual): “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/200962 Acórdão n.º 3403003.416 S3C4T3 Fl. 1.237 5 obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403002.298, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria,sessão de 25.jun.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.106 e 107, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime,sessão de 23.jul.2014; e o Acórdão no 3403003.305, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria,sessão de 14.out.2014) E uma simples pesquisa no sítio web do CARF permite a verificação de que a matéria está realmente assentada no CARF, mas em sentido oposto ao que prega a recorrente (v.g. Acórdãos no 3101001.267, 3302002.589, 3403002.767, 9202003.060, 9303002.849 e 9303002.857). Ademais, é vedado ao julgador, pelo Regimento Interno do colegiado, oporse ao entendimento expresso pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Quanto à argumentação alternativa de que houve prescrição, também não merece acolhida, seja porque não se verifica estarem os débitos regularmente declarados em DCTF, seja porque, como destacou o julgador de piso, foi lavrada autuação, constituindo o crédito, que está em processo de discussão administrativa, inibindo a ocorrência da prescrição. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003958/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000
UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA.
Mostra-se dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus.
IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO.
A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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E SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 ATO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Na esteira do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, os vícios que acarretam a nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do direito de defesa quando é franqueado ao contribuinte o acesso a todos os documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostrase dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 58 /2 00 4- 19Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de multa regulamentar prevista no art. 83, caput e inciso I, da Lei n° 4.502/1964, alterada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68. Tendo em conta a riqueza de detalhes e a necessária transcrição minuciosa dos fatos ensejadores do lançamento, para confecção do presente aresto, adoto parte do relatório da decisão de primeiro grau administrativo, verbis: “De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, as empresas autuadas, TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. (TCE), SDW Serviços Empresariais Ltda. (SDW) e Brazshipping Marítima Ltda. consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. Segundo afirma a fiscalização, foram cometidas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, ficando as autuadas sujeitas à multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, conforme demonstrativo anexo, de fls. 632 (Volume 3). 3. Ainda conforme o relatório da fiscalização, são prestados os seguintes esclarecimentos: Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 11 3 3.1 a fraude consistiu, principalmente, na falsificação e adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas. As infrações constatadas são referentes a operações de importação ocorridas em 2000; 3.2 a TCE e a SDW foram diversas vezes autuadas por falsificações e adulterações de documentos necessários ao despacho aduaneiro; 3.3 para ilustrar como ocorriam as fraudes, são utilizados como paradigma os procedimentos de números 10283.002649/200421 (fls. 2043) e 10283.002594/200450 (fls. 4457), haja vista que a organização criminosa seguia a mesma rotina há vários anos, o que quer dizer que as fraudes apuradas não diferem substancialmente; 3.4 no processo n° 10283.002594/200450 verificouse que a invoice n° C290109 (etiqueta 1 B, fls. 51) foi emitida pela empresa JEAN CO. LTD., situada em Taiwan, acobertando mercadorias exportadas ao Brasil para a empresa TCE, no valor de USD 592,000.00 e que nela há ordem administrativa para superfaturar os preços dos produtos em 30%, retirandose USD 3,000.00 do valor superfaturado; 3.5 há descrição resumida e genérica das mercadorias estrangeiras e o Term of Payment de 0/A45 days; 3.6 a essa invoice, relacionase o conhecimento marítimo n° PK/MAN 0030/99 (etiqueta 1E, fls. 56) que também aponta como shipper a JEAN CO. LTD.; 3.7 há outra via da invoice n° C290109 (com etiqueta 1A, fls. 4550) emitida pela Kelsey Commercial S/A, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido Paraíso Fiscal, acobertando as mesmas mercadorias, porém, com o valor superfaturado em 30%, retirados os USD 3,000.00, e com descrição especifica itemizada; 3.8 nesta via, o Term of Payment declarado é ‘ADVANCE PAYMENT US$ 610,000.00 + DRAF AT SIGHT US$ 156,000.00’, ou seja, esse documento foi emitido no Brasil, conforme o número e ordem referida na outra invoice (com etiqueta 1B, fls. 51), pois esta via tem descrição específica das mercadorias, necessárias à fruição dos benefícios fiscais, valor 30% maior e simulação do exportador; 3.9 a esta invoice irregular, corresponde outra via do conhecimento n° PK/MAN 0030/99 (com etiqueta 1F, fls. 57), que também aponta como shipper a empresa Kelsey Commercial S/A, nas Ilhas Virgens Britânicas; 3.10 as vias da invoice e do BL estão em duplicidade e com dados controversos; 3.11 o despacho aduaneiro foi instruído pelas vias falsas/adulteradas da invoice (etiqueta 1A, fls. 4550) e do BL (etiqueta 1F, fls. 57), tendo em vista que as informações do valor, do exportador, do termo de pagamento e da descrição das mercadorias na Declaração de Importação correlata n° 99/09608740 (fls. 5255), são aquelas constantes de ambos os mencionados documentos irregulares; 3.12 a operação cambial decorre dos dados informados na DI, de modo que o fechamento de câmbio se deu conforme os dados simulados, enviandose divisas para o paraíso fiscal, Ilhas Virgens Britânicas, por meio do superfaturamento das importações e simulação do exportador; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 3.13 o dolo fica caracterizado nas mensagens eletrônicas de fls. 6479 e 183 322; 3.14 no processo n° 10283.002649/200421, como nos demais processos e neste Auto de Infração, há a invoice n° M291297 (etiqueta 1B, fls. 33) emitida também pela empresa JEAN CO. LTD. acobertando mercadorias no valor de USD 74,817.00, correspondente ao BL n° NYKS490267373 (etiqueta 1E, fls. 40) indicando como shipper a JEAN (M) SDN. BHD; 3.15 a via falsa (etiqueta 1A/1, fls. 2732) simula a emissão pela Kelsey Commercial S/A, totalizando USD 97,262.10 e os outros itens, como terms of Payment, também foram simulados; 3.16 referente à via falsa/adulterada da invoice, também há outra do BL n° NYKS490267373 (etiqueta 1F, fls. 41) do qual consta como shipper a KELSEY COMMERCIAL S/A; 3.17 há mais uma via da invoice falsa/adulterada (etiqueta 1A, fls. 2126), ou seja, três vias diferentes da mesma invoice; 3.18 ainda nesse processo, foi apurado que, em diversas ocasiões, era simulado o nome do importador, ora sendo a TCE, ora a SDW, citandose como exemplo o BL NYKS490261769, em que, numa via (etiqueta 2E, fls. 42), o consignee (importador) é a TCE e na outra via é a SDW (etiqueta 217, fls. 43); 3.19 no jogo de documentos de fls. 685802 (volume 3), há a invoice verdadeira ("B"), n° C290123 (fls. 700), acobertando mercadorias no valor de US$ 1.300.000,00, com prazo para pagamento de 0/45 days, emitida por JEAN CO. LTD., sediada em Taiwan, com ordem para superfaturar em 30% as mercadorias; 3.20 há ainda a fatura "A" (fls. 685699), emitida pela KELSEY COMMERCIAL S.A., sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, com valor superfaturado em 30% em relação à via verdadeira (US$ 1.687.400,00), com prazo para pagamento ‘advanced payment US$ 629,200,00 / Suplier credit US$ 1.058.200,00’, tendo o mesmo número da invoice verdadeira; 3.21 existe a participação do representante nacional do transportador estrangeiro, Brazshipping Marítima Ltda, que emitiu o Conhecimento de Carga n° PK/MAN 0038/99 (fls. 802), do qual consta como shipper a empresa Kelsey, de acordo com os dados da invoice "A" falsificada/adulterada, embora houvesse emitido outro BL com o mesmo número (fls. 801), no qual consta como shipper JEAN (M) BND, tendo recebido em 12/01/2000 por facsimile; 3.22 na via falsa/adulterada do conhecimento de carga consta o carimbo da Brazshipping Marítima Ltda (fls. 802); 3.23 a TCE e a SDW são vinculadas ao grupo CCE, acusado de fraudar o regime ZFM; 3.24 as simulações, fraudes e dolo também estão provados em dois relatórios: o primeiro emitido em 08/08/2003 (fls. 5879) e o segundo expedido em 13/01/2004 (fls. 80386); 3.25 conforme citados relatórios, a TCE e SDW foram constituídas com a finalidade específica de fraudar o Estado sendo geridas por um único grupo de pessoas; 3.26 o esquema continua em atividade, haja vista ter sido aberta filial paulista da SDW, em 03/11/2003, cujo diagnóstico fiscal era ‘irregular’, à época, e atualmente é ‘regular’, e ter sido alterada a razão social da TCE, em 11/10/2003; Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 12 5 3.27 tanto a matriz da TCE, localizada em Manaus, quanto a filial paulista estão com o diagnóstico fiscal ‘irregular’; 3.28 embora a inexistência fática das autuadas TCE e SDW tenha sido comprovada pela Receita e pelo Ministério Público Federal e de já ter sido proposta a inaptidão de ambas as empresas, o grupo investigado continua a operar; 3.29 as alterações processadas nos cadastros e na composição societária das autuadas, TCE e SDW, são atos que visam apenas livrar as pessoas físicas relacionadas nos dois relatórios antes mencionados das penalidades legais (os fatos aqui verificados foram praticados em 2000, não sendo, alcançados por esses atos); 3.30 após ter sido iniciada esta investigação, autorizada pela Justiça Federal, o bloco SDW/TCE tem realizado diversas mudanças no seu quadro social visando não vincular nomes de sócios ilustres ao esquema existente desde 1998 pelo menos; 3.31 os fraudadores falsificaram invoices e conhecimentos marítimos de diversas empresas, até de grupos transnacionais famosos mundialmente; 3.32 dentre outras provas, juntamse as invoices falsificadas e adulteradas da General Eletric Company (fls. 394397), sendo que as respectivas vias verdadeiras dos documentos estão juntadas as fls. 398401; 3.33 a GE Plastics afirma que não emitiu as faturas internacionais falsificadas, quando respondeu aos expedientes oficiais (fls. 390393), daí que foi a TCE/SDW quem o fez; 3.34 os documentos estão agrupados em jogos numerados (fls. 632), sendo que, depois do número do jogo, as invoices falsas estão etiquetadas com a letra "A", a original/verdadeira com "B", o packing list regular com "C", a DI correlata com o signo ‘D’ e o conhecimento com "E"; 3.35 todas as vias falsificadasadulteradas (A) seguem o modelo tipográfico (fls. 389), não trazendo quaisquer verossimilhanças com a originalverdadeira (B); 3.36 todas as faturas que têm esta tipografia são falsas (fls. 389); 3.37 é fácil comprovar as fraudes, bastando cotejar a invoice "A" (via falsa/adulterada utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada com "B" (a original/verdadeira, emitida pelo exportador), por onde se constata que as diferenças são gritantes; 3.38 os documentos estavam arquivados juntos, quando foram apreendidos em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.45953; 3.39 o esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados aqui segue o roteiro já identificado em ocorrências anteriores, que envolvem a empresa CCE e outras do grupo, como a DM, tendo por intuito fraudar os cofres públicos e o regime da Zona Franca de Manaus; 3.40 constam deste esquema pessoas físicas que são sócias em várias indústrias importadoras situadas na ZFM, dentre elas a TCE e a SDW; 3.41 as pessoas que comandam o esquema estão listadas as fls. 424454 e os nomes dos comandados constam do primeiro relatório (fls. 5879) e do segundo (fls. 80386), sendo estes os responsáveis pela operacionalização das fraudes; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 3.42 há procedimentos provando a falsificação/adulteração de invoices e conhecimentos marítimos, envolvendo também o transportador internacional das cargas nos episódios irregulares e, por isso, em alguns casos, foram autuados, concomitantemente, as empresas TCE, SDW e diversos transportadores marítimos, quando se provou também a falsificação de conhecimentos marítimos; 3.43 as empresas TCE e SDW têm sócios vinculados a outras empresas fraudadoras do regime da ZFM, que também por meio da emissão de invoices e de BL falsos, introduziram mercadorias estrangeiras irregularmente no País, consumindoas e/ou entregandoas a consumo posteriormente; 3.44 como exemplo inicial das vinculações, além de as empresas TCE e SDW haverem funcionado no mesmo local físico (imóvel de propriedade da CCE), citase o fato de o Sr. Isaac Sverner, figura central na constituição de sociedades que cometeram vários ilícitos na Zona Franca de Manaus, ser sócio majoritário da empresa TCE; 3.45 complementando o esquema, um dos sócios da SDW, Sr. Raphael Ades, mantém vinculo familiar com o Sr. César Ades, que é parceiro do Sr. Isaac Svemer na TCE; 3.46 é um ciclo fraudador e vicioso que, ao que tudo indica, controlava também a empresa beneficiária das remessas de divisas (geralmente a Kelsey Commercial S/A nas Ilhas Virgens Britânicas), pois constam tomadas de decisões administrativas relativamente a esta entidade nas correspondências anexadas aos relatórios; 3.47 conforme se constata na cláusula 45 do contrato social da empresa SDW (fls. 624625), esta era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela TCE; 3.48 o art. 136 do Código Tributário Nacional; art. 438 do Decreto n° 2.637/1998 e art. 95, inciso I, do Decretolei n° 37/1966, capitulam as ações irregulares, nos quais, verificase que a infração tributária é objetiva; 3.49 houve simulação/fraude/dolo na constituição e gerência das empresas TCE e SDW; 3.50 As simulações, fraudes e dolo estão também provadas nos dois relatórios juntados, em cujos expedientes há correspondências eletrônicas, provando a organização hierárquica do esquema e a vontade explicita de lesar a economia nacional; 3.51 as empresas SDW e TCP são uma única empresa a mesma unidade econômica formalizada desta forma bipartida tãosomente para fraudar o Erário e para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela Suframa, por meio de aprovação de dois Processos Produtivos Básicos (PPB) distintos; (...) 3.55 a SDW e a TCE são uma só empresa formalizada por pessoas físicas vinculadas entre si; 3.56 o parágrafo único, da clausula 45 de uma das vias do contrato social da empresa SDW (fls. 607626), nomeia como diretores delegados para exercerem o comando administrativo da citada empresa as mesmas pessoas fisicas responsáveis pela TCE, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades; 3.57 as empresas TCE e SDW tinham como administradores as mesmas pessoas físicas; Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 13 7 3.58 nos relatórios de Diligência Fiscal (fls. 507585) consta que: a SDW e a TCE estavam estabelecidas no mesmo imóvel, tratandose, de fato, de uma única empresa; o endereço 21A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na realidade, um único imóvel com divisões internas, ocupadas por essas pessoas jurídicas; o imóvel encontrase, atualmente, sublocado à WMTM Equipamentos de Gases Ltda., pelo Sr. Romero Reis, o qual é locatário do imóvel locado pela CCE da Amazônia, proprietária do imóvel; considerandose os dois endereços em que estiveram estabelecidas, num mesmo período de tempo e as declarações do Sr. Wilson César da C. Couto e também a inveracidade da existência do endereço de número 21A, verificamse indícios de que havia um propósito fraudulento na atuação das pessoas jurídicas, pelo artifício de se passarem por empresas distintas; (...) 3.80 a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), sempre em língua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, tendo como motivo dessa simulação fazer com que as mercadorias se enquadrem no PPB aprovado pela Suframa (fls. 455 506); 3.81 as correlatas vias originais/verdadeiras, que estão seguidamente anexadas às falsas (fls. 398401), têm a mesma numeração das vias falsificadas/adulteradas, embora sejam completamente diferentes das ‘fabricadas’, conforme o modelo tipográfico para falsificação (fls. 389); 3.82 o escritório da Receita Federal nos Estados Unidos (fls. 391) e a Procuradoria da República no Amazonas (fls. 390) remeteram ao grupo General Eletric (GE), questionamentos sobre a emissão das invoices nos 0370025201 (fls. 394), 0370025401 (fls. 395), 0370025501 (fls. 396) e 0388365601 (fls. 397), das quais constam a marca oficial e a suposta subscrição de funcionário daquela empresa; 3.83 a GE Plastics (fls. 392393), referindose às vias de acordo com o modelo de fls. 389, respondeu: ‘As três faturas que V. Sas. anexaram à carta não são as faturas originais que a GE Plastics apresentou ao Banco Boa Vista Inter Atlântico para estas três transações de importações (...)” (...) 3.93 a empresa Brazshipping atuou perante a Alfândega do Porto de Manaus como representante regular e legal do transportador internacional no Brasil (Sasia), conforme comprovam os cartões de credenciamento as fls. 884896, devendo ser considerada como parte legitima para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, por ser responsável pelos atos praticados pelo representado; 3.94 no BL falso consta o carimbo da empresa Brazshipping, com a assinatura do seu representante (fls. 676, 684, 802); 3.95 o transporte de mercadorias subordinase a várias regras legais, que embutem no desempenho da atividade uma série de deveres, como por exemplo, a declaração da natureza da mercadoria no conhecimento marítimo (BL), realizada pelo transportador, deve estar de acordo com o produto que está sendo transportado; (...)” Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Em impugnação a Brazshipping Marítima Ltda. destacou que se limitaria a rebater a sua inclusão no pólo passivo, bem como, a imputação da responsabilidade tributária solidária; que o auto de infração seria nulo por falta de clareza quanto à norma por ela violada, que a adulteração dos conhecimentos de transporte (BL) não foi provada, mas baseada apenas em indícios; que a legislação permite a alteração/correção de tais documentos; que é equivocado o entendimento que o armador da embarcação ou seu representante tenham contribuído para a consumação do ilícito; que sua responsabilidade se restringiria ao transporte de mercadorias desacompanhadas da documentação comprobatória de sua origem; que, na condição de agência representante, seria simples mandatária do armador estrangeiro; que o termo de responsabilidade assinado não possuiria amparo jurídicolegal; e que não haveria qualquer interesse jurídico comum em relação às demais autuadas. As empresas TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. (TCE) e SDW Serviços Empresariais Ltda. (SDW) alegaram a inocorrência das infrações apontadas pela autuação; que não haveria qualquer irregularidade na formação societária das pessoas jurídicas; que o conceito de fraude encontrase inserto no art. 72 da Lei nº 4.502/64; que as normas interpretativas devem ser aplicadas restritivamente; que a caracterização do dolo exige a demonstração do diferimento, redução ou supressão do tributo; que a fiscalização parte de suposições e presunções para atingir suas conclusões; que as faturas tidas como falsas são documentos “pro forma”, emitidas para atender às exigências aduaneiras, sendo procedimento corriqueiro nas transações comerciais internacionais; que a fatura “pro forma” emitida pelo exportador estrangeiro nem sempre traz as informações necessárias ao preenchimento da declaração de importação; que os elementos divergentes entre as faturas, detectados e relacionados pela autuação, não levam à conclusão de falsidade dos documentos; que entre os documentos, mormente à luz das respostas fornecidas pela GE Plastics, existiriam apenas erros administrativos na confecção das faturas “pro forma”, o que não implicaria a imposição da multa prevista no art. 463, I do RIPI/98; que não se tratariam de importações clandestinas, fraudulentas ou irregulares; que não houve irregularidades na importação; que a regularidade das operações estaria comprovada; que, a seu tempo, o desembaraço das mercadorias sem qualquer exigência seria prova da inexistência da fraude; que ambas as pessoas jurídicas foram regularmente constituídas e são independentes na consecução de suas atividades, além, de possuírem objetos sociais distintos; que a fiscalização reconheceu a existência de duas empresas distintas com linhas de produção autônomas; que a legislação permite o funcionamento de duas empresas em um mesmo endereço, assim como o compartilhamento da mesma área; que não houve devolução da documentação apreendida em operação específica, em verdadeiro cerceamento do direito à ampla defesa, motivo pelo qual o lançamento seria nulo; que a prova da infração foi obtida por meio ilícito; que houve violação a dispositivos da Lei nº 9.784/99; e, que não foi demonstrado o interesse comum a justificar a responsabilidade tributária solidária entre as autuadas. Posteriormente foram protocoladas petições pugnando pela juntada de parecer jurídico e outros documentos que autorizariam as impugnantes TCE e SDW a emitirem as faturas comerciais “pro forma”, o que viria a corroborar a inexistência da fraude. A DRJ Fortaleza/CE manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: “PARECER JURÍDICO APRESENTADO APÓS O DECURSO DO PRAZO IMPUGNATÓRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de argumentos apresentados, na forma de parecer, após o transcurso do prazo impugnatório. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 14 9 ARGÜIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FORNECIMENTO DE CÓPIA DA PROVA DOCUMENTAL. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que não foi devolvida a documentação apreendida no curso da ação fiscal, uma vez que a prova documental em que se baseou o auto de infração encontrase acostada aos autos possibilitando o exame por parte da defendente. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não há que se falar em nulidade quando o auto de infração está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada e instruído com os elementos de prova em que se baseou o lançamento. LICITUDE DA PROVA. BUSCA E APREENSÃO. A assinatura do representante legal da empresa no termo circunstanciado da busca e apreensão não é requisito exigido pela lei, de modo que a sua ausência não torna ilícita a prova obtida, estando referido documento assinado por duas testemunhas. A descrição genérica, no citado termo, dos documentos apreendidos, não invalida a prova colhida, quando posteriormente é realizado o exame de toda a documentação, detalhandose o seu conteúdo. LEGITIMIDADE PASSIVA. Estando comprovado nos autos que o agente marítimo atuou efetivamente como representante do transportador estrangeiro, tornase responsável solidário, por expressa determinação legal. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada pela defendente juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Deve ser indeferido o pedido de diligencia quando prescindível para instrução do processo e solução do litígio. É descabida a juntada de documentos impertinentes à matéria discutida nos autos. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. FALSIFICAÇÃO DE FATURA COMERCIAL E CONHECIMENTO DE CARGA. Comprovada a falsidade das faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação, com vista à obtenção de vantagens indevidas, fica caracterizada a importação fraudulenta, sujeitando o importador à multa prevista na legislação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Respondem solidariamente pela infração aqueles que, de qualquer forma, concorram para sua prática, ou dela se beneficiem. Lançamento Procedente” Devidamente cientificados os contribuintes TCE e SDW interpuseram recurso voluntário conjunto onde sustentaram, preliminarmente, i) a nulidade da decisão proferida em Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 face da participação, no julgamento, de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos não vinculados ao lançamento, falta de juntada de documentos solicitados pela empresa; e, ii) cerceamento do direito de defesa pela falta de acesso aos documentos e utilização de prova ilícita. No mérito, principiou fixando a acusação fiscal – importação fraudulenta –, em seguida discorreu sobre o conceito de fraude e as regras atinentes às normas sancionatórias para concluir pela sua inocorrência no caso dos autos; defendeu a inaplicabilidade da multa por fraude à importação, por entender inexistente uma “importação”, propriamente dita, na entrada de produtos na ZFM, referenciando a parecer juntado; asseverou a inaplicabilidade da multa administrativa infligida por ausência de tipicidade; rechaçou a existência de irregularidades nas operações efetuadas; acentuou a regularidade na constituição das pessoas jurídicas, destacando que a própria fiscalização, quando do procedimento de vistoria realizado, reconheceu a existência de linhas de produção autônomas; e, por fim, que não haveria que se falar em empresas coligadas, bem assim, que está revestida de plena legalidade o funcionamento de pessoas jurídicas distintas no mesmo endereço. Brazshipping Marítima Ltda., cientificada em 16/05/2006, por via postal (fl. 1.273), protocolizou diretamente neste Conselho Administrativo peça recursal inominada, em 07/11/2012, onde requer manifestação e posicionamento quanto à sua legitimidade passiva, questão que deve ser conhecida ex officio por se tratar de matéria de ordem pública. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Preliminarmente, manifestome quanto à peça patrocinada pelo contribuinte Brazshipping Marítima Ltda., descabendo qualquer debate quanto à perempção de seu direito a recurso, bastando a referência ao intervalo de aproximadamente 06 (seis) anos entre a petição e a ciência da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável. A intempestividade é chapada. Acerca da justificativa apresentada para não interposição do competente recurso voluntário impossibilidade de realização do depósito recursal , é bem verdade que esta exigência consubstanciava requisito de admissibilidade do recurso, entretanto, esta verdadeira “garantia de instância” foi suprimida pelo Supremo Tribunal Federal pela Súmula Vinculante nº 211, publicada no Dje nº 210 de 10/11/2009 (DOU de 10/11/2009, pág. 1), e, no entanto, o contribuinte somente protocolizou esta “reclamação” em 07/04/2012, sem deduzir qualquer motivo para tal demora. Ora, se o depósito recursal era o motivo para não apresentação do recurso, a fluência de quase 40 (quarenta) meses entre a extinção do requisito e o protocolo da peça sub examine, por si só, lança por terra qualquer possibilidade de acolher o argumento. No tocante ao reconhecimento de ofício pela autoridade julgadora administrativa da legitimidade para figurar no pólo passivo do lançamento, por ser questão de ordem pública, equivocase o reclamante em sua premissa, posto que, sendo o direito tributário, assim como o direito penal, legislação de exceção2, uma vez que restringe direitos 1 "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo." 2 Daí porque a submissão, dentre outros, ao princípio da tipicidade cerrada e da reserva legal, dentre outros. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 15 11 constitucionais magnos – a liberdade e a propriedade –, tudo o que dissesse respeito à exigência tributária, segundo este raciocínio, seria caracterizado como matéria de ordem pública, de sorte que o procedimento contencioso dispensaria qualquer formalidade e todos os processos administrativos deveriam ser encaminhados para revisão, independente do interesse do contribuinte em recorrer. A meu sentir, a pretensão do contribuinte configura, na verdade, revisão de ofício e não julgamento administrativo, o que exigiria, nos termos do art. 145 do Código Tributário Nacional, a verificação de quaisquer das hipóteses do art. 149 do mesmo diploma para sua realização, o que não vislumbro no presente processo. Demais disso, aludida revisão de ofício, se cabível, seria atribuição do próprio órgão do qual emanou o ato administrativo. De outra banda, os arts. 33 e 37 do Decreto nº 70.235/72, são taxativos ao estabelecer que o julgamento em segunda instância farseá de acordo com o regimento interno do CARF, bem assim, prevêem a necessidade do competente recurso voluntário, total ou parcial, formalmente hígido e protocolado dentro do prazo de trinta de dias da ciência da decisão de piso, para manifestação das turmas julgadoras componentes deste sodalício. Neste sentido é a redação do art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09: “Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” (destacado) Como se observa, não se encarta dentre as atribuições deste Conselho Administrativo o exame de petições ou reclamações que busquem o exame de questões não regularmente recorridas, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e do RICARF, ainda que sob o pálio de se tratar de supostas questões de ordem pública. Com estas considerações, voto por não conhecer da petição apresentada. Na seqüência, relativamente ao recurso manobrado por TCE/SDW, em conjunto, confirmase sua tempestividade, bem como, o preenchimento dos demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Cumpre, inicialmente, enfrentar as questões preliminares opostas, o que, em função da quantidade de vícios apontados, será realizado pela sua apartação em rubricas distintas: vícios formais e vícios materiais. 1 PRELIMINARES 1.1 VÍCIOS FORMAIS Sob este título serão analisadas as alegações de nulidade da decisão proferida em face da participação no julgamento de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos não vinculados ao lançamento e a falta de juntada de documentos solicitados pela empresa. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Neste passo, mostrase improcedente o reclamo quanto ao pretenso impedimento de julgador, eis que, segundo o recurso, o AFRFB Luis Carlos Maia Cerqueira, na qualidade de Inspetor da Alfândega do Porto de Manaus, teria assinado o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF do procedimento fiscal que culminou no lançamento sob vergasta, contudo, examinando o documento juntado pelo recorrente, verificase que não há vinculação direta entre aludido documento e o lançamento ora combatido, bastando verificar que os auditores fiscais designados não são os mesmos que lavraram o auto de infração, revelando tratarse de procedimentos fiscais distintos a que se submeteram os recorrentes. Demais disso e diversamente do que defendem, o “impedimento” a que se refere o regimento interno da SRF citado exige a participação efetiva da autoridade administrativa na ação fiscal, o que não se dá pela simples emissão do MPF, que, por si só, não deflagra o início do procedimento fiscal, mas tão somente determina a sua execução, daí porque não há que se falar em “impedimento”. Como pacificado ainda à época dos Conselhos de Contribuintes, o procedimento fiscal, nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal, tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo, ou seu preposto, da obrigação tributária, o que não deve ser confundido com a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Da mesma forma, não merece acolhida a alegação de nulidade da decisão recorrida por ausência de manifestação sobre parecer jurídico e razões complementares. A uma, porque parecer é opinião técnica sobre determinado assunto e, como tal, não se qualifica como prova, daí porque não tem de ser objeto específico de julgamento, muito menos sopesado na fundamentação da decisão; e, a duas, porque, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as razões de fato e de direito, além das provas documentais de que se dispõe, devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra oportunidade, de tal forma que, à exceção das ressalvas do parágrafo quarto do mesmo dispositivo – que no caso vertente, à época não foram demonstradas –, não tem a autoridade julgadora de piso que se manifestar a seu respeito. Em outra vertente, os recorrentes aduzem que houve presunção de falsidade de documentos em operações de importação, inclusive pelas “divergências apuradas em faturas emitidas em outros períodos que não o autuado!”, o argumento, porém, imbricase com o próprio mérito da causa, razão porque será examinado no momento apropriado do voto. Relativamente à “falta de juntada de documentos solicitados pela empresa”, os recorrentes não indicam quais seriam os “documentos solicitados pela empresa” e que não foram juntados pela autoridade fiscal ao processo, parecendome mais um argumento retórico do que propriamente uma alegação de defesa, o que leva à refutação da alegação. 1.2 VÍCIOS MATERIAIS Nesta oportunidade serão examinadas a falta de acesso aos documentos e a ilicitude na obtenção da prova. Conveniente destacar, neste ínterim, que o acesso à prova, como averbado pelos próprios recorrentes, fezse mediante cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo judicial 2003.32.00.0045953, em trâmite na 2ª Vara da Justiça Federal do Amazonas, encontrandose os documentos arrecadados em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal, por força de ordem judicial específica. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 16 13 Então, tendo em conta que o Ministério Público Federal é o dominus littis, o responsável pela ação penal decorrente da infração fiscal, a Administração Tributária não deteria, sozinha, a livre disponibilidade da documentação apreendida, o que a impediria de devolvêla aos contribuintes sem anuência do parquet. Além do que, todos os documentos que embasaram a imputação de fraude, pela falsificação de documentos utilizados no despacho de importação, encontramse nestes autos administrativos a que os recorrentes tiveram amplo acesso. Se entendiam os recorrentes que necessitavam de outros elementos, além daqueles já coligidos ao processo, cabialhes especificálos e requerer o fornecimento de cópias. Aliás, mais uma vez a argumentação mostrase fluida, eis que os interessados não esclarecem quais seriam aludidos documentos não entregues pela fiscalização e que, pela sua robusteza, teriam a capacidade de profligar a fraude que lhes é atribuída, valendo aqui o recurso ao princípio pás de nullité sans grief, consoante a qual não há declaração de nulidade se não houver prova do efetivo prejuízo causado à defesa. Por pertinente, não se diga que, cuidandose de nulidade absoluta, onde o prejuízo é presumido, não se aplicaria tal regra, pois os tribunais superiores vem entendendo que este princípio também se estende a estas hipóteses, como se extrai dos seguintes julgados: STJ (HC 99996 / SP) e STF (HC 85.155/SP, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJU 15.04.05 e AI AgR. 559.632/MG, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 03.02.06). Atinente à suposta ilicitude da prova ou mesmo da sua obtenção, acentuo que a sua apropriação em estabelecimento dos contribuintes respaldouse em mandado de busca e apreensão expedido por autoridade judicial competente, de forma que a invalidade de tal procedimento, se existente, deve ser discutido em âmbito judicial, como bem apontou a decisão recorrida, verbis: “É importante ressaltar que não compete a este órgão julgador administrativo se pronunciar quanto à admissibilidade ou não do mandado de busca e apreensão, assim como a respeito do atendimento de seus requisitos formais, vez que tal apreciação foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, o qual, como se sabe, julgou pela pertinência da apreensão dos documentos da impugnante. Qualquer apreciação administrativa valorativa sobre o mandado em evidência representaria ofensa ao Princípio da Jurisdição Única.” (destaque no original) Já o câmbio dos documentos de interesse da Administração Tributária, para exigência dos tributos e penalidades aplicáveis, efetivouse por intermédio do competente processo administrativo com acesso a todos os recursos e faculdades garantidos pela legislação de regência do procedimento contencioso fiscal, de modo que não vislumbro qualquer mácula na sua produção e entronização nestes autos. Também não prospera a alegação de necessidade de certificação do conteúdo ou origem das mensagens telemáticas obtidas, ao passo que os transmitentes foram identificados e todos eles têm relação, direta ou indireta, com as pessoas jurídicas autuadas, mesmo porque, tais documentos não são os elementos principais a lastrear o lançamento, mas indícios que corroboram a prática fraudulenta. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 2 MÉRITO Ultrapassadas as questões preliminares passase ao mérito. Para melhor esclarecer o objeto de autuação sirvome de excerto da decisão de primeiro grau administrativo, verbis: “A alusão da fiscalização às faturas nos M291297 e C290109 (fls. 33 e 51), é feita a titulo ilustrativo, uma vez que a multa exigida no presente processo não se relaciona às citadas faturas, as quais foram objeto dos processos nºs 10283.002649/200421 e 10283.002594/200450. O caso concreto se refere as faturas comerciais e DIs correspondentes relacionadas às fls. 632. Com o mesmo objetivo, a fiscalização menciona, dentre outras provas, invoices emitidas pela empresa General Eletric Company nºs 0370025201, 0370025401, 0370025501 e 0388365601 (fls. 398401), que foram substituídas no despacho por faturas falsas emitidas pelo importador, com a mesma numeração, mas com layout diferente (fis. 394397). Ao ser questionada pela fiscalização, a GE Plastics respondeu que não emitiu as faturas que instruíram os despacho de importação (fls. 390393). Portanto, além de demonstrar que há precedentes da prática ilícita por parte da autuada, o comentário em relação às faturas mencionadas nos dois parágrafos acima serve apenas de paradigma para ilustrar como se perpetrou a adulteração das faturas comerciais nos diversos despachos de importação, pois as constatações em relação às demais faturas, em linhas gerais, seguem esse mesmo padrão.” (destacado) Preambularmente, registro que a infração atribuída aos recorrentes consiste entregar a consumo ou consumir produtos importados irregularmente, mediante a utilização de faturas irregulares, mais especificamente, faturas confeccionadas pelos próprios recorrentes TCE/SDW (item IV.2.2.2 do recurso voluntário) o que será esclarecido mais detalhadamente adiante , para instrução das declarações de importação registradas, fato este não contestado diretamente pelos recorrentes, que em sua irresignação tentam justificar o modus operandi ou afastar as hipóteses para a manutenção do lançamento. Nesta empreitada, aduzem os recorrentes a decisão de piso, ao examinar o lançamento, textualmente imputoulhes a prática de importação fraudulenta (item 131) e, após socorreremse do conceito de “fraude” constante do art. 72 da Lei nº 4.502/64, concluíram pela sua inocorrência, tendo em conta que não houve redução, diferimento ou supressão de pagamento de tributo como conseqüência da prática adotada, o que, sob seu prisma seria condição sine qua non para configuração da fraude, tanto assim, afirmam, que não houve exigência de tributo no auto de infração, mas tão somente de multa administrativa. É certo que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 conceitua fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, entretanto, não é menos verdade que o termo “fraude”, como de resto boa parte das palavras na língua portuguesa, é polissêmico e possui uma gama de significados, mesmo na seara jurídica, sendo que a decisão recorrida utilizouse do termo “fraude” como sinônimo de ocultação da verdade, como se infere da seguinte passagem do voto condutor: “204. Assim, em matéria aduaneira, a fraude assume uma feição própria, de modo que o termo ‘importação fraudulenta’ transcende a conduta dolosa de tãosomente evitar ou reduzir o Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 17 15 pagamento de tributo, não se restringindo à ‘fraude’, tal como conceituada no art. 72 da Lei n° 4.502/1964, de feição estritamente tributária. Envolve também as ações dolosas empreendidas para burlar os controles aduaneiros, com o intuito de lograr benefícios ilicitamente, com p. ex., obter vantagens cambias, remeter divisas irregularmente etc. 205. Em tais situações, pode ocasionalmente não haver insuficiência ou falta de recolhimento de impostos, porém não se há de negar a caracterização da importação como fraudulenta, porquanto resta evidente a ação dolosa em ilidir o controle aduaneiro para fruição de vantagens ilícitas em detrimento da economia nacional, bens jurídicos que a norma visa assegurar. Então, em relação a operações aduaneiras, seria um contra senso exigir que a fraude se caracterizasse unicamente pela falta ou insuficiência de pagamento dos impostos incidentes na importação. 206. No ordenamento jurídico encontramos exemplos dessa acepção, em que a importação fraudulenta não necessariamente implica supressão ou redução do imposto devido. É o caso art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (DOU 31/12/2002), que pune uma espécie de importação fraudulenta, caracterizada pela ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, mesmo não havendo repercussão no recolhimento do imposto. 207. Assim, ‘importação fraudulenta’ significa importação com fraude ao controle aduaneiro, mitigandose a feição estritamente tributária de ‘reduzir ou evitar o pagamento do imposto’ ocorrendo nos casos em que a falsificação ou a adulteração de documentos acarrete dano ao citado controle, mesmo que não haja repercussão no tratamento tributário. 208. A propósito observe se o lúcido ensinamento de ROOSEVELT BALDOMIR SOSA: ‘consiste a falsidade documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso, ou alterálo total ou parcialmente de modo a iludir o controle administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a verdade’ (Comentário à lei aduaneira: Regulamento Aduaneiro, São Paulo: Aduaneiras, 1993, vol. III, p. 187) (destaquei).” (destaques no original) Ou seja, mesmo não sendo devido tributo algum em decorrência da utilização de faturas irregulares, o que, em tese, poderia afastar a qualificação da infração como “fraude”, segundo o conceito da Lei nº 4.502/64 (art. 72), não é possível desqualificar a conduta como fraudulenta, na acepção vincada na decisão reclamada, assim entendido o expediente utilizado, o artifício ou ardil, destinado a burlar os controles aduaneiros, que no caso concreto se consubstanciou na utilização de documentos inverídicos, faturas comerciais manipuladas pelo próprio importador. Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Outrossim, vale lembrar que o dispositivo em que incurso os contribuintes – art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – dispõe que são apenados com multa igual ao valor da mercadoria aqueles que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal. O fato de não se apurar supressão de tributo ou mesmo o emprego dos insumos importados no processo produtivo do contribuinte, a meu juízo, não significa refutar a prática deliberada de se utilizar dolosamente de documentos contrafeitos para instrução de despacho aduaneiro. Aliás, relativamente à caracterização e individualização da falsidade, entendo que a decisão recorrida bem abordou a questão, elaborando minudente relato de sua ocorrência (fls. 1235/1238), que adoto também como razão fática de decidir: “Embora negue a falsidade no tocante ao conteúdo dos documentos, a própria impugnante admite que as faturas que instruíram o despacho foram confeccionadas por ela, tendo como objetivo suprir a suposta ausência de informações nas faturas comerciais emitidas pelo exportador, as quais, segundo alega, nem sempre apresentavam todos os requisitos necessários para o preenchimento correto da DI, tais como a descrição detalhada dos produtos importados, unidades de medidas compatíveis com os padrões brasileiros etc. (...) Registrese que, como reconhece a defendente, tal procedimento não encontra amparo na legislação. Ademais, não se vislumbra o alegado óbice ao preenchimento da DI, com base na fatura efetivamente emitida pelo exportador, a qual retrata com fidelidade a descrição da mercadoria negociada, prestandose, se for o caso, outras informações adicionais na DI de modo a descrever a mercadoria de forma mais completa possível com especificação detalhada de suas características. (...) Não prospera a alegação de que a invoice ‘A’ (falsa) seria uma fatura pro forma, emitida para atender às exigências da Aduana quando do desembaraço de mercadorias importadas, e muito menos que tal documento refletiria as mesmas informações constantes da invoice verdadeira (invoice ‘B’). Em primeiro lugar, o que a litigante chama de ‘fatura pro forma’, na verdade, é o documento por ela expedido para instruir o despacho fazendose passar por fatura comercial, não se devendo confundir com o que se denomina tecnicamente de fatura pro forma no comércio internacional.(...) Não prospera a alegação de que o documento emitido pelo importador reflete substancialmente as mesmas informações da fatura verdadeira emitida pelo exportador. Das três faturas emitidas pelo importador anexadas aos autos (invoice ‘A’), duas estão acompanhadas das respectivas faturas verdadeiras (invoice ‘B’) (fls. 677678 e 685700). Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 18 17 Verificase que as faturas emitidas pelo importador possuem as mesmas numerações das correspondentes faturas verdadeiras, ou seja, existem dois documentos para cada operação de compra e venda, com mesma numeração, porém com layout diferente. Como observou a fiscalização, o layout das faturas emitidas pelo importador segue exatamente o mesmo padrão tipográfico e de caracteres (formato e tamanho das letras e números), tal qual detectado em outras importações nas quais os exportadores eram diferentes (fls. 394401). Cotejandose os documentos emitidos pelo importador com os verdadeiros, evidenciase a divergência de informações seja no tocante ao preço, descrição da mercadoria, quantidade, peso, nome do exportador e termo de pagamento. Nas faturas comerciais emitidas indevidamente pelo importador que apresentam divergência no tocante à descrição da mercadoria em relação à fatura verdadeira, não havendo como concluir que tal discrepância possa ser meramente atribuída a detalhamento da mercadoria, pois não se pode estabelecer uma correlação entre a descrição da mercadoria contida no documento verdadeiro e no falso. Na fatura verdadeira de fls. 700, a descrição efetuada pelo exportador transformase, na fatura confeccionada pelo importador de fls. 685699, em dezenas de itens compostos por até milhares de peças, as quais não constam expressamente no documento original nem se pode inferir que realmente compõem a mercadoria importada. Diante dessas constatações não se pode considerar que as invoices emitidas pelo importador contenham tãosomente erros ou equívocos quando do seu preenchimento, porquanto houve adulteração de valores da transação, de termos de pagamento, da descrição da quantidade e peso das mercadorias, do nome do exportador, elementos que retratam as informações substanciais dos documentos. A fiscalização afirma ainda incisivamente que a descrição das mercadorias contida nas faturas por emitidas pelo importador (documentos ‘A’) é exatamente aquela prevista no Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, com o objetivo de fazer com que as mercadorias se enquadrarem no referido PPB, não tendo a impugnante contestado essa afirmação. Das três faturas emitidas pelo importador, uma está anexada aos autos sem estar • acompanhada da respectiva fatura verdadeira, como observou a defendente (fls. 633 637). Todavia, com relação a esse documento, podese concluir, com base nas declarações da própria impugnante, que consiste em fatura emitida por ela, uma vez que foi o documento que instruiu o despacho aduaneiro. Ademais, verifica se que essas três faturas possuem exatamente o mesmo layout, que é idêntico ao das faturas emitidas irregularmente pelo importador, detectadas em outras importações (fls. 394401), seguindo o mesmo padrão de discriminação detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 de caracteres (formato e tamanho das letras e números), conforme modelo tipográfico de fls. 389. Como afirma a litigante, no comércio internacional, inexistem formatações especificas para a emissão de faturas e, por isso mesmo, o natural é que os documentos emitidos por diversos exportadores tenham diferentes formas de apresentação gráfica. Para efeito comparativo, se consideradas as faturas de fls. 394401, em nome do exportador GE Plastics, nos Estados Unidos (o qual declarou não ser a emissor dos documentos) e as faturas a que se refere este processo, constatase que embora supostamente emitidas por empresas diferentes, situadas em países igualmente distintos e em datas cronologicamente bem distantes, têm a mesma estrutura gráfica na sua confecção, praticamente mesma diagramação, e idêntica tipologia alfanumérica. (...) É o caso da fatura desacompanhada do correspondente documento verdadeiro (fls. 633637). A conclusão acerca da falsidade dessa fatura esta assentada em elementos convergentes: possui exatamente o mesmo layout das demais faturas, inclusive daquelas relativas a exportadores diferentes (fls. 394401); esse layout é idêntico ao das demais faturas emitidas irregularmente pelo importador, conforme modelo tipográfico de fls. 389; segue o mesmo padrão de discriminação detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos de caracteres (formato e tamanho das letras e números), o que induz à conclusão acerca da divergência na descrição da mercadoria em relação ao documento verdadeiro. Tais elementos são rematados pela confissão do importador de que também emitiu esse documento. (...)” Diante desse contexto, a meu ver, o dolo da conduta ilícita é patente e inequívoco, não havendo motivo plausível que o justifique. Uma vez demonstrada nos autos a prática infracional, como dito consistente na burla aos controles aduaneiros mediante o uso de documentos falsos, tenho como admissível e possível qualificála como fraudulenta, ocasionando a irregularidade no procedimento de importação, que representa outro núcleo da infração atribuída aos contribuintes. Também não prospera a assertiva de inaplicabilidade da multa infligida pela suposta inocorrência de verdadeira operação de “importação” quando destinados os produtos estrangeiros à Zona Franca de Manaus, como defendem os recorrentes, haja vista que a isenção de tributos nestas hipóteses não tem o condão de desvirtuar a natureza da operação, que continua a corresponder à entrada, no território brasileiro, de mercadoria de procedência estrangeira. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, em seu Título III (Dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais), Capítulo I (Da Zona Franca de Manaus), a todo tempo faz referência à entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus como “importação”, e.g. arts. 453 e 455, este último, em especial, destaca que “as importações no regime de que trata este Capítulo (I) estão sujeitas a licenciamento não automático, previamente ao despacho aduaneiro, com a expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus.” (destaquei) Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 19 19 O Decreto nº 91.030/85, que aprovou o Regulamento Aduaneiro então vigente, por intermédio de seu art. 395, § 1º, era categórico ao estabelecer que “os despachos de bens importados objeto dos benefícios do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, deverão ser processados na repartição que jurisdiciona o porto de Manaus”. É notório que a legislação aduaneira não faz distinção entre a importação de mercadorias destinadas a áreas agraciadas com benefícios fiscais daquelas sujeitas ao regime geral de tributação, significando importação, em qualquer situação, a entrada de produtos de procedência estrangeira em território nacional. Destacase, então, que o elemento nuclear da importação, para fins tributários, não é a incidência tributária propriamente, mas sim a entrada em território brasileiro de mercadoria de procedência estrangeira. Neste diapasão, entendo que a utilização de documentos irregulares (faturas falsificadas) para proceder ao despacho aduaneiro de importação, ainda que destinada à Zona Franca de Manaus, enquadrase à perfeição à conduta descrita pelo art. 463 do Decreto nº 2.637/98, que impõe, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente, àqueles que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). A propósito, como reconhecem os próprios recorrentes, as condutas descritas no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98) não são autônomas, mas simples variantes de irregularidades no procedimento de importação de mercadorias de procedência estrangeira em território nacional, o que, repito, açambarca a prática de utilizar documentos falsos para instruir aludido procedimento de liberação das mercadorias. Dessarte, se não há autonomia das expressões contidas no preceptivo em tela, deduzse que pouco importa o enquadramento da conduta realizada pelas autoridades fiscais, se importação fraudulenta ou importação irregular, uma vez que todas elas convergem para o mesmo resultado, que é a prática de irregularidades em operações de importação, o que definitivamente ocorreu na presente situação, o que implica infalivelmente na imposição das penalidades indicadas. Como dito linhas atrás, os próprios recorrentes afirmam, na peça recursal (item IV.2.2.3), que emitiam tais faturas “pro forma” para viabilizar o desembaraço aduaneiro, arregimentando suas razões para tanto; todavia, nos documentos de fls. 51 a 53, verificase que estas faturas foram impressas e assinadas, inclusive, como se expedidas pelo exportador estrangeiro. De fato, foram coligidas declarações devidamente vertidas por tradutor juramentado, de emissão de Daewoo Corporation, sediada na Coréia do Sul, e Jean Co. Ltd., sediada na China, aduzindo que, em razão da complexidade da legislação aduaneira brasileira, mediante acordo firmado com TCE/SDW, permitiam que ambas “reimprimissem” as faturas em conformidade com suas necessidades para nacionalização das mercadorias importadas. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 Contudo, estes “acordos” firmados, em minha opinião, não têm valor perante a legislação aduaneira brasileira, pois, como bem destacado pela decisão ora combatida, o regulamento aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, em seu art. 425, § 2º, dispunha expressamente que as emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deveriam ser autenticadas pelo emitente, o que não ocorreu no caso dos autos. Como não bastasse, a par de tais “declarações” serem emitidas ex post facto, isto é, após a concretização dos fatos, sugere a redação adotada em ambos os documentos que se trata de textos previamente “encomendados”, porquanto não há como reconhecer coincidência tão grande entre seus termos, a ponto de prestarem as empresas exportadoras declarações incrivelmente similares, considerando que são sociedades instaladas em países distintos, China e Coréia do Sul. A título exemplificativo, transcrevo os seguintes trechos destes documentos: “A relação estabelecida para atender as normas brasileiras foi uma operação CKD (Complete Knock Down) na qual as fabricas da Daewoo Telecom na Coreia e/ou China costumavam remeter um kit CKD completo para ser montado no Brasil na fábrica da TCE e/ou da SDW em Manaus com a qualidade, procedimentos e coordenação da tecnologia Daewoo Telecom. Nosso pessoal de produção e técnico varias vezes visitou a fábrica da TCE e da SDW em Manaus a fim de dar suporte a linha de produção piloto de novos produtos. Uma vez que as normas de exportação relativas a componentes da China e Coréia eram muito complicadas e as normas de importação do Brasil eram ainda mais complicadas no que se refere a liberação alfandegária, a Daewoo Telecom estabeleceu um acordo que permitia a TCE/SDW reemitir as faturas no Brasil já que a documentação de exportação padrão que acompanhava os kits exportados pela Daewoo Telecom não continha informações detalhadas suficientes, conforme exigido pela alfândega brasileira.” (Daewoo Telecom) “As exportações para a TCE e a SDW foram estruturadas como operações CKD, com base nas quais as fábricas da JEAN na Malásia e/ou China enviavam kits CKD completos para serem montados localmente em Manaus, na fábrica da TCE, com a qualidade, os procedimentos e a coordenação da JEAN, e ate com o eventual suporte do pessoal técnico e de produção da própria JEAN. Tendo em vista (i) os complexos regulamentos da China e da Malásia relativos a exportação de componentes de informática; (ii) as complexas normas aplicáveis ao desembaraço aduaneiro no Brasil; (iii) a falta de preparo de nossa equipe local; (iv) nossa dificuldade interna ern atender algumas solicitações detalhadas do pessoal da TCE e (v) a conseqüente falta de determinadas informações detalhadas em nossas faturas com relação aos componentes exportados, a JEAN autorizou a TCE e a SDW a emitirem novas faturas no Brasil, de acordo com os regulamentos do desembaraço aduaneiro.” (Jean Co. Ltd.) Portanto, não vejo como aceitar as preditas autorizações, como documentos revestidos de validade jurídica para alteração e reimpressão das faturas comerciais, seja a que pretexto for, para modificação substancial da descrição, preço e peso dos produtos importados, como ocorrido, o que só reforça a irregularidade da documentação que instruiu o despacho de importação. Da mesma forma, não deve ser acolhida a ponderação segundo a qual, o fato de as mercadorias importadas terem sido desembaraçadas normalmente, mediante o emprego destas faturas “pro forma”, demonstraria a improcedência do lançamento, porquanto as Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 20 21 contrafações foram confirmadas tão somente após a realização do desembaraço, em procedimento de revisão de lançamento, com sustentáculo no art. 149 do Código Tributário Nacional. Na mesma toada, insubsistente o argumento que deveriam ser aplicadas ao caso as penalidades previstas na legislação aduaneira, tendo em conta que a fraude teria sido praticada no curso do despacho de importação, haja vista que a conduta subsumese perfeitamente àquela infração tipificada pela legislação do IPI (art. 463 do RIPI/98), mesmo porque o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal que se lhes atribua. Demais disso, os produtos importados, segundo consta, eram destinados ao processo produtivo dos recorrentes, caracterizandose, nesta condição, como matériaprima, material intermediário ou de embalagem, o que atrairia a incidência da legislação deste imposto (IPI). Como não bastasse, as modificações das faturas (invoices), consoante relato fiscal, visavam, dentre outros objetivos, a adequação dos insumos importados ao Processo Produtivo Básico (PPB) dos recorrentes, tal como aprovado pelo órgão anuente, no caso, a SUFRAMA. Também não aproveita às recorrentes a alegação que as faturas “pro forma” correspondiam exatamente às mercadorias submetidas ao despacho aduaneiro de importação, por ocasião do registro da DI, ao passo que a fraude imputada é justamente a apresentação de um documento mercantil (invoice) que não é reconhecido como de sua emissão pelo suposto exportador, o que acarreta a sua falsidade e implica no fato que aludidas mercadorias não estavam devidamente amparadas por documentação hábil a instruir o despacho de importação, no momento de sua realização. Quanto à regularidade na constituição das recorrentes, temse que a pretensa legalidade de funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço o que já seria por si só discutível , sob a ótica da legislação do IPI, não é admissível, quando se está a falar de unidades produtivas, como o caso dos autos. Nos termos do art. 487, II e III, do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), as expressões "fábrica" e "fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, sendo que a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza. A partir desta definição não vislumbro como um único estabelecimento possa pertencer simultaneamente a duas pessoas jurídicas distintas, não militando em favor dos recorrentes o pretenso reconhecimento por parte da autoridade fiscal que haveria linhas de produção autônomas, uma vez que a existência de “linhas de produção autônomas” dentro de um mesmo espaço físico ou prédios contíguos, não isolados, mas dentro de uma mesma área delimitada, não conduz à conclusão de existência de estabelecimentos distintos. Frisese, a existência de linhas de produção autônomas não significa ou se confunde com a existência de estabelecimentos distintos, pois, como se depreende do aludido art. 487, III, o estabelecimento é caracterizado como sendo o(s) prédio(s) em que são Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 exercidas atividades geradoras de obrigações do tributo, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza, de tal sorte que um estabelecimento pode comportar tantas linhas de produção autônomas quanto seu espaço permitir, sem que isso o descaracterize. Entretanto, a recíproca não é verdadeira, pois as linhas de produção autônomas dentre um mesmo espaço físico contínuo ou em prédios contíguos, porém, não cercados, murados ou isolados como unidades independentes não se caracterizam como estabelecimentos distintos, como pretendem os recorrentes. Pelo quadro estampado, somado às constatações arroladas pela fiscalização tais como, funcionamento das pessoas jurídicas no mesmo endereço, compartilhamento da área administrativa e áreas de entrada e saída, o fato dos produtos industrializados pela TCE serem adquiridos pela SDW, a incumbência da gerência das pessoas jurídicas a pessoas comuns ambas ou interligadas por laços familiares, dentre outros, direcionam à conclusão que há, de fato, confusão administrativa e patrimonial entre as pessoas jurídicas em destaque, cuidando se, sob o ponto de vista fático e prático, de uma única pessoa jurídica, motivo mais que suficiente para imputação da responsabilidade tributária solidária, que, por seu turno, não foi especificamente contestada. Por derradeiro, em relação à solicitação de diligência junto aos armazéns gerais Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., Aurora da AmazôniaTerminais e Serviços Ltda. e Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas, formalizada no curso da peça de defesa, reputoa desnecessária para o deslinde de qualquer questão, porque as próprias recorrentes, como consignado alhures, reconheceram que se utilizaram de faturas por elas mesmas confeccionadas, em substituição às originais, para a instrução do despacho aduaneiro, de modo que a diligência, a meu sentir, mostrase desnecessária. 3 CONCLUSÃO Em síntese, entendo que o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios e sólidos fundamentos, não merecendo qualquer reparo, razão pela qual nego provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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