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Numero do processo: 16095.720297/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação.
ACÓRDÃO SEM FUNDAMENTAÇÃO. NECESSIDADE DE ACLARAMENTO DA OMISSÃO OU OBSCURIDADE.
É omisso o voto que não contenha de forma clara o relatório e voto, conforme as normas vigentes e do próprio PAF, da qual deixou de apreciar todos os pontos do recurso voluntário apresentado, havendo necessidade, em sede de embargos de declaração, que seja sanado o vício contido em decisão proferida.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONSTATAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE RECOLHIMENTO.
A fiscalização quando constata a ocorrência do fato gerador dos créditos relativos às contribuições previdenciárias, de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e as contribuições destinadas a terceiros respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados tem o poder-dever de exigir o crédito fiscal.
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1.
Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO JUDICIAL.COISA JULGADA.
Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial, transitada em julgada ou não, que abranja matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendo-lhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado na decisão exarada, quando decidida de forma definitiva.
Embargos Acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2301-005.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2302-003.694, de 11/03/2015, reapreciar o recurso voluntário e, em o assim fazendo, não conhecer do pedido de duplicidade de lançamento e da matéria na qual há concomitância com ação judicial; na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. ACÓRDÃO SEM FUNDAMENTAÇÃO. NECESSIDADE DE ACLARAMENTO DA OMISSÃO OU OBSCURIDADE. É omisso o voto que não contenha de forma clara o relatório e voto, conforme as normas vigentes e do próprio PAF, da qual deixou de apreciar todos os pontos do recurso voluntário apresentado, havendo necessidade, em sede de embargos de declaração, que seja sanado o vício contido em decisão proferida. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONSTATAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE RECOLHIMENTO. A fiscalização quando constata a ocorrência do fato gerador dos créditos relativos às contribuições previdenciárias, de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e as contribuições destinadas a terceiros respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados tem o poderdever de exigir o crédito fiscal. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 97 /2 01 2- 01 Fl. 1007DF CARF MF 2 Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO JUDICIAL.COISA JULGADA. 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(assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Contribuinte contra decisão de Recurso Voluntário Acórdão nº 2302003.694, da Segunda Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 983 a 986), julgado na sessão plenária de 11 de março de 2015, que restou assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. O agente fiscal deve, ao verificar o descumprimento de obrigação tributária principal, efetuar o lançamento. A decisão foi assim registrada: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 3 3 ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado". Conforme os embargos de declaração opostos (fls. 996 a 998) e o despacho de admissibilidade, o recurso é pautado pelo seguinte: "Em síntese, sustenta que a decisão revela omissão frente às alegações constantes da impugnação, mormente em relação ao duplo lançamento de valores, que também são objeto do PAF nº 16095.720298/201248. Ademais, aduz que o julgamento proferido pela Corte sequer veio acompanhado de relatório e voto. Desta forma, argumenta que a decisão viola gravemente os princípios da ampla defesa e do contraditório, impedindo ao contribuinte conhecer da fundamentação pelas quais foi indeferido o recurso voluntário. Cabe mencionar que, o presente auto de infração se refere, consoante o relatório fiscal de fls. 639 a 641, aos Autos de Infração n.º 51.003.6376 e 51.003.6384, e foram lavrados para a constituição dos créditos relativos às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e às contribuições destinadas a terceiros (Salárioeducação, Incra, Sest, Senat e Sebrae), respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa BINOTTO S/A. LOGÍSTICA, TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO aos segurados empregados e contribuições individuais a seu serviço no período de outubro a dezembro de 2009 (incluindo o 13º salário). Ainda, nos termos do relatório fiscal e do relatório da DRJ de origem, os fatos ocorreram pelas seguintes razões: "1º) Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas e/ou creditadas aos aludidos segurados, cujos valores encontramse demonstrados no Discriminativo de Débito – DD e no Relatório de Lançamentos RL, em anexo; 2º) Os autos de infração são compostos dos levantamentos “CP – Fopag Contribuição Empresa” e “CT – Fopag Contribuição Terceiros”, ambos abrangendo as competências 10/2009 a 12/2009; 3º) Os documentos examinados durante a auditoria fiscal foram as GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as Folhas de Pagamento Analíticas e os Resumos Gerais das Folhas de Pagamento Mensais; 4º) Embora os valores das bases de cálculo das contribuições previdenciárias informados na última GFIP válida transmitida antes do início do procedimento fiscal sejam idênticos aos das folhas de pagamento, “o sujeito passivo apresentou GFIP’s de ExclusãoEX, e posteriormente Sem Movimento SM, em 24/07/2010. 02/08/2010 e 03/08/2010, a partir da competência 10/2009. para a matriz e diversas filiais, zerando com isso os valores devidos à previdência social e a outras entidades e fundos”; e 5º) Foram devidamente apropriados todos os recolhimentos efetuados antes do início do procedimento fiscal através de Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS emitidas sob os códigos 2100 e 2631, conforme se depreende do RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados". Fl. 1009DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário foi apresentado junto às fls. 946/976. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Portanto, passo a analisar o mérito. DO RECEBIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Pois bem. Latente é a constatação da falta de fundamentação no julgado, não contendo relatório e nem voto nos termos do regimento interno deste Conselho, ferindo igualmente dispositivos que regem o Processo administrativo fiscal. Portanto, além de conhecer dos embargos, necessário se faz analisar de forma integral o recurso voluntário apresentado, com o intuito de trazer claridade ao julgamento e entregar às partes a análise do direito ora protestado. DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A recorrente alega, em suma, duas situações: a primeira, de que a decisão carece de fundamentação legal, não contendo relatório adequado e voto. De certo, nesse aspecto a recorrente possui razão e nesse ato. Portanto, será analisado o mérito do seu recurso. Entretanto, na mesma manifestação a recorrente aduz que não foi analisado a alegação de "duplo lançamento" de valores, que também são objetos do PAF n.º 16095.720298/201248 (analisado nessa mesma sessão de julgamento), pela DRJ e que supostamente teria se omitido em analisar o tema em sede de primeira instância. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 4 5 Entretanto, analisando do recurso voluntário interposto, verifico que essa matéria não foi objeto de argumentação recursal, e, tampouco, mencionada na impugnação, inexistindo alegação expressa sobre o conteúdo. O processo administrativo fiscal exige que toda a matéria seja argumenta de forma expressa, conforme dispõe o art. 17, do Decreto "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Portanto, inova a recorrente, em sede de embargos de declaração. Ainda assim, em verificação das matérias de ambos os processos (autuações fiscais que foram promovidas concomitantemente) temos que são autuações resultantes da mesma ação fiscal, mas que constam em razões distintas, conforme das informações descritas abaixo: Processo 16095.720297/201201: Consoante o relatório fiscal de fls. 639 a 641, referese aos Autos de Infração n.º 51.003.6376 e 51.003.6384, e foram lavrados para a constituição dos créditos relativos às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e às contribuições destinadas a terceiros (Salárioeducação, Incra, Sest, Senat e Sebrae), respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa BINOTTO S/A. LOGÍSTICA, TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO aos segurados empregados e contribuições individuais a seu serviço no período de outubro a dezembro de 2009 (incluindo o 13º salário). Processo n.º 16095.720298/201248: referese ao Auto de Infração nº 51.003.6392 foi lavrado para a constituição do crédito resultante da glosa das compensações realizadas pela empresa com as contribuições previdenciárias por ela devidas nas competências 04/2009 a 06/2009 e 10/2009 a 12/2009, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuições individuais a seu serviço. Notase que, apesar da mesma ação fiscal, são situações (autuações) distintas e períodos diversos também, descabendo se falar em duplicidade de lançamento, pois enquanto um trata do não recolhimento devido, a outra autuação trata de fiscalização em razão de compensação indevida, onde foi realizada a glosa pela fiscalização. Assim, não acolho a alegação de duplicidade de lançamento. Resta, portanto, analisar a segunda situação levantada nos embargos, que é justamente a falta de fundamentação do voto. Registro, ainda, que como relatório do voto, utilizo o conteúdo já transcrito acima, que supre a necessidade de novo relatório. DOS FATOS GERADORES DA AUTUAÇÃO O Recurso Voluntário foi apresentado junto às fls. 946/976. Quanto ao mérito, a recorrente pouco aborda em relação aos fatos geradores do tributo. Fl. 1011DF CARF MF 6 Em relação à incidência do tributo, entendo ser importante transcrever parte do relatório fiscal, onde consta de forma clara o objeto autuado: Notase que quanto ao mérito, a contribuinte não trouxe nenhuma informação capaz de afastar a constatação e autuação da fiscalização. Assim, deve ser mantida o auto de infração. AÇÃO JUDICIAL E DA RENÚNCIA NA ESFERA ADMINISTRATIVA Há a informação de que a recorrente teria ajuizado ação judicial para reaver verbas indenizatórias. Assim, cabe a verificação sobre a natureza das verbas contestadas judicialmente e os valores autuados. Com isso, tomo por empréstimo parte do voto da DRJ de origem: Na tela “CONSULTA PROCESSUAL 1º GRAU – SJSP E SJMS”, juntada pela AFRFB autuante às fls. 442 e 443, verificase que o objeto da ação processada sob nº 000482322.2010.4.03.6119 é assim descrito: “... Binotto S/A, Logística, Transporte e Distribuição impetra mandado de segurança em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em Guarulhos objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica tributária no tocante ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os quinze primeiros dias de afastamento dos empregados em gozo de auxíliodoença ou de auxílio acidente, sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 sobre férias., bem como a compensação do quantum recolhido a maior a esse título nos últimos dez anos com parcelas vincendas de contribuições previdenciárias, tudo atualizado monetariamente pela SELIC". Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 5 7 O que se verificou do relatório fiscal, consoante o objeto da ação é que a recorrente teria "zerado" as informações em GFIP para contestar essas verbas judicialmente. Porém, o que se observou da ação judicial diz respeito somente às verbas indenizatórias. Por outro lado, mesmo que tivesse sido lançada as contribuições sobre essas verbas indenizatórias não cabe a esse Conselho discorrer sobre tal objeto, uma vez que a demanda judicial chancelada sob o número 000482322.2010.4.03.6119, de responsabilidade da TRF da 3ª Região, seria o ambiente correto para deliberação, já que teria a recorrente renunciado às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF n.º 01, in verbis: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Assim, houve expressa renúncia ao contencioso administrativo pelo recorrente, conforme prescreve o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." Como bem analisado pela DRJ de origem, a contribuinte renunciou ao direito de contestar seu crédito na esfera administrativa de parte do débito autuado. Verificase que do Recurso Voluntário apresentado, a recorrente também não obrou trazer a prova de que esses créditos seriam correspondentes ao que ela pretende compensar, pois não correspondem aos valores da autuação, e, tampouco, houve comprovação de que houve o crédito correspondente da atuação sobre os quinze primeiros dias de afastamento dos empregados em gozo de auxíliodoença ou de auxílio acidente, sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 sobre férias, prova que caberia à recorrente. De qualquer sorte, essa matéria não poderia ser abordada em sede desse recurso, e boa parte de suas alegações são no sentido de que teria direito à compensação e direito creditório, e que deveria pelo menos o processo administrativo ser sobrestado enquanto tivesse o trânsito em julgado da ação judicial, que até então teria não ocorrido. Como já dito acima, a recorrente "zerou" as informações prestadas em GFIP, ao passo que a verificação do não recolhimento do tributo gera a hipótese de incidência, uma vez que as informações prestadas em GFIP também servem como base de lançamento das contribuições. Nesse ínterim, verificase o intuito da recorrente de se socorrer ao poder judiciário de maneira a tentar buscar um crédito que no seu entender seria devido, mas que nesse contexto não houve recolhimento das contribuições devidas. Fl. 1013DF CARF MF 8 Contudo, mesmo que a autuada afirme que a legislação em vigência autoriza que o contribuinte, verificando o recolhimento indevido, compense, independentemente de decisão judicial, o valor do indébito. De fato, os normativos citados pela recorrente autorizam as compensações, das quais assiste razão a recorrente quando afirma que não há a necessidade de autorização prévia da administração tributária para a compensação de tributos e contribuições federais, que tenham sido recolhidos a mais ou indevidamente com futuros débitos de exações da mesma espécie, conforme o disposto no art. 66, da Lei 8.383/91, que permite o tal procedimento. Entretanto, esse procedimento pode ser feito desde que sejam observadas as condições da própria legislação vigente. Devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o contribuinte do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional e a Lei 8.212/91. O que não foi a situação do presente processo. Nesse sentido, as contribuições previdenciárias, por possuírem natureza tributária, são regidas pelo Código Tributário Nacional – CTN e pelas normas previdenciárias., e o artigo 170A, do CTN, veda a compensação efetuada pela empresa: "Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01)". Apesar de querer afastar esse dispositivo em seu recurso, a recorrente deixou de observar a legislação em vigor, e lançou de forma equivocada o direito à compensação. Assim, se a fiscalização constata que a compensação não está de acordo com a legislação tributária, é dever do fisco realiza a glosa dos valores constituindo o crédito. Cabe mencionar que, o objeto da ação e o objeto da autuação estão em situações assemelhadas, pois não se localizou no processo o direito mencionado pela recorrente, conforme, inclusive, transcrição da DRJ de origem: "Isto significa que as compensações que a autuada afirma ter realizado nas competências 10/2009, 11/2009, 12/2009 e 13/2009 devem der qualificadas como indevidas, porquanto, àquela época, o acórdão de que vimos falando não havia sequer sido prolatado – e muito menos, por óbvio, transitado em julgado –, incidindo, portanto, in casu, a vedação estabelecida no art. 170A do CTN. Nada obsta, é claro, que depois de a referida decisão revestirse do manto da coisa julgada, poderá a empresa compensar com suas contribuições previdenciárias então vincendas os valores que, comprovadamente, tenha recolhido sobre os valores pagos aos seus empregados a título de abono de férias e dos 15 primeiros dias de afastamento em virtude de auxíliodoença ou auxílioacidente. O que não se pode admitir, entretanto, é a homologação das compensações de que a impugnante nos dá conta nas peças de fls. 837 a 864 e 793 a 820, seja por realizadas ao arrepio do CTN e do acórdão do TRF3, seja porque não comprovada a própria existência dos créditos que lhe dariam suporte, eis que, como alhures ressaltado, não há nestes autos elementos que Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 6 9 demonstrem a ocorrência de recolhimentos sobre as verbas citadas no parágrafo anterior. Face a tais considerações, impõese a ratificação da exigência das importâncias lançadas por meio dos Autos de Infração nº 51.003.6376 e 51.003.6384. Assim, sem razão a recorrente. DA MULTA APLICADA Por fim, sobre a multa aplicada, também não assiste razão a recorrente. Isso porque a penalidade imposta já foi na nova sistemática após a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Nesse sentido, a lavratura dos AI nº 51.003.6376 e 51.003.6384 se deu pelo descumprimento da obrigação tributária principal consistente em não recolher as contribuições previdenciárias devidas, culminando, portanto, na penalidade imposta pelo art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto, portanto, por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos pela Contribuinte, para o fim de sanar o vício da omissão de acórdão com relatório e voto, não conhecendo do pedido de duplicidade de lançamento, por preclusão e por não haver "bis in iden" alegado, bem como para no MÉRITO da análise do Recurso Voluntário não conhecêlo da parte que contesta judicialmente a incidência de verbas indenizatórias e das glosas lançadas, em razão da interposição da ação judicial, e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726445/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 45 /2 01 1- 41 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.035. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662125/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 25 /2 01 2- 65 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de IRPJ referente ao 2º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% para IRPJ, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 8%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8%, e não 32%. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.662125/201265 Acórdão n.º 1201002.520 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902971/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 71 /2 00 9- 64 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.902971/200964 Acórdão n.º 1402003.456 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.902971/200964 Acórdão n.º 1402003.456 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.441, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10925.902212/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.441): "Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000055/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.JULGAMENTO EXTRA PETITA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanear vício consistente em julgamento de matéria não contida no recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.JULGAMENTO EXTRA PETITA Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanear vício consistente em julgamento de matéria não contida no recurso voluntário.
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nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão embargada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 55 /2 00 2- 95 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 731 2 "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, atualizado pela Selic, que foi parcialmente deferido, para excluir do total pleiteado os valores relativos às exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, o valor do IPI das entradas, o valor dos fretes e a taxa Selic. Apresenta a contribuinte manifestação de inconformidade onde alega que as receitas de vendas de mercadorias adquiridas de terceiros não fazem parte da receita operacional bruta, que foram indevidamente incluídos na receita operacional bruta valores relativos a devoluções de compras para industrialização; que há um equívoco no valor do IPI do mês de janeiro, que pela Lei n2 10.276/2001, os combustíveis, energia elétrica e industrialização por encomenda devem compor o crédito e que a taxa Selic deve ser aplicada. A DRJ em Ribeirão Preto SP reformou parcialmente o indeferimento, tão somente para recalcular o IPI de janeiro, mantendo o indeferimento quanto ao restante, pelos seguintes fundamentos: os combustíveis, energia elétrica e industrialização por encomenda estão incluídos na apuração realizada pela fiscalização; inexiste previsão legal para a inclusão dos fretes no cômputo do crédito; descabe a utilização da taxa Selic. Inconformada, recorre a contribuinte. É o Relatório." O recurso voluntário foi provido em parte e o Acórdão n° 20219.340, de 07/10/08, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Impossibilidade de inclusão como insumo por falta de previsão legal. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 732 3 implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte." E o dispositivo foi o seguinte: “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, em dar provimento para que seja incluída a receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, devendo a referida receita ser incluída tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic: Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Carda zo, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte.” A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração (fls. 661 a 663), sob o argumento de que o julgamento se deu extra petita, pois a decisão, ao determinar a inclusão da receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética, teria extrapolado os limites do que fora pleiteado no recurso voluntário." O então Presidente desta turma admitiu os embargos (Despacho de Admissibilidade, fls. 713 a 716). É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira A matéria objeto dos embargos de declaração opostos pela PGFN exigiu que o então Presidente desta turma realizasse um trabalho (Despacho de Admissibilidade, fls. 713 a 716, datado de 27/10/16) que, de tão apurado, extenso e detalhado, julgo estar apto a prover as informações necessárias para que este colegiado forme seu juízo acerca do tema: "Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 20219.340, de 07/10/2008, cuja ementa abaixo transcrevese: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 733 4 Impossibilidade de inclusão como insumo por falta de previsão legal. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte." O resultado do julgamento foi o seguinte: “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, em dar provimento para que seja incluída a receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, devendo a referida receita ser incluída tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic: Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Carda zo, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte.” Alega a embargante que o julgamento se deu extra petita, vez que a decisão, ao determinar a inclusão da receita de produtos revendidos no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética, extrapolou os limites do requerido pela contribuinte no recurso voluntário. Relatadas as razões em que se fundamentaram os embargos, passase à análise de sua admissibilidade. Razão cabe à embargante. De fato, em nenhum momento a contribuinte requereu a exclusão das revendas de mercadorias do cálculo das receitas de exportação, mas sim do cálculo da receita operacional bruta. É de se observar, inclusive, que a contribuinte aquiesceu com o cálculo da receita de exportação formulado pela Fiscalização. Veja se o que diz o recurso voluntário: 'a) RECEITA DE EXPORTAÇÃO: Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 734 5 Ao formular o pedido de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, a Recorrente considerou receita de exportação o valor correspondente às notas fiscais de saída com código fiscal 7.11 (vendas de produção do estabelecimento) cujo embarque efetivamente ocorreu no período de apuração. As informações foram obtidas nos Despachos e Registros de Exportação. Salientese que, dentre o total das notas fiscais de saída emitidas pela Recorrente com o código 7.11, muitos produtos não foram embarcados no período de apuração, e, portanto, não integraram o valor da receita de exportação. Os valores informados pela Recorrente como exportações efetivas, utilizando como parâmetro a data do embarque, foram acatados pela Autoridade Fiscal e utilizados no cálculo do Crédito Presumido: [negritei] (...)' Segue o recurso voluntário questionando a inclusão das receitas de revendas de mercadorias no valor da receita operacional bruta. Vejase: 'I) QUANTO À INCLUSÃO DAS RECEITAS DE REVENDA DE MERCADORIAS: Conforme restou demonstrado através do detalhamento da composição da receita operacional bruta para fins de cálculo do crédito presumido do IPI nos quadros supra, a Autoridade Fiscal incluiu no referido cálculo os valores relativos aos códigos fiscais 5.12, 6.12 e 7.12, que correspondem a "venda de mercadorias adquiridas de terceiros". [negritei] (...) Assim, a revenda de mercadorias não compõe a receita operacional bruta para fins de apuração do Crédito Presumido do IPI, consoante orientação contida no artigo 21, I, da Instrução Normativa SRF n' 315, de 03 de abril de 2003, que dispõe sobre o cálculo, a utilização e a apresentação de informações do regime alternativo do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n' 10.276, de 10 de setembro de 2001.” [negritei] (...) II) QUANTO À RECEITA DE EXPORTAÇÃO: (...) Em decorrência dos argumentos supra, a Recorrente entende que o valor correto da Receita Operacional Bruta do trimestre, para fins de determinação do valor do Crédito Presumido do IPI, deverá ser obtido mediante: a) Exclusão dos valores relativos a revenda de mercadorias (CFOP 5.12, 6.12 e 7.12) e das respectivas devoluções de revenda de mercadorias (1.32 e 2.32). (...)” [negritei] Os pedidos formulados pela querelante no recurso voluntário deixam claro que em nenhum momento foi questionado o valor das receitas de exportação, mas sim o valor da receita operacional bruta. Vejase: “Pelo exposto, a Recorrente pede que seja julgado procedente o presente recurso para reformar o Acórdão DRJ/RPO n' 13.818, de 27/09/2006, proferido Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 735 6 pela 2 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP, para: a) Excluir do valor da receita operacional bruta os valores relativos à revenda de mercadorias (CFOP 5.12, 6.12 e 7.12) e as respectivas devoluções de revenda de mercadorias (1.32 e 2.32). b) Considerar, para fins de determinação do valor da receita operacional bruta, o valor das exportações efetivamente embarcadas no período, eis que este foi o valor das exportações utilizadas para fins de cálculo, e não a totalidade das saídas (CFOP 7.11) escrituradas no Livro Registro de Apuração do IPI, que inclui operações de exportação não concretizadas. c) Incluir na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI os valores relativos aos fretes. Requer a final, que o valor do ressarcimento, após procedidos os ajustes descritos nas alíneas "a" a "c" supra, seja acrescido da Taxa do SELIC desde a data em que se tornou devido, ou seja, abril de 2002 até o seu efetivo pagamento/ aproveitamento.” Verificase, portanto, ter ocorrido julgamento extra petita, em que se analisou algo que sequer foi objeto do pedido. Tratase, nesse caso, de error in procedendo intrínseco, ou seja, de um vício formal da própria decisão impugnada, que leva à devolução do processo à Turma julgadora para que seja proferido um pronunciamento adequado, devendo o julgado ser refeito, assim, apenas nesta parte, mormente porque tal vício não interfere na rejeição das demais postulações. Salientese que este Conselho, nos autos do processo administrativo n° 11065.001917/9861, já aceitou o manejo dos declaratórios para sanar julgamento extra petita. Vejase: “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO • CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar o julgamento extra petita relativo à concessão dos expurgos inflacionários e corrigir erro material relativo ao julgamento quanto à aquisição de insumos de nãocontribuintes existentes no Acórdão n? 20214.995.” Assim, entendo que restou caracterizado o vício no decisum apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, razão pela qual tenho por preenchidas as condições necessárias à admissibilidade do recurso. Desse modo, ACOLHO os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Salientese, por fim, que à contribuinte deve ser dada ciência do Acórdão n° 20219.340, devendolhe ser oportunizada a interposição de embargos de declaração. Após, devem os autos retornar ao CARF, para as providências cabíveis. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente da 1° TO/3' CAM/ 3° SEJUL/CARF" Pelos motivos expostos no Despacho de Admissibilidade acima transcrito, proponho que os embargos de declaração opostos pela PGFN sejam acolhidos, com efeitos infringentes, para que sejam alterados os textos da ementa e do dispositivo, que passarão a ser os seguintes: EMENTA Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13986.000055/200295 Acórdão n.º 3301005.051 S3C3T1 Fl. 736 7 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Impossibilidade de inclusão como insumo por falta de previsão legal. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso Voluntário negado." DISPOSITIVO “ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, em negar provimento à inclusão dos fretes na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento à atualização do ressarcimento pela taxa Selic: Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Carda zo, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte.” É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 736DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.003397/2004-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 11/09/2002
IPI. COMPETÊNCIA. DECLINADA. TURMA ESPECIALIZADA.
Compete a Turma Especializada o julgamento de recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa sobre aplicação da legislação do IPI a caso que não se trata de importação ou lançamento decorrente de classificação de mercadoria.
Declinada a Competência.
Numero da decisão: 3201-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para Turma especializada em IPI.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente, que assina para efeitos de formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator ad hoc (art. 17, inc. III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, Nilton Luiz Bártoli, Heroldes Bahr Neto (Relator), Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: Relator
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COMPETÊNCIA. DECLINADA. TURMA ESPECIALIZADA. Compete a Turma Especializada o julgamento de recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa sobre aplicação da legislação do IPI a caso que não se trata de importação ou lançamento decorrente de classificação de mercadoria. Declinada a Competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para Turma especializada em IPI. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente, que assina para efeitos de formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator ad hoc (art. 17, inc. III, do Anexo II do RICARF) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Irene Souza da Trindade Torres, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 33 97 /2 00 4- 64 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 3 2 Nilton Luiz Bártoli, Heroldes Bahr Neto (Relator), Celso Lopes Pereira Neto e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. Em 01/12/2004, foi lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de fls. 227/232, juntamente com o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal de fls. 202/226, que traz a respectiva capitulação legal (fls. 218/224), em que se destacam os artigos 202 e 484, III do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/98), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998. Conforme o teor da descrição dos fatos (fl. 228) e do sobredito termo de verificação, em 11/09/2002, foram encontradas jóias em bagagem de condutor de veículo automotor, pela Polícia Militar Rodoviária, cujas quantidades não correspondiam às quantidades indicadas nas notas fiscais (fls. 30/40) apresentadas pelo portador das jóias, que, segundo o depoimento do qual (fls. 28/29), não teriam relação com as jóias transportadas e apreendidas. Posteriormente, as jóias foram remetidas à DRF em Presidente Prudente, SP, sendo constatadas diferenças de quantidades quanto a alguns itens relacionados no Auto de Apresentação e Apreensão lavrado pela Polícia Federal (fls. 25/26), conforme o quadro de fl. 204, e foi requisitado à Polícia Federal, mediante ofício, a elaboração de laudo pericial referente às jóias apreendidas, sendo requisitada, pela Polícia Federal, a liberação das jóias para remessa ao SECRIM/SP para a realização do exame pericial, o que ocorreu mediante ofício com a discriminação das peças (fl. 206). Em ação fiscal desencadeada na empresa em tela, foram recebidas notas fiscais (fls. 81/112) com data de emissão de 11/09/2002, sem detalhamento da hora de saída, e com quantidades discrepantes (a menor) em relação às jóias apreendidas. Com o laudo pericial (fls. 155/165), enviado mediante ofício, sem as jóias anteriormente remetidas, houve a constatação das seguintes características: maioria das peças em ouro, algumas de prata; peças de ouro, na maioria, com peso igual ou superior a um grama, classificadas na posição 7113 da TIPI. No referido laudo, não foi respondido o quesito respeitante à existência de punção. Solicitadas informações complementares e a devolução das mercadorias, a Polícia Federal comunicou, no ofício de fl. 188, o desaparecimento do material remetido ao SECRIM/SP. Segundo a autoridade fiscal, na ação fiscal, teria sido constatada visualmente a existência de superfície livre maior que meio milímetro para a gravação de algarismos e de letras, conforme, inclusive, reproduções impressas das jóias (fls. 41/66), angariadas junto destas na apreensão ocorrida. Em virtude dos fatos narrados, notadamente a ausência de punção obrigatória, as mercadorias apreendidas são reputadas como não identificadas com o descrito nos documentos fiscais e, portanto, sujeitas à pena de perdimento. A contribuinte, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 239/248, subscrita pelo respectivo patrono, Dr. Adriano Célio Alves Machado, qualificado à Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 4 3 fl. 249, e instruída com a documentação de fls. 250/264, em que, em síntese, há as seguintes alegações: 1. Em virtude da falta de demonstração do enquadramento dos fatos em cada um dos dispositivos legais citados, sem pormenorização e sem conclusão, teria sido violada a garantia constitucional da ampla defesa; 2. A peça impositiva carece de objeto, pois a pena de perdimento é inviável por conta do desaparecimento das jóias nas dependências da Polícia Federal, e, também porque o laudo da Polícia Federal deixou de dar respostas a alguns quesitos formulados; 3. A autuação é nula por ser baseada em meras presunções, sem a análise física dos objetos, já que os auditores acabaram fazendo um “laudo complementar indireto”, cuja idéia, inicialmente, suscitada pela Polícia Federal, fora repudiada pelo próprio Delegado da Receita Federal em Presidente Prudente, SP; 4. A autoridade administrativa não pode fazer juízo pessoal e subjetivo, não pode acusar sem provas suficientes; segundo os laudos da Caixa Econômica Federal (fls.163/165) e do Instituto de Criminalística (fls. 155/162) não apontaram irregularidades e teria sido demonstrada a correção dos valores consignados pela autuada nas notas fiscais, tendo sido recolhido corretamente o imposto devido (documentos anexos); a inexistência de punção não poderia ser presumida com base meramente no fato de a primeira perícia não ter feito nenhuma referência à existência de letras e algarismos nas peças, seria necessária uma perícia complementar; há vedação legal para a autuação administrativa baseada em simples presunção; em virtude do desaparecimento das jóias, não foram atendidos os termos do RIPI/98, art. 427 (verificação em diligência ou exame técnico da veracidade dos elementos constantes da marcação); as reproduções de peças não correspondem às peças apreendidas, sendo estas destinadas a demonstração, sendo, assim, prescindíveis reproduções fotográficas; 5. Inexistem as falhas de correspondência entre as quantidades apreendidas e aquelas constantes das notas fiscais nº 006876 a 006898 e 006922 a 006928 e 006930: seriam exatamente 73 colares e 162 pingentes, conforme as quantidades nas referidas notas fiscais; o que existiria é a divergência entre os números apurados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, o que desacredita qualquer confronto com as notas fiscais; há também disparidades entre as quantidades avaliadas pela Polícia Federal e Receita Federal quanto a pulseiras, anéis, brincos e alianças, que são itens não mencionados na peça impositiva; as divergências apontadas desautorizam a alegação de falta de correspondência entre a quantidade de mercadorias apreendidas e a quantidade retratada nas notas fiscais citadas; 6. Ao contrário do que é afirmado na autuação, as notas fiscais identificariam perfeitamente as peças, com a discriminação por tipo, modelo, material, pedras, cor das pedras, pérolas e madrepérolas; cada peça apreendida possuía uma etiqueta com o código lançado nas notas fiscais, utilizado pelo Instituto de Criminalística para a individualização das peças periciadas (exemplo à fl. 246); 7. A ausência de alíquota e valor do IPI nas notas fiscais apreendidas é explicada pela natureza da operação: remessas para demonstração, com suspensão do IPI; foi tudo feito de acordo com o RIPI/98, art. 303; como as mercadorias não retornaram ao estabelecimento da autuada no prazo previsto na legislação, por causa da apreensão, houve o recolhimento dos valores, conforme documentação anexa; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 5 4 8. A pena de perdimento é prevista em duas hipóteses (art. 484): falta de comprovação da origem da mercadoria ou falta de inscrição no CNPJ; nenhuma das hipóteses ocorreu, pois há regularidade da inscrição da impugnante no CNPJ, e, além da correta identificação das peças, o fato de que a primeira perícia não tenha feito referência à punção não autoriza a presunção da respectiva inexistência; os auditores não possuíam conhecimentos técnicos específicos para constatar a punção ou a existência de superfície livre (> 0,5 mm) para punção; 9. Quanto às notas fiscais, que teriam sido emitidas após a apreensão, segundo presunção dos auditores, não haveria irregularidades, conforme exame de arquivos magnéticos efetuado pelos auditores, com acompanhamento de um técnico de informática; se as notas fiscais tivessem sido emitidas posteriormente à apreensão, o sistema acusaria, pois há registro de data e hora da emissão de documentos fiscais; 10. Por fim, o auto de infração deve ser julgado insubsistente, com o cancelamento da pena de perdimento imposta Em 03/08/2007, foi proferido por esta Turma de Julgamento o Acórdão DRJ/RPO n° 1416.571 (fls. 298/301), com o julgamento de improcedência do lançamento, em virtude de ausência de comprovação da obrigatoriedade para punção das jóias apreendidas, assim como da perda de objeto para o perdimento destas por conta do respectivo desaparecimento nas dependências da Policia Federal. Em 15/10/2007, foram exarados os embargos de declaração, por omissão de decisão administrativa, de fls. 307/309, em que é apontada a existência de um segundo laudo pericial oriundo da Policia Federal (fls. 269/282), de 27/07/2005, ignorado pelo acórdão, em que são respondidos quesitos anteriormente ignorados, ficando patente, inclusive, o reaparecimento das jóias de que trata a pena de perdimento. A contribuinte tivera ciência do referido laudo pericial em 25/01/2006, conforme AR nos autos, e apresentou, em 2310212006, a manifestação de fls. 287/290 em que, basicamente, vergasta a legitimidade do segundo laudo, que padeceria de vicio insanável, por não ter sido informada, por mais de sete meses, do reaparecimento das jóias e, assim, acabou sendo impedida de verificar a integridade das mercadorias, e não foi intimada a acompanhar a realização da nova perícia.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO decidiu pela procedência do lançamento em acórdão cuja ementa está assim redigida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 11/09/2002 JÓIAS. PUNÇÃO. SUPERFÍCIE LIVRE PARA ALGARISMOS E LETRAS COM ALTURA IGUAL OU SUPERIOR A 0,5 MM. OBRIGATORIEDADE. A punção em jóias é obrigatória naquelas com superfície livre que, comprovadamente, permita a aposição de algarismos e letras com altura igual ou superior a meio milímetro. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 6 5 PENA DE PERDIMENTO. PRODUTOS DA POSIÇÃO 7113 DA TIPI CUJA ORIGEM NÃO FOR COMPROVADA. As jóias apreendidas, sem punção obrigatória ou acobertadas por notas fiscais sem as especificações mínimas, vale dizer, sem valor legal, são reputadas como não identificadas com o descrito nos documentos fiscais e, portanto, sujeitas à pena de perdimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/09/2002 REVISÃO DE ACÓRDÃO. Constatada, antes da ciência do sujeito passivo, a existência de lapso manifesto em acórdão originalmente proferido, este deve ser submetido a revisão. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. A descrição suficiente e completa dos fatos, com a adequada indicação dos dispositivos regulamentares infringidos, na peça fiscal, desautoriza a denúncia, pelo sujeito passivo, do cerceamento do direito de defesa. Lançamento Procedente” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes, tendo o processo sido distribuído ao Conselheiro Heroldes Bahr Neto. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator ad hoc. O processo foi julgado em sessão de 17/06/2009, tendo sido declinada a competência do julgamento para turma especializada em IPI. Tendo em vista que o Conselheiro Heroldes Bahr Neto, Relator, não mais integra o CARF e não formalizou o acórdão, o Presidente da 2ª Câmara distribuiume o processo para redigilo, conforme Despacho nº 3200252. Na data da sessão de julgamento estava em vigor Regimento Interno anterior ao atual. Transcrevo disposições do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/6/2007, vigente à época do julgamento: “Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I às Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras, os relativos a: a) imposto sobre produtos industrializados (IPI), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI nos casos de importação; (...) II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. Art. 22. Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I imposto sobre a importação e a exportação; II imposto sobre produtos industrializados nos casos de importação; III apreensão de mercadorias estrangeiras encontradas em situação irregular, prevista no art. 87 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964; Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 8 7 IV contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; V classificação tarifária de mercadoria estrangeira; VI isenção, redução e suspensão de impostos de importação e exportação; VII vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; VIII omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; IX infração relativa a fatura comercial e outros documentos tanto na importação quanto na exportação; X trânsito aduaneiro e demais regimes especiais e atípicos, salvo a hipótese prevista no inciso XVII, do art. 105, do Decreto lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; XI remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do Decretolei nº 37, de 1966.; XII valor aduaneiro; XIII bagagem; XIV imposto sobre propriedade territorial rural (ITR); XV imposto sobre produtos industrializados (IPI) cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias; (...) Conforme relatado, as mercadorias foram apreendidas pela Polícia Militar dentro do País, em zona secundária, ou seja, não estaria em procedimento de importação e não se trata de exigência de IPI decorrente de classificação das mercadorias. Com a produção de efeitos, em 1º/7/2009, da Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, houve a substituição dos antigos Conselhos de Contribuinte pelo CARF, de modo que cada um dos Conselhos se transformou em uma Seção de Julgamento do novo Órgão Colegiado, que compôsse de Câmaras, constituídas de Turmas Ordinárias e Turmas Especiais de julgamento. Apenas após 1º/7/2009, a 3ª Seção de Julgamento passou a ter competência para julgamento de matérias relativas à aplicação da legislação do IPI em geral, com exceção, apenas, dos casos previstos no art. 2º, IV, do Anexo II do RICARF, que trata de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos. Porém, uma vez que o RICARF não estava em vigor na data do julgamento, não poderia ser aplicado. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10835.003397/200464 Acórdão n.º 3201000.189 S3C2T1 Fl. 9 8 Por todo o exposto, com fundamento nos arts. 21 e 22 do Regimento dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/6/2007, tendo em vista que a matéria em discussão se trata de aplicação da legislação do IPI a fatos que não se enquadram nas competências do Terceiro Conselho de Contribuinte, votase por declinar a competência para o julgamento do recurso voluntário para turma especializada na aplicação da legislação do IPI. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Redator ad hoc. Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.914277/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 27 7/ 20 12 -4 4 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 03790.39998.301012.1.3.048308 a compensação de débito de IRPJ (cód.2362) do período de apuração 09/2012 no valor de R$ 6.313,71 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 171.252,74 do período de apuração 03/2012, arrecadado na data de 25/04/2012. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 6.251,20. Do Despacho Decisório A DRF de Campinas/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042010145 (efls.18), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 31/03/2012. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), nos seguintes termos: “O crédito informado pela empresa na Perdcomp acima informado está correto, e portanto, estamos apresentando a DCTF referente março de 2012 para comprovação do mesmo”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2012 RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Aludi o autor do voto como principal premissa a sustentar a decisão proferida, o fato de a interessada ter apresentado DCTF Retificadora após a ciência do Despacho Decisório, quando “a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o inciso I, alínea c do § 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010”. Do Recurso Voluntário Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.59) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que o crédito informado pela empresa na PER/DCOMP está correto. A redução do débito ocorreu pela retificação da apuração de PIS e COFINS, por não ter sido incluído os créditos relativos aos Retornos de Mercadorias não entregues, emitidas com o CFOP 1949/2949; (b) ocorreram vendas e por algum motivo não foram aceitas pelos clientes, estando o motivo da recusa firmado no verso da Nota Fiscal de venda, o que acarretou a emissão de Notas Fiscal de entrada; (c) apresenta relação de Notas Fiscais e cópia de algumas delas para comprovar o ocorrido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte em procedimento de revisão de sua escrituração fiscal/contábil constatou haver erro de apuração e de declaração em DCTF dos valores devidos de PIS e COFINS do período março de 2012. O valor originalmente declarado e pago de COFINS foi R$ 171.252,74 quando o correto seria R$ 165.001,54 informado em DCTF Retificadora (e fls.32), transmitida na data de 22/01/2013. A diferença entre o valor pago e o informado em DCTF Retificadora corresponde ao valor do crédito indicado na PER/DCOMP R$ 6.251,20. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DCTF Retificadora em 22/01/2013, data posterior ao de ciência do Despacho Decisório dado por “AR” em 21/01/2013 (efls.49), o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Ocorre que com o Recurso Voluntário a recorrente procurou esclarecer as razões que a levaram a ingressar com a PER/DCOMP e também, proceder com a apresentação de Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 5 4 DCTF Retificadora. Junta as fls. 63/64 relatório indicando as notas fiscais que teriam dado origem ao crédito, redutor do débito originalmente declarado em DCTF, cópia de documentos fiscais (por amostragem), além de cópia do livro fiscal de entradas e planilha de apuração do PIS e da COFINS do mês de março de 2012 (efls.101 a 119). Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10830.914277/201244 Resolução nº 3401001.466 S3C4T1 Fl. 6 5 força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963859/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 38 59 /2 00 9- 63 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.963859/200963 Acórdão n.º 1201002.424 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.963859/200963 Acórdão n.º 1201002.424 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.963859/200963 Acórdão n.º 1201002.424 S1C2T1 Fl. 5 4 A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720416/2017-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 16 /2 01 7- 53 Fl. 90DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, anocalendário de 2011, em que foi apurada omissão de rendimentos. 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da PORTO ALEGRE. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 67/70. Em síntese, alega ser portadora de moléstia grave (neoplasia maligna, desde agosto de 2011). Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que o Laudo Médico, apesar de ser simples, atende as exigências da Lei, complementados por exames laboratoriais. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10140.720416/201753 Acórdão n.º 2001000.306 S2C0T1 Fl. 3 3 Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 70. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Fl. 92DF CARF MF 4 Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. A interessada apresenta Laudo Médico emitido pelo Serviço de Dermatologia Dr. Günter Hans, que não identifica o serviço médico oficial a que estaria vinculado. Ademais, o próprio texto do documento não menciona diagnóstico, mas procedimento ("exérese de lesão"). Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.001435/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN.
A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN.
DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-Lei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-Lei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Voluntário Negado
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DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do DecretoLei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 14 35 /2 00 8- 20 Fl. 4270DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de auto de infração (fls.02 a 134), notificado pessoalmente ao contribuinte em 29/08/2008 (fls.05, 68, 101 e 133), lavrado em face de inadimplência de Atos Concessórios de Drawback Suspensão. Na tabela seguinte, podemse ver alguns dados extraídos do Relatório produzido pela fiscalização: A C nº Fls. Situação Siscomex Inadimplência Validade DI vinculado (fls.) RE vinculado pelo nº do AC (fls.) 20020202245 189 a 193 Parcial 17/12/2003 878 a 880 888 a 901 20040029484 194 a 202 Total 20/02/2005 884 a 885 902 a 910 20040085007 203 a 209 Parcial 03/05/2006 884 a 885 911 a 914 20050080083 210 a 211 Parcial 28/03/2007 886 a 887 915 a 919 Foram objeto do lançamento, que montou um valor total igual a R$ 1.669.263,82: o Imposto de Importação, o IPI – vinculado, o PIS/Pasep Importação, a Cofins Importação, os Juros de Mora e a Multa de Ofício (75%), estes dois últimos sobre cada um dos tributos em questão. Segundo consta do auto de infração, bem como do Relatório de Ação Fiscal (fls.135 a 152), que o acompanha, referido procedimento teve início em 08/02/2008, visando auditar mencionados Atos Concessórios, que deram amparo às importações de mercadorias classificadas na NCM 3207.10.90, 3207.10.10, 3207.40.90 e 2530.90.90, provenientes dos Estados Unidos, da Itália e da Espanha, com vistas à industrialização de revestimento cerâmico (NCM 6907.90.00), a ser posteriormente exportado. Após discorrer brevemente sobre a norma que regia os procedimentos fiscais à época, bem assim a legislação específica sobre o Drawback Suspensão, ainda sob a vigência do Fl. 4271DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 3 3 Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), a fiscalização abordou os fatos apurados. Houve comparecimento pessoal da Auditora Fiscal no endereço do contribuinte, para cientificar o interessado do início do procedimento e intimarlhe a apresentar alguns documentos. Com a resposta, foi informado pelo contribuinte que este “desconhecia os motivos pelos quais os Atos apresentavam situação ‘inadimplente total’ e ‘inadimplente parcial’ no sistema Siscomex e, portanto, havia protocolado pedido de explicação à Secex” (fls.137 e 901/904). Ademais, foi dito à fiscalização, pelo contribuinte, que “não foi tomada nenhuma providência prevista no art.342 do Regulamento Aduaneiro” (item “6”, à fls.158). A fiscalização destacou que o art. 352, do Regulamento Aduaneiro de 2002, determinava que a utilização do Regime deveria ser anotada no documento comprobatório da exportação, o que deveria ser feito no Registro de Exportação (RE). Acostaramse aos autos, as telas dos Registros de Exportação, vinculados aos respectivos Atos Concessórios, não tendo sido considerados aqueles RE que, eventualmente, tiveram “erros de digitação”, não contendo, assim, o exato número do AC ao qual deveria estar vinculado. Embora tendo sido verificado que havia Registros de Exportação vinculados a cada um dos Atos Concessórios, foi necessário “analisar se foi exportada toda quantidade de mercadoria, conforme acordado no AC e se toda mercadoria importada com suspensão de impostos foi utilizada no processo produtivo da mercadoria que foi exportada”. No quadro abaixo, resumo das análises levadas a efeito pela fiscalização aduaneira: AC nº EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO QT (m2) total efetivamente exportada QT (m2) total a exportar, segundo AC NCM (Import) QT (kg) total necessária para fabricação do que foi exportado QT (kg) total efetivamente importada QT (kg) total importada a mais do que a necessária 3207.10.90 17.569,37 85.490,00 67.910,63 20040029484 324.942,15 768.394,36 3207.10.10 259.953,72 760.000,00 500.046,28 3207.10.90 7,120,95 6.050,00 20040029483 131.625,70 111.788,00 3207.10.10 105.300,56 40.000,00 3207.10.90 29.119,03 56.175,00 27.055,97 20020202245 538.244,63 466.898,00 3207.10.10 430.595,70 520.000,00 89.404,30 2530.90.90 11.025,43 90.707,60 79.628,17 3207.10.90 37.509,46 7.400,00 20040085007 261.390,00 112.377,54 3207.40.90 914,87 6.753,00 5.838,14 Para fins de cálculo dos tributos devidos, a fiscalização utilizou se do critério PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), que privilegia o consumo das entradas mais antigas, em face das mais recentes, lançando os tributos correspondentes às Declarações de Importação com datas de registro mais recentes, considerando que as DI mais antigas carrearam as importações Fl. 4272DF CARF MF 4 de mercadorias que foram utilizadas efetivamente na fabricação do produto exportado. Em outras palavras, uma vez identificada a quantidade de mercadoria importada a mais do que a que seria necessária para fabricação do produto efetivamente exportado, essa quantidade foi apropriada nas Declarações de Importação, vinculadas ao AC, registradas mais recentemente, sendo notado que houve casos em que se procedeu a determinados “ajustes de quantidades”, haja vista que houve saldos finais a apropriar que “consumiram” apenas parte da quantidade total efetivamente importada numa DI. Assim, a fiscalização efetuou os cálculos dos tributos constantes do auto de infração sobre as quantidades totais de mercadorias que foram importadas em “valores” superiores aos que seriam necessários para fabricação das quantidades de produto efetivamente exportado o que correspondeu à última coluna à direita, na segunda tabela desse Relatório. Em 30/09/2008, o contribuinte autuado interpôs sua impugnação (fls.975 a 987 – volume VI), alegando, em síntese: a) Que o trabalho da fiscalização foi incompleto, embora minucioso, pois que foi considerado somente parte dos Registros de Exportação – somente aqueles que estavam vinculados ao módulo drawback, no Siscomex, bem como aos respectivos Atos Concessórios. Segundo suas palavras: “Assim, a fiscalização deixou de considerar todos os demais Registros de Exportação, que também servem para demonstrar a remessa desses produtos ao exterior, ainda que possa ter existido falha da empresa na vinculação desses REs aos respectivos Atos de Concessão, ou ainda ao módulo Drawback do Siscomex.”; b) Que o descumprimento de obrigações acessórias, como a vinculação do RE ao AC, não representou qualquer benefício ao contribuinte, muito menos uma prática comercial abusiva ou desleal, não implicou qualquer majoração de tributos, nem prática de ato ilícito ou máfé do contribuinte, não representando, aliás, qualquer tipo de dano ao erário ou a terceiros. Ademais, a “legislação vigente estabelece a necessidade de que a interpretação das infrações tributárias seja efetuada da forma mais benéfica ao contribuinte acusado, sobretudo quando existir dúvida quanto a natureza ou as circunstancias materiais do fato, ou a natureza e extensão de seus efeitos”, consoante dispõe o art.112, do CTN, o que se aplicaria ao caso, uma vez que não poderia haver a “desclassificação do regime aduaneiro especial, em decorrência da simples inobservância de obrigações secundárias”. c) Que os RE acostados aos autos estão devidamente vinculados aos respectivos AC, embora a empresa, por equívoco, não providenciou a vinculação desses RE ao módulo de drawback do Siscomex; d) Que também houve falta de vinculação de algumas exportações a um dos AC de que era titular, muito embora as mercadorias importadas foram utilizadas na fabricação do produto exportado; e) Que o art.342 – III (destacado pelo contribuinte – volume VI, à fls.984/985), do Regulamento Aduaneiro de 2002, possibilitava a regularização da situação junto ao órgão concedente; Fl. 4273DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 4 5 f) Que na hipótese de ser “necessária a regularização das obrigações acessórias”, fosse deferida a possibilidade dessa regularização, haja vista que a documentação apresentada seria suficiente para comprovar a utilização das mercadorias importadas na produção do que fora exportado. Nos pedidos formulados, ao final, demandou pelo conhecimento da impugnação, pelo julgamento da procedência de suas alegações, pela possibilidade de sustentação oral de sua defesa em sessão de julgamento, previamente notificada ao contribuinte, que todas as intimações sejam endereçadas em nome do patrono do contribuinte autuado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: Assunto: Regimes Aduaneiros Especiais. Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS DEVERES INSTRUMENTAIS. A correta fruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade Suspensão, requer a observância dos deveres instrumentais previstos na legislação expedida pela Secretaria de Comércio Exterior – Secex. O Registro de Exportação deve trazer consigo a indicação do código específico de enquadramento da operação, como vinculada ao Regime de Drawback, bem como indicar o número do Ato Concessório ao qual se liga. Se o código de enquadramento da operação se vincula a uma “exportação genérica” ou se não há indicação do número do Ato Concessório, o respectivo Registro de Exportação não pode ser aceito como integrante do cumprimento das condições do Regime. EXPORTAÇÕES DESCONHECIDAS PELA SECEX. A existência de exportação de produto fabricado com mercadoria amparada pelo Drawback Suspensão, mas cujo Registro de Exportação não foi apresentado à Secex para comprovação do atendimento das condições do Ato Concessório, não pode ser aceita pela RFB, ainda que a exportação tenha sido tempestiva. REGULARIZAÇÃO PERANTE A SECEX. Os procedimentos a serem tomados, no caso de as mercadorias admitidas no Regime de Drawback Suspensão deixarem de ser empregadas no processo produtivo, ainda que parcialmente, nos termos previstos no Ato Concessório, ou seu emprego em desacordo com esse mesmo Ato, devem ser seguidos nas exatas prescrições regulamentares, que se adequam aos casos de inadimplemento do compromisso de exportar, de renúncia à aplicação do Regime ou de descumprimento de outras condições previstas no Ato Concessório. Não se pode escolher uma das opções disponíveis sem que seja observado o requisito ao qual se vincula, por estarem previstas em texto do Regulamento Aduaneiro. Assim, se for o caso de descumprimento do compromisso de exportação, não pode haver regularização junto ao órgão expedidor do Ato Concessório. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS CÁLCULOS. Se o contribuinte não apresenta seus próprios cálculos para Fl. 4274DF CARF MF 6 contrapor os que foram elaborados pela fiscalização, limitando se a apresentar um conjunto de documentos, com a alegação genérica de que os cálculos foram impugnados, há preclusão nos termos do art.17, do Decreto nº 70.235/72. SUSTENTAÇÃO ORAL NA DRJ. A Portaria MF nº 341/2011 não prevê sustentação oral em sede de primeira instância administrativa de julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O lançamento teve origem no descumprimento do compromisso de exportação assumido em Atos Concessórios de Drawback, conforme consta detalhadamente do relatório. A teor do relatado, o cerne da lide esta em decidir se a obrigações acessórias para confirmar as exportações vinculadas ao Drawback seria um mera obrigação formal que não inviabilizaria a comprovação do compromisso de exportação como quer fazer crer a Recorrente ou tal fato inviabiliza a correta aferição do compromisso assumido no Ato Drawback e portanto, desqualifica as exportações para cumprimento do regime, o que enseja a exigência dos tributos devidos, entendimento adotado pela Fiscalização. Para a solução da lide é necessário relembrar a definição do Drawback e o procedimento de comprovação do adimplemento do regime. Do Regime de Drawback e a exigência da comprovação das obrigações pactuadas no Ato Concessório. O benefício do Drawback pressupõe o acordo entre o Estado e o contribuinte, onde é concedido um benefício tributário tendo como contrapartida o cumprimento de certos requisitos. A materialização deste acordo é feito mediante o pedido e a emissão do ato concessório, fixando os benefícios e as obrigações do beneficiário do regime. A Receita Federal responsável pela fiscalização e a Secretária de Comércio Exterior SECEX, que responde pela concessão do regime, definiram, que determinam a forma a ser utilizada o Drawback, as informações a serem prestadas e prazos que deverão ser cumpridos pelos contribuintes. O conjunto destas obrigações, tais como, informar um determinado código nos documentos de exportação e informar os dados de cumprimento dos Fl. 4275DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 5 7 atos nos sistemas informatizados responsáveis pelos controles do regime, dentre outros, passaram a ser complementares ao regime e são utilizados para comprovar a realização dos compromissos assumidos. O cumprimento das obrigações administrativas de nenhum forma torna impossível a revisão ou de forma definitiva o adimplemento das obrigações registradas no ato concessório. Podendo ser objeto de revisão e fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, neste caso específico a Secretária de Comércios Exterior SECEX e a Receita Federal do Brasil. De outro giro, o descumprimento das obrigações, apesar de poder ensejar a aplicação de penalidades administrativas não se torna verdade absoluta quanto ao descumprimento da obrigações pactuadas no regime. As informações prestadas pelo contribuinte, comprovam o cumprimento do ato concessório e permitem aos órgãos controlador e fiscalizador a auditoria da efetiva ocorrência da operação. A falta de informação nos termos determinados em atos administrativos, implica em considerar que não existiu o adimplemento das obrigações do regime, determinando que a Fiscalização Aduaneira realize o lançamento para a exigência dos tributos suspensos Do descumprimento de deveres instrumentais no Drawback Suspensão Verificase que as exportações efetuadas através dos respectivos RE Registros de Exportações, preenchidos pelo próprio exportador, foram enquadradas como "exportação normal" quando o correto a ser informado para justificar o cumprimento do regime é que tratavase de exportações vinculadas ao Drawback. Ao solicitar o enquadramento da operação de exportação no “regime normal”, o exportador fez com que todo o procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com o tratamento fiscal de uma exportação no "regime comum" ou “Sistema Geral de Preferência” sem que fossem adotadas as cautelas próprias para uma exportação no "regime drawback" (solicitar a apresentação do Ato Concessório Drawback, confrontar as mercadorias exportadas com aquelas autorizadas pelo Ato Concessório, etc. ... ). Desta forma, não pode o exportador, após concluídos todos os procedimentos de despacho de exportação, utilizarse de uma exportação efetuada no "regime comum" ou “Sistema Geral de Preferência” para comprovar um Ato Concessório Drawback Suspensão. Neste caso, somente exportações enquadradas nos códigos de operação para o Regime Aduaneiro Especial de Drawback é que são hábeis para comprovar o Ato Concessório Drawback Suspensão. No caso em tela a fiscalização após detalhado procedimento de auditoria verificou a ausência de exportações que estivessem vinculadas ao Regime Drawback. A alegação da Recorrente que existiram exportações e que seriam aptas a comprovar o regime carece de amparo nos sistemas informatizados da Receita Federal e do MDIC. Tal fato pode ser comprovado com a informação da SECEX que os Atos Concessórios fiscalizados estavam inadimplidos. Fl. 4276DF CARF MF 8 A obrigatoriedade de informação nos Registros de Exportação para as exportações do drawback esta prevista no art. 325 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, vigente a época dos fatos. “Art. 325 – A Utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação.” A obrigatoriedade de incluir as informações referentes ao drawback nos Registros de Exportação advém da necessidade dos procedimentos aduaneiros, adotados no desembaraço das exportações, serem diferentes de uma exportação normal, pois nas exportações que visam o cumprimento do regime de drawback é necessário verificar se a mercadoria exportada corresponde aquela informa no ato concessório e atende as exigências necessárias para serem consideradas para cumprimento do regime. A necessidade de atender todos os requisitos necessários para a comprovação do regime de Drawback é matéria já discutida neste Conselho e a sua obrigatoriedade para comprovação do regime vem sendo adotada pela Câmara Superior deste Conselho, conforme pode ser verificado nos acórdãos abaixo: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 05/08/1999 a 02/09/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. Recurso Especial do Contribuinte Negado.”(Acórdão 9303 002869.julgado em 19/02/2014. Rel. Henrique Pinheiro Torres) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 16/01/1995 a 27/03/1998 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do DecretoLei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Especial do Procurador Provido.”(Acórdão 9303 002.174. julgado em 18/10/2012. Rel. Mércia Helena Trajano D’Amorim) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/02/1992, 21/02/1992, 13/04/1992 Fl. 4277DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 6 9 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. ASSUNTO:. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/07/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO COMUM. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. IMPOSIÇÃO LEGAL. 0 regime aduaneiro especial de drawback suspensão comum exige, em regra, sejam controlados, em separado, os estoques de insumos nacionais e importados, de forma a possibilitar a perfeita demonstração de que os insumos importados foram efetivamente empregados nas mercadorias exportadas, DRAWBACK SUSPENSÃO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual Vinculação ao Ato Concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. Recurso Especial do Procurador Provido. .”(Acórdão 9303 01.248.julgado em 06/12/2010. Rel. Henrique Pinheiro Torres) Da possibilidade de consideração de regularização de Atos Concessórios e exportações não informadas à SECEX A Recorrente argumenta que caberia a Fiscalização da Receita Federal aceitar exportações que não foram informadas à SECEX. Entendo não assistir razão ao recurso. A legislação ao definir os papeis dos órgãos responsáveis por conceder os benefícios do DrawBack, determinou à SECEX competência para a concessão do Ato Concessório e verificar o cumprimento das exportações acordadas de acordo com as informações prestadas pelo beneficiário. A SECEX no seu trabalho de conceder e acompanhar os Atos Concessórios realiza procedimentos próprios de sua competência, não cabendo à Receita Federal interferir nestes procedimentos. A Receita Federal possui a competência de fiscalização das operações de DrawBack, entretanto, não possui a competência para conceder, alterar ou aceitar exportações que não foram informadas à SECEX. Fl. 4278DF CARF MF 10 O pleito da Recorrente esbarra em barreira intransponível de competências governamentais. que impede ao CARF, órgão responsável pela julgamento de processos administrativos no âmbito do Ministério da Fazenda, adentrar as competências legais e institucionais de outro Ministério. A simples leitura do pleito da Recorrente, por si só já demonstra a total impropriedade deste pedido. A análise das informações sobre compromissos de exportar é realizada pela SECEX, a partir de informações prestadas pelo Beneficiário, eventuais ausências e equívocos destas informações devem ser solucionadas junto à SECEX, não cabendo nenhuma manifestação deste colegiado sobre este Ato Administrativo. Da impugnação dos cálculos Alega a Recorrente que diferente da posição adotada pela decisão de primeira instância, apresentou impugnação aos cálculos do auto de infração. Analisando a decisão da primeira instância verificase que o acórdão afirmou que não existiam na impugnação questionamentos quanto aos cálculos realizados pela Fiscalização. A Recorrente afirma que se considerados todas as exportações que constam das alegações o Regime estaria cumprindo na sua totalidade. Assim, afirma a Recorrente, existiu uma impugnação aos cálculos. Em que pese a discussão ou não da existência de impugnação do cálculo, entendo que nos termos detalhados neste voto, não existe reparo no trabalho realizado pela Fiscalização da Receita Federal e portanto, os valores constantes do lançamento devem ser mantidos na sua integralidade. A alegação da Recorrente que existiriam equívocos neste cálculo somente poderiam prosperar se houvessem sido consideradas exportações além daquelas considerada no trabalho fiscal. Considerando que a posição deste voto é por manter integralmente as conclusões do Auto de Infração não existem erros ou equívocos no lançamento fiscal. Da afronta aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal afastamento dos erros formais Alega a Recorrente que caberia a Receita Federal buscar as informações necessárias para confirmar o cumprimento do Ato Concessório do Drawback. Neste ponto discordo dos argumentos do recurso. A Autoridade Autuante fez um trabalho detalhado, identificando as exportações informadas pela Recorrente aptas a serem utilizadas para o Drawback, a exigência fiscal foi exaustivamente motivada, portanto, o trabalho fiscal atendeu plenamente as previsões legais do Processo Administrativo Fiscal. O Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário. O Drawback é um benefício fiscal que tem origem no Contribuinte, os benefícios concedidos pressupõe um acordo que o beneficiário é responsável por cumprir as obrigações acordadas e demonstrar de forma clara e inequívoca o cumprimento do regime aos órgãos de controle. Não é responsabilidade da Receita Federal suprir eventuais falhas ou ausências de informações que são de responsabilidade do beneficiário. Fl. 4279DF CARF MF Processo nº 12719.001435/200820 Acórdão n.º 3301005.215 S3C3T1 Fl. 7 11 Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 4280DF CARF MF
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