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Numero do processo: 10120.008009/2004-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/07/1998, 01/11/1998 a 30/06/1999, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003
DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A Fazenda dispõe de 05 (cinco) anos para constituir o crédito contado do fato gerador quando há pagamento em conformidade com a norma do § 4º do artigo 150 do CTN, inexistindo aplica-se o disposto no artigo 173 do mesmo diploma legal, assim, acolhe-se parcialmente os Embargos de Declaração para afastar decadência em relação ao período de apuração de fevereiro de 1998.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 3403-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos com efeito modificativo para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 3403-001.243 e alterar o resultado do julgamento, que passa a ser o seguinte: por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999, inclusive, exceto o mês de fevereiro de 1999, em relação ao qual aplica-se a regra de decadência do art. 173, I do CTN.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Domingos de Sá Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1998 a 31/07/1998, 01/11/1998 a 30/06/1999, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003 DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Fazenda dispõe de 05 (cinco) anos para constituir o crédito contado do fato gerador quando há pagamento em conformidade com a norma do § 4º do artigo 150 do CTN, inexistindo aplica-se o disposto no artigo 173 do mesmo diploma legal, assim, acolhe-se parcialmente os Embargos de Declaração para afastar decadência em relação ao período de apuração de fevereiro de 1998. Embargos Acolhidos em Parte
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/07/1998, 01/11/1998 a 30/06/1999, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003 DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Fazenda dispõe de 05 (cinco) anos para constituir o crédito contado do fato gerador quando há pagamento em conformidade com a norma do § 4º do artigo 150 do CTN, inexistindo aplicase o disposto no artigo 173 do mesmo diploma legal, assim, acolhese parcialmente os Embargos de Declaração para afastar decadência em relação ao período de apuração de fevereiro de 1998. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos com efeito modificativo para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 3403001.243 e alterar o resultado do julgamento, que passa a ser o seguinte: “por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999, inclusive, exceto o mês de fevereiro de 1999, em relação ao qual aplicase a regra de decadência do art. 173, I do CTN”. Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 80 09 /2 00 4- 98 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Domingos de Sá Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional, alegando, em síntese, que a tese do voto condutor ao reconhecer a decadência sustentada pela Recorrente, afirma que existindo pagamento há de se aplica à regra disposta no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, inexistindo é o caso previsto pelo art. 173 do mesmo diploma legal. Em sendo assim, sustenta que ao compulsar as planilhas acostadas aos autos não constatou que houve pagamento de COFINS referente às competências de fevereiro e março de 1999. O lançamento abarcou o Período de Apuração: 01/02/1998 a 31/07/1998; 01/11/1998 a 30/06/1999; 01/04/1999 a 30/06/1999; 01/09/1999 a 31/10/2002 e 01/01/2003 a 31/01/2003. A decisão ora embargada reconhece a perda da Fazenda de constituir o crédito relativo aos fatos geradores do período de 01.03.1998 a 30.11.1999. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Examinando a planilha elaborada pela fiscalização, fls. 57, constata pagamento relativo ao fato gerador do mês de março de 1999. O mesmo não se verifica em relação ao mês de fevereiro de 1999. Portanto, nesse caso não há que se falar em decadência em conformidade com o entendimento mais recente do Supremo Tribunal Federal, que decidiu que a regra do § 4º do art. 150 do CTN somente quando verificado pagamento. Diante do exposto, acolho parcialmente os embargos declaratório para reconhecer o ponto omisso diante da inexistência de pagamento relativamente ao mês de fevereiro de 1999 e sanalo, dizer que no caso aplica a regra do art. 173 do CTN, de modo que inexiste decadência a ser reconhecida relativo ao fato gerador de fevereiro de 1999. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 663DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10120.008009/200498 Acórdão n.º 3403001.819 S3C4T3 Fl. 4 3 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003029/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. PLANO DE MANEJO FLORESTAL. COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO.
Para fins de apuração do ITR, considera-se como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada.
VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO.
Laudo técnico de avaliação elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), constitui documento hábil a comprovar o Valor da Terra Nua ali especificado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN constante do Laudo Técnico de Avaliação de R$ 556,28 ha.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. PLANO DE MANEJO FLORESTAL. COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO. Para fins de apuração do ITR, considera-se como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO. Laudo técnico de avaliação elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), constitui documento hábil a comprovar o Valor da Terra Nua ali especificado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. PLANO DE MANEJO FLORESTAL. COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO. Para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO. Laudo técnico de avaliação elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), constitui documento hábil a comprovar o Valor da Terra Nua ali especificado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN constante do Laudo Técnico de Avaliação de R$ 556,28 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 29 /2 00 8- 31 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.027 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 980), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Auto de Infração (f. 01/04 e 644/655), mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercício 2004, no valor total de R$ 475.437,31, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 0.385.1915, localizado no município de Ponte Serrada SC. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área de 839 ha, declarada como de exploração extrativa, objeto de plano de manejo. Houve, também, alteração do valor da terra nua (VTN), em adequação aos valores constantes da Tabela SIPT. Em conseqüência, houve aumento da alíquota e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação de f. 658/688. Em síntese, alega que a intimação fiscal foi integralmente atendida, tendo sido apresentadas todas as informações requeridas. Argumenta que proibições de ordem ambiental impediram o prosseguimento do plano de manejo. Frisa que os imóveis localizados na região da Mata Atlântica devem ser preservados e que a revogação do plano de manejo existente não significa dizer que não houve exploração sustentável. Afirma que ficou provada a existência do Plano de Manejo Florestal Sustentado, sendo que a área objeto do plano encontrase em fase de recuperação ambiental, decorrente da extração realizada no passado. Desta forma, a empresa optou por conservar suas florestas, retirando das mesmas somente o que a natureza possibilitava, ou seja, colhendo as árvores mortas e em declínio vital. Alega, ainda, que o que norteia a exploração extrativa é o conceito de sustentabilidade, de forma que se preserve a flora e a fauna do conjunto socioeconômico e ambiental, por meio de uma série de atividades e intervenções, que não se restringe à mera exploração propriamente dita. Defende que o IBAMA é o Órgão competente para aferir o cumprimento ou não do plano de manejo. Sustenta que o ITR 2004 foi devidamente calculado na DITR do respectivo Exercício. Informa que o Relatório de Execução não foi apresentado anualmente, mas a comprovação do cumprimento dos requisitos do Plano de Manejo foi feita por outros documentos, inclusive por meio de ADA entregue ao Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.028 3 IBAMA, em que consta a informação da área objeto de Plano de Manejo. Menciona ainda a existência de averbação da área junto à matrícula imobiliária. Com relação ao valor da terra nua, afirma que o valor atribuído no lançamento não condiz com a realidade do imóvel e que deve ser acatado o valor estipulado pelo laudo de avalição anteriormente apresentado. Solicita a realização de perícia. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ÁREA UTILIZADA . Somente é possível a alteração da área utilizada considerada no lançamento, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil, que a utilização do imóvel deuse em nível superior ao do Auto de Infração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Não comprovada a efetiva exploração extrativa, com observância dos índices de rendimento e da legislação ambiental, nem a aprovação do plano e cumprimento do cronograma de exploração por manejo sustentado de floresta, deve ser tida como procedente a glosa da área declarada a esse título. VALOR DA TERRA NUA . O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Cientificada em 18/10/2011 (Fls. 990), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/11/2011 (fls. 991 a 1012), argumentando em síntese: (...) O julgador manteve o lançamento efetuado, fundamentando a sua decisão na ausência de comprovação, em que pese os inúmeros documentos anexados à impugnação que corroboravam os argumentos da recorrente, afastando por completo a autuação, desta forma, atendeuse a disposição do art. 16 do Decreto 70.235/72. Além desse aspecto, o julgador negou o pedido de prova pericial, a qual atestaria os fatos alegados, em que pese a ampla apresentação de prova documental. A justificativa para o seu inacolhimento causa espanto, pois "(..)serviria apenas para, eventualmente, levantar provas a favor do contribuinte, que poderiam ser por ele produzidas por outros meios(...)V. Neste caso, subentendese que a prova pericial deveria ser realizada apenas para comprovar os elementos traçados no auto de infração?? Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.029 4 (...) O imóvel denominado Fazenda Ponte Serrada bem como os demais imóveis da empresa têm por objetivo abastecer com matériaprima oriunda da floresta de forma sustentada o complexo industrial madeireira do grupo instalado próximo a estes imóveis. A matériaprima madeireira é basicamente formada pelas árvores de PinheirodoParaná, de nome científico Araucária angustifólia existentes nos imóveis, cujo incremento volumétrico ou crescimento é muito lento e por isso necessita de muitos anos para estarem em condições de colheitas florestais. (...) Este planejamento vem sendo executado desde meados do século passado com a colheita seletiva e racional de parte dos indivíduos, deixando como remanescentes um estoque considerável para perpetuar a espécie e garantir a sustentabilidade da indústria, gerando empregos, rendas e protegendo o meio ambiente para sempre. A execução deste planejamento foi sempre assistida pelo IBAMA através das sucessivas autorizações de colheitas florestais dos projetos previamente protocolados e analisados pelo IBAMA, desde o início das atividades. Mais recentemente, a partir de 1996, foram elaborados projetos segundo as normas da Portaria Interinstitucional número 01/96 para o estado de Santa Catarina em todos os imóveis da empresa que possuem floresta nativa destinada para o abastecimento da indústria do grupo empresarial. Estes projetos foram elaborados e executados seguindo as normas da portaria e para dar cumprimento às exigências de reformulação dos projetos protocolados anteriormente. (...) Além destas colheitas florestais estabelecidas no cronograma do plano de manejo florestal há o cronograma do adensamento através do plantio de sementes e mudas da espécie explorada {Araucária angustifóliá) e de erva mate {/lex paraguariensis) nos anos posteriores à colheita. Este cronograma também está sendo cumprido. Como todas as regras estabelecidas na Portaria Interinstitucional número 01/96 foram atendidas o plano de manejo florestal foi devidamente aprovado pelo IBAMA, o qual emitiu prorrogações de colheitas florestais e várias outras autorizações no decorrer dos anos após a sua aprovação. Sempre que o IBAMA exigia relatórios de acompanhamento estes eram prontamente atendidos pela empresa proprietária. De forma alguma a empresa proprietária deixou de atender as exigências do IBAMA quanto à execução de seu cronograma estabelecido no plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.030 5 (..) Não cabe a Receita Federal glosar a área de plano de manejo florestal se o próprio órgão ambiental competente, através de seus profissionais habilitados tanto de ordem técnica como de ordem jurídica tem considerado como válido, inclusive com a emissão de sucessivas autorizações de colheitas florestais a partir da aprovação do mesmo. Estas autorizações somente foram emitidas após comprovação do cumprimento das normas técnicas e jurídicas pertinentes. (...) A Portaria Interinstitucional número 01/96 foi atendida em todas as suas regras. Os comprovantes do atendimento à Portaria estão abaixo numerados: 1. Elaboração do plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado e protocolado no órgão ambiental estadual competente para ser submetido à análise e emissão da licença ambiental prévia para plano de manejo florestal, conforme determina a portaria. Este procedimento foi devidamente executado com o protocolo junto à FATMA Fundação do Meio Ambiente no estado de Santa Catarina sob o número 3111/96 de 11 de setembro de 1996. Como o plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado atendeu às regras da portaria interinstitucional número 01/96 que exige emissão de licença prévia pelo órgão ambiental estadual competente, após sua análise, foi prontamente aprovado através da emissão da LICENÇA AMBIENTAL PRÉVIA PARA MANEJO FLORESTAL NÚMERO 001/96, com área de manejo de 946,98 hectares Cópia anexada à impugnação. 2. Elaboração do plano de manejo florestal a ser submetido ao órgão ambiental federal competente para a análise e aprovação em caráter definitivo após a emissão da licença ambiental prévia. Este procedimento foi devidamente executado através do protocolo do plano de manejo florestal no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA sob o número 02026.00187/97 de 06 de fevereiro de 1997. Como o plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado atendeu às regras da portaria interinstitucional número 01/96, após sua análise, foi prontamente aprovado pelo órgão ambiental federal competente através da emissão do ofício número 014/97 de 30 de setembro de 1997, com área de manejo de 946,98 hectares, portanto anterior à data de 31/12/2003 cópia do ofício anexo ao processo. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.031 6 Portanto, a exigência da autoridade fiscal que diz ser necessária a apresentação do plano de manejo florestal aprovado ou autorizado pelo IBAMA até 31/12/2003 é cumprida, pois é notória a existência do plano de manejo devidamente aprovado. Primeiro pelo órgão ambiental estadual com a emissão da licença prévia número 001/96 e depois pela devida aprovação junto ao órgão ambiental federal pelo ofício número 014/97, cujas cópias encontramse em anexo ao processo. (...) Estes são documentos hábeis e que não deixam dúvidas comprovando cabal e inequivocadamente os fatos declarados de que a área com 946,98 hectares é de manejo florestal em regime de rendimento sustentado, sendo que, para efeito de declaração do ITR a área de manejo florestal foi inferior a esta por parte dela situarse em área de reserva legal. 3. Averbação do Termo de Manejo Florestal às margens da matrícula do imóvel, conforme determina a Portaria Interinstitucional número 01/96. Uma das exigências da portaria Interinstitucional 001/96 é a averbação do termo de execução do plano de manejo junto à matrícula do imóvel. Este procedimento foi devidamente executado" através da averbação do termo às margens da matrícula sob o número AV9281/2 com área de manejo florestal de 946,98 hectares em 15 de outubro de 1996. Se não houvesse atendido às regras da Portaria In erinstitucional número 01/96 este termo não seria averbado às margens da matrícula. Ainda mais, a área ficou vinculada ao IBAMA e FATMA como sendo para uso exclusivo para fins de plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado onde consta o compromisso da empresa proprietária que a área fica reservada para fins de manejo florestal em regime de rendimento sustentado por si, seus herdeiros ou sucessores, ou seja, mesmo que o imóvel seja transferido para outro proprietário a área delimitada no plano de manejo florestal sempre estará destinada para esta finalidade. Qualquer alteração da destinação da área somente será viável desde que haja anuência dos órgãos ambientais competentes. Até a presente data ou até o anocalendário do ITR/2004 não houve nenhuma manifestação do IBAMA, bem como da FATMA sobre a alteração desta averbação (cancelamento da averbação, desapropriação) bem como o plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado não foi cancelado pelos órgãos ambientais competentes. 4. Ato Declaratório Ambiental ADA O Ato Declaratório Ambiental ADA foi instituído pela Receita Federal para informar ao IBAMA as áreas isentas de tributação, como preservação permanente, reserva legal, etc. Incumbe ao IBAMA glosar as áreas declaradas em caso de informações inverídicas neste documento. Assim, o IBAMA com seu quadro Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.032 7 de técnicos habilitados no âmbito ambiental têm a competência de analisar as informações, efetuar vistorias e julgarem se estão corretas ou não. Somente com a glosa por parte do IBAMA é que a Receita Federal pode descaracterizar a informação e efetuar multa de ofício. Não se pode concordar que são atividades desvinculadas (fiscal e ambiental), evidente que andam em conjunto, ainda mais quando os documentos que comprovam a utilização do imóvel são aqueles apresentados aos órgãos ambientais, os quais conferem a regularidade da conduta da recorrente. Da mesma forma o IBAMA incorporou ao ADA outros campos de informação da utilização da terra e entre eles há o campo para informação da área de manejo florestal em regime de rendimento sustentado. Assim, o ADA foi devidamente protocolado junto ao IBAMA com a informação da área de manejo florestal em regime de rendimento sustentado. Assim como incumbe ao IBAMA através de seu corpo técnico devidamente habilitado no âmbito ambiental glosar ou não as áreas isentas de tributação, incumbe ao IBAMA também glosar ou não as áreas declaradas de plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado por possuir profissionais habilitados para atuar sobre manejo de florestas nativas. Portanto, o plano de manejo florestal no anolançamento do ITR estava devidamente regular e em execução, pois não foi descaracterizado pelo IBAMA como também não foram descaracterizadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Não cabe à Receita Federal argumentar que o ADA somente tem validade para áreas isentas de tributação. 5. Relatórios de Acompanhamento do plano de manejo florestal Houve o efetivo acompanhamento do plano de manejo florestal, a decisão ignora os documentos comprobatórios dessa situação. Após a aprovação do plano de manejo florestal junto ao IBAMA sucederamse vários relatórios de acompanhamento e várias visitas de profissionais do IBAMA para o acompanhamento "in loco" da execução do plano de manejo florestal para atestar o cumprimento das regras estabelecidas no mesmo. Estes documentos sempre eram elaborados para atender exigências contidas no plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado. Cada nova autorização de colheitas florestais somente era emitida pelo IBAMA com a apresentação de um relatório. Neste relatório continha informações gerais sobre as formas de colheitas e demais tratos silviculturais a serem desenvolvidos. Se as regras não estavam sendo cumpridas, as autorizações não seriam emitidas. Todos os relatórios exigidos pelo IBAMA e, portanto, para atender as regras estabelecidas pela Portaria Interinstitucional número 01/96 foram elaborados e devidamente protocolados no Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.033 8 IBAMA. Destes relatórios resultavam as posteriores visitas pelos fiscais do IBAMA que sempre atestaram o cumprimento das regras estabelecidas no plano de manejo florestal e, portanto, da Portaria Interinstitucional número 01/96. Deste modo, os relatórios elaborados do plano de manejo florestal foram apresentados, mas pelo teor da decisão, ignoraram todos os documentos que refutam a fundamentação apresentada na decisão. (...) 6. Ofícios de aprovação do plano de manejo florestal e das autorizações de exploração florestal Foram várias as autorizações de colheitas florestais no imóvel. Não fossem atendidas as regras estabelecidas na Portaria Interinstitucional número 01/96 estas autorizações não teriam sido emitidas pelo IBAMA. Uma das exigências eram os relatórios à medida do necessário, como por exemplo, ao ser protocolado pedido de nova colheita florestal. O plano de manejo florestal foi aprovado inicialmente pelo Órgão Ambiental estadual competente com a emissão da LICENÇA A1"^ AMBIENTAL PRÉVIA PARA MANEJO FLORESTAL DE NÚMERO 01/96. O plano de manejo florestal foi devidamente aprovado pelo IBAMA pela emissão do ofício número 014/97. O plano de manejo florestal teve sua continuidade pela autorização de colheitas emitidas pelo IBAMA posteriores a sua aprovação pelos ofícios números: 161/98, 1007/98, 160/2000, 036/2002 e 381/2002. (...) Conforme exposto as provas da legalidade do plano de manejo florestal sob o ponto de vista tanto de fiscalização da atividade florestal como da fiscalização tributária são claras, não cabendo a Receita Federal a glosa do lançamento da área de manejo florestal. Portanto, o grau de utilização da terra declarado de 100 % com alíquota de 0,30 % deve ser mantido. Observase no próprio laudo de avaliação que o trabalho foi executado dentro dos padrões estabelecidos pela ABNTNBR 146531 e 14.6533, sendo feitos todos os tratamentos de homogeneização e com um número expressivo de dados de mercado, enquadrandose dentro do grau de fundamentação II. Questionase inclusive a Receita Federal ao exigir grau de fundamentação de, no mínimo, II. Em caso de não se alcançar este grau de fundamentação, por falta de elementos amostrais suficientes, ou outro motivo, poderia o laudo se enquadrar no grau de fundamentação I. Informações técnicas obtidas pelo ora Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.034 9 recorrente dão conta de que o laudo de avaliação não precisa exatamente estar dentro do grau de fundamentação II para ser aceito como forma de demonstrar o VTN de imóvel rural. O que interessa é o VTN mínimo ou máximo apurado, sendo usualmente válido o VTN médio. Mas, mesmo assim, observase que o laudo está dentro do grau de fundamentação II, conforme demonstrado mais adiante. Como motivo da glosa do laudo de avaliação a Receita Federal sugere que o mesmo não atendeu o item 9.2.3.5 alínea "b" da NBR 146533 da ABNT no que diz respeito ao número mínimo de dados de mercado. (...) Portanto, o número de pontos obtidos no laudo de avaliação foi de 61, que corresponde ao grau de fundamentação II, como exigido pela Receita Federal. O laudo de avaliação apontou o VTN do imóvel em R$ 722.621,92 (setecentos e vinte e dois mil, seiscentos e vinte e um reais e noventa e dois centavos) referenciais ao ITR/Exercício 2004. Este é o valor da terra nua que deve ser apurado para fins de tributação. Desta forma o cálculo do valor do imposto devido é o seguinte: . Área tributável = 869,40 hectares. . Valor da terra nua = R$ 556,28 por hectare . Valor total da área tributável = R$ 483.629,83 . Valor d im osto devido = R$ 1.450,89 . Val r do imposto recolhido = R$ 1.173,57 . Valor da diferença a ser cobrada pela Receita Federal sem os acréscimos = R$ 277,32 É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Parte do recurso diz respeito à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa. Quanto a ela, a autoridade fiscal foi bastante minuciosa, como se vê do extenso relatório, parte do Termo de Verificação Fiscal. A área de exploração extrativa importa para o cálculo do ITR por afetar diretamente a apuração do grau de utilização do imóvel. As regras para sua caracterização estão inseridas no art. 10 da Lei nº 9.393/96, que assim dispõe: Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.035 10 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Como se vê, para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido. No caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos, entre outros tantos, a Licença Ambiental Prévia para Manejo Florestal. Trouxe ainda autorizações para exploração deste Plano de Manejo emitidas, e relativas, em anos diversos ao período em tela. No entanto, como demonstrado acima, não basta – para os fins da lei tributária – que se demonstre a existência do Plano de Manejo. É preciso que o contribuinte demonstre não só a existência deste plano, mas também, e principalmente, a sua efetividade e cumprimento em momento contemporâneo ao da ocorrência do fato gerador do ITR. Assim, faltou à Recorrente demonstrar que o cronograma do Plano de Manejo vinha sendo cumprido naquele ano de 2004, demonstração esta que não demandaria grandes esforços, bastando um documento dos órgãos competentes que o atestassem. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10925.003029/200831 Acórdão n.º 2801003.025 S2TE01 Fl. 1.036 11 Sendo assim, entendo que a Recorrente, a despeito de ter carreado aos autos um grande volume de documentos, deixou de comprovar a efetividade do cumprimento do plano de manejo, nos termos que constam de sua DITR. Tal prova caberia certamente à ela, maior interessada na desconstituição do lançamento em exame. Não o tendo feito, não há como acolher suas alegações, devendo esta parcela do lançamento ser mantida por seus próprios fundamentos. Passo a analisar o arbitramento do VTN da propriedade da contribuinte. A contribuinte, em seu recurso, alega a improcedência do lançamento e pede a realização de perícia. Como será demonstrado a seguir, o lançamento relativo a essa matéria não deve prevalecer; razão pela qual deixo de apreciar o pedido de realização de perícia. Tratandose da questão do VTN, verificase que o mencionado Laudo Avaliatório às fls. 15/142 foi elaborado por profissionaL habilitado (engenheiro agrônomo), com a respectiva ART devidamente registrada no CREA, encontrandose o documento em consonância com as normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, a preços da época do fato gerador do imposto, o VTN de R$ 556,28 o ha para o imóvel rural objeto da presente lide. Destaquese que os elementos, métodos e critérios utilizados para determinação do VTN foram perfeitamente demonstrados no referido documento. Deste modo, cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, reduzindoo a R$ 556,28 ha. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para acatar o VTN constante do Laudo Técnico de Avaliação de R$ 556,28 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 10920.910745/2009-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVAS.
É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição cumulado com declaração de compensação, transmitido em 28/12/2006. Por meio de despacho decisório, notificado ao contribuinte em 24/07/2009, a compensação não foi homologada. O motivo invocado pela autoridade administrativa foi que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 07 45 /2 00 9- 05 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 valor do DARF vinculado à compensação estava inteiramente alocado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou o contribuinte que sua contabilidade era terceirizada. O profissional contratado desconhecia na íntegra a legislação do PIS e Cofins e durante muito tempo efetuou recolhimentos a maior a contribuição. Tendo percebido o fato, a empresa recalculou os tributos indevidamente recolhidos e passou a compensálo com créditos vincendos. O preenchimento da DCTF e do DACON ocorria por conta do escritório contábil e por diversas vezes desconhecia o conteúdo das declarações apresentadas pelo contador à Receita Federal. A DRJ – Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquele acórdão em 29/11/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2011, alegando, em síntese, o seguinte: 1) houve erro do contador em recolhimentos da contribuição efetuados em períodos anteriores, em razão do não aproveitamento de créditos legítimos aos quais tem direito, conforme demonstrado na planilha anexa; 2) o fato do contador não ter retificado previamente as DCTF e os DACON não obsta o seu direito à compensação; 3) a glosa efetuada pela autoridade administrativa é indevida, pois se havia dúvida quanto à legitimidade do crédito, poderia ter sido feita sua verificação por meio de procedimento de fiscalização; 4) os valores declarados em DCTF não são intocáveis e só se subsumem à condição de confissão de dívida quando efetivamente devidos; 5) invocou o princípio da verdade material e requereu o deferimento de diligência a fim de que reste comprovada a legitimidade da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que no caso concreto o despacho que não homologou a compensação está escorado na inexistência do crédito, pois o valor do DARF informado no PER/DCOMP está integralmente vinculado à quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.910745/200905 Acórdão n.º 3403002.443 S3C4T3 Fl. 3 3 Portanto, cabia ao contribuinte o ônus de comprovar a existência do indébito, a fim de elidir o referido despacho. O contribuinte alegou que efetuara recolhimentos indevidos, em razão de seu contador não ter descontado créditos legítimos da contribuição, os quais estariam demonstrados nas planilhas anexas ao recurso. Invoca, ainda, o princípio da verdade material para requerer diligência, a fim de que a fiscalização verifique a existência do indébito alegado. O art. 74, VI, § 7º da Lei nº 9.430/96 estabelece que no caso de não homologação da compensação declarada, o sujeito passivo será intimado a efetuar o pagamento em 30 dias, ressalvado o disposto no § 9º. O § 9º estabelece que é possível apresentar manifestação de inconformidade, enquanto que e o § 11 estabelece que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguirão o rito do Decreto nº 70.235/72, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Por seu turno, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)” (Grifei) À luz do art. 16, III, do PAF, caberia ao contribuinte ter comprovado os alegados erros cometidos por seu contador, assim como as bases de cálculo das contribuições e os créditos que supostamente não teriam sido descontados por ocasião das apurações mensais. Por não ter trazido a prova da existência do indébito, não restou outra alternativa ao julgador de primeira instância, a não ser indeferir a manifestação de inconformidade. A defesa alegou que a falta de retificação das declarações não afasta o direito à compensação do que pagou a mais e invocou, no recurso voluntário, o princípio da verdade material para justificar a realização de diligência, a fim de que fosse aferida a existência do indébito. Realmente, a falta de retificação da DCTF e do DACON não suprime o direito de o contribuinte reaver eventual indébito por pagamento indevido. Entretanto, é ônus processual do contribuinte demonstrar a certeza e a liquidez do indébito alegado. As diligências se prestam para esclarecer dúvidas e obscuridades decorrentes da análise dos elementos de prova juntados aos autos pelas partes após terem se desincumbido do ônus processual de provar os fatos jurígenos do direito que alegam. Diligências não se prestam para produzir as provas que deveriam ter sido trazidas aos autos pelas partes no momento processual oportuno. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A regra do art. 16, III, do PAF é clara: cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. A planilha apresentada com o recurso voluntário nada comprova, pois veio desacompanhada dos documentos contábeis hábeis a dar suporte aos números alegados. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 63DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 14120.000453/2008-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-002.150
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica à recorrente
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica à recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 04 53 /2 00 8- 40 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000453/200840 Acórdão n.º 2403002.150 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, Acórdão 0420.659 da 4ª Turma, que julgou procedente em parte a impugnação. A autuação decorreu, segundo a fiscalização, da omissão de fatos geradores em GFIP no ano 2004 relacionados a salário in natura para os empregados e deixar de informar a totalidade das remunerações aos empregados e contribuintes individuais, conforme verificado nos resumos das folhas de pagamento. Na impugnação, a recorrente alegou que: · Quanto à totalidade das remunerações dos empregados e contribuintes individuais, diverge dos valores lançados, apresentando demonstrativo das diferenças. · Reenviou GFIPs corrigindo as falhas. · Em relação ao lançamento dos salários in natura – cestas básicas, estes são procedentes. · Requereu relevação da multa. A DRJ baixou o processo em diligência para apreciação das alegações acerca das divergências de valor. A fiscalização, em resposta, informou que o contribuinte corrigiu as falhas (enviou novas GFIP) no tocante ao salário in natura, que houve alteração nas competências 1, 4, 9 e 10/2004, ainda remanescendo valores não declarados e que nas demais competências, nada foi alterado. O contribuinte não se manifestou acerca da diligência. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, reduzindo o crédito tributário de R$ 145.931,58 para R$ 143.460,75. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Cerceamento de defesa. Relatório de Diligência Fiscal confuso. · Declarou todos fatos geradores. · Reenviou as GFIPs corrigindo as falhas. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Esta turma do CARF solicitou nova diligência para manifestação da fiscalização acerca da efetiva correção das omissões de fatos geradores. A resposta da diligência foi que não houve correção integral das GFIP e incluiu planilha especificando os valores omitidos. Novamente o contribuinte não se manifestou acerca da diligência. É o relatório Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000453/200840 Acórdão n.º 2403002.150 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL CONFUSO. Quando da primeira resposta da diligência, a recorrente não se manifestou e após a decisão de primeira instância, apresentou a tese do cerceamento de defesa em razão de considerar o relatório confuso. Entendo que é necessária a caracterização do prejuízo para a decretação da nulidade. Não percebo o prejuízo presente. Observo que nova diligência foi requisitada, agora por esta turma, e a ausência de manifestação pela recorrente se repetiu. Não acato a tese do cerceamento de defesa. MÉRITO A recorrente afirma que declarou todos fatos geradores e que reenviou as GFIPs corrigindo as falhas. Analisando os documentos juntados ao processo constato que efetivamente, a recorrente entregou GFIP. Ocorre que a autuação foi por não declarar a totalidade dos fatos geradores. Destaco que, por 2 vezes após o lançamento, a fiscalização analisou os documentos e reafirmou os valores não declarados. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Entendo correta a autuação. CÁLCULO DA MULTA No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000453/200840 Acórdão n.º 2403002.150 S2C4T3 Fl. 5 7 II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica à recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 36378.004047/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.379
Decisão: Assunto: Contribuições Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2004
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 63 78 .0 04 04 7/ 20 06 -1 3 Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004047/200613 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.379 S2C3T1 Fl. 3.727 2 RELATÓRIO 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ACESITA S/A em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa e manteve o lançamento de débito referente ao período de 04/2003 a 04/2004. 2. O crédito tributário se refere a contribuições a cargo da empresa, destinadas à seguridade social incidentes sobre o percentual de retenção do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativa a serviços prestados mediante cessão de mão deobra, inclusive em regime de trabalho temporário, a cago da empresa contratante, relativamente aos serviços prestados pelo segurado empregado cuja atividade permite a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. 3. Após ser devidamente intimada, a empresa, apresentou impugnação tempestiva às ff. 119. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação da empresa, mantendo o lançamento em sua totalidade. 4. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “CRÉDITO PREVIDÊNCIÁRIO. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. RETENÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. O contratante de serviços mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter e recolher à Previdência Social, nos termos do artigo 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, o percentual adicional previsto no artigo 6º da Lei n 10.666/2003, relativamente aos serviços prestados pelos segurados empregados cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. A falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, enseja a apuração por arbitramento da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no §º3 do artigo 33 da lei nº 8.212/91 e artigo 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, cabendo á empresa o ônus da prova em contrário. Lançamento procedente.” Em suas razões recursais, o contribuinte aduz os seguintes argumentos consoante trecho da contrarrazões fiscais: “[...] a recorrente alega, em síntese, a necessidade de cancelamento da NFLD, pelos seguintes motivos: 3.1 – não utilização do arbitramento, pois não fiscalizou os terceiros para contestar a ausência dos documentos que ensejassem a aplicação do artigo Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004047/200613 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.379 S2C3T1 Fl. 3.728 3 148 do CTN e não permitiu comprovar o contraditório, criando ua absurda presunção absoluta; 3.2 – a autuação desprezou todo sos documentos juntados (a eles sequer a decisão faz menção), em que se demonstra a correta gestão ambienta pelos terceiros; 3.3 – a decisão administrativa sequer permitiu a realização da prova pericial...; 3.4 – a Acesita gere a segurança e medicina do trabalho com prioridade; investe em segurança, em equipamentos de proteção coletiva e individual; todos os documentos citados – PPRA, PCA, PCMSO, EPI’s, treinamentos, etc, são realizados de acordo com a legislação, sendo feia a cada mudança no ambiente de trabalho; os EPI’s são fiscalizados pelos empregados – responsáveis e com boa formação para tanto – mas também pela equipe técnica, inclusive durante os exames periódicos; o Fiscal não tem competência para ter acesso ou interpretar 848 exames médicos; 3.5 – entende que o presente lançamento é improcedente, pois pegou de empréstimo as suposições constantes da NFLD 35.762.1891, sendo que lá estão sendo analisados os empregados da ACESITA S/A e aqui estão sendo analisados os empregados dos terceiros que prestam serviços a Acesita. Somente a fiscalização sobre tais terceiros que poderia determinar se os mesmos estão submetidos a condições especiais que gere o dever de pagar (reter) o adicional; 3.6 – pede remissão ao recurso voluntário interposto na mencionada NFLD n 35.762.1891, e reproduz argumentos aduzidos anteriormente. 4. Os argumentos aduzidos pela recorrente, limitamse aos termos de sua defesa inicial, os quais foram sobejamente examinados na Decisão – Notificação n 11.4014/0899/2006, às folhas 3431 a 3444”. (fl. 3480/3481)” O fisco por sua vez, pugnou pela conservação da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade do lançamento fiscal haja vista a ausência de elementos novos e suficiente para refutar tal decisão. 5. O processo entrou em pauta em 04 de junho de 2008 para a apreciação da antiga 5ª Câmara de Julgamento (CAJ). Nessa ocasião, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 20500.144, para que um perito do fisco se manifestasse sobre os quesitos formulados pelo colegiado a respeito da exposição dos segurados a agentes de risco. 6. Não obstante o entendimento deste Colegiado para que fisco diligenciasse às instalações da ora recorrente, consoante os quesitos determinados à fl. 3517, e emitisse um relatório que refletisse fielmente as condições do ambiente de trabalho, tal procedimento não foi realizado, limitandose o fisco a responder as assertivas com base nos autos. 7. Baseado nisso em 08 de julho de 2010, a Resolução n 230100.076 desta Turma novamente converteu o julgamento em diligência insistindo que o Fisco procedesse a diligência e respondesse os quesitos elaborados, nos termos da Resolução nº 20500.144. Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004047/200613 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.379 S2C3T1 Fl. 3.729 4 8. Em resposta a essa segunda diligência o auditor fiscal emitiu o Relatório complementar ff. 3678/3684. No entanto a perícia técnica in loco não foi realizada e o auditor fiscal manteve o posicionamento da primeira resposta à diligência, na qual “continua reafirmando todas as conclusões manifestas no relatório fiscal e em despachos anteriores. entende que se esta fiscalização fosse a autora de laudo pericial a ser realizado conforme solicitado, não se chegaria à outra conclusão senão aquela manifesta anteriormente pela mesma”. (f. 3678) 9. O contribuinte se manifestou quanto à resposta da diligência às ff. 3690/3697 no qual aduz em síntese: a) requer a insubsistência da referida cobrança diante do fato da perícia ser indispensável para a solução da presente controvérsia, posto que somente ela poderia, em tese, comprovar a ausência de motivação do ato administrativo do lançamento e ainda, diante da recusa injustificada da fiscalização em atender a determinação do CARF. 10. O fisco não se manifestou e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. VOTO REALIZAÇÃO E DILIGÊNCIA 1. Na ocasião em que foi determinada a primeira diligência, por meio da Resolução nº 20500.144, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência nos termos do voto desse relator. 2. O objetivo primordial da realização da diligência era para que o Fisco, mediante inspeção pericial in loco à sede da empresa, respondesse os quesitos listados na referida resolução, para que fossem constatados fatores ambientais que justificassem aposentaria especial aos empregados. 3. Os requisitos a serem respondidos eram os seguintes: 1º . Existem condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade física, no ambiente de trabalho, capazes de implicar no direito à aposentadoria especial aos segurados da Notificada? 2º. Em caso de resposta positiva, quais são? 3º. E em quais condições foram observados? 4º. Em que fundamento legal se encaixa tal condição, se existente? 5º. Há histórico de concessão de aposentadoria especial aos segurados da Notificada? 6º. Em caso positivo, em função de qual agente nocivo? Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004047/200613 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.379 S2C3T1 Fl. 3.730 5 7º. Há utilização de equipamentos de proteção coletiva ou individual capazes, por si só, de afastarem a concessão do beneficio? 8º. Os equipamentos de minimização dos riscos ambientais do trabalho atendem às especificações técnicas? 9º. Os argumentos da Recorrente quanto ao controle das condições do ambiente do trabalho procedem? 10. As condições do ambiente do trabalho podem ser consideradas as mesmas para todo o período pretérito abrangido pela Fiscalização? 11. O perito pode prestar quaisquer outros esclarecimentos que possam elucidar a questão controvertida. 4. Ocorre que nas duas diligências realizadas o Fisco não procedeu à perícia solicitada, limitandose a responder os mencionados requisitos baseandose em informações já constantes nos autos. No entanto, essa não é a finalidade precípua da diligência, que almeja esclarecer de forma técnica as condições de trabalho a que foram submetidas os funcionários da empresa. 5. Em resposta à resolução 230100.076 (2ª diligência) o auditor fiscal responsável pela autuação assim se pronunciou: “Continua reafirmando todas as conclusões manifestas no relatório discal em em despacho anteriores. Entende que se esta fiscalização fosse a autora de laudo pericial a ser realizado conforme solicitado, não se chegaria á outra conclusão senão aquela manifesta anteriormente pela mesma. Contudo, no intuito de atender à solicitação mencionada no item 1 acima {(e também da solicitação feita através da Resolução 2301 00.077 desta mesma Câmara e turma do conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Segunda Seção de Julgamento, no processo 37172.000235/33, NFLD DEBCAD nº 35.762.189.1/2005 – a conversão em diligência “a fim de que seja elaborada parecer técnico conclusivo para o estabelecimento da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco” (...)}, esta fiscalização sugere, a critério deste I. Conselho (assim como foi feito na resposta a Resolução 230100.077 datada de 09/12/2011), o encaminhamento do presente processo ao INSTITUTO Nacional do seguro social, AOS CUIDADOS do (da) Superintendente da Superintendência Regional Sudeste II, localizada à Av, Amazonas, 266 – 14º and. – Belo Horizonte/MG – CEP 30.180001 (superintencia.sudesteII@previdencia.gov.br), obtendo, assim a realização de uma conclusão realizada por outros profissionais (médicos peritos do INSS).” 6. Considero aspecto essencial para o deslinde da controvérsia a inspeção do local de trabalho e a respectiva apresentação de laudo pericial que comprove a exposição ou não dos segurados empregados a agentes nocivos. Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36378.004047/200613 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.379 S2C3T1 Fl. 3.731 6 7. Sendo assim, diante do não cumprimento da perícia pela fiscalização, converto o julgamento em nova diligência para que a Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte – MG, conforme sugerido pela própria autoridade de primeira instância, encaminhe os autos à Superintendência Regional Sudeste II do referido estado, para que médico perito do INSS proceda a inspeção da empresa recorrente, a fim de identificar fatores nocivos à saúde dos empregados, bem como, imprescindivelmente, responder aos quesitos supra mencionados e dispostos na Resolução nº 20500.143. 8. O contribuinte se manifestou quanto à resposta da diligência requerendo a insubsistência da referida cobrança diante do fato da perícia ser indispensável para a solução da presente controvérsia, posto que somente ela poderia, em tese, comprovar a ausência de motivação do ato administrativo do lançamento e ainda, diante da recusa injustificada da fiscalização em atender a determinação do CARF. CONCLUSÃO 9. Voto pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, a fim encaminhar os autos à Superintendência Regional Sudeste II do referido estado, para que médico perito do INSS proceda a inspeção da empresa recorrente e elabore laudo técnico a fim de responder aos quesitos supra mencionados e dispostos na Resolução nº 20500.143. Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000151/2009-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.087
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 01 51 /2 00 9- 52 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.815 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.196.9980, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.329,18. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.196.998 0, Código de Fundamentação Legal – CFL 59 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois o sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregado que receberam remuneração, conforme ANEXO I, onde constam as competências, os históricos, valores e respectivos códigos de levantamentos, estes, de acordo com o Auto de Infração — debcad — 37.196.9905. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "g" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. A Recorrente teve ciência do AIOA em 20.08.2009, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 01/2005 a 12/2005. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: a) sua condição de instituição diretamente atrelada e vinculada a outra, no caso, a Sociedade Brasileira de Patologia; b) a existência de vícios no procedimento fiscal e no Auto de Infração, a saber: b.1) descumprimento do artigo 10, caput, do Decreto n° 70.235/72 b.2) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 c) a inexistência da obrigação de retenção das contribuições de segurados contribuintes individuais com várias fontes de renda. Anexou à impugnação, por cópia, Estatuto da Associação Paranaense de Patologia e ata de eleição de sua diretoria, Estatuto da Sociedade Brasileira de Patologia, Convênio 24/2005 SESA Secretaria do Estado da Sande, MPF, Termos de Inicio e Encerramento da ação fiscal, DIRF do exercício 2006, Recibos de Pagamento para contribuintes individuais e declarações firmadas por contribuintes individuais sobre já contribuírem pelo limite máximo. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, emitiu a Acórdão nº 0628.814 – 5ª Turma, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AI 37.196.9980 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar cm nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida c não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e de ampla defesa. INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados a seu serviço. ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS. EMPRESA. PREVISÃO LEGAL. Para fins previdenciários, por expressa disposição legal, a associação representativa de médicos é considerada empresa, cabendolhe todas as obrigações para com a Seguridade Social aplicáveis as empresas em geral. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O MPF não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno dc planejamento e controle das atividades c procedimentos de auditoria fiscal, não podendo ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal eventuais falhas na emissão, tramite, alteração ou prorrogação de tal documento. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. REMUNERAÇÕES PAGAS PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. 0 fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações para segurados contribuintes individuais Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 248 5 considerase ocorrido no mês em que for paga ou creditada a remuneração o que ocorrer primeiro. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. Noticiase a existência de depósito extrajudicial relativo ao Auto de Infração em apreço, conforme folhas 177 e seguintes dos autos. Encaminhese à unidade de origem, para ciência do interessado e demais providências, ressalvando ao contribuinte o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias da ciência, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de mat go de 1972, alterado pelo art. 1 0 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 dc julho de 2002 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em 142 itens, resumidamente: (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Desta forma, a ora Recorrente é uma sociedade associativa com o fim de, entre outros tantos, incentivar e promover programas de qualidade da pratica da patologia, o que, em síntese, se traduz no incentivo e na promoção da realização de diversos programas na área da saúde, especificamente da patologia, visando não só o aprimoramento da atividade como a própria proteção da sociedade brasileira, já que o aprimoramento e a execução de programas de qualidade em patologia têm por objetivo a diminuição dos riscos e dos óbitos decorrentes da neoplasia câncer. A propósito, a ora Recorrente, Seccional da Sociedade Brasileira de Patologia, recebeu o encargo, por força de seu Estatuto Social e da condição de Seccional que é daquela outra instituição, assim como por força do Estatuto Social da Sociedade Brasileira de Patologia, de dar cumprimento com um Convênio pactuado entre a Sociedade Brasileira de Patologia e a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná SESA , inclusive para o ano de 2005, conforme se infere do Termo de Convênio e Extrato de Convênio n° 24/2005 anexos Impugnação Total ao Lançamento de fls. , pelo qual a ora Recorrente executa serviços na área de saúde, em prol inclusive do Estado do Paraná e das mulheres que nele residem, pelo qual exerce o controle das patologias e das neoplasias diagnosticadas nas pacientes atendidas pelo SUS Sistema Único de Saúde , o que o faz pelo Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 denominado "Programa de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico Colo de Otero e Mama". Assim e para alcançar e atender a esta finalidade, inclusive em prol da sociedade paranaense, haja vista o Termo de Convênio e Extrato de Convênio citados, a ora Recorrente, no ano de 2005, não só incorreu com a contratação e, por conseqüência, com o pagamento de empregados contratados sob o regime celetista (CLT), como também incorreu em despesas com o pagamento de profissionais autônomos, cujos custos foram indubitavelmente incorridos para, em essência, alcançar e atender as obrigações que lhe foram decorrentes do Termo de Convênio firmado com a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná. Desta feita, em razão da condição assumida, a ora Recorrente passou a se subsumir a diversas normas legais e infralegais imputadas a contribuintes e nãocontribuintes da Seguridade Social, atualmente aplicadas e exigidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; . Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 249 7 (...) Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. . Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. . Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originador do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, el ora Recorrente não foi entregue: (i) o Relatório Fiscal previsto na norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, em meio físico; e (ii) o Relatório Fiscal em meio magnético, pois que este foi entregue apenas com o preenchimento de seus cabeçalhos; o que caracteriza falta de entrega de documentos indispensáveis para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, acarretando em um prejuízo enorme para a compreensão dos fatos e dos fundamentos da autuação, também ocasionando no • cerceamento ao direito de defesa.. (...) Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 250 9 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. Ademais, nem em meio magnético o mesmo foi entregue ora Recorrente. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. . Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.196.9980, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. (...) A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. No Mérito. (v) a inexistência da obrigação de retenção das contribuições de segurados contribuintes individuais com várias fontes de renda; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 251 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Em que pese a argumentação da Recorrente, ela é equiparada à empresa nos termos do art. 15, parágrafo único, Lei 8.212/1991, portanto, sujeita à normatividade legal que rege as obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 252 13 . Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. . Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. . Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Analisemos. A questão e fundo é saber se o AuditorFiscal que lavrou o Auto de Infração AIOP nº 37.196.9980 está presente no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659, a fim de se aferir a hipótese de violação ao art. 10, caput e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; De plano, observase que na capa do Auto de Infração, às fls. 01, consta o nome do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073, responsável pela lavratura do AIOP. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 253 15 No Relatório Fiscal, às fls. 09, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549. No Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF às fls. 013, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Intimação Fiscal – TIF às fls. 016, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls. 034, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. Em consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659 no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp, extraído em 18.06.2013, constatase que o Mandado de Procedimento Fiscal determina ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1217549, bem como à AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil ROSA MARIA BONTORIN DIPP matrícula 00877220 / 0953926, na qualidade de SUPERVISORA da Equipe Fiscal: Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 20 de Maio de 2009. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Curitiba, 20 de Janeiro de 2009. VERGILIO CONCETTA Matrícula: 00002549 DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DRF CURITIBA Assinado eletronicamente conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Vide a tela extraída do referido site abaixo: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Por outro lado, a Recorrente centra asua argumentação na afirmação de que o AuditorFiscal que lavrou o AIOP não estava relacionado no Mandado de Procedimento Fiscal: 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. Em que pese tal argumentação da Recorrente, comprovouse no exposto acima que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549, autoridade fiscal responsável pela lavratura do AIOP nº 37.196.9980 estava regularmente autorizado para fazêlo nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659. Com isso não há a ocorrência de violação ao disposto no art. 10, caput, Decreto 70235/1972 e no art. 59, I, Decreto 70235/1972. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 254 17 (B) Da regularidade da lavratura do AIOA. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.815 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.196.9980, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.329,18. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.196.998 0, Código de Fundamentação Legal – CFL 30 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois o sujeito passivo deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.196.9980 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 255 19 comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 256 21 (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originador do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, el ora Recorrente não foi entregue: (i) o Relatório Fiscal previsto na norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, em meio físico; e (ii) o Relatório Fiscal em meio magnético, pois que este foi entregue apenas com o preenchimento de seus cabeçalhos; o que caracteriza falta de entrega de documentos indispensáveis para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, acarretando em um prejuízo enorme para a compreensão dos fatos e dos fundamentos da autuação, também ocasionando no • cerceamento ao direito de defesa.. (...) Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. Ademais, nem em meio magnético o mesmo foi entregue ora Recorrente. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. . Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.196.9980, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na violação do direito de defesa porque não foi entregue o Relatório Fiscal da autuação, ora em meio físico, ora em meio digital. No entanto, a Recorrente admite que recebeu em meio físico, papel, o Relatório Fiscal em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD nº 37.196.9980”, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. De plano, ao contrário do que aduz a Recorrente, os artigos 660 e 661 da IN MPS/SRP n° 03/2005 já tinham sido revogados há mais de um ano pela IN RFB 851, de 28/05/2008, por ocasião da lavratura do AIOP nº 37.196.9980, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 20.08.2009. Portanto, à época da lavratura do AIOP, o art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, indicava que os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 257 23 documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos: Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Outrossim, verificase que a Recorrente teve pleno acesso aos documentos elencados na Folha de Rosto do AIOP ao dar ciência ao AIOP em 20.08.2009, às fls. 01: IPC Instruções para o Contribuinte; REPLEG Relatório de Representantes Legais; VINCULOS Relatório de Vínculo;s REFISC Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa Da mesma forma, a Recorrente teve ciência do documento "Recibo de arquivos entregues ao contribuinte em meio digital", emitido pelo Auditor Fiscal, às fls. 37, efetuando o recibo, em meio magnético, do Auto de Infração, bem como dos Relatórios IPC, , REPLEG, VÍNCULOS e REFISC. Ora, não vislumbro a ocorrência de qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, posto que a mesma foi cientificada em todos os atos do procedimento fiscal, recebeu todos os documentos integrantes do AIOP – incluindose o Relatório Fiscal , nos termos do art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, bem como interpôs tempestivamente a Impugnação e o Recurso Voluntário. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. (...) A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. Tal tópico foi analisado pela decisão de primeira instância no correlato processo principal AIOP nº 37.196.9905, às fls. 452, a qual mostrou que para os Levantamentos não foram consideradas exclusivamente informações oriundas da DIRF de modo a se ter uma aferição indireta, mas sim o Relatório Fiscal demonstrou que tais informações constam do Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas": Equivocase a defendente em seu entendimento de que a fiscalização violou normas c que levou cm consideração exclusivamente as informações constantes em DIRF para os aludidos lançamentos, realizando aferição indireta e desconsiderando o Livro Razão c os recibos de pagamento para autônomos apresentados. Pelo contrário, embora o Auditor Fiscal informe que uma parte dos valores relativos aos levantamentos PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E Z 2 Transferido do Lev PCI (75%) tem origem em valores declarados em DIRF, esclarece também que tais informações constam no Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas" e que foram anexadas à autuação as cópias do Livro Razão com as contas contábeis que originaram os levantamentos procedidos, bem corno copias de recibos de contribuintes individuais referentes ao lançamento PCI, ou seja, não desconsiderou tais documentos, os quais demonstram corn precisão os valores das remunerações que ocasionaram as autuações lavradas na ação fiscal. Em relação ao fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, a decisão de primeira instância no correlato processo principal AIOP nº 37.196.9905, às fls. 452, mostra que considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, com fundamento na IN INSS/DC 100, de 18/12/2003, bem como na IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: No que tange as competências a serem consideradas para efeito dos lançamentos, esclarecese que, diferentemente do que ocorre com as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas para segurados empregados, o fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no momento do pagamento ou Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 258 25 do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, podendo tal momento não coincidir com o mês da prestação de serviços. IN INSS/DC 100/2005, de 18/12/2003, revogado pela IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Art. 72. Salvo disposição c/c lei em contrario, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual no mês em que lhe for paga ou creditada a remuneração. IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; Outrossim, em relação à revisão do lançamento com a compulsão dos elementos fáticos, a decisão de primeira instância ao proceder a análise dos elementos fáticos do lançamento, no correlato processo principal AIOP nº 37.196.9905, às fls. 447 a 448, retificou o débito com a exclusão de parcelas indevidas Para tal correção, necessário se faria excluir os valores acima relacionados da competência fevereiro de 2005, onde foram lançados, procedendose o concomitante lançamento nas competências corretas (janeiro e março/2005). Todavia, isto acresceria as contribuições devidas em janeiro e março de 2005, sendo que a competência atribuída as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em respeito ao principio da vedação à Reformatio in Pejus, não compreende a função de lançamento, com a conseqüente majoração da exigência fiscal, ainda que apenas em algumas competências. Por outro lado, a possibilidade de novo lançamento fiscal dos aludidos valores relativos a janeiro e março de 2005, competências nas quais a empresa apresenta recolhimento parcial, encontrase hoje decaída, consoante o previsto no Parecer PGFN/CAT 1617/2008 que, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante 11`) 08, do Supremo Tribunal FederalSTF (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Destarte, apenas devem ser excluídos do débito os valores lançados em competência indevida (fey/05), abaixo discriminados, mantendose sem alteração para maior os valores lançados nas competências janeiro/2005 e março/2005. (...) Além disto, e considerando que não se encontra anexada ao processo copia do recibo de pagamento de R$ 477,73 para Luiz Marcelo Agustinho, lançados na competência 09/2005, no levantamento PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, nem tampouco comprovação dos respectivos lançamentos contábeis, realizamos consulta ao CNIS, onde foi verificado que tal segurado foi empregado da empresa até 31/08/2005. Na cópia da D1RF anexada aos autos juntamente com a impugnação o aludido pagamento figura com código 0561— IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado , enquanto que na Planilha "FP x GFIP x elaborada pelo Auditor Fiscal como anexo ao Termo de Intimação Fiscal 01, de janeiro de 2009, tal segurado consta com categoria 01, de empregado. Assim sendo, temse que o mencionado pagamento não se refere a contribuinte individual e sim a segurado empregado, estando, pois, incorreto o corre lato lançamento no levantamento PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, devendo, cm conseqüência, ser excluída da competência setembro de 2005 a contribuição de R$ 95,54 (20%) a ele correspondente. Diante do exposto, concluo que não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (v) a inexistência da obrigação de retenção das contribuições de segurados contribuintes individuais com várias fontes de renda; Analisemos. Conforme a decisão de primeira instância, em resumo, a Recorrente argumenta que os contribuintes individuais a seu serviço já recolhiam no teto máximo quando da prestação de serviço para outras empresas: Alega a impugnante serem indevidas as contribuições dos segurados que originaram a autuação pois os contribuintes individuais prestavam serviços também para outras empresas, que já retinham as contribuições por eles devidas, no limite máximo, sendo que tais contribuintes entregaram à impugnante as declarações neste sentido previstas normativamente, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000151/200952 Acórdão n.º 2403002.087 S2C4T3 Fl. 259 27 conforme pode ser observado pelos documentos anexados à impugnação. Diz que, se possuía tais declarações cm seu poder, resta evidente que não deveria proceder as retenções das contribuições dos segurados, não tendo, portanto, cometido a infração que originou a autuação em apreço, pois estava dispensada de exercer a conduta ali prevista, em razão das normas consagradas nos artigos 87, II, §§ 1 ° e 2° da IN INSS/DC 100/03 e artigo 81, inciso I, §§ 1 0 e 2°, combinado com o artigo 78, § 10 , ambos da IN MPS/SRP 03/05, devendo ser julgado totalmente improcedente o lançamento, cancelandose a autuação. No entanto, o órgão julgador de primeira instância ao analisar os autos, bem como acessando os sistemas informatizados da Receita Federal, constatou que as alegações da Recorrente não procedem porque se constatou a existÊncia de contribuintes individuais que não estavam recolhendo a contribuição previdenciária no teto máximo: Analisandose as declarações anexadas à peça de defesa verificase que se referem aos segurados contribuintes individuais Vilson Cândido da Silva, Luiz Fernando Bleggi Torres, Luiz Martins Co!law, Elizabeth Schneider Gugelmin e Joel Takashi Totsugi, para os quais constam no CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais contribuições pelo valor máximo para a parte dos segurados cm todas as competências do ano de 2005, exceto na competência abril de 2005 para o segurado Vilson Cândido da Silva, onde o recolhimento localizado atinge R$ 198,00, faltando R$ 77,96 para o teto máximo, que na época era de R$ 275,96. Embora a defendente tenha demonstrado em sua peça de defesa que parte dos segurados relacionados no "Anexo 1" já contribuíam pelo teto máximo, a autuação não se refere apenas a eles, havendo outras pessoas ali listadas (Afonso Coelho,Ofélia Ramos Rodrigues, Josilene S. Santos Costa, Olivia Pereira de Cristo, Mauricio Todeschi, Daniel Franco A. Oliveira, Adelaide Franco A. de Oliveira, José Pinto dc Paula e Matti() A. M. Vieira) para as quais não ficou comprovada a contribuição pelo limite maxim° vigente na época, nem que a autuada tenha procedido ao devido desconto da contribuição dos segurados incidente sobre os valores que a eles pagou. Ora, a argumentação deduzida pela Recorrente obviamente foi analisada pela instância “a quo” que conclui pela improcedência da argumentação tendose em vista que se comprovou a existência de contribuintes individuais que não recolhiam a contribuição social previdenciária pelo teto máximo. Considerandose que a matéria fática foi analisada pela decisão de primeira instância, além do que a multa aplicada está no patamar mínimo, considero que pela falta de elementos fáticos idôneos que permitam a reforma da decisão da instância “a quo”, concluo que não há o que reformar em tal decisão. Diante do exposto, não procede a argumentação da Recorrente. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915295/2008-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA
A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-003.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
BELCHIOR MELO DE SOUSA Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente Substituto), na ausência do Presidente Conselheiro ALEXANDRE KERN, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, JORGE VICTOR RODRIGUES
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) BELCHIOR MELO DE SOUSA Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente Substituto), na ausência do Presidente Conselheiro ALEXANDRE KERN, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, JORGE VICTOR RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2159; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 7 1 6 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915295/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.972 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria Compensação COFINS Recorrente JS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendêlas necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 95 /2 00 8- 71 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 BELCHIOR MELO DE SOUSA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente Substituto), na ausência do Presidente Conselheiro ALEXANDRE KERN, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, JORGE VICTOR RODRIGUES Relatório Peço vênia aos pares para adotar o relatório contido na decisão de primeira instância por circunstanciar os fatos de maneira clara, concisa, a possibilitar a fácil compreensão do seu conteúdo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PERDCOMP nº 02111.98606.15404.1.3.040800) em 15/04/2004, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 5/9). Nesta declaração pretende o contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 9, no valor total de R$ 15.599,63, com supostos créditos (R$ 15.880,44), decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 22.219,36 (código de receita: 2172), com período de apuração 31/01/2003, recolhido em 28/02/2003. Apreciando o pedido formulado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório nº 783798488 (fls. 1), no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo contribuinte às fls. 9. Cientificado em 29/08/2002 (fls. 4) da solução dada à declaração de compensação apresentada, o contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de 30/09/2008 (fls. 10), com a juntada de documentos de fls. 12/47 (cópia da DCTF – 1º trimestre de 2003 retificadora, enviada em 24/09/2008; cópia do Despacho Decisório; cópia PER/DCOMP; cópias autenticadas da alteração e da consolidação do contrato social da requerente e dos documentos do representante), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10880.915295/200871 Acórdão n.º 3803003.972 S3TE03 Fl. 8 3 Que os valores referentes ao período de 01/2003 foram recolhidos a maior gerando direito a compensar. Que o Despacho Decisório foi expedido por constar na respectiva DCTF dados que deveriam ter sido corrigidos e que, de fato, o foram, posteriormente, por meio de DCTF retificadora. Assim, como os débitos foram devidamente compensados, requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e homologada a compensação declarada. Conclusos foram os autos para julgamento pela 13ª Turma da DRJ/SP1, que por meio do Acórdão nº 1631.848, de 03/06/11 (fl. 50), proferiu decisão que se encontra resumida nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Data do fato gerador: 28/02/2003. ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DECOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado, em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Entendeu o voto condutor que os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte, sendo a prova e o motivo do Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 ato administrativo e que a impugnante declinou da iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado, o que as presumem legítimas. Esclareceu o voto condutor que a elaboração da DCTF retificadora a posteriori não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte, havendo nesses casos a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio de apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial, entre outros, os Livros Diário e Razão, em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, adiantando, inclusive, da impossibilidade de apresentação de documentação probante hábil e idônea em outro momento posterior ao da apresentação da manifestação de inconformidade. Concluiu o acórdão hostilizado que não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação requerida. Ciente do teor da decisão de primeira instância em 05/07/11, por meio de AR, em face da mesma a contribuinte protocolou o recurso voluntário em 04/08/11, quando alegou sucintamente que cometera erro de fato no preenchimento da DCTF original, ao indicar o valor maior do que o devido no período de apuração de 31/01/03, quanto ao débito de Cofins (cód. 2172). Esclareceu a recorrente que procedeu à correção do equívoco por meio de DCTF retificadora, que apresentou como meio de prova juntamente com a manifestação de inconformidade, quando logrou haver demonstrado de maneira inequívoca a existência do direito creditório, trazendo elementos probatórios de seu direito creditório. Não obstante tenha apresentado a DCTF retificadora em momento posterior ao despacho decisório que não homologara a compensação, invocou a aplicação do princípio da verdade material ao caso vertente, reivindicando a realização de diligência com vistas à apuração da origem do crédito averiguado pela contribuinte, mencionando em seu favor jurisprudência do próprio CARF. Protestou, ainda, pela juntada de outros documentos e demonstrativos (DACON, DIPJ, Livro Diário e Razão, DCTF’s, DARF’s e outros documentos), relacionados ao período relativo ao crédito apurado (janeiro/2003), que comprovam o direito alegado. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido, o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações realizadas através do Per/DComp em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A controvérsia devolvida à apreciação deste Colegiado circunscrevese a questão atinente à comprovação ou não pela contribuinte da liquidez e certeza de seu direito Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10880.915295/200871 Acórdão n.º 3803003.972 S3TE03 Fl. 9 5 creditório,no valor suficiente à satisfação da compensação do débito declarado no Per/DComp nº 02111.98606.15404.1.3.040800. A recorrente após intimação do despacho decisório que não homologou a compensação informada por meio da DComp suso mencionada, por insuficiência de saldo credor à satisfação do débito nela declarado, reconheceu a existência de erro de fato no preenchimento deste documento, arguindo haver sanado essa falha mediante a apresentação de DCTF retificadora, servindo tal documento como elemento probante da liquidez e certeza do saldo credor. O Juízo a quo negouse a se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos alegados pela contribuinte, a partir da retificação efetuada, limitandose à arguição de que a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de caracterizar certeza, liquidez e disponibilidade de direito creditório para a autoridade administrativa, havendo a necessidade da apresentação de outros documentos contábeis e fiscais para a consecução da pretensão. Opondose ao decidido persistiu com a tese expendida na exordial a contribuinte e, dentre os pleitos demandados pela recorrente há o de deferimento para posterior juntada de outros documentos e demonstrativos relacionados ao período relativo ao do crédito apurado, que comprovam o crédito alegado. Como se trata a pretensão de comprovação da existência de direito creditório pelo sujeito passivo, competelhe carrear aos autos documentos hábeis e idôneos a corroborar com os fatos alegados no Per/DComp informado à repartição fiscal, oportunamente. No entanto, somente na fase recursal é que tais documentos foram colacionados aos autos. De plano rejeitase o pedido formulado neste sentido por se contrapor aos dispositivos contidos no artigo 151, c/c o § 4º doartigo 162, ambos do Decreto nº 70.235/72, haja vista dos autos não constar justificação da juntada de tais documentos extemporaneamente, motivo de força maior, eis que a regra geral é pela colação de elementos probantes por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. Acerca da certeza, liquidez e disponibilidade do direito creditório objeto da lide,repitase, a decisão recorrida entendeu que a defesa apresentada pela contribuinte não logrou demonstrar a existência de vício no despacho decisório e nem o crédito alegado, eis que as informações apresentadas na DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 2 Art. 16. (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 suficiência do saldo credor informado no Per/DComp, sendo certo que a não homologação da compensação deuse em razão da inexistência de crédito, em face de sua utilização integral para a liquidação de débito referente ao período de apuração de 28/02/03. Havendo participado como Conselheiro Relator em outros julgamentos que trataram de compensação em razão de pagamento indevido ou a maior, onde o êxito da pretensão deduzida pela contribuinte depende da eficácia de matéria probante, notadamente ao que atine à certeza e liquidez do direito creditório declarado, tenho pautado o meu pronunciamento em consonância com o pensamento majoritário adotado pela colenda Turma, qual seja: o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, ou ao seu oponente, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, independentemente da persecução da verdade material, limitada, outrossim, ao alcance imposto pela lei. A título de precedentes menciono os julgados seguintes: 3803003.759, 3803 003.760 e 3803003.761. Em síntese a recorrente não juntou a sua manifestação documentos atinentes à sua escrita fiscal e contábil (Livros Diário e Razão, notas fiscais, DARF’s, DIPJ) que dessem suporte à sua pretensão. Com isso não logrou demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório arguido, nos termos da exordial, reiterada no recurso sob exame. Quanto à reforma do acórdão recorrido, o art. 29 do Dec. nº 70.235/72 estabelece que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Para tanto, deverá indicar na sentença os motivos que lhe formaram o convencimento (CPC, art. 131). Nesta parte, por se encontrar escorreito, o aresto recorrido não merece reparo, eis que entendeu despicienda a realização de diligência ante os elementos contidos nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil, alimentados com a declaração do próprio contribuinte, bem assim não houve contestação acerca dos valores levantados pela fiscalização. Resumidamente, não basta alegar, é necessário demonstrar o direito arguido, ou seja, a liquidez, a certeza e a disponibilidade, e isto não ocorreu nos autos, não havendo, portanto, como adequar o provimento da jurisdição à causa de pedir. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de Sessões, em 28 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues –Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10880.915295/200871 Acórdão n.º 3803003.972 S3TE03 Fl. 10 7 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 13886.001346/2009-03
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, cabível a glosa de despesas que o contribuinte pretendeu deduzir em sua declaração de ajuste anual.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, cabível a glosa de despesas que o contribuinte pretendeu deduzir em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, cabível a glosa de despesas que o contribuinte pretendeu deduzir em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 13 46 /2 00 9- 03 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001346/200903 Acórdão n.º 2801003.196 S2TE01 Fl. 67 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2007, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 13.497,04. O lançamento é decorrente da apuração de deduções indevidas a título de dependentes, previdência privada e pensão alimentícia judicial. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que sua irmã e seus sobrinhos são seus dependentes, vivem sob sua dependência econômica, porém não possui nenhum documento judicial referente à tutela dos mesmos. Em relação à pensão alimentícia judicial, informou os valores descontados de seus proventos, conforme comprovantes do INSS e da Portus, além do depósito realizado em 22/09/2006, comprovado por documento de transferência da CEF. Ainda afirmou que a contribuição à previdência privada está consignada no Comprovante fornecido pela Portus. A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 35/41, que restabeleceu dedução a título de previdência privada e parcela de R$ 18.713,36 da dedução a título de pensão alimentícia judicial. Regularmente cientificado daquele acórdão em 26/05/2011 (fl. 55), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 58/59, em 16/06/2011, no qual, em síntese, requer: · seja reconhecido seu filho como dependente; · a dedução de contribuição à previdência oficial FAPI, referente a Portus, no valor de R$ 2.174,64; · a dedução da pensão alimentícia da excônjuge, conforme sentença judicial que estipula o valor R$ 5.500,00 à Maria Lucia de Freitas a titulo de Pensão Alimentícia, processo n° 2271/02 da Quarta Vara Civil de São Vicente. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente requer seja acolhido seu filho como dependente, juntando aos autos, à fl. 60, a certidão de nascimento de Leandro Izael dos Santos Ramos, filho de Sergio Luiz Ramos e não do contribuinte. Assim, não restando comprovada a dependência alegada, é de se manter a decisão recorrida que, no que se refere à dedução a título de dependentes, concluiu: Em sua defesa vem alegar que os dependentes relacionados eram sua irmão e dois sobrinhos, que viviam na sua dependência econômica Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13886.001346/200903 Acórdão n.º 2801003.196 S2TE01 Fl. 68 3 mas, à luz da legislação transcrita e do fato de que nenhum documento relativo á guarda judicial foi apresentado pelo impugnante, concluise que o contribuinte não tem direito à dedução desses dependentes pleiteada no valor de R$ 4.548,96. Quanto à dedução a título de previdência privada, importa esclarecer que o valor glosado de R$ 2.174,66 foi restabelecido pela decisão de primeira instância. Em relação à dedução a título de pensão alimentícia judicial, a decisão recorrida restabeleceu a parcela de R$ 18.713,36, considerando a natureza dos documentos apresentados referentes aos benefícios do INSS, extraídos dos próprios sistemas previdenciários, constando a identificação precisa da alimentanda e o montante pago a título de pensão alimentícia, bem com o Informe de Rendimentos da Portus evidenciando o mesmo. O valor de R$ 6.124,72 constante do depósito bancário apresentado pelo contribuinte não foi aceito pela decisão recorrida, tendo em vista que não indica o favorecido e não tem justificativa na sentença judicial, pois nada foi apresentado neste sentido. A quitação do pagamento, em 24/09/2007, a título de pensão alimentícia consignada no documento apresentado pelo recorrente, à fl. 61, não revela correlação alguma com o depósito de R$ 6.124,72 apresentado novamente à fl. 63. Ausentes os elementos de provas hábeis a demonstrar que tal depósito refere se à pensão alimentícia judicial, não merece acolhida a pretensão do recorrente. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11080.008337/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins que gera direito de crédito restringe-se aquele utilizado na produção ou fabricação de bens e produtos, não alcançando despesas posteriores ao processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de PIS e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS.
A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica-se, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. No que se refere à Cofins, a isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858-6, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
No âmbito de pedido de ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa, é legítima a redução do valor objeto do pedido de ressarcimento pela inclusão na base de cálculo de valor desconsiderado pelo sujeito passivo, uma vez que o objeto do procedimento é a apuração do saldo passível de ressarcimento e não a exigência de tributo.
RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULAIIVA. JUROS SELIC
INAPLICABILIDADE.
Ao ressarcimento não se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/2003, vedam expressamente tal aplicação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a glosa decorrente da inclusão das vendas para a ZFM na base de cálculo da Cofins devida no mês, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, que negava provimento ao recurso, e Alexandre Gomes (relator), Leonardo Mussi da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que
reconheciam o direito ao crédito sobre fretes entre estabelecimentos da empresa e consideravam a receita da venda para a ZFM como receita de exportação. O Conselheiro Leonardo Mussi da Silva apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro José Antonio da Silva para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Adriana Oliveira e Ribeiro, OAB/DF 19961 e, pela recorrida, o Procurador da Fazenda
Nacional, Dr. Rodrigo Burgos.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins que gera direito de crédito restringese aquele utilizado na produção ou fabricação de bens e produtos, não alcançando despesas posteriores ao processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de PIS e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. No que se refere à Cofins, a isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 2 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No âmbito de pedido de ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa, é legítima a redução do valor objeto do pedido de ressarcimento pela inclusão na base de cálculo de valor desconsiderado pelo sujeito passivo, uma vez que o objeto do procedimento é a apuração do saldo passível de ressarcimento e não a exigência de tributo. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULAIIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a glosa decorrente da inclusão das vendas para a ZFM na base de cálculo da Cofins devida no mês, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, que negava provimento ao recurso, e Alexandre Gomes (relator), Leonardo Mussi da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que reconheciam o direito ao crédito sobre fretes entre estabelecimentos da empresa e consideravam a receita da venda para a ZFM como receita de exportação. O Conselheiro Leonardo Mussi da Silva apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro José Antonio da Silva para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Adriana Oliveira e Ribeiro, OAB/DF 19961 e, pela recorrida, o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Rodrigo Burgos. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator designado EDITADO EM: 14/09/2011 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 2 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi. Relatório Por fielmente retratar a controvérsia tratada no presente processo, transcreve se o relatório produzido pela decisão recorrida: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com créditos de Cofins não cumulativa apurados no 2º trimestre de 2005. O Despacho Decisório n° 110/2008 proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre aprovou a Informação Fiscal de fls. 315/323 e reconheceu parcialmente o direito creditório requerido, homologando as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls.315/323), a empresa deixou de incluir na base de cálculo da contribuição vendas para clientes com sede em diversos municípios localizados nos estados da região norte, por considerar que essas operações estariam albergadas pelo benefício de alíquota zero concedido à Zona Franca de Manaus. Uma • parte dessas vendas referese a leite fluido industrializado que, no segundo trimestre de 2005, já estava com alíquota do PIS reduzida a zero. Entretanto, os demais produtos comercializados, notadamente leite em pó e queijos, tinham as respectivas receitas tributadas normalmente. Os valores referentes às vendas tributadas foram incluídos na base de cálculo da contribuição. Com relação aos créditos apontados no DACON, verificou a fiscalização a existência de divergências nos valores informados. A empresa reconheceu as divergências que tiveram origem no cômputo em duplicidade de créditos calculados sobre aquisições de determinados serviços. Sobre o montante reconhecido como correto pelo contribuinte, constatouse que as contas "Frete Transferências para Vendas" referemse a fretes pagos pela transferência de produtos acabados entre diversos estabelecimentos da empresa ou então para estabelecimentos de terceiros não clientes e, portanto, não geram créditos, por falta de previsão legal. Sendo assim, essa parcela foi glosada pela Fiscalização. Observouse também que o crédito presumido, concedido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/2004, não pode ser objeto de compensação, nos termos do disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005. A parcela de crédito vinculada à receita bruta tributada no mercado interno também não é passível de compensação, só podendo ser objeto de dedução da própria contribuição. Já os créditos que decorrem dos custos e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 4 despesas vinculados à receita bruta não tributada no mercado interno, tendo em vista vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência, bem como a parcela de créditos vinculada à receita de exportação são passíveis de compensação com débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A segregação desses créditos, no 2º trimestre de 2005, foi efetuada com base na receita bruta auferida, uma vez que essa foi a opção da interessada no DACON do primeiro trimestre de 2005 (fis.109). Foram incluídas receitas tributadas que haviam sido consideradas nãotributadas pela empresa, tal fato provocou alteração no montante creditório passível de compensação com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tempestivamente, a interessada apresenta manifestação de inconformidade, onde inicialmente pondera que: a) apurou no 2° trimestre de 2005 créditos de exportação no valor total de R$ 20.624.029,41, sendo que parte deste valor foi utilizado para quitar débitos de Cofins decorrentes de operações realizadas no mercado interno (R$ 2.068.731,70); b) entregou Declarações de Compensação (fis.79, 81 e 82) no valor de R$ R$ 15.102.830,00 para compensar débitos da própria Cofins; c) foram transferidos para o presente débitos tributários de Cofins oriundos de lançamento de ofício constante do processo nº 11080.005027/20008, no valor de R$ 4.618.666,00. A empresa prossegue na sua manifestação juntando Declarações de Ingresso emitidas pela SUFRAMA, as quais teriam o condão de comprovar a internação na Zona Franca de Manaus das mercadorias constantes das notas fiscais desconsideradas pela Fiscalização. Insurgese contra a glosa de créditos escriturados nas contas "Fretes Transferências para Vendas", alegando que a legislação admite o aproveitamento de créditos em duas situações: no caso de serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na hipótese de frete na operação de venda. Na primeira situação, o frete representaria custo de produção e, na segunda, uma despesa operacional sendo passível de creditamento. Entende que a autoridade fiscal não poderia embasar tal glosa nas afirmações da empresa de que os fretes escriturados nessas contas referemse à etapa anterior à venda (fis.209). Afirma que não houve comprovação nos autos da situação descrita pela fiscalização. Com relação ao crédito presumido concedido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/2004, afirma que houve inovação na interpretação dada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF no 15/2005, que teria restringido a utilização do crédito presumido apenas para dedução da contribuição para o PIS e Cofins nãocumulativos, não podendo ser ressarcido ou utilizado para compensação de outros débitos tributários. Acredita que o crédito presumido Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 3 5 deveria compor a totalidade dos créditos de Cofins — Exportação e somente após a apuração total ser utilizado na dedução do débito da contribuição mensal, afim de não diminuir a base de cálculo dos créditos de PIS — Exportação. Argumenta que a receita provenientes das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus deveria compor o receita bruta de exportação na segregação de créditos de Cofins, por serem vendas equiparadas à exportação, nos termos do disposto no DecretoLei n° 288/1967. Após análise do processo, a DRJ de Porto Alegre entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 ZONA FRANCA DE MANAUS ALÍQUOTA ZERO Apenas as vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão albergadas pelo benefício concedido de redução a zero da alíquota para o PIS e para a Cofins não cumulativos, não sendo extensivo tal benefício para outras cidades da região norte. FRETES Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins nãocumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes. CRÉDITO PRESUMIDO UTILIZAÇÃO LIMITAÇÃO A própria Lei n° 10.925/2005 já limitou a utilização do crédito presumido previsto em seu art. 80 à dedução de débitos das contribuições para o PIS e para a Cofins não cumulativos. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida. Contra esta decisão foi proposto Recurso Voluntário onde, em síntese, alega: a) sobre a questão das vendas para a Zona Franca de Manaus aduziu que: Não assiste razão à fiscalização reconstituir a base tributável da COFINS nos referidos meses, pois as receitas de vendas computadas no (novo) cálculo se referem a mercadorias internadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) como provam as Declarações de Ingresso — SUFRAMA, anexadas aos autos, de n°s e96e9bf34a0a1d9b9bb6e45aa64c41b3, 099dcca5d983915954441d4bedd45a0a, 708266970c89c095c8b3809aa3111cc3, dcf791acOdb2b4aae3de065998ae82f5, a5e45ca5579df4711a17ab9f63014a8a6 e b05808446d1f3b2cc55ee558c427cec6, confirmandose, portanto, que as receitas provenientes da venda desses produtos não está sujeita à tributação, vez que referidas operações são Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 6 equiparadas à exportação como demonstraremos posteriormente” e ainda que “se examinadas as Declarações de Ingressos na SUFRAMA em referência, será possível constatar que nelas contém os dados mínimos previstos na Portaria da SUFRAMA, uma prova inequívoca de que efetivamente as mercadorias ingressaram na Zona Franca de Manaus. Ao contrário, se mantido o entendimento da autoridade julgadora a quo de que as Declarações de Ingresso não comprovam o internamento das mercadorias na Zona Franca de Manaus, o ônus da prova se inverte para a Administração Tributária”; b) que possui direito aos créditos de fretes “uma vez O texto legal não admite interpretação que não a literal. Como vimos, a legislação prevê duas situações para o aproveitamento de créditos de PIS calculados em relação a: (i) serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (art. 30 inciso I); (ii) a frete na operação de venda (art. 3° inciso IX). Na primeira, o frete representa custo de produção e na segunda tratase de despesa operacional. c) que possui direito crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925/04 uma vês que “O permissivo legal é o de que o crédito presumido de PIS apurado pela pessoa jurídica deve ser compensado com a contribuição de PIS devida em cada período de apuração. O mesmo procedimento deve ser adotado com relação a COFINS. A lei não diz que a compensação só é admitida com relação ao crédito presumido calculado sobre os insumos da produção vendida no mercado interno, ou determina que a pessoa jurídica beneficiária deva segregar os créditos presumidos • em razão do destino das vendas (mercado interno ou externo). d) que foram realizadas segregações ilegais da uma vez que conforme se verifica no “demonstrativo às fls. 170 fine (Tabela 5), a fiscalização segregou receitas auferidas pela Recorrente no 3° trimestrecalendário de 2005, em: (i) receita bruta tributada no mercado interno; (ii) receita bruta não tributada no mercado interno; (iii) e receita bruta de exportação, para fins de apurar os respectivos créditos em percentual (%) e em valor (R$), observando a opção da Impugnante pela segregação dos créditos com base na proporção da receita bruta total. A fiscalização considerou receitas brutas não tributadas no mercado interno as seguintes: (i) vendas de leite UHT e leite tipo C; (ii) vendas para a Zona Franca de Manaus e; (iii) vendas de ovos. E como receita bruta de exportação apenas a proveniente das vendas para o exterior. Neste particular, fazemos o seguinte questionamento. (...) Embora estas receitas tenham sido contabilizadas pela Recorrente em separado das receitas de exportação, inclusive destacadas na Memória de Cálculo (fls. 149), decorrem de operações equiparadas à exportação, consoante legislação sobre a Zona Franca de Manaus, devendo, portanto, integrar a receita bruta de exportação para fins de apuração dos créditos de PIS exportação”. e) por fim, que é devida a atualização dos créditos pela SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 4 7 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima são cinco os temas a serem analisados no presente processo: (i) a reconstituição da base de calculo do PIS por conta da tributação de vendas consideradas pela Recorrente como sujeitas a isenção; (ii) não existência de direito ao credito relativo aos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes; (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05; (iv) incorreta segregação das vendas para a Zona Franca como sendo vendas no mercado interno; e (v) a correção dos créditos pela SELIC. Para melhor entendimento trataremos pontualmente cada um dos itens acima listados. (i) a reconstituição da base de calculo do PIS por conta da tributação de vendas consideradas pela Recorrente como isentas A Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar parte dos créditos pleiteados sob os argumentos que a Recorrente deixou de incluir na base de cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos a vendas que não teriam sido alcançadas pela alíquota zero uma vez que não haveria prova de que teriam sido efetuados com destino a Zona Franca de Manaus. Independente da questão de terem sido internalizadas corretamente na SUFRAMA e terem de fato sido destinadas a Zona Franca de Manaus, há tema de fundo que merece análise preliminar, qual seja, a modificação da base de cálculo do tributo em sede de pedido de ressarcimento. A matéria tratada é de ordem publica, podendo ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo, pois claramente ofende o principio da legalidade, afrontando o disposto nos 13, § I; 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem reiteradamente se manifestado a respeito do tema, como vemos da ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE, COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 8 Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de decidir o seguinte trecho: “Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de 1CMS, a Fiscalização utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de l'IS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IN, como parece pretender a Fiscalização. No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente (b) ou um saldo devedor —que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)" (art. 3º da Lei n" 10,637/2002 e da Lei nº 10833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "irregularidade", reduzindo o saldo de créditos — como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 5 9 Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência tias Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio.. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULAIIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não .se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA .1NCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) No mesmo sentido citamos ainda: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 10 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep . LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso provido em parte (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devido no mês é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou compensação. Diante dos precedentes citados, entendo que as glosas decorrentes da inclusão das vendas para a Zona Franca de Manaus devem ser canceladas, e eventual discussão acerca da incidência sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de infração. (ii) não existência de direito ao crédito relativo aos fretes A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes É certo que nessas contas não se faz o registro de aquisição de serviços de frete utilizados como insumo na produção de bens destinados à venda, pois para isso existem outras contas especificas principalmente no subgrupo "Estoques de Matéria prima" (folha 118). Do exame de alguns documentos fiscais comprobatórios de operações lançadas nas contas "Fretes s/ Vendas" e "Fretes Transferência p/ Vendas", observouse que os fretes objeto de registro na primeira conta foram aqueles pagos pelo transporte dos produtos acabados de um estabelecimento do contribuinte até seus clientes (folhas 122 e 123). Já os fretes objeto de registro na segunda conta foram aqueles pagos pela transferência de produtos acabados entre os diversos estabelecimentos do contribuinte ou então para estabelecimentos de terceiros, não clientes, o que caracteriza fretes não Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 6 11 vinculados a operações de venda (folhas 124 a 128). Em conseqüência, não geram créditos, por falta de previsão legal. (g.n) A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Vale destacar que a chamada “nãocumulatividade” do PIS e da COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Assim, a primeira diferença que destacamos é de ordem jurídica: a sistemática “nãocumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “nãocumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o cálculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 12 Porém a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema vale destacar recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres destacase pela relevância para o aqui discutido: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 7 13 Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim conclui o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como vemos a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (...) Recurso Voluntário provido em Parte. Neste contexto, entendo que assiste razão a recorrente, que pode creditarse de frete realizado pela empresa, uma vez que se tratam de despesas operacionais indispensáveis e essenciais ao funcionamento da Recorrente, sem os quais a atividade industrial da empresa fica evidentemente prejudicada. (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 14 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A leitura da legislação é clara ao afirmar que o credito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Assim me parece correto afirmar que os valores do credito presumido só podem ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. A propósito, esta também é a interpretação uníssona do STJ, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) Fl. 14DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 8 15 Assim correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre. (iv) incorreta segregação das vendas para a Zona Franca como sendo vendas no mercado interno A fiscalização contabilizou os créditos decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus como créditos oriundos de receita bruta não tributada no mercado interno, já que estas estão sob o abrigo da alíquota zero para a contribuição em tela. A Recorrente, por sua vez, entende que as vendas para a Zona Franca de Manaus equiparamse, para todos os efeitos, a uma venda para o exterior, devendo, portanto, ser incluídas na parcela denominada receita bruta exportação. Afirma a Recorrente que “a fiscalização considerou receitas brutas não tributadas no mercado interno as seguintes: (i) vendas de leite UHT e leite tipo C; (ii) vendas para a Zona Franca de Manaus e; (iii) vendas de ovos. E como receita bruta de exportação apenas a proveniente das vendas para o exterior. Neste particular, fazemos o seguinte questionamento. Informa ainda que, embora tenham sido escrituradas em conta separada das receitas de exportação, tratase de vendas efetivadas para a Zona Franca de Manaus revestindo se de natureza equiparada a exportação. Com razão a Recorrente. Quando da criação da Zona Franca de Manaus, assim prescreveu o art. 4º do DecretoLei 288/67: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. A Constituição Federal de 1988, nos Atos das Disposições Transitórios assim tratou do tema: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovações dos projetos na Zona Franca de Manaus. Estando às vendas para a Zona Franca de Manaus equiparadas às vendas para o exterior, para todos os efeitos legais, correta o critério de incluílas entre a denominada “RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO”. (v) a correção dos créditos pela SELIC. Em relação à SELIC sem razão a recorrente. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 16 A Lei no 10.833/03, sem seu art. 15, combinado com o art. 13, veda expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros aos pedidos de ressarcimento por ela regulados. Estando a aplicação da SELIC expressamente afastada por Lei em vigor, é vedado ao julgador administrativo afastála. Assim, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário nos termos do voto acima transcrito. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Divirjo do ilustre Relator em relação ao direito ao crédito sobre fretes entre estabelecimentos da empresa e à equiparação da receita da venda para a ZFM à receita de exportação, matérias para as quais fui designado redator para o acórdão. Em relação à primeira questão, destaquese que o creditamento das despesas de frete é somente permitido em relação às operações de venda, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. De fato, frete representa, por definição, prestação de serviço de transporte. Dessa forma, quando se fala em frete estáse falando de serviço prestado por terceiro, sendo, portanto, discutido, no âmbito de sua natureza, a possibilidade ou não de creditamento. Afora a expressa previsão acima mencionada, o creditamento de despesas de frete somente seria admissível na definição do art. 3º, II, da Lei no 10.833, de 2003 (ou da Lei no 10.637, de 2002, no caso do PIS). Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar as mais variadas despesas incorridas pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica claramente que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 9 17 Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado dispositivo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Dessa forma, embora o frete entre estabelecimentos seja insumo, relativamente ao produto final, ele não se enquadra na definição do dispositivo legal citado, não gerando direito a crédito das contribuições. Quanto às vendas para a Zona Franca de Manaus ZFM, primeiramente há que se analisar a questão da necessidade de lançamento para efetuar a inclusão dos débitos na apuração do saldo passível de ressarcimento. Em regra, o crédito tributário não constituído por meio de declaração do sujeito passivo tem que ser objeto de lançamento, atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Entretanto, no presente caso, embora não tenha havido um lançamento sob o ponto de vista formal (não há ato administrativo denominado de lançamento nos presentes autos), houve lavratura de atos administrativos que contêm todos os requisitos de um lançamento. Houve autorização para reexame (fl. 52); termo de início de fiscalização (fl. 53); relatório que descreveu as infrações, apurou a base de cálculo e o valor devido (fls. 68 e seguintes), efetuado por auditorfiscal; ciência de todo o procedimento com direito ao processo previsto no Decreto no 70.235, de 1972, satisfazendo o procedimento ao disposto no art. 11 do referido decreto. Portanto, devese considerar que o procedimento adotado foi hábil e idôneo para o efeito de constituir o crédito do fisco, tornandoo líquido e certo, sujeito à impugnação. Ademais, ainda que não fosse legítima a interpretação acima exposta, devese considerar que o procedimento, desde seu início, foi o de apuração do saldo passível de ressarcimento, conforme requerimento do sujeito passivo. Nas verificações que se seguiram, o fisco apurou irregularidade na apuração dos débitos. Como o saldo a ser ressarcido é a diferença positiva entre os créditos e os débitos, tanto a majoração irregular de créditos como a redução indevida dos débitos influem o resultado apurado. Assim, da mesma forma como é possível, por meio do procedimento adotado nos presentes autos, reduzir o montante de créditos do sujeito passivo, também é possível a majoração de débitos, independentemente de lançamento, uma vez que o objetivo não é exigir tributo, mas apenas apurar o montante de ressarcimento devido ao sujeito passivo. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 18 Quanto ao mérito, primeiramente há que se esclarecer que, se uma lei dispõe em sentido contrário ao que determina a constituição, há inconstitucionalidade material. Não há como simplesmente “abandonar” suas disposições para “preferir” as disposições constitucionais sem considerar que a lei contraria a Constituição. Nesse contexto, aplicamse o art. 62 do Regimento Interno do Carf e a Súmula Carf no 2, descabendo também sua apreciação no âmbito do presente recurso. Quanto ao mérito, adoto o entendimento do Acórdão 20308988, RV 122018, de lavra da Ilustre Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, cujo teor foi o seguinte: No que se refere às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, estabeleceu as condições para a concessão de isenção, assim dispondo: “Art.1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; Fl. 18DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 10 19 c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (...)”(grifouse) Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, em seu art. 1º alterou a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, para isentar da Cofins as receitas provenientes das hipóteses adiante mencionadas, determinando ainda no seu art. 2º que seus efeitos retroagissem aos fatos geradores ocorridos a partir do dia 1º de abril de 1992, data de início dos efeitos do disposto na referida Lei Complementar nº 70, de 1991. “Art.1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1o de abril de 1992.” (grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, redefiniu no seu art. 14 as regras de desoneração da contribuição em tela nas Fl. 19DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 20 hipóteses especificadas e revogou expressamente todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999. A respeito do instituto da isenção, deve ser lembrado que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 111, que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Não procede a argumentação da recorrente de que, para fins de isenção da Cofins, teria o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior. O referido dispositivo estabelece: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifouse) Sobre o alcance do artigo referido, deve ser ressaltado que abrangia tãosomente os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente, conforme norma inserta no dispositivo suso transcrito, verbalizada na expressão seguinte: constante da legislação em vigor. De outro lado, essa equiparação não é absoluta, podendo ser mitigada para não alcançar incentivos fiscais que o legislador pretendeu ou pretenda estender exclusivamente às exportações efetivas para o exterior. Para que não paire dúvida do aqui afirmado, basta dar uma espiada na norma inserta no artigo 7º do DecretoLei nº 1.435/1975, que se transcreve abaixo: “Art. 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos DecretosLeis nº s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “drawback”. Vejase que o legislador, no dispositivo legal acima transcrito, restringiu o alcance da equiparação em comento para evitar que os incentivos específicos para a exportação, previstos nos diplomas legais enumerados nesse artigo 7º, fossem estendidos às remessas para a Zona Franca de Manaus. Se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessa contribuição, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica da Cofins, mas isso não foi feito, ao contrário, dispôs inequivocamente que a isenção não alcança as vendas efetuadas a empresas estabelecidas nessa área de livre comércio, como disposto no parágrafo único do artigo 1º do Fl. 20DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 11 21 Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Por seu turno, a discussão a respeito do art. 40 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, conforme dito preliminarmente, não será realizada por considerar que o contencioso administrativo não é o foro próprio e adequado para questionamentos de natureza constitucional. Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal, na ADIN nº 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, na sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, deferiu medida cautelar quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Acatando a liminar concedida pelo STF, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, publicada no Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foi suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14 que constava de suas edições anteriores. Assim, enquanto não julgada definitivamente, a ADIN apenas suspende a eficácia da incidência de Cofins sobre as receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus a partir da concessão de liminar pelo STF. Vale observar que o § 1º do art. 11 da Lei nº 9.868, de 1999 determina que “a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa.” Para complementação do voto, adoto o entendimento do Acórdão 204 01.806, de lavra da Ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta: Portanto, os efeitos da liminar concedida não se aplicam aos períodos compreendidos entre janeiro a dezembro/97, primeiro em virtude dos efeitos ex nunc concedidos pelo Tribunal, e segundo porque a alteração normativa incidiu sobre a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Quanto à aplicação do disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 às vendas à ZFM, é de se observar que o referido dispositivo legal contempla apenas as operações de exportação e o CTN no seu art. 111, inciso II determina que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção. Assim sendo, não se pode estender os efeitos do disposto no referido art. 7º, bem como do disposto no DecretoLei nº 288/67, uma vez que naquele dispositivo consta expressamente que só diz respeito à legislação em vigor quando da sua edição, o que não é o caso dos autos. No que diz respeito ao PIS, mantémse as mesmas considerações tecidas para a Cofins sobre os efeitos da liminar concedida pelo Fl. 21DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 22 STF em sede do ADIN nº 23489 e sobre a modificação normativa trazida pela Medida Provisória nº 203724, de 2000, bem como quanto à impossibilidade de se estender os efeitos do disposto no DecretoLei nº 288/67 ao caso dos autos. Alem disto é de se observar que a partir da edição da Lei nº 7714/88, as vendas efetuadas a empresas estabelecidas na ZFM não estavam isentas desta contribuição, pelo que dispôs literalmente o art. 5º, §2º, alínea “a” do referido dispositivo legal. “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. “§ 1º Serão Consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) “§ 2º A Exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas:(Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Levre Comércio;” Ademais, adoto o entendimento da Receita Federal, que considera que “A isenção da Cofins (ou PIS/Pasep) prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.” O entendimento acima, exposto na Solução de Consulta n. 8, de 2002, é exatamente de que somente aquelas isenções previstas à época do mencionado DecretoLei n. 288, de 1967, é que se aplicam e não todos os casos do art. 14 da MP citada. À vista do exposto, na parte em que dá provimento ao recurso, voto por seguir o relator apenas em relação às glosas decorrentes da inclusão das vendas para a ZFM na base de cálculo do PIS (item IV de seu voto). (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Mussi 1) A questão da reconstituição da base de cálculo do PIS por conta da tributação das vendas para Zona Franca de Manaus. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 12 23 O ilustre Relator, de forma brilhante, rechaçou a possibilidade de, em procedimento, visando a homologar a compensação, as autoridades administrativas promoverem a redução do crédito, por suposto erro do contribuinte na apuração do débito tributário a ser quitado mediante compensação. Com razão o Relator. Ao tratar “da competência para apreciar pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e declaração de compensação”, a IN 900, deixa patente que o objeto da análise a ser realizada pela autoridade competente é tão somente sobre a restituição, o ressarcimento ou a homologação da compensação, verbis: “Art. 57. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 58 e 60. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput, bem como sua compensação de ofício com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. . . . . Art. 63. A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.” A competência atribuída é tão somente para julgar o pedido de restituição ou homologar a compensação. O fisco pode negar a restituição ou deixar de homologar a compensação se há problema em relação ao crédito a ser restituído. Mas não é dado o direito de, no âmbito restrito do processo instaurado para se discutir o pedido de restituição ou compensação, a autoridade exigir, por vias obliquas, eventuais débitos encontrados na revisão, como no caso dos autos, da base de cálculo do tributo. A competência de exigir o crédito tributário é regulada por outras regras, que visam dar certeza, liquidez e exigibilidade ao crédito do fisco. Nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício ou por declaração, o fisco apura o montante do tributo devido e expede a notificação de lançamento, estabelecendo a data ou termo para o pagamento da dívida. A certeza, liquidez e exigibilidade do crédito foram devidamente determinadas pela legislação e pela administração pública. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 24 Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a questão é um pouco diversa. Num primeiro momento, a legislação determina que a dívida tributária seja apurada pelo próprio contribuinte, devendo este, verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável e recolher antecipadamente, se for o caso, o montante do débito acrescido ou não de penalidades. Além de realizar esta atividade (apurar e, eventualmente, pagar), o lançamento por homologação somente se opera, nos termos do artigo 150 do CTN, isto é, somente produz efeitos, se as autoridades administrativas tomarem conhecimento daquela atividade exercida pelo contribuinte. As autoridades administrativas tomam conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte por intermédio das obrigações acessórias, notadamente das declarações criadas com esta finalidade. Estas declarações constituem instrumento hábil à exigência do crédito, consoante expressamente previsto no § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84: “§ 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.” Se o contribuinte deu ciência às autoridades administrativas quanto à atividade por ele exercida (determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido e, se for o caso, recolher o tributo devido com ou sem multa), operase o lançamento por homologação. Nesta hipótese, tendo em vista o lançamento realizado pelo contribuinte, as autoridades administrativas poderão realizar a sua revisão nos termos da cabeça do art. 149 do CTN. Se o fisco não encontrar qualquer erro na atividade exercida pelo contribuinte, haverá a sua homologação expressa, que ocorre com o simples termo de encerramento de fiscalização. Mas se as autoridades, ao realizarem a revisão, encontrarem algum equivoco na atividade realizada pelo contribuinte, deverão proceder ao lançamento de ofício, de modo a exigir eventual diferença do tributo, nos termos do inciso V do artigo 149, que assevera: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ….. V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;” O artigo seguinte mencionado no dispositivo acima é exatamente o artigo 150 que trata do lançamento por homologação, que vem a ser, segundo o dispositivo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” (grifamos) Desta forma, se o contribuinte apurou e deu conhecimento da atividade exercida às autoridades administrativas, eventual revisão desta atividade, poderá ser realizada pelas autoridades administrativas nos termos do artigo 149, V, do CTN antes mencionado, que condiciona a revisão “quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa Fl. 24DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 13 25 legalmente obrigada, no exercício da atividade” realizada no âmbito do lançamento por homologação. Toda esta revisão é executada por intermédio de um procedimento administrativo de fiscalização regulado, dentre outras regras, pelo Decreto nº 3.724/01, que prescreve: "Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. . . . . § 2º Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7o e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.” O Decreto nº 70.235/72 também estabelece que: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” A função do procedimento de fiscalização é a de dar a certeza e liquidez necessárias ao crédito tributário. A exigibilidade, necessária a qualquer crédito, depende da formalização de um ato administrativo, qual seja, o auto de infração ou a notificação de lançamento, conforme estabelece o artigo 9º do Decreto 70.235/72, verbis: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” Fl. 25DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 26 Em apertada síntese, o crédito tributário no caso do lançamento por homologação possui exigibilidade em razão de o contribuinte ter realizado a atividade que determina o artigo 150 do CTN, apurando a dívida e informando as autoridades administrativas, ou se estas, tomando conhecimento da atividade assim exercida, ao realizarem a revisão daquela atividade, encontram eventual diferença, lavrando o auto de infração ou a notificação de lançamento. No caso dos autos, as autoridades administrativas encontraram diferenças na base de cálculo do tributo apurado pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação. Ao invés de promoverem o início de um procedimento de fiscalização, nos termos da legislação acima mencionada, optaram por simplesmente negar parte da restituição do contribuinte. Ou seja, exigiram o crédito tributário de forma oblíqua, por intermédio de um procedimento interno sem previsão legal e em manifesta violação com as regras do Decreto nº 70.235/72 e do Decreto nº 3.724/01. E o que é pior, com a possibilidade de violar a regra fundamental do parágrafo único do artigo 149 do CTN, que prescreve que “a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública”, que é de 5 anos contado do fato gerador do tributo. Ademais, ao realizar este procedimento interno, deixando de lavra o auto de infração para exigir tributo, as autoridades, discricionariamente, estarão abrindo mão da multa de ofício, o que é vedado pelo artigo 142, parágrafo único do CTN, que diz ser a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória. Neste caso, essas autoridades deverão ser responsabilizadas pessoalmente pela multa que deixou de ser exigida. E mais, além de violar todas as regras acima mencionadas, o procedimento pretendido constitui verdadeira compensação de ofício, sem obediência às regras desta modalidade de compensação, e sem existir dívida líquida e certa, necessária a qualquer tipo de compensação, nos termos do artigo 170 do CTN. No mérito, acompanho o entendimento do relator, exarado em seu voto, no sentido de que as vendas para a zona franca de Manaus constituem, ao fim e ao cabo, uma receita de exportação isentas às contribuições ao PIS e à COFINS, na esteira de diversos julgados deste Conselho. 2) A questão envolvendo o crédito de PIS sobre frete A questão objeto dos autos, diz respeito exclusivamente ao direito do crédito de PIS sobre gastos efetuados pelo contribuinte a título de frete entre estabelecimento da mesma empresa. Como a legislação que regula a nãocumulatividade está “consolidada” na Lei nº 10.833/04, que trata da COFINS, vou me referir na maior parte do voto apenas a esta norma legal, valendo o mesmo raciocínio para o PIS. 2.1) A não aplicação da regra do IPI e do IRPJ à nãocumulatividade do PIS e da COFINS Fl. 26DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 14 27 Recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, de forma acertada, rejeitou a aplicação da legislação do IPI como fonte de inspiração para se interpretar e aplicar a nãocumulatividade do PIS, em aresto assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada.” (Grifos nossos) (Acórdão 930301.35) Esse aresto rechaçou o entendimento que aplicava a legislação do IPI, mais precisamente, o Parecer Normativo nº 65/79, à nãocumulatividade do PIS e da COFINS. O Parecer Normativo nº 65/79, cabe ressaltar, alterou um posicionamento anterior mais restrito sobre as regras que tratavam do direito de crédito no âmbito do IPI, em razão da alteração legislativa no RIPI/72 perpetrada pelo Decreto nº 83.263, de 09 de março de 1979 (RIPI/79). Eis o que diz a ementa do referido Parecer Normativo, a saber: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74.” De acordo com o inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72 (RIPI), o crédito de IPI dependia do consumo imediato e integral do produto. O novo regramento à época (RIPI/79), por sua vez, deixou de prever esta restrição, ampliando o próprio conceito de matériaprima, produto intermediário "stricto sensu", e material de embalagem, para abarcar outros bens equivalentes que sofram alteração no processo de produção. Eis o que diz o Parecer: “10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 28 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida).” Duas observações são necessárias. A primeira, diz respeito ao alcance da legislação do IPI, pois esta sempre tratou tão somente da definição legal de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, e nunca definiu o conceito de insumo. E assim o faz pelo simples motivo de que no IPI o crédito denominado de básico é do “imposto relativo á matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” (art. 226, I, do Decreto 7.212/10 – RIPI). O Decreto 7.212/10, ao fim e ao cabo, incorpora o entendimento exarado pelo referido Parecer Normativo nº 65/79. A segunda observação diz respeito ao fato de que a legislação do IPI estabeleceu apenas uma definição legal dos termos (i) matériaprima, (ii) produto intermédio e (iii) material de embalagem, que pode variar de acordo com a convenção normativa. Estes termos podem ser estipulados pelo legislador de forma estrita, como no RIPI/72 ou de forma mais ampla, com a alteração do RIPI/79. A definição legal pode, ainda, ser delimitada em razão da aplicação do Direito aos casos concretos, que demandam uma interpretação específica e uma decisão do caso em concreto à luz da não cumulatividade prevista na Carta Magna. No âmbito do IPI não é inusitado a discussão se determinados bens conferem ou não crédito para efeito da não cumulatividade. O que quero demonstrar com essa singela evolução legislativa é que a legislação do IPI sempre cuidou da definição legal de matériaprima, produto intermédio e material de embalagem para efeito de crédito de IPI, na vigência do RIPI/72, de forma mais restrita, e a partir do RIPI/79 até os dias atuais, como o RIPI/10, de forma mais ampla. E tratou Fl. 28DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 15 29 apenas destas espécies de insumo, posto que o direito ao crédito está inexoravelmente jungido ao imposto incidente na aquisição desses produtos. Em verdade, a legislação do IPI nunca tratou do conceito de insumo, até mesmo por lhe ser despiciendo. Quando a legislação do IPI utiliza o termo insumo, o faz em substituição aos termos específicos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. O faz, por exemplo, no artigo 42 do RIPI/10, ao dispor que podem sair com suspensão “as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados à industrialização, desde que os produtos industrializados sejam enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos” (inciso VI). Não há a menor dúvida que matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são espécies do gênero insumo, mas daí a dizer que o conceito de insumo restringese apenas àquelas três espécies, é contrariar a natureza das coisas. Em resumo, o que importa e foi amplamente discutido e delineado pela legislação do IPI foram os conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, que são meras espécies de insumo. O gênero insumo nunca foi conceituado pela legislação do IPI para efeito de crédito. Então, é totalmente descabido, violador das regras mais comezinhas da hermenêutica jurídica, utilizar os conceitos da legislação do IPI que definem tão somente os termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, espécies do gênero insumo, como paradigma na aplicação da não cumulatividade do PIS e da COFINS, cuja legislação em momento algum utiliza tais termos. Não é possível estabelecer uma sistemática de nãocumulatividade similar àquela aplicável ao IPI e ao ICMS, até porque o pressuposto de fato é diferente, como reconhece Marco Aurélio Greco, em brilhante estudo: "Embora a nãocumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação das normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) esconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto de "receita" e não "produto". Além disso, a constatação de que o ponto de partida constitucional é outro implica em o sentido das normas que compõem o subordenamento do PIS/COFINS, ainda que eventualmente utilizem as mesmas palavras utilizadas no âmbito do IPI, serem também diferentes. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 30 O significado não é algo que se agregue indissociavelmente à palavra – como já o demonstrou Alf Ross no seu clássico Tû Tû. O significado é evocado no interlocutor e determinado pelo contexto em que utilizada a palavra. No caso, o significado das palavras utilizadas nas leis examinadas é definido pelo respectivo pressuposto de fato constitucionalmente qualificado. A palavra utilizada num contexto cujo pressuposto de fato é a receita assume sentido e alcance diferente do que resulta do contexto em que o pressuposto de fato é o produto industrializado ou a circulação de mercadoria."(Não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, p. 108109) Mas se é verdade que a legislação que trata do IPI não serve como paradigma à interpretação das regras da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, não é menos correto que não se presta a esta finalidade as regras do IRPJ, como pretende o ilustre Relator do caso, com a devida venia. Por exemplo, a mão de obra ligada a fabricação é custo, e portanto, insumo aplicado na produção, de acordo com a legislação do imposto de renda. Porém, esse custo foi excluído expressamente para efeito de crédito de PIS e COFINS, pela simples razão de não influenciar na cumulatividade do tributo, na medida em que as pessoas físicas estão fora do campo de incidência do PIS e COFINS. Há outros exemplos de insumos que seriam custos ou despesas para o imposto de renda, mas que não dariam direito a crédito do PIS e da COFINS, exatamente por não violar a nãocumulatividade. Outro exemplo interessante, a demonstrar que é equivocado usar a legislação do IRPJ como parâmetro para se interpretar as regras atinentes aos créditos do PIS e da COFINS, diz respeito ao período de competência do reconhecimento do custo. Para a legislação do IRPJ, o custo somente impactará a base de cálculo do tributo quando da efetiva venda da mercadoria ou do produto, havendo a baixa do estoque, no ativo, contra Custo do Produto/Mercadoria Vendido, no resultado. Esse mesmo custo, por outro lado, gera o crédito de PIS e da COFINS quando da aquisição do bem ou do serviço, e não quando o custo impactar o resultado, o que demonstra um descasamento entre a legislação do IRPJ e das contribuições em tela no que tange ao tratamento fiscal dos custos e despesas fundamentais a ambos os tributos. Então como decidir a questão posta nos autos? Só há uma resposta a essa indagação: resolvese o problema por intermédio da interpretação jurídica específica das normas legais atinentes a não cumulatividade das contribuições ao PIS e COFINS. Vejamos. 2.2) A necessidade de se interpretar a regra da nãocumulatividade do PIS e da COFINS É fundamental para se dirimir a questão posta nos autos, utilizar as regras da hermenêutica jurídica que fixam o “instrumento a ser utilizado pelo intérprete para alcançar o núcleo semântico da norma”1, de modo a interpretar as normas legais atinentes à não cumulatividade do PIS e da COFINS. 1 Celso Bastos, op. cit., p. 3435. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 16 31 A hermenêutica, em apertada síntese, elenca os seguintes métodos interpretativos: o gramatical, que diz respeito à forma do texto e significado das palavras; o lógico, que, pelo raciocínio, busca encontrar o pensamento jurídico subjacente à edição da lei e esclarecer sua finalidade, através da perquirição acerca da sua razão e da sua intenção; o histórico, caracterizado pela investigação de elementos históricos subjacentes à edição da lei, os motivos pelos quais os legisladores editaram a lei; o sistemático, aquele em que se confronta o dispositivo legal com as outras normas, visando à manutenção da unidade do sistema previsto no ordenamento jurídico; e o teleológico, que se caracteriza pela busca da finalidade da norma, ou seja, a finalidade da edição da lei. Esses métodos de interpretação constituem os parâmetros delimitadores da subjetividade do intérprete2, de modo a evitar juízos sem a devida fundamentação ou justificativa e, portanto, arbitrários do ponto de vista jurídico, na medida em que afastam, ou melhor, não permitem o controle de sua verossimilhança. Veja que o controle é da verossimilhança e não da verdade, que é estranha ao direito. Buscase o justo e não o verdadeiro, sendo que “o sentido do justo comporta sempre mais de uma solução [Heller]”, daí Eros Grau sustentar que a interpretação do direito é uma prudência, pois, o intérprete pratica a juris prudentia, e não juris scientia. Segundo Eros, o: “intérprete atua segundo a lógica da preferência, e não conforme a lógica da conseqüência [Comparato]: a lógica jurídica é a da escolha entre várias possibilidades corretas. Interpretar um texto normativo significa escolher uma entre várias interpretações possíveis, de modo que a escolha seja apresentada como adequada [Larenz]. A norma não é objeto de demonstração, mas de justificação. Por isso a alternativa verdadeiro/falso é estranha ao direito; no direito há apenas o aceitável (justificável). Mas esta prudência recomenda que seja a interpretação adequada a algumas pautas, assim elencadas por Grau: (i) a primeira relacionada à interpretação do direito no seu todo; (ii) a segunda, à finalidade do direito; (iii) a terceira, aos princípios. A primeira das pautas emana que a interpretação leve em consideração o direito como um todo, não de textos isolados, desprendidos. Daí a celebre frase de Eros Grau de que “não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços.” Assevera o ilustre Professor paulista que “a interpretação de qualquer texto de direito impõe ao intérprete, sempre, em qualquer circunstância, o caminhar pelo percurso que se projeta a partir dele – do texto – até a Constituição. Um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum.” Com essa pauta, alcançaríamos a necessária coerência do ordenamento jurídico, pois, na dicção de Bobbio (1996), “num ordenamento jurídico não devem existir antinomias”3, como condição de justiça do próprio ordenamento.4 É certo que existem normas 2 Idem, Ibidem, p. 56. 3 Norberto Bobbio, Teoria do Ordenamento Jurídico. 8. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996, p. 110 4 Idem, Ibidem,, p. 113 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 32 jurídicas incoerentes, mas há regras que visam justamente dirimir os conflitos das leis.5 Portanto, não é dado ao intérprete produzir algo que leve a incoerência do ordenamento. Muito pelo contrário, seu trabalho precípuo é construir conceitos tratando o ordenamento como um sistema harmônico, como uma unidade, pois, o “direito objetivo, de facto, não é um aglomerado caótico de disposições, mas um organismo jurídico, um sistema de preceitos coordenados ou subordinados, em que cada um tem o seu porto próprio, conforme ensina Ferrara (2002)6. No âmbito do direito tributário esta pauta é fundamental, visto que, consoante Amaro (2006), “não se legisla, nem se teoriza, nem se ensina matéria tributária sem que se tenha presentes conceitos estruturados noutros ramos da ciência jurídica.”7 Por este motivo é fundamental à compreensão dos institutos, conceitos e formas de outros ramos do Direito. Isto porque as regras tributárias são ditas de sobreposição. Segundo Francisco Bianco: "o direito tributário, como todo mundo sabe, é aquele direito de sobreposição, é um direito que se sobrepõe ao direito privado para dele extrair o conceito e regular os efeitos tributários decorrentes".8 Esta sobreposição, inclusive, foi regulada pelo próprio CTN, ao estabelecer dentre as “regras legais”9 de hermenêutica, no artigo 109, que "os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários”, e também no art. 110, que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. A segunda pauta diz respeito à finalidade. Com arrimo em Von Jhering, diz Eros que “a finalidade é o criador de todo o direito e não existe norma ou instituto jurídico que não deva sua origem a uma finalidade”, concluindo que “a “contemplação, no sistema jurídico, de normasobjetivo importa a introdução, na sua “positividade”, de fins aos quais ele – o sistema – está voltado. A pesquisa dos fins da norma, desenrolada no contexto funcional, tornase mais objetiva; a metodologia teleológica repousa em terreno firme.” A terceira e última pauta da interpretação como prudência, requer que o intérprete esteja vinculado pelos princípios, asseverando Grau que “a interpretação do direito deve ser dominada pela força dos princípios; são eles que conferem coerência ao sistema.” 5 “A coerência não é condição de validade, mas é sempre condição para a justiça do ordenamento. É evidente que quando duas normas contraditórias são ambas válidas, e pode haver indiferentemente a aplicação de uma ou outra, conforme o livrearbítrio daqueles que são chamados a aplicálas, são violadas duas exigências fundamentais em que se inspiram ou tendem a inspirarse os ordenamentos jurídicos: a exigência da certeza (que corresponde ao valor da igualdade). Onde existem duas normas antinômicas, ambas válidas, e portanto ambas aplicáveis, o ordenamento jurídico não consegue garantir nem a certeza, entendida como possibilidade, por parte do cidadão, de prever com exatidão as conseqüências jurídicas da própria conduta, nem a justiça, entendida como o igual tratamento das pessoas que pertencem à mesma categoria.” (BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 8.ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996, p. 113) 6 Francesco Ferrara, Como aplicar e interpretar as leis, trad. Joaquim Campos Miranda – Belo Horizonte: Líder, 2002. p. 37. 7 Luciano Amaro. Direito Tributário Brasileiro. 12ª ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2006, p 9 8 BIANCO, João Francisco. O Planejamento Tributário e o Novo Código Civil. In: Eduardo de Carvalho Borges (Coordenador).Impacto Tributário do Novo Código Civil. São Paulo: Quartier Latin, 2004, p. 124. 9 V. R. Limongi França, Hermenêutica Jurídica. 6ª ed. Ver. E aum. – São Paulo: Saraiva, 1997, p. 21 Fl. 32DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 17 33 As regras de hermenêutica e as pautas da interpretação como prudência, que na minha opinião se complementam, dão à intepretação a qualificação de jurídica e a necessária verossimilhança. Mas é importante frisar, para encerrar este tópico, que há limites à interpretação. Celso Bastos ensina que “a interpretação aparece diante do juiz como se fosse um quadro, ou melhor, uma moldura, dentro da qual o intérprete tem a faculdade de exercer a sua escolha, sendo que qualquer que seja a sua opção desde que dentro deste perímetro ela é válida. Todavia, se a escolha recair fora deste quadro, será inválida.” O que delimita a moldura é o texto normativo, como assevera Eros Grau: “Todo intérprete, embora jamais esteja submetido ao “espírito da lei” ou à “vontade do legislador”, estará sempre vinculado pelos textos normativos, em especial – mas não exclusivamente – pelos que veiculam princípios (e faço alusão aqui, também, ao “texto” do direito pressuposto). Ademais, os textos que veiculam normasobjetivo reduzem a amplitude da moldura do texto e dos fatos, de modo que nela não cabem soluções que não sejam absolutamente adequadas a essas normasobjetivo.” E finaliza o ilustre Professor da Universidade do Largo de São Franciso, que: “A “abertura” dos textos de direito, embora suficiente para permitir que o direito permaneça ao serviço da realidade, não é absoluta. Qualquer intérprete estará, sempre, permanentemente por eles atado, retido. Do rompimento dessa retenção pelo intérprete autêntico resultará a subversão do texto. Além disso, outra razão impeleme a repudiar o entendimento de que o intérprete autêntico atua no campo de uma certa “discricionariedade”. Essa razão repousa sobre a circunstância de ao intérprete autêntico não estar atribuída a formulação de juízos de oportunidade – porém, exclusivamente, de juízos de legalidade. Ainda que não seja o juiz meramente a “boca que pronuncia as palavras da lei”, sua função – deverpoder – está contida nos lindes da legalidade (e da constitucionalidade). Interpretar o direito é formular juízos de legalidade. A discricionariedade é exercitada em campo onde se formulam juízos de oportunidade (= escolha entre indiferentes jurídicos), exclusivamente, porém, quando uma norma jurídica tenha atribuído à autoridade pública a sua formulação.” São estas as premissas que pretendo adotar nas razões do meu voto, que passo a expor. 2.3) O princípio da nãocumulatividade e o seu papel na aplicação da lei. Muito se discute sobre a natureza da nãocumulatividade no âmbito da Carta Magna, se esta norma seria um princípio ou uma regra jurídica. Esta norma foi primeiramente fixada para o IPI e ICMS e, mais recentemente, para o PIS e a COFINS. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 34 Canotilho propõe um método para distinguir as regras dos princípios, de acordo com as seguintes razões, a saber: “a) Grau de abstracção; os princípios são normas com um grau de abstracção relativamente elevado; de modo diverso, as regras possuem uma abstracção relativamente reduzida. b) Grau de determinabilidade na aplicação do caso concreto: os princípios, por serem vagos e indeterminados, carecem de mediações concretizadoras (do legislador, do juiz), enquanto as regras são susceptíveis de aplicação directa. c) Carácter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito: os princípios são normas de natureza estruturante ou com um papel fundamental no ordenamento jurídico devido à sua posição hierárquica no sistema das fontes (ex.: princípios constitucionais) ou à sua importância estruturante dentro do sistema jurídico (ex.: princípio do Estado de Direito). d) “Proximidade” da idéia de direito: os princípios são “standards” juridicamente vinculantes radicados nas exigências de “justiça” (Dworkin) ou na “idéia de direito” (Larenz); as regras podem ser normas vinculativas com um conteúdo meramente funcional. f) Natureza normogenética: os princípios são fundamento de regras, isto é, são normas que estão na base ou constituem a ratio de regras jurídicas, desempenhando, por isso, uma função normogenética fundamentante.” Alerta Canotilho que “a distinção entre princípios e regras é particularmente complexa”, e mais adiante assevera que: “Os princípios interessarnosão, aqui, sobretudo na sua qualidade de verdadeiras normas, qualitativamente distintas das outras categorias de normas, ou seja, das regras jurídicas. As diferenças qualitativas traduzirseão, fundamentalmente, nos seguintes aspectos. Os princípios são normas jurídicas impositivas de uma optimização, compatíveis com vários graus de concretização, consoante os condicionalismos fácticos e jurídicos; as regras são normas que prescrevem imperativamente uma exigência (impõem, permitem ou proíbem) que é ou não é cumprida (nos termos de Dworkin: applicable in allornothing fashion); a convivência dos princípios é conflitual (Zagrebelsky), a convivência de regras é antinômica; os princípios coexistem, as regras antinômicas excluemse. Conseqüentemente, os princípios, ao constituírem exigências de optimização, permitem o balanceamento de valores e interesses (não obedecem, como as regras, à “lógica do tudo ou nada”), consoante o seu peso e a ponderação de outros princípios eventualmente conflituantes; as regras não deixam espaço para qualquer outra solução, pois se uma regra vale (tem validade) deve cumprirse na exacta medida das suas prescrições, nem Fl. 34DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 18 35 mais nem menos. Como se verá mais adiante, em caso de conflito entre princípios, estes podem ser objecto de ponderação e de harmonização, pois eles contêm apenas “exigências” ou “standards” que, em “primeira linha” (prima facie), devem ser realizados; as regras contêm “fixações normativas” definitivas, sendo insustentável a validade simultânea de regras contraditórias. Realçase também que os princípios suscitam problemas de validade e peso (importância, ponderação, valia); as regras colocam apenas questões de validade (se elas não são correctas devem ser alteradas).” A nãocumulatividade, em sua essência, é uma mera técnica de apuração do tributo, que pode ser concretizada de várias maneiras (impostocontraimposto, basecontra base, dentre outras técnicas). Porém, quando alçada a nível constitucional, a não cumulatividade pode adquirir feições de princípio ou regra, ao talante do legislador constitucional. A definição quanto a ser um princípio ou uma regra, a não cumulatividade, dependerá exclusivamente (i) do grau de abstração; (ii) do grau de determinabilidade na aplicação do caso concreto; (iii) do carácter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito; (iv) da “proximidade” da idéia de direito; (v) da natureza normogenética. No caso do IPI e do ICMS, me parece que a Constituição instituiu uma regra, estabelecendo, de plano, qual seria a técnica da não cumulatividade a ser empregada pelo legislador ordinário. Com isso, a regra da não cumulatividade do IPI e do ICMS é aplicada diretamente e com um conteúdo meramente funcional, perdendo certo grau de abstração, o carácter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito, e a natureza normogenética. Por outro lado, quando a Constituição estabelece a não cumulatividade para as contribuições sociais, o faz de forma principiológica, exatamente pelo elevado grau de abstração e pela necessidade de determinabilidade na aplicação do caso concreto, pois, carece de mediação concretizadora (do legislador e do juiz). E neste contexto, a não cumulativide ganha um carácter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito, pois deve ser visto com um subprincípio concretizador de outros princípios (o da capacidade contributiva, da legalidade, dentre outros), passa a ter mais proximidade da ideia de direito, tendo natureza normogenética, ao ser fundamento das regras legais necessárias à sua concretização. Este é o ponto fundamental, ao deixar ao talante do legislador ordinário traçar as normas legais concretizadoras da nãocumulatividade, a Constituição a traçou como uma verdadeira ratio para tais regras. O legislador possui liberdade para traçar os parâmetros da nãocumulatividade, mas a sua atuação não é absoluta, na medida em que poderá ser mediada pelo juiz, que dirá se em determinado caso concreto a regra legal da não cumulatividade respeitou o princípio constitucional da nãocumulatividade. 2.4) A concretização do princípio pela regra da nãocumulatividade, que adotou o método indireto subtrativo: crédito sobre aquisição de bens e serviços e custos, despesas e encargos Fl. 35DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 36 A Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 135/03 (EM no 197A/2003 – MF), posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03, esclarece que a legislação adotou o denominado “método indireto subtrativo”, para efeito de aplicar a regra da nãocumulatividade das contribuições em comento, assim descrito: “Por se ter adotado, em relação à nãocumulatividade, o método indireto subtrativo, o texto estabelece as situações em que o contribuinte poderá descontar, do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação aos bens e serviços adquiridos, custos, despesas e encargos que menciona.” (Grifos nossos) O legislador optou por usar o denominado “método indireto subtrativo” como forma de aplicar ou concretizar a nãocumulatividade no âmbito do PIS e da COFINS. Assim, do valor apurado das contribuições calculadas sobre as receitas (vendas, serviços e outras) auferidas pelo contribuinte, deduzse créditos calculados sobre os “bens e serviços adquiridos, custos, despesas e encargos mencionados pela norma legal”. É importante notar que o crédito de PIS e COFINS não é sobre “insumo”. Em momento algum a norma legal diz isso. Mas voltaremos a falar sobre isso mais adiante. O crédito é sobre bens e serviços adquiridos e custos, despesas e encargos incorridos, pagos ou creditados. Basta uma leitura perfunctória pelos dispositivos das Leis 10.637/02 e 10.833/03 para verificar que o crédito sempre está ligado à aquisição de bens e serviços ou de um custo, despesa ou encargo. O § 3º do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, é expresso neste sentido ao explicitar que o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Mas há diferença entre bens e serviços adquiridos e custos, despesas e encargos incorridos, pagos ou creditados? Certamente que sim. Em relação a bens e serviços, não há grande dificuldades. O Código Civil cuida tanto de um quanto de outro, bem como o Código de Defesa do Consumidor e outras normas que dão a conformação do conceito jurídico de bens e serviços, a servir de parâmetro para aplicação da regra tributária, ex vi do artigo 109 e 110 do CTN. Porém, a questão não é tão simples relativamente a custos, despesas e encargos. A dúvida que exsurge é a de se existe um conceito jurídico de custo, despesa e encargo, que possa ser utilizado para efeitos da legislação tributária? Acreditamos que sim. Com efeito, o conceito jurídico de custo, despesa e encargo há ser perquirido no conjunto da legislação que regula a geração e a divulgação das informações contábeis, que vem sendo chamado pela doutrina de Direito Contábil. Segundo Edmar Oliveira Andrade Filho: “No Brasil, o Direito Contábil é formado pelo conjunto das normas jurídicas que dispõe sobre a formação, elaboração e divulgação de demonstrativos contábeis, e visam á tutela de diversos direitos dos usuários imediatos de tais informações (os Fl. 36DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 19 37 sócios ou acionistas) ou mediatos, como são os investidores potenciais Esse conjunto de normas é formado por normas imperativas (também denominadas normas de ordem publica) e por normas jurídicas dispositivas ou facultativas.”10 E complementa Andrade mais adiante, verbis: “No ornamento jurídico brasileiro, a Lei n. 6.404/76, diversas vezes modificadas, é o principal diploma em matéria contábil porque veicula inúmeras regras sobre o registro, e mensuração e a divulgação de fatos contábeis. Também o Código Civil de 2002 contém normas de índole contábil que devem ser adotadas pelas sociedades empresárias sujeitas a ele. A lei ordinária não é a única fonte formal de introdução de normas jurídicas no ornamento estatal, na medida em que certa parcela do poder de legislação vem sendo transferida a órgãos do Poder Executivo que são constituídos sob a forma das denominadas Agências ou semelhantes, como é o caso da CVM. A lei outorga poderes normativos a vários órgãos: assim, por exemplo, o poder de expedir normas contábeis é deferido á CVM pelo parágrafo 3º do artigo 177 da Lei n. 6.404/76, que tem o seguinte enunciado: “ § 3º As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, e serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados na mesma comissão.” No fim do ano de 2007, foi editada a Lei n. 11.638/07, que introduziu o parágrafo 5º do artigo 177 da Lei n. 6.404/76, para reafirmar os poderes normativos da CVM em matéria contábil que, a partir de então, recebeu autorização para editar normas que introduzissem no ornamento jurídico brasileiro regras alinhadas com padrões contábeis adotados em outros países. O preceito em questão tem a seguinte redação: ‘’ § 5º As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3º deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. ‘’11 A legislação tributária utiliza reiteradamente os conceitos e qualificações dos fatos fornecidos por este conjunto de regras do Direito Contábil, notadamente da Lei nº 6.404/76, para manter os mesmos efeitos que estes fatos produzem no resultado da empresa também em âmbito fiscal. Em outras situações, a legislação tributária utiliza o fato qualificado pelo Direito Contábil e regula os seus efeitos, para restringir total ou parcialmente ou para ampliálos. O regramento do IRPJ sobre despesas é um bom exemplo. 10 O Direito Contábil e a Disciplina Jurídica das Demonstraçoes Financeiras Andrade Filho, Edmar Oliveira 11 Ob. cit. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 38 As despesas, pelo Direito Contábil, todas elas, reduzem o lucro líquido da pessoa jurídica. Porém, a legislação do imposto de renda somente permite a redução do lucro tributável (lucro real) pelas despesas a que denominou de “despesas operacionais” ou “despesas necessárias”. Tais despesas, segundo a legislação fiscal, são aquelas “necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora” (art. 299 do RIR/99)”. Para não deixar o conceito de necessidade ao juízo subjetivo de cada aplicador da norma, a legislação, ademais, definiu que: “são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa” (§ 1º); e que: “as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa” (§ 2º). Veja que a legislação tributária não altera o conceito de despesa dada pelo Direito Contábil, esta continua sendo um gasto despendido para obtenção de receitas, cujo efeito é o de reduzir o lucro líquido da sociedade, em termos gerais. A norma tributária apenas qualifica, para efeitos tributários, dentre a totalidade daquelas despesas, quais as que serão admitidas para redução do lucro tributável. As que não forem admitidas fiscalmente serão somadas ao lucro líquido exclusivamente para efeito da apuração do lucro real (lucro tributável). Ou seja, a legislação tributária restringiu o efeito fiscal das despesas conceituadas pelo Direito Contábil. Mas a norma fiscal também pode ampliar os efeitos do Direito Contábil para beneficiar o contribuinte, como no caso da depreciação acelerada, dentre outros exemplos. Em diversas oportunidades as autoridades administravas manifestaram o entendimento quanto a estreita relação entre a norma contábil e a tributária. Neste sentido é o Parecer Normativo CST nº 26/82, cuja ementa preceitua: “EMENTA As expressões "inexatidão quanto ao períodobase de escrituração" e "inexatidão quanto ao períodobase de competência", contidas no "caput" e no § 1º do art. 171. do Regulamento do Imposto de Renda/80, significam inobservância do regime de competência contábil previsto no art. 177. da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações).” Mais recentemente, a Lei nº 11.683/07, ao alterar a Lei nº 6.404/76, expressamente dispôs: “Art. 177........................................................... § 2º As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar, para todos os fins desta Lei, demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil; ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários, na escrituração mercantil, desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo, devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários.” Fl. 38DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 20 39 A norma demonstra a prevalência da escrituração mercantil sobre a tributária, estabelecendo que eventual efeito fiscal diverso daquele estabelecido pela lei societária deva ser registrado de forma apartada (em livros ou escrituração própria). Por outro lado, deflui deste dispositivo que se inexistir “lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes”, prevalece os critérios da norma contábil para efeito fiscal. O que estou querendo dizer é que o conceito jurídico de custo, despesa e encargo para efeito da aplicação das regras do PIS e da COFINS, relativamente à não cumulatividade, deve ser perquirido no conjunto da legislação que regula a geração e a divulgação das informações contábeis, no Direito Contábil, notadamente na Lei nº 6.404/76 e sua regulação. De posse destes conceitos do Direito Contábil é que devemos identificar se a legislação desses tributos, do PIS e da COFINS, os absorveu e deu o mesmo tratamento ou se os tratou de forma diversa do ponto de vista fiscal, para extrair o correto alcance da norma. 2.5 O conceito jurídico de bem e serviços e de custo, despesa e encargos. Bens, segundo Silvio Rodrigues, “são coisas que, por serem úteis e raras, são suscetíveis de apropriação e contêm valor econômico.”12 Segundo o Vocabulário Jurídico, “toda coisa, todo direito, toda obrigação, enfim, qualquer elemento material ou imaterial, representando uma utilidade ou uma riqueza, integrado no patrimônio de alguém e passível de apreciação monetária, pode se designada como bens” (De Placido e Silva, p. 208). Quanto a serviço, o código civil dispõe que: “a prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou á lei especial, regerseá pelas disposições deste Capítulo” (Art. 593), estabelecendo ainda que: “toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição” (Art. 594). O Código de Consumidor, no art. 3º, § 2°, prevê que serviço “é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista”. Há uma relação direita entre o conceito de bens e serviços e o de custo, despesas e encargos. A rigor, para o Direito Contábil, todos os bens e serviços adquiridos por uma empresa constituem ou custo, ou despesa ou geram um encargo. A classificação do bem ou serviços dentre uma destas categorias depende exclusivamente do destino a ele dado dentro da empresa. Posso adquirir um serviço que pode ser reconhecido como um custo, num momento, e o mesmo serviço, ser uma despesa ou um encargo noutro, dependendo da utilidade deste serviço. Podemos dizer que para o Direito Contábil custo, despesa e encargo são bens e serviços devidamente qualificados de acordo com a sua destinação dada pela empresa. E qual a diferença entre custo, despesa e encargo? 12 Direito Civil, 34ª ed., at., São Paulo. Saraiva. 2003., p.116 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 40 Vejamos o que diz o Direito Contábil. O artigo 187 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/76), separa, didaticamente, o “custo das mercadorias vendidas” das “despesas” com vendas, financeiras, gerais e administrativas, se referindo, ainda, a outras despesas operacionais, a saber: “Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: .... II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;” Os custos, despesas e encargos impactam o resultado da mesma forma, reduzindo o lucro comercial (lucro líquido), mas cada um ao seu tempo e modo devidos, de acordo com o tratamento despendido pela norma em comento. O artigo 187 da Lei nº 6.404/76 não faz por mero acaso a distinção entre “os custos das mercadorias e serviços vendidos” (i) das “despesas” (ii). Ensina o Professor Eliseu Martins da FEA/USP, que custo constitui o “gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços”, enquanto que despesa representa o “bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”. Veja que bem e serviço podem ser tanto custo quanto despesa. Será custo quando o bem ou serviço forem empregados na produção de outros bens e serviços e despesa quando consumidos na obtenção de receitas. Noutras palavras, considerase custo todos os gastos da entidade com a aquisição de bens e serviços (gastos com MP, PI, ME, serviços de manutenção, fretes, energia, aluguel etc.) para a produção daqueles bens e serviços que serão postos a venda pela companhia. O conjunto desses gastos denominase “custo de produção”. Segundo o catedrático paulista: “são custos de produção os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda, e somente eles. Não se incluem nesse grupo as despesas financeiras, os de administração e as de vendas(...)”. Todos os dispêndios realizados após o produto ser colocado à venda pela empresa constituemse despesas, que podem ser de vendas (comissões e fretes), administrativas (estabelecimento de venda, aluguel, luz etc.), financeiras (juros, encargos etc.). Eliseu Martins assevera que “teoricamente, a separação é fácil: os gastos relativos ao processo de produção são custos, e os relativos à administração, às vendas e aos financiamentos são despesas”. O ilustre Professor da USP, ainda, em sua festejada obra, ao tratar da questão de “Onde Terminam os Custos de Produção”, assevera o seguinte: “É bastante fácil a visualização de onde começam os custos de produção, mas nem sempre é da mesma maneira simples a verificação de onde eles terminam. É relativamente comum a existência de problemas de separação entre custos e despesas de venda. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 21 41 A regra é simples, bastando definirse o momento em que o produto está pronto para a venda. Até aí, todos os gastos são custos. A partir desse momento, despesas. Por exemplo, os gastos com embalagens podem tanto estar numa categoria como noutra, dependendo de sua aplicação; quando um produto é colocado para venda tanto a granel quanto em pequenas quantidades, seu custo terminou quando do término de sua produção. Como a embalagem só é aplicada após as vendas, deve ser tratada como despesa. Isso implica a contabilização do estoque de produtos acabados sem a embalagem, e esta é ativada num estoque a parte. Se, por outro lado, os produtos já são colocados à venda embalados de forma diferente, então seu custo total inclui o de seu acondicionamento, ficando ativados por esse momento.” (grifamos) Todos os custos estão diretamente ligados ao processo de produção de bens e serviços, até a efetiva venda do produto acabado. Enquanto não vendidos, os custos são contabilizados na conta de estoque. De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16(R1), estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios; (b) em processo de produção para venda; ou (c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. Ainda de acordo com o referido Pronunciamento: “10. O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (NR)” Então, todos os “gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda, e somente eles” são “custos de produção, conforme ensina Eliseu Martins, e são agrupados na conta de estoque da empresa até o momento da venda do produto. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 42 Quando se efetiva a venda do produto, e tão somente neste momento, o estoque é baixado mediante um crédito contra um débito na conta de “Custo dos produtos Vendidos” (art. 187, II, da Lei 6.404/76), que é uma conta de resultado. De acordo com o Manual de Contabilidade FIPECAF, “a apuração do custo dos produtos vendidos está diretamente relacionada aos estoques da empresa, pois representa a baixa efetuada nas contas dos estoques por vendas realizadas no período.” Sérgio Iudícibus e José Carlos Marion demonstram que para cada setor da economia deve haver uma denominação para o custo de venda ou custo de produção, a saber: para empresas industriais o custo das vendas é denominado Custo do Produto Vendido (CPV); para empresas comerciais o custo das vendas é denominado Custo das Mercadorias Vendidas (CMV); para empresas prestadoras de serviços o custo das vendas é denominado Custo dos Serviços Prestados (CSP).13 Alexandre Assaf Neto demonstra com muita propriedade o custo de venda por cada atividade: “O custo das mercadorias vendidas na empresa comercial nada mais representa do que o custo histórico de aquisição desses bens. Nesse custo foram incluídos, ainda na forma de estoque, os gastos com colocação das mercadorias em condições de venda, como transporte, seguros, etc. (...) No caso da indústria, o custo dos produtos vendidos é obtido em função da soma dos estoques iniciais com os custos de produção do período e a diminuição dos estoques finais. Nesses custos de produção, como também comentado na seção relativa a imobilizado, é adotado, no Brasil, o custeio por absorção. Nesse principio de avaliação entram todos os custos relativos á área de produção, quer direitos com relação aos produtos, quer indiretos, quer fixos, quer variáveis. (...) Nas vendas de serviços as regras são as mesmas, teoricamente, é comum encontrar empresas que não apuram o custo dos serviços prestados e acabam tratando todos esses gastos diretamente como despesas do exercício e misturandoas ás despesas administrativas. Dentro de algumas áreas, com energia elétrica e telefonia, há certa homogeneidade de tratamento no custo desses serviços, mas tal fato não é comum em outras áreas. Isso, porem, não é tão grave já que a maioria dessas empresas não estoca serviços e tal tratamento não afeta o resultado do exercício. Para as sociedades que executam projetos e ordens de serviços, isso é altamente relevante, pois muitas vezes deveriam 13 Contabilidade comercial: atualizado conforme Lei nº 11.638/07 e Lei nº 11.941/09 / Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion. – 9. Ed. – São Paulo : Atlas, 2010, p. Pagina 229 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 22 43 constar no Ativo como serviços em elaboração os custos com serviços parcialmente elaborados, mas cujas receitas ainda não foram apropriadas porque mesmo sendo serviços de curto prazo, não foram ainda transferidos aos clientes.14 Registrese, por ser importante à questão dos autos, na lição de Assaf Neto, que são tidos como custos todos “os gastos com colocação das mercadorias em condições de venda, como transporte, seguros, etc.” Ou seja, os gastos realizados pela empresa até o momento da colocação do produto em condições de venda, o que abarca os fretes, inclusive entre estabelecimentos da própria empresa, constituem custo de produção.Com o advento da venda, há a baixa do estoque e o correspondente registro do custo do produto/mercadoria/serviço vendido, não se falando mais em “custos”. A partir deste evento, a venda, a empresa reconhece apenas despesas, que “constituemse das despesas pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa e, dentro do conceito da Lei nº 6.404/76, abrangem também as despesas liquidas para financiar suas operações; os resultados líquidos das atividades acessórias da empresa são também considerados operacionais.”15 Despesa, portanto, são todos os “gastos que se destinam às fases de administração, esforço de venda e financiamento”.16 As despesas mais comuns são as de venda e as administrativas. As de venda “representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda, constando dessa categoria despesas como: o pessoal da área de vendas, marketing, distribuição, pessoal administrativo interno de vendas, comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, gastos estimados com garantia de produtos vendidos, perdas estimadas dos valores a receber, provisão para créditos de liquidação duvidosa etc.” 17 As despesas administrativas são “os gastos, pagos ou incorridos, para a direção ou gestão da empresa, e constituemse de varias atividades gerais que beneficiam todas as fases do negócio ou objeto social. Constam dessa categoria itens como honorários da administração (Diretoria e Conselho), salários e encargos do pessoal administrativo, despesas legais e judiciais, material de escritório etc.” Dentre as despesas administrativas “estarão registradas as despesas com a ocupação física dos imóveis e as instalações representadas por alugueis e despesas de condomínio, quando os imóveis ou bens forem de terceiros”, sendo certo que “para os bens próprios, a despesa seria de Depreciação e Amortização”, isto é, os denominados encargos. Desta forma, o art. 187 da Lei nº 6.404/76, quando menciona o “custo das mercadorias e serviços vendidos”, está se referindo exatamente a todos os custos atinentes à 14 Finanças corporativas e valor / Alexandre Assaf Neto. – 3. Ed. – 2. Reimpr. – São Paulo : Atlas, 2008, Pagina 102 15 Manual de Contabilidade das sociedades por ações: aplicável ás demais sociedades / FIPECAFI; diretor responsável Sergio de Iudícibus. 7ªed. – 4. Reimp. – São Paulo : Atlas, 2008 manual ..... 16 Cf. Eliseu Martins, ob. cit. P. 27 17 Ob. cit. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 44 produção de bens e serviços postos à venda, que são denominados também de custos de venda, todos estes calculados até o momento em que o produto/serviço está pronto para a venda. Estando o produto/serviço pronto para a venda, ou seja, efetivamente colocado no ponto de venda da pessoa jurídica (no estabelecimento vendedor), não mais se cogita de custos, e sim, de despesas com as vendas, despesas financeiras, administrativas e outras operacionais. Do exposto, em apertada síntese, pelas regras do Direito Contábil, mais precisamente do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 e das normas que o regulam, concluise que: Custo é o gasto relativo à aquisição de bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços; Despesa representa o bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Os custos de produção agrupados no estoque da empresa são os gastos despendidos até o momento em que o produto está pronto para a venda, no estabelecimento vendedor da empresa; Com a venda, o estoque é baixado contra o Custo de produtos vendidos no resultado da empresa; A partir da venda somente há de se falar em despesas, como as despesas de venda, as administrativas e financeiras. Determinados dispêndios, com aquisição de bens e serviços podem ser tanto custos como despesas. Será custo quando o bem ou serviço servir para a produção de outros bens e serviços e despesa quando usado para a obtenção das receitas, como a embalagem utilizada até o momento em que o produto é posto à venda, ou despesa (de venda), se, por exemplo, a embalagem for utilizada após a venda. Identificando o conceito legal de custos, despesas e encargos, devemos verificar o tratamento fiscal dado a cada um destes itens pela legislação fiscal que engendrou a sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS. 2.6) Dos créditos regulados pelas normas legais que tratam da não cumulatividade do PIS e da COFINS O artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que cria a regra da não cumulatividade, com as alterações perpetradas posteriormente, estabelece que do débito de COFINS “a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 44DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 23 45 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.” Esta regra deve ser analisada na sua íntegra. Não há como compreender o inciso I e II dos demais incisos da norma legal. Eles se completam como norma e sentido. Vejamos. 2.7 O crédito de bens adquiridos para a revenda (atividade comercial) O item I do dispositivo, a toda evidência, cuidou da atividade comercial, ou seja, aquela em que o bem é adquirido para ser revendido, sem ingressar em qualquer processo de produção ou fabricação. Tanto é assim que o próprio dispositivo, ao excetuar determinados bens para efeito do crédito, utiliza o termo mercadoria e não produto, sendo este ligado apenas à atividade industrial. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 46 Na atividade comercial, portanto, o crédito de PIS e da COFINS, para efeito da não cumulatividade, será apurado sobre os “bens adquiridos para revenda”. Consoante o §1º do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, este crédito de bens adquiridos para a revenda será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista na Lei sobre o valor: “dos itens mencionados (...), adquiridos no mês”. Noutro giro, o crédito nesta hipótese será calculado sobre o valor do bem adquirido para revenda e apropriado pelas aquisições ocorridas no próprio mês. Duas importantes observações devem ser feitas. A primeira diz respeito ao significado de “bens adquiridos para revenda” para o Direito Contábil. “Bens adquiridos para revenda” representa exatamente o custo das vendas ou, mais acertadamente, o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), nas atividades comerciais, nos termos do artigo 187 da Lei nº 6.404/76. Eis as palavras de Assaf Neto, que vale novamente transcrever, quando diz que “o custo das mercadorias vendidas na empresa comercial nada mais representa do que o custo histórico de aquisição desses bens.” A segunda observação referese ao efeito fiscal do crédito de PIS e COFINS, tratado de forma diversa do efeito previsto no Direito Contábil, mais precisamente no que tange ao momento de apropriação. Para a legislação comercial o custo de venda ou custo da mercadoria vendida (CMV) somente é apropriado e impacta o resultado da empresa no momento da efetiva venda da mercadoria. Para a legislação em tela, o crédito de PIS e COFINS calculado sobre este custo da mercadoria vendida (CMV) é apropriado no mês de aquisição, que, em regra, não coincide com o momento da venda da mercadoria. 2.8) O crédito de bens e serviços adquiridos para serem usados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (atividade industrial e de prestação de serviços) O II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 estabelece que “a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes”. Analisemos esse dispositivo detalhadamente. ...crédito calculado em relação a bens e serviços... Dissemos acima que bens são todas coisas, direitos, obrigações, enfim, qualquer elemento material ou imaterial, representando uma utilidade ou uma riqueza, integrado no patrimônio de alguém e passível de apreciação monetária, e que serviços são quaisquer atividades fornecidas no mercado de consumo, mediante remuneração. O dispositivo é de clareza meridiana ao dizer que o crédito é sobre bens e serviços. Insisto neste ponto, porque não é inusitado encontrar afirmações no sentido de que o crédito do PIS e da COFINS é sobre insumos, buscando no conceito deste a delimitação do alcance da norma. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 24 47 Em nossa opinião, constitui equívoco manifesto esta forma de interpretar o dispositivo, invertendo a equação da norma. O crédito não é calculado em relação aos insumos, mas sim sobre bens e serviços, não constituindo esta questão mero jogo de palavras, como demonstraremos adiante. ... utilizados como insumo ... O crédito é sobre bens e serviços utilizados como insumo, diz a norma. O verbo utilizar neste trecho possui o sentido de “empregar (algo) em ou para determinado fim” (Houaiss). Tal verbo no particípio (forma nominal) expressa uma ação plenamente concluída. Ou seja, o crédito somente pode ser calculado em relação aos bens e serviços que foram efetivamente empregados em determinada finalidade. Se o bem ou o serviço for desviado da finalidade, o crédito não poderá ser usado. A finalidade condicionante do crédito estipulada pelo legislador foi a de que o bem ou serviço seja utilizado/empregado “como insumo”. No contexto do dispositivo o termo “como” expressa uma equivalência, uma semelhança, tratandose de uma conjunção comparativa. Isto que dizer, no contexto, que o bem ou serviço não são necessariamente insumos, mas “utilizados como insumo”. Há uma diferença substancial de ser insumo ou ser utilizado como insumo, com adiante veremos. Insumo, segundo o Dicionário Houaiss, constitui “cada um dos elementos (matériaprima, equipamentos, capital, horas de trabalho etc.) necessários para produzir mercadorias ou serviços”. Para o Dicionário Michaellis insumo “designa todas as despesas e investimentos que contribuem para a obtenção de determinado resultado, mercadoria ou produto até o acabamento ou consumo final”. O Dicionário Aulete, o conceitua como “cada um dos elementos ou fatores (como máquinas e equipamentos, energia, trabalho ou mão de obra) envolvidos na produção de mercadorias ou serviços.” O sentido funcional de insumos não discrepa do sentido econômico, constituindo insumos os bens e serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, também denominados de fatores de produção, abarcando as matériasprimas, bens intermediários, uso de equipamentos, capital, horas de trabalho, energia e etc. De acordo com Robert S. Pindyck e Daniel L Rubinfeld, professores, respectivamente, da M.I.T (Massachusetts Institute of Technolog) e da Universidade da Califórnia, em sua festejada obra sobre Microeconomia, asseveram: “Durante o processo produtivo, as empresas transformam insumos, também denominados fatores de produção, em produtos. Os fatores de produção são tudo aquilo que a empresa utiliza no processo produtivo. Em uma padaria, por exemplo, os insumos incluem o trabalho; matériasprimas, como farinha e açúcar; e o capital investido nos fornos, batedeiras e em outros equipamentos necessários à produção de pães, bolos e confeitos. Como se vê, podemos dividir os insumos em amplas categorias de trabalho, matériasprimas e capital, podendo cada uma dessas incluir subdivisões mais limitadas. O trabalho abrange os Fl. 47DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 48 trabalhadores especializados (carpinteiros, engenheiros) e os não especializados (trabalhadores agrícolas), bem como os esforços empreendedores dos administradores da empresa. As matériasprimas incluem o aço, o plástico, a eletricidade, a água e quaisquer outros materiais que a empresa adquira e transforme em produto final. O capital inclui o terreno, as instalações, a maquinaria e outros equipamentos, bem como os estoques.” O conceito jurídico adota o sentido econômico de insumo, consoante Maria Helena Diniz, que diz ser insumo: “1. Despesa e investimentos que contribuem para um resultado, ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase da combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços.18(grifamos) Pois bem, os insumos do ponto de vista econômico e jurídico podem ser divididos em várias categorias. Mas o que importa ao presente caso é a divisão de insumos como fatores de produção diretos e indiretos. Os insumos diretos são, por exemplo, as matérias primas, e os indiretos, a energia, apenas para citar estes dois. Os fatores de produção direitos podem ser, por sua própria natureza, tidos como insumo. Os fatores de produção indiretos são insumos, não pela sua natureza, mas sim por equivalência. O que quero dizer, é que a expressão “bens e serviços utilizados como insumo” abarca não apenas aquelas coisas que são insumos por sua própria natureza (matéria prima), ou insumos diretos, mas sim, todas as coisas que são empregadas como fator de produção e que, portanto, são também consideradas insumo, os denominados insumos indiretos. Por exemplo, um serviço de manutenção, por sua natureza, não constitui um insumo. Porém, se este serviço for empregado na produção ele equivalerá, para todos os fins, a um fator de produção ou insumo. A energia elétrica, a rigor, também não é um insumo, mas o será quando for empregado na produção. Os combustíveis e lubrificantes também não são insumos propriamente ditos, mas adquirem esta qualificação se utilizados como fator de produção. Aliás, este exemplo foi dado pela própria norma, o que comentaremos mais adiante. Assim, verificamos que há bens e serviços que são, por sua natureza, insumos, como a mão de obra, a terra, o capital, a matéria prima, que são ligados diretamente à produção de bens e serviços. São os denominados fatores de produção diretos, que são assim identificados por estarem ligados inexoravelmente à produção. Mas há outros bens e serviços que somente ganharão o status de insumo (indiretos) ou fator de produção, pelo fenômeno da equivalência, quando (estes bens e 18 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico, vol. 2. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 870 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 25 49 serviços) forem efetivamente empregados no processo de produção da empresa. São os denominados fatores de produção indiretos. Em resumo, o crédito do PIS e da COFINS são calculados em relação a todos os bens e serviços empregados como insumo, assim entendido como todos os fatores de produção diretos e indiretos aplicados na prestação de serviço ou no processo de produção das empresas, os termos do II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03. ... na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ... O crédito é sobre bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A evolução legislativa deste dispositivo revela, neste particular, a abrangência do seu alcance e a amplitude do termo insumo. Com efeito, na redação original do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, que tratava apenas do PIS, a previsão era de que o crédito seria calculado sobre: “II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes”. A redação deste dispositivo era confusa, pois dava a entender que no caso de prestação de serviço o crédito previsto era tão somente de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos que seriam usados, os produtos fabricados, na prestação de serviços. Ou seja, o crédito não seria de bens e serviços usados na prestação de serviços, mas sim de bens e serviços utilizados na fabricação de produtos que seriam destinados à prestação de serviços. Por ser confuso, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 foi rapidamente alterado pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003, passando a dispor que o crédito seria sobre “II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes.” A substituição foi sutil, a troca do “à” por “na”, mas alterou substancialmente o sentido da frase, pois o crédito passou a ser conferido sobre os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços, abarcando, como demonstrado acima, todos os fatores de produção, diretos e indiretos, aplicados na prestação de serviço. Mas repare que, até este momento, o dispositivo mencionava apenas créditos calculados sobre bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados á venda. Ou seja, apenas os bens e serviços empregados no processo de fabricação poderiam gerar o crédito, o que na minha opinião abarcava apenas os fatores de produção diretos. Posteriormente, o legislador alterou novamente a regra, inclusive para o PIS, ao instituir a nãocumulatividade para a COFINS, por intermédio da Lei nº 10.833/03, que estabeleceu o crédito sobre “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes”. Este dispositivo foi alterado pela Lei nº 10.865, de 2004, que deu a redação atual acima transcrita. Para facilitar, vejamos a evolução deste normativo num quadro comparativo: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 50 Lei 10.637 Lei nº 10.684 Lei nº 10.833 Lei nº10.865 II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes” II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes.” II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Portanto, até o advento da Lei nº 10.833/03, os bens e serviços que davam direito ao crédito eram os utilizados como insumo apenas na atividade de fabricação, ou seja, os insumos ou fatores de produção diretos. Após aquele normativo, a regra ampliou sobremaneira o seu alcance, passando a admitir o crédito dos bens e serviços não apenas usados como insumo na fabricação (fatores de produção diretos), mas sim em todo o processo de produção (fatores de produção diretos e indiretos). O sentido teleológico da alteração foi o de ampliar o alcance da regra de crédito, não apenas para abarcar os bens e serviços usados como insumo na fabricação, que é uma das formas de produção, mas os bens e serviços usados como insumo em todas as atividades em que haja produção. Fabricação, na verdade, foi mantido no texto e passou a ser um termo meramente expletivo do gênero produção. Neste sentido o “ou” que liga produção a fabricação, tem a função de uma conjunção explicativa. Assim, o dispositivo passou a abarcar o conceito econômico de produção, que, segundo Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos, “é o processo pelo qual uma firma transforma os fatores de produção adquiridos em produtos ou serviços para a venda no mercado.”19 No mesmo sentido assevera Antonio Barros de Castro e Carlos Francisco Lessa, a saber: “A produção baseiase no trabalho humano dirigido no sentido do atendimento de necessidades econômicas individuais e coletivas. Em dependência do produto que se tenha em vista, o processo produtivo envolverá o uso de determinadas formas de trabalho, capital e recursos naturais. Cada combinação de fatores trabalho, capital e recursos naturais constituindo uma unidade produtora é alimentada pelo resto do sistema, que lhe provê matériasprimas, combustíveis, energia, serviços de diversas ordens etc. Notese, enquanto o emprego de fatores não implica modificar substancialmente sua existência, os bens correntemente adquiridos pelas unidades produtoras para 19 Cf., in Economia Micro e Macro, 4ª ed. – SP: Atlas. 2011, p. 109. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 26 51 alimentar seu processo produtivo ditos insumos sofrem sucessivas transformações, pelas quais chegam ulteriormente a convertese em bens de utilização final. Com efeito, a produção constitui, por vezes, uma longa cadeia composta de diversas fases nas quais os bens, em processo de elaboração, incorporam, progressivamente, as características com que se deverão apresentar em mercado quando prontos para uso final.” O legislador optou por conferir o crédito abarcando o conceito de insumo ligado à produção ou fator de produção, em razão da diversidade de atividades produtivas sujeitas a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Empresas que, a despeito de serem industriais, não possuíssem unidade fabril, por esta ser em parte ou totalmente realizada por terceiros, como é comum no setor de bebidas e automotivo, por exemplo, estariam prejudicadas se não fosse o alargamento da regra referente ao crédito. A produção agrícola, mineral e outras, por exemplo, estariam também prejudicadas com o conceito restrito de insumos empregados na fabricação, na forma da legislação anterior. Com o alargamento perpetrado pela Lei nº 10.833/03 para abarcar bens e serviços empregados como insumo na prestação de serviços ou produção e fabricação, todas as atividades produtivas estão alcançadas pela norma, de forma a dar a máxima efetividade ao princípio da nãocumulatividade. Cabe ressaltar que não há como restringir o sentido de produção à determinada atividade, como pretendem alguns, que sustentam que este termo foi inserido no dispositivo apenas para abarcar a produção agrícola. Com a devida vênia, além de ser uma interpretação que contraria o princípio da nãocumulatividade, esta pretensa restrição do dispositivo viola as regras mais comezinhas da hermenêutica, pois, ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir). Como ensina Carlos Maximiliano: “Quando o texto menciona o gênero, presumemse incluídas as espécies respectivas; se faz a referência ao masculino, abrange o feminino; quando regula o todo, compreendemse também as partes. Aplicase a regra geral aos casos especiais, se a lei não determina evidentemente o contrário. Asseverando de forma contundente o saudoso Maximiliano, que: “Quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicalo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstancias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas.” 20 20 Hermenêutica e Aplicação do Direito, Rio de Janeiro : Forense, 1996, p. 246/247 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 52 O termo “produção” mencionado no dispositivo em comento, constitui o processo de transformação dos fatores de produção adquiridos em produtos ou serviços para a venda, sendo gênero de várias espécies (produção industrial, agrícola, mineral, agropecuária e etc), todas elas abarcadas pelo dispositivo para efeito de crédito. Tratou do gênero produção, e não apenas de um processo produtivo, que é a fabricação. ... inclusive combustíveis e lubrificantes O advérbio inclusive, significa “com inclusão de, de forma inclusiva” (Aulete) ou ainda, “inclusivamente” (Michaellis). Inclusivamente significa “de maneira inclusiva, com inclusão, de modo que fique incluído ou compreendido; sem exceção, sem exclusão” (Aulete). O legislador desde a edição da Lei nº 10.637/02, ao tornar incluso os combustíveis e lubrificantes dentre os bens e serviços que dariam direito ao crédito, explicitou que não apenas os bens e serviços empregados como insumo diretamente no processo de fabricação, isto é, os fatores de produção diretos, serviriam para o cálculo do crédito, mas também os fatores de produção indiretos, aqueles bens e serviços equivalentes a insumo em razão de serem empregados no processo de produção (fatores indiretos), como são os combustíveis e lubrificantes. A questão controvertida estava em saber se, com a inclusão de combustíveis e lubrificantes, o legislador ampliou o dispositivo para abarcar todos os fatores de produção indiretos, ou apenas aqueles que mencionaram. Essa discussão, entretanto, tornouse despicienda com a alteração legislativa levada a efeito pela Lei nº 10.833/03, que inseriu o termo “produção” no texto do normativo, para deixar claro que todos os insumos ou fatores de produção diretos e indiretos conferiam o crédito de PIS e da COFINS. Então o crédito do PIS e da COFINS é calculado em relação a todos os bens e serviços empregados como insumo, assim entendido como todos os fatores de produção diretos e indiretos aplicados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 2.9) O valor e o momento de apropriação do crédito O § 1º do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 estabelece que o crédito calculado sobre os “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833) será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista na Lei sobre o valor “dos itens mencionados (...), adquiridos no mês”, ou seja, dos bens e serviços empregados como fator de produção direto ou indireto. No Direito Contábil o valor dos fatores de produção diretos e indiretos ou insumo é representado pelo custo de produção ou custo das vendas, ou mais precisamente, usando o termo legal previsto no artigo 187 da Lei nº 6.404/72, e na lição de Iudícibus e Marion: para empresas industriais, o custo das vendas é denominado Custo do Produto Vendido (CPV); para empresas comerciais, o custo das vendas é denominado Custo das Mercadorias Vendidas (CMV); Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 27 53 para empresas prestadoras de serviços, o custo das vendas é denominado Custo dos Serviços Prestados (CSP).21 É fundamental observar que os termos “insumo” ou “fator de produção”, “custo de produção”, “custo de venda”, “Custo do Produto Vendido (CPV)”, “Custo das Mercadorias Vendidas (CMV)”, “Custo dos Serviços Prestados (CSP)”, são representações de uma mesma realidade, o que muda é apenas a visão do observador. Quando se fala em insumo ou fator de produção a realidade é descrita pela ótica da economia. Ao mencionar custo de produção, custo de venda, esta mesma realidade é descrita pelos contadores. Quando falamos em Custo do Produto Vendido (CPV), Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), Custo dos Serviços Prestados (CSP), àquela realidade é tratada pelo Direito Contábil. Do ponto de vista fiscal esta mesma realidade foi absorvida pela legislação do PIS e da COFINS ao dispor sobre os créditos calculados sobre os “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Aliás, se fizermos uma comparação entre os conceitos de custo, custo de produção e a referida norma fiscal, veremos que todos tratam de uma mesma realidade: Conceito da Lei nº 10.833 Conceito de custo Conceito de custo de produção “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” “gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços” (Eliseu Martins) “os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda”. (Eliseu Martins) O sentido teleológico do dispositivo é muito simples, os custos ou custos de produção, ou CPV e CSP, são os gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços empregados ou utilizados na obtenção dos produtos destinados à venda. Para o direito fiscal, esses dispêndios são os essenciais à obtenção da receita tributável pelo PIS e pela COFINS. O legislador, em nossa opinião, empregou este conceito de custo de produção ou de CPV, CMV e CSP exatamente por serem conceitos técnicos, razoavelmente definidos pelo Direito Contábil, deixando ao intérprete apenas a função de analisar as operações concretas de cada empresa para identificar se este ou aquele gasto é efetivamente um custo de produção. É vasta a doutrina sobre custo, seja na economia, na contabilidade ou no Direito 21 Contabilidade comercial: atualizado conforme Lei nº 11.638/07 e Lei nº 11.941/09 / Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion. – 9. Ed. – São Paulo : Atlas, 2010, p. Pagina 229 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 54 Contábil, por serem estes os gastos fundamentais à Teoria da Empresa, na medida em que estão ligados à sua produção. Cabe ressaltar que dois equívocos são comumente praticados ao se analisar a questão em tela. O primeiro, e mais comum, é de inserir determinadas despesas no rol dos gastos que seriam custo. Custo e despesa são termos técnicos e possuem conceitos diversos e delimitados, como demonstrado acima. Um dispêndio não é custo ou despesa ao talante do aplicador da norma, pois as normas do Direito Contábil delimitam com razoável precisão o alcance de cada termo. O inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 tratou do crédito de PIS e COFINS apenas dos custos de produção, e não de despesas. As despesas, que geram o crédito de PIS e COFINS, foram taxativamente determinadas nos demais incisos III a IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03. Ou seja, o legislador didaticamente separou os custos de produção, permitindo que todos eles gerassem crédito de PIS e da COFINS, no inciso II acima mencionado, e nos demais inciso cuidou de determinadas despesas, e apenas estas, dariam direito ao crédito. O segundo equívoco é trazer para a análise do caso o conceito de necessidade, ou seja, sustentar que daria direito ao crédito de PIS e COFINS os gastos que seriam necessários à empresa. Daí advém a dúvida: os créditos gastos seriam necessário à produção? Necessários à atividade? Necessários ao empreendimento? Necessários ao dono da empresa? Necessários para a Receita Federal do Brasil? Ora, o legislador ao regular o crédito do PIS e da COFINS em momento algum usou o termo “necessidade”. Utilizou o termo “utilizado”, no sentido de empregado, para regular os bens e serviços ligados à prestação de serviço ou produção, para efeito de conferir o crédito. E mais, quando se traz o conceito de necessidade haverá sempre a tentação de se buscar na legislação do imposto de renda a definição de “despesas necessárias”, para se aplicar, por analogia, as regras referentes ao crédito do PIS e da COFINS. Veja que a legislação do imposto de renda define as “despesas necessárias”, como um limitador do conceito de “despesa” do Direito Contábil, como acima demonstrado. Esta definição em hipótese alguma se aplica aos custos ou custos de produção. Os custos são gastos sempre e inexoravelmente essenciais à empresa, e não apenas necessários. O conceito de necessidade não se aplica aos custos de produção. Mas qualquer custo de produto (direto e indireto) é passível de conferir o crédito de PIS e COFINS? A resposta é negativa. Sobre esta questão, mais uma vez o legislador foi didático, criando as seguintes restrições: veda o crédito sobre custos diretos e indiretos de mãodeobra paga a pessoa física; veda o crédito da aquisição de bens ou serviços (custos de produção) não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; limita o crédito exclusivamente aos bens e serviços (custo de produção) adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; e Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 28 55 que os custos incorridos, sejam pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. A título de conclusão, podemos ressaltar que, nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, o crédito do PIS e da COFINS é calculado em relação a todos os bens e serviços empregados como insumo, assim entendido como os fatores de produção diretos e indiretos, na prestação de serviço ou no processo de produção das empresas. O valor do crédito será apurado aplicandose a alíquota regular sobre o Custo do Produto Vendido (CPV)” ou o “Custo dos Serviços Prestados (CSP)”, registrado na contabilidade da empresa, e serão apropriados no mês da aquisição do bem ou serviço. 2.10) O frete como custo de produção. Feitas as considerações acima, a respeito do conceito legal de bens e serviços e custo e despesa, para efeito do crédito de PIS e COFINS, vejamos onde se enquadram os gastos feitos pelas empresas a título de frete. Num ciclo de produção, até o momento em que o produto é colocado efetivamente para venda no estabelecimento vendedor da empresa, pode haver inúmeros gastos com transporte (frete). Assim, da fábrica o produto pode ser enviado para armazéns, para centros de distribuição (CD), inclusive em outros Estados. Todas essas remessas ainda fazem parte do processo de produção da empresa, segundo o Direito Contábil. Mesmo estando o produto acabado, apenas o processo de fabricação foi esgotado, não o processo de produção o qual se finaliza apenas quando o produto é colocado efetivamente à venda. Os gastos de frete da empresa até o momento em que o produto está colocado à venda, mesmo se este frete for despendido após o produto estar acabado, irão integrar o custo da mercadoria ou produto vendido, segundo o Direito Contábil (art. 187, II, da Lei nº 6.404/76). Nesses casos, em todos eles, o frete é tido como custo de produção ou fator de produção. Na verdade, a produção iniciase com a aquisição das matériasprimas, antes de iniciado qualquer processo de fabricação. Com a fabricação, o ciclo de produção somente encerra após o produto estar disponível para a venda. Durante todo este processo de produção os gastos com transportes irão integrar o custo de produção, ou custo de venda, ou, ainda, custo do produto vendido. Aliás, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil vem reconhecendo reiteradamente o direito ao crédito sobre o custo de fretes na aquisição de matéria prima, isto é, o custo de algo que sequer ainda integrou o processo de fabricação. E o fundamento para o deferimento desse crédito é singela, pois o valor do frete integra o custo do bem, conforme diversas soluções de consulta, a saber: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. O valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 56 produtos destinados à venda, compõe o custo do bem, podendo, portanto ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep nãocumulativo.” (Solução de Consulta nº 132 de 10 de maio de 2005) ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO. FRETE. O valor do frete pago na aquisição de insumo pode integrar a base de cálculo do crédito previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, desde que a aquisição do insumo dê direito à apuração de crédito e desde que a aquisição do frete esteja sujeita à incidência da Cofins. ( SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 63 de 12 de Julho de 2010) ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: O VALOR DO FRETE INTEGRA A BASE DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS QUE COMPÔEM O CÁLCULO DA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos da COFINS. (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Este é o ponto fundamental, nobres colegas. O fato é que pelo Direito Contábil, todos os valores despendidos com transporte (frete) desde a aquisição da matéria prima até o produto acabado ser colocado à venda nos pontos de vendas, fazem parte do custo do produto e são considerados custo de produção. Em outras palavras, os fretes pagos pela empresa durante todo o processo produtivo, que abarca além da aquisição de matéria prima, a fabricação, a distribuição do produto acabado e a remessa para os pontos de venda, compõem o custo do produto destinado à venda, nos termos do artigo 187 da Lei nº 6.404/76. Esta é, aliás, a jurisprudência reiterada do próprio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aresto cuja ementa é a seguinte: “FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA O preço do frete de mercadorias entre os estabelecimentos da empresa complementa o custo de aquisição delas, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 182 do RIR/80 (Ac. 1º CC 10182.937/92 DO 08/05/95).” O Conselheiro José Eduardo Rangel de Alckmin, Relator, em seu aresto asseverou: “Está correto o entendimento da autoridade revisora, segundo o qual o custo com a transferência de mercadorias entre os estabelecimentos da empresa complementa o custo de aquisição delas, nos termos do disposto no parágrafo único do art.182 do RIR/80. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 29 57 Com efeito, o preço do transporte da mercadoria de um para outro estabelecimento é inerente à própria mercadoria e a ela se agrega para comporlhe o custo. Há um vinculo específico do frete à mercadoria transportada, não podendo dela ser apartado para ser incluído em despesas gerais como pretende a recorrente.” A despeito de ser aplicada no âmbito do IRPJ, esta decisão é inteiramente aplicável ao presente caso, exatamente porque trata do frete como custo de aquisição da mercadoria antes dela ser colocada a venda. O Conselho reconheceu que o frete como custo é do Direito Contábil, devendo, pelas regras do IRPJ, ser mantido o mesmo efeito. No IRPJ o impacto de se reconhecer este gasto como custo de produção ou despesa é temporal. Se fosse despesa o contribuinte anteciparia o impacto do gasto, pois como custo este gasto somente reduziria o lucro líquido quando da venda, com a baixa do estoque. O Conselho decidiu que o frete entre estabelecimentos, pelo Direito Contábil, é efetivamente custo do produto ou mercadoria. Neste mesmo sentido, são os seguintes arestos do antigo Conselho de Contribuintes, verbis: “FRETES SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES Os dispêndios com fretes de mercadorias integram o custo de aquisição e são imputados proporcionalmente aos estoques, sendo elementos constitutivos do custo das mercadorias vendidas nas posteriores saídas. Em havendo subavaliação de estoques no balanço de encerramento do período, decorrente da não inclusão do valor dos fretes correspondentes, correta é a glosa dos valores apropriados indevidamente como despesas, quando nos exercícios envolvidos foram apurados ou compensados prejuízos fiscais.” (Ac. CSRF/011.253/91 DO 25/11/94). “FRETES A subavaliação de estoques tem por efeito acarretar o diferimento da tributação do lucro para o exercício seguinte. Os fretes, por se integrarem ao custo das mercadorias vendidas, não podem constar como despesas relacionadas com as mercadorias que se encontram em estoque no momento da apuração dos resultados do exercício. Em ambos os casos, há postergação do pagamento do imposto.” (Ac. 1º CC 1038.957/89 Resenha Tributária, IR Jurisprudência Administrativa 12.2, pág. 261). O frete como custo de aquisição não é uma regra do direito tributário, da legislação do IRPJ, mas sim do Direito Contábil, que regula e limita o conceito de custo. E neste ponto, é fundamental trazer a baila novamente a questão da coerência. Não há como interpretar e aplicar a norma dizendo que os dispêndios com fretes integram o custo de aquisição e são imputados proporcionalmente aos estoques, sendo Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO 58 elementos constitutivos do custo do produto vendido para efeito do IRPJ, e não aplicar este mesmo raciocínio para efeito da legislação do PIS e da COFINS. A coerência é fundamental a qualquer pessoa que queira realizar um pouco de justiça! A realidade é que o Direito Contábil regula e determina que todos os valores pagos de frete, desde a aquisição da matériaprima até o produto ser posto à venda, fazem parte do custo de produção, estando o crédito assegurado pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03. Desta forma, o contribuinte possui o direito de utilizar o crédito do PIS e da COFINS sobre os fretes pagos para a movimentação de seus produtos até a sua colocação no estabelecimento vendedor, visto que todos esses gastos constituem, exatamente, o custo de produção, crédito este assegurado pelo inciso II, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/03. E não se pode confundir o crédito de PIS sobre o frete utilizado como insumo na produção, isto é, como custo de produção, crédito este que tem fundamento no inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, com o frete pago na venda do produto, tido como despesa, cujo crédito foi assegurado no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03. 2.11) O crédito de PIS e de COFINS sobre as despesas de frete Se é verdade que pelo Direito Contábil todos os gastos do frete pagos antes da venda da mercadoria compõem o custo da mercadoria ou produto vendido, não é menos correto que o dispêndio com frete na venda do produto será tido como despesa. Esta despesa decorre de operações mercantis de compra e venda, em que cabe ao vendedor a obrigação de entregar a mercadoria ao comprador em seu estabelecimento, correndo por conta do vendedor as despesas com frete. São negócios com a denominada cláusula CIF (abreviatura da expressão inglesa “Cost, Insurance and Freight”), nos quais o preço da venda abarca as despesas com seguro e frete até o local de destino o vendedor. A cláusula CIF se contrapõem a cláusula FOB (“Free On Board”), quando é atribuído ao comprador as despesas decorrentes do transporte (frete e seguro). O inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, ao estabelecer o crédito calculado em relação ao “frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, cuidou exatamente do frete tido como uma despesa, aquele pago pela empresa nas operações realizadas com a cláusula CIF. O legislador foi didático e cuidou neste dispositivo apenas do frete “na operação de venda” e apenas quando “ônus for suportado pelo vendedor”, referindose às operações de venda com cláusula CIF. Cabe registar que a referência a que o dispositivo faz a “nos casos dos inciso I e II”, tem o condão de restringir o crédito com despesas frete. É que somente dará crédito os fretes cujo ônus foi assumido pelo vendedor (cláusula CIF) na operação de venda de mercadorias revendidos, no caso da atividade comercial (inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/03), ou na operação de venda de produtos, no caso da atividade produtiva (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). Com esta restrição, por exemplo, o frete pago pela empresa na venda, de um ativo, não estaria abarcado pelo dispositivo. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO Processo nº 11080.008337/200551 Acórdão n.º 330201.168 S3C3T2 Fl. 30 59 Na minha ótica, seria um nonsense a conclusão de que o legislador concedeu o crédito sobre uma despesa de venda, isto é, o frete “na operação de venda”, na forma do inciso IX, e não ter concedido o crédito sobre os custos que a empresa realizou com fretes, o que decorreria da interpretação do inciso II. Os custos, inclusive com frete, fazem parte da própria existência, da razão de ser das empresas, sem eles não há produto, não há receita, não haveria PIS e COFINS. Não existe nem na legislação contábil ou na tributária um conceito de custo necessário, pois o adjetivo necessário seria um pleonasmo. Todo o custo é necessário à empresa, diferente das despesas. E é por esse motivo que os incisos I e II do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 asseguram os créditos sobre os custos de produção das empresas nas atividades neles mencionadas (atividade comercial, de serviço e de produção), estabelecendo os demais incisos (III a IX) daquele normativo a regra de crédito de PIS e COFINS sobre determinadas despesas neles especificadas. Em conclusão, a Lei nº 10.833/03, em homenagem ao princípio da não cumulatividade, estabelece o direito de crédito de todos os custos ou despesas com frete, o primeiro, o frete como custo de produção, no inciso II do artigo 3º, e, o segundo, despesas com frete, no inciso IX, do artigo 3º, ressaltando que este crédito está condicionado à assunção do custo pelo vendedor (cláusula CIF) e a que as operações sejam de venda de mercadorias ou produtos. Por estas razões, neste particular, acompanho o voto do ilustre Relator, para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mas o faço apenas pelas conclusões. É como voto. (Assinado digitalmente) Leonardo Mussi Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/01/20 12 por LEONARDO MUSSI DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assina do digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por JOSE ANTO NIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11065.914564/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 64 /2 00 9- 30 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914564/200930 Acórdão n.º 3803004.405 S3TE03 Fl. 105 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS, no valor de R$ 156,52, e não homologara a respectiva declaração de compensação (PER/DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, alegando que teria ocorrido erro de fato no preenchimento das declarações (DCTF, DIPJ e Dacon), erros esses não saneados à época por meio de retificação. Alegou o então Manifestante que tal equívoco poderia ser comprovado em sua contabilidade, pois que a contribuição devida se encontraria devidamente escriturada, e que, em decorrência do princípio da verdade material, que autoriza a autoridade administrativa a considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não declaradas no momento próprio, os novos dados apontados deveriam ser considerados na apuração dos fatos efetivamente ocorridos. Junto à Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos autos, dentre outras, cópias do comprovante de pagamento e de folhas do seu livro Razão. Tendo sido detectados pela DRJ Porto Alegre/RS elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, o presente processo foi remetido em diligência à repartição de origem, para que se analisasse e demonstrasse a composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração sob comento. Em resposta à diligência requerida, a repartição de origem, a par dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo interessado, concluiu que, de acordo com o balancete, apurouse que não fora incluída na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais, as receitas financeiras, o que, segundo a Fiscalização, contrariaria o disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse no sentido de que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já havia declarado inconstitucional a majoração da base de cálculo da contribuição determinada pela Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que deveria ser seguida pela Administração Pública, por força do contido no art. 26A, § 6°, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A DRJ Porto Alegre/RS não acolheu a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914564/200930 Acórdão n.º 3803004.405 S3TE03 Fl. 106 3 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 Ementa: ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator a quo que, não obstante caber razão ao contribuinte quanto à alegação de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no presente caso, apurouse um valor original total da contribuição a recolher de R$ 7.852,77, valor esse que, após a exclusão do valor da contribuição apurado sobre receitas financeiras, no montante de R$ 156,82, contrastado com o recolhido de R$ 567,27, indicaria que o valor total a recolher apurado na diligência seria superior à soma do valor originalmente recolhido com o crédito obtido pela exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Arguiu, ainda, que o contribuinte, embora tivesse alegado a ocorrência de erro material para justificar a existência do suposto crédito, não contestara expressamente os cálculos do resultado da diligência, limitandose a reclamar contra o alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, não tendo rebatido nem mesmo a afirmação contida no relatório de diligência quanto à insuficiência da comprovação dos alegados créditos. Cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS, o contribuinte reiterou seu pedido de reconhecimento total do direito creditório e respectiva homologação da compensação, alegando que, na realização da diligência, a Fiscalização equivocarase duas vezes: a primeira, quando não excluíra dos cálculos da contribuição as receitas financeiras e, a segunda, por não ter considerado o fato, devidamente comprovado na Manifestação de Inconformidade, de que a apuração por ele efetuada se dera pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, de acordo com a autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. Alegou, também, o Recorrente, que o pagamento da contribuição devida em abril de 2002 já se encontrava homologado tacitamente em abril de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, conforme jurisprudência do CARF. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914564/200930 Acórdão n.º 3803004.405 S3TE03 Fl. 107 4 Aduziu, ainda, que outro motivo que o levara a não rebater os cálculos procedidos pela Fiscalização foi o fato de que tal discussão não seria objeto deste processo, uma vez que a controvérsia se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a existência ou não do direito creditório reclamado, uma vez que a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo, decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), já fora acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância. Primeiramente, o Recorrente alega que, com base na autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 20021, ele teria calculado a contribuição pelo regime de caixa, decorrendo daí a divergência na apuração por ele efetuada e a realizada pela Fiscalização. O cálculo da contribuição com base no regime de caixa já se encontrava autorizado pelo art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, aplicandose, portanto, à contribuição apurada em abril de 2002, que corresponde ao período sob análise nestes autos. Segundo o Recorrente, essa particularidade (apuração pelo regime de caixa) encontrarseia comprovada desde a Manifestação de Inconformidade. Contudo, compulsando os autos, não se constata da Manifestação de Inconformidade, nem de seus anexos, nem mesmo da Manifestação de Inconformidade Complementar, que o contribuinte tivesse comprovado ou alegado tal condição. Conforme o julgador de primeira instância já havia atestado, o então Manifestante não se insurgira quanto aos cálculos efetuados na diligência fiscal, restringindose sua contrariedade à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Temse por definitiva, portanto, a questão relativa aos cálculos efetuados pela Fiscalização em procedimento de diligência por falta de expressa impugnação por parte do interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19722, configurandose a preclusão processual, pelo fato de os argumentos terem sido apresentados em momento posterior ao definido na legislação processual administrativa. 1 Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput , está condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914564/200930 Acórdão n.º 3803004.405 S3TE03 Fl. 108 5 Além disso, ainda que se superasse a preclusão, nos termos do parágrafo único do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, assim como do art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, para se valer do regime de caixa na apuração da Cofins e da contribuição para o PIS, o sujeito passivo deveria ser optante pelo lucro presumido na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), condição essa não satisfeita, pois, de acordo com a página 4 do PER/DCOMP, o débito de IRPJ que se pretendia compensar fora calculado sobre o lucro real (estimativa mensal), inexistindo outro elemento de prova nos autos que infirme tal constatação. Nesse sentido, além do fato de a discussão da matéria já ter se tornado definitiva na esfera administrativa por ausência de expressa contestação, não assiste razão ao Recorrente ao alegar o direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, tendo em vista tanto a falta de prova de tal alegação, quanto o não preenchimento dos requisitos para essa opção. No que tange à alegação do Recorrente de que o pagamento da contribuição devida em abril de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, desde abril de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, há que se ressaltar que, se de um lado tal argumento lhe favorece, de outro, vai de encontro a seus argumentos de defesa. Não obstante tal matéria relativa à decadência não ter sido apresentada na instância anterior, por se tratar de matéria de ordem pública, ela deve ser apreciada neste julgamento. Efetivamente, na data da realização da diligência requerida pela Delegacia de Julgamento (15/9/2011), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em abril de 2002 já se encontrava homologado tacitamente. Contudo, a repartição de origem, a par dos recálculos efetuados, não pretendeu exigir do sujeito passivo a diferença de tributo então apurada, tendo procedido ao exame da base de cálculo justamente para verificar se o direito creditório pleiteado encontrarseia confirmado na escrituração contábilfiscal, tudo em conformidade com o regramento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19963. Tal verificação é condição inerente ao procedimento de homologação dos pleitos da espécie, sem o qual, não se poderia confirmar o que fora declarado pelo interessado. Efetuado o cálculo da contribuição devida, com base na escrituração contábil fiscal, cujo valor apurado fora confrontado com o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, concluiu a Fiscalização pela inexistência do crédito declarado, situação essa que remanesceu 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914564/200930 Acórdão n.º 3803004.405 S3TE03 Fl. 109 6 mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo procedida pela Delegacia de Julgamento. Além da inexistência de prova infirmativa dos resultados da diligência realizada, temse que a DCTF retificadora, manejada para possibilitar “a abertura” do crédito informado na PER/DCOMP”, conforme o próprio Recorrente alegara, não produziu nenhum efeito, pois, na data de sua transmissão (28/10/2009), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em abril de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, não sendo mais passível de alteração, conforme o próprio Recorrente atestara. Aqui, vale destacar que a alegação de que a controvérsia presente nos autos se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras, não abarcando a discussão sobre os cálculos efetuados na apuração da contribuição, se mostra desfavorável à defesa do Recorrente, pois, nessa situação, uma vez descabida a retificação da DCTF, conforme acima apontado, temse que todos os dados declarados em sua DCTF original deverão prevalecer, desfavorecendo de todo o seu pleito, pois, foi com base nesses dados declarados que se emitiu o despacho decisório denegatório do direito creditório sobre o qual se controverte nos autos. Conforme já dito, mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição, o pagamento efetuado não foi suficiente para quitar o débito apurado. Nesse sentido, constatase que todos os argumentos de defesa do Recorrente não encontram respaldo nos elementos fáticos presentes nos autos, nem na legislação tributária aplicável. Vale ressaltar, portanto, que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19724, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914564/200930 Acórdão n.º 3803004.405 S3TE03 Fl. 110 7 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. Em seu Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que infirmasse os cálculos da Fiscalização, o contribuinte nada traz aos autos. Nesse contexto, voto por NÃO CONHECER dos argumentos de defesa trazidos aos autos apenas em sede de recurso, em razão da preclusão processual, e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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