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Numero do processo: 10945.002335/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO-CUMULUTIVA. ISENÇÃO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Para ter direito à isenção prevista no art. 5o, inciso III, da Lei nº 10.637/02, é essencial que a venda seja realizada para empresa comercial exportadora com o fim específico de comercialização. Se a venda for realizada a outra pessoa jurídica intermediária entre o vendedor e a empresa comercial exportadora, estará descaracterizada a venda com o fim específico de exportação e o vendedor não terá direito à isenção da COFINS.
CRÉDITO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. RECÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO DESCARACTERIZADAS. POSSIBILIDADE.
Correto o recálculo do rateio proporcional do PIS não-cumulativo, quando algumas operações de exportação apresentadas pelo contribuinte são devidamente descaracterizadas.
PIS/PASEP E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS. PESSOA SECA, LIMPA, PADRONIZA, ARMAZENA E COMERCIALIZA CEREAIS SEM DEIXÁ-LO PRONTO PARA O CONSUMO ANIMAL OU HUMANO. NATUREZA JURÍDICA DE CEREALISTA. ENQUADRAMENTO NO §11, DO ART. 3º, DA LEI Nº 10.833/03 E NÃO NO §10, DO ART. 3º, DA LEI Nº 10.637/02 .
As pessoas jurídicas que apenas secam, limpam, padronizam, armazenam e comercializam cereais, sem deixá-los prontos para o consumo humano ou animal, exercem a atividade de cerealista e não de agroindústria. Desse modo, o crédito a que elas tinham direito antes do advento da Lei nº 10.925/04 era o previsto no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/02. E, para ter direito a esse crédito, era necessário que venda fosse realizada à agroindústria.
CRÉDITO DA COFINS PREVISTO NO ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04.
O crédito previsto no art. 8o, da Lei nº 10.925/04 é destinado à agroindústria, de modo que as empresas cerealistas não têm direito a ele.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA.
Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS não-cumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa.
Numero da decisão: 3401-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que davam provimento quanto ao frete. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl (substituto).
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ISENÇÃO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Para ter direito à isenção prevista no art. 5o, inciso III, da Lei nº 10.637/02, é essencial que a venda seja realizada para empresa comercial exportadora com o fim específico de comercialização. Se a venda for realizada a outra pessoa jurídica intermediária entre o vendedor e a empresa comercial exportadora, estará descaracterizada a venda com o fim específico de exportação e o vendedor não terá direito à isenção da COFINS. CRÉDITO DO PIS NÃOCUMULATIVO. RECÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO DESCARACTERIZADAS. POSSIBILIDADE. Correto o recálculo do rateio proporcional do PIS nãocumulativo, quando algumas operações de exportação apresentadas pelo contribuinte são devidamente descaracterizadas. PIS/PASEP E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS. PESSOA SECA, LIMPA, PADRONIZA, ARMAZENA E COMERCIALIZA CEREAIS SEM DEIXÁLO PRONTO PARA O CONSUMO ANIMAL OU HUMANO. NATUREZA JURÍDICA DE CEREALISTA. ENQUADRAMENTO NO §11, DO ART. 3º, DA LEI Nº 10.833/03 E NÃO NO §10, DO ART. 3º, DA LEI Nº 10.637/02 . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 23 35 /2 00 8- 11 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 2 As pessoas jurídicas que apenas secam, limpam, padronizam, armazenam e comercializam cereais, sem deixálos prontos para o consumo humano ou animal, exercem a atividade de cerealista e não de agroindústria. Desse modo, o crédito a que elas tinham direito antes do advento da Lei nº 10.925/04 era o previsto no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/02. E, para ter direito a esse crédito, era necessário que venda fosse realizada à agroindústria. CRÉDITO DA COFINS PREVISTO NO ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. O crédito previsto no art. 8o, da Lei nº 10.925/04 é destinado à agroindústria, de modo que as empresas cerealistas não têm direito a ele. COFINS NÃOCUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA. Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS nãocumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que davam provimento quanto ao frete. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl (substituto). Júlio César Alves Ramos Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. Robson José Bayerl Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.029 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs transmitidas em 21/09/2007, pelas quais se pede o ressarcimento de PIS nãocumulativo do primeiro ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$205.561,84, para compensar débito da CSLL no valor de R$ 24.740,95. A Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu/PR glosou parte do crédito pelas seguintes razões (fls.794/831): 1 Algumas notas fiscais com CFOP 5.502 e 6.502 não estavam caracterizadas como remessas com fim específico de exportação, vez que não ia diretamente para recinto alfandegário. Em vez disso, tinha um terceiro intermediário entre a Contribuinte e a empresa exportadora; 2 A DDE (Declaração de Despacho de Exportação) nº 2040331161/6, referente às notas fiscais de saída de remessa com o fim específico de exportação de fevereiro de 2004 foi cancelada. Além disso, essas notas fiscais também não tinham características de remessa com o fim específico de exportação, em razão da existência de intermediador entre a Contribuinte e a empresa exportadora; 3 Os pesos declarados nas notas fiscais nºs 13542 e 13567 são menores que o peso declarado na DDE n٥ 2040263015/7, o que causa diferença no valor do produto; 4 A nota fiscal nº 13667 não tem informação do número da DDE correspondente, de modo que não há como comprovar a efetiva exportação; 5 Outras notas fiscais complementares não tiveram a exportação confirmada por falta de DDE ou apresentaram divergência de valores, ou, ainda, tiveram o fim específico de exportação descaracterizado. 6 A descaracterização de remessa para fim específico de exportação de algumas notas fiscais levou à modificação do cálculo do rateio proporcional das operações no mercado interno e externo, o que levou a glosa de parte do crédito. 7 Também foram excluídos do cálculo do crédito algumas aquisições que a autoridade fiscal entendeu não serem geradoras de crédito. São eles: 7.a aquisição de serviço de transporte pelo comércio, incluído na rubrica de bens adquiridos para revenda; 7.b – Valores de juros, multas e outros encargos das faturas de energia elétrica; faturas de energia elétrica que não estavam em nome de terceiros; divergência entre o valor de algumas faturas de energia elétrica e o valor declarado na DACON; algumas faturas de energia elétrica não foram apresentadas. 8 Divergência dos valores declarados e dos valores comprovados em relação às despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas; Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 4 9Inclusão indevida no valor do frete das despesas com pedágio, compras, fretes de remessa para depósito fechado ou armazém geral e despesas com estadias; 10 Alguns fretes declarados, mas não comprovados; 11 Vários bens do ativo imobilizados cuja deterioração não gera o crédito da COFINS nãocumulativa, por não serem utilizados na produção de bens para venda; 12 Crédito presumido sobre aquisição de produto in natura. Foram glosados nos meses de agosto e setembro em razão da revogação da norma que dava direito a esse crédito; 13 Glosas em razão de algumas divergências no cálculo do crédito presumido de abertura de estoque; Depois desses ajustes, pelo despacho decisório (fl.832) foi reconhecido o crédito parcial somente no valor de R$562,59 e homologada a declaração de compensação até esse valor. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mas a DRJ em Curitiba/PR manteve integralmente o despacho decisório, ao prolatar acórdão (fls.945/963) com a seguinte ementa: “LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim especifico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. FRETES NA VENDA DE MERCADORIAS. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar credito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquiridos diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústria que os utilizassem como insumos na Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.030 5 produção dos produtos especificados na lei e, como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES.JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete a autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, as quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 15/07/2011 (fls.966) e interpôs Recurso Voluntário em 08/08/2011 (fls.968/1017), com as alegações resumidas abaixo: 1 Para descaracterizar as vendas com fim específico de exportação, o auditorfiscal considerou isoladamente o §1o, do art. 45, do Decreto nº 4.524/02. Contudo, esse dispositivo não pode ser interpretado isoladamente para definir o que é venda com o fim específico de exportação. Além disso, os documentos comprovam que as mercadorias foram efetivamente exportadas; 2 O inciso IX, do art. 14, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e o inciso IX, do art. 45, do Decreto 4.524/02, definem que não pode haver incidência do PIS e da COFINS nas vendas com fim específico de exportação feitas para empresas exportadoras registradas no SISCOMEX; 3 Quanto às vendas com o fim específico de exportação com DDE canceladas, o art. 9o, da Lei nº 10.833/2003 disciplina que a responsabilidade pela tributação das mercadorias não exportadas é da adquirente. Assim, se a Recorrente vendeu para seu cliente, exportador, com o fim específico de exportação e este não efetivou a Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 6 exportação, a Recorrente não pode ser penalizada, de modo que as receitas dessas operações devem ser consideradas para fins de cálculo do crédito; 4 A Recorrente não concorda com o recálculo do rateio proporcional, pois as descaracterizações das vendas com o fim específico de exportação foram indevidas; 5 A Recorrente transporta suas mercadorias até armazéns para que possa formar lotes e, então, enviar ao consumidor final. As despesas com fretes para armazéns são necessárias, pois é uma etapa intermediária do processo de venda e, como tal, deve gerar crédito; 6 Em conformidade com a Lei nº 9.972/2000, regulamentada pelo Decreto nº 6.268/2007, a Recorrente desenvolve o processo produtivo/atividade agroindustrial (beneficiamento), no qual se alteram as características originais, aperfeiçoando as mercadorias, para o consumo humano ou animal, resultando os grãos, mercadorias comercializadas, de modo que faz jus ao crédito presumido do IPI; 7 Os produtos agropecuários adquiridos pela Recorrente são insumos que passam pelo processo produtivo. Portanto, geram crédito presumido do PIS e da COFINS; 8 A autoridade entendeu que a Recorrente não faz jus ao crédito na aquisição de produto in natura de pessoa física, por se enquadrar no §11 do art. 3o, da Lei nº 10.833/2003. Contudo a Recorrente se enquadra, na realidade, no § 10, do art. 3o, da Lei nº 10.637/2002; §5o, do art. 3o, da Lei nº 10.833/2003, e Caput do art. 8o, da Lei nº 10.925/2004; 9 A DRJ inovou ao entender que o art. 8o, da Lei nº 10.925/2004 passou, a produzir efeitos somente a partir de 04/04/2006, pois este não foi motivo das glosas dos créditos. Além disso, o art. 17, da referida lei, deixa bem claro que o art. 8o começou a produzir efeitos em 01/08/2004; 10 A Receita Federal do Brasil entende que os créditos de que trata o art. 8o, da Lei nº 10.925/04 somente podem ser usados com débitos do próprio PIS e da COFINS. Ocorre que por esta interpretação, os contribuintes que fazem exportação e que, portanto, não recolhem PIS e COFINS na saída, ficam condenados a acumular créditos infinitamente, sem poder ressarcilos; 11 Tem direito à correção de seus créditos pela taxa SELIC; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.031 7 Ao fim, a Recorrente pediu, em suma, que seja reformado o acórdão da DRJ, a fim de que seja reconhecido integralmente seu crédito, a atualização dele pela taxa SELIC e a homologação de todas as compensações efetuadas. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento do crédito da COFINS não cumulativa dos três primeiros trimestres de 2004. Contudo, a maior parte do crédito foi indeferida, em razão de ajustes no cálculo e glosas efetuados pela delegacia de origem e mantidos pela DRJ. Em seu recurso voluntário a Recorrente devolveu as seguintes matérias para serem apreciadas: 1 Caracterização das vendas com fim específico de exportação; 2 Impossibilidade de redução de crédito em razão de cancelamento de DDE; 3 Impossibilidade de recálculo do rateio proporcional; 4 Geração de crédito com despesas de frete para transportar mercadorias a armazéns; 5 Geração de crédito presumido na aquisição de produto in natura de pessoa física; 6 Indevida inovação de fundamentação pela DRJ; 7 Possibilidade de ressarcimento dos créditos de que trata o art. 8o, da Lei nº 10.925/04; 8 Direito à correção dos créditos pela taxa SELIC. Delimitadas as matérias, podese passar à análise de cada uma. 1 Das vendas com o fim específico de exportação Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 8 A autoridade fiscal descaracterizou algumas vendas com o fim específico de exportação, porque as mercadorias não iam diretamente para recinto alfandegário. Em vez disso, havia um terceiro intermediário entre a Recorrente e a empresa exportadora. A Recorrente não negou que as mercadorias não vão diretamente para o recinto alfedagado, mas alegou que o dispositivo utilizado para fundamentar a descaracterização (§1o, do art. 45, do Decreto nº 4.524/02) foi interpretado isoladamente. Contudo, esse dispositivo não pode ser interpretado isoladamente para definir o que é venda com o fim específico de exportação. Além disso, os documentos comprovam que as mercadorias foram efetivamente exportadas. Nesse caso, o embate consiste em duas teses: a fazendária, no sentido de que para se considerar venda com fim específico de exportação é necessário que a mercadoria saia das instalações da empresa diretamente para um recinto alfandegado; e a da Recorrente, no sentido de que para ser considerada venda com o fim específico de exportação basta que o produto seja efetivamente exportado. Para analisar melhor a situação, cabe transcrever o art. 6o, inciso III, da Lei nº 10.833/03, que assim dispõe: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”. Como é possível verificar, para que a venda seja não tributada, é necessário que ela seja realizada a uma exportadora e que tenha o fim específico de exportação. Por sua vez, a venda com o fim específico de exportação, conforme a autoridade fiscal, é a prevista no §1o, do art. 45, do Decreto nº 4.524/02, isto é, a venda de “produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”. É importante salientar que esta 4a Câmara, em fevereiro deste ano, no julgamento do Processo 13016.000241/200544, de relatoria da Conselheira Ângela Sartori, entendeu, por maioria, que quando a venda é feita a exportador e a exportação é efetivada, o contribuinte tem direito à isenção mesmo que a mercadoria não saia de estabelecimento diretamente para área alfandegada ou para o porto. Contudo, no presente caso, a isenção foi negada por dois motivos: além de a mercadoria não ter ido diretamente para recinto alfandegado, ele não foi vendido a empresa comercial exportadora. Nos documentos juntados nas fls. 164/184; 290/300 e 596/605, é possível observar que realmente o exportador não é a mesma pessoa para quem a Recorrente vendeu o produto. Portanto, correta está a descaracterização de venda com fim específico de exportação daquelas operações cuja venda não foi a empresa comercial exportadora. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.032 9 2 Da redução do crédito em razão do cancelamento da DDE Nesse ponto, a autoridade fiscal fundamentou que a Declaração de Despacho de Exportação nº 2040331161/6, referente às notas fiscais de saída de remessa com fim específico de exportação de fevereiro de 2004, foi cancelada pelo exportador. Para provar, juntou a tela de consulta do SISCOMEX na fl.658. É fato que o art. 9o, da Lei nº 10.833/2003, determina que, se a mercadoria adquirida pela empresa exportadora com fim específico de exportação não tiver sido exportada no prazo de cento e oitenta dias, a exportadora ficará sujeita ao recolhimento dos tributos não recolhidos pela vendedora. Contudo, além do cancelamento da DDE, outro motivo para a descaracterização de venda, para fim específico de exportação das notas fiscais acobertadas pela DDE nº 2040331161/6, foi o fato de a exportadora não ter adquirido diretamente da Recorrente, mas sim de uma terceira empresa. Assim está descrito no relatório fiscal (fl.1205): “Também verificamos nesta operação a descaracterização do fim específico de exportação pois quem figura como destinatário nas notas fiscais de remessa com fim especifico, emitidas pela DISAM (fls. 39/47), não é a empresa comercial exportadora e sim a intermediária ADM do Brasil ltda, CNPJ 02.003.402/005720, que revende, também com fim especifico de exportação, a mercadoria adquirida da DISAM para a Votorantim Comercial Exportadora e Importadora, CNPJ 01.428.233/000152, conforme verificamos no Memorando de Exportação n° 003/04, as folhas 48 a 51; e na nota fiscal n° 7996 (fls. 58). Sendo assim, o montante declarado de receitas de exportação será reduzido em R$ 2.075.529,00 (Dois milhões, setenta e cinco mil, quinhentos e vinte e nove reais) por não ter se confirmado o fim especifico de exportação”. Portanto, como a venda não foi feita à empresa exportadora, deve ser mantida a descaracterizarão de venda com fim específico de exportação. 3 Do recálculo do rateio proporcional Como algumas vendas com fim específico de exportação foram descaracterizadas, as receitas geradas com elas passaram a integrar as receitas das operações com o mercado interno, o que gerou diferença no rateio proporcional para fins de cálculo do crédito. A Recorrente contesta o recálculo do rateio proporcional por entender que foram indevidas as descaracterizações das vendas com fim específico de exportação. Mas como já esmiuçado acima, as descaracterizações foram corretas, de modo que não há reparos a serem feitos no recálculo do rateio proporcional. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 10 4 Das despesas de frete para transportar mercadorias a armazéns; De todas as inconsistências com os valores incluídos como frete em operações de venda, a Recorrente contestou somente a glosa relativa a despesa de fretes para transporte de mercadorias a depósitos fechados ou armazéns. A Recorrente alega que o transporte de mercadoria para armazéns é uma etapa intermediária do processo de venda, vez que ela coloca as mercadorias em armazéns para formar lotes e então transportar para o cliente. Nesse ponto, cabe razão à Recorrente. O direito ao crédito da COFINS não cumulativa em relação às despesas com crédito e armazenagem de mercadorias destinadas a venda está disposto no inciso IX, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Nesse ponto, entendo que o frete para transportar a mercadoria ao armazém compõe a despesa com armazenamento, de modo que gera crédito da COFINS nãocumulativa. 5 Geração de crédito presumido na aquisição de produto in natura de pessoa física A Recorrente alega que o crédito foi indeferido porque a autoridade fiscal interpretou erroneamente que a Recorrente se enquadra no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.033 11 contudo, ela se enquadra, na realidade, no §10, da Lei nº 10.637/02. Vejamos o que dizem os dois dispositivos: “§ 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País”. (grifo nosso) “§ 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura”.(grifo nosso) Da leitura dos dois parágrafos é possível entender que o §11, da Lei nº 10.833/03, está tratando da pessoa jurídica que exerce cumulativamente “as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos” e posteriormente vende o produto à pessoa jurídica do §10, da Lei nº 10.637/02, que são aquelas que produzem as mercadorias de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal. Em outras palavras, o §11 trata das cerealistas, enquanto o §10 trata da agroindústria. Da análise dos autos, da descrição do processo pela qual passam os grãos, descrito pela própria Recorrente, notase que ela se enquadra no §11, da Lei nº 10.833/02, conforme entendimento do auditorfiscal e não no §10, da Lei nº 10.637/02 , como pretende a Recorrente. Isso fica ainda mais claro ao se ler o objeto social da empresa constante na cláusula quarta, do seu contrato social, que assim dispõe: “CLAUSULA QUARTA — OBJETO SOCIAL: CNAE: 46.222/00 Comércio Atacadista de Soja; CNAE 46.834/00 Comércio, Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 12 importação e exportação de: insumos agrícolas, cereais, sementes e mudas; CNAE 46.613/00: de tratores, máquinas e implementos, pegas e acessórios de uso na agropecuária;CNAE: 46.443/02: de medicamentos veterinários; CNAE 46.711/00: de madeiras brutas e beneficiadas; CNAE 45.111/03: de motos, veículos automotores, pegas e acessórios para veículos; CNAE 46.494/04: de móveis e artigos de colchoaria; CNAE 46.494/01: de equipamentos elétricos de uso pessoal e doméstico; CNAE 46.494/02: de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico; CNAE 46.397/01: de produtos alimentícios em geral; CNAE 46.478/01: de artigos de escritório e de papelaria; CNAE 46.516/01 de equipamentos de informática; CNAE 46..231/08: de matériasprimas agrícolas com atividade de fracionamento e acondicionamento associada; CNAE 46.231/09: de aditivos, concentrados, ingredientes, ração suplementos para alimentação animal; CNAE 46.435/01: de calçados e artigos de couro; CNAE 46.494/99: de outros equipamentos e artigos de uso pessoal e doméstico não especifi cados anteriormente; CNAE 46.419/01 de tecidos e confecções; CNAE 51.411/04 de artigos de armarinho; CNAE 46.451/03: de produtos odontológicos;CNAE 46.46 0/01: de cosméticos e produtos de perfumaria; CNAE 01.415101: produção, re embalagem e comércio de sementes certificadas; CNAE 01.636/00: prestação de serviços a terceiros com secagem,beneficiamento e depósitos de cereais, tratamento fitosanitários, serviço de armazém geral nos termos do Decreto 1102 de 21/01/1903; armazém destinado à atividade de guarda e conservação de produtos agropecuários; CNAE 46.117/00: representantes comerciais e CNAE: 49.302/03: transporte rodoviário de cargas”.(grifo nosso) Em nenhum momento, a Recorrente demonstrou que em seu processo os grãos ficam prontos para consumo humano ou animal. Pelo contrário. O que se percebe é que ela apenas exerce a atividade de cerealista (seca, limpa, padroniza, armazena e comercializa tais produtos) e vende para pessoas jurídicas agroindustriárias que fazem a parte do processo de produção que deixa os cereais prontos para o consumo humano ou animal. Ainda cabe destacar que, muito embora a Lei nº 10.833/03 trate da COFINS nãocumulativa, o seu §11, do art. 3o, aplicase também ao PIS nãocumulativo por determinação expressa do art. 15, inciso II, da Lei nº 10.833/03. Portanto, a Recorrente realmente se enquadra no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03 e somente poderia deduzir o crédito da PIS em relação às vendas efetuadas para a agroindústria. Como no presente caso as vendas foram para exportação, a Recorrente não tem direito ao crédito. 6 Indevida inovação de fundamentação pela DRJ A Recorrente alega que a DRJ inovou ao entender que o art. 8o, da Lei nº 10.925/2004, que também trata de crédito para dedução de PIS e COFINS, passou a produzir efeitos somente a partir de 04/04/2006, pois este não foi motivo das glosas dos créditos. Além disso, o art. 17, da referida lei, deixa bem claro que o art. 8o começou a produzir efeitos em 01/08/2004. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.034 13 Nesse ponto, não tem razão a Recorrente. Quando a DRJ mencionou a Lei nº 10.925/2004 e sua produção de efeitos, ela estava discorrendo acerca da evolução legislativa dos créditos das pessoas jurídicas que exercem atividade de cerealista e das que exercem atividade de agroindústria. Mas a produção de efeitos da mencionada lei não foi o fundamento utilizado pela DRJ para manter o indeferimento do crédito da aquisição de produto in natura. Isso é evidente na leitura das fls. 1382/1384. O fundamento utilizado pela DRJ foi que a Recorrente se enquadra no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03 e, como tal, somente poderia apurar o crédito presumido do PIS e da COFINS quando a venda fosse realizada para a agroindústria. Portanto, deve ser desconsiderada a alegação da Recorrente, no sentido de que a DRJ inovou na fundamentação. 7 Possibilidade de ressarcimento dos créditos de que trata o art. 8o, da Lei nº 10.925/04 A Recorrente alega que é incorreta a interpretação de que os créditos previstos no art. 8o, da Lei nº 10.925/04, somente podem ser usados com débitos do próprio PIS e da COFINS. Segundo ela, essa interpretação faz com que os contribuintes que fazem exportação e que, portanto, não recolhem PIS e COFINS na saída, fiquem condenados a acumular créditos infinitamente, sem poder ressarcilos. Nesse ponto, a Recorrente se refere à glosa dos créditos da aquisição de produtos in natura dos meses de agosto e setembro de 2004. A DRF glosou esses créditos sob o fundamento de que o §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, produziu efeitos somente até 31/07/2004, quando foi revogado pela Lei nº 10.925/04. Então a Recorrente pretende que os crédito de agosto e de setembro de 2004 sejam deferidos como base no art. 8o, da Lei nº 10.925/04, cuja redação, vigente na época dos fatos geradores, era a seguinte: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Como é possível notar, o conteúdo do caput do art. 8o, da Lei nº 10.925/04, é quase o mesmo do §5o, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, ou seja, é destinado à agroindústria. Como já analisado no tópico, a natureza jurídica da Recorrente não é de agroindústria, mas sim de cerealista. Portanto, o art. 8o, da Lei nº 10.925/04 se não aplica à Recorrente, de modo que ela não tem direito nem à dedução nem ao ressarcimento. 8 Direito à correção dos créditos pela taxa SELIC. O debate acerca da aplicação da Taxa SELIC aos tributos é de longa data, isso porque essa Taxa SELIC tem uma natureza jurídica indefinida, não sendo somente juro, muito menos somente atualização monetária. Nesse contexto, interessante a definição dada por Alexandre Barros Castro (in Procedimento Administrativo Tributário – 2008. p. 201), para quem a Taxa SELIC é “um misto complexo de juros e correção monetária, de características remuneratórias, ora utilizada com características moratórias, ora com caráter compensatório”. Esse misto entre juros moratórios e compensatórios leva ao debate da constitucionalidade da Taxa SELIC, matéria em que não se adentrará, pois não merece delongas no presente caso, além de ser vedada a apreciação de constitucionalidade pelas esferas administrativas. O fato é que a correção monetária dos créditos tributários a favor da União é autorizada pela Súmula nº 04 do CARF. No entanto, a aplicação da Taxa SELIC para corrigir os ressarcimentos dos contribuintes sempre padeceu de falta de previsão legal e, no caso de ressarcimento da COFINS nãocumulativa, a vedação é expressa, conforme o art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Portanto, no presente caso, não cabe a atualização monetária. Ex positis, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reformar parcialmente o acórdão da DRJ, reconhecendo o direito creditório sobre a despesa com frete no transporte das mercadorias para o armazém, sem a correção pela taxa SELIC. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002335/200811 Acórdão n.º 3401002.373 S3C4T1 Fl. 1.035 15 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Respeitante ao reconhecimento dos fretes arcados para transferência das mercadorias a armazéns e depósitos para formação de lotes e posterior comercialização, não acolho a pretensão recursal, com todo o respeito às opiniões dissidentes. Nos termos das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, a única despesa de frete passível de gerar crédito da não cumulativadade é aquela incidente sobre a venda, desde que arcada pelo vendedor (art. 3º). A Receita Federal, por seu turno, entende que a despesa de frete debitada o adquirente, na nota fiscal de compra e desde que apartada do preço da mercadoria/insumo, compõe o custo de aquisição e deve ser acrescida ao seu montante para apropriação do crédito. Já o CARF, ou pelo menos esta turma julgadora, vem firmando entendimento que o frete incidente sobre a transferência, melhor dizendo, o transporte de produtos em fabricação, isto é, inacabados, entre estabelecimentos da pessoa jurídica, naquelas situações em que o processo industrial seja segmentado entre vários estabelecimentos, gera créditos, caracterizandose como serviços aplicado à produção. Portanto, três são as situações em que o frete pode gerar apropriação de créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a saber, i) o frete sobre venda, quando arcado pelo vendedor; ii) o frete como custo de aquisição; e, iii) o frete de produto em elaboração, como serviço aplicado na produção. No caso vertente, o frete de mercadorias para armazém ou depósitos fechados não pode ser enquadrado em nenhumas das hipóteses arroladas, uma vez que não se cuida de aquisição, produto em elaboração ou operação de venda, que sequer ocorreu, cuidandose, isto sim, de etapa intermediária, para o qual inexiste previsão legal para seu reconhecimento. Outrossim, entendo que despesas de frete desta natureza não se confundem com e não podem se qualificar como despesas de armazenagem, salvo se agregada e cobrada pelo armazém ou depósito como parte da prestação do serviço de armazenagem. Assim, por não vislumbrar respaldo em tal pretensão, nego provimento ao recurso quanto ao aproveitamento de créditos relativos ao transporte de mercadorias para armazéns e depósitos, próprios ou de terceiros. Robson José Bayerl Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 16561.720040/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em regular aquisição de investimento entre empresas privadas, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário.
CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; e 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em regular aquisição de investimento entre empresas privadas, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. 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Acordam os membros do colegiado, em: 1) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva; e 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte em epígrafe, foi lhe dada ciência em 12.01.2002 por via postal (fl 2.117) de Auto de Infração (fls. 2075 a 2116), por meio dos qual foram constituídos os seguintes créditos tributários: (i) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 164.585.080,43, (ii) Contribuição Social s/Lucro Liquido no valor de R$ 59.250.628,76, (iii) Multa isolada for falta de recolhimento de estimativa de IRPJ nos anoscalendário de 2007 e 2008 no valor de R$ 11.025.669,14 e (iv) Multa isolada for falta de recolhimento de estimativa de IRPJ nos anoscalendário de 2007 e 2008 no valor de R$ 3.969.930,97, totalizando a importância de R$ 238.831.309,30, incluídos os valores dos tributos, das multas de oficio que foram qualificadas (150%), das multas isoladas e dos juros de mora (estes calculados até 30/12/2011). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as acusações devidamente encontramse capitulados no auto de infração. 1. Acusação Fiscal Considerando a minudência do relatório da DRJ/SP1 do qual não diverge a Recorrente no tocante aos negócios jurídicos e operações societárias ocorridas, faço uso de alguns de seus trechos para o relato dos fatos considerados na lavratura do lançamento tributário ora guerreado: “1 A Ticket Serviços S.A. (TICKET) tem como objetivo social, dentre outras atividades, a prestação de serviços de administração de sistemas e/ou convênios para fornecer vale refeição,val ealimentação, vale farmácia, etc., às empresas e seus empregados; 2 A ação fiscal teve por escopo a análise da incorporação efetuada, em 20/08/2007, pela TICKET, da sua controladora, a Sobraser Participações Ltda., CNPJ 08.767.306/000180 (SOBRASER), constituída em 17/04/2007, que declarou no Balanço Patrimonial de sua única DIPJ apresentada (a de evento especial) um investimento de R$ 104.622.166,80, capital de R$ 450.315.522,02, e ágio de R$ 360.523.377,70, acerca do qual cabem os seguintes esclarecimentos: a) a TICKET, desde os anos 80, era controlada, de forma compartilhada, pelo Grupo Accor (entendase: Accor Hotels Belgium, Saminvest e Accor S.A., todas domiciliadas no exterior), da França por meio, majoritariamente, da Accor Participações S.A. (ACOPART), esta domiciliada no Brasil, e pelos Grupos Brascan, do Canadá, e Espírito Santo, de Portugal, estes dois por meio da Cia. Sinal de Participações e da Sinal Participações S.A.; b) em 01/12/2006, o Grupo Accor, por meio da ACOPART adquiriu a Cia. Sinal de Participações e a Sinal Participações S.A., contabilizando o investimento por equivalência patrimonial, reconhecendo o ágio pago na aquisição, fundamentando o na expectativa de rentabilidade futura; Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 c) em 05/04/2007, ambas foram incorporadas pela ACOPART, que passou a registrar em seu ativo permanente, investimentos adicionais na TICKET e na GR S.A.; o valor do ágio ficou assim registrado na ACOPART: R$ 360.523.377,70, referente à TICKET, e R$ 74.838.749,82, referente à GR S.A.; d) por conta de estudos para transformar a TICKET em instituição financeira, esta deveria ser controlada por uma holding exclusiva; para isso, foram constituídas a SOBRASER e a Accor Brasil Participações Ltda.(ACOBRASPART), com capital simbólico de R$ 1.000,00 cada, subscrito e integralizado pelo Grupo Accor, devendo vir a ser a ACOBRASPART essa holding exclusiva; e) as quotas do capital da SOBRASER foram adquiridas pela ACOBRASPART, que, por sua vez, teve suas quotas adquiridas pela ACOPART; f) em 10/08/2007, a ACOPART sofreu cisão parcial, vertendo o investimento na TICKET (mais o ágio) para a SOBRASER, que, na seqüência (após dez dias), foi incorporada pela sua controlada, a TICKET; g) em razão do patrimônio necessário para transformar a TICKET em instituição financeira, na qual não se admitiria como ativo o valor do ágio, a TICKET incorporou a sua controladora, a SOBRASER, em 20/08/2007; h) para atender o BACEN, as empresas estrangeiras que passaram a deter ações da TICKET após a cisão parcial da ACOPART conferiram essas participações em aumento de capital na ACOBRASPART; i) por conta da incorporação da SOBRASER, a TICKET iniciou a apropriação de 1/60 do ágio por mês a partir de setembro de 2007, e, conforme Lei n° 11.630/07, baixou contra o patrimônio líquido o valor integral do ágio; j) o ágio foi baixado na SOBRASER contra a contra Lucro e Prejuízos Acumulados, mantendose, entretanto, na incorporadora, o seu valor registrado na parte B do LALUR; 3. Já havia o registro, nas Cia Sinal, de um ágio de R$ 45.315079,48 atrelado ao investimento na Sinal Participações – que se originara em 1999 na aquisição de ações e que ainda não havia sido amortizado e que na incorporação pela ACOPART foi adicionado ao ágio proveniente da aquisição da Cia. Sinal e da Sinal Participações S/A.” De forma a tornar absolutamente clara a ocorrência dos fatos acima descritos bem como sua interpretação para fins do presente julgamento, apresentase também de forma esquemática o organograma societário das operações foco do lançamento perpetrado: a) Cenário Original (NOV/06). Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 4 5 b) Aquisição pela ACOPART da totalidade das ações da Cia Sinal de Participações e da Sinal Participações S/A, pertencentes a BRASCAN e ao Grupo Espírito Santo em 01.12.2006. Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 c) Após a incorporação da Sinal Participações e da Cia Sinal de Participações pela ACOPART em 21.05.2007 d) Após a constituição das empresas ACOBRASPART e SOBRASER Participações Ltda em ABR/07. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 5 7 e) Após a Cisão ocorrida em 10.08.2007 quando a ACOPART destacou o investimento Ticket Serviços S/A e o ágio; o patrimônio cindido foi utilizado para a integralização de capital na SOBRASER. (Nesta empresa a contabilização do investimento Ticket com seu ágio se deu da mesma forma que estava contabilizado na ACOPART. As quotas foram atribuídas para as sócias estrangeiras da ACOPART Participações na mesma proporção) Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 f) Organograma Final (Após com a incorporação da SOBRASER pela TICKET em 20.08.2007 sem aumento de capital. As empresas sócias da SOBRASER integralizam capital na ACOBRASPART com as ações da Ticket Serviços. Ato contínuo, as quotas da ACOBRASPART foram utilizadas para integralizar aumento de capital na ACOPART. A partir da verificação e constatação deste cenário fático e do conjunto das operações societárias realizadas, a autoridade fiscal invalidou a dedução da amortização de ágio efetuada a partir de Set/07 pela autuada, que segundo suas ponderações teria sido transferido entre entidades do mesmo grupo econômico, através de empresa veículo criada exclusivamente para esse fim. Neste liame apresentou os seguintes elementos de convicção para fundamentar o libelo acusatório: a DIPJ e os assentamentos contábeis de SOBRASER mostram que os únicos eventos registrados são referentes à integralização de capital com as ações da TICKET, ao ágio e ao reconhecimento do resultado de equivalência patrimonial; as sócias da ACORPART (Saminvest, Accor Hotels e Accor S.A) mantiveram, durante a reestruturação, a mesma participação e o controle total de todo processo, ainda que às vezes indireto; os administradores, procuradores e contador das sociedades em tela são os mesmos; no início de agosto (ANTES) havia o investimento na TICKET mais o ágio contabilizado na ACOPART; no final do mês (DEPOIS), a ACOPART controlava a TICKET indiretamente por meio da ACOBRASPART, holding constituída para esse fim; no DEPOIS, o capital da TICKET era o mesmo, mas esta passou a ter o suposto direito de se beneficiar da dedução do ágio (inciso III art. 386 do RIR), reduzindo o IRPJ e a CSLL nos cinco anos seguintes, configurando uma economia fiscal indevida de cerca de 34% de ágio. a SOBRASER foi criada em abril de 2007 com capital de R$ 1.000,00, recebeu todas as ações da TICKET mais o ágio em 10.08.2007 em Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 6 9 decorrência da cisão da ACOPART e versão de patrimônio, sendo incorporada por sua controlada após 10 dias, em 20.08.2007; a criação de uma sociedade efêmera para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, a inexistência de fundamento econômico da transformação societária; não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se criem empresas para extinguilas em seguida, pois são entidades criadas para explorar uma atividade econômica e, como regra geral, tem como premissa a continuidade de suas operações; não houve outra causa econômica, além da economia fiscal, para a criação da SOBRASER, de modo que não há a presença de um dos elementos essenciais ao negócio jurídico: a vontade, o ânimo, de exercer a atividade econômica; o papel desta empresa foi apenas transferir o ágio antes contabilizado na ACOPART para a TICKET, através de incorporação reversa da SOBRASER para que aquela se beneficiasse da dedução da amortização do ágio; m suma, a SOBRASER foi criada exclusivamente para tal operação e sem motivação econômica empresarial que justificasse a sua existência (art. 966 do Código Civil), e que logo desapareceu por ter sido incorporada pela investida; caso o ágio permanecesse na ACOPART, não haveria previsão para a sua dedução, pois faz parte do valor de aquisição (art. 385 do RIR/99); portanto, a utilização da via indireta (constituição de empresa veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a dedução da amortização do ágio, que originalmente estava registrado na companhia que realizou o investimento, a ACOPART; as operações societárias realizadas deixam evidente o intuito de transferir o ágio para reduzir tributos devidos pela TICKET; Para lastrear suas conclusões, o auditor no TVF (fls. 2011 a 2074), além da fazer a descrição dos fatos, de pontuar sua interpretação acerca dos mesmos, de demonstrar os ajustes nas apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL entre 2007 e 2010 em face da glosa de amortização do ágio, cita legislação e doutrina tributária, comercial e societária acerca dos conceitos de incorporação, ágio e utilização de empresas veículo, relata definições atinentes a figura jurídica de empresa nos termos do Código Civil, e faz alusão a jurisprudência administrativa atinente ao tema. Em face dos ajustes promovidos, além da constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL na apuração definitiva de cada exercício fiscalizado, também foi lavrada a exigência de multas isoladas para estimativas mensais apuradas entre Set/07 e Dez/08. Nos anos de 2009 e 2010 a apuração destes tributos deuse pelo regime trimestral. Entendeu a autoridade fiscal com base nos elementos a seguir apontados que foi visível a intenção dos agentes, por meio de ABUSO DE DIREITO consubstanciado na falta de propósito negocial e artificialidade dos negócios realizados, de impedir a ocorrência fato gerador e a excluir ou modificar suas características essenciais, para tentar livrar a TICKET do IRPJ e da CSLL, o que em sua interpretação também justificou a aplicação da qualificadora para a multa de ofício e todos os efeitos que dela decorrem: Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 constituição/utilização da SOBRASER, pessoa jurídica de curtíssima duração como “empresa veículo” que não teve outra finalidade se não a de transportar o ágio para a TICKET SERVIÇOS S/A; as operações de cisão, subscrição/integralização de capital e incorporação reversa da SOBRASER foram realizadas num período de aproximadamente 10 dias; a SOBRASER nunca teve funcionários ou empregados – “FICHA 58ª – OUTRAS INFORMAÇÕES” da DIPJ da SOBRASER, pesquisas na GFIP e DIRF; a empresa veículo SOBRASER, foi extinta por incorporação, após ter cumprido sua função, qual seja, transportar o ágio; o grupo ACCOR sempre controlou todo o processo; o mesmo contador era responsável pelas pessoas jurídicas envolvidas; todas as pessoas jurídicas envolvidas possuíam representantes legais ou administradores comuns; a Ticket Serviços S/A era controlada pela ACCOR Participações S/A antes do início das operaçõese e, ao final, continuou sendo a controladora, mesmo que indiretamente através da ACCOR Participações Ltda; não se verifica nos livros de apuração do lucro real apresentados, o controle na parte B do ágio que estava sendo amortizado. contabilizar o ágio e uma conta redutora para o mesmo de forma a não ser informado no balanço patrimonial e nas apurações de resultado da DIPJ; o valor do ágio amortizado não ter sido informado nas linhas próprias da DIPJ 2008 e nos anoscalendário de 2009 e 2010 ter sido incluído dentro dos ajustes do RTT, o que só possibilitou sua análise por meio do FCONT junto ao SPED. 2. Impugnação A contribuinte apresentou tempestivamente impugnação em 10.02.2012 (fls. 2120 a 2175). Como dito não discordou dos fatos descritos, mas sustentou a validade das operações e, portanto, da amortização fiscal dos ágios. 2.1 Preliminar Inaugurou sua peça destacando que a fiscalização não apontou qualquer senão a respeito do valor do ágio, de sua formação, ou de seu pagamento a terceiros, em espécie, tampouco suscitou qualquer irregularidade quanto ao seu fundamento econômico, ou quanto ao laudo elaborado por empresa especializada com tal objetivo. Tais questões, assim, passaram a figurar como fatos incontroversos. Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 7 11 2.2. Validade das Operações Realizadas e Direito a Amortização do Ágio. Antes de expor suas razões de direito propriamente ditas, fez preâmbulo mais panorâmico acerca dos negócios jurídicos celebrados com terceiros e dos motivos que levaram a realização das operações societárias intragrupo que culminaram na amortização do ágio em seu CNPJ. Alega que as operações societárias que deram origem ao direito de amortização fiscal do ágio tiveram como objetivos: i) concentrar o controle da TICKET no grupo ACCOR sem a participação dos grupos Espírito Santo e Brascan; ii) concentrar na TICKET somente as atividades de gestão de benefícios ou despesas em geral, o que se deu por meio de alienação, a empresa do grupo ACCOR, da participação acionária por ela detida em sociedade dedicada a hotelaria e também em subsidiárias que desempenham outras atividades, de modo a: iii) viabilizar projeto intentado à época pelo grupo ACCOR de transformação da TICKET em instituição financeira permitindo ainda maior eficiência operacional nos diversos segmentos de atuação do grupo, inclusive no de refeição; na gestão de despesas em geral e no setor hoteleiro. Explica que por meio da ACCOR Participações S/A (ACOPART), convencionou em dezembro de 2006 com os grupos BRASCAN e Espírito Santo (este representado pela empresa Interatlântico S/A) a aquisição, com ágio, da integralidade das ações, respectivamente, da Cia Sinal de Participações (“Cia Sinal) e da Sinal Participações S/A (“Sinal”), de forma que o controle da TICKET até então compartilhado com os dois grupos econômicos citados passasse a ficar concentrado apenas no grupo ACCOR (vide abaixo). Em 30.03.2007, a Cia Sinal promoveu a incorporação da Sinal e, ato contínuo em 21.05.2007, aquela foi incorporada pela ACCOR Participações S/A (ACOPART). Como resultado destas operações societárias a ACOPART passou a ser controladora direta da TICKET, registrando em suas demonstrações financeiras este investimento e o ágio das aquisições anteriormente procedidas. Destaca que após estas incorporações teria surgido o direito a amortização fiscal do ágio pela ACOPART, não restando guarida ao entendimento da fiscalização, relatado no TVF, de que “caso o ágio permanecesse na ACCOR Participações S/A não haveria previsão legal para sua amortização tributária, pois faz parte do valor da aquisição (valor do patrimônio e valor do ágio)” Em sua interpretação, todavia, o momento para o exercício do direito a amortização fiscal do ágio é opcional. Assim, por conta dos atos societários que ainda se faziam necessários ao grupo ACCOR para a transformação da TICKET em instituição financeira, não houve o exercício de tal direito pela ACOPART logo após as incorporações realizadas. Considerando o projeto de transformação em instituição financeira e a segregação de ativos ligados as áreas financeira e nãofinanceira, foram criadas duas novas empresas a ACCOR Brasil Participações Ltda (ACOBRASPART) e a SOBRASER Participações Ltda, sendo que esta última na estrutura formada passou a controlar diretamente a TICKET, após a cisão da ACCOR Participações S/A (ACOPART) em 10.08.2007 e versão do patrimônio cindido em seu favor, o que incluiu o investimento na TICKET e o ágio pago nas aquisições da “Cia Sinal” e da “Sinal”. A adoção de todos estes procedimentos, a um só tempo, segregou as atividades financeiras das nãofinanceiras na impugnante, assim como permitiu que ela apresentasse, nos termos da Resolução BACEN 3040/2002, requerimento ao Banco Central do Brasil em nov/07, (fls. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 2.576 a 2582), visando sua transformação em instituição financeira (sociedade de crédito, investimento e financiamento). Justifica que referido peticionamento foi arquivado em mai/08 a pedido da impugnante (fls.2583) em decorrência de mudanças da legislação fiscal tributária que alterou a alíquota da CSLL para instituições financeiras e extinguiu a CPMF, prejudicando o plano de negócios anteriormente elaborado, de forma que ao invés de transformação da TICKET em instituição financeira, apresentouse novo pedido para abertura de uma nova instituição (fls. 2583 a 2589) Apenas a título de esclarecimento, pontua que este segundo peticionamento também foi arquivado a pedido da impugnante (fls. 2590) em nov/09 por conta do cenário econômico duvidoso após a crise do cenário mundial de 2008. Passa a fazer então arrazoado, abordando conceitos jurídicos e bases legais que norteiam o tratamento jurídico de ágio e do deságio. Defende a validade do ágio amortizado, visto que a reorganização societária efetivada pelo grupo ACCOR tinha caráter extra fiscal, sendo dotada de propósito negocial, não obstante houvesse obviamente interesse na dedução fiscal do ágio anteriormente constituído de forma legítima na aquisição da “Cia Sinal” e da “Sinal”. Expõe que a amortização efetuada por meio de incorporação reversa da SOBRASER (último ato societário da reorganização) poderia ter se dado em decorrência de várias operações societárias distintas, exemplificandoas através de organogramas (fls. 2139 e 2140). Argui a impugnante que a opção adotada foi a que lhe pareceu melhor aplicável, inclusive, do ponto de vista operacional, razão pela qual descaberia falar em utilização de empresa veículo, sem propósito negocial, já que a criação da SOBRASER se deu em razão de reestruturação societária, visando, também, evitar entraves burocráticos, pois nenhuma outra alternativa societária, que não a criação da SOBRASER e sua posterior incorporação, mostrouse vantajosa ou conveniente, de modo que senão todas, quase todas as estruturas aplicáveis implicariam extinção da TICKET (via incorporação ou fusão), o que traria como maior inconveniente a extinção de seu CNPJ; ou seja: a SOBRASER era uma sociedade de propósito específico, para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessário que ela tivesse longa existência. Esclarece ainda nesta linha que a simples incorporação da autuada pela ACOPART ou a fusão das duas empresas, traria uma série de convenientes pela extinção do CNPJ da autuada, existente há mais de 35 anos, citando como efeitos colaterais: alteração da impugnante em relação ao PAT, perante o Ministério do Trabalho; alteração de regimes especiais em face de diversas municipalidades; renovação de milhares de contratos junto a clientes e fornecedores, o que inclui os estabelecimentos credenciados; prejuízos nos recebimentos junto a órgãos públicos por conta de questões cadastrais. Discorre que não há como admitir a simulação alegada pela fiscalização na medida em que as operações realizadas pela impugnante não visaram buscar um resultado vedado legalmente, que inclusive poderia ser alcançado, como dito, de outras formas. Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 8 13 Passa então a discorrer que os conceitos de empresa veículo e a falta de propósito negocial não se aplicam as operações realizadas pelo grupo ACCOR, principalmente no tocante a SOBRASER, que como sociedade de propósito específico apenas visou implementar a sucessão de um direito préexistente pela ACCOR Participações S/A (ACOPART), por meio dos institutos previstos pelos arts. 227 e 229 da LSA (incorporação e cisão), procedimento este perfeitamente legítimo. Como forma de corroborar suas ponderações, passar citar jurisprudência administrativa (CARF), inclusive com citação de trechos das decisões colacionadas. Pondera que a identidade de administradores das empresas envolvidas na reorganização societária, arguída como elemento de acusação pela fiscalização, não se justifica, pois a reorganização societária interna, somente se deu em função de operação anterior de aquisição realizada entre partes independentes. Esta constatação também faria cair por terra a ponderação fiscal de que o grupo Arcor foi o único a frente das operações que culminaram na incorporação reversa e amortização fiscal do ágio pela impugnante. Na mesma linha, o alardeado prazo ínfimo de ocorrência as operações societárias alegado pela autoridade tributária como indício de simulação e falta de propósito negocial também não se sustenta, na medida em que o contexto negocial que culminou na incorporação da SOBRASER e amortização fiscal do ágio pela autuada iniciouse em 2006, com as aquisições da “Cia Sinal” e “Sinal”, junto aos grupos Brascan e Espírito Santo. Continua sua defesa, alegando que a incorporação reversa não padece de restrição legal, sendo admitida, inclusive, no âmbito de planejamentos tributários. Novamente cita jurisprudência administrativa. Rebate também a acusação fiscal da falta de menção na documentação societária da reorganização realizada acerca da intenção de transformar a autuada em instituição financeira. Para tanto, destaca que por se tratar de companhia fechada não está obrigada a publicação de fatos relevantes, muito menos de citar esse tipo de intenção em suas notas explicativas de balanço, cuja função é esclarecer com maior detalhamento a situação patrimonial da empresa e não seus planos de negócio/investimentos futuros. A petição endereçada ao Banco Central do Brasil, citada e apresentada em sua defesa, é mais do que prova suficiente para comprovar referida intenção, ainda que posteriormente não consumada, em razão de fatores conjunturais da economia brasileiro. Passa então a discorrer em tese sobre a questão da simulação, principalmente sobre o fato de que a mesma até pode se pautar em provas indiciárias (ex: ocultação das ocorrências, proximidade cronológica de negócios jurídicos, negócios jurídicos entre partes ligadas, retorno a situação original, uso de empresas veículo etc.), desde que tais indícios sejam convergentes para a conclusão da existência da falsidade apontada. Todavia, em seu entendimento as operações realizadas no caso concreto se deram as claras e a vista, diferentemente de uma simulação onde nela em essência se esconde o que deseja fazer e se exibe o que não se quer fazer. Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Nenhum dos indícios normalmente arrolados pela jurisprudência para a caracterização de operações simuladas teriam se caracterizado no presente caso, até porque o ágio surgiu de operação de aquisição de participação societária feita com terceiros não integrantes do grupo ACCOR, sendo real e efetiva a mudança de composição societária daí decorrente, não havendo retorno a situação original. 2.3. Multa Qualificada. Abre tópico para atacar a qualificação da multa aplicada pela autoridade lançadora, destacando que em face da comprovada inexistência de dolo em seus atos, como restou minuciado em sua impugnação quanto ao mérito, não haveria a possibilidade de sinalizar a ocorrência de nenhuma das três modalidades de intuito fraudulento arroladas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (sonegação, fraude, conluio), que na dicção do art. 44 da Lei nº 9.430/96 autorizariam a qualificação da multa de ofício. Novamente faz menção a jurisprudência administrativa para atestar sua argumentação, principalmente com esteio no fato de que suas operações se fizeram as claras, sem qualquer tipo de ocultação de intenções, com obediência aos trâmites, e visando alcançar resultado permitido em lei, sendo que todo o procedimento realizado foi referendado previamente com lastro em pareceres emitidos por renomados juristas (fls 2612 a 2672), o que no mínimo já lhe asseguraria o direito a aplicação da interpretação mais benéfica prevista no art.112 do Código Tributário Nacional, impossibilitando senão a autuação em si, pelo menos a aplicação da írrita qualificação feita pelo agente fiscal, já que na pior das hipóteses restaria configurado tão somente o mero “erro de proibição”. 2.4 Do descabimento da Multa Isolada. Por fim, abre ponto em sua defesa para impugnar a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor das estimativas de IRPJ e CSLL que se tornaram devidas em função das glosas de amortização fiscal do ágio, caso validadas pelos órgãos de julgamento administrativos. Basicamente, alega que uma vez encerrado o período de apuração anual, não há mais que se falar em imposição de multa isolada, porque o que será exigido é a diferença a título de IRPJ/CSLL, cumulada com multa de ofício de 75% ou 150%, se for o caso. Apenas esta seria aplicável após o encerramento do exercício. Assenta que a aplicação concomitante de multa isolada com a multa de ofício caracteriza dupla penalidade pela mesma infração. Utiliza ainda a máxima do direito penal que a infração primária mais grave absorve a secundária (conceito jurídico de consunção). Aponta ainda que a alteração redacional do art.44 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.488/07 não altera o raciocínio acima. Mais uma vez recorre à jurisprudência (CSRF) para atestar a procedência e aplicação de sua interpretação também pelos tribunais administrativos. 2.5 Pedidos Encerra a impugnação pedindo a improcedência in totun do lançamento. Caso não reconhecida, que seja desqualificada a multa de ofício e canceladas as multas isoladas pelos argumentos expostos. Suscita a impossibilidade de correção da multa de oficio por juros nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96 uma vez que o mesmo aplicase apenas ao valor de principal de Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 9 15 tributos e contribuições. Faz ainda um paralelo com o art. 43 da Lei nº 9.430/96 que expressamente determina a aplicação de juros para a correção de multas isoladas. Por fim para provar os fatos expostos, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, tais como a juntada de documentos e a realização de diligências. Assenta ainda que não discute a matérias dos autos perante o Poder Judiciário. 3. Acordão DRJ/SP1 Ao analisar as razões de impugnação da contribuinte a DRJ/SP1 a julgou totalmente improcedente, mantendo a integralidade do lançamento em julgamento assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de realização de diligência é indeferido, tanto por estar em desacordo com os requisitos legais, quanto por ser desnecessária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 GLOSAS. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. Não são dedutíveis as amortizações de ágio por meio de operações societárias que revelam a prática de artifícios dolosos evidenciados pelo “planejamento tributário” efetuado por meio da utilização de pessoas jurídicas criadas para esse fim e que não se caracterizam como sociedades empresárias. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVAS. Mantémse a multa aplicada, dada expressa previsão na legislação vigente. MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS. Justificam as multas de 150% a reincidência no procedimento e a prática de artifícios dolosos evidenciados pelo “planejamento tributário” efetuado por meio de pessoas jurídicas criadas para esse fim e que não se caracterizam como sociedades empresárias. JUROS SOBRE MULTAS. Não conheço do argumento a respeito de ilegalidade de futura aplicação de juros sobre a multa, pois tais juros não fazem parte do litígio, visto que não constam do Auto de Infração AUTOS REFLEXOS. CSLL. Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Aproveitase para citar trecho da decisão proferida com o fito de demonstrar como em poucas linhas o voto da DRJ (fls 2685 a 2.702) resolveu a questão principal por meio de uma única linha de argumentação: “A fiscalização chama essa figura (SOBRASER) de empresa veículo, com o que não concorda a impugnante, para quem essas seriam empresas do mesmo modo que as demais. A fiscalização se apóia nos dispositivos do Código Civil a respeito de sociedade empresária, que foram violados, no que diz respeito à SOBRASER, entendendo que a transferência de ágio por meios artificiais (uso de empresa veículo) não pode levar ao gozo do benefício fiscal da dedução das parcelas do ágio. A impugnante nada diz a respeito da violação dos dispositivos do Código Civil, sustentando apenas que, havendo o ágio, surge o direito da investidora amortizálo fiscalmente, sendo legítimas as meras sucessões do respectivo direito. Este ponto é crucial: apenas um contrato social regular e um CNPJ não significam a existência de uma sociedade empresária, nos moldes do que preconiza o Código Civil. Em outras palavras: a impugnante não seguiu o Código Civil, no que diz respeito à SOBRASER. Em conseqüência, está correta a fiscalização ao classificar a SOBRASER como “empresa veículo”, de modo que a transferência de ágio por meio desse tipo de entidade não pode ser aceita, para fins fiscais. Em resumo: houve, sim, abuso de direito. O resultado do cotejo do ANTES e do DEPOIS é um para a fiscalização e outro para a impugnante, pois o marco inicial é diferente, visto que: 1 para a impugnante, o marco inicial é o início das negociações para adquirir as participações societárias dos Grupos BRASCAN e ESPÍRITO SANTO; 2 para a fiscalização, o marco inicial é a aquisição, pela ACOPART, da Cia. Sinal, que já havia incorporado a Sinal. Há, aqui, uma questão ideológica e, ao mesmo tempo, um paradoxo, que antecedem qualquer interpretação da legislação aplicável. Apesar de reconhecer que a dedução da amortização do ágio é um benefício fiscal, a impugnante, como tantas outras empresas, entende que toda e qualquer empresa pode dele se aproveitar, bastando, para isso, que crie/utilize pessoas jurídicas como se empresas fossem, cumprindo as formalidades da lei, de modo a se adequar aos dispositivos que concedem o benefício. Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 10 17 Ora, se as empresas, a seu belprazer, pudessem decidir se, quando e quanto pagariam de tributos, bastando para isso moldar pessoas jurídicas e operações societárias aos dispositivos que concedem o benefício, estaríamos diante de flagrante violação do princípio da isonomia. E, certamente, para não inviabilizar o seu financiamento, o Estado seria obrigado a suprir suas necessidades financeiras com recursos de outra origem. Resultado: gravíssima injustiça fiscal. Em outras palavras: o cumprimento dos princípios de isonomia e de justiça fiscal dependeria apenas da boa vontade das empresas, que é o referido paradoxo. A questão ideológica é que a tributação progressiva sobre a renda é, sem sombra de dúvida, uma das grandes conquistas sociais do Estado moderno, o qual pressupõe o respeito à cidadania e ao contrato social. Outra forma de mostrar os valores em jogo é indagar: a “lei de Gérson” é o princípio basilar da sociedade moderna ou é o da solidariedade? Afinal, se pagar tributos (IRPJ e CSLL no caso) é um ônus que deve recair apenas sobre os outros, a quem caberia a dura tarefa de financiar o Estado? Em resumo: fazer, na prática, da exceção, a regra, sob o pretexto de pleno cumprimento das formalidades da lei, para aproveitarse de benefício fiscal, remete à ideia de que aos suficientemente espertos (e ricos, para poder antecipar os gastos com renomados advogados especializados) tudo é permitido e que os grupos econômicos não precisam, de fato, pagar tributos. O marco inicial correto é o que propõe a fiscalização, ou seja, a aquisição, pela ACOPART, da Cia. Sinal, pois a existência do ágio, em si, não está em discussão, mas, sim, a legalidade de transferilo artificialmente. A fiscalização também está correta quando afirma que a ACOPART não poderia deduzir o ágio, a menos que vendesse, liquidasse ou incorporasse o investimento. Além disso, a impugnante deixa claro que queria manter o CNPJ da TICKET, o que levou o Grupo ACCOR a descartar quase todas as outras opções de operações societárias para tornar o ágio dedutível. Em decorrência, havendo evidência da artificialidade da operação, a respectiva amortização de ágio não pode ser aceita” 4. Recurso Voluntário Intimada de da decisão proferida (fls. 2712), a Recorrente apresente seu recurso voluntário (fls.2.714 a 2898), no qual reitera suas razões de impugnação e junta adicionalmente prospecto do estudo que teria embasado a intenção não concluída de transformála em instituição financeira. 5. Contrarrazões ao Recurso Voluntário Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 A Fazenda Nacional apresentou (fls. 2902 a 2945) contrarrazões ao recurso voluntário da impugnante, discorrendo sobre as normas e doutrina que preveem sobre as condições para o reconhecimento do ágio com base em rentabilidade futura e seu direito a amortização, para a partir desta digressão apontar no caso concreto os motivos que levam a indedutibilidade do ágio amortizado pela Recorrente. Tais motivos seguem linha muito semelhante a adotada no TVF e no julgamento da DRJ, pelo que permitome não trancrevêlos. Adicionalmente aponta a necessidade de observância quanto ao que dispõe o art. 111 do CTN para o aproveitamento de favores fiscais como o ágio, que deve se dar nos estritos limite da lei, o que não que teria sido atendido pelo grupo societário ao qual pertence a Recorrente através das sucessivas operações societária que resultaram na incorporação . Pondera, em suma, que a aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, e sem observar os requisitos impostos pela lei que concede o benefício fiscal, não é hábil a gerar um ágio cuja despesa de amortização seja dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, tendo sido exatamente este o cenário do presente caso em face dos fatos evidenciados por meio do TVF. Colaciona farta jurisprudência desta casa que em seu entendimento dariam corpo e sustentação as acusações do libelo fiscal. A peça fazendária também reitera a necessidade de manutenção da aplicação da qualificação da multa com base nas mesmas razões da autoridade lançadora, bem como da aplicação das multas isoladas relativas as estimativas de IRPJ e CSLL e dos juros de mora sobre as multas ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. Considerando o detalhamento dos fatos e do direito feito por meio do relatório, principalmente quanto à diagramação das operações societárias ocorridas permitome ir direto ao ponto nevrálgico que permeou o presente lançamento, qual seja, a utilização de operações societárias sucessivas que culminaram na passagem de ágio anteriormente constituído na empresa ACCOR Participações S/A (ACOPART) para a autuada, com sua consequente amortização fiscal. Digo isto, pois, como evidenciado, restou incontroversa e, portanto, impassível de questionamento, a origem e a formação dos ágios objeto de transferência para a Recorrente. Os mesmos pautaramse em aquisições feitas pela Cia Sinal de participações em 1999 (ágio Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 11 19 na aquisição do investimento na Sinal Participações) e em 2006 (ágio na aquisição dos investimentos nas empresas “Cia Sinal” e “Sinal” junto aos grupos Brascan e Espírito Santo, respectivamente), dispensandose assim maiores comentários acerca de sua procedência. Sustenta a Recorrente, que o intuito da reorganização societária ocorrida dentro do grupo ACCOR, que envolveu a criação da SOBRASER, visou segregar ativos relacionados a suas atividades financeiras e nãofinanceiras, considerando a futura intenção do grupo à época em transformála uma sociedade de crédito, investimento e financiamento (instituição financeira), que apesar de não levado a cabo após a reestruturação ocorrida, por alegadas questões conjunturais de ordem legislativotributária e econômica, foi objeto de amplo estudo interno conforme denota prospecto anexado aos autos (fls 2773 a 2898). Por outro lado, o fisco ataca as sucessivas operações societárias ocorridas internamente no grupo ACCOR após a incorporação pela ACOPART das adquiridas “Cia Sinal” e “Sinal Participações” (detentoras de investimento na autuada), principalmente a criação e efemeridade da empresa SOBRASER Participações Ltda, para a qual foi vertido por meio de cisão o investimento na Recorrente e os ágios anteriormente constituídos. Em suma, a acusação que paira sobre a Recorrente (itens 5.2.3 e 6 do TVF, fls 2059 a 2065) foi de ter constituído empresa sem efetiva finalidade empresarial (exercício de atividade econômica, representada pela produção de bens e/ou serviços) em desrespeito a preceitos do Código Civil (arts 966, 981 e 982) para tão somente transferir o ágio da ACOPART a autuada, possibilitando nela sua amortização fiscal. Seria um clássico exemplo de ocorrência da alcunhada “empresa veículo”, tão combatida em vários julgados deste colegiado. Segundo o fisco não haveria causa econômica além da economia fiscal para a criação da SOBRASER em 19.04.07 por representantes legais da ACCOR Participações S/A e pela própria ACOPART, que teria sido utilizada apenas como artifício para a dedutibilidade na autuada do ágio pago pelas aquisições efetuadas pela ACOPART no ano anterior, tanto que em um período de 10 dias (entre 10.08.2007 e 20.08.2007) teria recebido parte do acervo patrimonial da ACOPART relativo ao investimento na autuada, bem como o ágio oriundo de operações com terceiros, e sido incorporada por sua própria investia (a Recorrente) de forma reversa. A DRJ corrobora o entendimento da autoridade lançadora, concluindo que apenas um contrato social regular e um CNPJ não significam a existência de uma sociedade empresária. Enaltece que o uso de uma empresa veículo como a SOBRASER em sua acepção corriqueira em dissonância aos ditames do Código Civil para a mera transferência artificial do ágio, representa o alardeado abuso de direito. A Recorrente por sua vez, destaca que o grupo ACCOR poderia ter alcançado o mesmo resultado de outras formas, qual seja de amortização do ágio na autuada, inclusive de forma direta sem a criação da ACOBRASPART e da SOBRASER, uma vez que a partir da incorporação da “Cia Sinal” e da “Sinal” em 21.05.2007 a ACOPART já faria jus a sua dedução, bastando, por exemplo, apenas incorporar a autuada para que o benefício fiscal em debate pudesse ser gozado legitimamente no âmbito de suas atividades. Só não o fez por uma série de entraves burocráticos que decorreriam da extinção do CNPJ da autuada junto a órgãos públicos, fornecedores (incluindo credenciados) e clientes, bem como organizacionais, no âmbito do grupo ACCOR. Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 Em suma, sustenta que a SOBRASER foi uma sociedade de propósito específico, para a qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados de sua razão de existir, não sendo necessário que tivesse longa existência. Entendo que este preâmbulo dos argumentos apresentados pelas partes denota claramente a questão em jogo, sendo desnecessário ponderar neste momento sobre as demais infrações relativas a aplicação da qualificação da multa de ofício e exigência de multa isolada, pois a prevalência ou no mínimo a discussão acerca destas somente se faz pertinente se mantidas as glosas relativas a amortização fiscal do ágio. Tenho acompanhado nesta casa as mais variadas discussões acerca do direito a amortização fiscal de ágio lastreado em rentabilidade futura previsto nos arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 (regulamentado pelo art. 386,III do RIR/99), que surgiu à sua época como forma de incentivo às privatizações. Já foram trazidos a julgamento inúmeros debates acerca da legitimidade de sua formação, inclusive pela utilização de empresas veículo, analise das partes envolvidas (ágio de si mesmo), questionamento acerca de sua forma de pagamento (incorporação de ações), contendas sobre os critérios dos laudos de avaliação que o suportam, e como no presente no caso a análise de litígios que envolvem o uso de sucessivas operações societárias visando implementar seu aproveitamento. Pois bem. Particularmente entendo que deve ser reprimida a utilização de reorganizações societárias para fins de amortizações fiscais de ágio quando o resultado delas provenientes propicia de forma simulada a obtenção de resultados que não seriam lídimos pelas vias normais e diretas, sem a aplicação de métodos heterodoxos. Todavia, no presente caso enxergo que o direito a amortização do ágio fiscal no CNPJ da autuada, não necessitaria da estrutura utilizada pelo grupo ACCOR e atacada pela fiscalização, podendo realmente ser obtido de forma direta, uma vez que com a incorporação das “Cia Sinal” e da “Sinal” a ACOPART teria o legítimo de direito de amortizar o ágio pago nestas aquisições, inclusive aquele já carregado pela Cia Sinal. Neste cenário, bastaria apenas incorporar a autuada, o que seria plenamente possível, de forma a proceder a amortização fiscal do ágio no âmbito das atividades operacionais da TICKET. O resultado obtido pela reorganização societária engendrada teve o mesmo efeito do cenário ortodoxo acima descrito. Não vejo como usar o verbo simular para operação em que o resultado obtido é o mesmo independente das vias eleitas para sua obtenção. A mim resta muito claro, que os motivos que levaram a criação da ACOBRASPART e principalmente da SOBRASER tiveram nítido intuito organizacional e não sonegatório como tentar fazer crer a fiscalização. Os indícios apontados pela autoridade fiscal e o suposto desrespeito a dispositivos do Código Civil quanto a uma suposta falta de propósito negocial e econômico da SOBRASER somente perfariam prova contra a Recorrente, se por meio da reorganização realizada o resultado obtido fosse defeso pelas vias ordinárias. Não é o que ocorre. Nesta ordem de considerações, filiome à corrente jurisprudencial deste pretório e ao entendimento dos pareceristas que assessoram a Recorrente no sentido de que o uso de roupagem jurídica diferenciada, mas que não interfere no resultado obtido é um direito disponível e Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 12 21 acessível ao contribuinte, sem que tal exercício possa ser oposto pelas autoridades fiscais, sob pena de ingerência na atividade econômica do contribuinte. Peço vênia inclusive, para a transcrição de outras possíveis operações societária elencadas pela Recorrente que levariam ao mesmo fim obtido, sem ofensa a legislação instituidora do guerreado benefício fiscal. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 22 Como bem destacado pela Recorrente, múltiplas eram as alternativas viáveis e capazes de assegurar o direito à amortização fiscal do ágio. E para isto, sequer era necessária a criação da SOBRASER, como evidenciam as estruturas acima. Até mesmo a incorporação reversa efetuada nada tem de ilegítimo conforme várias vezes assentado em decisões deste Conselho, já que o que se veda e se pune é o uso indevido de institutos jurídicos para a obtenção de resultados simulados e transversos aos que efetivamente se deseja obter. O negócio jurídico indireto tão combatido pela fiscalização não diverge, quanto à sua tradução, de qualquer ato jurídico, seja para impedir ou para reduzir a tributação, opondose ou não ao fato jurídico tributário. O negócio jurídico, indireto ou não, há de ser oponível ao fisco sempre que efetivamente ocorrido sob o manto do Direito Positivo, ou seja, sempre que presente seus elementos essenciais, do que decorre a possibilidade de verificação do exercício ou da ocorrência de seus efeitos próprios. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 13 23 A norma legal prevê a possibilidade de transferência de ágio entre empresas na ocorrência de fusão, cisão e incorporação. Assim, o patrimônio da empresa sucedida passa para o patrimônio da sucessora, representado pelos bens, direitos e obrigações. No caso da existência de ágio no patrimônio da empresa sucedida, será o mesmo transferido para o patrimônio da sucessora. O entendimento por mim aqui esposado ecoa em julgados deste órgão paritário de julgamento, conforme se denota a seguir: ACÓRDÃO 140200993 (Caso COSERN) “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis nº 9.472/97 e 9.494/9 e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que essa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento inoponível ao fisco.” (destaquei) Trecho do Voto: “Ora, inquestionavelmente ocorreu o efetivo pagamento do custo total da aquisição, incluindo o valor pago a título de ágio, na operação originária que gerou a contabilização do ágio. Outrossim, da análise do conjunto das operações, resta comprovado que a forma jurídica adotada para a aquisição pelo grupo NEOENERGIA (nova denominação da Guaraniania), para a participação nos Leilões de Privatização e nas aquisições em Ofertas Públicas de Ações são legais, legítimas e tinham como objetivo e fundamento econômico a aquisição do controle da COSERN, visando melhorar o desempenho da empresa e consolidála no mercado. É certo que todas as operações praticadas pelo grupo NEOENERGIA tiveram como objetivo a criação de uma estrutura societária viável, como planejamento estratégico, para a aquisição da COSERN, com o conseqüente aproveitamento do direito à amortização do ágio gerado, nos exatos termos do artigo 386, § 6º, inciso II, do RIR. Não olvidemos que se trata de propósito negocial legitimo a economia de IRPJ e CSLL sobre lucro gerado a partir da aquisição societária realizada com ágio sobre a expectativa de rentabilidade futura, que efetivamente ocorreu no presente caso.” (destaquei) No mesmo sentido: Acórdão nº 120100.689 (Caso CELPE) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADES. INEXISTÊNCIA. Não se constata nos autos mudança de entendimento na decisão da DRJ, adotando os Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 24 mesmos fundamentos do lançamento fiscal. Não há omissão quanto à análise da concomitância da multa isolada e da multa de ofício, conforme demonstrado nos autos. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que se extinguiu o investimento anteriormente realizado com a incorporação às avessas, a teor do inciso II do § 6° do artigo 386 do RIR/99. A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão de rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. Inexistência de ágio interno, visto que o valor do ágio apurado na aquisição da Celpe foi transmitido às demais empresas pelo mesmo valor, conforme laudos juntados nos autos. Empresa veículo utilizada sob fundamento econômico devidamente justificado nos autos. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO REDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL Considerando que a dedutibilidade da despesa do ágio foi correta, o saldo de prejuízo fiscal em 2006 se mantém conforme declarado pelo Recorrente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. Sendo o ágio deduzido da base de cálculo reconhecido, não há que se falar em multa de oficio isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos. Trecho do Voto: “Em resumo, no meu entender o vício para se considerar uma despesa do ágio indedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL está na formação do ágio, e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação às avessas da empresa veículo pela Celpe. (...) Diante dos fundamentos trazidos acima, entendo que o ágio gerado na empresa veículo LEICESTER, que fora incorporado pela empresa Celpe, sob o fundamento do artigo 386, § 6°, inciso II, do Regulamento do IR/99 (incorporação às avessas), tem amparo legal, não está sob o manto do abuso de direito, pois a criação de empresa veículo teve de fato fundamento econômico e negocial, qual seja a absorção do ágio fundado em rentabilidade futura pela própria empresa que gerou o ágio, não sendo viável a incorporação das controladas pela controlada Celpe num primeiro momento, como forma de preservação dos ativos dessas empresas investidoras, porém o resultado do aproveitamento do ágio foi o mesmo após a aplicação da reestruturação societária fundada em negócio jurídico indireto, não existindo, sob esse aspecto, dano ao erário.” (destaquei) Para mim ficou meridianamente claro que a ACOBRASPART e a SOBRASER foram criadas para evitar contratempos organizacionais e burocráticos que seriam enfrentados pela autuada, caso fosse incorporada diretamente pela ACOPART e não para redução ilícita da carga tributária, posto que tal empresa já fazia jus a dedução fiscal do ágio em razão das incorporações da “Cia Sinal” e da Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 14 25 “Sinal”, bastando somente, como destacado, incorporar a autuada para que os efeitos fiscais da amortização também se irradiassem para suas atividades. Por mais que me esforce, não consigo enxergar a máfé aventada pela fiscalização, que inclusive gerou a qualificação da multa de ofício. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando as glosas relativas ao ágio fiscalmente amortizado e por conseguinte as multa, de oficio e isoladas, aplicadas no lançamento. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA As amortizações aqui em debate referemse a ágio pago por Accor Participações S/A ao adquirir Cia. Sinal de Participações e Sinal Participações S/A, holdings que possuíam como únicos ativos ações das empresas Ticket Serviços S/A e GR S/A. Por meio destas operações, Accor Participações S/A passou a deter a parcela do capital de Ticket Serviços S/A até então detida pelos Grupos Brascan e Espírito Santo. O ágio foi fundamentado em rentabilidade futura, e a Fiscalização não questiona este aspecto. Segundo esclarecimentos prestados à Fiscalização (fls. 154/168), ao incorporar Cia. Sinal de Participações e Sinal Participações S/A em 05/04/2007 – para redução de custos administrativos e burocráticos, em face da desnecessidade de holdings superposta , Accor Participações S/A passou a registrar em seu ativo permanente, em substituição ao investimento que possuía nas incorporadas, investimentos adicionais em Ticket Serviços S/A e em GR S/A. Especificamente em relação à primeira, houve o registro de ágio em duas parcelas – uma formada na aquisição já mencionada e outra decorrente de operação realizada em 1999, quando Cia. Sinal de Participações adquirira ações de Sinal Participações –, totalizando R$ 360.523.377,70. Sob a justificativa de que a Ticket Serviços S/A deveria ser controlada por uma holding exclusiva, com vistas a tornarse instituição financeira, foram criadas Sobraser Participações Ltda e Accor Brasil Participações Ltda, sendo ações da primeira adquiridas pela segunda, e as ações da Accor Brasil Participações Ltda subscritas por Accor Participações S/A. A Fiscalização aponta que Accor Brasil Participações Ltda seria esta holding exclusiva, mas em 10/08/2007, promovida a cisão parcial de Accor Participações S/A, o patrimônio correspondente ao investimento na Ticket Serviços S/A foi vertido em favor de Sobraser Participações Ltda, que assim passou a ter como sócios não só a Accor Brasil Participações Ltda, como também os sócios estrangeiros da Accor Participações S/A. A Fiscalização destaca que na justificação da cisão inexiste qualquer menção à transformação da Ticket Serviços S/A em instituição financeira, mas apenas referências à simplificação da estrutura societária do Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 26 grupo Accor no Brasil, reduzindo os custos de administração... bem como maximizar o retorno dos investimentos realizados pelo grupo Accor na autuada. Em 20/08/2007 a Sobraser Participações Ltda é incorporada por Ticket Serviços S/A, sob a justificativa de que para a transformação da Ticket Serviços S/A em instituição financeira não seria admitido como ativo o valor do ágio pago na aquisição do investimento. Contudo, novamente a Fiscalização destaca a ausência de qualquer referência neste sentido nas justificação da incorporação, motivada nos mesmos termos acima transcritos relativamente à operação de cisão. Ao final desta operação, o quadro social da Ticket Serviços S/A passou a ser composto pelos mesmos sócios da Sobraser Participações Ltda: os três sócios estrangeiros da Accor Participações S/A e a Accor Brasil Participações Ltda. A abordagem da recorrente, em memoriais, é interrompida neste ponto, mas a autoridade lançadora prossegue aduzindo que, para atender às exigências do BACEN, as controladoras estrangeiras da Ticket Serviços S/A teriam conferido suas participações no capital desta para aumento de capital na Accor Brasil Participações Ltda. Em suas palavras: No momento seguinte, os acionistas da Accor Participações S/A integralizaram capital na Accor Brasil Participações Ltda com as ações da Ticket Serviços S/A. O último passo: as quotas da Accor Brasil Participações Ltda são utilizadas pelas sócias para integralizar um aumento de capital na Accor Participações S/A. A primeira operação está demonstrada às fls. 367/373 e está datada de 24/08/2007, porém não justificada pela alegada exigência do BACEN, mas sim para restabelecer a pluralidade de sócios da Accor Brasil Participações S/A, que até então tinha como sócio apenas Accor Participações S/A. Significa que a partir daí, Ticket Serviços S/A volta ao controle indireto dos sócios estrangeiros da Accor Participações S/A e desta própria. Por fim, na segunda operação, datada de 29/08/2007 (fls. 565/580), os sócios estrangeiros da Accor Participações S/A reunificam seus investimentos nesta empresa, nela aportando as ações da Accor Brasil Participações S/A, que na operação anterior passou a ser a controladora direta de Ticket Serviços S/A, visto que as controladoras estrangeiras da Ticket Serviços S/A teriam conferido suas participações no capital desta para aumento de capital na Accor Brasil Participações Ltda. Significa dizer que, ao longo das operações realizadas, o controle da Ticket Serviços S/A passou da Accor Participações S/A para a Sobraser Participações Ltda, mas sempre esteve sob o Grupo Accor, que ao final transfere este controle para a Accor Brasil Participações Ltda, e submete esta ao controle da Accor Participações S/A. O quadro a seguir sintetiza o cenário vislumbrado pela Fiscalização para oporse à amortização do ágio: Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 15 27 Significa dizer que Ticket Serviços S/A permanece submetida ao controle de Accor Participações Ltda, muito embora o ágio por ela pago na aquisição das participações societárias que os Grupos Brascan e Espírito Santo detinham na Ticket Serviços S/A tenha sido transportado para o patrimônio da investida, e a partir daí amortizado com efeitos fiscais. A autoridade fiscal, frente a tais circunstâncias, anota que a incorporação da controlada pela controladora está prevista em lei, mas pode ser realizada abusivamente, em fraude à lei tributária e societária; que a criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que está associada a idéia de empreendimento econômico ou profissional, quando haja propósito negocial; que a dedutibilidade do ágio está restrita a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, fundamentado na rentabilidade futura da coligada ou controlada; e que a amortização não está autorizada nas hipótese em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar a transferência do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis. Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 28 Observa que os únicos eventos registrados na Sobraser Participações Ltda são referentes à integralização de capital com as ações da Ticket Serviços S/A, o ágio e o reconhecimento de resultado de equivalência patrimonial, e reitera que a Accor Brasil Participações Ltda foi a holding exclusiva constituída para fins de transformação da autuada em instituição financeira, prestandose a Sobraser Participações Ltda apenas como empresa veículo criada e utilizada para a transferência do ágio para a Ticket Serviços S/A, com a pretensão de legitimar sua amortização. Conclui que a utilização da via indireta (constituição de empresa veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a amortização do ágio originalmente registrado na companhia que realizou o investimento, buscando, assim, os benefícios fiscais de se pagar menos tributos. Por esta razão, enfatizando a ausência de propósito societário e reportandose ao art. 72 da Lei nº 4.502/64, a autoridade fiscal formaliza a exigência com aplicação de multa qualificada, bem como impõe multa isolada sobre as estimativas não recolhidas nos períodos fiscalizados. A recorrente defende que após incorporação da Cia. Sinal de Participações e da Sinal Participações S/A já existia o direito à amortização fiscal do ágio. Olvidase, porém, que o ágio foi justificado em rentabilidade futura de Ticket Serviços S/A, cuja participação societária, juntamente com as de GR S/A, eram os únicos ativos detidos por aquelas sociedades. Ademais, esta amortização possivelmente não era de seu interesse, pois ainda que representassem despesas dedutíveis, seriam contrapostas aos resultados da investida reconhecidos por meio de equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação. A amortização do ágio, assim, somente surtiria ganhos tributários se promovida no patrimônio da investida Ticket Serviços S/A, e confrontada com seus resultados diretamente. A recorrente também insiste em defender a constituição da Sobraser Participações Ltda como holding exclusiva da autuada, de modo a segregar da Accor Participações S/A os ativos ligados à área financeira, e viabilizar a futura transformação da recorrente em instituição financeira. Contudo, o investimento na Ticket Serviços S/A é cindido da Accor Participações S/A e vertido para a Sobraser Participações Ltda em 10/08/2007, e esta permanece como holding da autuada apenas até 20/08/2007, quando é por ela incorporada. Na seqüência, em 24/08/2007, as ações da Ticket Serviços S/A detidas agora diretamente por Saminvest Sociéte Anonyme, Accor Hotels Belgium e Accor S/A são utilizadas para aumento de capital de Accor Brasil Participações Ltda e esta, em 29/08/2007 passa a ser controlada por Accor Participações Ltda, na qual os sócios reunificam seus investimentos. Por sua vez, somente em 23/11/2007 é requerida ao Banco Central do Brasil manifestação favorável a projeto de constituição de instituição financeira, já informando o controle direto da autuada por Accor Brasil Participações Ltda (99,01%), subsidiária integral de Accor Participações S/A (fls. 189/190). E em 16/05/2008, Accor Participações desistiu do projeto de transformação da Ticket Serviços S/A em instituição financeira, informando que seria constituída uma nova sociedade para esse fim. Assim, tem razão a Fiscalização quando conclui que a Accor Brasil Participações Ltda seria a holding constituída para atender às exigências do BACEN. Por sua vez, para nela aportar o investimento detido na autuada por Accor Participações S/A, e promover a pretendida segregação de atividades, bastaria que a cisão promovida em 10/08/2007 vertesse o correspondente patrimônio em favor de Accor Brasil Participações Ltda, e não de Sobraser Participações Ltda. De outro lado, para ter direito à amortização com efeitos fiscais, necessária seria a extinção do investimento adquirido com ágio. Ou seja, a adquirente (Accor Participações S/A) deveria incorporar ou ser incorporada pela investida (Ticket Serviços S/A), Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 16 29 ou mesmo ser realizada uma fusão entre elas. Todavia, como insiste a interessada em sua defesa, não havia interesse negocial em promover esta extinção, de um lado porque as atividades da Ticket Serviços S/A não poderiam agregar outras que prejudicassem seu interesse de se tornar uma instituição financeira, e de outro porque a extinção do CNPJ da Ticket Serviços S/A causaria transtornos operacionais em razão do volume de contratados por ela mantidos. Não está em discussão a efetiva aquisição do investimento na autuada, até então detido pelos Grupos Espírito Santo e Brascan, e o pagamento de ágio, nesta ocasião, fundamentado em rentabilidade futura. Apenas não se verificou a condição exigida no art. 386 do RIR/99 para dedutibilidade da amortização do ágio antes da alienação do investimento. Esta Relatora já se manifestou contrariamente a este tipo de operação, que busca superar os impedimentos práticos verificados no atendimento às condições legais para dedução, na apuração do IRPJ e da CSLL, da amortização do ágio antes da alienação do investimento. Neste sentido é o voto no Acórdão nº 1101000.835, proferido na sessão de 04 de dezembro de 2012, em razão do recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 16682.720233/201011: Os efeitos das amortizações de ágio e deságio estão assim disciplinados no Decreto lei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1º Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2º Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). (negrejouse) Dessa forma, as amortizações de ágio e deságio deveriam ser adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 30 do Lucro Real – LALUR, para posteriormente compor a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do mesmo dispositivo, esta hábil a ensejar a aplicação do disposto no art. 33 do Decretolei nº 1.598/77, o legislador assim fixou na seqüência deste dispositivo: Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento próximo à aquisição do investimento com ágio, o valor contábil do investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui as quotas/ações extintas em razão da incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda fosse dedutível, em interpretação literal do texto, necessário seria que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado. De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei nº 9.532/97 expressa preocupação com circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito: Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 17 31 O art. 8o estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Neste contexto, as disposições da Lei nº 9.532/97 podem ser interpretadas como um instrumento para evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como uma forma de parcelar os efeitos tributários do ágio pago sob outros fundamentos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 32 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. No mesmo sentido manifestase Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Dialética: São Paulo, 2012. Depois de reportarse à doutrina que se posiciona em sentido contrário, diz o referido autor (p. 67): Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que forem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem. Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido recebido pelo valor contábil anula o investimento correspondente, avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da sociedade resultante apenas o ágio/deságio, classificado em Ativo Diferido, quando fundamentado em rentabilidade futura, para amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser dedutível, na apuração do lucro real, no mesmo momento em que registrada contabilmente, desde que observado o prazo mínimo de 5 (cinco) anos para amortização. Quanto ao ágio fundamentado em ativos ou em outras razões econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa imediata, por não ser possível associar seu pagamento a algum critério que permita dimensionar sua amortização. Esta abordagem não autoriza a conclusão de que a Lei nº 9.532/97 tenha instituído um benefício fiscal. A regra expressa em seus artigos 7o e 8o, nos termos de sua exposição de motivos, prestouse, em verdade, a evitar planejamentos tributários que viabilizassem a dedução de ágios, como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento. Na sistemática vigente, a amortização do ágio realizada pela investidora permanece indedutível na apuração do lucro real, e somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio esteja fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite temporal mínimo estabelecido pela legislação. Diante deste contexto, defende a Fiscalização que deve ser observada a finalidade do instituto da incorporação como forma de agregação de empresas, com Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 18 33 conseqüente confusão patrimonial do investimento para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Vislumbrando que, ao término das operações, nada mudou, pois a Guaraniana S/A permaneceu com a mesma quantidade de ações e na mesma condição de controladora da Termopernambuco S/A, destaca a Fiscalização que: 36. A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reconhece distorção prevista na legislação societária, ao analisar a incorporação feita através de uma sociedade veículo, como a que ora se examina. Senão, vejase o trecho inicial da nota explicativa à Instrução CVM n° 349, de 06 de março de 2001, que alterou a redação da Instrução CVM n° 319 e dispõe sobre as operações de incorporação, fusão e cisão envolvendo companhia aberta. Nota explicativa à Instrução CVM n.° 349, de 6 de março de 2001 A Instrução CVM n° 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6o, § Io), acabou possibilitando, nos casos de ágio com fundamento econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Significa dizer que embora transferido o ágio para a empresa veículo, e na seqüência para a incorporadora desta, os efeitos econômicos do ágio originalmente contabilizado na controladora subsistem. Ou, nas palavras da Fiscalização, a controladora permanece com os seus investimentos na TERMOPE intocados, apenas, agora, não mais apresentado contabilmente desdobrado em "investimento + ágio". Assim, a definição acerca do atendimento à finalidade dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 passa, primeiramente, pelo exame da validade da transferência do ágio originalmente contabilizado pela investidora para a empresa Rio Japuri Empreendimentos e Participações S/A, mediante subscrição de seu capital com o investimento por ela detido na Termopernambuco S/A. Manifestandose precisamente sobre este aspecto da legislação, assim concluiu o I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no voto condutor do Acórdão nº 1302 00.834: Apreciando, contudo, os fatos e a legislação a eles aplicada, inclinome a acolher a tese expendida pela autoridade fiscal no sentido de que não encontram presentes circunstâncias capazes de autorizar a amortização do ágio em questão. Com efeito, considerado o disposto no caput do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, descabe falar em apropriação de ágio por parte da CAMARGO CORRÊA CIMENTOS, a fiscalizada, quando resta indiscutível que quem incorreu no suposto sobrepreço foi a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A e que a transferência das participações, dela para a fiscalizada, se deu em razão de aumento de capital e quitação de dívida. Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): ... Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 34 Alinhome, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;... Registro que a única transferência de ágio albergada pela legislação vigor, condenada, digase de passagem, por robusta doutrina, é a prevista no inciso II do parágrafo 6º do art. 386 do RIR/99, que em nada se assemelha à situação sob exame. Considerado o relato feito pela autoridade autuante, parece que a própria empresa CAMARGO CORRÊA S/A tinha conhecimento da impossibilidade, face a ausência de previsão legal, da transferência do ágio em questão, eis que, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor “cheio”, ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio líquido e ágio. Apesar de concordar com a decisão de primeiro grau no sentido de que não restam configurados nos autos circunstâncias que indiquem a constituição de “empresa veículo” no âmbito de um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago. Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. [...] Aqui divergese apenas em um aspecto do que exposto pelo I. Conselheiro: não se vislumbra a necessidade de uma lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital. Se não há vedação legal e os atos societários são realizados com observância dos requisitos formais, e têm por objeto ágio efetivo e pago, seria necessário disposição legal específica para se negar validade aos atos societários no âmbito tributário. Interpretase que o repúdio presente na doutrina acerca de incorporações reversas reportase à existência de ágio gerado internamente, sem substância econômica, na medida em que originado de operações entre partes vinculadas, a impedir a caracterização de uma efetiva aquisição. [...] Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 19 35 Como dito, não se vislumbra, na legislação, impedimento a esta transferência, de modo que é necessário, então, verificar se a incorporação entre a investida e esta empresa para a qual foi transferido o ágio atende aos requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável. Recordese o que diz a Lei nº 9.532/97: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Claro está que as empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida. Em que pese a lei não vedar a transferência consoante antes demonstrado, este procedimento não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da Guaraniana S/A, diversamente do que cogita a lei. Em tais condições, a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida, Termopernambuco S/A, somente poderia surtir efeitos na apuração do lucro real da própria Termopernambuco S/A caso se verificasse a sua extinção, ou da Guaraniana S/A, mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submetese à regra geral exposta no Decretolei nº 1.598/77: Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 36 Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. [...] Pertinente citar, novamente, abordagem contida na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela, o autor Luís Eduardo Schoueri preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados auferidos com este investimento são reconhecidos, no patrimônio do investidor, como resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta ótica. Seguindo a mesma lógica, a amortização contábil do ágio por rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o lucro tributável. Diante deste contexto, o autor reputa incabível afirmar que o ágio, ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas (exceto se antes disso tiver ocorrido baixa da participação societária adquirida, quando, em regra o ágio será realizado) (Op. cit. p. 73). E complementa mais à frente: com a incorporação, alerte se, já não há mais que falar em investimento nem em ágio. Ambas as figuras desaparecem (Op. cit. p. 74). Entende o referido autor que a partir da incorporação, os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável (Op. cit. p. 79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de investimento que subsiste no patrimônio da investidora original. Deste modo, não fosse a provisão determinada pela Instrução Normativa CVM no 349/2001, a equivalência patrimonial faria refletir no patrimônio da investidora o valor líquido dos resultados, produzindo o mesmo efeito que teria o reconhecimento bruto dos resultados da investida, associado à amortização do ágio pela investidora. A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta manobra permite, em desrespeito ao previsto no art. 7o da Lei no 9.532/97. Evidenciado, portanto, que não houve a extinção do investimento, inadmissível a amortização fiscal do ágio. Significa dizer que a amortização contábil do ágio transferido para o patrimônio da Termopernambuco S/A deve ser adicionada ao lucro real, e seu reflexo no patrimônio da Guaraniana S/A, mediante equivalência patrimonial, deve ser controlado na parte B do LALUR para integrar o valor Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 20 37 contábil do investimento na apuração de ganho ou perda de capital em caso de alienação ou liquidação do investimento. Importante destacar que o entendimento aqui firmado não pode ser comparado ao posicionamento desta Relatora expresso em declaração de voto no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 110100.354, divergindo dos fundamentos do voto condutor de lavra do I. Conselheiro José Ricardo da Silva (caso Vivo): Com a devida vênia, registro as razões de minha divergência quanto ao posicionamento do I. Relator, que acolheu os fundamentos adotados pela 5a Turma da DRJ/Porto Alegre para exoneração parcial da exigência, bem como deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Como relatado, a Turma Julgadora restringiu as hipóteses de transferência de ágio aos casos de fusão, cisão ou incorporação envolvendo a investida e a investidora, e afastou tal hipótese no contexto presente nestes autos, no qual vislumbrou aquisição de investimento por realização de capital, em razão da qual surgiria novo ágio na nova investidora, ao passo que a antiga investidora deve baixar seu investimento (e respectivo ágio), apurando eventual ganho de capital. Admitiu aquela Turma Julgadora que a entrega, à “Investidora”, de ações (ou quotas de capital) de emissão da “Nova Investida” representaria um “pagamento” desta em favor daquela, e sendo ele maior que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida”), seria possível o registro de ágio na aquisição de ações. E transportando estes conceitos para o caso concreto, assim concluiu o I. Relator da DRJ/Porto Alegre: Ora, foi esta a situação que ocorreu com a criação da empresa TULA Part. Ltda.. Com efeito, a empresa “Nova Investida” (TULA Part. Ltda.): (1) recebe ações da antiga “Investida” (Celular CRT Part.) e (2) entrega à “Investidora” (TBS Celular Part. S/A) quotas de capital de sua própria emissão. No caso o valor “pago” pela “Nova Investida” – TULA Part. Ltda. (representado pelo valor de seu capital, entregue à “Investidora” – TBS Celular Part. S/A – na forma de quotas de capital de sua emissão) foi maior do que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida” – Celular CRT Part., entregue pela “Investidora” à empresa “Nova Investida” – TULA Part. Ltda.). Assim, nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações, no patrimônio de TULA Part. Ltda. Por outro lado, há que ser baixado o investimento anteriormente mantido pela Investidora – TBS Celular Part. S/A – na Antiga Investida – Celular CRT Part. – podendo gerar um ganho de capital para a Investidora. Dessa forma, depreendese claramente que o ágio eventualmente existente na “Investidora” não é transferido para a “Nova Investida”, mas somente é baixado do ativo da “Investidora”, reduzindo o eventual ganho de capital a ser por ela auferido. Isso denota que os vícios dos ágios anteriormente existentes em empresas do grupo não têm o condão de serem transferidos para o ágio surgido no patrimônio da TULA Part. S/A. Com efeito, esses vícios lograriam a existência de ganho de capital nas empresas que deram baixa de seus investimentos (e dos respectivos ágios). Entretanto, não foi esse o lançamento efetuado. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 38 Todavia, como bem consignou o autuante nos demonstrativos anexos ao Relatório Fiscal, não houve ali ágio pago, ao qual pudesse ser associado o motivo expresso no laudo de rentabilidade futura apresentado pela empresa fiscalizada. E isto porque não houve terceiros envolvidos nesta operação, mas sim transferência da titularidade das ações entre empresas do mesmo grupo, sob controle comum. O próprio procedimento adotado para esta transferência, e para aquelas que a antecederam, evidenciam que o ágio em questão, na verdade, formouse quando da privatização dos serviços de telefonia, e foi sendo atribuído às empresas sucessoras/adquirentes pelo valor remanescente após as amortizações apropriadas nas empresas sucedidas/alienantes, enquanto estas eram titulares do investimento. Ressalto que o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP) elaborado por Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke (7a Edição) é claro quanto à inexistência de ágio formado em operações de transferência como estas: [...] Logo, é necessária uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio, exigência também expressa na legislação tributária: Decretolei nº 1.598, de 30 de dezembro de 1977 [...] Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 [...] É, portanto, o ágio pago na aquisição de investimentos que pode ser amortizado. Referese o art. 7o da Lei nº 9.532/97 ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Assim, se houver uma efetiva aquisição, e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida, ou viceversa (art. 8o, alínea “b” da Lei nº 9.532/97). Tal tema, inclusive, já foi apreciado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas em situações mais gravosas, nas quais o ágio surge internamente, mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum. Neste contexto, foram as seguintes as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, expressas no Acórdão nº 1301 00.058 e acolhidas por unanimidade pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: [...] Aqui, porém, a autoridade lançadora entendeu que houve formação de ágio na criação da TBH S/A, cujo capital foi integralizado mediante conferência das ações (mantidas pelos antigos acionistas) da CRT, o qual não estava devidamente fundamentado em rentabilidade futura, a inviabilizar a dedução parcial dos valores contabilizados pela autuada. No entanto, há evidências de formação de ágio na aquisição original da CRT por aqueles acionistas, aquisição esta que se deu em razão da privatização daquela empresa, cujo Edital estipularia preço inicial fundamentado em rentabilidade futura. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 21 39 Assim, no suposto de que sejam verdadeiras estas alegações contidas em recurso voluntário – até porque sua confirmação não se justifica ante o resultado do julgamento favorável à autuada, pelas razões expostas pelo I. Relator José Ricardo da Silva – o ágio transferido até o momento em que se verificou o evento previsto no art. 7o da Lei nº 9.532/97 teria fundamento, sim, em rentabilidade futura, não havendo motivo para acolher o recurso de ofício decorrente da exoneração desta exigência. Naquele caso, a acusação fiscal centravase na falta de comprovação do fundamento do ágio amortizado e, admitindose a transferência do ágio, vislumbrouse a possibilidade de seu fundamento em rentabilidade futura estar evidenciado no momento da aquisição em processo de privatização, o que desconstituiria a acusação fiscal, vez que não opostas outras condições para dedutibilidade do ágio amortizado. Já no presente caso, a autoridade fiscal não precisou questionar o fundamento do ágio contabilizado, pois observou que requisitos preliminares impediram a repercussão de sua amortização na apuração do lucro real. Por fim, a recorrente enuncia outras formas que poderia ter adotado para beneficiarse da amortização fiscal do ágio. Contudo, o fato é que elas não foram implementadas, optandose por fórmula, em razão de interesses negociais diversos, e por meio da qual subsistiram ativas investidora e investida, em afronta ao requisito essencial da lei, que é a unificação patrimonial destas entidades. Assim, resta comprovada a conduta contrária à lei, intencionalmente praticada pelo contribuinte, mas que no entender da Fiscalização seria, inclusive, hábil a justificar a qualificação da penalidade. Ocorre que, se de um lado não apenas as omissões de dados e informações constituem o dolo necessário para caracterização da fraude, verificandose esta também quando o sujeito passivo constrói um cenário falso para aparentar a presença dos requisitos legais que autorizariam a dedução por ele pretendida, não é possível afirmar que a conduta da autuada, no presente caso, tenha alcançado estes contornos. O grupo empresarial buscou usufruir do que entendia ser um benefício fiscal constituindo empresa veículo para, a partir dela, formalizar uma incorporação que não realizou o objetivo final da lei, qual seja, a união patrimonial entre investida e investidora. De outro lado, porém, o ágio efetivamente existiu e foi pago, apenas não se verificando a efetiva incorporação entre investidora e investida. Na medida em que somente a adquirente original do investimento detinha as condições necessárias para a aquisição, a impossibilidade de aproveitamento do ágio era uma desvantagem a ser considerada nas decisões empresariais. Mas, interpretando de forma diversa a legislação, o grupo empresarial praticou os atos que reputou válidos para amortizar o ágio pago aos Grupos Brascan e Espírito Santo, atos que devem ser reprovados com a conseqüente exigência do crédito tributário. Contudo, mesmo valendose da Sobraser Participações Ltda apenas para atribuir efeitos fiscais à amortização do ágio, não se vislumbra dolo suficiente à caracterização da fraude tributária, na medida em que o ágio existe e foi pago, à semelhança de outros casos práticos que ensejaram o aproveitamento do disposto no art. 7o da Lei nº 9.532/97, a motivar a equivocada interpretação da contribuinte. Encerrando, quanto à multa isolada, a recorrente questiona o fato de ela ter sido formalizada concomitantemente com a multa de ofício aplicada sobre o ajuste anual, em decorrência da mesma infração. Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 40 Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 22 41 Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 42 ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, como aplicado pela autoridade lançadora. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o fato ilícito que justifica a multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o fato ilícito que motiva a multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. E, quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 23 43 Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 44 § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.720040/201117 Acórdão n.º 1101000.936 S1C1T1 Fl. 24 45 No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir a qualificação da penalidade. EDELI PEREIRA BESSA Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.912769/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2002 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 69 /2 00 9- 61 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação de débitos fiscais de IRPJ e CSLL, vencidos na data de 29/07/2005, declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 08, transmitida na data de 14/07/2005, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de outubro de 2002, recolhida em 14/11/2002. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 07. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação dos débitos declarados, conforme Acórdão nº 0238.032, datado de 20/03/2012, às fls. 45/49, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 3301001.967 S3C3T1 Fl. 159 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 57/59), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de outubro de 2002 e recolhida em 14 de novembro do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e, ainda, que a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de outubro de 2002, no valor de R$1.659,31, efetuado por meio de darf, de mesmo valor, recolhido em 14/11/2002, visando à compensação de débitos do IRPJ e CSLL, nos valores de R$382,06 e R$2.041,86, respectivamente, vencidos em 29/07/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de outubro de 2002: a) débito de PIS, no valor de R$1.659,31; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$1.659,31 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta, a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 82/89, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 120/156, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912769/200961 Acórdão n.º 3301001.967 S3C3T1 Fl. 160 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de outubro de 2002 e recolhida em 14 de novembro do mesmo ano era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de outubro de 2002, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13971.004384/2008-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/10/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.471
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 43 84 /2 00 8- 60 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.004384/200860 Acórdão n.º 2803002.471 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.004384/200860 Acórdão n.º 2803002.471 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por ter a empresa apresentado o documento a que se refere à Lei nº 8.212/91, art. 32, IV, § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei nº 8.212/91, art. 32, IV, § 5º, também acrescentado pela Lei nº 9.528/97, combinado com o art. 225, IV, § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 01 de fevereiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AIOA DEBCAD n. 37.188.5051 – CFL 68 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. MULTA. CONFISCO. A multa aplicada encontra respaldo na legislação vigente e não se caracteriza como de natureza confiscatória. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A ora Recorrente apresentou Impugnação contra o Auto de Infração nº 37.188.5051, segundo o qual a empresa teria apresentado GFIPs com dados não correspondentes a todos os “fatos geradores” das contribuições previdenciárias por ela devidas, no período (mês de competência) de 01/2004 a 12/2004, o que constituiria infração ao disposto no art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada, para (a) afastar a multa aplicada em relação aos valores relativos à assistência médica e odontológica; e (b) adequar, se Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.004384/200860 Acórdão n.º 2803002.471 S2TE03 Fl. 5 4 for mais benéfico, o valor da multa “aos termos” do art. 35A da Lei nº 8.212//91 (com redação dada pela Medida Provisória nº 449/08). A Recorrente entende que o Acórdão de primeira instância merece ser revisto, nos pontos contrários aos seus interesses. Inexiste a infração. Considerandose a realidade dos autos neste exato momento, a alteração benéfica trazida pela MP nº 339/08 (Lei nº 11.941/09), sem dúvida, é aquela que resultou no art. 32A, I, da lei nº 8.212/91. A multa exigida é abusiva. Em face do acima exposto, requer seja este Recurso conhecido e provido, para que, reformandose o acórdão recorrido, seja: (a) integralmente cancelado o auto de Infração, pela ausência de infração; ou, caso assim não se entenda, (b) revisto o valor da multa exigida, adequandoo (b.1) às disposições do art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91; (b.2) ao valor base vigente na época de cada “infração”; (b.3) ao número de segurados, por competência, diretamente relacionado à suposta infração; e (b.4) aos preceitos constitucionais arrolados. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.004384/200860 Acórdão n.º 2803002.471 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Segundo os autos, durante a ação fiscal realizada, o contribuinte apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Agindo desse modo, a empresa alterou o valor das contribuições, ferindo, assim, a legislação previdenciária. É sabido, pois, que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Sabese também que pelo descumprimento da obrigação referida, a multa aplicada para essa infração equivale a 100% (cem por cento) do valor devido relativo às contribuições não declaradas, respeitado o limite dos valores previstos no inciso I do artigo 284 do RPS, quando o contribuinte apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Apesar do inconformismo do contribuinte, há que se destacar que no acórdão recorrido, o julgador de primeira instância acatou alguns pontos e concedeu, em parte, pleitos formulados na impugnação. No concernente à aplicação da multa mais benéfica, discordo do posicionamento contido no acórdão recorrido, quando se invoca a aplicação da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Nada obstante à discussão sobre qual dispositivo legal ampara o lançamento, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32 da lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.004384/200860 Acórdão n.º 2803002.471 S2TE03 Fl. 7 6 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP, portanto, foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32 A da Lei nº 8.212/91. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13971.004384/200860 Acórdão n.º 2803002.471 S2TE03 Fl. 8 7 Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13841.000483/99-60
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/03/1994 a 28/02/1999
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido for anterior a esta data é que permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 07/03/1994 a 28/02/1999 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido for anterior a esta data é que permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/03/1994 a 28/02/1999 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido for anterior a esta data é que permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 04 83 /9 9- 60 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que teria ocorrido a decadência do direito à repetição. A ora Recorrente apresentou, em 26/10/1999, Pedido de Restituição ao qual vinculou pedidos de compensação, relativos aos períodos de apuração 11/10/1988 e 15/05/1995. O indébito seria decorrente das diferenças entre a contribuição devida com base no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, conforme Lei Complementar nº 8, de 1970, e os valores recolhidos de acordo com os DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1988. A DRF de origem emitiu o despacho decisório não homologando as compensações declaradas, por entender que, relativamente aos períodos anteriores a 20/10/1944, teria operado a decadência do direito à repetição pela fluência de prazo superior a cinco anos entre as datas dos recolhimentos supostamente indevidos e as datas das Declarações de Compensação, quanto a o período posterior, o indeferimento decorreu da inexistência de saldo em favor da interessada a título de PIS, calculado com base na Lei Complementar nº 7/70. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que seu direito creditório decorre da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs. 2.445 e 2.449, que teria resultado em recolhimento a maior, que o prazo para repetição de indébito é de dez anos, conforme entendimento pacificado no STJ. Tratou do direito à compensação, discorrendo sobre seu fundamentos constitucionais e legais. Defendeu a correção monetária sobre o indébito. Transcreveu jurisprudência para embasar suas alegações. A DRJ em Campinas julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentadas, também por entender que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é cinco anos. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIR. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 566DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13841.000483/9960 Acórdão n.º 3102001.998 S3C1T2 Fl. 12 3 Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o indeferimento do crédito pleiteado pelo ora Recorrente e a consequente não homologação da compensação declarada decorreu, exclusivamente, do reconhecimento da decadência do direito à repetição do indébito tributário. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Devese esclarecer que o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente ao precedente acima transcrito. Afinal, tratase de pedido de restituição de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação transmitido em 26/10/1999, ou seja, anteriormente a 09/06/2005. Neste contexto, não resta dúvida de que no caso sob análise permanece prevalecendo o prazo de 10 (dez) anos contados da data dos respectivos fatos geradores para a repetição. Isso porque o acórdão foi bastante claro ao prescrever aplicação plena do novo prazo de 5 (cinco) apenas às medidas ajuizadas a partir de 09.06.05, o que não é caso já que o protocolo foi feito em 26/10/1999. Por outro lado, os fatos geradores a que se referem o pedido ocorreram entre outubro de 1988 a maio de 1995, ou seja, exceção feita ao período de outubro de 1988 a setembro de 1989, todos os outros com menos de 10 anos do protocolo da medida administrativa. Pelo exposto, deve ser reconhecido o direito de pleitear a restituição de eventuais indébitos tributários no período de dez anos contados a partir dos fatos geradores indicados nos pedidos de restituição/compensação, ou seja, do período outubro de 1989 a maio de 1995. No que se refere propriamente ao mérito da restituição, como bem colocado pela Recorrente, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS/PASEP estabelecidas pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, nos seguintes termos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. ART. 55II DA CARTA ANTERIOR. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOSLEIS 2.445 E 2.449, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. I CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS: SUA ESTRANEIDADE AO DOMÍNIO DOS TRIBUTOS E MESMO AQUELE, MAIS LARGO, DAS FINANÇAS PÚBLICAS. ENTENDIMENTO, Fl. 568DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13841.000483/9960 Acórdão n.º 3102001.998 S3C1T2 Fl. 13 5 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA EC Nº 8/77 (RTJ 120/1190). II TRATO POR MEIO DE DECRETOLEI: IMPOSSIBILIDADE ANTE A RESERVA QUALIFICADA DAS MATÉRIAS QUE AUTORIZAVAM A UTILIZAÇÃO DESSE INSTRUMENTO NORMATIVO (ART. 55 DA CONSTITUIÇÃO DE 1969). INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEIS 2.445 E 2.449, DE 1988, QUE PRETENDERAM ALTERAR A SISTEMÁTICA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. (RE 148754, Rel. Min. Carlos Velloso, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Francisco Resek, Tribunal Pleno, julgado em 24/06/1993, DJ 04 031994 PP03290 EMENT VOL0173502 PP00175 RTJ VOL 0015003 PP00888) Posteriormente, relativamente ao PIS, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos Decretos supracitados. Como consequência, a base de cálculo dessa Contribuição, voltou a ser o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 6º, da Lei Complementar nº 07/70. A exigência mantevese nesses moldes até a publicação da Medida Provisória no 1.212/95, quando a base de cálculo da Contribuição ao PIS passou a ser o faturamento do mês anterior. Sendo este o contexto normativo e jurisprudencial no qual se insere o crédito pleiteado, entendo, com base no art. 59 do PAF, que não há necessidade de se determinar a devolução do processo para a instância inferior analisar o mérito, sendo legítimo o reconhecimento do direito ao crédito da Recorrente nesta instância recursal, cabendo à autoridade de origem apenas a sua quantificação. Por fim, no que se refere ao pedido de correção do indébito tributário, importa esclarecer que o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543C, do CPC, pacificou, no RE 993.164, o entendimento de que deve incidir correção monetária, mediante aplicação da Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento quando a utilização do crédito é obstada por ato do Fisco: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não Fl. 569DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Este entendimento, inclusive, vincula este E. Conselho Administrativo de Recursos FiscaisMF, em face do que prescreve o art. 62A do RICARF. Como no presente caso restou configurada resistência pelo Fisco, é cabível a correção monetária, mediante aplicação da Taxa Selic, a partir da transmissão das respectivas declarações de compensação. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito da ora Recorrente à restituição de eventuais indébitos tributários no período de dez anos contados a partir dos fatos geradores indicados nos pedidos de restituição/compensação (outubro de 1989 a maio de 1995), devidamente corrigidos pela Taxa SELIC a partir da data da transmissão das declarações de compensação, tomando por base seus cálculos e considerando a semestralidade da Contribuição ao PIS/Pasep, homologando a compensação até o limite dos valores dos créditos apurados. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 570DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13841.000483/9960 Acórdão n.º 3102001.998 S3C1T2 Fl. 14 7 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10840.003308/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente USINA BAZAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2005 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de DCOMP apresentada pela contribuinte, por meio da qual pretende a interessada compensar débitos seus utilizandose de créditos que alega possuir referentes à Cofins, relativa ao período de apuração de outubro/2005, no valor total de R$ 374.178,44. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 33 08 /2 00 5- 91 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por meio do Relatório Fiscal, constante às efls. 33/43, informou a Fiscalização haver constatado as seguintes irregularidades no cálculo dos créditos da Cofins nãocumulativa: a) A contribuinte havia incluído aquisições de produtos que não seriam considerados como insumos, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda. Verificouse que a interessada havia inserido, indevidamente, as aquisições relacionadas a combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial da contribuinte para fabricação do açúcar e álcool. Verificouse, ainda, que as referidas aquisições são registradas contabilmente em contas disitintas. b) Foram incluídas aquisições de serviços que não seriam considerados como insumos, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda. A contribuinte teria incluído, indevidamente, os valores relacionados ao transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte da canadeaçúcar. c) Foi inserido o valor da venda de álcool para o mercado externo, no montante de R$ 2.910.000,00, o que ocasionou um acréscimo de 8,0575% no percentual utilizado para o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. A Fiscalização refez o referido cálculo, somando o alor da venda do álcool para o mercado externo ao valor de “Venda de álcool combustível” no mercado interno, decorrente, daí, redução do percentual do cálculo do crédito de 52,6530% para 44,5955%. d) A empresa efetuou o rateio da totalidade das receitas, segregando as receitas auferidas no mercado interno e aquelas auferidas no mercado externo. Sobre as receitas auferidas no mercado externo, a contribuinte tomou o crédito presumido da atividade agroindustrial e procedeu a compensação deste crédito presumido com outros tributos federais. Diante disso, a Fiscalização elaborou nova planilha de cálculos, inserindo todo o crédito presumido da agroindústria na coluna dos créditos relativos às vendas no mercado interno, resultando, assim, na redução dos créditos vinculados às receitas de exportação. A DRFRibeirão Preto/SP, por meio do Despacho Decisório constante às efl. 44/45, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 273.118,60, e homologou as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, a querelante apresentou manifestação de inconformidade (efls. 50/83). A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (efls. 90/97), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, considerando se esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003308/200591 Acórdão n.º 3202000.871 S3C2T2 Fl. 133 3 O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 100/121), alegando, em síntese: a) que houve indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação. Aduz que a DRJ confundiu o dispêndio que a contribuinte pretende ver integrado ao seu direito creditório, presumindo, equivocadamente, que se trataria de gastos referentes a combustível utilizado no transporte de trabalhadores, quando, na verdade, seriam despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana. Assim, diante do equívoco cometido pela DRJ, entende que o processo deveria retornar à instância de origem para que esta analise corretamente o insumo que a empresa pretende tomar o crédito; b) que os dispêndios incorridos pela Recorrente efetivamente estão atrelados ao seu processo produtivo, delimitandose, assim, o correto alcance do conceito de "insumo" para fins de apropriação dos créditos da COFINS; c) que “a recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível, para o exercício dessa atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto”. Assim ,“nesse sentido, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção”. Desse modo, não haveria como não se considerar como serviço essencial, para produção do açúcar e do álcool, o transporte dos trabalhadores que fazem o corte da canadeaçúcar, que é a matériaprima para a produção do açúcar e o álcool; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 d) que o próprio CARF, ao analisar a questão dos insumos em relação aos créditos de PIS e Cofins , não mais vem utilizando o conceito restrito imposto pela IN/SRF nº. 404/2004; e) que a compensação utilizando os créditos presumidos da agroindústria encontra fundamento no art. 8º da Lei nº. 10.925/2004 c/c o art. 5º, §1º, inciso II da Lei nº. 10.637/2002. Ao final, requer seja anulada parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição dos serviços de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível no transporte da cana, determinandose o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema. Com relação às matérias enfrentadas pela DRJ, requer seja dado provimento ao recurso. Subsidiariamente, caso não seja determinada a devolução dos autos à DRJ, pede pela procedência do recurso, com a consequente homologação das compensação efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Logo de plano, vêse caber razão à querelante quando afirma que a autoridade julgadora de piso teria decidido sobre a adequação no conceito de insumo, para fins de creditamento da Cofins, de gasto diverso daquele que fora objeto de glosa. A Fiscalização deixou claro: desconsiderou, como insumos, os gastos relativos às aquisições de serviços referentes ao transporte de pessoas (trabalhadores rurais envolvidos no corte da cana). Vejase (efl. 39 e ss): “B. DA GLOSA, NO CÁLCULO DE CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA, DE AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS, PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE, PARA A FABRICAÇÃO OU PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. Observando a mesma base legal citada e transcrita no item anterior, ou seja, o Art. 8º , inciso I, alínea b), b.1) e b.2)), parágrafo 4º item I, alínea a) e parágrafo 9º inciso I da Instrução Normativa nr. 404, de 12 de março de 2004, a fiscalização apurou que a contribuinte inseriu no cálculo dos créditos da COFINS (Fl. 21) não cumulativa valores pagos a empresas prestadoras de serviços, a título de Transporte de Pessoas PJ. Diante desta verificação, em 18/09/2009 a empresa foi intimada (Fl.23 item e)) a informar, especificadamente, a que se referem estes transportes. Em 22/10/2009 a contribuinte apresentou resposta à intimação (Item e) da Fl. 27) informando que : a. Transp. de Pessoas PJ: Tratase de transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003308/200591 Acórdão n.º 3202000.871 S3C2T2 Fl. 134 5 Diante do exposto, a fiscalização efetuou a glosa dos créditos (Fls. 29) de todas as aquisições de serviços a título de Transporte de Pessoas entendendo não haver amparo legal vigente para considerar estas aquisições como INSUMOS na produção e fabricação de AÇÚCAR e ÁLCOOL pela contribuinte. Vide às Fls. 17/20 cópia do livro razão contábil da empresa referente as contas 530 Transporte de Pessoas PJ .” Quanto aos insumos glosados pela Fiscalização, manifestouse genericamente a autoridade julgadora administrativa de primeira instância, em relação à aquisição de bens: “ Bens não incluídos no conceito de insumos Dispõe o art. 92 da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 92. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. Por conta da delegação de competência conferida pelas leis, a Receita Federal do Brasil editou a IN SRF n° 404, de 2004, que em seu art. 8º , § 4º , definiu o conceito de insumos para efeito da legislação do PIS e COFINS nãocumulativo: Art. 8 Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos 111 e IV do § lº do art. 4°; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b. 1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou (...) § 4 Para os efeitos da alínea "b" do inciso Ido caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;(grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Assim, o combustível utilizado no transporte de pessoas ou mercadorias, por falta de previsão legal, não pode ser considerado como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição apuração.” (negritei). Desta forma, temse claro que o Acórdão recorrido não analisou a questão referente ao objeto desta lide e que foi contestada na impugnação, pois afastou o creditamento, a título de insumo, de gasto referente ao combustível utilizado no transporte de pessoas, quando, na verdade, houve a glosa do pagamento, a pessoa jurídica, referente ao serviço de transporte de pessoas (trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana). Assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para anular a decisão administrativa de primeira instância, a fim de que outra seja proferida, decidindo sobre as matérias efetivamente objeto de glosa pela Fiscalização e que foram trazidas na manifestação de inconformidade pela contribuinte É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11060.003033/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Diante da ausência de elementos concretos de prova em sentido contrário, deve a autuação ser mantida.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA - A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir a multa isolada do carnê-leão nos anos-calendário de 2005 e 2006. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad, que desqualificaram a multa de ofício e excluíram a multa isolada do carnê-leão nos anos-calendário de 2005 a 2007, e Rayana Alves de Oliveira França, que desqualificou a multa de ofício e excluiu todas as multas isoladas do carnê-leão. Designado para redigir o voto vencedor quanto à manutenção da multa isolada do carnê-leão nos anos-calendário de 2007 e 2008 o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado Digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(Assinado Digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
(Assinado Digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Redator designado
EDITADO EM: 23/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Diante da ausência de elementos concretos de prova em sentido contrário, deve a autuação ser mantida. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir a multa isolada do carnêleão nos anoscalendário de 2005 e 2006. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad, que desqualificaram a multa de ofício e excluíram a multa isolada do carnêleão nos anoscalendário de 2005 a 2007, e Rayana Alves de Oliveira França, que desqualificou a multa de ofício e excluiu todas as multas isoladas do carnêleão. Designado para redigir o voto vencedor quanto à manutenção da multa isolada do carnêleão nos anoscalendário de 2007 e 2008 o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 30 33 /2 01 0- 01 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado Digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (Assinado Digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora (Assinado Digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Redator designado EDITADO EM: 23/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 292/308), para exigir crédito tributário de IRPF, exercícios 2006 a 2009, acrescido de juros de mora, multa de oficio qualificada e multa isolada no montante total de R$310.096,69, originado das seguintes infrações: 001. Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, sobre a qual foi aplicada multa de oficio qualificada; 002. Multa Isolada. Falta de recolhimento do IRPF devido à título de carnêleão. O Relatório de Fiscalização, fls.296/300, descreve, pormenorizadamente, os procedimentos de fiscalização, incluindo as intimações de outros contribuintes que teriam vinculação com o recorrente, tais como clientes e sócios. Nessas diligências, os contribuintes foram intimados a apresentar documentos hábeis e idôneos comprobatórios do(s) pagamento(s) efetuado(s) a Rogério José Duarte, a título de honorários advocatícios, conforme informações prestadas nas suas respectivas declarações de ajuste anual. Os recibos apresentados pelos contribuintes (fls. 110/199 e 202/230) estão relacionados no Anexo I – Relação de Valores Recebidos nos AnosCalendário 2005 a 2008 (fls.301) Após o recebimento das respostas, o contribuinte foi cientificado dos valores apurados pela fiscalização e intimado a (fls.231/238): Informar a data do recebimento dos valores correspondentes aos recibos apresentados pelos contribuintes Carina Iserhardt da Silva, Dílson Taborda de Oliveira e Marco Antônio Woloski; Apresentar demonstrativo dos valores mensais recebidos nos anoscalendário 2005 e 2006, conforme informado nas Declarações de Ajuste Anual apresentadas; Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11060.003033/201001 Acórdão n.º 2201001.852 S2C2T1 Fl. 392 3 Apresentar demonstrativo detalhando a composição dos rendimentos tributáveis informados nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2006/2009; Manifestarse a respeito do exposto nos valores apurados pela fiscalização. Em sua resposta (fls. 239/291), o contribuinte esclarece as datas dos referidos recebimentos e explica que faz parte de uma sociedade civil de prestação de serviços de advocacia. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação de fls.311/316, cujos principais argumentos estão assim sintetizados pela decisão recorrida: “em resumo, que os rendimentos relacionados pela fiscalização como omitidos foram auferidos pela sociedade civil Duarte & Milanesi Advogados Associados, da qual é sócio. Os rendimentos auferidos na condição de pessoa física são originários de prolabore e lucro presumido, da sociedade Duarte & Milanesi Advogados Associados, isentos de imposto de renda na fonte. Afirmou adiante que a fiscalização não reconheceu a sociedade com personalidade jurídica pelo fato da mesma não ter o CNPJ.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/POA, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/POA n1033.193, de 20 de julho de 2011, fls. 331/332, em decisão assim ementada: RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA FÍSICA DECORRENTES DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OMISSÃO. Os rendimentos recebidos de pessoa física decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda. Impugnação Improcedente Quanto à qualificação da multa, não houve pronunciamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado dessa decisão em 05/08/2011 (“AR” fls. 336), o contribuinte apresentou, em 29/08/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls.337/340, ratificando os argumentos de defesa apresentados, nos seguintes termos: Restou comprovado nos autos que o contribuinte faz parte de uma sociedade de prestação de serviço de advogados, devidamente inscrita na OAB; Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Para cada nome que originou eventual infração, foi provado através de procuração e documentação de toda ordem, que o outorgado era em nome de Duarte & Milanesi – Advogados Associados, na pessoa de Derli Vicente Milanesi e Rogério Jose Duarte; As procurações jamais foram outorgadas em nome de pessoa física; Foi acostado documento individual provando que a pessoa contratada era a sociedade civil de advogados; Não há que se negar a existência da sociedade de fato, conforme se verifica nas procurações, bem como por ocasião da movimentação processual ser sempre realizada em nome da sociedade de advogados. Tampouco podem negadas as despesas em nome da sociedade de advogados; A grande maioria dos processos dá conta de uma média de 10 (dez) anos de tramitação; Quando do recebimento de tais verbas, o escritório adimplia as dividas e por lucro presumido dividia valores; Os valores recebidos guardam relação com a DIPF dos anoscalendário de 2005 a 2008, no montante de R$88.681,00, muito próximo ao valor apurado pela fiscalização de R$93.228,13. Não havendo portanto qualquer causa para o lançamento em nome da pessoa física, por inexistência de divida. A autoridade fiscal reconheceu a existência de fato da sociedade civil de prestação de serviço de advocacia; Por fim, argumenta: “Se trabalhando 4 anos obtive remuneração de lucro de R$ 90.000,00 (noventa mil reais) e declarei ter recebido um pouco mais de R$ 88.000,00 (oitenta e oito mil reais), pergunto: Como pagar a quantia de mais de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais)???? O Recorrente não vislumbra outra situação a não ser encerrar suas atividades pois esse valor é impagável.” O processo foi encaminhado a este colegiado, conforme fl. 345 (ultima). Voto Vencido O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. No mérito, a questão em análise versa sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoa física pela prestação de serviços advocatícios. Omissão de rendimentos Fl. 394DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11060.003033/201001 Acórdão n.º 2201001.852 S2C2T1 Fl. 393 5 Em sua defesa, o contribuinte alega que os recebimentos, considerados omitidos na fiscalização referemse a recebimentos da pessoa jurídica, Duarte & Milanesi – Advogados Associados, na qual é sócio com Derli Vicente Milanesi. Não se nega que o Contribuinte possa organizar as suas atividades da forma que lhe parecer melhor, ocorre que, para tanto, deve cumprir as obrigações legais. Assim, para demonstrar que os valores recebidos eram relativos a pessoa jurídica da qual era sócio e referiase a dividendos isentos de tributação na pessoa física, é imprescindível o contribuinte comprovar a emissão de notas fiscais e a escrituração contábil da pessoa jurídica. Cabe destacar ainda, que esses rendimentos são isentos na pessoa física, exatamente porque já foram tributados na pessoa jurídica. A lei busca nesse caso exatamente evitar a bitributação. Ocorre que, o contribuinte não comprovou a tributação na pessoa jurídica, que sequer poderia fazêlo, pois a pessoa jurídica não tinha inscrição de CNPJ, conforme determinação do art.214 do RIR/99, que assevera: Art. 214. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as empresas individuais, serão obrigatoriamente inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, observadas as normas aprovadas pelo Secretário da Receita Federal (Lei nº 9.250 , de 1995, art. 37 , inciso II ). O contribuinte alega que ocorreram despesas durante o longo período de tramitação dos processos. Efetivamente as despesas podem ser deduzidas tanto na apuração das pessoas jurídicas, como nas pessoas físicas, mas para tanto o contribuinte deve apresentar Livro Caixa, nos termos dos artigos 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, que assim dispõe: “Art. 75 – O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade ( Lei nº 8134, de 1990, art. 6º e Lei nº 9250, de 1995, art. 4º, inciso I): I – a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II – os emolumentos pagos a terceiros; III – as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. Parágrafo único – O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9250. de 1995, art. 34): I – a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como despesas de arrendamento; Fl. 395DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 II – as despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III – em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art. 76 – As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º) § 1º O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8134, de 1990, art. 6º, § 3º) § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escriturados em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8134, de 1990, art. 6º, § 2º) § 3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro.” No processo, o contribuinte comprova a inscrição da sociedade de advogados na Ordem dos Advogados e até mesmo sua existência de fato. Não obstante, isso não é suficiente para afastar suas obrigações tributárias. Se quisesse tributar seus rendimentos na referida pessoa jurídica, o contribuinte deveria ter seguido todo procedimento legal e efetivado o registro da a sociedade no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, emitido notas fiscais, recolhido os impostos, apresentado declaração da pessoa jurídica e etc. Entretanto, nada disso foi feito pelo contribuinte. Portanto, efetivamente, ele não tem como comprovar que essas receitas são da pessoa jurídica, nem mesmo se foram devidamente nela tributadas, permitindo, assim o contribuinte receber seus dividendos isentos de impostos. Tanto o contribuinte sabe que esses rendimentos não são dividendos que não os declarou como tal, pois não há nas Declarações de Ajuste Anual, acostadas às fls.02/16, qualquer outro rendimento que não seja recebido de pessoa física. Nesse momento, cabe recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: “Allegatio et non probatio, quasi non allegatio” que significa: “quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse”. Ou seja, não basta comprovar a existência da pessoa jurídica, mas é imprescindível demonstrar que os rendimentos recebidos são dela provenientes, para tanto fazse necessário comprovar que a pessoa jurídica está apta e operante, através de documentos comprobatórios da sua movimentação e não apenas da sua constituição. Não há, portanto, qualquer reparo a fazer ao lançamento nesse tocante. Multa Isolada Quanto à multa de ofício isolada, por falta de recolhimento do IRPF, devido à título de carnê leão, com base no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, verificase que a Fl. 396DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11060.003033/201001 Acórdão n.º 2201001.852 S2C2T1 Fl. 394 7 sua base de cálculo é exatamente o montante dos rendimentos considerados omitidos, descritos no item 1 do auto de infração, os quais já estão penalizados com a multa de ofício. Ou seja, sobre a mesma base de cálculo, o auto de infração imputa contra o Contribuinte duas multas, de oficio e isolada. Comparemse os demonstrativos de cálculos de fls. 293 e 294, para se constatar que a base de cálculo de ambas as penalidades é exatamente a mesma. Não há como cumular a aplicação de multas quando o imposto também está sendo exigido no mesmo lançamento e também está sujeito à multa de ofício. Esse tema é, também, há muito tempo, objeto de estudos por este Colendo Conselho de Contribuintes, cabendo destacar as conclusões constantes do acórdão nº 104 20.773, de 16.06.2005, da lavra do Conselheiro Nelson Mallmann que bem esclarecem a questão: “Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o ‘carnêleão’ que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual.”(Grifei). Assim, tratandose da mesma base de cálculo, improcede a cominação da multa de ofício, exigida isoladamente, devendo ser provido o recurso nesse item. Multa Qualificada Por fim restarnos analisar a qualificação da multa, que não foi analisada na decisão recorrida e restou assim justificada no Relatório de Fiscalização, fls.300: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 A infração constitui fato que, em tese, configura crime contra a ordem tributária, de acordo com o inciso I do artigo I o da Lei número 8.137, de 1990, sujeita à representação fiscal para fins penais, de acordo com a Portaria RFB n° 665, de 24/04/2008. "Art. Io. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;" O elemento subjetivo previsto neste dispositivo é o dolo específico, ou seja, a vontade livre e consciente para praticar o fato, sabendo da ilicitude e da antijuridicidade, além do desejo interno do agente de não pagar tributo. O objeto material do delito descrito no inciso I do artigo Io , acima referido, é a omissão das informações que devam ser prestadas às autoridades fazendárias via Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física. No caso em questão, ficou demonstrado que o contribuinte, de maneira corriqueira e reiterada, omitiu rendimentos nos anos calendário 2005/2008, com intenção de fraudar o fisco, conforme definido no inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" Diante do exposto, a multa de ofício aplicada sobre os rendimentos omitidos nos anoscalendário 2005/2008 foi a relacionada no inciso I, c/c §1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (multa qualificada). Analisando os motivos apresentados, tenho para mim que, a rigor, essa explicação não justifica, nem motiva a aplicação da multa qualificada. Não há a apresentação de qualquer conduta concreta e objetiva por parte do Contribuinte que seja indicativa de um evidente intuito de fraude. Dentre os casos típicos de evidente intuito de fraude podese mencionar a adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., ou seja, situações onde é possível identificar uma ação dolosa específica. Ora, não é disso que aqui se trata. Apenas a conduta “corriqueira e reiterada” do contribuinte, não é caracterizadora de evidente intuito de fraude, ensejadora da aplicação da multa qualificada, prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, o qual deve restar inequivocamente demonstrado e comprovado nos autos, o que não me parece ser o caso. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14 deste Conselho: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11060.003033/201001 Acórdão n.º 2201001.852 S2C2T1 Fl. 395 9 “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% e afastar a exigência da multa isolada. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Voto Vencedor O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora quanto à multa isolada relativa aos anoscalendário de 2007 e 2008. É que, se antes da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007) não havia previsão legal de incidência de multa isolada, esta lei introduziu mudança significativa na legislação quanto a este aspecto. Mais especificamente previu a incidência de multa isolada no caso de falta de pagamento/recolhimento do imposto devido sujeito ao carnêleão. Historicamente tenho me posicionado no sentido de que não são devidas concomitantemente a multa isolada do carnêleão com a multa de ofício regular, tendo ambas a mesma base. É que entendia, e ainda entendo, que até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 não havia previsão legal para a essa incidência cumulativa. O cerne da questão estava, e está, na compreensão da natureza da multa isolada. E, para tanto, é conveniente examinarmos o que dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, que previu a hipótese de sua incidência (na redação anterior à mudança introduzida pela medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007), a saber: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I –de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de Fl. 399DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; [...]. É dizer, o § 1º do art. 44, acima transcrito, não institui uma penalidade nova, mas apenas a forma de sua incidência, juntamente com o tributo, na hipótese do inciso I, e isoladamente, nas hipóteses dos demais incisos. O dispositivo que institui a penalidade é o caput do artigo e seus incisos. É aí que a lei especifica o fato típico, ensejador da penalidade, a falta de pagamento ou recolhimento etc. Pelo simples fato de não ter havido o pagamento do imposto devido a título de carnêleão não há previsão de incidência de outra penalidade senão a dos incisos I e II do caput do art. 44, conforme o caso. Sendo assim, não se pode conferir ao art. 43 e aos incisos do parágrafo 1º, inovações da Lei nº 9.430, interpretação que implique em incidência de gravame inexistente antes da vigência dos referidos dispositivos. É o que ocorre quando se aplica a penalidade duplamente, sobre a mesma base, na exigência da multa isolada, pelo não pagamento da antecipação, e na exigência do imposto quando do ajuste anual. Ora, a incidência da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, não tinha até então outro objetivo senão o de evitar a formalização de exigência de imposto devido como antecipação do ajuste anual e que, logo em seguida, seria compensado quando do lançamento do imposto apurado no ajuste. Com a multa isolada, essa dificuldade foi superada, exigindose apenas a multa pelo não pagamento da antecipação, deixandose para formalizar a exigência do tributo apenas na apuração do imposto devido no ajuste anual. Nesse segundo momento, contudo, a base de cálculo da multa isolada não deveria compor a base de cálculo da multa de ofício exigida conjuntamente com o imposto. Em nenhum momento os contribuintes deviam o imposto duas vezes, antecipadamente e quando do ajuste anual. É que, ao pagar o primeiro, necessariamente teria direito a compensar o que pagou quando do ajuste anual. Assim, não há falar em dupla hipótese de incidência das multas, pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. Ocorre que a Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, instituindo a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. O Art. 44 passou a ter, então, a seguinte redação: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11060.003033/201001 Acórdão n.º 2201001.852 S2C2T1 Fl. 396 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Como se vê, diferentemente do que se tinha antes, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 passou a prever as duas penalidade: a primeira, de 75%, no caso de falta de pagamento ou pagamento a menor de imposto; a segunda, de 50%, pela falta de pagamento deo carnêleão. Assim, a ressalva antes existente à aplicação simultânea das duas penalidades deixou de existir. Aliás, a questão nunca foi a impossibilidade jurídica de incidência concomitante de duas penalidades, mas a falta de previsão legal de incidência das duas multas, calculadas sobre a mesma base. Pois bem, a Lei nº 11.488, de 2007, criou esta previsão legal. Assim, em conclusão, entendo devida a multa isolada, para os anos calendário de 2008 e 2009, independentemente da aplicação da multa pela falta de recolhimento do imposto devido quando do ajuste anual. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir a multa isolada do carnê leão nos anoscalendário de 2005 e 2006. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11060.003033/201001 Acórdão n.º 2201001.852 S2C2T1 Fl. 397 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10611.004172/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 16/04/1997 a 14/08/2002
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. CONHECIMENTO.
Deve ser conhecido o recurso de ofício interposto em face de decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. SUPOSTA IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. DECADÊNCIA. RECURSO REPETITIVO DO STJ (ART. 543-C DO CPC). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62-A DO RICARF).
A partir do julgamento do Resp 973.733/SC, o prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação seguirá o disposto no art. 150 § 4º do CTN, e nos casos em que não houverem sido efetuados pagamentos ou nos casos de verificada a prática de fraude, dolo ou simulação aplica-se o disposto no art. 173, I do CTN.
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 16/04/1997 a 14/08/2002 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. CONHECIMENTO. Deve ser conhecido o recurso de ofício interposto em face de decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. SUPOSTA IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. DECADÊNCIA. RECURSO REPETITIVO DO STJ (ART. 543-C DO CPC). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62-A DO RICARF). A partir do julgamento do Resp 973.733/SC, o prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação seguirá o disposto no art. 150 § 4º do CTN, e nos casos em que não houverem sido efetuados pagamentos ou nos casos de verificada a prática de fraude, dolo ou simulação aplica-se o disposto no art. 173, I do CTN. Recurso de Ofício Improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Antônio Lisboa Cardoso - Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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VALOR DE ALÇADA. CONHECIMENTO. Deve ser conhecido o recurso de ofício interposto em face de decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. SUPOSTA IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. DECADÊNCIA. RECURSO REPETITIVO DO STJ (ART. 543C DO CPC). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62A DO RICARF). A partir do julgamento do Resp 973.733/SC, o prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação seguirá o disposto no art. 150 § 4º do CTN, e nos casos em que não houverem sido efetuados pagamentos ou nos casos de verificada a prática de fraude, dolo ou simulação aplicase o disposto no art. 173, I do CTN. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 41 72 /2 00 8- 83 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela DRJ de FortalezaCE, em face do acórdão que exonerou a Recorrente do crédito tributário constante do Auto de Infração de fls. 2 e seguintes, cientificado à Recorrente em 17/12/2009, relativamente ao Imposto de Importação, acrescido de multas, além de juros de mora, por suposta importações fraudulentas no período de apuração de 16/04/1997 a 14/08/2002, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Período de apuração: 16/04/1997 A 14/08/2002 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que se vislumbra a prática de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a contagem do direito da Fazenda cobrar o crédito tributário iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte áquele em que poder8ia ter sido efetuado. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto de acordo com a legislação pertinente, inclusive pelo fato do crédito tributário exonerado extrapolar o limite de alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, nos seguintes termos: “ Portaria MF nº 03/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10611.004172/200883 Acórdão n.º 3301001.908 S3C3T1 Fl. 268 3 Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de2001.” A decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, bem como pelo fato de tratarse de matéria que encontrase pacificada em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ),segundo o qual a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. À luz do art.173, I, do CTN, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, tal não ocorre, inexistindo declaração prévia do débito (REsp973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009,submetido ao art. 543C do CPC). Desta forma, como o contribuinte deu ciência ao auto de infração, em 17/12/2009 (fls. 2), já se encontravam decaídos os fatos geradores ocorridos no período fiscalizado, ou seja, 16/04/1997 A 14/08/2002, mesmo em sendo aplicada a contagem nos termos do art. 173, I, do CTN, dada a possibilidade das importações terem sido fraudulentas. Assim, considerando os fatos mais recentes (14/08/2002), contando o prazo decadencial a “partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, iniciandose em 01/01/2003 e encerrandose em 01/01/2008. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10850.004034/2004-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente USINA BAZAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 40 34 /2 00 4- 58 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Tratase de DCOMP apresentada pela contribuinte, por meio da qual pretende a interessada compensar débitos seus utilizandose de créditos que alega possuir referentes à contribuição para o PIS/PASEP, relativa ao período de apuração de outubro/2004, no valor total de R$ 90.997,75 Por meio do Relatório Fiscal, constante às efls. 34/47, informou a Fiscalização haver constatado as seguintes irregularidades no cálculo dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo: a) Foram incluídas aquisições de serviços que não seriam considerados como insumos, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda. A contribuinte teria incluído, indevidamente, valores pagos a empresas prestadoras de serviço de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte da canadeaçúcar. b) A empresa efetuou o rateio da totalidade das receitas, segregando as receitas auferidas no mercado interno e aquelas auferidas no mercado externo. Sobre as receitas auferidas no mercado externo, a contribuinte tomou o crédito presumido de PIS/PASEP da atividade agroindustrial e procedeu a compensação deste crédito presumido com outros tributos federais. Diante disso, a Fiscalização elaborou nova planilha de cálculos, inserindo todo o crédito presumido da agroindústria na coluna dos créditos relativos às vendas no mercado interno, resultando, assim, na redução dos créditos vinculados às receitas de exportação. A DRFRibeirão Preto/SP, por meio do Despacho Decisório constante à efls. 48/49, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 83.566,48, e homologou as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, a querelante apresentou manifestação de inconformidade (e fls.65/76). A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (efls. 87/92), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2004 DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10850.004034/200458 Acórdão n.º 3202000.875 S3C2T2 Fl. 137 3 dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 95/111), alegando, em síntese: a) que houve indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação. Aduz que a DRJ confundiu o dispêndio que a contribuinte pretende ver integrado ao seu direito creditório, presumindo, equivocadamente, que se trataria de gastos referentes a combustível utilizado no transporte de cana, quando, na verdade, seriam despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana. Assim, diante do equívoco cometido pela DRJ, entende que o processo deveria retornar à instância de origem para que esta analise corretamente o insumo que a empresa pretende tomar o crédito; b) que os dispêndios incorridos pela Recorrente efetivamente estão atrelados ao seu processo produtivo, delimitandose, assim, o correto alcance do conceito de "insumo" para fins de apropriação dos créditos da COFINS; c) que “a recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível, para o exercício dessa atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto”. Assim ,“nesse sentido, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção”. Desse modo, não haveria como não se considerar como serviço essencial, para produção do açúcar e do álcool, o transporte dos trabalhadores que fazem o corte da canadeaçúcar, que é a matériaprima para a produção do açúcar e o álcool; d) que o próprio CARF, ao analisar a questão dos insumos em relação aos créditos de PIS e Cofins , não mais vem utilizando o conceito restrito imposto pela IN/SRF nº. 404/2004; e) que a compensação utilizando os créditos presumidos da agroindústria encontra fundamento no art. 8º da Lei nº. 10.925/2004 c/c o art. 5º, §1º, inciso II da Lei nº. 10.637/2002. Ao final, requer seja anulada parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição dos serviços de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 no transporte da cana, determinandose o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema. Com relação às matérias enfrentadas pela DRJ, requer seja dado provimento ao recurso. Subsidiariamente, caso não seja determinada a devolução dos autos à DRJ, pede pela procedência do recurso, com a consequente homologação das compensação efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Logo de plano, vêse caber razão à querelante quando afirma que a autoridade julgadora de piso teria decidido sobre a adequação no conceito de insumo, para fins de creditamento da contribuição para o PIS/PASEP, de gasto diverso daquele que fora objeto de glosa. A Fiscalização deixou claro: desconsiderou, como insumos, os gastos relativos às aquisições de serviços referentes ao transporte de pessoas (trabalhadores rurais envolvidos no corte da cana). Vejase: “A. DA GLOSA, NO CÁLCULO DE CRÉDITOS DO PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, DE AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS, PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE, PARA A FABRICAÇÃO OU PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. ............................................................................................................................ A fiscalização apurou que a contribuinte inseriu no cálculo dos créditos do PIS/Pasep (Fl. 19) não cumulativo valores pagos a empresas prestadoras de serviços, a título de Transporte de Pessoas PJ. Diante desta verificação, em 25/02/2009 a empresa foi intimada (Fl. 25 item 2.) a informar, apresentando documentação hábil e idônea que comprovassem o valor informado na planilha do cálculo do PIS (Fl. 18), referência 530 e 885 "Transporte de Pessoas" bem assim, informar também que tipo de transporte e que pessoas foram transportadas. Em 13/03/2009 a contribuinte apresentou resposta à intimação (Item 2. da Fl. 29) informando que no tocante ao valor informado na planilha de cálculo do PIS, , referência 530 e 885 (Transporte de Pessoas), “tratase do transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte." Diante do exposto, a fiscalização efetuou a glosa dos créditos (Fl. 30) de todas as aquisições de serviços a título de Transporte de Pessoas entendendo não haver amparo legal vigente para considerar estas aquisições como INSUMOS na produção e fabricação de AÇÚCAR E ÁLCOOL pela empresa.” Quanto aos insumos glosados pela Fiscalização, manifestouse genericamente a autoridade julgadora administrativa de primeira instância, em relação à aquisição de bens: “ Bens não incluídos no conceito de insumos Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10850.004034/200458 Acórdão n.º 3202000.875 S3C2T2 Fl. 138 5 Dispõe o art. 66 da Lei n° 10.637, de 2002: Art. 66. A Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editarão, no âmbito de suas respectivas competências, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. Por conta da delegação de competência conferida pelas leis, a Receita Federal do Brasil editou a IN SRF n° 404, de 2004, que em seu art. 8º , § 4º , definiu o conceito de insumos para efeito da legislação do PIS e COFINS nãocumulativo: Art. 8 Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos 111 e IV do § lº do art. 4°; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b. 1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou (...) § 4 Para os efeitos da alínea "b" do inciso Ido caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;(grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto Assim, o combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apuração, por falta de previsão legal”. (negritei) Temse claro, portanto. que a DRJ afastou o creditamento, a título de insumo, de gasto referente ao combustível e demais produtos utilizados em fases que não à de fabricação do produto, quando, na verdade, houve a glosa do pagamento de prestação de serviços a pessoas jurídicas referente ao transporte de trabalhadores. Desta forma, houve decisão sobre situação fática diversa daquela que efetivamente foi objeto da glosa e que foi combatida na manifestação de inconformidade. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão de primeira instância recorrida, a fim de que outra seja proferida, decidindo sobre as matérias efetivamente objeto de glosa pela Fiscalização e que foram trazidas na manifestação de inconformidade. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10580.726847/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32 DA LEI 8.212. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à Lei 8212/91 deixar de preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32 DA LEI 8.212. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à Lei 8212/91 deixar de preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 47 /2 00 9- 34 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte CARDIO PULMONAR SERVIÇOS MÉDICOS LTDA, contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado, cuja ementa foi dispensada nos termos da Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. 2. O recurso apresentado tenta demonstrar a ilegalidade do Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.248.5243, lavrado em 17/10/2009, para constituição do crédito tributário decorrente da conversão de obrigação acessória em principal relativamente à imposição de penalidade pecuniária por descumprimento da obrigação de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). 3. Consta ainda no mencionado Relatório Fiscal que, desta forma, o contribuinte infringiu o comando normativo contida na legislação que rege a matéria (art. 32, I da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 225, I e 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999). Em seqüência, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa consigna a legislação da aplicação da multa: arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e art. 283, inciso I, alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, no valor de R$ R$ 1.329,18, conforme previsto na Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009, em seu art, 8º, V. 4. O contribuinte, cientificado do lançamento ora sob julgamento em 03 de novembro de 2009 (fl.02), apresentou, em 02 de dezembro de 2009 (fl.85), sua peça de impugnação, mediante instrumento acostado ao presente processo (fls. 85 a 91), alegando, em apertada síntese: a) nulidade absoluta do auto de infração, por inobservância de seus requisitos formais; b) o auto de infração fundamenta a imposição de multa somente para os itens referentes aos valores contabilizados como “lucros distribuídos” e “alimentação dos empregados”; c) que os valores distribuídos aos acionistas como lucro estão respaldados nos permissivos legais, sendo que em assembleia os sócios homologaram a distribuição de lucro de forma diversa à participação societária de cada um; d) os valores pagos como alimentação não devem integrar o salário de contribuição; d) não cabe qualquer penalidade, vez que a recorrente cumpriu com todos os requisitos exigidos por lei para a escrituração dos lançamentos. Além disto, lembra a regra de que o acessório segue o principal. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador houve por bem em não acolher a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado em sua totalidade. 6. Irresignada, a recorrente apresentou o presente recurso voluntário, reiterando as alegações lançadas em sua impugnação, pleiteando a exoneração do crédito tributário, entendendo que sua conduta foi pautada na legislação de regência. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.726847/200934 Acórdão n.º 2301003.367 S2C3T1 Fl. 231 3 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente, alega o contribuinte a existência de nulidade do auto de infração, em razão de existir omissão ou imprecisão na descrição dos fatos que ensejaram o lançamento fiscal e na fundamentação e na quantificação dos valores das multas aplicadas. 3. Contudo, entendo que razão não lhe assiste, pois foram apontados os motivos de fato, conforme se depreende do item 3 do Relatório Fiscal, in verbis: “3.1. Durante a Ação Fiscal realizada na Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, abrangendo período de janeiro/2005 a dezembro/2006, verificamos que a mesma deixou de recolher as importâncias cobradas neste auto e que são devidas para a Seguridade Social, sendo estas importâncias referentes às contribuições relativas à empresa sobre os pagamentos pelos serviços prestados por empregados, empresários e por autônomos – Contribuintes Individuais. 3.2.Restou constatado também, que a empresa deixou de incluir nas Guias do FGTS e Informações à Previdência – GFIP´s do período, os fatos geradores destas contribuições. 3.3 Os dados foram extraídos das declarações de Imposto Retido na Fonte – DIRF, das Folhas de Pagamento e dos Livros Razão e outros documentos fornecidos pela empresa. 4. Desse modo, restam evidenciadas, de forma clara, as razões técnicas e jurídicas que determinaram o lançamento fiscal. 5. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e o art. 38, do Decreto 7.574/2011. Desta forma, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal. DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 6. Conforme já explicitado nos autos, Relatório Fiscal do Auto de Infração sob julgamento, o lançamento foi motivado por ter a autuada deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. 7. Planilha anexa ao referido Relatório, às fls. 63 a 68, discrimina, por competência, os nomes dos segurados e os valores de pagamentos / créditos relativos aos fatos Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 geradores que não foram incluídos em folha de pagamentos, bem como os levantamentos correspondentes. 8. Pelo descumprimento de obrigação acessória, a auditoria fiscal autuou o contribuinte por descumprimento ao disposto no art. 32, I da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os artigos 225, I, parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; 9. No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, em seus artigos 225, I e parágrafo 9º, assim dispõe: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I – preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I – discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III – destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; IV – destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V – indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. 10. A própria empresa reconhece o cometimento da infração quando lembra que as parcelas não consignadas em folha de pagamento não teriam a seu ver natureza salarial. De fato, a questão da natureza salarial das rubricas envolvidas será tratada no âmbito do Processo principal de nº 10580.726850/200958. 11. As alegações relativas ao segurado Hélio Silva, dando conta que as retenções e os respectivos recolhimentos não foram executados em face de serem inferiores aos valores mínimos de recolhimento ao INSS, conforme disposto na Resolução INSS/DC nº 39 de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.726847/200934 Acórdão n.º 2301003.367 S2C3T1 Fl. 232 5 23/11/00, não excluem a obrigação acessória objeto da presente autuação. Ao invés, reforçam ainda mais as razões apontadas no Relatório Fiscal. 12. Desta forma, pelo descumprimento de obrigação acessória, a auditoria fiscal autuou corretamente o contribuinte por descumprimento ao disposto no art. 32, I da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os artigos 225, I, parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 13. Correta a aplicação da multa com fundamento nos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e art. 283, inciso I, alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, no valor de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Razão pela qual, neste tópico, o recurso não merece prosperar. CONCLUSÃO 14. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, com o desiderato de manter o crédito tributário em sua totalidade. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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