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Numero do processo: 13603.723511/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS.
Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 35 11 /2 01 1- 17 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13603.723511/201117 Acórdão n.º 2202004.628 S2C2T2 Fl. 233 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13603.723511/201117, em face do acórdão nº 0957.204, julgado pela 6ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 19 de março de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: " Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado, em 14/09/2011, o Auto de Infração de fls. 02 a 20, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF, exercício 2008, anocalendário 2007, que resultou em imposto suplementar, no valor de R$ 22.855,37, acrescido de juros de mora, no valor de R$ 10.973,82 (calculados até 09/2011), e multa de ofício, no valor de R$ 17.141,53. Motivou o lançamento de ofício a apuração de ganho de capital na alienação dos imóveis: 1) Casa de 267,86 m2, localizada na Rua Laranjeiras, número 18, no Condomínio Retiro das Pedras em Brumadinho/MG, cujo custo de aquisição foi de R$ 200.000,00, valor constante de DAA/2006 do cônjuge, vendida por R$ 680.000,00, em 08/01/2007, apurado pela diferença entre o valor constante no contrato de compra e venda, R$ 700.000,00, excluída a comissão do vendedor, no valor de R$ 20.000,00. Apurado, assim, o ganho de capital no valor de R$ 480.000,00, sendo o imposto devido pela contribuinte no valor de R$ 20.379,12; tendo em vista que possui 50% deste imóvel; 2) Apartamento, localizado na Rua Rei Alberto, Edifício Pedra do Sino, número 36, Bloco G, integrante do conjunto Colina das Veredas, Bairro Jabaquara, São Paulo/SP, adquirido por arrematação em 30/11/2004, no valor de R$ 41.000,00, proveniente da reclamação trabalhista movida pela contribuinte contra Global Administração de Recursos Humanos S/C Ltda, vendido por R$ 60.000,00, valor constante da escritura de 30/05/2007 que transferiu o imóvel à Adilson da Silva Guilherme. Apurado, assim, o ganho de capital no valor de R$ 19.000,00, sendo o imposto devido pela contribuinte no valor de R$ 2.476,23. Conforme acordo judicial da separação consensual, este imóvel coube integralmente à contribuinte. A ciência do Auto de Infração se deu em 21/09/2011 (fl. 08), e a interessada, por intermédio de seu procurador, apresentou Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13603.723511/201117 Acórdão n.º 2202004.628 S2C2T2 Fl. 234 3 impugnação de fls. 103 a 107, em 17/10/2011, alegando, em síntese: 1) Que o valor resultante da alienação da casa em Brumadinho/MG, R$ 340.000,00, foi destinado à aquisição de único imóvel para moradia própria, em 26/12/2006, operação ocorrida em apenas 15 dias da venda, portanto com prazo inferior a 180 dias, sendo isento de imposto de renda, o ganho de capital apurado. É importante ressaltar que o produto da venda não fora aplicado na construção de outro imóvel, tendo sido destinado à aquisição de residência pronta e acabada, por meio da construtora idônea, que vendou o imóvel na planta. A compra do imóvel foi tão factível, que, somente após a aquisição da residência e que pode essa contribuinte adquirir o terreno, tendo isso ocorrido em 13/01/2007, aquisição também declarada no IR da contribuinte no anocalendário 2007. 2) Que com relação à venda do apartamento, a aquisição deste imóvel teria se dado por força de recebimento de indenização trabalhista, sendo o produto da venda isento do imposto de renda. 3) Que a multa e os juros ferem o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeito confiscatório. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 170/177, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação. Junta, em anexo ao recurso, declaração de bens e direitos do exercício de 2008, bem como o aditivo do contrato de mão de obra e compra e venda. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Documentos juntados em fase recursal Em relação aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado, receboos nesta fase processual. Alegações de inconstitucionalidade Quanto a alegação da recorrente contrariedade a Constituição e a princípios constitucionais, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13603.723511/201117 Acórdão n.º 2202004.628 S2C2T2 Fl. 235 4 pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Do Ganho de Capital O contribuinte alega que ambas as operações de venda de imóveis seriam isento do imposto de renda. Quanto à venda da casa em Brumadinho/MG, alega que o valor proveniente, R$ 340.000,00, teria sido utilizado para a compra de outro imóvel. A isenção pleiteada está prevista no art. 39 da Lei 11.196/2005, que dispõe: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. (g.n.) § 1o No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a (primeira) operação. § 2o A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3o No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4o A inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do 2o (segundo) mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa, de mora ou de ofício, calculada a partir do 2o (segundo) mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até 30 (trinta) dias após o prazo de que trata o caput deste artigo. § 5o O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. Para comprovar suas alegações, anexou os documentos de fls. 139 a 147, quais sejam, Contrato de compra e venda, cuja vendedora seria Precasa Ltda. e cujo objeto seria a compra de um Kit de uma edificação préfabricada, datado de 26/12/2006; e, outros dois documentos que teriam sido emitidos pela vendedora já citada. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13603.723511/201117 Acórdão n.º 2202004.628 S2C2T2 Fl. 236 5 Conforme já referiu a DRJ de origem, a par de tais documentos não terem sequer firmas reconhecidas em cartório, não atende às disposições da isenção prevista no art. 39 da lei 11.196/2005, isto porque um Kit de casa prémoldada não é imóvel residencial. Nem mesmo a aquisição do terreno, que consta da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2008, ano calendário 2007, no quadro de Bens e Direitos, ainda que tivesse ocorrida no prazo previsto na legislação anteriormente transcrita, poderia ser considerado na apuração do ganho de capital ora questionado, isto porque terreno também não é imóvel residencial. Assim, compreendese que, ainda que se considere que a contribuinte tivesse adquirido terreno e kit de casa prémoldada, frisase, fatos não comprovados, tais não são considerados imóveis residenciais. Vale lembrar, ainda, que o Código Tributário Nacional, quando se refere à outorga de isenção e exclusão do crédito tributário, preconiza que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de crédito tributário, ou dispensa ou redução de penalidades, e mais, que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção (artigos 97, inciso VI, e 111). Quanto à venda do apartamento, a contribuinte alega que o imóvel seria proveniente de uma reclamação trabalhista, tendo natureza indenizatória. Primeiramente, entendo que se a aquisição do imóvel teve natureza indenizatória, o que não está comprovado, como se verá, tal fato não se confunde com sua venda ocorrida anos após, e que deu origem ao ganho de capital apurado e ora contestado nos autos. Isso porque, na arrematação ocorrida em 2004, o imóvel foi adquirido pela contribuinte pelo valor de R$ 41.000,00. Esta aquisição, cuja origem foi a reclamação trabalhista, poderia ter dado à época origem a tributação ou ao reconhecimento da isenção se comprovada sua natureza indenizatória. No entanto, tal operação não está sendo analisada no presente processo, mas sim o ganho de capital apurado na venda de tal imóvel, ocorrida em 2007, cujo valor da venda foi R$ 60.000,00 e cujo custo de aquisição foi R$ 41.000,00. Ambos os valores não contestados pela contribuinte. Para comprovar suas alegações, a contribuinte anexou os documentos de fls. 148 a 151, quais sejam: 1) Cópia da escritura do imóvel que atesta que este teria sido adquirido em 30/11/2004, conforme carta de arrematação número 32/2004, extraída dos autos da reclamação trabalhista movida pela contribuinte contra Global Administração de Recursos Humanos S/C Ltda; e, 2) Carta de Arrematação 32/2004, na qual consta que a pessoa jurídica Global Adm. Recursos Humanos S/C Ltda. foi condenada ao pagamento à contribuinte, por sentença de 18/03/2002, já transitada em julgado, do valor de R$ 137.582,98, tendo sido levado à leilão e arrematado pela contribuinte, o apartamento citado, pelo valor de R$ 41.000,00. Concluise, assim, que a natureza indenizatória da aquisição do imóvel não está comprovada. Ademais, conforme já citado, tal fato não teria repercussão sobre o ganho de capital apurado na sua venda. Não vislumbro que os documentos juntados em fase recursal (.declaração de bens e direitos do exercício de 2008, bem como o aditivo do contrato de mão de obra e compra e venda) tenha o condão dar suporte a reforma do acórdão recorrido. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13603.723511/201117 Acórdão n.º 2202004.628 S2C2T2 Fl. 237 6 Assim, carece de razão o recorrente, pois não provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002966/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator..
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator.. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 29 66 /2 00 7- 05 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10320.002966/200705 Acórdão n.º 2402006.342 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10320.002966/200705 Acórdão n.º 2402006.342 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10320.002966/200705 Acórdão n.º 2402006.342 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.727213/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
LUCRO ARBITRADO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 LUCRO ARBITRADO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebese que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 72 13 /2 01 4- 12 Fl. 419DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10380.727213/201412 Acórdão n.º 1401002.828 S1C4T1 Fl. 420 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Terras Altas Agroindustrial Ltda. contra o acórdão de nº 16079.431 8ª Turma da DRJ/SPO, que julgou procedentes os lançamentos do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS. O lançamento de ofício se deu por arbitramento do lucro, tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme termo de início de fiscalização e termos de intimação anexos, deixou de apresentálos, conforme descrito no termo de constatação fiscal, parte integrante do auto de infração. A acusação fiscal versa sobre omissão de receita da atividade, considerando que o contribuinte mesmo tendo emitido notas fiscais referentes às vendas de produtos de fabricação própria durante o ano sob fiscalização, conforme demonstrado no livro de apuração do ICMS, deixou de informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as vendas do período, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme relatório fiscal. Foi apurada também a falta de recolhimento da CSLL devida sobre receitas da atividade omitidas. Houve aplicação de multa de ofício qualificada em 150% em razão da omissão apontada. Conforme narrado no Termo de Constatação Fiscal os fatos foram os seguintes: 1. a empresa selecionada para fiscalização, por intermédio do mandado de procedimento fiscal já mencionado, tendo tomado ciência do termo de início de fiscalização em 17 de abril de 2014, por meio de aviso de recebimento; 2. em 11 de junho de 2014, emitimos o termo de intimação fiscal nº 1, com ciência por aviso de recebimento, por não haver o contribuinte atendido em nosso pleito inicial de 17 de abril; 3. como nenhuma de nossas intimações foi atendida, não tendo a empresa em nenhum momento se manifestado sobre nossas intimações, foi solicitada a emissão de RMF, tendo sido emitido o RMF nº 03.1.01.00.2014000586, em 26 de junho de 2014, para o Banco do Brasil S/A; 4. em resposta ao RMF acima, o Banco do Brasil nos enviou o extrato da conta corrente nº 1947, agência 3589 que depois de analisado os extratos bancários, intimamos novamente o contribuinte, conforme termo de intimação fiscal nº 2, cuja ciência, por meio de aviso de recebimento, ocorreu em 11 de agosto de 2014, desta vez para justificar a origem do créditos lançados na conta corrente citada, tentativa também infrutífera; 5. como a empresa também está sendo fiscalização no que concerne à previdência social, o fiscal encarregado da fiscalização previdenciária recebeu o livro de apuração do livro de apuração do ICMS, relativo ao anocalendário de 2011, que nos foi entregue; 6. ao examinarmos citado livro constatamos vendas durante o ano calendário de 2011 no montante de R$143.253.829,72, representadas pelo código fiscal de operações 5101 – VENDA DE PRODUTOS DO ESTABELECIMENTO , cópias anexos; Fl. 421DF CARF MF 4 7. para o anocalendário de 2011 a empresa apresentou declaração de imposto de renda da pessoa jurídica sem movimento, procedimento adotado também no que se refere à DCTF e à DACON; 8. como não houve atendimento do contribuinte às nossas intimações e também por adotar um procedimento continuado de não informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as operações realizadas durante o anocalendário de 2011, conforme pudemos verificar pela análise da declaração de imposto de renda da pessoa jurídica, entregue sem movimento, das DCTFs também sem movimentação e pelas DACONs entregues sem qualquer registro, optamos por agravar a multa de ofício para 150%, bem como arbitrar o lucro do contribuinte de acordo com as determinações do artigo 530, do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa jurídica. Inconformado, apresentou impugnação, na qual contesta a apuração por arbitramento alegando existir documentação comprobatória da contabilidade do período, fato que obstaria a utilização desta medida extremada de aferição do lucro no período de apuração em tela. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido em sua integralidade, pois nos termos da decisão de piso, restou verificado que a autoridade administrativa buscou, desde o início do procedimento de fiscalização, conhecer os livros comerciais (diário e razão) e os fiscais (Lalur), de molde a cotejar as informações acessórias que se encontravam em sua posse, especialmente uma evidente movimentação financeira incompatível com a receita declarada, como também as divergências entre as receitas de vendas declaradas aos fisco estadual e aquelas arroladas na DIPJ e que mesmo após a regular intimação para a apresentação dos livros comerciais e fiscais tendentes à correta aferição do lucro real, não houve manifestação da impugnante em apresentar tais documentos, o que se somouse à ausência da apresentação da ECD na base de dados da RFB, de sorte que a adoção do arbitramento foi a única alternativa possível para o deslinde do procedimento de fiscalização. Assim, conforme acórdão recorrido eventual apresentação da ECD posteriormente à ação fiscal sob exame não tem o condão de repristinar a apuração pelo lucro real no ano de 2011, muito embora se reconheça sua existência. Eventual ausência até poderia, por parte da impugnante, ser substituída pelos livros físicos, os quais tem o espeque, por razões de estrita subsunção ao sistema de provas vigente, de provar em seu favor a apuração segundo a norma de incidência; em outro giro, a impugnante tem o dever, tal qual o fisco, de colaborar com o processo administrativo, trazendo aos autos todos os elementos visando a máxima consecução da verdade material sobre os fatos examinados. No que tange à infração ligada à omissão de receitas auferidas no período, entendeuse que a documentação trazida pelo autuante e que se refere à declaração do fisco estadual, por si só, comprova tal omissão, dizse mais uma vez, direta e explícita, configurando a hipótese da qualificação da multa adunada no art.44, I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário visando a reforma do julgado, onde repisa basicamente os argumentos da impugnação quando ataca a opção pelo arbitramento do lucro, alicerçada nossa fundamentação pelo fato de já termos colocados à disposição do auditorfiscal encarregado da fiscalização previdenciária toda documentação solicitada, em meio papel, principalmente os livros Razão, Lalur e Diário (com os devidos balanços arquivados na Junta Comercial do Estado do Ceará), consoante prova documental emprestada do Processo 10380.730.538/201482, Fls. 620, 626 a 630, 758 a 765, do e Processo), bem antes do encerramento da ação questionada; requer perícia na busca de auditar os valores lançados diante prova documental da existência do livro diário e razão, bem assim, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10380.727213/201412 Acórdão n.º 1401002.828 S1C4T1 Fl. 421 5 do livro LALUR, comprovando ainda um saldo de prejuízo acumulado no montante de R$ 13.683.020,46 (treze milhões, seiscentos e oitenta e três mil, vinte reais e quarenta e seis centavos); requer a desqualificação da multa de 150% devido à sua confiscatoriedade e ausência de dolo. Anexa ainda arquivos magnéticos não pagináveis representados pela cópia do Livro Razão 2011. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Do Arbitramento. De início a Recorrente reclama que o arbitramento fora arbitrário, contudo, do Relatório Fiscal extraio que a escrituração do contribuinte continha deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, a fiscalização arbitrou o lucro tudo de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, mesmo tendo sido oportunizado inúmeras vezes que ela produzisse a prova da legitimidade de seus lançamentos, tendo por diversas vezes sido intimado para tanto, como relatado, não o fez com êxito. Assim, pacificado nesse Conselho que o lançamento baseado no art. 42, da Lei nº 9.430/96, e que é legítimo o lançamento com base na presunção legal por ele instituída, desde que seguidos os procedimentos impostos no dispositivo. Notase que a Recorrente vem questionando a legalidade do arbitramento desde a impugnação, sempre mantendo a negativa de haver se esquivado à apresentação dos documentos comprobatórios e registros contábeis necessários a comprovar a correção quanto à identificação e apuração do seu lucro tributável, em face de ter apresentado a aludida documentação no bojo do programa do SPED Fiscal, fato consubstanciado pelo recibo de entrega de escrituração digital acostado nos autos, bem como o recibo assinado por outra autoridade fiscal responsável por procedimento de fiscalização das contribuições previdenciárias transcorrido simultaneamente à ação fiscal em exame. Contudo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, embora tenha anexado aos autos cópia do Livro Razão 2011, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Notase que a DRJ quando da análise da Impugnação sensibilizouse com a argumentação do contribuinte e formalizou a Resolução de Diligência n. 16000.628 8ª Turma da DRJ/SPO, afim de que a autoridade de origem procedesse nova verificação quanto à correção do procedimento do arbitramento nos seguintes termos: Com efeito, para sanear a demanda e esclarecer a questão ora suscitada, os autos devem ser baixados à unidade de origem, qual seja, Delegacia da Receita Federal de Fortaleza (DRF/Fortaleza), para que se esclareça o seguinte: Fl. 423DF CARF MF 6 1. Se os recibos de entrega de escrituração digital aduzidos pelo contribuinte coincidem com o eventual recebimento digital dos documentos, por parte da RFB, no bojo da plataforma SPED Fiscal; 2. Acaso seja afirmativa a resposta ao quesito supra, queira informar se a escrituração apresentada pode ser reconhecida formal e materialmente como elemento hábil e idôneo a traduzir os eventos contábeis e fiscais do período em exame, ou há qualquer vício que a torne imprestável e, portanto, passível de desclassificação para fins fiscais. Após os procedimentos adotados pela autoridade fiscal responsável, notifique se o contribuinte para, querendo, apresentar, no prazo de 30 (trinta dias), manifestação acerca da diligência e, posteriormente, encaminhese a esta DRJ/SP para adoção das providências cabíveis. Em decorrência da diligência solicitada, a autoridade de origem bem considerou: Para se apurar o lucro de uma empresa, optante pelo lucro real, é necessário que se disponha de sistema contábil, no qual conste registrados todos os lançamentos contábeis, de forma que se possa ter completo conhecimento das receitas, das despesas e dos custos operacionais. Por meio do SPED Fiscal não há como se obter tais informações, pois como dito, tal documento registra somente entrada e saída de mercadorias. Dispêndios outros como: mãodeobra, salários, encargos sociais, depreciação, despesas financeiras, receitas financeiras, custo dos produtos fabricados, apuração do custo das vendas, não têm como ser apurado por meio do SPED Fiscal, por registrar tal sistema somente parte das operações de uma empresa. Além disso, não há como se apurar o estoque inicial e final, indispensável à apuração do custo de produção e venda. [...] Portanto, a falta de apresentação dos livros contábeis da empresa não nos permite a apuração de seu lucro real, restandonos a opção estabelecida no artigo 530, do Regulamento do Imposto de Renda, ou seja, o arbitramento do lucro para efeito de apuração dos tributos a recolher; procedimento adotado quando da emissão do auto de infração em questão. Embora intimada a se manifestar sobre tal situação, a Recorrente seguiu questionando a legitimidade do arbitramento, chegando a solicitar a improcedência do Termo de Constatação de Diligência pela nulidade do lançamento, contudo sem em nenhum momento cumprir com aquilo que lhe fora solicitado desde o Termo de Intimação Fiscal n. 01, ou seja, apresentar os documentos relativos aos créditos lançados na sua conta corrente 1947, agencia 3589, do Banco do Brasil S/A, relacionados no demonstrativo de fls. 31 a 76, assim como justificar por escrito a origem de tais lançamentos. Por tais motivos, acertadamente o Acórdão DRJ manteve o lançamento consignando que: Como se emerge da análise dos autos, verificase que a autoridade administrativa buscou, desde o início do procedimento de fiscalização, conhecer os livros comerciais (diário e razão) e os fiscais (Lalur), de molde a cotejar as informações acessórias que se encontravam em sua posse, especialmente uma evidente movimentação financeira incompatível com a receita declarada, como também as divergências entre as receitas de vendas declaradas aos fisco estadual e aquelas arroladas na DIPJ. Nesta toada, após a regular intimação para a apresentação dos livros comerciais e fiscais tendentes à correta aferição do lucro real, não houve manifestação da impugnante em apresentar tais documentos, o que se soma à ausência da apresentação da ECD na base de dados da RFB, de sorte que a adoção Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10380.727213/201412 Acórdão n.º 1401002.828 S1C4T1 Fl. 422 7 do arbitramento foi a única alternativa possível para o deslinde do procedimento de fiscalização. Com base nas informações coligidas na diligência instaurada por decisão deste colegiado, temse que eventual apresentação da ECD posteriormente à ação fiscal sob exame não tem o condão de repristinar a apuração pelo lucro real no ano de 2011, muito embora se reconheça sua existência. Vale destacar, à época da fiscalização, a própria impugnante relata a ausência de apresentação de sua escrituração, haja vista dificuldades que se subsumiam à atividade empresária naquele momento. Em verdade, embora haja a previsão do art. 16, parágrafo 4º, do Decreto nº 70235/72, isto é, a apresentação de documentos de prova no momento da impugnação, sob pena de preclusão do direito, é fato que no momento da fiscalização do IRPJ a impugnante não mantinha sua escrituração segundo os auspícios do Sistema Púbico de Escrituração Digital instituído em 22/01/2007, com a emissão do Decreto 6.022/2007, disciplinado pela Instrução Normativa 787/2007. Em outras palavras, andou bem a fiscalização quando constatou a inexistência da referida escrituração Eventual ausência até poderia, por parte da impugnante, ser substituída pelos livros físicos, os quais tem o espeque, por razões de estrita subsunção ao sistema de provas vigente, de provar em seu favor a apuração segundo a norma de incidência; em outro giro, a impugnante tem o dever, tal qual o fisco, de colaborar com o processo administrativo, trazendo aos autos todos os elementos visando a máxima consecução da verdade material sobre os fatos examinados. No que tange à infração ligada à omissão de receitas auferidas no período, a documentação trazida pelo autuante e que se refere à declaração do fisco estadual, por si só, comprova tal omissão, dizse mais uma vez, direta e explícita, configurando a hipótese da qualificação da multa adunada no art.44, I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Ante o exposto, não vislumbro reparo a ser encetado ao crédito tributário constituído mediante o auto de infração em tela, razão pela qual julgo improcedente a impugnação administrativa. Temse claro que a autoridade fiscal, somente, após ter intimado e reintimado a empresa, acertadamente, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Em função desse contexto, cabe enfatizar novamente, não restou ao fisco outra opção senão proceder a apuração do imposto com base no lucro arbitrado, tomandose por base a receita conhecida oriunda da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/06. Fl. 425DF CARF MF 8 Embora haja arguição do Recorrente no sentido de que a fiscalização tinha, com base nos livros e arquivos magnéticos disponibilizados pela recorrente, meios suficientes de obter com precisão as base tributável dos referidos lançamento, ela não faz a prova necessária a sustentar a sua alegação, pois sequer demonstra a viabilidade de apuração pelo Lucro Real conforme pretendido. O que leva a crer que sequer ela foi capaz de tal apuração e reforça ainda mais a necessidade de que a apuração tenha se dado na forma arbitrada. Neste aspecto o Livro Razão 2011 anexado juntamente ao Recurso Voluntário elenca a entrada de diversos valores intitulados apenas como "transferência de clientes" ou "transferência entre depositários" sem qualquer indicação quando à sua origem, o que respalda ainda mais a acusação fiscal. Acrescento que ainda que assim não fosse, quanto a impossibilidade da alteração pretendida pelo Contribuinte no sentido de afastar o arbitramento pela juntada de livros e documentos em momento posterior a autuação, temos a Sum. CARF 59. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. No mais, como o recurso voluntário discute apenas o direito, não adentrando entrando na individualização dos lançamentos contábeis somada à comprovação de suas origens, deve ser mantido o lançamento neste ponto. Da multa qualificada: A qualificação da multa em 150%, conforme Termo de Constatação Fiscal fl. 80, se deu em razão do não atendimento pelo contribuinte às intimações, bem como e também por adotar um procedimento continuado de não informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as operações realizadas durante o anocalendário de 2011, conforme restou verificado pela análise da declaração de imposto de renda da pessoa jurídica, entregue sem movimento, das DCTFs também sem movimentação e pelas DACONs entregues sem qualquer registro. Costumeiramente, nos casos em que a apuração se dá por arbitramento sou bastante sensibilizada pela aplicação da Súmula CARF 96, segundo a qual: Sum. 96: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Contudo, no caso em apreço, considero não se tratar de mera não apresentação de livros e documentos da escrituração, mas sim há presença de conduta dolosa do contribuinte no sentido de apresentar DCTFs e DACONs sem qualquer registro de movimentação, ao passo que no Livro Apuração de ICMS foram constatadas vendas durante o ano calendário de 2011 no montante de R$143.253.829,72, representadas pelo código fiscal de operações 5101 – VENDA DE PRODUTOS DO ESTABELECIMENTO, bem como foram localizados na conta bancária da Recorrente vultuosa quantidade de depósitos sem origem. Por esse motivo, tomo de empréstimo as considerações do Conselheiro Luiz Rodrigo no Acórdão 1104002.498, bastante pertinentes a este caso, quando menciona que: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10380.727213/201412 Acórdão n.º 1401002.828 S1C4T1 Fl. 423 9 "Pela dicção da redação da Lei nº 4.502/1964, devese comprovar a ação ou omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. O elemento dolo não é representado pelos atos praticados, pela exteriorização destes; característica marcante dos elementos objetivos do tipo penal. O dolo é representado pelo elemento subjetivo do tipo, que se perfaz pela intenção do agente em praticar tal conduta, descrita na norma como ilícita. Para a sua configuração, deverseia buscar internarse na mente do praticante da conduta para perceber qual era a sua intenção, se lícita ou ilícita. Entretanto, como isso não é possível, buscase interpretar a exteriorização dos atos e, assim, constatar se houve, ou não, máfé na prática da conduta". No caso em concreto, ao entregar as DCTFs e DACONs sem qualquer registro de movimentação, quando esta houve e em montante deveras elevado em relação ao porte da empresa, verificase a presença da figura da omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. Do percentual confiscatório da multa de ofício. Argui a recorrente que o percentual de multa qualificada, seria exagerado, na medida em que resta por arrancar uma parcela considerável do patrimônio do contribuinte. Este é o caráter confiscatório da multa exigida. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 427DF CARF MF 10 Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002009/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL.
A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, tem o caráter de antecipação do pagamento, atraindo a regra do art. 150, § 4º do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial.
APURAÇÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. LIQUIDAÇÃO DO TERMO.
Em relação ao comprador, os rendimentos decorrentes de operações a termo devem ser apurados por ocasião da liquidação do termo.
ERROS DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO
Demonstrada a ocorrência de erro nos cálculos efetuados pela auditoria, cabível a retificação dos valores lançados.
Numero da decisão: 2202-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência dos lançamentos até 06/2000, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para alterar os lançamentos da infração 01, de acordo com a planilha constante na conclusão do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: Rosy Adriane da Silva Dias
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RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL. A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, tem o caráter de antecipação do pagamento, atraindo a regra do art. 150, § 4º do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. APURAÇÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. LIQUIDAÇÃO DO TERMO. Em relação ao comprador, os rendimentos decorrentes de operações a termo devem ser apurados por ocasião da liquidação do termo. ERROS DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO Demonstrada a ocorrência de erro nos cálculos efetuados pela auditoria, cabível a retificação dos valores lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência dos lançamentos até 06/2000, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para alterar os lançamentos da infração 01, de acordo com a planilha constante na conclusão do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 09 /2 00 5- 04 Fl. 1493DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1519.100, proferido pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Conta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1157/1158): Em 23/07/2004, foi enviado o Termo de Início de Fiscalização e o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, em que no primeiro, havia a intimação ao contribuinte, para em 20 (vinte) dias, apresentar os seguintes documentos necessários ao andamento da ação fiscal, relativa ao anocalendário 2000: notas de corretagem ou de negociação de todas as operações nas bolsas e junto às instituições financeiras realizadas no período, os DARFs de recolhimento de imposto sobre os ganhos líquidos auferidos no mercado de renda variável no período solicitado e o demonstrativo de apuração de ganhos no mercado de renda variável. A correspondência foi devolvida com a mensagem de que o contribuinte "MUDOUSE" e que o imóvel se encontrava vazio, para alugar, fato que foi confirmado pela vizinha e proprietária do imóvel, em diligência feita ao local em 04/08/2004, conforme Temo de Constatação. Em novas pesquisas, verificamos haver um endereço comercial, Rua Araújo, 165, conj. 81, Centro, São Paulo/SP, no qual o contribuinte constava como sócio e para lá enviamos o Termo de Início de Fiscalização e o Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Em tempo, fomos atendidos pelo contribuinte que indicounos um novo endereço, Alameda Casa Branca, 299, 9o andar, Cerqueira César, São Paulo/SP, local do destino e recebimento dos Termos de Continuidade por nós enviados. Na ocasião entregounos também, um demonstrativo da DELTA, uma das corretoras nas quais manteve operações de renda variável e na oportunidade informounos não ter nenhum outro documento, fato que levou à solicitação de Requisição de Movimentação Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.494 3 Financeira RMF, nos termos do artigo 6o da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, RMF esta, indispensável ao andamento do procedimento de ação fiscal em curso, nos termos do artigo 4o, § 6o e artigo 3o, inciso IV do Decreto n° 3.724/2001, solicitando às corretoras, citadas acima, as aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável do contribuinte, as quais nos foram enviadas. De posse de toda a documentação, elaboramos planilhas com as operações de daytrade e operações comuns nos mercados à vista e outros mercados, para avaliarmos possíveis ganhos no mercado de renda variável e assim estabelecermos o efetivo valor tributável. Concluímos que houve rendimentos auferidos pelo contribuinte, apuramos o imposto devido e descontamos no Auto de Infração a retenção de imposto de renda incidente sobre as operações de daytrade, como discriminado nos demonstrativos anexos. Cumpre ressaltar que nas operações comuns (não daytrade) foi apurado o resultado líquido do ano, não tendo sido considerado os estoques iniciais e finais, visto que tais valores não constam das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte e também pelo fato de que o mesmo alegou não possuir os respectivos documentos. Considerando a conclusão acima, efetuamos o lançamento de ofício, com base no artigo 926 do Decreto 3.000 de 26/03/99, lavrando o competente Auto de Infração.Base Legal: Lei 9.959/2000, artigo 6o, 8o, § 4o, I e II, IN SRF 161/1999, artigo 1o, 2o, § 6o, I e II e IN SRF 25/01, artigo 31, § 7o. Cientificado da autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 1226/1265), que foi julgada improcedente pela DRJ/SDR, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 SIGILO BANCÁRIO. As normas que autorizam o acesso às informações bancárias aplicamse aos procedimentos em curso, ainda que relativos a fatos anteriores à sua promulgação. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. São ineficazes as alegações de erros nos cálculos se não forem apresentadas razões suficientes e demonstrativos válidos. Lançamento Procedente O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/SDR em 31/07/2009. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 31/08/2009 (efls. 1432/1462), alegando tempestividade, e incorreção na base de cálculo utilizada pela fiscalização; desenvolvendo esta tese nos seguintes tópicos: Fl. 1495DF CARF MF 4 III. 1 Da tributação incidente sobre os rendimentos advindos de operações no mercado a termo III.2 Dos rendimentos advindos de operações realizadas por intermédio da São Paulo Corretora de Valores Ltda III.3 Dos rendimentos advindos de operações realizadas por intermédio da Comercial Asset Management S/A Distribuidora de Títulos III.4 Dos rendimentos advindos de operações realizadas por intermédio da Máxima S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários III.5 Do valor tributável correto For fim, requer a reforma do acórdão recorrido, para que seja revisto o montante principal do débito, considerando o que fora retido, assim como, revisão dos montantes relativos a multa e juros. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar. Decadência Sendo a decadência matéria de ordem pública, não tendo sido alegada no Recurso Voluntário, estou aqui suscitandoa de ofício. Nos termos de decisão do Superior Tribunal de Justiça exarada no Resp nº 973.733/SC, julgado em sede de repetitivo em 12/08/2009, nos lançamentos por homologação, em que ocorra o pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário segue a regra do § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Por sua vez, a data de ocorrência do fato gerador dos ganhos líquidos em renda variável não ocorre em 31 dezembro, como nos rendimentos que se sujeitam ao ajuste anual da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, mas varia ao longo do anocalendário. No caso dos autos, os ganhos do recorrente ocorreram no período de 01/2000 a 12/2000. De acordo com as notas de corretagem constante nos autos e planilha elaborada pela auditoria (fls. 1165), o imposto de renda na fonte sobre essas operações foi retido pelas corretoras, caracterizando o pagamento antecipado, e atraindo a regra decadencial da contagem do prazo a partir da ocorrência do fato gerador. Como a ciência ao Auto de Infração pelo contribuinte se deu em 04/07/2005, as competências até 06/2000 estão decadentes e devem ser excluídas do lançamento. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.495 5 Mérito Delimitação da lide Alega o recorrente que a Autoridade Fiscal não considerou que nas operações a termo, a liquidação da operação (aquisição efetiva dos ativos) se dá pelo valor integral do ativo, devendo ser realizado o ajuste para apuração do efetivo lucro ou prejuízo. Assevera que, deve haver a compensação das operações de compras e vendas, para se avaliar se houve ganho ou perda, e uma forma de fazer isso é avaliar cada nota de corretagem, em relação aos contratos a termo. Por isso, entende incorreta a formulação dos cálculos utilizados para o lançamento fiscal. Explica que, no momento da aquisição de ações a termo, não há desembolso de valores, apenas deposita uma garantia perante a corretora. O desembolso ocorre apenas quando as ações são efetivamente adquiridas, quando será possível apurar o ganho ou perda do investidor na operação, que se dará pela diferença entre o preço efetivamente pago pelas ações, e o valor dos ativos na data da liquidação do termo. Acrescenta que a discrepância entre seus cálculos e os da fiscalização está no montante considerando como lucro ou perda nas notas de corretagem, cujo valor lançado nessas notas (liquidação de contratos a termo) corresponde ao total do ativo naquela data, e não ao lucro ou perda da operação. E o procedimento correto seria que os valores constantes das notas de corretagem, quando da liquidação, fosse abatido o valor contratado, sendo passível de tributação apenas a diferença entre esse valor e o de mercado naquela data. Como se vê, a controvérsia se limita ao cálculo da base utilizada no lançamento fiscal, a fim de que sejam considerados os contratos a termo nas operações comuns no mercado à vista. Não foram contraditados no Recurso Voluntário os lançamentos relativos às operações daytrade e operações comuns nos demais mercados. Ademais, assevero que a defesa apontou apenas erro de cálculo na apuração dos lucros nas notas de corretagem das corretoras São Paulo Corretora de Valores Ltda (01 a 12/2000), Comercial Asset Managment S/A Distribuidora de Títulos (11 e 12/2000) e Máxima S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (08, 09 e 10/2000). Portanto, as demais matérias de tornaram incontroversas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/76. Considerando as matérias que deixaram de ser impugnadas e a declaração de decadência de parte do período objeto do lançamento, a lide se limita às operações comuns no mercado à vista no período de 07 a 12/2000 realizadas nas corretoras São Paulo, Comercial e Máxima. Dos erros nos cálculos Ao longo de seu Recurso a defesa aponta erros nos cálculos efetuados pela auditoria para apuração dos ganhos líquidos. Para determinação de qual seria o correto, oportuno recorrer aos dispositivos normativos que tratam da matéria: Lei nº 7.713/88 Art 40. Fica sujeita ao pagamento do imposto de renda à alíquota de dez por cento, a pessoa física que auferir ganhos Fl. 1497DF CARF MF 6 líquidos nas operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, ressalvado o disposto no inciso II do art. 22 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 7.751, de 1989)(Vide Lei nº 8.012, de 1990) § 1º Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações ou contratos liquidados em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas efetivamente incorridos, necessários à realização das operações, e à compensação das perdas efetivas ocorridas no mesmo período. § 2º O ganho líquido será constituído:(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) a) no caso dos mercados à vista, pela diferença positiva entre o valor de transmissão do ativo e o custo de aquisição do mesmo;(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) b) no caso do mercado de opções:(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) 1. nas operações tendo por objeto a opção, a diferença positiva apurada entre o valor das posições encerradas ou não exercidas até o vencimento da opção;(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) 2. nas operações de exercício, a diferença positiva apurada entre o valor de venda à vista ou o preço médio à vista na data do exercício e o preço fixado para o exercício, ou a diferença positiva entre o preço do exercício acrescido do prêmio e o custo de aquisição;(Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) c) no caso dos mercados a termo, a diferença positiva apurada entre o valor da venda à vista ou o preço médio à vista na data da liquidação do contrato a termo e o preço neste estabelecido; d) no caso dos mercados futuros, o resultado líquido positivo dos ajustes diários apurados no período. § 3º Se o contribuinte apurar resultado negativo no mês será admitida a sua apropriação nos meses subseqüente. (Redação dada pela Lei 7.730, de 1989) § 4º O imposto deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. § 5º (Revogado pela Lei nº 8.014, de 1990) § 6º O Poder Executivo poderá baixar normas para apuração e demonstração de ganhos líquidos, bem como autorizar a compensação de perdas entre dois ou mais mercados ou modalidades operacionais, previstos neste artigo. Art. 41. As deduções de despesas, bem como a compensação de perdas previstas no artigo anterior, serão admitidas exclusivamente para as operações realizadas em mercados organizados, geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo e com objetivos semelhantes aos das bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros. Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.496 7 Decreto nº 3.000/99 CAPÍTULO VI DAS OPERAÇÕES EM BOLSA OU FORA DE BOLSA Seção I Incidência Art.758.Os ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, serão tributados à alíquota de dez por cento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72). §1ºSão consideradas como assemelhadas às bolsas de que trata este artigo, as entidades cujo objeto social seja análogo ao das referidas bolsas e que funcionem sob a supervisão e fiscalização da CVM. §2ºO disposto neste artigo aplicase também (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 71): I aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário na alienação de ouro, ativo financeiro, fora de bolsa; II aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário em operações realizadas em mercados de liquidação futura, com qualquer ativo, fora de bolsa; III aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário pelas pessoas jurídicas na alienação de participações societárias, fora de bolsa. §3ºO disposto neste artigo não se aplica às operações conjugadas de que trata o inciso I do art. 730, e às operações com ouro, ativo financeiro, previstas no art. 734, cujos rendimentos são tributados de acordo com as regras aplicáveis às operações de renda fixa. §4ºO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer condições para o reconhecimento de perdas apuradas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura, fora de bolsa (Lei nº 9.430, de 1996, art. 71, §2º). §5ºO imposto apurado na forma deste Capítulo deverá ser pago nos prazos previstos nos arts. 852 e 859, conforme o caso. [...] Conceito de Ganho Líquido Art.760.Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações, e a compensação de perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766, ressalvado o disposto Fl. 1499DF CARF MF 8 no art. 767(Lei nº 7.713, de 1988, art. 40, §1º, e Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §§1ºe7º). §1ºAs perdas apuradas nas operações de que trata este Capítulo poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos nos meses subseqüentes, em operações da mesma natureza (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §4º). §2ºAs deduções de despesas, bem como a compensação de perdas previstas neste Capítulo, serão admitidas exclusivamente para as operações realizadas nos mercados organizados, geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo e com objetivos semelhantes ao das bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros (Lei nº 8.383, de 1991, art. 27). Seção II Mercados à Vista Art.761.Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "a", e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "a"). Custo de Aquisição Art.762.Os custos de aquisição dos ativos objeto das operações de que trata o artigo anterior serão considerados pela média ponderada dos custos unitários (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §2º). §1ºQuando se tratar de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, apurados no anocalendário de 1993, e a partir de 1ºde janeiro de 1996, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizados que corresponder ao acionista beneficiário (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). §2ºNa ausência do valor pago, o custo de aquisição será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, incisos III, IV e V): I o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho líquido do alienante; III o valor da ação por conversão de debênture fixado pela companhia emissora; IV o valor corrente, na data da aquisição. §3ºO custo de aquisição é igual a zero nos casos de (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): I partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; II acréscimo da quantidade de ações por desdobramento; Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.497 9 III aquisição de qualquer ativo cujo valor não possa ser determinado pelos critérios previstos nos parágrafos anteriores. [...] Seção III Mercados de Opções Art.764.Nos mercados de opções, o ganho líquido será constituído (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "b",e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "b"): I nas operações tendo por objeto a negociação da opção, pelo resultado positivo apurado no encerramento de opções da mesma série; II nas operações de exercício da opção: a) no caso do titular de opção de compra, pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data do exercício da opção e o preço de exercício da opção, acrescido do valor do prêmio; b) no caso do lançador de opção de compra, pela diferença positiva entre o preço de exercício da opção, acrescido do valor do prêmio, e o custo de aquisição do ativo objeto do exercício da opção; c) no caso do titular de opção de venda, pela diferença positiva entre o preço de exercício da opção e o valor da compra à vista do ativo, acrescido do valor do prêmio; d) no caso do lançador de opção de venda, pela diferença positiva entre o preço da venda à vista do ativo na data do exercício da opção, acrescido do valor do prêmio, e o preço de exercício da opção. §1ºNão ocorrendo venda à vista do ativo na data do exercício da opção, o ativo terá como custo de aquisição o preço de exercício da opção, acrescido ou deduzido do valor do prêmio, nas hipóteses previstas, respectivamente, nas alíneas "a" e "d" do inciso II. §2ºPara efeito de apuração do ganho líquido, o custo de aquisição dos ativos negociados nos mercados de opções, bem como os valores recebidos pelo lançador da opção, serão calculados pela média ponderada dos valores unitários pagos ou recebidos. §3ºNão havendo encerramento ou exercício da opção, o valor do prêmio constituirá ganho para o lançador e perda para o titular, na data do vencimento da opção. Seção IV Mercados Futuros Fl. 1501DF CARF MF 10 Art.765.Nos mercados futuros, o ganho líquido será o resultado positivo da soma algébrica dos ajustes diários ocorridos em cada mês (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "d",e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "d"). Seção V Mercados a Termo Art.766.Nos mercados a termo o ganho líquido será constituído (Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §2º, alínea "c", e Lei nº 8.541, de 1992, art. 29, §2º, alínea "c"): I no caso do comprador, pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo e o preço nele estabelecido; II no caso do vendedor descoberto, pela diferença positiva entre o preço estabelecido no contrato a termo e o preço da compra à vista do ativo para a liquidação daquele contrato. §1ºNão ocorrendo venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo, o mesmo terá como custo de aquisição o preço da compra a termo. [...]. Seção VI Perdas em DayTrade Art.767.As perdas incorridas em operações daytrade somente poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações da mesma espécie (daytrade)(Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §5º). §1ºPara efeito do disposto neste artigo, consideramse daytrade as operações iniciadas e encerradas no mesmo dia, independentemente da detenção pelo investidor de estoque ou posição anterior do ativo objeto da operação. §2ºOs ganhos ou perdas em operações daytrade serão apurados pelo resultado líquido auferido no dia, em operações com o mesmo ativo objeto. §3ºNão se caracteriza como daytrade o exercício da opção e a venda ou compra do ativo no mercado à vista, no mesmo dia. §4ºO ganho líquido mensal correspondente a operações day trade (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, §6º): I integrará a base de cálculo do imposto prevista neste Capítulo; II não poderá ser compensado com perdas incorridas em operações de espécie distinta. Comparando os dispositivos acima transcritos e os cálculos efetuados pela auditoria, verifiquei que a apuração não se deu pelo valor líquido constante nas notas de corretagem, como afirma o recorrente. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.498 11 O Auditor Fiscal fez a apuração diária por operação (fls. 1184/1196), segregando as operações de mercado comum e daytrade, mercado à vista e demais mercados, considerando que, como bem explicou, para o anocalendário 2000, as alíquotas eram diferentes para os tipos de mercado (fls. 1213/1214). Por outro lado, o recorrente faz um arrazoado sobre as operações a Termo, cujo ganho líquido, para o comprador, é apurado pela diferença entre o valor da liquidação da ação e o valor contratado. Analisando as planilhas de cálculo constantes no Termo de Verificação Fiscal (efls. 1157/1206), constatei que a auditoria não considerou na apuração as compras de ações a termo, tendo apurado o valor líquido das vendas à vista sem atentar que algumas das ações vendidas à vista tinham sido compradas por meio de contratos a termo, e apurouas como simples operações de venda à vista. Como no Recurso Voluntário a defesa discriminou as datas dos contratos a termo e respectivas datas de liquidação, por ação e valores, verifiquei se tais informações eram compatíveis com as notas de corretagem e demais documentos constantes nos autos, a fim de considerar no cálculo efetuado pela auditoria os custos de aquisição das ações vendidas à vista e decorrentes de compras a termo. Diante dessa análise constatei que em parte assiste razão ao recorrente. Nas próximas linhas demonstro mensalmente, por corretora, os cálculos de apuração do ganho líquido, considerando as inconsistências apresentadas pelo recorrente que entendi pertinentes. Corretora São Paulo Para apontar os erros de cálculo que entende terem sido cometidos pela fiscalização, a defesa apresenta a apuração dos resultados das operações a termo. Entretanto, antes de começar a demonstrar os cálculos que julgo merecerem reparos, é necessário esclarecer alguns pontos ao recorrente: · A apuração deve ser feita por mercado e operação, da forma como efetuada pela auditoria, pois além de apresentarem alíquotas diferenciadas (10% operação comum, 15% demais mercados), as perdas nas operações comuns não podem ser compensadas com ganhos nas operações day trade. · Os resultados que a defesa chama de "valores considerados pela auditoria fiscal" e "somatória das notas de corretagem", decorrem apenas de uma soma algébrica efetuada pela recorrente utilizando as planilhas elaboradas mensalmente pela fiscalização. De forma alguma representam o resultado final do lançamento, pois, como já afirmado, a apuração deve ser feita por mercado e operação, como corretamente demonstrou a fiscalização. · A auditoria fiscal efetuou a apuração por nota de corretagem, conforme apresentada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1171/1206). Portanto, não procede a alegação do recorrente de que não é possível depreender a origem dos valores utilizados pela fiscalização. Fl. 1503DF CARF MF 12 · Para as planilhas apresentadas abaixo, a coluna denominada "TERMO" contém as operações de compra de ações a termo. A coluna "MERCADO A VISTAAÇÕES", contém as ações que foram vendidas no mercado comum à vista, sendo que os destaques coloridos representam a liquidação do contrato a termo. Na coluna "MERCADO A VISTA AÇÕES considerando as compras a termo" apresento o cálculo do ganho mensal, deduzindo das vendas à vista (liquidação dos contratos a termo) os valores constantes no contrato de operações a termo, observando que para determinados meses houve venda de ações à vista que não se originaram de contratos a termo. · Os valores de venda à vista apresentados pelo recorrente apresentam algumas divergências com os da fiscalização, porque, em seus cálculos a auditoria apresenta o resultado das venda líquidas, pois foram deduzidas as taxas e despesas de corretagem constantes em cada nota. Apuração relativa aos meses de Julho a Outubro Considerando as informações do recorrente em relação às operações à termo, os cálculos foram ajustados conforme abaixo, utilizando como parâmetro as planilhas apresentadas pela fiscalização (fls. 1184/1193): OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAY TRADE DATA TERMO MERCADO A VISTA AÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES considerando contratos a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS 02/jun 3.468,93 05/jun 56.600,00 56.600,00 2.520,00 182.62 06/jun 27.910,00 27.910,00 8.400,00 810,21 1.200,00 07/jun 144.381,00 28.500.00 28.500.00 1.544,43 08/jun 41.998,90 41.998,90 307,73 09/jun 59.100,00 1.347,60 32.462,79 12/jun 32.835,00 32.835,00 637,54 14/jun 120.950,00 34.321,40 452,55 15/jun 3.715,68 16/jun 104.965,40 150,71 19/jun 1.124.62 21/jun 59.231,25 86,68 RESULTADO LIQ.DO MÊS 105.026,10 67.854,90 41.389,34 5.882.25 1.382,62 07/jul 57.932,41 5.432,41 12/jul 55.709,50 54.857,76 2.392,36 14/jul 127.954,72 182,88 17/jul 137.766,55 112.179,62 2.761,13 27/jul 4.889,70 RESULTADO LIQ.DO MÊS 224.969,79 5.063,64 182,88 4.889,70 07/ago 1.167,79 08/ago 861,19 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.499 13 09/ago 191.656,30 119.620,90 8.333,82 11/ago 124.378,85 121.128,55 16.638,00 15/ago 2.663,92 16/ago 1.724,24 17/ago 148.632,54 24.253,69 23/ago 56.633,86 966,14 24/ago 18.700,00 500,00 1.547,34 25/ago 57.532,86 67,14 28/ago 58.431,87 1.175,57 29/ago 128.524,00 244,68 RESULTADO LIQ.DO MÊS 580.680,58 1.075,84 545,74 12/set 119.385,54 170,90 25/set 301.231,42 118.443,62 10.080,38 29/set 292.784,81 8.446,61 RESULTADO LIQ.DO MÊS 411.228,43 18.526,99 170,90 02/out 16.538,40 09/out 217.082,34 111.998,68 7.386,86 20/out 85.762,32 80.197,74 86.832,94 27/out 89.297,88 3.535,56 31/out 126.900,00 3.349,40 15.078,59 23,87 RESULTADO LIQ.DO MÊS 408.394,30 79.632,24 1.459,81 23,87 Para explicar os valores constantes na tabela acima, peguemos com exemplo a liquidação em julho dos termos contratados em 16/06/2000. Em 16/06/2000, o recorrente comprou a termo 100.000 ações da Sadia ao valor de R$ 104.965,40, conforme abaixo (efls. 328): fls. Nota Data Negociação C/V Tipo mercado Prazo Especificação do titulo Quantidade Preço/ Ajuste Valor Operação / Ajuste D/ C 328 938 16/06/2000 BOVESPA C TERMO 30SADIA S/A 3.460 1,04 3.598,40 D 328 938 16/06/2000 BOVESPA C TERMO 30SADIA S/A 96.540 1,05 101.367,00 D Total 100.000 104.965,40 Custo médio unitário da ação: 104.965,40/100.000 = 1,05 Em 07/07/2000 vendeu 50.000 ações da Sadia ao valor de R$ 58.000,00 (e fls. 331): fls. Nota Data Negociação C/V Tipo mercado Prazo Especificação do titulo Quantidade Preço/ Ajuste Valor Operação / Ajuste D/ C 331 36007/07/2000BOVESPA V VISTA SADIA S/A 3.000 1,16 3.480,00 C 331 36007/07/2000BOVESPA V VISTA SADIA S/A 4.000 1,16 4.640,00 C 331 36007/07/2000BOVESPA V VISTA SADIA S/A 5.000 1,16 5.800,00 C 331 36007/07/2000BOVESPA V VISTA SADIA S/A 38.000 1,16 44.080,00 C Total 50.000 58.000,00 custo das ações vendidas: 1,05*50.000=52.500,00 Fl. 1505DF CARF MF 14 Valor das taxas e despesas de corretagem segundo nota: 67,59 Valor das vendas à vista: 58.000,0067,59 = 57.932,41 Valor das vendas à vista considerando contrato a termo: 57.932,4152.500,00 = 5.432,41 Em 12/07/2000 vendeu 50.000 ações da Sadia ao valor de R$ 55.000,00 (e fls. 332): fls. Nota Data Negociação C/V Tipo mercado Prazo Especificação do titulo Quantidade Preço/ Ajuste Valor Operação / Ajuste D/ C 332 660 12/07/2000 BOVESPA V VISTA SADIA S/A 50.000 1,10 55.000,00C Total 50.000 55.000,00 Custo das ações vendidas: 104.965,40 52.500,00 = 52.465,40 (valor do contrato a termo () custo da primeira venda das ações à vista) Valor das taxas e despesas de corretagem segundo nota: 142,24 Valor das vendas à vista: 55.000,00142,24 = 54.857,76 Valor das vendas à vista considerando contrato a termo: 57.857,76 52.465,40 = 2.392,36 A metodologia de cálculo para ajuste da apuração efetuada pela auditoria considerando as operações a termo se reproduz para os demais meses e corretoras. Apuração relativa aos meses de Novembro e Dezembro OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAY TRADE DATA TERMO MERCADO A VISTA AÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES considerando contratos a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS 01/nov 13.238,01 1.200,00 716,26 03/nov 13.980,85 06/nov 1.552,02 07/nov 8.740,00 8.718,76 09/nov 48.971,10 72,32 10/nov 23.581,69 1.227,77 13/nov 117.179,88 167,82 14/nov 231,79 16/nov 111.397,00 35.190,00 35.190,00 7.157,00 2.953,02 17/nov 81.275,49 20/nov 6.300,00 2.563,92 21/nov 182.312,88 36.900,00 18.800,00 68.115,16 22/nov 51.000,00 4.697,00 82.778.30 23/nov 1.732,68 27/nov 45.800,30 97.470,00 6.313,56 37.999,37 28/nov 35.000,00 35.000,00 285,24 29/nov 101.211,00 10.054,56 2.452,49 30/nov 119.630,22 3.281,59 RESULTADO LIQ.DO MÊS 356.771,00 63.061,12 14.537,30 36.174,44 327,16 04/dez 25.289,80 05/dez 73.165,65 27.365,35 06/dez 93.669,60 1.826,49 07/dez 2.970,58 11/dez 45.000,00 39.876,74 1.820,00 2.342,04 14/dez 1.184,60 Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.500 15 15/dez 89.550,00 9.796,52 280,00 397,44 18/dez 93.024,00 645,60 1.061,27 19/dez 518,46 20/dez 70.786,23 1.766,56 26/dez 1.843,29 RESULTADO LIQ.DO MÊS 371.525,88 74.626,45 280,00 35.727,33 1.157,44 Em relação a novembro, apesar de o recorrente informar que na nota às fls. 331 (efls. 366) seria parte da liquidação do contrato a termo das 60.000 ações de Globocabo adquirida em 13/11/2000, tal informação não se confirma, pois a operação nessa nota se trata de daytrade. E o somatório das vendas à vista dessa nota com a de fls. 330 (efls. 365) não bate com o total contratado a termo em 13/11/2000. Por isso, não restou comprovado que tal venda à vista foi contrapartida da operação a termo, como informado pelo recorrente. Por isso, deixei de considerar o valor de R$ 117.179,88, como custo da venda à vista na apuração do ganho nas notas de corretagem de 16/11/2000. Corretora Comercial Apuração relativa aos meses de Novembro e Dezembro OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE DATA TERMO MERCADO À VISTA AÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES considerando as compras a termo (custo) DEMAIS MERCADOS MERCADO À VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS 01/nov 8.413,00 4.846,39 03/nov 13.992,89 06/nov 489,41 07/nov 4.956,63 08/nov 10.728,00 1.200,00 1.587,11 09/nov 27.900,00 4.791,01 10/nov 26.650,00 1.238.91 13/nov 23.200,00 7.019,39 14/nov 3.358,00 3.280,29 16/nov 34.800,00 14.099,51 17/nov 13.250,00 10.505,50 20/nov 21.160,00 1.890,21 21/nov 119.486,80 1.368,92 22/nov 57.532,70 769,12 23/nov 148,90 24/nov 227 143,44 27/nov 66.800,00 7.060,00 6.096,87 28/nov 67.800,00 8.053,20 7.205,00 4.523,30 29/nov 68.400,00 10.867,30 3.390,00 934,38 30/nov 119.174,78 11.930,32 300,00 RESULTAO LIQ.DO MÊS 203.000,00 25.980,50 6.055,43 527,35 35.256,37 01/dez 18.605,63 3.880,18 04/dez 5.700,00 3.450,00 1.904,03 05/dez 8.055,00 2.600,00 4.078,40 Fl. 1507DF CARF MF 16 06/dez 26.427,00 1.200,00 517,73 07/dez 19.000,00 3.926,00 1.958,89 08/dez 24.002,00 2.800,00 2.526,41 11/dez 90.100,00 10.660,00 1.300,00 3.073,99 12/dez 91.614,72 3.188,00 2.036,00 611,61 13/dez 4.500,00 1.613,45 14/dez 26.940,00 3.108,00 5.700,00 23.593,66 15/dez 103.238,00 17.960,00 2.057,22 1.700,00 7.286,78 18/dez 93.400,00 1.785,28 3.540,00 463,35 19/dez 10.400,00 878,52 20/dez 4.815,55 21/dez 53.210,00 53.210,00 800 49.577,50 22/dez 3.900,00 1.348,63 26/dez 200 724,38 27/dez 103,40 28/dez 7.314,44 RESULTAO LIQ.DO MÊS COM AJUSTES 281.610,00 70.820,50 14.033,19 38.680,06 32.276,12 RESULTAO LIQ.DO MÊS ANTES DOS AJUSTES 279.550,00 13.233,19 37.925,06 31.476,12 Em relação ao mês de dezembro, apesar de o recorrente informar que a nota fls. 197 (efls. 231) seria a liquidação do contrato a termo das 50.000 ações de Globocabo adquirida em 15/12/2000, tal informação não se confirma, pois a operação nessa nota se trata de daytrade. Por isso, não restou comprovado que tal venda à vista foi contrapartida da operação a termo, como informado pelo recorrente. Por isso, deixei de considerar o valor de R$ 103.238,00, como custo da venda à vista na apuração do ganho nas notas de corretagem de 19/12/2000. Em relação à nota de 27/11/2000 (efls. 195), o valor de R$ 7.205,00 apurado pela fiscalização deveria ser zero, vez que só houve operação comum no mercado à vista. O valor de 3.523,30 de prejuízo apurado pela fiscalização na operação daytrade demais mercados deveria ser R$ 6.096,87 de lucro na operação com TNLPL15. Em relação à nota de 21/12/2000 (efls. 228/229), ao invés de R$ 51.150,00 apurado pela fiscalização no mercado comum à vista, o valor correto é R$ 53.210,00; o valor de R$ 800,00 apurado pela fiscalização como operação daytrade demais mercados é operação comum demais mercados; ao invés de R$ 48.822,50 apurado como daytrade no mercado à vista, o valor correto é R$ 49.577,50. Corretora Máxima Apuração relativa aos meses de Agosto a Outubro OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE DATA TERMO MERCADO À VISTA AÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES considerando as compras a termo (custo) DEMAIS MERCADOS MERCADO À VISTAAÇÕES DEMAIS MERCADOS 14/jul 108.608,66 01/ago 31.000,00 1.130,10 Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.501 17 02/ago 2.700,00 1.931,02 03/ago 6.200,00 469,38 07/ago 184.000,00 184.000,00 39.262,00 1.568,87 08/ago 229.120,00 229.120,00 43.909,31 1.354,00 7.100,00 09/ago 25.500,00 47.220,00 29.696,67 1.400,00 10/ago 24.150,00 24.150,00 28.250,00 147,02 11/ago 2.800,00 9.487,06 14/ago 23.748,21 700,00 14.260,00 15/ago 21.000,00 21.000,00 25.840,00 720,00 4.353,20 16/ago 4.492,63 17/ago 95.800,00 8.911,34 89.002,13 15.320,00 1.118,00 18/ago 28.050,00 196,76 21/ago 15.570,00 2.500,00 1.016,63 22/ago 35.525,00 35.525,00 17.250,00 316,43 23/ago 28.971,00 1.298,32 24/ago 28.700,00 28.700,00 10.700,00 59.400,00 4.978,17 25/ago 23.000,00 23.000,00 14.625,00 83.518,24 28/ago 132.963,66 17.730,00 17.730,00 26.216,91 5.600,00 29/ago 7.680,00 7.680,00 25.884,79 30/ago 41.580,00 41.580,00 117.500.00 86.600,00 1.557,69 31/ago 148.000,00 15.036,34 53.342,44 112.630,00 3.500,00 RESULTADO LIQ.DO MÊS 205.175,00 36.397,32 102.184,04 91.644,81 11.262,57 01/set 124.460,50 2.300,00 04/set 66.387,72 7.522,01 7.522,01 1.990,00 05/set 28.333,20 28.333,20 290,00 540,00 06/set 45.415,97 08/set 52.652,98 11/set 43.293,00 41.710,00 1.046,05 12/set 64.448,65 634,00 13/set 20.850,00 20.850,00 15.900,00 2.880,00 7.335,25 14/set 52.160,75 52.160,75 500,00 200,00 15/set 126.970,09 65.738,51 300,00 18/set 3.156,00 2.400,00 4.250,10 19/set 26.245,00 1.770,00 1.824,35 20/set 114.600,00 3.896,00 143.287,11 7.660.00 9.764,00 21/set 20.150,00 2.250,00 13.753,50 22/set 8.759,00 8.788,46 25/set 129.099,18 379,00 4.200,00 22.278,00 26/set 893,84 300,00 110,00 27/set 1.139,37 4.200,00 9.220,00 28/set 17.765,00 3.600,00 9.128,67 29/set 125.700,00 3.399,18 37.299,44 4.000,00 4.170,00 RESULTADO LIQ.DO MÊS 216.427,04 74.461,14 69.988,65 7.155,00 35.811,52 02/out 11.730,00 3.652,77 03/out 6.197,00 46.530,00 1.008,08 04/out 45.130,00 45.130,00 17.450,00 200,00 5.361,41 05/out 15.024,49 895,00 06/out 5.000,00 627,41 09/out 131.182,40 11.357,06 10/out 5.770,00 1.543,17 Fl. 1509DF CARF MF 18 11/out 6.667,00 5.177,11 13/out 12.700,00 1.194,26 16/out 120.492,55 120.492,55 17/out 120.007,21 120.007,21 18/out 535,22 19/out 1.023.54 20/out 120.600,00 10.582,40 18.194,00 2.673,29 25/out 138.622,59 9.700,00 200,00 1.731,40 27/out 146.300,00 7.677,41 12.600,00 4.865,86 30/out 4.291,61 31/out 35.200,00 661,27 RESULTADO LIQ.DO MÊS 311.544,66 62.904,47 3.206,57 45.247,42 23.860,30 Em relação ao mês de setembro, apesar de o recorrente informar que a nota fls. 1058 (efls. 1097) seria parte da liquidação do contrato a termo das 3.000 ações de Cesp adquirida em 04/09/2000, tal informação não se confirma, pois a operação nessa nota se trata de daytrade. Por isso, não restou comprovado que tal venda à vista foi contrapartida da operação a termo, como informado pelo recorrente. Por isso, deixei de considerar o valor de R$ 66.387,72, como custo da venda à vista na apuração do ganho nas notas de corretagem de 11/09/2000. Da base tributável correta Considerando os ajustes acima demonstrados, os resultados mensais gerais ficariam da seguinte forma: JULHO OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE MERCADO A VISTAAÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES com alterações considerando as compras a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS DELTA 14.458,50 33.310,65 PORTUS SÃO PAULO 224.969,79 5.063,64 182,88 4.889,70 SAO PAULO/BMF COMERCIAL MÁXIMA 105.870,97 105.870,97 90.785,49 2.949,98 25.029,40 TOTAL 330.840,76 110.934,61 76.509,87 1.939,72 8.281,25 AGOSTO OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE MERCADO A VISTAAÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES com alterações considerando as compras a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEVAIS MERCADOS DELTA 13.998,70 44.194,85 PORTUS SÃO PAULO 580.680,58 1.075,84 545,74 SAO PAULO/BMF COMERCIAL MÁXIMA 205.175,00 36.397,32 102.184,04 91.644,81 11.262,57 TOTAL 785.855,58 37.473,16 88.185,34 91.099,07 55.457,42 SETEMBRO OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.502 19 MERCADO A VISTAAÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES com alterações considerando as compras a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS DELTA 28.000,00 15.803,00 PORTUS SAO PAULO 411.228,43 18.526,99 170,90 SÃO PAULO/BMF COMERCIAL MÁXIMA 216.427,04 74.461,14 69.988,65 7.155,00 35.811,52 TOTAL 627.655,47 92.988,13 41.817,75 7.155,00 51.614,52 OUTUBRO OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE MERCADO A VISTAAÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES com alterações considerando as compras a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS DELTA 3.153,75 65.639,25 PORTUS SÃO PAULO 408.394,30 79.632,24 1.459,81 23,87 SAO PAULO/BMF COMERCIAL MÁXIMA 311.544,66 62.904,47 3.206,57 45.247,42 (23.860.30) TOTAL 719.938,96 142.536,71 1.512,63 45.223,55 41.778,95 NOVEMBRO OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE [MERCADO A VISTAAÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES com alterações considerando as compras a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS DELTA 6.544,25 34.930,00 PORTUS SÃO PAULO 356.771,00 63.061,12 14.537,30 36.174,44 327,16 SÃO PAULO/BMF COMERCIAL 203.000,00 25.980,50 13.260,43 527,35 35.256,37 MÁXIMA TOTAL 559.771,00 89.041,62 34.341,98 35.647,09 0,79 DEZEMBRO OPERAÇÕES COMUNS OPERAÇÕES DAYTRADE MERCADO A VISTAAÇÕES MERCADO A VISTA AÇÕES com alterações considerando as compras a termo DEMAIS MERCADOS MERCADO A VISTA AÇÕES DEMAIS MERCADOS DELTA 11.519,80 11.472,10 PORTUS SÃO PAULO 371.525,88 74.626,45 280,00 35.727,33 1.157,44 SÃO PAULO/BMF 395,20 COMERCIAL 279.550,00 70.820,50 13.233,19 37.925,06 31.476,12 MÁXIMA TOTAL 651.075,88 145.446,95 1.993,39 2.197,73 41.395,58 Fl. 1511DF CARF MF 20 Diante disso, os lançamentos relativos à infração 001 (GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL OMISSÃO DE GANHOS OPERAÇÕES COMUNS), do período de 07/2000 a 12/2000 devem ser alterados de acordo com a seguinte planilha: Infração 001 Fato Gerador Valor tributável ou imposto lançado (DE) valor tributável ou imposto alterado (PARA) 31/07/2000 330.840,76 110.934,61 31/08/2000 785.855,58 0,00 31/08/2000 11.675,47 11.675,47 30/09/2000 627.655,47 0,00 30/09/2000 41.817,75 41.817,75 31/10/2000 719.938,96 142.536,71 30/11/2000 559.771,00 89.041,62 31/12/2000 651.075,88 145.446,95 TOTAL 3.728.630,87 541.453,11 Conclusão Diante do exposto, voto por reconhecer a decadência dos lançamentos até 06/2000, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alterar os lançamentos da infração 001, de acordo com a planilha abaixo: Infração 001 Fato Gerador Valor tributável ou imposto lançado (DE) valor tributável ou imposto alterado (PARA) 31/07/2000 330.840,76 110.934,61 31/08/2000 785.855,58 0,00 31/08/2000 11.675,47 11.675,47 30/09/2000 627.655,47 0,00 30/09/2000 41.817,75 41.817,75 31/10/2000 719.938,96 142.536,71 30/11/2000 559.771,00 89.041,62 31/12/2000 651.075,88 145.446,95 TOTAL 3.728.630,87 541.453,11 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 19515.002009/200504 Acórdão n.º 2202004.736 S2C2T2 Fl. 1.503 21 Fl. 1513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.015574/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RAZÕES NÃO ACOLHIDAS. Não constitui cerceamento do direito de defesa o não acolhimento das razões alegadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam-se como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CONTA DE TERCEIRO. A utilização de conta bancária do sócio majoritário para receber receitas da pessoa jurídica, combinada com o fato de que na DIPJ Simplificada não foram declaradas tais receitas autoriza aplicação da multa qualificada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28).
Numero da decisão: 1302-000.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
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RAZÕES NÃO ACOLHIDAS. Não constitui cerceamento do direito de defesa o não acolhimento das razões alegadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CONTA DE TERCEIRO. A utilização de conta bancária do sócio majoritário para receber receitas da pessoa jurídica, combinada com o fato de que na DIPJ Simplificada não foram declaradas tais receitas autoriza aplicação da multa qualificada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 955DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 956 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 956DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 957 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/CPS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar improcedente a impugnação para manter integralmente os valores lançados submetidos a julgamento, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 impugnação parcial. alegação de pagamentos posteriores a ciência da autuação. Inexistindo litígio em relação a parcela da exigência para a qual alegado pagamento (efetuado após a ciência da autuação), consolidase administrativamente o correspondente crédito tributário. nulidade. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. limite da lide. arrolamento de bens e direitos. pedido de parcelamento do crédito tributário mantido em decisão administrativa definitiva. representação fiscal para fins penais. O julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, não comportando análise de questões que tratam do arrolamento de bens, de parcelamento do crédito tributário mantido em decisão administrativa final, nem de representação fiscal para fins penais. Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples omissão de receitas. depósitos bancários. A teor do parágrafo 2º, do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, mantendose, portanto, o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental. alegação de transferências entre contas. Fl. 957DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 958 4 Tendo a fiscalização descriminado as exclusões contempladas na determinação da base de cálculo, a alegação de ocorrência de transferências entre contas que não teriam sido consideradas, sem a demonstração das saídas e ingressos respectivos, com identidade de datas e valores, não é capaz de justificar a origem dos recursos e afastar a exigência. alegação de empréstimos. As alegações de que os depósitos questionados decorreriam de empréstimos recebidos devem ser acompanhadas dos correspondentes contratos apontando coincidência de datas e valores. multa de ofício. agravamento. Justificase o agravamento da penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em contacorrente de pessoa física de titularidade de sócio, ficando à margem da regular tributação. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase dos autos de infração, de empresa optante pelo Simples, relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição para a Seguridade Social – INSS, cientificados à contribuinte em 22/11/2010, no valor total de R$ 1.974.230,01, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 33/43: “........ 001 – OMISSÃO DE RECEITAS INFRAÇÃO 001 – OMISSÃO DE RECEITAS – CONTAS BANCÁRIAS 21.1346 E 51.7046. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração, a fiscalizada omitiu receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/0001 07. Os valores omitidos foram movimentados nas contas bancárias 1) conta no. 21.1346, agência 40533 do Banco do Brasil e 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco, de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, CPF 620.556.90868. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, nesta infração foi aplicada multa de ofício qualificada no valor de 150% sobre o total da receita omitida. [Demonstrativo com fatos geradores de 31/01/2006 a 31/12/2006, valor tributável ou imposto e percentual de multa (150%)] Fl. 958DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 959 5 Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2, §2º, 3º, §1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Art. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO INFRAÇÃO 002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE RECEITAS DECLARADAS. Como resultado do lançamento da infração “INFRAÇÃO 001 – OMISSÃO DE RECEITAS – CONTAS BANCÁRIAS 21.1346 E 51.7046”, houve alteração dos percentuais aplicáveis às receitas declaradas pela fiscalizada para o anocalendário 2006. Os montantes devidos, decorrentes desse recálculo constam no “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS”, e fazem parte do presente Auto de Infração. [Demonstrativo com fatos geradores de 31/01/2006 a 31/12/2006, valor tributável ou imposto e percentual de multa (75%)] Enquadramento Legal: Art. 5º da lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186 e 188, do RIR/99. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. A autoridade fiscal elaborou o “Termo de Verificação Fiscal”, fls. 03/32, que, em síntese, se transcreve: “... 1 – CONTEXTO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base no MPF 08.1.04002009009974, passamos a relatar os fatos verificados, relativos ao anocalendário 2006, conforme segue. Trata a fiscalizada de pessoa jurídica de direito privado, denominada COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA – EPP, CNPJ 54.142.419/000107, .... A fiscalizada no anocalendário 2006 optou pela tributação com base no Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES, instituído pela Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, conforme cadastro CNPJ e declaração PJSI/2007 enviada à RFB em 28/05/2007, número ND 6.516.712. tem por CNAE FISCAL o código 8513900, cuja atividade é Ensino Fundamental. Tem por responsável perante o CNPJ a Sra. Maria José Di Santo Navarro, CPF 620.556.90868. Em resposta ao MPF 08.1.04.002009007785, a sócia majoritária da fiscalizada, Sra. Maria José Di Santo Navarro, ....., declarou ter movimentado em suas contas bancárias: 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do Fl. 959DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 960 6 Banco do Brasil e 2) conta nº 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco, de titularidade de sua pessoa física, valores referentes à receita do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. EPP, CNPJ ...., conforme declaração prestada, em 29/06/2009, protocolo nº 5549, abaixo parcialmente reproduzida: “Esclarece, por oportuno, que transitaram pela contacorrente do Banco do Brasil (211346), Agência 40533, valores relativos a créditos de boletos emitidos para cobrança de mensalidade dos alunos do Grupo de Ensino Vivendo e Aprendendo, portanto receita da pessoa jurídica acima citada, ...” (grifamos) Juntou inclusive declaração do Banco do Brasil, Agência 4053 3, protocolo nº 5549, em 29/06/2009, doc. 10, afirmando que: “os créditos efetuados em conta corrente, ao longo do ano de 2006, correspondem ao movimento de cobrança de boletos emitidos para cobrança de mensalidade dos alunos do GRUPO DE ENSINO VIVENDO E APRENDENDO.” O total dos créditos efetuados nas contas bancárias: 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do Banco do Brasil e 2) conta nº 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco ao longo do anocalendário 2006, encontrase abaixo discriminado tendo seus valores agrupados por histórico: Demonstrativo1: Conta 21.1246, ag. 40533 do Banco do Brasil. C/C Histórico Valores creditados/depositados 21.1346 502Depósito em Dinheiro R$ 9.110,12 21.1346 505Liberação Depósito Bloq 01 dia R$ 3.429,80 21.1346 505Liberação Depósito Bloq 02 dias R$ 2.020,23 21.1346 510Depósito Cheque BB Liquidado R$ 8.291,03 21.1346 605Depósito em cheque liberado R$ 26.559,00 21.1346 612Crédito cfe. Instruções R$ 15.000,00 21.1346 623DOCCrédito em Conta Corrente R$ 6.448,12 21.1346 624Cobrança R$ 3.941.113,54 21.1346 630Depósito On line R$ 255,00 21.1346 631Desbloqueio de depósito R$ 309.195,34 21.1346 729Transferência R$ 71.000,00 21.1346 830Depósito On line R$ 7.250,00 21.1346 870Transferência On line R$ 1.146,50 21.1346 900Movimento do Dia R$ 630,00 21.1346 976 TEDCrédito em Conta R$ 53.000,00 Total R$ 4.454.448,68 Demonstrativo 2: Conta nº 51.7046, ag. 23892 do Banco Bradesco. C/C Histórico Valores creditados/depositados 51.7046 DEPOS CC AUTOAT R$ 177.472,45 51.7046 DEPOSITO CHEQUE/DINHEIRO R$ 15.367,23 51.7046 DEPOSITO EM CHEQUE R$ 192.712,40 51.7046 DEPOSITO EM DINHEIRO R$ 2.036,00 Fl. 960DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 961 7 TED TRANSF ELET DISP REMET. 51.7046 MARIA JOSE DI S NAVARRO R$ 10.000,00 51.7046 TRANSF ENTRE AG CHQ/DINH R$ 23.450,00 51.7046 TRANSF. ENTRE AGEN. CHEQUE R$ 8.742,00 Total R$ 429.780,08 Tais valores, como se mostrará adiante, constituem receita operacional omitida pela fiscalizada, e os créditos tributários devidos em função desta omissão estão sendo constituídos de ofício, mediante lavratura de auto de infração, conforme descrito no tópico 3 deste Termo de Verificação Fiscal. 2 – DO PROCEDIMENTO FISCAL A ação fiscal foi desenvolvida nos termos do MPFF 08.1.04 002009009974, e neste processo administrativo fiscal abrange o período janeiro/2006 a dezembro/2006, tendo sido iniciada com o Termo de início de fiscalização nº 00622/001/2009, intimandoa a apresentar: 1) Cópia do último Contrato Social Consolidado ou equivalente e suas alterações posteriores; 2) Apresentar os extratos das contas bancárias movimentadas pelo contribuinte, nos anos calendário de 2006 e 2007. Os extratos deverão ser apresentados em papel e meio magnético........ 3) Apresentar os livros Diário/Razão/Caixa/Livros auxiliares nos quais a movimentação financeira esteja escriturada, bem como a documentação que lhe deu suporte. Os livros Diário, razão e o plano de contas deverão ser entregues em papel e meio magnético.... 4) Apresentar planilha contendo o nome do aluno, número da matrícula, nome e CPF do responsável, e valor total das mensalidades pagas nos anos calendário 2006 e 2007. Separar por colunas os totais dos referidos anos calendário. Em diversas oportunidades, em resposta aos termos de intimação, a pessoa jurídica COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA – EPP, ..., representada pela sócia majoritária ...., confirmou que os valores movimentados nas contas bancárias .... são valores pertencentes ao Colégio Vivendo e Aprendendo, ... [......] Houve também declaração emitida pelo Banco do Brasil, agência 40533, conta 21.1346, confirmando que os valores se referem a boletos de cobrança de mensalidade dos alunos do Grupo de Ensino Vivendo e Aprendendo. Fl. 961DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 962 8 A fim de verificar o total de receita operacional da pessoa jurídica ..., transitada nas contas bancárias..., foram lavrados vários termos de intimação, com a seguinte CRONOLOGIA: Em 25/02/2010, a fiscalização solicitou os seguintes esclarecimentos: “1) CONFIRMAR se o Colégio Vivendo e Aprendendo movimentou valores pertencentes a mesma através da conta nº 21.1346, do Banco do Brasil, de titularidade da senhora Maria José Di Santo Navarro, ..., no ano calendário de 2006. 2) CONFIRMAR se os valores relacionados no Anexo a este Termo tratavam se de recebimento de boletos de pagamento de mensalidade de alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo.” Em 08/03/2010, a fiscalizada solicitou prazo para “verificar todos os lançamentos relacionados nas planilhas anexas apresentadas por V. Sas.” Em 16/03/2010, solicita nova “dilação dos prazos para que possa suprir as exigências efetuadas pela Receita Federal.” Em 05/04/2010, faz nova solicitação de prazo. Em 12/04/2010, em documento protocolizado sob o nº 4225, em referência ao termo de intimação lavrado em 25/02/2010, a fiscalizada confirma: “Conforme item 1.) , queremos confirmar que os valores movimentados em conta n. 21.1346 – Banco do Brasil S/A, de titularidade de Maria José Di Santo Navarro ...., são em sua totalidade toda movimentação do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, portanto a pessoa física da Sra. Maria José Di Santo Navarro, foi penalizada duplamente com o CPMF, no ano de 2006. Por desconhecimento e também para favorecimento de crédito, os boletos de cobrança do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda., foram cobrados em conta da pessoa física da Sra. Maria José Di Santo Navarro, sócia majoritária do mesmo, sendo assim estes valores repassados INCONTINENTE para o colégio. Conforme item 2.) somente confirmamos que o demonstrativo do ANEXO a este termo, são boletos de pagamentos de mensalidade de alunos do Colégio.” (grifamos) Ainda em relação ao termo de intimação lavrado em 25/02/2010, em documento protocolizado sob o nº 4264, na data 13/04/2010, declara a fiscalizada: “Maria José Di Santo Navarro ...., através desta, vem confirmar que os valores movimentados em conta ..., ambas de minha titularidade, são em sua totalidade toda movimentação do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda – EPP pessoa jurídica, CNPJ ... o qual fui penalizada triplamente com o CPMF no ano de 2006.” Em 15/04/2010, foi elaborado termo de intimação, incluindo o Banco Bradesco, conta n. 51.7046, solicitando: “1) CONFIRMAR se todos os valores discriminados no Anexo ao presente Termo são valores pertencentes ao Colégio Vivendo e Aprendendo.” Tendo em vista o não atendimento ao termo lavrado em 15/04/2010, novo termo foi lavrado em 18/05/2010, com as mesmas solicitações. Em dois documentos protocolizados sob os nºs. 6087 e 6088, ambos datados de 28/05/2010, a fiscalizada solicita prazo de 20 dias. Em 01/06/2010, novo termo de intimação foi lavrado solicitando os mesmos esclarecimentos efetuados em 15/04/2010 e 18/05/2010. Fl. 962DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 963 9 Em 11/06/2010, conforme documento protocolizado sob o nº 6460, a fiscalizada solicita novo prazo para atendimento do termo de intimação lavrado em 01/06/2010. Em 28/06/2010, em documento recebido em mãos por esta fiscalização federal, a fiscalizada responde ao termo de intimação lavrado em 01/06/2010, onde esclarece: “Esclarece com referência aos depósitos das planilhas enviadas por V. Sas., que referida movimentação pertence ao Colégio Vivendo e Aprendendo.” Após conciliação efetuada por esta fiscalização federal entre o livro caixa e as contas bancárias: 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do Banco do Brasil e 2) conta nº 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta 21.0188, agência 12270 do Banco do Brasil, esta última da pessoa jurídica, foi lavrado termo de intimação, datado de 08/09/2010, com Anexo discriminando individualizadamente créditos/depósitos efetuados nas referidas contas e não escriturados no livro caixa. Tais valores encontramse à margem do livro caixa escriturado pela fiscalizada. O objetivo foi dar oportunidade para a fiscalizada se manifestar sobre os valores constantes do Anexo antes de proceder à tributação dos mesmos. No termo de intimação foi solicitado: “Fica portanto o Contribuinte INTIMADO a INFORMAR, no prazo de 10 (dez) dias, a contar do recebimento do presente Termo: 1) Existência de algum valor relacionado no Anexo que tenha sido escriturado. Em caso positivo discriminálo e informar o respectivo lançamento no LivroCaixa; 2) Informar a que título os valores foram creditados nas contas bancárias; 3) Informar se os valores foram oferecidos à tributação. Em caso positivo, apresentar respectiva comprovação.” [.........] Em 13/09/2010, a fiscalizada protocoliza documento nº 9747, sem, contudo, responder ao termo de intimação lavrado em 08/09/2010. Em 24/09/2010, compareceu à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas a Sra. Maria José Di Santo Navarro, ... , e autorizou o fornecimento de cópias dos extratos das contas nºs 21.1346, 51.7046 e 21.0188, bem como cópia do livro caixa do anocalendário 2006, ao Sr. Aguinaldo de Siqueira Cortina, CPF 821.828.06849, para proceder à resposta ao Termo de Intimação lavrado em 08/09/2010. Foi lavrado Termo de Constatação e Intimação em 24/09/2010. Em 15/10/2010, a fiscalizada respondeu ao termo de INTIMAÇÃO, lavrado em 08/09/2010, apresentando planilha em anexo, analisando cada um dos créditos/depósitos das contas bancárias citadas, e informando o histórico de cada um deles. Resumidamente, a fiscalizada alegou tratarse de: 1) mensalidades referente ao anocalendário 2005, 2) valores já escriturados em livro caixa referente a outro anocalendário diferente do período fiscalizado, 3) valores de mensalidades que englobariam serviços de alimentação, transporte, material didático, dos quais a fiscalizada seria apenas uma intermediária para o repasse de tais valores e 4) valores referentes à sobra de caixa e outros. Fl. 963DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 964 10 Para dirimir as alegações efetuadas pela fiscalizada, foi lavrado em 28/10/2010, termo de intimação, composto de 4 Anexos, agrupados de acordo com a planilha apresentada pela fiscalizada em 15/10/2010, solicitando os seguintes esclarecimentos: “Anexo 1: Relativamente aos valores de receita e mensalidades constantes deste anexo: Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, que comprove que os respectivos valores se referem às mensalidades do anocalendário 2005; Na hipótese de referidos valores já terem sido tributados, apresentar documentos, hábeis e idôneos, compatíveis em data e valor que comprovem a sua efetiva tributação. Anexo 2: Relativamente aos valores de receitas e mensalidades constantes deste anexo: Apresentar cópia da folha do livro caixa em que referidos valores foram escriturados; Na hipótese destes valores já terem sido tributados, apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, que comprovem a sua efetiva tributação. Anexo 3: relativamente aos valores de receitas e mensalidades constantes deste anexo: Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, que comprovem que a pessoa jurídica atuou meramente como intermediária no repasse de recursos relativos à “alimentação”, “materiais didáticos” e “transporte”; serviços estes efetuados por terceiros; Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, comprovando o efetivo repasse de tais valores; Em relação a cada item justificado, na hipótese de valores referentes a outro período de apuração (“RENEGOCIAÇÃO DE RECEBIMENTOS COM CHEQUES DEVOLVIDOS ANTERIORMENTE SEM PROVISÃO DE FUNDOS, JÁ DECLARADOS ANTERIORMENTE”) apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, que comprove qual parcela dos valores não se referem ao anocalendário 2006, bem como prova que estes valores já foram tributados. Anexo 4: Relativamente aos valores constantes deste anexo: Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, que comprovem os históricos alegados.” Até o presente momento – 21/11/2010 – a fiscalizada não apresentou resposta ao termo de intimação lavrado em 28/10/2010. Também não solicitou prazo adicional. Desta forma, procedemos ao lançamento dos valores devidos apurados em conformidade com o Anexo do Termo de intimação lavrado em 08/09/2010 (fls. 08 a 22). 3 – DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 3.1 – INFRAÇÃO 001 – RECEITA OMITIDA – CONTAS BANCÁRIAS 21.1346 E 51.7046 Fl. 964DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 965 11 Como já citado anteriormente, a fiscalizada omitiu receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/0001 07, nas contas bancárias 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do Banco do Brasil e 2) conta nº 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco de titularidade da pessoa física Maria José Di santo Navarro, CPF 620.556.90868. De acordo com planilha apresentada pela fiscalizada em 15/10/2010, a mesma assumiu que os valores transitados nas contas bancárias supracitadas referemse a mensalidades do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107. A fiscalizada não comprovou que tais valores já tivessem sido tributados (termo de intimação lavrado em 28/10/2010). Abaixo os valores movimentados nas contas correntes 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do Banco do Brasil e 2) conta nº 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco, receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, totalizados mensalmente, bases de cálculo para apuração dos valores devidos do SIMPLES FEDERAL – Lei 9.317/96 – apurados de ofício, mantendo a forma de tributação adotada pela fiscalizada. Demonstrativo 4: Receita operacional mensal – Base de cálculo para lançamento dos valores devidos – simples federal. PA RECEITA OMITIDA ANEXO (fls 08 a 22) Valores não caracterizados como receita Cheques devolvidos conta 21.1346 Cheques devolvidos conta 51.7046 Valores conta 21.0188 do Banco do Brasil RECEITA OMITIDA OBJETO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) = (2) {(3) (4) (5) (6)} jan/06 R$ 230.452,03 (R$ 4,50) (R$ 14.549,80) (R$ 1.964,00) .... R$ 213.933,73 fev/06 R$ 219.432,48 (R$ 13.940,63) (R$ 18.016,92) (R$ 8.594,00) (R$ 180,00) R$ 178.700,93 mar/06 R$ 465.161,31 (R$ 3.000,00) (R$ 6.114,50) (R$ 10.401,26) (R$ 1.091,00) R$ 444.554,55 abr/06 R$ 425.316,63 .... (R$ 74,00) (R$ 15.414,80) .... R$ 409.827,83 mai/06 R$ 523.623,37 .... .... (R$ 18.390,22) .... R$ 505.233,15 jun/06 R$ 462.008,09 .... .... (R$ 23.866,31) .... R$ 438.141,78 jul/06 R$ 466.608,04 .... .... (R$ 15.273,96) (R$ 165,46) R$ 451.168,62 ago/06 R$ 418.208,05 .... (R$ 307,75) (R$ 5.971,00) (R$ 1.111,00) R$ 410.818,30 set/06 R$ 396.490,23 .... .... .... (R$ 7.485,33) R$ 389.004,90 out/06 R$ 415.265,64 .... (R$ 307,26) (R$ 772,00) (R$ 4.172,59) R$ 410.013,79 nov/06 R$ 389.314,66 .... (R$ 1.281,80) .... (R$ 12.544,58) R$ 375.488,28 dez/06 R$ 472.348,23 (R$ 10.000,00) (R$ 726,66) (R$ 12.677,83) (R$ 12.791,05) R$ 436.152,69 TOTAL R$ 4.884.228,76 (R$ 26.945,13) (R$ 41.378,69) (R$ 113.325,38) (R$ 39.541,01) R$ 4.663.038,55 A coluna (2) do demonstrativo acima, referese à totalização mensal dos créditos/depósitos efetuados nas contas: 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do Banco do Brasil, 2) conta nº 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e conta 21.0188, agência 12270 do Banco do Brasil, conforme Demonstrativo 3 .... Conforme resposta apresentada pela fiscalizada em 15/10/2010, foram descontados os valores referentes aos itens 2, 59, 62, 137 e 507, aceitos por esta fiscalização federal – coluna (3). Fl. 965DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 966 12 Foram abatidos os cheques devolvidos, relativos às contas 1) conta nº 21.1346, agência 40533 do banco do Brasil e 2) conta nº 51.704 6,agência 23892 do Banco Bradesco, conforme colunas (4) e (5) do demonstrativo. Por fim, foram retirados os valores da conta bancária nº 21.0188, agência 12270 do Banco do Brasil, por terem sido abatidos dos cheques devolvidos da referida conta. 3.2 – INFRAÇÃO 002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Insuficiência de recolhimento decorrente de alteração de alíquota – receitas declaradas tributadas em alíquota inferior. Como resultado do lançamento da INFRAÇÃO 001 – RECEITA OMITIDA – CONTAS BANCÁRIAS 21.1346 E 51.7046, houve alteração dos percentuais aplicáveis às receitas declaradas pela fiscalizada para o anocalendário 2006. Os montantes devidos, decorrentes desse recálculo constam no “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS”, e fazem parte do presente Auto de Infração. 3.3 – DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Os valores mensais devidos, tributados com base na sistemática do SIMPLES (Lei 9.317/96), referente aos meses de janeiro/2006 a dezembro/2006 que estão sendo constituídos de ofício mediante a lavratura de auto de infração, são os apurados de acordo com a coluna (7) do demonstrativo 4 (fl. 25), tipificado na seguinte infração: [..........] 4 – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Pelo exposto nos tópicos anteriores, depreendese que a fiscalizada ao transitar receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo ....nas contas bancárias ..... de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, ...., conforme descrito ..., teve por intenção ocultar da Administração Tributária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conduta esta tipificada no inciso I do art. 71 da Lei 4.502/64 (sonegação fiscal). [.....] Nesta infração, foi aplicada multa de ofício de 150% do total da receita omitida, conforme inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, ... A fiscalizada praticou a conduta descrita na infração 001 do subtópico 3.1, isto é, transitou valores de receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP em contas pessoais, também nos anoscalendário 2007 e 2008, cujos valores serão objeto de lançamento de ofício em processo administrativo próprio, após desenquadramento da fiscalizada do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL. Fl. 966DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 967 13 Desta forma, pela conduta da fiscalizada, configurar, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foi elaborada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, conforme determinado no Decreto nº 2.730, de 10/08/1998 e na Portaria SRF nº 326, de 15/03/2005, a qual deverá ser encaminhada ao Ministério Público Federal, observandose o artigo 3º da Portaria SRF nº 326/2005. 5 – CONCLUSÃO Este Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante do Auto de Infração lavrado em decorrência dos fatos apurados na presente fiscalização. Com base no disposto no artigo 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no artigo 7º da IN SRF nº 264/2002, de 20 de dezembro de 2002 e tendo sido constatado que a soma dos créditos tributários de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassa 30% (trinta por cento) do seu patrimônio e é superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), formalizouse processo de Arrolamento de Bens. Para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavramos o presente termo em 03 (três) vias de igual forma e teor que vão assinadas pelos auditores signatários e pelo representante/preposto do contribuinte, que neste ato toma ciência de seu conteúdo e recebe uma de suas vias.” Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte por meio de seu representante legal, com instrumento de procuração à fl. 681, apresentou em 16/12/2010, impugnação com as seguintes razões de defesa. Diz inicialmente que o auto de infração é nulo, porquanto o mesmo é impróprio, uma vez que inexistiu justa causa para sua lavratura, dada a inocorrência de qualquer ilicitude, principalmente aquela imposta à defendente. A corroborar sua assertiva, cita o art. 5º, inciso II, da CF/1988. Nesse sentido, acrescenta que não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração. Ainda a justificar a impropriedade do auto de infração, e sua conseqüente nulidade, alega que nele “não exsurge o ânimo sancionatório exigido na exação sob contestação.” No tópico seguinte, acerca da opção pelo parcelamento especial, sustenta: “Requer os benefícios previstos na lei 11.941/2009, a fim de que, caso venha a responder, após total julgamento dos recursos cabíveis e previstos em lei, por débitos relativos a período abrangido por citada norma legal, seja autorizado a consolidálo para pagamento até o prazo máximo permitido, uma vez que a ora recorrente é optante pelo parcelamento especial. Requer, a fim de beneficiarse das reduções de multa e juros para pagamento à vista, também previstos na lei citada acima, que sejam aceitos os pagamentos efetuados em 30/11/2010, (doc anexos às fls) considerando os períodos bases de apurações declarados, uma vez que a própria recorrente ofereceu à tributação, como poderá ser constatado durante a apreciação deste recurso, evitando que, caso não o fizesse, viesse a acarretar, em maiores prejuízos à contribuinte, sendo certo Fl. 967DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 968 14 que, caso venha a ser retificado o presente AIIM ou até mesmo considerálo improcedente em todo, tais valores então recolhidos sejam levados a crédito para que a contribuinte possa vir a utilizálos através de compensação com futuros débitos que venha gerar. Requer a dispensa do arrolamento de bens da recorrente, haja visto que com o pagamento dos valores citados acima, seu débito deixou de ultrapassar o limite máximo previstos na lei nº 9532/97 e IN SRF nº 264/02 Prosseguindo em sua defesa, transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal, e assevera que em nenhum momento a interessa deixou de atender as intimações da autoridade fiscal, bem como negou que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. Acrescenta que a gerência da empresa estava totalmente a cargo de sua sócia majoritária e que esta não agiu com dolo ou máfé ao movimentar valores da empresa em sua conta particular, apenas tentou atender suas necessidades, uma vez que o banco oferecia vantagens na movimentação de sua conta bancária, bem como um atendimento diferenciado com descontos e taxas de serviços e créditos pela movimentação de um melhor saldo médio, podendo com isso formar caixa para pagamento de seus fornecedores e colaboradores da empresa. Assevera que a fiscalização não se preocupou em excluir itens como transferências entre contas de valores ou mesmo créditos de empréstimos, que não se relacionam com os ditos faturamentos omitidos. E acrescenta, em suas palavras: “Em relação à movimentação bancária particular da sócia da empresa ora recorrente, informa ainda que nem todos os valores que nelas transitaram podem ser qualificadas como receita operacional da pessoa jurídica, que como bem declara a titular das mesmas, “os valores pertencem ao Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda.” Acerca da movimentação bancária relacionada pela fiscalização e tida como receita operacional omitida, sustenta que, através dos demonstrativos e relatórios que acompanham a presente impugnação, verificase que em diversas oportunidades os valores correspondem a renegociação de receitas não recebidas mas já declaradas anteriormente e em outras depósitos de valores retirados através de saques efetuados em moeda corrente para o uso diário do caixa da empresa e por não serem totalmente utilizados enviados novamente para depósito a fim de evitar riscos em mantêlos no caixa da empresa. Inclui em seus argumentos de defesa, trechos esparsos do que diz ser julgados onde tais situações são plenamente aceitas como provas, acrescendo ementa fundamentada na Súmula 182 do TRF. Por meio de tais excertos, depreende se que busca a impugnante, em síntese, oporse à tributação calcada em mera presunção de renda, defender a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, mencionar o princípio da legalidade como garantia dos contribuintes face a possíveis excessos por parte do Estado, e também, rechaçar o acesso a informações bancárias. Alega que a fiscalização utilizouse, para justificar a omissão de receita, de extratos bancários, passando ao contribuinte o ônus de provar o contrário, porém não comprovou em nenhum momento suas razões. Diz que a intenção da empresa – Colégio Vivendo e Aprendendo – foi sempre de manter uma relação escolaaluno da melhor forma, levando com isso, Fl. 968DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 969 15 muitas vezes, a praticar atos que aos olhos punitivos do Estado sejam vistos como prática de atos tributariamente incorretos. Especificamente quanto às infrações lançadas no auto de infração expõe: INFRAÇÃO Nº 01 DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Diz os Senhores agentes fiscais que a fiscalizada omitiu receita operacional do colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. nas contas bancárias 1 – Conta nº 21.1346 agência 40533 do Banco do Brasil e conta nº 51.7046 agência 23892 do Banco Bradesco, ambas de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro – CPF nº 620.556.90868, e que, de acordo com a planilha apresentada em 15.10.2010, a mesma assumiu que os valores transitados nas contas bancárias supracitadas referemse a mensalidades do colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. Impugna tal alegação, uma vez que em momento algum a fiscalizada alegou tratarse de “Receita Operacional”, mas declarado que os valores que transitaram em suas contas correntes eram de propriedade da empresa Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda – EPP, conforme os próprios Srs. Agentes fiscais relatam às fls. 05 do termo de Verificação Fiscal, ... [......] ENFIM, EM NENHUM MOMENTO A FISCALIZADA NEGOU SER DE FATO VALORES PERTENCENTES AO COLÉGIO, MAS JAMAIS AFIRMOU SER RECEITA OPERACIONAL, POIS NADA IMPEDE QUE UM CORRENTISTA RETIRE DETERMINADOS VALORES EM MOEDA CORRENTE DE UM BANCO E O REDEPOSITE CASO VENHA A SOBRAR VALORES NÃO UTILIZADOS COMO BEM EXPLICOU EM SEUS RELATÓRIOS, PRINCIPALMENTE HOJE EM DIA, ONDE DIARIAMENTE SOMOS VÍTIMAS DE ROUBOS E ASSALTOS. TAMBÉM NADA IMPEDE QUE RENEGOCIE COM SEUS ALUNOS, ATRAVÉS DE NOVOS CHEQUES PRÉ DATADOS OU BOLETOS DE COBRANÇA, VALORES ANTERIORMENTE DECLARADOS COMO RECEITAS MAS NÃO RECEBIDOS. NOTASE QUE ATÉ NA DECLARAÇÃO FORNECIDA PELO BANCO DO BRASIL, AGÊNCIA 40533 C/C 21.1346 O MESMO CONFIRMA QUE OS VALORES SE REFEREM A COBRANÇA DE MENSALIDADES DOS ALUNOS DO GRUPO DE ENSINO VIVENDO E APRENDENDO, E EM MOMENTO ALGUM CITA COMO “RECEITA OPERACIONAL”, MAS SIM “VALORES”. INFRAÇÃO Nº 002 DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Diz os Srs. Agentes fiscais que como resultado da infração nº 001 – Receita Omitida – contas bancárias 21.1346 e 51.7046, houve alteração dos percentuais aplicáveis as receitas declaradas pela fiscalizada para o ano calendário de 2006. Fl. 969DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 970 16 IMPUGNA TAL ALEGAÇÃO, POIS COMO JÁ DITO, EM MOMENTO ALGUM A FISCALIZADA ALEGOU TRATARSE EM SUA TOTALIDADE COMO “RECEITA OPERACIONAL”, MAS SIM QUE “OS VALORES QUE TRANSITARAM EM SUAS CONTAS CORRENTES ERAM SIM DE PROPRIEDADE DA PESSOA JURÍDICA”, NÃO SENDO ESTE O MOTIVO DE TRIBUTALA EM SUA TOTALIDADE. INCONFORMADA COM TAL ALEGAÇÃO, E COM RECEIO DE SER ALVO DE UMA TOTAL DISCREPÂNCIA TRIBUTÁRIA, NOVAMENTE SELECIONA OS ITENS QUE FORAM OBJETOS DE INFORMAÇÃO E OFERECE À TRIBUTAÇÃO AQUELES QUE REALMENTE CONSTATA QUE NÃO POSSUI MAIORES INFORMAÇÕES A SEREM DADAS, DEIXANDO CLARO QUE COM TAL ATITUDE, NÃO SE CONFESSA DEVEDORA, MAS SIM, DEMONSTRA SUA BOAFÉ EM ARCAR COM AS CONSEQÜÊNCIAS DOS ATOS QUE ATÉ ENTÃO ENXERGAVA COMO ATO DE HUMANIDADE, CORDIALIDADE E COMPREENSÃO COM AQUELES QUE UTILIZAM DE SEU ESTABELECIMENTO DE ENSINO, HOJE DE FORNECIMENTO TÃO CARENTE PELOS PRÓPRIOS ÓRGÃOS PÚBLICOS. [elabora a seguir, planilha de fls. 570/603, contendo: DATA (ref. aos depósitos nas contascorrente elencadas pela fiscalização; VALOR APURADO (valor constante na planilha elaborada pela fiscalização) e VALOR CONSIDERADO (valor considerado pela fiscalizada e constante na tabela final como DIF A TRIBUTAR) [.......] A IMPUGNANTE, NESTE ATO, APRESENTA NA PRIMEIRA COLUNA DO RELATÓRIO ACIMA, OS VALORES APURADOS PELOS SENHORES AGENTES FISCAIS, E, OFERECE A TRIBUTAÇÃO, NA SEGUNDA COLUNA OS VALORES CONSIDERADOS, OS QUAIS A FISCALIZADA NOVAMENTE AFIRMA, QUE, MESMO SEM SEREM DEVIDOS, POR SEREM PARCIALMENTE REEMBOLSO DE DESPESAS LEVADAS A EFEITO COM ALIMENTAÇÃO E MATERIAIS PEDAGÓGICOS, FICA EM MUITO SUPERIOR À REALIDADE DEMONSTRADA ANTERIORMENTE. DESTA FORMA, OFERECE À TRIBUTAÇÃO A TÍTULO DE RECEITA OPERACIONAL O VALOR DE R$ 1.523.168,25, O QUE SOMADA AOS VALORES JÁ DECLARADOS NO SEU IRPJ 2007/2006, R$ 1.609.909,46 TOTALIZAM R$ 3.133.077,71 TUDO CONFORME DEMONSTRATIVOS A SEGUIR: [elabora planilha de fls. 604/606, a seguir reproduzida em parte (janeiro e fevereiro/2006), contendo os seguintes dados: MÊS; VALOR RECEBIDO; FATURAMENTO DECLARADO e DIF A TRIBUTAR; FATURAMENTO; ACUMULADO; (%) e Valor] MÊS FATURAMENTO ACUMULADO % jan/06 VALOR RECEBIDO R$ 87.308,64 R$ 87.308,64 0,04 R$ 3.492,35 FATUR DECLARADO R$ 77.675,82 DIF A TRIBUTAR R$ 9.632,82 0,04 R$ 385,31 MÊS FATURAMENTO ACUMULADO % fev/06 VALOR RECEBIDO R$ 123.478,89 R$ 210.787,53 0,054 R$ 11.382,53 FATUR DECLARADO R$ 117.816,91 DIF A TRIBUTAR R$ 5.661,98 0,054 R$ 305,75 [..............] E, A PARTIR DOS RELATÓRIOS ACIMA, EFETUOU O PAGAMENTO DAS DIFERENÇAS APURADAS, VALENDOSE DOS BENEFÍCIOS PREVISTOS PELA LEI 11.941/2009, PARA PAGAMENTO À VISTA, A QUAL COMPREENDE DÉBITOS ATÉ NOVEMBRO DE 2008: Fl. 970DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 971 17 EMPRESA COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA PLANILHA DE CÁLCULO DO AIIM Nº MPF 081040000997/09 PARTE CONSIDERADA TRIBUTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA SIMPLES COD. RECEITA: 7104 PERÍODO BASE CÁLCULO ALÍQUOTA VALOR PRINCIPAL JUROS % VALOR JUROS TOTAL A PAGAR 31/01/06 R$ 9.362,82 0,28 R$ 26,97 51,75 R$ 13,96 R$ 40,93 28/02/06 R$ 5.661,98 0,38 R$ 21,52 50,33 R$ 10,83 R$ 32,34 31/03/06 R$ 14.086,92 0,41 R$ 57,76 49,25 R$ 28,45 R$ 86,20 30/04/06 R$ 196.268,51 0,49 R$ 961,72 47,97 R$ 461,34 R$ 1.423,05 31/05/06 R$ 109.650,44 0,55 R$ 603,08 46,79 R$ 282,18 R$ 885,26 30/06/06 R$ 206.668,91 0,64 R$ 1.322,68 45,62 R$ 603,41 R$ 1.926,09 31/07/06 R$ 138.027,10 0,69 R$ 952,39 44,36 R$ 422,48 R$ 1.374,87 31/08/06 R$ 158.625,84 0,78 R$ 1.237,28 43,30 R$ 535,74 R$ 1.773,02 30/09/06 R$ 174.943,12 0,86 R$ 1.504,51 42,21 R$ 635,05 R$ 2.139,56 31/10/06 R$ 100.131,67 0,89 R$ 891,17 41,19 R$ 367,07 R$ 1.258,25 31/10/06 R$ 71.946,28 1,068 R$ 768,39 41,19 R$ 316,50 R$ 1.084,88 30/11/06 R$ 163.403,17 1,068 R$ 1.745,15 40,20 R$ 701,55 R$ 2.446,69 31/12/06 R$ 174.121,49 1,068 R$ 1.859,62 39,12 R$ 727,48 R$ 2.587,10 TOTAL R$ 11.952,22 R$ 5.106,03 R$ 17.058,25 EMPRESA COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA PLANILHA DE CÁLCULO DO AIIM Nº MPF 081040000997/09 PARTE CONSIDERADA TRIBUTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/LUCRO LÍQUIDO CSLL SIMPLES COD. RECEITA: 7307 PERÍODO BASE CÁLCULO ALÍQUOTA VALOR PRINCIPAL JUROS % VALOR JUROS TOTAL A PAGAR 31/01/06 R$ 9.362,82 0,28 R$ 26,97 51,75 R$ 13,96 R$ 40,93 28/02/06 R$ 5.661,98 0,38 R$ 21,52 50,33 R$ 10,83 R$ 32,34 31/03/06 R$ 14.086,92 0,41 R$ 57,76 49,25 R$ 28,45 R$ 86,20 30/04/06 R$ 196.268,51 0,49 R$ 961,72 47,97 R$ 461,34 R$ 1.423,05 31/05/06 R$ 109.650,44 0,55 R$ 603,08 46,79 R$ 282,18 R$ 885,26 30/06/06 R$ 206.668,91 0,64 R$ 1.322,68 45,62 R$ 603,41 R$ 1.926,09 31/07/06 R$ 138.027,10 0,69 R$ 952,39 44,36 R$ 422,48 R$ 1.374,87 31/08/06 R$ 158.625,84 0,78 R$ 1.237,28 43,30 R$ 535,74 R$ 1.773,02 30/09/06 R$ 174.943,12 0,86 R$ 1.504,51 42,21 R$ 635,05 R$ 2.139,56 31/10/06 R$ 100.131,67 0,89 R$ 891,17 41,19 R$ 367,07 R$ 1.258,25 31/10/06 R$ 71.946,28 1,068 R$ 768,39 41,19 R$ 316,50 R$ 1.084,88 30/11/06 R$ 163.403,17 1,068 R$ 1.745,15 40,20 R$ 701,55 R$ 2.446,69 31/12/06 R$ 174.121,49 1,068 R$ 1.859,62 39,12 R$ 727,48 R$ 2.587,10 TOTAL R$ 11.952,22 R$ 5.106,03 R$ 17.058,25 EMPRESA COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA PLANILHA DE CÁLCULO DO AIIM Nº MPF 081040000997/09 PARTE CONSIDERADA TRIBUTO: COFINS SIMPLES COD. RECEITA: 7403 PERÍODO BASE CÁLCULO ALÍQUOTA VALOR PRINCIPAL JUROS % VALOR JUROS TOTAL A PAGAR 31/01/06 R$ 9.362,82 0,83 R$ 79,95 51,75 R$ 41,37 R$ 121,33 28/02/06 R$ 5.661,98 1,13 R$ 63,98 50,33 R$ 32,20 R$ 96,18 31/03/06 R$ 14.086,92 1,21 R$ 170,45 49,25 R$ 83,95 R$ 254,40 30/04/06 R$ 196.268,51 1,46 R$ 2.865,52 47,97 R$ 1.374,59 R$ 4.240,11 31/05/06 R$ 109.650,44 1,63 R$ 1.787,30 46,79 R$ 836,28 R$ 2.623,58 30/06/06 R$ 206.668,91 1,88 R$ 3.885,38 45,62 R$ 1.772,51 R$ 5.657,88 Fl. 971DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 972 18 31/07/06 R$ 138.027,10 2,04 R$ 2.815,75 44,36 R$ 1.249,07 R$ 4.064,82 31/08/06 R$ 158.625,84 2,29 R$ 3.632,53 43,30 R$ 1.572,89 R$ 5.205,42 30/09/06 R$ 174.943,12 2,54 R$ 4.443,56 42,21 R$ 1.875,62 R$ 6.319,18 31/10/06 R$ 100.131,67 2,61 R$ 2.613,44 41,19 R$ 1.076,47 R$ 3.689,91 31/10/06 R$ 71.946,28 3,132 R$ 2.253,36 41,19 R$ 928,16 R$ 3.181,52 30/11/06 R$ 163.403,17 3,132 R$ 5.117,79 40,20 R$ 2.057,35 R$ 7.175,14 31/12/06 R$ 174.121,49 3,132 R$ 5.453,49 39,12 R$ 2.133,40 R$ 7.586,89 TOTAL R$ 35.182,49 R$ 15.033,87 R$ 50.216,36 EMPRESA COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA PLANILHA DE CÁLCULO DO AIIM Nº MPF 081040000997/09 PARTE CONSIDERADA TRIBUTO: PIS SIMPLES COD. RECEITA: 7200 PERÍODO BASE CÁLCULO ALÍQUOTA VALOR PRINCIPAL JUROS % VALOR JUROS TOTAL A PAGAR 31/01/06 R$ 9.362,82 0,21 R$ 20,23 51,75 R$ 10,47 R$ 30,70 28/02/06 R$ 5.661,98 0,28 R$ 15,85 50,33 R$ 7,98 R$ 23,83 31/03/06 R$ 14.086,92 0,30 R$ 42,26 49,25 R$ 20,81 R$ 63,07 30/04/06 R$ 196.268,51 0,36 R$ 706,57 47,97 R$ 338,94 R$ 1.045,51 31/05/06 R$ 109.650,44 0,40 R$ 438,60 46,79 R$ 205,22 R$ 643,82 30/06/06 R$ 206.668,91 0,46 R$ 950,68 45,62 R$ 433,70 R$ 1.384,38 31/07/06 R$ 138.027,10 0,50 R$ 690,14 44,36 R$ 306,14 R$ 996,28 31/08/06 R$ 158.625,84 0,57 R$ 904,17 43,30 R$ 391,50 R$ 1.295,67 30/09/06 R$ 174.943,12 0,63 R$ 1.102,14 42,21 R$ 465,21 R$ 1.567,36 31/10/06 R$ 100.131,67 0,65 R$ 650,86 41,19 R$ 268,09 R$ 918,94 31/10/06 R$ 71.946,28 0,78 R$ 561,18 41,19 R$ 231,15 R$ 792,33 30/11/06 R$ 163.403,17 0,78 R$ 1.274,54 40,20 R$ 512,37 R$ 1.786,91 31/12/06 R$ 174.121,49 0,78 R$ 1.358,15 39,12 R$ 531,31 R$ 1.889,45 TOTAL R$ 8.715,36 R$ 3.722,90 R$ 12.438,26 EMPRESA COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA PLANILHA DE CÁLCULO DO AIIM Nº MPF 081040000997/09 PARTE CONSIDERADA TRIBUTO: CONTRIBUIÇÃO PARA SEG SOCIAL INSS SIMPLES COD. RECEITA: 7500 PERÍODO BASE CÁLCULO ALÍQUOTA VALOR PRINCIPAL JUROS % VALOR JUROS TOTAL A PAGAR 31/01/06 R$ 9.362,82 2,40 R$ 231,19 51,75 R$ 119,64 R$ 350,83 28/02/06 R$ 5.661,98 3,23 R$ 182,88 50,33 R$ 92,04 R$ 274,93 31/03/06 R$ 14.086,92 3,47 R$ 488,82 49,25 R$ 240,74 R$ 729,56 30/04/06 R$ 196.268,51 4,20 R$ 8.243,28 47,97 R$ 3.954,30 R$ 12.197,58 31/05/06 R$ 109.650,44 4,67 R$ 5.120,68 46,79 R$ 2.395,96 R$ 7.516,64 30/06/06 R$ 206.668,91 5,38 R$ 11.118,79 45,62 R$ 5.072,39 R$ 16.191,18 31/07/06 R$ 138.027,10 5,88 R$ 8.115,99 44,36 R$ 3.600,25 R$ 11.716,25 31/08/06 R$ 158.625,84 6,58 R$ 10.437,58 43,30 R$ 4.519,47 R$ 14.957,05 30/09/06 R$ 174.943,12 7,31 R$ 12.788,34 42,21 R$ 5.397,96 R$ 18.186,30 31/10/06 R$ 100.131,67 7,56 R$ 7.569,95 41,19 R$ 3.118,06 R$ 10.688,02 31/10/06 R$ 71.946,28 9,072 R$ 6.526,97 41,19 R$ 2.688,46 R$ 9.215,42 30/11/06 R$ 163.403,17 9,072 R$ 14.823,94 40,20 R$ 5.959,22 R$ 20.783,16 31/12/06 R$ 174.121,49 9,072 R$ 15.796,30 39,12 R$ 6.179,51 R$ 21.975,81 TOTAL R$ 101.444,70 R$ 43.338,03 R$ 144.782,73 RESUMO PARA PAGAMENTO RECEITA JUROS TOTAL Fl. 972DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 973 19 TOTAL GERAL R$ 169.246,99 R$ 72.306,85 R$ 241.553,84 Há ainda nos autos a impugnação à Representação Fiscal para fins Penais, bem como o pedido de dispensa do arrolamento de bens, nos seguintes termos, em síntese: DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS IMPUGNA E CONSEQÜENTEMENTE REQUER O NÃO ENCAMINHAMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AO DD. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, UMA VEZ QUE, CONFORME COMPROVA NOS RELATOS E FATOS AQUI CITADOS, EM NENHUM MOMENTO A RECORRENTE APRESENTOU CONDUTA QUE POSSA CONFIGURAR, MESMO QUEM EM TESE, DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, POIS CONFORME PREVÊ A LEI Nº 4.502/64 EM SEUS ARTIGOS 71 E SEGS., ... SONEGAÇÃO É TODA AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA TENDENTE A IMPEDIR OU RETARDAR, TOTAL OU PARCIALMENTE, O CONHECIMENTO POR PARTE DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA...” FATO ESTE QUE JAMAIS OCORREU, TANTO QUE OS ELEMENTOS UTILIZADOS PELOS SENHORES AGENTES FISCAIS FORAM TODOS FORNECIDOS PELA ORA RECORRENTE, TAIS COMO EXTRATOS BANCÁRIOS, RELATÓRIOS, LIVROS ETC..., E, MESMO QUE SE ASSIM NÃO OCORRESSE, A MESMA ESTARIA ENQUADRADA NOS TERMOS DO ART. 83 DO DECRETO 2.730/98 CONFORME TRANSCREVE: [......] Requer, ainda, que seja desconsiderada a multa aplicada, uma vez que em momento algum foi demonstrado ou comprovado dolo, fraude ou simulação por parte da ora recorrente, citandose para tanto o que preceitua a PORTARIA CARF 106 e SUMULA 25 do mesmo órgão, conforme segue: [........] E, FINALMENTE REQUER A DISPENSA DO PROCESSO DE ARROLAMENTO DE BENS, TENDO EM VISTA O PAGAMENTO PARCIAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APONTADOS NO PRESENTE AIIM. OUTROSSIM INFORMA TAMBÉM, QUE POR SER OPTANTE AO PARCELAMENTO PREVISTO NA LEI 11.941/2009 E, CASO VENHA SEU DÉBITO, DEFINITIVAMENTE SER OBJETO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO, O MESMO NÃO DEPENDE DE APRESENTAÇÃO DE GARANTIA OU ARROLAMENTO DE BENS, CONFORME DISPÕE O ARTIGO 11 INCISO I DE CITADA LEI. Ao final, requer a nulidade ou insubsistência do auto de infração, bem assim da multa pretendida, com a conseqüente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco, bem como, todos os pagamentos efetuados à maior sejam levados à crédito no conta corrente da empresa ora recorrente, e que os mesmos possam ser compensados em impostos futuros. E, finalmente requer que todos os itens constantes preliminarmente nesta impugnação sejam aceitos, e na sua totalidade declarados como verdadeiro os fatos e declarações aqui elencados, tornando desta forma IMPROCEDENTE EM TODO o presente auto de infração, e solicita que toda e qualquer tipo de comunicação Fl. 973DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 974 20 relativa ao presente processo sejam também envidas ao endereço do escritório do advogado que esta subscreve. Registrese, também, que se encontra apenso ao presente processo aquele de nº 10830.015756/201014, que trata da Representação para Exclusão do Simples, cientificado à interessada em 02/12/2010. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que o acórdão recorrido cerceou seu direito de defesa ao não acolher nenhum de seus argumentos, abaixo apresentados: a) Em nenhum momento foi omitido que os valores movimentados eram de propriedade da pessoa jurídica. Porém, há diferença entre o significado dos termos “propriedade” e “receita”. O gerente da agência do Banco do Brasil que declarou que os valores se referiam a mensalidades da escola agiu com desconhecimento dos fatos econômicos praticados pela escola, sendo mero representante de instituição financeira. b) houve emissão de boletos para substituírem cheques devolvidos; c) apresenta relação dos valores que entende devidos baseado numa relação matemática, que envolve o valor da mensalidade e o número de alunos matriculados; d) por ter perdido documentos não consegue recompor as despesas incorridas com repasses de alimentação e material didático; e) requer o não encaminhamento da Representação Fiscal para Fins Penais e a não aplicação da multa de ofício, porque não foi comprovada a ocorrência das hipóteses previstas nos art.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, além do que atendeu a fiscalização e apresentou os extratos bancários que culminaram no lançamento. Invoca a Súmula Carf nº 25; Assim, requer sua nulidade e total improcedência. É o relatório. Fl. 974DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 975 21 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Cerceamento de defesa pelo não acolhimento das razões de alegação Entende a recorrente ter havido cerceamento do seu direito de defesa pela rejeição completa dos argumentos alegados na impugnação. Desde já esclareço que tais argumentos de defesa serão devidamente apreciados adiante. No que tange à alegação de cerceamento de defesa, contudo, adiantome para concluir pela sua improcedência, pois a rejeição das razões de direito não equivale a cerceamento do direito de defesa, afinal, o direito à ampla defesa garante a apreciação das questões levantadas, mas não seu acatamento, vez que a análise é feita pelo julgador à luz da legislação vigente, dos elemento de prova disponíveis e de sua convicção acerca dos fatos. Destarte, fosse o julgador obrigado a acatar os argumentos lançados, o julgamento não teria razão de ser, estando desde o início resolvido o litígio. Verifico da análise do acórdão recorrido que o voto condutor aprecia cada uma das matérias argüidas, nas suas 38 laudas, não havendo, portanto, qualquer preterição do direito de defesa. Além disso, restaram apreciadas as questões concernentes à propriedade dos valores depositados na conta corrente da sócia majoritária, Maria José di Santo Navarro, a questão dos cheques devolvidos, a relação dos valores que a recorrente entende devidos, as despesas repassadas e não documentalmente comprovadas, bem como a procedência da multa de ofício e do encaminhamento da Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. Desta forma, posicionome pela rejeição da preliminar. (b) Os valores movimentados na conta corrente da sócia majoritária são de propriedade da escola mas não necessariamente se caracterizam como receita. Aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Alega a recorrente que em nenhum momento foi omitido que os valores movimentados eram de propriedade da pessoa jurídica. Porém, há diferença entre o significado Fl. 975DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 976 22 dos termos “propriedade” e “receita”. Aduz, ainda, que o gerente da agência do Banco do Brasil que declarou que os valores se referiam a mensalidades da escola agiu com desconhecimento dos fatos econômicos praticados pela escola, sendo mero representante de instituição financeira. A afirmação não se sustenta em provas. Com efeito, afirma a recorrente textualmente, na resposta dada em 13/09/2011, que as entradas de dinheiro... são do colégio Vivendo e Aprendendo. Afirma, adiante, no mesmo documento, que nos anos de 2007, 2008, todas as contas mantidas no Banco do Brasil, Banco Real, Banco Bradesco, foram de uso e para uso do Colégio Vivendo e Aprendendo; e são cobranças do Colégio Vivendo e Aprendendo que transitaram por estas contas. Na resposta datada de 23/07/2010, afirma a recorrente que utilizouse das contas bancárias da titularidade de Maria José di Santo Navarro. Adiante, ressalta que os bancos as quais (sic) a Sra. Maria José usava para entradas de boletos e empréstimos bancários... Já na resposta datada de 12/04/2010, vem a recorrente confirmar que os valores movimentados em conta n. 21.1346 – do Banco do Brasil S/A, de titularidade de Maria José di Santo Navarro – CPF 620.556.90868, são em sua totalidade toda movimentação do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda – EPP. Adiante, aduz que confirmamos que o demonstrativo do Anexo a este termo, são boletos de pagamentos de mensalidade de alunos do colégio. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante aduz, ademais que conforme declaração prestada em 29/06/2009, protocolo n. 5549, a recorrente esclarece, por oportuno, que transitaram pela conta corrente do Banco do Brasil (21.1346), Agência 40533, valores relativos a créditos de boletos emitidos para cobrança de mensalidade dos alunos do Grupo de Ensino Vivendo e Aprendendo, portanto, receita da pessoa jurídica acima citada. Acrescenta a autoridade fiscal adiante que, a recorrente juntou inclusive declaração do Banco do Brasil, Agência 40533, protocolo n. 5549, em 29/06/2009, doc.10, afirmando que os créditos efetuados em conta corrente, ao longo do ano de 2006, correpondem ao movimento de cobrança de boletos emitidos para cobrança de mensalidade dos alunos do GRUPO DE ENSINO VIVENDO E APRENDENDO. Ambos os documentos citados pela autoridade fiscal estão encartados no Anexo I destes autos (digitalizadas sob nº de fl.821 e 827). No documento datado de 08/09/2009, novamente afirma a recorrente que apresentou a esta fiscalização cópias de extratos bancários de contascorrentes, registradas em seu nome, junto ao Banco do Brasil e ao Bradesco, nas quais transitaram quantias que, segundo já informou a contribuinte, referemse a valores de mensalidades e matrículas de alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. Assim, diante de tais evidências, é de hialina clareza que a recorrente, nas respostas que ofereceu à fiscalização, efetivamente afirmou que os valores ingressados em sua conta corrente derivaram de receita auferida pelo Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, contrariamente ao que passou ulteriormente a sustentar. Fl. 976DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 977 23 Todavia, a prova deste fato é coadjuvante para o efeito de considerar tais valores na composição da base de cálculo da recorrente. Isto porque o mero fato de serem de propriedade da referida pessoa jurídica basta para que sejam considerados como receita bruta, caso não se desincumba de produzir provas no sentido de demonstrar a origem dos valores e regular tributação na pessoa jurídica. Isto porque a presunção feita no art. 42 da Lei nº 9430/96, estendida ao contribuinte optante do Simples Federal, pelo art.18 da Lei nº 9.317/96, estabelece presunção que, acaso não atacada, implica serem considerados receita omitida os depósitos em conta cuja origem não foi justificada. Neste caso, cumpre à autoridade fiscal provar o fato indiciário, constituído pela prova dos depósitos bancários efetuados nas contas do contribuinte, e intimálo a justificar sua origem. Do que se vê dos autos, tal condição foi satisfeita. Passado isto, cumpre ao sujeito passivo inverter o ônus da prova, demonstrando a origem dos recursos depositados. Caso não produza esta prova, sujeitase à tributação dos valores depositados. Observese, por oportuno, que a tributação dos valores depositados em conta corrente, cuja origem não foi demonstrada pelo titular, como receita omitida, é pacificamente aceita por este órgão de julgamento, conforme julgados abaixo. Acórdão: 10197116 – 1ªTO/1ªC/1ªSJ Relator: Valmir Sandri IRPJ – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão: 10323588 – 1ªTO/2ªC/1ªSJ Relator: Antônio Bezerra Neto OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão: 10517370 – 5ªC/1ªSJ Relator: Waldir Veiga Rocha (c) Argumentação desprovida de prova que a sustente. Alega a recorrente que emitiu boletos para substituírem cheques devolvidos, apresentando relação dos valores que entende devidos baseado numa relação matemática, que envolve o valor da mensalidade e o número de alunos matriculados. Por outro lado, por ter Fl. 977DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 978 24 perdido documentos não consegue recompor as despesas incorridas com repasses de alimentação e material didático. A alegação segue desacompanhada de provas que a sustentem. O art.333 do CPC, de aplicação subsidiária no processo administrativo, estabelece que incumbe a produção de prova àquele que alega o fato, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso vertente, a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 tem o condão de inverter o ônus da prova, que passa a ser do contribuinte. Assim, cabe a ele produzir a prova de que os valores creditados em conta corrente tem origem não tributável, ou que a tributação foi realizada de forma regular, em caso contrário. Meras alegações não infirmam a prova produzida pela fiscalização, alçada à condição de prova da omissão de receita, caso não infirmada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, mediante evidências concretas. Além disso, a tabela consolidada pela fiscalização exclui os cheques devolvidos, e, por outro lado, induções matemáticas, embora possam auxiliar o raciocínio, não provam fatos econômicos concretos. (d) Aplicação de Multa Qualificada (150%) A fiscalização aplicou a multa qualificada por entender que a conduta da pessoa jurídica de desviar receitas para a conta corrente da sócia majoritária objetivou ocultar da Administração Tributária o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal dos tributos lançados. Diverge a recorrente, afirmando que não restou demonstrada ocorrência de quaisquer das condições elencadas nos art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. Além disso, aduz que atendeu a fiscalização, apresentou os extratos bancários e não se utilizou de “laranjas”. Para mim, o fato de desviar parte do faturamento para conta de terceiro, ainda que seja para contacorrente de sócio da pessoa jurídica, combinado com a prestação da DIPJ Simplificada que não contempla as receitas recebidas na conta alheia demonstra intuito de ocultar da fiscalização a ocorrência de fatos geradores. Desta forma, afigurase correta a qualificação da multa, com o correto enquadramento dos fatos no art.71 da Lei nº 4.502/64. (e) Representação Fiscal para Fins Penais O requerimento feito para que não se encaminhe a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público não encontra abrigo na legislação vigente. Fl. 978DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.015574/201043 Acórdão n.º 130200.661 S1C3T2 Fl. 979 25 A fiscalização, ao verificar a ocorrência de crime em tese, tem o dever de comunicálos ao Ministério Público mediante Representação Fiscal para Fins Penais, por determinação do Secretário da Receita Federal, estabelecida em portaria. Os órgãos de julgamento, ao conhecer da lide tributária não têm, contudo, competência para apreciar ou mesmo para obstar o seguimento do processo. A matéria está, inclusive, sumulada no âmbito deste Conselho, senão vejamos: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 979DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 17/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13971.002429/2006-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2000
EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
Para efeitos de exclusão ao Simples aplica-se a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO.
Comprovada a existência simulação pela existência de interposta pessoa, ocorre a exclusão do Simples.
Numero da decisão: 1001-000.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2000 EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Para efeitos de exclusão ao Simples aplica-se a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. Comprovada a existência simulação pela existência de interposta pessoa, ocorre a exclusão do Simples.
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Para efeitos de exclusão ao Simples aplicase a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. Comprovada a existência simulação pela existência de interposta pessoa, ocorre a exclusão do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 24 29 /2 00 6- 08 Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1040 a 1065) interposto contra o Acórdão nº 01027.019, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 1030 a 1036), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES FEDERAL ANOCALENDÁRIO: 2000 Ementa: EXCLUSÃO AO SIMPLES. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Para efeitos de exclusão ao Simples aplicase a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. Comprovada a existência simulação pela existência de interposta pessoa, ocorre a exclusão do Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. O processo teve início com a Representação Administrativa, fls.04/11, através da qual a fiscalização previdenciária noticiou ter a empresa em epígrafe incorrido em uma das hipóteses de vedação ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES Federal. 2. A conclusão de que a empresa incorreu na hipótese de vedação, foi alcançada pelo resultado da autuação contida no processo N.35339.001240/200515, que trata da NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD) N. 358023050, fls.23/72. 3. No referido processo N.35339.001240/200515, fls.20/458, o contribuinte foi considerado como sendo uma empresa criada apenas para a contratação de mão deobra que na verdade atuaria na INDUSTRIA TEXTIL LOOSTEX LIDA – CNPJ: 03.503.941/000136. 4. A constatação defendida no lançamento, era de que a empresa TECELAGEM MARIANA LTDA, aproveitandose de sua condição de optante do Simples Federal, não arcava com o encargo previdenciário patronal incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviço, sendo que estes Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 4 3 funcionários de fato trabalhavam para a empresa INDUSTRIA TEXTIL LOOSTEX LIDA – CNPJ: 03.503.941/000136. 5. Extraímos um trecho do relatório fiscal, in verbis: Todos os fatos relatados contemplam provas evidentes de que o controle gerencial, financeiro e administrativo é único e centralizado. A empresa, no intuito de expandir seus negócios, simulou a contratação de empregados por empresa optante do SIMPLES, para que esta, mantendo seus faturamentos dentro do limite estabelecido pela Lei n.9.317/96, não arque com o encargo previdenciário patronal incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviço. A simulação esta plenamente caracterizada, pois a MARINA não apresenta autonomia gerencial: o controle gerencial é único e exercido pela LOOSTEX, na pessoa do SR. JOSÉ CARLOS LOOS não apresentam autonomia patrimonial: os empregados da MARINA exercem suas atividades utilizando equipamentos e instalações de propriedade da LOOSTEX não possuem autonomia financeira: a LOOSTEX é a que possui maior faturamento e conseqüentemente, area com os pagamentos das obrigações da MARINA, já que estas têm insuficiência de recursos; Por tudo o que foi exposto, esta auditoria conclui que, os empregados da empresa MARINA devem ser enquadrados, para fins previdenciários, como empregados da LOOSTEX, o qual é o verdadeiro empregador de tais trabalhadores. 6. O contribuinte INDUSTRIA TEXTIL LOOSTEX LIDA – CNPJ: 03.503.941/000136, teve a oportunidade de se defender das conclusões narradas na autuação citada, como o fez às fls.247/318. 7. O recurso foi julgado pela Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário – SCAP, da Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária, em Blumenau/SC, resultando em PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, fls.384/398. 8. Deste julgado, o contribuinte interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls.402/430, o qual foi julgado novamente, fls.446/457, mantendo o mesmo entendimento do lançamento, seja este, de que houve simulação na contratação de empregados pela empresa INDUSTRIA TEXTIL LOOSTEX, utilizandose da empresa TECELAGEM MARIANA LTDA, para evitar encargos trabalhistas. 9. Extraímos o seguinte excerto do julgamento acima citado: As provas carreadas aos autos são suficientes para colocar abaixo os argumentos da empresa. Basta verificar a dinâmica dos fatos para concluirmos que a empresa procurou na verdade simular a contratação de empregados por empresa optante pelo SIMPLES, para que esta, mantendo seus faturamentos dentro do limite estabelecido pela Lei n.° 9.317/96, não fosse responsabilizada pelos encargos previdenciários. Segundo, porque a fiscalização adotou todos os procedimentos necessários para demonstrar que a recorrente era a verdadeira contratante dos serviços prestados pelos empregados segurados arrolados na presente notificação, devendo, portanto, arcar com os tributos levantados contra si. Também não tenho dúvida quanto ao surgimento do fato gerador, conforme levantamento realizado detalhadamente pelo auditor fiscal, de maneira que o débito restou incontroverso. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 5 4 10. Restado demonstrado em âmbito administrativo que o contribuinte incorreu em hipótese de exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – SIMPLES, o Delegado da receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, determinou a emissão do Ato Declaratório Executivo n. 37, de 17/08/2012, (fls.468), com base no inciso IV, do art. 14, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir de 13/09/2000. 11. Inconformado com a exclusão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, (fls.471/496), de 26/09/2012, alegando o seguinte: 12. O dispositivo legal que embasou o Ato Declaratório Executivo n. 37, de 17/08/2012, (fls.468), encontrase totalmente revogado pela LEI COMPLEMENTAR n° 123, de 14 de dezembro de 2006, que em seu art. 89 estabelece a revogação integral da Lei 9.317/96: Art. 89. Ficam revogadas, a partir de Io de julho de 2007, a Lei n° 9.317. de 5 de dezembro de 1996, e a Lei rf 9.841, de 5 de outubro de 1999. (grifos nossos) 13. Assim, a autoridade fiscal aplicou sanção administrativa, pena de exclusão, indicando como incurso em dispositivo de Lei revogada. 14. Justo por isto, o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BLU N° 37/2012 merece ser anulado, mantendose os efeitos do Simples Federal para a Tecelagem Marina. 15. DA INEXISTÊNCIA DE PESSOA JURÍDICA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS 16. As demais alegações apresentadas pela impugnante referemse ao mérito do processo N.35339.001240/200515, que trata da NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD) N. 358023050, fls.23/72." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 6 5 Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: " DA VALIDADE DA LEI N.9.317/96 18. Alega o contribuinte que a fundamentação legal que embasou a exclusão ora tratada encontrase revogada. 19. O Ato Declaratório Executivo n. 37, de 17/08/2012, (fls.468), declara a EXCLUSÃO da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com base no inciso IV, do art. 14, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir de 13/09/2000. 20. A exclusão se faz em decorrência do apurado no processo administrativo N.35339.001240/200515, que trata da NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD) N. 358023050, fls.23/72, por observância às determinações contidas na Lei nº 9.317, de 1996, que no Capítulo VI Da Exclusão do Simples assim dispõe: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; 21. Em sede de Manifestação de Inconformidade, alega a contribuinte que à empresa não pode ser aplicada norma já revogada, fazendo referência à citada Lei 9.317 de 1996, revogada pela Lei Complementar 123, de 14 de Dezembro de 2006. 22. Entretanto, insta esclarecer que, conforme dispõe o artigo 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou REVOGADA, o que se aplica aos procedimentos de exclusão da sistemática do SIMPLES. 23. E, conforme previsão da Lei Complementar nº 123, em seus artigos 88 e 89: Art. 88. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, ressalvado o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, que entra em vigor em 1º de julho de 2007. Art. 89. Ficam revogadas, a partir de 1º de julho de 2007, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. 24. Percebase que o legislador fez questão de ressaltar que a Lei nº 9.317 de 1996 só perderia sua eficácia a partir de 01/07/2007, o que significa dizer que em se tratando da sistemática do Simples, todos os fatos ocorridos até aquela data ou que tenham como data de ocorrência períodos anteriores a 01/07/2007 continuam sendo regidos pela Lei nº 9.317, de 1996. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 7 6 25. Assim, estando o ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO devidamente fundamentado em lei regularmente inserida no sistema tributário nacional, vigente à época dos fatos, não cabe qualquer questionamento dirigido aos dispositivos que o respaldam na esfera administrativa. DAS ALEGAÇÕES REFERENTES À NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD) N. 358023050, fls.23/72 26. Excluindose a alegação referente à validade da Lei N.9.317/96, acima tratada, todas as demais alegações apresentadas pela impugnante referemse à NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD) N. 358023050, fls.23/72, contida no processo N.35339.001240/200515. 27. Ilustrando o que se observa, apresentamos a conclusão da manifestação de inconformidade mencionada: Por toda a fundamentação explicitada até o momento, diante das provas anexadas e em razão da real situação fática e jurídica apresentada, chegase às seguintes conclusões: A TECELAGEM MARINA possuía o controle gerencial, financeiro ou administrativo autônomo, exercido pelo Impugnante Klaus Peter Loos; A TECELAGEM MARINA possuía sede em parte adversa do imóvel, não havendo qualquer utilização de áreas pertencentes à empresa INDÚSTRIA TÊXTIL LOOSTEX; A TECELAGEM MARINA exercia suas atividades com maquinário obtido em comodato da empresa TÊXTIL RENAUX S.A., de modo que não utilizava nenhum maquinário da empresa INDÚSTRIA TÊXTIL LOOSTEX; A TECELAGEM MARINA prestou serviço à INDÚSTRIA TÊXTIL LOOSTEX, em uma única ocasião, sendo a LOOSTEX um das mais de 15 (quinze) empresas do ramo têxtil que teve como cliente; O maior faturamento da TECELAGEM MARIANA era da empresa TÊXTIL RENAUX, que representava 78,9% do faturamento total da TECELAGEM MARINA; O faturamento da TECELAGEM MARINA com serviços prestados à LOOSTEX representa apenas 1,51% do faturamento total da TECELAGEM MARINA ao longo de seus dez anos em que esteve em atividade; A TECELAGEM MARINA é autônoma no tocante ao número de funcionários, cuja quantidade de estava relacionada com a necessidade das atividades da empresa, não existindo quaisquer subordinações com a LOOSTEX, de modo que a simulação é afastada no imediato instante que a empresa optante pelo SIMPLES tem redução no quadro de funcionários e a nãooptante tem gradual aumento nas contratações de funcionários; 28. Cabe esclarecer que estas alegações já foram analisadas pela Fazenda Pública em duas instâncias, uma pela Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário – SCAP, da Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária, em Blumenau/SC, resultando em PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, fls.384/398; e outra pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls.402/430, o qual foi julgado novamente, fls.446/457, mantendo o mesmo entendimento do lançamento, seja este, de que houve simulação na contratação de empregados pela Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 8 7 empresa INDUSTRIA TEXTIL LOOSTEX, utilizandose da empresa TECELAGEM MARIANA LTDA, para evitar encargos trabalhistas. 29. Deste modo, é importante frisar que ao contribuinte foi garantido em âmbito administrativo o direito à ampla defesa, apesar da derrota de sua tese nas duas instâncias administrativas citadas. 30. Observese ainda, que o tema já foi julgado IMPROCEDENTE pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls.402/430, sendo esta, uma instância superior à esta Delegacia de Julgamento. Neste caso, a análise do mesmo objeto já julgado em instância superior, seria equivalente a criação de uma terceira instância, sendo esta inferior à segunda, o que por óbvio, não está previsto em qualquer normativo legal. 31. Há que se ressaltar também, que a EXCLUSÃO DO SIMPLES está condizente com a decisão contida no processo N.35339.001240/200515, visto que está demonstrado que a empresa INDÚSTRIA TÊXTIL LOOSTEX procurou na verdade simular a contratação de empregados pela empresa TECELAGEM MARIANA LTDA, optante pelo SIMPLES, para que esta, mantendo seus faturamentos dentro do limite estabelecido pela Lei n.° 9.317/96, não fosse responsabilizada pelos encargos previdenciários. 32. Constatado tal fato, está correta a EXCLUSÃO da empresa TECELAGEM MARIANA LTDA, com base no inciso IV, do art. 14, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir de 13/09/2000, sendo esta a data de seu registro no CNPJ. Lei nº 9.317/1996: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (…) IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; (…) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (…) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 13971.002429/200608 Acórdão n.º 1001000.802 S1C0T1 Fl. 9 8 Desta forma, VOTO no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade alegada e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 1076DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955155/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 51 55 /2 00 8- 36 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 264.881,84, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 30/06/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 264.881,84(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 49.996,82(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega que errou no preenchimento do PER/DCOMP classificando o tipo de crédito como "Pagamento Indevido ou a Maior" quando o correto seria "Saldo Negativo de IRPJ". É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 4 3 (A) Quanto à possibilidade de retificação após o despacho decisório de estimativa mediante PER/DCOMP. Violação ao princípio da legalidade. · A Instrução Normativa SRF nº 900/2008 está impondo requisito que extrapola as exigências legais relativas ao procedimento de compensação de créditos, o que configura manifesta violação ao principio da legalidade. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.955155/200836 Acórdão n.º 1402003.398 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 13906.720176/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
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Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente ANJOS & SANTOS ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 72 01 76 /2 01 2- 71 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13906.720176/201271 Acórdão n.º 3302005.901 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, alegando, em síntese, a ocorrência de denúncia espontânea na entrega da declaração e o efeito confiscatório da multa. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06038.727. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13906.720176/201271 Acórdão n.º 3302005.901 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13906.720176/201271 Acórdão n.º 3302005.901 S3C3T2 Fl. 5 4 Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13906.720176/201271 Acórdão n.º 3302005.901 S3C3T2 Fl. 6 5 Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13906.720176/201271 Acórdão n.º 3302005.901 S3C3T2 Fl. 7 6 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13906.720176/201271 Acórdão n.º 3302005.901 S3C3T2 Fl. 8 7 vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000370/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 70 /2 00 9- 92 Fl. 392DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 394DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.113, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 402DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16349.000370/200992 Acórdão n.º 3401004.914 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.002822/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO – O prazo disposto no artigo 33 do Decreto
70.235/72 para interposição do recurso voluntário expirou em 04062009 e o recurso só foi apresentado no dia seguinte, não merecendo acolhimento posto que perempto.
Numero da decisão: 1302-000.570
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andre Ricardo Lemes da Silva. Relatório A empresa LP Distribuidora sofreu lançamento fiscal em decorrência da omissão de receitas e tributos em sua DIPJ e DCTF, no anocalendário de 2005. O contribuinte Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 apresentou DIPJ e apurou IRPJ a pagar, pelo Lucro Presumido, no total de R$ 191.344,57, fls. 60 a 61. Porém não apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referentes aos tributos e contribuições devidos com base na receita auferida/escriturada nos livros fiscais, fls. 62. Nessa medida, a autoridade fiscal efetuou a autuação do valor declarado em DIPJ. Mais ainda, confrontando a DIPJ com os registros contábeis da empresa, a autoridade fiscal verificou a existência de receitas não tributadas no montante de R$ 11.556.634,03, nos livros DIÁRIO/RAZÃO, conforme cópias de fls. 64 a 103, e efetuou o lançamento de ofício sobre essa receita. A contribuinte foi intimada a manifestarse sobre os valores apurados, mas restou omissa. Foi aplicada multa de 150% pela ausência de entrega das DCTF no ano de 2005. Ciente, a empresa impugnou o lançamento alegando que o valor das receitas objeto de lançamento fiscal diverge daquelas escrituradas contabilmente pela empresa e sua defesa foi prejudicada pois a autoridade fiscal reteve os documentos fiscais e contábeis entregues pela empresa. Liberados os documentos, foi aberto novo prazo de impugnação. A empresa alegou nulidade do lançamento por cerceamento da segurança jurídica dada a apreensão dos documentos, protestou por prazo e produção de provas, alegou equívoco no lançamento fiscal, no cômputo da base de cálculo e improcedência da multa de 150% por falta de provas. A DRJ em sua decisão manteve o lançamento fiscal. Em sua defesa, a recorrente reforça os argumentos de sua impugnação e pede produção de provas para demonstrar o erro da autoridade autuante no cômputo do tributo devido e multa. Intimada em 05052009 (fls. 319), a recorrente apresentou recurso voluntário em 05062009 (fls. 325). Às folhas 350 consta o termo de perempção, vale citar: “Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. • Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a • exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 30 do Decreto 70.235/1972).” É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13116.002822/200754 Acórdão n.º 1302000.570 S1C3T2 Fl. 165 3 Nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235/72, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Pelo artigo 5 do mesmo Decreto os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Como a ciência foi dada em 05052009, uma quartafeira, o vencimento do prazo de defesa deuse em 04062009, uma quartafeira. Nesse sentido, entendo que o recurso voluntário é intempestivo. Ocorreu perempção do direito ao recurso. Voto por não conhecer o recurso voluntário. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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