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Numero do processo: 10680.723026/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
Numero da decisão: 2301-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 30 26 /2 01 0- 51 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/201051 Acórdão n.º 2301003.443 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de MIP ENGENHARIA S/A, por ter a empresa infringido o art. 30, I, “a”, da Lei nº 8.212/1911, combinado com o art. 216. I, “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, ao deixar de arrecadar, mediante desconto nas devidas remunerações, as contribuições dos segurados referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme se infere do Relatório Fiscal. Segundo informa o Relatório Fiscal, foram apurados como fatos geradores da contribuição previdenciária: (a) abono de gratificação de férias, relativo à cláusula de convenção coletiva que prevê prêmio por assiduidade que não se enquadra em nenhuma das hipóteses de não incidência previstas o §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; (b) abono indenizado, relativo a valores fixos pagos aos segurados empregados, cuja natureza não foi comprovada à fiscalização, tampouco a sua desvinculação expressa do salário, nos termos da alínea j do inciso V do §9º do art. 240 do Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99); (c) despesas com assistência médica, hospitalar e odontológica, posto que não estendidas a todos os segurados; (d) previdência privada não oferecida a todos empregados e dirigentes e; (e) aluguel residencial em localidade diversa do local da obra que não se enquadra na hipótese de não incidência da alínea m do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Em decorrência da autuação em epígrafe, foi aplicada à Recorrente multa no montante de R$ 2.863,58 (dois mil oitocentos e sessenta e três reais e cinquenta e oito centavos), com fulcro no art. 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991 e art. 283, I, “g” e art.373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Ademais, foi lavrado auto de infração em procedimento fiscal anterior, o AI nº 35.410.4365, pelas mesmas razões da autuação em epígrafe. Destarte, configurase a ocorrência da circunstancia agravante do art. 290, V do RPS, qual seja, reincidência genérica com relação à infração específica, tendo sido o valor mínimo da multa multiplicado por 2 (dois), nos termos do art. 292, IV do RPS. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Ato contínuo, foi mantido o lançamento pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/201051 Acórdão n.º 2301003.443 S2C3T1 Fl. 4 3 Constitui infração à legislação previdenciária a empresa não arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados que lhe prestaram serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeita, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) A autuação é nula por carecer de indicação precisa de seus fundamentos, limitandose a adotar entendimento genérico, o que restringiu o exercício amplo e eficaz da defesa e do contraditório. 2) No que diz respeito ao abono de férias, incide a excludente prevista na alínea e §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, uma vez que é pago nos moldes do art. 144 da CLT, não fazendo parte da composição da remuneração pelo trabalho, pelo que não configura base de cálculo de contribuição previdenciária. 3) Em relação ao abono indenizado, este não era pago de forma habitual, tratandose de indenização eventual a título de ajuda de custo para o deslocamento para outros municípios quando dos descansos remunerados, o que exclui a exigência da contribuição previdenciária, pois não decorre da retribuição pelo trabalho. No intuito de comprovar tal afirmação, requereu a produção de prova testemunhal, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, pedido este que restou indeferido pela fiscalização. 4) Sobre as despesas com assistência médica, hospitalar e odontológica, alegou a Recorrente que, visto que a empresa pratica suas atividades em lugares remotos, em que não há cobertura de plano de saúde (que é oferecido a todos os empregados), realizou convênio com clínicas médicas localizadas nas proximidades de suas obras. Desse modo, era suprida a ausência de plano de saúde, tornando abrangente a todos os colaboradores o auxílio para despesas com a saúde. Por essa razão, é incabível a autuação também neste ponto. 5) No que tange ao plano de previdência privada, a Recorrente o disponibiliza sim, a todos os empregados e dirigentes. A legislação não estabelece restrições à condição de adesão, determina apenas que o plano deve estar disponível a todos os funcionários, o que de fato ocorre. 6) Por fim, quanto ao aluguel, afirmou incidir o disposto no art. 28, § 9º, “m” da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 214, § 9º, XII do Decreto 3.048/1999, por tratarse de ajuda de custo para habitação, uma vez que o trabalho se dá em local distante da residência dos empregados, que permanecem em alojamentos próximos aos locais das obras. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/201051 Acórdão n.º 2301003.443 S2C3T1 Fl. 5 4 7) Uma vez procedente o recurso relativo às obrigações principais, não persistirá a autuação quanto à infração à obrigação acessória. 8) A aplicação da multa em questão configura bis in idem, uma vez que já foi aplicada multa pelo não recolhimento dos tributos. 9) A reincidência deve ser afastada, uma vez que o primeiro fato ocorreu em 2002, portanto, mais de cinco anos antes da autuação, que se deu em 2010. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada em conseqüência da Recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas devidas remunerações, as contribuições dos segurados referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento nega que deixou de lançar em sua contabilidade as informações especificadas no Relatório Fiscal, ou seja, apresentou uma defesa genérica, baseada no fato de que os valores não configuram fato gerador de contribuição previdenciária, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/201051 Acórdão n.º 2301003.443 S2C3T1 Fl. 6 5 conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Ainda, não há que se falar na ocorrência de bis in idem, uma vez que a multa ora aplicada a titulo de penalidade por descumprimento de obrigação acessória em nada se confunde com a multa decorrente do não recolhimento dos tributos. Ambas decorrem de condutas diversas, às quais devem ser especificamente cominadas as penalidades cabíveis. Irretocável, pois, o Acórdão recorrido. Por fim, não merece prosperar o argumento de que a reincidência deve ser afastada em decorrência de ter decorrido lapso temporal superior a cinco anos entre as duas infrações, posto que a autuação em vergaste diz respeito a fatos geradores ocorridos em 2006, e não em 2010 como quer fazer parecer a Recorrente. O parágrafo único do art. 290 do RPS, invocado pela Recorrente, dispõe que caracteriza reincidência a prática de nova infração, e não a constatação de sua ocorrência pelo Fisco, pelo que deve ser mantida a circunstância agravante. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/201051 Acórdão n.º 2301003.443 S2C3T1 Fl. 7 6 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.732621/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - COOPERATIVA DE TRABALHO - RAT - TERCEIROS - 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
COOPERATIVA DE TRABALHO
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RAT - TERCEIROS - 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO
Para o empregado o salário de contribuição é: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
Numero da decisão: 2401-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que votou por acolher a compensação referente ao adicional de férias (1/3 constitucional).
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - COOPERATIVA DE TRABALHO - RAT - TERCEIROS - 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. COOPERATIVA DE TRABALHO A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RAT - TERCEIROS - 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO Para o empregado o salário de contribuição é: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
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LIMITE DA SENTENÇA Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores sem comprovar direito líquido e certo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. COOPERATIVA DE TRABALHO A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 26 21 /2 01 1- 91 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RAT TERCEIROS 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO Para o empregado o salário de contribuição é: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO RAT TERCEIROS 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que votou por acolher a compensação referente ao adicional de férias (1/3 constitucional). Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AI, lavrado sob o n. 37.348.9900, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho, bem como a correspondente a glosa de compensação indevida, no período compreendido entre as competências 01/2007 a 12/2008. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 28 a 33, o AI referese ao lançamento de valores indevidamente compensados e incorretamente informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, de contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em dobro a segurados empregados em razão de serviços prestados em domingos e feriados, sem a respectiva compensação (Súmula 146 do Tribunal Superior do Trabalho – TST), contribuições para o SESC, SENAC e SEBRAE, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e incidentes sobre os pagamentos de terço constitucional de férias; e contribuição previdenciária de quinze por cento (15%) sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, prestado por cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. – Unimed Porto Alegre, nas competências 01/2007 a 12/2008, de acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração – RF. Procedeu a aplicação da multa, realizando a comparação de acordo com as novas regras disciplinadas na MP 449, convertida na lei 11.941/09 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 247 a 326. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 345 a 352. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. As hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária estão previstas em lei. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO – RAT. Fixada pelo legislador a hipótese de incidência da contribuição destinada ao RAT, da base de cálculo e da alíquota, não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. COOPERATIVA DE TRABALHO. Incide contribuição previdenciária, parte patronal, sobre o valor do serviço efetivamente prestado por cooperados através de cooperativas de trabalho. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). As empresas em geral estão obrigadas ao recolhimento das contribuições para outras entidades e fundos, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MULTA. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa moratória e de ofício, conforme legislação aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 356 a 436 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever: 1. Alega a inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições para o seguro acidente do trabalho (SAT) e sua conseqüente inexigibilidade, por violação ao princípio da legalidade tributária. 2. Alega indevida a cobrança das contribuições para o SESC e SENAC, independentemente da decisão judicial em seu desfavor, já que, em consideração ao curso da demanda judicial, deveria ficar em suspenso a exigência fiscal até o trânsito em julgado da sentença; entende inconstitucional e ilegal a cobrança destas contribuições de empresas que não realizam atividades ligadas ao comércio. 3. Expõe da flagrante ilegalidade da inclusão, na base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, de valores que, como o Vale Transporte, não constituem remuneração ao trabalho. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 4 5 4. Argumenta que “Soa incompreensível a glosa relativa aos pagamentos efetuados pela recorrente à UNIMED, já que se trata de plano de saúde pago aos seus colaboradores”. “Não se trata de serviços médicos tomados da UNIMED, mas de plano de saúde com ela contratado, razão de não incidência da contribuição previdenciária.” 5. Alega a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, por contrariedade explícita ao artigo 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal de 1988 – CF/88. 6. Afirma que a suposta ausência de recolhimentos sobre pagamentos efetuados a autônomos, de retenção das contribuições pretensamente devidas por terceiros e em virtude de pagamento da folha de salários decorre de compensações efetuadas com créditos seus, oriundos de pagamentos indevidos, desconsideradas pela Fiscalização. 7. Alega restar claro que a motivação que originou o ato administrativo de lançamento está equivocada, não tendo havido falta de pagamento de contribuição, “pois utilizouse do instituto da compensação para quitálas”. 8. Questiona que “No entanto, por que as compensações não foram aceitas, uma vez registradas nas GFIP’s? Terá sido o índice de atualização utilizado? Terá sido o crédito compensado? O Prazo?” 9. Alega que, ao ter de supor as razões que levaram à desconsideração das compensações, tem cerceado seu direito à ampla defesa. 10. Informa que as compensações foram efetuadas com os valores pagos, indevidamente, referentes a contribuições destinadas ao SESC, SENAC, Vale Transporte, SEBRAE, INCRA, terço constitucional de férias, SAT, multa moratória e diferenças de correção monetária pelo pagamento das contribuições previdenciárias antes do respectivo fato gerador. 11. Ataca a multa moratória por entender que o pagamento espontâneo do tributo, acrescido da correção monetária e dos juros de mora é causa excludente da responsabilidade pela infração e “em que pese a espontaneidade dos pagamentos, foi penalizada com a inclusão de multas sobre o valor total dos débitos dos valores que foram quitados durante o período compreendido entre 01/2007 e 12/2008”. 12. Sua conduta, de confessar e pagar em atraso as contribuições devidas ao INSS, demonstra boa fé, pelo que a imposição de multa moratória acarreta pesado fardo, “pois o pagamento tardio já é fruto da falta de condições financeiras para honrar o débito fiscal de forma integral na época em que exigido. É essa boa fé em sustar a irregularidade fiscal o fator fundamental a configurar a denúncia espontânea, sendo prescindível a comunicação expressa aos órgãos de arrecadação”. 13. Alega a não incidência de contribuição sobre valores pagos a título de terço constitucional de férias, por não representar contraprestação de trabalhos prestados, pelo contrário, já que “o segurado a recebe pela ausência ao trabalho!”. 14. Afirma que as compensações efetuadas estão de acordo com o disposto no artigo 66 da Lei nº 8.383/1991, que disciplina a compensação entre tributos da mesma espécie, sendo ilegais as restrições, trazidas pela Lei nº 9.129/1995 que, alterando o disposto no artigo Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 89 da Lei nº 8.212/1991, limitou a compensação à razão de 30% sobre os valores recolhidos em cada competência, o que configura enriquecimento ilícito da autarquia previdenciária, contrariando fortemente o disposto no inciso IV do artigo 150 da CF/88. 15. Expõe que “não é possível de ser imposta qualquer restrição à recorrente no sentido de que a compensação entre as indevidas quantias pagas a título de multa de mora em denúncia espontânea de si cobradas, seja efetuada com as demais contribuições sociais incidentes sobre salários e outras remunerações”. 16. Ataca, ainda, a multa imposta, por constituir penalidade confiscatória, tratandose de punição por descumprimento de obrigação acessória. “A multa imputada à Impugnante estampada no corpo da peça fiscal, ora impugnada, é absolutamente indevida como penalidade ante a completa ausência de disposição constitucional que à autorize”. 17. Requer seja decretada a total improcedência do Auto de Infração DEBCAD nº 37.348.9900 e declarada a inexistência do crédito tributário. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 207. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO CONTRIBUIÇÃO FACE A CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVAS Quanto a alegação de incompreensível glosa relativa aos pagamentos efetuados pela impugnante à UNIMED, já que se trata de plano de saúde pago aos colaboradores, não confiro razão ao recorrente. Em primeiro lugar, cumprenos esclarecer que não se trata de levantamento de glosa (cabível apenas nos casos de compensação indevida), mas lançamento de contribuições sobre a contratação de cooperativas (conforme DAD), no período de 01/2007 a 12/2008. A lei 8212/91, que descreve as regras de custeio de contribuições previdenciárias, é expressa ao determinar a incidência da contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, sobre faturas/notas fiscais que, como no caso vertente, se refiram a prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho na área de saúde, como é caso da UNIMED, senão vejamos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (.) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluido pela Lei n° 9.876, de 1999). Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas. O argumento de que a contratação visava fornecer plano de saúde aos seus colaboradores não tem o condão de afastar a incidência de contribuições sobre as NF das cooperativas de trabalho contratada. Da mesma forma, não existe respaldo para o argumento que a UNIMED não forneceria os serviços de seus cooperados diretamente, caracterizando apenas contratação de plano de saúde. O objetivo da constituição de uma cooperativa nada mais é por definição legal, do que a prestação de serviços em nome dos seus cooperados sem finalidade lucrativa. Assim, a UNIMED – Cooperativa Médica, trabalha em nome de seus cooperados prestando serviços na área médica, porém os serviços inclui a prestação de mão de obra (sobre o qual há Fl. 447DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 incidência) e fornecimento de outros procedimentos. Contudo, o legislador, já vislumbrando dita possibilidade, determinou uma base de calculo diferenciada, conforme descrito n lançamento em tela. Valhome ainda, de informação descrita no sitio http://www.unimed.com.br/pct/ index.jsp?cd_canal=58672&cd_secao=58671, que descreve que atualmente o Sistema Unimed tem 32% de participação no mercado nacional de planos de saúde, atendendo 15,1 milhões de clientes. São 377 cooperativas médicas com abrangência em 74,9% do território nacional, nas quais 106 mil médicos cooperados desenvolvem suas atividades. Observase que a decisão de primeira instância rebateu ditos argumentos pontualmente, não tendo o recorrente apresentado qualquer fato novo, ou prova de que os serviços ali destacados não e referiam aos serviços médicos ou que inexistiu a contratação. Observase que a cooperativa é conceituada como uma sociedade de pessoas sem fins lucrativos, constituída com a finalidade de prestar serviços a seus associados na forma estabelecida pela Lei n° 5.764/71. A cooperativa de trabalho é uma das espécies de cooperativas previstas na legislação e tem como objetivo intermediar as relações entre seus associados e terceiros contratantes. Tratase, portanto, de mera agenciadora das atividades dos cooperados, não produzindo bens ou serviços próprios. Por não se tratar de trabalho subordinado, não se estabelece vínculo empregatício entre a cooperativa e seus cooperados, mantendo, esses últimos, a qualidade de contribuintes individuais (parágrafo único do artigo 284 da Instrução Normativa SRP n° 003/05). Portanto, a contribuição em tela incide sobre a contratação de serviços prestados por pessoas físicas, sendo este apenas intermediado pela cooperativa de trabalho. E a remuneração do segurado contribuinte individual filiado à cooperativa de trabalho decorre da prestação de serviços por intermédio da cooperativa às pessoas físicas ou jurídicas (artigo 285 da IN SRP n° 003/05). Ou seja, a nota fiscal ou fatura emitida pela cooperativa encontrase diretamente relacionada à remuneração do cooperado e por esse motivo, foi utilizada como base para cálculo da contribuição em tela. Assim, ao contratar e registrar contabilmente os pagamentos a cooperativa, passou o recorrente a ser sujeito passivo da obrigação que ora se lança. DAS COMPENSAÇÕES INDEVIDAS Primeiro não há que se falar em lançamento equivocado, posto que entende o recorrente que não houve falta de pagamento, mas apenas compensação de valores indevidos. Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise dos relatórios, planilhas e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações independente do transito em julgado de ações judiciais, já que não foi possível identificar a verdadeira alegação de origem dos créditos, posto que mesmo intimado o contribuinte não apresentou os esclarecimentos necessários acerca das origens dos crédits. As contribuições, que segundo o recorrente teria direito de compensar são as contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados em dobro a segurados empregados em razão de serviços prestados em domingos e feriados, sem a respectiva compensação (Súmula 146 do Tribunal Superior do Trabalho – TST), contribuições para o SESC, SENAC e SEBRAE, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 6 9 razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e incidentes sobre os pagamentos de terço constitucional de férias). Ao observarmos o andamento dos processos em questão, identificase que não houve transito em julgado, impossibilitando, legalmente a compensação dos créditos, como efetuado pela empresa. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de o ato administrativo do lançamento não restou motivado não confiro razão ao recorrente, posto que a autoridade fiscal, identificou devidamente os fatos geradores, mensalmente tanto no relatório fiscal, como nos relatórios que compõem o auto de infração. Ademais entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu a sentença proferida, posto que realizou compensações sem que o processo judicial em que pleiteia o direito a restituição tivesse caráter definitivo. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar as bases em que teriam sido realizadas tais compensações, juntando a prova contábil da origem dos valores, bem como da sua realização durante o período objeto do presente lançamento. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo Fl. 449DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Conforme descrito pelo auditor e reforçado pelo órgão julgador, não há sentença transitado em julgado que autorize o recorrente a realizar a compensação, nem tampouco foi declarada a inconstitucionalidade das verbas objeto de lançamento de contribuições. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 7 11 Face o exposto não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida, tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado. FATOS GERADORES OBJETO DE GLOSA DE COMPENSAÇÕES Quanto a possibilidade de órgãos administrativos manifestaremse acerca da constitucionalidade de lei discordo do posicionamento adotado pelo recorrente. No mérito o argumento do recorrente é no sentido de que a contribuição obre as notas ficais, pelo serviço prestado por cooperativa de trabalho é inconstitucional. Nesse sentido, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições pautada na lei n° 9.876/1999 institui contribuição (nova) não prevista no texto constitucional., determinando a exigência de contribuições sobre a faturas de cooperativas de trabalho, frisese que, assim ,como já defendido pela autoridade julgadora, entendo que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras previstas na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis contribuições sobre as faturas emitidas pela contratação de Cooperativas de Trabalho médico. Entendo assim, que externado pelo próprio recorrente, que a Constituição da República é clara ao definir as competências para apreciar questionamentos de constitucionalidade, seja por via de controle abstrato (concentrado), seja em via de controle concreto (difuso). E clara também a Carta Magna em reservar apenas aos órgãos do Poder Judiciário a competência para declarar a constitucionalidade ou não de atos normativos. Assim sendo, a esfera administrativa não é o foro adequado para discussões acerca da constitucionalidade das leis e dos atos normativos, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto n° 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória n° 449/2008, e posterior lei 11.941/2009, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " § 6o 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) I — que _Id tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) II— que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 b) súmula da AdvocaciaGeral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contudo, observase que no lançamento em questão, a autoridade fiscal, cumpriu todos os dispositivos da legislação previdenciária que abarcam a matéria. QUANTO AO SAT Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 8 13 Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 9 15 “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3º do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1º da Constituição Federal pelo já exposto. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Quanto ao lançamento referente ao pagamento de feriados e domingos trabalhados e não convertidos em repouso e sobre 1/3 de férias. Quanto ao argumento do recorrente que não constituiriam salário de contribuição razão não lhe confiro. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, contudo a verba paga em razão da conversão de repousos e feriados em trabalho, nada mais é do que verba salarial, paga em dobro, fazendo consistir em salário de contribuição. Não se trata de verba indenizatória, post que realizado o trabalho, sendo o mesmo remunuerado. Da mesma forma, entendo não existir qualquer respaldo para exclusão do valor de 1/3 de férias da base de cálculo de contribuição. Aliás, não existe reparo a ser feito na decisão proferida, no que se refere ao terço constitucional de férias, tendo em vista que o artigo 28, parágrafo 9º, alínea “d” da Lei nº 8.212/1991, determina que não incide contribuição previdenciária apenas sobre as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e seu respectivo terço constitucional. O contribuinte não comprova que os valores referentes ao terço constitucional de férias, por ele compensados, tenham natureza indenizatória. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que a referida parcela não integra a base de cálculo das contribuições. Só não haverá integração se houver a devida previsão legal. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 10 17 Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Quanto a contribuição destinadas a terceiros A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE também estão previstas em lei, conforme fundamentação legal descrita no relatório, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº Fl. 457DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ com relação a contribuição destinada ao SESC e SENAC, independente da atividade exercida, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Quanto a cobrança da TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Fl. 458DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/201191 Acórdão n.º 2401003.129 S2C4T1 Fl. 11 19 Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais QUANTO A MULTA MORATÓRIA Quanto a multa entendo que não merece qualquer reparo a decisão, considerando que no próprio relatório procedeu a autoridade fiscal ao comparativo da multa, de acordo com o disciplinado na lei 11.941. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 459DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10880.914904/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 49 04 /2 00 9- 56Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório A contribuinte alegou que no período situado entre agosto/2004 até dezembro/2007 efetuou recolhimento indevido de PIS/PASEP e Cofins sobre encargos financeiros, cobrados em relação as vendas a prazo de seus produtos e mercadorias, por conseguinte resultando crédito por pagamento a maior ou indevido. Partindo dessa premissa transmitiu o Per/Dcomp em 15/07/2008 e, decorrente dessa operação, a fiscalização emitiu o Despacho Decisório de 23/10/2009, concluindo pela insuficiência de saldo credor o bastante para realização da compensação declarada, eis que da análise do limite do crédito informado na data da transmissão, verificouse que o mesmo foi utilizado integralmente para a quitação de outros débitos próprios. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade, deduzindo sucintamente: (i) – A cobrança é descabida nas vendas a prazo, que não configura hipótese de incidência de tributos tais como o IPI, ICMS, PIS/PASEP e Cofins, que possuem a mesma base de cálculo qual seja, a venda de produtos ou mercadorias vendidas. (ii) – os encargos financeiros revelam típicas operações de cunho financeiro submetidas, em última análise, ao IOF. (iii) – tratandose de indébito tributário elaborou planilha analítica dos créditos tributários em seu favor (CTN, art. 165, I) e providenciou a compensação dos mesmos com outros tributos administrados pela RFB, nos moldes da Lei nº 9.430/96, art. 74 (com redação dada pela Lei 10.637/02), consubstanciado ainda no art. 368 do Código Civil. (iv) – A compensação declarada encontrase de acordo com a regra matriz de incidência tributária constitucional, com fundamento nos arts. 149, 195 e 239, da CF/88, cuja base de cálculo é o faturamento, ou seja, o valor cobrado pela mercadoria. Assim, não se pode incluir na base de cálculo de tais contribuições os encargos financeiros cobrados nas vendas a prazo, haja vista que tais encargos revelam a hipótese de incidência de outro tributo, qual seja: o IOF.Que reiteradas decisões do STF e STJ demonstram a plausibilidade da tese que visa excluir da base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins os valores cobrados a título de encargos financeiros relativos ao financiamento do preço da mercadoria. Colorário disso, a manifestante tem o direito líquido e certo de realizar a compensação dos valores pagos indevidamente. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.914904/200956 Acórdão n.º 3803004.289 S3TE03 Fl. 8 3 (v) – o direito à repetição e compensação do indébito tributário encontrase consubstanciado nos arts. 165, I e 170, do CTN; no art. 74, §§ 1o e 2o, da Lei nº 9.430/96; nos arts. 1o, 2o, 3o e 4o, da Lei nº 9.784/99, que regula os atos do processo administrativo federal. Finalmente a Manifestante concluiu em suas deduções pela existência de direito líquido e certo à compensação de valores pagos indevidamente a título de PIS/PASEP e Cofins, para postular pela homologação da compensação declarada. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 9ª Turma da DRJ/SP1, quando em sessão realizada em 12/05/11, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 16 31.492, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal contra motivada decisão que – por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado – expressa a inexistência de saldo pra fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. VENDAS A PRAZO. Nas vendas a prazo, o custo do financiamento, contido no valor dos bens ou serviços ou destacado na nota fiscal, integra a receita bruta da venda de bens e serviços, não constituindo, portanto, receita financeira. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. O voto condutor do acórdão supramencionado, em apertada síntese, constatou que o recolhimento indicado pela manifestante foi integralmente utilizado para quitação de débitos, ou dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 “conta corrente” da Receita Federal do Brasil – RFB saldo disponível para compensação; que o DARF foi consumido integralmente na extinção de débitos regularmente registrados nos arquivos fazendários. Assinalou, ainda, que os débitos dos contribuintes decorrem de lançamento e/ou de confissão de dívida, sendo necessária a regular desconstituição do título no qual foi assentado o crédito tributário para que o DARF a este vinculado resulte disponível para eventual restituição ou compensação. E uma vez confessada a dívida ou havido e mantido o lançamento, têmse para a Administração um débito legítimo a ser extinto pelo pagamento. Aludiu o voto condutor que sendo a dívida confessada de inteira responsabilidade do contribuinte, cumpre ao próprio sujeito passivo – ressalvados os casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato – desconstituir a dívida pela regular correção do documento de confissão, o que não foi efetuado. Mencionou o referido voto o ADN COSIT nº 73/93, que remete ao art. 2o da LC nº 07/90, que estipulava que a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal, assim considerada a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, daí que a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins pela Lei 9718/98, em nada afetou a inclinação desse ato normativo. Concluiu, enfim, que a contribuinte não trouxe aos autos documentos, provas e elementos concretos que pudessem estabelecer limites, os contornos e real natureza dos chamados encargos financeiros; que o ônus da prova é do contribuinte que não traz qualquer documento que comprove o alegado, e que aqueles colacionados aos autos não são o bastante para operar a liquidez e certeza do crédito declarado. Ciente do teor do decidido no acórdão de piso em 10/06/2011 (vide AR), irresignada a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 06/07/2011, de acordo com o carimbo de protocolo estampado no próprio apelo. Em caráter de preliminar indica que a ação fiscalizadora resultou em cerceamento de defesa, eis que não houve qualquer comunicação por parte da Administração em face da não homologação, em razão da possibilidade de a recorrente apresentar a sua justificação em relação dos créditos aproveitados, tendo em vista a formulação do juízo de convencimento do julgador. No mais reiterou, minudentemente, os argumentos expendidos na exordial, colacionando aos autos a título de comprovação do alegado planilha que identifica créditos relacionados às contribuições para o PIS e Cofins. A recorrente requereu a reforma do despacho decisório e da decisão de piso, para fins de homologação do crédito compensado e, não sendo este o entendimento majoritário, reiterou o pedido para a conversão do julgamento em diligência, nos termos do inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na exordial e apelo, possibilitando, assim, a ampla defesa e o contraditório. Finalmente requereu pelo deferimento do pedido para sustentação oral quando do julgamento do recurso voluntário, ocasião em que deverá ser intimada a recorrente e o seu procurador constituído nos autos, Walter Carvalho de Brito, com escritório na Alameda Santos, 455, 16o andar, Conjunto 1609, CEP 01.519000, Jardins, São Paulo, quando da designação da data de julgamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.914904/200956 Acórdão n.º 3803004.289 S3TE03 Fl. 9 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios nos períodos situados entre agosto/2004 e dezembro/2007, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico, que atesta a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão pronunciouse quanto ao limite do valor do crédito original utilizado integralmente na extinção de outros débitos próprios regularmente informados pela contribuinte, não restando saldo credor suficiente para à satisfação da compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo mantevese escorreita a decisão recorrida, quando assinalou que a não homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, não ocorreu in casu, por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência e a regularidade do crédito alegado na DComp, uma vez que a planilha tão somente não tem o condão de imprimir certeza e liquidez ao direito creditório informado no Per/DComp, nos moldes preconizados no art. 170 do CTN, para o fim do disposto no art. 156, II, do mesmo diploma legal. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/Dcomp e, por tal razão, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. A recorrente não laborou em demonstrar de forma inconteste a existência do crédito alegado, nem tampouco infirmar as razões de decidir do despacho decisório e da decisão de primeira instância, mesmo tendo a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez, oportunamente. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de Sessões de 26 de junho de 2013 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.915904/2008-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2000
PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000.
As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).
Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3802-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.03724 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.03725, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 04 /2 00 8- 92 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 45/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS relativo ao fato gerador de 31/10/2000. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 46.704,56 – código de receita 8109) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 17/06/2011 (vide AR de fls. 54), a interessada, em 18/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCT. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915904/200892 Acórdão n.º 3802001.992 S3TE02 Fl. 98 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 45/52, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.037 25, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, d) que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Do mérito Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037 25, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915904/200892 Acórdão n.º 3802001.992 S3TE02 Fl. 99 5 Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...] No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção do PIS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de outubro de 2000, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de outubro de 2000, resta claro que não há fundamento legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento do PIS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915904/200892 Acórdão n.º 3802001.992 S3TE02 Fl. 100 7 Da conclusão Com estas considerações, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902409/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 24 09 /2 00 9- 40 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902409/200940 Acórdão n.º 3801002.191 S3TE01 Fl. 311 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/09/2001. Por intermédio do despacho decisório de fl. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) foi alocado para o débito declarado conforme Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 09/23, na qual alega, em síntese, que: I. A contribuinte auferiu na competência em questão receitas constituídas de valores outros que não a venda de veículos e serviços correlatos (oficina mecânica e outros que compõe o objeto social da empresa), receitas essas que juridicamente não estavam sujeitas à incidência de PIS e Cofins, dada a irregularidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e Cofins; II. A lei ordinária, ao fixar novo conceito de faturamento, abarcando todas as receitas auferidas pela empresa, sem qualquer distinção, acabou por imiscuirse em matéria privativa de lei complementar (majoração de base de cálculo) criando uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social; III. O dispositivo em questão é inconstitucional, pois fere o art. 146 e 195 da Constituição Federal, além de violar o art. 110 do Código Tributário Nacional, alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado; IV. De acordo com a doutrina, faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços. Sendo o faturamento uma espécie de receita, forçoso concluir que o Fl. 311DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902409/200940 Acórdão n.º 3801002.191 S3TE01 Fl. 312 3 primeiro, dada a qualificação, não abrange a segunda, razão pela qual é conceito jurídico limitado e assim deve ser interpretado pelo jurista; V. O Supremo Tribunal Federal, por seu pleno, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, ao julgar os RREE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal; VI. Demonstrada a ilegitimidade da cobrança do PIS e da Cofins sobre as receitas não provenientes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços no período que se cuida, não há razão para se considerar inexistente o crédito apontado na PER/DCOMP; VII. Ao final, requereu que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de que se reconheça a existência do direito ao crédito e conseqüentemente à compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 35/37, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraída de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 41 a 64, no qual, na essência, apresenta as seguintes alegações : Fl. 312DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902409/200940 Acórdão n.º 3801002.191 S3TE01 Fl. 313 4 • Conforme demonstram os julgados transcritos, não só o STF já consolidou a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em questão, como os demais tribunais nacionais assim o fizeram; • Deste modo, considerando especialmente os termos do artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, sendo certo que a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi inequivocamente declarada pelo STF, é de se reconhecer o direito creditório da recorrente; • Quanto à comprovação documental do crédito, argumenta que efetuou tal prova por meio do registro e indicação do crédito na PER/DCOMP (comprovante de pagamento – DARF); • Além disso, a falta de comprovação não foi o motivo da não homologação, e sim considerar que a recorrente não possuía o direito creditório; • Por fim, argumentase que a comprovação é facilmente extraída do cruzamento das DCTF com as DIPJ, que demonstram os montantes a que a empresa faz jus. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de resolução exarada, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência a fim de: 1. Verificar se o contribuinte possui ação judicial relativa à Lei nº 9.718/98; 2. Apurar a base de cálculo do PIS devido pela recorrente no PA setembro/2001 e a contribuição correspondente, considerando o disposto na LC nº 70/91; 3. Intimar a recorrente do resultado do item acima para, se assim desejar, apresentar complementação ao recurso voluntário interposto, relativamente à diligência realizada, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Realizada a diligência, a fiscalização, após intimar o contribuinte a apresentar documentação comprobatória dos créditos declarados, demonstrou que, considerando que as receitas operacionais não podem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de fato, existem créditos do contribuinte que são passíveis de compensação. Em apuração realizada, a fiscalização demonstrou, de forma detalhada, os aludidos créditos. Intimado sobre as conclusões da fiscalização, o Recorrente não se manifestou. Assim, os autos foram remetidos para julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902409/200940 Acórdão n.º 3801002.191 S3TE01 Fl. 314 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902409/200940 Acórdão n.º 3801002.191 S3TE01 Fl. 315 6 No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Concluise, assim, ser improcedente a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente no limite dos créditos apontados pela fiscalização, que foram levantados de acordo com a análise dos documentos e escriturações fiscais do contribuinte. Ressaltese que, como relatado acima, não houve oposição do Recorrente com relação aos valores levantados, mesmo tendo sido expressamente intimado a se manifestar. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902409/200940 Acórdão n.º 3801002.191 S3TE01 Fl. 316 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite dos valores levantados pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10074.720662/2011-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2010
Ementa:
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES CULPOSAS. ART. 136 DO CTN. BOA-FÉ DO INFRATOR. IRRELEVÂNCIA.
A boa-fé do contribuinte não impede a incidência de multa quando este comete sem dolo, mas culposamente, uma infração tributária.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO A LANÇAR. CABIMENTO DA MULTA. ART. 113, §2º DO CTN.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória incide mesmo se, no caso concreto, não houver tributo a lançar, uma vez que a obrigação acessória é instituída a bem não apenas da arrecadação, mas da própria atividade fiscalizatória.
ARTS. 84 DA MP 2.158-35 E 69 DA LEI 10.833/03. MULTA MÍNIMA DE R$500,00. INCIDÊNCIA POR ADIÇÃO DE DI.
A multa mínima de R$500,00 prevista no art. 84, §1º da MP nº 2.158-35 aplica-se para cada adição da DI, e não para cada DI incorretamente preenchida.
AFERIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, RAZOABILIDADE E NÃO-CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE.
É defeso ao CARF, a teor do art. 62 do seu regimento, reconhecer a inconstitucionalidade de lei fora das hipóteses excepcionais do parágrafo único do mesmo artigo.
Numero da decisão: 3403-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que votou no sentido de que a apuração da multa mínima deve ser referida à DI e não repartida por cada adição.Sustentou pela recorrente o Dr. Hélio Barthem Neto, OAB/SP 192.445.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2010 Ementa: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES CULPOSAS. ART. 136 DO CTN. BOA-FÉ DO INFRATOR. IRRELEVÂNCIA. A boa-fé do contribuinte não impede a incidência de multa quando este comete sem dolo, mas culposamente, uma infração tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO A LANÇAR. CABIMENTO DA MULTA. ART. 113, §2º DO CTN. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória incide mesmo se, no caso concreto, não houver tributo a lançar, uma vez que a obrigação acessória é instituída a bem não apenas da arrecadação, mas da própria atividade fiscalizatória. ARTS. 84 DA MP 2.158-35 E 69 DA LEI 10.833/03. MULTA MÍNIMA DE R$500,00. INCIDÊNCIA POR ADIÇÃO DE DI. A multa mínima de R$500,00 prevista no art. 84, §1º da MP nº 2.158-35 aplica-se para cada adição da DI, e não para cada DI incorretamente preenchida. AFERIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, RAZOABILIDADE E NÃO-CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso ao CARF, a teor do art. 62 do seu regimento, reconhecer a inconstitucionalidade de lei fora das hipóteses excepcionais do parágrafo único do mesmo artigo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que votou no sentido de que a apuração da multa mínima deve ser referida à DI e não repartida por cada adição.Sustentou pela recorrente o Dr. Hélio Barthem Neto, OAB/SP 192.445. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2010 Ementa: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES CULPOSAS. ART. 136 DO CTN. BOAFÉ DO INFRATOR. IRRELEVÂNCIA. A boafé do contribuinte não impede a incidência de multa quando este comete sem dolo, mas culposamente, uma infração tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO A LANÇAR. CABIMENTO DA MULTA. ART. 113, §2º DO CTN. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória incide mesmo se, no caso concreto, não houver tributo a lançar, uma vez que a obrigação acessória é instituída a bem não apenas da arrecadação, mas da própria atividade fiscalizatória. ARTS. 84 DA MP 2.15835 E 69 DA LEI 10.833/03. MULTA MÍNIMA DE R$500,00. INCIDÊNCIA POR ADIÇÃO DE DI. A multa mínima de R$500,00 prevista no art. 84, §1º da MP nº 2.15835 aplicase para cada adição da DI, e não para cada DI incorretamente preenchida. AFERIÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, RAZOABILIDADE E NÃOCONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso ao CARF, a teor do art. 62 do seu regimento, reconhecer a inconstitucionalidade de lei fora das hipóteses excepcionais do parágrafo único do mesmo artigo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 06 62 /2 01 1- 51 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que votou no sentido de que a apuração da multa mínima deve ser referida à DI e não repartida por cada adição.Sustentou pela recorrente o Dr. Hélio Barthem Neto, OAB/SP 192.445. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Em auditoria iniciada em 28 de junho de 2011, a RFB identificou diversas importações realizadas pela recorrente, entre janeiro de 2007 e outubro de 2010, com exportadores estrangeiros com os quais mantinha vínculo societário direto ou indireto; nas respectivas Declarações de Importação – DIs, contudo, a recorrente informara que as partes não eram vinculadas (fls. 25/347 e 561). A existência de vinculação societária entre importador e exportador é uma das informações a que o importador está obrigado a prestar na DI, segundo a IN/RFB nº 680/06, que para logo se transcreve: “Art. 4º. A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. (...) Anexo Único. INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR: (...) 44.1 – Método de Valoração. Método utilizado para valoração da mercadoria, conforme a tabela ‘Método de Valoração’, administrada pela SRF, e indicativo de vinculação entre o comprador e o vendedor” Fl. 802DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10074.720662/201151 Acórdão n.º 3403002.417 S3C4T3 Fl. 10 3 Diante da constatação, lavrouse o presente auto de infração (fls. 2/33), em 10 de outubro de 2011, para lançamento da multa prevista nos arts. 84 da MP nº 2.15835 e 69 da Lei nº 10.833/03, que já ficam aqui igualmente transcritos: (a) MP nº 2.15835/01: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior”. (b) Lei nº 10.833/03: “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. §1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §2o As informações referidas no §1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e Fl. 803DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 V portos de embarque e de desembarque”. Em impugnação (fls. 614/646), a recorrente reconheceu – tal como já houvera feito na fase investigatória – a existência do vínculo societário com as exportadoras, e debitou a informação incorreta das DIs à conta de lapso cometido com boafé. Pediu, no entanto, o cancelamento, total ou ao menos parcial, da multa aos seguintes fundamentos: (a) inexistência de qualquer prejuízo ao erário, uma vez que as importações foram valoradas a parâmetros asrm’s length, tanto que não houve lançamento de tributos aduaneiros ao final da fiscalização; (b) as infrações deveriam ser consideradas como “continuadas”, com aplicação de uma única multa singular para todas elas, e não para cada mercadoria importada; (c) o valor mínimo de R$500,00 da multa deveria ser calculado por DI e não por adição de DI; (d) as multas violam os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. A DRJFlorianópolis/SC (fls. 715/726) manteve as autuações, sobrevindo, então, tempestivo recurso voluntário (fls. 733/769) com os mesmos argumentos da impugnação. É o relato. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Recurso voluntário bem preparado e tempestivo, do qual se conhece. 1 BoaFé da Recorrente – Exegese do art. 136 do CTN. O préstimo de informações sobre a existência de vínculo societário entre importador e exportador é obrigação tributária acessória a cargo do importador (IN nº 680/06, art. 4º e anexo único, item 44.1). Tal informação é claramente relevante para a autoridade aduaneira, uma vez que a existência de vínculo societário entre as partes repercute, ou pode repercutir, na definição do valor aduaneiro da operação (AVAGATT, art. 1º) e na incidência de regras de preços de transferência (Lei nº 9.430/96, art. 18). O descumprimento, ou cumprimento deficiente, dessa obrigação acessória é, assim, hipótese de incidência da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria (MP nº 2.15835, art. 84 e Lei nº 10.833/03, art. 69). Esse descumprimento é fato incontroverso nos autos. Franca, a recorrente desde sempre afirmou a existência dos vínculos societários com os exportadores e, por conseguinte, o equívoco cometido no momento de preenchimento das DIs. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10074.720662/201151 Acórdão n.º 3403002.417 S3C4T3 Fl. 11 5 Tudo está a indicar que equivocouse sem máfé, afinal muitas outras DIs foram por ela transmitidas indicando os mesmos exportadores e a existência do vínculo. Aliás, foram essas outras DIs corretamente preenchidas que suscitaram o interesse da administração tributária na fiscalização da empresa. A boafé do contribuinte, contudo, não é fator capaz de afastar a incidência da norma sancionadora in casu. Regra geral – e aqui não há norma especial que a iniba –, a infração tributária é dita “formal” e independe da intenção do agente, conforme quer o art. 136 do CTN: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Doutrina e jurisprudência, é certo, por vezes mitigam o alcance da norma, aplicandoa em conjunto com a regra de equidade (CTN, 108, IV), sempre que as circunstâncias materiais ou pessoais do caso concreto o justificarem. A meu ver, o art. 136 não veicula verdadeira responsabilidade objetiva do contribuinte faltoso, isto é, responsabilidade independente de culpa; antes, consagra a responsabilidade independente de dolo. Essa é, para mim, a flexibilização hermenêutica admissível ao art. 136. Luciano Amaro comunga o entendimento: “O art. 136 não afirma a responsabilidade tributária sem culpa (...). Em suma, parecenos que não se pode afirmar ser objetiva a responsabilidade tributária (em matéria de infrações administrativas) e, por isso, ser inadmissível todo tipo de defesa do acusado com base na ausência de culpa. O que, em regra, não cabe é a alegação de ausência de dolo para eximirse de sanção” (grifos originais) (direito tributário brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 445/446). No caso dos autos, não vislumbro intenção da recorrente de ocultar o vínculo societário com seus fornecedores estrangeiros. Mas, por outro lado, não se pode dizer que não tenha havido culpa sua; o equívoco no preenchimento das DI decorreu, certamente e no mínimo, de imperícia ou negligência sua. Por isso, mesmo encampando uma exegese mais suavizada do art. 136, ainda assim não se poderá afastar aqui a sanção cominada à recorrente pela só constatação de sua boafé. 2 Inexistência de Prejuízo ao Fisco. Autonomia da Obrigação Acessória. Tudo indica, ainda, que as partes, mesmo sob vínculo societário, praticaram preços arm’s length. Tanto assim que o Fisco, após constatar ligação societária entre elas, não reviu o valor aduaneiro das importações, aceitando como tal o valor da operação entre elas consertado. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Isso significa que o descumprimento da obrigação acessória pela recorrente não retardou a incidência de norma tributária principal, e nesse aspecto podese dizer que não houve prejuízo ao sujeito ativo. Isso, contudo, não pode afastar a incidência de sanção pelo descumprimento da obrigação acessória. O CTN consagra a autonomia das obrigações tributárias principal e acessória. Esta última convertese em penalidade pecuniária “pelo simples fato de sua inobservância” (art. 113, §3º), sem qualquer perquirição quanto à influência desta inobservância sobre a obrigação principal. Não estou aqui a negar o caráter instrumental da obrigação acessória. Como ensina a melhor doutrina, esta “nenhuma finalidade pode ter, além daquela de viabilizar o controle do adimplemento da obrigação principal” (Brito Machado, Hugo de. Comentários ao CTN. vol. II. São Paulo: Atlas, 2004. p. 302). A pertinência da obrigação acessória com a obrigação principal deve, contudo, ser sempre aferida em tese, não caso a caso. O que a doutrina não admite é uma obrigação acessória que, potencialmente, em nada se relacione a uma obrigação principal qualquer, que em nenhuma hipótese concreta possa ser útil à atividade da administração tributária na busca do tributo. Realmente, “não teria sentido obrigar o comerciante (...) a manter escrituração de todas as compras, e de todas as vendas em livros especificamente a este fim destinados (...) se não existissem tributos incidentes sobre a produção e a circulação de mercadorias, e sobre a renda de tais pessoas” (Brito Machado, Hugo de. Comentários ao CTN. vol. II. São Paulo: Atlas, 2004. p. 302). Então, a pergunta que cabe aqui é: exigir do importador que preste declaração informando se há vínculo societário com exportador é potencialmente útil à aferição das obrigações tributárias principais aduaneiras? A resposta: sim, pois a regra de identificação da base de cálculo dos tributos aduaneiros pode variar conforme haja ou não esse vinculo. Isso é o quanto basta para que essa obrigação acessória passe no teste da instrumentalidade. Agora, se, em um caso concreto, essa informação não se revelar necessária – porque, com ou sem vínculo, o valor de operação for aceito como base tributável –, nem por isso a obrigação de prestála pode ser dispensada. Lembrese que a obrigação acessória serve ao “interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos” (CTN, art. 113, §2º). Se a obrigação acessória auxiliar o fisco a identificar a inexistência de obrigação principal em determinado caso, ainda assim sua exigência terá sido plenamente justificada. É, pois, uma meiaverdade que o lapso da recorrente não tenha causado prejuízo ao fisco. Não lhe trouxe prejuízo em termos de arrecadação, mas foi, sim, prejudicial em termos de fiscalização, tolhendolhe a prerrogativa de definir os canais de controle aduaneiro que entendesse aplicáveis se soubesse tempestivamente do vínculo entre as partes. Se a inexistência de obrigação principal justificasse a inobservância das respectivas obrigações acessórias que a permitem fiscalizar, estaria instalado o caos na administração tributária. O contribuinte que não auferiu receita alguma em determinado mês ignoraria a obrigação de transmitir DCTF; a entidade imune auferiria superávits na mais absoluta informalidade contábil etc. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10074.720662/201151 Acórdão n.º 3403002.417 S3C4T3 Fl. 12 7 Enfim, a obrigação acessória não fica dispensada em razão da circunstancial inexistência de crédito tributário principal a lançar; por conseguinte, a sanção pelo respectivo descumprimento há de incidir. 3 Infração Continuada. Subsidiariamente, pede a recorrente que as milhares de DIs incorretamente preenchidas ao longo de 46 meses sejam catalogadas como infração continuada, aplicandose a multa uma única vez. O pleito carece de sentido matemático. Ora, a multa cominada é de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas. Se fôssemos considerar todas as DIs como uma única infração, a base de cálculo da multa por essa única infração haveria de ser, necessariamente, a soma de todas as DIs. Daí que tanto faz aplicar 1% sobre o valor de cada mercadoria ou, como quer a recorrente, aplicar 1% sobre o valor total de todas as importações. A caracterização de infração continuada somente é útil quando a multa aplicável tem valor fixo. Se a multa dos arts. 84 da MP nº 2.15835 e 69 da Lei nº 10.833/03 fosse, por exemplo, de R$5.000 para cada informação incorreta, o acolhimento do argumento de infração continuada seria extremamente relevante, pois redundaria em uma única multa de R$5.000. Não sendo esse o caso, o “continuísmo delitivo” pleiteado resta irrelevante. Caso o valor equivalente a 1% das mercadorias importadas seja inferior a R$500, aplicase, aí sim, uma multa fixa mínima de R$500 (MP nº 2.15835, art. 84, §1º). Tratase, contudo, de valor mínimo, somente aplicável quando 1% do valor aduaneiro sejalhe inferior. No caso dos autos, o equivalente a 1% do valor total das mercadorias importadas resulta muitíssimo superior ao valor mínimo, que, por isso, não tem aplicação. 4 Multa por DI x Multa por Adição de DI. Também subsidiariamente, pede a recorrente que a multa seja calculada por DI e não por adição de DI. Adições são capítulos da DI onde o importador presta informações complementares e específicas de cada mercadoria objeto da DI (cf. Manual do Despacho de Importação disponível no site da RFB). Pois bem. A princípio, o pleito padece da mesma perplexidade matemática referida no capítulo acima, afinal o valor da DI equivale à soma dos valores de suas respectivas adições. O pedido ganha, contudo, utilidade nos casos – bastante frequentes – em que se aplica o valor mínimo de R$500. Imaginese, por exemplo, uma DI de R$20.000, cujo valor é dividido em duas adições de R$10.000 cada. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Para cada adição aplicarseia, então, multa de R$100 (1% de R$10.000), substituída cada qual pelo mínimo de R$500, resultando em uma multa total de R$1.000 (R$500 x 2). Se o cálculo considerasse cada DI como unidade, como quer a recorrente, a multa seria de R$200,00 (1% de R$20.000), substituída pelo mínimo de R$500. Portanto nesse exemplo, o pleito da recorrente implicaria em multa total de R$500, e não de R$1.000. Embora tenha sentido matemático, o argumento não tem fundamento jurídico. É que, na dicção clara do art. 84, caput da MP nº 2.15835, a multa incide, à alíquota de 1%, sobre “o valor aduaneiro da mercadoria”. A mercadoria – e não a DI – é, pois, o parâmetro para fixação da multa; a multa mínima fixa de R$500,00 substitui essa multa cuja referência é a mercadoria, portanto o mínimo deve ser aferido para cada mercadoria e não para cada DI. E como cada adição referese a um tipo de mercadoria, a multa mínima deve ser considerada para cada adição, e não para cada DI. A recorrente afirma que essa maneira de calcular a multa redunda em situações teratológicas; menciona algumas adições de valor irrisório, inferior R$10,00, que redundam em multa de R$500, ou seja, multa 5000% superior ao valor do bem importado. Não é verdade que seja assim, pois da mesma forma que a lei estipula o mínimo de R$500,00, também limita um teto de 10% do valor da mercadoria (art. 60, caput da Lei nº 10.833/03). Em resumo: a multa é de 1% do valor da mercadoria; se esse valor for inferior a R$500,00, a multa fica em R$500,00; mas, se R$500,00 significarem mais de 10% do valor da mercadoria, então a multa será de 10% do valor da mercadoria. Portanto, para uma adição de R$10,00, a multa é de R$1,00 (10% de R$10,00), e não de R$500,00 como alardeia a recorrente. Esse limite máximo foi observado pela auditoria, conforme evidenciam as duas últimas colunas da planilha de fls. 25/347. 5 Razoabilidade, Proporcionalidade e NãoConfisco. É ocioso investigar, aqui, se a multa fixada nos arts. 84 da MP nº 2.15835 e 69 da Lei nº 10.833/03 viola os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e nãoconfisco, considerando que o art. 62 do RICARF veda a este colegiado o afastamento de norma ao fundamento de inconstitucionalidade. 6 Conclusão. Em razão das considerações acima e repensando a posição que firmei sobre o tema ao julgálo em hipótese semelhante a esta – por ocasião da apreciação do recurso voluntário aviado no PAF nº 15224.001109/200953 – voto pelo desprovimento do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 808DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10074.720662/201151 Acórdão n.º 3403002.417 S3C4T3 Fl. 13 9 Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 809DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 29/09/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 13609.900290/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relato
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relato Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relato Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 00 29 0/ 20 09 -3 2 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.900290/200932 Resolução nº 3801000.516 S3TE01 Fl. 319 2 Relatório Adoto, por suficiente o relatório da DRJ, assim expresso: A contribuinte aqui identificada transmitiu Per/Dcomp de fls. 264/268 visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/09/2001. A Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 260) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignada com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificada em 04/03/2009 (fl. 261), a contribuinte apresentou, em 03/04/2009 (fl. 234), a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, com os argumentos a seguir resumidos. Alega que contabilizou indevidamente como receita, para fins de composição da base de cálculo da contribuição, um valor que representava uma recuperação de custos decorrente de créditos extemporâneos IPI, presumidamente considerado nas compras de insumos não tributados e isentos, na base da alíquota de 4%. Aduz que o lançamento na escrita fiscal se deu suportado em ação judicial, por intermédio da qual a manifestante obteve liminarmente o direito de realizar o referido crédito. Informa a interessada que utilizou o valor recolhido a maior, no montante de R$23.339,52, acrescido de Selic resultando em R$40.249,00 para a compensação da Cofins referente ao período de 10/2005, sendo que deixou de providenciar as necessárias retificações de Dipj e Dctf. Aduz que procedeu a retificação da Dipj (que faz anexar às fls. 09/113) na mesma data da manifestação de inconformidade, em 03/04/2009, requerendo seja apresentada posteriormente a retificação da Dctf. Por fim, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A Manifestação de Inconformidade foi Julgada Improcedente com base na seguinte ementa: AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Deixase de homologar a compensação quando não comprovado o crédito objeto da Declaração de Compensação Dcomp. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.900290/200932 Resolução nº 3801000.516 S3TE01 Fl. 320 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso no qual pede a homologação da compensação com base nos seguintes argumentos: Que o seu direito decorre do fato de que no ano de 2000, a REQUERENTE ajuizou na 22ª Vara Federal de Belo Horizonte/MG a ação declaratória de n.º 2000.38.00.0357324, buscando ver reconhecido o direito de manter o direito de créditos presumidos do IPI, na sua escrita fiscal, quando de aquisições de insumos isentos e não tributados, destinados a seu estabelecimento fabril. Que a ação foi sentenciada em 2003 favoravelmente reconhecendo o direito da RECORRENTE e que posteriormente por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o direito ao referido creditamento teve seu direito negado. Deparandose com a decisão do STF e considerando recente Lei de n.º 11.941/09, que admitiu pudessem ser parcelados débitos dos tributos federais vencidos até outubro de 2008, a RECORRENTE decidiu aderir e desistiu e renunciou aos recursos administrativos, originários de autos de infrações, que estavam a exigir os recolhimentos dos valores creditados. Assim diante da referida ação a RECORRENTE ao realizar os créditos dos chamado IPI PRESUMIDO, por não ser o imposto lançado nas notas fiscais dos fornecedores, quando da sua entrada nos registros contábeis dos seus estoques, se via obrigada a reconhecer uma receita, face a que era obrigada a manter como custo dos insumos no estoque, o valor líquido. Ao reconhecer essa receita, decorrente do ajuste do estoque, promovia como se sabe ao reconhecimento contábil de uma recuperação do custo. É assim um procedimento contábil que revela na verdade mero ajuste de custo, não podendo a referida receita vir a ser considerada na base de cálculo, tanto da contribuição do PIS, quanto na da COFINS. Tratase de receita que deveria na verdade, nos períodos de apurações respectivos ser deduzida da base de cálculo da referida contribuição, o que claramente reconhecido na jurisprudência de nosso Tribunais Superiores. Assim sendo, justificase o direito à compensação, reafirmando a REQUERENTE o que se fez constar nas razoes apresentadas na manifestação e inconformidade e defesa, no sentido de que incluiu indevidamente na base de cálculo das contribuições do PIS e COFINS no referido período de apuração valor que na verdade, como já evidenciado, representa apenas uma recuperação de custo decorrente do creditamento do IPI, presumidamente considerado nas compras dos insumos de insumos não tributados e isentos, na base da alíquota de 4% Posteriormente ao excluir da base de cálculo da contribuição o valor do IPI presumido, constatou que tinha direito ao valor do crédito correspondente a recolhimento a maior no período referenciado e diante da legislação que assim permite, utilizouo, devidamente Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.900290/200932 Resolução nº 3801000.516 S3TE01 Fl. 321 4 acrescido da SELIC do período, para compensar a COFINS relativa ao período de apuração 10/2005, no valor de R$ 40.249,00 (quarenta mil, duzentos e quarenta e nove reais). Requer, ainda, lhe seja autorizada a realização de prova pericial para provar o alegado, terminandose as diligências necessárias, voltadas basicamente a atender quesito no sentido de ser apurado contábil e fiscalmente a inclusão indevida do IPI creditado, representativo da receita decorrente de uma recuperação de custo na base de cálculo da referida contribuição. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.900290/200932 Resolução nº 3801000.516 S3TE01 Fl. 322 5 Voto Por atender todos os requisitos de admissibilidade conheço do presente recurso. A discussão do presente processo cingese a dois pontos: o um, o pedido de prova pericial formulado pela recorrente; o dois o exame se o crédito presumido do IPI integra ou não a base de cálculo da COFINS. Quanto ao primeiro ponto tenho que não é cabível prova pericial. Conforme o artigo 16 do Decreto 70.235/72 o momento processual para requerimento de diligências ou perícias pelo sujeito passivo é o da impugnação. Porém, há ainda outras formalidades a serem cumpridas quais sejam: pedido acompanhado dos motivos que a justifiquem, formulação dos requisitos referentes ao exame desejado e, no caso de perícia, indicação do perito que procederá ao exame. O não atendimento desses requisitos é causa de desconsideração do pedido sem que isso signifique cerceamento do direito de defesa. No entanto, se atendidos todos os requisitos, a autoridade julgadora entender que o pedido é prescindível, deverá fundamentar o indeferimento, sob pena de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa. A solicitação de realização de diligências tem fundamento no poder instrutório geral conferido à Administração Pública para levantar informações necessárias para a decisão administrativa. Assim, no processo administrativo, é possível requisitar, ao interessado ou a terceiros, a exibição de documentos e complementação de dados, nos limites normativamente estabelecidos. Pela sua própria natureza, é esperado que o cumprimento de uma diligência faça com que sejam agregadas ao processo administrativo um conjunto de informações que não fazia parte dos elementos inicialmente apresentados. Esses dados serão utilizados como fundamento para a futura decisão administrativa. Em resumo: diligência serve para esclarecer, não para produzir prova e não é somente meu esse entendimento, vejamos: PAF PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. (Acórdão 10421.032, de 13/09/2005) Tenho, assim, que a contribuinte deveria ter feito prova do seu crédito, não sendo cabível deferir a diligência requerida no recurso voluntário, entretanto, no presente caso entendo que, mesmo que superficialmente a contribuinte apresentou documentações que dão indício da plausibilidade de seu direito. Assim, apesar de parecer paradoxal, tenho que não se pode deferir a perícia requerida porque veio desamparada dos elementos mínimos legalmente necessários para sua autorizála, mas, por outro lado, existem provas razoáveis a se supor um bom direito da Recorrente e que deve ser devidamente instruído pela autoridade competente. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.900290/200932 Resolução nº 3801000.516 S3TE01 Fl. 323 6 A questão objeto do segundo ponto, o exame se o crédito presumido do IPI integra ou não a base de cálculo da COFINS, é objeto de processo objeto do Repercussão Geral no STF (RE 593.544), a saber: TRIBUTÁRIO. COFINS. PIS. INCLUSÃO DO CRÉDITO DECORRENTE DE EXPORTAÇÕES NA BASE DE CÁLCULO DESSAS CONTRIBUIÇÕES (“CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI”). CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RECEITA BRUTA. ALCANCE DA IMUNIDADE CONCEDIDA ÀS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA CRIAÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL. CONSTITUIÇÃO, ARTS. 149, § 2º, I, 150, § 6º E 195, I. LEI 9.363/1996. Tem repercussão geral a discussão sobre o cômputo dos valores recebidos a título do incentivo fiscal previsto na Lei 9.363/1996 na base de cálculo da Cofins e da Contribuição ao PIS. Apesar dessa decisão não obrigar a essa turma que proceda o sobrestamento do referido processo tenho que devese, antecipadamente, zelar pela correta instrução desse processo, eis que não se tem notícia de atos da autoridade preparadora, nem da autoridade judicante a quo para a consecução das providências inerentes à instrução ex officio (artigos 29, 36 e 39 da Lei 9.384/1999) com o intuito de aferir, a verdade material decorrente do pedido da Recorrente. Vale ressaltar que o único fundamento da decisão recorrida que negou o direito à utilização dos créditos diz respeito à inexistência de documentos comprobatórios da real existência do crédito nos termos expressos da ementa citada. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar se as compensações foram devidamente realizadas e registradas na contabilidade do sujeito passivo. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida identificando se foi incluída na base de cálculo da contribuição o montante referente ao crédito recuperado pela contribuinte e, se positivo, apure qual é o montante tributado pela contribuição decorrente dessa inclusão no período; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo de 20 dias para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723517/2009-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-001.991
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa GFIP, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
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decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa GFIP, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723517/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.991 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO CÁRDIO PULMONAR DA BAHIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa GFIP, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 17 /2 00 9- 97 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723517/200997 Acórdão n.º 2403001.991 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1527.860 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.169.6380, lavrado em 14.07.2009, para constituição do crédito tributário decorrente da conversão de obrigação acessória em principal relativamente à imposição de penalidade pecuniária, por descumprimento da obrigação da empresa de informar mensalmente, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição social previdenciária, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, no montante de R$ 146.209,80 (cento e quarenta e seis mil, duzentos e nove reais e oitenta centavos). Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (08 a 17) que a empresa foi autuada por não ter informado na GFIP remunerações de empregados e de contribuintes individuais que lhe prestaram serviço no período de 01/2005 a 12/2006, infringindo a legislação (Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e parágrafos 3° e 5º, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999). No mencionado relatório consta que as remunerações e contribuições não informadas em GFIP (obrigação acessória) guardam relação com os lançamentos (obrigação principal) constantes nos processos DEBCAD nº 37.169.6402 (parte patronal) e 37.169.6410 (parte do empregado) onde estão consignados os seguintes levantamentos: ALM DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO BRE BOLSA RESIDÊNCIA EM ENFERMAGEM FUT ALUGUEL CAMPO DE FUTEBOL PLI PROLABORE INDIRETO PRE PRESTADORES DE SERVIÇO TAX TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 HON HONORÁRIOS PROFISSIONAIS. Consta no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa a legislação norte da aplicação da penalidade: Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32 parágrafo 5º (acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997), combinado com o RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, combinado com o inciso II do art. 284, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. O Relatório Fiscal ainda esclarece sobre a questão das multas. Durante o período da auditoria, houve uma alteração na legislação provocada pela edição da MP 449/2008, de 03/12/2008, que alterou o percentual da multa de ofício de 24% para 75% e extinguiu o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória com código de Fundamentação Legal 68 (não declaração dos fatos geradores em GFIP) e inclusão dos artigos 32A e 35A na Lei n° 8.212/91, incluindo os Al CFL 77, entrega de GFIP em atraso, e CFL 78, entrega com omissões/incorreções relacionadas ou não a fatos geradores de contribuições previdenciárias. A MP 449/2008 foi convertida na lei n° 11.941/2008, de 27 de maio de 2009, mas por conta do princípio da retroatividade benigna estipulada pelo Código Tributário Nacional no art. 106, incisso II, c, devese comparar a multa imposta pela legislação vigente à época do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente, aplicando a mais benigna, por competência. O valor e metodologia de cálculo do Al por descumprimento de obrigação acessória com CFL 68 estão discriminados no Relatório Fiscal, fls. 10 a 17, sendo que em todas as competências a empresa foi beneficiada com o limite máximo definido em lei, por competência, no valor de R$ 13.291,80. Dessa forma, comparandose as duas metodologias, verificase que para as competências 01/2005, 03/2005, 04/2005/ 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006, a multa mais benéfica para o contribuinte é a definida na Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008. Da mesma forma, para as competências 02/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 10/2006, 11/2006, a metodologia adotada foi a anterior à publicação da MP n° 449, com multa de ofício de 24% mais o Auto de Infração por Obrigação Acessória no Código de Fundamentação Legal 68. Por conta da adoção do princípio da retroatividade benigna foram criados levantamentos espelhos, separando os levantamentos da com cobrança das contribuições previdenciárias pela metodologia anterior à MP 449/2008 e pela atual. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723517/200997 Acórdão n.º 2403001.991 S2C4T3 Fl. 4 5 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Multa revogada pela Lei 11.941/2009. · Aplicação da penalidade mais benéfica. É o relatório Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723517/200997 Acórdão n.º 2403001.991 S2C4T3 Fl. 5 7 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa GFIP, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900261/2008-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
ACRESCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA.
Comporta à empresa recorrente juntar ao feito a DCTF como forma de comprovar, de forma pretérita ao procedimento fiscal, para fazer jus à denúncia espontânea pleiteada.
Numero da decisão: 1803-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman. Ausente momentaneamente o conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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MULTA DE MORA. Comporta à empresa recorrente juntar ao feito a DCTF como forma de comprovar, de forma pretérita ao procedimento fiscal, para fazer jus à denúncia espontânea pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 02 61 /2 00 8- 41 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman. Ausente momentaneamente o conselheiro Walter Adolfo Maresch. Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 03737.36497.220405.1.2.037222, transmitida em 22.04.2005, através da qual foi solicitada a compensação de CSLL (saldo negativo/ano calendário 2003), no valor original de R$ 222.397,98 (duzentos e vinte e dois mil trezentos e noventa e sete reais e noventa e oito centavos). A Delegacia de Origem (Belém), através do despacho decisório de nº 757747868, não homologou o pedido, asseverando que “não houve apuração de crédito na DIPJ correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP”. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando que optou por apurar, no ano calendário de 2003 o IRPJ e CSLL devidos com base no lucro real anual e antecipações mensais calculadas por estimativas e que a antecipação efetuada mensalmente excedeu ao valor da CSLL devida anualmente em crédito passível de recuperação. Aduz ainda que o valor das antecipações mensais e a CSLL efetivamente devidas podem ser observadas em fichas específicas (16 e 17), sendo que o valor nominal do crédito perfaz o total de R$ 457.138,81. Salienta, a empresa recorrente, que os motivos que sustentam o indeferimento, além de serem inverdades são criminosos, já que não houve análise acerca da existência do crédito. Afere que DIPJ, DCTF`s, DARF`s e DCOMP`s comprovam que houve a apuração e pagamento/compensação de CSLL. Afirma a empresa que optou pelo pagamento da CSLL via estimativas mensais e transcreve o art.2º da Lei 9.430/96 e IN 93/97, salientando que o inciso II, §1º do art.6º da Lei 9.430/96 estabelece o direito à restituição do valor estimado em excesso, sendo que se aplicam, à CSLL, as mesmas normas de pagamento estabelecidas pela Lei 8.541/92. Transcreve os artigos 38 e 39 da norma referida acima. Prossegue a empresa recorrente aferindo que efetivamente recolheu as estimativas mensais, antecipando a CSLL devida e apurando, com base na estimativa sobre as receitas e, neste contexto, a empresa demonstra os pagamentos efetuados e as compensações. Ao contrário do que afirma a decisão que impugna, salienta que os recolhimentos/compensações realizados pela empresa configuramse saldo negativo CSLL e que o direito da impugnante emerge cristalino das disposições constantes do art.165 do CTN que transcreve assim como o art.170 do CTN e 74 da Lei 9.430/96. Afirma que o direito à atualização do crédito pleiteado é claro e robusto já que determinado pelo Regulamento do Imposto de Renda e transcreve o art. 894 do Decreto 3.000/99, cita jurisprudência do TRF4, bem como requer perícia contábil para que se comprove a total procedência do pleito. Por fim, a recorrente requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações. 2 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 A autoridade julgadora, de primeira instância, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 222.397,98, posto considerar as compensações parcialmente homologadas, nos termos da Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes e do Demonstrativo Analítico de Compensação, nos seguintes termos: “SALDO NEGATIVO CSLL. FALTA DE APURAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Comprovado o erro de fato no preenchimento da ficha de apuração do CSLL na DIPJ, que olvidou os pagamentos de estimativas mensais já informados em ficha própria, a autoridade administrativa, em nome da verdade material, deve apurar o saldo de imposto a pagar com base nas informações declaradas e comprovadas.” Devidamente cientificada da decisão proferida em primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, reiterando os argumentos já dispostos na Impugnação, requerendo a homologação integral das compensações, assim como correção do crédito pela Selic. Ressalvou que ao julgamento da manifestação de inconformidade, o agente fiscal deixou de exonerar o contribuinte do pagamento da multa de mora sobre os tributos que pretendia a compensação, assim como deixou de fixar a Selic como forma de correção do crédito. Argumenta que: “[...] tão logo apurou o credito constante dos autos do presente processo providenciou a sua compensação de livre e espontânea vontade, antes que qualquer procedimento fiscal fosse deflagrado e que tais créditos tributários lhes fossem exigidos de oficio pela autoridade fazendária, competente e mais, antes de têlos declarado em sua DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais o que configuraria o lançamento definitivo do crédito nos termos da jurisprudência do Egrégio STJ (Sumula 360STJ). Ocorreu, portanto, por parte da Recorrente, a denúncia espontânea, seguida da correspondente liquidação do débito – ambas via declaração de compensação. Diante disso, apurou o principal em aberto e os correspondentes juros devidos, deixando de considerar a multa face à sua exclusão diante da denuncia espontânea, compensando, assim, somente a parcela do principal e dos 3 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 juros e deixando, conseqüentemente, de compensar a parcela da multa por ser indevida.” Analisandose aquela listagem e demonstrativo de compensações (anexo) observase que o agente julgador deixou de considerar a não incidência da multa no caso da denuncia espontânea, tendo com isso rateado o valor compensado a titulo de principal e juros e “distribuído” para principal, juros e multa proporcionalmente. [...] Repitase, a homologação parcial da compensação (a menor que o declarado originalmente) devese exclusivamente ao fato de que o agente julgador originário pretendeu cobrar e fazer incidir multa não compensada por ser indevida no caso específico da Recorrente diante da sua exclusão pela denuncia espontânea.” O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. É o breve relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 03737.36497.220405.1.2.037222, transmitida em 22.04.2005, através da qual foi solicitada a compensação de CSLL (saldo negativo/ano calendário 2003), no valor original de R$ 222.397,98 (duzentos e vinte e dois mil trezentos e noventa e sete reais e noventa e oito centavos). A decisão proferida em primeira instância não homologou totalmente a compensação, porquanto entender que apenas em parte o crédito havia sido comprovado. Ocorre que o presente feito tratase de erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e não de alteração da origem do crédito pleiteado. Ademais, temse que a própria autoridade de primeira instância reconheceu parte dos valores e a recorrente admite que deveria ter indicado o pagamento de estimativas mensal nas fichas (16 e 17) para as devidas deduções ao final do período de apuração, compondo assim o saldo negativo correspondente. 4 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Contudo, o que se tem de fato no presente feito é a discussão quanto aos acréscimos legais, multa de mora, que persiste no feito. Como o a empresa recorrente não juntou ao presente feito a DCTF, com a finalidade de comprovar que a mesma foi realizada de forma pretérita ao procedimento, não faz jus à denúncia espontânea, tal como pleitea. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 5 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727991/2011-20
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
PERIODICIDADE. DCTF.
A apresentação da primeira DCTF Mensal como opção é definitiva e irretratável para todo o ano-calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PERIODICIDADE. DCTF. A apresentação da primeira DCTF Mensal como opção é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 79 91 /2 01 1- 20 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 461 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavradas as seguintes Notificações de Lançamento, fls. 222306, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 Notificações de lançamento por atraso na entrega de DCTF Período (A) Prazo Final de Entrega (B) Data da Entrega (C) Número de Meses em Atraso (D) Valor R$ (E) Fl. (F) Janeiro de 2006 07.03.2006 24.09.2011 67 200,00 09 Fevereiro de 2006 07.04.2006 24.09.2011 66 200,00 12 Março de 2006 08.05.2006 24.09.2011 65 200,00 15 Abril de 2006 07.06.2006 24.09.2011 64 200,00 18 Maio de 2006 07.07.2006 24.09.2011 63 200,00 21 Junho de 2006 07.08.2006 24.09.2011 62 500,00 24 Julho de 2006 08.09.2006 24.09.2011 61 500,00 28 Agosto de 2006 06.10.2006 24.09.2011 60 500,00 32 Setembro de 2006 08.11.2006 24.09.2011 59 500,00 36 Outubro de 2006 07.12.2006 24.09.2011 58 500,00 40 Novembro de 2006 08.01.2007 24.09.2011 57 500,00 44 Dezembro de 2006 07.02.2007 24.09.2011 56 500,00 48 Janeiro de 2007 07.03.2007 24.09.2011 55 500,00 52 Fevereiro de 2007 09.04.2007 24.09.2011 54 500,00 56 Março de 2007 08.05.2007 24.09.2011 53 500,00 62 Abril de 2007 08.06.2007 24.09.2011 52 500,00 66 Maio de 2007 06.07.2007 24.09.2011 51 500,00 70 Junho de 2007 07.08.2007 24.09.2011 50 500,00 74 Julho de 2007 10.09.2007 24.09.2011 49 500,00 78 Agosto de 2007 05.10.2007 24.09.2011 48 500,00 82 Setembro de 2007 08.11.2007 24.09.2011 46 500,00 86 Outubro de 2007 07.12.2007 24.09.2011 46 500,00 90 Novembro de 2007 08.01.2008 24.09.2011 45 500,00 94 Dezembro de 2007 11.02.2008 24.09.2011 44 500,00 98 Janeiro de 2008 07.03.2008 24.09.2011 43 500,00 102 Fevereiro de 2008 07.04.2008 24.09.2011 42 500,00 106 Março de 2008 08.05.2008 24.09.2011 41 500,00 110 Abril de 2008 06.06.2008 24.09.2011 40 500,00 114 Maio de 2008 07.07.2008 24.09.2011 39 500,00 118 Junho de 2008 07.08.2008 24.09.2011 38 500,00 122 Julho de 2008 05.09.2008 24.09.2011 37 500,00 126 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 462 3 Agosto de 2008 07.10.2008 24.09.2011 36 500,00 130 Setembro de 2008 07.11.2008 24.09.2011 35 500,00 134 Outubro de 2008 05.12.2008 24.09.2011 34 500,00 138 Novembro de 2008 22.01.2009 24.09.2011 33 500,00 142 Dezembro de 2008 20.02.2009 24.09.2011 32 500,00 146 Janeiro de 2009 20.03.2009 24.09.2011 31 500,00 150 Fevereiro de 2009 23.04.2009 24.09.2011 30 500,00 154 Março de 2009 22.05.2009 24.09.2011 29 500,00 158 Abril de 2009 22.06.2009 24.09.2011 28 500,00 162 Maio de 2009 21.07.2009 24.09.2011 27 500,00 166 Junho de 2009 21.08.2009 24.09.2011 26 500,00 170 Julho de 2009 22.09.2009 24.09.2011 25 500,00 174 Agosto de 2009 22.10.2009 24.09.2011 24 500,00 178 Setembro de 2009 23.11.2009 24.09.2011 23 500,00 182 Outubro de 2009 21.12.2009 24.09.2011 22 500,00 186 Novembro de 2009 22.01.2010 24.09.2011 21 500,00 190 Dezembro de 2009 23.02.2010 24.09.2011 20 500,00 194 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 01, 200 e 425, com as alegações a seguir transcritas. Suscita que os lançamentos devem anulados e [...] vem requerer o cancelamento dos arquivos enviados e o cancelamento das multas geradas em consequência do envio do mesmas, no dia, 24/09/2011, tendo em vista o envio indevido através do programa DCTF 2.2 mensais, dos exercícios de 2006, 2007, 2008 e 2009. Assim, que o cancelamento for efetuado, procederemos ao envio do programa correto DCTF 1.5 semestral, para a devida regularização. [...] No aguardo do cancelamento, para que possamos proceder com o envio correto [...]. Aduz [...] solicita urgência no procedimento de cancelamento das DCTFs entregues dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, e o cancelamento das multas [...] tendo em vista não conseguirmos realizar a transmissão no programa correto. [...] Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0824.959, de 27.02.2013, fls. 428431: Impugnação Improcedente: Consta no Voto condutor De acordo com a legislação, o sujeito passivo, ao entregar a primeira DCTF mensal, exerceu a opção por essa periodicidade na prestação de sua obrigação acessória, dado esse que afasta a possibilidade do cometimento de erro. Com efeito, o erro é uma antítese à verdade fática ou normativa, ao passo que a opção é o exercício de uma escolha entre alternativas igualmente amparadas em norma jurídica.[...] Fl. 462DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 463 4 Convém registrar, a propósito, que a utilização errônea do programa gerador da DCTF não exime o sujeito passivo do “erro” cometido, já que disponível também à época a versão do programa que facultaria a opção pela entrega semestral da declaração. [...] Além disso, a escolha feita é irretratável para todo o anocalendário. Dessa forma, se inicialmente o sujeito passivo estava obrigado a entregar a DCTF semestralmente, feita a opção prevista no §1º do art. 5º supra, a obrigação acessória passou a ser devida por períodos mensais. [...] Portanto, tendo optado pela entrega da DCTF mensal, com a apresentação em atraso da declaração, o impugnante sujeitouse à multa, nos termos do art. 7o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. [...] Ressaltese, ainda, que, segundo o art. 136 do Código Tributário Nacional, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sob essa ótica, são juridicamente irrelevantes os argumentos de equidade trazidos na impugnação (por exemplo: optante pelo lucro presumido, movimento apenas em alguns meses do ano calendário, tipo de atividade econômica exercida, escolha da versão do programa gerador corresponde à determinada periodicidade da DCTF). Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. MULTA POR ATRASO. DCTF. SEMESTRAL X MENSAL. A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Notificada em 22.03.2013, fl. 442, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.04.2013, fl. 445, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Fl. 463DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 464 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias para serem adimplidas, inclusive, na forma, no tempo, e no local previstos em normas, condições estas indispensáveis para que o seu cumprimento produza os 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 465 6 efeitos legais pertinentes. Ademais, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos2. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto 2 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 466 7 dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, se superior a R$3.000.000,00 (três milhões de reais) é obrigatória, e em caso de opção é definitiva e irretratável para todo ano calendário sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores3. No presente caso, a Recorrente está evidenciado que optou pela apresentação mensal mediante a apresentação da primeira DCTF, sendo que essa opção é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Assim restou comprovado que houve na entrega válida em 24.09.2011 das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos meses de janeiro de 2006 a dezembro de 2009, cujos prazos finais estavam compreendidos no período de 07.03.2006 a 23.02.2010, em conformidade com o demonstrativo Consulta da Intimação elaborado pela RFB, fls. 219220. Ressaltese que está expressamente vedado alterar a periodicidade de entrega da DCTF já apresentada mensalmente para a semestralidade, fls. 09197. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.727991/201120 Acórdão n.º 1801001.632 S1TE01 Fl. 467 8 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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