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Numero do processo: 10920.006841/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.730
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 490 1 489 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.006841/200868 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.730 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2013 Assunto REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CHOCOLEITE INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 06 84 1/ 20 08 -6 8 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10920.006841/200868 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.730 S3C4T1 Fl. 491 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito da COFINS nãocumulativa, do primeiro trimestre de 2008, de operações no mercado interno para compensar com débitos do IRPJ do segundo trimestre de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joenvile/SC fez algumas glosas, por considerar a geração de crédito indevida. Foram elas: 1MP, PI e ME, que retornaram da industrialização por encomenda; 2Produtos não classificados como MP, PI ou ME, por serem utilizados na manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização da linha, material de laboratório e dedetização; 3Valores de PIS e COFINS pagos indevidamente, em razão de ter pleiteado esses créditos de forma incorreta; Com essas glosas, a DRF de origem reconheceu parcialmente o direito creditório. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESE DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da COFINS, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na ATIVIDADE da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção de regime de competência na apuração da COFINS e dos correspondentes créditos da nãocumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. (...) REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Fl. 491DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10920.006841/200868 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.730 S3C4T1 Fl. 492 3 Administração Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. PERÍCIA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Há que se considerar não formulado o pedido de perícia, quando ausentes os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a teor do que determina o § 1o do mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 27/05/2011 (fl.433) e interpôs Recurso Voluntário em 27/06/2011 (fls.434/469), com as alegações resumidas abaixo: 1 Como a Recorrente trabalha com produção de bebida láctea, produto alimentício, a aquisição de produtos para a manutenção e conservação da linha, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização é essencial para sua atividade, sob pena de descumprimento da regulamentação dos órgãos disciplinares e oferecer risco à saúde pública; 2 No que concerne às glosas pelo retorno dos insumos remetidos para industrialização por encomenda, ocorreu equívoco por parte do auditorfiscal, pois ele considerou que todas as notas fiscais apresentadas pela Recorrente consistiam em retorno de insumo. Contudo, a autoridade fiscal não percebeu que, na soma de todas as notas fiscais, o total do crédito é maior que o crédito de pleito. Isso acontece porque a Recorrente excluiu do cálculo do crédito pleiteado as notas fiscais relativas aos retornos de insumo, mas deixou de excluir tais notas do arquivo magnético entregue à fiscalização. Assim, como a Recorrente já havia excluído do cálculo o valor das notas fiscais de retorno de fabricação por encomenda, o cálculo estava correto e não havia glosa a ser feita; 3 O recolhimento indevido ocorreu porque a Recorrente recolheu PIS e COFINS sobre venda de produtos cuja alíquota tinha sido reduzido a zero pela Lei nº 11.488/2007. A exigência de retificação da DCTF e da DACON da época do recolhimento para ter direito ao ressarcimento é formalismo exagerado, pois o contribuinte tem cinco anos para recuperar o seu crédito; 4 A multa e os juros aplicados são indevidos, pois os créditos foram devidamente compensados. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido o direito ao crédito, canceladas as glosas, homologadas as compensações e cancelados os juros e a multa. É o Relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10920.006841/200868 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.730 S3C4T1 Fl. 493 4 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende ser ressarcida de crédito do PIS gerado na aquisição de insumos, o qual não pôde ser utilizado no abatimento de vendas no mercado interno, em razão de suas saídas serem com alíquota zero. Em seu recurso voluntário, a Recorrente devolveu para apreciação as seguintes matérias: 1Geração de crédito na aquisição de produtos para a manutenção e conservação de linha, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização; 2Abatimento indevido dos valores relativos às notas fiscais de retorno de industrialização por encomenda; 3Possibilidade de ressarcimento do valor pago indevidamente; 4Impossibilidade de aplicação de juros e multa. Todavia, existe uma dúvida a ser dirimida, antes de se adentrar no mérito das matérias devolvidas. Conforme consta no relatório fiscal, a Recorrente recebeu de volta alguns insumos que sobraram de fabricação por encomenda, na qual ela era a encomendante. Com isso, a autoridade fiscal glosou da base cálculo dos créditos as notas fiscais destas operações. Essas notas fiscais estão listadas também nas fls. 196/197. A Recorrente, por sua vez, alega equívoco no cálculo por parte do auditorfiscal, provocado por erro no arquivo magnético entregue por ela à autoridade fazendária. Segundo a Recorrente, na DACON, o cálculo do crédito está correto, sem a inclusão dos valores das notas fiscais de retorno dos insumos encaminhados para fabricação por encomenda, mas essas mesmas notas fiscais estão listadas no arquivo magnético. Ainda segundo a Recorrente, a autoridade fiscal apenas excluiu do valor da DACON os valores das notas fiscais indevidas, que já estavam excluídos. A DRJ entendeu que essa alegação da Recorrente não passou de argumentos desprovidos de provas que sequer ensejariam a realização de diligência. Penso de forma diversa do que decidiu a DRJ. O processo administrativo tem como objetivo encontrar a verdade material. Nesse ponto, a apresentação das DACONs e a planilha apresentada pela Recorrente nas fls. 448 a 456 , que, segundo ela, espelha o conteúdo do arquivo magnético apresentado ao auditorfiscal, são elementos suficientes para causar dúvida quanto ao direito ao crédito. Não investigar mais profundamente a falha no cálculo suscitada pela Recorrente seria correr o risco de permitir o enriquecimento ilícito do Estado. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10920.006841/200868 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.730 S3C4T1 Fl. 494 5 Assim, como nos autos já estão presentes as DACONs e a Recorrente já apresentou os arquivos magnéticos à autoridade fiscal, este Conselheiro entende estar diante do caso de necessidade de realização de diligência para esclarecer a dúvida do cálculo do crédito. Desse modo, os autos devem retornar à delegacia de origem para que seja realizada diligência com base nos seguintes comandos: 1 A delegacia de origem deve calcular o crédito da Recorrente, com base nas notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado pela Recorrente; 2 Ao fim do cálculo, devese analisar se o valor dos créditos encontrado no arquivo magnético é o mesmo valor declarado na DACON. 3 Caso a delegacia de origem não possua mais o arquivo magnético, deve intimar a Recorrente para que esta apresente um novo arquivo; 4 Ao final da análise, deve ser elaborado um relatório com as conclusões da diligência, informando qual o valor do crédito encontrado com base na análise do arquivo magnético, se ele é o mesmo valor pleiteado pela Recorrente e mais alguma informação que a autoridade fiscal julgue pertinente. 5 Se o valor do crédito encontrado no cálculo das notas fiscais do arquivo magnético for diferente do valor informado na DACON, deve ser informada qual foi a inconsistência encontrada e o que originou a divergência; 6 Concluído o relatório, a Recorrente deve ser intimada para se manifestar acerca da conclusão da diligência no prazo de trinta dias; Finalizado o trintídio, os autos devem retornar ao CARF para análise do mérito. Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000920/2007-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.132
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Fez sustentação oral o Dr.Murilo Marco- OAB/SP Nº 238.689.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausente a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Fez sustentação oral o Dr.Murilo Marco- OAB/SP Nº 238.689. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausente a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Fez sustentação oral o Dr.Murilo Marco OAB/SP – Nº 238.689. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausente a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 79 .0 00 92 0/ 20 07 -0 9 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 241 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, fls. 252 a 290, com Anexo às fls. 291 a 392, apresentado contra Acórdão nº 1620.488 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, fls. 205 a 245, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.014.0710, no montante original de R$ 410.061,34 retificado para R$ 312.617,41 (trezentos e doze mil, seiscentos e dezessete reais e quarenta e um centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 25 a 30, com Anexo às fls. 31 a 58, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados empregados, à quota patronal, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras entidades e fundos, denominados terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O Relatório Fiscal, às fls. 25 a 30, com Anexo às fls. 31 a 58, mostra que constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas, os pagamentos ou créditos de remunerações trabalhistas, a título de Prêmios e Comissões, efetuados a empregados, como segue a) pagamentos ou créditos de remunerações trabalhistas, a título de Prêmios e Comissões, efetuados a empregados, como segue: Levantamento: IH Incentive House SA. CNPJ 61.259.958/000196Competências: 03/2001, 04/2001, 05/2003 e 07/2003; Levantamento: IHl Incentive House SA. CNPJ 61.259.958/000609 Competências: 03/2001, 11/2002 e 05/2003; CNPJ 61.259.958/001915 Competências: 07/2003; CNPJ 61.259.958/002059 Competências: 03/2001, 05/2003 e 07/2003; CNPJ 61.259.958/002806 Competências: 05/2003 e 07/2003; CNPJ 61.259.958/003292 Competências: 07/2003. b) pagamentos ou créditos de remunerações profissionais, a título de Prêmios e Comissões, efetuados a Contribuintes individuais autônomos), como segue: Levantamento: IH Incentive House SA. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 242 3 CNPJ 61.259.958/0001 96 Competências: 05/2003 e 07/2003 Ademais, o referido benefício, pago pelo trabalho e não para o trabalho, visava incentivar a produtividade e o desempenho dos empregados da empresa notificada e era operado através do sistema FLEXCARD, produto administrado pela empresa INCENTIVE HOUSE S/A, CNPJ 00.416.126/000141, sistema de cartões eletrônicos utilizados como meio de pagamento de premiações. Tratase de remuneração, independentemente do título que a ele se atribua (incentivo, prêmio, estímulo, bonificação, etc.) e é, portanto, salário de contribuição, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. Observa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 26, que: “(...) 1.2) Os fatos geradores das contribuições não foram declarados em GFIP, nem também foram registrados nas Folhas de Pagamentos. 1.2.1) Os pagamentos ou créditos foram efetivados por meio do sistema FLEXCARD, meio de pagamento eletrônico, utilizado como forma de premiação, via cartão magnético, produto administrado pelo empresa Incentive House S/A., CNPJ 00.416.126/000141, conforme relação de beneficiários fornecida pela notificada, anexos 1 a 3 (que fazem parte integrante deste relatório). 1.2.2) De comum acordo entre a empresa Incentive House S/A. e a notificada, aquela, após faturar contra esta, dispunha a disposição de empregados da notificada, bem como a pessoas que lhe prestavam serviços sem relação de emprego, valores sacáveis por meio de cartão, que na escrituração contábil da notificada foram registrados como despesas com pagamentos de Prêmios(conta contábil 4210114) e Comissões a Distribuidores PF(conta contábil 422011414). 1.2.3) Para subsidiar o presente relatório, juntamse os anexos 4 a 6(que fazem parte integrante deste) e cópia do contrato de prestação de serviços firmado entre a Incentive House S/A. e a notificada, como também das notas fiscais emitidas em cumprimento ao referido contrato. DOS DOCUMENTOS VERIFICADOS. 2) Foram examinados, dentre outros elementos, as GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte, os Livros Razão Auxiliar, e os Livros Diários das competências 03/2001 a 04/2005, 11/2002 e 05/2003 e 07/2003. Ademais, Foram emitidos os seguintes documentos, decorrentes da ação fiscal: AI Auto de Infração 37.014.0680 AI Auto de Infração 37.014.0699 AI Auto de Infração 37.014.0702 AI Auto de Infração 37.014.0729 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09334709F00, foi de 01/1996 a 12/2005, às fls. 20. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 08, é de 03/2001; 04/2001; 11/2002; 05/2003; e 07/2003. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 243 4 A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 26.10.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, tempestiva, às fls. 60 a 101, com Anexos às fls. 102 a 173. Houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 175 a 180, nos seguintes termos: Manifestação, de forma conclusiva, sobre o efetivo pagamento de prêmios aos contribuintes individuais autônomos na competência 03/2001, indicando o montante eventualmente despendido a este título; Ciência do Sujeito Passivo do teor da resposta a presente diligência fiscal, fornecendolhe cópia e abrindolhe prazo para manifestação, conforme determinado na legislação. . Posteriormente, houve a Resposta à Diligência Fiscal, às fls. 189 a 190, em 03.12.2008, com a conclusão da AuditoriaFiscal de que efetivamente houve pagamentos ou créditos de remunerações profissionais, a título de Prêmios e Comissões, a contribuintes individuais autônomos na competência 03/2001, no montante de R$ 53.922,23. Contudo, erroneamente, tal valor foi considerado, para fins de lançamento, com o valor da contribuição efetivamente devida e não, como correto seria, valor do saláriodecontribuição. Tal equívoco ocasionou cobrança indevida, na competência de 03/2001, no montante de R$ 43.137,78 , equivalente à diferença resultante da entre R$ 53.922,23 (valor equivocadamente considerado) e 10.784,45 (valor de contribuição devido). A seguir trecho da Resposta à Diligência Fiscal, às fls. 189 a 190: Portanto, o valor da diferença devida na competência 03/2001, Levantamento IH — Incentive House S.A. passa de R$ 80.312,59 para R$ 37.174,81, tendo em vista a redução de R$ 43.137,78, na rubrica 14 C.ind/adm/aut. A seguir, houve a Manifestação do Contribuinte, às fls. 199, requerendo: (i) o reconhecimento da nulidade do auto de infração ora combatido, em razão de mácula insanável por revisão de ofício; ou, subsidiariamente, (ii) o reconhecimento da decadência para os fatos geradores ocorridos anteriormente à outubro de 2001. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte em parte a autuação, fls. 205 a 245, conforme Ementa do Acórdão nº 1620.488 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/04/2001, 01/11/2002 a 30/11/2002, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa à constitucionalidade / legalidade. DECADÊNCIA Considerandose a data da consolidação do lançamento materializado pela NFLD em comento (26/10/2006), Fl. 583DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 244 5 mesma data da ciência do sujeito passivo, concluise, inafastavelmente, que o crédito lançado não se encontra decadente, vez que, pela citada regra, poderiam ser englobados pelo lançamento tributário todos os latos geradores ocorridos a partir do ano 2001. Para estes créditos, o prazo decadencial principiou seu curso em 1º de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), exaurindose, somente, em 31 de dezembro de 2006, de acordo com o disposto no art. 173, I, do CTN. PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. BASE DE CÁLCULO Os prêmios, a título de incentivo ao incremento da produtividade, constituem base de cálculo de contribuição previdenciária, todas as vezes que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. Em relação às contribuições previdenciárias somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n° 8212/91, e alterações posteriores, não integram a remuneração. INCRA. ABRANGÊNCIA. O INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico é devido por todas as empresas, independente do tipo de atividade. SEBRAE A contribuição destinada ao SEBRAE tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e beneficia todas as empresas, ainda que indiretamente. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. SAT. LEGALIDADE. A cobrança do SAT revestese de legalidade a Lei n° 8.212/91 definiu todos os elementos necessários à sua exigência, sendo que os decretos regulamentadores em nada a excederam. MULTA MORATÓRIA. CONFISCATÓRIO. CARÁTER A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar os consectários legais, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS SELIC O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de produção de outras provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativofiscal vigente à época da impugnação. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 245 6 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores em razão de inexistência de previsão legal para intimação em endereço diverso do domicílio do sujeito passivo. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 13a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o lançamento no valor de R$ 312.617,41 (trezentos e doze mil e seiscentos e dezessete reais e quarenta e um centavos). Deixase de recorrer de ofício em razão do valor exonerado não ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o artigo 366, inciso I, parágrafo 2o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 6.224, de 04/10/2007, combinado com o artigo 1º da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I2 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19dejulhode2002. Sala de Sessões, em 19 de fevereiro de 2009. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 252 a 290, com Anexo às fls. 291 a 392, onde alega, em apertada síntese: EM SEDE PRELIMINAR (i) DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO 10. Cumpre esclarecer que o Auto de Infração ora combatido, quando de sua lavratura, estava eivado de mácula insanável, tendo em vista o erro cometido pela Douta Autoridade Administrativa relativamente ao cálculo das contribuições supostamente devidas na competência de março de 2001. 12. No entanto, através da revisão do lançamento determinada pela Douta Autoridade Julgadora, o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração em comento foi alterado, diminuindose, para o estabelecimento "000196", o valor da exigência. 13. Ocorre que a ora Recorrente foi cientificada desse novo lançamento, que está a lhe exigir um valor diferente do primeiro, em 09/12/2008, ou seja, já passados mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, o que não é permitido pelo Código Tributário Nacional, mormente quando a alteração do valor corresponde à correção após Impugnação e em época que já havia sido extinto o crédito tributário em razão da decadência, tudo aliado ao evidente erro na quantificação do tributo supostamente devido. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 246 7 II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (Grifouse) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, tio prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de' esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. (Grifouse) 14. Pelo que se pode notar, a Douta Autoridade Administrativa poderia rever o lançamento de ofício, porém, dentro do prazo decadencial para o lançamento. 15. Ora, o período revisto pela Douta Autoridade Fiscal é relativo a março de 2001, ou seja, já atingido, quando da notificação da pretendida correção do lançamento em dezembro de 2008, pelo prazo decadencial previsto tanto pelo artigo 150, § 4o1, quanto pelo artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional, pelo que não poderia, referido período, ser objeto de revisão de lançamento. Reforça tal raciocínio a impossibilidade, inclusive, da manutenção da multa aplicada neste período, tendo em vista as alterações havidas pela Medida Provisória 449/2008, vez que na capitulação legal da presente autuação a Douta Autoridade Fiscalizadora citou o artigo 35, incisos I, Fl. 586DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 247 8 II e III, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 239, inciso III, alíneas a, b e c, §§ 2o ao 6o e 11, e com o artigo 242, §§ Io e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. (ii) DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Como bem asseverou a decisão recorrida, o Colendo Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, sendo que tal entendimento foi, inclusive, OBJETO DA SÚMULA N° 8, EDITADA COM EFEITOS VINCULANTES, PELA COLENDA CORTE SUPREMA. Esta súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, "a" da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004, e também do disposto nos artigo 64A e 64B da Lei n° 9.784. Sendo assim, é evidente que no caso em tela a contagem do prazo decadencial deve partir da ocorrência do fato gerador, posto que a notificação de lançamento ora combatida pretende exigir diferença de recolhimento das contribuições previdenciárias. A autuação cingese às premiações recebidas pelos funcionários e terceiros, do que se pode concluir que os pagamentos autuados foram os recebidos em função do atingimento de metas pelos beneficiários, não a integralidade da folha de salários. Em sendo assim, a Recorrente efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, tendo somente isentado desse recolhimento os valores que não entende como sendo verbas salariais. A corroborar com isso, a Recorrente juntou aos autos uma GPS para cada ano objeto da cobrança, demonstrando que não se trata de não recolhimento de tributo sujeito ao lançamento por homologação, mas apenas do fato de a Recorrente ter declarado e recolhido os valores entendidos como devidos, de maneira que não há que se cogitar a hipótese de não recolhimento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. 27. Se assim é, ainda que se adote a contagem do prazo decadência do artigo 150 § 4o somente quando houver recolhimento parcial, não há como deixar de aplicar esta regra para o lançamento de ofício em questão, isso porque, exatamente para os períodos de competência de março e abril de 2001, foram recolhidas exatamente as contribuições previdenciárias objeto do lançamento, sendo certo que os montantes ora exigidos são supostas diferenças, tant que na parte dos empregados houve o desconto das contribuições já recolhidas com a observância do teto máximo do salário de contribuição. DO MÉRITO. (iii) DA NATUREZA DO CONTRATO FIRMADO ENTRE A RECORRENTE E A EMPRESA INCENTIVE HOUSE S/A. Do conceito de Prêmio. Da não incidência das Contribuições Previdenciárias sobre os Prêmios. Com o intuito de fomentar as vendas dos produtos por ela comercializados firmou contrato (s) com a empresa Incentive House S/A, a qual ficou responsável pela prestação de serviços de Fl. 587DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 248 9 planejamento de programa de motivação e incentivo, mediante a elaboração de campanha (s) de marketing de incentivo. Em decorrência de tal contrato, foram criadas campanhas de marketing, nos moldes em que contratadas, as quais compreendiam a premiação de empregados da Recorrente atuantes na área de marketing e comercial, bem como aos empregados de seus prestadores de serviços (pessoas jurídicas), em decorrência do cumprimento das metas "plus" como forma de reconhecimento do empenho de tais colaboradores. Assim, sob qualquer hipótese é infundada a conclusão a que chegou a autoridade julgadora prolatora da decisão recorrida ao asseverar que os prêmios recebidos pelos funcionários da Recorrente teriam natureza jurídica salarial, visto que não estão presentes a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade nos pagamentos, como inclusive reconhecido pela r. decisão recorrida. Ao contrário do que apontado na respeitável decisão recorrida, não se trata de contraprestação por evento ou circunstância tida por relevante pelo empregador, mas pagamento de prêmio por parte da Recorrente. Os pagamentos realizados pela Recorrente enquadramse, portanto, no conceito de ganhos eventuais, os quais, conforme o artigo 28, § 9o, "e", 7 da Lei n° 8.212/91, não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. (iv) Da contribuição ao SEBRAE. Pelo princípio da eventualidade, a exigência da contribuição ao SEBRAE também é manifestamente indevida, devendo ser rechaçada sua cobrança. (v) Da contribuição ao salárioeducação. Como se não bastasse, pretende ainda o INSS cobrar da Recorrente a contribuição ao SalárioEducação, contribuição esta instituída pela Lei n° 4.440/64, com a finalidade de suplementar as despesas públicas com a educação elementar, sendo devido pelas empresas vinculadas à Previdência Social. Ocorre que referida legislação foi revogada pelo DecretoLei n° 1.422/75 que, redisciplinando a matéria, determinou que a fixação de alíquota se daria por ato do Poder Executivo, que acabou por expedir o Decreto n° 76.923/75, fixando a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. (vi) Da indevida contribuição ao INCRA. No que tange à Contribuição ao INCRA, mister se faz salientar que a Lei n° 7.787/89, mais especificamente em seu artigo 3°, § 1º, a extinguiu a partir de 1°.09.89 (vii) Da indevida contribuição ao SAT. De outra parte, cumpre ressaltar que a Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho não poderia ter sido instituída com base na competência residual da União Federal de criar outras fontes de custeio para o financiamento da Seguridade Social, competência essa, Fl. 588DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 249 10 expressamente prevista no artigo 195, § 4o, da Constituição Federal, cujo dispositivo apenas pode ser utilizado se observado o disposto no artigo 154, inciso I, também, da Carta Magna. (viii) Da incorreta aplicação da multa e o seu caráter confiscatório Uma vez cabalmente demonstrada a insubsistência do lançamento do principal, também insubsistente o lançamento de qualquer penalidade, uma vez que o acessório segue o principal. Pelas razões apresentadas no presente Recurso Voluntário, descabe o lançamento de ofício efetuado contra a Recorrente, inexistindo, por conseguinte, fundamento para a imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. (ix) Da ilegitimidade da cobrança de juros de mora – Da indevida aplicação da Taxa SELIC. Não obstante a taxa SELIC ser determinada, via lei ordinária, como juros moratórios que devem incidir sobre débitos tributários, ela não possui tal natureza por tratarse de taxas de juros de natureza remuneratória. Sobre esse aspecto, para o Direito Tributário, os juros de mora agem como complemento indenizatório da obrigação principal. A evidência, impossível a utilização da mencionada taxa de referência como taxas de juros moratórios para créditos Fiscais. Para exemplificar, a Lei n° 9.065/95, instituidora da SELIC, tal como definido pelo seu Regulamento, não possui característica de indenização. Assim, ao invés da ela instituir taxa de juros de natureza moratória como determina a Lei Complementar, quis equiparala a outro tipo de taxa inaplicável na situação de mora. A Recorrente atravessou uma petição nos autos, às fls. 395 a 399, requerendo a desistência parcial do recurso administrativo interposto, nestes termos: De outra parte, a Requerente manifesta a continuidade da discussão administrativa no que tange aos débitos do período de 03/2001 (contribuição devida face à manutenção de empregados e contratação de autônomos) e 04/2001 (manutenção de empregados), haja vista que o lançamento encontrase eivado pela decadência nesta parte. Outrossim, declara que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os argumentos no que tange ao item e período a que renuncia, ou seja, Contribuição Previdenciária (empregados e autônomos) e Contribuição a Terceiros (SEBRAE, SESC, SENAC, Salário Educação, INCRA e SAT) relativos às competências de 11/2002, 05/2003 e 07/2003. A Recorrente, no transcurso da Sessão de Julgamento realizada em Janeiro/2012, na qual o presente processo era o item 79 da pauta de janeiro/2012, apresentou Memoriais na qual, dentre outros pontos ratificando os argumentos do Recurso Voluntário, colaciona cópias de Guias da Previdência Social – GPS recolhidas no ano 2001, com código de pagamento 2100: Fl. 589DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 250 11 competência 03/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; competência 04/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 438. Em Sessão de Julgamento realizada em 07.02.2012, resolveuse por baixar o processo em diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho, a regularidade e validade dos recolhimentos feitos pela Recorrente na forma das GPS apresentadas para as competências 03/2001 e 04/2001. A diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF nestes termos: 1. Tratase de processo administrativo no qual foi prolatada a Resolução nº 2403000.050 do CARF, de 07/02/2012, convertendo o julgamento do recurso em diligência. 2. Os autos foram remetidos a esta equipe para dar ciência ao contribuinte da citada resolução, assim como para proceder a análise da regularidade e validade de recolhimentos feitos pela recorrente na forma das GPS apresentadas para as competências 03/2001 e 04/2001. 3. Ocorre que as cópias das GPS não foram localizadas nos autos. 4. Em função de o processo ter sido digitalizado, foi solicitado o desarquivamento do processo físico e foi feita a análise inclusive naqueles autos, e as GPS citadas também não estão a eles acostadas. 5. Diante disso, e da impossibilidade da realização da análise solicitada na diligência, PROPONHO o encaminhamento dos autos ao CARF para que esclareça onde estão os memoriais e as cópias das GPS mencionados na Resolução nº 2403000.050 (fls. 479/492), com posterior retorno a esta equipe para feitura da diligência. É o Relatório. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 251 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 438. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (i) Da desistência parcial A Recorrente atravessou uma petição nos autos, às fls. 395 a 399, requerendo a desistência parcial do recurso administrativo interposto, nestes termos: De outra parte, a Requerente manifesta a continuidade da discussão administrativa no que tange aos débitos do período de 03/2001 (contribuição devida face à manutenção de empregados e contratação de autônomos) e 04/2001 (manutenção de empregados), haja vista que o lançamento encontrase eivado pela decadência nesta parte. Outrossim, declara que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os argumentos no que tange ao item e período a que renuncia, ou seja, Contribuição Previdenciária (empregados e autônomos) e Contribuição a Terceiros (SEBRAE, SESC, SENAC, Salário Educação, INCRA e SAT) relativos às competências de 11/2002, 05/2003 e 07/2003. Temos que o período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 08, é de 03/2001; 04/2001; 11/2002; 05/2003; e 07/2003. Desta forma, serão analisadas apenas as competências 03/2001 e 04/2001 posto que não incluídas no requerimento de desistência parcial atravessado pela Recorrente. (ii) Das GPS apresentadas A Recorrente, no transcurso da Sessão de Julgamento realizada em Janeiro/2012, na qual o presente processo era o item 79 da pauta de janeiro/2012, apresentou Memoriais na qual, dentre outros pontos ratificando os argumentos do Recurso Voluntário, Fl. 591DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 252 13 colaciona cópias de Guias da Previdência Social – GPS recolhidas no ano 2001, com código de pagamento 2100: competência 03/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; competência 04/2001: CNPJ 61.259.958/000196; CNPJ 61.259.958/001168; CNPJ 61.259.958/003373; Desta forma, para o deslinde do processo, há que se verificar a regularidade das GPS recolhidas pela Recorrente nas competências 03/2001 e 04/2001, posto que apenas estas duas competências restaram para julgamento. Em Sessão de Julgamento realizada em 07.02.2012, resolveuse por baixar o processo em diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho, a regularidade e validade dos recolhimentos feitos pela Recorrente na forma das GPS apresentadas para as competências 03/2001 e 04/2001. A diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF nestes termos: 1. Tratase de processo administrativo no qual foi prolatada a Resolução nº 2403000.050 do CARF, de 07/02/2012, convertendo o julgamento do recurso em diligência. 2. Os autos foram remetidos a esta equipe para dar ciência ao contribuinte da citada resolução, assim como para proceder a análise da regularidade e validade de recolhimentos feitos pela recorrente na forma das GPS apresentadas para as competências 03/2001 e 04/2001. 3. Ocorre que as cópias das GPS não foram localizadas nos autos. 4. Em função de o processo ter sido digitalizado, foi solicitado o desarquivamento do processo físico e foi feita a análise inclusive naqueles autos, e as GPS citadas também não estão a eles acostadas. 5. Diante disso, e da impossibilidade da realização da análise solicitada na diligência, PROPONHO o encaminhamento dos autos ao CARF para que esclareça onde estão os memoriais e as cópias das GPS mencionados na Resolução nº 2403000.050 (fls. 479/492), com posterior retorno a esta equipe para feitura da diligência. Desta forma, se faz necessário o retorno dos autos para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente informe se: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 e 04/2001; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000920/200709 Resolução nº 2403000.132 S2C4T3 Fl. 253 14 (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 a 07/2003; CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 e 04/2001; (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GPS para as competências 03/2001 a 07/2003. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 593DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.008001/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Marcelo Ribeiro Nogueira.
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Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Pedido de Restituição em formulário (fls. 1 instruído com os documentos de fls. 02 a 27), por meio do qual é RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 08 00 1/ 20 08 -2 5 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10980.008001/200825 Resolução nº 3201000.359 S3C2T1 Fl. 506 2 solicitado o valor de R$ 102.303,07, relativo ao crédito decorrente de pagamentos a maior que o devido de COFINS, O citado crédito, conforme explanação constante do expediente de fls. 02 a 05 (anexo ao pedido de restituição), é proveniente do Mandado de Segurança nº 99.00079698, da 8ª Vara Federal de Curitiba, cujo trânsito em julgado teria ocorrido em 06/04/2006, e referese aos pagamentos a maior do período de janeiro de 2001 a outubro de 2002 (conforme aponta a planilha de fls. 11). Em uma primeira análise do pedido, Despacho Decisório de fls. 32 a 36, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR DRF/CTA indeferiu o pleito da interessada sob o argumento de que a legislação vigente não amparava a pretensão da contribuinte (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) e pela ocorrência da prescrição do direito de restituição. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 42 a 57 (e documentos anexos, fls. 58 a 450), alegando, entre outras questões, que a decisão apreciou matéria estranha ao pleito, uma vez que analisou a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. A autoridade administrativa, então, revisando a primeira decisão, proferiu o Despacho Decisório de fls. 451 a 454 mantendo o indeferimento da solicitação por não ter sido atendido o art. 51 da IN/SRF nº 600/2005 (habilitação do crédito judicial) e pelo fato de não estar contemplada a hipótese de restituição, quer no pleito da contribuinte, quer na decisão judicial. Tendo sido cientificada deste novo Despacho Decisório, em 01/12/2008, a interessada apresentou tempestivamente a segunda manifestação de inconformidade (fls. 457 a 472) a qual em resumo defende o que se segue. No item “Da Validade do Pedido de Restituição da Contribuinte” a contribuinte alega que tem a pretensão de compensar os créditos que foram reconhecidos judicialmente, mas que por se tratar de valores recolhidos há mais de cinco anos não seria possível fazer a Declaração de Compensação eletrônica, como bem assevera o despacho decisório no parágrafo “3.4”. Argumenta que a legislação (artigo 26 da IN/SRF nº 600/2005) prevê que para os casos em que o crédito a ser compensado seja superior a cinco anos somente é possível apresentar a Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP depois de ter sido deferido o pedido de restituição e emitida a ordem de pagamento do crédito. Propugna dessa forma, que o despacho deve ser reformado concedendo a restituição para que seja possível a entrega das DCOMP. Ainda neste item, a interessada defende que as modificações realizadas na legislação de regência da matéria autorizam a compensação dos seus créditos com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Sustenta esta tese na Nota COSIT nº 141/2003 e ementas do Conselho de Contribuintes e de soluções de consultas da RFB, e defende que a decisão deve ser revista para reconhecer o direito a restituição dos créditos pagos indevidamente e para compensálos com quaisquer outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10980.008001/200825 Resolução nº 3201000.359 S3C2T1 Fl. 507 3 No segundo item, “Da Impossibilidade de efetuar a Habilitação dos Créditos decorrentes de Decisão de Mandado de Segurança (IN/SRF nº 600/2005)”, a interessada alega que não pode dar cumprimento ao Inciso V, do § 2º, do artigo 51, da IN/SRF nº 600/2005. Sustenta que na ação de Mandado de Segurança, não ocorre a execução do título judicial, pois sua sentença tem natureza predominantemente mandamental, e que, não sendo atendidos todos os requisitos constantes nos incisos I a V, o pedido de habilitação de crédito seria indeferido, conforme estabelece o § 5º, I, do dispositivo supra. Conclui que o Despacho Decisório é insubsistente, dada a impossibilidade da contribuinte efetuar a habilitação dos créditos, e que apresentou corretamente o pedido de restituição. No terceiro item, “Do Direito Creditório Reconhecido em Ação Judicial Transitada em Julgado”, a contribuinte alega, em síntese, que o indeferimento do pedido de restituição afronta ao princípio da coisa julgada. Destaca que no Mandado de Segurança nº 99.00.079698 foi reconhecida a inconstitucionalidade do aumento estabelecido pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, na base de cálculo da COFINS, bem como o direito a compensação dos valores pagos indevidamente. Nos últimos dois itens, “Da Inconstitucionalidade da Alteração da Base de Cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98” e “Da Aplicação do Decreto nº 2.346/97”, a interessada traz à discussão as questões tratadas, discutidas e já decididas pela decisão judicial. Requer, face ao exposto, o julgamento pela procedência da manifestação de inconformidade e o deferimento do pedido de restituição. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA nº 30.948, de 30/03/2011: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 30/10/2002 CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. HABILITAÇÃO DO CRÉDITO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. A transmissão de Pedido Eletrônico de Restituição, Pedido Eletrônico de Ressarcimento e Declaração de Compensação, através da utilização de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, deve ser precedida de habilitação do crédito, nos termos do Art. 51 da IN/SRF nº 600/2005, mesmo que se trate de mandado de segurança. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O direito de pleitear a restituição ou compensação perante a Administração Tributária nasce com a declaração de inconstitucionalidade ou da inexistência de relação jurídica, sem necessidade de que o contribuinte tenha que ajuizar ação específica para esse fim. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. OFENSA A COISA JULGADA. CRÉDITO JUDICIAL. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10980.008001/200825 Resolução nº 3201000.359 S3C2T1 Fl. 508 4 Não ofende o princípio da coisa julgada o indeferimento de pedido de restituição, baseado em crédito decorrente de reconhecimento da inconstitucionalidade de dispositivo de lei em mandado de segurança, quando a interessada não cumpre a legislação que regulamenta a restituição administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos, a recorrente busca repetir valores pagos a maior de PIS e COFINS, em face da majoração da base de cálculo realizada pela Lei n.º 9.718/98. No processo, há informação de que a repetição pretendida derivaria da exclusão do ICMS da base de cálculo daquelas contribuições, enquanto a recorrente nega esta informação. Este ponto é relevante para a solução da lide, motivo pelo qual urge seja realizada a diligência, bem como para que seja apurado o real valor pago a maior. Sendo assim, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique junto à recorrente: 1) A origem do indébito pretendido, esclarecendo especificamente se há parcela de ICMS sendo excluída das bases de cálculo; 2) Seja apurado o efetivo valor pago a maior, em sendo obedecida a decisão proferida pelo STF sobre o caso, qual seja, tomandose a base de cálculo das contribuições como a venda de mercadorias e prestação de serviços, excluindose outras receitas, conforme decisão no RE nº 357.9505; 3) Ainda, em relação ao item anterior, caso tenha sido incluído no indébito o ICMS, que seja apresentado o montante desta parcela em separado. Realizada a diligência, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 26 de fevereiro de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 509DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902977/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que, por unanimidade de votos, não homologou o crédito tributário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 7/ 20 08 -9 3 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902977/200893 Resolução nº 3202000.142 S3C2T2 Fl. 258 2 Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Campinas: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: ... O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria "... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito". Este é o Relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Campinas é a seguinte: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável a efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender As disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902977/200893 Resolução nº 3202000.142 S3C2T2 Fl. 259 3 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão central é fato de a Recorrente ter retificado DCTF após a prolação de despacho decisório, sendo que, com isso, teria realizado recolhimento a maior de tributo. O artigo 9º da IN RFB 1.110/2010 permite a retificação de DCTF a qualquer momento antes da remessa do débito para a PGFN, senão vejamos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902977/200893 Resolução nº 3202000.142 S3C2T2 Fl. 260 4 II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal Ora, a forma não pode prevalecer sobre a essência. Pelo que consta dos autos, pareceme que o ponto central do litígio decorre da existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Desse modo, converto o julgamento em diligência para que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.901582/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 15 82 /2 00 9- 86 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901582/200986 Acórdão n.º 3301001.850 S3C3T1 Fl. 71 2 Relatório O contribuinte solicitou, por meio de PER/DCOMP a compensação de crédito decorrente de valor pago a maior a título de Cofins relativa ao período de apuração de março/2004 no valor de R$ 7.685,66 que corresponderia à diferença entre o valor do DARF pago em 15/04/2004, R$ 13.027,42, e o valor devido da contribuição no valor de R$ 5.341,76. A DRF/Teresina indeferiu o seu pedido, por meio do Despacho Decisório de 25/03/2009, fl. 15, em decorrência da inexistência do crédito pleiteado pois todo o valor pago do DARF em questão estaria totalmente alocado para pagamento da própria Cofins do período de apuração de março/2004, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com a decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 2/3, alegando em síntese que o valor do DARF em questão foi recolhido em valor superior ao devido em consonância com a DCTF retificadora relativa ao primeiro trimestre de 2004. Nesta oportunidade apresentou cópia da DCTF retificadora na qual corrige o valor confessado da Cofins relativa a março/2004 para o valor de R$ 5.341,76, fl. 21. Esta DCTF retificadora foi entregue em 28/04/2009, ou seja, posteriormente à ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, 02/04/2009. A DRJ em Fortaleza (CE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano Calendário: 2004 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não recohecido. Inconformado com a Decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 46/49, afirmando que vinha recolhendo a Cofins com base na alíquota de 7,6% e Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901582/200986 Acórdão n.º 3301001.850 S3C3T1 Fl. 72 3 posteriormente, percebendo o erro, passou a pagar na forma correta com alíquota de 3% e solicitou por meio de PER/DCOMP a compensação dos valores pago a maior. Informa que por exercer a atividade de Ensino Fundamental e Médio, estaria obrigado à apuração da Cofins dentro do regime cumulativo, conforme art. 10, inc. XIV, da Lei 10833/2003. Que após tomar conhecimento do Despacho Decisório de não homologação da compensação, providenciou a apresentação de DCTF retificadora na qual informou corretamente o valor devido da Cofins com a utilização da alíquota de 3%. Informa também que, por entender de direito certo, efetuou na contabilidade todos os ajustes, conforme demonstrado em folhas do livro razão as quais juntou cópias. Por fim, requer a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901582/200986 Acórdão n.º 3301001.850 S3C3T1 Fl. 73 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Está demonstrado nos autos que efetivamente o contribuinte está sujeito ao regime cumulativo na apuração da Cofins. Verificase na cláusula primeira do Contrato Social Consolidado da recorrente que o objeto da sociedade é “formação educacional de jovens nos ensinos infantil, fundamental e médio”. Conforme art. 10, inc. XIV da Lei 10833/2003, abaixo parcialmente transcrito, não se aplicam as regras do regime não cumulativo de apuração da Cofins às receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Art. 10 – Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: .... XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Está também demonstrado nos autos que o valor de R$ 13.027,42 recolhido por meio de DARF, com código 2172, referente ao período de apuração de março/2004 foi calculado de acordo com as regras da não cumulatividade a qual prevê a aplicação da alíquota de 7,6%. A análise do espelho da DIPJ, fl. 30, aliada aos dados colhidos da conta Cofins a pagar do Livro Razão, cópia às fls. 59/60, não deixa margem de dúvida quanto a este fato. Veja que para março/2004 o contribuinte apurou débito da Cofins no valor de R$ 13.532,45 e compensou créditos no valor de R$ 505,03 resultando em contribuição a pagar no valor de R$ 13.027,42. Portanto está comprovado nos autos que o contribuinte deveria recolher a título de Cofins relativo ao fato gerador de março/2004, o valor de R$ 5.341,76. Considerando que o valor pago foi de R$ 13.027,42, então o valor da diferença, R$ 7.685,66, configurase como valor pago a maior ou indevidamente e é justamente este o valor indicado como crédito no PER/DCOMP. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10384.901582/200986 Acórdão n.º 3301001.850 S3C3T1 Fl. 74 5 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) O simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com o art. 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como ocorreu nestes autos administrativos. Alerto que caberá à unidade preparadora, no caso a DRF/Teresina efetuar todos os ajustes necessários, inclusive verificar se o crédito autorizado não está sendo utilizado indevidamente em outras PER/DCOMP. Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13888.901026/2008-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 26 /2 00 8- 46 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentado nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 26): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ entendeu que tal providência seria insuficiente para fins de homologação da compensação, porquanto indispensável a apresentação de prova do direito de crédito. A Recorrente, nas razões de fls. 3536, após explicar a origem do indébito (recolhimento a maior de Cofins), apresentou como prova do indébito a Declaração de Informações EconômicoFiscais (Dipj) de 2004, Livros Diários e Razão de dezembro de 2003 e janeiro de 2004 e o balancete de encerramento de 31 de dezembro de 2003. Requer, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 16/11/2011 (fls. 34), interpondo recurso tempestivo em 28/11/2011 (fls. 35 e 89). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13888.901026/200846 Acórdão n.º 3802001.862 S3TE02 Fl. 91 3 com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir (fls. 03): “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Após a prolação do despacho decisório, acreditando que a não homologação poderia ser afastada mediante retificação da Dctf, o Recorrente assim procedeu, sem, contudo, apresentar prova da existência do crédito compensado. A DRJ, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A prova crédito, na verdade, foi juntada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário. Portanto, antes de examinar se a prova apresentada é suficiente para demonstrar a certeza e a liquidez do direito creditório, cabe avaliar a sua admissibilidade em face das regras de preclusão previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendese que o caso em exame se subsume à hipótese do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. A prova, com efeito, foi destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, até a prolação do acórdão da DRJ, a ausência de prova do crédito não havia sido aventada, à medida que, consoante destacado, a não homologação estava assentada apenas na falta de retificação da Dctf. Admitida a juntada da prova, esta deve ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, autorizada a compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade: “O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas.” (MEDAUAR, Odete. A Processualidade do Direito Administrativo. 2. ed. São Paulo: RT, 2008, p. 131). “A força de tais princípios é tanta que o dever de investigação do Fisco só cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular [...]. Enquanto essa possibilidade subsiste, deve o Fisco prosseguir no cumprimento de seu dever, seja qual for a complexidade e o custo de tal investigação.” (XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152). O princípio da verdade material, com efeito, representa exceção à regra da obrigatoriedade da concentração das provas no momento da apresentação da impugnação, consoante ensina Bianca Xavier: “Nesse momento processual – da impugnação – deverá ser iniciada a formação das provas, sendo obrigatória, até mesmo, a formulação dos quesitos relativos à prova pericial, caso o contribuinte tenha interesse em fazer uso dessa espécie de prova, o que atesta a obrigatoriedade da concentração das provas no momento da apresentação da impugnação. [...] No entanto, pelo princípio da verdade material e da oficialidade, a autoridade fiscal deverá buscar outras provas, além das que carreiam os autos, para determinar a solução da controvérsia contida no processo administrativo. Diante desse cenário, é correto afirmar que após a apresentação da impugnação a autoridade julgadora deve avaliar as provas apresentadas pelo contribuinte no ato da impugnação, como também verificar a conveniência de serem apresentadas provas adicionais ou até mesmo determinar a realização de perícia ou diligências. Todos esses atos compõem a determinada fase instrutória do processo, mais especificamente a fase da admissão da prova.” (XAVIER, Bianca Ramos. A duração razoável do processo administrativo fiscal. 2009. 133. F. Dissertação de Mestrado. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro, 2009, p. 7779. Disponível em: http://www.pmducam.org/index.php? option=com_docman&task=doc_view&gid=185). Portanto, se a existência do crédito é inequívoca, não há como deixar de reconhecer o direito à compensação, inclusive porque, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001, a Dctf retificadora tem a mesma natureza da declaração retificada, substituindoa integralmente: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13888.901026/200846 Acórdão n.º 3802001.862 S3TE02 Fl. 92 5 em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Em circunstâncias dessa natureza, entendese que, por força do princípio da verdade material, o contribuinte, a despeito da retificação extemporânea, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). No presente caso, cumpre destacar que o contribuinte não esclarece o motivo e as circunstâncias do suposto recolhimento indevido. Não é possível saber, assim, se o alegado recolhimento a maior decorre de erro na base de cálculo, na alíquota ou da falta de exclusão de eventuais valores retidos na fonte. O Recorrente apenas apresenta um Darf de R$ 29.517,95, a título de Cofins (fls. 10), alegando que o correto seria R$ 17.054,12. A prova do suposto indébito, porém, limitase à memória de cálculo de fls. 49, supostamente corroborada pelo Livro de Registro de Saídas (fls. 43), Livro de Registro de Entradas (fls. 46), pelos Livros Diário (fls. 59, 62) e Razão (fls. 65 e 68) e pela Dipj entregue em 24/06/2004 (fls. 57 e 58). Nenhum desses documentos e declarações, entretanto, permitem esclarecer a natureza e a origem do suposto indébito tributário. Ademais, verificase que os Livros de Registro de Saídas e de Entradas refletem apenas a receita da venda de mercadorias, ou seja, parte da base de cálculo da contribuição. Os Livros Diário e Razão, por sua vez, contêm apenas os registros da provisão e do valor a pagar da contribuição. O seu exame sequer permite determinar qual seria a base de cálculo correta no período de apuração. Esta é especificada apenas na memória de cálculo e na Dipj entregue em 24/06/2004. Mas que, no entanto, são desacompanhadas de qualquer documentação de lastro. A Dipj, para ter valor probatório, deve ser acompanhada da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face da retificação levada a efeito após o despacho decisório. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração fiscal, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13888.901026/200846 Acórdão n.º 3802001.862 S3TE02 Fl. 93 7 A documentação apresentada, portanto, é insuficiente para a comprovação de plano da existência do direito de crédito. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001238/2004-98
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004,2005
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DA ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO DA DOENÇA INDICADO EM LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL.
A isenção de imposto de renda dos rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, requer que a patologia seja comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios e aplica-se somente a partir do mês em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, a data de emissão do laudo. In casu, a isenção já foi reconhecida a partir da data indicada no laudo e os documentos trazidos pelo recorrente não são hábeis para estender a isenção a período anterior.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004,2005 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DA ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO DA DOENÇA INDICADO EM LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. A isenção de imposto de renda dos rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, requer que a patologia seja comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios e aplica-se somente a partir do mês em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, a data de emissão do laudo. In casu, a isenção já foi reconhecida a partir da data indicada no laudo e os documentos trazidos pelo recorrente não são hábeis para estender a isenção a período anterior. Recurso negado.
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MOLÉSTIA GRAVE. INÍCIO DA ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO DA DOENÇA INDICADO EM LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. A isenção de imposto de renda dos rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, requer que a patologia seja comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios e aplicase somente a partir do mês em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, a data de emissão do laudo. In casu, a isenção já foi reconhecida a partir da data indicada no laudo e os documentos trazidos pelo recorrente não são hábeis para estender a isenção a período anterior. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 12 38 /2 00 4- 98 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto, em 11/11/2011, pelo espólio de Washington Brandão Santos, na pessoa do inventariante, Sr. Washington Camilo Santana Santos, contra ações da DRJ Salvador que indeferiu a manifestação de inconformidade na qual foi pleiteado o reconhecimento da isenção do falecido em relação aos proventos de aposentadoria, desde o ano de 1996, por ser portador de moléstia grave, o que lhe enseja o direito a restituição de imposto de renda retido. A ciência da decisão deuse me 19/10/2011. A decisão recorrida aponta que a isenção já foi reconhecida a contar de fevereiro de 2004, com base na data de início da patologia tal como descrita na declaração da perícia médica da Previdência Social (fls. 43), informação ratificada pelos laudos de fls. 87 e 89, bem como não reconheceu como emitido por serviço médico oficial a declaração de fls. 15 e ressaltou a interpretação literal imposta por lei. Em síntese, a peça recursal tem como alegações: 1. embora o atestado emitido pela perícia médica informe o início da doença em 05/02/2004, o atestado de óbito comprova que o óbito ocorreu em 20/03/2004 tendo como causa, entre outras, o câncer de próstata; 2. é ilegal a exigência de exames invasivos como a única forma de comprovar a doença; 3. de acordo com estudos científicos divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer, a neoplasia maligna é tumor que leva cerca de 15 anos para atingir 1cm³, sendo que entre a data de reconhecimento da doença (05/02/2004) e o óbito (20/03/2004) passaramse somente 43 dias, o que evidencia que o de cujus já estava acometido da doença há anos; 4. o documento emitido pelo Instituto de Previdência do Estado de Sergipe – IPES é taxativo ao informar que o de cujus era portador da referida doença, desde o ano de 1996; 5. o exame de laboratório, efetuado em 08/11/1996, já indicava o PSA muito elevado, sendo notório que se tratou de indicativo de existência de câncer; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10510.001238/200498 Acórdão n.º 2802002.501 S2TE02 Fl. 151 3 6. a conjugação dos documentos apresentados atende às exigências legais para que se reconheça a isenção desde 1996; 7. que o valores apurados sejam colocados a disposição do inventariante para que possa ser solicitada, judicialmente, a sobrepartilha, uma vez que o inventário já foi concluído, e que se oportunize aos quatro filhos herdeiros habilitação neste processo para fins de obtenção de 25% do valor apurado para cada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O pedido em questão foi formulado em 27/07/2004, portanto antes de estar em vigor a Lei Complementar 118/2005 (09/06/2005), de forma que a aplicação do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 566621/RS implica em contar o prazo para o pedido de restituição segundo a denominada “tese dos cinco mais cinco”, de forma foi respeitado o prazo para apresentação do pedido, cujo período mais remoto é 1996. No mérito, o cerne do litígio é comprovação da data em que se pode considerar, nos termos da lei tributária isentiva, o início da neoplasia maligna. A lei nº 9.250/1995 definiu que a isenção depende da comprovação com laudo emitido por serviço médico oficial, ao passo que o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN exige que a isenção seja interpretada estritamente. Para outorga da isenção em questão não se pode presumir o início da doença por dedução formada a partir de estudos científicos ou mesmo de dados laboratoriais ou médicos que não atendam objetivamente ao requisito legal. Exigir um laudo médico oficial não significa exigir o que o recorrente denomina de exames invasivos como único meio de prova. Também não é suficiente o laudo emitido pelo urologista Marcos Silva Gomes, em 2001, de natureza particular, ainda que emitido em formulário padronizado da Receita Federal (fls. Digital 141) ou em formulário com timbre do IPES, mormente quando se restringe a indicar nível de PSA elevado (fls. Digital 143/144). O que se tem nos autos não difere do que já foi objeto de análise da Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda em 06/01/2005 (fls. 83), cuja conclusão é que somente a partir de 05/02/2004 se pode considerar comprovada a doença em discussão. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em razão de novo pleito, a Junta médica analisou novos exames do falecido e, em 01/02/2005, ratificou a conclusão acima referida (fls. 85). A mesma data foi reconhecida pelo Médico Perito do INSS (fls. 86). Destarte, o acórdão recorrido não merece reparo. Devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 23034.042089/2006-93
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/07/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Existência de contradição na decisão, autoriza o saneamento da mesma mediante apreciação de embargos de declaração (art. 65, do RICARF), inclusive atribuído de efeitos infringentes, no caso de conclusão obtida pelos fundamentos observados no ato de saneamento.
FNDE.SALÁRIO-EDUCAÇÃO.COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos de que o desconto foi realizado com base em comprovação pagamento e de freqüência do beneficiário, por meio idôneo, há incidência da norma isentiva do Salário-Educação.
Embargos de Declaração Acolhido
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, no sentido de retificar a decisão embargada, com atribuição de efeitos infringentes, reformando-a, para DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, no sentido declarar parcialmente improcedente o lançamento no que tange o crédito tributário constituído com base nas indenizações pagas a título de salário-educação vinculadas à dependente da segurada Sirlei Eliana Bender Maciel (Marcelle Thais Maciel), no período de 12/2001 a 07/2005.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/07/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Existência de contradição na decisão, autoriza o saneamento da mesma mediante apreciação de embargos de declaração (art. 65, do RICARF), inclusive atribuído de efeitos infringentes, no caso de conclusão obtida pelos fundamentos observados no ato de saneamento. FNDE.SALÁRIO-EDUCAÇÃO.COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos de que o desconto foi realizado com base em comprovação pagamento e de freqüência do beneficiário, por meio idôneo, há incidência da norma isentiva do Salário-Educação. Embargos de Declaração Acolhido Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, no sentido de retificar a decisão embargada, com atribuição de efeitos infringentes, reformando-a, para DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, no sentido declarar parcialmente improcedente o lançamento no que tange o crédito tributário constituído com base nas indenizações pagas a título de salário-educação vinculadas à dependente da segurada Sirlei Eliana Bender Maciel (Marcelle Thais Maciel), no período de 12/2001 a 07/2005. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Existência de contradição na decisão, autoriza o saneamento da mesma mediante apreciação de embargos de declaração (art. 65, do RICARF), inclusive atribuído de efeitos infringentes, no caso de conclusão obtida pelos fundamentos observados no ato de saneamento. FNDE.SALÁRIOEDUCAÇÃO.COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos de que o desconto foi realizado com base em comprovação pagamento e de freqüência do beneficiário, por meio idôneo, há incidência da norma isentiva do SalárioEducação. Embargos de Declaração Acolhido Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, no sentido de retificar a decisão embargada, com atribuição de efeitos infringentes, reformandoa, para DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, no sentido declarar parcialmente improcedente o lançamento no que tange o crédito tributário constituído com base nas indenizações pagas a título de salárioeducação vinculadas à dependente da segurada Sirlei Eliana Bender Maciel (Marcelle Thais Maciel), no período de 12/2001 a 07/2005. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 20 89 /2 00 6- 93Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 23034.042089/200693 Acórdão n.º 2803002.521 S2TE03 Fl. 283 2 (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 23034.042089/200693 Acórdão n.º 2803002.521 S2TE03 Fl. 284 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que manteve parcialmente os créditos lavrados pela Notificação para Recolhimento de Débito, lavrada pelo Ministério da Educação Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para a constituição de crédito tributário relativo à contribuição SalárioEducação, prevista no § 5o do art. 212 da Constituição Federal, por não ter incluído e entregue as informações em Relação de Alunos Indenizados (RAI), desobedecendo os artigos 2º e 5º, da. Instrução nº 1, de 23/12/96, e 8º e 10 da Resolução FNDE n° 2, de 20/2002, que tem redação análoga ao disposto no artigo 8o da Resolução FNDE n° 3/2000, reconhecendo a decadência dos créditos constituídos com base em fatos geradores ocorridos entre 09/1996 a 11/2001. A Recorrente, tempestivamente, apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando a não analise dos documentos juntados quanto aos lançamentos não decadentes quanto aos valores indenizados com base da dependente da segurada Sirlei Eliana Bender Maciel (Marcelle Thais Maciel), no período de 12/2001 a 07/2005, deveriam ser considerados válidos, bem como não seria necessária a comprovação de entrega da RAI. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, o qual considerou nula a decisão anterior, por causa de seus pressupostos fáticos. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, pedindo o saneamento da decisão com efeitos infringentes, pois a decisão teria com base trecho de texto de outra decisão de primeiro grau, mas não a dos presentes autos. Esse é o relatório. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento. Esse é o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 23034.042089/200693 Acórdão n.º 2803002.521 S2TE03 Fl. 285 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator Os embargos de declaração são tempestivos, assim deve os mesmos ser conhecido. Realmente, houve o equívoco no pressuposto da decisão, por parte deste relator, em razão da quantidade de processos julgados da mesma matéria, gerando contradição na decisão, autorizando o saneamento da mesma mediante apreciação de embargos de declaração (art. 65, do RICARF). Assim, a decisão anterior desta Turma deve ser reanalisada e retificada, acolhendo os embargos, com efeitos infringentes, pois pelos fundamentos da decisão levam a nova conclusão. Passase a reanálise do recurso voluntário. O recurso voluntário a contribuinte alega a não analise dos documentos juntados quanto aos lançamentos não decadentes e que os valores indenizados com base dependente da segurada Sirlei Eliana Bender Maciel (Marcelle Thais Maciel), e apenas desta, no período de 12/2001 a 07/2005, deveriam ser considerados válidos, bem como não seria necessária a comprovação de entrega da RAI, pois há presunção de regularidade dos prazos de entrega, e que são documentos da própria União. Por não tratar as questões de forma geral, especificando apenas um segurada como objeto do recurso, apenas esta parte será apreciada, por desistência tácita do restante das matérias do lançamento original. Entendo que no caso em questão, em que pese a farta juntada dos comprovantes de freqüência, vinculo e pagamento das indenizações a título de salário educação dos dependentes dos funcionários(fls. 27203), ou seja, estaria comprovada a regularidade perante o art. 10, III, do Dec. 3.142/1999, vigente à época dos fatos geradores, por meio idôneo. O suposto descumprimento aos artigos 2º e 5º, da. Instrução nº 1, de 23/12/96, e 8º da Resolução FNDE n° 2, de 20/2002, que tem redação análoga ao disposto no artigo 8o da Resolução FNDE n° 3/2000, que dispõe e estabelece sobre a Relação de Alunos Indenizados (RAI) e seu prazo de entrega ao FNDE, e por não estarem definidos em lei em sentido estrito, ou no decreto regulamentador, o seu descumprimento não se refere à obrigação principal, mas sim à obrigação acessória qualquer. Pois, foi comprovado nos autos de que o desconto foi realizado com base em comprovação pagamento e de freqüência dos beneficiários, por meio idôneo, fazendose incidir a norma isentiva. Por não estar expressamente definida em lei ou decreto regulamentador, apenas haveria uma possível infração à obrigação instrumental, mas não a ponto de não afastar o benefício. Tudo, sob pena de respeito ao princípio da estrita legalidade. Isso posto, voto é para conhecer e acolher os Embargos de Declaração, no sentido de retificar a decisão embargada, com atribuição de efeitos infringentes, reformandoa para DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, no sentido declarar parcialmente improcedente o lançamento no que tange o crédito tributário constituído com base nas Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 23034.042089/200693 Acórdão n.º 2803002.521 S2TE03 Fl. 286 5 indenizações pagas a título de salárioeducação vinculadas à dependente da segurada Sirlei Eliana Bender Maciel (Marcelle Thais Maciel), no período de 12/2001 a 07/2005. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.010807/2008-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A falta de apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 39 deste processo digital), reproduzido a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 08 07 /2 00 8- 25 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.010807/200825 Acórdão n.º 2801003.216 S2TE01 Fl. 67 2 O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2007, ano calendário 2006, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 20.225,20. De acordo com demonstrativo, foi glosado o valor de R$ 38.771,80, declarado a título de despesas médicas. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, (1) despesas com os profissionais Márcia Guimarães e Ana Cláudia Mendonça: documentos não preenchem os requisitos formais previstos no art. 80, § 1º, item I e II do RIR/99 (não identifica o beneficiário nem o endereço do profissional); (2) despesas com plano de saúde UNIMED: falta de comprovação. Cientificada do lançamento em 02/09/2008 (fl. 35), ingressou a contribuinte, em 18/09/2008, com a impugnação de fls. 02/03, instruída com documentos de fls. 11/28, na qual informa que: quanto às despesas com Unimed RJ a empresa não enviou o comprovante geral e portanto apresenta os comprovantes de pagamentos mensais; relativamente às despesas com não dependente junto à Unimed – São Gonçalo, foi orientada que poderia declarar as despesas com sua irmã que estava desempregada e precisando de cuidados médicos e, por isso, provisoriamente a sustentava. Após a leitura das instruções, verificou que as informações não eram verdadeiras e não condizentes com a legislação tributária. o tratamento com Márcia Ramalho foi realizado em sua residência, daí a ausência de endereço do consultório nos comprovantes, esclarece que o nome que consta da notificação está equivocado; o atendimento fonoaudiológico com a profissional Ana Cláudia Mendonça foi realizado no endereço Estrada Francisco da Cruz Nunes, 5982, sala 204, Itaipu, Niterói; A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, por intermédio do acórdão de fls. 38/42, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte para o seu próprio tratamento ou o dos dependentes informados na Declaração de Ajuste. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.010807/200825 Acórdão n.º 2801003.216 S2TE01 Fl. 68 3 documentos de prova constantes dos autos não preenchem os requisitos estabelecidos em lei, não restando devidamente suprida a irregularidade detectada pela fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. AUSÊNCIA DO ENDEREÇO. A indicação do endereço do emitente do recibo médico representa requisito para a dedução da despesa por expressa determinação legal. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/08/2011 (fl. 46), a Interessada interpôs, em 12/09/2011, o recurso de fls. 48/49, acompanhado dos documentos de fls. 50/62. Na peça recursal concorda com as glosas de despesas efetuadas com a UNIMED São Gonçalo (R$ 2.500,00) e com as profissionais Márcia de Praga Araújo Ramalho (R$ 14.000,00) e Ana Cláudia Lessa de Mendonça (R$ 10.000,00). Em relação à glosa com o plano de saúde UNIME Rio aduz, em síntese, que: Os meses de fevereiro e julho de 2006 estão com os comprovantes dos valores pagos à UNIMED Rio apagados pelo tempo, mas eles podem ser considerados quitados, tendo em vista a falta de observação sobre mensalidades atrasadas nos comprovantes subsequentes (março/2006 e agosto/2006). O mês de abril poderá ser considerado quitado, tendo em vista a falta de observação sobre mensalidades atrasadas no comprovante subsequente (maio/2006). Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. A controvérsia se restringe às despesas médicas relativas ao plano de saúde UNIMED Rio, meses fevereiro, abril e julho, porquanto houve a concordância expressa da Recorrente em relação às demais glosas de despesas efetuadas pela Fiscalização e que não foram restabelecidas pelos julgadores da instância de piso. A decisão recorrida assim se manifestou sobre a glosa de despesas médicas referentes ao plano de saúde UNIMED Rio: Quanto aos pagamentos relativos à Unimed RJ, glosados por falta de comprovação, a contribuinte juntou os boletos de pagamento de fls. 14/24. Nestes documentos consta informação de que, além da contribuinte, são beneficiários do plano Cecília Matheus Guimarães e Maria de Lourdes Matheus. Conforme estabelecido no art. 8º, § 2º, II, da Lei nº 9.250/95, só são passíveis de dedução os gastos realizados com o tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.010807/200825 Acórdão n.º 2801003.216 S2TE01 Fl. 69 4 Do exame da Declaração de Ajuste Anual apresentada (fls.30/32), verificase que a contribuinte informou como dependente somente Cecília Matheus Guimarães. Assim, cabe o restabelecimento apenas das parcelas mensais relativas à contribuinte (R$ 217,54) e sua dependente (R$ 140,00), o que totaliza R$ 3.217,86, tendo sido considerados somente boletos de pagamentos relativos a nove meses, visto que os boletos de fevereiro e julho não possuem autenticação bancária e nem há qualquer comprovante legível de pagamento, e ainda não foi apresentado comprovante de pagamento do mês de abril de 2006. À peça recursal a Interessada anexou os mesmos comprovantes anteriormente apresentados, ou seja, boletos de pagamentos relativos a nove meses devidamente autenticados e boletos de pagamento referentes aos meses de fevereiro e julho sem autenticação. O comprovante de pagamento do mês de abril não foi apresentado. Portanto, não houve a efetiva comprovação das despesas com o plano de saúde UNIMED Rio nos meses de fevereiro, abril e julho. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13855.724031/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA -ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO.
Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea a da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99.
FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS E DAS CONTRIBUIÇÕES PARA INCRA; SENAI; SESI; SALÁRIO-EDUCAÇÃO. VEDAÇÃO
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
SEBRAE EXIGIBILIDADE
.O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
MULTA QUALIFICADA
É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.792
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que votou por excluir do lançamento a multa de ofício qualificada.
Fez sustentação oral: João Henrique G. Domingos OAB/SP 189.262
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA -ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea a da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS E DAS CONTRIBUIÇÕES PARA INCRA; SENAI; SESI; SALÁRIO-EDUCAÇÃO. VEDAÇÃO O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS E DAS CONTRIBUIÇÕES PARA INCRA; SENAI; SESI; SALÁRIO EDUCAÇÃO. VEDAÇÃO O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEBRAE EXIGIBILIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 40 31 /2 01 2- 92 Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que votou por excluir do lançamento a multa de ofício qualificada. Fez sustentação oral: João Henrique G. Domingos OAB/SP 189.262 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.897 3 Relatório O presente processo compreende os Autos de Infração de Obrigação Principal, AIOP’s DEBCAD 51.005.7713, relativo à parte patronal e SAT e DEBCAD 51.005.7721, referente às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades; foram lavrados e cientificados ao sujeito passivo em 11/12/2012, referindose às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, frente à desconsideração da prestação de serviço pela interposta pessoa jurídica M N MENDES ME. ME, no período de 01/2009 a 12/2010. O relatório fiscal de fls 2676/2699, traz que a prestadora de serviço acima nominada é inscrita no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e não possui autonomia operacional, administrativa e financeira necessárias a um processo produtivo, conforme constatado na ação fiscal e corroborado por inúmeros elementos de prova que constam anexos aos autos. Que a empresa contratada para prestar serviços para a recorrente, na verdade simula uma situação existente que visa o não recolhimento da contribuição previdenciária patronal dos segurados que efetivamente prestaram serviços ao sujeito passivo, causando evidente prejuízo aos cofres da previdência social, sobre as remunerações dos Desta forma, foram constituídos na empresa DEMOCRATA CALÇADOS E ARTEFATOS DE COURO LTDA.os créditos previdenciários relativos à folha de pagamento da empresa interposta, quanto à parte patronal e terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. As contribuições referentes às cotas dos empregados já recolhidas foram devidamente apropriadas. Após a impugnação, Acórdão de fls.2836/2848, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que inexistiu relação jurídica de vínculo empregatício; b) que há cerceamento de defesa, posto que há ausência de descrição exata do vínculo empregatício dos supostos empregados; a alegação de vínculo é genérica sem pormenorizar fatos e provas para a cada pessoa considerada empregada; c) que os acessos à empresas são independentes com prédios distintos; d) os argumentos fiscais são frágeis, pois há independência das empresas, funcionários, horários de funcionamento, entradas separadas e acessos próprios, os prédios são isolados por cerca, sendo apenas vizinhos; Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) a impossibilidade de se caracterizar como empregados e desconsiderar as pessoas jurídicas que existem formal e faticamente; f) que a pessoa jurídica desconsiderada estava devidamente constituída mediante contrato social registrado, possui escrituração fiscal regular e recolhe tributos em dia, prestou serviço de corte e pesponto e recebeu pagamento efetivo; g) que o fato de os sócios da pessoa jurídica terem sido empregados da recorrente ou parentes de seus sócios, não justifica a inexistência da pessoa jurídica; h) que não basta sustentar que a empresa não existia, mas há que ser demonstrados os pressupostos da relação de emprego; i) não há prova da fraude e a recorrente não teve qualquer intenção de fraudar o fisco com a contratação da MN MENDES – ME; j) que é lícita a terceirização e nada impede que se dê com a irmã do sócio; k) que não houve intenção de deixar de recolher tributos e que o auxílio por parte dos recursos humanos da recorrente para com a terceirizada só teve a pura intenção de auxílio, propriamente dito; l) que não é possível a aplicação de presunção e não há provas da simulação e do vínculo empregatício; m) que o fisco deve provar de forma cabal a ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu; n) que é impossível a desconsideração da pessoa jurídica sem a intervenção do Poder Judiciário; o) ratifica os argumentos expedidos na impugnação quanto ao SAT, Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI/SEBRAE e juros SELIC; p) que não há previsão legal para a aplicação de multa qualificada no presente caso, porque não está descrito de forma pormenorizada quais as condutas praticadas pela recorrente; q) que a multa é confiscatória; r) que não podem incidem juros sobre a multa. Por fim, requer o provimento do recurso para que seja julgado improcedente o lançamento tributário, ou ao menos reduzir o valor cobrado, tendo em vista a sua insubsistência. É o relatório. Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.898 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar A recorrente alega nulidade da autuação por desrespeito ao artigo 142 do Código Tributário Nacional e conseqüente cerceamento de defesa devido a insuficiência da descrição dos fatos geradores. Todavia, entendo que não prospera a argumentação de desrespeito ao Código Tributário Nacional, visto que, o art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e corretamente identificando se o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: ocorrência do fato gerador : pagamento de remuneração aos segurados empregados e contribuintes individuais, assim considerados frente a desconsideração dos serviços prestados por pessoa jurídica, conforme bem relatado no relatório fiscal de fls 2836/2699, que fez a ilação entre a situação de fato encontrada e os documentos anexados aos autos nas fls.22, 50, 77, 81/107, 120/209,123/297, 299/312,315, 320/338, 354/2544; que corroboram a situação descrita; matéria tributável : a remuneração dos segurados empregados que cone contribuintes individuais, que constituem base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, e artigo 22, III, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99; calcular o montante devido : o que está contido no Discriminativo do Débito, fls. 2655/2659 e 2667/2670; identificar o sujeito passivo da obrigação: a empresa está devidamente identificada às fls. 01, do Auto de Infração e seus responsáveis contam das fls. 2652, na Relação de Vínculos. De todos os documentos foram entregues as 2ªs. vias para o representante legal do contribuinte, que recebeu e assinou o auto de infração. Portanto, o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Assim,o cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. Também, não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.899 7 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito De acordo com o relatório fiscal da autuação, fls. 26/76/2699, o crédito previdenciário decorre da situação fática existente e relatada pela fiscalização no que concerne a descaracterização dos serviços prestados por empresa interposta. As evidências descritas pelo auditor fiscal e às quais me reporto, já que compõem o relatório e por economia processual deixo de aqui copiálas, dão conta de que a autuada utilizou a empresa M N MENDES. ME optante pelo SIMPLES como interposta pessoa na contratação de empregados visando o não recolhimento da contribuição previdenciária patronal. A fiscalização relata que em verificação física efetuada no sujeito passivo e em diligência efetuada na empresa M N MENDES ME restou evidenciado que o recorrente utiliza a contratação de outra empresa para terceirização de parte de sua produção. Que esta empresa que presta os serviços terceirizados mantém seu faturamento dentro dos limites exigíveis para ser optante do SIMPLES, absorvendo, assim, os custos de mão de obra da empresa contratante. Aduz o Fisco, através do Termo de Constatação Fiscal às fls. 111/112, que em diligência efetuada junto à empresa M N MENDES ME, encontrou o portão de acesso a mesma fechado, indo à empresa vizinha, ora recorrente, cujo funcionário da guarita de segurança logo chamou a proprietária Sra. Marta Neves Mendes, que disse não se lembrar exatamente quando a empresa iniciou suas atividades, que a empresa foi criada porque estava difícil encontrar “banca de pesponto”, que antes de abrir a empresa, trabalhava na recorrente como chefe de pesponto, que é irmã do sócio da recorrente, que o prédio onde funciona a empresa é de propriedade da recorrente, que a parte de Recursos Humanos da sua empresa, bem como a contabilidade são feitas na Democrata Calçados e Artefatos de Couro Ltda., que até o ano de 2011 fazia pespontos, mas agora a empresa faz cintos para a Democrata, que as máquinas utilizadas no processo produtivo são da recorrente. Ainda, do resultado da diligência efetuada e frente aos documentos examinados a fiscalização aponta que a titular da firma M N MENDES ME, irmã dos sócios da recorrente, chegou a ser empregada dela no mesmo período em que sua empresa prestava serviços para a recorrente; que a partir de 10/2009 a 10/2010, a empresa funcionou no mesmo prédio da recorrente; as máquinas utilizadas são de propriedade da recorrente que as cede de forma gratuita, conforme contrato de comodato às fls. 137/211, e notas fiscais de aquisição do equipamento pela recorrente , que no mesmo dia efetivava o comodato para a M N MENDES ME. Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.900 9 A empresa terceirizada presta serviços exclusivos para a recorrente, de onde advém toda a sua receita, conforme Livros Registro de Entrada e Saídas, cópias anexadas pelo Fisco aos autos. Às fls. 315/2544, podese ver inúmeros documentos que comprovam a confusão existente entre as duas empresas no que diz respeito à administração financeira e de pessoal. Os documentos mostram, por exemplo, que o Plano de Saúde contratado pela empresa prestadora de serviços, foi assinado pela recorrente; que o responsável pelas informações prestadas nas GFIP’s da prestadora é o mesmo da recorrente; que os pagamentos de salário efetuados aos empregados da prestadora são efetuados pelo Banco Itaú, que apresenta como pessoa responsável funcionário da recorrente, todos os documentos relativos ao departamento de pessoal da empresa prestadora de serviços M N MENDES ME são feitos pelo setor de recursos humanos da recorrente, inclusive o preenchimento dos Perfis Profissiográficos Previdenciários. Da análise dos livros Diário da empresa M N MENDES, se vê que a mesma contabilizou lucro em 2008 e prejuízos em 2009 e 2010, mas contabilizou distribuição de lucros nestes três anos para a titular Marta Neves Mendes. A distribuição de lucro era mensal , inclusive relativa a 13º salário e férias. No mês de 09/2009, o valor da distribuição de lucro é idêntico ao recibo de pagamento de salário líquido pago a Marta Neves Mendes, R$ 2.178,22. No recibo constam valores a receber por horas trabalhadas, descontos com farmácia, convênio médico, desconto com lista de casamento e tem impresso “Declaro para todos os fins de direito que recebi da empresa MN Mendes ME a importância supra, como pagamento de meu salário”. Idem ocorreu nas competências de 11/2009, 01/2010, 02/2010, 03/2010, 04/2010, 05/2010, 07/2010 09/2010, 11/2010, 12/2010, cujos valores coincidem com a distribuição de lucro O relatório fiscal ainda se reporta a outras provas: No documento denominado Conferência de Documento Fiscal e Comunicação de Incorreções, relativa a nota fiscal 843, de 25/09/2009, emitida pela M N Mendes para a Democrata, o Sr. Fabrício Cornélio da Silva assinou pela M N MENDES e a Sra Cacilene Precioso Grotto Morais pela Democrata, mas ambos são empregados da Democrata, recorrente. Os certificados de Pesagem de Lixo Industrial emitidos pela empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca , trazem no campo destinado à empresa a denominação : DEMOCRATA – M N MENDES. O relatório “Líquido Bancário por nome c/ data pgto.” que contém os empregados da M N MENDES emitido e 18/08/2008 possui no cabeçalho impresso o nome da DEMOCRATA. O documento “Relação de Demitidos” apresentado pela M N MENDES em resposta ao Termo de Início de Diligência e Intimação n.º 01, tem impresso no cabeçalho a marca DEMOCRATA. A Nota Fiscal relativa ao relógio ponto da M N MENDES foi recebida por funcionário da DEMOCRATA. Pagamentos feitos a outras empresa pela M N MENDES tem como comprovante de despesa recibo no nome da DEMOCRATA e vários pedidos para fornecedores tem como identificação de cliente DEMOCRATA – M N MENDES, tendo como local de entrega a empresa DEMOCRATA, ou seja , são inúmeras as evidências de que a Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 empresa M N MENDES ME é dependente da recorrente para subsistir e não possui autonomia patrimonial, financeira e operacional que lhe permite desenvolver suas atividades produtivas de foram independente em relação à recorrente. Os elementos de convencimento expostos pela auditoria fiscal explicitam que a empresa terceirizada é dependente da recorrente para existir, onde as instalações, maquinários, água, energia elétrica são cedidos pela recorrente à prestadora de serviço, que trabalha exclusivamente para ela. A forma como a empresa terceirizada foi criada, por uma empregada, irmã dos sócios da tomadora, que exercia a função de chefe do setor de pespontos e abre uma firma individual para prestar serviços de pespontos de forma exclusiva para aquela tomadora, sua ex patroa e de propriedade de seus irmãos, sem qualquer patrimônio tanto, de instalações como de maquinário e se inscreve no SIMPLES, porque, por óbvio, tem baixo faturamento, o que lhe permite ser optante do Sistema, evidencia o intuito de reduzir o custo com a contribuição previdenciária incidente sobre a mão de obra necessária ao processo produtivo. O fato da terceirização se dar com a irmã do sócio por si só não é o fator determinante da desconsideração dos serviços prestados por interposta pessoa jurídica, mas sim o fato de que não restou demonstrado que a empresa contratada tivesse plena autonomia econômica para sustentar seu próprio processo produtivo, arcando com a sua mão de obra e seus insumos. Como já referido, o fisco demonstrou total confusão entre as notas de serviço e materiais utilizados, onde se vê que os fornecedores entregavam mercadorias/insumos que deveriam ser para a terceirizada , mas na verdade traziam o nome e o local de entrega da recorrente. Os funcionários da terceirizada recebiam valores através de conta bancária da recorrente; a titular da empresa terceirizada recebia salário, 13º salário e férias da recorrente, fazendo uma simulação de escrita contábil acerca de distribuição de lucro, no exato valor do salário recebido e quando mais não tinha lucro a distribuir, mas apresentava prejuízo, Foram todos estes fatores que levaram a desconsideração dos serviços prestados por interposta pessoa jurídica e não o simples fato de parentesco havido, como alega a recorrente. Também, não é o caso da empresa prestadora não existir, como argüiu a recorrente, mas os elementos de prova trazidos pelo fisco dão a perfeita noção de que a empresa prestadora apenas existia proforma, a fim de que a tomadora se ilidisse do pagamento das contribuições previdenciárias patronais, porque não tinha sequer maquinário e insumos para bancar o processo produtivo a que devia estar comprometida. O caso presente da forma como exposto pelo Fisco trata de uma simulação na contratação formal de mão de obra por empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, onde está obrigada apenas ao recolhimento da contribuição relativa à cota do empregado e dispensada da contribuição patronal, ao passo que não possui estrutura operacional para manter uma linha de produção, o que vem a ser suprido pela suposta “tomadora dos serviços”, no caso a recorrente, que é a responsável por toda a receita advinda do faturamento com a produção e se ilide do pagamento da cota patronal das contribuições previdenciárias, já que a mão de obra está registrada na empresa optante do SIMPLES. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.901 11 Da forma como disposta esta relação entre as pessoas jurídicas envolvidas é notório o prejuízo causado à Seguridade Social, pois a mão de obra empregada no processo produtivo não serve de base para a incidência da contribuição previdenciária, já que se dá em empresa que possui um baixo faturamento, o que lhe permite ser optantes do SIMPLES, enquanto a empresa que deve contribuir também com a cota patronal das contribuições previdenciárias, não efetua o recolhimento da mão de obra relativa aos serviços tomados, ou seja, a Previdência Social é que vai arcar com a sangria em seus cofres, na medida em que a mão de obra que produziu o faturamento, não serve de base para a incidência contributiva previdenciária. Reitero que por todos os dados constantes do processo é possível aferir que os serviços são prestados por empresa interposta na contratação formal de mão de obra, servindo para a recorrente se elidir do pagamento da cota patronal da contribuição previdenciária. Desta forma, correta está a constituição do crédito previdenciário, relativamente às folhas de pagamento da empresas interposta, cujos valores foram tomados como salário de contribuição para a incidência da contribuição patronal de responsabilidade da recorrente. Foi desconsiderada a prestação de serviço através da empresa interposta, por todas as circunstâncias, motivos e evidências relatadas na autuação, para considerar toda a mão de obra empregada no processo produtivo da recorrente como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. LEI N.º 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifei). O referido art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. No inciso I estão as situações de enquadramento dos segurados empregados, sendo que a relação pactuada nos contratos desconsiderados nessa notificação pode ser observada na alínea "a" (idêntica redação do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.º 8.212/91): Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). A desconsideração das empresas prestadoras de serviços, decorreu da realidade fática encontrada pela fiscalização, qual seja, a existência de relação de emprego entre as pessoas físicas e a empresa ora autuada. E, diante de tal situação, a fiscalização da Receita Federal do Brasil tem o poderdever de perquirir acerca da real natureza da relação de Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.902 13 trabalho para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA. PRELIMINAR SUPERADA. OBJETO DA AÇÃO ORIGINÁRIA: ANULAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA CARACTERIZAR RELAÇÃO DE EMPREGO. FUNDAMENTO DA SENTENÇA E DO ACÓRDÃO (RESCINDENDO) DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" (ART. 3O, DA LEI N.º 7.787/89). CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO (ART. 485, IX, DO CPC). DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA E NOVO JULGAMENTO. DETENÇÃO PELO INSS DE PODERES PARA RECONHECER RELAÇÃO DE EMPREGO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE PROVA ACERCA DA CONDIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO, A INFIRMAR A AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. ... 6 .A FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL DETÉM PODERES PARA PERQUIRIR ACERCA DA NATUREZA DA RELAÇÃO DE TRABALHO QUE VINCULA DUAS OU MAIS PESSOAS, PARA FINS DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA, CONFORME SEJA O CASO. A ATUAÇÃO INVESTIGATIVA DOS FISCAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ESTÁ VOLTADA AO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, À PERFECTIBILIDADE DE EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS. O RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, PARA ESSA FINALIDADE ESPECÍFICA, NÃO TRANSBORDA PARA ALCANÇAR A GERAÇÃO DE EFEITOS TRABALHISTAS, DA MESMA FORMA QUE NÃO PODE FICAR ATRELADO AOS RESULTADOS QUE DECORRERIAM DE EVENTUAL CONTENDA NA JUSTIÇA ESPECIALIZADA, ALTERCAÇÃO ESTA CUJO AJUIZAMENTO FICA NA DEPENDÊNCIA DA VONTADE DO EMPREGADO. A IDENTIFICAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO, NA VIA ADMINISTRATIVA, CONSTITUI UMA FASE PRÉVIA E INDISPENSÁVEL AO LANÇAMENTO DO TRIBUTO PELO AGENTE ARRECADADOR. 7 .HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SE, DA REALIDADE FÁTICA, EMERGE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, NÃO HÁ COMO DEIXAR DE SE RECONHECER OS EFEITOS QUE DELA DECORREM PELO FATO DE NÃO ESTAR, A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, DOCUMENTALMENTE REGISTRADA COM ESSA CONFIGURAÇÃO. Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 8 .DEMONSTRADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, PELAS PROVAS COLIGIDAS AOS AUTOS, NÃO INFIRMADAS PELA PARTE RÉ. 9 .PROCEDÊNCIA DO JUDICIUM RESCISSORIUM. (AR 2675 PE, Ac. TRF 500066668, Pleno, dec. unân. De 25/09/2002, DJ de 02/12/2002, pág. 575, Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti). Impossível negarse a existência de "prejuízo" para a Previdência Social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feitos, já que não há recolhimento de contribuições previdenciárias na relação havida entre duas pessoas jurídicas. Além disso, é de se ressaltar que a autoridade lançadora não se baseou em meros indícios, mas sim em um conjunto de documentos e outros elementos observados durante a fiscalização. Saliento, ainda, que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal que permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através da empresa interposta para com a recorrente. Podese verificar que os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da autuada, são efetuados mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. Os pressupostos da relação de emprego, no caso, estão demonstrados na medida em que todos os funcionários da prestadora prestam serviços para a atividade meio e fim da recorrente de maneira exclusiva, já que toda a produção é para a recorrente. Também, o Tribunal Superior do Trabalho já se pronunciou pela ilegalidade da contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador, quando existente a pessoalidade e subordinação, como no presente caso. Enunciado do TST Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74). Reitero que a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. Por tudo que foi exposto no relatório fiscal e que delinearam a conduta da autuada, entendo que restou evidente a simulação da contratação de empregados através de interposta pessoa jurídica, no caso M N MENDES.ME., constituída para assumir a mão de obra necessária à cadeia produtiva da autuada, mas com um faturamento que lhe permitisse optar pelo Sistema de Pagamento de Imposto das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.903 15 SIMPLES, com o claro objetivo de não recolher as contribuições patronais destinadas à seguridade social, sobre tal mão de obra. Ainda, quanto aos argumentos da recorrente de que não houve ânimo de fraude, me reporto integralmente ao relatório fiscal de fls.2676/2699, que muito bem sustentou a autuação procedida, permitindo que da sua leitura se vislumbrasse a situação encontrada pelo fisco, trazendo elementos de prova e convencimento, mostrando que houve prejuízo para a seguridade social que deixou de receber as contribuições previdenciárias patronais sobre a mão de obra utilizada pela recorrente. Faço, referência a parte do voto proferido na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2002.71.07.0136957/RS, TRF 4 Região, Desembargador Vilson Darós, DOU de 13/06/2007, que trata de assunto similar: Na presente situação, as empresas terceirizadas estão vinculadas ao SIMPLES, submetendose a regime tributário diferenciado. Como elas assumem atividades que deveriam, originalmente, pertencer à contratante, empresa de grande porte, acabam avocando desta seus encargos fiscais, mas, em contrapartida, submetidas ao regime especial. Tal fato, além de fraudar a atividade fiscal, compromete a finalidade do sistema tributário, já que o SIMPLES foi instituído como forma de estimular o crescimento de pequenas empresas, e não de aliviar as despesas de grandes empreendimentos. Estes devem arcar com os valores que lhes são compatíveis, sendolhes vedada a utilização do serviço terceirizado como forma de amenizar os encargos tributários. Com isso, não se está dizendo que uma terceirização legítima poderia ser desconsiderada para abrir espaço à ação arrecadadora do Fisco. O que se afirma, no caso, é que o serviço terceirizado perde sua legitimidade quando atinge o processo principal da empresa, adentrando em suas atividades essenciais, caracterizando fraude trabalhista e, inclusive, fiscal. A situação de simulação e fraude constatada nos autos também se reflete na aplicação da multa qualificada. Quanto à multa aplicada a MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.904 17 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. A multa de ofício é de aplicação obrigatória para as competências a partir de 12/2008, prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44, e o inciso I e §1º deste dispositivo, a determina a duplicação do percentual da multa nos casos de simulação, fraude ou dolo: Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem sobre o assunto: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, acima transcrito. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. A recorrente também se insurge contra as contribuições vertidas para o SAT, por terem sido delimitados os graus de risco por Decreto, argüindo a sua inconstitucionalidade e ilegalidade, bem como se insurge contra as contribuições para o Salário Educação, SENAI, SESI, SEBRAE e juros com base na SELIC. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temse que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.905 19 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.906 21 obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado a Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. As contribuições para o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial foram instituídas pelo DecretoLei nº 4.048, de 22/01/42, sendo regido ainda pelas seguintes alterações: Decretolei nº 4.936, de 07/11/42; Decretolei nº 6.246, de 05/02/44; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. O SESI – Serviço Social da Indústria foi instituído através do Decretolei nº 9.403, de 25/06/46, sendo ainda regido pela seguinte legislação: Lei nº 4.863, de 29/11/65; Decreto nº 60.486, de 14/03/67; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 A recorrente, por ser indústria, está vinculada ao FPAS 507, se constituindo em sujeito passivo das contribuições para o SESI e SENAI, de acordo com a legislação que os instituiu: SENAI – DecretoLei n.º 6.246, de 05 de fevereiro de 1944: “Art. 2º. São estabelecimentos contribuintes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial: a – as empresas industriais (grifamos), as de transportes, as de comunicações e as de pesca.” SESI – DecretoLei n.º 9.403, de 25 de junho de 1946: “Art. 3º Os estabelecimentos comerciais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (art. 577 do DecretoLei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins.” Em relação às contribuições destinadas ao SEBRAE as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.907 23 contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. O Contencioso Administrativo não aprecia a inconstitucionalidade das leis, porque exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.724031/201292 Acórdão n.º 2302002.792 S2C3T2 Fl. 2.908 25 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, não se vislumbra no levantamento a incidência de juros sobre a multa aplicada. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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