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Numero do processo: 11020.007196/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 71 96 /2 00 8- 15 Fl. 690DF CARF MF 2 Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão 330100.765, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matérias primas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Discutese o direito de o sujeito passivo compensar créditos escriturais de IPI pagos na importação de insumos para fabricação de embalagens de material plástico/papelão, tendo em vista que sua atividade se caracteriza como industrialização, nos termos do art. 4º do RIPI, na medida em que realiza correções de deformações, melhoria no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos (beneficiamento); · O acórdão recorrido limitase a afirmar que a atividade exercida pelo sujeito passivo consiste na importação de embalagens Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11020.007196/200815 Acórdão n.º 9303007.351 CSRFT3 Fl. 565 3 plásticos/papelão para acondicionamento de ovos in natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, as quais não se caracterizam como processo de industrialização; · A atividade envolve complexo processo de industrialização: correção de deformações nas embalagens e impressões gráficas. Em Despacho à fl. 672, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido, haja vista que as atividades desenvolvidas e analisadas naqueles casos, em nada se assemelham à atividade desenvolvida pela contribuinte aqui autuada; · A empresa, por ser estabelecimento apenas equiparado a industrial, não tem direito ao ressarcimento do IPI em virtude de não ter agregado insumos ao produto adquirido e vendido por ele; · O imposto pago na aquisição foi repassado para o adquirente dos respectivos produtos, como muito bem asseverado pela fiscalização, pelo acórdão proferido em primeira instância e pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que não devo conhecêlo, vez que não há similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma. Fl. 692DF CARF MF 4 Recordase que a lide versa sobre o direito ao ressarcimento de crédito de IPI para o sujeito passivo – que foi considerado pelo colegiado a quo como “equiparado a industrial”, vez que se alegou naquela ocasião que o sujeito passivo importa embalagem para acondicionamento de ovos e as revende no mercado, aplicando impressões gráficas para alguns casos. O sujeito passivo, por sua vez, argumenta que realiza o beneficiamento das embalagens e ainda efetua impressões gráficas tornandoa estabelecimento industrial. E que, sendo assim, teria direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. O acórdão recorrido, então, ao definir que o estabelecimento do sujeito passivo era equiparado a industrial, e não industrial, não reconheceu o direito ao ressarcimento do IPI, consignando a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matériasprimas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. ” Traz como fundamento que o art. 11 da Lei 9.779/99 é taxativo ao atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes de industrialização e não da revenda de produtos. Enquanto, temse que o acórdão indicado como paradigma de nº: · 20308.994: Trata de sujeito passivo que realiza montagem para a saída de produto – através da união de peças e partes ou unidade autônoma. O Colegiado entendeu que essa atividade seria industrial. Para melhor elucidar, transcrevo a ementa consignada: “IPI — IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Para os efeitos de incidência do IPI, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11020.007196/200815 Acórdão n.º 9303007.351 CSRFT3 Fl. 566 5 operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade ou o aperfeiçoe para o consumo (parágrafo único do art. 46 do CTN). Ao explicitar como se caracteriza a industrialização, para o mesmo efeito, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/82 dispõe, em seu art. 3 0, inciso III, que constitui industrialização a montagem, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. Nesse sentido definiu a operação que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” Vêse que não há similitude fática com o caso vertente, vez que não houve discussão de importação de produto, beneficiamento desse produto e revenda ou venda do produto “beneficiado” – embalagem – o que sabemos que poderia gerar a discussão acerca da caracterização como estabelecimento industrial ou equiparada a industrial. O que seria a lide principal do caso vertente. Além disso, não se discutiu o art. 11 da Lei 9.779/99. · 20219.344: Trata de sujeito passivo que efetivamente fabrica as próprias caixas. Tanto é assim, que essa turma ao apreciar recurso especial interposto pelo sujeito passivo, assim consolidou em acórdão 9303006.483: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/1999 a 20/01/2002 ATIVIDADE PREPONDERANTEMENTE INDUSTRIAL. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 156 DO STJ. A atividade de confecção de caixas de papelão com logotipo, sob encomenda, para embalagem de mercadorias, prestada por empresa industrial, não constitui mera prestação de serviço de composição gráfica, devendo ser considerada, para efeitos Fl. 694DF CARF MF 6 fiscais, como atividade de industrialização. A inserção, no produto assim confeccionado, de impressões gráficas, contendo a identificação da mercadoria a ser embalada e o nome do seu fornecedor, é um elemento eventual, cuja importância pode ser mais ou menos significativa, mas é invariavelmente secundaria no conjunto da operação.” Ademais, naquele caso, estava se discutindo a incidência de IPI na industrialização de embalagens “personalizadas por encomenda”. Proveitoso trazer que naquele julgamento essa conselheira apresentou declaração de voto, trazendo fatores cruciais para concordar com o relator pelas conclusões, vez que percebeu que não se tratava de produtos feitos por encomenda. Diferentemente do caso vertente, onde se discute se o sujeito passivo seria estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vez que realiza beneficiamento de embalagem importada. Para assim, se considerado estabelecimento industrial, reconhecer o direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. Em vista de todo o exposto, por não haver similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não deva ser conhecido, em respeito ao art. 67 do RICARF – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, voto por não conhecer o Recurso Especial. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11020.007196/200815 Acórdão n.º 9303007.351 CSRFT3 Fl. 567 7 Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.006002/2006-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/03/2003
SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES.
A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em suposição ou presunção simples.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE
Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT.
VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO.
Admitese a utilização de médias pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado média considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de média da média, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias.
MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento.
Numero da decisão: 9303-007.337
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 11/03/2003 SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES. A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em suposição ou presunção simples. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. Admitese a utilização de médias pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado média considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de média da média, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 4.702 1 4.701 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.006002/200600 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.337 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria Comércio Exterior Imposto de Importação Recorrente ARVAMEX ASSESSORIA DE NEGOCIOS INTERNACIONAIS LTDA ME e FAZENDA NACIONAL Interessado ARVAMEX ASSESSORIA DE NEGOCIOS INTERNACIONAIS LTDA ME e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/03/2003 SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES. A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em “suposição ou presunção simples”. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE Aplicase no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 60 02 /2 00 6- 00 Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.703 2 Admitese a utilização de “médias” pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado “média” considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de “média da média”, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Fl. 4704DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.704 3 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3302002.274, de 20 de agosto de 2013 (fls. 4188 a 4242 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reduzir o percentual da multa de ofício de 300% para 150%, nos termos do voto da conselheira relatora; (ii) por maioria de votos, para considerar improcedente a multa de ofício por falta de Licença de Importação e a multa de ofício por entrega a consumo de mercadoria estrangeira em situação irregular. (iii) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. (iv) por unanimidade de votos, para negar provimento quantos às demais matérias. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte no valor de R$ 70.996.916,68 (setenta milhões, novecentos e noventa e seis mil, novecentos e dezesseis reais e sessenta e oito centavos), para o fim de constituir débito de IPI Imposto sobre Produto Industrializado, II Imposto sobre a Importação, multas de controle aduaneiro, multa por classificação incorreta e multa regulamentar do IPI. O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Grupo Especial de Fiscalização, instituído pela Portaria SRF n°.145/2004, que efetuou procedimentos de análise e revisão das importações registradas pela empresa ARVAMEX COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, cuja motivação se deu pelo fato da empresa constar do rol de importadoras que tiveram as cargas apreendidas em ato de diligência realizado pela Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.705 4 Polícia Federal nas dependências do Terminal de Cargas de Importação do Aeroporto Internacional de São Paulo. Após o levantamento e perfil das importações promovidas pela empresa nos anos de 2003 e 2004, acrescidos aos conhecidos indícios de fraude e subfaturamento presentes na apreensão da carga, procedeuse a análise do conjunto de documentos instrutivos das declarações de importação com o intuito de demonstrar a comprovação dos indícios de subfaturamento do valor aduaneiro das mercadorias internalizadas pelo fiscalizado. Para tanto a fiscalização promoveu o levantamento de importações de produtos de mesma natureza e de mesmo país de aquisição, realizadas por outros importadores, nos mesmos anos em que a empresa em epígrafe operou no comércio exterior. As informações foram extraídas do banco de dados do Sistema Integrado do Comércio Exterior Siscomex, no qual estão inseridas todas as importações registradas nas Unidades Aduaneiras e ainda no sistema de informações intitulado DW Aduaneiro, que permite retirar dados de importação sob as mais variadas formas de consulta e filtragem. Deste banco de dados foram extraídas Declarações de Importação DI de outros importadores, as quais se pode nomear como DI paradigmas, contendo mercadorias de mesma origem (país de fabricação) ou mesmo local de importação (país de aquisição), com descrição idêntica ou similar às declaradas pela Arvamex, importadas em tempo e em quantidades aproximados, conforme explicitado às fls. 640 a 789 do Relatório Fiscal, obtendo assim, preços reais de mercadorias de mesma espécie importadas por outras empresas, nos mesmos anos em que atuou o fiscalizado no comércio exterior. Por meio destas Dl paradigmas, a fiscalização apresentou os indícios que comprovaram que o importador em tela informou em suas declarações de importação preços muito inferiores àqueles considerados normais em importações de produtos de mesma espécie e natureza, realizadas por outras empresas. Concluiuse que de forma deliberada a Arvamex praticou expressivo subfaturamento em suas importações, através de inserções de valores aduaneiros artificiais Fl. 4706DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.706 5 com o intuito de obter redução ilícita nos tributos aduaneiros incidentes sobre suas operações. O Contribuinte apresentou impugnação, a 2ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente, da seguinte forma ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/03/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. PRESUNÇÃO Presunções são regras jurídicas de natureza probatória que contém fatos indiciários ligados ao fato indiciado por meio de relação jurídica de implicação. A presunção relativa admite prova em contrário. Não foi apresentada nenhuma prova por parte do sujeito passivo que justifique a nulidade do lançamento tributário. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO A determinação do valor aduaneiro por critérios razoáveis encontrasse prevista no texto do artigo 7º do Acordo de Implementação do artigo VII do AVA/GATT. INFRAÇÃO, MULTA, SOLIDARIEDADE A pessoa física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie, responde solidariamente pelo crédito tributário dele decorrente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregularmente ou fraudulentamente. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso, nos Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.707 6 seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reduzir o percentual da multa de ofício de 300% para 150%, nos termos do voto da conselheira relatora; (ii) por maioria de votos, para considerar improcedente a multa de ofício por falta de Licença de Importação e a multa de ofício por entrega a consumo de mercadoria estrangeira em situação irregular. (iii) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. (iv) por unanimidade de votos, para negar provimento quantos às demais matéri, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/03/2003 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. HIPÓTESE EM QUE OS JULGADORESANALISARAM OS ARGUMENTOS QUE ENTENDERAM SUFICIENTES. O fato de os julgadores não terem expressamente rechaçado os argumentos trazidos pela Contribuinte e terem decidido pela manutenção das multas por outros fundamentos, não gera a nulidade da decisão. O julgador administrativo não precisa analisar todas as alegações se os itens analisados forem suficientes para a conclusão. SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES. A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em “suposição ou presunção simples”. OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A simples alegação de que as operações de importação foram realizadas por conta e ordem de terceiros não é suficiente para desconstituir as Declarações de Importação realizadas pelo próprio contribuinte, nas quais restou registrado serem as importações realizadas por conta própria; assim como os indícios trazidos pelo contribuinte não são suficientes à Fl. 4708DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.708 7 contraposição da inexistência de registro de contrato de compra e venda prévio entre as partes ou à resposta da empresa SUNTRADE à circularização. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE Aplicase no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. Admitese a utilização de “médias” pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado “média” considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de “média da média”, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE 300%. REDUÇÃO. APLICABILIDADE. Aplicase ao caso, de forma retroativa, a Lei n° 11.488/07 a qual em seu artigo 40, inciso I, revogou o art. 69 da Lei no 4.502, de 30/11/64, o que se faz em razão do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, que pugna pela aplicação de forma retroativa da legislação que for mais benéfica ao contribuinte em caso de penalidade. Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.709 8 MULTA PELO VALOR DAS MERCADORIAS. SUBSTITUTIVA DE PERDIMENTO. IPI. Inaplicável a multa igual ao valor comercial da mercadoria, prevista para os casos de entrega a consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País, passível de perdimento, se o Fisco, no reexame dos despachos aduaneiros, exigir todos os tributos vinculados à importação irregular, que motivara a aplicação da referida penalidade. Isto é, uma vez que a importação “tornouse regular” com o recolhimento de todos os tributos que seriam devidos, considerandose a correta base de cálculo, por exclusão, incabível a multa por perdimento de mercadorias. MULTA PELO VALOR SUBFATURADO APLICAÇÃO Inexiste duplicidade de punição entre a multa incidente sobre o valor subfaturado e a multa majorada da Lei no 9.430/96, posto que incidentes sobre fatos diversos. A penalidade prevista pela Lei 9.430/96, é aquela imposta a todo o procedimento de autuação de ofício, in casu qualificada pela conduta fraudulenta do contribuinte. A punição pretende coibir o “deixar de pagar o tributo”, utilizando para tanto procedimento fraudulento. Por outro giro, a penalidade consubstanciada no inciso III, artigo 526 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 37/66) tem como fato imponível o subfaturamento em si. Isto é a conduta inflacionária é o subfaturamento. Tratase, portanto, de uma penalidade de controle administrativo das importações. Inexistente, portanto, duplicidade de punição. MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICABILIDADE. Fl. 4710DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.710 9 O contribuinte que classificar erroneamente seus produtos está sujeito à multa punitiva. In casu, o erro ficou comprovado em razão da análise física e documental, uma vez que o contribuinte realizou o enquadramento fiscal da forma que lhe era mais benéfico, em contradição ao que registrou nas Declarações de Importação e ao que foi efetivamente importado. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ARTIGO 146 DO CTN. NÃO INCIDÊNCIA. Não ocorre modificação de critério jurídico quando a fiscalização constata que os produtos importados simplesmente não correspondem àquela classificação indicada pelo contribuinte. Neste caso não se trata de classificação duvidosa em razão da natureza do produto, mas de classificação errada. Assim sendo, in casu, a fiscalização não procedeu à “reclassificação” do produto, mas constatado o erro de fato, realizou a sua correta classificação fiscal. Inocorrência do artigo 1476 do Código Tributário Nacional. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. De acordo com a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 4245 a 4256) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito da decisão recorrida ter considerável inaplicável a multa de 30% por ausência de licenciamento. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 30133.363 e 30132.955. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.711 10 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 4258 a 4260, sob o argumento que pelo confronto das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma ficou evidenciado a divergência jurisprudencial sobre a possibilidade de aplicação da multa de 30% por ausência de licenciamento. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 4455 a 4474, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão na parte relativa ao cancelamento da multa de 30%. O Contribuinte opôs Embargos de Declaração às fls. 4359 a 4373, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 4574 a 4579. Também, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 4602 a 4630) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito aos seguintes itens: 1vícios no arbitramento da base de cálculo do Imposto de Importação e multas; 2 vícios na presunção de fraude. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 3401003.259 e 30333.146. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 4652 a 4674. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 4677 a 4681, sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu pela prescindibilidade da apresentação das DI’s paradigmas para validar a valoração aduaneira, em vista da quantidade de informações e dos demais indícios colacionados aos autos. Por sua vez, o acórdão paradigma atestou que a Fiscalização precisaria acostar aos autos elementos que permitam aferir os critérios da valoração aduaneira. Fl. 4712DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.712 11 Com essas considerações, entendeuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ás fls. 4683 a 4698, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acordão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso da Fazenda Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 4258 a 4260. O acórdão recorrido considerou inaplicável a referida multa, em caso em que os bens declarados pelo contribuinte eram de natureza idêntica aqueles que a fiscalização apontou como sendo os efetivamente importados, considerou ainda que todos estes bens estavam sujeitos ao licenciamento automático. No voto, também foi apontado que a Recorrente teria classificado de maneira equivocada os produtos, sendo decidido que “informações não concedidas ou alteradas não alteraram a natureza do produto”. Por sua vez, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento diverso, senão vejamos: O acórdão paradigma nº 30133.363 entendeu que para afastar a infração administrativa no controle das importações, independentemente de se tratar de licenciamento automático ou não, seria imprescindível que o produto houvesse sido corretamente descrito Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.713 12 com todos os elementos necessários para sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. O acórdão 30132.955 entendeu que o fato da mercadoria indicada na licença de importação divergir do produto submetido ao despacho aduaneiro, com base nos dispositivos legais, caracteriza a importação como desprovida do necessário licenciamento, entendendo como cabível a aplicação da multa prevista no art.633, inciso II, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4543/2002. Portanto, diante da interpretação divergente, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa a aplicação da multa de 30% por ausência de licenciamento. Conforme destacado, a sanção imposta é aquela capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, in verbis: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas: (...) IIde trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação; e De acordo com o art. 18 da portaria SECEX n.ºm23/2011, a Declaração Importação deve conter a descrição da mercadoria e deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a NCM. Fl. 4714DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.714 13 Art. 18. O pedido de licença deverá ser registrado no SISCOMEX pelo importador ou por seu representante legal ou, ainda, por agentes credenciados pelo DECEX e pela RFB. §1º A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a NCM. Somente no ano de 1997, passou a utilizar licença de importação (LI), advinda com o SISCOMEX, antes se utilizava guia de importação (GI), documento emitido em papel. Antes a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) promovia maior controle em determinados tipos de mercadoria que momentaneamente, por questões estratégicas, poderiam demandar instrumentos de política econômica governamental a serem implementados. Entretanto, desde aquela época, todas as mercadorias requeriam GI para o despacho aduaneiro, propiciando controle, pela SECEX, em tese, de todas as mercadorias efetivamente importadas. Com o advento do SISCOMEX, o sistema passou a ser informatizado, havendo a declaração direta no SISCOMEX, fazendo com que a SECEX só exigisse LI não automática para aquelas mercadorias que seu maior controle efetivamente o exigisse. Quanto às demais, por meio da simples declaração ao SISCOMEX, obterseia diretamente as informações quanto aos produtos importados, exercendose assim o seu controle administrativo. Logo, ao declarar corretamente o produto importado, o importador está subsidiando o Órgão governamental das informações necessárias à efetivação de seus controles. Ora, no caso das DIs em questão, não apenas as mercadorias tinham licenciamento automático como, principalmente, não logrou a fiscalização demonstrar que a alteração fática demonstrada (diferença de preço, declarado a menor) poderia sequer em tese fazer supor que não seriam concedidas as LIs para as importações. Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.715 14 No presente caso, as mercadorias apresentadas nas DIs, estavam com sua descrição informada, contendo as características do produto e com a NCM respectiva. No entanto, a fiscalização entendeu que as mercadorias, não estavam perfeitamente descritas e aplicou a multa. A despeito de as mercadorias não estarem perfeitamente descritas nas DI’s, o que poderia levar ao entendimento de que a multa intentada de 30% é devida (conforme Portaria SECEX n.º 23 de 14/07/11). O fato é que a própria fiscalização entendeu que as mercadorias estavam perfeitamente descritas, mais com a classificação errada, e ainda que reclassificadas para a classificação correta, produtos estão descritos perfeitamente e são da mesma espécie e natureza que aqueles previamente considerados pela Contribuinte. Tanto é que se pode efetuar o arbitramento da base de cálculo a partir da mercadoria idêntica ou similar. Ora, o simples erro na descrição do bem importado, incapaz de alterar a sua forma de controle administrativo aduaneiro (licenciamento automático) e, por conseguinte, impedir a atividade fiscalizatória da aduana, não se amolda ao tipo prescrito no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n.º 4.543/02, sob pena, inclusive, de ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, o princípio da tipicidade cerrada. Portanto, não há que se falar em “falta de LI”. Sendo assim, incabível a aplicação dessa multa por absoluta falta de subsunção do fato à norma. Ademais, a interpretação implica a indevida ampliação do tipo sancionatório aqui tratado, o qual prescreve ser indevida a "importação de mercadoria sem licença", ampliação esta que, por conseguinte, conflita com o princípio da legalidade e, em especial, o princípio da tipicidade cerrada. Pois, o tipo legal é claro ao prescrever que será sancionado com a multa de 30% do valor aduaneiro aquela que importar mercadoria sujeita à licença de importação sem o cumprimento desta exigência. O referido dispositivo tem por escopo tutelar o dever poder da Fl. 4716DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.716 15 Administração Aduaneira em fiscalizar as importações realizadas no país, de modo a evitar a ocorrência de burlas aduaneiras e também fiscais. Neste diapasão é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal Administrativo: (Acórdão CSRF/032.575). Ementa Imposto de Importação Multa do art. 526, II do R.A. Incabível sua aplicação quando se trata apenas de descrição indevida de mercadoria importada ao amparo da G.I. Recurso provido. Por fim, a inexistência de subsunção dos fatos aqui narrados ao tipo sancionatório em destaque é reforçado quando se observa que, para a conduta promovida pela Contribuinte, qual seja, erro da descrição das mercadorias importadas, existe uma sanção especialmente prevista para punir a prática, retratada no art. 636, inciso I, § 4º, inciso I do Regulamento Aduaneiro vigente à época: Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou § 4o Na hipótese de a reclassificação a que se refere o § 3o repercutir em consolidação de duas ou mais mercadorias em uma mesma classificação na Nomenclatura Comum do MERCOSUL, a multa corresponderá: I a um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro das mercadorias reclassificadas, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou (...) (grifos nosso). Há, portanto, um tipo especialmente previsto para a conduta realizada pelo recorrente. Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.717 16 Diante deste quadro, por inexistência de subsunção dos fatos aqui tratados àqueles descritos no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, encaminho meu voto para manter afastada a sanção correlata. Por fim, cito o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/1997, que diz que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações, senão vejamos: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12, DE 21 DE JANEIRO DE 1997 (Publicado(a) no DOU de 22/01/1997, seção 1, página 1301) "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente Fl. 4718DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.718 17 descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. PAULO BALTAZAR CARNEIRO Diante de tudo exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Do Recurso do Contribuinte Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 4677 a 4681. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre basicamente a Vícios na Valoração Aduaneira. No âmbito do direito brasileiro, a valoração aduaneira encontrase disciplinada pelo Regulamento Aduaneiro (RA), artigos 75 a 83 (Decreto nº 4.543/02, revogado pelo Decreto n.º 6.759/09, mantidos os dispositivos), que consolidam a aplicação das regras do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio – Gatt (Acordo de Valoração Aduaneira AVA), aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30/1994 e promulgado pelo Decreto n.º 1.355/1994. O valor aduaneiro deve ser apurado por meio da aplicação do Acordo de Valoração AduaneiraAVA, conforme previsto no art. 75 do RA. Incluemse ainda na base normativa de valor aduaneiro, as Notas explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.719 18 Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA) aprovados, conforme previsto pela Instrução Normativas SRF n.º 318, de 4 de abril de 2003. Pelas regras estabelecidas no AVA/Gatt, a valoração aduaneira pode ser apurada consubstanciada em seis Métodos, sendo que o 1º Método, o valor de transação, representa o princípio basilar a ser perseguido e observado prioritariamente, no entanto, na impossibilidade de aplicálo, adotase um dos outros cinco, aplicados sucessivamente: o método do valor de transação de mercadorias idênticas; o de mercadorias similares; o do valor de revenda (ou do valor dedutivo do custo de produção); o do valor computado e, o método do último recurso, o arbitramento, moldado pelo critério da razoabilidade. De acordo com método do valor da transação, o valor aduaneiro – base de cálculo dos tributos aduaneiros deve corresponder ao preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, ajustado de acordo com o art. 8º do AVA/Gatt e os arts. 77 e ss. do DecretoLei n.º 37/1966. A autoridade fiscal, entretanto, pode discordar do preço declarado na DI, fundamentando a discrepância no valor de mercadorias idênticas ou similares em operações envolvendo compradores não vinculados situados no mesmo país de destino (art. 2º, “a” e “b”, do AVA/Gatt). Após manifestação do importador, caso não demonstrada a aceitabilidade do valor declarado, devem ser aplicados um dos métodos substitutivos, com exigência da diferença do crédito tributo acrescida de juros de mora e, em caso de lançamento deofício, de multa de 75% (Lei nº 9.430/1996, art. 42, I). É nesse contexto que se opera com o conceito de subvaloração, que nada mais é do que a aplicação indevida de um dos métodos de valoração aduaneira pelo importador, sem a ocorrência de fraude de valor (Opinião Consultiva nº 10.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira). Fl. 4720DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.720 19 Nos casos de fraude de valor, não há subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira justamente em razão da ilicitude da conduta do importador. É o que ensina Rodrigo Mineiro Fernandes, Conselheiro da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em estudo doutrinário sobre o tema: É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material). Portanto, o subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emitese uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica) . Nestes casos de subfaturamento, devem ser adotadas as providência do art. 88 da Medida Provisória n.º 2.158/2001: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.721 20 a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementaç ão do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados o s dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e do s acréscimos legais cabíveis. Assim, deve ser aplicado o preço efetivamente praticado na importação ou, não sendo possível, um valor arbitramento em consonância com os seguin tes critérios: (1) preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; (2) preço no mercado internacional, apurado mediante: (2.1) cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; (2.2) método previsto no Artigo 7 do Gatt (método do último recurso), observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou (2.3) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. No presente caso, após o levantamento e perfil das importações promovidas pela empresa nos anos de 2003 e 2004, acrescidos de indícios de fraude e subfaturamento presentes na apreensão da carga, procedeuse à analise do conjunto de documentos instrutivos das declarações de importação com o intuito de demonstrar a comprovação dos indícios de subfaturamento do valor aduaneiro das mercadorias internalizadas pelo fiscalizado. Para tanto a fiscalização promoveu o levantamento de importações de produtos de mesma natureza e de mesmo país de aquisição, realizadas por outros importadores, nos mesmos anos em que a empresa em epígrafe operou no comércio exterior. Fl. 4722DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.722 21 As informações foram extraídas do banco de dados do Sistema integrado do Comércio Exterior Siscomex, no qual estão inseridas todas as importações registradas nas Unidades Aduaneiras e ainda no sistema de informações intitulado DW Aduaneiro, que permite retirar dados de importação sob as mais variadas formas de consulta e filtragem. Deste banco de dados foram extraídas Declarações de Importação DI de outros importadores, as quais se pode nomear como DI paradigmas, contendo mercadorias de mesma origem (país de fabricação) ou mesmo local de importação (país de aquisição), com descrição idêntica ou similar às declaradas pela Arvamex, importadas em tempo e em quantidades aproximados, conforme explicitado às fls. 640 a 789 do Relatório Fiscal, obtendo assim, preços reais de mercadorias de mesma espécie importadas por outras empresas, nos mesmos anos em que atuou o fiscalizado no comércio exterior. Por meio destas Dl paradigmas, a fiscalização apresentou os indícios que comprovaram que o importador em tela informou em suas declarações de importação preços muito inferiores àqueles considerados normais em importações de produto de mesma espécie e natureza, realizadas por outras empresas. Concluiuse que de forma deliberada a Arvamex praticou expressivo subfaturamento em suas importações, através de inserções de valores aduaneiros artificiais com o intuito de obter redução ilícita nos tributos aduaneiros incidentes sobre suas operações. Segue os motivos que geraram o auto de infração 1. De acordo com o que consta do Relatório Fiscal, fls. 571 a 639, a Polícia Federal apreendeu em 14/09/2004, diversas mercadorias supostamente relacionadas às empresas ARVAMEX COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, MARCELO DE MARTINI e DE ZHI LI INTERNATIONAL REPRÈS. IMPORT. E EXPORT. LTDA., no terminal de cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo; 2. A fiscalização entendeu que as mercadorias importadas pela impugnante estariam vinculadas à Dl n°. 04/09185510, acobertadas pelo Conhecimento de Carga AWB Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.723 22 957.8812930 e Invoice n°. 2058, fls. 1119 a 1146, cuja descrição, natureza e classificação tarifária, em parte, estariam em desacordo com o declarado além de apresentar preços expressivamente subfaturados; 3. Vale dizer que, por meio da apreensão realizada, concluiu a fiscalização que a importadora cometeu falsa declaração de conteúdo com notório subfaturamento. Tal premissa teve por base, de forma incompleta e genérica, a distribuição do peso dos itens constantes no corpo da Dl, os quais continham valores bem abaixo dos praticados no mercado; 4. Valendose do confronto entre as mercadorias apreendidas e a Invoice vinculada à Dl n°. 04/09185510, a fiscalização verificou, além de subfaturamento e descrição incompleta, a presença de produtos de natureza distinta dos declarados, com expressivo valor agregado, como: projetores portáteis digitais, acess point, notebooks, roteadores da Cisco, baterias para computadores portáteis, telefones celulares, máquinas fotográficas digitais, óculos de grife e peças automotivas; 5. Em decorrência dessa apreensão foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal visando a revisão dos tributos aduaneiros Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculados às importações registradas pela autuada nos anos de 2003 e 2004; 6. O trabalho da fiscalização pautouse na identificação do perfil da empresa e no do histórico de suas importações realizadas naquele período; 7. O período selecionado, março de 2003 a agosto de 2004, período este anterior à apreensão, abrangeu 120 declarações de Importação, fls. 579 a 582; (...) 10. Para tais assertivas, utilizouse da base de dados do Siscomex e, ainda, do sistema DW Aduaneiro, de onde foram extraídas as 149 páginas de DI's de outros importadores, as quais foram denominadas pelo fisco como "DI's paradigmas", contendo mercadorias de mesma origem ou mesmo local de importação, com descrição idêntica ou similar às declaradas pela Arvamex, importadas no mesmo período e em quantidades aproximadas, fls. 640 a 789; 11. A partir dos valores dos produtos supostamente importados pela autuada e confrontandoos com os das DI's paradigmas, o Fisco concluiu que a Fl. 4724DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.724 23 impugnante deixou de recolher aos cofres públicos a importância de R$ 23.610.994,14, referente a falta de recolhimento do II e do IPI; De acordo com tudo acima exposto a Conselheira relatora Fabiola Cassiano Keramidas que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento abaixo sobre a questão, ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO – IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES Superada a alegação de nulidade da decisão recorrida, o próximo item trazido pela Recorrente referese à alegação de superficialidade de fiscalização. Argumenta a contribuinte a ausência de elementos que justifiquem a aplicação de presunção ou como dito em suas razões de impugnação a “inexistência de indícios veementes”. Alega a Recorrente que “preferiram os Agentes fiscais presumir que, se houve a alegada fraude na importação registrada na DI 04/09185510, então os mesmos ilícitos também foram cometidos em todas as outras operações abrangidas pelo Mandado de Procedimento Fiscal. 2” Aqui entendo que são necessárias algumas considerações. É verdade que o procedimento de fiscalização em apreço iniciouse com a seleção de determinada importação para o canal vermelho, assim como é fato que de todas as DI’s objeto do presente auto de infração (104), apenas a que foi parametrizada para o canal vermelho resultou na análise física das mercadorias importadas, até porque todas as demais referiamse a importações passadas, a mercadorias já desembaraçadas. Baseada nestes fatos singelos, a defesa discorre sobre o assunto deixando a impressão de que a fiscalização teria, em razão de um único procedimento de Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.725 24 importação, concluído pela fraude em mais de 100 DI’s. Como se o agente fiscal tivesse simplesmente expandido as conclusões de uma DI para as demais. Todavia, esta não é exatamente a expressão dos fatos. É justo reconhecer que a fiscalização investigou as operações de importação ocorridas de maneira minunciosa, tendo questionado acerca dos exportadores, dos produtos, das declarações, bem como dos procedimentos adotados pela Recorrente. Não houve, ao inverso do que acusou a defesa, superficialidade na fiscalização. A análise dos documentos confere a exata dimensão desta realidade. As Declarações de Importação objeto da fiscalização indicaram 9 empresas como constantes exportadoras para a Recorrente. Todas estas empresas – assim como todas as DI’s referentes a estes procedimentos apresentaram problemas, sendo que algumas apresentam os mesmos problemas. Para exemplificar, as DI’s (a) continham descrição genérica dos produtos, normalmente de forma a que pudessem se enquadrar em uma classificação fiscal diversa daquela que efetivamente deveriam estar; (b) indicavam para os produtos valores muito abaixo (em torno de 10%) dos negociados no mercado e (c) indicavam mesmo valor para produtos idênticos, que tinham capacidade diferente (ex: mesmo valor para um HD externo de 60 MB e 200 MB). Ao buscar informações acerca dos fornecedores indicados pelas DI’s, a fiscalização encontrou irregularidades diversas, a seguir cito algumas para ilustrar. Em primeiro lugar a fiscalização pontua que as faturas dos exportadores eram extremamente parecidas, podendo até serem consideradas idênticas se não tivessem o Logotipo das empresas. A seguir – e aqui me refiro a questões não constantes em todas as operações, mas repetidas em algumas – temse que as faturas possuíam o mesmo erro de grafia de palavras estrangeira e mesmo erro quanto ao endereço da Recorrente, como se várias empresas tivessem a mesma pessoa preenchendo os documentos de exportação. A fiscalização constatou, ainda, que algumas das assinaturas dos Fl. 4726DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.726 25 representantes legais das empresas exportadoras não se identificavam com a assinatura constante dos registros da aduana dos Estados Unidos; que algumas invoices foram registradas com o nome fantasia da empresa, e não pelo real exportador, o que é defeso por lei; outras invoices continham o nome incompleto do exportador, o que também é proibido. Além disso foram encontradas inconsistências na sequência da emissão das invoices, no que se refere ao número das Faturas e datas das operações. Outro fato a se atentar é que quase a totalidade das operações realizadas por estes fornecedores tiveram como importadora a Recorrente, e as que não foram importadas pela Recorrente o foram por outras pessoas consideradas pela fiscalização como de um mesmo Grupo de Importadores. Importante ainda registrar que não houve defesa, por parte da Recorrente, em relação às matérias específicas factuais que foram apurados pela fiscalização, como as indicadas acima. Pareceme evidente que inexistiu a aplicação de “simples presunção”, como pretende fazer crer a defesa. Ao revés, o procedimento fiscalizatório obteve êxito em demonstrar a contumácia do comportamento irregular da Recorrente. Aqui não foi a presunção do procedimento constatado em uma DI que gerou como conseqüência a imputação de fatos não ocorridos, foram os fatos constatados nas DI’s fiscalizadas, reincidentes e injustificados, que levaram à aplicação da presunção delitual. Os indícios, a meu ver, são mais do que veementes, são irrefutáveis. A fraude afigurase de uma clareza solar. A quantidade de empresas envolvidas com o mesmo modus operandi, o subfaturamento de todos os produtos no percentual médio de 10%, a irregularidade dos próprios fornecedores/exportadores; a constante indicação de classificação equivocada não pode ser ignorada. Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.727 26 A Recorrente em sua defesa discorre sobre os conceitos de provas e fraude, versando especificamente acerca da inexistência de provas suficientes; a respeito do fato de que a fiscalização poderia ter fiscalizado mais e sobre o procedimento de fiscalização estar vinculado a uma única DI. Todavia, em face de todo o exposto, in casu, tais alegações são improcedentes. As provas são suficientes à finalidade de comprovar a fraude (Lei nº 4.502/64 – artigo 723) contumaz nos procedimentos de importação, do que se conclui que a fiscalização não precisava aprofundarse ainda mais. A defesa também argumenta que uma vez que as mercadorias já haviam sido nacionalizadas e vendidas, não seria possível ao fisco promover a “reclassificação” dos produtos por ausência de fundamento fático. Neste particular cumpre esclarecer que a fiscalização não procedeu à “reclassificação” de produtos, procedimento aplicável quando do momento da fiscalização se constata distinção entre o produto declarado e aquele importado. De acordo com os autos, a Recorrente procedia à declaração genérica do produto importado para justificar a classificação fiscal escolhida, mas ao descrever a mercadoria indicava elementos diversos (código de série, marca, modelo) que permitiram às autoridades fazendárias identificar qual foi, efetivamente, o produto importado. Constatado que o produto “X” estava com a classificação “Y”, a fiscalização adequou o critério classificatório para que representasse a realidade dos fatos. Logo, inaplicável, na espécie, o entendimento da Recorrente e constatada a prática de sonegação fiscal (Lei nº 4.502/64 – artigo 714). Ante o exposto e em vista de o comportamento da Recorrente demonstrarse excessivamente gravoso à sociedade, nego provimento a alegação de impossibilidade de aplicação da presunção de fraude. (....) (IV) VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA Fl. 4728DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.728 27 Admitindo que o importador seja responsabilizado pelos procedimentos adotados quando da importação das mercadorias relacionadas às 104 DI’s objeto do presente processo, passo à discussão acerca da valoração aduaneira das mercadorias. Argumenta a Recorrente acerca da existência de vícios na valoração aduaneira em razão do indevido arbitramento da base de cálculo; da impossibilidade de aplicação da Medida Provisória 2.15835 da forma como foi aplicada; da não utilização de paradigmas relativos a mercadorias idênticas e de utilização de preço médio para aferição do preço das mercadorias negociadas. Ainda, aduz a Recorrente que a fiscalização não trouxe aos autos as DI’s utilizadas como paradigmas para a valoração aduaneira. Registrase, ainda, que a Recorrente pleiteia nulidade da valoração da forma como realizada pelas autoridades administrativas de lançamento sob o fundamento de desobediência às regras de valoração previstas do AVA/GATT e descumprimento da ordem trazida pela Medida Provisória nº 2.158/35. Pareceme que a questão se inicia com a análise da ocorrência de fraude/sonegação, constatação que, nos termos da legislação, excetua o procedimento de valoração aduaneiro. Neste particular, esclareço que de acordo com o entendimento até aqui exposto, adoto a premissa de ocorrência de fraude e simulação. Admitido este fato, aplico ao caso o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02) que da seguinte forma dispõe: “Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante Fl. 4729DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.729 28 arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.” Imperioso esclarecer que a exceção acima mencionada está conforme as determinações de direito internacional, uma vez que o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA/GATT prevê “que nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento aos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira.” Admitese, portanto, que no caso de fraude/dolo/simulação seja aplicada norma específica prevista do ordenamento jurídico interno, sendo que por se referir a valoração, esta norma deverá ser analisada em consonância com o artigo 7º do AVA/GATT. Para melhor compreensão, pela excelência do ensinamento acerca do histórico da legislação aduaneira, cito a Ilustre Conselheira Silvia de Brito Oliveira, em voto proferido nos autos do processo administrativo nº 10508.000056/201178, Fl. 4730DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.730 29 a saber: “Por estarse tratando aqui de transação comercial que envolve países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) organização criada no final da Rodada Uruguai de negociações para reduções tarifárias no comércio internacional, em 1994 , cujo tratado constitutivo adotou o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (General Agreements on Tarifs and Trade GATT), a questão central destes autos, que, em suma, consiste na apuração do valor aduaneiro para cálculo dos tributos incidentes na importação, está subordinada às regras do art. VII desse Acordo, implementado conforme Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, também chamado de Código de Valoração Aduaneira (AVA/GATT 94), cuja internação no Brasil se deu por meio da Ata Final que Incorpora os Resultados das Negociações Comerciais Multilaterais da Rodada Uruguai do GATT aprovada pelo Decreto Legislativo n° 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada, para ser executada e cumprida, pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Nesse contexto, para o exame da questão, há que se considerar que o GATT emergiu de negociações que objetivavam a expansão e a liberalização progressiva do comércio mundial, por meio da remoção de barreiras ao comércio internacional, inclusive as barreiras não tarifárias e, por isso, tratou do valor aduaneiro das mercadorias, que, nos termos do art. 2° do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1° de setembro de 1988, constitui a base de cálculo do II e deve ser apurado em conformidade com o art. VII do GATT. Destarte, o AVA/GATT 94, ao buscar uma base imponível consentânea com o valor efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria, em uma venda para exportação para o país de importação, traz disposições que, com efeito, configuram limitações à definição da base de cálculo do II pelos países membros da OMC, pois, com a eleição do valor de transação para definir o valor aduaneiro, pretendeuse assegurar às transações comerciais a realidade negocial, com vista à proteção do comércio internacional, tendo Fl. 4731DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.731 30 como pressuposto economias internas baseadas na livre iniciativa e na liberdade de mercado. Dessa forma, conquanto práticas comerciais protecionistas por parte de alguns países signatários do GATT existam e talvez elas sejam indícios mesmo da falência dos princípios desse Acordo no ordenamento do comércio internacional, não consta que o Brasil tenha denunciado o GATT. Portanto, impõese a apreciação do litígio aqui instaurado à luz do AVA/GATT 94, cujos termos, diante do contexto em que produzidos e considerando a função regulatória de atividades econômicas que possui Imposto de Importação, devem ser lidos com vista à simplificação e à facilitação do comércio internacional.” Afastado, portanto, o primeiro questionamento trazido pela Recorrente, de impossibilidade de aplicação da Medida Provisória nº 2.15835, o qual sempre deverá ser aplicado em conciliação às regras do AVA/GATT. Pois bem, passo a analisar o procedimento específico realizado pela fiscalização, conforme registrado no Relatório de Fiscalização (Fls. 622/630 ou Fls. Eletrônicas 626/634), a saber: “Neste contexto é que foram elaboradas as Planilhas de Valoração anexadas a este Relatório, as quais, conforme já mencionado, tiveram como balizamento o banco de dados do SISCOMEX, o qual contempla toda a gama de importações registradas em nossa aduana. Fazendo uso de ferramentas disponibilizadas pela SRF, em especial o extrator de dados DW Aduaneiro, a fiscalização pôde comprovar o subfaturamento contumaz praticado pelo fiscalizado, devidamente espelhado na expressiva diferença entre os valores por ele informados em suas importações e aqueles praticados por outros importadores, para mercadorias de mesma espécie. Assim, permitiuse que fossem extraídos valores de importação de mercadorias idênticas ou similares às declaradas pelo importador, nos mesmos anos de registro destas, selecionadas dentre os mesmos países de aquisição ou de origem dos Fl. 4732DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.732 31 produtos importados. Tendo sido permitido ainda se extrair, do mesmo banco de dados, valores médios de importações, para as situações em que o fiscalizado, ao detalhar a mercadoria em campo especifico do registro de DI, o tenha feito de forma incompleta, inserindo dados genéricos, sem qualificar adequadamente o produto, permitindo no controle aduaneiro somente conhecer sua natureza. Para contornar esta situação, deliberadamente criada pelo importador, extraiuse da mesma base de dados o preço médio de outras importações afetas a mercadorias de mesma classificação tarifária (NCM) e mesma espécie, sempre balizando o trabalho de revisão nos critérios estabelecidos pelo referido art. 88 da MP 21583512001, especialmente no tocante à obediência ao principio da razoabilidade nele inserido. Para tanto, nas mercadorias cujas descrições registradas pelo importador, no corpo da DI, foram suficientes a permitir extração, na base de dados do Siscomex, de importações de mesma espécie realizadas por outros importadores, nos mesmos anos de importação, e mesmo país de origem ou de aquisição, contendo descrições qualificativas idênticas ou assemelhadas (produtos idênticos ou similares) aos produtos declarados, utilizouse, na revisão da base de cálculo aduaneira, a média dos preços unitários constantes em importações de outros importadores, extraídas do banco de dados da nossa aduana, conforme espelhado nas diversas linhas integrantes das Planilhas de Dl's Paradigma (fls. 640 a 789) ; e da Planilha Valoração de DI's (fls. 790 a 890); anexadas a este Relatório Fiscal. Nos casos em que a descrição da mercadoria feita pelo importador de forma incompleta, simplória, ou mesmo com informações inconsistentes (ou seja, sem atributos qualificativos suficientes, tal como, "Hub"; "Memória RAM", "HDD", etc) impediu que se buscasse, na base de dados do Siscomex, preços paradigmas referentes a outras importações, com descrição e detalhamento idêntico a tal mercadoria, permitindo somente a extração de preços afetos à mesma espécie e natureza do produto declarado incompletamente; foram utilizados, na revisão dos respectivos valores Fl. 4733DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.733 32 aduaneiros, a mesma base paradigma citada nos tópicos anteriores, com as seguintes adaptações, sempre se preservando o principio da razoabilidade. • a média de preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela Arvamex, e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's Paradigmas, anexadas ao Relatório. Nesta situação, é que foram valoradas, por exemplo, centenas de processadores da Intel e do fabricante concorrente AMD, cujas descrições feitas pelo importador, no corpo das DI's, traziam informações imprecisas e inconsistentes, tais como referências incompletas a modelos da Intel, e ainda, os registrando como se fossem fabricados pela empresa AMD, conforme já antecipado neste relato. • a média da média, ou seja, a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas a mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. Nesta situação temos, por exemplo, diversos HD's que foram descritos pelo importador de forma genérica, sem precisar sua capacidade de armazenamento, os quais foram valorados pela média das DI's Paradigmas, utilizadas na valoração de outros HD's, cuja capacidade fora descrita pelo importador, tal como HD120gb; HD8Ogb; e HD4Ogb. Tais levantamentos integram também o rol de DI's Paradigma extraído do Siscomex, sob títulos que se iniciam com a descrição: MÉDIA DE DI'S PARADIGMAS....", conforme se verifica nos anexos (fl. 694). Não se pode perder de vista que uma adição de D I é formada por um ou mais itens/linhas de adição, sendo estes itens representados por produtos de mesma espécie declarados pelo importador; e que, a cada adição de DI corresponde uma posição de NCM especifica, com alíquotas de I.I. e IPI determinadas, respectivamente, pela Tarifa Externa Comum (TEC) e Tabela de Incidência Fl. 4734DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.734 33 de IPI (TIPI), vigentes ao tempo das importações. Assim, ao se utilizar o sistema DW Aduaneiro, permitese extrair, do banco de dados de importações registradas no Siscomex, preços unitários de mercadorias classificadas sob determinada posição tarifária (NCM), ou seja, por tal extração tornase perfeitamente possível se conhecer também os valores médios unitários de determinada espécie de mercadoria, para determinado período de importação, podendo ainda ser segregados e filtrados os objetos de pesquisa por países de origem, aquisição ou fabricação, ou ainda por fabricante dos produtos, conforme bem espelham as 149 páginas que integram as Planilhas de DI's Paradigmas anexadas a este Relatório Fiscal, nas quais são retratados dados de centenas de produtos/mercadorias, comprovando a prática sistemática de subfaturamento adotada pelo fiscalizado em seu histórico de importações. Por este conjunto de Planilhas de Valoração (anexos, fls.640 a 975), pôde ser comprovada, portanto, a expressiva diferença entre os valores de transação declarados pelo importador em suas importações e os preços normalmente praticados em importações efetivadas por outros importadores, para mercadorias de mesma espécie e natureza, nos mesmos anos em que operou o fiscalizado. Dessa forma é que foram revisados, neste trabalho, os valores aduaneiros e as classificações fiscais de milhares de mercadorias importadas pela ARVAMEX nos anos de 2003 e 2004, representadas por 2.764 itens/linhas de adição, distribuídos num total de 676 adições e 104 DIs.” Após analisar detalhadamente as razões recursais da Recorrente, bem como os termos do Relatório Fiscal e da decisão ora recorrida, concluo que a fiscalização adotou duas formas de valoração, dada a situação fática específica apresentada no caso in concreto. PRIMEIRA SITUAÇÃO FÁTICA – inicialmente a fiscalização avaliou as mercadorias que possuíam, nos documentos de exportação (DI’s), descrição de características suficientes para que se buscassem parâmetros de mercadorias “idênticas ou similares”. Em vista das informações suficientes, as autoridades administrativas buscaram “na base de dados do Siscomex, Fl. 4735DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.735 34 importações de mesma espécie realizadas por outros importadores, nos mesmos anos de importação, e mesmo país de origem ou de aquisição, contendo descrições qualificativas idênticas ou assemelhadas (produtos idênticos ou similares) aos produtos declarados” para alcançar um critério justo, considerouse “a média dos preços unitários constantes em importações de outros importadores, extraídas do banco de dados da nossa aduana”. Para fundamentar os critérios escolhidos, as autoridades administrativas trouxeram à colação DI's Paradigma (fls. 640 a 789), consubstanciando na Planilha Valoração de DI's anexa às fls. 790 a 890. Assim, pareceme que a fiscalização aplicou corretamente o inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835. Claro está que o preço de importação, para o Brasil, de mercadorias idênticas e/ou similares vindas do mesmo país das empresas exportadoras (EUA) representa o “preço de exportação para o País de mercadoria idêntica ou similar”. No que se refere à apuração de preço médio, utilizando critérios de razoabilidade e proporcionalidade, conforme preconizado pelo artigo 7º do AVA/GATT, entendo estar com razão a fiscalização. Não é porque está se utilizando o critério definido no item I do artigo 84 da MP 2158 que não se pode aplicar as orientações gerais do Acordo de Valoração Aduaneira. A obtenção do preço médio, a meu ver, não fere o critério de valoração, ao contrário, o robustece, uma vez que foram observadas as bases (mercadoria idêntica ou similar). SEGUNDA SITUAÇÃO FÁTICA – além dos fatos narrados outra situação fática restou delineada pela Recorrente, aquela em que as DI’s não apresentavam informações suficientes para se aferir a especificidade do produto, tornando impossível a localização de produtos “idênticos ou similares”. Neste aspecto esclarece a fiscalização que “para as situações em que o fiscalizado, ao detalhar a mercadoria em campo especifico do registro de DI, o tenha feito de forma incompleta, inserindo dados genéricos, sem Fl. 4736DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.736 35 qualificar adequadamente o produto, permitindo ao controle aduaneiro somente conhecer sua natureza... extraiuse da mesma base de dados o preço médio de outras importações afetas a mercadorias de mesma classificação tarifária (NCM) e mesma espécie”. Indica a fiscalização a utilização de dois métodos entendidos por razoáveis e proporcionais (nos termos do art. 7o do AVA/GATT). O primeiro denominado “média” considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela Recorrente e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de “média da média”, representando a média de DI's — Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. Com efeito, em vista dos fatos apresentados, pareceme clara a explicação pela qual a autoridade fazendária afastou a aplicação do inciso I, artigo 84 da MP 2.15835, o que é relevante porque uma das alegações da defesa é pelo descumprimento das regras estabelecidas a título de valoração. A impossibilidade de atendimento à primeira regra de valoração foi causada pela própria Recorrente, que deixou de fornecer as informações necessárias à identificação dos produtos importados. De igual forma, o desconhecimento da especificidade do produto impede a aplicação da alínea “a” do inciso II do artigo 84 da MP 2.15835, qual seja, a “cotação em bolsa de mercadoria ou em publicação especializada”. Fl. 4737DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.737 36 Ainda, pareceme que os parâmetros utilizados pela fiscalização estão de acordo com os critérios de proporcionalidade e razoabilidade previstos no “Acordo sobre a Aplicação do artigo VII do acordo geral sobre pautas aduaneiras e comércio de 1994” “Artigo 7.º 1 Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado por aplicação das disposições dos artigos 1.º a 6.º, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o artigo VII do GATT de 1994 e com base em dados disponíveis no país de importação. 2 O valor aduaneiro definido segundo as disposições deste artigo não será baseado: a) No preço da venda, no país de importação, de mercadorias produzidas neste; b) Num sistema que preveja a adoção para fins aduaneiros do mais alto entre dois valores alternativos; c) No preço das mercadorias no mercado interno do país de exportação; d) No custo de produção diferente dos valores computados que tenham sido determinados para mercadorias idênticas ou similares, de acordo com as disposições do artigo 6.º; e) No preço de mercadorias vendidas para exportação para um país diferente do país de importação; f) Em valores aduaneiros mínimos; ou g) Em valores arbitrários ou fictícios.” A análise do dispositivo acima citado deixa clara a intenção dos países membros do Acordo (AVA/GATT) de fugir dos extremos (preço mais alto/mais baixo), na clara tentativa de alcançar o que seria a opção mais justa para o importador. Fl. 4738DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.738 37 É de se destacar que os parâmetros utilizados para a elaboração da “média” assim como aqueles aplicados para apurar a “média da média” utilizaram bases coerentes e aplicáveis, de alguma forma, ao produto importado. Intentouse respeitar o mínimo das informações que foram obtidas, tais como a espécie, o tipo e classificação fiscal dos produtos, tendose, por exemplo, buscado os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex com as mesmas características das mercadorias importadas. Ainda, os valores foram buscados junto aos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação dos produtos, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. Logo, inaplicável, a meu ver, a alegação da Recorrente de invalidade dos critérios adotados pela Recorrente. Mas não é só. Registrase, ainda, que a Recorrente alega a inexistência de DI’s paradigmas e a impossibilidade de utilização de informações colhidas na internet para critério de valoração (citando em seu favor o acórdão 320200.127). No que se refere à questão de não ter sido trazida à colação nenhum DI paradigma, está com razão a Recorrente. O que a fiscalização colacionou às fls. 640 a 789 foram planilhas com informações de DI’s. Conheço a jurisprudência desta casa a respeito da imprescindibilidade da apresentação das DI’s para validar a valoração aduaneira, todavia, in casu, em vista da quantidade de informações e dos demais indícios colacionados aos autos, concluo pela validade do procedimento adotado pela fiscalização. A jurisprudência desta corte pareceme pretender proteger o contribuinte de qualquer abuso de poder vindo da fiscalização – comportamento que louvo e coaduno todavia, pareceme imprudente afastar o procedimento adotado pelos fiscais no caso em apreço. Se fossem poucos os casos paradigmas citados, poderseia entender pela fragilidade das informações fiscais, ou pelo Fl. 4739DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.739 38 arbitramento da base de cálculo. Entrementes, no caso em análise, o subfaturamento restou mais do que comprovado, e a mera análise dos documentos acostados aos autos é suficiente para esta constatação. A quantidade de paradigmas é grandiosa, razão pela qual é difícil imaginar a manipulação da fiscalização neste procedimento. Assim, a despeito de entender que outras turmas concluem a questão de forma diversa – a defesa inclusive trouxe decisões neste sentido a meu ver a ausência física das DI’s paradigmas não é causa de invalidar a valoração realizada. No que se refere à utilização de informações obtidas na internet, em sites que comercializam o mesmo produto importado, percebo que estes dados não foram utilizados para a valoração, mas para apurar o subfaturamento. Para valoração foram utilizadas as informações das DI’s constantes das planilhas e os dados do SISCOMEX, razão pela qual afasto a nulidade pleiteada. (...) Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, adotando integralmente os fundamentos da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 4740DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.740 39 Fl. 4741DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10936.721592/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.521
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 15 92 /2 01 2- 41 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10936.721592/201241 Acórdão n.º 3402005.521 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.694, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10936.721592/201241 Acórdão n.º 3402005.521 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 37DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.908080/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 08 0/ 20 12 -5 0 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 28165.08569.240912.1.3.048037 a compensação débito de PIS/PASEP (cód.6912) do período de apuração 08/2012 no valor de R$ 14.635,40 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 392.312,84 do período de apuração 05/2010, arrecadado na data de 25/06/2010. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 11.888,07. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042017470 (efls.14), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/05/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) a compensação é resultante do não aproveitamento na apuração do PIS e COFINS no regime não cumulativo no ano calendário de 2010, do crédito dos impostos retidos na fonte (PIS 0,65% e COFINS 3%) sobre as notas fiscais de serviços prestados de Assessoria Administrativa, emitidas pela própria empresa; b) foi apurado, declarado e recolhido o valor de R$ 392.312,84 de COFINS para o mês 05/2010, quando o correto seria de R$ 376.492,15 cuja diferença corresponde o valor nominal de R$ 15.820,69 equivalente aos 3% retidos na fonte sobre as NFPS relacionadas às fls. 54: c) em se tratando de erro meramente material no cumprimento de obrigações acessórias da contribuinte, a alternativa existente para corrigilo é através de declaração retificadora, o que foi feito com a transmissão de nova DCTF na data de 15/01/2013; d) foi anexado aos autos para provar suas alegações, além da DCTF Retificadora (efls.29 a 33), DACON (efls.35/36) e informes de rendimento (efls.55 a 57). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 6ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 25/06/2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.82) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que desde as alterações introduzidas pela MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art.18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original; (b) que os sistemas da Receita Federal que cruzam os dados constantes em documentos eletrônicos (DCTF, DACON, PER/DCOMP, etc.), não são suficientes para dizer da liquidez ou não do crédito e em determinados casos, expõe a necessidade de intimação prévia do contribuinte para esclarecimentos, o que não ocorreu no presente caso; (c) ratificando os demais argumentos e provas trazidos com sua inicial manifestação, apresenta o SPED CONTÀBIL, evidenciando o preenchimento de todos os requisitos previstos na Lei 9.430/96 e IN nº 1300/2012, para obter o reconhecimento de seu crédito tributário; (d) a única declaração que inicialmente não expressava o valor correto do débito era a DCTF, a qual foi sanada através de retificadora transmitida na data de 15/01/2013. Todos os documentos fiscais e contábeis apresentados são idôneos e hábeis a comprovar a realização da compensação efetivada pela contribuinte, nos limites da legislação vigente. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 5 4 vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou e comprovou através de documentos e declarações que o crédito apresentado, diferença entre o valor efetivamente devido de COFINS no mês de maio/2010 e o valor recolhido via DARF, corresponde ao valor da COFINS retida na fonte sobre NFPS de sua emissão. A controversa fisco/contribuinte se instaurou quando da análise pela unidade de origem, da PER/DCOMP apresentada, que o valor do débito declarado em DCTF era o mesmo contido no DARF discriminado para o mês 05/2010. Constatado o erro, a interessada tratou, imediatamente, de corrigilo com a transmissão de DCTF Retificadora. O fisco, por sua vez, expressou entendimento de que a DCTF Retificadora não seria o suficiente para assegurar o crédito pleiteado, quando desprovida de elementos de provas irrefutáveis para garantirlhe a alteração pretendida, de redução do débito incialmente declarado. A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais e contábeis que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 6 5 certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 7 6 (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721895/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Não restando devidamente demonstrado que a documentação juntada aos autos seria suficiente para a alteração das base da autuação deve ser indeferida a prova pericial requerida.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
SOLIDARIEDADE DOS ANTIGOS SÓCIOS
Mesmo não fazendo mais parte dos quadros societários da contribuinte, respondem solidariamente os sócios a época da infração, pois devidamente demonstrada a fraude na tentativa de retirada dos antigos sócios qualificados como solidários.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. (Súmula CARF nº 96)
MULTA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1401-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para tão-somente afastar o agravamento da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não restando devidamente demonstrado que a documentação juntada aos autos seria suficiente para a alteração das base da autuação deve ser indeferida a prova pericial requerida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010, 2011 SOLIDARIEDADE DOS ANTIGOS SÓCIOS Mesmo não fazendo mais parte dos quadros societários da contribuinte, respondem solidariamente os sócios a época da infração, pois devidamente demonstrada a fraude na tentativa de retirada dos antigos sócios qualificados como solidários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. (Súmula CARF nº 96) MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
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(antiga Comercial de Alimentos Beserra e Morais Ltda.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não restando devidamente demonstrado que a documentação juntada aos autos seria suficiente para a alteração das base da autuação deve ser indeferida a prova pericial requerida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 SOLIDARIEDADE DOS ANTIGOS SÓCIOS Mesmo não fazendo mais parte dos quadros societários da contribuinte, respondem solidariamente os sócios a época da infração, pois devidamente demonstrada a fraude na tentativa de retirada dos antigos sócios qualificados como solidários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. (Súmula CARF nº 96) MULTA CONFISCATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 95 /2 01 4- 78 Fl. 777DF CARF MF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para tãosomente afastar o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrados em 02/10/2014, exigindo crédito tributário no total de R$ 10.582.652,94, aí incluídos o principal acrescido de multa de ofício agravada (112,50%) e juros de mora calculados até 10/2014, em razão da apuração de omissão de receita da atividade mediante entrega da declaração DIPJ zerada e da falta de apresentação da DACON/DCTF (esta última entregue apenas no mês de dez/10 com valores zerados), bem como do arbitramento do lucro, diante da escrituração considerada imprestável e/ou falta de apresentação da escrituração regular para determinação do Lucro Presumido e Real, respectivamente, nos anoscalendário 2010 e 2011, conforme enquadramento legal descrito nos autos de infração. Foram arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário constituído as pessoas de Cleomar Barcelos Pinto (CPF: 245.993.10182) e Sulamita Oliveira Sodré Barcelos (CPF: 791.817.16168). As infrações foram discriminadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. 73/90). Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 778 3 A fiscalização relata que os arquivos existentes no ambiente Sped foram analisados, quais sejam, ECD dos anos de 2010 e 2011; EFD de 09/11 a 12/11, não tendo sido encontrados arquivos de Notas Fiscais Eletrônicas no ano de 2010, sendo que as Notas Fiscais Eletrônicas (Sped NFe) de 2011 totalizaram o montante de R$ 3.691.440,65 (CFOP 5102, 5403, 5405 e 6102), aí não estando incluídas as vendas amparadas por Cupom Fiscal, deixando as NFe, portanto, de representar a receita bruta, além de se mostrarem incompatíveis com as demais fontes encontradas (Escrituração Contábil, Declaração Periódica de Informações e Movimentação Bancária). Informa, também, que a movimentação bancária da contribuinte totalizou R$ 11.059.903,87, em 2010, e R$ 21.911.055,64, em 2011, conforme obtido da DIMOF. Ainda, a autoridade fiscal descreve as alterações do contrato social, relativamente à participação societária: “9. Conforme Certidão Simplificada da empresa, datado de 17/10/2012, e alterações contratuais datadas de 09/01/2012 e de 15/12/2009, fornecidas pela Junta Comercial do Estado de Goiás– JUCEG (fls. 99 a 151) e pelo contribuinte (fls. 358 a 363), a pessoa jurídica possuía um capital social de R$ 370.000,00, e tinha em seu quadro societário a Sra. Sulamita Oliveira Sodré Barcelos, CPF 791.817.16168 com participação no capital equivalente a R$ 340.000,00 e o Sr. Cleomar Barcelos Pinto, CPF 245.993.10182, com participação no capital equivalente a R$ 30.000,00. 10. Conforme Certidão Simplificada da empresa, datado de 12/03/2014, e alteração contratual datada de 05/11/2013, fornecidos pela Junta Comercial do Estado de Goiás – JUCEG (fls. 102 a 108), o quadro societário foi alterado. O sócio Cleomar Barcelos retirouse da sociedade. Houve transferência da maior parte das cotas da empresa pertencentes à Sra. Sulamita e de todas as cotas da empresa pertencentes ao Sr. Cleomar para a nova sócia Daniele Beserra da Silva, CPF 700.420.70139. A composição societária ficou da seguinte forma: Sulamita Oliveira Sodré Barcelos ficou com o equivalente a R$ 74.000,00 do capital social e Daniele Beserra da Silva, ficou com o equivalente a R$ 296.000,00. A alteração se deu com a Quarta Alteração Contratual, datado de 05/11/2013. 11. Segundo a Cláusula 7ª da Quarta Alteração Contratual, a administração da sociedade cabia a ambos os sócios.”(destaques do original) A fiscalização descreve que o Termo de Início de Fiscalização, datado de 31/01/14, foi encaminhado por via postal, tendo sido devolvido em razão da mudança de endereço, motivando diligência fiscal no domicílio informado no cadastro do CNPJ, na data de 11/03/14, ocasião na qual foi constatada, no mesmo endereço, outra empresa do ramo de supermercados, denominada SUPERMAX SUPERMERCADOS (nome de fantasia), PR COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA (razão social), CNPJ 14.574.786/000670. Fl. 779DF CARF MF 4 Em mesma data, a fiscalização compareceu no escritório do Sr. Cleomar (sala anexa ao antigo supermercado SULAMAR, hoje SUPERMAX), ali ele não tendo sido encontrado. A autoridade fiscal informa que tentou localizar a sócia Sulamita Oliveira, bem como o antigo sócio Cleomar, nos endereços cadastrados no sistema CPF, não logrando êxito. Nas palavras do Auditor Fiscal: “16. Tentamos localizar a sócia Sulamita Oliveira bem como o antigo sócio Cleomar nos endereços cadastrados no sistema CPF. Os mesmos não foram localizados. No suposto endereço da Sra. Sulamita funciona um estabelecimento comercial e segundo informação de um dos funcionários que trabalha no local (Sra. Claudivania Sampaio Lopes) a Sra Sulamita não trabalha e não reside naquele endereço. No suposto endereço do Sr. Cleomar existe uma academia de ginástica. Segundo informação do Sr. Luiz Henrique Lima Dessinomi (vizinho ao endereço), o Sr. Cleomar não reside nem trabalha naquele endereço. 17. Dirigimonos ao endereço da empresa BARCELOS SODRE COMERCIAL DE ALIMENTOS, cujos sócios são Cleomar Barcelos Pinto e Sulamita Oliveira Sodré Barcelos. No local não foi encontrada a empresa muito menos os seus sócios. 18. Entramos em contato com o Sr. Cleomar pelo telefone (61) 93182601 e o informamos sobre a ação aberta na empresa SULAMAR. Não conseguimos entrar em contato com a Sra. Sulamita. 19. Na mesma data, 11/03/2014, damos ciência do Termo de Início de Diligência ao responsável pela empresa PR COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA (SUPERMAX SUPERMECADOS), na cidade de Valparaíso de Goiás, (fls. 240 a 241). No referido Termo foi solicitado à empresa diligenciada que apresentasse informações e documentos sobre sua relação e negócios efetuados com a empresa fiscalizada. 20. Em 12/03/2014, a empresa SUPERMAX apresentou alguns esclarecimentos e documentos solicitados (fls. 242 a 280). Informou e apresentou o seguinte: a. Que o imóvel onde se encontra o supermercado SUPERMAX é locado (conforme contrato o locador é o Sr. Cleomar Barcelos Pinto); b. Que o supermercado SULAMAR encerrou suas atividades em 27/10/2013; c. Que o supermercado SUPERMAX iniciou suas atividades em 02/11/2013 no endereço do antigo SULAMAR; d. Que não adquiriu o fundo de comércio do antigo SULAMAR, apenas locou o ponto comercial; e. Que as poucas mercadorias que sobraram do antigo SULAMAR foram devolvidas aos fornecedores e alguns foram arrestados por fornecedores; Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 779 5 f. Apresentou cópia do contrato de locação do imóvel.” A ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal foi dada mediante Edital nº 0002/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado em 13/03/2014 e desafixado em 28/03/2014, tendo sido encaminhada cópia do Edital ao endereço cadastrado na base CPF da atual sócia Daniele Beserra da Silva, retornando a correspondência com o motivo de que não existe o número indicado e desconhecido. Foi efetuada nova tentativa de envio de cópia do Edital à atual sócia Daniele, agora no endereço constante do contrato social da empresa fiscalizada, retornando a correspondência com o mesmo motivo de que não existe o número indicado. A cópia do Edital foi encaminhada ao endereço do Sr. Cleomar, que consta no contrato de locação de ponto comercial apresentado pela SUPERMAX SUPERMERCADOS, tendo sido recebida a correspondência em 02/04/2014. No referido Termo de Início foram solicitados os livros contábeis e fiscais (Caixa, Diário, Razão, Lalur, Registro de Entradas/Saídas e de Apuração do ICMS), além da apresentação das declarações Dacon e DCTF com as informações dos tributos e contribuições recolhidos espontaneamente antes do início do procedimento fiscal, bem como os arquivos SINTEGRA, conforme definido no convênio ICMS 57/95, devendo a empresa responder questões relativas à administração, data de encerramento das atividades ou mudança de endereço, forma de negociação do fundo de comércio, etc. Mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 01, de 25/04/2014, as solicitações do Termo de Início foram reiteradas, acrescidas da apresentação dos Arquivos digitais previstos no art. 11 da Lei 8.218/1991, no formato especificado pela Instrução Normativa SRF nº 86/2001, ADE COFIS 15/2001 e ADE COFIS 25/2010 (arquivos especificados no item 11 do Termo de Intimação Fiscal nº 01); esclarecendose à contribuinte que o não atendimento ensejaria o lançamento com as informações disponíveis, mediante arbitramento do lucro. Novas diligências foram efetuadas na tentativa de cientificar os sócios e ex sócios do Termo de Intimação Fiscal nº 01, conforme abaixo descrito: “27. No dia 29/04/2014, comparecemos no endereço à Avenida Joaquim Gilberto, Qd B, Lt C, S/N, Apto 404, Residencial Piemont, Setor Norte Maravilha, na cidade de LuziâniaGO, com o fim de dar ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal nº 01 para o Sr. CLEOMAR BARCELOS PINTO e para a Sra. SULAMITA OLIVEIRA SODRÉ BARCELOS (antigo sócio e atual sócio da empresa SULAMAR), fomos informados pelo porteiro do prédio (Sr.Paulo Vitor Alves Meireles) que nenhuma das pessoas se encontrava no local. 28. Segundo informações colhidas no local, o Sr. CLEOMAR é esposo da Sra. SULAMITA e residem no endereço citado no item anterior; 29. O Termo de Constatação nº 2 e o Termo de Depoimento do porteiro do prédio (Sr. Paulo Vitor Alves Meireles) estão às folhas 301 a 303; Fl. 781DF CARF MF 6 30. Comparecemos, na mesma data (29/04/2014), no escritório que o Sr.Cleomar (sala anexa ao do antigo supermercado SULAMAR, hoje SUPERMAX, na Alfredo Nasser, Qd 22, Lts. 03 a 06, Setor Parque Estrela Dalva, em Luziania GO (o escritório é uma pequena sala que fica no andar superior, na lateral do Supermercado Supermax, entrada pelo estacionamento)). O Sr. Cleomar não foi encontrado no local. 31. O Termo de Intimação Fiscal nº 01, datado de 25/04/2014, foi encaminhado para o endereço da sócia, Sra. Sulamita e para o antigo sócio Cleomar, todos no endereço à Avenida Joaquim Gilberto, S/N, Qd. B, Lt. C, Residencial Piemont, Apto 404, Setor Norte Maravilha, CEP 75115100, LuziâniaGO. Os Termos foram recebidos no dia 09/05/2014 (Cleomar) e no dia 13/05/2014 (Sulamita), (fls. 304 a 307). 32. Foi elaborado o EDITAL nº 0007/2014Safis/DRF Anápolis/GO, (fl. 308), afixado em 05/05/2014 e desafixado em 20/05/2014, tendo em vista o endereço desconhecido da sócia Daniele Beserra da Silva, para fins de ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 01.” Uma vez que o fiscalizado não atendeu às intimações anteriores, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 02, datado de 30/05/2014, encaminhado por via postal, cuja ciência ocorreu no dia 09/06/2014 para a sócia Sulamita e no dia 11/06/2014 para o exsócio Cleomar, conforme Avisos de Recebimento e extrato do rastreamento extraído do sítio de internet dos correios. No referido Termo foram solicitados elementos do Termo de Início de Fiscalização e do Termo de Intimação Fiscal nº 01, dentre os quais se destacam os seguintes: “a. DACON; b. LALUR; c. Arquivos digitais de notas fiscais; d. Apresentar todos os comprovantes, hábeis e idôneos, dos custos dos produtos vendidos e das despesas do período de 2010 e 2011 juntamente com planilha eletrônica contendo informações relevantes sobre os custos conforme o item 12 do referido Termo de Intimação Fiscal nº 2; e. Foi ressaltado que a falta de informações relativas aos produtos/mercadorias vendidos (número da nota fiscal, valor dos produtos/mercadorias, descrição dos produtos/mercadorias etc), suficientes para identificar a alíquota específica da COFINS e da contribuição para o PIS aplicável a cada caso, resultará na apuração das mencionadas contribuições com a aplicação da maior alíquota entre aquelas legalmente previstas para os produtos/mercadorias vendidos pela Contribuinte, consoante previsão do contrato social; f. Foi ressaltado também que o não atendimento à intimação ensejará: i. a aplicação da multa agravada conforme artigo 959 do RIR/99 (Decreto nº 3000/99) sem prejuízo de outras sanções legais que couberem; Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 780 7 ii. o lançamento com as informações de que se dispuser (art. 845 do RIR/99); iii. arbitramento do lucro nos termos do art. 530 do RIR/99.” A fiscalização relata que “no dia 02/06/2014, pela primeira vez, depois de tantas intimações efetuadas, e depois de tanto prazo para atendimento, o contribuinte, por meio da sócia Sulamita Oliveira Sodré Barcelos, apresentou requerimento solicitando prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias para apresentar os documentos exigidos, com a alegação de que o sócio administrador da época, Sr. Cleomar Barcelos Pinto, estará ausente do país até o dia 26/06/2014. Apresentou comprovante de passagem aérea em nome do Sr. Cleomar, com data de saída no dia 19/05/2014 e retorno no dia 26/06/2014 (fls. 320 a 321)”. Em 11/06/2014, em resposta à solicitação da contribuinte, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls. 322 a 328), onde foi exposto um histórico da fiscalização até aquele momento, relatando as diligências efetuadas na tentativa de dar ciência aos sócios da empresa, as diversas intimações realizadas, e mesmo tendo os sócios conhecimento, desde os primeiros momentos, de que havia um procedimento fiscal em andamento, não houve interesse em procurar a fiscalização para atendimento ou para busca de esclarecimentos, demonstrando não haver nenhum interesse por parte do fiscalizado de colaborar com a fiscalização. Foi exposto que não havia justificativa para tamanha dilação de prazo (60 dias), não havendo razoabilidade para concessão de prazo tão extenso. Mesmo assim foi concedido o prazo de 20 (vinte) dias contados a partir da ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 04 para apresentação dos elementos solicitados. A ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 04 ocorreu via postal e se deu no dia 17/06/2014 (para Sra. Sulamita e Sr. Cleomar). Foi elaborado o EDITAL nº 0014/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado em 11/06/2014 e desafixado em 27/06/2014, tendo em vista o endereço desconhecido da sócia Daniele Beserra da Silva, para fins de ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 04. Passado o prazo concedido, a contribuinte nada apresentou e não se manifestou. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 05, datado de 15/07/2014, foi dada mais uma chance para a contribuinte atender à solicitação. Neste Termo foi solicitado, além do que tinha sido pedido nos Termos anteriores, o Livro de Registro de Inventário do ano calendário anterior ao ano fiscalizado (ano 2009) e dos anoscalendário dos períodos objeto de fiscalização (2010 e 2011) da matriz e filiais – o livro de inventário é um dos livros obrigatórios exigidos pela legislação, portanto a contribuinte já deveria dispor e ter em seu poder este livro. O Termo de Intimação Fiscal nº 05 foi encaminhado via postal e a ciência ocorreu no dia 22/07/2014, tanto para a sócia Sulamita como para o exsócio Cleomar, conforme Avisos de Recebimento e extrato do rastreamento extraído do sítio de internet dos correios. Foi elaborado o EDITAL nº 0017/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado em 15/07/2014 e desafixado em 30/07/2014, tendo em vista o endereço desconhecido da sócia Daniele Beserra da Silva, para fins de ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 05. Fl. 783DF CARF MF 8 Em 25/07/2014, a contribuinte, por meio de advogado constituído, apresenta pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos, com a alegação de que, devido à paralisação das atividades da empresa, o prazo concedido pela fiscalização não foi suficiente para providenciar os documentos e que a empresa teve sérios problemas em se adaptar ao método de Escrituração Fiscal Digital. Ao final solicita a concessão do prazo de mais 30 (trinta) dias para apresentar os documentos. A fiscalização ressalta que, passados cerca de 5 (cinco) meses, a contribuinte não atendeu a nenhuma das solicitações, nem mesmo os pedidos mais simples, o que levou a crer estar apenas protelando, mesmo assim concedeu tacitamente o prazo solicitado, sendo que, passados os 30 (trinta) dias concedidos e não tendo a contribuinte mais uma vez atendido e sequer justificado o motivo da não apresentação dos documentos, foi elaborado e encaminhado o Termo de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal nº 01, datado de 28/08/2014, cuja ciência se deu em 08/09/2014, nada tendo sido apresentado e/ou justificado até “a presente data (02/10/2014)”. Por tais razões, foi efetuado o arbitramento do lucro, ressaltandose que o único livro disponível era o da contabilidade digital, existente no ambiente SPED, sendo que na Escrituração Fiscal Digital constava apenas dados de alguns meses do ano de 2011 (07/2011 a 12/2011); e que, com relação às vendas, constava na EFD apenas dados do período de 09/2011 a 12/2012, não havendo EFD do ano de 2010, nem arquivos de Notas Fiscais Eletrônicas no ano de 2010. A fiscalização efetuou comparação dos dados do 4º trim/2010 e 4º trim/2011, concluindo que a DPI e a EFD estão com valores compatíveis entre eles; verificou que, na contabilidade, constam lançamentos de forma consolidada das vendas à vista, inexistindo contas auxiliares que detalhem os lançamentos, os quais são efetuados tendo como contrapartida a conta Caixa (lançamento a Débito), com apenas um lançamento mensal, em valores elevados. Acrescentou que o razão da conta 3.1.100.000001 – CUSTO DE AQUISIÇÃO DE MERCADORIA, nos anos de 2010 e 2011, está de forma resumida, não havendo detalhamento dos valores que compõem o custo das mercadorias vendidas, tornando se imprestável para calcular o lucro real. E que, analisando os balancetes, dos anos 2010 e 2011, verificou que todas as contas contábeis estão com saldo inicial igual a zero, o que é inconcebível. Destacou que “mesmo as contas em que ao final de 2010 terminam com saldo final diferente de zero (Devedor ou Credor), em 2011 estas contas iniciam com saldo inicial igual a zero”. A contribuinte teve seu lucro arbitrado com base nas informações por ela própria prestadas na Declaração Periódica de Informações (DPI) apresentada à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás (SEFAZGO), para o ano de 2010; e com base na Escrituração Contábil Digital (ECD), para o ano 2011 (usadas bases de informações mais completas para cada ano), sendo extraídos os rendimentos da conta de receita de vendas baixada do ambiente SPED, cujos dados estão compatíveis com os valores registrados na DPI (os valores registrados na contabilidade estão um pouco maiores que os registrados na DPI). Nesse sentido, registra a fiscalização: “64. Por meio de Convênio de Cooperação Técnica celebrado entre a União e o Estado de Goiás foi previsto cooperação técnicofiscal dirigido ao aperfeiçoamento do planejamento e execução da fiscalização e cobrança dos tributos federais e Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 781 9 estaduais com o intercâmbio de informações cadastrais e econômicofiscais entre os convenentes. 65. Prevista na Instrução Normativa nº 599/2003 GSF e arts. 359 a 364 do Decreto nº 4.852/1997 (Legislação do Estado de Goiás), a DPI é o instrumento por meio do qual o contribuinte obrigado à escrituração de livros fiscais, deve entregar ao Fisco Estadual determinadas informações econômicofiscais, conforme o regime de apuração do imposto a que estiver submetido ou conforme as operações ou prestações realizadas no período. Transcrevemos abaixo um trecho da citada norma: “A pessoa natural ou jurídica inscrita no Cadastro de Contribuintes do Estado de Goiás CCE – que estiver obrigada à escrituração fiscal, ou apresentação do Demonstrativo de Apuração do ICMS DAICMS , deve apresentar a DPI, individualizada por estabelecimento e por período de escrituração, nos prazos estabelecidos” no art. 5º da I.N. 599/03GSF.” 66. O art. 2º da Instrução Normativa nº 599/03GSF, de 9 de junho de 1994, através da IN 895/2008GSF, passou a vigorar a partir de 1º de abril de 2008, com as seguintes alterações: “Art. 2º O comerciante, o industrial, o prestador de serviço de transporte interestadual e intermunicipal, o prestador de serviço de comunicação, o produtor agropecuário e extrator de substância mineral ou fóssil que emita sua própria nota fiscal e o gerador, distribuidor e transmissor de energia elétrica devem apresentar a DPI, individualizada por estabelecimento e por período de escrituração, nos prazos estabelecidos nesta instrução.” Acerca do agravamento da multa, fundamenta a fiscalização: “71. O agravamento da multa, com base no artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, se dá pelo fato do contribuinte não ter atendido às intimações efetuadas pela fiscalização durante o procedimento fiscal. 72. Conforme relatado anteriormente na seção IV – Dos Demais Procedimentos, o contribuinte foi intimado por diversas vezes durante o procedimento fiscal. O contribuinte se limitou apenas a solicitar algumas prorrogações de prazo e mesmo com a fiscalização tendo concedido as prorrogações de prazo solicitadas, o contribuinte não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. Portanto será aplicada o agravamento da multa com base no dispositivo retrocitado.” As pessoas dos sócios administradores foram arroladas como responsáveis solidárias com base nas seguintes acusações fiscais: Fl. 785DF CARF MF 10 73. As infrações tributárias cometidas decorreram de ações e omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. 74. Conforme descrito acima, a Fiscalizada não ofereceu à tributação do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS os valores das receitas auferidas nos anos fiscalizados. 75. Cabe precisamente aos administradores a regular condução dos negócios da Pessoa Jurídica, prevalecendose dos seus poderes de gerência, vigilância e fiscalização. 76. Conforme visto, houve no caso infração à lei, por cuja observância deveria o administrador zelar. Em conseqüência disso, ele deve ser alçado à condição de responsável solidário com a Fiscalizada em relação ao crédito tributário cadastrado no processo administrativo a que se refere o presente Termo de Verificação Fiscal. 77. O art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, prescreve que são pessoalmente responsáveis por infração à lei, os representantes de pessoas jurídicas de direito privado: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 78. Houve uma alteração do contrato social em 05/11/2013 (Quarta Alteração Contratual) com a retirada do sócio Cleomar Barcelos Pinto e a entrada da sócia DANIELE BESERRA DA SILVA. De acordo com alteração contratual, a nova sócia adquiriu trinta mil quotas da empresa no valor de R$ 30.000,00 que pertenciam ao Sr. Cleomar e 266.000 quotas no valor de R$ 266.000,00 que pertenciam à sócia Sulamita, ficando ao final com 296.000 quotas (o que representa 80% das cotas da empresa). 79. Segundo informações colhidas, a empresa fiscalizada encerrou suas atividades de fato em outubro de 2013, o que torna esta operação de troca de sócios e de transferência de propriedade, em novembro de 2013, muito estranha e atípica. 80. Verificamos nos sistemas da Receita Federal que a Sra. DANIELE BESERRA DA SILVA está omissa quanto à entrega da DIRPF desde o ano calendário de 2010. De acordo com a última DIRPF (ano calendário 2009) da Sra. Daniele a mesma não possui nenhum bem declarado e não possui rendimentos que lhe dê suporte à compra de quotas da empresa. No ano de 2009 teve Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 782 11 um rendimento anual declarado de apenas R$ 13.200,00 (treze mil e duzentos reais). 81. A Sra. Daniele não foi localizada no seu endereço cadastrado no sistema CPF e também não foi localizada no seu endereço que consta no Contrato Social. 82. Há fortes indícios de que a entrada da sócia Daniele (pessoa desprovida de patrimônio e em endereço desconhecido), no período de encerramento de fato da empresa, foi para afastar da responsabilidade o patrimônio dos verdadeiros gestores da pessoa jurídica fiscalizada. 83. Concluímos que os sóciosadministradores da empresa no período fiscalizado e abaixo qualificados (de acordo com o Contrato Social e Alterações posteriores às fls. 99 a 151 e 358 a 363) deverão ser responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 135 do CTN, inciso III. QUALIFICAÇÃO DOS SÓCIOSADMINISTRADORES (Responsáveis Solidários): a) CLEOMAR BARCELOS PINTO, brasileiro, casado, empresário, portador da carteira de identidade nº 1.341.969 SSP/GO, CPF nº 245.993.10182, data nascimento 08/11/1961, domiciliado à Avenida Joaquim Gilberto, Qd. B, Lt C, Apto 404, Residencial Piemont, Setor Norte, CEP 72812505 – Luziânia GO. Exerceu poderes de administração da empresa durante o período fiscalizado (retirouse da sociedade em 05/11/2013), conforme Contrato Social e suas alterações (fls. 99 a 151 e 358 a 363); b) SULAMITA OLIVEIRA SODRÉ BARCELOS, brasileira, casada, empresária, portadora da carteira de identidade nº 34267526098215, SSP/GO, CPF nº 791.817.16168, data nascimento 22/02/1977, com domicílio à Avenida Joaquim Gilberto, Qd. B, Lt C, Apto 404, Residencial Piemont, Setor Norte, CEP 72812505 – LuziâniaGO. Exerceu poderes de administração da empresa no período fiscalizado (continua como sócia administradora da empresa), conforme Contrato Social e suas alterações (fls. fls. 99 a 151 e 358 a 363);” Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, apenso a este. Os responsáveis solidários foram cientificados dos autos de infração e demais termos, por via postal, ambos em 06/10/2014. Já, a contribuinte foi cientificada por meio de Edital nº 0024/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado na repartição em 03/10/2014 e desafixado em 20/10/2014, em virtude de restar improfícua a ciência por via postal. Inconformados, a contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnação conjunta, em 03/11/2014, acompanhada de documentos. Fl. 787DF CARF MF 12 Ao fazer um breve resumo dos fatos, informam que a empresa atuava desde 1997 no ramo de comércio da cidade, constituindo filial no auge de sua atividade, sendo composta a sociedade por Sulamita Oliveira Sodré Barcelos e Cleomar Barcelos Pinto, com 91,89% e 8,10% do capital social, respectivamente. E que, por problemas de ordem administrativa e financeira, os sócios resolveram vender a empresa, não respondendo mais pela mesma, nos termos das alterações do contrato social em anexo, razão porque tiveram extrema dificuldade em obter os documentos solicitados durante a auditoria. Acrescentam, porém, que “hoje têm plenas condições de prestarem as informações solicitadas, pois conseguiram acesso aos documentos em questão, estando, inclusive, todos os documentos à disposição do Órgão autuador. Por isso, não há razão para que se desconsidere a escrita fiscal da empresa”. Na sequência, acusam o erro na identificação dos sujeitos passivos responsáveis tributários, dizendo que os antigos sócios foram intimados durante o procedimento fiscal, sendo que ambos não compõem mais o quadro societário e, exatamente por tal fato, foi impossível providenciarem a documentação solicitada a tempo de cumprir o prazo estabelecido. Afirmam ser inconteste que os atuais sócios deveriam ter sido intimados, pois a estes caberia o dever de apresentar a documentação requerida, sendo que os antigos sócios “tiveram que obter autorização dos atuais para retirar cópia da documentação solicitada e apresentála na defesa em atento”. Alegam ser pacífico o entendimento junto aos Tribunais Superiores de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN, sendo indispensável que tenha agido com excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. Ressaltam que o próprio STJ já assentou, há muito, que o sócio que se retira licitamente da sociedade limitada (caso dos autos), mediante transferência de suas cotas, continuando o empreendimento com suas atividades habituais, não responde por eventuais débitos fiscais contemporâneos ao seu período de permanência na sociedade. Cita jurisprudência. Observam que, no caso em tela, os sócios remanescentes continuam a explorar a atividade empreendida, sendo latente, na mesma linha, o entendimento acima exposto. Retomam as disposições do art. 135 do Código Tributário Nacional para concluir que o dispositivo não se enquadra no caso em tela, “pois não houve comprovação pelo órgão autuador da real prática de atos com excesso de poderes ou infração da lei. Já que o simples fato de não ter sido apresentada a documentação não pode, por si só, ensejar a conclusão da existência de atos abusivos”. E continuam, em suas palavras: “Há de se considerar ainda, conforme já fora exposto, que os sócios não intimados para responder este auto já não compõem os quadros societários, fato que inviabiliza que estes apresentem os documentos solicitados. Ainda sob essa égide, temos que os mesmos sócios retirantes não podem responder por possível Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 783 13 encerramento irregular das atividades, já que no momento não fazem parte desta. Além do mais, a transferência e venda das quotas da empresa foi efetuada em obediência aos preceitos legais, sem qualquer fato que desabone tal conduta, o que não coaduna com as supostas irregularidades suscitadas pela autoridade fiscalizadora. Nesse esteio, requer a retirada dos antigos sócios da empresa da condição de Responsáveis Tributários nos presentes autos e a inclusão dos atuais sócios por razões de fato e direito, visto que esta é a previsão legal e o posicionamento pacífico da jurisprudência e também pelo fato de que a estes sócios será substancialmente mais fácil apresentar as provas necessárias para solução desta demanda.” Na seqüência, dizem apresentar na impugnação os documentos solicitados na auditoria, por amostragem, “devido ao volume de arquivos existentes e a inviabilidade de juntar tudo neste processo”. Protestam pela realização de diligência “a fim de examinar a documentação para que a mesma possa ser considerada em termos fiscais e contábeis”, certos de que não restarão evidências de irregularidades, “pois todos os apontamentos foram feitos no sentido de obedecer à legislação vigente e de pagar os débitos fiscais na medida em que eram devidos”. Acerca do lançamento de ofício, tomando as disposições do art. 149 do Código Tributário Nacional, concluem que a autoridade fiscal não se pautou em nenhuma das hipóteses ali contidas, “tendo em vista não se enquadrarem no caso em tela, pois a empresa possui toda a documentação pertinente à sua escrita fiscal e contábil, razão pela qual não há que se concordar com o lançamento de ofício”. Requerem, mais uma vez, a realização de diligência, no sentido de serem analisados e considerados todos os documentos referentes à escrita fiscal e contábil da empresa, à disposição para a fiscalização, em virtude da impossibilidade da entrega de aproximadamente 20 livros fiscais e mais de 30 caixas de notas e documentos fiscais diversos, sendo estes: Fl. 789DF CARF MF 14 Entendem arbitrária e ilegal a desconsideração da escrita, diante da existência dos documentos reais e da sua disponibilização por parte do sujeito passivo, sendo que a inobservância do pedido acima, de juntada de documentos e realização de diligência, acarreta a nulidade do processo administrativo, por cerceamento do direito de defesa. Em outra frente de defesa, acusam erro na autuação e adoção de critérios ilegais, pois o simples fato da não apresentação dos documentos requeridos não faz presumir a existência de ilegalidade ou exercício de atividades com excessos por parte dos antigos sócios. Por tal razão, julgam claro o erro no lançamento, porque a fiscalização não considerou os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo, tão pouco a escrituração fiscal “que já havia sido apresentada em parte, ou enviada através de arquivos eletrônicos aos órgãos competentes”. Apontam que nem mesmo os créditos que a empresa possui ou as contribuições retidas na fonte foram considerados, havendo simplesmente o lançamento de débito e multa sem qualquer critério eqüitativo. Encerram o tópico nos seguintes termos: “Sendo assim, não há o que se falar em lançamento tributário até que toda a escrituração da empresa seja analisada e considerada para efeitos fiscais. Onde, só então teremos expressado a realidade da apuração contábil e fiscal da mesma. Antes disso, toda e qualquer tentativa de imputação de débitos ao sujeito passivo se constitui com ilegal e arbitrária.” Por fim, acusam a penalidade aplicada de confiscatória, dizendo que a diminuição da multa tem respaldo na Suprema Corte, sendo antiga a jurisprudência acerca da inconstitucionalidade das multas fixadas em índices de 100% ou mais. Acrescentam que o Supremo Tribunal Federal admite que o Poder Judiciário diminua multas, por entender excessivas e desproporcionais. Citam jurisprudência. Apontam que, à evidência, ao invés de servir como instrumento dissuasivo, intimidador e sancionador, a multa fixada em patamar de mais de 100% transformase em clara e notória fonte de arrecadação indireta, medida odiosa e ilegal. Discorrem acerca do princípio da proporcionalidade, que entendem importante mecanismo de controle de arbitrariedade, concluindo que a multa no patamar superior a 100% representa sacrifício da propriedade particular, estendendose o princípio do nãoconfisco às multas, razões pelas quais protestam pela desconsideração da penalidade aplicada. Encerram com os seguintes pedidos: “Ante todo o exposto, requer a exclusão dos sujeitos passivos identificados como responsáveis tributários pela empresa em tela, já que os mesmo não mais compõem seus quadros societários, havendo novos sócios que responderão pela empresa. Requer ainda, que seja realizada diligência a fim de analisar todos os documentos referem à escrituração contábil e fiscal da empresa autuada. No intento de apurar se há e qual a quantia de valores devidos, por o lançamento de ofício desconsiderou toda e Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 784 15 qualquer documentação, pagamento e crédito que a empresa pudesse possuir. Ademais, pleiteiase a desconsideração do lançamento feito de ofício, bem como a desconsideração da multa aplicada em percentual superior a 100%, valor este que já foi considerado inconstitucional por parte dos Tribunais Superior, por caracterizar Confisco, prática vedada pela Constituição Federal. Requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial perícia contábil e apresentação de documentação referente à escrituração contábil e fiscal da empresa que não pode ser anexada a presente defesa devido ao volume exorbitante de documento, mas que se encontra à disposição deste órgão fiscalizador para que realize as análises que julgar necessária ao fiel cumprimento legal.” A decisão de primeira instância restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 Provas. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligência e Perícia. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 Declaração Apresentada Perante o Fisco Estadual. Prova Obtida por meio de Convênio entre as Fazendas Públicas. A confissão das vendas prestada em GIA/SINTEGRA caracteriza prova direta das receitas auferidas, mormente quando os valores se mostram compatíveis com as receitas escrituradas. Fl. 791DF CARF MF 16 Receita de Vendas. Falta de Declaração. Constatada, nos anoscalendário, a obtenção de receitas de vendas e a apresentação da DIPJ com valores zerados, bem como a falta de apresentação de DCTF e Dacon (à exceção da DCTF de dez/2010, a qual foi entregue, também, com valores zerados), configurada está a subtração de rendimentos à tributação, caracterizando a omissão de receita. Arbitramento do Lucro. Escrituração Imprestável. Correto o arbitramento do lucro quando a escrituração da pessoa jurídica se mostra imprestável para determinação do lucro real e presumido, mormente quando, regularmente intimada, nada providencia a contribuinte para a devida reconstituição da escrita. Arbitramento. Escrituração Apresentada Posteriormente. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração, cuja recusa ou inexistência foi a causa do arbitramento. Arbitramento. Retenções. Imposto e Contribuição Pagos Espontaneamente. À falta de comprovação da existência de eventuais retenções na fonte correspondentes às receitas computadas no lucro arbitrado, mediante apresentação dos respectivos Comprovantes de Rendimentos Pagos, inclusive, não se cogita da sua dedutibilidade. Retificase a exigência para computar no lançamento os recolhimentos espontâneos efetuados a título de IRPJ e CSLL. Multa Agravada. É cabível o agravamento da multa de ofício em 50%, motivada pela falta de atendimento às intimações, quando a negativa da contribuinte traz claro prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscalizatória. Equidade. O emprego dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em matéria de penalidade tributária, encaixase, unicamente, em proposta de aplicação de equidade formulada pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), cuja apreciação é feita em instância especial de julgamento pelo Subsecretário de Tributação e Contencioso, provadas as circunstâncias pessoais ou materiais da espécie julgada, limitado aos casos em que a infração não se reporte: à falta ou insuficiência no recolhimento do imposto; à reincidência; à sonegação, à fraude ou ao conluio. Ato Normativo. Inconstitucionalidade. Ilegalidade. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 785 17 Decisões Judiciais e Administrativas. Efeitos. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária Solidária. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Arbitramento do Lucro. Exigência Reflexa. Pis. Cofins. Créditos. Não Cabimento. Incabível a pretensão de aproveitamento de eventuais créditos de contribuições pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado, porque sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração do Pis e da Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário alegando em síntese: 01) preliminarmente que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que foi indeferida a perícia requerida e ignorada a prova documental acostada aos autos; 02) erro na identificação dos sujeitos passivos, responsáveis solidários. 03) no mérito. inexistência das omissões alegadas. Apresentação da documentação solicitada; 04) da contradição da multa agravada; 05) da natureza confiscatória da multa agravada Este é o relatório do essencial. Voto Fl. 793DF CARF MF 18 Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Pois bem, cuidam os autos de IRPJ e seus respectivos reflexos, no período compreendido entre 2010 e 2011. Para que possa ser bem analisado o conteúdo desses autos, essencial retornar ao TVF para se verificar a dificuldade de a fiscalização encontrar os responsáveis pela contribuinte autuada, bem como verificar todo o empenho da fiscalização em busca da verdade real. Isso porque, conforme se verifica, o MPF foi aberto em virtude de a contribuinte entregar nos anos de 2010 e 2011 sua DIPJ zerada, sem qualquer movimentação. A DIPJ de 2010 tinha como opção o lucro presumido e a DIPJ do ano de 2011, tinha como opção o lucro real, mas ambas encontravamse zeradas e sem quaisquer informações. Por outro lado, a movimentação bancária da contribuinte foi de R$11MM e R$22MM, nos anos de 2010 e 2011, respectivamente. A fiscalização foi iniciada em março de 2014 e somente concluída em outubro de 2014. Durante todo esse tempo, tentou a fiscalização como visitas in loco, por intimações, e, ainda por edital, requerer toda a documentação necessária para a verificação dos valores devidos pelo contribuinte nos anos fiscalizados. O que foi constatado é que a contribuinte teve as suas atividades interrompidas em 2013 e que posteriormente os antigos sócios, atuais responsáveis solidários se retiraram da sociedade. Porém, os atuais sócios são desconhecidos, não apresentam patrimônio compatível com a sociedade e não foram encontrados. Assim, nas palavras do próprio fiscal, "Há fortes indícios de que a entrada da sócia Daniele (pessoa desprovida de patrimônio e em endereço desconhecido), no período de encerramento de fato da empresa, foi para afastar da responsabilidade o patrimônio dos verdadeiros gestores da pessoa jurídica fiscalizada." Por outro lado, não trouxeram os antigos sócios e responsáveis solidários, qualquer documentação que possa comprovar o contrário. Apenas argumentam que os indícios não seriam suficientes para lhe atribuir responsabilidade pessoal ou solidária. Limitouse a defesa a expor seu entendimento sobre teses doutrinárias e aspectos relacionados aos princípios constitucionais tributários voltados ao legislador, entretanto, atuando na esfera administrativa, a fiscalização deve restringirse à norma positivada, em confronto à verdade dos fatos desvelados no curso da investigação fiscal, que uma vez revelados implicam nas hipóteses legais de incidência tributária. Por esse motivo, ouso divergir da argumentação apresentada no recurso da recorrente e seus responsáveis tendo em vista que a fraude é sempre de difícil constatação. O que se apresenta nos autos é uma empresa que, apesar de ter tido seu regular funcionamento nos anos de 2010 e 2011, se esquivou de pagar qualquer tributo federal. Assim o fez, e quando a situação já se encontrava consolidada retiraramse os sócios que eram também os gestores a época da autuação para se esquivarem do pagamento dos tributos. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 786 19 A fiscalização foi o mais diligente possível na busca da verdade real e não logrou êxito em obter qualquer documento da recorrente. Quando da impugnação, foi juntado aos autos vasta documentação que deveria ter sido apresentada a época da fiscalização. Contudo, essa documentação por si só não seria capaz de alterar o procedimento realizado pela fiscalização. Se houvesse documentação suficiente para a regular apuração dos tributos devidos deveria ter sido apresentado um quantitavo dos valores devidos devidamente comprovado pela documentação. Juntar aos autos vasta documentação para querer prorrogar o prazo da fiscalização seria no mínimo desrespeitoso. Nesse sentido a prova que se pretende fazer deveria ter sido demonstrada pelo Contribuinte. Deveria este ter juntado aos autos a comprovação de que sua documentação era suficiente para não se arbitrar o lucro. Mesmo que essa prova fosse juntada aos autos em algum momento extemporâneo, poderia até ser considerado, se o julgador ficasse convencido que o contribuinte não deu causa a extemporaneidade e de que a prova era relevante. Porém, requerer dilação probatória para demonstrar documentos que deveria ter sido mostrados quando da fiscalização e, ainda requerer perícia em tais documentos sem contudo demonstrar que tal documentação seria suficiente para a apuração de lucro, conforme opção feita pelo contribuinte é totalmente descabido. Por outro lado, o artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72 deixa á faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que as pode indeferir, quando considerálas prescindíveis, não configurando assim, com o seu indeferimento o cerceamento do direito de defesa. Pelo exposto, indefiro a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, tendo em vista que a contribuinte não juntou aos autos documentação comprobatória suficiente para despertar qualquer dúvida no julgador. Ademais, cumpre ressaltar que a falta de apresentação de livros contábeis e fiscais e da respectiva documentação que dá suporte à auditoria tributária autoriza o arbitramento dos lucros, que será determinado mediante a aplicação de um percentual previsto em lei, sobre a receita bruta. Foi o que de fato ocorreu no caso dos autos, não havendo documentação suficiente para a apuração do lucro, nos moldes da legislação, arbitrouse o lucro, conforme previsão da lei fiscal. Com relação ao alegado erro na identificação dos sujeitos passivos, maior sorte não assiste ao contribuinte. Afinal, conforme mencionado acima, o que se identificou foi um verdadeiro intuito de fraude. A contribuinte exerceu as suas atividades nos anos de 2010 e 2011 e não pagou qualquer tributo federal. Assim, Em 2013 encerrou as suas atividade e tentaram os sócios gestores de 2010/11 imputar a outrem sem qualquer capacidade a responsabilidade por atos praticados no passado. Fl. 795DF CARF MF 20 Não havendo qualquer prova em contrário nos autos, correta a autuação e a decisão da DRJ de se atribuir aos sócios que geriam a empresa a época dos fatos geradores a responsabilidade tributária, conforme preceito do art. 135 do CTN. Assim, mantenho a responsabilidade tributária dos antigos sócios Sulamita Oliveira Sodré Barcelos e Cleomar Barcelos Pinto. Com relação à não omissão das informações e da apresentação da documentação solicitada, conforme exposto na preliminar, não julgo que os documentos se mostraram suficientes, tampouco que são relevantes para alterar a decisão da DRJ. Já em respeito à multa agravada pelo não atendimento à fiscalização, entendo que a multa está equivocada pois, conforme arguido na peça recursal, a súmula do CARF realmente exonera de multa a atitude do sujeito passivo quando tal fato imputalhe consequência mais grave, como é o caso do arbitramento. Verificase pelo TVF que a multa agravada se deu pela não apresentação dos documentos, conforme exposto abaixo: 71. O agravamento da multa, com base no artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, se dá pelo fato do contribuinte não ter atendido às intimações efetuadas pela fiscalização durante o procedimento fiscal. 72. Conforme relatado anteriormente na seção IV – Dos Demais Procedimentos, o contribuinte foi intimado por diversas vezes durante o procedimento fiscal. O contribuinte se limitou apenas a solicitar algumas prorrogações de prazo e mesmo com a fiscalização tendo concedido as prorrogações de prazo solicitadas, o contribuinte não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. Portanto será aplicada o agravamento da multa com base no dispositivo retrocitado. Verificase pelo texto da súmula CARF que esse tipo de agravamento de multa é vedado, conforme exposto abaixo: Súmula CARF nº 96. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de exonerar a multa agravada e mantêla à razão de 70%. (multa de ofício) Em relação à confiscatoriedade da multa, certo é que esse Conselho não tem competência para verificar inconstitucionalidades da legislação tributária: A autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a legalidade ou inconstitucionalidade de normas legais, sendo o contencioso administrativo foro impróprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 102 da Carta Magna. Essa orientação tem sido igualmente seguida pelo Conselho de Contribuintes, conforme súmula 2: Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 787 21 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação aos demais tributos, tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto para negar a preliminar arguida de cerceamento de defesa e dar provimento ao recurso tãosomente para reduzir a multa agravada pela não apresentação de documentos fiscais aplicandoa à razão de 70%. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.721666/2012-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.620
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 16 66 /2 01 2- 78 Fl. 206DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 7.720,02, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da inexistência de comprovação da decisão judicial que homologou o acordo referente à pensão alimentícia paga e a idade de um dos filhos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à idade de um dos filhos e à falta de comprovação da decisão judicial definidora da prestação alimentar ou homologatória de acordo, exigência da legislação vigorante, nos termos que segue: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 04 a 07, na qual é exigido imposto de renda pessoa físicasuplementar no valor de R$ 7.720,02 acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2010, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo a pensão judicial, nos seguintes termos: (...) São, portanto, requisitos para a dedutibilidade: 1. que o pagamento tenha a natureza de alimentos; 2. que sejam fixados em decorrências das normas do Direito de Família; 3. que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública (Código Civil, artigo 1.124A). Pensão Aleixo e Emerson Conforme inicial no processo de separação consensual de fls. 11 e 12 e revisão da prestação de alimentos de fl. 08, o contribuinte ficou obrigado ao pagamento de alimentos no valor de 4 salários mínimos mensais para os filhos Aleixo Brizolari (nascido em 14/05/1982) e Emerson Brizolari (nascido em 13/05/1985). Os filhos, no anocalendário 2010, já tinham mais de 21 anos. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.007 3 Ao atingir a maioridade, o filho perderia, a princípio, o direito à pensão alimentícia. No entanto, a doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. Por outro lado, para que eventuais repasses financeiros a filho maior de 24 anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia, necessário seria que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do art. 1.695 do Código Civil. A partir da maioridade dos filhos, qualquer repasse de numerário efetuado pelo pai em seu favor se equipara aos repasses efetuados pelos demais pais, que nunca estiveram obrigados a efetuar pagamentos a título de pensão alimentícia. Tratase de uma mera liberalidade. A possibilidade de deduzir pensão alimentícia deve ser analisada tendose como referência os mesmos requisitos necessários para a relação de dependência estabelecida na legislação do imposto de renda. A Lei nº 9.250/1995, assim dispõe em seu art. 35, base legal do art. 77, do RIR/1999, em relação à figura dos dependentes: (...) No caso, ficou comprovada a incapacidade do filho Aleixo Brizolari, tendo sido aceita pela fiscalização à dedução da pensão alimentícia no valor de R$12.240,00. Com relação ao filho Emerson Brizolari não foi apresentando nenhum documento comprovando sua incapacidade física ou mental para o trabalho ou que ele estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Mantida a glosa da dedução referente aos pagamentos efetuados ao Emerson. Pensão – Jéssica O impugnante apresentou às fls.13 e 14 cópia do Termo de Audiência na Ação Revisional de Alimentos realizado em maio de 2008. Por oportuno, transcrevese parte do termo: 1. Doravante, o alimentante pagará pensão alimentícia somente em benefício de sua filha JÉSSICA, em importância mensal de R$ 2.000,00 (dois mil reais), todo dia 05 de cada mês, a partir de 05/junho/2008, mediante depósito em conta bancária da representante da credora no Banco Nossa Caixa, agência 08338, conta n° 010028410. O valor dos alimentos será corrigido anualmente pelos índices de variação do IGPMFGV, incidindo o primeiro reajuste a partir da parcela com vencimento em 05/junho/2009 e assim sucessivamente. As Fl. 208DF CARF MF 4 parcelas com vencimentos em 05/novembro, 05/dezembro e 05/janeiro de todos os anos senão acrescidas de 1/3 (um terço) do valor dos alimentos mensais em vigor no mês do efetivo pagamento, a título de pensão alimentícia sobre o 13° salário 2) O alimentante fica exonerado da obrigação alimentar em relação a exesposa ADRIANA, a partir da parcela com vencimento em junho/2008, possuindo ela meios próprios de subsistência. 3) Com a intenção de novar, .estabelecem as partes o débito de alimentos até a presente data (credoras a ex esposa e a filha na proporção de metade para cada qual) em R$51.000,00 (cinquenta e um mil reais) que o devedor pagará em 34 parcelas fixas e irreajustáveis de R$ 1.500,00 cada com vencimentos todo dia 10 de cada mês, no período de 10/junho/2008 a 10/março/2011, mediante depósito na mesma conta bancária em nome da exesposa ADRIANA. Essas parcelas serão pagas sem prejuízo das pensões vincendas em benefício da filha JÉSSICA (item 1 acima) Comprovando o pagamento da pensão, consta nas fls 25 a 29 recibos de depósito para Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari. A dedução da pensão alimentícia judicial está condicionada à existência de uma decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de pagamento. No lançamento foi considerado o pagamento da pensão alimentícia no valor de R$25.481,29 (R$2.000,00 mais a correção do IGPMFGV por mês). No entanto, o contribuinte estava obrigado também ao pagamento de R$1.500,00 mensais referente a débito de alimentos. Assim, deve ser considerada também a dedução do valor de R$18.000,00 (R$12xR$1.500,00). A legislação transcrita é clara ao dispor que a dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia somente abrangerá os valores determinados ou homologados em juízo. Assim, valores que eventualmente tenham sido pagos sem a devida homologação judicial configuram mera liberalidade do contribuinte, não podendo ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda, por falta de previsão legal. Outrossim, deve ser observado que o valor da pensão alimentícia que, por determinação judicial, houver sido descontada do 13º salário, não pode ser considerado como dedução na Declaração de Ajuste Anual. Como o imposto devido em razão do pagamento do 13º salário (ou gratificação natalina) é exclusivo na fonte, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, prevê em seu art. 7º que qualquer dedução que tenha sido utilizada na sua apuração não poderá ser novamente considerada para a determinação da base de cálculo de quaisquer outros rendimentos, inclusive os tributados na declaração anual. A dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$18.000,00, resulta no imposto a ser cancelado de R$4.950,00 (R$18.000,00*27,5%). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.008 5 Diante do exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, cancelando o imposto no valor de R$4.950,00. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para reduzir a exigência do Lançamento em R$ 4.950,00, como imposto suplementar. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Restou demonstrado que o Recorrente, efetuou em 2008 o pagamento à título de Pensão Alimentícia Judicial, em nome de Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari – CPF: 167.064.57892, comprovados através de comprovantes de depósitos bancários, e em nome de Rita de Cássia Brizolari – CPF: 094.184.35802, comprovados através de declaração da mesma, visto que os comprovantes se apagaram com o tempo, apresentou junto aos comprovantes, todos os acordos solicitados em Intimação. É incontroverso nos autos do processo administrativo, a informação de que a pensão alimentícia devidamente paga à “Rita de Cassia” será parcialmente aceita, haja visto a maioridade dos filhos incapazes, então, reitera o fato de que ambos os filhos, (Aleixo e Emerson) são deficientes físicos e mentais, e que só apresentou documento comprovante a incapacidade de um dos filhos, cumprindo a Intimação da RFB. É controverso ainda, a informação da falta da apresentação de decisão judicial, que determina a pensão alimentícia para a “Adriana”, e a decisão de aceito parcial dos pagamentos efetuados, haja visto, que não houve homologação do acordo de redução da pensão a partir de Maio/2008 e os pagamentos de janeiro à abril/2008, não foram considerados na soma da pensão paga, observando que o Recorrente, respondeu à todos os Termos de Intimação encaminhados pela RFB, apresentando os acordos e os comprovantes de pagamentos feitos no decorrer do ano de 2008. Fato 1 o Recorrente foi casado com Rita de Cássia Brizolari, e que desta união tiveram 2 (dois) filhos, Aleixo Brizolari e Emerson Brizolari, e ambos apresentam deficiência por causa genética (consanguinidade dos pais), com reflexos mentais e físicos severos, conforme comprova o relatório psicológico da APAE e o Atestado emitido pelo DR. Lineu Hamilton Cunha, médico que atende ambos na Unidade Hospitalar Dr. José Nigro Neto, na cidade de Américo Brasiliense. (docs. Anexo). Acrescenta aos documentos, ainda como prova de deficiência dos 02 (dois) filhos, a Cédula de Identidade e a Certidão de Nascimento, onde consta a Interdição dos mesmos. (Emerson em 04/2004 e Aleixo em 02/2007). Após a separação, ficou determinado e homologado, que a partir do mês de julho de 1992, o recorrente passaria a prestar alimentos aos Fl. 210DF CARF MF 6 filhos Aleixo Brizolari e Emerson Brizolari, o valor mensal correspondente à 04 (quatro) salários mínimos. Fato 2 em período posterior, o Recorrente casouse com Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari, e desta união nasceu em 12.11.1992 a filha do casal Jessica Maria Brandão Brizolari. No ano 2000, iniciouse o processo de separação do casal, onde, a partir do mês de outubro de 2000, foi determinado que o Recorrente passasse a pagar a título de pensão alimentícia, o valor mensal de R$ 2.000,00 (Dois Mil Reais) – Processo 591/00, chegando o valor da pensão a valor equivalente a 22,22 salários mínimos. Não estando apto financeiramente para cumprir o pagamento da pensão determinada em 2002, o Recorrente partir para processo de apelação e acordo entre as partes, reduzindo a partir de 2006, o pagamento de 13,24 salários mínimos a título de pensão alimentícia, conforme Processo 819/06. Em 2007, o Recorrente teve problemas graves de saúde e não conseguiu cumprir com os valores exatamente determinados, chegando até a ser preso, mas somente em Maio de 2008, houve a audiência revisional de alimentos, reduzindo a pensão e acordando o pagamento a ser feito de pesões em atraso. Nos Termos de audiência de 19/05/2008, ficou definido que a partir de junho/2008, o Recorrente pagaria a pensão de R$ 2.000,00, acrescido da pensão em atraso, na totalidade de R$ 51.000,00, dividido em 34 parcelas de R$ 1.500,00. Julga importante ressaltar que, conforme descrito nesta Intimação, nº 255/2014, página 03, sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo judicial, nos seguintes termos: (...) O Recorrente, com o intuito de justificar e comprovar que todos os valores depositados a título de pensão alimentícia, se deram para o devido cumprimento da Lei, anexa cópia de todos os Processos e Decisões Judiciais para análise. Ante o exposto requer seja recebida, autuada e integralmente provido o presente Recurso Administrativo, para fins de reconhecer a nulidade dos débitos demonstrados, tudo como forma pura e verdadeira de justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.009 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Acórdão da DRJ dá provimento parcial para reconhecer a regularidade no pagamento da pensão alimentícia somente ao filho beneficiário Aleixo Brizolari, com pagamentos realizados através da progenitora Rita de Cássia Brizolari, o que fez reduzir o valor do crédito tributário originalmente lançado. A divergência fixa no que se refere à pensão alimentícia ao filho Emerson Brisolari por falta de comprovação de sua incapacidade física ou mental. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo Fl. 212DF CARF MF 8 homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Decreto nº 3.000/99. Art. 77. (...) § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. No que se refere aos filhos Aleixo Brisolari e Emerson Brisolari foi anexada aos autos comprovação da incapacidade física e mental e, por consequência, a dependência física e financeira de ambos em relação aos progenitores, mesmo após a maioridade que se estende ao anocalendário abrangido pelo Lançamento. Resta evidente a existência de decisão judicial definidora da pensão alimentícia, desde período anterior ao anocalendário correspondente ao lançamento tributário ora em contestação, cujo pagamento foi devidamente comprovado, razão pela qual deve ser aceito como dedutível do imposto sobre a renda por ocasião da Declaração de Ajuste Anual. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou elemento probante da existência material da pensão alimentícia homologada no judiciário, desde períodos muito anteriores ao Lançamento, embora pendente de tramitação somente o que se referia à revisão de valores pleiteada pelo alimentante, tendo, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.010 9 portanto, satisfeito as condições para utilização daquele dispositivo legal permissivo da dedução pleiteada na DAA, por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, para exclusão do crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000801/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Ementa:
PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção.
SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Numero da decisão: 2301-005.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.094, de 18/07/2014, alterar a ementa e dispositivo do acórdão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
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INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 01 /2 01 0- 99 Fl. 516DF CARF MF 2 INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 004.094, de 18/07/2014, alterar a ementa e dispositivo do acórdão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratamse de embargos opostos pelo sujeito passivo em razão da ocorrência de erros materiais no Acórdão nº 2301004.094 (efls. 440 a 470). O Auto de Infração foi lavrado para a exigência das contribuições devidas a terceiros (salárioeducação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae). O embargante alega que não obteve logro na primeira instância administrativa e que teria tido, no recurso voluntário, parcial provimento para excluir do lançamento as contribuições referentes ao seguro de vida em grupo e a aplicação da Lei nº 11.941, de 2009, para reduzir o valor da multa. O conteúdo do acórdão embargado, porém, conteria matérias estranhas ao processo. Pugnou pela correção da ementa, do voto e do dispositivo. Diante da evidência de erros materiais, o presidente desta turma acolheu o apelo como embargos inominados, nos termos do art. 66 do Ricarf É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15586.000801/201099 Acórdão n.º 2301005.541 S2C3T1 Fl. 517 3 Embora recebidos no prazo regimental aplicável aos embargos de declaração, os embargos inominados não estão sujeitos à avaliação da tempestividade. O auto de infração contestado referese ao Debcad nº 37.264.2780 e foi constituído em 10/08/2010 (efl. 2). O lançamento referese às contribuições a terceiros incidentes sobre: a) o pagamento de despesas médicas a diretores, empregados e dependentes (levantamentos EM, SS e SS1), e b) pagamento de seguro de vida para a totalidade dos empregados (levantamentos SV e SV1). Impugnado o lançamento, as matérias foram devidamente enfrentadas na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1237.576 (efls. 286 a 297), que concluiu pela procedência total do lançamento. O acórdão embargado também abordou as matérias. Manteve o lançamento relativo às despesas com saúde constantes dos levantamentos EM, SS e SS1 (efl. 451) e desonerou os valores relativos ao seguro de vida em grupo constantes dos levantamentos SV e SV1 (efl. 462). Além disso, o colegiado entendeu que a retroação da Lei nº 11.941, de 2009, para aplicação da multa mais benéfica é matéria de ordem pública e sobre o assunto decidiu, a despeito da ausência de prequestionamento. Todos os pontos do recurso voluntário foram enfrentados no acórdão embargado. De fato, além das matérias pertinentes ao processo, também constou do voto, da ementa e do dispositivo assuntos estranhos aos autos. Portanto, devese acatar os embargos para corrigir os equívocos. A ementa deve passar a ter a seguinte redação: PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da Fl. 518DF CARF MF 4 eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. O dispositivo da decisão deve passar a ser o seguinte: Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de planos de saúde a dependentes de segurados empregados, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de auxílios específicos de saúde a dirigentes, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão. II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida, nos termos do voto do Relator. III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a), vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Relator Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15586.000801/201099 Acórdão n.º 2301005.541 S2C3T1 Fl. 518 5 Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.003549/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA EM RELAÇÃO À DECADÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
As multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados, não subsistindo interesse recursal na tese segundo a qual a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS REMUNERADOS ATRAVÉS DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA. EVENTUALIDADE. TRAÇO CARACTERÍSTICO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
1. A eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocou-se quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais.
2. As pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à montadora de veículos.
3. Os empregados das concessionárias prestadores do trabalho determinado no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos.
Numero da decisão: 2402-006.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA EM RELAÇÃO À DECADÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. As multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados, não subsistindo interesse recursal na tese segundo a qual a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS REMUNERADOS ATRAVÉS DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA. EVENTUALIDADE. TRAÇO CARACTERÍSTICO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. 1. A eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocouse quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais. 2. As pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à montadora de veículos. 3. Os empregados das concessionárias prestadores do trabalho determinado no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 35 49 /2 00 7- 29 Fl. 2222DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/RPO fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos demais incidentes ocorridos neste processo, o qual passa a integrar, em parte, o presente relatório: Lançamentos fiscais realizados, seus fundamentos e objetos. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 37.017.2019 relativa a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações de segurados contribuintes individuais, no contexto de campanhas de “marketing de incentivo”. A Fiscalização informa no Relatório Fiscal (fls. 43/65) que: 1. Os pagamentos, considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias e que ensejaram o lançamento fiscal, foram feitos a pessoas físicas, sem vínculo empregatício (considerados pela Fiscalização como “Contribuintes individuais”). 2. Foram examinados, dentre outros, os seguintes documentos: · Contrato de prestação de serviços, firmado entre o Contribuinte e Salles/DMB & B Publicidade S/A, tendo como interveniente a ABRAC – Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet, visando a execução de campanhas de incentivo de vendas. · Notas fiscais/faturas emitidas por Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda, Salles Darcy Publicidade Ltda, Salles Chemistri Publicidade Ltda, Sigth Momentum Ltda e Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 3 3 Maccann Erickson Publicidade Ltda, tendo sido juntadas, a título de exemplo, cópias de algumas notas fiscais. · Documentos denominados “AP – Aplicação de Verba Publicitária”, das quais algumas foram juntadas aos autos, a título de exemplo. · Regulamentos dos programas de incentivo, “sendo que em alguns casos só encontramos alguma informação nos documentos denominados “APs”. 3. Foram constatadas as realizações de diversas “campanhas de incentivo”, dentre as quais as denominadas “falou ganhou”, “cliente misterioso Vectra”, “Campanha vida”. 4. Informa que o lançamento se deu com base nos documentos fornecidos pelo Contribuinte, documentos estes indicados no anexo “Relação de Lançamentos para Apresentação da Documentação de Suporte”. 5. A contratação do programa de incentivo tinha como objetivo “o incremento de vendas de veículos e peças comercializadas pela GMB”. 6. Os pagamentos, na forma de “cartões de incentivo” (cartões de crédito com carga/valores préestabelecidos), eram feitos aos empregados das empresas concessionárias, por meio da prestadora de serviços de marketing. 7. Em face da não constatação de vínculos empregatícios com os beneficiários dos prêmios, a Fiscalização os considerou segurados obrigatórios da Previdência Social, na modalidade “Contribuintes individuais”, ou seja, “prestadores de serviços autônomos” de “divulgação e promoção”. 8. Em face da impossibilidade da análise dos dados constantes dos arquivos magnéticos, o lançamento deuse com base nos “valores de premiação a título de incentivo, constantes nas notas fiscais da empresa Salles Adan Assoc. Marketing de Incentivos e utilizada como data de pagamento/crédito a data de vencimento constante na nota fiscal da empresa Salles Darcy Publicidade Ltda, Sight Momentum Ltda e Salles Chemistri Publicidade Ltda conforme 1F – Relação de Notas Fiscais/faturas Apresentadas”. 9. Os valores não foram informados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pelo Contribuinte, pratica que constitui, em tese, o tipo penal previsto no art. 337A do Código Penal (crime de sonegação de contribuição previdenciária). 10. Na mesma auditoria fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infrações: · Auto de Infração DEBCAD 37.017.1985 – para imposição de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória, Fl. 2224DF CARF MF 4 qual seja: falta de preparo de folhas de pagamento de acordos com padrões e normas estabelecidas pela Previdência Social. · Auto de Infração DEBCAD 37.017.1993 – para imposição de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória, qual seja: falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (processo administrativo fiscal COMPROT 10805.003553/200797, que se encontra apensado ao presente processo). · Auto de Infração DEBCAD 37.017.2000 – para imposição de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória, qual seja: apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (processo administrativo fiscal COMPROT 10805.003554/200731, que se encontra apensado ao presente processo). [...] Impugnação – razões e fundamentos. O Contribuinte apresenta, então, sua impugnação (fls. 424/429 e 2.103/2.104), requerendo, de início que “A bem da celeridade e da economia processuais... que a presente NFLD seja reunida, para julgamento único, aos Autos de Infração nº 37.017.1993 e 37.017.2000...”. Em face do que dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN e considerando que o Contribuinte foi notificado do lançamento em 19/10/2007 e que “não houve qualquer dolo, fraude ou simulação – fato que pode ser comprovado pela total colaboração da Impugnante com a fiscalização”, defende que os “fatos geradores que abrangem o período compreendido entre janeiro e outubro de 2002 foram atingidos pela decadência”. Defende que os pagamentos realizados aos empregados das concessionárias não constituiriam fatos geradores de contribuições previdenciárias, pois, conforme ressalva: Como fica claro, embora não mais se exija a existência de vinculo empregatício entre a empresa que realiza o pagamento e a pessoa física que o recebe como se fazia até a publicação da EC n° 20/98, que atribuiu a atual redação ao dispositivo l continua a ser necessário, para que possa haver a cobrança de contribuição previdenciária, que a verba constitua contraprestação por serviço prestado pela última à primeira. (...). E, como se nota em todas as campanhas autuadas, as condições para a obtenção dos prêmios reconduzemse sempre ao bom desempenho das atividades para as quais tais empregados estão contratados e pelas quais são remunerados pelas mesmas concessionárias: atender bem os consumidores, prestarlhe informações adequadas, esforçarse para aumentar as vendas, etc. Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 4 5 É certo que a boa performance dos funcionários de suas concessionárias interessa à Impugnante, tanto assim que esta a premia. Isso não autoriza, todavia, a conclusão de que é ela a contratante, a destinatária, da atuação daqueles. Para proválo, basta lembrar que a Impugnante não pode demitir e sequer repreender os empregados pouco produtivos de suas concessionárias e que tampouco seleciona, com poderes para eleger e recusar, aqueles a quem fará os pagamentos, faculdades que seriam inafastáveis se de prestação de serviço se tratasse, ainda que de cunho eventual. Limitase a fixar condições gerais, obrigandose a aquinhoar todos aqueles que as cumpram. Condições que, convém insistir, não exigem qualquer serviço extra da parte dos empregados das concessionárias, o qual se pudesse identificar como prestado de forma especifica A Impugnante. Impossível, pois, cogitarse in casu da ocorrência do fato gerador da contribuição do art. 22, III, da Lei n° 8.212/91. Em razão destas ressalvas, conclui: Não havendo serviço (fato gerador) — a conclusão é automática não há cogitarse de remuneração (base de cálculo). Defende, também, que se trataria de “ganhos eventuais” e que também por esta razão não caracterizaria fato gerador: Da consociação dos comandos depreendese que estão excluídas da remuneração (base de cálculo das contribuições previdenciárias patronais) as mesmas parcelas afastadas do saláriodecontribuição (base de cálculo da contribuição do segurado), dentre as quais figuram as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais, categoria a que a duplo título pertencem os prêmios recebidos no âmbito dos programas de marketing de incentivo: primeiro porque tais prêmios são condicionados ao atingimento de determinadas metas, e segundo porque as próprias campanhas só são lançadas nos momentos e nos locais de interesse da Impugnante, sem qualquer garantia de periodicidade para os beneficiários. O caráter condicionado e, pois, eventual dos pagamentos, e a sua integração a programas de marketing de incentivo, não foram postos em dúvida pela fiscalização sequer quanto às campanhas cuja documentação completa a Impugnante não logrou reunir. Daí que a contribuição em exame seria indevida, por falta de base de cálculo, ainda que se admitisse que os empregados das concessionárias prestam serviços eventuais à Impugnante, recebendo contraprestação também eventual desta o que evidentemente não é exato. Fl. 2226DF CARF MF 6 Transcreve julgados que abonariam sua tese de pagamentos eventuais de prêmios não integrariam a remuneração dos beneficiados. [...] Acórdão 0521.460, de 13/03/2008 da 7ª Turma da DRJ/CPS. Submetido ao julgamento administrativo pela 7ª Turma da DRJ/CPS, foi proferido o Acórdão 0521.460, de 13/03/2008, pela 7ª Turma da DRJ/CPS (fls. 2.041/2.043), que decidiu pela nulidade do lançamento fiscal, nos seguintes termos: O lançamento fiscal compreende o levantamento denominado “MKT –MARKETING DE INCENTIVOS”, classificado como “declarado em GFIP (com redução da multa)”. Ora, ocorre que o próprio Relatório Fiscal (fls. 42/64), especificamente no seu item 12.1 (fl. 63) informa que os valores lançados não foram declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Assim, houve equívoco, no lançamento fiscal, quanto à classificação do levantamento, considerada a não declaração em GFIP. Tal equívoco, determinou a redução de 50% da multa devida, que passou de 30% (trinta por cento) para 15% (quinze por cento), pois fez incidir indevidamente a redução prevista no § 4º do art. 35 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991 e no § 11 do art. 239 do Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999. Conclusão Tal lapso não pode, por razões de limitação do sistema informatizado da Previdência Social, ser sanado por lançamento complementar, impondose, por isso, como forma de correção do lançamento, a lavratura de novo Auto de Infração. Assim sendo, em face das circunstâncias, dos fatos e razões de direito, ora aduzidas, e tudo o mais que dos autos consta VOTO pela NULIDADE do lançamento fiscal. Acórdão 2401003.844 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de 21/01/2015. Em face de recurso de ofício o processo foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que pela Segunda Seção de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferiu o Acórdão 2401003.844, de 21/01/2015 (fls. 2.064/2.067), que, pelas razões aduzidas e dando provimento ao recurso necessário, assim decidiu e determinou: Diante do exposto, por não vislumbrar no presente lançamento qualquer causa de nulidade, encaminho por dar provimento ao recurso necessário. Considerando que na decisão recorrida não houve o enfrentamento das teses recursais, devem os autos retornar à DRJ para que se emita nova decisão, desta feita com Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 5 7 apreciação de todas as questões veiculadas no recurso voluntário. Processos COMPROT 10805.00353/200797 e COMPROT 10805.00354/200731 (apensados aos presentes autos). Os demais processos, resultantes da mesma ação fiscal, foram também, julgados pela mesma 7ª Turma da DRJ/CPS, e sob a mesma relatoria, tendo sido as Impugnações, em ambos os casos, julgadas improcedentes, com a manutenção, por consequência, dos respectivos créditos tributários. Assim, os respectivos julgados foram objeto de recurso ao CARF, que expediu as correspondentes decisões (transcrições parciais): Processo 10805.003353/200797 – Acórdão 2301000.275 – 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento: No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF. Processo 10805.003354/200731 – Acórdão 2401000.436 – 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento: Conforme narrado, a NFLD n.º 37.017.2019 foi declarada nula pela DRJ. Esta notificação referese à exigência das contribuições incidentes sobre os mesmos fatos geradores, cuja omissão deu ensejo ao presente AI. Todavia, a nulidade da NFLD foi afastada por essa turma, tendo o processo retornado à DRJ para enfrentamento das teses recursais. Essa Turma tem entendido que a apreciação das lavraturas efetuadas para aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP, em razão da conexão, deve aguardar o julgamento dos processos de exigência de contribuições incidentes sobre as mesmas remunerações. Fl. 2228DF CARF MF 8 Assim, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, de modo que o processo em questão passe tramitar em conjunto com aquele relativo à NFLD que lhe é correlata. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Os processos COMPROT 10805.00353/200797 e COMPROT 10805.00354/200731 foram, então, apensados ao presente (fls. 2.098/2.099), que voltou para julgamento, sendo, desta vez, distribuído à 12ª Turma da DRJ/RPO, que, em razão de sucessivos atos de reorganização administrativa interna, sucedeu a 7ª Turma da DRJ/CPS, sendo, inclusive, mantida a relatoria original. A DRJ/RPO julgou a impugnação procedente em parte, para reconhecer os efeitos da decadência e consequentemente excluir os créditos tributários do período de janeiro a setembro de 2002, conforme decisão assim ementada: CAMPANHAS DE “MARKETING DE INCENTIVO” DISTRIBUIÇÃO DE “PRÊMIOS” ATRAVÉS DE CARTÕES MAGNÉTICOS. A distribuição de “prêmios” ou outros valores, através de cartões, caracteriza remuneração de segurados beneficiários, integrando, assim, o saláriodecontribuição, com incidência das respectivas contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em face da incidência da Súmula Vinculante 8/2008 do STF e demais legislação pertinente, o prazo decadencial, em matéria de contribuições previdenciárias, é de cinco anos, incidindo a regra de contagem do artigo 150, § 4º do CTN, na hipótese de terem ocorrido pagamentos parciais. DECADÊNCIA OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. Em face da incidência da Súmula Vinculante 8/2008 do STF e demais legislação pertinente, o prazo decadencial, em matéria de contribuições previdenciárias, é de cinco anos, sendo que, em relação às obrigações tributárias acessórias, a regra aplicável é a do inciso I do artigo 173 do CTN. Diante do montante exonerado, a DRJ não recorreu de ofício ao CARF. O contribuinte foi eletronicamente intimado da decisão em 30/08/2016, pela abertura dos arquivos digitais, e interpôs seu recurso voluntário em 29/09/2016, no qual afirmou que a contagem do prazo decadencial das multas também segue a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I; e, no mérito, reafirmou os mesmos fundamentos de sua defesa. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 6 9 Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Muito embora o recurso voluntário seja tempestivo e estejam presentes os demais pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, ele não deve ser conhecido quanto à decadência, por falta de interesse recursal. A recorrente afirma que a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I. Ocorre que as multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados (a exemplo do Auto de Infração DEBCAD 37.017.1993 e do Auto de Infração DEBCAD 37.017.2000), como se observa no relatório fiscal. Nesta NFLD, não houve o lançamento de sanção pecuniária pelo descumprimento de obrigação instrumental, mas apenas da multa estabelecida na redação anterior do art. 35 da Lei 8212/91, segundo a qual sobre as contribuições sociais em atraso incidia a multa de mora escalonada nos seus diversos incisos, multa esta exonerada pela DRJ, na proporção em que reconheceu a decadência das contribuições de janeiro a setembro de 2002. É bem verdade que o acórdão de impugnação tratou desta matéria às fls. 2120 e seguintes, mas o fez por equívoco, na medida em que ela deve ser dirimida nos PAFs relativos ao descumprimento das obrigações acessórias. 2 Da não incidência das contribuições No mérito, a recorrente defende a não incidência das contribuições lançadas na presente NFLD, sobretudo porque, no seu entender, os segurados empregados das concessionárias não lhe teriam prestado serviços. Ela também afirma, sucessivamente, que os ganhos seriam eventuais. Pois bem. Este lançamento decorre dos pagamentos realizados pela recorrente – montadora de veículos automotores –, através de operadora de marketing, a empregados de suas concessionárias, em razão do cumprimento de determinadas tarefas, relacionadas com a execução de certas atividades, dentro dos padrões, condições e requisitos estabelecidos pela própria recorrente. Em relação à recorrente, tais empregados foram caracterizados como segurados contribuintes individuais, tendo em vista a inexistência de vínculo empregatício, vínculo este havido com as concessionárias, e não com a autuada. Fl. 2230DF CARF MF 10 Analisandose o controvertido dos autos, é essencial definir se os empregados das concessionárias realmente prestaram serviços à recorrente – montadora de veículos automotores –, na medida em que eles foram caracterizados pela fiscalização como segurados contribuintes individuais, ou seja, como prestadores de serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas. Vejase, nesse sentido, o que dispõe o art. 12, inc. V, alínea "g", da Lei: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Como se vê na alínea "g" supra transcrita, a eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocouse quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais. A eventualidade apenas reforçaria o fato de que se trataria de serviços prestados por contribuintes individuais, lembrandose que os empregados das concessionárias não foram caracterizados como empregados da recorrente. Se eles tivessem sido caracterizados como empregados da autuada, aí sim poderseia falar em pagamentos eventuais, excluídos do conceito de remuneração. É necessário definir, como já dito, se as pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à recorrente. Pelo contrato de prestação de serviço, o prestador obrigase, por tempo certo, ou por determinado trabalho, a prestar serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, ao contratante, mediante retribuição, desde que tal prestação não esteja sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, como deixam claro os seguintes artigos do Código Civil brasileiro com destaques: Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, regerseá pelas disposições deste Capítulo. Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição. Art. 601. Não sendo o prestador de serviço contratado para certo e determinado trabalho, entenderseá que se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições. Art. 602. O prestador de serviço contratado por tempo certo, ou por obra determinada, não se pode ausentar, ou despedir, sem justa causa, antes de preenchido o tempo, ou concluída a obra. Neste caso concreto, os empregados das concessionárias que prestaram o trabalho determinado (lembrando que o serviço pode ser por tempo ou por trabalho determinado) no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos custeados pela recorrente, embora fornecidos por empresa de marketing. Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 7 11 Como sabido, ademais, a exclusividade não é necessariamente inerente ao contrato laboral, de tal maneira que os empregados das concessionárias não estavam proibidos de prestar serviços a terceiros, em especial porque a contratante (terceira ao contrato de trabalho) era a montadora (recorrente) que mantinha e mantém relação contratual de natureza complexa com a rede de concessionárias. O acórdão de impugnação bem definiu a existência do contrato de prestação de serviços nos seguintes termos: O contrato de prestação de serviços é óbvio: 1. O empregado da concessionária se obriga a realizar determinadas tarefas e cumprir determinadas formalidades, objetivando expor os produtos e serviços da GMB. 2. Assim procedendo, será remunerado pelos serviços prestados. 3. O cálculo da remuneração será feito pelos objetivos estabelecidos pelo contratante dos serviços, independentemente da remuneração que o “prestador de serviços” tenha, em relação ao seu empregador. 4. Por isso, o fato dos pagamentos aos prestadores de serviços serem denominados “prêmio” e estar condicionado a determinadas regras específicas ou de ser pago na forma de concessão de cartões magnéticos de crédito, expedidos no âmbito das chamadas estratégias de “marketing de incentivo”, em absolutamente nada descaracteriza a natureza da prestação dos serviços, na medida em que, ainda que estes sejam eventuais e dependentes exclusivamente de iniciativa da montadora, uma vez implementada a campanha, passa o prestador de serviços a ter o direito de, nos limites e condições estabelecidos, receber (ou cobrar) seus haveres, notadamente nas campanhas em que se estabelecem metas de vendas a serem realizadas, muito comuns, como se depreende da análise dos documentos acostados aos autos com a impugnação. A discussão acerca da existência de remuneração por serviços prestados por intermédio de cartões de tal natureza não é nova neste Conselho. É bem verdade que os casos até então analisados diziam respeito ao pagamento de salários, mas os precedentes abaixo colacionados deixam clara a existência de pagamento de retribuição por serviços, retribuição esta que não tem efeitos salariais se não efetuada no contexto do contrato laborativo, mas sim no contexto do contrato de prestação de serviços não sujeito à legislação trabalhista ou especial, como é o caso concreto. Vejase com supressão dos pontos que não interessam: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de Fl. 2232DF CARF MF 12 retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015) .................................................................................................................... [...] CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10970.000909/201024, Relator LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Acórdão 2301004.418, Sessão de 26/01/2016) Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001025/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INCLUSÃO DE PARTES DE OUTRA DECISÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO.
Verificada que houve a inclusão de partes de outra decisão no momento de formalização, o acórdão embargado deve ser corrigido para afastar tais falhas e evitar interpretações equivocadas, mantendo-se a decisão anterior.
Numero da decisão: 2202-004.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para realizar as alterações propostas nos termos do voto da relatora .
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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LAPSO MANIFESTO. INCLUSÃO DE PARTES DE OUTRA DECISÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO. Verificada que houve a inclusão de partes de outra decisão no momento de formalização, o acórdão embargado deve ser corrigido para afastar tais falhas e evitar interpretações equivocadas, mantendose a decisão anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para realizar as alterações propostas nos termos do voto da relatora . (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 25 /2 00 9- 37 Fl. 369DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pela Unidade Preparadora (fls. 361), em face do acórdão nº 2302003.618 (fls. 349/354), que não conheceu do recurso voluntário em atenção à Súmula CARF nº 1. Para conhecimento dos autos, reproduzo o relatório do Acórdão de Impugnação nº 2403002.092, de 18/06/2010, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento: O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, no montante de R$ 19.587.206,39 (atualizados até a data do lançamento), foi lavrado em 09/12/2009 contra o sujeito passivo acima identificado, para constituição do crédito relativo a contribuições destinadas às entidades e fundos denominados "terceiros" (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), previstas na legislação que instituiu cada uma dessas entidades e incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período de apuração acima descrito. O relatório fiscal explicativo do lançamento oferece as seguintes informações acerca da constituição do crédito: 2. Tratase de crédito constituído contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas e destinadas a "OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS" (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos ou creditados a segurados empregados. ... 3. A empresa não comprovou, de forma suficiente, usufruir a isenção legal concedida às entidades beneficentes de assistência social nos ditames do art. 55, inciso II, da Lei n° 8.212/91. A empresa não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. ... 5.3 A empresa se enquadrou no FPAS— 639 — Entidade Filantrópica recolhendo somente contribuições descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhendo as contribuições previdenciárias patronais e destinadas a outras entidades (terceiros). 5.4. A empresa celebrou diversos contratos de prestação de serviços com entidades públicas para prestação de serviços. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 370 3 Nesta condição, contratou e remunerou empregados não recolhendo as contribuições patronais. Existem contratos de prestação de serviços celebrados para atividades fora da área de assistência social e outros termos de parcerias celebrados com entidades ou órgãos não filantrópicos. Mesmo os contratos celebrados com entidades filantrópicas, segundo orientação contida no item 26.4 da OS 210/99, estabelece que a isenção não se estende às remunerações dos empregados da entidade que prestem serviços para outras empresas. Todos os termos de parcerias ou contratos de prestação de serviços são onerosos e de valores expressivos. ... 16.2. Foi verificado no transcorrer da auditoria fiscal que o contribuinte mesmo não possuindo a documentação e as condições necessárias para se enquadrar como entidade filantrópica, como detalhado no presente relatório fiscal, entregou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações ã Previdência Social GFIP, com o código FPAS 639 (entidade filantrópica), suprimindo assim as contribuições previdenciárias patronais e as destinadas a outras entidades e fundos, durante todo o período fiscalizado, o que configura em tese, o ilícito tipificado no Art. 1o da Lei 8.317/90 — Crime contra Ordem Tributária, fato que será objeto de comunicação à autoridade pública competente Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório á parte. No prazo regulamentar, o sujeito passivo impugna o lançamento para requerer o reconhecimento da inexistência da obrigação tributária, uma vez que usufruiria da imunidade constitucional em face do reconhecimento judicial havido no âmbito da Ação Ordinária nº 2003.70.01.0038362. Para fundamentar seus pleitos, alega que: De toda sorte, é fato incontroverso a existência de demanda judicial, promovida pelo impugnante, que busca o reconhecimento jurisdicional de que este goza da imunidade tributária invocada por configurarse, em razão das suas atividades desenvolvidas, instituição beneficente, ou de assistência social. Este fato consta expressamente no item 16.1 da autuação, onde se reconhece a tramitação da Ação Ordinária nº constando todavia, que o feito se encontra em andamento, "sem decisão transitada em julgado". ... Ainda que seja fato a não ocorrência do definitivo trânsito em julgado do referido feito judicial (embora já tenha havido o trânsito em julgado do Recurso Especial da autarquia previdenciária, estando pendente apenas a apreciação do Recurso Extraordinário), TAMBÉM É FATO INCONTROVERSO QUE Fl. 371DF CARF MF 4 AS MEDIDAS JUDICIAIS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO TEM EFEITO SUSPENSIVO. Deste modo, é patente a impropriedade da presente autuação, pois o impugnante teve JUDICIALMENTE reconhecido seu direito ao gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7° da CF/88, e a irresignação processual do INSS ainda pendente, não ê dotado de efeito suspensivo, restando portanto plenamente válido e vigente o direito ao gozo da imunidade constitucional. Ainda que se visualize a presente autuação, unicamente como subterfúgio para evitar a prescrição (ou decadência) do suposto crédito fiscal, tal condição não se sobrepõe ao Direito já reconhecido, e em plena vigência do impugnante. Por tal razão, resta cabalmente demonstrado o total descabimento da autuação aqui impugnada. Na seqüência, de fls. 117 a 137, a impugnação dedicase defender a inexigibilidade das contribuições via discussão acerca da condição de entidade beneficente de assistência social da empresa. A fls. 141/183, o sujeito passivo fez juntar cópia da petição inicial da ação judicial que pleiteia a isenção das contribuições previdenciárias. A impugnação (fls. 122/160) foi julgada improcedente, cuja decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 AIOP 37.223.0466 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO Ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por decisão judicial, não constando da sentença respectiva impedimento à sua constituição, há que ser mantido inalterado o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cuja decisão exarada pelo colegiado da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento foi assim resumida (fls. 349/354): ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 371 5 não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A Unidade Preparadora, quando da execução do acórdão nº 2302003.618, apresentou embargos (fls. 361) em 26/03/2015, em função de inexatidão material, uma vez que: No momento da execução do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2302003.618 (fls. 349 a 354), emitido pela 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da 2a Seção de Julgamento do Carf, constatamos que, embora o número do processo esteja correto, as demais informações não correspondem aos dados dos autos em questão. A recorrente que consta como parte no acórdão é diferente do sujeito passivo "Centro Integrado e Apoio Profissional" e o período de apuração também é divergente. O "Relatório", o "Voto" e a "Conclusão" deixam claro que o texto referese a outro processo de outro sujeito passivo. Por entendermos que houve inexatidão material no julgado e tendo em vista a possibilidade de retificação prevista no artigo 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/2009, propomos o encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Os Embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 367/368, para que fosse corrigido o erro manifesto. O processo foi sorteado para minha relatoria, por se tratar de Embargos Inominados de Turma extinta e o Conselheiro não mais integrar o Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Os Embargos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Analisando o acórdão Embargado (fls. 349/354), percebese que existe, efetivamente, a inexatidão material indicada pelo Embargante, nos termos do despacho às fls. 361: Fl. 373DF CARF MF 6 A recorrente que consta como parte no acórdão é diferente do sujeito passivo “Centro Integrado e Apoio Profissional” e o período de apuração também é divergente. O “Relatório”, o“Voto” e a “Conclusão” deixam claro que o texto referese a outro processo de outro sujeito passivo. (Grifei). Em consulta à ata de julgamento do dia 15/02/2015, que consta no site do CARF1, temse o seguinte: [...] Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo: 11080.724430/201155 Recorrente: ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DA CRT Acórdão 2302003.616 Decisão: por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO [...] Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo: 11634.001024/200992 Recorrente: CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL EM LIQUIDAÇÃO Acórdão 2302003.617 Decisão: por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo: 11634.001025/200937 Recorrente: CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL EM LIQUIDAÇÃO Acórdão 2302003.618 1 https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarSessoesJulgamento/Pautas/consultaPautas.jsf Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 372 7 Decisão: por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO (Grifei) O Acórdão nº 2302003.616, relativo ao processo nº 11080.724430/201155 (Recorrente: ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DA CRT), contém o mesmo relatório e voto do acórdão embargado. Isso demonstra que o relator, no momento da formalização do acórdão embargado, copiou indevidamente parte do acórdão 2302003.616. Diante dessas observações, considero não ser caso de novo julgamento da questão, mas de correção do lapso manifesto, representado por erro na formalização do acórdão embargado. Para correção das inexatidões materiais, oportuno transcrever trecho do Relatório Fiscal (fls. 107): 18. Em face do disposto no art. 2º, inciso III, da Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, este processo de nº 11634.001025/200937 fica apenso ao processo de nº 11634.001024/200992, ficando neste os elementos de prova descrita no presente relatório fiscal, folhas135 a folhas318. (Grifei) Consultando o acórdão 2302003.617, de 10/02/2015, da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, resultante do julgamento do processo nº 11634.001024/200992, consta em seu relatório o seguinte: Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 3722304598, referente aos respectivos deveres instrumentais, consolidados em 09/12/20009, em face da CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL, no valor total de RSRS 74.501.738,00 (setenta e quatro milhões quinhentos e hum mil setecentos e trinta e oito reais) referente às contribuições devidas para Seguridade Social, sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, individuais e cooperados, que prestaram serviços à entidade,incluído o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho,no período de 01/2004 a 12/2008. Segundo relatório fiscal, a empresa não comprovou, de forma suficiente, usufruir a isenção legal concedida às entidades beneficentes de assistência social nos ditames do art. 55,inciso II, da Lei nº 8.212/91, deixando de apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CERAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Fl. 375DF CARF MF 8 Além disso, a ementa e a decisão do acórdão embargado (fls. 349) refletem o decidido no acórdão nº 2302003.617: Acórdão embargado (2302003.618) Acórdão nº 2302003.617 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2007 a 31/12/2008 SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2004 a 31/12/2008 SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento dc ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ademais, os créditos tributários cadastrados nos Debcad's nº 372230458 (cota patronal) e 37.223.0466 (contribuição a outras entidades) foram constituídos na mesma ação fiscal com os mesmos elementos de prova, sendo um reflexo do outro, conforme abaixo, fls. 107: Consta ainda que os processos foram julgados na mesma sessão, os acórdãos foram numerados em sequência, o que corrobora meu entendimento que, a inexatidão material ocorreu no momento de formalização do acórdão: Acórdão embargado Acórdão nº 2302003.617 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 373 9 Por isso, entendo que as inexatidões do acórdão embargado, devem ser retificadas, tomando como paradigma o acórdão 2302003.617, relativo ao processo nº 11634.001024/200992; primeiro, por guardar relação com o presente processo; segundo, as provas e elementos acostados aos autos, não poderiam levar a outra decisão que não a disparada no acórdão nº 2302003.617. Com a integração das correções, o acórdão nº 2302003.618 fica assim redigido (grifos meus para ressaltar as modificações no texto do acórdão transcrito para adapta lo às informações do presente processo): Processo nº 11634.001025/200937 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.6183a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 SUMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, Fl. 377DF CARF MF 10 com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LiegeLacroixThomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.223.0466, referente aos respectivos deveres instrumentais, consolidados em 09/12/2009, em face do CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL, no valor total de RS 19.587.206,39 (dezenove milhões quinhentos e oitenta e sete mil duzentos e seis reais e trinta e nove centavos) referente às contribuições destinadas a "OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS" (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos ou creditados a segurados empregados, no período de 01/2004 a 12/2008. Segundo relatório fiscal, a empresa não comprovou, de forma suficiente, usufruir a isenção legal concedida às entidades beneficentes de assistência social nos ditames do art. 55,inciso II, da Lei nº 8.212/91, deixando de apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CERAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/CTA entendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 374 11 Ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por decisão judicial, não constando da sentença respectiva impedimento à sua constituição, há que ser mantido inalterado o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) preliminarmente, que a decisão de primeira instância é nula, por deixar de apreciar as matérias suscitadas na impugnação, especialmente em relação ao reconhecimento judicial da imunidade que goza; b) no mérito, pleiteia a reforma do decisum recorrido, também apelando para o reconhecimento, nos autos de processo judicial, de imunidade, e reafirma as razões, fáticas e jurídicas, que lhe garantem tal condição, por exercer atividade essencial de caráter público — instituição assistencial beneficente; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Consta nos autos a proposição pela recorrente de ação declaratória de inexistência de relação jurídica contra o INSS (n° 2003.70.01.0038362), perante a Justiça Federal da 4ª Região, requerendo o afastamento da exigência das contribuições previdenciárias, em virtude de ser, no seu sentir, imune a estas exações. Ato contínuo, ao compulsar as informações processuais no Supremo Tribunal Federal referentes ao AI/631093, interposto pelo INSS, nos autos da citada ação judicial, deparamonos com a decretação de sobrestamento do feito, até que o RE 566.622 RG/RS, em que fora reconhecida a repercussão geral da mesma matéria, seja julgada. Fl. 379DF CARF MF 12 O Plenário desta Corte, em 20/8/2008, ao apreciar Questão de Ordem suscitada no RE 540.410/RS, Rei. Min. Cezar Peluso, decidiu estender a aplicação do art. 543B do Código de Processo Civil aos recursos cujo tema constitucional apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário, ainda que interpostos contra acórdãos publicados antes de 3 de maio de 2007. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria imunidade tributária de entidades beneficentes de assistência social cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal(RE 566.622RG/RS, Rei. Min. Marco Aurélio). Isso posto, em juízo de reconsideração, anulo a decisão de fl. 150 e uma vez que preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com base no art. 328, parágrafo único do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado, quanto ao recurso extraordinário, o disposto no art. 543B do CPC, visto que nele discutese questão idêntica à apreciada no RE 566.622 RG/RS. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Em vista disso, a Turma de piso, reconhecendo que a ação judicial interposta pela Recorrente poderá refletir no presente lançamento, uma vez que o resultado definitivo com o seu julgamento no Poder Judiciário poderá substituir integralmente um suposto julgamento administrativo, julgou, a improcedência da impugnação interposta pela Recorrente. Pela clareza e alto grau elucidativo, transcrevese, nas próximas linhas, excerto do acórdão de Impugnação, onde se relata a concomitância das matérias: "Acerca da renúncia ao recurso nas instancias administrativas em face da interposição de ação judicial pelo contribuinte, a Coordenação Geral de Tributação COSIT da Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório Normativo n° 3, de 14/02/1996, nos seguintes termos: [...] Conforme se colhe da orientação transcrita, tratandose, no processo administrativo, de matéria idêntica àquela do processo judicial, não terá prosseguimento o primeiro em relação a essa matéria, caso em que a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte e declarará a definitividade da exigência discutida. Assim sendo, em face dessa orientação, não cabe conhecimento da impugnação na parte que pretende discutir a isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros pela via do reconhecimento da empresa como entidade beneficente de assistência social." Nada obstante, frisese que a decisão recorrida não merece reparo, à medida que foi prolatada de acordo com o disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 375 13 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3°A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n"9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei n" 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Principio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5o, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Pela descrição narrativa supra, verificase claramente a concomitância deste processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto, qual seja,a incidência, ou não, das contribuições previdenciárias à Recorrente. Ante o exposto, devese recordar o ordenado no Ato Declaratório de n° 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, segundo o qual "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". O referido Ato Declaratório foi formulado em observância ao art. 1o, § 2o, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e ao art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, que deixam claro que a Fl. 381DF CARF MF 14 propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Outrossim, é mister salientar que a concomitância de processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto já é matéria sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, o presente processo administrativo resta ineficaz em face da identidade de questionamentos com a ação judicial já proposta pela Recorrente e ainda em trâmite, haja vista que o setor competente deverá observar a decisão final a ser proferida na ação judicial em comento. Conclusão Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2015. 10 de fevereiro de 2015 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para, sanando a inexatidão material apontada: · retificar o cabeçalho do acórdão embargado, para que passe a constar como recorrente: "CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL; · retificar a ementa, a fim de que conste como período de apuração: "01/01/2004 a 31/12/2008"; · transcrever o relatório e o voto do acórdão nº 2302003.617, com as adaptações pertinentes às informações do presente processo. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 376 15 Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.732386/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência.
MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO.
Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata.
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO
Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
I- CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo - independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação - e, resulta daí o não conhecimento da impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvando-se, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
II- AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. CREDITO TRIBUTARIO SUSPENSO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Incabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral.
SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA.
O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a exigência da multa de ofício, por concomitância de matéria na esfera judicial (IPI devido na revenda), e excluir do lançamento as importações da pessoa jurídica por conta e ordem de terceiro.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO. Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I- CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo - independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação - e, resulta daí o não conhecimento da impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvando-se, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II- AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. CREDITO TRIBUTARIO SUSPENSO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Incabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA. O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO. Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO Negase provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 23 86 /2 01 5- 13 Fl. 4328DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação e, resulta daí o não conhecimento da impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvandose, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. CREDITO TRIBUTARIO SUSPENSO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Incabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA. O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a exigência da multa de ofício, por concomitância de matéria na esfera judicial (IPI devido na revenda), e excluir do lançamento as importações da pessoa jurídica por conta e ordem de terceiro. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.329 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 4266/4295, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0965.128 3ª Turma da DRJ/JFA, efls. 4213/4250, que julgou procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário relativo a Auto de Infração (AI) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Em exame neste processo o litígio decorrente do auto de infração de fls. 2/12, lavrado para exigência da pessoa jurídica retro identificada do crédito tributário no montante de R$42.533.746,18, atinente ao IPI no valor de R$ 19.331.298,97, Multa de Ofício de R$14.498.474,18 e Juros de Mora de R$8.703.973,09 [calculados até 12/2015]. O procedimento fiscal foi empreendido nos termos do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização – MPF nº 04.1.01.002014 016355, de 26/08/2014, da DRF/Recife/PE, disponibilizado no site da RFB para consulta pelo contribuinte, utilizandose do código de acesso consignado no quadro “Identificação do Procedimento” do Termo de Ciência do Lançamento e Encerramento Total do Procedimento de Fiscal, fls. 1735/1736. Referese a autuação ao período de janeiro/2010 a dezembro/2012 e decorre a mesma, segundo consta do TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 15/19, da constatação de tratarse de pessoa jurídica equiparada a industrial por força do disposto no inciso I do artigo 9º do Decreto nº 7.212/2010 [RIPI/2010], uma vez que deu saída a produtos de procedência estrangeira, sendo, portanto, contribuinte do IPI. Informa a Fiscalização que a escrituração do RAIPI, por não corresponder à real situação das operações de crédito e débito foi desprezada, tendo sido “utilizados os dados fornecidos em arquivos magnéticos pelo contribuinte, bem como as NF eletrônicas extraídas dos nossos sistemas para reconstituição dos valores creditados e debitados do IPI, respectivamente, por CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações)”. Constatou a falta de destaque do IPI na saída de produtos estrangeiros, destacando, ainda, que o contribuinte buscou amparo judicial mediante impetração do Mandado de Segurança nº 080036520.2013.4.05.8300 para afastar a incidência do IPI na saída das mercadorias importadas para o mercado interno, resultando daí a expedição de liminar favorável, posteriormente revogada pela Sentença proferida em 04/06/2014 pelo Juiz Federal Substituto da 9ª Vara Federal, que denegou a segurança. Fl. 4330DF CARF MF 4 Assim, a Autoridade Fiscal elaborou e anexou aos autos as planilhas denominadas DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS [fls. 21/670 e 671/1321], DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS [fls. 1322/1568], DEMONSTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES EFETUADAS [fls. 1569/1731]. À fl. 1732 encontrase anexado ao DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI, por período de apuração, consolidando a apuração do IPI devido após o confronto entre créditos e débitos escriturados e débitos apurados pela Fiscalização. A ciência do lançamento se deu de forma pessoal, em 21/12/2015, mediante assinatura consignada no Termo de Ciência do Lançamento e Encerramento Total do Procedimento de Fiscal de fls. 1735/1736, do procurador com outorga de poder estabelecida no instrumento de fl. 1734. Compareceu o sujeito passivo aos autos para contraditar o lançamento com a apresentação da IMPUGNAÇÃO de fls. 2135/2162, na qual, em apertada síntese: <> relata que exerce dentre outras atividades, importação direta bem como importação por conta e ordem de terceiros; <> alega, em preliminar: a) a decadência do crédito tributário exigido relativamente às operações ocorridas até 21/12/2010, sob o argumento de “existência de pagamento antecipado (no período de janeiro a março e maio a dezembro), bem como a apuração de saldo credor em abril (o que se considera pagamento por força do art. 124, parágrafo único, III, do Decreto nº 4.544/2002), sendo aplicável, em qualquer caso, a regra prevista no art. 150, §4º, do CTN: prazo decadencial de 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador”; b) erro de premissa na qual se suportou o lançamento, e, portanto, vício de fundamentação, haja vista que, diferentemente do quanto afirmado pela Fiscalização, a Impugnante dispõe de decisão de mérito favorável vigente, conforme se depreende do relato a seguir, relativo aos eventos relevantes do processo judicial, “que revelam que, embora num primeiro momento a segurança tenha sido denegada, o apelo da Impugnante foi provido pelo TRF5 e, atualmente, encontrase em vigor decisão de mérito (não mais liminar) que afasta a incidência do IPI na saída de produtos importados”: Temse, assim, que o auto de infração, por partir de premissa equivocada, acaba por descumprir ordem judicial e revelase improcedente por vício de fundamentação, devendo ser cancelado, uma vez que a fundamentação não pode ser alterada, nos termos da teoria dos motivos determinantes aplicável ao ato administrativo, que estabelece que uma vez declarado o motivo (de fato ou de direito) do ato, este deve ser respeitado; <> no mérito, alega: I As operações de revenda indicadas no Demonstrativo dos Débitos realizadas sob os CFOPs 5949 e 6949 tratamse de IMPORTAÇÕES POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS, Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.330 5 conforme atestam, a título de amostragem, os conjuntos de documentos agrupados no DOC 13 [fls. 1935/2132 e 1743/1881], contendo Contrato de Prestação de Serviço de Importação por Conta e Ordem, Declaração de Importação, Nota Fiscal de Entrada, Nota Fiscal de Saída e Nota Fiscal de Prestação de Serviços, operações em relação às quais a Impugnante é mera prestadora de serviços, não realizando o fato gerador do IPI, sendo do adquirente contratante a titularidade da propriedade das mercadorias importadas, cabendo a ele, adquirente, o destaque e recolhimento do IPI devido na saída do seu estabelecimento para o mercado interno; em resumo, em tais operações “há apenas dois fatos geradores do IPI: a importação e a saída do destinatário físico da mercadoria”; quanto às demais operações, registradas sobre os outros CFOPs, referem se às saídas atinentes a produtos de importações diretas revendidos no mercado interno pela Impugnante, cujo IPI, conforme se constata do demonstrativo de fls. 211321 [Demonstrativo de Saídas sem Destaque do IPI] foi devidamente destacado e recolhido; II Erro na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante do tributo devido, decorrentes de: II.1 Duplicidade de Exigência: originária da inclusão, no demonstrativo de débitos, de Notas Fiscais de Faturamento e de Notas Fiscais de Remessa a ela vinculadas, atinentes à mesma operação de saída, conforme atestam, a título de amostragem, as operações espelhadas nas notas fiscais anexadas ao DOC 14 [fls. 1882/1919]; II.2 Notas Fiscais Canceladas: incluídas no Demonstrativo de Saídas Sem Destaque do Imposto, conforme exemplificam, também por amostragem, os documentos anexos ao DOC 15 [fls. 1920/1932]; II.3 Inclusão do IPI Vinculado [devido no despacho aduaneiro] na Base de Cálculo do IPI na Saída do Importador por Conta e Ordem [no caso, a autuada], conforme atestam, a título de exemplo, a Nota Fiscal de Entrada nº 2865 [fls. 2004] e a correspondente Nota Fiscal de Saída nº 6595 [fl. 2009]: admitindose, por hipótese, que há fato gerador do IPI na saída da impugnante para o Adquirente Contratante, por se tratar o IPI de imposto calculado por fora, deverá ser excluído da sua base de cálculo. III A decisão de mérito proferida no MS nº 0800365 20.2013.4.05.8300 pelo TRF5 afasta qualquer ato tendente a exigir o imposto quando da saída dos produtos importados pela impugnante/impetrante, evidenciandose, assim, no lançamento, as seguintes irregularidades: III.1 Descumprimento de ordem judicial, não se aplicando ao caso o lançamento para prevenir a decadência de que cuida o art. 63 da Lei nº 9.430/96, haja vista que a situação presente envolve decisão de mérito e não, liminar, não se enquadrando Fl. 4332DF CARF MF 6 nas hipóteses ali mencionadas, elencadas nos incisos IV e V do art. 151, do CTN (concessão de liminar em mandado de segurança ou concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial); III.2 Admitindose, por hipótese, o lançamento impugnado, por coerência deve ser aplicado o §2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96, que afasta a mora e impede a imposição de multa em caso de lançamentos para prevenção da decadência, devendo, então, no mínimo ser afastada a multa aplicada; IV Incidência do disposto na Súmula CARF nº 01 [importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo] ao caso presente, haja vista que a premissa do lançamento impugnado é a discussão judicial acerca da cobrança do IPI na saída, em revenda, de produtos importados. Requer, ao final, a improcedência do lançamento. Ante o alegado e após análise detida dos documentos anteriormente mencionados, apresentados na impugnação, entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do processo à UL de origem, em diligência, por intermédio do Despacho 013/2016, de 17/08/2016 [fls. 2292/2300]. Do procedimento de diligência resultou o relatório intitulado TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA, fls. 4207/4210, que dá conta da realização dos ajustes para exclusão das seguintes notas fiscais de saída i) DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA decorrente da inclusão de notas fiscais de faturamento e de remessa [fls. 2545/2603]; ii) NOTAS FISCAIS CANCELADAS [fls. 2604/2608]; iii) EXCLUSÃO DO IPI VINCULADO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI DEVIDO relativo às operações de importação por conta e ordem [fls. 2609/2778]. Entendeu a Fiscalização pela inviabilidade de lançamento complementar para aplicação da orientação expendida na Solução de Consulta Cosit nº 30/2014. Os ajustes foram consolidados no DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI, fls. 2779/4151, e, por fim, no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI APÓS DILIGÊNCIA FISCAL [fl. 4152], que além de consignar os valores decorrentes dos ajustes retro mencionados, excluiu dos valores devidos os montantes declarados em DCTF. Todas as planilhas e demonstrativos, segundo consta do Termo de Diligência, foram disponibilizados ao contribuinte mediante entrega de um DVD, sendolhe facultado manifestarse sobre o resultado da diligência fiscal no prazo de trinta [30] dias da ciência, ocorrida em 27/07/2017 [cf. AR fl. 4211] Manifestouse a pessoa jurídica interessada mediante apresentação do arrazoado de fls. 2304/2310, em 28/08/2017 [cf. Termo de Solicitação de Juntada de fls. 2303] do qual se extrai, em síntese: Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.331 7 <> em preliminar, o cerceamento do direito de defesa tanto pelo formato em que foram disponibilizadas as planilhas que embasaram o resultado da diligência [pdf e não formato de planilha eletrônica – excell ou equivalente], dificultando a análise e o tratamento dos dados, quanto pela apresentação de erros nas planilhas (células destacadas como N/D – doc 02) que impossibilitaram a devida análise, requerendose, então, seja determinado à Autoridade Autuante juntar aos autos as planilhas em formato de planilha eletrônica e seja devolvido o prazo para que a Impugnante se manifeste acerca das mesmas; <> o lançamento está vinculado aos motivos indicados como seu fundamento, isto é, à suposta inexistência de decisão judicial [fato que a Impugnante comprovou ser inverídico por ocasião da impugnação do lançamento], aplicandose ao caso, como já se disse na impugnação, a teoria dos motivos determinantes, “não sendo possível que seja incluído na discussão em lide quaisquer outros motivos que mantenham a autuação, tais como incidência do IPI nas operações por conta e ordem bem como a rediscussão da autuação à luz da Solução de Consulta COSIT nº 30/2014, tendo em vista que a Autuação está viciada na origem e não pode ser saneada por argumentos alheios aos que deram origem do débito”; <> foram verificadas divergências em relação aos valores declarados em DCTF excluídos do lançamento e indicados no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI APÓS DILIGÊNCIA FISCAL, em razão de erros de digitação, que resultaram na exigência majorada em R$26.846,24, conforme a seguir se demonstra: <> na planilha denominada DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI [JÁ EXCLUÍDAS AS NOTAS FISCAIS DUPLICADAS, AS CANCELADAS E A EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO IPI] “foram lançados valores em operações que não incidem IPI, tais como as realizadas com CFOP 6.110 referentes à Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio, a qual totaliza o valor de R$ 19.689,32”, assim como “os CFOPs 6911 (Remessa de amostra grátis) e 5927 (Lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de perda, roubo ou deterioração) não devem ser considerados visto se tratar de amostra grátis (RIR, art. 54, III)”; Requer, ao final, sejam acolhidos os argumentos e julgado improcedente o lançamento ou, ainda, seja atribuída à legislação a interpretação que lhe for mais favorável, em obediência ao art. 112, do CTN. Nestes termos, vieram os autos a esta DRJ em 06/09/2017 [fls. 4212] para prosseguimento do julgamento. Fl. 4334DF CARF MF 8 A DRJ, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário. O Acórdão n.º 0965.128 3ª Turma da DRJ/JFA, está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO. Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 IPI. CONSTITUIÇÃO MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco constituir o crédito tributário do IPI (tributo sujeito ao lançamento por homologação) por meio do lançamento de ofício decai após cinco anos do encerramento do período de apuração em que tenha havido, na forma do caput e dos incisos I e III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/02 (e seu correlato no RIPI/2010), pagamento ou compensação antecipados (ainda que parcial), nos termos do disposto nos arts. 150, § 4º, e 156, VII, ambos do CTN, c/c Parecer PGFN/CAT nº 1617, de 2008. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação e, resulta daí o não conhecimento da Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.332 9 impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvandose, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. ART. 63, CAPUT E §1º, DA LEI Nº 9.430/96. A constituição do crédito tributário sem a exigência da multa de ofício somente se aplica se antes do início do procedimento fiscal o tributo encontravase com a exigibilidade suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, nos termos do disposto no art. 63, caput e § 1º, da Lei nº 9.430/96. Na hipótese de lançamento efetuado após a cassação da liminar por sentença denegatória da segurança, nenhum óbice haverá para a incidência da multa de ofício. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese: a. Erro de premissa (também do acórdão recorrido): Vigência de decisão judicial de mérito afastando a cobrança de IPI na saída de produtos importados – Vício na premissa na qual se suportou o lançamento – Teoria dos Motivos Determinantes – Descumprimento de ordem judicial. A recorrente alega que a motivação constante do Termo de Informação Fiscal (efl. 15/20) para a lavratura do auto de infração foi a suposta revogação de liminar em Mandado Judicial. Cita trecho do MPF Fiscal nº. 04.1.01.002014016355. O contribuinte buscou ordem judicial que declare a inexistência de relação jurídicotributária entre a parte e a União, relativamente ao IPI cobrado na saída para o mercado interno das mercadorias antes importadas, quando tais produtos não tenham passado por qualquer processo de industrialização após o seu desembaraço aduaneiro, conforme consta no processo n. 080036520.2013.4.05.8300 – MANDADO DE SEGURANÇA. O Juiz Federal Substituto da 9ª Vara Federal proferiu Sentença no dia 04 de junho de 2014: (...) Ante o exposto foi revogada a liminar antes deferida, denegando a segurança com base no art. 269, I do CTC (sic) no dia 04 de junho de 2014. Em decorrência do acima exposto, o imposto sobre produtos industrializados – IPI, está sendo cobrado através do AUTO DE INFRAÇÃO anexo, ao qual esse Termo de Informação Fiscal faz parte integrante e vinculada. (efls. 4270/4271) Fl. 4336DF CARF MF 10 Alega que tal premissa seria falsa, pois possuía decisão de mérito para ver afastada a incidência do IPI na saída em revenda de produtos importados de seu estabelecimento. Tratase da ação judicial da 9ª Vara da Seção Judiciária de Pernambuco sob o nº. 080036520.2013.4.05.8300 (PJe) que, segundo a recorrente, no momento da ciência do auto de infração, dezembro de 2015, estava com decisão de mérito favorável para afastar o lançamento. A recorrente argumenta que a interpretação dada pelo juízo de primeira instância, levando em consideração a data de início do procedimento fiscal e não a data de ciência para validar o lançamento, consistiria em espécie de agravamento. Cita doutrina e jurisprudência onde reforça a tese de agravamento e de inovação por parte da DRJ. Defende que houve vício de fundamentação, insanável pela DRJ, e pede o cancelamento do auto de infração. Fala em teoria dos motivos determinantes e cita doutrina. Destarte, a acusação fiscal revelase improcedente por vício de fundamentação, insanável pela DRJ, e o Auto de Infração deve ser cancelado em respeito à decisão judicial vigente à época do lançamento. (...) Com efeito, o administrador está vinculado ao motivo declarado. Aliás, no caso concreto a própria i. Autoridade Lançadora, no relatório, assevera que o “Termo de Informação Fiscal faz parte integrante e vinculada” do Auto de Infração. E tem todo sentido na medida em que os atos administrativos pressupõem motivação para serem válidos (art. 50 da Lei nº. 9.784/99). Logo, de nada adiantaria essa exigência se a motivação não vinculasse o ato perpetrado. Temse, nessa linha, que a validade do Auto de Infração tem como pressuposto a existência dos motivos (de fato e de direito) expostos no TIF. (efls. 4274) Em suma, alega que o motivo de fato do auto de infração está viciado, pois quando da ciência do auto estava vigente medida jurídica que suspendia a cobrança do IPI. Cita jurisprudência do STJ acerca da teoria dos motivos determinantes. Em continuação, contesta o argumento da DRJ de que o lançamento seria válido para prevenir a decadência. Alega que possuía decisão de mérito quando do lançamento, ou seja, que não haveria fundamento para o lançamento de prevenção de decadência. Primeiramente, de se destacar que a decisão vigente no momento do lançamento não é liminar; é decisão de mérito. Com a decisão, foi acolhido o pedido da Recorrente (ali Impetrante) no sentido de: reconhecer o seu direito líquido e certo de só recolher o IPI, em relação aos produtos que importa, no desembaraço aduaneiro; e afastar qualquer ato tendente a exigir o imposto quando da saída em revenda dos produtos que importa. (efl. 4276) Pede a anulação do lançamento ou, caso mantido, que sejam afastadas a cobrança de mora e multa. b. Erro de premissa Distinção entre atividades desenvolvidas pela Recorrente – Importação direta e revenda de produtos importados – Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.333 11 Importação por conta e ordem de terceiros – Vício na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável. A recorrente alega que vem recolhendo a maior o IPI nas operações de revenda de produtos importados. Explica que a fiscalização cometeu um equívoco ao incluir no lançamento do IPI, além das operações de revenda, as operações realizadas por conta e ordem de terceiro. Segundo a recorrente, as operações de importação realizadas por conta e ordem estariam enquadradas como prestação de serviço e sujeitas ao ISS. Cita doutrina e entra em detalhes quanto ao procedimento operacional envolvendo a emissão de notas fiscais de entrada e saída. A simples emissão da nota fiscal de entrada e saída pela Recorrente, dada a natureza da operação (por conta e ordem de terceiros) e dada a sua condição (mera prestadora de serviços) não faz nascer o fato gerador do IPI, tampouco transfere à Recorrente a condição de sujeito passivo do imposto. Mesmo porque a Recorrente não revela capacidade contributiva (art. 145, § 1º, da Constituição Federal) a legitimar a incidência do IPI sobre o valor da saída já que, insistase, a importação ocorreu por conta e ordem de terceiro (sendo deste a capacidade contributiva) e o papel da Impugnante foi de prestação de serviços (sendo sua capacidade contributiva limitada ao valor desta prestação, sobre o qual incide ISS). (efl. 4280) A recorrente apresenta ainda trechos de explicações fornecidas no sitio da Receita Federal do Brasil sobre as operações de importação realizadas por conta e ordem. Já com relação a importação direta de produtos importados para revenda, a recorrente alega que destaca e recolhe o IPI. Diante de todo o exposto, a recorrente conclui que o auto de infração teria por objeto as importações por conta e ordem de terceiros. Sendo que, conforme detalhado, a recorrente atuaria apenas como prestadora de serviços no caso de operações por conta e ordem. Acontece que, consoante destacado, na importação por conta e ordem de terceiros há duas operações: importação propriamente dita e prestação de serviços. Sobre a importação há IPI devido no desembaraço e, a depender, na saída do adquirente (importador de fato). Em relação à prestação de serviços, o imposto incidente é o ISS; próprio desse tipo de operação. Tanto é assim, insistase, que o IPI creditado pelo adquirente (importador de fato) equivale ao IPI por ele suportado no desembaraço aduaneiro. (efl. 4286) Alega que a DRJ não analisou corretamente os dois tipos de operação: por conta própria e por conta e ordem, sendo que judicialmente a discussão está limitada as operações por conta própria onde a mesma está equiparada a estabelecimento industrial. Ora, uma simples análise dos fundamentos da ação judicial faz perceber que a discussão travada diz respeito à saída em Fl. 4338DF CARF MF 12 revenda dos produtos importados e não à saída dos produtos importados por conta e ordem de terceiros. (efl. 4287) Apresenta trechos da exordial da ação judicial, onde demonstra que a mesma está restrita a discussão da tributação do IPI quando da importação por conta própria para revenda no mercado interno. Ou seja, fica claro que o Mandado de Segurança em questão, utilizado como motivo determinante para lavratura do presente auto de infração, foi impetrado para contestar a cobrança indevida do IPI cobrado pela RFB nas operações de revenda de produtos importados e não nas saídas dos produtos importados por conta e ordem de terceiros, até porque, como visto, totalmente indevida seria a cobrança do IPI nestes casos. Tendo em vista que o valores lançados são exclusivamente referentes a segunda operação apontada (importação por conta e ordem de terceiros), bem como que o motivo para o lançamento foi a suposta falta de decisão judicial no mandado de segurança apontado que amparasse a inexigibilidade dos valores lançados, temse que o lançamento realizado é totalmente incoerente com sua fundamentação. (efl. 4288) Dessa forma, considerando que a Fiscalização partiu de premissa equivocada por não distinguir as atividades desenvolvidas pela Recorrente (i. importação por conta e ordem de terceiro e ii. revenda de produtos importados), e considerando que a Recorrente recolheu IPI em relação objeto de importação direta posteriormente revendidos (a maior, inclusive), revelase necessária a reforma do acórdão recorrido para julgar improcedente o lançamento fiscal que se suporta numa suposta insuficiência de IPI, já que o imposto devido foi recolhido; devendo ser cancelado o Auto de Infração. (efl. 4288/4289) Em resumo, alega que a fiscalização não fez distinção entre a importação por conta própria para revenda no mercado interno e a importação por conta e ordem. Pede a improcedência do lançamento fiscal tendo em vista que vem recolhendo o IPI quando da revenda de mercadorias importadas por conta própria, bem como pelo fato de não contribuinte do IPI quando da importação de mercadorias em operações por conta e ordem de terceiros. c. Das Operações Atinentes aos CFOPs 6.110 e 6.911 A recorrente alega que a fiscalização lançou valores de IPI em operações onde não incidiria o tributo. Menciona as operações no CFOP 6.110 destinadas a Zona Franca de Manaus. Foi apontado o lançamento referente a operações no CFOP 6.110, referentes à Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio, a qual totaliza o valor de R$ 19.689,32. Tal operação não deveria ser tributada conforme art. 3º do Decreto Lei nº 288/67 e Solução de Consulta Solução de Consulta nº 8.048 SRRF08/Disit. (efl. 4289) Menciona também o equívoco quando do lançamento de IPI em operações de saída de mercadorias no CFOP 6.911, remessa de amostra grátis. A DRJ negou o direito a Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.334 13 isenção dos CFOPs 6.110 e 6.911 por preclusão, bem como pela falta de demonstração das características e condições específicas a cada caso. A recorrente pugna pela busca da verdade material. Cita jurisprudência e alega que o ônus da prova para negar a isenção das operações dos CFOPs 6.110 e 6.911 caberia a fiscalização. Cita jurisprudência e doutrina acerca da obrigatoriedade do fisco de comprovar a ocorrência da infração. Do pedido A recorrente pede que seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido, julgando improcedente a ação fiscal e o respectivo lançamento. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise dos argumentos constantes do Recurso Voluntário. Inicialmente, descartase a alegação de cerceamento de direito de defesa, tendo em vista a constatação de que em todas as fases processuais houve o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa. Erro de premissa (também do acórdão recorrido): Vigência de decisão judicial de mérito afastando a cobrança de IPI na saída de produtos importados – Vício na premissa na qual se suportou o lançamento – Teoria dos Motivos Determinantes – Descumprimento de ordem judicial. A motivação do lançamento tributário é aquela constante do auto de infração. O auto de infração é quem formaliza a exigência. No caso sob análise, a motivação constante do auto de infração é de que se trata de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial dando saída a produtos sem o devido lançamento do IPI. PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL INFRAÇÃO: SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI (efl. 3) A mesma motivação se encontra disposta no Termo de Informação Fiscal (TIF). Efetuamos a fiscalização do estabelecimento em epígrafe referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012 de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.01.002014016355. O contribuinte é equiparado a industrial tendo em vista ter como atividade a importação de produtos estrangeiros de acordo com Fl. 4340DF CARF MF 14 o inciso I do Art. 9º do decreto nº 7.212 de 15 de junho de 2010. Por ser equiparado a industrial é contribuinte do IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. (efl. 15) Ou seja, tratase claramente de lançamento de IPI na revenda de mercadorias importadas de pessoa jurídica equiparada a industrial, período de janeiro/2010 a dezembro/2012. Citese jurisprudência tratando da motivação do ato de lançamento tributário. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3102 00.646 do Processo 12466.002698/200794 – Data: 28/04/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o ato de lançamento de oficio (ato de revisão) deverá conter, além da referida motivação (mediata), a descrição do evento do não pagamento do tributo, que é a sua motivação imediata. É válido ato de lançamento dos impostos devidos na importação, quantificados na Declaração de Importação (DI) e não recolhidos pelo importador, que apresenta como motivação a falta de pagamento. A alegação relativa a descrição da atividade constante do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é irrelevante. O MPF é instrumento administrativo de início e controle da atividade da fiscalização externa. Existe jurisprudência do CARF esclarecendo que eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 1101 001.114 do Processo 10865.721233/201275 – Data: 03/06/2014 NULIDADE. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADES NA PRORROGAÇÃO DO MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. (grifo nosso) Portanto, negase provimento aos argumentos de nulidade por suposto erro de premissa, tendo em vista a existência de motivação constante do auto de infração. Na sequência cabe analisar os argumentos relativos a vigência da decisão judicial, processo nº 080036520.2013.4.05.8300 – Mandado de Segurança. Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.335 15 Por outro lado, a alegação de vigência da medida judicial quando da data da ciência dos lançamento fiscal é procedente. Em outras, palavras, compulsandose os autos, chegase à conclusão de que a medida estava vigente quando a recorrente tomou ciência do lançamento. Conforme pesquisa no sitio da Justiça Federal em Pernambuco e relatos dos autos a liminar fora revogada em 4 de junho de 2014, sendo que houve o provimento do recurso de apelação em 13/10/2014. Assim, na data de ciência do auto de infração no dia 21/12/2015, constante do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, efls. 1735/1736 a recorrente possuía medida judicial e o credito tributário estava suspenso na forma do artigo 151 do CTN. Assim, de forma conclusiva, é descabida a aplicação da multa de ofício. Aplicase o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pois a exigibilidade estava suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 4342DF CARF MF 16 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifos nosso) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. Citese jurisprudência. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 203 09744 do Processo 13839.002002/200201 – Data: 14/09/2004 IPI. LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. É cabível o lançamento de juros de mora na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial, sem o depósito do montante integral. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência. Recurso não conhecido, em parte, por opção pela via judicial e negado na parte conhecida. Tendo em vista que existe concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial em razão da identidade de objeto, prevalece o entendimento de que o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência. Sobre o assunto, cabe lembrar que o lançamento para prevenção da decadência é válido com ou sem medida suspensiva. Aplicase a Súmula CARF nº 48. Súmula CARF nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante de todo o exposto, dáse provimento ao Recurso Voluntário para excluir a exigência da multa de ofício no lançamento de prevenção da decadência, onde havia medida judiciária suspensiva. Ficam mantidos os juros de mora. Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.336 17 Erro de premissa Distinção entre atividades desenvolvidas pela Recorrente – Importação direta e revenda de produtos importados – Importação por conta e ordem de terceiros – Vício na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável. De fato, o lançamento para prevenção da decadência deveria estar restrito as mercadorias importadas por conta própria e que foram objeto de revenda no mercado interno. Exatamente o objeto que está sendo discutido em juízo. Da leitura dos autos, carece de detalhamento a distinção entre a importação por conta própria para revenda no mercado interno e a importação por conta e ordem de terceiros. Sendo que apenas no primeiro caso há a incidência de IPI para a recorrente. No segundo caso, incide IPI para o real adquirente das mercadorias quando da revenda das mercadorias importadas. Cabe razão a recorrente nesse ponto. O adquirente das mercadorias é o sujeito passivo do IPI na revenda na operação por conta e ordem de terceiro. A pessoa jurídica importadora presta apenas o serviço. Citese trecho do sítio da Receita Federal do Brasil detalhando a condição do adquirente como equiparado a industrial. Com relação ao IPI, conforme estabelece o artigo 9º, IX, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI), o adquirente é equiparado a estabelecimento industrial e, portanto, é contribuinte desse imposto. Consequentemente, o adquirente deverá, ainda, recolher o imposto incidente sobre a comercialização das mercadorias importadas e cumprir com as demais obrigações acessórias previstas na legislação desse tributo. Da mesma forma que ocorre com a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação, o adquirente poderá aproveitar, se houver, o crédito de IPI originário da operação de importação, que tenha sido informado na nota fiscal de saída emitida pelo importador, tendo o adquirente como destinatário, na forma estabelecida no artigo 87 da IN SRF nº 247/02. (Ver sitio da Receita Federal do Brasil: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/importac aoeexportacao/operacoesrealizadaporintermediode terceiros/importacaocomcontaeordem) Logo, entendese que as operações por conta e ordem de terceiros devem ser excluídas da presente autuação preventiva da decadência, tendo em vista que a pessoa jurídica importadora presta apenas um serviço ao real adquirente das mercadorias. Nesse sentido, compulsandose os autos existe documentação comprobatória de importações por conta e ordem (contratos, declarações de importação, notas fiscais de entrada/saída, notas fiscais de serviços e invoices) nas importações realizadas pela pessoa jurídica importadora em nome das seguintes empresas: · TECCEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ/MF 41.087.974/000131 (efls. 1743/1757) · INDÚSTRIAS REUNIDAS RENDA S/A, CNPJ/MF sob o n° 11.445.160/000160 (efls. 1758/1781) Fl. 4344DF CARF MF 18 · BUREAU DE IMAGENS LTDA, CNPJ/MF 03.654.469/00013 (efls. 1782/1809) · DAFONTE VEÍCULOS, TRATORES, PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 02.830.307/000145 (efls. 1810/1831) · COMERCIAL CASA DOS FRIOS LTDA, CNPJ/MF 05.359.030/0001 02 (efls. 1832/1850) · RDX GESTÃO E HIGIENIZAÇÃO TEXTIL LTDA, CNPJ 09.011.551/000125 (efls. 1851/1864) · CHEMONE INDUSTRIAL QUIMICA DO NORDESTE LTDA, CNPJ 03.251.289/000100 (efls. 1865/1881) · MICROLITE S/A, CNPJ/MF 49.032.964/006737 (efls. 1936/1997) · BJK BIJUTERIAS LTDA, CNPJ/MF 07.935.830/000150 (efls. 1998/2100) · KARNE KEIJO — LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA., CNPJ/MF 24.150.377/000195 (efls. 2101/2113) · SUPERMERCADO DA FAMÍLIA LTDA, CNPJ/MF 05.677.591/0001 50 (efls. 2114/2132) Sob todas as empresas listadas acima recai a obrigatoriedade do recolhimento do IPI quando da revenda das mercadorias importadas no mercado interno. Ou seja, todas estas empresas adquirentes de mercadorias importadas estão equiparadas a estabelecimento industrial, sendo contribuintes do IPI. Nesse ponto, cabe discordar do julgamento de primeira instância que decidiu por manter no auto de infração todas as saídas de mercadorias importadas. DRJ Acórdão Destaquese que se tratam de todas as operações de saída, incluindo, portanto, aquelas destinadas ao adquirente das mercadorias de procedência estrangeira importadas por sua conta e ordem, haja vista que, nos termos do art. 2º da Lei nº 4.502/64, o fato gerador do IPI é a saída a qualquer título, sendo irrelevante se tal fato se deu com o propósito de revenda ou não. (efls. 4240) Entendese que a matéria das importações por conta e ordem de terceiros não está inclusa na demanda judicial, pois estaria naturalmente fora da incidência do IPI. A pessoa jurídica importadora como prestadora de serviço nas importações por conta e ordem não está equiparada a estabelecimento industrial. Atua na qualidade de prestadora de serviços e não de contribuinte do IPI. Assim, a nosso ver equivocase o juízo de primeira instância quando pressupõe que tal situação está inclusa da demanda judicial. Dáse razão a recorrente quando alega que tais casos estão excluídos da demanda judicial. Súmula CARF nº 1 Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.337 19 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Futuramente, quando do desfecho da demanda judicial, independente desta ser favorável ou desfavorável a recorrente, o auto de infração deve cobrar apenas o IPI quando da revenda das mercadorias importadas por conta própria. Nos casos de mercadorias importadas por conta e ordem de terceiro, a interessada atuou apenas como pessoa jurídica prestadora de serviços. Ou seja, cabe corrigir o auto de infração para prevenção de decadência do IPI devido apenas nas importações por conta própria com a finalidade de aguardar a conclusão do julgamento no judiciário. Dessa forma, dáse provimento ao recurso para excluir da autuação as importações da pessoa jurídica por conta e ordem das empresas adquirentes. Das Operações Atinentes aos CFOPs 6.110 e 6.911 Quanto a alegação de que a fiscalização lançou valores de vendas de mercadorias importadas destinadas à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio, bem com a título de remessa de amostra grátis, corroborase a preclusão e a falta de provas conforme decidido pelo juízo de primeira instância. Além disso, ainda que não se considerasse precluso o direito de alegar tais questões, é de se esclarecer que: i) alegar não incidência nas saídas a que se refere o CFOP 6.110, de modo genérico, sem sequer indicar o dispositivo legal ou regulamentar sob a qual se funda a alegação e sem apresentação dos documentos fiscais comprobatórios do registro de tal situação é argumentar no vazio; ii) do mesmo modo em relação às saídas atinentes ao CFOP 6.911, cuja isenção atribuída às saídas de amostra grátis a que se refere o art. 54III, do RIPI/2010, somente se materializa sob determinadas características e condições, as quais, se não demonstradas, como no presente caso, impossibilitam o reconhecimento da isenção; iii) todas as operações a que se refere o CFOP 5.927 tiveram o IPI lançado pelo contribuinte nas notas fiscais de saída, conforme indicado na planilha DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI (JÁ EXCLUÍDAS AS NOTAS FISCAIS DUPLICADAS, AS CANCELADAS E A EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO IPI), cujos valores indicados na coluna IPI Lançado(destacados pelo contribuinte nas NFS) são exatamente iguais aos valores atribuídos à coluna IPI Devido(apurados pela Fiscalização), resultando, daí, em inexistência de lançamento de ofício relativamente a tais operações. (efl. 4245) Além disso, mesmo que a preclusão fosse afastada, as vendas para a Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio precisam de comprovação quanto ao ingresso das mercadorias nas áreas isentas. O código da operação na nota fiscal do remetente não constitui prova suficiente. Fazse necessário comprovar a internação. Citese jurisprudência. Fl. 4346DF CARF MF 20 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3302 001.175 do Processo 15374.001765/200266 – Data: 10/08/2011 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/02/1998, 28/02/1998, 31/03/1998 SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA. O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal. Assim, negase provimento ao recurso voluntário por preclusão, bem como pela falta de demonstração das características e condições específicas a cada caso. Do Recurso de Ofício Finalmente, negase provimento ao recurso de ofício tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira instância apreciou o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. Conclusão Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a exigência da multa de ofício, por concomitância de matéria na esfera judicial (IPI devido na revenda), e excluir do lançamento as importações da pessoa jurídica por conta e ordem de terceiro. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 4347DF CARF MF
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