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Numero do processo: 10830.003857/2008-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 38 57 /2 00 8- 28 Fl. 120DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação Fiscal lavrada em face do contribuinte acima qualificado, relativa ao imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2005, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no montante de R$ 33.157,19 sendo R$ l6.743,52 referente ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ l2.557,64 à multa de oficio e R$ 3.856,03 aos juros de mora calculados até 31/03/2008. Na descrição dos fatos e enquadramento legal é informado que foi glosado o valor de R$ 2.544,00 indevidamente deduzido a título de dependentes, por falta de comprovação, glosa de R$ 20.759,00 indevidamente deduzido a título de despesas médicas, glosa do valor de R$ 16.118,50,00 indevidamente deduzido a título de Contribuição à Previdência Privada e FAPI, por falta de comprovação, glosa do valor de R$ l.998,00 indevidamente deduzido a título de despesas com instrução, por falta de comprovação. Na impugnação o contribuinte, além de ter narrado com detalhes toda a dificuldade que enfrentou em apresentar documentação e ter suas dúvidas respondidas com clareza no atendimento presencial da secretaria da Receita Federal, juntou toda a documentação comprobatória que era possível. Assim sendo, na análise da impugnação do Contribuinte pela DRJ São Paulo II, no que se refere a dedução das despesas com dependentes, verificouse que não havia qualquer irregularidade, sendo, pois reestabelecida. Mesma coisa no que se refere às despesas com instrução, as quais foram também reestabelecidas. Idem para previdência privada. A decisão da DRJ manteve apenas a glosa de despesas médicas cujos recibos não apresentavam endereço e detalhes do serviço médico prestado. No momento da apresentação do Recurso Voluntário, o contribuinte juntou declaração de dois médicos, quais sejam o Adelqui Attizzani, o qual confirmou os serviços médicos prestados e valores, bem como a Cláudia Sandroni Silva de Campos, da mesma forma atestando o serviço médico e valores. Informa que em relação às demais despesas médicas, embora tenha efetivamente realizado pagamento por tais serviços médicos, receoso de ter uma decisão contrária a seu pedido, incluiu tais débitos no parcelamento concedido pelo Governo Federal. É o relatório Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10830.003857/200828 Acórdão n.º 2001000.062 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos tratamentos dentários, psicológicos e médicos, com identificação clara do beneficiário do tratamento, especificação do serviço prestado, e na maioria com a informação detalhada do endereço do local da prestação. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Fl. 122DF CARF MF 4 12.5 Às fls. 51 a 53 foram juntados sete recibos emitidos por Adelqui Attizani no valor unitário de R$ 184,00 (total de R$ 1.288,00). Nos recibos é informado simplesmente tratarse de “honorários profissionais ref. prestação de serviços durante o ano de 2005”. 12.6 Às fls. 54/55 foram juntados recibos emitidos pela psicóloga Dra. Claudia Sandroni S. de Campos no valor total de R$ 1.050,00. 12.7 Às fls. 59/60 foram juntados recibos emitidos pelo fisioterapeuta Dr.Roberto Sanchez Sierra Junior no valor total de R$ 2.480,00. 12.8 Às fls. 61/62 foram juntados recibos referentes a outra fisioterapeuta, Dra.Fernanda Antico Benetti, no total de R$ 5.000,00. Nos recibos, alguns deles emitidos em domingos (abril e julho), é informado que os mesmos se referem a “sessões de RPG”. 12.9 Às fls. 63/64 foram juntados recibos referentes ao Cirurgião Dentista Dr.Rodrigo Antico Benetti que totalizam R$ 5.000,00. Nos recibos, alguns deles emitidos em finais de semana (julho e setembro), é informado que os mesmos se referem “tratamento dentário”. 12.10 Às fls. 65/66 foram juntados recibos emitidos pela psicóloga Dra. Valéria Bissoto P. Galassi total de R$ 5.000,00. Nos recibos, que sequer estão datados, é informado que os mesmos se referem “sessões de psicoterapia”. 12.11 Às fls. 67 a 70 foram juntados recibos mensais no valor unitário de R$500,00, emitidos pela profissional Sueli Maria Galvão, psicóloga. Em todos os recibos consta a informação de tratarse de “4 sessões de psicoterapia”. 12.12 Não tendo sido juntado aos autos nenhum documento que comprove a efetiva transmissão de recursos para os profissionais da área de saúde, não formei convencimento de que as despesas efetivamente tenham ocorrido e os serviços tenham de fato sido prestados, razão pela qual considero que a glosa foi correta e atendeu à legislação de regência. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a boafé e a intenção do contribuinte, ora Recorrente, em comprovar todas as suas despesas, em contribuir para o esclarecimento e inclusive a sua atitude proativa em aclarar as dúvidas da forma mais objetiva possível, tendo encontrado dificuldades para ser atendido por diversas vezes. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10830.003857/200828 Acórdão n.º 2001000.062 S2C0T1 Fl. 4 5 Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela desconstituição do crédito lançado, e manutenção da dedução das despesas médicas (despesas com o médico Adelqui Attizzani, no total de R$1.288,00 e as despesas com a psicoterapeuta Cláudia Sandroni Silva de Campos, no valor total de R$1.350,00) que ainda são objeto desta lide, as quais restaram devidamente comprovadas. As demais despesas médicas, como informado pelo Recorrente, não foram objeto de questionamento neste Recurso Voluntário (incluiu em parcelamento federal). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o crédito tributário outrora exigido. Vale mencionar que em relação às despesas que foram incluídas no parcelamento, não foram objeto de controvérsia, portanto não passaram por análise de mérito, eis que excluídas da lide. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.721174/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO.
Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1402-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar a decisão de primeira instância em relação à tributação da pessoa jurídica autuada e à responsabilização do coobrigado Robson Marcelo Tolardo e negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários Íris da Silva Tolardo, Rogério Marcio Tolardo, Samuel Tolardo Junior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 31.162 1 31.161 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10325.721174/201412 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.792 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente IME PECAS PARA VEICULOS LTDA ME Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 11 74 /2 01 4- 12 Fl. 31162DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.163 2 parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar a decisão de primeira instância em relação à tributação da pessoa jurídica autuada e à responsabilização do coobrigado Robson Marcelo Tolardo e negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários Íris da Silva Tolardo, Rogério Marcio Tolardo, Samuel Tolardo Junior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 31163DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.164 3 Relatório Para melhor descrever os fatos ocorridos nos autos, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Trata o presente processo do auto de infração de fls. 29.791 a 29.901, lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de: Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.669.985,41 somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 789.872,22, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; Contribuição para o financiamento da seguridade social – COFINS, no valor de R$ 1.723.062,81, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e Contribuição para o PIS/PASEP, no valor de R$ 373.330,27, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls 29.795 a 29.798 e do relatório de atividade fiscal de fls. 29.903 a 30.345, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias, com e sem a emissão de documento fiscal, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração, embora tenha sido regularmente notificada. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, tratase, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitido aos seus Fl. 31164DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.165 4 herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.539 15), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que as receitas bruta efetivas da fiscalizada nos anoscalendário de 2009, 2010, 2011, e de janeiro a setembro de 2012 foram, respectivamente, de R$ 21.894.189,10, R$ 22.391.638,72, R$ 20.871.562,85 e R$ 7.978.924,75, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, e uma vez que a autuada no ano calendário de 2009 apresentou DIPJ na modalidade lucro presumido. Nos demais períodos não apresentou DIPJ e tampouco confessou quaisquer débitos de IRPJ ou CSLL. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei nº 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 30/12/2014, conforme Edital de fl. 30.576, a interessada não apresentou impugnação. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 11/12/2014, conforme AR de fls. 30.584, Robson Marcelo Tolardo também não apresentou impugnação. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 10/12/2014, conforme AR de fls. 30.589, 30.579, 30.577 e 30.591, Rogério Marcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 07/01/2015 as impugnações de fls. 30.594 a 30.645, 30.705 a 30.756, 30.650 a 30.701 e 30.760 a 30.811, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: Fl. 31165DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.166 5 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) pugna pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. A DRJ decidiu manter integralmente as acusação constantes nos autos, bem como todos os responsáveis solidários, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 31166DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.167 6 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 31167DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.168 7 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados, os responsáveis solidários interpuseram Recursos Voluntário idênticos, repisando as mesma alegações da impugnação. Cumpre ressaltar que a empresa autuada e o Sr. Robson Marcelo Toledo não ofereceram impugnação e nem Recurso Voluntário. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 31168DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.169 8 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Os recurso são tempestivos e preenchem todos os requisitos previstos em lei, devendo todos serem conhecidos. Inicialmente, cumpre ressaltar que a empresa autuada e o Sr. Robson não apresentaram impugnação, motivo pelo qual o mérito relativo a infração de omissão de receita, a multa qualifica e todos os encargos previstos nos Autos de Infração devem ser mantidos para os dois. Os Recorrentes apresentaram Recursos Voluntários idênticos e praticamente repisaram as alegações constantes nas respectivas impugnações. Basicamente, os recursos são pautados em alegações de preliminares de nulidade do trabalho fiscal e do lançamento de ofício, tendo como pedidos relativos ao mérito suas respectivas exclusões do pólo passivo devido a falta de comprovação para imputar a responsabilidade solidária e a redução da multa qualificada. Importante ressaltar que, na maioria das alegações de nulidade, tanto as relativas ao trabalho fiscal, como as referentes ao lançamento, os Recorrente alegam mas não demonstram e provam que de fato ocorreram. Os Autos de Infração foram lavrados por Agente Fiscal competente e com poderes para a prática de tal ato. Todos os responsáveis solidários foram devidamente intimados via postal, nos termos do artigo 23, tanto em relação ao seu parágrafo primeiro, como no inciso II do mesmo dispositivo do Decreto 70.235/72. (ARs de intimação de inicio de fiscalização às fls. 26.236 a 26.266 e fls. 26.267 a 26.271 26.272 a 26.296; fls, 26.301 a 26.327; fls 26.328 a 26.363; fls 26.368 a 26.370; fls 26.397 a 26.428; e 26.429 a 26.460). Apenas a empresa autuada, após diversas tentativas, que foi intima por edital nos termos do artigo 23 do Decreto 70.235/72. A intimação pessoal pode ser substituída pela postal, não existindo previsão de que seja necessária a intimação pessoal para que seja posteriormente feita a por edital. Fl. 31169DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.170 9 Sendo assim, afasto a nulidade alegada em relação a intimação via postal, bem como a por edital. Da mesma forma, entendo que não será necessário a realização de perícia eis que os autos estão extremamente bem instruídos e já se encontram em condições de julgamento. Os Recorrentes protestam pela juntada de provas após a autuação e a impugnação, mas não existe nos autos pedido de juntada de provas posterior a tais fazes processuais. Assim, como entendo ser desnecessária a realização de perícia e não verifiquei pedido de juntada posterior de prova, entende que o v. acórdão recorrido não se encontra eivado de nulidade ou de qualquer omissão. Ademais, da leitura do v. acórdão recorrido se pode verificar que, mesmo que de forma sucinta, todas as alegações postas nas impugnações foram analisadas. Mesmo porque, em relação à suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º do art. 489 do CPC/2015 agasalha tal entendimento. Tal exegese foi confirmada por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...] 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. Fl. 31170DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.171 10 Sendo assim, afasto a preliminar alegada relativa a nulidade do v. acórdão, eis que foram analisadas e motivadas todas as alegações feitas pela Recorrente em sua impugnação. Em relação as demais nulidades, utilizo para fundamentar meu voto os motivos utilizados para afastálas, constante no v. acórdão recorrido, por concordar e entender que também não devem ser providas. 2.3. DA NULIDADE Os impugnantes argúem a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal e por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido, por falta de motivação e fundamentação da autuação, a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, bem como a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente. Não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal (MPF), em primeiro lugar porque a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do mandado de procedimento fiscal nº 03.2.02.002013000534, conforme informação constante do termo de início de ação fiscal de fls. 29.729 e 29.730, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 31/10/2013, conforme edital de fl. 29.734, em segundo lugar porque o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. A atribuição de coresponsabilidade pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento e prescindem de prévia emissão de mandado em relação aos coobrigados, uma vez que apenas a empresa foi alvo da fiscalização efetuada. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Diferentemente do que afirmam os impugnantes, a autuação esta devidamente motivada e fundamentada, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de Fl. 31171DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.172 11 defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Afasto, também, a alegada incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa fiscalizada e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, pois, de fato, no presente caso não se cogita a desconsideração da personalidade jurídica da autuada, nem se atribuiu a responsabilidade objetiva dos impugnantes. A sujeição passiva solidária atribuída decorreria de condutas praticadas pelos impugnantes com infração a lei e em razão de serem os proprietários de fato da autuada, com base em farto conjunto probatório coletado em busca e apreensão realizada com autorização da justiça federal do Paraná, e foram atribuídas por quem detém a competência legal de proceder ao lançamento e atribuir a coresponsabilidade tributária, na forma da lei. Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputase como válida até que outra lhe sobrevenha, alterandoa ou cancelandoa. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. Ante todo o exposto, afasto a alegada nulidade dos termos de sujeição passiva solidária. Da quebra do sigilo bancário: Os Recorrentes pedem a suspensão do julgamento do presente processo até que o STF julgue ações diretas de inconstitucionalidade onde questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105 e alegam a obtenção de informações junta as instituições financeiras sem autorização judicial contraria ao princípio constitucional do sigilo bancário. Em relação a alegação dos Recorrentes de que se contrariou o princípio constitucional do sigilo bancário, devido a Fiscalização ter obtido dados bancários junto as instituições financeiras sem autorização judicial, entendo que após a decisão do Pretório Excelso, abaixo colacionada, tal óbice e sua possível inconstitucionalidade deixaram de existir. Vejamos. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: Fl. 31172DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.173 12 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a Fl. 31173DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.174 13 que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, não verifico motivos para suspender ou sobrestar o julgamento dos Recursos Voluntários constantes no processo, eis que o Superior Tribunal Federal decidiu definitivamente a matéria relativa a quebra de sigilo bancário, devendo assim serem julgados os recursos interpostos pelas partes. Da decadência e prescrição: Para o presente caso, foi constatado a utilização de empresas interpostas e intuito de sonegar informações da fiscalização, para reduzir ou deixar de pagar imposto. Foi constatado omissão de receita de operações de revenda de mercadorias, com e sem emissão de notas fiscais, a margem da escrituração contábil e fiscal. Sendo assim, entendo que o v. acórdão esta correto em aplicar o inciso I, do artigo 173, afastando a aplicação do artigo 150, parágrafo quarto ambos do CTN, não ocorrendo a decadência do direito de a fiscalização lançar de ofício os créditos ora exigidos. Desta forma, como os créditos tributários são relativos aos fatos geradores do 1°, 2º, 3º e 4º trimestres de 2009 e tendo em vista que a autuada e os responsáveis solidários foram cientificados do lançamento em 30/12/2014, com a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, afasto a alegada decadência. Em relação a alegação de ocorrência de prescrição por não terem sido devidamente notificada a autuada, também entendo que não deve ser provida. Conforme acima exposto neste voto, tanta a empresa autuada, como os responsáveis solidários foram notificados nos termos do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Fl. 31174DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.175 14 Sendo a assim a prescrição foi interrompida quando o contencioso administrativo tributário se iniciou com o oferecimento das impugnações. Desta forma, entendo que não ocorreu nos autos em epigrafe, nem a decadência, nem a prescrição. Da constatação de omissão de receita: Em relação a infração imputada a empresa autuada revel e os responsáveis solidários limitamse em apenas alegar nulidades relativas a própria prova e a forma como os documentos vieram aos autos. Alega que não poderia se admitir prova empresta de processo criminal e que as provas foram obtidas por meio de busca e apreensão sem a possibilidade do contraditório. Tais alegações não procedem. As provas (arquivos digitais) foram obtidas com autorização da Justiça de Curitiba. O Relatório Fiscal informa como foram coletadas as provas acostadas aos Autos de Infração para comprovar as infrações ora impostas a empresa autuada e aos Recorrentes responsáveis solidários. (fls. 08 e 28 do Relatório Fiscal). Vejamos a parte que interessa descrita na fls. 8/9 do Relatório Fiscal: 1.3) DA ORIGEM DOS DEMAIS ELEMENTOS OBTIDOS. 11. O presente relatório utilizase de elementos coligidos nos processos administrativo fiscais de nºs 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195, bem como no Inquérito Policial nº 256/2008 DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontrase distribuído no Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob nº 2008.70.00.0094275/PR. 12. No âmbito do mencionado inquérito policial foram providenciados dois Pedidos de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico nºs 501137760.2012.404.7000/PR e 5034633 32.2012.404.7000/PR, em cujas decisões, datadas de 18/05/2012 e 14/09/2012, ambas favoráveis à quebra do sigilo telefônico, o R. Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos nos autos do inquérito 256/2008 DPF/MGA/PR fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil (RFB) (decisões às fls 633 a 636; e 643 a 645, respectivamente). 13. Destaquese ainda que junto ao Pedido de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico nºs 503463332.2012.404.7000/PR, o juízo determinou, em decisão do dia 23/08/2012, a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE (decisão às fls 637 a 642), dentre os quais os integrantes da FAMÍLIA TOLARDO. 14. Em cumprimento às decisões judiciais supra mencionadas, por intermédio do ofício nº 030/2012 UIP/dpf/mga/PR, de 17/09/2012, a Fl. 31175DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.176 15 Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados até então coletados nas investigações constantes do mencionado inquérito (fls 9.366 a 9.367). 15. As investigações procedidas pela Polícia Federal, juntamente com a Receita Federal do Brasil, culminaram na deflagração da denominada “Operação Laranja Mecânica”, realizada em 17 de outubro de 2012, com o cumprimento de diversos MBAs (Mandados de Busca e Apreensão). 16. Todo o material arrecadado na denominada “Operação Laranja Mecânica” foi disponibilizado à RFB por meio do ofício nº 032/2012 UIP/DPF/MGA/PR, de 18/10/2012 (fl 9.368). 17. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio de auto peças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, tratase, em verdade, de um único empreendimento, que foi originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Sendo assim, entendo que não procede a alegação da Recorrente de que as provas constantes nos autos foram obtidas ilegalmente ou que não poderiam ser utilizadas para comprovar a infração de omissão de receita ora em análise. Conforme demonstrado no Relatório Fiscal as provas foram obtidas com autorização judicial e pertencem a empresa autuada. Nada impede que a Fiscalização utilize esta mesma prova obtida na Operações Laranja Mecânica, que deflagrou o sistema da autuada que está sob julgamento na justiça criminal, sejam acostadas aos Autos de Infração para robustecer a acusação de infração tributária. Cabe aos Recorrentes, agora, em sede deste processo administrativo, exercer seu direito de ampla defesa e contraditório, apresentar alegações e outras provas para refutar a autuação com base em infração tributária de omissão de receita. Assim, não verifico que qualquer nulidade em relação as provas acostadas aos autos pela fiscalização. Em relação ao mérito propriamente dito, apesar de os Recorrentes não apresentarem alegações específicas e mais aprofundadas, ao compulsar os autos entendo que os Autos de Infração devem ser mantidos. Fl. 31176DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.177 16 Como muito bem fundamentado pelo v. acórdão recorrido, a infração de omissão de receita de revenda de mercadorias sem emissão de nota fiscal foi devidamente comprovada nos autos. Vejamos. A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. Limitamse os impugnantes a suscitar a nulidade na utilização das provas obtidas com base no procedimento cautelar de busca e apreensão, as quais não teriam sido submetidas ao contraditório, nem objeto de julgamento na esfera criminal competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração atribuída pela fiscalização. Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação de receitas omitidas. Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurouse que “TAB1” referiase a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referiase a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de CuritibaPR, constante das fls 1.200 a 1.242, e reproduzida às fls. 30.196 a 30.198 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 30.198, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos relatórios extraídos do sistema AUTOW, somadas às vendas mediante NFe para empresas do próprio esquema, bem como os Cupons Fiscais extraídos dos Livros Fiscais das filiais, ou do programa Central de Cobranças, obtido no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento, levandose em conta que a autuada era considerada a filial 71, e a filial 2 da autuada, a filial 43 da Rede Presidente, conforme metodologia de cálculo explicitada no relatório de atividade fiscal, às fls. 30.231 a 30.328. Fl. 31177DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.178 17 A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Sendo assim, mantenho a autuação em seus termos. Do arbitramento do lucro: Em relação ao arbitramento, da mesma forma do que aconteceu no tópico relativo a omissão de receita, os Recorrentes não alegaram especificamente a impossibilidade do arbitramento e não demonstraram os motivos pelo qual não poderia ser aplicado pela fiscalização. A Fiscalização intimou a empresa autuada bem como seus representantes legais e estes não responderam e atenderam as solicitações do agente autuante. Devido a tal motivo, e como a escrituração fiscal e contábil estava totalmente maculada devido ao procedimento descoberto na Operação Laranja Mecânica, decidiu arbitrar o lucro com base nas revendas de mercadorias que foram descobertas na investigação policial e fiscal acima indicada. Assim, a fiscalização arbitrou o lucro aplicando coeficiente previsto na legislação sobre a receita bruta encontrada na revenda de mercadorias com emissão de nota fiscal, nos termos do artigo 3º da Lei nº 9.249/95 c/c do artigo 532 do RIR/99 e para as operações sem emissão de nota fiscal aplicou o artigo 3º da Lei nº 9.249/95 c/c com o 537 do RIR/99. Desta forma, entendo que agiu corretamente o Auditor Fiscal ao arbitrar o lucro utilizando o critério previsto nos artigos 530, inciso III do RIR/99. Da alegação de confiscatoriedade da multa aplicada: A multa foi corretamente capitulada e aplicada de acordo com a infração praticada prevista na legislação. Assim, deixo de acolher a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada ao Auto de Infração, por estar impedido de analisar constitucionalidade de lei no processo administrativo tributário federal, nos termos da Súmula 2 deste E. CARF/MF. Da multa qualificada. Fl. 31178DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.179 18 Conforme acima demonstrado no tópico relativo a infração de omissão de receita e no do arbitramento do lucro, a autuada sonegou propositalmente informação da fiscalização. Elaborou um procedimento de revenda com e sem nota fiscal, visando burlar a fiscalização e reduzir ou deixar de pagar imposto. Também deixou de responder e apresentar documentos quando intimada para tanto. A qualificação da multa reproduz os mesmos argumentos que motivaram a infração, fundamentando muito bem os motivos da qualificação da multa. (fls. 437/439 do Relatório Fiscal parte B). 11. DA MULTA DE OFÍCO LANÇADA 1026.O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, define fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 1027.Como podemos observar do até aqui exposto, o contribuinte se utiliza de pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a nossa fiscalizada. Destaquese que, para tanto utilizase de expedientes escusos tais como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Tal conduta obviamente busca modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, qual seja, o real sujeito passivo, enquadrandose então, o contribuinte, no conceito de fraude constante do art 72 da Lei 4.502/64. 1028. Igualmente enquadrase no conceito de sonegação, dado pelo art 71, inciso II, da mesma Lei 4.502/64, vez que se constitui em uma ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 1029.Citase também toda a elaborada sistemática de vendas sem nota fiscal (TAB2), e que, obviamente, não são declaradas à RFB. Mais que notório, o fato de que ao omitir parcela relevante de suas vendas mediante intrincado sistema (programa informatizado denominado “AutoW”, contemplando vendas “TAB2”, emissão de “cotações para verificação”, etc...), o contribuinte incorre tanto no conceito de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características essenciais), como no conceito de sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do imposto devido). Fl. 31179DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.180 19 1030.Ambas condutas (utilização de sócios “laranja” e realização de vendas não declaradas à RFB e sem emissão de NFs) evidenciam claramente o dolo do contribuinte ao cometer as ações caracterizadoras de fraude e sonegação acima descritas. 1031.Tais condutas (fraude e sonegação) impõem a aplicação da multa de ofício em percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 e seu parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: [...] 1032.Transcrevese, também, os artigos pertinentes da Lei nº 4.502/1964: [...] Ademais, como a empresa autuada não apresentou impugnação e por tal motivo, entendo que a infração deve ser mantida em seus termos, voto, por coerência, pela manutenção da qualificação da multa. Diante do exposto, resta evidenciada a prática de sonegação caracterizada por omissões dolosas, tendentes a impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias de fatos geradores de obrigações tributárias, devendo ser mantida a multa qualificada. Da responsabilidade solidária das sócios: Os Termos de responsabilidade estão anexados aos autos às fls. 439 e seguintes do Relatório Fiscal parte b. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos do CTN, as seguintes pessoas físicas: Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. O Sr. Robson não apresentou impugnação, quedandose revel. Fl. 31180DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.181 20 Em relação aos demais responsáveis solidários, entendo que também devem ser mantidos. As informações constantes no Tópico 6 do Relatório Fiscal parte A, deixam claro o conhecimento e a participação de todas as pessoas acima indicadas e pertencentes a família Tolardo, reais proprietárias da Rede Presidente. As condutas descritas no tópico 6 do Relatório Fiscal, se enquadram perfeitamente nos termos do inciso III do artigo 135 e no inciso I do artigo 124, ambos do CTN. Para complementar meu voto, utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido onde apontam e descrevem a participação das pessoas acima indicas. Alegam os impugnantes a ilegitimidade, ante a suposta ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa. Alegam, ainda, a ausência de responsabilidade, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio seria exclusiva da pessoa jurídica. Diferentemente do alegado pelos impugnantes, há um conjunto probatório robusto no sentido de atribuir a propriedade e a administração do empreendimento a todos os sujeitos passivos solidários, em especial a Róbson Marcelo Tolardo, principal responsável pela administração do grupo empresarial formado pelas empresas da Rede Presidente, o que se comprova por meio de interceptações telefônicas, de emails, arquivos e documentos aprendidos. A administração do grupo empresarial e conhecimento de suas ações, por parte de Robson Marcelo Tolardo pode ser ilustrada pela resposta dada a seu funcionário Daniel de Oliveira Júnior em email do dia 08/2/2010, constante de fls 13.583 a 13.586, mencionado no relatório fiscal à fl. 30.203, a seguir transcrito: “Adeus Daniel Preciso verificar mas acho que é complicado vender tab 01 porque não tem muita entrada e custa para nós os impostos que nós ganhariamos na inadiplicência e perderia pagando mais imposto, então o certo é cortar os limites de quem não está pagando e tentar falar com o cliente que não está pagando que vamos ter que emitir a nota fiscal do pedido que ele comprou e não pagou e dar mais prazos para ele pagar e depois se eles não pagar executar eles.” Para não restar dúvidas, quanto à propriedade da sujeição passiva solidária de Robson Marcelo Tolardo transcrevese a pergunta de Daniel de Oliveira Júnior, contida no email encontrado no computador de Daniel de Oliveira Junior Fl. 31181DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.182 21 (MGA08.23 – fl. 2.237): Diretório: DANIEL\daniel2\atualizacoes\mailnet\CENTRAL03EMAILS. Arquivo: 98 MARCELO TOLARDO.dbx: “Marcelo adeus ? Algumas regioes como Pernambuco, Maranhao e até Distrito Federal em determinados ramos são classificadas como regiões de maior indice de PRINAD (Probabilidade de Inadimplência ) . Maranhao esta com uma inadimplencia alta porem sao clientes da própria capital. Ja pedi para a supervisora Rose e seu gerente reanalisar os clientes . Brasilia é um caso sério, lá se nao mudarmos para vendas 100% T1 agente sempre vai ficar como ultima opção para receber dividas. Como agente vende tabela especial eles alem de aproveitar este beneficio, eles acabam agindo de má fé quando estao com dificuldades financeira. Vai fazer uns 5 anos que esta filial so fica em ultimo lugar na inadimplencia. Vc pretende continuar com esta loja aberta? Se sim , tem como agente mudar o perfil de vendas para 100% T1 na opção duplicatas? Resp.: Recife esta com uma inadimplencia alta e o maior motivo foi a venda especial para fora de Recife . tem determinadas cidades que o ideal seria vender somente t1 !! a cidade de Carpina/PE deu inadimplencia de acima de 10% , a cidade de Igarassu/PE deu inadimplencia acima de 11% , outras cidades deu acima de 1% no maximo 2% . os pernambucanos e paraibanos tambem aproveitam muito a situação das vendas tabela especial, sempre deixam nós como ultima opçao de acertos de dívidas!! Estas cidades posso bloquear para vender somente Tabela 01 com duplicatas ? Resp.: Paz de Deus Daniel Jr ®” Samuel Tolardo Junior teve pendrives apreendidos, CTB29.12d, que continham arquivos excel, com os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, e com o controle de “saldos”, referente aos pagamentos de prólabore aos sócios de fato da autuada. Dentre as provas coletadas ainda se destaca o fato de que despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de prólabore mensal, uma vez que nenhum deles era formalmente sócio das empresas do grupo. Isto caracteriza, em face de confusão patrimonial, o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social Fl. 31182DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.183 22 sobre o lucro líquido, uma vez que parcela considerável do lucro obtido pela autuada, e não submetido à tributação eram utilizados para pagamento de despesas pessoais dos impugnantes. Também chama a atenção que todos os responsabilizados tinham a exata noção da ilicitude perpetrada, como a utilização de interpostas pessoas e a não contabilização de receitas de vendas, demonstrando o dolo deste quanto à sonegação fiscal. É o que depreende dos conteúdos das escutas telefônicas e emails interceptados com autorização judicial. Assim, mantenho a atribuição da coresponsabilidade de todos os obrigados, tal qual efetuado pela fiscalização. Sendo assim entendo que a responsabilidade das pessoas acima indicadas deve ser mantida em seus termos. Pedido de exclusão da multa para os responsáveis solidários: Os Recorrentes alegam que a responsabilidade pelas multas aplicadas deve ser excluída ou reduzida, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório. Inicialmente não foi aplicada multa agravada ao presente Auto de Infração, não sendo matéria a ser discutida nos autos. Quanto a confiscatoriedade, já foi analisada neste voto no item anterior. De resto, tendo os responsáveis solidários comprovadamente praticado atos com infração a lei na gestão dos negócios da empresa autuada, omitindo receitas de suas vendas e mantendo o controle paralelo delas à margem da escrituração contábil e fiscal, com a utilização de interpostas pessoas para compor o quadro societário da fiscalizada, mediante falsificação de documentos e assinaturas, entendo que devem ser responsabilizados não só pelos tributos devidos, mas também pelas multas aplicadas, inclusive qualificada, conforme determinação contida no art. 137, do CTN. Tributação Reflexa: Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Fl. 31183DF CARF MF Processo nº 10325.721174/201412 Acórdão n.º 1402002.792 S1C4T2 Fl. 31.184 23 Apenas para afastar qualquer dúvida, colaciono as conclusões do Relatório Fiscal, parte B, onde resumidamente demonstram o que a fiscalização entendeu por bem incidir o imposto. 13. CONCLUSÃO: 1040.Desse modo, verificada a omissão de receita apurada conforme demonstrado no presente relatório, procedese ao lançamento do valor do imposto de renda pelo Lucro Arbitrado no ano calendário de 2009 a 2012, lançandose também a tributação reflexa (CSLL), incidente sobre os mesmos valores de receita omitida. Tal lançamento inclui tanto as receitas para as quais houve emissão de documento fiscal (TAB1 + Cupom fiscal + Vendas para empresas do Grupo), quanto para aquelas em que não havia documento fiscal (TAB2), abatendose os tributos (IRPJ e CSLL) já declarados/confessados pelo contribuinte. 1041.No que tange aos reflexos de PIS e COFINS, a fiscalização só os fez incidir sobre as vendas efetivadas pelo contribuinte sob código TAB2 (sem nota fiscal), e portanto, não declaradas. Isso porque, em regra, para as vendas declaradas (TAB1 + Cupom fiscal + Vendas para empresas do Grupo) o contribuinte confessa o PIS e COFINS devidos. 1042. Já no que tange às vendas sob cód TAB2 (sem nota fiscal), e portanto não declaradas, os relatórios extraídos a partir do programa AUTO W não permitem a identificação dos itens vendidos, de modo que não é possível à fiscalização identificar eventuais vendas sujeitas a alguma desoneração de PIS e COFINS, de modo que fezse incidir reflexos de PIS e COFINS sobre a totalidade dessas receitas (TAB 2). 1043.A multa aplicada é a de 150% conforme disposto no tópico 11. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço dos Recursos Voluntários e a todos nego provimento para manter a responsabilidade solidária dos Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953, Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953, Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915, Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 31184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.005054/2002-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997, 1998
COFINS. ISENÇÃO. IMUNIDADE.
Para fazer jus à isenção ou imunidade de Cofins é obrigatória a apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/1991
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997, 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC.
A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC/1973 o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ.
Numero da decisão: 1301-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e de decadência, e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário por concluírem ser aplicável o mesmo entendimento firmado no julgamento do lançamento de IRPJ em razão do decidido pela 2ª Turma da CSRF no acórdão 02-02.813. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ISENÇÃO. IMUNIDADE. Para fazer jus à isenção ou imunidade de Cofins é obrigatória a apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 50 54 /2 00 2- 85 Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.444 2 n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC/1973 o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e de decadência, e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento ao recurso voluntário por concluírem ser aplicável o mesmo entendimento firmado no julgamento do lançamento de IRPJ em razão do decidido pela 2ª Turma da CSRF no acórdão 0202.813. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.445 3 Relatório FUNDAÇÃO VALEPARAIBANA DE ENSINO recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão DRJ/CPS nº 3567/2003) que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoa ao final: 1. Trata o presente processo do Auto de Infração lavrado e cientificado à contribuinte em 20/12/2002 em decorrência da falta de recolhimento de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no período de janeiro de 1997 a dezembro de 1998, formalizando o crédito tributário no valor total de R$ 4.164.728,86, com multa de 75% e juros de mora calculados até 29/11/2002. 2. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 201/202, que instrui o Auto, as irregularidades constatadas foram descritas como segue: “... 1 – Conforme já analisado no “item 3.b.1” do Termo de Verificação Fiscal lavrado em 08/11/2002, com seus anexos, do processo 13884.004279/200214, folha 10 ...., a empresa não recolheu a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, sobre as suas receitas durante os anos de 1997 e 1998, conforme estipulou a LC 70/91. 2 – COFINS – entidade obrigada ao pagamento: A imunidade prevista no inciso VI do artigo 150 da Constituição, é de impostos, não estando abrangidas as contribuições sociais de seguridade social, como o PIS e COFINS. Quanto ao PIS, a empresa recolhe sobre a folha de pagamento, porém quanto ao COFINS, a empresa não recolheu neste período. A LC nº 70/91 que instituiu a COFINS, em 2% sobre o faturamento mensal (receita bruta das vendas de mercadorias, mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza), concedeu no artigo 6º várias isenções subjetivas e objetivas. O inciso III deste artigo, que concedeu a isenção do COFINS, referese às entidades beneficentes de assistência social, que atendam às exigências estabelecidas em lei. Posteriormente, o artigo 17 da MP 2027, de 21/12/2000 veio reforçar este entendimento quando disse: “aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da Cofins, o disposto no art. 55 da Lei 8212, de 1991.” Ora, o Decreto 752/92 considera como entidade Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.446 4 beneficente de assistência social, a empresa que possuir o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e remete ao Conselho Nacional de Serviço Social, hoje o CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social (art. 18 da Lei 8.742/93), a competência de julgar e conceder este certificado. Ou seja, a posse deste certificado, é a condição para se ter a isenção da Cofins. Já o Decreto nº 2.536, de 06/04/98, em seu artigo 3º, inciso VI, diz: “Faz jus ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos a entidade beneficente de assistência social que demonstre, nos três anos imediatamente anteriores ao requerimento, cumulativamente: “VI – aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída.” Dentro do item “item 3.b.1” do Termo de Verificação Fiscal lavrado em 08/11/2002, do processo 13884.004279/200214 (com cópia do termo integral anexado a este processo)já foi analisado com detalhes algumas causas que devem ter levado à negativa da concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos pelo CNAS, condição essencial para isenção da COFINS. Conforme já analisado, a empresa não possui Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 01/01/1995, estando pois descoberta deste benefício no período examinado, de 1997 e 1998, ficando exposta à qualquer fiscalização que comparecesse. O fato da mesma estar discutindo o indeferimento do pedido junto ao CNAS até que impediria o pagamento de algum lançamento feito pela fiscalização, porém a partir do momento em que o recurso foi realmente negado, a instituição deveria ter recolhido a COFINS, porém não o fez. 3 – COFINS – BASE DE CÁLCULO: Será lavrado o Auto de Infração da COFINS, referente ao período de 1997 e 1998, tendo como base de cálculo o total do faturamento conforme levantado no ANEXO II do Termo de Verificação Fiscal lavrado em 08/11/2002, do processo 13884.004279/200214, folha 24. ...” 3. Inconformada com o procedimento fiscal, a interessada, por intermédio de seus advogados, apresentou em 17/01/2003 a impugnação de fls. 217/283, acompanhada dos documentos de fls. 284/757, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. 3.1. Expõe que foi lavrado o Auto de Infração “por entender a fiscalização que a Entidade não estaria atendendo os requisitos para gozar de imunidade tributária, por ter remunerado os membros da diretoria, sob as mais diversas formas e títulos e, portanto, seus Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.447 5 dirigentes receberem vantagens econômicas que caracterizam distribuição disfarçada de lucros. ... o que culminou com a expedição do Ato Declaratório nº 36, de 18/12/2002.” 3.2. Assevera que faz jus à imunidade tributária de Contribuições Sociais do art. 195, § 7º, da Constituição Federal e atende aos requisitos do art. 14 do CTN. 3.3. Tece considerações sobre a entidade defendente, que afirma ter caráter educacional, beneficente, filantrópico e de assistência social (comunitária), fazendo menção ao ato de sua constituição e ressaltando: ter sido constituída há quase meio século, não ter fins lucrativos, fixar encargos inferiores aos cobrados por outras instituições, desenvolver atuação comunitária e filantrópica, propiciar bolsas de estudos a alunos carentes, assistência judiciária a necessitados, serviços odontológicos gratuitos e disponibilizar à comunidade departamento de pesquisa, laboratório, biblioteca, institutos de informática, serviços de interesse da terceira idade e integrar o programa Comunidade Solidária do Governo Federal. Acrescenta ter sido declarada de utilidade pública pela Câmara Municipal de São José dos Campos e pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e reconhecida como entidade de fins filantrópicos conforme Certidão do Ministério da Previdência e Assistência Social, preenchendo as condições previstas no art. 14 do CTN que lhe garante a imunidade de impostos nos termos do art. 150, VI, “c” da CF, e da CSL e da COFINS nos termos do art. 195, § 7º da CF. 3.4. Discorda do entendimento fiscal de que a impugnante não possui desde 01/01/95 o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, pois embora o pedido de renovação do Certificado tenha sido indeferido, o Sr. Ministro da Previdência teria fixado os efeitos de sua decisão a partir de 11/01/99, data da publicação, conforme excerto que transcreve. 3.5. Reportase, também, a Parecer CJ 1.118/98 do Sr. Ministro Reinhold Stephanes, para corroborar seu entendimento de que “a demora da administração não pode prejudicar o administrado, qualquer que seja a decisão – deferimento ou indeferimento”, bem como a Resolução CNAS 38, de 22/05/95, com a qual manifesta concordância parcial. 3.6. Aduz que “a Defendente estaria privada do Certificado, somente no período compreendido entre 11 de janeiro e 24 de maio de 1999 e não no período anterior (1997 – 1998), como pretende a fiscalização” . 3.7. Defende que a falta de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos não poderia constituir razão para exigibilidade de impostos e contribuições sociais e para a suspensão da imunidade tributária, em razão de ser portadora de Atestado de Registro no Conselho Nacional de Assistência Social o que, pela redação primitiva do art. 55, I, da Lei 8.212/91, seria suficiente – e, também, porque observa os requisitos legais previstos no art. 14 do CTN, que são os necessário para usufruir da imunidade no entendimento do STF. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.448 6 3.8. Faz explanação a respeito de imunidade tributária, reportandose ao art. 150, VI, “c”; 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal, e art. 14 do CTN, concluindo que: “À falta de lei complementar específica para disciplinar as condições a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para fazerem jus ao benefício do § 7º do art. 195, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RMS nº 22.1929DF reconheceu que, prestantes eram as mesmas condições previstas no art. 14 do CTN para o gozo da imunidade de impostos de que trata o art. 150 VI “c” da CF, por serem, tais condições, compatíveis com a finalidade para a qual ambas as desonerações foram concebidas pelo legislador supremo.” 3.9. Discorre sobre o conceito de assistência social e beneficência, observando que “Assistência Social vinculase ao tipo de atividade exercida e não à sua gratuidade”. 3.10. Argumenta que a Lei Ordinária 9.732, de 11/12/98, teve seus efeitos suspensos pelo STF, na ADIn 20285DF, por pretender restringir a imunidade tributária, não podendo ser aplicada no caso da defendente. Em razão disso, entende ser nulo o auto de infração, por estar embasado em lei declarada inconstitucional. 3.11. Assevera ser preciso distinguir a Entidade Mantenedora (Fundação Valeparaibana de Ensino) e a Entidade Mantida (Universidade do Valor do Paraíba), o que não teria acontecido no Parecer SOART que cumulou no ato declaratório impugnado e no qual indevidamente foi atribuída a condição de filial à Univap. 3.12. Defende que a “remuneração paga a dirigentes” a que se refere o agente fiscal é aquela paga ao Reitor, ViceReitor e PróReitores da Universidade e não aos dirigentes da Fundação, sendo aplicável o Parecer Normativo CST 71/73 e inocorrendo contrariedade à Instrução Normativa SRF 113/98. 3.13. Discorre a respeito das funções de dirigentes da mantenedora (Fundação) e da mantida (Univap), afirmando serem inconfundíveis. 3.14. Busca, também, demonstrar a distinção entre a mantenedora e a mantida em relação à competência de cada uma, atribuindo à primeira funções mais simples e à segunda uma estrutura mais complexa. 3.15. Expõe não caber à Receita Federal controlar atividades lícitas dos cidadãos, impondo a não remuneração de dirigentes da Universidade pela circunstância de também exercerem funções diretivas na Fundação que a mantém ou controlando o quanto deve ganhar um professor. 3.16. Reitera que a Universidade, como entidade mantida, não tem personalidade jurídica e não está inscrita no CNPJ, reportandose ao § 2º do art. 55 da Lei Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.449 7 8.212/91, ao art. 14 da Resolução CNAS 117/2000 e ao Parecer CJ/nº 509/96 da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência, aprovado pelo Ministro, os quais transcreve. 3.17. Acrescenta que a Universidade é mantida pela Fundação que, na qualidade de mantenedora, possui personalidade e registros próprios, dos quais a Universidade faz parte, por disposições estatutárias, integrando a pessoa jurídica à qual pertence e não sendo sua filial. 3.18. Sob o título “Não remuneração dos Membros da Diretoria da Fundação” , defende ser preciso distinguir os cargos e funções de direção da Fundação, que não podem ser remunerados, daqueles exercidos na direção da Univap. 3.19. Expõe que “o que a norma veda é a remuneração daquele que exerce atividades de diretor ou conselheiro de uma entidade imune, ou seja, proíbe remuneração por atribuições inerentes a esses cargos de estrutura diretiva; não porém, da atividade profissional exercida no desempenho das funções de professor, coordenador pedagógico, etc., que exigem habilitação profissional, conhecimento específico e titulação necessária para essas finalidades, na forma das leis que regem o ensino e a educação no país.” 3.20. Invoca o art. 5º, inciso XIII, da CF de 988 para defender a garantia do livre exercício do trabalho e a liberdade de profissão. 3.21. Reportase a julgado do STF e ao Parecer CST 71/73 para corroborar seu entendimento de que a remuneração questionada não descaracteriza a imunidade tributária. 3.22. Defende que a remuneração ao Reitor, ViceReitor e aos PróReitores é paga pelo exercício dessas funções e não pelo serviço de ministrar aulas, do qual são dispensados, como é usual em todas as Universidade. Enfatiza que tal remuneração não descaracteriza a imunidade da instituição que mantém a universidade, conforme ementas de decisões judiciais do TRF que menciona. 3.23. Alude a Parecer CNSS relativo a Fundação de Ensino de Osasco, que entende assemelharse ao caso em questão e assevera que os beneficiários das remunerações nada recebem como diretores da Fundação mantenedora, mas sim como professores e diretores (ou Reitor, ViceReitor e PróReitores) da Universidade pelo trabalho efetuado. 3.24. Transcreve excerto de Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência de nº 639, de 01/04/96, e de acórdão do Conselho de Contribuintes, para justificar seu entendimento. 3.25. Ressalta estar sujeita a fiscalização e aprovação de sua gestão pelo Ministério Público, não tendo referido órgão apontado, até o momento, falha no seu procedimento. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.450 8 3.26. Reprisa não poderem ser confundidos os cargos de diretores da fundação, não remunerados, com aqueles de diretor (Reitor, ViceReitor e PróReitores) da entidade mantida, que podem e devem ser remunerados. 3.27. Assinala que a remuneração dos atuais professores, Reitor e PróReitores corresponde àquela atribuída aos cargos de direção de entidades particulares em geral, não sendo nem exagerados e nem desproporcionais e obedecendo rigorosamente ao Plano de Carreira. 3.28. Contrapõese ao entendimento da fiscalização de que o Reitor teria vencimentos básicos superiores aos professores do mesmo nível sob argumento de que, para os cálculos, teria sido considerado indevidamente mês de 23 dias – assunto que fora omitido no parecer em que se baseou a decisão recorrida, significando seu acolhimento. 3.29. Sob o título “da remuneração de professores e o exercício de funções de reitor, vicereitor e próreitor”, defende a impossibilidade de os ocupantes desses cargos cumularem as atividades a eles inerentes com aquelas de professor, citando excertos de estatutos de algumas universidade públicas para exemplificar a desobrigação do exercício das atividades docentes, sem prejuízo dos vencimentos, gratificações e demais vantagens. Comenta que, no parecer em que se fundamenta a decisão recorrida, essa alegação foi considerada não comprovada, mas, por ser fato notório, não depende de prova conforme art. 334, I, do CPC. Informa, contudo, estar juntando Estatutos antes mencionados. 3.30. Informa que a remuneração recebida pelas autoridades acadêmicas vem especificada em folha de pagamento, sendo condizente com a responsabilidade e encargos assumidos, bem como com os requisitos impostos pelos órgãos fiscalizadores, os quais condicionam o exercício dessas funções e a assunção de tais cargos a pessoas reconhecidamente habilitadas, qualificadas, tituladas e com experiência da área. Acrescenta que os ganhos do professor do ensino privado superior são maiores do que o do setor público. 3.31. Tratando de “trabalho em regime de dedicação exclusiva”, para justificar a vantagem correspondente a 55% dos salários, reportase ao art. 1º da Lei 8.243, de 14/12/1991, relativo a vencimentos de docente integrante da carreira de Magistério. Afirma que os salários da UNIVAP estão vinculados ao seu quadro Único de Carreira, inexistindo óbice legal para que os ocupantes dos cargos que exigem dedicação exclusiva exerçam paralelamente atividade não remunerada na mantenedora, conforme art. 14 da Lei 7.596/87 e art. 12 da Lei 4.345/94, que transcreve. 3.32. Acrescenta, ainda: “É claro que o Reitor e ViceReitor que são escolhidos entre os professores de maior titulação (grau de doutor) e com experiência na área educacional, para o exercício de suas funções em regime de dedicação exclusiva, em geral enquadram se nas maiores referências salariais, considerandose o tempo de Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.451 9 serviço e adicionais a que fazem jus. Mas a remuneração está situada dentro da média geral das instituições particulares de ensino superior,não sendo exageradas nem desproporcionais, mas rigorosamente obedientes ao Plano de Carreira da Universidade, e portanto não há que se falar em distribuição disfarçada de lucros,mas tão somente remuneração justa pelo trabalho profissional exercido na Universidade.” 3.33. Quanto à utilização de veículo de propriedade da fundação pelos diretores, discorda que representem benefício indireto, comparando com a utilização de veículos oficiais disponibilizados a ocupantes de determinados cargos públicos para que tenham condições de bem exercer suas funções. Sobre a questão, transcreve excerto de decisão que identifica como proferida pela Coordenadoria Geral de Direito Previdenciário no processo 35415.00197221. 3.34. Abordando as despesas de combustíveis, defende: “o uso desses veículos, que pertencem ao Patrimônio da Entidade, e atendem suas finalidades, à evidência, implica em despesas de combustíveis, de modo que tais despesas são necessárias às finalidades da Instituição”. 3.35. E complementa: “Daí por que absolutamente não se extrai, da planilha de fls. 218/219, a conclusão da autoridade fiscal de primeira instância: tal planilha apenas evidencia que alguns dirigentes assinaram algumas notas fiscais correspondentes a abastecimento, em postos de gasolina, de veículos pertencentes à frota da Instituição. Positivamente não se vê como isso possa caracterizar “benefício indireto”, uma vez que os veículos só são utilizados a serviço – jamais tendo havido qualquer alegação em contrário. Na notificação que deu origem a este processo tentou se apresentar um dos veículos como pertencentes a um dos Pró Reitores. Mas com a defesa foi juntado contrato de leasing celebrado com a impugnante (...) e a decisão recorrida não voltou ao assunto – o que pode ser entendido como acatamento tácito da defesa, nesse particular.” 3.36. Sobre as despesas com restaurantes, alega terem sido ocasionadas por eventos como organização e realização de vestibulares, visitas de comissões do MEC, reuniões com professores de outros estabelecimentos de ensino e profissionais que poderão ser convidados a integrar o corpo docente, discussão de planos de trabalho, organização de novos cursos, etc. – despesas que considera absolutamente necessárias para cumprimento das finalidades da instituição. 3.37. Quanto ao fato de as despesas referiremse a período de recesso do campus universitário ou recaírem em sábados, domingos e último dia do ano, alega que: 3.37.1. é nos fins de semana que se realizam exames vestibulares, eventos artísticos e culturais, seminários, congressos, comemorações cívicas e religiosas e serviços de auditoria, sendo imprescindível que se proporcione almoço a palestrantes, convidados, etc; Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.452 10 3.37.2. alguns funcionários e dirigentes trabalham no período de recesso – ocasião em que são realizados eventos como planos de aula e reuniões de trabalho interno, pois o recesso é para alunos e não para dirigentes; 3.37.3. o gasto em 31/12/96, tratase de despesa de R$ 24,00 correspondente a lanche pago pelo dirigente a funcionários que faziam plantão, sendo tal despesa a ele reembolsada. “A nota fiscal está nos autos, e a própria insignificância de seu valor atesta que não corresponde a nenhuma “vantagem indireta” de qualquer dirigente.” 3.38. Reportase a Nota Fiscal relativa a despesa de táxi do dia 23/12/1996. Procura justificar as despesas dos dias 13, 15 e 21/12/1996 apresentando comprovantes de que nessas datas foram exercidas atividades. E, quanto à despesa do dia 09/01/1997, busca justificála, mediante declaração de Auditor que menciona. 3.39. Relativamente a aluguel com cantinas e copiadoras no campus da universidade, informa que aluga espaços para tais atividades, estritamente vinculadas e complementares às atividades educacionais, direcionadas exclusivamente aos alunos e à própria defendente, e que os valores recebidos a título de aluguéis são integralmente utilizados em sua finalidade essencial, não podendo a fiscalização desconsiderálos por entender que as receitas não estariam ao abrigo da imunidade. 3.40. Aludindo ao § 4º do art. 150 da CF e ao § 2º do art. 14 do CTN, discorre a respeito do patrimônio que entende ser tutelado pela imunidade constitucional, citando doutrina sobre a matéria, inclusive da lavra do subscritor da defesa, para concluir que “apenas se a atividade econômica provocar desequilíbrio na concorrência a imunidade não se aplica, visto que a destinação exclusiva para as finalidades das entidades imunes, que não provoquem desequilíbrio na livre concorrência, não retira a imunidade de tais atividades, como acima comentado.” 3.41. Tratando de Imposto de Renda sobre aplicações financeiras e prestação de serviços, reitera que a Lei 9.532/97 pretendeu restringir a imunidade do art. 150, inciso VI, “c”, da CF, e alega que “no caso da defendente a exigência é duplamente ilegítima; por estar ampara por medida judicial, e por estar embasada no art. 12 da Lei 9.532/97, que não pode ser aplicado, por estar suspenso em face de decisão do STF na ADIN 1802DF, que possui efeitos “erga omnes”, juntamente com os artigos 13 e 14 da referida Lei”. 3.42. Registra a evolução do patrimônio e o progresso da entidade entre os anos de 1992 e 2001, asseverando que as atividades filantrópicas e sociais estão amplamente comprovadas no processo e nos registros contábeis. 3.43. Expõe, ainda, que a fiscalização não faz menção ao patrimônio da entidade (prova da aplicação dos resultados na consecução de seus objetivos institucionais), ao Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.453 11 recolhimento de impostos em relação a terceiros e ao trabalho social e filantrópico desenvolvido pela Entidade. 3.44. Reitera que a Fundação, que nada possuía, constitui hoje um complexo educacional de primeiro mundo, tendo concedido milhares de bolsas de estudo nos cinqüenta anos de existência, estabelecido convênios para assistência social, realizado um trabalho que não pode ser interrompido, gerado empregos e recolhido impostos em relação a terceiros – o que também considera forma de assistência social e cumprimento de objetivos institucionais. Ressalta que todo o patrimônio da entidade demonstra a aplicação de recursos para atendimento dos objetivos institucionais. 3.45. Defende que, ainda que não fosse imune, não seria exigível a COFINS, pois no período abrangido pela autuação sua base de cálculo, a teor do art. 195, I, da CF e da LC 70/90, era o faturamento, elemento estranho às entidades sem fins lucrativos. Reportase à Lei 9.718/98, a qual alega ter pretendido abranger todas as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas e alcançar as entidades sem fins lucrativos,e à MP 18586, que veio conceder isenção a tais entidades. 3.46. Discorre a respeito de seu entendimento de que a multa aplicada de 75% tem efeito confiscatório, infringindo disposições constitucionais, matéria que entende não escapar à apreciação da autoridade administrativa. 3.47. Diverge da incidência da taxa SELIC, alegando não ter natureza de juros moratórios, mas remuneratórios, e ser contrária ao limite estabelecido pelo art. 192, § 3º, e 161, § 1º, do CTN. Cita ementas de acórdãos sobre a matéria e requer a exclusão dos valores computados a esse título. 3.48. Reitera que o cancelamento da imunidade não pode ser mantido e, em consequência, a exigência da COFINS contida no Auto de Infração deve ser anulada. 3.49. Alerta que a entidade, tendo sido constituída sob a forma de fundação, não pode receber tratamento fiscal como se fosse empresa, uma vez que todo seu patrimônio não pertence a seus Dirigentes nem a seus herdeiros, mas a sociedade. 3.50. Expõe que a suspensão da imunidade implicará desserviço para a sociedade e que o agente fiscal interpretou deficientemente os fatos, podendo ensejar, inclusive, crime de responsabilidade, nos termos do § 6º do art. 37 da Constituição. 3.51. Finaliza, requerendo o acolhimento da defesa e a manutenção da imunidade tributária da entidade. Analisando a impugnação apresentada, o colegiado a quo julgoua improcedente. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.454 12 O contribuinte apresentou recurso voluntário que foi apreciado pela então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual, por maioria de votos, negou lhe provimento (Acórdão 20309.84 – Sessão de 07 de julho de 2004). Inconformado, o contribuinte apresentou recurso especial que foi admitido. Em análise do recurso apresentado, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deulhe provimento para anular o Acórdão 20309.84 em razão da incompetência do colegiado para analisar suspensão de imunidade de Cofins quando decorrente de mesmo procedimento fiscal que suspendeu a também a imunidade de IRPJ, determinandose que os autos fossem encaminhados para o então Primeiro Conselho de Contribuintes para nova apreciação do recurso voluntário. O processo a que se refere a suspensão de imunidade de IRPJ (13884.005055/200220) já fora apreciado pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo sido provido o recurso voluntário do contribuinte (Acórdão 10194.657 – Sessão de 12 de agosto de 2004). Compulsando o andamento processual daqueles autos, constatei que a decisão não foi reformada, tornandose definitiva. É o relatório. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.455 13 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário já fora conhecido quando da prolação do Acórdão 203 09.84. Passo então à análise de seu mérito. 1 DO JULGAMENTO DO PROCESSO PRINCIPAL (IRPJ) Em procedimento fiscal único, a autoridade fiscal responsável pelo feito suspendeu a imunidade de IRPJ, de CSLL, suspendendo ainda a imunidade/isenção de Cofins prevista no art. 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70, de 1991. Ato contínuo foram lavrados os autos de infração correspondentes. No que diz respeito ao lançamento de IRPJ e de CSLL (13884.005055/2002 20) foi prolatado o Acórdão 10194.657 dando provimento ao recurso voluntário, decisão administrativa definitiva. No que diz respeito à exigência de Cofins, o recurso voluntário apresentado foi apreciado pela então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual, por maioria de votos, negoulhe provimento (Acórdão 20309.84 – Sessão de 07 de julho de 2004). Inconformado, o contribuinte apresentou recurso especial e a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deulhe provimento para anular o Acórdão 20309.84 em razão da incompetência do colegiado para analisar suspensão de imunidade de Cofins quando decorrente de mesmo procedimento fiscal que suspendeu a também a imunidade de IRPJ, determinandose que os autos fossem encaminhados para o então Primeiro Conselho de Contribuintes para nova apreciação do recurso voluntário. Com a extinção de tal colegiado, houve novo sorteio para relato. Pois bem, em situações de lançamentos baseados nos mesmos elementos de prova, entendo que a regra deve ser aplicar aos lançamentos reflexos o mesmo entendimento firmado no julgamento do processo principal. Contudo, os fatos que serviram de base para a suspensão de imunidade de IRPJ não são os mesmos que embasaram o lançamento de Cofins. Enquanto a suspensão de imunidade atacava questões atinentes à gratuidade para fins de caracterização de assistência social, questionava a remuneração paga a Diretores da entidade mantenedora (Fundação) bem como benefícios pagos a esses dirigentes, e o auferimento de receitas estranhas à atividade fim da entidade, o lançamento de Cofins baseiase única e exclusivamente no fato de a entidade supostamente não possuir, para o período de apuração a que se refere o lançamento, certificado de entidade para fins filantrópicos. Por essa razão, passo a analisar o recurso voluntário baseado nessa premissa. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.456 14 2 DA EXIGÊNCIA DE COFINS 2.1 Do ato cancelatório e a ilegitimidade da aplicação retroativa da lei Aduz o Recorrente que o ato declaratório de suspensão foi expedido em 18/02/2002 (com ciência em 20/12/2002), mas com aplicação retroativa, pois cancelou benefício relativos aos exercícios de 1997 e 1998. Aduz que em procedimentos fiscais anteriores não teria sido lavrado auto de infração em relação aos mesmos períodos de apuração, o que implicaria ofensa ao art. 146 do CTN em razão de alteração no critério jurídico. Entendo não assistir razão ao Recorrente. Em primeiro lugar porque o ato cancelatório diz respeito exclusivamente à suspensão de imunidade de impostos a que se refere a alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, nos termos também tratado no art. 32 e seguintes da Lei nº 9.430, de 1996, e o presente lançamento versa sobre exigência de Cofins. No que diz respeito à aplicação do art. 146 do CTN há de ressaltar que haveria necessidade de dois lançamentos com critérios jurídicos distintos, fato não comprovado pelo Recorrente. Desse modo, rejeito essa arguição de nulidade suscitada. 2.2 Nulidade do auto de infração, por constar fundamentado em diploma julgado inconstitucional pelo STF (Lei nº 9.732/98) Segundo o Recorrente a autuação se basearia em dispositivo legal considerado inconstitucional pelo STF. Discordo de tal entendimento. Não se olvida que recentemente Supremo Tribunal Federal (STF) pronunciouse sobre o tema por meio das Ações Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 2.028 e n.º 2.036, além do Recurso Extraordinário n.º 566.622. Contudo, embora os referidos acórdãos das Acórdãos das ADI julgaram os pedidos dos autores “integralmente procedentes”, os referidos pedidos se limitaram a requerer a declaração de inconstitucionalidade do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991, e dos seus §§ 3º, 4º e 5º, na redação dada pela Lei n.º 9.732, de 1998. Aquela redação exigia a promoção gratuita e em caráter exclusivo da assistência social pelas entidades beneficentes e a vinculavam também ao SUS, outorgando ainda poderes ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para cancelar a então nominada isenção. É importante ressaltar que os argumentos do Recorrente de que a declaração de inconstitucionalidade perpetrada pelo STF abarcaria também o inciso III da Lei nº 8.212, de 1991, baseado em excertos dos votos de alguns ministros nos julgados citados no parágrafo anterior deste voto, não se sustenta, pois tratase de declarações obiter dictum, uma vez que tanto o pedido contido nas iniciais/recursos, quanto o dispositivo de todos os julgados, limitaramse a declarar a inconstitucionalidade do inciso II da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.457 15 Contudo, conforme se observa à efl. 215 dos autos, a autoridade fiscal não cita, sequer, tal diploma legal (Lei 9.732) entre os fundamentos que embasam o lançamento: citamse os artigos 1º e 2º da Lei Complementar n° 70/91, e os artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pela Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições. No Termo de Verificação Fiscal (efls. 202204) citase ainda a ausência de certificado de entidade de fins filantrópicos como fundamento da exigência, nos termos do inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 (Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, a partir da edição da Medida Provisória 2.18713, de 2001). Nesse cenário, conforme analisado alhures, inexiste declaração de inconstitucionalidade do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, fundamento da exigência em análise. Salientase que embora a autoridade fiscal tenha feita brevíssima menção a outros pontos levantados na exigência de IRPJ como pressuposto para ausência de tal certificado, tratase de mera suposição, pois, para fins de aplicação da literalidade do contido em tal dispositivo legal, a ausência de certificado de entidade de fins filantrópicos (ou registro e certificado de entidade beneficente de assistência social) é elemento suficiente para suspenderse a isenção em questão. De todo modo, como se observa, o fundamento da exigência não possui qualquer vinculação com o disposto na Lei nº 9.732, de 1998, ou seja, não há que se falar em autuação baseada em dispositivo legal considerado inconstitucional pelo STF. Rejeito, pois, a alegação de nulidade do lançamento. 2.3 Do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos Compulsandose os autos, constatase que o Recorrente não possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos no período objeto do lançamento em razão da não observância do disposto no inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, dispositivo que regulamenta a imunidade prevista no artigo 195, § 7°, da Constituição Brasileira: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [...] II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; [...] Nesse cenário, para análise do caso concreto pouco importam os motivos que levaram ao indeferimento do pedido de renovação de tal certificado, sendo suficiente determinar se o Recorrente possuía, ou não, o certificado para o período a que se refere o lançamento. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.458 16 Conforme já esclarecido, embora a autoridade fiscal tenha tecidos alguns comentários atinentes a fatos que deram ensejo à suspensão da imunidade de IRPJ, para o lançamento de Cofins tais fatos, bem como as conclusões do colegiado que julgou o recurso voluntário naquele caso, são irrelevantes para o deslinde do litígio ora sob análise. Analisando o Termo de Verificação Fiscal (efls. 202204), resta evidente que, no entender da autoridade fiscal, a imunidade a que se refere o § 7° do artigo 195 da Constituição Brasileira está condicionada ao cumprimento do disposto no art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, asseverando que, em relação ao Recorrente, deixouse de atender ao disposto no inciso II de tal dispositivo. Vejase excerto do Termo de Verificação: Conforme já analisado, a empresa não possui o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 01/01/1995, estando pois descoberta deste beneficio no período examinado, de 1997 e 1998, ficando exposta a qualquer fiscalização que comparecesse." Para o Recorrente somente Lei Complementar poderia prever tal exigência. Partindose desse argumento, é importante ressaltar que para se levar adiante tal exegese, haveria se declarar a inconstitucionalidade do disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, o que é vedado a esta Corte Administrativo, conforme, aliás, determina o enunciado da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, para que o argumento do Recorrente pudesse ser aplicado ao caso concreto, haveria de observar o disposto no artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, no sentido de que os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Entretanto, conforme já analisado no item precedente deste voto, inexiste declaração de inconstitucionalidade do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, impedindo que este colegiado, por conseguinte, deixe de aplicar tal dispositivo. No que diz respeito à arguição do Recorrente de que o Fisco somente poderia considerar que a entidade não dispunha de certificado de entidade de fins filantrópicos quando indeferido, pelo órgão competente, o pleito formulado pela instituição para obter tal documento, outra sorte não merece o recurso. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.459 17 O fato de a decisão proferida pelo Ministro da Previdência Social na análise do pedido de reconsideração ter sido exarado somente em 11/01/1999 não possui o condão de considerar que, no período anterior a esta decisão, o Recorrente fizesse jus ao benefício, até mesmo porque o pedido de renovação do certificado foi indeferido desde o início e os recursos impetrados não possuíam efeito suspensivo. O Recorrente alega que no despacho proferido despacho ministerial restou assentado que os efeitos de tal decisão produziam efeito a partir da data de sua publicação (11/01/1999), citando o Ofício de efl. 94. Contudo, equivocase o Recorrente ao não atentar para o parágrafo imediatamente posterior do mesmo documento, em que restou assentado: Observese que os efeitos de que trata o despacho supra referemse ao “NÃO PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO”, o que não deve ser confundido com o indeferimento do pedido de renovação do Certificado, cujo prazo de validade expirouse em 31/12/94 por força da Lei 8.212/91. Assim sendo, a entidade já não detém o Certificado desde 01/01/95. Cabe ainda ressaltar que o Recorrente transcreve em seu recurso excerto que identifica como integrante do Parecer CJ nº 1.118/98, do Sr. Ministro Reinhold Stephanes: “O Certificado é meramente declaratório e seus efeitos retroagem à data da formalização do pedido de renovação (Parecer MPAS/CJ/Nº 630/96), logo não importa se o CNAS demore 3 anos para analisar o pedido porque se deferido ou indeferido retroagirá à data em que foi protocolado. O importante é que na data em que seu pedido foi registrado tenha preenchido todos os requisitos exigíveis naquele momento. A demora da administração não pode ser imputada ao requerente, principalmente em seu prejuízo.” Nos termos do citado trecho do parecer em comento, o deferimento ou o indeferimento do pedido retroagem à data em que o pedido foi protocolado. Uma vez deferido, os efeitos retroagirão à referida data, já que desde então o requerente faria jus ao certificado. Já em caso de indeferimento, os efeitos também retroagirão à mesma data, haja vista que, no período entre o pedido e a decisão, não havia direito a ser preservado. Desse modo, por óbvio, não se pode admitir que um requerimento produza os efeitos de documento que o contribuinte não fez jus, restando evidente o descumprimento ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 2.4 Da multa de ofício e taxa Selic e da suposta ofensa à Constituição na exigência da Cofins com base na Lei nº 9.718/98 No que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pelo Recorrente em relação à multa de ofício e taxa Selic, bem como que a exigência da COFINS baseada na Lei n° 9.718/98 não guardaria conformidade com a Constituição Federal, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado, conforme já examinado neste voto à luz da Súmula CARF nº 2. No que tange ao questionamento específico da aplicação da taxa Selic, até mesmo em razão de expressa disposição legal, a matéria encontrase absolutamente pacificada Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.460 18 no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 2.5 Da arguição de decadência Argui o Recorrente que tendo o lançamento sido efetuado em 20/12/2002, o crédito tributário referente aos meses de janeiro a novembro de 1997 deveriam ser extintos em razão de decadência, haja vista ser aplicável a contagem do prazo nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC/1973) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.461 19 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, compulsando os autos, não identifiquei pagamentos antecipados de Cofins. Assim, independentemente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que, na ausência de pagamento antecipado, o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Desse modo, tratandose do período de apuração mais longínquo (janeiro de 1997), o lançamento já poderia ser realizado em 1997 e o primeiro dia do exercício seguinte foi o dia 1º de janeiro de 1999. Portanto, o lançamento poderia ter sido efetuado até o último dia Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.462 20 do ano de 2002. Considerandose que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 20/12/2002, não há que se falar em decadência. CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as arguições de nulidade e de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.463 21 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Com a devida vênia, ouso discordar do i. relator quanto ao improvimento do recurso voluntário em exame. Tratase dos presentes autos de lançamento de COFINS decorrente de um único procedimento fiscal, que resultou na suspensão da imunidade de IRPJ, CSLL e COFINS. No que se refere aos lançamentos de IRPJ e CSLL, como já dito pelo i. relator, existe decisão definitiva nos autos do processo administrativo fiscal nº 13884.005055/200220, dando provimento ao recurso do contribuinte, sendo indiscutível que lá se firmou o entendimento de que as condições para suspensão da imunidade não restaram configuradas. Confirase neste ponto os termos do dispositivo do votocondutor do Acórdão nº 10194.657: No caso, não se identificam essas distribuições veladas. Os "dirigentes" (reitor, subreitor e próreitores) nenhuma vantagem recebem por sua função. Fazem parte do corpo docente da universidade, sendo remunerados de acordo com o plano da carreira de magistério da entidade, em iguais condições com os demais professores que não exercem cargos de direção. São remunerados na qualidade de professores, e não de dirigentes. Apenas são dispensados da atividade de docência enquanto estiverem exercendo as atividades não remuneradas de reitor, vicereitor ou próreitor. E essa dispensa não constitui nenhuma vantagem excepcional, sendo comum nas universidades públicas. Portanto, não restaram configuradas as condições para suspensão da imunidade, nem sob a ótica da Lei 9.532/97. (G.N) Na hipótese do lançamento de COFINS, os autos foram inicialmente analisados pela então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso do contribuinte, e depois, pela Segunda Turma do CSRF, que deu provimento ao recurso interposto para anular o Acórdão antes proferido (20309.84), firmando o entendimento de que a competência para analisar o pleito aqui em discussão seria do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que equivale hoje à Primeira Seção de Julgamento, encaminhando os autos para nova apreciação. A pergunta que se faz é a seguinte: poderia o presente colegiado, ao apreciar o presente pleito, alterar o entendimento da 2ª Turma da CSRF, no sentido de infirmar sua competência e devolver os autos para a 3ª Seção de julgamento, sob o entendimento de que o lançamento não se baseou nos mesmos fatos imputados ao lançamento de IRPJ e CSLL? Entendo que não, até mesmo porque, de acordo com o regimento interno deste Conselho, conflito de competência de Seções seria entre as Turmas do CSRF. Com base nesta premissa (resposta), cabe um outro questionamento: se a discussão travada nestes autos, por decisão da CSRF, é de competência deste colegiado, e este Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 13884.005054/200285 Acórdão n.º 1301002.774 S1C3T1 Fl. 1.464 22 colegiado, de acordo com seu regimento interno, só é competente para analisar o pleito em decorrência da conexão, estaria negando sua competência acaso não profira decisão como processo conexo? Entendo que sim, até mesmo porque acaso assim não o faça, não haveria motivo processual para se analisar o pleito, e a competência seria da 3ª Seção, que decidiria o caso, sem quaisquer vinculações. Logo, ou infirmase sua competência e ai remetese os autos para a 3ª SEJUL, ou se reconhece em razão de decisão concreta prolatada pela CSRF, e ai, penso que a decisão aqui proferida deve seguir a mesma sorte da prolatada no "processo principal". Desta forma, por questões processuais, penso que não cabe no corpo desses autos discutir a exigência ou não COFINS, devendose ser tomado tão somente o resultado obtido no julgamento do "processo principal", que firmou o entendimento de que as condições para suspensão da imunidade não restaram configuradas e, por reflexão, chegar ao resultado de que a COFINS também não deve ser exigida de entidades com as características da recorrente. Conclusão Desta forma, voto pelo provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.000003/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2009
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3402-004.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2009 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 00 00 03 /2 01 0- 14 Fl. 203DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de pena de perdimento comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.), no montante de R$ 2.427.728,28,nos termos do artigo 23, §3º, do DL 1.455/76. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório acórdão recorrido in verbis: Conforme relato da autoridade fiscal, a contribuinte não apresentou os documentos solicitados em procedimento especial de fiscalização, decorridos mais de sessenta dias da intimação, o que autoriza presumir a interposição fraudulenta, em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ela realizadas e nas quais atuou como adquirente de mercadorias importadas por intermédio de terceiros, no período de fevereiro de 2006 a abril de 2009. Da autuação A fiscalização relata haver intimado a contribuinte, em 22/06/2009, por meio do Termo de Intimação nº 01, a apresentar os seguintes elementos: 1. Copia autenticada do contrato social da empresa e todas as suas alterações; 2. Copia autenticada do contrato de locação do imóvel no qual se localiza a sede da empresa (endereço atual); 3. Livros "Diário e Razão" e respectivos planos de contas ou Livros Caixa de 2006 a 2008; 4. Balanços Patrimoniais e Demonstrações do Resultado dos Exercícios de2006 a 2008; 5. Comprovantes da efetiva disponibilidade financeira dos sócios para a Integralização do Capital da empresa; 6. Contrato de Mútuo com a empresa ROEL ELETRONICS S.A.; 7. Comprovantes das negociações com os fornecedores estrangeiros para a aquisição das mercadorias importadas, diretamente pela empresa ou por intermédio de terceiros, no período de fevereiro/2006 a abril/2009, e a identificação dos representantes e/ou funcionários da PK Importação e Exportação que efetuaram as negociações, bem como a relação dos nomes das pessoas de contato junto aos fornecedores estrangeiros, indicando os respectivos números de telefone, fax e endereço eletrônico; 8. Contratos de câmbio e os comprovantes da disponibilidade financeira da empresa para o fechamento do câmbio nas importações efetuadas pela empresa de fevereiro/2006 a abril/2009, incluídas aquelas nas quais a empresa atuou como adquirente de mercadorias importadas por intermédio de terceiros (SARZI COMERCIO EXTERIOR LTDA); Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11829.000003/201014 Acórdão n.º 3402004.876 S3C4T2 Fl. 515 3 9. Explicar detalhadamente os procedimentos referentes à logística das mercadorias importadas no período de fevereiro/2006 a abril/2009 após a saída do local de desembaraço aduaneiro até a venda das mesmas; 10. Notas Fiscais de Entrada e de Vendas das mercadorias importadas no período de fevereiro/2006 até abril/2009; 11. Inventário (livro modelo 7) das mercadorias no período de 2006 a abril/2009. Analisando as respostas apresentadas pela fiscalizada (em 14/07 e 10/08/2009), a autoridade administrativa concluiu que a empresa atendeu integralmente aos itens 1, 2 e 6; parcialmente, aos itens 7, 8, 9 e 10; enquanto que os itens 3, 4, 5 e 11 não foram atendidos. Observa, ademais, que em razão do atendimento parcial ao item 9, intimou as empresas transportadoras das mercadorias auditadas, tendo sido constatado que o local efetivo de entrega não correspondia ao endereço sede da empresa (Av. Francisco Glicério, 305,sala 12, Centro, Campinas/SP), mas a um outro em que se encontrava um imóvel residencial com a aparência de estar abandonado (Av. Esther Moretzhon Camargo, 662, Jardim Santana,Campinas/SP). Essa informação estaria em contradição com as declarações da empresa, no sentido de que, após o desembaraço, as mercadorias seguiam direto para a sede da empresa para posterior venda a clientes. Em 31/08/2009, foi lavrado o Termo nº 2, cientificado à contribuinte em04/09/2009, requisitando os seguintes elementos relativos aos itens não atendidos ou parcialmente atendidos na intimação anterior: 1. Livros "Diário e Razão" e respectivos planos de contas ou Livros Caixa de 2006 a 2008; 2. Balanços Patrimoniais e Demonstrações do Resultado dos Exercícios de2006 a 2008; 3. Comprovantes da efetiva disponibilidade financeira dos sócios para a Integralização do Capital da empresa; 4. Comprovantes das negociações com os fornecedores estrangeiros para a aquisição das mercadorias importadas, diretamente pela empresa ou por intermédio de terceiros, no período de fevereiro/2006 a abril/2009, e a relação dos nomes das pessoas de contato junto aos fornecedores estrangeiros, indicando os respectivos números de telefone, fax e endereço eletrônico; 5. Contratos de câmbio e os comprovantes da disponibilidade financeira da empresa para o fechamento do câmbio nas importações efetuadas pela empresa de fevereiro/2006 a abril/2009, incluídas aquelas nas quais a empresa atuou corno Fl. 205DF CARF MF 4 adquirente de mercadorias importadas por intermédio de terceiros (SARZI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA); 6. Explicar detalhadamente os procedimentos referentes à logística das mercadorias importadas no período de fevereiro/2006 a abril/2009 após a saída do local de desembaraço aduaneiro até a venda das mesmas; 7. Inventário (livro modelo 7) das mercadorias no período de 2006 a abril/2009; 8. Notas Fiscais de Entrada referentes às mercadorias importadas descritas nas Declarações de Importação abaixo relacionadas: 07100326329, 07/09506290, 07/13614557, 08/00962650, 08/03506249, 08/07537882, 08/09075398, 08/12390703, 08/18193438, 09/00201449, 09103930557, 09/04123280, 09/04772491. A fiscalização observa que a resposta apresentada pela contribuinte em23/09/2009, informou o seguinte: Item 1: "A empresa não os tem em mão para entrega" Item 2: "A empresa não os tem em mão para entrega" Item 3: O comprovante da efetiva disponibilidade financeira do sócio Paulo Márcio Donizetti Barbosa foi solicitado ao Unibanco mas não foi apresentado por não ter sido enviado pela instituição financeira Item 5: Não foram apresentados os comprovantes da origem e da disponibilidade dos recursos empregados nas importações efetuadas pela empresa Item 7: "A empresa não os tem em mão para entrega". Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11829.000003/201014 Acórdão n.º 3402004.876 S3C4T2 Fl. 516 5 Diante da falta de apresentação dos documentos solicitados decorridos mais de 60 (sessenta) dias da data da intimação, ocorrida em 22/06/2009, entendeu o fisco como configuradas as situações previstas no artigo 23, V, §§ 1º, 2º, 3º, do Decreto Leinº1.455/76; artigos 59 e 60 da Lei nº 10.637/02; artigos 10, 11 e 13 da IN SRF 228/02; artigo 73,§§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, puníveis com a pena de perdimento das mercadorias importadas. Considerando que as mercadorias foram vendidas a clientes diversos,impossibilitando sua apreensão, foi lançada a multa equivalente a 100% do valor das mercadorias importadas. Da impugnação Cientificada do lançamento em 05/02/2010 (fl. 124), a autuada apresentou impugnação em 08/03/2010, juntada às fls. 130 e seguintes, alegando em síntese que: a) em 14/07/2009, diligentemente, apresentou a documentação que possuía em mãos, solicitando prazo para buscar os documentos que não se encontravam em sua posse imediata, os quais foram juntados em setembro de 2009. Afirma que, a despeito do relatado pelo Douto Auditor Fiscal, foram atendidos integralmente os pedidos nos itens 1, 2, 6, 7, 8, 9 e10 do Termo de Intimação nº 1; b) esclarece que havia, recentemente, trocado de contador, e por conta disto estava com dificuldades no que se refere à organização e apresentação de todos os documentos e informações solicitadas, pois houve extravio de parte de seus livros contábeis,motivo pelo qual deixou de apresentar os itens 3, 4 e 11 da Intimação n° 1. Observa, porém,que a falta destes livros não indica, por si só, qualquer indicio de interposição fraudulenta,sendo simples descumprimento de obrigação societária, a qual está sendo corrigida pelo novo contador da defendente; c) ademais, foram apresentados outros documentos probatórios da origem, disponibilidade e transferência de recursos, incluindo os contratos de mútuo com a empresa SARZI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, a qual até o ano de 2009 efetuou diversas importações por conta e ordem da ora Impugnante, bem como foram apresentados extratos bancários da empresa e do sócio responsável, no qual podese observar a entrada e saída dos recursos utilizados nas operações em análise; d) em relação ao item n° 5, que se refere à disponibilidade financeira do sócios para a integralização do Capital Social da empresa, o mesmo havia sido parcialmente cumprido, com a informação de que a integralização das cotas sociais da Sócia Kátia Fernanda de Souza, no valor de R$ 7,00, ocorreu em moeda corrente do País com reservas que possuía em espécie. Já o comprovante de efetiva disponibilidade financeira do Sócio Paulo Márcio Donizetti Barbosa, apesar de solicitado ao Unibanco somente não havia sido juntado por conta de não ter, à época, recebido tal documento da instituição financeira. Contudo, tal documento foi encontrado pelo sócio da Fl. 207DF CARF MF 6 impugnante e segue anexado à presente defesa, dando integral cumprimento à solicitação do item 05, e afastando, definitivamente, a absurda presunção de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior; e) em petição protocolada em 10/09/2009, retificou as explicações acercada sua logística, fazendo constar que, além do endereço sede da empresa, as mercadorias também eram armazenadas na Av. Esther Moretzshon Camargo, 662, Jardim Santana,Campinas/SP. Esclarece, ademais, que desde abril de 2009 a empresa não mais se utiliza deste espaço, concentrando todas suas operações na sede da empresa; f) entende que qualquer presunção de fraude deve ser afastada na hipótese,vez que a defendente apresentou, tempestivamente, juntamente com seus esclarecimentos,todos os documentos suficientes para comprovar a origem dos valores objeto deste pleito, não tendo ocorrido a interposição de recursos de nenhum terceiro no que concerne às importações por ela efetuadas; g) ressalta que o único erro cometido pela impugnante foi sua desorganização em relação aos documentos societários, os quais, conforme já relatado, foram extraviados durante a troca do escritório responsável pela contabilidade da empresa; h) na hipótese não houve qualquer dano ao Erário nem comprovação defraude, razão pela qual o auto de infração não merece subsistir, consoante jurisprudência judicial que cita, uma vez que a impugnante não burlou a legislação aduaneira, havendo comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações de importação por ela efetuadas entre fevereiro de 2006 e abril de 2010; i) ainda que a autoridade administrativa insista na errônea tese de que a impugnante incorreu em interposição fraudulenta de terceiros, o que não se espera, de forma alguma poderia ser a ela imposta a pena de perdimento ou sua conversão em multa, vez que esta somente se aplica ao real importador e não ao importador ostensivo, ao qual somente cabe a multa do art. 33 da Lei 11.488/07, consoante jurisprudência administrativa que cita; j) logo, o auto não merece subsistir, devendo ser integralmente anulado,ou, alternativamente, ter sua pena reduzida à multa de 10% do valor das operações. Ás fls. 146/163 encontramse os expedientes relativos ao procedimento de arrolamento de bens de que trata o Processo Administrativo nº 11829.000005/201003.Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo“e processo”. Sobreveio então o Acórdão 16040782, da 24ª Turma da DRJ/SP1 negando provimento à impugnação ao sujeito passivo, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de Apuração: 01/02/2006 a 30/04/2009 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11829.000003/201014 Acórdão n.º 3402004.876 S3C4T2 Fl. 517 7 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos empregados, sujeitandose as mercadorias importadas à pena de perdimento ou à conversão dessa pena na respectiva multa pecuniária, quando não for possível sua apreensão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi dada ciência da decisão ao sujeito passivo em 22/08/2012 (AR de fls 184). Em seu recurso voluntário, protocolado em 26/09/12, irresignado, o sujeito passivo recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 187 a 197, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Conforme é possível perceber do relato acima e atesta o despacho de fls 200, a Recorrente foi regularmente intimada do acórdão da DRJ em São Paulo, que manteve o presente auto de Infração e Imposição de Multa em 22 de agosto de 2012 (quartafeira). A despeito disso, apresentou Recurso Voluntário em 26 de setembro de 2012, ou seja, cinco dias após expirado o prazo para tal. Em seu recurso voluntário a Recorrente não apresentou qualquer justificativa que poderia alterar o termo final do seu prazo. Pois bem. O próprio Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo o contribuinte apresentou Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há duvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no sentido de não conhecêlo. Fl. 209DF CARF MF 8 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer o presente recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11829.000003/201014 Acórdão n.º 3402004.876 S3C4T2 Fl. 518 9 Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.913704/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 37 04 /2 00 9- 64Fl. 91DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 06904.78119.081206.1.3.044084, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, comprovante de arrecadação, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.607, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 89/90 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.913704/200964 Acórdão n.º 3401004.342 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostra, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, repitase, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 93DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000268/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli, OAB/SP 106.769, escritório Advocacia Lunardelli.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli, OAB/SP 106.769, escritório Advocacia Lunardelli. Relatório Tratase de Pedidos de Ressarcimento de Cofins, vinculada a exportação, relativa ao 2º trimestre de 2007, com fundamento no artigo 6º da Lei 10.833/2003, cumulada com Declarações de Compensação. O Despacho Decisório decidiu por homologar parcialmente as compensações, em vista da glosa dos créditos, conforme os seguintes motivos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 26 8/ 20 09 -9 7 Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 16349.000268/200997 Resolução nº 3201001.160 S3C2T1 Fl. 1.677 2 dedução indevida da base de cálculo, referente a descontos incondicionais concediso em vendas realizadas para Zona Franca de Manaus; equívocos no rateio de créditos vinculados à exportação; glosa sobre pagamentos de empresas prestadoras de serviços de telemarketing, promoção e merchandising, agência de publicidade e serviços de gestão de despesas de veículos; glosa de créditos extemporâneos, porque não foram acompanhadas por retificação do Dacon, exigida pela IN 590/2005; tais créditos correspondem a “levantamento de créditos de Pis e de Cofins sobre ativos produtivos, sobre serviços de transporte e sobtre gastos despendidos com serviços de propaganda e marketing; glosa de despesas de armazenagem e frete, relativos a movimentação de conteineres vazios e gastos de transporte na devolução; glosa de valores relativos à tomada de crédito sobre encargos de depreciação sobre móveis, utensílios e equipamentos de informática, os quais, segundo o Fisco, não estavam relacionados à produção; glosa de créditos calculados relativos a aquisições de fornecedores sediados na Zona Franca de Manaus, com alíquota errada; glosa sobre a transferência entre filiais de produtos conforme nota fiscal 50.361, de 17/04/2007; glosa de valores lançados em duplicidade, informados simultaneamente, no Dacon, na linha 02 – Bens utilizados como insumo e 04 – Despesas de energia elétrica, conforme demonstrativo; Cientificada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando: que o Despacho Decisório seria nulo, porque não fundamentou a glosa relativa a depreciações, e por erro material no cálculo do rateio de receitas; a regra de não cumulatividade de Pis e Cofins, segundo princípios constitucionais, seria muito mais ampla que a adotada pelo Fisco; quanto à glosa de frete e armazenagem, defende que tomou crédito sobre atividades “umbilicalmente” necessárias às suas atividades e ao processo produtivo e à venda de produtos acabados; e portanto, seriam despesas operacionais; as despesas de call center, marketing e promoção dos produtos também seriam despesas necessárias à atividade da empresa; que a retificação do Dacon não é requisito para apropriação do crédito extemporâneio; a própria Receita Federal admitiria, conforme a pergunta nº 67 respondida em seu site, que a retificação é preferível mas não obrigatória; que o §4º do artigo 3º da Lei 10.833/2003 permite o aproveitamento de crédito em meses subsequentes; Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 16349.000268/200997 Resolução nº 3201001.160 S3C2T1 Fl. 1.678 3 que houve equívoco no apuração do rateio entre receita tributadas no mercado interno, receita não tributadas no mercado interno e receitas exportadas; que a data de embarque não pode ser considerada para fins de apuração da receita exportada, mas sim a data da nota fiscal, em vista do conceito de faturamento como base de cálculo das contribuições; que as diferenças a menor de receita exportada, acusadas pelo Fisco, não foram aproveitadas no mês seguinte; que essa diferença também não foi computada na receita total. A empresa deixa de recorrer quanto às seguintes matérias: descontos incondicionais de vendas à ZFM; glosas de créditos sobre encargos de depreciação; aquisições de fornecedores sediados na ZFM; valores lançados em duplicidade; crédito sobre transferência entre filiais ref. Nota fiscal 50.361. A DRJ/Porto Alegre/RS – 2ª Turma decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo integralmente o teor do Despacho Decisório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Deve ser afastada a preliminar de nulidade por ausência de fundamentação ou motivação, quando no Despacho Decisório há indicação dos pressupostos de fato e de direito que embasaram a decisão relativa à não homologação da compensação. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Para serem considerados como insumos e, consequentemente, gerarem créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os bens e serviços devem ser diretamente aplicados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Somente os dispêndios com fretes vinculados à venda de produtos, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente das sistemáticas de não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep ou da Cofins, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 16349.000268/200997 Resolução nº 3201001.160 S3C2T1 Fl. 1.679 4 CRÉDITOS DECORRENTES DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Não há previsão legal para o aproveitamento dos créditos calculados em relação à depreciação ou amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que não sejam utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. EXPORTAÇÃO. MOMENTO DO RECONHECIMENTO DA RECEITA. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa então interpôs o Recurso Voluntário, reforçando os argumento da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta defesa quanto à glosa de créditos sobre depreciação de bens considerados pela fiscalização como não pertencentes ao processo produtivo. Após o prazo de recurso voluntário, a empresa peticionou para juntada de laudos acerca do seu processo produtivo. É o relatório. Voto O processo ainda não está maduro para julgamento. Os créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a vendas tributadas no mercado interno podem ser objeto de compensação com os respectivos débitos, inclusive de meses subsequentes, em vista do art. 3º, caput, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e §4º1. No caso de créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a exportação, eventual saldo credor pode ser objeto de pedido de compensação com outros débitos, e inclusive ressarcidos, nos termos do artigo 5º das mesmas Leis. 2 Para esse fim, calculase o rateio proporcional entre receita de exportação e receita bruta. 1 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. 2 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 16349.000268/200997 Resolução nº 3201001.160 S3C2T1 Fl. 1.680 5 A recorrente reclama que tal cálculo, efetivado pelo Fisco, conteria três erros: 1 – Calculou a receita de exportação de cada período a partir da data de embarque da mercadoria, em vez de a data de faturamento; 2 – A diferença a menor de receita de exportação, conforme o primeiro item, não foi adicionada no mês seguinte; 3 – A mesma diferença também não foi excluída da receita bruta. As reclamações merecem atenção. Não há acusação, por parte do Fisco, de exportações fictícias. Nesse contexto, a diferença de metodologia não deveria acarretar substanciais diferenças de valores exportados, a menor. Constatase que as exportações mensais consideradas pelo Fisco são sistematicamente menores que as exportações informadas em Dacon. O total trimestral difere em dezenas de mihões de reais. Aparentemente, as notas fiscais de saída para exportação, cujo embarque tenha ocorrido no mês seguinte, não foram computadas nas receitas de exportação em nenhum mês. Mas não há, nos autos, elementos suficientes para dirimir a dúvida. Desse modo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Receita Federal providencie os seguintes esclarecimentos: qual a composição das receitas exportadas em cada mês consideradas no Despacho Decisório ? Todos os embarques de exportação em cada mês foram considerados, ou somente os embarques relativos a notas fiscais do próprio mês ? caso todas as notas fiscais de exportação, tanto do próprio mês, quanto de meses anteriores, tiverem sido consideradas no cálculo do valor exportado de cada mês, qual a origem da diferença substancial dos valores agregados de exportação ? Após relatório conclusivo, com as considerações que entender pertinentes, a Delegacia da Receita Federal deve providenciar a cientificação da recorrente para manifestar se, se desejar, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, e devolver o processo a este Carf. Marcelo Giovani Vieira, Relator. II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.904339/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO BÁSICO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTO INTERMEDIÁRIO LATO SENSU. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. POSSIBILIDADE.
Somente assegura a apropriação de crédito básico do IPI o produto intermediário lato sensu utilizado no processo produtivo que atenda, cumulativamente, as seguintes condições: (i) ser consumido no processo de produção mediante desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, em decorrência de uma ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele e (ii) não estar registrado no ativo permanente. Se não atendidas tais condições a glosa deve ser mantida.
RETORNO DE PRODUTO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO BÁSICO NÃO RESSARCÍVEL. POSSIBILIDADE.
Comprovado nos autos que os retornos de produtos foram decorrentes de devolução não entregues, o contribuinte faz jus a apropriação de crédito básico somente para abater ou deduzir de débitos do IPI na saída de produtos com incidência do imposto.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa e reclassificar os créditos relativos às notas fiscais registradas com o CFOP 1910 da condição de ressarcíveis para não ressarcíveis, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael M. Abad que davam provimento em maior extensão para reverter as glosas sobre produtos solvente cód. 8545 e aditivo para soda cáustica divo 660.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO BÁSICO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTO INTERMEDIÁRIO LATO SENSU. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. POSSIBILIDADE. Somente assegura a apropriação de crédito básico do IPI o produto intermediário lato sensu utilizado no processo produtivo que atenda, cumulativamente, as seguintes condições: (i) ser consumido no processo de produção mediante “desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas”, em decorrência de uma ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele e (ii) não estar registrado no ativo permanente. Se não atendidas tais condições a glosa deve ser mantida. RETORNO DE PRODUTO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO BÁSICO NÃO RESSARCÍVEL. POSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que os retornos de produtos foram decorrentes de devolução não entregues, o contribuinte faz jus a apropriação de crédito básico somente para abater ou deduzir de débitos do IPI na saída de produtos com incidência do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa e reclassificar os créditos relativos às notas fiscais registradas com o CFOP 1910 da condição de ressarcíveis para não ressarcíveis, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael M. Abad que davam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 43 39 /2 01 0- 93 Fl. 567DF CARF MF 2 provimento em maior extensão para reverter as glosas sobre produtos solvente cód. 8545 e aditivo para soda cáustica divo 660. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Tratase de Declaração de Compensação, no valor de R$ 688.034,59 (fls. 06/13), na qual indicou como crédito o pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI referente ao 4º trimestre de 2006. A delegacia de origem deferiu parcialmente o pleito do contribuinte, na quantia de R$ 662.794,21, sob os seguintes fundamentos: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP; Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Cientificada em 12/04/2011 (AR fl. 16) a interessada apresentou, tempestivamente, em 12/05/2011 a Manifestação de Inconformidade (fls. 17/31), alegando que: (...) O Despacho Decisório contra o qual a Inconformada se insurge não tem relação com o Termo de Informação Fiscal. De fato, consoante Termo de Informação Fiscal, foi realizada uma glosa no valor de R$ 15.472,95, correspondente a itens que não seriam insumos, créditos escriturados no código CFOP 1910 e por entradas que, ao entender da fiscalização, continham inconsistências em notas fiscais. Não obstante, no Despacho Decisório está apresentada uma glosa no valor de R$ 25.240,38. Assim, existe um ponto cujo esclarecimento seria imprescindível para a manifestação da Inconformada, mas que, ante a omissão, deixa de fazêlo pela ausência de subsídios fornecidos pelo Fisco. (...) Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10380.904339/201093 Acórdão n.º 3302005.316 S3C3T2 Fl. 564 3 Desta forma, resta evidente o prejuízo da Impugnante, razão pela qual o Despacho Decisório deve ser considerado nulo, pelo menos nesse ponto, consoante o disposto no art. 59 do Decreto 70235/72. (...) Assim, resta improcedente o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento da Inconformada, pois baseado em premissa falsa, pois conforme devidamente demonstrado, os créditos utilizados peia Inconformada, são oriundos de Matérias primas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de embalagem (ME), adquiridos para emprego na industrialização ce produtos tributados, e foram devidamente escriturados, sendo portanto hígidos. (...) Na "Relação de Insumos Glosados", constam produtos intermediários utilizados no processo produtivo, de forma que, estando vinculados ao processo produtivo da Inconformada, não é legitima a glosa realizada. (...) Como já dito anteriormente, a Inconformada fabrica bebidas das marca CocaCola. Além de estarse falando em produção de alimento (bebida), o que por si só justifica a utilização de produtos que garantam a limpeza em toda área de produção. Devese ter em mente a própria imposição de rigores por parte da vigilância sanitária, em relação à limpeza e higienização de tudo que envolve a produção de gêneros alimentícios. Ademais, Ilustres Julgadores, a Inconformada gostaria de chamar atenção ao fato de que na mesma linha de produção na qual se fabrica a CocaCola, é fabricado também as demais bebidas (Fanta, Kuat etc). Assim, ao encerrar a produção de um tipo de bebida, toda a linha de produção é submetida a um rigoroso processo de limpeza e higienização, no intuito de retirar vestígios do produto anterior e preparar o maquinário para a próxima bebida. (...) Em resumo, a distinção nítida entre os dois produtos intermediários e materiais de uso ou consumo é que os produtos intermediários estão ligados de alguma forma, diretamente no processo de produção, sem os quais é impossível à obtenção do produto final; enquanto o material de uso ou consumo é importante para a empresa, mas não está ligado à fabricação dos produtos objeto da exploração industrial. (...) O direito aos créditos básicos de IPI está regulamentado no art. 164 do Decreto n°. 4.544 de 2002, que basicamente prevê o direito a créditos do imposto relativo a Matériasprimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de embalagem (ME), adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados. Em nenhum momento o RIPI/2002 faz menção acerca da impossibilidade de creditamento de IPI referente a produtos Fl. 569DF CARF MF 4 relativos a MP, PI ou ME escriturados no código CFOP 1910 (tal código diz respeito a produtos MP, PI ou ME com entradas de bonificação, doação ou brinde). (...) De fato, incabível e ilegal, por não haver previsão legal, a glosa de créditos básicos de IPI pelo simples fundamento de que foram escriturados no livro de registro de IPI no código CFOP 1910, bem como porque no caso em questão se trata de retorno de mercadoria não entregue, fato permissivo de creditamento, nos termos do art. 167 do RIPI 2002. (...) Primeiramente digase que os motivos das supostas irregularidades informados pela fiscalização foram: Estabelecimento emitente da nota fiscal na situação INAPTO no cadastro CNPJ; Estabelecimento emitente da nota fiscal na situação CANCELADO no cadastro CNPJ; Empresa emitente da nota fiscal do SIMPLES. Uma consideração importante a ser feita é que qualquer análise da situação do emitente da nota fiscal, essa deve se reportar a data da emissão da nota fiscal. Assim vêse inconsistência na glosa efetuada pela fiscalização, eis que tomou como base a situação dos emitentes das notas fiscais em período distinto daquele informado na nota fiscal, uma vez que sua situação fiscal à época era regular ou não optante do SIMPLES, conforme consultas anexas feitas por amostragem, com os valores mais significantes (doe. 05). Assim, resta improcedente tal glosa, pois baseada em premissa falsa, pois conforme devidamente demonstrado, os emitentes das notas fiscais ou estavam regulares, ou não eram optantes do SIMPLES na época da emissão das notas fiscais, sendo portanto hígídos os créditos escriturados pela Inconformada. (...) Ante o exposto, pede a Inconformada que seja decretada a NULIDADE do Despacho Decisório em razão do que dispõe o art. 59 do Decreto 70235/72 no que se refere aos itens acima mencionados, bem como julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade para o fim de reformar parcialmente o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer a totalidade o crédito de ressarcimento de IPI do estabelecimento de CNPJ n°. 07.196.033/002575, relativo ao 4o trimestre de 2006, no valor total de R$ 688.034,59 e conseqüentemente homologação das compensações efetuadas. Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável à m Suplicante, na forma do art. 112 do CTN. Requer, por fim, a realização de perícia técnica, a fim de avaliar se os produtos em questão são consumidos no processo produtivo e/ou compõem o produto final, e até mesmo se compõe o preço de venda, sofrendo, dessarte, tributação do IPI. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10380.904339/201093 Acórdão n.º 3302005.316 S3C3T2 Fl. 565 5 Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. De outro lado, também se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No dia 9/4/2012, a interessada foi cientificada da decisão. Inconformada, em 9/5/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 178/195, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que, ao contrário do que asseverado no julgado recorrido, não fora possível defenderse de parte da glosa especificada no Termo de Verificação Fiscal (TVF). Diante das inúmeros dúvidas e omissões elencadas no voto condutor, por meio da Resolução nº 3302000.362, decidiu este Colegiado converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora manifestassese sobre os seguintes itens: a) liste os produtos denominados como “material de limpeza” e onde são utilizados, visando determinar se são aplicados Fl. 571DF CARF MF 6 especificamente para a limpeza e higienização da linha de produção; b) o efetivo enquadramento no SIMPLES FEDERAL, das empresas listadas no processo, trazendo prova aos autos desta condição; e, c) a alegação de que as notas registradas com código CFOP 1910, na verdade se tratam de mercadorias recebidas em devolução, como alega a Recorrente, trazendo aos autos discriminativo das notas fiscais glosadas e seu conteúdo e destinação, bem como se houve destaque do IPI. Para o fiel comprimento da diligência a autoridade preparadora deve analisar os documentos juntados ao presente processo, bem como solicitar a Recorrente outros documentos que se façam necessário. A Recorrente deverá ser intimada para se manifestar sobre o resultado da diligencia efetuada. Após retorne os autos para continuidade do julgamento. Por meio do TVF de fls. 534/535, a autoridade fiscal prestou os seguintes esclarecimentos, em relação ao: a) primeiro item: na resposta do contribuinte (fls. 254/255) foi informado de forma pormenorizada os insumos utilizados, bem como a função e o local de utilização, no entanto, mantinha a convicção inicial de que tais produtos não se enquadrariam no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos no processo de industrialização, conforme art. 164, I, do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002) e PN CST n° 65/1979, e não geravam o direito ao credito básico do imposto; b) segundo item: foram juntados autos telas de sistema interno da RFB (fls. 536/558) os dez primeiros e os dez últimos CNPJ da listagem, onde resta demonstrado o enquadramento no Simples Federal Lei 9.317/1996. A exclusão da maioria dos estabelecimentos do Simples ocorreu no dia 30/06/2007, quando passou a vigorar o Simples Nacional Lei Complementar 123/2006. As consultas na internet apresentadas no processo demonstram que algumas empresas migraram para o Simples Nacional. As inconsistências se referem quando estavam no Simples Federal; e c) terceiro item: assistia razão ao contribuinte quanto a natureza da operação, que estava comprovada como “RET. MERC. NÃO ENTREGUE”. Entretanto os créditos básicos de IPI somente são passíveis de ressarcimento após dedução com débitos do imposto na escrita fiscal, os que se referem a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens destinados à fabricação de produtos tributados pelo IPI, inclusive à alíquota zero e isentos (arts. 256, 257 e 268 do Decreto n° 7.212/2010 RIPI/2010 e art. 21, § 3o, I da IN RFB n° 1300/2012); os demais créditos escriturados do IPI eram considerados como não ressarcíveis, que incluem os valores oriundos de aquisições de mercadorias para revenda, devolução e retorno de produtos industrializado, estornos de débitos e saldos credores acumulados em trimestrescalendários anteriores. Estes créditos poderão ser utilizados na escrita fiscal para abater débitos do IPI na saída de produtos com incidência do imposto. Em 27/4/2016, a recorrente foi intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de trinta dias, porém, não se manifestou a respeito. É o relatório. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10380.904339/201093 Acórdão n.º 3302005.316 S3C3T2 Fl. 566 7 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, é oportuno esclarecer que o Despacho Decisório em apreço (fls. 14/15), referese apenas (i) ao não reconhecimento da parcela do crédito do IPI do 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 25.240,38, objeto do Pedido de Ressarcimento (PER) nº 32950.53202.040507.1.1.018190, apresentado no dia 4/5/2007, bem como (ii) à não homologação das compensações dos débitos informados nas DComp nºs 06522.17817.040507.1.3.010260 e 13641.55031.100507.1.3.019033, respectivamente, apresentadas nos dias 4/5/2007 e 10/5/2007, com o crédito pleiteado no citado PER. Cabe informar ainda que, embora mencionada no citado Despacho, não é objeto dos presentes autos a compensação dos débitos no valor total R$ 662.794,21, com créditos ressarcíveis do IPI do 4º trimestre de 2006, informado na DComp nº 37560.27279.290307.1.3.010483, apresentada no dia 29/3/2007, já integralmente homologada no dia 1/4/2011, data da expedição do presente Despacho Decisório. A leitura do relatório revela que a presente lide envolve questões preliminares e de mérito. Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do despacho e da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa. Para a recorrente, o valor total do crédito informado nas três Declarações de Compensação (DComp) foi de R$ 688.034,54, referente ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no 4o trimestre de 2006. Segundo o Termo de Verificação Fiscal n° 3, a autoridade fiscal informara a glosa do valor de R$ 15.472,95, logo o valor do crédito reconhecido seria de de R$ 672.561,60 e não de R$ 662.794,21. Entretanto, embora não tenha reconhecido o valor de R$ 25.240,38, o Despacho Decisório não esclareceu o motivo do não reconhecimento da diferença de R$ 9.767,43 (R$ 25.240,38 R$ 15.472,95) e, em decorrência, não deu a recorrente subsídios para se defender sobre esta parcela do crédito não reconhecida, o que configurara cerceamento do seu direito de defesa. Antes da análise dessa questão, cabe esclarecer os fatos com exatidão, para evitar incompreensão sobre o principal ponto da lide, que será analisado a seguir. Primeiro, o total dos créditos do IPI do 4º trimestre de 2006, no valor R$ 688.034,54, foi informado em dois Pedido de Ressarcimento (PER). Num dos PER foi pleiteado o valor de R$ 662.794,21 e a ele foi vinculado a DComp citado no parágrafo anterior, não objeto da presente Despacho Decisório, haja vista que já apreciado e integralmente deferido o crédito e homologada a compensação declarada. No outro, foi pleiteado o valor de R$ 25.240,38. Esse o PER e respectivas DComp a ele vinculadas que foram objeto do presente Despacho Decisório. Fl. 573DF CARF MF 8 E de acordo com o citado Despacho Decisório, dois foram os motivos para o não reconhecimento do valor de R$ 25.240,38 do crédito adicional do IPI do 4º trimestre de 2006, pleiteado no PER nº 32950.53202.040507.1.1.018190, o qual foi utilizado na compensação dos débitos de igual valor nas DComp nºs 06522.17817.040507.1.3.010260 e 13641.55031.100507.1.3.019033, conforme esclarecido nos excertos que seguem transcritos extraídos do citado Despacho: O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 06522.17817.040507.1.3.010260 e 13641.55031.100507.1.3.019033 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 32950.53202.040507.1.1.018190. (grifos não originais) No caso, o motivo do indeferimento do crédito pleiteado, valor de R$ 25.240,38, não foi a glosa dos créditos discriminadas no Demonstrativo de Consolidação de Glosas de fl. 52, no valor de R$ 15.472,95, como entendeu a recorrente. Tais valores foram utilizados apenas para ajuste dos saldos de créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, conforme consignado no Demonstrativo de Créditos e Débitos de fl. 48. O real o motivo da referida glosa foi informado no “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO RECONHECIDO PARA CADA PER/DCOMP” de fl. 49, especificamente, na última linha do seu rodapé, que tem os seguintes dizeres, in verbis: Coluna (g): Somatório dos valores dos créditos reconhecido até o PERDCOMP (b). Este vaior não poderá exceder o Menor Saldo Credor. (grifos não originais) De acordo com os dados apresentados no citado Demonstrativo, em relação aos saldos de créditos ressarcíveis do IPI, no dia 4/5/2007, a recorrente dispunha apenas do valor de R$ 595.648,27 de crédito ressarcíveis, que representa o saldo credor ressarcível existente no final 3º decêndio do mês de abril de 2007, segundo o “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL” de fl. 48 e que corresponde ao menor saldo credor, após o período de apuração do crédito pleiteado (4º trimestre de 2006). E segundo o citado “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO RECONHECIDO PARA CADA PER/DCOMP”, na data da apresentação do citado PER, em relação aos créditos ressarcíveis do 4º trimestre de 2006, em favor da recorrente já havia sido reconhecido o valor de R$ 662.794,21, por meio da DComp nº 37560.27279.290307.1.3.010483, apresentada no dia 29/3/2007 e já integralmente homologada no dia 1/4/2011, data da expedição do Despacho Decisório em apreço. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10380.904339/201093 Acórdão n.º 3302005.316 S3C3T2 Fl. 567 9 Melhor esclarecendo. No dia 4/5/2007, data da apresentação do PER em apreço, em vez de saldo credor ressarcível, a recorrente tinha saldo devedor, no valor de R$ 67.145,94, que é resultado da diferença entre o valor de R$ 662.794,21 ressarcido mediante compensação declarada e homologada na DComp nº 37560.27279.290307.1.3.010483, e o saldo remanescente de créditos do 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 595.648,27, que corresponde ao menor saldo credor existente no final 3º decêndio do mês de abril de 2007. Em outras palavras, além do ressarcimento mediante compensação do valor de R$ 662.794,21, a recorrente utilizou indevidamente, na sua escrita fiscal, nos meses de janeiro a abril de 2007, o valor R$ 67.145,94 do crédito ressarcível do IPI do 4º trimestre 2006. Ou seja, nos referidos meses, a recorrente apropriouse de crédito ressarcível do IPI do 4º trimestre de 2006 inexistente. Com base nesses esclarecimentos, fica demonstrado que, em vez de cerceamento do direito de defesa, o que houve foi incompreensão do real motivo do indeferimento do valor total do crédito pleiteado no PER em apreço. Por essa razão, rejeitase a preliminar de nulidade do citado Despacho Decisório. A recorrente alegou ainda nulidade do acórdão recorrido, sob o argumento de que ele dera continuidade à preterição do seu direito de defesa, uma vez que limitarase a afirmar que o citado Termo de Verificação Fiscal (TVF), por si só, era suficiente para conceder todas as informações possíveis para que a Recorrente pudesse se defender. A alegação da recorrente não se sustenta, pois, diferentemente do alegado, a leitura do minucioso voto condutor do julgado recorrido fez referência não apenas ao TFV 3 (fls. 46/47), mas todos os anexos que integrantes do citado Despacho Decisório. Além disso, se foi a própria a recorrente quem trouxe à colação dos autos, na fase impugnatória, os referidos anexos (fls. 46/70), não parece plausível que, na atual fase recursal, venha alegar desconhecimento do teor dos citados documentos. Por essas razões, afastase também a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, posto que não restou configurado qualquer cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Afastadas todas as preliminares, passase a análise das questões meritórias. Das Questões de Mérito Em relação ao mérito, a recorrente limitouse em questionar a glosa dos créditos calculados sobre valores relativos a (i) insumos consumidos no processo industrial (material de higiene e limpeza), (ii) notas fiscais de entrada com irregularidades/inconsistências nos estabelecimentos emitentes (empresas do Simples, inaptas, canceladas etc.) e (iii) notas fiscais de entradas com código CFOP 1910 (entrada de bonificação, doação ou brinde). Previamente, cabe esclarecer que, conforme anteriormente demonstrado, o motivo principal do não reconhecimento do crédito pleiteado, no valor de R$ 25.240,38, foi a inexistência do crédito informado. Após o processamento e análise dos PER nºs 13456.97080.280607.1.1.013908 e 26921.17005.270707.1.1.014 384, em que pleiteado o ressarcimento de créditos do IPI dos meses janeiro a abril de 2007, apurou a fiscalização que a recorrente havia registrado e utilizado indevidamente (em excesso), nos referidos meses, créditos ressarcíveis do IPI do 4º trimestre de 2006 no valor total de R$ 67.145,94. Fl. 575DF CARF MF 10 Como a recorrente não fez qualquer questionamento sobre a utilização dessa parcela de créditos inexistentes, temse como incontroversa a indevida utilização. E dada essa circunstância, ainda que fosse revertida a glosa integral dos créditos questionadaos pela recorrente, no valor total R$ 15.472,95, certamente, este valor não seria suficiente para superar o valor dos créditos de R$ 67.145,94, indevidamente utilizados nos meses seguintes ao 4º trimestre de 2006. De toda sorte, apesar da evidente impossibilidade de alterar o saldo negativo (devedor) de créditos ressarcíveis do citado trimestre, aqui será analisada a legalidade das glosas dos créditos questionadas pela recorrente, para que, se reconhecido o direito a totalidade ou parte dos referidos créditos, a recorrente possa refazer a sua escrita fiscal com base no que aqui decidido. Da glosa dos créditos calculados sobre material de higiene, limpeza etc. A autoridade fiscal procedeu a glosa dos créditos básicos do IPI apropriados sobre produtos de higiene e limpeza (sabão para esteira, sabão de linha, safe 331, safe 205, safe 231, safe 255, safe condensai 4675, aditivo divo660, sanitização postmix, acigel, cartucho de filtro polidor, solvente, solução p/codificador) consumidos no processo produtivo, com base no argumento de que tais produtos não se enquadravam no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos no processo de industrialização, conforme definido no art. 164, I, do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002), logo, não propiciava o direito ao credito básico do imposto. Os valores glosados encontramse discriminados no demonstrativo de fls. 53/55 (anexo 01). Por sua vez, a recorrente defendeu a manutenção dos referidos créditos básicos, baseada no argumento de que tais produtos eram utilizados na higienização da linha de produção e constituía elemento essencial, sem o qual o produto não atenderia os requisitos exigidos para venda. O cotejo dos dois entendimentos revela que o cerne da controvérsia reside no alcance do direito de apropriação de créditos básicos do IPI, que se encontra delineado no art. 164, I, do RIPI/2002, vigente no final do citado trimestre de apuração do crédito pleiteado, a seguir transcrito: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n° 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] ( grifos não originais) Da leitura do referido dispositivo, verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10380.904339/201093 Acórdão n.º 3302005.316 S3C3T2 Fl. 568 11 Em suma, a matériaprima e o produto intermediário são considerados, na primeira modalidade, insumos industriais stricto sensu, enquanto que, na segunda modalidade, são considerado insumos industriais lato sensu. Por sua vez, os insumos industriais lato sensu compreendem quaisquer bens, que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os registrados no ativo permanente. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o alcance da segunda modalidade de insumo foi analisada nos itens 10 e 11 do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, a seguir parcialmente transcritos: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão “consumidos”, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4. Notese, ainda, que a expressão “compreendidos no ativo permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser juris tantum aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos Fl. 577DF CARF MF 12 intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” (grifos não originais) Em relação à impossibilidade dos produtos incluídos no ativo permanente não gerar direito a crédito básico do IPI, tratase de entendimento que já tinha sido exarado no item 13 do Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, a seguir transcrito: 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. (grifos não originais) Assim, de acordo com o atendimento esposado nos citados Pareceres, que será aqui integralmente adotado, para que o insumo seja considerado matériaprima e produto intermediário lato sensu gerador de crédito básico do IPI, ele deve atender, cumulativamente, as seguintes condições: a) ser consumido normalmente no processo de produção, ou mediante o “desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas”, em decorrência de uma ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; b) não podem ser “partes nem peças de máquinas” nem estar contabilizado no ativo permanente. Com base nesse entendimento, será analisado se os referidos produtos atendem ou não o conceito de produto intermediário lato sensu, para fim de apropriação de crédito básico do IPI. E para essa finalidade, serão utilizadas as informações sobre os produtos apresentadas nos documentos coligidos aos autos pela recorrente com a impugnação (fls. 71/92), com o recurso voluntário (fls. 222/231) e na fase de diligência (fl. 254). Com base nas referidas informações e tendo em conta o entendimento exarado nos citados pareceres, chegase a conclusão que os produtos descritos na Tabela de fl. 254, por não entrarem em contato ou sofrer desgaste em contato com produto fabricado, mas apenas com a embalagem nele aplicada, não atendem o referido conceito de produto intermediário lato sensu. Tais produtos são considerados insumos do insumo embalagem. Com base nessa conclusão, as glosas dos créditos calculados sobre os valores de aquisição de tais produtos devem ser mantidas. Da glosa dos créditos relativos a notas fiscais emitidas por não contribuintes do imposto. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10380.904339/201093 Acórdão n.º 3302005.316 S3C3T2 Fl. 569 13 Segundo a fiscalização, no trimestre a recorrente apropriouse de créditos sobre a aquisição de insumos adquiridos de pessoas jurídicas do Simples, inapta, cancelada etc., que não permitem a apropriação de crédito do imposto. A recorrente alegou que era improcedente glosa, pois, fora baseada em premissa falsa, pois conforme devidamente demonstrado, os emitentes das notas fiscais, ou estavam regulares, ou não eram optantes do SIMPLES (Federal ou Nacional) na época da emissão das notas fiscais, sendo portanto hígidos os créditos escriturados pela recorrente. Para esclarecer o alegado pela recorrente, o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse informado o efetivo enquadramento no SIMPLES FEDERAL das empresas listadas no processo e coligidas aos autos a prova da referida condição. Em resposta, a autoridade fiscal comprovou que as empresas estavam inscritas no Simples Federal até o final do 4º trimestre de 2006 e, para comprovar o afirmado, trouxe a colação dos autos telas de sistema interno da RFB de fls. 536/558. Com esse esclarecimento, ficou demonstrada a improcedência da alegação da recorrente, logo, deve ser mantida a glosa integral dos créditos referentes à glosa em comento. Da glosa dos créditos relativos a notas fiscais de entradas com código CFOP 1910 (entrada de bonificação, doação ou brinde) A fiscalização procedeu a glosa de créditos do IPI escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI com o código CFOP 1910, ou seja, entrada de bonificação, doação ou brinde nos valores escriturados, sob o argumento de que tais produtos não se enquadravam no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos no processo de industrialização, conforme definido no art. 164, I, do RIPI/2002. Por sua vez, a recorrente alegou que não se tratava de entrada de bonificação, doação ou brinde, mas de retorno de mercadoria não entregue, que o art. 167 RIPI/2002, assegurava o direito ao creditamento, porém, como crédito não passível de ressarcimento. Para confirmar a alegação da recorrente, os autos foram convertidos em diligência, para que fosse informado se as referidas notas fiscais registradas com o código CFOP 1910 referiamse a operações de devolução de mercadorias não entregues. No cumprimento da referida diligência, após confirmar que se tratava de de devolução não entregues, a fiscalização concordou que tais créditos podem ser utilizados na escrita fiscal, porém, somente para abater débitos do IPI na saída de produtos com incidência do imposto. Diante da concordância do autoridade fiscal e tendo em conta que tais créditos foram glosados na condição de créditos ressarcíveis, de acordo com o “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS (RESSARCIMENTO DE IPI)” de fl. 48, a glosa integral deve ser revertida na condição de crédito não ressarcível, para fim de reconstituição da escrita fiscal. Enfim, a recorrente pleiteou a aplicação ao caso em tela do benefício da dúvida, previsto no art. 112 do CTN, o que não é possível, haja vista que o referido preceito Fl. 579DF CARF MF 14 legal trata da minoração dos rigores da norma, mas para o caso de dúvida quanto à aplicação de penalidade, matéria estranha aos presentes autos, que trata de ressarcimento de crédito de IPI e compensação de crédito tributário. Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo provimento parcial do recurso, para reverter a glosa dos créditos de ressarcíveis para não ressarcíveis, relativos a notas fiscais registradas com código CFOP 1910. Ressaltase, outrossim, que será mantida o não reconhecimento do direito creditório e não homologação das compensações, uma vez que a reversão dos valores dos créditos glosados não são suficientes para superar o valor do crédito ressarcido indevidamente na escrita fiscal da recorrente nos meses de janeiro a abril de 2007. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721246/2013-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OPÇÃO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OPÇÃO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
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INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 34, 52/54) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos de natureza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 12 46 /2 01 3- 11 Fl. 142DF CARF MF 2 não previdenciária com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), com exigibilidade não suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de débitos às fls. 43/49. Lista de Débitos: 1) Débito: 39.635.8160 2) Débito: 40.582.1921 Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 106/111) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, tendose em vista que o próprio contribuinte refere não ter regularizado as pendências dentro do prazo regulamentar (até 31/01/2013), conforme definido pelo §1º do art. 7º da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, e não junta nenhuma prova documental quanto aos seus argumentos da inviabilidade técnica causada pela própria Secretaria da Receita Federal. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/03/2015 (efl. 115) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 31/03/2015 (efl. 134), em que aduz, em resumo, que: requer efeito suspensivo à decisão de primeira instância; a não regularização de todos os débitos até a data da opção se deu por falha no sistema informatizado da SRF, e não do contribuinte; no documento acostado na manifestação de inconformidade não consta valores, somente o código dos débitos; o julgador a quo afirma que o contribuinte não juntou nenhuma prova de que esteve diversas vezes na SRF, ignorando a declaração da Bel Ane Moller Dapper, violando a norma do art. 29 do Dec 70235/72; a prova documental não é o único meio hábil para se trazer verdade aos autos (p. ex., prova testemunhal); a decisão é desproporcional e dessarazoada; as regras que regulamentam a exclusão do Simples devem ser aplicadas com parcimônia; se mantida no regime geral de tributação ficará inviável (seu negócio); o Poder Judiciário já reconheceu diversas vezes a necessidade de parcimônia na exclusão de empresas do Simples; Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.721246/201311 Acórdão n.º 1001000.377 S1C0T1 Fl. 143 3 O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 23/26) para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências (identificadas no Termo de Indeferimento) no prazo legal. Prescreve o § 2º do art. 6º citado que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. O contribuinte anexa protocolo de pedido requerimento de parcelamento dos débitos (identificados com os códigos que constam no Termo de Indeferimento) que motivaram o indeferimento. Mesmo que não tenha sido suficiente para solucionar os débitos, tal protocolo marca a data, posterior a 31/01/2013 (efl. 02), em que se registrou o início do procedimento com vistas à regularização. Fl. 144DF CARF MF 4 Adiro à conclusão da primeira instancia que preceitua que, de acordo com o § 4º do art 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas que o contribuinte possuir devem ser juntadas no momento da apresentação da impugnação; que com base no art. 16 citado, a oitiva de pessoas físicas há de ser indeferida; e que o depoimento das testemunhas não ensejaria a revisão da decisão de indeferimento, já que, nessa hipótese, caberia ao Requerente ter formalizado por escrito pedido de parcelamento dos débitos, como uma forma inicial de prova de que compareceu à agência e efetuou, tempestivamente, o pedido de parcelamento. Observo que a decisão não ignorou a declaração escrita já que fundamentou o indeferimento de prova testemunhal no processo administrativo fiscal. Reafirmamos que não cabe ao agente do Fisco nem a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Também não cabe a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária por entendêla inconstitucional (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972). Reforçamos o já sustentado na decisão recorrida, especificamente quanto ao artigo 17, inciso V, da LC nº 123/2006. Importante esclarecer que o fato de a Constituição Federal determinar o tratamento favorável às micro e pequenas empresas, não implica que a lei deva dar tratamento igual para empresas que se encontrem em situação jurídica distinta. Não haveria vantagem alguma em ser cumpridora das obrigações fiscais, caso a lei, ao final, igualasse tanto as empresas em situação fiscal regular quanto as que estão irregulares e lhes concedesse os mesmos benefícios. Por fim, o art. 151, III, do CTN prescreve que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Como não houve lançamento de tributo em decorrência da matéria tratada nos autos, não há efeito suspensivo a se alegar. Em outras palavras, a contestação do indeferimento não tem efeito suspensivo: durante a tramitação do processo, a empresa não será considerada optante pelo Simples Nacional, a não ser que regularize seus débitos e opte pela adesão em qualquer dos anos seguintes. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.720458/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. DEMONSTRAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO CONTRIBUINTE.
A demonstração de liquidez e certeza dos créditos pleiteados perante a Fazenda Pública compete ao contribuinte, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que corroborem inequivocamente os montantes reclamados.
Numero da decisão: 2402-006.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Luis Henrique Dias Lima, e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. DEMONSTRAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A demonstração de liquidez e certeza dos créditos pleiteados perante a Fazenda Pública compete ao contribuinte, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que corroborem inequivocamente os montantes reclamados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Luis Henrique Dias Lima, e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini.
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DEMONSTRAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A demonstração de liquidez e certeza dos créditos pleiteados perante a Fazenda Pública compete ao contribuinte, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que corroborem inequivocamente os montantes reclamados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Luis Henrique Dias Lima, e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 04 58 /2 01 0- 10 Fl. 502DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 409/434) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO (fls. 395/407), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 222/246) em face de despacho decisório (fl. 192/196) que não homologou as compensações informadas nos PER/DCOMP abaixo relacionados (fls. 16/127): 39798.61175.040707.1.2.041806 32837.63703.050209.1.7.048110 28832.67266.060707.1.3.040056 04807.00080.050209.1.7.040146 38851.73443.100908.1.3.045020 15384.09242.060209.1.7.046028 07832.21828.100908.1.3.041980 30577.02896.180209.1.7.040248 20645.54927.100908.1.3.047687 15875.13652.180209.1.3.040847 11145.63246.100908.1.3.040522 22057.58425.180209.1.7.046757 12737.17516.100908.1.3.040273 16213.71024.180209.1.7.047206 31964.88757.100908.1.3.044800 12777.37788.180209.1.7.040740 09093.54310.100908.1.3.049006 28410.78054.180209.1.7.043001 25897.74672.100908.1.3.048855 30606.92668.180209.1.7.042969 02663.70617.100908.1.3.048042 41350.69718.180209.1.7.049225 13089.02668.150908.1.3.043772 39524.47085.180209.1.7.047535 01094.06162.190908.1.3.045896 25364.45306.180209.1.7.044253 02844.34768.190908.1.3.044157 42906.83851.180209.1.7.040273 Embora tenha utilizadose de crédito relativo ao DARF de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF recolhido com código de receita 0588 em 09/06/2006, no valor total de R$.3.600.452.92, alegando que houve pagamento indevido, de acordo com o despacho decisório: 1. O interessado não comprovou o estorno dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior, conforme solicitado. Apresentou cópia de folhas do livro Diário n° 236 em que constam as retenções efetuadas, sendo que não juntou o plano de contas para identificação das contas codificadas; 2. O interessado não comprovou a retificação nem apresentou os demonstrativos entregues ao beneficiário, nos quais a retenção indevida tenha sido informada; 3. O interessado apresentou cópias simples dos comprovantes de pagamentos efetuados aos beneficiários, datados de 03/05/2006, não acompanhadas dos originais, sendo que os referidos comprovantes tratam de pagamento por prestação de serviços profissionais de comissões sobre intermediação de negócios, contendo demonstração do valor bruto dos serviços prestados, deduções ou retenções efetuadas e o valor líquido a receber; 4. O interessado alegou que: “[...] os valores questionados referemse a retenção de IRRF efetuada indevidamente, tendo em vista que à época do pagamento efetuado foi classificado indevidamente como prestação de serviços, sendo o correto ser “compra de ações”, conforme comprovase pelo Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações anexo.” No citado instrumento particular de compra e venda de ações, datado de 05/04/2007, há referência a um compromisso de cessão e transferência de ações celebrado entre as partes em 03/05/2006, o qual não foi apresentado. Ainda segundo o despacho que não reconheceu o direito à compensação: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 3 3 a) o contribuinte não consta nos sistemas da Receita Federal como sócio da Companhia Energética São José (CESJ), CNPJ n° 05.266.880/000166, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2007 (DIPJ 2008); b) consta como sócia da CESJ empresa controlada pelo interessado denominada Cruz Alta Participações Ltda., CNPJ n° 08.296.841/000108, com 99,99% do seu capital social, sendo o restante das ações pertencentes a pessoa física; c) as detentoras das ações da CESJ não declararam a venda das ações para o interessado em suas Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); d) Maria Tereza de Andrade Sichieri, CPF n° 159.930.68833, indicada como detentora de parte das ações adquiridas, segundo o instrumento particular de compra e venda de ações apresentado, apenas deu baixa das ações da CESJ que possuíam o valor simbólico de R$1,00 (um real); e) Maria Heloísa de Andrade Mura, CPF n° 071.698.85859, indicada como detentora da outra parte das ações adquiridas, segundo esse instrumento particular de compra e venda de ações, não declarou sua participação no capital social da CESJ; f) não foi possível apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório do interessado. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade cujas alegações se reproduz do Acórdão nº 1438.281, da 6ª Turma da DRJ/RPO: 1. Tratase de pedido de restituição cumulado com declarações de compensação do crédito proveniente do pagamento indevido efetuado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (código 0588), no valor original de R$ 3.573.825,34. 2. Em 03/05/2006, a Requerente se comprometeu a adquirir participação societária da Companhia Energética São José “CESJ” , de titularidade das Sras. Maria Heloísa de Andrade Mura e Maria Tereza de Andrade Sichieri. 3. Com o objetivo de garantir o negócio jurídico (compra de ações da “CESJ”), a Requerente efetuou o pagamento, a título de adiantamento, do valor de R$ 4.712.779,16 para a Sra. Maria Heloísa e, também, do valor de R$ 4.712.779,16 para a Sra. Maria Tereza, perfazendo o montante total de R$ 9.425.558,32, conforme comprovantes de transferências bancárias juntados às fls. 112/113. 4. Em 05/04/2007, o negócio jurídico (venda e compra de ações da “CESJ”), de fato, se concretizou, mediante a formalização do instrumento particular de compra e venda de ações (fls. 114/118), momento em que a Requerente se tornou titular de 201.044 ações da “CESJ” e, também, efetuou o pagamento do valor remanescente do preço total acordado com as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza (cada uma recebeu mais R$ 970.734,84). 5. Dessa forma, o valor antecipado pela Requerente em 03/05/2006 (R$ 9.425.558,32), somado ao valor pago em 05/04/2007 (R$ 1.941.469,68), perfaz o preço total das 201.044 ações da “CESJ” (R$ 11.367.028,00); objeto do negócio jurídico (venda e compra) efetivamente praticado com as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza. Fl. 504DF CARF MF 4 6. Por se tratar efetivamente de operação de compra e venda de ações, a Requerente não deveria efetuar a retenção do Imposto de Renda e o seu pagamento, estando as vendedoras sujeitas as regras previstas no Decreto n° 3.000/99, que disciplinam a tributação das pessoas físicas. 7. Entretanto, por mero equívoco (erro de fato), a Requerente, em um primeiro momento, considerou, indevidamente, o valor antecipado para garantir a venda e compra das ações da “CESJ”, como se fosse decorrente de prestação de serviço (comissão sobre intermediação de negócios, fls. 110/111) pelas Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza. 8. Tendo em vista a interpretação equivocada da natureza do negócio jurídico efetivamente praticado (adiantamento para garantir a compra das ações da “CESJ”), a Requerente reajustou o valor da operação (R$ 13.000.000,00) para que, após a retenção do Imposto de Renda (R$ 3.573.825,34) e do INSS (R$ 616,34), as vendedoras recebessem (valor líquido) justamente o valor do adiantamento (R$ 9.425.558,32) acordado no compromisso firmado. 9. Em razão do procedimento descrito acima, em 09/06/2006, a Requerente efetuou o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (código 0588), no valor total de R$ 3.600.452,92, conforme informado em DCTF (fls. 99/102) e confirmado pelo “SINAL 08” (fl.103), sendo que R$ 3.573.825,34 se referem exatamente ao adiantamento para garantir a compra das ações da “CESJ”. 10. Identificado o erro quanto à efetiva natureza do negócio jurídico praticado (adiantamento para garantir a compra das ações da “CESJ”) e, com isso, a existência de pagamento indevido de IRRF, no valor original de R$ 3.573.825,34, a Requerente retificou a sua DCTF e pleiteou a restituição/compensação do crédito em questão. 11. No entanto, foi proferido despacho decisório indeferindo o direito crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologando as compensações declaradas, sob o fundamento, basicamente, de que a Requerente não teria prestado todas as informações que lhe foram solicitadas para o esclarecimento do pagamento indevido. 12. Contudo, em que pese o entendimento manifestado no r. despacho decisório recorrido, as provas juntadas não deixam quaisquer dúvidas de que o negócio jurídico efetivamente praticado foi uma venda e compra de ações da “CESJ”, de modo que o pagamento do IRRF, no valor original de R$ 3.573.825,34, foi indevido, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional, devendo o pedido de restituição ser deferido, com a conseqüente homologação das compensações declaradas, conforme se passa a demonstrar. 13. O instrumento particular apresentado pela Requerente (fls. 114/118), em cumprimento ao termo de intimação fiscal expedido pela DRF/São José do Rio Preto (fl.106), comprova que o negócio jurídico praticado foi efetivamente uma venda e compra de ações e não uma prestação de serviço, de modo que não deveria ter havido retenção do Imposto de Renda (código 0588) e seu pagamento pela Requerente. 14. De fato, o referido instrumento particular em questão comprova que, para garantir o negócio jurídico (compra de ações da “CESJ”), a Requerente efetuou o pagamento, a título de adiantamento, do valor de R$ 4.712.779,16 para a Sra. Maria Heloísa e, também, do valor de R$ 4.712.779,16 para a Sra. Maria Tereza, perfazendo o montante total de R$ 9.425.558,32. 15. E o efetivo recebimento do valor de R$ 4.712.779,16 pela Sra. Maria Heloísa e do valor de R$ 4.712.779,16 pela Sra. Maria Tereza está evidenciado pelos comprovantes de transferências bancárias (fls. 112/113), apresentados em Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 4 5 cumprimento ao termo de intimação fiscal expedido pela DRF/São José do Rio Preto. 16. Por se tratar de adiantamento para garantir o negócio jurídico efetivamente praticado (compra de ações da “CESJ”), não houve qualquer prestação de serviço pelas Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza, de modo que a operação em questão não estava sujeita à retenção do Imposto de Renda (código 0588), sendo, portanto, indevido o pagamento efetuado a título de IRRF pela Requerente, no valor de R$ 3.573.825,34. 17. Notese que é absolutamente evidente o erro cometido pela Requerente, consistente na retenção do Imposto de Renda e no seu pagamento, pois jamais poderia ter havido prestação de serviço na operação realizada, notadamente porque não é razoável admitir que as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza teriam intermediado a venda de suas próprias ações, sendo incontestável, portanto, o fato de que os valores por elas recebidos foram em razão da venda e compra das ações “CESJ”, e não comissão sobre intermediação de negócio. 18. Para espancar quaisquer dúvidas sobre os fatos alegados pela Requerente, cumpre destacar que a operação em questão está devidamente registrada no “Livro de Ações Nominativas” e no “Livro de Transferência de Ações Nominativas” da Companhia Energética São José “CESJ” (doc. 03), cujas ações foram objeto do negócio jurídico (venda e compra) praticado pela Requerente com as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza. 19. Com efeito, o “Livro de Ações Nominativas” da “CESJ” comprova que, em 05/04/2007 (exatamente na data da formalização do instrumento particular de compra de ações, fls. 114/118), a Sra. Maria Tereza vendeu 100.522 ações e, também, a Sra. Maria Heloísa vendeu 100.522 ações. 20. Por sua vez, o “Livro de Transferência de Ações Nominativas” da “CESJ” comprova que: (I) “Aos 05 dias de abril de 2007 na sede da empresa Companhia Energética São José comparece a Sra. Maria Tereza de Andrade Mura e declara que transfere por contrato particular de compra e venda de ações para Açúcar Guarani S.A. 100.522 ações da mesma Cia. Energética São José de que é proprietária, e de acordo com a relação à margem, com todos os direitos e obrigações constantes dos Estatutos. Pelo cessionário foi declarado que aceitava esta transferência, de que se lavrou este termo que assina juntamente com o cedente“; e (II) “Aos 05 dias de abril de 2007 na sede da empresa Companhia Energética São José comparece a Sra. Maria Heloísa de Andrade Mura e declara que transfere por contrato particular de compra e venda de ações para Açúcar Guarani S.A. 100.522 ações da mesma Cia. Energética São José de que é proprietária, e de acordo com a relação à margem, com todos os direitos e obrigações constantes dos Estatutos. Pelo cessionário foi declarado que aceitava esta transferência, de que se lavrou este termo que assina juntamente com o cedente.'' Fl. 506DF CARF MF 6 21. Comprovado, portanto, por meio de documentação hábil e idônea, que o negócio jurídico praticado foi efetivamente uma venda e compra de ações da “CESJ”, a Requerente não deveria ter efetuado a retenção do Imposto de Renda e, principalmente, ter efetuado o pagamento do IRRF (código 0588), no valor de R$ 3.573.825,34. 22. Diante do exposto, e considerandose que as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza não prestaram serviços de intermediação, mas sim venderam ações da “CESJ” de sua titularidade; está configurado o pagamento indevido do IRRF, no valor original de R$ 3.573.825,34, constituindo este valor crédito líquido e certo a favor da Requerente, nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, e artigo 74 da Lei n° 9.430/96, passível de restituição/compensação, de modo que o r. despacho decisório recorrido deve ser integralmente reformado. 23. No r. despacho decisório recorrido, alegou a autoridade administrativa que a Requerente não teria comprovado “o estorno dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior”. 24. Entretanto, no caso concreto, não há de se falar em estorno de lançamentos, pois o tratamento contábil conferido à operação pela Requerente foi de venda e compra de ações, e não de prestação de serviços, de modo que é improcedente a alegação feita no r. despacho decisório recorrido. 25. Com efeito, os pagamentos efetuados, em 03/05/2006, para as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza, nos valores de R$ 4.712.779,16 e de RS 4.712.779,16, respectivamente, a título de adiantamento para garantir a compra das ações da “CESJ”, foram lançados a débito em conta contábil do ativo, conforme se verifica do “Razão Analítico” da Conta Contábil n° 13222 (adto. aquisição ações e cotas, doc. 04), e a crédito no caixa. 26. Confirase o histórico dos lançamentos contábeis: (I) “REF. SP. 121766MARIA TEREZA DE ANDRADE SICHIERIARNALDOADTO P/ AQUISIÇÃO DE AÇÕES CONF. CONTRATO DE COMPRA E VENDA Cf CLÁUSULA SUSPENSIVA”; (II) “REF. SP. 121767MARIA HELOÍSA DE ANDRADE MURAARNALDO ADTO P/ AQUISIÇÃO DE AÇÕES CONF. CONTRATO DE COMPRA E VENDA Cf CLÁUSULA SUSPENSIVA” 27. Posteriormente, em 05/04/2007, com a concretização do negócio jurídico (compra de ações da “CESJ”), foram efetuados lançamentos a débito na Conta Contábil n° 13222 (conta do ativo, adto. aquisição ações e cotas) dos valores complementares do preço total das ações da “CESJ” e a crédito no caixa. 28. Confirase o histórico desses lançamentos contábeis: (I) “REF. SP. 143993MARIA HELOÍSA DE ANDRADE MURAARNALDO COMPLEMENTO REF. COMPRA DE AÇÕES FIRMADAS EM 05/04/2007 CONFORME PROPOSTA EM INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES”; e (II) “REF. SP. 143994MARIA TEREZA DE ANDRADE SICHIERIARNALDO COMPLEMENTO REF. COMPRA DE AÇÕES FIRMADAS EM 05/04/2007 CONFORME Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 5 7 PROPOSTA EM INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES”. 29. Com o objetivo de “zerar” a conta de adiantamento e registrar o investimento adquirido na “CESJ”, a Requerente efetuou lançamentos a crédito na Conta Contábil n° 13222 (adto. aquisição ações e cotas), com os seguintes históricos: (I) “AQUISIÇÃO DE 100.522 AÇÕES DA CIA ENERGÉTICA SÃO JOSÉ DE MARIA HELOÍSA DE ANDRADE MURA CONF. INSTRUMENTO PARTIC. DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES”; e (II) “AQUISIÇÃO DE 100.522 AÇÕES DA CIA ENERGÉTICA SÃO JOSÉ DE MARIA TEREZA DE ANDRADE SICHIERI CONF. INSTRUMENTO PARTIC. DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES”. 30. Por sua vez, a contrapartida dos lançamentos a crédito efetuados na Conta Contábil n° 13222 (adto. aquisição ações e cotas) foram os lançamentos efetuados a débito, também, em outras contas do ativo (doc. 04), conforme abaixo demonstrado: (I) lançamento a débito na Conta Contábil do ativo n° 17096 (invest. Companhia Energética São José); e (II) lançamento a débito na Conta Contábil do ativo n° 17097 (ágio invest. Cia. Energética São José). 31. Confirase o histórico dos lançamentos contábeis em questão: (I) “INVESTIMENTO NA AQUISIÇÃO DE 201.044 AÇÕES DA CIA. ENERGÉTICA SÃO JOSÉ DE MARIA HELOISA/MARIA TEREZA CONF. INSTRUMENTO PARTIC. DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES”; e (II) “ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO 201.044 AÇÕES DA CIA. ENERGÉTICA SÃO JOSÉ DE MARIA HELOISA/MARIA TEREZA CONF. INSTRUMENTO PARTIC. DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES”. 32. Por sua vez, a contabilização do crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte (código 0588), no valor total de R$ 3.573.825,34, foi efetivamente realizada. 33. Em 03/05/2006 (data em que a Requerente efetuou os pagamentos a título de adiantamento para garantir a compra das ações da “CESJ”), foram efetuados os seguintes registros contábeis (doc. 04): (I) lançamento a débito na Conta Contábil do ativo n° 15115 (Imposto de Renda retido na fonte) do IRRF, no valor total de R$ 3.573.825,34; e (II) lançamento a crédito na Conta Contábil do passivo n° 22715 (IRRF Imp. Renda Terceiros) do IRRF, no valor total de R$ 3.573.825,34. Fl. 508DF CARF MF 8 (II) lançamento a crédito na Conta Contábil do passivo n° 22715 (IRRF Imp. Renda Terceiros) do IRRF, no valor total de R$ 3.573.825,34. 34. Com a realização do pagamento do IRRF (código 0588), em 09/06/2006, a Requerente: (I) liquidou o passivo; e (II) manteve registrado no seu ativo o crédito de IRRF a que tem direito, no valor de R$ 3.573.825,34. 35. Diante dos lançamentos efetuados pela Requerente está comprovado que o tratamento contábil conferido ao negócio jurídico praticado com as Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa foi de venda e compra de ações, não existindo, portanto, estornos contábeis a serem efetuados. 36. No r. despacho decisório recorrido, alegou a autoridade administrativa, genericamente, que a Requerente “não comprovou a retificação nem apresentou os demonstrativos entregues ao beneficiário, nos quais a retenção indevida tenha sido informada”. 37. Destaca a Requerente que a autoridade administrativa não especificou o documento que, no seu entender, deveria ser retificado. 38. Esclarece a Requerente que retificou a sua DCTF, conforme se verifica dos documentos juntados às fls. 99/102, excluindo o IRRF (código 0588), no valor de R$ 3.573.825,34 (crédito pleiteado nos presentes autos), não havendo, no seu entender, outro documento a ser retificado. 39. Quanto aos “demonstrativos entregues ao beneficiário, nos quais a retenção indevida tenha sido informada”, esclarece a Requerente que apresentou os documentos juntados às fls. 110/111, indevidamente denominados “recibo de pagamento a contribuinte individual”, como já salientado, demonstrando o valor do IRRF e o valor líquido recebido pelas Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa. 40. Muito embora indevidamente denominado “recibo de pagamento a contribuinte individual”, não foi necessária a sua retificação, pois, bem ou mal, refletem os valores líquidos recebidos pelas Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa, conforme evidenciado pelos comprovantes de transferências bancárias juntados às fl. 112/113, bem como o IRRF. 41. Dessa forma, entende a Requerente que a alegação constante do r. despacho decisório recorrido é improcedente e, o mais importante, não retira a liquidez e a certeza do crédito pleiteado nos presentes autos. 42. A autoridade administrativa destacou no r. despacho decisório recorrido que: “Nos sistemas da Receita Federal, constatouse que não consta o interessado como sócio da Companhia Energética São José (CESJ), CNPJ n° 05.266.880/0001 66, na Declaração de Informações Econômica Fiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2007 (DIPJ 2008). Consta como sócia da CESJ empresa controlada pelo interessado denominada Cruz Alta Participações Lida., CNPJ n° 088.296.841/000108, com 99,99% do seu capital social, sendo o restante das ações pertencentes a pessoa física.'' 43. A constatação feita pela autoridade administrativa é absolutamente impertinente para o reconhecimento do direito creditório pleiteado, além do que jamais poderia levar em consideração apenas a informação existente em 31/12/2007. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 6 9 44. De fato, conforme se verifica da 3ª Alteração do Contrato Social da Cruz Alta Participações Ltda. (“CAP”, da qual a Requerente é sócia), registrada na JUCESP em 05/06/2007 (doc. 05), foi deliberado o aumento de seu capital social em R$ 11.367.028,00. 45. O aumento do capital social da “CAP” foi subscrito e integralizado pela Requerente mediante a conferência das 201.044 ações da “CESJ” (adquiridas, em 05/04/2007, das Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa), avaliadas em R$ 11.367.028,00. Confirase: “(...) 2. A sócia GUARANI, neste ato, subscreve e integraliza a totalidade das 11.367.028 (onze milhões e sessenta e nove mil e vinte e oito) novas quotas, mediante a conferência de 201.044 (duzentas e uma mil e quarenta e quatro) ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, representativas do capital social da Companhia Energética São José, sociedade por ações com sede na Fazenda São Joaquim, no Município de Colina, Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 05.266.880/000166 ('CESJ'), correspondente a participação total de 3,4745% do capital social da referida empresa, denominandose daqui por diante tais ativos simplesmente por 'AÇÕES DA CESJ', as quais, nesta data, estão livres de ônus, dívidas ou dúvidas. 3. A conferência das AÇÕES DA CESJ é realizada pelo valor contábil de R$ 11.367.028,00 (onze milhões, trezentos e sessenta e sete mil e vinte e oito reais).” 46. E, por meio da 4ª Alteração do Contrato Social da “CAP” (doc. 05), também registrada na JUCESP em 05/06/2007, foi deliberado novo aumento do seu capital social, tendo a Requerente subscrito e integralizado mediante a conferência da totalidade das ações que possuía na “CESJ”. 47. A capitalização da “CAP” mediante a conferência de todas as ações que a Requerente detinha na “CESJ” está devidamente registrada na sua contabilidade (doc. 04) e, também, no Livro de Ações Nominativas” e no “Livro de Transferência de Ações Nominativas” da “CESJ” (doc. 03), que comprovam que, em 31/12/2007, a Requerente não era titular de ações da “CESJ”. 48. Diante do exposto, e considerandose que todas as ações da “CESJ” de titularidade da Requerente foram conferidas para integralização do aumento do capital social da “CAP”, conforme 3ª e 4ª alterações do contrato social da “CAP” registradas em 05/06/2007, está devidamente justificado o fato de a Requerente, em 31/12/2007, não figurar no quadro societário da “CESJ”, o qual, aliás, não guarda qualquer relação com o crédito pleiteado nos presentes autos. 49. Ainda que absolutamente impertinente para a confirmação do direito creditório pleiteado, destacou a autoridade administrativa que, aparentemente, “as detentoras das ações da CESJ não declararam a venda das ações para o interessado em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF)”. Fl. 510DF CARF MF 10 50. Notese que este parágrafo é o reconhecimento expresso da autoridade administrativa de que a operação praticada pela Requerente com as Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa foi efetivamente uma venda e compra de ações da “CESJ”; e não poderia ser diferente diante do amplo acervo probatório juntado aos autos. 51. E, por não existir dúvidas quanto à efetiva existência de compra e venda de ações da “CESJ”, a retenção e o pagamento do IRRF (código 0588), no valor total de R$ 3.573.825,34, pela Requerente, de fato, foi indevido, estando as vendedoras, portanto, sujeitas ao disposto no Decreto n° 3.000/99. 52. Tendo em vista que no processo administrativo de restituição/compensação não há “espaço” para verificação dos procedimentos adotados pelas pessoas físicas em razão da venda das ações da “CESJ”, o que foi efetivamente declarado por elas é absolutamente irrelevante nos presentes autos e, portanto, não compromete a certeza e liquidez do crédito pleiteado. 53. Cumpre destacar que o procedimento adotado pela Requerente não trouxe qualquer prejuízo para a Fazenda Nacional, notadamente porque não houve aproveitamento em duplicidade do crédito do IRRF (código 0588), no valor original R$ 3.573.825,34, o que, aliás, seria prontamente identificado pelo sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, e não foi! 54. De fato, justamente por reconhecerem que a operação foi uma venda e compra de ações da “CESJ”, as Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa não pleitearam, nas respectivas DIRPFs, a dedução do IRRF (código 0588) recolhido pela Requerente, no valor original R$ 3.573.825,34. 55. Por isso as Sras. Maria Tereza e Maria Heloísa declararam, sob as penas da lei, não terem assumido o encargo financeiro relativo ao IRRF em questão e, também, autorizaram a Requerente a adotar os procedimentos necessários para a restituição do pagamento indevido (fls. 119/120), demonstrando, com isso, a boafé das partes envolvidas no negócio jurídico praticado. 56. Bem por isso, não se justifica qualquer receio fazendário no sentido de o crédito do IRRF (código 0588), no valor original R$ 3.573.825,34, ser utilizado em duplicidade, tendo em vista que somente a Requerente tem direito à sua restituição, pois foi quem efetivamente assumiu o ônus tributário. 57. No caso concreto, o direito creditório pleiteado, além de lastrearse na documentação juntada aos autos, que confirma a existência do crédito do IRRF (código 0588), no valor original de R$ 3.573.825,34, bem como nas questões de direito alegadas, se mostra suficiente para a homologação das compensações declaradas. 58. Deve ser observado o princípio da verdade material, buscandose a essência dos fatos postos em discussão, conforme tem ressaltado a doutrina especializada: “As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 7 11 (...). “ (James Marins, Direito processual tributário brasileiro administrativo e judicial, São Paulo, Dialética, 2001, p. 176 destaques da R e q u e r e n t e ) . “No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. O Conselho de Contribuintes, por exemplo, possui o hábito de converter o julgamento em diligência, mediante o uso de uma resolução, quando não se sente em condições de se pronunciar sobre o feito.” (Antônio Cabral, Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, Saraiva, 1993, p. 75 destaques da R e q u e r e n t e) 59. É pacífica jurisprudência do antigo CONSELHO DE CONTRIBUINTES, como se verifica do julgado abaixo: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ (...) REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado.” (1º CC, 5 a Câmara, PA n° 10283.009117/9951, Rei. Wilson Fernandes Guimarães, j . em 14/09/2007– destaques da Requerente) 60. Pode e deve a D. Autoridade Julgadora, em homenagem ao princípio da verdade material, conhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações declaradas. 61. Requer a reforma do r. despacho decisório recorrido, com reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. A DRJ/RPO considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pelas razões a seguir descritas: a) o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado; b) nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Consequentemente, as declarações de compensação devem estar necessariamente instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento; Fl. 512DF CARF MF 12 c) a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Reproduz art. 923 do RIR/1999; d) os registros contábeis e demais documentos fiscais são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado, contudo, a requerente não trouxe aos autos as provas necessárias para dar suporte a sua pretensão; e) os recibos acostados aos autos (fls. 140 e 141), datados de 03/05/2006 atestam, INEQUIVOCAMENTE, tratarse de um pagamento “pela prestação de serviços profissionais de COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS”, e não de um adiantamento pela venda de ações; f) os comprovantes de transferência bancária juntados às fls. 142/143, aponta os valores pagos pelo Contribuinte àquelas pessoas, porém, não há nenhum documento nos autos que sequer evidencie as alegações da requerente de que o negócio que originou esses pagamentos seria a compra e venda de ações; g) o único documento acostado que poderia emprestar alguma verossimilhança à tese apresentada pela Impugnante de que os pagamentos efetuados em 03/05/2006 referirseiam a um adiantamento pela venda de ações seria o “Instrumento particular de compra e venda de ações”, às fls. 144 e seguintes, que, entretanto, é um documento particular e tem data de 05/04/2007, portanto, quase um ano após os pagamentos realizados; h) os Livros de Registro de Ações Nominativas (fl. 313) e de Registro de Transferência de Ações Nominativas (fl. 344), provam unicamente que as ações foram transferidas em 05/04/2007 para a requerente, nada mais que isso. Ou seja, não é possível concluir, a partir de tais Livros, que os pagamentos efetuados em 03/05/2006 teriam alguma relação com a compra e venda de ações, como que fazer crer o Contribuinte; i) em resposta à afirmação da autoridade administrativa, feita no Despacho Decisório, de que não teria sido comprovado “o estorno dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior”, a contribuinte infere que não haveria que se falar em estorno de lançamentos, pois o tratamento contábil conferido à operação foi de venda e compra de ações, e não de prestação de serviços; j) passa então a Requerente a descrever todos os lançamentos contábeis que teria realizado no Livro Razão e que, aparentemente, refletiriam a tese de que o negócio realizado, desde o adiantamento feito em 03/05/2006, seria uma venda e compra de ações; k) os lançamentos realmente aparecem nas cópias do documento denominado “Razão Analítico de Lotes”, apresentado às fls. 367 e seguintes, entretanto, é cediço que o Livro Razão só tem o condão de fazer prova a favor do contribuinte quando respaldado pelo Livro Diário, já que este deve possuir formalidades legais asseguradoras de seu conteúdo. l) o “Livro” acostado aos autos pela requerente às fls. 151 e seguintes, e alcunhado por esta de Livro Diário, não possui o registro na Junta Comercial, determinado pelo art. 5º do DecretoLei nº 486/1969, formalidade essencial, sem a qual não pode sequer ser aceito como Livro Diário. Consequentemente, não há como atribuir força probatória ao seu conteúdo nem ao do Livro Razão apresentado; Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 8 13 m) ainda que fosse possível aceitar os formulários apresentados como um Livro Diário, a análise dos dados que nele se encontram revela uma clara contradição na tese aduzida pela requerente, tornandoa desarrazoada: · se, conforme a peça impugnatória, não havia estorno a fazer nos lançamentos pois o tratamento contábil conferido à operação pela Requerente foi desde o início de venda e compra de ações, e não de prestação de serviços (item 24 da manifestação), como é possível aceitar que o erro sobre a natureza jurídica do negócio só tenha sido identificado depois do recolhimento do IRRF (item 10 da manifestação)? · Isso porque, segundo consta dos autos, o lançamento do “adiantamento” no “Livro Diário”, de acordo com o termo de encerramento deste, ocorreu em 08/05/2006 (fl. 157), enquanto o recolhimento do IRRF ocorreu apenas em 09/06/2006, ou seja, mais de um mês depois do citado registro; n) além da falta absoluta de provas, a tese da requerente carece de plausibilidade; o) com base na prática empresarial, há falta de razoabilidade dos argumentos apresentados: · não se confunde uma compra e venda de ações com a prestação de serviços pela intermediação de negócios, ainda mais quando isso implica em um pagamento de R$ 3.573.825,34 de imposto de renda; · não se adianta a outrem uma quantia de R$ 9.425.558,32 (mais de 80% do valor total) para “garantir um negócio” de venda e compra de ações exigindose como comprovante apenas um recibo de “prestação de serviços”; · não se lavra o instrumento particular referente a uma “compra e venda” somente um ano após a realização do “adiantamento. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual faz um histórico dos fatos ocorridos, repisa questões trazidas na impugnação e acrescenta o que segue: a) sem analisar com a devida seriedade as provas juntadas aos autos e com o evidente propósito de manter sob qualquer pretexto o indeferimento do direito creditório pleiteado, a 6ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao argumento absolutamente genérico de não haver “nenhum documento nos autos que sequer evidencie as alegações da requerente de que o negócio que originou esses pagamentos seria a compra e venda de ações” (fl. 406); b) o entendimento manifestado na decisão recorrida é um verdadeiro absurdo e, inclusive, revela conduta temerária por parte das autoridades julgadoras e cerceamento do direito de defesa, pois as provas juntadas aos autos não deixam quaisquer dúvidas de que o negócio jurídico efetivamente praticado foi uma venda e compra de ações da “CESJ”, de modo que o pagamento do “IRRF”, no valor original de R$ 3.573.825,34, foi indevido, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional; Fl. 514DF CARF MF 14 c) os comprovantes de transferências bancárias (fls. 112/113), o instrumento particular de compra e venda de ações da “CESJ” (fls. 114/118), o “livro de registro de ações nominativas da CESJ” (fls. 276/305) e o”livro de registro de transferência de ações nominativas da CESJ” (fls. 306/328), comprovam, de forma inequívoca, que os pagamentos efetuados, em 03/05/2006, para as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza, nos valores de R$ 4.712.779,16 e R$ 4.712.779,16, configuram adiantamento (garantia do negócio) pela aquisição de 201.044 ações da “CESJ” (e não comissão sobre intermediação de negócio); e d) as Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza declararam, sob as penas da lei, não terem assumido o encargo financeiro relativo ao “IRRF” e, também, autorizaram a “Guarani S.A.” a adotar os procedimentos necessários para a restituição/compensação do pagamento indevido (fls. 119/120). Por fim, requer seja conhecido e dado provimento ao presente recurso administrativo, para os fins de reformar a decisão a quo, reconhecendose o direito creditório pleiteado com a homologação das compensações declaradas. Em virtude da ausência de elementos aptos a comprovar a tempestividade do recurso, o processo foi remetido à unidade de origem para que fossem juntados aos autos tais documentos, tendo o processo retornado ao CARF com manifestação da recorrente (fls. 466/470) acerca da tempestividade do apelo. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Primeiramente, impende esclarecer que, muito embora a recorrente informe ter tomado ciência da decisão recorrida em 27/08/2012 por via eletrônica, mediante acesso ao Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), não foram trazidos aos autos documentos que pudessem comprovar essa informação. Assim, em virtude da ausência de elementos tendentes a atestar a tempestividade do recurso, o processo foi remetido à unidade preparadora com o fim de que fossem a ele acostados documentos para tal fim. A unidade preparadora detevese a intimar a recorrente a apresentar Termo de Ciência por Decurso de Prazo e Termo de Abertura de Documento. Em resposta, a reclamante afirma ter acompanhado a movimentação processual pelo sistema Comprot – Comunicação e Protocolo e acessado o processo administrativo por meio eletrônico em 27/08/2012. Apesar da ausência de elemento para respaldar essa informação, não tendo a unidade preparadora feito questionamento a esse respeito ou apresentado qualquer tipo de prova que viesse a contrapor a asserção da contribuinte, e ainda, considerandose que o apelo foi protocolado em 25/09/2012, entendo por reputálo tempestivo. No que respeita às questões relacionadas ao mérito do recurso, a controvérsia cingese ao reconhecimento dos atributos de liquidez e certeza do direito creditório com base nos elementos de prova apresentados no curso do processo administrativo. Como visto no relatório do presente acórdão, a recorrente busca ver deferido seu pedido de restituição e confirmada as compensações de IRRF que diz ter recolhido indevidamente. Segundo informa, muito embora encontremse juntados aos autos recibos de pagamentos feitos a Maria Tereza de Andrade Sichieri e Maria Heloísa de Andrade Mura por prestação de serviços profissionais de comissões sobre intermediação de negócios (o que gerou a retenção e o recolhimento do IRRF) o que teria ocorrido de fato seria a aquisição de ações da Companhia Energética São José – CESJ, de propriedade de referidas pessoas físicas, o seja, o IRFonte teria sido recolhido indevidamente em razão de erro na definição da operação. De início é preciso deixar absolutamente claro que, nos termos do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil, “O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito”. Desse modo, para ver atendidos os seus pedidos a recorrente precisaria trazer aos autos elementos aptos a comprovar, de forma inequívoca, que faz jus à restituição e às compensações reclamadas. Nos termos do § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB fixar regras para a apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação, e, em virtude disso, à época da análise dos pleitos creditórios, o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 dispunha: Fl. 516DF CARF MF 16 Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. (Grifei) Não se pode olvidar ainda que, nos termos do art. 927 do Decreto nº 3.000/1999, as pessoas físicas e jurídicas encontramse obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais da Receita federal do Brasil no exercício de suas funções, o que inclui a análise de pedidos de restituição ou declaração de compensação. Pois bem, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 136 a recorrente foi intimada, sob pena de indeferimento de seus pedidos, a apresentar documentos necessários a: 1 Comprovar o estorno dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior em sua escrituração contábil; 2 Comprovar a retificação das suas declarações apresentadas à RFB e dos demonstrativos entregues aos beneficiários, nos quais a referida retenção tenha sido informada; 3 Comprovar com documentos originais os pagamentos efetuados aos beneficiários relativos à referida retenção, fornecendo cópia de cada documento; 4 Informar o motivo de efetuar um recolhimento de R$3.600.452,92 a título de retenção de imposto de renda na fonte, código de receita 0588, tendo em vista que suas retenções mensais neste código no anocalendário de 2006 não ultrapassaram o valor de R$130.000,00, segundo registrado na sua DIRF apresentada à RFB. (Grifouse) Em resposta à intimação foram apresentados os seguintes documentos (fls. 140/167): a) recibos de pagamento a contribuinte individual relativo a comissões pagas a Maria Heloísa de Andrade Mura e Maria Tereza de Andrade Sichieri; b) comprovantes de transferência bancária às beneficiárias das prestações pecuniárias informados nos recibos de pagamento; c) instrumento particular de compra e venda de ações; Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 10 17 d) declarações de Maria Heloísa e de Maria Tereza de que não assumiram os encargos relativos ao IRRF e na qual autorizam a recorrente a adotar as medidas cabíveis para pleitear a restituição; e) cópia de trechos do que se diz ser o Livro Diário de 01 a 08/05/2006; e f) cópias de DCTF original e retificadoras do mês 05/2006. De se ressaltar, a princípio, que, consoante evidenciado no Despacho Decisório que indeferiu o pleito creditório (e não contestado na impugnação ou no recurso voluntário), mesmo tendo sido intimado a comprovar com documentos originais os pagamentos efetuados aos beneficiários relativos à referida retenção, a recorrente apresentou cópias simples de tais comprovantes, não acompanhadas dos originais, o que já se constitui em obstáculo ao reconhecimento do direito a restituição ou a compensação. De outra parte, para o exame das argumentações trazidas na peça recursal, convém reproduzir os recibos de pagamento que a apelante informa comprovar a operação realizada: Fl. 518DF CARF MF 18 Referidos documentos são absolutamente claros quanto a natureza dos negócios jurídicos neles descritos: tratamse de recibos de pagamento de comissões por prestação de serviços de intermediação de negócios, isto é, de pagamentos feitos a contribuintes individuais em retribuição ao trabalho no valor de R$ 6.500.000,00 a cada prestador, com contribuição previdenciária e IRRF devidamente destacados. Mesmo diante dos recibos acima colacionados, os quais não foram retificados, consta do recurso voluntário que “por mero equívoco (erro de fato), a Recorrente, em um primeiro momento, considerou, indevidamente, o valor antecipado para garantir a venda e compra das ações da ‘CESJ’, como se fosse decorrente de prestação de serviço pelas Sras. Maria Heloísa de Andrade Mura e Maria Tereza de Andrade Sichieri”. Ora, não é crível que uma empresa do porte da recorrente, diante de um negócio milionário, possa confundir pagamento decorrente de prestação de serviços com adiantamento de valores para garantia de transação de compra e venda de ações. Tratamse de negócios jurídicos completamente diversos e para se admitir a ocorrência do propalado “erro de fato” seria necessária a apresentação de provas contundentes nesse sentido. Diferentemente Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 11 19 do que se aduz na peça recursal, além da apresentação de provas inequívocas, a situação demanda explicações fartamente detalhadas. Não se pode apelar ao mero “bom senso” do julgador administrativo para que esse possa considerar válidos argumentos em tudo descabidos como os que foram até aqui apresentados. Outra inferência trazida na peça recursal é que, “sem analisar com a devida seriedade as provas juntadas aos autos e com o evidente propósito de manter sob qualquer pretexto o indeferimento do direito creditório pleiteado, a 6ª turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento absolutamente genérico de que não haveria ‘nenhum documento nos autos que sequer evidencie as alegações da recorrente de que o negócio que originou esses pagamentos seria a compra e venda de ações’”. Por certo, para que a análise fosse considerada séria pela recorrente, a autoridade julgadora deveria reconhecer por procedente sua manifestação, mas, repisese que, diante de situação tão excêntrica, não poderia Colegiado a quo, em vista de argumentos demasiadamente duvidosos, acolher os pleitos intentados no presente processo. A situação sob exame nem de longe evidencia a ocorrência de “erro de fato”. Assim, ao contrário do que alardeia a apelante, temerário e absurdo seria o deferimento da restituição e o reconhecimento da validade das compensações pretendidas. Do mais, não se vislumbra na análise empreendida pela DRJ/RPO sequer indícios do reclamado cerceamento do direito de defesa. Discordar de alegações apresentadas na manifestação de inconformidade ou considerar ineptas as provas trazidas no curso do processo administrativo, convenhamos, não implica ofensa à ampla defesa ou ao contraditório. Com relação ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações que reclamante diz comprovar que o negócio jurídico praticado seria efetivamente compra e venda de ações, o art. 408 do Código de Processo Civil estabelece: Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. Observese que, nos termos da legislação processual, a presunção de veracidade de citado Instrumento Particular somente pode ser oposta perante seus signatários. Desse modo, temse que é requisito de legitimidade desse tipo de documento perante o Poder Público que se faça prova eficaz de sua validade. Contudo, referido documento além de não estar respaldado em documentos hábeis e idôneos, revela ainda uma grave contradição, pois enquanto os pagamentos a título de prestação de serviços foram efetuados 03/05/2006 (vide recibos de pagamento reproduzidos acima e Demonstrativos de Transferência Bancária de fls. 142/143), o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações (que busca retratar negócio jurídico diverso), conforme evidenciado no acórdão recorrido, foi assinado somente em 05/04/2007, praticamente um ano após a realização dos pagamentos, o que esvazia por completo o seu poder probatório ante a Fazenda Pública. Outro fato trazido a baila pela suplicante é que o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações teria sido utilizado para garantir o negócio jurídico, com previsão Fl. 520DF CARF MF 20 de adiantamento, em 03/05/2006, de R$ 4.712.779,16 a Maria Heloísa de Andrade Mura, perfazendo um total de R$ 9.425.558,32 e de R$ 970.734,84 a cada (R$ 1.941.469,68 no total), em 05/04/2007. Neste ponto também não há como discordar das conclusões trazidas na decisão vergastada, pois foge à prática adotada tanto em âmbito empresarial quanto entre particulares que uma negociação envolvendo montantes expressivos seja realizada de forma tão pueril como idealizado no apelo recursal. Primeiramente porque para a garantia de determinado negócio é praxe o adiantamento de um pequeno percentual da quantia pactuada a título de “sinal”, entretanto, na operação fabulada pela recorrente, que se disse ajustada em R$ 11.367.028,00, teria sido efetuado um “adiantamento” de R$ 9.425.558,32 (83% do valor total) e o pagamento de somente mais R$ 1.941.469,68 (17% do total) na concretização da operação. E mais, não se mostra minimamente razoável a entrega de mais de nove milhões de reais a terceiros sem o estabelecimento de qualquer tipo de garantia. Apercebase que embora diga a recorrente ter adiantado, em 03/05/2006, o equivalente a R$ 9.425.558,32 às Sras. Maria Heloísa e Maria Tereza, o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações, como já dito, foi assinado somente em 05/04/2007, ou seja, quase um ano após o pagamento do suposto adiantamento. Quanto aos registros referentes a compra e venda de ações, anotados no Livros de Registro de Ações Nominativas (fls. 322/323) e no Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas (fl. 364), conquanto deem conta da transferência de ações à recorrente em 05/04/2007, não vejo como vincular de forma inquestionável tais operações aos pagamentos efetuados a Maria Heloísa e Maria Tereza em 03/05/2006. Outra questão aventada no recurso voluntário diz respeito ao tratamento contábil conferido às operações em pauta, o qual a suplicante diz corroborar as alegações trazidas no curso do processo administrativo. Descrevese no apelo recursal os lançamentos registrados no Livro Razão (fls. 367/373), que estariam respaldados pelo Livro Diário (fls. 151/157) e retratariam a tese de que os valores despendidos em 03/05/2006 seriam decorrentes de adiantamento para garantia de compra e venda de ações e não pagamento por prestação de serviços de intermediação de negócios. Para o exame das alegações recursais acerca da escrituração de operações aptas a fazer prova em favor da contribuinte, insta examinar os normativos afetos ao tema. Nos termos dos arts. 258 e 259 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR) têmse que: Livro Diário Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 12 21 sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, §1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, §2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Livro Razão Art.259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). §1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. §2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). §3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. (Grifouse) Por certo, a legislação tributária dispensa o registro e até mesmo a autenticação do Livro Razão porque as informações nele insertas precisam estar respaldadas na escrituração efetuada no Livro Diário o qual, para ter validade, além de outras formalidades, Fl. 522DF CARF MF 22 deve estar devidamente registrado no órgão competente, consoante dispõe o § 4º do art. 258 do RIR. Contudo, o que se diz ser o Livro Diário da reclamante (fls. 151/157 e 437/452) não foi levado a registro na Junta Comercial o que lhe retira a possibilidade de comprovar os registros feitos no Livro Razão. Aliás, embora tenha restado consignado na decisão recorrida que, com a ausência do registro na Junta Comercial, o documento apresentado sob a alcunha de Livro Diário sequer pode ser considerado como tal, a suplicante não trouxe qualquer documento ou indício de prova que pudesse refutar o argumento do Colegiado a quo. Ao descrever os fatos afetos ao PER/DCOMP com o fim fundamentar o hipotético erro de fato nos procedimentos adotados quando do pagamento e justificar o pedido de restituição e as compensações declaradas a recorrente fez as seguintes considerações: 9. Tendo em vista a interpretação equivocada da natureza do negócio jurídico efetivamente praticado (adiantamento para garantir a compra das ações da "CEST'), a Recorrente e ajustou o valor da operação (R$ 13.000.000,00) para que, após a retenção do Imposto de Renda (R$ 3.573.825,34) e da contribuição previdenciária (R$ 616,34), as vendedoras recebessem (valor líquido) justamente o valor do adiantamento (R$ 9.425.558,32) acordado no compromisso firmado. 10. Em razão do procedimento acima, digase de passagem, absolutamente equivocado, em 09/06/2006, a Recorrente efetuou, indevidamente, o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (código 0588), no valor total de R$ 3.600.452,92, conforme informado em DCTF (fls. 99/102) e confirmado pelo "SINAL 08" (fl. 103), sendo que R$ 3.573.825,34 se referem exatamente ao adiantamento para garantir a compra das ações da "CESJ".(Grifouse) Mais adiante, ao tratar de questões aventadas em sede impugnatória, a contribuinte afirma que: (II) o “Livro Diário” (fls. 121/127) e o “Livro Razão” (fls. 329/335) comprovam, de forma inequívoca, que o tratamento contábil conferido à operação foi de venda e compra de ações, e não de prestação de serviços, de modo que realmente não deveria ser realizado estorno de lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; Ainda que os ditos “Livros Diário e Razão” pudessem ser aceitos como meio de prova, seu exame em conjunto com os demais elementos contidos nos autos demonstram incongruente a tese recursal, pois, na esteira do voto condutor do decisum atacado: se, conforme a peça impugnatória (e recursal), não havia estorno a fazer nos lançamentos pois o tratamento contábil conferido à operação pela Requerente foi desde o início de venda e compra de ações, e não de prestação de serviços (item 24 da manifestação), como é possível aceitar que o erro sobre a natureza jurídica do negócio só tenha sido identificado depois do recolhimento do IRRF (item 10 da manifestação)? Isso porque, segundo consta dos autos, o lançamento do “adiantamento” no “Livro Diário”, de acordo com o termo de encerramento deste, ocorreu em 08/05/2006 (fl. 157), enquanto o recolhimento do IRRF ocorreu apenas em 09/06/2006, ou seja, mais de um mês depois do citado registro. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10850.720458/201010 Acórdão n.º 2402006.055 S2C4T2 Fl. 13 23 Vejase ainda que o indeferimento da restituição e o não reconhecimento do direito às compensações não tem relação com “receio fazendário no sentido de o crédito do "IRRF" (código 0588), no valor original R$ 3.573.825,34, ter sido utilizado em duplicidade”. No caso, a recorrente não trouxe aos autos elementos probatórios que pudessem respaldar suas aspirações, ou seja, não restaram comprovados os atributos de liquidez e certeza dos créditos pleiteados, não se lhe aplicando a jurisprudência administrativa carreada aos autos e não havendo que se falar em ofensa ao princípio da verdade material. CONCLUSÃO Em razão exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 524DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.008073/2007-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS POR COMPETÊNCIA.
A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, §4º do CTN quando constatado que trata-se de diferenças de contribuições e resta demonstrado nos autos a existência de recolhimentos antecipados para todas as competências.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS POR COMPETÊNCIA. A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, §4º do CTN quando constatado que tratase de diferenças de contribuições e resta demonstrado nos autos a existência de recolhimentos antecipados para todas as competências. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 80 73 /2 00 7- 56 Fl. 507DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 37.003.1881 consolidado em 30/11/2007, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 1.547.902,68 (um milhão, quinhentos e quarenta e sete mil, novecentos e dois reais e sessenta e oito centavos), relativas às contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e às destinadas ao Salário Educação, ao SENAR, ao SEST e ao SENAT. As remunerações não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período compreendido entre 01/2000 a 05/2007. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE julgado o lançamento procedente em parte, para excluir as contribuições sobre a comercialização da produção, conforme Decisão judicial, mantendo em parte o crédito tributário. Não houve Recurso de ofício face o valor de alçada. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 04/11/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.800 (fls. ), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até a competência até 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CNT. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao ar. 35 da Lei nº8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 9202006.511 CSRFT2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimento aplicase a regra do §4º do artigo 150 do CTN. SEST E SENAT. FRETEIRO AUTÔNOMO. Incide contribuição destinada a SEST e SENAT sobre a remuneração de freteiros autônomos. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob o fundamento de inconstitucionalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF tem natureza de controle interno da atividade fiscal. Eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato praticado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 15/01/2015, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 02/02/2015, portanto tempestivamente, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) prazo decadencial; e b) retroatividade benigna Obrigação Acessória. Fl. 509DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 22/04/2016. · O recorrente traz como alegações, em relação ao item “a” prazo decadencial, que já é consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, §4º somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de ofício de eventuais diferenças. · Afirma que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, §4º, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; e que, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do artigo 173, I, do CTN. · Destaca que, no caso presente, não se operou lançamento por homologação em relação a todos os períodos de apuração objeto do lançamento, afinal o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo com referência a todas as competências (não houve antecipação de pagamento em relação às competências de 04/2000 a 09/2000 e de 01/2001 a 02/2001) e que, por conta disso, aplicase ao lançamento de ofício, o disposto no art. 173, inciso I do CTN. · Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.800, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 15/06/2016, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 9202006.511 CSRFT2 Fl. 4 5 Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 493. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Cingese a controvérsia na aplicação da decadência quinquenal, bem como nas penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Mais especificamente em relação a decadência o período objeto de discussão envolve apenas as competências 12/2001 a 11/2002, tendo em vista que o período anterior já estaria abrangido pela decadência do art. 173, I do CTN. Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema que norteiam o entendimento dessa relatora. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Fl. 511DF CARF MF 6 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias, bem como sua subssunção aos termos da súmula nº 99 do CARF. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Nesse ponto, importante identificarmos as informações constantes no acordão recorrido, bem como a análise dos relatórios constante no auto de infração. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 9202006.511 CSRFT2 Fl. 5 7 No caso, o acórdão recorrido é por deveras resumido, tornando imprescindível nos debruçarmos sob os demais relatórios para objetivamente identificar a existência de recolhimentos antecipados capazes de atrair o art. 150, §4º do CTN. Ou seja, muito claro no lançamento, mais especificamente no relatório DAD que se tratam de diferença de contribuições apurados entre as folhas e fatos geradores declarados em GFIP, o que no meu entender, serve como base para identificarmos possíveis recolhimentos antecipados. Vejamos a ultima parte do relatórios fiscal: PLANILHAS ANEXAS: 1. "FOLHA DE PAGAMENTOS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS — VALORES DECLARADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP" 2. "FOLHAS DE PAGAMENTOS RURÍCOLA — FPAS 795 — VALORES DECLARADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP" 3. "FOLHAS DE PAGAMENTOS ADMINISTRATIVO/ESCRITÓRICI—FPAS 531— VALORES DECLARADOS E NÃO DECLARADOS EM.GFIP" 4. "FOLHAS DE PAGAMENTOS DE EMPREGADOS — FPAS 825" 5. "FOLHA DE PAGAMENTOS DE EMPREGADOS — FPAS 825 — VALORES DECLARADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP" 6. "FOLHA DE PAGAMENTO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS (FRETISTAS) — FPAS 620 — VALORES DECLARADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP" Ou seja, para todas as competências existe a indicação de que se tratam de diferenças de contribuições, que em todos os casos ora descritos são recolhidas sob a mesma codificação de GPS (2100). Todavia, existem outras informações constantes dos autos que também esclarecem a existência de recolhimentos. Conforme descrito anteriormente, o período objeto de discussão envolve as competências 12/2001 a 11/2002, tendo em vista que o período anterior já estaria abrangido pela decadência do art. 173, I do CTN. Para esse período existem guias recolhidas código 2100 em todas as competências 12/2001 a 11/2002, inclusive 13º salário de 2002, o que enseja estar correta a decisão proferida pela turma a quo. No lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 30/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 13/12/2007. Os fatos geradores sob reapreciação envolvem as competência 12/2001 a 11/2002, dessa forma, a luz do art. 150, §4º do CTN considerando a existência de recolhimentos deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso da PGFN nessa parte.. Aplicação da multa retroatividade benigna Fl. 513DF CARF MF 8 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 9202006.511 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 515DF CARF MF 10 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 9202006.511 CSRFT2 Fl. 7 11 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa Fl. 517DF CARF MF 12 aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10410.008073/200756 Acórdão n.º 9202006.511 CSRFT2 Fl. 8 13 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 519DF CARF MF 14 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, mantendo inalterado o julgado em relação ao prazo decadencial. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 520DF CARF MF
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