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Numero do processo: 10215.720038/2006-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS.
No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COMISSÃO DE VENDAS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a venda intermediada pelo contribuinte tributa-se integralmente o valor da comissão recebida, cabendo a ele o ônus de comprovar que a comissão era partilhada com o outro co-titular.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. PRÓ-LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO.
Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a pró-labore por ele recebido, cabe tributar como omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do pró-labore declarado no mesmo ano-calendário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE.
A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade conjugal, deve-se considerar como recursos os rendimentos comprovadamente auferidos pelos cônjuges.
GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO.
A partir do ano-calendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de alienação, em regra, será o valor do VTN declarado no ano correspondente. Contudo, caracterizada a sub-avaliação pela diferença entre o valor informado na DITR e o informado na DIRPF, ratificado por contrato particular de compra e venda de imóvel rural, autorizado está o fisco em considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação.
AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a alíquota a ser aplicada dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização.
Numero da decisão: 2202-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sanando os vícios apontados e atribuindo efeito infringente, excluir da base de cálculo do lançamento, além dos valores já excluídos no acórdão embargado, o valor de R$ 5.046,63, no ano-calendário de 2002, e R$ 87.920,00, no ano-calendário de 2003. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão vergastado houve omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado, procedendose o devido saneamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS. No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COMISSÃO DE VENDAS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referemse a venda intermediada pelo contribuinte tributase integralmente o valor da comissão recebida, cabendo a ele o ônus de comprovar que a comissão era partilhada com o outro cotitular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. PRÓ LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referemse a prólabore por ele recebido, cabe tributar como omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do prólabore declarado no mesmo anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 38 /2 00 6- 34 Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.468 2 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade conjugal, devese considerar como recursos os rendimentos comprovadamente auferidos pelos cônjuges. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. A partir do anocalendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de alienação, em regra, será o valor do VTN declarado no ano correspondente. Contudo, caracterizada a subavaliação pela diferença entre o valor informado na DITR e o informado na DIRPF, ratificado por contrato particular de compra e venda de imóvel rural, autorizado está o fisco em considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação. AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a alíquota a ser aplicada dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sanando os vícios apontados e atribuindo efeito infringente, excluir da base de cálculo do lançamento, além dos valores já excluídos no acórdão embargado, o valor de R$ 5.046,63, no anocalendário de 2002, e R$ 87.920,00, no anocalendário de 2003. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.469 3 Relatório Em sessão plenária de 28/11/2011, foi julgado por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o recurso no 167.617, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão no 220201.475 (fls. 964 a 988), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS ESTORNOS. No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.470 4 recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. A partir do anocalendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, considerase custo de aquisição do imóvel rural o valor do VTN efetivamente informado na DITR correspondente. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao anocalendário de 2003, o valor de R$ 118.171,40. DOS EMBARGOS Intimado do referido Acórdão, em 23/03/2012 (conforme AR de fl. 1226), o contribuinte, com fundamento no art. 65, §1o, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), opôs, em 29/03/2012, os Embargos de Declaração de fls. 1227 a 1229, requerendo que seja suprida a deficiência apontada com novo julgamento e prolatação de novo acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Consoante disposto no §2o do art. 65 do RICARF, os presentes autos foram encaminhados a esta Conselheira para manifestação, vindo digitalizados até à fl. 12301. Importa registrar que não foi anexado ao eprocesso o arquivo correspondente ao volume IV do processo físico. Por meio da Informação em Embargos, anexada às fls. 1231 a 1233, foi proposto o acolhimento dos embargos para que o processo fosse novamente submetido à apreciação dos membros desta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, o que foi acatado por seu presidente, que determinou sua inclusão em pauta para julgamento (fl. 1234). Antes que os autos retornassem para a Conselheira Relatora, o presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF encaminhouos para a Secretaria da Segunda Câmara da Segunda Seção a fim de fossem tomadas as providências necessárias para o saneamento das incorreções na digitalização do presente processo, conforme despacho de fl. 1235. Regularizado os problemas na digitalização do processo, o mesmo foi disponibilizado para esta Conselheira em 07/05/2013, conforme consulta ao Histórico do e processo. O volume IV do processo físico encontrase digitalizado às fls. 1236 a 1466 (última folha digitalizada no eprocesso). 1 Processo digital. O processo físico foi numerado até a fl. 1046 (fl. 963 da digitalização). Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.471 5 Voto Vencido Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Primeiramente, constatase a tempestividade do apelo, eis que apresentado dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de segunda instância, em 23/03/2012 (vide AR de fl. 1226), apresentando os embargos em 29/03/2012. 1 Apreciação dos embargos O embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso, uma vez que restou consignado no relatório que o processo veio numerado até a fl. 1046 (última folha digitalizada) e, portanto, não foi apreciado material de defesa protocolizado no Protocolo Geral do CARF, no dia 26/01/2011, juntado ao processo a partir daquela folha. Em análise do argüido, verificase que existe petição do contribuinte (fls. 990 a 994), acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, que embora tenham sido entregues no Protocolo Geral do CARF em 26/01/2011, antes do julgamento de segunda instância (28/11/2011), só foram recepcionados pela secretaria da Segunda Câmara da Segunda Sessão do CARF em 10/01/2012 e incluídos no eprocesso em 12/01/2012 (vide data da autenticação dos documentos), ou seja, depois de prolatada a decisão ora embargada. Evidenciada assim a omissão em relação aos documentos acostados às fls. 990 a 1216, acolhemse os presentes embargos, para sanar o vício apontado pelo embargante, com fulcro no art. 65 do RICARF. 2 Limites dos embargos Conforme consignado no item “1. Limites do Litígio” do voto condutor da decisão recorrida (fl. 973), das infrações apuradas no Auto de Infração de fls. 819 a 825, apenas as quatro primeiras foram objeto de questionamento por parte do contribuinte: (1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício (comissão de corretagem); (2) acréscimo patrimonial a descoberto; (3) ganho de capital; e (4) omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada. Convém lembrar que, de acordo com o art. 65 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF2, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/ 06/2009):“Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” (grifei) 2 De acordo com o art. 49 da Lei nº11.941, de 27 de maio de 2009, foram tranferidas para o CARF as atribuições e competências do Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e suas respectivas câmaras e turmas. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.472 6 Importante destacar que o acolhimento dos embargos não significa o reexame de matéria já devidamente apreciada pelo Colegiado de Segundo Grau, restringindose a sanar a omissão em relação aos documentos de fls. 990 a 1216 naquilo que represente, de fato, ponto sobre o qual a Relatora deveria ter se pronunciado e não o fez. Dessa forma, procederseá ao exame de cada um dos argumentos expostos na petição de fls. 990 a 994, protocolizada pelo contribuinte em 26/01/2011 e acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, a fim de se averiguar pontualmente aqueles que não foram submetidos a apreciação anterior por este Colegiado, sanandose, assim, eventuais omissões. 3 Saneamento das omissões O contribuinte apresentou, em 26/01/2011, a petição de fls. 990 a 994, acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, na qual apresenta razões requer sejam apreciadas com o Recurso Voluntário anteriormente interposto, as quais podem ser assim sintetizadas: 1. Inicialmente, alega que houve equívoco quanto às considerações arroladas no Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008, em relação ao ganho de capital, e, por isso, “pedese que seja desconsiderado o inteiro teor dos parágrafos 3o, 4o e 5o da mencionada folha 7 do Recurso” (fl. 990). 2. Receitas não comprovadas 2.1 O contribuinte alega que a fiscalização considerou os lançamentos bancários provenientes de vendas efetuadas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda. como receitas não comprovadas, contudo às fls. 454, 455, 456 e 457 encontramse as notas fiscais emitidas pela Mato Grosso Cereais Ltda para Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda., que efetuou o pagamento por meio dos cheques ora juntados, em cujos versos está grafada a palavra “CURUAI”. Requer, assim, que seja excluída do lançamento a quantia de R$17.320,00. Aduz que parte dos cheques depositados nesta operação foram devolvidos e encontramse indicados na relação geral dos cheques devolvidos (Anexo IX destas razões). 2.2 Em relação à comissão de vendas de resíduos de cereais à JAIR LUIZ FACCIO, conforme Nota Fiscal no 089 (item 2, da fl. 344 dos autos), o recorrente junta dois TED de pagamentos, nos valores de R$15.000,00 e R$10.000,00, de 17/03/2003 e 28/03/2003, respectivamente, requerendo a exclusão desses valores. 2.3 O suplicante defende que, na fl. 346 dos autos, “juntou as Notas Fiscais de Produtor Rural no 064 e 073, conforme cópias juntadas no Anexo IV desta defesa, as quais justificam os depósitos nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nos valores respectivos de R$50.000,00; R$50.000,00 e R$30.000,00 na conta corrente n. 31.5212, agência 130 9, do Banco do Brasil S/A, no montante de R$130.000,00, devendo, por isso, ser excluída do lançamento a importância de R$130.000,00” (fl. 991). 2.4 O contribuinte afirma que: 2.4.1 o auditor fiscal considerou como depósitos não justificados efetuados na conta no 31.5212 do Banco do Brasil S/A, os valores de R$1.080,00 e R$2.000,00, em Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.473 7 04/09/2003 e 26/09/2003, contudo tais depósitos foram estornados conforme aviso juntado no Anexo V desta defesa, pugnando pela sua exclusão; 2.4.2 o valor de R$500,00 creditado na conta corrente no 9.3924 do Banco do Brasil, em 05/03/2003, e o valor de R$765,00 creditado na conta corrente no 1.3358 do Banco do Brasil, em 07/03/2003, são oriundos de prólabore, conforme justificativa juntada à fl. 163 dos autos, devendo por isso serem excluídos do lançamento; 2.4.3 o auditor considerou o desbloqueio de R$62.544,00, em 21/07/2003, na conta no 31.5214 do Banco Brasil S/A, como receita comprovada, alegando, contudo, que desse valor foram devolvidos dois cheques de R$11.200,00 e R$7.640,00, totalizando R$18.840,00, conforme comprovantes juntados aos Anexos X e XI desta defesa, os quais foram reapresentados e desbloqueados junto com outros cheques no dia 24/07/2003, no valor total de R$20.035,00, ocasionando tributação em duplicidade. Assim, esses dois cheque devem ser excluídos do desbloqueio de R$20.035,00, de 24/07/2003, por estarem caracterizados como receita comprovada (rendimento de corretagem). 3. Omissão de rendimentos 3.1 O contribuinte alega que o auditor fiscal considerou como omissão de rendimentos, a título de prólabore: 3.1.1 dois depósitos de R$500,00 cada, na conta corrente no 9.3924 do Banco da Amazônia, em 19/04/2002 (fl. 20 do relatório fiscal), quando existe um único depósito, devendose excluir do lançamento a quantia R$500,00; 3.1.2 o valor de R$1.000,00, em 02/01/2003, depositado na conta no 13358, contudo no o mês de janeiro foi dado um adiantamento de R$2.000,00, não recebendo nada no mês seguinte e declarando R$12.000,00, ou seja, R$1.000,00 por mês, razão pela qual entende ser indevido o lançamento da omissão de prólabore nessa situação. 4. Tributação efetuada sobre cheques devolvidos 4.1 O recorrente sustenta que foram lançados indevidamente cheques devolvidos por falta de fundos conforme relatório anexo, no total de R$274.814,45, pugnando pela exclusão desses cheques, conforme Avisos de Lançamentos do Banco do Brasil nos quais estão registrados os desbloqueios dos cheques devolvidos (anexo IX), acompanhados dos lançamentos de débitos de devolução de cheques depositados (anexo IXA). 5. Acréscimo patrimonial a descoberto 5.1 O contribuinte alega que, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, não foram considerados os seguintes valores: 5.1.1 férias e adiantamento de 13o salário, recebidos no dia 22/07/2002 e no mês 04/2002, respectivamente, nos montantes de R$5.135,02 e R$1.120,05, pertencentes ao cônjuge do recorrente, senhora Lizete Maria P. Casagrande; Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.474 8 5.1.2 a quantia de R$2.908,63, referente ao salário do mês de junho do cônjuge do recorrente, consoante fl. 632 dos autos. 5.2 A DRJ/Belém teria cometido equívoco na apreciação da Impugnação quanto ao valor do patrimônio a descoberto, pois nas fls. 632 a 634 registra R$24.403,29, enquanto que na fl. 916, foi indicado o valor de R$25.200,87, sendo correto o valor menor. 6. Ganho de capital 6.1 O recorrente alega que, pela legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador, o ganho de capital era apurado pela diferença positiva entre o VTN declarado no ano da alienação e o VTN declarado no ano da aquisição, reportandose ao art. 19, parágrafo único, da Lei no 9.393, de 1996. Logo, o ganho de capital seria de R$1.000,00, uma vez que o VTN na alienação é R$1.000,00 e VTN de aquisição R$0,00, conforme fls. 708 e 714 dos autos. 7. Rendimentos omitidos a título de corretagem 7.1 O contribuinte argumenta que a decisão recorrida reconheceu que a tributação deveria incidir sobre 50% dos rendimentos, por se tratar de conta conjunta e, portanto, os valores consignados às fls. 14 e 15 do relatório fiscal devem ser também partilhados ao meio, alterando o valor tributável de R$32.773,49, para R$16.386,75. 8. Rendimento da atividade rural 8.1 O recorrente alega que os rendimentos da atividade rural foram calculados contrariando o disposto no 9o, §§2o, da Lei no 9.250, de 1995, que determina que “A falta de escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo a razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário.” Aduz que em sua impugnação apresentou os demonstrativos de receitas com as notas fiscais de produtor rural e o demonstrativo de despesa, conforme correspondência acostada à fl. 27 dos autos, itens 11 e 12. 8.2 Embora a decisão recorrida afirme que o enquadramento da fiscalização estaria correto, o interessado alega (fl. 993): [...] Enquadrou, mas não obedeceu a legislação quanto a alíquota de 15% incidente sobre a base de calculo e não de 27.5% como consta do lançamento. Aliás, relativo a este item, como consta na documentação acima mencionada, o recorrente declarou, calculou e recolheu o imposto referente ao ano base de 2003, exercício 2004 antes da fiscalização, devendo o cálculo desta exação ser refeito com a aplicação de alíquota de 15%, e do montante apurado descontar o valor de RS169.413,17, já recolhido integralmente ao Fisco. 9. Lançamentos com data de novembro/2005 9.1 Por fim, o recorrente requer que os valores lançados com data de novembro/2005, como receita não comprovada, às fls. 8 e 9 do relatório fiscal, fora do período fiscalizado, sejam excluídos. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.475 9 Em seguida, passase a análise dos argumentos do contribuinte acima sintetizados, agrupandoos por infração. 3.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 3.1.1 Tributação efetuada sobre cheques devolvidos O recorrente alega que foram lançados indevidamente cheques devolvidos por falta de fundos, o que já havia sido minuciosamente examinado pela decisão recorrida, conforme trecho do voto condutor que a seguir transcrevese (fls. 978 a 984): Por fim, resta analisar os valores dos cheques devolvidos e/ou estornados, que, segundo o recorrente, totalizam R$745.746,50. A decisão guerreada não acatou o pleito do contribuinte sob o argumento de que os cheques devolvidos não guardavam nenhuma conexão com os depósitos feitos (fl. 921). O interessado afirma que, à época, os cheques, além de não serem individualizados, eram depositados em lotes, de maneira que o detalhamento nos extratos só passou a ser feitos após a vigência do Código de Defesa do Consumidor bancário, criado pela Resolução do Banco Central no 2892/08. Em análise do argüido, assiste razão ao interessado, em parte. De fato, os depósitos em cheques eram feitos em lote e, por esse motivo, muitas vezes os cheques devolvidos não guardavam qualquer relação com os valores da liberação dos depósitos bloqueados, a não ser que os valores fossem exatamente iguais, ou seja, todos os cheques de um mesmo lote fossem devolvidos. No que se refere ao estorno, este normalmente corresponde a uma operação inversa de mesmo valor. Além disso, para que se possa chegar a uma conclusão sobre o assunto, deve se analisar cada devolução de cheque e estorno que o contribuinte pretende excluir para verificar se houve no mesmo dia um crédito referente a depósito liberado (ou um crédito, no caso de estorno) em valor igual ou superior e se este foi considerado pela fiscalização para fins de tributação. Os cheques devolvidos e os estornos relacionados pelo contribuinte às fls. 942 a 948 foram examinados confrontandose com os valores tributados pelo fisco como depósitos bancários de origem não comprovada creditados na conta no 31.5214 do Banco do Brasil (fls. 830 a 834) e com os extratos bancários anexados às fls. 73 a 125. O resultado dessa análise encontrase sumarizado na tabela a seguir. Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 18/06/03 1.693,00 1.693,00 18/06/03 1.100,00 1.100,00 20/06/03 92,66 0,00 Crédito não tributado 30/06/03 193,74 193,74 16/07/03 10.000,00 10.000,00 21/07/03 11.200,00 0,00 Crédito não tributado 21/07/03 7.640,00 0,00 Crédito não tributado Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.476 10 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 25/07/03 3.400,00 3.400,00 28/07/03 1.110,00 1.110,00 28/07/03 3.145,00 3.145,00 30/07/03 1.110,00 1.110,00 30/07/03 3.145,00 3.145,00 31/07/03 1.150,00 0,00 Crédito não tributado 04/08/03 150,00 150,00 04/08/03 1.600,00 1.600,00 06/08/03 1.428,00 1.428,00 06/08/03 1.683,00 1.683,00 08/08/03 1.600,00 1.600,00 19/08/03 1.394,50 1.394,50 19/08/03 344,00 344,00 21/08/03 27.610,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 25/08/03 344,00 344,00 27/08/03 900,00 900,00 27/08/03 2.520,00 2.520,00 28/08/03 9.380,90 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 29/08/03 205,00 205,00 29/08/03 900,00 900,00 29/08/03 2.520,00 2.520,00 01/09/03 394,00 394,00 01/09/03 780,00 780,00 03/09/03 16.750,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 03/09/03 4.050,00 4.050,00 03/03/03 7.525,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 03/09/03 16.750,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 03/09/03 7.525,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 04/09/03 1.080,00 1.080,00 04/09/03 9.380,90 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 08/09/03 4.050,00 4.050,00 08/09/03 7.525,00 0,00 Crédito não tributado 08/09/03 7.525,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 09/09/03 328,77 328,77 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.477 11 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 09/09/03 205,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 09/09/03 2.530,00 2.530,00 09/09/03 205,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 10/09/03 288,50 288,50 17/09/03 1.350,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 17/09/03 3.438,50 3.438,50 19/09/03 1.350,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 18/09/03 1.134,25 1.134,25 18/09/03 951,00 951,00 18/09/03 206,00 206,00 19/09/03 1.350,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 19/09/03 408,80 408,80 19/09/03 330,00 330,00 19/09/03 288,50 288,50 19/09/03 3.438,50 3.438,50 19/09/03 2.000,00 2.000,00 24/09/03 408,80 408,80 24/09/03 330,00 330,00 24/09/03 1.134,25 1.134,25 26/09/03 2.000,00 0,00 26/09/03 2.000,00 2.000,00 26/09/03 800,00 800,00 25/09/03 20.500,00 20.500,00 25/09/03 410,00 410,00 02/10/03 927,50 0,00 Crédito não tributado 02/10/03 2.811,80 0,00 Crédito não tributado 02/10/03 1.500,00 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 13.019,03 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 167,00 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 800,00 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 800,00 0,00 Crédito não tributado 08/10/03 927,50 927,50 08/10/03 2.811,80 2.811,80 08/10/03 800,00 800,00 08/10/03 500,00 500,00 08/10/03 800,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.478 12 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação não tributado 09/10/03 167,00 167,00 13/10/03 15.933,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/10/03 4.286,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/10/03 2.485,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/10/03 2.485,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 15/10/03 5.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 15/10/03 5.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 17/10/03 4.286,00 4.286,00 17/10/03 2.485,00 2.485,00 17/10/03 2.485,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 3.712,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.430,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.430,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 23/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 23/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 24/10/03 600,00 600,00 24/10/03 390,00 390,00 27/10/03 963,00 963,00 27/10/03 76,70 76,70 27/10/03 1.440,00 1.440,00 27/10/03 2.403,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 28/10/03 1.854,00 1.854,00 28/10/03 2.908,00 2.908,00 28/10/03 1.550,00 1.550,00 28/10/03 600,00 600,00 28/10/03 390,00 390,00 28/10/03 603,50 603,50 Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.479 13 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 29/10/03 3.473,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 29/10/03 3.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 29/10/03 1.000,00 0,00 Crédito não tributado 29/10/03 1.440,00 0,00 Crédito não tributado 29/10/03 2.440,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 30/10/03 1.854,00 0,00 Crédito não tributado 30/10/03 1.550,00 0,00 Crédito não tributado 30/10/03 76,70 0,00 Crédito não tributado 31/10/03 4.500,00 4.500,00 31/10/03 5.763,96 5.763,96 31/10/03 3.730,00 3.730,00 31/10/03 2.906,00 2.906,00 31/10/03 4.380,00 4.380,00 31/10/03 2.572,00 2.572,00 31/10/03 5.577,00 5.577,00 03/11/03 3.000,00 3.000,00 07/11/03 326,00 326,00 07/11/03 300,00 300,00 10/11/03 200,00 200,00 11/11/03 4.500,00 4.500,00 11/11/03 5.763,96 5.763,96 11/11/03 3.730,00 3.730,00 11/11/S3 2.906,00 2.906,00 11/11/03 4.380,00 4.380,00 11/11/03 2.572,00 2.572,00 11/11/03 5.577,00 5.577,00 11/11/03 326,00 326,00 11/11/03 300,00 300,00 11/11/03 2.550,00 2.550,00 11/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 11/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 12/11/03 1.991,00 1.991,00 12/11/05 1.199,00 1.199,00 12/11/03 900,00 900,00 12/11/03 587,00 587,00 12/11/03 440,00 440,00 Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.480 14 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 12/11/03 100,00 100,00 13/11/03 2.550,00 2.550,00 13/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 13/11/03 24,00 24,00 13/11/03 259,00 259,00 13/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/11/03 200,00 200,00 14/11/03 1.199,00 1.199,00 14/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/11/03 440,00 440,00 14/11/03 900,00 900,00 17/11/03 96,63 96,63 17/11/03 100,00 100,00 18/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 18/11/03 24,00 24,00 18/11/03 259,00 259,00 18/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 18/11/03 11.108,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 19/11/03 31.790,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 19/11/03 44.790,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 20/11/03 96,63 96,63 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/11/03 40.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/11/03 1.000,00 1.000,00 21/11/03 42.850,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/11/03 42.000,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 21/11/03 1.000,00 1.000,00 24/11/03 6.196,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 26/11/03 40.000,00 40.000,00 26/11/03 1.000,00 1.000,00 26/11/03 1.000,00 1.000,00 Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.481 15 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 25/11/03 11.847,22 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 26/11/03 42.000,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado Total 745.746,50 236.342,79 Em síntese, os cheques devolvidos foram excluídos sempre que, no mesmo dia, existe um valor corresponde a liberação de depósitos bloqueados em montante maior ou igual àqueles e esse crédito foi tributado pela fiscalização. Os estornos foram excluídos sempre que se identificou que o valor do crédito correspondente foi tributado pela fiscalização. Por outro lado, não houve exclusão nas seguintes situações: · “Crédito não tributado”: quando não existe liberação de depósitos bloqueados no mesmo dia ou esta é inferior ao valor do cheque devolvido; · “Débito e crédito do mesmo valor, não tributado”: quando existe um débito e crédito do mesmo valor no dia e esse valor não foi tributado; · “Dois créditos do mesmo valor, só um tributado”: quando existe um débito e dois créditos do mesmo valor no dia e apenas um dos créditos foi tributado. Dessa forma, considerandose que a conta ora analisada é conjunta, devese excluir do valor a ser tributado 50% dos cheques devolvidos ou dos estornos acima indicados, ou seja, R$118.171,40, no anocalendário 2003. Examinandose a “Relação Créditos Tributados com Cheques Devolvidos incluídos e Tributados Integralmente” (fls. 1095 a 1099), a “Relação de Avisos de Lançamentos Dos Desbloqueios” (Anexo IX – fls. 1101 e 1102) e a Relação dos Avisos de Lançamentos de Cheques Devolvidos” (Anexo IXA – fls. 1147 a 1149), verificase que todos os valores neles indicados constam da tabela anteriormente transcrita extraída da decisão recorrida e, portanto, já foram devidamente apreciados pelo Colegiado. Ressaltese que a tabela foi construída a partir dos cheques devolvidos e dos estornos relacionados pelo próprio contribuinte às fls. 942 a 948, na qual para cada débito (cheque devolvido ou estorno) existe um crédito correspondente. Nesse caso, caberia ao contribuinte ter apontado objetivamente alguma omissão, contradição ou obscuridade na análise feita, o que não ocorreu nos presentes embargos (fls. 1228 e 1229), que se limitou a apontar omissão em relação aos documentos de fls. 990 a 1216. 3.1.2 Vendas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda O recorrente pugna pela exclusão das vendas efetuadas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda, no valor de R$17.320,00, consideradas pela fiscalização como “receitas não comprovadas”, visto que às fls. 454, 455, 456 e 457 encontramse as notas fiscais emitidas pela Mato Grosso Cereais Ltda para Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda., cujo pagamento foi efetuado por cheques cujas cópias foram por ele juntadas aos autos. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.482 16 Compulsandose os autos, verificase que o contribuinte em resposta à intimação fiscal havia indicado tal operação para comprovar um depósito em valor um pouco superior (R$17.820,00, em 18/09/2003) à fl. 997, o que foi aceito pelo auditor fiscal que excluiu tal depósito dos “Depósitos/Créditos Bancários de Origem não Comprovada” (fls. 829 a 834) e acatou a justificativa de que se trata de comissão sobre vendas e como tal foi tributado (vide fl. 839). Assim, descabe a pretensão do contribuinte neste item. 3.1.3 Comissão de vendas de resíduos O contribuinte alega que os créditos de R$15.000,00 e R$10.000,00, efetuados em 17/03/2003 e 28/03/2003, referemse à comissão de vendas de resíduos de cereais à Jair Luiz Faccio, por meio da Nota Fiscal no 089 (vide item 2 da fl. 344 dos autos), juntando dois TED de pagamentos, nos quais está consignado o nome do suposto adquirente (fls. 1070 e 1071). A referida nota fiscal não foi localizada e tampouco há outra prova de que a operação alegada teria ocorrido de fato. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a mera indicação do nome do depositante não basta para comprovar a origem dos depósitos. Importa destacar que, quando o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, exige a comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias do contribuinte, esta não se restringe à identificação de quem efetuou o depósito ou crédito, mas também a que título estes valores foram recebidos. É necessário, por isso, ficar claro a natureza da operação envolvida, pois apenas os valores cuja origem for comprovada é que serão excluídos da tributação prevista na presunção legal. Esta concepção da origem dos recursos é que justifica, no meu entender, a existência do §2o do mesmo artigo, determinando que “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Como saber a que regras um rendimento está submetido se desconheço a sua natureza? Caso se adotasse um entendimento diverso do aqui exposto, bastaria ao contribuinte identificar o emitente de cada cheque depositado ou ordenador de cada crédito efetuado em suas contas bancárias para eximirse do ônus que presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, lhe impõe, o que, a meu ver, não é o que pretendeu o legislador. Destarte, mantémse a tributação dos depósitos questionados neste item. 3.1.4 Depósitos nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nos valores de R$50.000,00, R$50.000,00 e R$30.000,00 Não obstante o contribuinte alegue que teria juntado à fl. 346 as Notas Fiscais de Produtor Rural nos 064 e 073, verdade é que naquela ocasião foi feita apenas a indicação de tais notas fiscais, no valor total de R$126.488,96, que justificariam os depósitos efetuados nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nas quantias de R$50.000,00; R$50.000,00 e R$30.000,00. As Notas Fiscais de Produtor Rural nos 064 e 073 foram juntadas somente com as razões de defesa que ora se aprecia (Anexo IV – fls. 1073 e 1074), tendo como Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.483 17 adquirente a empresa Mato Grosso Cereais Ltda. Contudo, essas mesmas notas fiscais, junto com as Notas Fiscais de Produtor nos 63, 65, 70, 74 e 75 foram indicadas pelo contribuinte para justificar outros sete depósitos, nos valores de R$20.000,00, R$90.000,00, R$12.000,00, R$24.000,00, R$105.000,00, R$299.000,00 e R$20.875,00 (fls. 163), totalizando R$570.875,00, os quais já foram considerados pela fiscalização como rendimentos da atividade rural (fls. 836 e 837). Embora nos TED e no comprovante de depósito anexados às fls. 532, 537 e 535 conste que os créditos bancários em discussão teriam sido efetuados pela Mato Grosso Cereais Ltda, conforme já esclarecido no item anterior, não basta identificar o depositante, é necessário comprovar a natureza da operação para que se considere comprovada a origem dos depósitos e, dessa forma, os mesmos possam ser excluídos da tributação, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Destarte, mantémse o lançamento em relação aos depósitos questionados neste item. 3.1.5 Depósitos nos valores de R$1.080,00 e R$2.000,00, efetuados em 04/09/2003 e 26/09/2003 Examinandose com atenção a tabela de fls. 979 a 983, anteriormente transcrita, observase que a decisão embargada já excluiu tais depósitos, não havendo portanto reparos a fazer. Cabe esclarecer que, no dia 26/09/2003, constam do extrato bancário à fl. 103 dois créditos no valor de R$2.000,00 – um “Dep.ch.liberado” e um “Desbloq.depósito” – e dois débitos no mesmo valor – um estorno e um cheque devolvido. Foi tributado apenas um depósito de R$2.000,00 (fl. 832), razão pela qual a decisão recorrida excluiu apenas um valor de R$2.000,00 (fl. 980). 3.1.6 Créditos oriundos de prólabore O recorrente alega que dois depósitos foram indevidamente tributados, pois referemse a créditos oriundos de prólabore: o valor de R$500,00 que, segundo o interessado, teria sido creditado na conta corrente no 9.3924 do Banco do Brasil (na verdade a conta é do Banco da Amazônia), em 05/03/2003; e o valor de R$765,00 creditado na conta corrente no 1.3358 do Banco do Brasil, em 07/03/2003. Além dos extratos bancários, e de informação fornecida por ele próprio, o contribuinte não apresentou documento que comprovasse que tais depósitos eram oriundos de prólabore. Assim, entendo que não restou comprovada a origem desses depósitos. 3.1.7 Cheque devolvido e reapresentado com origem comprovada De fato, o auditor considerou o desbloqueio de R$62.544,00, em 21/07/2003, na conta no 31.5214 do Banco Brasil S/A, como receita comprovada, conforme indicado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 839, os quais foram tributados como comissão de corretagem recebida no percentual de 1,5% sobre o valor recebido. Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.484 18 O contribuinte alega que desse valor foram devolvidos dois cheques de R$11.200,00 e R$7.640,00, totalizando R$18.840,00, o que é corroborado pelo Aviso de Lançamento fornecido pela instituição financeira (fl. 1105). Por outro lado, foi tributado no dia 24/07/2003, um desbloqueio de depósito no valor total R$20.035,00, como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (fl. 830). Esse valor referese ao depósito de cinco cheques (fl. 1087), dentre eles os dois cheques anteriormente devolvidos (R$11.200,00 e R$7.640,00) e, portanto, o mesmo valor foi novamente tributado, agora como depósitos bancários de origem não comprovada. Comprovada assim a duplicidade do lançamento em relação aos dois cheques devolvidos e em seguida reapresentados, nos valores de R$11.200,00 e R$7.640,00 e considerandose que a conta ora analisada é conjunta, devese excluir da omissão de rendimentos caracterizada como depósitos bancários de origem não comprovada apurada no anocalendário 2003, 50% desse valor, ou seja, R$9.420,00. 3.1.8 Lançamentos com data de novembro/2005 Quanto aos depósitos com data de novembro/2005 indicados às fls. 8 e 9 do relatório fiscal, tratase de mero erro de transcrição no relatório fiscal (fls. 833 e 834). Compulsandose os elementos que compõe os autos, observase que pelos extratos de fls. 116 a 125, esses depósitos referemse a novembro/2003. Além disso, no Termo de Intimação Fiscal no 1.117, de 29/11/2004 (fls. 135 a 148), por meio do qual o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias as datas foram corretamente indicadas no mês de novembro/2003, assim como os valores foram corretamente lançados no Auto de Infração às fls. 823. Dessa forma, mantémse o lançamento em relação aos depósitos do mês de novembro/2003. 3.2 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO (COMISSÃO DE CORRETAGEM) O contribuinte requer que a omissão de rendimentos decorrente da comissão de corretagem sobre 50% dos rendimentos, por se tratar de conta conjunta conforme reconhecido pela decisão recorrida, alternadose o valor tributável de R$32.773,49 para R$16.386,75. Cabe lembrar que a própria fiscalização, constatando que se tratava de conta conjunta, já tributou apenas 50% da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários (vide fls. 830 a 834), tendo em vista o disposto no art. 42, inciso 6o, da Lei no 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.485 19 [...] § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)No caso de contas conjuntas, em que os titulares apresentem declaração em separado, não basta intimar apenas um deles; todos os cotitulares devem ser intimados a comprovar a origem dos créditos que ingressaram na conta bancária, sob pena de nulidade do lançamento, visto que a omissão apurada será partilhada entre eles. No que diz respeito omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, a infração foi apurada a partir dos depósitos cuja origem foi identificada como comissão de corretagem, atividade assumida pelo contribuinte à fl. 345, que informou receber 1,5% do valor dos créditos, e, portanto, os depósitos foram excluídos da omissão de rendimentos apurado nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, e foram tributados como comissão recebida no percentual indicado pelo contribuinte (art. 42, §2o, da Lei no 9.430, de 1996). Ressaltese que não há nos autos nada que indique que essa atividade era partilhada com o outro titular da conta fiscalizada, razão pela qual resta prejudicado o pedido do contribuinte de reduzir a base de cálculo dessa infração em 50%. 3.3 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO (PRÓ LABORE) Inicialmente, cumpre salientar que a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício (prólabore) não foi expressamente contestada no Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008, razão pela qual a decisão recorrida não se manifestou quanto a esta infração, que foi questionada apenas nas razões de defesa que ora se aprecia. Em análise do argüido, assiste razão ao contribuinte em relação aos dois valores questionados. Em 2002, foram tributados como omissão de prólabore dois depósitos de R$500,00, em 19/04/2002, na conta no 9.3924 do Banco da Amazônia (fl. 845), quando no extrato de fl. 33 existe apenas um depósito, devendose, assim, excluir do lançamento a quantia R$500,00, conforme pleiteado. Em 2003, a fiscalização identificou dois depósitos cuja origem seriam pró labore recebidos pelo recorrente: R$2.000,00, em 02/01/2003, e R$1.000,00, em 03/10/2003 (fl. 846). O contribuinte havia declarado R$12.000,00 de prólabore recebidos em todo o ano calendário (fl. 58). A fiscalização rateou o prólabore recebido pelos doze meses, considerado R$1.000,00 por mês, e tributou como omissão de rendimentos R$1.000,00, em janeiro de 2003. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.486 20 Por outro lado, o contribuinte alega que teria recebido um adiantamento em janeiro e, no mês seguinte, não houve retida. Considerandose que os depósitos identificados como prólabore (R$3.000,00) são inferiores ao valor anual declarado (R$12.000,00) e que a fiscalização não demonstrou que o recebimento de prólabore em montante superior ao informado na DIRPF, entendo que não restou caracterizada a omissão em janeiro de 2003. Destarte, há que se excluir da omissão de rendimentos recebidos a título de prólabore R$500,00, no anocalendário 2002, e R$1.000,00, no anocalendário 2003. 3.4 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 3.4.1 Equívoca da DRJ/Belém na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto O contribuinte afirma que o julgador a quo teria se equivocado ao indicar o valor de R$25.200,87 no demonstrativo do acréscimo patrimonial a descoberto à fl. 916, enquanto que a fiscalização teria indicado, em seu demonstrativo (fls. 633), R$24.403,26. De fato, houve o erro de transcrição, porém isso não alterou o resultado final, como demonstrado a seguir. Na decisão de primeira instância foram considerados como origem, os saldos anteriores das contas correntes em 31.12.2001 do cônjuge Lisete Maria Casagrande, informados na respectiva declaração de ajuste anual (fl. 884), assim como os valores por ela recebidos a título de CDC e licença prêmio, indicados pelo contribuinte à fl. 872 (vide fl. 916). Refazendose a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, obtémse o seguinte resultado: Valores Lançados Efeitos Decisão DRJ Mês Recursos Aplicações Variação Patrimonial Recursos Incluídos Variação Patrimonial jan/02 165.102,25 38.389,67 126.712,58 8.117,46 134.830,04 fev/02 47.732,92 18.314,85 156.130,65 164.248,11 mar/02 182.429,04 196.788,32 141.771,37 7.495,79 157.384,62 abr/02 5.791,26 16.390,37 131.172,26 2.464,11 149.249,62 mai/02 9.465,75 158.620,63 (17.982,62) 2.016,09 2.110,83 jun/02 56.407,94 80.811,20 (24.403,26) (22.292,43) jul/02 68.055,99 76.873,79 (8.817,80) (8.817,80) ago/02 36.668,88 75.529,99 (38.861,11) (38.861,11) set/02 309.318,58 119.059,72 190.258,86 1.586,80 191.845,66 out/02 56.972,94 75.125,16 172.106,64 173.693,44 nov/02 68.584,07 55.461,24 185.229,47 186.816,27 dez/02 118.685,47 238.797,99 65.116,95 66.703,75 Como se percebe, o valor dos acréscimos patrimoniais a descoberto apurados acima nos meses de junho, julho e agosto de 2002 correspondem aos indicados na conclusão do voto do acórdão de primeiro grau (fl. 927). Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.487 21 3.4.2 Rendimentos do cônjuge O contribuinte requer que sejam considerados como origem no demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto o valor das férias e adiantamento de 13o salário, recebidos no dia 22/07/2002 e no mês 04/2002, respectivamente, nos montantes de R$5.135,02 e R$1.120,05, por seu cônjuge, senhora Lizete Maria P. Casagrande, bem como a quantia de R$2.908,63, referente ao salário do mês de por ela recebido. Examinandose os cálculos da fiscalização, observase que foram computados os rendimentos líquidos recebidos pelo cônjuge do contribuinte (fl. 302), extraídos da DIRF apresentada pela fonte pagadora (fl. 666). Em regra, foi considerado o rendimento bruto menos imposto retido e deduções. No mês de abril/2002, confrontandose a DIRF (fl. 666) com o espelho do contracheque do mês (fl. 1207), observase que a diferença entre os rendimentos brutos informados, R$2.240,11 e R$3.360,16, corresponde à parcela do 13o salário recebida naquele mês (R$1.120,05) e não considerada pela fiscalização. Não obstante no mês de dezembro/2002 o valor considerado pela fiscalização tenha incluído o 13o salário (fl. 302), nesse mês houve sobra de recursos em montante bem superior (fl. 634) e, portanto, considerandose que o contracheque evidencia a antecipação de R$1.120,05 em abril/2002 (fl. 1208), tal valor deve ser computado no acréscimo patrimonial a descoberto nesse mês. Quanto às férias recebidas pelo cônjuge do contribuinte, foi juntado extrato da fonte pagadora no qual consta as seguintes antecipações recebidas em 22/07/2002 (fl. 1207): · R$2.500,20, referente a adiantamento de salário com reposição em 10 meses, sem indicação de trânsito em folha de pagamento; · R$202,02, a título de antecipação de vantagens de férias, com trânsito na folha de pagamento de setembro/2002; · R$1.708,44, a título de antecipação de proventos de férias, com trânsito na folha de pagamento de agosto/2002; · R$724,36, a título de antecipação de adicional de férias, com trânsito na folha de pagamento de setembro/2002. Como se percebe, os valores recebidos a título de antecipação de vantagens de férias (R$202,02), antecipação de proventos de férias (R$1.708,44) e antecipação de adicional de férias (R$724,36), transitaram na folha de pagamento, o primeiro e o terceiro na folha de setembro e o segundo na folha de agosto, e, portanto, estão incluídos no rendimento bruto do mês correspondente informado na DIRF (fl. 666), já considerados pela fiscalização. Contudo, em relação às verbas que transitaram na folha de setembro/2002, uma vez que nesse mês houve sobra de recursos em montante bem superior (fl. 634) e considerandose que o extrato fornecido pela fonte pagadora evidencia a antecipação desses recursos (R$202,02 – antecipação de vantagens de férias; e R$724,36 – antecipação de adicional de férias), no total de R$926,38 no mês de julho/2002, tal valor deve ser computado no acréscimo patrimonial a descoberto nesse mês. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.488 22 Da mesma forma, devese considerar o adiantamento de salário com reposição em 10 meses, no valor de R$2.500,20, no mês de julho de 2002, considerandose que no extrato de fl. 1207 não há indicação de que o mesmo tenha transitado em folha de pagamento, o que é corroborado pela comparação entre o rendimento bruto informado na DIRF no mês de julho/2002 com o valor total recebido a título de 13o salário consignado na mesma declaração (fl. 666). Destarte, partindose das alterações introduzidas pelo julgador a quo, o total do acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2002 passa de R$69.971,34 para R$65.424,71, conforme abaixo demonstrado: Valores Lançados Efeitos Decisão DRJ Efeitos deste Acórdão Mês Recursos Aplicações Variação Patrimonial Recursos Incluídos Variação Patrimonial Recursos Incluídos Variação Patrimonial jan/02 165.102,25 38.389,67 126.712,58 8.117,46 134.830,04 134.830,04 fev/02 47.732,92 18.314,85 156.130,65 164.248,11 164.248,11 mar/02 182.429,04 196.788,32 141.771,37 7.495,79 157.384,62 157.384,62 abr/02 5.791,26 16.390,37 131.172,26 2.464,11 149.249,62 1.120,05 150.369,67 mai/02 9.465,75 158.620,63 (17.982,62) 2.016,09 2.110,83 3.230,88 jun/02 56.407,94 80.811,20 (24.403,26) (22.292,43) (21.172,38) jul/02 68.055,99 76.873,79 (8.817,80) (8.817,80) 3.426,58 (5.391,22) ago/02 36.668,88 75.529,99 (38.861,11) (38.861,11) (38.861,11) set/02 309.318,58 119.059,72 190.258,86 1.586,80 191.845,66 191.845,66 out/02 56.972,94 75.125,16 172.106,64 173.693,44 173.693,44 nov/02 68.584,07 55.461,24 185.229,47 186.816,27 186.816,27 dez/02 118.685,47 238.797,99 65.116,95 66.703,75 66.703,75 Destarte, há que se excluir do acréscimo patrimonial a descoberto no ano calendário 2002 o valor de R$4.546,63. 3.5 GANHO DE CAPITAL O contribuinte alega que houve equívoco quanto às considerações arroladas no Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008, em relação ao ganho de capital, requerendo que fosse desconsiderado o inteiro teor dos parágrafos 3o, 4o e 5o da folha 7 do referido recurso. Mais adiante, o recorrente questiona o valor de alienação, argumentando que o ganho de capital seria de R$1.000,00, uma vez que o VTN declarado na DITR no ano da alienação é R$1.000,00 e, no ano da aquisição, R$0,00 (fls. 708 e 714 ), reportandose ao art. 19, parágrafo único, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996. É importo transcrever o dispositivo legal mencionado pela defesa: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.489 23 venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. De acordo com o artigo acima transcrito, a partir do anocalendário 1997, em regra, o valor de alienação será o valor do VTN declarado no ano correspondente, na forma do art. 8o da Lei no 9.393, de 1996, devendose, contudo observar o disposto no art. 14, da mesma lei, que autoriza, no caso de “subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.” No caso dos autos, a subavaliação restou caracterizada pela diferença entre o valor informado na DITR (R$1.000,00 fl. 714) e o informado na DIRPF/2004 (R$40.000,00 fl. 15), este último ratificado pelo contrato particular de compra e venda de imóvel rural de fls. 702 e 703 e notoriamente superior àquele constante da DITR. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 851 e 852), o valor de alienação do imóvel denominado “Sítio Santa Maria” foi arbitrado em R$35.000,00, a partir do valor de venda constante do Contrato Particular de Compra e Venda do imóvel rural (fls. 702 e 703), deduzido dos valores das benfeitorias e culturas, tomandose por base o art. 19 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c o art. 123, inciso I, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Assim, caracterizada a subavaliação do VTN informado na DITR no ano de alienação, autorizado estava o fisco a arbitrar o referido valor para fins de apuração do ganho de capital, sendo legítima a utilização do preço efetivo da operação extraído da DIRPF correspondente, corroborado por contrato particular fornecido pelo próprio contribuinte. Destarte, mantémse o ganho de capital apurado pela fiscalização. 3.6 ATIVIDADE RURAL Muito embora o contribuinte alegue que os rendimentos da atividade rural foram calculados contrariando o disposto no 9o, §§2o, da Lei no 9.250, de 1995, verdade é que não foi lançado omissão de rendimentos da atividade rural. Ressaltese que a referência feita pela decisão de primeira instância no sentido de “Parte dos créditos/depósitos tiveram sua origem desvelada pelo próprio Auditor Fiscal, que os enquadrou corretamente como Receita da Atividade Rural, fls. 835/838,[...]” (fl. 921), teve como finalidade esclarecer que parte dos depósitos bancárias tiveram sua origem identificadas como oriundos da atividade rural e, por tanto, foram excluídos da omissão apurada nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Quanto à alíquota aplicada (15%, como pretende o interessado, e 27,5% indicado no Auto de Infração, no anocalendário 2003), convém lembrar que o percentual Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.490 24 dependente do total dos rendimentos auferidos no ano (declarados e omitidos). O imposto devido para o anocalendário 2003 foi apurado à fl. 858 do Auto de Infração, considerandose corretamente a base de cálculo declarada (R$634.509,32) e deduzindose o imposto devido declarado (R$169.413,16), extraídos da DIRPF correspondente (fl. 11), aplicandose com acerto a alíquota de 27,5%. Dessa forma, mais uma vez não assiste razão ao interessado. 10. Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos, saneando os vícios apontados para reratificar o Acórdão no 220201.475, de 28/11/2011, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo do ajuste anual, além dos valores já excluídos pela decisão embargada, R$5.046,63 e R$10.420,00, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.491 25 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto à comprovação das origens de 05 depósitos, no anocalendário de 2003, a saber: DATA VALOR(R$) 17/03/2003 15.000,00 28/03/2003 10.000,00 17/07/2003 50.000,00 19/09/2003 50.000,00 15/12/2003 30.000,00 TOTAL 155.000,00 Como se trata de conta conjunta, o valor em discussão neste caso corresponde a 50% deste total, ou seja, 77.500,00. Pois bem, entendeu a Relatora, nestes casos, que não bastava, para que se considerassem comprovadas as origens dos depósitos, a identificação dos depositantes; que seria necessário, ainda, a comprovação das operações que deram ensejo aos depósitos. Com a devida vênia, divirjo desse entendimento. Penso que por origem deve se entender a procedência dos recursos aportados à conta bancária, vale dizer, a identificação do depositante. Com esta informação o Fisco teria elementos suficientes para proceder ao lançamento com base na legislação específica e não com base na presunção. Identificado depositante, poderia o Fisco intimar o Contribuinte a comprovar a natureza da operação que ensejou o pagamento; a ausência de resposta neste caso ensejaria o lançamento por omissão de rendimentos, porém com base na legislação específica. É que o artigo 43 do CTN, inciso II, classifica como proventos de qualquer natureza, cuja aquisição de sua disponibilidade econômica ou jurídica configura fato gerador do imposto, todo acréscimo patrimonial. A comprovação da natureza da operação que ensejou o depósito é apenas um elemento adicional para a classificação específica dos rendimentos. Portanto, comprovadas as origens dos depósitos, aqui compreendidas como a identificação dos depositantes, resta afastada a presunção de omissão de rendimentos com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, podendo, se for o caso, ser exigido o imposto com base na legislação específica. Assim, em conclusão, além dos valores já considerados pela decisão embargada e das exclusões acatadas pela Relatora, deve ser excluído da base de cálculo, no anocalendário de 2003, o valor de R$ 77.500,00. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.492 26 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido ACOLHER os embargos, saneando os vícios apontados para reratificar o Acórdão no 220201.475, de 28/11/2011, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo do ajuste anual, além dos valores já excluídos pela decisão embargada, R$5.046,63 e R$87.920,00, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 11516.000935/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 35 /2 00 9- 49 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.884, de 31 de janeiro de 2013, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. [...] Insumo dedutível para efeito de Pis não cumulativo, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/200949 Acórdão n.º 3803004.509 S3TE03 Fl. 285 3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/200949 Acórdão n.º 3803004.509 S3TE03 Fl. 286 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...) [apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/200949 Acórdão n.º 3803004.509 S3TE03 Fl. 287 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.724220/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA - IRPF
Exercício: 2010
FÉRIAS NÃO GOZADAS. PAGAMENTO EM DOBRO. ISENÇÃO.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62-A.
Em tema de férias não gozadas ou de férias não gozadas em período próprio, tendo sido convertidas em pecúnia e pagas em dobro por forca de decisão judicial, há de se reproduzir o decidido no REsp 1111223/SP, recurso representativo de controvérsia, submetido ao procedimento do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos termos em que dispõe o art. 62-A do Anexo 11 do RICARF.
Numero da decisão: 2201-002.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcio de Lacerda Martins
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Numero do processo: 13770.000653/2002-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 65 3/ 20 02 -9 0 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13770.000653/200290 Resolução nº 3302000.360 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado em 09.05.2002, que constituiu débito de COFINS relativo aos fatos geradores ocorridos de julho a dezembro de 1997, sob a alcunha “Proc. Jud. Não Comprov.”, tendo sido indicado como processo não comprovado o de no 96.00018278. O processo mencionado referese à uma ação ordinária interposta (distribuída) com pedido de tutela antecipada em 12/03/96 (fls. 137/152 203/218 dig.). Às Fls. 154 Dig. 220 – consta despacho indeferindo a tutela antecipada e declarando “compete ao contribuinte levar a efeito a compensação do crédito que entender possuir em face do Fisco, observados os limites legais.” De acordo coma sentença de fls. 156/166 dig. 221/232 o magistrado entendeu pela extinção do pedido da autora sem julgamento do mérito, uma vez que à altura do julgamento já havia sido reconhecido pelo Senado Federal a inconstitucionalidade dos DecretosLei no 2445/88 e 2449/88. No que se refere à preliminar de prescrição concluiu que não havia em razão da especificidade da matéria (ser tributária); em relação à compensação, a decisão registra que é direito do contribuinte, na hipótese de existir crédito,proceder à compensação de seus débitos, devendo todavia sujeitarse ao resultado de sua conduta. Ainda, no que se refere à repetição de indébito, a decisão concluiu assistir à razão à Recorrente, principalmente em relação aos DARF’s acostados aos autos. Houve acórdão (fls. 170/174 Fls. 236/240) em virtude de recurso de ofício, o qual analisou apenas os critérios juros, apesar da ementa do acórdão falar sobre todos os itens (Fls. 174 dig: 240). O contribuinte recorreu ao Superior Tribunal de Justiça acerca dos critérios de correção monetária, às fls. 187 dig. 253 – o STJ esclareceu quais seriam os índices a serem aplicados na compensação tributária. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a 4ª Turma da DRJ/RJ2 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) – proferiu o acórdão no 13.38496, o qual restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não é cabível a alegação de cerceamento ao legítimo direito de defesa quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem, inequivocamente, a que se refere a autuação, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar a sua defesa e também para que o julgador possa formar livremente a sua convicção e proferir a decisão do feito. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em resumo, o v. acórdão concluiu que, apesar de existir o processo judicial alegado Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13770.000653/200290 Resolução nº 3302000.360 S3C3T2 Fl. 4 3 pela Recorrente, não havia autorização judicial para o não recolhimento do tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 316/345), por meio do qual reiterou as razões trazidas em impugnação e esclareceu os aspectos do processo judicial. É o relatório. Voto O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em função do entendimento de que a Recorrente informou erroneamente, em sua DCTF, a extinção de débito de PIS por meio de compensação com crédito reconhecido em ação judicial no 96.00018278. Na referida ação judicial, a Recorrente pleiteia a declaração de inexistência de obrigação tributária em razão da edição dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Na ação judicial a Recorrente solicitou, e foi negado, a Antecipação de Tutela para efetuar a compensação de débitos com crédito de PIS. A sentença que restou transitada em julgado, datada de 10/01/97, indeferiu o pedido de compensação de créditos do PIS com débitos da Recorrente (qualquer débito), incluído pela recorrente em seu pedido na ação ordinária. Pela sentença, a União foi condenada a restituir o valor do PIS recolhido indevidamente em razão da inconstitucionalidade dos DL. O pedido de compensação não foi julgado porque o processo foi declarado extinto, neste parte. Declarou o magistrado que a Recorrente tinha o direito de compensar, na forma da legislação, os créditos que julga ter. Estes fatos abrem a possibilidade de a Recorrente efetuar a compensação de débitos seus de PIS com os créditos que julga ter, também de PIS. Para alguns Conselheiros desta Turma de Julgamento, poderia a Recorrente efetuar a dita compensação, independente do decidido na Ação Ordinária no 96.00018278, desde que obedecesse as disposições do art. 14 da IN SRF nº 21/97. A informação na DCTF da compensação realizada não é prova suficiente de que, efetivamente, a empresa tinha o crédito do PIS e, efetivamente, realizou a compensação declarada. Para que os Conselheiros que admitem a compensação de débitos e créditos do mesmo tributo, independente da ação judicial, e para que a decisão do Colegiado não seja condicional, é necessário apurar se a Recorrente possuía o crédito em valor suficiente para efetuar a compensação e se, de fato, a compensação em tela foi efetuada. Para isto, é necessário que o processo retorne à UL da RFB de origem para apurar a existência de crédito e a efetiva realização da compensação declarada. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13770.000653/200290 Resolução nº 3302000.360 S3C3T2 Fl. 5 4 Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Unidade Local da RFB, para as seguintes providências: 1 Intimar a empresa Recorrente a apresentar demonstrativo do valor do crédito do PIS a que julga ter direito, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445/88 e 2.449/88, considerando a semestralidade da base de cálculo da exação, sem correção, e o decidido na ação judicial no 96.00018278; 2 Intimar a empresa Recorrente a demonstrar a utilização, por compensação ou por restituição, do crédito de PIS a que se refere o item 1, acima. 3 Intimar a empresa Recorrente e comprovar que, efetivamente, realizou a compensação dos débitos lançados no auto de infração, e declarados em DCTF, com crédito do PIS, acima referido. A comprovação deve ser feita por meio dos lançamentos contábeis de cada operação na contabilidade da Recorrente. 4 Confirmar ou informar as informações e provas apresentadas pela Recorrente, a que se refere os itens 1, 2, e 3, acima. 5 Com base nos elementos acima referidos, e em outros que julgar necessário, apurar o valor do crédito do PIS que entende passível de restituição ou de compensação, considerando a semestralidade da base de cálculo do PIS e o decido na ação judicial no 96.00018278; 6 Informar se o crédito passível de restituição (item 5) é suficiente para compensar os débitos declarados em DCTF, objeto do auto de infração, independente do atendimento do item 3, pela Recorrente. 7 Prestar os esclarecimentos e informações que julgar importantes para o deslinde da questão; 8 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe o prazo previsto no Parágrafo Único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11, para manifestação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10920.006839/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.732
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 06 83 9/ 20 08 -9 9 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/200899 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.732 S3C4T1 Fl. 483 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito do PIS não cumulativo, do primeiro trimestre de 2008, de operações no mercado interno, no valor de R$ 15.739,05 para compensar com débitos do IRRF de setembro de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joenvile/SC fez algumas glosas, por considerar a geração de crédito indevida. Foram elas (fls.189/195): 1MP, PI e ME, que retornaram da industrialização por encomenda; 2Produtos não classificados como MP, PI ou ME, por serem utilizados na manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização da linha, material de laboratório e dedetização; 3Valores de PIS e COFINS pagos indevidamente, em razão de ter pleiteado esses créditos de forma incorreta; Com essas glosas, a DRF de origem reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 4.712,81 (fls.195/196). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.201/217), mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão (fls.412/423) com a seguinte ementa: “NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESE DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da Constribuição para o PIS, somentegeram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na ATIVIDADE da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção de regime de competência na apuração da Constribuição para o PIS e dos correspondentes créditos da nãocumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. (...) REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Fl. 483DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/200899 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.732 S3C4T1 Fl. 484 3 Administração Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. PERÍCIA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Há que se considerar não formulado o pedido de perícia, quando ausentes os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a teor do que determina o § 1o do mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 27/05/2011 (fl.425) e interpôs Recurso Voluntário em 27/06/2011 (fls.426/461), com as alegações resumidas abaixo: 1 Como a Recorrente trabalha com produção de bebida láctea, produto alimentício, a aquisição de produtos para a manutenção e conservação da linha, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização é essencial para sua atividade, sob pena de descumprimento da regulamentação dos órgãos disciplinares e oferecer risco à saúde pública; 2 No que concerne às glosas pelo retorno dos insumos remetidos para industrialização por encomenda, ocorreu equívoco por parte do auditorfiscal, pois ele considerou que todas as notas fiscais apresentadas pela Recorrente consistiam em retorno de insumo. Contudo, a autoridade fiscal não percebeu que, na soma de todas as notas fiscais, o total do crédito é maior que o crédito de pleito. Isso acontece porque a Recorrente excluiu do cálculo do crédito pleiteado as notas fiscais relativas aos retornos de insumo, mas deixou de excluir tais notas do arquivo magnético entregue à fiscalização. Assim, como a Recorrente já havia excluído do cálculo o valor das notas fiscais de retorno de fabricação por encomenda, o cálculo estava correto e não havia glosa a ser feita; 3 O recolhimento indevido ocorreu porque a Recorrente recolheu PIS e COFINS sobre venda de produtos cuja alíquota tinha sido reduzido a zero pela Lei nº 11.488/2007. A exigência de retificação da DCTF e da DACON da época do recolhimento para ter direito ao ressarcimento é formalismo exagerado, pois o contribuinte tem cinco anos para recuperar o seu crédito; 4 A multa e os juros aplicados são indevidos, pois os créditos foram devidamente compensados. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido o direito ao crédito, canceladas as glosas, homologadas as compensações e cancelados os juros e a multa. É o Relatório. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/200899 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.732 S3C4T1 Fl. 485 4 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende ser ressarcida de crédito do PIS gerado na aquisição de insumos, o qual não pôde ser utilizado no abatimento de vendas no mercado interno, em razão de suas saídas serem com alíquota zero. Em seu recurso voluntário, a Recorrente devolveu para apreciação as seguintes matérias: 1Geração de crédito na aquisição de produtos para a manutenção e conservação de linha, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização; 2Abatimento indevido dos valores relativos às notas fiscais de retorno de industrialização por encomenda; 3Possibilidade de ressarcimento do valor pago indevidamente; 4Impossibilidade de aplicação de juros e multa. Todavia, existe uma dúvida a ser dirimida, antes de se adentrar no mérito das matérias devolvidas. Conforme consta no relatório fiscal, mais precisamente nas fls. 193/194, a Recorrente recebeu de volta alguns insumos que sobraram de fabricação por encomenda, na qual ela era a encomendante. Com isso, a autoridade fiscal glosou da base cálculo dos créditos as notas fiscais destas operações. Essas notas fiscais estão listadas também nas fls. 193/194. A Recorrente, por sua vez, alega equívoco no cálculo por parte do auditorfiscal, provocado por erro no arquivo magnético entregue por ela à autoridade fazendária. Segundo a Recorrente, na DACON, o cálculo do crédito está correto, sem a inclusão dos valores das notas fiscais de retorno dos insumos encaminhados para fabricação por encomenda, mas essas mesmas notas fiscais estão listadas no arquivo magnético. Ainda segundo a Recorrente, a autoridade fiscal apenas excluiu do valor da DACON os valores das notas fiscais indevidas, que já estavam excluídos. A DRJ entendeu que essa alegação da Recorrente não passou de argumentos desprovidos de provas que sequer ensejariam a realização de diligência. Penso de forma diversa do que decidiu a DRJ. O processo administrativo tem como objetivo encontrar a verdade material. Nesse ponto, a apresentação das DACONs e a planilha apresentada pela Recorrente nas fls. 440 a 448 , que, segundo ela, espelha o conteúdo do arquivo magnético apresentado ao auditorfiscal, são elementos suficientes para causar dúvida quanto ao direito ao crédito. Não investigar mais profundamente a falha no cálculo suscitada pela Recorrente seria correr o risco de permitir o enriquecimento ilícito do Estado. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/200899 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.732 S3C4T1 Fl. 486 5 Assim, como nos autos já estão presentes as DACONs e a Recorrente já apresentou os arquivos magnéticos à autoridade fiscal, este Conselheiro entende estar diante do caso de necessidade de realização de diligência para esclarecer a dúvida do cálculo do crédito. Desse modo, os autos devem retornar à delegacia de origem para que seja realizada diligência com base nos seguintes comandos: 1 A delegacia de origem deve calcular o crédito da Recorrente, com base nas notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado pela Recorrente; 2 Ao fim do cálculo, devese analisar se o valor dos créditos encontrado no arquivo magnético é o mesmo valor declarado na DACON. 3 Caso a delegacia de origem não possua mais o arquivo magnético, deve intimar a Recorrente para que esta apresente um novo arquivo; 4 Ao final da análise, deve ser elaborado um relatório com as conclusões da diligência, informando qual o valor do crédito encontrado com base na análise do arquivo magnético, se ele é o mesmo valor pleiteado pela Recorrente e mais alguma informação que a autoridade fiscal julgue pertinente. 5 Se o valor do crédito encontrado no cálculo das notas fiscais do arquivo magnético for diferente do valor informado na DACON, deve ser informada qual foi a inconsistência encontrada e o que originou a divergência; 6 Concluído o relatório, a Recorrente deve ser intimada para se manifestar acerca da conclusão da diligência no prazo de trinta dias; Finalizado o trintídio, os autos devem retornar ao CARF para análise do mérito. Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937253/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2001
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito alegado.
Numero da decisão: 3803-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2001 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 53 /2 00 8- 91 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937253/200891 Acórdão n.º 3803004.346 S3TE03 Fl. 60 2 Cuidase de indeferimento de compensação transmitida em 29.06.2004, com o objetivo de extinguir débito no valor de R$ 8.001,07, com crédito proveniente do “suposto” pagamento indevido de COFINS, comprovado por meio de DARF, referente ao PA de 31/03/2000 e recolhido em 23/08/2000, no valor total de R$ 4.636,42. O Despacho Decisório está anexo à fl. 01, deferiu parcialmente o pleito sob o argumento de que foram encontrados outros pagamentos para quitação de débitos do contribuinte, a partir do DARF indicado, razão pela qual foi não foi homologada a compensação. Já a Manifestação de Inconformidade foi apresentada à fls. 11, sendo alegado pelo contribuinte que o crédito indicado em DARF é suficiente para implementar a compensação pretendida. Afirma ainda que o crédito em exame encontrase declarado em DCTF. Às fls. 37/42 a DRJ de São Paulo proferiu o Acórdão 1635.745 13ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Os julgadores de piso se manifestaram pela manutenção do despacho decisório, tendo em vista que o contribuinte não comprovou a existência do pretenso crédito e neste sentido deixou de atender ao art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão de primeiro grau ainda fundamente o indeferimento do pedido no fato de que em se tratando de PER/DCOMP o ônus probatório do direito creditório pertence ao contribuinte. Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste no argumento de que apresentou, com a Manifestação de Inconformidade, cópia da DCTF e a correta vinculação Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937253/200891 Acórdão n.º 3803004.346 S3TE03 Fl. 61 3 com o DARF informado no PER/DCOMP. Reclama que a DRJ não realizou diligências para apurar a existência do crédito em seu banco de dados, nem encaminhou os autos para a DRF, a fim de que esta se manifestasse a respeito do caso em exame. Advoga ainda que não lhe foi oportunizado ter conhecimento a respeito de qual prova deveria ter sido juntada aos autos e ressalta que enviou as DCTFs retificadoras antes de qualquer procedimento de fiscalização por parte da RFB. O contribuinte faz ainda questão de destacar que o valor do débito declarado é inferior ao valor do DARF e que o saldo não utilizado resultou no pagamento indevido de COFINS. Por fim, com fulcro no princípio da verdade material, requer a anulação da decisão proferida pela DRJ para que a DCOMP seja analisada pela DRF de Florianópolis, bem como que seja declarada a nulidade da cobrança do débito em questão. Subsidiariamente, caso não prospere o pedido de cancelamento dos débitos, requer que estes sejam parcelados, com fundamento na Lei 11.941/99 e da Portaria Conjunta PFN/RFB 002/2011, uma vez que é optante do parcelamento regulado por esta legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O contribuinte afirma ter direito a compensação realizada, sendo que os seus principais argumentos são os de que no PER/DCOMP foi vinculado DARF para extinguir o débito, bem como que enviou a DCTF retificadora antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Em que pese os argumentos de defesa, é preciso esclarecer que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. Desta forma, com o propósito e demonstrar a certeza e liquidez do crédito, o contribuinte precisa instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937253/200891 Acórdão n.º 3803004.346 S3TE03 Fl. 62 4 No caso em exame, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de COFINS na sistemática da não cumulatividade. Entretanto, é seu dever comprovar o direito alegado, pois é imprescindível que seja demonstrado a existência do crédito através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos capaz de promover a diminuição do valor do débito declarado em DCTF, que por sua vez por sua vez possui caráter de confissão de dívida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10875.902892/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-004.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito declarou DCOMP 33392.03139.041104.1.3.04 4901, proveniente de crédito de PIS originado do pagamento a maior deste tributo, referente ao PA de 31.05.2003, recolhido em 13.06.2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 28 92 /2 00 8- 13 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.902892/200813 Acórdão n.º 3803004.344 S3TE03 Fl. 87 2 À fl. 02 está anexo Despacho Decisório, que negou a compensação declarada sob o argumento de que não foi localizado crédito vinculado ao DARF indicado no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou sintética Manifestação de Inconformidade à fl. 11, alegando que enviou PER/DCOMP retificadora com a finalidade de corrigir o código correto do DARF, já que após a retificação passou a constar o código 6912, tendo inclusive anexado cópia do DARF recolhido em 13.06.2003 no valor de R$ 6.418,21. Já às fls. 32/33 foi proferido o Acórdão n.° 05.31.230 1ª Turma da DRJ de Campinas, cuja ementa segue abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. DARF. SALDO DISPONÍVEL. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a existência do DARF informado como origem do direito creditório em DCOMP, e constatada a existência de saldo disponível de pagamento, homologase a compensação até o seu limite. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Com efeito, percebese que a decisão de piso confirma que o DARF não foi localizado em virtude de erro cometido pelo contribuinte quando preencheu a DCOMP, uma vez que este informou errado o código da receita e a data de arrecadação. Os julgadores ainda concluíram que o valor do Darf está parcilamente reservado para utilização no procedimento de compensação efetuado por meio da DCOMP de n° 34654.30683.061006.1.3.040950, havendo saldo disponível de pagamento no valor total de R$ 465,16, conforme se verifica à fl. 27. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 54/56 (numeração digital), argumentando que apresentou PER/DCOMP com crédito no valor de R$ 6.966,56, proveniente do recolhimento a maior de PIS. Assim, requer o contribuinte a reconsideração da cobrança dos débitos mencionados no item 3 através do cancelamento de ofício da PER/DCOMP n° 33392.03139.041104.1.3.044901, visto que já foram compensados através da PER/DCOMP n° 34654.30683.061006.1.3.040950, e homologação da PER/DCOMP em questão. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.902892/200813 Acórdão n.º 3803004.344 S3TE03 Fl. 88 3 Verifico, liminarmente, que o recurso voluntário às fls. 54/56 (numeração digital) foi protocolado fora do trintídio regulamentar, contado da data da intimação da decisão de primeira instância. Analisando o Aviso de Recebimento à fl. 53 (numeração digital), noto que a ciência da Decisão proferida pela DRJ ocorreu em 06.07.2011, mas o contribuinte aprestou o recuso somente em 16.08.2011, conforme se observa à fl. 53 dos autos na numeração digital. Diante do exposto, em face de sua intempestividade, não há como conhecer como recurso voluntário. É o voto. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12898.001144/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO.
A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária, art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DIVERSA.
Impõe-se o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Em preliminar: por maioria de votos, em reconhecer a decadência no período de 05/2004 a 07/2004, nos termos do art.150, § 4º do CTN, vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO. A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária, art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DIVERSA. Impõe-se o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.001144/200951 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2403002.196 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrentes FUNCAÇÃO TÉCNICO EDUCACIONAL SOUZA MARQUES FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO. A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária, art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DIVERSA. Impõese o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 11 44 /2 00 9- 51 Fl. 859DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Em preliminar: por maioria de votos, em reconhecer a decadência no período de 05/2004 a 07/2004, nos termos do art.150, § 4º do CTN, vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.001144/200951 Acórdão n.º 2403002.196 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face do Acórdão nº. 1250.800, fls. 730/738, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para exonerar parte do crédito tributário exigido no AI DEBCAD 37.211.5853, remanescendo o valor de R$ 6.390.935,03 (seis milhões trezentos e noventa mil novecentos e trinta e cinco reais e três centavos), em razão do reconhecimento da decadência, nos termos do parágrafo 4º do Art. 150 do CTN, para as competências 01/2004 a 04/2004. O Auto de Infração abrange o período de 01/2004 a 12/2004, inclusive 13º Salário, tendo sido lavrado em 27/08/2009 e cientificado o contribuinte em 28/08/2009, e almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias, parte patronal, uma vez que a empresa teve contra si lavrado Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, fl. 155, o qual foi devidamente julgado pelo CRPS fls. 156/161 e pelo Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 165/167. Segundo Relatório Fiscal, fls. 106/118, in verbis: 2 – PERÍODO DO DEBITO E LEVANTAMENTO 2.1 – Debito período de 01/2004 a 13/2004 2.2 – Levantamento: FP – remunerações dos segurados empregados não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentados pela Lei 9.876/99) período de 01/2003 a 13/2003. CII – remunerações dos segurados contribuintes individuais identificados pela apresentação do documento contábil que originou o lançamento, não declaradas em GFIP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentado pela Lei 9.876/99) período de 01/2003 a 11/2003. CIN – remunerações dos segurados contribuintes individuais relativos aos lançamentos contábeis, sem a respectiva apresentação do documento que originou o lançamento, não declarada em GFIP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentado pela Lei 9.876/99) período de 01/2003 a 12/2003. COP – valores pagos a cooperativas de trabalho, não declarada em GIFP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentado pela Lei 9.876/99) período de 02/2003 a 12/2003. CON – base lançamento contábil na conta 31201001 – Salário Pessoal Administrativo, relativo a remunerações dos segurados Fl. 861DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 empregados não declarados em GFIP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentado pela Lei 0.876/99) competência 11/2004. DCI – remunerações dos segurados contribuintes individuais identificados pela apresentação do documento contábil que originou o lançamento com o respectivo desconto de 11%, não declaradas em GFIP, sem redução de multa de mora prevista no parágrafo 4º do art. 35 da Lei 8.212/91 (acrescentados pela Lei 9.876/99) período de 01/2004 a 12/2004. 4 – FATO GERADOR 4.1. – os fatos geradores do presente Auto de Infração foram: a) remunerações de segurados empregados, apurados através das folhas de pagamento... b) remunerações de segurados contribuintes individuais prestadores de serviços, apuradas através do Livro Diário... c) pagamento efetuado a cooperativas de trabalho apuradas através do Livro Diário n... (...) 5 – DESCRIÇÃO DOS FATOS E DO DEBITO (...) 5.2 – O sujeito passivo classificase no FPAS 639 – Entidades Beneficentes de Assistência Social entretanto em 19/04/2005 foi expedido Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 002/2005 com a seguinte declaração de cancelamento: DECLARO CANCELADA, com base no disposto no parágrafo 8º, artigo 206, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade FUNÇÃO TECNICO EDUCACIONAL SOUZA MARQUES, acima identificada, por infração ao parágrafo 3º do artigo 195 da Constituição Federal e ao(s) incisos III e V, do artigo 55 da lei 8212, de 1991, combinado com o artigo 206 do RPS, pelos motivos especificados na informação fiscal anexa. 5.3 – Inconformado com o fato o sujeito passivo recorre a 4ª CaJ – Quarta Câmara de Julgamento que analisa o recurso e conclui, assim transcrito a seguir: N do(a) Acórdão: 1868/2006 Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em CONHECER DO RECURSO E NEGARLHE PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. 5.4 – Diante da decisão da 4ª CaJ em 27/03/2007 a empresa protocola Pedido de Revisão do Acórdão 1868/2006, e através Fl. 862DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.001144/200951 Acórdão n.º 2403002.196 S2C4T3 Fl. 4 5 do Despacho n. 206260/08 do Presidente da Sexta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes decide “REJEITAR o pedido de revisão formulado”, datado de 15/08/2008. 5.5 – Diante do exposto a presente ação fiscal tem por objetivo apurar créditos previdenciários devido a PERDA DO DIREITO A ISENÇÃO PATRONAL. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO DE OFÍCIO Após analisar os argumentos da Recorrente, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 50.800, fls. 730/738, acolhendo parcialmente a impugnação para exonerar o crédito tributário em razão de se ter operado a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, nas competências em que foi constatado o adiantamento de contribuição. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA EM PARTE. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Quando não há pagamento antecipado, ou na hipótese de fraude, dolo ou simulação, aplica se a regra geral. IMUNIDADE. ISENÇAO DE CONTRIBUIÇÕES. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇAO. Ato cancelatório da isenção oriundo de processo administrativo autoriza o lançamento das contribuições sociais. CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo referente à contribuição da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, inclusive as relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Fl. 863DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. REVISÃO DE OFÍCIO. A Administração tem o poderdever de revisar seus atos quando praticados em desatendimento ao ordenamento jurídico vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ analisou a decadência, de forma isolada, verificando se houve ou não o pagamento parcial das contribuições previdenciárias para cada competência lançada. Conforme verificado na fl. 735/736, teria havido recolhimento apenas na matriz nas competências de 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004, razão pela qual aplicaram o art. 150, parágrafo 4º do CTN. Para as demais não restou reconhecida a decadência, aplicando se o art. 173, I, do CTN. Portanto, o resultado do Acórdão foi o seguinte, fl. 731: Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, no montante originário de R$ 2.358.460,62, posteriormente acrescido de juros e multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A presidente de Turma recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força de reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado superar o limite de alçada fixado na Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Fundação Técnico Educacional Souza Marques interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 761/814, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Por preencher os requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, goza da imunidade constante do art. 195, parágrafo 7º da CF/88; 2. É entidade beneficente de assistência social; 3. As imunidades devem ser objeto de lei complementar por se tratar de normas gerais em matéria tributária; 4. A inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre serviço prestado por cooperativa de trabalho por ter sido inserida no mundo jurídico por meio de Lei Ordinária, quando na verdade, deveria têlo sido feito por Lei Complementar; 5. A inconstitucionalidade e ilegalidade da multa. É o relatório. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.001144/200951 Acórdão n.º 2403002.196 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls.761, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebo que a própria DRJ analisou a questão do pagamento parcial e constatou em diversas competências, que este ocorreu nos meses de 01/2004 a 04/2004, meses em que foi constatado o adiantamento do pagamento, consequentemente, aplicando o art. 150, parágrafo 4º do CTN, tendo recorrido de ofício desta parte. O período de apuração compreendeu as competências 01/2004 a 12/2004, inclusive o 13º salário. As competências de 05/2004 a 07/2004, não foram declaradas como abarcadas pela decadência. Conforme já exposto, no entanto, entendo que por ter havido pagamento nas demais competências, estes são aptos a ensejar a aplicação do Art. 150, parágrafo 4º do CTN. A notificação ocorreu em 28/08/2009. Logo, o prazo decadencial ocorreu não só em relação ao período de 01/2004 a 04/2004, mas também, de 05/2004 a 07/2004 nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explanado. DO MÉRITO DA IMUNIDADE CONDICIONADA Para ser considerada imune das contribuições sociais previdenciárias, a entidade beneficente de assistência social deverá cumprir, cumulativamente, os requisitos elencados pelo art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, e ser reconhecida como tal por Ato Declaratório expedido pela RFB em atendimento ao parágrafo primeiro do art. 55 da Lei 8.212/91. Afirma o recorrente que por preencher os requisitos do art. 14 do CTN, estaria automaticamente imune à quota patronal das contribuições previdenciárias, afora o fato de os requisitos para o gozo dessa cláusula de incompetência tributária não poderem ser objeto de normatização por lei complementar. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.001144/200951 Acórdão n.º 2403002.196 S2C4T3 Fl. 6 9 No entanto, cumpre esclarecer que o preenchimento dos requisitos dispostos em lei ordinária são legítimos, conforme jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para tanto, colacionase precedente do STJ que ilustra o entendimento: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ENTIDADE BENEFICENTE EDUCACIONAL E ASSISTENCIAL. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CARÁTER BENEFICENTE ASSISTENCIAL. AUSÊNCIA DE TODOS OS REQUISITOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DA CORTE A QUO, COM BASE EM DOCUMENTOS E PROVAS DOS AUTOS. CEBAS. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETOLEI 1.522/1977. INEXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTA INSTÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que não há cerceamento de defesa quando o julgador considera desnecessária a produção de prova, mediante a existência nos autos de elementos suficientes para a formação de seu convencimento. Incidência da Súmula 7/STJ. 2. A Corte local afirmou que não foram preenchidos todos os requisitos para o reconhecimento da imunidade tributária. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. "É pacífica nesta Corte a orientação de que a imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação superveniente. Incidência da Súmula 352/STJ." (AgRg no REsp 848.126/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 10/2/2009, DJe 19/3/2009grifo nosso) Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 75.714/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 04/03/2013) No caso da recorrente, ela teve contra si exarado Ato Cancelatório de Isenção, fl. 155, que foi devidamente processado e oportunizada a defesa, que foi devidamente analisada pela 4ª Câmara de Julgamento, fl. 156/161, que negou provimento ao recurso, conforme o Acórdão 1868/2006, informado pela autoridade fiscal, por descumprimento dos requisitos dos incisos III (promover, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência) e V (aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades) do art. 55 da Lei 8.212/91. A recorrente, inclusive, requereu a reforma do acórdão, através da petição de fls. 162/164 o qual foi rejeitado pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Despacho 206260/08, conforme fls. 165/167. DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Fl. 867DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidade se não estiverem às exceções acima. DO RECÁLCULO DA MULTA A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 868DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12898.001144/200951 Acórdão n.º 2403002.196 S2C4T3 Fl. 7 11 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no Fl. 869DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado acima, no acórdão 1250.800, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, entendeu que ocorreu a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN para algumas competências em que foi constatado o adiantamento das contribuições, enquanto que em outras, por não ter havido, aplicouse o art. 173, I, do CTN. A matéria é também discutida no presente voto acerca das razões em sede de Recurso Voluntário com relação as competências que não foram abarcadas pela decadência. Portanto, da mesma forma que o acima exposto, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso de Ofício para negar provimento. Quanto ao Recurso Voluntário, conheçoo para, preliminarmente, reconhecer a decadência no período de 05/2004 a 07/2004 e, no mérito, dar parcial provimento para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10925.003093/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
Ementa:
PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. EMBALAGENS EXTERNAS.
Dada a natureza das mercadorias a cuja fabricação a empresa se dedica - alimentos congelados para consumo humano - as embalagens (mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores) cumprem função relevante na conservação da qualidade do produto, no que se refere seja à sua higiene, seja à temperatura com que deve ser mantido.
PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE.
O frete em que o sujeito passivo incorre para transportar matéria prima e outros insumos desde seus próprios estabelecimentos até as instalações onde etapas intermediárias da atividade são concluídas constitui serviço material e temporalmente envolvido com a produção, razão pela qual confere direito ao creditamento.
PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. ARMAZENAMENTO.
É autorizado o creditamento sobre os dispêndios do sujeito passivo com o armazenamento de produtos acabados porque, neste particular, a norma que dá fundamento ao direito não distingue entre a armazenagem de matérias-primas, de produtos em fabricação ou de artigos já prontos para comercialização. Artigo 3o, inciso IX, Lei no 10.833/03.
PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. LISINA.
Em se tratando de item empregado na preparação de ração animal - insumo da atividade a que a recorrente se dedica - a lisina dá direito ao crédito da apuração não-cumulativa da COFINS e da Contribuição ao PIS, tendo em vista não se enquadrar dentre os químicos alcançados pela tributação à alíquota 0%, conforme o Anexo I ao Decreto no 5.821/06.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de reconhecer à recorrente o direito ao creditamento sobre (i) a aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte dos produtos acabados, (ii) o custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais, (iii) as despesas de armazenamento de produtos acabados, e finalmente, (iv) o custo de aquisição do químico lisina. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho quanto à questão do crédito presumido. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF n. 35.220.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. EMBALAGENS EXTERNAS. Dada a natureza das mercadorias a cuja fabricação a empresa se dedica - alimentos congelados para consumo humano - as embalagens (mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores) cumprem função relevante na conservação da qualidade do produto, no que se refere seja à sua higiene, seja à temperatura com que deve ser mantido. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE. O frete em que o sujeito passivo incorre para transportar matéria prima e outros insumos desde seus próprios estabelecimentos até as instalações onde etapas intermediárias da atividade são concluídas constitui serviço material e temporalmente envolvido com a produção, razão pela qual confere direito ao creditamento. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. ARMAZENAMENTO. É autorizado o creditamento sobre os dispêndios do sujeito passivo com o armazenamento de produtos acabados porque, neste particular, a norma que dá fundamento ao direito não distingue entre a armazenagem de matérias-primas, de produtos em fabricação ou de artigos já prontos para comercialização. Artigo 3o, inciso IX, Lei no 10.833/03. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. LISINA. Em se tratando de item empregado na preparação de ração animal - insumo da atividade a que a recorrente se dedica - a lisina dá direito ao crédito da apuração não-cumulativa da COFINS e da Contribuição ao PIS, tendo em vista não se enquadrar dentre os químicos alcançados pela tributação à alíquota 0%, conforme o Anexo I ao Decreto no 5.821/06. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. EMBALAGENS EXTERNAS. Dada a natureza das mercadorias a cuja fabricação a empresa se dedica alimentos congelados para consumo humano as embalagens (mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores) cumprem função relevante na conservação da qualidade do produto, no que se refere seja à sua higiene, seja à temperatura com que deve ser mantido. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE. O frete em que o sujeito passivo incorre para transportar matéria prima e outros insumos desde seus próprios estabelecimentos até as instalações onde etapas intermediárias da atividade são concluídas constitui serviço material e temporalmente envolvido com a produção, razão pela qual confere direito ao creditamento. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. ARMAZENAMENTO. É autorizado o creditamento sobre os dispêndios do sujeito passivo com o armazenamento de produtos acabados porque, neste particular, a norma que dá fundamento ao direito não distingue entre a armazenagem de matérias primas, de produtos em fabricação ou de artigos já prontos para comercialização. Artigo 3o, inciso IX, Lei no 10.833/03. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. “LISINA”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 93 /2 00 9- 01 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Em se tratando de item empregado na preparação de ração animal insumo da atividade a que a recorrente se dedica a “lisina” dá direito ao crédito da apuração nãocumulativa da COFINS e da Contribuição ao PIS, tendo em vista não se enquadrar dentre os químicos alcançados pela tributação à alíquota 0%, conforme o Anexo I ao Decreto no 5.821/06. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de reconhecer à recorrente o direito ao creditamento sobre (i) a aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte dos produtos acabados, (ii) o custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais, (iii) as despesas de armazenamento de produtos acabados, e finalmente, (iv) o custo de aquisição do químico “lisina”. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho quanto à questão do crédito presumido. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF n. 35.220. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de ressarcimento de créditos da COFINS apurada sob o regime da Lei no. 10.833/03, acumulados ao final do primeiro trimestre de 2008 em virtude da percepção de receitas de atividade exportadora. Após investigação acerca da existência e da extensão do alegado direito creditório, a DRFJoaçaba/SC proferiu despacho decisório por meio do qual reconheceu parcialmente o pleito, baseandose, para tanto, no relatório de ação fiscal de fls. 393/408 onde a fiscalização discorre acerca de irregularidades supostamente praticadas pela interessada na determinação do direito de crédito. Em primeiro lugar, a requerente teria apropriado créditos da exação sobre a aquisição de bens e serviços que não consubstanciariam “insumos”, no sentido que a Lei no. 10.833/03 atribui ao termo, quais sejam: (a) material de embalagem e de etiquetagem – tais como caixas de papelão, filme plástico, bobina encolhível – utilizados no acondicionamento Fl. 744DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 3403002.509 S3C4T3 Fl. 14 3 para transporte dos produtos a que o estabelecimento dá saída; (b) itens aplicados à produção, porém cuja venda proporciona ao respectivo fornecedor receitas tributadas pela exação à alíquota 0%, entre os quais químicos como a metiolina, a lisina e a colina, todos referidos pelo Decreto no. 5.127/04; (c) frete pertinente a serviços de transporte de matériaprima em produtos em elaboração entre unidades do próprio sujeito passivo e entre estabelecimentos seus e os de produtores rurais seus parceiros; e (d) “outros itens”, dentre os quais destaca (i) óleos lubrificantes e (ii) tintas e almofadas para carimbos. Em segundo lugar, a empresa teria incorrido na irregularidade de se creditar do frete pago pelo serviço de transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos e armazéns refrigerados, usufruindo do permissivo constante do artigo 3o, inciso IX, da Lei no. 10.833/03, como se o translado em questão integrasse a própria operação de venda das mercadorias. O ilícito subseqüente estaria no aproveitamento de créditos sobre encargos de depreciação do imobilizado. Deu a fiscalização por insuficientemente demonstrados a natureza do bem e a sua aplicação, a data e o respectivo valor de aquisição, havendo também por injustificadas as taxas de amortização aplicadas pela empresa ao custo de aquisição de suas aves matrizes, em desacordo com o estabelecido na IN SRF no. 162/98 e sem respaldo em laudo técnico. No que se refere ao crédito presumido disciplinado pelo artigo 8o, da Lei no. 10.925/04, a fiscalização assinala o cometimento de duas impropriedades: (i) a primeira, por ocasião do preenchimento do DACON, consistente na vinculação destes direitos às receitas de exportação, o que teria acrescido o montante dos créditos objeto do ressarcimento irregularmente, já que o benefício em cogitação somente seria aproveitável para abatimento da própria contribuição; e (ii) a segunda, decorrente da liquidação do quantum à razão de 60% da alíquota prevista pelo artigo 2o, da Lei no. 10.833/03 em hipóteses em que a alíquota aplicável seria a de 35%. Para finalizar, notou o auditor encarregado da análise que a requerente teria cancelado determinadas notas fiscais de exportação expedidas no período em virtude da rescisão do negócio jurídico ou da devolução das respectivas mercadorias sem que, em contrapartida, tivesse excluído o montante correspondente do cálculo de rateio proporcional com base no qual se determina a porção do crédito passível de compensação ou restituição em pecúnia. Intimada do despacho decisório, a interessada manejou a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 419/416 para sustentar em seu favor que: (i) faz jus aos créditos inadmitidos pela fiscalização, deduzindo com relação a cada gênero, em síntese, o seguinte: (ia) os materiais de embalagem para transporte e as etiquetas, embora indispensáveis à conclusão do processo produtivo, tiveram seus custos excluídos da base de cálculo dos créditos porque a auditoria os examinou sob a perspectiva da legislação aplicável ao IPI, no âmbito do qual, realmente, o acondicionamento para fins de transporte não confere crédito; (ib) faz jus aos créditos sobre a aquisição de químicos tributados à alíquota zero porque, na sua concepção, o direito independe da gradação da imposição a que se tenha sujeitado o fornecedor do insumo; (ic) o transporte de animais vivos, rações, vacinas e medicamentos de suas unidades aos estabelecimentos rurais de seus parceiros integra a etapa produtiva da atividade, na medida em que, por intermédio destas parcerias, o produtor destinatário recebe aves recém nascidas e se encarrega de criálas até que estejam Fl. 745DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 prontas para o abate, quando então são devolvidas à ora recorrente; (id) a aquisição de óleos lubrificantes confere direito ao crédito independentemente da aplicação ao processo produtivo, eis que há previsão expressa nesse sentido no inciso II, do artigo 3o, da Lei no. 10. 833/03; (ie) os dispêndios em que incorre com o transporte do produto acabado até armazéns refrigerados lhe conferem direito ao creditamento em razão de se tratar de etapa preparatória da própria operação de venda; e (if) no que se refere ao imobilizado, entregou à fiscalização memória de cálculo suficiente à comprovação do direito ao crédito sobre os respectivos encargos e, relativamente às aves matrizes, esclareceu utilizar taxa de amortização que acompanha os índices de fecundidade dos animais ao longo da sua vida, o que seria admissível pelo artigo 314 do RIR/99; e (ii) os créditos presumidos outorgados pela Lei no. 10.925/04 são, sim, passíveis de ressarcimento ou compensação, quando se acumulem na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos. Reafirmando os fundamentos do relatório que deu amparo ao despacho decisório, a DRJFlorianópolis/SC negou provimento à manifestação de inconformidade por meio do v. acórdão de fls. 477/501, o que deu ensejo à interposição do recurso voluntário ora em julgamento, cujo conteúdo, além de reproduzir as razões do inconformismo inicial, acrescenta o seguinte (fls. 592/640): (a) as embalagens e as etiquetas sobre as quais apropriou créditos da COFINS não são destinadas apenas para o transporte do produto, na medida em que, além de conterem a impressão da logomarca da empresa, são concebidas de forma a preservar a qualidade e a aptidão dos produtos para consumo humano; (b) os produtos químicos que a fiscalização inadmitiu para o creditamento constituem insumos da sua atividade produtiva e, além disso, não estão sujeitos à tributação pela COFINS à alíquota 0%, conforme evidenciariam documentos trazidos aos autos; (c) as tintas e as almofadas para carimbos são utilizadas pela empresa na impressão da data de validade dos produtos que industrializa e, sendo assim, estão diretamente associadas à atividade produtiva; do mesmo modo, os óleos lubrificantes cujo creditamento não foi admitido são empregados para engraxar máquinas e equipamentos do processo industrial, conforme demonstrariam fichas técnicas juntadas; e, finalmente, (d) o crédito presumido a que tem direito por força do artigo 8o, da Lei no. 10. 925/04 deve ser determinado, sim, à razão de 60% da alíquota prevista no artigo 2o, da Lei no. 10. 833/03, e não, como quer a fiscalização, na proporção de apenas 35% dela. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Recurso voluntário tempestivo e bem preparado, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 3403002.509 S3C4T3 Fl. 15 5 Dos fundamentos em que a DRF de origem se apegou para reconhecer apenas em parte o crédito reivindicado nestes autos, a manifestação de inconformidade deixou de controverter três. Não se insurgiu contra a retificação, para baixo, das receitas de exportação do período, dada a acusação fiscal de que notas fiscais de operações com o exterior teriam sido canceladas sem o correspondente ajuste no cálculo do rateio proporcional de que depende a determinação do crédito passível de ressarcimento. Também não se insurgiu contra a glosa de parte do crédito presumido que apropriara com base no artigo 8o, da Lei no. 10. 925/04, em virtude de a auditoria ter lhe reconhecido o direito à razão de apenas 35% da alíquota prevista no artigo 2o, da Lei no. 10. 833/03 e não a 60% como procedera a pessoa jurídica. Por fim, nada disse quanto à inadmissão do crédito que apropriara sobre a aquisição de tintas e almofadas para carimbos. É verdade que, no recurso voluntário de fls. 592/640, a requerente expressamente controverte estes dois últimos temas. Mas é verdade também que, dada a omissão da manifestação de inconformidade, as matérias já se encontravam preclusas na ocasião. Como, a teor do artigo 17, do Decreto no. 70.235/72, consideramse não impugnadas as matérias não expressamente controvertidas pelo interessado, os dois ajustes acima são definitivos e, portanto, fogem aos limites do cognoscível neste feito. Dito isso, permanecem em pauta (i) a dinâmica da não cumulatividade instituída pelas Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 e, em especial, as categorias de despesa, encargos e custos sobre os quais o sujeito passivo do PIS e da COFINS tem permissão para apurar direitos de crédito. Nesta análise, interessa particularmente o inciso II, do artigo 3o destes dois diplomas, de acordo com o qual cabe o creditamento sobre o montante de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes”. Toda divergência que o dispositivo provoca decorre da extinção do direito de crédito nele assegurado, o que passa pela demarcação do que seja “insumo” para fins da não cumulatividade nestas duas exações. Sua compreensão a respeito o Fisco não tardou em divulgar por meio da IN SRF no. 404/04, adaptando, para o âmbito da COFINS, conceito que construiu e consagrou na sistemática de apuração do IPI. Vejase: “Art. 8o (...). §4o Para os efeitos da alínea ‘b’ do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” Fl. 747DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Embora respeite a orientação, partilho de orientação diversa a respeito da abrangência do conceito insculpido no inciso II, do artigo 3o, das Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. Observo, em primeiro lugar, que quando da promulgação dos diplomas legais em questão, a Constituição Federal não impunha a não cumulatividade em se tratando das contribuições arrecadadas para a Seguridade Social. Daí não defluia, todavia, estivesse o legislador infraconstitucional impedido de disciplinála no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS. Significava, tão somente, que a adoção e o regramento da técnica permaneciam na esfera de discricionariedade do legislador ordinário. Foi o que possibilitou a implementação, primeiramente no PIS e, depois, na COFINS, de uma não cumulatividade, digamos, “imprópria”. Imprópria por cotejar, de um lado, base de cálculo composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica e, de outro, não admitir senão determinadas deduções, definidas em lista taxativa. Imprópria também porque o direito de crédito garantido não corresponde, sempre e necessariamente, aos valores de PIS e de COFINS efetivamente devidos na incidência anterior. Aliás, dada a especificidade da hipótese de incidência das duas contribuições, é até mesmo inadequado falar, aqui, num sentido convencional de não cumulatividade. É que, enquanto o ICMS e o IPI – impostos em que a técnica encontra máxima aplicação – têm por hipótese de incidência operações sucessivas de uma mesma cadeia produtiva ou mercantil, o PIS e a COFINS gravam fato jurídico, a receita, cuja ocorrência é independente de acontecimentos anteriores ou posteriores. Quem chamou à atenção para a diferença foi Ricardo Mariz de Oliveira: “Realmente, a COFINS e a contribuição ao PIS, que são tributos cujas hipóteses de incidência são a receita ou o faturamento, a rigor sequer têm incidência multifásica, pois são devidos sempre que houver receita (de faturamento ou não), a qual se constitui em um substrato específico e isolado de qualquer outro fenômeno jurídico ou econômico.” Por isso, dirá o autor, “diferentemente de outros tributos, as duas contribuições podem incidir sobre as receitas de sucessivos faturamentos de uma mesma mercadoria, ou sobre as receitas de sucessivas alienações de um mesmo bem imóvel, ou sobre as receitas de sucessivas prestações de serviços para obtenção de um bem imaterial mais completo, ou sobre sucessivas receitas de alugueres mensais de um mesmo bem, e em muitas outras situações. Mesmo neste caso – adverte – as duas contribuições não são juridicamente plurifásicas, eis que tomam por substrato cada fato isolado e de per si, isto é, cada fato de ser auferida uma receita (Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 27). Já nos casos de IPI e de ICMS, como suas hipóteses de incidência estão associadas à circulação econômica da coisa, o direito de crédito que realiza a não cumulatividade resulta do ingresso desta e, eventualmente, de outras que interagem fisicamente entre si para, transformadas, se submeterem a uma nova incidência na etapa subseqüente da cadeia. É por isso mesmo que, no contexto destes dois impostos, apenas os insumos agregados ao produto em fabricação ou que se desgastam em contato direto com ele – designadamente, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem – proporcionam direito de crédito ao contribuinte. E o importante: em ambas as exações, a limitação resulta não apenas da coerência intrínseca da espécie, mas, com maior relevo, de Fl. 748DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 3403002.509 S3C4T3 Fl. 16 7 prescrição normativa expressa. No caso do IPI, refirome ao artigo 226, inciso I, do atual Decreto no. 7.212/10. Na disciplina das Leis no. 10.637/02 e 10.833/03 não se encontra, todavia, restrição semelhante, assim como não há comando no sentido da aplicação subsidiária, na matéria, de conceitos ditados pela legislação do IPI. Esta a razão pela qual, a meu sentir, inexiste fundamentação de hierarquia legal a amparar as limitações prescritas pelas Ins SRF nos. 247/02 e 404/04. Nesse sentido, voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, ao ensejo do julgamento do processo no. 13974.000199/200361: “Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei no. 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” Daí a conclusão de Mariz de Oliveira, para quem, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, “constituemse em insumos para a produção de bens ou serviços não apenas as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros bens quando sofram alteração, mas todos os custos diretos e indiretos de produção, e até mesmo despesas que não sejam registradas contabilmente a débito do custo, mas que contribuam para a produção (ob. cit., p. 47). Esse entendimento encontra justificação normativa no conceito de “custo por absorção”, com base no qual a legislação do imposto de renda determina a apuração dos custos da atividade produtiva, para fins de apuração do resultado tributável. De acordo com o princípio, enunciado pelo artigo 13, do Decretolei no. 1.598/77 e reproduzido no artigo 290 do atual RIR (Decreto no. 3.000/99), o custo do estoque de produtos acabados e em processo de industrialização deve corresponder a “todos os custos diretos (material, mãodeobra e outros) e indiretos (gastos gerais de fabricação) necessários para colocar o item em condições de venda” (IUDÍCIBUS, Sérgio. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto. Manual de contabilidade das sociedade por ações (aplicável às demais sociedades).Atlas, 7a ed., p. 115). Leiase o dispositivo: “Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá: I – o custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; Fl. 749DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 II – o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III – os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV – os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V – os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção.” No conceito, portanto, estão incluídos, sem prejuízo de outros itens, (i) o custo de aquisição dos materiais envolvidos na produção, (ii) o custo de mãodeobra direta, compreendendo a remuneração do pessoal vinculado à produção e os respectivos encargos sociais e previdenciários, e (iii) os gastos gerais de fabricação, também chamados de custos indiretos, entre os quais inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, depreciação, energia, seguros etc. Além dos insumos da produção, as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, garantem ao sujeito passivo do PIS e da COFINS a apropriação de créditos sobre uma série de outros custos, despesas e encargos listados no artigo 3o de cada uma delas, entre os quais o preço pago por bens adquiridos para revenda (inciso I), o custo de energia elétrica e de energia térmica consumidos pela pessoa jurídica (inciso III), o valor dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa (inciso IV), o valor das contraprestações de arrendamento mercantil (inciso V), a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao imobilizado para utilização na produção (inciso VI), a depreciação de edificações utilizadas pela empresa (VII), entre outras. Daí porque, incorrendo em tal sorte de dispêndios perante pessoas jurídicas domiciliadas no País, o contribuinte tem, em princípio, direito ao creditamento. Nesse contexto, penso que assiste razão ao inconformismo dirigido pela recorrente contra a glosa dos créditos de que se apropriou sobre o custo de aquisição de embalagens e etiquetas, aos olhos da fiscalização destinadas apenas ao transporte dos produtos. Dada a natureza das mercadorias a cuja fabricação a empresa se dedica – alimentos congelados para consumo humano – pareceme irrecusável reconhecer que as embalagens em questão, mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores, cumprem função relevante na conservação da qualidade do produto, no que se refere seja à sua higiene, seja à temperatura com que deve ser mantido. Isso significa que o acondicionamento do produto nestes recipientes externos é ainda etapa do próprio ciclo produtivo da atividade desempenhada pela recorrente, na medida em que a preservação das propriedades do alimento constitui utilidade adicional e complementar à mera função de transporte do conteúdo. Daí porque, a meu ver, o dispêndio permite o creditamento por força do inciso II, do artigo 3o, da Lei no. 10.833/03. Semelhante deve ser a conclusão no que respeita aos fretes custeados pela recorrente para realizar o transporte de insumos da sua atividade entre unidades da própria pessoa jurídica e, particularmente, entre estabelecimentos seus e o de seus parceiros rurais. O contrato de fls. 676/683 juntado com o recurso voluntário evidencia a existência de parcerias rurais entre a ora recorrente e terceiros, por meio das quais compete à primeira fornecer aos últimos pintos de um dia de vida, vacinas, medicamentos, rações adequadas às diversas faixas Fl. 750DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 3403002.509 S3C4T3 Fl. 17 9 etárias das aves em criação etc., enquanto a estes cabe a criação dos animais até a fase de abate, incluindo a disponibilização das instalações de suas granjas. O frete de que ora se cuida é aquele em que a recorrente incorre justamente para transportar a matéria prima e os demais insumos acima desde seus próprios estabelecimentos até as granjas onde a criação se realiza. Como se vê, é serviço material e temporalmente envolvido com a etapa produtiva da atividade que, a meu sentir, satisfaz plenamente o necessário a que se lhe reconheça a condição de insumo, para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS. Aliás, na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte ou destas para estabelecimentos de terceiros, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. Eis os motivos pelos quais deve prosperar o recurso também nesta parte. A recorrente teve glosados também créditos que apropriou sobre o custo de aquisição de óleos lubrificantes, ao fundamento de que não teria sido comprovado à auditoria a sua aplicação ao processo produtivo. Na manifestação de inconformidade, a recorrente se insurgiu contra o despacho decisório sustentando que, por se tratar de custo ao qual o inciso II, do artigo 3o, da Lei no. 10.833/03 expressamente se refere, seria inexigível que o contribuinte comprovasse empregar o produto na atividade produtiva. Depois, no recurso voluntário, trilhou argumento distinto, trazendo aos autos cópias das fichas técnicas dos supostos lubrificantes – Shell Aeroshell Grease 7 e Móbil Gargoyle Artic Serie SHC 200 – a fim de demonstrar, no primeiro caso, se tratar de graxa de uso aeronáutico, própria para lubrificação de engrenagens pesadas e, no segundo, de lubrificante específico para compressores frigoríficos (fls. 671 e 673). Sucede que pelos documentos constantes dos autos, não é possível ao julgador conferir se, de fato, os lubrificantes a que se refere a recorrente no seu voluntário – cuja aplicação parece, de fato, restrita à atividade industrial – são realmente aqueles que originaram os direitos de crédito glosados pela fiscalização. Limitase a interessada, a quem toca o ônus da prova a respeito, a produzir a juntada das já referidas fichas técnicas, sem, contudo, comprovar sequer têlos adquirido no período objeto do pedido de ressarcimento. Aliás, das planilhas anexas ao TVF de fls. 409, inferese o contrário. Ali, o auditor responsável pela análise do pleito relaciona as aquisições por ele havidas como não geradoras do direito de crédito e, entre elas, lista em duas ocasiões os óleos lubrificantes, em 21.01.2008 e em 18.02.2008. Embora a descrição da natureza do produto adquirido seja bastante sintética (“óleo ipir ipitur aw 46 20l”), em ambos os casos temse a impressão de que não se tratava de nenhuma das espécies de lubrificantes a que alude o recurso voluntário. Novamente, como aqui o ônus da prova é atribuído ao sujeito passivo autor do pedido de ressarcimento, a glosa deve subsistir à impossibilidade de convencimento em sentido contrário. A glosa subseqüente diz respeito aos créditos de que a recorrente se aproveitou sobre o valor (i) de fretes pagos pelo transporte de produtos acabados entre seus Fl. 751DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 estabelecimentos e armazéns frigoríficos, além (ii) das próprias despesas de armazenagem nestes locais, até que as mercadorias saíssem para entrega aos respectivos adquirentes. Sustentando se tratar de transporte e estocagem pertinentes à própria operação de venda, a recorrente se diz autorizada pelo artigo 3o, inciso IX, da Lei no. 10.833/03. Nada se pode objetar, a meu ver, quanto aos dispêndios incorridos pela recorrente com a armazenagem de produtos acabados porque, neste particular, a norma que dá fundamento ao direito de crédito não distingue entre o armazenamento de matériasprimas, de produtos em fabricação ou de artigos já prontos para comercialização. De acordo com o enunciado, o contribuinte tem permissão para se creditar da “armazenagem de mercadoria”. E “mercadoria” é termo que qualifica os bens vocacionados à mercancia, ao comércio, característica esta pertinente aos próprios insumos do processo produtivo mas, também, aos produtos dele resultantes. Daí porque, nessa linha de raciocínio, o recurso há de prosperar nesta parte, para que seja revertida a glosa a que procedeu a origem, com relação às despesas de armazenagem incorridas pela recorrente. Solução diversa clama, porém, o debate sobre os serviços de transporte contratados pela interessada para o deslocamento dos tais produtos acabados entre o seu estabelecimento e os armazéns frigoríficos onde são estocados até a consumação da venda. É que, aqui, o enunciado prescritivo limita o direito ao valor do “frete na operação de venda”. Refere à despesa em que o contribuinte vendedor incorre para desincumbirse da obrigação de entregar o produto no destino avençado com o comprador. Aqui, todavia, não é disso que se trata. Pretende a recorrente incutir na base de cálculo do direito de crédito o valor pago pelo frete de produtos acabados entre sua planta produtiva e os frigoríficos onde ficam estocados até que a venda seja contratada. Não estamos falando do transporte para a efetivação da entrega – situação que se subsumirseia ao inciso IX, do artigo 3o, da Lei no 10.833/03 – mas de uma etapa anterior que com esta não se confunde. Por outro lado, como o serviço de transporte sucede cronologicamente a produção, também não vejo como qualificálo como custo e, portanto, como insumo da atividade produtiva. Daí porque a glosa em questão deve subsistir. O tema subseqüente respeita à apropriação de créditos sobre a depreciação de bens integrantes do ativo imobilizado da recorrente. A DRF encarregada da análise do pedido concluiu pela insubsistência do direito porque, em primeiro lugar, a interessada não lhe fornecera seja a memória dos cálculos correspectivos, a partir da qual tivesse acesso à descrição do bem depreciado, do correspondente valor e data de aquisição, seja os documentos comprobatórios da compra e venda; e em segundo lugar, no que se refere especificamente à amortização das aves matrizes, porque, além de não documentada a aquisição, a taxa de depreciação aplicada excedia, sem embasamento em laudo técnico, aquela prevista pela IN SRF no 162/98. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente anexou a memória de cálculo contendo as informações reivindicadas pela fiscalização (fls. 417). Com relação à taxa de amortização das aves matrizes, a empresa sustentou aplicálas proporcionalmente à taxa de fecundidade dos animais, a qual é variável no tempo em função da respectiva faixa etária, procedimento este que estaria autorizado pelo artigo 314 do RIR/99. Embora útil e relevante, a memória de cálculo não tem valor probatório e, portanto, não substitui a exibição dos documentos pertinentes às respectivas aquisições. Para fruir o direito ao ressarcimento seria preciso que a recorrente houvesse documentado a Fl. 752DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 3403002.509 S3C4T3 Fl. 18 11 aquisição dos bens sobre os quais apropriou as despesas de depreciação, a fim de que os dados constantes da memória de cálculo – em especial, o preço e a data da compra e venda – fossem aferidos. Tratandose, uma vez mais, de fato cuja demonstração constitui ônus do requerente, o recurso não pode prosperar neste capítulo. Discutese, na seqüência, acerca do direito de crédito sobre insumos químicos adquiridos pela ora recorrente para o preparo de rações. O órgão de origem justificou a glosa sob o argumento de que a receita de comercialização dos itens em questão – “metionina”, “lisina” e “colina” – estaria sujeita à tributação à alíquota 0% por meio da COFINS e da contribuição ao PIS, conforme Decreto no 5.127/04. Incidiria na hipótese, portanto, o artigo 3o, §2o, da Lei no 10.833/03, de acordo com o qual não dá direito a crédito o preço pago pela aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Inicialmente, a recorrente controverteu a matéria sustentando apenas que a intensidade com que o fornecedor do insumo é tributado não subordinaria seu direito ao creditamento, argumento este que a DRJ/FNS houve por bem rechaçar. No recurso voluntário, porém, a recorrente trilha caminho diverso. Sustenta, agora, que nenhuma das substâncias químicas em questão estaria referida nos anexos ao Decreto no 6.426/08 (ou nos anexos ao Decreto 5.821/04, que o antecedeu), donde conclui se submeterem todas elas à alíquotas positivas no regime nãocumulativo de apuração do PIS e da COFINS. Em primeiro lugar, argumenta que não adquire a “metionina” listada no item 1.444 do “Anexo I” do Decreto no 6.426/08 e, sim, o químico comercialmente designado por “ALIMET”, cuja fórmula “acido2 hidroxi4 metiltio butanóico” o classificaria na NCM sob a posição 2930.90.34, não beneficiada pela alíquota 0%. Para comproválo, todavia, a recorrente se restringe a anexar aos autos declaração escrita prestada por um dos fornecedores do insumo, na qual o declarante afirma que a respectiva receita de venda se submeteria à alíquota positiva da exação. A recorrente não se desincumbiu, entretanto, do ônus de demonstrar que as aquisições sobre as quais recaíram as glosas em debate eram, de fato, do insumo que alega não se sujeitar à incidência. Noutras palavras, a recorrente foi incapaz de comprovar que o crédito fora por ela calculado sobre aquisições de “ALIMET” e não da “metionina” a que se refere o mencionado item 1.444, do Anexo I, do Decreto no 6.426/08. E esta prova se fazia indispensável ao provimento do recurso, na medida em que as planilhas acostadas pela origem ao Termo de Verificação Fiscal reportamse a notas fiscais em que o insumo estaria descrito como se fora, realmente, a substância favorecida pela não tributação. Nesse sentido, vejase as notas fiscais a que a fiscalização se refere às fls. 409/410. Fenômeno análogo se passa com a aquisição de “colina”. Fiandose nas notas fiscais listadas às fls. 409/410 – entre as quais as NFs nos 1295 e 1550, emitidas por Foothills Ind. e Com. Ltda., nas quais o insumo é descrito sinteticamente como “colina” – a fiscalização depreendeu se tratar da substância a que se refere o item 782, do Anexo I, ao Decreto no 6.426/08. O recurso voluntário controverte a glosa ao argumento de que, em verdade, se trataria de aquisição de substância não classificada no Capítulo 29 da NCM, o “cloreto de colina” a 75%. E traz aos autos, para corroborar a tese, trecho da Decisão COANA no 15, ao ensejo da qual o órgão diz se tratar de produto classificado na posição 2309.90.90 da TEC e, nesse sentido, item cuja comercialização não se sujeitaria à alíquota 0% de PIS e de COFINS. Mais uma vez, a prova é insuficiente ao provimento do recurso, na medida em que os autos não Fl. 753DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 demonstram com a necessária segurança que a substância química objeto das aquisições seja realmente esta cuja posição na NCM é a 2309.90.90. Já a aquisição de “lisina” merece a meu ver tratamento diferente. Neste caso, não se discute acerca das qualidades do insumo sobre o qual a recorrente apropriou o crédito: a recorrente o descreve tal qual o próprio Termo de Verificação Fiscal de fls. 393/408. O relevante, a respeito, é que o Anexo I ao Decreto no 5.821/06 vigente à época dos fatos considerados realmente não o relacionava dentre aqueles favorecidos pela sujeição à alíquota 0% da COFINS e da contribuição ao PIS, conclusão esta, aliás, que é corroborada pela declaração prestada pelo respectivo fornecedor (fls. 666). Nesta parte, pois, o recurso voluntário deve ser provido. O último tema a requerer enfrentamento diz com o crédito presumido outorgado pelo artigo 8o da Lei no. 10.925/04 às empresas do segmento em que atua a ora recorrente, a agroindústria. Neste particular, sustenta a interessada seu direito ao ressarcimento do crédito presumido remanescente ao abatimento do PIS e da COFINS por ela devidos. É que o saldo trimestral objeto do pedido em análise compõese, em parte, do crédito presumido a que a recorrente tem direito, na condição de adquirente de gêneros agrícolas. Neste particular, porém, o apelo não prospera. Este órgão administrativo de julgamento tem posição majoritária no sentido de que o crédito presumido do artigo 8o, da Lei no. 10.925/04 tem aplicação restrita para dedução das contribuições incidentes sobre as receitas da agroindústria no mesmo período em que se derem as aquisições, de forma que não haveria direito ao aproveitamento do benefício em períodos subseqüentes ou, ainda, ao ressarcimento e à compensação. Neste sentido, faço referência ao voto do Conselheiro Luiz Roberto Domingo no acórdão no. 310101.185: “É de notarse que o crédito presumido foi destinado, exclusivamente, à dedução do valor devido, de modo que, não havendo contribuição a pagar, inexiste o direito de manutenção desse crédito, ou seja, no procedimento de apuração do PIS e da COFINS, acima explicitado, o direito ao crédito presumido de PIS e de COFINS exsurge após a compensação de créditos (apurados a partir das despesas) e de débitos (apurados a partir das receitas), para que, restando saldo a pagar, seja deduzido o crédito presumido da contribuição devida. Nesse contexto é que está o enunciado prescritivo do art. 8o, §2o, da Lei no. 10925/2004, que estabelece limites no aproveitamento do crédito: ‘Art. 8o (...) (...) §2o. O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no §4o do art. 3o das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.’ Fl. 754DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 3403002.509 S3C4T3 Fl. 19 13 Ao estabelecer que o crédito presumido só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, a interpretação que se extrai do enunciado prescritivo é de ser impossível a utilização do crédito presumido de outro período ou em outro período, de modo que esse benefício não é passível de ser acumulado para formação do saldo credor e, consequentemente, não é passível de ressarcimento.” Com essas considerações, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, a fim de reconhecer à recorrente o direito ao creditamento sobre (i) a aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte dos produtos acabados, (ii) o custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais, (iii) as despesas de armazenamento de produtos acabados, e, finalmente, (iv) o custo de aquisição do químico “lisina”. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 755DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908137/2009-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. NOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE PRESENÇA DO TEMA NOS AUTOS. NÃO APLICAÇÃO.
Inexistindo prova de que o tema passível de aplicação de repercussão geral esteja presente nos autos, há que se negar a sua aplicação.
Numero da decisão: 3803-004.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. NOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE PRESENÇA DO TEMA NOS AUTOS. NÃO APLICAÇÃO. Inexistindo prova de que o tema passível de aplicação de repercussão geral esteja presente nos autos, há que se negar a sua aplicação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. NOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE PRESENÇA DO TEMA NOS AUTOS. NÃO APLICAÇÃO. Inexistindo prova de que o tema passível de aplicação de repercussão geral esteja presente nos autos, há que se negar a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 37 /2 00 9- 15 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de período de apuração janeiro de 2003, com débitos de PIS/Pasep e COFINS de competência março de 2007 no valor total de R$ 70.889,69. Através de Despacho Decisório Eletrônico a DRF em Guarulhos/SP não homologou a compensação requerida, sob o argumento de que localizou o pagamento indicado mas que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (Fls. 59 e 60), alegando que: Do darf localizado no valor originário de R$ 98.656,88 (página 3), foi detectado um pagamento indevido ou a maior de R$ 43.425,33, que corrigido pela taxa Selic acumulada (66,41%) no per/dcomp recibo 3686006853, de 20/04/2007, importou em R$ 70.889,69 (página 2). Referido crédito, foi compensado com os débitos de Pis, period° de apuraçãomar/2007, vencimento 20/04/2007 e Cofins, período de apuração mar/2007,vencimento 20/04/2007 (página 5). Desta forma, do darf identificado pela Inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior de R$ 20.198,20, que após corrigido ficou apto a compensar os débitos de Pis e Cofins na forma como realizado. 0 procedimento da Inconformada portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade. Ao final requer a homologação de sua compensação. A DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10875.908137/200915 Acórdão n.º 3803004.461 S3TE03 Fl. 11 3 do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito credit6rio aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente a legislação tributária, o direito credit6rio não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, protocolou Recurso Voluntário (Fls. 85 a 103) a esta turma julgadora, discorrendo longamente sobre o seu direito, em especial no que se refere a i) alargamento indevido da base de cálculo do PIS/COFINS por extravasamento do conceito de "faturamento, ii) Exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS ou crédito decorrente do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e iii) exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS. Conclui pela insubsistência da decisão recorrida e reconhecimento do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porem dele não tomarei conhecimento como veremos a seguir. Como atesta o relatório, o contribuinte busca ter reconhecido seu direito creditório proveniente de alegado pagamento a maior de COFINS do mês de janeiro de 2003 e conseqüente homologação do seu pedido de compensação no valor total de R$ 70.889,69. Em sua Manifestação de Inconformidade (Fls.59/60), percebese que o recorrente defendese de forma genérica, não trazendo as razões de fato e de direito, que, especificamente, justificasse a existência do crédito pretendido decorrente da redução da base de cálculo da contribuição da COFINS do período de janeiro de 2003. Não identificamos nos autos qualquer prova, quer seja escrita fiscal, escrita contabil ou qualquer outra que aponte, minimamente que seja, para os argumentos trazidos em sua defesa no Recurso Voluntário, uma vez que na Manifestação de Conformidade nada apresentou em sua defesa. Os argumentos trazidos em Recurso Voluntário, quais sejam, do alargamento indevido da base de cálculo do PIS/COFINS por extravasamento do conceito de "faturamento, da exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS ou crédito decorrente do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e, ainda, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS, não foram apreciados pela turma da DRJ de origem por não terem sido objeto da Manifestação de Conformidade. O Decreto nº 70.235/72 em seus art. 15 e 161 estabelece que o momento processual para a apresentação dos motivos de fato, de direito e a prova documental é a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, excetua as hipóteses elencadas no § 4o do artigo 16 do mesmo Decreto. Apesar do contribuinte ter elaborado fortes argumentos jurídicos em favor das teses defendidas no recurso ora apreciado, esta turma não pode se pronunciar sobre estes argumentos, pois, assim fazendo, estaria incorrendo na supressão da primeira instância de julgamento, ainda mais que, mesmo nesta fase processual, nenhuma prova carreou aos autos que possa indicar a ocorrência de qualquer das questões de direito que defende em seu recurso. Assim, não se conhece acerca dos argumentos trazidos apenas em sede de recurso voluntário, pois não estão albergados pelas hipóteses de exceções previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Entendemos que o Recurso Voluntário é interposto contra o acórdão que negou a existência do crédito, assim, a matéria que não foi objeto de análise e, consequentemente, da decisão exarada no acórdão recorrido, não pode ser conhecida no Recurso Voluntário. Quanto ao tema exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS, ventilados no Recurso Voluntário, é bem verdade que este tema encontrase em discussão no STF no. RE 606107 com indicação de repercussão geral, o que, em tese, nos levaria a sobrestar este processo até que decisão definitiva de mérito fosse proferida por aquela 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10875.908137/200915 Acórdão n.º 3803004.461 S3TE03 Fl. 12 5 corte, por força do artigo 543A do CPC, contudo, para que este instituto processual fosse aplicado é indispensável a absoluta certeza de que o tema efetivamente faz parte da controvérsia travada nos autos, o que não ocorre neste processo, como dito anteriormente, a matéria veio tão somente em Recurso Voluntário e sem nenhuma prova de que tenha relação com os fatos sobre os quais se controverte a recorrente, assim, deixamos de aplicar a repercussão geral, mesmo porque ao não conhecer do recurso esta matéria também foi fulminada pelo não conhecimento. Pelo exposto voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário e não aplicar o instituto da repercussão geral. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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