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Numero do processo: 18088.000089/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007
COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO . REVOGAÇÃO.
A isenção da Cofins para sociedades civis de profissão regulamentada, prevista no art. 6º da LC nº 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96. Sentença proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em 09/06/2010, no REsp nº 826.428, julgado conforme rito previsto no art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO . REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para sociedades civis de profissão regulamentada, prevista no art. 6º da LC nº 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96. Sentença proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em 09/06/2010, no REsp nº 826.428, julgado conforme rito previsto no art. 543 C do CPC. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 89 /2 00 7- 31 Fl. 470DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1428.347, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, em parte: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 72/103 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins do período de abril de 1999 a janeiro de 2007, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de [...]. O enquadramento legal encontrase às fls. 75, 77 e 101. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 106/132, na qual alegou, preliminarmente, a decadência do direito de constituição do crédito tributário dos períodos [...] Prosseguiu discorrendo sobre a isenção da Cofins, prevista no art. 6°, inciso I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, cuja revogação não poderia se dar por meio de lei ordinária. Tal matéria foi objeto da Súmula 276 do STJ, e a recente concessão de liminar suspendendo a exigibilidade da Cofins, para 22 (vinte e duas) sociedades civis, pelo TRF da 3a Região, abriu "forte precedente, em sentido contrário àquele adotado anteriormente". Alegou ainda que "o 'entendimento' do colendo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, que, em momento algum, é pacifico, não tem relevância para o deslinde do presente debate". Suscitou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pela Lei n° 9.718, de 1998, [...] Alegou serem inconstitucionais a utilização da taxa Selic como juros de mora, por contrariar o art. 161 do CTN, e a multa, por ser irrazoável e confiscatória. (Grifos do original). O citado acórdão decidiu pela procedência em parte da impugnação, cancelando os créditos referentes ao período de abril de 1999 a novembro de 2001, e mantendo os demais. Assim ementou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 471DF CARF MF Processo nº 18088.000089/200731 Acórdão n.º 3301004.767 S3C3T1 Fl. 468 3 Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente repisa parte dos argumentos trazidos na impugnação: decadência nos termos do art. 150, § 4, do CTN; a isenção da COFINS para as sociedades civis, alegando que o art. 6º, inciso I, da Lei Complementar 70/91, não poderia ter sido revogado pela Lei 9.430, além de defender que esta é matéria infraconstitucional; a Inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo pela Lei 9.718/98; a vigência da Lei Complementar 70/91 quanto ao conceito de faturamento para as empresas no lucro presumido; a inconstitucionalidade na majoração da alíquota de COFINS para 3%; além de oporse à incidência da taxa SELIC e da multa que lhe fora aplicada. Por fim, pugna pela improcedência da autuação. Tratando do recurso voluntário em pauta, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção do Carf emitiu o Acórdão nº 340301.104, negandolhe procedência com a seguinte ementa: CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 472DF CARF MF 4 JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Desta decisão, a contribuinte apresentou recurso especial, abarcando temas antes trazidos ao contencioso, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, como se vê do respectivo pedido: O Despacho de Exame de Admissibilidade decidiu por, dar parcial seguimento ao recurso "exclusivamente quanto à renúncia administrativa". A questão foi submetida a reexame, tendo este mantido a decisão. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 18088.000089/200731 Acórdão n.º 3301004.767 S3C3T1 Fl. 469 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado já foi verificado quanto aos pressupostos de admissibilidade1. O Acórdão nº 9303005.189 da 3ª Turma da Câmara Superior traz o seguinte: [...] [...] 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 474DF CARF MF 6 Em tal acórdão decidiuse pelo provimento do recurso especial, "com retorno dos autos à turma recorrida para apreciar matéria antes não conhecida em razão da concomitância". O decisão de primeiro grau, bem delimitou a matéria que resta examinar: "a revogação da isenção da COFINS para as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada" (grifouse), benefício presente na Lei Complementar 7/71, que fora afastado pela Lei 9.430/96, art. 56. A recorrente, quanto ao tema, chama o "art. 6º, inciso I, da Lei Complementar n. 70/91". Na verdade quis se referir ao inciso II da mesmo dispositivo: Art. 6° São isentas da contribuição: [...] II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; Argumenta que tal isenção é vigente, não podendo lei ordinária, como a nº 9.430, revogála, por estar esculpida em lei complementar e ser esta hierarquicamente superior àquela: Sobre o tema, já decidiu esta Turma: COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO . REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para sociedades civis de profissão regulamentada, prevista no art. 6º da LC nº 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Leinº 9.430/96. Sentença proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em 09/06/2010, no REsp nº826.428, julgado conforme rito previsto no art. 543C do CPC. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3301003.241, de 28/03/2017, rel. Conselheira Liziane Angelotti Meira). (Grifouse). Como observou a relatora deste decisum, "a matéria foi enfrentada pelo STJ no REsp 826.428, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, quando foi decidido pela revogação da isenção pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96": PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 18088.000089/200731 Acórdão n.º 3301004.767 S3C3T1 Fl. 470 7 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. SOCIEDADES CIVIS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR 70/91. REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 56, DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA REVOGADORA RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE 377.457/PR E RE 381.964/MG). REAFIRMAÇÃO DO ENTENDIMENTO EXARADO NO ÂMBITO DA ADC 1/DF. 1. A isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal submetidos ao rito do artigo 543 B, do CPC: RE 377.457 e RE 381.964, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito, DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008). 2. Isto porque: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamentos determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCI 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 0/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, § 6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo6º, II, da LC 70/91). Conseqüentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). Fl. 476DF CARF MF 8 3. Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. 4. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. 5. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/94), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine . 6. Recurso especial desprovido, mantendose a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O parágrafo 2º do art. 62 do Regimento de 2015, Portaria MF nº 343, determina que: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, adoto o entendimento do julgado do STF, por força regimental, e voto por negar provimento ao recurso voluntário, no que dele restou a discutir por determinação da Câmara Superior. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 477DF CARF MF Processo nº 18088.000089/200731 Acórdão n.º 3301004.767 S3C3T1 Fl. 471 9 Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.723540/2015-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDAS DENTRO DO PRAZO LEGAL.
É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988.
A alienação das bonificações adquiridas após 31/12/1983 não está abarcada pela regra isentiva.
Numero da decisão: 9202-007.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDAS DENTRO DO PRAZO LEGAL. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. A alienação das bonificações adquiridas após 31/12/1983 não está abarcada pela regra isentiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.723540/201545 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.149 – 2ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE MARIA MARTINEZ ZARAGOZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDAS DENTRO DO PRAZO LEGAL. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decretolei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. A alienação das bonificações adquiridas após 31/12/1983 não está abarcada pela regra isentiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para restabelecer a tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 35 40 /2 01 5- 45 Fl. 818DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201003.954 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 03 de outubro de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 671: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETO LEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. Em respeito ao instituto constitucional do direito adquirido, ganho auferido sobre operação de alienação de participação societária, mesmo que ocorrida após a revogação do DecretoLei que instituiu a isenção de IRPF, faz jus a tal benefício se as condições para a sua concessão foram cumpridas antes da vigência da legislação posterior que transformou a isenção em hipótese de incidência. AÇÕES BONIFICADAS. INCORPORAÇÃO DE LUCROS OU RESERVAS DE LUCROS AO CAPITAL SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE EFETIVO AUMENTO DO PATRIMÔNIO. O aumento do valor do capital social em razão da incorporação de lucros ou reservas não devem ser considerados como aquisição de novas participações societárias uma vez que representa mero de aumento contábil, e não um aumento efetivo, decorrente do remanejamento de valores já existentes no balanço, sem mudança efetiva na consistência do patrimônio. As ações bonificadas são expansão das ações antigas, tendo a natureza de acessões. Havendo o reconhecimento do direito adquirido à isenção prevista no art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 em relação a determinada participação societária, o benefício fiscal também deve se estender às bonificações destas ações englobada pela isenção. Em seguida, foi interposto Recurso Especial, fls. 691 a 709, admitido, por meio do Despacho de fls. 717 a 720, para rediscutir a questão atinente à interpretação do art. 4º, "d", do Decretolei n.º 1.510/1976, especificamente quanto o direito adquirido à Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10880.723540/201545 Acórdão n.º 9202007.149 CSRFT2 Fl. 3 3 isenção prevista no referido dispositivo, no caso de alienação de participações societárias realizadas após sua revogação, pela Lei n.º 7.713/1998. Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) com a revogação dessa isenção, praticado o fato gerador do imposto, qual seja, auferimento de ganho de capital com a alienação de participação societária, é devido o imposto de renda incidente; b) à época em que o contribuinte vendeu sua participação acionária, a isenção instituída pelo DecretoLei 1.510/76 já havia sido revogada pelo art. 58 da Lei 7.713/88; c) em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional ou concedida a prazo certo; d) a ressalva contida no art. 178 do CTN é inaplicável à isenção ora discutida, pois se trata de benefício fiscal concedido de forma genérica e por prazo indeterminado; e) a isenção pleiteada pelo contribuinte, além de não ser concedida a termo, também não guarda relação com aquelas outorgadas em função de determinadas condições, amoldando se, por conseguinte, à regra geral da revogabilidade a qualquer tempo; f) mesmo com a manutenção das ações no patrimônio do contribuinte por mais de 5 anos, não há que se falar em isenção sem a ocorrência da alienação desses ativos na vigência do Decretolei n° 1.510, de 27/12/76, por faltar um dos pressupostos para a aquisição do direito; g) as referidas alienações de participação societária não se encontram encobertas por regra isentiva alguma, razão pela qual deve ser mantido o presente auto de infração. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 726 a 752, sustentando que: a) como bem exposto na decisão recorrida, não há razão que assista a Procuradoria da Fazenda, porque quando da revogação do referido DecretoLei 1.510/76, o Recorrido já havia cumprido a única condição exigida para a concessão da isenção, qual seja, a manutenção das quotas de participação societária no patrimônio recorrido pelo período de 5 anos; b) a posição consolidada no STJ é favorável à aplicação da isenção do Decretolei n.º 1.510/1976, se o contribuinte tiver cumprido com a aludida consição de isenção, ainda que a alienação das ações ocorra após a revogação da norma isentiva; c) o Recurso da Fazenda não apresentou qualquer argumento contrário referente à extensão da isenção do IRPF às ações bonificadas, o entendimento do v. acórdão proferido pelo E. Fl. 820DF CARF MF 4 CARF nos presentes autos restou sedimentado, não havendo que se falar em qualquer nova discussão em relação a esse tema. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade A divergência jurisprudencial suscitada, conforme narrado, tem como objeto a rediscussão sobre à interpretação do art. 4º, "d", do Decretolei n.º 1.510/1976, especificamente quanto o direito adquirido à isenção prevista no referido dispositivo, no caso de alienação de participações societárias realizadas após sua revogação, pela Lei n.º 7.713/1998. Acerca do tema, o Acórdão recorrido consignou o seguinte entendimento: Desse modo, não deve subsistir o lançamento, haja vista que tem por objeto unicamente parcela de participação societária adquirida pelo RECORRENTE até 31/12/1983, também não merecendo prosperar a tributação de qualquer bonificação correspondente a tal participação que tenha ocorrido após a data 31/12/1983. Alega a recorrida a ausência de contrariedade da Fazenda, em seu Recurso Especial, à extensão da isenção às ações bonificadas, não cabendo discussão em relação a esse tema. A Fazenda Nacional, em seu pleito, consoante se extrai dos paradigmas, bem como do Despacho de Admissibilidade, de fato, não questionou especificadamente à alienação das bonificações das ações, tratando das alienações das participações acionárias, de um modo geral. Tal situação ocorreu pelo fato de que a Fazenda partiu de uma premissa maior, que foi o não reconhecimento do direito à isenção na alienação das participações societárias realizadas após a revogação do Decreto n.º 1.510/1976, mesmo cumpridos os requisitos necessários ao gozo do direito à isenção durante sua vigência. Assim, por uma questão de lógica, não havendo direito à isenção às participações acionárias, não haveria direito à isenção às bonificações, pois, somadas as ações originárias, também fazem parte das participações. Dessa forma, considerando o pedido da Fazenda no sentido do restabelecimento do lançamento em sua integralidade, bem como todos os fundamentos acerca da impossibilidade do reconhecimento do direito à isenção, entendo que a matéria encontra se em discussão, sendo a referida isenção não inaplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10880.723540/201545 Acórdão n.º 9202007.149 CSRFT2 Fl. 4 5 Acerca do tema, aplico, na íntegra, o Ato Declaratório PGFN n.º 12, de 25 de junho de 2018, que assim dispõe: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” Desse modo, adquiridas as ações e as bonificações adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, ainda que a alienação tenha ocorrido após a revogação da lei concessiva do direito à isenção. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe parcial provimento para restabelecer a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz . Fl. 822DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938366/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 66 /2 01 1- 81 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938366/201181 Acórdão n.º 3401005.275 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.938366/201181 Acórdão n.º 3401005.275 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.938366/201181 Acórdão n.º 3401005.275 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.938366/201181 Acórdão n.º 3401005.275 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900299/2008-60
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 10280.903727/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITOS DE COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS DE COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 27 /2 01 2- 47 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10280.903727/201247 Acórdão n.º 3301004.959 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS não cumulativa/o. Intimada a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através de Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimando a apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.903727/201247 Acórdão n.º 3301004.959 S3C3T1 Fl. 4 3 A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 01029.127. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.952, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.952): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10280.903727/201247 Acórdão n.º 3301004.959 S3C3T1 Fl. 5 4 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900600/2006-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DIREITO CREDITÓRIO. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO.
Os valores das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, tais quais os indicados nas notas fiscais anexadas aos autos pelo contribuinte, são admitidos como propiciadores de crédito do imposto.
Numero da decisão: 3002-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DIREITO CREDITÓRIO. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. Os valores das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, tais quais os indicados nas notas fiscais anexadas aos autos pelo contribuinte, são admitidos como propiciadores de crédito do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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DIREITO CREDITÓRIO. INSUMOS. Recorrente ESFERA ESTAMPARIA DE FERRO E AÇO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DIREITO CREDITÓRIO. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. Os valores das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, tais quais os indicados nas notas fiscais anexadas aos autos pelo contribuinte, são admitidos como propiciadores de crédito do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 174/177 dos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 06 00 /2 00 6- 11 Fl. 193DF CARF MF 2 Trata o presente processo de requerimento, formulado via quatro PER/DCOMPs, impressos às fls. 02/92, transmitidos no período compreendido entre 15/09 e 15/12/2003 e que indicam, para fins de compensação, suposto direito creditório apontado como sendo correspondente a ressarcimento de IPI, referente ao 4º trimestre de 2002, na quantia de R$ 36.942,53 (valor do crédito solicitado/utilizado). A análise do requerimento em apreço se deu de maneira automática, através do Sistema de Controle de Créditos e Compensações SCC, tendo redundado na emissão do Despacho Decisório eletrônico de fl. 021, emitido em 20/05/2008, o qual terminou por reconhecer, do total do crédito pretendido, apenas R$ 29.591,05. Inconformado com a decisão administrativa, o contribuinte apresentou dentro do prazo legal a manifestação de inconformidade de fl. 94, na qual alega, em síntese, ter deixado, por equívoco, de informar valores de notas fiscais relativas às aquisições feitas fora do estado (CFOP 2.11) e constantes da ficha correspondente às Notas Fiscais de Entrada/Aquisição, na ficha de Entradas do Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI, quando do preenchimento da primeira DCOMP transmitida, e requer a baixa do valor cobrado através do presente processo, uma vez que estaria sendo comprovado, por meio da cópia do RAIPI (anexada às fls. 95/114), que os créditos pleiteados seriam suficientes para suportar os valores informados nas DCOMPs apresentadas. Com base nas alegações do interessado e em consultas feitas aos sistemas da RFB (fls. 138/142), o relator original do presente processo, por meio do Despacho anexado às fls. 144/146, expressou o entendimento de que seria necessária a realização de diligência junto à repartição fiscal de origem, com vistas a permitir melhor compreensão das razões que levaram ao reconhecimento parcial do direito creditório e, assim, subsidiar o julgamento administrativo. Tal entendimento foi ratificado pelo Despacho de fls. 148/149, no qual este relator solicitou também manifestação da unidade preparadora a respeito da glosa imposta, no montante de R$ 7.351,48. As providências solicitadas foram efetivadas, tendo a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF/Divinópolis, após realizar os exames que entendeu oportuno, elaborado o documento de fls. 159/162, do qual extraímos as informações que seguem abaixo transcritas: (...) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10665.900600/200611 Acórdão n.º 3002000.285 S3C0T2 Fl. 194 3 Fl. 195DF CARF MF 4 Tendo sido cientificado dos resultados da diligência efetuada, o contribuinte não apresentou qualquer pronunciamento a respeito. Além dos documentos mencionados no relatório supra, o contribuinte apresentou: i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 115/135); ii) notas fiscais relacionadas (fls. 150/159). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10665.900600/200611 Acórdão n.º 3002000.285 S3C0T2 Fl. 195 5 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. O valor do saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo real apurado no trimestre, descontados os valores de pedidos de ressarcimento/compensação deferidos, relativos a trimestres anteriores, bem como a amortização de débitos escriturais do IPI, e limitado ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e a data de apresentação do pedido. DIREITO CREDITÓRIO. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. Apenas os valores das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem são admitidos como propiciadores de crédito do imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 173/179) consignou que a homologação parcial se deu em razão de que, conforme levantamento realizado pela SAORT, outras DCOMPs transmitidas pelo contribuinte, após a transmissão da que contém o pleito inicial, quando processadas pelo sistema SCC, consumiram parte do crédito disponível para compensação. Além disso, o equívoco informado pelo contribuinte, sobre a não indicação das notas fiscais de aquisições realizadas fora do estado, não ensejou o reconhecimento do direito creditório. Isto porque, analisada tal documentação fiscal (fls. 150/158), a primeira instância entendeu não se enquadrarem os produtos adquiridos no conceito de insumos aptos a gerarem crédito de IPI, conforme previsão do artigo 164, I, do RIPI/2002, do artigo 25 da Lei 4.502/1964, e do Parecer Normativo CST nº 65/1979, votando, assim, pela improcedência da manifestação de inconformidade. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/06/2016 (vide termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 184 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 28/06/2016 (vide Termo de análise de solicitação e juntada à fl. 191), Recurso Voluntário (fls. 186/187). Em seu recurso, o contribuinte apresentou os seguintes argumentos: Que não foi em nenhum momento observado pelo relator qual é a atividade exercida pela recorrente, tendo o mesmo julgado que as mercadorias seriam utilizadas na manutenção das instalações fabris. Assim por não atentar a este fato, todo o contexto ficou prejudicado. Que a recorrente tem como atividade econômica principal a Fabricação de equipamentos de transporte não especificados anteriormente – CNAE 30.99 7.00, Carrinhos de tração manual, de ferro, para construção, NCM 8716.90.00 Ex 01, ora, neste caso utilizase integralmente dos insumos objeto da inconformidade; Que todos os insumos adquiridos através das notas fiscais são utilizados na fabricação dos Carrinhos, o que daria direito à recorrente aos créditos de IPI, por se tratarem de matérias primas e produtos intermediários, conforme artigo 226 do Decreto 7.212/2010. Que, no intuito de comprovar o exposto, anexa aos autos a ficha técnica da fabricação dos Carrinhos (fls. 188/190 dos autos), a qual demonstra claramente que os insumos classificados pelo relator como “peças de Fl. 197DF CARF MF 6 reposição incorporadas a maquinário” são efetivamente matérias primas e produtos intermediários; Que, à luz desta ficha técnica, resta demonstrado o erro de fato cometido pelo relator na interpretação da matéria. Pediu, ao fim, o reconhecimento da insubsistência da decisão e o cancelamento do débito fiscal. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se extrai da narração acima, o cerne da presente contenda gira em torno da análise do direito creditório ou não do contribuinte no que tange aos produtos constantes das notas fiscais anexadas juntamente com a manifestação de inconformidade, às fls. 150/158 dos autos. A DRJ entendeu que os produtos em referência, adquiridos por meio da referida nota fiscal, não se enquadravam no conceito de insumos aptos a gerarem crédito de IPI, em razão do disposto no artigo 164, I, do RIPI/2002, do artigo 25 da Lei 4.502/1964, e do Parecer Normativo CST nº 65/1979. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada: (...) Por outro lado, no relato fiscal consta a confirmação de que o equívoco alegado pelo interessado se deu por ter ele, de fato, deixado de indicar as notas fiscais com CFOP 2.11 (aquisições efetuadas fora do estado) na ficha de Entradas do Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI, o que terminou por acarretar a sua desconsideração no processamento e, daí, a redução do saldo credor a ressarcir. Nesse cenário, passa a ser imprescindível para o deslinde da controvérsia efetivar análise a respeito dos referidos itens, posto que o contribuinte, na medida em que incorreu no citado equívoco, trouxe a baila circunstâncias materiais ainda não consideradas. Sendo assim, cumpre consignar de plano que o exame dos referidos documentos fiscais (anexados às fls. 150/158) comprovam a aquisição de produtos que não se enquadram no conceito de insumos (matériaprima e produto intermediário) aptos a propiciarem direito creditório de IPI. São eles: tintas, câmaras de ar, pneus e peças de reposição em geral, tais como parafusos e porcas, entre outros. A respeito do assunto, o RIPI/2002, no inciso I do seu art. 164 (art. 25 da Lei nº 4.502, de 1964), repetindo dispositivo já contemplado nas edições anteriores do regulamento do IPI, esclarece que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário apenas os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10665.900600/200611 Acórdão n.º 3002000.285 S3C0T2 Fl. 196 7 Interpretando o inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde ao supramencionado inciso I do art. 164 do RIPI/2002, o Parecer Normativo CST n° 65/19792, esclarece que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI, havendo que restar demonstrado que esses insumos integraram o produto final ou foram consumidos ou se desgastaram em contato físico direto com estes mesmos produtos, para que se possa admitir o crédito em questão. Dessa forma, materiais como os que acima listados caracterizamse como peças de reposição incorporadas a maquinário, que se consomem lentamente durante o processo industrial, o que denota estarem submetidos ao desgaste normal, decorrente de uso, devendo receber o mesmo tratamento dispensado aos bens aos quais se incorporam (parafusos, porcas, etc.), ou possuem características atinentes a material a ser utilizado na manutenção das instalações fabris (tinta) ou à utilização de equipamentos que não tem relação com o processo industrial (câmaras de ar e pneus). Ante o exposto, VOTO pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte se insurge quanto a tal ponto, ressaltando que todos os insumos adquiridos através das referidas notas fiscais são utilizados na fabricação dos Carrinhos, o que, segundo defende, lhe conferiria direito aos créditos de IPI, por se tratarem de matérias primas e produtos intermediários, nos termos do que preconiza o artigo 226 do Decreto 7.212/2010. No intuito de comprovar o alegado, anexou aos autos a ficha técnica da fabricação dos carrinhos (vide fls. 188/190 dos autos). Ao analisar o caso, entendo que assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Consoante já fora objeto da diligência realizada nestes autos, cuja passagem transcrevo a seguir, a diferença objeto da presente contenda corresponde exatamente aos valores indicados nas referidas notas fiscais anexadas aos autos pelo contribuinte: Fl. 199DF CARF MF 8 Restanos, portanto, avaliar se a entrada dos produtos indicados nas referidas notas fiscais conferem ao recorrente direito a crédito de IPI. Para fins de comprovar o seu direito, o contribuinte anexou à manifestação de inconformidade as notas fiscais referidas, as quais já foram objeto de diligência nos moldes acima indicados. Agora, em seu recurso voluntário, apresentou, no intuito de reforçar o seu argumento e de afastar a conclusão a que chegou a DRJ, a ficha técnica da fabricação dos carrinhos (vide fls. 188/190 dos autos), no intuito de comprovar que os itens ali relacionados incorporamse ao produto que industrializado pela empresa recorrente. Da análise de tais documentos, confirmase o afirmado pelo contribuinte. Observese, por exemplo, a ficha técnica anexada à fl. 188 dos autos. Na composição do carro carga 200kg, consta como componente integrante os seguintes itens: MP00000057 PNEU IMPORTADO 2,000 unid. MP00000114 CÂMARA AR 3.25 X 8 2,000 unid. MP00000084 ARRUELA LISA ZINCADA 1" 2,000 unid. MP00000080 ARRUELA LISA POLIDA 1" (USO NA SOLDA) 2,000 unid. MP00000138 ARAME MIG 1,0 MM ER70S6 0,066 kg MP00000121 TINTA PO POLITHERM 12 CINZA N6,5 SB FABRICANTE: WEG TINTAS 0,240 kg Ao observar os produtos objeto das notas fiscais, verificase a correlação existente entre os mesmos com os componentes do mencionado carro. A título exemplificativo, mencionese a nota fiscal anexada à fl. 150 dos autos, emitida pela empresa WEG, a qual, conforme consta da sua descrição, corresponde à compra de tinta politherm híbrido cinza. Resta confirmado, portanto, que tal produto, ao contrário do que entendeu a DRJ, não se destina à manutenção das instalações fabris. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10665.900600/200611 Acórdão n.º 3002000.285 S3C0T2 Fl. 197 9 É importante mencionar que é possível se chegar à mesma conclusão no que tange às demais notas fiscais anexadas, afastandose, assim, a conclusão disposta na decisão recorrida de que os produtos referidos caracterizariamse como peças de reposição incorporadas a maquinário ou possuiriam características atinentes a material a ser utilizado na manutenção das instalações fabris (tinta) ou à utilização de equipamentos que não tem relação com o processo industrial (câmaras de ar e pneus). Percebese, em verdade, que a análise realizada pela fiscalização apresentase desassociada com a atividade desempenhada pela empresa e o seu processo produtivo, pelo que merece reforma. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito creditório objeto da presente contenda, determinandose que seja realizada a homologação da compensação apresentada no limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.002364/2007-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. CABIMENTO.
Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de vigilância, assim também considerados aqueles realizados mediante monitoramento remoto de residências e estabelecimentos.
RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI POSTERIOR QUE ADMITE ATIVIDADE ANTERIORMENTE VEDADA. INAPLICABILIDADE.
Inadmissível a aplicação retroativa de norma mais benéfica que altera hipóteses de vedação a opção pelo SIMPLES à situação dos autos, pois inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106 do CTN.
Aplicação da Súmula CARF nº 81
Numero da decisão: 1002-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. CABIMENTO. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de vigilância, assim também considerados aqueles realizados mediante monitoramento remoto de residências e estabelecimentos. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI POSTERIOR QUE ADMITE ATIVIDADE ANTERIORMENTE VEDADA. INAPLICABILIDADE. Inadmissível a aplicação retroativa de norma mais benéfica que altera hipóteses de vedação a opção pelo SIMPLES à situação dos autos, pois inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106 do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 81
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EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. CABIMENTO. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de vigilância, assim também considerados aqueles realizados mediante monitoramento remoto de residências e estabelecimentos. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI POSTERIOR QUE ADMITE ATIVIDADE ANTERIORMENTE VEDADA. INAPLICABILIDADE. Inadmissível a aplicação retroativa de norma mais benéfica que altera hipóteses de vedação a opção pelo SIMPLES à situação dos autos, pois inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106 do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 81 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 23 64 /2 00 7- 69 Fl. 155DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Trata o presente processo, de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme Despacho Decisório Saort n° 1.691, de 2007 (fls. 113/116), com efeitos a partir de 01/01/2005, por realizar operações relativas à prestação de serviços de vigilância, atividade vedada pela Lei n° 9.317, de 1996, art. 9°, XII, f, e IN SRF n° 608, de 2006, XI, e. A interessada ciente da exclusão, em 17/01/2008, conforme consta no aviso de recebimento postal de fl. 122v, apresentou sua manifestação de inconformidade em 15/02/2008 (fl. 124 e 135), argumentando, em síntese, o que segue: . Conforme citado na fundamentação do despacho decisório, o contribuinte cumpriu as obrigações acessórias pertinentes ao ingresso no Simples Federal a partir de 01/01/2005. . Na realidade a empresa não realiza serviços de vigilância propriamente dita com emprego de mão de obra especializada e credenciada para tanto, apenas, instala equipamentos de segurança para monitoramento. . A simples observância do nome de fantasia Advance Segurança Eletrônica) não pode, por si só, caracterizar a atividade desenvolvida pela empresa. . Há ainda que se observar que com o advento do Simples Nacional, a referida atividade é perfeitamente enquadrada no Simples. . Salvo melhor juízo, entendese como serviço de vigilância aquele desenvolvido com mão de obra especializada, treinada, credenciada e apta a exercer inclusive serviços de segurança. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10825.002364/200769 Acórdão n.º 1002000.367 S1C0T2 Fl. 156 3 . Portanto, de conformidade com os direito que lhe são assegurados legalmente, interpõe a presente manifestação de inconformidade, requerendo à Delegacia de Julgamento a consideração dos fatos, revogação da decisão constante de despacho decisório, por medida de inteira justiça, considerando, ainda, a inexistência de débitos do contribuinte. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 14.21.984, de 21 de janeiro de 2008 (efl. 141), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. VEDAÇÃO. As pessoas jurídicas que realizam operações relativas à prestação de serviços de vigilância, por exercerem atividade vedada pela legislação tributária, estão impedidas de optar pelo Simples Federal. Inconformado com a decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, em síntese, reafirma os fundamentos de fato e de direito apresentados na Manifestação de Inconformidade, mediante os seguintes argumentos (in verbis): 1) O contribuinte já explanou seus motivos e argumentações constantes da manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado de Julgamento da Receita Federal, cf. constante das fls.138 dos autos. 2) O contribuinte optou, cumpriu obrigações acessórias, o fisco durante todo o período aceitou os recolhimentos, acatou a entrega de Declarações de Imposto de Renda na modalidade de Simples. 3) Conforme alega no relatório a interessada tomou ciência da suposta exclusão somente em 17/01/2008. 4) Apesar da citada ciência ter ocorrido somente em 2008, a intimação é para regularização já desde 01/01/2005 até 31/06/2007, fato que a impetrante não com corda. Ao final requer a reforma da decisão proferida na instância de origem e o deferimento do pleito. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme consta dos autos, o ora Recorrente foi excluído de ofício do Simples Federal mediante decisão da autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Bauru/SP por ter prestado serviços de vigilância, atividade vedada ao ingresso/permanência neste sistema, com efeitos a partir de 01/01/2005, decisão essa corroborada pelo Acórdão de Impugnação n. 14.21.984 exarado pela DRJ/RPO. A base legal da exclusão consta do artigo 9°, inciso XII, alínea "f" da Lei n° 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: a) (...) (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Analisando o Recurso Voluntário, constato que o Recorrente não inova na sua argumentação, mas apenas ratifica os argumentos e fundamentos de fato e de direito apresentados na Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela instância a quo. Considerando que a parte não apresenta novas razões de defesa e que esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/RPO, peço vênia para, de acordo com o § 3° do artigo 57 da Portaria MF n° 343/2015 RICARF e §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, extrair trechos daquela decisão onde constam os fundamentos do indeferimento do pleito do contribuinte para adotálos como razões de decidir, complementandoos ao final: Constam dos diversos contratos de prestação de serviços de monitoramento, juntados às fls. 51/ 107, que esses têm como objeto a prestação de serviços de monitoramento remoto de equipamentos eletrônicos de alarme, através de linha telefônica, rádio freqüência ou telefonia celular, pela CONTRATADA AO CONTRATANTE, devendo a contratada prestar, durante o prazo da contratação, serviços de captação dos sinais provenientes do painel de alarme, mediante aqueles equipamentos, de forma ininterrupta com objetivo de receber sinais de emergência na central de operações utilizada pela contratada, por ocasião do acionamento do sistema de alarme instalado no local Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10825.002364/200769 Acórdão n.º 1002000.367 S1C0T2 Fl. 157 5 monitorado, bem como, efetivar as medidas e procedimentos constantes da ficha de monitoramento. Tratase de atividade em relação a qual já foram formuladas diversas consultas junto às autoridades competentes de diversas Superintendências Regionais da Receita Federal SRRF. Citese a título de exemplo a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 234, de 29 de agosto de 2005, cujos fundamentos foram os seguintes: 5. Conforme a descrição do serviço de monitoramento de alarmes contida na petição, verificase que as atividades a serem desenvolvidas pela empresa caracterizam prestação de serviço de vigilância. Inobstante a inexistência de ação ostensiva, a empresa, ao verificar algum sinal de alarme, comunica o cliente ou envia um inspetor técnico de vistoria ao local e, não se constatando problema técnico, incumbese de comunicar o cliente ou os órgãos públicos competentes. A descrição da atividade desenvolvida conduz ao sentido de vigilância. (grifei) 6. A Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que regula o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, em seu art. 9°, inciso XII, alínea 'f”, estabelece: Art. 9°Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) j) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra. ( grifei) 7 O serviço de monitoramento de alarmes descrito na petição, por caracterizar prestação de serviço de vigilância, impede a consulente de permanecer no Simples, conforme expressa vedação prevista na alínea 'f" do inciso XII do art. 9°da Lei n° 9.31 7, de 1996. (...) A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, porquanto os fundamentos jurídicos da exclusão estão em consonância com a legislação regente da matéria e porque o exercício da atividade vedada serviços de vigilância ficou comprovado nos contratos de prestação de serviço e em farta documentação fiscal acostada dos autos. Inobstante a escorreita análise da DRJ/RPO, complementoa, aprofundando a análise sobre um ponto fundamental levantado pelo Recorrente, que referese ao argumento segundo o qual "com o advento do Simples Nacional, a referida atividade é perfeitamente enquadrada no Simples." Fl. 159DF CARF MF 6 Não tem razão o Recorrente quanto ao tema questionado, porque é inaplicável a retroatividade de lei tributária mais benéfica, regida pelo artigo 106 do CTN1, à situação de que cuida os autos, posto que, ainda que a restrição impeditiva de ingresso ao Simples Federal, prevista na lei nº 9.317/96, tenha sido afastada pela Lei Complementar nº 123/2006, os efeitos retroativos desta Lei serlheiam aplicáveis somente nas hipóteses previstas naquele artigo, o que efetivamente não ficou demonstrado nos autos. A uma, porque, obviamente, a referida lei não tem caráter interpretativo; a duas, porque a matéria examinada não tem natureza penal de modo a afeiçoarse às alíneas "a" e "b" do inciso II do artigo 106 do CTN, eis que a exclusão do Simples não é penalidade, mas sim uma ação cogente de agente público que constata descumprimento de requisito obrigatório legalmente previsto para a adesão/permanência naquele sistema optativo de tributação simplificado; a três, porque a opção indevida pelo Simples Federal resultou (ou teria resultado) na falta de pagamento de tributos por parte do contribuinte, afastando a possibilidade de incidência da alínea "c" do inciso II do artigo 106 do CTN ao presente caso. Ademais, em reforço ao entendimento aqui manifestado, registro a existência de Súmula no âmbito deste CARF que caminha no mesmo sentido: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.902397/2005-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CRÉDITO.
Erro na declaração de compensação. DIPJ es DCTF não foram retificadas. Ausência de provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, bem como ausência de informações e provas de como o novo cálculo foi realizado pela contribuinte
Numero da decisão: 1003-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CRÉDITO. Erro na declaração de compensação. DIPJ es DCTF não foram retificadas. Ausência de provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, bem como ausência de informações e provas de como o novo cálculo foi realizado pela contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 23 97 /2 00 5- 62 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11080.902397/200562 Acórdão n.º 1003000.145 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1016.703, de 24 de julho de 2008, da 5ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por economia processual e em razão de concordar com as colocações constantes na decisão da DRJ, destacase, abaixo, o seu Relatório: Tratase despacho decisório eletrônico (DDE) que indeferiu pedido de restituição (fls. 01) de valor recolhido mediante Darf. De acordo com o DDE, todo o valor do Darf foi utilizado pela interessada para pagamento de débito declarado em DCTF. A interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 06) alegando que: o recolhimento realizado, embora de acordo com os valores informados na DIPJ e nas DCTF, representa pagamento a maior; a existência do crédito independe de valores informados nas declarações; e o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Esse pagamento é comprovado a partir das guias DARF's, devidamente autenticadas pela instituição que recebeu o pagamento. Nesse sentido, todos os valores compensados possuem a respectiva guia DARF, legitimandolhe o crédito. A manifestação veio desacompanhada de documentos relacionados com o alegado crédito. O acórdão de nº 1016.703 julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 1999 PAGAMENTO V1N CU LAD 0 A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA DA INEXISTÊNCIA DO DÉBITO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese a restituição de pagamento vinculado a débito declarado em DCTF, uma vez que não restou provado tal débito inexiste ou foi declarado a maior. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que seu direito creditório advem do pagamento a maior da CSLL da competência de maio de 1999, que era calculado pela estimativa mensal. Afirma ter declarado na DCTF que devia, à época, o valor de R$ 95.411,00 e efetuou o pagamento via DARF do referido valor, contudo informa que o valor informado estava incorreto e foi declarado a maior do que efetivamente devido, porém não efetuou a retificação da declaração; Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11080.902397/200562 Acórdão n.º 1003000.145 S1C0T3 Fl. 4 3 (ii) que o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da Recorrente, qual seja, ter deixado de retificar a DCTF, não pode acarretar a perda do seu direito, pois não é a Declaração de valores em DCTF que origina o crédito, mas sim o pagamento do DARF; (iii) que o processo administrativo é nulo, porque os fatos e argumentos jurídicos do acórdão não possuem congruência com os fatos efetivamente ocorridos e estão despidos de clareza e precisão. (iv) Por fim, requereu a homologação das compensações requeridas. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. O pedido de ressarcimento ou restituição Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 08846.31386.150903.1.3.041263 foi transmitido em 15/09/2003. Uma vez que a Receita Federal não identificou nenhum crédito a ser compensado em nome da Recorrente, em 12/02/2008, proferiu Despacho Decisório negando a homologação da compensação declarada. Em sua manifestação de inconformidade a Recorrente declara ter realizado a declaração de compensação por ter identificado pagamento a maior referente à CSLL da competência de maio de 1999, calculada por estimativa mensal, contudo não retificou a DCTF. Conforme declarações da Recorrente, ela não efetuou a retificação nem da DCTF nem da DIPJ. Logo, era impossível à autoridade administrativa identificar eventual crédito em nome da empresa, quando da emissão do Despacho Decisório. Na impugnação da recorrente reafirma a existência do crédito, porém a defesa foi protocolada sem qualquer prova. Era dever a Recorrente colacionar aos autos documentos que demonstrem o equívoco no cálculo do imposto, visto que com a ausência de retificação das declarações é impossível para a autoridade pública identificar a incorreção do cálculo e o valor efetivo de eventual crédito. A mera alegação desprovida de provas torna impossível a análise das alegações da Recorrente. Importante esclarecer que não se está retirando do DARF a prova do recolhimento a maior. Tal documento é, de fato, indispensável para comprovar o direito, contudo ele precisa estar acompanhado de outros documentos que demonstrem o cálculo realizado e o equívoco identificado no período em análise. Sendo assim é imprescindível para a solução da questão e identificação quanto ao crédito, que a Recorrente tivesse colacionado aos autos documentos contábeis Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11080.902397/200562 Acórdão n.º 1003000.145 S1C0T3 Fl. 5 4 suficientes que demonstrassem o equívoco no cálculo do imposto, bem como o novo cálculo considerando ter identificado o erro. Compete à Recorrente demonstrar que o débito a que ela mesma vinculou o pagamento é de valor menor do que o declarado. No entanto, a Recorrente nem ao menos informou ou esboça o menor indício de prova, limitandose a apenas declarar o direito, nem mesmo a guia DARF em questão foi colacionada. A Recorrente poderia ter apresentado essa documentação no prazo do Recurso Voluntário, haja vista que a tendência dos julgadores é permitir a juntada de documentos, desde que obedecido o prazo para recorrer. Porém, mais uma vez, a Recorrente deixou de trazer aos autos quaisquer provas que pudessem corroborar com suas alegações. Quanto ao ônus da prova, vejamos a legislação pertinente: DECRETO Nº 70.235, DE 1972 PAF Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]LEI Nº 9.784, DE 1998 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. LEI Nº 5.869, DE 1973 CPF Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Nesse compasso, inexistente no processo as provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, nem provas de como o novo cálculo foi realizado pela mesma. Diante do exposto, os créditos apontados na DCOMP, não restaram comprovados nos presentes autos, razão pelo qual está correta a decisão de piso. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.004460/2003-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AGRAVAMENTO DA MULTA.
O desatendimento ao Termo de intimação desprovido de justificativa acerca da eventual impossibilidade de atendimento, diante da inexistência de inversão do ônus da prova, afeta diretamente a atividade fiscal, razão pela qual deve ser restabelecida a aplicação da multa agravada.
Numero da decisão: 9202-007.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. No mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer o agravamento da multa relativamente ao ganho de capital, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AGRAVAMENTO DA MULTA. O desatendimento ao Termo de intimação desprovido de justificativa acerca da eventual impossibilidade de atendimento, diante da inexistência de inversão do ônus da prova, afeta diretamente a atividade fiscal, razão pela qual deve ser restabelecida a aplicação da multa agravada.
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PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AGRAVAMENTO DA MULTA. O desatendimento ao Termo de intimação desprovido de justificativa acerca da eventual impossibilidade de atendimento, diante da inexistência de inversão do ônus da prova, afeta diretamente a atividade fiscal, razão pela qual deve ser restabelecida a aplicação da multa agravada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. No mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer o agravamento da multa relativamente ao ganho de capital, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 44 60 /2 00 3- 91 Fl. 401DF CARF MF 2 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201002.808 proferido pela Primeira Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 28 de janeiro de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 297: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS DE MÊS ANTERIOR PARA COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DO MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 9202007.181 CSRFT2 Fl. 3 3 o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. RENDIMENTOS LANÇADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, confirmados tacitamente pelo Fisco, e os rendimentos omitidos e lançados, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Reduzse o percentual da multa de ofício para 75%, uma vez que a falta de atendimento a intimação não prejudicou a elaboração do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 311 a 324, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 103 a 104, para rediscutir a decisão recorrida no que se refere ao agravamento da multa. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) a decisão recorrida considerou incabível o agravamento da multa, pois a "a não apresentação das origens dos depósitos ou a falta de apresentação de justificativa hábeis e idôneas pela falta de pagamento do Ganho de capital não obstaram o procedimento fiscal, pelo contrário, tal conduta autorizou o lançamento de ofício"; b) é cediço que a norma ao determinar o agravamento não exige demonstração de prejuízo para a imposição do percentual ali discriminado, muito menos que essa demonstração seja realizada pela Fazenda Pública; c) é de evidência solar que a norma pretende punir o contribuinte que não colabora com o Fisco, consubstanciando materialização do princípio da igualdade; d) quanto ao agravamento da multa pelo não atendimento às intimações, não ficou comprovado no feito motivo de força maior que impedisse o contribuinte de atendêlas tempestivamente. A omissão do sujeito passivou ficou Fl. 403DF CARF MF 4 devidamente caracterizada, pois não apresentou os extratos bancários e demais documentos solicitados pela Fiscalização; e) por todos os motivos expostos, deve prevalecer o entendimento exarado no acórdão paradigma, uma vez que se mostra correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, sustentando, em síntese, que: a) no paradigma apontado pelo Recorrente, consta a existência de prejuízo à ação fiscal, já que toda a documentação necessária à autuação teve de ser obtida mediante circularização, o que constituiu ônus adicional ao trabalho fiscal; b) no caso em debate, não houve prejuízo à ação fiscal, diferentemente ao apontado no acórdão n.º 9202003676; c) a fiscalização já tinha conhecimento das informações que permitiam a atuação do contribuinte, ou seja, todas as informações para a lavratura do auto de infração já estavam em poder da Receita Federal, portanto, não fez a menor diferença o não atendimento à intimação; d) requer a manutenção do acórdão recorrido. Cumpre registrar que os presentes autos já foram analisados pela Câmara Superior, ocasião na qual foi afastado o reconhecimento da decadência e determinado o retorno dos autos ao colegiado a quo para a análise das demais matérias. Com o julgamento pela Turma Ordinária, foi interposto novamente Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda com pedido de reanálise de várias matérias, contudo foi admitida apenas a rediscussão da multa aplicada, conforme já mencionado. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Alega o Contribuinte a ausência de similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. Aduz que, no paradigma indicado pelo Recorrente, consta a existência de prejuízo à ação fiscal, em decorrência do não atendimento à intimação, tendo em vista que toda a documentação necessária à autuação teve de ser obtida mediante circularização, constituindo ônus adicional ao trabalho fiscal. E, no caso em debate, a ausência de resposta a intimação não ocasionou prejuízo à ação fiscal, diferentemente ao apontado no acórdão n.º 9202003676. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 9202007.181 CSRFT2 Fl. 4 5 Sobre o tema, o acórdão Recorrido assim dispôs: Quanto à multa de ofício, observase que, na espécie, o agravamento da penalidade ao percentual de 112,5% não se coaduna com as disposições do art. 44, § 2° da Lei n° 9.430, de 1996, porquanto, neste caso, a fiscalização já tinha conhecimento das informações que permitiam a autuação do contribuinte. Registrese que a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o Fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. É evidente, portanto, que a não apresentação das origens dos depósitos ou a falta de apresentação de justificativa hábeis e idôneas pela falta de pagamento do Ganho de capital não obstaram o procedimento fiscal, pelo contrário, tal conduta autorizou o lançamento de ofício. Assim, no tocante à multa de ofício, não cabe ser exigida com o agravamento aplicado, devendo o percentual da penalidade ser reduzido de 112,5% para 75%. Constou do paradigma o seguinte entendimento: Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 80, o Contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos, o que por si só já constitui descumprimento ao dispositivo legal acima, que em momento algum ressalva a necessidade de demonstração de prejuízo à autuação. Ademais, no presente caso obviamente houve prejuízo à ação fiscal, já que toda a documentação necessária à autuação teve de ser obtida mediante circularização, o que constitui ônus adicional ao trabalho fiscal. Pelo que se extrai dos trechos transcritos, não assiste razão ao Recorrido em seus argumentos, pois o acórdão recorrido considerou que o agravamento da multa de ofício somente deve ocorrer nos casos em que a conduta do sujeito passivo esteja associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal; já o paradigma tem como razão de decidir a desnecessidade da existência de prejuízo para o agravamento da multa. Portanto, demonstrada a divergência jurisprudencial, conheço do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda. 2. Da multa aplicada. Com relação à multa aplicada, a Recorrente pleiteia a reforma da decisão recorrida com a manutenção do agravamento da multa sob o fundamento de que a norma ao Fl. 405DF CARF MF 6 determinar o agravamento não exige demonstração de prejuízo para a imposição do percentual ali discriminado, muito menos que essa demonstração seja realizada pela Fazenda Pública. Em decorrência do não atendimento da intimação, o imposto apurado foi acrescido da multa de embaraço à fiscalização, definida no inciso I, § 2º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(...). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...). Com a interpretação finalística da norma regente do tema, depreendese que a possibilidade de agravamento da multa decorre da necessidade de desestimular o comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza e imperiosidade das atividades desenvolvidas pela administração tributária, em obediência ao dever de colaboração. Contudo, quando há descumprimento da intimação por parte do Contribuinte, na hipótese específica da aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, no que se refere à demonstração da origem dos depósitos bancários, tal conseqüência mostrase tão gravosa ao contribuinte que o agravamento da multa perde o sentido. Assim, a própria presunção se perfaz em instrumento hábil a desestimular a conduta do sujeito passivo de não colaborar com o fisco, transferindo para ele o ônus da prova, de modo que a omissão de rendimentos, por si só, quando não elidida, consubstanciase em exigência mais severa que o próprio agravamento. Portanto, diante de uma única conduta, ausência de atendimento à intimação fiscal para comprovação da origem dos depósitos, estariam sendo aplicadas duas penalidades: inversão do ônus da prova com a presunção legal de omissão de rendimentos e o agravamento da multa, o que seria, de fato, desarrazoado. Ao meu ver, tendo em vista que não há hierarquia entre princípios, o princípio da legalidade deve ser ponderado com o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e, também, do interesse público, pois a União não tem interesse em invadir a esfera patrimonial do sujeito passivo, de forma desarrazoada, mas sim de arrecadar os tributos devidos e desestimular condutas contrárias ao serviço de arrecadação. Ora, se a simples presunção legal atende ao interesse da Fazenda, não há razão jurídica para a aplicação do agravamento da multa, inclusive, por inexistir prejuízo algum à fiscalização, nesse caso, já que resta afastado o ônus de demonstrar a constituição do crédito. No que se refere ao não atendimento da intimação para apresentação de comprovantes de aquisição de um imóvel, diante da falta de recolhimento do imposto sobre Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 9202007.181 CSRFT2 Fl. 5 7 o ganho de capital, entendo que deve ser mantido o agravamento da multa, pois se trata de infração distinta da presunção referida anteriormente, na qual o meio coercitivo para a colaboração do contribuinte com o fisco é exclusivamente o agravamento da multa. Assim, considerando que o Contribuinte não atendeu ao Termo de intimação e sequer justificou a eventual impossibilidade de atendimento, bem como não havendo inversão do ônus da prova, de forma que a ausência de colaboração afeta diretamente a atividade fiscal, deve ser restaurada a aplicação da multa agravada. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe parcial provimento para restabelecer a aplicação da multa agravada sobre infração relativa ao ganho de capital. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 407DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.900459/2009-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.359
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 59 /2 00 9- 55 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 63 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 39/43) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 32/35), proferida em sessão de 03 de junho de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 1519.496, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ/SDR), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 14/17) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/02/2009 (efl. 10), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 37255.99966.280105.1.3.044103, transmitido em 28/01/2005, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexistindo direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 11 a 14) [efls. 14/17] contra o Despacho Decisório n.º de Rastreamento 821063688 (fl. 07) [efl. 10], emitido em 18/02/2009, que não homologou a compensação do débito de estimativa mensal de CSLL do período de apuração dezembro/2004, no valor de R$ 7.079,64, declarada na PER/DCOMP Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 64 3 37255.99966.280105.1.3.044103, sob o fundamento de que o crédito utilizado, cujo valor original informado na data da transmissão é de R$ 11.140,02, referese a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. No enquadramento Legal foram citados os art. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 10 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 2005. Na Manifestação de Inconformidade a Contribuinte argui que: a ordem emanada da Medida Provisória n.º 449/2008 ou da IN SRF n.º 600/2005, não pode ser interpretada friamente, tendo em vista que a compensação pretendida para fins de encontro de contas entre débito e crédito se refere a período anterior A vigência das referidas normas; outra ressalva importante que deve ser feita é que a compensação efetuada remonta a período passado, o que não se enquadraria na redação da norma, ou seja, não é débito mensal atual; o que não é permitido é a compensação mês a mês. Em outras palavras, no final do exercício, em caso de ajuste/crédito, a compensação pode ser feita normalmente; o princípio da irretroatividade das leis estatuído na Constituição Federal impede que uma nova lei modifique uma situação já existente (cita jurisprudência do STJ sobre a aplicação do principio da irretroatividade das leis e também jurisprudência do TRF da 4.ª Região referente à compensação); ante o exposto, pede que seja retificado o Despacho Decisório atacado, no sentido de ser homologada a compensação efetuada, em face da imutabilidade da situação anterior a vigência da nova legislação. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 11.140,02, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 65 4 31/10/2004 2484 R$ 70.400,87 30/11/2004 Débitos indevidamente compensados Principal: R$ 7.079,64 Multa: R$ 1.415,92 Juros: R$ 3.924,24 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Argui a contribuinte que a compensação pretendida se refere a período anterior à vigência da IN SRF n.º 600/2005 e da MP n.º 449/2008, portanto, a aplicação de tais dispositivos à sua situação concreta representaria afronta ao Princípio Constitucional da Anterioridade das Leis. A IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, citada pela Contribuinte, e também no enquadramento legal do Despacho Decisório em litígio, em seu art. 10, assim estabelece: Art 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A PER/DCOMP 37255.99966.280105.1.3.044103 foi transmitida em 28/01/2005, portanto, em data anterior à edição das normas supracitadas. Todavia, devese esclarecer que a prescrição contida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n.º 600/2005 já se encontrava no art. 10 da Instrução Normativa n.º 460, de 18 de outubro de 2004 (DOU de 29/10/2004), revogada pela IN SRF n.º 600/2005. Ademais, muito antes da edição das normas acima citadas, que expressamente só autorizam a utilização de valor pago indevidamente, ou a maior, a título de estimativa mensal de CSLL, na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, a impossibilidade de utilização de direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL já era prevista no art. 170 do CTN, por tal crédito carecer de liquidez e certeza. Com relação à MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.491, de 2009, citada pela Contribuinte, não se vislumbra qualquer pertinência com a matéria em litígio. Observese que a referida MP, em seu art. 29, acrescentou o inciso IX ao § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1997, vedando a compensação de débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Contudo, aqui a compensação declarada na PER/DCOMP em comento não foi homologada devido ao crédito utilizado ser referente a pagamento efetuado a título de estimativa mensal de CSLL. Informese ainda que a referida alteração do art. 74 da Lei n.º Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 66 5 9.430, prevista na MP n.º 449/2008, não consta do texto da Lei n.º 11.491, de 2009. Dessa forma, não houve a alegada ofensa ao Princípio Constitucional da Irretroatividade das Leis, e não há qualquer reparo a fazer no Despacho Decisório em litígio, por estar em consonância com as normas de regência. Ante o exposto, VOTO por INDEFERIR a manifestação de inconformidade, MANTENDO o Despacho Decisório n.º de Rastreamento 821063688, que NÃO RECONHECEU o direito creditório pleiteado e NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada, referente a débito de estimativa mensal de CSLL, período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2004, no valor principal de R$ 7.079,64 (sete mil, setenta e nove reais e sessenta e quatro centavos). No recurso voluntário, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, afirma que formulou pedido de compensação, de crédito de CSLL proveniente de estimativa mensal, com débito da CSLL, o qual deveria ser homologado, uma vez que a ordem emanada da Medida Provisória n.º 449, de 2008, ou da IN 600, de 2005, não poderia ser interpretada retroativamente, tendo em vista que a compensação pretendida se refere a período anterior a vigência das mesmas. Alega, ainda, que a compensação efetuada remonta a período pretérito, não se cuidando de débito mensal atual. O que seria vedado seria a compensação mês a mês, de modo que, no final do exercício, em caso de ajuste/crédito, a compensação poderia ser efetivada normalmente. Sustenta, neste diapasão, que se o crédito se refere ao exercício de 2004 e a compensação foi efetivada no exercício de 2005 não haveria óbice para homologação. Invoca o princípio constitucional da irretroatividade e cita decisões judiciais. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 10/08/2009, segundafeira, efls. 37/38, e protocolo em 09/09/2009, efl. 39), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 67 6 Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 68 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." A súmula acima transcrita foi confeccionada a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal de CSLL, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 69 8 aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10510.900459/200955 Acórdão n.º 1002000.359 S1C0T2 Fl. 70 9 apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida. Sendo assim, efetivamente, não houve a análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 70DF CARF MF
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