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Numero do processo: 13603.001930/2004-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. REJEIÇÃO.
Numero da decisão: 1101-001.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. REJEIÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração que visam unicamente rediscutir o mérito de questões já devidamente julgadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 03/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques e Marcelo de Assis Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 19 30 /2 00 4- 75 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Relatório Cuidase de Autos de Infração lavrados em desfavor da ora Embargante para cobrança de IRPJ e CSLL atinentes aos anoscalendário 2002 e 2003 a partir de arbitramento. O conciso Termo de Verificação Fiscal (fls. 19/20) descreve com clareza a alegada infração à legislação de regência que teria sido perpetrada pelo sujeito passivo, sendo que as seguintes passagens são dele extraídos, litteris: “2) DOS FATOS: O contribuinte acima foi intimado em 14/09/2004 a apresentar o Livro Diário e Razão ou Livro Caixa, relativos ao período de 10/2002 a 12/2003 (doc. fls. 21 a 23). Em sua resposta, no dia 21/09/2004, requereu a prorrogação do prazo alegando que parte dos documentos estariam em poder da Secretaria do Estado da Fazenda de Minas Delegacia Fiscal de Contagem (doc. fls. 24 a 26). Foi concedido um prazo adicional de 10 (dez) dias (doc. fl. 24) e, posteriormente, diante de nova solicitação (doc. fls. 30), concedeuse mais 10 (dez) dias para a entrega dos livros solicitados. Nos dias 07/10/2004 e 18/10/2004, em documentos encaminhados a esta Delegacia da Receita Federal (doc. fls. 30 a 33), novamente alega não ter condições de atender à intimação pelo motivo acima citado. Finalmente, nos dias 05/11/2004 e 19/11/2004, a fiscalizada declara não ter condições de entregar os Livros citados (doc. fl. 34 a 35). 3) ARBITRAMENTO DO IRPJ E DA CSLL DE 2002 E 2003: Tendo em vista que o contribuinte entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ do ano calendário de 2002 e 2003 (doc. fls. 74 a 140), optando pela tributação pelo lucro presumido, mas, quando intimado, conforme relatado anteriormente, não apresentou os Livros Diário, Razão ou Livro Caixa, procedi ao arbitramento do seu lucro, lançando os tributos devidos com as multas respectivas. As planilhas FATURAMENTO 2002 e FATURAMENTO 2003 (doc. fls. 19 e 20), elaboradas de acordo com os registros nos Livros de Apuração de ICMS, cópias em anexo (doc. fls. 36 a 69), foi utilizada para determinação da base de cálculo do imposto. Os valores declarados nas DCTFs entregues (doc. fls. 70 a 73) foram considerados nos cálculos efetuados, conforme Demonstrativo de Apuração do IRPJ (doc. fls. 07 a 09) e da Contribuição Social (doc. fls. 13 a 15). ” Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.001930/200475 Acórdão n.º 1101001.198 S1C1T1 Fl. 294 3 Assim, houve o arbitramento do imposto, tendo em vista as Declaração de Informações EconômicoFiscal DIPJ (anoscalendário 2002 e 2003), nas quais a ora Embargante tinha optado pela tributação pelo lucro presumido, constituindo, assim, o crédito tributário de R$342.952,45 de IRPJ e de R$176.617,99 de CSLL (juros e multa de 75%). A Autoridade Fiscal pautouse no art. 532 do RIR/99, no art. 2° e §§ da Lei n. 7.689/88, nos arts. 19 e 20 da Lei n. 9.429/95, no art. 29 da Lei n. 9.430/96 e no art. 6° da MP 1.858/99 e reedições. Inconformada, a ora Embargante apresentou sua impugnação (fls. 150/182), a qual foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/BHE, conforme ementa do acórdão n. 02 12.437 (fls. 193/202), litteris: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE Não provada violação das regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. O controle da constitucionalidade das leis é matéria privativa do Poder Judiciário e ultrapassa os limites da competência administrativa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. Legítimo o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica optante pelo lucro presumido não apresentar o Livro Caixa contendo a movimentação financeira ou Livro Diário e Razão, contendo toda a escrituração contábil regular, principalmente quando o contribuinte declara a inexistência dos mesmos. Base de cálculo. A base imponível do lucro arbitrado é apurada mediante a aplicação do coeficiente de 9,6% sobre a receita bruta, quando demonstrado que se trata de pessoa jurídica que se dedica a atividade de revenda de mercadorias. MULTA DE OFÍCIO. Por expressa determinação legal, aplica se multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre as diferenças de impostos ou contribuições federais apuradas em lançamento de ofício. JUROS DE MORA. São devidos sempre que ocorrer mora no pagamento do crédito tributário, seja qual for o motivo determinante na falta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. O lançamento reflexo observa o mesmo procedimento adotado no lançamento do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente” Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Após, o sujeito passivo apresentou tempestivo recurso voluntário (fls. 208/251) defendendo, em breve síntese, (i) a nulidade do arbitramento; (ii) a inocorrência de omissão de receita; (iii) o caráter confiscatório da multa aplicada; e (iv) a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC. O referido recurso foi julgado improcedente em sessão havida em 24/02/2011, conforme acórdão n. 110100.433 assim ementado: “NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência e dos fatos que o motivaram, encontrandose ainda com o correto enquadramento legal da infração fiscal. IRPJ LUCRO ARBITRADO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E RESPECTIVA DOCUMENTAÇÃO INDISPENSÁVEIS À OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A não apresentação dos livros obrigatórios e da documentação correspondente, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a conferência dos valores tributados, restando como única alternativa o arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos consequentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõese a aplicação da multa de lançamento de ofício sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96. ” Cientificada do r. decisum em 12/03/2012 (segundafeira) fl. 279 , a contribuinte apresentou tempestivo recurso de embargos de declaração em 19/03/2012 (segundafeira) fls. 280/284 , defendendo que “houve omissão quanto a dispositivos legais que dispõem de forma diferente do que foi julgado. Ademais, contradiz as provas dos autos”. É o relatório. Voto Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.001930/200475 Acórdão n.º 1101001.198 S1C1T1 Fl. 295 5 Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Os embargos de declaração são tempestivos e foram subscritos por mandatários, razão pela qual passo a analisar os demais pressupostos de admissibilidade. Conforme se depreende do relatório acima, os embargos de declaração foram opostos pelo fato de que, alegadamente, estaria eivado de omissão e contradição. Em seu brevíssimo recurso de embargos de declaração, afirma a contribuinte que “a empresa requereu dilação de prazo para apresentação dos documentos fiscais, haja vista que tais documentos encontravamse de posse da Secretaria da Fazenda Estadual” e que, “ao invés de dilatar o prazo, os Auditores Fiscais preferiram arbitrar o lucro, sem conceder prazo razoável para a obtenção dos documentos junto ao Fisco estadual”. Dessa forma, como (no entendimento da Embargante) não teriam sido esgotados os meios necessários para a apuração do lucro, teria havido desrespeito à legislação tributária, na medida em que “a investigação de dados concretos para apuração do lucro real é imposição legal, é um deverser que não deixa margem para o poder discricionário da autoridade administrativa escolher a forma de tributação”. A ora Embargante conclui seus argumentos afirmando (i) que “omitiuse o v. acórdão quanto ao dispositivo supra citado [sendo certo que não houve menção de qualquer dispositivo legal na peça de embargos de declaração], além da clara contradição com as provas dos autos, que demonstra que, ao invés de conceder o prazo hábil solicitado, o Fisco preferiu arbitrar o lucro, sem esgotar todos os meios necessários para a apuração do lucro” e (ii) que “omitiuse, ainda, quanto ao alegado cerceamento de defesa, que restou configurado pela falta de oportunidade para apresentação da documentação fiscal e, portanto, para a possibilidade de apuração do lucro pelo lucro real/presumido”. Pois bem. A meu sentir, razão não assiste à Embargante. Com efeito, o recurso de Embargos de Declaração é irresignação de fundamentação vinculada, de modo que o seu cabimento depende do preenchimento dos requisitos insertos no art. 535 do Código de Processo Civil – requisitos esses reproduzidos no caput do art. 65 do Anexo II da Portaria MF n. 256/2009 (RICARF). No presente caso, os fundamentos dos embargos de declaração, ora em julgamento, deixam claro que a ora Embargante não só entendeu a fundamentação do v. acórdão embargado, como repete parte da argumentação já enfrentada, para tentar reverter, em sede de embargos, o que fora decidido no mérito. O r. acórdão embargado assim resolveu as questões apontadas nos embargos de declaração o que afasta completamente as assertivas da empresa no sentido de ter havido omissão ou contradição , litteris: “No Termo de Início de Fiscalização, consta a solicitação para a apresentação de todos os documentos contábeis e fiscais da contribuinte, fato esse que deixou de ser atendido por parte da Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 mesma. Posteriormente foi reintimada para apresentar referidos documentos, o que não foi feito. Assim, entendo que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Diante disso, não há como pretender a premissa de nulidade do auto de infração, na forma proposta pela recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários, confirmando, outrossim, que a autoridade autuante executou com zelo e competência a tarefa que lhe competia. (...) Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Quanto ao mérito, a recorrente deixou de apresentar à fiscalização os seus livros contábeis e fiscais, apesar de instada a fazer. Como já citado, o fiscal autuante teve zelo de destacar os motivos que levaram ao arbitramento do lucro, qual seja, a falta de apresentação dos documentos e livros obrigatórios, cuja falha foi confirmada pela declaração do próprio sócio responsável pela empresa. Sem mais delongas, no caso sob exame, como fartamente demonstrado na decisão recorrida, restou perfeitamente configurada a hipótese prevista na lei para que a autoridade arbitre o lucro. O contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, que não cumpre a obrigação que lhe cabe de apresentar os livros e demais documentos à autoridade fiscal, está sujeito ao arbitramento dos lucros, razão pela qual mantenho integralmente a decisão de primeira instância.” (fl. 272/273) A todo sentir, a intenção da oposição dos presentes embargos declaratórios é de rediscutir o mérito da r. decisão embargada, o que é incompatível com a natureza do recurso oposto. Por todo o exposto, devem ser REJEITADOS os embargos de declaração, nos termos das razões acima tecidas. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.001930/200475 Acórdão n.º 1101001.198 S1C1T1 Fl. 296 7 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001668/2003-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. SALDO UTILIZADO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS
Se a documentação constante nos autos indica que o crédito alegado pela Recorrente foi totalmente utilizado, não refletindo o direito reclamado, não há como dar guarida ao pleito da Recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3403-003.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentou oralmente pela Recorrente o Dr. Cristiano Maciel Carneiro Leão, OAB/SP 206.639.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. SALDO UTILIZADO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS Se a documentação constante nos autos indica que o crédito alegado pela Recorrente foi totalmente utilizado, não refletindo o direito reclamado, não há como dar guarida ao pleito da Recorrente. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentou oralmente pela Recorrente o Dr. Cristiano Maciel Carneiro Leão, OAB/SP 206.639. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. SALDO UTILIZADO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS Se a documentação constante nos autos indica que o crédito alegado pela Recorrente foi totalmente utilizado, não refletindo o direito reclamado, não há como dar guarida ao pleito da Recorrente. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentou oralmente pela Recorrente o Dr. Cristiano Maciel Carneiro Leão, OAB/SP 206.639. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 16 68 /2 00 3- 79 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 241/246, contra parecer SAORT nº 13.884.609/2007 e Despacho Decisório da DRF/ São José dos Campos/SP, fls. 209/211, que deferiu parcialmente crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1996, relativo ao 1º trimestre/2003, pedido de ressarcimento de créditos de IPI. Foram homologadas as compensações dos débitos de PIS e COFINS do período de Apuração, constante da Declaração de compensação, fls. 05, até o limite do crédito reconhecido. Embasado no Termo de Informação Fiscal, fls. 201/204, o Despacho Decisório, após análise do pedido de ressarcimento de créditos do IPI do período de Janeiro a Março/2003, em cumprimento a MPF 08.1.20.00200700183, ressalva o deferimento parcial do crédito presumido de IPI ao valor de R$ 1.971.662,29. Informa o auditor fiscal: 1 No LRAIPI, verificouse escrituração de valores de crédito presumido do IPI e de créditos sem nenhum histórico; 2 Os créditos relativos ao IPI, calendário 2003, verificouse que possuía o valor de credito presumido de IPI R$ 59.589,24 e que este fora utilizado no 2º trimestre/2003 em conformidade com o DCP entregue a SRF, pela interessada. Para tanto não restou crédito para ressarcimento no 1 trimestre de 2003; 3 Em alinho com a IN SRF nº 210 de 2002, somente os créditos presumidos de IPI apurados no trimestre calendário são passiveis de ressarcimento, e os escriturados pela contribuinte são relativos ao 1º trimestre de 2003 e para tanto não poderiam ser ressarcidos neste trimestre, são considerados indevidos; 4 Não se localizou o DCP do 4º trimestre/2002, obrigação acessória indispensável para os créditos dessa natureza; 5 Propôs deferimento de ressarcimento no valor de R$ 1.971.662,29 do total pleiteado de R$ 2.123.963,29; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13884.001668/200379 Acórdão n.º 3403003.115 S3C4T3 Fl. 8 3 Foi anexada petição informando sobre as ações judiciais referentes ao IPI. A fl. 196 apresentase com a justificativa do porque não foi feito pedido de ressarcimento do 1º trimestre de 2003, a segregação do crédito presumido do IPI do crédito básico. Tomou ciência, a interessada, do Despacho Decisório em 11/10/2007 e apresentou Manifestação de Inconformidade em 12/11/2007, alegando: 1 A manifestada, em nenhum momento, questiona a legalidade dos créditos nem o montante em questão; 2 A justificativa para a não homologação dos créditos se dá por aspectos formais ou de procedimento; 3 Não cabe mais a justificativa para a não homologação de parte dos créditos, 4 O montante do crédito apresentado no DCP do 2 trimestre declarado no 1º trimestre/2003, é igual a R$ 214.620,81, valor superior ao informado; 5 Foi considerado, pela manifestante, somente os valores correspondentes a março/2003, deixando de declarar R$ 87.387,68, janeiro/2008 e 67.643,89, fevereiro/2003, constantes da DCP, com relação ao excesso de valores, não há razão a manifestada; 6 O crédito não fora aproveitado no segundo trimestre, como alegado, deu se apenas a formalização dos créditos através da apresentação do DCP; 7 A manifestada reconhece a origem e os montantes envolvidos, vez que não foram questionados, reconhecese que os montantes foram informados no DCP do segundo trimestre, devem ser reconhecidos os créditos já que se referem ao período em que e compreende o primeiro trimestre; 8 Poderia se aplicar uma penalidade e jamais considerar ilegítimo o ressarcimento pelo descumprimento de uma obrigação acessória, os valores lançados como crédito presumido de IPI devem ser homologados, valor original de R$ 30.151,52 (fevereiro) e R$ 38.507,36 (Março); 9 Quanto ao crédito presumido relativo ao 1º trimestre/2003 não cabe a não homologação. Questionase não a legalidade dos valores mas sim a forma como foram declaradas se dentro ou não do trimestre; 10 A interpretação da IN SRF 210/2002, não está correta, pois a apuração não se pode restringir apenas e tão somente aos créditos referentes aquele trimestre, mas a todo o período, podem ser utilizados desde que tenham sido apurados naquele trimestre calendário; 11 Não se tem dúvida quanto a legitimidade dos valores de credito e origem, concorda a manifestante; 12 O Conselho de Contribuintes já se manifestou quanto ao fato de se negar direito ao credito presumido do contribuinte em face da falta de formalismo exigida pela legislação; 13 Requer homologação total do ressarcimento dos valores, pois forma atendidos os requisitos legais e os valores são legítimos. A DRJ decidiu que o deferimento parcial, alegado pela interessada, se deu por motivos meramente formais, vez que os valores dos créditos apurados não foram questionados pela fiscalização, cabendo assim a homologação de todos os valores escriturados. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Em diligencia, apurouse que a contribuinte não escriturava os créditos presumidos ou básicos, fazia sem histórico e fora intimado por vezes a prestar esclarecimentos, uma vez que o pedido de ressarcimento constava apenas do crédito básico, fundamentado no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999. A interessada (Recorrente) escriturou no Livro de Registro de Apuração do IPI créditos extemporâneos discriminados no Demonstrativo de Crédito no item “Outros Créditos” no 3º decêndio de março de 2003, os créditos denominados Crédito Presumido de IPI sobre Energia Elétrica 95/2002 no valor de R$ 77.926,53 e o Crédito Presumido IPI fev/2003 de R$ 38.507,36. E escriturou ainda no 3º decêndio de fevereiro/2003 o crédito no valor de R$ 30.151,52, sem qualquer discriminação, considerandoos como sendo créditos do período. O auditor glosou o crédito presumido do IPI extemporâneo referente a dezembro de 2002 no valor de R$ 5.715,59, por não encontrar o DCP relativo ao 4º trimestre/2002. A DCP é obrigação acessória necessária para o aproveitamento de créditos dessa natureza. A pessoa jurídica produtora e exploradora que apure crédito presumido deve apresentar, através de sua matriz, nos meses de março, junho, setembro e dezembro o DCP referente a fruição do benefício do trimestre encerrado, conforme IN SRF 23 de 13 de março de 1997, o que não ocorreu com a interessada. Quem pretende se beneficiar do ressarcimento do IPI deve manter seus créditos devidamente escriturados, mesmo que haja débito na saída do produto do estabelecimento industrial. O credito presumido, estabelecido na Lei 9.363/96, por ser um incentivo fiscal vinculado a exportação de bens, tem prazo prescricional de 5 anos, para ser utilizado. Podendo o contribuinte escriturar o crédito extemporaneamente, desde que mantenha as informações relativas às exportações realizadas armazenadas em arquivos magnéticos. Segundo a DRJ não há como incluilo indevidamente como crédito do próprio trimestre de referência. Dessa forma, tratandose de crédito do período de 1995 a 2000, requerido, portanto, depois de oito anos do fato gerador, estaria decadente o direito ao ressarcimento, conforme Decreto nº 64.833/1969. Por outro lado, decidiu a DRJ que tratandose de crédito sobre energia elétrica de período anterior a 2001, a inclusão no crédito presumido apenas teria passado a valer a partir da Lei nº 10.276/2001. Assim, conclui que estariam corretas as glosas realizadas, tendo em vista as determinações constantes no artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, ao prever que são passíveis de ressarcimento do período apenas os créditos presumidos de IPI apurados no trimestrecalendário e que não há previsão para creditamento relativo a custos de energia elétrica antes de 2001. Por fim, decidiu a DRJ que está adstrita à legislação em vigor, devendo observar o Decreto nº 2.346/1997, de modo que posições doutrinárias ou jurisprudenciais apenas afastarão o teor das normas aplicáveis nos estritos termos constantes no Decreto. Aduz ainda que a coisa julgada, nos termos do artigo 472 do Código de Processo Civil, limitase às partes integrantes da lide, e por essa razão são improfícuas as Fl. 444DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13884.001668/200379 Acórdão n.º 3403003.115 S3C4T3 Fl. 9 5 decisões trazidas pela Recorrente, pois não há um dispositivo legal que determine a sua aplicação em face da Recorrente. Cita o inciso II, do artigo 100 do Código Tributário Nacional, afirmando que não se enquadra como norma complementar de Direito Tributário, posto que a Lei não atribuiu eficácia normativa geral para tais decisões, mas apenas especificamente em relação às partes do processo. Dessa forma, a conclusão é que inexiste reparo a ser feito no despacho decisório que deferiu parcialmente o crédito presumido de IPI do 1º trimestre de 2003. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que combate inicialmente decisão relativamente à decadência apontada. Aduz que o período não corresponderia de 1995 a 2000, mas sim de 1995 a 2002. Insurgese contra a afirmação de que havia transcorrido mais de oitos anos, ressaltando que, nessa linha de raciocínio, todo o crédito seria de 1995, o que não corresponderia à realidade diante da documentação acostada nos autos. No tocante aos créditos de energia elétrica, afirma que surpreende a afirmação, uma vez que a autoridade, em sua ótica, não poderia, sem analisar a fundo a documentação que embasa o direito creditório, arguir que os créditos utilizados em 2003 referemse exclusivamente a período anterior a 2001, anteriormente à vigência da Lei nº 10.276/2001. A Recorrente acosta documentação aos autos que comprovaria o seu direito creditório (DOC 03) e afirma que contratou empresa especializado para fins de elaboração de laudo técnico para fins de comprovar o seu direito creditório. E o terceiro ponto da decisão atacada pela Recorrente referese à interpretação dada ao artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, ao prever que são passíveis de ressarcimento apenas os créditos apurados no trimestrecalendário. Nesse aspecto, defende que a interpretação seria falha, pois não estaria de acordo com o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e sequer com o disposto no § 2º, do artigo 14 da IN SRF 210/2002, que prevê a utilização do crédito mediante utilização com débitos próprios, vencidos ou vincendos, administrados pela SRF. Ressalta que o §3º não veda, em momento algum, a utilização do saldo remanescente do trimestrecalendário anterior, e que seria inconcebível negar o direito ao crédito do contribuinte em razão de uma mera formalidade como o aproveitamento em tal ou qual trimestrecalendário. Por fim, alega que o Fisco se equivocou, eis que os valores declarados relativos ao primeiro trimestre de 2003 somavam R$ 214.620,81, valor bem superior ao alegado pela autoridade fiscal, e conforme alegado na Manifestação de Inconformidade, o Fisco considerou apenas o valor de março/2003, deixando de considerar (R$ 87.387,67 referente a janeiro e R$ 67.643,89 de fevereiro). É o Relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Voto A questão é preponderantemente fática. Nesse ponto, não posso deixar de ressaltar que a Recorrente, quando das respostas às intimações realizadas pelas autoridades fazendárias, respondeu a inúmeras indagações realizadas. E essas indagações foram realizadas, conforme consta nos próprios autos, porque o Livro Registro de Apuração de IPI da Recorrente não trazia o histórico dos créditos, o que levou a autoridade fazendária a não negar o crédito pleiteado por falta de fundamento, mas sim a solicitar justificativas à Recorrente. Por exemplo, às fls. 195 dos autos consta documento elaborado pela Recorrente que contraria suas afirmações no Recurso Voluntário, pois nesse documento constam os anos em que o crédito presumido de IPI referente a energia elétrica está sendo pleiteado. Em 2002 consta apenas R$ 8.583,13 de crédito presumido de energia elétrica, considerando o percentual de 5,43%, e em 2001, R$ 16.540,62, não havendo, em 2001, a abertura dos meses a que se referem os números, de modo a se verificar se posteriores a Lei nº 10.276/2001. Por essa razão, há de se considerar apenas o valor referente ao ano de 2002, no valor de R$ 8.583,12 (fls. 195) referente a energia elétrica. No tocante ao crédito presumido de IPI, consta às fls. 94 (fls. 97 do processo digitalizado), que o saldo de crédito presumido era de R$ 59.589,24 e que esse valor foi totalmente utilizado no mês de abril de 2003 (fls. 100 – 103 do processo digitalizado). Dessa forma, realmente, de acordoo com a própria documentação da Recorrente, não há o alegado crédito presumido. Por outro lado, não posso deixar de ressaltar que não cabe, na presente fase processual, a juntada de documentos comprobatórios que são de titularidade da própria Recorrente e sequer de laudo destinado a comprovar a existência do denominado crédito. Tal documentação foi juntada pela Recorrente quando do seu pedido inicial de ressarcimento, sendo que a autoridade fazendária lhe facultou ainda a apresentação de outros documentos, tendo sido, pois, dada a oportunidade de fazer prova em momento próprio, inclusive quando de sua manifestação de inconformidade. Analisando os autos não consegui enxergar o saldo de crédito de presumido alegado, pois consta nos documentos a utilização do crédito e, sobretudo, a utilização do valor remanescente em abril de 2003. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13884.001668/200379 Acórdão n.º 3403003.115 S3C4T3 Fl. 10 7 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10314.003070/2002-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998, 1999, 2000
IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMUNIDADE DO PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. ALCANCE.
Na Imunidade conferida ao papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, é irrelevante o conteúdo da publicação, e, por isso, alcança, também, o papel utilizado na impressão de catálogos comerciais. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
EVOLUÇÃO LEGISLATIVA. TRATAMENTO MAIS BENÉFICO. APLICAÇÃO RETROATIVA. HIPÓTESE CONFIGURADA.
Considerando que a legislação infraconstitucional que atualmente disciplina as obrigações acessórias para efeito de fiscalização da imunidade de papel não trata mais a conduta autuada como infração, e, conseqüentemente, não prevê a multa outrora correspondente, é de se aplicar o art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional para cancelar o auto de infração e exonerar o crédito tributário subjacente.
Numero da decisão: 3201-001.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1998, 1999, 2000 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMUNIDADE DO PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. ALCANCE. Na Imunidade conferida ao papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, é irrelevante o conteúdo da publicação, e, por isso, alcança, também, o papel utilizado na impressão de catálogos comerciais. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA. TRATAMENTO MAIS BENÉFICO. APLICAÇÃO RETROATIVA. HIPÓTESE CONFIGURADA. Considerando que a legislação infraconstitucional que atualmente disciplina as obrigações acessórias para efeito de fiscalização da imunidade de papel não trata mais a conduta autuada como infração, e, conseqüentemente, não prevê a multa outrora correspondente, é de se aplicar o art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional para cancelar o auto de infração e exonerar o crédito tributário subjacente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998, 1999, 2000 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMUNIDADE DO PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. ALCANCE. Na Imunidade conferida ao papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, é irrelevante o conteúdo da publicação, e, por isso, alcança, também, o papel utilizado na impressão de catálogos comerciais. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA. TRATAMENTO MAIS BENÉFICO. APLICAÇÃO RETROATIVA. HIPÓTESE CONFIGURADA. Considerando que a legislação infraconstitucional que atualmente disciplina as obrigações acessórias para efeito de fiscalização da imunidade de papel não trata mais a conduta autuada como infração, e, conseqüentemente, não prevê a multa outrora correspondente, é de se aplicar o art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional para cancelar o auto de infração e exonerar o crédito tributário subjacente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 30 70 /2 00 2- 18 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa e das razões recursais: A empresa acima qualificada estava cadastrada no registro especial para importadores, revendedores e usuários de papel importado imune no ano de 1998 sob número 339/98 (fls. 38); no ano de 1999 sob o número 205/99 (folhas 41/42) e no ano 2000 sob o número 21/2000 (fls. 44/45). A fiscalização da IRF/São Paulo, em ato de revisão aduaneira, ao fazer o cruzamento de informações entre as entradas e saídas de papel imune, verificou que o contribuinte não comprovou a correta utilização/destinação do papel objeto do benefício fiscal. Assim, foram lavrados os Autos de Infração (fls. 130//157 – volume II), cobrandose os tributos devidos na importação (Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados), seus juros de mora e as multas de ofício (multa de 150% para o Imposto de Importação, prevista no artigo 523, inciso I do Regulamento Aduaneiro; multa de 75% para o IPI, prevista no artigo 80, inciso I, da Lei no. 4.502/64, com redação dada pelo artigo 45 da Lei no. 9.430/96). O Relatório Fiscal, anexado ao processo às folhas fls. 158/171 – volume II, descreve os fatos e demonstra as irregularidades ocorridas nos seguintes termos, em síntese: que a fiscalização visou averiguar dois requisitos: (i) o enquadramento da empresa como beneficiária da imunidade constitucional (ou “isenção”, nas palavras do Regulamento Aduaneiro) e (ii) a destinação dada aos bens importados, no caso o papel; quanto ao primeiro requisito (i), a empresa demonstrou que estava regularmente autorizada pela repartição fiscal, através dos respectivos registros anuais (Nos. 339/98, 205/99 e 21/2000), portanto, concluiu a fiscalização que a interessada atendeu a este requisito, ou seja, estava autorizada a importar papel com o benefício da imunidade; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.003070/200218 Acórdão n.º 3201001.475 S3C2T1 Fl. 590 3 em relação ao segundo requisito (ii), alega a fiscalização que a utilização do benefício pressupõe a regularidade contábil da empresa, devendo a mesma registrar toda a movimentação do “papel imune” importado (entrada/saída/estoques), a fim de possibilitar a verificação de sua correta destinação, por parte do Fisco. Tal entendimento é decorrente do artigo 182 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos; desta feita, após analise de toda documentação (Demonstrativos de Controle de Estoque de Papel com Imunidade Tributária, Relatórios de Movimentação de Estoques, Livros fiscais) apresentada, concluiu a fiscalização que os registros efetuados pela empresa não dispõem de qualquer credibilidade, demonstrando, assim, que o “papel imune” importado não foi objeto de controle pela beneficiária; para demonstrar tal assertiva, a fiscalização elaborou diversas planilhas (fls. 161/168) com toda a movimentação de estoques por tipos de papel importados (estoque inicial, entradas, saídas e estoque final) e com as compras de papel nacionalizado importado por terceiros, onde detectou diversas discrepâncias; assim, a fiscalização alega que ocorreram as seguintes irregularidades: 1 Nas planilhas “Controle de estoque de papel com imunidade tributária” os estoques finais de cada ano não correspondem aos estoques iniciais do ano seguinte; 2 O contribuinte informou que não houve compras de papel imune no ano de 1999, entretanto, relacionou aquisições de papel no Relatório de Movimentação de Estoques e apresentou notas fiscais de entrada destas compras; 3 As quantidades informadas nas planilhas “Controles de estoque de papel com imunidade tributária”, nos “Relatórios de movimentação de estoque” e no “Livro de registro de inventário” estão completamente divergentes para todos os anos e para quase todos os tipos de papel relacionado; 4 A maioria da Notas Fiscais de Saídas apresentadas (fls. 33 e 34) possui o Código Fiscal de Operações CFOP 5.13 – industrialização efetuada para outra empresa, sendo que a fiscalização concluiu pela análise dos preços praticados nas operações (fl. 168/170), que não foi utilizado papel de propriedade da empresa Oceano, mas sim do encomendante; 5 Verificase, conforme Notas Fiscais de Saída anexadas às fls. 209 a 238, que a empresa produziu material de propaganda comercial (encartes destinados a supermercados, lojas), o que é vedado pelos incisos I e II, parágrafo 2o., do artigo 178 do Regulamento Aduaneiro; desta forma, concluiu a fiscalização que a empresa adquire diretamente (importações diretas) e indiretamente (através de outras empresas) “papel imune”, bem como compra papel de Fl. 591DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 procedência nacional, não demonstrando a correta destinação do citado “papel imune” importado face ao não controle contábil das atividades da autuada; em decorrência da ausência de controle contábil das atividades restou inviabilizado, por completo, qualquer verificação do cumprimento de suas obrigações (destinação do “papel imune”), acarretando a perda dos benefícios fiscais já concedidos. Regularmente cientificada da autuação fiscal, em 26/09/2002, a interessada apresentou sua Impugnação (fls. 176/190), em 28/10/2002, alegando, em suma, que: nos termos dos artigos 180 e 181 do Regulamento Aduaneiro, a Impugnante obteve o registro para aquisição de papel imune nos três anos em que foi autuada (1998, 1999 e 2000). Assim, constatase que a cada ano de renovação do registro tinha que comprovar sua regular utilização, portanto, o fato de ter obtido o registro nesses três anos consecutivos comprova que utilizou corretamente o papel imune; a fiscalização se ateve a detalhes superficiais, meras presunções e suposições, nada que seja palpável, como é concreto o fato da Impugnante ter obtido o registro nos três anos seguidos; a partir de presunções a fiscalização encontrou a quantidade de papel que entendeu ter sido utilizada em desacordo, chegandose assim à base de cálculo para o lançamento dos tributos, sem qualquer prova concreta; não poderia ser autuada por erro formal de documentação; se a fiscalização entendeu que os demonstrativos apresentados não estavam corretos, caberia ao autuante provar que a empresa utilizou o papel em operações “não imunes” e nomeálas uma a uma; o equívoco dos demonstrativos apresentados pela Impugnante é irrelevante para descaracterizar operação imune. Este fato poderia caracterizar infração formal, jamais fato gerador para originar obrigação tributária; o fato gerador tanto do I.I. como do I.P.I. deve ser concreto, existir juridicamente, e mesmo que se provasse a ocorrência do fato gerador, o mesmo não seria tributável, tendo em vista a imunidade constitucional conferida ao papel imune; junta à Impugnação diversos exemplares de livros e revistas, onde foram utilizados os mesmos papéis que a fiscalização alega ter utilizado em desacordo à exigência legal; no tocante ao papel que a fiscalização alega que foi utilizado em encartes de propaganda, também é inaceitável, pois além de ter apenas presumido, o fato é que há casos em que a Impugnante imprime encartes publicitários como suplementos ou encartes de jornais, de acordo com o disposto no artigo 173, parágrafo 3o. do Regulamento Aduaneiro; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.003070/200218 Acórdão n.º 3201001.475 S3C2T1 Fl. 591 5 conclui afirmando que o presente lançamento não pode subsistir, por ser completamente baseado em presunções e carecer de provas, devendo ser declarado nulo o presente Auto de Infração. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no São Paulo II (SP) julgou a impugnação improcedente, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 17 22.799, de 07/02/2008, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1998, 1999, 2000 A não comprovação da correta destinação do papel importado com imunidade constitucional, para a produção de livros, jornais e periódicos, acarreta a perda do favor fiscal sendo devidos os tributos que não foram recolhidos na importação. Neste caso, o ônus da prova é do contribuinte. Os elementos probantes da correta utilização do ‘papel imune’ na impressão de livros, jornais e periódicos deveriam estar em sua escrituração fiscal. Lançamento Procedente. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando, basicamente, os argumentos de mérito já apresentados na impugnação. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño 1 Introdução O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a celeuma travada nos presentes autos cingese à comprovação do desvirtuamento da destinação do papel importado pela Recorrente, uma vez que na visão da fiscalização as inconsistências verificadas na contabilidade do beneficiário da imunidade impedem a verificação da correta destinação do papel importado. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 2 Mérito Antes de iniciar a votação, fazse imperioso ressaltar que se está diante de uma imunidade, não sendo uma mera isenção. Isso faz total diferença na hermenêutica jurídica. A norma que outorga isenção fiscal deve ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111, inc. II, do Código Tributário Nacional. Já a imunidade tributária não tem essas amarras e deve ser interpretada com liberdade para que o hermeneuta possa alcançar a finalidade almejada pelo Poder Constituinte. Feita essa ressalva, verificase que a fiscalização suscitou as inconsistências contábeis da Recorrente para justificar a limitação do benefício. Isso porque, segundo a fiscalização, a contabilidade é essencial para verificar a correta destinação do papel imune importado. Para ilustrar essas inconsistências, a fiscalização argumenta que a empresa produziu material de propaganda comercial (encartes destinados a supermercados, lojas), o que desvirtuaria o sentido da imunidade do art. 150, inc. VI, alínea “d”, da Constituição Federal. Ocorre que, em recente julgado da 3ª Turma da Câmara Superior deste CARF, o colegiado analisou a aplicação da imunidade na importação de papel destinado à impressão de encarte da loja Kalunga e assim foi ementado o acórdão: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMUNIDADE DO PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS ALCANCE. Na Imunidade conferida ao papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, é irrelevante o conteúdo da publicação, e, por isso, alcança, também, o papel utilizado na impressão de catálogos comerciais. (Acórdão nº 9303002.268, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, Sessão de 09/05/2013) A decisão por unanimidade de votos demonstra que não se pode tentar reduzir o alcance da imunidade como se faz com a isenção. No voto do relator e atual presidente da Terceira Seção do CARF, fazse menção ao entendimento do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a imunidade ao papel destinado à impressão de catálogo telefônico.1 É preciso ressaltar, ainda, que a própria Administração Tributária renovou a sua autorização para importar papel imune, por mais de uma vez (art. 181, § 2º, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985), não podendo a fiscalização, em sede de revisão aduaneira, desconsiderar esse fato, sobretudo de forma retroativa e com agravamento de multa de ofício como o fez no caso do Imposto de Importação. E mais, a legislação que serviu de base para o presente lançamento já foi totalmente modernizada. A isenção antes prevista exclusivamente para o papel destinado à imprensa estava baseada no art. 16 do DecretoLei nº 37, de 1966, e nos arts. 177 a 185 do RA/85. Atualmente, a imunidade é garantida pelo art. 150, inc. VI, alínea “d”, da Constituição Federal, e regulamentada pelo art. 1º da Lei nº 11.945, de 2009, e pela Instrução Normativa RFB nº 976, de 2009, e alterações posteriores. A previsão dessa operação imune nos arts. 149 a 152 do Decreto nº 6.759, de 2009 (atual Regulamento Aduaneiro), foi totalmente revogada pelo Decreto nº 7.213, de 2010. 1 AI 238.209 AgR (05/11/1999); RE 456.582 (14.10.2008), AI 505.905 (21.11.2005) e RE 140.709 (22.03.2000). Fl. 594DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.003070/200218 Acórdão n.º 3201001.475 S3C2T1 Fl. 592 7 Essa consideração é importante, pois, de acordo com a legislação atual que versa sobre o papel imune, a maior penalidade prevista é de 5% (cinco por cento) sobre o valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta, nos termos do art. 1º § 4º, inc. I, da Lei nº 11.941, de 2009. Mesmo assim, essa multa é limitada a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Há ainda uma segunda multa limitada ao mesmo valor para as informações que não foram prestadas tempestivamente. Vêse que o critério para a aplicação da penalidade é totalmente diferente do critério adotado pela fiscalização responsável pela lavratura do auto de infração ora contestado pela Recorrente. Nesse caso, cobrouse não apenas 100% (cem por cento) do valor dos tributos incidentes nas operações, como ainda multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para o Imposto de Importação e de 75% (setenta e cinco por cento) para o Imposto sobre Produtos Industrializados, além dos juros moratórios. Tudo isso somou a quantia de R$ 1.984.265,50 (um milhão novecentos e oitenta e quatro mil duzentos e sessenta e cinco reais e cinqüenta centavos), atualizada até a data da lavratura em 26/09/2002. No contexto legislativo atual, a única hipótese em que essa lavratura teria fundamento legal seria no caso de omissão de informações ou a prestação de informações falsas na DIFPapel Imune, com o claro intuito de sonegar tributos, caso em que restaria configurado crime contra a ordem tributária previsto no art. 2º da Lei nº 8.137, de 1990, além de outras sanções cabíveis. É o que dispõe o art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 976, de 2009. Ora, no caso concreto, a fiscalização não logrou êxito em provar que a Recorrente obrou com a intenção de praticar o tipo penal do art. 2º da Lei nº 8.137, de 1990. Aliás, sequer cogitou de a Recorrente empregar expediente fraudulento para sonegar tributos, limitandose a apontar inconsistências contábeis que não lhe permitiam apontar, com a exatidão desejada, a destinação do papel importado. Para que não haja dúvidas acerca da afirmação que aqui se faz, convém transcrever novamente um trecho do relatório da decisão recorrida em que isso fica expresso, a saber: desta forma, concluiu a fiscalização que a empresa adquire diretamente (importações diretas) e indiretamente (através de outras empresas) "papel imune", bem como compra papel de procedência nacional, não demonstrando a correta destinação do citado "papel imune" importado face ao não controle contábil das atividades da autuada; em decorrência da ausência de controle contábil das atividades restou inviabilizado, por completo, qualquer verificação do cumprimento de suas obrigações(destinação do "papel imune"), acarretando a perda dos beneficies fiscais já concedidos. Repitase: a fiscalização sequer cogitou de uma ação fraudulenta por parte da Recorrente. 3 Conclusão Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, exonerando integralmente o crédito tributário subjacente. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 596DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909553/2012-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.909553/201243 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.707 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PER ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente FRANCOBACHOT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 53 /2 01 2- 43 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909553/201243 Acórdão n.º 3801002.707 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.001858/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL.
É necessário o arbitramento quando o contribuinte não mantém escrituração fiscal de suas operações, ou não as apresenta no curso do procedimento de fiscalização.
Numero da decisão: 1401-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. É necessário o arbitramento quando o contribuinte não mantém escrituração fiscal de suas operações, ou não as apresenta no curso do procedimento de fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 58 /2 00 6- 11 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ e CSLL por arbitramento, relativos ao anocalendário 2002. Conforme se extrai do relatório da DRJ: 1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 04/09, no valor total de R$ 519.111,65, incluindo encargos legais; 2. Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL, fls. 10/14, no valor total de R$ 64.760,14, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, o lançamento decorreu das infrações a seguir descritas. 1) ARBITRAMENTO DO LUCRO Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude da falta dos documentos de comprovação dos custos. Enquadramento Legal: art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/99 RIR/99. 2) Receitas Operacionais (Atividade NÃO Imobiliária.) — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS A escrituração mantida pelo contribuinte contém deficiências (falta de documentos que lastreiam os custos registrados) que a tornam imprestável para a apuração do lucro real. A descrição detalhada da infração apurada encontrase nos Termos de Constatação Fiscal n°s 01 e 02, anexos às fls. 17/18 e 19/21, respectivamente. O valor lançado teve por base a receita bruta conhecida através das notas fiscais n°s 1.443 a 1.600. Enquadramento Legal: Art. 532 do RIR/99. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 23/02/2006, fls. 04 e 10, o contribuinte apresentou impugnação em 13/02/2006, lis. 424/429, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados A conduta da empresa, conforme bem atestada pelo r. Fiscal, restringiuse apenas à não apresentação da documentação exigida pela fiscalização, mormente em face de caso fortuito (inundação de suas instalações, devidamente atestado em boletim de ocorrência), não havendo de se cogitar em fraude, vício, erro ou qualquer deficiência nos termos em que preconizado no artigo supra transcrito, razão pela qual não merece prosperar a autuação ora combatida. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.001858/200611 Acórdão n.º 1401000.110 S1C4T1 Fl. 3 3 Reprovável há de ser concebida a conduta do agente fiscalizador que arbitrou valores de forma inexata e desprovidos de qualquer sentido. Em um primeiro momento, como forma explícita do reconhecimento da impropriedade cometida pelo agente fiscalizador, destacamos que o princípio da tipicidade (adotado por nosso Código Tributário Nacional) demanda a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair o vínculo jurídico tributário, exigindo a previsão de cada um de seus elementos configuradores, tais como o próprio fato gerador, o momento em que se considera implementado, o lugar de sua ocorrência, entre outros. Foi cometida uma impropriedade na aplicação dos critérios de arbitramento dos valores devidos pela recorrente, ao passo que os valores provenientes do MPF devem ser desconsiderados, pois não provou o agente autuador qualquer evidente indício de fraude, vício, erro ou deficiência. Consoante o disposto, no disciplinamento da obrigação jurídica tributária, o diploma legal disciplinador do procedimento fiscal denota o apego pela tipicidade na descrição dos seus elementos, impondo à norma a delimitação rigorosa do fato sobre o qual visa incidir. E a denominada tipicidade fechada ou cerrada, consubstanciada no dever de previsão exaustiva de todos os elementos do fato típico. Reforçando seus argumentos a defesa transcreve o entendimento de Roque Antônio Carrazza sobre a tipicidade fechada. O valor em apreço foi proveniente de um arbitramento efetuado de forma irregular, pois encontrase contraditório ao exposto nas normas tributárias vigentes, não caracterizando fato típico ensejador de autuação por parte da autoridade fiscal. Imperioso ressaltar, no azo, o fato de que a fraude, o vício, e o erro não se presumem, devendo ser inequivocamente demonstrados pela autoridade fiscal, se este for o motivo que rende ensejo à autuação. Nesse trilhar, resta indubitável a insubsistência da autuação, haja vista a inocorrência desses institutos, restringindose a conduta da empresa na ausência de apresentação de documentos fiscais destruídos em virtude de justificada inundação em suas instalações. Notese, quando o legislador pátrio diz que a obrigação tributária somente surge em se concretizando a situação hipotética descrita de forma taxativa na legislação tributária, que seja necessária e suficiente a sua perfeita configuração, não há como presumir qualquer valor através do emprego de analogia, uma vez que aceita a presunção, aceito também será os valores que não correspondem a verdade, o que contradiz o significado de Justiça. Portanto, é fato incontestável que a aplicação da penalidade imposta a Recorrente através dos Autos de Infração ora guerreados, encontrase em desconformidade com as normas Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 tributárias vigentes, ao passo que o Decreto 70.235/72, assim como o Código Tributário Nacional não autorizam o pretenso método utilizado pelo Agente fiscalizador. Como consequência direta vemos que o valor a ser acrescido será deduzido, ocasionando uma diferença aquém daquela levantada na autuação fiscal, pois a mesma foi baseada em suposições. Assim sendo, podemos constatar que é inviável a autuação ora rechaçada, por estar supedaneada em suposta infração cujo enquadramento legal não corresponde à conduta da empresa, cuja escrituração contábil jamais apresentou indícios de fraude, vícios ou erros, conforme dardejado pelo r. Fiscal. Utilizandose a regra da interpretação mais benéfica ao contribuinte, nada impede que o crédito supra citado siga o entendimento acima esposado. Ex Positis, e por ser de direito, requer o IMPUGNANTE que seja julgado insubsistente a autuação e todos os atos dela decorrentes, sendo revisto o lançamento fiscal para fins de declaração de sua nulidade, em face do disposto no art. 10 do Decreto 70.235/72. Requer, ainda, que sejam procedidas as averiguações necessárias, protestando desde já pela produção de demais provas, inclusive com a demonstração legal, no prazo a ser concedido por Este douto órgão, da Escrituração Contábil completa de toda a empresa Em julgamento, a DRJ de Fortaleza negou provimento à impugnação, cuja consolidada na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica I R P J Anocalendário: 2002 ARBITRAMENTO DO LUCRO. CASO FORTUITO. O fato de os documentos correspondentes aos custos da empresa não terem sido apresentados, em decorrência de caso fortuito, não elide a possibilidade de arbitramento do lucro, mormente quando a empresa não procedeu de acordo com o disposto na legislação vigente (art. 264, §1°, do RIR/99). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido C S L L Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. ASSUNTO: PROCESSO A D M I N I S T R A T I V O F I S C AL Anocalendário: 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.001858/200611 Acórdão n.º 1401000.110 S1C4T1 Fl. 4 5 Tomase como não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, em que rebate os fundamentos da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. ARBITRAMENTO. Conforme se extrai do termo de constatação fiscal de fls. 17, temse o seguinte: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10380.001858/200611 Acórdão n.º 1401000.110 S1C4T1 Fl. 5 7 Deste relato, verificase que a Contribuinte não apenas não apresentou seus livros fiscais, como também deixou de apresentar delcaração de IRPJ válida para o ano caneçdário, no regime do lucro real, razões essas suficientes ao arbitramento. E mais: ainda que se considere terem os documentos fiscais da empresa sido perdidos por inundação, fato alegado pela Recorrente, esse fato não é suficiente para afastar o arbitramento. Isso porque, na hipótese de perda da escrituração, por qualquer razão que seja, é dever do contribuinte recompôla. Na ausência de referida recomposição, deve ser mantido o arbitramento. MÉRITO No mérito, alega a Recorrente a nulidade do auto de infração, sob o argumento de que a legislação em vigor “exige a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair o vínculo jurídico tirbutário, exigindo a previsão de cada um dos elementos configuradores”, com específica identificação do fato tributável. O auto de infração encontrase suficientemente claro neste sentido, conforme transcrevo: Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 O mesmo quanto decidido para o IRPJ, deve ser aplicado quanto à CSLL. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 19679.000624/2003-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NORMAS GERAIS. A reforma da decisão de primeira instância que considerou intempestiva a impugnação requer o retomo dos autos à instância a guo, para que o mérito do pedido seja devidamente apreciado, assegurando-se assim o direito do sujeito passivo ao duplo grau de jurisdição do contencioso administrativo-fiscal.
Intempestividade afastada.
Recurso pr ovido.
Numero da decisão: 1102-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos .
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a intempestividade da peça impugnativa, e determinar o retorno do processo à Turma de Julgamento da DRJ/Belém-PA, para apreciação do mérito. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Tempestividade de recurso enviado via postal Recorrente PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS GERAIS. A reforma da decisão de primeira instância que considerou intempestiva a impugnação requer o retomo dos autos à instância a guo, para que o mérito do pedido seja devidamente apreciado, assegurandose assim o direito do sujeito passivo ao duplo grau de jurisdição do contencioso administrativo fiscal. Intempestividade afastada. Recurso pr ovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a intempestividade da peça impugnativa, e determinar o retorno do processo à Turma de Julgamento da DRJ/BelémPA, para apreciação do mérito. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 06 24 /2 00 3- 33 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 19679.000624/200333 Acórdão n.º 1102001.117 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente contra despacho que reconheceu como intempestiva a manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de créditos decorrentes de saldo negativo IRPJ e CSLL dos anoscalendário 1995 e 2002, combinado com declaração de compensação . A DRF/Manaus, via Parecer/Despacho decisório de fls.113/119, não reconheceu o direito creditório por estar prescrito o direito de solicitar a restituição da CSLL do anocalendário 1995; em relação ao saldo negativo IRPJ/CSLL do anocalendário 2002, também foi indeferido o pleito em razão da inexistência do crédito. Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 14/05/2007 (fl.120), o contribuinte apresentou “manifestação de inconformidade” em 14/06/2007 (fls.121/132) através de suas procuradores. Por intermédio do Acórdão DRJ/BEL nº 9.770 de 14/11/2007 (fls.178/181), não se tomou conhecimento da “manifestação de inconformidade” por considerala intempestiva. Destacamse do Acórdão os seguintes trechos: “Na forma do artigo 23, §2º, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, considerase efetivada a intimação, por via postal ou telegráfica, na data do recebimento. In casu, tal data se encontra expressa no AR (Aviso de Recebimento) de fl.124 como sendo 14/05/2007. Como a ciência ocorreu numa segundafeira, considerase que o termo a quo do prazo para impugnação se deu 15/05/2007 (1º dia da contagem do prazo), ou seja, na terça feira, conforme artigo 5º, caput e parágrafo único do citado Decreto” . “Ora, o contribuinte somente apresentou a peça impugnatória de fls.125 a 139 em 14/06/2007, ou seja, após o prazo de trinta dias concedido pelo artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972. Isso porque o trigésimo e último dia para entrega da impugnação ocorreu em 13/06/2007. logo, é de se considerar intempestiva tal reclamação administrativa”. “Isso posto, voto por não conhecer da manifestação de inconformidade. Dessa forma, o crédito tributário tornase definitivo na esfera administrativa, devendo a Delegacia de origem proceder à IMEDIATA cobrança dos débitos existentes neste processo” . Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 19679.000624/200333 Acórdão n.º 1102001.117 S1C1T2 Fl. 4 3 Tendo tomado ciência do Acórdão DRJ/BEL nº 9.770 em 21/12/2007 (fl.182), o contribuinte apresentou em 16/01/2008 o documento de fls.183/185, alegando em síntese que: 1. A manifestação de inconformidade foi apresentada via Correios em 13/06/2007; 2. Junta cópia do aviso de recebimento – doc.02 (fls.226/228); 3. No caso da remessa de impugnações pelos Correios, conforme ADN/COSIT nº 19/97, será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem, constante do aviso de recebimento; 4. Requer a anulação do Acórdão DRJ/BEL nº 9.770 e que seja proferida nova decisão. O documento de fls.183/185 foi recepcionado pela unidade de origem como Recurso Voluntário eis que encaminhado ao Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme informação de fl. 230. A Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, mediante a Informação de fls. 231/233, afirma que o documento apresentado não se trata de Recurso Voluntário, uma vez que a DRJ/BEL declarou a intempestividade da manifestação de inconformidade. O processo foi então encaminhado à DRF/Manaus, a qual, indevidamente, devolveu o processo ao CARF (fl. 236) . Novamente, via Despacho nº 110100.032 de 23/03/2012 (fls.237/238), o CARF afirma não dever manifestarse sobre o requerimento de fls.183/185, mas tão somente determinar a devolução dos autos à DRJ/BEL para fins de verificar, à luz dos novos documentos trazidos pelo contribuinte, a possibilidade de anular ou revogar o Acórdão DRJ/BEL nº 9.770 (fls.178/181). A 1ª Turma da DRJ/BEL emite o despacho nº 63, de 1 de junho de 2012 (fls. 240 – 242), indeferindo a anulação do Acórdão DRJ/BEL nº 9.770 de 14/11/2007 (fls.178/181), por considerar que a recorrente não comprovou que o AR juntado aos autos pertence ao processo em epígrafe, conforme trecho a seguir: Ocorre que os documentos de fls.226/228 não trazem nenhum elemento que estabeleça vínculo dos mesmos com a manifestação de inconformidade de fls. 121/132, senão vejamos: 1) Não consta nesses documentos o nº do processo administrativo; 2) Não consta do processo administrativo em tela o envelope onde teria sido encaminhada, via postal, a manifestação de inconformidade; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 19679.000624/200333 Acórdão n.º 1102001.117 S1C1T2 Fl. 5 4 3) O contribuinte, em nenhum momento diz, na manifestação de inconformidade, que a mesma estava sendo encaminhada via postal, bem como não faz referência à data de postagem . Dessa maneira, não restou comprovada pelo contribuinte a apresentação da manifestação de inconformidade em 13/06/2007, via postal . Recurso voluntário apresentado às fls. 254 – 273, alegando em síntese: O fato de o número do processo administrativo não impossibilita a comprovação da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, porque há o carimbo de recebimento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Manaus em 14 de junho de 2007, ou seja, na mesma data indicada no Aviso de Recebimento apresentado; O fato de que o envelope em que o recurso fora enviado não estar presente nos autos é procedimento de competência exclusiva do órgão administrativo de acordo com o Ato Declaratório COSIT 19/1997; O argumento de que a recorrente não mencionou na manifestação de inconformidade que estava sendo encaminhada via postal e a falta de referência à data da postagem também não servem de suporte para fundamentar a decisão recorrida, por ausência de amparo legal para tal exigência. Este é o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares Preenchidos os requisitos legais, é de se conhecer o recurso voluntário interposto. Em suma, a recorrente postula pelo reconhecimento da tempestividade de sua manifestação de inconformidade a qual foi apresentada em primeira instância, divergindo do entendimento do despacho ora recorrido, pelas controvérsias que cercaram o AR que acompanhou o recurso via postal. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 19679.000624/200333 Acórdão n.º 1102001.117 S1C1T2 Fl. 6 5 Restringindose à matéria a tal falto, entendo por dar provimento ao recurso voluntário da recorrente, devendo os autos retornarem à primeira instância para apreciação do mérito da manifestação de inconformidade apresentada às fls. 178 – 181. Em homenagem ao princípio da amplo direito de defesa, do contraditório e do devido processo legal consagrados em nossa Constituição Federal/1988, bem como ao princípio da verdade material e do formalismo moderado os quais permeiam o processo administrativo fiscal, nos autos há todos os indícios de que o AR apresentado às fls. 226 – 227 acompanhou a manifestação de inconformidade da recorrente, considerando que há o carimbo de recebimento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Manaus em 14 de junho de 2007, ou seja, na mesma data indicada no Aviso de Recebimento apresentado. Ademais, falhou a Administração Pública ao não ter anexado nem a cópia do referido AR, nem do envelope carimbado enviado nos autos do processo, como assim determina as alíneas b) e c) do Ato Declaratório COSIT 19/1997: b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. Analisando caso semelhante, decidiu a 2ª Câmara do Conselho dos Contribuintes, no acórdão 10248.812, de 08 de novembro de 2007, em afastar a intempestividade declarada em primeira instância, considerando que o equívoco quanto à entrega da ciência de auto de infração em endereço desatualizado do contribuinte: Processo n° 11060.001630/200364 Recurso n° 152.399 Voluntário Matéria IRPF Ex.: 2001 Acórdão n° 10248.812 Sessão de 08 de novembro de 2007 Recorrente FLORI OUVI() JUNGES Recorrida 1ª TURMA/DRJSANTA MARIA/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NORMAS GERAIS. A reforma da decisão de primeira instância que considerou intempestiva a impugnação requer o retomo dos autos à instância a guo, para que o mérito do pedido seja devidamente apreciado, assegurandose assim o direito do sujeito passivo ao duplo grau de jurisdição do contencioso administrativofiscal. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 19679.000624/200333 Acórdão n.º 1102001.117 S1C1T2 Fl. 7 6 Intempestividade afastada. Recurso provido. Em face do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para AFASTAR A INTEMPESTIVIDADE da peça impugnativa e determinar o retomo do processo à Turma de Julgamento da DRJ Belém – PA , para apreciar o mérito do processo em epígrafe. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10680.912786/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em face do Acórdão nº 0238.0492ª Turma da DRJ/BHE, prolatado em 20 de março de 2012. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “DO DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 78 6/ 20 09 -0 6 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 192 2 O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 05), referente ao PER/DCOMP nº 36611.54617.311005.1.3.046138. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$2.082,56, representado por Darf recolhido em 31/01/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 193 3 Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” Julgando o litígio estabelecido, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, decide pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos da ementa e dispositivo do Acórdão recorrido, a seguir transcrito: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..” Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 09/04/201 (AR de efl 61), por meio do Termo de Ciência e Notificação de efls. 56/58, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 09/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do qual sustenta que: (a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito possivelmente “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; (b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524/2002 , que mencionado Decreto extrapola previsão legal dos limites da incidência do PIS Folha; (c) a decisão de Ia instância contraria o entendimento da Receita Federal, que na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 194 4 exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. (d) O Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não está prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; (e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança do PIS Folha (até porque as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002 dizem respeito à cooperativas de produção e não de trabalho); (f) a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998. Afirma que sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não pode prevalecer o entendimento de Ia instância. E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004 e cópia de balancete parcial referente ao mês do período de apuração do PIS Folha, dito como pago indevidamente (código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A contribuinte pretende compensar como pagamento indevido ou a maior valor recolhido sob o código de receita 8301 (PIS FOLHA DE PAGAMENTO), consoante consignado na DComp em causa. O despacho decisório eletronicamente emitido que deu origem ao presente processo entendeu que o crédito referente ao PIS folha, na forma solicitado pela contribuinte, seria inexistente, eis que já vinculado a suposto débito de PIS Folha, motivo pelo o qual não homologou a compensação declarada. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 195 5 Conforme relatado, em seu recurso voluntário, a contribuinte aduz que possivelmente tal conclusão “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio” Para melhor esclarecimento, adoto as palavras do julgador Márcio André Moreira Brito, em voto proferido no Acórdão nº 1146.072 – da 2ª Turma da DRJ/REC, quando de análise de caso similar ao aqui ocorrido: “a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Conquanto não padeça de qualquer vício o Despacho Decisório que, na análise do indébito, norteouse em informações de caráter confessional prestadas pelo próprio contribuinte, a este é facultado, caso se julgue prejudicado, interpor, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, Manifestação de Inconformidade para desconstituir, total ou parcialmente, tal confissão, já que o art. 214, do Código Civil, prevê que ‘A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou coação’. No entanto, do ônus probante que sobre ele recai de comprovar equívoco na confissão (art. 36, da Lei nº 9.784/99 e art. 333, I, do CPC), deve o contribuinte se desincumbir quando da interposição deste recurso, ao qual devem ser anexadas as correspondentes provas, na forma do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses previstas no §4º, deste artigo.”. Neste sentido fundamentou o Acórdão ora recorrido quando assim posicionou se: “Portanto, está correto o Despacho Decisório, uma vez que os indícios apurados com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte evidenciaram a inexistência do crédito pretendido. Estando correto o entendimento expresso no Despacho Decisório, caberia ao manifestante, na condição de postulante de um direito a crédito compensável, apresentar provas cabais da ocorrência do pagamento indevido ou a maior.” In casu, o Acórdão recorrido dá conta que a documentação anexada aos autos pela contribuinte é essencialmente constituída de cópia do comprovante de arrecadação, da DComp e do seu estatuto social, concluindo que tal documentação, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido de PIS – Folha de Salário. Em seu voto, seguido por unanimidade pelos membros do colegiado, o relator do Acordo recorrido esclarece que: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 196 6 “Nesse aspecto, tomandose o citado estatuto social, ainda que se considere a situação do contribuinte, na condição de federação regida pela legislação cooperativista, não há como afirmar, nem o manifestante alegou na defesa apresentada, que estaria dispensado do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, uma vez que a própria legislação prevê a hipótese de recolhimento concomitante dessa exação e do PIS Faturamento, a exemplo das disposições do § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que determinam que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de inconformidade apresentada, não há como reconhecer o direito creditório postulado, lembrando que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Em face de tal citação, a contribuinte, em seu recurso voluntário apresenta seus argumentos de defesa, visando demonstrar não se enquadrar na incidência do PIS Folha. Entre outras coisas alegações, argúi que a Autoridade a quo desconsiderou a Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. Anexa cópia da referida Solução de Consulta. Sobre tal consulta, esclarece que entendendo estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158. Não menciona quando a consulta foi formulada. Tal informação é confirmada pela leitura da referida Solução de Consulta, cuja cópia foi anexada ao recurso, e de onde se extrai trechos de parágrafos ali inserto: “A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n° 5.674/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência atuação, tratandose também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. Cita o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto 2001, ao qual faz menção aos sindicatos, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Cofins as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários.” A referida solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, em sua parte dispositiva assim decide: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 197 7 “À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.”(grifei) Verificase que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, na parte dispositiva, não se pronunciou especificamente sobre o art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. É verdade que a Solução de Consulta vincula o consulente. Mas, tal vinculação fica adstrita aos termos expostos na consulta. De modo que, em caso de a Solução de Consulta não contemplar a hipótese prevista no art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, a contribuinte possui o ônus de comprovar a não ocorrência das deduções mencionadas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. Embora a recorrente alegue não ter efetuado tais deduções quando do cálculo dos valores do PIS Faturamento cujas apurações, diz, foram efetuadas na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998, depositados judicialmente, e, embora tenha anexado planilha de cálculo de apuração do PIS Faturamento e Balancete Parcial referente ao mesmo período de apuração do alegado crédito do PIS Folha, de suas análises não se detectou se as sobras de que trata o art. 32, VI do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de cálculo. Ressaltese que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. Por outro lado, em seu recurso voluntário, a contribuinte menciona ter impetrado Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, no qual foram efetuados depósitos judiciais do PIS Faturamento, sob o código 7460. Em consulta ao sistema eprocesso, verificase que tal Mandado de Segurança encontrase controlado por meio do Processo nº 10680.010675/200289 e foi preventivamente impetrado em 18/06/2002, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. O Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732 encontrase em fase de Recurso especial nº 1.366.315 MG (2012/00896109), sobrestado, pelo o fato de que, nas palavras da Decisão proferida pelo o relator Ministro Humberto Martins, “referida temática encontrase afetada à Primeira Seção do STJ, aguardando o julgamento do REsp 1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC)” A Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, que dispõe sobre a consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, vigente à época da emissão da Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 15estabelece: “Art. 15 . Não produz efeitos a consulta formulada: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 198 8 (...); IV sobre fato objeto de litígio, de que o consulente faça parte, pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial; (...).”(grifei). Viuse acima que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo em 18/06/2002 e que a Solução de Consulta nº 412 foi emitida em 15 de dezembro de 2004. Em ambos a contribuinte pretendia ser tributado pelo PIS Folha e não sobre o PIS Faturamento. Não se tem a informação, porém, de quando a contribuinte apresentou na RFB a sua consulta, se antes ou depois de ter impetrado o Mandado de Segurança e em quais termos foi a mesma formulada, de modo a saber se a sua consulta teria ou não efeito, consoante a previsão contida no inciso IV do art. 15 da IN 230/2002 acima transcrito. Necessário, portanto, ter o conhecimento dessa informação, para que se decida com segurança acerca do presente litígio. Assim, tendo em vista que: ● o recurso voluntário devolve à Administração, em segunda instância, a revisão dos fundamentos do Acórdão recorrido, naquilo em que foram contestados pela contribuinte; ● somente no Acórdão da Autoridade a quo foi feita menção ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; ● a contribuinte impetrou em 18/06/2002 Mandado de Segurança preventivo , objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”; ● igualmente, por entender estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158; ● tendo havido recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e depósito judicial sobre o faturamento, mostrase viável que possa haver efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição; ● não restou comprovado que a contribuinte efetivamente não efetuou deduções previstas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, consoante suas alegações; ● sendo determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação das informações e documentos, já acima mencionados; Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912786/200906 Resolução nº 3302000.447 S3C3T2 Fl. 199 9 i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii)Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii) retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10882.904448/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/02/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 44 48 /2 01 2- 11 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904448/201211 Acórdão n.º 3801003.688 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904448/201211 Acórdão n.º 3801003.688 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904448/201211 Acórdão n.º 3801003.688 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904448/201211 Acórdão n.º 3801003.688 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904448/201211 Acórdão n.º 3801003.688 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904448/201211 Acórdão n.º 3801003.688 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904884/2012-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 19/10/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 19/10/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 84 /2 01 2- 91 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904884/201291 Acórdão n.º 3801003.690 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904884/201291 Acórdão n.º 3801003.690 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904884/201291 Acórdão n.º 3801003.690 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904884/201291 Acórdão n.º 3801003.690 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904884/201291 Acórdão n.º 3801003.690 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904884/201291 Acórdão n.º 3801003.690 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.004062/2007-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04.
O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Há que se reconhecer DACON retificadora, ainda que apresentada a destempo, sobretudo quando a própria DRJ reconhece o crédito a que faz jus a Recorrente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente o Dr. Richard Espíndola Silva, OAB/SC 21.733.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04. O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Há que se reconhecer DACON retificadora, ainda que apresentada a destempo, sobretudo quando a própria DRJ reconhece o crédito a que faz jus a Recorrente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente o Dr. Richard Espíndola Silva, OAB/SC 21.733. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04. O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Há que se reconhecer DACON retificadora, ainda que apresentada a destempo, sobretudo quando a própria DRJ reconhece o crédito a que faz jus a Recorrente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente o Dr. Richard Espíndola Silva, OAB/SC 21.733. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 62 /2 00 7- 81 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS e da COFINS, bem assim de créditos decorrentes da nãocumulatividade de tais Contribuições. A DRJ manifestou se no sentido do reconhecimento parcial do direito creditório postulado. Não foram deferidos, inicialmente, os créditos destacados como insumos na criação de aves pelo sistema de integração, no tocante a parcela de aves que cabe ao produtor integrado. Além dessa glosa foram alterados os valores do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. As aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate pintos de um dia foram objeto de creditamento pela requerente ao percentual de 0,99%, todavia tais insumos ensejam na aplicação do percentual de 0,5775%, razão pela qual foram glosados os valores que excedem ao permitido. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, em que discorre sobre a nãocumulatividade e defende que teria direito ao crédito integral das aquisições de farelo de soja e não apenas do crédito presumido. O farelo de soja, adquirido pela contribuinte, proveniente de cooperativas pessoas jurídicas, e por isso submetido a tributação de PIS e das COFINS. Para tanto, o direito creditório da recorrente, tem fundamento nos artigos 3 da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003 que estabelecem a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, a recorrente faz jus ao crédito na integralidade da aquisição, por se tratar de insumo utilizado na sua produção, merecendo reforma a decisão. Alega a contribuinte que no que se refere a glosa sobre aquisição de milho em grãos, a autoridade fiscalizadora, desprezou, na apuração do crédito presumido, posto que não estavam abrangidos pela suspensão do PIS e da COFINS. A requerente adquiriu, farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para a bate e pinto de um dia, salienta que o Fisco aplicou, para apuração do crédito presumido o Fl. 403DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004062/200781 Acórdão n.º 3403003.142 S3C4T3 Fl. 14 3 percentual de 35% da alíquota de 1,65% para PIS e de 7,60% para a COFINS quando deveria ter considerado o percentual de 60%. A requerente fala em credito presumido, referente a lei 10.225/2004 e Lei 10.925/2004, determina a alíquota é em função do produto comercializado e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos meio necessários a obtenção do produto final. Sendo assim, alega ser detentora do crédito presumido no percentual de 60%, pois é pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal para alimentação humana, classificação no capitulo 02 e 16 da TIPI. Alega que o entendimento fazendário esta equivocado no que se refere aos créditos glosados referentes a insumos na criação de aves pelo sistema de integração. Disserta sobre contratos de parceria rural, estabelecido pelo Estatuto da Terra, colecionando entendimento exarado pela RFB no parecer Normativo CST 68/1976. Os insumos para criação de aves no sistema de parceria, seriam unicamente da Requerente sem que os produtores rurais prestem qualquer contraprestação. Desta maneira poderia ser objeto de credito de PIS e COFNS, devendo ser considerados todos os dispêndios de bens e serviços relacionados ao processo fabril. Decidiu a DRJ que o sistema de parceria rural para frango de corte é empregado no setor avícola tradicionalmente. A requerente assume obrigação de fornecer ao produtor os insumos da produção, quais sejam pintos de um dia, rações, medicamentos e demais insumos que se fizerem necessários. Enquanto isso, o produtor oferece instalações físicas adequadas, água potável e energia elétrica suficiente e mão de obra necessária. Em contrato estabelecem que o produtor receberá percentual dos quilos dos frangos, produzidos, em conformidade a tabela anexada aos autos, e converte em valores monetários a parte correspondente ao produtor, sendo assim não cabe ao produtor negociar a produção com outra empresa que não a recorrente. Isto posto, decidiu a DRJ, que a autoridade fiscal equivocouse, pois a produção pertence totalmente a requerente, portanto, todos os insumos utilizados na produção destes frangos são passiveis de creditamento. Por outro lado, os pagamentos efetuados pela requerente aos seus parceiros correspondem a remuneração paga a pessoa física, não concedendo credito não cumulatividade. Do Crédito Presumido estabelecido no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 Assim está incorreta a glosa procedida pela DRF/Florianópolis. O farelo de soja adquirido pela Recorrente seria produto industrializado por cooperativas pessoas jurídicas e por estas submetido A tributação do PIS e da COFINS. Logo, o direito creditório da Recorrente encontraria fundamento de validade no artigo. 3 ° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei no 10.833/2003, que estabelecem propriamente a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Dessa forma, decidiu a DRJ, a Fl. 404DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Recorrente teria direito a crédito sobre a integralidade das aquisições de farelo de soja, eis que é insumo utilizado na produção de bens (frangos congelados) destinados a venda, merecendo reforma a decisão recorrida. Na glosa a que se refere a aquisição de milho em grão, pela requerente, a autoridade administrativa desprezou a apuração do crédito presumido do 1º trimestre/2006 não estavam abrangidos pela suspensão do PIS e da COFINS. Em relação As aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate e pintos de um dia, a interessada salienta que o Fisco aplicou na apuração do crédito presumido o percentual de 35% da aliquota de 1,65% para o PIS (art. 2° da Lei n°10.637/2002) e 7,60% para a COFINS (art. 2 ° da Lei n° 10.833/2003), quando deveria ter considerado o percentual de 60%, afrontando ao dispositivo supra transcrito. A requerente fala em crédito presumido, referente a lei 10.225/2004 e Lei 10.925/2004, determina a alíquota é em função do produto comercializado e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos meio necessários a obtenção do produto final. Sendo assim, alega ser detentora do crédito presumido no percentual de 60%, pois é pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal para alimentação humana, classificação no capitulo 02 e 16 da TIPI. O caput do artigo 8 da Lei 10.925/2004, estabelece a possibilidade de desconto de créditos presumidos em aquisição de alguns produtos agrícolas, vendidos por pessoa física, destinado a produção de alimentos para consumo humano. A instituição do crédito presumido estava alicerçada no fato de que como pessoas físicas não são contribuintes de PIS/PASEP , suas vendas não dariam possibilidade do desconto de um crédito normal.. Os adquirentes dariam preferência da aquisição, das pessoas jurídicas, que alem do produto propiciariam descontos do crédito não cumulativo. Com a publicação da Lei 10.684 de 30 de Maio de 2003, inseriu na Lei 10.637/2002 os incisos X e XI no artigo 3º dessa lei, com isso o credito presumido passou a ser apurado a uma alíquota de 1,155% do o valor da aquisição dos bens e serviços utilizados como insumo de produção ou fabricação de bens ou destinados a venda para alimentação humana ou animal. Em 2003 com a publicação da Lei 10.833, concedeu o mesmo tratamento á matéria na legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS. A alíquota aplicável para apuração do credito presumido da COFINS era de 6,08% Com a publicação da Lei 10.924/2004, revogouse as normas anteriores, e estabeleceuse novas regras para o crédito presumido. Para usufruir de descontar o crédito presumido que estabelece o artigo 8 da Lei 10.925/2004, devese atender algumas condições de forma concomitante: Vejamos: 1 pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real,e submetido a incidência da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; 2 que produzam mercadorias de origem vegetal ou animal, classificados nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004062/200781 Acórdão n.º 3403003.142 S3C4T3 Fl. 15 5 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08,0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99,1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal; 3 que esses bens ou insumos sejam utilizados como insumos na produção ou fabricação dos produtos acima mencionados, Em relação a aquisição de insumos, para que se tenha direito ao crédito presumido elas devem ser efetuadas junto a: 1 pessoa física (ou insumos recebidos de cooperados pessoa física) 2 cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazena e comercializar do produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01 do NCM; 3 pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura e 4 pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. O percentual a ser aplicado para apuração dos créditos presumidos, o § 3º do artigo 8º da Lei 10.925/2004 estabelece qual alíquota aplicável sobre o valor da aquisição sendo 60% para produtos animais e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais e de 35% para os demais produtos. Relativamente ao percentual deve ser observada a natureza do insumo e não a atividade da contribuinte. No tocante as alegações da contribuinte quanto a aplicação do percentual para apuração de créditos presumidos, mostrase desarrazoada a alegação da recorrente, onde a alíquota seria baseada em função do produto comercializado pelo detentor do direito creditório e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos ou meio necessários a obtenção do produto final. A aplicação do montante de 60% de alíquota do crédito presumido, se dá apenas quando se tratarem de aquisições de produtos de origem animal, as misturas e preparações de gorduras ou de óleos animais. Portanto, correta a aplicação do percentual de 35% para o cálculo do crédito presumido. No que se refere ao regime jurídico suspensivo da Contribuição ao PIS e a COFINS salientase que os fornecedores não são só pessoas físicas, incluiuse pessoas Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 jurídicas que, em decorrência do artigo 9º da Lei 10. 925/2004, tiveram direito a suspensão do pagamento da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS quando da venda dos produtos agropecuários pelas pessoas jurídicas citadas no artigo 8º, § 1. É atribuído a Secretaria da Receita Federal, conforme artigo 9, § 2º da Lei 11.051/2004, a determinação dos termos e condições sob os quais seriam aplicadas a suspensão da exigibilidade das contribuições. Esses termos e condições foram estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal pela IN SRF nº 636/2006, após sendo substituída pela IN SRF 660/2006, sendo esta a suspensão da exigibilidade das contribuições entraria em vigor a partir do dia 04 de abril de 2006. No que concebe as aquisições de cooperativas, estando estas sujeitas a tributação, cabe desconto de créditos integrais em relação as aquisições de produtos agroindustriais, (alíquotas de 1,65% e 7.6%). A aquisição da contribuinte de farelo de soja e milho em grãos, realizadas no 1º Trimestre de 2006, junto a pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, em tese, concedem direito a créditos como insumos do processo produtivo. Porém, a Recorrente incluiu estes créditos em seu demonstrativo de apuração das contribuições (Dacon) originais como sendo créditos presumidos de atividade agroindustriais. Sendo assim, o requerimento da interessada, a que seja reconhecido o direito ao crédito destas aquisições como bens utilizados como insumos no processo produtivo, não pode ser atendido pelo órgão Julgador. Tal fato decorre de ser condição para creditamento que o contribuinte informe no DACON, todos os valores para apuração das contribuições devidas este demonstrativo precisa ser apresentado antes da analise do pedido de ressarcimento por parte da autoridade administrativa competente. A Dacon foi instituída pela IN SRF 387/2004, estipulando a obrigatoriedade da entrega para pessoas jurídicas de direito privado e que lhes são equiparadas a Legislação do IR, submetidas à apuração da Contribuição para PIS/PASEP e da COFINS nos regimes cumulativos e não –cumulativos, estabelecidos no artigo 3º. A IN SRF 460/2004, exige que a informação na DACON, seja feita pela contribuinte, em todas as operações que influenciem a apuração dos valores devidos das contribuições, como condição para o creditamento. Após ciência do Despacho Decisório, a interessada, apresentou DACON retificadora alterando os créditos informados no demonstrativo original. Essa alteração na DACON, não surte efeito sobre a decisão prolatada, pois a contribuinte trás para o presente âmbito questões que não foram analisadas, pois não se instaurou qualquer litígio. O artigo da Portaria MF 125, as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete apreciar manifestações de inconformidade do sujeito passivo contra as autoridades competentes acerca de pedidos de compensação e ressarcimento de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004062/200781 Acórdão n.º 3403003.142 S3C4T3 Fl. 16 7 Considerando a prova trazida pela contribuinte a Dacon ratificadora não foi apreciado pela DRF em Florianópolis, pois tratase de inovação cuja analise não pode ser efetuada nesta instancia de julgamento. Assim, em sendo exigência da legislação de regência do tributo que a utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apuradas na sistemática da não cumulatividade, seja estabelecida pelo contribuinte por meio da Dacon, e não tendo a interessada informado estas aquisições como bens utilizados como insumos no processo produtivo, este órgão julgador mantém a glosa proposta pela DRF/Florianópolis, não procedendo com a alteração de natureza do crédito solicitada. Assim, a DRJ acolheu reconheceu em parte o direito creditório pleiteado. Os créditos referentes aos insumos utilizados na parceria rural avícola foram restabelecidos, sendo mantida a glosa em relação ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que requer a manifestação do CARF sobre o conceito de insumo, posto que o Acórdão recorrido teria incorrido em equívoco e reitera os seus argumentos. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, O Acórdão recorrido não ingressa no conceito de insumo, reconhecendo o direito da Recorrente no sistema de parceria agrícola. Em verdade, a discussão dos presentes autos restringese ao percentual de crédito presumido aplicado, posto que a Recorrente defende que o percentual seria de 60% e não 35%, sob o argumento de que o percentual não se refere ao produto, mas sim à sua atividade de venda de produtos animais. E, ainda, constitui objeto do presente processo o crédito nãocumulativo da Recorrente, devidamente reconhecido na decisão da DRJ, mas não aplicável porque tais valores não constariam de sua DACON quando de seu pedido. De acordo com a própria DRJ, a DACON foi retificada após o despacho decisório, não tendo sido objeto de verificação pela DRF de origem e, portanto, tal alteração não poderia ser aceita para fins de seguimento do crédito da Recorrente. Relativamente à aplicação do percentual de 60% ou 35%, Essa questão já foi enfrentada e decidida por unanimidade de votos por este colegiado ao proferir o Acórdão 3403 002.139, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, in verbis: “(...) O último tema a requerer enfrentamento diz com o crédito presumido outorgado pelo artigo 8º da Lei no. 10.925/04 às empresas do segmento em que atua a ora recorrente, a agroindústria. Eis o dispositivo, tal como vigente à época dos fatos: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05,0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 21.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) §2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no §4º do art. 3º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. §3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I – 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 15.16.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II – 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. A controvérsia posta nos autos é exclusivamente de direito e reside toda ela na compreensão do § 3º acima transcrito. Calculado sobre o valor dos insumos adquiridos pela agroindústria, o crédito presumido corresponderá, de acordo com o preceito, a 60% ou a 35% daquele concedido pelo artigo 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, a depender do produto. Enquanto os produtos de origem animal listados no inciso I rendem à agroindústria crédito presumido de 0,99% e 4.56%, respectivamente para PIS e para COFINS, os demais, inclusive os de origem vegetal, proporcionam créditos menores, cujas alíquotas equivalem a 0,5775% e 2,66%. Fiandose na literalidade do texto, a recorrente interpreta a menção ao “produto” como uma referência à mercadoria a que o agroindustrial dá saída. Sob sua perspectiva, independentemente da natureza do insumo adquirido, se a agroindústria promove a venda de produtos de origem animal, seu crédito presumido é determinado pelas alíquotas de 0,99% e 4,56%. Como a recorrente produz carnes avícolas e suínas, seu Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004062/200781 Acórdão n.º 3403003.142 S3C4T3 Fl. 17 9 procedimento consistiu em apurar o crédito presumido segundo estes percentuais. Já a DRF encarregada da auditoria atribui outro sentido ao dispositivo. De acordo com a sua leitura, o valor do crédito presumido varia não em função do bem produzido pela agroindústria, mas em razão da natureza do insumo adquirido. Insumos de origem animal– pouco importa a espécie de produto em que empregados – forneceriam o crédito presumido do inciso I, ao passo que insumos vegetais garantiriam o crédito presumido de menor valor, previsto no inciso II. Como a maior parte dos insumos que a recorrente emprega é de origem vegetal (rações), a glosa consistiu na redução do valor do crédito ao menor percentual previsto pelo art. 3º. Para subsidiar suas conclusões, a fiscalização invocou o artigo 8º, da IN SRF no. 660/06, cujo texto claramente diferencia o montante do crédito presumido em função da natureza do insumo adquirido e não do produto que com ele se obtém. Veja se: “Art. 8º. Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7o, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS será apurado com base no seu custo de aquisição. §1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I – 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 15.16.10 da NCM; das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; II – 0,5775% (cinco mil setecentos e setenta e cinco décimos de milésimos por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente no caso dos demais insumos.” Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5º de seus respectivos artigos 3ºs. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria aquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido –neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até anti isonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1º). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: “4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004062/200781 Acórdão n.º 3403003.142 S3C4T3 Fl. 18 11 são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subseqüentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.” Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF no. 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8º, da Lei no. 10.925/04 define o montante do crédito presumido. Daí porque, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte, a fim de reconhecer à recorrente o direito de apropriálo nos valores em que originalmente o fez. (...)” Tendo em vista que o caso concreto em tudo se assemelha à situação fática sopesada por este colegiado por ocasião da prolação do Acórdão 3403002.139, adoto os fundamentos acima para reformar o acórdão de primeira instância, nesta parte, revertendo a glosa efetuada pela fiscalização, uma vez que o crédito presumido ao qual faz jus a recorrente deve ser calculado na forma do art. 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, ou seja, com o percentual de 60% a ser aplicado sobre o valor do crédito apurado com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Relativamente a ausência de informação do crédito na DACON, conforme decidido pela DRJ, julgo relevante observar que a DRJ decidiu o seguinte: “Assim sendo, as aquisições da contribuinte de farelo de soja e milho em grãos, efetuadas no primeiro trimestre de 2006 junto a pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, em tese, concedem direito a créditos como insumos do processo produtivo.” (fls. 372) Mas em razão do disposto no §2º, do artigo 21 da Instrução Normativa nº 460/2004, que dispõe que os créditos somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 12 após a entrega pela pessoa jurídica da DACON do trimestrecalendário de apuração, a DRJ negou o crédito quanto a esse ponto. No presente caso, a Recorrente, quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, juntou a DACON retificadora, que se refere a um título devidamente reconhecido pela DRJ, que apenas não lhe foi outorgado por um aspecto formal. Segundo a DRJ, a DRF de origem não teria analisado a DACON, o que impediria o seu reconhecimento na Manifestação de Inconformidade. Entendo que há excesso de formalismo por parte da DRJ, pois, especificamente, a própria DRJ reconhece o crédito, e a Recorrente, na fase em que lhe é facultado a juntada de documentos, acostou a DACON retificadora. Nessa linha de raciocínio, a DACON, em meu pensar, se presta a informar a Receita Federal o montante de crédito apurado pela Recorrente, mas não configura condição imprescindível ao reconhecimento do crédito no presente caso, eis que o crédito constou no pedido de ressarcimento e foi amplamente debatido nos autos. Faço referência ao Acórdão nº 3302002.224, relatado pelo Conselheiro Alexandre Gomes, da 2ª Turma Ordinária (3ª Câmara – 3ª Seção), em que restou decidido que o pedido de repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou DACON, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquid ez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, diante do reconhecimento, pela DRJ, de que a Recorrente teria direito ao crédito, da verificação dos próprios créditos e, ainda, da própria DACON retificada pela Recorrente, que simplesmente sumariza em termos de valor o crédito reconhecido pela DRJ, constante nos autos, não vejo como negálo. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a aplicação do percentual de 60%, bem como reconhecer os créditos decorrentes da aquisição de farelo de soja e milho em grãos, realizadas no 1º Trimestre de 2006, junto a pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 413DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004062/200781 Acórdão n.º 3403003.142 S3C4T3 Fl. 19 13 Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 414DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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