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Numero do processo: 10980.908557/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/12/1999
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO
É cabível a exigência da multa moratória e juros, quando verificado que o sujeito passivo recolheu o tributo após o prazo de vencimento, ainda mais diante da verificação de que a declaração do tributo em DCTF, fora feita previamente ao seu pagamento.
Numero da decisão: 3803-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/12/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO É cabível a exigência da multa moratória e juros, quando verificado que o sujeito passivo recolheu o tributo após o prazo de vencimento, ainda mais diante da verificação de que a declaração do tributo em DCTF, fora feita previamente ao seu pagamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 53 1 52 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.908557/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.574 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente SIGMA DATASERV INFORMÁTICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/12/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO É cabível a exigência da multa moratória e juros, quando verificado que o sujeito passivo recolheu o tributo após o prazo de vencimento, ainda mais diante da verificação de que a declaração do tributo em DCTF, fora feita previamente ao seu pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 85 57 /2 00 8- 13 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 54 2 Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de Curitiba, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida com a finalidade de compensar débitos de COFINS com crédito proveniente do recolhimento a maior de COFINS. O despacho decisório está anexo à fl. 02, sendo que neste a RFB exige saldo devedor acrescido de multa e juros. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 11/21 reclamando basicamente o reconhecimento dos efeitos da denúncia espontânea. A fim de melhor compreender as razões que levaram a DRJ decidir pelo indeferimento do pleito, anexo às fls. 32/36 a ementa que possui o seguinte teor: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 10/12/1999 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS FEITOS EM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, como se pode perceber, os julgadores de piso negaram o pedido de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea em razão de que o recolhimento do tributo foi efetuado após a data de seu vencimento e por este motivo é devida a multa moratória, com fundamento no art. 84 da Lei n.º 8.981/95, bem como no art. 61da Lei n.º 9.430/96. Ademais, quero crer que a Fazenda Nacional parte do pressuposto de que a multa exigida não tem o caráter sancionatório e sim indenizatório, logo não deve ser afastada por meio da denúncia espontânea. A decisão sustentase ainda na redação da Súmula n.º 360 do STJ, cuja redação é a seguinte: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Já no recurso voluntário, anexo às fls. 43/51, o contribuinte argumenta que realizou o recolhimento do tributo, declarado em DCTF, acrescido de juros de mora e deste modo aplicase perfeitamente o art.138 do CTN na medida em que este dispõe que a responsabilidade é excluída quando ocorre o pagamento do tributo e dos juros de mora, antes de iniciado o procedimento de fiscalização. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 55 3 Comenta ainda que da redação do art. 138 não é possível interpretar que somente a multa sancionatória não pode ser afastada por meio da denúncia espontânea, visto que não há qualquer distinção neste artigo. Cita em sua defesa, decisão do STJ no Resp n.º 774.058/PR e outros julgados no sentido de que este tribunal manifestou entendimento de que tanto a multa moratório, quanto a multa indenizatória são excluídas pela denúncia espontânea e por fim tece criticas contra a Sumula n.º 360 do STJ, visto que esta privilegia aquele contribuinte que não declara o tributo ao Fisco e prejudica o que cumpre a obrigação imposta pela lei. O contribuinte arremata solicitando a reforma da decisão em foco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a questão de fundo referese a aplicação ou não da denúncia espontânea diante da verificação da declaração do tributo em DCTF, porém pago após o vencimento do prazo de recolhimento. Em relação a este assunto já de início é preciso lembrar que consta importante decisão exarada pelo STJ no Resp n.º 1149022 / SP, julgado em 09/06/2010: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.[grifo aqui] 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 56 4 REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008).[grifo aqui] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. RESP 1149022, Min. Luiz Fux Do item “1” ementa, acima, destaco que a denúncia espontânea somente “resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário[...]”. Dessa posição apreendese que antes de regularmente transmitida a DCTF não há que se falar em denúncia espontânea. Simples assim. Com efeito, a matéria já foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça nos moldes do art. 543C do Código de Processo Civil, tendo como recurso representativo de controvérsia o REsp nº 1.149.022, acima transcrito, logo há necessidade de destacar o seguinte trecho do voto: Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Além do que, o contribuinte afirmou em seu recurso voluntário que recolheu o tributo após a declaração do débito em DCTF. Conseqüentemente, a interpretação do referido tribunal em relação aos efeitos da denúncia espontânea precisa ser produzida pelo CARF, conforme exige o art. 62A do regimento interno do colegiado. Deste modo, por considerar correta a orientação dada pela Súmula n.º 360 do STJ em relação à matéria e também principalmente em razão da percepção de que a declaração do tributo em DCTF configura constituição do crédito tributário, por força de lei, “data vênia”, entendimento contrário, não vejo como se possa afastar a incidência de multa e juros no presente caso. Assim, se houve a constituição do crédito tributário, sujeito ao lançamento por homologação, não há que se falar em espontaneidade do sujeito passivo e por isso o pleito deve ser indeferido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 57 5 Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900238/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
Recurso voluntário negado.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 02 38 /2 01 0- 12 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº0346.756, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Compensação NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. ÁNALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tratase de DCOMP transmitida com fundamento em suposto crédito de COFINS no valor de R$ 132.240,24 (cento e trinta e dois mil, duzentos e quarenta reais e vinte e quatro centavos) decorrente de pagamento indevido ou a maior, relativamente aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2002. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.900238/201012 Acórdão n.º 3802001.530 S3TE02 Fl. 112 3 Foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado na DCOMP. Cientificada do referido despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou como razões para o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação efetuada, na forma explicitada pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que: O art. 8º da Lei nº 9.718/98, além de majorar a alíquota da COFINS de 2% para 3%, instituiu complexo mecanismo de compensação de até 1/3 da contribuição efetivamente paga, com a CSLL; As restrições contidas nos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/98 permitem que um contribuinte que tenha auferido lucro também tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação; ao revés, outro contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado, portanto, em tese, com menor capacidade contributiva, estaria sujeito a uma carga tributária maior, por não poder se valer da compensação; A impossibilidade legal de caracterização de saldo do terço da COFINS para utilização em períodos subsequentes criando situação de desigualdade entre os contribuintes; Pretendeuse a revogação do benefício por meio da Medida Provisória nº 1.85811/99 até a Medida Provisória nº 2.15835/01, até hoje não convertida em lei, cuja eficácia sucumbiu ao efeito derrogatório das normas editadas posteriormente; Em observância ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva, pugna pelo reconhecimento de seu pleito, sob o fundamento da inconstitucionalidade da forma prevista para a dedução da CSLL. De acordo com o órgão julgador a quo “o recorrente não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado”. Além disso, “uma vez não localizado o DARF origem do crédito informado na DCOMP, fica demonstrada a inexistência do direito creditório apontado nessa declaração, sendo correta a sua não homologação”. Assevera ainda que “podese inferir que a contribuinte pretendeu, na realidade, utilizar em sua compensação suposto indébito tributário cujo direito de proceder à restituição ou compensação já estava extinto na data de transmissão da DCOMP, pois o recolhimento fora efetuado há mais de cinco anos (artigo 168, I, CTN). Ademais, conforme apontado pela DRF de origem, o referido DARF já fora devidamente alocado.”. Por fim, ressalta que, o benefício de compensação de parte da COFINS auferida com a CSLL devida, “vigeu somente para pagamentos efetuados até 31/12/1999, haja vista que a sua efetiva revogação, a partir de 1º/01/2000, pelo artigo 35, III, da Medida Provisória nº 1.85810 (DOU 27/10/1999), posteriormente reeditada na Medida Provisória nº 2.15835/2001, que continua em vigor conforme artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001.”. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Intimada acerca do teor da decisão de 1ª instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, em síntese: A estranheza da ausência de localização do DARF da origem do crédito indicado na DCOMP, uma vez que as autoridades julgadoras tem acesso às informações de arrecadação junto ao sistema da RFB, bem como nas informações declaradas pelo contribuinte, seja DCTF, seja DIRPJ; A impossibilidade de transmissão da DCTF que informe pagamento a maior, razão pela qual o DARF de pagamento da COFINS foi indevidamente alocado, com base em incorreta informação, podendose constatar o valor corretamente devido a título da contribuição através da análise da DIPJ; O dever da autoridade administrativa de proceder à retificação de ofício dos erros contidos na declaração, no sentido de corrigir o valor do débito de COFINS, para quem, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL; A inocorrência da prescrição do direito da interessada pleitear a restituição e/ou compensação da COFINS com base no art. 168, I, CTN, tendo em vista que a DCOMP foi transmitida quatro anos após o pagamento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Tratase de pedido de restituição de créditos da COFINS, baseada no regime tributário estabelecido pelo artigo 8o da lei 9718/98, como frisa o próprio Recorrente em sede recursal: Assim, quando a empresa apura determinado valor de tributo a ser pago, este valor devido assim como seu pagamento é informado através de DCTF, conforme ocorreu no presente caso. A empresa apurou o valor do tributo de acordo com o artigo 8o da lei 9718 e efetuou o recolhimento, constando na DCTF os valores apurado e recolhido. Ressaltese que a DCTF não permite se fazer a compensação, tem de informar o valor total pago. O referido art. 8o da lei 9.718/98 assim dispunha: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2 A compensação referida no §1°: Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.900238/201012 Acórdão n.º 3802001.530 S3TE02 Fl. 113 5 II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Acontece que tal regime tributário foi revogado pela Medida Provisória 1858, a qual determinou a produção de efeitos da referida revogação a partir de 01/01/2000, nos termos abaixo: Art. 35. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Medida Provisória em tela foi revogada posteriormente pela Medida Provisória 2158. No entanto, a norma revocatória acima permanece vigente até os dias atuais, dado que a MP 2158, cuja reedição de nº 35 foi mantida sem prazo determinado de vigência por força da Emenda Constitucional nº 32, mantém as mesmas disposições, no art. 93, III, in verbis: Art. 93. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Assim, não procede a alegação do Recorrente no sentido de que: Ou seja, se a Lei permitia que o contribuinte compensasse 1/3 do valor pago do COFINS, se o contribuinte lançando mão da única forma que tinha para exercer esse direito, através de DCOMP, e se a DCTF não permite que o contribuinte informe um valor devido a menor (2/3) do que o valor pago (3/3), para que seja compensado 1/3, a autoridade tem o DEVER de proceder a retificação de ofício, no sentido de retificar o valor devido, para que, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a efetiva compensação de 1/3. E não procede por uma razão muito simples: ao contrário do que supõe o Recorrente, a lei não permitia mais a compensação referida quanto aos fatos geradores objeto do pleito. A rigor, essa é uma das razões pelas quais restava inviável a utilização de DCOMP para o procedimento pretendido pelo Recorrente. Dado, portanto, que os fatos geradores objeto do presente pedido de restituição ocorreram no período de novembro de 2002 – ou seja, posteriormente à revogação Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 da norma que embasa o crédito pedido pelo Recorrente –, não há como reconhecer legitimidade ao montante pleiteado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10880.915202/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/10/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA. DIREITO DE COMPENSAÇÃO.
A multa recolhida referente a tributo federal em que o contribuinte tenha feito a denúncia espontânea de acordo com a previsão no art. 138 do CTN é indevida e, portanto, pode ser compensada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. A multa recolhida referente a tributo federal em que o contribuinte tenha feito a denúncia espontânea de acordo com a previsão no art. 138 do CTN é indevida e, portanto, pode ser compensada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 02 /2 00 9- 90 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, não reconhecendo o direito creditório constante da Declaração de Compensação n° 05572.54725.270706.1.3.040339 (fl. 01). Essa declaração almeja compensar débitos de IRPJ com crédito oriundo de pagamento indevido de multa moratória em razão da ocorrência do instituto da denúncia espontânea. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 27/07/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil (RFB) que emitiu o Despacho Decisório de fl. 02, com o seguinte teor: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 195.382,21. Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final da período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Assim o despacho negou a homologação do crédito tributário por considerar que o pagamento indicado, referese a estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformado, o contribuinte impugnou o despacho decisório através de manifestação de inconformidade (fls. 06 a 16), na qual alega, em síntese: a) que o pagamento utilizado na DCOMP em comento foi pago após o vencimento por meio de dois DARF’s: o primeiro de R$ 976.911,09 no dia 29/10/2004, acrescido de juros e da multa de mora no valor de R$ 195.382,21 e o segundo no valor de R$ 162.688,35 acrescido de juros e multa no dia 29/07/2005; b) que após o recolhimento a Requerente se deu conta que tal exação, embora recolhida após o vencimento legal, ocorreu antes de qualquer procedimento de fiscalização. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 38 3 Assim o referido recolhimento está abrangido pelo instituto da denúncia espontânea, a qual isenta a Requerente da multa de mora; c) que a compensação em tela está alicerçada no artigo 138 do CTN. d) por fim esclarece que em decorrência do equivoco cometido na aplicação da taxa Selic na valoração do crédito apurou um saldo de débito a pagar de IRPJ no valor original de R$ 5.062,76 que foi pago com os benefícios de redução da multa e dos juros previstos na Lei n° 11.941/2009, conforme comprova pelo DARF (fl. 75). A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 29/10/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Ciente da decisão em 27/06/2011 a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2011, onde em apartada síntese alega que a argumentação da DRJ não encontra suporte material, tendo em vista que a DCTF apresentada pela contribuinte com o tributo declarado se deu após o recolhimento espontâneo dos DARF’s. No mais reafirma os argumentos constantes da manifestação de inconformidade. Este é o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, por meio de despacho eletrônico, a DRF indeferiu a Declaração de Compensação n° 05572.54725.270706.1.3.040339 (fl. 01), com a seguinte argumentação: “Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final da período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Esse argumento está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ocorre que o disposto acima, repetido também na IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 40 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 41 6 IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Assim o fundamento para o indeferimento do PER/DCOMP pela DRF, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. Em seguida, com a Manifestação de Inconformidade e os fundamentos e provas lá apresentados, a DRJ manteve o indeferimento da DRF, contudo teve respaldo em dois alicerces: a) primeiramente no argumento que ao processar a compensação, comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF apresentada pelo contribuinte, e constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informados na DCTF; b) que a multa de mora recolhida pela Recorrente não podia ser compensada, eis que o pagamento efetuado pela Recorrente não gozava de espontaniedade. Esses dois argumantos se traduziram na seguinte ementa que vale a pena ser novamente lida: “DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF.” A alocação dos débitos e créditos não está em discussão, eis que, como demonstrado no processo e na análise da DRJ o crédito em questão cingese a possibilidade de aproveitamento ou não dos valores pagos pela Recorrente a título de multa. Assim, passamos a analisar a ocorrência ou não da denúncia espontânea no pagamento efetuado pela Recorrente. Vale então lembrar que o instituto da denúncia espontânea tem como principal objetivo o afastamento da aplicação de multa seja qual for a natureza que se lhe atribua (moratória ou punitiva), quando o contribuinte antecipase à fiscalização e paga seus débitos espontaneamente. Esse conceito está expresso no art. 138 do Código Tributário Nacional, in verbis: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do. pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início.de qualquer procedimento Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 42 7 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Desse modo, a denúncia espontânea é a antecipação do sujeito passivo em confessar a infração tributária cometida antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, assumindo e pagando a quantia até então não recolhida e não declarada aos cofres públicos, obtendo como contrapartida, o benefício da exclusão da responsabilidade pelo ilícito, além da exoneração da multa punitiva correspondente. Ilustrando com os ensinamentos do Prof. Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Saraiva, 8ª edição. 1996, p. 352/353, onde a denúncia espontânea é consagrada como: "Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração (art; 138, CTN). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Relacionada a fato ilícito sob pena de perder seu teor da espontaneidade, (art. 148, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação da multa de natureza' punitiva, porém não afasta os juros de mora (...)" Em relação a jurisprudência a Câmara Superior deste Conselho já se posicionou: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA A teor da regra do art. 138 do Código Tributário Nacional, não incide a multa de mora ao pagamento espontâneo antes da ação fiscal mediante denúncia da infração. Recurso especial provido Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Manoel Antonio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso". (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0105.341 em 05.12.2005)” Outro não é o entendimento dos Tribunais Judiciais, em especial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), também em recente decisão: "PROCESSO CIVILE TRIBUTÁRIO ERRO MATERIAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL – DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZAÇÃO POSSIBILIDADE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 43 8 1. Esta Corte consagrou o entendimento de que o tributo declarado e pago, antes do vencimento, faz jus ao benefício da denúncia espontânea. 2. Hipótese em que a empresa fez retificação da sua declaração por via da DCTF e pagou de imediato, afastando a mora e as consequências da inadimplência. Precedentes. 3. Erro material que se corrige, para acolher os embargos, com efeitos infringentes. 4. Embargos de declaração acolhidos para dar provimento ao recurso especial. (EDcl no REsp 1176793 / RS, Rei. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, publicação 26/04/2011).” Por fim o Ato Declaratório da PGFN: “ATO DECLARATÓRIO Nº 08 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010” Isto posto vamos a situação do presente processo: a) em 13/08/2004 a Recorrente apresentou a DCTF original referente ao 2º trimestre de 2004. Nessa declaração foram confessados os seguintes débitos, conforme recibo de entrega (fls. 57): Débitos Apurados Saldo a Pagar Saldo a pagar em Quotas Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 44 9 IRPJ 0,00 0,00 0,00 IRRF 914.040,74 0,00 IPI 0,00 0,00 IOF 0,00 0,00 CSLL 50,39 0,00 0,00 PIS/PASEP 218.728,23 0,00 COFINS 585.587,68 0,00 CPMF 0,00 0,00 CIDE 0,00 0,00 b) em 30/11/2009 a Recorrente apresentou DCTF retificadora do mesmo período (fl. 59), com os seguintes dados: Débitos Apurados Saldo a Pagar Saldo a pagar em Quotas IRPJ 3.212.624,86 0,00 0,00 IRRF 914.040,74 0,00 IPI 0,00 0,00 IOF 0,00 0,00 CSLL 1.205.917,66 0,00 0,00 PIS/PASEP 167.225,21 0,00 COFINS 348.361,60 0,00 CPMF 0,00 0,00 CIDE 0,00 0,00 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 45 10 c) Notase pelo extrato de processamento da DCTF (fls. 72) que as informações dos ítens “a” e “b” estão avalizadas pelo documento, sendo certo que nenhuma outra declaração referente a esse período foi transmitida. d) os DARF’s o primeiro de R$ 976.911,09, acrescido de multa no valor de R$ 195.382,21 e o segundo no valor de R$ 162.688,35, acrescido de multa no valor de R$ 32.537,67, foram recolhidos respectivamentenos dias 29/10/2004 e 29/07/2005 (fls. 51 / 52). Pelas informações acima notase que a DRJ São Paulo (SP) cometeu um equívoco em seu julgamento, devendo o mesmo ser reformado. Em consonância com a legislação ora em vigor, respaldada pelo entendimento da doutrina e jurisprudência quanto a aplicabilidade da denúncia espontânea, resta inteira razão a Recorrente, ante a todas as provas acostadas no processo. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, homologando o direito creditório objeto da PER/DCOMP n° 05572.54725.270706.1.3.040339, no valor de R$ 195.382,21. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18471.000635/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 63 5/ 20 06 -2 0 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de auto de infração de IRPJ, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, lavrado em razão da verificação de prejuízo fiscal compensado sem observância do limite de 30% do lucro real, excedente no montante de R$ 87.888.488,80, em 2003 e no valor de R$ 35.568.951,84, em 2004, em vista da compensação pelo valor integral (100%). O crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa, em razão de tutela antecipada, confirmada por sentença na ação ordinária n° 96.00240329 (fls. 169/176), garantindo ao contribuinte o direito de compensar integralmente os prejuízos fiscais apurados, sem os limites impostos pelos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.989/95. Foram citados como enquadramento legal da autuação os arts. 247; 250, III, parágrafo único; e 510 do RIR/1999. Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que o autuante, ao constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004 se equivocou e lançou como base tributável o valor de R$ 35.568.951,84, em vez de R$ 32.568.951,84, gerando uma diferença de R$ 3.000.000,00. Ainda, que o autuante também lavrou outros dois autos de infração que originaram o processo n° 18471.000626/200639, relativos à tributação de lucros provenientes do exterior, nos anos de 2002 a 2004, cuja decisão terá reflexos diretos nas bases de cálculos da presente autuação, pelo que pede o apensamento dos processos para julgamento em conjunto. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – I, acatando a declaração de IRPJ retificadora, julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado para considerar devido o IRPJ, no valor de R$ 28.913.280,17, acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios, nos termos da seguinte ementa: ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se corrigir o valor do crédito tributário, ante a constatação de erro de cálculo na constituição do lançamento. Em razão do montante exonerado, a turma julgadora recorreu de ofício ao CARF. Regularmente cientificado da decisão em 22/06/2007 (cfe. AR), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 16/07/2007 (fls.310319), em que contesta a decisão recorrida pelos argumentos a seguir sintetizados. Alega que o crédito tributário lançado neste processo foi constituído com base nos valores apurados pela própria recorrente e informados nas DIPJs relativas aos anos calendário de 2003 e 2004 e que do valor total da base de cálculo de CSLL relativa ao ano calendário de 2003, R$ 103.537.624,16 são relativos a lucros auferidos no exterior por Klanil. Sustenta que, no auto de infração conexo, a autoridade fiscal formalizou a exigência da seguinte forma: (a) anocalendário de 2001 adicionou ao lucro liquido do período, para fins de determinação do lucro real, os lucros auferidos no exterior Fl. 405DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 4 3 por Cheyney, de 1998 ao 1° semestre de 2001, no valor de R$ 128.784.934,08; (b) anocalendário de 2002 adicionou ao lucro liquido do período, para fins de determinação do lucro real, os lucros auferidos no exterior por Klanil do 2° semestre de 2001 a 2002, no valor de R$ 56.552.857,78; (c) anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 desconsiderou as exclusões procedidas pela RECORRENTE, para fins de apuração do lucro real, relativas aos resultados positivos de equivalência patrimonial de Klanil, nos montantes de R$ 194.391.601,51, R$ 32.474.411,44 e R$ 12.468.448,54, respectivamente. (grifos no original) Sustenta que, naquele processo, as autoridades fiscais: (a) desconsideraram os R$ 56.552.857,78 oferecidos à tributação pela RECORRENTE no anocalendário de 2003, conforme demonstrado em 3.3., acima, e os adicionaram ao lucro liquido do anocalendário de 2002 para fins de constituição do crédito tributário, conforme demonstrado em 3.6.(a), acima; e (b) desconsideraram os R$ 46.984.766,38 relativos aos lucros auferidos por Klanil no anocalendário de 2003 e oferecidos nesse mesmo ano à tributação pela RECORRENTE, conforme demonstrado em 3.3., acima, e adicionaram ao lucro liquido do próprio ano calendário de 2003 os resultados positivos de equivalência patrimonial de Klanil no montante de R$ 32.474.411,44 (a diferença é decorrente de variação cambial negativa dos investimentos da RECORRENTE em Klanil). Assim, segundo ele, se prevalecer a tributação em 2002 dos lucros auferidos por Klanil do 2º semestre de 2001 a 2002, no montante de R$ 56.552.857,78, assim como a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial, decorrente do investimento da recorrente em Klanil, no montante de R$ 32.474.411,44, não caberia têlos oferecido à tributação em 2003, como o fez espontaneamente, e os valores deverão ser excluídos, ajustandose os prejuízos fiscais apurados neste processo. Pede o apensamento do processo administrativo nº 18471.000626/200639 (referente aos lucros do exterior), ante a conexão entre eles, para que quaisquer modificações nas bases de cálculo do IRPJ, dos anoscalendário de 2003 e 2004, sejam refletidas na apuração do crédito tributário deste processo. Aponta, ainda, que a autoridade fiscal, nos autos referentes aos lucros do exterior, não compensou o lucro real com o saldo de prejuízos fiscais nos anos calendário de 2003 e 2004, por entender que o valor compensado pela recorrente, sem a trava dos 30%, teria superado o valor passível de compensação naqueles autos. Caso os autos referentes aos lucros do exterior sejam julgados procedentes em definitivo, pede que os lucros reais originalmente apurados relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004 sejam ajustados para refletirem os novos lucros reais, considerando os valores tributados conforme aquela autuação e passíveis de compensação. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 5 4 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. A recorrente insurgese contra a parte da decisão da DRJ que julgou o lançamento de IRPJ procedente em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, por considerar que “as compensações de prejuízos devem ser procedidas nos limites da legislação vigente, em função de cada autuação”. O lançamento em litígio, de acordo com a autoridade fiscal, decorre da verificação de prejuízo fiscal compensado sem observância do limite de 30% do lucro real. A recorrente, por sua vez, aponta que os dois autos de infração que originaram o processo n° 18471.000626/200639, relativos à tributação de lucros provenientes do exterior, nos anos de 2002 a 2004, têm reflexos diretos nas bases de cálculo da presente autuação. Segundo a recorrente, caso prevaleça, naquele processo, a autuação em 2002, os prejuízos fiscais apurados neste processo deverão ser ajustados, considerandose a exclusão dos mesmos valores oferecidos espontaneamente em 2003, referentes a tributação dos lucros auferidos por Klanil do 2º semestre de 2001 a 2002, no montante de R$ 56.552.857,78, assim como a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial, decorrente do investimento da recorrente em Klanil, no montante de R$ 32.474.411,44. Sobre a compensação de prejuízos fiscais, a Lei nº 8.981/95 determina: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. E a Lei nº 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Conforme a legislação acima, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda é a base para a verificação do limite de compensação do prejuízo fiscal. De fato, no presente caso, há que se considerar o reflexo da autuação objeto do processo nº 18471.000626/200639, referente aos anoscalendário de 2001 a 2004, em especial no ano calendário de 2003, como aponta a recorrente, visto que, a perdurarem ambas as autuações, o mesmo lucro estaria sendo tributado duplamente. Com isso, a análise do presente litígio depende diretamente do resultado do julgamento daquele processo, por se tratar este de processo decorrente. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 6 5 O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 18471.000626/200639, assim como o crédito tributário decorrente da verificação de compensação a maior do saldo de prejuízos fiscais, em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151, inciso III, do CTN, até que sejam definitivamente julgados. Como em todas as manifestações decorrentes da relação Fiscocontribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. Assim, não há que se falar em efetiva extrapolação do limite de 30% do saldo de prejuízos fiscais, enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado que afetará a apuração do lucro líquido no anocalendário de 2003. Até esta instância de julgamento, a análise dos recursos seguiu os trâmites processuais normais, sem qualquer prejuízo à defesa. Contudo, o julgamento proferido por esta instância recursal poderá encerrar definitivamente o litígio, visto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não é terceira instância de julgamento, pois não se trata de uma instância revisora. Tratase de órgão uniformizador de jurisprudência, a teor do que dispõe o Decreto nº 70.235/72: SEÇÃO VII Do Julgamento em Segunda Instância Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º (Revogado pelo Decreto nº 83.304, de 1979) § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (VETADO)(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Eventual interposição de recurso especial dependerá do atendimento aos requisitos constantes do art. 67 e §§ do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suas alterações, que dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Fl. 408DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 7 6 Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. (destacouse) Assim, o recurso especial de decisão que julgou o recurso voluntário, para ser admitido a um novo julgamento, deve preencher alguns requisitos, sendo o mais importante deles a demonstração de existência de divergência em relação ao julgamento da mesma matéria realizado por outra turma. Para ser admitido, o recurso especial eventualmente apresentado neste processo teria que trazer a prova da divergência da tese, o que não se faz possível ou, quando muito, repetiria a comprovação adotada no processo principal, e dependeria do critério de admissibilidade adotado pelo destinatário do recurso. Explicase. Tecnicamente, neste processo não se trata de rediscutir a questão de mérito, mas de mero ajuste das bases de cálculo respectivas. A questão (tese jurídica) que importa ao deslinde do presente litígio, como se depreende da acusação fiscal e das razões recursais, corresponde ao reflexo das adições ao lucro líquido de períodos anteriores, para fins de Fl. 409DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 8 7 determinação do lucro real, que é exatamente a matéria que está sendo debatida em outro processo (18471.000626/200639). O que se discute aqui não se confunde com o que se discute nos autos referentes à tributação dos lucros no exterior, tendo esta autuação, sob esse ponto de vista, natureza meramente instrumental em relação ao processo principal. Sendo este julgamento apenas decorrente, a aplicação daquela decisão se daria de forma automática, sem novo exame de mérito. Diante disso, a dependência do resultado do julgamento nos autos principais compromete o efetivo o julgamento deste processo neste momento, em face do risco de causar prejuízo irreversível ao direito de ampla defesa, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Cabe, ainda, referir o art. 265, inciso IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que determina: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Assim, considerandose que a decisão neste processo, por sua natureza instrumental, depende da decisão no processo principal, a suspensão do feito neste momento é medida que se impõe, em respeito aos princípios do devido processo legal e da economia processual. Diante do exposto, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos a esta relatora, para prosseguimento no julgamento dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 410DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10925.907545/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 26182.40143.180907.1.7.04–8084 em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 07 54 5/ 20 09 -1 7 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 49 2 Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Interessada esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluído a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Contribuinte tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando a Contribuinte ter cometido algum erro de declaração, cabia lhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 50 3 Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28 de novembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 33/45, em 15 de novembro de 2011, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A matéria versada nos autos tem como pano de fundo a declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o amparo dessa decisão, créditos de pagamento de Cofins teriam surgido para esta Contribuinte, que os aproveitou na DComp sob exame. O Pleno do Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, pacificou o conflito e declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 51 4 o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A Corte Suprema, em 10 de setembro de 2008, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585.235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu, por unanimidade, a existência de Repercussão Geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da mencionada inconstitucionalidade, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. O acórdão proferido no referido Recurso Extraordinário, publicado no DJ em 28 de novembro de 2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, introduziu o art. 26A no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) ... §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 52 5 Na mesma direção andou a alteração produzida pela Portarias 586/2010, ao introduzir o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispondo que as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp. A ausência da intimação naqueles termos contribuiu para que a Contribuinte não cuidasse, na manifestação de inconformidade, de demonstrar a formação do seu crédito com a anexação de planilha indicando as bases de cálculo da contribuição, com exclusão das receitas financeiras, a teor do que o exige o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721, em que pese ter afirmado que o crédito utilizado era decorrente da declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF. À data da sua decisão, 10 de agosto de 2011, a DRJ/Florianópolis já estava vinculada ao cumprimento da ressalva contida no § 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que permitia o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, citado retro. No entanto, sua decisão passou ao largo deste preceito legal, tendo assentado que tal decisão não tinha efeito erga omnes. Sob este entendimento, o Colegiado a quo deixou de enfrentar a matéria de prova, passível de ser suprida mediante diligência, instrução justificável pela forma lacônica do despacho decisório eletrônico, que cerceia uma adequada defesa em algumas situações. Dessarte, o órgão julgador ao circunscrever a razão de decidir à matéria de Direito, a 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 53 6 Interessada uma vez mais não teve como se ver instada a aparelhar o recurso voluntário com os elementos de prova a ser consubstanciada na oferta das receitas hábeis à incidência da contribuição em apreço e as excludentes (as receitas financeiras). Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 27 de junho 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.726373/2011-32
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 73 /2 01 1- 32 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 35) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.008, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726373/201132 Acórdão n.º 1803001.855 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 18088.720142/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - SENAR - INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR - INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais.
As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - SENAR - INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR - INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 42 /2 01 2- 81 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720142/201281 Acórdão n.º 2401003.115 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 51.015.5448, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais patronais destinada ao SENAR sobre a venda de produtos destinadas a exportação. Segundo Relatório Fiscal (fls. 15 a 19), A Empresa em questão é agroindústria, em relação ao período objeto do débito, deste modo a contribuição devida por ela à Entidade Terceira –SENAR, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, em consonância com o art. 22A da Lei nº 8.212/91. A imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da Constituição não alcança as contribuições destinadas ao SENAR, pois estas são contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. A Emenda Constitucional 33, de 11/12/2001 definiu não configurar como hipótese de incidência de contribuições sociais as receitas decorrentes de exportação de produtos cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 12/12/2001. Entretanto, não é alcançada por esta imunidade a contribuição destinada ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 25/04/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 25/04/2012. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 99 a 114. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 191 a 194, que confirmou a procedência do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. AGROINDÚSTRIA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É devida a contribuição ao SENAR nas operações da agroindústria com o mercado externo, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 221 a 227. Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as alegações da impugnação, quais sejam: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 1. Nulidade do AI, vez que a IN RFB n. 971 foi publicada em 2009 e suas diretrizes não tem o condão de modificar a interpretação da legislação tributária sem observância aos preceitos estatuídos pelo CTN, notadamente pelo art. 146 onde a modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 2. Entre os argumentos apresentados, pretende demonstrar que a contribuição ao SENAR deve ser considerada contribuição social por possuir como efeito mediato melhorar a qualidade de vida de toda a população rural brasileira. 3. É completamente distinta a finalidade das contribuições “sociais” e “de interesse das categorias profissionais e econômicas”. Enquanto a última visa atender aos interesses de uma determinada categoria de trabalhadores, a primeira objetiva atender a toda coletividade, menos que indiretamente. 4. Destaca ser a atividade de lançamento vinculada à legislação tributária, não podendo a autoridade fiscal dela se afastar. E que não existe fundamento legal para a cobrança da presente exação, contrariando a Constituição Federal. 5. Menciona, em seguida, o Manual da GFIP, dispondo em seu capítulo VI, item 6.1, alínea “a”, não serem devidas as contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, cuja comercialização tenha ocorrido a partir de 12/12/2001, em decorrência da Emenda Constitucional nº 33, de 11/12/2001. 6. Menciona também a Consulta Técnica nº 886/2007 e o Parecer MPS/CJ nº 71/2007, como argumentos a justificar a não incidência do Senar nas exportações realizadas pela empresa. 7. Conclui afirmando que a Emenda Constitucional nº 33/01 determinou a não incidência de contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação. E sendo a contribuição ao SENAR parte integrante das contribuições sociais, não poderia incidir sobre as receitas decorrentes de exportação. 8. A contribuição ao SENAR é de natureza social, como as demais destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. 9. Faz um histórico acerca da instituição das contribuições destinadas ao SENAR, concluindo que verificase que a contribuição do art. 22A da lei 8212/91, destinase ao custeio das mesmas despesas da contribuição inscrita no art. 3, possuindo, portanto, a mesma natureza, diferindo somente quanto as bases de cálculos as quais incidem. Exemplo destas contribuições são as devidas aos Conselhos de categoria, donde em decisão judicial asseverouse tratar de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. 10. Requer, assim, seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração, determinando o arquivamento do processo correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720142/201281 Acórdão n.º 2401003.115 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 237. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) QUANTO A SUPOSTA INCOMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO DE SENAR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA A EXPORTAÇÃO O recorrente alega que a imunidade tributária das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação, também, se aplicariam as contribuições ao SENAR, pelo fato destas não serem contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas. Neste ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. Bastanos observar o art. 1 da Lei 8.315/91, para que se identifique a natureza da entidade, senão vejamos: Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. Assim, entendo estar correto a decisão de primeira instância, que afastou a pretensão do recorrente. Realmente as contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que entende o recorrente, constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. A Emenda Constitucional nº 33/01, o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição Federal passou a ter a seguinte redação: Art. 149. (…) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Assim o art. 149, § 2º, inciso I, da CF deixa claro que retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação, o que não se aplica as contribuições destinadas ao SENAR. Este entendimento está normatizado no art. 245 da IN MPS/SRP nº 03/2005 e no âmbito da Receita Federal pelo § 3o do art. 170 da Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009, trazido pelo julgador na decisão proferida. Dessa forma, entendo que não há qualquer reparo a ser feito no lançamento realizado, muito menos a que se falar na nulidade apontada pelo recorrente. A IN 971, apenas esclarece o que já era a interpretação em relação ao alcance da EC n. 33/01 e a própria lei 8315/01. A definição e destinação das contribuições arrecadas pela Previdência Social, previstas na lei 8.315/91, assim, como o próprio conceito do SENAR, corroboram a destinação da arrecadação, senão vejamos: Art. 3° Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: (...) § 1° A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são beneficiários diretos. § 2° As pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, que exerçam concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso I deste artigo, permanecerão contribuindo para as outras entidades de formação profissional nas atividades que lhes correspondam especificamente. § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.720142/201281 Acórdão n.º 2401003.115 S2C4T1 Fl. 5 7 arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Aliás, foi exatamente essa a conclusão da autoridade julgadora, sendo que entendo indevida a nomenclatura adotada no parecer senão vejamos: De fato, podese extrair da Lei nº 8.315/91 (lei que criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR) que a contribuição em questão é paga por integrantes de um grupo específico, sendo revertido em benefício do mesmo, restando patente a sua conformação à hipótese de contribuição de interesse de categorias profissionais e econômicas. Não procede o entendimento apresentado pela impugnante acerca do enquadramento da exação como contribuição social, uma vez que, apesar de presente a função social na sua instituição, não se vislumbra qualquer vinculação dos valores arrecadados com o custeio da Seguridade Social. Concluise dos fatos expostos inexistir equívoco no Manual da GFIP ao afirmar a não incidência das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação de produtores rurais, porém, não se encontra abrangida por esta denominação a contribuição ao SENAR. O teor da Consulta Técnica nº 886/2007 trazida aos autos pela defesa não possui aplicabilidade ao caso em comento, seja diante da perda de sua eficácia, uma vez que as consultas possuíam validade de 2 anos contados de sua publicação ou conclusão, seja diante da existência de previsão normativa dispondo expressamente entendimento contrário, como já esclarecido. O mesmo podese dizer em relação ao Parecer MPS/CJ nº 71/2007 igualmente mencionado pela defesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723582/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator) e José Valdemir da Silva, que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator designado.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 82 /2 00 9- 16 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 302 2 devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator) e José Valdemir da Silva, que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator designado. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 112), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 67.298,65, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 303 3 de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 304 4 d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Cientificada em 25/09/2011 (Fls. 125), a Recorrente interpondo Recurso Voluntário em 24/10/2011 (fls. 127 a 223), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 305 5 Adoto integralmente o teor de votos anteriores da Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Inicialmente, quanto à suscitada nulidade do acórdão recorrido por não ter enfrentado todos os argumentos da impugnação em especial a ilegitimidade ativa da União e a perda da capacidade contributiva, essa não merece acolhida, mormente considerando que a decisão recorrida possui todos os requisitos exigidos em lei para sua validade em termos formais, ou seja, está em consonância ao que preceitua o artigo 31 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Ademais, especificamente quanto à questão de analise de ilegalidade de normas, não é de competência dos órgãos administrativos de julgamento, haja vista a competência privativa do Poder Judiciário, e, portanto, fora do alcance da competência administrativa, não podendo o contribuinte invocar nulidade por esta razão. Aliás, no tocante à análise das demais alegações de inconstitucionalidade de normas que respaldam o procedimento fiscal, importante esclarecer que não pode ser objeto de verificação inclusive por parte deste Conselho de Contribuintes, pois é questão pacificada na Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, não se verifica em qualquer hipótese o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte em relação à decisão recorrida, notase que todos os pontos foram abordados e fundamentados, permitindo inclusive à contribuinte a interposição do Recurso Voluntário, ora em análise, rebatendo todas as argumentações trazidas tanto no auto de infração, quanto na decisão atacada. No que tange à ilegitimidade da União para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal, uma vez que competiria aos Estados reclamar o imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição Federal de 1988, importa ressaltar que o objetivo do disposto no mencionado artigo é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, III., da Constituição Federal. O art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN didaticamente explicita: "Art. 6° A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 306 6 dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único . Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos." (grifos acrescidos) Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de sujeito ativo, rejeitase a ilegitimidade ativa da União reclamada pelo autuado. Ainda importa observar que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte mas, sim, o fato de o recorrente ter omitido na declaração de ajuste anual os rendimentos auferidos nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual nº 8.730, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 307 7 Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Estadual nº 8.730, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Quanto ao questionamento dos cálculos efetuados, nada há a censurar, haja vista que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pelo contribuinte. Ressaltese que o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam os rendimentos em questão, conforme disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, em razão das diferenças terem sido recebidas acumuladamente, sendo que as bases de cálculo declaradas já se sujeitavam à incidência do Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 308 8 imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Neste sentido, considerando que já foi aplicado ao caso o regime de competência, é inócuo suscitar a aplicação da Instrução Normativa 1.127/11, da Receita Federal, que, de certa forma, determina a apuração do valor do imposto de renda incidente sobre os RRA pelo regime de competência, afastando a tributação pelo regime de caixa. Por outro lado, com base no posicionamento da Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. Nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos, verificase que foi negado provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e manteve o acórdão da 4ª Região, o qual havia decidido que não cabe a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros moratórios incidentes sobre valores recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, por se tratarem de verbas indenizatórias. Respaldado nesse entendimento, entendo que devem ser refeitos os cálculos, que embasam o lançamento, de modo a contemplar a exclusão dos valores recebidos a título de juros, identificados nos documentos acostados aos autos. No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator designado Permitome discordar do Ilustre Conselheiro Carlos César Quadros Pierre em relação à exclusão dos juros moratórios da base de cálculo lançada, pelos motivos que passo a expor. Relevante observar, de início, que no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido pela não incidência de imposto de renda sobre os valores pagos a esse título, em acórdão assim ementado: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 309 9 INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ocorre que o Egrégio Tribunal acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela União para explicitar que o tema de mérito discutido no recurso especial circunscrevese à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, o que não se amolda ao presente caso. Para melhor compreensão do assunto, transcrevo abaixo excertos do acórdão que esclareceu a questão: Todas as discussões trazidas pela embargante passam pelo exame de cada um dos sete votos proferidos no acórdão embargado, daí que passo a fazêlo neste momento, começando pelos três votos vencidos: (...) Quanto aos votos vencedores, temos: 3º) Ministro Mauro Campbell Marques (fls. 597607): Divergindo do relator, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mas por fundamentos diversos do meu. Entendeu que "a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigentes" (fl. 602), mas que "o art. 6º, inciso V, da lei trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho" (fl. 602). Com base no referido dispositivo legal, então, foi que reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate. 4º) Ministro Arnaldo Esteves Lima (fls. 618624): Proferiu voto vista negando provimento ao recurso especial, explicitando que o tema de mérito circunscrevese à "exigência de imposto de renda sobre os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho" (fl. 619). E acrescentou que "não se está a examinar a tributação dos juros de mora em qualquer outra hipótese" (fl. 619). Sobre a questão de mérito, no caso específico dos autos, adotou fundamentos semelhantes aos do em. Ministro Mauro Campbell Marques, concluindo que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei" (fl. 624). Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 310 10 (...) A ementa do julgado, entretanto, deve ser revista, tendo em vista que os votos vencedores dos em. Ministros Mauro Campbell Marques e Arnaldo Esteves Lima adotaram fundamentos menos abrangentes, limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate, por força de lei específica de isenção (art. art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/1988). A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Embargos de declaração acolhidos parcialmente Verificase, pela leitura do trecho transcrito, que não se aplica o art. 62A do RICARF ao caso em análise, haja vista que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, ao passo que os juros de mora cobrados no presente AI se referem às “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV” (Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003, art. 2º). Em julgado recente, o STJ confirmou que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 311 11 se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg no REsp 1235772 / RS, julgado em 26/06/2012) Ultrapassada esta questão, cabe perquirir se incide o IR sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Nesse contexto, entendo que um singelo argumento bastaria para se chegar a conclusão de que a regra é a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios: se o legislador estabeleceu uma isenção de imposto de renda para os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho (Lei nº 7.713/1988, art. 6º, V), é porque os juros de mora estão no campo de incidência do IR. Se não estivessem, desnecessária seria a instituição, por lei, de uma hipótese de isenção tributária. Nada obstante, oportuno acrescentar outros fundamentos que reforçam a tese de incidência de IR sobre os juros moratórios (expostos no Resp nº 1.227.133/RS), quando inexiste norma que exclua o crédito tributário (norma de isenção), elucidando a natureza das parcelas cuja possibilidade de tributação se discute. Os juros de mora, não restam dúvidas, têm a finalidade de reparar prejuízos decorrentes da demora no pagamento da quantia principal, de sorte que é patente a sua natureza indenizatória. Assim, o que deve se verificar, creio eu, é se o simples fato de os juros de mora possuírem natureza indenizatória é suficiente para os excluírem da esfera de incidência do imposto de renda. A esse respeito, penso que não é possível subsistir o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. De fato, as indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais detida do conceito de indenização denota que, a par de sua função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10530.723582/200916 Acórdão n.º 2801003.069 S2TE01 Fl. 312 12 representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, ou seja, lucros cessantes. Existem hipóteses em que a indenização não acarretará ganho patrimonial, como ocorre no caso de reparação de dano emergente efetivamente suportado. Entretanto, se a indenização tem função compensatória, ou seja, se destina a reparar aquilo que o lesado em seu direito deixou de ganhar (lucro cessante), o seu recebimento acarretará aumento patrimonial. Nessa linha de raciocínio, entendo que o fator determinante para se verificar a incidência ou não do imposto de renda (mesmo sobre os valores classificados como indenização) não é simplesmente o seu caráter remuneratório ou indenizatório, mas sim a ocorrência ou não de acréscimo na esfera patrimonial do beneficiado, nos exatos termos da regra matriz de incidência do IR (CTN, artigo 43, I e II). Assim, se o recebimento da indenização importa acréscimo patrimonial, certo é que, em regra, estará sujeito à incidência do IR, só havendo dispensa de seu pagamento se houver previsão legal expressa (isenção). Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR. Por todo o exposto, e levandose em consideração as demais razões apresentadas no voto do ilustre Conselheiro Relator, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10735.901720/2010-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte.Por maioria de votos, no mérito, converter o julgamento na realização de diligências. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio Otávio Melchíades Xavier. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes- Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Cláudio Otávio Melchíades Xavier- Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte.Por maioria de votos, no mérito, converter o julgamento na realização de diligências. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio Otávio Melchíades Xavier. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cláudio Otávio Melchíades Xavier Redator Designado Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa interpôs Embargos de Declaração porque não pode acompanhar o julgamento do litígio administrativo em decorrência de erro de informação do sítio do Carf, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 01 72 0/ 20 10 -3 3 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 3 2 com relação à Turma em que se realizaria a sessão pertinente. Houve ainda a alegação de que a ConselheiraRelatora não poderia ter proferido o voto nesta Primeira Turma Especial porque está vinculada à Primeira Câmara e não à Terceira Câmara, à qual vinculase este colegiado, hierarquicamente. Aproveito o relatório e voto do acórdão embargado, os quais adoto integralmente, para historiar os fatos inerentes à lide administrativa. “A ora Recorrente apresentou Declarações de Compensação 1054.02326.130106.1.3.021251,41987.26576.100206.1.3.02493,1004.19852.231006.1. 7.021667,02200.62646.010609.1.7.026895 e 04597.42401.101106.1.3.026239 por meio do qual compensou crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 2° trimestre de 2005, com débitos nele declarados. O Despacho Decisório n° 869630983 emitido em 03/08/2010 pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP, 02200.62646.010609.1.7.026895 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 04597.42401.101106.1.3.026239, pois o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente, conforme o fundamento que transcrevemos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: [...]Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 850.416,16 Valor na DIPJ: R$ 850.416,16 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$909.762,19 IRPJ devido: R$ 59.346,03 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do Saldo negativo disponível: R$ 741.109,06 Portanto, a não homologação de parte do afirmado direito creditório oriundo do saldo negativo decorreu do não reconhecimento de retenções de fonte no valor de R$109.307,10. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente constou, em síntese, que: (i) mantinha rígido controle sistematizado das retenções de fonte, somente procedendo à formação do saldo negativo de IRPJ para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; (ii) apresentou “anexo A” em que consignou as empresas em relação às quais não se confirmara as retenções de fonte, compondo o valor de R$109.307,10;(iii) apresentou “anexo B” em que relacionou os valores retidos informados, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no segundo trimestre de 2005;(iv) alegou que fez prova de que de fato tem direito ao crédito integral de saldo negativo de IRPJ, e que as retenções estão demonstradas, devendo a Secretaria da Receita Federal, de posse das informações disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; (v) apresentou as respectivas notas fiscais, dispostas no anexo C. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 4 3 A 1a Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o fundamento de falta de comprovação do direito alegado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional. IRPJ RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRPJ retido na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida afirmouse que para que o IRRF retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário, a receita correspondente deve ter sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, computada na determinação do lucro real no referido período de apuração.Nesse sentido, seria ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os valores de IRRF referentes a pagamentos por serviços prestados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para deduzir o IRRF quando da apuração do resultado do exercício. E nos termos dos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99, a documentação apresentada produzida pela própria interessada (Planilha intitulada “Total Faturamento Recebido Personal2o Trimestre 2005 Anexo B fl. 60/74 e cópias de notas fiscais Anexo C fl. 76/293), não seria suficiente para a demonstração pretendida. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reiterou os argumentos expendidos na defesa anterior, acrescendo que: i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 5 4 vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. Fez sustentação oral pela recorrente, dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ nº 45.196. É o relatório.” VOTO VENCIDO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço dos Embargos de Declaração, por tempestivo. I) Dos Embargos de Declaração Com efeito, comprovado nos autos pelas telas copiadas do sítio, que houve o erro alegado, impedindo o patrono da recorrente de presenciar o julgamento, este realizarseá novamente. No que respeita à solicitação de nulidade do acórdão embargado porque a ConselheiraRelatora que recebeu os autos para relato e apreciação, por sorteio, não estava vinculada à 3ª Câmara, a indignação da embargante não merece prosperar. Não há no Regimento Interno do Carf – Ricarf (Portaria MF nº 256/09) qualquer dispositivo restritivo a este procedimento. A Conselheira Relatora, suplente da Primeira Seção, recebeu os autos pelo devido sorteio e possui plena competência para atuar nesta Turma ou em qualquer outra desde que na Primeira Seção. A vinculação inicial à Primeira Câmara é meramente formal e organizacional, sendo procedimento interno do Carf, que não lhe extrai a competência de julgar os litígios administrativos, por razão de distribuição em Turma diferente. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 6 5 II) Do Mérito Aproveito trecho do voto proferido por esta Turma Julgadora no Acórdão nº 1801001.308, embargado: “Conforme relatado, o despacho decisório negou o direito creditório da Recorrente,sob o fundamento de que o crédito reconhecido referente ao saldo negativo de IRPJ, foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente,uma vez que deixaram de ser comprovadas parte das retenções na fonte, relativas a seus prestadores de serviço. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, fundamentou a negativa de reconhecimento do direito creditório na ausência de certeza e liquidez do direito creditório afirmado, pois a documentação acostada aos autos não se prestaria a essa finalidade, que apenas seria atingida pela apresentação das respectivas DIRFs. Analisandose as razões do recurso voluntário apresentado, conforme relatado anteriormente, inicialmente deve ser rechaçada a alegação da Recorrente de que não é condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte, o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora. Ora, admitir tal assertiva implica o desvirtuamento do próprio conceito de compensação, enquanto ente jurídico que pressupõe relação jurídica complexa, que encerra relação de indébito do Fisco, e, por conseguinte, pressupondo o pagamento a maior ou indevido. [...] impõese que na determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica tãosomente possa deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, não se podendo deduzir o que não foi pago a maior. Assim, estabelecida essa premissa, inferese que a possibilidade de dedução do IRPJ na composição da base de cálculo no final do exercício condicionase à demonstração de efetivo recolhimento dos valores aos cofres públicos, concomitantemente ao oferecimento das respectivas receitas à tributação. Seguindose adiante, para fazer a prova da retenção, o art.55 da Lei n° 7.450/85 estabelece que: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. E nessa esteira, os arts. 942 e 943 do RIR assim determinam: Art.942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 7 6 Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). (g.n.) Art.943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §1º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 1º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(g.n.) A Recorrente, assim, deveria manter em seu poder os comprovantes de retenção do IRRF que utilizou para compor o saldo credor do IRPJ pleiteado, por expressa disposição legal, não sendo caso de mera faculdade, porém de obrigação prescrita na legislação, não podendo dela se furtar, pela mera alegação de omissão da fonte pagadora. Diante do quadro que se descortina, o pedido de restituição/compensação, deve ser acompanhado da prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o IRPJ retido, admitindose os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Essa Turma especial, inclusive, tem o entendimento firmado nesse sentido, conforme se depreende do Acórdão nº 1801001.193: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilhas com remissão a Notas Fiscais não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Assim, embora se invoque o Princípio da Verdade Material, alegando que os documentos elencados na legislação não seriam os únicos hábeis a comprovar as retenções na fonte, é certo que os documentos juntados não são suficientes para constituir a situação jurídica afirmada, pois não espelham a realidade afirmada. Para invocar referido princípio ao seu favor, deveria ter acostado documentação suficiente que demonstrasse o fato da retenção e do oferecimento das receitas à tributação, pois o Princípio da Verdade Material não opera seus efeitos à míngua de substrato probatório que espelhe determinada alegação. Nesse sentido, também não lhe assiste direito à produção de laudo técnico para a comprovação da alegação, pois este se revela despiciendo se considerado que a Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 8 7 Recorrente poderia já na primeira instância administrativa ter acostado as provas, considerandose que estas, em tese, já deveria deter desde sempre. O Princípio da Verdade Material não se presta a subverter e suplantar as regras do processo administrativo fiscal, e assim, eternizálo, substituindo o ônus processual do contribuinte. Frisese, por derradeiro, que a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.” Pelos fundamentos expostos, os quais adoto integralmente, devido à ausência de apresentação de prova hábil para comprovar as retenções de tributos, o direito creditório pleiteado não pode ser deferido, bem como as respectivas compensações não podem ser homologadas. Voto em acolher os embargos de declaração propostos, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes VOTO VENCEDOR Conselheiro Cláudio Otávio Melchíades Xavier, Redator Designado Ousei divergir do douto voto vencido, que negou o direito da Recorrente de realizar a compensação pretendida, devido a falta de apresentação dos comprovantes de retenção do IRFonte. Conclui que a Recorrente, pelas provas juntadas ao processo, efetivamente tem direito à compensação declarada, no limite do crédito, apesar de não ter apresentado os comprovantes de retenção emitidos pela fontes pagadoras É verdade que não se desconhece que é do contribuinte que pugna pela compensação o ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos . Todavia, quando, por motivos alheios à sua vontade, essa prova deixa de ser apresentada, o direito à compensação pode ser exercido de outra forma, como no presente caso. Está comprovado nos autos do processo que a Recorrente tentou junto aos seus principais clientes Petrobrás e Eletrobrás obter os comprovantes de retenção do imposto de renda no fonte. No entanto, além da negativa das referidas fontes pagadoras em fornecer aqueles documentos, uma delas, Petrobrás, informou, expressamente, que só atenderia a solicitação mediante intimação da Receita Federal do Brasil. Ora, penso que a Recorrente foi diligente, ao solicitar a apresentação dos comprovantes de retenção, os quais não obteve por razões alheias a sua vontade, como antes salientado. No entanto, mediante a prova anexa aos autos (notas fiscais e planilhas), pareceme Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 9 8 ter, em princípio, ter direito à compensação, a ser confirmado depois de uma investigação por parte das autoridades fazendárias. Entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, tudo deve ser feito para que nenhum direito seja violado, especialmente o direito de defesa. Até porque, nos casos de impostos retido na fonte, o E. Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que, É o responsável, e não contribuinte, quem recolhe os impostos os respectivos valores ao Erário Público. Conseqüentemente, os comprovantes respectivos só podem ser exigidos do responsável, não do contribuinte1. Ora, como as fontes pagadoras se recusaram a fornecer os comprovantes de retenção do imposto de renda na fonte, a Recorrente, em substituição àqueles documentos, apresentou as notas fiscais, que comprovam a apuração da receita, computada na base de cálculo do tributo retido, compensável, nela consignado. Tais documentos substituem aqueles cuja apresentação foi negada por quem tem a obrigação de reter e recolher o imposto. Aliás, enfrentando questão em tudo análoga ao caso presente, este E. Sodalício entendeu que Comprovada por documentação hábil a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificadas as fontes pagadoras, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento, de exclusiva responsabilidade daquelas, cabendo à administração tributária promover a respectiva cobrança2. Por esses fundamentos, data vênia do douto voto vencido, entendo que o princípio da verdade material tem total aplicação no presente caso, pois com a negativa das fontes pagadoras em informar o imposto retido, os documentos contábeis, especialmente notas fiscais e planilhas anexadas ao processo pela Recorrente, suprem a falta daqueles comprovantes. A propósito, tratando da verdade material, Celso Antônio Bandeira de Mello em lição que se aplica ao caso em lide, afirma que esse princípio Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita aos que as partes demonstram no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pela pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade. Portanto, penso que o princípio da verdade material não está a subverter e suplantar regras do processo administrativo fiscal, substituindo o ônus processual do contribuinte. Pelo contrário, pelo que consta dos autos, a Recorrente cumpriu sua obrigação, ao solicitar às fontes pagadoras o fornecimento dos comprovantes de retenção do IRFonte. Logo, não pode ter o seu direito à compensação negado em virtude da recusa das fontes pagadoras em cumprir uma obrigação que a lei lhes atribui. Outrossim, não ignoro que o artigo 55 da Lei n.º 7.450/85 estabelece que o IRFonte só pode ser compensado pelo contribuinte se este possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, penso que tal dispositivo deve ser interpretado cum grano salis, na medida em que a Recorrente solicitou às fontes pagadoras a apresentação daquele documento, mas seu pedido foi recusado 1 Agravo Regimental em AG 145.127/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 25/08/1997 2 Acórdão n.º 10419.446, Rel. Cons. Roberto William Gonçalves, Primeiro Consellho de Contribuintes, Quarta Câmara, formalizado em 12/09/2003. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER Processo nº 10735.901720/201033 Resolução nº 1801000.246 S1TE01 Fl. 10 9 Em razão disso, a falta desse comprovante pode ser surprida pela apresentação de quaisquer outros documentos hábeis e idôneos para confirmar os valores que lhe foram pagos pela prestação de serviços, segundo entendeu a Secretaria da Receita Federal do Brasil,5ª Região Fiscal Divisão de Tributação recentemente, na Solução de Consulta n.º 4, de 02 de abril de 2013, DOU de 15/04/2013, (n.º 71, Seção 1, pág. 36), cuja ementa tem o seguinte teor: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE. Mesmo não tendo recebido o comprovante de retenção anual pelos serviços prestados, pode a pessoa jurídica efetuar a dedução dos valores retidos na apuração dos correspondentes tributos. É possível utilizar como forma de comprovar à RFB o direito a essas deduções, alternativamente ao comprovante anual de retenções, quaisquer outros documentos hábeis, idôneos e suficientes para confirmar os valores efetivamente retidos.9430, DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n.º 7.450, de 1985, art. 55, Lei n.º de 1996, art. 64; Lei n.º 10.833, de 2003, arts. 33 e 34; Instrução Normativa RFB n.º 1.234, arts. 9 e 37;Instrução Normativa RFB n.º 1.297, de 2012 arts. 24 e 27, e Decreto n.º 3000, de 1999 (RIR), art. 923. Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. (assinado digitalmente) Cláudio Otávio Melchíades Xavier Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CLAUDIO OTAVIO MELCHIADES X AVIER
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Numero do processo: 11330.000782/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2004
AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, as remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária.
RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA
Cabe relevação da multa quando o infrator é primário, não tenha ocorrido circunstâncias agravantes, o pedido tenha sido feito dentro do prazo de defesa e a falta corrigida até a decisão de primeira instância.
MULTA APLICADA
Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, I, da Lei nº 8.212/91.
RO Não Conhecido e RV Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relatora.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2004 AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, as remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA Cabe relevação da multa quando o infrator é primário, não tenha ocorrido circunstâncias agravantes, o pedido tenha sido feito dentro do prazo de defesa e a falta corrigida até a decisão de primeira instância. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, I, da Lei nº 8.212/91. RO Não Conhecido e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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FATOS GERADORES Recorrentes VIAÇÃO UNIÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2004 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, as remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA Cabe relevação da multa quando o infrator é primário, não tenha ocorrido circunstâncias agravantes, o pedido tenha sido feito dentro do prazo de defesa e a falta corrigida até a decisão de primeira instância. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, I, da Lei nº 8.212/91. RO Não Conhecido e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32 A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 07 82 /2 00 7- 46 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relatora. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000782/200746 Acórdão n.º 2301003.544 S2C3T1 Fl. 143 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/06/2005, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls 02), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, as remunerações pagas aos segurados empregados, a título de hora refeição, e aos seus administradores, a título de prólabore. A recorrente apresentou defesa inicialmente considerada intempestiva, requerendo a aplicação do disposto no § 1o, do art. 291, do RPS, e a relevação da multa, sob o argumento que estaria providenciando a correção da falta, com a inclusão das verbas indenizatórias e dos prólabores nas GFIPs, e solicitando prazo para apresentação das GFIPs retificadoras. Em 12/08/2005 a autuada juntou aos autos as GFIPs retificadoras, esclarecendo que a possível omissão apurada deuse em razão de a recorrente entender que os valores pagos a titulo de suprimento de horas de refeição não são valores remuneratórios dos funcionários e sim indenizatórios , e por conseguinte não deveriam integrar a base de cálculo para efeitos previdenciários, mas que com a finalidade de sanear tal fator, promove a juntada da GFIP com a inclusão de tais verbas, com finalidade de não ser penalizada pela multa de obrigação acessória. Em face do comunicado da coordenação da RFB n° 062, de 15.07.2005 que suspendeu a contagem de prazos devido a paralisação dos servidores no período, a impugnação foi considerada tempestiva. Da análise da defesa apresentada, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho de fls. 85, resultando na Informação Fiscal de fls 112, por meio da qual a autoridade autuante informa que restou comprovado que a empresa fez todas as alterações devidas nas competências 02/2003, 03/2003, e 11/2003 a 10/2204, mas que, nas competências 04/2003 a 10/2003, a empresa informou como remuneração de contribuinte individual apenas o valor de R$ 5.000,00, quando o correto seria R$ 10.000,00. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou (fls.123), requerendo a expedição da guia para recolhimento do débito relativo à diferença de recolhimento de prólabore no período de 04/2003 a 10/2003, conforme planilha expedida pelo Órgão Fiscalizador. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1215.895 da 10a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 130 a 136), julgou o Auto de Infração procedente com multa parcialmente relevada, em razão de a falta ter sido parcialmente corrigida antes de a autoridade julgadora competente proferir a decisão, de o infrator ser primário e de não haver circunstância agravante, e recorrendo de ofício da decisão ao Segundo Conselho de Contribuintes, face a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 exoneração do crédito ser em valor superior ao limite de alçada previsto no art. 10 inciso I, da Portaria MPS n° 158/2007. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 146), alegando, em síntese, o que se segue. Assevera que a Recorrente agiu sempre de forma proba e escorreita com o Fisco, entendendo que tal fato deve ser levado em consideração para relevar integralmente a multa aplicada. Afirma que a continuidade da omissão nas competências apontadas não se deu por ato volitivo da Recorrente, mas por equívoco que pode e deve ser corrigido, desde que lhe seja concedido tal prazo, reiterando que a omissão não se deu por conduta dolosa da autuada, mas por erro material. Discorre sobre erro material para reforçar a afirmação de que, na hipótese dos autos, a Recorrente deixou de declarar as GFIP's referentes ao levantamento de pro labore e de remuneração a titulo de hora refeição por erro material, não por ato volitivo de praticar a infração. Inova em relação à defesa, esclarecendo que o que pretende a Recorrente é a simples revisão do lançamento fiscal efetuado de forma ilegal e contrariando de forma expressa princípios constitucionais processuais, como o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório, entre outros. Também de forma inovadora, insurgese contra as multas aplicadas, incidentes sobre a diferença tributada, defendendo que a multa deve ser reduzida ao patamar de 2%, por mais benéfica, e contra a aplicação da Taxa SELIC, ao argumento de serem tanto as multas quanto os juros ilegais e inconstitucionais. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Os recursos são tempestivo, e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. A 10a Turma da DRJ/RJOI recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou o Auto de Infração procedente com multa parcialmente relevada. O inciso II, do art. 1o, da Portaria MPS nº 158, de 11/04/2007, determinava que deveria ser interposto recurso de ofício dirigido ao CRPS, das Decisões que relevassem ou atenuarem multa em valor superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Ocorre que, em 10/09/2007, data da emissão do Acórdão recorrido, já havia sido criada a Super Receita pela Lei 11.457/2007, estando a primeira instância administrativa sob a égide das Portarias da Receita Federal, tendo sido transferidos, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000782/200746 Acórdão n.º 2301003.544 S2C3T1 Fl. 144 5 créditos já constituídos ou em fase de constituição, por força do que dispõe o art. 4o, da referida Lei. E o art. 2o, da Portaria 375/2001, da Receita Federal, vigente à época da Decisão de 1a Instância, estabelecia que: Art. 2o O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Verificase, no caso presente, que o valor exonerado foi de R$ 344.652,85 (R$354.396,18 – R$9.743,33), ou seja, de valor inferior ao estabelecido na Portaria 375/2001, razão pela qual não conheço do recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, registro o que se segue. Verificase que a recorrente não nega que tenha corrigido apenas parcialmente as faltas apontadas pela fiscalização. Ela apenas tenta demonstrar que não agiu com dolo, e sim de forma proba e escorreita, e que tal fato deveria ser levado em consideração para relevar integralmente a multa aplicada, uma vez que a omissão não se deu por conduta dolosa da autuada, mas por erro material, não sendo sua intenção praticar a infração. Entretanto, houve a infração à legislação previdenciária, fato esse não contestado pela recorrente em sua peça recursal. A relevação da multa é apenas uma benesse concedida pelo legislador para aqueles infratores que atendessem a certas exigências legais, o que foi o caso. Dessa forma, as autoridades julgadoras de 1ª instância, constatado o cumprimento dos requisitos contidos no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, agiu em conformidade com os ditames legais relevando parcialmente a multa aplicada, uma vez que a correção da falta foi parcial. Dessa forma, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado. O art. 136 do CTN estabelece que “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. A hipótese de exclusão da responsabilidade por infrações é a prevista no art. 138, do CTN, ou seja: Art.138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, como no caso em tela não houve a denúncia espontânea, não há que se falar em cancelamento da penalidade, como quer a recorrente, pois, para a relevação total da multa, é necessária a correção de toda falta até a decisão da autoridade julgadora competente, o que não foi o caso presente, onde se deu apenas a correção parcial. Portanto, no período abrangido pelo presente lançamento, houve descumprimento da legislação previdenciária e a autoridade fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art.33 da Lei 8.212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes Dessa forma, constatase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa e juros aplicados, ao argumento de deveria ser aplicada multa administrativa em percentual mínimo, e que o débito total ora apresentado encontrase incorreto. Todavia, notase que tais matérias não foram objeto da impugnação, encontrandose precluído o direito à discussão da mesma na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Portanto, no que tange às inovações trazidas no recurso, não foi instaurado o contencioso administrativo fiscal relativamente às mesmas. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase que os argumentos tentando demonstrar a ilegalidade da utilização da taxa SELIC é totalmente impertinente ao caso em questão, uma vez que é objeto do presente processo administrativo um Auto de Infração, caso em que não se aplica, sobre o valor da multa, Taxa SELIC como juros moratórios. Em relação à multa, constatase que a fiscalização aplicou a penalidade em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento, que estabelecia que cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação é considerada uma ocorrência. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000782/200746 Acórdão n.º 2301003.544 S2C3T1 Fl. 145 7 Dessa forma, a multa imposta encontra amparo nos normativos legais citados nos Relatórios que integram o Auto de Infração, vigentes à época. Porém, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO de ofício e CONHECER DO RECURSO voluntário, DANDOLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. No que tange ao valor da multa aplicada, não posso concordar com o posicionamento adotado pela nobre relatora, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 2. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 3. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000782/200746 Acórdão n.º 2301003.544 S2C3T1 Fl. 146 9 22. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 23. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 24. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 25. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 26. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 27. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 28. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 29. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 30. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000782/200746 Acórdão n.º 2301003.544 S2C3T1 Fl. 147 11 contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 31. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 32. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 33. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 34. Aplicase, portanto, a regra inovadora da legislação previdenciária, haja vista que os autos informam que a espécie é de declaração de GFIP, conforme colho do voto da douta relatora: “Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/06/2005, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls 02), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, as remunerações pagas aos segurados empregados, a título de hora refeição, e aos seus administradores, a título de prólabore.” 35. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 36. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000782/200746 Acórdão n.º 2301003.544 S2C3T1 Fl. 148 13 CONCLUSAO 36. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, neste ponto específico, DARLHE PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da Lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator Fl. 14DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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