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Numero do processo: 10882.002872/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-Calendário: 1999
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. NULIDADE DO AUTO
DE INFRAÇÃO. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos
pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos,
contestando devidamente todas as operações autuadas e trazendo documentação
hábil suficiente.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo
decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, sendo que o 1o. dia do exercício seguinte, corresponde ao 1o. dia do ano civil seguinte, independentemente do período de apuração do tributo (anual, trimestral, mensal, semanal, ou diário).
CUSTOS. GLOSA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
Cabível a exigência de oficio sobre valores contabilizados como custos, cujo suporte documental é ineficaz para comprovar a execução de serviços prestados por diversas empresas a título de subempreitada e fornecimento de materiais, dada a inexistência de contratos e provas de efetividade dos pagamentos lançados na escrituração.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - SÚMULA
Nº 4 DO CARF. Conforme súmula
nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 1402-000.891
Decisão: Acórdão os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de decadência do 3º trimestre, vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator); 2) Pelo voto qualidade, rejeitar a preliminar de decadência do 1º trimestre, vencidos os Conselheiros
Carlos Pelá (relator), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Moises Giacomelli Nunes da Silva; 3) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base tributável do IRPJ e da CSLL, do 1º trimestre, o valor de R$ 249.000,00. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS PELA
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decisao_txt : Acórdão os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência do 3º trimestre, vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator); 2) Pelo voto qualidade, rejeitar a preliminar de decadência do 1º trimestre, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Moises Giacomelli Nunes da Silva; 3) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base tributável do IRPJ e da CSLL, do 1º trimestre, o valor de R$ 249.000,00. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
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Recorrida 2ª Turma da DRJ/CPS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AnoCalendário: 1999 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas e trazendo documentação hábil suficiente. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, sendo que o 1o. dia do exercício seguinte, corresponde ao 1o. dia do ano civil seguinte, independentemente do período de apuração do tributo (anual, trimestral, mensal, semanal, ou diário). CUSTOS. GLOSA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabível a exigência de oficio sobre valores contabilizados como custos, cujo suporte documental é ineficaz para comprovar a execução de serviços prestados por diversas empresas a título de subempreitada e fornecimento de materiais, dada a inexistência de contratos e provas de efetividade dos pagamentos lançados na escrituração. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário provido parcialmente. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência do 3º trimestre, vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator); 2) Pelo voto qualidade, rejeitar a preliminar de decadência do 1º trimestre, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Moises Giacomelli Nunes da Silva; 3) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base tributável do IRPJ e da CSLL, do 1º trimestre, o valor de R$ 249.000,00. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, lançados com multa de ofício (75%) e juros de mora em razão da glosa de custos e despesas não comprovados pela contribuinte em ação fiscal. Contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 68/69) que a contribuinte não se manifestou para comprovar os registros das contas 4.1.1.01.13 Subempreitadas e 4.1.1.03.25 Materiais Aplicados em Obras, conforme solicitado através do Termo de Intimação de 10/11/2004. Assim, a fiscalização efetuou a glosa desses valores não comprovados. Ciente da autuação em 06/12/2004, a contribuinte apresentou impugnação às fls. 87/98. Transcrevo o relatório da DRJ/CPS, na parte em que traduz os argumentos da peça impugnatória: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 3 3 (...) o prazo concedido pela fiscalização para que a empresa comprovasse os custos dos produtos vendidos de dez operações contabilizados no ano de 1999 foi bastante exíguo, de forma que quando foram localizados alguns comprovantes, anexos em sua defesa, o auto de infração já havia sido lavrado. Alega prejuízo a sua defesa uma vez que o auditor, sem basearse em qualquer premissa razoável, após localizar no livro diário, os lançamentos das despesas e verificar as notas fiscais correspondentes, ainda assim entendeu que as citadas despesas não teriam ocorrido. Objetivando comprovar a real existência das despesas a peça impugnat6ria apresenta cópias de cheques e de alguns comprovantes de depósitos, bem como da efetiva saída do recurso do caixa da empresa. Ressalva a impugnante que o art. 150, §4°, do CTN estabelece como prazo de decadência do direito de lançar cinco anos a contar do fato gerador, disposição essa confirmada pelo art. 899 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000 e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, assevera a defesa que todos os valores anteriores a dezembro de 1999 estariam decaídos por reportarse a fatos geradores ocorridos de março a dezembro. No mérito, apresenta as seguintes justificativas para afastar a glosa de despesas referentes às operações contestadas pela fiscalização: 1) Nota Fiscal 290, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 126, data 05.02.99 emitida por Comercial e Construtora Versamap Ltda ME Valor R$ 32.022,59. Documento comprobatório da operação: Nota Fiscal Fatura de Serviços, protesta pela posterior juntada do comprovante de pagamento; 2) Nota Fiscal 88, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 146, data 10.02.99 emitida por SPW Ind, e Com. Ltda. Valor R$ 300.000,00. Documento comprobatório da operação: Nota Fiscal, cópia do cheque emitido em favor de SPW Indústria e Comércio Ltda e do comprovante do depósito na conta da empresa; 3) Nota Fiscal 160, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 146, data 10.02.99 emitida por SPW Ind, e Com. Ltda. Valor R$ 249.000,79. Documento comprobatório da operação: extrato bancário da empresa demonstrando saída do recurso. Está providenciando a cópia do cheque junto ao Banco Nossa Caixa, e requer a posterior juntada do documento; 4) Nota Fiscal 288, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 394, data 09.04.99 emitida por Comercial e Construtora Versamap Ltda ME Valor R$ 87.654,97. Documento comprobatório da operação: Nota Fiscal Fatura de Serviços, protesta pela posterior juntada do comprovante de pagamento; 5) Nota Fiscal 176, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 475, data 30.04.99 emitida por Faixa Valor R$ 67.775,51. Documento comprobatório da operação: Extrato bancário da c/c da Consladel no Banco Bradesco debitando o cheque n° 0205261 em 07.05.99. Está providenciando a cópia do cheque junto ao Banco Bradesco, e requer a posterior juntada do documento; 6) Nota Fiscal 203, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 660, data 15.06.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 210.001,14. Documento Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 4 4 comprobatório da operação: cópia dos cheques (Valores de R$ 203.601,14 e R$ 6.400,00) emitidos em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do comprovante de depósito na conta da empresa. 7) Nota Fiscal 113, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 246, data 16.09.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 834.034,14. Documento comprobatório da operação: cópia dos cheques (Valores de R$ 824.034,14 e R$ 10.000,00) emitidos em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do comprovante de depósito na conta da empresa. 8) Nota Fiscal 114, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 243, data 16.09.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 14.974,08. Documento comprobatório da operação: cópia do cheque (Valor de R$ 16.483,00) emitido em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do comprovante de depósito na conta da empresa (o saldo de R$ 1.508,92 foi usado como pagamento de outra nota emitida pela mesma empresa e que não é objeto de questionamento da fiscalização). 9) Nota Fiscal 82, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 500, data 18.12.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 286.703,43. Documento comprobatório da operação: cópia do cheque 21391 do Banco Nossa Caixa (Valor de R$ 360.253,88) emitido em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do comprovante de depósito na conta da empresa (o saldo de R$ 73.550,45 foi usado como pagamento da nota fiscal 83 emitida pela mesma empresa e que está identificada no item seguinte); 10) Nota Fiscal 83, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 500, data 18.12.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 98.296,57. Documento comprobatório da operação: cópia do cheque 21391 (mencionado no item '9') cujo saldo de R$ 73.550,45 foi usado como parte do pagamento desse serviços e emitido em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do cheque 203926 do Banco Bradesco (valor de R$ 11.550,00 cujo saldo de R$ 13.196,12 foi usado como pagamento de outra nota fiscal emitida pela mesma empresa e que não é objeto de questionamento da fiscalização), bem como do comprovante do depósito na conta da empresa. Conclui a defesa que todos os serviços/bens adquiridos e contabilizados como custos dos serviços prestados pela empresa estariam devidamente demonstrados, evidenciando a improcedência do auto de infração. Reforça que, de qualquer forma, os lançamento correspondentes aos fatos geradores de 31/03/99, 30/06/99 e 30/09/99 já se encontravam extintos pela decadência, uma vez que decorridos mais de cinco anos da data do fato gerador até a constituição do crédito tributário. Por fim, exige o expurgo da taxa SELIC da cobrança em tela sob o entendimento de ofensa ao art. 150, inc. IV da Constituição Federal, que veda expressamente a tributação com efeito de confisco, visto que a exigência extrapola os limites da legalidade ao substituir os juros de mora previstos no art. 161, §1°, do CTN, que é de um pode cento (1%) ao mês. Diante disso, a 2ª Turma da DRJ/CPS entendeu por bem acatar a decadência quanto à exigência do IRPJ relativa ao 2° trimestre de 1999 e, no mérito, julgar parcialmente procedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 5 5 As alegações de nulidade do auto de infração foram afastadas pelo acórdão de 1ª instância, haja vista a contribuinte ter se mostrado devidamente ciente das razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas e trazendo documentação hábil suficiente. Especialmente no que toca à acatada preliminar de decadência, a decisão esclareceu que a empresa apurou IRPJ a pagar nos quatro trimestres do anocalendário de 1999, conforme DIPJ às fls. 168/169, tendo declarado, nas DCTF entregues no período, valores devidos apenas nos 2º e 4º trimestres (fls. 174/175), sendo que somente o débito declarado no 2º trimestre foi efetivamente pago, conforme consulta feita ao sistema SINAL08 (fls. 176/177). Logo, apenas o IRPJ referente ao 2º trimestre do ano de 1999 encontravase homologado pelo transcurso do prazo de cinco anos contados de 30/09/1999, quando constituído o crédito tributário pela fiscalização em 06/12/2004. Dessa forma, nos demais períodos de apuração, a regra a ser aplicada para contagem do prazo decadencial é aquela prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Assim, tendo ocorrido o fato gerador do IRPJ relativo ao 1º e 3º trimestres do ano de 1999, em 31/03 e 30/09 respectivamente, somente a partir de 1°/04/1999 e 1°/10/1999 poderseia efetuar lançamento para cobrança de eventuais diferenças, iniciandose a contagem do prazo, portanto, em 01/01/2000, com decadência para lançamento em 31/12/2004. Por sua vez, o prazo de decadência da CSLL seria de 10 anos, a contar do 1º dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, consoante disposição expressa no art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Logo, tendo em conta que o crédito de CSLL relativo aos três primeiros trimestres de 1999 poderia ser constituído no próprio ano, iniciase a contagem em 01/01/2000, encerrandose em 31/12/2009, não havendo, pois, que se falar em decadência do direito de constituição de diferenças relativas aos quatro trimestres de 1999 da CSLL. No que pertine ao mérito, transcrevo as razões de decidir do acórdão da DRJ/CPS: 1° trimestre: contas 4.1.1.02.13 Subempreitadas e 4.1.1.03.25 Materiais aplicados em Obras, as pendências listadas são seguintes: (...) A) Com relação às notas fiscais n° 290 e 160, nos valores de R$ 32.022,59 e R$ 249.000,79, respectivamente, a impugnante juntou aos autos, em 18/03/2005, às fls. 147 e 148, apenas cópias de notas fiscais. Atentese, inclusive, que a NF 160, fl. 148, no valor de R$ 249.000,79, com data de emissão de 30/03/99, foi registrada no Livro Diário em 10/02/99 e o comprovante de saque na Nossa Caixa, fl. 133, data de 15/04/99. Restam, pois, não comprovados os custos. B) Nota Fiscal 88, data 10.02.99 emitida por SPW Ind. e Com. Ltda. Valor R$ 300.000,00: a impugnante apresentou cópia de comprovante de depósito datado de 10/05/99, fl. 131, no valor de R$ 300.000,00, indicando como beneficiária a empresa SPW Ind. e Com. Ltda., emitente da NF nº.88, no mesmo valor, pelo que se considera parcialmente comprovado o custo do 1° trim./99. Custo não comprovado no 1° trim./99: total de R$ 281.023,38, soma de R$ 32.022,59 e R$ 249.000,79. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 6 6 (...) 2º trimestre: conta 4.1.1.02.13 Subempreitadas, as pendências listadas são seguintes: (...) A) Nota Fiscal 288, registrada no Diário n° 14, data de 09.04.99 emitida por Comercial e Construtora Versamap Ltda ME Valor R$ 87.654,97: a impugnante juntou em 18/03/2005 apenas a cópia da nota fiscal à fl. 146. No entanto, a simples emissão da nota fiscal, sem qualquer comprovação da efetividade da prestação/pagamento do serviço, é insuficiente para comprovar sua vinculação com o custo glosado. B) Nota Fiscal 176, registrada no Diário n° 14, data de 30.04.99 emitida por Faixa Valor R$ 67.775,51: Em 18/03/2005 a impugnante juntou a cópia da nota fiscal fl. 176, não apresentando, contudo, a comprovação da cópia do cheque do Bradesco prometida â época da instauração do litígio, não restando, pois, comprovado o referido custo. C) Nota Fiscal 203, registrada no Diário n° 14, data de 15.06.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 210.001,14: juntadas cópias dos cheques nos valores de R$ 6.400,00 Banco Nossa Caixa, de 20/07/99, fl. 137 e R$ 203.601,14, Banco Bradesco, de 24/08/99, fl. 138, emitidos em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do comprovante de depósito na conta da empresa em 24/08/99 da empresa SPW. No entanto, a simples emissão de cheques, de bancos distintos e com divergência de datas e valores com o lançamento questionado pela fiscalização, é insuficiente para comprovar sua vinculação com o custo glosado. Custo não comprovado no 2° trim./99: total de R$ 365.431,62, soma de R$ 87.654,97, R$ 67.775,51 e R$ 210.001,14. 3º trimestre: conta 4.1.1.03.25 Materiais aplicados em obras com as seguintes pendências: (...) A) Nota Fiscal 113, registrada no Diário n° 14, data de 16.09.99, emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 834.034,14: a impugnante apresenta apenas cópia de cheques emitidos em 24/11 e 30/12, respectivamente nos valores de R$ 824.034,14 e R$ 10.000,00, fls. 139/140, em favor de SPW Indústria e Comércio Ltda. No entanto, a simples emissão do cheque, com divergência de datas e valores com o lançamento questionado pela fiscalização é insuficiente para comprovar sua vinculação com o custo glosado. B) Nota Fiscal 114, registrada no Diário n° 14, data de 16.09.99, emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 14.974,08: à fl. 141 a impugnante junta cópia de cheque datado de 17/12/99, no valor de R$ 16.483,00, emitido em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e comprovante do depósito na conta da empresa, alegando que o saldo, de R$ 1.508,92, teria sido usado como pagamento de outra nota emitida pela mesma empresa, a qual não é objeto de questionamento da fiscalização e que também não foi apresentada. Da mesma forma que o tópico anterior, não se pode aceitar a comprovação do referido custo tendo em conta a divergência entre os valores pagos e a nota fiscal questionada nos autos. Custo não comprovado no 3° trim/99: total de R$ 849.008,22, soma de R$ 834.034,14 e R$ 14.974,08. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 7 7 4° trimestre: conta 4.1.1.03.25 Materiais aplicados em Obras com as seguintes pendências: A) Nota Fiscal 82, registrada no Diário n° 14, data de 18.12.99, emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda: Valor R$ 286.703,43: foram juntadas aos autos, fl. 142, cópias do cheque 021391 do Banco Nossa Caixa, no valor de R$ 360.253,88, emitido em 07/05/99 em favor da SPW Indústria e Comércio Ltda. e do comprovante de depósito na conta da empresa, com a argumentação de que o saldo de R$ 73.550,45 teria sido usado como pagamento da nota fiscal 83 emitida pela mesma empresa e que está identificada no item seguinte. B) Nota Fiscal 83, registrada no Diário n° 14, data de 18.12.99 emitida por SPW Indústria e Comércio Ltda. Valor R$ 98.296,57: o valor faturado teria sido quitado com o saldo de R$ 73.550,45, remanescente do cheque do Banco Nossa Caixa, no valor de R$ 360.253,88, parcialmente usado para pagamento da nota fiscal constante do tópico anterior, e mais o cheque 203926 do Banco Bradesco, no valor de R$ 11.550,00, o que totaliza R$ 85.050,45. Embora não justificado o pagamento do saldo devedor de R$ 13.196,12, a contribuinte informa que o valor teria sido usado como pagamento de outra nota fiscal emitida pela mesma empresa e que não é objeto de questionamento da fiscalização. Ressaltese que o registro das duas notas fiscais, n° 82 e 83, consta no livro Diário na data de 18/12/99 e a emissão dos cheques para pagamento, de diferentes bancos e com valores distintos dos custos, foram emitidos em 07/05/99 cheque Nossa Caixa, de R$ 360.253,88, de fl. 142, e em 09/03/99 cheque Bradesco de R$ 11.500,00, fl. 143. Por conseguinte, carece de lógica a pretensão da impugnante de comprovar os custos questionados no 4° trimestre de 1999. Custo não comprovado no 4° trim./99: total de R$ 385.000,00, soma dos valores de R$ 286.703,43 e R$ 98.296,57. Finalmente, a decisão de 1ª instância manteve as exigências reflexas de CSLL sobre a glosa de custos parcialmente procedentes e afastou os argumentos sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic. Ante o exposto, a contribuinte apresenta recurso voluntário, repisando os argumentos de sua peça impugnatória no que tange à (i) decadência do direito de lançar e à (ii) ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência dos juros Selic, bem como enfrenta os fundamentos da decisão recorrida que manteve parcialmente a glosa de custos, diante de todos os documentos já apresentados no autos. É o Relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminarmente, destaco que inexistem razões para se declarar a nulidade do presente auto de infração ou cerceamento do direito de defesa da contribuinte, quando a mesma mostra compreender as razões que ensejaram os lançamentos, contestando devidamente todas as operações autuadas e trazendo documentação hábil suficiente. Dito isso, cumpre destacar, de início, que a discussão acerca da decadência de tributos sujeitos à lançamento por homologação fora julgada definitivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº. 5.869/1973 CPC), tornandose, dessa forma, decisão vinculante àquelas proferidas por esse Conselho, consoante alteração contida na Portaria MF nº. 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009. In verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, conforme entendeu o Egrégio STJ no REsp nº. 973.733SC, nos casos de tributo sujeito à lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN que, por sua vez, não tem aplicação cumulativa/concorrente com o prazo do artigo 150, § 4º do CTN. Noutras palavras, a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal regese pelo artigo 173, I do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Com efeito, no caso em comento, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 9 9 Assim, para fatos imponíveis ocorridos no anocalendário de 1999 relativos à IRPJ e CSLL; ou seja, até 31.12.1999, o primeiro dia do exercício seguinte deuse para cada trimestre, respectivamente, em 1º.04.1999, 1º.07.1999, 1º.10.1999 e 1º.01.2000, portanto, decaídos em 1º.01.2005. Logo, dada ciência do Auto de Infração em 06/12/2004, verificase, tão somente, a decadência dos valores lançados a título de IRPJ, CSLL referentes ao 1º. 2º e 3º trimestres do anocalendário de 1999, devendo, portanto, ser excluídos os valores lançados referentes a tais períodos. Notese, a regra acima é válida para casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. Portanto, aplicarseá apenas para o 1º e 3º trimestres. Especificamente no que toca ao 2º trimestre de 1999, uma vez que houve pagamento antecipado de IRPJ (conforme consulta feita ao sistema SINAL08 as fls. 176/177), a decadência do direito de lançar regese pelo artigo 150, § 4º do CTN. Ou seja, encontramse também homologados tacitamente pelo transcurso do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador em 30/06/1999. No mérito, a questão sub judice se resume à análise das provas apresentadas pela Recorrente para comprovação das operações autuadas e mantidas pelo acórdão recorrido. Assim, passo a analisar as operações do 4º trimestre do anocalendário 1999, não atingidas pela decadência, bem como as operações do 1º e 3º trimestres, para eventual hipótese de que a maioria dos presentes venha divergir do voto em sede preliminar. 1º Trimestre Nota Fiscal 290, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 126, data 05.02.99 emitida por Comercial e Construtora Versamap Ltda. ME Valor R$ 32.022,59 Documento comprobatório da operação apresentado pela Recorrente: Nota Fiscal Fatura de Serviços (fl. 129/130/147). A Recorrente afirma em sua peça recursal que anexou aos autos a cópia da Nota Fiscal – Fatura de Serviços e do extrato bancário que confirma a operação. Entretanto, não foi possível encontrar o referido extrato nos autos e, apenas diante das notas fiscais e do registro no Livro Diário, não é possível comprovar a operação e a efetiva saída dos recursos, devendo ser mantida a glosa de custos. Nota Fiscal 160, registrada no Diário n° 14, vol. 1, pág. 146, data 10.02.99 emitida por SPW Ind. E Com. Ltda Valor R$ 249.000,79 Documento comprobatório da operação apresentado pela Recorrente: Nota fiscal Fatura de Serviços (fl.148) e Extrato bancário da empresa, comprovando a saída em 15/4/1999 da quantia de R$ 249.000,79 (fl.133). A decisão recorrida não aceitou os documentos apresentados pela Recorrente sob o argumento de que a nota fiscal n° 160, embora emitida em 30/3/1999, teria sido registrada no Livro Diário em fevereiro/1999. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 10 10 Nesse ponto, afasto a glosa de custos por entender razoável que o registro no Livro Diário tenho ocorrido concomitantemente à emissão do cheque para pagamento, embora a própria nota fiscal só tenha sido emitida um mês depois e os recursos só tenham efetivamente saído da conta da Recorrente dois meses depois. 3º Trimestre Nota Fiscal 113, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 243, data 16.09.99 emitida por SPW Ind. E Com. Ltda Valor R$ 834.034,14 Documento comprobatório da operação apresentado pela Recorrente: cópia dos cheques (valor de R$ 824.034,14 e R$ 10.000,00) emitidos em favor da SPW Industria e Comércio Ltda. (fls. 139/140). Aqui entendo que a emissão dos dois cheques cujos valores somam o total na nota fiscal, ainda que emitidos em 24/11 e 30/12, respectivamente, é suficiente para comprovar sua vinculação com o custo glosado. Entretanto, também nesse caso não foi possível encontrar nos autos o comprovante de depósito na conta da empresa, supostamente anexado pela Recorrente, bem como a cópia da nota fiscal. Assim, apenas diante do registro no Livro Diário e dos cheques, não é possível comprovar a operação e a efetiva saída dos recursos, devendo ser mantida a glosa de custos. Nota Fiscal 114, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 243, data 16.09.99 emitida por SPW Ind. E Com. Ltda Valor R$ 14.974,08 Documento comprobatório da operação apresentado pela Recorrente: cópia do cheque (valor de R$ 16.483,00) emitido em favor da SPW Industria e Comércio Ltda. e do comprovante do depósito na conta da empresa, ambos às fls. 141. Conforme informação prestada pela Recorrente, o saldo de R$ 1.508,92 teria sido usado como pagamento de outra nota fiscal emitida pela mesma empresa e que não foi objeto de questionamento da fiscalização. Para que o cheque trazido aos autos possa comprovar a operação em valor distinto descrita na nota fiscal nº 114, a Recorrente deveria comprovar que a diferença (R$ 1.508,92) foi efetivamente utilizada para pagamento de outra nota fiscal. Entretanto, esses fatos não estão claros a partir da documentação apresentada pela Recorrente, razão pela qual mantenho a glosa do custo. 4º Trimestre Nota Fiscal 82, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 500, data 18.12.99 emitida por SPW Ind. E Com. Ltda. — Valor R$ 286.703,43 Documento comprobatório da operação apresentado pela Recorrente: Cópia do cheque 21391 do Banco Nossa Caixa (valor de R$ 360.253,88) emitidos em favor da SPW Industria e Comércio Ltda. e cópia do comprovante do depósito na conta da Recorrente (o saldo de R$ 73.550,45 fora usado como pagamento da nota fiscal 83 emitida pela mesma empresa e que está identificada no item seguinte). Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 11 11 Nota Fiscal 83, registrada no Diário n° 14, vol. 2, pág. 500, data 18.12.99 emitida por SPW Ind. E Com. Ltda — Valor R$ 98.296,57 Documento comprobat6rio da operação apresentado pela Recorrente: Cópia do cheque 21391 (mencionado no item 9) do Banco Nossa Caixa cujo saldo de R$ 73.550,45 foi usado como parte do pagamento desse serviço e emitido em favor da SPW Industria e Comércio Ltda. e cópia do cheque 203926 do Banco Bradesco (valor R$ 11.550,00) (cujo saldo de R$ 13.196,12 fora usado como pagamento de outra nota fiscal emitida pela mesma empresa e que não foi objeto de questionamento da fiscalização), bem como do comprovante do depósito na conta da Recorrente. Conforme expõe o acórdão recorrido, o registro das notas fiscais n° 82 e 83 foi levado a cabo no Livro Diário em 18/12/99. Em contrapartida, a emissão dos cheques para pagamento, de diferentes bancos e com valores distintos dos custos, foram emitidos em 07/05/99 cheque Nossa Caixa, de R$ 360.253,88, de fl. 142, e em 09/03/99 cheque Bradesco de R$ 11.500,00, fl. 143. Ora, é até possível que tais cheques refiramse ao pagamento das operações das Notas Fiscais nº. 82 e 83 e que a diferença de R$ 13.196,12 tenha sido utilizada como pagamento de outra nota fiscal. Entretanto, esses fatos não estão claros a partir da documentação apresentada pela Recorrente. Dessa forma, não vejo como afastar os lançamentos referentes à tais operações. Lembrando que, aplicase o decidido em relação ao tributo principal ao lançamento da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Finalmente, a Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora. Sobre esse tema, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar, devido à decadência, os valores lançados a título de IRPJ e CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário de 1999 e, no mérito, manter a exigência de IRPJ e CSLL referente ao 4º trimestre do anocalendário 1999. Caso vencido pela turma, mantendose a exigência relacionada ao 1º e 3º trimestres, voto por exonerar da base tributável do IRPJ e da CSLL referente ao 1º trimestre o valor de R$ 249.000,00 (custo não comprovado no 1° trim./99 consoante acórdão recorrido era de R$ 281.023,38 e passa a ser de R$ 32.023,38), mantendo as demais exigências de IRPJ e CSLL referentes ao 1º, 3º e 4º trimestres do anocalendário 1999. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 12 12 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. Preliminar de decadência Nos debates realizados no julgamento deste processo divergi do posicionamento da ilustre Relatora quanto a forma de contagem do prazo decadencial. É certo que o contribuinte não realizou pagamentos a titulo de IRPJ e CSLL nos trimestres do anocalendário de 1999, objeto do lançamento de oficio. Logo, a contagem do prazo decadencial deve ser feita com observância do art. 173 do código Tributário Nacional, que estabelece: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O cerne do embate é determinar qual o 1o. dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado. No presente caso, o contribuinte optou pelo regime do lucro real trimestral, por isso, o relator entende que o “primeiro dia do exercício seguinte” estabelecido na norma legal, seria o 1o. dia do trimestre seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Assim não entendo. A meu ver o exercício financeiro é sempre anual, e não se confunde com o período de apuração de qualquer tributo, que pode ser anual, trimestral, mensal, semanal, diário e até individual (operação a operação). Ora, o inciso I do art. 173 do CTN referese ao primeiro dia do exercício seguinte. O exercício fiscal, pela legislação do imposto sobre a renda, coincide com o ano calendário, que começa no dia 1º de janeiro e termina no dia 31 de dezembro. Difere do ano civil, que é o decurso do prazo de doze meses, contados do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte, conforme definição do art. 1º da Lei nº 810, de 06/09/1949. O ano civil, é pois, o período corrido de 365 dias. Não é nesse sentido a determinação do CTN, que repito está se referindo ao exercício fiscal ou financeiro. Nesse sentido são vários os julgados do STJ, dentre os quais destaco o RESP 894453 SC, assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS. DECADÊNCIA. ARTIGOS 150, § 4º, E 173, I, DA CF/88. 1. Nas hipóteses de tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.002872/200410 Acórdão n.º 140200.891 S1C4T2 Fl. 13 13 estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte (Precedentes da Primeira Seção: AgRg nos EREsp 190287/SP, desta relatoria, publicado no DJ de 02.10.2006; e ERESP 408617/SC, Relator Ministro João Otávio de Noronha, publicado no DJ de 06.03.2006). 4. In casu, a notificação de lançamento foi efetivada em 14/02/2005, tendo como objeto os fatos geradores das contribuições previdenciárias inadimplidas referentes ao período de janeiro de 1995 a janeiro de 2000. Destarte, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial quinquenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sidoefetuado. Desta sorte, encontramse hígidos tãosomente os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no ano de 2000, tendo em vista que o dies a quo do prazo decadencial para constituílos se deu em 1º/01/2001 e o dies ad quem em 1º/01/2006. 5. Recurso especial desprovido." Rejeito, pois, a preliminar de decadência. Em relação às demais questões em litigo, entendo que os fundamentos do voto do ilustre Conselheiro Relator não merece reparos. Conclusão Diante do exposto oriento meu voto sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base tributável do IRPJ e da CSLL, do 1º trimestre, o valor de R$ 249.000,00. É este o voto condutor do presente julgado. (assinada digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Ass inado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909126/2009-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 91 26 /2 00 9- 45 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909126/200945 Acórdão n.º 3801001.840 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 306DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909126/200945 Acórdão n.º 3801001.840 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909126/200945 Acórdão n.º 3801001.840 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909126/200945 Acórdão n.º 3801001.840 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10530.722526/2010-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 25 26 /2 01 0- 90 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722526/201090 Acórdão n.º 2803002.276 S2TE03 Fl. 146 2 Relatório O recurso voluntário em questão busca a reforma da decisão que manteve parcialmente claramente o lançamento realizado multa por descumprimento obrigação assessória por ter deixado de apresentar de acordo com o intimado no TIPF Termo de Inicio de Procedimento Fiscal: Resumo Geral das Folhas de Pagamento mensais, com todos os dados, dos exercícios de 2006 a 2008 de todos os segurados, em papel e meio digital (separadamente: servidores efetivos, comissionados, e agentes políticos), com a identificação e assinatura do gestor responsável pela emissão, na forma estabelecida pela legislação; e lista dos processos de pagamento, em meio digital (art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n. 8.212/1991), sendo aplicada multa fixa prevista no arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS e MF n° 350, de 30 de dezembro de 2009.. A ciência do auto de infração inaugural foi em 20.06.2010. Tempestivamente, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que foi encaminhado à presente Turma Especial do CARF/MF, alegando, que houve ausência de intimação pessoal, falta de orientação anterior ao lançamento, aplicação dos juros foi incorreta ou ilegal, e que a multa a ser aplicada é a do art. 32A, da Lei n. 8.212/1991. Os autos retornaram para apreciação. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722526/201090 Acórdão n.º 2803002.276 S2TE03 Fl. 147 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II –As questões levantadas pela recorrente, que repetiu integralmente a impugnação, foram plenamente abordadas pela decisão a quo, que salvo poucos pontos que serão abordados a seguir, não deve ser retocada, podendo ser plenamente adotada a parte transcrita transcrito os trechos abaixo: 8. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)Apenas agregase que o lançamento demonstrou em grande parte os motivos fáticos, jurídicos e critérios do lançamento, obedecendo os artigos 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991, que não tinha sido indicada especificada no relatório fiscal do lançamento anterior. (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722526/201090 Acórdão n.º 2803002.276 S2TE03 Fl. 148 4 § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 9. A intimação para a ciência do débito foi enviada para o domicílio tributário do contribuinte por meio de carta com aviso de recebimento, conforme estatui o art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, e, na forma do §3º deste artigo, os meios de intimação previstos nos incisos do caput do referido artigo não estão sujeitos a ordem de preferência, de modo que a intimação é válida. 10. O Decreto nº 45.490/00, citado pelo Impugnante, é um ato expedido pelo Estado de São Paulo, o qual aprova o Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e Comunicação – RICMS, portanto inaplicável ao processo administrativo fiscal federal. 11. Encontrase pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a possibilidade de lavratura de Auto de Infração fora do estabelecimento da autuada, inclusive por meio de súmula, nos termos abaixo: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. 12. Assim, inexiste qualquer nulidade a ser declarada quanto à lavratura fora do estabelecimento da Impugnante. 13. Quanto à afirmação de que o Agente do Fisco ao encontrar qualquer suposta irregularidade, antes de autuar, deve, necessariamente, intimar o contribuinte, por escrito, na pessoa de seu representante legal, para que preste, no prazo razoável, todos os esclarecimentos necessários, sob pena de nulidade do ato, verificase que tal conseqüência inexiste; os esclarecimentos somente seriam necessários se houvesse algo obscuro, pois, na forma do art. 293 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, constatada a ocorrência de infração a dispositivo do Regulamento, será lavrado Auto de Infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722526/201090 Acórdão n.º 2803002.276 S2TE03 Fl. 149 5 hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. 14. Consigna o Relatório Fiscal que a empresa não apresentou Resumo Geral das Folhas de Pagamento mensais, com todos os dados, dos exercícios de 2006 a 2008 de todos os segurados, em papel e meio digital (separadamente: servidores efetivos, comissionados, e agentes políticos), com a identificação e assinatura do gestor responsável pela emissão, na forma estabelecida pela legislação. 15. Contudo, tal infração encontrase fundamentada em dispositivo diverso do constante do presente AI, a saber: art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso I e §9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Desta forma, improcede o lançamento com relação a essa infração descrita no Relatório Fiscal, por erro na fundamentação legal. Assim, as alegações da Impugnante atinentes à folha de pagamento não serão aqui apreciadas, em razão da perda do objeto. 16. Contudo, a multa para a conduta tipificada para a infração objeto do AI de deixar a empresa de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, encontrase prevista nos arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS, e não varia de acordo com o número de documentos apresentados sem as formalidades exigidas. Assim, embora improcedente a autuação referente à folha de pagamento, por erro na fundamentação legal, a multa não poderá ser reduzida. 17. A infração de deixar de apresentar lista dos processos de pagamento é incontroversa. 18. A Lei nº 11.941, de 2009, não alterou a legislação referente à multa por descumprimento da obrigação acessória objeto do presente AI, a qual permanece sendo os arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS e MF n° 350, de 2009. Logo, aplicada de forma escorreita a multa lançada. 19. Para o pagamento dos valores reconhecidos pelo Impugnante, deve o mesmo se dirigir ao setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil circunscricionante para emissão da guia de recolhimento, nos termos das Instruções Para o Contribuinte (IPC), fls. 03/04, e para a formalização de eventual parcelamento. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722526/201090 Acórdão n.º 2803002.276 S2TE03 Fl. 150 6 20. Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE a autuação de que trata o AI em tela, mantendo a multa no valor de R$ 14.107,79 (quatorze mil, cento e sete reais e setenta e nove centavos). Está correto Auto de Infração, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização está estabelecida art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.721877/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/12/2011
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA COM FATO GERADOR.
Na aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve figurar no polo passivo o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador da multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/12/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA COM FATO GERADOR. Na aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve figurar no polo passivo o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador da multa. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA COM FATO GERADOR. Na aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve figurar no polo passivo o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador da multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 18 77 /2 01 1- 87 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.721877/201187 Acórdão n.º 2401003.078 S2C4T1 Fl. 252 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 49.665 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 51.017.2415. O crédito em questão diz respeito à aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar livros e documentos solicitados pelo fisco. Segundo o relatório fiscal, fls. 04/05, o sujeito passivo, mesmo regularmente intimado, deixou de apresentar os livros Diário e Razão, dos exercícios de 2006 e 2007. Foi ofertada impugnação, fls. 55/67, com as alegações que passaremos a resumir. a) não houve a falta apontada no AI; b) tem uma longa folha de serviços prestados à população do Município de VarreSai, sempre recebendo recursos públicos e particulares; c) com a publicação da Lei Municipal n. 378/2002, a Prefeitura assumiu a administração da Associação Hospitalar, indicando, inclusive, os membros de sua direção; d) em razão da falta do aporte de recursos por parte do Município, a autuada acumulou dívidas; e) no período da autuação, houve a realização de convênio de gestão com o Município de VarreSai, para execução dos programas Saúde da Família, Agentes Comunitários de Saúde, Erradicação do Trabalho Infantil, Assistência à Saúde e Curumim, com previsão de repasse dos recursos oriundos do Governo Federal; f) o Prefeito cometeu inúmeras irregularidades utilizandose do nome da Associação Hospitalar, inclusive deixando de cumprir as obrigações fiscais, conforme balanço elaborado pelo contador; g) deve ser arquivado a AI, posto que a autuada não deu causa à infração, e que o polo passivo passe a ser ocupado pelo Município de VarreSai, na qualidade de responsável pelos débitos existentes, e também assumam a posição de corresponsáveis os senhores Edson Moreira Martins e Josemar Geraldo Rodrigues de Assis. As razões defensórias não foram acatadas pela DRJ, que julgou improcedente a defesa, mantendo integralmente a multa imposto. Inconformada, a entidade autuada interpôs recurso, fls. 237/238, no qual requer a reapreciação dos pontos alinhavados na defesa, acrescentando que, mediante o Decreto n. 970/2012, o prédio sede do Hospital bem como todos os bens móveis pertencentes à recorrente foram desapropriados pelo Município de VarreSai. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Pede a autuada que, caso a multa seja mantida, reduzase seu valor ao mínimo legal, posto que não dispõe de recursos suficientes para arcar com o pagamento do débito. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10725.721877/201187 Acórdão n.º 2401003.078 S2C4T1 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A infração Às fls. 21/33, constam os Termos de Intimação Fiscal – TIF de n. s 03 a 07, nos quais Associação é intimada a apresentar os livros Diário e Razão. O último, inclusive, foi recebido pessoalmente pelo seu representante legal. Não consta dos autos qualquer prova de que os livros contábeis requeridos tenham sido apresentados. Nem na defesa, tampouco no recurso, a empresa demonstra haver cumprido com a obrigação acessória de apresentar os citados livros. Assim, restou desatendido o comando da Lei n.º 8.212/1991, assim, redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Configurada a infração, ao fisco recaiu a obrigação de lavrar o AI para imposição da penalidade cabível, não havendo margem de discricionariedade para deixar de aplicar a multa em razão da situação econômica do sujeito passivo. A legitimidade passiva Pretende a recorrente, transferir a responsabilidade pelo crédito para o Município de VarreSai, invocando convênio que teria firmado com este, o qual lhe acarretado prejuízo. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Essa pretensão não merece sucesso. Na presente autuação, o fato gerador do lançamento foi a falta de apresentação de livros requeridos pelo fisco. Assim, nos termos do art. 121, I, do CTN, é a recorrente o sujeito passivo da obrigação tributária, posto que tem a relação direta com a conduta que deu ensejo à lavratura. Essa responsabilidade tributária poderia até ser questionada se no momento da autuação a recorrente estivesse sob intervenção, mas não é o caso, posto que as intimações foram dirigidas e recebidas pelo representante legal da Associação Hospitalar, que, inclusive, recebeu o agente do fisco. Possíveis prejuízos que lhe foram causados pelo convênio que firmou com o Município de VarreSai não podem ser invocados para afastar a recorrente do polo passivo da autuação, posto que essa convenção não pode ser oposta à Fazenda Pública, nos termos do art. 123 do CTN. Quanto ao pedido de redução da multa em razão da carência de recursos para quitar o débito tributário, não pode ser atendido em razão da falta de permissivo legal para concessão desse favor. Também não afasta a multa o fato de bens da autuada terem sido desapropriados, posto que isso é matéria que refoge aos limites da lide que ora se julga. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10855.901981/2008-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.61) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 01 98 1/ 20 08 -7 2 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901981/200872 Resolução nº 1802000.242 S1TE02 Fl. 3 2 PER/Dcomp de n° 31646.66729.210906.1.7.046746, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 3° trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadrosdemonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 3° trimestre de 2003, efetuado em 28/11/2003, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.721, de 26 de novembro de 2010 (fls.60/63), cientificado ao interessado em 10/01/2011 (fl.66). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.60): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/11/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, fls.67/68, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901981/200872 Resolução nº 1802000.242 S1TE02 Fl. 4 3 Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 3º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registros de Saída (fls.70/98). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 31646.66729.210906.1.7.046746 (fls.1/2), retificador, transmitido em 21/09/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 1.733,40, código 2372, relativa ao 2º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 1.695,56 , decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 30/09/2003; Data de Arrecadação: 28/11/2003, Valor: R$ 7.937,21). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 7.937,21) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.61/62): 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 1.695,56, relativo ao terceiro trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 22.711,83 para R$ 17.625,19, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/59 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 3° trimestre de 2003, o montante de R$ 22.717,87, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 7.858,63, em 31/10/2003; b) R$ 7.937,21 (principal de R$ 7.858,43), em 28/11/2003; e c) R$ 8.042,52 (principal de R$ 7.858,63), em 30/12/2003 (fls. 33/35). Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informando que a CSLL devida no 3° trimestre de 2003 seria no montante de R$ 17.625,19, que em três quotas resultaria na cifra de R$ Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901981/200872 Resolução nº 1802000.242 S1TE02 Fl. 5 4 5.875,06, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na presente PER/Dcomp, 2ª quota, no valor de R$ 1.695,56 (R$ 7.858,63 menos R$ 5.875,06). Depreendese da sucinta alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.70) que, no 3º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 787.749,65 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% (R$ 282.593,68 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 282.593,68 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta R$ 282.593,68, apurou CSLL no valor de R$ 8.138,70 (282.593,68 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 3.052,01 (282.593,68 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 5.086,69 (8.138,70 3.052,01) em três quotas de R$ 1.695,56, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 3º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 7.858,63, em 31/10/2003; b) R$ 7.937,21 (principal de R$ 7.858,63), em 28/11/2003; e c) R$ 8.042,52 (principal de R$ 7.858,63), em 30/12/2003. Sobre o alegado indébito tributário, vale transcrever o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26 que dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, verbis: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26, de 25 de abril de 2008 DOU de 28.4.2008 – Dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , e o que consta do processo n º 10168.002277/200701, declara: Art. 1 º Para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4 º do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 , observadas as disposições do art. 5 º c/c o art. 7 º do referido decreto. Art. 2 º Fica revogado o ADI RFB n º 20, de 13 de dezembro de 2007 . A Receita Federal revogou uma interpretação dada em dezembro/2007, que resultava em aumento do Imposto de Renda e de CSLL para as empresas que pagam o imposto pelo regime de lucro presumido ou por estimativa. O Ato Declaratório Interpretativo RFB 20/2007, revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB 26/2008, gerou muita controvérsia enquanto esteve vigente, pois aumentava a base de cálculo de 8% para 32% (no Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901981/200872 Resolução nº 1802000.242 S1TE02 Fl. 6 5 caso do IRPJ) e de 12% para 32% (no caso da CSLL) para a maioria das operações de industrialização por encomenda. Pela interpretação anterior, consideravase prestação de serviço, para fins da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) as operações de industrialização por encomenda quando na composição do custo total dos insumos do produto industrializado por encomenda houvesse a preponderância dos custos dos insumos fornecidos pelo encomendante. Com a revogação desta interpretação, a Receita Federal definiu que, para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (adiante reproduzido), observadas as disposições do art. 5º c/c o art. 7º do referido decreto: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 3° trimestre/2003; DARFs relativos ao 3° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do terceiro trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado trimestre declarado na DIPJ/2004. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901981/200872 Resolução nº 1802000.242 S1TE02 Fl. 7 6 Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001098/2010-36
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA(S) DE PAGAMENTO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Legislação.
Independência das exigências, sendo que as multas decorrem de fatos geradores específicos distintos, portanto, não há caracterização de bis in idem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.281
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA(S) DE PAGAMENTO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Legislação. Independência das exigências, sendo que as multas decorrem de fatos geradores específicos distintos, portanto, não há caracterização de bis in idem. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA(S) DE PAGAMENTO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Legislação. Independência das exigências, sendo que as multas decorrem de fatos geradores específicos distintos, portanto, não há caracterização de bis in idem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 98 /2 01 0- 36 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 254 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 255 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela TRANSPORTES FIOROTI LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do relatório fiscal, a autuação se deu em razão da empresa deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99. 3. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados da Seguridade Social sob o Código de Fundamentação Legal — CFL 30. A sanção aplicada foi a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº. 8.212/91, bem como a dos artigos 283, I, “a” e 373 do Regulamento da previdência Social (RPS). 4. A contribuinte por não concordar com o lançamento, do qual tomou ciência em 28/09/2010, apresentou impugnação, tendo o julgador a quo ao analisar o pleito decidido pela improcedência do pedido (fls. 79 e ss). 5. O acórdão (fl. 220) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar de informar em folha de pagamento a totalidade dos valores pagos a segurados empregados. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Inexiste bis in idem entre as multas decorrentes de descumprimento da obrigação acessória e inadimplemento da obrigação principal. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido” 6. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos trazidos na impugnação, aduzindo em síntese: a) que a multa decorre de um mesmo fato, o que representa a imposição de dupla penalidade ao contribuinte; b) natureza não salarial das verbas destinadas à alimentação, portanto, não incidência tributária e impossibilidade de imputação de pena por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 256 4 7. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 257 5 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. A recorrente deixou de incluir em folhas de pagamento fatos geradores de contribuições previdenciárias, quais sejam os valores referentes à alimentação, pagos em pecúnia aos segurados empregados, conforme consta do item 1.3.1 do relatório da infração (“Levantamento “DA”), fl. 27 dos autos. 3. Tal fato constituiu infração ao artigo 32, I, da Lei nº. 8.212/91, c/c artigo 225, I, e § 9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99. 4. Em suas alegações, a recorrente dispôs sobre a existência de bis in idem, mas não determinou relação com outro auto de infração que desse ensejo consideração de existência de dupla tributação sobre o mesmo fato gerador. Discorrendo da seguinte forma: “(...) Da ação fiscal que deflagrou o auto de infração ora combatido, também sobrevieram os autos de infração números 37.264.9386, 37.264.9394 e 37.264.9408, estes lavrados para a exigência das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como das contribuições a terceiros, nos quais todos os créditos tributários correspondentes às contribuições que entendeu a auditoria fiscal que teriam sido recolhidos a menor foram acrescidas de elevadas multas.” 5. Notase a independência das exigências, posto que, até mesmo a natureza das obrigações é diversa, sendo utilizadas como parâmetro obrigações principais, enquanto este auto de infração trata de descumprimento de obrigação acessória. Portanto, ocorre que cada obrigação é decorrente de fato gerador específico distinto, não merecendo prosperar tal alegação em análise. 6. Ademais, aduziu a insubsistência da obrigação acessória em questão, diante da não incidência tributária relativamente às verbas destinadas à alimentação, por possuírem natureza não salarial. 7. Cumpre esclarecer que, no que se refere ao pagamento in natura da alimentação, não há incidência tributária, estando a empresa inscrita ou não no PAT, não se aplicando essa regra aos pagamentos em dinheiro, como abordado mais adiante. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 258 6 8. Sobre a matéria discutida (fato gerador), concessão de auxílio alimentação sem inscrição no PAT, os membros do CARF (RICARF, art. 62, III) devem se ater às disposições contidas no Ato Declaratório PGFN nº. 03/2011, in verbis: “A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008) EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007).” 9. O valor referente ao fornecimento de alimentação paga aos empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT não integra o salário de contribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº. 03/2011. 10. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 259 7 de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente.Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) (g.n.) 11. Ora, se não há incidência de contribuição previdenciária sobre o referido benefício, por certo também não haveria necessidade de cumprimento de obrigações acessórias decorrentes dessa matéria. 12. Contudo, houve pagamento de alimentação também em pecúnia, como consta do relatório (fl. 27), sem a devida inscrição no PAT; há que se observar que o pagamento de auxílio alimentação em dinheiro não é abrangido pelo Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A desobediência às regras do PAT transforma a verba paga a este título como salário de contribuição. 13. Desse modo, verificase que subsiste a obrigação acessória em análise. CONCLUSÃO 14. Por todo exposto, conheço do recurso, para no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001098/201036 Acórdão n.º 2803002.281 S2TE03 Fl. 260 8 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 11065.906817/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 68 17 /2 00 8- 11 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 176 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 00613.77711.111006.1.7.021347 e 18535.14645.111006.1.7.020816, ambos em 11.10.2006, fls. 4862, utilizandose em ambas do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$66.781,91 do quarto trimestre do anocalendário de 2000 apurado pelo regime do lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 01, acompanhado da Planilha de fl. 111 as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo verificouse Parc. Crédito Retenções Fonte Soma Parc. Créd. Per/DComp 90.897,75 90.897,75 Confirmadas 57.151,30 57.151,30 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 177 3 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$66.781,91 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$90.897,75 IRPJ Devido: R$24.115,84 Valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$58.625,03 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 00613.77711.111006.1.7.021347 e 18535.14645.111006.1.7.020816. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em, fls. 0219, com os argumentos a seguir sintetizados. Defende a tese de que no ato administrativo impugnado é nulo, porque ali não constam os fundamentos de fato e de direito em que foi motivado o indeferimento do seu pedido. Suscita que apresenta documentos comprobatórios de que tem direito ao valor integral de R$90.897,75 a título de IRRF com a finalidade de apuração do saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do anocalendário de 2000. Discrimina todos os débitos constantes nos Per/DComp que pretende serem compensados. Em relação ao crédito tributário pleiteado, indica os valores de IRRF utilizados para fins de composição do saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do ano calendário de 2000, conforme Tabela 1. Tabela 1 Valores de IRRF indicados na composição do saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do anocalendário de 2000 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 178 4 Fonte Pagadora CNPJ (A) Código de Arrecadação (B) Valor de IRRF Pleiteado no Per/DComp Fls. 5152 R$ (C) Valor de IRRF Não Reconhecido no Despacho Decisório R$ (C Argumento da Defesa (D) 01.800.019/000185 3426 11.968,21 11.968,21 Valor decorrente e não utilizado no 2º trimestre e utilizado no 4º trimestre de 2000 02.976.206/000187 1708 237,89 237,89 Serviço prestado no 4º trimestre e a fonte pagadora informou na DIRF do 3º trimestre de 2000 01.800.019/000185 3426 20.754,50 02.976.206/000187 1708 667,00 89.716.187/000138 1708 803,40 24,05 Serviço prestado no 4º trimestre e a fonte pagadora informou na DIRF do 1º trimestre de 2001 60.701.190/000104 3426 17.156,54 72.107.121/000148 8045 1.432,76 89.238.711/000102 8045 1.686,86 89.718.340/000166 8045 328,18 91.582.361/000149 1708 983,30 91.793.646/000129 8045 1.379,87 92.742.899/000136 1708 4.627,80 94.094.489/000151 8045 292,62 93.101.632/000122 8045 506,10 97.276.265/000159 1708 2.137,30 94.753.043/000191 0924 2.327,20 00.000.000/000191 3426 21.516,30 21.516,30 Incorreção no número do CNPJ da fonte pagadora informado no Per/DComp (04.061.079/000111) 03.452.585/000179 1708 2.091,92 Total 90.897,75 33.746,45 Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, pede e espera a Impugnante seja recebida e acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja: a) A recebida em seu efeito suspensivo, na forma do art. 74, parágrafo 11, da Lei nº 9.430/96. b) Ao final, provida a presente Manifestação de Inconformidade, reformando se a decisão singular, a fim de reconhecer o direito creditório integralmente e homologar os pedidos de compensação até o limite de tal crédito, conforme demonstrado, ou, seja, ela provida para o fim de reconhecer a nulidade do Despacho Decisório, diante da falta de fundamentação, o que referese o art. 5°, LV da CF/88. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 179 5 Nestes Termos Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1029.842, de 03.02.2011, fls. 105110: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2000 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INDEFERIMENTO. O saldo negativo de IRPJ deve ser suficiente para respaldar a pretendida compensação tributária. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO MATERIAL NO PER/DCOMP. RETENÇÃO NA FONTE. O erro material na prestação de informações no PER/DComp não impede comprovarse a efetiva retenção de imposto na fonte que influi na formação do saldo negativo de IRPJ. Notificada em 20.10.2011, fl. 113, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.11.2011 (segundafeira), fls. 114133, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrados por servidor competente que verificou a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de direito creditório para fins de compensação de débito confessado até o valor reconhecido, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 180 6 instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo está regularmente motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior3. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 181 7 ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais4. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 5. Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente6. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período7. A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente aos códigos de arrecadação nºs 3426 aplicação financeira em renda fixa (art.65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995) calculada à alíquota de 20% sobre o valor do rendimento constituído pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do IOF, e o valor da aplicação financeira; 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 182 8 1708 remuneração por serviços prestados por pessoa jurídica (art. 29 da Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003) calculado à alíquota de 1,5% sobre o valor das importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a título de prestação de serviços a outras pessoas jurídicas; e 5273 operação swap (art. 74 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995) calculado à alíquota de 20% sobre o valor do resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Examinando o conjunto probatório produzido nos autos, restaram evidenciados os valores de IRRF que a Recorrente diz estarem corretos e aqueles constantes nas DIRF, fls. 8593, conforme Tabela 2. Tabela 2 Valores de IRRF indicados na composição do saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do anocalendário de 2000 Fonte Pagadora CNPJ (A) Fonte Pagadora Pessoa Jurídica (B) Código de Arrecadação (C) Valor de IRRF Não Reconhecido no Despacho Decisório R$ (D) Argumento da Defesa (E) 01.800.019/000185 Portocred S/A Financiamento e Investimento 3426 11.968,21 Valor decorrente e não utilizado no 2º trimestre e utilizado no 4º trimestre de 2000 02.976.206/000187 Porto Trading S/A 1708 237,89 Serviço prestado no 4º trimestre e a fonte pagadora informou na DIRF do 3º trimestre de 2000 89.716.187/000138 Calçados Dilly S/A 1708 24,05 Serviço prestado no 4º trimestre e a fonte pagadora informou na DIRF do 1º trimestre de 2001 00.000.000/000191 Banco do Brasil S/A 3426 21.516,30 Incorreção no número do CNPJ da fonte pagadora informado no Per/DComp (04.061.079/000111) Total 33.746,45 A fonte pagadora Portocred S/A Financiamento e Investimento, CNPJ 01.800.019/000185, apresentou a DIRF referente ao quarto trimestre de 2000, código 3426 a título de aplicação financeira de pessoa jurídica com rendimento no valor de R$59.841,06 e com IRRF no valor de R$11.968,21 em maio de 2000, fl. 85. Este valor não pode ser levado em conta, uma vez que a Recorrente não observou o regime de competência que determina que para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 183 9 jurídica somente pode deduzir do imposto devido o valor do IRRF incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real referente ao mesmo trimestre8. A fonte pagadora Porto Trading S/A, CNPJ 02.976.206/000187, somente apresentou a DIRF referente ao quarto trimestre de 2000, código 1708 a título de remuneração pro serviços prestados por pessoa jurídica com rendimento no valor de R$44.466,95 e com IRRF no valor de R$667,00 em novembro de 2000, fl. 89. Esse valor não pode ser considerado, porque já compõe montante reconhecido como correto no Despacho Decisório Eletrônico. As fontes pagadoras BB Adm de Ativos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, CNPJ 04.061.079/000111, e Calçados Dilly S/A, CNPJ 89.716.187/000138, não apresentaram DIRF para a Recorrente como beneficiária, conforme os sistemas internos da RFB, fls. 87 e 9193, respectivamente, documentos esses imprescindíveis para que se possa reputar como exatos os valores pleiteados. A fonte pagadora Banco do Brasil S/A, CNPJ 00.000.000/000191, apresentou a DIRF referente ao quarto trimestre de 2000: código 5273 a título de operação swap com rendimento no valor de R$32.437,10 e com IRRF no valor de R$6.487,30 em outubro de 2000, fl. 89; e código 3426 a título de aplicação financeira de pessoa jurídica com rendimento no valor de R$75.145,20 e com IRRF no valor de R$15.029,00 em novembro de 2000, fl. 88. O montante de R$37.911,04 compõe montante reconhecido como correto no Despacho Decisório Eletrônico no Despacho Decisório Eletrônico que corresponde ao rendimento de aplicação financeira no valor de R$189.555,20. Por sua vez, a Recorrente informou o valor de R$127.888,94 a título de outras receitas financeiras, em conformidade com a ficha 06A que reflete a demonstração do resultado na DIPJ do quarto trimestre do ano calendário de 2004, fl. 97. Ainda que a Recorrente tenha se equivocado na identificação da fonte pagadora na Per/DComp, fls. 5152, o valor total de R$21.516,30 de IRRF correspondente à operação swap e à aplicação financeira informado pela fonte pagadora Banco do Brasil S/A não pode ser registrado como preciso, haja vista que a Recorrente somente pode deduzir do imposto devido o valor do IRRF incidente sobre todas as receitas computadas na determinação do lucro real, o que não se verifica no presente caso9. A Recorrente junta aos autos várias notas fiscais com o objetivo de comprovar o somatório que entende acertado a título de IRPJ retido na fonte no período. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior na forma, no lugar o no tempo corretos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em relação aos valores de retidos na fonte, vale ressaltar que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações10. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou os Informes de Rendimentos respectivos de retenção na fonte de IRPJ, documentos estes imprescindíveis para este fim. As notas fiscais juntadas aos autos pela Recorrente, 8 Fundamentação legal: art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993. 9 Fundamentação legal: art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993. 10 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 184 10 entretanto, não se constituem comprovação hábil para evidenciar inequivocamente que o crédito remanescente pleiteado de saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do ano calendário de 2000 esteja correto. A Recorrente, mesmo ciente de todas as discrepâncias quantitativas discriminadas na decisão de primeira instância de julgamento, não juntou aos autos os outros documentos. Considerados para fins de reconhecimento do direito creditório foram analisados na integralidade os dados informados nas DIRF pelas fontes pagadoras que se encontram nos registros internos da RFB. Examinando o conjunto probatório produzido nos autos, restou evidenciado que não há saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do ano calendário de 2000 remanescente a ser reconhecido nessa segunda instância de julgamento. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. Relativamente à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.906817/200811 Acórdão n.º 1801001.495 S1TE01 Fl. 185 11 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.721718/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no próprio instrumento de negociação.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT).
O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ (Parecer PGFN nº 2.120/2011).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no próprio instrumento de negociação. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ (Parecer PGFN nº 2.120/2011). Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 17 18 /2 01 2- 81 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721718/201281 Acórdão n.º 2402003.620 S2C4T2 Fl. 163 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de 24/02/2012 de contribuições previdenciárias sobre participação nos lucros e resultados da empresa, diferenças de GILRAT e auxílioalimentação. Foram excluídas as parcelas relativas ao auxílioalimentação pago in natura. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre despesas com alimentação in natura em favor dos empregados tendo em vista o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 de 10/11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e o Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS O contribuinte apresentou Convenção Coletiva de Trabalho – CCT com o Sindifer – Sindicato dos Empregados em Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos do Estado de Minas Gerais”, na qual consta (cláusula 2) que deveria ser pago aos empregados, a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, um montante equivalente a 20% do salário nominal, em duas parcelas (março e outubro), sendo que cada parcela não poderia ultrapassar a quantia de R$ 180,00. Todavia na CCT não foram fixadas metas, resultados ou estabelecidos índices para aferição da produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ao ser intimado a apresentar documentos com esse conteúdo, o sujeito passivo justificou que o critério adotado foi o crescimento e a evolução do seu faturamento e do lucro líquido. Portanto, os pagamentos da PLR não foram percebidos em razão do alcance de metas estabelecidas previamente que seria identificado pelo acompanhamento de resultados. Verificouse, ainda, que os valores pagos ultrapassam o limite estabelecido na CCT para todos os empregados. Em razão disso, concluiuse que a empresa distribuiu lucros a seus empregados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, e os respectivos valores foram considerados salário de contribuição para a previdência social e outras entidades e fundos (Terceiros). Tais pagamentos foram obtidos nas folhas de pagamento de 12/2007, 06/2008 e 12/2008. Os valores pagos a esse título foram discriminados no demonstrativo “Pagamento a título de Lucros e Resultados” de fls. 32/33. ... DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES REFERENTES AO GILRAT Constatouse que o contribuinte informou no campo “RAT/SAT” o percentual de 1% quando deveria ter declarado a alíquota aplicável, em razão de atuar preponderantemente no comércio atacadista de ferragens e ferramentas (CNAE 46729/00), de 3%. Por essa razão, foram lançadas as contribuições devidas relativas à diferença de alíquota (2%). No caso as bases de cálculo consideradas foram aquelas informadas por meio de GFIP no período de 01/2009 a 12/2009. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Aduz que a impugnante não teria que seguir algumas regras da Lei nº 10.101/2000 no que se refere a distribuição de lucros. Disserta sobre a Lei nº 10.101/2000. Diz que cumpriu a exigência de negociação da verba em comento tendo, inclusive, criado comissão conforme se comprova pelas atas juntadas e que tal negociação também consta de Convenção Coletiva de Trabalho CCT. Acrescenta que a fiscalização não apreciou a atas das negociações da comissão instituída para negociar a PLR. Aponta que no artigo 2º dessa Lei são indicados critérios que podem ser considerados, mas que não são obrigatórios. Alega que, nos termos dos acordos que fez com os empregados, os valores foram distribuídos conforme o que ficou decidido pelas partes. Aduz que embora tenham sido efetuados pagamentos de montantes maiores, esses pagamentos tem sua justificativa na “avaliação de desempenho dos funcionários” constante do item III do acordo, que considerou critérios como tempo de serviço, disponibilidade de tempo, eficiência, pontualidade, desempenho, disciplina e segurança no trabalho. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721718/201281 Acórdão n.º 2402003.620 S2C4T2 Fl. 164 5 Diz que foram feitas avaliações para cada empregado para verificar o merecimento à participação nos lucros da empresa. Assevera que a as duas CCT, principalmente as vigentes a partir de 2008, apontam em seus parágrafos 1º e 2º que fica mantida a participação nos resultados mais favorável anteriormente adotada pela empresa ou, no caso de empresa com menos de 50 empregados (caso da impugnante), fica mantida a PLR já adotada pela empresa. Aponta que as cópias de cartas enviadas ao sindicato em 12/2006 e 01/2007, demonstram que já vinha, desde aqueles anos, distribuindo seus lucros para os empregados, o que prova que tais PLR foram pagas com a conivência, anuência e conhecimento do sindicato da categoria. Acrescenta que, como se vê no relato do fisco, no ano de 2009 distribuiu rigorosamente, os valores determinados na CCT em vigor no período, ou seja, R$ 422,00. Alega que as alíquotas aplicadas pelo fisco nos períodos base da autuação não procedem. Diz que a alíquota de 3% somente entrou em vigor com a edição do Decreto nº 6.957/2009 a partir de 1/1/2010 e o período do lançamento foi de 01/2009 a 12/2009. Assevera que além de tributar as parcelas sobre as quais não incide SAT (pagamentos a título de PLR e despesas com alimentação de empregados) aplicou uma alíquota de 3% e não de 1% que estava em vigor até 31/12/2009. Requer o cancelamento do auto de infração. É o Relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721718/201281 Acórdão n.º 2402003.620 S2C4T2 Fl. 165 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721718/201281 Acórdão n.º 2402003.620 S2C4T2 Fl. 166 9 Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Porém, caso seja fixada como meta alguma avaliação do empregado, essa regra deverá ser cumprida. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Participação nos lucros ou resultados No caso, as convenções coletivas de trabalho CCT se limitam a obrigar que as empresas instituam através da negociação com comissão de empregados um programa de participação nos lucros e fixa um valor limite individual de benefício com as respectivas datas para pagamento. Prevêem ainda as CCT que poderão manter seus programas já existentes caso sejam mais favoráveis aos empregados. Acontece que a recorrente instituiu seu programa de participação sem atender um mínimo dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000. Existe apenas uma ata de reunião sem participação do sindicato onde o sócio da recorrente afirma que todos os empregados cumpriram os requisitos de tempo de serviço, disponibilidade de tempo, eficiência, pontualidade, desempenho, disciplina e segurança no trabalho e, por essa razão, receberão os valores indicados nominalmente a cada empregado. Esses valores não têm qualquer relação com as CCT e nem com os critérios apontados como existentes. Na verdade, de acordo com as Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 provas nos autos, a recorrente estipula unilateralmente quanto cada empregado receberá de gratificação e para não sofrer a incidência das contribuições previdenciárias afirma que cumpriram metas, nada mais. Por ausência de um mínimo de substrato que demonstre se tratar de participação nos lucros e atendimento dos requisitos legais, entendo que devem ser mantidos os valores lançados. Diferenças de GILRAT Embora ainda se insurja contra a cobrança sob alegação de que estaria sendo cobrança a diferença de 2% sobre participação nos lucros e auxílioalimentação, o contribuinte está equivocado. Conforme decisão recorrida, somente a partir de 01/2009 é que a alíquota passou a 3% e sobre as parcelas alegadas a alíquota cobrado foi de 1%. Não houve cobrança de diferenças de GILRAT para o período anterior a 01/2009 e o recorrente não contestou o enquadramento. Assim, mantenho a decisão recorrida apenas com a observação de que a fiscalização não realizou cobrança de GILRAT para o período anterior a 01/2009 e por isso não há valores para serem excluídos: A fiscalização informou que o código de CNAE adequado é o“46729/00 –Comércio de ferragens e ferramentas”, fato que não foi contestado pelo impugnante. O Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, foi modificado pelo Decreto nº 6.042, de 12/2/2007, e passou a prever que a alíquota relativa ao GILRAT aplicável para os CNAE código “46729/00 – Comércio de ferragens e ferramentas” e “46796/04 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente” era de 1%. Tais modificações produziram efeitos, nos termos do inciso II do artigo 5º do Decreto nº 6.042/2007, a partir de 1/6/2007. Apenas com a edição do Decreto nº 6.957 de 9/9/2009, que modificou novamente o Anexo V, cujos efeitos se deram a partir de 1/1/2010, é que os CNAE código “46729/00 – Comércio de ferragens e ferramentas” e “46796/04 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente” passaram de 1% para, respectivamente, 3 e 2%. Portanto, tem razão o impugnante quando afirma que os valores lançados de 01/2009 a 13/2009 a título de diferença de contribuições relativas ao GILRAT não procedem. Por essa razão devem ser excluídos do AI DEBCAD nº 51.013.4939 os valores apurados no código de levantamento DS2 – DIF SAT NÃO INFORMADA EM GFIP. Constatase, pela análise do relatório Discriminativo do Débito – DD de fls. 4/8, que apesar da fiscalização ter indicado no relatório fiscal que a alíquota aplicável no período lançado era de 3%, as contribuições para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, lançadas em relação aos valores pagos a título de PLR (único levantamento mantido), Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721718/201281 Acórdão n.º 2402003.620 S2C4T2 Fl. 167 11 foram apuradas corretamente aplicandose a alíquota vigente de 1% conforme previa o Anexo V com as modificações efetuadas pelo Decreto nº 6.042/2007. Em razão dos fundamentos adotados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10735.720170/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR. EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória - desde o exercício 2001 - a apresentação do ADA ao Ibama como condição para a exclusão das áreas de utilização limitada e preservação permanente p
ara fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido.
Numero da decisão: 2102-002.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para reconhecer a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, de 44,0 e 14,4 hectares, respectivamente. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória desde o exercício 2001 a apresentação do ADA ao Ibama como condição para a exclusão das áreas de utilização limitada e preservação permanente para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para reconhecer a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, de 44,0 e 14,4 hectares, respectivamente. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 11/13 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2003, relativamente ao imóvel denominado Sítio Santa Rita. De acordo com os esclarecimentos que lá constam, a autuação decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de utilização limitada e de preservação permanente, bem como em razão do arbitramento do VTN declarado. Foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma: 2003 Declarado Considerado no lançamento Área de Preservação Permanente 44,0 0,0 Área de Utilização Limitada 14,4 0,0 Valor da Terra Nua 277.200,00 404.800,00 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 21/30, por meio da qual suscitou as alegações que foram assim resumidas pela decisão de primeira instância: I — que em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 07.10310018712007, a IMPUGNANTE — no prazo legal — prestou as informações solicitadas, juntando cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA; que como foi protocolizado em 10 de fevereiro de 2005, foi tempestivo; II — que o Laudo Técnico foi enviado de forma tempestiva; que não cabe a exigência da apresentação de Laudo Técnico para comprovação dos valores declarados no DL4T de 2003, por não haver disposição legal que o ampare. O que a lei determina é que se preste os esclarecimentos deforma tempestiva. Os valores declarados no DL4T são de responsabilidade do contribuinte, não cabendo a exigência da elaboração de Laudo Técnico por ser oneroso e não estar previsto em lei. Não obstante, o contribuinte não se opõe a —espontaneamente — apresentar um Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.720170/200758 Acórdão n.º 210202.020 S2C1T2 Fl. 157 3 Laudo Técnico da Avaliação, para dirimir as dúvidas trazidas pela fiscalização; Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Recife decidiram pela integral manutenção do lançamento. Inconformada com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 107/121, por meio do qual esclareceu os fatos envolvidos no lançamento – notadamente sobre como tomou conhecimento da obrigação de apresentação do ADA reiterando os argumentos expostos em sede de impugnação, transcrevendo a legislação aplicável à hipótese, e trazendo jurisprudência a respeito de suas alegações. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 27.10.2009, como atesta o AR de fls. 106v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 26.11.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de ITR em razão da glosa das áreas de utilização limitada e preservação permanente (decorrentes da entrega intempestiva do ADA), bem como do arbitramento do VTN declarado para o imóvel de propriedade da Recorrente. No que diz respeito à glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, releva notar que em nenhum momento foi questionada a sua efetiva existência; o que motivou esta parte do lançamento foi a intempestiva entrega do ADA ao Ibama. Desde a edição da Lei nº 10.165/2000 – que acrescentou o art. 17O à Lei nº 6.938/81 a obrigação de apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas referidas do cálculo do ITR passou a ser veiculada em lei, e por isso mesmo exigível de todos os contribuintes, verbis: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) (...) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Daí porque a partir do exercício 2001 a apresentação do ADA é, de fato, um requisito para tal. No entanto, esta norma é silente no que diz respeito ao prazo para a apresentação do referido documento. Sendo assim, é de se concluir que a sua apresentação ao Ibama é obrigatória a partir de 2001 como condição para a exclusão das áreas de utilização limitada e preservação permanente da tributação pelo ITR, mas que o prazo para esta apresentação não deve necessariamente se dar dentro do tempo pretendido pelas autoridades fiscais (de 6 meses). Na hipótese em exame, a Recorrente trouxe aos autos cópia do ADA (fls. 10) apresentado ao Ibama em 10.02.2005, de forma que demonstrou ter atendido à exigência legal de apresentar tal documento. No referido ADA foram declaradas as exatas áreas por ela declaradas em sua DITR (44,0 hectares de preservação permanente e 14,4 de utilização limitada). Tendo em vista que a existência em si das referidas áreas não foi questionada pelas autoridades autuantes, mas somente a falta de entrega tempestiva do ADA, é de se considerar como comprovada a existência das áreas de utilização limitada e preservação permanente, glosadas por meio do lançamento em exame. A outra parcela do lançamento que deverá ser aqui analisada diz respeito ao arbitramento do VTN do imóvel da Recorrente. Neste ponto, constam do lançamento os seguintes esclarecimentos: A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de sub avaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procederá determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Area total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12 parág. 1 2 , inciso II da Lei n 2 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2003 em R$ 4.000,00/ha , perfazendo um total de R$ 404.800,00, conforme abaixo demonstrado: Como se vê, foi em razão da falta de apresentação de provas (laudo) quanto à correção do VTN declarado que o mesmo foi alterado de 277.200,00 para 474.800,00 – o que Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.720170/200758 Acórdão n.º 210202.020 S2C1T2 Fl. 158 5 implicou em majoração do hectare declarado pelo Recorrente (de R$ 2.739,13 para R$ 4.000,00). A decisão recorrida, por outro lado, manteve este arbitramento, com base no seguinte entendimento: 1.6 Na cópia da Avaliação Patrimonial, datada de janeiro de 2008, apresentada junto com a impugnação, fls. 46/71, no item 3.1 — Vistoria consta que "a vistoria de campo foi realizada no dia 16 de janeiro de 2008" (negritei) , fl. 27. Em nenhum momento consta da Avaliação Patrimonial o levantamento dos dados do anocalendário 2002, exercício 2003. 17.' In casu, o "VTN Médiopor Aptidão Agrícola" constante da fl. 14 está descriminado por tipo de área. No imóvel rural consta, foi aceita pelo autuante, área de • produtos vegetais, pastagem/pecuária, cultura/lavoura e campos, além de florestas. No documento "VTN Médio por Aptidão Agrícola" o menor VIN apresentado foi o referente as áreas de florestas, no valor de 4.000,00 R$/ha. Não tendo o Impugnante comprovado o VTN declarado e tendo o autuante considerado o menor valor de VTN constante do SIPT, sou pela manutenção do valor de 4.000,00 R$/ha. O arbitramento, no caso em tela, decorreu da falta de comprovação do valor declarado em sua DITR a título de VTN para o imóvel de sua propriedade. Em casos como este, existe previsão legal específica para que o arbitramento ocorra – tratase do art. 14 da Lei nº 9.393/96, que assim determina: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. (...). (grifamos) Tal sistema (SIPT), por seu turno, foi instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, e foi assim que se deu a apuração do valor do VTN para fins de lançamento do ITR no caso que aqui se examina. Nos termos da legislação supra citada, vêse que a autoridade fiscal agiu corretamente, pois na falta de outro parâmetro para aferir o valor do imóvel da Recorrente – e entendendo que não mereciam fé os valores por ele declarados em DITR, utilizouse do referido SIPT. Este sistema (SIPT) foi criado justamente para balizar o arbitramento a ser efetuado em casos como o que ora se analisa. Desde que obedecidos os critérios mencionados na lei e na IN acima transcritas, abrese – com a Impugnação ao lançamento – a chance para o contribuinte se defender. Este é o início do processo por meio do qual serão rebatidos os critérios utilizados pela autoridade fiscal, de forma a comprovar (se for o caso) que o arbitramento estava equivocado, e que o valor declarado em DITR seria merecedor de fé. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 No caso, a Recorrente se insurge contra a utilização do SIPT, alegando que: O que nos parece incoerente e que os dados do SIPT, comprovadamente superavaliados, somente estão disponíveis aos servidores da SRF que deverão utilizalos com o único e exclusivo intuito de aplicar as penalidades previstas. Além disso, a Tabela SIPT não e consistente. Como pode toda uma região Serrana de Petrópolis, RJ, estar avaliada indistintamente com um único valor para o hectare? Para uma correta avaliação de determinada área de terras e necessário se obter a descrição da mesma, com as características relativas à existência de matas, de pastagens, de proximidade com centros urbanos, com regiões degradas, sua declividade, disponibilidade de águas, condições do solo, vizinhança, etc. Neste ponto, porém, não lhe assiste razão. Os valores do SIPT tomados pela autoridade lançadora constam às fls. 16 dos autos, sendo que o valor aqui considerado foi o mais baixo dentre aqueles lá apontados (originários da média das DITR apresentadas pelos contribuintes da região). Para contestar este VTN baseado no SIPT, a Recorrente trouxe aos autos laudo elaborado em 2008, e que traz valores para a terra nua referentes ao ano de 2007. Tal laudo, porém, não traz qualquer dado do mercado imobiliário da região onde está situada a propriedade da Recorrente, baseandose tãosomente em tabelas de preços de terras para o Estado do Rio de Janeiro e suas respectivas regiões. Além disso, o laudo não faz menção ao VTN para o ano de 2003, que é o objeto da autuação que aqui se examina. Releva notar ainda que o referido laudo padece do mesmo “defeito” apontado pela Recorrente em relação ao SIPT utilizado para o arbitramento: ele não considera as características específicas da propriedade, a existência de matas, de pastagens, de proximidade com centros urbanos, com regiões degradadas, sua declividade, disponibilidade de águas, condições do solo, vizinhança. Todos estes fatores, porém, como ressaltado pela própria Recorrente, deveriam ter sido considerados para a apuração do correto VTN de sua propriedade para o ano de 2003, mas não o foram. Por todos estes motivos, é de se concluir que o laudo de fls. 135/159 não é apto a desconstituir o arbitramento efetuado pela autoridade lançadora, o qual levou em consideração dados extraídos do SIPT, conforme determinado em lei. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para reconhecer a existência das áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, de 44,0 e 14,4 hectares, respectivamente. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.720170/200758 Acórdão n.º 210202.020 S2C1T2 Fl. 159 7 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11065.000428/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÕES EFETUADAS E NÃO REPASSADAS À FAZENDA NACIONAL.
Correto é o lançamento do IRRF incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado, retidos e não recolhidos pela contribuinte, na qualidade de fonte pagadora e responsável tributário, apurados por meio dos dados presentes nas DIRF apresentadas, em confronto com os DARF recolhidos ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.183
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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Recorrida 1' TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÕES EFETUADAS E NÃO REPASSADAS À FAZENDA NACIONAL. Correto é o lançamento do IRRF incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado, retidos e não recolhidos pela contribuinte, na qualidade de fonte pagadora e responsável tributário, apurados por meio dos dados presentes nas DIRF apresentadas, em confronto com os DARF recolhidos ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. ----'---------"----Çr-----------ltfrI(Predlente ei/‘ 1 Processo n° 11065.000428/2006-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.183 Fl. 2 k L,3 it)/v A NIO 130 AR . EZ — Relator FORMALIZADO EM: 78 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Heloísa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). .e.-Z 2 Processo n° 11065.000428/2006-18 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.183 Fl. 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, INDUSTRIAS MICHELETTO S.A, foi lavrado o auto de infração relativo a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, cuja ciência à contribuinte ocorreu em 06/02/2006. A descrição dos fatos está complementada no Relatório Fiscal de fls. 172/179. O montante do crédito tributário lançado é de R$265.919,85 (fl. 03), já incluídos os acréscimos legais, calculados até 31/01/2006. A autuação, que abrangeu diversos períodos de apuração semanais ocorridos de 2003 a 2005, tem por escopo uma única matéria, como se vê às fls. 152 e 155: "( ) divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados pelo contribuinte a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte ( )". O fundamento legal adotado está indicado às fls. 155 e 156. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 181/190) em 06/03/2006, onde em síntese: i) Reclama, fundamentalmente, "que a Autoridade Fiscal desconsiderou valores já pagos pela Impugnante referente ao IRRF, relativos ao período de janeiro/04 e dezembro04", no valor total de R$298.962,1 (ver fls. 182/185); ii) Insurge-se, também, contra a multa de oficio de 75%, que entende confiscatória. iii) Requer a redução do percentual para 35%, em respeito ao princípio da vedação ao confisco e iv) Assevera que "mostra-se alijado de efeitos o respectivo processo administrativo para fins penais, eis que não existe, até o momento decisão final na esfera administrativa acerca do crédito tributário pretendido". Em 19 de abril de 2008, os membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte —.IRRF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: IRRF. BASE DE CÁLCULO. Insubsistente a alegação de que a autoridade fazendária teria desconsiderado pagamentos realizados pela contribuinte a título de IRRF, de vez que os elementos presentes aos autos evidenciam justamente o contrário. MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais. Lançamento Procedente 3 Processo n° 11065.000428/2006-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.183 Fl. 4 Cientificado o contribuinte em 18/05/2006, se mostrando irresignado, apresentou, em 19/06/2006, o Recurso Voluntário, de fls. 224/233, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas do presente relatório. É o relatório. 4 Processo n° 11065.000428/2006-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.183 Fl. 5 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator O recurso voluntário está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Inconstitucionalidade das Normas O recorrente argúi a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo 1° Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n" 2). Assim, não há que se falar em confisco com relação à multa aplicada. Dos pagamentos realizados a titulo de IRRF O recorrente reitera os mesmos argumentos da impugnação. A autoridade recorrida ao apreciar esse ponto observou que as planilhas de fls. 41/47, onde estão demonstradas cada uma das bases de cálculo lança das de oficio pela fiscalização, verifica-se a devida contemplação dos pagamentos realizados pela contribuinte a titulo de IRRF ao longo do ano de 2004. Se não, vejamos a comparação das planilhas de fls. 41/47 com as planilhas apresentadas pela impugnante às fls. 182/184. Tomo como exemplo o pagamento de R$2.043,49, indicado à fls. 182: a) a contribuinte reclama, à fls. 182, que não teria sido considerado nos cálculos, o pagamento de R$2.043,49, realizado em 02/01/2004; b) o montante de R$2.043,49 corresponde, na verdade, a dois pagamentos, conforme demonstrado à fi. 204: R$1.935,25 (cód. arrec. 1708) e R$1 08,24 (cód. arrec. 8045); c) tais pagamentos foram contemplados na apuração da base de cálculo do fato gerador ocorrido em 27/12/2003, conforme indicado à fl. 43; d) tanto assim o foi, que não houve lançamento em relação a esse fato gerador. Com vistas a ratificar o acerto do procedimento fiscal, reproduzo o raciocínio acima, por meio da planilha abaixo, em Processo n° 11065.000428/2006-18 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.183 H. 6 relação a todos os pagamentos ocorridos em janeiro e fevereiro de 2004: Conforme foi evidenciado na tabela a seguir, conclui-se que a alegação da impugnante é improcedente, de vez que foram devidamente computadas nas bases de cálculo lançadas de oficio todos os pagamentos realizados pela contribuinte à titulo de IRRF. Pagamento reclamado pela Comprovação do pagamento no Indicação do pagamento nos Fato gerada' contribuinte na Impugnação sistema SINAL10 cálculos da fiscalização R$2.043,49 (fl. 182) R$1.935,25 (fl. 204) fl. 43 27/12/2003 R$108.24 (fl. 204) fl. 43 27/12/2003 R$40,38 (fl. 182) fl. 204 fl. 43 03/01/2004 R$4.846,06 (fl. 182) fl. 205 fl. 41 06/09/2003 R$3.579,68 (fl. 182) fl. 204 fl. 43 03/01/2004 R$5.855,04 (fl. 182) fl. 205 fl. 43 03/01/2004 R$10.075,84 (fl. 182) fl. 205 fl. 43 03/01/2004 R$664,31 (fl. 182) R$21 ,12 (fl. 204) fl. 43 10/01/2004 R$506,13 (fl. 204) fl. 43 10/01/2004 R$137,06 (fl. 204) fl. 43 10/01/2004 R$3.507,42 (fl. 182) R$2.208,36 (fl. 204) fl. 43 17/01/2004 R$1.299,06 (fl. 204) fl. 43 17/01/2004 R$205,92 (fl. 182) fl. 204 fl. 43 17/01/2004 R$343,01 (fl. 182) fl. 204 fl. 43 24/01/2004 R$390,22 (fl. 183) R$157,74 (fl. 204) fl. 44 31/01/2004 R$232,48 (fl. 204) fl. 44 31/01/2004 R$381 ,64 (fl. 183) fl. 204 fl. 44 07/02/2004 R$218,27 (fl. 183) não é pagamento de IRRF R$1.070,32 (fl. 183) R$98,55 (fl. 205) fl. 44 14/02/2004 R$971 ,77 (fl. 205) fl. 44 14/02/2004 R$223,61 (fl. 183) não é pagamento de IRRF R$27.975,98 (fl. 183) R$4.111,61 (fl. 204) pagamentos em atraso, que R$5.566,18 (fl. 205) correspondem aos débitos de R$3.597,68, R$6.725,09 (fl. fl. 205) R$4.846,06, R$5.855,04 e R$10.075,84, R$11.573,10 (fl. 205) já contemplados em 03/01/2004 R$2.612,49 (fl. 183) R$1.280,91 (fl. 205) fl. 44 21/02/2004 R$1.1 03,16 (fl. 205) não é pagam. de IRRF R$228,42 (fl. 205) fl. 44 21/02/2004 R$210,35 (fl. 183) fl. 205 fl. 44 21/02/2004 Com muito acerto ponderou a autoridade recorrida ao analisar os argumentos suscitados pela recorrente, não cabendo qualquer reparo as suas considerações. Verifica-se, que ao contrário do que entende a recorrente, não há no caso concreto qualquer imposição fiscal que exigisse prova negativa, considerando-se que os débitos lançados só poderiam ser contestados mediante a apresentação das guias de recolhimento, pois a autuada havia reconhecido a correção dos números impostados na DIRF. Entendo que é legitimo o lançamento elaborado pela fiscalização, exigindo o pagamento dos valores retidos do imposto na fonte, com os acréscimos legais pertinentes. Diante do exposto, voto por GAR provimento ao recurso. Sala as Sessões, em 30 de, lho de 2009 NV (11: 3 1,4, TONIO OP MA I. EZ - Relator 6
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