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Numero do processo: 11030.906289/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do presente recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Charles Pereira Nunes (Suplente), Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do presente recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Charles Pereira Nunes (Suplente), Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do presente recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Charles Pereira Nunes (Suplente), Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 62 89 /2 00 9- 88 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de pedido de compensação que foi nãohomologado conforme despacho decisório de fls. sob o argumento de inexistência de crédito. Inconformada com a nãohomologação a Recorrente apresentou manifestação de Inconformidade alegando em síntese que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de PIS e COFINS, conforme disposição da Lei n° 9.718, de 1998, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento (utilizouse de base de cálculo errônea) e documentos que teriam sido apresentados no decorrer do presente processo. Em suma, recolheu ao Erário valores superiores aos efetivamente devidos. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela Lei referida e afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, tendo por fundamento o disposto no art. 3º, § 2, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Discorre longamente acerca da inconstitucionalidade da contribuição, e alega também que as receitas transferidas a outras pessoas jurídicas devem ser excluídas nos termos do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A DRJ de Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração:01/07/2001 a 31/07/2001 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário no qual aponta como fundamentos para que a compensação seja homologada que: (i) que a Recorrente não concorda com o procedimento de prévia habilitação dos créditos judiciais por entendêlo completamente contrário às normas legais norteadoras da compensação administrativa; (ii) que a Recorrente carece de uma ordem judicial para que possa efetuar a compensação portanto fez a compensação sponte propria; e, (iii) que “tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2.445 e 2.449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.906289/200988 Acórdão n.º 3801002.000 S3TE01 Fl. 61 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Conforme apontado no relatório supra os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e no presente Recurso Voluntário são distintos. Enquanto na peça vestibular a contribuinte alega que seu direito creditório advém de pagamento feito a maior decorrente da ampliação da base de cálculo da COFINS decorrente do disposto do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, no presente recurso alega que o seu crédito decorre do valor recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos 2.445/1988 e 2449/1988. Em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais o interessado inova, e agora apresente novo argumento para substanciar seu crédito. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Conforme disse o Presidente americano Abraham Lincoln “nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio”. Sendo matérias distintas, a da primeira e da presente instância, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000081/2007-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO
OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO - DESCONSIDERAÇÃO
DE VÍNCULO - SEGURADO EMPREGADO.
Quando a Auditoria-Fiscal
constatar que a contratação de trabalhadores por
intermédio de empresas de prestação de serviços, ou sob qualquer outra
denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas
na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto
enquadramento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS
LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO
DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram
distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A,
para disciplinar a multa de
ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei
quando, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, lhe comine
penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se
o cálculo da multa com
base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la
com a multa aplicada com
base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora
mais benéfica.
Ressalva-se
a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se
deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.
5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A,
Lei
8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.190
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no Mérito, por unanimidade de
votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de
acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009
(art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votou pelas
conclusões o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO - DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO - SEGURADO EMPREGADO. Quando a Auditoria-Fiscal constatar que a contratação de trabalhadores por intermédio de empresas de prestação de serviços, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, no Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votou pelas conclusões o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 242 1 241 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11176.000081/200737 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 240301.190 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente MASIF ART. MEDICOS E HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO SEGURADO EMPREGADO. Quando a AuditoriaFiscal constatar que a contratação de trabalhadores por intermédio de empresas de prestação de serviços, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votou pelas conclusões o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Cid Marconi Gurgel de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 243 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0614.463 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 35.815.1023, com ciência da Recorrente em 11.11.2005, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 225.971,63. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e as destinadas a terceiros conveniados ( Salário Educação, SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre o pagamento de mãodeobra mediante terceirização desconsiderada, no período de 02/2002 a 04/2005. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 29, o fato gerador tem por base a constatação pela Auditoria Fiscal Previdenciária de que a empresa, atuante na área de comércio de artigos médicos e hospitalares, sem qualquer empregado registrado, realiza suas vendas de produtos por meio de empresas de representação comercial: A empresa notificada, atuante na área de comércio de artigos médicos e hospitalares, não possui empregados registrados ,apesar de tratarse de uma empresa cujo objeto social é a venda de produtos médicohospitalares e de possuir movimentação de vendas de mercadorias registrada em sua contabilidade. Durante a ação fiscal foi constatado que as vendas são realizadas por meio de empresas de representação comercial, e a presente notificação tem o objetivo de caracterizar o vínculo empregatício com a notificada dos funcionários que prestam serviços através destas empresas . No item 3 —Descrição dos Fatos estão expostos os fatos que levam à constatação da pessoalidade, o caráter nãoeventual e a subordinação dos empregados das empresas contratadas em relação à notificada. De acordo com o estabelecido no artigo 12, inciso I, alínea "a" da Lei n.8212/91: "São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas": como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;". Desta forma, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento de salário aos vendedores que prestam serviços através de empresas de representação comercial, cuja atuação é primordial para a consecução do objeto da empresa autuada. Ainda, o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 29, aponta na descrição dos fatos: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 3. DESCRIÇÃO DOS FATOS: No decorrer da fiscalização foram verificados os fatos listados abaixo e que levaram a concluir que os serviços prestados pelos funcionários das empresas de representação comercial caracterizam o vinculo empregatício direto com a empresa notificada. a) Em visita ao endereço constante nos registros da empresa,verificouse • que no local existe apenas um antigo depósito desativado. Os sócios da empresa Alcides Furman e Edivaldo da Silva são ex funcionários da empresa Joãomed Comércio de Materiais Cirúrgicos Ltda. Em recente fiscalização à esta empresa,verificouse que os representantes comerciais que prestam serviço à notificada são na quase totalidade os mesmos que prestam serviços à Joãomed, notandose inclusive que na contabilidade das duas empresas ocorre a coincidência da numeração das contas dos lançamentos contábeis destas empresas de representação. Percebese ainda que,cotejandose a listagem das notas de serviços emitidas pelas duas empresas a seqüência da numeração das notas para ambas as empresas complementamse. b) A inexistência de vendedores registrados como empregados na empresa notificada. De fato, a notificada não possui nenhum empregado registrado, mesmo tratandose de uma empresa cujo objeto social é o comércio de matérias hospitalares e de ter registro de movimentação de vendas.A empresa não tem empregados registrados,apesar da movimentação comercial e do volume alto de vendas verificados na contabilidade. c) Em grande parte do período apurado, podemos observar pela análise dos totais mensais das notas de serviços (planilha anexa) que há uma equivalência nos valores pagos às prestadoras de serviços, o que leva a concluir que o quadro de vendedores e os valores pagos a eles se mantêm constantes, caracterizando a não eventualidade da prestação de serviços e da remuneração. d) Os serviços prestados são de caráter não eventual, pois tratamse de serviços ligados a atividades meio e fim da empresa notificada,tais como vendas de materiais médicos e hospitalares. O enquadramento dos prestadores de serviço terceirizados, para fins de aplicação da legislação previdenciária, foi realizado com base no art. 12, inciso I, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, segundo o qual as pessoas que prestam serviços à empresa, independentemente do "nomen júris” que se lhes dê ao contratá las, enquadramse na categoria de segurado empregado quando exercem suas atividades em caráter nãoeventual, sob subordinação e mediante remuneração. É, portanto, de se considerar segurados empregados, junto à notificada, os trabalhadores que prestam serviços de forma nãoeventual, porquanto o trabalho por eles desenvolvido está diretamente ligado às atividades meio e fim da notificada, com pessoalidade , sob subordinação e mediante remuneração. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 244 5 O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09233115, foi emitido, às fls. 21. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 12, é de 02/2002 a 04/2005. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 11.05.2005, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, de fls. 41 a 46, com Anexo às fls. 47 a 139, onde apresenta, dentre outros, cópias não autenticadas, de Contratos de Representação Comercial e Contratos Sociais das Empresas, argumentando em síntese (conforme o Relatório da decisão de primeira instância às fls. 200 a 208): 4.1. A fiscalização baseiase em presunções para extrair de notas fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviços suposto saláriodecontribuição. A notificação tem por objetivo caracterizar o vinculo de emprego da notificada com os funcionários que prestam serviços através das empresas prestadoras de serviços. Porém, a fiscalização não diz quem seriam tais funcionários, impedindo a caracterização da relação de emprego. 4.2. Além disso, nem todas as empresas que prestam serviços têm por objeto a representação comercial. Muitas delas adquirem produtos para revenda, o que não é normal para um empregado. Ademais, outras empresas têm outros objetivos sociais além de atividades de comércio e representação de produtos. Todas as empresas que prestaram ou ainda prestam serviços à autuada possuem atos constitutivos devidamente arquivados, bem como estão regularmente inscritas no Ministério da Fazenda. 4.3. Portanto, estamos diante de verdadeiras empresas, as quais, como pessoas jurídicas, não podem integrar a relação jurídica de emprego. Há, em verdade, representação comercial, nos termos da Lei n° 4.886/65. Assim, as pessoas físicas, representantes dessas empresas, inclusive das individuais, não podem ser consideradas empregados da autuada, pois mesmo atuando a frente delas, desenvolvem a atividade de forma autônoma. 4.4. Os sócios das empresas de representação comercial (muitas das quais possuem outros objetos) não podem ser considerados empregados simplesmente pela continuidade da prestação de serviços, até porque nem todos têm atuação direta na prestação de serviços, inexistindo, pois a pessoalidade. A não eventualidade também é característica da representação comercial. 4.5. Não corresponde a realidade a alegação de que no endereço constante dos registros da empresa existiria apenas um depósito desativado. Tratase do seu estabelecimento, que serve como depósito de mercadorias e ainda abriga dependências administrativas (escritórios), nada significando o fato de ter sido Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 encontrado fechado, uma vez que a empresa se dedica essencialmente a participação em licitações, para qual atividade os dois sócios — não raras vezes — necessitam estar fora. 4.6. Não tem relevância o fato dos sócios terem trabalhado na Joãomed Comércio de Materiais Cirúrgicos Lida e que ambas se utilizem do serviços de determinadas empresas de representação comercial, sendo perfeitamente possível que a seqüência da numeração das notas fiscais de prestação de serviços se complementarem entre as listagens emitidas pela autuada e pela concorrente Joãomed. Além disso, algumas das prestadoras representam produtos de empresas concorrentes. A coincidência da numeração das contas dos lançamentos contábeis da autuada e da Joãomed encontrase no fato de ambas utilizaremse do mesmo escritório de contabilidade. 4.7. De nenhuma relevância ainda o fato da autuada se dedicar ao ramo de comércio de materiais de uso médicohospitalar e não possuir empregados registrados, pois a empresa se dedica essencialmente a participação de licitações, para qual conta com a atividade dos sócios e das empresas de representação comercial, tomando dispensável a contratação de empregados. 4.8. A lei não impede a contratação de representantes comerciais. A notificada está instalada nesta capital e não possui filiais, estando a maioria das empresas que lhe prestam serviços sediadas em outras localidades, o que demonstra a impossibilidade de controle hierárquico e de subordinação. 4.9. Não há dependência econômica, mesmo das firmas individuais, pois há prestação de serviços para terceiros, inclusive concorrentes da notificadas. 4.10. A numeração seqüencial das notas fiscais não determina subordinação, haja vista que exclusividade na prestação de serviços não é requisito do vínculo de emprego. Nem a constância dos 'valores pagos, pois isto pode ocorrer na representação comercial, o qual não se desnatura pela prestação de serviços se dar em atividade meio e fim 4.11. A subordinação, além de exigir pessoalidade, não pode ser presumida a partir de circunstâncias de somenos importância. 4.12. Por fim, a notificada requer a improcedência do lançamento e o cancelamento do débito. A unidade julgadora de primeira instância fez Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 143, nos seguintes termos: 3. Em análise preliminar do processo, verificamos que: (1) a fiscalização afirma a caracterização de vinculo empregatício pela desconsideração das empresas de prestação de serviços de representação comercial; (2) a notificada sustenta, em síntese; (2.1.) que as empresas de representação comercial são empresas verdadeiras; (2.2) que a representação comercial, em especial a exercida por pessoas jurídicas, não se confunde com o contrato Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 245 7 de trabalho; (2.3) que as pessoas físicas representantes das empresas de representação comercial, inclusive individuais, não podem ser consideradas empregados da autuada, pois desenvolvem as atividades de forma autônoma; (2.4) a inexistência de pessoalidade; (2.5) ser irrelevante o fato dos sócios terem trabalhado na concorrente Jõaomed e de ambas se utilizarem dos mesmos representantes comerciais; (2.6) ser irrelevante o fato de não possuir empregados; (2.7) que a subordinação depende da verificação de fatos objetivos, não podendo ser presumida 4. Em face do principio da verdade material, impõese a determinação de diligência para que o Auditorfiscal notificante: (1) informe, por competência, em relação a quais trabalhadores foi configurado vínculo de emprego; (2) informe detalhadamente qual o objeto social da notificada, no período do débito, e esclareça de que forma os serviços prestados via representação comercial são "atividades meio e fim"; (3) revele como constatou a existência de subordinação hierárquica da mãodeobra; e (4) revele como constatou a existência de pessoalidade. A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, assim se manifestou, às fls. 144 a 145: No item 4.(1) solicitase que sejam informados para quais trabalhadores foi configurado o vínculo empregatício. Com relação a esta demanda esclareço que a descaracterização do vínculo de pessoa jurídica deuse com relação às empresas que prestaram serviços de vendas à notificada, e cujos valores de pagamento foram obtidos a partir das notas fiscais de serviços lançadas em seus registros contábeis, ou seja, 'retirados do Livro Diário contas de prestação de serviços e comissões, e que em nenhum documento verificado na fiscalização constam os nomes dos trabalhadores vinculados a estas prestadoras. Com relação ao item 4(2), informo que conforme consta no contrato social da notificada anexado ao processo (fls 48) o objeto social da empresa é o ramo de comércio atacadista inclusive importação e exportação de produtos médicos, hospitalares, laboratoriais, limpeza e equipamentos eletro médicos e eletrohospitalares cosméticos, produtos veterinários ,equipamentos de proteção individual e segurança do trabalho.. Isto posto, fica evidente que sendo uma empresa comercial, atuante no ramo de vendas de produtos médicohospitalares a Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 autuada necessita de um quadro de vendedores atuando sob sua subordinação para executar seu objetivo . No relatório fiscal estão claramente descritos os fatos verificados na fiscalização. Observese com relação ao item 4.(3) que o Art.12 da Lei 8.212/91 classifica como empregado a pessoa física que presta serviço à empresa em caráter não eventual, sob a sua subordinação e mediante remuneração ,não mencionando que a subordinação se dê em caráter hierárquico. Assim sendo, fica claro que as empresas que prestaram serviços de vendas à autuada estão sob a sua subordinação no que tange ao fornecimento de produtos, à exclusividade na prestação dos serviços como verificado na fiscalização pela seqüência numérica de emissão das notas fiscais. Item 4.(4) . Apesar do termo "pessoalidade" ter sido citado no relatório fiscal fls 26), tal característica não consta no art 12 da Lei 8.212/91 quanto à caracterização de empregado pessoa física. Por outro lado é evidente que a prestação de serviços de vendas tem caráter pessoal. Não obstante a Informação Fiscal, às fls. 144 a 145, a unidade julgadora de primeira instância fez nova Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 147 a 149, solicitando a emissão de Relatório Fiscal Complementar a conter minimamente novos elementos delimitadores: 6. Portanto, o Relatório Fiscal Complementar deverá delimitar, pelo menos: (1) se a caracterização como segurado empregado operouse em face dos empregados das empresas de representação comercial e/ou dos empresários individuais (representantes comerciais) e/ou dos empresários sócios das pessoas jurídicas cuja personalidade foi desconsiderada (1.1) se, em relação aos representantes comerciais pessoas físicas, também houve "desconsideração" da empresa para se atingir (caracterizar como segurado empregado) os empregados da empresa e/ou o próprio empresário; e (2) o que significa a adoção da expressão "desconsideração da pessoa jurídica" e a correlação com a caracterização dos trabalhadores como segurados empregados da notificada; (3) se, de fato, houve aferição indireta da base de cálculo a partir de pagamentos a pessoas jurídicas e a pessoas físicas, (4) os atos normativos que lastreiam a aferição indireta, se houve, de fato, aferição indireta. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 246 9 A AuditoriaFiscal, em resposta à nova Solicitação de Diligência Fiscal, emitiu Relatório Fiscal Complementar, às fls. 151 a 152: 2. VINCULO EMPREGATÍCIO A consideração do vinculo e emprego direto entre os trabalhadores segurados das empresas de representação comercial e a notificada, deuse com base na notas de prestação de serviços emitidas por tais "empresas" e contabilizadas na conta "pagamentos a pessoas jurídicas", ao invés de "pagamentos a pessoas físicas", como constou no relatório da Notificação, item 5, tendo sido o Livro Diário, único elemento disponibilizado, pelo quê a empresa foi autuada pela não apresentação de outros elementos solicitados, como os contratos de prestação de serviços entre as empresas terceirizadas e a notificada. Com isso restou impossibilitada a distinção se os serviços foram prestados por sócios ou empregados, posto que a expressão, "pagamentos efetuados a representantes comerciais", não explicita um ou outro, mas sim é abrangente a quem efetivamente prestou os ditos serviços. 2. AFERIÇÃO INDIRETA O débito foi lavrado por aferição, tendo por base as notas fiscais contabilizadas, conforme acima mencionado, de acordo com o art. 33, parágrafo 6°, da lei 8212/91 com a redação dada no Art 235 do Decreto 3.048/99. Tratase de serviços de comercialização de produtos médicos, hospitalares,..., sendo esta a atividade fim da empresa, conforme mostra o contrato social juntado às fls. 48 do processo, pela qual deveria se valer necessariamente de trabalhadores de seu quadro na consecução deste desiderato. 3. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA A expressão "desconsideração de pessoa jurídica", significa que foi considerado vinculo empregatício, o existente entre os trabalhadores que prestaram serviços por meio das empresas de "representação comercial" e a notificada, vide item 3 do relatório da NFLD. A não apresentação de elementos solicitados pela fiscalização determinou a lavratura de débito na forma como o foi, visto que, não foi possível identificar o quantum era devido à Previdência Social, de modo normal (folha de pagamento) e regular, cabendo ao ente tributário o lançamento por arbitramento, em face da insuficiência de elementos de convicção solicitados, indicando base de cálculo e a fundamentação legal, fazendose inclusive referência ao Auto de Infração lançado em face da não apresentação de elementos solicitados no TIAD. 4. SUBORDINAÇÃO E PESSOALIDADE Posto que, no presente caso, houve intermediação de mãode obra, ligada a atividade fim da empresa, que deve ser obtida pela via comum, que é o contrato de emprego, pois não se pode Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 admitir o aluguel de mãodeobra. A atividade de vendas é inerente ao processo empresarial da notificada, necessitando para sua execução do concurso de mãodeobra própria permanente e subordinada, não podendo se cogitar da realização sem a participação de vendedores empregados, sob pena de ofensa ao que preceitua o art. 9° da CLT e enunciado 331, inciso Ido TST. A contratação de representação comercial, embora não provada perante a fiscalização, objetivou desvirtuar a aplicação de normas trabalhistas e previdenciárias levando à caracterização de relação de emprego. Nesta situação fática houve tentativa da reclamada em disfarçála, sendo inconteste a presença do trabalho pessoal, subordinado, habitual e oneroso, conduzindo ao flagrante desrespeito aos termos do art. 12, inciso I da Lei 8.212/91, razão determinante do lançamento arbitrado com base nos valores contábeis. O Contribuinte, após regularmente intimado em 18.01.2007, às fls. 190, atravessou nos autos aditamento à Impugnação, em 31.01.2007 às fls. 192 a 194, acompanhado de procuração regular com as cláusulas “ad judicia” e “et extra”, às fls. 195, e da oitava alteração do contrato social, às fls. 196 a 198, alegando, em síntese (conforme o relatório da decisão de primeira instância, às fls. 200 a 208): 7.1. Não há razão jurídica para se caracterizar vinculo de emprego com base em simples notas fiscais de prestação de serviços. Não foram identificados os trabalhadores caracterizados como empregados. O pagamento foi efetuado para pessoas jurídicas, logo o lançamento contábil foi efetuado na conta "pagamento a pessoas jurídicas", sendo as prestadoras de serviço empresas regularmente constituídas, nunca pessoas físicas. Sendo corretos, os lançamentos do Livro Diário não podem ser desconsiderados, ainda que a notificada não tivesse apresentado nenhum contrato de prestação de serviços. Sejam os serviços prestados por sócios ou por empregados das empresas prestadoras de serviços, inexiste vínculo de emprego com a notificada. 7.2. O que interessa é saber se os serviços foram prestados de modo pessoal e subordinado, não se dando a caracterização da relação de emprego simplesmente pela ausência de contrato escrito de representação comercial, sendo que a lei não exige forma especial. 7.3. A fiscalização solicitou apenas os contratos de representação comercial e dispensou o exame de outros documentos e registros que compõem a contabilidade, notadamente os relatórios de vendas e comissões pagas às empresas prestadoras que não deixam dúvidas quanto a regularidade dos lançamentos do Livro Caixa. Com efeito, os pagamentos não se confundem com pagamentos a empregados. Logo, não cabe falar em aferição indireta através das notas de prestação de serviços, mesmo porque seus valores não compreendem somente o preço dos serviços, compreendendo valores que não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 247 11 7.4. Não é relevante se os serviços de comercialização de produtos médicos e hospitalares, desenvolvidos pelas empresas de representação comercial, estão ligados à atividade fim da notificada. Por inexistir trabalho pessoal e subordinado de qualquer indivíduo em prol da empresa, não cabe falar em relação de emprego Além disso, a localização das empresas contratadas impede a fiscalização. 7.5. A fiscalização confunde desconsideração de pessoa jurídica com caracterização de relação de emprego. Para a caracterização do vinculo de emprego, o fiscal deveria indicar quais trabalhadores prestaram serviços de modo pessoal e demonstrar a subordinação. Sem estes elementos não cabe falar em relação de emprego ou intermediação e locação de mãode obra. Somente o fato da atividade de vendas ser inerente ao processo empresarial não autoriza a conclusão pelo trabalho subordinado de pessoas físicas. Para a consecução dos seus fins a empresa não necessita absolutamente de mãodeobra própria, permanente e subordinada. Se assim não fosse, de que prestaria a atividade de representação comercial. 7.6. Portanto, o relatório complementar nada apresenta para a validade do lançamento, que ainda se mostra sem consistência jurídica. O exercício de representação comercial é legal e regular, não exigindo a prova escrita da contratação, podendo ser provada por diversos outros elementos, presentes no caso, e que o distinguem perfeitamente da relação de emprego. Requer diligência para se determinar quais pessoas efetivamente prestaram trabalho pessoal e subordinado em prol da empresa. Do exposto, reitera o pedido de improcedência da notificação, para o cancelamento da exigência. Após análise dos autos, houve a emissão do Acórdão nº 0614.463 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, fls. 200 a 208, julgando procedente a autuação, conforme Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. INTERMEDIAÇÃO ILEGAL DE MÃODEOBRA. TERCEIRIZAÇÃO DE ATIVIDADEFIM. A contratação de empresas de prestação de serviços para o exercício de atividadefim afronta o ordenamento jurídico trabalhista e previdenciário e atrai a incidência do art. 9° da CLT e da Súmula nº 331, III, do Tribunal Superior do Trabalho e da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei n°8.212/91. • Lançamento Procedente Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Acordam os membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido no valor de RS 225.971,63, consolidado em 06/05/2005, sobre o qual incidirão os acréscimos legais. Encaminhese ao DRF/CTA/Secat — Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, para ciência da interessada e demais providências, ressaltandolhe o direito de interpor recurso voluntário no prazo de 30 dias da ciência (Decreto n°6.103/07, art. 1 0; e Decreto n°70.235/72, art. 33, copia), conforme facultado pelo art. 126 da Lei n" 8.213/91 combinado com o art. 305 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Sala de Sessões, em 27 de junho de 2007. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 214 a 219, atacando a decisão de primeira instância e ratificando os pontos da defesa apresentados em sede de Impugnação, em síntese: (i) Na própria decisão ora impugnada se reconhece que a fiscalização foi instada a informar a quais trabalhadores estaria configurado o vinculo de emprego. Todavia, o fiscal se limitou dizer que não foi possível fazer tal identificação, a despeito da notificada haver apresentado junto com a peça de defesa vários contratos sociais de empresas de representação comercial e que identificam o respectivo quadro societário. (ii) Necessário dizer que nenhuma conduta da notificada impediu a fiscalização de relacionar quais as pessoas que se enquadrariam como segurados empregados. A relação de emprego se caracteriza como um contrato realidade. O que significa dizer que nenhum documento escrito se mostra suficiente para afastar o seu reconhecimento, quando presentes os requisitos do art. 3° da CLT. De modo que nada justifica o Fiscal deixar de apontar as pessoas que, no caso, supostamente seriam participes desse tipo de relação jurídica. (iii) Nesse prisma, o fato da empresa não possuir empregados na sua atividadefim não autoriza — em absoluto — reconhecer a existência de intermediação ilegal de mãodeobra nos contratos de representação comercial firmados com empresas que se dedicam a esse ramo de atividade. Embora a notificada se dedique ao ramo de comércio, não existe atendimento de clientes de forma pessoal em seu estabelecimento. Realiza vendas por atacado e todos os contatos são realizados via telefônica ou por meio eletrônico. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 248 13 (iv) Enfim, não existe interrnedição de mãodeobra, muitos menos de remia ilegal. O caso não atrai a incidência da Súmula 331 do Tribunal Superior de Trabalho, pois, no conceito de mão deobra se inserem somente pessoas físicas que desempenham trabalho pessoal e subordinado. O que, evidentemente, não é hipótese. (v) As empresas de representação comercial não fornecem mão deobra, ou seja, não colocam pessoas à disposição da notificada para, de forma direta, ou seja, sob sua fiscalização, executarem serviços de seu interesse. Também não mantém contratos com pessoas físicas, mas com pessoas jurídicas, ou seja, com empresas regularmente estabelecidas, registradas nos órgãos próprios e com personalidade própria, algumas inclusive constituídas sob a forma de sociedade. E obviamente que nada existe na lei a impedir que unia empresa do ramo de comércio atacadista de utilizar os serviços de empresas de representação comercial para a consecução de seus fins, ou seja, a realização de vendas. Lembremos, ainda, que a não eventualidade e a onerosidade, e até a pessoalidade (no caso de pessoa física exercente da atividade de vendas) também são pressupostos da representação comercial. Não constituem requisitos exclusivos da relação de emprego. (vi) De salientar, ainda, que todas empresas listadas pela fiscalização sequer exercem atividadefim inerente ao processo empresarial da notificada, pois todas são prestadoras de serviços, e não só na representação comercial, como ocorre, por exemplo, com a Vital Clin Profissionais Associados Ltda., sediada na cidade de Toledo/Pr, que ainda se dedica à área de assistência médica, enfermagem, análises clínicas e treinamento em serviços hospitalares, conforme documento apresentado com a impugnação, mas que não mereceu a menor atenção no julgamento. (vii) De qualquer modo, eventual entendimento de haver exercício da atividadefim pelas prestadoras de serviço não se mostra suficiente para caracterizar vínculo de emprego, mesmo com as pessoas físicas que integram estas (empresas de representação comercial). Há que estar presente a necessária subordinação hierárquica. Situação que nem de longe se configura na hipótese. (viii) A fiscalização ainda desconhece que o contrato de representação comercial é contrato não solene, ou seja, não tem Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 forma especial, não se exigindo documento escrito para sua comprovação. E por isso mesmo, a não apresentação pela notificada de instrumento de um e outro contrato de representação comercial não tem o condão de caracterizar vínculo de emprego com o prestador de serviços, até porque esse tipo de atividade é comprovado por outros meios eficazes. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 241. É o Relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 249 15 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 241. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 250 17 informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD 35.815.1023, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO. (i) Na própria decisão ora impugnada se reconhece que a fiscalização foi instada a informar a quais trabalhadores estaria configurado o vinculo de emprego. Todavia, o fiscal se limitou dizer que não foi possível fazer tal identificação, a despeito da notificada haver apresentado junto com a peça de defesa vários contratos sociais de empresas de representação comercial e que identificam o respectivo quadro societário. (ii) Necessário dizer que nenhuma conduta da notificada impediu a fiscalização de relacionar quais as pessoas que se enquadrariam como segurados empregados. A relação de emprego se caracteriza como um contrato realidade. O que significa dizer que nenhum documento escrito se mostra suficiente para afastar o seu reconhecimento, quando presentes os requisitos do art. 3° da CLT. De modo que nada justifica o Fiscal deixar de apontar as pessoas que, no caso, supostamente seriam participes desse tipo de relação jurídica. Analisemos os itens (i) e (ii) conjuntamente. A Recorrente aduz que a não identificação dos trabalhadores que configurariam a relação de emprego inviabiliza a caracterização dos elementos fáticos da Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 251 19 relação de emprego. Inclusive aponta que apresentou os contratos sociais das empresas que atuam como representantes comerciais, onde consta o quadro societário. Anotase que a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, cópias, não autenticadas, de contratos sociais e também cópias, não autenticadas, de contratos de representação comercial. Ora, à época da lavratura da NFLD, o contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social regerseia segundo as normas contidas na Portaria MPS nº 520/2004, que no art. 9º, § 7º disciplinava que, em sede de Impugnação, as provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Desta forma, em função dos documentos acostados aos autos em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, terem sido apresentados em cópias não autenticadas, os alegados contratos de Representação Comercial bem como os contratos Sociais das empresas não fazem prova a favor da Recorrente. Portanto, a alegação da Recorrente de que a AuditoriaFiscal poderia ter evidenciado a relação de empregados das empresas contratadas a partir das cópias não autenticadas dos contratos sociais apresentados não prospera em função de não fazerem prova a favor da Recorrente, com fundamento no art. 9º, § 7º da Portaria MPS nº 520/2004. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (iii) Nesse prisma, o fato da empresa não possuir empregados na sua atividadefim não autoriza — em absoluto — reconhecer a existência de intermediação ilegal de mãodeobra nos contratos de representação comercial firmados com empresas que se dedicam a esse ramo de atividade. Embora a notificada se dedique ao ramo de comércio, não existe atendimento de clientes de forma pessoal em seu estabelecimento. Realiza vendas por atacado e todos os contatos são realizados via telefônica ou por meio eletrônico. (iv) Enfim, não existe interrnedição de mãodeobra, muitos menos de remia ilegal. O caso não atrai a incidência da Súmula 331 do Tribunal Superior de Trabalho, pois, no conceito de mão deobra se inserem somente pessoas físicas que desempenham trabalho pessoal e subordinado. O que, evidentemente, não é hipótese. (vi) De salientar, ainda, que todas empresas listadas pela fiscalização sequer exercem atividadefim inerente ao processo empresarial da notificada, pois todas são prestadoras de serviços, e não só na representação comercial, como ocorre, por exemplo, com a Vital Clin Profissionais Associados Ltda., sediada na cidade de Toledo/Pr, que ainda se dedica à área de assistência médica, enfermagem, análises clínicas e treinamento em serviços hospitalares, conforme documento apresentado com Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 252 21 a impugnação, mas que não mereceu a menor atenção no julgamento. (vii) De qualquer modo, eventual entendimento de haver exercício da atividadefim pelas prestadoras de serviço não se mostra suficiente para caracterizar vínculo de emprego, mesmo com as pessoas físicas que integram estas (empresas de representação comercial). Há que estar presente a necessária subordinação hierárquica. Situação que nem de longe se configura na hipótese. Analisemos os itens (iii), (iv), (vi) e (vii) conjuntamente. A Recorrente alega que não possuir empregados na atividadefim não é relevante, pois não precisaria de mãodeobra própria, permanente e subordinada, uma vez que terceiriza integralmente a atividadefim de vendas através da contratação de empresas de representação comercial idôneas. A questão de fundo então é determinar se a Recorrente, que não possui qualquer empregado registrado, poderia terceirizar integralmente a sua atividadefim. Neste ínterim, a Súmula 331, I e III, TST dispõe que a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974), ou ainda não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta: Súmula nº 331do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974) .II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. O seja, a intermediação de mãodeobra só é admitida no caso de trabalho temporário, nos termos da Lei n° 6.019/74, e no caso de serviços especializados ligados a atividademeio do tomador. Não obstante a argumentação da Recorrente de que não precisa ter quaisquer empregados para o funcionamento de suas atividades, a mesma não restou comprovado materialmente tal ilação com provas da sua rotina organizacional, operacional, comercial e financeira. Ou seja, diante da situação fática encontrada pela AuditoriaFiscal, conforme o demonstrado no Relatório Fiscal, às fls. 25 a 29, bem como na resposta à Diligência Fiscal às fls. 147 a 149 e também no Relatório Fiscal Complementar, às fls. 151 a 152, restou evidenciado que a Recorrente teria que ter trabalhadores à sua disposição para a consecução das atividades inseridas no seu objeto social. Na presente hipótese, claramente o serviço de vendas não pode ser considerado como atividade especializada ligada à atividademeio da Recorrente e tampouco pode ser considerada como trabalho temporário, posto que o objeto social da Recorrente é o ramo de comércio atacadista, inclusive importação e exportação de produtos, conforme o Relatório Fiscal Complementar, às fls. 151 a 152. Desta forma, a AuditoriaFiscal considerou que os serviços realizados pelos trabalhadores à disposição das empresas contratadas, pela Recorrente, a título de representação comercial, se relacionam à atividadefim da Recorrente caracterizandose então a relação de emprego desses trabalhadores para com a Recorrente. Ainda, a AuditoriaFiscal não teve condições relacionar, por competência, quais trabalhadores enquadramse como segurados empregados em função da dissimulação dos contratos de trabalho através dos contratos de representação comercial. Por outro lado, a CLT disciplina que é empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 253 23 Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação.Não obstante a argumentação da Recorrente, Ora, nos termos do art. 3º, CLT, a presença da onerosidade e da não eventualidade da prestação de serviços se evidencia nos autos, sem que a Recorrente conteste tais atributos, caracterizadores tento do contrato de representação comercial como o contrato de emprego. Já os atributos de subordinação e de pessoalidade são faticamente inerentes à atividadefim da Recorrente que, ademais, não possui nenhum empregado registrado. Ademais, restou a caracterização de segurado obrigatório da Previdência Social como empregado, nos termos do art. 12, I, a, lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Neste sentido de caracterização do segurado empregado quando presentes as premissas da relação de emprego, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aponta nesta direção: Segundo Conselho de Contribuintes . 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20600979 do Processo 37299000092200552 Data 05/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004 CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –SEGURADOEMPREGADO CARACTERIZAÇÃO. É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregado da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Recurso Voluntário Negado. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 240300068 do Processo 10552000525200737 Data 08/07/2010 Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIASPERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2002 A Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 30/11/2006CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE PATRONAL E TERCEIROSCARACTERIZAÇÃODE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.SEGURADOEMPREGADO. ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.A EMPRESA É OBRIGADA A ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES A SEU CARGO E AS DESTINADAS AOS TERCEIROS E RECOLHER O PRODUTO ARRECADADO DENTRO DO PRAZO ESTIPULADO PELA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.SE O AUDITOR FISCAL CONSTATAR QUE OSEGURADO, QUALQUER QUE SEJA A DENOMINAÇÃO QUE LHE FOR DADA, PREENCHE AS CONDIÇÕES QUE CONFIGURAM A RELAÇÃO DE EMPREGO (PESSOA FÍSICA, PESSOALIDADE, ONEROSIDADE, SUBORDINAÇÃO E NÃO EVENTUALIDADE), DEVERÁ DESCONSIDERAR O VINCULO PACTUADO E EFETUAR O ENQUADRAMENTO COMOSEGURADOEMPREGADO.SÃOSEGURADOSCONTRIBUINTES INDIVIDUAIS EMPRESÁRIOS OS ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 4ª CÂMARA / 3ª TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NAS PRELIMINARES POR UNANIMIDADE DE VOTOS EM REJEITAR A DECADÊNCIA. NO MÉRITO POR MAIORIA DOS VOTOS EM DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO E DETERMINAR O RECALCULO DA MULTA DE MORA COM BASE ART. 32A DA LEI 8.212/91 NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 E PREVALÊNCIA DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. VENCIDOS OS CONSELHEIROS RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA E CLEUSA VIEIRA DE SOUZA (CONVOCADOS) QUE VOTARAM POR NEGAR PROVIMENTO. Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20601581 do Processo 35582002142200777 Data 06/11/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOEMPREGADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA. É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO. Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Recurso Voluntário Negado. Devemos observar a posição do CARF (conforme se observa de vários julgados) no sentido de que pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 254 25 última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ou seja, houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores nos relatórios que compõem a NFLD, possibilitando o pleno conhecimento pela Recorrente. A contratação de trabalhadores por meio de pessoas jurídicas, sem que se demonstre o cumprimento aos preceitos legais e que a realidade fática diverge dos documentos apresentados, acaba por descaracterizar a contratação nessa modalidade, provocando o enquadramento como segurados empregados perante a Previdência Social. Diante das provas fáticas e materiais fartamente colacionadas pela Auditoria Fiscal nos autos, tanto em sede de Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Complementar, quanto em sede de resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, afasto as argumentações da Recorrente e concluo que está presente a relação de emprego com características de pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade, subordinação, e continuidade, nos termos dos arts. 2° e 3º da CLT. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) As empresas de representação comercial não fornecem mão deobra, ou seja, não colocam pessoas à disposição da notificada para, de forma direta, ou seja, sob sua fiscalização, executarem serviços de seu interesse. (...) Também não mantém contratos com pessoas físicas, mas com pessoas jurídicas, ou seja, com empresas regularmente estabelecidas, registradas nos órgãos próprios e com personalidade própria, algumas inclusive constituídas sob a forma de sociedade. E obviamente que nada existe na lei a impedir que unia empresa do ramo de comércio atacadista de utilizar os serviços de empresas de representação comercial para a consecução de seus fins, ou seja, a realização de vendas. (...) Lembremos, ainda, que a não eventualidade e a onerosidade, e até a pessoalidade (no caso de pessoa física exercente da atividade de vendas) também são pressupostos da representação comercial. Não constituem requisitos exclusivos da relação de emprego. Analisemos. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 A Recorrente argumenta que as empresas de representação comercial não fornecem mãodeobra para ela, bem como mantém contrato de representação comercial com pessoas jurídicas. Conforme já analisado nos tópicos (i) e (ii) acima a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, cópias, não autenticadas, de contratos sociais e também cópias, não autenticadas, de contratos de representação comercial, que não fazem prova a favor da Recorrente com fundamento no art. 9º, § 7º da Portaria MPS nº 520/2004. Portanto, a argumentação central acerca das empresas de representação comercial com fulcro na apresentação de cópias não autenticadas dos contratos sociais bem como dos contratos de representação comercial não possui lastro probatório a favor da Recorrente. Ainda, a questão da que a não eventualidade e a onerosidade, e até a pessoalidade (no caso de pessoa física exercente da atividade de vendas) também são pressupostos da representação comercial já foi analisada nos tópicos (iii), (iv), (vi) e (vii) acima. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) A fiscalização ainda desconhece que o contrato de representação comercial é contrato não solene, ou seja, não tem forma especial, não se exigindo documento escrito para sua comprovação. E por isso mesmo, a não apresentação pela notificada de instrumento de um e outro contrato de representação comercial não tem o condão de caracterizar vínculo de emprego com o prestador de serviços, até porque esse tipo de atividade é comprovado por outros meios eficazes. Analisemos. Em tese, o contrato de representação comercial deve ter como característica a atuação do representante comercial com total independência, com a representada não tendo qualquer ingerência na atuação profissional do representante e tampouco subordinação jurídica típica do empregado. Conforme já analisado nos tópicos (i) e (ii) acima a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, cópias, não autenticadas, de contratos sociais e também cópias, não autenticadas, de contratos de representação comercial, que não fazem prova a favor da Recorrente com fundamento no art. 9º, § 7º da Portaria MPS nº 520/2004. Então, na presente hipótese, a Recorrente não fez prova documental que os contratos de representação comercial pactuados pela Recorrente caracterizam o representante comercial como autônomo, possuindo independência técnica, econômica e jurídica. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 255 27 RECÁLCULO DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Portanto, devese recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10073.720141/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Antonio Lopo Martinez e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Antonio Lopo Martinez e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 01 41 /2 00 7- 27 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório ANTONIO LUIS DE MELLO E SOUZA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 80) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02/05 para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, referente ao exercícios de 2003, no valor de R$ 6.456,45, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 15.285,63. A infração que ensejou o lançamento foi a dedução indevida de área de utilização limitada. Segundo o relatório fiscal, o Contriubinte, regularmente intimado, não comprovou a isenção da áread declarada a título de utilização limitada no imóvel rural, de 136,4 hectares. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que somente em 27/12/2007 tomou conhecimento da intimação do órgão fiscalizador, referente ao ITR/2003, devido a mudança de endereço de seu domiscílio tributário;que o imóvel rural, encontrase hoje na condição de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, estando entre as dez maiores do estado, e com planos de ampliação; que estaria dispensado da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, por força do art 10, § 7° da lei 9.393/96, devido ao conhecimento prévio das autoridades do meio ambiente (IBAMA) em relação à condição de seu imóvel rural; que os registros e averbações de reserva legal, conforme documentação anexada, atestam a condição legal requerida pela Autoridade Fiscal. A DRJBRASÍLIA/DF julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJ observou que, quanto à mudança do domiscílio fiscal do Contribuinte, estra somente foi alterada bno cadastro em 08/05/2008, e que as intimações foram enviadas para o domiscílio fiscal constante do castrastro do Contribuinte na SRF à época; que em decorrência da devolução das intimações, o Contribuinte foi intimado por edital, não tendo respondido; que a intimação por meio de edital tem previsão legal; que, com o conhecimento da autuação, o Contribuinte teve a possibilidade de apresetnar defesa. Quanto ao mérito, a DRJ observou que a apresentação do ADA para fins de exclusão de áreas ambientais na apuração do ITR é obrigatória; que, no caso, embora o Contribuinte tenha apresentado ADA em 12/09/1998, esta tem área ambiental diferente da declarada em 2003; que, portanto, seria obrigatória a apresentação de novo ADA, conforme Instruções Normativas SRF nº 256/2002 e 344/2003 (artigo 13, I); que o Contribuinte apresentou novos ADAs em 28/09/2007 e 14/01/2008, mas estes, além de intempestivos, também informavam áreas ambientais diferentes da declarada em 2003. Por fim, a DRJ observou, rebatendo a alegação da defesa, que a dispensa de prévia comprovação das áreas ambientais não alcança as exigências legais para comprovação das áreas ambientais previstas na lei ambiental. Daí, conclui a DRJ: “embora a requerente tenha trazido aos autos documentação comprobatória do reconhecimento pelo orgão ambiental competente, da existência de 144,0 hectares de área considerada Reserva Particular do Patrimônio Natural desde 2001, às fls. 37, cabe ressaltar que não se discute nos autos a existência ou não da referida área ambiental, mas sim o fato de não ter sido providenciada a protocolização, em tempo hábil, de novo ADA (retificador) junto ao IBAMA. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720141/200727 Acórdão n.º 2202002.360 S2C2T2 Fl. 3 3 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 30/11/2009 (fls. 104) e, em 16/12/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 91/103, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e acrescenta manifestação contrária à incidência dos juros calculados com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, tratase de glosa de área declarada como Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN. Não se discute a existência da área ambiental, a qual foi devidamente reconhecida pela Portaria nº 70, de 23 de maio de 2001 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (fls. 42) e foi averbada à margem da matrícula do imópvel (fls. 38/39). O que se discute é tãosomente a necessidade da apresentação do ADA como condição para a isenção da referida área. Ora, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720141/200727 Acórdão n.º 2202002.360 S2C2T2 Fl. 4 5 determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo Poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite tal interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Mas, neste caso, tratase de Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN. Ocorre que a referida área, como ressaltado acima, foi devidamente reconhecida por ato específico do órgão ambiental e encontrase averbada à margem da matrícula do imóvel. E são Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720141/200727 Acórdão n.º 2202002.360 S2C2T2 Fl. 5 7 precisamente estas as exigências legais para a caracterização da área ambiental, conforme artigo 13 do RITR, a saber: Art. 13. Consideramse de reserva particular do patrimônio natural as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21). É inadmissível, quando sequer há disposição legal expressa que condicione a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração do ITR à apresentação do ADA, que, para o exercício do direito à isenção de RPPN seja necessária a apresentação de tal declaração perante o mesmo órgão que reconheceu a existência da área ambiental. Portanto, também quanto a esta área, nas condições deste processo, não se aplica a exigência do ADA. Quanto à exigência da taxa Selic, embora a questão reste prejudicada em face do provimento ao recurso por outro motivo, registro, em razaõ da eventual revisão desta decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que a matéria encontrase solucionada por meio da súmula nº 04 deste Conselheo, de aplicação obrigatória, e que traz o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão ANTE O EXPOSTO, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10875.908194/2009-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 94 /2 00 9- 02 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 02/02/2007, a Declaração de Compensação DComp nº 11568.17711.020207.1.3.040795, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/02/2002 a 28/02/2002, no valor de R$ 30.392,32. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680600 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05036.149, de 7 de dezembro de 2011, fls. 62 a 67 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 105 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 72 a 79, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 72 a 79 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05036.149, de 7 de dezembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 106 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 107 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 108 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10425.000908/98-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
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METALÚRGICA SILVANA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 09 08 /9 8- 18 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão, contradição e obscuridade no Acórdão nº 140100.524, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: IRPJ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A lei pode nas condições que estipular autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, não se admitindo, portanto, o desrespeito ao princípio da competência positivado na legislação de regência do imposto de renda que garante que as retenções inclusas no cálculo do saldo negativo do IRPJ devam se referir a receitas auferidas no próprio ano calendário correspondente às retenções. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Transcrevo parte dos Embargos naquilo que é essencial, onde a Embargante aponta duas premissas equivocadas da qual partiu o Acórdão embargado, em que na última se cometeria um erro de fato: (...) 22. Aliás, tal ocorrência está presente no Acórdão, pois o seu voto conduto partiu das seguintes premissas: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10425.000908/9818 Acórdão n.º 1401000.973 S1C4T1 Fl. 426 3 a) O incentivo fiscal de 100% do IRPJ e CSLL concedido pela SUDENE, que originou o direito de crédito da Embargante, se restringe a determinado produto fabricado pela Embargante e, portanto, demandaria complicada auditoria para aferição do valor do crédito; b) De acordo com as alterações legislativas promovidas pela MP n° 66/2002, não caberia pedido de compensação, mas de declaração de compensação acompanhada de pedido de restituição. Porém, tais premissas estão totalmente divergentes com a realidade fática, assim como as provas carreadas nos autos, o que justifica, desde já, o cabimento do presente recurso. Em relação ao primeiro aspecto, assim desenvolve a matéria: . Ora Doutos Julgadores, não estamos diante de isenção referente a uma parcela da receita bruta da Embargante, mas de toda sua receita bruta. Aliás, no próprio cadastro da empresa perante a Receita Federal do Brasil, consta a informação de que a atividade desenvolvida pela Embargante foi a mesma que foi TOTALMENTE incentivada pela SUDENE: (...) Ou seja, não há o que se falar em necessidade de complexo cálculo para a comprovação do crédito pleiteado pela Embargante, já que basta simplesmente comparar os valores recolhidos por estimativa a título de IRPJ e a receita auferida no anocalendario, a qual foi totalmente beneficiada pela isenção de 100% sobre o imposto a pagar no período. Em relação ao segundo aspecto, alega cometido de erro de fato: O Acórdão embargado clama pela necessidade da feitura de dcomps, com a nova sistemática de compensação inaugurada pela MP n. 66/2002 que passou a viger a partir de outubro de 2002: (...) 36. Contudo, com todas as vénias, mais uma a vez o acórdão incorre em vício, visto que os pedidos de compensação objeto da presente lide foram formulados antes da vigência da Medida Provisória n° 66/2002 que alterou o art. 74 da Lei n° 9.430/96. 37. Compulsando os autos, especificamente na folha 141, verificase que o último pedido de compensação foi formulado em 07.02.2002, isto é, antes da vigência da citada norma: É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. A embargante assim maneja esse recurso de escopo bastante restrito, que são os embargos declaratórios: 22. Aliás, tal ocorrência está presente no Acórdão, pois o seu voto conduto partiu das seguintes premissas: a) O incentivo fiscal de 100% do IRPJ e CSLL concedido pela SUDENE, que originou o direito de crédito da Embargante, se restringe a determinado produto fabricado pela Embargante e, portanto, demandaria complicada auditoria para aferição do valor do crédito; b) De acordo com as alterações legislativas promovidas pela MP n° 66/2002, não caberia pedido de compensação, mas de declaração de compensação acompanhada de pedido de restituição. Porém, tais premissas estão totalmente divergentes com a realidade fática, assim como as provas carreadas nos autos, o que justifica, desde já, o cabimento do presente recurso. E daí prossegue aprofundandose no porquë tais premissas seriam equivocadas. Ora,. de plano se vê que se maneja os embargos com outra finalidade diferente de suprir omissão, contradição ou obscuridade. É patente que o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão impugnado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto, uma vez que partira de premissas equivocadas. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. E nem poderia haver omissão, a uma porque o Acórdão recorrido tratou especificamente sobre a questão de forma substanciosa, deixando bem claro os motivos para o indeferimento do pleito.. Nesse aspecto cabe salientar que as premissas questionadas pela Recorrente não passaram de argumentos subsidiários a outros argumentos mais importantes. Isso quer dizer que mesmo que tais premissas fossem consideradas aqui equivocadas e se dessem efeitos infringentes a essa retificação, o destino final do Acórdão embargado ainda assim não iria mudar, uma vez que a premissa principal relativa à inovação no pleito, e não atacada em sede de embargos ainda permaneceria incólume. Vejamos os termos em que isso ficou assentado no Acórdão embargado: Dessa forma, corroboro com a decisão de piso em todos os seus termos, pois além de não terem sido solicitados formalmente os referidos créditos que viriam a complementar o seu pedido, há flagrante inovação no pedido e a competência de se analisar tal pleito é da DRF e não das instâncias julgadoras: Art. 174. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais (...) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10425.000908/9818 Acórdão n.º 1401000.973 S1C4T1 Fl. 427 5 III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições, (ênfase acrescida) (....) Art. 175. As turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a Ilido artigo anterior. (...) Art.238 Aos Delegados~da~Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbe, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) VI decidir sobre a concessão de regimes aduaneiros especiais e pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos; (....) A seu turno, referida inovação não pode ser apreciada em grau de recurso, seja porque não há litígio tomando com base o parecer da DRF, seja porque importaria em supressão de instância. Por outro lado, trago ainda à baila outros argumentos que se somam aos já colocados pela DRJ no sentido de obstaculizar ainda mais o referido pleito. Por fim, nem se pode dizer também que os argumentos subsidiários atacados estariam de fato equivocados, uma vez que o relator o relator demonstrou minuciosamente que o referido crédito tomado a partir do recálculo do lucro da exploração nem mesmo foi demonstrado nos autos, e isso é fato. Em relação, ao segundo argumento auxiliar a Recorrente também tem razão, o Acórdão embargado fez menção também à necessidade de se ter feito Dcomps, uma vez que o seu pleito se referia a créditos até 2004, o que necessariamente deveria requerer acompanhando o pleito as respectivas Dcomps, sistemática nova adotada a partir de outubro de 2002. Por todo o exposto, rejeito os embargas. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 429DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908210/2009-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 82 10 /2 00 9- 59 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 16107/2008, a Declaração de Compensação DComp nº 40365.63768.160708.1.3.044026, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/08/2003 a 31/08/2003, no valor de R$ 194.242,21. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680763 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05035.964, de 23 de novembro de 2011, fls. 65 a 69 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 111 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 74 a 81, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 74 a 81 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05035.964, de 23 de novembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 112 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 113 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 114 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10730.012549/2010-36
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO.
Sendo obrigatório o pedido de habilitação do crédito judicial de forma prévia ao pedido de restituição/declaração de compensação, interrompe-se a prescrição que opera contra o contribuinte na data do protocolo do pedido de habilitação.
PRESCRIÇÃO. NORMAS COMPLEMENTARES. VEDAÇÃO.
O instituto da prescrição não pode ser regido por normas complementares contrariamente ao disposto em Leis Complementares, por vedação constitucional (art. 146, III, b, da Constituição Federal).
Numero da decisão: 1801-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. Sendo obrigatório o pedido de habilitação do crédito judicial de forma prévia ao pedido de restituição/declaração de compensação, interrompe-se a prescrição que opera contra o contribuinte na data do protocolo do pedido de habilitação. PRESCRIÇÃO. NORMAS COMPLEMENTARES. VEDAÇÃO. O instituto da prescrição não pode ser regido por normas complementares contrariamente ao disposto em Leis Complementares, por vedação constitucional (art. 146, III, b, da Constituição Federal).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.012549/201036 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.493 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2013 Matéria Compensação Crédito reconhecido em ação judicial Recorrente CASA DE SAÚDE SANTA LÚCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. Sendo obrigatório o pedido de habilitação do crédito judicial de forma prévia ao pedido de restituição/declaração de compensação, interrompese a prescrição que opera contra o contribuinte na data do protocolo do pedido de habilitação. PRESCRIÇÃO. NORMAS COMPLEMENTARES. VEDAÇÃO. O instituto da prescrição não pode ser regido por normas complementares contrariamente ao disposto em Leis Complementares, por vedação constitucional (art. 146, III, b, da Constituição Federal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 25 49 /2 01 0- 36 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 1336.720/11 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, fls. 81 a 90, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “O presente processo trata de Declaração de Compensação (DCOMP), fl. 01, valor total de R$ 9.083,44, protocolizada em 08/12/2010, em papel, objetivando a compensação de débitos de PIS (6912) e Cofins (5856), não cumulativos, do período de apuração 10/2010, vencimento em 25/11/2010, e valores, respectivamente de R$ 1.620,29 e R$ 7.463,15, com crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação n° 2001.51.010170524, com processo administrativo de habilitação n° 10730.002863/200977. Consultando os autos do processo administrativo n° 10730.002863/200977, fls. 18/19, verificase que o mesmo trata de Pedido de Habilitação de Crédito de PIS reconhecido em sede de Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0170524, cuja decisão final transitou em julgado em 21/06/2004. No curso da análise do referido pedido de habilitação, protocolado em 01/04/2009, fl. 18, verificouse que o contribuinte foi cientificado em 02/12/2009, fl. 20, acerca da existência de pendência de documento que impedia o deferimento do pleito do mesmo, a qual foi regularizada em 07/12/2009, fl. 21. O Despacho Decisório, deferindo o pedido de habilitação, foi assinado em 12/01/2010, fls. 22/23, e, o interessado foi cientificado do mesmo em 03/02/2010, fl. 22. Para um melhor entendimento da situação deste caso fazse mister resumir e relacionar os fatos cronologicamente, conforme demonstrado a seguir: a) 21/06/2004: trânsito em julgado do MS 2001.51.01.0170524, fl. 23; b) 01/04/2009: Pedido de Habilitação de Crédito reconhecido em juízo (10730.002863/200977), fls. 18/19; c) 21/06/2009: data final do prazo prescricional do título judicial (05 anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial final); d) 02/12/2009: Ciência do contribuinte acerca da existência de pendência de documento no pedido de habilitação de crédito (10730.002863/200977), fl. 20; e) 07/12/2009: Regularização de pendência de documento por parte do contribuinte (10730.002863/200977) fl. 21; f) 12/01/2010: Despacho Decisório autorizando a transmissão de pedido de restituição e/ou declaração de compensação (10730.002863/200977), fls. 22/23; g) 03/02/2010: Ciência do Contribuinte acerca do Despacho Decisório nos autos do pedido de habilitação de crédito (10730.002863/200977), fl. 22; h) 28/04/2010: Protocolo da primeira DCOMP (155 53.001001 /201072), fls. 26/27; i) 08/12/2010: protocolo da Declaração de Compensação neste processo, fl. 01verso; Em 17/02/2011, por meio do Despacho Decisório o Delegado da DRF/Niterói decidiu: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 3 3 1) Considerar NÃO HOMOLOGADA a Declaração de Compensação, de fl. 01, no valor de R$ 9.083,44, protocolizada, intempestivamente, em 08/12/2010, na qual o interessado objetivou compensar o débito de PIS (6912) e Cofins (5856), não cumulativos, do período de apuração 10/2010, vencimento em 25/11/2010, e valores, respectivamente de R$ 1.620,29 e R$ 7.463,15, com base nos §10° do art. 34 e §6° do art. 71, ambos da IN RFB 900/2008; Cientificada em 22/02/2011, a Interessada, ingressou, 25/02/2011, com a manifestação de fls. 39/52, na qual argúi em síntese que: Conforme preceitua o art. 71 da IN RFB 900/2008, a peticionante, deve, ANTES de realizar a compensação do crédito tributário reconhecido por decisão transitada em julgado, requerer a habilitação do crédito, mediante formalização de processo administrativo instruído com os documentos elencados no art. 71, § 1° e incisos da citada Instrução normativa. Diante desta obrigatoriedade buscou a delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói, para efetuar a prévia habilitação do crédito. Desta forma, foi protocolado pedido de habilitação de crédito oriundo de decisão transitada em julgado em 01/04/2009, junto a Delegacia da Receita Federal em Niterói, para que fosse analisado. Cumpre esclarecer que a peticionante realizou o protocolo dentro do prazo prescricional, ou seja, antes do prazo de 05 (cinco) anos contados do trânsito em julgado da ação (21 de junho de 2009). No entanto, a partir desse momento iniciouse a coleção de arbitrariedades por parte dos Fiscais da DRF Niterói, devendo ser destacado ainda, que além da obrigatoriedade do contribuinte em realizar a prévia habilitação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, conforme preceitua a IN 900/2008, em seu art. 71, o fisco também tem obrigatoriedade, em relação ao contribuinte, que realiza o protocolo do pedido de habilitação, qual seja, analisar o pedido de habilitação no prazo de 30 dias ou caso ocorra pendências, o prazo é de 30 dias da regularização, conforme dispõe o art. 71, § 2° e § 3°. da IN 900/2008. Ocorre que no caso em tela, o fiscal responsável por tal análise, tendo em vista que o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão transitada em julgado foi protocolado em 01/04/2009, observou somente em 02/12/2009, que existia pendências na documentação apresentada pelo contribuinte, ou seja, 296 (duzentos e noventa e seis) dias após o protocolo do pedido de habilitação, sendo certo que mesmo depois de regularizar a pendência em 07/12/2009 (05 dias após), o contribuinte só teve o despacho deferindo o pedido de habilitação em 03/02/2010, ou seja, 58 dias, ou seja, 354 dias fora do prazo estabelecido pela IN 900/2008. Conforme dispõe o art.71 § 1° e § 2°, não se confundem os prazos para que o Fiscal emita o despacho habilitando o crédito e o prazo para cumprimento das exigências. Desta forma, quando analisamos o parecer emitido pelo Fiscal da DRF Niterói, devese ater que a demora no aproveitamento dos créditos não se deu por inércia do Peticionário, e sim pela demora e torpeza desprezada pelo Órgão. Destarte, de acordo com o despacho que não homologou a compensação, conforme dispõe o art. 71, §6° da IN RFB 900/2008, a peticionante deveria enviar as informações via sistema Per/Dcomp, efetuando a compensação antes do dia 21 de junho de 2009 (?), mesmo que a análise do pedido de habilitação do crédito, realizado pelo fiscal responsável fosse analisado e despachado posteriormente a data Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 limite, desta forma, a Delegacia da Receita Federal em Niterói, vem interpretando restritivamente o art. 168 do CTN. De acordo com o mencionado artigo da Instrução Normativa, o contribuinte que, nesses casos, protocolar o pedido de habilitação dentro do prazo de 05(cinco) anos do trânsito e julgado da ação, poderá usufruir de seus créditos, mesmo que tenha seu pedido deferido somente após a data limite de 05 (cinco) anos do trânsito em julgado da ação. No entanto, mesmo a IN 900/2008 sendo explícita ao informar o direito de usufruir do crédito mesmo depois de decorrido o prazo de 05 anos mediante, não é isso que vem ocorrendo, posto que estão sendo impedidos de efetivarem a compensação ou solicitar a restituição, ressarcimento ou reembolso, seja via sistema Per/Dcomp ou via DComp, visto que, os Serventuários, com base no mencionado art. 71. §6° da IN RFB 900/2008, o estão interpretando de forma restritiva, entendendo que o prazo prescricional qüinqüenal não se altera com o Pedido de Habilitação de Crédito, somente ocorrendo alteração com o efetivo envio das informações para compensação via sistema Per/Dcomp, quando essa restrição não se encontra no corpo a IN 900/2008. Caso fosse correto tal entendimento restritivo, o Operador do Direito poderia perquirir se existe ou existiu derrogação ou revogação do art.168 do CTN, em caso positivo qual seria o prazo para requerer crédito garantido via judicial? 04 (quatro) anos? No tema prescrição, o art. 146, inciso II, alínea "b", diz competir a lei complementar a edição de normas de caráter geral sobre a prescrição. Portanto, com arrimo em tais normas é que deve o Estado se apoiar para debater sobre prescrição, até porque os atos infralegais editados pelo Poder Executivo nunca deverão ser praeter legem ou contra legem, senão secundum legem. Diante de tais informações, a DRF em Niterói, interpreta a norma supramencionada, em confronto com o estabelecido no art. 168 do CTN, inovando na utilização do marco temporal para alterar o prazo prescricional qüinqüenal, não sendo mais a inércia do requerente capaz de alterar (suspender) o prazo prescricional e sim a intervenção que o órgão achar mais conveniente aos seus interesses. Em análise ao art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso de 05 (cinco) anos, ou seja, o interessado deve, dentro deste prazo, requerer seu direito por qualquer meio capaz e eficaz para aproveitar de seu benefício. Se a Receita Federal do Brasil, exige a prévia habilitação do crédito tributário, para somente após efetuar a compensação, sem sombra de dúvidas, este ato, altera o prazo prescricional qüinqüenal devendo suspender a prescrição, visto que a peticionante deixou de se manter inerte no momento do protocolo do pedido de habilitação de crédito, sendo certo ainda que com o prazo de 30 dias atribuído ao fiscal, para analisar o pedido de habilitação, o contribuinte que tem o direito de pleitear a compensação dentro do lapso temporal de 5 anos da data do trânsito em julgado da ação, ainda perderia 30 dias do seu PRAZO LEGAL caso não ocorresse tal suspensão. Convém destacarmos o decreto n° 20.910/1932, plenamente em vigor, que regula a prescrição qüinqüenal, elenca de forma clara o momento em que se deve ocorrer à suspensão vale destacar o que dispõe o, in verbis: Art. 1° As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual Ou Municipal, seja qual for a sua Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 4 5 natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Parágrafo Único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições publicas, com designação do dia, mês e ano. Diante de tal dispositivo, restou claro o momento em que houve a alteração (suspensão) do prazo prescricional qüinqüenal, ou seja, segundo informa o artigo supra mencionado, a suspensão do prazo prescricional se deu no momento do efetivo protocolo do pedido de habilitação de crédito junto ao órgão da Receita Federal do Brasil em Niterói, todavia de forma arbitrária, o fiscal responsável pela análise do pedido de compensação, se negou a cumprir determinação legal, contrariando princípio basilar de todo e qualquer ato público vinculado, qual seja, o principio da legalidade, que neste caso é dotado de nulidade! Há de ressaltar que, ao contrário do que afirma Fiscal, a Peticionária não se manteve inerte quando do recebimento do despacho habilitatório, muito pelo contrário, conforme se denota nos autos do processo administrativo, fato este que talvez o Serventuário tenha "esquecido" de mencionar que a Peticionária tentou transmitir os dados e efetivar a compensação via Perd/Comp sem sucesso em 24/02/2010 e 25/03/2010. Não resta dúvida em relação ao alcance das normas infralegais, pois como no caso em tela, a Instrução Normativa a pretexto de disciplinar a lei, no caso de uma interpretação errônea, extrapola o limite desta restringindoa, e, cerceando direito garantido por ordem judicial transitada em julgado. Assim sendo, a Delegacia de Receita Federal em Niterói deferiu o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, para que a Peticionária pudesse aproveitar do mencionado crédito de PIS, mas quando esta tentou efetivar tal benesse e efetuar a compensação, esbarrou na limitação temporal arbitrária e ilegal imposta pelo Fiscal, que entende que posteriormente a data de 21 de junho de 2009, aquele que efetuasse a compensação via formulário não lograria êxito, posto sua interpretação restritiva das normas reguladoras, impossibilitando a realização do mesmo. Diante de tais informações, podemos depreender que a maneira pelo qual a DRF Niterói, aplica o instituto da prescrição qüinqüenal se dá de forma completamente equivocada, pois entende que somente com a efetiva compensação ocorre a alteração do prazo prescricional qüinqüenal. Vale esclarecer que fica ao alvedrio do fisco analisar os pedidos de habilitação, levando o tempo que achar necessário para emitir decisão habilitando o crédito, mesmo que o tempo de análise gere danos ao Requerente, como de fato ocorreu com a Peticionária que protocolou o pedido antes da data limite, ou seja, antes do dia 21/06/2009 e só teve o pedido analisado e deferido 354 dias após tal data, contudo restando prejudicado pelo não recebimento, pela Receita Federal, da efetiva compensação. Portanto, quando da habilitação do crédito, ocorrida em 01/04/2009, o prazo prescricional restou suspenso, recomeçando quando da ciência do deferimento da habilitação do crédito, em 03/02/2010, contudo, a partir da data da 1a tentativa de compensação restou interrompido, recomeçando a sua contagem. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Destarte, teria a Peticionaria até o dia 24/03/2015 para esgotar o seu crédito. Como as compensações ocorreram em 28/04/2010 e 25/08/2010, concluise que foram dentro do interregno prescricional. Por fim, requer que se acolha a manifestação de inconformidade e anule o despacho decisório da lavra do auditor fiscal subscritor da decisão recorrida, o qual não homologou o pedido de compensação da Peticionária, por ofender o inciso XXXVI do art. 5° da Carta da República e os arts. 165, 168 e 174 do Código Tributário Nacional. Voto [...] O prazo prescricional para demandar esse crédito, em execução judicial ou, quando possível, por meio de pedido na via administrativa, como facultado pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, regese pelo art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, que diz: [...] É esse direito e o crédito que dele se origina que pode ser invocado, de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e em consonância com as normas administrativas que o regulamentam, para se pleitear junto à RFB o pagamento de uma restituição ou o uso para compensação regida por aquele dispositivo legal. Iniciase, assim, a aplicação do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008, e, em especial, dos prazos previstos no inciso IV de seu § 4°. Repitase, todavia, que, como dispõe o § 6° deste art. 71, tal pedido de habilitação, ou mesmo seu deferimento, não alteram o prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°. O contribuinte/beneficiário tem, conforme o art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, o prazo de cinco anos para utilizar em compensação os créditos que alegar ter, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado e habilitada, contados da data do trânsito em julgado da mesma decisão ou, quando for o caso, da homologação da desistência de sua execução judicial, caso não o faça ocorrerá o instituto da prescrição. [...] A impugnante alega que quando da habilitação do crédito, ocorrida em 01/04/2009, o prazo prescricional restou suspenso, recomeçando quando da ciência do deferimento da habilitação do crédito, em 03/02/2010, contudo, a partir da data da 1a tentativa de compensação o prazo restou interrompido, recomeçando a sua contagem. Conclui aduzindo que teria até o dia 24/03/2015 para esgotar o seu crédito e, como as compensações ocorreram em 28/04/2010 e 25/08/2010, deramse dentro do interregno prescricional. Entendo que a argumentação da interessada não deve subsistir. A prescrição é regra geral em todos os campos do direito. Sua interrupção, ou seja, a desconsideração de todo o tempo decorrido anteriormente, começando a correr novo prazo de prescrição a partir do ato interruptivo, é uma exceção, dependendo, por tal excepcionalidade, de norma expressa. Como no caso em tela tal interrupção não foi prevista em nenhuma norma jurídica do ordenamento pátrio não há como ser aplicada. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 5 7 Ante o exposto, não reconheço a existência de direito creditório e não homologo a compensação declarada nos PER/DCOMP objetos do presente processo.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 10/10/11 fls ; Recurso – 03/11/11, fls. ) o Recurso de fls. , reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne deste litígio administrativo é se a prescrição alcançou, ou não, o direito de ação da recorrente em reaver crédito tributário reconhecido judicialmente, junto à Administração Tributária. A recorrente protocolizou o Pedido de fls. 01 em 08 de dezembro de 2010, em papel, sendo que a sentença judicial favorável transitou em julgado em 21 de junho de 2004 e o Pedido de Habilitação do crédito judicial foi protocolizado em 01 de abril de 2009 (fls. 18), etapa necessária antes de pleitearse a compensação/restituição do crédito desta natureza. O fundamento do acórdão ora recorrido foi que ocorreu a prescrição do pedido de compensação da recorrente, uma vez o Pedido de Habilitação ter sido deferido apenas em 12 de janeiro de 2010 e a Declaração de Compensação, em papel, entregue em 08/12/10. Entendeu, pois a Turma Julgadora de Primeira Instância que a recorrente deveria ter tido o zelo de pleitear antes a restituição/compensação do crédito judicial, atentando para todas as fases prévias necessárias à habilitação deste crédito junto ao fisco. Tudo com fulcro no artigo 71, incisos e parágrafos, da Instrução Normativa RFB nº 900/08. Não custa retranscrever o indigitado preceito: "Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1° A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VII procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2° Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1°, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3° No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2°, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4° O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 6 9 § 5° Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2° não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4°. § 6° O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°." A Turma Julgadora a quo defende que a prescrição regese pelo artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 1932: Art. 1° As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Divirjo das razões de indeferimento do Pedido de Compensação. Principalmente porque assiste razão à recorrente quando argumenta que ao escorarse da IN RFB nº 900/08, em seu artigo 71, a autoridade que emitiu o Despacho Decisório de deferimento da habilitação do crédito não pode valerse de dois pesos e duas medidas. É certo que o Pedido de Habilitação do Crédito foi formalizado dentro do qüinqüídio legal, afastando a prescrição, em 01/04/2009 (a sentença favorável à recorrente transitou em julgado em 21/06/04). Forçoso reconhecer, também, que não foi culpa da recorrente a morosidade da Administração Pública em reconhecer o crédito judicial. É cediço que os órgãos públicos em geral militam contra a falta de servidores e outras mazelas impondolhes morosidade na expedição dos atos administrativos e atendimento a contento da demanda, no caso, dos contribuintes. No entanto, ninguém melhor que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para conhecer as suas limitações de atendimento. E, de fato, consta no artigo discutido (71) de Instrução Normativa, editada pelo próprio órgão, que o prazo para ser proferido o despacho decisório sobre o pedido de habilitação deverá respeitar o limite de trinta dias da data de protocolização do pedido ou da regularização de pendências, mais expressamente na redação do § 3º. Aplicando os preceitos (§§ 1º e 3º do artigo 71 – IN RFB nº 900/08) ao caso em concreto, verificase, primeiramente, que a intimação para regularização do pedido, (cientificada à recorrente em 02/12/2009) fugiu àquelas exigências expressas no § 1º, incisos I a VII, tratandose de comprovação que a recorrente era associada à Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro e documento de representação desta Associação. A recorrente ao entregar os documentos ressalta que está entregando uma ‘nova’ comprovação. O que indica que a recorrente entregou o pedido de habilitação com todos os requisitos legais e detinha a expectativa do direito de ser atendida em trinta dias. Não é culpa da recorrente que a norma complementar não previu esta hipótese, ações coletivas, nem que a autoridade encarregada demorou meses para analisar o seu pedido. Observo que em cinco dias a recorrente apresentou a documentação exigida (07/12/2009). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Ora, por hipótese, se a Intimação tivesse sido realizada em prazo hábil, dado o perigo da prescrição cujo prazo estava correndo contra o direito da recorrente, dentro de trinta dias, por exemplo, e o despacho decisório fosse proferido trinta dias após a regularização, como a norma tributária estabelece, o prazo que a recorrente teria para emitir a Dcomp não expiaria pela alegada prescrição – a Administração Tributária teve dois meses e vinte dias (até 21/06/2009) para reconhecer o direito líquido e certo da recorrente em habilitar seu crédito judicial, mas não o fez. Certamente houve ofensa ao princípio da indisponibilidade pública do indébito tributário, causada pela morosidade no procedimento. No que respeita ao Decreto nº 20.910, de 1932, invocado tanto no acórdão guerreado quanto nas defesas da recorrente, não pode ser descartado o argumento da recorrente que, ao protocolizar o Pedido de Habilitação do Crédito Judicial, a prescrição foi suspensa, consoante o artigo 4º e seu parágrafo único, in verbis: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. (grifos não pertencem ao original) Mas, outros fundamentos norteiam este voto. O instituto da prescrição está definido no artigo 189 do Código Civil: Da Prescrição Seção I Disposições Gerais Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. Se a Administração exige que haja um processo de habilitação para um crédito outorgado judicialmente, como condição prévia para exercer o direito de restituição/compensação do indébito tributário desta natureza, não é admissível que a data do protocolo deste processo prévio não seja considerada para interromper1 a prescrição. A habilitação do crédito, pois, é condição sine qua non para requererse a restituição/compensação do crédito judicial. Dispõe o Código Civil a respeito da matéria, como fonte subsidiária ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 199. Não corre igualmente a prescrição: I pendendo condição suspensiva 1 Interrupção da Prescrição: art. 202, § único do Código Civil: Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 7 11 [...] Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, darseá: [...] VI por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. (grifos não pertencem ao original) E, em se tratando de prescrição, não pode a norma complementar legislar de forma diversa do Código Civil, muito mais restringindo o direito de ação dos administrados. Assim dispõe a Constituição Federal do Brasil: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (grifos não pertencem ao original) Têmse, portanto, como inócuos os dispositivos inseridos em legislação tributária, no caso Instruções e outros Atos administrativos, ainda que normativos, que estabeleçam diretrizes contrárias às do Código Civil, no concernente à prescrição. O Código Tributário Nacional (CTN) reconhece: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Quanto ao fato de a recorrente ter se valido do formulário em papel para exercer a sua pretensão, e não o documento eletrônico exigido pela norma complementar, devese atentar que o sistema impede, automaticamente, os pedidos que fogem à regra geral, como no presente caso, sem qualquer análise individual. Daí a necessidade de ser feito em formulário, formalizarse processo, para ser suscetível de apreciação. Nunca é demais lembrar que é princípio de Direito Geral o insculpido no artigo 154 do Código de Processo Civil (CPC) o direito deve prevalecer sobre a forma: Art. 154. Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir, reputandose válidos os que, realizados de outro modo, Ihe preencham a finalidade essencial. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 No presente caso a recorrente utilizouse da Declaração de Compensação, em formulário, consoante exigido pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 74, §1º: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Por todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10325.001073/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a alegação de nulidade do lançamento por ofensa a tais princípios.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO.
Devem ser excluídos da tributação os depósitos bancários oriundos de transferências de contas bancárias da mesma titularidade do contribuinte.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os totais de R$ 339.936,30 e R$ 26.210,00, nos anos-calendário de 2000 e 2001, respectivamente
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a alegação de nulidade do lançamento por ofensa a tais princípios. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Devem ser excluídos da tributação os depósitos bancários oriundos de transferências de contas bancárias da mesma titularidade do contribuinte. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a alegação de nulidade do lançamento por ofensa a tais princípios. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Devem ser excluídos da tributação os depósitos bancários oriundos de transferências de contas bancárias da mesma titularidade do contribuinte. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 10 73 /2 00 5- 22 Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os totais de R$ 339.936,30 e R$ 26.210,00, nos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 18 a 22 – Vol. 21), que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte, identificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 508/513, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2000 e 2001, no valor de R$ 4.927.672,42, incluídos multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 509/510, foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal e relação dos créditos não comprovados que fazem parte deste Auto de Infração. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados às fls. 510 e 513. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 17/10/2005, fls. 540, a contribuinte apresentou impugnação, em 11/11/2005, fls. 542/545, a seguir parcialmente transcrita: Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.148 3 ‘I OS FATOS Descrição dos fatos: Sou uma pessoa simples, trabalho desde os 14 anos, sempre representando alguém, e já faz 10 (dez) anos que estou no ramo de compra e venda de leite, direto da zona rural, para a zona urbana e também fabricando artesanalmente queijo e derivados do leite, e inclusive compramos já o queijo pronto de alguns fabricantes todos de pequenos porte e rural, e esse comércio foi bastante movimentado no período de 1.999 a 2002, período esse em fiscalização pelos AuditoresFiscais, da Receita Federal do Brasil (...), que gerou o AUTO DE INFRAÇÃO (...), no valor de R$ 4.927.672,42. II O DIREITO II.1 PRELIMINAR 1°) Com referência ao Item 001SOBRE OS DEPÓSITOS EM C/C BANCÁRIAS NÃO COMPROVADAS, todos são sabedores que sou somente uma intermediária, sou usada na compra e distribuição de leite e de queijo para várias empresas que vai a relação em anexo e também repasso os valores depositados em C/C, para os produtores rurais de pequenos e médio porte, que fornecem o leite e o queijo pronto, e uma pequena parte eu transformo em queijo também, e aí eu envio os clientes que depositam o dinheiro em minha conta corrente e eu repasso aos produtores. 2o) Se for verificarem em minhas declarações pessoa física, vão constatarem que estou dizendo a verdade, pois se toda a movimentação fosse minha eu teria um enorme patrimônio declarado, quando na verdade nada tenho a não ser cumprir minha obrigação de declarar em formulário simplificado, para dar manutenção a minha declaração, pois como eu poderia pagar imposto de um dinheiro que não é meu, se estou declarando errado desde 1999, mas infelizmente devido a dificuldades atravessadas, ainda não apresentei nem a declaração de 2004/2005, por falta de tempo e dinheiro, a culpa não minha, pois não entendo de contabilidade e nunca fiz nenhum curso sobre declaração, pois isso acha que é obrigação de contadores, pois mal tirei o ginásio, mas sempre fui uma pessoa trabalhadora e empreendedora, e deveria ter sido alertada pela receita e pelo contador qual a forma de trabalho correto, e não ser Autuada de forma que nunca terei condições efetuar o pagamento do presente mesmo com os descontos prometidos dentro do prazo da notificação, como regularizar essa pendência? II.2 MÉRITO 1°) O fiscal cita no Termo de Verificação Fiscal, OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPOSITADOS EM C/C BANCÁRIAS? Quero deixar bem claro que não existe omissão como já expliquei, inclusive pode verificar que algumas das C/C, citada na fiscalização já se encontram sem movimentação há vários Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 anos, e os saldos são devedores, e em anexo estamos lhes enviando as Xerox dos Pagamentos feito neste período para quem foi feito o nome completo e seu CPF, ou seu CNPJ, e os recebimentos e depósito feito em minha c/c, a origem das ordem de pagamento e depósito efetuado, para sua análise, pois estou a mais de 90 (noventa) dias saindo do ramo com um prejuízo incalculável, por falta de pagamento de alguns compradores dos produtos que compro na zona rural e repasso para os clientes, tendo um prejuízo para meus fornecedores de mais de R$ 300.000,00 (...), é só consultarem na região de Rondon do Pará, Abel Figueiredo, Bom Jesus do Tocantins, Dom Elizeu, todos do estado do Pará, e São Pedro da Água Branca e Vila dos Martírios no Estado do Maranhão, todos esses Municípios sabem do prejuízo e da situação que estou passando, inclusive com mais essa fiscalização estou largando tudo e voltando por definitivo para casa de meus pais, que hoje necessitam por demais de mim. 2ºo) a Fiscalização disse que tentou por diversas vezes me encontrarem no endereço citado à Rua Simplício Moreira n° 1289, bairro centro Imperatriz, Estado do Maranhão, olha eu sou uma pessoa batalhadora e infelizmente, não tive sorte em meu casamento, e muito menos tempo e dinheiro para voltar minha documentação separada judicialmente, e vivo sem residência própria, pois alugo nas cidades citadas no item 01 do mérito, por temporada de mais ou menos 30 a 60 dias, pois faço eu mesmo as compra direto do produtor, e o endereço acima é de meus pais, que também residem na fazenda na ROD. BR. 222 KM 108, no município de Rondon do Pará, estado do Pará, a onde quando posso estou lá sempre dando uma atenção especial a eles pois eles são tudo que tenho na minha vida, de grande valor, que vem desde de Outubro/2004, enfermo com sérios problemas de saúde tendo sido internado diversas vezes na Uti de Imperatriz/MA, e em fevereiro a abril/2005, esteve internado em São Paulo através da Unimed na Uti do hospital Beneficência Portuguesa, onde sofreu diversas cirurgias Cardiovasculares, que inclusive se encontra fazendo hemodiálise em Imperatriz/MA, e se recuperando aos poucos, por isso nunca tinha sido informado da visita de V.Sas., e tampouco tenhamos nós encontrado anteriormente não foi falta de atenção ou muito menos pouco caso de minha parte, ou tentativa de se esconder, simplesmente estou passando por uma fase muito difícil, na vida profissional e na vida familiar com a enfermidade de meu pai, onde as pessoas de minha família as vezes deixam de me informar alguns ocorridos não por relapso mas sim pensando que estão me poupando de mais aborrecimentos sem necessidades, quando se trata de um assunto muito importante e grave com a Receita Federal, por isso estou anexando os exames de meu pai e os laudos de intervenção cirúrgicas, para que V.Sªas., possam constatar o que estou lhes informando. II1 A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, uma vez que a mesma Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.149 5 não possui condições financeiras de liquidar tal débito apresentado pela fiscalização.’ O presente processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz para que fosse examinada a documentação juntada às fls. 555/3983 a fim de se verificar se fazia prova da origem dos depósitos efetuados nas contas correntes da impugnante, ressaltandose que a pessoa jurídica M.C. Derivados do Leite Ltda, da qual a contribuinte é sócia, havia apresentado declaração de rendimentos referente aos anoscalendário 2000 e 2001, informando não haver percebido receita bruta, enquanto que dos documentos trazidos aos autos pela contribuinte se observava enorme movimentação comercial. Em resposta a Fiscalização da DRF/Imperatriz informou, conforme Termo de Encerramento de Diligência, fls. 4020/4021, a seguir transcrito: ‘1 Em atenção ao Relatório da 1ªa Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FortalezaCE, foi realizada a diligência determinada à fls. 3993 a 3994. 2 Inicialmente, verificouse que a vasta documentação apresentada pela fiscalizada tratase, em suma, de recibos de compra, folha de pagamento e relatórios das empresas M C Derivados do Leite Ltda. e M G de Oliveira Campos. Nem entraremos no mérito de que os recibos de compras não respeitam as formalidades intrínsecas e extrínseca (sem numeração, sem identificação completa do vendedor, sem data, etc) da legislação do Imposto de Renda e do ICMS, pois os pagamentos supostamente realizados pela fiscalizada ou pelas duas empresas supracitadas representem débitos em suas contascorrentes, ou seja, não comprovam a origem dos créditos. Somente às fls. 2845 a 2941, encontramos documentos que comprovariam as origens dos créditos, pois se tratam de autorização de depósitos na contacorrente da fiscalizada, mas foram assinadas por ela e não há absoluta certeza de que foram realizadas. 3 Além disso, constatouse que as duas empresas M C Derivados do Leite Ltda. e M G de Oliveira Campos estavam em plena atividade operacional nos anoscalendário de 2000 e 2001, conforme documentos presentes nos autos. Consultando os sistemas da Receita Federal, observamos que a M G de Oliveira Campos fez DIPJ de inativa e a M C Derivados do Leite Ltda fez DIPJ simples com o faturamento zerado. Sobre esta empresa temos ainda a informação de que tem movimentação financeira (com base na CPMF) na ordem de R$ 7.000.000,00 (ano 2000) e R$2.000.000,00 (ano 2001), realizou compras da Ford e Gerdau (ano 2000), possui 10 automóveis em seu nome (ano 2000). 4 Diante destes fatos, intimamos a fiscalizada a apresentar cópia dos comprovantes bancários das transferências entre contascorrentes autorizadas pelas empresas M G DE OLIVEIRA CAMPOS, CNPJ 00.394.016/000126, e M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, CNPJ 01.745.370/000110, Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 planilha vinculando cada documento do item acima com os depósitos bancários constantes na planilha denominada "anexo do termo de intimação, justificar por que fez declaração de inativa para a empresa M G DE OLIVEIRA CAMPOS, embora na impugnação tenha apresentado documentação que comprova plena atividade operacional nos anoscalendário de 2000 e 2001, justificar por que fez declaração simplificada com faturamento zero para a empresa M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, embora na impugnação tenha apresentado documentação que comprova plena atividade operacional nos anoscalendário de 2000 e 2001, apresentar cópia do contrato social ou atos constitutivos das empresas M G DE OLIVEIRA CAMPOS, CNPJ 00.394.016/000126, e M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, CNPJ 01.745.370/000110, apresentar Livro Caixa ou Diário e Razão das empresas M G DE OLIVEIRA CAMPOS, CNPJ 00.394.016/000126, e M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, CNPJ 01.745.370/000110, referentes aos anoscalendário 2000 e 2001. 5 0 sujeito passivo solicitou por três vezes prorrogação do prazo o que foi prontamente atendido, mas até a presente data não atendeu a intimação. 6 Em face do acima exposto, constatamos que as origens dos créditos não foram comprovadas e mais, a fiscalizada desde 30/11/1999 não paga imposto de renda e suas empresas também estão à margem da tributação muito embora os fatos demonstrarem a expressiva capacidade econômicafinanceira. Por fim, solicito o encaminhamento do processo em tela à DRJ/FOR/CE, a fim de continuar com a análise e demais providências cabíveis.’ Contudo, não tendo as informações prestadas pela fiscalização sido suficientes para que fosse pronunciado o julgamento, em razão da busca da verdade material, a saber: se o contribuinte era a pessoa física da contribuinte ou as suas empresas, mais uma vez, o presente processo foi baixado em diligência junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz. Conforme Resolução DRJ/FOR n° 815, de 2007, fls. 4022/4023, encontravase em dúvida se a contribuinte poderia tratarse de interposta pessoa. Além disso, foi observado que em alguns meses do anocalendário de 2001, a contribuinte enquanto sócia da empresa M. C. Derivados do Leite Ltda autorizou o gerente do Banco Itaú S/A a transferir valores da contacorrente da empresa para contascorrentes do Banco do Brasil S/A e do Banco do Estado do Maranhão S/A de sua pessoa física, bem como autorizou outras pessoas físicas a repassarem valores para sua contacorrente. Por outro lado, observouse em uma das contascorrentes inúmeros pagamentos de cheques de pequeno valor, que mais demonstraram tratarem de pagamentos de pessoa jurídica do que de pessoa física. Assim sendo, solicitouse o seguinte: o exame dos documentos acostados aos autos pela contribuinte e o levantamento dos valores constantes nesses documentos, para verificar a correspondência com os valores lançados a débito e a crédito nas contascorrentes em questão e, elaboração de planilha Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.150 7 vinculando os documentos aos pagamentos encontrados, relativamente a cada contacorrente. Por fim, solicitouse que fossem efetuadas as diligências que se entendesse necessárias e, se fosse o caso, justificação em relatório consubstanciado da razão da não aceitação como origem dos depósitos bancários sob lide. Em atendimento, a Fiscalização efetuou um trabalho minucioso e esclarecedor, conforme exposto no Termo de Encerramento de Diligência, fls. 4026/4.063, o qual será comentado no Voto.” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE julgou o lançamento procedente (fls. 17 a 29 – Vol. 21), nos termos da ementa a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de I o de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do acórdão de primeira instância em 24/06/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 33 – Vol. 21), a Interessada interpôs, em 25/07/2011, o Recurso de fls. 34 a 45 do Vol. 21, juntamente com a documentação de fls. 46 a 70 do mesmo Volume, alegando, em suma, preliminarmente: a) nulidade do lançamento, por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, haja vista que não houve o regular andamento dos “Lançamentos fiscais”; b) ocorrência de prescrição intercorrente; Quanto ao mérito, afirma que não foi beneficiária de todos os valores que transitaram em suas contas nos exercícios 2000 e 2001, tendo apenas intermediado transações de terceiros com o propósito de ajudar pessoas de parco conhecimento, que sequer tinham contas em banco para movimentar quantias oriundas da venda de seus produtos. Cita decisões administrativas que seriam favoráveis a esse entendimento. Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Diante do exposto requer o acolhimento das preliminares suscitadas e a conseqüente anulação do débito fiscal. Caso assim não se entenda, que sejam acatadas as razões de mérito e julgado procedente o Recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DAS PRELIMINARES Registrese, inicialmente, que o lançamento foi realizado em perfeita consonância com os ditames legais. A descrição dos fatos foi feita de forma detalhada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 50 a 72 do Vol. 3II, parte integrante do auto de infração, tendo sido esclarecidos os fatos que resultaram na infração apurada, assim como as provas que fundamentaram a autuação e a base legal correlata. Tanto é verdade que a impugnação apresentada evidencia a plena compreensão e entendimento da Contribuinte acerca da infração que lhe foi imputada, o que pressupõe a inexistência de prejuízo ao direito de defesa. O lançamento em questão obedeceu a todos os requisitos previstos no art. 142, caput, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” A infração apurada teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.151 9 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (valores alterados pela Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Cumpre informar que, em conformidade com o que estabelece o caput do artigo acima, a Contribuinte foi intimada (Termo de Intimação Fiscal de fls. 15 do Vol. 3II) a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas correntes e poupança durante os anos de 2000 e 2001, sendo que tais valores foram especificados individualmente pela fiscalização (Anexo do Termo de Intimação de fls. 16 a 35 do Vol. 3II). Não houve resposta a essa intimação. Convém ressaltar que o auto de infração em questão obedeceu a todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Ademais, não se encontram presentes quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzidos, que ensejariam a nulidade do referido lançamento. “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” Por fim, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, os princípios do contraditório e da ampla defesa devem estar presentes a partir da fase impugnatória, momento em que se instaura o litígio. Até então, no curso do procedimento de fiscalização, estamos diante de uma fase inquisitória, em que não há que se falar em obediência aos citados princípios. Quanto à alegação de ocorrência de prescrição intercorrente, este Conselho, por intermédio da Súmula CARF nº 11, transcrita a seguir, pacificou o entendimento, no sentido de que esse instituto não se aplica ao processo administrativo fiscal. “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” É importante destacar que as Súmulas editadas pelo CARF são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme disposto no caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, que assim dispõe: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Assim, tornase dispensável tecer maiores comentários sobre a matéria. Diante do exposto rejeito as preliminares suscitadas. DO MÉRITO Cumpre assinalar, inicialmente, que, de acordo com o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, foram incluídos nos depósitos bancários lançados valores relativos a transferências entre contas correntes da mesma titularidade da Contribuinte, o que não é permitido, conforme disposto no inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Tais valores estariam discriminados nos quadros elaborados nos itens 14 e 15 daquele Termo, que contêm, também, transferências de contas correntes de terceiros para a Recorrente. Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.152 11 Consultando, nos extratos bancários apresentados, os valores listados nos quadros elaborados nos itens 14 e 15 do citado Termo de Encerramento de Diligência, constatei que aqueles listados no quadro 14 se referem a transferências de terceiros. Entretanto, dos depósitos discriminados no quadro 15, aqueles cujo número do documento termina em 1217 foram oriundos da conta corrente nº 1.2173, Agência 37052, e aqueles em que o número do documento termina em 5048 foram originários da conta corrente nº 5.0482, Agência 1342 0, ambas as contas de titularidade da Interessada. Logo se tratam de créditos relativos a transferências em terminal eletrônico entre contas correntes da mesma titularidade da Recorrente, que não podem ser considerados para efeito de determinação da receita omitida, por expressa disposição legal. Tais valores estão especificados no quadro abaixo. data do depósito conta corrente depositada valor 18/01/2000 5.0482 500,00 20/01/2000 1.2173 1.000,00 21/01/2000 1.2173 500,00 21/01/2000 1.2173 1.000,00 24/01/2000 1.2173 1.220,00 25/01/2000 1.2173 2.660,00 25/01/2000 1.2173 1.000,00 31/01/2000 1.2173 3.000,00 31/01/2000 1.2173 2.000,00 31/01/2000 1.2173 1.000,00 31/01/2000 1.2173 1.000,00 01/02/2000 1.2173 500,00 02/02/2000 1.2173 2.500,00 09/02/2000 1.2173 2.000,00 09/02/2000 1.2173 500,00 09/02/2000 1.2173 200,00 09/02/2000 1.2173 300,00 10/02/2000 1.2173 660,00 11/02/2000 1.2173 1.000,00 14/02/2000 1.2173 1.000,00 14/02/2000 1.2173 1.000,00 15/02/2000 1.2173 650,00 24/02/2000 1.2173 140,00 25/02/2000 1.2173 1.000,00 28/02/2000 1.2173 1.000,00 28/02/2000 1.2173 200,00 29/02/2000 1.2173 1.000,00 02/03/2000 1.2173 1.000,00 08/03/2000 1.2173 850,00 08/03/2000 1.2173 1.000,00 10/03/2000 1.2173 700,00 10/03/2000 1.2173 790,00 13/03/2000 1.2173 3.500,00 13/03/2000 1.2173 950,00 14/03/2000 1.2173 500,00 15/03/2000 1.2173 6.200,00 15/03/2000 1.2173 1.000,00 15/03/2000 1.2173 100,00 16/03/2000 1.2173 1.700,00 Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 17/03/2000 1.2173 100,00 20/03/2000 1.2173 1.000,00 28/03/2000 1.2173 1.000,00 28/03/2000 1.2173 328,30 29/03/2000 1.2173 10.000,00 30/03/2000 1.2173 900,00 31/03/2000 1.2173 2.000,00 03/04/2000 1.2173 450,00 06/04/2000 1.2173 1.000,00 10/04/2000 5.0482 1.000,00 17/04/2000 1.2173 100,00 17/04/2000 1.2173 1.000,00 24/04/2000 1.2173 5.800,00 25/04/2000 1.2173 1.800,00 26/04/2000 1.2173 453,00 26/04/2000 1.2173 300,00 02/05/2000 1.2173 230,00 04/05/2000 1.2173 2.800,00 08/05/2000 1.2173 3.000,00 08/05/2000 1.2173 1.000,00 09/05/2000 1.2173 3.800,00 10/05/2000 1.2173 450,00 11/05/2000 1.2173 500,00 15/05/2000 1.2173 300,00 15/05/2000 1.2173 300,00 15/05/2000 1.2173 4.900,00 15/05/2000 1.2173 200,00 19/05/2000 1.2173 5.550,00 24/05/2000 1.2173 1.000,00 25/05/2000 1.2173 2.400,00 30/05/2000 1.2173 8.000,00 06/06/2000 1.2173 3.000,00 20/06/2000 1.2173 8.500,00 20/06/2000 1.2173 950,00 26/06/2000 1.2173 2.000,00 30/06/2000 1.2173 3.000,00 05/07/2000 1.2173 1.000,00 07/07/2000 1.2173 1.500,00 11/07/2000 1.2173 8.000,00 12/07/2000 1.2173 7.900,00 27/07/2000 1.2173 3.500,00 27/07/2000 1.2173 700,00 28/07/2000 1.2173 7.550,00 02/08/2000 1.2173 13.500,00 03/08/2000 1.2173 4.100,00 04/08/2000 1.2173 4.500,00 04/08/2000 1.2173 1.100,00 14/08/2000 1.2173 6.000,00 21/08/2000 1.2173 3.300,00 23/08/2000 1.2173 5.500,00 23/08/2000 1.2173 1.020,00 28/08/2000 1.2173 1.050,00 28/08/2000 1.2173 100,00 Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.153 13 01/09/2000 1.2173 100,00 04/09/2000 1.2173 3.700,00 04/09/2000 1.2173 400,00 06/09/2000 1.2173 2.000,00 08/09/2000 1.2173 5.500,00 08/09/2000 1.2173 2.000,00 11/09/2000 1.2173 250,00 12/09/2000 1.2173 5.200,00 13/09/2000 1.2173 5.250,00 15/09/2000 1.2173 5.000,00 15/09/2000 1.2173 2.000,00 18/09/2000 1.2173 4.000,00 20/09/2000 1.2173 3.000,00 20/09/2000 1.2173 1.010,00 21/09/2000 1.2173 4.500,00 21/09/2000 1.2173 1.000,00 25/09/2000 1.2173 1.500,00 27/09/2000 1.2173 5.200,00 27/09/2000 1.2173 1.100,00 27/09/2000 1.2173 100,00 02/10/2000 1.2173 500,00 02/10/2000 1.2173 10.500,00 16/10/2000 1.2173 10.000,00 01/11/2000 1.2173 6.400,00 03/11/2000 1.2173 670,00 08/11/2000 1.2173 130,00 08/11/2000 1.2173 1.200,00 09/11/2000 1.2173 900,00 10/11/2000 1.2173 1.000,00 01/12/2000 1.2173 2.900,00 01/12/2000 1.2173 1.000,00 04/12/2000 1.2173 420,00 04/12/2000 1.2173 1.050,00 04/12/2000 1.2173 260,00 06/12/2000 1.2173 1.000,00 12/12/2000 1.2173 1.000,00 13/12/2000 1.2173 1.100,00 21/12/2000 1.2173 30.000,00 21/12/2000 1.2173 1.000,00 21/12/2000 1.2173 1.000,00 27/12/2000 5.0482 6.000,00 28/12/2000 1.2173 3.860,00 TOTAL 330.951,30 02/01/2001 5.0482 1.000,00 03/01/2001 1.2173 5.000,00 10/01/2001 1.2173 200,00 11/01/2001 1.2173 1.000,00 19/01/2001 1.2173 1.000,00 30/01/2001 1.2173 500,00 01/02/2001 1.2173 3.000,00 05/02/2001 1.2173 1.000,00 Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 05/02/2001 1.2173 500,00 08/02/2001 1.2173 1.000,00 12/02/2001 1.2173 1.010,00 15/02/2001 1.2173 1.000,00 01/03/2001 1.2173 9.000,00 02/03/2001 1.2173 1.000,00 TOTAL 26.210,00 Também não podem ser considerados como omissão de rendimentos os seguinte valores depositados, oriundos de DOC CRÉDITO AUTOMÁTICO efetuados pela própria Contribuinte, que se encontram discriminados na planilha relativa ao item 13 do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, a saber: data do depósito valor 12/06/2000 1.985,00 20/06/2000 2.000,00 21/09/2000 5.000,00 TOTAL 8.985,00 Diante do exposto devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento os montantes de R$ 339.936,30, relativo ao anocalendário de 2010, e R$ 26.210,00, relativo ao anocalendário de 2001. A omissão de rendimento ou de receita dos valores depositados em conta bancária, para os quais o contribuinte não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, tratase de uma presunção legal, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que, somente pode ser elidida mediante documentação hábil e idônea, sendo que o ônus da prova é do interessado. Para que seja considerada comprovada a origem dos recursos não basta somente a identificação do depositante, é necessário que haja vinculação, de forma individualizada, entre as provas apresentadas e os depósitos para os quais foi exigida a comprovação de suas origens. Essa vinculação não se faz mediante meras alegações, mas sim com a demonstração de que os documentos carreados aos autos dizem respeito às aludidas operações bancárias. Ademais, nesta instância recursal, para que determinados depósitos sejam excluídos da base de cálculo do lançamento, além de ser obrigatória a comprovação de sua origem, é necessário, também, que seja demonstrado que as respectivas operações não sejam passíveis de tributação. Entendo que quando o contribuinte, no curso da ação fiscal, não atende as intimações para comprovar a origem dos depósitos lançados, como no caso em pauta, somente efetuando a prova em sede de impugnação ou de recurso voluntário, não há como descaracterizar as operações comprovadas, que sejam passíveis de tributação na pessoa física, de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada para tributação de forma específica, em virtude de esse fato não ter sido levado ao conhecimento da fiscalização pelo contribuinte. Assim, não haveria como a fiscalização efetuar o lançamento se não como foi feito. Por intermédio da Resolução nº 815/2007 (fls. 170 a 172 do Vol. 20), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE encaminhou o presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz – MA para a adoção das seguintes providências: “• Examinar os documentos acostados aos autos pela contribuinte e efetuar levantamento dos valores constantes Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.154 15 nesses documentos, verificando a correspondência com os valores lançados a débito e a crédito nas contascorrentes em questão. Elaborar planilha vinculando os documentos aos pagamentos encontrados, relativamente a cada contacorrente. • Proceder às diligências que entender necessárias e, se for o caso, justificar em relatório consubstanciado a razão da não aceitação dos documentos como origem dos depósitos bancários, objeto da lide.” Em atendimento à solicitação acima, foi realizada a diligência que resultou no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, cabendo destacar as seguintes constatações resultantes daquele procedimento: a) inúmeros pagamentos constantes das contas correntes da Contribuinte referemse a despesas pessoais, conforme planilhas de fls. 184 a 194 (vol. 20); b) embora constem documentos expedidos pela empresa M. C. Derivados do Leite Ltda, CNPJ 01.745.370/000110 autorizando a emissão de DOC em favor da Recorrente, não há como identificar o que motivou tais depósitos, ou seja, a que operações se referem; c) a vinculação de que os desembolsos posteriores foram realizados com recursos relativos às autorizações para DOC, conforme planilha de fls. 03 e 04 (Vol. 21), é sobremaneira duvidosa, devido à não coincidência de datas entre os créditos e débitos; d) os valores que estão sendo indicados supostamente como de propriedade da empresa da Contribuinte representam 1,63% do montante total sob questionamento no procedimento fiscal; e) a Contribuinte também alega na impugnação que sua DIRPF é expressão da verdade, sendo pessoa simples que nada tem, mas depreendese pelas informações fornecidas pelos bancos que a mesma é sóciaproprietária de uma empresa (Cadastro Banco do Brasil, fls. 118 do Vol. 1); possui ainda 95% de participação na empresa M C Derivados do Leite Ltda (fls. 120 do Vol. 1), informação não declarada à RFB em DIRPF. Não apresentou a DIRPF 2001, embora seja obrigada; f) ainda pela análise das informações bancárias (Cadastro do Banco do Brasil, fls. 119 do Vol. 1), depreendese que a Contribuinte não declarou os títulos de capitalização e poupança; não declarou os 314 bens semoventes no valor de R$ 85.000,00; um Imóvel Urbano de área 4.380,20 m2 (UF: Pará); a Fazenda Marília de 484,84 ha no valor de R$ 242.000,00; g) a Contribuinte, conforme extrato, tem investimento em poupança (fls. 24 do Vol. 3) e título de capitalização (Ourocap BB), (PIC Plano Itaú de Capitalização, fls. l13 do Vol. 1), não declarados; Fl. 4161DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 h) conforme DOI, a contribuinte comprou o imóvel na Rua Pioneiros, n° 510, Rondon do Pará, de 403 m2 , matrícula 2.806, no ano de 2000. Verificase, portanto, que, não obstante o esforço dispendido pela fiscalização para efetuar a vinculação entre os créditos e débitos nas contas correntes auditadas, de modo a comprovar a alegação da Recorrente, de que os depósitos lançados seriam provenientes de intermediação de venda de leite, a conclusão da diligência fiscal foi de que os documentos carreados aos autos não são hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos lançados. Convém ressaltar que o ônus de elidir a presunção legal relativa à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada é do contribuinte. No caso em apreço a Interessada não se deteve em demonstrar a vinculação entre os créditos e débitos, em suas contas bancárias de forma individualizada, com vistas a comprovar que os valores depositados seriam referentes à intermediação de venda de queijo e leite, e que teriam sido repassados aos produtores. Cabe destacar que a Recorrente foi intimada, nesse sentido, na fase de fiscalização e também por meio de diligência solicitada pela DRJ/Fortaleza, conforme Termo de Encerramento de Diligência de fls. 168 e 169 do Vol. 20. O órgão julgador de primeira instância solicitou diligência fiscal com o intuito de investigar se havia procedência na alegação da Recorrente e, como informado acima, o resultado foi desfavorável à Interessada. Em seu recurso, ao invés de contestar o resultado da diligência e procurar demonstrar que os depósitos possuíam origem comprovada, ela se limitou a reiterar a alegação exposta na impugnação. O fato de haver suposta correlação entre pagamentos efetuados por meio de cheques com recibos de compra de leite, conforme planilha relativa ao item 4 Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, não tem o condão, por si só, de comprovar que tais operações referemse à intermediação de compra e venda de queijo e leite. Para que esse fato restasse comprovado, seria necessário que a Recorrente provasse, por intermédio de documentação hábil e idônea, que houve o repasse desse numerário pelo suposto comprador dos produtos, haja vista que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 exige que seja comprovada a origem dos depósitos, e não o destino dos débitos constantes das contas bancárias. Quanto às autorizações da pessoa jurídica M. C. Derivados do Leite Ltda para emissão de DOC tendo a Contribuinte como favorecida (fls. 23 a 118 do Volume 15), referentes ao período de junho a dezembro de 2001, tais documentos apenas comprovam que os respectivos valores foram oriundos daquela empresa. Não há qualquer menção, na documentação, de que os recursos foram transferidos para a conta bancária da Recorrente para que esta repassasse os valores a terceiros, e que são referentes a operações de compra e venda de leite e queijo envolvendo aquela empresa e terceiros. Assim não há como acatar que os recursos repassados pela empresa M. C. Derivados do Leite Ltda tiveram sua origem comprovada. Assim, diante do conjunto probatório existente nos autos e, com fulcro no disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, que faculta à autoridade julgadora formar livremente sua convicção, na apreciação da prova, entendo que não restou comprovada a origem dos depósitos bancários lançados como omissão de rendimentos, com exceção daqueles decorrentes de transferência entre contas correntes da mesma titularidade da Recorrente. Por fim, cumpre assinalar que, com exceção das matérias sobre as quais existe súmula, o que não ocorreu neste caso, as demais decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.155 17 pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Diante do exposto voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os montantes de R$ 339.936,30, relativo ao anocalendário de 2000, e R$ 26.210,00, relativo ao anocalendário de 2001. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.010054/2003-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 02/01/1994 a 30/09/2000
CREDITO PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA.
Possuindo natureza de benefício fiscal, o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 02/01/1994 a 30/09/2000 CREDITO PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA. Possuindo natureza de benefício fiscal, o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 00 54 /2 00 3- 00 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.113 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em 06 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 0937.488, de 28 de outubro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 354 a 372), que, relativamente a pedido de ressarcimento de Crédito Prêmio de IPI dos períodos de janeiro de 1994 a dezembro de 2000, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. Indeferese a solicitação de créditoprêmio do IPI relativo a período não mais abrigado por este benefício fiscal em razão do entendimento administrativo de que o mesmo vigorou somente até 30/06/1983 conforme a legislação tributária aplicável. Também pela extinção do benefício manifestouse o STF no julgamento dos RE nº 577.302/RS, nº 561.485/RS e nº 577.348/RS que tiveram a repercussão geral da matéria reconhecida , pacificando o entendimento de que o crédito prêmio de IPI, instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do ADCT, tendo em vista a sua natureza setorial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 02/01/1994 a 30/09/2000 CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INAPLICABILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre créditos decorrentes do incentivo fiscal em pauta, notadamente se inexiste o direito material, em razão de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 14 de outubro de 2003 e apreciado inicialmente pelo despacho decisório de fl. 42, com base no Parecer de fl. 41. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Versa o presente processo sobre o pedido de ressarcimento relativo ao crédito prêmio de IPI referente ao art. 1º do Decreto lei nº 491, de 5 de março de 1969, formalizado em 04/10/2003 (fl. 04 ), no valor total de R$504.552.433,50, que inclui o principal e acréscimos, conforme indicado nas planilhas de apuração de fls. 05/15 e no arrazoado de fls. 64/70. A análise do pleito, dada pelo despacho decisório de fl. 80, proferido pela DRFCuiabá com base no parecer de fl. 78, resultou no indeferimento do pedido de ressarcimento, sob o Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.114 3 fundamento de que o art. 1º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 226, de 18 de outubro de 2002, estabelecia que o pedido de ressarcimento cujo direito creditório alegado tivesse por base o crédito prêmio instituído pelo Decretolei nº 491, de 1969, seria liminarmente indeferido. Cientificada do indeferimento pela via postal em 11/10/2004 (conforme o AR juntado à fl. 90) a interessada manifestou a sua inconformidade de fls. 92/170 em 04/11/2004, na qual aduziu, em síntese, que: o benefício o crédito prêmio de IPI previsto no art. 1º do Decretolei (DL) nº 491, de 1969, continuava em válido, vigente e eficaz, porquanto: i) a revogação estabelecida pelo art. 41, § 1º, do ADCT da Carta Magna de 1988, atingia apenas incentivos “setoriais”, cuja natureza era específica e o caráter, restritivo, não se aplicando, assim, ao crédito prêmio de IPI, que se dirigia, indistintamente, a todo o território nacional; ii) o art. 1º da Lei nº 8.402, de 1992, havia restaurado benefícios revogados, mas tratava o crédito prêmio de IPI à parte, no § 1º do art. 1º, justamente porque tal benefício não estava revogado; iii) ainda que se cogite que o art. 41, § 1º, do ACT tenha revogado o crédito prêmio de IPI, a Lei nº 8.402, de 1992, nos seus art. 1º, § 1º, e arts. 2º e 3º, restaurava incentivos à exportação, como os do art. 3º do DL nº 1.248, de 1972, que versava sobre o crédito prêmio de IPI previsto no DL nº 491, de 1969; o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo de ementas transcritas (fls. 134/144), eram convergentes na interpretação favorável ao direito de utilização atual do crédito prêmio de IPI; o direito ao beneficio em tela abrangia as exportações de produtos industrializados, quer fossem tributados pelo IPI com alíquota positiva na TIPI, quer tivessem alíquota zero, quer fossem isentos ou não tributados (NT), conforme os ditames normativos do ordenamento jurídico pátrio que não foram declarados inconstitucionais; os valores do crédito prêmio a que a requerente fazia jus deviam ser acrescidos de correção monetária e juros, nos moldes fixados pela Lei e Tribunais, desde a data do benefício devido. Ao final, requereu que a ciência do resultado do julgamento fosse encaminhada aos subscritores da peça de inconformidade, para fins de acompanhamento processual. Remetidos os autos a esta DRJJuiz de Fora para apreciação da manifestação de inconformidade, entendeu o Presidente desta 3ª Turma de Julgamento (Despacho da Presidência de fls. 182/184) pela impossibilidade de análise pela DRJ por falta de competência em razão do disposto no Ato Declaratório SRF nº 31, de 30 de março de 1999, no sentido de que o crédito prêmio não se enquadrava nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação (em relação aos quais se estabeleceu a competência das DRJ expressa no art. 224 da Portaria MF nº Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.115 4 30, de 2005). Sugeriu, ainda, a via de acesso aberta pela Lei nº 9.784, de 1999, que estatuiu a possibilidade de apresentação do chamado recurso hierárquico (arts. 56 a 65). Assim, retornaram os autos à DRFCuiabá e, posteriormente, à DISIT/SRRF/1ª RF para apreciação, do que resultou o parecer de fls. 326/338, que concluiu, em síntese, pela competência da DRJ para análise da manifestação de inconformidade. A DRJJuiz de Fora, por meio do Despacho da Presidência da 3ª Turma, de fls. 342/344, mantevese reticente na negativa de proferir juízo administrativo sobre pedidos de restituição, ressarcimento ou compensação que estivessem vinculados ao crédito prêmio de IPI tratado no art 1º do Decretolei nº 491, de 1969. Foram, então, encaminhados os autos à COSIT para dirimir o conflito negativo de competência instaurado, resultando daí o Parecer Cosit nº 70, de 12 de agosto de 2011, aprovado pelo Sr. Subsecretário de Tributação e Contencioso da Receita Federal do Brasil , cuja conclusão e ementa expuseram, respectivamente, o seguinte: “Em face do acima exposto, propõese que o conflito apresentado seja solucionado para declarar a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, observada a competência territorial e por matéria definida na Portaria RFB nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, competente para apreciar a manifestação de inconformidade (...), seguindose a tramitação de julgamento estabelecida no Decreto nº 70.235, de 1972.” “Conflito Negativo de Competência. Manifestação de Inconformidade. Competência para Julgamento. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais de manifestação de inconformidade do sujeito passivo sobre a aplicação da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativamente ao créditoprêmio.” Nestes termos retornaram os autos a esta DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. No recurso, a Interessada expôs a evolução histórica da matéria, analisou a questão de se tratar ou não de incentivo setorial, tratou da interpretação da Lei n. 8.402, de 1992, e das operações e produtos beneficiados pelo crédito e requereu a incidência de correção monetária e juros de mora sobre os valores. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.116 5 O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso, que trata de matéria pacificada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, adoto o voto do Eminente Conselheiro Alexandre Gomes, pronunciado no Recurso Voluntário no 251.162: O créditoprêmio de IPI foi uma forma de incentivo fiscal instituído pelo DecretoLei 491/69, tendo por objetivo incentivar as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados a inserção no mercado exterior. Neste diapasão, assim estabelece o artigo 1° do referido diploma legal: “As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão a título de estímulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente.” Referido incentivo permaneceu inalterado até ao advento do DecretoLei no 1.248/72, que estendeu este benefício fiscal a empresa comercial exportadora que possui como finalidade a exportação, por sua conta, de produtos adquiridos no mercado interno. Com isso, o fabricante de produtos manufaturados que exportasse de forma direta, indireta por sua conta e ordem ou de forma indireta utilizando a empresa comercial exportadora, teria direito ao créditoprêmio de IPI. Com o advento do Decreto Lei 1.658/79, estabeleceuse um cronograma de redução gradual do incentivo, até a sua total extinção, prevista para 30.06.83. Este cronograma foi alterado pelo Decreto Lei 1.722/79 que modificou os percentuais de redução gradual, porém não modificou o prazo final do beneficio, ou seja, 30.06.83. A partir do Decreto Lei 1.724/79 e do Decreto Lei 1.894/81, delegouse ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para aumentar, reduzir de forma temporária ou definitiva ou ainda extinguir os benefícios do Decreto Lei 491/69. Com base nos decretos 1.724/79 e 1.894/81, o Ministro da Fazenda prorrogou a vigência do credito prêmio de IPI até 01/05/1985. (Portarias 252/82 e 176/84), sendo que posteriormente o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade de parte das normas citadas, no que diziam respeito à possibilidade de redução, temporária ou definitiva, ou de extinção dos benefícios. A este respeito o Senado Federal editou Resolução cujo teor era o seguinte: “Art. 1o É suspensa a execução, no art. 1o do DecretoLei no 1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão ‘ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir’, e, no inciso I do art. 3o do DecretoLei no 1.894, de 16 de dezembro de 1981, das expressões ‘reduzilos’ e ‘suspendêlos ou extinguilos’, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.117 6 preservada a vigência do que remanesce do art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969. O referido crédito de IPI tem sido fonte de grande controvérsia tanto na doutrina quanto na jurisprudência administrativa e judicial, principalmente em relação à continuidade ou não do direito a utilização dos referidos créditos no decorrer dos anos. Após inúmeras reviravoltas o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento no sentido de que o direito ao crédito prêmio de IPI somente teria vigorado até outubro de 1990, senão vejamos: “TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1o). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. “1. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1o do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1o do Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1o do DL 1.724/79 e do art. 3o do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. “2. A segunda orientação sustenta que o art. 1o do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.0 6.83, foi restaurado sem por prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1o do ADCT. “3. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1o do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5o do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1o. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.118 7 “4. Prevalência do entendimento segundo o qual o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. “5. No caso concreto, a pretensão da inicial diz respeito a exportações realizadas após 04.10.90, o que, nos termos do entendimento majoritário, determina a sua improcedência. “6. Recurso especial a que se nega provimento”. (Resp 652.379 RS (2004/00532359) Relator Ministro Teori Albino Zavascki) Do voto vogal proferido pela eminente Ministra Eliana Calmon em relação à questão da manutenção do benefício, cumpre destacar a seguinte citação de outro julgado seu: “Entendo, com a devida vênia do relator, que não mais se deu a extinção na data aprazada, por força do DL 1.894/81, o que se comprova pela legislação interna do próprio Ministério da Fazenda, haja vista a Instrução Normativa SRF 21, de 13 de março de 1985, disciplinadora das saídas de produtos contendo insumos importados sob o regime de ‘drawback’ ao estabelecer no item 6: “As remessas de produtos realizados nos termos dessa Instrução Normativa não propiciam aos fabricantes intermediários afirmação do crédito financeiro às exportações de que trata o art. 1º do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969. “Ora, se houve a extinção em 30/06/83, como explicar a existência de uma norma interna da Fazenda, em março de 1985, reportandose ao incentivo?” Sobre os efeitos da Resolução do Senado e das decisões do STF, o Professor Clèmerson Merlin Clève1 assim concluiu: “Portanto, a Resolução no 71/05 cingiuse, como deveria, aos termos do juízo de inconstitucionalidade exarado nos arestos do Excelso Pretório, suspendendo a execução tão somente dos vocábulos declarados inconstitucionais, de sorte a não estar suspenso o que remanesce dos DecretosLeis, mormente o efeito que conduz ao reconhecimento da subsistência do crédito de IPI. Razão pela qual o Senado Federal não extrapolou sua competência, tampouco afrontou a harmonia dos poderes consagrados pela Constituição. “A partir destes argumentos, entendo que não houve a extinção do referido benefício em 1983, e que este passou a vigorar sem prazo determinado.” Por outro lado encontro outro óbice a utilização do referido benefício fiscal no caso sob análise. Do voto da Ministra Eliana Calmon, transcrevo: 1 Artigo publicado no endereço http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7098. Resolução nº 71/2005 so Senado Federal e créditoprêmio do IPI. Autores: Clèmerson Merlin Clève, Melina Breckenfeld Reck e Alessandra Ferreira Martins. 01/2006. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.119 8 “O primeiro diz respeito à classificação do créditoprêmio do IPI. Não tenho dúvida em qualificálo como incentivo ao setor de exportação. Afinal, pretendeu o Governo fortalecer as empresas exportadoras para, dessa forma, equilibrar a balança comercial. Não vejo como afastar a classificação do incentivo, anotando que, à míngua de lei posterior revalidando o benefício, não mais se pode falar em manutenção do créditoprêmio do IPI, após a data prevista pelo artigo 41, § 1o, do ADCT, ou seja, outubro de 1990.” A Resolução do Senado nada mais fez do que repetir em seu texto o que fora dito pelo Supremo, retirando as expressões grifadas e, mantendo o dispositivo tal qual publicado. Acrescentese apenas que, ao final do seu artigo 1o, a Resolução consignou uma referência indevida ao consignar: “‘.....preservada a vigência do que remanesce do art. 1o, do Decretolei no 495, de 05 de março de 1969’ Ora, nada foi alterado, afinal já sabíamos, nos julgadores, desde o julgamento do Supremo, em 2001, qual a inconstitucionalidade por ele encampada, diante da antecedente declaração pelas instâncias ordinárias, em todos os Tribunais Regionais Federais, com exceção do TRF 4a Região. “Com a inconstitucionalidade da delegação por ato normativo menor, permaneceu integralmente composta a norma que deu vida ao benefício questionado, revalidandoo, o Decretolei 1.894/81. “A alegação em torno da nova posição da querela, após a Resolução do Senado, é apenas o mote para reabrir uma questão que já se apresentava sedimentada no âmbito do STJ. “Não quero parecer indisciplinada na condução do meu entendimento, mas quero pedir a compreensão dos jurisdicionados e dos meus pares para o fato de que é esta a primeira vez que venho à Seção para expressar o meu entendimento sobre o tema jurídico proposto, o que não me obriga a votar acompanhando a maioria. Afinal estou convencida de que o créditoprêmio do IPI não se esvaiu como previsto no Decretolei 1.724/79, pois veio a ser revigorado pelo Decretolei 1894/81, até quando se extinguiu definitivamente, passados dois anos da Constituição Federal, em outubro de 1990. Esta é a tese que consagro.” No mesmo sentido: “TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOPRÊMIO EXTINÇÃO EM 4.10.1990 PACIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO ERESP 738.689/PR PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. “1. A Primeira Seção deste Tribunal, na assentada de 27.6.2007, em julgamento do EREsp 738.689/PR, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, pacificou o entendimento no sentido de que o referido benefício fiscal foi extinto em 4.10.1990, por força do Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.120 9 art. 41, § 1o, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, segundo o qual considerarseão ‘revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei’. Assim, por constituirse o créditoprêmio de IPI em benefício de natureza setorial (já que destinado apenas ao setor exportador), e não tendo sido confirmado por lei, fora extinto no prazo a que alude o ADCT. “2. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1o do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes da Primeira Seção. “Agravo regimental improvido” (AgRg nos EREsp. No 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008). Conforme se verifica do voto e do acórdão acima transcritos, com o quais coaduno, o credito prêmio de IPI instituído pelo Decreto Lei 491/69 possui natureza de beneficio fiscal de natureza setorial (setor exportador) e por isto estaria sujeito aos ditames do art. 41, § 1o, do ADCT, que assim determinava: “Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. “§ 1º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei.” Passados dois anos da entrada em vigor da Constituição Federal de 1988, não tendo corrido a confirmação do benefício concedido, considero o extinto a partir de 05 de outubro de 1990. O Pleno do Supremo Tribunal Federal em decisão recente acabou com as discussões relativas ao assunto, como vemos: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1o). ADCT, ART. 41, § 1o. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. “I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. “II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.121 10 Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1o do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. “III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1o do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1o do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. “IV Recurso conhecido e desprovido.” (RE 577348 Relator: Ministro Ricardo Lewandwski. Data Julgamento 13/08/2009) À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10240.000827/2007-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007
Ementa:
COMPENSAÇÃO
Impossível compensar crédito inexistente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando
lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes
a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS.
Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento.
Numero da decisão: 2403-001.196
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a
redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei
no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007 Ementa: COMPENSAÇÃO Impossível compensar crédito inexistente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 486 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0110.130 da 4ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n°37.064.1205, contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 49/56, referese às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros, tendo como fato gerador o exercício de atividade remunerada, prestada por segurados empregados e contribuintes individuais, no valor consolidado em 25/04/2007 com juros e multa à época do lançamento de R$638.733,77 (seiscentos e trinta e oito mil, setecentos e trinta e três reais e setenta e sete centavos), correspondente ao período 11/2006 a 01/2007. Diz repeito aos seguintes estabelecimentos: matriz e as filiais 000219, 000308, 000480, 000561, 000642, 000723, 001100 e 001290. 2. Narra o Relatório Fiscal que o não recolhimento ou a recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, originouse de compensações realizadas pelo Sujeito Passivo com direitos creditórios adquirido da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda, CNPJ no 42.361.972/000151. Tal crédito foi adquirido por meio da Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Serviço Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de São João Novo, no município de São Roque (SP). 3. O presente crédito é constituído dos seguintes levantamentos: • FPG (Folha de Pagamento Declarada em GFIP): referemse às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes das folhas de pagamento e declaradas pelo Sujeito Passivo em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP; Fl. 494DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • FLG ( Folha de Pagamento Declarada em GFIP — Filial Transportadora) referemse às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e declaradas pelo Sujeito Passivo em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. 4. Às fls. 57/155, o Auditor Fiscal notificante junta o "Demonstrativo das Remunerações e Descontos dos Segurados", que discrimina mensalmente os valores da remuneração total e da remuneração declarada em GFIP dos respectivos segurados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde aborda, em síntese, os seguintes pontos: • Compensação; • Multa; • SELIC; • Imprecisão e divergência nos levantamento; • Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 487 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. COMPENSAÇÃO Esse é o cerne da questão. O não recolhimento ou a recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, originouse de compensações realizadas pelo Sujeito Passivo com direitos creditórios adquirido da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda, CNPJ no 42.361.972/000151. Tal crédito foi adquirido por meio da Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Serviço Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de São João Novo, no município de São Roque (SP). A recorrente afirma que tudo está regular, tanto a aquisição do direito creditório quanto a compensação. Consta do Relatório Fiscal que efetivamente a empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda logrou êxito na ação ordinária n.° 94.00493690, que tramitou perante a 24ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, no que diz respeito ao valores indevidamente recolhidos ao INSS, na sistemática da Lei 7.787/89 e da Lei 8,212/91. Registro que existiam condições restritivas à livre negociação dos direitos creditórios. 6.1. A Servport ingressou com Ação Ordinária junto à 24' Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, sob o n° 94.00493690, com o objetivo de declarar nula a exigência da contribuição previdenciária sobre a remuneração de administradores, autônomos e avulsos instituída pela Lei n°7.787/1989, em seu art. 3°, e mantida pela Lei n°8.212/1991, em seu art. 22, inciso!. Este Processo transitou em julgado em 01/04/2002, e possui decisão proferida pelo M.M. Juiz Federal Washington Juarez de Brito Filho, em 12104/2004, com o seguinte conteúdo, in verbis: "De todo o exposto, DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os Fl. 496DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 direitos crediticios expressos no acórdão de fls. 4815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidos aos autos, dispensandolhe de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios, assim como a existência e liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação, assim considerados aqueles cuja data de vencimento seja posterior à de prolação do referido acórdão, não havendo que se respeitarem os direitos de terceiros sub judice mencionados na findamentação." (grifo nosso) Como a decisão acima remete ao Novo Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), reproduzimos os dois artigos citados: Art 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. (grifamos) Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. Transcrevemos, a seguir, mais um trecho da decisão proferida em 12/04/2004, acima citada: "[...] Não é necessária a liquidação do julgado em sede judicial, uma vez que demandaria apenas cálculos, que poderiam ser trazidos junto à peça inicial da execução. Em havendo a opção pela esfera administrativa, caberá à autoridade fiscal realizálos, ratificando a compensação efetivada pelo cessionário, ou, caso contrário, lançando de oficio a diferença a maior de imposto apurado." (grifo nosso) Também consta a cessão e transferência dos direitos creditórios entre as duas empresas. Ocorre que o acórdão recorrido é claro em demonstrar que o Direito Creditório adquirido pela recorrente não existe e isso põe por terra a tese da recorrente. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 488 7 14. Depreendese, então, que cedente e cessionária não atentaram que a decisão proferida na ação ordinária n.° 94.00493690 enumera várias condições para que a compensação pretendida pela defendente com os créditos negociados com a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA fosse realizada. A decisão remete ao disposto no art. 286, do Novo Código Civil, segundo o qual a cessão de crédito é possível, se a isto não se opuser a natureza do crédito e a lei ou a convenção com o devedor. Determina também que Autoridade Fiscal confira a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios para a apuração efetiva do quantum a ser compensado. 15. Toda a sistemática dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, da compensação e restituição de valores indevidos ou recolhidos a maior, foi disciplinada na Lei n° 8.212/91 e na Instrução Nomiativa/SRP n° 03, de 14/07/2005, vigente à época do lançamento, de forma a possibilitar à Administração Pública, a fiscalização do cumprimento da obrigação pelos contribuintes e controle da arrecadação. Como a compensação é feita automaticamente pela empresa, sem prévia autorização, sempre será conferida pela auditoria fiscal para compulsar sua legalidade e correção dos valores compensados. 16. Como e sabido, somente é permitida a compensação se o contribuinte estiver em situação regular junto à Previdência Social, de acordo com o art. 193,11 e III da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n° 03, de 14/07/2005, que transcrevo: ... 17. Utilizando os sistemas informatizados desta Instituição, realizei consultas aos resultados da ação fiscal n° 09151936 procedida na empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA pela Delegacia da Receita Previdenciária — Rio de JaneiroNorte. Os relatórios da fiscalização revelam que desde 03/2000 a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARIT1MOS LTDA já não possuía saldo credor que lhe autorizasse qualquer compensação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 49/56) consta também contra àquela empresa o processo de execução administrativa de n° 37367.000855/200423, que visou cobrar os valores oriundos da ação fiscal que apurou a insuficiência de créditos para compensação. Para este processo, a SERVPORT alega que impetrou recurso ao CRPS (fls. 328/333). 18. Há no Juizo Estadual do Rio de Janeiro discussão acerca da regularidade do quadro social da empresa SERVPORT, processo n° 2005.001.1207104, Quarta Vara Empresarial da Capital, que determinou: "Oficiese ao INSS, em razão disso, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 para que suspenda as operações compensatórias que envolvam a sociedade SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA." 19. Em consulta ao EXTRATO DO DEVEDOR do sistema DIVIDA ATIVA, verifiquei que constam inscritos na Procuradoria contra a empresa SERVPORT inúmeros débitos, tais como Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, Lançamento de Débito Confessado — LDC, Auto de Infração — AI e Confissão de Divida Fiscal — CDF, todos ajuizados na Justiça Federal (fase 535). 20. Isto posto, verificase então que não havia saldo a compensar na data da celebração do contrato de cessão de crédito, que autorizasse a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA efetuar tal cessão. Por conseqüência a empresa cessionária não dispunha de saldo a compensar que lhe autorizasse a efetuar compensações nas competências 11/2006 a 01/2007. 21. E ainda que fosse liquido e certo o crédito da SERVPORT, para se compensar ou para livremente negociar tais valores, obrigatoriamente, deve apresentar situação regular no que respeita às contribuições objeto de NFLD, AI, LDC, CDF, lavradas em seu desfavor, fato que não se verifica já que esses débitos encontramse ajuizados na Justiça Federal, afrontando, assim, o art. 193, II e III da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n°03/2005. 22. Por todo o exposto, a Autoridade Fiscal logrou êxito em comprovar a inexistência de créditos a serem transferidos, o que encerraria a discussão, sendo este o motivo para demonstrar a procedência do lançamento. Por fim, registro que o CTN estabelece que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 489 9 “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. IMPRECISÃO E DIVERGÊNCIA NOS LEVANTAMENTO A afirmação de imprecisões e divergências nos levantamentos é genérica. Entendo que a falta de especificação por parte da recorrente impede a análise desse ponto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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