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Numero do processo: 10680.007130/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010).
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 71 30 /2 00 6- 19 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do Contribuinte, RINALDO ASSUNÇÃO MEIRELES. foi lavrado o Auto de Infração as fls. 04 a 44, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001, 2002, 2003, anoscalendário 2000, 2001, 2002, formalizando a exigência de crédito tributário a seguir discriminado (valores em R$): IMPOSTO SUPLEMENTAR 401.936,63 MULTA PROPORCIONAL 301.452,46 JUROS DEMORA (ate 30/06/2006) 243.282,35 TOTAL 946.671,44 Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração, o lançamento decorre de ter sido verificado acréscimo patrimonial a descoberto nos anos calendário de 2000, 2001 e 2002, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, fls. 42 a 44. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 12 a 41, foi verificado pela perícia técnica que o contribuinte efetuou movimentação financeira no exterior nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002 por meio da conta Lonton, administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation. Intimado pela fiscalização para comprovar a origem de recursos que propiciaram a citada movimentação por meio de documentação hábil e idônea, o contribuinte apresenta declaração na qual consigna que desconhece por completo quaisquer das transferências financeiras discriminadas, quaisquer das contas creditadas, contas debitadas ou beneficiários, que jamais efetuou operação ou manteve conta bancária junto à empresa Beacon Hill Corporation. Da análise da documentação entregue pela Promotoria do Distrito de Nova York, a fiscalização constatou que havia provas que relacionavam as remessas ao exterior ao contribuinte, assim sendo lavrou o presente Auto de Infração, tendo lançado no Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa as movimentações financeiras realizadas no exterior nos anos calendário de 2000, 2001 e 2002. O enquadramento legal consta do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, dos quais o contribuinte foi cientificado em 05/07/2006 (fl. 05). Inconformado, em 31/07/2006, fl. 350, o contribuinte apresenta a impugnação As fls. 350 a 373, instruída com os documentos de fls. 374 a 377, a seguir substanciada: — Da Tempestividade 30/2005. Tendo o contribuinte recebido o Auto de Infração em tela no dia 05 de julho de 2006, a impugnação é tempestiva; Dos Fatos Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 2202002.584 S2C2T2 Fl. 3 3 as operações financeiras imputadas ao contribuinte perfazem a soma de US$ 554.607,94, tendo o fiscó utilizado este montante para apurar imposto supostamente devido; — Da decadência do Direito de Lançar tendo em vista o disposto na legislação, o fato de o Auto de Infração ter sido lavrado em 03 de julho de 2006, abrangendo fatos geradores compreendidos entre 31/08/2000 a 31/11/2002, e tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, operouse a decadência do direito de constituir o crédito quanto a todos os períodos anteriores ao Ines de julho de 2001; — Da Ausência de Comprovação da Identidade do Contribuinte a planilha elaborada pela fiscalização denominada "Operações da Complementação no 1 da Representação Fiscal n° 162/04" teve por subsidio os documentos apreendidos na sede da Beacon Hill Service Corporation; em relação aos documentos anexados que serviram de subsidio na elaboração da citada planilha, percebese que nenhum deles traz qualquer assinatura, não podendo ser imputado ao contribuinte a realização de fatos ou atos ali descritos; verificase que somente algumas das operações constantes da referida planilha elaborada pela fiscalização estão amparadas pelos respectivos documentos (faxes); diversas das operações constantes da citada planilha discriminam como agente que teria realizado operações RinaldoBelo Horizonte — Brazil; porque seria o Rinaldo a que referem estas operações o contribui e não outro Rinaldo também de Belo Horizonte; as ordens para a realização das operações referidas no Auto de Infração refletem um ato jurídico, um contrato e, para tanto, é absolutamente necessária a comprovação de que as partes ali referidas sejam efetivamente aquelas que praticaram o ato jurídico e tal comprovação só pode se dar por meio de assinatura, sob pena de ferir o mais basilar principio do Direito; por não haver qualquer comprovação de que tenha sido efetivamente o contribuinte quem participou das operações em tela, com sua assinatura ou reconhecimento dos atos ali praticados, não pode o Auto de Infração prosperar; para as operações descritas na planilha e lastreadas com documentos, resta simples a comprovação pelo contribuinte que não foi o mesmo quem praticou tais atos, já que não há qualquer assinatura ou autorização sua; Já a mera informação pelo fisco de que o contribuinte realizou tal operação, sem que se traga o documento ou subsidio que comprove sua afirmação, fere todo o principio do contraditório; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 assim, ainda que por uma aberração jurídica fosse aceito como prova contia o contribuinte um documento sem sua assinatura, devem ser imediata e expressamente desconsideradas todas aquelas operações cujos documentos que a fundamentaram não foram franqueados ao contribuinte; Da análise da "planilha", verificase que diversas operações, ainda que com total desconhecimento do contribuinte, fizeram uma clara referência à sua identidade, trazendo além do nome completo, também seu endereço; ocorre que diversas outras operações fazem referencia somente a um "RinaldoBelo Horizonte, Brazil", sem que contenha nenhuma outra descrição que permita (ainda que erroneamente e sem conhecimento do contribuinte) vincular tal operação ao Rinaldo Assunção Meirelles, sujeito da presente ação fiscal; .em uma simples pesquisa à lista telefônica da Telemar editada no ano de 2005, foram identificados 71 indivíduos com o nome de Rinaldo residentes em Belo Horizonte; a identificação inequívoca do sujeito legal é imperativo legal, desta forma não pode pairar. dúvidas., com relação à pessoa que praticou a situação descrita como o núcleo do fato gerádor;: ainda :que o Rinaldo dos faxes fosse o contribuinte, o que se admite apenas para argumentar, o lançamento seria totalmente improcedente, pois somente em duas operações o nome Rinaldo aparece como beneficiário final, sendo que todas as demais ordens o nome está vinculado a "Ordem customer" ou cliente; o Laudo n° 1613/04 do Instituto Nacional da Criminalística foi 'claro ao afirmar que o campo "order customer" referese ao cliente que determinou a ordem de pagamento, não constituindo se, necessariamente, o remetente original; ao informar os senhores peritos por meio do Laudo n° 1613/04 que a parte indicada no campo "order customer" seria um cliente que determinou a ordem de pagamento, sem constituir necessariamente o remetente original, informam que poderia este "order customer" ter solicitado uma transferência por conta e ordem de terceiros, ou seja, ser meramente o ordenante de um determinado pagamento, sem que os recursos sejam efetivamente seus ou destinados a si; ora, não tendo o "order customer" movimentado (a débito ou crédito) ou tendo sido o beneficiário final de um recurso, não poderia o mesmo ser instado a tributar tal valor; — Do Erro na Determinação do Aspecto Temporal da Hipótese de Incidência na constituição do crédito tributário, é primordial a determinação do aspecto temporal do fato gerador, seja para a fixação de contagem de juros, seja para a determinação da legislação que se aplica ao lançamento e outros importantes elementos; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 2202002.584 S2C2T2 Fl. 4 5 não ha nos autos referência ou comprovação de remessa de recursos ao exterior; nas 20 transações demonstradas na "planilha', tanto a conta bancária debitada quanto a creditada são de titularidades de pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras; não há comprovação nos autos do momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, do acréscimo patrimonial; o Auto de Infração referese a suposta posterior movimentação de • recursos já auferidos e remetidos ao exterior; o elemento temporal do fato gerador da obrigação tributária não se encontra corretamente identificado, pois a tributação recaiu na data das ordens de pagamento e não sobre as datas em que os recursos foram auferidos ou ainda da data da suposta remessa do Brasil; assim, impossível determinar qual a legislação seria aplicável e se teria ocorrida a decadência; a não identificação do momento da ocorrência do fato gerador faz o lançamento carecer de liquidez e certeza, resultando em sua nulidade integral; — Da Conclusão e Pedido Restou devidamente provado e comprovado que operouse a decadência do direito de o Fisco lançar determinados valores constantes do Auto de Infração; ii) não há nos autos elemento que comprove que o contribuem tenha realizado qualquer das operações descritas no Auto de infração, por não haver sua anuência, reconhecimento ou assinatura em nenhum dos documentos apresentados; iii) não consta dos autos diversos documentos utilizados pela fiscalização para a elaboração da "planilha", ficando assim prejudicado o direito de defesa e o contraditório do contribuinte; iv) a menção ao contribuinte é vaga em diversas transações, sendo o mesmo referido unicamente como "RinaldoBelo Horizonte"; v) o nome do contribuinte (ou ainda somente "Rinaldo") aparece em 18 das 20 operações como ordenante, tendo os srs. Peritos do Instituto de Criminalística atestado que o ordenante não constitui, necessariamente, o remetente original; vi) não hi nos autos prova de que o contribuinte tenha remetido ao exterior qualquer recurso, tendo sido demonstrado no Auto de Infração somente suposta movimentação de recursos do exterior para o exterior; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 vii) não houve a necessária e indispensável determinação do momento de ocorrência do suposto fato gerador, ou seja, a suposta remessa irregular de recursos para o exterior, momento este que serve de pilar para a validade do Auto de Infração, já que é a base para a contagem do prazo decadencial, determinação da legislação aplicável, etc, o que contamina de morte o lançamento; Ao final, o contribuinte requer que seja o Auto de Infração em pauta definitivamente extinto. A DRJ ao apreciar as razões do recorrente julgou a impugnação procedente em parte: ASSUNTO: IMPOSTO SOME A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. Não se pronunciando a Fazenda Pública no prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador e tendo havido antecipação de imposto, não mais pode se exigir crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituem rendimentos brutos sujeitos ao imposto de renda as quantias correspondentes a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurados por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. MEIOS DE PROVA. RECURSOS AO EXTERIOR. Validas . as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Pedal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalistica INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque a Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. PROVAS. Retificase o valor de acréscimo patrimonial a descoberto, com base na documentação e alegações constante dos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 2202002.584 S2C2T2 Fl. 5 7 A autoridade recorrida reconheceu a decadência do anocalendário 2000. Além disso excluiu do fluxo mensal de caixa as movimentações financeiras ocorridas 6in' 25/09/2001 e em 28/01/2002 nos valores respectivamente de US$100,00 e de U$ 1.155 00, já que não há dados nas correspondentes ordens de pagamento que vinculem o "order customer" inexoravelmente ao contribuinte autuado, uma vez que nestas ordens consta apenas' coin° endereço associado ao remetente Rinaldo Meireles o nome de uma cidade brasileira, no caso', Belo Horizonte MG/Brasil. Assim excluise do valor total de acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização referentes aos anoscalendário 2001 e 2002 os valores de R$ 271, 33 e de R$ ,2.798,33 respectivamente, valores esses que correspondem A conversão para a moeda nacional dos valores de US$ 100,00 e de US$ 1.155,00, em conformidade com os autos. Desta forma, refazem os cálculos, em virtude da alteração do valor total de acréscimo patrimonial a descoberto referente aos anoscalendário 2001 e 2002 para R$493.019,48 (R$ 493.290,81 — R$ 271,33) e para R$ 968.165,07 (R$ 970.963,40 — R$2.798,33). Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; Da ausência de comprovação da identidade do contribuinte; Da ausência de assinatura do contribuinte; Da ausência de documento refletidos na planilha; Da vaga referência ao sujeito ativo; Da não titularidade dos recurso movimentados; Da Decadência; Do erro na determinação do aspecto temporal da hipótese de incidência É o relatório. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Do exame dos documentos que compõe o processo, principalmente do Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, fls. 44 a 46, inferese que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal foi evidenciado tão somente pela operação de remessas de recursos no exterior, Para melhor analisar a questão, vale lembrar que a remessa de recursos para o exterior, por si só, não comprova consumo de renda ou aquisição de patrimônio. A transferência de recursos financeiros de um país para outro, deve ser analisada, para fins de elaboração de fluxo de caixa, da mesma forma como se analisa uma transferência de numerário entre contas bancárias mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras domiciliadas no Brasil. O fato de o contribuinte movimentar seus recursos financeiros de uma instituição para outra não pode ser tomada como consumo de renda ou aquisição de patrimônio. O consumo da renda somente é evidenciado quando a autoridade fiscal comprova que o contribuinte comprou bens móveis ou imóveis ou que suportou despesas. A transferência bancária, por si só, ainda que seja do Brasil para o exterior, não equivale à realização de despesas. E mais, dos autos não restou comprovado que o valor correspondente à transferência do referido recurso ao exterior tenha sido convertida em consumo de renda ou aquisição de patrimônio, seja aqui no Brasil ou no exterior. Ou seja, a autoridade fiscal limitou se a tributar a operação bancária, sem comprovar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67 (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010), que abaixo se transcreve: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Acórdãos precedentes: CSRF/0104.663, de 13/10/2003; 10617.156, de 06/11/2008; 10615.820, de 20/12/2006; 10419.123, de 05/12/2002; 10417.359, de 28/01/2000) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 2202002.584 S2C2T2 Fl. 6 9 Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou consumo da renda. Logo, não pode prosperar o lançamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10880.012544/98-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1993 a 31/03/1994
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235/1972. A não observância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1993 a 31/03/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235/1972. A não observância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 25 44 /9 8- 14 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente a períodos de apuração de dezembro de 1993 a março de 1994, no valor de R$ 28.124,63, incluídos juros e multa proporcional. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: 4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 12/13), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 19.05.98, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 28.124,63, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.04.98, referente a COFINS dos meses de dezembro de 1993 a março de 1994, com enquadramento legal exposto as fls. 10, 11 e 13. 5. No Termo de Constatação de fls. 06 a 08 a autoridade fiscal autuante informa que: a) A empresa compensou a Cofins devida para os meses de junho de 1993 a março de 1994 com recolhimentos realizados a titulo de Finsocial, no montante que supera o devido consoante a ali quota de 0,5%. b) Este procedimento estava amparado por liminar concedida nos autos do mandado de segurança 93.03.699653, que foi impetrado em razão do indeferimento da liminar pleiteada nos autos do mandado de segurança 93.0153870. Nesta última ação judicial foi prolatada sentença determinando que na compensação a ser realizada, na hipótese de serem verificados créditos da impetrante, deveriam ser utilizados os mesmos critérios de atualização adotados para os créditos tributários federais. Posteriormente, foi prolatado acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 3a Regido, dando provimento parcial à apelação e à remessa oficial, e, finalmente, os embargos de declaração interpostos pela autora foram acolhidos. c) Diante destes fatos, considerou a autoridade autuante que o contribuinte agiu incorretamente ao utilizar, para a correção de seus créditos, índices de correção não adotados para a atualização dos créditos tributários federais, de modo que, em virtude deste procedimento, foram efetuadas compensações indevidas para os meses de dezembro de 1993 a março de 1994. Diante desta irregularidade, foram constituídos de ofício os créditos tributários relativos à Cofins indevidamente compensada. 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação em 18.06.98 (fls. 16 a 23), acompanhada de documentos de fls. 24 a 108, onde alega, em síntese, o que se segue: 6.1 A autoridade autuante, apesar de conhecer as decisões do Tribunal Regional Federal da 3a Regido acerca da apelação e dos embargos de declaração interpostos, ignorou estes julgados e lavrou o auto de infração considerando tãosomente o teor da sentença proferida nos autos do mandado de segurança 93.00153870. Em razão deste equivoco, deixou de considerar, Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.012544/9814 Acórdão n.º 3202001.141 S3C2T2 Fl. 210 3 na atualização dos créditos a serem compensados a que tinha direito a impugnante em razão dos recolhimentos do Finsocial em alíquota superior a 0,5%, o reconhecimento judicial do direito à aplicação do IPC e do INPC. 6.2 A multa de oficio aplicada deve ser afastada tendo em vista que a impugnante, à época da realização da compensação, atualizou seus créditos pelos índices que haviam sido deferidos em liminar concedida nos autos do mandado de segurança 93.03.699653. Portanto, estando seu modo de proceder amparado por decisão judicial, ainda que depois reformada por sentença, é descabida a aplicação de multa. Ainda q e fosse o caso de lançamento para prevenir a decadência, a aplicação da multa seria indevida, tendo em vista o disposto no art. 63 da Lei 9.430/96. 6.3 Por fim, pede a impugnante que seja cancelado o crédito tributário exigido, ou, não sendo atendido este pedido, que seja afastada a multa aplicada. 7. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 7.286, de 09/06/2005 (fls. 140/147), assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1993 a 31/03/1994 Ementa: COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO MONETARIA. Inexistindo pronunciamento judicial definitivo, na apuração do crédito do FINSOCIAL a compensar devem ser utilizados os índices de atualização monetária determinados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Em face da ausência de provimento jurisdicional que suspenda a exigibilidade do crédito tributário à data do inicio da ação fiscal, não pode ser aplicado o disposto no caput do art. 63 da Lei 9.430/96, tendo em vista o disposto no § 10 do mesmo artigo. Lançamento Procedente Intimada por edital, a interessada apresentou recurso voluntário de fls. 116/120, por meio do qual alega inicialmente que, após a tentativa infrutífera de intimála da decisão recorrida por meio de Aviso de Recebimento (AR), expediuse edital sem a tentativa anterior Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 de intimar os patronos da empresa, tal como requerido em sua impugnação. As demais razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O Recurso Voluntário não é de ser conhecido, posto que não observado o prazo para a sua interposição. Como foi infrutífera a tentativa de intimação pela via postal, publicouse, em 30/03/2007, o edital de fl. 152, visando intimar a Recorrente da decisão proferida pela DRJ. A ciência se aperfeiçoou no sábado, dia 14/04/2007 (15º dia após a afixação do edital, conforme inciso IV do § 2º do art. 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972), de modo que a contagem do prazo para apresentação do recurso iniciouse no primeiro dia útil seguinte, ou seja, em 16/04/2007, uma segundafeira, encerrandose no dia 15/05/2007. Como só foi apresentado em 18/09/2007, o Recurso Voluntário é absolutamente perempto. Contudo, uma observação adicional se faz necessária. De fato, malgrado não previsto em lei (o art. 23, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê o envio do AR apenas para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte), a Recorrente requereu, ao final da impugnação dirigida à DRJ, fossem as intimações encaminhadas ao endereço de seus patronos. Ocorre que eventual vício na decisão recorrida – a não apreciação do referido pedido – somente pode ser alegado em recurso tempestivo, já que a tempestividade constitui condição essencial ao seu conhecimento pela instância julgadora. Não é caso, porém. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso de voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.012544/9814 Acórdão n.º 3202001.141 S3C2T2 Fl. 211 5 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13062.001430/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO.
Afastada a concomitância,anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade da discussão judicial e administrativa,para que não sobrevenha supressão de instância.
Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rafael Lima Marques, OAB/RS nº. 46.963.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO. Afastada a concomitância,anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade da discussão judicial e administrativa,para que não sobrevenha supressão de instância. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrente UNIMED NOROESTE/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO. Afastada a concomitância,anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade da discussão judicial e administrativa,para que não sobrevenha supressão de instância. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rafael Lima Marques, OAB/RS nº. 46.963. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 2. 00 14 30 /2 00 8- 21 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Contra a cooperativa antes qualificada foi lavrado Auto de Infração formalizando a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.042.349,28, referente a fatos geradores entre 31/01/2005 e 31/12/2007. Esse valor (principal) foi acrescido de juros moratórios. O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida pelo STJ nos autos dos processos nºs 2001.71.10.0008467 e 92.00108008 (art. 151, incisos II e IV do CTN). De acordo com as decisões proferidas até o presente momento em sede do mandado de segurança, constatamos que o contribuinte obteve provimento judicial favorável, junto ao STJ, reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos tipicamente cooperativos, quais sejam: àqueles correspondentes à atividade fim das cooperativas. Cientificado do auto de infração, a contribuinte protocolizou impugnação, defendendo a nulidade do lançamento, devido a imprecisão da autuação e de seu relatório, que teria impedido a cooperativa de exercer plenamente seu direito de defesa. No mérito, caso não acolhida a nulidade do lançamento, a contribuinte pediu que fosse reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a outubro de 2003, além da improcedência total do lançamento, por ter violado o ato cooperativo e alargado indevidamente a base de cálculo da contribuição lançada, conforme defendido pela cooperativa em ações judiciais, relacionadas no Termo de Constatação das autuações. Pediu, ainda, que fossem afastados os juros de mora, tendo em vista a suspensão da exigibilidade, por decisão judicial, do crédito tributário lançado. Sustenta, por fim, que, independente da tese quanto ao conceito de ato cooperativo e de faturamento, o lançamento incluiu valores na base de cálculo da exação, cuja exclusão seria autorizada pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98. Ressaltou, a cooperativa, que o citado tema não é discutido judicialmente, pedindo a realização de diligência para comprovar tal fato se necessário. Apreciando a impugnação, a DRJ julgou improcedente, conforme se constata da ementa do acórdão recorrido abaixo transcrita: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. PAD. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3202001.116 S3C2T2 Fl. 440 3 judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante. Cientificado da decisão acima destacada, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a nulidade do acórdão recorrido, porque apreciou genericamente e sem fundamentação o argumento da cooperativa, de que a exclusão da base de cálculo, permitida pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e o conceito de receita bruta, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não seriam objeto de discussão judicial e, portanto, deveriam ser conhecidas pela DRJ, ante a ausência de concomitância de discussão da matéria. No mérito, a recorrente defendeu a reforma do julgado, pois teria violado o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e mantido indevida tributação de receitas que não constituiriam faturamento da cooperativa (para a recorrente, o faturamento da sociedade cooperativa se resume a sua taxa de administração e os resultados não repassados aos seus associados), levandose em conta a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo STF. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Aprecio, primeiramente, a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. De acordo com a recorrente, o acórdão recorrido apreciou genericamente e sem fundamentação o argumento da cooperativa, de que a exclusão da base de cálculo, permitida pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, não seria objeto de discussão judicial e, portanto, deveria ser conhecida pela DRJ, ante a ausência de concomitância de discussão da matéria. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Eis o trecho essencial da decisão recorrida, que trata da concomitância: A leitura das peças processuais permite comprovar os argumentos da Fiscalização, constatandose que a contribuinte levou à apreciação do Poder Judiciário algumas questões relativas à contribuição lançada, tendo solicitado: 1. a declaração de inexistência da relação jurídica contribuinte fisco, para efeitos de recolhimento da COFINS, tendo como base de cálculo os valores arrecadados pela prática de atos cooperativos intrinsecamente ligados à finalidade social da cooperativa, por ela praticados em nome e conjuntamente com seus cooperativados; 2. a declaração de inexistência da relação jurídica contribuinte fisco, para efeitos de recolhimento da COFINS, tendo como base de cálculo valores que, não contabilizados como receita, eram repassados para pessoas jurídicas que prestavam serviços de auxílio à internação e ao diagnóstico, nos atendimentos prestados pelos cooperativados (hospitais e laboratórios). Também solicitou a permissão para que seguisse pagando a COFINS com base em suas efetivas receitas, com exclusão dos atos cooperativos da base de cálculo. Denotase, dessa forma, a concomitância entre as causas de pedir das ações judiciais e o arrazoado constante da impugnação apresentada. [...] Observandose que a ora autuada optou pela esfera judicial para discutir questões relacionadas à apuração de COFINS, e que em tais argumentos estão inseridos aqueles constantes da impugnação apresentada, constatase a existência de identidade de objeto entre as discussões jurídicas e tributárias, donde a propositura de ação judicial pela contribuinte importa em renúncia ou desistência da via administrativa. Nesse caso, resta defeso à autoridade julgadora a apreciação da impugnação (pelo menos parcialmente), em observância à unicidade de jurisdição e à segurança das relações jurídicas, cabendo à autoridade administrativa competente acatar a decisão judicial transitada em julgado, sob pena de desobediência à ordem judicial. Como informação adicional, atentese que até a presente data nenhuma das ações judiciais referidas no presente processo obteve trânsito em julgado. Como se observa do excerto acima transcrito, o acórdão recorrido, embora não tenha mencionado especificamente as deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, proferiu julgamento que, certo ou errado, entendeu por julgar presente a concomitância de discussão judicial e administrativa. Assim, no meu entender, não há nulidade do acórdão recorrido pelo motivo alegado pela recorrente, pois este se encontra razoavelmente fundamentado, quando expôs seu entendimento sobre a questão da concomitância. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3202001.116 S3C2T2 Fl. 441 5 A despeito disso, concordo com a recorrente, quando assevera que as deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98 não foram objeto de discussão judicial e, por conseguinte, mereceriam apreciação pela DRJ. Efetivamente, nenhuma das ações judicias interpostas pela Recorrente tem como causa de pedir as deduções, previstas no art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, conforme bem relatou o Termo de Constatação do Auto de Infração. Leiase: Inicialmente, informamos que a empresa está discutindo as exações do PIS e da COFINS na via judicial, tendo ajuizado quatro ações judiciais visando o não pagamento do PIS e da COFINS, sendo duas relacionadas à COFINS (Ação Ordinária nº 2001.71.10.0008467, da 2ª Vara Federal de Pelotas/RS, e Mandado de segurança coletivo no 92.00108008, da 5a Vara Federal de Porto Alegre/RS) e outras duas relacionadas ao PIS (AO() Ordinária no 2001.71.0150110 6a Vara Federal de Porto Alegre/RS e Ação ordinária nº 96.00254273, da 6a Vara Federal de Porto Alegre/RS), conforme relatado a seguir: 1 — Ação Ordinária no 2001.71.0150110 6a Vara Federal de Porto Alegre/RS (PIS): tratase de ação ajuizada pela autora, sociedade cooperativa constituída sob a égide da Lei no 5.764/71, para ver declarada a inexistência de relação jurídica fisco contribuinte, para efeitos de recolhimento da contribuição para o PIS, além do valor de 1% (um por cento) sobre a folha de pagamento, excepcionando da base de cálculo os valores arrecadados pela prática de atos cooperativos, bem como os valores que são repassados para pessoas jurídicas que prestam serviços de auxilio nos atendimentos prestados pelos cooperativados (hospitais e laboratórios)... O pedido de tutela antecipada foi indeferido... De acordo com as decisões proferidas até o presente momento em sede da ação judicial, com decisão já proferida pelo TRF/4a Região, constatamos que o contribuinte não está obtendo êxito em seu pleito judicial fls. 53/81. Atualmente, o processo encontrase junto ao STJ), concluso ao Ministro Relator para apreciação do Recurso Especial interposto pela empresa contra o acórdão proferido pelo TRF/4a Região... 2 Ação ordinária no 96.00254273, da 6a Vara Federal de Porto Aleare/RS (PIS): ação judicial ajuizada pela empresa visando à declaração de inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento da contribuição ao PIS na forma estatuída pela Medida Provisória no 1.212/95, bem como da inexistência de relação jurídica para efeito de recolhimento da contribuição ao PIS tendo como base de cálculo valores que são repassados para pessoas jurídicas que prestam serviços de auxilio à internação e ao diagnóstico (hospitais e laboratórios), nos atendimentos prestados pelos cooperativados... De acordo com as decisões proferidas até o presente momento em sede da ação judicial, com decisão já proferida pelo TRF/4a Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Região, constatamos que o contribuinte não está obtendo êxito em seu pleito judicial... Atualmente, o processo encontrase junto ao STJ, concluso ao Ministro Relator para apreciação do Recurso Especial interposto pela empresa contra o acórdão proferido pelo TRF/4a Região... 3 Ação Ordinária no 2001.71.10.0008467 2a Vara Federal de Pelotas/RS (COFINS): ação judicial ajuizada pela empresa com o escopo de excluir da base de cálculo da COFINS os atos cooperativos ligados à finalidade social e os valores que, contabilizados como receitas, são repassados para outras pessoas jurídicas que prestam serviços de auxilio à internação e ao diagnóstico nos atendimentos prestados pelos cooperativados (hospitais e laboratórios)... De acordo com as decisões proferidas até o presente momento em sede da ação judicial, constatamos que o contribuinte obteve provimento judicial favorável junto ao STJ reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos cooperativos próprios fls.176/212. Atualmente, o processo encontrase junto ao STF, para apreciação dos recursos extraordinários interpostos pelas partes... 4 Mandado de segurança coletivo no 92.00108008 (COFINS) 5a Vara Federal de Porto Alegre/RS: ação ajuizada pela UNIMED RS Federação das Cooperativas Médicas do Rio Grande do Sul/RS em nome de suas associadas na qual é questionada a exigibilidade da COFINS das cooperativas. Alega, em síntese, ter justo receio de vir a ser inscrita como devedora na divida ativa por não pagar a COFINS, instituída pela LC 70/91, em razão de fatos pretéritos, em que não era sujeito passivo da obrigação e mesmo assim foilhe cobrada a exação. Sustenta que a Lei instituidora da COFINS excluiu, expressamente, no seu art. 6º, as sociedades cooperativas, dentre as quais se enquadra. Por fim, alega que a contribuição social sobre o faturamento já existia, regulada pelas Leis Complementares 07 e 08/70 (PIS), tendose esgotado o universo das contribuições sociais do art. 195 da CF. Assim, a contribuição estaria eivada de diversas inconstitucionalidades, eis que qualquer nova contribuição teria que respeitar o § 4º do mesmo artigo... A liminar foi indeferida, todavia, foi autorizado o depósito judicial... De acordo com as decisões proferidas até o presente momento em sede do mandado de segurança, constatamos que o contribuinte obteve provimento judicial favorável junto ao STF reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos tipicamente cooperativos, qual sejam, àqueles correspondentes à atividade fim das cooperativas... Atualmente, o processo encontrase junto ao STF, concluso ao relator para apreciação do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional.... Portanto, conforme relatado nos itens acima, constatase que neste momento a empresa tem amparo judicial que lhe Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3202001.116 S3C2T2 Fl. 442 7 reconhece o direito à não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos próprios (ACP). Deveras, discutir a tributação do ato cooperativo, o alcance da base de cálculo (faturamento x receita bruta) ou a isenção das sociedades cooperativas, em relação ao PIS/COFINS, não se confunde com a defesa acerca da correta interpretação das deduções previstas no art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98 (esse tema, inclusive, motivou a promulgação da Lei nº 12.876/2013, criando o interpretativo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/1998). Nessa linha de ideias, embora esteja adequadamente fundamentado o acórdão da DRJ, não posso avançar no mérito das deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista que isso implicaria em superveniente supressão de instância, dado que a DRJ não apreciou tal assunto, por ter entendido, indevidamente, que haveria concomitância quanto a essa matéria. Sem divergir desse entendimento, colhase o seguinte recente julgado do CARF: SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida, cabe o enfrentamento das questões onde restar não comprovada a concomitância, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância. [CARF. 2ª Seção/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Processo nº 11060.724061/20113. Acórdão nº 2202002.551. Rel. Cons. ANTONIO LOPO MARTINEZ. Unânime. Julgado em 21/01/2014] Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando o retorno dos autos à instância a quo, para que esta se pronuncie quanto às questões (art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98), em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial, proferindo novo julgamento. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13118.000225/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 18 .0 00 22 5/ 20 06 -9 4 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13118.000225/200694 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.422 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório e voto: Tratase de recurso voluntário por meio da qual a interessada pretende ver homologada a compensação que promoveu de débitos parciais do SIMPLES, de out/2001 a dez/2005, com créditos que alega possuir oriundos de ação judicial coletiva. Na referida ação judicial, a Associação Comercial de Catalão, em Mandado de Segurança Coletivo n° 1999.35.00.0209199, obteve acórdão do TRF Ia Região, já transitado em julgado, no qual ficou reconhecido o direito creditório de seus associados quanto àcontribuição previdenciária recolhida sobre os valores pagos a administradores/autônomos e avulsos. A controvérsia teve origem no Despacho Decisório 473 de 24 de novembro de 2006, por meio do qual a DRF/Goiânia decidiu não homologar compensação de débitos do SIMPLES de com créditos de processos judiciais. A não homologação teve como principal fundamento o fato de os supostos créditos não serem oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Tempestivamente, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a recorrente apontou a existência da ação judicial e a possibilidade de promover a compensação já efetuada. A DRJ/Brasília indeferiu a solicitação, tendo utilizado como principal fundamento para tanto o fato de o crédito não ser relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, o que encontraria óbice na legislação de regência. Como argumento adicional, ficou consignado que houve desobediência aos ditames da IN 600/2005. Intimada da decisão de primeira instância em 24/05/2007, fls. 176, a interessada apresentou recurso voluntário em 15/06/2007 com os argumentos que resumimos a seguir na ordem que constam do documento de fls. 187/197. Aponta que a origem do crédito é o Mandado de Segurança Coletivo 1999.35.00.0209199 impetrado pela Associação Comercial de Catalão. Naquela ação foi reconhecido o direito creditório dos associados da impetrante quanto a valores indevidamente pagos de contribuição previdenciária incidente sobre os montantes pagos a administradores/administradores, autônomos e avulsos. Como requer a compensação com a parte do que é devido ao SIMPLES que se refere justamente às contribuições previdenciárias, entende não ser aplicável os óbices da Lei 9.430/96. Seu direito à compensação estaria fundado no art. 66 da Lei 8.383/91. As leis instituidoras do SIMPLES são claras no seu entender quanto à estabelecer as alíquotas correspondentes às contribuições previdenciárias, o que permitiria concluir pela correção da homologação efetuada. Aponta que a IN 600/2005 não existia ao tempo das compensações, não podendo ser aplicável ao caso. Após receber o processo para julgamento, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intimasse a recorrente a apresentar (i) prova de sua filiação à Associação Comercial de Catalão, (ii) demonstrativo do crédito pleiteado, juntamente com comprovantes de que o pagamento indevido foi efetivado, bem como (iii) comprove que requereu a Fl. 544DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13118.000225/200694 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.422 S2C3T1 Fl. 4 3 compensação por meio de pedidos de compensação e/ou declarações de compensação de acordo com a legislação de regência dos períodos em discussão. Realizada a diligência, guias de pagamento foram juntadas mas remanescem dúvidas quanto ao efetivo pagamento e quanto às rubricas correspondentes. Assim, proponho a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora ateste o efetivo recebimento dos valores constantes das guias juntadas e aponte se as contribuições pagas referiamse, total ou parcialmente, a contribuição sobre a remuneração de autônomos. Após tal providência, retorne os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 545DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10945.900106/2013-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/09/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/09/2011 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 06 /2 01 3- 21 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900106/201321 Acórdão n.º 3801003.052 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10735.001840/2005-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS CSLL. DECADÊNCIA.
A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, rege-se pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9101-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, sendo substituída pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS CSLL. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, rege-se pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, sendo substituída pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS CSLL. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, regese pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, sendo substituída pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 18 40 /2 00 5- 71 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.001840/200571 Acórdão n.º 9101001.861 CSRFT1 Fl. 6 2 Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte em face do acórdão de n° 180300.426, da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferido em sessão de 20 de maio de 2010. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foi lavrado contra o contribuinte Auto de Infração (fls. 55/57) para a exigência de Multa Isolada em razão da falta de recolhimento das estimativas de CSLL. A autuação é referente ao anocalendário de 2000, no valor de R$ 72.299,87. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 70/74, na qual aduziu, em síntese: i. Preliminar de decadência, em razão da aplicação da regra do artigo 150, §4° do CTN, para o período de 30.04.2000 a 30.06.2000, uma vez que a ciência do Auto de Infração se deu em 15072005; ii. Ilegalidade da multa aplicada. O STF já pacificou entendimento segundo o qual desde a edição do CTN não se justifica a distinção entre multas fiscais punitivas e multas fiscais moratórias. iii. Inaplicável a cobrança de multa no valor de 75%, devendo ser a mesma reduzida para 20%. Sobreveio o acórdão de n° 1220.062, da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento para reduzir a multa isolada ao patamar de R$ 48.199,88, em observância à alteração do artigo 44, §1°, IV da Lei n° 9.430/96, que antes previa multa isolada no percentual de 75% , posteriormente reduzida para 50%. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.001840/200571 Acórdão n.º 9101001.861 CSRFT1 Fl. 7 3 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENIGNA. RETROATIVIDADE. A falta de recolhimento antecipado da CSLL sobre a base de cálculo mensal estimada enseja a exigência da multa de oficio isolada, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impõe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração não definitivamente julgada. O contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 116/125, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Sobreveio o acórdão de n° 180300.426, da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS CSLL. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, regese pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Aplicase a multa de oficio isolada, no patamar atualmente vigente de 50%, pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, conforme a modalidade adotada pela contribuinte (receita bruta e acréscimos ou balanço de suspensão). Inconformado, o contribuinte apresentou recurso especial às fls. 141/150 no qual reiterou as razões de sua impugnação e de seu Recurso Voluntário. Apresentou como paradigma os acórdãos de n° 10515.042, da 5ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes e de n° 10515.035, da 5ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Em exame de admissibilidade às fls. 156/157 foi dado seguimento ao recurso especial do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 160/168. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.001840/200571 Acórdão n.º 9101001.861 CSRFT1 Fl. 8 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 156/157, pelo que dele tomo conhecimento. Delimitando a lide, a controvérsia no âmbito deste recurso especial, conforme despacho de admissibilidade, cingese exclusivamente à determinação da regra decadencial aplicável aos lançamentos de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, se pela regra disposta no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional ou se pela regra do artigo 173, I do mencionado Código. Aduz o contribuinte que o prazo decadencial para o lançamento da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor, do IRPJ ou CSLL por estimativa é contado a partir do mês da ocorrência do fato gerador. Ainda, aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase a regra especial de decadência insculpida no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, e não a regra do artigo 173, I do mencionado Código. Em que pese as considerações feitas pelo contribuinte, entendo que assiste razão à Fazenda Nacional. Isto porque, em se tratando de multa isoladamente aplicada, de se se contar o prazo decadencial conforme disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, uma vez que se trata de lançamento de ofício por excelência, vez que a multa isolada nunca é antes sujeita à declaração pelo contribuinte e, portanto, na origem não se subsume ao lançamento por homologação. Tratase de fato jurídico tributário que tem por suporte fático uma conduta ilícita (não recolhimento da estimativa) praticada pelo sujeito passivo. Desta forma, o lançamento em questão tem natureza originariamente de ofício e não natureza de lançamento por homologação. Nessa medida, pareceme que não há como se imputar pagamento parcial da estimativa à multa isolada, para fins de aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, porquanto a multa, quando isoladamente aplicada, não depende da constituição do tributo, não se lhe caracterizando como procedimento sujeito ao lançamento por homologação. Aplicável, assim, a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, tendo em vista que o contribuinte teve ciência do auto de infração em 15 de julho de 2005 e os fatos geradores reportamse ao anocalendário de 2000, não há que se falar em decadência, pelo que voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.001840/200571 Acórdão n.º 9101001.861 CSRFT1 Fl. 9 5 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15586.720266/2011-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não-cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não-cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomando-se como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CUSTOS COM NAVIOS". "DESPESAS PORTUÁRIAS". "ESTIVA". "MÃO-DE-OBRA AVULSA"
Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com as diversas despesas portuárias na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização.
MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS.
Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.
Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado. OAB/SP nº 154.632.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomandose como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CUSTOS COM NAVIOS". "DESPESAS PORTUÁRIAS". "ESTIVA". "MÃODEOBRA AVULSA" Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com as diversas despesas portuárias na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 66 /2 01 1- 77 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção. DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratandose de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado. OAB/SP nº 154.632. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins nãocumulativa transmitido em 14/10/2009, relativo ao 2º Trimestre de 2009, cumulado com declarações de compensação. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720266/201177 Acórdão n.º 3403002.763 S3C4T3 Fl. 5 3 Por meio do despacho decisório notificado ao contribuinte em 02/12/2011, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Foram efetuadas as seguintes glosas no cálculo do crédito: a) Bens utilizados como insumos: foram glosados do cálculo os valores dos insumos empregados no processo produtivo que não exerceram ação direta sobre o produto fabricado e também o crédito tomado com base no custo de aquisição de bens classificados no ativo imobilizado; b) Serviços considerados como insumo: foram glosados os valores dos serviços que não foram diretamente aplicados na produção dos produtos ou na prestação de serviços. Os fretes foram glosados porque se referem a deslocamentos de matériaprima entre o armazém e a fábrica. Dos créditos apropriados pela filial Santos, que atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior (atendendo a própria ADM e também a terceiros), foram glosados os créditos tomados em relação a despesas que a fiscalização não conseguiu correlacionar com serviços prestados a terceiros; c) Créditos sobre a despesa de depreciação de bens do ativo imobilizado: foram glosados os créditos tomados sobre a depreciação de vagões, pois o transporte de produtos ocorre fora da área da fábrica, em fase posterior à produção; d) Crédito presumido da agroindústria: foi glosado o crédito presumido sob a justificativa de que o contribuinte, em vez de adotar o preço consignado nas notas fiscais de aquisição de soja, utilizou como base de cálculo do crédito presumido o valor médio de compra. Também foi glosado o crédito presumido em relação à soja adquirida para revenda, pois a Lei nº 10.925/2004, só autoriza a tomada de crédito em relação às compras para industrialização. Regularmente notificado, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Conceito de insumo O conceito de insumo para fins de apuração de créditos das contribuições nãocumulativas é mais amplo do que aquele que foi utilizado pela autoridade administrativa. Devem ser considerados todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora porque a materialidade das contribuições é mais próxima da materialidade do IRPJ do que da do IPI, como reconheceu expressamente o próprio art. 27 da IN 900/2008. 2) Crédito sobre fretes Alegou que o transporte de matériaprima entre o armazém e a fábrica é um gasto absolutamente necessário e intrínseco à atividade de produção, pois se não houver essa transferência, não haverá produção. Assim, ao contrário do que sustenta a fiscalização, existe direito ao crédito sobre tais fretes. 3) Crédito sobre serviços portuários Alegou que para garantir que esses créditos sejam apropriados apenas sobre a parcela dos custos incorridos na prestação de serviços a terceiros, adota dois métodos Fl. 938DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 dependendo da natureza dos custos ou despesas. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas (CODESP), relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado, a segregação dos serviços prestados a terceiros é feita a cada embarque. Por outro lado, para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como almoxarifado, combustíveis, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços prestados a terceiros e aqueles prestados à própria ADM é feita com base no volume total movimentado por mês. 4) Serviços de manutenção e reparos e aquisições de partes e peças Tal como ocorre com os fretes, a despeito de os serviços de manutenções e reparos em geral (conta contábil 520018) não serem aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, não há dúvidas de que esses gastos são necessários à atividade da recorrente, garantindo a qualidade e prolongando a prestação desses serviços. Invocou a aplicação das Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e nº 309 de 29/11/2011. 5) Depreciação de itens do ativo imobilizado (vagões) Alegou que o transporte de produtos da fábrica para o porto é essencial às suas atividades fabris, de modo que a depreciação dos vagões deve ser considerada como base para tomada do crédito. Se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados, não há motivo para se negar o crédito sobre a depreciação dos vagões que fazem exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. 6) Crédito presumido da agroindústria Alegou que a autoridade administrativa não discordou do direito da recorrente ao crédito presumido, apenas discordou do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Explicou que o preço da soja registrado nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores não representa o preço da soja, pois o preço efetivo do produto só é conhecido no encerramento do contrato (contratos com preço a fixar). Existe diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no fechamento do contrato. Assim, o preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser superior ou inferior ao preço que é fixado no fechamento do contrato. Esta forma de contratação é padrão no mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. A 16ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Quanto aos insumos e serviços glosados pela fiscalização, foram aplicados os conceitos estabelecidos nos arts. 8º e 9º da IN 404/2004. Relativamente aos fretes com o transporte de materiais entre estabelecimentos da empresa, a DRJ aplicou a interpretação vertida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 e manteve a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto às despesas com serviços de manutenção e reparo e de aquisição de partes e peças (conta 520018) a glosa foi mantida, sob o argumento de que os gastos não foram incorridos diretamente na produção. No que tange aos serviços utilizados como insumo na filial Santos, a glosa foi mantida sob a justificativa de que o art. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não admitem o rateio de despesas quando a parte da despesa, encargo ou custo é vinculado à prestação de serviços a terceiros e parte é vinculada às despesas de comercialização incorridas pela própria empresa. Em resumo, entendeu a DRJ que não há previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas comuns, quando uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. Relativamente ao crédito sobre a despesa de depreciação de vagões, entendeu a DRJ que a Fl. 939DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720266/201177 Acórdão n.º 3403002.763 S3C4T3 Fl. 6 5 glosa deveria ser mantida porque os vagões não são empregados diretamente na fabricação dos produtos. No tocante ao crédito presumido, a glosa foi mantida porque a DRJ entendeu que a metodologia empregada pela recorrente afronta o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/2004, uma vez que não considera nem a vinculação com o período de apuração e nem os valores consignados nos documentos fiscais. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou em preliminar a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou a recorrente a nulidade do acórdão de primeira instância por falta de motivação e por preterição do direito de defesa. Segundo a recorrente, a impugnação foi detalhada no sentido de demonstrar seu direito aos créditos pleiteados. Foi demonstrado com base na legislação aplicável e nas particularidades de suas atividades a legitimidade dos créditos, mas a DRJ simplesmente desconsiderou as alegações de defesa e proferiu sua decisão de forma desmotivada se limitando a transcrever excertos da legislação. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no argumento de que a legislação não prevê o direito de crédito em relação a insumos e serviços indiretos. A decisão recorrida apresenta entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos, serviços e os encargos de depreciação só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto aos fretes, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/991. No que diz respeito à filial Santos, a decisão foi motivada na ausência de previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas. E quanto à glosa do crédito presumido, a decisão de primeira instância foi fundamentada no fato de o contribuinte ter violado o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/04, pois seu 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 procedimento não teria observado a vinculação das aquisições de insumos com o período de apuração do crédito e nem o valor consignado nas notas fiscais. Quantos aos erros materiais alegados, a decisão se fundamentou na falta de provas. Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. BBEENNSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS No que tange aos bens e aos serviços aplicados no processo produtivo da recorrente, a questão consiste em estabelecer se eles podem ou não gerar créditos da contribuição, à luz dos arts. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados (ANEXO I), a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, as quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Fl. 941DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720266/201177 Acórdão n.º 3403002.763 S3C4T3 Fl. 7 7 I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de Fl. 942DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/992. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 27 da IN 900/08, pois esse dispositivo teria encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no art. 27, caput, alude aos gastos incorridos no auferimento das receias especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados no ANEXO I se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente não integram o custo de produção, tais como bebidas, refeições de negócios, despesas de entretenimento, despesas de viagem/gasolina, despesas com hotéis, despesas com postagens, copa cozinha e suprimentos de escritório. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos e recipientes utilizados no laboratório, se aplicados na produção; uniformes, se utilizados pelo pessoal da produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. 2 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 943DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720266/201177 Acórdão n.º 3403002.763 S3C4T3 Fl. 8 9 Entretanto, a defesa não trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo, que permitisse ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas no ANEXO I. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFRREETTEESS No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) Com relação aos fretes, foram glosados os créditos apropriados sobre as despesas relativas às transferências internas, classificadas pelo contribuinte como fretes sobre transferências e frete planta/planta. Esses fretes referemse a deslocamentos entre as unidades da própria ADM, relativos ao envio da matéria prima do armazém para a fábrica. (...)" É incontroverso que esses fretes glosados no ANEXO II se referem ao transporte da matériaprima soja dos armazéns para a fábrica. Logo, não se está diante do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos, mas sim do transporte de matéria prima para a unidade de produção a fim de ser processada. Tratandose de movimentação de matériaprima entre o "estoque" e a fábrica, os fretes incorridos no serviço de transporte, embora não vinculados à operação de compra da matériaprima e nem à operação de venda do produto acabado, enquadramse como custo de produção, nos termos do art. 290, I, do RIR/99 e devem gerar o crédito das contribuições com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFIILLIIAALL SSAANNTTOOSS É fato incontroverso nos autos que a filial localizada no Porto de Santos tem como atividade a recepção, o armazenamento e o embarque de mercadorias próprias quanto de terceiros. No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende terceiros, a unidade atua como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade (...). Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre custos de navios, para as quais não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8º, § 4º, II "b", da IN SRF nº 404, de 2004, Fl. 944DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 combinado com o art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Os dados podem ser verificados no anexo II. (...)". A leitura do texto reproduzido acima revela que a fiscalização aceitou a segregação efetuada pela recorrente para expurgar do cálculo do crédito a parcela das despesas incorridas com a comercialização de seus próprios produtos. Embora o contribuinte tenha alegado que houve glosa de créditos sobre despesas classificadas como "condomínio portuário", "movimentação", "classificação" e "água (CODESP)", no ANEXO II se pode verificar que neste processo a fiscalização só glosou os gastos com "custos de navios", "despesas portuárias", ", "despesas com estiva", "classificação" e "mãodeobra avulsa", identificadas no ANEXO II com a rubrica "santos armaz", pois segundo a autoridade administrativa "não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros". Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. Em sede de recurso o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que os documentos 3, 4 e 5, anexados com a manifestação de inconformidade, comprovariam a vinculação de parte desses gastos com a prestação de serviços a terceiros. Entretanto, este processo versa sobre pedido de ressarcimento relativo ao 2º Trimestre de 2009 e o contribuinte apresentou os mesmos documentos dos processos relativos ao 1º Trimestre de 2007. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720266/201177 Acórdão n.º 3403002.763 S3C4T3 Fl. 9 11 O fato a ser comprovado é a existência de vinculação entres os gastos incorridos nos meses do 2º Trimestre de 2009 com serviços prestados a terceiros no 2º Trimestre de 2009. Tendo apresentado documentos relativos a outro trimestrecalendário, permanece não comprovada a vinculação dos gastos relacionados no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz", devendo ser mantida a glosa da fiscalização. SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO EE RREEPPAARROOSS EE AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS ((CCOONNTTAA CCOONNTTÁÁBBIILL 552200001188)) Em relação à conta 520018 manutenção e reparos, verificase que foram glosados facas, espátulas, carimbos, borrachas, serviços de análises laboratoriais diversas, assistência técnica calibração de equipamentos de laboratório, combate a insetos, serviços de limpeza de pátio e jardinagem, serviço de água e esgoto, aluguel de toalhas/estopas industriais, serviço de representante junto à ANEEL, serviços de lavanderia, serviços de auditoria e consultoria, desenhos e projetos técnicos, serviços de planejamento e engenharia. Nem todos esses serviços foram glosados em todos os processos ora em julgamento. Dependendo do trimestre, um ou outro serviço está ausente da lista de glosa, mas o que se pretende ao nominálos é demonstrar que a própria denominação dos itens glosados permite ao homem médio inferir que eles não são aplicados na prestação de serviços a terceiros. O art. 290, I do RIR/99, estabelece que: "Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei n º1.598, de 1977, art. 13, §1 º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior;(...) " Como se vê, somente bens e serviços aplicados ou consumidos na produção é que integram o custo de produção. Se a própria recorrente reconheceu que não se tratam de gastos aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, então não há direito ao crédito. No que tange às Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e 309, de 29/11/2011, a interpretação é a mesma contida neste voto. Em outras palavras, embora esses atos administrativos reconheçam o direito ao crédito em relação à manutenção de máquinas e equipamentos e à aquisição de partes e peças para sua manutenção, é preciso que esses gastos sejam incorridos diretamente na produção. DDEEPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDEE IITTEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO ((VVAAGGÕÕEESS)) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito Fl. 946DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO DDAA AAGGRROOIINNDDÚÚSSTTRRIIAA Relativamente à glosa do crédito presumido, apressouse a recorrente em alegar que a autoridade administrativa não discordou do seu direito ao crédito presumido, mas apenas e tãosomente do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Com isso, espera a recorrente que este colegiado se limite às alegações trazidas ao processo pelas partes, esquecendose de que o princípio "tantum devolutum quantum appellatum", albergado no art. 515 do CPC, encerra prescrição no sentido de que a extensão do recurso é determinada pelo recorrente (art. 515, caput), mas a profundidade da análise é determinada pelo tribunal (art. 515, § 2º). Nesse passo, em que pese a relevância da argumentação da recorrente e do Parecer Jurídico elaborado pelo Prof. Roque Antonio Carrazza, que foi encaminhado por e mail aos Conselheiros integrantes deste colegiado, a discussão travada acerca da natureza dos contratos de aquisição de soja e quanto à valoração dessas aquisições para o fim de se apurar o crédito presumido é impertinente a este processo de ressarcimento. Isto porque o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.925/2004 não gera direito ao ressarcimento para compensação com outros tributos. O crédito presumido da agroindústria só pode ser utilizado para o abatimento das próprias contribuições ao PIS e Cofins devidas por operações no mercado interno. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão 3403002.057, de 24/04/2013. O problema se resume em estabelecer se o crédito presumido dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03, quando decorrente de exportação. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (e também o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02) estabelecem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; e, se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. Entretanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os Fl. 947DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720266/201177 Acórdão n.º 3403002.763 S3C4T3 Fl. 10 13 créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Acontece, que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. Percebese a nítida intenção do legislador de restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Assim, ainda que os argumentos da recorrente quanto à natureza dos contratos de aquisição de soja e respectiva valoração viessem a ser julgados procedentes por este colegiado, o resultado deste julgamento não poderia ser outro que não o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito presumido da agroindústria. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Antonio Carlos Atulim Fl. 948DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15224.001298/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 23/08/2004
Extravio. Consequências.
O extravio de mercadoria, apurado em procedimento de Conferência Final de Manifesto impõe a cobrança dos imposto incidente sobre a importação, acrescidos de multa de 50%, independentemente do destinação que seria dada à mercadoria, caso efetivamente descarregada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Consequências. O extravio de mercadoria, apurado em procedimento de Conferência Final de Manifesto impõe a cobrança dos imposto incidente sobre a importação, acrescidos de multa de 50%, independentemente do destinação que seria dada à mercadoria, caso efetivamente descarregada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 22 4. 00 12 98 /2 00 4- 50 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15224.001298/200450 Acórdão n.º 3102001.950 S3C1T2 Fl. 101 2 Por meio do auto de infração de fls. 1/9, instruído com as peças de fls. 10/22, a unidade aduaneira do aeroporto internacional Eduardo Gomes/MNS exige, do contribuinte acima identificado, o crédito tributário de R$ 140,88, referente ao Imposto de Importação, com base no art. 72 c/c 104, I, acrescido do valor referente à multa prevista na alínea “d” do inciso III do art. 628 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, então vigente. Segundo consta dos autos, tratase de exigência decorrente da falta de mercadoria acobertada pelo conhecimento de carga masterMAWB nº 04214341375, relacionado ao conhecimento houseHAWB nº 46051148, chegada a Manaus por intermédio do vôo VRG9797, proveniente da cidade de Munich/Alemanha, consoante as informações contidas no termo de entrada nº 04/0010759. De acordo com a descrição dos fatos contida em aludida exação, o crédito tributário foi apurado em razão do procedimento aduaneiro de conferência final de manifesto. Relata a fiscalização, em suma, que, após o correspondente confronto entre o manifesto de carga e os registros de descarga do veículo transportador, aflorou a constatação do extravio de 1(um) volume de carga que deveria espelhar, de acordo com as faturas comerciais respectivas, 50.000 (cinqüenta mil) unidades de capacitores cerâmicos, valorados em U$S 170,00, sendo tal responsabilidade atribuída ao transportador. Da impugnação O contribuinte, após ter sido cientificado, pessoalmente, do lançamento em estudo, em 24/08/2004, consoante faz prova a ciência posta à fl. 1, apresentou, em 08/09/2004, sua impugnação, conforme peça e documentos de fls. 25/47, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito em apreço, desenvolveu sua defesa, estribandose em diversas decisões judiciais e administrativas, conforme a seguir, em resumo, exposta: em se tratando de mercadorias objeto de unitização em contêineres, em regime de consolidação de carga, eventuais responsabilidades relacionadas a divergências físicas deslocam se ao agente de carga, ou mesmo, ao próprio exportador, descabendo qualquer imputação ao transportador; a diferença de peso traduz mero engano ou omissão escritural, mormente diante da inexistência de compatibilidade entre a diferença de peso e a mercadoria dita extraviada; mercadorias destinadas à fruição do regime aduaneiro relativo à Zona Franca de ManausZFM não se prestam a promover expectativa de arrecadação pelo fisco; como a tributação relacionada ao extravio de mercadoria visa ao mero ressarcimento do fisco no tocante aos tributos ali Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15224.001298/200450 Acórdão n.º 3102001.950 S3C1T2 Fl. 102 3 integrantes, não se revela razoável a exação em estudo, posto que aqui não se vislumbra o que ressarcir; o regime isentivo de tributação, jungido ao regime aduaneiro em tela, pela sua própria natureza, obsta qualquer pretensão de ressarcimento de supostos tributos deixados de ser recolhidos em virtude do extravio de mercadorias, visto – frisese não ocorrer incidência de tributos; é mansa a jurisprudência acerca desta matéria; Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em face do encerramento do mandato do Relator originalmente designado, em 28/02/2013, foram os autos redistribuídos a este Conselheiro, mediante o competente sorteio. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi suscitada questão preliminar. Passo ao mérito. O recurso voluntário, tal e qual a impugnação, está centrado em duas linhas. Enfrentoas separadamente. Responsabilidade do Transportador Sendo inconteste que, em ato de conferência final de manifesto, detectouse o extravio da mercadoria que é objeto do presente litígio, não vejo como afastar a responsabilidade do transportador sob a alegação de que tal falta decorreria de falha imputável ao agente de carga ou ao exportador. Com relação a esse aspecto, o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, vigente à época dos fatos, não deixa margem para outra interpretação. Confirase o que dizia o art. 592 (original não destacado): Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver: (...) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15224.001298/200450 Acórdão n.º 3102001.950 S3C1T2 Fl. 103 4 IV divergência, para menos, de peso ou dimensão do volume em relação ao declarado no manifesto, no conhecimento de carga ou em documento de efeito equivalente, ou ainda, se for o caso, aos documentos que instruíram o despacho para trânsito aduaneiro; (...) Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea “d” do inciso III do art. 628; e Incidência de Tributos e Multa Não vejo, por outro lado, como reconhecer que a intenção de destinar o produto à Zona Franca de Manaus afaste a incidência de tributo sobre a mercadoria extraviada. Inicialmente, há que se relembrar que o elemento nuclear do fato gerador do imposto de importação está atrelado exclusivamente a uma única condição: o ingresso da mercadoria no Território Nacional, real ou presumido1. Esse é o elemento que realmente interessa à caracterização do fato gerador. As demais questões, como a destinação da mercadoria ou a localização do estabelecimento final, neste momento, demonstramse inteiramente irrelevantes. A esse respeito, peço vênia para lembrar a lição de Geraldo Ataliba2: “20.14 Assim, a lei ao descrever um estado de fato limitase a arrecadar certos caracteres que bem o definam, para o efeito de criar uma h.i.. Com isso pode negligenciar outros caracteres do mesmo, que não sejam essenciais à configuração de uma h.i.. Pode, portanto o legislador arrolar muitos ou só alguns dos caracteres do estado de fato ao erigir uma h.i.. Esta, como conceito legal, é ente jurídico bastante em si. 20.15 Só interessam ao exegeta, no fato concreto subsumido à hipótese de incidência, os caracteres que tenham sido contemplados pela lei (h.i.). Os demais são desprezíveis, por irrelevantes.” (os grifos não constam do original) Dessa forma, podese dizer que, no exato momento em que o veículo transportador ingressa nos limites territoriais brasileiros, perfeito e acabado está o fato gerador do imposto. 1Art. 1o do Decretolei no 37, de 18 de novembro de 1966, com redação fornecida pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988: “O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.” § 1o (omissis) 2 Hipótese de Incidência Tributária. São Paulo, 2000, Malheiros, 6ª edição, 5ª tiragem, p. 61. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15224.001298/200450 Acórdão n.º 3102001.950 S3C1T2 Fl. 104 5 No caso concreto, operouse o fato gerador presumido, eis que a mercadoria, efetivamente acobertada pelos documentos de transporte, somente teve sua falta percebida quando da conferência final de manifesto, subsumindose, assim, à hipótese de incidência prevista no § 2o do art. 1o do Decreto no do Decretolei no 37, de 1966, com redação fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988, que dispõe: § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Assim sendo, forçoso é concluir, com apoio nos dispositivos legais e na melhor doutrina, que, para que o ingresso (real ou presumido) da mercadoria no Território Nacional não faça surgir a obrigação de recolher o imposto de importação, há que se verificar a subsunção do fato a uma norma que expressamente afaste a cobrança do tributo. Definitivamente, é fato incontroverso que as mercadorias objeto do presente processo se destinariam à Zona Franca, mas igualmente incontroverso é que, segundo se apurou, após a conferência do manifesto de carga, lá não foram descarregadas. Outrossim, ainda que tivessem sido descarregadas, não se pode esquecer que a isenção concedida aos produtos importados com destino à Zona Franca está condicionada ao cumprimento de requisitos e tais requisitos, no caso em comento, certamente não serão cumpridos. Confirase a regulamentação do benefício levada a efeito pelo Decreto n° 61.244, de 1967, em cujo art. 3º se lê (original não destacado): Art 3º Farseá com suspensão dos impostos de importação e sobre produtos industrializados a entrada, na Zona Franca de Manaus, de mercadorias procedentes do estrangeiro e destinadas: I a seu consumo interno; II a industrialização de outros produtos, no seu Território; III à pesca e à agropecuária; IV à instalação e operação de industrias e serviços de qualquer natureza; V à estocagem para reexportação; VI à estocagem para comercialização ou emprego em outros pontos do território nacional. (...) § 4º As obrigações tributárias suspensas, nos termos deste artigo: I se resolvem efetivandose a isenção integral nos casos dos incisos I, III, IV e V, com o emprego da mercadoria nas finalidades previstas nos mesmos incisos; II se resolvem, quanto à parte percentual reduzida do imposto, nos casos dos incisos II, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7º; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 15224.001298/200450 Acórdão n.º 3102001.950 S3C1T2 Fl. 105 6 III tornamse exigíveis, nos casos do inciso VI, quando as mercadorias forem remetidas para outro ponto do território nacional.” Por último, por tudo que foi exposto, à cobrança dos impostos foi corretamente acrescida a multa de 50%, calculada sobre o imposto de importação, expressamente prevista no art. 106, inciso II, alínea “d”, do mesmo Decretolei, que dispõe textualmente: Art. 106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: I ... II de 50% (cinqüenta por cento): (...) d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira; Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário Sala das Sessões, em 24 de julho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000506/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. VALORES INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
As despesas médicas e com instrução são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. É responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA.
A Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Isso significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio), no caso do CARF, expressamente vedado pelo art. 62 do Anexo II do seu Regimento Interno.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Celia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canario da Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. VALORES INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas e com instrução são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. É responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. 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Não cabe para coleta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 05 06 /2 01 0- 14 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Celia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canario da Silva. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13984.000506/201014 Acórdão n.º 2101002.425 S2C1T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado neste processo, foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2006, 2007 e 2008, por dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente com despesas médicas e com instrução (fls. 51 a 54), apurandose o imposto de R$ 26.834,22, sobre o qual incide multa de ofício de 75% e juros de mora. Cientificado e inconformado com a autuação, o contribuinte impugnou o lançamento alegando em sede de preliminar a nulidade do auto de infração por não ter sido alertado das consequências pela não retificação das declarações, quando do seu comparecimento à Delegacia da Receita Federal em Lages (SC). No mérito, alega que as declarações foram elaboradas por um excolega de trabalho que não lhe devolveu os seus documentos; que a multa, além de inaplicável, é abusiva, com nítida intenção e efeito confiscatório; e que é inconstitucional a cobrança de juros Selic. Por fim, requer a produção de provas por outros meios, notadamente a realização de diligências e provas periciais. A 6ª Turma de julgamento da DRJ em Curitiba Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0725.389 (fls. 84 a 86), mantendose o crédito tributário exigido. Intimado da decisão acima em 14 de setembro de 2011, o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 11 do mês seguinte, representado por procurador legalmente habilitado, alegando que: a) Preliminarmente, o Auto de Infração seria nulo, pois o autor é uma pessoa simples, sem maiores conhecimentos, não tendo como interpretar e cumprir a complexa legislação do imposto de renda, e que deveria ter sido propiciado a ele o direito de proceder a correção de sua declaração antes de qualquer medida punitiva. Pede que seja concedido prazo para que possa retificar suas declarações; b) No mérito, alega que, como já asseverado na impugnação, por não ter condições nem conhecimentos, sua declaração foi elaborada por um ex colega que se mudou e não lhe devolveu os documentos e, pela primazia da verdade dos fatos, deveriam ser realizadas as diligências necessárias, enviandose ofício às instituições discriminadas como beneficiárias para que informassem o valor utilizado pelo recorrente a título de despesa médica e de instrução. Questiona ainda a multa de ofício por ser injusta e exacerbada e por fim que sejam considerados os documentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O que se discute no recurso voluntário são as deduções com despesas médicas e de instrução que o contribuinte afirma não possuir os comprovantes, pois o excolega não os teria devolvido. Em função de não possuir tais documentos, solicita a nulidade do lançamento para que possa apresentar a retificadora sem a multa de ofício e que a Receita Federal oficie os beneficiários para comprovar as despesas efetivas. Compulsando os autos, observase que a decisão de primeira instância analisou pontualmente cada uma das questões apontadas pelo contribuinte, que nada de novo acrescentou ao recurso. Em relação às preliminares, como já dito na decisão da DRJ, não se vislumbra no lançamento as hipóteses de nulidade elencada no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, estando o lançamento em total consonância com o disposto no art. 10 do mesmo decreto, que define os requisitos obrigatórios do auto de infração, e das disposições contidas no art. 142, do CTN. Assim, não se verificando nenhum vício prejudicial no instrumento de autuação, não há que se falar em nulidade do lançamento. No mérito, não cabe razão ao contribuinte quanto à confecção de provas pelo Fisco para as deduções por ele declaradas e glosadas pela autoridade fiscal, nem em relação à aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. É certo que são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as despesas com instrução e as despesas médicas (Lei n° 9.250 de 1995, artigo 8°, inciso II, alíneas "a" e "b", consolidadas nos artigos 80 e 81 do Decreto 3.000 de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda). Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme consta do art. 73 do citado regulamento. Como não foram apresentados os comprovantes das despesas, correto lançamento fiscal. Não cabe ao Fisco adotar providências para produção de provas para as deduções declaradas no ajuste anual do imposto de renda pessoa física. A norma legal transfere ao contribuinte o dever de comprovar as deduções e justificálas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. Nesse caso, é responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. A realização de diligências e perícias somente se aplica quando há necessidade de formação de convicção do julgador, conforme dispõe os art. 16, 18, 29 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, que não é o caso. Como muito bem observado na decisão da DRJ, no que diz respeito à responsabilização por infrações, nos termos do art. 136 do CTN, também não cabe discutir a Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13984.000506/201014 Acórdão n.º 2101002.425 S2C1T1 Fl. 4 5 intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A responsabilidade é do declarante. A multa de ofício, fundamentada no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, está corretamente aplicada. A Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por qualquer que seja o motivo, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento Somente os órgãos judiciais têm esse poder, ou, em casos excepcionais, as cúpulas dos poderes executivo e legislativo. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o art. 62 de seu Regimento Interno veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. Isto posto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10983.910113/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 107 1 106 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.910113/200907 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.243 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Retorno de Diligência Recorrente SANTOS GUGLIELMI AGROPECUÁRIA E IMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 01 13 /2 00 9- 07 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910113/200907 Acórdão n.º 3801003.243 S3TE01 Fl. 108 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP com base em direito creditório originado de suposto pagamento a maior a título de PIS não homologado. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP foi utilizado integralmente para quitar débitos em nome do contribuinte, não restando crédito disponível para a almejada compensação, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e de juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls., sustentando, essencialmente, que seu direito creditório advém de inclusão indevida na base de cálculo do PIS de receitas auferidas com a venda de arroz, produto in natura de origem vegetal, uma vez que tais receitas devem ser excluídas da apuração da aludida contribuição, nos termos do artigo 9º da Lei n.° 10.925/2004, juntando com a defesa o DARF representativo do recolhimento a maior, DCTF do período de onde se verifica o lançamento supostamente equivocado do tributo e o recolhimento efetivado a este título, DCTF retificadora contemplando o valor que entende correto, DACON semestral contemplando o valor retificado da Contribuição, planilhas demonstrativas da base de cálculo do PIS e COFINS dos períodos, balancete contábil do período e notas representativas do faturamento relativo aos valores indevidamente incluídos na base de cálculo do PIS, além de outros. A DRJ em Florianópolis/SC, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte, através do acórdão de fls., considerando que o contribuinte apenas procedeu à retificação de sua DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o que lhe seria defeso: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Devidamente intimado para tanto interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário às fls. que se valeu basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade quanto à origem de seu crédito, suscitando, ainda, seja Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910113/200907 Acórdão n.º 3801003.243 S3TE01 Fl. 109 3 considerado o princípio da verdade real na análise do presente processo administrativo, haja vista que Autoridade Julgadora de origem apenas apegouse a critérios formais para verificação acerca da validade da compensação realizada. Essa Turma determinou que o processo fosse baixado em diligência para que a DRF de origem procedesse do seguinte modo: 1) Examine a Delegacia de origem os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. 2) Abra prazo para a contribuinte se manifestar. 3) Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. Em relatório de diligência a DRF apresentou manifestação alegando que: (...) A presente lide versa sobre a verificação da correção da base de cálculo promovida pelo contribuinte para o recolhimento do PIS, considerada por ele como recolhida a maior, para o período de apuração de maio de 2006. Portanto, o cerne da questão cinge se à validação, ou não, pela Receita Federal do Brasil (RFB) da desconsideração da quantia de R$ 74.988,00 (Nota Fiscal nº 001054) da base de cálculo do período aludido, ou seja, se a referida receita é passível do tratamento contido no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. A meu ver, não assiste direito ao reconhecimento da suspensão da incidência da Contribuição para o o PIS/PASEP e da COFINS sobre a operação contida na Nota Fiscal nº 001054. (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º. O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910113/200907 Acórdão n.º 3801003.243 S3TE01 Fl. 110 4 I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º. A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Com base na outorga legal conferida pelo § 2º do dispositivo legal supracitado, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, que, entre outros assuntos, estabeleceu termos e condições para a fruição do benefício de suspensão do art. 9º da Lei 10925/2004. Da análise documental, verificase, primeiramente, que não consta da Nota Fiscal nº 001054 menção à expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, consoante a obrigação do disposto no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 660/2006. Ademais, convém salientar que o § 1º do art. 2º da IN SRF 660/2006 preconiza que, para a aplicação da suspensão, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º da referida Instrução Normativa. Observase que os dispositivos em comento estabelecem requisitos obrigatórios para fruição da suspensão do PIS e da COFINS, seja no que tange às características dos produtos e aos bene ficiários (arts. 2º e 3º), seja no que concerne aos adquirentes (art. 4º). No que diz respeito à aplicação da suspensão, verificase que o art. 4º da IN SRF 660/2006 exigia, entre outros requisitos, que as pessoas jurídicas vendedoras dos produtos arrolados no inciso I do art. 3º da menciona Instrução Normativa obtivessem do adquirente a declaração de que cuida o inciso I do § 1º do art. 4º da IN SRF 660/2006. Ocorre que, cotejando os elementos da Nota Fiscal nº 001054, verificouse que esta foi emitida no mês de maio de 2006, porém a declaração acostada às fls., fornecida pelo adquirente das mercadorias, foi firmada posteriormente, em setembro de 2006, o que enseja supor não acobertar a operação naquela consubstanciada. Assim, opinamos ser inviável o reconhecimento da aplicação da suspensão de que cuida o art. 9º da Lei nº 10925/2004, tendo em vista o não preenchimento dos termos e condições assinalados pela IN SRF 660/2006 (art. 9º, § 2º da Lei nº 10925/2004). A Recorrente se manifestou acerca da diligência informando que os documentos existentes comprovam a operação e que os requisitos para fruição foram cumpridos. É o que importa relatar. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910113/200907 Acórdão n.º 3801003.243 S3TE01 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. A diligência decorreu do entendimento da Turma que, afastando o argumento da DRJ, afastou a impossibilidade de retificação da DCTF após o despacho decisório. O objetivo da diligência era o de averiguar a existência do crédito em discussão. A DRF de origem, contrariamente ao requerido, preferiu analisar novamente o pedido e concluiu, sponte propria, pela impropriedade do direito consubstanciado na nota fiscal acostada aos autos porque “verificouse que esta foi emitida no mês de maio de 2006, porém a declaração acostada às fls., fornecida pelo adquirente das mercadorias, foi firmada posteriormente, em setembro de 2006, o que enseja supor não acobertar a operação naquela consubstanciada”, ou seja, a Nota Fiscal foi emitida em maio/2006 e a declaração firmada em setembro do mesmo ano. Evidentemente, essa suposição não pode afastar o direito da Recorrente. Tenho, inclusive, que em nenhum caso meras suposições podem servir para afastar direitos. Pelo que se pode inferir, inclusive através do mais perfunctório raciocínio, se a nota fiscal foi emitida em maio de 2006 e a Instrução Normativa somente obrigou a emissão da declaração em julho de 2006, considerando que a IN é de 17 de julho de 2006, razoável que a declaração somente tenha sido emitida em setembro porque a contribuinte não é obrigada a ter, para cumprir as determinações normativas, o dom da clarividência. Considerando isso e considerando que foi somente esse empecilho apontado pela DRF para aproveitamento do crédito, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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