Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13888.904195/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.904195/2009-19
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5426619
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-002.479
nome_arquivo_s : Decisao_13888904195200919.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 13888904195200919_5426619.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5812866
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477560541184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 311 1 310 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.904195/200919 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.479 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 41 95 /2 00 9- 19 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 312 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.266, às fls. 70 a 76: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Por intermédio do despacho decisório de fls. 60, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 1, na qual alega, em síntese, que: a) Houve erro de fato ao preencher a DCTF do 3° trimestre de 2001, no que se refere ao IRPJ do período de apuração 30/09/2001. A DIPJ foi retificada mas por um lapso a DCTF não. b) Após a ciência do Despacho Decisório de fl. 60, a empresa tomou ciência do erro e procedeu à retificação da DCTF do 3° trimestre de 2001. c) O crédito informado na PER/DCOMP está correto, porém em razão da informação incorreta na DCTF do 3° trimestre de 2001, a Secretaria da Receita Federal não encontrou crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. d) Demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 313 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001 Ementa: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 314 4 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO ATENDIMENTO DO PRAZO EXPRESSAMENTE PREVISTO NO ARTIGO 168, INCISO I, DO CTN PELA RECORRENTE como pode se verificar da decisão recorrida, a mesma discorreu acerca de eventual preclusão do direito da Recorrente, diante de suposta retificação tardia da DCTF, Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 315 5 balizandose para tanto em analogia, o que se demonstra inaplicável ao caso em tela, haja vista disposição expressa no CTN acerca dos pedidos de repetição de indébito tributário, não obstante impossibilidade de se impor obrigação acessória dissociada de lei; o período de apuração do recolhimento indevido/a maior objeto da presente análise se perfez em 12/2002, enquanto que a PER/DCOMP, informando o pagamento equivocado e conseqüente compensação fora transmitida em 15/03/2005, conforme documento anexo; é norma cogente descrita no artigo 168, inciso I, do CTN, que o direito de pleitear a restituição nas hipóteses de pagamento indevido/a maior se extingue com o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos a contar do efetivo recolhimento; em sendo assim, a Recorrente agiu em conformidade com mencionada determinação, pois procedeu com o pedido a que fazia jus dentro do lapso qüinqüenal arrolado acima. Para tanto, retificou a DIPJ do anocalendário em questão, que apesar de ser meramente informativa, demonstrou a composição dos valores realmente devidos a título de IRPJ; o fato de que a retificação da DCTF fora procedida em momento posterior, não prejudica o direito pleiteado tempestivamente, pois configurase em obrigação acessória, sanável a qualquer momento, o que de fato ocorreu. A única implicação que eventualmente poderia decorrer deste ato, seria o afastamento de espontaneidade para efeito de cobrança de multa de ofício, na hipótese de lançamento tributário, o que não se demonstra nos presentes autos; é incabível a aplicação de analogia no caso em comento, pois se figuraria em nova imposição tributária em face do contribuinte (retificação dentro de prazo pré definido), sem a existência de determinação expressa em lei, não obstante a violação ao disposto no artigo 168, inciso I, do CTN, que regulamenta o prazo e forma da repetição do indébito tributário, o que fora efetivamente cumprido pela Recorrente; imposições de qualquer espécie no âmbito tributário, no que se refira a prescrição e decadência, ainda que de caráter acessório, devem estar definidas estritamente por meio de lei complementar, nos termos do artigo 146, inciso III, alínea “c”, da Constituição Federal, sendo insuscetível de extensão e utilização análoga em casos não previstos em lei específica; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 316 6 princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 317 7 a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 318 8 verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 319 9 quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja afastada a imposição constante da decisão recorrida, quanto a eventual prazo para retificação da DCTF relativa à competência em exame, haja vista pleito da Recorrente transmitido dentro do qüinqüênio previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, não obstante a impossibilidade de utilização de analogia no caso em tela, conforme demonstrado; 2) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 3) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 320 10 Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.405 (fls. 247 a 264), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 288 a 301, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 305 a 307. Este é o Relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 321 11 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 14/06/2006 (fls. 65 a 68), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 3º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/10/2001 e possui o valor total de R$ 30.429,27. A compensação abrange débito de PIS e COFINS do mês de maio de 2006, no montante de R$ 28.237,28. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando: que a DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, é confissão de divida, enquanto que a DIPJ tem caráter meramente informativo; que para retificar a DCTF, a Contribuinte estaria sujeita ao mesmo prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN; que a DCTF retificadora foi transmitida em 04/05/2009, após a ciência do despacho decisório e já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, de 30/09/2001; que dessa forma a respectiva exigência fiscal atrelada ao IRPJ já se encontrava formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4º, do CTN. Além disso, a DRJ também entendeu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, afirmando que ela não Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 322 12 apresentou em sua peça impugnatória qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ retificadora do ano calendário correspondente. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.405. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 323 13 No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (15/03/2005), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 324 14 Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, e nem em tempo hábil, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer documentação para demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, limitandose a apresentar a DIPJ retificadora do ano calendário correspondente. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 325 15 Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 326 16 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 327 17 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 328 18 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços Fl. 328DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 329 19 hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 330 20 Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 3º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 331 21 Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 288 a 301. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 2001, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deduziu o IRfonte somente até o valor do imposto a pagar quando poderia ter aproveitado todo o imposto retido no trimestre, o que teria gerado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2001, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou imposto zero a pagar, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado como recolhimento indevido, passível de restituição. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 305 a 307, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.405. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 332 22 radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904195/200919 Acórdão n.º 1802002.479 S1TE02 Fl. 333 23 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009251/2005-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensa-se a exigência de juros de mora e de multa de ofício sobre os valores depositados, tempestivamente, mantendo-se a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que davam provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensa-se a exigência de juros de mora e de multa de ofício sobre os valores depositados, tempestivamente, mantendo-se a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Recurso Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.009251/2005-46
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5419733
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.221
nome_arquivo_s : Decisao_11080009251200546.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 11080009251200546_5419733.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5791356
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477567881216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 247 1 246 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.009251/200546 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.221 – 3ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria Exclusão da Multa de Ofício com Depósito Judicial Parcial Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERVIERI ENGENHARIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência de juros de mora e de multa de ofício sobre os valores depositados, tempestivamente, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 92 51 /2 00 5- 46 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Por meio do Acórdão nº 340300.334, de 29/04/2010, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Sessão de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos, para declarar a perda do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador ocorrido em fevereiro de 1998 e restringir aplicação da multa de oficio a razão de 75% (setenta e cinco por cento) sobre as diferenças apuradas, fls. 156 a 158. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONSECTARIOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. Constatado a insuficiência do depósito, impõe o lançamento em relação as diferenças apuradas, acrescida dos acréscimos legais e aplicação da multa de oficio sobre os valores não incluídos na DCTF. Recurso Negado. A Presidência da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara interpôs embargos declaratórios que foram providos através do Acórdão nº 340300.766, de 10/12/2010, para sanar a contradição e o lapso cometido na anotação do resultado do Acórdão nº 340300.334, cujo resultado do julgamento passa a ser o seguinte: “Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso”. Trascrevemos aqui a ementa do referido acórdão que examinou os embargos: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período de Apuração: 01.01.1997 a 31.12.2002. Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. Não incide Multa de Ofício sobre os valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade, constatado essa exigência, impõe o afastamento da penalidade. Recurso Provido. Na seqüencia, a Fazenda Nacional também interpôs embargos declaratórios que foram acolhidos pelo Acórdão nº 3403001.136, de 11/08/2011, para afastar a contradição e obscuridade constatadas, contudo, sem modificar o resultado do julgamento. No caso, ressaltou o voto deste acórdão que a multa de oficio lançada no presente processo estaria sendo exigida em outro processado, motivo pelo qual cabia cancelar o seu lançamento. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 173 a 178, requerendo a reforma do acórdão vergastado para que seja reconhecido que a multa de oficio deve incidir sobre a integralidade do crédito tributário constituído na hipótese de depósito judicial a menor. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.009251/200546 Acórdão n.º 9303003.221 CSRFT3 Fl. 248 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional aponta que o entendimento do acórdão recorrido divergiu dos paradigmas 20177.638 e 20179.960, argumenta que os acórdãos paradigmas não fazem qualquer ressalva no que tange à aplicação da multa de oficio apenas sobre o valor remanescente, concluindo, então, por sua aplicação sobre a integralidade do débito questionado. Prossegue sua argumentação, reclamando que a decisão recorrida teria contratiado os Arts. 141 e 151 do Código Tributário Nacional, bem como o disposto no caput do Art. 63 da Lei nº 9430/96. Considera, então, que somente se poderia cogitar da inaplicabilidade da multa de oficio sobre parte do débito se o depósito efetivado fosse integral, o que não teria ocorrido no presente caso. Aponta que não existiria o instituto da "suspensão parcial de débitos" no direito tributário e cita a Súmula 112 do STJ que trata da matéria em comento: "O deposito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro", cita também jurisprudência colhida no sítio (internet) daquela corte para amparar seus argumentos. Conclui, então, que o lançamento realizado com a cobrança de multa de oficio seria plenamente cabível e condizente com a legislação tributária em vigor, porquanto a exação depositada judicialmente, por não ser integral ao montante considerado devido pelo Fisco, não teria o condão de suspender o credito tributário. O recurso foi admitido integralmente, conforme Despacho nº 340000.332, de 04/12/2012, fls. 226 a 227. As contrarrazões vieram às fls. 215/235, em 21/01/2013, após ciência da Intimação de Resultado do CARF em 09/01/2013 (conforme AR à f1.238). É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da exigência da multa de ofício sobre as parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. O depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. A Lei nº 6.830, de 1980, assim dispõe: Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...). Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. Assim, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. Contudo, sobre os valores das parcelas que não foram depositadas e de possíveis diferenças, deve ser mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Devese, ainda, acrescentar que a decisão recorrida alertou, na parte do acórdão que apreciou os embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional, que a multa de oficio lançada no presente processo também estaria sendo exigida em outro processo, motivo pelo qual coube cancelar o seu lançamento no presente processo. Neste ponto, cabe ressaltar que esta relevante questão fática retromencionada, em nenhum momento foi abordada pelo recurso especial interposto pela Fazenda. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial, para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000023/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
MATÉRIA PRECLUSA. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INOCORRÊNCIA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. Em assim sendo, o acórdão embargado, ao não abordar essas questões, não incorreu em qualquer omissão passível de ser sanada pela via dos embargos declaratórios.
Numero da decisão: 1302-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria em rejeitar os embargos, vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Márcio Rodrigo Frizzo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2011 MATÉRIA PRECLUSA. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INOCORRÊNCIA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. Em assim sendo, o acórdão embargado, ao não abordar essas questões, não incorreu em qualquer omissão passível de ser sanada pela via dos embargos declaratórios.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16643.000023/2011-50
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5427483
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.632
nome_arquivo_s : Decisao_16643000023201150.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16643000023201150_5427483.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria em rejeitar os embargos, vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Márcio Rodrigo Frizzo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5820747
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477571026944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 358 1 357 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000023/201150 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.632 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de fevereiro de 2015 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS MULTA Embargante EMS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 MATÉRIA PRECLUSA. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INOCORRÊNCIA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. Em assim sendo, o acórdão embargado, ao não abordar essas questões, não incorreu em qualquer omissão passível de ser sanada pela via dos embargos declaratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria em rejeitar os embargos, vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Márcio Rodrigo Frizzo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 23 /2 01 1- 50 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000023/201150 Acórdão n.º 1302001.632 S1C3T2 Fl. 359 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 5.675.650,33, para constituição de crédito tributário correspondente a multa por falta ou atraso na entrega de escrituração contábil, com fundamento nos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Mantido o lançamento em primeira instância administrativa e interposto o competente recurso voluntário, o processo veio a julgamento perante este Colegiado em 09/10/2013, sob a relatoria do eminente Conselheiro Guilherme Pollastri. Naquela oportunidade, mediante o acórdão nº 1302001.197 (fls. 164/184), a Turma acordou, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso da contribuinte, em decisão assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. ARTS. 11 E 12 DA LEI 8.218/1991. INAPLICABILIDADE DO ART. 57 DA MP 2.15835/2001. Em caso de descumprimento das obrigações acessórias instituídas pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 aplicamse as penalidades estabelecidas no art. 12 do mesmo diploma legal. As penalidades de que trata o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, mesmo após as modificações introduzidas pela Lei nº 12.766/2012, se aplicam exclusivamente ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o que não é o caso dos presentes autos. A obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se confunde com aquela criada pela IN RFB nº 787/2007, com base na delegação de competência do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2011 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário correspondente a multa pelo descumprimento de obrigação acessória contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Não está em discussão, aqui, tributo, muito menos foi atribuído ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000023/201150 Acórdão n.º 1302001.632 S1C3T2 Fl. 360 3 exame da autoridade administrativa. O que existe, sim, é uma obrigação acessória, cujo descumprimento traz como consequência a imposição de multa pecuniária, convertendose a obrigação acessória em principal, nos exatos termos da lei. A contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, então, deve seguir a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Cientificada da decisão em 20/03/2014 (documento à fl. 355) e com ela inconformada, a interessada interpôs os embargos declaratórios de fls. 192/230 em 25/03/2014 (documento à fl. 192), alegando a ocorrência de omissões sobre diversos pontos sobre os quais deveria a Turma terse pronunciado. Em apertada síntese, sustenta a embargante que não apenas os argumentos trazidos em sede de recurso, mas também aqueles relacionados no memorial e apresentados durante a sustentação oral, teriam deixado de ser apreciados pela Turma. No que toca a estes dois últimos, acrescenta que se trataria de matéria de Ordem Pública, passível de apreciação até mesmo de ofício. No parágrafo 49 dos embargos (fl. 202), a interessada relaciona resumidamente os pontos que teriam sido totalmente ignorados pelo acórdão embargado: 1) Refiscalização e Lançamento sobre o mesmo período já fiscalizado e autuado sem autorização do superior hierárquico; 2) Duplicidade de autos de infração sobre os mesmos fatos, no mesmo período, com a mesma base de cálculo e enquadramentos legais; 3) Erro no enquadramento legal da infração; 4) Inexistência de Infração: aplicação do Parecer Normativo nº 03/2013; 5) Erro na eleição do critério quantitativo da autuação. A embargante conclui com o pedido de saneamento das omissões apontadas e exame das questões por ela ventiladas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Os embargos são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias, estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Também a Unidade Preparadora atesta a tempestividade, conforme despacho à fl. 357. Ademais, as alegadas omissões foram apontadas de forma específica, atendendo ao pressuposto regimental. Conheço, pois, dos embargos. Inicialmente, considero conveniente relacionar, por tópicos, os argumentos trazidos no recurso voluntário (fls. 147/160); no memorial, entregue aos Conselheiros por ocasião do julgamento que resultou no acórdão ora embargado (fls. 266/305); e nas cópias das telas da apresentação empregada como apoio na sustentação oral, feita da tribuna pela patrona Fl. 360DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000023/201150 Acórdão n.º 1302001.632 S1C3T2 Fl. 361 4 da ora embargante, igualmente por ocasião do julgamento que resultou no acórdão ora embargado (fls. 306/353). Argumentos do recurso voluntário: a) Decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para todos os meses anteriores a dezembro de 2005. b) Erro na determinação da base de cálculo da multa: a base de cálculo deveria ser representada apenas pela receita bruta do mês de dezembro de 2005, tendo em vista que os meses anteriores do anocalendário teriam sido alcançados pela decadência. Argumentos trazidos no memorial: c) Ainda que se pudesse admitir mora, isso somente teria ocorrido a partir de 19/01/2011. d) Novo lançamento em período já fiscalizado sem autorização do superior hierárquico. e) Duplicidade de auto de infração sobre o mesmo período. f) Decadência das obrigações acessórias: o crédito tributário sob análise já estaria integralmente alcançado pela decadência na data do lançamento. g) Erro no enquadramento legal da infração (art. 12, inciso III x art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/1991). h) Inexistência de infração: interpretação dada pelo Parecer Normativo nº 3/2013. i) Retroatividade benigna prevista no art. 8º da Lei nº 12.766/2012. j) Erro na eleição do critério quantitativo da autuação: Ainda que fosse possível considerar haver atraso, isto somente teria ocorrido entre os dias 11/01/2011 e 01/02/2011, ou seja, 22 dias de atraso. Argumentos trazidos na sustentação oral: em essência, idênticos aos itens (d) a (j), acima. De plano, é possível observar que não houve qualquer omissão no que tange aos argumentos trazidos na peça recursal. O tema decadência foi extensivamente analisado no voto vencedor e, uma vez não reconhecida a decadência, perde o sentido a alegação de que a base de cálculo empregada estaria majorada porque decaídos os períodos até novembro/2005. Aqui, no entanto, não há controvérsia, visto que estes tópicos não estão entre aqueles relacionados como omissões pela embargante. A alegada omissão de número (4) – Inexistência de Infração: aplicação do Parecer Normativo nº 03/2013 – guarda relação com a alegação da letra (h) do memorial. No entanto, ao contrário do que afirma a embargante, essa matéria foi tratada no voto vencedor do acórdão embargado. Após esclarecer que a obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se confunde com aquela criada pela IN RFB nº 787/2007, com base na delegação de competência do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o Redator designado assim se manifesta (fl. 183): Fl. 361DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000023/201150 Acórdão n.º 1302001.632 S1C3T2 Fl. 362 5 Finalmente, não se pode deixar de mencionar o Parecer Normativo RFB nº 3, de 10/06/2013. Com todo o respeito devido aos ilustres pareceristas e demais autoridades que subscrevem aquele normativo, por todo o acima exposto, entendo que suas conclusões não são as que melhor integram a legislação. Lembro, ainda, que este CARF não está obrigado às interpretações esposadas pela Receita Federal. Essa alegada omissão, portanto, não existe, e os embargos devem ser rejeitados, quanto a este ponto. No que toca às demais omissões alegadas, de se verificar que esses argumentos não constavam da peça recursal tempestivamente apresentada, vindo a serem suscitados apenas em sede de memoriais e sustentação oral, da tribuna, no momento do julgamento. A teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Acerca do instituto da preclusão, assim leciona Humberto Theodoro Júnior1: A essência da preclusão, para Chiovenda, vem a ser a perda, extinção ou consumação de uma faculdade processual pelo fato de se haverem alcançado os limites assinalados por lei ao seu exercício. Decorre a preclusão do fato de ser o processo uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas, a fim de que se obtenha a prestação jurisdicional, com precisão e rapidez. Sem uma ordenação temporal desses atos e sem um limite de tempo para que as partes os pratiquem, o processo se transformaria numa rixa infindável. Do exposto, sobressai a falta de competência da Autoridade Julgadora de segunda instância para tomar conhecimento dessa matéria em sede de recurso voluntário. É verdade que, em algumas situações, exceções são admitidas a esse princípio. A título ilustrativo, no Direito positivado encontramos o § 3º do art. 267 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) [...] IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; Vl quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; 1 THEODORO Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40ª Ed., Vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 480. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000023/201150 Acórdão n.º 1302001.632 S1C3T2 Fl. 363 6 [...] § 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. A doutrina cuida do assunto sob o nome de questões de ordem pública. Tais questões são aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, em geral, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo, refletindose na própria segurança jurídica. Os exemplos acabados a serem citados, especialmente aplicáveis ao processo administrativo fiscal, são a decadência, as condições da ação (possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e legitimidade de parte), além dos pressupostos processuais de existência e validade. Em tais situações, a jurisprudência administrativa tem admitido o exame em segundo grau mesmo na ausência de préquestionamento na fase impugnatória ou, ainda, que o relator ou qualquer dos julgadores suscite de ofício matéria não impugnada nem recorrida. Bem se vê, entretanto, que no caso em tela não está em discussão questão que possa ser entendida como sendo de ordem pública. Relaciono, mais uma vez, as alegadas omissões, com respectivas correspondências com os tópicos do memorial: Alegada Omissão Tópico do Memorial 1 Refiscalização e Lançamento sobre o mesmo período já fiscalizado e autuado sem autorização do superior hierárquico; d 2 Duplicidade de autos de infração sobre os mesmos fatos, no mesmo período, com a mesma base de cálculo e enquadramentos legais; e 3 Erro no enquadramento legal da infração; g 5 Erro na eleição do critério quantitativo da autuação. j As alegações (3) e (5), caso viessem a ser apreciadas por este Colegiado, implicariam absoluto redirecionamento e inovação na discussão até então travada. Nem na impugnação, nem no recurso, a interessada manifestou qualquer reclamação de que o enquadramento legal da infração estivesse equivocado no ato do lançamento, sendo certo que as instâncias julgadoras analisaram e mantiveram, até aqui, um lançamento de multa por atraso na entrega de arquivos magnéticos, com base nos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. O mesmo se pode dizer quanto ao cálculo do valor da multa, ou seja, do número de dias em atraso. Por certo não se trata de matéria de ordem pública, mas tão somente da determinação do quantum exigível. Rejeito, com estes fundamentos, as alegadas omissões de números (3) e (5). Quanto às alegações (1) e (2), de se verificar que estão interligadas. A embargante se refere ao auto de infração objeto do presente processo nº 16643.000023/201150 e ao auto de infração objeto do processo nº 16643.000409/201081. Cumpre esclarecer o que segue: Processo 16643.000409/201081 – Auto de infração de multa regulamentar pela não apresentação de arquivos magnéticos referentes ao anocalendário 2005, lavrado em 22/12/2010, período entre 10/12/2010 e 22/12/2010 (12 dias). Fundamento: arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/1991, com a redação do art. 72 da MP 2.15834/2001: 0,02% por dia sobre a receita bruta do período, limitada a 1% da receita bruta. O encerramento da Fl. 363DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000023/201150 Acórdão n.º 1302001.632 S1C3T2 Fl. 364 7 fiscalização foi parcial, expresso no Termo de Verificação Fiscal, itens 20 e 21, fls. 61/62 daquele processo; também expressamente permaneceu a exigência de apresentação dos arquivos digitais do ano de 2005. Também o termo de encerramento (fl. 67 daquele processo) é expresso quanto ao encerramento parcial. Ver também Termo de Intimação Fiscal nº 08 (fl. 69), que expressamente cita o encerramento parcial. Este processo nº 16643.000023/201150: Mesma multa, de 23/12/2010 a 01/02/2011, quando os arquivos magnéticos foram finalmente entregues (41 dias). O valor foi limitado a 1% da receita bruta, considerandose também o lançamento anterior. Como se vê, também as alegações de omissões (1) e (2) tratam de matéria que não pode ser considerada de ordem pública, e devem ser rejeitadas. Apenas a título de esclarecimento, registrese: a fiscalização foi encerrada parcialmente, de onde se rejeita de plano qualquer alegação de refiscalização ou de necessidade de autorização de superior hierárquico. E os dois autos de infração dizem respeito a atrasos ocorridos em períodos diversos (o primeiro, de 10/12/2010 e 22/12/2010; o segundo, de 23/12/2010 a 01/02/2011), sendo certo que no segundo lançamento se aplicou a limitação legal de 1% da receita bruta, considerandose também o valor da primeira autuação. Com isso, cai por terra também qualquer alegação de duplicidade de lançamentos. Em conclusão, por todo o exposto, voto por conhecer dos embargos e negar lhes provimento, ratificando integralmente o quanto decidido no acórdão embargado nº 1302 001.197, de 09/10/2013. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 364DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.016040/2007-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito determinar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Embargos Acolhidos.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10380.016040/2007-84
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414546
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.764
nome_arquivo_s : Decisao_10380016040200784.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10380016040200784_5414546.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito determinar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5778859
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477582561280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.016040/200784 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2403002.764 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Embargante HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito determinar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 60 40 /2 00 7- 84 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016040/200784 Acórdão n.º 2403002.764 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, cuidavase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0813.928, fls. 626/639, que julgou procedendo o lançamento em epígrafe, mantendose incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.131.612 0, no importe de R$ 14.002.363,71 (catorze milhões dois mil trezentos e sessenta e três reais e setenta e um centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2002 a 12/2006, tendo sido lavrado em 19/12/2007 e almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, incidentes sobre os valores pagos a cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, apuradas pelo procedimento de aferição indireta. O Relatório Fiscal, fls. 61/66, assim consigna: 3. DA AUDITORIA FISCAL PREVIDENCIÁRIA (...) 3.2. Apesar das sucessivas intimações para apresentação das notas fiscais/faturas de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e respectivos contratos, a empresa apresentou apenas parcialmente as notas e nenhum dos contratos, fato que motivou a lavratura do Auto de Infração – AI DEBCAD 37.143.5129. Diante do exame das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF relativamente ao período de 2002 a 2006, verificouse que a empresa de fato pagou a cooperativas de trabalho montante superior ao contido nas faturas apresentadas, assim, apuramos as contribuições incluídas neste documento por meio do arbitramento da base de cálculo e conseqüente aferição da contribuição devida. A não informação destes fatos geradores em GFIP motivou a lavratura do AutodeInfração – AI DEBCAD 37.143.5137. (...) 4. DOS FATOS E DO LEVANTAMENTO DO DÉBITO 4.1. Considerando a apresentação deficiente e incompleta das notas fiscais/faturas de cooperativas de trabalho, procedemos à constituição do presente crédito previdenciário por meio de aferição indireta. (...) 4.3. Para tanto, arbitramos como base de cálculo da contribuição social as informações constantes nas DIRF para o período entre 2002 e 2006, reduzindo destes valores as notas que foram de fato apresentadas e os valores informados em GFIP. Como a empresa não apresentou nenhum contrato firmado com Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 4 cooperativas de trabalho, tornouse impossível aplicar a redução no valor da base de cálculo prevista no artigo 291 da Instrução Normativa nº 3 de 14 de julho de 2005. Desta forma, a base de cálculo das contribuições devidas é 100% do valor informado na DIRF. 4.4. Argüiu a empresa que as cooperativas de trabalho por ela informadas em GFIP foram contratadas de fato pela FUNDAÇÃO ANA LIMA, CNPJ 07.411.705/000140, sendo a HAPVIDA apenas a pagadora por força de contrato celebrado entre ambas (em anexo).Acontece que as cooperativas de trabalho são contratadas com o fim precípuo de atender os segurados da HAPVIDA, desempenhando a fundação um papel meramente formal entre a HAPVIDA e as cooperativas com o intuito de elidir as obrigações tributárias através do benefício de uma suposta isenção que a fundação possui. O Código Tributário Nacional é claro em seu artigo 123 “salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes”. Assim, o contrato celebrado entre a HAPVIDA e a FUNDAÇÃO ANA LIMA não tem qualquer valor perante a Receita Federal no que tange à modificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os valores pagos a cooperativas de trabalho foram informados exclusivamente na DIRF da empresa HAPVIDA, e a parcela das faturas de cooperativas de trabalho que foram apresentadas estão em nome também da HAPVIDA, não figurando a citada fundação em nenhum documento apresentado relativo à prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls.99/110. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0813.928, fls. 626/639, a qual julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. Com fulcro no art. 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei nº 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal – STF editou e publicou a súmula vinculante nº 8, cujo teor é no sentido de considerar inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Assim, no que diz respeito à decadência das contribuições destinadas à Seguridade Social, devem ser aplicados os prazos previstos no Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016040/200784 Acórdão n.º 2403002.764 S2C4T3 Fl. 4 5 Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento antecipado das contribuições referentes aos fatos geradores individualizados pela fiscalização, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRIBUIÇÃO SOBRE VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DIRF. SUJEIÇÃO PASSIVA. Uma vez que a empresa apresentou a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF assumindose como fonte pagadora de serviços prestados por cooperativas, a exibição de contratos destas com terceira empresa, sem a prova irrefutável que esta era a tomadora dos serviços e responsável pelos pagamentos, não é suficiente para descaracterizar a primeira como devedora da contribuição prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, IV. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. A recusa ou a sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, autorizam o Fisco, sem prejuízo da penalidade cabível, a inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário (Lei nº 8.212/91, art. 22, § 3º). CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NA LEI Nº 8.212/91, ART. 22, IV. BASE DE CÁLCULO. Nas atividades da área de saúde, somente podem ser aplicados os percentuais de 30% (trinta por cento) e 60% (sessenta por cento) previstos nos incisos I, “a” e “b”, do art. 291 da Instrução Normativa – IN MPS/SRP nº 03/05 para definição da base de cálculo da contribuição da Lei nº 8.212/91, art. 22, IV, quando for apresentado contrato no qual possam ser verificadas as condições estipuladas por esses dispositivos normativos, mormente se se trata de contrato coletivo para pagamento de valor predeterminado. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 663/678, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Preliminar de decadência parcial do lançamento, com esteio no art. 150, § 4º, do CTN; Estipulação de prazos exíguos frente à quantidade de documentos solicitados pela auditoria, razão pela qual a aferição indireta consistiu em ato Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 6 arbitrário por parte da fiscalização, ferindo os princípios do devido processo legal e ampla defesa; Descaracterização da Recorrente como devedora, eis que consiste apenas em administradora de planos de saúde, ao passo que a vinculação direta das cooperativas se dá com a Fundação Francisca Feitosa e/ou Fundação Ana Lima. Nesta senda, os termos dos contratos estabelecidos entre as Fundações e a Recorrente, constituem prova irrefutável de que aquelas são as verdadeiras tomadoras dos serviços prestados pelos cooperados; Inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, eis que ao criar nova base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, Lei nº. 9.876/99, estaria sendo violado o princípio da reserva legal; DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E DOS EMBARGOS Analisados os argumentos contidos na peça recursal, foi prolatado o Acórdão nº 2403002.328, fls. 714/727, na qual julgou pelo provimento em parte do recurso voluntário, reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, através das fls. 732/742, foi dada a ciência ao contribuinte, que apresentou suas contrarrazões, bem como opôs Embargos de Declaração, fls. 749/752, alegando em suma os seguintes fundamentos fáticos e jurídicos: 2. No julgamento do voluntário, em sessão realizada no dia 19/11/2013, essa colenda Turma proveu em parte o recurso apenas para determinar o recálculo da multa de mora; mantendo, outrossim, o lançamento quanto a obrigação principal prevista no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. Eis o que restou consignado o voto do i. Relator. (...) 3. Contudo, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE de nº 595.838, que ocorreu em 23/04/2014, declarou, na sistemática da repercussão geral, a inconstitucionalidade da contribuição prevista justamente no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. (...) 5. Dessa forma, se a obrigação principal, fundada no IV do art. 22 da Lei 8.212/91, foi declarada inconstitucional pelo STF, a exigência da obrigação acessória, consubstanciada em multa no valor de R$ 1.768.382,40, logo assim, deve ser declarada inexigível na hipótese. Assim, foi prolatado o despacho nº 2403031, fls. 774/775 que propôs o conhecimento da peça embargatória, estando de acordo o presidente desta Turma. É o relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016040/200784 Acórdão n.º 2403002.764 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme se percebe do relatório do presente voto, bem como dos fatos que ensejaram a autuação em epígrafe, temos que a matéria aqui tratada é unicamente o pagamento a cooperativas, nos termos do art. 22, IV da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário sob o manto da Repercussão Geral, art. 543B do CPC, ajuizado pela Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, teve sua inconstitucionalidade declarada pela unanimidade de votos pelos Ministros daquela côrte, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Referida decisão fora publicada na ATA Nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação é a que segue: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 8 Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Por tal razão, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, merece ser exonerado o crédito tributário dos presentes autos em razão da inconstitucionalidade da exação positivada no art. 22, IV da Lei 8.212/91, revogandose em parte o acórdão anteriormente prolatado, para manter os seus termos apenas no que toca a decadência verificada e, no mérito, determinar a exoneração do crédito tributário. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço dos embargos de declaração para, no mérito, determinar a exoneração do crédito tributário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001770/2009-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade.
A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.741
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.001770/2009-85
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403030
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.741
nome_arquivo_s : Decisao_11030001770200985.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 11030001770200985_5403030.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5742298
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477637087232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.001770/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.741 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COOPERATIVA MISTA DOS TRABALHADORES AUTÔNOMOS DO ALTO URUGUAI COMTAU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 70 /2 00 9- 85 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria, Acórdão 1811.903 da 3ª Turma, que julgou conjuntamente os processos nº 11030.001768/200914, DEBCAD nº 37.225.7631 (principal), processo nº 11030.001769/200951, DEBCAD n o 37.225.7593 (as contribuições destinadas a outras entidades: SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE ) e o processo 11030.001770/200985, DEBCAD no 37.225.7615 (por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68 omissão em GFIP de informações relacionadas a fatos geradores de contribuição previdenciária, identificadas com as contribuições reclamadas)). Deuse provimento parcial para excluir do processo principal (110.30,001768/200914, DEBCAD 37.225.7631) a quota patronal de 20%. O que gerou recurso de ofício. Esta Turma, em sessão realizada em 16/03/2011, julgou os recursos voluntário e de ofício do processo principal e por unanimidade negou provimento ao Recurso Voluntário e deu provimento ao Recurso de Ofício; cancelando a exoneração da cota patronal promovida pela DRJ e mantendo integralmente o crédito tributário lançado Registro que este processo é o 11030.001770/200985, omissão de fatos geradores em GFIP (CFL 68). O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: A Cooperativa acima identificada, sujeito passivo na condição de contribuinte, foi notificada a recolher as contribuições previdenciárias quota patronal ( processo principal no 11030.001768/200914, DEBCAD no 37.225.7631) e as contribuições destinadas a outras entidades: SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE (processo no 11030.001769/200951, DEBCAD n o 37.225.759 3) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a empregados, assim considerados os pagamentos informados em GFIP para pessoas designadas de cooperados. Quanto àqueles em que não foi comprovada a efetiva prestação dos serviços, está a se exigir no processo principal a contribuição previdenciária incidente sobre pagamento a trabalhadores autônomos não cooperados ( art. 22, inciso III, da Lei no 8.212/91). A empresa também foi autuada (processo apensado no 11030.001770/200985, DEBCAD no 37.225.7615) por descumprimento de obrigação acessória (omissão em GFIP de informações relacionadas a fatos geradores de contribuição Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 previdenciária, identificadas com as contribuições reclamadas) ,por ter sido aplicada a legislação vigente a época dos fatos, visto que a superveniente, onde a infração seria penalizada em conjunto com a inadimplência (multa de ofício:75%, prevista no art. 44 da lei n o 9.430/96) não se mostrou mais benéfica (demonstrativo fl. 129/131do processo principal). Os valores originários das contribuições apuradas, descritos por competência e item de cobrança, constam dos AI nos anexos "Discriminativo do Débito DD". A base imponível é apresentada no "Relatório de Lançamentos" e os fundamentos legais do débito afiguramse no relatório "RL". No AI por descumprimento de obrigação acessória, temse o "Relatório fiscal da Infração" e o "Relatório Fiscal de Aplicação da Multa Pecuniária". A exigência fiscal (processo principal mais apensados) é de R$ 45.634.773,24 (quarenta e cinco milhões, seiscentos e trinta e quatro mil, setecentos e setenta e três reais e vinte e quatro centavos), consolidado em 22/11/2009, aplicandose a multa da legislação de regência. A seguir, são reproduzidos excertos do relatório fiscal que motivaram as autuações: A auditoria previdenciária foi demandada pelo Ministério Público Federal de Bento Gonçalves, que determinou a realização de fiscalização ampla relativamente às relações de trabalho encetadas pela empresa no âmbito de sua jurisdição, visto a existência de fundados indícios da prática de delitos. O Ministério Público Federal no Município de Pato Branco, em 05/05/2006, ofereceu denúncia contra os dirigentes da denominada Cooperativa Mista dos Trabalhadores do Alto Uruguai Ltda COMTAU, pois os mesmos deixaram de proceder a regular anotação na CTPS, relativa ao período de 02/02/2002 a 05/10/2004, determinada em sentenças proferidas pela Vara de Trabalho daquela cidade, nas quais foi estabelecido o vínculo empregatício de 54 reclamantes com a COMTAU. O procedimento da empresa também é de conhecimento do Ministério Público Federal em Erechim, conforme comprova o Ofício n o 555/2008PRM/Erechim(RS), de 03 de julho de 2008. No documento, o Procurador da República solicita à Polícia Federal que instaure inquérito policial para averiguar a possível prática de ilícitos penais "ao deixar de pagar direitos trabalhistas a empregados camuflados como cooperados." Existe, ainda, solicitação de investigação de sonegação de contribuições previdenciárias e de outros tributos por parte do Ministério Público Federal de Erechim, instrumentalizada no ofício n o 15/2008 PRM/Erechim(RS) e apuração do eventual crédito tributário devido à existência de sentença proferida em reclamatória trabalhista na qual foi reconhecido o vínculo empregatício entre a reclamante e a COMAU. A COMTAU tem foro na comarca de Erechim RS e área de ação abrangendo todo o Brasil. A finalidade primordial, prevista no Estatuto Social da cooperativa, é a defesa econômicosocial dos seus associados, organizando o trabalho individual e coletivo e Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 4 5 tratando de seus interesses junto a terceiros, sem qualquer objetivo de lucro. Regida pela Lei da Política Nacional do Cooperativismo (Lei no 5.764/71), propõese a promover aos associados trabalhadores autônomos das áreas primária, secundária e terciária e aos seus dependentes cursos de capacitação, formação e aperfeiçoamento e, dentre outros objetivos, contratar serviços nas respectivas áreas de atuação. Não obstante os objetivos com propostas de formação, capacitação e aperfeiçoamento dos trabalhadores, constantes no ato constitutivo, verificouse no decorrer da auditoriafiscal que na prática tratase de empresa prestadora de serviço, criada para participar de licitações junto aos órgãos públicos e fornecer mãodeobra às empresas, aproveitandose da denominação de cooperativa para se elidir do pagamento das contribuições previdenciárias e de terceiros incidentes sobre a folha de pagamento. Os trabalhadores são contratados como cooperados para atender a sua demanda operacional. Sendo necessário, agencia médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, agentes de saúde, coletores de lixo ou qualquer outro profissional para cumprir as exigências de contrato firmado com órgãos públicos através de processo de licitação ou com empresas tomadoras de serviço. Assim, a empresa admite supostos cooperados autônomos das mais diversas áreas de atuação, sem qualquer correlação entre as atividades. Uma sociedade cooperativa não é constituída por uma simples reunião de pessoas sem afinidades comuns, "mas de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro" (art. 3 0 da Lei n o 5.764/71). Contudo, diversamente da convergência de interesses prevista na lei que trata do cooperativismo, o estatuto contém objeto social amplíssimo, permitindo que a sociedade assuma a execução das mais variadas 1111 atividades laborais o que impossibilita a existência de qualquer afinidade entre os associados. O art. 281 da Instrução Normativa SRP no 03/2005, vigente à época dos fatos, definia cooperativa de trabalho como uma "sociedade formada por operários artífices ou pessoas da mesma profissão ou oficio ou de vários ofícios de uma mesma classe, que na qualidade de associados prestam serviços a terceiros por seu intermédio". A partir da constatação de que a sociedade englobava profissionais das mais diversas áreas, sem nenhum interesse comum, entendese que está desvirtuada a finalidade da cooperativa. Deveria ser composta somente por uma determinada categoria de trabalhadores, que, unidos pelo esforço comum, buscasse benefício a todos. Não se vislumbra a principal característica da cooperativa de trabalho que é de prestar serviços aos próprios associados. Essa constatação é corroborada por várias sentenças proferidas em processos de reclamatórias trabalhistas movidos por trabalhadores que lhe prestaram serviço no período Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 compreendido na exigência fiscal e tiveram os vínculos reconhecidos pela Justiça do Trabalho nas mais diversas Varas (subitem 6.3 do Relatório Fiscal). São cerca de 1650 processos movidos contra a empresa por deixar de pagar direitos trabalhistas a seus empregados disfarçados de cooperados. Houve decréscimo no número de trabalhadores prestando serviço na condição de cooperados e, a partir de 04/2008 a contratação de empregados que foram vinculados aos tomadores de serviço, demonstrando a substituição progressiva da mãodeobra autônoma por trabalhadores com vínculo empregatício (na GFIP 11/2008 constam 729 cooperados e 18 empregados).As receitas obtidas com a atividade de cessão de mãodeobra apresentou crescimento significativo, excetuando o ano de 2005.Não houve distribuição de sobras nos anos de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009. Verificouse que os custos com a contratação de empresas de assessoria, consultoria e de prestação de serviços diversos, conforme relatado no item 6.2.2, muitas vezes sem comprovação da efetiva contraprestação, inviabilizam as sobras por reduzirem o resultado líquido. A Cooperativa foi usada em favor dos seus dirigentes, Sócios fundadores, que receberam através de empresas e de pagamentos feitos a pessoas físicas, valores consideráveis, configurandose remuneração distribuída disfarçadamente. Incluemse nesse contexto, pagamentos efetuados a empresas vinculadas e de propriedade dos dirigentes da cooperativa. Isso, segundo a autoridade julgadora, denota que se trata de sociedade mercantil de fato, constituída com a finalidade de beneficiar seus proprietários, os dirigentes e fundadores da cooperativa. Além dos elevados valores repassados para pessoas jurídicas, verificouse também vários pagamentos efetuados para cooperados, sendo alguns parentes dos dirigentes, sem a comprovação da efetiva prestação do serviço. Na maioria dos casos não se pode comprovar que o beneficiário indicado realmente recebeu os valores que foram lançados na conta dispêndio produção de associados. Os pagamentos foram efetuados com cheques, sendo que nos casos de repasses para os cooperados que realmente prestaram serviço a cooperativa utiliza a modalidade de depósito em conta corrente. Os cheques , de valores elevados e ao portador, na maioria das vezes utilizados para quitar, num mesmo documento, os valores supostamente pagos para dois, três ou até quatro beneficiários. Ora, é pouco provável que duas, três ou quatro pessoas concordem em receber a remuneração em conjunto, com o mesmo cheque. Em alguns casos estes cooperados nem sequer residiam na mesma cidade. Nenhum desses beneficiários foi informado em DIRF, não constando a retenção do Imposto de Renda no comprovante de pagamento. Quando da admissão, os cooperados contribuem com o pagamento simbólico de R$ 2,00 descontados mensalmente de sua remuneração até totalizar R$ 20,00. Concluise desta forma que a inserção do trabalhador na sociedade era praticamente gratuita, com o intuito principal de se apropriar de sua força de trabalho. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 5 7 Tempestivamente, a autuada se insurge contra as exigências fiscais, apresentando as razões consubstanciadas nos instrumentos de defesa, a saber: A impugnante é uma cooperativa regularmente constituída, com registro na OCERGS e na OCB, de conformidade com o exigido pela Lei das Sociedades Cooperativas. O reconhecimento judicial de alguns vínculos empregatícios entre associados e a cooperativa não deve prevalecer sobre inúmeras decisões judiciais em sentido oposto, desconsiderando os. Naquelas, a impugnante foi compelida pela Justiça Especializada do Trabalho, ob pena de execução, a proceder ao pagamento da contribuição previdenciária devida em razão da relação de emprego reconhecida, e não apenas das verbas trabalhistas deferidas na ação; Deve a fiscalização caracterizar a relação de emprego de forma clara, o que não ocorreu no caso concreto; A caracterização do vínculo empregatício independe de o trabalhador atuar em atividade fim ou meio da empresa. É preciso haver subordinação; Tramitou contra a impugnante, perante o foro trabalhista da Subseção Judiciária em Erechim, uma Ação Civil Pública, na qual resultou celebrado pelas partes uma conciliação (acordo), onde todos os associados da impugnante, até o dia 31/12/2009, seriam gradativamente transformados em empregados. Daí o motivo pelo qual a contar de meados de 2008, a impugnante está gradativamente transformando seus associados em empregados. Por óbvio que o cumprimento pela impugnante do predito acordo não pode ser utilizado como argumento para lhe autuar; Impugna valores lançados a título de pagamento a diversos "associados", como referido no próprio auto de infração, tais como Daniele Coifa, Angela Bortolassi Delacortt e Ires Fátima Guareschi (item 6.2.3.10), dentre outros, eis que fatos desconhecidos da atual diretoria, e sem respaldo em documentos na escrituração contábil da impugnante. A teor do disposto no parágrafo único do art. 442 da CLT, qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. Todas as empresas tomadoras dos serviços da cooperativa procediam ao recolhimento de 15% sobre o valor da nota fiscal ou fatura, conforme exigência do art. 22, inciso IV, da Lei n o 8.212/91, com redação dada pela Lei n o 9.876/99, de modo que tais valores devem ser observados na apuração de valor eventualmente devido pela ora impugnante, procedimento esse que não foi levado a efeito no caso em análise. Assim, diante das razões fáticas e jurídicas, a autuada requer que seja desconstituído o lançamento fiscal. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A inexistência de vínculo de emprego entre a cooperativa e o associado deve ser considerada como presunção juris tantum, somente devendo ser afastada quando verificada a presença dos elementos caracterizadores da relação jurídica de emprego. Entretanto, o fisco simplesmente desconsiderou o ato cooperativo existente entre a cooperativa (recorrente) e seus associados e fez incidir a contribuição previdenciária, como se os associados da recorrente fossem seus empregados. · O artigo 90 da Lei 5.764/1971, a qual estabelece a Política Nacional de Cooperativismo, reza: "Qualquer que seja o tipo de cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados". · O Fisco simplesmente desconsiderou o ato cooperativo existente entre a cooperativa (recorrente) e seus associados. · A hipótese dos autos não contempla a presença dos requisitos exigidos pelo artigo 3° da CLT para fins de configuração da relação de emprego. · O fato de em algumas ações ter sido reconhecido o vinculo de emprego entre algum associado da cooperativa recorrente e está, até mesmo em relação ao tomador dos serviços, não serve para desconsiderar outras inúmeras decisões judiciais em sentido oposto, ou seja, quando não houve o reconhecimento da relação de emprego, mas, sim, de um ato cooperativo. · Para autuar a recorrente deveria o INSS caracterizar a relação de emprego de forma clara, o que, no caso em tela, não ocorreu, caracterizando a nulidade do lançamento tributário. · No caso sob análise, não restou evidenciado o desvirtuamento do regime cooperativo. · Inexiste qualquer omissão em GFIP. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Esta Turma, em sessão realizada em 16/03/2011, julgou os recursos voluntário e de ofício do processo principal e por unanimidade negou provimento ao Recurso Voluntário e deu provimento ao Recurso de Ofício; cancelando a exoneração da cota patronal promovida pela DRJ e mantendo integralmente o crédito tributário lançado Entendo que, por coerência, a obrigação acessória de declarar todos fatos geradores em GFIP também deva ser mantida. Abaixo apresento as razões para a manutenção do lançamento, citando também a manifestação acerca do provimento dado ao recurso de ofício. Finalizo com análise sobre o valor da multa. EVENTOS ANTERIORES À FISCALIZAÇÃO Inicialmente cabe registrar que a fiscalização foi demandada pelo Ministério Público Federal de Bento Gonçalves, que determinou a realização de fiscalização ampla relativamente às relações de trabalho encetadas pela empresa no âmbito da sua jurisdição, visto a existência de fundados indícios da prática de delitos previstos nos artigos 297, § 4°, e 337A ambos do Código Penal. O Procedimento Administrativo Criminal n° 1.29.012.000117/200765 teve início partir de cópias extraídas da Carta Precatória n° 2007.71.13.0014307 emitida pela Justiça Federal, Vara Federal de Pato Branco, devido à suspeitas de que o "modus operandi" narrado na ação penal n° 2006.70.12.0003926/PR estaria sendo levado a efeito pelos administradores da cooperativa também naquele município. Também o Ministério Público Federal no Município de Pato Branco ofereceu denúncia contra os dirigentes da COMTAU em 05/05/2006 pois os mesmos deixaram de proceder a regular anotação na CTPS Carteira de Trabalho e Previdência Social, no período de 02/02/2002 a 05/10/2004 . A denúncia está respaldada por sentenças proferidas pela Vara do Trabalho daquela cidade que condenaram a COMTAU a anotar Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 os contratos de trabalho nas CTPS de 54 reclamantes, haja vista o estabelecimento entre reclamantes e reclamadas de vínculo contratual de natureza empregatícia, não obstante o rótulo outorgado à reclamada de cooperativa de trabalho. O Ministério Público Federal em Erechim, conforme comprova o Ofício n° 555/2008 —PRM/ERECHIM/RS de 03 de julho de 2008 solicita à Polícia Federal que instaure inquérito policial para averiguar a possível prática de ilícitos penais "ao deixar de pagar direitos trabalhistas a empregados, camuflados como cooperados."(anexo VII, Vol XII, fls. 2275). Existe ainda solicitação de investigação de sonegação de contribuições previdenciárias e de outros tributos por parte do Ministério Público Federal de Erechim no Ofício n° 15/2008 PRM/ERECHIM/RS e apuração do eventual crédito tributário devido à existência de sentença proferida nos auto de processo reclamatória trabalhista na qual foi reconhecido vínculo empregatício entre a reclamante e a Cooperativa Mista dos Trabalhadores Autônomos do Alto Uruguai. (anexo VII, Vol. XII, fls 2277). 5.2 A auditoriafiscal previdenciária foi demandada pelo Ministério Público Federal de Bento Gonçalves, que determinou a realização de fiscalização ampla relativamente às relações de trabalho encetadas pela empresa no âmbito da sua jurisdição, visto a existência de fundados indícios da prática de delitos previstos nos artigos 297, § 4 0, e 337A ambos do Código Penal. O Procedimento Administrativo Criminal n° 1.29.012.000117/200765 teve início partir de cópias extraídas da Carta Precatória n° 2007.71.13.0014307 emitida pela Justiça Federal, Vara Federal de Pato Branco, devido à suspeitas de que o "modas operandi" narrado na ação penal n° 2006.70.12.0003926/PR estaria sendo levado a efeito pelos administradores da cooperativa também naquele município. 5.3 — O Ministério Público Federal no Município de Pato Branco ofereceu denúncia contra os dirigentes da COMTAU em 05/05/2006 pois os mesmos deixaram de proceder a regular anotação na CTPSCarteira de Trabalho e Previdência Social, no período de 02/02/2002 a 05/10/2004 . A denúncia está respaldada por sentenças proferidas pela Vara do Trabalho daquela cidade que condenaram a COMTAU a anotar os contratos de trabalho nas CTPS de 54 reclamantes, haja vista o estabelecimento entre reclamantes e reclamadas de vínculo contratual de natureza ernpregatícia, não obstante o rótulo outorgado à reclamada de cooperativa de trabalho. 5.4 O procedimento da empresa também é de conhecimento do Ministério Público Federal em Erechim, conforme comprova o Ofício n° 555/2008 —PRM/ERECHIM/RS de 03 de julho de 2008. No documento o Procurador da República solicita à Polícia Federal que instaure inquérito policial para averiguar a possível prática de ilícitos penais "ao deixar de pagar direitos trabalhistas a empregados, cainnflados como cooperaclos."(anexo VII, Vol XII, fls. 2275) 5.5 — Existe ainda solicitação de investigação de sonegação de contribuições previdenciárias e de outros tributos por parte do Ministério Público Federal de Erechim no Ofício n° 15/2008 PRM/ERECHIM/RS e apuração do eventual crédito tributário devido à existência de sentença proferida nos auto de processo Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 7 11 reclamatória trabalhista na qual foi reconhecido vínculo empregatício entre a reclamante e a Cooperativa Mista dos Trabalhadores Autônomos do Alto Uruguai. (anexo VII, Vol. XII, fls 2277) COOPERADOS OU EMPREGADOS? Responder preliminarmente a essa questão é determinante na análise do lançamento. Abaixo serão analisados vários elementos que nos levarão a concluir que a contribuinte, apesar de ser de direito uma cooperativa, de fato operava como empresa prestadora de serviços com empregados. A principal fonte de informações será o Relatório Fiscal do Auto de Infração, folhas 58 a 135, que já em seu início esclarece que a contribuinte prestava serviço junto a órgãos públicos e a empresas em geral. Destaco que os custos de uma cooperativa são menores que de uma empresas pelo fato de os recolhimentos previdenciários patronais de uma cooperativa de serviço serem transferidos para o tomador do serviço. Considero de fundamental importância registrar que consta da Ação Civil Pública n° 00601.521/986 que o Ministério Público do Trabalho moveu contra a COMTAU, as seguintes obrigações assumidas pela cooperativa no Termo de Ajustamento de Conduta — TAC, onde a COMTAU se compromete, dentre outras coisas, a se abster de tomar mãode obra, sem o devido reconhecimento e registro do contrato de trabalho, e a fazer a transição dos atuais cooperados para a condição de trabalhadores empregados: a) absterse de intermediar mãodeobra de trabalhadores a terceiros contratantes, quer na atividade fim, quer na atividade meio destes, entendendose por intermediação de mãodeobra a colocação de trabalhadores ,formalmente vinculados à cooperativa, na qualidade de cooperados, à disposição de terceiros, que irão dirigir e remunerar a prestação do trabalho,. b) absterse de tomar mãodeobra, presentes os requisitos dos arts. 2° e 3° da CLT, sem o devido reconhecimento e registro do contato de trabalho, seja na exploração de atividade econômica pela própria cooperativa, seja na prestação a terceiros de serviços eido execução se dê com subordinação dos trabalhadores à cooperativa; c) no caso da cooperativa firmar novos contratos, os mesmos serão executados mediante fornecimento de mãodeobra contratada nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho; d) com relação aos contratos vigentes, fica ajustado que o final do período de transição dos cooperados para trabalhadores empregados será no dia 31/12/2009, ou Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 no vencimento de cada contrato, o que ocorra primeiro, sendo que, a partir de janeiro de 2009, o Ministério Público do Trabalho convocará a cooperativa e os contratantes para repactuar os contratos. Caso seja necessária a substituição de trabalhadores em tais contratos antes de seu término, e dentro do prazo supra referido, a mesma poderá ocorrer nos moldes então vigentes, considerandose que são fruto de licitação pública: e) a cooperativa não admitirá mais associados a partir desta data, salvo se necessário para cumprir a parte final do item “d”. f) pagar multa cominatória diária no valor de R$1.000,00(hum mil reais) em caso de descumprimento das obrigações acima assumidas, por trabalhador encontrado em situação irregular, sendo que o valor da multa deverá ser corrigido a partir da data do protocolo deste acordo pelos índices de correção monetária aplicados na Justiça do Trabalho e recolhido ao Fundo de Amparo do Trabalhador — FAT e, na hipótese deste, para os cofres da União Federal. Este acordo põe fim a uma situação irregular e transforma todos os cooperados em empregados. Fica evidente que ao assinar o acordo, a empresa reconhece a existência da relação de emprego com os trabalhadores contratados como cooperados. Registro também que a sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública ACPU 02/2003 proposta pelo Ministério Público do Trabalho em face dos Municípios de Apucarana e Marilândia do Sul, ambos no Paraná, reconhece a existência de fraude na intermediação de mãodeobra ao constatar que os trabalhadores integrantes da COMTAU não prestavam serviços a associados, mas sim a terceiros, sem as peculiaridades de. condição de sócios. E conclui que o art. 442 da CLT exclui a existência de vínculo empregatício entre a cooperativa e seus associados e entre estes e os tomadores de serviço daquela somente nos casos em que realmente se enquadrem na condição de cooperados, que possuam interesse societário, o que não Se verifica no caso. A Lei 8.212/91 define como segurado empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado e também aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; Registrou a fiscalização que os pressupostos da caracterização dos trabalhadores como segurados empregados estavam presentes. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 8 13 Quando da admissão do "associado" é preenchida ficha cadastral, que além dos dados pessoais e da função a ser exercida, consta o local de trabalho identificando o tomador de serviço. Este local de trabalho já está prédeterminado pela COMTAU, evidenciando a subordinação do trabalhador contratado. Ora, um verdadeiro cooperado não se associaria à cooperativa de trabalho com a finalidade de apenas prestar serviço para um determinado tomador, mas sim para juntamente com outros cooperados conseguir melhores condições de trabalho e remuneração. Anexado nas fichas cadastrais encontrase o termo denominado "proposta a um posto de trabalho", no qual o trabalhador manifesta seu desejo de fazer parte da cooperativa pois está buscando uma oportunidade de emprego e que sendo assim preencherá os requisitos estabelecidos pela cooperativa. Desta forma constatase que os trabalhadores se "associaram" à COMTAU apenas para obter um posto de trabalho e que, necessitando deste posto se submeterão às normas impostas pela contratante com evidente prova de subordinação. Quanto à subordinação, os trabalhadores trabalham na atividade fim dos tomadores de serviço e são controlados por um coordenador da própria cooperativa ou do próprio tomador. Os trabalhadores colocados para prestar serviço estão continuamente à disposição do empregador, sem nenhuma autonomia que possa demonstrar a relação de “sócio da cooperativa”. Importante acrescentar que a contratação dos cooperados nas diversas localidades se dava quando a cooperativa ganhava uma licitação e deveria cumprir as cláusulas constantes no contrato de prestação de serviço. Por exemplo, em 15/02/2005 foi assinado o contrato 027/2005 entre a COMTAU e a Prefeitura Municipal de Carneirinho MG para a prestação de serviços de plantões médicos, de enfermagem, agentes comunitários de saúde, médicos para o PSF — Programa de Saúde da Família, auxiliares de enfermagem, técnicos em prótese dentária, técnico em radiologia, assessoria de faturamento do SUS, serviço nutricional e serviços de fisioterapia. A contratação pela COMTAU dos profissionais necessários para a prestação dos serviços citados, ocorreu em 28/01/2005. Esse exemplo demonstra que a empresa age como uma prestadora de serviço arregimentando pessoal na medida das suas necessidades, se servindo dos trabalhadores para seus objetivos e não como urna cooperativa de trabalho que serve aos seus associados. Á medida que são celebrados novos contratos que possuem a exigência de outros profissionais ou o aumento da carga horária dos profissionais já existentes, estes são contratados pela prestadora de serviço. Os fatos relatados demonstram que a COMTAU participa de processos de licitação para prestação de serviço para órgãos públicos e os trabalhadores são arregimentados nas diversas localidades para suprir a sua necessidade de mãodeobra de acordo com o contrato firmado. Não se vislumbra a existência de união de cooperados exercendo o mesmo ofício que buscam melhores condições de trabalho e remuneração, mas somente a necessidade de uma prestadora de serviço de cumprir cláusulas contratuais. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Os trabalhadores verdadeiramente cooperados recebem apenas a distribuição dos rendimentos do trabalho prestado por todos. A ação fiscal verificou a existência de rubricas típicas de empregados nas folhas de pagamento dos cooperados. Os contratos celebrados com os tomadores de serviço demonstram os fatos relatados. Neles está demonstrado que houve contratação de cooperados apenas para suprir a necessidade da prestadora, que as atividades desenvolvidas pelos mesmos estão vinculadas às atividades fins da empresa e que não existe possibilidade de gestão democrática devido à distância da sede. Outro fato que não passa despercebido é a pequena participação dos associados nas assembléias o que não poderia ser diferente, visto que a sede da cooperativa situase em ErechimRS e existiam filiais da mesma e diversos tomadores de serviço em cidades distantes e até em outros estados. Observese, a título de exemplo, que na reunião registrada na Ata n° 04/2005 havia a presença de apenas 30 associados quando na época a cooperativa congregava 1296 cooperados conforme dados informados pela mesma em GFIP. E este não é um fato isolado. Em todas as assembléias a participação dos cooperados é muito pequena. 6..3.1.1 Importante informar que a condição de empresa prestadora de serviço já foi assumida pela própria COMTAU ao propor termo de acordo nos autos do Processo n° 00601.521/98 6(Ação Civil Pública) que o Ministério Público do Trabalho inove. Transcrevemos abaixo trecho do documento datado de 09 de julho de 2008 que contém as obrigações assumidas pela cooperativa: As partes concordam, em razão dos pedidos feitos na ação civil pública em epígrafe, com as seguintes obrigações assumidas pela demandada, a partir da assinatura cio presente, passado a ser observadas as seguintes cláusulas obrigacionais, em todo o território nacional: a) absterse de intermediar mãodeobra de trabalhadores a terceiros contratantes, quer na atividade fim, quer na atividade meio destes, entendendose por intermediação de mãodeobra a colocação de trabalhadores ,formalmente vinculados à cooperativa, na qualidade de cooperados, à disposição de terceiros, que irão dirigir e remunerar a prestação do trabalho,. b) absterse de tomar mãodeobra, presentes os requisitos dos arts. 2° e 3° da CLT, sem o devido reconhecimento e registro do contato de trabalho, seja na exploração de atividade econômica pela própria cooperativa, seja na prestação a terceiros de serviços eido execução se dê com subordinação dos trabalhadores à cooperativa; c) no caso da cooperativa firmar novos contratos, os mesmos serão executados mediante fornecimento de mãodeobra contratada nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho; d) com relação aos contratos vigentes, fica ajustado que o final do período de transição dos cooperados para trabalhadores empregados será no dia 31/12/2009, ou no vencimento de cada contrato, o que ocorra primeiro, sendo que, a partir de janeiro de 2009, o Ministério Público do Trabalho convocará a Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 9 15 cooperativa e os contratantes para repactuar os contratos. Caso seja necessária a substituição de trabalhadores em tais contratos antes de seu término, e dentro do prazo supra referido, a mesma poderá ocorrer nos moldes então vigentes, considerandose que são fruto de licitação pública: e) a cooperativa não admitirá mais associados a partir desta data, salvo se necessário para cumprir a parte final do item .1) pagar multa cominatória diária no valor de R$1.000,00(hum mil reais) em caso de descumprimento das obrigações acima assumidas, por trabalhador encontrado em situação irregular „sendo que o valor da multa deverá ser corrigido a partir da data do protocolo deste acordo pelos índices de correção monetária aplicados na Justiça do Trabalho e recolhido ao Fundo de Amparo do Trabalhador — FAT e, na hipótese deste, para os cofres da União Federal. 6.3.1.2 Ao assinar o acordo, a empresa reconhece a existência da relação de emprego com os trabalhadores contratados como cooperados. As datas limite constantes no termo para regularização da situação previdenciária e trabalhista dos empregados não os exclui dos direitos que foram adquiridos com a prestação de serviço ao longo do tempo trabalhado. Deste modo é dever da fiscalização, tendo constatado a situação real, pois ficou demonstrado que os trabalhadores são empregados da empresa, lançar as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos recebidos pelos mesmos nos períodos da efetiva prestação de serviço. 6.3.1.3 — A sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública ACPU 02/2003 proposta pelo Ministério Público do Trabalho em face dos Municípios de Apucarana e Marilândia do Sul, ambos no Paraná, reconhece a existência de fraude na intermediação de mãodeobra ao constatar que os trabalhadores integrantes da COMTAU não prestavam serviços a associados, mas sim a terceiros, sem as peculiaridades de. condição de sócios. E conclui que o art. 442 da CLT exclui a existência de vínculo empregatício entre a cooperativa e seus associados e entre estes e os tomadores de serviço daquela somente nos casos em que realmente se enquadrem na condição de cooperados, que possuam interesse societário, o que não Se verifica no caso. 6.3.1.4 Sabemos que, prescinde a Seguridade Social, da Legislação Trabalhista para a demonstração do vínculo previdenciário do trabalhador como seguradoempregado, muito embora não se possa desassociálas. O certo é que o fundamento legal do enquadramento são as Leis n° 8.212, e n° 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, sendo, portanto perfeitamente possível à fiscalização exigir do sujeito passivo o crédito previdenciário incidente sobre os pagamentos efetuados ao segurado caracterizado como empregado. 6.3.1.5 Para caracterização da relação de emprego é preciso que estejam presentes os requisitos determinados nos artigos 2° Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 e 3° da CLT, quanto à pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação jurídica. 6.3.1.6 Verificamos no decorrer do procedimento fiscal a presença dos pressupostos acima descritos inerentes à relação de emprego embora os trabalhadores tenham sido contratados como cooperados. 6.3.1.7 Quando da admissão do "associado" é preenchida ficha cadastral, que além dos dados pessoais e da função a ser exercida, consta o local de trabalho identificando o tomador de serviço. Este local de trabalho já está prédeterminado pela COMTAU, evidenciando a subordinação do trabalhador contratado. (anexo III, Vol.I11, fls.470 a 592, Vol. IV, fls. 602 a 789, Vol. V, fls. 803 a 918) Ora, um verdadeiro cooperado não se associaria à cooperativa de trabalho com a finalidade de apenas prestar serviço para um determinado tomador, mas sim para juntamente com outros cooperados conseguir melhores condições de trabalho e remuneração. 6.3.1.8 Interessante notar que, anexado nas fichas cadastrais encontrase o termo denominado "proposta a uni posto de trabalho", no qual o trabalhador manifesta seu desejo de fazer parte da cooperativa pois está buscando uma oportunidade de emprego e que sendo assim preencherá os requisitos estabelecidos pela cooperativa. Desta forma constatase que os trabalhadores se "associaram" à COMTAU apenas para obter um posto de trabalho e que, necessitando deste posto se submeterão às normas impostas pela contratante com evidente prova de subordinação. (anexo III, Vol IV, fls.654, 11s.731, fls. 740, fls. 753, fls. 758, fls. 777, fls. 779) 6.3.1.9 Verificase também a evidente subordinação dos cooperados ao se analisar o controle de efetividade. É fato que estes trabalham na atividade fim dos tomadores de serviço e são controlados por um coordenador da própria cooperativa ou do próprio tomador. Como prova juntamos ao presente relatório de lançamento controles de presença de cooperados por amostragem que abrangem todo o período fiscalizado. Nestes controles de efetividade constam os nomes, funções exercidas c número de horas trabalhadas, além de algumas observações. Importante notar a multiplicidade de profissões e que a cessão de mãodeobra se vincula às atividades essenciais dos tomadores, na sua maioria órgãos públicos. (anexo III, Vol. V, fls. 945 a 976, anexo VI ,Vol. IX, fls. 1767 a 1799 e Vol. X fls. 1802 a 4. 1999, Vol. XI fls. 2002 a 2141) 6.3.1.10 Confirmase a subordinação, onerosidade, pessoalidade e não eventualidade típica da relação de emprego quando verificamos que os contratos firmados com órgãos públicos e empresas são para fornecer mãodeobra a ser alocada nas atividades essenciais e permanentes principalmente no caso dos municípios. Os trabalhadores colocados para prestar serviço estão continuamente à disposição do empregador. sem nenhuma autonomia que possa demonstrar a relação de "sócio da cooperativa. A subordinação do suposto cooperado está demonstrada nas cláusulas que tratam da responsabilidade da cooperativa. Tomamos como exemplo a Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 10 17 cláusula 5' do contrato firmado com a Prefeitura Municipal de Itapema em 17/12/2002, prorrogado em 23/06/2004 na qual estão presentes os elementos caracterizadores da subordinação.(anexo VI, Vol. X, lis. 1929) 6.3.1.11 Importante acrescentar que a contratação dos cooperados nas diversas localidades se dava quando a cooperativa ganhava uma licitação e deveria cumprir as cláusulas constantes no contrato de prestação de serviço. Por exemplo, em 15/02/2005 foi assinado o contrato n o 027/2005 entre a COMTAU e a Prefeitura Municipal de CarneirinhoMG para a prestação de serviços de plantões mádicos, de enfermagem, agentes comunitários de saúde, médicos para o PSF — Programa de Saúde da Família, auxiliares de enfermagem, técnicos em prótese dentária, técnico em radiologia, assessoria de faturamento do SUS, serviço nutricional e serviços de fisioterapia.(anexo VI, Vol. X, fls. 1841 a 1847) 6.3.1.12 Verificase que houve a contratação pela COMTAU dos profissionais necessários para a prestação dos serviços citados, todos em 28/01/2005.(anexo VI, Vol. XII fis. 2243 a 2267) 6.3.1.13 O relato acima demonstra que a empresa age como uma prestadora de serviço arregimentando pessoal na medida das suas necessidades, se servindo dos trabalhadores para seus objetivos e não como urna cooperativa de trabalho que serve aos seus associados. 6.3.1.14 Á medida que são celebrados novos contratos que possuem a exigência de outros profissionais ou o aumento da carga horária dos profissionais já existentes, estes são contratados pela prestadora de serviço. 6.3.1.15 Os profissionais necessários para cumprir as cláusulas estabelecidas no contrato n° 46/2007 firmado com a Prefeitura Municipal de Cedral em 24/09/2007, foram todos contratados em outubro de 2007 conforme comprovam as ficha de matrícula de associados.(anexo VI, Vol.IX. fls. 1781 a 1790, Vol X, fis. 2198 a 2200, e Vol. XI, fls. 2202 a 2242) 6.3.1.16 — Os fatos relatados demonstram que a COMTAU participa de processos de licitação para prestação de serviço para órgãos públicos e os trabalhadores são arregimentados nas diversas localidades para suprir a sua necessidade de mãode obra de acordo com o contrato firmado. Não se vislumbra a existência de união de cooperados exercendo o mesmo ofício que buscam melhores condições de trabalho e remuneração, mas somente a necessidade de uma prestadora de serviço de cumprir cláusulas contratuais. O contrato firmado com a Prefeitura de Colômbia através da Carta Convite n° 35/2007 em 25/09/2007 para prestação de serviço de limpeza, zeladoria, guarda c etc motivou a "contratação" dos cooperados em 01/10/2007 e é mais um exemplo de que se trata de uma empresa prestadora de Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 serviço e não de uma cooperativa de trabalho.(anexo VI, Vol. X, fls. 1802 a 1807, Vol. XI, lis. 2187 a 2197). 6.3.1.17 Os trabalhadores verdadeiramente cooperados recebem apenas a distribuição dos rendimentos do trabalho prestado por todos. Ocorre que, no decorrer da ação fiscal verificamos a existência de rubricas típicas de empregados nas folhas de pagamento dos cooperados como abono natalino, abono descanso e até sacola econômica conforme comprovam os comprovantes de retirada de sócios que juntamos.(anexoVI , Vol. XI, fls. 2157 a 2186, anexo III, Vol. IV, fls. 935 a 943) 6.3.1.18 Presentes as condições caracterizadoras da relação de emprego entre a Cooperativa Mista dos Trabalhadores Autônomos do Alto Uruguai e os seus associados no período de 01/2004 a 11/2008 a fiscalização deve lançar as contribuições previdenciárias devidas pela empresa sobre os pagamentos efetuados. 6.3.1.19 Neste sentido, o procedimento adotado, considerando a legislação pertinente, e a situação factual comprovada com elementos colhidos durante a auditoria na cooperativa foi desconsiderar a suposta autonomia dos cooperados, existente na relação entre estes e o sujeito passivo, para enquadrálos como segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de seguradosempregados, nos termos do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.212, de 24/07/1991, exigindo nesta condição, as contribuições previdenciárias. 6.3.1.20 Notese que, em momento algum, a fiscalização da Receita Federal do Brasil efetuou " reconhecimento da relação de emprego", ou "vínculo empregatício" até. por que, esta não é sua atribuição, mas tendo sido comprovada a forma da execução dos serviços (caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração), procedeu à correta tipificação legal do referido prestador de serviço para, perante a previdência social, para caracterizálo/enquadrálo na letra "a ", do inciso I, do artigo 12, da Lei 8.212/91, como seguradoempregado. 6.3.1.21 Por diversos fatos podese concluir que a relação estabelecida entre a COMTAU e os trabalhadores que lhe prestaram serviço tratase de relação de emprego: a inserção em atividades essenciais e permanentes dos contratantes com evidente subordinação, a remuneração calculada com base em horas trabalhadas além do vasto e abrangente objeto social que afasta qualquer convergência de interesses de urna determinada profissão prevista na Lei 5.761/71. 6.3.1.22 Outro fato que não passa despercebido é a pequena participação dos associados nas assembléias o que não poderia ser diferente, visto que a sede da cooperativa situase em ErechimRS e existiam filiais da mesma e diversos tomadores de serviço em cidades distantes e até em outros estados. Observese, a título de exemplo, que na reunião registrada na Ata n° 04/2005 havia a presença de apenas 30 associados quando na época a cooperativa congregava 1296 cooperados conforme dados informados pela mesma em GFIP. E este não é Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 11 19 um fato isolado. Em todas as assembléias a participação dos cooperados é muito pequena. (anexo II, Vol. II, fls. 266 a 268) 6.3.1.23 — A maneira da COMTAU operar no mercado, participando de licitações em cidades distantes da sua sede e em outros estados, logicamente inviabiliza completamente a gestão democrática prevista na Lei 5.764/71. A empresa, disfarçada de cooperativa, atuou de forma falsa dentro do instituto do cooperativismo, com a subordinação de cooperados, no desconhecimento e falta de participação na política de tomada de decisões e oferecendo benefícios aos seus verdadeiros proprietários. Os contratos celebrados com os tomadores de serviço demonstram os fatos relatados. Neles está demonstrado que houve contratação de cooperados apenas para suprir a necessidade da prestadora, que as atividades desenvolvidas pelos mesmos estão vinculadas às atividades fins da empresa e que não existe possibilidade de gestão democrática devido à distância da sede.(anexo VI, Vol. IX, fls. 1767 a 1799, Vol. X, fls. 1802 a 1999, Vol. XI, fls. 2002 a 2141) 6.3.1.24 Verificase que a empresa autodenominada cooperativa de trabalho tratase na verdade de prestadora de serviço que participa de licitações visando a colocação de trabalhadores em postos de trabalhos nos mais diversos ramos de atividade com vantagens competitivas evidentes pois fornecia mãodeobra sem arcar com os custos previdenciários e trabalhistas. Outro elemento importante na formação da convicção neste item são as decisões judiciais proferidas em processos de reclamatórias trabalhistas Várias sentenças, de muitas Varas do Trabalho (Passo Fundo, Erechim, Carazinho, Palmeira das Missões, Cachoeira do Sul, Vacaria, Triunfo, Balneário Camboriu, Apucarana, Pato Branco, Paranaguá, Cascavel c São José dos Pinhais, Canoas, Cachoeirinha, Pelotas, São Leopoldo, Frederico Westphalen e Bento Gonçalves), reconhecem vinculo empregatício com a COMTAU. São cerca de 1650 processos movidos contra a empresa por deixar de pagar direitos trabalhistas a seus empregados disfarçados de cooperados. Não obstante a suposta organização da empregadora na forma de sociedade cooperativa as decisões proferidas em primeiro e segundo grau nas diversas varas da Justiça do Trabalho reconhecem que a relação da mesma estabelecida com os cooperados é de vínculo contratual de natureza empregatícia estando presentes os requisitos dos artigos 2° e 3° da CLT. Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Importante neste ponto apresentar texto contido nas contrarrazões acerca das ações trabalhistas em que a COMTAU afirma que não foi reconhecido o vínculo empregatício. Com relação às várias ações trabalhistas, com sentenças ou acórdãos favoráveis aos reclamantes, a autuada se defende afirmando que, da mesma forma que existiram ações em que foi sucumbente, também existiram tantas outras em que não foi reconhecido o vínculo empregatício entre ela e os cooperados, razão pela qual as reclamatórias não podem servir de indício do desvio de finalidade. Para contrapor os argumentos do relatório fiscal, a contribuinte traz aos autos inúmeras cópias de sentenças e de acórdão em que, supostamente, teria saído vitorioso da ação. Contudo, compulsando mais detalhadamente o teor de tais decisões, assim como o andamento processual atual das mesmas, através dos sítios eletrônicos dos Tribunais Regionais do Trabalho envolvidos e do Tribunal Superior do Trabalho3, observase que razão não lhe assiste. Isso porque, quase que a totalidade das decisões ali colacionadas foram reformadas, dado este omitido pelo autuado, o que demonstra o seu claro propósito em ludibriar o julgador com informações inverídicas. Esta Procuradoria da Fazenda, atentando para as intenções do autuado, procedeu a uma análise individual das reclamatórias citadas pelo contribuinte, passando a examinar as reformas que foram implementadas pelos Tribunais, em via recursal. Abaixo segue uma listagem sucinta em que consta o número das ações, a folha dos autos em que se encontra a decisão trazida pelo contribuinte e a informação do andamento ou do provimento judicial atualmente vigente, cuja comprovação encontrase anexada ao presente arrazoado. Observese: 1. Proc. nº 00595200873204009 (fls. 5.284) – Sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 1); 2. Proc. nº 01312200402012001 (fls. 5.291) – sentença ainda pendente de confirmação, em face à interposição de Recurso de Revista, em 01/2006, que encontra aguardando julgamento junto ao TST (doc. 2); 3. Proc. nº 00554200973104007 (fls. 5.307) – sentença anulada pelo TRT da 4ª Região, em 01/07/2010 (doc. 3); Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 12 21 4. Proc. nº 00841200846104003 (fls. 5.464) – sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 29/10/2009, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 4); 5. Proc. nº 00834200846104001(fls. 5.476) – sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 18/11/2002, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 5); 6. Proc. nº 00840200846104009 (fls. 5.481) – sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 15/10/2009, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 6) 7. Proc. nº 00283200973204006 (fls. 5.486) – A própria sentença anexada aos autos pelo contribuinte reconhece o vínculo empregatício deste com o reclamante, ao dar provimento parcial à reclamação trabalhista (v. fls. 5.501). A reclamante ainda interpôs recurso desta decisão, ao qual foi dado provimento pelo TRT da 4ª Região, ampliando o provimento jurisdicional a seu favor. Atualmente, o processo se encontra aguardando julgamento do Recurso de Revista junto ao TST (doc. 7); 8. Proc. nº 00595200873204009 (fls. 5.523) – idem item 1; 9. Proc. nº 00554200973104007 (fls.5.530) – idem item 3; 10. Proc. RT/01366 – 2005 (fls. 5.547) – o TRT da 9ª Região reformou a sentença, em 10/2008. Atualmente, o processo encontrase aguardando julgamento do recurso de revista junto ao TST (doc. 8); 11. Proc. nº 00037200452104000 (fls. 5.560) – sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 10/2005, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 9); 12. Proc. nº 00305200456104002 (fls. 5.573) – sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 10/2004, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 10); 13. Proc. nº 00304200456104008 (fls. 5.577) – sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 09/2004, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 11); 14. Proc. nº 00306200456104007 (fls. 5.581) sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 09/2004, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 12); 15. Proc. nº 00307200456104001 (fls. 5.585) sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 08/2004, para reconhecer Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 13); 16. Proc. nº 1434/2003 (fls. 5.598) sentença reformada pelo TRT da 9ª Região, em 14/02/2006, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 14); 17. Proc. nº 00731.512/022 (fls. 5.619) sentença reformada pelo TRT da 4ª Região, em 19/11/2003, para reconhecer o vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (doc. 15); 18. Proc. 00731.512/016 (fls. 5.608) – a sentença de origem julgou pelo reconhecimento do vínculo empregatício entre o reclamante e a COMTAU (v. fls. 5.609), parte esta que não foi reformada pelo acórdão proferido em segunda instância. Observese que o reconhecimento do vínculo empregatício é aspecto que se repete em quase que a totalidade das reclamatórias trabalhistas cujas decisões constam nos autos, sejam aquelas trazidas aos autos durante o procedimento fiscalizatório, sejam aquelas anexadas pelo contribuinte em fase de impugnação. É dizer que, também os documentos citados pelo próprio autuado, não o socorrem em sua pretensão de se furtar ao recolhimento das contribuições previdenciárias. (grifei) COOPERATIVA Veremos neste tópico que a COMTAU não atua como cooperativa. Iniciarei analisando a Lei 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e definiu os requisitos para uma cooperativa. As cooperativas têm como características as pessoas reciprocamente se obrigarem a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. As cooperativas distinguemse das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotaspartes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 13 23 IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotas partes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Apresentarei um conjunto de informações extraídos do relatório Fiscal que evidenciam que a COMTAU não atua como cooperativa. A COMTAU possui em seus quadros, as mais diversas categorias de trabalhadores que são contratados como cooperados para atender a sua demanda operacional. Sendo necessário, agencia médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, agentes de saúde, coletores de lixo ou qualquer outro profissional para cumprir as exigências de contrato firmado com órgãos público através de processo de licitação ou com empresas tomadoras de serviço. A diversidade de atividades arroladas no estatuto não é compatível com o objetivo das cooperativas, qual seja, de união para apoio mútuo entre pessoas de uma determinada classe profissional. Não obstante o resultado obtido com o ingresso da produção de associados não houve distribuição de sobras nos anos de 2005, 2006. 2007, 2008 e 2009. Os custos com a contratação de empresas de assessoria, consultoria e de prestação de serviços diversos, muitas vezes sem comprovação da efetiva contraprestação, inviabilizam as sobras por reduzirem o resultado líquido. Não se vislumbra no presente caso a principal característica da cooperativa de trabalho que é de prestar serviços aos próprios associados. A empresa não cumpriu os preceitos emanados pela Lei 5.764/71, principalmente no que tange aos aspectos democráticos deste tipo de sociedade. A Cooperativa foi usada em favor dos seus dirigentes. Estes receberam através de empresas e de pagamentos feitos a pessoas físicas, valores consideráveis, configurandose remuneração distribuída disfarçadamente. Foram encontrados pagamentos de valores elevados efetuados a empresas vinculadas e de propriedade dos dirigentes, sócios fundadores da cooperativa, o que descaracteriza a ação da COMTAU como cooperativa de trabalho. Conforme os preceitos emanados na Lei 5.764/71 não existem associados mais importantes que outros dentro da sociedade cooperativa, porém os elementos Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 14 25 colhidos durante a auditoriafiscal demonstram que a COMTAU tratase uma sociedade mercantil de fato constituída com a finalidade de beneficiar seus proprietários, os dirigentes e fundadores da cooperativa. A sociedade cooperativa deve ter a conta de capital social subscrito e a conta devedora de capital a integralizar sendo que o líquido entre ambas representa o capital realizado. Verificamos que na COMTAU há somente a conta Capital Social Integralizado na qual são lançados os valores que são descontados dos pagamentos efetuados aos cooperados mensalmente. Quando da admissão os cooperados contribuem com o pagamento simbólico de R$2,00 descontados mensalmente de sua remuneração até totalizar R$20,00. Concluise desta forma que a inserção do trabalhador na sociedade era praticamente gratuita, com o intuito principal de se apropriar de sua força de trabalho. 4.5 Possui em seus quadros, o que está previsto no Estatuto Social, as mais diversas categorias de trabalhadores que são contratados como cooperados para atender a sua demanda operacional. Sendo necessário, agencia médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, agentes de saúde, coletores de lixo ou qualquer outro profissional para cumprir as exigências de contrato firmado com órgãos público através de processo de licitação ou com empresas tomadoras de serviço. ... 4.19 — Não obstante o resultado obtido com o ingresso da produção de associados não houve distribuição de sobras nos anos de 2005, 2006. 2007, 2008 e 2009 conforme esclarecimento firmado pelo contador da empresa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 01. (anexo I, vol I, fls.178) Verificamos que na COMTAU os custos com a contratação de empresas de assessoria, consultoria e de prestação de serviços diversos conforme relatado no item 6.2.2, muitas vezes sem comprovação da efetiva contraprestação inviabilizam as sobras por reduzirem o resultado líquido. ... 6.1.3 Dispõe o art. 24, da Lei n' 5.764, de 1971, que o capital social será subdividido em quotaspartes e subscrição pode ser proporcional ao movimento de cada sócio. 6.1.4 Para a formação do capital social poderseá estipular que o pagamento das quotaspartes seja realizado mediante prestações periódicas, independentemente de chamada, em moeda corrente nacional ou bens. 6.1.5 A legislação cooperativista prevê que a integralização das quotaspartes e o aumento do capital social poderão ser feitos com bens avaliados previamente e após homologação em Assembléia Geral ou mediante retenção de determinado porcentagem do valor do movimento financeiro de cada sócio. 6.1.6 Por outro lado, o art. 1.094 do novo Código Civil estabelece que capital social, será variável, a medida do Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 ingresso e da retirada dos sócios, independentemente de qualquer formalidade homologatória, ou seja, basta que o interessado em associarse se apresente, comprove sua afinidade ao escopo da sociedade cooperativa e comprometase a pagar o valor das quotaspartes que subscrever, nas condições que lhe forem oferecidas. 6.1.7 Na saída, é suficiente que se apresente como retirante e receba o valor de suas quotas e o que mais tiver de direito, consoante às regras vigentes na entidade. 6.1.8 As sociedades cooperativas são criadas para prestação de serviço aos seus associados, sendo essa sua característica básica. Pontes de Miranda leciona que "a sociedade cooperativa é sociedade em que a pessoa do sócio passa a frente do elemento económico e as conseqüências da pessoa/idade participação são prolimdas aponto de tornála espécie de sociedade" 6.1.9 A cooperativa deve atuar no mercado eliminando intermediários e obtendo em razão disso, maiores vantagens patrimoniais. É próprio destas sociedades realizar negócios, embora em seu nome para o sócio, para quem irão os resultados positivos chamados de sobras. 6.1.10 O retorno das sobras líquidas é atribuído na proporção das operações efetuadas pelo associado e não em função do valor ou quantidade de quotas que possuir. Isso quer dizer que o produto econômico do trabalho dos associados retorna para eles, deduzindose os custos da cooperativa. 6.1.11 É, desta forma, a reunião de pessoas para a realização de atividades econômicas em comum através de urna organização coletiva e democraticamente controlada que busca, em conjunto e mediante objetivos comuns, a obtenção de melhorias de condições de vida e de renda dos integrantes do grupo. 6.1.12 Neste contexto o cooperativismo pode ser entendido como prática que objetiva instituir urna sociedade igualitária, livre e fraterna, através da organização social e econômica dos trabalhadores para atender suas reais necessidades, remunerando adequadamente o trabalho de cada um dos sócios cooperados. Tratase de uma forma de livre associação que, baseada em valores e princípios de autoajuda, busca benefícios sócioeconômicos para os seus participantes. 6.1.13 Sua formação parte do princípio que é mais vantajoso, para pessoas com os mesmos objetivos, associarem e cooperarem entre si para a consecução destes objetivos. 6.1.14 As cooperativas, quanto ao objeto social, são classificadas em treze ramos de atuação, de acordo com a OCB — Organização das Cooperativas Brasileiras. São eles: agropecuário, consumo, crédito, educacional, especial, infra estrutura, habitacional, mineral, produção, saúde, trabalho, turismo e lazer e transporte de cargas e passageiros. ... Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 15 27 6.2.0.1 No decorrer da auditoriafiscal realizada na Cooperativa Mista dos Trabalhadores do Alto Uruguai foram verificados fatos, a seguir relatados, que demonstram que a mesma atuou como empresa prestadora de serviço, servindo para fornecer mãodeobra aos tomadores contratantes aproveitando da denominação de cooperativa de trabalho para se elidir do pagamento das contribuições previdenciárias e de terceiros devidas sobre a folha de pagamento. 6.2.0.2 – Não se vislumbra no presente caso a principal característica da cooperativa de trabalho que é de prestar serviços aos próprios associados. Verificouse sim, que a empresa, objeto de presente ação fiscal, autoenquadrada como cooperativa de trabalho, não cumpriu os preceitos emanados pela Lei 5.764/71, principalmente no que tange aos aspectos democráticos deste tipo de sociedade. 6.2.0.3 Vários fatos verificados no decorrer do procedimento fiscal dão conta que a Cooperativa foi usada em favor dos seus dirige. ntes. Estes receberam através de empresas e de pagamentos feitos a pessoas físicas, valores consideráveis, configurandose remuneração distribuída disfarçadamente. 6.2.0.4 Verificamos também p_ágamentos de valores elevados efetuados a empresas vinculadas e de propriedade dos dirigentes, sócios fundadores da cooperativa conforme relatado a seguir no item que trata dos fatos que descaracterizam a ação da COMTAU como cooperativa de trabalho. 6.2.0.5 Conforme os _preceitos _emanados na Lei 5.764/71 não existem associados mais importantes que outros dentro da sociedade cooperativa, porém os elementos colhidos durante a auditoriafiscal demonstram que a CQMTAU tratase uma sociedade mercantil de fato constituída com a finalidade de beneficiar seus proprietários, os dirigentes e fundadores dacooperativa. 6.2.0.6 A cooperativa de trabalho, incentivada pela Constituição Federal no art.174, § 2 0 , é aquela oriunda da união volitiva de seus sócios, os quais agem livremente c com o intuito comum de dividindo tarefas, atingirem seu bemestar através do trabalho. 6.2.0.7 — O Capital Social é o investimento fixado no estatuto social efetuado na sociedade cooperativa pelos sócios. É a expressão econômica que os associados se obrigam a trazer para formar o patrimônio necessário para a realização do objeto social e cumprimento da obrigação assumida quando da subscrição do capital social. 6.2.0.8 — A sociedade cooperativa deve ter a conta de capital social subscrito c a conta devedora de capital a integralizar sendo que o líquido entre ambas representa o capital realizado. Verificamos que na COMTAU há somente a conta Capital Social Integralizado na qual são lançados os valores que são descontados dos pagamentos efetuados aos cooperados Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 mensalmente. Quando da admissão os cooperados contribuem com o pagamento simbólico de R$2,00 descontados mensalmente de sua remuneração até totalizar R$20,00. Concluise desta forma que a inserção do trabalhador na sociedade era praticamente gratuita, com o intuito principal de se apropriarde sua força de trabalho.(anexo III, Vol V, fls.935 a 936) ... 6.2.2.1 No exame da contabilidade da Comtau verificamos repasse de valores consideráveis para algumas empresas de propriedade de associados e de familiares, sendo que alguns destes proprietários das empresas beneficiárias são os dirigentes e fundadores da cooperativa. 6.2.2.2 Existem ainda pagamentos para empresas de assessoria e consultoria, que não têm vínculo aparente com Os cooperados, mas foram feitos sem a efetiva comprovação da prestação de serviço, sendo alguns de valores bastante expressivos. 6.2.2.34 Verificamos, desta forma, que os pagamentos efetuados para as empresas Clovis Colla & Cia Ltda, Albuquerque,, Dornfeld & Cia Ltda, PP Comércio e Serviços Ltda, Marmentini Comércio e Transporte e MBW Intermediação, todas vinculadas inequivocamente a alguns associados, somam R$ 1.360.321,7() no período de 01/2004 a 12/2006, conforme comprovam os registros contábeis. 6.2.2.35 – Isto mostra a distribuição desproporcional dos valores recebidos pelos serviços prestados com evidente favorecimento dos cooperados dirigentes em relação aos demais. 6.2.2.36 Os pagamentos para as outras empresas, supostamente efetuados em função da prestação de serviços também apresentam indícios de que não ocorreu a real contraprestação, visto que apesar dos valores elevados nem existe o contrato e em alguns casos o CNAE da empresa nem sequer remete para a atividade de prestação de serviço. 6.2.2.37 Um exemplo é a empresa Érico Fraga Representações Ltda, para a qual foram repassados R$1.173.819,22 no curto prazo de doze meses. O valor recebido somente por esta empresa representa quase 4,5% do ingresso dos serviços de associados no ano de 2006, que é o faturamento bruto da cooperativa. 6.2.2.38 — Apesar de intimada a apresentar os documentos originais(cópias de cheques solicitadas ao banco) para comprovar os pagamentos efetuados às empresas acima citadas, apenas 10(dez) dos cheques permitem identificar o beneficiário dos pagamentos, no caso a Construtora Colla. Na maioria dos casos o documento foi pago ao emitente, tendo sido endossado pelo presidente da cooperativa.(anexo V, Vol, IX, fls.1696 a 1765) 6.2.2.39 Os fatos relatados demonstram o evidente favorecimento dos dirigentes na repartição dos resultados, com contratação de empresas de sua propriedade para supostamente prestar serviços à cooperativa. No caso das demais empresas não existe a comprovação que a pessoa jurídica supostamente Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 16 29 prestadora do serviço para a COMTAU de fato recebeu os valores retirados por estes cheques. Isto cor. traria os princípios previstos na Lei 5.764/71 no que tange à igualdade entre os associados. REMUNERAÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS Os valores pagos aos cooperados e que não se referem .a prestação de serviço por intermédio da cooperativa de trabalho foram lançados como pagamentos feitos pela empresa a contribuintes individuais sujeitos à tributação prevista na Lei 8.212/91, art. 22, inciso III. 6.2.3.92 — Os valores pagos aos cooperados identificados nas competências acima elencadas e que não se referem .a prestação de serviço por intermédio da cooperativa de trabalho estão sendo lançados como pagamentos feitos pela empresa a contribuintes individuais sujeitos à tributação prevista na Lei 8.212/91, art. 22, inciso III. Pelo exposto abaixo, concluo que o procedimento do Fisco está correto. Além dos elevados valores repassados para pessoas jurídicas conforme relatado no item anterior, a fiscalização verificou também vários pagamentos efetuados para cooperados, sendo alguns parentes dos dirigentes, sem a comprovação da efetiva prestação do serviço. Na maioria dos casos não se pode comprovar que o beneficiário indicado realmente recebeu os valores que .foram lançados na conta dispêndio produção de associados. Os pagamentos foram efetuados com cheques, sendo que nos casos de repasses para os cooperados que realmente prestaram serviço a cooperativa utiliza a modalidade de depósito em conta corrente. Além de serem feitos com cheques, estes repasses, em valores elevados foram feitos com cheques não nominais e em na maioria das vezes foi utilizado o mesmo documento para quitar os valores supostamente pagos para dois, três ou até quatro dos beneficiários. Não é razoável que pessoas que residem em cidades diferentes, com distâncias superiores a 800 quilômetros sejam pagas com o mesmo cheque, como constatado. Cabe registrar que nenhum destes beneficiários foi informado em DIRF e não consta a retenção de Imposto de Renda no comprovante de pagamento. Em todos os casos, a cooperativa sequer prestou serviço para o tomador, indicado na GFIP e no centro de custos debitado por estas retiradas Verificouse nas contas ingresso de serviço de associados que não houve a contabilização de valores recebidos do suposto tomador de serviço no período indicado, logo não pode ter ocorrido a prestação de serviço que foi remunerada. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 6.2.3.1 Além dos elevados valores repassados para pessoas jurídicas conforme relatado no item anterior verificamos também vários pagamentos efetuados para cooperados, sendo alguns parentes dos dirigentes, sem a comprovação da efetiva prestação do serviço. Na maioria dos casos não se pode comprovar que o beneficiário indicado realmente recebeu os valores que .foram lançados na conta dispêndio produção de associados. 6.2.3.2 Os pagamentos foram efetuados com cheques, sendo que nos casos de repasses para os cooperados que realmente prestaram serviço a cooperativa utiliza a modalidade de depósito em conta corrente. 6.2.3.3 Além de serem feitos com cheques, estes repasses, em valores elevados foram feitos com cheques não nominais e em na maioria das vezes foi utilizado o mesmo documento para quitar os valores supostamente pagos para dois, três ou até quatro dos beneficiários. 6.2.3.4 Ora, pouco provável que duas, três ou quatro pessoas concordem em receber a remuneração em conjunto, com o mesmo cheque. Em alguns casos estes cooperados nem sequer residiam na mesma cidade. 6.2.3.5 Outro fato que reforça a constatação é que nenhum destes beneficiários foi informado em DIRF e não consta a retenção de Imposto de Renda no comprovante de pagamento. 6.2.3.6 Em todos os casos, a cooperativa sequer prestou serviço para o tomador, indicado na GFIP e no centro de custos debitado por estas retiradas Verificamos nas contas ingresso de serviço de associados que não houve a contabilização de valores recebidos do suposto tomador de serviço no período indicado, logo não pode ter ocorrido a prestação de serviço que foi remunerada. ... 6.2.3.17 Os cooperados Ana Paula Burin Pastorello, Adelaide Brito Neves e Alessandra Pedroso Moraes foram pagos com um único cheque de R$6.678,00. Os cooperados Ana Paula e Adelaide residiam em Pato Branco, mas a cooperada Alessandra Pedroso Moraes estava bem distante, em Pelotas o que inviabiliza completamente a forma de pagamento. 6.2.3.18 Everaldo Dei Carpio e Cleonir José Dias recebem com um único cheque de R$ 7.046,00 apesar de residirem em cidades diferentes. 6.2.3.19 Tales Breno d Silva Gonçalves e Zélia Cosseau também foram pagos com um único cheque • no valor de R$6.650,00. Interessante notar que um mora em Santa Catarina e outro no Paraná. 6.2.3.20 Os pagamento para Paula Cristina Frozza Teran e Marilde Ferronato também foram feitos com o mesmo cheque no valor de R$6.837,00 apesar de residirem em estados diferentes. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 17 31 6.2.3.21 Kit Abdala Júnior e Manoela Panassollo também foram pagos com um único cheque de R$6.343,00 apesar de residirem em cidades diferentes. 6.2.3.22 Imprescindível notar que não existe ingressos de pagamentos efetuados pelos tomadores Prefeitura Municipal de Pato Branco e Sindicato Rural de Restinga Seca na competência 03/2004. Logo, não houve a prestação de serviço ao mesmos pelos cooperados informados, caracterizandose repasses pala beneficiários não identificados. ... 6.2.3.82 — Também não foi efetuada retenção do imposto de renda sobre a suposta prestação do serviço e os pagamentos foram feitos com cheques que não identificam os beneficiários. ... 6.2.3.85 — Em 10/09/2009 a fiscalização emitiu os Termos de Intimação Fiscal n° 07 e 08 nos quais solicitou à empresa que apresentasse os comprovantes de pagamento, os tomadores de serviço e a função exercida por cada um dos beneficiários. As respostas da empresa não esclarecem as dúvidas em relação aos reais beneficiários visto que em nenhum cheque consta o nome do recebedor e na maioria das vezes foi utilizado o mesmo cheque para pagar mais de um beneficiário. Além disso, não houve retenção de imposto de renda e informação em DIRF destes pagamentos e não existe lançamento de valores recebidos dos tomadores de serviço. Nas planilhas apresentadas pela empresa em algumas competências(08/2004, e de 12/2004 a 07/2005) constam que os tomadores de serviço não foram identificados, bem como a função exercida por estes cooperados, muito embora estes tenham sido informados em GFIP vinculados a um órgão publico OU sindicato.(anexo IV, Vol. V, fls. 1234 a 1235) 6.2.3.86 — Em 11/08/2009 a fiscalização emitiu Termo de Intimação Fiscal no qual solicitou a apresentação dos contratos e a relação de cooperados que prestaram serviço aos contratantes indicados nas GFIP e que foram objeto de lançamento na conta dispêndio da produção de associados para os quais não havia o respectivo recebimento nas contas ingressos de serviços de associados. A empresa juntou alguns contratos e não relacionou os trabalhadores conforme solicitado com a alegação de que "os docurnentos faltantes não .foram encontrados e não são de conhecimento da atual diretoria."(grifamos) Não houve a comprovação da prestação de serviço que justificasse os pagamentos efetuados. Sequer podemos afirmar que os cooperados elencados nas planilhas demonstradas neste item, foram os reais beneficiários destes pagamentos. Cabe lembrar que o atual presidente participou da diretoria anterior. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 6.2.3.87 — Corroboram as conclusões desta fiscalização os pagamentos em valores elevados para cooperados que sequer foram contratados para serem instrutores, e exerceram funções bem mais simples corno serventes, agentes de saúde e operários. Alguns destes cooperados, comprovadamente já estavam desligados da cooperativa quando foram supostamente remunerados para prestador serviço aos tomadores. 6.2.3.88 — Não se pode deixar de observar que uma beneficiária constante dos pagamentos sem a comprovada prestação de serviço relatados neste item é Daniele Colla, filha do atual presidente da cooperativa e secretário na administração anterior o que é prova evidente de favorecimento. 6.2.3.89 — Apesar de intimada a empresa não apresentou as cópias dos cheques pagos pelos bancos para possibilitar e identificação dos beneficiários destes pagamentos. 6.2.3.90 — Os fetos relatados acima demonstram que houve retiradas de valores no período de 01/2004 a 07/2005 sem a comprovação de que os cooperados indicados na GFIP realmente receberam estes repasses evidenciando a distribuição desproporcional . dos resultados em favor dos dirigentes em detrimento do demais. 6.2.3.91 — Os documentos comprobatórios encontramse no anexo I(que apresenta os Termos de Intimação e respostas do contribuinte aos termos, bem como documentos juntados para comprovar as alegações.) no anexo II1(que contém as fichas cadastrais de associados e documentos que comprovam o Conclui a Procuradoria, nas contrarrazões, que esses pagamentos afetaram a distribuição dos resultados e favoreceram os dirigentes. Esses pagamentos estão melhor detalhados às fls. 88/109, concluindose, ao final, pela grande desproporcionalidade da distribuição dos resultados, de forma que os dirigentes da cooperativa foram nitidamente favorecidos, em detrimento dos demais, o que denota a irregularidade na gestão da entidade e o desvio finalístico de sua conduta. EXONERAÇÃO PROMOVIDA PELO ACÓRDÃO DA DRJ – RECURSO DE OFÍCIO (PROCESSO AIOP) A DRJ em Santa Maria exonerou parte do lançamento, determinando a exclusão da quota patronal de 20% (vinte por cento) do lançamento. Essa exoneração motivou o recurso de ofício. Entendeu a autoridade julgadora de primeira instancia que os valores pagos em retribuição aos cooperados já teriam sido tributados e que esses valores deveriam ser aproveitados pela COMTAU. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 18 33 Entendo indevida tal exoneração pelas razões abaixo apresentadas. A contribuição a cargo das empresas está basicamente estabelecida no artigo 22 da Lei 8.212/91. No que se refere ao que está em questão, esse artigo sofreu modificações em 1999 por força da Lei 9.876, conforme abaixo apresentado. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Anteriormente ao advento da Lei nº 9.876/1999, a contribuição previdenciária patronal de cooperativas de trabalho relativa à remuneração de seus cooperados era prevista pelo art. 1º, II, da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996 . Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; e II a cargo das cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. A Lei nº 9.876/1999, além de revogar a LC nº 84/96, estabeleceu uma nova sujeição passiva para a referida contribuição previdenciária. A cooperativa de trabalho deixa então de estar sujeita à contribuição de 15% sobre as importâncias pagas ou creditadas a seus cooperados e essa sujeição passa a ser atribuída ao tomador de serviço. O que se tem estão é que quando do lançamento a cooperativa de trabalho não estava sujeita ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração de seus cooperados referente a retribuição pelos serviços que prestavam a pessoas jurídicas por intermédio delas. Entendo ser esse o ponto central: a sujeição passiva da obrigação. Tendo por base o entendimento acima, a fazenda Nacional,, nas contrarrazões assim se pronunciou: Considerando, pois, que o sujeito passivo da exação não é a cooperativa de trabalho, mas sim o tomador de serviço, há que se concluir, como consectário lógico, que não pode haver exoneração, ainda que parcial, do presente crédito tributário, com base em recolhimentos efetuados por terceiro. A COMTAU nada recolheu a título de contribuição previdenciária tendo em vista que, ao repassar a remuneração aos “cooperados” em razão dos serviços prestados por seu intermédio, estaria desobrigada a recolher, não só a contribuição acima referida, como também a contribuição patronal, no percentual de 20%, sobre esse pagamento feito a contribuintes individuais. Com efeito, o ônus contributivo foi totalmente transferido para a empresa tomadora de serviço, como muito bem ressaltado por Eduardo Rocha Dias, in Curso de Direito Previdenciário, São Paulo: Método, 2008, p.449: “(...) Atentese que a empresa tomadora do serviço não pode descontar o valor da contribuição do pagamento feito à cooperativa de trabalho. Repitase: o ônus contributivo é da empresa contratante da cooperativa de trabalho.” Se a COMTAU nada recolheu, nada tem a compensar e não tem legitimidade para se utilizar de tal crédito. Utilizar recolhimentos efetuados por outro sujeito passivo é contrário ao ordenamento legal e assim se pronunciou a PGFN nas contrarrazões: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 19 35 Se o ônus foi inteiramente arcado pela empresa tomadora de serviço, permitir que a autuada se beneficie dos valores eventualmente recolhidos pela contratante, equivaleria a autorizar a compensação de débitos da COMTAU com créditos de terceiros, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. ... A respeito da legitimidade ad causam para discutir questões atinentes às contribuições recolhidas na forma do inciso IV do art. 22, da Lei 8.212/91, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de tal legitimidade pertence apenas às tomadoras de serviço. Observese, a título de exemplo, os julgados colecionados abaixo: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS (ART. 22, IV, DA LEI N. 8.212/91) – COOPERATIVA DE TRABALHO – ILEGITIMIDADE ATIVA PARA DISCUTIR A EXAÇÃO. 1. A controvérsia dos autos cingese em definir se a cooperativa é parte legítima ativa ad causam para impetrar mandado de segurança objetivando ver reconhecida a ilegalidade do pagamento da contribuição previdenciária de 15%, prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 9.786/99, incidente sobre a fatura de prestação de serviços prestados por seus cooperados. 2. O art. 22, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.876/99, revela uma sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária em que as empresas tomadoras de serviço dos cooperados são as responsáveis tributárias pela forma de substituição tributária, nos termos do art. 121, II, c/c o art. 128, do CTN. 3. O responsável tributário pelo recolhimento da contribuição previdenciária de 15%, incidente sobre a nota fiscal dos serviços prestados pelos cooperados, é o tomador de serviço e não a cooperativa, que não tem qualquer vinculação com o fato gerador do tributo. Agravo regimental improvido”. (AgRg no REsp 855325 / SP) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE 15 % INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL. ART. 22, IV, DA LEI N.º 8.212/91, ALTERADA PELA LEI N.º 9.786/99. COOPERATIVA. MANDADO DE SEGURANÇA. ILEGITIMIDADE ATIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. TOMADOR DO SERVIÇO DOS COOPERADOS. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 1. A propositura da ação exige o preenchimento das denominadas "condições da ação", dentre as quais sobressai o interesse jurídico. 2. O mero interesse econômico somente autoriza entidades públicas a intervir na relação processual por força de lex specialis cujos destinatários não são as cooperativas. 3. Deveras, a contrário senso do art. 6º, do CPC, mister a titularidade ativa ou passiva da relação material para propor ou contestar a ação. 4. In casu, a controvérsia gravita em torno da legitimidade ativa ad causam da cooperativa em mandado de segurança impetrado com o objetivo de ver reconhecida a ilegalidade do pagamento da contribuição previdenciária de 15%, prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 9.786/99, incidente sobre a fatura de prestação de serviços prestados por seus cooperados. 5. O art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91 revela uma sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária em que as empresas tomadoras de serviço dos cooperados são as responsáveis tributárias pela forma de substituição tributária, nos termos do art. 121, II c/c art. 128, do CTN. 6. "Com efeito, denominase responsável o sujeito passivo da obrigação tributária que, sem revestir a condição de contribuinte, vale dizer, sem ter relação pessoal e direta com o fato gerador respectivo, tem seu vínculo com a obrigação decorrente de dispositivo expresso da lei. Essa responsabilidade há de ser atribuída a quem tenha relação com o fato gerador, isto é, a pessoa vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação (CTN, art. 128). Não uma vinculação pessoal e direta, pois em assim sendo configurada está a condição de contribuinte. Mas é indispensável uma relação, uma vinculação, como fato gerador para que alguém seja considerado responsável, vale dizer, sujeito passivo indireto. (Hugo de Brito Machado, in ”Curso de Direito Tributário", Malheiros, 21ª ed., 2002, p. 132 133) 7. O responsável tributário pelo recolhimento da contribuição previdenciária de 15% incidente sobre a nota fiscal dos serviços prestados pelos cooperados é o tomador de serviço e não a cooperativa, que não tem qualquer vinculação com o fato gerador do tributo, falecendo, pois, legitimidade a ela para impetrar mandado de segurança com o objetivo de ver reconhecida a ilegalidade da exação em tela, o que afasta, por conseguinte, a alegada afronta aos arts. 128, do CTN e 2º, do CPC. 8. É cediço na Corte que: "1. A cooperativa de trabalho não integra a relação jurídicotributária concernente à exação, seja na condição de contribuinte, seja na de responsável. 2. Não figurando a recorrente no pólo passivo da contribuição previdenciária discutida, faltalhe a legitimidade ordinária para a causa. (RESP n.º 849.368/SP, Rel. Ministro Castro Meira, DJ de 28.09.2006). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 20 37 9. Recurso especial desprovido”. (REsp 795367 / SP) (destaques acrescidos) A conclusão é que a COMTAU não é legítima detentora do crédito decorrente de tais recolhimentos, razão pela qual não pode ser exonerada da exigência das contribuições patronais. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007 2010/2009/Lei/L11941.htm art26 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 2403002.741 S2C4T3 Fl. 21 39 Voto por dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência da mais benéfica para a recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732573/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, que prosseguia no julgamento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.732573/2011-31
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414259
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-000.150
nome_arquivo_s : Decisao_11080732573201131.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 11080732573201131_5414259.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, que prosseguia no julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5778572
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477650718720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.732573/201131 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.150 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de abril de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Recorrente STEMAC S/A GRUPOS GERADORES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, que prosseguia no julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 32 57 3/ 20 11 -3 1 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.732573/201131 Resolução nº 1102000.150 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por STEMAC S/A GRUPOS GERADORES, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre, que concluiu pela procedência do lançamento de ofício efetuado. Em 2005, a contribuinte contabilizou vendas para entrega futura, excluindo a parcela de R$ 26.703.856,23 do lucro real no respectivo anocalendário. No período de apuração seguinte, apesar de efetuar a entrega das mercadorias contratadas, adicionou apenas R$ 7.521.668,91 ao lucro real. A autuação corresponde à diferença de R$ 18.818.596,77, sendo que, na apuração dos tributos lançados, a fiscalização considerou a compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas, aplicando o limitador de 30% sobre os resultados positivos. Na impugnação apresentada, alegou o contribuinte, em síntese, o que a seguir se expõe. Argui a nulidade dos autos de infração por ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da razoabilidade, em razão, resumidamente, dos seguintes fatos: apesar de iniciado o procedimento fiscal em 6/12/2010, no intuito de verificar a origem e a fundamentação de adições e exclusões ao lucro real dos anos de 2007 e 2008, a apuração de IRPJ e CSLL do ano calendário 2006 foi incluída no MPF somente em 10/11/2011; a impugnante foi intimada apenas em 15/11/2011 a apresentar, no prazo de dez dias, documentos e informações sobre operações de vendas para entrega futura; a impugnante solicitou prorrogação do prazo para atendimento da intimação em trinta dias, contudo obteve a dilação por apenas dez dias, o que foi insuficiente para que fossem localizados, separados e compilados todos os dados e documentos necessários; a troca do sistema de controle e planejamento JD Edwards pelo sistema SAP, ocorrida em 2009, demandaria a contratação de profissional especializado para a recuperação de informações solicitadas; o desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado (art. 27 da Lei 9.784/99); a intimação pedia esclarecimentos que demandariam recomposição documental de todas as bases de cálculo do IRPJ e CSLL de períodos anteriores a 2005, a fim de averiguar a existência de algum equívoco pretérito ou explicitar acerto procedimental; o MPF foi prorrogado nove vezes desde sua emissão. Noutro giro, aduz ser indevida a limitação em 30% da compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, imposta pelas leis 8.981/95 e Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.732573/201131 Resolução nº 1102000.150 S1C1T2 Fl. 4 3 9.065/95, pois viola os conceitos de renda e lucro preconizados pelo CTN (art. 110), delineados pelo direito comercial e utilizados para o entendimento dos arts. 153, III, e 195, I, c, da Constituição Federal. Argumenta que as limitações impostas configuram tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou sobre a renda, que representam um empréstimo compulsório sem o atendimento dos requisitos do art. 148 da Carta Magna, e, ainda, que violam os princípios constitucionais da capacidade contributiva (art. 145, § 1º), da isonomia (art. 150, II) e da vedação do confisco (art. 150, IV). Por fim, sustenta que os saldos dos prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas acumulados devem ser atualizados da mesma forma como todo e qualquer crédito tributário federal, isto é, atualizados pela taxa Selic, consoante dispõe o art. 39, § 4º, da Lei no 9.250/95, sob pena de representarem aumento indevido da exigência fiscal. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS decidiu a lide por meio do Acórdão no 1039.734, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A nulidade do auto de infração somente se justifica diante de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PREJUÍZOS FISCAIS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. PREJUÍZOS FISCAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS. Não há previsão legal para a atualização monetária dos saldos de prejuízos fiscais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.” Cientificada desta decisão em 04/08/2012, conforme Termo de Ciência de efls. 701, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/08/2012, fls. 702714, no qual reprisa os argumentos expostos na defesa inicial. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.732573/201131 Resolução nº 1102000.150 S1C1T2 Fl. 5 4 Conforme visto, dentre as alegações da recorrente, uma delas diz respeito à aplicação da limitação de 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas. Esta Turma, em recente julgamento, ao enfrentar esta matéria, concluiu pela necessidade de sobrestamento do julgamento, em atenção ao que determina o art. 62A do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF. Peço vênia para transcrever o seguinte trecho do voto da i. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima proferido no Acórdão no 1102000.124, da sessão de 07 de novembro de 2012: “Sobre a trava de 30%, o STF, em sessão de 09.10.2008, reconheceu a existência de Repercussão Geral em Recurso Extraordinário, 5913406/SP, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, cuja ementa, transcrevese: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – PREJUÍZO –COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Transcrevese também dispositivos do Código de Processo Civil, relacionados com a repercussão geral: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1º Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.732573/201131 Resolução nº 1102000.150 S1C1T2 Fl. 6 5 Sobre o sobrestamento, notese as decisões monocráticas do Ministro Dias Toffoli, nos RE 433767/SP, 547226/SP e 232959/SC, todas de 26.10.2011, que nos termos do art. 328 do Regimento Interno do STF, determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fosse aplicado o disposto no art. 543B do CPC. Portanto, está ocorrendo, de fato, o sobrestamento de que trata o art. 328, § único, do Regimento Interno do STF, cujos dispositivos abaixo transcrevese: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Transcrevese ainda o art. 62A, do Anexo II, do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. A Portaria CARF nº. 1, de 03 de janeiro de 2012, dispõe sobre os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Segundo o § único do art. 1º dessa Portaria, o procedimento de sobrestamento será aplicado aos casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo STF, o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência da repercussão geral reconhecido para o caso. A devolução dos autos ao Tribunal de origem, de que trata os Recursos Extraordinários acima mencionados, determinada em despacho monocrático pelo Ministro Dias Toffoli, caracteriza que o STF determinou o sobrestamento de processos Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.732573/201131 Resolução nº 1102000.150 S1C1T2 Fl. 7 6 relativos à mesma matéria daquela discutida no Recurso Extraordinário nº 591.340 (repercussão geral). (...) Da mesma forma, devese sobrestar o julgamento do presente recurso.” Pelo exposto, voto por determinar o sobrestamento do julgamento deste recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903667/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2003
COMPENSAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. VALORES CONFIRMADOS.
Comprovado nos autos que o crédito existente foi suficiente para cobertura do montante compensado é de se prover o recurso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Choi Jong Min, OAB/SP 287.957.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. VALORES CONFIRMADOS. Comprovado nos autos que o crédito existente foi suficiente para cobertura do montante compensado é de se prover o recurso. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.903667/2009-60
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5425657
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.466
nome_arquivo_s : Decisao_16327903667200960.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 16327903667200960_5425657.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Choi Jong Min, OAB/SP 287.957. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5812701
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477653864448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.903667/200960 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.466 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria Retorno de Diligência Recorrente UNIBANCO AIG SEGUROS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA. VALORES CONFIRMADOS. Comprovado nos autos que o crédito existente foi suficiente para cobertura do montante compensado é de se prover o recurso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Choi Jong Min, OAB/SP 287.957. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 36 67 /2 00 9- 60 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.903667/200960 Acórdão n.º 3301002.466 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos do PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior de contribuição de PIS (Código de Receita 4574). De acordo com o Despacho Decisório (eletrônico), a compensação não foi homologada, uma vez que embora localizado o pagamento do DARF indicado no PER/DCOMP, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando que a decisão não mereceria prosperar, requerendo a necessidade de reforma da decisão proferida para reconhecer o direito creditório e, via de conseqüência, homologarse a compensação declarada, alegando em síntese que o seu direito creditório decorre de deduções relativas às indenizações com sinistros ocorridos, que, por lapso, deixaram de constar na apuração de contribuição, o que lhe implicou num pagamento a maior no correspondente período de apuração; que a divergência existente entre o PER/DCOMP em que se informou o indébito e a DCTF é de mero erro formal, já devidamente retificado, devendo valer, para tal a verdade matéria. A DRJ de São Paulo negou o pedido da Recorrente com base na decisão ementada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 Ementa: DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado o ônus da prova a respeito de suposto crédito perante a Fazenda Pública. LANÇAMENTOS. LIVROS. PROVA. DOCUMENTOS. Os lançamentos contidos nos livros contábeis e fiscais fazem prova a favor do interessado desde que amparados em documentos idôneos. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.903667/200960 Acórdão n.º 3301002.466 S3C3T1 Fl. 4 3 Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. É válido o lançamento que atende aos princípios da legalidade, da verdade material e da moralidade do ato administrativo, de acordo com as regras e normas estabelecidas para o caso concreto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, invocando o princípio da Verdade Material, que retificou as suas declarações e que, com base nelas, é possível aferir o seu direito creditório, requerendo o provimento e homologação das compensações. A Recorrente juntou no último mês os demonstrativos que visam esclarecer o equivoco inicialmente existente e a base de cálculo ajustada. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, invocando o princípio da Verdade Material, que retificou as suas declarações e que, com base nelas, é possível aferir o seu direito creditório, juntou antes do julgamento a documentação correspondente. A 1ª Turma Especial da 1ª Câmara dessa Sessão do CARF baixou o processo em diligência para que a Delegacia de origem examinasse os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes à inclusão de prêmios pagos na base de cálculo originalmente lançada e a base decorrente de sua exclusão; cientificasse a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejasse; e retornasse o processo a este Conselho para julgamento. É o que importa relatar. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.903667/200960 Acórdão n.º 3301002.466 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. A DIORT em cumprimento à diligência requerida informou que “Confirmamos o valor do direito creditório pleiteado, relativo à exclusão de despesas incorridas com sinistros, conforme detalhado na documentação de fls. (...)” Tendo sido, desse modo, confirmada as compensações nada mais há a fazer senão homologar as compensações pleiteadas. Nesse sentido, voto por julgar procedente o presente recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720377/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO APRESENTADA.
Verificados vícios, erros e deficiências que tornam a escrituração imprestável de forma a não refletir os fatos efetivamente ocorridos e a efetiva situação financeira e patrimonial da empresa, visto que não é lastreada em documentos hábeis e idôneos, impõese o arbitramento do lucro.
RECEITAS AUFERIDAS. PROVA DIRETA. CIRCULARIZAÇÃO.
A Fiscalização comprovou, nos autos, de forma direta, por meio do procedimento de circularização, as receitas auferidas pelo contribuinte. Para tanto, foram colhidas informações de empresas que com ele realizaram operações comerciais, que devidamente intimadas prestaram esclarecimentos e apresentaram documentos fiscais e comprovantes de pagamento.
LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA.
Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE.
A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN, resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
DEPOIMENTO PESSOAL. PROVA LÍCITA.
Todos os meios legais, inclusive o depoimento pessoal, são hábeis para provar a verdade dos fatos no âmbito do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1202-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recursos voluntários do contribuinte e do responsável tributário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente, temporariamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO APRESENTADA. Verificados vícios, erros e deficiências que tornam a escrituração imprestável de forma a não refletir os fatos efetivamente ocorridos e a efetiva situação financeira e patrimonial da empresa, visto que não é lastreada em documentos hábeis e idôneos, impõese o arbitramento do lucro. RECEITAS AUFERIDAS. PROVA DIRETA. CIRCULARIZAÇÃO. A Fiscalização comprovou, nos autos, de forma direta, por meio do procedimento de circularização, as receitas auferidas pelo contribuinte. Para tanto, foram colhidas informações de empresas que com ele realizaram operações comerciais, que devidamente intimadas prestaram esclarecimentos e apresentaram documentos fiscais e comprovantes de pagamento. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN, resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEPOIMENTO PESSOAL. PROVA LÍCITA. Todos os meios legais, inclusive o depoimento pessoal, são hábeis para provar a verdade dos fatos no âmbito do processo administrativo fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10670.720377/2012-91
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5425723
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1202-001.230
nome_arquivo_s : Decisao_10670720377201291.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
nome_arquivo_pdf_s : 10670720377201291_5425723.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recursos voluntários do contribuinte e do responsável tributário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente, temporariamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5812767
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477657010176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 13 1 12 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.720377/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.230 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Recorrente CERRO VERDE FLORESTAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO APRESENTADA. Verificados vícios, erros e deficiências que tornam a escrituração imprestável de forma a não refletir os fatos efetivamente ocorridos e a efetiva situação financeira e patrimonial da empresa, visto que não é lastreada em documentos hábeis e idôneos, impõese o arbitramento do lucro. RECEITAS AUFERIDAS. PROVA DIRETA. CIRCULARIZAÇÃO. A Fiscalização comprovou, nos autos, de forma direta, por meio do procedimento de circularização, as receitas auferidas pelo contribuinte. Para tanto, foram colhidas informações de empresas que com ele realizaram operações comerciais, que devidamente intimadas prestaram esclarecimentos e apresentaram documentos fiscais e comprovantes de pagamento. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN, resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN. MULTA QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 03 77 /2 01 2- 91 Fl. 5479DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEPOIMENTO PESSOAL. PROVA LÍCITA. Todos os meios legais, inclusive o depoimento pessoal, são hábeis para provar a verdade dos fatos no âmbito do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recursos voluntários do contribuinte e do responsável tributário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente, temporariamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Joselaine Boeira Zatorre e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Autos de Infração para exigir IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF relativos aos anoscalendário 2008 e 2009 no valor total de R$ 3.825.062,54 com a multa de ofício de 75% e 150%, conforme enquadramento legal constante nos autos e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente. Fl. 5480DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.720377/201291 Acórdão n.º 1202001.230 S1C2T2 Fl. 14 3 Temse como sujeito passivo do Auto, a empresa CERRO VERDE FLORESTAL LTDA, sendo arrolado o Sr. Robson Severino, sóciogerente, como sujeito passivo solidário. Por bem descrever os fatos, segue resumidamente partes do relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: Segundo o lançamento, o lucro foi arbitrado tendo em vista o art. 530, incisos II, alínea a, e inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. O Termo de Verificação Fiscal, resumidamente, alegou que: O contribuinte foi cientificado do início da fiscalização e intimado a apresentar documentos/esclarecimentos, conforme Termo de Início de Fiscalização lavrado em 21/02/2011; Clientes do fiscalizado foram intimados a apresentar documentos/esclarecimentos relativos a compras efetuadas, tendo em vista que existiam fortes indícios que houve vultosa omissão de receitas; O fiscalizado apresentou DIPJ/2009 e 2010 com opção pelo lucro presumido e apresentou à fiscalização, dentre outros documentos/esclarecimentos, o livro caixa referente aos anoscalendário 2008 e 2009 e declarou que não escriturou os livros contábeis diário e razão; Após a circularização com os principais clientes do fiscalizado, constatouse que a grande maioria de suas receitas nos anos fiscalizados foi proveniente de vendas de carvão vegetal. Nessas vendas as notas fiscais de produtor ou de saídas emitidas são destinadas a acompanhar os produtos até o estabelecimento destinatário, principalmente siderúrgicas, onde a carga é medida/pesada e valorada, sendo então emitida nota fiscal de entrada pelo adquirente, com o valor real da operação realizada. Em regra, os valores das notas fiscais de produtor ou de saídas são muito inferiores aos valores reais das operações, ou seja, das notas fiscais de entrada emitidas pelos clientes. Os valores efetivos das operações de vendas pelo fiscalizado são os que constam nas notas fiscais de entrada emitidas pelos clientes. Nos livros caixa as receitas de vendas foram escrituradas pelos valores das notas fiscais de produtor ou de saídas emitidas; Tendo sido constatado que diversos pagamentos realizados, caracterizados por débitos bancários, não foram escriturados nos livros caixa apresentados, foi o fiscalizado intimado a comprovar as causas e os beneficiários dos pagamentos realizados, por meio de documentos hábeis e idôneos; somente alguns débitos foram comprovados; Posteriormente, apresentou livros diários nº 01 e 02, referentes aos anos calendário 2008 e 2009, respectivamente, autenticados na JUCEMG em 21/12/2011; Ficou evidente e demonstrado que a escrituração contábil contém vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável, visto que não é lastreada em documento, não reflete os fatos efetivamente ocorridos e a efetiva situação financeira e patrimonial; que a escrituração apresentada posteriormente foi mera tentativa de justificar os indícios de infrações apurados pela fiscalização; com base nestes fatos, o lucro foi arbitrado conforme, artigo 530, inciso II, alínea a, do RIR 99; Fl. 5481DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 Um dos objetivos da apresentação posterior da escrituração contábil foi demonstrar que houve apuração de lucros suficientes para suportar a alegada distribuição de lucros ao sócio Robson Severino Silva. A suposta distribuição de lucros deveria ter sido baseada em lucros regularmente apurados àquela época. Não havia escrituração contábil. A escrituração contábil foi montada em 2011. Ou seja, montouse uma escrituração após a ocorrência dos fatos para tentar justificar a distribuição de lucros. Ademais, o histórico dos débitos alegados como destinados a suprimento de caixa, sendo parte posteriormente destinados a distribuição de lucros, foi basicamente “cheque compensado”, que é totalmente incompatível com essa destinação; As alegadas distribuições de lucro foram feitas mediante cheques compensados e TED e não foram comprovadas; ficou constatado que as receitas de vendas informadas nas DIPJs 2009 e 2010 foram apenas 22,52% e 24,32% e que as receitas escrituradas nos livros caixas apresentados foram 42,72% e 76,61% das receitas apuradas pela fiscalização por meio da circularização com os principais clientes do fiscalizado; intimado a justificar/esclarecer as diferenças apontadas, o interessado comunicou à fiscalização, em 22/11/2011, que concorda com os créditos apurados; foram lançadas multas qualificadas sobre os débitos constituídos de ofício, incidentes sobre as receitas não informadas em DIPJs, visto que ficaram caracterizadas sonegação fiscal e fraude; foi lançado imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa por falta de comprovação, caracterizados por débitos bancários com histórico “cheque compensado” e “TED”; ficou caracterizado que o sóciogerente Robson Severino Silva é pessoalmente responsável pelos créditos tributários constituídos de ofício, sobre os quais foi lançada multa de ofício qualificada, nos termos dos artigos 121, inciso II, 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN; Assim, diante do Auto de Infração em comento, o Contribuinte e o Responsável Solidário apresentaram Impugnações separadas (fls. 5.127/5.202 e 5.20/5.274, visando combater a autuação lavrada, afirmando em síntese: quanto a responsabilidade solidária: que o sócio Robson não tinha, enquanto pessoa física, interesse comum com a pessoa jurídica Cerro Verde Florestal Ltda, nas situações que configurassem os fatos geradores das obrigações principais objeto de autuação: lucro, lucro líquido ou receita; não podendo ser responsável solidário com base no artigo 135 do CTN, uma vez que o instituto da solidariedade não é regulado por ele; que não houve na conduta do sócio qualquer violação ao contrato social da empresa; que a autoridade tomou o depoimento do sócio durante a ação fiscal, tratandose de testemunho acerca da pessoa jurídica e interrogatório a seu respeito, sendo ambos os casos meios de provas inadmissíveis no Processo Administrativo Fiscal, por ausência de advogado e por cerceamento de defesa; quanto ao arbitramento do lucro: que a autoridade fiscal considerou a contabilidade do impugnante imprestável, sem buscar a verdade real e utilizou um método (circularização com clientes) ilegal, tomando por base notas fiscais de entrada emitidas por pessoas jurídicas que adquirem insumos do impugnante e desconsiderando as notas fiscais de saída do produtor rural; que, nos termos do art. 528 do RIR/1999, eventual omissão de receita deveria ser computada de acordo com o regime a que estava submetido nos anoscalendário fiscalizados, ou seja, no lucro presumido; em relação ao Imposto de Renda retido na fonte: que a receita tributada deve ser considerada distribuída ao sócio e não pode mais sofrer tributação adicional, seja na fonte, seja na declaração, conforme orientação da própria RFB, não podendo prosperar a exigência de IRRF. Entende o impugnante que existe beneficiário identificado por lei na forma presumida; que qualquer transferência de recursos entre a pessoa física do sócio e outros contribuintes não pode ser confundida com pagamentos da pessoa jurídica a terceiros Fl. 5482DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.720377/201291 Acórdão n.º 1202001.230 S1C2T2 Fl. 15 5 beneficiários não identificados; que o disposto no § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981 e no § 1º do art. 674 do RIR/1999 só se aplica às empresas optantes pelo regime de lucro real ou, se optantes pelo regime de lucro presumido, o façam com escrituração completa, que não é o caso do contribuinte; que quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS não reconhece a omissão de receitas com base em informações prestadas por terceiros; Quanto as multas aplicadas: que o dolo não se presume e que a autoridade fiscal não individualizou as condutas dolosas; o fato da DCTF ou da DIPJ conter erro não caracteriza a sonegação fiscal e a fraude; como a simulação, fraude e o conluio são infrações dolosas, a responsabilidade pela penalidade teria de ser dos agentes do ilícito e não da pessoa jurídica; Não houve ordem do Impugnante para que as DCTFs ou DIPJs fossem emitidas em desacordo com as normas tributárias de regência; que as multas aplicadas tem caráter confiscatório. Contudo, a decisão julgou improcedente as Impugnações apresentas, mantendo o crédito tributário, conforme a ementa do Acórdão, senão vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO APRESENTADA. Verificados vícios, erros e deficiências que tornam a escrituração imprestável de forma a não refletir os fatos efetivamente ocorridos e a efetiva situação financeira e patrimonial da empresa, visto que não é lastreada em documentos hábeis e idôneos, impõese o arbitramento do lucro. RECEITAS AUFERIDAS. PROVA DIRETA. CIRCULARIZAÇÃO. A Fiscalização comprovou, nos autos, de forma direta, por meio do procedimento de circularização, as receitas auferidas pelo contribuinte. Para tanto, foram colhidas informações de empresas que com ele realizaram operações comerciais, que devidamente intimadas prestaram esclarecimentos e apresentaram documentos fiscais e comprovantes de pagamento. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN, resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Fl. 5483DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 DEPOIMENTO PESSOAL. PROVA LÍCITA. Todos os meios legais, inclusive o depoimento pessoal, são hábeis para provar a verdade dos fatos no âmbito do processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a fim de contestar a decisão proferida no referido Acórdão. Embora apenas um Recurso Voluntário tenha sido apresentado, na Procuração a ele anexa (fl. 5432), a Contribuinte se diz representada naquele ato pelo seu sócioadministrador, o ora Responsável Solidário deste Processo, Sr. Robson Severino Silva. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte reforça o já apresentado na Impugnação, reproduzindo seus argumentos, em síntese: que conforme ressaltado pela autoridade fiscal, a sujeição passiva solidária não abrange os créditos de IRPJ incidentes sobre as receitas de vendas informadas em DIPJs e de IRRF, incidentes sobre pagamentos sem causa e a beneficiários não identificados. Aduz ser a prova testemunhal e o interrogatório, ambos feitos com o Sr. Robson, imprestáveis uma vez que não são admissíveis. Versa a respeito do não cabimento da exigência da IRRF, contestando o meio de apuração do IRPJ realizado, haja vista ser incontroverso que o regime de apuração é o de lucro presumido. Assim, não reconhecendo a Omissão de Receita, entendendo não devida a exigência do IRPJ, consequentemente se insurge contra as exigências de CSLL, PIS e COFINS. Aduz ser indevida a caracterização de sonegação fiscal e fraude, e sua inexistência desqualificaria a aplicação das multas, além de considerar que as penalidades possuem caráter confiscatório. Após todo o alegado em sede de recurso apresentado pela Contribuinte, pede por fim, que seja reformado o acórdão e julgado improcedente o lançamento, em relação a todas as suas rubricas, e na hipótese de assim não considerar, pede que sejam as penalidades reduzidas para o mínimo legal. É o Relatório. Fl. 5484DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.720377/201291 Acórdão n.º 1202001.230 S1C2T2 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno Presentes os pressuposto de admissibilidade recursal dele tomase conhecimento. Notase do relatório que os autos tratamse de exigibilidade de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF relativos aos anoscalendário 2008 e 2009 no valor total de R$ 3.825.062,54 com a multa de ofício de 75% e 150%, conforme enquadramento legal constante nos autos e os juros de mora. Em sede recursal, o ora recorrente (contribuinte) alegou novamente fatos já trazidos aos autos na Impugnação. A priori, o contribuinte alega que a computação do IRPJ deveria ser feita de acordo com o regime a que estava submetido nos anoscalendário fiscalizados, o regime de lucro presumido, e não o de arbitramento. Entretanto, conforme destacado pela DRJ, a apuração através de arbitramento, não ocorre com o intuito de penalizar o contribuinte, sendo tão somente mais um meio de apurar o IR, autorizado por lei, quando impossível for a apuração deste pelo lucro real. Sabese que o arbitramento é medida extrema e utilizada como último recurso, quando se consegue de outro modo realizar a apuração. In casu, o Autoridade Fiscal fundamentou o arbitramento com base no artigo 530, inciso II, alínea a, do RIR 99, o qual preceitua que a autoridade fiscal deve arbitrar o lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Notase que a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte a apresentar os livros contábeis e fiscais, notas ficais e extratos bancários, (vide termos de intimação em 21/02/2011 e 06/04/2011). A contribuinte apresentou, entre outros, os extratos bancários e o livro caixa, declarando não ter escriturado os livros contábeis diário e razão. Entretanto, consta dos autos que os principais clientes da contribuinte apresentaram planilhas e cópias das notas fiscais de produtor e das notas fiscais de entradas correspondentes, bem como comprovantes de pagamentos realizados. Ficando constatado que os valores fiscais de produtor ou de saídas emitidas pelo interessado, são muito inferiores aos valores das notas fiscais das operações, ou seja, as notas fiscais de entrada. A fiscalização constatou que as receitas de vendas informadas nas DIPJs 2009 e 2010 foram apenas 22,52% e 24,32% e que as receitas escrituradas nos livros caixas apresentados foram 42,72% e 76,61% das receitas apuradas pela fiscalização após a circularização. Posteriormente, o contribuinte apresentou livros diários nº 01 e 02, referentes aos anos calendário 2008 e 2009, respectivamente, autenticados na JUCEMG somente em Fl. 5485DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 8 21/12/2011. Porém, a fiscalização localizou no interior dos livros declaração do fiscalizado, datada de 20/12/2011, protocolizada na JUCEMG em 21/12/2011, na qual declara que não é de seu interesse solicitar à JUCEMG o registro dos livros diário referentes aos períodos de 2002 a 2007. Assim, ficou constatado que a escrituração contábil foi montada a partir dos fatos apurados pela fiscalização (os quais foram cientificados ao contribuinte para fins de apresentação de documentos/esclarecimentos) e não está lastreada em documentos hábeis e idôneos, tanto que a fiscalização demonstrou inconsistências de valores, como por exemplo, as contas contábeis caixa, estoques e do ativo permanente, bem como inconsistências nas receitas apuradas e escrituradas, algumas a seguir reproduzidas: Assim, como transcreveu trecho da decisão da DRJ: Assim concluiu o TVF: “Certamente não há condições de vários anos depois escriturar fatos distantes de forma a refletir a situação de fato naquela época. Por exemplo, se não há escrituração referente a 2007, de onde vieram os saldos das contas patrimoniais em 01/jan/2008?” Ademais, conforme constatação da Delegacia, ao analisar os livros caixa apresentados não constou a escrituração dos débitos bancários especificados no termo de intimação fiscal lavrado em 23/09/2011, no valor total de R$ 3.504.760,71. Na escrituração contábil apresentada posteriormente esses pagamentos foram escriturados, porém, intimado de forma reiterada a comprovar os pagamentos caracterizados por débitos bancários, comprovou apenas parte, restando R$ 2.402.570,26 sem comprovação do beneficiário e as causas dos pagamentos. Restando claro que a escrituração contábil contém vícios, erros e deficiências que a tornam inutilizáveis, uma vez que não refletem os fatos verdadeiramente ocorridos, não restou outra alternativa senão arbitrar o lucro tributável, devido trimestralmente. Para tanto, fora utilizada a base da sua Receita Bruta Conhecida, que são as notas fiscais de entrada versos as notas fiscais de saída. Assim, a alegação da Contribuinte, de que o método utilizado pela Autoridade Fiscal é ilegal, não merece prosperar, haja vista ser um método de obtenção de prova direta, no qual empresas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal foram intimadas a apresentar documentos, o que deixou comprovado a omissão de rendimentos. Fl. 5486DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.720377/201291 Acórdão n.º 1202001.230 S1C2T2 Fl. 17 9 A contribuinte alegou também não ser cabível a incidência de IRRF sobre pagamentos a beneficiário não identificado, contudo, resta claro segundo o artigo 674 do RIR/99: “Art. 674. Está sujeito á incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais ( Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º. A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa ( Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º); § 2º. Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º); § 3º. O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” Durante o procedimento fiscal a contribuinte foi intimada diversas vezes a apresentar documentos/esclarecimentos, relativos a pagamentos realizados por meio de débitos bancários não escriturados nos livros caixa apresentados. Alguns pagamentos foram devidamente comprovados e considerados pela fiscalização. Por outro lado, para outros, não foi apresentado qualquer documento que comprove a pertinência do pagamento, tanto na fase de fiscalização quanto na fase de impugnação. A contribuinte apenas alega que a receita tributada deve ser considerada distribuída ao sócio e não pode mais sofrer tributação adicional, seja na fonte, seja na declaração, aduz que existe beneficiário identificado por lei na forma presumida e que o que o disposto § 1º do art. 674 do RIR/1999 não se aplica ao caso. Alega ainda que diversos débitos bancários foram destinados à distribuição de lucros ao sócio Robson Severino Silva. Estes débitos totalizaram R$ 493.723,47 e R$ 376,846,38 em 2008 e 2009. Entretanto, a contribuinte apenas alega sem nada comprovar. Nas declarações de ajuste anual de imposto de renda pessoa física – DIRPF/2009 e 2010, o sócio Robson Severino informou que recebeu R$ 30.000,00 e R$ 35.000,00, respectivamente, a título de lucros distribuídos pela empresa Cerro Verde. Os lucros informados são totalmente incompatíveis com os pagamentos alegados. Nos livros caixa apresentados não consta a escrituração dessas alegadas distribuições de lucro. O sócio Robson também fora intimado a apresentar documentos acerca da suposta distribuição de lucros, mas não comprovou nenhum recebimento efetivamente. Assim, em face da ausência de prova documental que identifique individualmente as operações que deram origem aos pagamentos realizados, lançados a débitos de conta corrente, mantémse o lançamento, pois, nos termos da legislação posta, as pessoas jurídicas devem identificar adequadamente os beneficiários e a causa dos pagamentos efetuados. Na inobservância das prescrições legais, válida a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, conforme também tem decidido o então Conselho de Contribuintes: Fl. 5487DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 10 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA INCIDÊNCIA Está sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios quando não comprovada a operação ou sua causa. 1º CC / 4a. Câmara / ACÓRDÃO 10420.644 em 18.05.2005. Publicado no DOU em: 19.10.2005. Acerca da sujeição passiva, houve a inclusão do sóciogerente Robson Severino Silva, como sujeito passivo solidário, nos termos dos arts. 121, inciso II, 124, inciso I e 135, inciso III, do CTN, por ter sido o sócio controlador e administrador do contribuinte nos anoscalendário de 2008 e 2009, uma vez que ficou caracterizada a sonegação e a fraude. O responsabilizado apresentou impugnação alegando, em síntese, que não tinha interesse comum na pessoa jurídica, que não violou o contrato social e que não pode ser considerado responsável solidário com base no art. 135 do CTN. Entretanto, o responsabilizado não apresentou Recurso Voluntário próprio, estando presente apenas na Procuração como representante da Contribuinte. Desta forma, considerase revel nesta fase do processo administrativo em comento, uma vez que nada aduziu em prol de sua defesa. Assim, se na formalização do crédito tributário pelo lançamento, a autoridade administrativa tem o dever de identificar o sujeito passivo, não se lhe pode negar a possibilidade de fazêlo de forma ampla, inclusive apontando aqueles que também responderão pelo crédito tributário em futura execução fiscal, caso as circunstâncias fáticas já evidenciem tal ampliação do pólo passivo da obrigação tributária. Os fatos consignados no Termo de Verificação Fiscal, pormenorizadamente lá detalhados, caracterizam a responsabilidade solidária prevista na legislação, conforme resumo que listo abaixo: Apresentação de DIPJs fraudulentas, referentes aos anoscalendário 2008 e 2009, com receitas de vendas muito inferiores (22,52% e 25,94%, respectivamente) às efetivamente auferidas apuradas pela fiscalização; Apresentação de DCTFs informando débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS calculados sobre as receitas de vendas informadas nas DIPJs 2009 e 2010, ou seja, informou débitos muito inferiores aos efetivamente devidos (inferiores a 26%); Praticou a sonegação fiscal ao executar procedimentos de ocultação de fatos geradores efetivamente ocorridos, visto que apresentou DIPJs com receitas de vendas muito inferiores às efetivamente auferidas, confirmadas pela apresentação de DCTFs com débitos muito inferiores aos efetivamente devidos. Assim ficou comprovado que o contribuinte, por meio de seu sócioadministrador, reiteradamente adotou práticas com a intenção deliberada de ocultar fatos geradores e os valores efetivamente devidos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Assim, uma vez evidenciada a subsunção às hipóteses previstas na legislação abaixo, o sócioadministrador Robson Severino Silva responde solidariamente pelo crédito tributário ora apurado, nos termos dos arts. 121, inciso II, 124, inciso I e 135, inciso III, do CTN. Quanto ao elemento fático (“atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”), as circunstâncias que envolveram a falta de recolhimento de tributos evidenciam infração à lei, com consequências não só no campo tributário, mas também na área penal. São ilícitos que envolvem as condutas descritas nos arts. Fl. 5488DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.720377/201291 Acórdão n.º 1202001.230 S1C2T2 Fl. 18 11 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio, haja vista a entrega de DIPJ fraudulentas e a existência de DCTFs com indicação de tributos devidos muito inferiores aos efetivamente devidos, sendo que, conforme comprovado nos autos, houve expressivo faturamento para o período. A par disso, a existência da responsabilidade das pessoas referidas no art. 135 do CTN não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte, permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem. Assim, não depende a responsabilidade dessas pessoas do esgotamento do patrimônio da sociedade. Respondem todos, integral e solidariamente. A jurisprudência do STJ também caminha no sentido da responsabilidade solidária, conforme indicam o REsp 717.717/SP e os Embargos de Divergência 702.232/RS. Ao ensejo, cito ensinamento colhido da doutrina: “Outra coisa é a responsabilidade de que cuida o art. 135. Nela existe a solidariedade ab initio, e o responsável se coloca junto do contribuinte desde a ocorrência do fato gerador. Pouco importa, nesses casos, que o contribuinte tenha, ou não, patrimônio para responder pela obrigação tributária. A Fazenda credora pode dirigir a execução contra o contribuinte ou o responsável. Do ponto de vista processual, ao contrário do que ocorre nas hipóteses do art. 134, é necessário que o auto de infração consigne o nome do responsável e que se lhe assegure o direito de defesa.” [TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. Rio de Janeiro: Renovar, 1997. p. 227 e 228]. A análise sistemática da ordem jurídica também aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos. Não há sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum. Portanto, a responsabilidade solidária prevista no art. 124 do CTN coexiste com a responsabilização pessoal prevista no art. 135 do CTN, devendo, para esse último tipo de responsabilidade, ser verificada a presença dos elementos fático e subjetivo descritos no art. 135 do CTN. Dessa forma, mantémse a responsabilidade solidária, conforme Termo de Sujeição Passiva, e conforme o acima decidido pela DRJ, tanto assim também tendo em vista a falta de apresentação de defesa recursal por parte do Sr. Robson, inexistindo qualquer novo elemento probatório defensivo que pudesse elidir tal responsabilidade passiva. A respeito da multa qualificada, a Contribuinte, ora recorrente, contesta a aplicação da multa qualificada de 150%, por considerar que a multa de 150% é confiscatória e que não ficaram individualizadas as condutas dolosas. Destacase que as multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei no 9.430, de 1996, art. 44, I, parágrafo 1º, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, in verbis: Fl. 5489DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os arts. 71 e 72, da Lei nº 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. E com base em todo o alegado pela contribuinte bem como o concluído pela DRJ, inclusive acerca alegação de que não houve ordem da contribuinte para que as DCTFs ou DIPJs fossem emitidas em desacordo com as normas tributárias de regência, esta não tem fundamento algum. Todas as declarações foram entregues em nome da pessoa jurídica e ficou demonstrado nos autos que o sóciogerente Robson Severino era o único administrador na época. Aliás, na responsabilidade solidária de que trata o art. 135, o elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. Assim, restou caracterizada que houve declarações divergentes do quanto apurado, perante os fatos relatados pela fiscalização, de maneira reiterada,tanto em DIPJs como DCTFs, além de tentativa de justificar falta de escrituração do livro diário e razão referente ao período fiscalizado bem depois dos fatos ocorridos e fora da competência, sem qualquer autorização ou anuência da autoridade fiscal, fato esse que denota a intenção de cobrir a situação irregular e ilegal apurada pela fiscalização. Por outro lado, contra a alegação de efeito confiscatório, com base no questionamento sobre a tributo não ter efeito de confisco nos termos constitucionais, a Lei nº 9430/96 não teve seus dispositivos julgados inconstitucionais, valendo, portanto, dentro do âmbito de competência administrativa julgadora deste Colegiado Administrativo, para produzir, como de direito e de fato o faz, seus legítimos e regulares efeitos. No mais, este órgão administrativo julgador, CARF, está impedido de julgar matéria inconstitucional, ainda que de maneira reflexa, nos termos do Regimento Interno do mesmo e em cumprimento a Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 5490DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.720377/201291 Acórdão n.º 1202001.230 S1C2T2 Fl. 19 13 Há ainda os lançamentos reflexos, os quais também foram contestados no Recurso Voluntário, uma vez que a contribuinte consequentemente também nos os considera devidos. Contudo, por todo analisado, e a constatação da correta cobrança do crédito tributário, devido a relação de causa e efeito que se vinculam ao lançamento principal, devese adotar o mesmo procedimento aos reflexos, já que são conseqüências daquele. Mantendo as mesmas razões adotadas para o IRPJ, para a CSLL, PIS e COFINS. Por derradeiro, considerando o acima exposto, e tudo o que mais consta nos autos, negase provimento ao recurso voluntário da contribuinte, mantendose a responsabilidade passiva solidária do Sr. Robson Severino Silva. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 5491DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907770/2012-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10920.907770/2012-07
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414940
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.823
nome_arquivo_s : Decisao_10920907770201207.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10920907770201207_5414940.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5779253
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477696856064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 66 1 65 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.907770/201207 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.823 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 70 /2 01 2- 07 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.907770/201207 Acórdão n.º 3803006.823 S3TE03 Fl. 67 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 10 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.907770/201207 Acórdão n.º 3803006.823 S3TE03 Fl. 68 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.907770/201207 Acórdão n.º 3803006.823 S3TE03 Fl. 69 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em junho de 2005 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 6.917,99 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 3.773,76 (conforme índice de juros de 54,55% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 2.075,56, valor esse muito próximo, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.907770/201207 Acórdão n.º 3803006.823 S3TE03 Fl. 70 5 com diferença de apenas R$ 0,17, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 2.075,39). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003928/2010-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Quando o lançamento preenche os requisitos legais, não há que se falar em nulidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Tratando o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 2403-002.401
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito tributário referente ás competências 01 e 02/2005, com base na regra do artigo 150§ 4º, do CTN.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Quando o lançamento preenche os requisitos legais, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Tratando o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.003928/2010-22
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5415000
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.401
nome_arquivo_s : Decisao_15504003928201022.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15504003928201022_5415000.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito tributário referente ás competências 01 e 02/2005, com base na regra do artigo 150§ 4º, do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5779313
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047477702098944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.003928/201022 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.401 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SUPERINTENDÊNCIA DE LIMPEZA URBANA DE BELO HORIZONTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Quando o lançamento preenche os requisitos legais, não há que se falar em nulidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Tratando o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito tributário referente ás competências 01 e 02/2005, com base na regra do artigo 150§ 4º, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 39 28 /2 01 0- 22 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003928/201022 Acórdão n.º 2403002.401 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.289 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não há como prosperar a argüição de nulidade. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação providenciaria a empresa apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: De acordo com o descrito às fls. 01 e no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 15/18), tratase de infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97 e redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, por ter a Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, das competências 01/2005 a 12/2005, com informações incorretas ou omissas, conforme discriminado nos Anexos VI e VIA. O AutodeInfraçãoAI foi lavrado em 22/03/10, tendo o autuado dele tomado conhecimento em 25/03/2010 (fls. 01). A penalidade foi fixada no valor de R$42.780,00 (quarenta e dois mil setecentos e oitenta reais), de conformidade com o previsto no artigo 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2o e 3o , da Lei 8.212/91, incluídos pela MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c", da Lei 5.172, de 25/10/1966CTN. No Anexo VII, às fls. 56, a fiscalização elaborou o comparativo entre as multas calculadas de conformidade com a legislação anterior e posterior às alterações da MP 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, visando a aplicação da Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 penalidade mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao disposto no referido artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN. A autarquia, representada por seu superintendente Sr. Luiz Gustavo Fortini Martins Teixeira, apresentou impugnação, em 26/04/2010, consoante documentos de fls. 59/62 onde contesta o procedimento fiscal sob os seguintes argumentos relatados em síntese. Inicialmente faz um breve relato dos fatos. Nulidade do Auto de Infração Em sede preliminar, argui a nulidade do auto de infração em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatoria. Dos Fundamentos Jurídicos Alega que o Auto de Infração deve ser anulado desde o seu nascedouro, pelos seguintes motivos: · no que tange ao preenchimento incorreto de alguns campos (Anexo VA), tal ocorrência não redundou em incorreções no recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, assim, não procede a autuação; · com relação aos acordos/sentenças trabalhistas não declaradas na GFIP, a comprovação dos pagamentos devidos foram devidamente apresentados à fiscalização, não sendo passível, portanto de aplicação de multa por parte da RFB; · as verbas pagas a título de rescisão contratual são lançadas no sistema de folha de forma global (incidência total para o INSS) e não de forma individualizada como exigido pela fiscalização. No entanto, as contribuições previdenciárias não restaram prejudicadas em razão do procedimento até então observado pela autarquia. Finalmente requer que seja acolhida a impugnação e, uma vez demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja cancelado o débito fiscal reclamado. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência. · Nulidade. Inexistência de justa causa. · Mérito: ratifica os argumentos da impugnação e solicita reanálise. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003928/201022 Acórdão n.º 2403002.401 S2C4T3 Fl. 4 5 · Recolhimentos e correção das informações prestadas na GFIP. · Multa. Método de quantificação não é preciso. É o relatório Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente entende que o lançamento é nulo por inexistência de justa causa. Abaixo o recurso será analisado e se evidenciará a existência de justa causa. Também os fundamentos jurídicos foram questionados no recurso. Entendo que a autuação e preenche os requisitos legais. À folha 1, foi apresentada descrição sumária da infração, dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada e o valor da multa. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.1991, art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2. e 3., incluídos pela MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso I I , ainea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 CTN. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$42.780,00 Às folhas 15 a 18 o Relatório Fiscal do Auto de Infração, descreve em detalhes os fatos e a fundamentação que motivaram a autuação e às folhas 19 a 21 o Relatório Fiscal da Aplicação da multa, que detalha o cálculo da multa e sua fundamentação. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003928/201022 Acórdão n.º 2403002.401 S2C4T3 Fl. 5 7 DECADÊNCIA A questão da decadência qüinqüenal está pacificada. Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. O Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF registra a verificação de guias de recolhimento. Por essas características e pelo fato de a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O lançamento abrange as competências 1 a 13/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 25/03/2010. Entendo decadentes as competências 1 e 2/2005. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência do crédito tributário referente às competências 1 e 2/2005, com base na regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
