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Numero do processo: 10675.003313/2004-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA DE OFÍCIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA.
A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA. SELIC
Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 27/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA DE OFÍCIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.003313/200472 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.785 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2012 Matéria COFINS Recorrente STOQUE MERCANTIL LTDA Recorrida RIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA DE OFÍCIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 33 13 /2 00 4- 72 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.003313/200472 Acórdão n.º 3302001.785 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido. Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 5/25 (que tem como parte integrante, o Termo de Verificação de Infração), lavrado pela DRF/Uberlândia, com ciência do interessado em 09/09/2004 (fl. 5), para a exigência de crédito tributário de Cofins, no valor de R$260.555,07, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$638.063,25 (fls. 4). O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado, diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago. O recorrente apresentou, em 07/10/2004, a impugnação de fls. 170/178. Em sua defesa, alega, em síntese, que: a) a multa punitiva de 75% fere o CTN e a Constituição; b) foi através da Declaração do Imposto de Renda e dos livros fiscais que a fiscalização apurou todos os tributos, o que descaracterizaria a infração à lei; c) a simples inadimplência não comportaria multa punitiva; d) seria ilícita a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Por conseguinte, os membros da a Turma da DRJ/DF, entenderam procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário de Cofins, com multa de 75% e juros de mora, em razão de não ter o interessado contestado os valores que estão sendo exigidos a título de Cofins. Além disso, a DIPJ não seria considerada confissão de dívida e como o interessado não declarara seus débitos em DCTF, seria devido o lançamento de oficio. Inconformado com o acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou Recurso, às fls. 217/227, onde sustentou que não foi levado em consideração a regularidade dos livros contábeis e a Declaração de Imposto de Renda em que teve todos os tributos apurados pela Receita Federal, que fatos descaracterizam a omissão de declaração de imposto e/ou contribuição devida. E ainda, alega que a diferença entre os valores dos tributos pagos mensalmente e os valores devidos, se deu Unicamente por falta de permissivo normatizador para que o contribuinte pudesse pagar as obrigações ao órgão lançador em valor disponível menor que o valor devido conforme auferido mensalmente. Quanto à aplicação do tributo da multa e demais cominações, que a autoridade lançadora não poderia aplicar multas, cobrálas, consentir ou dispor sem lei específica que a autorizasse, restrições estas que não se estenderia aos conselhos de contribuintes dotados de poder de julgamento. Assim, não seria passível aplicação de multa de mora punitiva e sim, somente a cobrança dos Juros de Mora fixados na lei. Sendo ainda, que este último não deve ter a utilização da taxa SELIC como índice de apuração, e sim a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 161, parágrafo 1°, do CTN, ou seja, 1% ao mês. Diante desses argumentos, o contribuinte requereu a nulidade do acórdão ora recorrido. Em face da interposição do referido recurso os autos alcançaram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF onde foi proferida decisão, no sentido de encaminhar o recurso à diligência para que a douta autoridade lançadora esclarecesse e Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.003313/200472 Acórdão n.º 3302001.785 S3C3T2 Fl. 4 3 apurasse em quais meses dos exercícios de 2000, 2001, 2002 e 2003, de todo o período base contestado portanto, houve pagamento da obrigação tributária, e por quais valores foram preenchidos e pagos os respectivos DARF's. Realizada as diligências solicitadas os autos tornaram a esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Vindas às informações da autoridade , entendo não assistir razão à Recorrente. Isto porque, conforme demonstrativos acostados aos autos, não houve por parte da Recorrente, quaisquer recolhimentos a título de COFINS, no período ora em discussão. Conforme informações da Autoridade Fazendária: Foram juntados ao processo os extratos dos débitos de COFINS declarados em DCTF para os anos de 2000 a 2003 (fls. 240 a 244), que evidenciam a ausência da entrega da declaração referente ao ano de 2000 e que, a todos os débitos declarados em 2001, 2002 e 2003, não há vinculação de pagamentos, mas sim a descrição "Saldo a Pagar". Coerentemente à conduta adotada em DCTF, o contribuinte não realizou quaisquer pagamentos de COFINS no período, conforme demonstra a tela de consulta do sistema Sinal às fls. 245, a qual não retornou nenhum registro de pagamento para o período compreendido entre 01/01/2000 a 31/01/2003. No mesmo sentido não há que se falar em diminuição da multa de ofício. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. Outrossim, não é de competência desta Terceira Turma de Julgamento afastar aplicação de multa isolada. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10675.003313/200472 Acórdão n.º 3302001.785 S3C3T2 Fl. 5 4 Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Por fim, no que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Por todo exposto, conheço do presente recurso voluntário, para ao fim negar lhe provimento. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.726355/2012-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
INDEFERIMENTO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINÁRIAS
Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INDEFERIMENTO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINÁRIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
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RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINÁRIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 63 55 /2 01 2- 99 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10950.726355/201299 Acórdão n.º 2803003.904 S2TE03 Fl. 143 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa GAUIME MULTI SERVIÇOS LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. Contra a contribuinte foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD n. 51.015.1353, referente a remuneração paga aos segurados empregados, e o pro labore pago ao titular da empresa. O relatório fiscal (fls. 66) assim descreve a fundamentação da autuação: “O presente auto de infração originouse da Auditoria Fiscal realizada na empresa com o objetivo de levantamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. A empresa apesar de fazer parte do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, não goza de todas as prerrogativas atribuídas a este sistema. No entanto, a empresa considerou como contribuição devida à Previdência Social apenas os valores descontados dos segurados da empresa e assim os declarou em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. A contribuição apurada é relativa à parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre importâncias pagas a segurados empregados e parte patronal incidentes sobre importâncias pagas a sócios da empresa a título de prólabore sem o correspondente recolhimento, nos termos do presente lançamento. A apuração teve como base os valores registrados nas folhas de pagamentos confrontados com os valores declarados em GFIP's e escriturados nos livros contábeis. Os fatos geradores de contribuição previdenciária dos segurados sob responsabilidade do sujeito passivo foram declarados pelo mesmo em GFIP, embora com o código das empresas pertencentes ao SIMPLES. Ainda que esta seja optante pelo Simples Nacional, está obrigada ao recolhimento da contribuição a cargo da empresa bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A razão disso se deve ao fato da empresa prestar serviços de vigilância, limpeza e conservação, comprovados em verificação nas notas fiscais. Assim, a partir de 01/07/2007, período de opção do Simples Nacional, a empresa deveria declarar as GFIPs com código de terceiros zerado ("0000"), mas informando como não optante do Simples e a respectiva alíquota SAT. Assim, o sistema iria apurar a contribuição patronal (Empresa Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 20% + SAT 3%). Ao se examinar as GFIP's verificase que as mesmas foram declaradas na condição de optante pelo SIMPLES.” Após devidamente intimada, a contribuinte apresentou impugnação. No entanto a DRJ não acolheu as alegações da contribuinte, julgando improcedente a impugnação, mantendo na integra o lançamento efetuado pela fiscalização, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SIMPLES NACIONAL. MONITORAMENTO DE EQUIPAMENTO DE SEGURANÇA. ENQUADRAMENTO. ANEXO IV. A atividade de monitoramento eletrônico de sistemas de segurança constitui serviço de vigilância. Nessa condição, aplicase o Anexo IV da Lei Complementar nº 123, de 2006. VIGILÂNCIA DESARMADA (VIGIA). TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ANEXO IV. Desde que a ME ou EPP não incorra em nenhuma das vedações do caput do art 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, a prestação de serviço de vigia, assim entendida como a atividade fundada na guarda e zelo de um patrimônio ou na segurança de pessoas, deve ser tributada na forma do Anexo IV da referida Lei Complementar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignada com a decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls. 134/138, aduzindo, em apertado escorço, que monitoramento eletrônico não é vigilância, sendo que a recorrente fazia, à época, direito ao recolhimento através do Simples Nacional.. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10950.726355/201299 Acórdão n.º 2803003.904 S2TE03 Fl. 144 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Não Inclusão do Simples A controvérsia instalada no recurso apresentado pela contribuinte é se a atividade por ela exercida, qual seja a de monitoramento eletrônico é passível de inscrição no Simples Nacional. A recorrente aduz que não foi deferida sua inclusão no do Simples Nacional, mas que sua atividade enseja o recolhimento através desta sistemática. Aduz que não se pode confundir a atividade de monitoramento eletrônico com a de vigilância, sendo aquela passível de recolhimento na forma da Lei Complementar nº 123/2006. Ademais, a recorrente alega que nem a legislação do Simples Federal (Lei nº. 9.317/96) nem a do Simples Nacional (Lei Complementar nº. 123/2006) determinam a não inclusão por débitos posteriores à solicitação. Em que pese o entendimento da a Solução de Consulta Cosit nº 73/2014, tratando do enquadramento dos serviços de monitoramento eletrônico de sistemas de segurança no Simples Nacional, o qual compartilho, no caso em apreço a contribuinte teve sua solicitação ao Simples Nacional indeferida, contudo quedouse inerte em apresentar defesa em relação à exclusão. Assim, em esfera administrativa, operouse a preclusão, de forma que os motivos da exclusão não podem ser objeto de análise neste feito, mormente por tratarse de débitos junto a municipalidade e não à Fazenda Nacional. Diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a não inclusão no Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar, intempestivamente, a sua não inclusão no Simples Nacional. Da Compensação Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 De ofício faço a aplicação da Súmula 76 do CARF, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, para que os valores referentes a CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10314.004208/2011-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/04/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/04/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/04/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 42 08 /2 01 1- 89 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004208/201189 Acórdão n.º 3803006.618 S3TE03 Fl. 299 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/04/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 08/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 22/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004208/201189 Acórdão n.º 3803006.618 S3TE03 Fl. 300 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004208/201189 Acórdão n.º 3803006.618 S3TE03 Fl. 301 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004208/201189 Acórdão n.º 3803006.618 S3TE03 Fl. 302 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10183.004790/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.487
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Participou o conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. Ausência justificada da conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Participou o conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. Ausência justificada da conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "A contribuinte acima qualificada foi autuada para recolher a Contribuição para o Seguridade Social (COFINS) dos períodos de Fl. 4348DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10183.004790/2006-59 Resolução n.º 3201-000.487 S3-C4T3 Fl. 4.349 2 apuração novembro de 2002, janeira a abril de 2003, junho a setembro de 2003, abril e junho de 2005, e agosto a dezembro de 2005, e a contribuição para o PIS/PASEP, dos períodos novembro de 2002, janeiro a setembro de 2003, novembro de 2003, janeiro de 2004, fevereiro de 2005, abril a junho de 2005 e agosto a dezembro de 2005, conforme Autos de Infração de f. 03 a 24. Os lançamentos resultaram nos valores de R$ 1.078.525,28 de COFINS, R$ 808.893,90 de multa de oficio (75%) e R$ 248.111,79 de juros moratórios calculados até 30 de novembro de 2006 e, também, RS 1.075.267,88 de contribuição para o PIS/PASEP, R$ 806.450,83 de multa de oficio (75%) e R$ 487.432,07 de juros moratórios calculados ate 30 de novembro de 2006. Os lançamentos ocorreram em razão de apuração de diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago de ambas as contribuições. A descrição e o enquadramento legal das infrações, multa e juros encontram-se às f. 04 a 06, 10, 15 a 17 e 22. A ciência quanto aos Autos de Infração ocorreu em 28 de dezembro de 2006, conforme documentos de f. 142 a 146. Em 29 de janeiro de 2007 foi protocolada a impugnação (f. 101 a 134 - anexos às f. 135 a 141 e 153 a 1.672) na qual, após relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese que: a) houve cerceamento do direito de defesa por erro na determinação da exigência; a.1) foram tomadas as folhas do livro Razão, antes da apuração das contribuições; a.2) nas planilhas anexas aos Autos de Infração não foi demonstrado como foram apuradas as contribuições; a.3) imagina-se que o autuante tenha tomado o saldo final das contas PIS e COFINS A RECOLHER, excluindo o saldo inicial, sem contudo demonstrar esse fato; a.4) embora seja afirmado que foram efetuadas as deduções das contribuições retidas na fonte e os créditos, não há a demonstração disso; a.5) para os anos 2002, 2004 e 2005, o lançamento foi efetuado com base em amostra do ano 2003; a.6) não constam dos autos os extratos das DCTFs de 2002, 2004 e 2005, sendo que os valores apurados na planilha "Dados Informados à SRF", relativamente a esses anos, não coincidem com os declarados nas DCTFs, conforme cópias anexadas; a.7) o enquadramento legal não condiz com a condição da contribuinte que apura o PIS/PASEP e a COFINS pelo regime não-cumulativo; Fl. 4349DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10183.004790/2006-59 Resolução n.º 3201-000.487 S3-C4T3 Fl. 4.350 3 b) a apuração das contribuições foi efetuada de forma errônea, sem ser considerados os valores retidos na fonte e os créditos no caso de apuração não cumulativa; b.1) conforme apuração demonstrada, não havia nenhum débito que pudesse ser lançado de oficio; c) houve duplicidade de exigência das contribuições no ano-calendário 2005; d) o fato gerador da COFINS e da contribuição para o PIS é o faturamento, de endo ser levadas em conta as deduções legais. Ao final, é requerida a declaração de nulidade ou, caso isso não ocorra, de improcedência dos lançamentos. Há, ainda, o protesto por todos os gêneros de prova em Direito admitidos. Os autos baixaram em diligência para que fosse regularizada a representação (f. 1.698 a 1.741). Foram juntados nesta DRJ/CGE os extratos do sistema DCTFCONS relativos a DCTFs ano-calendário 2005 e também tela do SISCAC (f. 1.744 a 1.760)." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas nos valores escriturados e declarados devem ser lançados de ofício pela fiscalização, sendo considerados no levantamento dos créditos os recolhimentos devidamente comprovados. No lançamento de ofício é aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, incidindo também juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. VALORES DECLARADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E DCTF. DIFERENÇA. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, Fl. 4350DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10183.004790/2006-59 Resolução n.º 3201-000.487 S3-C4T3 Fl. 4.351 4 decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando alegações constantes da impugnação. Tendo a parte exonerada superado limite de alçada foi apresentado pela turma julgadora o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A discussão presente no processo trata da questão puramente fática. O lançamento ocorreu em razão de diferença identificada entre o valor escriturado e o valor declarado/pago. A Recorrente alega que o trabalho fiscal não considerou os diversos aspectos na apuração do PIS e da Cofins, considerando unicamente a diferença entre valores escriturados e declarados/pago. A decisão da DRJ partiu da mesma premissa que a auditoria realizada pela fiscalização, entendendo que o procedimento fiscal tratava-se de verificar a diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago e existindo diferenças, procedente o lançamento. Divirjo deste entendimento, o lançamento ocorreu e sempre deve ocorrer para exigir a diferença tributária a que o contribuinte estava obrigado a pagar e que não tenha sido objeto de declaração. A atividade de verificação realizada pela Fiscalização, apurando as diferenças entre valores escriturados e declarados é forte indício de que possam existir valores devidos do tributo que não tenham sido declarados. Entretanto, o PIS e a Cofins possuem sistemas de apuração complexos, onde é permitida a utilização de créditos que podem reduzir os valores devidos destas contribuições, tanto assim, que a Receita Federal instituiu a Demonstrativo de Apuração de Contribuições Federais - DACON, que serve de instrumento de apoio para o cálculo da contribuição devida. Portanto, em muitas situações o valor constante de determinadas contas da escrituração fiscal pode não ser efetivamente o valor devido e a ser declarado. Aqui, estamos diante de uma questão unicamente fática, não se questiona a aplicação da norma legal. Discute-se o valor devido das contribuições. Entendo que a solução da lide passa por determinar efetivamente qual é o valor devido do PIS e da COFINS para o Fl. 4351DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10183.004790/2006-59 Resolução n.º 3201-000.487 S3-C4T3 Fl. 4.352 5 período auditado e a partir deste cálculo realizar o cotejamento com os valores declarados, apurando possíveis diferenças. O principio da verdade material e da ampla defesa são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução dos litígios a contento das partes. Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) realize o cálculo efetivo do valor devido das contribuições para o período fiscalizado, fazendo as intimações e diligências que julgar necessárias; b) realize o cotejamento entre o valor apurado e aquele declarado pela Recorrente, elaborando relatório sobre os procedimentos realizados. Concluída tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolver os autos para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 4352DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13710.002430/2003-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal federal (Súmula CARF nº 11).
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS-DIRPJ. EFEITOS DA INFORMAÇÃO. ANO-CALENDÁRIO: 1997.
Até o ano-calendário de 1997 a informação de CSLL a recolher na DIRPJ consistia em confissão de dívida, e era suficiente para inscrição na Dívida Ativa, sendo dispensável lançamento nesse caso.
CSLL. ANO-CALENDÁRIO 1998. EXERCÍCIO DE 1999. DIPJ. EFEITOS DA INFORMAÇÃO.
Nos termos da IN 127/98, a DIPJ não tem o condão de constituir confissão de dívida. No exercício de 1999, é a DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário, conforme dispõem a IN SRF 126/98 e o Decreto-lei nº 2.124/84, art. 5°, § 1º. Se houver disparidade entre DIPJ e DCTF, apurada em procedimento de revisão interna das DCTF (irregularidade nos créditos vinculados), deve ser promovido lançamento para constituir o crédito tributário.
Numero da decisão: 1802-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal federal (Súmula CARF nº 11). DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS-DIRPJ. EFEITOS DA INFORMAÇÃO. ANO-CALENDÁRIO: 1997. Até o ano-calendário de 1997 a informação de CSLL a recolher na DIRPJ consistia em confissão de dívida, e era suficiente para inscrição na Dívida Ativa, sendo dispensável lançamento nesse caso. CSLL. ANO-CALENDÁRIO 1998. EXERCÍCIO DE 1999. DIPJ. EFEITOS DA INFORMAÇÃO. Nos termos da IN 127/98, a DIPJ não tem o condão de constituir confissão de dívida. No exercício de 1999, é a DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário, conforme dispõem a IN SRF 126/98 e o Decreto-lei nº 2.124/84, art. 5°, § 1º. Se houver disparidade entre DIPJ e DCTF, apurada em procedimento de revisão interna das DCTF (irregularidade nos créditos vinculados), deve ser promovido lançamento para constituir o crédito tributário.
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal federal (Súmula CARF nº 11). DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOSDIRPJ. EFEITOS DA INFORMAÇÃO. ANOCALENDÁRIO: 1997. Até o anocalendário de 1997 a informação de CSLL a recolher na DIRPJ consistia em confissão de dívida, e era suficiente para inscrição na Dívida Ativa, sendo dispensável lançamento nesse caso. CSLL. ANOCALENDÁRIO 1998. EXERCÍCIO DE 1999. DIPJ. EFEITOS DA INFORMAÇÃO. Nos termos da IN 127/98, a DIPJ não tem o condão de constituir confissão de dívida. No exercício de 1999, é a DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário, conforme dispõem a IN SRF 126/98 e o Decretolei nº 2.124/84, art. 5°, § 1º. Se houver disparidade entre DIPJ e DCTF, apurada em procedimento de revisão interna das DCTF (irregularidade nos créditos vinculados), deve ser promovido lançamento para constituir o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 24 30 /2 00 3- 52 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 170 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 171 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls.123/128 contra decisão da DRF/Rio de Janeiro I (2ª Turma) (efls.113/118) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração da CSLL anocalendário 1998. Quanto aos fatos, consta: que, em 20/06/2003, na Delegacia de Fiscalização do Rio de Janeiro, em procedimento de auditoria interna das DCTF, a autoridade fiscal, após apuração de irregularidade nos créditos vinculados (crédito DARF sem processo, valor não confirmado, declaração inexata), lavrou auto de infração da CSLL (eletrônico) quanto aos PA dos 3º e 4º trimestres/1998, regime do lucro real trimestral, para exigir o principal da CSLL desses PA, com juros de mora e multa de 75% (efls. 06/13), conforme demonstrativo resumo abaixo: Auto de Inflação AC 1998 Principal Juros de Mora (calculados até 30/06/2003) Multa de Ofício 75% Total CSLL 78.667,94 66.463,28 59.000,96 204.132,18 Obs: (i) que relativo à DCTF do PA 3º trimestre/1998, entregue em 04/11/1998, a Contribuinte informou débito da CSLL (código de receita 6012), no valor de R$ 35.961,07, com vencimento em 30/10/98; (ii) que atinente à DCTF PA do 4º treimestre/1998, entregue em 03/02/1999, a Contribuinte informou débito da CSLL (código de receita 6012) no valor de R$ 42.706,87, com vencimento em 29/01/1999; (iii) que, portanto, o débito da CSLL (principal) lançado via auto de infração corresponde ao somatório das duas parcelas discriminadas nos itens anteriores. que a Contribuinte tomou ciência do auto de infração da CSLL por via postal, apresentando impugnação (efl. 02), juntando ainda os documentos de efls. 03/49), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que foi autuada, pois o Fisco não encontrou os pagamentos relativos aos citados débitos da CSLL confessados nas DCTF (PA 3º e 4º trimestres/1998); que, a título de esclarecimento, esses débitos do principal da CSLL do ano calendário 1998, confessados nas respectivas DCTF, foram compensados diretamente na escrituração, mediante aproveitamento de pagamentos de estimativa mensal pagas a maior de CSLL do anocalendário 1996; que, nesse sentido, juntou: a) cópia da Ficha 11 – Cálculo da Contribuição sobre o Lucro – da DIRPJ 1997, anocalendário 1996, onde consta apurado saldo negativo da CSLL a pagar, no valor (R$ 134.152,68) (efls. 18/25); Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 172 4 b) cópia dos DARF de recolhimento da CSLL estimativa mensal do ano calendário 1996 (PA janeiro, fevereiro, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro) (efls.14/17); c) planilha resumo do aproveitamento do saldo negativo da CSLL do ano calendário 1996 (efl. 03). que, ainda na DERAT/Rio de Janeiro, a autoridade fiscal constatou que a Contribuinte apresentara a impugnação intempestivamente; que a autoridade fiscal procedeu, então, à análise de ofício do lançamento fiscal, mantendo o auto de infração da CSLL, conforme decisão de 31/01/2011 (efl. 72), in verbis: (...) Assunto:REVISÃO DE LANÇAMENTO N° 33/2011 CSLL/1998 Trata o presente processo de Auto de Infração n° 0025502, em fls. 04 a 11, lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, intempestivamente, a impugnação de fls. 01, com seus argumentos de defesa. Em fls. 67 a 69, Revisão de Lançamento Procedente, resultando no DARF de fls. 70. Ressaltamos que todos os DARF arrecadados em 1996, apresentados em fls. 12 a 15, estão alocados aos débitos do mesmo tributo do ano de 1996, conforme pesquisa de fls. 49 a 55. A pesquisa de fls. 56 mostra que o DARF em fls. 15, arrecadado em 30/12/1996, no valor de R$ 18.864,23 está disponível. Porém, a pesquisa de fls. 57 mostra que tal valor corresponde ao PA 11/1996, motivo pelo qual bloqueamos este pagamento, em fls. 66. Assim, encaminhamos cópia das pesquisas acima referidas bem como do presente Despacho Decisório e DARF, devendo pagar, parcelar ou manifestar inconformidade quanto à Revisão de Lançamento, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do presente Despacho. Não ocorrendo qualquer das providências acima referidas, o presente processo será encaminhado à PFN para inscrição em DAU. (...) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 173 5 Discordando dessa decisão da qual tomou ciência 07/02/2011 (efl. 110), a Contribuinte apresentou impunação em 09/03/2011 – vide despacho (efl. 108). Nessa parte, transcrevo o relatório da decisão recorrida que contempla, resume, os principais aspectos da lide (efl. 115), in verbis: (...) 5 Ciente da revisão de ofício, o interessado apresenta impugnação à exigência, fls. 85/92 (documento de fl. 93), alegando, em síntese, que: ocorreu o cerceamento do direito de defesa, pois só teve acesso aos autos do processo no dia 4/3/2011, penúltimo dia útil do prazo, além de que cópias dos autos só poderiam ser entregues em outra data; requer a juntada de novos documentos em até 30 dias após ter vista dos autos; que ocorreu a prescrição intercorrente; não mais dispõe dos documentos para fazer prova, por já terem sido incinerados; existe prazo a ser observado pela administração pública para decidir sobre defesas ou recursos administrativos, como prevê o art. 49 da Lei n° 9.784/1999; o saldo credor decorrente do ajuste entre o recolhido e o devido é que foi utilizado para pagamento da CSLL dos meses de julho e outubro de 1998. (...) A 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, enfrentando as questões suscitadas pela Contribuinte, julgou a impugnação procedente em parte, conforme Acórdão de 28/04/2011 (e fls.113/118), cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. No processo administrativo fiscal não se aplica a prescrição intercorrente. GUARDA DOS DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. A documentação contábil deve ser conservada até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 174 6 SALDO A RESTITUIR. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS FUTUROS. Desde que comprovada a apuração de saldo a restituir indicado na declaração de IRPJ, o valor poderá ser compensado com débitos futuros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Ou seja: consta da fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido (e fls. 117/118), in verbis: (...) 18 Do saldo credor da CSLL. 19 Na declaração de IRPJ entregue pelo interessado, relativa ao anocalendário de 1996, há a indicação de um saldo a restituir de CSLL no valor de R$ 134.152,68. Entretanto, os fatos não comprovam tal valor, conforme a seguir: Fls. R$ CSLL apurada: 17 87.008,80 Estimativas recolhidas: mês 1 1 2 e 58 (15.349,26) Mês 2 1 2 e 58 (16.442,78) Mês 7 13 e 58 (9.188,19) Mês 8 13 e 58 (20.869,50) Mês 9 1 4 e 58 (19.476,58) Mês 10 1 4 e 58 (20.097,94) Mês 11 1 5 e 56 (18.864,23) Mês 12 1 5 e 58 (20.803,12) Saldo a restituir (54.082,80) Obs: (i) As estimativas mensais da CSLL dos PA março, abril, maio e junho/19966, apuradas com base na receita bruta teriam sido objeto de compensação direta na escrituração com saldo de CSLL de períodos anteriores. Por isso, a CSLL desses meses não foi declarada como débito a pagar de estimativa mensal da CSLL na DIRPJ 1997, ano calendário 1996, conforme Recido de Entrega da Declaração de Rendimentos DIRPJ (efl. 18). (ii) O crédito reconhecido de R$ 54.082,80, por conseguinte, referese apenas à diferença entre a CSLL apurada no encerramento do do anocalendário 1996 e os pagamentos realizados em DARF. 20 Logo se constata que o saldo a restituir é de R$ 54.082,80 que pode ser utilizado na compensação de débitos apurados em períodos seguintes. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 175 7 Conforme cálculos de fls. 99/100, o qual amortiza os débitos da CSLL apurados em 1997 (R$ 22.049,31, R$ 4.839,19 e R$ 3.473,10 primeiro, terceiro e quarto trimestres, respectivamente fl. 24), bem como os apurados em 1998 (R$ 20.371,71, R$ 14.227,79 primeiro e segundo trimestres, respectivamente fl. 29), vez que não há constatação de recolhimentos, para a CSLL devida no terceiro trimestre de 1998 (R$ 35.961,07), só restou R$ 145,17 a ser deduzido, permanecendo o saldo a recolher de R$ 35.756,44. Para o quarto trimestre de 1998 nada pode ser deduzido, permanecendo o valor a recolher de R$ 42.706,87. 21. Diante do exposto, o montante total devido da CSLL é de R$ 78.463,31, com os acréscimos da multa de 75% e dos encargos maratórios. (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 20/12/2012 (efl. 120), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/01/2012 (efls. 123/128), juntando ainda documentos (efls.129/133), cujas razões estão assim resumidas pela própria Recorrente, in verbis: (...) À vista de todo o exposto, espera o Recorrente, preliminarmente, que seja decretada a prescrição intercorrente. Não acolhida essa preliminar, o que se admite apenas por amor ao debate, que sejam julgados prescritos/decaídos os créditos tributários levados à compensação pela Fazenda, consoante demonstrativo de fl. 117. No mérito, seja decretada a insubsistência e improcedência das exigências fiscais lançadas no Auto de Infração, uma vez comprovadas as compensações com recolhimentos feitos a maior e, se assim não entender essa Egrégia Corte, que seja determinada a compensação integral do saldo a restituir de R$ 54.082,80, consoante planilha acima mencionada, por ser de direito e merecida JUSTIÇA. (...) É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 176 8 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 177 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os tratam do auto de infração da CSLL (auto de infração eletrônico – revisão interna de DCTF), para exigência de crédito tributário atinente aos 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres do anocalendário 1998 (débito informado na DIPJ e confessado nas respectivas DCTF desse PA, porém não quitados). Nesse ano, a Contribuinte estava submetida ao regime do lucro real trimestral. Na primeira instância de julgamente, a Contribuinte alegou, entre outras matérias, que esses débitos da CSLL dos 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres/1998 teriam sido quitados por compensação direta na escrituração, com utilização de saldo negativo da CSLL do anocalendário 1996 (valor original do crédito R$ 134.152,68); juntou planilha –resumo, demonstrando os valores compensados (efl. 03); porém, não juntou cópia de sua escrituração contábil/fiscal desses anos, pois os livros e documentos já não mais existem (teriam sido destruídos, incinerados, em face do longo tempo já decorrido, transcorrido, a partir do fato gerador da exação fiscal). A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a impugnação, reduzindo o principal da CSLL de R$ 78.667,94 para R$ 78.463,31, com respectivos juros de mora e multa de ofício de 75% (para a citada redução, a decisão recorrida aproveitou, como direito creditório, a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 1996, o valor R$ 145,17, que ainda estava disponível). A propósito, quanto ao alegado saldo negativo da CSLL do anocalendário 1996 de R$ 134.152,68, consta da decisão recorrida que, diversamente do valor pretendido, seria de apenas R$ 54.082,80, conforme demonstrativo já transcrito no relatório, pois as estimativas mensais da CSLL de março, abril, maio e junho/1996 não foram quitadas (também não restou comprovado que teriam sido objeto de compensação válida). Do valor do crédito reconhecido, consta da decisão recorrida que a Contribuinte já utilizara – a imensa maioria desse crédito em compensação direta para quitação de débitos mais antigos da CSLL (anocalendário 1997 e 1998), conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido que, nessa parte, transcrevo (efls. 117/118), in verbis: (...) 20 Logo se constata que o saldo a restituir é de R$ 54.082,80 que pode ser utilizado na compensação de débitos apurados em períodos seguintes. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 178 10 Conforme cálculos de fls. 99/100, o qual amortiza os débitos da CSLL apurados em 1997 (R$ 22.049,31, R$ 4.839,19 e R$ 3.473,10 primeiro, terceiro e quarto trimestres, respectivamente fl. 24), bem como os apurados em 1998 (R$ 20.371,71, R$ 14.227,79 primeiro e segundo trimestres, respectivamente fl. 29), vez que não há constatação de recolhimentos, para a CSLL devida no terceiro trimestre de 1998 (R$ 35.961,07), só restou R$ 145,17 a ser deduzido, permanecendo o saldo a recolher de R$ 35.756,44. Para o quarto trimestre de 1998 nada pode ser deduzido, permanecendo o valor a recolher de R$ 42.706,87. 21. Diante do exposto, o montante total devido da CSLL é de R$ 78.463,31, com os acréscimos da multa de 75% e dos encargos maratórios. (...) Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo, pleiteando sua reforma, alegando, em suma: que teria ocorrido a prescrição intercorrente, em relação aos débitos lançados do anocalendário 1998 pelo auto de infração, pois entre a data de ciência do auto de infração (18/08/2003) e a data de ciência da revisão de ofício (07/02/2011), o processo ficou inerte, parado, sem movimentação, por mais de cinco anos; que as citadas compensações do anocalendário 1997 (1º, 3º e 4º trimestres) e 1998 (1º e 2º trimestres), que consumiram o saldo negativo deferido do anocalendário de 1996, na verdade, não seriam válidas, pois esses débitos da CSLL já estavam decaídos. Passo a enfrentar as questões suscitadas. Embora o inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal assegure que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004), não há previsão legal de aplicação do instituto da prescrição intercorrente ao processo administrativo tributário federal Logo, diversamente do alegado pela Recorrente, é inaplicável o instituto da prescrição intercorrente ao contencioso tributário federal. A matéria é pacífica neste Conselho, inclusive, já foi sumulada, conforme verbete: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A Contribuinte, quanto aos anoscalendário 1997 e 1998 estava submetida ao regime de apuração do lucro real trimestral. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 179 11 Nesse regime de apuração, a Contribuinte informou débitos da CSLL a pagar: I) – DIRPJ/1998, anocalendário 1997, conforme recibo de entreda da declaração, de 28/04/98 (efl. 26): a) 1º trimestre: R$ 22.049,31; b) 2º trimestre: R$ 0,00; c) 3º trimestre: R$ 4.039,19; d) 4º trimestre: R$ 3.473,10. Obs: Na Ficha 11 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuinte informou que fizera compensação desses débitos da CSLL com saldo negativo da CSLL de períodos de apuração anteriores (efls. 27/30). II) – DIPJ/99, anocalendário 1998, conforme recibo de entrega da declaração, de 28/09/99 (efl. 31): a) 1º trimestre: R$ 20.371,71; b) 2º trimestre: R$ 14.227,79; c) 3º trimestre: R$ 35.961,07; d) 4º trimestre: R$ 42.706,88. Obs: Na Ficha 30 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuinte informou que fizera compensação desses débitos da CSLL com saldo negativo da CSLL de períodos de apuração anteriores (efls. 32/35). Na primeira defesa apresentada nos autos, a Contribuinte juntou planilha – resumo (demonstrativo) (efl. 03), confirmando a informação constante da DIRPJ e da DIPJ que esses débitos do anocalendário 1997 (1º, 3º e 4º trimestres) e 1998 (1º e 2º trimestres) foram compensados, na verdade, diretamente na escrituração fiscal, mediante utilização – como crédito o saldo negativo da CSLL do anocaalendário 1996. Até o anocalendário de 1997, as DIRPJ eram instrumento de confissão de dívida, de constituição de crédito tributário, passíveis de inscrição dos débitos diretamente na Dívida Ativa da União e posterior ajuizamento de ação de execução fiscal pela Procuradora da Fazenda Nacional. Por conseguinte, dispensado o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário de débitos confessados na DIRPJ do anocalendário 1997. Nesse sentido, inclusive, consta consignado do recibo de entrega da DIRPJ do anocalendário 1997 (efls. 26), a seguinte observação: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 180 12 “O presente Recibo de Entrega da Declaração de Rendimentos em disquete, anocalendário 1997, contendo a transcrição de parte das fichas 08, 09, 11 e 17 da referida Declaração, constitui confissão de dívida, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, correspondendo a expressão da verdade.” Logo, diversamente do alegado, não há que falar em CSLL caduca do ano calendário 1997, pois a Recorrente confessou na Declaração de Rendimentos DIRPJ/98, ano calendário 1997, os respectivos débitos e, ainda, informou compensação desses débitos nessa declaração, utilizando saldo negativo da CSLL de períodos anteriores (anocalendário 1996). A jurisprudência administrativa deste Conselho é mansa e pacífica no sentido de que a DIRPJ é instrumento de confissão de dívida até o anocalendário 1997. Senão vejamos: IRPJ — ANO 1997 — DIRPJ — EFEITOS DA IFNORMAÇÃO — No ano de 1997 a informação de IRPJ a recolher consistia em confissão de dívida, e era suficiente para inscrição na Dívida Ativa, sendo dispensável lançamento nesse caso. IRPJ — ANO 1998/EXERCÍCIO DE 1999 — DIPJ — EFEITOS DA INFORMAÇÃO — Nos termos da IN 127/98, a DIPJ não tem o condão de constituir confissão de dívida. No exercício de 1999, é a DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário, conforme dispõem a IN 126/98 e o Decretolei 2.124/84, art. 5°. Se houver disparidade entre DIPJ e DCTF, deve ser promovido lançamento para constituir a obrigação não registrada na DCTF. (Acórdão CC 0808.749, sessão de 24/02/2006, Relator Jose Henrique Longo). CONFISSÃO DE DIVIDAS — DIPJ E DCTF (...). Com a extinção da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ) pelo artigo 6° da IN SRF n° 127, de 30/10/98 e a criação da DCTF (art. 1° da mencionada IN n° 126, de 30/10/98), a confissão de dívidas passou a ser feita apenas nas DCTFs. (Acórdão CC 10708.991, sessão de 25/04/2007, Relator Carlos Alberto Gonçalves Nunes). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ. Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 (...) TRIBUTOS DECLARADOS EM DIRPJ. REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA. Os valores dos tributos declarados em DIRPJ importam em confissão de dívida e devem, portanto, ser deduzidos dos montantes lançados com base no lucro arbitrado. (Acórdão CARF 1301001531, sessão de 08/05/2014, Relator Luiz Tadeu Motosinho Machado). DIRPJ. COFISSÃO DE DIVIDA. O débito confessado na Declaração de Imposto de Renda tem a efetividade de sua cobrança garantida por considerarse confissão de dívida, a teor do art. 5º, § 1º, do DL 2.124, de 13/06/1984.(Acórdão 201 78.016, sessão de 01/11/2004, Relator Antonio Carlos Atulin). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 181 13 DIRPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarados em Declaração de Imposto de Renda devem ser encaminhados à PFN para imediata inscrição em divida ativa e conseqüente cobrança executiva não cabendo a instauração de processo administrativo fiscal. (Acórdão 20400219, sessão de 14/06/2005, Relator Rodrigo Bernardes de Carvalho). Já a partir do anocalendário 1998 foi instituída a DIPJ que passou a ter caráter meramente informativo e a DCTF passou a ser instrumento específico de confissão irretratável de dívida. Nesse sentido, transcrevo o disposto no Parecer PGFN nº 1.372/2012, in verbis: (...) 9. Quanto à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ela está presentemente disciplinada pela Instrução Normativa Nº 1.264, de 30 de março de 2012, a qual obriga todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, a apresentarem a DIPJ, centralizada pela matriz. Desde a Instrução Normativa Nº 127, de 30 de outubro de 1998, a obrigação da apresentação da DIPJ é anual. 10. Sobre as diferenças normativas entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a DIPJ, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, teceu, entre outras, as seguintes considerações: "27. Não é demais repetir que a previsão de inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DCTF existe desde a publicação da IN SRF n° 126, de 1998, que a criou, mantendo se vigente, até os dias atuais, ex vi do art. 8°, § 1°, da IN RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010: Art. 8°. (...) § 1°. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, enviados para inscrição em dívida ativa. 28. Os débitos informados por meio de DIPJ não seguem a mesma sorte, dada a inexistência de previsão nesse sentido, tanto na IN SRF n° 127, de 1998, que a instituiu, quanto no normativo vigente, qual seja, a IN RFB n° 1.028, de 30 de abril de 2010. 29. Outro ponto que evidencia a natureza diversa das duas declarações reside no fato de constar, do recibo de entrega da DCTF, a informação expressa de que a declaração correspondente constitui confissão de dívida e que os valores ali declarados e não pagos serão encaminhados para inscrição em DAU, nos exatos termos a seguir transcritos: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 182 14 O presente Recibo de Entrega da DCTF contém a transcrição da Ficha Resumo da referida declaração, que constitui confissão de dívida, de forma irretratável, dos impostos e contribuições declarados. Fica o declarante ciente de que os impostos e contribuições declarados na DCTF e não pagos serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme o disposto no parágrafo 2° do artigo 5° do DecretoLei n° 2.124, de 13 de junho de 1984. 30. O recibo de entrega da DIPJ, por sua vez, veicula a mensagem de que as informações ali prestadas "correspondem à expressão da verdade", o que não lhe atribui o status de confissão de dívida. 31. O conteúdo das declarações também leva a identificar outra diferença que confere a apenas uma delas o condão de constituir o crédito tributário. A DIPJ traz informações de natureza contábil (balanço patrimonial, despesas operacionais e demonstrativo de lucros ou prejuízos acumulados), informações societárias (dados cadastrais, identificação dos sócios) e informações de natureza fiscal (cálculo do IR mensal por estimativa e sobre lucro real, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por estimativa, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido). 32. Observase que, relativamente às informações fiscais, há dados sobre a base de cálculo, o percentual de alíquota, as eventuais deduções e até mesmo um campo específico para o montante do tributo a pagar. Todavia, não são computados, como na DCTF, eventuais pagamentos com DARF, compensação de pagamento indevido ou a maior, outras compensações, parcelamentos e suspensão da exigibilidade do crédito." 11. Em arremate, o opinativo concluiu: "33. Portanto, verificase que, mesmo trazendo informações detalhadas sobre os tributos que abrange, a DIPJ não é instrumento bastante para a cobrança do débito e não pode ser considerada confissão de dívida, uma vez que o cômputo do valor do tributo nela veiculado não leva em conta dados que possam influir no valor do tributo (pagamentos, compensações) ou na própria exigência do crédito (parcelamentos, suspensão da exigibilidade).(...) 37. Não restam dúvidas de que a DIPJ, de fato, tem caráter meramente informativo, não representa confissão de dívida e não constitui o crédito tributário. (...) 39. Dessa forma, a DIPJ é, ou deveria ser, precedida das DCTFs mensais relativas aos tributos que informa. Se as DCTFs correspondentes aos créditos executados existem e foram entregues, o crédito foi devidamente constituído, não se operando, necessariamente, a decadência, pois a constituição pode ter se dado dentro do prazo legal de cinco anos contados a partir do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN) ou a partir do Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 183 15 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I), conforme o caso. Noutros falares, se o débito exequendo foi regularmente constituído por meio de DCTF, não ocorre a decadência. 40. Outra hipótese a se considerar é a inexistência de DCTFs precedentes à DIPJ sob a qual se fundamenta a execução, ocasião em que, não transcorrido o prazo decadencial, devese informar a RFB sobre o ocorrido, para que proceda ao lançamento do crédito correspondente. Caso contrário, opera se, por óbvio, a decadência.(...)" 12. Como visto, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, concluiu que a DIPJ não tem o efeito de se constituir em declaração capaz de configurar lançamento por homologação, porque a DIPJ tem efeito meramente informativo, não constituindo o crédito tributário nem se configurando como confissão de dívida. (...) Quanto aos débitos da CSLL (1º e 2º trimestres/1998) não foram objeto do lançamento fiscal, pois foram confessados nas DCTF respectivas e as compensações informadas foram aceitas pelo Fisco. Logo, não há que se falar em decadência. Vale dizer, os débitos da CSLL do anocalendário 1997 foram confessados e compensados pela própria Recorrente na DIRPJ 1998, anocalendário 1997. E os débitos da CSLL do anocalendário 1998 (1º e 2º trimestres) foram confessados e compensados pela própria Recorrente nas DCTF respectivas. Já os débitos da CSLL (3º e 4º trimestres/1998), também confessados em DCTF; porém, foram objeto do auto de infração de que trata o presente processo, pois o Fisco não encontrou crédito, – saldo negativo da CSLL do anocalendário 1996 , suficiente para extinção desses débitos pelas compensações diretas informadas pela Contribuinte (irregularidade nos créditos vinculados). Por isso, da Revisão Interna da DCTF que implicou na exigência do crédito tributário pelo lançamento de ofício. O demonstrativo analítico de compensação de efls. 111/112, apenas, recapitula, demonstra, as compensações efetuadas pela própria Recorrente na DIRPJ/98, ano calendário 1997, e na DIPJ 1999, anocalendário 1998 (e respectivas DCTF), que consumiram – como crédito – o saldo negativo da CSLL do anocalendário 1996. Como demonstrado, não há reparo a fazer na decisão a quo. Portanto, deve mantida a decisão recorrida. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13710.002430/200352 Acórdão n.º 1802002.335 S1TE02 Fl. 184 16 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 19515.722259/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE E/OU INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO.
Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-001.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
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COOBRIGADOS: RW INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHAPAS DE AÇO E METAIS LTDA.; WALCIR DE JESUS CASSADOR; ERIKA VICHIETTI ROCHA; JUNDITRAFO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA.; THIAGO LUIZ CEZAR E JOSÉ LUIZ CEZAR. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE E/OU INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 22 59 /2 01 2- 85 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório O Presidente da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, em razão do duplo grau de jurisdição, recorre de ofício, em conformidade com o artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão prolatada de fls. 505/515, que julgou procedente a impugnação, interposta pela responsável solidária Erika Vichietti da Rocha, acolhendo a preliminar de decadência e declarando a exoneração da totalidade do credito constituído pelo Auto de Infração de fls. 252/278. Contra a empresa CONDUTRAFO TRANSFORMADORES DE TENSÃO ELÉTRICA E COMPONENTES LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 05.873.071/000112, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, Rua Domingos de Oliveira, nº 135, Bairro Mooca, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, em decorrência dos trabalhos de fiscalização, foi lavrado pela Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil em São Paulo – SP, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 249/255); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 256/263); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 264/271); e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 272/278), exigindo um crédito tributário no valor de R$ 2.466.978,17, a título de tributos e contribuições, acrescido de multa qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referente ao anocalendário de 2006, correspondente ao exercício de 2007. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver, receita operacional omitida (atividade não imobiliária) revenda de mercadorias. Infração capitulada arts. 532 e 537, do RIR/99. Em decorrência do procedimento fiscal foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 Auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 249/255), que exige o recolhimento de R$ 264.147,98 de imposto, R$ 396.221,96 a título de multa de lançamento de ofício de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação original, e R$ 173.644,44 de juros de mora. O lançamento fiscal foi efetuado com base no lucro arbitrado, nos termos dos arts. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre da omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fls. 239/248), com infração ao disposto nos arts. 532 e 537 do RIR de 1999: 2 Auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 256/263), que exige o recolhimento de R$ 76.415,05 a título de contribuição, R$ 114.622,55 a título de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 51.092,74 de juros de mora. O lançamento decorre da omissão de receitas e tem como fundamento legal os arts. 1º e Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. 3 Auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 264/271), que exige o recolhimento de R$ 352.684,97 a título de contribuição, R$ 529.027,43 de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 235.812,78 de juros de mora. O lançamento, com fundamento nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002, decorre da omissão de receitas da revenda de mercadorias. 4 Auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 272/278), que exige o recolhimento de R$ 126.966,59 a título de contribuição, R$ 190.449,88 de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 83.399,59 de juros de mora. O lançamento decorre das mesmas infrações que deram causa ao lançamento de IRPJ e tem por fundamento legal o disposto no art. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008), art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995), art. 2º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996 (com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007). A autuada foi cientificada do lançamento fiscal e do Termo de Sujeição Passiva Solidária por meio do Edital nº 235/2012, afixado em 22/10/2012 e desafixado em 16/11/2012 (fl. 284). O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Constatação Fiscal (fls. 239/248), entre outros, os seguintes aspectos: que a pessoa jurídica CONDUTRAFO apresentou tempestivamente a Declaração de Informações Econômico Fiscais – DIPJ, relativa ao anocalendário de 2006, optando pela tributação com base no lucro presumido, na qual consta como receita bruta total o valor de R$ 97.612,20, enquanto para a Secretaria da Fazenda do Estado do São Paulo, o valor declarado nas Guias de Apuração e Informação – GIA, as receitas declaradas alcançam o valor de R$ 8.044.137,51. Por outro lado, nas Declarações de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentadas pelos clientes da fiscalizadas, as aquisições de mercadorias fornecidas pela CONDUTRAFO, no anocalendário de 2006, montam o valor de R$ 11.756.167,13, assim distribuídas; que as informações sobre a receita bruta, prestadas pela fiscalizado em suas declarações DIPJ e GIA, a falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal a esta Fiscalização, apesar de devidamente intimado e reintimado a apresentálas, e o disposto no inciso III do artigo 845 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda, será utilizado o valor de R$ 11.756.167,13 (onze milhões, setecentos e cinquenta e seis mil, cento e sessenta e sete reais e treze centavos) como base de cálculo do imposto de renda e contribuições devidos pelo contribuinte, distribuídos pelos meses em que a fiscalizada exerceu suas atividades operacionais, na proporção dos valores declarados nas Guias de Apuração e Informação; que, no itens II (Da Interposição Fraudulenta de Pessoas) e III (Dos Titulares de Fato da Pessoa Jurídica) do Termo de Constatação fiscal foi relatado que Manoel Oliveira da Silva e Nelson Aparecido da Silva eram interpostas pessoas dos sócios de fato da pessoa jurídica; Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 4 5 que, portanto, pelo Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, verifiquei que o sócio MANOEL OLIVEIRA DA SILVA trabalhava com vínculo empregatício no POSTO BARREIRA GRANDE LTDA, sito à Av. Barreira Grande, 1.107, onde foi por mim localizado no dia 28 de junho de 2010 e, de forma espontânea, prestou as informações tomadas a Termo, onde declara que nunca teve qualquer participação societária, especialmente na CONDUTRAFO, que declarou desconhecer e, além do mais, que sempre trabalhou como frentista em postos de combustível; que para o sócio Nelson Aparecido da Silva não foi identificada, naquela época, qualquer atividade econômica nos cadastros informatizados da Receita Federal do Brasil, cabendo ressaltar que em recente pesquisa, verificouse que Nelson Aparecida da Silva teve o primeiro registro em carteira de trabalho em 1º de novembro de 2011, exercendo a ocupação de montador de móveis; que recebidas as informações sobre a movimentação financeira do contribuinte no ano calendário de 2006, e identificadas as pessoas físicas e jurídicas que transacionaram com a fiscalizada, mediante pagamentos e recebimentos, como consignados nos extratos bancários, foram intimados 11 (onze) contribuintes pessoas jurídicas para apresentarem a esta Fiscalização os documentos referentes às ENTRADAS e SAÍDAS de mercadorias efetuados por sua matriz e filiais, no período de 011/01/2006 e 31/12/2006, para a empresa CONDUTRAFO TRANSFOMADORES DE TENSÃO E COMPENENTES LTDA; que os documentos recebidos dos contribuintes, em respostas às intimações lavradas por esta Fiscalização, fica evidente a diferença entre as assinaturas apostas nos cheques emitidos pela CONDUTRAFO como sendo de Manoel Oliveira da Silva, e aquela aposta pelo verdadeiro Manoel Oliveira da Silva, em minha presença, no Termo de Diligência Fiscal, o que nos leva a concluir pela falsidade das assinaturas dos cheques emitidos pela CONDUTRAFO. Também podemos afirmar que são falsas as assinaturas apostas no Distrato Social, onde fica evidente, pela caligrafia, que uma mesma pessoa assinou como Manoel Oliveira da Silva e Nelson Aparecido da Silva e que divergem totalmente daquela aposta no mencionado Termo de Diligência; que os fatos acima relatados nos levam a concluir que a pessoa jurídica CONDUTRAFO TRANSFORMADORES DE TENSÃO E COMPONENTES LTDA, inscrita no CNPJ sob nº 05.873.071/000112, foi constituída de forma fraudulenta com a interposição de pessoas no seu quadro societário, e assim permaneceu até a sua baixa na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 19 de setembro de 2006, ocultando os titulares de fato da pessoa jurídica; que pela documentação apresentada a esta Fiscalização pelos contribuintes, em atendimento às intimações lavradas por esta Fiscalização, destacase aquela apresentada pela TESSIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob nº 44.412.435/000461, pela qual se constata que, para cada nota fiscal emitida pela CONDUTRAFO relativas a vendas realizadas, eram emitidos boletos para a cobrança bancária desses mesmos valores, não pela CONDUTRAFO, mas pelas empresas RW INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHAPAS DE AÇO E METAIS LTDA., CNPJ nº 07.229.216/000172, e JUNDITRAFO COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., CNPJ nº 06.088.176/000123, conduta essa que se repetiu por 102 (cento e duas) vezes no decorrer no anocalendário de 2006, conforme documentação comprobatória juntada neste processo administrativo; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que devido a informações prestadas pelos clientes da CONDUTRAFO e compiladas dos cadastros informatizados da Receita Federal do Brasil através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, as vendas realizadas pela CONDUTRAFO no anocalendário de 2006 alcançaram o montante de R$ 11.756.167,31 (onze milhões, setecentos e cinquenta e seis mil, cento e sessenta e sete reais e treze centavos), dos quais R$ 7.858.631,99 (sete milhões, oitocentos e cinquenta e oito mil, seiscentos e trinta e um reais e noventa e nova centavos) foram recebidos da TESSIN, pelas pessoas jurídicas JUNDITRAFO E RW, representando 67% (sessenta e sete por cento) das vendas realizadas pela fiscalizada que, embora se refiram a vendas realizadas pela CONDUTRAFO, foram recebidas pela JUNDITRAFO COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA E RW INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHAPAS DE AÇO E METAIS LTDA; que fica caracterizado que os contribuintes RW INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHAPAS DE AÇO E METAIS LTDA., CNPJ nº 07.229.216/000172, e JUNDITRAFO COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., CNPJ nº 06.088.176/000123, foram os reais beneficiários dos recursos econômicos e financeiros movimentados pela pessoa jurídica CONDUTRAFO TRANSFORMADORES DE TENSÃO E COMPONENTES LTDA., inscrita no CNPJ sob o nº 05.873.071/000112 que, para se eximirem do pagamento dos tributos, utilizaram a interposição fraudulenta de pessoas ao submeterem a registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo, contrato de constituição da pessoa jurídica com assinaturas falsas dos pseudos sócios, Srs. Manoel Oliveira da Silva, CPF nº 302.035.50870, e Nelson Aparecido da Silva, CPF nº 307.639.63828; que o Termo de Sujeição Passiva Solidária, neste sentido, às fls. 280/283, o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado, com fundamento nos arts. 121, II, 124, 128, 129, 133, II, 135 e 142 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em nome de; RW INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHAPAS DE AÇO E METAIS LTDA. (CNPJ nº 07.229.216/000172, cientificada por meio do Edital nº 236/2012, à fl. 285, afixado em 22/10/2012 e desafixado em 16/11/2012) e seus sócios WALCIR DE JESUS CASSADOR (CPF nº 010.311.88886, cientificado por via postal em 26/10/2012, AR à fl. 288) e ERIKA VICHIETTI DA ROCHA (CPF nº 277.210.90890); que, JUNDITRAFO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. (CNPJ nº 06.088.176/000123) e seus sócios THIAGO LUIZ CEZAR (CPF nº 311.837.48884) e JOSÉ LUIZ CEZAR (CPF nº 016.495.20808). É de se observar que a autuada CONDUTRAFO TRANSFORMADORES DE TENSÃO ELÉTRICA E COMPONENTES LTDA, deixou de apresentar impugnação contra os autos de infrações lavrados. Por outro lado, é de se observar que foram constituídos, através do Termo de Sujeição Passiva, como sendo os responsáveis solidários pelo credito tributário constituído: RW INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHAPAS DE AÇO E METAIS LTDA.; WALCIR DE JESUS CASSADOR; ERIKA VICHIETTI ROCHA; JUNDITRAFO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA.; THIAGO LUIZ CEZAR E JOSÉ LUIZ CEZAR. Sendo que somente apresentaram defesa contra os lançamentos constituída os seguintes responsáveis solidários: ERIKA VICHIETTI ROCHA; JUNDITRAFO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. Inconformada com o lançamento constituído a responsável solidaria ÉRIKA VICHIETTI DA ROCHA apresenta a sua peça impugnatória de fls. 301/339, instruída pelos documentos de fls. 340/408, de forma tempestiva, em 06/11/2012, solicitando para que seja Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 5 7 declarado improcedente o credito tributário constituído com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o marido da defendente, Ricardo Fernandes Rodrigues da Rocha, foi convidado por Waldir de Jesus Cassador, à época patrão dele, para fundar a empresa RW; como Ricardo Rocha possuía restrições creditícias na praça, indicou a impugnante para figurar como sócia da referida empresa; contudo, a impugnante nunca exerceu qualquer atividade administrativa ou comercial na RW, pois as operações comerciais e financeiras eram de responsabilidade exclusiva de Waldir de Jesus Cassador; que a autoridade fiscal não demonstrou e tampouco comprovou as seguintes ocorrências indispensáveis à caracterização da alegada fraude tributária: (i) que a impugnante realmente fazia parte do grupo empresarial declinado na apuração fiscal; (ii) que a RW mantinha relações comerciais fraudulentas com as demais empresas apontadas no auto de infração; (iii) que a RW realmente realizou transações comerciais que caracterizam atos de mercancia com obtenção de lucros tributáveis; (iv) a existência do imprescindível dolo, fraude ou simulação, como exige o art. 150, § 4º, do CTN, para o fim de dilatar o prazo decadencial de cinco anos; que, no entanto, no tópico “Da Decadência Prevista no Art. 173, I, do Código Tributário Nacional” alega que os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006 já estava alcançados pela decadência quando a fiscalizada foi cientificado do lançamento fiscal em outubro/2012; que reconhece que houve um descuido, por parte da impugnante, em ceder o seu nome para e empresa RW sem acompanhar as atividades desta; que o único objeto investigado e que foi tido como irregular pela impugnada foi o fato da RW não ter contabilizado os valores recebidos como empréstimos em sua conta bancária; o que deveria ser provado cabalmente pela impugnada é que a empresa da qual a impugnante era sócia realmente cometeu os ilícitos declinados na aludia verificação fiscal; que, sendo assim, nada mais existe no contexto dos levantamentos investigativos do que meros empréstimos pessoais em espécie, que algumas vezes foram depositados pelos clientes da CONDUTRAFO na conta bancária da RW; que não existe qualquer definição de atos negociais (compras e vendas) ou qualquer outra operação lucrativa que pudesse implicar na incidência do imposto de renda ou de outra espécie de tributação; que Waldir de Jesus Cassador, ao prestar esclarecimentos à fiscalização, confirmou que as operações bancárias se referiam a empréstimos; que a decadência deve ser reconhecida de ofício, porque ela restringe o próprio Direito; que a Lei nº 9.784, de 1999, autoriza a Administração Federal a anular ou revogar seus próprios atos; que o simples fato de a impugnante ter figurado como sócia da RW é insuficiente para atribuição de responsabilidade solidária; para que se possa atribuir a coautoria da impugnante na prática dos ilícitos seria indispensável, antes de tudo, que o fato fosse submetido à uma serena e imparcial investigação criminal propriamente dita no âmbito competente (Polícia Federal ou Ministério Público); que para se dar a valoração necessária ao fato ou ato ilícito supostamente praticado é indispensável a existência de uma conduta firme desde o nascedouro da ação Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 naturalista; que necessário se faz a prova efetiva da materialidade do cometimento de ilícitos fiscais, apontandoa concretamente como partícipe ou coautora de qualquer forma dos fatos apurados; que, sendo assim, requer o acolhimento e o deferimento das preliminares de ilegitimidade passiva e de decadência; no mérito, a desconsideração da atribuição de responsabilidade solidária à impugnante. Inconformada com o lançamento constituído a responsável solidaria JUNDITRAFO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA apresenta a sua peça impugnatória de fls. 411/443, instruída pelos documentos de fls. 445/482, de forma tempestiva, em 06/11/2012, solicitando para que seja declarado improcedente o credito tributário constituído com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que requerer a abertura de novo prazo para impugnação, pois o patrono dos impugnantes tentou, insistentemente, desde 31/10/2012, ter vista dos autos, mas somente obteve sucesso em 27/11/2012 (fl. 294); que a demora da repartição fiscal em localizar e disponibilizar o processo acabou dificultando o direito de defesa dos impugnantes; que no Termo de Sujeição Passiva Solidária há referência apenas ao presente processo, notifica que se o processo nº 19515.722260/201218 envolver qualquer direito dos impugnantes, este será nulo de pelo direito; que o fato de os autos não estarem instruídos com as GIA’s, as notas fiscais e os boletos bancários citados no Termo de Constatação acarreta cerceamento ao direito de defesa; que é inverídica a afirmação da autoridade fiscal de que a JUNDITRAFO deixou de atender às intimações para prestação de esclarecimentos, pois seu contador esteve nas dependências da DIFIS e protocolizou a entrega de algumas notas fiscais da CONDUTRAFO para a JUNDITRAFO, as quais não foram juntadas aos autos; a autoridade fiscal queria que o contador declarasse a inexistência de relação comercial (como fez o sócio da RW) para justificar o Termo de Sujeição Passiva Solidária; que a fiscalização, baseada no fato de que a CONDUTRAFO, em 2006, realizou vendas e algumas delas (cerca de 9%) foram transferidas por cessão de crédito para a JUNDITRAFO, entendeu que tanto o JUNDITRAFO como seus sócios, além da empresa RW e seus sócios, haviam constituído um grupo informal de empresas e colocado interpostas pessoas na CONDUTRAFO para fraudarem o fisco Federal; que o Termo de Sujeição Passiva foi um verdadeiro ato ilegal e inconstitucional, pelo qual vinculou pessoas físicas de boafé, sem quaisquer provas de dolo específica, em afronta aos arts. 135 e 137 do CTN; que a JUNDITRAFO sempre fez operações comerciais com a CONDUTRAFO, vendendo chapas de açosilício; que esse relacionamento transcorreu normalmente até 2005, quando a CONDUTRAFO alegou dificuldades para saldar seus débitos; não mais existindo notas fiscais comprobatórias de tal alegação, nem ao menos um Instrumento de Confissão de Dívidas, entrou em contato com o gerente administrativo da CONDUTRAFO, o sr. Francisco Rubio Jarilho, que lavrou Escritura de Declaração e uma declaração particular com firma reconhecida por autenticidade, afirmando que fez diversos negócios com a JUNDITRAFO e acumulou uma dívida, em 2005, da ordem de R$ 1.2000.000,00, a qual foi paga com a cessão de duplicatas de venda mercantil, que tinham como sacado a empresa TESSIN, predominantemente nos meses de janeiro, junho e agosto/2006; Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 6 9 que se houve fraude tributária, foi da parte da CONDUTRAFO, que declarou valores incorretos na DIPJ; que é absurda a alegação da Fiscalização de que a JUNDITRAFO e seus sócios participaram da colocação de interpostas pessoas (laranjas) na CONDUTRAFO para burlar a legislação e promover atos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; que desconhecia que a CONDUTRAFO, apesar de emitir regularmente notas fiscais e registrar as vendas em GIA, deixou de declarar corretamente o faturamento do Fisco Federal; que tal procedimento deve ser perquirido junto à empresa em questão, ou ao seu representante legal; que é descabida a conclusão fiscal de que a RW e a JUNDITRAFO e respectivos sócios criaram a CONDUTRAFO, com a interposição de “laranjas” para ocultar operações e fraudar o fisco federal; que a ação judicial da RW contra a CONDUTRAFO comprova a inexistência de relação extra comercial entre essas empresas; que caberia à fiscalização esclarecer e provar, pormenorizadamente quais os atos e dolos específicos de cada um dos agentes do suposto ilícito no presente caso; que não pode a fiscalização incluir os sócios da JUNDITRAFO como sujeitos passivos solidários da CONDUTRAFO, pois a aplicação do art. 124, II, deve ser ponderada nos termos do art. 135 e atender aos requisitos do art. 137 do CTN; que para se envolver os sócios de uma empresa como responsáveis solidários, em dívida tributária, há que se comprovar o vínculo pessoal e direito entre o fato ilícito e as atitudes dos sócios, com o devido dolo específico, demonstrando em especificidade qual foi exatamente a atuação no ilícito, assim como a efetiva intenção de fraude; que o Termo de Sujeição Passiva Solidária é absolutamente vago e falho, pois simplesmente envolve os sócios das duas empresas – JUNDITRAFO e RW – que emitiram boletos de cobrança para recebimento de vendas feitas pela autuada; não se preocupou em buscar a verdade real e limitouse a fazer suposições para chegar à conclusões desprovidas de substância, principalmente no caso dos sócios da JUNDITRAFO, que é a única empresa que revela sua boafé; que há que se descrever e comprovar o ato atribuído aos sócios, deixando claro qual foi a extrapolação dolosa dos limites impostos nos devidos termos societários e que causa um dano ao patrimônio empresarial; se não há como provar que os sócios estão envolvidos diretamente, esse ato não poderá ser atribuído ao administrador, pois é ato da pessoa jurídica; que existe um Contrato de Confissão de Dívida, com testemunhas, que retrata perfeitamente o negócio jurídico realizado, bem como, a forma de pagamento, mas tal documento ainda não foi localizado para apresentação nestes autos; requer desde já a possibilidade de juntada, caso o presente processo ainda esteja em instância administrativa; se a JUNDITRAFO participou de 9% do faturamento objeto do auto de infração, a sua vinculação como responsável tributário (empresa e sócios) pela totalidade da dívida de um terceiro é ato de total ilegalidade, desproporcionalidade e imoralidade administrativa; requer que sua responsabilidade seja limitada ao faturamento do qual participou, ou seja, do valor de R$ 1.074.449,82 (9% do faturamento arbitrado), desde que comprovadas as notas fiscais faltantes, pois as notas de fls. 39 a 238 só comprovam a participação da JUNDITRAFO em R$ 717.260,03; que requer: (i) a devolução de prazo para elaboração da presente impugnação de forma mais completa; (ii) seja esclarecido e dada vista aos autos do processo n 19515.722260/201285; (iii) seja juntados aos autos os documentos sonegados, sobre os quais a Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 fiscalização compôs seu entendimento; (iv) que o Termo de Sujeição Passiva Solidária seja julgado inconsistente em relação à JUNDITRAFO e seus sócios; (v) alternativamente, requer que seja a sujeição passiva reduzida, de forma que alcance apenas os negócios realizados entre a JUNDITRAFO e a CONDUTRAFO (9% do faturamento arbitrado); (vi) seja dado acesso digital eletrônico ao presente processo ao patrono dos impugnantes. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelas impugnantes (responsáveis solidários), os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, através do Acórdão nº 0643.591, de 12/09/2013, julgaram procedente a impugnação apresentada exonerando o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que trata o presente processo de exigências de IRPJ e lançamentos reflexos decorrentes da omissão de receitas apurada com base nas informações prestadas nas DIPJ 2007 apresentadas pelos clientes da CONDUTRAFO Transformadores de Tensão Elétrica e Componentes Ltda., tendo sido obtido o montante de R$ 11.756.167,13 de mercadorias fornecidas pela interessada no anocalendário de 2006, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fls. 239248); que a responsável solidária Érika Vichietti da Rocha argúi o decurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do CTN, para os fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal – 1º, 2º e 3º trimestres/2006 –, por ocasião da ciência do lançamento fiscal realizada pelo Edital nº 235/2012, afixado em 22/10/2012 e desafixado em 16/11/2012 (fl. 284); que o IRPJ e os lançamentos reflexos são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, eis que a lei exige a apuração e o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública. Nesses casos, por força do § 4º do art. 150 do CTN, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador; que, contudo, o legislador afastou a contagem do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese que impõe a aplicação da regra do artigo 173, I, do mesmo diploma legal, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; que, no caso dos autos, a autoridade fiscal aponta que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação restou caracterizada pela utilização das interpostas pessoas Manoel Oliveira da Silva e Nelson Aparecido da Silva no quadro de quotistas da interessada; que, por conseguinte, uma vez fixado como termo inicial o dia 01/01/2007 – primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído –, temos que o prazo decadencial dos débitos de IRPJ e CSLL dos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os de PIS e Cofins dos meses de janeiro a agosto/2006, se encerrou em 31/12/2011, enquanto o lançamento fiscal foi cientificado por edital em 06/11/2012, conforme disposto no artigo 23, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972); que, dessa forma, é de se reconhecer que já havia decaído do direito de a Fazenda Nacional promover os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os de PIS e Cofins dos meses de janeiro a agosto/2006, cabendo o cancelamento das respectivas exigências; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 7 11 que, em consequência, cancelamse as atribuições de responsabilidade tributária objeto do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 280/283; que, isto posto, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência, cancelando as exigências de IRPJ e lançamentos reflexos, assim como as atribuições de responsabilidade solidária sobre os débitos tributários cancelados. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplica se o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. DECURSO DO PRAZO. Transcorrido prazo superior a cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido formalizado pela Fazenda Pública, incabível é a constituição do crédito tributário. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Deste ato, por força do recurso necessário, a Presidência da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008. É o relatório. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como se depreende do relatório, o presente processo trata de exigências de IRPJ e lançamentos reflexos decorrentes da omissão de receitas apurada com base nas informações prestadas nas DIPJ 2007 apresentadas pelos clientes da CONDUTRAFO Transformadores de Tensão Elétrica e Componentes Ltda., tendo sido obtido o montante de R$ 11.756.167,13 de mercadorias fornecidas pela interessada no anocalendário de 2006, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fls. 239/248). A autoridade julgadora de primeira instância firmou o entendimento que o presente lançamento seria improcedente, sob o argumento de que caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e tendo transcorrido prazo superior a cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido formalizado pela Fazenda Pública, incabível é a constituição do crédito tributário. Resta claro, nos autos de que a responsável solidária Érika Vichietti da Rocha argúi o decurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, para os fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal – 1º, 2º e 3º trimestres/2006 –, por ocasião da ciência do lançamento fiscal realizada pelo Edital nº 235/2012, afixado em 22/10/2012 e desafixado em 16/11/2012 (fl. 284). A decisão recorrida entendeu que uma vez fixado como termo inicial o dia 01/01/2007 – primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído –, temos que o prazo decadencial dos débitos de IRPJ e CSLL dos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os de PIS e Cofins dos meses de janeiro a agosto/2006, se encerrou em 31/12/2011, enquanto o lançamento fiscal foi cientificado por edital em 06/11/2012, conforme disposto no artigo 23, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Diante disso, reconheceu que já havia decaído do direito de a Fazenda Nacional promover os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os de PIS e Cofins dos meses de janeiro a agosto/2006, cabendo o cancelamento total das respectivas exigências lançadas. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente no que se refere ao termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos considerados lançamento por homologação. Entendo, que nos dias atuais, no que diz respeito a discussão sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial, tornouse pacifica, já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 8 13 Dispôs o art.62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 9 15 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 10 17 É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em análise trata de Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 249/255); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 256/263); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 264/271); e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 272/278), em cujos lançamentos aplicouse a multa de oficio qualificada de 150%, em razão de ter sido caracterizado o evidente intuito de fraude. Sendo que os débitos de IRPJ e CSLL referemse aos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os débitos de PIS e Cofins referemse dos meses de janeiro a agosto/2006. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que houve a aplicação da multa qualificada sob o entendimento de ter ocorrido evidente intuito de fraude. Ou seja, a discussão versa sobre a aplicação do art. 173, inciso I, do Código Nacional Tributário. É sabido, que a decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original, ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência. Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial. No presente caso, se faz necessário ressaltar, que o art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional excepciona de sua contagem os casos em que se constatarem procedimentos dolosos, fraudulentos ou de simulação. Nestes casos não se observará a contagem do prazo a partir do fato gerador. Este é o caso dos autos, em que foi atribuída ao contribuinte a prática de procedimento doloso, conforme se verifica no Termo de Constatação Fiscal, impedindo a aplicação da contagem do prazo decadencial pelo art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional, razão pela qual a discussão se restringe a aplicação do art. 173, inciso I, do Código Nacional Tributário. No que tange à fraude, merece transcrição a lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226): Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 11 19 Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos. A simulação consiste na "prática de ato ou negócio que esconde a real intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470). A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação da existência de dolo, fraude ou simulação. Assim, a configuração desse ilícito interessa ao direito tributário na medida em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º, do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar, que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de modo que os prazos não fiquem ad eternum em aberto. Os prazos do Direito Civil são inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular. A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de se aplicar a regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do mesmo Código nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública. Embora o prejuízo a terceiro, que, no caso, é a Administração Pública, não seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém deles se utilize sem interesse econômico. Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 É nessa linha que autores como JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165), assinala que ao direito tributário o que importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado. Quanto a isso, vale lembrar o que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isso, obviamente, não afasta a aplicação de eventuais sanções especificamente pelas condutas dolosas, fraudulentas ou simuladas, conforme se infere, por exemplo, da Lei Federal n.º 8.137, de 1990, e do art. 137 do próprio Código Tributário Nacional. Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costumase apontar nessa parte final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria tratamento legal quanto ao prazo para lançar quando presente dolo, fraude ou simulação (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394). Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291): b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida com dolo, fraude ou simulação – o trato de tempo para a formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim sendo e tendo em vista, que o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco e inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. Assim, aplicandose, concretamente, a norma ao caso em exame, uma vez fixado como termo inicial o dia 01/01/2007 – primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído –, temos que o prazo decadencial dos débitos de IRPJ e CSLL dos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os de PIS e Cofins dos meses de janeiro a agosto/2006, se encerrou em 31/12/2011, enquanto o lançamento fiscal foi cientificado por edital em 06/11/2012, conforme disposto no artigo 23, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Diante disso, reconheço que já havia decaído do direito de a Fazenda Nacional promover os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1º, 2º e 3º trimestres/2006, assim como os de PIS e Cofins dos meses de janeiro a agosto/2006, cabendo o cancelamento total das respectivas exigências lançadas. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722259/201285 Acórdão n.º 1402001.890 S1C4T2 Fl. 12 21 Assim sendo e considerando que todos os elementos de prova que compõe a presente lide foram objeto de cuidadoso exame por parte da autoridade julgadora de Primeira Instância e que a mesma deu correta solução à demanda, aplicando a legislação de regência à época da ocorrência do fato gerador, fazendo prevalecer à justiça tributária, VOTO pelo conhecimento do presente recurso de ofício, e, no mérito, NEGO provimento. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10940.002633/2004-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PAF - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO
Embargos de Declaração que se conhece apenas para esclarecer omissão suscitada pelo Contribuinte, sem, contudo, alterar o resultado do julgamento.
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS em conhecer e acolher os embargos para sanar a omissão sem efeitos infringentes por unanimidade de votos.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
KAREM JUREIDINI DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PAF - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO Embargos de Declaração que se conhece apenas para esclarecer omissão suscitada pelo Contribuinte, sem, contudo, alterar o resultado do julgamento. REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS em conhecer e acolher os embargos para sanar a omissão sem efeitos infringentes por unanimidade de votos. (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) KAREM JUREIDINI DIAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PAF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO Embargos de Declaração que se conhece apenas para esclarecer omissão suscitada pelo Contribuinte, sem, contudo, alterar o resultado do julgamento. REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS em conhecer e acolher os embargos para sanar a omissão sem efeitos infringentes por unanimidade de votos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 26 33 /2 00 4- 28 Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) KAREM JUREIDINI DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, em face do acórdão nº 9101001.625, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 17 de abril de 2013. Originalmente o processo versa sobre Auto de Infração (fls. 972/1007) para cobrança de IPRJ e CSLL, referentes a suposto ganho de capital na alienação de investimento avaliado pelo valor do patrimônio, acrescido de juros de mora e multa qualificada. O Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1056/1071), em que argumentou estar decaído o direito do fisco de lançar os tributos, dentre outros pontos. Sobreveio, então o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 1073/1117), que considerou o lançamento procedente. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.1121/1145), em que também argumenta, preliminarmente, a decadência dos tributos. O Acórdão nº 10196.087, proferido pela Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão do dia 29 de março de 2007, rejeitou a preliminar de decadência e deu provimento parcial para o recurso, para: (i) reduzir o valor do ganho de capital para R$ 26.270.752,03; e (ii) reduzir o percentual das multas isoladas para 50%. O Contribuinte, então, interpôs Recurso Especial, alegando, novamente, a preliminar de decadência, bem como a inaplicabilidade da aplicação simultânea de multa isolada e multa de ofício e a inadequada qualificação da multa. Sobreveio o Acórdão nº 9101001.625 (fls. 1467/1489), ora embargado, que deu provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte e restou assim ementado: “MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO SIMULTÂNEA. INDEVIDO BIS IN IDEM. CANCELAMENTO DA MULTA ISOLADA. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10940.002633/200428 Acórdão n.º 9101002.105 CSRFT1 Fl. 3 3 Não se admite a imposição simultânea da multa de ofício e da multa isolada, sob pena de consolidação de indevido bis in idem. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE MATERIAL DA OPERAÇÃO EFETIVADA PELO CONTRIBUINTE E DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONSIDERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. Não se pode qualificar a multa de ofício, quando, à época dos fatos, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes permitia a operação praticada pelo contribuinte, circunstância em que tal operação revelase materialmente atípica e em que não se vislumbra um evidente intuito de fraude na sua perpetração.” Alega a Embargante: (i) que não foi analisada a preliminar de decadência constante em seu Recurso Especial de Divergência; e (ii) que não foi apreciado o Agravo interposto em face do Despacho nº 472 fls. 1433 a 1436, em que se analisou a admissibilidade do Recurso Especial, pedindo também a sua apreciação. Verifico que o Despacho de Admissibilidade, em suas razões, deu seguimento ao Recurso Especial do contribuinte quanto à alegação de decadência (contagem a partir da entrega de declaração do contribuinte), por entender comprovada a divergência demonstrada pelo Recorrente (conforme fls. 1.439). Ocorre que, em relação a matéria do item (i), na parte dispositiva do mesmo Despacho, constou que em relação à matéria do item 1 (justamente decadência) não havia sido dado seguimento. Isso provavelmente causou confusão na análise do acórdão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais que não apreciou a decadência por entender que à matéria não havia sido dado seguimento. Ressalto que, mesmo sem ter sido dado seguimento em relação à decadência, o voto da antiga Ilustre Conselheira Susy Gomes Roffmann dispôs que: “Finalmente, cabe apenas esclarecer que não há que se falar, na hipótese, uma vez afastada a multa qualificada, de ocorrência de decadência, tendo em vista que, mesmo assim, permanece a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, pois que não houve pagamento antecipado do ganho de capital. Assim, afasto qualquer discussão a respeito de eventual decadência.” Não obstante, os Embargos foram acolhidos unicamente em relação ao seu item (i) para que seja analisada, de fato, a preliminar de decadência alegada pelo Contribuinte em sede de Recurso Especial. É o relatório. Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Karem Jureidini Dias Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os embargos são tempestivos. Conforme relatado, aduz a embargante a omissão no Acórdão nº 9101001.625, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no que tange à análise da decadência, que havia sido objeto de Recurso Especial. Sobre a decadência, alega o contribuinte que “transcorreu um lapso de tempo superior a 5 anos entre a data da intimação do contribuinte (14 de dezembro de 2004) e a data da entrega da Declaração de Rendas referente aos fatos tributados (3 de abril de 1998 e 21 de dezembro de 1998 – vide itens nº I e subitens nº 3.9 e 3.14, da Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is), anexos aos autos de infração) 2.2 – A Declaração de Rendas referente a 1998 (DIPJ 1999) foi entregue em 25/10/2009 (fls. 921, deste processo), dentro do prazo regulamentar e antes da intimação dos autos de infração contestados (14/12/2004)”. Por isso, o Contribuinte entende que se aplica o art. 898, § 2º do RIR/99, que “veda expressamente novo lançamento ou lançamento suplementar, revisão do lançamento e exame nos livros e documentos dos contribuintes após 5 (cinco) anos da entrega da declaração de rendimentos”. Assevera, ainda, que os créditos tributários contestados encontravamse extintos pela decadência, sem, contudo, apontar qual seria o termo inicial que entende ser aplicável ao seu caso, se aquele do art. 150, § 4º ou aquele do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Primeiramente, esclareço que o art. 898, § 2º do RIR/99 possui redação diferente do entendimento do contribuinte, confirase: “Art. 898. O direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173): (...) § 2º A faculdade de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, à revisão do lançamento e ao exame nos livros e documentos dos contribuintes, para os fins deste artigo, decai no prazo de cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo (Lei nº 2.862, de 1956, art. 29).” Já no que tange à decadência, importante mencionar que, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos dos artigos 543B ou 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10940.002633/200428 Acórdão n.º 9101002.105 CSRFT1 Fl. 4 5 O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, devo acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Portanto, a premissa fundamental que cinge a presente demanda é a existência ou não de pagamento parcial, bem como a verificação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Voltando ao presente caso, entendo ser necessário destacar que, o Acórdão Embargado, em análise da qualificação da multa, entendeu que esta era descabida, tendo em vista que à época dos fatos (1998) praticados pelo contribuinte, tais eram respaldados pela jurisprudência, o que legitimava a sua conduta. Dessa forma, foi afastada a acusação de fraude constante no Auto de Infração, visto que tal acusação não se sustentava quando da análise da tipicidade material. O trecho a seguir, transcrito do voto da antiga Ilustre Conselheira Relatora Susy Gomes Hoffmann, explicita tal entendimento: “Com efeito, em face da jurisprudência vigente quando da ocorrência dos fatos apurados, não se pode de modo algum ignorar que, tomado o ordenamento jurídico como um todo sistemático, os fatos praticados pelo contribuinte eram de certa forma respaldados pelo ordenamento jurídico. Veja que a tipicidade formal, em tese existente, não se sustenta quando da análise da tipicidade material. Ora, de acordo com a jurisprudência administrativa em voga à época dos fatos, o contribuinte viase acobertado por um respaldo jurídico que lhe legitimava a conduta. Isto porque o ordenamento jurídico, repisese, consubstancia um sistema único, que deve ser harmônico, coordenado, não podendo, ao mesmo tempo, proibir uma determinada conduta e, ao mesmo tempo, permitila ou até mesmo fomentála. Com efeito, a operação de alienação de participação societária apurada pelo fisco, em tese, pode ser subsumida a uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Contudo, como, à época dos fatos, a jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes de certa forma a permitia, tal operação não pode ser considerada, para fins de aplicação da qualificação da multa, como típica, materialmente falando. E, desta forma, não poderia, de acordo com o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, ensejar a qualificação da multa, ainda que, de acordo com a jurisprudência atual, reputese caracterizada a simulação, a ilicitude da conduta.” Assim, no que tange à comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, no Acórdão Embargado houve a análise profunda e a Turma concluiu que não ficou comprovado o evidente intuito de fraude, assim, a multa de ofício foi desqualificada. Neste passo, a premissa fundamental que cinge a presente demanda é a existência ou não de pagamento parcial. Em análise da DIPJ, verifico às fls. 941/968 que o contribuinte apurava seu IRPJ e CSLL pela apuração anual e que no anocalendário de 1998 o Contribuinte apurou prejuízo fiscal e não houve pagamento parcial. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10940.002633/200428 Acórdão n.º 9101002.105 CSRFT1 Fl. 5 7 Assim, como não houve pagamento parcial dos tributos, aplicase o dies a quo do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, sendo o lançamento referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/1998, o termo inicial é 01/01/2000 e o termo final é 01/01/2005. Conforme fls. 972, a ciência do Auto de Infração ocorreu no dia 14/12/2004, antes, portanto, de ter transcorrido o prazo de decadência. Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos apenas para sanar a omissão sem, contudo, alterar o resultado do julgamento. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de 2015 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relator Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.914824/2012-84
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 150 1 149 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.914824/201284 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.824 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 24 /2 01 2- 84 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914824/201284 Acórdão n.º 3802003.824 S3TE02 Fl. 151 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 72), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914824/201284 Acórdão n.º 3802003.824 S3TE02 Fl. 152 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720148/2013-79
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010
AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM VALE OU TICKET REFEIÇÃO OU ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SITUAÇÃO QUE ENSEJA A AQUISIÇÃO DE VIVERES PREPARADOS, VISANDO À REFEIÇÃO OU A PREPARAR, VISANDO À ALIMENTAÇÃO
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010 AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM VALE OU TICKET REFEIÇÃO OU ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SITUAÇÃO QUE ENSEJA A AQUISIÇÃO DE VIVERES PREPARADOS, VISANDO À REFEIÇÃO OU A PREPARAR, VISANDO À ALIMENTAÇÃO Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM VALE OU TICKET REFEIÇÃO OU ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SITUAÇÃO QUE ENSEJA A AQUISIÇÃO DE VIVERES PREPARADOS, VISANDO À REFEIÇÃO OU A PREPARAR, VISANDO À ALIMENTAÇÃO Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 48 /2 01 3- 79 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720148/201379 Acórdão n.º 2803003.954 S2TE03 Fl. 347 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.048.1612, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – cota patronal, bem como a contribuição da empresa para o SAT, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.048.1620, que objetiva o lançamento das contribuições decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados, destinada a outras entidades e fundos – terceiros, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.048.1639, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – cota pessoal – parte descontada, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 38 a 42, com período de apuração de 01/2009 a 13º/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 146 e 147. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 04/09/2013, conforme AR, de fls. 251. O contribuinte apresentou sua defesa, em 04/10/2013, as fls. 256 a 275, acompanhada dos documentos, de fls. 276 a 293. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 296. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0949.865 5ª, Turma DRJ/JFA, em 20/02/2014, fls. 298 a 303. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 27/02/2014, conforme Termo de Abertura de Documentos, de fls. 310, bem como, em 11/03/2014, pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo, de fls. 311. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 313 a 334, recebido, em 25/03/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 313, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 344. Encaminhouse os autos ao CARF, fls. 344. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 16, fls. 345. É o Relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720148/201379 Acórdão n.º 2803003.954 S2TE03 Fl. 348 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Independentemente das alegações da recorrente entendo em novo alinhamento de minha posição pessoal, pois no passado já julguei pela validade da contribuição social previdenciária sobre valerefeição; valealimentação, ticketrefeição ou ticket alimentação, bem como pela invalidade deste contribuição na mesma situação. Passo a firmar posição no sentido de que sobre tais meios de benefício ao trabalhador não há como exigir a contribuição social previdenciária, tendo em vista que nas situações suscitadas em verdade a refeição ou alimentação é fornecida in natura, haja vista que na refeição o empregado apresentase em qualquer estabelecimento que aceite o vale ou o ticket e lá faz a sua refeição e na alimentação adquiri viveres em estabelecimento credenciados, preparando estes em sua residência ou em qualquer outro lugar que lhe aproveitar. Observese a opinião da doutrina sobre o tema, segundo transcrição. O valerefeição decorre do sistema de refeiçãoconvênio, que possibilita ao funcionário almoçar ou jantar em qualquer estabelecimento do ramo de refeições (restaurante, bares, lanchonetes, etc...) que aceite seu valerefeição Por outro lado, o sistema de alimentaçãoconvênio (vale alimentação) é aceito no comércio distribuidor de gêneros alimentícios, tais como mercados, para compra de alimentos "in natura", como, por exemplo, produtos da cesta básica1 Necessário se faz esclarecer que não há diferenças conceituais entre vale e ticket isso é apenas questão de nomenclatura, o que realmente importa e a finalidade refeição ou alimentação, não se perdendo de vista que em ambas as finalidades, o que ocorre é o fornecimento de alimentação in natura ao empregado e pelo empregador e nada mais. Assim, nos termos do Ato Declaratório Executivo – ADE a seguir transcrito não há razão para incidir a contribuições social previdenciária sobre tal rubrica. 1 Wother, Ellen Lindemann. Valealimentação e valerefeição. http://ellenwother.blogspot.com.br/2012/07/vale alimentacaoevalerefeicao_08.html. Acessado em 11012015. Advogada. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisinos. Pósgraduada lato sensu (especialista) em Direito do Trabalho pela Unisinos. Mestranda em Direito pela UniRitter. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720148/201379 Acórdão n.º 2803003.954 S2TE03 Fl. 349 4 ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO Desta forma, em observação ao que determina a Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, nos termos do artigo transcrito e destacado a seguir, entendo que a exação é improcedente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.720148/201379 Acórdão n.º 2803003.954 S2TE03 Fl. 350 5 Assim com esses esclarecimentos, independentemente, das alegações suscitadas pela recorrente, julgo a exação improcedente por não se configurar no caso hipótese de incidência da contribuição social previdenciária. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento declarando a improcedência do lançamento por não se configurar no presente caso, a hipótese de incidência da contribuição social previdenciária (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10980.903061/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2002
Ementa:
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva.
Numero da decisão: 3202-001.412
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2002 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI – Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 30 61 /2 00 8- 53 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.903061/200853 Acórdão n.º 3202001.412 S3C2T2 Fl. 157 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0638.256, de 26 de outubro de 2012, proferido pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que acordou por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade e, consequentemente, não conhecer das demais alegações constantes da Manifestação de Inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade, apresentada em 03/09/2008, em face da não homologação da compensação declarada na Dcomp de nº 37381.73558.150304.1.3.040630, nos termos do Despacho Decisório emitido em 09/05/2008 pela DRF/Curitiba. Segundo o Despacho Decisório, cientificado em 20/05/2008 (fl. 6), a compensação não foi homologada porque o Darf indicado pela contribuinte em sua Dcomp não foi localizado nas bases de dados da Receita Federal. Alega, inicialmente, que a empresa apresentou sua Dcomp, informando equivocadamente o Darf decorrente de pagamento a maior de PIS. Seu crédito, na verdade, segundo afirma, seria oriundo do Pedido de Ressarcimento de créditos de IPI consubstanciado no processo de n° 10675.003420/200239. No entanto, aduz que foi proferido Despacho Decisório pela suposta inexistência do crédito ofertado. Contudo, argumenta que “até o presente momento a contribuinte não foi notificada da decisão proferida, sendo que, em virtude de levantamento de suas pendências tributárias, para fins de obtenção da Certidão Negativa de Débitos, é que a empresa tomou conhecimento quanto à não homologação do pedido de compensação ora discutido”. Sustenta, porém, que “nem o sujeito passivo, nem qualquer um de seus mandatários e, muito menos, qualquer um de seus prepostos receberam a notificação de lançamento em foco”. Tal motivo, no entender da Recorrente, tornaria inexistente a constituição do crédito tributário, bem como não poderia configurar a revelia do processo ora discutido. Diz, então, que é nulo o processo e, por conseguinte, nulo o lançamento. No que toca ao mérito, diz que a Dcomp foi preenchida errada, “haja vista terem sido utilizados outros créditos nesta compensação”. Afirma que o DARF informado realmente não existe, sendo o crédito decorrente de pedido de ressarcimento de IPI. Preconiza, justificando a necessidade de correção do crédito informado, que a Administração Pública deve “buscar alternativas para salvar os atos praticados pelos administrados, os quais, muitas vezes, vêemse perdidos frentes aos inúmeros entraves burocráticos existentes”. Argumenta ainda que a Administração Pública deve agir de acordo com os princípios da verdade material e do informalismo, bem como, cabe a ela o dever de proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados na compensação. Afirma que não respeitados tais pressupostos, a Administração Pública estaria se locupletando indevidamente. Assevera, ainda, que não existe prova material contundente contra à suposta inexistência do crédito ofertado pela contribuinte na compensação, afirmando que a fragilidade do sistema de pagamentos é conhecido por todos. Diante disso, sustenta que por conta da total ausência de provas e de sua incontestável boafé, há que ser “afastada a glosa efetivada pela fiscalização e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida”. Pede o reconhecimento da nulidade da intimação, requerendo ainda que seja apresentado com clareza o nome completo e os dados da suposta pessoa que Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.903061/200853 Acórdão n.º 3202001.412 S3C2T2 Fl. 158 3 recebeu a intimação, para fins de responsabilização pessoal, e, no mérito, requer a homologação da compensação realizada. Pede, ainda, a produção de todas as provas admitidas em Direito, especialmente documental e pericial. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de tempestividade e, consequentemente, não tomou conhecimento das demais alegações da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A Manifestação de Inconformidade interposta após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência do Despacho Decisório proferido não instaura a fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, impossibilitando o exame do mérito nela contido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do referido acórdão em 5 de novembro de 2013, apresentou recurso voluntário em 4 de dezembro de 2013 ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Mondelez Brasil, sucessora por incorporação de Kraft Foods Brasil S/A. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.903061/200853 Acórdão n.º 3202001.412 S3C2T2 Fl. 159 4 Considerando outros processos apreciados individualmente, cabe elucidar que o referido recurso voluntário foi apresentado regularmente com o instrumento particular substabelecendo pela Dra. Natalia Brasil Dib ao advogado Dr. José Augusto Lara dos Santos poderes para praticar todos os atos judiciais e extrajudiciais necessários à representação e defesa dos interesses da Outorgante (Mondelez Brasil Ltda) em qualquer juízo, Instância ou Tribunal, bem como quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, inclusive de direito público, seus órgãos, Ministérios, Repartições Públicas Federais, Estaduais e Municipais, Juntas Comerciais, Prefeituras e Autarquias, com poderes para transigir, desistir, confessar, receber e dar quitação, firmar termos e compromissos, podendo, inclusive substabelecer, enfim, praticar todos os demais atos necessários ao bom e fiel cumprimento do presente mandato. Sendo assim, passo a discorrer sobre as questões trazidas no recurso voluntário. Depreendendose da análise do processo, vêse que a lide original envolve autuação fiscal recepcionada pela empresa Kraft Foods Brasil S/A (incorporada pela Mondelez Brasil Ltda) tratando do não reconhecimento do pedido de compensação, considerando que houve a consolidação de suposto débito no montante de R$ 12.574,81. Não obstante à essa discussão, vêse que a DRJ não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, considerando sua intempestividade. Eis que, no caso vertente, o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório por meio de Aviso de Recebimento (fl. 6), no dia 20 de maio de 2008; porém, apresentou a manifestação e inconformidade somente no dia 3 de setembro de 2008, quando já havia se esgotado o prazo regulamentar fixado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Dessa forma, em vista da decisão de 1ª instância, a contribuinte pede, em síntese, a reforma do Acórdão da DRJ, descrevendo julgados do CARF, solicitando que a administração fazendária aprecie todos os fatos e provas que possam influenciar a sua decisão para que, por conseguinte, seja julgado totalmente improcedente o lançamento realizado, de modo a extinguir a presente cobrança. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.903061/200853 Acórdão n.º 3202001.412 S3C2T2 Fl. 160 5 Quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade alegada pela DRJ, notase que, de acordo com o disposto nos arts. 14 e 151 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, somente a impugnação da exigência apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso vertente, resta claro que a recorrente apresentou a impugnação fora do prazo legal. Logo, a controvérsia cingese apenas ao conhecimento da impugnação suscitada pela recorrente, que deve ser conhecida por este Colegiado, em razão do disposto no art. 56, § 3º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal, a seguir transcrito (destaques meus): “Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14 e 15). § 1º Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4º Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.903061/200853 Acórdão n.º 3202001.412 S3C2T2 Fl. 161 6 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. §6º Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. §7ºNo caso previsto no § 5o, a unidade de preparo deverá juntar, por anexação ao processo correspondente, o referido envelope.” No recurso voluntário, a recorrente pleiteou o conhecimento das razões de fato e de mérito apresentadas, com base no argumento de que, no âmbito do processo administrativo fiscal, deve prevalecer o princípio da verdade material. Porém, entendo que não assiste razão a recorrente, pois tal princípio somente poderiam ser invocados quando o processo administrativo fiscal tenha sido regulamente instaurado à fase contenciosa do procedimento. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negar provimento, rejeitando o conhecimento das outras alegações, para manter na íntegra a decisão recorrida. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA
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