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Numero do processo: 16007.000198/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE
MAO-DE-OBRA.
A pessoa jurídica que presta serviços de cessão/locação de mão-de-obra, não pode optar pelo Simples Federal, por determinação legal, portanto, cabe sua exclusão.
EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS.
Dar-se-á exclusão de oficio quando a pessoa jurídica tiver sido constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 1401-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ROCHA TRANSPORTES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MAODEOBRA. A pessoa jurídica que presta serviços de cessão/locação de mãodeobra, não pode optar pelo Simples Federal, por determinação legal, portanto, cabe sua exclusão. EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. Darseá exclusão de oficio quando a pessoa jurídica tiver sido constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. Recurso desprovido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 01 98 /2 00 9- 48 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente em parte o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Trata o processo, de exclusão da contribuinte acima identificada do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES (Federal), a partir de 01/01/2005, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/ São José do Rio Preto/SP, n° 018/2010 (fl. 195), e Despacho Decisório/Sacat no 094/2010 (fls. 193/194), tendo em vista o exercício de atividade vedada e a constituição da pessoa jurídica com interposição de pessoa, conforme o disposto na Lei n° 9.317, de 1996, art. 90, XII,f, e art. 14, IV. Além disso, trata de exclusão da contribuinte do Simples Nacional, a partir de 01/01/2008, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/ São José do Rio Preto/SP, n° 019/2010 (fl. 198), e despacho decisório n° 095/2010 (fls. 196/197), tendo em vista o exercício de atividade vedada e a constituição da pessoa jurídica com interposição de pessoa conforme o disposto na Lei Complementar n° 123, arts. 17, XII e 29, IV. De acordo com os referidos despachos, embora conste da Declaração de Firma Individual a atividade econômica "transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional", a contribuinte realiza "prestação de serviços com cessão/locação de mãodeobra", conforme definido no art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998, atividade considerada impeditiva Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 4 3 para a opção pelo sistemas simplificados de tributação. Além disso, segundo informado nos respectivos despachos, teria sido constituída a pessoa jurídica por interpostas pessoas — que não são os verdadeiros sócios ou acionista, ou titular de firma individual. Ciente dos ADE(s) e dos despachos decisórios em 01/03/2010, a contribuinte ingressou em 30/03/2010 com a impugnação de fls. 207/226, na qual refuta as exclusões, apresentando, em suma, os seguintes argumentos: Atividade da empresa A exclusão da empresa do Simples Nacional não pode prosperar, constituindose em excesso de rigorismo por parte do Fisco, na medida em que não se levou em consideração que a atividade exercida pela recorrente é caracterizadamente, de fato, "a prestação de serviço de transporte." Em momento algum praticou irregularidades que lhe foram imputadas como consta do relatório fiscal. Logo, a acusação fiscal apresenta inequívoco erro de formação, razão pela qual, os atos declaratórios de n's. 18 e 19 podem e devem ser anulados. A empresa celebrou contrato de prestação de serviços de transporte de açúcar e outros serviços internos, mediante utilização de tratores, com a empresa Açúcar Guarani S/A, em 03/05/2005 (fls. 15/21). Esse contrato foi aditado em 04/05/2008 (fl. 22/23) ressaltando no item 7.6 do referido documento que a contratada deve disponibilizar 11 (onze) tratores para a prestação dos serviços contratados enquanto que o item 5.4 reza que o contrato versa sobre serviço de transporte certo, também, que para fazer face à sua finalidade social, a requerente celebrou contrato de comodato com a empresa S.R. Transportes e Serviços Automotivos Ltda (fls. 24/27), motivo pelo qual esta cedeu 11(onze) unidades a titulo de comodato). Não obstante a cláusula 1.1 noticie que além dos serviços de transporte de açúcar da fábrica para os depósitos, caberia à recorrente os serviços de limpeza do pátio de cana, roçagem de grama dentro do pátio na área industrial e manuseio de bags, o fato é que a mesma cláusula destaca que referidos serviços seriam executados mediante a utilização de 07(sete) tratores na unidade industrial de Olímpia e 04(quatro) na unidade industrial de Severinea. É preciso sublinhar, que em momento algum executou os serviços adicionais constantes da referida cláusula, limitandose tão somente ao serviço de transporte. Repisese, a recorrente somente prestou serviço de transporte de açúcar, entulhos, lixo, resíduos, etc.. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 5 4 Nessa linha de equivoco e contradição a empresa Açúcar Guarani sugeriu que nas notas fiscais emitidas pela recorrente constasse a expressão "locação de mãodeobra" que na realidade não espelha a verdade dos fatos, induzindo a recorrente a erro material, pois, nunca prestou qualquer outro tipo de serviço que não fosse o de transporte. Para comprovar esse fato incontestável, observese que todos os funcionários constantes de seu quadro de pessoal e informados na GFIP (docs. 39/80), foram contratados para operar os onze (11) tratores nos turnos, todos qualificados nas suas respectivas funções de tratoristas e motoristas. Tanto é que a própria contratante Açúcar Guarani, reconheceu o equivoco consignado nos documentos fiscais em relação à locação de mão obra que firmou declarações não deixando dúvida que o serviço prestado pela recorrente era único e exclusivamente de transporte e remoção mediante utilização de tratores. Com clareza foi declarado que não obstante o objeto do contrato firmado com a empresa R.S. Rocha Transportes —Me, em 3 de maio de 2005, indique de modo genérico a "prestação de Serviços de transportes", pela Contratada à Contratante, de fato "a Contratada concorria apenas e tão somente com os tratores MF 265, bem como com seus respectivos condutores, os quais, eram seus empregados. Todos os serviços relacionados com a carga e descarga de mercadorias e materiais eram realizados por empregados da Contratante. Da mesma forma, as carretas e equipamentos de apoio utilizados no Parque Industrial para o transporte de materiais pertenciam à contratante. Assim a expressão "locação de mãodeobra" foi empregada de forma equivocada. Tendo em vista que a recorrente não realizou locação de mão deobra, não é caso de aplicação do disposto no art. 9°, XII,f da Lei n°9.317, de 1996. Interposição de sócio na pessoa jurídica Não houve qualquer simulação ou desejo de fraude, mas se isso tivesse ocorrido, o Fisco estaria impedido de qualquer medida coativa, repressiva ou fiscal. Com efeito, é preciso sublinhar que a recorrente foi constituída em 22 de outubro de 2004 (fl.6), enquanto os atos declaratórios. executivos de n°s. 018 e 019 (fls. 195 e 198), foram expedidos em data de 10 de fevereiro de 2010 e a recorrente tomou ciência das acusações que pesam contra si em 01 de março de 2010. Assim, entre a constituição e a expedição do ato declaratório, acrescida da data da ciência da recorrente, decorreram mais de 5(cinco) anos, operando contra o Fisco, o instituto da prescrição. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 6 5 O art. 3° da Emenda Constitucional (EC) n° 42, de 19 de dezembro de 2003, deu nova redação ao artigo 94 das Disposições Constitucionais Transitórias, conferiu tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. No caso específico das empresas de transportes de cargas, estas passaram a ter o beneficio da tributação com base no Simples Nacional a partir de 1° de março de 2008, por força da LC n° 127, de agosto de 2007, cujo artigo 1° deu nova redação ao artigo 18 da LC n° 123, de 2006. Assim não resta dúvida que a partir de 01/01/2008, a atividade de transporte de cargas intermunicipal e interestadual passou a integrar o rol das atividades que permitem a tributação instituída para o Simples Nacional. Em vez de excesso de rigorismo e prepotência, houvesse o representante do Fisco contemplado a requerente com o tratamento diferenciado de que fala a LC n° 42, certamente teria observado que o quadro de pessoal da recorrente, constituído de motoristas e tratoristas habilitados não são os adequados para a prestação de serviços de locação de mãodeobra, e mais, eles não concordariam e se prestariam a esse trabalho. Segundo a 2' Turma do Superior Tributal de Justiça, ao julgar Recurso Especial decidiu: "há de haver cautela na interpretação da letra da lei, para que não ocorra um exacerbado rigorismo interpretativo que afaste o hermeneuta do melhor processo de compreensão da vontade real do legislador aplicação, no caso, o disposto no art. 2° da Lei n°9.784, de 28 de janeiro de 1.999. A recorrente preenche todos os requisitos contidos na legislação para que a acusação seja relevada, principalmente porque não houve prejuízo ao Fisco, nem houve intenção de fraudálo. Ressalta que a ocorrência de fraude não se presume, provase. A boa fé, esta sim, presumese, mas a má fé, provase. Assim a medida impositiva de exclusão da recorrente do Simples Nacional, seria ilegal. Embora não seja o objeto dessa manifestação o fato é que, o que ensejou a expedição dos atos declaratórios n's 18 e 19 foi o pedido de ressarcimento da contribuição ao INSS, descontadas nas notas fiscais de prestação de serviços de transporte. Ao postular pela restituição de contribuição à qual não esta sujeito, pois foi descontada ilegalmente, a recorrente acabou sendo duplamente penalizada, pois foi acusada de exercer atividade vedada pela legislação para ingresso no sistema simplificado de tributação, sendo excluída do Simples. O ato administrativofiscal sem motivação adequada e pertinente é ato administrativo nulo, ineficaz, porque sendo sempre vinculado e regrado deve ficar sempre de acordo com as previsões legais pertinentes. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 7 6 Diante de ,tamanha evidência e de provas tão robustas à luz de uma análise correta é de se concluir que a exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional não pode prosperar. Finalmente solicita que o inteiro teor da decisão singular seja comunicada ao patrono da requerente, como corolário do seu direito de petição (CF/88, art. 5° X)OIV, a) e que lhe seja assegurado a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de nenhum, inclusive, juntada de novos documentos. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por julgar improcedente o requerimento do contribuinte, em textual: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MAODEOBRA. A pessoa jurídica que presta serviços de cessão/locação de mãodeobra, não pode optar pelo Simples Federal, por determinação legal, portanto, cabe sua exclusão. EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. Darseá exclusão de oficio quando a pessoa jurídica tiver sido constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MAODEOBRA. A pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação/cessão de mãodeobra, por vedação contida em lei, não pode optar pelo Simples Nacional, devendo ser excluída do sistema. EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. Darseá exclusão de oficio quando a pessoa jurídica tiver sido constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicilio especial no processo administrativo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 8 7 0 protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e ela só é possível em casos especificados na lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Irresignado, interpôs o contribuinte o recurso ora analisado reiterando os argumentos apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Verificase do contrato firmado entre a manifestante e a empresa Açúcar Guarani S/A (fls. 15/21): a) Na cláusula primeira, o objeto do contrato é a prestação de serviços de transportes de açúcar da fábrica para os depósitos, limpeza do pátio de cana, roçagem de grama dentro do pátio na área industrial estabelecida no município de Olímpia —Sp e 4 (quatro) tratores MF256 para utilização na unidade industrial estabelecida no município de Severinia SP, todos conforme a necessidade da contratante; b) Na cláusula terceira, consta que pelos serviços contratados e efetivamente prestados a contratante pagará à contratada, a importância mensal de R$ 11.806,86, por trator efetivamente disponibilizado pelo período de 24 horas por dia. Do valor indicado, a importância mensal de R$ 4.722,74, corresponde aos custos com a mãodeobra utilizada e R$ 7.084,12, correspondem aos custos com equipamentos empregados na prestação dos serviços objeto deste contrato. c) Consta da cláusula quarta, no item 4.1, que a contratada deverá fornecer e manter em operação os tratores de sua propriedade bem como os seus respectivos operadores, necessários para a perfeita execução dos serviços ora contratados nos prazos de atendimentos solicitados pela contratante, durante 24 (vinte e quatro ) horas por dia. No item 4.13, a contratada se obriga a atender aos chamados da contratante para execução dos serviços descritos na cláusula primeira no prazo máximo de 24 horas a partir da chamada, que poderá ser feita através de telefones, email, fax etc.; d) A cláusula 7.3 determina que a contratada obrigase a obedecer, rigorosamente, os itinerários e os horários determinados pela contratante, arcando com o ônus decorrente da falta de cumprimento destes. e) Na cláusula 7.5 consta que a contratante, mediante prévia comunicação poderá efetuar vistorias nos tratores utilizados na execução do objeto do presente contrato, a fim de certificarse das condições mecânicas e de segurança dos mesmos, emitindo laudo no qual, quando necessário, requisitará os repares e ou substituição de peças que deverá ser prontamente atendido pela contratada. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 9 8 Conforme se verifica as fls. 30/37, a contribuinte emitiu notas fiscais que discriminam locação de tratores e locação de mãodeobra, com retenção da contribuição de 11% devida ao INSS. Ressaltese, ainda, que os serviços prestados foram efetuados com segurados empregados admitidos na prestadora para exercer a função de tratoristas, o que se confirma nos livros "Registro de Empregados" (fls.118/140). Esses empregados que ficaram a disposição da contratante 24 (vinte e quatro) horas por dia, de acordo com a cláusula quarta, item 4.1, também foram informados em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social (fls. 39/60), como trabalhadores da mecanização agrícola, conforme consulta de vinculo empregatício dos trabalhadores ( fls. 81/117). Assim, constatado que os empregados foram admitidos na prestadora para exercer a função de tratoristas, trabalhadores da mecanização agrícola; os serviços foram efetuados nas dependências da contratante ficando A disposição da contratante 24 (vinte e quatro) horas por dia; as importâncias pagas A contratada foram apuradas de acordo com fatores mencionados no item 3.3 do contrato aditivo, anexo As fls. 15 a 23, o que descaracteriza empreitada por não ser a empresa remunerada pelos serviços prestados como um todo; os serviços são executados nas dependências determinadas pela contratante; os trabalhadores recebem determinações e fiscalização por ordem da tomadora, ficando a disposição desta e fornecendo empregados utilizados na execução dos serviços contratados é de se considerar que a contribuinte preenche os requisitos que caracterizam a locação/cessão de mãodeobra, conforme definido no art. 31 da Lei n°8.212, de 1991. Como visto, embora a contribuinte alegue que somente realizou serviços de transporte, as provas contidas nos autos revelam que o os serviços contratados foram efetivamente cessão/locação de mãodeobra. Portanto, observada a legislação que rege a matéria, tendo em vista que a contribuinte estava impedida de optar e, portanto, de manterse no sistema simplificado não há como permitir sua permanência no Simples Federal, tampouco no Simples Nacional. Constituição da pessoa jurídica com interposta pessoa, não com o verdadeiro sócio. Além de impedida de ingressar nos sistemas de tributação simplificada, em face da realização de locação de mãodeobra, a empresa incorreu, também, em outra hipótese de vedação de ingresso, que é a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual. Conforme se constata dos autos As fls. 28/29, a empresa excluída, representada pela titular Roberta Secchieri Rocha (CPF 225.689.34809) constitui como seus procuradores, Roberto Aparecido Rocha (CPF 828.384.53815), pai da titular da firma outorgante, e Edwanil de Oliveira (CPF 072.154.70873), aos quais conferiu amplos poderes gerais e ilimitados para o fim especial de gerirem e administrarem a firma outorgante, etc. O Sr. Roberto Rocha é sócio administrador da empresa RS Serviços Automotivos Ltda. e sócio de Edwanil de Oliveira na empresa SeveterraTerraplanagem e Transportes Ltda. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 10 9 A empresa SR Transportes e Serviços Automotivos Ltda, tendo como sócio administrador o Sr. Roberto aparecido Rocha, firmou Contrato de Comodato (fls. 24/27) com a empresa prestadora de serviços, emprestando para seu uso tratores e equipamentos, os quais foram locados para a empresa tomadora dos serviços Açúcar Guarani S/A, infringindo a cláusula quarta desse contrato, a qual veda cessão A terceiros. Embora cada uma das empresa possua personalidade jurídica própria, estão sob a direção, administração e controle das mesmas pessoas : Roberto Aparecido Rocha e Edwanil de Oliveira, caracterizando assim a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas que não são os verdadeiros sócios, no caso, de firma individual. Esse fato, como visto, também impede a empresa de manterse nos sistemas simplificados. Ressaltese que embora a contribuinte tenha em sua manifestação citado a interposição de pessoa na constituição da pessoa jurídica, não apresentou argumentos e provas contrários aos fatos apontados pela Fiscalização. Sobre a alegada prescrição, em face de o prazo entre a constituição e a expedição do ato declaratório, acrescida da data da ciência da recorrente, ter decorrido mais de 5(cinco) anos, cabe citar o contido na IN SRF n° 608, de 2006, que dispõem nos artigos 20 a 24: Das vedações à opção Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: XI que realize operações relativas a: e) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Art. 21. A exclusão do Simples será feita mediante comunicação da pessoa jurídica ou de oficio. Exclusão por comunicação Art. 22. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darse6: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 20; (..) Exclusão de oficio Art. 23. A exclusão darse6 de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; (...) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/200948 Acórdão n.º 1401001.090 S1C4T1 Fl. 11 10 Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art.20; Como visto, desde a constituição da contribuinte ocorreu hipótese de vedação. Portanto, em obediência ao disposto na norma, deve ser excluída a partir do mês subseqüente Aquele em que incorrida a situação excludente, ainda que passado o prazo de cinco anos da opção. O que deve ser respeitado, no caso, é o prazo decadencial previsto no CTN, com relação aos tributos devidos com base no regime de tributação, ao qual deveria se submeter. Todavia, este processo não trata de lançamento de oficio e, portanto, não cabe suscitar sobre tal prazo. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10508.000249/2007-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
AUDITORIA DA DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGENCIA DE MULTA DE MORA ISOLADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRENCIA. Configura-se Denúncia Espontânea o recolhimento em atraso de tributos antes de qualquer procedimento de oficio, bem assim antes da apresentação da DCTF, sendo descabida a exigência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN e entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provido ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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MULTA DE MORA RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO ANTES DA ENTREGA DA DCTF. Recorrente JOANES INDUSTRIAL S/A PRODUTOS QUIMICOS E VEGETAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 AUDITORIA DA DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGENCIA DE MULTA DE MORA ISOLADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRENCIA. Configurase Denúncia Espontânea o recolhimento em atraso de tributos antes de qualquer procedimento de oficio, bem assim antes da apresentação da DCTF, sendo descabida a exigência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN e entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provido ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 02 49 /2 00 7- 42 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/200742 Acórdão n.º 9101001.999 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/200742 Acórdão n.º 9101001.999 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório JOANES INDUSTRIAL S/A PRODUTOS QUIMICOS E VEGETAIS, cientificada do Acórdão 130200.415, proferido na sessão de 11/11/2010, pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno da CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. No acórdão recorrido, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o cabimento da multa de mora sobre recolhimento de tributo fora do prazo, mas antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, conforme ementa abaixo reproduzida: "LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na situação em que a quitação se dá após o prazo previsto na referida legislação." O Recurso Especial, fls. 146150, teve seguimento conforme Despacho 344/2009 (fl. 159160), assim redigido (verbis): “(...) A recorrente argumenta, em síntese que seu procedimento está abrigado pelo instituto da denúncia espontânea, diferente do entendimento trazido no acórdão recorrido. Para tanto, cita jurisprudência da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que entende divergente do presente caso, representada pelo acórdão paradigma nº 1070.224, de 11/05/1993, contido no processo nº 13628/000.018/9061 e da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, espelhada no acórdão paradigma nº 140200.465, de 25/02/2011, contido no processo nº 10183.001857/200784. (...)." Acórdão nº 140200.465 "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido antes declarados à Receita Federal. (...). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/200742 Acórdão n.º 9101001.999 CSRFT1 Fl. 5 4 Com relação ao segundo acórdão paradigma, constato que trata da mesma matéria analisada no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão do referido acórdão paradigma é a de que não cabe a exigência de multa de mora quando os tributos são recolhidos e declarados fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento fiscal. O acórdão recorrido, por seu turno, considerou que nos chamados tributos com lançamento por homologação não cabe a aplicação do instituto da denúncia espontânea da infração quando o tributo é quitado após o prazo legal de vencimento, sendo assim exigível a multa moratória. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente com relação ao segundo acórdão paradigma. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial. (...)” Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou em 1/3/2012 contrarrazoes de fls. 69 e seguintes, propugnando pela confirmação do julgado. A seguir, os autos foram enviados a CSRF e o processo distribuído a este Relator. É o breve relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/200742 Acórdão n.º 9101001.999 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O Recurso Especial do Contribuinte atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve apreciado. Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão no Colegiado ordinário que manteve a exigência da multa de mora, lançada isoladamente, com fulcro nos artigos 43 e 61 da Lei 9.430/1996, que deixou de ser recolhida pelo contribuinte, sob o argumento que se tratava de denúncia espontânea. No presente caso, apesar de os tributos terem sido recolhidos em atraso, os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento fiscal em 31/01/2005 (fl. 16), bem assim antes da apresentação da DCTF, que se deu em 15/2/2005 (fl. 14). Aliás, foi justamente o fato de o contribuinte ter apresentado a aludida DCTF, informando o débito e pagamento em atraso, que a Receita Federal tomou conhecimento dos fatos (vide auto de infração às fls. 14 e seguintes). Pois bem; consultando os julgados do STJ em matéria repetitiva, verificase a seguinte decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/200742 Acórdão n.º 9101001.999 CSRFT1 Fl. 7 6 vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifei) A luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, há que se aplicar o entendimento do STJ quanto a essa matéria. Assim, configurada no presente caso a denúncia espontânea, à luz do art. 138 do CTN, cumpre cancelar a exigência da multa de mora que foi objeto do lançamento de oficio. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/200742 Acórdão n.º 9101001.999 CSRFT1 Fl. 8 7 Conclusão. Pelo exposto, voto no sentido dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000957/2001-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADES.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, em razão da compensação de prejuízo (SÚMULA CARF Nº 3).
Numero da decisão: 1301-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
1.0 = *:*
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Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, em razão da compensação de prejuízo (SÚMULA CARF Nº 3). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 57 /2 00 1- 17 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/200117 Acórdão n.º 1301001.601 S1C3T1 Fl. 138 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/200117 Acórdão n.º 1301001.601 S1C3T1 Fl. 139 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativa ao anocalendário de 1996, formalizada em razão da imputação das seguintes infrações: i) adição a menor ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de lucro inflacionário realizado; e ii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízo fiscal. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 34/52), por meio da qual argumentou: que não possui fundamento jurídico a inclusão do lucro inflacionário na base de cálculo do imposto, vez que não representa renda ou proventos de quaisquer natureza, nos termos do art. 153, III, da Constituição Federal e do art.43 do CTN; que a legislação tributária ao tributar o chamado lucro inflacionário subverte conceito de renda estabelecido na Constituição Federal e na legislação complementar tributária, pois tratase de um ganho fictício; que há uma notória extrapolação da competência tributária constitucional pela lei ordinária, através do desvirtuamento do conceito de renda; que a lei ordinária tomou como renda, como lucro líquido, um fenômeno contábil que com estes não se confunde; que não é exigível o montante integral lançado, vez que compensável, à razão de 30%, com prejuízos fiscais acumulados, na forma do art. 42 da Lei 8.981/95; que a limitação de 30% para fins de compensação de prejuízos fiscais é inconstitucional; que houve majoração da base de cálculo do tributo e verdadeira alteração do próprio fato gerador do tributo, o que só seria possível fazer por meio de Lei Complementar, conforme determina a Constituição Federal (CF); que foi alterado o alcance de conceitos de institutos de direito privado utilizados pela CF, o que é vedado pelo art. 110 do CTN; que a hipótese de incidência da exação em comento contraria o conceito de lucro definido na Lei das S/A (arts.189, 190 e 191); que os dispositivos impugnados incorrem em flagrante inconstitucionalidade, posto que possibilitam à União exorbitar a sua competência constitucional na tributação do lucro líquido, fazendo incidir o tributo sobre o patrimônio, em flagrante atentado ao princípio da discriminação rígida das competências tributárias (CF, arts.153, III, 148 e 154, I), restando também violados vários princípios constitucionais que, diante dessas flagrantes inconstitucionalidades, impende à autoridade administrativa a não aplicação ao caso em concreto dos dispositivos legais inquinados, posto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/200117 Acórdão n.º 1301001.601 S1C3T1 Fl. 140 4 que normas legais somente vinculam a atividade administrativa, na medida em que se revistam de foros de constitucionalidade (naqueles em que se denote, de plano, patente inconstitucionalidade, deve o administrador frustrar sua aplicação, com base no justo receio que da mesma poderão sobrevir indeléveis prejuízos ao administrado, de modo que, dessa forma, agirá em consonância com os postulados da finalidade e moralidade administrativas (CF, art.37). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, apreciando as razões trazida pelas defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0.453, de 28 de fevereiro de 2002, pela procedência do lançamento tributário. O referido julgado restou assim ementado: Compensação de Prejuízo. Limite de 30%. A partir do anocalendário de 1995, os prejuízos fiscais somente podem ser compensados com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, até o limite de 30%. Legislação Tributária. Exame da Legalidade/ Constitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Lucro Inflacionário.Realização Mínima A pessoa jurídica deverá considerar realizado em cada anocalendário, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário, quando o valor, assim determinado, resultar superior ao apurado na forma do § 1° do art.5° da Lei n° 9.065, de 20/06/95. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 84/104, por meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória. O presente processo teve o seu julgamento sobrestado, conforme Resolução nº 1301000.170 desta Primeira Turma (sessão de 07 de novembro de 2013). Contudo, diante da revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 61A do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado pela Portaria MF nº 545/2003, normas que serviram de lastro para o sobrestamento acima referenciado, podese dar prosseguimento à apreciação da lide. É o Relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/200117 Acórdão n.º 1301001.601 S1C3T1 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativa ao anocalendário de 1996, formalizada em razão da imputação das seguintes infrações: i) adição a menor ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de lucro inflacionário realizado; e ii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízo fiscal. Inconformada com a decisão prolatada em primeira instância, eis que esta manteve na íntegra a exigência formalizada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando a argumentação expendida na peça impugnatória. Nessa linha, traz considerações no sentido de que a inclusão do lucro inflacionário na base de cálculo do imposto não tem fundamento jurídico, visto que, segundo alega, não representa renda ou proventos de quaisquer natureza, nos termos do art. 153, III, da Constituição Federal e do art.43 do CTN. Afirma que, no caso, há uma notória extrapolação da competência tributária constitucional pela lei ordinária. Adiante, sustenta ter pleno direito à compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados, vez que as disposições trazidas pelo art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995, e do art. 15 da Lei nº 9.065, também de 1995, afrontam os ditames do art. 195 e do art. 154 da Constituição Federal. Não merecem acolhimento os argumentos trazidos pela Recorrente. Com efeito, nos exatos termos do disposto no art. 26 A do Decreto nº 70.235, de 1972, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo certo que a situação que ora se aprecia não se enquadra nas exceções preconizadas pela norma em comento (lei declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal ou que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993). A exigência questionada pela Recorrente tem por fundamento as disposições contidas nos arts. 5º, 7º, 12 e 15 da Lei nº 9.065, de 1995, e no art. 42 da Lei nº 8.981, também de 1995, aplicáveis aos fatos apurados nos termos do caput do art. 144 do Código Tributário Nacional. Cabe destacar, ainda, que a incompetência deste Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, e a aplicação da limitação na compensação de prejuízos fiscais, em virtude de inúmeros julgados no mesmo sentido, foram objeto de súmulas, conforme transcrições abaixo. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/200117 Acórdão n.º 1301001.601 S1C3T1 Fl. 142 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Referidas súmulas, nos termos do disposto no caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno (RICARF), são de observância obrigatória pelos membros deste Colegiado. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004296/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Não há autorização legal para que se exclua do salário-de-contribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados.
DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba.
COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxílio-doença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do salário-de-contribuição.
DISPONIBILIZAÇÃO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EXCLUSÃO DE EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE LIMITE FIXADO NO REGULAMENTO DO PLANO EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano de previdência privada apenas aos empregados com determinado patamar salarial fere a regra legal que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba.
Mesmo para quem considera que não incide contribuições quando a remuneração mínima fixada para ingresso no plano de previdência privada é o teto do RGPS, o plano sob apreciação não atende ao requisito de extensão a todos os empregados, posto que foram excluídos do seu ingresso uma parte dos segurados com remuneração abaixo do referido teto.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SUJEIÇÃO AO LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há amparo normativo para limitação da base de cálculo da contribuição ao INCRA ao teto legal do salário-de-contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre a previdência complementar, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, sobre as bolsas de estudos e sobre a previdência complementar e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não há autorização legal para que se exclua do salário-de-contribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados. DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba. COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxílio-doença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do salário-de-contribuição. DISPONIBILIZAÇÃO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EXCLUSÃO DE EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE LIMITE FIXADO NO REGULAMENTO DO PLANO EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano de previdência privada apenas aos empregados com determinado patamar salarial fere a regra legal que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba. Mesmo para quem considera que não incide contribuições quando a remuneração mínima fixada para ingresso no plano de previdência privada é o teto do RGPS, o plano sob apreciação não atende ao requisito de extensão a todos os empregados, posto que foram excluídos do seu ingresso uma parte dos segurados com remuneração abaixo do referido teto. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SUJEIÇÃO AO LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não há amparo normativo para limitação da base de cálculo da contribuição ao INCRA ao teto legal do salário-de-contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre a previdência complementar, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, sobre as bolsas de estudos e sobre a previdência complementar e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não há autorização legal para que se exclua do saláriodecontribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados. DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba. COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxíliodoença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do saláriodecontribuição. DISPONIBILIZAÇÃO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EXCLUSÃO DE EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 42 96 /2 00 9- 49 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 LIMITE FIXADO NO REGULAMENTO DO PLANO EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano de previdência privada apenas aos empregados com determinado patamar salarial fere a regra legal que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba. Mesmo para quem considera que não incide contribuições quando a remuneração mínima fixada para ingresso no plano de previdência privada é o teto do RGPS, o plano sob apreciação não atende ao requisito de extensão a todos os empregados, posto que foram excluídos do seu ingresso uma parte dos segurados com remuneração abaixo do referido teto. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SUJEIÇÃO AO LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não há amparo normativo para limitação da base de cálculo da contribuição ao INCRA ao teto legal do saláriodecontribuição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre a previdência complementar, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, sobre as bolsas de estudos e sobre a previdência complementar e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 311 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 19.356 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou, por maioria de votos, improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.227.8809. O crédito em questão diz respeito à exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre diversas parcelas, consideradas pelo fisco como salário indireto. Cientificada pessoalmente do lançamento, em 28/10/2009, a empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, motivo pelo qual interpôs recurso voluntário, fls. 247 e segs., onde apresentou as alegações abaixo. Não está sob litígio os itens VTEVale Transporte e CAV – Caracterização de Vínculo, visto que essas parcelas foram incluídas no parcelamento do programa REFIS. Os pagamentos de convênio odontológico e plano de saúde disponibilizados para os dependentes não pode ser objeto de tributação, posto que extensível a todos os segurados e dirigentes. O entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é de que, em relação aos dependentes, os valores gastos a título de auxíliosaúde também não integram saláriode contribuição, devendo receber o mesmo tratamento do benefício dado aos funcionários. O fato de existir carência para alcance dos benefícios de auxíliosaúde e bolsas de estudo não quer dizer que houve atropelo às normas de regência, posto que todos os empregados, após determinado período na empresa, passam a fazer jus aos referidos benefício. O fisco não pode interferir nas normas internas da empresa, deve limitarse a verificar se a regra legal foi cumprida, o que ocorreu integralmente em relação ao auxílio educação e ao plano de saúde. Além de que não se demonstrou a existência de casos de funcionários que tiveram pedido de benefícios indeferidos. Em relação ao plano de previdência complementar também não pode prevalecer o entendimento do fisco de que este não foi disponibilizado a todos os empregados em razão existência de carência e remuneração mínima para adesão ao plano, isto porque essas exigências nada mais são de que requisitos de qualificação do participante, além de que todo e qualquer funcionário tem a chance de superar a carência a atingir o patamar salarial mínimo exigido para adesão. Em relação à contribuição destinada ao INCRA afirma que esta deve ser calculada até o limite legal do saláriodecontribuição , sendo improcedente o levantamento “IAT – INCRA acima do teto”. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer a declaração de improcedência das contribuições questionadas. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 312 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Auxíliosaúde para dependentes Na apuração fiscal foi possível segregar os valores pagos pela empresa para custear o plano odontológico e de saúde dos trabalhadores daqueles vinculados ao custeio da assistência médica aos dependentes. É o que se percebe dos itens 3 e 4 do relato do fisco, que tratam, respectivamente dos levantamentos PLO PLANO ODONTOLÓGICO PARA DEPENDENTES e PSU PLANO DE SAÚDE PARA DEPENDENTES. Com o inconformismo da recorrente quanto a não inclusão da referida parcela no saláriodecontribuição, vem à tona a questão de saber se a norma que exclui da tributação os gastos com assistência à saúde dos empregados seria também aplicável aos valores despendidos pelo empregador com assistência à saúde dos dependentes dos segurados. A regra geral é que os valores pagos ou creditados aos trabalhadores sejam incluídos no campo da tributação previdenciária. Todavia, o legislador achou por bem excluir da incidência de contribuições determinadas parcelas e o fez em relação exaustiva lançada no § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A referência à assistência à saúde encontrase na alínea “q”: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (...) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A meu sentir, a verba sob comento veio a fazer parte desse rol de parcelas excluídas da tributação como uma maneira de incentivar as empresas a disponibilizarem assistência médicoodontológica aos seus empregados. Esse beneficio, é bom que se diga, é dado para os trabalhadores não como salárioutilidade, mas de forma a propiciar à empresa um quadro funcional saudável. Diferentemente ocorre com a extensão desse beneficio aos dependentes dos empregados e diretores, haja vista que aí passase a remunerálos indiretamente, posto que os valores repassados acabam por se incorporar aos seus patrimônios na medida em que deixam de efetuar esses dispêndios com as respectivas famílias. A leitura do dispositivo acima transcrito deixa evidente que a isenção atinge apenas gastos com a assistência médica e odontológica dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível às despesas com saúde referentes aos dependentes. Destarte, não estando contemplada pela norma desonerativa, os valores gastos pela empresa com planos odontológicos e de saúde dos dependentes dos funcionários devem integrar o saláriodecontribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades. Assim, para fins de incidência de contribuições há de se diferenciar os gastos do empregador com o seu quadro funcional daquele direcionado aos dependentes dos trabalhadores. O primeiro prendese a verba disponibilizada para que o trabalho seja desenvolvido sem quebras de produtividade por motivo de saúde, enquanto que o segundo representa um plus na remuneração do segurado, representado pelo custeio da assistência médica a pessoas estranhas ao ambiente laboral, os dependentes. Diante dessas considerações, independentemente da norma inserta na alínea “q”do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 se caracterizar como isenção ou não incidência, entendo que os seus ditames não se aplicam aos gastos da empresa com assistência à saúde dos dependentes dos seus empregados, sendo lícita a tributação sobre os levantamentos PLO e PSU. Auxíliosaúde para dependentes Na apuração fiscal foi possível segregar os valores pagos pela empresa para custear o plano odontológico e de saúde dos trabalhadores daqueles vinculados ao custeio da assistência médica aos dependentes. É o que se percebe dos itens 3 e 4 do relato do fisco, que tratam, respectivamente dos levantamentos PLO PLANO ODONTOLÓGICO PARA DEPENDENTES e PSU PLANO DE SAÚDE PARA DEPENDENTES. Com o inconformismo da recorrente quanto a não inclusão da referida parcela no saláriodecontribuição, vem à tona a questão de saber se a norma que exclui da tributação os gastos com assistência à saúde dos empregados seria também aplicável aos valores despendidos pelo empregador com assistência à saúde dos dependentes dos segurados. A regra geral é que os valores pagos ou creditados aos trabalhadores sejam incluídos no campo da tributação previdenciária. Todavia, o legislador achou por bem excluir da incidência de contribuições determinadas parcelas e o fez em relação exaustiva lançada no § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A referência à assistência à saúde encontrase na alínea “q”: Art. 28 (...) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 313 7 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (...) A meu sentir, a verba sob comento veio a fazer parte desse rol de parcelas excluídas da tributação como uma maneira de incentivar as empresas a disponibilizarem assistência médicoodontológica aos seus empregados. Esse beneficio, é bom que se diga, é dado para os trabalhadores não como salárioutilidade, mas de forma a propiciar à empresa um quadro funcional saudável. Diferentemente ocorre com a extensão desse beneficio aos dependentes dos empregados e diretores, haja vista que aí passase a remunerálos indiretamente, posto que os valores repassados acabam por se incorporar aos seus patrimônios na medida em que deixam de efetuar esses dispêndios com as respectivas famílias. A leitura do dispositivo acima transcrito deixa evidente que a isenção atinge apenas gastos com a assistência médica e odontológica dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível às despesas com saúde referentes aos dependentes. Destarte, não estando contemplada pela norma desonerativa, os valores gastos pela empresa com planos odontológicos e de saúde dos dependentes dos funcionários devem integrar o saláriodecontribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades. Assim, para fins de incidência de contribuições há de se diferenciar os gastos do empregador com o seu quadro funcional daquele direcionado aos dependentes dos trabalhadores. O primeiro prendese a verba disponibilizada para que o trabalho seja desenvolvido sem quebras de produtividade por motivo de saúde, enquanto que o segundo representa um plus na remuneração do segurado, representado pelo custeio da assistência médica a pessoas estranhas ao ambiente laboral, os dependentes. Diante dessas considerações, independentemente da norma inserta na alínea “q”do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 se caracterizar como isenção ou não incidência, entendo que os seus ditames não se aplicam aos gastos da empresa com assistência à saúde dos dependentes dos seus empregados, sendo lícita a tributação sobre os levantamentos PLO e PSU. Bolsas de estudo e complemento do auxíliodoença Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Os levantamentos BE1 e BE2 abrigam os valores repassados a título de bolsas de estudos para segurados a serviço da autuada, ao passo que o levantamento CAD engloba os valores destinados a complemento do auxíliodoença. Para as quantias relativas às bolsas de estudo o fisco asseverou que a tributação se justifica no fato do benefício não ter sido estendido a todos os empregados e dirigentes da empresa. Afirma que a empresa disponibiliza a bolsa de estudo de graduação para os empregados, apenas após o cumprimento de período de experiência e desde que seja o primeiro curso superior do beneficiário. O curso de especialização, assinalase, era pago parcialmente pela autuada aos empregados com mais de um ano de contrato de trabalho e que se dispusessem a participar do plano de sucessão da empresa, conforme previsto em norma interna. Acerca da verba “Complementação do AuxílioDoença”, assim o fisco se pronunciou: “8.3 Como pode ser observado na norma da empresa que trata da regulamentação deste beneficio (ANEXO XVI deste relatório), a notificada somente o concede aos empregados que tenham mais de um ano de empresa na data de entrada do requerimento do beneficio previdenciário. 8.4 Ao impor aos empregados uma carência para pleitearem o beneficio, a empresa diferenciaos de outros empregados que, a priori, possuem a mesma prerrogativa quanto ao gozo de um beneficio. O efeito prático é que os empregados com mais de um ano de empresa, adquirem um plus salarial em relação a seus pares exercentes das mesmas funções” Vejamos o que dizem as normas que tratam da exclusão das verbas sob comento do saláriodecontribuição, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (...) Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 314 9 Vêse que o legislador no quesito educação pretendeu afastar da incidência de contribuição previdenciária as verbas disponibilizadas aos segurados empregados a título de educação básica e para cursos de capacitação e qualificação profissionais, todavia, erigiu as seguintes condições para validade da regra isentiva: a) que os cursos profissionais sejam vinculados à atividade da empresa; b) que a disponibilização do benefício não fosse utilizada como complemento salarial; e c) que o acesso ao plano educacional estivesse disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Para autoridade fiscal e também para o colegiado de primeira instância a empresa descumpriu a exigência constante na letra “c” acima, posto que, ao condicionar a concessão da verba à data de ingresso do segurado no emprego, excluiu de parcela do seu quadro funcional o direito ao benefício. Vêse, portanto, que o cerne da questão repousa em determinar se a imposição de tempo mínimo para que os empregados façam jus à concessão do plano de educação contraria o dispositivo legal encimado. Inicialmente é curial se ressaltar que a exegese de normas tributárias que tratam de isenção deve obedecer ao comando do art. 111, II, do Código Tributário Nacional1, não cabendo, portanto, interpretações extensivas para as mesmas. Nessa linha, a norma constante da alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 é enfática ao prescrever “...todos os empregados e dirigentes”, não se devendo alargar a interpretação para abarcar a situação em que o benefício é estendido apenas a funcionários com determinado tempo de contrato. Assim, uma interpretação literal da regra de isenção acima citada, levame a concluir pela incidência de contribuições sobre as despesas com educação, haja vista que a empresa deixava à margem desse benefício parcelas dos seus empregados. Basta observar que um empregado com menos de um ano de empresa e que já tivesse concluído o primeiro curso de graduação jamais poderia obter o benefício, a menos que fosse alterado o regulamento empresarial. Para reforçar meu entendimento, trago à baila precedente dessa mesma Turma de Julgamento, no julgamento do recurso apresentado no bojo do processo n. 18471.001791/200870, cujo Acórdão correspondente carregou a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/03/2005 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção;(...) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PLANO EDUCACIONAL/AUXÍLIO EDUCAÇÃO. HIPÓTESE DE ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. INOBSERVÂNCIA REQUISITOS LEGAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. De conformidade com o artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores da empresa a título de Plano Educacional/Auxílio Educação, conquanto que extensivo a sua totalidade, estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Tendo a contribuinte pago aludida verba somente a parte de seus segurados empregados e/ou diretores, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de 24 meses), caracterizase como salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. (...) Recurso Voluntário Negado. É certo que alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 foi alterada pela Lei n. 12.513/2011, deixando de exigir que o benefício em questão fosse estendido a todos os empregados, como se pode ver: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011). Ocorre que a norma acima não pode ser aplicada ao presente lançamento, posto que posterior à ocorrência dos fatos geradores. Assim, deve ser mantida a exigência sobre as “Bolsas de Estudo”. Esse entendimento deve ser estendido ao benefício da “Complementação do AuxílioDoença”, posto que alínea “n” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também exige, para que a verba não se sujeite à exação previdenciária, que esta seja disponibilizada indistintamente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Assim, o fato da empresa deixar de conceder o benefício aos trabalhadores com menos de um ano de contrato de trabalho afasta do caso concreto a norma acima citada, sendo legítima a tributação sobre esses valores. Previdência Complementar A razão que levou o fisco a submeter a verba previdência privada à tributação foi falta de extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da autuada. Alegouse que o plano BUNGEPREV era disponibilizado aos segurados somente após o cumprimento do contrato de experiência, além de que eram excluídos do plano os segurados com faixa salarial inferior a 10 UR. É razoável que os empregados em contrato de experiência não fossem contemplados pelo plano de previdência complementar, dada a precariedade de tais contratos. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 315 11 O fato dos trabalhadores nessa situação não serem abrangidos pela cobertura previdenciária adicional, para mim, não significa que tenha havido o descumprimento da norma que exige a disponibilização do plano a todos os empregados. É que todos os trabalhadores, ao cumprirem o curto prazo do ajuste experimental, passariam automaticamente a receber a cobertura do plano de previdência privada. Vamos, então, enveredar pela discussão acerca do possível descumprimento da regra em razão da disponibilização apenas aos empregados pertencentes à maior faixa salarial. Para o sujeito passivo, o próprio texto constitucional já afasta a possibilidade de que se considere a contribuição da empresa para os planos de previdência privada como saláriodecontribuição, uma vez que textualmente preconiza que tais valores não integram o contrato de trabalho, nem a remuneração dos participantes. Em outra vertente, assevera que a Lei Complementar – LC n. 109/2001, que regulamentou o dispositivo constitucional, estabelece que somente será participante aquele que aderir aos planos de benefícios, o que leva à conclusão de que não é obrigatório que todos participem da cobertura da previdência complementar, mas que possam se manifestar pela adesão. Afirma ainda que o art. 10 da citada LC admite que o regulamento do plano previdenciário possa estabelecer critérios para admissão e manutenção da qualidade do participante e, com base também no art. 16 do mesmo diploma, conclui que os benefícios devem ser oferecidos a todos os empregados, mas a efetiva participação dependerá da adesão destes aos planos, a qual fica condicionada a requisitos previstos no regulamento do plano de previdência privada. Adverte que o art. 68 da LC n. 109/2001, “caput”, repete o comando constitucional no sentido de que as contribuições da empresa para a previdência complementar dos seus empregados não integram a sua remuneração. Em adição, alega que, se a empresa não disponibilizasse o plano para todos os empregados, certamente a Secretaria de Previdência Complementar SPC, órgão responsável pela fiscalização das entidades integrantes deste segmento, não teria autorizado a implementação e o funcionamento do BUNGEPREV. Afirma que não existe a exclusão alegada pelo fisco, uma vez o teto de 10 UR e a carência são apenas requisitos de qualificação do participante, posto que ambos podem ser alcançados por todos os seus empregados. Diante desses argumentos é possível se inferir de que de fato a empresa admite que parte do seu quadro funcional não tinha acesso ao plano, por não se enquadrar nos critérios de admissão fixados no regulamento do plano BUNGEPREV. Sobre essa questão o relatório fiscal é bem esclarecedor e reforça o mesmo entendimento da empresa. Conforme se extrai do seguinte excerto: “6.10 Para se ter uma idéia de quantos trabalhadores estão excluídos do plano de previdência complementar da empresa (que não podem ser contribuintes),colocamos a seguinte relação: na folha de pagamento de 07/2005, de um Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 total de 7.044 trabalhadores, apenas 1.404 tiveram valores lançados na rubrica ‘560 –Bungeprev básica’ – em torno de 19,9% e em 12/2007 apenas 1.219 de um total de 6.136 – também em torno de 19,9%. Ou seja, poderíamos dizer que mais de 80% dos trabalhadores não satisfazem as condições exigidas pela empresa, citadas no item anterior”. Uma primeira questão que exsurge da lide, referese ao suposto conflito entre a alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 e o “caput” do art. 68 da Lei Complementar n. 109/2001. Dito de outro modo, a LC teria revogado o dispositivo da Lei n. 8.212/1991 que trata não inclusão dos pagamentos da empresa para os planos de previdência complementar? Acredito que não. Vejamos o que diz o art. 202 da Carta Magna: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (...) Do texto legal acima, observase que quando o legislador constitucional quis se referir a “lei complementar” o fez de forma expressa como consta na cabeça e no § 1. . Todavia, a referência feita no § 2. fala na desvinculação das contribuições do empregador da remuneração do empregado nos “termos da lei”, sendo nítido que nesse dispositivo a locução “lei” reportase a lei ordinária, que no caso é a Lei n. 8.212/1991. Ou seja, o conflito entre as regras da LC n. 109/2001 e a Lei n. 8.212/1991 é apenas aparente e se resolve mediante o princípio da especialidade. É esse o entendimento que tem prevalecido nesta Turma. Aqui é unânime, ou pelo menos era, a tese de que a Lei n.º 8.212/1991 deve prevalecer sobre a LC n. 109/2001, mantendose a exigência de oferta do benefício da previdência privada a todos para não inclusão da parcela no saláriode contribuição. Trago à colação o Acórdão n. 2401002.883, de 20/02/2013, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 (...) Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 316 13 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSIDADE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. LEI N° 8.212/91 EM CONFRONTAÇÃO COM A LEI COMPLEMENTAR N° 109/2001. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Os valores pagos aos funcionários da contribuinte a título de plano de previdência privada complementar somente estarão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias se extensivos à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do artigo 28, § 9. , alínea “p”, da Lei n° 8.212/91, a qual prevalece em relação ao disposto na Lei Complementar n° 109/2001 em razão do princípio da especialidade, sobretudo quando àquela LC adentrou a matéria reservada à Lei Ordinária, se equiparando a esta, portanto, neste tema. O argumento da recorrente de que qualquer empregado poderia superar a barreira salarial das 10 UR não me parece aceitável. Conforme o relatório fiscal, o que não foi questionado no recurso, apenas 20% dos empregados atingiam esse patamar remuneratório. Esse fato denota que a grande maioria dos trabalhadores a serviço da empresa não alcançavam os requisitos regulamentares para ingresso no plano de previdência complementar. Sequer a empresa demonstrou que apenas os segurados que recebiam acima do teto do RGPS seriam os contemplados, como pode se ver de outro trecho do relato do fisco: “Nota: Saláriodecontribuição é igual ao somatório do: salário básico + periculosidade + prêmios + comissões 10 UR. ii. UR = Unidade de Referência: significará o valor de Cr$ 439.840,00 (quatrocentos e trinta e nove mil, oitocentos e quarenta cruzeiros) no dia 1° de setembro de 1992, que será corrigida pela variação mensal do INPC — índice Nacional de Preços ao Consumidor — até a última data base da negociação sindical de cada Patrocinadora, após o que, a correção deverá ser de acordo com a Política Salarial de cada Patrocinadora e de acordo com cada uma de suas filiais, se houver acordos salariais diferenciados. iii. No caso da Bunge Alimentos, os valores das UR são distintos nas diversas filiais. A titulo de exemplo, o valor de uma UR, em 06/2005, na filial 436 (CNPJ: 84.046.101/029680 Bauru/SP) era de R$ 185,90 e na filial 601 (CNPJ: 84.046.101/034179 — Cuiabá/MT) era de R$ 154 86. iv. Já o valor do teto do Regime Geral de Previdência Social, em 06/2005, era de R$ 2.668,15.” Vejase que os empregados que recebiam menos de 10 UR (cerca de R$ 1.860,00 na filial de Bauru), estavam excluídos da participação no plano de previdência privada, todavia aqueles que percebiam um pouco mais, digamos R$ 2.000,00, eram abrigados Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 pelo benefício, mesmo percebendo uma remuneração inferior ao teto do RGPS, que na época situavase em torno de R$ 2.700,00. Essa discriminação não se justifica e contraria a regra legal de exclusão da verba em tela do saláriodecontribuição, mesmo que se entenda que fixação do teto do Regime Geral como valor mínimo de remuneração para ingresso no plano de previdência complementar não representa desconformidade suficiente a tornar a verba integrante da base de cálculo das contribuições. Após essas considerações, não há como considerar, portanto, que restou configurada a hipótese de desoneração prevista na alínea “p” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que o plano de previdência complementar atende apenas à parcela de um quinto dos empregados e dirigentes da Autuada. Acerca da alegação de que o plano de previdência não poderia receber censura, uma vez que fora aprovado pela SPC, devemos ter em conta que o entendimento do órgão fiscalizador das entidades de previdência complementar não tem força vinculante perante os agentes tributários. A própria LC n. 109/2001 apresenta ressalva quanto à competência das autoridades fiscais, como se pode ver: Art. 41. No desempenho das atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar, os servidores do órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizandose embaraço à fiscalização, sujeito às penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse objetivo. § 1o O órgão regulador e fiscalizador das entidades fechadas poderá solicitar dos patrocinadores e instituidores informações relativas aos aspectos específicos que digam respeito aos compromissos assumidos frente aos respectivos planos de benefícios. § 2o A fiscalização a cargo do Estado não exime os patrocinadores e os instituidores da responsabilidade pela supervisão sistemática das atividades das suas respectivas entidades fechadas. § 3o As pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao regime desta Lei Complementar ficam obrigadas a prestar quaisquer informações ou esclarecimentos solicitados pelo órgão regulador e fiscalizador. § 4o O disposto neste artigo aplicase, sem prejuízo da competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. (grifei) De se concluir que deve ser mantido na íntegra o levantamento “PLC – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR”. Contribuição ao INCRA – limite ao teto do saláriodecontribuição Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/200949 Acórdão n.º 2401003.691 S2C4T1 Fl. 317 15 Argumentou a recorrente que a base de incidência da contribuição ao INCRA estaria limitada ao teto fixado no art. 4. da Lei n. 6.950/1981, o qual corresponderia a 20 vezes o maior saláriomínimo. Acrescentou que o art. 3. do Decretolei n. 2.318/1986 afastou o referido limite apenas em relação às contribuições previdenciárias patronais, remanescendo para aquelas destinadas a outras entidades. Vejamos. A Lei 6.950/1981 promoveu alterações na legislação previdenciária, dentre as quais fixou novo limite máximo do saláriodecontribuição, nos seguintes termos: Art 4º O limite máximo do saláriodecontribuição, previsto no art. 5º da Lei nº 6.332, de 18 de maio de 1976, é fixado em valor correspondente a 20 (vinte) vezes o maior saláriomínimo vigente no País. Parágrafo único O limite a que se refere o presente artigo aplicase às contribuições parafiscais arrecadadas por conta de terceiros. A limitação em tela já era aplicável a todas as contribuições previdenciárias, nos termos do art. 5. da Lei n. 6.332/1976, o que indica que, a partir da Lei n. 6.950/1981, além da contribuição dos segurados e das contribuições patronais para a Seguridade Social, aquelas destinada a outras entidades ou fundos passaram a se sujeitar ao teto máximo. Ocorre que, em relação às contribuições patronais, o teto deixou de subsistir a partir da publicação do Decretolei n. 2.318/1986, que carregou o seguinte dispositivo: Art 3º Para efeito do cálculo da contribuição da empresa para a previdência social, o salário de contribuição não está sujeito ao limite de vinte vezes o salário mínimo, imposto pelo art. 4º da Lei nº 6.950, de 4 de novembro de 1981. Restou assim revogado o limite previsto no “caput” do art. 4. da Lei n. 6.950/1981, deixando de haver a limitação na base de cálculo das contribuições previdenciárias patronais. Tendo sido revogado o “caput”, qual o destino do parágrafo único do art. 4. da Lei n. 6.950/1981? A meu ver também perdeu a eficácia, haja vista que o texto constante no parágrafo faz referência expressa ao teto previsto na cabeça do artigo. Pois bem, uma vez que o conteúdo referenciado foi revogado, não há como prevalecer a tese de que o parágrafo único do art. 4. da Lei n. 6.950/1981 continuaria vigente em relação à contribuição destinada ao INCRA. Outro argumento citado na decisão recorrida, que me parece bem plausível, foi o de que a limitação pretendida não se compactua com a ordem constitucional instituída em 1988, posto que fere o princípio da generalidade da tributação. Por esse princípio a base tributável deve abarcar a integralidade do fato imponível, a menos que haja lei específica prevendo sua redução, conforme dispõe o § 6. do art. 150 da Lei Maior: Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Portanto, a limitação pretendida pela empresa na base de cálculo da contribuição ao INCRA não possui amparo constitucional, tampouco da legislação ordinária, estando órfã de fundamento jurídico a tese do sujeito passivo. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720698/2013-24
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/03/2013
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR.
A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante.
Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial - PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.786
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/03/2013 REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial - PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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Obrigação Acessória Recorrente ITATIAIA MÓVEIS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/03/2013 REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 06 98 /2 01 3- 24 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/201324 Acórdão n.º 2803003.786 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/201324 Acórdão n.º 2803003.786 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter deixado de incluir em Folhas de Pagamento remunerações pagas, devidas ou creditadas aos Segurados Empregados da empresa. O r. acórdão – fls 238 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Não é possível compreender exatamente a razão pela qual o D. Agente Fiscal presumiu antes as informações que dispunha sobre a existência de relação de emprego com as pessoas mencionadas (sic). · Há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o durante a fiscalização a impugnante apresentou vários documentos e livros fiscais e contratos demonstrando a inexistência de relação empregatícia com os quatro trabalhadores indicados. · Não foi devidamente demonstrada a relação de emprego. Tratase de representantes comerciais, conforme lei 4886/65 e não empregados. · A representação comercial autônoma muito se assemelha à relação de emprego do ponto de vista legal. Tanto a representação exercida por pessoa física quanto a relação de emprego ostentam, de forma geral, como pressupostos, uma pessoa natural que trabalha pessoalmente para o tomador dos serviços mediante remuneração e de maneira não eventual, conforme artigo 1o da referida lei. · A incidência da TAXA SELIC sobre o suposto débito apontado no auto também não encontra respaldo jurídico. · Requer a Recorrente sejam acolhidos seus argumentos, para que seja reformada a r. decisão recorrida, julgando totalmente improcedente o lançamento impugnado, reconhecendose a impropriedade da cobrança retratada na DEBCAD 51.038.3610. Acaso assim não entenda, requerse a conversão do feito em diligência, para, quando menos, segregar os valores recebidos por cada funcionário, eventuais verbas indenizatórias e, para tanto, justar o valor do auto de infração e da multa aplicada. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/201324 Acórdão n.º 2803003.786 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O ponto central a ser dirimido é se as pessoas referidas no relatório fiscal, e não declaradas em folhas de pagamento, detém a qualidade de empregado ou representante comercial. As pessoas citadas são: Jarbas Ribeiro Júnior, Michel Condé, José Paulo Vicente e Luiz Henrique Batalha. Nos autos do processo 10640.720695/201391 e 10640720.696/201335 obrigação principal, conforme indica o relatório fiscal, temos as considerações em relação aos referidos segurados. Entendeu a fiscalização enquadrálos como segurados empregados pelas seguintes razões, resumidamente: 1. Os segurados eram empregados, houve extinção do vínculo e passaram a prestar serviços como representantes comerciais pessoa jurídica, com emissão de notas fiscais seqüenciais. 2. Referidos segurados continuam no plano de saúde da recorrente. 3. Caracterização da pessoalidade, não eventualidade e subordinação. Apesar de a autoridade fiscal trazer vários elementos que poderiam apontar na direção adotada, fazendo constar inclusive que "A distinção entre o vendedor empregado e o representante comercial autônomo é uma das matérias mais controvertidas da seara trabalhista, devido às muitas semelhanças existentes entre uma e outra categoria", a análise do caso concreto leva este julgador a diverso entendimento. Do que consta nos citados autos, não vislumbro mácula nos procedimentos adotados pela recorrente. Em tese, nada impede que vendedores empregados se tornem representantes da mesma empresa. A fraude à relação trabalhista deve ser devidamente demonstrada. Inicialmente, perfilo a tese bem esclarecida pela Desembargadora Maria Laura Franco Lima de Faria, que assim se manifestou nos autos do processo 000352002052 030011: 1 Extraído de <http://www.conjur.com.br/2010out18/relacaoempregorepresentacaocomercialautonoma fundindo> em 16.10.2014 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/201324 Acórdão n.º 2803003.786 S2TE03 Fl. 6 5 “...tênue a diferença entre o trabalho prestado pelo representante comercial autônomo e o vendedorempregado. A subordinação jurídica é o diferencial determinante. Contudo, também o representante comercial pode ter sua zona de atuação delimitada pela representada; pode ter que prestar serviços com exclusividade e ter que cumprir as obrigações previstas no contrato (artigo 27, Lei 4.886/65), dentre as quais pode estar estabelecido o comparecimento a reuniões mensais ou semanais, a observância de preços predeterminados e até mesmo o cumprimento de cotas mínimas.” Maurício Godinho2 traz elucidativa conclusão que ajuda a definir os contornos da subordinação que divisa a relação empregatícia da representação comercial. A subordinação, por sua vez, é elemento de mais difícil aferição no plano concreto desse tipo de relação entre as partes. Ela tipificase pela intensidade,repetição e continuidade de ordens do tomador de serviços com respeito ao obreiro, em direção à forma de prestação dos serviços contratados. Se houver continuidade, repetição e intensidade de ordens do tomador de serviços com relação à maneira pela qual o trabalhador deve desempenhar suas funções, estáse diante da figura trabalhista do vendedor empregado (art.2 e 3, caput, CLT; Lei n. 3.207, de 1957). Inexistindo essa contínua, repetida e intensa ação do tomador sobre o obreiro, ficase diante da figura regulada pela Lei Comercial n. 48.886/65 e Código Civil de 2002. Toda ação que visa burlar a legislação tributária tem uma razão para tal. Via de regra o empregado, elo fraco da relação, tem direitos suprimidos e se vê, involuntariamente coagido a abrir mão das proteções advindas da relação laboral, como FGTS, férias e 13o. salário. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. No caso sub examine, temos que as notas fiscais acostadas aos autos do processo 10640.720695/201391, consubstanciadas na tabela de fls 159 e no autos do processo 10640720.696/201335, fls 222, demonstram que os referidos segurados possuem alta remuneração mensal, com valores que chegam a mais de R$ 58.000,00 (cinquenta e oito mil reais), a demonstrar que a transmudação de empregado a representante se mostrou muito vantajosa a estes, justificando economicamente a alteração do status quo. Não há comprovação de que a recorrente tinha "contínua, repetida e intensa ação" sobre os representantes, assumindo assim que tinham autonomia para atingir as metas estabelecidas, característica da "subordinação mitigada" inerente a essa classe de prestador de serviço. A cláusula 1.5 expressamente admite que o representante poderá intermediar a venda de produtos de empresas diversas, desde que não sejam concorrentes ou similares, afastando a exclusividade na atividade. 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 200, pág. 597 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/201324 Acórdão n.º 2803003.786 S2TE03 Fl. 7 6 Igualmente não vejo censura aos contratos de representação firmados. A lei 4886/65 regula as atividades dos representantes comerciais autônomos. Os contratos firmados não colidem com o que consta na norma, não havendo nada que afaste sua aplicação. Considero também que o fato de a recorrente ser intermediária de plano de saúde para os representantes não importa em reconhecimento de vínculo. Dessa feita, não vislumbro fraude na relação firmada entre os segurados e a recorrente, devendo ser considerada válida a relação de representação comercial entre as partes, não havendo pois fato gerador a ser considerado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725157/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Relatório
Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão:
Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.266,64, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de Valores Indenizatórios de URV, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003.
As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.
Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente.
O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que:
a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória;
b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração;
c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora;
d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB;
e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis;
f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória;
g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento;
h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir-se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção;
i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores;
j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.
A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO.
A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.
Crédito Tributário Mantido
Intimado da decisão de primeira instância, Jose Carlos Rodrigues do Nascimento apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão: Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.266,64, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de Valores Indenizatórios de URV, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir-se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Jose Carlos Rodrigues do Nascimento apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.266,64, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 15 7/ 20 09 -6 8 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/200968 Resolução nº 2201000.173 S2C2T1 Fl. 3 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/200968 Resolução nº 2201000.173 S2C2T1 Fl. 4 3 teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Jose Carlos Rodrigues do Nascimento apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/200968 Resolução nº 2201000.173 S2C2T1 Fl. 5 4 Cuidam os presentes autos de lançamento sobre verbas recebidas acumuladamente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003. Com efeito, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256/2009), determinou aos Conselheiros reproduzir as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil CPC. Transcrevese o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, transcrevemse os arts. 1º e 2º da Portaria CARF n° 01/2012: Art. 1o. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que trata exatamente sobre a forma de cálculo do imposto objeto dos presentes autos, determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do art. 543B do CPC, verbis: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/200968 Resolução nº 2201000.173 S2C2T1 Fl. 6 5 RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei) Ante a todo o exposto, voto no sentido de sobrestar os autos até decisão definitiva do STF. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10730.911199/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
Decisão. Inovação. Supressão de Instancia. Inocorrência
Não se verifica inovação ou supressão de instância em decisão de Turma Julgadora de 1a. Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de provas apresentadas pela recorrente, em atendimento às solicitações da sua unidade de jurisdição, destinadas justamente a comprovar o indébito reclamado.
Numero da decisão: 1801-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Rogério Aparecido Gil que deram provimento em parte ao recurso voluntário e determinaram o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTANCIA. INOCORRÊNCIA Não se verifica inovação ou supressão de instância em decisão de Turma Julgadora de 1a. Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de provas apresentadas pela recorrente, em atendimento às solicitações da sua unidade de jurisdição, destinadas justamente a comprovar o indébito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Rogério Aparecido Gil que deram provimento em parte ao recurso voluntário e determinaram o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 99 /2 00 9- 59 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 12064.170/14 exarado pela Décima Quinta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, efls. 736 a 752 , que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) objetos destes autos. O acórdão restou assim ementado: CSLL. ESTIMATIVA MENSAL CALCULADA COM BASE EM BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR. A comprovação do pagamento a maior da estimativa de CSLL apurada com base em balancete de suspensão/redução exige que o contribuinte apresente o referido balancete, como também o demonstrativo de apuração da base de cálculo da contribuição, relativamente ao período compreendido entre 1° de janeiro, ou o dia de início de atividade, e o último dia do mês a que se referir a estimativa em questão. A mera falta de transcrição do balancete no Livro Diário não invalida este balancete, para efeito de suspensão ou redução da estimativa mensal de CSLL, quando suas informações guardam consonância com a escrituração contábil. Já o demonstrativo de apuração que abrange apenas o mês de competência, sem considerar o período acumulado, reputase imprestável para comprovar o pagamento a maior da estimativa. Ocorre que este processo já havia sido objeto de análise anterior, quando a autoridade a quo havia indeferido o Per/Dcomp emitido pela recorrente por tratarse de repetição de estimativa, entendimento corroborado na primeira decisão prolatada pela Primeira Instância de Julgamento. Por razão do provimento em parte do recurso voluntário então interposto, os autos voltaram à unidade de jurisdição da recorrente para fosse analisado o crédito pleiteado, já que o entendimento deste colegiado (e órgão julgador) é que as estimativas são passíveis de restituição, desde que comprovado que o recolhimento a maior ou indevido deuse por erro1. No Despacho Decisório emitido às efls. 702 a 710 a autoridade a quo, sumariamente, indeferiu o Per/Dcomp da recorrente em razão de que os balancetes de suspensão/redução não haviam sido registrados no Diário. Ao subir os autos a julgamento em Primeira Instância, no votocondutor esta questão foi superada, registrandose no acórdão ora recorrido que a falta de registro dos 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801002.179 S1TE01 Fl. 3 3 balancetes de suspensão/redução no Livro Diário não pode ser razão para que seja desconsiderado, entendimento já adotado por este Conselho, por analogia2. Superada a razão de indeferimento do Per/Dcomp, do Despacho Decisório, a Turma Julgadora, por maioria de votos, decidiu que a recorrente não faz jus ao direito creditório, pois não apresentou documentação hábil a comprovar o alegado erro apresentou somente balancete de suspensão/redução do mês e não do período acumulado, consoante ementa acima transcrita. Em Declaração de Voto, o julgador vencido na votação salientou: "Concordo com o Ilustre Relator que a simples falta de transcrição do balancete no Livro Diário não invalida o mesmo, quando suas informações guardam consonância com a escrituração contábil. No entanto, respeitosamente, divirjo do Ilustre Relator quanto a decidir por considerar imprestável o Demonstrativo de Apuração da CSLL por outras razões não apresentadas no Despacho Decisório, pois entendo que tal situação caracterizaria inovação de motivação, acarretando no cerceamento do direito de defesa. Portanto, meu voto é no sentido de retornar o processo à Unidade prolatora do Despacho Decisório a fim de dar prosseguimento na análise do direito creditório, ainda que haja a possibilidade da autoridade tributária desconsiderar a contabilidade por outros motivos distintos daqueles já apontados por ela." A empresa interpôs tempestivamente3 o Recurso de efls. 757 a 771 , reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que faz jus à repetição do indébito tributário consubstanciado na estimativa de CSLL, referente ao mês de outubro de 2006, pois "... estava amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar bases de cálculo negativas de períodos anteriores sem a limitação de 30% prevista no art. 58 da Lei nº 8.981/1995, e no art. 16 da Lei nº 9.065/1995; QUE, amparada por esta decisão judicial, utilizou todo o montante de bases negativas que possuía, para fins de compensação, tendo o estoque se esgotado em dezembro de 2005; QUE, na falta de bases negativas que pudesse compensar, apurou, a título de estimativa de CSLL, em outubro de 2006, um valor de R$ 357.630,91; QUE em virtude da subseqüente reforma da decisão judicial, viuse obrigada a recalcular os valores das estimativas de CSLL devidas, levando em conta a trava de compensação de 30%; QUE, após efetuar o recálculo, o montante devido a título de estimativa de CSLL, no mês de outubro de 2006, foi reduzido para R$ 250.341,64, valor este devidamente informado na Ficha 16 da DIPJ/2007 (doc. fl. 104) e na própria DCTF (doc. fl. 99); QUE como já havia recolhido a importância de R$ 357.630,91, passou a ter, conseqüentemente, um crédito frente à Fazenda Nacional, no valor de R$ 107.289,27; QUE o art. 74, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, ao enumerar as hipóteses de compensações vedadas, não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE a vedação introduzida pelo art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, não tem nenhum amparo legal; QUE a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, que regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita 2 Súmula CARF nº 93: A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. 3 AR – 24/10/11, efls. 99; Recurso – 23/11/11, efls. 102 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de recolhimentos a maior de estimativas mensais." Aduz que o acórdão recorrido não pode prosperar porque trouxe inovação às razões de indeferimento veiculadas pela autoridade a quo, suprimindo instância de julgamento, e que a unidade de jurisdição não analisou o crédito tributário em nenhum momento processual, consoante determinado no primeiro acórdão prolatado em segunda instância de julgamento. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Entendo que assiste razão à recorrente. Adoto as razões de decidir explanadas no Voto Vencido. Por analogia, invoco o disposto no parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Entendo que houve a inovação na fundamentação legal das razões de indeferimento, e, por conseguinte, flagrante cerceamento de defesa da recorrente (artigo 59, inciso II, do PAF). A Turma Julgadora de Primeira Instância ao adentrar no mérito da questão, sem que a autoridade a quo o fizesse, suprimiu uma instância administrativa de julgamento, procedimento defeso, pois aquela autoridade restringiuse a não admitir os meios de prova exibidos pela recorrente (no caso em concreto, por falta de transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário). Uma vez afastada a razão de indeferimento do pleito da recorrente manifestada pela autoridade a quo, os autos devem retornar para analisarse a contabilidade completa da recorrente, no que concerne a todas as suas alegações, verificarse os valores Fl. 777DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801002.179 S1TE01 Fl. 4 5 informados em DIPJ e DCTF, e verificar se, efetivamente, houve ou não o recolhimento da estimativa de CSLL a maior, consoante a recorrente explicita, ou seja, se o valor devido de estimativa para o mês de outubro de 2006 é, de fato, R$ 250.341,64, em contraposição do valor recolhido, por DARF, da ordem de R$ 357.630,91, o que, em tese, enseja a repetição do indébito tributário no valor de R$ 107.289,27. Voto para dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do direito creditório, em vista das argumentações meritórias da contribuinte. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Voto Vencedor Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. Com o devido respeito ao muito bem fundamentado voto da Ilustre Conselheira Relatora, divirjo de seu entendimento, no presente caso. Como se verifica do relato, a recorrente teve seu pleito de compensação de débitos próprios com direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL do mês de outubro/2006, porque a autoridade administrativa entendeu que pagamentos efetuados a título de estimativa não poderiam ser utilizados como direito creditório, a esse título, em compensações declaradas, e que tais recolhimentos somente poderiam ser aproveitados como dedução ou para compor o saldo negativo porventura apurado no final do período de apuração. Pelo Acórdão n º 1801001.293, de 05/12/2012, esta Turma Especial de Julgamento do CARF decidiu que a compensação de estimativas, a esse mesmo título, seria possível, desde que a recorrente comprovasse, perante a Fazenda Pública, o erro cometido na apuração e/ou recolhimento da estimativa reivindicada como direito creditório nestes autos. Eis o trecho dessa decisão (efls. 158): “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo”. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (destaques acrescidos) Dando cumprimento a essa decisão, o SEORT da DRF em Niterói/RJ, intimou a recorrente para que apresentasse os seguintes elementos, a fim de comprovar o direito creditório que alegava possuir (efls. 176/178): a) Demonstrativo de apuração da CSLL, calculada por estimativa mensal, especificando as contas contábeis em que foram escrituradas as receitas que compuseram a base de cálculo; b) Os balancetes mensais de suspensão/redução; c) O plano geral de contas utilizado para o registro na escrituração contábil; d) Os Livros Diário e Razão; e) Cópia autenticada do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante; e f) Cópia autenticada da procuração conferida por instrumento público ou particular e do documento de identidade do outorgado, na hipótese de mandatário do sujeito passivo Constou, ainda, ao final, a seguinte observação: Considerese o contribuinte INFORMADO que o nãoatendimento à presente intimação poderá ensejar o nãoreconhecimento do direito creditório alegado e a nãohomologação da compensação declarada. A recorrente atendeu a solicitação e apresentou os elementos que entendeu suficientes, assim especificados na resposta anexada à efls. 181/182: Diante do exposto a AMPLA apresenta os documentos solicitados nos itens a), b) e c), em arquivo magnético, CDR anexo (Doc. 03), conforme acordado em contato telefônico. Para o item d) seguem os Livros Diários originais e o Razão em arquivo magnético (Doc. 03), ambos do mês de Outubro de 2006. Quanto aos itens e) e f), a Companhia apresenta as cópias dos documentos autenticados também em anexo (Doc. 01). Os elementos apresentados foram anexados às efls. 190 e ss, e referemse a: Plano Geral de Contas Contábeis (fls. 194/283); Balancete mensal de suspensão/redução de outubro/2006 (fls. 284/317); Demonstrativo com o lucro líquido ajustado pelas adições, exclusões e compensações (fls. 318/319); Livros Diário de n ºs 460, 461, 462 e 463, de onde foram extraídas cópias parciais anexadas às fls. 320/335; e Livro Razão, de onde foram extraídas cópias dos lançamentos contábeis efetuados em contas de resultados, às fls. 336/697. Reforçando. A decisão desta 1a. Turma Especial de Julgamento do CARF determinou que a autoridade administrativa colhesse junto à recorrente as provas do indébito analisandoas, a fim de formar sua convicção sobre a existência e suficiência do direito Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/200959 Acórdão n.º 1801002.179 S1TE01 Fl. 5 7 creditório. Assim agiu a unidade de jurisdição da recorrente. Reuniu os elementos apresentados e sobre eles emitiu seu juízo de valor. Nesse sentido, considerou que o balancete de redução/suspensão apresentado pela recorrente, no qual teria sido apurada a estimativa de CSLL de outubro/2006, não teria validade jurídica como elemento probatório, porque não havia sido transcrito no Livro Diário, formalidade exigida por lei. Eis o trecho daquela decisão: (efls. 706) 13. No caso em exame, constatase, à vista do que consta nas cópias parciais dos Livros Diário de nos 460, 461, 462 e 463 (fls. 320/335), que o sujeito passivo deixou de transcrever o balancete mensal de suspensão/redução do período de apuração de outubro/2006 no Livro Diário. 14. Por conta da inexistência de transcrição no Livro Diário, o balancete mensal de suspensão/redução de fls. 284/316 deve ser desconsiderado, em face do disposto no art. 15, § 3º, da IN SRF nº 93/1997, e a CSLL devida em julho/2006 deverá ser aferida nos termos previstos no art. 2º c/c art. 28, ambos da Lei nº 9.430/1996, ou seja, deverá ser determinada sobre a base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Desconsiderado como elemento de prova, o balancete, aquela autoridade promoveu nova apuração da estimativa, agora com base na receita bruta, como determinado pela legislação de regência, do que resultou uma estimativa de CSLL, em outubro/2006, em valor maior do que aquele pago pela recorrente e reclamado a título de direito creditório. Por tal razão a compensação foi não homologada. Da mesma forma foi a atuação da Turma Julgadora de 1a. instância. Debruçouse sobre as provas apresentadas pela recorrente, valorandoas. Assim, ao analisar o mesmo balancete, superou a formalidade exigida pela unidade de jurisdição. Contudo, ao prosseguir na análise do mesmo elemento, o balancete apresentado, verificou que o problema na prova apresentada não era formal, mas sim material, pois residia na própria forma com que a recorrente havia apurado a estimativa. E, assim, consignou: Com efeito: de acordo com a legislação tributária,o resultado contábil, apurado no balancete correspondente ao período de 01/01/2006 a 31/10/2006, deveria ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações pertinentes, a fim de se determinar a base de cálculo da CSLL relativa ao período de 01/01/2006 a 31/10/2006: ... Não é isto, todavia, o que temos nos autos. O Demonstrativo de Apuração da CSLL apresentado pela Interessada, às fls. 318/319, abrange apenas o mês de outubro, ou seja, o período de 01/10/2006 a 31/10/2006. Tal fato pode ser facilmente comprovado, confrontandose os valores lançados no referido demonstrativo e os saldos das respectivas contas, extraídos do balancete do período de janeiro a outubro. Vejamos, por exemplo, a adição efetuada a título de Provisões Passivas – Prov. Cíveis – Conta nº 2219971000. O valor que aparece lançado no Demonstrativo Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 de Apuração da CSLL, de R$ 1.052.476,71 (fl. 318), corresponde ao saldo do mês de outubro, e não ao saldo acumulado de janeiro a outubro, que é de R$ 109.315.863,59 (fl. 300). O mesmo problema ocorre com as demais rubricas. Em face de tais erros, reputo o demonstrativo de fls. 318/319 imprestável para comprovar o pagamento a maior da estimativa de CSLL de outubro de 2006. Não vejo, assim, qualquer inovação promovida pela Turma Julgadora de 1a. Instância. Aquela autoridade valorou as provas apresentadas pela recorrente, exatamente como havia feito a unidade de jurisdição da recorrente. Nada além disso. A autoridade administrativa de jurisdição da recorrente considerou que o balancete apresentado não tinha validade jurídica formal como prova. A Turma Julgadora de 1a. Instância superou a falta de validade formal atribuída pela autoridade administrativa, mas considerou que o balancete, como meio de prova, não tinha validade material. Tudo se deu no âmbito de valoração de provas. Entendo, assim, que não houve qualquer inovação ou supressão de instância na decisão proferida pela Turma Julgadora de 1a. Instância. Como a recorrente não comprovou o erro na apuração da estimativa de CSLL apurada com base em balancete de redução e/ou suspensão, e, assim, não fez prova do indébito que alega possuir, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10882.001560/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE SALÁRIO. NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO. UTILIDADE.
O Seguro de Vida em Grupo não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária, por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido a Parecer da PGFN sobre o seguro de vida em grupo, nos termo do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE SALÁRIO. NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO. UTILIDADE. O Seguro de Vida em Grupo não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária, por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido a Parecer da PGFN sobre o seguro de vida em grupo, nos termo do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 60 /2 01 0- 37 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 398 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ABB LTDA., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa e manteve o lançamento em sua integralidade. 2. A fiscalização lavrou o Auto de Infração Debcad nº 37.198.3240 para lançamento dos créditos referentes às contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre os valores relativos ao seguro de vida em grupo, considerados como fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. O relatório fiscal (fls. 116/130), descrevendo as razões de constituição do crédito tributário, consigna que, in verbis: “8. SEGURO DE VIDA EM GRUPO 8.1. O prêmio de seguro de vida em grupo efetivamente pago pela pessoa jurídica, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível totalidade de seus empregados e dirigentes, observado, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT, não integra a Base de Cálculo da Contribuição Previdenciária, conforme disposto no inciso XXV do art. 72 da IN MPS/SRP 3/2005, vigente à época. 8.2. Conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal 001, item 2.8.1 acima, a empresa apresentou copia da Convenção Coletiva de Trabalho celebrado entre o sindicato patronal e os sindicatos dos trabalhadores da região da qual pertencem as filiais localizadas em Candeias, Polo Petroquímico de Camaçari e Ford Camaçari/Bahia. Anexamos a copia da Convenção Coletiva a este processo. 8.3. Nesta Convenção Coletiva não está previsto o fornecimento de Seguro de Vida em Grupo aos trabalhadores das empresas conveniadas. 8.4. Em razão do fornecimento do Seguro de Vida em Grupo sem a correspondente previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, o prêmio de Seguro de Vida em Grupo referente a estas filiais foi considerado Fato Gerador de Contribuições Previdenciárias. (...). 10.3. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, a empresa apresentou o Livro Razão da Conta 412490006 – Benefícios Sociais – Seguro de Vida. Nesta conta são contabilizadas as despesas de Seguro de Vida em Grupo de toda a empresa. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 399 3 10.4. Conforme item 2.8.5 acima, a empresa apresentou o arquivo MANAD contendo as informações de folha de pagamento e contabilidade. 10.5. Com base na informação de Centros de Custo, isolamos as despesas de Seguro de Vida lançadas na conta contábil 412400006 referentes às filiais 37 (Pólo Petroquimico Camaçari), 60 (Candeias) e 62 (Ford Camaçari). 10.6. Contudo, parte da despesa de Seguro de Vida em Grupo é arcada pelos funcionários, por meio de desconto em folha de pagamento, na rubrica (evento) D019 – Seguro de Vida em Grupo. 10.7. As despesas de Seguro de Vida em Grupo e os descontos dos funcionários na rubrica D019 (Cota dos Funcionários) foram sumarizadas e tabuladas, e estão relacionadas na Tabela 10 – Seguro de Vida. 10.8. A diferença entre o total da despesa de Seguro de Vida em Grupo assumida pela empresa e a cota parte dos funcionários foi considerada como Base de Cálculo para o lançamento do presente AUTO DE INFRAÇÃO.” 4. A contribuinte tomou ciência da autuação em 28/05/2010, e apresentou impugnação de fls. 236/ 251. No entanto, a DRJ de Campinas (SP) não acolheu a pretensão da contribuinte em acórdão lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O prêmio de seguro de vida em grupo apenas não integra o saláriodecontribuição se previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, julgar a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 5. Após a prolação do acórdão julgando improcedente a impugnação apresentada, sobreveio o Acórdão nº. 0538.465 (fls. 342/343), no qual a DRJ de Campinas (SP), corrigindo erro material constante do acórdão anteriormente prolatado, retifica a informação do número do DEBCAD na intimação. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 400 4 6. Cientificada da decisão em 21/08/2012 (fls. 347), pelo decurso de prazo de 15 dias, a contar da disponibilização dos documentos em caixa postal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 350/378), no qual aduz, em síntese que: a) apresentou à fiscalização cópia da Convenção Coletiva de Trabalho celebrado entre o sindicado patronal e os sindicatos dos trabalhadores da região da qual pertencem as filias de Candeias, Pelo Petroquímico de Camaçari e Ford Camaçari/Bahia, no qual não estava previsto o fornecimento de Seguro de Vida em Grupo aos trabalhadores das empresas conveniadas; b) a autoridade fiscalizadora equivocouse ao restringir o conceito de remuneração e, consequentemente, o de salário de contribuição apenas ao que estabelece o direito previdenciário, olvidando a conceituação prevista na legislação trabalhista; c) o seguro de vida em grupo não pode ser considerado salário para fins de incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que, de acordo com o art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), tal verba não se caracteriza como contraprestação pelo serviço prestado (não há caráter retributivo da prestação), sendo considerada utilidade concedida pelo empregador ao empregado; d) os entendimentos jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) são no sentido de que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor de um grupo de empregados, sem que haja individualização do montante que beneficia a cada um deles, não se inclui no conceito de salário, o que afasta a incidência das contribuições previdenciárias sobre a verba; e) o seguro de vida, in casu, é pago pelo empregador a todos os empregados, de forma geral, não podendo, dessa forma, ser considerado como espécie de benefício ao empregado, eis que este não terá nenhum benefício direito ou indireto, já que é estendido a todos como uma espécie de garantia familiar na hipótese de falecimento; e f) não merece prosperar o argumento de que o seguro de vida em grupo deva estar previsto em Convenção Coletiva para afastar a incidência das contribuições previdenciárias, tendo em vista que tal exigência não encontra respaldo legal, mas apenas no artigo 72, inciso XXV, da Instrução Normativa MPS/SRP nº. 03/2005, o que há óbice jurídico em virtude do princípio tributário da legalidade estrita. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 401 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO 2. O Auto de Infração Debcad nº 37.198.3240 foi lavrado para lançamento dos créditos referentes às contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre os valores relativos ao seguro de vida em grupo, considerados como fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. A decisão recorrida, por sua vez, foi categórica ao estabelecer que “não merece reparo o lançamento das contribuições contidas no presente auto de infração, a título de prêmio de seguro de vida em grupo, sem previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho.” (fls. 339 – penúltimo parágrafo). 4. Sobre a questão, entendo que a tese da autoridade administrativa não merece prosperar, conforme se passa a demonstrar. Isso porque, no meu sentir, para os efeitos de recolhimento das contribuições sociais, a utilidade em questão não integra o salário de contribuição. 5. Importante ressaltar que a norma celetista expressamente excluiu da definição legal de remuneração a parcela referente ao segurosaúde e ao seguro de vida e de acidentes pessoais, inclusive sem o requisito de que a utilidade fosse oferecida à totalidade dos empregados. Senão vejamos: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde V seguros de vida e de acidentes pessoais;” Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 402 6 6. Evidentemente que, em atendimento ao princípio da especificidade das normas, a lei trabalhista deve ser considerada sempre com muita cautela para que não invada a esfera do ordenamento legal previdenciário, notadamente no que se refere à cobrança de contribuições sociais. 7. Ocorre que o conceito jurídico de salário não é originário do direito previdenciário, mas sim do direito trabalhista. Assim é que, para a exata definição de salário contribuição, foi que o art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91 utilizou a expressão “remuneração”, termo técnico advindo do direito do trabalho. 8. Nesse sentido, transcrevese ementa do Acórdão da lavra da Juíza Tânia Terezinha Cardozo Escobar, do TRT da 4ª Região, que deu correto tratamento à questão: “GRATIFICAÇÃO NÃO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, DA LEI Nº 8.212/91. 1. Para definir o saláriodecontribuição, o art. 28, I, da Lei n.º 8.212/91, utiliza a expressão ‘remuneração’. Tratase de termo técnico próprio do Direito do Trabalho. Portanto, devemos entendêlo tal como formulado no campo desta ciência. E neste campo, remuneração é a soma das parcelas de natureza salarial com as gorjetas recebidas pelo empregado, conforme arts. 457 e 458 da CLT. Se a gratificação eventual paga pela empregadora aos seus empregados não é salário, também não é remuneração. Logo, não há incidência de contribuições previdenciárias. (..) (AC 9504540686/PR).” 9. É dizer: para a incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a título de utilidade devese levar em conta o conceito construído pelo direito privado, por força do disposto no art. 110, do CTN. Este dispositivo traz uma relevante regra de conduta tributária ao dispor que “A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. 10. A rigorosa discriminação de campos materiais para o exercício da atividade tributária, tendo estatura constitucional, por si só, já determina essa inalterabilidade, de maneira que, a definição de cada instituto utilizada pela Carta Magna não pode ser manipulada pelo fiscal tão somente no afã de ampliar o campo de incidência tributária. 11. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou pela não incidência da contribuição sobre os valores do seguro de vida em grupo pago pelo empregador para todos os empregados, uma vez que não pode ser considerado como espécie de benefício ao empregado, já que o empregado nada usufrui pelo seguro de vida em grupo, o que descarta a possibilidade de considerarse o valor pago, se generalizado para todos os empregados, como sendo salárioutilidade (v.g. REsp 441096/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ 04/10/2004, p. 231; REsp 677751/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 21/11/2005, p. 137, REPDJ 10/04/2006, p. 135). 12. Para reforçar a tese, citase trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, relatora do REsp 695724/RS (DJ 16/05/2006, p. 205): Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 403 7 “Temse entendido que a incidência da contribuição previdenciária está afeta às parcelas que se constituem em salário, seja pago de forma direta ou de forma indireta, de tal modo que a liberalidade patronal, se em caráter habitual passa a integrar o salário e, como tal, a servir de base de cálculo para efeito de incidência da exação de que se cuida. Na hipótese, estamos a tratar especificamente do que é pago pelo empregador a título de seguro de vida em grupo, sendo certo que a partir da Lei 9.528, de 10∕12∕97, não se tem dúvida, porque prevista a exclusão de forma expressa no art. 28, § 9º, letra "p" da Lei 8.212∕91, o qual enuncia o expurgo da base de cálculo do que for pago a título de programa de previdência complementar. (...) Dentro de uma interpretação teleológica, à vista da previsão legislativa que antecedeu a reforma da Lei 8.212∕91, temos que o seguro de vida em grupo pago pelo empregador para todos os empregados, de forma geral, não pode ser considerado como espécie de benefício ao empregado, o qual não terá nenhum benefício direto ou indireto, eis que estendido a todos uma espécie de garantia familiar, em caso de falecimento. Se de seguro individual se tratasse, não haveria dúvida quanto à incidência, o que, entretanto, não ocorre em relação ao seguro de vida em grupo.” 13. O seguro de vida em grupo não está previsto na Lei nº. 8.212/91 como verba tributável, estando previsto apenas indiretamente no Decreto nº. 3.048/1999 (art. 214, §9º, inc. XXV), o que não é suficiente para se confirmar a exação. 14. Notese que, em linha com o entendimento de que o seguro de vida em grupo, no caso, não está sujeito à incidência da contribuição social previdenciária, vejase a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, exarada no Parecer PGFN/CRJ/n° 2119/2011, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, onde reconheceu a inexigibilidade da referida cobrança, em cuja ementa do referido parecer assim se expressou: “Contribuição Previdenciária. Seguro de Vida em Grupo. O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba.(Grifei). Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda.” 15. Sobre o tema diferente não é o entendimento do CARF que tem se posicionado em uníssono com o Superior Tribunal de Justiça, verbis: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/201037 Acórdão n.º 2301004.210 S2C3T1 Fl. 404 8 “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO INCIDÃSNCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIARIA. O Seguro de Vida em Grupo não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido” (Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária; Acórdão nº 20600747 do Processo 35138000064200714. Conselheiro Rogerio de Lellis Pinto, Relator designado. Data 10/04/2008).” 16. Frisase, porque importante, que o empregado nada usufrui pelo seguro de vida, o que descarta então a possibilidade de considerarse o valor pago como sendo salário utilidade para efeitos de cobrança de contribuições previdenciárias. 17. Enfim, cobrar contribuições sociais sobre esses benefícios é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade no bem estar e segurança dos trabalhadores, para que os familiares não passem dificuldades em caso de falecimento do mantenedor da família. 18. Dessa forma, entendo que o lançamento não merece prosperar, tendo em vista que não devem incidir contribuições previdenciárias sobre o seguro de vida em grupo. CONCLUSÃO 19. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, por entender que o seguro de vida não integra o salário de contribuição. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 10830.917778/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 78 /2 01 1- 00 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917778/201100 Acórdão n.º 3801004.424 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917778/201100, contra o acórdão nº 0948.356, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917778/201100 Acórdão n.º 3801004.424 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917778/201100 Acórdão n.º 3801004.424 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10880.920520/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/02/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 20 /2 00 9- 72 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920520/200972 Acórdão n.º 3803006.317 S3TE03 Fl. 197 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 05/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 17 de maio de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 14 de junho de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920520/200972 Acórdão n.º 3803006.317 S3TE03 Fl. 198 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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