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5735508 #
Numero do processo: 16007.000198/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MAO-DE-OBRA. A pessoa jurídica que presta serviços de cessão/locação de mão-de-obra, não pode optar pelo Simples Federal, por determinação legal, portanto, cabe sua exclusão. EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. Dar-se-á exclusão de oficio quando a pessoa jurídica tiver sido constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. Recurso desprovido.
Numero da decisão: 1401-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 3          2 Assinado digitalmente  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    Assinado digitalmente  Maurício Pereira Faro – Relator     Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Jorge  Celso  Freire  da  Silva,  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos,  Sergio Luiz Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro.      Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  pelo  contribuinte  contra  acórdão  que  julgou  procedente  em parte  o  auto  de  infração.  Por  bem  resumir  a  questão  ora  examinada,  adoto  o  relatório do órgão julgador a quo:    Trata o processo, de exclusão da contribuinte acima identificada  do  Sistema  Integrado  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES  (Federal),  a  partir  de  01/01/2005,  conforme  Ato  Declaratório  Executivo  (ADE) DRF/ São José do Rio Preto/SP, n° 018/2010  (fl. 195), e Despacho Decisório/Sacat no 094/2010 (fls. 193/194),  tendo em vista o exercício de atividade vedada e a constituição  da  pessoa  jurídica  com  interposição  de  pessoa,  conforme  o  disposto na Lei n° 9.317, de 1996, art. 90, XII,f, e art. 14, IV.  Além  disso,  trata  de  exclusão  da  contribuinte  do  Simples  Nacional,  a  partir  de  01/01/2008,  conforme  Ato  Declaratório  Executivo  (ADE) DRF/ São José do Rio Preto/SP, n° 019/2010  (fl. 198), e despacho decisório n° 095/2010 (fls. 196/197), tendo  em  vista  o  exercício  de  atividade  vedada  e  a  constituição  da  pessoa jurídica com interposição de pessoa conforme o disposto  na Lei Complementar n° 123, arts. 17, XII e 29, IV.  De  acordo  com  os  referidos  despachos,  embora  conste  da  Declaração  de  Firma  Individual  a  atividade  econômica  "transporte  rodoviário  de  cargas  em  geral,  intermunicipal,  interestadual e internacional", a contribuinte realiza "prestação  de  serviços  com  cessão/locação  de  mão­de­obra",  conforme  definido no art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada  pela  Lei  n°  9.711,  de  1998,  atividade  considerada  impeditiva  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 4          3 para  a  opção  pelo  sistemas  simplificados  de  tributação.  Além  disso,  segundo  informado nos  respectivos despachos,  teria  sido  constituída a pessoa jurídica por interpostas pessoas — que não  são  os  verdadeiros  sócios  ou  acionista,  ou  titular  de  firma  individual.  Ciente dos ADE(s) e dos despachos decisórios em 01/03/2010, a  contribuinte ingressou em 30/03/2010 com a impugnação de fls.  207/226, na qual refuta as exclusões, apresentando, em suma, os  seguintes argumentos:  Atividade da empresa  A exclusão da empresa do Simples Nacional não pode prosperar,  constituindo­se em excesso de rigorismo por parte do Fisco, na  medida  em  que  não  se  levou  em  consideração  que  a  atividade  exercida  pela  recorrente  é  caracterizadamente,  de  fato,  "a  prestação  de  serviço  de  transporte."  Em  momento  algum  praticou  irregularidades que  lhe  foram  imputadas  como consta  do relatório fiscal. Logo, a acusação fiscal apresenta inequívoco  erro de formação, razão pela qual, os atos declaratórios de n's.  18 e 19 podem e devem ser anulados.  A  empresa  celebrou  contrato  de  prestação  de  serviços  de  transporte  de  açúcar  e  outros  serviços  internos,  mediante  utilização de  tratores,  com a  empresa Açúcar Guarani S/A, em  03/05/2005 (fls. 15/21). Esse contrato foi aditado em 04/05/2008  (fl. 22/23) ressaltando no item 7.6 do referido documento que a  contratada  deve  disponibilizar  11  (onze)  tratores  para  a  prestação dos serviços contratados enquanto que o item 5.4 reza  que o contrato versa sobre serviço de transporte certo, também,  que  para  fazer  face  à  sua  finalidade  social,  a  requerente  celebrou contrato de comodato com a empresa S.R. Transportes  e  Serviços Automotivos Ltda  (fls.  24/27), motivo  pelo  qual  esta  cedeu 11(onze) unidades a titulo de comodato).  Não  obstante  a  cláusula  1.1  noticie  que  além  dos  serviços  de  transporte  de  açúcar  da  fábrica  para  os  depósitos,  caberia  à  recorrente os serviços de limpeza do pátio de cana, roçagem de  grama dentro do pátio na área industrial e manuseio de bags, o  fato  é  que  a  mesma  cláusula  destaca  que  referidos  serviços  seriam executados mediante a utilização de 07(sete)  tratores na  unidade industrial de Olímpia e 04(quatro) na unidade industrial  de Severinea.  É  preciso  sublinhar,  que  em  momento  algum  executou  os  serviços adicionais constantes da referida cláusula, limitando­se  tão somente ao serviço de transporte.  Repise­se, a recorrente somente prestou serviço de transporte de  açúcar, entulhos, lixo, resíduos, etc..      Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 5          4 Nessa  linha  de  equivoco  e  contradição  a  empresa  Açúcar  Guarani  sugeriu  que  nas notas  fiscais  emitidas  pela  recorrente  constasse  a  expressão  "locação  de  mão­de­obra"  que  na  realidade  não  espelha  a  verdade  dos  fatos,  induzindo  a  recorrente  a  erro material,  pois,  nunca  prestou  qualquer  outro  tipo de serviço que não fosse o de transporte.  Para comprovar esse fato incontestável, observe­se que todos os  funcionários constantes de  seu quadro de pessoal e  informados  na GFIP  (docs. 39/80),  foram contratados para operar os onze  (11) tratores nos turnos, todos qualificados nas suas respectivas  funções  de  tratoristas  e  motoristas.  Tanto  é  que  a  própria  contratante Açúcar Guarani, reconheceu o equivoco consignado  nos documentos  fiscais  em  relação à  locação de mão obra que  firmou declarações não deixando dúvida que o serviço prestado  pela  recorrente  era  único  e  exclusivamente  de  transporte  e  remoção mediante utilização de tratores.  Com clareza foi declarado que não obstante o objeto do contrato  firmado com a empresa R.S. Rocha Transportes —Me, em 3 de  maio  de  2005,  indique  de  modo  genérico  a  "prestação  de  Serviços de transportes", pela Contratada à Contratante, de fato  "a Contratada concorria apenas e tão somente com os tratores  MF 265, bem como com seus  respectivos  condutores,  os quais,  eram seus empregados.  Todos  os  serviços  relacionados  com  a  carga  e  descarga  de  mercadorias  e  materiais  eram  realizados  por  empregados  da  Contratante.  Da  mesma  forma,  as  carretas  e  equipamentos  de  apoio  utilizados  no  Parque  Industrial  para  o  transporte  de  materiais pertenciam à contratante. Assim a expressão "locação  de mão­de­obra" foi empregada de forma equivocada.  Tendo em vista que a  recorrente não realizou locação de mão­ de­obra, não é caso de aplicação do disposto no art. 9°, XII,f da  Lei n°9.317, de 1996.  Interposição de sócio na pessoa jurídica  Não houve qualquer simulação ou desejo de fraude, mas se isso  tivesse  ocorrido,  o Fisco  estaria  impedido  de  qualquer medida  coativa, repressiva ou fiscal. Com efeito, é preciso sublinhar que  a  recorrente  foi  constituída  em  22  de  outubro  de  2004  (fl.6),  enquanto os atos declaratórios. executivos de n°s. 018 e 019 (fls.  195 e 198), foram expedidos em data de 10 de fevereiro de 2010  e a recorrente tomou ciência das acusações que pesam contra si  em  01  de  março  de  2010.  Assim,  entre  a  constituição  e  a  expedição do ato declaratório, acrescida da data da ciência da  recorrente, decorreram mais de 5(cinco) anos, operando contra  o Fisco, o instituto da prescrição.        Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 6          5 O  art.  3°  da  Emenda  Constitucional  (EC)  n°  42,  de  19  de  dezembro  de  2003,  deu  nova  redação  ao  artigo  94  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias,  conferiu  tratamento  diferenciado  e  favorecido  para  as  microempresas  e  para  as  empresas  de  pequeno  porte,  inclusive  regimes  especiais  simplificados  no  caso  do  imposto  previsto  no  art.  155,  II,  das  contribuições previstas no art. 195, I e 12 e 13, e da contribuição  a que se refere o art. 239.  No caso específico das empresas de transportes de cargas, estas  passaram a  ter  o  beneficio  da  tributação  com base  no  Simples  Nacional a partir de 1° de março de 2008, por  força da LC n°  127,  de  agosto  de  2007,  cujo  artigo  1°  deu  nova  redação  ao  artigo 18 da LC n° 123, de 2006. Assim não resta dúvida que a  partir  de  01/01/2008,  a  atividade  de  transporte  de  cargas  intermunicipal  e  interestadual  passou  a  integrar  o  rol  das  atividades  que permitem a  tributação  instituída  para  o  Simples  Nacional.  Em  vez  de  excesso  de  rigorismo  e  prepotência,  houvesse  o  representante  do  Fisco  contemplado  a  requerente  com  o  tratamento diferenciado de que fala a LC n° 42, certamente teria  observado que o quadro de pessoal da recorrente, constituído de  motoristas e tratoristas habilitados não são os adequados para a  prestação  de  serviços  de  locação de mão­de­obra,  e mais,  eles  não concordariam e se prestariam a esse trabalho. Segundo a 2'  Turma  do  Superior  Tributal  de  Justiça,  ao  julgar  Recurso  Especial  decidiu:  "há de  haver  cautela  na  interpretação da  letra da lei, para que não ocorra um exacerbado rigorismo  interpretativo que  afaste  o  hermeneuta  do melhor  processo  de  compreensão da vontade real do legislador aplicação, no caso, o  disposto no art. 2° da Lei n°9.784, de 28 de janeiro de 1.999.  A recorrente preenche todos os requisitos contidos na legislação  para que a acusação  seja  relevada, principalmente porque não  houve  prejuízo  ao  Fisco,  nem  houve  intenção  de  fraudá­lo.  Ressalta que a ocorrência de fraude não se presume, prova­se. A  boa  fé,  esta  sim,  presume­se,  mas  a  má  fé,  prova­se.  Assim  a  medida  impositiva  de  exclusão  da  recorrente  do  Simples  Nacional, seria ilegal.  Embora não seja o objeto dessa manifestação o fato é que, o que  ensejou  a  expedição  dos  atos  declaratórios  n's  18  e  19  foi  o  pedido  de  ressarcimento  da  contribuição  ao  INSS,  descontadas  nas  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  de  transporte.  Ao  postular pela restituição de contribuição à qual não esta sujeito,  pois  foi  descontada  ilegalmente,  a  recorrente  acabou  sendo  duplamente  penalizada,  pois  foi  acusada  de  exercer  atividade  vedada pela legislação para ingresso no sistema simplificado de  tributação, sendo excluída do Simples.  O ato administrativo­fiscal sem motivação adequada e pertinente  é  ato  administrativo  nulo,  ineficaz,  porque  sendo  sempre  vinculado  e  regrado  deve  ficar  sempre  de  acordo  com  as  previsões legais pertinentes.  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 7          6 Diante de ,tamanha evidência e de provas tão robustas à luz de  uma  análise  correta  é  de  se  concluir  que  a  exclusão  da  recorrente do regime do Simples Nacional não pode prosperar.  Finalmente  solicita  que  o  inteiro  teor  da  decisão  singular  seja  comunicada  ao  patrono  da  requerente,  como  corolário  do  seu  direito  de  petição  (CF/88,  art.  5°  X)OIV,  a)  e  que  lhe  seja  assegurado a  produção  de  todos  os meios  de  prova  em direito  admitidos, sem exceção de nenhum,  inclusive, juntada de novos  documentos.  Analisando  a  questão,  entendeu  o  órgão  julgador  a  quo  por  julgar  improcedente o requerimento do contribuinte, em textual:  ASSUNTO: SISTEMA  INTEGRADO DE PAGAMENTO DE  IMPOSTOS  E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO  PORTE – SIMPLES Ano­calendário: 2005  EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE  MAO­DE­OBRA.  A pessoa jurídica que presta serviços de cessão/locação de mão­de­obra, não  pode optar pelo Simples Federal, por determinação legal, portanto, cabe sua  exclusão.  EXCLUSÃO.  CONSTITUIÇÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA  POR  INTERPOSTAS PESSOAS.  Dar­se­á  exclusão  de  oficio  quando  a  pessoa  jurídica  tiver  sido  constituída  por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou  o titular, no caso de firma individual.  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2007  EXCLUSÃO.  ATIVIDADE  VEDADA.  LOCAÇÃO  E/OU  CESSÃO  DE  MAO­DE­OBRA.  A  pessoa  jurídica  que  exerce  atividades  que  envolvem  locação/cessão  de  mão­de­obra,  por  vedação  contida  em  lei,  não  pode  optar  pelo  Simples  Nacional, devendo ser excluída do sistema.  EXCLUSÃO.  CONSTITUIÇÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA  POR  INTERPOSTAS PESSOAS.  Dar­se­á  exclusão  de  oficio  quando  a  pessoa  jurídica  tiver  sido  constituída  por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiro sócios ou acionistas, ou  o titular, no caso de firma individual.  INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO.  Feita  a  eleição  pelo  sujeito  passivo  do  domicilio  tributário,  não  se  admite  domicilio especial no processo administrativo.  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 8          7 0 protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da  impugnação e ela só é possível em casos especificados na lei.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio  Irresignado,  interpôs  o  contribuinte  o  recurso  ora  analisado  reiterando  os  argumentos apresentados.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro  Verifica­se  do  contrato  firmado  entre  a  manifestante  e  a  empresa  Açúcar  Guarani S/A (fls. 15/21):  a) Na  cláusula  primeira,  o  objeto  do  contrato  é  a  prestação  de  serviços  de  transportes de açúcar da fábrica para os depósitos, limpeza do pátio de cana, roçagem de grama  dentro  do  pátio  na  área  industrial  estabelecida  no  município  de  Olímpia —Sp  e  4  (quatro)  tratores MF256 para utilização na unidade industrial estabelecida no município de Severinia­ SP, todos conforme a necessidade da contratante;  b) Na cláusula terceira, consta que pelos serviços contratados e efetivamente  prestados a contratante pagará à contratada, a importância mensal de R$ 11.806,86, por trator  efetivamente  disponibilizado  pelo  período  de  24  horas  por  dia.  Do  valor  indicado,  a  importância mensal de R$ 4.722,74, corresponde aos custos com a mão­de­obra utilizada e R$  7.084,12, correspondem aos custos com equipamentos empregados na prestação dos serviços  objeto deste contrato.  c) Consta da cláusula quarta, no item 4.1, que a contratada deverá fornecer e  manter em operação os tratores de sua propriedade bem como os seus respectivos operadores,  necessários para a perfeita execução dos serviços ora contratados nos prazos de atendimentos  solicitados  pela  contratante,  durante  24  (vinte  e  quatro  )  horas  por  dia.  No  item  4.13,  a  contratada  se  obriga  a  atender  aos  chamados  da  contratante  para  execução  dos  serviços  descritos na cláusula primeira no prazo máximo de 24 horas a partir da chamada, que poderá  ser feita através de telefones, e­mail, fax etc.;  d)  A  cláusula  7.3  determina  que  a  contratada  obriga­se  a  obedecer,  rigorosamente, os itinerários e os horários determinados pela contratante, arcando com o ônus  decorrente da falta de cumprimento destes.  e) Na  cláusula  7.5  consta  que  a  contratante,  mediante  prévia  comunicação  poderá efetuar vistorias nos  tratores utilizados na execução do objeto do presente contrato, a  fim de certificar­se das condições mecânicas e de segurança dos mesmos, emitindo  laudo no  qual,  quando  necessário,  requisitará  os  repares  e  ou  substituição  de  peças  que  deverá  ser  prontamente atendido pela contratada.  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 9          8 Conforme  se  verifica  as  fls.  30/37,  a  contribuinte  emitiu  notas  fiscais  que  discriminam locação de tratores e  locação de mão­de­obra, com retenção da contribuição de  11% devida ao INSS.  Ressalte­se, ainda, que os serviços prestados foram efetuados com segurados  empregados admitidos na prestadora para exercer a função de  tratoristas, o que se confirma  nos livros "Registro de Empregados" (fls.118/140). Esses empregados que ficaram a disposição  da  contratante  24  (vinte  e quatro)  horas  por  dia,  de  acordo  com a  cláusula  quarta,  item 4.1,  também  foram  informados  em  GFIP­Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  Previdência  Social  (fls.  39/60),  como  trabalhadores  da  mecanização  agrícola,  conforme  consulta de vinculo empregatício dos trabalhadores ( fls. 81/117).  Assim,  constatado  que  os  empregados  foram  admitidos  na  prestadora  para  exercer  a  função  de  tratoristas,  trabalhadores  da  mecanização  agrícola;  os  serviços  foram  efetuados  nas  dependências  da  contratante  ficando  A  disposição  da  contratante  24  (vinte  e  quatro)  horas  por  dia;  as  importâncias  pagas  A  contratada  foram  apuradas  de  acordo  com  fatores  mencionados  no  item  3.3  do  contrato  aditivo,  anexo  As  fls.  15  a  23,  o  que  descaracteriza empreitada por não ser a empresa remunerada pelos serviços prestados como um  todo;  os  serviços  são  executados  nas  dependências  determinadas  pela  contratante;  os  trabalhadores  recebem  determinações  e  fiscalização  por  ordem  da  tomadora,  ficando  a  disposição desta e fornecendo empregados utilizados na execução dos serviços contratados é de  se considerar que a contribuinte preenche os  requisitos que caracterizam a  locação/cessão de  mão­de­obra, conforme definido no art. 31 da Lei n°8.212, de 1991.  Como visto, embora a contribuinte alegue que somente realizou serviços de  transporte,  as  provas  contidas  nos  autos  revelam  que  o  os  serviços  contratados  foram  efetivamente cessão/locação de mão­de­obra.  Portanto,  observada  a  legislação  que  rege  a matéria,  tendo  em  vista  que  a  contribuinte estava impedida de optar e, portanto, de manter­se no sistema simplificado não há  como permitir sua permanência no Simples Federal, tampouco no Simples Nacional.  Constituição  da  pessoa  jurídica  com  interposta  pessoa,  não  com  o  verdadeiro sócio.  Além de  impedida de  ingressar nos  sistemas de  tributação simplificada,  em  face da realização de locação de mão­de­obra, a empresa incorreu, também, em outra hipótese  de vedação de ingresso, que é a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que  não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual.  Conforme  se  constata  dos  autos  As  fls.  28/29,  a  empresa  excluída,  representada pela  titular Roberta Secchieri Rocha  (CPF 225.689.348­09) constitui como seus  procuradores,  Roberto  Aparecido  Rocha  (CPF  828.384.538­15),  pai  da  titular  da  firma  outorgante, e Edwanil de Oliveira (CPF 072.154.708­73), aos quais conferiu amplos poderes  gerais  e  ilimitados para o  fim especial  de gerirem e administrarem a  firma outorgante,  etc.  O  Sr.  Roberto  Rocha  é  sócio  administrador  da  empresa  RS  Serviços  Automotivos  Ltda.  e  sócio  de  Edwanil  de  Oliveira  na  empresa  Seveterra­Terraplanagem  e  Transportes Ltda.  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 10          9 A empresa SR Transportes e Serviços Automotivos Ltda,  tendo como sócio  administrador o Sr. Roberto aparecido Rocha, firmou Contrato de Comodato (fls. 24/27) com a  empresa  prestadora de  serviços,  emprestando para  seu  uso  tratores  e  equipamentos,  os  quais  foram  locados  para  a  empresa  tomadora  dos  serviços  Açúcar  Guarani  S/A,  infringindo  a  cláusula quarta desse contrato, a qual veda cessão A terceiros.  Embora cada uma das  empresa possua personalidade  jurídica própria,  estão  sob  a  direção,  administração  e  controle  das  mesmas  pessoas  :  Roberto  Aparecido  Rocha  e  Edwanil  de  Oliveira,  caracterizando  assim  a  constituição  de  pessoa  jurídica  por  interpostas  pessoas que não são os verdadeiros sócios, no caso, de firma individual. Esse fato, como visto,  também impede a empresa de manter­se nos sistemas simplificados.  Ressalte­se  que  embora  a  contribuinte  tenha  em  sua manifestação  citado  a  interposição de pessoa na constituição da pessoa jurídica, não apresentou argumentos e provas  contrários aos fatos apontados pela Fiscalização.  Sobre  a  alegada  prescrição,  em  face  de  o  prazo  entre  a  constituição  e  a  expedição do ato declaratório, acrescida da data da ciência da recorrente, ter decorrido mais de  5(cinco) anos, cabe citar o contido na IN SRF n° 608, de 2006, que dispõem nos artigos 20 a  24:  Das vedações à opção  Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica:  XI­ que realize operações relativas a:  e)  prestação  de  serviço  de  vigilância,  limpeza,  conservação  e  locação de mão­deobra;  Art. 21. A exclusão do Simples será feita mediante comunicação  da pessoa jurídica ou de oficio.  Exclusão por comunicação  Art.  22.  A  exclusão  mediante  comunicação  da  pessoa  jurídica  dar­se­6:  I ­ por opção;  II ­ obrigatoriamente, quando:  a)  incorrer  em  qualquer  das  situações  excludentes  constantes  do art. 20;  (..)  Exclusão de oficio  Art. 23. A exclusão dar­se­6 de oficio quando a pessoa jurídica  incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses:  IV ­ constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que  não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no  caso de firma individual; (...)  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16007.000198/2009­48  Acórdão n.º 1401­001.090  S1­C4T1  Fl. 11          10 Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que  tratam os  arts. 22 e 23 surtirá efeito:  II  ­  a  partir  do mês  subseqüente  àquele  em  que  incorrida  a  situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III  a XVIII do art.20;  Como  visto,  desde  a  constituição  da  contribuinte  ocorreu  hipótese  de  vedação. Portanto,  em obediência  ao  disposto  na  norma,  deve  ser  excluída  a  partir  do mês  subseqüente Aquele em que  incorrida  a  situação excludente, ainda que passado o prazo de  cinco anos da opção. O que deve ser  respeitado, no caso, é o prazo decadencial previsto no  CTN, com relação aos tributos devidos com base no regime de tributação, ao qual deveria se  submeter.  Todavia,  este  processo  não  trata  de  lançamento  de  oficio  e,  portanto,  não  cabe  suscitar sobre tal prazo.  Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário.    Maurício Pereira Faro ­ Relator                                  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO

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Numero do processo: 10508.000249/2007-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 AUDITORIA DA DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGENCIA DE MULTA DE MORA ISOLADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRENCIA. Configura-se Denúncia Espontânea o recolhimento em atraso de tributos antes de qualquer procedimento de oficio, bem assim antes da apresentação da DCTF, sendo descabida a exigência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN e entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provido ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/2007­42  Acórdão n.º 9101­001.999  CSRF­T1  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  Valmir  Sandri,  Valmar  Fonseca  de  Menezes, Karem Jureidini Dias,  Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni  (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo,  João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto  Cortez (Suplente Convocado).                                                                                        Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/2007­42  Acórdão n.º 9101­001.999  CSRF­T1  Fl. 4          3 Relatório  JOANES  INDUSTRIAL  S/A  PRODUTOS  QUIMICOS  E  VEGETAIS,  cientificada do Acórdão 1302­00.415, proferido na sessão de 11/11/2010, pela Segunda Turma  da  Terceira  Câmara  da  Primeira  Seção,  apresentou  RECURSO  ESPECIAL  À  CÂMARA  SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ­ CSRF, com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno  da CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009.  No  acórdão  recorrido,  o  Colegiado  decidiu  negar  provimento  ao  recurso  voluntário, reconhecendo o cabimento da multa de mora sobre recolhimento de tributo fora do  prazo,  mas  antes  de  iniciado  qualquer  procedimento  fiscal,  conforme  ementa  abaixo  reproduzida:  "LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  DE  INFRAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  No  denominado lançamento por homologação, em que a legislação  atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  descabe  falar  em  denúncia espontânea de infração na situação em que a quitação  se dá após o prazo previsto na referida legislação."  O  Recurso  Especial,  fls.  146­150,  teve  seguimento  conforme  Despacho  344/2009 (fl. 159­160), assim redigido (verbis):  “(...)   A  recorrente  argumenta,  em  síntese  que  seu  procedimento  está  abrigado  pelo  instituto  da  denúncia  espontânea,  diferente  do  entendimento  trazido  no  acórdão  recorrido.  Para  tanto,  cita  jurisprudência da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho  de  Contribuintes  que  entende  divergente  do  presente  caso,  representada  pelo  acórdão  paradigma  nº  1070.224,  de  11/05/1993,  contido  no  processo  nº  13628/000.018/9061  e  da  Segunda  Turma  Ordinária  da  Quarta  Câmara  da  Primeira  Seção  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  espelhada no acórdão paradigma nº 140200.465, de 25/02/2011,  contido no processo nº 10183.001857/200784.   (...)."   Acórdão nº 1402­00.465  "DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  DE  MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em  sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de  mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na  hipótese de os débitos não terem sido antes declarados à Receita  Federal.  (...).  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/2007­42  Acórdão n.º 9101­001.999  CSRF­T1  Fl. 5          4 Com relação ao segundo acórdão paradigma, constato que trata  da  mesma  matéria  analisada  no  acórdão  recorrido,  com  conclusões distintas.  A conclusão do referido acórdão paradigma é a de que não cabe  a exigência de multa de mora quando os tributos são recolhidos  e declarados fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento  fiscal. O acórdão recorrido, por seu  turno,  considerou que nos  chamados tributos com lançamento por homologação não cabe a  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea  da  infração  quando  o  tributo  é  quitado  após  o  prazo  legal  de  vencimento,  sendo assim exigível a multa moratória.  Assim,  entendo  estar  presente  a  divergência  jurisprudencial  apontada  pela  recorrente  com  relação  ao  segundo  acórdão  paradigma.  Ante  ao  exposto,  e  tendo  em  vista  que  a  uniformização  da  jurisprudência  administrativa  é  o  escopo  do  recurso  especial,  opino  no  sentido  de  que  se  DÊ  SEGUIMENTO  ao  presente  recurso especial.  (...)”  Cientificada,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  em  1/3/2012  contrarrazoes de fls. 69 e seguintes, propugnando pela confirmação do julgado.  A  seguir,  os  autos  foram  enviados  a  CSRF  e  o  processo  distribuído  a  este  Relator.  É o breve relatório.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/2007­42  Acórdão n.º 9101­001.999  CSRF­T1  Fl. 6          5     Voto             Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator.  O  Recurso  Especial  do  Contribuinte  atende  aos  pressupostos  Regimentais,  vigentes a época da sua interposição, logo deve apreciado.  Conforme  relatado,  trata­se  de  recurso  em  face  de  decisão  no  Colegiado  ordinário  que manteve  a  exigência  da multa  de mora,  lançada  isoladamente,  com  fulcro  nos  artigos  43  e  61  da  Lei  9.430/1996,  que  deixou  de  ser  recolhida  pelo  contribuinte,  sob  o  argumento que se tratava de denúncia espontânea.  No presente caso, apesar de os  tributos  terem sido  recolhidos em atraso,  os  pagamentos  foram  realizados  antes  de  qualquer  procedimento  fiscal  em  31/01/2005  (fl.  16),  bem assim antes da apresentação da DCTF, que se deu em 15/2/2005 (fl. 14).  Aliás, foi justamente o fato de o contribuinte ter apresentado a aludida DCTF,  informando o débito e pagamento em atraso, que a Receita Federal  tomou conhecimento dos  fatos (vide auto de infração às fls. 14 e seguintes).  Pois bem; consultando os julgados do STJ em matéria repetitiva, verifica­se a  seguinte decisão:  RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 ­ SP (2009/0134142­4)  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX  RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A  ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S)  RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL)  PROCURADOR  :  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL    EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO  PAGAMENTO  INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA  DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA. CABIMENTO.     1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o  contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário  (sujeito  a  lançamento  por  homologação)  acompanhado  do  respectivo  pagamento  integral,  retifica­a  (antes  de  qualquer  procedimento  da  Administração  Tributária),  noticiando  a  existência  de  diferença  a  maior,  cuja  quitação  se  dá  concomitantemente.     2.  Deveras,  a  denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  declarados  pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/2007­42  Acórdão n.º 9101­001.999  CSRF­T1  Fl. 7          6 vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer  procedimento  do  Fisco  (Súmula  360/STJ)  (Precedentes  da  Primeira  Seção  submetidos  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008;  e  REsp  962.379/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.10.2008,  DJe  28.10.2008).     3.  É  que  "a  declaração  do  contribuinte  elide  a  necessidade  da  constituição  formal  do  crédito,  podendo  este  ser  imediatamente  inscrito em dívida ativa, tornando­se exigível, independentemente  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  de  notificação  ao  contribuinte"  (REsp  850.423/SP,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008).     4.  Destarte,  quando  o  contribuinte  procede  à  retificação  do  valor  declarado  a  menor  (integralmente  recolhido),  elide  a  necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente  à  parte  não  declarada  (e  quitada  à  época  da  retificação),  razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do  CTN.     5.  In  casu,  consoante  consta  da  decisão  que  admitiu  o  recurso  especial  na  origem  (fls.  127/138):  "No  caso  dos  autos,  a  impetrante  em  1996  apurou  diferenças  de  recolhimento  do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o  Lucro,  ano­base  1995  e  prontamente  recolheu  esse  montante  devido,  sendo  que  agora,  pretende  ver  reconhecida  a  denúncia  espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes  da  ocorrência  de  qualquer  procedimento  fiscalizatório.  Assim,  não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma  verdadeira  confissão  de  dívida  e  pagamento  integral,  de  forma  que  resta  configurada  a  denúncia  espontânea,  nos  termos  do  disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional."     6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo  em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub  examine .     7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no  instituto  da  denúncia  espontânea  exclui  as  penalidades  pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo,  nas  quais  se  incluem  as  multas  moratórias,  decorrentes  da  impontualidade do contribuinte.     8.  Recurso  especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (Grifei)    A  luz  do  artigo  62­A do Regimento  Interno  do CARF,  há  que  se  aplicar  o  entendimento do STJ quanto a essa matéria.  Assim, configurada no presente caso a denúncia espontânea, à luz do art. 138  do CTN, cumpre cancelar a exigência da multa de mora que foi objeto do lançamento de oficio.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10508.000249/2007­42  Acórdão n.º 9101­001.999  CSRF­T1  Fl. 8          7 Conclusão.  Pelo exposto, voto no sentido dar provimento ao Recurso Especial interposto  pelo Contribuinte.    (Assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva                               Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO

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Numero do processo: 10920.000957/2001-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, em razão da compensação de prejuízo (SÚMULA CARF Nº 3).
Numero da decisão: 1301-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/2001­17  Acórdão n.º 1301­001.601  S1­C3T1  Fl. 138          2 Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Valmar  Fonseca  de  Menezes, Paulo  Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal  Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/2001­17  Acórdão n.º 1301­001.601  S1­C3T1  Fl. 139          3   Relatório  Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica  (IRPJ), relativa ao ano­calendário de 1996, formalizada em razão da imputação das seguintes  infrações:  i)  adição  a  menor  ao  lucro  líquido,  na  determinação  do  lucro  real,  de  lucro  inflacionário realizado; e ii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízo fiscal.  Inconformada, a contribuinte  interpôs  impugnação  (fls. 34/52), por meio da  qual argumentou:  ­  que  não  possui  fundamento  jurídico  a  inclusão  do  lucro  inflacionário  na  base de cálculo do imposto, vez que não representa renda ou proventos de quaisquer natureza,  nos termos do art. 153, III, da Constituição Federal e do art.43 do CTN;   ­ que a legislação tributária ao tributar o chamado lucro inflacionário subverte  conceito de renda estabelecido na Constituição Federal e na legislação complementar tributária,  pois trata­se de um ganho fictício;  ­  que  há  uma  notória  extrapolação  da  competência  tributária  constitucional  pela lei ordinária, através do desvirtuamento do conceito de renda;   ­  que  a  lei  ordinária  tomou como  renda,  como  lucro  líquido, um  fenômeno  contábil que com estes não se confunde;   ­  que  não  é  exigível  o  montante  integral  lançado,  vez  que  compensável,  à  razão de 30%, com prejuízos fiscais acumulados, na forma do art. 42 da Lei 8.981/95;   ­  que  a  limitação  de  30%  para  fins  de  compensação  de  prejuízos  fiscais  é  inconstitucional;   ­ que houve majoração da base de cálculo do tributo e verdadeira alteração do  próprio fato gerador do tributo, o que só seria possível fazer por meio de Lei Complementar,  conforme determina a Constituição Federal (CF);  ­  que  foi  alterado  o  alcance  de  conceitos  de  institutos  de  direito  privado  utilizados pela CF, o que é vedado pelo art. 110 do CTN;   ­ que a hipótese de incidência da exação em comento contraria o conceito de  lucro definido na Lei das S/A (arts.189, 190 e 191);  ­  que  os  dispositivos  impugnados  incorrem  em  flagrante  inconstitucionalidade,  posto  que  possibilitam  à  União  exorbitar  a  sua  competência  constitucional na tributação do lucro líquido, fazendo incidir o tributo sobre o patrimônio, em  flagrante  atentado  ao  princípio  da  discriminação  rígida  das  competências  tributárias  (CF,  arts.153, III, 148 e 154, I), restando também violados vários princípios constitucionais  ­  que,  diante dessas  flagrantes  inconstitucionalidades,  impende à autoridade  administrativa a não aplicação ao caso em concreto dos dispositivos  legais  inquinados, posto  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/2001­17  Acórdão n.º 1301­001.601  S1­C3T1  Fl. 140          4 que normas legais somente vinculam a atividade administrativa, na medida em que se revistam  de  foros  de  constitucionalidade  (naqueles  em  que  se  denote,  de  plano,  patente  inconstitucionalidade,  deve  o  administrador  frustrar  sua  aplicação,  com  base  no  justo  receio  que  da  mesma  poderão  sobrevir  indeléveis  prejuízos  ao  administrado,  de  modo  que,  dessa  forma,  agirá  em  consonância  com  os  postulados  da  finalidade  e moralidade  administrativas  (CF, art.37).   A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis,  Santa  Catarina,  apreciando  as  razões  trazida  pelas  defesa,  decidiu,  por  meio  do  acórdão  nº  0.453, de 28 de fevereiro de 2002, pela procedência do lançamento tributário.  O referido julgado restou assim ementado:  Compensação de Prejuízo. Limite de 30%.  A partir  do ano­calendário de 1995, os prejuízos  fiscais  somente podem ser  compensados  com  o  lucro  líquido  ajustado  pelas  adições  e  exclusões  previstas  na  legislação do imposto de renda, até o limite de 30%.  Legislação Tributária. Exame da Legalidade/ Constitucionalidade.  Não  compete  à  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância  o  exame  da  legalidade/constitucionalidade  da  legislação  tributária,  tarefa  exclusiva  do  Poder  Judiciário.  Lucro Inflacionário.Realização Mínima  A  pessoa  jurídica  deverá  considerar  realizado  em  cada  ano­calendário,  no  mínimo, dez por  cento do  lucro  inflacionário,  quando o valor,  assim determinado,  resultar superior ao apurado na forma do § 1° do art.5° da Lei n° 9.065, de 20/06/95.  Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 84/104, por  meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória.  O presente processo  teve o seu  julgamento sobrestado, conforme Resolução  nº 1301­000.170 desta Primeira Turma (sessão de 07 de novembro de 2013).  Contudo, diante da revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 61­A do Anexo II  do Regimento Interno deste Colegiado pela Portaria MF nº 545/2003, normas que serviram de  lastro para o  sobrestamento  acima  referenciado, pode­se dar prosseguimento  à  apreciação da  lide.   É o Relatório.  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/2001­17  Acórdão n.º 1301­001.601  S1­C3T1  Fl. 141          5   Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães  Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo.  Cuida o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica  (IRPJ), relativa ao ano­calendário de 1996, formalizada em razão da imputação das seguintes  infrações:  i)  adição  a  menor  ao  lucro  líquido,  na  determinação  do  lucro  real,  de  lucro  inflacionário realizado; e ii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízo fiscal.  Inconformada  com  a  decisão  prolatada  em  primeira  instância,  eis  que  esta  manteve  na  íntegra  a  exigência  formalizada,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  repisando a argumentação expendida na peça impugnatória.  Nessa  linha,  traz  considerações  no  sentido  de  que  a  inclusão  do  lucro  inflacionário na base de cálculo do imposto não tem fundamento jurídico, visto que, segundo  alega, não representa renda ou proventos de quaisquer natureza, nos termos do art. 153, III, da  Constituição Federal e do art.43 do CTN. Afirma que, no caso, há uma notória extrapolação da  competência  tributária  constitucional  pela  lei  ordinária.  Adiante,  sustenta  ter  pleno  direito  à  compensação  integral  dos prejuízos  fiscais  acumulados,  vez que as disposições  trazidas pelo  art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995, e do art. 15 da Lei nº 9.065,  também de 1995, afrontam os  ditames do art. 195 e do art. 154 da Constituição Federal.  Não merecem acolhimento os argumentos trazidos pela Recorrente.  Com efeito, nos exatos termos do disposto no art. 26 A do Decreto nº 70.235,  de 1972, no  âmbito do processo  administrativo  fiscal,  fica vedado aos órgãos de  julgamento  afastar a aplicação ou deixar de observar  lei  sob  fundamento de  inconstitucionalidade,  sendo  certo que a situação que ora se aprecia não se enquadra nas exceções preconizadas pela norma  em  comento  (lei  declarada  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral  da  Fazenda Nacional,  na  forma  dos  arts.  18  e  19  da  Lei  no 10.522,  de  19  de  julho  de  2002; b)  súmula  da  Advocacia­Geral  da  União,  na  forma  do art.  43  da  Lei  Complementar  no 73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993).  A exigência questionada pela Recorrente tem por fundamento as disposições  contidas nos arts. 5º, 7º, 12 e 15 da Lei nº 9.065, de 1995, e no art. 42 da Lei nº 8.981, também  de 1995, aplicáveis aos fatos apurados nos termos do caput do art. 144 do Código Tributário  Nacional.  Cabe  destacar,  ainda,  que  a  incompetência  deste  Colegiado  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  e  a  aplicação  da  limitação  na  compensação de prejuízos fiscais, em virtude de inúmeros julgados no mesmo sentido, foram  objeto de súmulas, conforme transcrições abaixo.  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10920.000957/2001­17  Acórdão n.º 1301­001.601  S1­C3T1  Fl. 142          6   Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto  de Renda  das  Pessoas  Jurídicas  e  da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  a  partir do ano­calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido  em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo,  como em razão da compensação da base de cálculo negativa.    Referidas súmulas, nos termos do disposto no caput do art. 72 do Anexo II  do  Regimento  Interno  (RICARF),  são  de  observância  obrigatória  pelos  membros  deste  Colegiado.  Por  todo  o  exposto,  conduzo  meu  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso.   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator                                Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES

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Numero do processo: 13971.004296/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não há autorização legal para que se exclua do salário-de-contribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados. DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de serviço prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o quadro funcional, o que acarreta a incidência de contribuição sobre a verba. COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA. EXIGÊNCIA DE TEMPO MÍNIMO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sofrem a incidência de contribuições sociais os valores repassados aos empregados a título de complemento do auxílio-doença, quando a empresa disponibiliza este benefício apenas a segurados que tenham, na data do requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação contraria a norma que exclui a verba do salário-de-contribuição. DISPONIBILIZAÇÃO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EXCLUSÃO DE EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE LIMITE FIXADO NO REGULAMENTO DO PLANO EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano de previdência privada apenas aos empregados com determinado patamar salarial fere a regra legal que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba. Mesmo para quem considera que não incide contribuições quando a remuneração mínima fixada para ingresso no plano de previdência privada é o teto do RGPS, o plano sob apreciação não atende ao requisito de extensão a todos os empregados, posto que foram excluídos do seu ingresso uma parte dos segurados com remuneração abaixo do referido teto. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SUJEIÇÃO AO LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não há amparo normativo para limitação da base de cálculo da contribuição ao INCRA ao teto legal do salário-de-contribuição. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes e sobre a previdência complementar, a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre assistência saúde a dependentes, sobre as bolsas de estudos e sobre a previdência complementar e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 310          1 309  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.004296/2009­49  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.691  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de setembro de 2014  Matéria  INCRA­SEBRAE  Recorrente  BUNGE ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007  ASSISTÊNCIA  À  SAÚDE  DOS  DEPENDENTES  DOS  SEGURADOS.  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.  Não  há  autorização  legal  para  que  se  exclua  do  salário­de­contribuição  as  despesas  com  assistência  médica  fornecidas  pelo  empregador  aos  dependentes dos segurados.  DISPONIBILIZAÇÃO  DE  BOLSAS  DE  ESTUDO  APENAS  A  EMPREGADOS  COM  DETERMINADO  TEMPO  DE  CONTRATO  DE  TRABALHO.  NÃO  ATENDIMENTO  A  REGRA  QUE  ESTABELECE  QUE  A  ISENÇÃO  É  CONDICIONADA  AO  FORNECIMENTO  DO  BENEFÍCIO  A  TODOS  OS  EMPREGADOS  E  DIRIGENTES.  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.  O  estabelecimento  norma  empresarial  que  permita  a  fruição  de  plano  educacional  apenas  por  empregados  com  determinado  tempo  de  serviço  prestado à empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse  estendido  a  todo  o  quadro  funcional,  o  que  acarreta  a  incidência  de  contribuição sobre a verba.  COMPLEMENTAÇÃO  DO  AUXÍLIO  DOENÇA.  EXIGÊNCIA  DE  TEMPO  MÍNIMO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES.  Sofrem  a  incidência  de  contribuições  sociais  os  valores  repassados  aos  empregados  a  título  de  complemento  do  auxílio­doença,  quando  a  empresa  disponibiliza  este  benefício  apenas  a  segurados  que  tenham,  na  data  do  requerimento, mais de um ano de contrato de trabalho, posto que tal situação  contraria a norma que exclui a verba do salário­de­contribuição.  DISPONIBILIZAÇÃO  PLANO  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA  EXCLUSÃO  DE  EMPREGADOS  COM REMUNERAÇÃO ABAIXO  DE     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 42 96 /2 00 9- 49 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2 LIMITE  FIXADO  NO  REGULAMENTO  DO  PLANO  EMPRESARIAL.  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES  O  estabelecimento  norma  empresarial  que  permita  a  fruição  de  plano  de  previdência  privada  apenas  aos  empregados  com  determinado  patamar  salarial  fere a  regra  legal que exige que o benefício seja estendido a  todo o  quadro funcional, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba.  Mesmo  para  quem  considera  que  não  incide  contribuições  quando  a  remuneração mínima fixada para ingresso no plano de previdência privada é  o teto do RGPS, o plano sob apreciação não atende ao requisito de extensão a  todos os empregados, posto que foram excluídos do seu  ingresso uma parte  dos segurados com remuneração abaixo do referido teto.  CONTRIBUIÇÃO  AO  INCRA.  SUJEIÇÃO  AO  LIMITE  MÁXIMO  DO  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Não há amparo normativo para limitação da base de cálculo da contribuição  ao INCRA ao teto legal do salário­de­contribuição.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos  negar  provimento  ao  recurso. Vencidos  o Conselheiro Elias  Sampaio  Freire,  que  dava  provimento  parcial  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  incidentes  sobre  assistência  saúde  a  dependentes e sobre a previdência complementar, a conselheira Carolina Wanderley Landim,  que  dava  provimento  parcial  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  incidentes  sobre  assistência  saúde  a  dependentes,  sobre  as  bolsas  de  estudos  e  sobre  a  previdência  complementar e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento  parcial para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as bolsas de estudos.      Elias Sampaio Freire ­ Presidente      Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  o(a)s  Conselheiro(a)s  Elias  Sampaio  Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 311          3   Relatório  Trata­se de recurso  interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07­ 19.356 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ  em  Florianópolis  (SC),  que  julgou,  por  maioria  de  votos,  improcedente  a  impugnação  apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.227.880­9.  O crédito em questão diz respeito à exigência de contribuições patronais para  a  Seguridade Social,  inclusive  aquela  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do  trabalho, incidentes sobre diversas parcelas, consideradas pelo fisco como salário indireto.  Cientificada  pessoalmente  do  lançamento,  em  28/10/2009,  a  empresa  apresentou  impugnação,  cujas  razões  não  foram  acatadas  pelo  órgão  de  primeira  instância,  motivo  pelo  qual  interpôs  recurso  voluntário,  fls.  247  e  segs.,  onde  apresentou  as  alegações  abaixo.  Não está  sob  litígio os  itens VTE­Vale Transporte e CAV – Caracterização  de Vínculo, visto que essas parcelas foram incluídas no parcelamento do programa REFIS.  Os pagamentos de convênio odontológico e plano de saúde disponibilizados  para  os  dependentes  não  pode  ser  objeto  de  tributação,  posto  que  extensível  a  todos  os  segurados e dirigentes.  O entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é de que, em relação  aos dependentes, os valores gastos a título de auxílio­saúde também não  integram salário­de­ contribuição, devendo receber o mesmo tratamento do benefício dado aos funcionários.  O  fato  de  existir  carência  para  alcance  dos  benefícios  de  auxílio­saúde  e  bolsas de estudo não quer dizer que houve atropelo às normas de regência, posto que todos os  empregados, após determinado período na empresa, passam a fazer jus aos referidos benefício.  O fisco não pode interferir nas normas internas da empresa, deve limitar­se a  verificar  se  a  regra  legal  foi  cumprida,  o  que  ocorreu  integralmente  em  relação  ao  auxílio­ educação  e  ao  plano  de  saúde.  Além  de  que  não  se  demonstrou  a  existência  de  casos  de  funcionários que tiveram pedido de benefícios indeferidos.  Em  relação  ao  plano  de  previdência  complementar  também  não  pode  prevalecer o entendimento do fisco de que este não foi disponibilizado a todos os empregados  em razão existência de carência e remuneração mínima para adesão ao plano, isto porque essas  exigências nada mais são de que requisitos de qualificação do participante, além de que todo e  qualquer  funcionário  tem a chance de superar a carência a atingir o patamar salarial mínimo  exigido para adesão.  Em  relação  à  contribuição  destinada  ao  INCRA  afirma  que  esta  deve  ser  calculada  até  o  limite  legal  do  salário­de­contribuição  ,  sendo  improcedente  o  levantamento  “IAT – INCRA acima do teto”.  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4 Ao  final,  requer  a  declaração  de  improcedência  das  contribuições  questionadas.  É o relatório.  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 312          5   Voto               Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator    Admissibilidade  O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  preenche  os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Auxílio­saúde para dependentes  Na apuração fiscal foi possível segregar os valores pagos pela empresa para  custear o plano odontológico e de saúde dos trabalhadores daqueles vinculados ao custeio da  assistência médica aos dependentes. É o que se percebe dos itens 3 e 4 do relato do fisco, que  tratam,  respectivamente  dos  levantamentos  PLO  ­  PLANO  ODONTOLÓGICO  PARA  DEPENDENTES e PSU ­ PLANO DE SAÚDE PARA DEPENDENTES.  Com o inconformismo da recorrente quanto a não inclusão da referida parcela  no salário­de­contribuição, vem à tona a questão de saber se a norma que exclui da tributação  os  gastos  com  assistência  à  saúde  dos  empregados  seria  também  aplicável  aos  valores  despendidos pelo empregador com assistência à saúde dos dependentes dos segurados.   A regra geral é que os valores pagos ou creditados aos  trabalhadores sejam  incluídos no campo da tributação previdenciária. Todavia, o legislador achou por bem excluir  da incidência de contribuições determinadas parcelas e o fez em relação exaustiva lançada no §  9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A  referência à assistência à  saúde encontra­se na alínea  “q”:  Art. 28 (...)  §  9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente:  (...)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico  ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­ hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa;  (...)  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6 A meu  sentir,  a verba  sob comento veio  a  fazer parte desse  rol  de parcelas  excluídas  da  tributação  como  uma  maneira  de  incentivar  as  empresas  a  disponibilizarem  assistência médico­odontológica aos seus empregados.  Esse beneficio,  é bom que  se diga,  é dado para os  trabalhadores não  como  salário­utilidade, mas de forma a propiciar à empresa um quadro funcional saudável.  Diferentemente ocorre com a extensão desse beneficio aos dependentes dos  empregados e diretores, haja vista que aí passa­se a remunerá­los indiretamente, posto que os  valores repassados acabam por se incorporar aos seus patrimônios na medida em que deixam  de efetuar esses dispêndios com as respectivas famílias.  A leitura do dispositivo acima transcrito deixa evidente que a isenção atinge  apenas  gastos  com  a  assistência  médica  e  odontológica  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa, não sendo extensível às despesas com saúde referentes aos dependentes.  Destarte,  não  estando  contemplada  pela  norma  desonerativa,  os  valores  gastos pela empresa  com planos odontológicos e de  saúde dos dependentes dos  funcionários  devem integrar o salário­de­contribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos  sob a forma de utilidades.  Assim, para fins de incidência de contribuições há de se diferenciar os gastos  do  empregador  com  o  seu  quadro  funcional  daquele  direcionado  aos  dependentes  dos  trabalhadores.  O  primeiro  prende­se  a  verba  disponibilizada  para  que  o  trabalho  seja  desenvolvido  sem  quebras  de  produtividade  por  motivo  de  saúde,  enquanto  que  o  segundo  representa  um  plus  na  remuneração  do  segurado,  representado  pelo  custeio  da  assistência  médica a pessoas estranhas ao ambiente laboral, os dependentes.  Diante dessas considerações,  independentemente da norma  inserta na alínea  “q”do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 se caracterizar como isenção ou não  incidência,  entendo que os seus ditames não se aplicam aos gastos da empresa com assistência à saúde dos  dependentes  dos  seus  empregados,  sendo  lícita  a  tributação  sobre  os  levantamentos  PLO  e  PSU.  Auxílio­saúde para dependentes  Na apuração fiscal foi possível segregar os valores pagos pela empresa para  custear o plano odontológico e de saúde dos trabalhadores daqueles vinculados ao custeio da  assistência médica aos dependentes. É o que se percebe dos itens 3 e 4 do relato do fisco, que  tratam,  respectivamente  dos  levantamentos  PLO  ­  PLANO  ODONTOLÓGICO  PARA  DEPENDENTES e PSU ­ PLANO DE SAÚDE PARA DEPENDENTES.  Com o inconformismo da recorrente quanto a não inclusão da referida parcela  no salário­de­contribuição, vem à tona a questão de saber se a norma que exclui da tributação  os  gastos  com  assistência  à  saúde  dos  empregados  seria  também  aplicável  aos  valores  despendidos pelo empregador com assistência à saúde dos dependentes dos segurados.   A regra geral é que os valores pagos ou creditados aos  trabalhadores sejam  incluídos no campo da tributação previdenciária. Todavia, o legislador achou por bem excluir  da incidência de contribuições determinadas parcelas e o fez em relação exaustiva lançada no §  9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A  referência à assistência à  saúde encontra­se na alínea  “q”:  Art. 28 (...)  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 313          7 §  9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente:  (...)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico  ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­ hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa;  (...)  A meu  sentir,  a verba  sob comento veio  a  fazer parte desse  rol  de parcelas  excluídas  da  tributação  como  uma  maneira  de  incentivar  as  empresas  a  disponibilizarem  assistência médico­odontológica aos seus empregados.  Esse beneficio,  é bom que  se diga,  é dado para os  trabalhadores não  como  salário­utilidade, mas de forma a propiciar à empresa um quadro funcional saudável.  Diferentemente ocorre com a extensão desse beneficio aos dependentes dos  empregados e diretores, haja vista que aí passa­se a remunerá­los indiretamente, posto que os  valores repassados acabam por se incorporar aos seus patrimônios na medida em que deixam  de efetuar esses dispêndios com as respectivas famílias.  A leitura do dispositivo acima transcrito deixa evidente que a isenção atinge  apenas  gastos  com  a  assistência  médica  e  odontológica  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa, não sendo extensível às despesas com saúde referentes aos dependentes.  Destarte,  não  estando  contemplada  pela  norma  desonerativa,  os  valores  gastos pela empresa  com planos odontológicos e de  saúde dos dependentes dos  funcionários  devem integrar o salário­de­contribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos  sob a forma de utilidades.  Assim, para fins de incidência de contribuições há de se diferenciar os gastos  do  empregador  com  o  seu  quadro  funcional  daquele  direcionado  aos  dependentes  dos  trabalhadores.  O  primeiro  prende­se  a  verba  disponibilizada  para  que  o  trabalho  seja  desenvolvido  sem  quebras  de  produtividade  por  motivo  de  saúde,  enquanto  que  o  segundo  representa  um  plus  na  remuneração  do  segurado,  representado  pelo  custeio  da  assistência  médica a pessoas estranhas ao ambiente laboral, os dependentes.  Diante dessas considerações,  independentemente da norma  inserta na alínea  “q”do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 se caracterizar como isenção ou não  incidência,  entendo que os seus ditames não se aplicam aos gastos da empresa com assistência à saúde dos  dependentes  dos  seus  empregados,  sendo  lícita  a  tributação  sobre  os  levantamentos  PLO  e  PSU.  Bolsas de estudo e complemento do auxílio­doença  Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8 Os  levantamentos  BE1  e  BE2  abrigam  os  valores  repassados  a  título  de  bolsas  de  estudos  para  segurados  a  serviço  da  autuada,  ao  passo  que  o  levantamento  CAD  engloba os valores destinados a complemento do auxílio­doença.  Para  as  quantias  relativas  às  bolsas  de  estudo  o  fisco  asseverou  que  a  tributação  se  justifica  no  fato  do  benefício  não  ter  sido  estendido  a  todos  os  empregados  e  dirigentes da empresa.   Afirma que a empresa disponibiliza a bolsa de estudo de graduação para os  empregados, apenas após o cumprimento de período de experiência e desde que seja o primeiro  curso superior do beneficiário.  O  curso  de  especialização,  assinala­se,  era  pago  parcialmente  pela  autuada  aos empregados com mais de um ano de contrato de trabalho e que se dispusessem a participar  do plano de sucessão da empresa, conforme previsto em norma interna.  Acerca  da  verba  “Complementação  do  Auxílio­Doença”,  assim  o  fisco  se  pronunciou:  “8.3 Como  pode  ser  observado  na  norma  da  empresa  que  trata da regulamentação deste beneficio (ANEXO XVI deste  relatório), a notificada somente o concede aos empregados  que tenham mais de um ano de empresa na data de entrada  do requerimento do beneficio previdenciário.  8.4 Ao impor aos empregados uma carência para pleitearem  o beneficio,  a  empresa diferencia­os de outros empregados  que, a priori, possuem a mesma prerrogativa quanto ao gozo  de um beneficio. O efeito prático é que os empregados com  mais de um ano de empresa, adquirem um plus salarial em  relação a seus pares exercentes das mesmas funções”  Vejamos  o  que  dizem  as  normas  que  tratam  da  exclusão  das  verbas  sob  comento  do  salário­de­contribuição,  na  redação  vigente  quando  da  ocorrência  dos  fatos  geradores:  §  9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente:  (...)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação ao valor do auxílio­doença, desde que este  direito  seja  extensivo  à  totalidade  dos  empregados  da  empresa;   (...)  t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação  básica,  nos  termos  do  art.  21  da  Lei  nº  9.394,  de  20  de  dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham acesso ao mesmo;  (...)  Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 314          9 Vê­se que o legislador no quesito educação pretendeu afastar da incidência de  contribuição  previdenciária  as  verbas  disponibilizadas  aos  segurados  empregados  a  título  de  educação  básica  e  para  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais,  todavia,  erigiu  as  seguintes condições para validade da regra isentiva:  a) que os cursos profissionais sejam vinculados à atividade da empresa;  b) que a disponibilização do benefício não fosse utilizada como complemento  salarial; e  c)  que  o  acesso  ao  plano  educacional  estivesse  disponível  a  todos  os  empregados e dirigentes da empresa.  Para  autoridade  fiscal  e  também  para  o  colegiado  de  primeira  instância  a  empresa  descumpriu  a  exigência  constante  na  letra  “c”  acima,  posto  que,  ao  condicionar  a  concessão  da  verba  à  data  de  ingresso  do  segurado  no  emprego,  excluiu  de  parcela  do  seu  quadro funcional o direito ao benefício.  Vê­se,  portanto,  que  o  cerne  da  questão  repousa  em  determinar  se  a  imposição  de  tempo  mínimo  para  que  os  empregados  façam  jus  à  concessão  do  plano  de  educação contraria o dispositivo legal encimado.  Inicialmente  é  curial  se  ressaltar  que  a  exegese  de  normas  tributárias  que  tratam de isenção deve obedecer ao comando do art. 111, II, do Código Tributário Nacional1,  não cabendo, portanto, interpretações extensivas para as mesmas.  Nessa  linha,  a  norma  constante  da  alínea  “t”  do  §  9.  do  art.  28  da  Lei  n.  8.212/1991  é  enfática  ao  prescrever “...todos  os  empregados  e  dirigentes”,  não  se  devendo  alargar  a  interpretação  para  abarcar  a  situação  em  que  o  benefício  é  estendido  apenas  a  funcionários com determinado tempo de contrato.  Assim, uma interpretação literal da regra de isenção acima citada, leva­me a  concluir  pela  incidência  de  contribuições  sobre  as  despesas  com  educação,  haja  vista  que  a  empresa deixava à margem desse benefício parcelas dos seus empregados. Basta observar que  um empregado com menos de um ano de empresa e que já tivesse concluído o primeiro curso  de  graduação  jamais  poderia  obter  o  benefício,  a  menos  que  fosse  alterado  o  regulamento  empresarial.  Para  reforçar  meu  entendimento,  trago  à  baila  precedente  dessa  mesma  Turma  de  Julgamento,  no  julgamento  do  recurso  apresentado  no  bojo  do  processo  n.  18471.001791/2008­70, cujo Acórdão correspondente carregou a seguinte ementa:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/12/2000 a 31/03/2005                                                               1   Art. 111. Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:            I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;            II ­ outorga de isenção;(...)      Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10 CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  SALÁRIO  INDIRETO.  PLANO  EDUCACIONAL/AUXÍLIO  EDUCAÇÃO.  HIPÓTESE  DE  ISENÇÃO  NÃO  CONFIGURADA.  INOBSERVÂNCIA  REQUISITOS  LEGAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA.   De conformidade com o artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº  8.212/91, os valores concedidos aos funcionários e diretores  da  empresa  a  título  de  Plano  Educacional/Auxílio  Educação,  conquanto que extensivo a  sua  totalidade,  estão  fora  do  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Tendo  a  contribuinte  pago  aludida  verba  somente  a  parte  de  seus  segurados  empregados  e/ou  diretores, em face da imposição de limitação temporal para  seu  usufruto  (carência  de  24  meses),  caracteriza­se  como  salário  indireto,  sujeitando­se,  assim,  à  incidência  das  contribuições previdenciárias.   (...)  Recurso Voluntário Negado.  É certo que  alínea  “t” do § 9.  do  art.  28 da Lei n.º  8.212/1991  foi  alterada  pela Lei n. 12.513/2011, deixando de exigir que o benefício em questão fosse estendido a todos  os empregados, como se pode ver:  t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que  vise  à  educação  básica  de  empregados  e  seus  dependentes  e,  desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à  educação profissional e  tecnológica de empregados, nos termos  da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,  e:(Redação dada  pela Lei nº 12.513, de 2011).  Ocorre  que  a  norma  acima  não  pode  ser  aplicada  ao  presente  lançamento,  posto  que  posterior  à  ocorrência  dos  fatos  geradores.  Assim,  deve  ser  mantida  a  exigência  sobre as “Bolsas de Estudo”.  Esse entendimento deve ser estendido ao benefício da “Complementação do  Auxílio­Doença”, posto que alínea “n” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também exige,  para  que  a  verba  não  se  sujeite  à  exação  previdenciária,  que  esta  seja  disponibilizada  indistintamente a todos os empregados e dirigentes da empresa.  Assim, o  fato da  empresa deixar de  conceder o  benefício  aos  trabalhadores  com menos de um ano de contrato de trabalho afasta do caso concreto a norma acima citada,  sendo legítima a tributação sobre esses valores.  Previdência Complementar  A razão que levou o fisco a submeter a verba previdência privada à tributação  foi  falta de  extensão do benefício  a  todos os empregados  e dirigentes da autuada. Alegou­se  que o plano BUNGEPREV era disponibilizado aos segurados somente após o cumprimento do  contrato de experiência, além de que eram excluídos do plano os segurados com faixa salarial  inferior a 10 UR.  É  razoável  que  os  empregados  em  contrato  de  experiência  não  fossem  contemplados pelo plano de previdência complementar, dada a precariedade de tais contratos.  Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 315          11 O  fato  dos  trabalhadores  nessa  situação  não  serem  abrangidos  pela  cobertura  previdenciária  adicional, para mim, não significa que tenha havido o descumprimento da norma que exige a  disponibilização do plano a todos os empregados. É que todos os trabalhadores, ao cumprirem  o  curto  prazo  do  ajuste  experimental,  passariam  automaticamente  a  receber  a  cobertura  do  plano de previdência privada.  Vamos, então, enveredar pela discussão acerca do possível descumprimento  da  regra  em  razão  da  disponibilização  apenas  aos  empregados  pertencentes  à  maior  faixa  salarial.  Para o sujeito passivo, o próprio texto constitucional já afasta a possibilidade  de  que  se  considere  a  contribuição  da  empresa  para  os  planos  de  previdência  privada  como  salário­de­contribuição, uma vez que  textualmente preconiza que  tais valores não  integram o  contrato de trabalho, nem a remuneração dos participantes.  Em outra vertente, assevera que a Lei Complementar – LC n. 109/2001, que  regulamentou o dispositivo constitucional, estabelece que somente será participante aquele que  aderir  aos  planos  de  benefícios,  o  que  leva  à  conclusão  de  que  não  é  obrigatório  que  todos  participem  da  cobertura  da  previdência  complementar,  mas  que  possam  se  manifestar  pela  adesão.  Afirma ainda que o art. 10 da citada LC admite que o regulamento do plano  previdenciário  possa  estabelecer  critérios  para  admissão  e  manutenção  da  qualidade  do  participante  e,  com  base  também  no  art.  16  do  mesmo  diploma,  conclui  que  os  benefícios  devem ser oferecidos a todos os empregados, mas a efetiva participação dependerá da adesão  destes aos planos, a qual fica condicionada a requisitos previstos no regulamento do plano de  previdência privada.  Adverte  que  o  art.  68  da  LC  n.  109/2001,  “caput”,  repete  o  comando  constitucional no sentido de que as contribuições da empresa para a previdência complementar  dos seus empregados não integram a sua remuneração.  Em adição, alega que, se a empresa não disponibilizasse o plano para todos  os  empregados,  certamente  a  Secretaria  de  Previdência  Complementar  ­  SPC,  órgão  responsável pela fiscalização das entidades integrantes deste segmento, não teria autorizado a  implementação e o funcionamento do BUNGEPREV.  Afirma que não existe  a  exclusão  alegada pelo  fisco,  uma vez o  teto de 10  UR e a carência são apenas requisitos de qualificação do participante, posto que ambos podem  ser alcançados por todos os seus empregados.  Diante  desses  argumentos  é  possível  se  inferir  de  que  de  fato  a  empresa  admite que parte do seu quadro funcional não tinha acesso ao plano, por não se enquadrar nos  critérios de admissão  fixados no  regulamento do plano BUNGEPREV. Sobre essa questão o  relatório fiscal é bem esclarecedor e reforça o mesmo entendimento da empresa. Conforme se  extrai do seguinte excerto:  “6.10 Para se ter uma idéia de quantos trabalhadores estão  excluídos  do  plano  de  previdência  complementar  da  empresa  (que  não  podem  ser  contribuintes),colocamos  a  seguinte relação: na folha de pagamento de 07/2005, de um  Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     12 total de 7.044  trabalhadores, apenas 1.404 tiveram valores  lançados na rubrica ‘560 –Bungeprev básica’ – em torno de  19,9% ­ e em 12/2007 apenas 1.219 de um total de 6.136 –  também em torno de 19,9%. Ou seja, poderíamos dizer que  mais de 80% dos trabalhadores não satisfazem as condições  exigidas pela empresa, citadas no item anterior”.  Uma primeira questão que exsurge da lide, refere­se ao suposto conflito entre  a alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 e o “caput” do art. 68 da Lei Complementar  n. 109/2001. Dito de outro modo, a LC teria revogado o dispositivo da Lei n. 8.212/1991 que  trata não  inclusão dos pagamentos da empresa para os planos de previdência complementar?  Acredito que não.  Vejamos o que diz o art. 202 da Carta Magna:  Art.  202.  O  regime  de  previdência  privada,  de  caráter  complementar e organizado de forma autônoma em relação  ao  regime  geral  de  previdência  social,  será  facultativo,  baseado  na  constituição  de  reservas  que  garantam  o  benefício contratado, e regulado por lei complementar.  § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará  ao  participante  de  planos  de  benefícios  de  entidades  de  previdência privada o pleno acesso às informações relativas  à gestão de seus respectivos planos.   §  2°  As  contribuições  do  empregador,  os  benefícios  e  as  condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos  e planos de benefícios das entidades de previdência privada  não  integram  o  contrato  de  trabalho  dos  participantes,  assim  como,  à  exceção  dos  benefícios  concedidos,  não  integram  a  remuneração  dos  participantes,  nos  termos  da  lei.   (...)  Do texto legal acima, observa­se que quando o legislador constitucional quis  se  referir  a  “lei  complementar”  o  fez  de  forma  expressa  como  consta  na  cabeça  e  no  §  1. .  Todavia, a referência feita no § 2. fala na desvinculação das contribuições do empregador da  remuneração do empregado nos “termos da lei”, sendo nítido que nesse dispositivo a locução  “lei” reporta­se a lei ordinária, que no caso é a Lei n. 8.212/1991.  Ou seja, o conflito entre as regras da LC n. 109/2001 e a Lei n. 8.212/1991 é  apenas aparente e se resolve mediante o princípio da especialidade. É esse o entendimento que  tem  prevalecido  nesta  Turma.  Aqui  é  unânime,  ou  pelo menos  era,  a  tese  de  que  a  Lei  n.º  8.212/1991  deve  prevalecer  sobre  a  LC  n.  109/2001, mantendo­se  a  exigência  de  oferta  do  benefício  da  previdência  privada  a  todos  para  não  inclusão  da  parcela  no  salário­de­ contribuição.  Trago  à  colação  o  Acórdão  n.  2401­002.883,  de  20/02/2013,  cuja  ementa  foi  assim redigida:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  (...)  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 316          13 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR.  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  NECESSIDADE  EXTENSÃO  À  TOTALIDADE DOS EMPREGADOS  E DIRIGENTES.  LEI  N°  8.212/91  EM  CONFRONTAÇÃO  COM  A  LEI  COMPLEMENTAR  N°  109/2001.  PRINCÍPIO  DA  ESPECIALIDADE.  Os  valores  pagos  aos  funcionários  da  contribuinte  a  título  de  plano  de  previdência  privada  complementar  somente  estarão  fora  do  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias se extensivos à totalidade dos empregados e  dirigentes da empresa, nos termos do artigo 28, § 9. , alínea  “p”,  da  Lei  n°  8.212/91,  a  qual  prevalece  em  relação  ao  disposto  na  Lei  Complementar  n°  109/2001  em  razão  do  princípio  da  especialidade,  sobretudo  quando  àquela  LC  adentrou  a  matéria  reservada  à  Lei  Ordinária,  se  equiparando a esta, portanto, neste tema.  O  argumento  da  recorrente  de  que  qualquer  empregado  poderia  superar  a  barreira salarial das 10 UR não me parece aceitável. Conforme o relatório fiscal, o que não foi  questionado  no  recurso,  apenas  20%  dos  empregados  atingiam  esse  patamar  remuneratório.  Esse fato denota que a grande maioria dos trabalhadores a serviço da empresa não alcançavam  os requisitos regulamentares para ingresso no plano de previdência complementar.  Sequer a empresa demonstrou que apenas os segurados que recebiam acima  do teto do RGPS seriam os contemplados, como pode se ver de outro trecho do relato do fisco:  “Nota:  Salário­de­contribuição  é  igual  ao  somatório  do:  salário básico + periculosidade + prêmios + comissões ­ 10  UR.  ii. UR = Unidade de Referência: significará o valor de Cr$  439.840,00  (quatrocentos  e  trinta  e  nove  mil,  oitocentos  e  quarenta cruzeiros) no dia 1° de setembro de 1992, que será  corrigida pela variação mensal do INPC — índice Nacional  de  Preços  ao  Consumidor  —  até  a  última  data  base  da  negociação  sindical  de  cada Patrocinadora,  após  o  que,  a  correção  deverá  ser  de  acordo  com  a  Política  Salarial  de  cada  Patrocinadora  e  de  acordo  com  cada  uma  de  suas  filiais, se houver acordos salariais diferenciados.  iii.  No  caso  da  Bunge  Alimentos,  os  valores  das  UR  são  distintos nas diversas filiais. A titulo de exemplo, ­o valor de  uma  UR,  em  06/2005,  na  filial  436  (CNPJ:  84.046.101/0296­80­­ Bauru/SP) era de R$ 185,90 e na filial  601  (CNPJ:  84.046.101/0341­79 — Cuiabá/MT)  era de R$  154 86.  iv.  Já  o  valor  do  teto  do  Regime  Geral  de  Previdência  Social, em 06/2005, era de R$ 2.668,15.”  Veja­se  que  os  empregados  que  recebiam  menos  de  10  UR  (cerca  de  R$  1.860,00  na  filial  de  Bauru),  estavam  excluídos  da  participação  no  plano  de  previdência  privada, todavia aqueles que percebiam um pouco mais, digamos R$ 2.000,00, eram abrigados  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     14 pelo benefício, mesmo percebendo uma remuneração inferior ao teto do RGPS, que na época  situava­se em torno de R$ 2.700,00.   Essa discriminação não  se  justifica  e contraria  a  regra  legal de  exclusão da  verba em tela do salário­de­contribuição, mesmo que se entenda que fixação do teto do Regime  Geral  como  valor  mínimo  de  remuneração  para  ingresso  no  plano  de  previdência  complementar não representa desconformidade suficiente a tornar a verba integrante da base de  cálculo das contribuições.  Após  essas  considerações,  não  há  como  considerar,  portanto,  que  restou  configurada  a  hipótese  de  desoneração  prevista  na  alínea  “p”  do  §  9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91, uma vez que o plano de previdência  complementar atende apenas à parcela de um  quinto dos empregados e dirigentes da Autuada.  Acerca  da  alegação  de  que  o  plano  de  previdência  não  poderia  receber  censura, uma vez que fora aprovado pela SPC, devemos ter em conta que o entendimento do  órgão fiscalizador das entidades de previdência complementar não tem força vinculante perante  os agentes tributários. A própria LC n. 109/2001 apresenta ressalva quanto à competência das  autoridades fiscais, como se pode ver:  Art.  41. No desempenho das  atividades  de  fiscalização das  entidades  de  previdência  complementar,  os  servidores  do  órgão  regulador  e  fiscalizador  terão  livre  acesso  às  respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender  livros,  notas  técnicas  e  quaisquer  documentos,  caracterizando­se  embaraço  à  fiscalização,  sujeito  às  penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à  consecução desse objetivo.  §  1o  O  órgão  regulador  e  fiscalizador  das  entidades  fechadas poderá solicitar dos patrocinadores e instituidores  informações  relativas  aos  aspectos  específicos  que  digam  respeito aos compromissos assumidos frente aos respectivos  planos de benefícios.  §  2o  A  fiscalização  a  cargo  do  Estado  não  exime  os  patrocinadores  e  os  instituidores  da  responsabilidade  pela  supervisão  sistemática  das  atividades  das  suas  respectivas  entidades fechadas.  §  3o As  pessoas  físicas  ou  jurídicas  submetidas  ao  regime  desta  Lei  Complementar  ficam  obrigadas  a  prestar  quaisquer  informações  ou  esclarecimentos  solicitados  pelo  órgão regulador e fiscalizador.  §  4o  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  sem  prejuízo  da  competência  das  autoridades  fiscais,  relativamente  ao  pleno  exercício  das  atividades  de  fiscalização  tributária.  (grifei)  De  se  concluir  que  deve  ser  mantido  na  íntegra  o  levantamento  “PLC  –  PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR”.  Contribuição ao INCRA – limite ao teto do salário­de­contribuição  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.004296/2009­49  Acórdão n.º 2401­003.691  S2­C4T1  Fl. 317          15 Argumentou a recorrente que a base de incidência da contribuição ao INCRA  estaria limitada ao teto fixado no art. 4. da Lei n. 6.950/1981, o qual corresponderia a 20 vezes  o  maior  salário­mínimo.  Acrescentou  que  o  art.  3.  do  Decreto­lei  n.  2.318/1986  afastou  o  referido  limite  apenas  em  relação  às  contribuições  previdenciárias  patronais,  remanescendo  para aquelas destinadas a outras entidades.  Vejamos.  A  Lei  6.950/1981  promoveu  alterações  na  legislação  previdenciária,  dentre  as  quais  fixou  novo  limite  máximo  do  salário­de­contribuição,  nos  seguintes termos:  Art  4º  ­  O  limite  máximo  do  salário­de­contribuição,  previsto no art. 5º da Lei nº 6.332, de 18 de maio de 1976, é  fixado  em valor  correspondente a  20  (vinte)  vezes  o maior  salário­mínimo vigente no País.   Parágrafo único ­ O limite a que se refere o presente artigo  aplica­se  às  contribuições  parafiscais  arrecadadas  por  conta de terceiros.  A limitação em tela já era aplicável a todas as contribuições previdenciárias,  nos termos do art. 5. da Lei n. 6.332/1976, o que indica que, a partir da Lei n. 6.950/1981, além  da contribuição dos segurados e das contribuições patronais para a Seguridade Social, aquelas  destinada a outras entidades ou fundos passaram a se sujeitar ao teto máximo.  Ocorre que, em relação às contribuições patronais, o teto deixou de subsistir a  partir da publicação do Decreto­lei n. 2.318/1986, que carregou o seguinte dispositivo:  Art  3º  Para  efeito  do  cálculo  da  contribuição  da  empresa  para a previdência social, o salário de contribuição não está  sujeito  ao  limite  de  vinte  vezes  o  salário  mínimo,  imposto  pelo art. 4º da Lei nº 6.950, de 4 de novembro de 1981.  Restou  assim  revogado  o  limite  previsto  no  “caput”  do  art.  4.  da  Lei  n.  6.950/1981, deixando de haver a limitação na base de cálculo das contribuições previdenciárias  patronais.  Tendo sido revogado o “caput”, qual o destino do parágrafo único do art. 4.  da Lei n. 6.950/1981? A meu ver também perdeu a eficácia, haja vista que o texto constante no  parágrafo faz referência expressa ao teto previsto na cabeça do artigo.  Pois bem, uma vez que o conteúdo referenciado foi revogado, não há como  prevalecer a tese de que o parágrafo único do art. 4. da Lei n. 6.950/1981 continuaria vigente  em relação à contribuição destinada ao INCRA.  Outro argumento citado na decisão recorrida, que me parece bem plausível,  foi o de que a limitação pretendida não se compactua com a ordem constitucional instituída em  1988,  posto  que  fere  o  princípio  da  generalidade  da  tributação.  Por  esse  princípio  a  base  tributável  deve  abarcar  a  integralidade  do  fato  imponível,  a  menos  que  haja  lei  específica  prevendo sua redução, conforme dispõe o § 6. do art. 150 da Lei Maior:  Qualquer subsídio ou  isenção,  redução de base de cálculo,  concessão  de  crédito  presumido,  anistia  ou  remissão,  relativos a  impostos,  taxas ou  contribuições,  só poderá  ser  Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     16 concedido  mediante  lei  específica,  federal,  estadual  ou  municipal,  que  regule  exclusivamente  as  matérias  acima  enumeradas  ou  o  correspondente  tributo  ou  contribuição,  sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.  Portanto,  a  limitação  pretendida  pela  empresa  na  base  de  cálculo  da  contribuição ao  INCRA não possui amparo  constitucional,  tampouco da  legislação ordinária,  estando órfã de fundamento jurídico a tese do sujeito passivo.  Conclusão  Voto por negar provimento ao recurso.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 10640.720698/2013-24
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/03/2013 REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial - PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/2013­24  Acórdão n.º 2803­003.786  S2­TE03  Fl. 3          2  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.     assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de  Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.     Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/2013­24  Acórdão n.º 2803­003.786  S2­TE03  Fl. 4          3    Relatório  A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por  ter deixado de incluir em Folhas de Pagamento remunerações pagas, devidas ou creditadas aos  Segurados Empregados da empresa.  O  r.  acórdão  –  fls  238  e  ss,  conclui  pela  improcedência  da  impugnação  apresentada,  mantendo  o  Auto  lavrado.  Inconformada  com  a  decisão,  apresenta  recurso  voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte:  ·  Não  é  possível  compreender  exatamente  a  razão  pela  qual  o  D.  Agente  Fiscal  presumiu  antes  as  informações  que  dispunha  sobre  a  existência de relação de emprego com as pessoas mencionadas (sic).  ·  Há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação  ao  devido  processo  legal  administrativo,  uma  vez  que  o  durante  a  fiscalização  a  impugnante  apresentou  vários  documentos  e  livros  fiscais  e  contratos  demonstrando  a  inexistência  de  relação  empregatícia com os quatro trabalhadores indicados.  ·  Não foi devidamente demonstrada a relação de emprego. Trata­se de  representantes comerciais, conforme lei 4886/65 e não empregados.  ·  A representação comercial autônoma muito se assemelha à relação de  emprego do ponto de vista  legal. Tanto a representação exercida por  pessoa física quanto a relação de emprego ostentam, de forma geral,  como  pressupostos,  uma  pessoa  natural  que  trabalha  pessoalmente  para o tomador dos serviços mediante remuneração e de maneira não  eventual, conforme artigo 1o da referida lei.  ·  A  incidência  da  TAXA  SELIC  sobre  o  suposto  débito  apontado  no  auto também não encontra respaldo jurídico.  ·  Requer a Recorrente sejam acolhidos seus argumentos, para que seja  reformada a r. decisão recorrida, julgando totalmente improcedente o  lançamento  impugnado,  reconhecendo­se  a  impropriedade  da  cobrança  retratada  na  DEBCAD  51.038.361­0.  Acaso  assim  não  entenda,  requer­se  a  conversão  do  feito  em diligência,  para,  quando  menos, segregar os valores recebidos por cada funcionário, eventuais  verbas indenizatórias e, para tanto, justar o valor do auto de infração e  da multa aplicada.    É o relatório.  Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/2013­24  Acórdão n.º 2803­003.786  S2­TE03  Fl. 5          4  Voto             Conselheiro Oséas Coimbra      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.  O ponto central a ser dirimido é se as pessoas referidas no relatório fiscal, e  não  declaradas  em  folhas  de  pagamento,  detém  a  qualidade  de  empregado  ou  representante  comercial.  As  pessoas  citadas  são:  Jarbas  Ribeiro  Júnior,  Michel  Condé,  José  Paulo  Vicente e Luiz Henrique Batalha.  Nos  autos  do  processo  10640.720695/2013­91  e  10640­720.696/2013­35  ­  obrigação principal, conforme indica o relatório fiscal, temos as considerações em relação aos  referidos segurados.  Entendeu  a  fiscalização  enquadrá­los  como  segurados  empregados  pelas  seguintes razões, resumidamente:  1.  Os  segurados  eram  empregados,  houve  extinção  do  vínculo  e  passaram a prestar serviços como representantes comerciais ­ pessoa  jurídica, com emissão de notas fiscais seqüenciais.  2.  Referidos segurados continuam no plano de saúde da recorrente.  3.  Caracterização da pessoalidade, não eventualidade e subordinação.  Apesar de a autoridade  fiscal  trazer vários elementos que poderiam apontar  na direção adotada, fazendo constar inclusive que "A distinção entre o vendedor empregado e o  representante  comercial  autônomo  é  uma  das  matérias  mais  controvertidas  da  seara  trabalhista, devido às muitas semelhanças existentes entre uma e outra categoria", a análise do  caso concreto leva este julgador a diverso entendimento.  Do que consta nos  citados  autos,  não vislumbro mácula nos procedimentos  adotados  pela  recorrente.  Em  tese,  nada  impede  que  vendedores  empregados  se  tornem  representantes  da  mesma  empresa.  A  fraude  à  relação  trabalhista  deve  ser  devidamente  demonstrada.  Inicialmente,  perfilo  a  tese  bem  esclarecida  pela  Desembargadora  Maria  Laura Franco Lima de Faria, que assim se manifestou nos autos do processo 00035­2002­052­ 03­00­11:                                                              1  Extraído  de  <http://www.conjur.com.br/2010­out­18/relacao­emprego­representacao­comercial­autonoma­ fundindo> em 16.10.2014  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/2013­24  Acórdão n.º 2803­003.786  S2­TE03  Fl. 6          5  “...tênue  a  diferença  entre  o  trabalho  prestado  pelo  representante  comercial  autônomo  e  o  vendedor­empregado.  A  subordinação  jurídica  é  o  diferencial  determinante.  Contudo,  também o representante comercial pode ter sua zona de atuação  delimitada pela representada; pode ter que prestar serviços com  exclusividade  e  ter  que  cumprir  as  obrigações  previstas  no  contrato  (artigo  27,  Lei  4.886/65),  dentre  as  quais  pode  estar  estabelecido o comparecimento a reuniões mensais ou semanais,  a  observância  de  preços  predeterminados  e  até  mesmo  o  cumprimento de cotas mínimas.”  Maurício  Godinho2  traz  elucidativa  conclusão  que  ajuda  a  definir  os  contornos da subordinação que divisa a relação empregatícia da representação comercial.  A subordinação, por sua vez, é elemento de mais difícil aferição  no  plano  concreto  desse  tipo  de  relação  entre  as  partes.  Ela  tipifica­se  pela  intensidade,repetição  e  continuidade  de  ordens  do  tomador  de  serviços  com  respeito ao  obreiro,  em direção  à  forma  de  prestação  dos  serviços  contratados.  Se  houver  continuidade,  repetição e  intensidade de ordens do  tomador de  serviços  com  relação  à  maneira  pela  qual  o  trabalhador  deve  desempenhar  suas  funções,  está­se  diante  da  figura  trabalhista  do vendedor empregado (art.2 e 3, caput, CLT; Lei n. 3.207, de  1957).  Inexistindo  essa  contínua,  repetida  e  intensa  ação  do  tomador sobre o obreiro, fica­se diante da figura regulada pela  Lei Comercial n. 48.886/65 e Código Civil de 2002.    Toda ação que visa burlar a legislação tributária tem uma razão para tal. Via  de regra o empregado, elo fraco da relação, tem direitos suprimidos e se vê, involuntariamente  coagido  a  abrir  mão  das  proteções  advindas  da  relação  laboral,  como  FGTS,  férias  e  13o.  salário.  A  extinção  do  vínculo  laboral,  com  imediata  contratação  dos  mesmos  empregados,  para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode  automaticamente  rotular  a  operação  como  fraudulenta,  pois  pode  se  configurar  em  legal  procedimento, com ganho para ambas as partes e  real nova configuração de empregado para  representante.  No  caso  sub  examine,  temos  que  as  notas  fiscais  acostadas  aos  autos  do  processo 10640.720695/2013­91, consubstanciadas na tabela de fls 159 e no autos do processo  10640­720.696/2013­35,  fls  222,  demonstram  que  os  referidos  segurados  possuem  alta  remuneração mensal, com valores que chegam a mais de R$ 58.000,00 (cinquenta e oito mil  reais),  a  demonstrar  que  a  transmudação  de  empregado  a  representante  se  mostrou  muito  vantajosa a estes, justificando economicamente a alteração do status quo.  Não há comprovação de que a recorrente tinha "contínua, repetida e  intensa  ação"  sobre  os  representantes,  assumindo  assim que  tinham autonomia  para  atingir  as metas  estabelecidas, característica da "subordinação mitigada" inerente a essa classe de prestador de  serviço. A cláusula 1.5 expressamente admite que o representante poderá intermediar a venda  de produtos de empresas diversas, desde que não sejam concorrentes ou similares, afastando a  exclusividade na atividade.                                                              2   DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 200, pág. 597  Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720698/2013­24  Acórdão n.º 2803­003.786  S2­TE03  Fl. 7          6  Igualmente não vejo censura aos contratos de representação firmados. A  lei  4886/65 regula as atividades dos representantes comerciais autônomos. Os contratos firmados  não colidem com o que consta na norma, não havendo nada que afaste sua aplicação.   Considero  também que o  fato de a  recorrente  ser  intermediária de plano de  saúde para os representantes não importa em reconhecimento de vínculo.  Dessa feita, não vislumbro fraude na relação firmada entre os segurados e a  recorrente, devendo ser considerada válida a relação de representação comercial entre as partes,  não havendo pois fato gerador a ser considerado.    CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dou­lhe provimento.      assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.                                Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR

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Numero do processo: 10580.725157/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão: Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.266,64, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir-se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Jose Carlos Rodrigues do Nascimento apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão: Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.266,64, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir-se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Jose Carlos Rodrigues do Nascimento apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/2009­68  Resolução nº  2201­000.173  S2­C2T1  Fl. 3          2 Conforme  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  constantes  no  auto  de  infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação  indevida  de  rendimentos  tributáveis  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  como  sendo  rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de  Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e  seis) parcelas no período de  janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da  Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003.  As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de Cruzeiro Real  para  URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda,  sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.  Na  apuração  do  imposto  devido  não  foram  consideradas  as  diferenças  salariais  que  tinham  como  origem  o  décimo  terceiro  salário,  por  estarem  sujeitas  à  tributação  exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento  ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006,  que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do  Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer  PGFN/CRJ nº  287/2009,  que  dispõe  sobre  a  forma de  apuração  do  imposto  de  renda  incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal  e  apresentou  impugnação,  alegando, em síntese, que:  a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois  o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra­se em  perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória;  b)  segundo  a  legislação  que  regulamenta  o  imposto  de  renda,  caberia  à  fonte  pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido  tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar  tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração;  c)  mesmo  que  tal  verba  fosse  tributável,  não  caberia  a  aplicação  da  multa  de  ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações  da fonte pagadora;  d)  o Ministério  da  Fazenda,  em  resposta  à  Consulta  Administrativa  feita  pela  Presidente  do Tribunal  de  Justiça  do  Estado  da Bahia,  também,  teria manifestado­se  pela  inaplicabilidade  da multa  de  ofício,  em  razão  da  flagrante  boa­fé  dos  autuados,  ratificando o entendimento  já  fixado pelo Advogado­Geral da União, através da Nota  AGU/AV 12/2007. Na  referida  resposta,  o Ministério  da  Fazenda  reconhece  o  efeito  vinculante  do  comando  exarado  pelo Advogado Geral  da União  perante  à PGFN e  a  RFB;  e)  o  lançamento  fiscal  seria  nulo  por  ter  tributado  de  forma  isolada  os  rendimentos  apontados  como  omitidos,  deixando  de  considerar  a  totalidade  dos  rendimentos e deduções cabíveis;  f)  ainda  que  o  valor  decorrente  do  recebimento  da  URV  em  atraso  fosse  considerado como  tributável,  não  caberia  tributar os  juros  incidentes  sobre  ele,  tendo  em vista sua natureza indenizatória;  g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse  arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/2009­68  Resolução nº  2201­000.173  S2­C2T1  Fl. 4          3 teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou  legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento;  h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação  processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não  incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda  proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir­se que a União é  parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção;  i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da  Bahia para  regular matéria  reservada à Lei Federal, o valor  recebido a  título de URV  tem  a  natureza  indenizatória.  Neste  sentido  já  se  pronunciou  o  Supremo  Tribunal  Federal,  o  Presidente  do  Conselho  da  Justiça  Federal,  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda,  Poder  Judiciário  de  Rondônia,  Ministério  Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores;  j)  o  STF,  através  da  Resolução  nº  245,  de  2002,  deixou  claro  que  o  abono  conferido  aos  Magistrados  Federais  em  razão  das  diferenças  de  URV  tem  natureza  indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim,  tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação  ao princípio constitucional da isonomia.  A  3ª  Turma  da  DRJ  em  Salvador/BA  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF.  As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado  da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de  setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.  MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO.  A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o  tributo  não recolhido independe da intenção do contribuinte.  Crédito Tributário Mantido  Intimado  da  decisão  de  primeira  instância,  Jose  Carlos  Rodrigues  do  Nascimento  apresenta  tempestivamente  Recurso  Voluntário,  sustentando,  essencialmente,  os  mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.  É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/2009­68  Resolução nº  2201­000.173  S2­C2T1  Fl. 5          4 Cuidam  os  presentes  autos  de  lançamento  sobre  verbas  recebidas  acumuladamente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de “Valores Indenizatórios  de  URV”,  no  período  de  janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006,  em  decorrência  da  Lei  Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003.  Com  efeito,  como  se  trata  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF  (Portaria  nº  256/2009),  determinou  aos  Conselheiros  reproduzir  as  decisões  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal Federal – STF, na sistemática prevista pelo art. 543­B do Código de Processo Civil ­  CPC. Transcreve­se o art. 62­A do RICARF:  Art. 62­A. ­ As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.   Por sua vez, transcrevem­se os arts. 1º e 2º da Portaria CARF n° 01/2012:  Art.  1o.  Determinar  a  observação  dos  procedimentos  dispostos  nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento  de  recursos  em  tramitação  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF, em processos referentes a matérias de  sua  competência  em  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários  ­ RE, até que  tenha  transitado em julgado a respectiva decisão,  nos  termos  do  art.  543­B  da  Lei  n°  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código de Processo Civil.  Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata  o  caput  somente  será  aplicado  a  casos  em  que  tiver  comprovadamente  sido  determinado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal ­ STF o sobrestamento de processos relativos à matéria  recorrida, independentemente da existência de repercussão geral  reconhecida para o caso.  Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º.  O Supremo Tribunal  Federal  ao  apreciar  a  admissibilidade  do RE  nº  614406,  que  trata  exatamente  sobre  a  forma  de  cálculo  do  imposto  objeto  dos  presentes  autos,  determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do  art. 543­B do CPC, verbis:  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725157/2009­68  Resolução nº  2201­000.173  S2­C2T1  Fl. 6          5 RE  614406  AgR­QO­RG  /  RS  ­  RIO  GRANDE  DO  SUL  REPERCUSSÃO  GERAL  NA  QUESTÃO  DE  ORDEM  NO  AG.REG.  NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE  ­ Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe­043 DIVULG 03­03­2011  PUBLIC 04­03­2011 EMENT VOL­02476­01 PP­00258 LEXSTF v. 33,  n. 388, 2011, p. 395­414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL.  1.  A  questão  relativa  ao  modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados ­  se por  regime de caixa ou de competência ­ vinha sendo considerada  por esta Corte como matéria infraconstitucional,  tendo sido negada a  sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com  fundamento no art. 102,  III, b, da Constituição Federal,  em razão do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88 por Tribunal Regional Federal,  constitui  circunstância nova  suficiente  para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  da  matéria.  3.  Reconhecida  a  relevância  jurídica  da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários da  isonomia e da uniformidade geográfica.  4.  Questão  de  ordem  acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário  com suporte  no  entendimento  anterior  desta Corte;  b)  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional;  e  c)  determinar  o  sobrestamento,  na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos  de  instrumento,  nos termos do art. 543­B, § 1º, do CPC.  Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral  objeto  do  recurso  e  reformou  a  decisão  de  inadmissibilidade  do  extraordinário.  Votou  o  Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei)  Ante  a  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  sobrestar  os  autos  até  decisão  definitiva do STF.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10730.911199/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 Decisão. Inovação. Supressão de Instancia. Inocorrência Não se verifica inovação ou supressão de instância em decisão de Turma Julgadora de 1a. Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de provas apresentadas pela recorrente, em atendimento às solicitações da sua unidade de jurisdição, destinadas justamente a comprovar o indébito reclamado.
Numero da decisão: 1801-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Rogério Aparecido Gil que deram provimento em parte ao recurso voluntário e determinaram o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2          1 1  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.911199/2009­59  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­002.179  –  1ª Turma Especial   Sessão de  23 de outubro de 2014  Matéria  Compensação ­ Estimativa de CSLL ­ pagamento indevido ou a maior  Recorrente  AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006  DECISÃO. INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTANCIA. INOCORRÊNCIA  Não  se  verifica  inovação  ou  supressão  de  instância  em  decisão  de  Turma  Julgadora de 1a. Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de  provas  apresentadas  pela  recorrente,  em  atendimento  às  solicitações  da  sua  unidade  de  jurisdição,  destinadas  justamente  a  comprovar  o  indébito  reclamado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Ana  de  Barros  Fernandes  (Relatora)  e Rogério Aparecido Gil  que  deram provimento  em parte  ao  recurso  voluntário  e  determinaram o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito  do litígio. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor.      (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora  (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 99 /2 00 9- 59 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Fernando Daniel  de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre  Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.  Relatório  A empresa recorre do Acórdão nº 12­064.170/14 exarado pela Décima Quinta  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  no  Rio  de  Janeiro/RJ  1,  e­fls.  736  a  752  ,  que  julgou  improcedente    o  direito  creditório  pleiteado  pela  contribuinte,  bem  como  decidiu  não  homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos  Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) objetos destes autos.  O acórdão restou assim ementado:  CSLL.  ESTIMATIVA  MENSAL  CALCULADA  COM  BASE  EM  BALANCETE  DE  SUSPENSÃO/REDUÇÃO.  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO A MAIOR.  A comprovação do pagamento a maior da estimativa de CSLL apurada com base  em balancete de suspensão/redução exige que o contribuinte apresente o referido  balancete,  como  também  o  demonstrativo  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição, relativamente ao período compreendido entre 1° de janeiro, ou o dia  de  início  de  atividade,  e  o  último  dia  do mês  a  que  se  referir  a  estimativa  em  questão.  A  mera  falta  de  transcrição  do  balancete  no  Livro  Diário  não  invalida  este  balancete,  para  efeito  de  suspensão ou  redução  da  estimativa mensal  de CSLL,  quando suas informações guardam consonância com a escrituração contábil.  Já o demonstrativo de apuração que abrange apenas o mês de competência, sem  considerar  o  período  acumulado,  reputa­se  imprestável  para  comprovar  o  pagamento a maior da estimativa.  Ocorre que este processo  já havia  sido objeto de análise  anterior,  quando a  autoridade  a  quo  havia  indeferido  o  Per/Dcomp  emitido  pela  recorrente  por  tratar­se  de  repetição de estimativa, entendimento corroborado na primeira decisão prolatada pela Primeira  Instância de Julgamento.  Por razão do provimento em parte do recurso voluntário então interposto, os  autos voltaram à unidade de jurisdição da recorrente para fosse analisado o crédito pleiteado, já  que o  entendimento deste  colegiado  (e órgão  julgador) é que as  estimativas  são passíveis de  restituição, desde que comprovado que o recolhimento a maior ou indevido deu­se por erro1.  No  Despacho  Decisório  emitido  às  e­fls.  702  a  710  a  autoridade  a  quo,  sumariamente,  indeferiu  o  Per/Dcomp  da  recorrente  em  razão  de  que  os  balancetes  de  suspensão/redução não haviam sido registrados no Diário.  Ao subir os autos a julgamento em Primeira Instância, no voto­condutor esta  questão  foi  superada,  registrando­se  no  acórdão  ora  recorrido  que  a  falta  de  registro  dos                                                              1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu  recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.  Fl. 775DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/2009­59  Acórdão n.º 1801­002.179  S1­TE01  Fl. 3          3 balancetes  de  suspensão/redução  no  Livro  Diário  não  pode  ser  razão  para  que  seja  desconsiderado, entendimento já adotado por este Conselho, por analogia2.  Superada a razão de indeferimento do Per/Dcomp, do Despacho Decisório, a  Turma  Julgadora,  por  maioria  de  votos,  decidiu  que  a  recorrente  não  faz  jus  ao  direito  creditório, pois não apresentou documentação hábil  a comprovar o alegado erro  ­ apresentou  somente  balancete  de  suspensão/redução  do  mês  e  não  do  período  acumulado,  consoante  ementa acima transcrita.  Em Declaração de Voto, o julgador vencido na votação salientou:  "Concordo  com  o  Ilustre  Relator  que  a  simples  falta  de  transcrição  do  balancete no Livro Diário não invalida o mesmo, quando suas informações guardam  consonância com a escrituração contábil.  No  entanto,  respeitosamente,  divirjo  do  Ilustre Relator  quanto  a  decidir  por  considerar imprestável o Demonstrativo de Apuração da CSLL por outras razões não  apresentadas  no  Despacho  Decisório,  pois  entendo  que  tal  situação  caracterizaria  inovação de motivação, acarretando no cerceamento do direito de defesa.  Portanto, meu voto é no sentido de retornar o processo à Unidade prolatora do  Despacho Decisório  a  fim  de  dar  prosseguimento  na  análise  do  direito  creditório,  ainda que haja a possibilidade da autoridade tributária desconsiderar a contabilidade  por outros motivos distintos daqueles já apontados por ela."  A empresa interpôs tempestivamente3 o Recurso de e­fls. 757 a 771 , reiterando os  termos  da  defesa  exordial,  em  síntese,  que  faz  jus  à  repetição  do  indébito  tributário  consubstanciado na estimativa de CSLL, referente ao mês de outubro de 2006, pois "... estava  amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar bases de cálculo negativas de  períodos anteriores sem a limitação de 30% prevista no art. 58 da Lei nº 8.981/1995, e no art.  16 da Lei nº 9.065/1995; QUE, amparada por esta decisão judicial, utilizou todo o montante  de bases negativas que  possuía,  para  fins de compensação,  tendo o  estoque se  esgotado em  dezembro de 2005; QUE, na falta de bases negativas que pudesse compensar, apurou, a título  de estimativa de CSLL, em outubro de 2006, um valor de R$ 357.630,91; QUE em virtude da  subseqüente  reforma  da  decisão  judicial,  viu­se  obrigada  a  recalcular  os  valores  das  estimativas de CSLL devidas, levando em conta a trava de compensação de 30%; QUE, após  efetuar o recálculo, o montante devido a título de estimativa de CSLL, no mês de outubro de  2006,  foi  reduzido  para  R$  250.341,64,  valor  este  devidamente  informado  na  Ficha  16  da  DIPJ/2007  (doc.  fl.  104)  e  na  própria DCTF  (doc.  fl.  99); QUE como  já  havia  recolhido  a  importância de R$ 357.630,91, passou a ter, conseqüentemente, um crédito frente à Fazenda  Nacional, no valor de R$ 107.289,27; QUE o art. 74, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, ao  enumerar  as  hipóteses  de  compensações  vedadas,  não  fez  qualquer  restrição  ao  aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE  a vedação  introduzida pelo art. 10 da  Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, não  tem  nenhum  amparo  legal;  QUE  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  30/12/2008,  que  regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita                                                              2 Súmula CARF nº 93: A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário  não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o  sujeito  passivo  apresenta  escrituração  contábil  e  fiscal  suficiente  para  comprovar  a  suspensão  ou  redução  da  estimativa.  3 AR – 24/10/11, e­fls. 99; Recurso – 23/11/11, e­fls. 102  Fl. 776DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     4 Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de  recolhimentos a maior de estimativas mensais."  Aduz que o acórdão recorrido não pode prosperar porque trouxe inovação às razões  de indeferimento veiculadas pela autoridade a quo, suprimindo instância de julgamento, e que a unidade  de jurisdição não analisou o crédito tributário em nenhum momento processual, consoante determinado  no primeiro acórdão prolatado em segunda instância de julgamento.  É o suficiente para o relatório. Passo ao voto.    Voto Vencido  Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora  Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo.  Entendo que assiste razão à recorrente. Adoto as razões de decidir explanadas  no Voto Vencido.  Por analogia,  invoco o disposto no parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº  70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF):  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  3º  Quando,  em  exames  posteriores,  diligências  ou  perícias,  realizados no curso do processo,  forem verificadas incorreções,  omissões  ou  inexatidões  de  que  resultem  agravamento  da  exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal  da  exigência,  será  lavrado  auto  de  infração  ou  emitida  notificação  de  lançamento  complementar,  devolvendo­se,  ao  sujeito  passivo,  prazo  para  impugnação  no  concernente  à  matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  Entendo  que  houve  a  inovação  na  fundamentação  legal  das  razões  de  indeferimento,  e,  por  conseguinte,  flagrante  cerceamento  de  defesa  da  recorrente  (artigo  59,  inciso II, do PAF).  A Turma Julgadora de Primeira  Instância ao adentrar no mérito da questão,  sem que  a  autoridade a quo o  fizesse,  suprimiu  uma  instância  administrativa de  julgamento,  procedimento  defeso,  pois  aquela  autoridade  restringiu­se  a  não  admitir  os  meios  de  prova  exibidos  pela  recorrente  (no  caso  em  concreto,  por  falta  de  transcrição  dos  balancetes  de  suspensão/redução no Livro Diário).  Uma  vez  afastada  a  razão  de  indeferimento  do  pleito  da  recorrente  manifestada  pela  autoridade a  quo, os  autos  devem  retornar  para  analisar­se  a  contabilidade  completa  da  recorrente,  no  que  concerne  a  todas  as  suas  alegações,  verificar­se  os  valores  Fl. 777DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/2009­59  Acórdão n.º 1801­002.179  S1­TE01  Fl. 4          5 informados  em DIPJ  e DCTF,  e  verificar  se,  efetivamente,  houve ou  não  o  recolhimento  da  estimativa  de CSLL  a maior,  consoante  a  recorrente  explicita,  ou  seja,  se  o  valor  devido  de  estimativa para o mês de outubro de 2006 é, de fato, R$ 250.341,64, em contraposição do valor  recolhido,  por  DARF,  da  ordem  de  R$  357.630,91,  o  que,  em  tese,  enseja  a  repetição  do  indébito tributário no valor de R$ 107.289,27.  Voto  para  dar  provimento  em  parte  ao  Recurso Voluntário  e  determinar  o  retorno dos autos à unidade de  jurisdição da recorrente para análise do direito creditório, em  vista das argumentações meritórias da contribuinte.   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich     Voto Vencedor  Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada.    Com  o  devido  respeito  ao  muito  bem  fundamentado  voto  da  Ilustre  Conselheira Relatora, divirjo de seu entendimento, no presente caso.  Como se verifica do  relato, a  recorrente  teve seu pleito de compensação de  débitos próprios com direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior da estimativa  de  CSLL  do  mês  de  outubro/2006,  porque  a  autoridade  administrativa  entendeu  que  pagamentos  efetuados  a  título  de  estimativa  não  poderiam  ser  utilizados  como  direito  creditório,  a  esse  título,  em  compensações  declaradas,  e  que  tais  recolhimentos  somente  poderiam ser aproveitados como dedução ou para compor o saldo negativo porventura apurado  no final do período de apuração.  Pelo  Acórdão  n  º  1801­001.293,  de  05/12/2012,  esta  Turma  Especial  de  Julgamento  do CARF decidiu  que  a  compensação  de  estimativas,  a  esse mesmo  título,  seria  possível,  desde  que  a  recorrente  comprovasse,  perante  a  Fazenda  Pública,  o  erro  cometido  na  apuração  e/ou  recolhimento  da  estimativa  reivindicada  como  direito  creditório nestes autos.  Eis o trecho dessa decisão (e­fls. 158):  “Imperioso,  portanto,  para  homologação  da  compensação,  a  confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado.  Ou  seja,  a  homologação  expressa  exige  que  a  contribuinte  comprove,  perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja  na  apuração  da  estimativa  com  base  em  receita  bruta,  seja  com  base  em  balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito  de  R$  3.328,31  e  a  correspondente  disponibilidade, mediante  prova  de  que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no  ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo”.  Fl. 778DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     6 (destaques acrescidos)  Dando  cumprimento  a  essa  decisão,  o  SEORT  da  DRF  em  Niterói/RJ,  intimou  a  recorrente  para  que  apresentasse  os  seguintes  elementos,  a  fim  de  comprovar  o  direito creditório que alegava possuir (e­fls. 176/178):  a)  Demonstrativo  de  apuração  da  CSLL,  calculada  por  estimativa  mensal,  especificando  as  contas  contábeis  em  que  foram  escrituradas  as  receitas  que  compuseram a base de cálculo;  b) Os balancetes mensais de suspensão/redução;  c) O plano geral de contas utilizado para o registro na escrituração contábil;  d) Os Livros Diário e Razão;  e) Cópia autenticada do documento comprobatório da representação legal e do  documento de identidade do representante; e  f)  Cópia  autenticada  da  procuração  conferida  por  instrumento  público  ou  particular e do documento de identidade do outorgado, na hipótese de mandatário do  sujeito passivo   Constou, ainda, ao final, a seguinte observação:  Considere­se o contribuinte INFORMADO que o não­atendimento à presente  intimação  poderá  ensejar  o  não­reconhecimento  do  direito  creditório  alegado  e  a  não­homologação da compensação declarada.  A  recorrente  atendeu  a  solicitação  e  apresentou  os  elementos  que  entendeu  suficientes, assim especificados na resposta anexada à e­fls. 181/182:  Diante do  exposto  a AMPLA apresenta os documentos  solicitados nos  itens  a), b) e c),  em arquivo magnético, CD­R anexo  (Doc. 03),  conforme acordado em  contato telefônico. Para o item d) seguem os Livros Diários originais e o Razão em  arquivo magnético (Doc. 03), ambos do mês de Outubro de 2006. Quanto aos itens  e) e f), a Companhia apresenta as cópias dos documentos autenticados também em  anexo (Doc. 01).  Os elementos apresentados foram anexados às e­fls. 190 e ss, e referem­se a:  ­ Plano Geral de Contas Contábeis (fls. 194/283);  ­ Balancete mensal de suspensão/redução de outubro/2006 (fls. 284/317);  ­  Demonstrativo  com  o  lucro  líquido  ajustado  pelas  adições,  exclusões  e  compensações (fls. 318/319);  ­ Livros Diário de n ºs 460, 461, 462 e 463, de onde foram extraídas cópias  parciais anexadas às fls. 320/335; e  ­  Livro  Razão,  de  onde  foram  extraídas  cópias  dos  lançamentos  contábeis  efetuados em contas de resultados, às fls. 336/697.  Reforçando.  A  decisão  desta  1a.  Turma  Especial  de  Julgamento  do  CARF  determinou que a autoridade administrativa colhesse  junto à  recorrente as provas do  indébito  analisando­as,  a  fim  de  formar  sua  convicção  sobre  a  existência  e  suficiência  do  direito  Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911199/2009­59  Acórdão n.º 1801­002.179  S1­TE01  Fl. 5          7 creditório. Assim agiu a unidade de jurisdição da recorrente. Reuniu os elementos apresentados  e  sobre  eles  emitiu  seu  juízo  de  valor.  Nesse  sentido,  considerou  que  o  balancete  de  redução/suspensão  apresentado  pela  recorrente,  no  qual  teria  sido  apurada  a  estimativa  de  CSLL  de  outubro/2006,  não  teria  validade  jurídica  como  elemento  probatório,  porque  não  havia sido transcrito no Livro Diário, formalidade exigida por lei.  Eis o trecho daquela decisão: (e­fls. 706)  13. No caso em exame, constata­se, à vista do que consta nas cópias parciais  dos Livros Diário de nos 460, 461, 462 e 463 (fls. 320/335), que o sujeito passivo  deixou de transcrever o balancete mensal de suspensão/redução do período de  apuração de outubro/2006 no Livro Diário.  14.  Por  conta  da  inexistência  de  transcrição  no  Livro  Diário,  o  balancete  mensal de suspensão/redução de  fls. 284/316 deve ser desconsiderado, em face do  disposto no  art.  15,  § 3º, da  IN SRF nº 93/1997,  e  a CSLL devida  em  julho/2006  deverá  ser  aferida  nos  termos  previstos  no  art.  2º  c/c  art.  28,  ambos  da  Lei  nº  9.430/1996,  ou  seja,  deverá  ser  determinada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de  que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto  nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro  de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.  Desconsiderado  como  elemento  de  prova,  o  balancete,  aquela  autoridade  promoveu nova  apuração  da  estimativa,  agora  com base  na  receita  bruta,  como determinado  pela  legislação de  regência,  do que  resultou uma estimativa de CSLL,  em outubro/2006,  em  valor maior do que aquele pago pela recorrente e reclamado a título de direito creditório. Por  tal razão a compensação foi não homologada.  Da  mesma  forma  foi  a  atuação  da  Turma  Julgadora  de  1a.  instância.  Debruçou­se sobre as provas apresentadas pela recorrente, valorando­as. Assim, ao analisar o  mesmo  balancete,  superou  a  formalidade  exigida  pela  unidade  de  jurisdição.  Contudo,  ao  prosseguir na análise do mesmo elemento, o balancete apresentado, verificou que o problema  na prova apresentada não era formal, mas sim material, pois residia na própria forma com que a  recorrente havia apurado a estimativa. E, assim, consignou:  Com  efeito:  ­  de  acordo  com  a  legislação  tributária,o  resultado  contábil,  apurado  no  balancete  correspondente  ao  período  de  01/01/2006  a  31/10/2006,  deveria ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações pertinentes, a fim de  se  determinar  a  base  de  cálculo  da  CSLL  relativa  ao  período  de  01/01/2006  a  31/10/2006:  ...  Não é isto, todavia, o que temos nos autos. O Demonstrativo de Apuração da  CSLL  apresentado  pela  Interessada,  às  fls.  318/319,  abrange  apenas  o  mês  de  outubro, ou seja, o período de 01/10/2006 a 31/10/2006.  Tal  fato  pode  ser  facilmente  comprovado,  confrontando­se  os  valores  lançados no referido demonstrativo e os saldos das respectivas contas, extraídos do  balancete do período de janeiro a outubro.  Vejamos,  por  exemplo,  a  adição  efetuada  a  título  de  Provisões  Passivas  –  Prov. Cíveis – Conta nº 2219971000. O valor que aparece lançado no Demonstrativo  Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES     8 de Apuração da CSLL, de R$ 1.052.476,71 (fl. 318), corresponde ao saldo do mês  de  outubro,  e  não  ao  saldo  acumulado  de  janeiro  a  outubro,  que  é  de  R$  109.315.863,59 (fl. 300).  O mesmo problema ocorre com as demais rubricas.  Em face de tais erros, reputo o demonstrativo de fls. 318/319 imprestável para  comprovar o pagamento a maior da estimativa de CSLL de outubro de 2006.  Não vejo, assim, qualquer  inovação promovida pela Turma Julgadora de 1a.  Instância. Aquela autoridade valorou as provas apresentadas pela recorrente, exatamente como  havia feito a unidade de jurisdição da recorrente. Nada além disso. A autoridade administrativa  de jurisdição da recorrente considerou que o balancete apresentado não tinha validade jurídica  formal  como  prova. A  Turma  Julgadora  de  1a.  Instância  superou  a  falta  de  validade  formal  atribuída pela autoridade administrativa, mas considerou que o balancete, como meio de prova,  não tinha validade material. Tudo se deu no âmbito de valoração de provas.   Entendo, assim, que não houve qualquer inovação ou supressão de instância  na decisão proferida pela Turma Julgadora de 1a. Instância.   Como a recorrente não comprovou o erro na apuração da estimativa de CSLL  apurada com base em balancete de redução e/ou suspensão, e, assim, não fez prova do indébito  que alega possuir, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez                          Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10882.001560/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE SALÁRIO. NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO. UTILIDADE. O Seguro de Vida em Grupo não está sob o campo de incidência de contribuição previdenciária, por não se amoldar ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido a Parecer da PGFN sobre o seguro de vida em grupo, nos termo do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 397          1 396  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.001560/2010­37  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.210  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de novembro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  ABB LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO.  NÃO  INCIDÊNCIA.  CONCEITO  DE  SALÁRIO.  NÃO  INTEGRA  A  REMUNERAÇÃO. UTILIDADE.  O  Seguro  de  Vida  em  Grupo  não  está  sob  o  campo  de  incidência  de  contribuição  previdenciária,  por  não  se  amoldar  ao  conceito  de  salário  de  contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº. 8.212/91.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar  provimento ao recurso, devido a Parecer da PGFN sobre o seguro de vida em grupo, nos termo  do voto do Relator.  (Assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente  da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson  Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 60 /2 01 0- 37 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 398          2   Relatório  1. Trata­se de  recurso voluntário  interposto pela  empresa ABB LTDA.,  em  face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP),  que julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa e manteve o lançamento em  sua integralidade.   2.  A  fiscalização  lavrou  o  Auto  de  Infração  Debcad  nº  37.198.324­0  para  lançamento dos  créditos  referentes  às  contribuições  sociais  a cargo da  empresa,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT),  incidentes  sobre  os  valores  relativos  ao  seguro  de  vida  em  grupo,  considerados  como fatos geradores de contribuições previdenciárias.  3. O relatório fiscal (fls. 116/130), descrevendo as razões de constituição do  crédito tributário, consigna que, in verbis:  “8. SEGURO DE VIDA EM GRUPO  8.1.  O  prêmio  de  seguro  de  vida  em  grupo  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica,  desde  que  previsto  em  acordo  ou  convenção  coletiva  de  trabalho  e  disponível  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observado, no que couber, os arts. 9° e  468  da  CLT,  não  integra  a  Base  de  Cálculo  da  Contribuição  Previdenciária,  conforme disposto no  inciso XXV do art.  72 da  IN MPS/SRP 3/2005, vigente à época.  8.2. Conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal 001, item  2.8.1 acima, a empresa apresentou copia da Convenção Coletiva  de Trabalho celebrado entre o sindicato patronal e os sindicatos  dos  trabalhadores  da  região  da  qual  pertencem  as  filiais  localizadas  em  Candeias,  Polo  Petroquímico  de  Camaçari  e  Ford  Camaçari/Bahia.  Anexamos  a  copia  da  Convenção  Coletiva a este processo.  8.3. Nesta Convenção Coletiva não está previsto o fornecimento  de  Seguro  de  Vida  em Grupo  aos  trabalhadores  das  empresas  conveniadas.  8.4. Em razão do fornecimento do Seguro de Vida em Grupo sem  a correspondente previsão em Convenção Coletiva de Trabalho,  o prêmio de Seguro de Vida em Grupo referente a estas filiais foi  considerado Fato Gerador de Contribuições Previdenciárias.  (...).  10.3. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, a empresa  apresentou  o  Livro  Razão  da  Conta  412490006  –  Benefícios  Sociais  –  Seguro  de  Vida.  Nesta  conta  são  contabilizadas  as  despesas de Seguro de Vida em Grupo de toda a empresa.  Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 399          3 10.4.  Conforme  item  2.8.5  acima,  a  empresa  apresentou  o  arquivo  MANAD  contendo  as  informações  de  folha  de  pagamento e contabilidade.  10.5. Com base na informação de Centros de Custo, isolamos as  despesas  de  Seguro  de  Vida  lançadas  na  conta  contábil  412400006  referentes  às  filiais  37  (Pólo  Petroquimico  Camaçari), 60 (Candeias) e 62 (Ford Camaçari).  10.6. Contudo, parte da despesa de Seguro de Vida em Grupo é  arcada  pelos  funcionários,  por  meio  de  desconto  em  folha  de  pagamento,  na  rubrica  (evento)  D019  –  Seguro  de  Vida  em  Grupo.  10.7. As despesas de Seguro de Vida em Grupo e os descontos  dos  funcionários  na  rubrica  D019  (Cota  dos  Funcionários)  foram sumarizadas e tabuladas, e estão relacionadas na Tabela  10 – Seguro de Vida.  10.8. A diferença entre o total da despesa de Seguro de Vida em  Grupo assumida pela empresa e a cota parte dos funcionários foi  considerada  como  Base  de  Cálculo  para  o  lançamento  do  presente AUTO DE INFRAÇÃO.”  4.  A  contribuinte  tomou  ciência  da  autuação  em  28/05/2010,  e  apresentou  impugnação de fls. 236/ 251. No entanto, a DRJ de Campinas (SP) não acolheu a pretensão da  contribuinte em acórdão lavrado com a seguinte ementa:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005  SEGURO  DE  VIDA  EM  GRUPO.  NÃO  PREVISÃO  EM  ACORDO  OU  CONVENÇÃO  COLETIVA  DE  TRABALHO.  INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  O  prêmio  de  seguro  de  vida  em  grupo  apenas  não  integra  o  salário­de­contribuição  se  previsto  em  acordo  ou  convenção  coletiva  de  trabalho  e  extensivo  a  todos  os  empregados  e  dirigentes da empresa.  INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.  É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, julgar a argüição  a  respeito  da  constitucionalidade  ou  ilegalidade  e,  em  obediência ao Princípio da Legalidade.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.”  5.  Após  a  prolação  do  acórdão  julgando  improcedente  a  impugnação  apresentada,  sobreveio  o Acórdão  nº.  05­38.465  (fls.  342/343),  no  qual  a DRJ de Campinas  (SP),  corrigindo  erro  material  constante  do  acórdão  anteriormente  prolatado,  retifica  a  informação do número do DEBCAD na intimação.  Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 400          4 6. Cientificada da decisão em 21/08/2012 (fls. 347), pelo decurso de prazo de  15  dias,  a  contar  da  disponibilização  dos  documentos  em  caixa  postal,  a  contribuinte  apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 350/378), no qual aduz, em síntese que:  a)  apresentou  à  fiscalização  cópia  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  celebrado  entre  o  sindicado  patronal  e  os  sindicatos  dos  trabalhadores  da  região  da  qual  pertencem  as  filias  de  Candeias,  Pelo  Petroquímico  de  Camaçari e Ford Camaçari/Bahia, no qual não estava previsto o fornecimento  de Seguro de Vida em Grupo aos trabalhadores das empresas conveniadas;  b)  a  autoridade  fiscalizadora  equivocou­se  ao  restringir  o  conceito  de  remuneração e, consequentemente, o de salário de contribuição apenas ao que  estabelece  o  direito  previdenciário,  olvidando  a  conceituação  prevista  na  legislação trabalhista;  c) o seguro de vida em grupo não pode ser considerado salário para fins de  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  uma vez  que,  de  acordo  com o  art.  458  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho  (CLT),  tal  verba  não  se  caracteriza  como  contraprestação  pelo  serviço  prestado  (não  há  caráter  retributivo  da  prestação),  sendo  considerada  utilidade  concedida  pelo  empregador ao empregado;  d) os entendimentos jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF) são no sentido de  que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor de um  grupo  de  empregados,  sem  que  haja  individualização  do  montante  que  beneficia a cada um deles, não se inclui no conceito de salário, o que afasta a  incidência das contribuições previdenciárias sobre a verba;  e) o seguro de vida, in casu, é pago pelo empregador a todos os empregados,  de forma geral, não podendo, dessa forma, ser considerado como espécie de  benefício  ao  empregado,  eis  que  este  não  terá  nenhum benefício  direito  ou  indireto, já que é estendido a todos como uma espécie de garantia familiar na  hipótese de falecimento; e  f) não merece prosperar o argumento de que o seguro de vida em grupo deva  estar  previsto  em  Convenção  Coletiva  para  afastar  a  incidência  das  contribuições previdenciárias,  tendo em vista que tal exigência não encontra  respaldo legal, mas apenas no artigo 72, inciso XXV, da Instrução Normativa  MPS/SRP  nº.  03/2005,  o  que  há  óbice  jurídico  em  virtude  do  princípio  tributário da legalidade estrita.  7. Sem contrarrazões do fisco, os autos  foram encaminhados à apreciação e  julgamento do Conselho.  É o relatório.  Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 401          5   Voto             Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator.  DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  1.  Conheço  do  recurso  voluntário,  uma  vez  que  foi  tempestivamente  apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de  março de 1972 e passo a analisá­lo.  DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO  2. O Auto de Infração Debcad nº 37.198.324­0 foi  lavrado para lançamento  dos  créditos  referentes  às  contribuições  sociais  a  cargo  da  empresa,  destinadas  à Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT),  incidentes  sobre os valores relativos ao seguro de vida em grupo, considerados como fatos geradores de  contribuições previdenciárias.  3. A decisão  recorrida,  por  sua  vez,  foi  categórica  ao  estabelecer  que  “não  merece reparo o lançamento das contribuições contidas no presente auto de infração, a título  de prêmio de  seguro de  vida em grupo,  sem previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de  Trabalho.” (fls. 339 – penúltimo parágrafo).  4.  Sobre  a  questão,  entendo  que  a  tese  da  autoridade  administrativa  não  merece prosperar, conforme se passa a demonstrar. Isso porque, no meu sentir, para os efeitos  de  recolhimento  das  contribuições  sociais,  a  utilidade  em  questão  não  integra  o  salário  de  contribuição.  5.  Importante  ressaltar  que  a  norma  celetista  expressamente  excluiu  da  definição  legal de remuneração a parcela  referente ao seguro­saúde e ao seguro de vida e de  acidentes pessoais, inclusive sem o requisito de que a utilidade fosse oferecida à totalidade dos  empregados. Senão vejamos:  “Art.  458­ Além do  pagamento  em dinheiro,  compreende­se  no  salário,  para  todos  os  efeitos  legais,  a  alimentação,  habitação,  vestuário  ou  outras  prestações  "in  natura"  que  a  empresa,  por  força  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado.  Em  caso  algum  será  permitido  o  pagamento  com  bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...)  §  2º  Para  os  efeitos  previstos  neste  artigo,  não  serão  consideradas  como  salário  as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo empregador: (...)  IV  –  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  prestada  diretamente ou mediante seguro­saúde  V­ seguros de vida e de acidentes pessoais;”  Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 402          6 6.  Evidentemente  que,  em  atendimento  ao  princípio  da  especificidade  das  normas, a lei trabalhista deve ser considerada sempre com muita cautela para que não invada a  esfera  do  ordenamento  legal  previdenciário,  notadamente  no  que  se  refere  à  cobrança  de  contribuições sociais.  7.  Ocorre  que  o  conceito  jurídico  de  salário  não  é  originário  do  direito  previdenciário, mas sim do direito  trabalhista. Assim é que, para a exata definição de salário  contribuição, foi que o art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91 utilizou a expressão “remuneração”,  termo técnico advindo do direito do trabalho.  8. Nesse  sentido,  transcreve­se  ementa do Acórdão da  lavra da  Juíza Tânia  Terezinha Cardozo Escobar, do TRT da 4ª Região, que deu correto tratamento à questão:  “GRATIFICAÇÃO  NÃO  EVENTUAL.  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ART.  28,  DA  LEI  Nº  8.212/91. 1. Para definir o salário­de­contribuição, o art. 28, I,  da Lei n.º 8.212/91, utiliza a expressão ‘remuneração’. Trata­se  de  termo  técnico  próprio  do  Direito  do  Trabalho.  Portanto,  devemos entendê­lo tal como formulado no campo desta ciência.  E neste campo, remuneração é a soma das parcelas de natureza  salarial  com  as  gorjetas  recebidas  pelo  empregado,  conforme  arts.  457  e  458  da  CLT.  Se  a  gratificação  eventual  paga  pela  empregadora aos seus empregados não é salário, também não é  remuneração.  Logo,  não  há  incidência  de  contribuições  previdenciárias. (..) (AC 9504540686/PR).”  9.  É  dizer:  para  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  pagamentos realizados a título de utilidade deve­se levar em conta o conceito construído pelo  direito privado, por força do disposto no art. 110, do CTN. Este dispositivo traz uma relevante  regra  de  conduta  tributária  ao  dispor  que  “A  lei  tributária  não  pode  alterar  a  definição,  o  conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa  ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios,  para  definir  ou  limitar  competências  tributárias”.  10.  A  rigorosa  discriminação  de  campos  materiais  para  o  exercício  da  atividade tributária, tendo estatura constitucional, por si só, já determina essa inalterabilidade,  de  maneira  que,  a  definição  de  cada  instituto  utilizada  pela  Carta  Magna  não  pode  ser  manipulada pelo fiscal tão somente no afã de ampliar o campo de incidência tributária.  11. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou pela não  incidência da contribuição sobre os valores do seguro de vida em grupo pago pelo empregador  para todos os empregados, uma vez que não pode ser considerado como espécie de benefício  ao empregado, já que o empregado nada usufrui pelo seguro de vida em grupo, o que descarta a  possibilidade de considerar­se o valor pago, se generalizado para todos os empregados, como  sendo salário­utilidade (v.g. REsp 441096/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ 04/10/2004, p.  231; REsp 677751/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 21/11/2005, p. 137, REPDJ 10/04/2006, p.  135).  12.  Para  reforçar  a  tese,  cita­se  trecho  do  voto  da Ministra Eliana Calmon,  relatora do REsp 695724/RS (DJ 16/05/2006, p. 205):  Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 403          7 “Tem­se  entendido  que  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  está  afeta  às  parcelas  que  se  constituem  em  salário,  seja pago de  forma direta ou de  forma  indireta, de  tal  modo que a liberalidade patronal, se em caráter habitual passa  a integrar o salário e, como tal, a servir de base de cálculo para  efeito de incidência da exação de que se cuida.  Na  hipótese,  estamos  a  tratar  especificamente  do  que  é  pago  pelo  empregador  a  título  de  seguro  de  vida  em  grupo,  sendo  certo que a partir da Lei 9.528, de 10∕12∕97, não se tem dúvida,  porque prevista  a  exclusão  de  forma  expressa  no  art.  28,  §  9º,  letra "p" da Lei 8.212∕91, o qual enuncia o expurgo da base de  cálculo  do  que  for  pago  a  título  de  programa  de  previdência  complementar. (...)  Dentro  de  uma  interpretação  teleológica,  à  vista  da  previsão  legislativa que antecedeu a reforma da Lei 8.212∕91, temos que o  seguro  de vida  em grupo pago pelo  empregador para  todos  os  empregados,  de  forma  geral,  não  pode  ser  considerado  como  espécie  de  benefício  ao  empregado,  o  qual  não  terá  nenhum  benefício  direto  ou  indireto,  eis  que  estendido  a  todos  uma  espécie  de  garantia  familiar,  em  caso  de  falecimento.  Se  de  seguro  individual  se  tratasse,  não  haveria  dúvida  quanto  à  incidência, o que, entretanto, não ocorre em relação ao seguro  de vida em grupo.”  13. O seguro de vida em grupo não está previsto na Lei nº. 8.212/91 como  verba  tributável,  estando  previsto  apenas  indiretamente  no Decreto  nº.  3.048/1999  (art.  214,  §9º, inc. XXV), o que não é suficiente para se confirmar a exação.  14. Note­se que, em linha com o entendimento de que o seguro de vida em  grupo,  no  caso,  não  está  sujeito  à  incidência  da  contribuição  social  previdenciária,  veja­se  a  manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, exarada no Parecer PGFN/CRJ/n°  2119/2011, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, onde reconheceu a inexigibilidade  da referida cobrança, em cuja ementa do referido parecer assim se expressou:  “Contribuição  Previdenciária.  Seguro  de  Vida  em  Grupo.  O  seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor  do  grupo de  empregados,  sem  que haja  a  individualização do  montante  que  beneficia  a  cada  um  deles  não  se  inclui  no  conceito  de  salário,  afastando­se,  assim  a  incidência  da  contribuição previdenciária sobre a referida verba.(Grifei).  Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça.  Aplicação da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto  n°  2.346,  de  10  de  outubro  de  1997.  Possibilidade  de  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  não  contestar,  não  interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria  sob  análise.  Necessidade  de  autorização  da  Sra.  Procuradora­ Geral  da  Fazenda  Nacional  e  aprovação  do  Sr.  Ministro  de  Estado da Fazenda.”  15.  Sobre  o  tema  diferente  não  é  o  entendimento  do  CARF  que  tem  se  posicionado em uníssono com o Superior Tribunal de Justiça, verbis:  Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10882.001560/2010­37  Acórdão n.º 2301­004.210  S2­C3T1  Fl. 404          8 “Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/01/1997  a  30/11/1999  PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  NFLD.  SEGURO  DE  VIDA  EM  GRUPO.  NÃO  INCIDÃSNCIA  DE  CONTRIBUIÇAO  PREVIDENCIARIA.  O  Seguro de Vida em Grupo não está sob o campo de incidência de  contribuição previdenciária por não se amoldar ao conceito de  salário de contribuição previsto no art. 28, I da Lei nº 8.212/91.  Recurso  Voluntário  Provido”  (Segundo  Conselho  de  Contribuintes.  6ª  Câmara.  Turma  Ordinária;  Acórdão  nº  20600747  do  Processo  35138000064200714.  Conselheiro  Rogerio de Lellis Pinto, Relator designado. Data 10/04/2008).”  16. Frisa­se,  porque  importante,  que o  empregado nada usufrui pelo  seguro  de vida, o que descarta então a possibilidade de considerar­se o valor pago como sendo salário  utilidade para efeitos de cobrança de contribuições previdenciárias.  17. Enfim, cobrar contribuições sociais sobre esses benefícios é penalizar as  empresas  e  desestimular  a  colaboração  da  sociedade  no  bem  estar  e  segurança  dos  trabalhadores,  para  que  os  familiares  não  passem  dificuldades  em  caso  de  falecimento  do  mantenedor da família.  18. Dessa forma, entendo que o lançamento não merece prosperar, tendo em  vista que não devem incidir contribuições previdenciárias sobre o seguro de vida em grupo.  CONCLUSÃO  19.  Pelo  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário,  para,  no  mérito,  dar­lhe  provimento, por entender que o seguro de vida não integra o salário de contribuição.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos.                                  Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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Numero do processo: 10830.917778/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62­A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA     2   (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.    Participaram da  sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo  Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917778/2011­00  Acórdão n.º 3801­004.424  S3­TE01  Fl. 9          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  10830.917778/2011­00,  contra  o  acórdão  nº  09­48.356,  julgado  pela 2ª. Turma da Delegacia  Regional  de  Julgamento  de  Juiz  de  Fora  (DRJ/JFA),  na  sessão  de  julgamento  de  04  de  dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada  pela contribuinte.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim os relatou:    “O  interessado  transmitiu  o  PER/DCOMP  nº  23443.88822.050406.1.2.041649,  visando  a  restituição  do  crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172,  efetuado  em  15/9/2003,  e/ou  compensação  dos  débitos  nela  declarados com o mesmo crédito;  A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no  qual  não  reconhece  o  direito  creditório  e/ou  não  homologa  as  compensações pleiteadas;  A  empresa apresenta manifestação de  inconformidade, na qual  alega, em síntese que;  a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE  DO DESPACHO DECISÓRIO;  b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES  INDEVIDAMENTE  RECOLHIDOS  SOBRE  DEMAIS  RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA  LEI 9.718/98;  c)  DOS  EFEITOS  DA  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  DA  INVALIDADE  (INEFICÁCIA)  DAS  DECLARAÇÕES  PREENCHIDAS  COM  BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL;  d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO;  e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA;  É o breve relatório.”    A  DRJ  de  Juiz  de  Fora  (DRJ/JFA)  decidiu  pela  improcedência  da  manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido  julgado:  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA     4   ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário:  2001, 2002, 2003, 2004  COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  apreciar  a  matéria  do  ponto de vista constitucional.  COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À  TRANSMISSÃO DA DCOMP.  A  compensação  pressupõe  a  existência  de  direito  creditório  líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no  máximo, contemporânea à Dcomp.  PIS/PASEP  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA  PELO  STF.  CONTROLE DIFUSO.  A  decisão  exarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  âmbito  de  recurso  extraordinário,  que  reconheceu  a  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições,  surte  efeitos  jurídicos  apenas  entre  as  partes  envolvidas  no  processo,  eis  que  proferida  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade,  não  produzindo  efeitos  erga  omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a  contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe:  1­  Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em  regime  de  repercussão  geral,  RE  585.235­MG,  deve  ser  reconhecido  o  crédito de COFINS, conforme art. 62­A do Regimento Interno do CARF;  2­  Desnecessidade  de  retificação  da  DCTF  para  o  reconhecimento  do  crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de  crédito;  3­  Comprovação  do  direito  a  crédito  pela  apuração  de  crédito  baseada  na  cópia  da  ficha  razão  com  o  registro  e  outras  receitas  e  cópia  da  ficha  razão da conta de tributos a recolher.    É o sucinto relatório.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917778/2011­00  Acórdão n.º 3801­004.424  S3­TE01  Fl. 10          5   Voto               Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.    Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base  de cálculo da Cofins    O  direito  a  creditamento  pleiteado  está  consubstanciado  na  inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao  ampliar  o  conceito  de  receitas  para  envolver  todas  as  receitas  auferidas pela  empresa,  sem a  observação do tipo de atividades ou a classificação destas.    “.(...)  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA  NOÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindoas  à  venda  de  mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que  ampliou o conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.”  (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)”    Não há dúvida  sobre o direito  a  crédito decorrente da  inconstitucionalidade  do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema  Corte por  força do art. 62­A do Regimento  Interno do CARF, na  redação dada recentemente  pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010:    Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA     6 Art.  62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal Federal  e pelo Superior Tribunal de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelo  artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543B.}   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator  ou  por  provocação  das  partes.  (grifos  e  destaques  nossos)   Nestes  termos,  entendo  que  assiste  razão  ao  contribuinte,  devendo  ser  reconhecido  o  crédito  de  COFINS  pelo  recolhimento  a  maior  da  contribuição  durante  a  vigência  do  parágrafo  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98  cuja  inconstitucionalidade  restou  reconhecida pelo Pleno do STF.    Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora    A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido  de  compensação/restituição  sem  ter  feito  retificadora  da  DCTF.  No  Conselho,  dentro  do  procedimento  de  compensação,  a  declaração  retificadora  seria  o  instrumento  de  apuração  de  direito  líquido  e  certo  do  contribuinte,  devendo  ser  realizada  anteriormente  ao  pedido  de  compensação.   Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a  DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde  que  sejam  apresentados  documentos  contábeis  suficientes,  como os  apresentados  à  fl.  23/27,  para  comprovar  que  o  crédito  alegado  na  PERDCOMP  e  a  correção  da  DCTF  de  fato  transparecem o direito.  A  exigência  apontada  é  reflexo  dos  julgamentos  das  turmas  do  Conselho.  Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e  procedimento.  Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o  valor  lançado  de  DCTF  retificadora  como  crédito,  abre­se  à  discussão  da  matéria  de  fato,  entendo­se  que  a  contabilidade  da  empresa  possui  força  probatória  para  a  constituição  de  direito creditório, superior a mera declaração deste.   Uma  vez  comprovado,  pela  contabilidade  da  empresa,  o  recolhimento  da  COFINS  com  inclusão  de  todas  as  receitas  auferidas  pela  empresa  na  base  de  cálculo  por  exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito,  resta  comprovada  a  prescindibilidade  da  apresentação  da  DCTF  retificadora  por  ter  o  contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917778/2011­00  Acórdão n.º 3801­004.424  S3­TE01  Fl. 11          7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre  a  liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes  para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito  de  crédito  é  certo,  sendo  necessária  tão  somente  a  apuração  de  sua  liquidez  entendo  que  é  possível  o  provimento  do  pedido,  com  a  subseqüente  liquidação  posterior  pela  autoridade  fiscal.  Entendo  que  deve  ser  dado  provimento  ao  presente  recurso  voluntário,  devendo  ser  homologada  a  PerDcomp  de  fl.  31/33,  com  a  sua  apuração  pela  Delegacia  de  Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita  fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.   Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem.    É assim que voto.    Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator.                                     Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 10880.920520/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 196          1 195  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.920520/2009­72  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.317  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de julho de 2014  Matéria  CIDE ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  TIM CELULAR S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 05/02/2008  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGADA  DCTF  RETIFICADORA.  APÓS  CIÊNCIA  DE  DECISÃO.  EFEITO.  INEXISTENTE.  A  apresentação  de  DCTF  retificadora,  após  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação,  em  razão  da  coincidência  entre  os  débitos  declarados  e  os  valores  recolhidos,  não  tem  o  condão  de  alterar  a  decisão  proferida.  PROVA.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF.  REDUÇÃO  DE  DÉBITO.  APÓS  CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.  Compete  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  de  erro  de  preenchimento  em  DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 20 /2 00 9- 72 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis,  Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz  Manzotti Riemma.  Relatório  Esta  Contribuinte  transmitiu  Declaração  de  Compensação  servindo­se  de  crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior.  Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir  das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando saldo disponível a compensar  Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que:  a)  possuir  "elevada  quantia  creditícia"  perante  a  RFB,  a  titulo  de  IRRF,  CIDE, PIS­Importação e Cofins­Exportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos  de  Cofins,  referentes  ao  período  de  apuração  dos  ano­calendário  2006  e  2007,  mediante  PeR/DComp;  b)  juntamente  com  o  Despacho  Decisório  eletrônico  em  comento,  foram  emitidos  outros  cento  e  quarenta  e  sete,  todos  decidindo  pela  não  homologação  de  compensações declaradas pela Contribuinte;  c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido  recolhimentos  a maior de  IRRF, CIDE PIS­Importação e Cofins­Exportação,  entendendo  ser  esta a razão do indeferimento das compensações;  d)  mero  equivoco  no  preenchimento  das  DCTF  não  poderia  geral  débitos  fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB;  f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio  do  contraditório  e  ampla  defesa,  alegando,  ainda,  que  não  foram  atendidas  as  garantias  constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado;  g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da  Fazenda  Nacional,  pelo  que  reclamou  que  "se  fosse  dado  ao  contribuinte  a  chance  de  apresentar  explicações  antes  de  sofrer  a  autuação,  certamente  a  Fazenda  Nacional  pouparia  preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ;  h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação  apresentada nos fatos, notaria que houve tão­somente um erro no preenchimento da declaração,  o que não justifica a glosa ora Impugnada";  i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria  constatado  que  os  cálculos  estavam  sendo  feitos  de maneira  incorreta,  restando  inexigível  a  existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido;  j)  à  luz  dos  princípios  da  capacidade  contributiva  e  da  busca  da  verdade  material  não  admite  cobrança  de  tributo  decorrente  de  erro  na  prestação  de  informações  ao  Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do  Conselho de Contribuintes;  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920520/2009­72  Acórdão n.º 3803­006.317  S3­TE03  Fl. 197          3 k)  foi  exíguo  o  prazo  para  apresentar  cento  e  quarenta  e  oito  defesas  em  apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de  seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito;  Por  fim.  requereu  a  suspensão  da  cobrança  dos  débitos  declarados  em  PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para  ser comprovado o que alega.  Em  24/09/2010,  enviou  o  que  chama  de  complemento  à  manifestação  de  inconformidade,  fls.  72/76,  informando  ter  enviado  DCTF  retificadora  e,  por  conseqüência,  entende ter direito a homologação da compensação declarada.  Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que:  a)  ao  contrário  do  que  alegara  a Manifestante,  o  despacho  decisório  neste  processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções,  sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72;  b)  deveria  ser  óbvio  para  a  Contribuinte  que  se  ela  apresenta  DCTF  informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor  declarado  em  DCTF,  não  há  apuração  de  qualquer  pagamento  a  maior.  Estando  essa  informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender  amplamente, como o fez;  c)  quanto  aos  erros  cometidos  no  preenchimento  da DCTF  e  que  uma  vez  sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitou­se a  alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova;  d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão  prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não  pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa;  e)  a manifestação  de  inconformidade  deve  ser  dirigida  a  apontar  erros  que  teriam sido  cometidos na  analise do  crédito da  contribuinte,  feita  com base nas  informações  constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das  declarações fiscais.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP  Data do fato gerador: 05/02/2008  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  DCOMP  ALTERAÇÃO  DE  DCTF  A1  PÓS  CIÊNCIA  DE  DECISÃO  QUE  NÃO  HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO.  A  apresentação  de  DCTF  retificadora,  após  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação,  em  razão  da  coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos,  não  tem o  condão de  alterar  a decisão  proferida,  uma  vez  que  tanto as DRJ como o CARF limitam­se a analisar a correção do  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 despacho  deciSório,  efetuado  com  bases  nas  declarações  e  registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão.  PRINCIPIO  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  NÃO  OFENSA  CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA  EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA  Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir  acompanhada  dos  documentos  que  indiquem  prováveis  erros  cometidos,  no  cálculo  dos  tributos  devidos,  resultando  em  recolhimentos a maior.  Não  apresentada  a  escrituração  contábil/fiscal,  nem  outra  documentação hábil  e  suficiente,  que  justifique a alteração dos  valores  registrados  em  DCTF,  mantém­se  a  decisão  proferida,  sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente  não­homologação das compensações pleiteadas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada  da  decisão  em  17  de maio  de  2011,  irresignada,  a  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário  em 14  de  junho de  2011,  em que  reiterou  todos  os  termos  da  manifestação de inconformidade, destacando­se as alegações:  a) de carência de fundamentação do despacho decisório;  b)  da  violação  aos  princípios  da  estrita  legalidade,  da  verdade material,  da  razoabilidade e da proporcionalidade; e   c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação.  Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente  carência  de  fundamentação,  caso  assim  não  se  entenda,  seja  determinada  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  na  forma  do  Regimento  Interno  deste  E.  Conselho  para  que  seja  efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmando­se a compensação declarada.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele conheço.  A  Recorrente  reconhece  que  o  valor  dos  pagamentos  do  débito  em DARF  estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não  ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe  subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação.  Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no  preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP  ao  realizar  a  compensação  não  poderia  ter  encontrado  saldo  credor  no  DARF  utilizado  na  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920520/2009­72  Acórdão n.º 3803­006.317  S3­TE03  Fl. 198          5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na  DCTF.  O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez  então registrar:  Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito  original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a  transmissão  da  DComp,  pelo  contribuinte,  e  a  análise  do  crédito  e  subsequente  decisão  administrativa, pois os procedimentos dão­se em torno de dados do sistemas, alimentados pelo  próprio  contribuinte.  O  contraditório  e  o  exercício  da  ampla  defesa,  segundo  previsto  no  Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de  Inconformidade.  O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato  verificado,  de  sorte  que  permite  a  sua  compreensão  por  qualquer  técnico  de  inteligência  mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta  Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa.   Reitere­se que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do  seu ofício  legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de  lançamento por  homologação ­ procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal  do Brasil (RFB) ­, é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos  utilizando  parcela  de  pagamento  em  DARF  já  alocado  integralmente  a  outro  débito,  por  si  declarado.   A declaração de  compensação que o contribuinte  transmite configura o uso  de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de  crédito  perante  a RFB.  Pela  natureza  jurídica  deste  direito  é  que  a  compensação  extingue  o  crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante  sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de  cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte  extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp.  Dada esta  feição das  relações Fisco­Contribuinte,  neste particular,  é que  ao  transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu.  Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do  seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que  tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem  que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não.  Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o  dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda.  E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis:  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não  foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa.  A decisão de primeira  instância,  à míngua de provas que deveriam  ter  sido  carreadas junto com a manifestação de inconformidade, considerou­a improcedente e indeferiu  a  solicitação.  E  foi  específica  e  pontual  ao  dizer  que  “Assim,  a  contribuinte  deveria  ter  acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário  e Razão, além da movimentação comercial da empresa”.  Entre  ser verdadeira  a  afirmação da Contribuinte,  segundo a qual o  fato de  não ter retificado a DCTF em tempo hábil ­ antes da transmissão das compensações ­, não lhe  pode  subtrair  o  direito  ao  crédito,  e  reconhecer­lhe  o  direito  a  esse  crédito,  passa,  inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto,  sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso  voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância.  Ressalte­se que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o  recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas.  Por  fim,  em  nada  repercute  apenas  proceder  à  retificação  a  destempo  da  DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados.   Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 23 de abril de 2014  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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