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Numero do processo: 10280.901887/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 18 87 /2 00 9- 56 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COMPANHIA REFINADORA DA AMAZÔNIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 6: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão em 02/04/2009 (fl. 8), o interessado apresentou, em 29/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 10/18. Em sua peça de defesa, alega, em síntese: a) o indébito apontado na DCOMP não corresponde a uma antecipação, mas recolhimento indevido ou a maior, efetuado com código incorreto, fato que evidencia a improcedência do enquadramento legal apontado, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação; b) ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, não pode atingir fatos pretéritos para limitar seu direito à compensação. A DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão nº 0121.914, de 6 de junho de 2011 (fls. 33/40), ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Cientificado dessa decisão em 19/09/2011, por meio de remessa postal (fl. 62), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 48/59), em 18/10/2011, em que reforça os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e acrescenta: a) a Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 2005, que fundamentou a decisão recorrida, limita a compensação de indébitos de estimativa apenas dentro do período em que o indébito foi gerado; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901887/200956 Acórdão n.º 1803002.029 S1TE03 Fl. 66 3 b) a decisão recorrida inovou a fundamentação legal da não homologação, em relação ao despacho decisória, na tentativa de suprir a insuficiência daquele ato. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de IRPJ do mês de maio de 2006, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ referente a janeiro do mesmo ano. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que a compensação com crédito de estimativa não era permitida pela legislação. A decisão da DRJ Belém (PA), ao apreciar a correspondente manifestação de inconformidade, seguiu o mesmo raciocínio para confirmar a combatida não homologação. Embora a ementa da decisão recorrida faça menção a uma “ausência de comprovação” do crédito pleiteado, a leitura do voto evidencia que o único fundamento utilizado foi o impedimento legal de se realizar compensação com crédito de estimativa. Destarte, em nenhum momento o mérito da compensação foi analisado, ou seja, a liquidez e a certeza do indébito. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902148/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/06/2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/06/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 48 /2 01 2- 16 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902148/201216 Acórdão n.º 3801003.072 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10074.000017/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/10/2007, 18/10/2007, 24/10/2007
RECLASSIFICAÇÃO NA NCM. LAUDO TÉCNICO QUE PROVA A CLASSIFICAÇÃO INCORRETA.
Constatada por laudo técnico a real natureza do produto importado e que ela é diferente do que foi declarado na DI, cabe reclassificação da mercadoria, com as exigências dos tributos não recolhidos.
Numero da decisão: 3401-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ÓTICA LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/10/2007, 18/10/2007, 24/10/2007 RECLASSIFICAÇÃO NA NCM. LAUDO TÉCNICO QUE PROVA A CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Constatada por laudo técnico a real natureza do produto importado e que ela é diferente do que foi declarado na DI, cabe reclassificação da mercadoria, com as exigências dos tributos não recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 17 /2 00 8- 12 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados em razão de suposta classificação indevida da mercadoria e consequente recolhimento a menor do II, IPI, PIS e COFINS, referente a importações efetuadas no ano de 2007 (fls.02/04). Segundo consta na descrição dos fatos (fls.05/11), a Contribuinte importou moldes de vidro para fabricação de lentes, mas mudou a descrição do mesmo produto, em diversas declarações de importação, para reduzir a tributação. Ainda segundo o auditorfiscal, a Autuada descreveu os moldes como não polidos, sabendo que eles eram polidos, para mudar a classificação. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.119/12), mas a DRJ entendeu correta a reclassificação da autoridade fiscal e manteve os lançamentos, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os consectários legais previstos na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 22/06/2012 (fl.371) e interpôs recurso voluntário em 24/07/2012 (fls.372/386), com as alegações resumidas abaixo: 1 Após descrever o processo produtivo, a Recorrente concluiu que o molde é de vidro óptico em sua essência; 2 Tratase de molde de vidro ópticos, classificados na NCM 7006.0000, que faz jus aos benefícios da alíquota zero; 3 No caso em tela, a perícia técnica, que deveria ser realizada pela autoridade fiscal ao discordar da classificação, era indispensável ao lançamento; 4 A autoridade fiscal não considerou a tradução juramentada dos documentos apresentados pela Autuada. Além disso, a perícia realizada tratou os moldes como se lentes fossem, o que distorceu a análise e tornou o laudo imprestável. Por tudo isso, o lançamento é nulo; 5 A reclassificação dada pela autoridade fiscal é destinada a lentes, o que não podem ser confundido com os moldes delas; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10074.000017/200812 Acórdão n.º 3401002.503 S3C4T1 Fl. 415 3 Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que o lançamento seja cancelado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em saber qual a classificação correta da mercadoria importada pela Recorrente. A autoridade fiscal entendeu que a mercadoria importada deveria ter sido classificada na NCM, no capitulo 90, código 9001.90.90, mas a Recorrente sustenta que a classificação correta é no capítulo 70, código 70.06.00.00. No capítulo 90, defendido pelo Auditorfiscal, são classificados os “Instrumentos e aparelhos de óptica, de fotografia, de cinematografia, de medida, de controle ou de precisão, instrumentos e aparelhos médicocirúrgicos, suas partes e acessórios”. Na posição 9001 estão “Fibras ópticas e feixes de fibras ópticas; cabos de fibras ópticas, exceto os da posição 85.44; matérias polarizantes em folhas ou em placas; lentes (incluídas as de contato), prismas, espelhos e outros elementos de óptica, de qualquer matéria, não montados, exceto os de vidro não trabalhado opticamente”. Por fim, no código NCM 9001.90.90, a descrição é “outros”, isto é, aqueles que não estão nos demais códigos do mesmo capítulo. Abaixo segue a tabela NCM da posição 90.01: NCM 1.1 DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 90.01 Fibras ópticas e feixes de fibras ópticas; cabos de fibras ópticas, exceto os da posição 85.44; matérias polarizantes em folhas ou em placas; lentes (incluídas as de contato), prismas, espelhos e outros elementos de óptica, de qualquer matéria, não montados, exceto os de vidro não trabalhado opticamente. 9001.10 Fibras ópticas, feixes e cabos de fibras ópticas 9001.10.1 Fibras ópticas 9001.10.11 Com diâmetro de núcleo inferior a 11 micrômetros (mícrons) 10 9001.10.19 Outras 10 9001.10.20 Feixes e cabos de fibras ópticas 15 9001.20.00 Matérias polarizantes, em folhas ou em placas 15 9001.30.00 Lentes de contato 0 9001.40.00 Lentes de vidro, para óculos 0 9001.50.00 Lentes de outras matérias, para óculos 0 9001.90 Outros Fl. 416DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 9001.90.10 Lentes 0 9001.90.90 Outros 15 No capítulo 70, defendido pela Recorrente, se classificam “vidro e sua obra”. Para análise do presente caso, destacamse as seguintes posições: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 70.03 Vidro vazado ou laminado, em chapas, folhas ou perfis, mesmo com camada absorvente, refletora ou não, mas não trabalhado de outro modo. 7003.1 Chapas e folhas, não armadas: 7003.12.00 Coradas na massa, opacificadas, folheadas (chapeadas), ou com camada absorvente, refletora ou não 5 Ex 01 De vidro óptico 0 7003.19.00 Outras 5 Ex 01 De vidro óptico 0 7003.20.00 Chapas e folhas, armadas 10 7003.30.00 Perfis 10 70.04 Vidro estirado ou soprado, em folhas, mesmo com camada absorvente, refletora ou não, mas não trabalhado de outro modo. 7004.20.00 Vidro corado na massa, opacificado, folheado (chapeado), ou com camada absorvente, refletora ou não 10 Ex 01 De vidro óptico 0 7004.90.00 Outro vidro 10 Ex 01 De vidro óptico 0 70.05 Vidro flotado e vidro desbastado ou polido em uma ou em ambas as faces, em chapas ou em folhas, mesmo com camada absorvente, refletora ou não, mas não trabalhado de outro modo. 7005.10.00 Vidro não armado, com camada absorvente, refletora ou não 10 Ex 01 De vidro óptico 0 7005.2 Outro vidro não armado: 7005.21.00 Corado na massa, opacificado, folheado (chapeado), ou simplesmente desbastado 5 Ex 01 De vidro óptico 0 7005.29.00 Outro 5 Ex 01 De vidro óptico 0 7005.30.00 Vidro armado 10 7006.00.00 Vidro das posições 70.03, 70.04 ou 70.05, recurvado, biselado, gravado, brocado, esmaltado ou trabalhado de outro modo, mas não emoldurado nem associado a outras matérias. 10 No presente caso, como já dito, a Recorrente defende a classificação no código 7006.00.00. Na nota da posição 90.01, são excluídos dessa classificação aqueles vidros não trabalhados opticamente. Ou seja, se o vidro for trabalhado opticamente, ele será classificado no capítulo 9, conforme sustenta a autoridade fiscal. Mas se não houver trabalho óptico, ele deverá ser classificado no capítulo 7, como fez a Recorrente. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10074.000017/200812 Acórdão n.º 3401002.503 S3C4T1 Fl. 416 5 No caso em tela, o laudo técnico presente na fl. 168/179 concluiu que, na essência, tratase de lentes de vidros trabalhadas opticamente. Portanto, a classificação correta é a dada pela autoridade fiscal. A alegação da Recorrente, no sentido de que o laudo técnico é imprestável, pois tratou os moldes como se lentes fossem, não prospera. Isso porque está bem claro, muito embora sejam lentes na essência, por ter todo tratamento óptico, a finalidade do bem importado é formar molde para fabricação de lentes de resina. Portanto, fica claro que no laudo técnico foram considerados todos os elementos do produto, inclusive a sua finalidade. Assim sendo, está correta a reclassificação e a exigência dos tributos não recolhidos. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto, para manter o lançamento em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 15586.001364/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. FRAUDE. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa de créditos de PIS e Cofins quando efetivamente comprovado nos autos o esquema fraudulento montado para geração de créditos.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. IMPUGNAÇÃO
Somente dispõe de legitimidade para questionar a atribuição de responsabilidade a terceiro no lançamento aquele a quem foi atribuída tal condição.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF 35.182, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. FRAUDE. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa de créditos de PIS e Cofins quando efetivamente comprovado nos autos o esquema fraudulento montado para geração de créditos. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. IMPUGNAÇÃO Somente dispõe de legitimidade para questionar a atribuição de responsabilidade a terceiro no lançamento aquele a quem foi atribuída tal condição. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 64 /2 01 0- 21 Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral Dr. Volnei Minotto Pereira, OAB/DF 35.182, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para a cobrança das contribuições PIS e Cofins não recolhidas, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Os autos de infração constituemse do valor principal das contribuições, de juros de mora e de multa qualificada de 150%, em virtude da caracterização de fraude nas operações em questão. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 1777 e ss do eprocesso), a Fiscalização buscou fundamentar o alegado, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, e documentos encaminhados pelo Ministério Público. De acordo com o relatado pela autoridade autuante, o procedimento fiscal derivouse das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, em outubro de 2007, pela constatação de divergência entre as movimentações financeiras de empresas atacadistas e os valores das receitas declaradas, que resultou em comunicação dos fatos ao Ministério Público Federal. Também foi deflagrada a operação BROCA, parceria do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais a sede da empresa LICAFÉ. O Ministério Publico ofereceu Denúncia que foi aceita nos autos do processo nº 2008.50.05.0005383. Segundo alegação da fiscalização, a empresa autuada apropriouse de créditos de insumos obtidos através de aquisições fictas de interpostas pessoas, criadas apenas para possibilitar a geração de créditos. A auditoria fiscal apresentou, segundo seu entendimento, provas testemunhais e documentais de que a autuada escriturou notas fiscais de “pseudoempresas atacadistas” para acobertar as verdadeiras operações realizadas de aquisições de café em grãos diretamente de produtores rurais pessoas físicas. Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15586.001364/201021 Acórdão n.º 3101001.581 S3C1T1 Fl. 4 3 A fiscalização efetuou a glosa dos créditos obtidos e concedeu o crédito presumido relativo à aquisição de café de pessoas físicas, para apurar o montante devido das contribuições. Foram configurados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado os senhores DARLI MORO e JÚLIO CÉSAR GALON MORO, nos termos do art. 121, inciso II, 128, 129 e 135, inciso III, do CTN. Devidamente cientificada em 05/11/2010, a interessada apresentou em 02/12/2010 sua impugnação, na qual alega em apertada síntese: (i) que as empresas atacadistas, consideradas “de fachadas” pelos agentes fiscais, seriam empresas regulares, legitimamente constituídas e devidamente inscritas nos cadastros da União e dos Estados; (ii) a sua não participação no esquema fraudulento em questão, caso o mesmo tenha efetivamente ocorrido; (iii) que os valores devidos relativos às contribuições deveriam ser cobrados dos efetivos devedores, ou seja, dos atacadistas; (iv) a sua boa fé nas operações de aquisição em questão. Requereu a nulidade dos lançamentos efetuados pelo cerceamento de seu direito de defesa, visto que não foi chamada a acompanhar os depoimentos colhidos nos autos; o cancelamento das multas impostas devido à não comprovação da fraude e sua natureza confiscatória; e a exclusão de Darli Moro e Júlio César Galon Moro da condição de responsáveis solidários. A 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 1333.344 foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 Nulidade Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; preclui o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Responsabilidade de Terceiros. Impugnação Somente dispõe de legitimidade para questionar a atribuição de responsabilidade a terceiro no lançamento aquele a quem foi atribuída tal condição. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa em sua totalidade os argumentos esgrimidos na impugnação, e requer o provimento de seu recurso para reformar a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, promovendose o cancelamento dos lançamentos tributários correspondentes. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15586.001364/201021 Acórdão n.º 3101001.581 S3C1T1 Fl. 5 5 Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Da preliminar de nulidade A recorrente alega a nulidade dos lançamentos efetuados pelo cerceamento de seu direito de defesa, visto não lhe foi dado a conhecer, com antecedência, a colheita dos depoimentos transcritos no relatório fiscal, que serviu de supedâneo para a constituição dos lançamentos objeto deste processo, não tendo ela tido a oportunidade de contradizêlos mediante perguntas e pedidos de esclarecimentos dirigidos aos depoentes. Não assiste razão a recorrente. Constam dos presentes autos que a recorrente foi devidamente cientificada da lavratura dos autos de infração, com toda a descrição fática apurada pela autoridade fiscal, os elementos de provas colhidos, o direito aplicável, com a descrição minuciosa da infração e das penalidades aplicadas. Não procede a alegação da recorrente de que teve seu direito de defesa cerceado. A própria peça impugnatória e o posterior recurso voluntário é prova disso. Tratam se de peças bem escritas, onde o subscritor apresenta total conhecimento dos fatos a ela imputados, os elementos de prova carreado aos autos e o direito aplicado. Também foi posto à disposição da recorrente o pleno acesso a todos os elementos dos autos, não cabendo aqui a alegação de cerceamento de seu direito de defesa. Quanto ao cerceamento de defesa na fase inquisitória, reproduzo trecho da decisão de primeira instancia que corretamente rejeita os argumentos da então impugnante: No âmbito do processo administrativo tributário, e em analogia ao processo penal, a auditoriafiscal é a fase inquisitorial que, antecedendo a fase contenciosa do procedimento, não se rege pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, pois se destina à investigação, à colheita de informações e de elementos de prova para a formação da convicção da autoridade fiscal a respeito da ocorrência, ou não, do fato gerador do tributo e de infrações porventura existentes. O encerramento desta fase com a lavratura do auto de infração, propicia, com a ciência do contribuinte, a fase contenciosa, esta sim plenamente regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, ou de modo mais amplo, do devido processo legal. A própria súmula CARF nº 46 aponta nessa direção, ao afirmar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No presente caso todo o direito de defesa foi concedido à recorrente, tanto na fase impugnatória, quanto na fase recursal. Se fosse de seu interesse e houvesse condição para tanto, a recorrente poderia ter trazido aos autos contraprova acerca dos fatos relatados, provas colhidas e depoimentos prestados, o que não ocorreu. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Do mérito Da existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando a obtenção de créditos indevidos de PIS e Cofins O cerne da controvérsia referese à alegação de existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando a obtenção de créditos indevidos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade das contribuições. A autuação fiscal baseouse nas informações colhidas no bojo da operação fiscal Tempo de Colheita, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, em outubro de 2007, pela constatação de divergência entre as movimentações financeiras de empresas atacadistas e os valores das receitas declaradas, conforme relatado. Também noticia se a existência da operação BROCA, parceria do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais a sede da empresa recorrente. A autoridade autuante efetuou um exaustivo procedimento fiscal para apuração dos indícios apurados, incluindo a fiscalização junto à recorrente e com várias diligências junto aos envolvidos. O suposto esquema fraudulento tinha como objetivo a obtenção de vantagens tributárias indevidas. No caso em análise, o objetivo seria possibilitar o creditamento integral de PIS e COFINS nas aquisições de café em grão junto ao produtor rural pessoa física. Pelas regras impostas pelas normas de regência das contribuições, a aquisição de café em grão de pessoa física autoriza apenas o crédito presumido calculado sobre as aquisições no percentual de 35%, ao contrário da aquisição de pessoa jurídica contribuinte, cujo direito ao crédito seria integral. Segundo o entendimento fiscal, por esse motivo, várias empresas foram constituídas ou tiveram grande incremento de sua movimentação financeira após o início de vigência da Lei nº 10.637/2002, inclusive as empresas, denominadas pela fiscalização como “pseudoempresas atacadistas”, COLÚMBIA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, ACÁDIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, DO GRÃO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, L&L COMÉRCIO EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, JC BINS CAFEEIRA COLATIVA e V MUNALDI – ME. Para o “esquema” funcionar de forma efetiva, a empresa de fachada não recolhia integralmente os tributos e contribuições devidas, pois, caso contrário, seu crédito seria de apenas 35% do montante adquirido de pessoas físicas (crédito presumido) contra uma tributação integral na saída, resultando em valores a pagar. Exatamente isso que ocorreu, conforme consta do quadro apresentado no acórdão recorrido (fls. 2073 a 2074 do eprocesso): as empresas acima referidas não recolheram tributos entre 2003 a 2009, ou recolheram de forma ínfima (Colúmbia Comercio de Café). Com a sonegação fiscal, as saídas fictas de café das empresas de fachada possibilitou a geração de créditos integrais às adquirentes, e a “vantagem fiscal” para a empresa real compradora do café se consumou mediante fraude e sonegação. Também constam dos autos que nenhuma das empresas diligenciadas possuía armazéns ou depósitos, funcionando em escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais, sem nenhum funcionário contratado. Dentre os elementos de prova trazido aos autos pela autoridade autuante, destacamse os seguintes depoimentos: Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15586.001364/201021 Acórdão n.º 3101001.581 S3C1T1 Fl. 6 7 · Antônio Gava (fls.896 a 898 do eprocesso), inicialmente sócio e administrador da COLÚMBIA, que esclareceu o modus operandi das empresas envolvidas na fraude; · Alexandre Pancieri (fls. 1792 do eprocesso), sócio da DO GRÃO, que declarou que as empresas eram previamente montadas e não nasciam de um livre acordo entre as partes, permitindo a configuração da operação como sendo coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Pública; · Vilson Munaldi (fls.1009 a 1011 do eprocesso), titular da empresa V MUNALDI, que declarou não ser proprietário de fato da empresa, mas sim ALTAIR BRAZ ALVES; · Altair Braz Alves (fls.1012 a 1015 do eprocesso), que confirmou a existência do esquema fraudulento criado unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café. Segundo seu depoimento, a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, que recebia apenas uma comissão por saca de café pagos pelo verdadeiro comprador, e que assinava cheques em branco e os entregava aos administradores da conta; · Luciano Arpini Gobbi (fls. 1249 a 1251 do eprocesso), corretor, que declarou que inicialmente o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois essas empresas passaram a exigir que o café fosse descarregado com nota fiscal de pessoa jurídica; · João Carlos de Abreu Zampier (fls. 1253 a 1257 do eprocesso), corretor, que confirma a existência de empresas laranja como atacadistas, para venda de nota fiscal; · Valério Antônio Dallapícula (fls. 1269 a 1271 do eprocesso), corretor, que também confirma o esquema fraudulento; · Arylson Storck de Oliveira (fls.1276 a 1278 do eprocesso), corretor, que ratificou a existência de um mercado de notas fiscais; Em resposta às intimações lavradas pela autoridade fiscal, as empresa COLÚMBIA (fls.904 a 923 do eprocesso), ACÁDIA (fls. 929 e 947 do eprocesso), DO GRÃO (fls. 954 a 972 do eprocesso) e L&L (fls. 978 a 996 do eprocesso) confirmaram o modus operandi: que a negociação ocorria entre o real comprador e o produtor final; que as empresas intermediárias criadas recebiam as notas fiscais dos produtores e emitiam as suas próprias notas fiscais com destino ao real comprador; que eram remunerados pelo verdadeiro comprador com uma comissão por saca de café. Portanto, as provas trazidas aos autos pela fiscalização demonstram o esquema fraudulento montado para gerar crédito de PIS e Cofins na aquisição de café em grão dos produtores rurais pessoa física, com a perfeita caracterização das empresas COLÚMBIA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, ACÁDIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, DO GRÃO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, L&L COMÉRCIO EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, JC BINS CAFEEIRA COLATIVA e V MUNALDI – ME como interpostas pessoas entre os produtores de café e o real comprador. Também a participação das demais empresas denominadas “pseudo atacadistas de café” está devidamente relatada no item 6 do Relatório Fiscal (fls. 1863 a 1911 da numeração eletrônica), com a identificação e detalhamento da participação das seguintes empresas no esquema fraudulento, também caracterizadas como interpostas pessoas entre os Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 produtores de café e o real comprador: YPIRANGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, AGROSANTO COMERCIO DE CEREAIS LTDA, NOVA BRASÍLIA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, ENSEADA COMÉRCIO DE CAFÉ E SACARIA LTDA, DANÚBIO COMERCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA, V&F COMERCIAL LTDA, PORTO VELHO COMÉRCIO LTDA, C DÁRIO ME, MC DA SILVA, LUCIANO GIUBERT ALVES, WG DE AZEVEDO, NORTE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, ROMA COMÉRCIO DE CAFÉ, COMÉRCIO DE CAFÉ D’CRISTO, REICAFÉ COMÉRCIO DE CAFÉ, COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS BR, COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS MOLINA LTDA, R ARAÚJO CAFECOL e MIRANDA CAFÉ. Consideramos que a fraude apontada pela fiscalização foi devidamente relatada no Termo de Encerramento da Ação Fiscal e efetivamente provada nos autos. Da participação da recorrente no esquema fraudulento A recorrente alega que, se houve o esquema fraudulento apontado pela fiscalização, não tinha conhecimento dele e não participava, visto que as empresas atacadistas, consideradas “de fachadas” pelos agentes fiscais, seriam empresas regulares, legitimamente constituídas e devidamente inscritas nos cadastros da União e dos Estados. Alega a sua boa fé nas compras de café em questão. Entretanto, não é o que retrata as provas apresentadas pela fiscalização nos autos. Os depoimentos convergem para a participação das empresas exportadoras/industriais (reais adquirentes dos cafés em grão vendidos pelos produtores rurais) na montagem e no uso do esquema fraudulento. O acórdão recorrido reproduz parte do depoimento de Arylson Storck de Oliveira (fls.1279 a 1280 do eprocesso), onde é apontada a participação da recorrente no esquema. Também no depoimento de Devanir Fernandes dos Santos (fls. 1265) é apontado o conhecimento do esquema fraudulento pelas empresas reais adquirentes de café. A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do noroeste do Estado do Espírito Santo, com lavratura de diversos Termos de Intimação, em busca da verdade dos fatos. As respostas apresentadas pelos produtores rurais em atendimento às intimações (fls. 1068 a 1246 do eprocesso) convergem para a participação da recorrente no esquema fraudulento. Em geral, os produtores rurais afirmaram desconhecerem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias de suas notas fiscais, e que negociavam o café com a adquirente LICAFÉ e outros compradores; que as notas eram preenchidas pela LICAFÉ ou preenchidas pelo produtor com os dados fornecidos pela LICAFÈ; que o café era retirado da propriedade rural pela própria LICAFÉ e nos seus armazéns descarregado. Também foram apresentadas as provas obtidas junto ao Ministério Público Estadual, como o relatório financeiro de Fernando Mattede e Flávio Tardin, sócios das empresas DO GRÃO e L&L (fls. 1463 a 1470), onde aparece o nome da recorrente. Portanto, concluise que a recorrente tinha conhecimento, participava e era beneficiária direta do esquema fraudulento montado para gerar crédito de PIS e Cofins na aquisição de café em grão dos produtores rurais pessoa física. Da multa qualificada lançada Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15586.001364/201021 Acórdão n.º 3101001.581 S3C1T1 Fl. 7 9 As provas trazidas aos autos demonstram de forma inequívoca a prática reiterada de atos fraudulentos e simulatórios, com o intuito de obter benefício tributário indevido, ou seja, para obter créditos das contribuições de PIS e Cofins que não seriam devidos em uma situação regular. Dessa forma, tornase indispensável a aplicação da multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, pela caracterização de sonegação fiscal, fraude e também o conluio. Relativo ao argumento de que a multa aplicada teria natureza confiscatória, não cabe a esse órgão julgador sua apreciação, visto que estando a penalidade prevista em lei, sua aplicação no julgamento do processo administrativo fiscal é mandamento, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, conforme expressamente determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF e a Súmula CARF nº 2. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido quanto à aplicação da multa qualificada. Da responsabilidade solidária Quanto á exclusão de Darli Moro e Júlio César Galon Moro da condição de responsáveis solidários confirmamos o entendimento esposado no acórdão recorrido de ilegitimidade no pedido, que somente poderia ser feito por eles mesmos ou por procurador regularmente constituído, com prova de tal constituição nos autos, o que não ocorreu. Da conclusão Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 26 de fevereiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720007/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3401-002.296
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 07 /2 00 9- 18 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 5/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Cofins não cumulativo no valor de R$ 23.244,23, relativo ao 3º Trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí – DRF/Itajaí indeferiu a solicitação em razão de que a contribuinte, intimada, deixou de apresentar o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), para todo o anocalendário 2005, bem como não apresentou qualquer cálculo para demonstrar a formação dos valores da base de cálculo do crédito da contribuição e os valores utilizados para o cálculo da contribuição devida no respectivo ano. Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que não possui débitos da contribuição nãocumulativa no anocalendário 2005. Afirma que, atendendo à intimação, apresentou o respectivo DACON, no qual demonstra os valores da base de cálculo do crédito da contribuição bem como os valores da contribuição devida para o anocalendário 2005. Em 22.12.2011, a 4ª Turma da DRJ/FNS julgou o pleito da contribuinte improcedente, pois como no procedimento de ressarcimento de crédito se faz necessário que a apuração deste esteja perfeitamente demonstrada no DACON, cabe a sua apresentação em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise do seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Resta à contribuinte formular novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito agora contemplado no DACON apresentado, juntando as provas necessárias, para oportuna análise pela autoridade competente. A contribuinte foi cientificada da decisão, em 16.2.2012 e, em 15.3.2012, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando que os créditos de PIS e Cofins já foram pagos no processo de importação. O erro foi solicitar o pedido de ressarcimento sem necessidade. Por fim, a contribuinte requer o cancelamento dos débitos declarados indevidamente no PER/DCOMP, uma vez que já foram compensados na prória DACON. É o relatório. Voto Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Preliminarmente, cabe esclarecer que, conquanto o presente recurso não preencha todos os requisitos formais, admitoo em prestígio à essência sobre a forma e pela tempestividade de sua apresentação. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 5/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10909.720007/200918 Acórdão n.º 3401002.296 S3C4T1 Fl. 155 3 Em curto resumo, o presente processo originouse por meio de Pedido de Ressarcimento – PER/DCOMP, relativo à contribuição ao Cofins, apurada no regime da não cumulatividade. Após a apresentação do pedido, a DRF/Itajaí, mediante Despacho Decisório, indeferiu a solicitação em razão de que a contribuinte, intimada, deixou de apresentar o DACON, para todo o anocalendário 2005, bem como não apresentou qualquer cálculo para demonstrar a formação dos valores da base de cálculo da contribuição e os valores utilizados para o cálculo da contribuição devida no respectivo ano. Em face disto, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e também o DACON, que não fora apresentado anteriormente. A DRJ de Florianópolis, em Sessão de 22.12.2011, entendeu por não analisar o crédito demonstrado no DACON entregue após a ciência do indeferimento do pedido do contribuinte, portanto, negou provimento à Manifestação. Posteriormente, a contribuinte protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou que os créditos de PIS e Cofins foram pagos no processo de importação, arrecadados antecipadamente para a Receita Federal. Além disso, destaca que o Pedido de Compensação formulado por ela foi um erro. Cabe ressaltar que, quanto ao cancelamento dos débitos solicitado pela contribuinte, não é possível tratar dessa matéria por ela não fazer parte do presente processo, cujo objeto é o exame de seu Pedido de Ressarcimento Frente ao exposto, não conheço do recurso, tendo em vista, como exposto, a contribuinte ter admitido a extinção do litígio, ao afirmar ter apresentado equivocadamente o pedido de compensação. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 5/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003194/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PROVAS APRESENTADAS APÓS IMPUGNAÇÃO E ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO NÃO É ABSOLUTA E DEVE SER INTERPRETADA SISTEMATICAMENTE COM AS DEMAIS NORMAS E PRINCÍPIOS NORTEADORES PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS ESSENCIAIS À GARANTIA DE PRINCÍPIOS. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE.
Em respeito ao princípio da verdade material, o julgador deverá valorar as provas a ele apresentadas livremente, sempre buscando a verdade material dos fatos.
Sendo apresentadas provas após a impugnação e antes da decisão de primeira instância, a preclusão deverá ser interpretada sistematicamente com as demais normas e princípios norteadores do processo administrativo fiscal.
Se as provas apresentadas após a impugnação, mas antes da decisão em primeira instância, forem essenciais à garantia dos princípios norteadores do PAF, esta deverá ser analisada pele órgão julgador de primeiro grau.
A análise das provas por órgão de segundo grau, sem a apreciação da câmara a quo, resultaria em decisões proferidas em razão de uma mesma situação fática, partindo de fundamentos probatórios diversos. Tal situação configura evidente afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1201-000.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida mediante a apreciação dos documentos acostados aos autos e que foram objeto da diligência realizada pela fiscalização.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco, (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PROVAS APRESENTADAS APÓS IMPUGNAÇÃO E ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO NÃO É ABSOLUTA E DEVE SER INTERPRETADA SISTEMATICAMENTE COM AS DEMAIS NORMAS E PRINCÍPIOS NORTEADORES PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS ESSENCIAIS À GARANTIA DE PRINCÍPIOS. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE. Em respeito ao princípio da verdade material, o julgador deverá valorar as provas a ele apresentadas livremente, sempre buscando a verdade material dos fatos. Sendo apresentadas provas após a impugnação e antes da decisão de primeira instância, a preclusão deverá ser interpretada sistematicamente com as demais normas e princípios norteadores do processo administrativo fiscal. Se as provas apresentadas após a impugnação, mas antes da decisão em primeira instância, forem essenciais à garantia dos princípios norteadores do PAF, esta deverá ser analisada pele órgão julgador de primeiro grau. A análise das provas por órgão de segundo grau, sem a apreciação da câmara a quo, resultaria em decisões proferidas em razão de uma mesma situação fática, partindo de fundamentos probatórios diversos. Tal situação configura evidente afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-03-06T13:45:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-03-06T13:45:32Z; Last-Modified: 2014-03-06T13:45:32Z; dcterms:modified: 2014-03-06T13:45:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:671a48c9-8371-411a-b3f7-b70a4a3a4a47; Last-Save-Date: 2014-03-06T13:45:32Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-03-06T13:45:32Z; meta:save-date: 2014-03-06T13:45:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-03-06T13:45:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-03-06T13:45:32Z; created: 2014-03-06T13:45:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2014-03-06T13:45:32Z; pdf:charsPerPage: 2364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-03-06T13:45:32Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 267 1 226666 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003194/200627 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.820 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria IRPJ Recorrente SUPERA FARMA LABORATÓRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PROVAS APRESENTADAS APÓS IMPUGNAÇÃO E ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO NÃO É ABSOLUTA E DEVE SER INTERPRETADA SISTEMATICAMENTE COM AS DEMAIS NORMAS E PRINCÍPIOS NORTEADORES PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS ESSENCIAIS À GARANTIA DE PRINCÍPIOS. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE. Em respeito ao princípio da verdade material, o julgador deverá valorar as provas a ele apresentadas livremente, sempre buscando a verdade material dos fatos. Sendo apresentadas provas após a impugnação e antes da decisão de primeira instância, a preclusão deverá ser interpretada sistematicamente com as demais normas e princípios norteadores do processo administrativo fiscal. Se as provas apresentadas após a impugnação, mas antes da decisão em primeira instância, forem essenciais à garantia dos princípios norteadores do PAF, esta deverá ser analisada pele órgão julgador de primeiro grau. A análise das provas por órgão de segundo grau, sem a apreciação da câmara “a quo”, resultaria em decisões proferidas em razão de uma mesma situação fática, partindo de fundamentos probatórios diversos. Tal situação configura evidente afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida mediante a apreciação dos documentos acostados aos autos e que foram objeto da diligência realizada pela fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 94 /2 00 6- 27 Fl. 11406DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco, (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada pelos membros da 1ª Câmara, da 2ª Turma, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão realizada em 08 de abril de 2010. Naquela oportunidade o processo foi assim relatado: “ Tratase de Auto de Infração relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 668/674), ao PIS (fls. 675/678), à COFINS (fls. 679/682) e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 683/684), lavrados pela DRF de São Paulo/SP em 28/12/2006, referentes ao anocalendário de 2.001, cujo crédito tributário exigido perfazia à época a soma total, incluindo juros e multa, de R$ 91.993.041,58 (Noventa e um milhões, novecentos e noventa e três mil, quarenta e um reais e cinquenta e oito centavos). Referidos autos decorreram de verificação fiscal iniciada em 05/10/2006 com a finalidade de fiscalizar a veracidade dos valores declarados e recolhidos pela Recorrente no ano calendário de 2001. Iniciada a fiscalização, o Auditor fiscal intimou a Recorrente para que no prazo de 10 (dez) dias apresentasse os atos constitutivos e alterações posteriores; balanço e balancetes analíticos mensais; Livros Diário, Razão, Registro de Entradas, de Saídas e Inventário e, extratos bancários de todas as contas correntes movimentadas referente ao período fiscalizado, qual seja o ano calendário de 2001(fls. 03). No dia 19/10/2006, a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar a relação de todas as notas fiscais de entradas e saídas no ano calendário de 2001, relativas às operações fiscais envolvendo as empresas coligadas EUROFARMA LABORATORIOS E DISTRIBUIDORA LTDA e EUROFARMA LABORATÓRIOS LTDA., e filiais, discriminando número das notas fiscais, datas de emissão, códigos das operações e respectivos valores das remessas, dos retornos e das industrializações efetuados. (fls. 142) Posteriormente, após a análise da documentação apresentada pela Recorrente, em especial diante da informação prestada, qual seja, sobre a existência de erros nos valores das notas fiscais de remessa e de retorno entre as operações efetuadas com as suas coligadas, a fiscalização, em 07/12/2006, expediu novo Termo de Constatação e Intimação, para que a Recorrente justificasse no prazo de 20 (vinte) dias, essas diferenças apuradas entre os valores das remessas e os valores dos retornos de industrialização, Fl. 11407DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1201000.820 S1C2T1 Fl. 268 3 demonstrando, inclusive os valores dos insumos/produtos relativos As operações fiscais efetuadas entre a Recorrente e as suas coligadas com base nos seus estoques iniciais e finais. Em 28/12/2006 o Fisco lavrou os presentes autos, sob o fundamento de que as diferenças apuradas pela fiscalização entre os valores das remessas e os valores dos retornos referentes às operações comerciais efetuadas entre ela e suas coligadas no ano calendário de 2001, configurava omissão de receitas, bem como, pelo não oferecimento à tributação do lucro inflacionário apurado pela Recorrente no mesmo período, conforme a seguir: “(...) Em relação à empresa EUROFARMA LABORATÓRIOS LTDA., a fiscalizada apresentou o demonstrativo intitulado "Relação de Notas de Retorno de Industrialização com Composição", apontando uma série de notas fiscais de retorno cujos preços corretos totalizariam R$ 68.098,93 ao invés de R$ 68.098.933,37, indicando, assim, registros a maior de R$ 68.030.834,44. Cabe aqui ressaltar, que não foi apresentada qualquer documentação comprobatória sustentando tal demonstrativo. Esclareça se, por pertinente, que além da juntada das referidas notas, o que não o fez, caberia à fiscalizada demonstrar a origem do que denominou "preço correto". Dessa forma, ante a absoluta ausência do respaldo documental, cabe desconsiderar o demonstrativo em questão, permanecendo como não justificado o montante de R$ 64.659.801,00. Observese ainda, que embora devidamente intimada, a contribuinte não se manifestou quanto à eventual existência de estoque inicial e final que viesse a alterar a diferença apurada. No que se refere à empresa EUROFARMA LABORATÓRIOS DISTRIBUIDORA LTDA., não foi apresentado qualquer esclarecimento quanto à divergência de R$ 262.184,72. (...) Em sua resposta, datada de 22/12/2006, a contribuinte relacionou, em seu Anexo 2, os valores de seus registros fiscais envolvendo as operações de retorno e remessa de industrialização, que se mostram, inclusive, bastante divergente daqueles informados em DIPJ. Sobre as diferenças decorrentes de seu próprio levantamento, a fiscalizada alega, genericamente, que decorrem de "equívocos de classificação quanto as operações, conversão de preços unitários e de unidades de medidas dos produtos. " Apresenta, especificamente, uma nota fiscal de retorno de industrialização, emitida contra a empresa NOVARTIS SAÚDE ANIMAL LTDA., na qual um dos produtos teve seu valor fixado em R$ 28.047.787,97, quando deveria ser de R$ 21.804,25, argumentando tratarse de erro na quantidade mencionada na nota (1.286.345 Kg, ao invés de 1,286 Kg). Verificase, no entanto, que a contribuinte não apresentou o elemento essencial para comprovar o alegado, qual seja, a nota fiscal de entrada (remessa), onde constaria a quantidade (e o preço) correto. A própria fiscalizada, ciente dessa necessidade, manifesta em sua resposta Fl. 11408DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 4 que a "nota fiscal de remessa do produto mencionado, está sendo localizada em nossos arquivos e será apresentada posteriormente." Em consequência, fica desconsiderada a justificativa do contribuinte. (...) Constatase ante ao exposto, que a fiscalizada registrou operações no montante de R$ 103.219.008,18, sem a necessária correspondência que caracterizam as operações de remessas e retornos de industrialização. Dessa forma, fica configurado que a contribuinte procedeu a saídas e entradas não vinculadas, sem justificativa, cabendo considerar as diferenças apuradas como decorrentes de operações de compras e vendas não contabilizadas, indicativas, portanto, de omissão de receitas, sujeitas à tributação. (...)" Ciente dos autos de infração lavrados a Recorrente, apresentou tempestivamente sua impugnação em 29/01/2007 (fls. 714/748), alegando em síntese: Que a autuação parte da presunção de que eventuais diferenças entre recebimentos de produtos de terceiros para industrialização e os seus respectivos retornos, considerados os valores declarados e não as quantidades envolvidas, constituemse em compras ou vendas omitidas; Que nas operações de recebimentos e retornos de produtos industrializados para terceiros, o IRPJ e seus reflexos incidem apenas sobre o ganho do contribuinte, qual seja, sobre a diferença apurada entre o custo do bem e o seu valor de venda; Que a diferença entre o valor de custo da mercadoria recebida para industrialização por conta e ordem de terceiros e o valor das notas fiscais de estorno das mesmas mercadorias equivaleria à venda omitida é pura ficção da fiscalização, não tem base legal; Que a fiscalização cometeu erros, visto que a empresa detentora do CNPJ n° 02.804.404/000244 é a Novartis Saúde Animal Ltda., que, segundo o fisco, às fls. 452, não enviou nada à Recorrente para industrialização no ano calendário de 2001, entretanto, às fls. 667, no Demonstrativo de Valores Tributáveis elaborado pela fiscalização como resumo de suas constatações, aparece o lançamento de oficio do IRPJ sobre o valor de R$ 28.210.232,62, a titulo de receita omitida pela Recorrente, pois, aquela teria enviado insumos correspondentes a R$ 5.113.292,38 à Recorrente para industrialização, enquanto esta teria devolvido os bens industrializados à Novartis, com valor correspondente a R$ 33.328.525,00; Que o fisco manteve a Recorrente sob fiscalização de 19/10/2006 a 28/12/2006, data da lavratura dos autos de infração, tendo direcionado a sua autuação desde o inicio da fiscalização. Ilustra a alegação citando que em 07/12/2006 As 14:00 horas, fls. 450, a fiscalização intimou a Recorrente a dar explicações sobre as diferenças e erros apurados nas operações de remessas e retornos efetuadas entre ela e as empresas EUROFARMA LABORATORIOS LTDA. e EUROFARMA LABORATORIOS E DISTRIBUIDORA LTDA., no prazo de 20 (vinte) dias, período em que a Recorrente separou todas as notas fiscais exigidas Fl. 11409DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1201000.820 S1C2T1 Fl. 269 5 inclusive com a indicação dos valores dos insumos/produtos, todavia, no dia 28/12/2006 foi surpreendida com a lavratura dos presentes autos, ou seja, 1 (um) dia após o fim do prazo concedido para explicações, sem sequer ter diligenciado até a Recorrente para apreciar a documentação solicitada; Que a fiscalização foi premida pelo tempo, visto que se referia ao período de 2001, que estaria decaído, caso o auto de infração não fosse lavrado em 2006; Que nesta oportunidade anexou mais de 70 (setenta) jogos de documentos – notas fiscais de remessa para industrialização e notas de devolução, onde se vislumbra erros crassos como o acréscimo de até 3 algarismos, considerandose as virgulas, ou seja, multiplicados indevidamente por 1.000; Que em relação às notas fiscais, segundo a ordem 032; 033; 036; 037; 039; 040; 042 se constatam erros materiais crassos de registros em contas, que juntos totalizam o montante de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais); Que, tratandose de insumos de produtos farmacêuticos, esses valores exorbitantes apurados pela fiscalização já denotam a existência de erro, pois, estes em regra são produtos de baixo valor, que apenas 1 nota em relação a média de 4 ou 5 notas de cada emitente, aparecem com valores dispares; (item 42 da relação de documentos 1 e 2); Cita como exemplo a nota fiscal de n° 021398 da série 1 de emissão da EUROFARMA LABORATóRIOS, que foi emitida com valor de R$ 18.182.880,00, o que é um disparate tendo em vista que se refere ao envio de frascos para acondicionamento de medicamentos, que tem preço unitário de R$ 0,089, (conforme doc. anexo 3), erro que seria de fácil constatação pelo fisco se tivesse comparado o valor desta nota com os valores das outras 3 emitidas pela mesma empresa, correspondentes a R$ 25.396,19; 12.040,05 e 45.399,46 respectivamente (item 42 do anexo doc. 2); Em relação a nota fiscal de n° 022576 emitida pela Recorrente em 02/04/2001, assevera que se trata de erro crasso de fácil constatação, pois, se trata do envio de 1,0 (um) Kg do produto Tiostreptona no valor de R$ 21.804,25 para industrialização pela Novartis, o qual foi devolvido com valor de R$ 28.047.787,97; Que a apressada conclusão fiscal atropelou a prova e o direito, pois presumiu que houve recebimento de insumo/mercadoria, ora em valor maior, ora em valor menor que o devolvido, e posteriormente presumiu que esses valores se tratavam de vendas e ou compras omitidas e tributou essa omissão, o que fere o principio da tipicidade cerrada; Que não procede a autuação de não tributação do lucro inflacionário, pois, no ano calendário de 2001 não houve saldo de lucro inflacionado a ser adicionado ao lucro liquido, conforme DIPJ/2001 Fl. 11410DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 6 relativa ao ano calendário de 2000, já que a Recorrente integralizou o seu saldo de lucro inflacionário em 31/12/2001 , e que o lançamento existente no LALUR a este titulo é um erro formal de escrituração; Que sendo o auto de infração referente ao IRPJ nulo, contamina todos os reflexos, já que estes decorrem daquele, mesmo assim apresentou quesitos e indicou assistente técnico; Em 18/05/2007 a Recorrente protocolou complementação à sua impugnação (fls. 1155/1177) apresentada no dia 29/01/2007, dirigida a 7 Turma da DRJ/SP, acompanhado de 43 volumes, repisando os argumentos anteriores e deduzindo o seguinte: Que em relação ao item 36, as operações com remessa de matérias primas para industrialização para a ACHE, o valor de R$ 16.902.711,79 apontado pelo fisco como sendo a base de cálculo a ser tributada é incorreto, visto que nem toda a mercadoria que foi enviada para industrialização nos meses de novembro e dezembro de 2001 foram industrializadas e devolvidas no mesmo período de 2001; Que em relação ao item 37 apontado pelo Fisco como omissão de receitas auferidas na operação de envio e recebimento de matériasprimas para a industrialização, o mesmo não pode prosperar, pois a SILCON é uma empresa especializada em incineração de produtos, assim, não existe remessa nem devolução para industrialização a ser tributada pelo Fisco; Que em relação as operações com remessa de matérias primas pela empresa ZANON LABORATóRIOS, bem como, pela NOVARTIS SAÚDE ANIMAL LTDA., para industrialização pela Recorrente, devese ter em mente que parte dos insumos foram recebidos pela Recorrente em 2000, tendo sido devolvidos apenas em 2001, o que explica a diferença encontrada pelo Fisco entre os valores constantes das notas de remessa e de devolução; Em suma, a Recorrente alega que logrou êxito em esclarecer 94,87% das operações que encadearam a presunção de omissão de receitas e a lavratura dos presentes autos. Às fls. 1201/1216 foi proferida decisão pela DRJ/ São Paulo — SPOI, que julgou procedente o lançamento tributário impugnado nos seguintes termos: Em preliminar, afastou a apreciação da complementação da impugnação protocolada em 18/05/2007, juntamente com os 43 volumes que o acompanhavam, sob o fundamento de ter havido preclusão, pois, foram juntados depois do prazo para apresentação da impugnação, em janeiro de 2007 e, não vieram acompanhados de requerimento no qual a Recorrente deveria ter demonstrado o motivo da impossibilidade de juntá los anteriormente, nos termos do parágrafo 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72; Indeferiu os pedidos de realização de diligência/perícia, sob o fundamento de que esses eram prescindíveis para o julgamento dos presentes autos, uma vez que os autos já estavam suficientemente instruídos; Fl. 11411DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1201000.820 S1C2T1 Fl. 270 7 Afastou a nulidade pleiteada pela Recorrente, visto que não vislumbrou nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; Quanto ao mérito julgou procedente o lançamento efetuado pela fiscalização, haja vista a inércia da Recorrente em apresentar as notas fiscais emitidas no ano calendário de 2001 referentes as operações efetuadas entre a Recorrente e as suas coligadas; Em 07/11/2007 a Recorrente foi intimada sobre a decisão proferida pela DRJ/São Paulo SPI. Em 07/12/2007 a Recorrente apresentou Recurso Voluntário nos autos do presente processo administrativo, reiterando os argumentos aduzidos na sua impugnação e na complementação apresentados em 29/01/2007 e 18/05/2007, respectivamente e, deduziu o que houve cerceamento do seu direito de defesa pela 1ª instância, pois esta sequer apreciou as provas juntadas aos autos. É o relatório.” E a decisão se deu nos termos a seguir transcritos: “Por ser tempestivo admito o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento nos seguintes termos: Primeiramente necessário se faz analisar a questão preliminar ao mérito suscitada pela Recorrente quando da interposição do seu Recurso Voluntário à este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, qual seja, o pedido de anulação dos autos de infração lavrados, consubstanciado no cerceamento do seu direito de ampla defesa, por falta de apreciação das provas juntadas pela Recorrente em 18/05/2007, ou seja, após o protocolo da sua impugnação em 29/01/2007 e antes do julgamento de 1ª instância, ocorrido em 25/05/2007, que sequer apreciou os documentos juntados pela Recorrente. Conforme se depreende dos fatos narrados pelo julgador de lª instância, que entendeu por bem afastar a apreciação da complementação à impugnação protocolada pela Recorrente em 18/05/2007, bem como, dos 43 volumes de provas que o acompanhavam, sob o fundamento de ter havido preclusão, pois, foram juntados depois do prazo para apresentação da impugnação, em janeiro de 2007 e, sem requerimento especifico da Recorrente, através do qual deveria ter demonstrado o motivo da impossibilidade de juntálos anteriormente, nos termos do parágrafo 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72; No processo administrativo fiscal federal e em regra também nos demais (estadual e municipal), a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a Fl. 11412DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 8 direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72). Todavia, devese ter em mente que a referida preclusão pela falta de apresentação da prova no momento da impugnação não é absoluta, ou seja, deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas e princípios norteadores do processo administrativo tributário, quais sejam, os princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material. (...) Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o órgão preparador aprecie os 43 volumes de documentos afastados pela DRJ competente e, se manifeste acerca da força probatória dos mesmos em relação aos fatos objeto destes autos. Após dêse vista a Recorrente para que se manifeste acerca do resultado da diligência e, posteriormente retornem os autos para julgamento.” Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal analisou os documentos e às fls. 10539/ apresentou as seguintes conclusões: “Em conclusão, sintetizamos a seguir os aspectos principais da informação elaborada: I. Foram analisadas as alegações apresentadas na petição complementar e examinados os correspondentes 43 volumes de documentos anexados, conforme solicitado pelo órgão julgador de 2ª Instância (CARF). II. A documentação em questão envolve as operações com cinco empresas, que totalizaram diferenças de R$ 97.928.258,03, entre remessas e retornos de industrialização. R$ 5.290.750,15 referentes a outras 35 empresas, não foram sequer abordados pela recorrente. III. Parte da argumentação da contribuinte reside na hipótese de remessas e retornos terem origem em anos diferentes, porém a documentação comprobatória necessária não foi apresentada, inexistindo qualquer informação relativa a 2000 ou 2002, e nem mesmo referente a 2001 no que se refere aos imprescindíveis registros de estoques iniciais e finais de terceiros em seu poder. IV. As planilhas apresentadas são meras transcrições das notas fiscais de entradas e saídas, não havendo a correlação completa das remessas com as saídas quando ocorrem de forma parcial, envolvendo assim mais de uma nota fiscal. V. Outra parcela das justificativas referese a erros gráficos, porém a contribuinte não apresenta documentação fiscal retificadora e o suposto erro de valor mais relevante (NOVARTIS) tem explicação contraditória e conflitante com os documentos acostados. Fl. 11413DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1201000.820 S1C2T1 Fl. 271 9 VI. Não há na documentação ora analisada qualquer menção ou documentação concernente à outra matéria objeto da autuação (lucro inflacionário). VII. Pelo todo aqui exposto bem como pelas considerações exaradas na decisão do colegiado julgador de 1ª Instância, entendemos que deve ser mantido o lançamento em discussão.” A contribuinte, às fls. 10572/10587, manifestouse, preliminarmente, afirmando que a decisão da DRJ é nula, pois ignorou o conjunto probatório documental juntado logo após a apresentação da impugnação e antes da decisão de primeira instância sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição administrativa. Nesse ponto, ressaltou a importância dos documentos apresentados e consignou a complexidade para sua compilação em vista da quantidade de documentos anexados. No mérito, afirmou que produziu as provas que lhe eram possíveis em relação as operações com as cinco empresas que totalizaram diferenças de R$ 97.928.258,03 entre remessas e retornos de industrialização. Ressaltou que o fisco poderia ter estendido sua ação, por meio de MPFE ou MPFD para alcançar as devidas confirmações pretendidas. Em conclusão juntou os documentos: (1) reiteração de pedidos feitos à empresas Ache, Zambom e Silcon; (2) nota fiscal da NOVARTIS para industrialização do produto Tiostrepoptona enviado em 07/02/2001 com retorno em 02/04/2001 com erro no valor; (3) relação de erros nas operações Billi x Eurofarma, (4) cópias dos livros de notas da Eurofarma dos meses de outubro/dezembro de 2000 e janeiro, fevereiro e março de 2002, recebimento e devolução de produtos recebidos e devolvidos por industrialização para terceiros de um ano para outro, com planilhas e cópias das primeira e últimas vias das notas fiscais de cada livro encadernado sob número de volumes e (5) cartas de correções. Requereu prazo suplementar para juntada de documentos que estavam sendo buscados ou esperados de terceiros. Por fim, requereu a análise dos autos pelo órgão julgador primeiro ou, se superada esta fase, o provimento de seu recurso voluntário por ausência de liquidez e certeza do crédito exigido, já que partiu o Fisco de bases equivocados para sua apuração. Ademais, em 22/01/2013, às fls. 11008, requereu a juntada de documentos complementares, conforme requerido na oportunidade da manifestação à diligência apresentada em 02/01/2013, quais sejam: (i) cópias de livros de inventário e (ii) cópias de balancete analítico de 2001, onde pode ser visto o total de suas receitas, quer por conta de produção própria R$ 18.746.029,2, quer por conta de industrialização para terceiros no montante de R$ 22.112.208,56. E, em 25/03/2013, alegando o princípio da verdade material, pugnou pela juntada dos seguintes documentos: (i) Planilha de Rosto com síntese dos valores OPERADOS PELA EUROFARMA e a Requerente no ano de 2001 (Industrialização por encomenda); (ii) Relatório analítico das operações ocorridas entre a EUROFARMA e a Requerente no ano de 2001 — remessas para industrialização (SAÍDAS Euro) e (iii) Relatório analítico das operações ocorridas entre a EUROFARMA e a Requerente no ano de 2001 — recebimento de industrialização (ENTRADAS Euro —103). Fl. 11414DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 10 Retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. Tratase de retorno de diligência solicitada em razão da ausência de apreciação dos 43 de volumes de provas juntadas pela Recorrente em 18/05/2007, ou seja, após o protocolo da sua impugnação em 29/01/2007 e antes do julgamento de 1ª instância, ocorrido em 25/05/2007. Conforme já anteriormente exposto, no processo administrativo fiscal federal e em regra também nos demais (estadual e municipal), a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72). Todavia, a referida preclusão pela falta de apresentação da prova no momento da impugnação, conforme defendido pela DRJ, no presente caso, não é absoluta, ou seja, deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas e princípios norteadores do processo administrativo tributário. Nesse contexto, merecem destaque os princípios da ampla defesa, da verdade material e razoabilidade. O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessária à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. O decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal deixa claro, em seu artigo 29, que tal procedimento é regido pelos princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador. Vejase: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Resta claro que a norma de regência do Processo Administrativo Fiscal teve o intuito de fazer com que o julgador buscasse a verdade material dos fatos, podendo este, inclusive, diligenciar de ofício para tanto. Além disso, cumpre destacar que a legislação disciplinadora do Processo Administrativo Federal, qual seja, a lei n° 9.784, de 29/01/1999, em seus artigos 3° inciso III e Fl. 11415DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1201000.820 S1C2T1 Fl. 272 11 38, admite sejam produzidas provas antes da tomada de decisão final, conforme a seguir transcrito: “Art. 3º. 0 administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Art. 38. 0 interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes a matéria objeto do processo.” Cumpre observar que no caso, as operações que se pretende descaracterizar para afastar a presunção são muitas e complexas, razão pela qual a documentação para sua desconstituição montou a quantia de 43 volumes. Assim, tornase razoável e justificável a apresentação da documentação após a impugnação, pois certamente o prazo de 30 (trinta) dias não garantiria a ampla defesa, pois seria escasso para sua compilação. Nesse contexto cumpre a seguinte transcrição (Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3ª edição. Pag. 47): “Importante frisar que, na hipótese de a decisão administrativa ser proferida sem respeitar o contraditório e a ampla defesa, ela é considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação.” Além disso, a apreciação dos documentos acostados em segunda instância, sem a análise em primeira instância, quando esta era possível, fere o princípio do duplo grau de jurisdição e, portanto, impede a ampla defesa do contribuinte. A análise das provas por esta câmara, sem a apreciação da câmara “a quo”, resultaria em decisões proferidas a partir de uma mesma situação fática, partindo de fundamentos probatórios diversos. Tal situação configura evidente afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição. Assim, já que no caso as provas foram acostadas pelo contribuinte anteriormente à decisão de primeira instância, esta, em respeito ao princípio da verdade material, razoabilidade e ampla defesa, deveria ter avaliado a totalidade do conjunto probatório existente no momento em que proferiu sua decisão. Fl. 11416DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 12 Nesse sentido é a jurisprudência: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO ADITAMENTO À IMPUGNAÇÃO Instaurado tempestivamente o litígio, provas e razões adicionais à impugnação apresentadas após o prazo previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72 e antes da decisão, referentes às matérias previamente questionadas, devem ser consideradas no julgamento, sob pena de caracterizarse cerceamento de direito de defesa e, consequentemente, nulidade da decisão. Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão a quo e determinar a remessa dos autos à repartição de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma.” (Processo 10665.001640/200417. Acórdão 10322.583. Julgado em 16 de agosto de 2006) “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE DA DECISÃO. Em obediência ao princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário e, também, aos princípios da razoabilidade, ampla defesa e contraditório previstos no artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo da Administração Pública Federal, a autoridade julgadora deve apreciar a prova documental apresentada após a impugnação, mas em data anterior à do julgamento de primeira instância. Preliminar de cerceamento do direito de defesa acolhida. Nulidade da Decisão de primeira instância.” (Processo 13807.0011761/9985. Acórdão 10321.994. Julgado em 15 de junho de 2005) Portanto, para garantia dos princípios do contraditório e da ampla defesa, da razoabilidade e, ainda, para impedir a violação ao duplo grau de jurisdição, entendo que não cabe a esta câmara julgar o processo a partir de fundamentos probatórios diversos, razão pela qual voto no sentido de anular a decisão da DRJ para que esta proceda a novo julgamento apreciando a totalidade do conjunto probatório. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 11417DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.003194/200627 Acórdão n.º 1201000.820 S1C2T1 Fl. 273 13 Fl. 11418DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904556/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/05/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 56 /2 01 2- 21 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904556/201221 Acórdão n.º 3801002.356 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904556/201221 Acórdão n.º 3801002.356 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904556/201221 Acórdão n.º 3801002.356 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904556/201221 Acórdão n.º 3801002.356 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 11060.002829/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006
INTIMAÇÃO POR EDITAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
É válida a intimação por edital uma vez demonstrado que a tentativa de intimação pessoal resultou improfícua e o instrumento editalício foi afixado, em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação durante o prazo de 15 (quinze) dias.
NULIDADE. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO TOMOU CONHECIMENTO DAS PEÇAS DE DEFESA INTEMPESTIVAS. AUSÊNCIA DE VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau, que, em face da intempestividade da peça impugnatória, não tomou conheimento das razões de defesa suscitadas pela autuada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. O Conselheiro José Paulo Puiatti declarou-se impedido.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006 INTIMAÇÃO POR EDITAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É válida a intimação por edital uma vez demonstrado que a tentativa de intimação pessoal resultou improfícua e o instrumento editalício foi afixado, em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação durante o prazo de 15 (quinze) dias. NULIDADE. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO TOMOU CONHECIMENTO DAS PEÇAS DE DEFESA INTEMPESTIVAS. AUSÊNCIA DE VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau, que, em face da intempestividade da peça impugnatória, não tomou conheimento das razões de defesa suscitadas pela autuada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2006 INTIMAÇÃO POR EDITAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É válida a intimação por edital uma vez demonstrado que a tentativa de intimação pessoal resultou improfícua e o instrumento editalício foi afixado, em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação durante o prazo de 15 (quinze) dias. NULIDADE. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO TOMOU CONHECIMENTO DAS PEÇAS DE DEFESA INTEMPESTIVAS. AUSÊNCIA DE VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau, que, em face da intempestividade da peça impugnatória, não tomou conheimento das razões de defesa suscitadas pela autuada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 28 29 /2 00 5- 71 Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. O Conselheiro José Paulo Puiatti declarouse impedido. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeira instância, que segue transcrito: Trata o presente processo de verificação de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, cominados com DCOMPs, decorrentes de saldos credores acumulados entre julho de 2005 e junho de 2006. Da análise realizada pelo Fisco resultou: 1. reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, conforme dispostos no segundo quadro da página 17 do Relatório de Fiscalização (coluna Direito creditório a reconhecer), e homologação das compensações efetuadas por iniciativa da contribuinte, até o limite do direito creditório reconhecido, amparado, também pela competência a esse título delegada por meio da Portaria DRF/STM n° 10, de 21/02/2011 (art. 5o, inciso V e § 3º), publicada em 22/02/2011 no DOU (p. 43/4 – Seção 2); 2. lavratura de autos de infração decorrentes de glosas de créditos, tendo em vista o uso de notas fiscais inidôneas, eivadas de falsidade ideológica, conforme segue: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS não cumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 11.444,48, referente aos fatos geradores 31/05/2007 e 30/06/2007. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 150% (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com reenquadramento para o inciso I, § 1º, após a vigência da Lei 11.488, de 2007) e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência através de edital em 29/12/2011; b) o segundo formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.484,65, referente aos fatos geradores 31/05/2007 e 30/06/2007. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício qualificada de 150% (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com reenquadramento para o inciso I, § 1º, após a vigência da Lei 11.488, de 2007) e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência via edital em 29/12/2011. O autuante intentou dar ciência dos autos de infração pessoalmente à interessada em 14/12/2011, em seu domicílio fiscal. Todavia, somente se encontrava a esposa do gerente da empresa no local (moradora da casa anexa ao galpão, os quais formam o conjunto correspondente ao domicílio indicado pela contribuinte), que declarou não ter autorização para receber a Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 101 3 intimação. Nesse mesmo dia foi expedido e afixado edital de intimação, sendo ele desafixado em 30/12/2011. Consta nos autos observação da Empresa Brasileira de Correios de que o endereço da contribuinte estaria fora do perímetro de entrega. Houve apresentação de impugnação em 05/03/2012. Nela a autuada protesta pelo acolhimento de duas preliminares: tempestividade da impugnação e nulidade do procedimento fiscal. Transcrevo a seguir as razões apresentadas para a tempestividade da impugnação: DA TEMPESTIVIDADE No relatório de fiscalização consta a ciência da impugnante por edital em 29/12/2011. Considerando a ciência em 29/12/2011, o prazo para apresentação de defesa administrativa expiraria em 30/01/2012, entretanto, a impugnante somente tomou ciência de fato dos autos de infração em 06/02/2012, conforme demonstrará adiante, sendo que desta forma o prazo final para interposição de impugnação administrativa será em 07/03/2012. Para ter garantido o direito a AMPLA DEFESA a impugnante requereu ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria/RS, conforme cópia anexa, DEVOLUÇÃO DE PRAZO para apresentação de impugnação administrativa, pelos motivos adiante expostos. No dia 02/02/2012 a impugnante foi avisada através de e mail enviado pelo Auditor Fiscal Sr. Fernando Beltcher da Silva de que deveria comparecer no dia 08/02/2012 às 14:00 h para retirar livros contábeis e notas fiscais que estavam em poder da fiscalização para averiguações. Comparecendo à Delegacia da Receita Federal em Santa Maria no dia 06/02/2011, além do TERMO DE DEVOLUÇÃO de documentos, o Auditor Fiscal Sr. Marcelo Figueiredo de Azevedo Júnior apresentou à impugnante também um TERMO DE APREENSÃO de documentos, TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS E TERMO DE DESTRUIÇÃO. Neste momento também foi apresentado à impugnante autos de infração contra a empresa, referente a Ação Fiscal encerrada em 29/12/2011, com edital afixado no saguão da Delegacia da Receita Federal em Santa Maria no dia 14/12/2011 Juntamente com os autos de infração, foi entregue para a impugnante o relatório da ação fiscal onde consta a assinatura do Auditor Fiscal Fernando Beltcher da Silva e por ele escrito "Ciente, por edital, em 29/12/2011". Durante todo o período de mais ou menos 7 anos em que esteve fiscalizando a empresa o Auditor manteve contato diversas vezes com a Contadora da empresa, Sra. Cristiana Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Roldo e também com outros colaboradores da empresa através de telefones fixos e celulares e através do email contabilidade@aaqrolatina.com.br, para solicitar documentos e esclarecimentos tanto escritos como verbais, inclusive com depoimentos formais e informais, entretanto após finalizar a fiscalização e após ter comparecido apenas uma vez na empresa, no dia 14/12/2011, já no mesmo dia afixou edital nas dependências da Delegacia da Receita Federal de Santa Maria, retirando o mesmo no dia 29/12/2011, 15 dias após, dando início à contagem do prazo para defesa. Como o funcionário responsável pelas operações da empresa, Sr. Alex Rodrigues Gogo, cpf 947.898.35049, estava em viagem na semana do dia 11 a 17 de dezembro, quando o fiscal compareceu na casa vizinha à empresa que fica situada na área rural do município de Santa Maria e foi atendido pela Sra. Rosane Machado Alves, pessoa humilde e de pouca instrução, que não é funcionária da empresa. A Sra. Rosane, questionada se era funcionária da empresa ou se tinha procuração ou poderes para assinar pela empresa, disse que não e por isso nada foi entregue a ela. Mesmos tendo os telefones e o email de contato com a Contadora e dos próprios titulares da empresa, o Auditor Fiscal não fez mais nenhum contato com a empresa ou com a Contadora, conforme declaração anexa da mesma, fazendo contato novamente somente no dia 02/02/2012, solicitando o comparecimento para retirada de documentos, quando o prazo para defesa já estava expirado. O próprio Auditor Fiscal afirma em diversas passagens de seu Relatório de Fiscalização que utilizavase de mensagens eletrônicas para solicitar documentos à fiscalizada quando tinha dificuldade em intimar a empresa via postal, conforme segue trecho da folha 03: "Haja vista que o procedimento em curso era de diligência, foi encaminhado arquivo digital contendo o Termo em questão por mensagem eletrônica (fls 392/394) à Técnica Contábil que assina as demonstrações contábeis da DAMY (Sra. Cristiana Roldo)." Embora a legislação permita a notificação por edital, é sabido que sua utilização não deve ser banalizada, como forma de prejudicar o contribuinte, e da forma que foi utilizada neste caso, com o total silêncio da fiscalização após a afixação do edital, mesmo tendo em mãos várias formas de contato com a pessoa da empresa responsável pela documentação da fiscalizada ou com os titulares da empresa, fica evidente o dolo para dificultar ou impedir o direito de defesa, sem entrarmos no mérito da falta de lealdade que todo o contribuinte espera de um funcionário público esclarecido e qualificado. Este procedimento que foi adotado, consideramos um INTENCIONAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 102 5 De todas as formas de notificação ao contribuinte permitidas pela legislação, a notificação por edital publicado através de afixação por um curto período de tempo em mural nas dependências internas do órgão notificador é a menos eficiente para dar ciência ao contribuinte, pois o mesmo somente poderá tomar conhecimento da notificação se comparecer às dependências do órgão neste curto período e ler os editais afixados. Convenhamos que isto é uma verdadeira loteria. O edital de intimação foi afixado no dia 14/12/2011 e retirado nodia 29/12/2011, sendo considerada a ciência no dia 29/12/2011, justamente noperíodo de recesso de Natal e final de ano, quando normalmente a empresaconcede férias coletivas e não tem um funcionamento regular, como norestante do ano. Há que se considerar também que a empresa está estabelecida na zona rural de Santa Maria, portanto fora do perímetro urbano e não seria de bom senso deixar uma pessoa de plantão durante os 365 dias do ano para ir até as dependências da Receita Federal verificar se há algum edital intimando a empresa de alguma coisa, quando isto pode ser facilmente resolvido com um simples e rápido telefonema, ou um email, pois para sermos atendidos pela fiscalização é necessário agendar com antecedência dia e hora para atendimento. A notificação via edital já havia sido utilizada pelo Auditor durante a fiscalização para intimações à fiscalizada, e obviamente, pelos motivos já expostos não foi eficiente, tendo que ser complementada com mensagens eletrônicas. Quando o Auditor notificou a empresa dos autos de infração via edital sabia já de antemão que a mesma não teria como tomar conhecimento do mesmo em tempo hábil, pelos motivos já expostos, e utilizou esta forma de notificação com a clara e ardilosa intenção de não permitir que a fiscalizada exercesse seu DIREITO DE DEFESA. Por ter esta ardilosa intenção o Auditor não comunicou a empresa, em tempo hábil, da existência do edital, como fazia, com mensagens eletrônicas durante a fiscalização para facilitar e agilizar seu trabalho. Após esgotado o prazo do edital para defesa da empresa o Auditor fez contato com a empresa para solicitar o comparecimento de representantes da mesma para retirar documentos. Ante o exposto, requer em preliminar que seja considerada tempestiva a presente impugnação com suspensão da exigibilidade do débito. Segundo a impugnante, o procedimento fiscal também seria nulo pelo fato de não ter sido instaurado o devido processo administrativo exigido pela Portaria MF nº 187, de 1993, Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 visando à edição de ato declaratório declarando ineficazes os documentos fiscais que serviram de base à autuação, havidos por ideologicamente falsos, e em face de cerceamento do direito de defesa, por não ter sido possibilitado à impugnante, por atuação ardilosa e maliciosa da fiscalização, o conhecimento do inteiro teor do processo administrativo. Quanto ao mérito, as inconformidades são resumidas da seguinte forma: · qualquer indício de falsidade material dos documentos deve ser afastado de pronto, pois todas as informações confirmaram a existência das empresas emitentes e a idoneidade dos documentos; · não há falar em falsidade ideológica porque o fisco não trouxe ao processo provas de que as operações descritas nos documentos fiscais não teriam ocorrido; · os fornecedores das notas fiscais glosadas são empresas que sempre atuaram no ramo de compra e venda de couros e os documentos rotulados como inidôneos referemse à compra de couros, que é a matériaprima essencial para a manutenção das atividades da impugnante; · em um universo de centenas de fornecedores, a fiscalização valese da declaração de apenas dois que contumazmente não cumprem suas obrigações tributárias, para acusar a impugnante de utilização de documentos inidôneos; · as declarações dos outros fornecedores foram intencional e maliciosamente omitidas pelo Auditor e por este motivo a impugnante protesta e não concorda com a destruição destes documentos sob o pretexto de proteger o sigilo fiscal dos declarantes, o auditor suprimiu do processo provas fortes e robustas, que seriam suficientes para o encerramento da fiscalização sem lavratura de auto de infração; · os dois fornecedores constam como ativos em relatório emitido pela Serasa Experian (anexo); · é perfeitamente normal que cheques emitidos pela Damy tenham ingressado em contas mantidas por outros fornecedores, porque estes também são fornecedores daqueles, a CPFM representava acréscimo de custos, e – no caso de Rodrigo da Silva Torma – os credores estavam cobrando dívidas; · o “modus operandi” dos fornecedores cujas notas fiscais foram glosadas é diferente dos fornecedores tradicionais, representados por frigoríficos, matadores e atacadistas de couros; participam do grupo denominado de “catadores de couro e subprodutos de origem animal”, o qual geralmente é constituído por firmas individuais que adquirem produtos de produtores rurais, abatedouros e frigoríficos em qualquer cidade ou estado onde surja oportunidade de negócios, para posteriormente revendêlos a clientes, como os curtumes; após a catação, os couros são baldeados para caminhões dos adquirentes ou fretados, sendo as notas fiscais de venda emitidas Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 103 7 no ponto de coleta para que os caminhões sigam o seu destino, sem ser necessário passar pela cidadesede dos catadores; o pagamento recebido pelos catadores geralmente é feito à vista (eventualmente antecipado) no ato do carregamento das mercadorias para imediato repasse aos seus fornecedores, inclusive com cheques recebidos; · é comum a emissão de dois ou até mais cheques para cada operação, justamente para atender uma necessidade do catador para pagar seus fornecedores; · a compra de couro é atividade essencial no setor em que atua a Impugnante, portanto todas as operações de compra que foram glosadas pelo Fisco são necessárias, usuais e normais; · ainda que não tenha sido apontado vício ou indício de irregularidade, a autuação também ignora como prova os livros fiscais e contábeis da autuada, os quais demonstram cabalmente a ocorrência de fato das operações, devidamente declaradas e escrituradas, comprovando a entrada das mercadorias na empresa (registros de estoques) e o pagamento das mesmas (contabilidade); · todos os pagamentos efetuados estão devidamente registrados na contabilidade da impugnante, e devem ser admitidos como prova, pois os livros contábeis foram amplamente examinados pelo Auditor Fiscal, que não encontrou nenhuma irregularidade nem levantou a menor dúvida quanto à idoneidade da contabilidade da impugnante. Além de estarem os pagamentos documentados e devidamente registrados na contabilidade da impugnante, sempre com cheques nominais aos emitentes das notas fiscais; · todos os pagamentos efetuados foram feitos através de cheques nominais e estão todos lastreados com recibos assinados pelos fornecedores ou seus mandatários ou funcionários que entregavam a mercadoria para embarque, comprovando o pagamento do dispêndio da impugnante. Cabe frisar que para todas as notas fiscais recebidas a impugnante comprovou o pagamento, com recibos passados pelos fornecedores, e o lançamento contábil, sendo os pagamentos foram feitos através de cheques nominais aos fornecedores; · na data da lavratura dos autos de infração já ocorreu a decadência do direito da fazenda constituir o crédito tributário, pois já transcorreram mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador e conforme o § 4o do art. 150 do CTN o crédito já está extinto, portanto se o Fiscal Autuante encontrasse alguma irregularidade poderia emitir multa ou notificação a partir de 1o de janeiro de 2007/2008/2009/2010/2011 (5 anos), pois a autuada tomou conhecimento em 06 de fevereiro de 2012, portanto este trabalho do Fiscal Autuante tornouse um prólixo; · não existe motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que não houve caracterização do evidente intuito Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 de fraude – o conjunto probatório descaracterizam as acusações de fraude; os dois fornecedores exerciam regularmente a atividade comercial e tinham capacidade logística, fornecendo regularmente couros salgados para a impugnante; · a prova indiciária só é admitida em direito tributário quando todos os fatos relatados e indícios forem convergentes e contra o contribuinte, não deixando dúvida quanto ao cometimento da infração – as provas, indícios e evidências apresentados evidenciam dispêndio necessário, usual e normal aos negócios da impugnante, com pagamentos feitos por mercadorias que efetivamente entraram nas dependências da empresas e que foram consumidas em seu processo produtivo; · requer sejam deferidas as preliminares, julgandose tempestiva a impugnação e nulos o procedimento e os autos de infração, e, no mérito, seja reconhecida a decadência e considerada procedente a impugnação, com o cancelamento das exigências. No que se refere à manifestação de inconformidade (também protocolada em 05/03/2012), as argumentações relativas à tempestividade e nulidade do procedimento são as mesmas, isso acontecendo, também, quanto ao mérito. No entanto, pertinente a transcrição dos seguintes excertos (mérito): FATOS A fiscalizada é empresa tradicional no ramo de exploração de peles de gado, e está sujeita à sistemática não cumulativa da apuração do PIS e da COFINS, fazendo jus ao ressarcimento do saldo credor das referidas contribuições, nos termos das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Para fins de aproveitamento e/ou ressarcimento do saldo credor do PIS/COFINS não cumulativos no valor total de R$ 228.276,08, a empresa formulou o pedidos administrativos de ressarcimento objetos do processo n°11060.002829/200571, o qual foi objeto de fiscalização por parte da Delegacia da Receita Federal de Santa Maria, correspondente aos períodos dos terceiro e quarto trimestres de 2005 e primeiro e segundo trimestres de 2006. A fiscalização glosou os créditos de PIS/COFINS referentes às notas fiscais de compra de matériasprimas emitidas pelos fornecedores Rodrigo da Silva Torma e Cia. Ltda. e Lia Margarete Ramos Vieira, que foram consideradas inidôneas pela fiscalização. Os créditos glosados são no valor total de R$ 89.084,64 de COFINS e de R$ 19.340,69 de PIS. O Fiscal quebrou o sigilo bancário da fiscalizada, para os bancos fornecerem as movimentações financeiras da fiscalizada, queremos aqui agradecer ao Fiscal por este procedimento, pois com essa quebra do sigilo bancário nos ajuda a provar que os funcionários da empresa não são pessoas tresloucadas para distribuir dinheiro à toa para nossos fornecedores, pois se os cheques emitidos Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 104 9 nominalmente aos nossos fornecedores, graças ao bom Deus, foram parar nas contas de frigoríficos que produzem couros, e não foram parar nas mãos de traficantes e de políticos corruptos, conforme o próprio Fiscal autuante comprovou em sua tese absurda. DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Na data da ciência das glosas dos créditos já ocorreu a homologação tácita dos pedidos de ressarcimento pois já decorreram mais de cinco anos dos pedidos pois a fiscalizada tomou conhecimento em 06 de fevereiro de 2012. PEDIDO (...) d) Seja julgada inteiramente tempestiva e procedente a presente manifestação de inconformidade com vistas à reconsideração da CONCLUSÃO/DECISÃO naquilo que dispôs sobre o não reconhecimento parcial dos direitos creditórios da empresa com vistas ao reconhecimento dos créditos de PIS/COFINS referentes aos períodos dos terceiro e quarto trimestres de 2005 e primeiro e segundo trimestres de 2006 objetos do Processo Administrativo n° 11060.002829/200571 pelo valor total pleiteado. A repartição preparadora registrou que a impugnação e a manifestação de inconformidade foram apresentadas de forma intempestiva, porém com alegação preliminar de tempestividade. Encaminhou o processo a esta DRJ. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2.538/2.548), em que, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de tempestividade, julgada improcedentes as peças contestatórias e mantido integralmente os autos de infração e a decisão de homologação parcial das compensações declaradas, com base nos fundamentos resumido no enunciado da ementa que segue transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2007, 30/06/2007 INTIMAÇÃO. EDITAL. É válida a intimação por edital quando demonstrado que a tentativa de intimação pessoal resultou improfícua. Considerase efetuada a intimação quinze dias após a afixação ou publicação do edital. IMPUGNAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. O direito de o sujeito passivo impugnar exigência tributária ou contestar homologação parcial de compensações declaradas preclui em 30 dias, contados da ciência dos atos administrativos de lançamento ou homologação parcial. Peças de contestação Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 apresentadas fora do prazo legal somente serão apreciadas se suscitada a preliminar de tempestividade e, em esta não sendo acolhida, tornase defeso o exame de questões de mérito. Em 5/7/2012, a recorrente foi cientificada dessa decisão (fl. 2.561). Inconformada, em 18/7/2012, protocolizou o recurso voluntário de fls. 2.565/2.641, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, pediu a anulação da decisão recorrida, sob o argumento de que fora considerado estritamente o formalismo do texto legal, sem buscar a verdade dos fatos, ignorando vários princípios do processo administrativo tributário, especialmente o princípio do devido processo legal e o principio do contraditório e da ampla defesa. Alegou ainda a recorrente que o procedimento de intimação adotado representava um intencional cerceamento do direito de defesa, pois de todas as formas de notificação permitidas pela legislação, a notificação por edital publicado através de afixação por um curto período de tempo em mural nas dependências internas do órgão notificador era a menos eficiente para dar ciência ao contribuinte, porque o mesmo somente poderia tomar conhecimento da notificação se comparecesse às dependências do órgão neste curto período e lesse os editais afixados. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissbilidade, porém a matéria a ser conhecida limitase apenas a questão atinente à tempestividade da peça impugnatória, especificamente, a forma de intimação por edital realizada nos autos. A previsão análise da matéria objeto da controvérsia, encontrase expressamente estabelecida no art. 56, § 2º, Decreto nº 7.574, de 2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifos não originais) A recorrente insurgese, especificamente, contra a forma de intimação realizada, haja vista que as peças contestatórias, inequivocamente, foram apresentadas fora do prazo legal de 30 (trinta) dias fixado no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, doravante denominado de PAF. De fato, se a intimação editalícia ocorreu no 29/12/2011, o trintídio se completou em 30/1/2012 (segundafeira), dia último e de expediente normal no Órgão Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 105 11 preparador, enquanto que as peças de defesa somente foram apresentadas em 5/3/2012, portanto, bem além do termo final do prazo fixado. A recorrente alegou que a decisão de primeira instância fundamentarase estritamente no formalismo do texto legal, sem buscar a verdade dos fatos, ignorando vários princípios do processo administrativo tributário, especialmente, o princípio do devido processo legal e o principio do contraditório e da ampla defesa, e derespeitando outros princípios primordiais, como o princípio da verdade material e o princípio da isonomia, pois sem a apreciação das alegações do acusado, jamais poderseia saber a verdade material dos fatos, com tratamento infinitamente desigual ao acusador e do acusado. Não assiste razão a recorrente. A decisão de primeiro grau foi fundamentada nos arts. 10, IV, e 11, IV, do Decreto nº 7.574, de 2011, a seguir reproduzidos: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou IV por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. [...] § 3º O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2º somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto nº Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 70.235, de 1972, art. 23, § 5º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). [...] Art. 11. Considerase feita a intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113): [...] IV se por edital, quinze dias após a sua publicação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso IV, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67, e pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). (grifos não originais) Da leitura dos preceitos normativos em destaque, extraise que a condição necessária e suficiente para a realização da intimação por meio de edital é a frutração de apenas uma tentativa das formas de intimação previstas nos incisos I a III do referido artigo, situação que, induvidosamente, ocorreu no caso em apreço, uma vez que não se consumou a tentativa de intimação pessoal, efetuada em 14/12/2011, no domicílio fiscal da contribuinte, pelo motivo explicitado no Termo de Constatação de fl. 2.209, ou seja, que no dia 14/12/2011, às 14:40 hs, a autoridade fiscal compareceu para cientificar pessoalmente a recorrente no endereço por ele indicado, no entanto, fora informado de que não havia pessoa autorizada a receber documentos expedidos em nome da recorrente. Diante dessa circunstância, evidentemente, a intimação por edital passou a ser a única forma de intimação possível, haja vista que as outras duas formas remanescentes (por via posta ou por meio eletrônica) eram inviáveis, uma vez que o domicílio da recorrente não era atendido pelos Correios e não havia o expresso consentimento necessário para efetivação da intimação eletrônica, exigida no art. 10, § 3º, do Decreto nº 7.574, de 2011. Dessa forma, é evidente que a fiscalização agiu em consonância com a legislação vigente e, por conseguinte, a Turma de Julgamento a quo não poderia afastar aplicação dos referidos preceitos normativos, por afronta aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, da verdade material e da isonomia, sem que fosse declarada, incidentalmente, a inconstitucionalidade do correspondente diploma legal, questão expressa vedada no âmbito do processo administrativo, nos termos do art. 26A do PAF, a seguir transcrito: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 106 13 II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) No caso, as hipóteses excepcionadas no § 6º em destaque, certamente, não se concretizaram, o que ratifica o acerto da decisão de primeiro grau. Alegou ainda a recorrente que o procedimento de intimação adotado representava um intencional cerceamento do direito de defesa, pois de todas as formas de notificação permitidas pela legislação, a notificação por edital publicado através de afixação por um curto período de tempo em mural nas dependências internas do órgão notificador era a menos eficiente para dar ciência ao contribuinte, porque o intimado somente poderia tomar conhecimento da intimação se comparecesse às dependências do órgão neste curto período e lesse os editais afixados. Essa alegação questiona o procedimento da intimação por edital, que, sabidamente, em suporte em preceito legal vigente, a saber, o art. 23, § 1º, do PAF, a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] (grifos não originais) Logo, como se trata de procedimento respaldado em preceito legal vigente, por força da vedação contida no já mencionado art. 26A do PAF, foge da competência deste Colegiado se manifestar a respeito da matéria. Também não assiste razão à legação da recorrente de que houve evidente o dolo por parte da fiscalização, no sentido de dificultar ou impedir o direito de defesa, sob o argumento de autoridade fiscal dispunha de várias formas de contato com a pessoa responsável pela documentação da fiscalizada ou com os titulares da empresa, porém não lhe comunicou da intimação, pois a autoridade fiscal tentou intimar a recorrente pessoalmente, porém, pelas razões já declinadas, não foi possível concretizar este tipo de intimação. No que tange a essa questão, é pertinente ressaltar que autoridade fiscal, sob pena responsabilidade funcional, tem o poderdever de executar o procedimento de lançamento e da não homologação da compensação dentro dos prazos estabelecidos na legislação, sob pena decadência do direito de lançar ou da ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas, situação que, no caso em tela, estava prestes a ocorrer, conforme noticiam os autos. Além disso, sabedora de que estava sendo submetida à procedimento de fiscalização, inclusive já tendo sido intimadas várias vezes na fase de realização do procedimento fiscal, era prudente que a recorrente tivesse adotado a diligência necessária para o acompanhamento do procedimento fiscal em comento, especialmente, na ausência das pessoas autorizadas a receber a documentação fiscal, a habilitado de preposto para o exercício desse mister era indispensável, o que não foi feito pela recorrente. Com base nessas consideração, não se vislumbra qualquer irregularidade no procedimento de intimação em apreço e tampouco alguma mácula que possa conspurcar a legitimidade da decisão recorrida. Por todo o exposto, vatase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11060.002829/200571 Acórdão n.º 3102002.185 S3C1T2 Fl. 107 15 Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 16403.000073/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o presente Recurso em diligência nos termos do voto da Relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o presente Recurso em diligência nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos Presidente Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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ARAPOTI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o presente Recurso em diligência nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 64 03 .0 00 07 3/ 20 07 -8 3 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 6 ___________ RELATÓRIO Iniciou o presente processo com a representação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa Sacat/ DRF/PTG de fl. 02, no sentido de dar tratamento manual a pedido eletrônico de ressarcimento (PER), bem como de declarações de compensação (Dcomp). Assim, às fls. 03/05, consta o pedido eletrônico de ressarcimento, de PIS Não Cumulativo Exportação do 2º trimestre de 2004, no montante de R$ 284.007,20, ao qual se vinculam as declarações de compensação de fls. 06/09. Às fls. 27/30, houve Intimação Saort/DRF/PTG n.º 202/2008, a Recorrente para que apresentasse, no prazo de 20 dias, documentação necessária a instrução do presente processo; cientificada em 10/03/2008 (fl. 31), a interessada protocolizou, em 01/04/2008, a petição de fls. 32/34 pedindo a extensão do prazo em mais 20 dias, sendo que por meio do Comunicado Saort/DRF/PTG n.º 426, de 04/04/2008 (fl. 53), foi concedido um prazo adicional de 10 dias, contados do término do prazo previsto na intimação original (31/03/2008). Por sua vez, às fls. 55/57, consta nova petição da interessada, requerendo dilação do prazo para a entrega da documentação solicitada. Às fls. 79/82, o Despacho Decisório Saort/DRF/PTG n.º 358/2008, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, informa que, devido a interessada não ter entregado todos os documentos solicitados em intimação fiscal, necessários para a análise do direito creditório. Tomomando a seguinte decisão: “CONCLUSÃO: De acordo com o parecer retro, faço uso da competência delegada pela Portaria DRF/PTG n.º 85, de 23 de agosto de 2007, publicada no Diário Oficial da União – DOU – no dia 28 de agosto de 2007 para indeferir o Pedido de Ressarcimento de créditos e não homologar a declaração de compensação apresentada.” Cientificada desse despacho decisório em 15/05/2008, conforme consta à fl. 83, a requerente, por meio de procurador (mandato de fls. 112/114), ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 85/96 (enviada pela via postal em 16/06/2008), instruída com os documentos de fls. 97/115, a seguir sintetizada. No item “I – Dos fatos”, esclarece que, entre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos no processo produtivo desse produto, levando a protocolizar pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, aqui em debate; comenta que o fisco intimou a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.º 202/2008); agrega que em face do excessivo volume de documentos requeridos, apresentou pedido de dilação de prazo, requerendo mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.º 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a ‘longa’ lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, o fisco emitiu o despacho decisório impugnado, com o que não concorda. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 7 3 Sob o título “Da ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa”, após citar o art. 2º da Lei n.º 9.784, de 1999, do qual destaca a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados, frisando que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pedindo um tempo maior para atendêla; dessa forma, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo, e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de compensação; registra ainda que os livros obrigatórios sempre estiveram à disposição da autoridade fiscal. Na sequência, faz comentários sobre os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da não privação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, e mencionando o art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; argumenta, ainda, que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito (verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito à alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, nos termos do art. 16 da Lei n.º 11.116, de 2005, e poderiam ser utilizados na compensação, nos termos da legislação), entendendo que teria havido, assim, flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação; insiste que o alegado direito de crédito, no presente caso, decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. No seguimento, requer o deferimento de perícia, posto que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito à alíquota zero; quanto a isso, nomeia como assistente técnica a Contadora Ana Ribeiro Silva, CPF n.º 258.969.90855, com domicílio à Rodovia SP 340, Km 171, CEP 13840970, Mogi Guaçu/SP, e formula os seguintes quesitos: “1. Solicitar ao Sr. Perito que proceda a descrição de todo o processo produtivo da empresa. 2. Quais são os produtos finais do processo produtivo da Impugnante, e qual a alíquota de PIS e COFINS do mercado interno desses produtos? 3. Relacionar os insumos empregados no processo produtivo da empresa. 4. Responder se esses insumos geram direito ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. 5. Relacionar os demais bens que geram direito ao crédito de PIS e COFINS na atividade da Impugnante, nos termos da legislação acima mencionada. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 8 4 6. Solicitar ao Sr. Perito a elaboração de Planilha de Cálculo com os montantes de créditos de PIS e COFINS relativo ao período do presente processo e objeto do Pedido de Ressarcimento cumulado com as Declarações de Compensação, demonstrando a relação proporcional desses créditos com a venda sujeita a alíquota zero de PIS e COFINS.” Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, para declarar seu direito de compensar os alegados créditos de PIS e COFINS com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em face dos mesmos decorrerem da aquisição de insumos e demais bens utilizados na produção de papel cuja alíquota é zero; protesta pela realização de prova pericial, nos termos requeridos e requer, ainda, a juntada de CDRom que conteria toda a documentação solicitada pelo fisco, esclarecendo que a juntada dessa documentação em papel acarretaria um grande volume de documentos, o que dificultaria o manuseio do presente processo. À fl. 116, despacho da Saort/DRF/PTG, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. À fl. 117/118, despacho desta 3ª Turma/DRJ/Curitiba, no qual, em face da argumentação da interessada e da juntada de CD à sua manifestação de inconformidade, devolveuse o processo à DRF/Ponta Grossa no sentido de ser efetuada diligência para que fosse verificado se a documentação apresentada pela interessada era suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado. Em razão disso, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (Safis/DRF/PTG) expediu as intimações n.º 19/2010 e n.º 24/2010 (fls. 120/122 e 124/126), cientificadas, respectivamente, em 25/01/2010 e 02/02/2010, para que a interessada apresentasse a documentação necessária para a adequada averiguação do alegado direito creditório. Às fls. 129, 130 e 137, requerimentos da interessada, recebidos em 04/02/2010 e 12/03/2010, para a dilação do prazo de entrega dos documentos solicitados pelo fisco nas duas intimações antes mencionadas. Às fls. 138/139, consta o termo de intimação fiscal n.º 227/2010, emitido em 20 de abril de 2010, em que a Safis/DRF/PTG volta a interpelar a interessada para, no prazo de cinco dias úteis, cumprir as precitadas intimações n.º 19 e 24 (cientificada em 27/04/2010). Às fls. 142, 143 e 145, novos pedidos de dilação do prazo de cumprimento das referidas intimações n.º 19 e n.º 24, apresentados em 11/05/2010 e 14/05/2010. À fl. 146, Comunicado Safis/DRF/PTG n.º 03/2010, emitido em 26 de maio de 2010, com o seguinte teor: “Em resposta a solicitação de dilação de prazo apresentada em 14/05/2010, comunicamos o seu indeferimento, conforme contato telefônico. Comunicamos ainda que os autos estão sendo encaminhados para a DRJ – Curitiba para prosseguimento.” Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 9 5 Às fls. 147/149, Informação Fiscal da Safis/DRF/PTG, noticiando brevemente os fatos havidos no processo, enfatizando as várias oportunidades dadas à contribuinte para a adequada instrução do processo e, ao final, emitindo a seguinte conclusão: “Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta de apresentação da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhado para a DRJ – Curitiba para prosseguimento.”. A manifestação de inconformidade foi então analisada por esta 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que, por meio do Acórdão n.º 27.571, de 28 de julho de 2010 (fls. 151/161), do qual a interessada foi cientificada em 29/11/2010 (fl. 171), decidiu por rejeitar as preliminares arguidas, indeferir o pedido de perícia e manter o não reconhecimento dos pedidos de ressarcimento de fls. 03/05, bem como a não homologação das declarações de compensação de fls. 06/09. Sendo tal decisão assim ementada (fl. 151): “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Reabrindose à interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito creditório ao órgão originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito.”. Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 175/195, no qual requereu: (a) a declaração da nulidade do acórdão da DRJ/CTA, por afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa na diligência fiscal; (b) o reconhecimento do direito de crédito de PIS pretendido e a homologação das compensações a ele vinculadas; (c) seja reconsiderado o indeferimento do pedido de perícia, para a interessada poder demonstrar a efetividade de seus créditos. O recurso interposto foi apreciado pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujos membros de sua 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão n.º 310200.162, às fls. 245/256, em sessão havida em 02/06/2011, por unanimidade de votos, acordaram em “anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.”, tendo a respectiva ementa o seguinte teor: “(...) PRELIMINAR – NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA REJEITADA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida.”. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 10 6 Comunicada a interessada desse julgado (fls. 261/262), a interessada protocolizou a “Manifestação de Diligência” de fls. 264/273, a seguir sintetizada. Diz que o acórdão do CARF acolheu a preliminar de nulidade da decisão da DRJ/CTA, havendo, ainda, determinação que lhe fosse dada ciência da informação fiscal de fls. 147/149. Cientificada, afirma que a diligência, de que trata a referida informação fiscal, não foi cumprida na forma determinada pela DRJ, o que teria prejudicado seu direito ao crédito, com manifesto cerceamento ao direito de defesa; fala que como o trabalho fiscal não teria cumprido o papel de informar a autoridade julgadora sobre o crédito a que diz ter direito, a mencionada diligência deveria ser declarada nula, com a consequente determinação de uma efetiva apuração do direito creditório. No item “2. Diligência efetuada não responde ao que foi solicitado pela DRJ/Curitiba”, diz que, em razão de diligência solicitada pela DRJ/CTA, a DRF/PTG intimou a para apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis, mas que, devido ao grande volume dos documentos então solicitados, teve dificuldades em atender à totalidade da intimação, trazendo aos autos, no entanto, em meio magnético (CD) os seguintes elementos: 1. lançamentos contábeis, 2. saldos mensais, 3. plano de contas e 4. centro de custos. Acrescenta que, na sequência, o órgão fiscal efetuou nova intimação requerendo os arquivos em formato digital validado por leiaute estabelecido pela RFB, para o que requereu novo prazo; no entanto, para sua surpresa, no curso dessa verificação, fala que ‘sem qualquer aceno sobre o direito creditório’ a diligência foi encerrada, com o retorno do processo à DRJ/Curitiba. Prossegue, dizendo que ao final dos trabalhos de diligência, agora franqueada para contestação, o auditor fiscal emitiu a seguinte conclusão: “Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhamento para a DRJ Curitiba para prosseguimento.”, a qual considera equivocada, fora do escopo determinado pela DRJ/CTA, uma vez que não foi realizada a análise solicitada, isso porque: “a missão de verificar os documentos apresentados não foi realizada, pois o que deveria ser o resultado da análise da diligência com a elaboração dos demonstrativos do crédito resumese a noticia dos documentos apresentados.”, o que demonstraria que não houve qualquer trabalho sobre os documentos que apresentou, não acreditando que de seus lançamentos contábeis ‘não seja possível identificar nenhum valor que componha o crédito postulado’, revelando que a diligência teria se acomodado com a falta de alguns documentos para negar todo o direito creditório. Agrega que a precitada diligência tinha como pressuposto verificar todo e qualquer elemento que pudesse sustentar o direito creditório, tanto é assim que o pedido de perícia só teria sido indeferido sob o argumento de que tal diligência supriria a necessidade de averiguação por profissional habilitado. Conclui esse tópico dizendo: “Desta forma, concluise imprestável o trabalho realizado que macula a decisão ora combatido por estar baseado em conclusão equivocada.” Sob o título “3. Do direito ao crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS”, argumenta que se o fisco tivesse examinado os documentos que embasam seu direito creditório, constataria que o crédito de PIS requerido é legítimo, posto que teria origem na aquisição de insumos e bens aplicados em seu processo de fabricação de papel, conforme previsão do art. 3º, II da Lei nº 10.833, de 2003, e que estaria demonstrado em Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 11 7 planilhas anexas (documentos 2 a 4); diz que o acumulo dos créditos ora debatidos decorreria de seu vínculo às operações que realiza, cujas receitas para fins de apuração do PIS e da Cofins, possuem imunidade assegurada pelo art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988, e confirmada no art. 6º, I, da Lei nº 10.833, de 2003; assim, diz que tais créditos não seriam consumidos na sistemática da não cumulatividade do PIS, pela inexistência de débitos a lhes serem contrapostos. Menciona julgado do então Segundo Conselho de Contribuintes que admitiria, como insumo gerador de crédito do PIS e da Cofins, todo e qualquer custo, gasto ou despesa vinculados ao produto ou serviço vendido, pedindo que tal tratamento seja dados aos créditos que apropriou e informou em DACON. Reafirma que mesmo não tendo tido tempo hábil para fornecer as informações na forma requerida (arquivos magnéticos), as mesmas sempre estiveram disponíveis, por outros meios, tais como os livros de entrada, que a RFB poderia acessar para análise; acrescenta, em face dos documentos então apresentados; ser impossível não haver condições de identificar algum crédito de PIS, dentre os que pleiteou, o que demonstraria a ação extremada da não homologação da integralidade dos créditos objeto do presente processo. No título “4. Da comprovação do direito ao crédito de PIS em sede de recurso – laudo que atesta o crédito”, reitera que não se negou a atender a intimação fiscal, tendo pedido apenas um tempo maior para cumprila, ressalvando que seus livros de entrada, obrigatórios para apuração dos créditos, sempre estiveram à disposição do fisco, e, assim, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, requer que o seu direito creditório possa ser analisado, insistindo em afirmar que o seu direito ao crédito reside na utilização efetiva de insumos e demais bens no processo produtivo de papel, o que ocasionou o acúmulo do crédito de PIS objeto dos pedidos de ressarcimento e de compensações realizadas posteriormente; a fim de comprovar a possibilidade da quantificação do direito creditório, apresenta um levantamento feito por empresa independente, no qual estaria demonstrado “a existência de saldo credor com base na compensação”, sendo que junto com o relatório anexa um CD (compact disc), contendo planilhas em “Excel”, com o resultado dessa análise, bem como arquivos “.ZIP”, com os elementos utilizados para o cálculo. Por fim, afirmando que “o relatório da diligência fiscal procurou fugir das questões suscitadas pela 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos do CARF”, requer que a DRJ/Curitiba “considere como não atendida a diligência inicial, determinado que seja feita a perícia como solicitada na manifestação de inconformidade, ou ainda nova diligência, que não se limite a requerer arquivos magnéticos, mas que se destine a confirmar, com base nos documentos contábeis e fiscais da empresa o volume do crédito postulado”, bem como requer, igualmente, que sejam consideradas as demais objeções anteriormente apresentadas. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECISÃO ANULADA PELO CARF. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 12 8 Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Reabrindose à interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito creditório ao órgão originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos acima. É o relatório. VOTO O recurso é tempestivo, conforme documento de fl., e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DAS PROVAS E DA QUANTIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO Com efeito, após o indeferimento do crédito pela DRF de origem, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade acompanhada de um CD que conteria as informações necessárias para quantificação do crédito. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 13 9 A DRJ/CTA, em face da apresentação das provas, determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos (fls. 117). Assim, tendo em vista que a Recorrente teria, em princípio, trazido aos autos os elementos que o órgão originalmente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de Cofins Não Cumulativa – Mercado Interno, relativos ao 2º trimestre de 2004, entendese ser necessário o retorno do processo à DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada, é de fato, suficiente para análise de eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Com efeito, o objeto da diligência estava delimitado, qual seja, verificar se a documentação apresentada pela Recorrente, é de fato, suficiente para a análise de eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que fossem preparados demonstrativos indicando o montante passível de ressarcimento. Retornando os autos para a DRJ/CTA, esta nega o direito ao crédito por entender que o resultado da diligência apontaria para informações incompletas. Ocorre que a ora Recorrente não foi intimada para se manifestar do resultado da referida diligência. Por conta disso, apresentou recurso voluntário, requerendo preliminarmente, a nulidade do julgamento, por cerceamento do direito de defesa. Além disso, sustenta que, mesmo tendo reaberto a fiscalização, deixou de examinar o conteúdo do CD juntado pela empresa e extrapolou os limites da diligência. Por fim, instrui o seu recurso com laudo independente e planilhas que confirmariam o crédito. Este E. CARF acatou a preliminar de cerceamento ao direito de defesa para anular a decisão da DRJ/CTA e determinar a intimação do Recorrente do resultado da diligência. Intimada, a ora Recorrente apresentou manifestação sobre o resultado da diligência, pugnando pela sua nulidade, uma vez que, fugindo ao determinando pela DRJ/CTA, deixou de examinar o CD apresentando, pautando suas conclusões na falta de atendimento de intimações. Após a manifestação da Recorrente, a DRJ/CTA proferiu nova decisão, reiterando os argumentos da decisão anterior. No que se refere especificamente à ausência de análise do CD apresentado pelo contribuinte, a DRJ a supera, por entender que foi dada nova oportunidade ao contribuinte para atestar seu direito de crédito. Já em relação aos documentos apresentados no primeiro recurso voluntário laudo independente e planilhas , deixou de analisálos sob a alegação de que “demonstrativos elaborados por terceiros, não substituem aqueles elementos que são imprescindíveis para o Fisco”. Diante desse cenário, verificase que o conteúdo do CD apresentado pela empresa não foi objeto de análise pela fiscalização, para averiguar se pelo menos uma parte do crédito postulado é consistente. Mesmo com a determinação expressa da diligência para que o conteúdo do CD fosse examinado, as conclusões da unidade de origem apontam só para a Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 14 10 inconsistência nas respostas de intimações. De outro lado, verificase que, a despeito de o laudo e planilhas apresentados no primeiro recurso voluntário apontarem para a existência de créditos, igualmente não foram considerados seja pela fiscalização, seja pela decisão recorrida. Não parece crível que diante dos documentos apresentados nos autos não se tenha a comprovação de nenhum crédito de PIS no período, ainda mais créditos que poderiam ser comparados com o exame da contabilidade como os havidos pela depreciação, por exemplo. À época do pedido de ressarcimento vigia o art. 24 da IN 600/2005, que assim dispunha: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isso posto e tendo em vista que a conferência do crédito estava vinculada ao exame da contabilidade e escrituração que a empresa alega ter juntado em um CD, que, mais uma vez, não foi objeto de análise pelas diligência anteriores, impõese, para que o julgamento do direito creditório respeite o princípio da verdade material e para evitar o cerceamento ao direito de defesa, a efetiva análise de todas as provas apresentadas nos autos o que denota o cerceamento do direito de defesa, em desrespeito ao art. 26 e 28 da Lei 9.784/99 e do art. 52, II do DecretoLei 70.235/72, in vebis. Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. (...) § 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. ************************************************* Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 15 11 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mesmo sentido, a doutrina pátria: Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei n. 9.784/99, e seu artigo 2o, inciso X, prescreve "[...]". Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, em seu artigo 18, parágrafo 7o, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outro parte. [...] Assim, se, na fase de instrução, são trazidos, aos autos, dados os documentos colhidos externamente, sem conhecimento do contribuinte, a este deve ser concedido o prazo do citado art. 44 para manifestação. De igual forma, se o julgamento é convertido em diligência ou perícia, seja a requerimento da parte, seja por determinação de ofício da autoridade julgadora, com vistas a contemplar a instrução do processo, é cogente a oitiva das partes (interessado e Procurador da Fazenda Nacional) após encerrada a instrução." (NEDER, Marcos Vinícius/ LÓPEZ, Maria Teresa Martinez Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado São Paulo: Dialética, 2002 p. 41) A jurisprudência deste CARF também adota os mesmos fundamentos dos aqui expedidos, conforme se denota do precedente abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16403.000073/200783 Resolução nº 3401000.793 S3C4T1 Fl. 16 12 proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes. Acórdão da DRJ de Recife anulado. DECISÃO RECORRIDA NULA. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, Processo n. 19615.000614/200776, Recurso Voluntário n. 155.398, Acórdão 240200.080 4a Câmara, 2a Turma Ordinária, sessão de 18 de agosto de 2009) Assim proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que o processo seja remetido à autoridade preparadora, para que examine todos os elementos constantes no CD, nas planilhas e demonstrativos juntados pela Recorrente, indicando quais os créditos passíveis de quantificação a partir deles e o seu valor elaborando relatório com base no que foi juntado pelo contribuinte. Dando ciência ao interessado para se manifestar em 30 dias retornando ao CARf para julgamento. Ângela Sartori Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10930.904450/2012-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 50 /2 01 2- 78 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904450/201278 Acórdão n.º 3803004.800 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904450/201278 Acórdão n.º 3803004.800 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904450/201278 Acórdão n.º 3803004.800 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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