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Numero do processo: 10435.001120/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão recorrida não pode inovar em relação aos motivos constantes do despacho decisório, com base nos quais foi indeferido o pedido de compensação/ressarcimento pela autoridade preparadora. A alteração desses motivos implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalida decisão administrativa proferida em desobediência aos ditames constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Processo Anulado, a partir do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 3202-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Correa e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão recorrida não pode inovar em relação aos motivos constantes do despacho decisório, com base nos quais foi indeferido o pedido de compensação/ressarcimento pela autoridade preparadora. A alteração desses motivos implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida decisão administrativa proferida em desobediência aos ditames constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Processo Anulado, a partir do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 11 20 /2 01 0- 58 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 363 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Correa e Leonardo Mussi da Silva. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de crédito do IPI, no valor de R$ 5.265.487,04, referente ao 3º trimestre de 2008, cumulado com Declarações de Compensação, para compensar débitos de PIS/Cofins, IPI e IRPJ. A autoridade fiscal da DRFSorocaba deferiu parcialmente o pedido no valor de R$ 5.119.169,84, conforme Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657, de 03 de dezembro de 2010 (efolhas 195/197). Em relação à parte do pedido não deferido (R$ 146.317,20), assim se manifestou a autoridade fiscal: (...) Segundo a Informação Fiscal (fls 188 a 190), foi verificado, dentre outros itens, o estorno em outubro de 2008 no Livro de Apuração de IPI. Verificouse também que é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art. 2° da IN/SRF nº 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, os créditos de IPI escriturados como ressarcível relativo às mercadorias CFOP's 1201, 1410, 1949, 2152, 2410, 2913 e 2949 devem ser reclassificados com crédito não ressarcível. O valor de IPI indevidamente creditado relativo a tais mercadorias totaliza R$ 146.317,20. (...) Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório O contribuinte acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — WI, no valor de R$ 5.265.487,04, referente ao 3° trimestre de 2008, através do PER/DCOMP n° 11846.03031.211008.1.1.014886 (fls. 01 a 106), cumulandoo com pleito compensatório formulado por meio dos PER/DCOMP nos 42011.12880.111108.1.3.011276, 23423.03262.121108.1.3.017691 e 06925.19052.141108.1.3.01 0850 (fls. 107 a 120), todos baixados em papel para tratamento manual. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 364 3 Em 13/09/2010, o processo foi encaminhado à DRF/Sorocaba SP para que se apurasse a real existência do direito vindicado, tendo em vista que o estabelecimento (filial) detentor dos supostos créditos localizavase na jurisdição daquela unidade, conforme documentos As fls. 174/175. Por meio do Despacho Decisório de fls. 194/197, a unidade competente (DRF/Sorocaba SP), com base na Informação Fiscal de fls. 188/190, reconheceu em parte o ressarcimento, no valor de R$ 5.119.169,84, homologando também parcialmente as compensações requeridas, tendo sido indeferida a parcela restante, no valor de R$ 146.317,20, por ser decorrente de entradas de produtos (CFOP: 1201, 1410, 1949, 2152, 2410, 2913 e 2949) referentes a devoluções, transferências e retornos de mercadorias, que não se caracterizam como insumos (matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem), nos termos da legislação. Inconformado com a decisão administrativa, de cujo teor foi cientificado em 15/12/2010, conforme aviso de recebimento (AR) de fls. 210, o contribuinte apresentou dentro do prazo legal, em 14/01/2011 (vide fl. 221), a manifestação de inconformidade de fls. 223/238, onde, em resumo: a) Apresenta breve relato dos fatos relacionados à formalização do pleito requerido e expõe as razões que, a seu ver, levaram o fisco a decidir pelo seu deferimento parcial. b) Sustenta, por meio de preliminar, a tempestividade da peça de defesa apresentada. c) Pugna pela suspensão dos débitos que restaram em aberto em face do provimento parcial do seu requerimento. d) Mencionando como fundamento o art. 167 do RIPI12002 e tomando como paradigma Acórdão de Decisão Judicial do TRF da 2ª Região, o qual transcreve parcialmente, contesta as glosas efetivadas pela fiscalização e defende o direito ao crédito do imposto nos casos de devolução ou retorno de produtos (situações em que as mercadorias retornariam por um dos seguintes motivos: por serem inservíveis; para serem recicladas; em operações de garantia; ou por terem sido enviadas para demonstração). e) Alegando o cometimento de erro por parte do fisco, requer a realização de perícia técnica, em relação a qual formula quesitos referentes aos exames desejados, conforme descrito à fl. 237, e indica perito responsável. Apresenta também excerto doutrinário e ementas de julgados do Conselho de Contribuintes — atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Ao final, reitera os pedidos de suspensão da cobrança dos débitos albergados no presente processo e de realização de perícia, e requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 365 4 A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife proferiu o Acórdão nº 1134.475 de 27 de julho de 2011 (efolhas 277/ss), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO OU RETORNO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. Somente admitese o creditamento do 1PI decorrente do retorno ou devolução de mercadoria quando restar inequivocamente demonstrado o cumprimento dos requisitos regulamentares quanto à efetividade da devolução ou retorno. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento autorizado pela legislação está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso, sendo ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização de perícia quando os autos já trouxerem os elementos necessários à formação de convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 09/11/2011 (efolha 286) interpôs Recurso Voluntário em 06/12/2012 (efls. 288/ss), onde alega em síntese: o Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657, de 03 de dezembro de 2010, indeferiu parte do pedido sob o fundamento de que devoluções, transferências para comercialização e retorno de mercadorias não gerariam direito ao crédito do IPI, contrariando os ditames do Regulamento do IPI de 2002; o Acórdão proferido pela DRJRecife abandonou a fundamentação da Informação Fiscal constante do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657/2010 e se utilizou de argumentos novos, diversos e contraditórios para impedir o creditamento do IPI; o Acórdão admite, diferentemente do Despacho Decisório, a possibilidade de creditamento do IPI decorrente de retorno e devoluções de mercadorias, mas exige o cumprimento de requisitos (obrigações acessórias) e, também, indefere o pedido de perícia que poderia constatar que os créditos são devidos; o artigo 167 do RIPI/2002, vigente à época, previa o direito ao creditamento dos valores referentes às mercadorias devolvidas ou que retornassem ao estabelecimento; os produtos enviados nos CFOPs 2949 e 1949 são produtos enviados pela matriz da empresa em garantia, ou seja, produtos enviados à filial para troca de produtos Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 366 5 defeituosos que tiveram saída naquela localidade. A unidade de Itapetininga – SP recebe da Matriz baterias semiprontas (nesta unidade não ocorre a industrialização total das baterias) e lá chegando, a parte final do processo de industrialização é realizado (com a aplicação do ácido, carga, lacres e tampas) e também o controle de qualidade. Quando várias dessas baterias semi prontas recebidas não conseguem atingir os níveis de qualidade exigidos, tornandose inservíveis para serem comercializados em Itapetininga, são “devolvidas” para a Matriz, para serem recicladas em Belo Jardim – PE (nesse processo são separadas as matériasprimas que serão utilizadas no processo produtivo de novas baterias); assim, as baterias devolvidas (CFOPs 2949 e 1949) de Itapetininga para a Matriz são efetivamente matériaprima, de modo que é legal a utilização do crédito do IPI, nos termos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99; se a saída do produto dado em garantia foi tributada com IPI, ao retornar o produto defeituoso, a Recorrente deve dar entrada ao produto em seu controle contábil informando a devolução e tomando o crédito pertinente; quanto às operações apontadas pelos CFOP 2152, tratase de devolução de material promocional anteriormente transferido, caracterizandose como retorno de mercadoria, caso houvesse dúvida em relação ao procedimento adotado pela Recorrente, quanto aos registros de saída e entrada, restaria configurada hipótese de necessária perícia técnica, nos termos do inciso IV do art. 16 e no caput do artigo 18, ambos do Decreto nº 70.235/72; além disso, todos os documentos solicitados à Recorrente, à época da fiscalização, foram prontamente apresentados; por fim, caso restem dúvidas quanto aos procedimentos adotados, pugna pela conversão do julgamento em diligência para realização de perícia. Apresenta os quesitos que pretende serem respondidos e indica perito (efolha 306). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Assiste razão à Recorrente quando afirma, em preliminares, que o Acórdão proferido pela DRJ – Recife abandonou a fundamentação exarada na Informação Fiscal constante do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657, de 03 de dezembro de 2010, e inova, utilizandose de argumentos diversos e contraditórios para impedir o creditamento do IPI. Vejamos. O Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657/2010, indeferiu parte do pedido sob o seguinte fundamento (efolhas 195/198): Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 367 6 (...) Foram apresentados os documentos solicitados, tais como: Livro de Registro de Apuração do IPI, Livros de Registros de Entradas e de Saídas, notas fiscais de entradas que deram origem ao crédito de IPI pleiteado, relação de produtos fabricados e de principais insumos, classificação fiscal e alíquotas relativas ao IPI. Segundo a Informação Fiscal (fls 188 a 190), foi verificado, dentre outros itens, o estorno em outubro de 2008 no Livro de Apuração de IPI. Verificouse também que é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art 2° da IN/SRF no 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, os créditos de IPI escriturados como ressarscível relativo às mercadorias CFOP's 1201, 1410, 1949, 2152, 2410, 2913 e 2949 devem ser reclassificados com crédito não ressarcível. O valor de IPI indevidamente creditado relativo a tais mercadorias totaliza R$ 146.317,20. (...) (os grifos são nossos) Como visto no trecho acima transcrito, a autoridade fiscal da DRF – Sorocaba não deferiu o pedido da Recorrente sob o fundamento que a legislação (art. 11 da Lei n° 9.779/1999, combinado com o art. 2° da IN/SRF nº 033/1999) não asseguraria o direito ao ressarcimento às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria, ou seja, por falta de previsão legal. Pois bem. O Acórdão Nº 1134.475, de 27/07/2011, proferido pela DRJ – Recife manteve o indeferimento do pedido, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, com base na seguinte fundamentação (efolhas 277/282): (...) Noutra vertente, o contribuinte reivindica o direito de crédito na devolução ou retorno de produtos tributados, correspondente à parcela do pleito creditório que foi indeferida pela DRF/Sorocaba SP, alegando que devem ser aplicadas ao caso as disposições constantes do artigo 167 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002), in verbis: Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei n°4.502, de 1964, art. 30). Ocorre que o direito ao crédito do imposto decorrente de produtos devolvidos condicionase ao cumprimento das exigências regulamentares, dentre elas a obrigatoriedade de escrituração dos livros de Registro de Entrada e de Registro de Controle da Produção e do Estoque, ou de sistema de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 368 7 escrituração equivalente, nos termos do artigo 169 do RIPI/2002, que se configuram como sendo indispensáveis para a comprovação da reentrada no estoque das mercadorias devolvidas. (...) Todavia, nenhum elemento de prova foi juntado aos autos pela empresa visando a demonstrar o cumprimento dos requisitos fundamentais exigidos pela legislação para propiciar o crédito do imposto de que se cuida. (...) Em suma, no caso concreto, verificase que os créditos lançados a título de retorno ou devolução não se revestem de legitimidade, tendo em vista a ausência nos autos de qualquer prova material clara e inequívoca capaz de confirmar o reingresso das pretensas mercadorias devolvidas ao estoque da empresa, em cumprimento aos requisitos previstos no RIPI/2002. Pela simples leitura dos trechos acima transcritos constatase que acórdão recorrido inovou em relação ao fundamento constante do Despacho Decisório (de que não havia previsão legal para a concessão do ressarcimento do IPI em decorrência de devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria), para então alegar que a interessada não cumpriu com “exigências regulamentares, dentre elas a obrigatoriedade de escrituração dos livros de Registro de Entrada e de Registro de Controle da Produção e do Estoque, ou de sistema de escrituração equivalente, nos termos do artigo 169 do RIPI/2002, que se configuram como sendo indispensáveis para a comprovação da reentrada no estoque das mercadorias devolvidas”. E afirma, ainda, que “nenhum elemento de prova foi juntado aos autos pela empresa visando a demonstrar o cumprimento dos requisitos fundamentais exigidos pela legislação para propiciar o crédito do imposto de que se cuida”. Ou seja, a empresa não teria direito ao ressarcimento pelo fato de não ter elementos probantes capazes de demonstrar o seu direito. Entendo que a decisão recorrida não só inovou, mudando a fundamentação jurídica da denegação do pedido, como foi contraditória em relação ao despacho decisório. Inova porque no despacho decisório o pedido do contribuinte foi negado por “falta de previsão legal”, ou seja, no entender da autoridade fiscal da DRF – Sorocaba não haveria subsunção entre o fato descrito e o dispositivo legal (questão relativa ao direito material). A decisão recorrida nega o pedido do contribuinte por falta da comprovação do seu direito, portanto, nega por falta de prova, e deste modo, ao menos conjectura que havendo prova (questão relativa ao direito formal) o direito seria reconhecido (direito material). A decisão recorrida é também contraditória por asseverar que “nenhum elemento de prova foi juntado aos autos pela empresa visando a demonstrar o cumprimento dos requisitos fundamentais”, em descompasso ao que constou do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657/2010, que afirma terem sido “apresentados os documentos solicitados, tais como: Livro de Registro de Apuração do IPI, Livros de Registros de Entradas e de Saídas, notas fiscais de entradas que deram origem ao crédito de IPI pleiteado, relação de produtos fabricados e de principais insumos, classificação fiscal e alíquotas relativas ao IPI”. Em outro giro, se o motivo para negar o pedido do contribuinte foi a falta de elementos de prova, há uma contradição, também, uma vez que decisão recorrida não permite a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 369 8 realização de diligência para que fossem trazidos aos autos justamente os citados elementos probantes. Desta feita, entendo estar plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Acórdão Nº 1134.475, de 27/07/2011, proferido pela DRJ – Recife, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF – Processo Administrativo Fiscal), verbis: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, inciso LV, CF/88) de saber qual o motivo claro do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o desiderato de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, a decisão recorrida não poderia inovar em sua fundamentação em relação ao motivo pelo qual estaria sendo negado o direito do contribuinte. Neste sentido, no meu entender, a decisão recorrida ao inovar e contradizer se em relação ao despacho decisório, é nula por preterição do direito de defesa do contribuinte. Destarte, diante de tudo o que foi exposto, acolhese a preliminar arguida pela Recorrente e assim voto por declarar a nulidade do processo a partir do Acórdão Nº 11 34.475, de 27/07/2011, proferido pela DRJ – Recife (efl. 277/282), inclusive. O processo deverá retornar a DRJ – Recife para que seja proferida nova decisão. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 370 9 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15586.000669/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins até 31 de março de 1997, quando, então, foi revogada a isenção pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96.
Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei desta última espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96.
COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B).
MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL, ART. 543B E DE RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C, AMBOS DO CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62ª do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Leonardo Mussi da Silva e Octávio Carneiro Silva Correa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins até 31 de março de 1997, quando, então, foi revogada a isenção pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96. Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei desta última espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL, ART. 543B E DE RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C, AMBOS DO CPC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 69 /2 00 7- 10 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 305 2 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62ª do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Leonardo Mussi da Silva e Octávio Carneiro Silva Correa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto de infração, lavrado e com ciência em 28/09/2007 (efls. 225/ss), para a cobrança da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 143.082,03, pela falta de recolhimento e declaração de valores devidos da contribuição, apurados nos Livros Diário e Razão, sobre Receitas de Serviços Prestados e Rendimento de Aplicação Financeira (vide planilha de efolha 227), para o ano base 2003. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Cofins referente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 60.370,35, acrescido da multa de ofício no valor de R$ 45.277,70 e juros de mora no valor de R$ 37.433,98, calculados até 31/08/2007. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 306 3 O enquadramento legal consta à fl. 209. No termo de Constatação e Verificação Final, o fiscal autuante deixou consignado que em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2003 o contribuinte informou os valores de Receitas de Serviços Prestados e Rendimentos de Aplicação Financeira, tendo, inclusive, apurado a base de cálculo da Cofins em conformidade com os registros efetuados nos Livros Diário e Razão. No entanto, deixou de informar na DIPJ, assim como nas DCTF (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais), os valores devidos da Cofins. Desta forma, foi efetuado o lançamento da Cofins devida mensalmente, apurada com base nos registros efetuados nos livros Diário e Razão e não declarados nas DCTF. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 17/10/2007, com a manifestação de inconformidade de fl. 217 a 225, na qual alega, em síntese, que: O lançamento da contribuição em tela foi feito sobre as receitas dos serviços de advocacia prestados, no valor de R$ 1.802.088,98 e receitas financeiras (rendimentos de aplicações bancárias), no valor de R$ 210.256,54, à alíquota de 3,00% (três por cento), correspondendo a contribuição no montante de R$ 60.370,37, em relação ao qual foram calculados encargos da SELIC de R$ 37.433,98 e multa de R$ 45.277,70, totalizando o lançamento o valor de R$ 143.082,03. Com todas as vênias da nobre e ilustrada Auditora Fiscal que efetuou o lançamento ora impugnado, o mesmo não merece subsistir, pois as sociedades civis uniprofissionais não estão obrigadas ao pagamento da COFINS sobre suas receitas. As sociedades civis de prestação de serviços uniprofissionais ficaram isentas de pagamento da COFINS nos termos do inciso II do art. 6º da Lei Complementar n° 70/91, e o Eg. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA assentou na Súmula n° 267 de sua jurisprudência, que a Lei (ordinária) n° 9.430/93 (art. 56) não revogou aquele preceito, pois lhe é hierarquicamente inferior. Por eventualidade, ainda que não existisse essa isenção sobre a totalidade de suas receitas, do que se cogita apenas para efeito de argumentação, o lançamento não poderia alcançar as receitas financeiras da sociedade Impugnante no ano calendário de 2003. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL consolidou o entendimento de que o termo "faturamento", para efeitos da incidência da COFINS alcança todas as vendas, quer sejam a vista ou a prazo, mas delimita seu conceito às receitas decorrentes das vendas ou da prestação de serviços. As receitas financeiras, que a Lei n° 9.718/98 (§ 1º, art. 3º) pretendeu incluir no conceito das receitas sujeitas à incidência dessa contribuição continuaram fora do seu alcance (pelo menos até o advento da Lei n° 10.833/03, que produziu efeitos somente Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 307 4 no ano calendário de 2004), pois aquela lei ordinária ofendia os limites constitucionais traçados para a instituição desse tributo. Por fim pede e espera seja esta impugnação conhecida e provida para cancelar totalmente o lançamento, ou, em ordem sucessiva, serem excluídas da sua base de cálculo as receitas correspondentes a rendimentos financeiros. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão n.º 1338.577 de 29 de novembro de 2011 (efolhas 273/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos de existência de decisão em processo judicial em que a Interessada faça parte, ou na ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Na hipótese do inciso I, o sentido de "decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal" deve ser concebido apenas como decisão que tenha por lei o atributo de valer "para todos". PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998, ART. 3º, §1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. SOCIEDADE CIVIL. TRIBUTAÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, deixaram de ser isentas da contribuição para a seguridade social, por previsão legal expressa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 308 5 A interessada cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Rio de Janeiro, em 26/12/2011 (efolha 293), interposto Recurso Voluntário em 13/01/2012 (efls. 294/ss), onde a Recorrente repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nesses autos referese à incidência da Cofins sobre receitas de serviços prestados pelo escritório de advocacia e sobre rendimentos de aplicações financeiras, conforme demonstrado na planilha anexada à efolha 227. São duas, portanto, as matérias objeto do litígio. Passemos a análise de cada uma delas separadamente. Incidência sobre as receitas de serviços prestados por sociedades civis de profissão regulamentada. Inicialmente cumpreme levantar preliminar de conhecimento do Recurso Voluntário, à luz do art. 2º da Portaria CARF nº 1, de 2012, em face de a questão envolver matéria que está sob o regime de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal STF (Tema 071 RE 575.0931/ São Paulo), porém sem que a Suprema Corte tenha determinado seu sobrestamento, quando assim permaneceria até que viesse a ser proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC. No caso, mesmo diante da repercussão geral da matéria junto ao STF não há porque sobrestar seu julgamento no âmbito do CARF, porquanto não houve a determinação para que o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, em tramitação naquela Corte Constitucional, fosse sobrestado. Dessa forma, deve ser superada essa preliminar prejudicial de admissibilidade e o Recurso Voluntário conhecido. No mérito, não assiste razão à Recorrente. A isenção pleiteada pela Recorrente do pagamento da COFINS das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, consoante disposto no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991, foi revogada pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o qual passou a viger no mês de abril de 1997. A Recorrente alega que mesmo após a sua revogação a isenção continuaria existindo, tendo em vista que a lei revogadora era uma lei ordinária, não podendo, assim, alterar dispositivo de lei complementar, de hierarquia superior. Aduz, também, que as Turmas do STJ julgaram reiteradamente pela impropriedade do dispositivo de lei ordinária, tendo sido editada a Súmula nº 276, de 02/06/2003, que seria de aplicação obrigatória por parte do Judiciário e também dos órgãos do Poder Executivo. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 309 6 Entretanto, no meu entender, sobre a matéria não cabe mais questionamento no âmbito do contencioso administrativo, em face de o Superior Tribunal de Justiça – STJ haver proferido decisão definitiva no julgamento de recurso sujeito ao procedimento do art. 543C, do CPC, o que nos leva a aplicar ao caso o art. 62ª do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, que assim dispõe: Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF A seguir transcrevese a ementa e o voto condutor da decisão do STJ, acima referida, da relatoria do então Ministro do STJ Luiz Fux: RECURSO ESPECIAL Nº 826.428 MG (2006/00383322) EMENTA: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR 70/91. REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 56, DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA REVOGADORA RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE 377.457/PR E RE 381.964/MG). REAFIRMAÇÃO DO ENTENDIMENTO EXARADO NO ÂMBITO DA ADC 1/DF. 1. A isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal submetidos ao rito do artigo 543B, do CPC: RE 377.457 e RE 381.964, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito, DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008). 2. Isto porque: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamente os determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 310 7 complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, §6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91). Consequentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). 3. Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. 4. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. 5. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/96), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine . 6. Recurso especial desprovido, mantendose a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. VOTO: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 311 8 O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, revelase cognoscível a insurgência especial, uma vez prequestionada a matéria federal ventilada. Cingese a controvérsia a subsistência da isenção da COFINS incidente sobre o faturamento/receita das sociedades civis prestadoras de serviços de profissão legalmente regulamentada, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, tendo em vista a revogação perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. Com efeito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário submetido ao regime da repercussão geral, consolidou a tese de que a isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96: "Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91.Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento." (RE 377.457, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008) No votocondutor exarado pelo e. Ministro Gilmar Mendes, restou assente que: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamentos determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 312 9 Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, §6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91). Consequentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/96), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, mantendo a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Porquanto tratarse de recurso representativo da controvérsia, sujeito ao procedimento do artigo 543C, do CPC, determino, após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do STJ, aos Ministros dessa Colenda Primeira Seção e aos Presidentes dos Tribunais Regionais Federais, com fins de cumprimento do disposto no § 7º, do artigo 543C, do CPC (artigos 5º, II, e 6º, da Resolução STJ 08/2008). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 313 10 Desse modo, superada a preliminar de admissibilidade inicialmente apreciada, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, restando cabível a incidência da Cofins sobre receitas de serviços prestados pelo escritório de advocacia. Incidência sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras Assiste razão à Recorrente nessa matéria. Vejamos. No período de apuração objeto da presente demanda 01/01/2003 a 31/12/2003 – a hipótese de incidência da Cofins encontravase disciplinada pela Lei nº 9.718/1998 e pela Lei Complementar nº 70/1991. Estas, por sua vez, definiam a base de cálculo (aspecto quantitativo da RegraMatriz de Incidência) do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entretanto, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR, verbis: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 314 11 ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Deste modo, sobre a matéria não cabe mais questionamento no âmbito do contencioso administrativo, em face da decisão do STF, no regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), o que nos leva a aplicar ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, reproduzido anteriormente. Deve, portanto, ser afastada a incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (a) manter a cobrança da Cofins sobre receitas de serviços prestados pelo escritório de advocacia, acrescidos da multa de ofício e juros moratórios; (b) afastar a cobrança da Cofins sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras, da respectiva multa de ofício e dos juros de mora. É como voto. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 315 12 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.007077/2005-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 19/01/2001
REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO
DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE
FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE
IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE.
O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não
apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior
(Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de
importação realizada. Precedentes da Turma.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-000.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 19/01/2001 REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Precedentes da Turma. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido
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LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Precedentes da Turma. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 19/05/2012 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÕRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANTO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS A ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito credit6rio nãoreconhecido, o que implica na não homologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente apresentou pedido de restituição de Imposto de Importação (II) supostamente pago à maior em decorrência da não aplicação do benefício fiscal do regime automotivo (que, nos termos do art. 5º da Lei nº 10.182/2001, reduz o imposto “na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos”, destinados ao processo produtivo de empresas relacionadas no § 1º). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10814.007077/200511 Acórdão n.º 380200.976 S3TE02 Fl. 256 3 O acórdão recorrido manteve o despacho decisório, por entender que, sem a apresentação de certidão negativa de débitos de tributos federais (CND) em cada despacho aduaneiro, o benefício da Lei nº 10.182/2011 não seria aplicável. Logo, diante da recusa do recorrente em apresentar a prova de regularidade fiscal no despacho de importação, a restituição seria indevida. A Recorrente, nas razões de fls. 209225, alega, em síntese, ter direito adquirido ao benefício fiscal da Lei nº 10.182/2001, bem como a ilegalidade da exigência de CND a cada operação de importação. Apresenta precedente do Superior Tribunal de Justiça, julgado na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, bem como Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN nº 492/2010), reconhecendo a ilegalidade da exigência de regularidade fiscal. É o relatório Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 25/06/2010 (fls. 207), interpondo tempestivo em 16/07/2010 (fls. 209). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O presente recurso trata de matéria com entendimento consolidado pela Turma em diversos julgados envolvendo o mesmo Recorrente. Destacase, nesse sentido, o Recurso Voluntário (Atual/Original): nº 344.301/144.301, relatado pelo eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 16/10/2000 REGIME AUTOMOTIVO. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITOS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. 1. O direito de desfrutar o benefício previsto na Lei no 10.182/2001 passa por duas etapas distintas: a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX e a concessão, propriamente dita, do benefício da redução do imposto de importação. 2. Para cada importação realizada deve ser aferido o cumprimento das condições e requisitos necessários à fruição do benefício de redução do imposto de importação, incluindose aí a comprovação da regularidade fiscal e a confirmação da adequação da mercadoria importada à destinação prevista em lei. 3. A legislação que disponha sobre isenção ou redução deve ser interpretada literalmente. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 4. As diligências consideradas prescindíveis devem ser indeferidas. Recurso Voluntário Negado.”(Carf. 2ª TE. 3ª S. Processo nº 11128.005815/200588. Rel. Conselheiro Regis Xavier Holanda. Sessão de 01/02/2010) Acompanhase a referida interpretação, uma vez que, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está condicionada à comprovação da regularidade fiscal do interessado: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O reconhecimento da isenção, por outro lado, deve ser efetivado em cada caso concreto pela autoridade aduaneira, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), do art. 120 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002) e art. 134 do RA/1985 (Decreto nº 91.030/1985): Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Art. 123. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber, a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. Tais dispositivos alinhamse ao disposto no art. 179 do Código Tributário Nacional e ao art. 195, § 3º, da Constituição Federal, que assim estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Art. 195. [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios Por fim, o Parecer PGFN nº 492/2010 e o precedente do STJ (Recurso Especial nº 1.041.237/SP. DJ 19/11/2009), invocados nas razões recursais, não se aplicam ao caso em exame, uma vez que se referem especificamente ao regime especial de drawback. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10814.007077/200511 Acórdão n.º 380200.976 S3TE02 Fl. 257 5 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720394/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 94 /2 01 0- 76 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 26/01/2010 (fl. 02), para exigir multa em razão da Recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, dos trabalhadores avulsos a seu serviço e dos segurados contribuintes individuais, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 36/128) requerendo a total improcedência do lançamento. Conforme certidão lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Estado da Bahia (fl. 129), a impugnação apresentada é intempestiva. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 130/133), não conheceu da impugnação, entendendo que a tempestividade é um requisito indispensável. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 137/163) argumentando que: (i) a pessoa responsável era relativamente incapaz na época da intimação e posteriormente foi afastada por motivos médicos; (ii) devem ser observados os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; (iii) é impossível comprovar a situação de ausência de intimação vivenciada pela Recorrente, configurando uma “prova diabólica”; (iv); o processo administrativo deve buscar a legalidade e a verdade material; e (v) as bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários não devem incluir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10580.720394/201076 Acórdão n.º 2402003.632 S2C4T2 Fl. 169 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pelo Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, ao ser intimado do presente auto de infração em 26/01/2010 (fl. 02), a Recorrente apresentou impugnação administrativa apenas em 01/04/2010 (fl. 36), de forma intempestiva. Neste contexto, observando a máxima dormientibus non sucurrit jus, e considerando que desde a Lei nº 8.748/1993 não há mais hipóteses de prorrogação dos prazos administrativos, não merece conhecimento o recurso. Como é cediço, o prazo para apresentação da impugnação administrativa é de 30 dias, conforme determina o art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Caso tal previsão não seja rigorosamente observada pelo contribuinte, a consequência direta é a não instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, de acordo com o art. 14 do mesmo decreto acima mencionado, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Ademais, a Recorrente sustenta que a produção de prova demonstrando a ausência de intimação é uma prova “diabólica”, posto que impossível de ser produzida. Contudo, analisando o auto de infração lavrado, é facilmente observável que a empresa foi intimada em 26/01/2010 (fl. 02), e que apresentou a sua impugnação administrativa somente em 01/04/2010 (fl. 36). Este E. Conselho Administrativo já se manifestou diversas vezes no sentido de que não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2000, 2001. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. CONSIDERASE INTEMPESTIVA A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS O DECURSO DO PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS, A CONTAR DA DATA EM QUE FOI FEITA A INTIMAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO TENDO A FACULDADE, PORTANTO, DE INSTAURAR A FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIMENTO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE PASSAM A INTEGRAR O PRESENTE JULGADO. AUSENTE MOMENTANEAMENTE, O CONSELHEIRO LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 140200520 do Processo 13603002018200511. Julgado em 01/04/2011) Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 13856.000217/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA.
A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o
lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os
encargos legais cabíveis.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO
ANTECIPADO.
Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de
apuração objeto do lançamento, aplicase
a regra do art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de apuração objeto do lançamento, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de abril a dezembro de 1998, tendo em vista que RFB não aceitou as compensações declaradas pela recorrente em suas DCTFs, como tendo sido realizadas com DARF e sem processo. Inconformada com a autuação, no dia 25/07/2003, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no relatório de fls. 56/57. Diante da impugnação da empresa interessa, a DRF efetuou a revisão de ofício do lançamento para concluir pela inexistência de erro de fato, mantendoo integralmente, nos termos do Despacho Decisório de fls. 58. Ciente do referido despacho, ingressou a empresa recorrente com “recurso voluntário”. O apelo da recorrente foi apreciado e julgado pela DRJ que, antes de fazêlo, baixou o processo em diligência para as seguintes providências: Assim sendo, voto pela conversão do presente julgamento, em DILIGÊNCIA, para que os autos sejam baixados à DRF em Ribeirão Preto para que apure, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive adotandose a semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, os indébitos mensais e o montante a que a interessada faz jus, a valores de 15/05/1998, data da primeira compensação alegada por ela, decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o PIS nos termos dos Decretoslei n° 2.44 n° 2.449, ambos de 1988, em relação aos devidos segundo as Leis Complementares (LC) n° 7, de 1970, e n° 17, de 1973, sobre os fatos geradores dos meses de competência de setembro de 1995 a fevereiro de 1996. Na oportunidade, solicitamos também a intimação da interessada para que comprove, em sua contabilidade, as compensações alegadas por ela, e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ ou utilizados por ela em outras compensações, cientificandoa de todos os atos praticados, em face da diligência solicitada, inclusive, reabrindolhe prazo para se manifestar a respeito. (grifei) Realizado a diligência, concluiuse pela inexistência de crédito no período de 09/95 a 02/96, nos seguintes termos: Adotandose a semestralidade, o período de apuração setembro/95 tem como base de cálculo o faturamento de março/95 e assim sucessivamente. De acordo com a LC 07/1970 e LC 17/1973, a alíquota devida é de 0,75%. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 193 3 Desta forma, para efeito de cálculo dos eventuais créditos da contribuinte, no período em questão, foram utilizadas as bases de cálculo da COFINS declaradas pela contribuinte em DIRPJ (fls. 107), quais eram, A época, de idêntico conceito ao do PIS sob a vigência das referidas leis complementares, ou seja, o conceito restritivo de faturamento. Ocorre que, mesmo utilizandose de base de cálculo menor, efetuados os cálculos através do CADJUD (fls. 115/122), verificouse que não há créditos a compensar pela contribuinte nos períodos de apuração 04/1998 a 12/1998, uma vez que os supostos pagamentos a maior, imputados aos respectivos débitos, foram insuficientes até mesmo para liquidação destes. Diante do exposto, proponho que se de ciência à contribuinte de todos os atos praticados em face da diligência solicitada, inclusive reabrindolhe prazo para manifestarse a respeito, bem como esta seja intimada para que comprove, em sua contabilidade as compensações alegadas por ela e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ou utilizados em outras compensações. Assim, atendidas as solicitações, retorne se o processo ã DRJ/RPO. Ciente do resultado da diligência (AR de fl. 127), a manifestase para apresentar “os DARF's que comprovam a origem do credito; a planilha de apuração de credito e o controle de compensação”, silenciando quanto a contabilização das compensações que alega ter efetuado. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão no 1416.603, de 06/08/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: DCTF. TRIBUTO DECLARADO. CRÉDITO VINCULADO A COMPENAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos tributários declarados nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs), vinculados a compensações com créditos financeiros nãoreconhecidos, estão sujeitos a lançamento de oficio, acrescidos de juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação do pagamento e/ ou compensação informada na DCTF. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa renúncia As instâncias administrativas, aplicandose ao caso a decisão judicial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ciente desta decisão em 22/10/2007 (AR de fl. 178), a interessada ingressou, no dia 19/11/2007, com o recurso voluntário de fls. 179/188, no qual alega, em apertada síntese, que as compensações foram efetuadas com base na inconstitucionalidade declarado dos DecretosLeis nº 2445/88 e 2449/88 e que o mandado de segurança por ela impetrado não trata de compensação e nem serviu de fundamento para as ditas compensações. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, deve ser conhecido. Postula a recorrente o cancelamento do auto de infração sob a alegação de que fez a compensação com base na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e não com base no mandado de segurança que impetrou, no ano de 2000, contra a Fazenda Nacional. Com razão, em parte, a recorrente. Realmente a recorrente não informa, nas DCTF, que efetuou as compensações com base em decisão judicial proferida no mandado de segurança que impetrou no ano 2000. As compensações foram declaradas antes da data da impetração do mandado de segurança a que se refere o Despacho Decisório da DRF e a decisão recorrida. Nas DCTF a recorrente declarou que efetuou a “compensação c/Darf e s/Processo”, fato perfeitamente possível de acontecer, desde que provado a efetiva realização e escrituração da compensação na contabilidade do contribuinte. No caso dos autos, foi realizado diligência onde um dos objetivos era intimar a recorrente a comprovar, por meio de sua contabilidade, que efetuou as compensações alegadas e declaradas em DCTF. Regularmente intimada a comprovar que escriturou as compensações alegadas, a empresa não se manifestou quanto a esta matéria e nem providenciou a juntada de cópia dos livros Razão e Diário onde os lançamentos contábeis das compensações teriam sido efetuados. Como bem disse a recorrente, à época da apresentação da DCTF a compensação poderia ser feita sem prévio requerimento à RFB (art. 14 da IN 21/97), que tem o dever de apurar a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Se o crédito foi apurado pelo contribuinte e utilizado em compensações na forma do art. 14 da IN 21/97, tem ele contribuinte a obrigação de escriturar em sua contabilidade o referido crédito e a operação de compensação efetuada e declarada à RFB. E à RFB cabe apurar a veracidade dos dados declarados e lançados na escrituração contábil e fiscal do contribuinte (Parágrafo Único do art. 7º da IN 21/97). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 194 5 No caso dos autos, intimada a comprovar a escrituração do crédito e das compensações efetuadas, a recorrente silenciou. Portanto, à mingua de prova do declarado em DCTF, não há como reconhecer a legitimidade das compensações declaradas em DCTF pela recorrente. Digase, por oportuno, que as planilhas de fls. 161/163 não substituem a escrituração contábil e fiscal da recorrente e, portanto, não fazem prova da efetiva realização das compensações declaradas em DCTF. Considerando que a decadência é matéria de interesse público e deve ser levantada de ofício, este Conselheiro Relator constatou que, para os períodos de apuração de 04/98 a 06/98, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento pelas razões a seguir expostas. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Afastada a aplicação dos citados dispositivos legais, a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento é a tratada no § 4º do art. 150, do CTN, posto que a recorrente efetuou pagamento antecipado em todos os períodos de apuração objeto do lançamento, conforme Darf de fls. 25/29. Consequentemente, ao caso não se aplica o art. 173, inciso I, do CTN, nos exatos termos da decisão proferida pelo STJ, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu no dia 01/07/2003, estão extintos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 30/06/1998, inclusive. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a extinção, pela decadência, dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de abril a junho de 1998. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.006105/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IRPJ
Ano-calendário: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não existe nulidade em auto de infração lavrado por autoridade competente sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)
PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes.
Numero da decisão: 1302-001.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006105/200866 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.071 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente SICA ROUPAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IRPJ Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não existe nulidade em auto de infração lavrado por autoridade competente sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVARELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte foi autuada em tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade SocialINSS), multa regulamentar e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2005, pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados. Como se extrai do relatório fiscal, a contribuinte apresentou espontaneamente os extratos bancários que demonstraram uma movimentação de R$ 11.646.777,49. Após as exclusões e ajustes necessários restaram depósitos de R$ 9.971.036,63, tendo sido declarado pela contribuinte R$ 452.619,21 como receita de vendas, conforme DIPJ apresentada. Considerou a fiscalização que a contribuinte extrapolou naquele ano a receita bruta permitida pela legislação do SIMPLES, adotando, em relação aos valores excedentes, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2° e 3°, incisos III e IV, e § 4°, inciso III ou IV, todos do art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996, acrescidos de vinte por cento, observado o disposto no § 1° do artigo 205 do RIR/99. Devido à ultrapassagem do limite de receita para permanência no Simples, a autoridade fiscal elaborou Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples, constante do processo 19515.006118/200835. Em 13 de novembro de 2008 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administrativo Tributaria em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 021, excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2006, e não havendo contraditório, foi efetuada sua exclusão da sistemática simplificada. Quanto à diferença entre o valor declarado na DIPJ e os creditados nas contas correntes, foi lançado como OMISSÃO DE RECEITAS, cabendo os lançamentos reflexos adotados. Irresignada com os lançamentos, a empresa, apresentou impugnação na qual alega, em síntese, o seguinte: preliminarmente a inconsistência do Trabalho Fiscal, uma vez que encontradas anomalias, relacionadas com a conta do Banco Real S/A, quais sejam: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 2 3 dia 06/04 fls. 85 – Encontrouse um lançamento a crédito, no valor dc R$ 3.235,80 tendo como histórico: "cheque prescrito 4489'. Existe o lançamento à débito,com o histórico: "cheque compensado 4489". com o mesmo histórico às fls. 86, encontrouse três lançamentos à crédito, sendo dois no valor de R$ 4.000,00 e um de R$ 3.326,10, totalizando R$ 11.326,10. Vejase que às fls. 85, existe o lançamento a débito referente ao cheque 4409 e às fls. 86, os lançamentos a débito referentes aos cheques 4407 e 4408, todos com o mesmo histórico: "Cheque compensado". esses valores relacionados pelo Fiscal e incluídos na base de cálculo foram lançados como Receita Omitida e sobre os quais foram calculados o IRPF, CSLL, PIS, COFINS e INSS, o que não deveria ter ocorrido por se tratar de estorno de débito, NÃO podendo ser classificado como receita sujeita a tributação. promovidos os ajustes dos lançamentos na planilha, no mês de abril, a receita omitida será de R$ 700.631,94 e, não os R$ 715.193,84, apurados pelo Fisco. dia 05/07 fls. 140 Na relação elaborada pelo Fisco constam dois lançamentos tendo “TED” como histórico, nos valores de R$ 7.132,81 e R$ 26.341,07, sem que, no extrato relativo ao mês de julho fossem encontrados esses lançamentos. promovido o ajuste dos lançamentos na planilha de fls. 269, relativos ao mês de julho, a Receita Omitida do mês, será de R$ 485.205,00 e não os R$ 518.679,07 apurados pelo Fisco. com os ajustes o montante tido como receita omitida, deverá ser alterado para R$ 9.416.381,43. com as inconsistências apontadas acima, alega que o Fisco lançou indevidamente a importância R$ 12.947,78, a título de impostos e contribuições, juros de mora e multa, motivo suficiente para decretar "ab inítio" a anulação do Procedimento Fiscal. a Taxa SELIC ofende diversos princípios tributários. em relação ao lançamento com base em extratos bancários, as jurisprudências, administrativa e judicial, são favoráveis aos contribuintes. requer finalmente a anulação do trabalho fiscal sem exame do mérito. A 1ª Turma da DRJ/SP, através do acórdão nº 1633.881, por unanimidade julgou procedente em parte a impugnação, alegando basicamente que: quanto a preliminar de inconstitucionalidade a instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. que a instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 mesmo os optantes pelo Simples estão obrigados a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios, sob pena de estar sujeito à presunção de omissão de receita, de acordo com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. que a eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. que o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para a Seguridade Social INSS. que verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. que as normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. que os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). como o lançamento principal (IRPJ) esta sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS, COFINS e INSSSimples), e de não existir nenhum motivo para que estes lançamentos decorrentes sejam declarados de ofício improcedentes, estes lançamentos decorrentes devem ser mantidos da mesma forma que o lançamento de IRPJ. em face do exposto, julga PROCEDENTE EM PARTE a impugnação conforme o demonstrativo seguinte: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IRPJ/PIS Multa Mês Lançado Exonerado Mantido Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 2.408,00 R$ 0,00 R$ 2.408,00 RS 1.806,00 R$ 0,00 R$ 1.806,00 fev/05 R$ 2.778,79 R$ 0,00 R$2.778,79 R$ 2.084,08 R$ 0,00 R$2.084,08 mar/05 R$4.542,02 R$ 0,00 R$4.542,02 R$ 3.406,51 R$ 0,00 R$ 3.406,51 abr/05 R$ 5.764,62 R$ 113,58 R$ 5.651,04 R$ 4.323,46 R$ 85,19 R$4.238,27 mai/05 R$ 5.834,04 R$ 0,00 R$ 5.834,04 R$4.375,53 R$ 0,00 R$4.375,53 jun/05 R$ 6.725,71 R$ 0,00 R$ 6.725,71 R$ 5.044,28 R$ 0,00 R$ 5.044,28 jul/05 R$ 4.157,02 R$ 261,10 R$ 3.895,92 R$ 3.117,76 R$ 195,83 R$2.921,93 ago/05 R$ 8.619,85 R$ 0,00 R$ 8.619,85 R$ 6.464,88 R$ 0,00 R$ 6.464,88 set/05 R$ 5.742,17 R$ 0,00 R$ 5.742,17 R$ 4.306,62 R$ 0,00 R$4.306,62 out/05 R$ 7.450,43 R$ 0,00 R$ 7.450,43 R$ 5.587,82 R$ 0,00 R$ 5.587,82 nov/05 R$ 9.498,59 R$ 0,00 R$ 9.498,59 R$7.123,94 R$ 0,00 R$ 7.123,94 dez/05 R$ 9.669,57 R$ 0,00 R$ 9.669,57 R$ 7.252,17 R$ 0,00 R$ 7.252,17 Total: R$ 73.190,79 R$ 374,68 R$ 72.816,11 R$ 54.893,05 R$281,02 R$ 54.612,03 CSLL Multa Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 4.630,76 R$ 0,00 R$4.630,76 R$ 3.473,07 R$ 0,00 R$ 3.473,07 fev/05 R$4.275,05 R$ 0,00 R$4.275,05 R$ 3.206,28 R$ 0,00 R$ 3.206,28 mar/05 R$6.987,72 R$ 0,00 R$ 6.987,72 R$ 5.240,79 R$ 0,00 R$ 5.240,79 abr/05 R$ 8.868,65 R$ 174,75 R$ 8.693,90 R$6.651,48 R$ 131,06 R$ 6.520,42 mai/05 R$ 8.975,45 R$ 0,00 R$ 8.975,45 R$6.731,58 R$ 0,00 R$6.731,58 jun/05 R$ 10.347,24 R$ 0,00 R$ 10.347,24 R$ 7.760,43 R$ 0,00 R$ 7.760,43 jul/05 R$6.395,41 R$ 401,69 R$ 5.993,72 R$4.796,55 R$ 301,26 R$4.495,29 ago/05 R$ 13.261,31 R$ 0,00 R$ 13.261,31 R$ 9.945,98 R$0,00 R$ 9.945,98 set/05 R$ 8 834,10 R$ 0,00 R$ 8.834,10 R$ 6.625,57 R$ 0,00 R$6.625,57 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 3 5 out/05 R$ 11.462,19 R$ 0,00 R$ 11.462,19 R$ 8.596,64 R$ 0,00 R$ 8.596,64 nov/05 R$ 14.613,21 R$ 0,00 R$ 14.613,21 R$ 10.959,90 R$ 0,00 R$ 10.959,90 dez'' j R$ 14.876,25 R$ 0,00 R$ 14.876,25 R$ 11.157,18 R$ 0,00 R$ 11.157,18 Total: R$ 113.527,34 R$ 576,44 R$ 112.950,90 R$ 85.145,45 R$ 432,32 R$ 84.713,13 COFINS Multa f Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 9.261,51 R$ 0,00 R$ 9.261,51 R$6.946,13 R$ 0,00 R$ 6.946,13 fev/05 R$ 8.550,10 R$ 0,00 R$ 8.550,10 R$6.412,57 R$ 0,00 R$ 6.412,57 mar/05 R$ 13.975,45 R$ 0,00 R$ 13.975,45 R$ 10.481,58 R$ 0,00 R$ 10.481,58 abr/05 R$ 17.737,28 R$ 349,48 R$ 17.387,80 R$ 13.302,96 R$ 262,11 R$ 13.040,85 mai/05 R$ 17.950,89 R$ 0,00 R$ 17.950,89 R$ 13.463,16 R$ 0,00 R$ 13.463,16 jun/05 R$ 20.694,49 R$ 0,00 R$ 20.694,49 R$ 15.520,86 R$ 0,00 R$ 15.520,86 ¡ul/05 R$ 12.790,82 R$ 803,38 R$ 11.987,44 R$ 9.593,11 R$ 602,54 R$ 8.990,57 ago/05 R$ 26.522,62 R$ 0,00 R$ 26.522,62 R$ 19.891,96 R$ 0,00 R$ 19.891,96 set/05 R$ 17.668,20 R$ 0,00 R$ 17.668,20 R$ 13.251,15 R$ 0,00 R$ 13.251,15 out/05 R$ 22.924,39 R$ 0,00 R$ 22.924,39 R$ 17.193,29 R$ 0,00 R$ 17.193,29 nov/05 R$ 29.226,42 R$ 0,00 R$ 29.226,42 R$21.919,81 R$ 0,00 R$21.919,81 dez/05 R$ 29.752,51 R$ 0,00 R$29.752,51 R$ 22.314,38 R$ 0,00 R$ 22.314,38 Total: R$ 227.054,68 R$ 1.152,86 R$ 225.901,82 R$ 170.290,96 R$ 864,65 R$ 169.426,31 Contribuição ao INSS Multa Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 11.854,73 R$ 0,00 R$ 11.854,73 R$ 8.891,04 R$0,00 R$ 8.891,04 fev/05 R$ 14.962,65 R$ 0,00 R$ 14.962,65 R$ 11.221,98 R$0,00 R$ 11.221,98 mar/05 R$30.047,21 R$ 0,00 R$ 30.047,21 R$ 22.535,40 R$ 0,00 R$22.535,40 abr/05 R$ 38.135,16 R$ 751,40 R$ 37.383,76 R$ 28.601,37 R$ 563,55 R$ 28.037,82 mai/05 R$ 38.594,40 R$ 0,00 R$ 38.594,40 R$ 28.945,80 R$ 0,00 R$28.945,80 jun/05 R$ 44.493,14 R$ 0,00 R$ 44.493,14 R$ 33.369,85 R$0,00 R$ 33.369,85 jul/05 R$ 27.500,25 R$ 1.727,26 R$25.772,99 R$ 20.625,18 R$ 1.295,44 R$ 19.329,74 ago/05 R$ 57.023,62 R$ 0,00 R$ 57.023,62 R$ 42.767,71 R$ 0,00 R$ 42.767,71 set/05 R$ 37.986,61 R$ 0,00 R$ 37.986,61 R$ 28.489,95 R$ 0,00 R$28.489,95 out/05 R$49.287,42 R$0,00 R$49.287,42 R$ 36.965,56 R$ 0,00 R$ 36.965,56 nov/05 R$ 62.836,79 R$ 0,00 R$ 62.836,79 R$ 47.127,58 R$ 0,00 R$47.127,58 dez/05 R$ 63.967,87 R$ 0,00 R$ 63.967,87 R$ 47.975,90 R$ 0,00 R$ 47.975,90 Total: R$ 476.689,85 R$ 2.478,66 R$ 474.211,19 R$ 357.517,32 R$ 1.858,99 R$ 355.658,34 Intimado da decisão da DRJ em 03/10/2012, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 10/10/12, reiterando os argumentos de impugnação, voltando a atacar a SELIC, os lançamentos baseados em depósitos bancários. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Quanto as alegações de inconstitucionalidade e da exigência da taxa Selic, não comporta mais nenhuma discussão sobre as matérias, uma vez que o CARF já editou as referentes Súmulas a serem atendidas pelos julgadores administrativos “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” JUROS DE MORA – TAXA SELIC “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários são devidos, à taxa SELIC para títulos federais.” Para se apreciar o cabimento de exclusão do Simples e dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, devese verificar com atenção o recurso fiscal. A contribuinte foi intimada, a apresentar Contrato Social e Alterações, Livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios, relação das instituições financeiras com as quais transacionou e arquivos contábeis em meio magnético. Tendo em vista a documentação disponibilizada pela contribuinte, verificouse que a recorrente receptou créditos bancários, no ano de 2005, no valor de R$ 9.917.036,63, e fez Declaração Simplificada de receita somente R$ 452.619,21. Diante dos valores creditados em conta corrente da Contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos, bem como a totalização mensal, a fiscalização não teve alternativa senão a aplicação das normas contidas no § Io do artigo 7o e no artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, que dispõem sobre o regime do Simples. Mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. Não o fazendo está sujeito à presunção legal de omissão de receita, de acordo com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, conforme farta jurisprudência deste conselho. Senão vejamos: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão 1101001.000 1a Câmara / 1a Turma Ordinária 11/09/2012 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 4 7 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Exercício: 2006 SIMPLES FEDERAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS NÃO EXPLICADOS. É aplicável a presunção legal de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, às empresas no Simples. Proc. Nº 16095000630/200959” Como visto basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, sejam rendimentos, não restando à autoridade fiscal outra alternativa senão formalizar o lançamento de omissão de receitas. Desta forma, os lançamentos não são nulos, ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados em legislação vigente e sobre os créditos bancários cuja origem não foram comprovadas, e corretamente aplicado o percentual estabelecido na legislação que apurou os tributos devidos. Diante do fato de o lançamento principal (IRPJ) estar sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS, COFINS e INSSSimples), estes lançamentos também devem ser mantidos. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado contra os lançamentos discutidos neste processo. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912767/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2002 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 67 /2 00 9- 71 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação de débito de IRPJ, vencido na data de 30/06/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 09/14, transmitida na data de 29/06/2005, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de julho de 2002, recolhida em 15/08/2002. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 06. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0238.030, datado de 20/03/2012, às fls. 51/55, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912767/200971 Acórdão n.º 3301001.965 S3C3T1 Fl. 163 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 62/84), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de julho de 2002 e recolhida em 15 de agosto do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e, ainda, que a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de julho de 2002, no valor de R$1.805,09, efetuado por meio de darf, de mesmo valor, recolhido em 18/08/2002, visando à compensação de débito do IRPJ, no valor de R$2.719,37 vencidos em 30/06/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de julho de 2002: a) débito de PIS, no valor de R$1.805,09; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$1.805,09 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta, a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 87/94, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 124/160, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912767/200971 Acórdão n.º 3301001.965 S3C3T1 Fl. 164 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de julho de 2002 e recolhida em 15 de agosto do mesmo ano era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de julho de 2002, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001603/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/07/2005
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender
as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando
presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo
que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do
Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de
defesa.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO
FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO,
ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A
do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a
aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,
sob fundamento de inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se
o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se
a
descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial
das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude,
dolo ou simulação.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao
INCRA, não há óbice normativo para tal exação.
CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC
As prestadoras de serviços estão obrigadas por lei ao pagamento da
contribuição ao SESC/SENAC, tendo o STJ reconhecido a legitimidade da
exação.
CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE.
A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao
SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas
as empresas que são contribuintes destas.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA
LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de
mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic
para títulos federais. Acrescente-se
que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições
apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a)
Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173
do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do
Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro
Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao
Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se
mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro
Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/07/2005 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC As prestadoras de serviços estão obrigadas por lei ao pagamento da contribuição ao SESC/SENAC, tendo o STJ reconhecido a legitimidade da exação. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.
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GFIPxGPS Recorrente MARCONDES ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/07/2005 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC As prestadoras de serviços estão obrigadas por lei ao pagamento da contribuição ao SESC/SENAC, tendo o STJ reconhecido a legitimidade da exação. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Fl. 644DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 599 3 Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 21/10/2005, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 149/150, deixado de recolher a contribuição previdenciária, a contribuição em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e as contribuições de terceiros (Salário Educação/INCRA/SENAC/SESC/SEBRAE) apuradas por divergências entre Folha de Pagamento, GFIP e GPS, no período 06/2000 a 07/2005, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 3.757.771,49. Após tomar ciência pessoal da autuação em 24/10/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 156/198, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Entre os argumentos, destacamos os que apontaram cerceamento de defesa e erros de cálculo. O Serviço do Contencioso Administrativo da DRP/São PauloOeste solicitou diligências, fls. 404/406, tendo em vista que reconheceu que o Relatório Fiscal não havia sido claro quanto à descrição dos fatos geradores, bem como havia alguns problemas na apuração da base de cálculo. A autoridade fiscal apresentou relatório complementar promovendo algumas retificações no lançamento, fls. 407/409, tendo a recorrente sido cientificada de tal relatório em 23/04/2007. Foi apresentado um aditamento da impugnação na qual os argumentos foram repisados, fls. 411/457. A 13ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 498/521, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/07/2008, fls. 526. A decisão a quo concluiu que algumas correções deviam ser feitas no lançamento, acolhendo o resultado da diligência que solicitara. O recurso voluntário, protocolizado em 27/08/2008, fls. 520/558, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto, o que torna a exação inconstitucional. Com relação ao SAT, pretende que o grau de risco seja aferido em relação a cada um dos estabelecimentos. Teriam sido afrontados vários princípios constitucionais, entre eles: legalidade, tipicidade, segurança jurídica e igualdade Fl. 646DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 600 5 Prossegue sustentando a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição destinada ao INCRA. Indica a inconstitucionalidade e a ilegalidade da cobrança das contribuições ao SESC/SENAC/SEBRAE. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, Fl. 648DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 601 7 não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Em especial, destacamos que o tipo de levantamento que ensejou o lançamento – batimento entre folha de pagamento, GFIP e GPS, permite que o interessado tenha total conhecimento de todos os aspectos do fato gerador, afastando a possibilidade de ser reconhecido o cerceamento de defesa. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 602 9 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 652DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 603 11 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 604 13 período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 605 15 Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. No Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA) de fls. 105/115 encontramos pagamentos referentes aos períodos que interessam para a discussão de decadência. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 08/2005, fls. 134, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 07/2000. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Contribuição para financiamento do SAT Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época dos fatos, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 606 17 médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). ... Quanto ao argumento de ilegalidade de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese tal argüição na medida em que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça já assentou jurisprudência no sentido da legalidade da fixação da alíquota por meio de Decreto. Transcrevemos um Acórdão nesse sentido: “REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." Estabelecida a legalidade da definição dos graus de risco por meio de Decreto, restanos definir outro ponto que é suscitado sobre o assunto: o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento ou na totalidade da empresa? A controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa – e não do estabelecimento , é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Para compreendermos os fundamentos do surgimento de tal súmula, pesquisamos os precedentes que ensejaram a sua origem. Notamos que em todos eles há uma cadeia de citações de decisões que acabam por ter como origem comum Acórdãos do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que se referiam ao regime jurídico da referida exação antes da edição da Lei 8.212/91, especialmente a Lei 6.367/76 e o Decreto 83.081/79. Verificamos que o art. 15 da Lei 6.367/76 transferiu para o poder regulamentar a competência de classificar os três graus de risco segundo “ a atual experiência de risco”, in verbis: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 607 19 Art. 15. O custeio dos encargos decorrentes desta lei será atendido pelas atuais contribuições previdenciárias a cargo da União, da empresa e do segurado, com um acréscimo, a cargo exclusivo da empresa, das seguintes percentagens do valor da folha de salário de contribuição dos segurados de que trata o Art. 1º: I 0,4% (quatro décimos por cento) para a empresa em cuja atividade o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II 1,2% (um e dois décimos por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado médio; III 2,5% (dois e meio por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado grave. § 1º O acréscimo de que trata este artigo será recolhido juntamente com as demais contribuições arrecadadas pelo INPS. § 2º O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) classificará os três graus de risco em tabela própria organizada de acordo com a atual experiência de risco, na qual as empresas serão automaticamente enquadradas, segundo a natureza da respectiva atividade Exercendo sua função regulamentadora, o Decreto 83.081/79 trazia textualmente como parâmetro para a definição do grau de risco a separação por CGC, conforme pode ser observado em seu art. 40, a seguir reproduzido: Art. 40. Para os efeitos do artigo 38, a empresa se enquadrará na tabela do Anexo I em relação a cada estabelecimento como tal caracterizado pelo Cadastro Geral de Contribuintes CGC do Ministério da Fazenda. § 1º Quando a empresa ou o estabelecimento com CGC próprio, que a ela se equipara, exercer mais de uma atividade, o enquadramento se fará em função da atividade preponderante. § 2º Para os efeitos do § 1º, considerase atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados. Seguindo tais dispositivos, o TFR assentou entendimento de que era o CGC de cada estabelecimento que determinava o grau de risco das empresas, sendo que, existindo um único CGC, deverseia apurar a atividade preponderante. Fácil notar que nenhum esforço hermenêutico foi necessário para tanto, pois o então Decreto regulamentador já previa que a classificação seria feita por estabelecimento com CGC próprio. Ocorre que o regime jurídico da contribuição para financiamento do Seguro de Acidente do Trabalho foi modificado com a entrada em vigor da Lei 8.212/91. A nova lei, além de ampliar a destinação dos recursos da contribuição para o financiamento de todos os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente Fl. 661DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 dos riscos ambientais do trabalho, faz referência à atividade preponderante em seu art. 22. Por seu turno, o Decreto 3.048/99, ao exercer a função regulamentadora, não trouxe mais como critério a separação por CGC ou CNPJ, tendo preferido explicitar seu conceito de atividade preponderante em toda a empresa. Logo, com a mudança do regime jurídico, restaram superados os fundamentos da jurisprudência do antigo TFR e, por conseqüência, os fundamentos jurídicos que ensejaram o surgimento da Súmula 351 do STJ, posto que toda a argumentação dos Ministros do STJ nos precedentes da referida súmula amparamse nas superadas decisões do TFR. Mesmo reconhecendo a necessidade de ser preservada a segurança jurídica que as súmulas ajudam a concretizar, não podemos assumir que as decisões judiciais prevaleçam sobre as leis que lhe são posteriores. Modificada a lei que dava fundamento à Súmula, e não tendo esta força vinculante, desaparece sua força como instrumento que viabiliza a segurança jurídica. Por mais que entendamos que o grau de risco a que os trabalhadores estão expostos é melhor avaliado por atividade ou por estabelecimento, com o atual regime jurídico aplicável ao assunto, estaríamos decidindo em ofensa à legislação e, portanto, com desprestígio da segurança jurídica, se tomássemos como critério o estabelecimento ou a atividade dentro de um mesmo estabelecimento. Se o Decreto 3.048/99 regulamentou o grau de risco sem extrapolar os limites do poder regulamentar, como entendemos ser o caso, suas determinações sobre o assunto devem ser acatadas. Assim, a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. Apresentadas nossas ponderações sobre o assunto, passamos à análise da situação da recorrente. A fiscalização não alterou o enquadramento do SAT que a própria recorrente havia feito em sua GFIP, bem como foi aplicada a menor alíquota possível (1%), então não vemos motivos para acatar os argumentos da recorrente nesse aspecto. A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.120/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui que a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 608 21 Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 609 23 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA Fl. 665DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 24 REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 610 25 Das contribuições para o SESC 48. No que tange ao SESC, o contribuinte alega inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência desta contribuição. 49. No entanto, não há como dar razão ao contribuinte em sua argumentação, pois as contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada pela empresa no sentido de sua ilegalidade. Nesse sentido é o entendimento atual do STJ, e como exemplo segue a ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 840946/RS, cuja relatora foi a Eminente Ministra Eliana Calmon, publicado no DJ em 29 de agosto de 2007, nestas palavras: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido.” Sendo assim, é devida a contribuição ao SESC consoante decisão recorrida. Contribuição ao SEBRAE Sobre a alegação de ilegalidade na imputação de contribuição ao SEBRAE, esclarecemos a recorrente que todas as empresas vinculadas ao SESI/SENAI, ao SESC/SENAC e ao SEST/SENAT são contribuintes do SEBRAE. A contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) foi criada pela Lei nº 8.029, de 12/04/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto no artigo 8º: Art. 8º É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. ................................................................................................ § 3º As contribuições relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até 0,3% (três décimos por cento), com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. § 4º O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 26 O artigo 1º do DecretoLei nº 2.318/86 dispõe sobre a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades das contribuições para o SENAI, SENAC, SESI e SESC. O Poder Executivo, fazendo uso da autorização legal, editou o Decreto nº 99.570, de 09/10/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE, conforme o artigo 1º: Art. 1º Fica desvinculado da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE e transformado em serviço social autônomo. Parágrafo único. O Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE, passa a denominarse Serviço Brasileiro de Apoio às Microempresas – SEBRAE. Do mesmo modo que a Lei nº 8.029/90, o Decreto nº 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao SEBRAE, nos termos do artigo 6º, que assim dispõe: Art. 6º O adicional de que trata o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. Já em 28/12/1990, foi editada a Lei nº 8.154, que em seu artigo 8º, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, da seguinte forma: Art. 8º (...) § 3º Para atender à execução da política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do Decreto Lei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a. 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b. 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c. 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. Desta forma, podemos perceber que a questionada contribuição destinada ao custeio do Serviço de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas, foi criada como uma majoração das contribuições devidas ao SESI/SENAI, SESC/SENAC e, posteriormente, ao SEST/SENAT, criado após o acima mencionado decretolei, por meio do art. 7º da Lei nº 8.706, de 14/09/1993. Conseqüentemente, todas as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento da contribuição devida às referidas entidades, por força dos dispositivos legais retro transcritos, passaram a ser obrigadas ao recolhimento do adicional devido ao SEBRAE. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), Fl. 668DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 611 27 prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE não podem ser exigidas. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a Fl. 669DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 28 apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 612 29 Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos Fl. 671DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 30 habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva Fl. 672DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 613 31 lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B Fl. 673DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 32 responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a :(i) afastar os fatos geradores ocorridos até 31/07/2000, por conta da decadência; (ii) afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 674DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 614 33 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Em que pese o ilustre Conselheiro Relator ter reconhecido a decadência parcial do crédito tributário com fulcro no art. 173, I do CTN, cumpre elucidar que, no caso em apreço, mais escorreita seria a aplicação do art. 150, §4°, tendo em vista que o contribuinte recolheu parte das contribuições previdenciárias devidas nos exercícios, conforme se pode observar das fls. 4/48 do Discriminativo Analítico do DébitoDAD, em que se verifica o pagamento de contribuição no campo “GPS” e das fls. 100/115 do Relatório de Documentos ApresentadosRDA e Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados RADA. É que, com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal, com a edição da súmula vinculante nº 8, foi afastado o prazo decadencial de 10 anos para lançar a contribuição previdenciária, aplicandose o prazo qüinqüenal cujo termo inicial seria disciplinado pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 34 Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Fl. 676DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 615 35 No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação, pois no caso dos autos, verificase que o contribuinte pagou alguma das contribuições previdenciárias, conforme se infere fls. 4/48 do Discriminativo Analítico do DébitoDAD, em que se verifica o pagamento de contribuição no campo “GPS”, e das fls. 100/115 do Relatório de Documentos ApresentadosRDA e Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados RADA., não havendo também que se falar em fraude, dolo ou simulação, até porque não apontados pela fiscalização. Destarte, não tendo sido constatado dolo, fraude, ou simulação na conduta da Recorrente, verificase circunstância necessária à aplicação do art. 150, §4º do CTN e, conseqüente, afastamento do seu art. 173, I. Com efeito, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 24/10/2005, tenho como certo que estão decaídos os fatos geradores ocorridos até setembro/2000, isto é, anteriores a outubro/2000. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 36 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 616 37 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o Fl. 679DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 38 pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 617 39 Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002551/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF
Ano-calendário: 2001
MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL.
Não se aplica a multa agravada, quando não há comprovação da efetiva conduta prevista da norma. Ausência de prejuízo para o Fisco, que logrou autuar o contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. INSUFICIÊNCIA PARA A CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A mera ausência de comprovação de despesas médicas não pode levar à qualificação da multa, se o fisco não se esforçou, no auto de infração, em demonstrar o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-002.064
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. Não se aplica a multa agravada, quando não há comprovação da efetiva conduta prevista da norma. Ausência de prejuízo para o Fisco, que logrou autuar o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. INSUFICIÊNCIA PARA A CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A mera ausência de comprovação de despesas médicas não pode levar à qualificação da multa, se o fisco não se esforçou, no auto de infração, em demonstrar o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, apurandose o quanto segue, nos termos do relatório da DRJ: “1. dedução indevida de despesas de Previdência Oficial no ajuste anual, com aplicação de multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 04); 2. dedução indevida de dependentes no ajuste anual, com aplicação de multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 04); 3. dedução indevida de despesas médicas no ajuste anual, com aplicação de multa de 225%, com elaboração de representação fiscal para fins penais tendo em vista os fatos apurados configurarem, em tese, crime contra a ordem tributária (processo n° 10865.002552/2006 30, em apenso), agravada a multa por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal A fl. 05); 4. dedução indevida de despesas com instrução no ajuste anual, com aplicação da multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal A fl. 05); 5. dedução indevida de previdência privada/FAPI no ajuste anual, com aplicação de multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal A fl. 06).” O contribuinte apresentou a impugnação A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 77/85) julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL. Comprovado desconto a este titulo por meio do informe de rendimentos, deve ser restabelecida a dedução pleiteada. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Comprovado que o contribuinte informou corretamente o valor da contribuição à previdência privada, é de se restabelecer a dedução, conforme pleiteado. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Comprovado, em parte, ser procedente a dedução com dependentes pleiteada, deve a mesma ser parcialmente restabelecida. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Comprovado, em parte, ser procedente a dedução de despesas médicas ou odontológicas pleiteada, deve a mesma ser parcialmente restabelecida. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente A educação infantil, de 1°, 2° e 3° graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal. Caracterizado nos autos o não atendimento, no prazo, de intimação efetuada em conformidade com os ditames legais, é de se manter o agravamento da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 88/90). A 1° Câmara da 2° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 93/99) deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 4 4 Somente são dedutíveis a titulo de despesas com instrução os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1 °, 2° e 3° graus, curso de especialização ou profissionalizantes DEDUÇÕES. DEPENDENTES E DESPESAS COM INSTRUÇÃO. O contribuinte pode pleitear dedução de dependente e de despesas com instrução relativas a filhos com mais de 21 anos e até 24 anos, desde que estes estejam cursando universidade ou escola técnica de segundo grau. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação de despesas médicas se faz mediante a apresentação de recibos e notas fiscais, que devem indicar o nome do paciente. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências especificas previstas na legislação. MULTA QUALIFICADA. Para a qualificação da multa de oficio deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 103/120). Primeiramente, alegou dissídio jurisprudencial, relativamente ao agravamento da multa de ofício, nos seguintes termos: “É preciso mencionar, inicialmente, que a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável. Assim, em análise as declarações de rendimento procedidas no ajuste anual, a fiscalização pode intimar o contribuinte para apresentar documentos que comprovem as despesas deduzidas no cálculo do imposto de renda devido. Expedidas as intimações pertinentes, não pode o sujeito passivo furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal (...) Neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que tal conduta não constituir óbice ao trabalho fiscal. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 5 5 Como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes. Assim, inferese da leitura dos dispositivos transcritos e da análise da finalidade das normas neles contidas que, ocorrida a situação prevista em lei para a aplicação da penalidade ora discutida, a manutenção da majoração da multa é imperiosa.” Suscitou divergência, também, quanto à qualificação da multa de ofício. Segundo a recorrente: “A multa foi qualificada no tocante à glosa de despesas médicas, em relação às quais a contribuinte não comprovou sua efetividade por documentos hábeis. Sendo assim, por entender que a conduta do sujeito passivo constituiria, em tese, crime contra a ordem tributária, nos moldes da Lei n° 8.137/90, a autoridade autuante encaminhou representação fiscal para fins penais. Tratase, assim, de caso de dolo configurado no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, reduzindolhe a base de cálculo, mediante deduções indevidas, não calcadas em comprovantes hábeis. De todo o exposto, apresentase sem qualquer pecha a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, refletido, particularmente, na autuação fiscal, que bem demonstra a materialidade da conduta dolosa do contribuinte. Nesse sentido, analisando caso concreto similar, já decidiu pela manutenção da multa qualificada imposta ao contribuinte a colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do julgamento do recurso voluntário n° 150.134, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária.” Por outro lado, alegou divergência jurisprudencial quanto à “preclusão processual de matéria não impugnadaqualificação de multa”. Argumentou, a recorrente, que: “De acordo com a lei que rege o processo administrativo fiscal, Decreto n° 70.235/1972, se o contribuinte não se insurgir expressamente contra determinada matéria ela é considerada como não impugnada, ou seja, presumese que o sujeito passivo concordou com a determinação fiscal, conforme se lê abaixo: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.'' Fl. 395DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 6 6 No entanto, o acórdão recorrido assentou entendimento contrário à lei e ao precedente acima indicado como paradigma, na medida em que deu provimento parcial ao recurso a partir de matéria que não foi impugnada pelo sujeito passivo em 1° Grau. Todavia, a presunção determinada pela lei é a de que a matéria não impugnada recebeu a concordância do sujeito passivo.” Operase, em casos tais, por conta de preclusão, a definitividade da matéria que não foi objeto de questionamento pela parte. No caso, a qualificação da multa de oficio, conforme já anotado nas linhas antecedentes, não foi objeto de impugnação especifica pelo contribuinte em sua peça preliminar de defesa. Tal matéria, portanto, restou preclusa, não podendo ser rediscutida na fase recursal. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 146/149. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Primeiramente, o recorrente suscitou divergência em relação ao desagravamento da multa de ofício. A recorrente suscitou divergência jurisprudencial com relação a um ponto decidido no acórdão recorrido: a qualificação da multa de ofício, com base na dedução indevida de despesas médicas. Entendeuse, no acórdão ora combatido que: “Ora, a não comprovação de despesas médicas, por si só, não é fato suficiente para caracterizar a qualificação da multa de ofício, que somente se justifica nos casos em que reste comprovado o evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte. Ou seja, caberia à autoridade fiscal demonstrar que houve o propósito deliberado do contribuinte em modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com Fl. 396DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 7 7 a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento. Deste modo, considerando que não restou comprovado nos autos, que a contribuinte tenha incorrido em conduta dolosa, devese reduzir o percentual da multa de ofício aplicado sobre a infração de dedução indevida de despesas médicas para 75%”. Ao examinar a questão, reconheceu, o relator do acórdão recorrido, de forma expressa, que, não obstante a questão da qualificação da multa não tenha sido diretamente atacada pela contribuinte, o seu exame faziase pertinente. Desta forma, a recorrente, no presente recurso especial, suscitou divergência jurisprudencial relativamente, em primeiro lugar, ao desagravemento da multa de ofício. Sustentou haver divergência, também, em relação à multa de ofício qualificada, insurgindose contra o acórdão recorrido, que a reduziu para 75%, e pugnando, também, pelo reconhecimento de preclusão da matéria, em face da ausência de impugnação específica por parte do contribuinte. As divergências jurisprudenciais, consoante meu entendimento, encontramse suficientemente demonstradas para o desagravamento da multa de ofício e para a qualificação da multa, de modo que tomo conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, nestes itens, mas deixo de reconhecêla no que se refere à preclusão. No caso dos presentes autos, a DRJ decidiu pela qualificação da multa de ofício, independentemente de qualquer alegação por parte do contribuinte. Entendo que seria a DRJ que teria que ter reconhecido a preclusão. Ao julgar o item possibilitou que a contribuinte recorresse sobre esta questão o que efetivamente ocorreu. No acórdão paradigma, a DRJ deixou de julgar a questão da qualificação da multa porque não houve impugnação expressa. Ora, as situações fáticas são diversas, pois no presente caso a DRJ julgou a qualificação da multa o que possibilitou o recurso do contribuinte sobre o tema. Portanto, em razão do acórdão paradigma ter trazido situação fática diversa, entendo que a divergência não restou caracterizada. Assim conheço parcialmente do Recurso Especial. Passo à análise do Recurso Especial quanto aos outros temas. Primeiramente, no que tange ao agravamento da multa para 112,5%, em razão da falta de resposta à intimação, revelase acertada a decisão recorrida, na medida em que a sua razão (isto é, o fim que justifica a aplicação da multa) é punir aquele contribuinte que não atendeu a fiscalização. Alegou e, consoante o meu entendimento, demonstrou a Recorrida que não recebeu as intimações, tanto que foi intimada por edital. Isto é, não houve a expressa intenção da Recorrida em não responder às intimações Ademais a fiscalização logrou autuar a Contribuinte, ou seja, não houve prejuízo ao Fisco. Mas, com diferença das razões de decidir da Câmara “a quo”, entendo que a Fl. 397DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 8 8 própria intimação por edital demonstra que não há a certeza de que a Contribuinte teria recebido tais intimações e daí não há o preenchimento do tipo específico do não atendimento ao Fisco. É dizer, a aplicação da multa de agravada, no caso, somente tem sentido se, no caso concreto, houvesse provado que ao contribuinte ciente das intimações, manifestamente não as respondeu. Ainda, é importante registrar que as intimações demandavam da contribuinte “comprovar todos os valores informados como ‘deduções’, nas declarações de ajustes anuais do imposto de renda, nos períodos acima, mediante a apresentação de documentos hábeis, idôneos e legíveis” e a ausência de tais respostas não impediram a lavratura do auto de infração. Por este motivo nego provimento, neste item ao Recurso da Fazenda Nacional. Por outro lado, não procede, também o recurso especial, da Fazenda Nacional no que se refere ao à qualificação da multa. No que se refere à qualificação da multa de ofício, da análise dos autos, impõese a conclusão de que a multa qualificada não deve, realmente, persistir. Com efeito, não obstante a ausência de comprovação das despesas médicas em questão, é de se ter que a qualificação da multa depende de patente comprovação de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte, no sentido de que a sua ação foi realizada com vistas a ludibriar o Fisco. E mais, tal comprovação, deve decorrer dos elementos coligidos pela fiscalização, e apontados de forma detalhada no auto de infração. Não se revela suficiente a simples aplicação da multa qualificada, sem menção específica das bases fáticas para tanto. É o que acontece no presente caso, conforme se depreende dos documentos componentes dos auto de infração, mais especificamente, da descrição dos fatos e enquadramento legal, presente às fls. 03/08 dos autos. Para a qualificação da multa, com efeito, referese, a autuação, apenas à ‘dedução indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda, relativa a despesas médicas”. Lá, remetese ao documento de fls. 09, no qual se expõe tãosomente a ausência de apresentação de documentos a comprovar a referidas despesas. Notese que o evidente intuito de fraude, imprescindível à qualificação da multa, deve, necessariamente, ser comprovado pela autoridade fiscal. Requisito de ordem subjetivo que não basta a simples referência, como se fez no presente caso, à ausência de comprovação das despesas médicas. A especificação dos fatos que denotem tal intuito fraudulento, expressamente abordados neste sentido pelo fisco é essencial para a qualificação da multa. É este que, fiscalizando, deve detectar que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, e, assim, expressarse. Neste sentido, a súmula n° 14 do CARF: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 9 9 Súmula CARF n° 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Não cabe ao contribuinte, destarte, fazer uma prova negativa de uma intenção que a autoridade fiscal lhe imputa. Intenção esta, aliás, não enfrentada efetivamente pela autoridade fiscal. Desta forma, é de se manter, também neste ponto, a decisão recorrida. Por todo o exposto, conheço em parte o Recurso da Fazenda e na parte conhecida nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 21 de março de 201221 de março de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 399DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 11052.000979/2010-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 1237.5388/11 exarado pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I, efls. 204 a 212, que manteve a sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Federal (janeiro a junho de 2007) e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – SIMPLES Nacional (a partir de julho de 2007), formalizadas nos Atos Declaratórios Executivos de fls. 151 e 152. Aproveito trechos do relatório e votocondutor do aresto combatido, para historiar os fatos: “Tratase de manifestação de Inconformidade aos Atos Declaratórios Executivos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 97 9/ 20 10 -1 5 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 3 2 DRF/RJOII/0041, de 17 de novembro de 2010, fls. 151, que exclui o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (simples), em virtude de a receita bruta de.$ 3.337.152,78, no ano calendário de 2006 ter ultrapassado o limite previsto no inciso II, artigo 2o da Lei 9317/96, com redação dada pela Lei 11.196/2005 (Auto de Infração processo 11052.000978/201062). Os efeitos da exclusão darseão, a partir do dia 1o de janeiro de 2007. DRF/RJOII/0042, de 17 de novembro de 2010, fls. 152, que exclui o contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), em virtude de a receita bruta de R$ 3.337.152,78 no ano calendário de 2006 ter ultrapassado o limite disposto no art 3o da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, e na línea "a" do inciso II do art. 3o, combinada com o inciso XI do art. 5o, ambos da Resolução CGSN 15, de 23 de julho de 2007. Os efeitos da exclusão darse ão a partir do 1° de julho de 2007, conforme disposto no inciso VII, do art 6° da Resolução CFSN 15, de 23 de julho de 2007, e alterações posteriores. Tais Atos Declaratórios de exclusão são decorrentes da Representação Fiscal de Exclusão do Simples Federal, fls. 1 e 2, na qual o Auditor declara que constatou que no anocalendário 2006, o contribuinte enquadrado como empresa de pequeno porte, auferiu receita total de R$3.337.152,78, valor este superior ao limite de R$ 2.400.000,00, estabelecido pelo art. 9o da Lei 9317/96, com a redação dada pelo art. 1o da Lei 11.307/2006, procedeu a representação para exclusão do SIMPLES, uma vez que no anocalendário de 2007, o mesmo permaneceu indevidamente na mesma sistemática. Da manifestação de Inconformidade O Contribuinte, comunicado dos ADE em 06/01/2011, fls. 176 e 16/02/2011, fls. 183, apresentou manifestação de Inconformidade, fls. 155/162, em 30/11/2010, manifestação esta que repete os argumentos apresentados ao Auto de Infração processo 11052.000978/201062 e, posteriormente, manifestação de inconformidade de fls. 188/195, alegando, em síntese: [...] § A impugnante foi notificada acerca de alegadas omissões no âmbito do IR, INSS e contribuições sociais, com base em informações obtidas pela RFB nas operadoras de cartões de crédito. [...] § Nos termos do artigo 5o, inciso X, da Constituição da República; do artigo 6o da Lei Complementar 105/2001; dos artigos 197, II e VII e 198 do Código Tributário Nacional, é vedado à Administração solicitar às entidades financeiras, genericamente, informações a respeito de um sem número de sujeitos passivos. Deve haver processo aberto visando a determinado contribuinte, com fundamentação da suposta irregularidade, para procederse à quebra de sigilo. A inobservância desses ditames levam a nulidade todos os ,rocedimentos que culminaram com o lançamento ora impugnado. § A Impugnante teria direito a indagar da autoridade o número e o teor do processo instaurado, mediante o qual foram obtidos os dados das administradoras de cartões, inclusive para conferir a procedência dos valores informados. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 4 3 § A abusiva quebra de sigilos por parte do Fisco gerou inúmeras ações judiciais, que estavam indefinidas até pouco. Por força da repercussão geral decidida pelo Plenário do STF no RE 601.314/SP, certamente solucionada doravante. [...] § O Plenário do STF deu provimento ao Recurso Extraordinário389808/PR, veículo da demanda contra a Receita Federal do Brasil, que acessava informações fiscais da empresa sem fundamentação e sem autorização judicial. Está mais do que comprovada, pois, a extrapolação do princípio da legalidade, que deve nortear todos os atos da Administração Pública mercê do comando do art 37 da Lei maior. Ficou evidente que as autoridades fazendárias se excederam na obtenção e manuseio de dados financeiros, sem processo prévio ou ciência do sujeito passivo, conseqüentemente, sem contraditório. [...] Analisando os documentos apresentados pelo Impugnante, constatase que o mesmo em nenhum momento questionou os Atos Declaratórios de Exclusão que compõem o presente processo, limitandose apenas em questionar o Auto de Infração que lançou os valores de omissão de receita, Processo 11052.000978/201062. Considerando que o excesso de receita só se mostra a partir dos valores lançados no Processo 11052.000978/201062, apreciarei as razões apresentadas e demonstrarei que as mesmas não modificam a exclusão efetivada pelo Auditor. O interessado apresenta inicialmente uma cópia da Impugnação do Processo 11052.000978/201062, processo referente ao Auto de Infração SIMPLES, decorrente da constatação de omissões de receitas apuradas por Auditor da Receita Federal do Brasil, que foi julgado e mantido nesta mesma sessão, cujo voto transcrevo abaixo: [...] Após receber os Atos Declaratórios de exclusão, o contribuinte apresentou as razões de fls 188/195, nas quais declara que as omissões de receita tiveram como base informações obtidas pela Receita Federal nas operadoras de cartões de crédito, o que não é a realidade dos fatos, conforme se constata no Acórdão acima transcrito. O lançamento de omissão de receita foi lavrado com base nas informações prestadas pelo contribuinte em procedimento de fiscalização devidamente formalizado. Apesar de o Auto de Infração ainda estar com a exigibilidade suspensa por força do artigo 151, III, do CTN, visto que foi apresentada Impugnação tempestiva e o Acórdão que o julgou ainda não foi entregue ao contribuinte, não cabe entretanto, considerar as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade destes ADE àquele processo, visto que o mesmo foi apreciado anteriormente ao julgamento destes ADE, nos termos do voto reproduzido acima.” (grifos pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente (AR – 22/08/11, fls ; Recurso – 13/09/11, fls. 216) o Recurso de fls. 216 e ss, argumentando que: a) o lançamento tributário ofendeu os princípios constitucionais concernentes à inviolabilidade da intimidade das pessoas, sigilo de dados e inadmissibilidade de provas obtidas por meio ilícitos; b) ninguém pode ser processado senão por autoridade competente; c) ninguém é considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória; d) a ação fiscal decorreu de dados oriundos de operações com empresas de cartão de crédito; e) o auditor fiscal não poderia ter excluído a recorrente do Simples Nacional, sem aguardar o Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 5 4 resultado da reclamação contra o lançamento tributário; f) esta autoridade só é competente para proceder a lançamento tributário; g) reitera os termos da manifestação de inconformidade apresentada contra as exclusões dos regimes tributários diferenciados e favorecidos. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial, de natureza processual. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil – CPC Art.102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...]. Art.108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. Os presentes autos versam sobre a exclusão da recorrente dos regimes denominados Simples Federal e Simples Nacional, relativamente ao anocalendário de 2007. As referidas exclusões, devidamente formalizadas em Atos Declaratórios Executivos (fls. 151 e 152), resultaram de constatação da fiscalização que a empresa omitiu receitas e, computadas estas, ultrapassou no anocalendário de 2006 o limite legal exigido de receitas auferidas para a permanência nos regimes diferenciados e favorecidos, ensejando a lavratura de Auto de Infração. Desta forma, flagrante é que o destino destes autos dependem da manutenção da exigência fiscal, formalizada no processo administrativo nº 11052.000978/201062, ainda sub judice na seara administrativa. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 6 5 A exclusão da recorrente do Simples Federal e Nacional depende diretamente do julgamento daquele processo, que cuida da majoração da receita bruta declarada pela recorrente, de ofício, devendo ser julgados concomitantemente. No acórdão combatido restou clara esta vinculação, havendo a Turma Julgadora de Primeira Instância fundamentado o seu voto com os alicerces do voto proferido no outro processo, ambos julgados em mesma sessão. Há, pois, que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada entre o processo de exclusão dos regimes tributários a aquele que causou esta exclusão, nos termos do artigo 104 do CPC. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; [...] (grifos não pertencem ao original) Indiscutível o cabimento da Portaria e a juntada dos processos, no caso, de exclusão do Simples em razão de haver ultrapassado no ano anterior o limite legal de receitas auferidas, constatado este fato em procedimento fiscal. Oportuno deixar claro à recorrente que a ciência dos ADE, dadas as peculiaridades e atributos dos atos administrativos, permite a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, autoexecutoriedade e imperatividade. Pelo exposto, em julgamento de prejudicial, decido pelo retorno dos autos à unidade preparadora para o fim de juntada deste processo, por anexação, ao de nº 11052.000978/201062, a fim de serem julgados concomitantemente em segunda instância administrativa. Após a anexação, retornem à Primeira Seção do Carf para apreciação. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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