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Numero do processo: 10768.001351/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
AÇÃO TRABALHISTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INEXISTÊNCIA.
É improcedente a revisão da Declaração de Ajuste Anual quando o conjunto fático-probatório dos autos demonstra a inexistência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 AÇÃO TRABALHISTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INEXISTÊNCIA. É improcedente a revisão da Declaração de Ajuste Anual quando o conjunto fático-probatório dos autos demonstra a inexistência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Recorrente MÁRCIO DE CARVALHO WANDERLEY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 AÇÃO TRABALHISTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INEXISTÊNCIA. É improcedente a revisão da Declaração de Ajuste Anual quando o conjunto fáticoprobatório dos autos demonstra a inexistência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 13 51 /2 00 9- 66 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10768.001351/200966 Acórdão n.º 2401004.502 S2C4T1 Fl. 99 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo a redução do saldo do imposto a restituir. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1256.681 (fls. 59/63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2006/607450779194065, relativa ao anocalendário 2005, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça do Trabalho, no importe de R$ 4.959,87 (fls. 5/9). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação por via postal em 17/2/2009, às fls. 46/47, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4). 4. Intimado em 3/2/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 64/66, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 5/2/2014 (fls. 69/70). 4.1 Expõe, em síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito: (i) que os valores recebidos decorrem de reclamatória trabalhista movida em face do Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, autuada sob o nº 0195820014901 001958/01, com tramitação perante o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10768.001351/200966 Acórdão n.º 2401004.502 S2C4T1 Fl. 100 3 (ii) não houve omissão de rendimentos, uma vez que os rendimentos tributáveis na DAA 2006/2005 somam a quantia de R$ 66.612,05, sobre os quais incidiu o imposto retido na fonte de R$ 17.852,97; (iii) além desse valor tributável, com base no discriminativo de verbas do processo trabalhista declarou ainda como rendimentos não tributáveis o valor de R$ 5.013,81; e (iv) é aposentado por invalidez, desde o ano de 2005, e portador de moléstia grave (síndrome de imunodeficiência adquirida CID10.B24). É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10768.001351/200966 Acórdão n.º 2401004.502 S2C4T1 Fl. 101 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A acusação fiscal foi redigida nos termos a seguir copiado, "ipsis litteris" (fls. 7): "Para apuração do valor tributável há que se considerar o valor líquido recebido de 53.718.95 adicionado ao IRRF de 17.852,97". 7. Acredito que o raciocínio da autoridade lançadora poderia estar correto se o valor liberado ao recorrente mediante alvará judicial correspondesse na sua totalidade a verbas de caráter remuneratório, sujeitas à tabela progressiva na declaração anual da pessoa física (fls. 24/25). 8. Todavia, as cópias dos documentos relativos à Reclamação Trabalhista nº 1958/01, acostadas aos autos às fls. 72/84, revelam que as parcelas reconhecidas na Justiça Obreira dizem respeito a diferenças salariais e seus reflexos, devidas no período de nov/1996 a ago/2000, bem como ao décimo terceiro sobre férias e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). 8.1 O próprio setor de cálculo do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região aponta a existência de verbas indenizatórias para fins da incidência do imposto sobre a renda, equivalendo a parcela não tributável a cerca de 7% (sete por cento) do total devido ao reclamante (fls. 76/77). 9. De tal maneira que não constato omissão de rendimentos na DAA 2006/2005, visto que o montante de R$ 66.612,05, declarados pelo contribuinte como tributáveis, mantém harmonia com os valores de mesma natureza que constam dos cálculos de liquidação do processo trabalhista. 10. De mais a mais, estáse diante de rendimentos recebidos acumuladamente no ano de 2005, compreendendo diferenças devidas pelo empregador nas competências 11/1996 a 08/2000, pagas de forma extemporânea no contexto da rescisão do contrato de trabalho (fls. 72). Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10768.001351/200966 Acórdão n.º 2401004.502 S2C4T1 Fl. 102 5 11. O Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. 11.1 Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. 11.2 Em 9/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, representativo da controvérsia, transitou em julgado. 12. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 13. Como visto, a exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Esse entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 14. No tocante aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pela recorrente, relativos ao anocalendário de 2005, a incidência do imposto sobre a renda ocorre no mês de recebimento ou crédito, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago a destempo. 15. Desse modo, também sob essa ótica de raciocínio, não procede o lançamento de ofício, pois o valor retido de imposto de renda pela fonte pagadora, no montante de R$ 17.852,97, foi calculado pelo regime de caixa, deixando de lado as tabelas e alíquotas dos meses a que se referiam os rendimentos tributáveis (fls. 82). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10768.001351/200966 Acórdão n.º 2401004.502 S2C4T1 Fl. 103 6 16. Em conclusão, e restrito aos limites do litígio instaurado pela Notificação de Lançamento, a improcedência da revisão fiscal efetuada na DAA 2006/2005 implica reconhecer o valor de R$ 5.441,02 a título de imposto a restituir, conforme declarado pelo contribuinte (fls. 8 e 12/18). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a revisão fiscal efetuada na DAA 2006/2005 e restabelecer o valor do imposto a restituir declarado pelo contribuinte. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902448/2011-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 48 /2 01 1- 20 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.938, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902448/201120 Acórdão n.º 9303003.947 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15374.000834/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .0 00 83 4/ 20 07 -2 9 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 15374.000834/200729 Resolução nº 1402000.377 S1C4T2 Fl. 191 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 112 a 183) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fls. 95 a 101) que manteve a aplicação de multa de mora, referente a recolhimento extemporâneo de PIS, por meio de suposta denúncia espontânea, consubstanciada no Auto de Infração nº 002119 (fls. 34 a 40), rejeitando os termos da Impugnação apresentada (fls. 03 a 33). Em relação à origem da multa em questão, no mês de outubro de 2003 teria havido um erro formal na contabilidade da ora Recorrente, gerando o recolhimento a menor de Contribuição ao PIS, no valor de R$ 265.830,59 (período de apuração – outubro de 2003) cujo vencimento ocorreu em 14/11/2003. Após ter detectado tal erro, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo à matéria em tela, teria efetuado a Recorrente denúncia espontânea através de recolhimento de DARF, em 30/01/2004, e supostamente o apresentou à Fiscalização por petição (fls. 11 e 12) em 03/02/2004. O pagamento efetuado foi acrescido de juros, calculados com base na taxa SELIC, não tendo sido feito o pagamento da multa de mora, em função do disposto no art.138 do CTN. Contudo, em 04/04/2007 o contribuinte tomou ciência de Auto de Infração (fls. 34 a 40) que lhe exige a multa moratória correspondente àquele recolhimento extemporâneo. A empresa autuada apresentou a Impugnação (fls. 03 a 33), alegando, em síntese, que o art. 138 do CTN a expurgaria do pagamento de penalidades, inclusive a de mora, trazendo excertos de jurisprudência administrativa e instruída com procuração, documentos societários, bem como cópia da petição levando à Fiscalização o DARF do pagamento efetuado. Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ II, que julgou totalmente procedente o lançamento, sob fundamento exclusivamente de Direito, no sentido de que a prática de denúncia espontânea não afasta a penalidade moratória (fls. 47 a 52). Diante de tal revés, a ora Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário nestes autos (fls. 57 a 71), que foi devidamente processado neste E. Conselho. Em sessão de julgamento de 27/06/2012, foi proferido v. Acórdão pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento (fls. 83 a 86) no qual, em razão de alerta verbal do Patrono Fl. 200DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 15374.000834/200729 Resolução nº 1402000.377 S1C4T2 Fl. 192 3 da Recorrente, foi reconhecida a nulidade do v. Acórdão recorrido, vez que trata em todo o decisório sobre COFINS, quando o tributo que deu origem à autuação é a Contribuição ao PIS, determinandose, então, a prolatação de novo acórdão pela instância a quo. Encaminhados os autos à instância inferior, foi promovido novo julgamento da Impugnação, agora pela 17ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ, sucessora institucional do primeiro órgão a apreciar o feito e, através do v. Acórdão de fls. 96 a 101, repetindo no mérito praticamente todo o teor do decisum anulado mas, efetuando a correção sobre a Contribuição originária da autuação, mantevese novamente a aplicação da multa na sua integralidade, rejeitando todas as alegações do contribuinte. Assim, em face deste novo v. Acórdão foi interposto o Recurso Voluntário, ora sob apreço (fls. 112 a 183), pugnando o cancelamento do Auto de Infração, versando sobre a adequação do seu procedimento de denúncia espontânea, tendo recolhido o valor do tributo devido com os juros legais, antes de fiscalização e não se tratando de débito previamente constituído por declaração, inclusive alegase que a DCTF retificadora que trouxe tal diferença positiva fora apresentada em momento posterior ao recolhimento espontâneo, sendo ambos apresentados à Fiscalização simultaneamente. Também colaciona jurisprudência judicial e administrativa, juntando aos autos apenas documentação de representação e societária. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 15374.000834/200729 Resolução nº 1402000.377 S1C4T2 Fl. 193 4 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Ainda que o presente processo, no passado, tenha sido distribuído à C. Terceira Seção desse E. Conselho, o v. Acórdão exarado por sua C. Turma de Julgamento prestouse apenas para anular o primeiro julgamento da DRJ e determinar a confecção de um novo, reiniciando o processo administrativo desde então. Após a correção da falha indicada, o processo foi distribuído novamente, agora sob os novos comandos do RICARF, cujo inciso VII do artigo 2º do seu Anexo II prevê a competência residual da Primeira Seção. Dado que o caso em tela versa apenas sobre multa moratória em denúncia espontânea, lavrada isoladamente, sem saldo de PIS ou juros não recolhidos, a nova competência se confirma. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se observa, a matéria é clara, tratandose do cabimento de multa de mora na hipótese de denúncia espontânea do contribuinte, vez que esse é o único conteúdo da Autuação combatida. Tal tema já foi objeto de apreciação pelo E. Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.149.022, recurso este submetido à resolução de controvérsias pelo regime de recursos repetitivos do art. 543C do CPC/1973, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF/MF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 15374.000834/200729 Resolução nº 1402000.377 S1C4T2 Fl. 194 5 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Cabe observar que, de fato, o v. Acórdão ora recorrido, manifestamente deixa de aplicar o entendimento contido nesse julgado judicial de alcance nacional. Nesse sentido, o julgamento do presente processo pela instância anterior se ateve a aplicar entendimento Fl. 203DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 15374.000834/200729 Resolução nº 1402000.377 S1C4T2 Fl. 195 6 exclusivamente jurídico, alicerçado por antigas normas internas da Receita Federal do Brasil e jurisprudência administrativa já superada. Resta, então, analisar se, no caso concreto, os fatos expressados pela documentação trazida aos autos enquadramse no entendimento firmado pelo E. STJ sobre o tema, o que não foi feito anteriormente, vez que tal posicionamento legal não foi aplicado. A prova do recolhimento da Contribuição ao PIS, efetuada em 30/01/2004 para corrigir erro de apuração do tributo em outubro de 2003 é inequívoca e se expressa pelo DARF juntado à fl. 12. Contudo, ainda que no Recurso Voluntário se alega que a apresentação da DCTF retificadora não foi anterior ao recolhimento, não havendo confissão prévia hábil para constituir tal débito, não há cópia de tal documentação nos autos ou qualquer outra prova que pudesse indicar sua existência, seu respectivo conteúdo e sua data de apresentação. Inclusive, na Impugnação não se menciona a DCTF. O Patrono da parte apenas se refere ao DARF, supostamente protocolado em 03/02/2004 por meio de petição (fls. 11 e 12), como prova da sua denúncia espontânea. De acordo com os termos dessa defesa inaugural, tal petitório teria gerado o Processo Administrativo n° 10768.000905/200401. Digase mais, a própria petição trazida aos autos, ainda que dirigida ao I. Delegado da RFB da 7ª Região, é apócrifa, vez que não possui assinatura e nem marca probatória de protocolo. Igualmente, não há mais qualquer menção nos autos a tal Processo Administrativo, nem neste recurso, agora sob julgamento. Ainda que o Anexo do Auto de Infração indique que o débito tem origem em DCTF do mesmo período em que se verificou necessidade de retificação, não há qualquer outro meio ou instrumento nos autos, seja documentação acostada pela Fiscalização ou pela Recorrente, que comprove seu teor e data de entrega. A verificação da apresentação simultânea ou posterior de tal declaração é o discrimén necessário para o enquadramento ou não dessa demanda no entendimento atual do E. STJ sobre o tema. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 15374.000834/200729 Resolução nº 1402000.377 S1C4T2 Fl. 196 7 Porém, ainda que a carência de provas nos autos seja patente, tido até o momento a Recorrente toda chance de defesa, inclusive recursal, fica também evidente que o contencioso exprimido nesse processo, desde a Autuação até a prolatação do v. Acórdão recorrido, sempre se baseou em contexto de entendimento jurídico superado, ultrapassado e expressamente descartado pela E. Corte nacional de justiça. Todo o enfoque da lide administrativa foi voltado para se debater Direito, de forma exclusivamente teórica e acadêmica, fazendo com que os esforços empreendidos se voltassem à argumentação e não à comprovação. As provas foram sistematicamente ignoradas ao longo do processo, posto que não possuiriam qualquer relevância ou valor no contexto da tese adotada pelas Autoridades fiscalizadoras e julgadoras. Desse modo, resolvese que seja procedida diligência para que se apure se o recolhimento efetuado pela Recorrente, comprovado à fls. 12 dos autos, foi apresentado após a transmissão da DCTF original e anteriormente à apresentação da DCTF retificadora e fornecer ambas declarações para a análise dessa C. Turma e, posteriormente, cientificando o Contribuinte do resultado dessa diligência, com a devida concessão de prazo para a sua manifestação. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 19/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
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Numero do processo: 13804.005648/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997
PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário correspondente ao mês de setembro de 1997
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário correspondente ao mês de setembro de 1997 Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário correspondente ao mês de setembro de 1997 Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 56 48 /2 00 2- 39 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão que manteve o lançamento de crédito para o PIS relativo aos fatos geradores, inicialmente, incluía os períodos de 01/07/1997 a 31/07/1997 e 01/09/1997 a 31/12/1997, reconhecido pelo Julgador de Piso a extinção do pagamento do débito por meio de DARF de julho de 1997. O lançamento decorre de análise interna de DCTF por meio de processo parametrizado, cujo motivo é processo judicial não comprovado. O Contribuinte informou em DCTF que a exigibilidade do crédito tributário encontrava suspensa decorrente das ações judiciais de números 96.03.925977 e 00.9384/70, como se vê do Auto de Infração de fls. 15/16. O sistema de rastreamento da Receita Federal não localizou os processos mencionados acima, dandoos como “Proc. Jud. Não comprovado”, motivando o lançamento de ofício. Há cópia da Ação Cautelar de nº 94.00194668, fl.22/36. A Recorrente juntou cópia da decisão judicial prolatada nos autos do processo da ação ordinária de nº 94.00273614 e ação Cautelar nº 94.00194668, obtendo provimento judicial favorável a tese, restando autorizado a compensar créditos oriundos dos recolhimentos instituídos pelos Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Há cópia do Acórdão em apelação da Ação Ordinária nº 96.03.0925977 perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, processo de origem nº 94.00273614, reconheceu e garantiu o direito de compensação de crédito oriundo de pagamento a maior pela sistemática instituída pelos Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Devidamente intimada a Fiscalizada, tempestivamente apresentou sua Impugnação às fls. 01/05, sustentando, em síntese, que obtiveram perante o Poder Judiciário o direito de compensar o pagamento a maior com débitos, em razão disso o lançamento configurava desobediência judicial e pediu anulação do auto de infração. Proferido o r. Acórdão nº 1630.011 pela 9 ª Turma da DRJ/SP, na sessão de 02 de março de 2011 (fls. 97/107), fora considerada parcialmente procedente a impugnação da Fiscalizada, pelo que transcrevo a Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL RENÚNCIA. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13804.005648/200239 Acórdão n.º 3302003.322 S3C3T2 Fl. 8 3 A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, dc ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Sendo assim, extraise que o crédito tributário passou a ser na seguinte forma: Ciente do r. Acórdão, a Fiscalizada apresentou no prazo “petição para correto cumprimento da decisão da DRJ/SP1 cumulada com pedido alternativo de conversão em recurso” às fls. 110/118, aduzindo em síntese que em havendo decisão definitiva obtida em procedimento judicial, esta possui o condão de assegurar o desfecho favorável à Fiscalizada também neste processo administrativo, onde são discutidas compensações dos créditos de PIS tãosomente com débitos do próprio PIS exatamente como reconhecidos, em definitivo na ação judicial. (Para tanto, anexou a cópia integral da Ação Ordinária n° 94.00273614, a fim de garantir o reconhecimento da regularidade das compensações realizadas de PIS com o próprio PIS), e o conseqüente cancelamento do Auto de infração. É o que interessa relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Cuidase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. A discórdia gira em torno do direito de lançamento por parte da Administração Tributária, onde o contribuinte argumenta que obteve o direito de compensar por meio de provimento judicial, e, de outro lado a Fazenda sustenta que independemente de medida judicial e assegurado o lançamento. O inicio da contenda dãose quando a Contribuinte Informa em DCTF os valores devidos e indica o modo que se opera a extinção do débito declarado. Não há discussão do quanto apurado, a suspensão da exigibilidade não restou acatada pela SRF em virtude de não ter comprovado a existência do processo judicial. Extraíse do auto de infração que os processos judiciais indicados foram os de números 96.03.925977 e 00.9384/7. Em verdade o numero nº 96.03.925977 corresponde o número originário da Ação Ordinária de número 94.00273614, distribuída por dependência da ação Cautelar n° 94.0019.4668. Compulsando os autos não se logra êxito em localizar peça que demonstre a existência do processo 00.9384/7. Por tratarse de lançamento parametrizado sem envolvimento humano, o sistema de rastreamento da SRF não enxergou o número do processo indicado, o que levou a ocorrência de processo judicial não localizado, mesmo existindo. Vinculado ao processo nº 96.03.925977 encontra o período de apuração 01.09.1997 a 30.09.1997, no valor de R$ 236.877,05. O outro período de apuração de 01.10.1997 a 31.12.1997 encontra vinculado totalmente ao processo informado de nº 00.9384/7. Cabe examinar se o crédito referente ao período de apuração de 01.09.1997 a 30.09.1997, nesse processo restou confirmado. Tenho que o fato de informar o número do processo no Tribunal Regional Federal e não o numero de origem da Ação Ordinária de número 94.00273614 deuse em razão de somente em sede recursal ter obtido o provimento judicial favorável. Considerando o fato de que o lançamento por meio de sistema parametrizado não oportuniza ao contribuinte esclarecer os acontecimentos, sensibilizame ao ponto de enxergar no caso especifico do débito apurado em setembro de 1997 mudança de critério jurídico do Julgador de Piso. Acresce a esse fato, que se trata de débito declarado em DCTF, para mim, o lançamento se revela duplicidade por tratarse de lançamento por homologação, onde o contribuinte presta declaração sobre os fatos pertinentes à imposição tributária. Depreendese da leitura deste caderno processual que o auto de infração teria sido lavrado em decorrência de irregularidades nos créditos vinculados informados nas DCTF, uma vez que não restou comprovado o processo judicial. Compulsando este caderno processual, constatamse cópias de algumas peças essenciais do procedimento judicial, inclusive quanto à sentença, o Acórdão que julgou parcialmente procedente o pedido, bem como, Decisão em sede de Recurso Especial, negando provimento ao pleito da União Federal. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13804.005648/200239 Acórdão n.º 3302003.322 S3C3T2 Fl. 9 5 Sendo assim, a Administração, ao decidir, ignorou a motivação pela qual teria sido lavrado o auto de infração, justificando à sua decisão no fato de que não existia liminar e os depósitos efetuados não correspondem o montante integral, cujos correspondentes valores foram vinculados nas DCTF. Ora, o lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos. Portanto, não há dúvida de que houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo informado nas DCTFs apresentada. Assim, manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram cogitados pela autoridade Autuante, corresponde sim, inovação no que pertine à valoração jurídica. De modo que, a descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofende o art. 10, inciso III, do Decreto número 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente; Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): “A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos fatos de fl. 09 é totalmente deficiente por não dizer qual é a natureza da inexatidão e por remeter o leitor para um Fl. 531DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 demonstrativo (fls. 10 e 11) que também nada diz a respeito. A fiscalização deveria ter complementado a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto. E assim não procedeu.” A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões nas quais se decretou a nulidade do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou no art. 142 do CTN, bastando citar aqui, a título de exemplo, as seguintes ementas: “NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10610.087, de 15/04/1998). “RECURSO "EX OFFICIO" – IRPJ – AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA ELABORAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE – É nulo o lançamento em que a autoridade fiscal deixa de atender os requisitos essenciais à sua validade, mormente o artigo 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10707.740, de 12/08/2004). “NULIDADES. Anulase o auto de infração eivado de vício na motivação. Recurso provido.” (Acórdão 20216.967, de 28/03/2006). Com esses fundamentos cancelo o lançamento referente ao crédito referente ao período de apuração de 01.09.1997 a 30.09.1997. Com relação aos créditos totalmente vinculados em DCTF ao processo nº 00.9384/7, não existindo nos autos uma peça sequer que confirme sua existência, mesmo vislumbrando a duplicidade de lançamento, via DCTF e o Auto de Infração, mantenho na integra. A discussão quanto ao crédito decorrente de pagamento a maior em razão da sistemática implementada pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.3449, ambos de 1988, como se sabe a vedação expressa do exame de matéria que se revela concomitante com aquela submetida ao Poder Judiciário. “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para cancelar o lançamento referente ao período de 01 a 30 de setembro de 1997. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 532DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13804.005648/200239 Acórdão n.º 3302003.322 S3C3T2 Fl. 10 7 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11065.100435/2005-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência da COFINS não cumulativa sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência da COFINS não cumulativa sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 35 /2 00 5- 38 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100435/200538 Acórdão n.º 9303004.159 CSRFT3 Fl. 258 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS NÃOCUMULATIVA. GLOSA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. A cessão onerosa de saldo credor acumulado de ICMS não oferece em contrapartida para a pessoa jurídica cedente a percepção de receitas, motivo pelo qual não existe amparo legal para a inclusão desses valores na base de cálculo da contribuição, sendo descabida a glosa efetuada a este título no ressarcimento de créditos da contribuição. Recurso provido. A PGFN apresentou Recurso Especial suscitando divergência de entendimento acerca da qualificação da cessão onerosa de créditos de ICMS. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. A Resolução nº 9303000.093, de 14/11/2013 decidiu pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, em face do disposto no § 1º, do art. 62A do RICARF/2009, até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral. Tendo em vista a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os presentes autos foram devolvidos para prosseguimento. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100435/200538 Acórdão n.º 9303004.159 CSRFT3 Fl. 259 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. A matéria tratada no presente recurso será somente o fato de as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS serem excluídas da base de cálculo da Cofins. A matéria não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão hora posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativas, os valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, cuja ata nº 13 foi publicada no DJE de 03/06/2013, foi julgado o mérito do presente tema com repercussão geral, com a seguinte decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, conheceu e negou provimento ao recurso extraordinário, vencido o Ministro Dias Toffoli. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Luiz Carlos Martins Alves, Procurador da Fazenda Nacional, e, pela recorrida, o Dr. Danilo Knijnik. Plenário, 22.05.2013. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100435/200538 Acórdão n.º 9303004.159 CSRFT3 Fl. 260 4 função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e a certidão de trânsito em julgado em 05/12/2013. Por força regimental Anexo II à Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, abaixo reproduzido, essa decisão deve ser reproduzida por este relator. Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12268.000471/2008-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 19/09/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 04 71 /2 00 8- 21 Fl. 704DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD:37.191.5678, lavrado contra o contribuinte identificado acima, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de Fundamento Legal 68 (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), mais especificamente, A empresa foi autuada por deixar de incluir em GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias elencados em planilha anexa, referentes à remuneração de contribuintes individuais (freteiros). no período de 01/2004 a 12/2004. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgado o lançamento procedente, fls. 450. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/9/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.126 (fls. 633/638), cujo resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32 – A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica." O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AFASTAMENTO. O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto 3.048/99. Uma vez que a recorrente sequer demonstrou nos autos um início de prova acerca da mera existência dos documentos que deixaram de ser apresentados à fiscalização, o pedido deve ser afastado já que não fora comprovada a correção da falta. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 12268.000471/200821 Acórdão n.º 9202005.061 CSRFT2 Fl. 3 3 Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 06/2/2013, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 08/2/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso visa seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP n<J 449/2008. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 686. Cientificado do Acórdão nº 2402003.126, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 30/9/2013, o contribuinte, tempestivamente, apresentou contrarrazões alegando que: · a multa de entrega de informações na GFIP, cujo montante correspondia a 100% sobre o valor do débito, a partir da MP 449/2008 ficou limitada a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas; · percebese da leitura do próprio artigo 32A, em seu inciso II, que a multa pela falta de entrega da declaração incidirá "sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas", o que demonstra que as penalidades previstas neste dispositivo são aplicáveis independente de pagamento ou não da contribuição. · O mesmo se verifica do § 3o deste artigo, ao estabelecer uma multa mínima para os casos que tratarem de "omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária" e outra para os demais casos. · Ou seja, se a própria norma claramente determina sua aplicação indiscriminada, seja aos casos em que há pagamento integral ou não do débito, não pode a Fazenda afastar sua incidência para aplicar outra norma, mais onerosa ao contribuinte, por seu mero dispor. Fl. 706DF CARF MF 4 · Ademais, a multa mais benéfica a ser instituída em substituição à aplicada anteriormente logicamente deve possuir a mesma natureza da condenação original. Ora, no presente caso, denotase que a multa previamente fixada no artigo 32, § 5o, da Lei n° 8.212/91 possui natureza de multa isolada por falta de cumprimento de obrigação acessória, a mesma modalidade que se observa na multa estabelecida atualmente no artigo 32A da mesma lei. · Por sua vez, a penalidade verificada nos artigos 35A da Lei n° 8.212/91 c/c 44, I, da Lei n° 9.430/96 possui natureza de multa de ofício, de forma que não pode servir para substituir uma multa de natureza isolada. Além disso, a multa de ofício não pode ser exigida separadamente do principal, devendo necessariamente constar na notificação de lançamento que visa a cobrança da contribuição, o que não é o caso, pois o auto de infração em discussão se refere apenas à exigência da penalidade. · Logo, tratando o auto de infração em epígrafe de cobrança de multa por omissão de informações prestadas na GFIP, há que se aplicar o artigo 32A da Lei n° 8.212/91, por ser a norma específica sobre o tema discutido, razão pela qual requer seja negado provimento ao recurso especial da PGFN. É o relatório. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 12268.000471/200821 Acórdão n.º 9202005.061 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 708DF CARF MF 6 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito Fl. 709DF CARF MF Processo nº 12268.000471/200821 Acórdão n.º 9202005.061 CSRFT2 Fl. 5 7 NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 710DF CARF MF 8 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 12268.000471/200821 Acórdão n.º 9202005.061 CSRFT2 Fl. 6 9 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 712DF CARF MF 10 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12268.000471/200821 Acórdão n.º 9202005.061 CSRFT2 Fl. 7 11 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Conforme, descrito acima, a fundamentação retrocitada afasta a argumentação do recorrente apresentada em sede de contrarazões. Conforme descrito, a natureza da multa não repousa simplesmente na sua nomenclatura, mas sim, na sua finalidade, sendo incabível a aplicação, apos a edição da lei 11.941 de mais de uma multa quando da realização de procedimento fiscal, razão pela qual entendo mais correta a tese do somatório das multas para efeitos de comparativo com a atual legislação. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006876/2003-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 30/10/2000
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA.
Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria.
MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO DE EFEITO EQUIVALENTE. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EMISSÃO. NÃO APLICAÇÃO.
A multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Não se pode aplicar multa por falta de documento que sequer deve ser emitido.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Conforme Súmula CARF no 4, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, a partir de 01/04/1995.
Numero da decisão: 3401-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar a multa por infração administrativa ao controle das importações.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 76 /2 00 3- 09 Fl. 834DF CARF MF 2 MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO DE EFEITO EQUIVALENTE. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EMISSÃO. NÃO APLICAÇÃO. A multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Não se pode aplicar multa por falta de documento que sequer deve ser emitido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Conforme Súmula CARF no 4, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, a partir de 01/04/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar a multa por infração administrativa ao controle das importações. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 11 a 551, lavrado em 06/11/2003, para exigência de imposto de importação (II) e imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, e multa por infração administrativa ao controle das importações, totalizando, já com os acréscimos, R$ 29.709,76 (II e multa por infração administrativa ao controle das importações), e R$ 13.794,07 (IPI). Narrase na autuação que o importador, por meio da declaração de importação (DI) no 00/10382644 (fls. 57 a 63), registrada em 30/10/2000, submeteu a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 835DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 835 3 despacho 16.985,00 Kg de mercadoria descrita como "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBIS (2ACETOXIETIL) ANILINA CONCENTRAÇÃO: 5560% NOME COMERCIAL: EMERY 5704 COR: ESCURA QUALIDADE: INDUSTRIAL ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO FINALIDADE: MATÉRIA PRIMA P/FABRICAÇÃO DE CORANTES TÊXTEIS", classificandoa no código NCM 2922.19.99 (composto de constituição química definida), mas, de acordo com o resultado do Laudo de Análise no 2952/00 (fls. 79 a 81), e no Aditamento no 2952/03 (fl. 87 a 93), elaborados pelo Laboratório Nacional de Análises do Ministério da Fazenda (LABANA), a mercadoria não se trata somente de "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBISC (2ACETOXIETIL ANILINA", mas de "uma mistura de reação constituída de Diaceto de bisEtanol22 (Fenilimino), N, Nbis (2,2Acetoexil) Anilina e Ácido Acético", devendo a classificação se dar no código NCM 3824.90.89 ("...outros produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições..."). Assim, afirma o laudo que não se trata a mercadoria de "composto de constituição química definida e isolado", como declarou a empresa, nem de "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBISC (2ACETOXIETIL ANILINA" com impurezas, sendo que a mistura não foi submetida a processo de purificação (o ácido acético se apresenta na proporção de 50%, muito alta para categorização como impureza) e a formulação foi deliberadamente mantida após a reação, com vistas à utilização a ser dada ao produto (o ácido acético tem função de solvente na etapa de obtenção do corante, ocupando papel ativo durante o processo final a que se destina o produto). Com base na Regra Geral de Interpretação no 1 do Sistema Harmonizado (RGI no 1), nas Notas do Capítulo 29, e na Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) sobre o conceito de "impurezas", a mercadoria foi desclassificada do código 2922.29.99, e, com fundamento na RGI no 1 e no texto da posição 3824, reclassificada no código 3824.90.89. Cientificada da autuação, a empresa apresentou Impugnação em 11/12/2003 (fls. 103 a 141), já sob a denominação "DYSTAR LTDA", argumentando, em síntese, que: (a) o produto "EMERY 5704" é corretamente classificado no código NCM 2922.29.99, anexando Parecer Técnico (fls. 217 a 221) no qual se demonstra que o produto tem composição química definida e isolada, sendo o ácido acético presente para acondicionamento usual e indispensável por razões de segurança e manuseio, pois, sem solvente, o produto seria uma massa cristalizada de difícil retirada dos tambores, e que, após a produção do corante, o ácido acético é removido mediante processos de precipitação, filtração e sucessivas lavagens, não fazendo parte da composição final do produto; (b) as RGI no "2b" e "3a", as NESH relativas ao Capítulo 38, e a Nota 1, "a" do Capítulo 29, e NESH correspondentes, corroboram o entendimento da empresa; (c) os laudos do LABANA, em momento algum, fazem referência a ser a presença do ácido acético necessária ao transporte e manuseio do produto importado; (d) há precedentes no Conselho de Contribuintes (CC) em favor da empresa (Acórdãos no 30128.080 e no 301 28.443); e (e) as multas de ofício são incabíveis, tendo em vista a correta descrição da mercadoria na DI, com os elementos necessários à identificação e ao correto enquadramento, também indicando precedentes do CC em seu favor; (f) a multa por infração administrativa ao controle das importações é incabível, pois para ambos os códigos NCM (o declarado e o entendido como correto pelo fisco) o licenciamento é automático, novamente invocando precedentes do CC; e (g) os juros de mora somente podem ser computados após a decisão final administrativa, e é inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC. Por fim, requer conversão do julgamento em diligência, para que o LABANA se manifeste sobre seis quesitos relativos à função do ácido acético. Em 29/08/2006 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 265 a 281), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) existem nos autos informações técnicas suficientes para a correta Fl. 836DF CARF MF 4 classificação da mercadoria, sendo dispensável a conversão em diligência para realização de nova perícia; (b) coincidem as informações da empresa e do LABANA sobre a identificação da mercadoria, pairando a discussão apenas em sua classificação, assistindo razão ao fisco, em virtude das Notas e NESH do Capítulo 29; (c) cabíveis as multas de ofício e a multa por infração administrativa ao controle, por não conter a descrição da mercadoria todos os elementos necessários à correta classificação; e (d) as instâncias administrativas não possuem competência para se manifestar sobre a constitucionalidade de lei vigente. Cientificada da decisão da DRJ em 19/09/2006 (fl. 284), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 19/10/2006 (fls. 289 a 397), reiterando as razões expressas em sua impugnação, e acrescentando que: (a) o indeferimento da perícia solicitada constitui violação ao contraditório e à ampla defesa; (b) a demanda por Aditivo ao laudo, que foi utilizado na fundamentação da autuação, viola o princípio da isonomia; (c) é vedada a menção, nos laudos, a indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da NCM, ensejando a não aceitação sua aposição, conforme artigos 36 e 37 da IN SRF no 157/2002; e (d) a mercadoria importada não se trata de uma "preparação". Por fim, revela a recorrente que, apesar de entender que os documentos presentes nos autos são suficientes para o integral provimento do recurso, deve, em caso de dúvida, ser convertido o julgamento em diligência, para que o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) responda a sete quesitos elaborados pela recorrente (fls. 391/393), protestando ainda pela formalização de quesitos suplementares. Em 10/12/2008, por meio da Resolução no 30301.518 (fls. 435 a 449), o julgamento foi convertido em diligência pela Terceira Turma da Terceira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, para que fosse demandado ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT) laudo técnico que apontasse "qual a real utilidade da presença do Ácido Acético no produto denominado EMERY 5704, se este ácido apenas se trata de impureza oriunda do processo de obtenção do N,NBis (2,2Acetoxietil) Anilina, utilizado apenas como modo usual e indispensável de acondicionamento, ou se este, na verdade, é apenas deixado com a intenção de um fim específico de preferência a um uso geral do produto principal possível sem a presença de tal ácido". A fiscalização informa, em 03/05/2009, à fl. 473, que não foi localizada amostra contraprova do produto importado por meio da DI no 00/10382644, conforme Carta Técnica no 98/09 do laboratório L.A. Falcão Bauer (fl. 493). A recorrente se manifesta em 17/07/2009 (fls. 511 a 517) no sentido de que a ausência de contraprova, que deveria ter ficado guardada no "armazém de contraprovas", opera em seu favor, na linha do que dispõe o artigo 112 do Código Tributário Nacional, reiterando ainda as alegações de mérito. Em 28/10/2010, por meio da Resolução no 3101000.121 (fls. 525 a 531), o julgamento foi novamente convertido em diligência, para que o INT, diante da ausência de amostra, respondesse aos quesitos "com base em literatura técnica específica", intimandose as partes para manifestação, após a emissão do laudo técnico produzido. A recorrente foi intimada, em 08/09/2012 (fls. 540/541), a manifestar concordância em arcar com os custos do Parecer Técnico a ser emitido pelo INT, obtendose resposta positiva (fls. 542/544), que motivou o encaminhamento do pleito ao referido instituto (fl. 552). A recorrente apresentou, como subsídio ao parecer do INT, a literatura técnica de fls. 557 a 595. No Relatório Técnico no 000.181/14 (fls. 611 a 615), o INT conclui que o produto "EMERY 5704" tem como componente principal a "N,N bis (2acetoxietil) anilina", Fl. 837DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 836 5 obtida através de reação de acetilação com anidrido acético, que tem como subproduto o ácido acético, que advém do processo de fabricação. Em resposta à pergunta que motivou a conversão em diligência, a relatório afirma que "o ácido acético é um subproduto advindo da síntese do EMERY 5704, que foi deixada no produto para tornálo apto para uso específico", entendido "uso específico" como "reagente em, uma próxima etapa do processo de obtenção de corante disperso", mais especificamente, "como reagente acoplante, necessariamente em meio ácido". Em 09/05/2014, a recorrente se manifesta (fls. 802 a 807) sobre o relatório do INT, sustentando, com base em seu teor e em parecer elaborado pela "Química" da recorrente (fls. 808 a 813), que "o ácido acético não foi deixado para tornar o EMERY 5704 apto para uso específico como agente de acoplamento na síntese do corante disperso", estando correta a classificação adotada pela empresa.2 2 Em verdade, há um incidente (em verdade, uma confusão), no processo, a ser mencionado/a nesta nota de rodapé, para que não se rompa a ordem do relatório. Os episódios a seguir narrados atestam que o representante de empresa diversa (BASF S.A.) atravessou petições no presente processo, causando uma série de movimentações que depois se revelaram absolutamente indevidas: (a) cientificada do relatório do INT em 09/04/2014 (AR à fl. 620), a recorrente, usando a denominação "BASF S.A.", em petição assinada por "Orly Correia de Santana" (apto a representar a BASF S.A., CNPJ no 48.539.407/000118, conforme procuração de fl. 630), teria se manifestado em 07/05/2014 (fls. 626 a 629), reiterando a argumentação de que a mercadoria se classifica no código NCM Fl. 838DF CARF MF 6 Em 09/12/2015 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio (fl. 833). 2924.29.99, acrescentando que, com base no relatório do INT, o ácido acético é mero subproduto, utilizado como reagente em etapa seguinte do processo de obtenção do corante disperso, como agente acoplante; (b) em 26/08/2014, a empresa BASF S.A., representada pelo mesmo "Orly Correia de Santana", apresentou o expediente de fls. 657/658, no qual informou que aderiu a parcelamento instituído pela Lei no 11.941/2009, com prazo reaberto pela Lei no 12.996/2014, no que se refere aos créditos tributários objeto deste processo, requerendo a desistência do recurso apresentado, renunciando às alegações de direito sobre as quais se fundam a presente demanda; (c) em virtude da desistência, o CARF encaminhou os autos ao órgão de origem, para as pertinentes providências (fl. 690), em 22/12/2014; (d) na unidade local, apurouse, em 19/01/2015 (fl. 720) que a autuada, "BASF CORANTES TÊXTEIS S.A." (CNPJ no 03.874.065/000235), foi incorporada pela empresa "DYSTAR LTDA", por sua vez incorporada pela empresa "DYSTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA", intimandose a empresa BASF S.A. (CNPJ no 48.539.407/000118), que havia desistido do recurso, a apresentar documentos que comprovassem a existência de vinculação entre ela e a "DYSTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA", sob pena de tornar sem efeito o Requerimento de Desistência do Recurso Voluntário, seguindo o processo seu curso normal, com base na legislação aplicável; (e) em resposta à intimação, o mesmo "Orly Correia de Santana", representando a BASF S.A., fezse passar por representante da "BASF CORANTES TÊXTEIS S.A.", sem apresentar procuração para tanto, reiterando o pedido de desistência, em 12/02/2015 (fls. 724/725), afirmando que nas petições em que constou "BASF S.A." deveria ter constado "BASF CORANTES TÊXTEIS S.A."; (f) em 10/04/2015, a empresa "DYSTAR LTDA", atual denominação de "BASF CORANTES TÊXTEIS S.A.", por meio de seu advogado, Antônio Carlos Gonçalves, afirma (fls. 800/801) que este vem, da impugnação à apresentação de recurso voluntário, representandoa, e que as petições de fls. 626/655 e fls. 657/658 não produzem quaisquer efeitos legais, vez que a empresa "BASF S.A." não é parte neste processo, razão pela qual requer seu desentranhamento dos autos, demandando a remessa do recurso voluntário ao CARF, para julgamento, e juntando, às fls. 802 a 807, manifestação sobre o relatório do INT, datada de 09/05/2014; e (g) a unidade local percebe, às fls. 821/822, que as manifestações de fls. 626/655 e fls. 657/658, cujo desentranhamento foi demandado pela recorrente, foram feitas por representantes da BASF S.A., empresa diversa da BASF CORANTES TÊXTEIS S.A., autuada, e que assiste razão à recorrente, devendo o processo seguir ao CARF. As páginas não são, contudo, objeto de desentranhamento, para não prejudicar a compreensão dos autos. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 837 7 O processo foi pautado para as sessões de maio, de junho, de julho e de agosto de 2016, sendo retirado de pauta, em todas as ocasiões, por motivo de falta de tempo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente contencioso tem por cerne a classificação da mercadoria descrita pela recorrente na DI no 00/10382644 (fl. 63) como "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBIS (2ACETOXIETIL) ANILINA CONCENTRAÇÃO: 5560% NOME COMERCIAL: EMERY 5704 COR: ESCURA QUALIDADE: INDUSTRIAL ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO FINALIDADE: MATÉRIA PRIMA P/FABRICAÇÃO DE CORANTES TÊXTEIS", classificada no código NCM 2922.19.99 (referente a compostos de constituição química definida). O laudo técnico inicialmente efetuado concluiu (fl. 81) que: Para saber que a mercadoria continha alto percentual de ácido acético, aliás, sequer seria necessário laudo, pois a literatura técnica apresentada já o mencionava (fl. 73): Fl. 840DF CARF MF 8 Tendo em vista a divergência entre o apurado no laudo e o declarado na DI, foi solicitado laudo complementar, com os seguintes quesitos: Antes de tecer qualquer comentário sobre a resposta a tais quesitos, não se pode deixar de perceber que extrapolam o âmbito de competência da perícia, pelo que se faz necessário, aqui, esclarecer quais as competências da fiscalização e da perícia. Da classificação de mercadorias aspectos técnicos e jurídicos É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). Essas duas categorias parecem ser confundidas nos quesitos efetuados pela fiscalização. O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função de, a partir de análise da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em Fl. 841DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 838 9 classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. Assim, totalmente despropositados os quesitos 1 a 3, que falam em "outras posições". Deve o classificador perguntar ao perito o que é a mercadoria e quais suas características, e não se é compreendida nesta ou naquela posição da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Caso exista a dúvida sobre reunir a mercadoria as características presentes em determinada posição, deve a fiscalização reproduzir seu texto nos quesitos, e não genericamente remeter a "outras posições", em uma espécie de delegação da atividade indelegável de classificar mercadorias. Assim, tomo os resultados do laudo técnico e do aditivo tão somente no que detalham as características da mercadoria, ignorando as considerações sobre inserção ou não em posições da nomenclatura. Expurgados do laudo os elementos que não são afetos à atividade da perícia, mas da classificação, resta a considerar o excerto no qual se informa efetivamente o que é a mercadoria (fl. 89): A resposta do laudo permite, assim, concluir que não se tratava de "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBIS (2ACETOXIETIL) ANILINA" com impurezas, mas de uma "mistura de reação" de "DIACETO DE BISETANOL22 (FENILIMINO)"; "N, NBIS (2,2ACETOXIETIL) ANILINA" E "ÁCIDO ACÉTICO". Clara também a função do ácido acético, que não se constitui em impureza, mas em solvente na etapa de obtenção do corante. Especificada a mercadoria, ao menos preliminarmente, as discussões passam a ser sobre sua classificação, de acordo com as regras do Sistema Harmonizado, e normas complementares. Fl. 842DF CARF MF 10 Da classificação de mercadorias utilidade e relevância internacional A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A "Babel" de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um mesmo idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora tenham havido iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.3 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os 153 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, "status" de paridade com a lei ordinária.4 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.5 3 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 4 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 5 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 839 11 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.6 E, no Brasil, a NCM serve de base para a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), desde a TIPI de 1996, veiculada pelo Decreto no 2.092, de 10/12/1996. Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abarcado por tal classificação. Sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Feitos tais esclarecimentos, passase a analisar a discussão jurídica sobre classificação da mercadoria, presente nestes autos. Do fundamento para a reclassificação A fiscalização sustenta que a Nota 1 do Capítulo 29 estabelece requisitos para que a mercadoria seja classificada nas posições de tal capítulo, entre eles os seguintes (fl. 37): pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. 6 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 844DF CARF MF 12 E que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) definem "impurezas, para os efeitos da Nota 1, "a", do Capítulo 29, trazendo disposição específica sobre as impurezas "deixadas no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos" (fl. 39): Eis o fundamento para afastar das posições do Capítulo 29 a classificação da mercadoria. E, diante do fato de não haver posição específica para a mercadoria, efetua a fiscalização enquadramento no texto da posição 3824, residual. Dentro de tal posição, adotase a subposição de primeiro nível residual, não desdobrada, e o item 8, referente a produtos à base de compostos orgânicos, com subitem também residual. Chegase, assim, de forma lógica e consistente, ao código NCM 3824.90.89. A recorrente, por sua vez, invoca, para a classificação, a Regra no 2, "a" do Sistema Harmonizado, que estabelece que "qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias...", e à Regra no 3, "a", que dispõe que "a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, apresentando parecer técnico por ela encomendado, que dá conta de que o ácido acético é removido após a produção do corante, não fazendo parte da composição final do produto. Com tais alegações, não refuta nenhuma das afirmações da fiscalização, seja porque não se discute na autuação se em etapa posterior o ácido acético será removido, mas simplesmente se este se presta a tornar o produto apto para usos específicos, ou ainda porque não se pode, na classificação de uma mercadoria, seguir diretamente para as Regras no 2o e no 3 do SH, sem antes passar pela impossibilidade de aplicação da Regra no 1, que foi exatamente a utilizada pela fiscalização. É o que se depreende do excerto final da Regra no 1: "Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes". O que a fiscalização afirma é que a Nota do Capítulo 29 impede a que a classificação da mercadoria seja ali efetuada. A recorrente, invocando a mesma nota, afirma existir a ressalva da letra "e", reproduzida neste voto, de que o ácido acético seria "indispensável por questões de segurança e manuseio", e não para "tornar o produto apto para usos específicos". Chegase, assim, ao cerne da questão, relativo à funcionalidade do ácido acético. Embora a DRJ tenha considerado desnecessário novo laudo para esclarecer tal funcionalidade, o então Conselho de Contribuintes, e o atual CARF acataram o pedido da recorrente nesse sentido. E, como resposta ao quesito especificamente elaborado pelo julgador, esclarece o novo laudo (fl. 614) que: Fl. 845DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 840 13 A resposta não deixa margem a dúvidas, descabendo afastar suas conclusões técnicas em função da manifestação da recorrente que busca contrapôlas com parecer elaborado pela "Química" da empresa. Não apresenta, assim, a recorrente, fundamentos que afastem o resultado do laudo que ela própria solicitou, nem fundamentos que afastem a autuação, no mérito, no que se refere a classificação da mercadoria, que, nesse aspecto, deve prosperar. E os precedentes apresentados (Acórdãos no 30128.080 e no 30128.443), além de não vincularem o posicionamento deste colegiado, tratam de mercadorias diversas ("zidovurine" e "emerox 1100", respectivamente), discutindo situações que sequer se aproximam das analisadas no presente processo, como se percebe da leitura integral dos votos correspondentes, havendo apenas coincidência de palavrachave ("impurezas") na ementa. Pelo exposto, improcedente o recurso, na matéria analisada. E, sendo incorreta a classificação adotada pela recorrente (e correta a adotada pelo fisco), cabível a aplicação da multa de ofício, não se prestando os dispositivos normativos indicados pela recorrente a afastar a multa (o Parecer CST no 477/1988, por ter sido reformado diante do entendimento externado no ADI no 13/2002, que revogou o ADN COSIT no 10/1997, e o ADI no 13/2002, por não tratar mais sobre classificação de mercadorias, mas apenas sobre solicitação indevida de benefício). Da multa por infração administrativa ao controle das importações A fiscalização aplica ainda a multa por infração administrativa ao controle das importações, por falta de licença de importação (LI), em virtude da reclassificação. Como argumentos para a aplicação da multa, afirma o fisco (fls. 20/21) que: Fl. 846DF CARF MF 14 De fato, a mercadoria, da forma em que foi descrita na DI, ainda que trouxesse o nome comercial, não apresentou todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, o que é endossado pela necessidade de dois laudos técnicos e um aditivo para que se pudesse identificar precisamente a mercadoria. Isso afasta os precedentes por ela invocados para sustentar a inaplicabilidade da multa por falta de LI, e constitui o argumento central para a manutenção da multa pela DRJ. No entanto, a recorrente trouxe, ainda em sede de impugnação, a informação relevante, a nosso ver, de que ambos os códigos (NCM 2922.19.99, por ela utilizada, e NCM 3824.90.89, decorrente da reclassificação) estavam sujeitos a licenciamento automático. Na autuação e na decisão da DRJ houve silêncio sobre qual seria o tratamento administrativo de licenciamento para a mercadoria classificada no código NCM 3824.90.89, provavelmente porque o autuante e o julgador de piso entenderam como irrelevante a informação. Mas temos que esclarecer aqui que não se pode confundir licenciamento de importação com Licença de Importação (LI). Licenciamento é o procedimento por meio do qual se obtém a LI, que é o documento que equivale, a partir de 28/09/1992, à Guia de Importação (GI), conforme esclarece o Decreto no 660/1992, em seus artigos 4o, § 1o ("a formulação de exigências, licenças ou autorizações diretamente incidentes sobre operações de comércio exterior deverá ser feita por intermédio do SISCOMEX"); e 6o, § 1o (para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação". E o registro informatizado no SISCOMEX não é o "licenciamento" (processo), mas a "licença" (documento) de importação. O Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) esclareceu a questão. Vejase que o texto da multa aplicada, na lei de regência (artigo 169, I, "b" do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 6.562/1978) estabelece que a infração é pela importação de mercadoria "sem Guia de Importação ou documento equivalente", e o Regulamento Aduaneiro de 2002 a detalhou (artigo 633, II "a") como "importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". À época dos fatos narrados na autuação, havia duas modalidades de licenciamento: automático e não automático, conforme o art. 7o da Portaria SECEX no 21/1996. No caso de licenciamento não automático, o número da LI obtida (válida, em regra, a por 60 dias) figuraria na respectiva declaração de importação, vinculado à mercadoria. No caso de licenciamento automático, contudo, sequer se pode falar em LI, que não recebe numeração e não consta na declaração de importação, havendo, em verdade, um licenciamento com dispensa de licença. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 11128.006876/200309 Acórdão n.º 3401003.229 S3C4T1 Fl. 841 15 Isso ficou mais claro quando a SECEX, em 01/12/2003, resolveu estabelecer que seriam três as categorias de licenciamento: automático, não automático e dispensado, no artigo 6o da Portaria SECEX no 17/2003. A nova modalidade denominada de "licenciamento dispensado" equivale à anteriormente existente sob a denominação "licenciamento automático". E as novas modalidades de "licenciamento automático" e "licenciamento não automático" correspondem a desmembramentos da anteriormente compreendida como "licenciamento não automático". Tais observações se prestam a esclarecer que a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Buscando confirmar se havia tratamento administrativo específico para o código NCM 3824.90.89, na data do registro da DI (30/10/2000), efetuei consulta ao sistema "Tratamento Administrativo Consultas Web", na função "Consulta Histórico", no sítio "Web" do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior7, informando como data inicial "01/10/2000" e como data final "01/01/2001". Ao efetuar a consulta por subitem (3824.90.89) e por posição (3824), obtive a resposta de que não havia tratamento administrativo específico. Ao consultar por capítulo (38), encontrei dois tratamentos administrativos específicos, nenhum deles para a mercadoria em análise. Assim, sendo automático o licenciamento, à época do registro da DI, para o código NCM 3824.90.89, indicado como correto pela fiscalização, e aqui mantido, não há que se falar em falta de Licença de Importação, e, muito menos, em falta de Licença de Importação. Deve, assim, ser afastada a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação). Dos juros de mora Por fim, em relação à insurgência da recorrente em relação aos juros de mora, há que se destacar que a matéria já se encontra pacificada no seio deste CARF, e plasmada na Súmula CARF no 4, de observância obrigatória pelo tribunal administrativo: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 7 https://siscomex.desenvolvimento.gov.br/tratamento/private/pages/consulta_historico.jsf. Fl. 848DF CARF MF 16 Conclusões Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário apresentado, para afastar a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação). Rosaldo Trevisan Fl. 849DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.726805/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008, 2009
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os embargos declaratórios na situação em que a alegada omissão não ocorreu, tendo sido a matéria supostamente omissa, na verdade, discutida e decidida no acórdão embargado.
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADES.
Ao se constatar que os alegados vícios de omissão e contradições no acórdão embargado podem decorrer da imperfeita compreensão da decisão, tais pontos devem ser acolhidos como obscuridades para os pertinentes esclarecimentos.
Numero da decisão: 1301-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos da contribuinte Auto Viação Camurujipe Ltda. Por unanimidade de votos: REJEITAR os embargos da Fazenda Nacional quanto às alegadas omissões (i) e (ii); e ACOLHER os pontos (iii) a (vi) dos embargos da Fazenda Nacional como obscuridades para esclarecê-las, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os embargos declaratórios na situação em que a alegada omissão não ocorreu, tendo sido a matéria supostamente omissa, na verdade, discutida e decidida no acórdão embargado. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADES. Ao se constatar que os alegados vícios de omissão e contradições no acórdão embargado podem decorrer da imperfeita compreensão da decisão, tais pontos devem ser acolhidos como obscuridades para os pertinentes esclarecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos da contribuinte Auto Viação Camurujipe Ltda. Por unanimidade de votos: REJEITAR os embargos da Fazenda Nacional quanto às alegadas omissões (i) e (ii); e ACOLHER os pontos (iii) a (vi) dos embargos da Fazenda Nacional como obscuridades para esclarecêlas, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 68 05 /2 01 1- 11 Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.359 2 Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. . Relatório Tratase de examinar embargos de declaração opostos pela contribuinte AUTO VIAÇÃO CAMURUJIPE LTDA. (fls. 2348/2351) e pela FAZENDA NACIONAL (fls. 2341/2345) em face do Acórdão nº 1301001.975 (fls. 2317/2339), de 05/04/2016, mediante o qual o Colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2008, 2009 DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. LIMITES. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Ao ser verificado, à luz dos documentos acostados aos autos, que os encargos de depreciação do ativo imobilizado apropriadas ao resultado pela interessada não excederam os limites legalmente estabelecidos, a exigência não pode subsistir. GLOSA DE DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. SUCESSIVOS PREJUÍZOS FISCAIS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesa somente constitui fundamento para lançamento tributário se dele resultar prejuízo ao Erário. No caso sob exame, o contribuinte apurou sucessivos prejuízos fiscais. Em assim sendo, a apropriação a posteriori de despesas conduz a um prejuízo fiscal menor, em um primeiro momento, e maior, em idêntico montante, em período posterior. Desde que inexiste limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, não resulta qualquer prejuízo para o Erário, nem benefício para o contribuinte. A glosa fundamentada exclusivamente neste motivo não pode subsistir. GLOSA DE DESPESAS. ENCARGOS MORATÓRIOS. OBRIGAÇÃO EM ATRASO INDEDUTÍVEL. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Deve ser mantida a glosa de despesas de encargos moratórios, na situação em que a obrigação em atraso, que deu origem aos encargos moratórios, seja indedutível, considerandose que o acessório segue o principal. Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.360 3 GLOSA DE DESPESAS. JUROS E ENCARGOS SOBRE FINANCIAMENTOS. JUROS E ENCARGOS SOBRE IMPOSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Em se tratando de despesas, é ônus da interessada comprovar a existência e dedutibilidade dos valores escriturados a reduzir o resultado tributável. No caso concreto, a documentação apresentada não guarda qualquer ordem ou relação com as planilhas apresentadas nem com os lançamentos contábeis. Impossível a comprovação, além da parcela já admitida durante o procedimento de fiscalização. A glosa das despesas deve ser mantida, à míngua de comprovação com documentação hábil e idônea. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008, 2009 “GLOSA EM BLOCO”. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA. Do exame dos autos, se constata que algumas despesas foram integralmente glosadas, diante do entendimento do Fisco de que seriam indedutíveis. Em outros casos, as glosas foram parciais, diante da documentação apresentada que comprovava somente parte dos lançamentos contábeis. Em todas as hipóteses, a contribuinte compreendeu perfeitamente as infrações que lhe foram imputadas e delas pode se defender. Inexiste nulidade a ser reconhecida. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE EXAME. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Do exame dos autos se constata que os documentos acostados aos autos com a impugnação foram efetivamente analisados pela autoridade julgadora em primeira instância, mas considerados sem a força probatória que lhes pretendia atribuir a então impugnante. Não se há de reconhecer, nisso, qualquer nulidade. Embargos da Contribuinte Alega a embargante que o aresto combatido teria sido omisso, no que tange aos fundamentos para manter parcialmente a glosa de encargos tributários do ano de 2008. Em suas palavras: [...] 2. Já sobre a parte dos encargos tributários do ano de 2008, correspondente aos juros de mora incidente sobre tributos devidos e não pagos tempestivamente, cuja glosa teria sido fundamentada no fato de que em sendo a obrigação principal indedutível (IR de fonte sobre salários e INSS dos empregados, entre outros) os juros incidentes sobre tal obrigação deve, igualmente, ser considerado indedutível visto que "o acessório deve seguir o principal". Ou seja, de acordo com o decidido no v. acórdão ora embargado, as glosas referemse a Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.361 4 "encargos moratórios incidentes sobre débitos tributários indedutíveis" e, por conta disso, foi mantida a glosa realizada pelo agente fiscalizador. 3. Todavia, ao assim decidir, o v. acórdão omitiuse a respeito da natureza jurídica dos juros incidentes sobre os referidos débitos tributários assim como, sobre a verdadeira natureza das despesas correspondentes àqueles mesmos débitos tributários, senão vejamos. [...] No entender da embargante, não seria aplicável a regra segundo a qual “o acessório segue o principal”, visto haver regra específica (art. 374 do RIR/99, para os juros, e art. 344 do mesmo regulamento, para as multas de mora) a permitir a dedutibilidade da despesa. Embargos da Fazenda Nacional Alega a Fazenda Nacional que o aresto combatido, ao afastar parcialmente a infração 002, especificamente acerca da matéria inobservância do regime de competência, teria incorrido em vícios a ensejar embargos, a saber: (i) Omissão, por não se pronunciar acerca do fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para negar provimento à impugnação, quanto a esta matéria. (ii) Omissão, por não se pronunciar especificamente sobre a aplicabilidade ao caso do art. 273, inciso II, do RIR/99. (iii) Omissão, por não se pronunciar sobre “os reflexos na compensação de prejuízos fiscais indevidamente majorados pela apresentação intempestiva de despesas alheias ao período de apuração correspondente, em desacordo com a regra de competência, tendo por base a premissa de que embora não haja limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, há limitação temporal para a contabilização e declaração das despesas”. (iv) Contradição, por afirmar que “o efeito tributário é nulo”, mesmo tendo também afirmado que “não há limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais”. (v) Contradição, por “sustentar a ausência de prejuízo à União (Fazenda Nacional) mesmo diante da possibilidade de compensação de prejuízos fiscais majorados com a contabilização indevida de despesas para o período”. (vi) Contradição “na confusão entre o prejuízo fiscal reconhecido e as despesas contabilizadas, pois embora não haja limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, há, evidentemente, limitação temporal para a contabilização e declaração das despesas”. Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.362 5 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Embargos da Contribuinte Não encontro, nos autos, prova da data da ciência do acórdão embargado. O contribuinte não se manifesta acerca da tempestividade, tampouco o faz a Unidade Preparadora. Em assim sendo, os embargos devem ser tidos por tempestivos. Ademais, a embargante apontou objetivamente a omissão que pretende ver sanada, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos. A alegada omissão do acórdão embargado residiria na falta de manifestação sobre a natureza jurídica dos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso e, em última análise, sobre a “verdadeira natureza” das despesas correspondentes a esses mesmos débitos. Eis como foi tratada a matéria pelo voto condutor do aresto combatido (fls. 2335/2337, grifos não constam do original): Neste ponto do voto, serão analisadas as glosas de R$ 9.675.258,35 no ano calendário 2007 e de R$ 15.730.643,45 no anocalendário 2008, valores estes incluídos no item 002 do auto de infração (fl. 3) e descritos no item 3.1(b) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/19). As despesas glosadas foram registradas a débito da conta 314.080.00090. Neste item, o Fisco adotou duplo fundamento para a glosa: a presença, entre as despesas glosadas, de valores indedutíveis e, ainda, a inobservância do regime de competência. Nesse sentido, a descrição do Termo de Verificação Fiscal (fl. 18) não deixa dúvidas: [...] glosa das despesas efetuadas pelo contribuinte por conter valores não dedutíveis, tais como contribuições do empregados para o INSS, imposto de renda retido de terceiros, as multas de ofício, parcelamento do REFIS, bem como a inboservância ao regime de competência. [...] Mais uma vez, importante ressaltar: não foram questionados os valores em si, mas tão somente sua dedutibilidade, pelos fundamentos expostos. Para o anocalendário 2007, a tabela VII (fl. 19) discrimina: (i) as rubricas que foram examinadas pelo Fisco, a saber, INSS Empregador; INSS Empregado; Cofins; e PIS; Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.363 6 (ii) Os totais da despesa apropriada ao resultado, em cada rubrica, para os quais o Fisco buscava comprovação e esclarecimentos; e (iii) as parcelas que, no entender do Fisco, atendiam aos requisitos de dedutibilidade e foram, portanto, acatadas e não integraram a glosa. O cotejo dessa tabela com o livro Razão (fl. 159) demonstra que as quatro rubricas examinadas compunham a totalidade das despesas registradas na conta 314.080.00090. Ademais, de se observar que, para as rubricas intituladas INSS Empregador, Cofins e PIS, o Fisco acatou como dedutíveis as parcelas da correção correspondente ao anocalendário 2007. Isso pode ser confirmado pelo exame das planilhas às fls. 163, 168 e 171. Com isso, entendese que o Fisco considerou, para estas rubricas, apenas a inobservância do regime de competência como óbice à dedutibilidade das despesas. A situação se torna idêntica, então, àquela analisada no item anterior (Encargos sobre Refis), e a conclusão não poderia ser diferente. Para a rubrica intitulada INSS Empregado, o Fisco não considerou qualquer parcela dedutível. Com isso, entendese que, além da inobservância do regime de competência (fundamento já afastado), também estava presente aqui a indedutibilidade da obrigação sobre a qual incidiu a correção glosada. Em outras palavras: o débito de INSS retido do empregado não é débito próprio, e decorre da obrigação legal de recolher aos cofres públicos valores retidos de terceiros. A despesa em si não é dedutível, pois não é a pessoa jurídica obrigada à retenção e ao recolhimento que suporta o ônus. Na verdade, nem mesmo pode ser considerada despesa, visto que não transita pelo resultado. Considerandose que o acessório segue o principal, os juros moratórios devidos pelo atraso no pagamento são igualmente indedutíveis. Nessa linha de raciocínio, a glosa se revela pertinente, quanto a esta rubrica. Ressalto, ainda, que não procedem os argumentos da interessada sobre a falta de individualização das glosas. Neste caso resta evidenciado que foi glosado o total de R$ 693.960,89 registrados a débito da conta 314.080.00090 (fl. 159), cuja composição detalhada consta do demonstrativo de fls. 164/165. Embora um fundamento para a glosa tenha sido afastado (a inobservância do regime de competência), persiste o outro, qual seja, a indedutibilidade da obrigação em atraso, que deu causa aos acréscimos moratórios ora glosados, o acessório seguindo o principal. Em conclusão, para o anocalendário 2007, neste item da autuação, a glosa de encargos sobre débitos tributários deve ser reduzida de R$ 9.675.258,35 para R$ 693.960,89. Idêntico critério deve ser adotado para anocalendário 2008, em que temos a tabela VIII (fl. 19) e o livro Razão (fls. 173/175), além dos demonstrativos de fls. 176/217. Aquelas rubricas para as quais o Fisco aceitou como dedutível a correção do anocalendário 2008 devem ser integralmente aceitas, visto que o outro fundamento (a inobservância do regime de competência) já foi afastado. Refirome às rubricas intituladas INSS Empregador, IRF Pro labore, Cofins, PIS e PCC Normal. As glosas das demais rubricas devem ser mantidas, visto que se referem, em todos os casos, a encargos moratórios incidentes sobre débitos indedutíveis. Neste caso, as rubricas são intituladas Salário Educação, IRF Terceiros, INSS Serviços, ISS s/ Serviços e Sal. Educação Parc. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.364 7 Ainda no anocalendário 2008, devem ser tratadas em separado as rubricas intituladas REFIS Faturamento (R$ 3.831.138,26) e Corr Não Planilhada (R$ 9.909.026,55) A rubrica intulada REFIS Faturamento é nada mais do que a mesma tratada no anocalendário 2007, sendo que aqui são apropriados os encargos do ano calendário 2008, até a data de sua exclusão do parcelamento, conforme planilha às fls. 214/215. Pelos mesmos fundamentos já esposados, sua dedutibilidade deve ser admitida. A rubrica intitulada Corr Não Planilhada foi contabilizada a débito da conta 314.080.00090 em 30/12/2008, com o histórico “val. ref. atualização encargos, juros e multas n/data” (fl. 175). Não encontro qualquer planilha ou esclarecimento acerca desse débito, o que certamente motivou a glosa. Com a impugnação, encontro a planilha de fl. 1996, a qual considero insuficiente para esclarecer, muito menos comprovar, a origem e composição de tal valor, ao que se depreende seria o resultado algébrico de diferenças encontradas quanto aos juros apropriados sobre débitos tributários diversos. Diante da falta de esclarecimentos e comprovação quanto a este valor, a glosa deve ser mantida. Em conclusão, para o anocalendário 2008, neste item da autuação, a glosa de encargos sobre débitos tributários deve ser reduzida de R$ 15.777.691,29 para R$ 10.399.515,33. Não se compreende qual seria a relevância de uma discussão acerca da natureza jurídica dos juros moratórios. O entendimento do Colegiado foi de que se trata de despesas de natureza acessória, cuja dedutibilidade deve acompanhar o principal. O art. 374 do RIR/991 trata de situações específicas de dedutibilidade, sendo certo que o Colegiado entendeu que também as despesas com juros devem se submeter à regra geral de dedutibilidade (necessidade, habitualidade, usualidade). Sendo a despesa principal indedutível, também o serão os acessórios. Quanto à natureza das despesas em atraso que geraram os acréscimos moratórios glosados pelo Fisco, igualmente inexiste omissão, visto que as rubricas foram examinadas pelo Colegiado, que concluiu por sua indedutibilidade, conforme excertos acima transcritos. Ao final, o que sobressai é o intuito da embargante de reabrir discussão sobre matéria já apreciada e decidida, o que é incabível pela estreita via dos embargos declaratórios. 1 Art.374.Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): Ios juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados,pro rata temporis,nos períodos de apuração a que competirem; IIos juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e préoperacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Parágrafo único.Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, §3º). Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.365 8 Diante do exposto, voto por negar provimento aos embargos da Contribuinte. Embargos da Fazenda Nacional O processo foi encaminhado à PGFN em 14/04/2016, quintafeira (despacho de encaminhamento à fl. 2340). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 14/05/2016 (sábado), deslocandose a ciência para o primeiro dia útil posterior, 16/06/2016, segundafeira. Em 16/05/2016 (segundafeira) foram opostos os embargos de declaração de fls. 2341/2345 (despacho de encaminhamento à fl. 2346). Os embargos são, pois, tempestivos, à luz do prazo de 5 dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Constato, ainda, que a embargante apontou omissões e contradições que pretende ver sanadas. Conheço, pois, dos embargos e passo a apreciálos. No entender da embargante, seis seriam os vícios do aresto combatido, três omissões e três contradições, todos relacionados à decisão de afastar parcialmente as exigências da infração 002, especificamente acerca da matéria inobservância do regime de competência. Considero relevante, para a análise dos pontos embargados, verificar os termos em que se deu a decisão do Colegiado sobre essa matéria (fls. 2332/2335, grifos não constam do original): [...] a própria interessada admite que procedeu à contabilização de encargos incidentes sobre seus débitos tributários fora do regime de competência, conforme fls. 2297/2298 do recurso voluntário, trecho anteriormente transcrito no relatório que antecede a este voto. O litígio reside, então, nos efeitos tributários que devem ser atribuídos a essa inobservância do regime de competência. A Autoridade Lançadora se escora no art. 344 do RIR/99, que estabelece o regime de competência para a dedutibilidade de tributos e contribuições. A Autoridade Julgadora em primeira instância lembra os princípios contábeis aplicáveis e, no que toca ao art. 273 do RIR/99, sustenta haver ocorrido a redução do lucro real do período, com o que mantém o lançamento. Por outro lado, a recorrente insiste em que o mesmo art. 273 do RIR/99 lhe seria favorável, posto que nenhum prejuízo teria sido trazido ao Erário. Para clareza, eis o teor do discutido art. 273 do RIR/99: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.366 9 II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §2º do art. 247(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §6º). §2º O disposto no parágrafo anterior e no §2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). A base legal para o dispositivo acima transcrito se encontra no vetusto DecretoLei nº 1.598/1977, complementado pelo quase tão antigo DecretoLei nº 1.967/1982. Observese que o caput do artigo deixa claro que se cuida do “lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa”. Nada fala sobre a redução de prejuízo fiscal, sem a exigência de imposto e consectários legais. À época em que promulgados tais dispositivos, vigorava a redação original2 do art. 9º do Decreto nº 70.235/1971, e muito se discutia acerca de qual seria o instrumento adequado para promover, de ofício, a redução de prejuízo fiscal apurado pelo contribuinte. Essa situação somente veio a ser pacificada com o advento da Medida Provisória nº 367/1993, que deu nova redação3 ao referido art. 9º. De lá para cá, outras modificações legislativas alteraram o art. 9º, mas sempre deixando claro que o auto de infração é o instrumento para a redução de prejuízos fiscais. Retomando a discussão acerca do art. 273 do RIR/99, tenho por certo que sua redação tinha por objetivo orientar o fisco quanto à forma correta de constituir créditos tributários, na constatação da inobservância do regime de competência. O que se buscava (e se busca até hoje) é exigir do contribuinte o exato valor devido, nem mais, nem menos. O inciso I se refere à situação comumente encontrada quando se antecipa uma despesa ou se posterga uma receita. O efeito tributário é que, no primeiro ano, o contribuinte paga menos imposto. No entanto, no segundo ano (i. e., no correto período de competência da despesa antecipada ou naquele em que reconhecida a receita postergada), o contribuinte paga mais imposto. A exigência, então, deve ser pelo valor líquido. O inciso II se refere à situação em que o Fisco efetua o lançamento antes do correto período de competência da despesa antecipada ou antes do reconhecimento da receita postergada. Não há, nessa hipótese, efeito líquido a ser considerado, mas tão somente a redução do lucro real naquele período em que constatada a inobservância do regime de competência. 2 Decreto nº 70.235/1972: Art. 9º A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. (redação original) 3 Decreto nº 70.235/1972: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada tributo, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 367, de 1993) Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.367 10 O lançamento é, então, pelo valor integral do imposto indevidamente pago a menor. Tal é, a meu ver, a inteligência da norma: buscar o valor do tributo efetivamente devido. A maior prova disso é que não resulta lançamento (como regra) quando a inobservância do regime de competência é pela antecipação de receita, ou postergação de despesa. Nesses casos (salvo raras exceções, a serem comprovadas caso a caso), o contribuinte antecipa o pagamento de imposto que seria devido em período posterior, descabendo cogitar de lançamento tributário. Considero que o mesmo raciocínio pode e deve ser aplicado na situação sob análise, de redução de prejuízos fiscais. O contribuinte faz acostar aos autos cópia de seu Livro de Apuração do Lucro Real. De especial interesse, às fls. 599/560, a transcrição de sucessivos prejuízos fiscais apurados nos anos calendário 2000 a 2007. Em que pese causar espécie o fato de uma empresa deficitária em tantos anos consecutivos ainda continuar em operação, isso em nada afeta a discussão que aqui se trava. No caso concreto, a inobservância do regime de competência em litígio consiste na apropriação a posteriori de encargos de juros sobre financiamento de débitos tributários. Em outras palavras, postergação de despesas. A primeira constatação a ser feita é de que, caso o contribuinte houvesse apurado lucros sucessivos, esta discussão provavelmente não estaria ocorrendo. Conforme anteriormente visto, no caso de lucro real positivo em todos os anos, a postergação de despesa não consiste em fundamento para a exigência de tributo, visto que o contribuinte teria pago imposto a maior no ano em que deixou de apropriar a despesa, e, por consequência, teria pago imposto a menor no ano em que a apropriou. Inexistiria, assim, valor líquido a lançar. A segunda constatação é de que, caso o contribuinte houvesse apropriado a despesa em período anterior (o período correto, segundo o regime de competência), o efeito seria um prejuízo fiscal maior naquele período. No período sob exame, ao não computar a despesa (já computada anteriormente), seu prejuízo fiscal seria reduzido. No entanto, a soma dos dois prejuízos fiscais seria exatamente a mesma que temos na situação real. E, desde que não há limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, o contribuinte não se beneficiou de qualquer forma, nem causou prejuízo algum ao Fisco. O efeito tributário é nulo. Com essas considerações, concluo que, na situação sob análise, a inobservância do regime de competência não pode fundamentar o lançamento para redução de prejuízos fiscais. Faço questão de ressaltar quatro pontos: (i) a inexistência de litígio quanto ao valor da despesa glosada. [...] (iv) Mesmo diante de todas as considerações anteriores, entendo que seria possível cogitar do lançamento, caso ficasse demonstrado que o procedimento da contribuinte, ao contabilizar em 2007 despesas de anos anteriores, tivesse por finalidade registrar despesas de períodos já decaídos, para os quais não mais fosse possível a retificação de sua declaração de rendimentos. Mas não foi essa a linha do lançamento, descabendo também qualquer consideração nesse sentido. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.368 11 Em conclusão, quanto a este item, voto pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a glosa de R$ 11.316.255,08 no anocalendário 2007, correspondente a Encargos sobre REFIS. Isto posto, passo a me pronunciar sobre os alegados vícios: (i) Omissão, por não se pronunciar acerca do fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para negar provimento à impugnação, quanto a esta matéria. O julgador de primeira instância se estribou no inciso II do art. 273 do RIR/99. O aresto embargado analisou expressamente esse inciso e firmou o entendimento de que somente seria aplicável na situação em que o Fisco efetua o lançamento antes do correto período de competência da despesa antecipada ou antes do reconhecimento da receita postergada, o que não é o caso dos autos. Inexiste, pois, a alegada omissão. (ii) Omissão, por não se pronunciar especificamente sobre a aplicabilidade ao caso do art. 273, inciso II, do RIR/99. A mesma resposta do item acima. (iii) Omissão, por não se pronunciar sobre “os reflexos na compensação de prejuízos fiscais indevidamente majorados pela apresentação intempestiva de despesas alheias ao período de apuração correspondente, em desacordo com a regra de competência, tendo por base a premissa de que embora não haja limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, há limitação temporal para a contabilização e declaração das despesas”. (iv) Contradição, por afirmar que “o efeito tributário é nulo”, mesmo tendo também afirmado que “não há limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais”. (v) Contradição, por “sustentar a ausência de prejuízo à União (Fazenda Nacional) mesmo diante da possibilidade de compensação de prejuízos fiscais majorados com a contabilização indevida de despesas para o período”. (vi) Contradição “na confusão entre o prejuízo fiscal reconhecido e as despesas contabilizadas, pois embora não haja limitação temporal para a compensação de prejuízos fiscais, há, evidentemente, limitação temporal para a contabilização e declaração das despesas”. A leitura do excerto anteriormente transcrito já demonstra inexistentes as alegadas omissão (iii) e contradições (iv, v e vi). No entanto, é bem possível que tenha escapado à embargante a perfeita compreensão e alcance do quanto decidido pelo Colegiado. Assim sendo, penso que esses pontos devem ser acolhidos como obscuridades a esclarecer, o que passo a fazer. A situação concreta dos autos é de despesas apropriadas contabilmente após o período em que incorridas ou, em outras palavras, postergação de despesas. A análise dos Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.369 12 efeitos fiscais foi feita no excerto anteriormente transcrito, com ênfase no parágrafo que trata da “segunda constatação”. Considerese a seguinte situação: a competência da despesa é no ano 1. O contribuinte, em descumprimento ao regime de competência, faz seu registro contábil no ano 2. Com isso, o prejuízo contábil (e também fiscal) será menor no ano 1 e maior no ano 2. A soma dos prejuízos alcançará o mesmo total. Ao ser apurado um hipotético lucro real positivo no ano 3, a compensação de prejuízos anteriores não estará limitada no tempo (tanto faz se o prejuízo fiscal foi apurado no ano 1 ou 2) e estará igualmente limitada quanto ao montante (30% do lucro líquido ajustado do ano 3). É nesse sentido que se afirmou que o efeito tributário, no caso concreto, é nulo. Supõese que a limitação temporal para a contabilização de despesas a que se refere a embargante seja o próprio regime de competência. Mas sua inobservância (que é matéria incontroversa nos autos) possui regras específicas para que daí possa resultar lançamento tributário, regras essas que o Colegiado entendeu que não foram desrespeitadas, no caso concreto. Observese que não há discussão sobre a existência e dedutibilidade das despesas, mas tão somente sobre os efeitos tributários de sua apropriação a posteriori, em descumprimento do regime de competência. Quanto à limitação temporal para a declaração de despesas, o voto condutor ressaltou que “seria possível cogitar do lançamento, caso ficasse demonstrado que o procedimento da contribuinte, ao contabilizar em 2007 despesas de anos anteriores, tivesse por finalidade registrar despesas de períodos já decaídos, para os quais não mais fosse possível a retificação de sua declaração de rendimentos. Mas não foi essa a linha do lançamento ...”. Diante do exposto, voto por conhecer e rejeitar as alegadas omissões (i) e (ii) e, quanto aos pontos (iii) a (vi), acolhêlos como obscuridades, que tenho por esclarecidas. Conclusão Por todo o exposto, em conclusão, voto por (a) rejeitar os embargos da Contribuinte Auto Viação Camurujipe Ltda.; (b) rejeitar os embargos da Fazenda Nacional quanto às alegadas omissões (i) e (ii); e (c) acolher os pontos (iii) a (vi) dos embargos da Fazenda Nacional como obscuridades para esclarecêlas, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10530.726805/201111 Acórdão n.º 1301002.176 S1C3T1 Fl. 2.370 13 Fl. 2370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000124/2004-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DECADÊNCIA ARTIGO 62A DO RICARF.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que o lançamento relativo ao ano-calendário 2000, cientificado em 15/03/2006, não está atingido pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda
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O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que o lançamento relativo ao anocalendário 2000, cientificado em 15/03/2006, não está atingido pela decadência. Recurso especial negado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 841/ss), interposto pela r. pelo Sujeito Passivo, em face do acórdão nº 10421.533. (fls. 702/ss) da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido em 26/04/2006, que, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência relativamente ao exercício de 1999 e rejeitou as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 237.297,94 e desqualificar a multa de oficio, reduzindoa a 75%. O sujeito passivo teve contra si lavrado auto de infração, sendo exigido o credito tributário no montante de R$ 3.112.636,00, nele compreendidos imposto, multa de oficio e juros de mora, relativo aos anoscalendários 1998 e 1999, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Em abril de 2005, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Santa Maria considerou procedente o lançamento, conforme o teor do Acórdão nº 3852: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: NULIDADE. São somente duas as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal: a incompetência do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11041.000124/200467 Acórdão n.º 920202.302 CSRFT2 Fl. 2 3 agente e o cerceamento do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: DECADÊNCIA. Na modalidade de lançamento por homologação, configurado o evidente intuito de fraude, aplicar seá a regra geral de decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCARIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas A CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe apreciação na esfera administrativa da argüição de inconstitucionalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio no percentual de 150% quando comprovado o dolo. Lançamento Procedente Interposto Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou as alegações apresentadas na primeira instância. Em abril de 2006, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte a4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao exercício de 1999 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 237.297,94 e desqualificar a multa de oficio, reduzindoa a 75%. DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. PRELIMINAR DE NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não implica em nulidade a falta de exame, pelo julgador de primeira instância, de argumentos que não influenciariam na solução do litígio. PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL INDEFERIMENTO PELA Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA DESCABIMENTO Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento desse direito quando concedida, na fase de impugnação, a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. INFORMAÇÕES DE AÇÕES FISCAIS DE OUTROS CONTRIBUINTES SIGILO FISCAL Informações de procedimentos fiscais de outros contribuintes, que não guardam nenhuma relação com a ação fiscal em tela, não podem ser divulgadas, sob pena de violação de sigilo fiscal. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo legislativo gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11041.000124/200467 Acórdão n.º 920202.302 CSRFT2 Fl. 3 5 jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergentes de dados levantados pela fiscalização, ou a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis, ocasionando o retardamento do pagamento do imposto, independentemente da habitualidade e do montante utilizado, caracterizam falta simples de omissão de rendimentos, e não o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. TRIBUTO NÃO RECOLHIDO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA EXIGIDA JUNTAMENTE COM O TRIBUTO A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto sujeita o contribuinte aos encargos legais correspondentes, sendo aplicável a penalidade prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Preliminar de decadência acolhida. Preliminares de nulidade rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 841883) com o fundamento no art. com fundamento no artigo 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e RICC, ambos aprovados pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. A insatisfação do contribuinte cingese em torno de três vertentes: a) tributação como omissão de rendimentos de atividade rural, e não como depósitos bancários de origem não identificada; b) decadência; c) nulidade da decisão de primeira instância e do acórdão recorrido, por cerceamento de direito de defesa. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 No que se refere ao primeiro item, o recorrente apresenta o Acórdão CSRF/0400.487 como paradigma: "ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos COm base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente et atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n.° 8.023/90, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Recurso especial provido Quanto à decadência, o contribuinte indicou como paradigma o Acórdão 106 15.816: "(..) MOMENTO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO Excetuadas as hipóteses expressamente definidas em lei como de fato gerador anual, a regra de tributação dos rendimentos percebidos pelas pessoas fisicas é no momento da percepção do rendimento. De acordo com o sç 4° do art. 42 da Lei n° 9.430, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos em instituições financeiras sem comprovação da origem, o imposto incide no mês e tem por base a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA Após o advento do Decreto — lei II° 1.968/1982 (art. 7 °), que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento do imposto sobre a renda das pessoas físicas passou a ser do tipo estatuído no artigo 150 do CTN. Nos termos do art. 43 do C77V o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Fixada pela norma legal a tributação mensal, o termo de inicio para contagem do prazo de cinco anos para o lançamento é a ocorrência do fato gerador, ou seja, o mês em que o imposto incide.. Finalmente, em relação à matéria abordada no item "c" nulidade da decisão de primeira instância e do acórdão recorrido, por cerceamento de direito de defesa — foi apontado como paradigma o Acórdão 10513.116: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS A falta de apreciação de argumentos apresentados na impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, ensejando a nulidade da decisão. Em Despacho exarado às fls. 885 e ss, o Presidente da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao fazer o cotejamento dos acórdãos paradigmas com o recorrido, resolveu dar parcial seguimento ao Recurso Especial, interposto pelo sujeito passivo, para que seja reapreciada apenas a matéria relativa ao item "b" — termo inicial do prazo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11041.000124/200467 Acórdão n.º 920202.302 CSRFT2 Fl. 4 7 decadencial, no caso de autuação com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996 (se deve ser considerada a data dos depósitos, mês a mês, ou 31 de dezembro do anocalendário). Intimada, a Procuradoria da Fazenda apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial do contribuinte alegando que, ao contrário do que sustentado pelo recorrente, o termo inicial do prazo decadencial para a constituição do credito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, nos casos de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, é 31 de dezembro de cada anocalendário. Portanto, não há como admitir a "decadência mensal" nos casos de tributação com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso é tempestivo e restou demonstrada a divergência, pressupostos para admissibilidade do recurso, passo para o exame da matéria trazida para julgamento. Pois bem, como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, contandose, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários. Tal raciocínio aplicase ao caso em comento, da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os quais estão sujeitos à tributação apenas na declaração de ajuste anual. Inteligência dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo. DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto em NEGO PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 11634.720183/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. GLOSA DE DESPESAS. ARBITRAMENTO. NÃO SE APLICA.
Correta a autuação no regime do lucro real pelo qual o contribuinte optou, para apuração dos impostos e contribuições não declarados nem pagos, resultantes da regular revisão da apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e das receitas tributáveis, resultantes de omissão de receitas identificadas por presunção legal e de glosa de despesas não comprovadas.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
GLOSA DE DESPESAS BANCÁRIAS NÃO COMPROVADAS.
Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa das despesas bancárias não comprovadas.
PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS.
A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas, porquanto evidencia a utilização de recursos mantidos à margem da escrituração.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em legislação editada após aquela data.
ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA.
É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante pelo regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais apuradas sobre a receita bruta e acréscimos.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade ou legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE.
Improcede se os motivos alegados não se enquadram nas hipóteses de previsão de nulidade de autos de infração do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, assim como os autos de infração preenchem os requisitos do art. 10 do mesmo decreto.
RECURSO DE OFÍCIO. DRJ. LIMITE.
Tendo sido editada a Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que passou a ser no valor de R$2.500.000,00, e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017, cabe não conhecer do recurso de ofício da DRJ.
Numero da decisão: 1201-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por força do novo limite de alçada e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa, vencido o Conselheiro Luis Henrique, que lhe dava parcial provimento, em maior extensão, para afastar a aplicação concomitante das multas isoladas.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
EDITADO EM: 21/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. GLOSA DE DESPESAS. ARBITRAMENTO. NÃO SE APLICA. Correta a autuação no regime do lucro real pelo qual o contribuinte optou, para apuração dos impostos e contribuições não declarados nem pagos, resultantes da regular revisão da apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e das receitas tributáveis, resultantes de omissão de receitas identificadas por presunção legal e de glosa de despesas não comprovadas. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. GLOSA DE DESPESAS BANCÁRIAS NÃO COMPROVADAS. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa das despesas bancárias não comprovadas. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas, porquanto evidencia a utilização de recursos mantidos à margem da escrituração. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em legislação editada após aquela data. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante pelo regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais apuradas sobre a receita bruta e acréscimos. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade ou legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE. Improcede se os motivos alegados não se enquadram nas hipóteses de previsão de nulidade de autos de infração do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, assim como os autos de infração preenchem os requisitos do art. 10 do mesmo decreto. RECURSO DE OFÍCIO. DRJ. LIMITE. Tendo sido editada a Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que passou a ser no valor de R$2.500.000,00, e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017, cabe não conhecer do recurso de ofício da DRJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720183/201376 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.577 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria Omissão de receitas/Despesas não Comprovadas/Multa Isolada Recorrente ROTA INDÚSTRIA LTDA CNPJ 76.245.968/000140 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. GLOSA DE DESPESAS. ARBITRAMENTO. NÃO SE APLICA. Correta a autuação no regime do lucro real pelo qual o contribuinte optou, para apuração dos impostos e contribuições não declarados nem pagos, resultantes da regular revisão da apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e das receitas tributáveis, resultantes de omissão de receitas identificadas por presunção legal e de glosa de despesas não comprovadas. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. GLOSA DE DESPESAS BANCÁRIAS NÃO COMPROVADAS. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa das despesas bancárias não comprovadas. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas, porquanto evidencia a utilização de recursos mantidos à margem da escrituração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 83 /2 01 3- 76 Fl. 16759DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 3 2 SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em legislação editada após aquela data. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante pelo regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais apuradas sobre a receita bruta e acréscimos. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade ou legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. Improcede se os motivos alegados não se enquadram nas hipóteses de previsão de nulidade de autos de infração do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, assim como os autos de infração preenchem os requisitos do art. 10 do mesmo decreto. RECURSO DE OFÍCIO. DRJ. LIMITE. Tendo sido editada a Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que passou a ser no valor de R$2.500.000,00, e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017, cabe não conhecer do recurso de ofício da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por força do novo limite de alçada e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa, vencido o Fl. 16760DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luis Henrique, que lhe dava parcial provimento, em maior extensão, para afastar a aplicação concomitante das multas isoladas. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. EDITADO EM: 21/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 14.214/14.354, relativos aos período de apuração anoscalendário 2008 e 2009, que exigem: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$14.431.085,82, relativo às seguintes infrações: 0001 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Passivo Fictício, com fatos geradores em 31/12/2008 e 31/12/2009, apenados com multa de ofício de 75%; 0002 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, com fatos geradores em 31/12/2008 e 31/12/2009, apenados com multa de 75% e 150%; 0003 Custos, Despesas Operacionais e Encargos, Despesas Não Comprovadas, fatos geradores em 31/12/2008 e 31/12/2009, apenados com multa de ofício de 75%; 004 Multa Isolada, Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada, no valor de R$5.167.353,46, fatos geradores mensais de 01 a 12/2008 e 01 a 07, 09, 11 e 12/2009, com base legal no art. 44, II, b da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$5.213.496,72, reflexo da mesma infração e Multa Isolada no valor de R$1.872.494,82; Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, R$4.639.418,31, regime nãocumulativo, reflexo da infração omissão de receitas; Contribuição para o PIS, R$1.007.242,13, reflexo da mesma infração. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de verificação e Encerramento de Ação Fiscal, págs. 14.181/14.213. 2. Cientificado em 27/03/2013, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva de págs. 16.529/16.530. 3. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR DRJ/PR, proferiu o Acórdão nº 0645.580, em 14 de março de 2014, págs. 16.534/16.570, nos seguintes termos: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo R$ 14.330.915,94 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, R$ 5.180.321,09 de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Fl. 16761DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 5 4 CSLL, R$ 1.006.440,76 de Programa de Integração Social – PIS e R$ 4.635.727,21 de Financiamento da Seguridade Social – Cofins, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 75% e 150%, dos acréscimos legais e da multas de ofício isoladas de R$ 4.516.486,86 de IRPJ e R$ 1.643.585,40 de CSLL. 4. A DRJ/PR apresentou Recurso de Ofício ao CARF. 5. O contribuinte cientificado em 28/03/2014 (sexta feira), pág. 16.581, apresentou Recurso Voluntário ao CARF, págs. 16.583/16.620 (relativo ao Auto de Infração do PIS, tempestivo conforme pág. 16.757), págs. 16.623/16.666 (relativo ao Auto de Infração IRPJ), págs. 16.629/16.708 (relativo ao Auto de Infração CSLL) e págs. 16.712/16.748 (Auto de Infração de Cofins), tempestivos, em 25/04/2014. Síntese dos Recursos Voluntários. 6. Pleiteia nulidade da autuação, alegando "inviolabilidade do sigilo bancário", invocando posicionamento do plenário do Supremo Tribunal Federal STF, no RE 389.808 PR; que com base no art. 5º, X e XII da Constituição Federal de 1988 CF de 1988, reservou se o direito de não apresentar extratos e documentos bancários, porém a autoridade lançadora, mesmo desprovida de qualquer decisão judicial e em violação ao sigilo de dados, requisitou as informações diretamente às instituições bancárias; afirma tratarse de prova ilícita, à luz do art. 5º da CF de 1988 c/c o art. 332 do CPC, destituída de validade jurídica. 7. Discorda da tese da Fazenda nacional de que a transferência de informações da instituição financeira ao fisco não seria quebra, mas mera transferência de sigilo do banco para o fisco e afirma que se trata de divulgação dos dados a terceiro e tendo sido o procedimento fiscal somente possível em razão dessa transgressão, cabe a sua nulidade, pois baseado em prova obtida ilicitamente. 8. Também invoca a Súmula 182 do extinto TFR e expõe argumentos no sentido de que depósito bancário não significa receita omitida e cita exemplos. 9. Aponta incorreções na apuração dos valores a tributar nos itens 3.1 e 3.2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal TVF em decorrência de que acabaram sendo considerados valores omitidos, lançamentos que não possuíam qualquer base tributável: assim, conforme o doc. 2 em anexo, inúmeros créditos oriundos de contas correntes de mesma titularidade; doc. 3 e doc. 4, créditos oriundos de empréstimos bancários. 10. Da mesma forma, aponta incorreções na apuração descrita no item 3.3 do TVF, glosa de despesas bancárias por falta de ocumentos comprobatórios; contudo o doc. 5 é constituído de documentos que demonstram e comprovam. 11. Também reclama de incorreções no item 3.4 do TVF, relativa a manutenção de passivos sem comprovação, anexa o doc. 6 que demonstra e comprova que a contabilização das obrigações está correta. 12. Requer a nulidade dos lançamentos, e a irregular apuração do PIS e da Cofins, pois deveria ter sido arbitrado o lucro e estes exigidos no regime cumulativo. Explica que caberia o arbitramento do lucro dado o volume de lançamentos contábeis de créditos em conta corrente bancária anulados e de fatos tributáveis apontados como não contabilizados, a teor do art. 47 da Fl. 16762DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 6 5 Lei nº 8.981, de 1995. E uma vez sendo obrigatório para o presente caso, o arbitramento do lucro, impõese, como consequência, o regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins. 13. Pleiteia a nulidade do lançamento de multa isolada, aplicada simultaneamente com multa de ofício. Argumenta que o recolhimento das estimativas do IRPJ e CSLL, tratase de antecipação, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, as estimativas passam a ser absorvidas pelo IRPJ e CSLL devidos em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental; assim, a impossibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de oficio pelo não recolhimento do IRPJ e CSLL, apurados com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de dever instrumental {recolhimento por estimativa) apenas quando, em verdade, esse dever instrumental se converteu em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador dos tributos IRPJ e CSLL. Cita jurisprudência do CARF nesse sentido. 14. Advoga a impossibilidade de qualificação da multa, em lançamento fiscal por presunção, cita jurisprudência e a Súmula nº 25 do CARF e destaca que não há provas de que houve evidente intuito de fraude a fim de reduzir ou suprimir o tributos federal. Também acusa de confiscatório o percentual de 150% da multa qualificada. Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los 1 Preliminares de Nulidade. 15. Argui a nulidade dos autos: a) pois baseados em prova ilícita obtida a partir de dados de movimentação bancária obtidos sem a devida autorização judicial; e invoca a Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos TFR; b) porque deveria ter sido feita a apuração do IRPJ e CSLL no regime de arbitramento do lucro e no regime cumulativo a do PIS e da Cofins; c) nulidade da autuação de multa isolada cumulada com multa de ofício. 16. Reiterando o Acórdão DRJ/CTA, as alegações supra não se enquadram nas hipóteses de previsão de nulidade de autos de infração do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, assim como os autos de infração preenchem os requisitos do art. 10 do mesmo decreto. 17. Evidenciase que o pleito de nulidade das autuações é improcedente. 1.1 EXTRATOS BANCÁRIOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. SÚMULA Nº 182 TFR. 18. O contribuinte foi regularmente intimado e reintimado e alertado, desde o Termo de Início de Ação Fiscal a apresentar os extratos de suas contas junto a instituições financeiras, porém recusouse a entregálas à fiscalização; citese, pág. 441: 1.1 O contribuinte foi reiteradamente intimado, por meio dos Termos de Início de Ação Fiscal de 15/abril/2011 e de Intimação Fiscal lavrados em 07/junho/2011 e 27/junho/2011, a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas Fl. 16763DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 7 6 pelo mesmo (matriz e filiais) junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior referentes ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. 1.2 Após os pedidos de prorrogação de prazo efetuados em 02/maio/2011 por mais 30 (trinta) dias e em 07/j unho/2011 por mais 10 (dez) dias para apresentação dos citados extratos bancários, em 04/julho/2011 o contribuinte, por intermédio de seu procurador, manifestase no documento, parcialmente transcrito, a seguir: "... informar que, com base no artigo 5°, incisos X e XII, da Constituição Federal, que tutela dentre os direitos e garantias individuais a inviolabilidade do sigilo de dados dos cidadãos, reservase ao direito de não apresentar os documentos retro citados, em proteção ao seu sigilo financeiro." 19. A fiscalização, autorizada pelo art 6o da Lei Complementar n°.105, de 10 de Janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, requereu diretamente às instituições financeiras, por meio da Requisição de Informações Financeiras, por ser a RMF indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4o, § 6o, do Decreto nº 3.724, de 2001, já devidamente comentados no Acórdão DRJ/CTA. 20. Também cabe referenciarse ao Acórdão DRJ/CTA, de que o RE 389.808PR, proferido no Supremo Tribunal Federal STF, ação da qual a interessada não é parte, não a beneficia pois não possui efeito erga omnes, dado que proferido no controle difuso da constitucionalidade e não obriga a RFB a cumprílo, exceto no que tange à parte desta ação. 21. É interessante ainda citar artigo da Dra. Flávia Coelho, da Procuradora da Fazenda Nacional (CoordenaçãoGeral da Representação Judicial da Fazenda Nacional), sobre alteração jurisprudencial, tendo em vista já existir maioria de votos dos Ministros do STF favoráveis à constitucionalidade do acesso, pelo fisco, a dados sobre movimentação financeira, na forma da EC nº 105, de 2001, a partir da sessão plenária do dia 18/02/2016, referente a Recurso Extraordinário (RE) 601.314/SP com repercussão geral reconhecida (Tema 225) e de quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 2390; 2386; 2397 e 2859) quanto à constitucionalidade da transferência de dados bancários para a Administração Tributária, nos moldes previstos LC nº 105/2001: Importante alteração da orientação jurisprudencial do STF sobre a transferência de dados bancários ao fisco. O julgamento, pelo STF, do RE 601.314/SP e das ADIS 2390; 2386; 2397 e 2859 e o novo entendimento da Corte Suprema, que mantém o acesso, pelo fisco, aos dados relativos às operações financeiras dos contribuintes, na forma da LC 105/2001, sem necessidade de prévia autorização judicial. (...) Por fim, impende destacar que também está prevalecendo o entendimento pela possibilidade de aplicação retroativa da lei, na medida em que seria uma medida instrumental relacionada ao lançamento e que não proporcionaria aumento ou diminuição de tributo. Fl. 16764DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 8 7 Evidenciase portanto, que não houve qualquer ilegalidade na obtenção dos extratos bancários da contribuinte que respaldaram a autuação de omissão de receitas com base em créditos/depósitos recebidos, cuja origem a interessada não comprovou como rendimentos isentos, não tributados ou outra justificativa. 1.1.1 Súmula nº do 182, do TFR. 22. A respeito da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, citada pelo litigante, referese a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 1.2 ARBITRAMENTO. 23. A Recorrente argumenta que caberia o arbitramento do lucro dado o volume de lançamentos contábeis de créditos em conta corrente bancária anulados e de fatos tributáveis apontados como não contabilizados, a teor do art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995. E uma vez sendo obrigatório para o presente caso, o arbitramento do lucro, impõese, como consequência, o regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins 24. Verificase das Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ entregues pela interessada, págs. 7.059/7.158, que optou pelo regime de apuração de Lucro Real Anual, com estimativas mensais com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. 25. A autuação identificou Omissão de Receitas: 32,04% em 2008 e 37,96% em 2009: DIPJ AI Receita de Venda de Produtos de Fa bricação Própria, no Mercado Interno Omissão de Receitas depósitos bancários NÃO escrit, sem origem escl Omissão de Receitas depósitos bancários sem origem escl, escriturados e estornados Omiss rec Passivo Fictício Total (Decl + Omitida) 2008 65.411.141,44 12.569.959,09 16.233.716,83 2.045.188,01 96.260.005,37 67,95% 13,06% 16,86% 2,12% 100,00% 2009 59.406.839,79 16.233.716,83 17.114.397,13 3.003.651,84 95.758.605,59 62,04% 16,95% 17,87% 3,14% 100,00 26. Quanto às despesas glosadas, verificase que representaram 0,11 e 0,77% do total: DIPJ (*), (**) AI Custos +desp Desp glosadas Total 2008 52.329.685,35 58.930,13 52.270.755,22 100,00% 0,11% 99,89% 2009 50.622.415,51 388.695,92 50.233.719,59 Fl. 16765DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 9 8 100,00% 0,77% 99,23% 2008 (*) Ficha 04A, linha 44.TOTAL de CUSTOS DAS ATIVIDADES EM GERAL + Ficha 05A, linha 33.TOTAL DAS DESPESAS OPERACIONAIS DAS ATIVIDADES EM GERAL+ Ficha 06A, linha 40. Outras despesas financeiras + Ficha 06A, linha 56. Outras despesas não operacionais 2009 (**) Ficha 04A, linha 48.TOTAL de CUSTOS DAS ATIVIDADES EM GERAL + Ficha 05A, linha 33.TOTAL DAS DESPESAS OPERACIONAIS DAS ATIVIDADES EM GERAL+ Ficha 06A, linha 43. Outras despesas financeiras + Ficha 06A, linha 60. Outras despesas não operacionais 27. Verificase que as infrações foram perfeitamente delimitadas, identificadas quantificadas, não justificando o arbitramento, que se aplica, conforme o Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) nos casos de: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 28. Como se vê, no presente caso, a autuação respeitou a opção pelo lucro real do contribuinte, as receitas e despesas contabilizadas e declaradas; As presunções legais de omissão de receitas obedeceram à legislação e as despesas glosadas representaram proporção ínfima. 29. Descabe o pleito para que o lançamento seja desconsiderado ao argumento de que no caso, seria obrigatório o arbitramento do lucro, dado que as hipóteses para tanto não se aplicam. Fl. 16766DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 10 9 1.3 MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. 30. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse multa de ofício de 75% e de 150% do art. 44, I e do seu § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e multa isolada do art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 31. A redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 originalmente foi: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) (Grifouse.) 32. Posteriormente, a multa isolada que era de 75%, conforme a redação do art. 44 que se transcreveu, foi reduzida a 50%, pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que é a capitulação legal na presente autuação. 33. Portanto, as multas aplicadas, obedecerem à legislação vigente. 34. As multas exigidas, juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta: a multa exigida Fl. 16767DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 11 10 isoladamente decorre da falta de recolhimento das estimativas mensais devidas ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do períodobase. Por sua vez a multa de ofício é exigida sobre o valor do IRPJ ou CSLL anual que deixou de ser recolhido. Tanto são independentes as penalidades que pode haver a imposição de uma sem que haja o nascimento da outra, por exemplo, quando a contribuinte deixa de recolher as estimativas mas tenha apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, conforme a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 35. Por final, o entendimento acima exposto também tem chancela do Conselho de Contribuintes, como demonstra a ementa a seguir transcrita: Data da Sessão: 09/07/2013 Nº Acórdão : 1101000.911 Decisão: (...); 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada concomitante com a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Nara Cristina Takeda Taga e Benedicto Celso Benício Junior, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 (...) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. (...). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. (...) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para Fl. 16768DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 12 11 exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. (...) 36. Em 12/2014, foi editada: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 37. Posteriormente à edição da Súmula nº 105, foi proferido o seguinte Acórdão CARF, do qual se transcrevem ementa e parte do voto vencedor: Data da Sessão: 03/03/2015 Nº Acórdão : 1301001.787 Data da publicação: 11/05/2015 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO no que diz respeito à tributação do ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator) e Valmir Sandri. E, pelo voto de qualidade, mantida a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães relativo ao ganho de capital e à multa isolada. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: (...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei Fl. 16769DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 13 12 prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. CONFISCO E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADES. SÚMULA CARF N. 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (...) 38. Voto Vencedor: “No que diz respeito à MULTA ISOLADA, merece registro, em primeiro lugar, o tato de inexistir na tei instituidora da sanção a condição explicitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, isto é, a lei, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, iiac fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a penalidade nao poderia ser aplicada. Destaco que a norma impositiva estabelece de forma expressa que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a sanção *aa ária deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hir.ese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado (ou ter efetuado com insuficiência) o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigese no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado no pronunciamento do Ilustre Conselheiro Relator decorre de exercício de interpretação da norma sancionadora que, na visão do Colegiado, não pode ser recepcionado, sob pena de violação ao disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional Filiouse também a Turma Julgadora ao entendimento de que inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição sobre o ganho de capital auferido; e b) falia de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). O entendimento é de que a norma legal aplicada, art. 44 da Lei n°. 9.430/96, revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher o imposto e a contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. O tato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiencia de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Cabe registrar que a multa isolada em questão teve por fundamento o art. 44, II, b, da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.488. de 2007. de modo que, aqui, não é aplicável a súmula CARF n° 105, recentemente publicada e que abaixo reproduzo: Súmula CARF Nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º. inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de oficio por falta de pagamento de IRPJ e CSLL Fl. 16770DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 14 13 apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de oficio. (GRIFEI) Notese que o enunciado trata especificamente da multa isolada lançada com fundamento no art 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, isto é, na redação original do dispositivo legal, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei n0 11.488, de 2007.” (Grifouse.) 39. Fica evidente, portanto, que a legislação da multa isolada da presente capitulação legal não é a que é objeto da Súmula CARF nº 105. 40. Evidente, pois, que o autuante agiu legitimamente ao aplicar a multa determinada na legislação, devendo ser mantido o lançamento, salvo eventuais reduções resultantes da análise do mérito, a seguir. 2 Mérito. 2.1 INCORREÇÕES NO TVF, ITENS 3.1, 3.2, 3.3 E 3.4 41. Constam do TVF: 3.1 OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES CREDITADOS/DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS MANTIDAS JUNTO AO HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO, AO BANCO DO BRASIL S/A E AO BANCO ITAÚ S/A, CONTAS ESTAS COM MOVIMENTAÇÃO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO, pág. 14.196; 3.2 OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES CREDITADOS/DEPOSITADOS EM CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS MANTIDAS EM VÁRIAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, pág. 14.200; 3.3 GLOSA DE DESPESAS BANCARIAS APROPRIADAS POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS, pág. 14.205; 3.4 OMISSÃO DE RECEITA PELA MANUTENÇÃO DE EXIGIBILIDADES SEM COMPROVAÇÃO, pág. 14.204. 42. O doc 02 (págs. 14.393/14.395 se refere a Empréstimos e Transferências de mesma titularidade; o doc 03, págs. 14.396/15.490, se refere a Empréstimos tomados e operações Compror; o doc 04, págs. 15.491/15.495, se refere Depósitos Créditos Sem Comprovação; o doc 05, págs. 15.496/15.880, Despesas Bancárias; doc 06, págs. 15.881/16.394, lista Adiantamentos de Clientes. 43. Os citados documentos foram apresentados pela Recorrente por ocasião da impugnação aos autos de infração. 44. Às págs. 16.489/16.490, a DRJ/CTA determinou diligência: Fl. 16771DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 15 14 Em sua impugnação, a interessada, dentre outras alegações, argui que: . na relação de créditos bancários de origem não comprovada, tanto de contas bancárias supostamente mantidas à margem da escrituração (fls. 1406114132). como de contas bancárias escrituradas (fls. 1416314172). conforme descrito nos subitens 3.1 e 3.2 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 1418114213). estão computados inúmeros valores transferidos de contas correntes de mesma titularidade (does. 02 e 04. às fls. 1439314395 e 1549115495) e créditos oriundos de empréstimos bancários (does. 03 e 04. às fls. 1439615490 e 1549115495); . que a glosa de despesas bancárias descrita no subitem 3.3 do Termo de Verificação não pode prevalecer, pois tais despesas estão devidamente comprovadas (doe. 05. às fls. 1549615880); . que não ocorreu a omissão de receitas caracterizada pela manutenção no passivo de exigibilidade sem comprovação, pois tais obrigações estão devidamente comprovadas (doe. 06. às fls. 1588116394). Dessa forma, solicito à Sefis da DRF Londrina que se manifeste, conclusivamente, acerca dos motivos que determinam ou impedem o acolhimento da documentação comprobatória apresentada pela impugnante. 45. A diligência foi cumprida, págs. 16.492/16.518, com o Relatório de págs. 16.519/16.525 que concluiu apenas pela comporovação de algumas despesas bancárias, a saber, R$19.860,17 em 2008 e R$118.385,93 em 2009, listadas à pág. 16.558, no Acórdão DRJ/CTA; a Recorrente foi cientificada, pág. 16.526, que se manifestou à pág. 16.529, limitandose a reafirmar o que alegou na impugnação: que os documentos demonstram que os lançamentos tributários foram efetuados com apuração errônea, e deve ser anulado. 46. O Acórdão DRJ/CTA levou em conta as despesas bancárias comprovadas na diligência e proferiu o Acórdão já relatado, no qual reduziu as correspondentes exigências fiscais. 47. Os docs 02 a 06, a que se refere a Recorrente são os que já foram apresentados na impugnação, submetidos à diligência descrita, cujo resultado foi levado em conta pela DRJ; nada adicional foi apresentado no Recurso Voluntário. 48. À vista do exposto, concluo que cabe manter as conclusões da diligência e da DRJ. 2.2 MULTA QUALIFICADA. 2.2.1 Multa qualificada. Lançamento por presunção. 49. A Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010, DOU de 14.7.2010, determinou: Atribuem as súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Fl. 16772DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 16 15 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, resolve: Art. 1º Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA 50. Consta do Anexo Único, a Súmula Carf nº 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Acórdão nº CSRF/04 00.883, de 27/05/2008 Acórdão nº CSRF/04 00.762, de 03/03/2008 Acórdão nº 10423659, de 17/12/2008 Acórdão nº 104 23697, de 04/02/2009 Acórdão nº 340200.145, de 02/06/2009 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010 51. À vista dessa determinação, e como o lançamento fiscal foi calcado em presunção legal de omissão de receitas, cabe analisar a comprovação de uma das três hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. 52. A multa qualificada foi aplicada aos valores referentes aos depósitos/créditos em contas bancárias mantidas à margem da escrituração do contribuinte (item 3.1 do TVF), infração 002 Omissão de Receitas por Presunção Legal; aos demais depósitos/créditos em contas bancárias, item 3.2 do TVF, em relação aos quais, o autuante esclareceu, pág. 14.202: Observamos que quantidade considerável de lançamentos contábeis de créditos cm contas correntes bancárias tomaramse registros nulos portanto, considerados operações sem o devido registro contábil , em razão destas operações terem sidos escrituradas simultaneamente a crédito e a débito nas respectivas rubricas contábeis, que para melhor compreensão do procedimento, reproduzimos algumas das operações no quadro a seguir: 53. Ou seja, a contabilização, de forma artificial, enquanto, aparentemente, contabilizava a movimentação bancária, na verdade tratavase de uma simulação mas o autuante apenou a infração com a multa de ofício de 75%. 54. À vista do exposto, entendo que cabe a Súmula CARF nº 25 em relação aos valores apenados com a multa qualificada, que deve ser reduzida. 2.2.2 Multa qualificada. Ausência de fraude. 55. Analisado no item anterior. 2.2.3 Multa qualificada. Confisco. 56. Tendo sido reduzida a multa qualificada para 75%, a discussão não procede. Fl. 16773DF CARF MF Processo nº 11634.720183/201376 Acórdão n.º 1201001.577 S1C2T1 Fl. 17 16 2.2.4 Recurso de oficio. 57. Foi editada a Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que passou a ser no valor de R$2.500.000,00, e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017. 58. À vista disso, e tendo sido a somatória dos tributos e encargos de multa exonerados pela DRJ inferiores a este limite, não se conhece do recurso de ofício. 3 Conclusão. Voto por, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a qualificação de multa. (documento assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 16774DF CARF MF
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