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Numero do processo: 13906.000091/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 257 1 256 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13906.000091/200382 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.036 – 3ª Turma Sessão de 5 de junho de 2014 Matéria Restituição PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TEREZA DIAS DE OLIVEIRA & CIA LTDA. ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 00 00 91 /2 00 3- 82 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000091/200382 Acórdão n.º 9303003.036 CSRFT3 Fl. 258 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, interposto em face do Acórdão nº 280300.030. Eis a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 extinguese em cinco anos, contados de 10/10/1995, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 49. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 1.212, de 1995, extinguese em cinco anos, contados a partir da publicação do acórdão definitivo que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN. Recurso Provido em Parte. A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase de pedido de restituição protocolado em 31 de março de 2003, relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01/04/1993 a 30/09/1995. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000091/200382 Acórdão n.º 9303003.036 CSRFT3 Fl. 259 3 Não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Não haverá, no presente caso, prescrição. Tendo em vista que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 31/03/2003, somente os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu in casu. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, existe parte do período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002891/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão Rerratificado
Numero da decisão: 3102-002.258
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Rerratificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Ausente momentaneamente o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 310200.566, de 03 de dezembro de 2009, que, à época, recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/01/2003 a 03/10/2006 DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 91 /2 00 8- 14 Fl. 7197DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 186 2 O prazo decadencial para cobrança de imposto de importação iniciase do primeiro dia útil após o registro da respectiva declaração de importação. Considera se realizado o lançamento na data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. Uma vez que o Contribuinte não logrou desconstituir a presunção do art. 27 da Lei n° 10.637/2002, nem demonstrou que a importação foi realizada por encomenda, devese acolher a presunção legal de que ditas operações foram realizadas por "conta e ordem" de terceiros, com ocultação dos reais importadores. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA QUE NÃO SEJA LOCALIZADA OU QUE TENHA SIDO CONSUMIDA. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. O dano ao erário decorrente desta infração será punido com a pena de perdimento das mercadorias que, no entanto, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei IV Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. A Autoridade Fiscal relata que o Contribuinte promoveu diversas importações de mercadorias, declarando as operações como se fossem por conta própria. O Contribuinte figurava, assim, como importador e adquirente das mercadorias importadas. No entanto, as operações seriam, em verdade, realizadas por conta e ordem de terceiros, mediante a ocultação dos reais importadores, com o uso de recursos deles provenientes. A corroborar com sua afirmação, a Autoridade Fiscal aduz argumentos e documentos que levariam a estas conclusões: a) que as negociações para importação seriam integralmente realizadas por terceiros; b) que o Contribuinte não teria capacidade econômica para arcar com toda a movimentação comercial do período fiscalizado; c) que os preços dos produtos importados estariam subfaturados. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias, como previsto no parágrafo 10 do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, pela caracterização do disposto no inciso V do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias já haverem sido consumidas ou não localizadas, foi lavrado auto de infração para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, como previsto no parágrafo 3° do mesmo artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Fl. 7198DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 187 3 Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência à fl. 2) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas no documento cito às fls. 163 à 199 e 202 à 209, com os documentos de fls. 210 à 273. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente o lançamento, por entender que a houve, de fato, ocultação do real sujeito passivo nas operações de importação, devendo ser aplicada a pena de perdimento. Contudo, a DRJ entendeu que a decadência já teria atingido parte do litígio, motivo pelo qual a declarou sobre o período anterior a 21 de agosto de 2003 (fls. 376383). Contra a decisão regional, o Contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo, lastreado nos seguintes argumentos: a) A Instrução Normativa SRF n° 228/2002 teria sido mal aplicada no caso concreto, porquanto não houve "qualquer inexatidão contábil ou erro documental ou mesmo mera suposição fiscal que faz com que seja imotivadamente instaurado o procedimento especial de fiscalização contra o contribuinte, visando, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, a declaração de inaptidão da sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica" (sic, fl. 415); b) O auto de infração estaria fundamentado em indícios e presunções. Frisa que o contrato de câmbio referente às operações de importação realizadas por conta própria da Recorrente foram devidamente fechados pela mesma, com a remessa oficial da quantia respectiva à exportadora, utilizando se de recursos financeiros próprios (fls. 422423); c) A Recorrente seria tradicional empresa comercial importadora e exportadora, sendo, assim razoável pressupor que ela poderia adquirir mercadorias no exterior para revenda a qualquer interessado, para cumprimento de contrato de compra e venda previamente celebrado com eventual compromissário comprador, no mercado interno. Aplicação do art. 11 da Lei n°11.281/2006 (fls. 423424); d) Distingue as expressões "importações por conta própria" e "por conta e ordem de terceiros"; e) De acordo com a autoridade fiscal, eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome seria de, no máximo, multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação. Cita precedentes. Em face da declaração de decadência, os autos vieram a análise, também, em sede de recurso de oficio. As razões dos Embargos opostos ao Acórdão podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. Como reconhece o v. Acórdão ora recorrido (f Is. 599/v), estamos diante de um processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º do artigo 23 do Decretolei no. 1.455/1976 com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº. 10.637/2002 verbis: Fl. 7199DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 188 4 "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º, do art. 23 do DecretoLei nº. 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no. 10.637/2002." Daí, observamos as CONTRADIÇÕES, levandose em conta que na ementa e em outro trecho do v. Acórdão ora embargado, consta que o auto de infração se referiu a cobrança de IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, litteris: "DECADÊNCIA. O prazo decadencial para cobrança de imposto iniciase do primeiro dia útil após o registro da respectiva declaração de importação." (f Is. 599, ementa) "Considerando o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ciência do auto de infração, que ocorreu em 21 de agosto de 2008, decaiu o direito de cobrança do Imposto de Importação referentes às Declarações de Importação anteriores a 21 de agosto de 2003, listadas às fls. 147 a 152 do auto de infração." (f Is. 599/v) 3. Ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de serem sanadas as CONTRADIÇÕES ora apontadas, devendo ser analisar apenas a questão da decadência do direito de lançar a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no par. 3º, do artigo 23 do Decretolei no. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Não se trata de simples erro na confecção da ementa que reduz a decisão ao que nela expresso. Conforme a seguir se vê, também a fundamentação do Voto, que neste particular, ainda que assim intitulado, não é vencido, refere a decadência do direito à constituição do Imposto de Importação, se não vejamos, O acórdão recorrido declarou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos a contar da autuação. De acordo com a DRJ, para a contagem do prazo decadencial do Imposto de Importação, devese considerar a data de ciência do auto de infração, que o perfectibiliza. O início do prazo decadencial, por sua vez, deve ser o registro das Declarações de Importação para consumo, que coincide com o marco de ocorrência do fato gerador para efeito de cálculo do tributo em exame (fls. 282283). Com efeito, há decadência a ser declarada nos autos, uma vez que há Declarações de Importação anteriores ao final do prazo decadencial, registradas entre 10 de janeiro de 2003 e 14 de agosto de 2003. Considerandose o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ciência do auto de infração, que ocorreu em 21 de agosto de 2008, decaiu o direito de cobrança do Imposto de Importação referentes às Fl. 7200DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 189 5 Declarações de Importação anteriores a 21 de agosto de 2003, listadas às fls. 147 à 152 do auto de infração. Aplicação dos arts. 138 e 139 do DecretoLei n° 37/66. Nego provimento ao recurso de oficio. Necessário que tais apontamentos sejam revistos, pois resta incontroverso nos autos que a lide referese exclusivamente à multa equivalente ao valor da mercadoria pela conversão da pena de perdimento dos bens não localizados ou consumidos. Para certificarse disso, basta consultar, à folha 01 do Processo, o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. Portanto, nenhuma razão para que se fale em impostos nem em contagem de prazo decadencial que lhes seja própria. Conforme prescrito pelo Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/88, o prazo para imposição de penalidade se extingue em cinco anos, contados da data da infração. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. É como consta também no texto do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09. Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). No mesmos diploma legal, encontrase descrita a infração de que foi acusada a empresa. A tipificação é a seguinte. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (grifos acrescidos) § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decreto Lei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Salvo melhor juízo, ainda que se possa ventilar do processo de formação do fato imputável, pareceme que a infração somente se perfectibiliza na data do registro da declaração de importação correspondente. Antes de que a importação ocorra, não vejo como se possa cogitar de imposição da pena nem de ocorrência da infração tributária sub examine. Fl. 7201DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002891/200814 Acórdão n.º 3102002.258 S3C1T2 Fl. 190 6 Embora o Acórdão tenha buscado fundamento em disposição normativa não aplicável ao caso concreto, uma vez que o prazo decadencial tenha sido contado considerando a data de registro das declarações de importação, identificase exata coincidência entre o prazo considerado e o aplicável à lide. Parte da ementa deve ser retificada, para fazer constar: DECADÊNCIA. O prazo para imposição de penalidade aduaneira extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Considerase realizado o lançamento na data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. VOTO por acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para rerratificar o Acórdão. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 7202DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001822/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95.
A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Julianna Bandeira Toscano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer em parte o recurso voluntário e , na parte conhecida, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello conheciam o recurso integralmente. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 18 22 /2 00 9- 15 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 2 Julianna Bandeira Toscano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2006, decorrente da glosa da dedução indevida com incentivo e com despesas médicas, resultando em cobrança suplementar de IRPF, no valor de R$4.515,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Conforme se depreende da descrição dos fatos e do enquadramento legal da Notificação de Lançamento (fls. 15), o mesmo foi justificado pela falta previsão legal para dedução de doação ao Centro de Apoio de Dependentes e com relação às despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços prestados e por falta de previsão legal para dedução com despesas de cirurgia plástica. O contribuinte apresentou impugnação sustentando ter apresentado à fiscalização recibos e declarações firmadas pelos prestadores de serviços, que consistiria em documentação hábil a comprovar a realização dos serviços, não havendo fundamento legal para a exigência de comprovação do efetivo pagamento. Contenta, ainda a aplicação de multa em patamar superior a 150%, por considerar confiscatória e a aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Curitiba considerou o lançamento impugnado parcialmente, ante a ausência de impugnação expressa acerca das despesas cuja dedução foi considerada sem previsão legal pela autoridade lançadora (nos valores de R$100,00, R$2.500,00 e R$2.405,14) e manteve integralmente a glosa da dedução das despesas médicas, sob o fundamento de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar a procedência das mesmas, em acórdão cuja ementa é a seguinte (fls. 31/34): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em seu recurso voluntário (fls. 50/69 do processo eletrônico) o contribuinte sustenta, em preliminar, que impugnou o débito em sua integralidade, tendo apresentado recibos e declarações firmadas pelos prestadores de serviços à fiscalização, em resposta às notificações recebidas. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10930.001822/200915 Acórdão n.º 2802002.743 S2TE02 Fl. 48 3 No mérito, sustenta que a exigência pela efetiva comprovação do pagamento das despesas não está amparada na legislação vigente, bastando, para comprovar a validade das deduções com despesas médicas, que o contribuinte apresente, quando intimado a tanto, os recibos e declarações dos respectivos prestadores. Insiste o contribuinte no caráter confiscatório da aplicação de multa em patamar superior a 150% e na ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheira Julianna Bandeira Toscano, Relatora. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe afastar a preliminar levantada pelo recorrente, no sentido de que a impugnação apresentada às fls. 01/13 teria abrangido a totalidade do débito lançado. Com efeito, o que se nota na descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento, às fls. 15, é que a fiscalização glosou as deduções efetuadas pelo contribuinte por dois fundamentos diferentes, senão vejamos: “Dedução Indevida de Incentivo Glosa do valor de R$100,00, indevidamente deduzido a titulo de Dedução de Incentivo, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Poderão ser deduzidas a titulo de Dedução de Incentivo, apenas as doações realizadas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, de incentivo à cultura e de incentivo às atividades audiovisuais, até o limite de 6% (seis por cento) do imposto apurado na declaração. No valor de R$100,00 referente a doação ao Centro Apoio a Dependentes.” “Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$16.056,14, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Pela falta de comprovação de forma irrefutável do efetivo pagamento, vale dizer, do trânsito dos recursos financeiros, único meio factível de comprovação (cheques nominais compensados, DOC, TED, depósitos identificados, transferências bancárias identificadas, etc, coincidentes em datas e valores) relativamente aos Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 4 beneficiários CPF 020.717.83999 no valor de R$ 5.175,00 (dentista), CPF 935.044.97904 no valor de R$ 5.976,00 (dentista). OUTROS MOTIVOS: No valor de R$ 2.500,00 referente ao CNPJ 78.613.841/000161, por tratarse de cirurgia plástica pacote mama, lipo, abdomem conforme comprovante apresentado, referente ao CNPJ 33.719.485/000127 no valor de R$2.405,14 não comprovados.” Como se observa, o lançamento decorreu em razão da falta de previsão legal para a dedução de incentivo no valor de R$100,00, da necessidade da comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas nos valores de R$5.175,00 (dentista) e de R$5.976,00 (dentista), da falta de previsão legal para dedução de despesas com cirurgia plástica no valor de R$2.500,00 e pela falta de comprovação da despesa de R$2.405,14. Notase que o teor da impugnação apresentada pelo contribuinte, apesar de pugnar pela improcedência do débito, não contém argumentos expressos acerca das despesas com incentivo, da validade da dedução da despesa com cirurgia plástica e sobre a alegada falta de apresentação de comprovante relativo à despesa no valor de R$2.405,14, estando correto o entendimento da DRJ em Curitiba de que a impugnação foi apenas parcial. Ultrapassada a preliminar, o litígio se resume na necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, do efetivo pagamento das despesas médicas como condição para sua dedutibilidade na DIRPF, na aplicação de multa em patamar superior a 150% e na utilização de juros calculados à taxa SELIC. A DRJ Curitiba manteve o lançamento por entender ser válida a exigência da comprovação do pagamento de despesas médicas. Destacase do referido acórdão o seguinte (fls. 33): “11. Conforme se observa na legislação acima transcrita, de fato, há previsão legal para a dedução de despesas médicas na base de cálculo do Imposto de Renda, sendo que tal dedução está sujeita à comprovação por parte do contribuinte. Além do mais, considerando que na apreciação da prova a autoridade fiscal formará livremente sua convicção, a esta é autorizado exigir outros elementos de prova quando a documentação apresentada não constituir prova inequívoca dos pagamentos, o que aconteceu no presente caso. 12. Acrescentese que o Fisco, por imposição legal, deve tomar as cautelas necessárias a fim de preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 73, do Decreto n° 3.000/99. 13. Cabe esclarecer, ainda, que a glosa também pode ser efetivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas objeto da dedução, haja vista o disposto no § I o do art. 11 do DecretoLei n° 5.844, de 1943.” Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Apenas na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei nº 9.250/95, ou em havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea, estaria a autoridade lançadora autorizada a exigir a prova do efetivo pagamento. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10930.001822/200915 Acórdão n.º 2802002.743 S2TE02 Fl. 49 5 Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento. Com efeito, pela documentação acostada ao recurso voluntário, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: PROFISSIONAL VALOR COMPROVANTE PATRICIA DA SILVA LOPES 5.976,00 Fls. 74/78 (processo eletrônico) FLAVIO JOSÉ SAMBATTI PIERALISI 5.175,00 Fls. 79/83 (processo eletrônico) Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele dar provimento para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$11.151,00, relativas ao exercício de 2006. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 16/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12782.000012/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, DANIEL MARIZ Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, DANIEL MARIZ Gudino.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, DANIEL MARIZ Gudino. Referese o presente processo a auto de infração teve como origem trabalhos de fiscalização que tiveram como objetivo verificar o cumprimento das obrigações fiscais da ora; em especial apurar o subfaturamento nas importações realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA (doravante denominada MUDE), no período de janeiro a julho de 2007. O procedimento fiscal originouse de investigações propiciadas pelo Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal de São Paulo/SP, no âmbito da chamada "Operação Persona", deflagrada pela Polícia RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 82 .0 00 01 2/ 20 10 -4 3 Fl. 9137DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12782.000012/201043 Resolução nº 3201000.472 S3C2T1 Fl. 94 2 Federal, em que se apurou que equipamentos de telecomunicações eram importados acompanhados dos respectivos softwares, embora esse fato não fosse declarado à Receita Federa, o que redundaria em redução indevida da base de cálculo dos tributos incidentes na importação. A decisão da Delegacia de Julgamento, que julgou improcedente as impugnações apresentadas, foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5o, XII DA CF Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. NULIDADES. INOCORRÊNCIA Em sede de processo fiscal tributário, são nulos somente os atos e termos lavrados por agente incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Poderão ainda ser cominados com nulidade os lançamentos que contenham vícios formais relevantes à matéria deduzida na autuação. Referidas hipóteses, todavia, não estão presentes nos autos. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. A impugnação apresentada fora do prazo previsto no Decreto n° 70.235/72 não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 SUJEITO PASSIVO. IMPORTADOR. O importador é sujeito passivo, na condição de contribuinte, em relação aos tributos e contribuições incidentes na internação de mercadorias de de comércio exterior realizadas pela autuada, Fl. 9138DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12782.000012/201043 Resolução nº 3201000.472 S3C2T1 Fl. 95 3 por conta e ordem de terceiros, sem atender às condições da legislação de regência, tipifica a figura da Interposição Fraudulenta. VALOR ADUANEIRO. EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS COM SOFTWARE INCORPORADO. No caso de equipamentos eletrônicos (hardwares) importados com os respectivos softwares já instalados, inexiste previsão legal para exclusão do valor aduaneiro do custo ou valor de softwares contidos em circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ainda que este valor ou custo encontrese destacado no documento de aquisição. SUBFATURAMENTO. PENALIDADES. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas Declarações de Importação e correspondentes faturas comerciais que instruíram os despachos para consumo não correspondiam à realidade das transações efetuadas, na medida em que o valor correspondente aos softwares era ocultado, mediante a simulação documental de uma separação (splif) entre hardware e software que de fato nunca ocorreu, resta caracterizado o subfaturamento. Em conseqüência, são exigíveis os tributos aduaneiros incidentes nas operações de comércio exterior, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, bem assim a multa calculada sobre a diferença entre o valor real e o declarado. CUMULAÇÃO DE MULTAS. PREVISÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. Não há que se falar na impossibilidade da cumulação das multas por subfaturamento (parágrafo único do art. 88 da MP 2.158 35/2001) e de ofício (art. 44 da Lei 9.430/96), posto que autorizada por expressa disposição legal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÕES. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Essa é a síntese do necessário. É o relatório. Fl. 9139DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12782.000012/201043 Resolução nº 3201000.472 S3C2T1 Fl. 96 4 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o presente processo tem no pólo passivo diversos sujeitos passivos solidários, que apresentaram os respectivos recursos voluntários. Não obstante, o solidário Carlos Roberto Carnevali, devidamente notificado do acórdão da Delegacia de Julgamento, não teve nos autos, o seu recurso voluntário juntado. Não obstante, o seu patrono apresentou petição a este Colegiado, comprovando a interposição do competente recurso voluntário, tempestivamente. Nesse contexto, voto pela conversão do presente processo em diligência, para que seja juntado o recurso voluntário de Carlos Roberto Carnevali aos autos. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 9140DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004784/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/1999, 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3401-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria dos votos, não conhecer dos
presentes embargos.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/1999, 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria dos votos, não conhecer dos presentes embargos. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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NÃO CONHECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria dos votos, não conhecer dos presentes embargos. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 84 /2 00 3- 24 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Por suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, na ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: “Em 22.12.2003, foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CNPJ 61.418.026/000149) exigindo o recolhimento de crédito tributário de COFINS no valor de R$ 2.188.127,29 (atualizado até 28.11.2003), composto da seguinte forma: Contribuição: R$ 1.294.645,06 Juros de mora: R$ 893.482,23 O lançamento referese à falta/insuficiência de recolhimento da COFINS para os fatos geradores de 30.11.1999 e 31.12.1999. Segundo o Termo de Constatação: Em 28.1.2004, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação ao lançamento, na qual alega que: a) obteve medida cautelar (processo n° 2000.61.00.0070076 da 1ªa Vara Federal em São Paulo) suspendendo a exigibilidade dos fatos geradores de julho/1999 a janeiro/2000. Essa suspensão deverá ser mantida até que seja proferida uma decisão definitiva nas ações impetradas pela contribuinte, sendo o presente lançamento formalizado apenas para prevenir eventual decadência. Deve se restringir aos fatos geradores ocorridos nos meses de novembro e dezembro de 1999, não considerados no lançamento formalizado em procedimento fiscal anterior. b) tendo em vista a suspensão judicial da exigibilidade, não há vencimento, nem mora até o deslinde do feito. Inexistindo mora, não ocorrem seus consectários, a multa e os juros de mora; c) o art. 161, § 1º o do Código Tributário Nacional dispõe: ‘Art.161... Parágrafo 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês’ Portanto, apenas a lei pode estabelecer a taxa de juros de mora, sendo inadmissível o Poder Executivo, por meio do Banco Central, definir a taxa SELIC. Os cálculos devem ser refeitos com o emprego da taxa de 1% ao mês; d) a Auditora Fiscal deixou de informar os parâmetros que justificam a base de cálculo da COFINS por ela informada, e que deram origem ao valor tributável. A ausência dos mencionados parâmetros anula o auto de infração; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 19515.004784/200324 Acórdão n.º 3401001.996 S3C4T1 Fl. 550 3 e) pela análise da planilha elaborada pela contribuinte (fls.311), é possível concluir que a Sra. Auditora Fiscal deixou de incluir na base de cálculo inúmeras exclusões permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835 e pelo art. 17 da Lei n° 10.684/03 e art. 33 da IN/SRF n° 247/2002, alterada pela IN/SRF n° 358/2003, que retroagiram seus efeitos a 1º de novembro de 1999, atingindo os fatos geradores objeto desta autuação. É necessária perícia contábil para comprovar a inconsistência da acusação fiscal. Em sessão de 23.10.2007, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento. Segundo o voto: a) a impugnação aduz matérias distintas das levadas à discussão judicial, devendo o processo administrativo prosseguir normalmente, quanto a estas matérias; b) a fiscalização apurou as bases de cálculo da contribuição a partir dos demonstrativos elaborados pela contribuinte, não merecendo prosperar a afirmação desta não ter sido informada dos parâmetros da base cálculo; c) cabe à contribuinte produzir a prova de que se encontra registrado em sua documentação contábil e fiscal, não podendo transferir o ônus da produção da prova ao julgador administrativo. A contribuinte não apresentou documentação comprobatória de que os cálculos efetuados na planilha anexada (fls. 311) é que estariam corretos, nem tampouco, mencionou eventual equívoco efetuado por ocasião da elaboração dos primeiros demonstrativos, sendo, portanto, rejeitado o pedido de realização de diligência; d) a suspensão do crédito tributário não impede providências administrativas preparatórias de cobrança, muito menos o julgamento de feitos administrativos que impugnam o lançamento, porém, em razão da suspensão da exigibilidade da imposição fiscal, o Poder Público não poderá inscrever o débito na Dívida Ativa da União; e) o artigo 161 do CTN dispõe sobre os juros de mora da seguinte forma: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Portanto, os juros de mora são devidos a partir do vencimento, qualquer que seja o motivo determinante da falta; f) quanto à alegação de ilegalidade da exigência de juros de mora com base na variação da Taxa SELIC, não cabe à autoridade administrativa apreciar essas questões. Em 15.5.2008, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual: a) alega que a Lei n° 10.684/03 alterou a base de cálculo da COFINS; em razão disso, os valores devidos seriam outros, diversos daqueles originalmente apontados no Auto de Infração, diante da necessidade de aplicação retroativa dessa norma aos fatos geradores abrangidos pelo lançamento impugnado. Tendo em vista a alteração da base de cálculo, foi apresentada a planilha rejeitada pela DRJ/SPOI; b) foi negada a possibilidade de perícia contábil para provar que os valores lançados estão incorretos. Negar a possibilidade de prova configura evidente mácula ao direito constitucional à ampla defesa em sede administrativa. Em decisão do antigo Conselho de Contribuintes, em outra autuação da contribuinte correspondente a COFINS sobre atos cooperados de outros meses, foi determinada diligência para exata e correta aferição da base de cálculo; c) reitera os argumentos referentes à aplicação de juros de mora e taxa SELIC. É o Relatório” Em 28.10.2010 a 4ª Câmara /1ª Turma Ordinária deste Conselho não conheceu o Recurso Voluntário da contribuinte, tendo em vista a súmula nº 1 do CARF, a qual é taxativa ao dizer que consiste renúncia à instância administrativa a propositura de ação judicial com o mesmo objetivo do processo administrativo. Em 28.1.2012, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 2.2.2012, protocolou Embargos de Declaração, alegando, em síntese: a) Enquanto na esfera judicial se questiona a revogação, por meio de medida provisória, de isenção concedida por lei complementar, no presente processo administrativo se discute a mensuração de tal incidência (na hipótese de a tese judicial sobre irrevogabilidade restar superada); b) A própria administração tributária reconheceu que a peça impugnatória apresentada pelo contribuinte aduz outras matérias distintas das levadas à discussão judicial, merecendo o processo administrativo prosseguir normalmente quanto a estas matérias. Por fim, a contribuinte requer que sejam analisados os pontos levantados na decisão anterior que não estão em discussão na esfera judicial (cálculo correto da COFINS dos fatos geradores em referência, se devido for o tributo). É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 19515.004784/200324 Acórdão n.º 3401001.996 S3C4T1 Fl. 551 5 Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Analisando o caso concreto, verifico que a contribuinte utilizouse dos embargos para argumentar que o fato de possuir processo judicial não impede a análise do seu pleito em processo administrativo. Segundo o art. 65, do Regimento Interno deste Conselho, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não vislumbrando a ocorrência de qualquer destas hipóteses no caso em tela, constatase que os embargos apresentados pela contribuinte buscam o reexame do mérito, o que não é possível nesta via. Portanto, voto por não conhecer dos presentes embargos, visto inexistir omissão, contradição ou erro no acórdão embargado. Sala das Sessões, em 27 de setembro de 2012. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900257/2012-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 57 /2 01 2- 32 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 35/38 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 720,28, referente ao mês de set/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900257/201232 Acórdão n.º 3802003.611 S3TE02 Fl. 159 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 40). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 42/47, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 40). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900257/201232 Acórdão n.º 3802003.611 S3TE02 Fl. 160 5 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 11030.901947/2010-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCOSTITUCIONALIDADE. Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o Plenário do STF o julgou inconstitucional por onde se reconhece o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras que não se enquadram no conceito de faturamento, adotado pela Lei nº 70, de 1991.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
Numero da decisão: 3802-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCOSTITUCIONALIDADE. Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o Plenário do STF o julgou inconstitucional por onde se reconhece o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras que não se enquadram no conceito de faturamento, adotado pela Lei nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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INCOSTITUCIONALIDADE. Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o Plenário do STF o julgou inconstitucional por onde se reconhece o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras que não se enquadram no conceito de faturamento, adotado pela Lei nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 19 47 /2 01 0- 89 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/POA, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade contra despacho Decisório Eletrônico (DDE), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Passo Fundo, em que não homologou a compensação declarada, já que não foi conformada a existência do direito creditório apontado pelo contribuinte na declaração prestada, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCOSNTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.947/2009. Em observância ao art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pelo Lei Complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilitada a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem ao reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos débitos, objeto deste recurso, à extinção do arrolamento de bens como condição de exigibilidade para recorrer, à possibilidade de compensação por intermédio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação, às alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/1998, notadamente à alíquota e à base de cálculo, às inconstitucionalidades dessas modificações, apontando ser credora da União, tendo em vista os recolhimentos efetuados em valores superiores aos devidos. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11030.901947/201089 Acórdão n.º 3802003.534 S3TE02 Fl. 112 3 Estando presentes os requisitos regulares pra o seu desenvolvimento, é de rigor o seu processamento para análise do mérito da questão. Mérito A primeira questão que deve ser posta em julgamento é a possibilidade de afastamento da aplicação de lei pelos Órgãos de Julgamento Administrativos nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal declarar de forma inequívoca e definitiva inconstitucionalidade de lei (artigo 77 da lei nº 9.430/1996 artigo 1º do Decreto nº 2.346/1997 – artigo 59 do Decreto 7.574/2011). E, nesse sentido, a Corte Suprema declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, notadamente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, e em sede de repercussão geral RE nº 585.235/MG. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado. No que concerne à compensação tributária, nossos Tribunais já firmaram posição sobre a matéria e nela temse que: “O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes, não dispensável por lei ordinária. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS.” Assim, a prova da liquidez e certeza do crédito deve acompanhar o respectivo pedido, o que, de fato, no presente feito, não se vislumbrou. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta, CONHEÇO do presente recurso e NEGOLHE provimento, a fim de seja mantida a decisão da instância inferior, por ser a decisão mais acertada. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013132/2006-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto nº 70.235/72.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ILEGITIMIDADE PASSIVA DO AUTUADO
Não há ilegitimidade passiva de parte do autuado, se não restar provado nos autos que o contribuinte não tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que acolhia a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO AUTUADO Não há ilegitimidade passiva de parte do autuado, se não restar provado nos autos que o contribuinte não tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO AUTUADO Não há ilegitimidade passiva de parte do autuado, se não restar provado nos autos que o contribuinte não tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 31 32 /2 00 6- 62 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.882 2 Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que acolhia a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio do Auto de Infração de fls. 293/297, exigese do contribuinte R$ 337.522,57 de imposto de renda de pessoa física, R$ 253.141,92 de multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, Fl. 619DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.883 3 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e acréscimos legais, decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2002, anocalendário de 2001. A autuação foi fundamentada no art. 42, da Lei 9.430, de 1996, c/ a redação dada art. 4° da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, art. 1°, da Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999, e no art. 849, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 RIR11999, e decorreu da omissão de rendimentos no valor de R$ 1.235.863,92, caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantidos em Instituição Financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 281/286, que é parte integrante do auto de infração. Cientificado do lançamento em 22/11/2006 (fl. 295), o contribuinte apresentou, em 21/12/2006, por meio de representante legal — procuração às fls. 341/342, a impugnação de fls. 307/338, instruída com os documentos de fls. 343/355, onde, em preliminar, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, alega decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos no período de 01 a 10/2001. Argúi também ilegitimidade passiva para o lançamento decorrente dos valores depositados na conta corrente do Banco do Brasil, uma vez que não era o real beneficiário dos valores depositados, pois, emprestou a referida conta à empresa Giro Comércio de Pneus Ltda, que efetivamente a utilizou, de forma que toda a movimentação bancária relacionada às fls. 315/321 pertence à empresa e está registrada na sua contabilidade e foi tributada na pessoa jurídica. Enfatiza que os valores não lhe pertenciam, assim, não se reveste da condição de contribuinte, pois não praticou o fato gerador dos tributos, não se configurando como responsável tributário, já que não houve qualquer acréscimo patrimonial a justificar, à luz do art. 43 do CTN, a autuação ora combatida. Para corroborar transcreve jurisprudência. Com base em doutrinas e jurisprudências que transcreve, argúi que o lançamento não pode prosperar uma vez que baseado em meras presunções, sem se ter buscado com efetividade a identificação o verdadeiro beneficiário da conta corrente, bem assim, as provas que motivariam a desconstituição da contabilidade da empresa e a desclassificação dos registros contábeis e da receita registrados, desconsiderando os documentos acostados, sem qualquer prova que demonstre a existência de situação fática contrária a por elas comprovada. Requer, caso entendase necessário à adequada apreciação das suas razões, que seja oficiado o Banco do Brasil para que informe e apresente documentos, em especial cópia de cheques, recebidos e emitidos, comprovantes de transferências bancárias, Fl. 620DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.884 4 que indiquem o emitente e o beneficiário, de forma a demonstrar quem foram os depositantes dos valores que ingressaram na conta bancária, bem como os beneficiários dos saques. Alternativamente, caso não se acolha suas razões, requer que se exclua o montante de R$ 31.436,24, correspondentes ao somatório de R$ 21.446,94 contabilizado em duplicidade em 22/10/2001, em face de estorno dos créditos de R$ 14.704,44, R$ 2.814,00, R$ 1.781,00 e R$ 2.147,50, R$ 7.189,30 em 18/10/2001, mais dois depósitos de R$ 1.000,00 cada em 11/12/2001, e dois depósitos de R$ 400,00 cada, em 28/12/2001. Nos termos do art. 406 do novo Código Civil, contesta aplicação de juros em percentual superior a 12% ao ano. Por meio do despacho de fl. 357, retornouse o processo à unidade de origem para que a autoridade autuante, mediante circularização, verificasse a procedência das alegações apresentadas na impugnação, manifestandose, conclusivamente, sobre os fatos apurados, lavrando, inclusive, auto de infração em nome da pessoa jurídica, se fosse o caso, o que resultou na juntada dos documentos de fls. 359/416 e 419/429, na Informação Fiscal de fls. 430/434, da qual o contribuinte foi cientificado em 24/01/2008 (fl. 434), e nos Anexos I e II. Ciente dos fatos apurados pela diligência, o contribuinte apresenta, em 12/02/2008, a impugnação complementar de fls. 437/439, instruída com os documentos de fls. 440/444, onde requer que se proceda a exclusão dos valores apurados e sugeridos pela autoridade autuante, em face da circularização efetuada, referentes às operações de factoring (R$ 44.124,98) e do cheque no valor de R$ 2.200,00. O lançamento foi julgado procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 858/867, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFICIO No lançamento de oficio o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ERRO. INOCORRÊNCIA. O sujeito passivo da obrigação tributária é o titular da conta corrente cujos depósitos não tiveram a origem comprovada. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.885 5 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, devendose, no entanto, excluir os créditos referentes às atividades de factoring, aos estornos de créditos, cheques devolvidos e rendimentos declarados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificado daquele Acórdão em 11/04/2008 (fl. 870), o interessado, representado por seus advogados (fl. 143/144), interpôs o recurso de fls. 876/930, em 12/05/2008. Em sua defesa, suscita a nulidade da decisão recorrida pelo fato de não ter sido reaberto prazo para apresentar razões complementares de impugnação. Requer seja reconhecida a decadência dos supostos débitos referentes ao período de janeiro a outubro de 2001. Alega ilegitimidade passiva em relação ao lançamento de IRPF em questão, devendo ser reconhecida a titularidade de fato da conta corrente pela GIRO, aplicandose o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Aduz que o presente auto de infração é improcedente também pela impossibilidade de uma autuação fiscal se basear exclusivamente em meras presunções de fato gerador, de base de cálculo e sujeito passivo, desconsiderando os documentos acostados aos autos, sem qualquer prova que demonstre a existência de situação fática contrária à por eles comprovada. Pretende seja procedida a análise total dos cheques para a exclusão das atividades de factoring, ou se aplicar o percentual verificado na amostragem sobre o total da base de cálculo. Reclama a exclusão dos cheques que foram devolvidos pelo Banco do Brasil, cujos depósitos (anteriores à devolução) certamente foram considerados na base de cálculo da autuação. Defende a cobrança de juros limitados a 12% ao ano, conforme disposto no artigo 406 do Novo Código Civil. Conforme Resolução de fls. 1876/1880, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.886 6 Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, é de se rejeitar a suscita a nulidade da decisão recorrida pelo fato de não ter sido reaberto prazo para apresentar razões complementares de impugnação, pois, consta dos autos que o Contribuinte, após tomar ciência do resultado da diligência em 24/01/2008 (fls. 842/846), apresentou, em 12/02/2008, a impugnação complementar de fls. 849/851, requerendo a exclusão dos valores apurados e sugeridos pela autoridade autuante, em face da circularização efetuada, referentes às operações de factoring. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.887 7 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.888 8 imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que não houve pagamento antecipado no ano calendário 2001, conforme consta da cópia da DIRPF/2002 (fls. 394/395). Portanto o prazo decadencial contase a partir de 01/01/2003. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 22/11/2006 (fl. 705), não há que se falar em decadência, porquanto o lançamento se completou dentro do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário. Ademais, no que se refere à contagem de prazo decadencial mensal, registre se que a posição pacífica desse Conselho encontrase sumulada, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (SÚMULA CARF Nº 38). Ainda, é de se afastar a ilegitimidade do Recorrente constar do pólo passivo do lançamento, dado ser inconteste que ele é titular da contacorrente em que foram movimentados os valores objeto da autuação, conforme acertadamente considerou a fiscalização, que, inclusive, constatou a destinação de valores relevantes da c/c para o pagamento de despesa e de investimentos particulares próprios do Contribuinte. No mérito, o litígio cingese à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Relativamente à tese defendida quanto à tributação dos depósitos bancário, é de se observar a Súmula CARF n° 26, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.889 9 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ademais, num trabalho minucioso, a fiscalização solicitou ao Banco do Brasil diversos documentos referentes à movimentação bancária da conta corrente de titularidade do Contribuinte e realizou diversas intimações a terceiros, demonstrando que a alegação do recorrente de que a titularidade de fato da referida conta era da empresa GIRO não se confirmou. A fiscalizou ressaltou que a empresa Giro Comércio de Pneus Ltda: · apresentou livros contábeis registrados sem a observância dos prazos, além de confeccionados em duplicidade e sem justificativas não sendo, portanto, aceitos pela SRF; · não apresentou nenhum documento que comprovasse a relação entre os depósitos e as operações comerciais da empresa, apesar de todas as intimações lavradas e de todo o prazo concedido; · movimentou, em 2001, conta corrente própria normalmente e sem impedimentos. Muito embora o Contribuinte alegue que exista exata correlação entre os depósitos e os registros contábeis da empresa GIRO, verdade é que não apresentou documentos hábeis e idôneos que vinculassem os depósitos com operações realizadas pela empresa. Apenas mediante a apresentação de documentos que atestassem de forma individualizada a origem de cada ingresso na conta bancária é que supriria o ônus que a lei lhe estabeleceu. No que tange à alegação de que a fiscalização teria realizado uma amostragem, não prevista na legislação, para tributar os depósitos bancários, não é o exatamente o que dos autos consta. Ao contrário, o fisco elaborou demonstrativo dos depósitos individualizados, conforme consta do extrato bancário, para o Contribuinte justificálos individualmente e assim afastar a presunção de omissão de rendimentos. Não há portanto que se falar em inexistência de análise individualizada pelo Fisco dos depósitos que correspondiam a renda omitida, pois todos os depósitos constantes dos extratos bancários do contribuinte que não tiveram sua origem comprovada foram considerados como renda omitida, nos termos do art. 42 da Lei n.9430/96. Além disso, pela circularização efetuada pela autoridade autuante, em atendimento à solicitação de diligência da Delegacia de Julgamento de Curitiba, constatouse a prática reiterada de atividades de factoring por meio de descontos de cheques e duplicatas, no montante de R$ 44.124,98, e um cheque no valor de R$ 2.200,00 de titularidade da empresa C.P. Comércio de Pneus Ltda., identificado como decorrente de pagamento de salário, razão pela qual tais valores foram excluídos da base de cálculo pela decisão de primeira instância, que também acatou o pedido do impugnante para exclusão do montante de R$ 31.436,24, correspondentes ao somatório de R$ 21.446,94 contabilizados em duplicidade em 22/10/2001, em face de estorno dos créditos de R$ 14.704,44, R$ 2.814,00, R$ 1.781,00 e R$ 2.147,50, mais R$ 7.189,30 em 18/10/2001, dois depósitos de R$ 1.000,00 em 11/12/2001, e dois de R$ 400,00 em 28/12/2001. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.890 10 O Recorrente alega existirem outras operações de factoring, operações realizadas com a empresa GIRO e empréstimos que não teriam sido excluídos do montante tributável, mas, contudo, não anexa documentação comprobatória de tais fatos nem aponta, objetivamente, a que depósitos se refere. No que se refere à exclusão do valor apurado como decorrente da atividade de factoring e excluído dos depósitos bancários tributados como omissão de rendimentos, não há reparos a fazer. Foram excluídos os valores dos depósitos para os quais a fiscalização identificou que eram decorrente da atividade de factoring exercida pelo Contribuinte que correspondeu a 36% dos cheques analisados. Esse percentual não pode ser estendido ao total de depósitos, como requer o contribuinte, pois os valores devem ser comprovados individualmente, nos termos da legislação vigente. Tampouco cabe excluir os depósitos para os quais os intimados afirmaram não conhecer o contribuinte, pois como já dito anteriormente, tal fato não permite presumir que esses créditos correspondem a operação de factoring. Repitase, o dever de comprovar a origem é do Ccontribuinte e, portanto, quisesse ele excluir outros depósitos deveria ter indicado a que valores se referia e apresentado a documentação comprobatória correspondente demonstrando que tais ingressos decorrem, de fato, da atividade de factoring. Da mesma forma, não merece acolhida a pretensão de exclusão dos valores correspondentes aos cheques devolvidos da base de cálculo da autuação, no montante de R$ 181.477,03, pois o contribuinte apenas indicou montantes mensais, não apontando, de forma individualizada, os cheques devolvidos que teriam sido incluídos na base de cálculo pela fiscalização. Por fim, não cabe também a exclusão de 2/3 do total dos valores que serviram de base para a autuação. Como ficou demonstrado, o Contribuinte não logrou comprovar que a empresa GIRO era a titular de fato da conta corrente em seu nome. Por sua vez, a atividade de factoring, pelo que dos autos consta, foi exercida pelo contribuinte e foram excluídas da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada para que fosse tributada de acordo com a natureza dos rendimentos. Assim, pelos elementos que compõe os autos existe apenas um titular da conta corrente fiscalização, não havendo, portanto, razão para se aplicar o disposto no art. 42, §6º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que tange à aplicação dos juros Selic, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.013132/200662 Acórdão n.º 2801003.699 S2TE01 Fl. 1.891 11 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 19515.004871/2003-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa:
EMBARGOS - CONTRADIÇÃO
Ao se dar provimento parcial para reconhecer nulidade parcial por vício substancial, e se cancelar exigência de PIS-Faturamento por incompatibilidade do motivo com a pretensão, com base em argumentos não articulados pela recorrente, não há contradição entre os fundamentos ou entre fundamentos e dispositivo. Ademais, embargos aclaratórios não se prestam a reexame da matéria. Não provimento dos embargos.
Numero da decisão: 1103-001.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro no exercício da Presidência.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: EMBARGOS - CONTRADIÇÃO Ao se dar provimento parcial para reconhecer nulidade parcial por vício substancial, e se cancelar exigência de PIS-Faturamento por incompatibilidade do motivo com a pretensão, com base em argumentos não articulados pela recorrente, não há contradição entre os fundamentos ou entre fundamentos e dispositivo. Ademais, embargos aclaratórios não se prestam a reexame da matéria. Não provimento dos embargos.
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Ademais, embargos aclaratórios não se prestam a reexame da matéria. Não provimento dos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – no exercício da Presidência. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Eduardo Martins Neiva Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 71 /2 00 3- 81 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 794 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por Sociedade Educacional São PauloSESP, contra Acórdão da 3ª Turma da DRJ São Paulo/SP I, que manteve a Suspensão da Imunidade Tributária da entidade, veiculada através do Ato Declaratório Executivo nº 14, de 16 de janeiro de 2003, publicado no DOU de 20 de janeiro de 2003, editado pelo Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo. Em decorrência do referido ato declaratório de Suspensão da Imunidade Tributária, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e PIS Faturamento, cujos lançamentos foram igualmente mantidos pelo acórdão a quo. O processo administrativo nº 13808.001075/200234, relativo ao procedimento de suspensão da imunidade, foi apensado a estes autos, para que, nos termos do artigo 32, § 9º, da Lei 9.430/96, as impugnações oferecidas em face da suspensão da imunidade e dos autos de infração dela decorrentes fossem decididas em conjunto. DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE (processo administrativo 13808.001075/200234) O procedimento fiscal observou o rito do art. 32 da Lei 9.430/96, tendo sido expedida, em respeito ao § 1º do artigo citado, Notificação Fiscal, segundo a qual a fiscalização assevera que a ora recorrente é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que goza de imunidade, nos termos do art. 12 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Segundo o Termo de Notificação Fiscal de 8/04/02, a recorrente infringiu o disposto no art. 12, § 2º, alíneas “c”, “d” e “f”, da Lei 9.532/1997, pelos seguintes fatos: 1 nãorecolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, nos períodosbase de 1996 a 2000 (alínea ‘f” do §2º do art. 12 da Leinº9.532, de 1997); 2 nãorecolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS – Folha de Pagamento), nos períodos base de 1996 a 2000 (alínea ‘f” do §2º do art. 12 da Leinº9.532, de 1997) 3 falta de escrituração das movimentações financeiras, referentes ao anobase de 1998 (alínea ‘c’ do §2º do art. 12 da Leinº9.532, de 1997); 4 falta de conservação dos documentos relativos à movimentação financeira do anobase de 1998 (alínea ‘d’ do §2º do art. 12 da Leinº9.532, de 1997). Concluindo que esses fatos impõem a suspensão da imunidade da entidade, a autoridade fazendária comunicou a recorrente, para que apresentasse suas alegações e as provas necessárias para afastar o entendimento da fiscalização. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 795 3 Tendo transcorrido in albis o prazo para manifestação do ora recorrente, foi dado prosseguimento ao feito, culminando no despacho de 15/01/03, através do qual o Ilmo. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo decidiu: Cumpre inicialmente ressaltar que a alínea “f” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, teve suspensa a sua aplicabilidade pela ADIN nº 1.8023. Por outro lado, a falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não configura hipótese de suspensão de imunidade. ...Dessa forma, restam caracterizadas as infrações decorrentes da falta de escrituração das movimentações financeiras e da falta de conservação de documentos relativos à movimentação financeira do anobase de 1998, previstas nas alíneas “c” e “d” do §2º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Não tendo havido manifestação do contribuinte (fls. 192), encaminhese ao Gabinete do Sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo – SP, para a expedição do competente Ato Declaratório Executivo da Suspensão da Imunidade, relativamente ao anocalendário de 1998, nos termos do §4º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. (grifamos) O Delegado Adjunto da Defic/SPO concordou a suspensão da imunidade da entidade e emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 14, de 16/01/03 (fl. 195), publicado no DOU de 20/01/03 (fl. 196), do qual foi dada ciência à entidade em 7/03/03 (fl. 198). DA IMPUGNAÇÃO À SUSPENSÃO DA IMUNIDADE A ora recorrente impugnou tempestivamente o ato de exclusão, requerendo o restabelecimento da imunidade suspensa. Em sua defesa, sustenta que o Ato Declaratório que originou a suspensão da imunidade seria ilegal e inconstitucional, pois a Lei 9.532/97 disporia sobre imunidade que é matéria de origem constitucional, cuja regulamentação estabelecida pela própria Carta Magna devese da por lei complementar. Ainda segundo a recorrente, as movimentações financeiras não foram escrituradas, mas um trabalho de retificação já vem sendo realizado, sendo desproporcional a aplicação da pena de suspensão de imunidade para instituição que está buscando regularizar sua situação financeira. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (processo administrativo 19515.004871/200381) Como a impugnação à suspensão da imunidade não possui efeito suspensivo, o procedimento de fiscalização prosseguiu. A recorrente foi intimada a comprovar a origem da movimentação financeira indicada por total por instituição bancária, a escrituração contábil que a registre, o Demonstrativo do Lucro Real do período de 1º/01/1998 a 31/12/1998, e os Livros Contábeis e Fiscais do respectivo período, bem como a documentação correspondente. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 796 4 Em face do não atendimento pleno das intimações, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e de CSL, referentes ao anocalendário de 1998, com arbitramento do lucro (receita conhecida), acrescidos de juros e multa de ofício. Em vista da suspensão da imunidade tributária, a recorrente que era contribuinte do PIS folha de salários (art. 8º, II, da Lei 9.715/98), sujeitarseia ao PIS com base no faturamento mensal a que se referem o arts. 2º, I, 3º, 8º, I, e 9º, da Lei 9.715/98. Em face disso, foi lavrado o auto de infração relativo ao PISFaturamento do anocalendário de 1998, devido à infringência dos arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70; dos arts. 2º, I, 3º, 8º I, e 9º, da Medida Provisória 1.212/1995 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.715/1998; dos arts. 2º, I, 8º, I, da Lei 9.715/1998. DA IMPUGNAÇÃO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO A recorrente foi cientificada dos lançamentos em 17/12/03 (fls. 166, 170 e 388), apresentando impugnações (separadamente, uma em relação a IRPJ/CSL e outra em relação ao PIS). Em suas impugnações, a recorrente reiterou os mesmos argumentos relativos à suspensão da imunidade, especialmente no que se refere à inconstitucionalidade e ilegalidade do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade. Acrescentou ainda que foi concedida liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.802, a qual suspendeu a vigência da alínea “f” do § 2º do art. 12, do art. 13 e do art. 14, da Lei 9.532/1997. Em relação à falta de escrituração de movimentações bancárias e falta de conservação dos documentos relativos à movimentação financeira do anocalendário de 1998, assevera que: As movimentações financeiras apontadas correspondem, entre outras coisas, a empréstimos bancários, perfeitamente comprováveis, tomados pela impugnante junto às instituições bancárias apontadas, sendo certo que, durante o transcorrer da fiscalização a ora impugnante não teve tempo hábil para a apresentação de tais documentos, haja vista os contratos estarem em poder das instituições financeiras indicadas. Não há, portanto, qualquer infração ao inciso III, do art. 14 do CTN. Suas receitas e despesas estão escrituradas na forma adequada, sendo perfeitamente aptas a assegurar sua exatidão, não existindo qualquer causa que leve à perda da imunidade, sob pena de flagrante inconstitucionalidade. Sustenta que o Delegado da Receita Federal seria incompetente para a declaração de suspensão de imunidade, pois somente lei complementar poderia atribuir tal competência. Alega que mesmo que a imunidade fosse declarada suspensa, seria isenta (imune) do pagamento da CSL e do PIS, pois o que estaria suspensa seria a imunidade relativa ao art. 150, VI, “c”, da CF e não a relativa ao § 7º do art. 195 da CF. Ainda em relação à CSL, assevera que não haveria concreção da hipótese de incidência da CSL, pois a contribuição tem como base de cálculo o valor do resultado do Fl. 796DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 797 5 exercício, o que implica lucro, de modo que, inexistindo lucro ou fim de lucro, não haveria que se falar em sua incidência e, pois, no nascimento da obrigação e sua exigibilidade. Em relação à base de cálculo arbitrada, assevera que esta teria sido majorada de forma irreal, pois a fiscalização considerou todos os valores lançados a crédito na conta do Banco Santander S/A como receita da entidade, independentemente de representarem empréstimos obtidos, transferências de outros bancos, cheques devolvidos etc. Além disso, em sua impugnação, a recorrente informa que aderiu ao PAES, inscrevendo, inclusive, os débitos ora apontados (relativos ao auto de infração do PIS) antes mesmo da lavratura do auto de infração, devendo a multa de ofício ser excluída de tais valores. DO ACÓRDÃO RECORRIDO O acórdão da 3ª Turma da DRJ/São Paulo conheceu das impugnações apresentadas, mas manteve a suspensão da imunidade e os lançamentos efetuados, como se vê da ementa do Acórdão 199.720, transcrita a seguir: FUNDAMENTO LEGAL DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE – Não compete à autoridade administrativa o juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. FUNDAMENTO LEGAL. Estando a suspensão da imunidade fundamentada primordialmente no art. 14 do CTN, não se justifica qualquer alegação a respeito de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de dispositivos legais supervenientes sobre a matéria. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. COMPETÊNCIA. O Delegado da Receita Federal é competente para a edição de Ato Declaratório de suspensão de imunidade por expressa disposição da legislação tributária. Ementa: SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E AUTOS DE INFRAÇÃO – Lavrados Autos de Infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra as exigências de crédito tributário são reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Ementa: BASE DE CÁLCULO. IRPJ. Afastada a hipótese de erro material na apuração da base de cálculo, mantémse a exigência. Ementa: ASSISTÊNCIA SOCIAL INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES. ISENÇÃO. A imunidade prevista no artigo 150, VI, “c”, da CF contempla apenas os impostos e a prevista no artigo 195, § 7º, da CF abrange tão somente as entidades beneficentes de assistência social. As instituições de educação são prestadoras de serviço e, quando recebem a correspondente contraprestação, não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 798 6 CSLL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A contribuição social instituída pela Lei nº 7.689/88 incide sobre o resultado econômico positivo da pessoa jurídica, imposição que não se restringe ao conceito estrito de lucro contábil em razão do mandamento constitucional segundo o qual "seguridade social será financiada por toda sociedade" (art. 195, caput, 1ª parte, da CF/88). Ementa: ASSISTÊNCIA SOCIAL INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES. ISENÇÃO. A imunidade prevista no artigo 150, VI, “c”, da CF contempla apenas os impostos e a prevista no artigo 195, § 7º, da CF abrange tão somente as entidades beneficentes de assistência social. As instituições de educação são prestadoras de serviço e, quando recebem a correspondente contraprestação, não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. PIS FATURAMENTO. PAES. FALTA DE RECOLHIMENTO. Comprovada a improcedência da alegada inclusão na declaração PAES, dos débitos apurados na ação fiscal, mantémse a exigência. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com o acórdão da 3ª Turma da DRJ/São Paulo, a recorrente interpôs recurso voluntário aduzindo: que apresentou toda a documentação relativa à sua movimentação financeira, bem como a sua escrituração contábil, e que observou corretamente o disposto no art. 14 do CTN; que a autoridade fiscal não concedeu prazo suficiente para a correção dos equívocos encontrados; que a autoridade fiscal não avaliou a documentação entregue pela recorrente para aferir seu resultado, tendo preferido enveredar pelo caminho do arbitramento; que a Lei 9.532/97 teve por escopo a implementação das regras estabelecidas no art. 14 do CTN, notadamente no que se refere à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras, mas que o art. 12 da referida lei pretendeu alterar o art. 14 do CTN, mudando norma com status de lei complementar; que houve concessão de medida liminar em ADIn para suspender a aplicação do § 1º e da alínea “f” do art. 12 da Lei 9.532/97, bem como dos arts. 13 e 14, da mesma lei; que, com a suspensão da eficácia do art. 14 da Lei 9.532/97, a eficácia do art. 32 da Lei 9.430/96 ficou abalada; que a autoridade fiscal, por simples comodidade, desconsiderou todos os argumentos e documentação apresentados pela recorrente, os quais comprovam o preenchimento de todos os requisitos legais para que a recorrente pudesse gozar do benefício da imunidade; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 799 7 que o arbitramento dos lucros somente se consagra nos casos em que o contribuinte em que a escrituração contábil é imprestável; que a recorrente apresentou ao fisco a escrituração de sua movimentação financeira, com todas as operações, inclusive as bancárias; que o erro existente na contabilidade da recorrente não teria jamais o condão de trazer prejuízo ao fisco, pois após a correção desses erros, o superávit de R$ 560.715,10 converteuse em déficit de R$ 1.090.480,65. que toda a documentação entregue pela recorrente era suficiente para identificação de sua efetiva movimentação financeira e bancária e para a determinação do seu resultado; que ainda que a documentação não fosse suficiente, a autuação contém erros, pois não foram excluídos da receita bruta créditos existentes em extratos bancários que não representam receitas, como demonstra em demonstrativo acostado ao recurso; razão pela qual, se mantida a suspensão de sua imunidade, os créditos tributários devem ser objeto de nova apuração; Diante desses argumentos, requer: a cassação do ato declaratório de suspensão da imunidade da entidade; que, não havendo a cassação desse ato, sejam os autos de infração anulados, com o objetivo de que seja aberto novo prazo para a apresentação de escrituração contendo o lucro real da entidade; que, em caso de indeferimento dos dois pedidos anteriores, que o acórdão recorrido seja anulado, para que o cálculo dos tributos com base no arbitramento seja refeito. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 3/8/2010, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 110300.269, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do arbitramento dos lucros os valores considerados como receitas omitidas, nos respectivos trimestres, e, por maioria de votos, cancelar o auto de infração de PIS, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: SUSPENSÃO DE IMUNIDADE – RITO LEGAL A cautelar concedida na ADIn 1.8023, que suspendeu a eficácia do art. 14 da Lei 9.532/97, não tem o efeito de interditar a aplicação do art. 32 da Lei 9.430/96 ao caso vertente. A eficácia suspensa do art. 14 da Lei 9.532/97 é consequência da suspensão de eficácia do § 1º e da alínea “f” do § 2º do art. 12 e do caput do art. 13 da Lei 9.532/97. O que se deu no caso vertente foi a suposta inobservância das hipóteses descritas nas Fl. 799DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 800 8 alíneas “c” e “d” do § 2º da Lei 9.532/97 bem como do inciso III do art. 14 do CTN. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE Embora as intimações tenhamse referido globalmente à movimentação financeira por instituição bancária, para apresentação dos livros comerciais obrigatórios nos quais esteja escriturada tal movimentação financeira, fato é que a recorrente não logrou apresentar a maior parte da escrituração contábil à citada movimentação financeira. E, nesse contexto, diante da resposta às intimações com os documentos carreados, e sem a indicação de que todos os valores da movimentação financeira não escriturada correspondem somente a fatos contábeis permutativos, sem nada representar, em nenhuma parcela, receita (ou despesa) da recorrente, resulta tipificada a infração ao art. 14, III, do CTN e ao art. 12, § 2º, “c”, da Lei 9.532/97. Justificada a “suspensão” da imunidade. OMISSÃO DE RECEITAS POR MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA –NULIDADE – IRPJ, CSLL Em nenhuma das intimações se fez remissão ao art. 42 da Lei 9.430/96, mesmo indireta ou obliquamente, nem é dito sobre presunção de omissão de receitas, na falta de atendimento e comprovação das origens dos depósitos e créditos bancários. Sobretudo, em nenhuma das intimações se requer a comprovação das origens de créditos individualizados. No caso vertente, as intimações foram para comprovação da origem dos saldos, ou melhor, do valor de totalização de movimentação financeira por instituição bancária. Hipótese em que caberia à autoridade fiscalizadora ter aprofundado as investigações. Vício material por carência ou insuficiência de certeza do crédito, que vitima a exigência fiscal relativa à omissão de receitas por movimentação financeira que compõem o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO DO LUCRO – ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS Não merece agasalho a alegação de que a recorrente não se sujeitaria ao IRPJ e à CSL, por não apurar lucro, e sim somente superávit, por ser entidade sem fins lucrativos. Aqui, a recorrente teve a imunidade “suspensa”, por descumprimento dos requisitos do art. 14, III, do CTN e do art. 12, § 2º, “c”, da Lei 9.532/97. E não houve sequer apresentação de escrituração contábil regular e, assim, dos Livros Diário e Razão. Não se divisa vício a derruir o arbitramento do lucro ancorado nas demais receitas, empreendido pelo autuante, na exigência de IRPJ e de CSL. PIS – FATURAMENTO Fl. 800DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 801 9 A suspensão de imunidade do IRPJ não tem, por si, o condão de sujeitar a recorrente ao PIS com base no faturamento. Os preceitos legais da Lei 9.715/98 invocados pela autoridade fiscal conectados com o motivo do lançamento não permitem endossar a pretensão fiscal (faturamento). Vício substancial que fulmina o lançamento. Primeiramente, negou provimento ao recurso quanto à “suspensão” de imunidade, e afirmou que a cautelar concedida na ADIn 1.8023, a qual suspendeu a eficácia do artigo 14 da Lei 9.532/97 em decorrência da suspensão de eficácia dos artigos 2º, §1º, “f” e 13 da Lei 9.532/97, não possui o condão de impedir a aplicação ao presente caso do artigo 32 da Lei 9.430/96. Apontou que há no presente caso a suposta inobservância das hipóteses previstas no artigo 14, III, do CTN e nas alíneas “c” e “d” do § 2º da Lei 9.532/97. Consignou que, tendo em vista que deve ser aplicado ao caso em questão o artigo 32 da Lei 9.430/96 e que esse determina que o Delegado da Receita Federal deve expedir o ato “suspensivo” da imunidade, resta claro que a recorrente não teve grande parte de suas movimentações financeiras escrituradas. Registrou que, apesar de a recorrente ter sido intimada a apresentar as suas movimentações financeiras por instituições bancárias e a escrituração contábil dessas movimentações, ela não apresentou a maior parte dessa escrituração. Nesse sentido, esclareceu que a não apresentação da escrituração supramencionada fez com que não houvesse elementos nos autos capazes de comprovar que todos os valores da movimentação financeira não escriturada representam somente fatos contábeis permutativos e que todos os valores em questão não são receita ou despesa da entidade, sendo assim a infração cometida pela recorrente tipificada no artigo 14, III, do CTN e no artigo 12, § 2º, “c”, da Lei 9.532/97. Atestou que a fiscalização agiu corretamente ao realizar o arbitramento do lucro da recorrente com base na sua movimentação bancária. Colacionou o artigo 42 da Lei 9.430/96 e afirmou que para que a hipótese legal de presunção de omissão de receitas seja concretizada com a inversão do ônus da prova, devem estar presentes quatro requisitos, sem os quais não haverá a presunção de omissão de receita e, conseqüentemente, não haverá a caracterização de omissão de receitas, a não ser que fiscalização aprofunde sua investigação e comprove a omissão de receitas e sua quantificação. Indicou que os 4 requisitos são os seguintes: Haver a devida individualização dos créditos ou depósitos bancários; Haver a prévia e regular intimação para a comprovação da origem dos depósitos ou créditos bancários individualizados; O contribuinte deve ser cientificado de forma correta sobre a possibilidade da utilização da presunção, caso ele não comprove a origem dos créditos ou depósitos bancários; Fl. 801DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 802 10 Haver a análise individualizada e cuidadosa dos créditos ou depósitos bancários. Consignou que por meio da análise dos autos é possível extrair algumas conclusões, dentre elas a que indica que não há no presente caso os requisitos retromencionados, fazendo com que não haja nesse a presunção legal de omissão de receitas por créditos ou depósitos bancários de origem incomprovada, de acordo com o trecho do acórdão do CARF, de fls. 776 a 778 (eprocesso), infratranscrito: Conforme o Termo de Início de Fiscalização de 29/03/01 (fls. 13 e 14), no qual se indica a totalização de movimentação financeira por instituição bancária no anocalendário de 1998 obtida com base nas informações prestadas à Receita Federal pelas instituições financeiras, conforme o art. 11, § 2°, da Lei 9.311/96 a recorrente é intimada à apresentação: a) dos extratos das contas bancárias que deram origem a tal movimentação financeira; b) dos livros comerciais obrigatórios nos quais a movimentação financeira esteja escriturada, assim como da documentação que lhe deu suporte; c) da DIPJ relativa ao anocalendário de 1998; d) formulários de verificações obrigatórias preenchidos, atinentes aos cinco últimos exercícios. Mediante os Termos de Continuidade de Fiscalização e de Ação Fiscal, de 29/05/01 (fl. 75), de 22/O8/O1 (fl. 76), de 22/11/01 (fl. 78), permanece a solicitação dos livros contábeis conforme “b” acima. Segundo o Termo de Intimação Fiscal de 22/02/02 (fl. 81), vêse que a recorrente é intimada a comprovar, no prazo de cinco dias, a origem e a apresentar a escrita contábil (Diário e/ou Razão) da movimentação financeira referente ao anocalendário de 1998, conforme a mesma totalização de movimentação financeira por instituição bancária indicada no Termo de Intimação Fiscal de 29/03/01 (é reproduzida a mesma totalização por instituição bancária no termo em causa). No Termo de Intimação de Fiscalização de 7/03/03 (fl. 84), a recorrente é intimada a: a) apresentar Demonstrativo do Lucro Real do anocalendário de 1998, com as adições e exclusões pertinentes; b) colocar à disposição para exame os livros contábeis e fiscais do período, bem como a documentação correspondente. No Termo de Constatação Fiscal de 11/11/03 (tl. 90), é consignado que a recorrente não atenderá às intimações de 22/025/02 e de 7/03/03, reproduzindo o quadro contido no Termo de Intimação Fiscal de 22/02/02, que veicula a movimentação por total, no anocalendário de 1998, discriminado por instituição financeira, para comprovação da origem e da correspondente escrituração nos livros contábeis, dessa movimentação financeira. Ainda, pelo Termo de Constatação Fiscal em questão, a recorrente é intimada ao cumprimento do contido nos referidos termos de intimação. Observo que no Termo de Verificação Fiscal (fls. 158 a 162) que acompanha os autos de infração de IRPJ e de CSL é consignado Fl. 802DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 803 11 que, quanto à movimentação financeira de R$ 14.444.401,21, constante do Relatório de Movimentação Financeira Base CPMF, somente a de R$ 5.003.326,76, para o Banco Santander Brasil S.A. foi escriturada em livros contábeis. E que, em relação aos R$ 9.441.074,45 restantes, para os demais bancos, não há registro contábil da correspondente movimentação financeiras, caracterizando indício de omissão de receitas (fl. 158). Ainda no referido Termo de Verificação Fiscal é dito que, após confrontação dos extratos bancários relativos a movimentações financeiras não escrituradas em livros contábeis, apresentados pela recorrente, constatouse indício de omissão de receitas em depósitos a crédito no valor de R$ 5.037.278,49 (fl. 159). Consta Demonstrativo de Movimentação Financeira de 1998 discriminados por mês, com subtotalizações trimestrais, indicandose os totais de lançamentos a crédito, exclusões dos créditos, e totais líquidos. Figura a observação de que os valores da coluna “Exc1. dos Créditos” correspondem a transferências entre bancos, contas garantidas (empréstimos) e devolução de cheques (fl. 159). No anexo ao Termo de Verificação Fiscal constam cópias dos quadros demonstrativos e elaboração de demonstrativos por instituição financeira, consolidados por dia, de movimentações, com histórico a bem ver, nos autos, tal anexo figura antes do Termo de Verificação Fiscal e logo após o Termo de Constatação Fiscal, nas fls. 93 a 157. Também no Termo de Verificação Fiscal é pontuado que se considerando não ter a recorrente apresentado o Demonstrativo de Lucro Real, conforme o Termo de 7/03/03, nem comprovado a origem da movimentação financeira, conforme o Termo de 22/02/02, é constituído crédito tributário de IRPJ e de CSL, por arbitramento do lucro, com base em receita conhecida, e de omissão da movimentação financeira não escriturada, consoante o art. 47, III, da Lei 8.981/95 (fl. 161). Disso tudo, constato o seguinte. Em nenhuma das intimações se fez remissão ao art. 42 da Lei 9.430/96, mesmo indireta ou obliquamente. Quer dizer, em nenhum momento é dito nas intimações sobre presunção de omissão de receitas, na falta de atendimento e comprovação das origens dos depósitos e créditos bancários. Mais. Em nenhuma das intimações se requer a comprovação das origens de créditos individualizados. A primeira intimação, de 23/03/01, foi para apresentação de extratos das contas bancárias que deram origem à movimentação financeira, do anocalendário de 1998, indicada segundo totais por instituição bancária, e que derivam de informações prestadas pelas instituições financeiras à Receita Federal, nos termos do art. 11, § 2°, da Lei 9.311/96 (fls. 13 e 14). Fl. 803DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 804 12 A outra intimação atinente aos créditos e depósitos bancários, de 22/02/02, foi para comprovação da origem e apresentação da escrita contábil da movimentação financeira do anocalendário de 1998, conforme a movimentação total por instituição bancária, que reproduz a indicada na primeira intimação (fl. 81). Mais uma intimação, mediante Termo de Constatação Fiscal, de 11/11/O3, reitera a de 22/02/02, remetendo à movimentação financeira total por instituição financeira, no anocalendário de 1998, reproduzindo novamente o quadro com as referidas totalizações (fl. 90). Não tenho dúvidas, pois, que o caso não consagra presunção legal de omissão de receitas por créditos ou depósitos bancários de origem incomprovada, pela ausência dos requisitos que havia indicado alhures.” Apontou que não estão presentes nos autos as cópias de extratos bancários entregues pela recorrente à fiscalização, e que só há nesses a elaboração de consolidação diária de créditos e depósitos bancários por instituição financeira, com expurgo de cheques devolvidos, de operações de crédito, de créditos de CPMF, de resgates de aplicações e de transferência entre constas da mesma titularidade. Atestou que o próprio autuante estabelece, no TVF, que há um indicio de omissão de receitas, e não a omissão propriamente dita, e que o órgão julgador não pode realizar a atividade investigatória que é de competência da fiscalização, sob pena de supressão de instância e do cerceamento do direito de reação do contribuinte. Nesse sentido, registrou que, tendo em vista que não há a presunção legal de omissão de receitas sobre a movimentação financeira, a fiscalização deveria ter aprofundado as investigações. Consignou que devido à carência ou insuficiência de certeza do crédito tributário, a exigência fiscal fundada sob a rubrica “omissão” deve ser nula. Afirmou que não deve prosperar a alegação da recorrente de que só deve ser realizado o arbitramento nos casos em que a escrituração contábil é imprestável. Acentuou que há um equívoco redacional no TVF, pois esse não registrou expressamente que a recorrente não apresentou os livros contábeis e a escrituração contábil, a que se refere o Termo de Intimação de Fiscalização e o Termo de Constatação Fiscal. Nesse sentido, esclareceu que só há presente nos autos o “Resumo – Demonstrativo de Resultado Ano 1.998” e a Demonstração de Resultado do Exercício de 1998. Estabeleceu que o arbitramento feito pela fiscalização está correto, pois, além de inexistir lançamento “condicional”, nos termos do artigo 47, III, da Lei 8.981/95, reproduzido no artigo 530, III, do RIR, a falta da apresentação da escrituração contábil com os livros que a contém é suporte fático para o arbitramento. Entendeu que não há vício na exigência fiscal denominada como “Receitas Correntes Fac.”, “Receitas Diversas Fac.”, “Receitas Correntes Col.”, “Receitas Diversas Col.” e “Devol. De Receitas”. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 805 13 Consignou que não deve prosperar a alegação da recorrente no sentido de que essa não está sujeita ao IRPJ e à CSL por não apurar lucro, pois, além de essa não ter apresentado os documentos necessários, ela teve a sua imunidade “suspensa” devido ao descumprimento dos requisitos do artigo 14, III, do CTN e do artigo 12, § 2º, “c”, da Lei 9.532/97. Nesse sentido, concedeu provimento parcial à exigência de IRPJ para excluir, por nulidade parcial, os valores de “omissão” de receitas por indício referentes à movimentação financeira, objeto do arbitramento do lucro. Apontou que as receitas objeto do lançamento do PIS são as presentes no “Resumo – Demonstrativo de Resultado Ano 1.998”. Afastou a exigência de PISFaturamento, afirmando que os preceitos legais em causa (artigo 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98) e a suspensão da imunidade do IRPJ (motivo do lançamento), não trazem como consequência a sujeição da recorrente a esse tributo. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a recorrente apresentou embargos de declaração de fls. 785 a 789 (eprocesso), arguindo, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que, tendo em vista que a recorrente não questionou o dispositivo legal utilizado para o lançamento, bem como não fez referencia específica à autuação quanto ao PIS, resta evidente que ela não alegou a tese exposta pelo Relator na decisão recorrida. Registrou que a recorrente apenas questionou em seu recurso a manutenção da imunidade quanto ao PIS e a existência de empréstimos bancários capazes de reduzir a omissão supostamente realizada por ela. Consignou que a capitulação incorreta, imprecisa do auto de infração ou a ausência de enquadramento legal, não possui o condão de cancelar o lançamento, ainda mais quando a recorrente exerceu o seu direito à ampla defesa, pois essa se defende dos fatos a ela imputados e não dos dispositivos legais utilizados para o lançamento. Apontou que como a recorrente não questionou a capitulação legal presente no lançamento, a invocação dessa pela decisão recorrida configura matéria nova suscitada de ofício. Acentuou que, de acordo com os artigos 128 e 460 do CPC e os artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/72, a apreciação da capitulação legal presente no lançamento pela decisão recorrida fere o Princípio do Ônus da Impugnação Específica e o do Efeito Devolutivo. Isso porque, além de a autoridade de primeira instância não ter analisado essa matéria, ela está preclusa e não é matéria de ordem pública. Por fim, requereu que seja conhecido e provido o presente recurso, de modo a ser reconhecida a contradição apontada e restringido o mérito do julgado objeto do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 806 14 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo (fls. 782 e 783, numeração do eprocesso). A embargante alega contradição entre o pedido da contribuinte e o julgado no acórdão embargado. Há potencialidade de contradição no referido acórdão, de modo que conheço dos embargos. Como se viu do relatório, a PFN argui a contradição acima referida, pois o acórdão embargado enfrentou matéria suscitada de ofício, resultando num acórdão extra petita. No caso, a matéria em questão se identifica na nulidade parcial por vício substancial, do lançamento de IRPJ e de CSL, quanto às receitas omitidas por “presunção” ou por indício, que compuseram o lucro arbitrado, e no cancelamento da exigência de PIS Faturamento, por incompatibilidade do motivo com a pretensão de PIS sobre o faturamento. Sobre essas duas matérias, o Acórdão nº 110300.269 deu provimento parcial por unanimidade de votos, quanto ao IRPJ e à CSL, e cancelou o lançamento de PIS, por maioria. Para que não haja dúvidas sobre o que se põe, transcrevo a parte do voto do acórdão embargado referente às matérias: Em nenhuma das intimações se fez remissão ao art. 42 da Lei 9.430/96, mesmo indireta ou obliquamente. Quer dizer, em nenhum momento é dito nas intimações sobre presunção de omissão de receitas, na falta de atendimento e comprovação das origens dos depósitos e créditos bancários. Mais. Em nenhuma das intimações se requer a comprovação das origens de créditos individualizados. A primeira intimação, de 23/03/01, foi para apresentação de extratos das contas bancárias que deram origem à movimentação financeira, do anocalendário de 1998, indicada segundo totais por instituição bancária, e que derivam de informações prestadas pelas instituições financeiras à Receita Federal, nos termos do art. 11, § 2º, da Lei 9.311/96 (fls. 13 e 14). A outra intimação atinente aos créditos e depósitos bancários, de 22/02/02, foi para comprovação da origem e apresentação da escrita contábil da movimentação financeira do anocalendário de 1998, conforme a movimentação total por instituição bancária, que reproduz a indicada na primeira intimação (fl. 81). Mais uma intimação, mediante Termo de Constatação Fiscal, de 11/11/03, reitera a de 22/02/02, remetendo à movimentação financeira total por instituição financeira, no Fl. 806DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 807 15 anocalendário de 1998, reproduzindo novamente o quadro com as referidas totalizações (fl. 90). Não tenho dúvidas, pois, que o caso não consagra presunção legal de omissão de receitas por créditos ou depósitos bancários de origem incomprovada, pela ausência dos requisitos que havia indicado alhures. No caso vertente, as intimações foram para comprovação da origem dos saldos, ou melhor, do valor de totalização de movimentação financeira por instituição bancária, e da correspondente escrituração nos livros contáveis dessa movimentação. Ademais, não há nos autos cópia dos extratos bancários oferecidos pela recorrente à fiscalização, em atendimento à primeira intimação (fls. 13 e 14). O que há é a elaboração pelo autuante de consolidação diária de créditos e depósitos bancários, por instituição financeira, com expurgo de cheques devolvidos, de operações de crédito, de créditos de CPMF, de resgates de aplicações e de transferência entre contas de mesma titularidade (fls. 95 a 157). E isso, no anexo do Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos de infração de IRPJ e de CSL. Ou seja, na conclusão do procedimento fiscal com a ultimação dos atos de lançamento. Não por menos, no Termo de Verificação Fiscal, o próprio autuante fala textualmente em indício de omissão de receitas, e não de omissão de receitas (fls. 158 e 159). De outra parte, não cabe ao órgão julgador suprir a atividade investigatória da fiscalização, sob pena de cerceamento do direito de reação do contribuinte, bem como de supressão de instância. Outrossim, entendo que caberia à autoridade fiscalizadora ter aprofundado as investigações, diante da ausência da presunção legal de omissão de receitas sobre movimentação financeira. Reputo, pois, estar eivada de nulidade a exigência fiscal fundada sob a rubrica de “omissão”, conforme o quadro de fl. 161, e o quadro de fl. 159 (como “Demonstrativo da Movimentação Financeira em 1998”), por carência ou insuficiência de certeza do crédito tributário. Acentuo que a situação aqui é diversa da posta em relação à da “suspensão” de imunidade, questão a qual já apreciei anteriormente. Lá, naquele contexto, o não atendimento às intimações faz recair o ônus sobre a recorrente, a ilidir a existência de alguma receita correspondente a toda a movimentação financeira. É bem diverso do que se dá na questão em exame. Noutra senda, a recorrente alega que somente quando se mostre imprestável a escrituração contábil caberia o arbitramento, o que não se dá no caso em dissídio, porquanto a autoridade fiscal Fl. 807DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 808 16 não a rechaçou em tais termos, ademais do que, a bem ver, houve déficit de R$ 1.090.480,65, conforme Demonstração de Resultado do Exercício anexado ao recurso (fls. 502 e 503), e não um superávit. Não merece agasalho a arguição da recorrente sobre essa questão. O que vejo aqui é o seguinte. Embora o Termo de Verificação Fiscal não se tenha pautado, nesse passo, da melhor forma, pois deixou de dizer expressamente que a recorrente não apresentara os livros contábeis e, assim, a escrituração contábil, a que se refere o Termo de Intimação de Fiscalização de fl. 84 e o Termo de Constatação Fiscal de fl. 90, notase que se cuida de equívoco redacional. Sucede que não vi nos autos a cópia da referida escrituração contábil, tampouco dos livros contábeis requeridos pela fiscalização. Localizei, sim, “Resumo – Demonstrativo de Resultado Ano 1.998” (fl. 92), mas não cópia dos livros contendo a escrituração contábil. Ainda, o que a recorrente traz, junto com o recurso, é tão só a Demonstração de Resultado do Exercício de 1998 (fls. 502 e 503), mas não a referida escrituração contábil. Ademais disso, em matéria de arbitramento, descabe pretender rechaçálo trazendo a escrituração contábil só após a lavratura dos lançamentos, porquanto inexiste lançamento “condicional”. A questão, pois, é de falta de apresentação da escrituração contábil com os livros que a contém, e não de imprestabilidade daquela. Ora, tal falta é suporte fático para arbitramento, conforme o art. 47, III, da Lei 8.981/95, reproduzido no art. 530, III, do RIR/99. Aliás, o Termo de Verificação Fiscal e o autos de infração de IRPJ faz expressa remissão ao art. 47, III, da Lei 8.981/95. Por conseguinte, não vejo eiva a derruir o arbitramento levado a efeito pelo autuante. Nesse sentido, não diviso vício na exigência fiscal ancorada sobre “Receitas Correntes Fac.”, “Receitas Diversos Fac.”, “Receitas Correntes Col.”, “Receitas Diversas Col.” Menos “Devol. de Receitas”, conforme o mesmo quadro de fl. 161 do Termo de Verificação Fiscal, e o quadro da fl. 91, este, elaborado pela recorrente durante a fiscalização. Ainda, no caso vertente, não vejo como se possa acolher a alegação de que a recorrente não se sujeitaria ao IRPJ e à CSL, por não apurar lucro, e sim somente superávit, por ser entidade sem fins lucrativos. Sucede que, aqui, a recorrente teve a imunidade “suspensa”, por descumprimento dos requisitos do art. 14, III, do CTN e do art. 12, § 2º, “c”, da Lei 9.532/97. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 809 17 Não houve sequer apresentação de escrituração contábil regular e, assim, dos Livros Diário e Razão. Nesse contexto, não endosso a alegação de inexistência de lucro a ensejar o afastamento da incidência de IRPJ e de CSL, com base em arbitramento do lucro. Sob essa ordem de considerações, no que pertine à exigência de IRPJ, dou provimento parcial para excluir, por nulidade parcial, os valores de “omissão” de receitas por indício, correspondentes à movimentação financeira, objeto do arbitramento do lucro. No que toca à exação do PIS, passo a deduzir o que se segue. Consoante o “Demonstrativo de Apuração de 1998” (fl. 382) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 381 a 383), noto que as receitas objetivadas no lançamento não contemplam aquelas de “omissão” por indícios, que participaram da apuração do IRPJ e da CSL por arbitramento. Vejo que as receitas objeto do lançamento são aquelas informadas pela recorrente, na fase de fiscalização, conforme “Resumo – Demonstrativo de Resultado Ano 1.998” (fls. 92 e 378). Impende registrar que o auto de infração lança suporte nos arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98 (fl. 389) e assim no Termo de Verificação Fiscal (fl. 382). E o motivo do lançamento foi o descumprimento de requisitos constitucionais, com o que a recorrente teve suspensa sua imunidade do IRPJ, como se constata do Termo de Verificação Fiscal (fls. 381 e 382). Era a seguinte a dicção dos arts. 2º, 8º e 9º, da Lei 9.715/98: Art. 2o A Contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; II pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações, com base na folha de salários; (Revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. § 1º. As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. § 2º. Excluemse do disposto no inciso II deste artigo os valores correspondentes à folha de pagamento das instituições ali referidas, custeadas com recursos originários dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 810 18 § 3º. Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 4º. Não se incluem, igualmente, na base de cálculo da contribuição das empresas públicas e das sociedades de economia mista, os recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União. (Revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 5º. O disposto nos §§ 2o, 3o e 4o somente se aplica a partir de 1o de novembro de 1996. § 6º. A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: I zero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento; II um por cento sobre a folha de salários; III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes de capital recebidas. Art. 9º À contribuição para o PIS/PASEP aplicamse as penalidades e demais acréscimos previstos na legislação do imposto sobre a renda. Posto isso, e diante do motivo do lançamento, não vejo como possa prosperar a pretensão fiscal. Os preceitos legais em causa e conectados com o motivo do lançamento não permitem extrair o juízo de que a recorrente se sujeita ao PISFaturamento. A suspensão da imunidade do IRPJ não tem relação, ou melhor, não tem o condão sujeitar a recorrente ao PIS com base no faturamento. E os dispositivos legais invocados pela autoridade fiscal para sua pretensão não a socorrem. Tanto que o acórdão a quo concorre com inovação, para salvar o lançamento. Não por menos, no voto do relator de decisório de origem, é feita a remissão ao art. 13 da Medida Provisória 2.158/01, aos arts. 9º e 46, do Decreto 4.524/02 e aos arts. 9º e 47, da Instrução Normativa SRF 247/02, que reproduzem os arts. 9º e 46 do referido decreto. E, dessa forma, conclui que a recorrente não se sujeita ao PISFolha de Pagamentos por não possuir o Certificado de Entidade de Assistência Social. Sob o manto dessas considerações, dou provimento ao recurso quanto à exigência de PISFaturamento.(fls. 777 a 781, numeração do eprocesso, negrejamos) Nenhuma contradição há no acórdão embargado. Aliás, contradição propriamente dita seria entre os fundamentos, ou entre fundamento(s) e dispositivo, ou mesmo no dispositivo. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 19515.004871/200381 Acórdão n.º 1103001.069 S1C1T3 Fl. 811 19 O fato de a decisão sobre as questões em comentário ter sido fundada em argumentos não articulados pela recorrente não representa contradição no acórdão, tampouco julgamento extra petita. Aliás, os aspectos levantados pela PFN foram inclusive objeto de debate durante o julgamento, conquanto não conste expressamente no voto. Por outro lado, é consabido que os embargos aclaratórios são espécie recursiva que não se prestam a reexame de matéria, tendo caráter integrativo, e não substitutivo da decisão embargada. Eventual efeito infringente pode emergir dos embargos, mas como mera consequência lógica ou necessária, do saneamento de contradição ou de omissão (jamais de obscuridade). Não é o caso; não há contradição a ser sanada. Nessa ordem de considerações, conheço dos embargos e lhes nego provimento. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de junho de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 811DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 19740.900412/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente processo trata de pedido de compensação (PER/Dcomp) n° 28375.48397.191208.1.3.045412, onde a Recorrente informa a existência de crédito no valor de R$ 196.093,27, decorrente suposto pagamento indevido ou a maior do PIS, a compensar com débitos do mesmo tributo, relativo a novembro de 2008. Para tentar elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase de litígio administrativo, instaurado com a manifestação de inconformidade apresentada por SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE SOCIEDADE ANÔNIMA (fls 09 12) contra o despacho decisório proferido pelo titular da unidade da RFB competente em relação ao sujeito passivo, não homologando o pedido de compensação (fl.04). O PERDCOMP n° 28375.48397.191208.1.3.045412 foi transmitido em 19122008. Com o PERDCOMP, o sujeito passivo tenciona compensar suposto crédito havido em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .9 00 41 2/ 20 09 -5 2 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900412/200952 Resolução nº 3202000.254 S3C2T2 Fl. 205 2 função de pagamento a maior de COFINS, no valor original inicial de R$ 196.093,27 (fl. 01verso) com débito de COFINS relativo a novembro de 2008 no valor principal de R$ 225.722,96. A decisão de não homologar o PERDCOMP n° 28375.48397.191208.1.3.045412 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP" (fl. 04). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese (fls. 0912): Objetivando extinguir por compensação débito referente a PIS relativo ao período de apuração de novembro de 2008, compensouo com crédito de sua titularidade, no valor original de R$ 196.093,27 , conforme declaração de compensação (PER/DCOMP) transmitida eletronicamente. Ao examinar a citada declaração de compensação, o servidor entendeu que o DARF havia sido integralmente alocado ao próprio débito a que se referia, nada restando que pudesse ser objeto de restituição ou de compensação. Em 24092003, impetrou mandado de segurança contra a cobrança daquela contribuição prevista nos arts. 2o , 3 o e 17 da Lei 9.718/98, tendo depositado em contas a ele vinculada os valores em discussão. Conforme atesta a DCTF retificadora apresentada (fls. 71/72), em 27052009, antes da prolação do despacho decisório impugnado, o valor devido a título de PIS em julho de 2007 totalizara R$ 2.695.650,37 , dos quais: i) R$ 840.778,06 estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao mandado de segurança citado e; ii) Os restantes R$ 1.854.872,31 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 2.050.965,58. Resta certo, portanto, que no DARF de R$ 2.050.965,58 está incluída a contribuição para o quantia de R$ 196.093,27, recolhida indevidamente, passível de ser utilizada para compensação com débitos da titularidade da requerente Para reforçar seu direito ao citado crédito, a requerente anexa demonstrativo do profissional responsável pelas suas escriturações contábil e fiscal, contendo a base de cálculo da contribuição para a PIS apurada em junho de 2007, cópia de seu livro razão demonstrando a reversão de provisão e o lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da contribuição decorrente dessa reversão, bem como parte do balancete espelhando o saldo das contas relacionadas. Pede, por fim, que seja reformado o despacho decisório, reconhecendose seu direito creditório. É o relatório. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II proferiu o Acórdão nº 1334.383, em 19 de abril de 2011 (e fls nº 88/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/076/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900412/200952 Resolução nº 3202000.254 S3C2T2 Fl. 206 3 Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada cientificada do Acórdão em 03/02/2012 (efl. 202), interpôs Recurso Voluntário em 05/03/2012 (efls. 112/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de solicitar a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Compulsandose os autos verificase a existência de questões fáticas que precisam ser esclarecidas. O pedido de compensação efetuado pelo contribuinte foi denegado pela autoridade fiscal em face de “inexistência de crédito”, conforme Despacho Decisório eletrônico, emitido em 07/10/2009 pela DEINF Rio de Janeiro (efl. 7). Em seu recurso o contribuinte afirma ter apresentado DCTF retificadora (em 27/05/2009) antes da prolação do despacho decisório e alega, em síntese, que “o valor devido a título de PIS em julho de 2007 totalizara R$ 2.695.650,37, dos quais (i) R$ 840.778,06, estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao Mandado de Segurança nº 2003.61.000199347 (ii) os restantes R$ 1.854.872,31 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 2.050.965,58, tornandose, portanto, R$ 196.093,27 valor recolhido indevidamente passível de restituição/compensação”. Muito embora o contribuinte tenha retificado a DCTF antes da ciência do despacho decisório, a decisão da DRJRio de Janeiro foi proferida no sentido de que o contribuinte não havia comprovado o seu direito à restituição/compensação. Entendo que deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DEINF Rio de Janeiro em diligência, para que a fiscalização analise os documentos anexados aos autos pela Recorrente, intimandoa para prestar outras informações ou apresentar documentos que julgar necessários, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900412/200952 Resolução nº 3202000.254 S3C2T2 Fl. 207 4 Ao término da diligência, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados e documentos apresentados. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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