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6688532 #
Numero do processo: 12448.735771/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD

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2402­005.628  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de fevereiro de 2017  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  EDVALDO FERREIRA DOS SANTOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2009  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.  É  definitiva  a  decisão  de  primeira  instância  quando  não  interposto  recurso  voluntário  no  prazo  legal.  Não  se  toma  conhecimento  de  recurso  intempestivo.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 57 71 /2 01 1- 11 Fl. 87DF CARF MF     2    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Bianca Felícia Rothschild ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Túlio  Teotônio  de  Melo  Pereira,  Theodoro  Vicente  Agostinho,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 12448.735771/2011­11  Acórdão n.º 2402­005.628  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Conforme  relatório  da  decisão  recorrida,  contra  o  contribuinte  acima  qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do ano­calendário de 2009 às fls. 5 a 7, na  qual foi apurada a omissão de rendimentos de ação judicial federal no valor de R$ 118.944,71  (fl. 6) conforme o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 7).  O  crédito  tributário  e  o  enquadramento  legal  constam  na  respectiva  notificação.  Inconformado  o  Interessado,  por meio  da  impugnação  de  fls.  2  e  3,  contesta  o  lançamento alegando ter recebido verbas de alimentos em razão de aposentadoria por tempo de  serviço perante o  INSS. No seu entendimento,  já foi descontado o imposto de renda na fonte  quando do recebimento dos benefícios.  Alega a seguir, ter o amparo da Lei 10.471/2003 e do Decreto Lei 1.351/1974  por  ter mais  de  65  anos.  Por  não  ter  conhecimento  de  informática,  ficou  impossibilitado  de  entregar declaração retificadora após a morte do profissional contratado que dispõe de toda a  documentação pertinente.  Por último no mérito, acrescenta que a aposentadoria por tempo de serviço é  rendimento  isento  e  não  tributável  e  solicita  novo  prazo  para  a  apresentação  de  declaração  retificadora.  A  decisão  da  autoridade  de  primeira  instancia  julgou  improcedente  a  impugnação da Recorrente, cuja ementa encontra­se abaixo transcrita:  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  AÇÃO  JUDICIAL  FEDERAL.Os  rendimentos  do  trabalho  recebidos  acumuladamente estão sujeitos à incidência do imposto de renda  no mês do recebimento e na declaração de ajuste.  RETIFICAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  APÓS  O  INÍCIO  DO  PROCEDIMENTO  DE  OFÍCIO.É  vedada  pela  legislação  a  retificação de declaração depois de iniciado o procedimento de  ofício.  Cientificado da decisão de primeira instancia em 13/10/2014 (AR ­ fl. 58), o  contribuinte  apresentou,  em  25/11/2014,  o  recurso  voluntário  repisando  os  argumentos  aduzidos na impugnação.  É o relatório.  Fl. 89DF CARF MF     4    Voto             Conselheira Bianca Felícia Rothschild ­ Relatora  Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verifica­se que não  houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade.  A Recorrente  foi  intimada da decisão de primeira  instância  em 13/10/2014,  mediante  correspondência  postal  acompanhada  de  Aviso  de  Recebimento  (AR),  conforme  documento dos Correios juntado aos autos (fl. 58).  Por  sua  vez,  o  sujeito  passivo  interpôs  recurso  voluntário  apresentando  as  alegações relatadas acima, mas não se manifestou à respeito da tempestividade.  Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verifica­se que o  recurso voluntário foi interposto em 25/11/2014, conforme verifica­se do carimbo de protocolo  na folha de rosto do mesmo (fl. 64).  De  acordo  com  o  parágrafo  único  art.  5º  do Decreto  nº  70.235,  de  1972  –  diploma que  trata  do  contencioso  administrativo  fiscal  no  âmbito  federal  –  os  prazos  para  a  interposição  de  recurso  voluntário  iniciam­se  e  vencem  em  dia  de  expediente  normal  e  são  contados  de  forma  contínua,  excluindo­se  da  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se  o  do  vencimento. Vejamos  Art.  5º.  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  Salienta­se que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do  protocolo  junto  ao  órgão  preparador  do  processo  (circunscrição  do  domicílio  fiscal  da  Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é  que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do  art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.(g.n.)  O inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a  correspondência seja entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e depreende­se  que esta pode ser recebida por qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a  responsabilidade pela entrega da mesma.  Decreto 70.235/1972:  Art. 23. Far­se­á a intimação: (...)  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 12448.735771/2011­11  Acórdão n.º 2402­005.628  S2­C4T2  Fl. 4          5  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  Na  espécie,  o  Recorrente  teve  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  em  13/10/2014 (segunda­feira). Assim, levando­se em consideração que os prazos só se iniciam ou  vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º  do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 14/10/2014 (terça­ feira). O trigésimo dia ocorreu em 12/11/2014 (quarta­feira). Entretanto o recurso somente foi  apresentado ao Fisco em 25/11/2014 (terça­feira), portanto, fora do prazo recursal.  O  domicílio  de  intimação  estava  correto,  pois  ocorreu  a  intimação  por  via  postal mediante AR  enviado  para  o  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  a  saber:  Estrada Governador Chegas Freitas, 895, apto 104, Ilha do Governador, Rio de Janeiro ­ RJ.  Em  face  desse  quadro  fático,  impõe­se  afirmar  a  ocorrência  da  intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais  alegações postuladas no recurso de fls. 64/66.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  do  recurso  voluntário em razão da sua intempestividade.    (assinado digitalmente)  Bianca Felícia Rothschild.                              Fl. 91DF CARF MF

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6722868 #
Numero do processo: 13896.910974/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.919
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida  pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente  a manifestação de  inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a  reforma  do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos  da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados  pela Receita Federal do Brasil.  Por  bem  consolidar  os  fatos  ocorridos  até  a  decisão  da  DRJ,  colaciono  o  relatório do acórdão recorrido in verbis:  Consta  no  referido  Despacho  Decisório  o  seguinte  motivo  para  indeferimento do Pedido:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 4/ 20 11 -7 9 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.910974/2011­79  Resolução nº  3402­000.919  S3­C4T2  Fl. 112          2  Contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos informados no PER/DCOMP.  ...  ­ De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à  Zona Franca  de Manaus – ZFM  se  equiparam,  para  todos  os  efeitos  fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º  da Decreto­lei nº 288/1967.  ­ O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das  Disposições  Constitucionais  Transitórias  –  ADCT,  que  garante  a  manutenção do referido benefício por prazo determinado.  ­  No  entanto,  o  §  2º,  inciso  I,  do  art.  14  da  Medida  Provisória  nº  1.858/1999,  posteriormente  reeditada  pela  Medida  Provisória  nº  2.037/2000,  excluiu  da  isenção  das  receitas  de  exportação  das  Contribuições  PIS/COFINS,  as  vendas  efetuadas  a  Empresas  instaladas na Zona Franca de Manaus.  ­ Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento  de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348,  em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a  liminar pleiteada, para  “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.037­24,  de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo  14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”.  ­ Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14,  §  2º,  inciso  I,  quanto  às  Empresas  instaladas  na  Zona  Franca  de  Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das  Contribuições  PIS/COFINS  sobre  a  receita  de  vendas  efetuadas  à  Empresa estabelecida na citada região.  ­ Com efeito,  nos  termos do art.  165 do Código Tributário Nacional,  deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente  recolhidos pelo Manifestante.  Sobreveio  então  o  Acórdão  08­31.119,  da  3ª  Turma  da  FOR/CE,  negando  provimento  à manifestação  de  inconformidade  da Contribuinte,  cuja  ementa  foi  lavrada  nos  seguintes termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2000   Ementa:  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO CREDITÓRIO.  Mantém­se  o  Despacho  Decisório  de  não  homologação  da  compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do  crédito pretendido.  Irresignada,  a  Contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  a  este  Conselho  repisando  os  argumentos  trazidos  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  bem  como  apresentando  notas  fiscais  por  amostragem  que  dizem  respeito  às  vendas  à  Zona  Franca  de  Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.910974/2011­79  Resolução nº  3402­000.919  S3­C4T2  Fl. 113          3  É o relatório  Voto  Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator.   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº 3402­000.905,  de  28  de  março  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  13896.910963/2011­99,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu na Resolução 3402­000.905:  "Como  se  depreende  do  relato  acima,  o  pedido  de  restituição  da  Recorrente  funda­se  na  alegação  de  ter  tributado  indevidamente  a  Contribuição  ao  PIS  sobre  receitas  de  vendas  de  produtos  à  estabelecimentos  localizados  na  Zona  Franca  de Manaus,  sendo  que  tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram  equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967).   Tal  direito  ao  indébito,  em  tese,  foi  reconhecido  pelo  julgamento  da  DRJ,  que  somente  não  conferiu  o  direito  em  concreto  por  falta  de  provas a certeza e liquidez do crédito pretendido.  Para  suprir  tal  falta,  a  Recorrente  trouxe  em  seu  recurso  voluntário  cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para  empresas localizadas na Zona Franca de Manaus.  Tais  provas,  apesar  de  induzirem  à  conclusão  do  direito  ao  crédito,  não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente  suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do  Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição  de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado,  conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402­002.881. 1 Pelos  os  motivos  acima  expostos,  justifico  a  necessidade  de  conversão  do  presente  processo  em  diligência,  como  requer  o  artigo  18  caput  do  Decreto  70.235/72  (PAF),  para  o  arremate  do  convencimento  deste  Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas  as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem:  i)  analisar  os  documentos  adequados  para  a  verificação  do  crédito,  quais  sejam:  o Demonstrativo  de  Apuração  da Contribuição  ao  PIS,  cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração                                                              1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim:  “É certo que a distribuição do ônus da  prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levando­se em conta a iniciativa do processo. Em  processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio  que  o  ônus  de  provar  o  direito  de  crédito  oposto  à  Administração  cabe  ao  contribuinte.  Já  nos  processos  que  versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratando­se de processos de  iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos  jurígenos da pretensão fazendária cabe à  fiscalização (art. 142 do  CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe  a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a  improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade."  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.910974/2011­79  Resolução nº  3402­000.919  S3­C4T2  Fl. 114          4  do  ICMS  ou  do  IPI)  e  contábeis  (Razão)  do  respectivo  período  de  apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros;   ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado;  iii)  dar  ciência  do  Relatório  à  Recorrente,  abrindo­lhe  prazo  regulamentar para manifestação; e   iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara,  3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento.  Importante  registrar  que  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  no  paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que  justificaram a  conversão do  julgamento  em diligência no  caso daquele  também se  justificam  neste.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em  diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências:  i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam:  o Demonstrativo de Apuração da Contribuição  ao PIS/COFINS, cópias das  folhas dos  livros  fiscais  (Registro  de  Saídas  e  de  Apuração  do  ICMS  ou  do  IPI)  e  contábeis  (Razão)  do  respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros;   ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado;  iii) dar ciência do Relatório à Recorrente,  abrindo­lhe prazo regulamentar para  manifestação; e  iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do  CARF, para prosseguimento do julgamento.   (Assinado com certificado digital)  Antônio Carlos Atulim    Fl. 115DF CARF MF

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Numero do processo: 19740.720235/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Consolidado em 07/01/2009 JULGAMENTO EM CONJUNTO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Guardando semelhança processos administrativos onde oriundos de mesma autuação fiscal, não há prejuízo processual e de mérito a sua defesa e julgamento a serem realizados num mesmo momento. No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas. No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia. Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras. Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza. Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso. PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO EM UM SEMESTRE CIVIL. REGULAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. No caso em tela a PLR realizada junto ao sindicato da categoria não apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil, por conta de outro PLR realizado pela Recorrente, cujo qual, sendo desconsiderado não haverá mais de um pagamento no mesmo semestre. Razão pela qual encontra-se em plena sintonia com a legislação de regência. AJUDA DE CUSTO - DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ REDATOR A SER DESIGNADO - ENVIAR PARA DRº MARCELO AUXÍLIO - BABÁ Auxílio-babá tem a mesma natureza do auxílio-creche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária. No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas.
Numero da decisão: 2301-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à não incidência de contribuição sobre as parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento total ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de PLR somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, na questão da retenção, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício sobre essa questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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2301­003.716  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de setembro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  ICATU HARTFORD CAPITALIZACAO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  Consolidado em 07/01/2009  JULGAMENTO EM CONJUNTO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS   Guardando  semelhança  processos  administrativos  onde  oriundos  de mesma  autuação  fiscal,  não  há  prejuízo  processual  e  de  mérito  a  sua  defesa  e  julgamento a serem realizados num mesmo momento.  No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a  Recorrente e guardam semelhança.  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  e  DAS  PREVISÕES  LEGAIS  ACERCA  DA  PLR.  DA  VEDAÇÃO  CONSTITUCIONAL  À  TRIBUTAÇÃO  DA  PLR.  DO  ESTÍMULO  ÀS  EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS  Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a  Participação nos Lucros e Resultados das empresas.  No  caso  em  tela  a  Recorrente  diz  que  havia  uma  PLR  do  sindicato  da  categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou  de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento,  superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos  ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto  judicial ou o seguia.  Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00,  e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o  instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros  ou resultados das empresas a subordinação às regras.  Nesta  seara,  a  Recorrente  olvidou  de  seguir  o  regramento  quanto  ao  pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 35 /2 00 9- 22 Fl. 568DF CARF MF     2 Há na Carta Maior o  estimulo  à distribuição de  seus  lucros  pelas  empresas  aos  seus  empregados  através  de  PLR,  verificando  ser  uma  forma  de  distribuição de riqueza.  Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de  regência, como aconteceu no presente caso.  PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE  TRABALHO.  PAGAMENTO  EM  UM  SEMESTRE  CIVIL.  REGULAR.  NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  No  caso  em  tela  a  PLR  realizada  junto  ao  sindicato  da  categoria  não  apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil,  por  conta  de  outro  PLR  realizado  pela  Recorrente,  cujo  qual,  sendo  desconsiderado  não  haverá  mais  de  um  pagamento  no  mesmo  semestre.  Razão pela qual encontra­se em plena sintonia com a legislação de regência.   AJUDA  DE  CUSTO  ­  DO  PAGAMENTO  DA  AJUDA  DE  CUSTO  ‘STRICTO SENSU’  REDATOR A SER DESIGNADO ­ ENVIAR PARA DRº MARCELO  AUXÍLIO ­ BABÁ  Auxílio­babá  tem  a mesma natureza  do  auxílio­creche,  onde  já  se  encontra  sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária.  No  caso  em  tela,  a  empresa  não  prestou  as  informações  relativas  ao  seu  pagamento,  ao  não  apresentar  os  comprovantes  do  pagamento  da  remuneração  às  pessoas  contratadas  para  cuidar  dos  filhos  de  segurados  empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28,  parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de  provar as despesas realizadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  no  que  tange  à  não  incidência  de  contribuição  sobre  as  parcelas  relativas  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR).  Vencido  o  Conselheiro  Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento  total ao  recurso nesta questão; b) em dar  provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de  PLR  somente nas  parcelas  que  excederem a  duas  vezes  no mesmo  ano  civil,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencida  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  que  votou  em  negar  provimento  ao  recurso  nesta  questão;  c)  em  negar  provimento  ao  recurso,  na  questão  da  retenção, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes,  que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar  provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido  os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de  Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer  de  ofício  da  questão  da  multa,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros  Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de  ofício sobre essa questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso  nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).     Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19740.720235/2009­22  Acórdão n.º 2301­003.716  S2­C3T1  Fl. 3          3 João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do  acórdão.     Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Marcelo  Oliveira,  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  Mauro  José  Silva,  Adriano  Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.    Relatório  Conselheiro João Bellini Júnior  Para  registro  e  esclarecimento,  consigno  que,  pelo  fato  do  conselheiro  Wilson  Antonio  de  Souza  Corrêa,  relator  original,  ter  deixado  o  CARF  antes  de  sua  formalização, fui designado ad hoc para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro  nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo.  Feito o registro.  Auto  de  Infração  contra  a  Recorrente  e  refere­se  às  contribuições  sociais  destinadas  a  outras  entidades  –  INCRA  e  tendo  como  fatos  geradores:  a)  o  pagamento  de  Participação nos Resultados  em desacordo com a Lei 10.101/2000, no período de 01/2005 a  12/2006; b) o pagamento de ajuda de custo a segurados empregados recém contratados; c) o  pagamento de auxílio­babá sem o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 214, § 9º,  XXIV, do Decreto 3.048/1999, conforme discriminado no relatório fiscal e planilhas.  Inconformada com a autuação  interpôs  impugnação, com suas  razões, cujas  quais não foram suficientes para modificarem o lançamento, sendo julgada improcedente.  Em 29.MAR.2011 foi intimada da decisão de piso e em 25.ABR.2011 aviou  o presente recurso voluntário, alegando: i) da inexigibilidade da contribuição ao INCRA – da  extinção de contribuição ao INCRA em razão da Lei 8.787/1989; ii) da ausência de previsão da  contribuição  ao  INCRA  nas  Leis  8.212/1991  e  8.213/1991;  iii)  da  impossibilidade  de  caracterização  da  contribuição  ao  INCRA  como  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico;  iv) das previsões  legais acerca da PLR; v) dos  instrumentos coletivos celebrados  pela  Recorrente;  vi)  da  vedação  constitucional  à  tributação  da  participação  dos  lucros  e  resultados; vii) do estímulo às empresas à distribuição de seus lucros ; viii) do posicionamento  do STF quanto ao PLR; ix) do pagamento da ajuda de custo ‘stricto sensu’; x) da eventualidade  no  pagamento  da  ajuda  de  custo;  xi)  da  legislação  que  regulamenta  a  concessão  do  auxílio­ babá;  xii)  do  caráter  indenizatório  do  auxílio­babá  independentemente  da  apresentação  dos  comprovantes de reembolso; xiii) da documentação desconsiderada pela fiscalização.  É a síntese do necessário.  O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017.  Fl. 570DF CARF MF     4 Voto             Conselheiro João Bellini Júnior  Para  registro  e  esclarecimento,  consigno  que,  pelo  fato  do  conselheiro  Wilson  Antonio  de  Souza  Corrêa,  relator  original,  ter  deixado  o  CARF  antes  de  sua  formalização, fui designado ad hoc para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro  nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo.  Feito o registro.  O  presente  Recurso  Voluntário  acode  os  pressupostos  de  admissibilidade,  razão pela qual, desde já, dele conheço.  i)  JULGAMENTO  EM  CONJUNTO  AOS  PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS 19.740.720232/2009­99 E 19.740.720236/2009­77  Diz  a  Recorrente  que  na  autuação  fiscal  vários  autos  de  infração  foram  lavrados contra si, sendo que deles, muitos guardam semelhança na autuação e na defesa, razão  pela qual elaborou uma única peça defensiva.  Não  há  prejuízo  o  que  requerido  pela Recorrente,  até  porque  de  fato  serão  julgados numa mesma sessão, sem prejuízo para defesa, ou melhor, para as partes interessadas.  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  e  DAS  PREVISÕES  LEGAIS  ACERCA  DA  PLR  ­  DOS  INSTRUMENTOS  COLETIVOS  CELEBRADOS PELA RECORRENTE  Reconhece a Recorrente que nos anos de 2005 e 2006 efetuou mais de duas  distribuições  de  PLR, mas  segundo  alega,  em  razão  da  obrigatoriedade  do  cumprimento  da  Convenção Coletiva  de Trabalho  firmado  com o Sindicato  da  categoria  de  seus  empregados  (com  força  de  norma  cogente  –  artigo  7°,  XXVI  da  Constituição  Federal  c/c  artigo  611  da  Consolidação das Leis do Trabalho) em conjunto com seu programa específico de PLR.  Faz um breve historio da legislação da PLR.  Diz a Recorrente ser empresa que atua na área de capitalização, onde induz  ao caminho de que o incentivo é a forma mais estimulante para obtenção de resultados.  Alega  que  para  os  anos  de  2005  e  2006  o  Sindicato  da  Categoria  de  seus  empregados celebrou Convenção Coletiva de Trabalho prevendo a PLR,  com um pagamento  obrigatório e outro facultativo, caso a empresa tivesse o seu próprio PLR.  Para  estimular  seus  empregados,  por  certo,  por  julgar  ‘fraco’  o  PLR  do  Sindicato resolveu criar o seu próprio PLR, respeitando todas as diretrizes da lei de regência,  segundo alega.  Todavia, assim não penso, eis que se acudisse de fato a legislação veria que o  §° 2° do artigo 3° da Lei 10.101/2000 impede o pagamento de PLR em periodicidade inferior a  Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19740.720235/2009­22  Acórdão n.º 2301­003.716  S2­C3T1  Fl. 4          5 um  semestre  civil,  ou mais  de  duas  vezes  ao  ano,  o  que  impediria  de  constituir  sua  própria  PLR, sem assumir o risco, como de fato assumiu. Vide artigo em comento, abaixo:  Art.3o  A  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  .......  §2o  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.(GN)  Ora,  com  a  devida  vênia,  não  se  pode  crer  que  a  Recorrente  não  tinha  conhecimento do dispositivo de  lei  supra,  não  imaginando que  tal  comportamento de  criar  a  sua  PLR  em  conjunto  com  a  do  Sindicato  por  certo  lhe  acarretaria,  como  de  fato  acarretou  dissabores perante a fiscalização previdenciária.  Por  outro  lado,  não  posso  concordar  com  a  alegação  de  que  a  CCT  tenha  tamanha  força  cogente  que  impeça  a  Recorrente,  se  de  fato  insatisfeita  com  a  PLR  do  Sindicato,  de  procurar  o  pálio  da  Justiça  para  fazer  valer  a  sua  PLR  ao  invés  da  PLR  do  Sindicato, eis que o Julgador em análise da lei de regência, onde, esta sim, cogente, impede o  pagamento  em  mais  de  duas  vezes  no  mesmo  ano  civil,  e,  de  frente  com  uma  PLR  (sua)  superior derrubaria a imperatividade da imposta pela CCT.  O que não pode é comparar a força de uma CCT com uma legislação federal.  Não  se  pode  admitir  que  os  sindicatos  tenham  força  legislativa,  como  quer  a  Recorrente,  dizendo que eles possuem caráter imperativo de criar normas e regras acima daquela que saem  do Poder Legislativo.  No meu entender a Recorrente, conhecedora da legislação assumiu o risco em  detrimento  à  lei  federal,  sabendo  que  estava  descumprindo­a,  razão  pela  qual  não  vejo  fundamento nas alegações defensivas, quanto a PLR.  Desaprovo, portanto, neste quesito, não reconhecendo as suas alegações.  DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR  Discorre  a Recorrente  da  vedação  constitucional  à  tributação  da  PLR,  com  suas fortíssimas razões, cujas quais não há de se discordar.  Mas, não olvidemos que o legislador, que inseriu o comando do artigo 3º da  Lei nº 10.101/00, que a participação nos  lucros e  resultados "não substitui ou complementa a  remuneração  devida  a  qualquer  empregado,  nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista, não se  lhe aplicando o princípio da habitualidade" não  teve como objetivo  isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de "PLR". Isto porque nem tudo que é  pago a título de PLR é realmente PLR.  Creio  que  nos  casos  concretos  deve­se  verificar  se  o  conceito  trazido  na  Constituição  Federal  e  regulamentado  na  Lei  nº  10.101/00  foi  observado  pelas  partes  que  Fl. 572DF CARF MF     6 negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou  resultados das empresas.  Nesta  seara,  tenho  que  assiste  razão  à  Recorrente  nos  seus  perfulgentes  ensinamentos quanto à vedação da Carta Maior em tributar a PLR. Mas, olvidou tão somente  que isto ocorrerá deste que haja subordinação à lei que regulamenta a PLR. O que não ocorreu  no caso em tela.  Sem razão a Recorrente.   DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS  Diz que a Carta Maior estimula a distribuição de seus lucros pelas empresas  aos  seus  empregados  através  de PLR,  verificando  ser  uma  forma de distribuição  de  riqueza,  mas  que  as  empresas  não  terão  como  seguir  tal  preceito  em  razão  de  altíssima  carga  previdenciária em razão de descumprimento de pequenas formalidades.  Da  mesma  forma,  tem­se  que  as  empresas  não  sofreriam  autuações  se  cumprissem meras formalidades, como é o caso de respeito à Lei 10.101/2000.  Traz  posicionamento  do STJ,  cujos  quais  não  vislumbro  enquadramento  ao  caso em tela, não modificando o nosso entender.  Portanto, não assiste razão a Recorrente.  Entretanto, vejo que a PLR da REcorrente não aponta outras anomalias, além  de ter realizado duas ao ano que acarretou mais de um pagamento no semestre civil, agredindo,  como acima transcrito, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000.  Desta forma, considerando a segurança que o primeiro PLR tem, por ter sido  elaborado  junto  com  o  sindicato  do  trabalhador,  e,  como  é  o  caso,  não  havendo  nenhuma  anomalia, este não deve compor a base de cálculo do lançamento.  Assim,  excluo do  lançamento o PLR oriundo da CCT, não devendo  incidir  contribuição previdenciária.   AJUDA  DE  CUSTO  –  DO  PAGAMENTO  DA  AJUDA  DE  CUSTO  ‘STRICTO SENSU’  Em síntese e em consonância com a legislação diz a Recorrente que ajuda de  custa é uma forma compensatória de retribuir a empregados que mudam de domicílio a serviço  do empregador, paga uma única vez.  Diz  que  no  caso  em  tela  isto  aconteceu,  onde  reconheceu  a  fiscalização  a  natureza  do  pagamento  realizado  em  uma  única  vez,  mas  que  não  aceitou  como  verba  indenizatória eis que o funcionária o recebeu ao entrar na empresa.  Alega  a Recorrente  que  este  funcionário  veio  de  outra  localidade  a  que  foi  efetivado.  Este  aspecto  parece­me  que  merece  acolhida  as  alegações  da  Recorrente,  ainda  que  não  tenha  o  funcionário  vindo  de  outra  localidade,  eis  que  o  pagamento  foi  reconhecidamente  pela  fiscalização  realizado  em  uma  única  vez,  não  configurando  quesitos  necessários para enquadramento de verba remuneratória.  Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19740.720235/2009­22  Acórdão n.º 2301­003.716  S2­C3T1  Fl. 5          7 Fortalece ainda o caráter indenizatório, como dito no recurso, a eventualidade  do pagamento e o próprio artigo 28, §° 9°, G da Lei 8.212/91, quando esta trata tão somente da  mudança do local de trabalho, não havendo qualquer exigência específica quanto a necessidade  de transferência entre estabelecimento da empresa.  Com razão.  AUXÍLIO – BABÁ  Segundo  relatório  fiscal,  a empresa não prestou  as  informações  relativas ao  seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas  contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados.  Neste diapasão não podemos olvidar que o artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei  8.212/1991 é bem cristalino ao determinar que não integra o salário de contribuição apenas o  reembolso  creche  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite  máximo de seis anos de idade, quando comprovadas as despesas realizadas.  Mas, não é só, pois o inciso XXIV, do § 9º, do artigo 214 do Regulamento da  Previdência Social,  aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e o § 10 do mesmo diploma  legal,  dispõe:  Art. 214  (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...) ...  XXIV  ­  o  reembolso  babá,  limitado  ao  menor  salário­de­ contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro  na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do  pagamento  da  remuneração  e  do  recolhimento  da  contribuição  previdenciária,  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da  criança;  (Inciso  acrescentado  pelo  Decreto  nº  3.265,  de  29/11/1999)  (...)  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (GN)  Cotejando os autos não se verifica, de fato, os comprovantes de pagamento  realizadas às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados.  Como dizem os  latinos:  “Na  clareza da  lei  cessa  sua  interpretação”. Razão  pela  qual  não  conheço  os  argumentos  da  Recorrente,  devendo  incidir  contribuição  previdenciária nesta exação.  Sem razão a Recorrente.  Fl. 574DF CARF MF     8 DAS DIFERENÇAS DE RETENÇÃO DE 11%  Diz  a  Recorrente  que  os  valores  pagos  a  título  de  reembolso  de  plano  de  saúde previstos nos contratos com cessão de mão­de­obra celebrados por ela não  integram o  cálculo da retenção de 11%, já que a assistência médica não é parcela integrante do salário­de­ contribuição, não devendo ser entendido o rol de exclusões previsto no art. 152 da IN 03/2005  como taxativo. 'In verbis':  “Art. 152. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção  as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura  ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam:  I ­ ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada,  de  acordo  com  os  programas  de  alimentação  aprovados  pelo  MTE, conforme Lei nº 6.321, de 1976;  II ­ ao fornecimento de vale­transporte, de conformidade com a  legislação  própria.”  De fato, assiste razão a Recorrente quanto ao objeto da regra da retenção do  art. 31, da Lei 8.212/1991, antecipando o recolhimento de um tributo devido.  Neste diapasão, coaduno com a REcorrente de que as exclusões constantes no  artigo acima transcrito não devem ser entendidas como taxativas, eis que no caput do mesmo  não consta o termo “exclusivamente”. As hipóteses previstas na legislação foram explicitadas  por serem mais usuais nos contratos de prestação de serviços.  Entretanto, haveria de ser deduzida da base de cálculo do  lançamento se os  valores  de  assistência  médica  reembolsada  pela  Recorrente  acudisse  a  determinação  do  disposto no art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/1991, in verbis:  “Art. 28  (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,exclusivamente:  (...)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa;(g.n.)  Todavia, compulsando os autos observei da ausência de tais comprovantes de  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  das  empresas  prestadoras  de  serviços  contratadas  mediante  cessão  de  mão­de­obra  tinham  cobertura  dos  respectivos  planos  de  saúde,  não  há  como se acatar a alegação da REcorrente de que se está cobrando uma antecipação de tributo  sobre parcela sem incidência de contribuição previdenciária.  Ora, para acudir os dispositivos supra, deveria a Recorrente ter demonstrado  os comprovantes, como acima mencionado, sendo isto um ônus seu, não realizado.  Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19740.720235/2009­22  Acórdão n.º 2301­003.716  S2­C3T1  Fl. 6          9 Nestas  razões,  penso  que  não  há  imperfeição  no  lançamento,  devendo  ser  mantido na forma que foi realizado.  MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS.  Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não  constituir  matéria  de  ordem  pública,  já  que  estas  normas  (ordem  pública)  são  aquelas  de  aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o  caso.  Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social  de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais,  para  construção  de  um  ordenamento  jurídico  ‘JUSTO’,  tutelando  o  estado  democrático  de  direito.  Por  outro  lado,  julgar matéria  não  questionada  e  que não  trate do  interesse  público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo  Recorrente,  e  que  tem  o  meu  pronunciamento  de  aplicação  da  multa  mais  favorável  ao  contribuinte, mas que neste momento não  julgo  a questão, eis que não  refutada no  recurso e  não se trata de matéria de ordem pública.  Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida  pela  instituição  do  trânsito  em  julgado,  mesmo  as  matérias  de  ordem  pública  não  pré­ questionadas, porque, em não sendo pré­questionadas há limite para cognição.  Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’,  parece­nos  que  a  mais  completa  seja  a  de  Fábio  Ramazzini  Becha,  que  peço  vênia  para  transcrevê­la:  “..  Matéria  de  Ordem  Pública  trata­se  de  conceito  indeterminado,  a  dificuldade  de  interpretação  é  maior  do  que  nos conceitos legais determinados. ..  Prossegue:  “...  A  ordem  pública  enquanto  conceito  indeterminado,  caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo  em  seu  conteúdo,  mas  que  apresenta  ampla  generalidade  e  abstração,  põe­se  no  sistema  como  inequívoco  princípio  geral,  cuja aplicabilidade manifesta­se nas mais variadas ramificações  das  ciências  em  geral,  notadamente  no  direito,  preservado,  todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do  conteúdo  da  expressão  faz  com  que  a  função  do  intérprete  assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando  o  sistema  vigente  como  um  sistema  aberto  de  normas,  que  se  assenta  fundamentalmente  em  conceitos  indeterminados,  ao  mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço  interpretativo muito  mais  árduo  e  acentuado,  é  inegável  que  o  processo  de  interpretação  gera  um  resultado  social  mais  aceitável  e  próximo  da  realidade  contextualizada.  Se,  por  um  lado,  a  indeterminação  do  conceito  sugere  uma  aparente  insegurança  jurídica  em  razão  da  maior  liberdade  de  argumentação  deferida  ao  intérprete,  de  outro  lado  é,  pois,  Fl. 576DF CARF MF     10 evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos  considerada.  O  fato  de  se  estar  diante  de  um  conceito  indeterminado  não  significa  que  o  conteúdo  da  expressão  “ordem  pública”  seja  inatingível.(...)”  (...)  A  ordem  pública  representa  um  anseio  social  de  justiça,  assim  caracterizado  por  conta  da  preservação  de  valores  fundamentais,  proporcionando  a  construção  de  um  ambiente  e  contexto  absolutamente  favoráveis  ao  pleno  desenvolvimento  humano.  Trata­se de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado,  de  tal  forma  que  se  mostram  igualmente  variadas  as  possibilidades  de  ofendê­la.  As  leis  de  ordem  pública  são  aquelas  que,  em  um  Estado,  estabelecem  os  princípios  cuja  manutenção  se  considera  indispensável  à  organização  da  vida  social, segundo os preceitos de direito.  (...)  Para Andréia  Lopes  de Oliveira  Ferreira matéria  de  ordem  pública  implica  dizer que:   “são  questões  de  ordem  pública  aquelas  em  que  o  interesse  protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referem­se  à  existência  e  admissibilidade  da  ação  e  do  processo.  Trata­se  de  conceito  vago,  não  podendo  ser  preenchido  com  uma  definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se  o  legislador  convocasse  o  aplicador  para  configuração  do  sentido adequado”   A princípio tem­se que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à  sociedade  como  um  todo,  e  dentro  de  um  critério  mais  correto  a  sua  identificação  é  feita  através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz.  É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria  é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a  delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais.  Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que  vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser  decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratando­se de interesse geral.  E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não pré­questionada, o  STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando  não analisada em instâncias inferiores e tão pouco pré­questionadas, não devem ser analisadas  naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo:  AgRg  no  REsp  1203549  /  ESAGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2010/0119540­7   Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098)   Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19740.720235/2009­22  Acórdão n.º 2301­003.716  S2­C3T1  Fl. 7          11 T2 ­ SEGUNDA TURMA  Data de Julgamento 03/05/2012  DJe 28/05/2012   Ementa   AGRAVO  REGIMENTAL.  RECURSO  ESPECIAL.  SUSPENSÃO  DE  LIMINARINDEFERIDA.  PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM  PÚBLICA.­  A  jurisprudência  do  STJ  é  firme  no  sentido  de  que,  na  instância  especial,  é  vedado  o  exame  de  questão  não  debatida  na  origem,  carente  de  pré­questionamento,  ainda  que  se  trate  eventualmente  de  matéria  de  ordem  pública.Agravo  regimental improvido.  Acórdão  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes as acima indicadas, acordam os Ministros da  Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na  conformidade  dos  votos  e das  notas  taquigráficas  a  seguir, prosseguindo­se no  julgamento, após o voto­ vista  do  Sr.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  acompanhando  o  Sr.  Ministro  Cesar  Asfor  Rocha,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro­ Relator. Os  Srs. Ministros Castro Meira, Humberto  Martins,  Herman  Benjamin  e  Mauro  Campbell  Marques  (voto­vista)  votaram  com  o  Sr.  MinistroRelator.  Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito  por  Fábio  Rmanssini  Bechara,  ela  não  ‘representa  um  anseio  social  de  justiça,  assim  caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção  de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’.  CONCLUSÃO  Diante  do  acima  exposto,  como  o  presente  recurso  voluntário  atende  os  pressupostos  de  admissibilidade,  dele  conheço,  para  no  mérito  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL, para que seja excluído da autuação o pagamento ajuda de custo, bem como o PLR  oriundo  do  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  devendo,  nas  demais  questões,  permanecer  a  autuação como realizada.   É o voto.  ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO.  João Bellini Júnior  Fl. 578DF CARF MF     12 Redator ad hoc na data da formalização do acórdão.              .               Fl. 579DF CARF MF

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6747420 #
Numero do processo: 10920.906747/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­003.474  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2017  Matéria  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO  Recorrente  ADLIN PLÁSTICOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.  ENTREGA  DOS  ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.  Segundo  a  legislação  de  regência,  IN  SRF  86/2001,  art.  65  da  IN  RFB  900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção  dos  pedidos  de  ressarcimento  e  declarações  de  compensação  está  condicionada  à  apresentação  dos  arquivos  digitais  relativos  ao  sistema  de  escrituração  eletrônico  da  pessoa  jurídica,  sob  pena  de  indeferimento  do  pedido ou não homologação da compensação.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado,  vencido  o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira,  que  propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de  crédito  com  base  nos  arquivos  magnéticos  disponibilizados  após  a  manifestação  de  inconformidade.    Rosaldo Trevisan – Presidente    Robson José Bayerl – Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 47 /2 01 2- 97Fl. 68DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo  Trevisan,  Augusto  Fiel  Jorge  D’Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  André  Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Tiago  Guerra  Machado  e  Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco.    Relatório  Cuida  o  presente  processo  de  compensação  não  homologada,  cujo  crédito,  relativo  ao  PIS/Pasep  não  cumulativo,  3º  Trimestre/2007,  não  foi  reconhecido  em  razão  do  desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições  da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96.  Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito  creditório  é  legítimo;  que  a  indisponibilidade  se  deveu  à  necessidade  de  adequação  dos  sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a  apresentação  extemporânea  dos  arquivos  digitais  deveria  ser  relevada,  mormente  pela  superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na  IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias.  A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de  descumprimento de obrigação prevista na legislação.  Em  recurso  voluntário  o  contribuinte  defendeu  que  a  inobservância  de  obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  recurso voluntário é  tempestivo e preenche os demais requisitos para sua  admissibilidade.  Consoante  IN  SRF  86/2001,  lastreada  no  art.  11  da  Lei  nº  8.218/91,  as  pessoas  jurídicas  que  utilizam  sistemas  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de  natureza  contábil  ou  fiscal,  são  obrigadas  a  manter,  à  disposição  da  Secretaria  da  Receita  Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na  legislação tributária, devendo entregá­los, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias.  No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais  em  12/04/2012,  porém,  só  o  fez  em  03/10/2012,  sob  alegação  de  necessidade  de  ajustes  às  determinações da RFB.  Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10920.906747/2012­97  Acórdão n.º 3401­003.474  S3­C4T1  Fl. 11          3 O  Despacho  Decisório  de  efl.  25,  datado  de  04/09/2012,  vincula  a  não  homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de  compensação.  Portanto,  há  uma  sutileza  na  situação  sub  examine,  pois  o ponto  fulcral  da  discussão não  reside na ausência de crédito,  como parece entender o  recorrente, mas sim na  impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória.  Nesse  passo,  tem­se  que  o  art.  65  da  IN  SRF  900/2008  impunha  essa  conseqüência para situações como a dos autos, verbis:  “Art.  65.  A  autoridade  da  RFB  competente  para  decidir  sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  inclusive  arquivos  magnéticos,  bem  como  determinar  a  realização  de  diligência  fiscal  nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo  a  fim de que  seja  verificada, mediante  exame  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações  prestadas  §  1º Na  hipótese  de  créditos  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da  Cofins de que  tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de  ressarcimento e a  declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da  Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital  de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais  de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme  previsto  na  Instrução  Normativa  SRF Nº 86,  de  22  de  outubro  de  2001,  e  especificado  nos  itens  "4.3  Documentos  Fiscais"  e  "4.10  Arquivos  complementares  PIS/COFINS",  do  Anexo  Único  do  Ato  Declaratório  Executivo  COFIS  Nº 15,  de  23  de  outubro  de  2001.  (Incluído(a)  pelo(a)  Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)  § 2º O arquivo  digital  de que  trata  o § 1º deverá  ser  transmitido por  estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos  Digitais  (SVA),  disponível  para  download  no  sítio  da  RFB  na  Internet,  no  endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado  digital  válido.  (Incluído(a) pelo(a)  Instrução Normativa RFB nº 981, de 18  de dezembro de 2009)  § 3º Na apreciação de pedidos  de  ressarcimento e de declarações de  compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de  janeiro  de  2010,  a  autoridade  da  RFB  de  que  trata  o  caput  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  do  arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a)  pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)  § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a  compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e  3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro  de 2009)  Fl. 70DF CARF MF     4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o  § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do  crédito,  esteja  obrigado  à  Escrituração  Fiscal  Digital  (EFD).  (Incluído(a)  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB  nº  981,  de  18  de  dezembro  de  2009)”  (destacado)  A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar  o procedimento de restituição, compensação e  ressarcimento, por seu  turno, vem prevista no  art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96.  A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal  como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº  8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da  compensação respectiva.  Aliás,  a  previsão  de  indeferimento/não  homologação  constou  expressa  e  destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 37).  Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente  dito,  mas  o  seu  indeferimento  decorrente  da  inadimplência  da  obrigação  acessória,  que  efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido.  Outrossim,  não  aproveita  ao  recorrente  a  extensão  do  prazo,  de  20  (vinte)  dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que  levada  em  consideração,  a  extemporaneidade  persistiria,  tomadas  as  datas  de  intimação  (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012).  Mais  uma  vez,  o  debate  ora  travado  cinge­se  exclusivamente  ao  (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas  pela  legislação  de  regência,  como  condição  necessária  à  finalidade  desejada,  sendo  desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório.  Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Robson José Bayerl                            Fl. 71DF CARF MF

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Numero do processo: 10640.721866/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando existe súmula sobre a matéria discutida, o que não ocorreu neste caso. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO

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2202­003.710  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de março de 2017  Matéria  IRPF ­ moléstia grave  Recorrente  HENDA MARIA SAD SILVEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2014  MOLÉSTIA  GRAVE.  PROVENTOS  DE  APOSENTADORIA  OU  PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.  Para  reconhecimento  da  isenção  decorrente  de  moléstia  grave  prevista  no  inciso XIV  do  artigo  6º  da  Lei  nº  7.713/1988  e  alterações,  os  rendimentos  precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou  pensão  e  a moléstia  deve  ser  comprovada mediante  apresentação  de  laudo  pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito  Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  não  vinculam  os  julgamentos  deste  Conselho,  exceto  quando  existe  súmula  sobre  a matéria  discutida,  o  que  não  ocorreu  neste caso.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 18 66 /2 01 5- 61 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10640.721866/2015­61  Acórdão n.º 2202­003.710  S2­C2T2  Fl. 124          2 (Assinado digitalmente)  Rosemary Figueiroa Augusto ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto,  Rosemary  Figueiroa Augusto, Martin  da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique  Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).    Relatório  Contra o sujeito passivo em epígrafe foi lavrada a notificação de lançamento  de  IRPF  (fls.  86/91),  relativa  ao  exercício  2014,  ano­calendário  2013,  por  omissão  de  rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do  Brasil  (PREVI),  no  valor  de R$ 153.127,44,  declarados  como  isento  pela  contribuinte  sob  a  justificativa de ser portadora de moléstia grave.  A Solicitação  de Retificação  de Lançamento  foi  indeferida  (fls.  02/03),  em  razão do laudo médico apresentado não comprovar a existência da moléstia grave prevista na  lei isentiva, conforme abaixo:    Na  impugnação  (fls.  04),  a  contribuinte  alegou que  já  foi  reconhecido  pelo  Primeiro Conselho de Contribuintes da Sexta Câmara, no processo nº 10680.008480/2005­11  (decisão anexa), que fribilação atrial aguda (CID­10  I48), o mesmo diagnóstico de seu  laudo  médico, é considerada como cardiopatia grave.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  São  Paulo/SP (SPO), no Acórdão nº 16­70.566, às  fls. 47/51,  julgou a impugnação improcedente,  sob o fundamento de que as decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas  gerais e aproveitam apenas ao objeto da decisão.   O sujeito passivo teve ciência da Decisão da DRJ em 24/12/2015 (AR de fls.  106); e, em 21/01/2016, interpôs o recurso voluntário de fls. 108/109, repisando os argumentos  trazidos na imougnação.  É o relatório.  Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10640.721866/2015­61  Acórdão n.º 2202­003.710  S2­C2T2  Fl. 125          3   Voto             Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  São  necessárias  duas  condições  para  que  os  rendimentos  recebidos  por  portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser  a moléstia  atestada  em  laudo  emitido  por  serviço médico  oficial  da  União,  Estados,  DF  ou  Municípios;  (ii)  os  rendimentos  serem  provenientes  de  aposentadoria,  pensão,  reserva  remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir:  Lei nº 7.713/1988 :   Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguinte  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  (...)  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;   Súmula CARF Nº 63:  Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos  portadores  de  moléstia  grave,  os  rendimentos  devem  ser  provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou  pensão,  e  a  moléstia  deve  ser  devidamente  comprovada  por  laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos  Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.  Na situação  em análise,  a  recorrente  apresentou  à  fiscalização  cópia de um  Laudo Oficial emitido pela Secretaria Municipal de Saúde e Desenvolvimento Social de Santos  Dumont/MG,  datado  de  27/05/2014,  fls.  14,  em  que  informa  que  a  interessada  é  portadora,  desde setembro/2008 até aquela data, de Fibrilação Atrial CID I48, moléstia referida no inciso  XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, ou no § 2º do art. 30 da Lei nº 9.250/95, sob a rubrica de  cardiopatia grave. Consta informação de que a doença é passível de controle e que o prazo de  validade do laudo é “por tempo indeterminado”.  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.721866/2015­61  Acórdão n.º 2202­003.710  S2­C2T2  Fl. 126          4 Apresentou também a cópia do Acórdão nº 106­15.877, de 22/09/2006, da 6ª  Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (fls. 08/13), em que se expressou o entendimento de  que a fibrilação atrial (CID­10 I48) é considerada cardiopatia grave.  Em face desses documentos, a fiscalização, às fls. 27, pediu esclarecimentos  ao  Supervisor  do  Núcleo  de  Saúde  e  Perícia  da  Gerência  Regional  de  Administração  do  Ministério da Fazenda ­ MG, que respondeu, às fls. 30, em memorando datado de 10/03/2015,  que,  do  ponto  de  vista médico,  a moléstia  “Fibrilação Atrial”  não  é  considerada  cardiopatia  grave e que para proceder à análise do quadro, necessitaria que fosse enviado àquele órgão os  resultados dos exames Eletrocardiograma e Ecodoppler colorido.  A  contribuinte  foi  intimada  (fls.  31)  e  trouxe  exames  e  documentos  de  fls.  33/54.  Os  exames  foram  encaminhados  ao  órgão  de  perícia  do Ministério  da  Fazenda  (fls.  56/74),  que  respondeu,  no  memorando  de  12/05/2015  (fls.  55)  que,  embora  os  exames  não  fossem os solicitados, o parâmetro técnico contido no exame recebido (fração de ejeção FE =  73,13%) é incompatível para considerá­la para o benefício de isenção do imposto de renda por  moléstia grave. Assim, o laudo apresentado pela interessada não foi aceito para comprovação  de cardiopatia grave.  Tanto  na  impugnação  quanto  no  recurso,  o  argumento  da  contribuinte  é  de  que deve ser reconhecido seu direito à isenção, tendo em vista que o Conselho de Contribuintes  já  reconheceu  que  a  fibrilação  atrial  (CID  10  I48),  doença  que  a  acomete,  é  considerada  cardiopatia grave (conforme decisão às fls. 08/13).  Nesse  aspecto,  há  que  se  concordar  com  o  posicionamento  da  primeira  instância julgadora de que a mencionada decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes não  vincula os demais julgamentos administrativos.  Ressalta­se  que,  no  âmbito  do  CARF,  com  exceção  das  matérias  sobre  as  quais existe súmula deste Conselho, o que não ocorreu neste caso, as decisões administrativas  não vinculam outros julgamentos, posto que não existe lei que atribua a essas decisões eficácia  normativa. Assim, as decisões só produzem efeitos entre as partes envolvidas e em relação ao  objeto da lide, não beneficiando nem prejudicando terceiros.  Assim, tendo em vista que a doença informada no laudo apresentado não foi  confirmada  como  cardiopatia  grave,  não  é  possível  reconhecer  a  isenção  pretendida  e  o  consequente afastamento da notificação fiscal.  Portanto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.    (Assinado digitalmente)  Rosemary Figueiroa Augusto ­ Relatora              Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10640.721866/2015­61  Acórdão n.º 2202­003.710  S2­C2T2  Fl. 127          5                 Fl. 127DF CARF MF

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Numero do processo: 10120.006161/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando não houver a antecipação de pagamento pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR DE NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS. REQUERIMENTO REJEITADO O inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que e as razões e provas que o autuado possuir devem ser apresentadas na fase impugnatória. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO A mera alegação de que os depósitos bancários de origem não identificada tratam-se de receitas provenientes do exercício de atividade rural, sem a apresentação de documentação idônea apta a identificar as movimentações financeiras respectivas e sem o oferecimento de tais receitas à tributação, não tem o condão de afastar o lançamento efetuado com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 30.
Numero da decisão: 2402-005.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Ausente momentaneamente e por motivo justificado o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO

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2402­005.693  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de março de 2017  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  FRANCISCO JOSÉ GUIMARÃES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA  No  caso  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  quando  não  houver  a  antecipação de pagamento pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos  contados  do  primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido efetuado.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  NÃO  CONHECIMENTO  Opera­se  a  preclusão  em  relação  a  matéria  que  não  tenha  sido  objeto  de  impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa.  APRESENTAÇÃO  EXTEMPORÂNEA DE  PROVAS.  REQUERIMENTO  REJEITADO  O inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que e as razões e  provas que o autuado possuir devem ser apresentadas na fase impugnatória.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  LANÇAMENTO PROCEDENTE  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  constatação  da  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  à  instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão  analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 61 61 /2 00 7- 89 Fl. 449DF CARF MF     2  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE VALORES DECORRENTES  DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO  A mera  alegação  de  que  os  depósitos  bancários  de  origem não  identificada  tratam­se  de  receitas  provenientes  do  exercício  de  atividade  rural,  sem  a  apresentação  de  documentação  idônea  apta  a  identificar  as movimentações  financeiras respectivas e sem o oferecimento de tais receitas à tributação, não  tem  o  condão  de  afastar  o  lançamento  efetuado  com  base  na  presunção  prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.  DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM  DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.  Na  tributação  da  omissão  de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um mês  não  servem  para  comprovar  a  origem  de  depósitos  havidos  em  meses  subsequentes. Súmula CARF nº 30.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir  o pedido para  a  apresentação de novas provas,  conhecer  em parte  do  recurso,  para,  na parte  conhecida,  negar­lhe  provimento.  Ausente  momentaneamente  e  por  motivo  justificado  o  Conselheiro Ronnie Soares Anderson.      (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente em Exercício e Relator      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho  Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira,  Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 449          3    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Brasília – DRJ/BSA (fls. 207/220), que julgou parcialmente  procedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de  Pessoa  Física  ­  IRPF,  relativo  ao  ano  calendário  2002  /  exercício  2003,  o  qual  resultou  na  exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.353.095,80, montante que inclui valor principal  (R$  558.230,87),  multa  de  ofício  de  75%  (R$  418.673,15)  e  juros  de  mora  calculados  até  31/7/2007 (R$ 376.191,78).  Consta do Auto de Infração (fls. 168/172) que o procedimento teve origem na  apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por valores creditados em contas bancárias  de  titularidade  do  autuado,  mantidas  em  instituições  financeiras  em  relação  aos  quais,  regularmente intimado, não foi comprovado, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  Por  bem  retratar  as  alegações  trazidas  pelo  contribuinte  na  peça  impugnatória, reproduzem­se os trechos correspondente do Acórdão nº 03­27.039 da 3ª Turma  da DRJ/BSA:  O  contribuinte  apresenta  impugnação,  protocolada  em  09/10/2007  (fls.  179/196),  acompanhada  da  documentação,  na  qual,  em  síntese,  expõe  os  motivos  de  fato  e  de  direito  que  se  seguem:  PRELIMINAR  É  improcedente  o  entendimento  fiscal.  A  exigência  fiscal  ora  impugnada  não  poderá  prosperar  em  face  da  decadência  do  lançamento  até  o mês  de  agosto  do  ano­calendário  fiscalizado  (2002).  A alegada infração fiscal refere­se ao IRPF­ Imposto de Renda  da Pessoa Física, sujeito, portanto, às regras do lançamento por  homologação,  nos  termos  do  artigo  150  e  seus  parágrafos  do  Código  Tributário  Nacional.  A  ciência  do  contribuinte,  ora  impugnante, deu­se em data de 06/09/2007.  Transcreve o artigo 150, do CTN. O IRPF é um tributo sujeito ao  Lançamento  por  Homologação,  seu  fato  gerador  ocorre  mensalmente.  No  caso  deste  processo  estão  indiscutivelmente  presentes  os  elementos  caracterizadores  do  Lançamento  por  Homologação  previstos  no  artigo  150  do  Código  Tributário  Nacional.  Nesta hipótese, o prazo de decadência começa a fluir na data da  ocorrência do fato gerador, conforme exegese do § 4. ° do artigo  150, do CTN. Transcreve também excerto da doutrina no sentido  de sua argumentação.  Como a matéria que sustenta o presente auto de infração refere­ se  ao  IRPF  relativo  ao  ano­calendário  de  2002,  Fl. 451DF CARF MF     4  indubitavelmente que o direito da Fazenda Pública constituir o  lançamento  relativamente  ao  período  de  janeiro  a  agosto,  inclusive, do ano de 2002, está sepultado pela decadência, por se  tratar  de  fato  gerador  mensal,  nos  termos  do  §  4•0  do  artigo  150,  do  CTN  que  determina  o  prazo  decadencial  de  5  anos,  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  isto  porque  o  auto  somente foi formalizado no dia 06 de setembro do ano em curso,  com a ciência do contribuinte.  Transcreve jurisprudência dos tribunais administrativos.  Afirma que a maior prova de que o tributo se inclui na órbita do  lançamento  por  homologação,  com  ocorrência  de  fato  gerador  mensal, é que o próprio fisco em seus demonstrativos, levantou a  matéria tributável mensalmente e assim a tributou.  Assim,  ocorrendo  o  fato  gerador  mensalmente,  seguindo  a  mesma  regra  do  §  4º,  do  artigo  150,  do  CTN,  a  decadência  também se opera mês a mês.  Ressalta que a falta de pagamento do tributo não descaracteriza  o  lançamento por homologação. Portanto, sob qualquer ângulo  de análise da questão ora enfocada, o crédito tributário apurado  até  o  mês  de  agosto  do  ano­  calendário  de  2002,  inclusive,  encontra­se sepultado pela ocorrência da decadência.  Requer  o  cancelamento  do  lançamento  referentemente  ao  período  de  janeiro  a  agosto,  inclusive,  do  ano­calendário  de  2002, em razão da ocorrência da decadência.  DO MÉRITO  Ressalta  que  a  autuação  baseou­se  exclusivamente  em  levantamentos procedidos nos extratos das contas bancárias do  impugnante, cujos depósitos foram listados e "planilhados" pela  fiscalização, tendo sido elaborado um quadro demonstrativo.  Os  depósitos  ou  créditos  feitos  nas  contas  bancárias  do  contribuinte  não  refletem,  obrigatoriamente,  rendimentos  omitidos. É absolutamente impertinente inquinar­se de "omissão  de  rendimentos",  sem outros  indícios  concludentes,  créditos em  contas  bancárias  sem  pelo  menos  considerar  os  valores  declarados no período examinado.  Nesse  sentido,  o  artigo  849  do RIR199  e  artigo  1  0  da MP  n°  22/2002, convertida na Lei n° 10451/2002 (fundamento legal da  autuação),  não  servem para  sustentar a  ação  fiscal,  pois,  para  fundamentar  validamente  a  autuação,  é  imprescindível  que  o  fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda  consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que,  por  si  só,  depósitos  bancários  não  constituem  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  pois  não  caracterizam  disponibilidade  econômica de renda e proventos.  O  lançamento  assim  constituído  só  é  admissível  quando  ficar  comprovado  o  nexo  causal  entre  o  depósito  e  o  fato  que  represente omissão de  rendimento. Aliás, este entendimento  (de  ilegitimidade  do  lançamento  baseado  unicamente  em  extratos  bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes, em nossos  tribunais  fiscais  e  judiciais,  quando  ainda  vigorava  a  Lei  n.°  8.021/90,  que  em  seu  artigo  6.°,  regulava  a  matéria  debatida  neste processo.  Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 450          5  Os dispositivos  em que o  fisco  fundamenta a autuação  (artigos  849  do  RIR/99  e  1  0  da  MP  22/2002,  convertida  na  Lei  n°  10.451/02) não passam de uma  reprodução do § S.°,  do artigo  6.°, da Lei n.° 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por  nossos  tribunais  pátrios,  tanto  na  órbita  administrativa  quanto  na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar  os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo  para autuação fiscal.  Entretanto,  jamais  os  depósitos  bancários,  exclusivamente,  servirão de base para qualquer autuação, pois não caracterizam  disponibilidade de renda, sendo, pois, totalmente improcedente a  fundamentação  do  auto  de  infração  nos  dispositivos  legais  indicados que, como já dito, vieram apenas substituir o § 5º, do  art. 6°, da Lei n.° 8.021/90, o qual, repete­se, foi banido de nosso  ordenamento jurídico devido ao despropósito de sua pretensão.  Portanto,  na  prática  a  legislação  não mudou,  pois  a  pretensão  do  fisco,  alicerçada  nos  artigos  849  do  RIR199  e  1º  da  MP  22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002, também não poderá  subsistir,  porque  está  calcada  unicamente  em  depósitos  bancários,  os  quais  não  podem  ser  caracterizados  como  disponibilidade  econômica  de  renda,  sendo  totalmente  ilegal  a  presunção  capitulada  pelo  dispositivo  que  sustenta  o  auto  de  infração. Aludida presunção legal não deve ser entendida como  absoluta, mas sim, de forma relativa.  No  caso  do  impugnante,  o  que  levou  o  fisco  a  constituir  o  lançamento foi, única e exclusivamente, a existência de depósitos  nas  contas  bancárias  examinadas.  Não  se  preocupou  a  autoridade  fiscal  lançadora  em  comprovar  que  tais  depósitos  resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou  consumo com pagamento de terceiros, serviços, etc.  A ORIGEM DOS RECURSOS DO CONTRIBUINTE  De  início,  cumpre­nos  ressaltar  que  o  impugnante  encontra­se  recuperando  a  saúde,  já  que  foi  vítima  de  um  trágico  acidente  automobilístico  de  proporções  gravíssimas,  estando atualmente  internado e, inclusive, ainda inconsciente.  Devemos  ressaltar  que  todas  as  informações  e documentos  ora  trazidos  à  baila  foram  fornecidas  por  seus  familiares,  especialmente  seus  filhos  e,  ainda,  o  contador  que  para  ele  presta serviços.  A  profissão  exercida  pelo  autuado  é  a  de  pecuarista  e  sua  principal atividade é a cria, recria e venda de gado na região de  seu domicílio fiscal, sendo as vendas por ele efetuadas, mais das  vezes,  feitas  a  frigoríficos  ou  mesmo  para  os  próprios  agropecuaristas.  Destas  funções,  exclusivamente  ligadas  à  atividade  rural,  advêm  as  suas  receitas,  conforme  se  pode  verificar  dos  documentos  ora  inclusos  e  de  outros  que  virão  oportunamente  ao  bojo  do  processo  que  servirão  de  prova  dos  recursos que transitaram pelas contas correntes que, na verdade,  eram também compartilhadas com terceiras pessoas,  já que, no  prazo para apresentação desta peça de defesa, não  foi possível  Fl. 453DF CARF MF     6  sua  juntada  em  razão  do  contribuinte  estar  totalmente  impossibilitado  de  fazê­lo  pessoalmente,  em  face  do  acidente  sofrido.  Por ser bastante conhecido na região, onde atua  já há mais de  20 (vinte) anos, em muitos casos, terceiras pessoas encaminham  gado  para  abate  em  determinados  frigoríficos  e  autorizam  a  proceder aos depósitos das quantias referentes a tais vendas nas  contas  bancárias  por  ele  movimentadas.  Portanto,  como  se  observa, as contas bancárias auditadas pelo fisco jamais foram  movimentadas  somente  pelo  impugnante,  o  que  se  provará  tão  logo o mesmo recobre sua saúde.  Durante o período fiscalizado, o impugnante promoveu também  nas  contas  correntes,  inúmeros  saques,  que  totalizaram  a  quantia  de  R$  743.723,20,  sendo  R$  177.670,65  junto  ao  Bradesco S/A e R$ 566.052,55 junto à Cooperativa de Crédito do  Vale  do Paranaíba Ltda.,  os  quais,  evidentemente,  serviram de  recursos  para  depósitos  posteriores  nas  mesmas  contas  correntes, conforme se verifica das planilhas anexas.  Ainda,  no  ano­calendário  fiscalizado  houve  recebimento  de  receitas da atividade rural que, em razão de seu atual estado de  saúde,  momentaneamente  não  será  possível  juntar  tais  provas,  uma  vez  que  foram  encontrados  por  seus  familiares  apenas  controles  pessoais  e  anotações  paralelas,  contudo,  diligenciará  no  sentido  de  obter  os  documentos  necessários  à  prova  pretendida  e  desde  já  protesta  pela  juntada  posterior,  em  homenagem  aos  princípios  do  contraditório  e  ampla  defesa,  consagrada constitucionalmente.  E,  por  se  tratar  de  receita  preponderante  da  atividade  rural  estas devem ser consideradas ao longo de todo o respectivo ano­ calendário na medida de seus recebimentos. Transcreve julgado  do 1º CCMF.  Transitaram ainda pelas contas correntes do impugnante, vários  depósitos ao longo do ano­calendário de 2002, que se tratavam,  mais das vezes, de empréstimos emergenciais de pessoas fisicas  e/ou  de  pessoas  jurídicas,  cujos  comprovantes  estão  sendo  providenciados, aqui não juntados no prazo da  impugnação em  razão da absoluta impossibilidade física de fazê­lo, já que, como  já dito, encontra­se internado e ainda inconsciente.  Também parte dos recursos que resultar em créditos nas contas  bancárias examinadas  tiveram origem em cheques emprestados  por  amigos  e  parentes  para  custódia  em  bancos  para  levantamento de recursos ­ capital de giro ­,  também não raras  vezes,  o  autuado  socorria  financeiramente  pessoas  próximas,  descontando  cheques  dessas  pessoas  nos  bancos  com  os  quais  movimentava,  cujos  valores  líquidos  eram  creditados  em  sua  conta  corrente  que  por  sua  vez  eram  a  eles  repassados,  cuja  documentação também está sendo providenciada.   Assim,  vários  depósitos  listados  no  demonstrativo  do  auto  de  infração,  são  de  diversas  naturezas,  inclusive  oriundas  de  contratos  de  abertura  de  crédito  bancário,  para  desconto  de  cheques e outros títulos de créditos mediante borderôs.Portanto,  grande parte desses valores  se  trata de recursos originários de  Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 451          7  tais  contratos,  os  quais  estão  sendo  providenciados  junto  às  instituições financeiras com as quais movimentava.  Portanto, todos estes créditos, hão de servir como comprovação  de  origem dos  recursos que  transitaram pelas  contas  correntes  examinadas,  independentemente  de  coincidência  de  datas  e  valores,  pois  basta  a  comprovação  da  existência  dos  recursos,  principalmente por se tratar de receitas originárias da atividade  rural, que se apura anualmente.  Ressalta  que  o  fisco  ao  tributar  os  depósitos  mensalmente,  haveria que "planilhá­los" e transportá­los para o mês seguinte  a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados  no  mês  anterior  servirão  de  recursos  para  o  mês  seguinte,  conforme entendimento do 1.º CCMF, acórdão n.° 104­19.682.  Todos os recursos auferidos no período fiscalizado hão de servir  como  origem  para  depósitos  nas  contas  correntes  do  autuado,  sejam  eles  tributos  isentos,  não  tributados  ou  tributados  exclusivamente na fonte. Segundo o fisco, os créditos em contas  correntes  quando não  comprovada  sua  origem  ficam  sujeitos  à  tributação de acordo com a  tabela progressiva, portanto, como  foi  efetivado  o  lançamento,  ou  seja,  os  créditos  cuja  origem,  o  contribuinte  não  comprovou  foram  tributados  e,  uma  vez  tributados,  foram  legalmente  regularizados,  assim,  todos  esses  créditos  deverão  ser  aproveitados  a  título  de  recursos  para  realização de depósitos nos meses seguintes.  É  certo  também  que,  embora  inquestionável  a  presunção  estatuída  pela  Lei  9.430/96,  não  se  pode  dar  a  ela  força  revogatória em relação ao conjunto de outros dispositivos legais  que  sempre  atribuíram  aos  rendimentos  declarados  e/ou  tributados o efeito de justificar acréscimos patrimoniais.  Outro  equívoco  cometido  pela  fiscalização  foi  o  fato  de  não  terem  sido  excluídos  dos  valores  depositados,  os  cheques  devolvidos  nas  contas  bancárias,  bem  como  as  transferências  entre  contas  da  mesma  titularidade,  cujo  total  deverá  ser  excluído do montante tributado, nos termos da Lei n° 9.430/96.  Desde já o impugnante, em homenagem aos princípios da ampla  defesa  e  do  contraditório,  protesta  pela  juntada  posterior  dos  documentos que, no prazo para a apresentação da impugnação,  não conseguiu reunir, mormente, em razão de seu atual quadro  de  saúde,  já  que  se  encontra  hospitalizado,  vítima  de  sério  acidente rodoviário e ainda inconsciente.  EM  SUMA,  o  lançamento  deve  ser  cancelado,  em  face  da  decadência  suscitada  preliminarmente  nesta  peça  de  defesa.  Entretanto,  caso  Vossas  Senhorias  entendam  em  ultrapassar  a  aludida preliminar, no mérito, o lançamento deve ser igualmente  cancelado  por  total  insubsistência,  porque  o  fisco  não  comprovou  o  nexo  causal  entre  os  depósitos  efetivados  nas  contas  e  o  fato  que,  efetivamente,  representasse  omissão  de  rendimentos; porque, o fisco não "planilhou" os depósitos, cujo  imposto  foi  lançado,  transportando­os  para  o  mês  seguinte  a  título de recursos, inclusive, aqueles objeto da mesma acusação  Fl. 455DF CARF MF     8  e  que  foram  tributados,  de  forma  a  servirem  como  fonte  de  recursos  para  depósitos  posteriores  e  porque  a  documentação  acostada  aos  autos  do  processo,  confirmam  a  tese  de  defesa  apresentada de forma a elidir a pretensão fiscal.  A DRJ/BSA,  por  seu  turno,  julgou  a  impugnação  procedente  em  parte  em  razão dos entendimentos expostos a seguir:  a) jurisprudência administrativa e judicial suscitada:  ­  em  regra,  as  decisões  administrativas  e  judiciais  estão  adstritas  às  partes do litígio e não são extensíveis a todos;  ­  de  igual  sorte,  no  que  tange  às  decisões  judiciais,  somente  quando  houver  impugnação  ou  recurso  ainda  não  definitivamente  julgado,  os  órgãos  julgadores  da  Administração  Fazendária  devem  afastar  a  aplicação  da  lei,  tratado  ou  ato  normativo  federal,  declarado  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal;  ­ dada a ausência de tais determinações, relativamente à jurisprudência  colacionada  pelo  contribuinte,  têm­se  como  inaplicáveis  ao  caso  em  tela;  b) produção de provas em momento posterior ao da impugnação:  ­ com base nas disposições contidas no Decreto nº 70.235/1972 acerca  da  produção  de  provas  (arts.  16  e  18),  a  oportunidade  de  carrear  aos  autos os documentos necessários à defesa, a fim de elidir o lançamento,  é  junto  com  a  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento processual, exceto quando, fundamentadamente, demonstrada  a materialização de qualquer das exceções previstas em lei;  ­  no  caso  em  tela,  foram  apresentadas  novas  provas  quando  já  estava  configurada a preclusão do direito para tal, uma vez não demonstrada a  ocorrência  de  qualquer  das  situações  especiais  legalmente  estabelecidas;  ­ contudo tais provas foram integralmente analisadas;  c) decadência:  ­ não há qualquer dúvida acerca da não materialização da decadência.  Como  já  visto,  o  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física é complexivo anual, completando­se apenas em 31 de dezembro  de cada ano.  ­ na hipótese de ausência de antecipação pagamento, o que aconteceu, o  termo  inicial  a  ser  contado  encontra­se  insculpido  no  art.  173,  I,  do  CTN.  Em  outras  palavras,  o  termo  inicial  seria  01/01/2004.  Então,  a  Fazenda Pública teria até 01/01/2009 para cientificar o contribuinte.  d) validade do lançamento:  ­ a Lei 9.430/1996, de forma explícita, revogou o § 5º do art. 6° da Lei  8.021/90.  Não  há  interpretação  possível  em  contrário,  pois  tal  disposição  está  enunciada  claramente  no  seu  art.  88,  inciso  XVIII.  Assim, a  jurisprudência pretérita ao novel mandamento,  sustentada na  Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 452          9  validade  daquele  dispositivo,  encontra­se  superada  pela  revogação  expressa do preceito;  ­  com  o  advento  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996,  houve  o  estabelecimento  de  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  para  os  casos  em  que  o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua  conta de depósito ou de investimento;  ­ trata­se de presunção relativa e infirmável por prova em contrário do  contribuinte, que tem a incumbência de elidir a imputação, mediante a  comprovação  da  origem  dos  recursos,  já  que  a  própria  lei  define  os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  como  omissão  de  receita ou de rendimentos;  ­  não  há  qualquer  ressalva  legal  no  sentido  de  que,  na  apuração  da  infração em tela, deva ser demonstrado acréscimo patrimonial, ou deva  ser  demonstrada  a  efetiva  existência  de  renda  consumida,  ou  devam  existir  sinais  exteriores de  riqueza,  ou nexo de  causalidade, ou outros  elementos vinculados à atividade do impugnante;  ­  não  mais  sobrevive  a  legislação  pretérita.  O  caput  do  art.  42  é  explícito:  materializam­se  como  omissão  de  receitas  ou  rendimentos  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento, mantida  junto  à  instituição  financeira,  os  valores  não  comprovados,  individualizadamente,  mediante  documentação  hábil  e  idônea  comprobatória da origem dos recursos utilizados nessas operações  pelo titular;  ­  não  comprovada  a  origem  dos  recursos,  tem  a  Autoridade  Fiscal  o  dever de autuar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos  bancários com origem não atestada;  ­  a  jurisprudência  administrativa  é  farta  no  sentido  da  caracterização  como omissão de  rendimentos dos depósitos bancários de origem não  comprovada.  Reproduz  trechos  de  acórdãos  do  CARF  acerca  da  matéria;  ­ em vista disso, não prospera a alegação de ilegalidade e de que não há  correlação  entre  depósitos  bancários  e  omissão  de  rendimentos,  haja  vista o lançamento estar, desde o seu início, circunscrito aos limites da  legislação tributária vigente;  ­ no tocante à alegação de que valores de terceiros foram movimentados  em  suas  contas.  Da  análise  de  toda  a  documentação  acostada  (fls.  242/420),  não  existem  as  tais  provas  de  que  outras  pessoas  movimentaram recursos, ao contrário,  todos dão conta que o operador  da conta corrente é o próprio impugnante;  ­ não é evidente, muito menos decorre do fato de se promover saques  em uma conta corrente o correspondente depósito em outra, sem prova  cabal da ocorrência dessa operação. Valores sacados de um banco, sem  Fl. 457DF CARF MF     10  dúvida, poderão ser depositados em outro(s), contudo, é perfeitamente  plausível  supor  inúmeras  destinações  diferentes,  como  aquisição  de  bens, doações, empréstimos a terceiros;  ­  não  há  comprovação  hábil  e  idônea  da  origem  dos  depósitos.  Esclarece  que  os  depósitos  abaixo  de  R$  1.000,00  não  foram  considerados no auto de infração;  ­ a mera apresentação de recursos suficientemente capazes de abrigar a  movimentação nas contas bancárias não satisfaz o mandamento legal;  ­  no  tocante  à  alegação  de  que  Fisco,  ao  tributar  os  depósitos  mensalmente, haveria que “... planilhá­los  e  transportá­los para o mês  seguinte  a  título  de  recursos,  pois,  estes  valores  (dos  depósitos)  tributados  no mês  anterior  servirão  de  recursos  para o mês  seguinte”,  não  há  qualquer  amparo  legal  para  tal  procedimento. Mais  uma  vez,  esclarece­se  que  a  infração  apurada  é  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  fundada  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96.  O  impugnante  confunde  o  procedimento  com  a  apuração  de  acréscimo  patrimonial,  que  não  é  infração apurada no lançamento em análise;  ­ quanto à citação de que estava providenciando também documentação  comprobatória  de  que  créditos  em  suas  contas  eram  de  naturezas  diversas  (fl.  196)  e decorreram  também de  empréstimos  emergenciais  de  pessoas  físicas  e/ou  pessoas  jurídicas;  ou  de  cheques  emprestados  por amigos, pessoas próximas e parentes para custódia em bancos; ou  de contratos de abertura de crédito bancário para desconto de cheques e  outros títulos de crédito, nada foi juntado aos autos nesse sentido;  ­  argumenta  o  contribuinte  que  houve  equívoco  cometido  pela  fiscalização,  pois  não  foram  excluídos  dos  valores  depositados  os  cheques devolvidos nas  contas bancárias,  bem como as  transferências  entre contas da mesma titularidade;  ­  assiste,  em  parte,  razão  ao  impugnante.  Os  valores  constantes  das  planilhas  de  folhas  230  e  239,  onde  consta  a  relação  dos  cheques  devolvidos e estornos no período,  já  foram retirados pela Fiscalização  (fls.  158/164),  à  exceção  do  cheque  de  R$3.000,00  (26/03/2002,  fl.  238).  Dessa  forma,  apenas  esse  valor  será  excluído  do  total  apurado  como de origem não comprovada;  ­  no  que  tange  às  transferências  de  mesma  titularidade,  apontadas  também como não retiradas (fls. 242/261),  totalizando R$ 116.700,00,  de  fato  não  foram  excluídas  e,  portanto,  deverão  ser  retiradas  do  somatório de depósitos de origem não comprovada;  ­ a apuração do imposto deverá sofrer os ajustes a seguir discriminados,  a fim de excluir do total apurado como de origem não comprovada os  seguintes valores: R$ 3.000,00 e R$ 116.700,00.  Em  seu  Recurso  Voluntário  (fls.  207/220)  o  sujeito  passivo  ratifica  as  questões abordadas na impugnação e argumenta, adicionalmente, que:  Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 453          11  Preliminares  a)  o  lançamento  é  nulo  em  razão  da  ausência  de  nexo  causal  entre  os  depósitos bancários e o aumento do patrimônio do recorrente;  b)  o  fisco,  para  sustentar  o  auto  de  infração,  louvou­se  exclusivamente  em  extratos bancários;  c) não se preocupou a autoridade fiscal lançadora e tampouco a julgadora de  1°  instância,  em  comprovar  que  tais  lançamentos  resultaram  em  aumento  patrimonial,  com  a  aquisição  de  bens  ou  consumo  com  pagamento  de  terceiros,  serviços,  etc.  O  único  fundamento  utilizado  para  constituição  do  crédito tributário foi a existência de crédito em conta corrente;  d) o lançamento é improcedente, pois estaria em desacordo com o art. 142 do  CTN.  Cita  doutrina  sobre  o  encargo  do  fisco  quanto  à  comprovação  de  aumento patrimonial que justificaria a ocorrência do fato gerador do imposto;  e) o art. 42, da Lei n° 9.430/96, apenas, não serve para sustentar a ação fiscal,  pois, para fundamentar validamente a autuação, é imprescindível que o fisco  comprove  a  utilização  dos  valores  depositados  como  renda  consumida,  evidenciando  sinais  exteriores  de  riqueza,  visto  que,  por  si  só,  depósitos  bancários  não  constituem  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  pois  não  caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Cita  julgados  administrativo sobre a idêntica matéria, os quais diz serem recentíssimos;  f) o lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o  nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimento.  Aliás,  este  entendimento  (de  ilegitimidade  do  lançamento  baseado  unicamente em extratos bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes,  em  nossos  tribunais  fiscais  e  judiciais,  quando  ainda  vigorava  a  Lei  n°  8.021/90, que em seu art. 6°, regulava a matéria debatida neste processo.  g)  o  art.  42  da  Lei  n.°  9.430/96,  c/c  art.  849  do RIR,  não  passam  de  uma  reprodução do § 5°, do art. 6°, da Lei n° 8.021/90, o qual já foi inteiramente  rechaçado por nossos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto  na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos  bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal;  h)  no  processo  administrativo  que  deu  origem  ao  crédito  tributário  ora  impugnado, o agente fiscal elaborou um quadro demonstrativo dos depósitos  bancários para possibilitar a apuração do crédito tributário, sem demonstrar,  contudo,  onde  estaria  o  nexo  causal  entre  estes  depósitos  e  o  suposto  fato  caracterizador da alegada omissão de rendimentos. Excluindo  tais depósitos  não existe nada a tributar, consequentemente, inexiste dívida tributária. Com  base nisso, requer a anulação do lançamento;  Mérito  i)  é  agropecuarista  e  que  os  recursos  que  transitaram  por  suas  contas  correntes tiveram origem nessa atividade;  j)  por  força da  legislação de  regência,  especialmente,  a Lei n° 8.023/90,  as  receitas  provenientes  desta  atividade  deverão  ser  consideradas  anualmente,  Fl. 459DF CARF MF     12  razão  pela  qual  não  admite  o  levantamento  mensal,  tal  como  fez  o  fisco  quando da lavratura do auto de infração;  k) não pode haver planilhamento mensal, por se tratar de receitas da atividade  rural,  o  caixa  será,  por  imperativo  legal,  anual,  servindo  tais  receitas  para  cobrir  qualquer  crédito  em  suas  contas  correntes,  em  qualquer  mês,  independentemente de coincidência de datas e valores;  l)  na  decisão  recorrida,  a  DRJ/BSA  determinou  a  exclusão  da  quantia  de  R$119.700,00 do somatório dos depósitos selecionados pelo fisco “como de  origem  não  comprovada”,  alusiva  à  devolução  de  cheques  (R$3.000,00)  e  transferências de mesma titularidade (R$116.000,00), entretanto, conforme se  pode verificar da planilha feita pelo recorrente por ocasião da apresentação da  peça  de  impugnação,  esta  apresenta  o  valor  de  R$22.940,00  alusiva  aos  cheques  devolvidos  junto  ao  Barco  Bradesco  S/A,  agência  n°  3.836­9,  conforme se pode verificar dos extratos  juntados aos autos, cujo valor deve  ser excluído da matéria tributável;  m) a decisão vergastada desconsiderou os  recursos provenientes dos  saques  realizados  pelo  recorrente  ao  longo  do  ano­calendário  fiscalizado,  os  quais  foram planilhados no importe total de R$743.723,20 (setecentos e quarenta e  três mil, setecentos e vinte e três reais e vinte centavos) e que, efetivamente,  devem ser considerados para todos os efeitos de direito, pois, tais valores se  tratam  de  recursos  em  espécie  que  serviram,  obviamente,  de  origem  dos  depósitos  questionados  pelo  fisco,  devendo,  por  tais  razões,  também  serem  excluídos da matéria tributável;  n)  decisão  recorrida  desconsiderou,  ainda,  receitas  da  atividade  rural,  cujos  valores foram planilhados e  juntados os devidos comprovantes aos autos do  processo,  que  se  tratam  de  venda  de  gado  ao  longo  do  ano­calendário  fiscalizado;  o) a receitas da atividade rural estão comprovadas por documentação hábil e  idônea a partir de “Relatório de Notas Fiscais”  fornecido pela Secretaria da  Fazenda  do  Estado  de  Goiás  que,  somadas,  totalizaram  a  quantia  de  R$2.956.280,42,  além  de  outras  notas  fiscais  avulsas  que  não  integraram  o  aludido  Relatório  de  Notas  Fiscais  e  que  totalizaram  a  quantia  de  R$97.021,20,  portanto  estes  valores:  R$3.053.301,62  (R$2.956.280,42  +  R$97.021,20),  tratam­se  de  recursos  devidamente  comprovados  e,  por  se  tratar de receitas da atividade rural, estas devem ser consideradas ao longo de  todo o respectivo ano­calendário na medida de seus recebimentos, conforme  planilhamento feito pelo recorrente e juntado ao processo. Reproduz julgado  do administrativo acerca da matéria;  p)  todas  estas  receitas  obtidas  no  período  fiscalizado  hão  de  servir  como  comprovação de origem dos recursos para fazer  face aos depósitos em suas  contas correntes, não sendo necessário coincidência de datas e valores, pois  basta  a  comprovação  da  existência  dos  recursos,  independentemente  desta  coincidência,  porque  não  há  no  art.  42  da  Lei  9.430/96  qualquer  exigência  neste sentido, mas apenas a da comprovação da origem dos recursos, aliado  ao  fato  de  que  o  caixa  (recursos),  na  atividade  rural,  é  anual,  por  expressa  determinação legal. Transcreve trechos de julgados administrativos a respeito  do tema;  Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 454          13  q)  como  forma  de  elidir  a  pretensão  fiscal,  apresenta  quadro  que  relaciona  valores  advindos  da  atividade  rural  que  demonstrariam  a  origem  dos  depósitos bancários;  r)  o  fisco,  apurando  mensalmente  os  valores  depositados/creditados  nas  contas  o  correntes,  submeteu  esses mesmos  valores  à  tributação. Ora,  uma  vez  tributados  passam  a  condição  de  recursos  regulares  e/ou  legais,  nesta  hipótese,  o  fisco  não  comprovando  que  houve  aplicações  desses  mesmos  recursos a qualquer título, haverão estes créditos, necessariamente, que servir,  nos meses  subsequentes,  de  origem  para  novos  depósitos  em  dinheiro,  em  qualquer conta do contribuinte;  s)  o  fisco,  ao  tributar os  depósitos mensalmente,  haveria  que  planilhá­los  e  transporta­los  para  o  mês  seguinte  a  título  de  recursos,  pois,  estes  valores  (dos  depósitos)  tributados  no  mês  anterior,  tornaram­se,  indiscutivelmente,  recursos  regularizados para  todos os  efeitos de direito,  os quais  servirão  de  recursos  para  o  mês  seguinte,  conforme  entendimento  do  1°  Conselho  de  Contribuintes esposado no acórdão n° 104­19.682, supra colacionado;  t) computadas todas as receitas da atividade rural, bem como outros recursos  devidamente  comprovados  e,  transportadas  as  sobras  apuradas  em  um mês  para o mês seguinte, resulta demonstrado que nada restará a se tributar;  u) está diligenciando no sentido de  localizar documentos que comprovam a  origem  dos  recursos  depositados  em  suas  contas  no  ano  de  2002,  especialmente,  junto  a  frigoríficos  onde  vendia  gado,  cujas  empresas  encontram­se desativadas, o que dificulta sobremaneira a  localização desses  documentos,  razão pela qual, mais uma vez, em homenagem aos princípios  constitucionais  da  ampla  defesa  e  do  contraditório  protesta  pela  juntada  posterior dos mesmos;  Requer, com base nos argumentos e documentos apresentados, a anulação do  feito  fiscal  ou,  alternativamente,  que  seja  dado  provimento  ao  recurso  voluntário.  O processo foi sobrestado forma do art. 62­ A, caput e § 1º, do Anexo II, do  RICARF  em  razão  do  Recurso  Extraordinário  ­  RE  nº  601.314  que  tramitava  no  Supremo  Tribunal  Federal  e  versava  sobre  idêntica  matéria.  Revogado  o  dispositivo  regimental,  retornaram os autos para julgamento.  É o relatório.  Fl. 461DF CARF MF     14    Voto             Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  DAS PRELIMINARES  Nulidade  do  Lançamento  por  Falta  de  Nexo  Causal  entre  os  Depósitos  Bancários  Levantados e o Aumento do Patrimônio do Recorrente  Quanto  à preliminar de nulidade  em  razão da pretensa  falta de nexo causal  entre  os  depósitos  bancários  levantados  e  o  aumento  do  patrimônio  do  recorrente,  convém  esclarecer  que  esse  assunto  não  foi  objeto  de  questionamento  por  ocasião  da  impugnação,  tampouco foi  suscitado na decisão recorrida. Trata­se pois de matéria nova,  referida somente  no recurso voluntário.  Sobre questões dessa natureza, dispõe o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de  março 1972, norma que disciplina o processo administrativo fiscal em âmbito federal:  Art. 16. A impugnação mencionará:  [..]  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;   [...]  Sob outra perspectiva, o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972 estabelece que o  recurso  voluntário  deve  ser  apresentado  em  face  da  decisão  decorrente  do  julgamento  de  primeira instância administrativa. Vejamos:  SEÇÃO VI  Do Julgamento em Primeira Instância  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  A interpretação combinada da disposições normativas encimadas evidenciam  que o recurso voluntário deve ser apresentado em face da decisão de primeira instância e que é  na  impugnação  que  o  autuado  deve  apontar  as  razões  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamentam sua pretensão, bem assim seus pontos de discordância em relação ao lançamento  e as razões de prova que possuir.  Por  todas  essas  razões,  entendo  que,  neste  ponto,  o  recurso  não  pode  ser  conhecido eis que, por virtude do inciso III do art. 16 c/c o art. 33 do Decreto n° 70.235, de  1972,  operou­se  a  preclusão  quanto  a  essa  questão  tendo  em  vista  que  a  presente  matéria  somente foi abordada por ocasião do recurso voluntário.  Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 455          15  Juntada de Novos Documentos  Reclama o recorrente pela juntada de novos documentos que comprovariam a  origem dos recursos depositados em suas contas correntes no ao ano de 2002. Prenuncia que  estaria diligenciando para  localizar  essas provas  junto  a  frigoríficos onde vendia  gado,  cujas  empresas encontram­se desativadas, o que dificulta sobremaneira sua localização.  Conforme  consignado  acima,  o  inciso  III  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/1972 preceitua que e as razões e provas que o autuado possuir devem ser apresentadas  ainda na impugnação, em vista disso, indefiro o pedido.  DA DECADÊNCIA  Na  parte  introdutória  da  peça  recursal,  além  de  trazer  elementos  novos  à  discussão  administrativa,  o  sujeito  passivo  ratifica  as  questões  abordadas  na  impugnação.  Assim,  faz necessário  retomar a discussão acerca da decadência, haja vista que o assunto foi  suscitado na fase impugnatória.  Consoante  abordado  na  decisão  recorrida,  o  IRPF  é  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o fato gerador do  imposto somente se aperfeiçoa no dia 31 de dezembro de cada ano. Nesse sentido é a Súmula  CARF nº 38, de observância obrigatória no âmbito deste Colegiado, em relação aos depósitos  bancários de origem não identificada:  Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda  da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a  partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre  no dia 31 de dezembro do ano­calendário.  No  que  se  refere  a  decadência,  o  termo  inicial  com  relação  aos  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação deve obedecer às  seguintes  regras:  i) quando houver  antecipação  de  pagamento,  ainda  que  parcial,  o  prazo  decadencial  será  de  5  (cinco)  anos,  a  contar da ocorrência do  fato gerador  (CTN, art,  150, § 4º);  e  ii) no caso de descumprimento  integral da obrigação principal, a extinção do prazo para que a Fazenda Pública possa constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  5  (cinco)  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art, 173, inciso I).  Em vista disso, precisa a conclusão extraída do acórdão recorrido, que abaixo  se reproduz:  No  caso  em  tela,  não  há  qualquer  dúvida  acerca  da  não  materialização da decadência. Como já visto, o fato gerador do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  é  complexivo  anual,  completando­se apenas em 31 de dezembro de cada ano.  Decorre, na hipótese de lançamento por homologação, havendo  antecipação  do  pagamento,  que  o  dies  a  quo  da  contagem  do  prazo  decadencial  para  o  lançamento,  ano­calendário  2002,  exercício  2003,  operou­se  em  31/12/2002.  Teria  a  Fazenda  Pública  até  31/12/2007  para  cientificar  o  contribuinte  do  lançamento (art. 150, § 4°, do CTN).  Fl. 463DF CARF MF     16  Na hipótese de ausência de antecipação, que aconteceu, passaria  o  termo  inicial  a  ser contado  segundo o preceito  insculpido no  art. 173,  I, do CTN, supra. Em outras palavras, o termo  inicial  seria 01/01/2004. Então, a Fazenda Pública teria até 01/01/2009  para cientificar o contribuinte.  Assim,  do  relato  acima  delineado,  vez  que  se  considera  cientificado  o  contribuinte  em  06/09/2007  (fl.  174),  seja  na  hipótese  do  §  4°  do  art.  150,  seja  na  do  inciso  I  do  art.  173,  ambos  do  CTN,  não  havia  expirado  o  direito  de  a  Fazenda  Pública efetuar o lançamento, isto é, não ocorreu a decadência  do período apontado pelo impugnante.  Destarte, afasto a preliminar de decadência.  DO MÉRITO  Em  sede  de  normas  gerais,  o  art.  43  da Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda  a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais  não compreendidos no conceito de renda). Vejamos:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;  II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  No mesmo sentido, o § 1º art. 3º do art. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de  1988, dispõe:  Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei.  § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  [...]  De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o  imposto  alcança  ainda  os  acréscimos  patrimoniais  não  correspondentes  aos  rendimentos  declarados.  No  caso  sob  análise,  têm­se  que  a  Fiscalização  constatou  a  ocorrência  de  acréscimos patrimoniais decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Com  relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  prescreve:  Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 456          17  Depósitos Bancários  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  [...]  Note­se que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos.  Referida  presunção  impõe  o  lançamento  do  imposto  correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis  e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados.  Na  hipótese  referida  no  caput  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96,  o  ônus  probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos reverte­se em desfavor do  contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta  bancária para se elidir da tributação. Trata­se, pois, de presunção relativa que admite prova em  contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção.  De  outra  parte,  no  que  se  refere  às  decisões  administrativas  ou  judiciais  suscitadas pelo contribuinte no intuito de elidir o lançamento, cabe esclarecer que tais decisões  encerram  circunstâncias  fáticas  próprias,  com  conjunto  probatório  específico  e,  por  essas  razões não pode produzir efeitos para além das partes envolvidas na demanda para beneficiar  Fl. 465DF CARF MF     18  ou prejudicar terceiros. Além de que, essas decisões foram adotadas quando ainda encontrava­ se vigente o art. 6º da Lei nº 8.021/1990. Referido artigo dispunha:  Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados  em lei, far­se­á arbitrando­se os rendimentos com base na renda  presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  [...]  §  5º  ­ O arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  Antes de vigorar o  art.  42 da Lei nº 9.430/1996,  inexistia  a presunção nele  estabelecida,  e  com  isso  o  fisco  precisava,  nos  estritos  termos  do  §  5°  do  art.  6°  da  Lei  n°  8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um  nexo  causal,  entre  estes  depósitos  e  alguma  exteriorização  de  riqueza  (caracterização  de  disponibilidade econômica de  renda ou proventos) e/ou operação concreta do sujeito passivo  que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas.  Assim, tem­se, de um lado, uma presunção mais sumária, a do art. 42 da Lei  n° 9.430/1996, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários  não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, a presunção do art. 6° da Lei n°  8.021/90, que  atribui  à  autoridade  autuante não apenas  a obrigação de  constatar a  existência  dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais  depósitos  e  fatos  concretos  ensejadores  do  ilícito.  À  evidência,  esta  segunda  hipótese,  ao  mesmo  tempo que  se  afasta  das  feições  de  uma presunção  típica,  se  aproxima mais  de  uma  comprovação material de omissão de receitas.  Em  vista  disso,  constata­se  que  a  jurisprudência  administrativa  a  esse  respeito, juntada aos autos pelo contribuinte, em nada o acode. É que os acórdãos colacionados,  muito embora prolatados depois da edição da Lei n° 9.430/1996, referem­se justamente a fatos  geradores ocorridos em período anterior, quando vigia a Lei n° 8.021/90. De tal sorte, ao revés  do que alardeia o recorrente, referidas decisões nada têm de recentes e, por seu anacronismo,  estão aqui descontextualizadas, e nada trazem que possa macular o feito fiscal.  Aperceba­se  que,  diferentemente  do  que  imagina  o  sujeito  passivo,  a  jurisprudência administrativa se consolidou no sentido de que os  lançamentos decorrentes de  depósitos  bancários  de  origem  não  identificada  dispensam,  inclusive,  a  necessidade  de  comprovação,  por  parte  do  fisco,  da  utilização  dos  recursos  provenientes  desses  depósitos  como renda consumida. Sob essa ótica, a Súmula CARF nº 26 estatui:  Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Retornado­se  ao caso concreto, afirma o  recorrente que é agropecuarista,  e,  desta função, exclusivamente ligada a atividade rural, advêm as suas receitas, e, por força da  Lei nº 8.023/1990, essas receitas deverão ser consideradas anualmente, razão pela qual não se  admite  o  levantamento  mensal,  tal  qual  teria  feito  o  fisco  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 457          19  Convém  esclarecer  que  os  levantamentos  efetuados  pela  fiscalização,  considerando  os  depósitos  bancários  efetuados  em  cada  um  dos meses  do  período  apurado,  obedeceu  rigorosamente o mandamento  contido no § 4º do  art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que  determina, para o caso de pessoas físicas, que os rendimentos omitidos serão tributados no mês  em que considerados recebidos. Por óbvio, o fato de serem tributados mês a mês não significa  que o fato gerador seja mensal. Restou esclarecido no  tópico relacionado à decadência que a  Súmula CARF nº 38 sepultou qualquer discussão acerca desse tema ao estabelecer que “O fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário”, ou seja, trata­se de fato gerador com periodicidade anual.  Não obstante, em pesem as alegações do recorrente, na Declaração de Ajuste  Anual  –  DAA  relativa  ao  exercício  objeto  do  lançamento  (fls.  165/167),  não  há  qualquer  informação quanto a  rendimentos decorrentes do exercício de atividade rural. Além disso, os  rendimentos  anuais  informados  na  DAA  (R$  2.340,00)  em  nada  se  compatibilizam  com  os  3.668.710,92 (três milhões, seiscentos e sessenta e oito mil, setecentos e dez reais e noventa e  dois centavos) movimentados em suas contas bancárias.  De outro modo, não  foram apresentados  elementos de prova que pudessem  atestar  essa  assertiva de  que a vultosa movimentação bancária  aferida pela  fiscalização  seria  originária da atividade de agropecuarista. Não se dignou o contribuinte em exibir, por exemplo,  Livro Caixa,  acompanhado  de  documentação  idônea  que  pudesse  identificar movimentações  financeiras provenientes da atividade que afirma exercer, conforme determina o § 1º do art. 18  da Lei nº 9.250/1995, in verbis:  Art.  18. O  resultado da exploração da atividade  rural  apurado  pelas pessoas  físicas,  a partir do ano­calendário de 1996,  será  apurado  mediante  escrituração  do  Livro  Caixa,  que  deverá  abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e  demais valores que integram a atividade.  § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas  e  das  despesas  escrituradas  no  Livro  Caixa,  mediante  documentação  idônea  que  identifique  o  adquirente  ou  beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida  em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer  a decadência ou prescrição.  [...]  Assevere­se que os elementos probatórios apresentados para justificar que os  depósitos bancários provém de receitas da atividade rural constam de fls. 262/421. Dentre esses  documentos encontram­se quatro planilhas elaboradas pelo sujeito passivo (fls. 262, 304, 325 e  364),  baseadas  em  relatórios  da Secretaria de Fazenda de Goiás  ­ SEFAZ­GO acostados  aos  autos. Não há  entre  referidos  documentos  informações que possam vincular  as operações  ali  retratadas  aos  depósitos  objeto  autuação,  ou  seja,  os  documentos  não  permitem  estabelecer  qualquer  reciprocidade  entre  as  importâncias  enumeradas  nos  relatórios  e  os  depósitos  que  fundamentaram o auto de infração.  Ademais, como bem pontuou a autoridade recorrida, o inciso I do § 3° do art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996,  expressamente  dispõe  que,  para  efeito  de  determinação  da  receita  Fl. 467DF CARF MF     20  omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese  comprovada de  forma  individual,  com a  apresentação de documentos que demonstrem a  sua  origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado,  recai  exclusivamente  sobre  a  contribuinte,  não  bastando  indicar  uma  fonte  genérica  para  comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário.  Por conseguinte, não é possível aceitar a alegação de que todos os depósitos  bancários levantados pela autoridade autuante sejam procedentes dessa atividade que o sujeito  passivo diz exercer. Aliás, tais valores sequer foram informados em sua Declaração de Ajuste  Anual, o que impossibilita considerar tal argumentação.  Assim,  também  não  socorre  o  contribuinte  a  jurisprudência  administrativa  colacionada, cujo entendimento é de que “o art. 42 da Lei n° 9.430/96 exige dos contribuintes  a  comprovação  dos  recursos  que  justifiquem  a  origem  dos  depósitos  bancários  e  não  a  coincidência  de  datas  e  valores”.  Referida  jurisprudência  aborda  situações  em  que  os  rendimentos foram devidamente declarados e submetidos a tributação, o que não se verifica no  presente caso.  Quanto  à  hipótese  aduzida  na  peça  recursal  de  que  o  fisco,  ao  tributar  os  depósitos  mensalmente,  haveria  que  planilhá­los  e  transportá­los  para  o  mês  seguinte,  pois,  estes  valores  (dos  depósitos)  tributados  no  mês  anterior,  tornaram­se,  indiscutivelmente,  recursos  regularizados  para  todos  os  efeitos  de  direito,  os  quais  serviriam  para  justificar  depósitos  do  mês  seguinte.  Tem­se  que,  também  nesse  ponto,  o  recorrente  valeu­se  de  jurisprudência administrativa há muito superada.  Este  entendimento  parte  de  uma  compreensão  equivocada  acerca  da  tributação decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada, que é uma tributação  que incide sobre uma presunção de omissão de rendimentos, confundindo­a com a tributação  referente  ao  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  que  obedece  a  sistemática  de  apuração  absolutamente diversa.  Na tributação de acréscimo patrimonial a descoberto, quando se estrutura um  fluxo de caixa mensal, os saldos bancários em início de período são fontes e os saldos em fins  de  período,  aplicação  de  recursos.  No  início  do  mês  subsequente,  o  saldo  em  final  do mês  antecedente  funciona  como  fonte  para  o mês  seguinte,  e  assim  por  diante. Observe  que  não  estamos  tratando  de  depósitos  individuais,  feitos  diariamente,  mas  em  saldos  em  fins  de  período. Por óbvio, o saldo no último dia do mês, que funcionou como aplicação no fluxo do  referido período, é fonte de recursos para o mês seguinte.  Na  tributação  dos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  não  se  individualiza  os  saldos  em  fins  de  período,  mas  os  próprios  depósitos,  considerados  rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. A permissão de que os depósitos de um  mês  pudessem  funcionar  como  origens  para  os  depósitos  do  mês  seguinte,  somente  seria  possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado em  nome do mesmo sujeito passivo. Acatar a possibilidade, em tese, de os depósitos antecedentes  servirem como comprovação e origem dos depósitos subsequentes, no extremo, permitiria que  o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.  Sabemos que não é assim que as coisas acontecem na vida cotidiana, pois, em  regra, o recurso sacado não retorna para a conta de depósito. Ademais, conforme ajustado no  Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10120.006161/2007­89  Acórdão n.º 2402­005.693  S2­C4T2  Fl. 458          21  acórdão recorrido, carece de razão a assertiva de que os saques promovidos pelo contribuinte  serviriam  para  justificar  os  depósitos  de  origem  não  identificada,  sem  que  tenham  sido  apresentados quaisquer  elementos  comprobatórios de que  tais valores  tenham  retornado para  uma das contas bancárias do próprio sujeito passivo.  De mais a mais, a jurisprudência do CARF é absolutamente pacífica no que  respeita à impossibilidade de aproveitamento dos depósitos bancários de um mês comprovarem  a origem dos depósitos havidos em meses subsequentes. Nesse sentido é a Súmula CARF nº  30:  Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um  mês  não  servem  para  comprovar  a  origem  de  depósitos  havidos  em  meses  subsequentes.  Pelas razões expostas, não há como acolher o argumento do contribuinte no  que  respeita  à  possibilidade  de  aproveitamento  dos  depósitos  bancários  de  origem  não  identificada realizados em determinado mês justificar depósitos de meses seguintes.  Quanto aos R$ 22.940,00, quantia que recorrente requer que seja subtraída da  autuação por se tratar de valores relativos a cheques devolvidos, tendo em vista que a decisão  da  DRJ/BSA  excluiu  o  equivalente  a  R$  3.000,00,  resta  analisar  os  R$  19.940,00  restantes  (relativos  as  cheques devolvidos no valor de R$ 5.000,00, R$ 9.000,00  e R$ 5.940,00). Das  tabelas  elaboradas  pela  fiscalização  (fls.  158/164)  verifica­se  que  não  assiste  razão  ao  recorrente visto que tais valores não integraram a base de cálculo do lançamento.  CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  PARCIALMENTE  do  recurso pra, na parte conhecida NEGAR­LHE PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho.                              Fl. 469DF CARF MF

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Numero do processo: 13873.000833/2008-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 21/07/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ. Impõe-se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
Numero da decisão: 1803-000.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Data do fato gerador: 21/07/2008  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ.  Impõe­se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória ­ entrega  de  DSPJ,  não  comprovado  qualquer  fato  que  implique  dispensa  do  cumprimento tempestivo da prescrição normativa.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Selene Ferreira De Moraes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Walter Adolfo Maresch ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Selene  Ferreira  de  Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra  Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.  Relatório     Fl. 31DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000833/2008­17  Acórdão n.º 1803­00.913  S1­TE03  Fl. 26          2 RETICAB  COM  PEÇAS  SERV.  USIN.  LTDA  –  ME,  pessoa  jurídica  já  qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO  (SP),  interpõe  recurso  voluntário  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  objetivando a reforma da decisão.  Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos.  A  empresa  acima  qualificada  apresentou  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Auto  de  Infração,  (fl.  02),  solicita  o  cancelamento  das multas  pecuniárias  aplicadas  pelo  atraso  na  entrega da declaração relativa ao exercício de 2008.  Em seu pedido inicial, a contribuinte alegou, em síntese, que:  ­  com  a  implantação  do  Super  Simples,  houve  dados  confusos  causando transtornos e dúvidas;  ­ falta de orientação mais precisa por orientação da Receita;  ­  a  requerente  entende  que  ambos  os  lados  cometeram  erros,  como  a  empresa  pelo  atraso  da  entrega  da DSPJ  e  os  órgãos  governamentais pela falta de orientação mais precisa.  Requer o contribuinte por ser de Justiça o cancelamento do auto  de infração.  A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 14­23.447, de 27 de abril  de 2009 (fls. 08/10), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   ANO­CALENDÁRIO: 2007   DECLARAÇÃO  SIMPLIFICADA.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA.  É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega  de  declaração,  mesmo  que  a  entrega  desta  declaração  se  dê  antes de qualquer procedimento de oficio.  Ciente da decisão em 16/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl.  14.v), apresentou o recurso voluntário em 10/08/2009 ­ fls. 17/18, onde reitera os argumentos  da inicial de que não deve ser penalizado com a multa por atraso na entrega, considerando as  diversas questões técnicas envolvendo o SIMPLES NACIONAL.  É o relatório.    Voto             Fl. 32DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000833/2008­17  Acórdão n.º 1803­00.913  S1­TE03  Fl. 27          3 Conselheiro Walter Adolfo Maresch  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  legais  para  sua  admissibilidade, dele conheço.  Trata o presente processo de auto de infração em virtude do atraso na entrega  na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ SIMPLES,  relativa ao ano calendário  2007, entregue em 21/07/2008 e cujo prazo final para entrega ocorreu em 30/05/2008.  Alega  a  recorrente  que  tendo  em  vista  diversos  problemas  relativos  à  migração  do  SIMPLES  FEDERAL  para  o  “SUPER  SIMPLES”  ou  SIMPLES  NACIONAL  (Lei Complementar 123/2006), ocorreram diferenças de interpretação e dificuldades  técnicas,  gerando notícias e informações controvertidas para os contribuintes.  Que se houve equívocos por parte dos contribuintes também a Administração  Tributária gerou dúvidas e interpretações divergentes quanto à correta satisfação de obrigações  acessórias o que não pode redundar em penalidades para as empresas optantes.  Cita  adicionalmente  resposta  de  consulta  efetuada  por  meio  eletrônico  relativa à declaração do ano calendário 2009 em que houve problemas de transmissão da DSPJ.  Conclui,  afirmando  que  se  houve  culpa  recíproca  o  lançamento  deve  ser  cancelado.  Não assiste razão à interessada.  Com  efeito,  a  DSPJ  relativa  aos  fatos  geradores  do  SIMPLES  FEDERAL  (Lei nº 9.317/96) – 01 de Janeiro a 30 de junho de 2007, teve a sua entrega disciplinada pela  Instrução Normativa RFB nº 775, de 14 de setembro de 2007, que dispôs:  O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  inciso  III  do  art.  224  do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  95,  de  30  de  abril  de  2007,  e  tendo  em  vista  o  disposto  no  art.  7º  da  Lei  nº  9.317,  de  5  de  dezembro de 1996, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, RESOLVE:  Art.  1º  Fica  aprovado  o  programa  gerador  e  as  instruções  de  preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ­  Simples  2008  (DSPJ  ­  Simples  2008),  a  ser  apresentada,  obrigatoriamente, pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples),  instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, relativa  ao ano­calendário de 2007, exercício de 2008.  §  1º  O  programa  deve  ser  utilizado  para  declarar  os  fatos  geradores ocorridos no período de 1º de janeiro a 30 de junho  de  2007,  independentemente  das  pessoas  jurídicas  referidas  no  caput terem:  Fl. 33DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000833/2008­17  Acórdão n.º 1803­00.913  S1­TE03  Fl. 28          4 I  ­ migrado para o Regime Especial Unificado de Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições  devidos  pelas  Microempresas  e  Empresas de Pequeno Porte  (Simples Nacional), de que  trata a  Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; ou  II  ­  efetuado o pedido de opção pelo Simples Nacional.  § 2º (...);  § 3º (...);  § 4º (...).  Art. 2º A DSPJ ­ Simples 2008 deverá ser entregue no período de  17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008.   Parágrafo  único.  O  serviço  de  recepção  de  declarações  será  encerrado às 20 (vinte) horas (horário de Brasília) do dia 30 de  maio de 2008.  Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua  publicação. Grifo nosso  Assim,  não  há  qualquer  dúvida  de  que  a  DSPJ  relativa  ao  SIMPLES  FEDERAL (fatos geradores de Janeiro a Junho/2007), deveria ser entregue no prazo de 17 de  setembro de 2007 a 30 de maio de 2008.  Tendo  mencionada  regulamentação  permitido  um  longo  prazo  para  atendimento da obrigação acessória (entrega da DSPJ), revelam­se inadequadas e despidas de  razoabilidade as alegações da recorrente.  Quanto  as  supostas  dificuldades  de  transmissão  e  entrega  da  DSPJ  do  ano  calendário 2009, não tem qualquer relação com os fatos objeto do presente processo.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Walter Adolfo Maresch ­ Relator                               Fl. 34DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH

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6688471 #
Numero do processo: 10283.006831/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 ISENÇÃO DO IPI. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO PPB Quando o contribuinte logra êxito em comprovar parcialmente o cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI, há de se manter os créditos tributários lançados de ofício exclusivamente em relação à parcela não validada pela fiscalização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto à preliminar de decadência. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Valcir e Luiz Augusto que davam provimento total ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 10          1 9  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.006831/2008­85  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3301­003.167  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2017  Matéria  IPI  Recorrentes  ELECTROLUX D A AMAZÔNIA LTDA              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003  ISENÇÃO DO IPI. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO PPB  Quando  o  contribuinte  logra  êxito  em  comprovar  parcialmente  o  cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI, há de se  manter os créditos tributários lançados de ofício exclusivamente em relação à  parcela não validada pela fiscalização.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  Em  sendo  parte  integrante  da  obrigação  tributária,  é  lícita  a  incidência  de  juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.  Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Por unanimidade de votos, em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  quanto  à  preliminar  de  decadência.  Por maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencidos  os  Conselheiros  Valcir  e  Luiz  Augusto  que  davam  provimento  total  ao  recurso  voluntário.  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente.   Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  do  Couto Chagas  (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 68 31 /2 00 8- 85 Fl. 5159DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 11          2 Valcir  Gassen,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Jose  Henrique  Mauri,  Liziane  Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.  Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 12          3   Relatório  Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instãncia:  "Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (IPI). A Fiscalização apurou a seguinte infração:  a) Descumprimento  das  condições  e  requisitos  para  a  fruição  da  isenção  do  IPI.  2.  Inconformado  com  a  autuação  da  qual  tomou  ciência  em  18.12.2008  (fl.  04), o contribuinte apresentou impugnação em 19.01.2009 (fls. 399/419) alegando:  a) Que teria ocorrido a decadência, nos termos do art. 150, §4°, do CTN;  b) Que a contagem do prazo decadencial deveria ser efetuada de acordo com o  art. 150, §4°, do CTN, independentemente da existência de pagamento; c) Que, de  modo  a  atender  ao PPB,  a montagem e  soldagem dos  componentes  nas  placas  de  circuito impresso eram realizadas por empresas terceirizadas;  d)  Que  os  "circuitos  impressos  sem  componentes"  e  seus  respectivos  "componentes eletrônicos ativos e passivos", uma vez recebidos e separados em seus  estabelecimento,  seriam  encaminhados  em  operações  de  "remessa  para  industrialização"  (sob  o  CFOP  5.901)  para  fornecedores  terceirizados,  que  promoveriam a montagem da placa de circuito impresso;  e)  Que,  uma  vez  concluída  a  montagem  da  placa  de  circuito  impresso,  o  fornecedor  promoveria  o  retorno  das  mercadorias  anteriormente  remetidas  (sob  o  CFOP 5.902) e o respectivo faturamento da industrialização efetuada (montagem da  placa, sob o CFOP 5.124);  f)  Que  as  placas  de  circuito  impresso  seriam  utilizadas  como  itens  intermediários para a fabricação dos Fornos de Microondas;  g)  Que  a  premissa  utilizada  pela  Fiscalização  de  que  para  cada  forno  de  microondas  é  utilizada  uma  placa  de  circuito  impresso  não  seria  verdadeira,  pois  cada microondas consumiria duas placas de circuito impresso;  h) Que o resultado da conciliação da movimentação de estoques de produtos e  insumos  teria  apontado  substanciais  divergências  entre  os  números  considerados  pela  Fiscalização  e  os  números  que  constariam  da  escrita  fiscal  e  contábil  da  empresa;  i) Que a Fiscalização, a partir de um exercício absolutamente subjetivo, teria  concluído pelo descumprimento do PPB;  j ) Que, de acordo com os documentos apresentados, não teria havido quebra  do PPP;  k) Que, ao promover ao lançamento com base em uma análise equivocada de  planilhas  e  demonstrativos,  a  Fiscalização  teria  violado  os  princípios  que  regem a  atividade tributária estatal.  Fl. 5161DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 13          4 Por fim, requereu:  a) Que o lançamento fosse julgado improcedente;  b) Que a intimação fosse dirigida à pessoa de seu representante;  c) Que fosse autorizada a apresentação de documentos suplementares durante  o curso do processo;  d) Que fosse autorizada a realização de sustentação oral.  É o relatório."  Em  sessão  do  dia  28/4/2009,  a DRJ  em Belém  (PA)  julgou  a  impugnação  parcialmente  procedente. Os  créditos  tributários  referem­se  ao  ano  de  2003  e  o  contribuinte  tomou  ciência  da  autuação  em  18/12/2008.  A  Turma  considerou  que  decaíra  o  direito  da  Fazenda Pública de consituir créditos tributários relacionados aos meses em que o imposto foi  lançado, isto é, em relação aos períodos de apuração em houve pagamento do IPI.   O Acórdão n° 01­13.741 foi assim ementado:  "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003  INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE.  As  regras  referentes  a  intimações  no  curso  do  processo  administrativo  fiscal  encontram­se  previstas  expressamente  no  art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Neste dispositivo normativo não  há previsão de intimação pessoal do advogado.  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA.  DEFESA  ORAL.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  defesa  oral  na  primeira  instância  administrativa.   DOCUMENTOS. JUNTADA ULTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.  O  art.  16,  §4°,  do Decreto  n°  70.235/72,  prevê  expressamente  que  a  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual.  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.  Somente há lançamento por homologação quando o contribuinte  efetua o pagamento do tributo antes da atuação do Fisco.  DECADÊNCIA.  Na  contagem  do  prazo  decadencial,  somente  se  aplica  a  regra  prevista  no  art.  150,  §4°,  do  CTN,  quando  houver  pagamento.  Caso contrário, aplica­se a regra do art. 173,1, do CTN.  Lançamento Procedente em Parte"  Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 14          5 Inconformado, o contribuinte apresentou  recurso voluntário, em que  repetiu  os argumentos aduzidos na impugnação e adicionou o seguinte:  ­ Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; e  ­  Documentos:  declaração  da  empresa  Sanyo,  atestando  que  realizou  industrialização  por  encomenda  de  pacas  de  circuito  impresso;  notas  fiscais  de  remessa  e  retorno  de  industrialização  por  encomenda  e  de  faturamento  da  industrialização;  e  "Demonstrativo de Consumo das Placas de Circuito Impresso nos Fornos de Micro­Ondas."  Dada a desoneração parcial, houve recurso de ofício.  O processo veio para o CARF. A 2° Turma Ordinária da 3° Câmara da  3°  Seção decidiu converter o processo em diligência. Reproduzo o voto condutor:  "Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Redator Designado.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  por  isso  dele conheço.  Desde o  início da controvérsia, o contribuinte procura demonstrar, por meio  de provas concretas, que do procedimento adotado não teria ocorrido dano ao erário,  uma vez que as mercadorias que efetivamente foram remetidas para industrialização  sem  a  cobertura  de  adequada  documentação  fiscal,  o  foram  pois  eram  uma  peça  única, que, bipartida no prestador de serviços, retornava adequadamente acobertada  pela documentação fiscal pertinente.  Diante  desse  fato,  é  de  argüir­se  o  porque  não  teria  o  auditor  fiscal  feito  auditoria  de  produção  naquele  contribuinte,  para  demonstrar  efetivamente  a  ocorrência  de  prejuízo  ao  fisco,  não  necessariamente  decorrente  apenas  daqueles  fatos, mas até de outros porventura encobertos sob o manto dessa única e originária  controvérsia.  Pelo contrário, optou por ater­se à incorreção formal do contribuinte, ao invés  de buscar a verdade material.  Entendo pois que deveria ter sido observada a Lei nº 9.430/96, como o é em  inúmeras circunstâncias analisadas por essa Turma.  Invoco então julgado da antiga 1ª Câmara do Segundo Conselho, para ilustrar  o que poderia ter acontecido, Acórdão 20179.746:  "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI  Data do fato gerador: 31/01/1991, 31/12/1999  Ementa:  AUDITORIA  DE  PRODIS  ERRO  NA  APURAÇÃO  PROVOCADO  POR  ERRO  DE  INFORMAÇÃO  DO  CONTRIBUINTE.  REFAZIMENTO  DOS  CÁLCULOS.  CANCELAMENTO DE PARTE DA AUTUAÇÃO.  Demonstrado nos autos que parte do crédito tributário apurado  decorreu de erro na apuração nas vendas supostamente omitidas  que, por  sua vez,  teve origem em erro  em informação prestada  pelo contribuinte, cancela­se a parcela indevida da autuação.  Fl. 5163DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 15          6 Recurso de oficio negado."  Na ocasião, o Conselheiro relator considerou como fundamento o Acórdão de  primeira instância, e arrematou:  “Quanto  ao  mérito,  considerando  que  a  diligência  realizada  comprovou  a  tese  da  impugnante,  qual  seja,  a  de  que  houve  realmente  a  informação  incorreta  do  total  de  compras  de  matéria­prima  nos  códigos  envolvidos,  o  que  foi  acertado  nos  demonstrativos  e  planilhas  refeitos,  o  que  efetivamente  alterou  as  bases  de  cálculo  do  11'1  e,  I  também,  quanto  à  falha  de  transcrição  dos  dados  das  relatórios  fiscais  para  o  Auto  de  Infração, resta analisar, principalmente, se procedente alegação  de que 'a auditoria de produção não tem como apurar a verdade  material  na  comparação  do  consumo  das  matérias­primas  usadas  na  produção  contra  o  consumo  de  matérias­primas  constantes dos respectivos registros contábeis, uma vez que não  existe exatidão na relação matéria­prima versus produto', e que  'algumas matérias­primas originalmente destinadas à fabricação  de um determinado tipo de parafuso, de acordo com o respectivo  cadastro,  foram  utilizadas  na  fabricação  de  outro  item  e  também,  um  produto  pode  ser  fabricado  usufruindo  uma  matéria­prima opcional, não registrada no respectivo cadastro,  dependendo das circunstâncias do processo produtivo."   "Considerando,  de  fato,  que  a  Fiscalização  produziu  uma  apuração  detalhada,  em  função  da  diligência,  donde  concluiu  efetivamente ter havido erro na apuração original, decorrente de  informação  incorreta  prestada  pela  interessada,  não  restou  alternativa ao Acórdão de primeira instância além de cancelar a  parcela decorrente de erro.”  Assim sendo, entendo que deveria ter sido procedida a auditoria de produção  por parte da fiscalização para que pudéssemos ter certeza ou não de dano ao erário, o  que  não  fora  feito.  Tampouco  não  necessariamente  seria  um  procedimento  obrigatório, mas  sem  dúvida  espancaria  qualquer  dúvida  quanto  à  adequação  dos  procedimentos adotados pelo contribuinte, e alcançaria a verdade material.  Não tendo isso ocorrido, proponho aos nobres pares a conversão desse recurso  em diligência, para que possamos buscar a verdade material no caso concreto, onde  não  me  pareceu  ter  ocorrido  prejuízo  ao  erário,  mas  uma  inobservância  de  formalidade  fiscal,  cuja  desconsideração  dessa  escrita,  ai  sim,  resultou  em  lançamento de ofício.  Para tanto, apresentarei o que entendo serem os motivos para essa diligência,  seguidos daquilo que considero que poderia ser demonstrado pelo contribuinte para  que  esse colegiado possa ao  final postar­se diante de duas premissas: a uma,  a de  que  houvera  ou  não  prejuízo  ao  erário. Caso  positivo, mais  confortável  o  voto  no  sentido de negar provimento à pretensão do contribuinte. Ou, a duas, a de que não se  estaria na hipótese de prejuízo ao erário, daí sim, esse colegiado poderá optar entre a  verdade material versus a verdade formal da escrita do contribuinte.  I  Da  Controvérsia  acerca  da  aprovação  do  PPB  da  recorrente  X  entendimento da RFB sobre o processo produtivo  Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 16          7 Um dos aspectos que restou controverso na discussão da lide diz respeito ao  processo  produtivo  básico  (PPB)  do  microondas,  que,  nos  termos  da  Portaria  Interministerial MDIC/MCT nº 68/1994, consiste em 5 etapas, a saber: “I Montagem  e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; II Montagem  do painel de controle; III Estampagem, soldagem e pintura da cavidade do forno; IV  Montagem na cavidade do forno dos módulos: conjunto motor/ventilador, conjunto  circulador  de  ar,  válvula  magnetron,  instalação  da  fiação,  painel  de  controle,  capacitor, transformador, porta e sistema de giro do prato; V Ensaios de vedação e  funcionamento”;  e  que  a  etapa  supostamente  descumprida  restringe­se  à  etapa  I  realizada por terceiro (Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de  circuito impresso);  Verificamos,  ainda  que  os  Laudos  de  Produção  (LP)  emitidos  pela  SUFRAMA e apensos ao processo às fls. 79, 80 e 81 constituem­se, nos termos do  artigo 23 da Resolução SUFRAMA nº 202/2006, “no documento comprobatório do  atendimento das etapas estabelecidas no PPB de cada produto e do cumprimento de  outros parâmetros dimensionados no projeto técnico econômico aprovado”;   Possível observar que a mesma Resolução SUFRAMA nº. 202/2006, em seu  artigo 58, estabelece que “a SUFRAMA enviará comunicado à Secretaria da Receita  Federal  (SRF)  sempre  que  comprovar  que  a  empresa  auferiu  indevidamente  dos  incentivos  fiscais  administrados  pela  autarquia,  descritos  no  art.  1º  desta  Resolução.”;   Finalmente,  em  matéria  de  cumprimento  de  PPB,  o  CARF/CSRF  já  se  manifestou  a  favor  da  conversão  do  julgamento  em  diligência,  notadamente  em  situações  envolvendo  aspectos  fáticos,  conforme  acórdãos  CSRF/0303.300  (processo  nº  10283.007112/9371),  CSRF/0305.109  e  30129.220  (CARF);  ou  seja,  no sentido de que o entendimento do CARF/CSRF nas decisões mencionadas acima,  segundo  o  qual  não  poderá  haver  divergência  sob  o  ponto  de  vista  fático  entre  SUFRAMA e Receita Federal;   II  Do  cumprimento  dos  requisitos  do PPB  para  o Forno Microondas  –  Modelo 10271DBB106  Quanto à comprovação do cumprimento dos requisitos do PPB para o Forno  Microondas – Modelo 10271DBB106 (Código 70289373 – Item Intermediário) Um  dos objetos do Auto de Infração foi a não comprovação da origem do consumo do  subconjunto, item intermediário, modelo 70289373 suficiente para produzir o forno  modelo 10271DBB106, conforme mencionado pela fiscalização à fls. 09, item 12.4  do processo:   "(...)  Já  com  relação  às  90.587  unidades  produzidas  de  Forno  Microondas,  modelo  10271DBB106,  informadas  pela  própria  empresa  (...),  não  há  identificação  da  origem  do  consumo  das  Placas de Circuito Impresso, código 702389373, utilizadas para  produção desse modelo.(...)”   Assim,  verifica­se,  basicamente,  a  falta  de  correlação  entre  as  quantidades  produzidas do  item  intermediário 702389373 e a produção dos  fornos microondas  modelo 10271DBB106 fabricados pela Recorrente.  Assim,  temos  algumas  observações.  A  primeira  de  que  a  conclusão  do  Sr.  Auditor  Fiscal  foi  baseada  em  uma  interpretação  equivocada  da  “Relação  Insumo  Produtos” fornecida pela Recorrente à fiscalização, apensa ao processo às fls. 95 e  96, diante da qual o Sr. Auditor Fiscal considerou que tal relação não representava a  Fl. 5165DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 17          8 lista de combinações possíveis de componentes para a produção dos fornos, não se  tratando da  relação  exata de  todos  os  componentes que  necessariamente  deveriam  ser utilizados para produção dos fornos e que os arquivos magnéticos elaborados no  layout determinado pela IN n° 86 e apresentados ao Sr. Auditor Fiscal, permitiriam,  de  acordo  com  o  alegado  pelo  contribuinte,  por  meio  da  relação  Consumo  X  Produção  (arquivo  magnético  4.5.1  Controle  de  Estoque),  comprovar  que  o  subconjunto modelo 70289373 foi utilizado, no ano de 2003 para produção de dois  outros fornos microondas que não o forno modelo 10271DBB106;  A segunda que a planilha fornecida pela Recorrente durante os procedimentos  de fiscalização, apensa ao processo às fls. 120, a qual demonstra esquematicamente  e  quantitativamente  a  inocorrência  durante  o  ano  de  2003  da  utilização  do  subconjunto modelo 70289373 para produção do forno modelo 10271DBB106, mas  sim para a produção de outros dois modelos de fornos;  Que  é  possível  constatar  pela  existência  de  documento  fiscal  que  permitiria  comprovar  a  industrialização  (CFOP 1124) do subconjunto modelo 70289373  (ex:  fls. 1401 a 1404 do processo) em quantidade suficiente para produzir os outros dois  modelos de fornos 10271DBC106 e 10271DBD106, e que esta comprovação pode  ser  verificada  no  arquivo  magnético  da  IN  n°  86  denominado  4.3.4  Itens  de  Mercadoria/Serviços (Entradas), devidamente fornecido à fiscalização;   III Do cumprimento dos requisitos do PPB para os Fornos Microondas –  Modelos  10271DBB206  e  10271DBB106  (Código  64800174  Insumos)  e  10321DBB106 e 10321DBB206 (Código 64800175Insumos)  Outro ponto objeto de questionamento pela fiscalização, e que fora objeto de  controvérsia,  refere­se  a  remessa  dos  insumos  placas  de  circuito  impresso  (PCI)  modelos 64800174 e 64800175 para industrialização por terceiros.  Alega o Auditor Fiscal (fls. 10) nos itens 12.8 e 12.9 o que segue:  “(...)  Em  relação  à  não  identificação  das  remessas  para  industrialização  das  Placas  de  Circuito  Impresso  importadas,  descritas na planilha (...), sobre as quais intimou o contribuinte  a manifestar, não houve qualquer menção a elas na resposta às  fls. (...).   Sendo assim, no que diz respeito às placas de Circuito Impresso,  tanto  em  relação  aos  códigos  64800174,  64800175,  itens  importados,  (....),  cujos  empregos  se  verificam  nos  modelos  10271DBB106,  10271DBB206,  10321DBB106  e  10321DBB206  (...)  o  contribuinte  não  logrou  êxito  em  demonstrar  ou  provar  que  houve  a  terceirização  para  o  cumprimento  do  artigo  1º,  inciso  I  da  Portaria  Interministerial  68/94”.  (grifos  não  destacados do original)   Do  retrotranscrito,  poder­se­ia  concluir  que  o descumprimento  do PPB para  tais  produtos  estaria  restrito  à  ausência  de  comprovação  documental  da  remessa  à  industrialização  para  terceiros  dos  insumos  “placas  de  circuito  impresso”  (PCI)  modelos 64800174 e 64800175”.   A  fiscalização  fundamenta­se  no  fato  de  que  os  insumos  PCIs  modelos  64800174  e  64800175  não  constaram  nas  notas  fiscais  de  remessa  (CFOP  5901)  para  a  SANYO,  empresa  terceirizada  que  assumia  o  papel  de  industrializar  os  Fl. 5166DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 18          9 subconjuntos (produto intermediário) por meio da montagem dos insumos (placas e  componentes) enviados pela Recorrente;   Afirma ainda a fiscalização que a empresa terceirizada firmou declaração no  sentido  de  fora  esta  a  responsável  pela  montagem  dos  subconjuntos  no  anocalendário  de  2003  (fls.  1215),  bem  como  que  efetuara  a  industrialização  de  todos os insumos adquiridos pela Recorrente;   Nesse sentido, entendo que devemos considerar, para prosseguirmos na busca  pela verdade material, que mais importante seria analisar­se o cumprimento do PPB  como  um  todo  para  a  produção  anual  dos  produtos  elencados  e  não  apenas  analisarmos  estritamente o  cumprimento de uma obrigação  formal – qual  seja – o  preenchimento da Nota Fiscal, na medida em que a recorrente afirma que a etapa do  PPB  de  remessa  dos  insumos  PCIs  para  industrialização  foi  rigorosamente  obedecida.   Ainda, não vejo na legislação que rege o PPB a exigência formal expressa que  nos  leve  ao  entendimento  de  que  o  cumprimento  do  PPB  deve  ser  avaliado  isoladamente  pela  ótica  formal  da  escrita  fiscal.  Verifico  que  a  fiscalização  efetivamente focou em questão estritamente formal – i.e., ausência da identificação  da  placa  menor  (174/175)  na  nota  fiscal  de  remessa  à  industrialização,  enquanto  deixou  à  margem  do  procedimento  fiscalizatório  todas  as  outras  etapas  e  formalidades eventualmente cumpridas em relação ao PPB, e que poderiam ter sido  averiguadas em uma auditoria de produção.   Mais,  considero  que  o  princípio  da  verdade  material  requer  que  evite­se  o  excesso  de  formalismo  (Acórdãos  30330.157  e  20401.782),  e  que  se  permita  a  apresentação de outros meios hábeis e idôneos de prova.   IV Do processo de Importação dos Insumos “PCIs”  Possível  depreender  dos  autos  que,  por  particularidades  do  processo  produtivo, as placas utilizadas eram produzidas em um só corpo, unidas apenas por  um  “serrilhado”,  e  que  por  isso,  afirma  a  recorrente  que  considerava  que  a  placa  importada era  responsável pelo controle do forno de microondas (placa maior), de  tal modo que, mesmo sabendo que à referida placa teria em si acoplada uma outra  placa  responsável pela  alimentação da  energia  (placa menor),  estruturalmente, não  havia sentido implementar controles contábeis para duas placas, como se fisicamente  estivessem separadas;  Prossegue ainda alegando a recorrente que o insumo PCI modelo 64800174,  placa menor, era importado em conjunto, formando fisicamente uma única peça com  o insumo PCI modelo 64800054, placa maior (par 1), da mesma forma que o insumo  PCI  64800175,  placa  menor,  era  importado  em  conjunto  com  a  PCI  modelo  64800069,  placa  maior  (par  2),  e,  sendo  portanto,  “uma  única  placa”,  e  que,  em  decorrência de suas especificações técnicas, não haveria a necessidade de escriturar  notas fiscais distintas para a remessa das duas placas em separado;   Finalmente, afirma que as Declarações de Importação estão relacionadas nos  autos do processo às fls. 264 a 394 e que na sua descrição detalhada consta que os  insumos  PCIs  são  identificados  com  a  expressão  “sem  componente  eletrônico”  e,  portanto,  são  considerados  insumos;  que  por  isso  cada  par  de  placa  era  sempre  importado  fisicamente  acoplado,  mesmo  que  para  algumas  Declarações  de  Importação  fossem  informados  apenas  o  código  de  uma das  placas  do  par,  e  que,  portanto,  existiam duas  formas de declarar a  importação dos  insumos PCIs na DI,  Fl. 5167DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 19          10 sendo uma delas com a inserção de apenas um código (ex: 64800054) e a outra com  a inserção dos dois códigos (ex: 64800054 e 64800174);   Finalmente,  verifica­se  que  mesmo  nas  DIs  nas  quais  houve  segregação  meramente  descritiva  (informação  dos  dois  códigos  de  insumos),  o  denominado  “part number” (código da placa perante o fornecedor no exterior) era o mesmo para  os  dois  códigos  de  placas;  que  ii)  a  declaração  dos dois  códigos  de  placas  não  se  desdobravam em duas adições na DI (mesma NCM 8534.00.00); e que iii) a soma  do valor unitário,  em dólar,  dos dois  códigos de placas  (DIs  com dois  códigos de  placas)  era  igual  ao valor unitário declarado nas DIs que  apresentaram apenas um  código de placa;  Isso posto,  quanto  aos  itens  I  a  IV, voto no  sentido de  converter o presente  recurso em diligência para:  Que intime­se o contribuinte a demonstrar que  (i)  Em  relação  aos  aspectos  fáticos,  especificamente  à  etapa  I  da  Portaria  Interministerial nº 68/1994, objeto de questionamento por parte da fiscalização, que  houve aprovação do cumprimento da referida etapa por parte da SUFRAMA, o que  não fora considerado subsistente pela RFB.  (ii)  Que  demonstre  que  a  partir  da  análise  dos  arquivos  da  IN/86  (especificamente  o  arquivo  4.5.1),  restaria  comprovada  a  não  utilização  do  subconjunto modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106  e, portanto, a realidade fática alegada pela Recorrente.  (iii) Em caso positivo, ou seja, caso tenha havido a utilização do subconjunto  modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106,  intime­se a  demonstrar se seria possível aferir em quais modelos de fornos de microondas este  subconjunto modelo 70289373 fora utilizado.  (iv)  Que  demonstre  com  base  na  documentação  fiscal  disponível,  que  os  insumos objeto da contenda seriam em sua totalidade importados.  (v)  Caso  positivo  o  item  (iv)  que  demonstre  que  os  itens  importados  eram  desprovidos de quaisquer componentes.  (vi) Que demonstre, a partir dos valores eventualmente demonstrados no item  (v) que, quando constou das respectivas DI’s apenas um código (ex: 64800054), que  o  valor  por  unidade  fora  de  US$  0,40  (quarenta  centavos  de  dólar)  e  quando  constou­lhes dois códigos (ex: 64800054 e 64800174) o valor  total correspondeu a  US$ 0,40 (quarenta centavos de dólar) por cada par de itens.  (vii) Que  demonstre  por  outros meios  de  prova  e  por  informações  das DIs,  (p.e. o valor ou os “part numbers”), relacionados às fls. 294 a 364, a afirmação de  que as “placas pares” sempre foram importadas fisicamente acopladas.  (viii) Que demonstre, a partir da análise das DIs, que não houve casos em que  foram importados separadamente as placas 64800174 e a placa 64800175,  (ix) Caso negativa a resposta ao item (viii), ou seja, que não houve os casos  em  questão,  que  demonstre  que  as  respectivas  importações  estavam  sempre  indiretamente associadas às placas de número 64800054 e 64800069.  V ­ Da controvérsia quanto à Industrialização (insumos PCIs) e Retorno  dos Subconjuntos (Produtos Intermediários)  Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 20          11 Possível verificar ainda da análise dos autos que as placas acopladas (maior e  menor), em conjunto com os demais componentes (resistores, diodos, dentre outros),  eram remetidos à empresa Sanyo para que esta executasse a montagem dos referidos  componentes  nas mencionadas  placas,  cujos  pares  (placa maior  e menor),  após  a  citada  montagem,  eram  então  desacoplados/separados  e  em  seguida  remetidos  (placas montadas com componentes) à contribuinte;  Alega  a  recorrente  que  os  componentes  (tais  como  resistores,  diodos,  etc)  necessários  para  a montagem de  cada  um dos  itens  intermediários  produzidos por  meio  dos  insumos  64800054/64800174  e  64800069/64800175,  teriam  sido  remetidos à industrialização em quantidade suficiente para a montagem de cada par  de placas;  Alega ainda que, com base no arquivo magnético 4.5.1 Controle de Estoque,  elaborado  no  layout  determinado  pela  IN  n°  86,  que  o  par  de  placas  insumos  modelos  64800054/64800174  fora  utilizado  na  montagem  dos  subconjuntos  industrializados (produtos intermediários) modelos 70289179 e 70289180 e o par de  placas  insumos  64800069/64800175  fora  utilizado  na  montagem  do  subconjunto  industrializado (produto intermediário) modelo 70288547;   Verificamos, paralelamente, que foi apensa ao processo (fls. 99) planilha que  demonstra  em  termos  quantitativos  o  retorno  de  subconjuntos  industrializados  modelos  70289179,  70289180  e  70288547,  aparentemente  em  número  suficiente  para  produzir  os  fornos microondas  objeto  de  questionamento,  e  que  a  recorrente  anexou as notas fiscais que comprovariam o retorno da industrialização dos insumos  questionados pela fiscalização, utilizando­se do CFOP 1124 (ex: NF fls. 511, 512 e  582);  Para  essa  controvérsia,  entendo  deve  a  fiscalização  intimar  o  contribuinte  para:  (i)  comprovar  a  remessa  para  industrialização  na  SANYO dos  demais  itens  componentes dos subconjuntos (resistores, diodos, etc.), em número necessário para  a composição do produto final;  (ii)  em  caso  de  ser  positiva  a  prova,  pelas  quantidades  dos  componentes  encaminhados,  comprovar  que  tais  componentes  correspondem  à  quantidade  necessária para a industrialização dos insumos PCIs modelos 64800054/64800174 e  64800069/64800175;  (iii)  finalmente,  a  comprovar  e  correlacionar  dos  documentos  acostados  aos  autos que houvera o retorno dos itens intermediários produzidos com a aplicação das  PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, quais sejam, 70289179 e  70289180  (para  o  insumo  64800054/64800174)  e  70288547  (para  o  insumo  64800069/64800175).  VI Da controvérsia de ordem contábil.  Finalmente, assumindo a premissa de restar comprovado técnica e faticamente  que os insumos PCIs modelos 64800054/64800174 tratavam­se de uma única peça e  que  os  insumos  PCIs  modelos  64800069/64800175  também  tratavam­se  de  uma  única peça e que:  i)  cada par de  insumo PCI  fora  importado sempre em conjunto;  que  ii)  foram  remetidos  à  industrialização  também sempre  em conjunto;  e que  iii)  retornaram  para  o  estabelecimento  da  recorrente  na  forma  dos  subconjuntos  (produtos intermediários), cujos modelos já foram mencionados nos itens anteriores,  e  assumindo que os  arquivos magnéticos  foram elaborados no  layout determinado  Fl. 5169DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 21          12 pela  IN n°  86  e  apresentados  à  fiscalização,  a partir  dos  quais  é  possível  obter  as  informações  referentes  aos  estoques,  entradas  e  saídas  de  insumos,  produtos  intermediários  e  produtos  acabados,  constando  ainda  nos  referidos  documentos  i)  relação de remessa retorno terceirização 2003, fls. 100; a ii) relação de consumo de  placas  terceirizadas  2003,  fls.  99;  e  a  iii)  relação  produção  forno  2003,  fls.  101,  intime­se o contribuinte a demonstrar que:  (i)  Em  termos  quantitativos,  foram  importados  insumos  PCIs  (modelos  64800054  e  64800069)  suficientes  para  compor  os  subconjuntos  produtos  intermediários  (70289179,  70289180  e  70288547),  que  foram  remetidos  à  industrialização insumos PCIs (64800054 e 64800069) suficientes para produzir tais  subconjuntos,  e  que  houve  retorno  de  subconjuntos  para  o  estabelecimento  da  Recorrente  em  quantidade  suficiente  para  produzir  os  fornos  microondas  no  anocalendário de 2003.  (ii) Finalmente, que as quantidades de fornos de microondas produzidos pela  recorrente  foram  compatíveis  com  as  quantidades  de  insumos  importados  e  subconjuntos industrializados, o que daria ensejo à comprovação de cumprimento do  PPB e espancaria dúvidas quanto à regularidade da produção da recorrente, o que de  resto poderia ter sido o resultado alcançado com a auditoria de produção.  Por  fim,  que  iii)  a  fiscalização  elabore  relatório  conclusivo  no  sentido  de  atestar  a  adequação  da  correlação  entre  insumos  e  produtos  apresentados  pelo  contribuinte  durante  a  fase  de  diligência,  para  que  a  Turma  possa  formar  sua  convicção.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Conselheiro Gileno Gurjão Barreto"  É o relatório.  Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 22          13   Voto             Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira  Voto  Os  recurso  voluntário  e  de  ofício  preenchem  os  requisitos  legais  de  admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento.  A contenda foi detalhadamente descrita no relatório, onde  também consta o  inteiro teor do voto condutor da proposta para realização de diligência.  Em síntese, trata­se de auto de infração para cobrança de IPI, multa de ofício  de 75% e juros Selic, em razão de descumprimento de requisitos legais para fruição de isenção  do IPI.  O  contribuinte  obteve  aprovação  de  seu  projeto  industrial,  por  meio  do  Parecer Técnico de Projeto n° 114/2000, o que o habilitou `a isenção do II e do IPI previstas  nos  artigos 7°  e 9° do Decreto­lei  n° 288/1967. Para  tanto,  dentre outros  requisitos,  teria de  realizar processo de industrialização  local compatível com Processo Produtivo Básico (PPB),  previsto na Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT n° 64/1994.  A  fiscalização  concluiu  que  não  foi  cumprido  o  PPB  e  lavrou  o  auto  de  infração. Em síntese, houve duas acusações:  a) O forno de micro­ondas modelo 10271DBB106 era composto, entre outros  itens,  pelo  subconjunto  Placa  Controle modelo  70289373.  O  contribuinte  não  comprovou  a  "origem"  dos  subconjuntos  aplicados  na  fabricação  dos  citados  fornos,  isto  é,  mão  correlacionou as quantidades produzidas dos citados tipos de subconjunto e de forno.  b)  O  contribuinte  também  não  teria  comprovado  a  remessa  para  industrialização  por  terceiros  dos  insumos  64800054/64800174  e  64800069/64800175  e  o  retorno  dos  subconjuntos  70289179,  70289180  e  70288547,  utilizados  para  fabricação  dos  fornos  micro­ondas  modelos  10271DBB106,  10271DBB  206,  10321DBB106  e  10321DBB206.  O contribuinte impugnou o auto de infração. A DRJ deu provimento parcial,  declarando  ter  decaído  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  lançar  o  tributo  sobre  os  períodos  de  apuração  de  2003  em  que  houvera  pagamentos.  Todavia,  no  mérito,  julgou  os  argumentos  improcedentes.  O processo veio para este colegiado.   O Conselheiro Relator Gileno Gurjão Barreto entendeu que o a fiscalização  deveria,  porém  não  realizou  uma  auditoria  de  produção,  para  fundamentar  suas  conclusões.  Privilegiou aspectos formais em detrimento dos fatos.  Fl. 5171DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 23          14 E que o contribuinte, por sua vez, teria apresentado provas concretas de que  não descumpriu o PPB e, por conseguinte, não teria causado dano ao erário.  Diante disto, propôs à turma que o processo fosse convertido em diligência,  para  que  fosse  encontrada  a  realidade  dos  fatos,  cerne  do  Princípio  da Verdade Material.  A  proposta foi aceita, por maioria de votos.  Os motivos pelos quais o relator propôs a diligência já foram apresentados no  relatório, pelo que, adiante, após a análise do recurso de ofício e das preliminares do recurso  voluntário, adentraremos de pronto no resultado da diligência,  contido na "Informação Fiscal  EQFIA/ALF/MNS n° 007/2015" (fls. 4.699 a 4.729).  RECURSO DE OFÍCIO  O Fisco cobra IPI relativo aos PAs 20/01/2003 a 31/12/2003. O contribuinte  tomou ciência do auto de infração em 18/12/2008 (fl. 16).   Com fundamento no § 4° do art. 150 do CTN, a DRJ considerou que decaíra  o direito de o Fisco lançar o IPI correspondente aos seguintes períodos de apuração (PA), em  relação aos quais identificou pagamentos (fls. 1.160 a 1.166):      Não merece reparos a decisão da DRJ, pelo que nego provimento ao recurso  de ofício.    RECURSO VOLUNTÁRIO  I) PRELIMINARES  I ­ 1) "Da necessidade de intimação pessoal do representante legal"  I ­ 2) "Da sustentação oral em sede de decisão administrativa de primeira  instância"  Fl. 5172DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 24          15 I ­ 3) "Da juntada de documentos no curso do processo e do Princípio da  Verdade Material"  Os dois primeiros pleitos  foram muito bem enfrentados pelos  julgadores de  primeira instância, pelo que reproduzo trecho do respectivo acórdão e dele faço minha razão de  decidir:    No tocante ao item "I­3", em homenagem ao Princípio da Verdade Material,  voto  por  admitir  os  documentos  juntados  no  recurso  voluntário  (fl.  1.192  ­  declaração  da  empresa Sanyo que realizou industrialização por encomenda, notas fiscais de remessa e retorno  de industrialização e planilha com consumo de placas de circuito impresso em fornos de micro­ ondas), posto que simplesmente complementam o que foi apresentado no curso da fiscalização  e na impugnação, sem constituir argumento novo, ausente na impugnação, onde se delimita o  escopo da lide (artigos 14 e 17 do Decreto n° 70.235/1972).  Isto posto, dou provimento parcial às preliminares em epígrafe.    I ­ 4) "Da decadência do direito do Fisco de constituir parte do créditos  tributários"  A Recorrente alega que os créditos tributários mantidos pela DRJ, em razão  de não ter havido pagamento e, por conseguinte, aplicado o inciso I do art. 173 e não o o § 4°  do 150 do CTN,  também deveriam ser exonerados, pois  também em relação a eles decaíra o  direito de a Fazenda Pública lançá­los:  a) A despeito de ter havido ou não pagamentos, há que se aplicar o art. 150  do CTN para tributos lançados por homologação.  b) Nos períodos para os quais a DRJ não identificou pagamento, a totalidade  das saídas estavam isentas. Assim, por este motivo, também não se pode afastar a aplicação do  § 4° do art. 150 do CTN ­ contagem do prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato  gerador.  c) Por fim, mesmo se aplicado o inciso I do art. 173 do CTN, haveria que se  cancelar  os  créditos  tributários  relativos  aos  PAs  20/01/2003  a  11/12/2003.  Quando  o  dispositivo  legal dispõe que  conta­se o prazo  a partir  "do primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  quer  dizer,  na  prática,  a  partir  do  período de apuração seguinte.  Já  me  manifestei  no  sentido  de  que,  no  caso  do  IPI,  entendo  que  o  lançamento  se dá pelo pagamento ou  liquidação  por  compensação com créditos  (art.  124 do  Decreto n° 4.544/2002 ­ RIPI/2002). Assim, afasto a alegação da letra "a".  Fl. 5173DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 25          16 Não ingressarei na discussão do tema disposto na letra "b", pois não há nos  autos cópias do Livro de Apuração do IPI, para que pudéssemos ter certeza de que não houve  pagamentos, porque todas as saídas estavam isentas do IPI.   Por fim, no tocante à letra "c", filio­me à corrente que entende que o inc. I do  art.  173  do  CTN  refere­se  ao  ano  seguinte  "àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado". Assim, relativamente a 2003, contar­se­ia a partir de janeiro de 2004 e até dezembro  de 2008. Como a ciência deu­se em 18/12/2008, não havia decaído o direito de o Fisco lançar o  IPI relativo aos PA em que não houve pagamento de IPI.  Assim sendo, nego provimento à preliminar de decadência.    II) MÉRITO  Conforme mencionei anteriormente, dada a completude do relatório, adentro  diretamente no relatório da diligência (fls. 4.699 a 4.729).  Quesitos relacionados aos tópicos I ao IV da Resolução CARF n° 3302­ 00.217: o objetivo central destess quesitos foi de validar a primeira acusação fiscal, qual seja, a  de  que  a  Recorrente  não  logrou  êxito  em  comprovar  que  importou  Conjuntos  Placas  de  Circuito Impresso (PCI), Conjuntos Filtros de Linha e componentes eletrônicos, enviou­os para  industrialização por terceiros  (produção do subconjunto Placa Controle modelo 70289373) e,  em seu retorno, aplicou­os na produção dos fornos micro­ondas modelo 10271DBB106.   A  Recorrente  sustenta  que  não  haveria  como  fazer  tal  prova,  pelo  simples  fato de que o subconjunto Placa Controle modelo 70289373 não foi utilizado para a elaboração  do forno micro­ondas modelo 10271DBB106.  "(i) Em relação aos aspectos fáticos, especificamente à etapa I da Portaria  Interministerial nº 68/1994, objeto de questionamento por parte da fiscalização, que houve  aprovação  do  cumprimento  da  referida  etapa  por  parte  da  SUFRAMA,  o  que  não  fora  considerado subsistente pela RFB."  O agente  responde que a SUFRAMA atesta que o contribuinte apresenta as  instalações  e  maquinários  necessários  ao  cumprimento  do  PPB.  E,  à  RFB,  fiscalizar  o  cumprimento do PPB e regular apuração dos tributos.  A  Recorrente,  por  sua  vez,  entende  que  a  verificação  do  cumprimento  do  PPB é atribuição da SUFRAMA.  Entendo  que  a  verificação  do  cumprimento  dos  aspectos  técnicos  cabe  à  SUFRAMA. Contudo,  é  pertinente  o  trabalho  realizado  pela  fiscalização  e  que  culminou na  lavratura  do  auto  de  infração  em  questão.  Foi  resultado  da  inspeção  de  controles  e  livros  contábeis e fiscais, com o objetivo de atestar que espelhavam o fiel cumprimento do PPB.  Em momento algum, a fiscalização questionou aspectos técnicos do processo  produtivo.    Fl. 5174DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 26          17 "(ii)  Que  demonstre  que,  a  partir  da  análise  dos  arquivos  da  IN/86  (especificamente  o  arquivo  4.5.1),  restaria  comprovada  a  não  utilização  do  subconjunto  modelo  70289373  para  produção  do  forno  microondas  10271DBB106  e,  portanto,  a  realidade fática alegada pela Recorrente."  Reproduzo trechos do relatório da diligência:  "Posição da empresa:   Alega  que  não  houve  utilização  do  subconjunto  modelo  70289373 na produção do forno micro­ondas 10271DBB106.  Entendimento desta fiscalização:  Após  a  análise  dos  arquivos  magnéticos  fornecidos  pela  empresa,  verifica­se  que  a  princípio  não  houve  utilização  do  subconjunto  modelo  70289373  na  produção  do  forno  micro­ ondas se 10271DBB106, conforme demonstrado nas planilhas nº  36, 41, 42, 43 e 49 anexas.  (. . .)  Ressalte­se,  no  entanto,  o  fato  de  a  empresa  ter  realizado  escrituração  contábil,  que  impossibilita  a  afirmação  de  que  a  realidade  fática  foi  a  não  utilização  do  subconjunto  modelo  70289373  na  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106.  Isso porque, conforme demonstrado nas planilhas n° 53, 54, 55,  56,  57,  58  e  59  anexas,  houve  diversas  situações  em  que  foi  informada  a  entrada  de  um  determinado  insumo  no  ciclo  de  produção do forno modelo 10271DBB106 e após a conclusão do  ciclo,  a princípio, no  fechamento do mês, houve uma alteração  do insumo utilizado no ciclo já concluído.  (. . .)  Não  há  como  se  afirmar  que  o  controle  apresentado  pela  empresa  retrate  a  realidade  fática,  pois  observa­se  que  a  contabilidade realizada pela empresa deixa brechas a possíveis  malabarismos contábeis de ajustes posteriores de acordo com a  necessidade, conforme demonstrado abaixo:  (. . .)  Desse  modo,  com  base  nos  arquivos  apresentados  e  nas  constatações acima, pode­se afirmar que houve a utilização do  subconjunto modelo 70289373 para a produção do forno micro­ ondas  10271DBB106.  No  entanto,  posteriormente,  houve  um  ajuste  contábil  do  subconjunto  na  produção  do  forno  modelo  10271DBB106,  quando  se  faz  uma  análise  estática  (entradas  e  saídas),  e  sem  adentrar  na  ordem  cronológica  das  entradas  e  saídas  dos  ciclos  produtivos,  como  fora  realizado  por  esta  fiscalização."  Com  base  nos  registros  contábeis  da  Recorrente,  o  agente  fiscal  constatou  que  o  subconjunto  70289373  não  foi  utilizado  na  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106, tal qual alegou a Recorrente. Contudo, conclui de forma frontalmente inversa,  Fl. 5175DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 27          18 pois  considerou  como  não  confiável  a  escrita  do  contribuinte,  por  apresentar  diversos  lançamentos de estorno.  Em  sua  manifestação  sobre  o  relatório  da  diligência,  a  Recorrente  assim  justifica a ocorrência dos estornos:          Peço vênia para discordar da conclusão do agente fiscal.   Revisou  a  escrita  do  contribuinte  e  comprovou  que,  nos  registros  finais  da  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106,  não  constava  aplicação  do  subconjunto  70289373. Contudo, consignou conclusão em sentido contrário, devido a  falhas nos registros  contábeis.  Todavia,  não  carreou  aos  autos  qualquer  evidência  que  comprovasse  a  imprestabilidade dos livros revisados.   É cediço que a escrituração contábil tem força probante e goza de presunção  de validade, senão vejamos (art. 1.190 da Lei n° 10.406/2002 ­ Código Civil):  "Art.  1.190.  Ressalvados  os  casos  previstos  em  lei,  nenhuma  autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer  ou  ordenar  diligência  para  verificar  se  o  empresário  ou  a  sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas,  as formalidades prescritas em lei."  Sobre  a  retificação  de  erros  cometidos  na  escrita  contábil,  por  meio  de  lançamento de estorno, reproduzo os itens 31 e 33 da Resolução CFC n° 1.311/2011 e o § 2°  do art. 269 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda):  Resolução CFC n° 1.311/2011  Retificação de lançamento contábil  31. Retificação de lançamento é o processo técnico de correção  de  registro  realizado  com  erro  na  escrituração  contábil  da  entidade e pode ser feito por meio de:  a) estorno;   b) transferência; e   c) complementação.   Fl. 5176DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 28          19 (. . .)  33.  O  estorno  consiste  em  lançamento  inverso  àquele  feito  erroneamente, anulando­o totalmente." (g.n.)    Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda)  Princípios, Métodos e Critérios  Art.269.  A  escrituração  será  completa,  em  idioma  e  moeda  corrente  nacionais,  em  forma  mercantil,  com  individuação  e  clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos  em  branco,  nem  entrelinhas,  borraduras,  rasuras,  emendas  e  transportes para as margens:  (. . .)  §  2º  Os  erros  cometidos  serão  corrigidos  por  meio  de  lançamento  de  estorno,  transferência  ou  complementação."  (g.n.)  Portanto,  a  escrituração  contábil  é  instrumento  legítimo  de  prova  da  realização  de  transações.  E  os  lançamentos  de  estorno  constituem  a  forma  de  corrigir  erros  prevista em lei tributária e nas normas que regulam a atividade contábil.   Para que o agente fiscal pudesse concluir que são inverídicos os lançamentos  de  estorno,  teria  de  ter  reunidos  provas  documentais,  o  que  não  se  encontra  nos  autos.  O  simples fato de ter identificado lançamentos de estorno em todos os testes que efetuou, por si  só,  não  o  autoriza  a  concluir  que  o  contribuinte  manipulou  sua  escrita,  ou  melhor,  sem  eufemismos,  fraudou  seus  livros  contábeis,  para  fazer  a  autoridade  fiscal  crer  que  tinha  cumprido fielmente o PPB, quando, na verdade, não o tinha.  Portanto,  entendo  que  restou  comprovada  a  alegação  da  Recorrente,  no  sentido  de  que  não  utilizou  o  subconjunto  70289373  para  a  produção  do  forno micro­ondas  10271DBB106.    "(iii)  Em  caso  positivo,  ou  seja,  caso  tenha  havido  a  utilização  do  subconjunto  modelo  70289373  para  a  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106,  intime­se a demonstrar se  seria possível aferir  em quais modelos de  fornos de microondas  este subconjunto modelo 70289373 fora utilizado."  Neste  quesito,  a  fiscalização  acaba  por  robustecer minha  conclusão  acima,  pois  consignou  que  o  subconjunto  70289373  foi  utilizado  na  fabricação  de  outros  tipos  de  fornos (modelos 10271DBC106 e 10271DBD106).   Porém,  em  linha  com  o  que  respondeu  no  quesito  anterior,  conclui,  novamente,  em  sentido  inverso,  afirmando  que  o  subconjunto  70289373  foi  aplicado  na  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106,  com  base  na  presunção  de  que  a  escrita  contábil do contribuinte não é confiável.  Fl. 5177DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 29          20   "(iv)  Que  demonstre  com  base  na  documentação  disponível,  que  os  insumos objeto da contenda seriam em sua totalidade importados."  O  agente  aplicou  testes  e  concluiu  que  os  insumos  (PCIs)  eram  realmente  importados.    "(v) Caso positivo o item (iv), que demonstre que os itens importados eram  desprovidos de quaisquer componentes."  O agente aplicou testes e concluiu que os PCIs (placas de circuito impresso)  importados não continham componentes.   As  afirmativas  contidas  neste  e  no  quesito  anterior  são  importantes  para  a  sustentação  da  alegação  do  contribuinte  de  que  os  PCIs  foram  enviados  para  terceiros,  para  sofrerem  processo  de  industrialização,  consistente  na  montagem  de  placas,  com  adição  de  componentes.   Com  efeito,  em  itens  seguintes,  a  comprovação  da  realização  desta  industrialização  será  necessária  para  confirmar  que  foi  efetivamente  realizada  a  Etapa  I  do  PPB, nos moldes do art. 1° da Portaria Interministerial n° 68/1994 ("I ­ Montagem e soldagem  de todos os componentes nas placas de circuito impresso").     "(vi) Que demonstre, a partir dos valores eventualmente demonstrados no  item  (v) que, quando,  constou das DIs apenas um código  (ex: 64800054),  que o  valor por  unidade fora de US$ 0.40 (quarenta centavos de dólar), e quando constou­lhes dois códigos  (ex:  64800054  e  64800174),  o  valor  total  compreendeu  a US$  0,40  (quarenta  centavos  de  dólar) por cada par de itens."  O  objetivo  deste  quesito  é  o  de  verificar  se  as  PCIs  modelos  64800054  e  64800174,  utilizadas  para  fabricação  do  subconjunto  70289373,  eram  ou  importadas  em  conjunto ou individualmente.   Dado  que  restou  provado  que  o  subconjunto  70289373  não  compunha  o  forno micro­ondas 10271DBB106, esta resposta presta­se à comprovação de que tais placas, na  verdade,  formavam um  só  conjunto  (acopladas  uma na outra)  e,  desta  forma,  eram  enviadas  para industrialização por terceiros.   Os testes confirmaram as alegações da Recorrente, exceto quanto a uma DI,  em que figura apenas o modelo 6480054 e o valor é de US$ 0,30 e não US$ 0,40, como alega a  Recorrente. Nota­se,  contudo,  que  o  agente  informa  que,  nesta mesma DI,  havia  uma  outra  PCI,  cujo  código  era  648000147  e  que  valor  unitário  é  de  US$  0,10.  A  princípio,  tal  fato  poderia ser utilizado para contrariar a tese da defesa.  Sobre a resposta ao quesito, manifestou­se a Recorrente:    Fl. 5178DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 30          21     Da  inspeção  da  citada  DI,  verifica­se  que  a  alegação  da  Recorrente  corresponde é verídica.     (vii) Que demonstre por outros meios de prova e por informações das DIs,  (p.e. o valor ou os “part numbers”), relacionados às fls. 294 a 364, a afirmação de que as  “placas pares” sempre foram importadas fisicamente acopladas.  Reproduzo a resposta ao quesito:          Fl. 5179DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 31          22   O  agente  fiscal  tenta  desconstruir  um  dos  argumentos  de  defesa  da  Recorrente,  dispondo,  em  síntese,  que  as  PCIs,  quando  figuram  distintamente  nas  DIs,  não  estavam  sob  o  mesmo  "Part  Number"  (código  dado  pelo  fabricante,  para  identificação  das  peças que fabrica).  A Recorrente, por  sua vez, contesta a  conclusão consignada no  relatório da  diligência, como segue:      Fl. 5180DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 32          23             Da  leitura,  das  planilhas  preparadas  pelo  agente  fiscal,  é  nítido  que  assiste  razão à Recorrente, quando alega que o quesito não foi adequadamente respondido. O agente  fiscal  fundou  sua  conclusão  em  DIs,  nas  quais  figuravam  exclusivamente  PCIs  modelo  68400054 e não quando importada em par, em conjunto com a PCI modelo 68400174.  Na  amostra  selecionada  (fls.  4.806  a  4.813),  verifica­se  que,  sempre  que  importada  pelo  valor  de US$  0,30  ­  indicativo  de  que,  na mesma DI,  provavelmente,  havia  outra PCI, de US$ 0,10, modelo 68400174 ­ o "Part Number" era o indicado pela Recorrente,  qual seja: DE41­10465.  Como  as  DIs  inspecionadas  não  se  encontram  no  arquivo  utilizado  pelo  agente  fiscal  ("Planilha 9"),  fui aos autos do processo, em busca de outras DIs que  tivessem  acobertado importações em pares. Em todos os casos que encontrei, para ambas as PCIs, figura  o código "Part Number" DE41­10465: fls. 3.543 (DI 02/1113554­7), 3.546 (DI 02/1137896­2),  3.549 (DI 02/1138271­4) e 3.552 (DI 02/1139196­9).   Naturalmente  que  não  conduzi  uma  investigação  exaustiva  e  tampouco  seleção provida de rigor estatístico. Porém, é inegável que constitui, no mínimo, evidência que,  juntamente com outras que serão apresentadas nos itens seguintes, pode contribuir para formar  um conjunto probatório das alegações da Recorrente.    Fl. 5181DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 33          24 "(viii) Que demonstre, a partir da análise das DIs, que não houve casos em  que foram importados separadamente as placas 64800174 e a placa 64800175,"  Reproduzo  a  conclusão  do  agente  fiscal,  que  dispensa  comentários  adicionais:        "(ix)  Caso  negativa  a  resposta  ao  item  (viii),  ou  seja,  que  não  houve  os  casos  em  questão,  que  demonstre  que  as  respectivas  importações  estavam  sempre  indiretamente associadas às placas de número 64800054 e 64800069."  O agente fiscal ratifica a resposta ao quesito anterior, destacando, apenas, que  houve  importações  em  cujas  DIs  figurava  apenas  o  código  64800054.  Este  fato  já  foi  esclarecido  anteriormente:  em  algumas  importações,  em  pares,  isto  é,  contendo  os  modelos  64800054 e 64800174, na DI, constou apenas o modelo 64800054. Sabe­se que era "em pares",  pois  o  preço  era  de  US$  0,40,  enquanto  que,  quando  eram  declaradas  separadamente,  uma  custava US$ 0,30 e a outra US$ 0,10, totalizando os mesmos US$ 0,40.  Conclusão  acerca  dos  quesitos  relacionados  aos  tópicos  I  ao  IV  da  Resolução CARF n° 3302­00.217  A primeira acusação fiscal foi assim resumida pela decisão recorrida:  "Forno de Microondas Código 10271DBB106  a)  A  placa  de  circuito  impresso  (código  70289373)  é  utilizada  em  três  fornos  de  microondas  (códigos  10271DBC106,  10271DBD106, 10271DBB106)­fls. 95;  b) O total das placas de circuito impresso (código 70289373) na  planilha  de  fl.  120  somente  considera  sua  aplicação  em  dois  fornos de microondas (códigos 10271DBC106, 10271DBD106);  c) Portanto, em relação às 90.587 unidades de forno microondas  código  10271DBB106,  não  há  identificação  da  origem  do  consumo da placas de circuito impresso (código 70289373)."  De  fato,  a  PCI  modelo  70289373  pode  ser  utilizada  para  a  fabricação  do  forno  micro­ondas  modelo  10271DBB106.  Contudo,  no  curso  da  diligência,  a  Recorrente  conseguiu comprovar que não foram utilizados para este fim, no ano de 2003.  Por  isto,  desde  já,  refuto  a  acusação  fiscal  de  que  a  Recorrente  não  teria  comprovado  "a  origem  do  consumo"  da  PCI  70289373  na  produção  do  forno  micro­ondas  modelo 10271DBB106, o que configuraria descumprimento da etapa I do PPB, prevista no art.  1°  da  Portaria  Interministerial  n°  68/1994  (­  "I  ­  Montagem  e  soldagem  de  todos  os  componentes nas placas de circuito impresso").    Quesitos relacionados ao  tópico V da Resolução CARF n° 3302­00.217:  os objetivos dos quesitos seguintes são os de comprovar que:  Fl. 5182DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 34          25 ­  os  componentes  (tais  como  resistores,  diodos,  etc)  necessários  para  a  montagem  de  cada  um  dos  itens  intermediários  produzidos  por  meio  dos  insumos  64800054/64800174  e  64800069/64800175,  teriam  sido  remetidos  à  industrialização  em  quantidade suficiente para a montagem de cada par de placas;  ­  o  par  de  placas  insumos  modelos  64800054/64800174  fora  utilizado  na  montagem  dos  subconjuntos  industrializados  (produtos  intermediários) modelos  70289179  e  70289180  e  o  par  de  placas  insumos  64800069/64800175  fora  utilizado  na  montagem  do  subconjunto industrializado (produto intermediário) modelo 70288547; e  ­  por  fim,  que,  em  termos  quantitativos,  retornou  do  processo  industrial  operado por terceiro o número de subconjuntos suficiente para a produção dos fornos de micro­ ondas objetos de questionamento.    "(i)  comprovar  a  remessa  para  industrialização  na  SANYO  dos  demais  itens componentes dos subconjuntos (resistores, diodos, etc.), em número necessário para a  composição do produto final;"  "(ii)  em caso de  ser positiva a prova, pelas quantidades dos  componentes  encaminhados,  comprovar  que  tais  componentes  correspondem  à  quantidade  necessária  para  a  industrialização  dos  insumos  PCIs  modelos  64800054/64800174  e  64800069/64800175;"  O agente fiscal inspecionou os arquivos contábeis eletrônicos preparados pela  Recorrente, nos moldes da IN SRF n° 86/2001 e ADE COFIS n° 25/2010. Detectou erros em  sua apresentação e  a não escrituração da  relação  insumo/produto, o que o  levou à conclusão  preliminar  de  que  a  Recorrente  não  comprovara  a  remessa  de  componentes  para  industrialização por terceiros.  Não  obstante,  em  razão  de  a  Recorrente  ter  carreado  aos  autos  Parecer  Técnico,  que  apresentou  exemplos,  estabelecendo  relação  entre  componentes  enviados  e  subconjuntos  retornados,  o  agente  fiscal  decidiu  aplicar  testes,  com  base  nos  elementos  mencionados naquele documento.  Em  relação  aos  três  componentes  selecionados  para  exame  (fls.  4.711  a  4.713)  encontrou  substanciais  diferenças,  ratificando  sua  conclusão  preliminar  de  que  a  Recorrente  não  tinha  meios  de  estabelecer  a  relação  entre  os  componentes  enviados  para  industrialização e os subconjuntos retornados.  Em  sua  manifestação,  a  Recorrente  reafirma  que  cumpriu  o  PPB,  porém,  implicitamente, reconhece que seus controles contábeis não demonstram aquilo que afirma.  Tal fato, isoladamente, não ratifica a conclusão do auto de infração acerca do  não cumprimento do PPB, como um todo, e, por conseguinte, a perda do direito à fruição da  isenção do IPI.   Infiro  que  houve  falhas  nos  controles  contábeis,  que  poderiam  indicar,  quando muito, inadimplemento parcial. Digo parcial, porque o próprio agente fiscal atestou que  Fl. 5183DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 35          26 houve envio e retorno do processo industrial, fatos necessários à comprovação do cumprimento  da etapa I do PPB.     "(iii)  finalmente,  a  comprovar  e  correlacionar  dos  documentos  acostados  aos autos que houvera o  retorno dos  itens  intermediários produzidos  com a aplicação das  PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, quais sejam, 70289179 e 70289180  (para o insumo 64800054/64800174) e 70288547 (para o insumo 64800069/64800175)."  Faz­se necessária a reprodução dos testes aplicados e da conclusão do agente  fiscal:        O agente fiscal reconheceu que houve a entrada de subconjuntos, retornados  de processo industrial.   Em  diversas  passagens,  não  obstante  as  falhas  detectadas  nos  controles  contábeis,  consigna  que  houve  envio  de  componentes  e  PCIs  e  retorno  de  subconjuntos.  Portanto, a despeito do fato de a Recorrente não ter conseguido demonstrar por meio dos seus  registros  contábeis  a  exata  correlação  entre PCIs  e  componentes  enviados  e  os  subconjuntos  retornados, mais uma vez  restou que havia  evidências documentais que comprovavam que  a  Recorrente havia enviado insumos para industrialização e, no retorno, dado entrada de produto  industrializados.    Quesitos relacionados ao tópico VI da Resolução CARF n° 3302­00.217:  em  relação  a  este  último  grupo  de  quesitos,  vale  transcrever  o  enunciado  contido  na  citada  Resolução:  Fl. 5184DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 36          27 "Finalmente,  assumindo  a  premissa  de  restar  comprovado  técnica  e  faticamente que os insumos PCIs modelos 64800054/64800174 tratavam­se de uma  única peça e que os insumos PCIs modelos 64800069/64800175 também tratavam­ se de uma única peça e que: i) cada par de insumo PCI fora importado sempre em  conjunto; que ii) foram remetidos à industrialização também sempre em conjunto; e  que iii) retornaram para o estabelecimento da recorrente na forma dos subconjuntos  (produtos intermediários), cujos modelos já foram mencionados nos itens anteriores,  e  assumindo que os  arquivos magnéticos  foram elaborados no  layout determinado  pela  IN n°  86  e  apresentados  à  fiscalização,  a partir  dos  quais  é  possível  obter  as  informações  referentes  aos  estoques,  entradas  e  saídas  de  insumos,  produtos  intermediários  e  produtos  acabados,  constando  ainda  nos  referidos  documentos  i)  relação de remessa retorno terceirização 2003, fls. 100; a ii) relação de consumo de  placas  terceirizadas2003,  fls.  99;  e  a  iii)  relação  produção  forno  2003,  fls.  101,  intime­se o contribuinte a demonstrar que:  (i)  Em  termos  quantitativos,  foram  importados  insumos  PCIs  (modelos  64800054  e  64800069)  suficientes  para  compor  os  subconjuntos  produtos  intermediários  (70289179,  70289180  e  70288547),  que  foram  remetidos  à  industrialização  dos  insumos  PCIs  (64800054  e  64800069)  suficientes  para  produzir  tais  subconjuntos,  e  que  houve  retorno  de  subconjuntos  para  o  estabelecimento  da  Recorrente  em  quantidade  suficiente  para produzir os fornos microondas no ano­calendário de 2003.  (ii)  Finalmente,  que  as  quantidades  de  fornos  de microondas  produzidos  pela  recorrente  foram  compatíveis  com  as  quantidades  de  insumos  importados  e  subconjuntos industrializados, o que daria ensejo à comprovação de cumprimento do PPB e  espancaria  dúvidas  quanto  à  regularidade  da  produção  da  recorrente,  o  que  de  resto,  poderia ter sido o resultado alcançado com a auditoria de produção."  Nas fls. 4.713 a 4.724, consta o trabalho realizado pelo agente fiscal.  Revisou  os  ciclos  de  produção  dos  fornos  10271DBB106/DBB206/DBC106/DBD  106/DBC206/DBD206  e  10321DBB106/DBB206.  Estabeleceu  relações  entre  as  quantidades  de  fornos  produzidas  e  as  de  PCIs  importadas  e  subconjuntos industrializados por terceiros.   O agente  fiscal destacou em seu relatório que o trabalho foi executado com  base  informações  complementares  fornecidas  pela  Recorrente  no  curso  da  diligência  ("Memorando 4") e não nos  registros e controles contábeis,  apresentados ao Fisco em meios  eletrônicos (IN SRF n° 86/2001 e ADE COFIS 25/2010).  Reproduzo a conclusão final desta tarefa:    Fl. 5185DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 37          28   A Recorrente contestou as conclusões, item a item. Basicamente, atribuiu as  diferenças  apontadas  pelo  agente  fiscal  ao  fato  de  ter  utilizado  planilhas  distintas  (o  agente  adotou  elementos  coletados  no  curso  da  fiscalização  e  outros  fornecidos  pela Recorrente  no  curso da diligência) das que adotou, constantes do Anexo à manifestação, bem como em razão  dos "filtros" aplicados nas planilhas que o agente fiscal adotou.  Neste ponto, não foi possível indicar qual das conclusões afigura­se como a  mais correta. Claramente, ambos os procedimentos fundaram­se em informações extraídas de  documentos oficiais e seguiram procedimentos adequados. Contudo, por partirem de fontes e  premissas distintas, chegaram a conclusões distintas.    CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA  "iii) Por fim, que a fiscalização elabore relatório conclusivo no sentido de  atestar a adequação da correlação entre insumos e produtos apresentados pelo contribuinte  durante a fase de diligência, para que a Turma possa formar sua convicção."  Reproduzo as conclusões finais do agente  fiscal  (relatório de diligência,  fls.  4.724  e  4.725)  e  da  Recorrente  (manifestação  sobre  o  relatório  de  diligência,  fls.  5.126  e  5.127).  Relatório da Diligência    Fl. 5186DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 38          29       Manifestação da Recorrente    Fl. 5187DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 39          30       Fl. 5188DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 40          31     CONCLUSÃO  Antes de encerrar, faz­se mister transcrever os dispositivos legais que versam  sobre a matéria em litígio:  Decreto­lei n° 288/1967 ­ isenção do IPI  "Art.  7°  Os  produtos  industrializados  na  Zona  Franca  de  Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis,  tratores  e  outros  veículos  terrestres,  suas  partes  e  peças,  excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do  Brasil  (TAB),  e  respectivas partes  e peças,  quando dela  saírem  para  qualquer  ponto do Território Nacional,  estarão  sujeitos à  exigibilidade do Imposto sobre  Importação relativo a matérias­ primas,  produtos  intermediários,  materiais  secundários  e  de  embalagem,  componentes  e  outros  insumos  de  origem  estrangeira  neles  empregados,  calculado  o  tributo  mediante  coeficiente  de  redução  de  sua  alíquota  ad  valorem,  na  conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de  industrialização  local  compatível  com  processo  produtivo  básico  para  produtos  compreendidos  na  mesma  posição  e  subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB).   (. . .)  Art.  9°  Estão  isentas  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona  Franca  de Manaus,  quer  se  destinem  ao  seu  consumo  interno,  quer  à  comercialização  em  qualquer  ponto  do  Território  Nacional  §  1° A  isenção  de  que  trata  este  artigo,  no  que  respeita  aos  produtos  industrializados  na  Zona  Franca  de  Manaus  que  devam  ser  internados  em  outras  regiões  do  País,  ficará  Fl. 5189DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 41          32 condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art.  7° deste decreto­lei.  (. . .) (g.n.)"    PORTARIA  INTERMINISTERIAL  N°  68/1994  ­  Processo  Produtivo Básico (PPB)  Art.  1°  Estabelecer  para  o  produto  FORNO  DE  MICROONDAS, industrializado na Zona Franca de Manaus, o  seguinte processo produtivo básico ­ PPB XVIII:  I ­ Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas  de circuito  impresso;  II ­ Montagem do painel de controle;  III ­ Estampagem, soldagem e pintura da cavidade do forno;  IV  ­  Montagem  na  cavidade  do  forno  dos  módulos:  conjunto  motor/ventilador, conjunto circulador de ar, válvula magnetron,  instalação  da  fiação,  painel  de  controle,  capacitor,  transformador, porta e sistema de giro do prato;  V ­ Ensaios de vedação e funcionamento.  (. . .)  Parágrafo 2° Para cumprimento do disposto nesta Portaria será  admitida  a  utilização  de  subconjuntos montados  no  País,  por  terceiros,  preferencialmente  instalados  na  Zona  Franca  de  Manaus." (g.n.)  Temos, de um lado, a fiscalização, apresentando provas cabais das falhas de  controle  e  preparação  de  arquivos  eletrônicos  oficiais  pelo  contribuinte.  E,  fundada  nisto,  conclui  que  não  há  comprovação  da  realização  do  PPB  e  deve  ser  exigido  o  IPI  sobre  a  totalidade das vendas de fornos de micro­ondas realizadas em 2003.  De um outro, utilizando­se de todos os elementos contábeis e extra­contábeis  de que dispunha, os quais também disponibilizou para o Fisco, o contribuinte demonstrou que  realizou  a  primeira  etapa  do  PPB  e  que  seus  resultados,  em  termos  quantitativos,  eram  compatíveis com o volume de produtos acabados produzidos.  Em  relação  à  primeira  infração  ­  falta  de  comprovação  da  "origem  dos  insumos"  necessários  à  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106  ­  já  consignei  que  considerei comprovado pela Recorrente que o subconjunto 70289373 não foi utilizado para a  fabricação do citado forno.  Em relação à segunda infração ­ falta de comprovação do envio de insumos e  retorno de subconjuntos, bem como de sua aplicação nos fornos de micro­ondas produzidos no  ano  de  2003  ­  entendo  que  houve  comprovação  parcial,  posto  que  os  seguintes  pontos  que  restaram incontroversos:  Fl. 5190DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 42          33 ­ a  legislação acima reproduzida não determina que a  falta de comprovação  de  um  ou  mais  ciclos  de  produção  resulta  na  perda  completa  do  incentivo  fiscal,  isto  é,  inclusive daqueles em relação aos quais o contribuinte consiga apresentar  todos os elementos  de prova.  ­ os PCIs eram importados em pares e sem componentes eletrônicos;  ­  para  a  produção  de  subconjuntos,  era  necessária  a  aplicação  de  componentes eletrônicos, cujo processo industrial era realizado por terceiros (empresa Sanyo),  o que é permitido pelo § 2° do art. 1° da Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT n° 64/1994;  e  ­ havia falhas nos livros e controles contábeis e fiscais, porém as escritas não  foram  desqualificadas  e  tampouco  foram  consideradas  como  insuficientes  para  comprovar  a  totalidade das operações.  De  todo  o  exposto,  meu  voto  é  pelo  cancelamento  integral  do  crédito  tributário  relativo  à  primeira  infração  ­  falta  de  comprovação  da  "origem  dos  insumos"  necessários  à  produção  do  forno  micro­ondas  10271DBB106  ­  e,  por  outro  lado,  pelo  provimento  parcial  do  recurso  voluntário,  no  que  tange  à  segunda  infração  ­  falta  de  comprovação do envio de insumos e retorno de subconjuntos, bem como de sua aplicação nos  fornos de micro­ondas produzidos no ano de 2003.     II ­ 2) "Da legalidade da cobrança dos juros sobre a multa"  A Recorrente pretende afastar a  incidência dos  juros Selic sobre a multa de  ofício, sob a alegação de que seria ilegal.  Trata­se de matéria controversa, com decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402­ 002.856 e 3402­002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n°  1402­002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303­003.385 da 3° Turma da Câmara  Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes proferidas pelo CARF.   Consigno que discordo da interpretação da Recorrente.  Dispõe o art. 113 do CTN:  " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  (. . .)" (grifo nosso)  A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de  conceituados  tributaristas,  que  repudiam  o  fato  de  o  conceito  de  obrigação  tributária  compreender  tributo  e  penalidade.  Contudo,  não  podemos  nos  furtar  a  aplicá­lo.  Assim,  no  caso em tela, a obrigação tributária abrange IPI e multa de ofício.   Fl. 5191DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 43          34 Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN:  "Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  (. . .)" (grifo nosso)  Portanto,  é  lícita  a  incidência  de  juros  sobre  a  obrigação  tributária,  consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentou­se o entendimento  do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012):  "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção do STJ no  sentido de que: "É  legítima a  incidência de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário."  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso)  Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reporto­me à Súmula CARF n° 4:  "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais."  Com base  no  acima exposto,  nego  provimento  às  alegações  concernentes  à  ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida  no prazo.    CONCLUSÃO  Nego provimento ao recurso de ofício.  Nego provimento à preliminar de decadência.  Dou  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  restando  para  unidade  de  origem,  ao  executar  o  acórdão,  somente  cobrar  IPI,  multa  de  ofício  e  juros  Selic  sobre  as  vendas derivadas de  ciclos de produção,  em  relação aos quais não haja  registros  contábeis  e  fiscais atestando o cumprimento do PPB. Para tanto, devem ser considerados todos elementos  Fl. 5192DF CARF MF Processo nº 10283.006831/2008­85  Acórdão n.º 3301­003.167  S3­C3T1  Fl. 44          35 carreados aos  autos e,  inclusive, os apresentados pela Recorrente no  curso da diligência  (ex:  planilhas, notas fiscais, laudos técnicos etc.).  É como voto.  Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira                                  Fl. 5193DF CARF MF

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6643226 #
Numero do processo: 11516.005412/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1. A decisão a quo enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, não tendo havido omissão. 2. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, ex vi do disposto no inc. IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inc. II. NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA. 1. O próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp. 2. O agente lançador efetuou a devida subsunção do conceito do fato ao conceito da norma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ACESSO AO PROCESSO EM FASE DE INSTRUÇÃO. 1. Vigente à época do lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha, em seu art. 2º, que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil - RFB eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, o que corrobora a conclusão da DRJ, de que, naquela data, o procedimento ainda estava em fase inicial. 2. A fiscalização não obstaculizou o direito de defesa do recorrente, pois, àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória e ainda se encontrava em fase de gestação. ILICITUDE E IMATERIALIDADE. INEXISTÊNCIA. A informação referente ao sujeito passivo provém de bases compartilhadas, que contém dados e documentos fornecidos por instituições financeiras estadunidenses; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal; e o próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp, o que afasta as alegações de ilicitude e de inexistência de materialidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO. O MPF é a peça que instaura o procedimento fiscal e, diferentemente dos autos de infração e das notificações de lançamento, que devem ser adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/2011), ele não tem qualquer conteúdo decisório e nem mesmo acusativo, prescindindo de maiores motivações. IMPOSTO DE RENDA. CRITÉRIO DA EXTRATERRITORIALIDADE. 1. O recorrente tinha residência e domicílio fiscal no Brasil, tendo apresentado, inclusive, a Declaração de Ajuste Anual - DAA neste país. 2. As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil são contribuintes do imposto, quando titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos. 3. O imposto de renda adota o critério da extraterritorialidade, precisamente pelo disposto no § 1º do art. 43 do CTN, segundo o qual a sua incidência independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. 4. O critério da universalidade, previsto no art. 153, § 2º, inc I, da Constituição Federal, impõe a aplicação do critério da extraterritorialidade. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1. A decisão a quo enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, não tendo havido omissão. 2. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, ex vi do disposto no inc. IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inc. II. NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA. 1. O próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp. 2. O agente lançador efetuou a devida subsunção do conceito do fato ao conceito da norma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ACESSO AO PROCESSO EM FASE DE INSTRUÇÃO. 1. Vigente à época do lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha, em seu art. 2º, que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil - RFB eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, o que corrobora a conclusão da DRJ, de que, naquela data, o procedimento ainda estava em fase inicial. 2. A fiscalização não obstaculizou o direito de defesa do recorrente, pois, àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória e ainda se encontrava em fase de gestação. ILICITUDE E IMATERIALIDADE. INEXISTÊNCIA. A informação referente ao sujeito passivo provém de bases compartilhadas, que contém dados e documentos fornecidos por instituições financeiras estadunidenses; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal; e o próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp, o que afasta as alegações de ilicitude e de inexistência de materialidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO. O MPF é a peça que instaura o procedimento fiscal e, diferentemente dos autos de infração e das notificações de lançamento, que devem ser adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/2011), ele não tem qualquer conteúdo decisório e nem mesmo acusativo, prescindindo de maiores motivações. IMPOSTO DE RENDA. CRITÉRIO DA EXTRATERRITORIALIDADE. 1. O recorrente tinha residência e domicílio fiscal no Brasil, tendo apresentado, inclusive, a Declaração de Ajuste Anual - DAA neste país. 2. As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil são contribuintes do imposto, quando titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos. 3. O imposto de renda adota o critério da extraterritorialidade, precisamente pelo disposto no § 1º do art. 43 do CTN, segundo o qual a sua incidência independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. 4. O critério da universalidade, previsto no art. 153, § 2º, inc I, da Constituição Federal, impõe a aplicação do critério da extraterritorialidade. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado.

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2402­005.592  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2017  Matéria  IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS   Recorrente  CESAR DA COSTA STRUVE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2002  DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.   1.  A  decisão  a  quo  enfrentou  e  afastou  todos  os  argumentos  feitos  pelo  sujeito passivo em sede de impugnação, não tendo havido omissão.   2.  Ademais,  o  julgador  somente  está  obrigado  a  enfrentar  os  argumentos  capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, ex vi do disposto  no  inc.  IV  do  §  1º  do  art.  489  do  CPC,  combinado  com  o  seu  art.  1022,  parágrafo único, inc. II.   NULIDADE  POR  INOBSERVÂNCIA  DE  REQUISITOS  FORMAIS.  INEXISTÊNCIA.   1. O próprio  contribuinte  informou que  realmente  era  o  titular  da  conta  no  Citicorp.   2.  O  agente  lançador  efetuou  a  devida  subsunção  do  conceito  do  fato  ao  conceito da norma.   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ACESSO  AO PROCESSO EM FASE DE INSTRUÇÃO.   1. Vigente à época do  lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha,  em  seu  art.  2º,  que  os  procedimentos  fiscais  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB  eram  instaurados  mediante  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  MPF,  o  que  corrobora  a  conclusão da DRJ, de que, naquela  data,  o procedimento  ainda  estava em fase inicial.  2.  A  fiscalização  não  obstaculizou  o  direito  de  defesa  do  recorrente,  pois,  àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória  e ainda se encontrava em fase de gestação.  ILICITUDE E IMATERIALIDADE. INEXISTÊNCIA.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 54 12 /2 00 7- 27 Fl. 135DF CARF MF     2  A informação  referente ao sujeito passivo provém de bases compartilhadas,  que  contém  dados  e  documentos  fornecidos  por  instituições  financeiras  estadunidenses; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo  Banco  Central  e  pelo  Ministério  Público  Federal;  e  o  próprio  contribuinte  informou  que  realmente  era  o  titular  da  conta  no Citicorp,  o  que  afasta  as  alegações de ilicitude e de inexistência de materialidade.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO.  O MPF  é  a  peça  que  instaura  o  procedimento  fiscal  e,  diferentemente  dos  autos  de  infração  e  das  notificações  de  lançamento,  que  devem  ser  adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/20111), ele não tem  qualquer  conteúdo  decisório  e  nem  mesmo  acusativo,  prescindindo  de  maiores motivações.  IMPOSTO DE RENDA. CRITÉRIO DA EXTRATERRITORIALIDADE.   1.  O  recorrente  tinha  residência  e  domicílio  fiscal  no  Brasil,  tendo  apresentado, inclusive, a Declaração de Ajuste Anual ­ DAA neste país.  2. As pessoas  físicas domiciliadas ou  residentes no Brasil  são  contribuintes  do  imposto,  quando  titulares  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  rendas ou proventos.   3. O imposto de renda adota o critério da extraterritorialidade, precisamente  pelo  disposto  no  §  1º  do  art.  43  do CTN,  segundo  o  qual  a  sua  incidência  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.   4.  O  critério  da  universalidade,  previsto  no  art.  153,  §  2º,  inc  I,  da  Constituição Federal, impõe a aplicação do critério da extraterritorialidade.  IMPOSTO  DE  RENDA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO  DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.   1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do  contribuinte, ônus  este  consistente  em  demonstrar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira.  Por  outro  lado,  o  consequente  normativo  resultante  do  descumprimento  desse dever  é  a presunção  de que  tais  recursos não  foram oferecidos à  tributação,  tratando­se, pois, de  receita  ou rendimento omitido.   2.  Tal  disposição  legal  é  de  cunho  eminentemente  probatório  e  afasta  a  possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação  da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a  fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os  valores creditados em conta bancária.  Recurso Voluntário Negado.                                                               1 Art. 38.   A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de  infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art.  9o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25).     § 1o  Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser  instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação  do fato motivador da exigência.   Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 3          3      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Tulio  Teotonio  de  Melo  Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild  e João Victor Ribeiro Aldinucci.   Fl. 137DF CARF MF     4    Relatório  Inicialmente,  adota­se  parte  do  relatório  da  decisão  recorrida,  o  qual  bem  retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até  então:  Lançamento   Por meio do Auto de Infração às folhas 41 e 42, foram exigidas  do  contribuinte  acima  qualificado  as  importâncias:  de  R$  39.717,37 (trinta e nove mil setecentos e dezessete reais e trinta  e sete centavos) a título Imposto de Renda Pessoa Física ­ IRPF,  acrescida  de  multa  de  oficio  de  75%  e  dos  encargos  legais  devidos à época do pagamento.  Nos  termos  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento(s)  Legal(ís)”, fls. 41 e 42, e do Termo de Verificação Fiscal, fls. 36  a 40, a autuação se deu em razão:  001  ­  Omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada:  o  contribuinte  não  logrou  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  do  valor  de US$  50.000,00,  creditado  em  conta  de  sua  titularidade no Banco Citicorp no Estado da Flórida nos Estados  Unidos  da  América,  conforme  demonstrativo  de  fls.  09  a  11,  elaborado pela Equipe Especializada de Fiscalização  instituída  pela Portaria SRF n° 463/04.  A autoridade fiscal relata:  Em  sua  resposta  de  fls.  22  e  23,  o  contribuinte  confirma  a  titularidade da conta corrente no Citícorp e informa que os US$  50.000,00 em questão seriam originários de empresa da qual é  sócio.  Não  especificou  qual  seria  a  empresa  e  não  juntou  qualquer  comprovante que identificasse a origem dos recursos.  Assim,  no  dia  11/10/07  efetuamos  a  lavratura  da  Intimação  n°  776/07  (fls.  31)  pela  qual  solicitamos  ao  Sr.  César  da  Costa  Struve que apresentasse os comprovantes da alegada operação  de câmbio utilizada para a transferência dos US$ 50.000,00 ao  exterior, realizada ou por ele próprio ou pela empresa da qual é  sócio.  No item 3 de sua correspondência de fls. 34 e 35, o contribuinte  resigna­se  a  informar  que  não  tem  como  apresentar  os  comprovantes  solicitados  em  virtude  de  (1)  extravio  de  documentos  e/ou  por  (2)  alterações  promovidas  em  estabelecimentos  de  suas  empresas  e/ou  (3)  porque  o  responsável pela remessa de valores ao exterior não faz parte do  quadro  de  funcionários  de  suas  empresas.  Nada  mais  apresentou  e  tampouco  trouxe  qualquer  outra  informação  a  respeito da questionada e não comprovada operação de câmbio.  Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 4          5  Impugnação   Intimado da autuação  fiscal, o contribuinte apresentou, através  de  seu  procurador  (folha 64)  sua  defesa  (folhas  53 a  62)  onde  alega  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento  de  defesa  com  base nos seguintes argumentos:  ­ que não há provas que confirmem a presunção que embasou o  Auto  de  Infração;  que “No presente  caso concreto até  ocorreu  inadequado alargamento dos  efeitos da presunção,  em prejuízo  do  direito  de  defesa  do  contribuinte  ferindo,  via  de  conseqüência,  o  constitucional  principio  do  devido  processo  legal ­ que há dubiedade no auto “lastreado em mera presunção  de remessa";  ­  que  o  auto  encontra­se  “fincado  em  provas  obtidas  em  Processo Legal no qual o impugnante nunca participou ou  teve  oportunidade de manusear os sigilosos dados”;  ­  que  através  dos  “parcos  documentos”  que  constam  do  processo,  contata­se  que  o  fisco  baseou­se  em  transação  financeira entre o Uruguai e Estados Unidos;  ­  que  o  fisco  “de  maneira  que  permanece  obscura  e  completamente  infundada”,  entendendo  que  tais  valores  eram  oriundos  de  rendimentos  não  tributados  no  Brasil,  notificou  o  impugnante a comprovar sua origem;   ­ que não teve vista dos autos; que as provas “que deram inicio  já eram sigilosas o mesmo se verificou no transcorrer dos autos  sem a devida publicidade ”.  Segue argumentando que o lançamento refere­se a uma suposta  transferência de valor do Uruguai para os Estados Unidos, mas  que,  todavia não há qualquer prova de que o  valor  transferido  advinha  do  Brasil;  defende  que,  neste  caso,  o  Fisco  brasileiro  não é competente para tributar tal valor pelo que o lançamento  encontra­se  eivado  de  vício  que  o  toma  nulo.  Cita  acórdão  do  Conselho de Contribuintes que trata de imposto de renda retido  na  fonte  incidente  sobre  remessa  de  juros  a  pessoas  jurídicas  residentes ou domiciliadas no exterior.  Quanto ao valor transferido, argumenta que mesmo comprovada  a origem brasileira do valor transferido, ainda assim seria tarefa  do fisco comprovar que tal valor não havia sido tributado. Alega  que,  por  seu  lado,  se  desincumbiu  de  demonstrar  toda  a  tributação em  sua  pessoa  física. Defende que,  conforme  consta  de sua declaração de ajuste anual, à época tinha rendimentos de  origem brasileira, lícita e comprovada, em um montante mais do  que suficiente a comprovar o valor movimentado e que, em assim  sendo, ainda que houvesse a comprovação da origem brasileira  do valor transferido, a presunção deveria ser no sentido de que  este advinha dos rendimentos declarados e não no sentido de se  tratar de omissão de rendimentos.   Fl. 139DF CARF MF     6  O impugnante põe em dúvida a própria ocorrência da operação  de  transferência  e  aponta  a  carência  de  provas  nesse  sentido,  quando  argumenta  que  o  lançamento  se  baseia  em  “meras  conjecturas,  presunções  que  não  são  embasados  em  indícios  probatórios”.  Aduz  que  o  “fato  objeto  da  presunção  legal  precisa de prova  indireta,  ou  seja, é preciso demonstrar o  fato  que  serve  de  base  à  presunção”.  Conclui  que  não  havendo  qualquer indício da omissão de rendimentos, é “completamente  ilegal a incidência " do imposto, razão pela qual o auto deve ser  declarado nulo.  Diante das ilegalidades apontadas, requer a anulação do auto de  infração.  Em sessão realizada em 15 de agosto de 2008, a DRJ  julgou a impugnação  improcedente, conforme decisão assim ementada:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF   Ano­calendário: 2003   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em  conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando  o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações, de forma individualizada.  TRIBUTAÇÃO  EM  BASES  UNIVERSAIS.  INCIDÊNCIA  DO  IMPOSTO.  A  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  da  localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 2003   PRELIMINAR.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  AUSÊNCIA.  Presentes nos autos o  fundamento  legal  do procedimento  fiscal  bem  como  os  elementos  necessários  ao  conhecimento  pelo  contribuinte do que está  lhe  sendo  imputado, viabilizado está o  exercício de seu direito de defesa, pelo que não há que se falar  em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa.  PRESUNÇÕES  ALEGAIS  RELATIVAS.  DISTRIBUIÇÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não  ocorreram na forma como presumidos pela lei.  Lançamento Procedente   Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 5          7  O  recorrente  foi  intimado  da  decisão  em  05/09/2008  (fl.  103)  e  interpôs  recurso  voluntário  em  03/10/2008  (fls.  106  e  seguintes),  deduzindo  as  seguintes  teses  de  defesa:  1.  nulidade absoluta ­ omissão no enfrentamento das teses defensivas;  2.  do  incorreto  julgamento  acerca  do Auto  de  Infração  ­  nulidade  por  desatenção de requisitos formais;  3.  da incorreta análise julgadora sobre o cerceamento de defesa;  4.  Auto de Infração lastreado em prova apócrifa ­ ausência de ilicitude e  de materialidade;  5.  indevida apreciação pelo acórdão sobre MPF desenvolvido;  6.  equivocado enquadramento jurídico procedido pela decisão tangente à  incompetência do fisco brasileiro;  7.  consideração equivocada dos valores já declarados.  Sem contrarrazões.   É o relatório.   Fl. 141DF CARF MF     8    Voto             Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  1  Conhecimento  O recurso voluntário é  tempestivo e estão presentes os demais  requisitos de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido.  2  Da omissão no enfretamento das teses de defesa  O recorrente alega que o acórdão a quo foi omisso na análise das seguintes  teses de defesa:  1.  não  constam  provas  das  alegações  e  presunções  que  embasaram  o  Auto de Infração;  2.  o Auto está baseado em provas obtidas em processo judicial ao qual o  impugnante não teve acesso;  3.  o Fisco constatou a ocorrência de transação financeira entre o Uruguai  e os Estados Unidos e nada mais juntou aos autos;  4.  o impugnante não teve vista dos autos;  5.  o impugnante possuía, à época, um total de R$ 512.000,00 declarados  em espécie, que seriam suficientes para comprovar a origem;  6.  se houvesse qualquer indício de que a quantia era de origem nacional  e já havia sido tributada, haveria necessidade de juntada aos autos;  7.  nada aponta para o fato de que tais rendimentos não foram tributados  pelo imposto de renda;  8.  a tributação estaria sujeita à alíquota e responsáveis específicos.   Todavia,  dos  trechos  transcritos  abaixo,  depreende­se  que  não  houve  qualquer omissão por parte da DRJ, a qual se valeu de argumentos suficientes para  formar a  sua convicção:  Fl. 96 ­   Pelo que se extrai dos autos: a informação referente à operação  financeira  ora  em  questão  provém  das  bases  de  dados  compartilhadas contendo documentos eletrônicos fornecidos por  instituições  financeiras  dos  Estados  Unidos  com  contas  do  Merchantes  Bank,  Safra  Bank,  MTB­CBC­Hudson  BanK  e  Lespan; tal informação foi fomecida a Receita Federal do Brasil  pelo  Banco  Central  e Ministério  Público  Federal;  os  arquivos  digitais  foram analisados pela Equipe Especial de Fiscalização  instituída  pela  Portaria  SRF  n°  463/04,  que  produziu  os  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 6          9  documentos juntados às folhas 09 a 11, que originou a lavratura  do  presente  auto  de  infração  em  ação  fiscal,  conforme  Nota  Cofis/Difin n° 2006/094, cópia à fls. 07 e 08.  Destarte, não havia que ser divulgado ao contribuinte qualquer  informação em relação às informações, por natureza sigilosas,  de  posse  do  Banco  Central, Ministério  Público  ou mesmo  da  Recita Federal ­ pelo menos, não aquelas que não guardassem  relação com o próprio contribuinte. De outra feita, extrai­se dos  autos  que  as  informações  obtidas  a  partir  dos  arquivos  eletrônicos  pertinentes  ao  contribuinte,  necessárias  e  suficientes à instrução do presente processo, encontram­se nos  autos, assim não merecendo também ser acolhido o argumento  de  defesa  de  que  o  processo  estaria  baseado  em  “parcos  documentos”.  Também não há como aceitar a alegação de que o fisco efetuou  o  lançamento  “de  maneira  que  permanece  obscura  e  completamente  infundada”,  entendendo  que  tais  valores  eram  oriundos  de  rendimentos  não  tributados  no Brasil.  Com  efeito,  não há carência de fundamento nem obscuridade no lançamento;  a autoridade fiscal deixa claro e evidente em seu relatório que o  lançamento  está  baseado  em  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  pelo  fato  de  o  contribuinte,  apesar  de intimado para tal, não justicar a origem do valor creditado  em sua conta corrente no exterior.  Portanto,  contrapondo  a  insurgência  do  contribuinte  contra  a  sumária descrição dos  fatos e  instrução do processo, há que se  deixar patente que nos autos estão presentes todos os elementos  pertinentes à infração que são necessários a sua caracterização,  nos  termos  do  que  exige  a  legislação  aplicável  ao  caso.  (destacou­se)  .........................................................................................................  Fl. 98 ­   Saliente­se que o próprio contribuinte, em resposta (fls. 22 e 23)  ao Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 13 e 14), através do qual  o  contribuinte  foi  intimado  a  comprovar  a  origem  do  recurso,  informou  que  realmente  era  o  titular  da  conta  no  Citicorp,  deixando  claro  ainda  que  a  movimentava  com  freqüência  ao  afirmar  que  “possui  residência  fixa  no  exterior  e  corriqueiramente  necessita  de  recurso  para  mantença  de  sua  família,  sendo  que  todas  as  remessas  são  devidamente  declaradas ao Fisco,  tanto as oriundas de pessoa  física quanto  de pessoa jurídica”. (destacou­se)  .........................................................................................................  Como  se  conclui,  as  assertivas  acima  derruem  as  alegações  do  recorrente,  constantes dos itens 1 a 4 acima.   Mais ainda, e conforme adiante se verá, a  legislação brasileira prevê que os  valores  creditados  em  conta de depósito ou de  investimento,  cuja origem não  é comprovada  Fl. 143DF CARF MF     10  através  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  são  considerados  como  rendimentos  ou  receitas  omitidas.   Isto  é,  a  lei  impõe  ao  sujeito  passivo  o  ônus  de  comprovar  a  origem  dos  recursos,  sob  pena  de  serem  tratados  como  valores  omitidos  da  tributação.  No  item  3  da  decisão recorrida, a DRJ discorreu amplamente a esse respeito.   A existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento,  devidamente  comprovada  pelo  agente  lançador,  sem  a  correspondente  justificação  pelo  contribuinte,  é  bastante  e  suficiente  para  ensejar  o  lançamento,  não  havendo  necessidade  de  qualquer outro esforço probatório.   Quanto  aos  demais  pontos,  cuja  omissão,  em  tese,  teria  havido,  assim  se  manifestou a DRJ:  Nos termos acima postos, afastada a alegação de ilegalidade do  lançamento, cabe ainda afastar a pretensão do impugnante em  descaracterizar  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  com  base no fato de à época tinha rendimentos de origem brasileira,  lícita e comprovada, em um montante mais do que suficiente a  comprovar o valor movimentado.  É  que  o  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96,  ao  mesmo  tempo  em  que  delimita o ônus probatório do fisco também o faz em relação ao  contribuinte  quando  determina  que  não  basta  para  afastar  a  presunção, a demonstração genérica  de que  detinha  recursos;  seu  ônus  vai  além:  precisa  ele  justificar,  de  forma  individualizada, cada um dos depósitos bancários. Isso por que,  especificamente quanto aos critérios de apuração da omissão, o  §3°  do  mencionado  artigo  determina  que  para  se  apurar  o  montante  tributável  deve  ser  feita  a  análise  individualizada  de  cada  um  dos  depósitos,  e,  em  assim  sendo,  por  óbvio  que  o  contribuinte  para  afastar a  tributação  imposta  deve apresentar  documentação  comprobatória  da  origem  também  de  forma  individualizada,  coincidente  em  data  e  valor,  de  cada  um  dos  ingressos efetuados em sua conta bancária.  Como  o  contribuinte  assim  não  procedeu,  reputa­se  não  justificada a origem do crédito verificado em sua conta bancária  e,  portanto  correta  a  caracterização  deste  valor  como  rendimento omitido. (destacou­se)  Portanto,  vê­se  que  todos  os  argumentos  do  sujeito  passivo  foram  devidamente enfrentados e afastados.   Não se sustenta, portanto, a afirmação de que teria havido omissão. Há, sim,  inconformismo da parte.   De  toda  forma,  é  importante  deixar  claro  que  o  julgador  somente  está  obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada,  ex  vi  do  disposto  no  inc.  IV  do  §  1º  do  art.  489  do CPC,  combinado  com  o  seu  art.  1022,  parágrafo único, inc. II. Veja­se:  Art. 489. São elementos essenciais da sentença:  [...]  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 7          11  § 1o Não  se  considera  fundamentada qualquer decisão  judicial,  seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:  [...]  IV  ­  não  enfrentar  todos  os  argumentos  deduzidos  no  processo  capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;  .........................................................................................................  Art.  1.022.  Cabem  embargos  de  declaração  contra  qualquer  decisão judicial para:  Parágrafo único. Considera­se omissa a decisão que:  [...]  II ­ incorra em qualquer das condutas descritas noart. 489, § 1o.  .........................................................................................................  Expressando­se de outra forma, o relator não está obrigado a enfrentar todos  os argumentos trazidos pela parte, desde que manifeste suas razões de decidir com abrangência  sobre cada ponto suscitado.   Em sendo assim, não há nulidade a ser declarada.   3  Da nulidade por inobservância de requisitos formais  O  recorrente  assevera  que  "não  são  apontados  os  fatos  que  ensejaram  a  subsunção jurídica procedida, tampouco conteúdo probatório a alicerçar suposta omissão de  rendimentos".   Todavia,  e  como bem pontuado pela decisão a quo,  o próprio  contribuinte,  em  resposta  (fls.  22  e  23)  ao  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (fl.  13  e  14),  informou  que  realmente era o titular da conta no Citicorp. Veja­se, nesse sentido, a informação constante do  Termo de Verificação Fiscal ­ TVF (fl. 43):  Em  sua  resposta  de  fls.  22  e  23,  o  contribuinte  confirma  a  titularidade da conta corrente no Citicorp e informa que os US$  50.000,00 em questão seriam originários de empresa da qual é  sócio.  Não  especificou  qual  seria  a  empresa  e  não  juntou  qualquer  comprovante  que  identificasse  a  origem  dos  recursos  depositados.  Aí reside circunstância fundamental do lançamento, qual seja, a existência de  valores mantidos em conta, cuja origem não foi devidamente comprovada.   Quanto  à  subsunção  do  conceito  do  fato  ao  conceito  da  norma,  assim  se  manifestou o agente autuante:  Desta  forma,  tendo  em  vista  que  o  contribuinte  não  logrou  comprovar,  mediante  a  apresentação  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  origem dos US$  50.000,00  creditados  em  sua  conta  bancária  no  Citicorp,  tais  recursos  foram  considerados  Fl. 145DF CARF MF     12  rendimentos  omitidos,  conforme  previsto  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430, de 27 de dezembro de 1996.  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  Ora,  a  ação  fiscal  foi  conduzida por  servidor  competente,  que  concedeu  ao  recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos;  o  Auto  foi  devidamente  motivado  e  foi  concedido  ao  sujeito  passivo  o  prazo  legal  para  a  formulação  de  impugnação;  a  autuação  ainda  contém  clara  descrição  do  fato  gerador  da  obrigação,  da matéria  tributável,  do montante  do  tributo  devido,  da  identificação  do  sujeito  passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do  contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal.  Dito  de  outra  forma,  a  fiscalização  transcorreu  dentro  da  mais  restrita  legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente.  Nesses termos, nega­se provimento ao recurso nesse tocante.   4  Do cerceamento de defesa  O  recorrente  afirma que  sofreu  cerceamento  no  seu  direito  de  defesa,  pois,  em  28  de  setembro  de  2007,  teria  pedido  cópia  dos  autos  referente  ao MPF  0920100­2007­ 00441­8,  e,  no  entanto,  foi  informado  que  não  havia  "qualquer  processo  protocolado  relativamente ao citado MPF".   Todavia,  e  como  bem  colocado  pela  DRJ,  "os  trabalhos  de  fiscalização  encontravam­se  ainda  em  fase  de  instrução,  como  de  fato  pôde­se  verificar  dos  autos,  pois  àquela  data  somente  tinha  sido  emitido  o  Termo  de  Início  de  Ação  Fiscal  (emissão  em  10/09/2007 e ciência em 17/09/2007)" (fl. 95).   Vigente à época do lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha, em  seu art. 2º, que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela  Receita Federal do Brasil ­ RFB eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal ­  MPF, o que corrobora a conclusão da DRJ, de que, naquela data, o procedimento ainda estava  em fase inicial.  Noutro  giro  verbal,  a  fiscalização  não  obstaculizou  o  direito  de  defesa  do  recorrente, pois, àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória e  ainda se encontrava em fase de gestação.   Acrescente­se, ainda, que todas as informações obtidas a partir dos arquivos  eletrônicos  pertinentes  ao  contribuinte  em  questão,  necessárias  e  suficientes  à  instrução  do  presente  processo,  encontram­se  nos  autos,  não  se  vislumbrando  qualquer  prejuízo  ao  seu  direito de defesa.    Lembre­se  que,  segundo  o  TVF,  a  informação  referente  ao  contribuinte  provém das  bases  de  dados  compartilhadas  dos  bancos Merchants Bank,  Safra Bank, MTB­ CBC­Hudson Bank e Lespan, contendo documentos eletrônicos fornecidos por tais instituições  financeiras; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 8          13  Ministério  Público  Federal;  e  o  contribuinte,  por  razões  óbvias,  não  poderia  ter  acesso  aos  dados de terceiros; e as informações a ele relativas estão nos autos.   Destarte, nega­se provimento ao recurso neste ponto.   5  Da ausência de licitude e materialidade  No  entender  do  recorrente,  o  lastro  do  lançamento  consiste  unicamente  naquele  documento  "interno,  apócrifo  e  isolado  no  tempo  e  no  espaço",  de  forma  que  o  lançamento seria ilícito e não teria materialidade.   Entretanto,  e  conforme  demonstrando  acima,  a  informação  referente  ao  sujeito passivo provém de bases compartilhadas, que contém dados e documentos fornecidos  por  instituições  financeiras estadunidenses;  tal  informação foi  fornecida à Receita Federal do  Brasil pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal; e o próprio contribuinte informou  que  realmente  era  o  titular da  conta  no Citicorp,  o  que  afasta  as  alegações  de  ilicitude  e  de  inexistência de materialidade, negando­se provimento ao recurso neste tópico.   A legislação brasileira (insista­se) prevê que os valores creditados em conta  de depósito ou de investimento, cuja origem não é comprovada através de documentos hábeis e  idôneos, são considerados como rendimentos ou receitas omitidas.   6  Do MPF "desmotivado"  Segundo o recorrente, o MPF teria que estar suficientemente motivado.   No  entanto,  e  conforme  já  afirmado,  o  MPF  é  a  peça  que  instaura  o  procedimento fiscal e, diferentemente dos autos de infração e das notificações de lançamento,  os quais devem ser adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/20112), ele não  tem qualquer conteúdo decisório e nem mesmo acusativo, prescindindo de maiores motivações.   Por  essa  razão,  a  Portaria  vigente  à  época  do  lançamento  dispunha  que  o  MPF deveria conter apenas o seguinte (Portaria RFB nº 4.066/2007, art. 7º):  ·  a numeração de identificação e controle;  ·  os dados identificadores do sujeito passivo;  ·  a  natureza  do  procedimento  fiscal  a  ser  executado  (fiscalização  ou  diligência);  ·  o prazo para a realização do procedimento fiscal;                                                              2 Art. 38.   A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de  infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art.  9o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25).     § 1o  Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser  instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação  do fato motivador da exigência.   Fl. 147DF CARF MF     14  ·  o  nome  e  a  matrícula  do  AFRFB  responsável  pela  execução  do  mandado;  ·  o  nome,  o  número  do  telefone  e  o  endereço  funcional  do  chefe  do  AFRFB a que se refere o inciso anterior;  ·  o  nome,  a  matrícula  e  a  assinatura  da  autoridade  outorgante  e,  na  hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato;  ·  o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto  do procedimento fiscal, identificar o MPF;  ·  o  tributo  ou  contribuição  objeto  do  procedimento  fiscal  a  ser  executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem  assim  as  verificações  relativas  à  correspondência  entre  os  valores  declarados  e os  apurados na  escrituração  contábil  e  fiscal  do  sujeito  passivo.  Reitere­se, a propósito, que o Auto foi devidamente motivado e foi concedido  ao sujeito passivo o prazo  legal para a  formulação de  impugnação;  a autuação ainda  contém  clara  descrição  do  fato  gerador  da  obrigação,  da  matéria  tributável,  do  montante  do  tributo  devido,  da  identificação  do  sujeito  passivo  e  da  penalidade  aplicável;  não  houve  nenhum  prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos  na forma e no prazo legal.  Dito  de  outra  forma,  a  fiscalização  transcorreu  dentro  da  mais  restrita  legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente, negando­se  provimento ao recurso nesse aspecto.   7  Da incompetência do Fisco brasileiro  O  recorrente  alega  que  a  tributação  da  renda  obtida  no  exterior  por  pessoa  domiciliada no exterior não é da competência do Fisco brasileiro.   Entretanto,  e  segundo  se  observa  às  fls.  6  e  seguintes,  o  recorrente  tinha  residência  e domicílio  fiscal  no Brasil,  tendo  apresentado,  inclusive,  a Declaração  de Ajuste  Anual ­ DAA neste país.   Significa  dizer  que  o  recorrente  está  equivocado  e  que  deve  ser  negado  provimento ao seu recurso.   Mais  ainda,  nos  termos  do  art.  2º  do Regulamento  do  Imposto  de Renda  ­  RIR,  as  pessoas  físicas  domiciliadas  ou  residentes  no  Brasil  são  contribuintes  do  imposto,  quando titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos. Verbis:  Art.2º  As  pessoas  físicas  domiciliadas  ou  residentes  no  Brasil,  titulares  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  renda ou  proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos  de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção  da nacionalidade,  sexo,  idade,  estado civil ou profissão  (Lei nº  4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de  outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de  1991, art. 4º).   Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11516.005412/2007­27  Acórdão n.º 2402­005.592  S2­C4T2  Fl. 9          15  Ademais,  o  imposto  de  renda  adota  o  critério  da  extraterritorialidade,  precisamente  pelo  disposto  no  §  1º  do  art.  43  do  CTN,  segundo  o  qual  a  sua  incidência  independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou  nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Veja­se:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  §  1º  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)  Parte  da  doutrina  entende,  a  propósito,  que  o  critério  da  universalidade,  previsto  no  art.  153,  §  2º,  inc  I,  da  Constituição  Federal,  impõe  a  aplicação  do  critério  da  extraterritorialidade, conforme observa o prof. Leandro Paulsen3:  O  imposto  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer  natureza  caracteriza­se  pela  extraterritorialidade,  ou  seja,  alcança  fatos  geradores  ocorridos  não  apenas  no  território  nacional  como  fora  dele.  Trata­se  de  imposto  da  União  e  não  há  vedação  constitucional  alguma  a  que  o  legislador  estabeleça  tal  tributação.  Pelo  contrário,  há  quem  defenda  que  o  critério  da  universalidade, previsto no art. 43, § 2º, I, da CF, a impõe.   Com efeito, o prof. Roque Antonio Carrazza afirma que, "por universalidade  temos que o  IR deve alcançar  todos os ganhos ou  lucros, de quaisquer espécies ou gêneros,  obtidos  pelo  contribuinte  no  território  brasileiro  e  ­  desde  que  respeitados  os  acordos  que  visam a evitar a bitributação internacional ­ também no exterior"4.  Logo,  a  decisão  é  incensurável  nesse  tocante,  negando­se  provimento  ao  recurso.   8  Da existência de valores já declarados  No entender do recorrente, pressupondo­se que a transação ocorreu e que tem  relação com rendimentos oriundos do Brasil, o Fisco não apresentou qualquer prova de que se  trata de valores não tributados.   Afirma,  igualmente,  que  teria  declarado  rendimentos  de  R$  4.103.032,29  àquela época e que o montante de US$ 50.000,00 seria insignificante.   Equivocou­se o recorrente.   O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este  consistente  em  demonstrar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por                                                              3 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência.  10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 748.   4 CARRAZZA, Roque Antonio. Imposto sobre a renda. Perfil constitucional e temas específicos. 1. ed. São Paulo:  Malheiros Editores, 2006, p. 69.   Fl. 149DF CARF MF     16  outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção  de  que  tais  recursos  não  foram  oferecidos  à  tributação,  tratando­se,  pois,  de  receita  ou  rendimento omitido.   Tal  disposição  legal  é  de  cunho  eminentemente  probatório  e  afasta  a  possibilidade  de  se  acatar  afirmações  genéricas  e  imprecisas.  A  comprovação  da  origem,  portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração  e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.   A título ilustrativo, segue o texto da regra:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  No  caso  vertente,  o  recorrente  não  se  dignou  de  comprovar  a  origem  da  quantia  de US$  50.000,00 mantida  junto  ao  banco  situado  no  exterior,  limitando­se  a  fazer  afirmações genéricas e imprecisas.   Logo, a decisão da DRJ não deve ser reformada, negando­se provimento ao  recurso voluntário a esse respeito.   9  Conclusão   Diante  do  exposto,  vota­se  no  sentido  de  CONHECER  e  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação.     (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci.                            Fl. 150DF CARF MF

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Numero do processo: 10730.007783/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa. OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALUGUÉIS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIMOB. Restando comprovado que os rendimentos recebidos a título de aluguéis foram imputados a dependente do sujeito passivo por equívoco no preenchimento da DIMOB, os valores correspondentes devem ser excluídos do lançamento.
Numero da decisão: 2402-005.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.

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2402­005.750  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de abril de 2017  Matéria  IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  PAULO ROBERTO LOPES CARLOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.  Opera­se  a  preclusão  em  relação  a  matéria  que  não  tenha  sido  objeto  de  impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTO.  ALUGUÉIS.  ERRO  NO  PREENCHIMENTO DA DIMOB.  Restando  comprovado  que  os  rendimentos  recebidos  a  título  de  aluguéis  foram  imputados  a  dependente  do  sujeito  passivo  por  equívoco  no  preenchimento da DIMOB, os valores correspondentes devem ser excluídos  do lançamento.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 77 83 /2 00 8- 27 Fl. 133DF CARF MF     2    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Túlio  Teotônio  de  Melo  Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild  e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10730.007783/2008­27  Acórdão n.º 2402­005.750  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou parcialmente  procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 35/39),  relativa ao ano calendário 2006 / exercício 2007.  O  lançamento  se  deu  em  razão  da  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoas  jurídicas  pelo  sujeito  passivo  e  seus  dependentes,  nos  seguintes  valores:  i)  Caixa  Econômica  Federal,  R$  20.390,70;  ii)  Itaú  Vida  e  Previdência  S.A.,  477,40;  e  iii)  Light  Serviços  de  Eletricidade  S.A.,  R$  10.614,00.  Além  disso,  constatou­se  que  foram  omitidos  rendimentos  recebidos de aluguéis por dependente, constantes de Declaração de  Informações  sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB, R$ 1.924,05.  O contribuinte contestou a autuação por meio da impugnação de fls. 2/7, sob  a alegação de que;  a) quanto ao lançamento de RS 20.390,70, referentes a valores recebidos da  Caixa Econômica Federal:  ­ foi proveniente de indenização por dano material, referente a acidente de  trânsito, pagos em precatórios pela União; e  ­ o direito a indenização em dinheiro não pode ser considerado renda para  fins de incidência do tributo em questão;  b)  já havia esclarecido anteriormente para a fiscalização que, em relação ao  valor informado na DIMOB pela empresa Administradora Nacional S.A., de  R$ 1.924,05, supostamente pago à dependente do contribuinte Sra. Ana Lúcia  Lopes dos Santos, referente a aluguéis:  ­  é  inverídica  a  informação  prestada  na  DIMOB,  cabendo  à  referida  empresa  comprovar  tal  pagamento, haja vista que sua dependente nunca  manteve  relação  locatícia  e  sim  uma  relação  empregatícia  com  a  Administradora  Nacional,  conforme  comprova  documentos  acostados  a  esta impugnação;  ­ caberá a Administradora Nacional comprovar:  ·   através  de  recibo  ou  depósito  bancário,  o  pagamento  do  valor  declarado,  em  razão  de  o  contribuinte  em  questão  nunca  ter  sequer  tomado  ciência  deste  recebimento,  pois  caso  contrário,  o  teria  lançado em seu rendimento anual;  ·  a  relação  locatícia  por  via  de  contrato  de  administração,  tendo  em  vista que de acordo com o disposto no artigo 333 do CPC: “o ônus da  prova incumbe: inciso I­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu  direito”;  ·  sua  informação, de que pagou a dependente do  contribuinte o valor  informado, haja vista que tanto o contribuinte quanto sua dependente,  Fl. 135DF CARF MF     4  Sra.  Ana  Lúcia  Lopes  dos  Santos,  desconhecem  tal  recebimento,  sendo  totalmente  ilegal  a  imposição  de  qualquer  sanção  administrativa  com  relação  a  alegações  infundadas  e  não  comprovadas;  ­  não  pode  o  contribuinte  ser  punido  por  algo  que  desconhece  e,  por  uma  questão  de  justiça  e  direito,  requer  que  seja  apurado  o  fato  e  não  somente  indeferido seu pedido sem argumento legal;  c)  no  que  se  refere  à  parte  do  lançamento,  relativo  a  valores  recebidos  das  fontes  pagadoras  Itaú  Vida  e  Previdência  e  Light  Serviços  de  Eletricidade  S.A, afirma não ter  informado tais valores na Declaração de Ajuste Anual ­  DAA  por  entender  que  esses  estavam  abaixo  do  limite  anual  estabelecido  para  o  pagamento  do  tributo.  Entretanto,  solicita  que,  caso  a  autoridade  julgadora  entenda  pela  procedência  do  lançamento,  seja  emitida  a  guia  de  recolhimento respectiva.  A  3ª  Turma  de  Julgamento DRJ/CGE,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  o  lançamento  procedente  em  parte,  conforme  acórdão  n°  04­22.709  (fls.  50/40),  por  entender  que:  a)  valores  recebidos  da  Caixa  Econômica  Federal:  o  lançamento  deve  ser  cancelado  tendo em vista que, de acordo com os documentos acostados aos  autos pelo recorrente, tais rendimentos não decorrem de ação trabalhista, mas  são  proveniente  de  indenização  por  dano  material,  referente  a  acidente  de  trânsito, que não se submetem à incidência do imposto;  b) valores informados na DIMOB pela Administradora Nacional S.A:  ­ a DIMOB e a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte ­ DIRF são  declarações  regulamentares  que  permitem  à  Administração  Tributária,  a  partir  das  informações  prestadas  pelas  pessoas  jurídicas  pagadoras  de  rendimentos tributáveis a pessoas físicas, aferir a exatidão das declarações de  ajuste por estas apresentadas;  ­ essas informações são prestadas pelas fontes pagadoras, que, em princípio,  são  neutras  quanto  à  relação  tributária  que  se  estabelece  entre  as  pessoas  físicas e o Fisco Federal,  além de se submeterem às penas da  lei no que se  refere à sua veracidade, bem como se responsabilizam pelo recolhimento do  imposto declarado como retido;  ­  a DIMOB e a DIRF são documentos  idôneos para o  fim de comprovação  dos  rendimentos  tributáveis  e  do  Imposto  Retido  na  Fonte,  havendo,  pois,  uma presunção de veracidade das informações nelas contidas;  ­  a  presunção  ora  enfocada  é  relativa,  podendo  o  contribuinte  provar  o  contrário. Para tanto, deve juntar elementos que respaldem seus argumentos  conforme preconiza o art. 36 da Lei 9.784/99;  ­ por meio de consulta aos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal  do  Brasil,  obteve­se  a  DIMOB  informado  o  pagamento  de  aluguéis  à  sua  esposa e dependente Ana Lúcia Lopes dos Santos para o exercício 2007, cujo  imóvel foi alugado a Maria Lúcia Leal Santos, CPF 408.680.957­53;  ­ quanto às cópias da folhas da Carteira de Trabalho e Previdência Social  ­ CTPS  de  sua  esposa,  o  interessado  consegue  comprovar  que  ela  foi  empregada da fonte pagadora Administradora Nacional S.A. entre os anos de  1992  a  2000,  mas  este  fato  é  insuficiente  para  afastar  a  presunção  de  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10730.007783/2008­27  Acórdão n.º 2402­005.750  S2­C4T2  Fl. 4          5  veracidade  da  DIMOB,  pois  trata­se  de  uma  informação  esparsa,  comprovando  apenas  que,  num  período  distante  dos  fatos  em  questão,  ela  teve uma relação trabalhista com a empresa declarante, e nada mais, já não há  uma  relação  de  exclusão  entre  estas  duas  situações,  conforme  intenta  o  contribuinte;  ­ não tendo sido comprovado por meio de provas cabais que Ana Lúcia Lopes  dos Santos não recebeu os  rendimentos  tributáveis  informados em DIMOB,  deve ser mantido o lançamento.  Com relação às partes do lançamento relativas ao Itaú Vida e Previdência e à  Light Serviços de Eletricidade S.A, em razão da ausência de contestação pelo sujeito passivo,  não se instaurou o contencioso.  Por ocasião do recurso voluntário (fls. 62/65), alega o contribuinte que, desde  2008,  vem  tentando  provar  que  a  constituição  do  lançamento  em  relação  aos  rendimentos  oriundos da Administradora Nacional S/A é  inverídica, mas a Receita Federal não  intimou a  referida fonte pagadora para apresentar o contrato de administração entre ela e a dependente do  recorrente.  Informa  que,  para  comprovar  o  alegado,  anexa  os  seguintes  documentos:  contrato de administração entre o real proprietário do imóvel e a Sra. Maria Lúcia Leal Santos,  declaração da Administradora Nacional S/A reconhecendo seu erro e contrato de locação entre  a Sra. Maria Lúcia Leal Santos e o real proprietário.  No tocante ao valor recebido por Marvin dos Santos Menezes, R$ 10.614,00,  reitera  que  não  o  informou  na  DAA  por  entender  que  quem  auferiu  o  rendimento  foi  seu  dependente e não ele (contribuinte), somado ao fato de que o valor recebido não atingia o teto  anual para o devido recolhimento, não sendo razoável ser penalizado com os juros exorbitantes  em relação a todos esses anos, haja vista que a demasiada demora em julgar a impugnação foi  da  Receita  Federal  e  não  do  sujeito  passivo.  A  mesma  contestação  é  suscitada  quanto  ao  resgate de contribuições à previdência privada, no valor de R$ 477,60.  Requer ainda, o cancelamento de  todos os  lançamentos  fiscais  relativos aos  anos­calendário  2006,  2007,  2008  e  2009  cuja  matéria  é  a  mesma  ou  seja,  Omissão  de  Rendimento de Aluguéis (DIMOB /Administradora Nacional S/A).  A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em  diligência (vide Resolução de fls. 105/108) para que “empresa Administradora Nacional S/A,  CGC  n°.  33.183.427/000121,  seja  (fosse)  intimada  a  esclarecer  se  celebrou  contrato  de  locação  com  Ana  Lúcia  Lopes  dos  Santos,  CPF  675.770.75787,  relativamente  ao  ano­ calendário 2006, tendo em vista as seguintes informações prestadas na DIMOB:”  ADMINISTRADORA  DE  IMÓVEIS  33.183.427/000121  ADMINISTRADORA NACIONAL LTDA.  BENEFICIÁRIO  675.770.75787  ANA  LÚCIA  LOPES  DOS  SANTOS  408.680.95753 MARIA LÚCIA LEAL SANTOS  DATA DA ENTREGA RENDIMENTO COMISSÃO LÍQUIDO  Fl. 137DF CARF MF     6  27/02/2007 2.181,36 257,31 1.924,05  Em resposta, a Administradora Nacional S.A. esclareceu (vide expediente de  fl. 116) que, com relação ao  imóvel objeto da DIMOB referida na autuação, os proprietários  são, em verdade:  os srs. ALUÍSIO SIMIONI (CPF 003.987.300­59), na proporção  de 33,33%, JOÃO MÁRCIO SIMIONI (CPF 013.870.490­20), na  proporção  de  33,33%,  e  MARIA  ALICE  SIMIONI  (CPF  361.598.670­91),  na  proporção  de  33,34%,  e  não  a  sra.  ANA  LÚCIA LOPES DOS SANTOS (CPF 675.770.757­87), conforme  informado  nos  DIMOBs  exercícios  2005.  2006,  2007,  2008  e  2009, tendo havido erro material na digitação do CPF.  Apresenta contratos de locação de fls. 117/130.  É o relatório.  Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10730.007783/2008­27  Acórdão n.º 2402­005.750  S2­C4T2  Fl. 5          7    Voto             Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  Parcela de Juros incidentes sobre o Imposto Devido  Com  relação aos  juros  incidentes  sobre a parcela do  lançamento  relativa ao  valor recebido pelo dependente Marvin dos Santos Menezes, R$ 10.614,00, e sobre a quantia  referente  a  resgate  de  contribuições  à  previdência  privada,  R$  477,60,  a  despeito  dos  argumentos  suscitados  pelo  contribuinte,  convém  esclarecer  que  os  juros  moratórios  são  estabelecidos por determinação contida no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, não  tendo o  julgador administrativo competência para afastar a aplicação do dispositivo legal.  Por outro lado, por virtude do inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de  1972, norma que disciplina o processo  administrativo  fiscal  em  âmbito  federal,  as  razões de  fato  e  de  direito  que  fundamentam  as  pretensões  do  recorrente  devem  ser  apresentadas  na  impugnação, operando­se a preclusão quanto a questões não suscitadas na peça impugnatória.  No mesmo sentido, o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, dispõe que o recurso  voluntário  deve  ser  apresentado  em  face  da  decisão  decorrente  do  julgamento  de  primeira  instância administrativa. Vejamos:  SEÇÃO VI  Do Julgamento em Primeira Instância  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  Desta  feita,  entendo  que  o  recurso  não  deve  ser  conhecido  em  relação  à  presente matéria, eis que essa não foi objeto de impugnação ou do acórdão recorrido.  Lançamento Decorrente de Erro no Preenchimento da DIMOB  Conforme informado pela Administradora Nacional S.A, os valores relativos  ao  contrato  locatício  imputado  à  dependente  do  recorrente  no  ano­calendário  2006  foram  informados  pela  citada  empresa por  equívoco no preenchimento da DIMOB. Corrobora  essa  informação os contratos de locação de imóveis acostados aos autos (fls. 117/130).  Assim, há que se acatar a alegação do sujeito passivo, no sentido de afastar a  tributação  em  relação  aos  rendimentos  decorrentes  de  aluguéis  inseridos  indevidamente  na  DIMOB, que equivalem a R$ 1.924,05.  Embora  sem  qualquer  efeito  vinculativo,  importa  informar  que  decisão  no  mesmo sentido foi também adotada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo  Horizonte, nos autos do Processo nº 10730.000242/2011­73, do mesmo sujeito passivo, e em  relação a idêntica matéria.  Fl. 139DF CARF MF     8  CONCLUSÃO  Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso em relação  à preliminar suscitada e de CONHECER e DAR­LHE PROVIMENTO em relação às questões  de  mérito  para  afastar  a  tributação  em  relação  aos  rendimentos  decorrentes  de  aluguéis  inseridos indevidamente na DIMOB, equivalentes a R$ 1.924,05.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho.                              Fl. 140DF CARF MF

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