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Numero do processo: 12448.735771/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 57 71 /2 01 1- 11 Fl. 87DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 12448.735771/201111 Acórdão n.º 2402005.628 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2009 às fls. 5 a 7, na qual foi apurada a omissão de rendimentos de ação judicial federal no valor de R$ 118.944,71 (fl. 6) conforme o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 7). O crédito tributário e o enquadramento legal constam na respectiva notificação. Inconformado o Interessado, por meio da impugnação de fls. 2 e 3, contesta o lançamento alegando ter recebido verbas de alimentos em razão de aposentadoria por tempo de serviço perante o INSS. No seu entendimento, já foi descontado o imposto de renda na fonte quando do recebimento dos benefícios. Alega a seguir, ter o amparo da Lei 10.471/2003 e do Decreto Lei 1.351/1974 por ter mais de 65 anos. Por não ter conhecimento de informática, ficou impossibilitado de entregar declaração retificadora após a morte do profissional contratado que dispõe de toda a documentação pertinente. Por último no mérito, acrescenta que a aposentadoria por tempo de serviço é rendimento isento e não tributável e solicita novo prazo para a apresentação de declaração retificadora. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL FEDERAL.Os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente estão sujeitos à incidência do imposto de renda no mês do recebimento e na declaração de ajuste. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.É vedada pela legislação a retificação de declaração depois de iniciado o procedimento de ofício. Cientificado da decisão de primeira instancia em 13/10/2014 (AR fl. 58), o contribuinte apresentou, em 25/11/2014, o recurso voluntário repisando os argumentos aduzidos na impugnação. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF 4 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 13/10/2014, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fl. 58). Por sua vez, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário apresentando as alegações relatadas acima, mas não se manifestou à respeito da tempestividade. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que o recurso voluntário foi interposto em 25/11/2014, conforme verificase do carimbo de protocolo na folha de rosto do mesmo (fl. 64). De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) O inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a correspondência seja entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e depreendese que esta pode ser recebida por qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 90DF CARF MF Processo nº 12448.735771/201111 Acórdão n.º 2402005.628 S2C4T2 Fl. 4 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Na espécie, o Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 13/10/2014 (segundafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 14/10/2014 (terça feira). O trigésimo dia ocorreu em 12/11/2014 (quartafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado ao Fisco em 25/11/2014 (terçafeira), portanto, fora do prazo recursal. O domicílio de intimação estava correto, pois ocorreu a intimação por via postal mediante AR enviado para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a saber: Estrada Governador Chegas Freitas, 895, apto 104, Ilha do Governador, Rio de Janeiro RJ. Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso de fls. 64/66. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910974/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.919
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 4/ 20 11 -7 9 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.910974/201179 Resolução nº 3402000.919 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.119, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.910974/201179 Resolução nº 3402000.919 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.910974/201179 Resolução nº 3402000.919 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.720235/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
Consolidado em 07/01/2009
JULGAMENTO EM CONJUNTO DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS
Guardando semelhança processos administrativos onde oriundos de mesma autuação fiscal, não há prejuízo processual e de mérito a sua defesa e julgamento a serem realizados num mesmo momento.
No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança.
DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS
Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas.
No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia.
Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras.
Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano
Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza.
Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso.
PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO EM UM SEMESTRE CIVIL. REGULAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
No caso em tela a PLR realizada junto ao sindicato da categoria não apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil, por conta de outro PLR realizado pela Recorrente, cujo qual, sendo desconsiderado não haverá mais de um pagamento no mesmo semestre. Razão pela qual encontra-se em plena sintonia com a legislação de regência.
AJUDA DE CUSTO - DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO STRICTO SENSU
REDATOR A SER DESIGNADO - ENVIAR PARA DRº MARCELO
AUXÍLIO - BABÁ
Auxílio-babá tem a mesma natureza do auxílio-creche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária.
No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas.
Numero da decisão: 2301-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à não incidência de contribuição sobre as parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento total ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de PLR somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, na questão da retenção, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício sobre essa questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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No caso em tela a autuação fiscal realizou vários autos de infração contra a Recorrente e guardam semelhança. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Convenção Coletiva de Trabalho não pode superar a legislação que dirime a Participação nos Lucros e Resultados das empresas. No caso em tela a Recorrente diz que havia uma PLR do sindicato da categoria e que este previa um pagamento semestral ao ano. Diz que o julgou de pouca eficiência e criou o seu, onde houve a conhecidência de pagamento, superando a exigência da Lei 10.101/2000, havendo mais de dois pagamentos ao ano.Assumiu o risco, pois poderia não seguir o da CCT, através do manto judicial ou o seguia. Há de se seguir o determinado pela CF regulamentado pela Lei nº 10.101/00, e por isto é obrigação observado se foi trilhado pelas partes que negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas a subordinação às regras. Nesta seara, a Recorrente olvidou de seguir o regramento quanto ao pagamento em mais de uma vez no mesmo semestres e duas ao ano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 35 /2 00 9- 22 Fl. 568DF CARF MF 2 Há na Carta Maior o estimulo à distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza. Isto não implica que será realizado de qualquer forma, desrespeitando a lei de regência, como aconteceu no presente caso. PLANO DE LUCROS E RESULTADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PAGAMENTO EM UM SEMESTRE CIVIL. REGULAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. No caso em tela a PLR realizada junto ao sindicato da categoria não apresenta anomalia, coincidindo o pagamento em um mesmo semestre civil, por conta de outro PLR realizado pela Recorrente, cujo qual, sendo desconsiderado não haverá mais de um pagamento no mesmo semestre. Razão pela qual encontrase em plena sintonia com a legislação de regência. AJUDA DE CUSTO DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ REDATOR A SER DESIGNADO ENVIAR PARA DRº MARCELO AUXÍLIO BABÁ Auxíliobabá tem a mesma natureza do auxíliocreche, onde já se encontra sumulado no CARF, não incidindo contribuição previdenciária. No caso em tela, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados, onde passou a incidir contribuição, por desrespeito ao artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 que não deixa dúvidas da necessidade de provar as despesas realizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à não incidência de contribuição sobre as parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento total ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que incida contribuição sobre os pagamentos a título de PLR somente nas parcelas que excederem a duas vezes no mesmo ano civil, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em negar provimento ao recurso, na questão da retenção, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso na questão da ajuda de custo, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício sobre essa questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19740.720235/200922 Acórdão n.º 2301003.716 S2C3T1 Fl. 3 3 João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Auto de Infração contra a Recorrente e referese às contribuições sociais destinadas a outras entidades – INCRA e tendo como fatos geradores: a) o pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000, no período de 01/2005 a 12/2006; b) o pagamento de ajuda de custo a segurados empregados recém contratados; c) o pagamento de auxíliobabá sem o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 214, § 9º, XXIV, do Decreto 3.048/1999, conforme discriminado no relatório fiscal e planilhas. Inconformada com a autuação interpôs impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento, sendo julgada improcedente. Em 29.MAR.2011 foi intimada da decisão de piso e em 25.ABR.2011 aviou o presente recurso voluntário, alegando: i) da inexigibilidade da contribuição ao INCRA – da extinção de contribuição ao INCRA em razão da Lei 8.787/1989; ii) da ausência de previsão da contribuição ao INCRA nas Leis 8.212/1991 e 8.213/1991; iii) da impossibilidade de caracterização da contribuição ao INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico; iv) das previsões legais acerca da PLR; v) dos instrumentos coletivos celebrados pela Recorrente; vi) da vedação constitucional à tributação da participação dos lucros e resultados; vii) do estímulo às empresas à distribuição de seus lucros ; viii) do posicionamento do STF quanto ao PLR; ix) do pagamento da ajuda de custo ‘stricto sensu’; x) da eventualidade no pagamento da ajuda de custo; xi) da legislação que regulamenta a concessão do auxílio babá; xii) do caráter indenizatório do auxíliobabá independentemente da apresentação dos comprovantes de reembolso; xiii) da documentação desconsiderada pela fiscalização. É a síntese do necessário. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Fl. 570DF CARF MF 4 Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, relator original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. i) JULGAMENTO EM CONJUNTO AOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS 19.740.720232/200999 E 19.740.720236/200977 Diz a Recorrente que na autuação fiscal vários autos de infração foram lavrados contra si, sendo que deles, muitos guardam semelhança na autuação e na defesa, razão pela qual elaborou uma única peça defensiva. Não há prejuízo o que requerido pela Recorrente, até porque de fato serão julgados numa mesma sessão, sem prejuízo para defesa, ou melhor, para as partes interessadas. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS e DAS PREVISÕES LEGAIS ACERCA DA PLR DOS INSTRUMENTOS COLETIVOS CELEBRADOS PELA RECORRENTE Reconhece a Recorrente que nos anos de 2005 e 2006 efetuou mais de duas distribuições de PLR, mas segundo alega, em razão da obrigatoriedade do cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho firmado com o Sindicato da categoria de seus empregados (com força de norma cogente – artigo 7°, XXVI da Constituição Federal c/c artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho) em conjunto com seu programa específico de PLR. Faz um breve historio da legislação da PLR. Diz a Recorrente ser empresa que atua na área de capitalização, onde induz ao caminho de que o incentivo é a forma mais estimulante para obtenção de resultados. Alega que para os anos de 2005 e 2006 o Sindicato da Categoria de seus empregados celebrou Convenção Coletiva de Trabalho prevendo a PLR, com um pagamento obrigatório e outro facultativo, caso a empresa tivesse o seu próprio PLR. Para estimular seus empregados, por certo, por julgar ‘fraco’ o PLR do Sindicato resolveu criar o seu próprio PLR, respeitando todas as diretrizes da lei de regência, segundo alega. Todavia, assim não penso, eis que se acudisse de fato a legislação veria que o §° 2° do artigo 3° da Lei 10.101/2000 impede o pagamento de PLR em periodicidade inferior a Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19740.720235/200922 Acórdão n.º 2301003.716 S2C3T1 Fl. 4 5 um semestre civil, ou mais de duas vezes ao ano, o que impediria de constituir sua própria PLR, sem assumir o risco, como de fato assumiu. Vide artigo em comento, abaixo: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ....... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.(GN) Ora, com a devida vênia, não se pode crer que a Recorrente não tinha conhecimento do dispositivo de lei supra, não imaginando que tal comportamento de criar a sua PLR em conjunto com a do Sindicato por certo lhe acarretaria, como de fato acarretou dissabores perante a fiscalização previdenciária. Por outro lado, não posso concordar com a alegação de que a CCT tenha tamanha força cogente que impeça a Recorrente, se de fato insatisfeita com a PLR do Sindicato, de procurar o pálio da Justiça para fazer valer a sua PLR ao invés da PLR do Sindicato, eis que o Julgador em análise da lei de regência, onde, esta sim, cogente, impede o pagamento em mais de duas vezes no mesmo ano civil, e, de frente com uma PLR (sua) superior derrubaria a imperatividade da imposta pela CCT. O que não pode é comparar a força de uma CCT com uma legislação federal. Não se pode admitir que os sindicatos tenham força legislativa, como quer a Recorrente, dizendo que eles possuem caráter imperativo de criar normas e regras acima daquela que saem do Poder Legislativo. No meu entender a Recorrente, conhecedora da legislação assumiu o risco em detrimento à lei federal, sabendo que estava descumprindoa, razão pela qual não vejo fundamento nas alegações defensivas, quanto a PLR. Desaprovo, portanto, neste quesito, não reconhecendo as suas alegações. DA VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL À TRIBUTAÇÃO DA PLR Discorre a Recorrente da vedação constitucional à tributação da PLR, com suas fortíssimas razões, cujas quais não há de se discordar. Mas, não olvidemos que o legislador, que inseriu o comando do artigo 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados "não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade" não teve como objetivo isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de "PLR". Isto porque nem tudo que é pago a título de PLR é realmente PLR. Creio que nos casos concretos devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que Fl. 572DF CARF MF 6 negociaram o instrumento definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. Nesta seara, tenho que assiste razão à Recorrente nos seus perfulgentes ensinamentos quanto à vedação da Carta Maior em tributar a PLR. Mas, olvidou tão somente que isto ocorrerá deste que haja subordinação à lei que regulamenta a PLR. O que não ocorreu no caso em tela. Sem razão a Recorrente. DO ESTÍMULO ÀS EMPRESAS À DISTRIBUIÇÃO DE SEUS LUCROS Diz que a Carta Maior estimula a distribuição de seus lucros pelas empresas aos seus empregados através de PLR, verificando ser uma forma de distribuição de riqueza, mas que as empresas não terão como seguir tal preceito em razão de altíssima carga previdenciária em razão de descumprimento de pequenas formalidades. Da mesma forma, temse que as empresas não sofreriam autuações se cumprissem meras formalidades, como é o caso de respeito à Lei 10.101/2000. Traz posicionamento do STJ, cujos quais não vislumbro enquadramento ao caso em tela, não modificando o nosso entender. Portanto, não assiste razão a Recorrente. Entretanto, vejo que a PLR da REcorrente não aponta outras anomalias, além de ter realizado duas ao ano que acarretou mais de um pagamento no semestre civil, agredindo, como acima transcrito, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. Desta forma, considerando a segurança que o primeiro PLR tem, por ter sido elaborado junto com o sindicato do trabalhador, e, como é o caso, não havendo nenhuma anomalia, este não deve compor a base de cálculo do lançamento. Assim, excluo do lançamento o PLR oriundo da CCT, não devendo incidir contribuição previdenciária. AJUDA DE CUSTO – DO PAGAMENTO DA AJUDA DE CUSTO ‘STRICTO SENSU’ Em síntese e em consonância com a legislação diz a Recorrente que ajuda de custa é uma forma compensatória de retribuir a empregados que mudam de domicílio a serviço do empregador, paga uma única vez. Diz que no caso em tela isto aconteceu, onde reconheceu a fiscalização a natureza do pagamento realizado em uma única vez, mas que não aceitou como verba indenizatória eis que o funcionária o recebeu ao entrar na empresa. Alega a Recorrente que este funcionário veio de outra localidade a que foi efetivado. Este aspecto pareceme que merece acolhida as alegações da Recorrente, ainda que não tenha o funcionário vindo de outra localidade, eis que o pagamento foi reconhecidamente pela fiscalização realizado em uma única vez, não configurando quesitos necessários para enquadramento de verba remuneratória. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19740.720235/200922 Acórdão n.º 2301003.716 S2C3T1 Fl. 5 7 Fortalece ainda o caráter indenizatório, como dito no recurso, a eventualidade do pagamento e o próprio artigo 28, §° 9°, G da Lei 8.212/91, quando esta trata tão somente da mudança do local de trabalho, não havendo qualquer exigência específica quanto a necessidade de transferência entre estabelecimento da empresa. Com razão. AUXÍLIO – BABÁ Segundo relatório fiscal, a empresa não prestou as informações relativas ao seu pagamento, ao não apresentar os comprovantes do pagamento da remuneração às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados. Neste diapasão não podemos olvidar que o artigo 28, parágrafo 9º, "s" da Lei 8.212/1991 é bem cristalino ao determinar que não integra o salário de contribuição apenas o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando comprovadas as despesas realizadas. Mas, não é só, pois o inciso XXIV, do § 9º, do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e o § 10 do mesmo diploma legal, dispõe: Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) ... XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (GN) Cotejando os autos não se verifica, de fato, os comprovantes de pagamento realizadas às pessoas contratadas para cuidar dos filhos de segurados empregados. Como dizem os latinos: “Na clareza da lei cessa sua interpretação”. Razão pela qual não conheço os argumentos da Recorrente, devendo incidir contribuição previdenciária nesta exação. Sem razão a Recorrente. Fl. 574DF CARF MF 8 DAS DIFERENÇAS DE RETENÇÃO DE 11% Diz a Recorrente que os valores pagos a título de reembolso de plano de saúde previstos nos contratos com cessão de mãodeobra celebrados por ela não integram o cálculo da retenção de 11%, já que a assistência médica não é parcela integrante do saláriode contribuição, não devendo ser entendido o rol de exclusões previsto no art. 152 da IN 03/2005 como taxativo. 'In verbis': “Art. 152. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo MTE, conforme Lei nº 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte, de conformidade com a legislação própria.” De fato, assiste razão a Recorrente quanto ao objeto da regra da retenção do art. 31, da Lei 8.212/1991, antecipando o recolhimento de um tributo devido. Neste diapasão, coaduno com a REcorrente de que as exclusões constantes no artigo acima transcrito não devem ser entendidas como taxativas, eis que no caput do mesmo não consta o termo “exclusivamente”. As hipóteses previstas na legislação foram explicitadas por serem mais usuais nos contratos de prestação de serviços. Entretanto, haveria de ser deduzida da base de cálculo do lançamento se os valores de assistência médica reembolsada pela Recorrente acudisse a determinação do disposto no art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/1991, in verbis: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei,exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(g.n.) Todavia, compulsando os autos observei da ausência de tais comprovantes de que todos os empregados e dirigentes das empresas prestadoras de serviços contratadas mediante cessão de mãodeobra tinham cobertura dos respectivos planos de saúde, não há como se acatar a alegação da REcorrente de que se está cobrando uma antecipação de tributo sobre parcela sem incidência de contribuição previdenciária. Ora, para acudir os dispositivos supra, deveria a Recorrente ter demonstrado os comprovantes, como acima mencionado, sendo isto um ônus seu, não realizado. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19740.720235/200922 Acórdão n.º 2301003.716 S2C3T1 Fl. 6 9 Nestas razões, penso que não há imperfeição no lançamento, devendo ser mantido na forma que foi realizado. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, Fl. 576DF CARF MF 10 evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ESAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19740.720235/200922 Acórdão n.º 2301003.716 S2C3T1 Fl. 7 11 T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído da autuação o pagamento ajuda de custo, bem como o PLR oriundo do Convenção Coletiva de Trabalho, devendo, nas demais questões, permanecer a autuação como realizada. É o voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Fl. 578DF CARF MF 12 Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. . Fl. 579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906747/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.
Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 47 /2 01 2- 97Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito, relativo ao PIS/Pasep não cumulativo, 3º Trimestre/2007, não foi reconhecido em razão do desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito creditório é legítimo; que a indisponibilidade se deveu à necessidade de adequação dos sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a apresentação extemporânea dos arquivos digitais deveria ser relevada, mormente pela superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de descumprimento de obrigação prevista na legislação. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu que a inobservância de obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Consoante IN SRF 86/2001, lastreada no art. 11 da Lei nº 8.218/91, as pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, devendo entregálos, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais em 12/04/2012, porém, só o fez em 03/10/2012, sob alegação de necessidade de ajustes às determinações da RFB. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10920.906747/201297 Acórdão n.º 3401003.474 S3C4T1 Fl. 11 3 O Despacho Decisório de efl. 25, datado de 04/09/2012, vincula a não homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de compensação. Portanto, há uma sutileza na situação sub examine, pois o ponto fulcral da discussão não reside na ausência de crédito, como parece entender o recorrente, mas sim na impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo, temse que o art. 65 da IN SRF 900/2008 impunha essa conseqüência para situações como a dos autos, verbis: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) Fl. 70DF CARF MF 4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)” (destacado) A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar o procedimento de restituição, compensação e ressarcimento, por seu turno, vem prevista no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96. A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da compensação respectiva. Aliás, a previsão de indeferimento/não homologação constou expressa e destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 37). Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente dito, mas o seu indeferimento decorrente da inadimplência da obrigação acessória, que efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido. Outrossim, não aproveita ao recorrente a extensão do prazo, de 20 (vinte) dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que levada em consideração, a extemporaneidade persistiria, tomadas as datas de intimação (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012). Mais uma vez, o debate ora travado cingese exclusivamente ao (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas pela legislação de regência, como condição necessária à finalidade desejada, sendo desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.721866/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando existe súmula sobre a matéria discutida, o que não ocorreu neste caso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando existe súmula sobre a matéria discutida, o que não ocorreu neste caso. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando existe súmula sobre a matéria discutida, o que não ocorreu neste caso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 18 66 /2 01 5- 61 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10640.721866/201561 Acórdão n.º 2202003.710 S2C2T2 Fl. 124 2 (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Contra o sujeito passivo em epígrafe foi lavrada a notificação de lançamento de IRPF (fls. 86/91), relativa ao exercício 2014, anocalendário 2013, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI), no valor de R$ 153.127,44, declarados como isento pela contribuinte sob a justificativa de ser portadora de moléstia grave. A Solicitação de Retificação de Lançamento foi indeferida (fls. 02/03), em razão do laudo médico apresentado não comprovar a existência da moléstia grave prevista na lei isentiva, conforme abaixo: Na impugnação (fls. 04), a contribuinte alegou que já foi reconhecido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes da Sexta Câmara, no processo nº 10680.008480/200511 (decisão anexa), que fribilação atrial aguda (CID10 I48), o mesmo diagnóstico de seu laudo médico, é considerada como cardiopatia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP (SPO), no Acórdão nº 1670.566, às fls. 47/51, julgou a impugnação improcedente, sob o fundamento de que as decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais e aproveitam apenas ao objeto da decisão. O sujeito passivo teve ciência da Decisão da DRJ em 24/12/2015 (AR de fls. 106); e, em 21/01/2016, interpôs o recurso voluntário de fls. 108/109, repisando os argumentos trazidos na imougnação. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10640.721866/201561 Acórdão n.º 2202003.710 S2C2T2 Fl. 125 3 Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Na situação em análise, a recorrente apresentou à fiscalização cópia de um Laudo Oficial emitido pela Secretaria Municipal de Saúde e Desenvolvimento Social de Santos Dumont/MG, datado de 27/05/2014, fls. 14, em que informa que a interessada é portadora, desde setembro/2008 até aquela data, de Fibrilação Atrial CID I48, moléstia referida no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, ou no § 2º do art. 30 da Lei nº 9.250/95, sob a rubrica de cardiopatia grave. Consta informação de que a doença é passível de controle e que o prazo de validade do laudo é “por tempo indeterminado”. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.721866/201561 Acórdão n.º 2202003.710 S2C2T2 Fl. 126 4 Apresentou também a cópia do Acórdão nº 10615.877, de 22/09/2006, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (fls. 08/13), em que se expressou o entendimento de que a fibrilação atrial (CID10 I48) é considerada cardiopatia grave. Em face desses documentos, a fiscalização, às fls. 27, pediu esclarecimentos ao Supervisor do Núcleo de Saúde e Perícia da Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda MG, que respondeu, às fls. 30, em memorando datado de 10/03/2015, que, do ponto de vista médico, a moléstia “Fibrilação Atrial” não é considerada cardiopatia grave e que para proceder à análise do quadro, necessitaria que fosse enviado àquele órgão os resultados dos exames Eletrocardiograma e Ecodoppler colorido. A contribuinte foi intimada (fls. 31) e trouxe exames e documentos de fls. 33/54. Os exames foram encaminhados ao órgão de perícia do Ministério da Fazenda (fls. 56/74), que respondeu, no memorando de 12/05/2015 (fls. 55) que, embora os exames não fossem os solicitados, o parâmetro técnico contido no exame recebido (fração de ejeção FE = 73,13%) é incompatível para considerála para o benefício de isenção do imposto de renda por moléstia grave. Assim, o laudo apresentado pela interessada não foi aceito para comprovação de cardiopatia grave. Tanto na impugnação quanto no recurso, o argumento da contribuinte é de que deve ser reconhecido seu direito à isenção, tendo em vista que o Conselho de Contribuintes já reconheceu que a fibrilação atrial (CID 10 I48), doença que a acomete, é considerada cardiopatia grave (conforme decisão às fls. 08/13). Nesse aspecto, há que se concordar com o posicionamento da primeira instância julgadora de que a mencionada decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes não vincula os demais julgamentos administrativos. Ressaltase que, no âmbito do CARF, com exceção das matérias sobre as quais existe súmula deste Conselho, o que não ocorreu neste caso, as decisões administrativas não vinculam outros julgamentos, posto que não existe lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Assim, as decisões só produzem efeitos entre as partes envolvidas e em relação ao objeto da lide, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Assim, tendo em vista que a doença informada no laudo apresentado não foi confirmada como cardiopatia grave, não é possível reconhecer a isenção pretendida e o consequente afastamento da notificação fiscal. Portanto, voto por conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10640.721866/201561 Acórdão n.º 2202003.710 S2C2T2 Fl. 127 5 Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006161/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA
No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando não houver a antecipação de pagamento pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PRELIMINAR DE NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO
Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa.
APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS. REQUERIMENTO REJEITADO
O inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que e as razões e provas que o autuado possuir devem ser apresentadas na fase impugnatória.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO
A mera alegação de que os depósitos bancários de origem não identificada tratam-se de receitas provenientes do exercício de atividade rural, sem a apresentação de documentação idônea apta a identificar as movimentações financeiras respectivas e sem o oferecimento de tais receitas à tributação, não tem o condão de afastar o lançamento efetuado com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 30.
Numero da decisão: 2402-005.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Ausente momentaneamente e por motivo justificado o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando não houver a antecipação de pagamento pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR DE NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS. REQUERIMENTO REJEITADO O inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que e as razões e provas que o autuado possuir devem ser apresentadas na fase impugnatória. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO A mera alegação de que os depósitos bancários de origem não identificada tratam-se de receitas provenientes do exercício de atividade rural, sem a apresentação de documentação idônea apta a identificar as movimentações financeiras respectivas e sem o oferecimento de tais receitas à tributação, não tem o condão de afastar o lançamento efetuado com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 30.
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INOCORRÊNCIA No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando não houver a antecipação de pagamento pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR DE NULIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS. REQUERIMENTO REJEITADO O inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que e as razões e provas que o autuado possuir devem ser apresentadas na fase impugnatória. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 61 61 /2 00 7- 89 Fl. 449DF CARF MF 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEDUÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO A mera alegação de que os depósitos bancários de origem não identificada tratamse de receitas provenientes do exercício de atividade rural, sem a apresentação de documentação idônea apta a identificar as movimentações financeiras respectivas e sem o oferecimento de tais receitas à tributação, não tem o condão de afastar o lançamento efetuado com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 30. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Ausente momentaneamente e por motivo justificado o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 449 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DRJ/BSA (fls. 207/220), que julgou parcialmente procedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativo ao ano calendário 2002 / exercício 2003, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.353.095,80, montante que inclui valor principal (R$ 558.230,87), multa de ofício de 75% (R$ 418.673,15) e juros de mora calculados até 31/7/2007 (R$ 376.191,78). Consta do Auto de Infração (fls. 168/172) que o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por valores creditados em contas bancárias de titularidade do autuado, mantidas em instituições financeiras em relação aos quais, regularmente intimado, não foi comprovado, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 0327.039 da 3ª Turma da DRJ/BSA: O contribuinte apresenta impugnação, protocolada em 09/10/2007 (fls. 179/196), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: PRELIMINAR É improcedente o entendimento fiscal. A exigência fiscal ora impugnada não poderá prosperar em face da decadência do lançamento até o mês de agosto do anocalendário fiscalizado (2002). A alegada infração fiscal referese ao IRPF Imposto de Renda da Pessoa Física, sujeito, portanto, às regras do lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 e seus parágrafos do Código Tributário Nacional. A ciência do contribuinte, ora impugnante, deuse em data de 06/09/2007. Transcreve o artigo 150, do CTN. O IRPF é um tributo sujeito ao Lançamento por Homologação, seu fato gerador ocorre mensalmente. No caso deste processo estão indiscutivelmente presentes os elementos caracterizadores do Lançamento por Homologação previstos no artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nesta hipótese, o prazo de decadência começa a fluir na data da ocorrência do fato gerador, conforme exegese do § 4. ° do artigo 150, do CTN. Transcreve também excerto da doutrina no sentido de sua argumentação. Como a matéria que sustenta o presente auto de infração refere se ao IRPF relativo ao anocalendário de 2002, Fl. 451DF CARF MF 4 indubitavelmente que o direito da Fazenda Pública constituir o lançamento relativamente ao período de janeiro a agosto, inclusive, do ano de 2002, está sepultado pela decadência, por se tratar de fato gerador mensal, nos termos do § 4•0 do artigo 150, do CTN que determina o prazo decadencial de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, isto porque o auto somente foi formalizado no dia 06 de setembro do ano em curso, com a ciência do contribuinte. Transcreve jurisprudência dos tribunais administrativos. Afirma que a maior prova de que o tributo se inclui na órbita do lançamento por homologação, com ocorrência de fato gerador mensal, é que o próprio fisco em seus demonstrativos, levantou a matéria tributável mensalmente e assim a tributou. Assim, ocorrendo o fato gerador mensalmente, seguindo a mesma regra do § 4º, do artigo 150, do CTN, a decadência também se opera mês a mês. Ressalta que a falta de pagamento do tributo não descaracteriza o lançamento por homologação. Portanto, sob qualquer ângulo de análise da questão ora enfocada, o crédito tributário apurado até o mês de agosto do ano calendário de 2002, inclusive, encontrase sepultado pela ocorrência da decadência. Requer o cancelamento do lançamento referentemente ao período de janeiro a agosto, inclusive, do anocalendário de 2002, em razão da ocorrência da decadência. DO MÉRITO Ressalta que a autuação baseouse exclusivamente em levantamentos procedidos nos extratos das contas bancárias do impugnante, cujos depósitos foram listados e "planilhados" pela fiscalização, tendo sido elaborado um quadro demonstrativo. Os depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias do contribuinte não refletem, obrigatoriamente, rendimentos omitidos. É absolutamente impertinente inquinarse de "omissão de rendimentos", sem outros indícios concludentes, créditos em contas bancárias sem pelo menos considerar os valores declarados no período examinado. Nesse sentido, o artigo 849 do RIR199 e artigo 1 0 da MP n° 22/2002, convertida na Lei n° 10451/2002 (fundamento legal da autuação), não servem para sustentar a ação fiscal, pois, para fundamentar validamente a autuação, é imprescindível que o fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimento. Aliás, este entendimento (de ilegitimidade do lançamento baseado unicamente em extratos bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes, em nossos tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei n.° 8.021/90, que em seu artigo 6.°, regulava a matéria debatida neste processo. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 450 5 Os dispositivos em que o fisco fundamenta a autuação (artigos 849 do RIR/99 e 1 0 da MP 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/02) não passam de uma reprodução do § S.°, do artigo 6.°, da Lei n.° 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por nossos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal. Entretanto, jamais os depósitos bancários, exclusivamente, servirão de base para qualquer autuação, pois não caracterizam disponibilidade de renda, sendo, pois, totalmente improcedente a fundamentação do auto de infração nos dispositivos legais indicados que, como já dito, vieram apenas substituir o § 5º, do art. 6°, da Lei n.° 8.021/90, o qual, repetese, foi banido de nosso ordenamento jurídico devido ao despropósito de sua pretensão. Portanto, na prática a legislação não mudou, pois a pretensão do fisco, alicerçada nos artigos 849 do RIR199 e 1º da MP 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002, também não poderá subsistir, porque está calcada unicamente em depósitos bancários, os quais não podem ser caracterizados como disponibilidade econômica de renda, sendo totalmente ilegal a presunção capitulada pelo dispositivo que sustenta o auto de infração. Aludida presunção legal não deve ser entendida como absoluta, mas sim, de forma relativa. No caso do impugnante, o que levou o fisco a constituir o lançamento foi, única e exclusivamente, a existência de depósitos nas contas bancárias examinadas. Não se preocupou a autoridade fiscal lançadora em comprovar que tais depósitos resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou consumo com pagamento de terceiros, serviços, etc. A ORIGEM DOS RECURSOS DO CONTRIBUINTE De início, cumprenos ressaltar que o impugnante encontrase recuperando a saúde, já que foi vítima de um trágico acidente automobilístico de proporções gravíssimas, estando atualmente internado e, inclusive, ainda inconsciente. Devemos ressaltar que todas as informações e documentos ora trazidos à baila foram fornecidas por seus familiares, especialmente seus filhos e, ainda, o contador que para ele presta serviços. A profissão exercida pelo autuado é a de pecuarista e sua principal atividade é a cria, recria e venda de gado na região de seu domicílio fiscal, sendo as vendas por ele efetuadas, mais das vezes, feitas a frigoríficos ou mesmo para os próprios agropecuaristas. Destas funções, exclusivamente ligadas à atividade rural, advêm as suas receitas, conforme se pode verificar dos documentos ora inclusos e de outros que virão oportunamente ao bojo do processo que servirão de prova dos recursos que transitaram pelas contas correntes que, na verdade, eram também compartilhadas com terceiras pessoas, já que, no prazo para apresentação desta peça de defesa, não foi possível Fl. 453DF CARF MF 6 sua juntada em razão do contribuinte estar totalmente impossibilitado de fazêlo pessoalmente, em face do acidente sofrido. Por ser bastante conhecido na região, onde atua já há mais de 20 (vinte) anos, em muitos casos, terceiras pessoas encaminham gado para abate em determinados frigoríficos e autorizam a proceder aos depósitos das quantias referentes a tais vendas nas contas bancárias por ele movimentadas. Portanto, como se observa, as contas bancárias auditadas pelo fisco jamais foram movimentadas somente pelo impugnante, o que se provará tão logo o mesmo recobre sua saúde. Durante o período fiscalizado, o impugnante promoveu também nas contas correntes, inúmeros saques, que totalizaram a quantia de R$ 743.723,20, sendo R$ 177.670,65 junto ao Bradesco S/A e R$ 566.052,55 junto à Cooperativa de Crédito do Vale do Paranaíba Ltda., os quais, evidentemente, serviram de recursos para depósitos posteriores nas mesmas contas correntes, conforme se verifica das planilhas anexas. Ainda, no anocalendário fiscalizado houve recebimento de receitas da atividade rural que, em razão de seu atual estado de saúde, momentaneamente não será possível juntar tais provas, uma vez que foram encontrados por seus familiares apenas controles pessoais e anotações paralelas, contudo, diligenciará no sentido de obter os documentos necessários à prova pretendida e desde já protesta pela juntada posterior, em homenagem aos princípios do contraditório e ampla defesa, consagrada constitucionalmente. E, por se tratar de receita preponderante da atividade rural estas devem ser consideradas ao longo de todo o respectivo ano calendário na medida de seus recebimentos. Transcreve julgado do 1º CCMF. Transitaram ainda pelas contas correntes do impugnante, vários depósitos ao longo do anocalendário de 2002, que se tratavam, mais das vezes, de empréstimos emergenciais de pessoas fisicas e/ou de pessoas jurídicas, cujos comprovantes estão sendo providenciados, aqui não juntados no prazo da impugnação em razão da absoluta impossibilidade física de fazêlo, já que, como já dito, encontrase internado e ainda inconsciente. Também parte dos recursos que resultar em créditos nas contas bancárias examinadas tiveram origem em cheques emprestados por amigos e parentes para custódia em bancos para levantamento de recursos capital de giro , também não raras vezes, o autuado socorria financeiramente pessoas próximas, descontando cheques dessas pessoas nos bancos com os quais movimentava, cujos valores líquidos eram creditados em sua conta corrente que por sua vez eram a eles repassados, cuja documentação também está sendo providenciada. Assim, vários depósitos listados no demonstrativo do auto de infração, são de diversas naturezas, inclusive oriundas de contratos de abertura de crédito bancário, para desconto de cheques e outros títulos de créditos mediante borderôs.Portanto, grande parte desses valores se trata de recursos originários de Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 451 7 tais contratos, os quais estão sendo providenciados junto às instituições financeiras com as quais movimentava. Portanto, todos estes créditos, hão de servir como comprovação de origem dos recursos que transitaram pelas contas correntes examinadas, independentemente de coincidência de datas e valores, pois basta a comprovação da existência dos recursos, principalmente por se tratar de receitas originárias da atividade rural, que se apura anualmente. Ressalta que o fisco ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que "planilhálos" e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior servirão de recursos para o mês seguinte, conforme entendimento do 1.º CCMF, acórdão n.° 10419.682. Todos os recursos auferidos no período fiscalizado hão de servir como origem para depósitos nas contas correntes do autuado, sejam eles tributos isentos, não tributados ou tributados exclusivamente na fonte. Segundo o fisco, os créditos em contas correntes quando não comprovada sua origem ficam sujeitos à tributação de acordo com a tabela progressiva, portanto, como foi efetivado o lançamento, ou seja, os créditos cuja origem, o contribuinte não comprovou foram tributados e, uma vez tributados, foram legalmente regularizados, assim, todos esses créditos deverão ser aproveitados a título de recursos para realização de depósitos nos meses seguintes. É certo também que, embora inquestionável a presunção estatuída pela Lei 9.430/96, não se pode dar a ela força revogatória em relação ao conjunto de outros dispositivos legais que sempre atribuíram aos rendimentos declarados e/ou tributados o efeito de justificar acréscimos patrimoniais. Outro equívoco cometido pela fiscalização foi o fato de não terem sido excluídos dos valores depositados, os cheques devolvidos nas contas bancárias, bem como as transferências entre contas da mesma titularidade, cujo total deverá ser excluído do montante tributado, nos termos da Lei n° 9.430/96. Desde já o impugnante, em homenagem aos princípios da ampla defesa e do contraditório, protesta pela juntada posterior dos documentos que, no prazo para a apresentação da impugnação, não conseguiu reunir, mormente, em razão de seu atual quadro de saúde, já que se encontra hospitalizado, vítima de sério acidente rodoviário e ainda inconsciente. EM SUMA, o lançamento deve ser cancelado, em face da decadência suscitada preliminarmente nesta peça de defesa. Entretanto, caso Vossas Senhorias entendam em ultrapassar a aludida preliminar, no mérito, o lançamento deve ser igualmente cancelado por total insubsistência, porque o fisco não comprovou o nexo causal entre os depósitos efetivados nas contas e o fato que, efetivamente, representasse omissão de rendimentos; porque, o fisco não "planilhou" os depósitos, cujo imposto foi lançado, transportandoos para o mês seguinte a título de recursos, inclusive, aqueles objeto da mesma acusação Fl. 455DF CARF MF 8 e que foram tributados, de forma a servirem como fonte de recursos para depósitos posteriores e porque a documentação acostada aos autos do processo, confirmam a tese de defesa apresentada de forma a elidir a pretensão fiscal. A DRJ/BSA, por seu turno, julgou a impugnação procedente em parte em razão dos entendimentos expostos a seguir: a) jurisprudência administrativa e judicial suscitada: em regra, as decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos; de igual sorte, no que tange às decisões judiciais, somente quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado, os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; dada a ausência de tais determinações, relativamente à jurisprudência colacionada pelo contribuinte, têmse como inaplicáveis ao caso em tela; b) produção de provas em momento posterior ao da impugnação: com base nas disposições contidas no Decreto nº 70.235/1972 acerca da produção de provas (arts. 16 e 18), a oportunidade de carrear aos autos os documentos necessários à defesa, a fim de elidir o lançamento, é junto com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto quando, fundamentadamente, demonstrada a materialização de qualquer das exceções previstas em lei; no caso em tela, foram apresentadas novas provas quando já estava configurada a preclusão do direito para tal, uma vez não demonstrada a ocorrência de qualquer das situações especiais legalmente estabelecidas; contudo tais provas foram integralmente analisadas; c) decadência: não há qualquer dúvida acerca da não materialização da decadência. Como já visto, o fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é complexivo anual, completandose apenas em 31 de dezembro de cada ano. na hipótese de ausência de antecipação pagamento, o que aconteceu, o termo inicial a ser contado encontrase insculpido no art. 173, I, do CTN. Em outras palavras, o termo inicial seria 01/01/2004. Então, a Fazenda Pública teria até 01/01/2009 para cientificar o contribuinte. d) validade do lançamento: a Lei 9.430/1996, de forma explícita, revogou o § 5º do art. 6° da Lei 8.021/90. Não há interpretação possível em contrário, pois tal disposição está enunciada claramente no seu art. 88, inciso XVIII. Assim, a jurisprudência pretérita ao novel mandamento, sustentada na Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 452 9 validade daquele dispositivo, encontrase superada pela revogação expressa do preceito; com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, houve o estabelecimento de uma presunção legal de omissão de rendimentos para os casos em que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; tratase de presunção relativa e infirmável por prova em contrário do contribuinte, que tem a incumbência de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, já que a própria lei define os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita ou de rendimentos; não há qualquer ressalva legal no sentido de que, na apuração da infração em tela, deva ser demonstrado acréscimo patrimonial, ou deva ser demonstrada a efetiva existência de renda consumida, ou devam existir sinais exteriores de riqueza, ou nexo de causalidade, ou outros elementos vinculados à atividade do impugnante; não mais sobrevive a legislação pretérita. O caput do art. 42 é explícito: materializamse como omissão de receitas ou rendimentos creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto à instituição financeira, os valores não comprovados, individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos utilizados nessas operações pelo titular; não comprovada a origem dos recursos, tem a Autoridade Fiscal o dever de autuar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não atestada; a jurisprudência administrativa é farta no sentido da caracterização como omissão de rendimentos dos depósitos bancários de origem não comprovada. Reproduz trechos de acórdãos do CARF acerca da matéria; em vista disso, não prospera a alegação de ilegalidade e de que não há correlação entre depósitos bancários e omissão de rendimentos, haja vista o lançamento estar, desde o seu início, circunscrito aos limites da legislação tributária vigente; no tocante à alegação de que valores de terceiros foram movimentados em suas contas. Da análise de toda a documentação acostada (fls. 242/420), não existem as tais provas de que outras pessoas movimentaram recursos, ao contrário, todos dão conta que o operador da conta corrente é o próprio impugnante; não é evidente, muito menos decorre do fato de se promover saques em uma conta corrente o correspondente depósito em outra, sem prova cabal da ocorrência dessa operação. Valores sacados de um banco, sem Fl. 457DF CARF MF 10 dúvida, poderão ser depositados em outro(s), contudo, é perfeitamente plausível supor inúmeras destinações diferentes, como aquisição de bens, doações, empréstimos a terceiros; não há comprovação hábil e idônea da origem dos depósitos. Esclarece que os depósitos abaixo de R$ 1.000,00 não foram considerados no auto de infração; a mera apresentação de recursos suficientemente capazes de abrigar a movimentação nas contas bancárias não satisfaz o mandamento legal; no tocante à alegação de que Fisco, ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que “... planilhálos e transportálos para o mês seguinte a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior servirão de recursos para o mês seguinte”, não há qualquer amparo legal para tal procedimento. Mais uma vez, esclarecese que a infração apurada é de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, fundada no art. 42 da Lei n° 9.430/96. O impugnante confunde o procedimento com a apuração de acréscimo patrimonial, que não é infração apurada no lançamento em análise; quanto à citação de que estava providenciando também documentação comprobatória de que créditos em suas contas eram de naturezas diversas (fl. 196) e decorreram também de empréstimos emergenciais de pessoas físicas e/ou pessoas jurídicas; ou de cheques emprestados por amigos, pessoas próximas e parentes para custódia em bancos; ou de contratos de abertura de crédito bancário para desconto de cheques e outros títulos de crédito, nada foi juntado aos autos nesse sentido; argumenta o contribuinte que houve equívoco cometido pela fiscalização, pois não foram excluídos dos valores depositados os cheques devolvidos nas contas bancárias, bem como as transferências entre contas da mesma titularidade; assiste, em parte, razão ao impugnante. Os valores constantes das planilhas de folhas 230 e 239, onde consta a relação dos cheques devolvidos e estornos no período, já foram retirados pela Fiscalização (fls. 158/164), à exceção do cheque de R$3.000,00 (26/03/2002, fl. 238). Dessa forma, apenas esse valor será excluído do total apurado como de origem não comprovada; no que tange às transferências de mesma titularidade, apontadas também como não retiradas (fls. 242/261), totalizando R$ 116.700,00, de fato não foram excluídas e, portanto, deverão ser retiradas do somatório de depósitos de origem não comprovada; a apuração do imposto deverá sofrer os ajustes a seguir discriminados, a fim de excluir do total apurado como de origem não comprovada os seguintes valores: R$ 3.000,00 e R$ 116.700,00. Em seu Recurso Voluntário (fls. 207/220) o sujeito passivo ratifica as questões abordadas na impugnação e argumenta, adicionalmente, que: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 453 11 Preliminares a) o lançamento é nulo em razão da ausência de nexo causal entre os depósitos bancários e o aumento do patrimônio do recorrente; b) o fisco, para sustentar o auto de infração, louvouse exclusivamente em extratos bancários; c) não se preocupou a autoridade fiscal lançadora e tampouco a julgadora de 1° instância, em comprovar que tais lançamentos resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou consumo com pagamento de terceiros, serviços, etc. O único fundamento utilizado para constituição do crédito tributário foi a existência de crédito em conta corrente; d) o lançamento é improcedente, pois estaria em desacordo com o art. 142 do CTN. Cita doutrina sobre o encargo do fisco quanto à comprovação de aumento patrimonial que justificaria a ocorrência do fato gerador do imposto; e) o art. 42, da Lei n° 9.430/96, apenas, não serve para sustentar a ação fiscal, pois, para fundamentar validamente a autuação, é imprescindível que o fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Cita julgados administrativo sobre a idêntica matéria, os quais diz serem recentíssimos; f) o lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimento. Aliás, este entendimento (de ilegitimidade do lançamento baseado unicamente em extratos bancários) já vinha imperando, por reiteradas vezes, em nossos tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei n° 8.021/90, que em seu art. 6°, regulava a matéria debatida neste processo. g) o art. 42 da Lei n.° 9.430/96, c/c art. 849 do RIR, não passam de uma reprodução do § 5°, do art. 6°, da Lei n° 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por nossos tribunais pátrios, tanto na órbita administrativa quanto na judicial para afastar a pretensão da União Federal de utilizar os depósitos bancários, pura e simplesmente, como sustentáculo para autuação fiscal; h) no processo administrativo que deu origem ao crédito tributário ora impugnado, o agente fiscal elaborou um quadro demonstrativo dos depósitos bancários para possibilitar a apuração do crédito tributário, sem demonstrar, contudo, onde estaria o nexo causal entre estes depósitos e o suposto fato caracterizador da alegada omissão de rendimentos. Excluindo tais depósitos não existe nada a tributar, consequentemente, inexiste dívida tributária. Com base nisso, requer a anulação do lançamento; Mérito i) é agropecuarista e que os recursos que transitaram por suas contas correntes tiveram origem nessa atividade; j) por força da legislação de regência, especialmente, a Lei n° 8.023/90, as receitas provenientes desta atividade deverão ser consideradas anualmente, Fl. 459DF CARF MF 12 razão pela qual não admite o levantamento mensal, tal como fez o fisco quando da lavratura do auto de infração; k) não pode haver planilhamento mensal, por se tratar de receitas da atividade rural, o caixa será, por imperativo legal, anual, servindo tais receitas para cobrir qualquer crédito em suas contas correntes, em qualquer mês, independentemente de coincidência de datas e valores; l) na decisão recorrida, a DRJ/BSA determinou a exclusão da quantia de R$119.700,00 do somatório dos depósitos selecionados pelo fisco “como de origem não comprovada”, alusiva à devolução de cheques (R$3.000,00) e transferências de mesma titularidade (R$116.000,00), entretanto, conforme se pode verificar da planilha feita pelo recorrente por ocasião da apresentação da peça de impugnação, esta apresenta o valor de R$22.940,00 alusiva aos cheques devolvidos junto ao Barco Bradesco S/A, agência n° 3.8369, conforme se pode verificar dos extratos juntados aos autos, cujo valor deve ser excluído da matéria tributável; m) a decisão vergastada desconsiderou os recursos provenientes dos saques realizados pelo recorrente ao longo do anocalendário fiscalizado, os quais foram planilhados no importe total de R$743.723,20 (setecentos e quarenta e três mil, setecentos e vinte e três reais e vinte centavos) e que, efetivamente, devem ser considerados para todos os efeitos de direito, pois, tais valores se tratam de recursos em espécie que serviram, obviamente, de origem dos depósitos questionados pelo fisco, devendo, por tais razões, também serem excluídos da matéria tributável; n) decisão recorrida desconsiderou, ainda, receitas da atividade rural, cujos valores foram planilhados e juntados os devidos comprovantes aos autos do processo, que se tratam de venda de gado ao longo do anocalendário fiscalizado; o) a receitas da atividade rural estão comprovadas por documentação hábil e idônea a partir de “Relatório de Notas Fiscais” fornecido pela Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás que, somadas, totalizaram a quantia de R$2.956.280,42, além de outras notas fiscais avulsas que não integraram o aludido Relatório de Notas Fiscais e que totalizaram a quantia de R$97.021,20, portanto estes valores: R$3.053.301,62 (R$2.956.280,42 + R$97.021,20), tratamse de recursos devidamente comprovados e, por se tratar de receitas da atividade rural, estas devem ser consideradas ao longo de todo o respectivo anocalendário na medida de seus recebimentos, conforme planilhamento feito pelo recorrente e juntado ao processo. Reproduz julgado do administrativo acerca da matéria; p) todas estas receitas obtidas no período fiscalizado hão de servir como comprovação de origem dos recursos para fazer face aos depósitos em suas contas correntes, não sendo necessário coincidência de datas e valores, pois basta a comprovação da existência dos recursos, independentemente desta coincidência, porque não há no art. 42 da Lei 9.430/96 qualquer exigência neste sentido, mas apenas a da comprovação da origem dos recursos, aliado ao fato de que o caixa (recursos), na atividade rural, é anual, por expressa determinação legal. Transcreve trechos de julgados administrativos a respeito do tema; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 454 13 q) como forma de elidir a pretensão fiscal, apresenta quadro que relaciona valores advindos da atividade rural que demonstrariam a origem dos depósitos bancários; r) o fisco, apurando mensalmente os valores depositados/creditados nas contas o correntes, submeteu esses mesmos valores à tributação. Ora, uma vez tributados passam a condição de recursos regulares e/ou legais, nesta hipótese, o fisco não comprovando que houve aplicações desses mesmos recursos a qualquer título, haverão estes créditos, necessariamente, que servir, nos meses subsequentes, de origem para novos depósitos em dinheiro, em qualquer conta do contribuinte; s) o fisco, ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que planilhálos e transportalos para o mês seguinte a título de recursos, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior, tornaramse, indiscutivelmente, recursos regularizados para todos os efeitos de direito, os quais servirão de recursos para o mês seguinte, conforme entendimento do 1° Conselho de Contribuintes esposado no acórdão n° 10419.682, supra colacionado; t) computadas todas as receitas da atividade rural, bem como outros recursos devidamente comprovados e, transportadas as sobras apuradas em um mês para o mês seguinte, resulta demonstrado que nada restará a se tributar; u) está diligenciando no sentido de localizar documentos que comprovam a origem dos recursos depositados em suas contas no ano de 2002, especialmente, junto a frigoríficos onde vendia gado, cujas empresas encontramse desativadas, o que dificulta sobremaneira a localização desses documentos, razão pela qual, mais uma vez, em homenagem aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório protesta pela juntada posterior dos mesmos; Requer, com base nos argumentos e documentos apresentados, a anulação do feito fiscal ou, alternativamente, que seja dado provimento ao recurso voluntário. O processo foi sobrestado forma do art. 62 A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF em razão do Recurso Extraordinário RE nº 601.314 que tramitava no Supremo Tribunal Federal e versava sobre idêntica matéria. Revogado o dispositivo regimental, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. DAS PRELIMINARES Nulidade do Lançamento por Falta de Nexo Causal entre os Depósitos Bancários Levantados e o Aumento do Patrimônio do Recorrente Quanto à preliminar de nulidade em razão da pretensa falta de nexo causal entre os depósitos bancários levantados e o aumento do patrimônio do recorrente, convém esclarecer que esse assunto não foi objeto de questionamento por ocasião da impugnação, tampouco foi suscitado na decisão recorrida. Tratase pois de matéria nova, referida somente no recurso voluntário. Sobre questões dessa natureza, dispõe o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março 1972, norma que disciplina o processo administrativo fiscal em âmbito federal: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Sob outra perspectiva, o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972 estabelece que o recurso voluntário deve ser apresentado em face da decisão decorrente do julgamento de primeira instância administrativa. Vejamos: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A interpretação combinada da disposições normativas encimadas evidenciam que o recurso voluntário deve ser apresentado em face da decisão de primeira instância e que é na impugnação que o autuado deve apontar as razões de fato e de direito em que se fundamentam sua pretensão, bem assim seus pontos de discordância em relação ao lançamento e as razões de prova que possuir. Por todas essas razões, entendo que, neste ponto, o recurso não pode ser conhecido eis que, por virtude do inciso III do art. 16 c/c o art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, operouse a preclusão quanto a essa questão tendo em vista que a presente matéria somente foi abordada por ocasião do recurso voluntário. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 455 15 Juntada de Novos Documentos Reclama o recorrente pela juntada de novos documentos que comprovariam a origem dos recursos depositados em suas contas correntes no ao ano de 2002. Prenuncia que estaria diligenciando para localizar essas provas junto a frigoríficos onde vendia gado, cujas empresas encontramse desativadas, o que dificulta sobremaneira sua localização. Conforme consignado acima, o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que e as razões e provas que o autuado possuir devem ser apresentadas ainda na impugnação, em vista disso, indefiro o pedido. DA DECADÊNCIA Na parte introdutória da peça recursal, além de trazer elementos novos à discussão administrativa, o sujeito passivo ratifica as questões abordadas na impugnação. Assim, faz necessário retomar a discussão acerca da decadência, haja vista que o assunto foi suscitado na fase impugnatória. Consoante abordado na decisão recorrida, o IRPF é tributo sujeito a lançamento por homologação. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o fato gerador do imposto somente se aperfeiçoa no dia 31 de dezembro de cada ano. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 38, de observância obrigatória no âmbito deste Colegiado, em relação aos depósitos bancários de origem não identificada: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No que se refere a decadência, o termo inicial com relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação deve obedecer às seguintes regras: i) quando houver antecipação de pagamento, ainda que parcial, o prazo decadencial será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador (CTN, art, 150, § 4º); e ii) no caso de descumprimento integral da obrigação principal, a extinção do prazo para que a Fazenda Pública possa constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art, 173, inciso I). Em vista disso, precisa a conclusão extraída do acórdão recorrido, que abaixo se reproduz: No caso em tela, não há qualquer dúvida acerca da não materialização da decadência. Como já visto, o fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física é complexivo anual, completandose apenas em 31 de dezembro de cada ano. Decorre, na hipótese de lançamento por homologação, havendo antecipação do pagamento, que o dies a quo da contagem do prazo decadencial para o lançamento, anocalendário 2002, exercício 2003, operouse em 31/12/2002. Teria a Fazenda Pública até 31/12/2007 para cientificar o contribuinte do lançamento (art. 150, § 4°, do CTN). Fl. 463DF CARF MF 16 Na hipótese de ausência de antecipação, que aconteceu, passaria o termo inicial a ser contado segundo o preceito insculpido no art. 173, I, do CTN, supra. Em outras palavras, o termo inicial seria 01/01/2004. Então, a Fazenda Pública teria até 01/01/2009 para cientificar o contribuinte. Assim, do relato acima delineado, vez que se considera cientificado o contribuinte em 06/09/2007 (fl. 174), seja na hipótese do § 4° do art. 150, seja na do inciso I do art. 173, ambos do CTN, não havia expirado o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, isto é, não ocorreu a decadência do período apontado pelo impugnante. Destarte, afasto a preliminar de decadência. DO MÉRITO Em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o § 1º art. 3º do art. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Com relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 456 17 Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. [...] Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. De outra parte, no que se refere às decisões administrativas ou judiciais suscitadas pelo contribuinte no intuito de elidir o lançamento, cabe esclarecer que tais decisões encerram circunstâncias fáticas próprias, com conjunto probatório específico e, por essas razões não pode produzir efeitos para além das partes envolvidas na demanda para beneficiar Fl. 465DF CARF MF 18 ou prejudicar terceiros. Além de que, essas decisões foram adotadas quando ainda encontrava se vigente o art. 6º da Lei nº 8.021/1990. Referido artigo dispunha: Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. [...] § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Antes de vigorar o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, inexistia a presunção nele estabelecida, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza (caracterização de disponibilidade econômica de renda ou proventos) e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Assim, temse, de um lado, uma presunção mais sumária, a do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, a presunção do art. 6° da Lei n° 8.021/90, que atribui à autoridade autuante não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas. Em vista disso, constatase que a jurisprudência administrativa a esse respeito, juntada aos autos pelo contribuinte, em nada o acode. É que os acórdãos colacionados, muito embora prolatados depois da edição da Lei n° 9.430/1996, referemse justamente a fatos geradores ocorridos em período anterior, quando vigia a Lei n° 8.021/90. De tal sorte, ao revés do que alardeia o recorrente, referidas decisões nada têm de recentes e, por seu anacronismo, estão aqui descontextualizadas, e nada trazem que possa macular o feito fiscal. Apercebase que, diferentemente do que imagina o sujeito passivo, a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido de que os lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada dispensam, inclusive, a necessidade de comprovação, por parte do fisco, da utilização dos recursos provenientes desses depósitos como renda consumida. Sob essa ótica, a Súmula CARF nº 26 estatui: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Retornadose ao caso concreto, afirma o recorrente que é agropecuarista, e, desta função, exclusivamente ligada a atividade rural, advêm as suas receitas, e, por força da Lei nº 8.023/1990, essas receitas deverão ser consideradas anualmente, razão pela qual não se admite o levantamento mensal, tal qual teria feito o fisco quando da lavratura do auto de infração. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 457 19 Convém esclarecer que os levantamentos efetuados pela fiscalização, considerando os depósitos bancários efetuados em cada um dos meses do período apurado, obedeceu rigorosamente o mandamento contido no § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que determina, para o caso de pessoas físicas, que os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos. Por óbvio, o fato de serem tributados mês a mês não significa que o fato gerador seja mensal. Restou esclarecido no tópico relacionado à decadência que a Súmula CARF nº 38 sepultou qualquer discussão acerca desse tema ao estabelecer que “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”, ou seja, tratase de fato gerador com periodicidade anual. Não obstante, em pesem as alegações do recorrente, na Declaração de Ajuste Anual – DAA relativa ao exercício objeto do lançamento (fls. 165/167), não há qualquer informação quanto a rendimentos decorrentes do exercício de atividade rural. Além disso, os rendimentos anuais informados na DAA (R$ 2.340,00) em nada se compatibilizam com os 3.668.710,92 (três milhões, seiscentos e sessenta e oito mil, setecentos e dez reais e noventa e dois centavos) movimentados em suas contas bancárias. De outro modo, não foram apresentados elementos de prova que pudessem atestar essa assertiva de que a vultosa movimentação bancária aferida pela fiscalização seria originária da atividade de agropecuarista. Não se dignou o contribuinte em exibir, por exemplo, Livro Caixa, acompanhado de documentação idônea que pudesse identificar movimentações financeiras provenientes da atividade que afirma exercer, conforme determina o § 1º do art. 18 da Lei nº 9.250/1995, in verbis: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. [...] Asseverese que os elementos probatórios apresentados para justificar que os depósitos bancários provém de receitas da atividade rural constam de fls. 262/421. Dentre esses documentos encontramse quatro planilhas elaboradas pelo sujeito passivo (fls. 262, 304, 325 e 364), baseadas em relatórios da Secretaria de Fazenda de Goiás SEFAZGO acostados aos autos. Não há entre referidos documentos informações que possam vincular as operações ali retratadas aos depósitos objeto autuação, ou seja, os documentos não permitem estabelecer qualquer reciprocidade entre as importâncias enumeradas nos relatórios e os depósitos que fundamentaram o auto de infração. Ademais, como bem pontuou a autoridade recorrida, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita Fl. 467DF CARF MF 20 omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre a contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Por conseguinte, não é possível aceitar a alegação de que todos os depósitos bancários levantados pela autoridade autuante sejam procedentes dessa atividade que o sujeito passivo diz exercer. Aliás, tais valores sequer foram informados em sua Declaração de Ajuste Anual, o que impossibilita considerar tal argumentação. Assim, também não socorre o contribuinte a jurisprudência administrativa colacionada, cujo entendimento é de que “o art. 42 da Lei n° 9.430/96 exige dos contribuintes a comprovação dos recursos que justifiquem a origem dos depósitos bancários e não a coincidência de datas e valores”. Referida jurisprudência aborda situações em que os rendimentos foram devidamente declarados e submetidos a tributação, o que não se verifica no presente caso. Quanto à hipótese aduzida na peça recursal de que o fisco, ao tributar os depósitos mensalmente, haveria que planilhálos e transportálos para o mês seguinte, pois, estes valores (dos depósitos) tributados no mês anterior, tornaramse, indiscutivelmente, recursos regularizados para todos os efeitos de direito, os quais serviriam para justificar depósitos do mês seguinte. Temse que, também nesse ponto, o recorrente valeuse de jurisprudência administrativa há muito superada. Este entendimento parte de uma compreensão equivocada acerca da tributação decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada, que é uma tributação que incide sobre uma presunção de omissão de rendimentos, confundindoa com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto que obedece a sistemática de apuração absolutamente diversa. Na tributação de acréscimo patrimonial a descoberto, quando se estrutura um fluxo de caixa mensal, os saldos bancários em início de período são fontes e os saldos em fins de período, aplicação de recursos. No início do mês subsequente, o saldo em final do mês antecedente funciona como fonte para o mês seguinte, e assim por diante. Observe que não estamos tratando de depósitos individuais, feitos diariamente, mas em saldos em fins de período. Por óbvio, o saldo no último dia do mês, que funcionou como aplicação no fluxo do referido período, é fonte de recursos para o mês seguinte. Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. A permissão de que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado em nome do mesmo sujeito passivo. Acatar a possibilidade, em tese, de os depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subsequentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. Sabemos que não é assim que as coisas acontecem na vida cotidiana, pois, em regra, o recurso sacado não retorna para a conta de depósito. Ademais, conforme ajustado no Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10120.006161/200789 Acórdão n.º 2402005.693 S2C4T2 Fl. 458 21 acórdão recorrido, carece de razão a assertiva de que os saques promovidos pelo contribuinte serviriam para justificar os depósitos de origem não identificada, sem que tenham sido apresentados quaisquer elementos comprobatórios de que tais valores tenham retornado para uma das contas bancárias do próprio sujeito passivo. De mais a mais, a jurisprudência do CARF é absolutamente pacífica no que respeita à impossibilidade de aproveitamento dos depósitos bancários de um mês comprovarem a origem dos depósitos havidos em meses subsequentes. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 30: Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Pelas razões expostas, não há como acolher o argumento do contribuinte no que respeita à possibilidade de aproveitamento dos depósitos bancários de origem não identificada realizados em determinado mês justificar depósitos de meses seguintes. Quanto aos R$ 22.940,00, quantia que recorrente requer que seja subtraída da autuação por se tratar de valores relativos a cheques devolvidos, tendo em vista que a decisão da DRJ/BSA excluiu o equivalente a R$ 3.000,00, resta analisar os R$ 19.940,00 restantes (relativos as cheques devolvidos no valor de R$ 5.000,00, R$ 9.000,00 e R$ 5.940,00). Das tabelas elaboradas pela fiscalização (fls. 158/164) verificase que não assiste razão ao recorrente visto que tais valores não integraram a base de cálculo do lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso pra, na parte conhecida NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000833/2008-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 21/07/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ.
Impõe-se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
Numero da decisão: 1803-000.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 21/07/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ. Impõe-se a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa.
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LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 21/07/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ATRASO DSPJ. Impõese a penalidade por descumprimento de obrigação acessória entrega de DSPJ, não comprovado qualquer fato que implique dispensa do cumprimento tempestivo da prescrição normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Fl. 31DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000833/200817 Acórdão n.º 180300.913 S1TE03 Fl. 26 2 RETICAB COM PEÇAS SERV. USIN. LTDA – ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A empresa acima qualificada apresentou manifestação de inconformidade contra o Auto de Infração, (fl. 02), solicita o cancelamento das multas pecuniárias aplicadas pelo atraso na entrega da declaração relativa ao exercício de 2008. Em seu pedido inicial, a contribuinte alegou, em síntese, que: com a implantação do Super Simples, houve dados confusos causando transtornos e dúvidas; falta de orientação mais precisa por orientação da Receita; a requerente entende que ambos os lados cometeram erros, como a empresa pelo atraso da entrega da DSPJ e os órgãos governamentais pela falta de orientação mais precisa. Requer o contribuinte por ser de Justiça o cancelamento do auto de infração. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1423.447, de 27 de abril de 2009 (fls. 08/10), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2007 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração, mesmo que a entrega desta declaração se dê antes de qualquer procedimento de oficio. Ciente da decisão em 16/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 14.v), apresentou o recurso voluntário em 10/08/2009 fls. 17/18, onde reitera os argumentos da inicial de que não deve ser penalizado com a multa por atraso na entrega, considerando as diversas questões técnicas envolvendo o SIMPLES NACIONAL. É o relatório. Voto Fl. 32DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000833/200817 Acórdão n.º 180300.913 S1TE03 Fl. 27 3 Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração em virtude do atraso na entrega na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ SIMPLES, relativa ao ano calendário 2007, entregue em 21/07/2008 e cujo prazo final para entrega ocorreu em 30/05/2008. Alega a recorrente que tendo em vista diversos problemas relativos à migração do SIMPLES FEDERAL para o “SUPER SIMPLES” ou SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), ocorreram diferenças de interpretação e dificuldades técnicas, gerando notícias e informações controvertidas para os contribuintes. Que se houve equívocos por parte dos contribuintes também a Administração Tributária gerou dúvidas e interpretações divergentes quanto à correta satisfação de obrigações acessórias o que não pode redundar em penalidades para as empresas optantes. Cita adicionalmente resposta de consulta efetuada por meio eletrônico relativa à declaração do ano calendário 2009 em que houve problemas de transmissão da DSPJ. Conclui, afirmando que se houve culpa recíproca o lançamento deve ser cancelado. Não assiste razão à interessada. Com efeito, a DSPJ relativa aos fatos geradores do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) – 01 de Janeiro a 30 de junho de 2007, teve a sua entrega disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 775, de 14 de setembro de 2007, que dispôs: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 7º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, RESOLVE: Art. 1º Fica aprovado o programa gerador e as instruções de preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples 2008 (DSPJ Simples 2008), a ser apresentada, obrigatoriamente, pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008. § 1º O programa deve ser utilizado para declarar os fatos geradores ocorridos no período de 1º de janeiro a 30 de junho de 2007, independentemente das pessoas jurídicas referidas no caput terem: Fl. 33DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13873.000833/200817 Acórdão n.º 180300.913 S1TE03 Fl. 28 4 I migrado para o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; ou II efetuado o pedido de opção pelo Simples Nacional. § 2º (...); § 3º (...); § 4º (...). Art. 2º A DSPJ Simples 2008 deverá ser entregue no período de 17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008. Parágrafo único. O serviço de recepção de declarações será encerrado às 20 (vinte) horas (horário de Brasília) do dia 30 de maio de 2008. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Grifo nosso Assim, não há qualquer dúvida de que a DSPJ relativa ao SIMPLES FEDERAL (fatos geradores de Janeiro a Junho/2007), deveria ser entregue no prazo de 17 de setembro de 2007 a 30 de maio de 2008. Tendo mencionada regulamentação permitido um longo prazo para atendimento da obrigação acessória (entrega da DSPJ), revelamse inadequadas e despidas de razoabilidade as alegações da recorrente. Quanto as supostas dificuldades de transmissão e entrega da DSPJ do ano calendário 2009, não tem qualquer relação com os fatos objeto do presente processo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 34DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 10283.006831/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
ISENÇÃO DO IPI. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO PPB
Quando o contribuinte logra êxito em comprovar parcialmente o cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI, há de se manter os créditos tributários lançados de ofício exclusivamente em relação à parcela não validada pela fiscalização.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto à preliminar de decadência. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Valcir e Luiz Augusto que davam provimento total ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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COMPROVAÇÃO PARCIAL DO PPB Quando o contribuinte logra êxito em comprovar parcialmente o cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI, há de se manter os créditos tributários lançados de ofício exclusivamente em relação à parcela não validada pela fiscalização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto à preliminar de decadência. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Valcir e Luiz Augusto que davam provimento total ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 68 31 /2 00 8- 85 Fl. 5159DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 11 2 Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instãncia: "Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A Fiscalização apurou a seguinte infração: a) Descumprimento das condições e requisitos para a fruição da isenção do IPI. 2. Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 18.12.2008 (fl. 04), o contribuinte apresentou impugnação em 19.01.2009 (fls. 399/419) alegando: a) Que teria ocorrido a decadência, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; b) Que a contagem do prazo decadencial deveria ser efetuada de acordo com o art. 150, §4°, do CTN, independentemente da existência de pagamento; c) Que, de modo a atender ao PPB, a montagem e soldagem dos componentes nas placas de circuito impresso eram realizadas por empresas terceirizadas; d) Que os "circuitos impressos sem componentes" e seus respectivos "componentes eletrônicos ativos e passivos", uma vez recebidos e separados em seus estabelecimento, seriam encaminhados em operações de "remessa para industrialização" (sob o CFOP 5.901) para fornecedores terceirizados, que promoveriam a montagem da placa de circuito impresso; e) Que, uma vez concluída a montagem da placa de circuito impresso, o fornecedor promoveria o retorno das mercadorias anteriormente remetidas (sob o CFOP 5.902) e o respectivo faturamento da industrialização efetuada (montagem da placa, sob o CFOP 5.124); f) Que as placas de circuito impresso seriam utilizadas como itens intermediários para a fabricação dos Fornos de Microondas; g) Que a premissa utilizada pela Fiscalização de que para cada forno de microondas é utilizada uma placa de circuito impresso não seria verdadeira, pois cada microondas consumiria duas placas de circuito impresso; h) Que o resultado da conciliação da movimentação de estoques de produtos e insumos teria apontado substanciais divergências entre os números considerados pela Fiscalização e os números que constariam da escrita fiscal e contábil da empresa; i) Que a Fiscalização, a partir de um exercício absolutamente subjetivo, teria concluído pelo descumprimento do PPB; j ) Que, de acordo com os documentos apresentados, não teria havido quebra do PPP; k) Que, ao promover ao lançamento com base em uma análise equivocada de planilhas e demonstrativos, a Fiscalização teria violado os princípios que regem a atividade tributária estatal. Fl. 5161DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 13 4 Por fim, requereu: a) Que o lançamento fosse julgado improcedente; b) Que a intimação fosse dirigida à pessoa de seu representante; c) Que fosse autorizada a apresentação de documentos suplementares durante o curso do processo; d) Que fosse autorizada a realização de sustentação oral. É o relatório." Em sessão do dia 28/4/2009, a DRJ em Belém (PA) julgou a impugnação parcialmente procedente. Os créditos tributários referemse ao ano de 2003 e o contribuinte tomou ciência da autuação em 18/12/2008. A Turma considerou que decaíra o direito da Fazenda Pública de consituir créditos tributários relacionados aos meses em que o imposto foi lançado, isto é, em relação aos períodos de apuração em houve pagamento do IPI. O Acórdão n° 0113.741 foi assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. As regras referentes a intimações no curso do processo administrativo fiscal encontramse previstas expressamente no art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Neste dispositivo normativo não há previsão de intimação pessoal do advogado. PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFESA ORAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para defesa oral na primeira instância administrativa. DOCUMENTOS. JUNTADA ULTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O art. 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72, prevê expressamente que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Somente há lançamento por homologação quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo antes da atuação do Fisco. DECADÊNCIA. Na contagem do prazo decadencial, somente se aplica a regra prevista no art. 150, §4°, do CTN, quando houver pagamento. Caso contrário, aplicase a regra do art. 173,1, do CTN. Lançamento Procedente em Parte" Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 14 5 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repetiu os argumentos aduzidos na impugnação e adicionou o seguinte: Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; e Documentos: declaração da empresa Sanyo, atestando que realizou industrialização por encomenda de pacas de circuito impresso; notas fiscais de remessa e retorno de industrialização por encomenda e de faturamento da industrialização; e "Demonstrativo de Consumo das Placas de Circuito Impresso nos Fornos de MicroOndas." Dada a desoneração parcial, houve recurso de ofício. O processo veio para o CARF. A 2° Turma Ordinária da 3° Câmara da 3° Seção decidiu converter o processo em diligência. Reproduzo o voto condutor: "Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Redator Designado. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Desde o início da controvérsia, o contribuinte procura demonstrar, por meio de provas concretas, que do procedimento adotado não teria ocorrido dano ao erário, uma vez que as mercadorias que efetivamente foram remetidas para industrialização sem a cobertura de adequada documentação fiscal, o foram pois eram uma peça única, que, bipartida no prestador de serviços, retornava adequadamente acobertada pela documentação fiscal pertinente. Diante desse fato, é de argüirse o porque não teria o auditor fiscal feito auditoria de produção naquele contribuinte, para demonstrar efetivamente a ocorrência de prejuízo ao fisco, não necessariamente decorrente apenas daqueles fatos, mas até de outros porventura encobertos sob o manto dessa única e originária controvérsia. Pelo contrário, optou por aterse à incorreção formal do contribuinte, ao invés de buscar a verdade material. Entendo pois que deveria ter sido observada a Lei nº 9.430/96, como o é em inúmeras circunstâncias analisadas por essa Turma. Invoco então julgado da antiga 1ª Câmara do Segundo Conselho, para ilustrar o que poderia ter acontecido, Acórdão 20179.746: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/01/1991, 31/12/1999 Ementa: AUDITORIA DE PRODIS ERRO NA APURAÇÃO PROVOCADO POR ERRO DE INFORMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. REFAZIMENTO DOS CÁLCULOS. CANCELAMENTO DE PARTE DA AUTUAÇÃO. Demonstrado nos autos que parte do crédito tributário apurado decorreu de erro na apuração nas vendas supostamente omitidas que, por sua vez, teve origem em erro em informação prestada pelo contribuinte, cancelase a parcela indevida da autuação. Fl. 5163DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 15 6 Recurso de oficio negado." Na ocasião, o Conselheiro relator considerou como fundamento o Acórdão de primeira instância, e arrematou: “Quanto ao mérito, considerando que a diligência realizada comprovou a tese da impugnante, qual seja, a de que houve realmente a informação incorreta do total de compras de matériaprima nos códigos envolvidos, o que foi acertado nos demonstrativos e planilhas refeitos, o que efetivamente alterou as bases de cálculo do 11'1 e, I também, quanto à falha de transcrição dos dados das relatórios fiscais para o Auto de Infração, resta analisar, principalmente, se procedente alegação de que 'a auditoria de produção não tem como apurar a verdade material na comparação do consumo das matériasprimas usadas na produção contra o consumo de matériasprimas constantes dos respectivos registros contábeis, uma vez que não existe exatidão na relação matériaprima versus produto', e que 'algumas matériasprimas originalmente destinadas à fabricação de um determinado tipo de parafuso, de acordo com o respectivo cadastro, foram utilizadas na fabricação de outro item e também, um produto pode ser fabricado usufruindo uma matériaprima opcional, não registrada no respectivo cadastro, dependendo das circunstâncias do processo produtivo." "Considerando, de fato, que a Fiscalização produziu uma apuração detalhada, em função da diligência, donde concluiu efetivamente ter havido erro na apuração original, decorrente de informação incorreta prestada pela interessada, não restou alternativa ao Acórdão de primeira instância além de cancelar a parcela decorrente de erro.” Assim sendo, entendo que deveria ter sido procedida a auditoria de produção por parte da fiscalização para que pudéssemos ter certeza ou não de dano ao erário, o que não fora feito. Tampouco não necessariamente seria um procedimento obrigatório, mas sem dúvida espancaria qualquer dúvida quanto à adequação dos procedimentos adotados pelo contribuinte, e alcançaria a verdade material. Não tendo isso ocorrido, proponho aos nobres pares a conversão desse recurso em diligência, para que possamos buscar a verdade material no caso concreto, onde não me pareceu ter ocorrido prejuízo ao erário, mas uma inobservância de formalidade fiscal, cuja desconsideração dessa escrita, ai sim, resultou em lançamento de ofício. Para tanto, apresentarei o que entendo serem os motivos para essa diligência, seguidos daquilo que considero que poderia ser demonstrado pelo contribuinte para que esse colegiado possa ao final postarse diante de duas premissas: a uma, a de que houvera ou não prejuízo ao erário. Caso positivo, mais confortável o voto no sentido de negar provimento à pretensão do contribuinte. Ou, a duas, a de que não se estaria na hipótese de prejuízo ao erário, daí sim, esse colegiado poderá optar entre a verdade material versus a verdade formal da escrita do contribuinte. I Da Controvérsia acerca da aprovação do PPB da recorrente X entendimento da RFB sobre o processo produtivo Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 16 7 Um dos aspectos que restou controverso na discussão da lide diz respeito ao processo produtivo básico (PPB) do microondas, que, nos termos da Portaria Interministerial MDIC/MCT nº 68/1994, consiste em 5 etapas, a saber: “I Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; II Montagem do painel de controle; III Estampagem, soldagem e pintura da cavidade do forno; IV Montagem na cavidade do forno dos módulos: conjunto motor/ventilador, conjunto circulador de ar, válvula magnetron, instalação da fiação, painel de controle, capacitor, transformador, porta e sistema de giro do prato; V Ensaios de vedação e funcionamento”; e que a etapa supostamente descumprida restringese à etapa I realizada por terceiro (Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso); Verificamos, ainda que os Laudos de Produção (LP) emitidos pela SUFRAMA e apensos ao processo às fls. 79, 80 e 81 constituemse, nos termos do artigo 23 da Resolução SUFRAMA nº 202/2006, “no documento comprobatório do atendimento das etapas estabelecidas no PPB de cada produto e do cumprimento de outros parâmetros dimensionados no projeto técnico econômico aprovado”; Possível observar que a mesma Resolução SUFRAMA nº. 202/2006, em seu artigo 58, estabelece que “a SUFRAMA enviará comunicado à Secretaria da Receita Federal (SRF) sempre que comprovar que a empresa auferiu indevidamente dos incentivos fiscais administrados pela autarquia, descritos no art. 1º desta Resolução.”; Finalmente, em matéria de cumprimento de PPB, o CARF/CSRF já se manifestou a favor da conversão do julgamento em diligência, notadamente em situações envolvendo aspectos fáticos, conforme acórdãos CSRF/0303.300 (processo nº 10283.007112/9371), CSRF/0305.109 e 30129.220 (CARF); ou seja, no sentido de que o entendimento do CARF/CSRF nas decisões mencionadas acima, segundo o qual não poderá haver divergência sob o ponto de vista fático entre SUFRAMA e Receita Federal; II Do cumprimento dos requisitos do PPB para o Forno Microondas – Modelo 10271DBB106 Quanto à comprovação do cumprimento dos requisitos do PPB para o Forno Microondas – Modelo 10271DBB106 (Código 70289373 – Item Intermediário) Um dos objetos do Auto de Infração foi a não comprovação da origem do consumo do subconjunto, item intermediário, modelo 70289373 suficiente para produzir o forno modelo 10271DBB106, conforme mencionado pela fiscalização à fls. 09, item 12.4 do processo: "(...) Já com relação às 90.587 unidades produzidas de Forno Microondas, modelo 10271DBB106, informadas pela própria empresa (...), não há identificação da origem do consumo das Placas de Circuito Impresso, código 702389373, utilizadas para produção desse modelo.(...)” Assim, verificase, basicamente, a falta de correlação entre as quantidades produzidas do item intermediário 702389373 e a produção dos fornos microondas modelo 10271DBB106 fabricados pela Recorrente. Assim, temos algumas observações. A primeira de que a conclusão do Sr. Auditor Fiscal foi baseada em uma interpretação equivocada da “Relação Insumo Produtos” fornecida pela Recorrente à fiscalização, apensa ao processo às fls. 95 e 96, diante da qual o Sr. Auditor Fiscal considerou que tal relação não representava a Fl. 5165DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 17 8 lista de combinações possíveis de componentes para a produção dos fornos, não se tratando da relação exata de todos os componentes que necessariamente deveriam ser utilizados para produção dos fornos e que os arquivos magnéticos elaborados no layout determinado pela IN n° 86 e apresentados ao Sr. Auditor Fiscal, permitiriam, de acordo com o alegado pelo contribuinte, por meio da relação Consumo X Produção (arquivo magnético 4.5.1 Controle de Estoque), comprovar que o subconjunto modelo 70289373 foi utilizado, no ano de 2003 para produção de dois outros fornos microondas que não o forno modelo 10271DBB106; A segunda que a planilha fornecida pela Recorrente durante os procedimentos de fiscalização, apensa ao processo às fls. 120, a qual demonstra esquematicamente e quantitativamente a inocorrência durante o ano de 2003 da utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno modelo 10271DBB106, mas sim para a produção de outros dois modelos de fornos; Que é possível constatar pela existência de documento fiscal que permitiria comprovar a industrialização (CFOP 1124) do subconjunto modelo 70289373 (ex: fls. 1401 a 1404 do processo) em quantidade suficiente para produzir os outros dois modelos de fornos 10271DBC106 e 10271DBD106, e que esta comprovação pode ser verificada no arquivo magnético da IN n° 86 denominado 4.3.4 Itens de Mercadoria/Serviços (Entradas), devidamente fornecido à fiscalização; III Do cumprimento dos requisitos do PPB para os Fornos Microondas – Modelos 10271DBB206 e 10271DBB106 (Código 64800174 Insumos) e 10321DBB106 e 10321DBB206 (Código 64800175Insumos) Outro ponto objeto de questionamento pela fiscalização, e que fora objeto de controvérsia, referese a remessa dos insumos placas de circuito impresso (PCI) modelos 64800174 e 64800175 para industrialização por terceiros. Alega o Auditor Fiscal (fls. 10) nos itens 12.8 e 12.9 o que segue: “(...) Em relação à não identificação das remessas para industrialização das Placas de Circuito Impresso importadas, descritas na planilha (...), sobre as quais intimou o contribuinte a manifestar, não houve qualquer menção a elas na resposta às fls. (...). Sendo assim, no que diz respeito às placas de Circuito Impresso, tanto em relação aos códigos 64800174, 64800175, itens importados, (....), cujos empregos se verificam nos modelos 10271DBB106, 10271DBB206, 10321DBB106 e 10321DBB206 (...) o contribuinte não logrou êxito em demonstrar ou provar que houve a terceirização para o cumprimento do artigo 1º, inciso I da Portaria Interministerial 68/94”. (grifos não destacados do original) Do retrotranscrito, poderseia concluir que o descumprimento do PPB para tais produtos estaria restrito à ausência de comprovação documental da remessa à industrialização para terceiros dos insumos “placas de circuito impresso” (PCI) modelos 64800174 e 64800175”. A fiscalização fundamentase no fato de que os insumos PCIs modelos 64800174 e 64800175 não constaram nas notas fiscais de remessa (CFOP 5901) para a SANYO, empresa terceirizada que assumia o papel de industrializar os Fl. 5166DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 18 9 subconjuntos (produto intermediário) por meio da montagem dos insumos (placas e componentes) enviados pela Recorrente; Afirma ainda a fiscalização que a empresa terceirizada firmou declaração no sentido de fora esta a responsável pela montagem dos subconjuntos no anocalendário de 2003 (fls. 1215), bem como que efetuara a industrialização de todos os insumos adquiridos pela Recorrente; Nesse sentido, entendo que devemos considerar, para prosseguirmos na busca pela verdade material, que mais importante seria analisarse o cumprimento do PPB como um todo para a produção anual dos produtos elencados e não apenas analisarmos estritamente o cumprimento de uma obrigação formal – qual seja – o preenchimento da Nota Fiscal, na medida em que a recorrente afirma que a etapa do PPB de remessa dos insumos PCIs para industrialização foi rigorosamente obedecida. Ainda, não vejo na legislação que rege o PPB a exigência formal expressa que nos leve ao entendimento de que o cumprimento do PPB deve ser avaliado isoladamente pela ótica formal da escrita fiscal. Verifico que a fiscalização efetivamente focou em questão estritamente formal – i.e., ausência da identificação da placa menor (174/175) na nota fiscal de remessa à industrialização, enquanto deixou à margem do procedimento fiscalizatório todas as outras etapas e formalidades eventualmente cumpridas em relação ao PPB, e que poderiam ter sido averiguadas em uma auditoria de produção. Mais, considero que o princípio da verdade material requer que evitese o excesso de formalismo (Acórdãos 30330.157 e 20401.782), e que se permita a apresentação de outros meios hábeis e idôneos de prova. IV Do processo de Importação dos Insumos “PCIs” Possível depreender dos autos que, por particularidades do processo produtivo, as placas utilizadas eram produzidas em um só corpo, unidas apenas por um “serrilhado”, e que por isso, afirma a recorrente que considerava que a placa importada era responsável pelo controle do forno de microondas (placa maior), de tal modo que, mesmo sabendo que à referida placa teria em si acoplada uma outra placa responsável pela alimentação da energia (placa menor), estruturalmente, não havia sentido implementar controles contábeis para duas placas, como se fisicamente estivessem separadas; Prossegue ainda alegando a recorrente que o insumo PCI modelo 64800174, placa menor, era importado em conjunto, formando fisicamente uma única peça com o insumo PCI modelo 64800054, placa maior (par 1), da mesma forma que o insumo PCI 64800175, placa menor, era importado em conjunto com a PCI modelo 64800069, placa maior (par 2), e, sendo portanto, “uma única placa”, e que, em decorrência de suas especificações técnicas, não haveria a necessidade de escriturar notas fiscais distintas para a remessa das duas placas em separado; Finalmente, afirma que as Declarações de Importação estão relacionadas nos autos do processo às fls. 264 a 394 e que na sua descrição detalhada consta que os insumos PCIs são identificados com a expressão “sem componente eletrônico” e, portanto, são considerados insumos; que por isso cada par de placa era sempre importado fisicamente acoplado, mesmo que para algumas Declarações de Importação fossem informados apenas o código de uma das placas do par, e que, portanto, existiam duas formas de declarar a importação dos insumos PCIs na DI, Fl. 5167DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 19 10 sendo uma delas com a inserção de apenas um código (ex: 64800054) e a outra com a inserção dos dois códigos (ex: 64800054 e 64800174); Finalmente, verificase que mesmo nas DIs nas quais houve segregação meramente descritiva (informação dos dois códigos de insumos), o denominado “part number” (código da placa perante o fornecedor no exterior) era o mesmo para os dois códigos de placas; que ii) a declaração dos dois códigos de placas não se desdobravam em duas adições na DI (mesma NCM 8534.00.00); e que iii) a soma do valor unitário, em dólar, dos dois códigos de placas (DIs com dois códigos de placas) era igual ao valor unitário declarado nas DIs que apresentaram apenas um código de placa; Isso posto, quanto aos itens I a IV, voto no sentido de converter o presente recurso em diligência para: Que intimese o contribuinte a demonstrar que (i) Em relação aos aspectos fáticos, especificamente à etapa I da Portaria Interministerial nº 68/1994, objeto de questionamento por parte da fiscalização, que houve aprovação do cumprimento da referida etapa por parte da SUFRAMA, o que não fora considerado subsistente pela RFB. (ii) Que demonstre que a partir da análise dos arquivos da IN/86 (especificamente o arquivo 4.5.1), restaria comprovada a não utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106 e, portanto, a realidade fática alegada pela Recorrente. (iii) Em caso positivo, ou seja, caso tenha havido a utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106, intimese a demonstrar se seria possível aferir em quais modelos de fornos de microondas este subconjunto modelo 70289373 fora utilizado. (iv) Que demonstre com base na documentação fiscal disponível, que os insumos objeto da contenda seriam em sua totalidade importados. (v) Caso positivo o item (iv) que demonstre que os itens importados eram desprovidos de quaisquer componentes. (vi) Que demonstre, a partir dos valores eventualmente demonstrados no item (v) que, quando constou das respectivas DI’s apenas um código (ex: 64800054), que o valor por unidade fora de US$ 0,40 (quarenta centavos de dólar) e quando constoulhes dois códigos (ex: 64800054 e 64800174) o valor total correspondeu a US$ 0,40 (quarenta centavos de dólar) por cada par de itens. (vii) Que demonstre por outros meios de prova e por informações das DIs, (p.e. o valor ou os “part numbers”), relacionados às fls. 294 a 364, a afirmação de que as “placas pares” sempre foram importadas fisicamente acopladas. (viii) Que demonstre, a partir da análise das DIs, que não houve casos em que foram importados separadamente as placas 64800174 e a placa 64800175, (ix) Caso negativa a resposta ao item (viii), ou seja, que não houve os casos em questão, que demonstre que as respectivas importações estavam sempre indiretamente associadas às placas de número 64800054 e 64800069. V Da controvérsia quanto à Industrialização (insumos PCIs) e Retorno dos Subconjuntos (Produtos Intermediários) Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 20 11 Possível verificar ainda da análise dos autos que as placas acopladas (maior e menor), em conjunto com os demais componentes (resistores, diodos, dentre outros), eram remetidos à empresa Sanyo para que esta executasse a montagem dos referidos componentes nas mencionadas placas, cujos pares (placa maior e menor), após a citada montagem, eram então desacoplados/separados e em seguida remetidos (placas montadas com componentes) à contribuinte; Alega a recorrente que os componentes (tais como resistores, diodos, etc) necessários para a montagem de cada um dos itens intermediários produzidos por meio dos insumos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, teriam sido remetidos à industrialização em quantidade suficiente para a montagem de cada par de placas; Alega ainda que, com base no arquivo magnético 4.5.1 Controle de Estoque, elaborado no layout determinado pela IN n° 86, que o par de placas insumos modelos 64800054/64800174 fora utilizado na montagem dos subconjuntos industrializados (produtos intermediários) modelos 70289179 e 70289180 e o par de placas insumos 64800069/64800175 fora utilizado na montagem do subconjunto industrializado (produto intermediário) modelo 70288547; Verificamos, paralelamente, que foi apensa ao processo (fls. 99) planilha que demonstra em termos quantitativos o retorno de subconjuntos industrializados modelos 70289179, 70289180 e 70288547, aparentemente em número suficiente para produzir os fornos microondas objeto de questionamento, e que a recorrente anexou as notas fiscais que comprovariam o retorno da industrialização dos insumos questionados pela fiscalização, utilizandose do CFOP 1124 (ex: NF fls. 511, 512 e 582); Para essa controvérsia, entendo deve a fiscalização intimar o contribuinte para: (i) comprovar a remessa para industrialização na SANYO dos demais itens componentes dos subconjuntos (resistores, diodos, etc.), em número necessário para a composição do produto final; (ii) em caso de ser positiva a prova, pelas quantidades dos componentes encaminhados, comprovar que tais componentes correspondem à quantidade necessária para a industrialização dos insumos PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175; (iii) finalmente, a comprovar e correlacionar dos documentos acostados aos autos que houvera o retorno dos itens intermediários produzidos com a aplicação das PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, quais sejam, 70289179 e 70289180 (para o insumo 64800054/64800174) e 70288547 (para o insumo 64800069/64800175). VI Da controvérsia de ordem contábil. Finalmente, assumindo a premissa de restar comprovado técnica e faticamente que os insumos PCIs modelos 64800054/64800174 tratavamse de uma única peça e que os insumos PCIs modelos 64800069/64800175 também tratavamse de uma única peça e que: i) cada par de insumo PCI fora importado sempre em conjunto; que ii) foram remetidos à industrialização também sempre em conjunto; e que iii) retornaram para o estabelecimento da recorrente na forma dos subconjuntos (produtos intermediários), cujos modelos já foram mencionados nos itens anteriores, e assumindo que os arquivos magnéticos foram elaborados no layout determinado Fl. 5169DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 21 12 pela IN n° 86 e apresentados à fiscalização, a partir dos quais é possível obter as informações referentes aos estoques, entradas e saídas de insumos, produtos intermediários e produtos acabados, constando ainda nos referidos documentos i) relação de remessa retorno terceirização 2003, fls. 100; a ii) relação de consumo de placas terceirizadas 2003, fls. 99; e a iii) relação produção forno 2003, fls. 101, intimese o contribuinte a demonstrar que: (i) Em termos quantitativos, foram importados insumos PCIs (modelos 64800054 e 64800069) suficientes para compor os subconjuntos produtos intermediários (70289179, 70289180 e 70288547), que foram remetidos à industrialização insumos PCIs (64800054 e 64800069) suficientes para produzir tais subconjuntos, e que houve retorno de subconjuntos para o estabelecimento da Recorrente em quantidade suficiente para produzir os fornos microondas no anocalendário de 2003. (ii) Finalmente, que as quantidades de fornos de microondas produzidos pela recorrente foram compatíveis com as quantidades de insumos importados e subconjuntos industrializados, o que daria ensejo à comprovação de cumprimento do PPB e espancaria dúvidas quanto à regularidade da produção da recorrente, o que de resto poderia ter sido o resultado alcançado com a auditoria de produção. Por fim, que iii) a fiscalização elabore relatório conclusivo no sentido de atestar a adequação da correlação entre insumos e produtos apresentados pelo contribuinte durante a fase de diligência, para que a Turma possa formar sua convicção. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Gileno Gurjão Barreto" É o relatório. Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 22 13 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Voto Os recurso voluntário e de ofício preenchem os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. A contenda foi detalhadamente descrita no relatório, onde também consta o inteiro teor do voto condutor da proposta para realização de diligência. Em síntese, tratase de auto de infração para cobrança de IPI, multa de ofício de 75% e juros Selic, em razão de descumprimento de requisitos legais para fruição de isenção do IPI. O contribuinte obteve aprovação de seu projeto industrial, por meio do Parecer Técnico de Projeto n° 114/2000, o que o habilitou `a isenção do II e do IPI previstas nos artigos 7° e 9° do Decretolei n° 288/1967. Para tanto, dentre outros requisitos, teria de realizar processo de industrialização local compatível com Processo Produtivo Básico (PPB), previsto na Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT n° 64/1994. A fiscalização concluiu que não foi cumprido o PPB e lavrou o auto de infração. Em síntese, houve duas acusações: a) O forno de microondas modelo 10271DBB106 era composto, entre outros itens, pelo subconjunto Placa Controle modelo 70289373. O contribuinte não comprovou a "origem" dos subconjuntos aplicados na fabricação dos citados fornos, isto é, mão correlacionou as quantidades produzidas dos citados tipos de subconjunto e de forno. b) O contribuinte também não teria comprovado a remessa para industrialização por terceiros dos insumos 64800054/64800174 e 64800069/64800175 e o retorno dos subconjuntos 70289179, 70289180 e 70288547, utilizados para fabricação dos fornos microondas modelos 10271DBB106, 10271DBB 206, 10321DBB106 e 10321DBB206. O contribuinte impugnou o auto de infração. A DRJ deu provimento parcial, declarando ter decaído o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo sobre os períodos de apuração de 2003 em que houvera pagamentos. Todavia, no mérito, julgou os argumentos improcedentes. O processo veio para este colegiado. O Conselheiro Relator Gileno Gurjão Barreto entendeu que o a fiscalização deveria, porém não realizou uma auditoria de produção, para fundamentar suas conclusões. Privilegiou aspectos formais em detrimento dos fatos. Fl. 5171DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 23 14 E que o contribuinte, por sua vez, teria apresentado provas concretas de que não descumpriu o PPB e, por conseguinte, não teria causado dano ao erário. Diante disto, propôs à turma que o processo fosse convertido em diligência, para que fosse encontrada a realidade dos fatos, cerne do Princípio da Verdade Material. A proposta foi aceita, por maioria de votos. Os motivos pelos quais o relator propôs a diligência já foram apresentados no relatório, pelo que, adiante, após a análise do recurso de ofício e das preliminares do recurso voluntário, adentraremos de pronto no resultado da diligência, contido na "Informação Fiscal EQFIA/ALF/MNS n° 007/2015" (fls. 4.699 a 4.729). RECURSO DE OFÍCIO O Fisco cobra IPI relativo aos PAs 20/01/2003 a 31/12/2003. O contribuinte tomou ciência do auto de infração em 18/12/2008 (fl. 16). Com fundamento no § 4° do art. 150 do CTN, a DRJ considerou que decaíra o direito de o Fisco lançar o IPI correspondente aos seguintes períodos de apuração (PA), em relação aos quais identificou pagamentos (fls. 1.160 a 1.166): Não merece reparos a decisão da DRJ, pelo que nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO I) PRELIMINARES I 1) "Da necessidade de intimação pessoal do representante legal" I 2) "Da sustentação oral em sede de decisão administrativa de primeira instância" Fl. 5172DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 24 15 I 3) "Da juntada de documentos no curso do processo e do Princípio da Verdade Material" Os dois primeiros pleitos foram muito bem enfrentados pelos julgadores de primeira instância, pelo que reproduzo trecho do respectivo acórdão e dele faço minha razão de decidir: No tocante ao item "I3", em homenagem ao Princípio da Verdade Material, voto por admitir os documentos juntados no recurso voluntário (fl. 1.192 declaração da empresa Sanyo que realizou industrialização por encomenda, notas fiscais de remessa e retorno de industrialização e planilha com consumo de placas de circuito impresso em fornos de micro ondas), posto que simplesmente complementam o que foi apresentado no curso da fiscalização e na impugnação, sem constituir argumento novo, ausente na impugnação, onde se delimita o escopo da lide (artigos 14 e 17 do Decreto n° 70.235/1972). Isto posto, dou provimento parcial às preliminares em epígrafe. I 4) "Da decadência do direito do Fisco de constituir parte do créditos tributários" A Recorrente alega que os créditos tributários mantidos pela DRJ, em razão de não ter havido pagamento e, por conseguinte, aplicado o inciso I do art. 173 e não o o § 4° do 150 do CTN, também deveriam ser exonerados, pois também em relação a eles decaíra o direito de a Fazenda Pública lançálos: a) A despeito de ter havido ou não pagamentos, há que se aplicar o art. 150 do CTN para tributos lançados por homologação. b) Nos períodos para os quais a DRJ não identificou pagamento, a totalidade das saídas estavam isentas. Assim, por este motivo, também não se pode afastar a aplicação do § 4° do art. 150 do CTN contagem do prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato gerador. c) Por fim, mesmo se aplicado o inciso I do art. 173 do CTN, haveria que se cancelar os créditos tributários relativos aos PAs 20/01/2003 a 11/12/2003. Quando o dispositivo legal dispõe que contase o prazo a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" quer dizer, na prática, a partir do período de apuração seguinte. Já me manifestei no sentido de que, no caso do IPI, entendo que o lançamento se dá pelo pagamento ou liquidação por compensação com créditos (art. 124 do Decreto n° 4.544/2002 RIPI/2002). Assim, afasto a alegação da letra "a". Fl. 5173DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 25 16 Não ingressarei na discussão do tema disposto na letra "b", pois não há nos autos cópias do Livro de Apuração do IPI, para que pudéssemos ter certeza de que não houve pagamentos, porque todas as saídas estavam isentas do IPI. Por fim, no tocante à letra "c", filiome à corrente que entende que o inc. I do art. 173 do CTN referese ao ano seguinte "àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Assim, relativamente a 2003, contarseia a partir de janeiro de 2004 e até dezembro de 2008. Como a ciência deuse em 18/12/2008, não havia decaído o direito de o Fisco lançar o IPI relativo aos PA em que não houve pagamento de IPI. Assim sendo, nego provimento à preliminar de decadência. II) MÉRITO Conforme mencionei anteriormente, dada a completude do relatório, adentro diretamente no relatório da diligência (fls. 4.699 a 4.729). Quesitos relacionados aos tópicos I ao IV da Resolução CARF n° 3302 00.217: o objetivo central destess quesitos foi de validar a primeira acusação fiscal, qual seja, a de que a Recorrente não logrou êxito em comprovar que importou Conjuntos Placas de Circuito Impresso (PCI), Conjuntos Filtros de Linha e componentes eletrônicos, enviouos para industrialização por terceiros (produção do subconjunto Placa Controle modelo 70289373) e, em seu retorno, aplicouos na produção dos fornos microondas modelo 10271DBB106. A Recorrente sustenta que não haveria como fazer tal prova, pelo simples fato de que o subconjunto Placa Controle modelo 70289373 não foi utilizado para a elaboração do forno microondas modelo 10271DBB106. "(i) Em relação aos aspectos fáticos, especificamente à etapa I da Portaria Interministerial nº 68/1994, objeto de questionamento por parte da fiscalização, que houve aprovação do cumprimento da referida etapa por parte da SUFRAMA, o que não fora considerado subsistente pela RFB." O agente responde que a SUFRAMA atesta que o contribuinte apresenta as instalações e maquinários necessários ao cumprimento do PPB. E, à RFB, fiscalizar o cumprimento do PPB e regular apuração dos tributos. A Recorrente, por sua vez, entende que a verificação do cumprimento do PPB é atribuição da SUFRAMA. Entendo que a verificação do cumprimento dos aspectos técnicos cabe à SUFRAMA. Contudo, é pertinente o trabalho realizado pela fiscalização e que culminou na lavratura do auto de infração em questão. Foi resultado da inspeção de controles e livros contábeis e fiscais, com o objetivo de atestar que espelhavam o fiel cumprimento do PPB. Em momento algum, a fiscalização questionou aspectos técnicos do processo produtivo. Fl. 5174DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 26 17 "(ii) Que demonstre que, a partir da análise dos arquivos da IN/86 (especificamente o arquivo 4.5.1), restaria comprovada a não utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106 e, portanto, a realidade fática alegada pela Recorrente." Reproduzo trechos do relatório da diligência: "Posição da empresa: Alega que não houve utilização do subconjunto modelo 70289373 na produção do forno microondas 10271DBB106. Entendimento desta fiscalização: Após a análise dos arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, verificase que a princípio não houve utilização do subconjunto modelo 70289373 na produção do forno micro ondas se 10271DBB106, conforme demonstrado nas planilhas nº 36, 41, 42, 43 e 49 anexas. (. . .) Ressaltese, no entanto, o fato de a empresa ter realizado escrituração contábil, que impossibilita a afirmação de que a realidade fática foi a não utilização do subconjunto modelo 70289373 na produção do forno microondas 10271DBB106. Isso porque, conforme demonstrado nas planilhas n° 53, 54, 55, 56, 57, 58 e 59 anexas, houve diversas situações em que foi informada a entrada de um determinado insumo no ciclo de produção do forno modelo 10271DBB106 e após a conclusão do ciclo, a princípio, no fechamento do mês, houve uma alteração do insumo utilizado no ciclo já concluído. (. . .) Não há como se afirmar que o controle apresentado pela empresa retrate a realidade fática, pois observase que a contabilidade realizada pela empresa deixa brechas a possíveis malabarismos contábeis de ajustes posteriores de acordo com a necessidade, conforme demonstrado abaixo: (. . .) Desse modo, com base nos arquivos apresentados e nas constatações acima, podese afirmar que houve a utilização do subconjunto modelo 70289373 para a produção do forno micro ondas 10271DBB106. No entanto, posteriormente, houve um ajuste contábil do subconjunto na produção do forno modelo 10271DBB106, quando se faz uma análise estática (entradas e saídas), e sem adentrar na ordem cronológica das entradas e saídas dos ciclos produtivos, como fora realizado por esta fiscalização." Com base nos registros contábeis da Recorrente, o agente fiscal constatou que o subconjunto 70289373 não foi utilizado na produção do forno microondas 10271DBB106, tal qual alegou a Recorrente. Contudo, conclui de forma frontalmente inversa, Fl. 5175DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 27 18 pois considerou como não confiável a escrita do contribuinte, por apresentar diversos lançamentos de estorno. Em sua manifestação sobre o relatório da diligência, a Recorrente assim justifica a ocorrência dos estornos: Peço vênia para discordar da conclusão do agente fiscal. Revisou a escrita do contribuinte e comprovou que, nos registros finais da produção do forno microondas 10271DBB106, não constava aplicação do subconjunto 70289373. Contudo, consignou conclusão em sentido contrário, devido a falhas nos registros contábeis. Todavia, não carreou aos autos qualquer evidência que comprovasse a imprestabilidade dos livros revisados. É cediço que a escrituração contábil tem força probante e goza de presunção de validade, senão vejamos (art. 1.190 da Lei n° 10.406/2002 Código Civil): "Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei." Sobre a retificação de erros cometidos na escrita contábil, por meio de lançamento de estorno, reproduzo os itens 31 e 33 da Resolução CFC n° 1.311/2011 e o § 2° do art. 269 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Resolução CFC n° 1.311/2011 Retificação de lançamento contábil 31. Retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro realizado com erro na escrituração contábil da entidade e pode ser feito por meio de: a) estorno; b) transferência; e c) complementação. Fl. 5176DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 28 19 (. . .) 33. O estorno consiste em lançamento inverso àquele feito erroneamente, anulandoo totalmente." (g.n.) Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) Princípios, Métodos e Critérios Art.269. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens: (. . .) § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação." (g.n.) Portanto, a escrituração contábil é instrumento legítimo de prova da realização de transações. E os lançamentos de estorno constituem a forma de corrigir erros prevista em lei tributária e nas normas que regulam a atividade contábil. Para que o agente fiscal pudesse concluir que são inverídicos os lançamentos de estorno, teria de ter reunidos provas documentais, o que não se encontra nos autos. O simples fato de ter identificado lançamentos de estorno em todos os testes que efetuou, por si só, não o autoriza a concluir que o contribuinte manipulou sua escrita, ou melhor, sem eufemismos, fraudou seus livros contábeis, para fazer a autoridade fiscal crer que tinha cumprido fielmente o PPB, quando, na verdade, não o tinha. Portanto, entendo que restou comprovada a alegação da Recorrente, no sentido de que não utilizou o subconjunto 70289373 para a produção do forno microondas 10271DBB106. "(iii) Em caso positivo, ou seja, caso tenha havido a utilização do subconjunto modelo 70289373 para a produção do forno microondas 10271DBB106, intimese a demonstrar se seria possível aferir em quais modelos de fornos de microondas este subconjunto modelo 70289373 fora utilizado." Neste quesito, a fiscalização acaba por robustecer minha conclusão acima, pois consignou que o subconjunto 70289373 foi utilizado na fabricação de outros tipos de fornos (modelos 10271DBC106 e 10271DBD106). Porém, em linha com o que respondeu no quesito anterior, conclui, novamente, em sentido inverso, afirmando que o subconjunto 70289373 foi aplicado na produção do forno microondas 10271DBB106, com base na presunção de que a escrita contábil do contribuinte não é confiável. Fl. 5177DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 29 20 "(iv) Que demonstre com base na documentação disponível, que os insumos objeto da contenda seriam em sua totalidade importados." O agente aplicou testes e concluiu que os insumos (PCIs) eram realmente importados. "(v) Caso positivo o item (iv), que demonstre que os itens importados eram desprovidos de quaisquer componentes." O agente aplicou testes e concluiu que os PCIs (placas de circuito impresso) importados não continham componentes. As afirmativas contidas neste e no quesito anterior são importantes para a sustentação da alegação do contribuinte de que os PCIs foram enviados para terceiros, para sofrerem processo de industrialização, consistente na montagem de placas, com adição de componentes. Com efeito, em itens seguintes, a comprovação da realização desta industrialização será necessária para confirmar que foi efetivamente realizada a Etapa I do PPB, nos moldes do art. 1° da Portaria Interministerial n° 68/1994 ("I Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso"). "(vi) Que demonstre, a partir dos valores eventualmente demonstrados no item (v) que, quando, constou das DIs apenas um código (ex: 64800054), que o valor por unidade fora de US$ 0.40 (quarenta centavos de dólar), e quando constoulhes dois códigos (ex: 64800054 e 64800174), o valor total compreendeu a US$ 0,40 (quarenta centavos de dólar) por cada par de itens." O objetivo deste quesito é o de verificar se as PCIs modelos 64800054 e 64800174, utilizadas para fabricação do subconjunto 70289373, eram ou importadas em conjunto ou individualmente. Dado que restou provado que o subconjunto 70289373 não compunha o forno microondas 10271DBB106, esta resposta prestase à comprovação de que tais placas, na verdade, formavam um só conjunto (acopladas uma na outra) e, desta forma, eram enviadas para industrialização por terceiros. Os testes confirmaram as alegações da Recorrente, exceto quanto a uma DI, em que figura apenas o modelo 6480054 e o valor é de US$ 0,30 e não US$ 0,40, como alega a Recorrente. Notase, contudo, que o agente informa que, nesta mesma DI, havia uma outra PCI, cujo código era 648000147 e que valor unitário é de US$ 0,10. A princípio, tal fato poderia ser utilizado para contrariar a tese da defesa. Sobre a resposta ao quesito, manifestouse a Recorrente: Fl. 5178DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 30 21 Da inspeção da citada DI, verificase que a alegação da Recorrente corresponde é verídica. (vii) Que demonstre por outros meios de prova e por informações das DIs, (p.e. o valor ou os “part numbers”), relacionados às fls. 294 a 364, a afirmação de que as “placas pares” sempre foram importadas fisicamente acopladas. Reproduzo a resposta ao quesito: Fl. 5179DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 31 22 O agente fiscal tenta desconstruir um dos argumentos de defesa da Recorrente, dispondo, em síntese, que as PCIs, quando figuram distintamente nas DIs, não estavam sob o mesmo "Part Number" (código dado pelo fabricante, para identificação das peças que fabrica). A Recorrente, por sua vez, contesta a conclusão consignada no relatório da diligência, como segue: Fl. 5180DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 32 23 Da leitura, das planilhas preparadas pelo agente fiscal, é nítido que assiste razão à Recorrente, quando alega que o quesito não foi adequadamente respondido. O agente fiscal fundou sua conclusão em DIs, nas quais figuravam exclusivamente PCIs modelo 68400054 e não quando importada em par, em conjunto com a PCI modelo 68400174. Na amostra selecionada (fls. 4.806 a 4.813), verificase que, sempre que importada pelo valor de US$ 0,30 indicativo de que, na mesma DI, provavelmente, havia outra PCI, de US$ 0,10, modelo 68400174 o "Part Number" era o indicado pela Recorrente, qual seja: DE4110465. Como as DIs inspecionadas não se encontram no arquivo utilizado pelo agente fiscal ("Planilha 9"), fui aos autos do processo, em busca de outras DIs que tivessem acobertado importações em pares. Em todos os casos que encontrei, para ambas as PCIs, figura o código "Part Number" DE4110465: fls. 3.543 (DI 02/11135547), 3.546 (DI 02/11378962), 3.549 (DI 02/11382714) e 3.552 (DI 02/11391969). Naturalmente que não conduzi uma investigação exaustiva e tampouco seleção provida de rigor estatístico. Porém, é inegável que constitui, no mínimo, evidência que, juntamente com outras que serão apresentadas nos itens seguintes, pode contribuir para formar um conjunto probatório das alegações da Recorrente. Fl. 5181DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 33 24 "(viii) Que demonstre, a partir da análise das DIs, que não houve casos em que foram importados separadamente as placas 64800174 e a placa 64800175," Reproduzo a conclusão do agente fiscal, que dispensa comentários adicionais: "(ix) Caso negativa a resposta ao item (viii), ou seja, que não houve os casos em questão, que demonstre que as respectivas importações estavam sempre indiretamente associadas às placas de número 64800054 e 64800069." O agente fiscal ratifica a resposta ao quesito anterior, destacando, apenas, que houve importações em cujas DIs figurava apenas o código 64800054. Este fato já foi esclarecido anteriormente: em algumas importações, em pares, isto é, contendo os modelos 64800054 e 64800174, na DI, constou apenas o modelo 64800054. Sabese que era "em pares", pois o preço era de US$ 0,40, enquanto que, quando eram declaradas separadamente, uma custava US$ 0,30 e a outra US$ 0,10, totalizando os mesmos US$ 0,40. Conclusão acerca dos quesitos relacionados aos tópicos I ao IV da Resolução CARF n° 330200.217 A primeira acusação fiscal foi assim resumida pela decisão recorrida: "Forno de Microondas Código 10271DBB106 a) A placa de circuito impresso (código 70289373) é utilizada em três fornos de microondas (códigos 10271DBC106, 10271DBD106, 10271DBB106)fls. 95; b) O total das placas de circuito impresso (código 70289373) na planilha de fl. 120 somente considera sua aplicação em dois fornos de microondas (códigos 10271DBC106, 10271DBD106); c) Portanto, em relação às 90.587 unidades de forno microondas código 10271DBB106, não há identificação da origem do consumo da placas de circuito impresso (código 70289373)." De fato, a PCI modelo 70289373 pode ser utilizada para a fabricação do forno microondas modelo 10271DBB106. Contudo, no curso da diligência, a Recorrente conseguiu comprovar que não foram utilizados para este fim, no ano de 2003. Por isto, desde já, refuto a acusação fiscal de que a Recorrente não teria comprovado "a origem do consumo" da PCI 70289373 na produção do forno microondas modelo 10271DBB106, o que configuraria descumprimento da etapa I do PPB, prevista no art. 1° da Portaria Interministerial n° 68/1994 ( "I Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso"). Quesitos relacionados ao tópico V da Resolução CARF n° 330200.217: os objetivos dos quesitos seguintes são os de comprovar que: Fl. 5182DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 34 25 os componentes (tais como resistores, diodos, etc) necessários para a montagem de cada um dos itens intermediários produzidos por meio dos insumos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, teriam sido remetidos à industrialização em quantidade suficiente para a montagem de cada par de placas; o par de placas insumos modelos 64800054/64800174 fora utilizado na montagem dos subconjuntos industrializados (produtos intermediários) modelos 70289179 e 70289180 e o par de placas insumos 64800069/64800175 fora utilizado na montagem do subconjunto industrializado (produto intermediário) modelo 70288547; e por fim, que, em termos quantitativos, retornou do processo industrial operado por terceiro o número de subconjuntos suficiente para a produção dos fornos de micro ondas objetos de questionamento. "(i) comprovar a remessa para industrialização na SANYO dos demais itens componentes dos subconjuntos (resistores, diodos, etc.), em número necessário para a composição do produto final;" "(ii) em caso de ser positiva a prova, pelas quantidades dos componentes encaminhados, comprovar que tais componentes correspondem à quantidade necessária para a industrialização dos insumos PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175;" O agente fiscal inspecionou os arquivos contábeis eletrônicos preparados pela Recorrente, nos moldes da IN SRF n° 86/2001 e ADE COFIS n° 25/2010. Detectou erros em sua apresentação e a não escrituração da relação insumo/produto, o que o levou à conclusão preliminar de que a Recorrente não comprovara a remessa de componentes para industrialização por terceiros. Não obstante, em razão de a Recorrente ter carreado aos autos Parecer Técnico, que apresentou exemplos, estabelecendo relação entre componentes enviados e subconjuntos retornados, o agente fiscal decidiu aplicar testes, com base nos elementos mencionados naquele documento. Em relação aos três componentes selecionados para exame (fls. 4.711 a 4.713) encontrou substanciais diferenças, ratificando sua conclusão preliminar de que a Recorrente não tinha meios de estabelecer a relação entre os componentes enviados para industrialização e os subconjuntos retornados. Em sua manifestação, a Recorrente reafirma que cumpriu o PPB, porém, implicitamente, reconhece que seus controles contábeis não demonstram aquilo que afirma. Tal fato, isoladamente, não ratifica a conclusão do auto de infração acerca do não cumprimento do PPB, como um todo, e, por conseguinte, a perda do direito à fruição da isenção do IPI. Infiro que houve falhas nos controles contábeis, que poderiam indicar, quando muito, inadimplemento parcial. Digo parcial, porque o próprio agente fiscal atestou que Fl. 5183DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 35 26 houve envio e retorno do processo industrial, fatos necessários à comprovação do cumprimento da etapa I do PPB. "(iii) finalmente, a comprovar e correlacionar dos documentos acostados aos autos que houvera o retorno dos itens intermediários produzidos com a aplicação das PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, quais sejam, 70289179 e 70289180 (para o insumo 64800054/64800174) e 70288547 (para o insumo 64800069/64800175)." Fazse necessária a reprodução dos testes aplicados e da conclusão do agente fiscal: O agente fiscal reconheceu que houve a entrada de subconjuntos, retornados de processo industrial. Em diversas passagens, não obstante as falhas detectadas nos controles contábeis, consigna que houve envio de componentes e PCIs e retorno de subconjuntos. Portanto, a despeito do fato de a Recorrente não ter conseguido demonstrar por meio dos seus registros contábeis a exata correlação entre PCIs e componentes enviados e os subconjuntos retornados, mais uma vez restou que havia evidências documentais que comprovavam que a Recorrente havia enviado insumos para industrialização e, no retorno, dado entrada de produto industrializados. Quesitos relacionados ao tópico VI da Resolução CARF n° 330200.217: em relação a este último grupo de quesitos, vale transcrever o enunciado contido na citada Resolução: Fl. 5184DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 36 27 "Finalmente, assumindo a premissa de restar comprovado técnica e faticamente que os insumos PCIs modelos 64800054/64800174 tratavamse de uma única peça e que os insumos PCIs modelos 64800069/64800175 também tratavam se de uma única peça e que: i) cada par de insumo PCI fora importado sempre em conjunto; que ii) foram remetidos à industrialização também sempre em conjunto; e que iii) retornaram para o estabelecimento da recorrente na forma dos subconjuntos (produtos intermediários), cujos modelos já foram mencionados nos itens anteriores, e assumindo que os arquivos magnéticos foram elaborados no layout determinado pela IN n° 86 e apresentados à fiscalização, a partir dos quais é possível obter as informações referentes aos estoques, entradas e saídas de insumos, produtos intermediários e produtos acabados, constando ainda nos referidos documentos i) relação de remessa retorno terceirização 2003, fls. 100; a ii) relação de consumo de placas terceirizadas2003, fls. 99; e a iii) relação produção forno 2003, fls. 101, intimese o contribuinte a demonstrar que: (i) Em termos quantitativos, foram importados insumos PCIs (modelos 64800054 e 64800069) suficientes para compor os subconjuntos produtos intermediários (70289179, 70289180 e 70288547), que foram remetidos à industrialização dos insumos PCIs (64800054 e 64800069) suficientes para produzir tais subconjuntos, e que houve retorno de subconjuntos para o estabelecimento da Recorrente em quantidade suficiente para produzir os fornos microondas no anocalendário de 2003. (ii) Finalmente, que as quantidades de fornos de microondas produzidos pela recorrente foram compatíveis com as quantidades de insumos importados e subconjuntos industrializados, o que daria ensejo à comprovação de cumprimento do PPB e espancaria dúvidas quanto à regularidade da produção da recorrente, o que de resto, poderia ter sido o resultado alcançado com a auditoria de produção." Nas fls. 4.713 a 4.724, consta o trabalho realizado pelo agente fiscal. Revisou os ciclos de produção dos fornos 10271DBB106/DBB206/DBC106/DBD 106/DBC206/DBD206 e 10321DBB106/DBB206. Estabeleceu relações entre as quantidades de fornos produzidas e as de PCIs importadas e subconjuntos industrializados por terceiros. O agente fiscal destacou em seu relatório que o trabalho foi executado com base informações complementares fornecidas pela Recorrente no curso da diligência ("Memorando 4") e não nos registros e controles contábeis, apresentados ao Fisco em meios eletrônicos (IN SRF n° 86/2001 e ADE COFIS 25/2010). Reproduzo a conclusão final desta tarefa: Fl. 5185DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 37 28 A Recorrente contestou as conclusões, item a item. Basicamente, atribuiu as diferenças apontadas pelo agente fiscal ao fato de ter utilizado planilhas distintas (o agente adotou elementos coletados no curso da fiscalização e outros fornecidos pela Recorrente no curso da diligência) das que adotou, constantes do Anexo à manifestação, bem como em razão dos "filtros" aplicados nas planilhas que o agente fiscal adotou. Neste ponto, não foi possível indicar qual das conclusões afigurase como a mais correta. Claramente, ambos os procedimentos fundaramse em informações extraídas de documentos oficiais e seguiram procedimentos adequados. Contudo, por partirem de fontes e premissas distintas, chegaram a conclusões distintas. CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA "iii) Por fim, que a fiscalização elabore relatório conclusivo no sentido de atestar a adequação da correlação entre insumos e produtos apresentados pelo contribuinte durante a fase de diligência, para que a Turma possa formar sua convicção." Reproduzo as conclusões finais do agente fiscal (relatório de diligência, fls. 4.724 e 4.725) e da Recorrente (manifestação sobre o relatório de diligência, fls. 5.126 e 5.127). Relatório da Diligência Fl. 5186DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 38 29 Manifestação da Recorrente Fl. 5187DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 39 30 Fl. 5188DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 40 31 CONCLUSÃO Antes de encerrar, fazse mister transcrever os dispositivos legais que versam sobre a matéria em litígio: Decretolei n° 288/1967 isenção do IPI "Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (. . .) Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará Fl. 5189DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 41 32 condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (. . .) (g.n.)" PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 68/1994 Processo Produtivo Básico (PPB) Art. 1° Estabelecer para o produto FORNO DE MICROONDAS, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico PPB XVIII: I Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; II Montagem do painel de controle; III Estampagem, soldagem e pintura da cavidade do forno; IV Montagem na cavidade do forno dos módulos: conjunto motor/ventilador, conjunto circulador de ar, válvula magnetron, instalação da fiação, painel de controle, capacitor, transformador, porta e sistema de giro do prato; V Ensaios de vedação e funcionamento. (. . .) Parágrafo 2° Para cumprimento do disposto nesta Portaria será admitida a utilização de subconjuntos montados no País, por terceiros, preferencialmente instalados na Zona Franca de Manaus." (g.n.) Temos, de um lado, a fiscalização, apresentando provas cabais das falhas de controle e preparação de arquivos eletrônicos oficiais pelo contribuinte. E, fundada nisto, conclui que não há comprovação da realização do PPB e deve ser exigido o IPI sobre a totalidade das vendas de fornos de microondas realizadas em 2003. De um outro, utilizandose de todos os elementos contábeis e extracontábeis de que dispunha, os quais também disponibilizou para o Fisco, o contribuinte demonstrou que realizou a primeira etapa do PPB e que seus resultados, em termos quantitativos, eram compatíveis com o volume de produtos acabados produzidos. Em relação à primeira infração falta de comprovação da "origem dos insumos" necessários à produção do forno microondas 10271DBB106 já consignei que considerei comprovado pela Recorrente que o subconjunto 70289373 não foi utilizado para a fabricação do citado forno. Em relação à segunda infração falta de comprovação do envio de insumos e retorno de subconjuntos, bem como de sua aplicação nos fornos de microondas produzidos no ano de 2003 entendo que houve comprovação parcial, posto que os seguintes pontos que restaram incontroversos: Fl. 5190DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 42 33 a legislação acima reproduzida não determina que a falta de comprovação de um ou mais ciclos de produção resulta na perda completa do incentivo fiscal, isto é, inclusive daqueles em relação aos quais o contribuinte consiga apresentar todos os elementos de prova. os PCIs eram importados em pares e sem componentes eletrônicos; para a produção de subconjuntos, era necessária a aplicação de componentes eletrônicos, cujo processo industrial era realizado por terceiros (empresa Sanyo), o que é permitido pelo § 2° do art. 1° da Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT n° 64/1994; e havia falhas nos livros e controles contábeis e fiscais, porém as escritas não foram desqualificadas e tampouco foram consideradas como insuficientes para comprovar a totalidade das operações. De todo o exposto, meu voto é pelo cancelamento integral do crédito tributário relativo à primeira infração falta de comprovação da "origem dos insumos" necessários à produção do forno microondas 10271DBB106 e, por outro lado, pelo provimento parcial do recurso voluntário, no que tange à segunda infração falta de comprovação do envio de insumos e retorno de subconjuntos, bem como de sua aplicação nos fornos de microondas produzidos no ano de 2003. II 2) "Da legalidade da cobrança dos juros sobre a multa" A Recorrente pretende afastar a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, sob a alegação de que seria ilegal. Tratase de matéria controversa, com decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402 002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes proferidas pelo CARF. Consigno que discordo da interpretação da Recorrente. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange IPI e multa de ofício. Fl. 5191DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 43 34 Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Com base no acima exposto, nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso de ofício. Nego provimento à preliminar de decadência. Dou provimento parcial ao recurso voluntário, restando para unidade de origem, ao executar o acórdão, somente cobrar IPI, multa de ofício e juros Selic sobre as vendas derivadas de ciclos de produção, em relação aos quais não haja registros contábeis e fiscais atestando o cumprimento do PPB. Para tanto, devem ser considerados todos elementos Fl. 5192DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301003.167 S3C3T1 Fl. 44 35 carreados aos autos e, inclusive, os apresentados pela Recorrente no curso da diligência (ex: planilhas, notas fiscais, laudos técnicos etc.). É como voto. Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 5193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.005412/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
1. A decisão a quo enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, não tendo havido omissão.
2. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, ex vi do disposto no inc. IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inc. II.
NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA.
1. O próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp.
2. O agente lançador efetuou a devida subsunção do conceito do fato ao conceito da norma.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ACESSO AO PROCESSO EM FASE DE INSTRUÇÃO.
1. Vigente à época do lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha, em seu art. 2º, que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil - RFB eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, o que corrobora a conclusão da DRJ, de que, naquela data, o procedimento ainda estava em fase inicial.
2. A fiscalização não obstaculizou o direito de defesa do recorrente, pois, àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória e ainda se encontrava em fase de gestação.
ILICITUDE E IMATERIALIDADE. INEXISTÊNCIA.
A informação referente ao sujeito passivo provém de bases compartilhadas, que contém dados e documentos fornecidos por instituições financeiras estadunidenses; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal; e o próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp, o que afasta as alegações de ilicitude e de inexistência de materialidade.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO.
O MPF é a peça que instaura o procedimento fiscal e, diferentemente dos autos de infração e das notificações de lançamento, que devem ser adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/2011), ele não tem qualquer conteúdo decisório e nem mesmo acusativo, prescindindo de maiores motivações.
IMPOSTO DE RENDA. CRITÉRIO DA EXTRATERRITORIALIDADE.
1. O recorrente tinha residência e domicílio fiscal no Brasil, tendo apresentado, inclusive, a Declaração de Ajuste Anual - DAA neste país.
2. As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil são contribuintes do imposto, quando titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos.
3. O imposto de renda adota o critério da extraterritorialidade, precisamente pelo disposto no § 1º do art. 43 do CTN, segundo o qual a sua incidência independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.
4. O critério da universalidade, previsto no art. 153, § 2º, inc I, da Constituição Federal, impõe a aplicação do critério da extraterritorialidade.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente CESAR DA COSTA STRUVE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1. A decisão a quo enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, não tendo havido omissão. 2. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, ex vi do disposto no inc. IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inc. II. NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA. 1. O próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp. 2. O agente lançador efetuou a devida subsunção do conceito do fato ao conceito da norma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ACESSO AO PROCESSO EM FASE DE INSTRUÇÃO. 1. Vigente à época do lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha, em seu art. 2º, que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil RFB eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o que corrobora a conclusão da DRJ, de que, naquela data, o procedimento ainda estava em fase inicial. 2. A fiscalização não obstaculizou o direito de defesa do recorrente, pois, àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória e ainda se encontrava em fase de gestação. ILICITUDE E IMATERIALIDADE. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 54 12 /2 00 7- 27 Fl. 135DF CARF MF 2 A informação referente ao sujeito passivo provém de bases compartilhadas, que contém dados e documentos fornecidos por instituições financeiras estadunidenses; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal; e o próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp, o que afasta as alegações de ilicitude e de inexistência de materialidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO. O MPF é a peça que instaura o procedimento fiscal e, diferentemente dos autos de infração e das notificações de lançamento, que devem ser adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/20111), ele não tem qualquer conteúdo decisório e nem mesmo acusativo, prescindindo de maiores motivações. IMPOSTO DE RENDA. CRITÉRIO DA EXTRATERRITORIALIDADE. 1. O recorrente tinha residência e domicílio fiscal no Brasil, tendo apresentado, inclusive, a Declaração de Ajuste Anual DAA neste país. 2. As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil são contribuintes do imposto, quando titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos. 3. O imposto de renda adota o critério da extraterritorialidade, precisamente pelo disposto no § 1º do art. 43 do CTN, segundo o qual a sua incidência independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. 4. O critério da universalidade, previsto no art. 153, § 2º, inc I, da Constituição Federal, impõe a aplicação do critério da extraterritorialidade. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. 1 Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 1o Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 137DF CARF MF 4 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Lançamento Por meio do Auto de Infração às folhas 41 e 42, foram exigidas do contribuinte acima qualificado as importâncias: de R$ 39.717,37 (trinta e nove mil setecentos e dezessete reais e trinta e sete centavos) a título Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, acrescida de multa de oficio de 75% e dos encargos legais devidos à época do pagamento. Nos termos da “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(ís)”, fls. 41 e 42, e do Termo de Verificação Fiscal, fls. 36 a 40, a autuação se deu em razão: 001 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada: o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem do valor de US$ 50.000,00, creditado em conta de sua titularidade no Banco Citicorp no Estado da Flórida nos Estados Unidos da América, conforme demonstrativo de fls. 09 a 11, elaborado pela Equipe Especializada de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463/04. A autoridade fiscal relata: Em sua resposta de fls. 22 e 23, o contribuinte confirma a titularidade da conta corrente no Citícorp e informa que os US$ 50.000,00 em questão seriam originários de empresa da qual é sócio. Não especificou qual seria a empresa e não juntou qualquer comprovante que identificasse a origem dos recursos. Assim, no dia 11/10/07 efetuamos a lavratura da Intimação n° 776/07 (fls. 31) pela qual solicitamos ao Sr. César da Costa Struve que apresentasse os comprovantes da alegada operação de câmbio utilizada para a transferência dos US$ 50.000,00 ao exterior, realizada ou por ele próprio ou pela empresa da qual é sócio. No item 3 de sua correspondência de fls. 34 e 35, o contribuinte resignase a informar que não tem como apresentar os comprovantes solicitados em virtude de (1) extravio de documentos e/ou por (2) alterações promovidas em estabelecimentos de suas empresas e/ou (3) porque o responsável pela remessa de valores ao exterior não faz parte do quadro de funcionários de suas empresas. Nada mais apresentou e tampouco trouxe qualquer outra informação a respeito da questionada e não comprovada operação de câmbio. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 4 5 Impugnação Intimado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou, através de seu procurador (folha 64) sua defesa (folhas 53 a 62) onde alega nulidade do lançamento por cerceamento de defesa com base nos seguintes argumentos: que não há provas que confirmem a presunção que embasou o Auto de Infração; que “No presente caso concreto até ocorreu inadequado alargamento dos efeitos da presunção, em prejuízo do direito de defesa do contribuinte ferindo, via de conseqüência, o constitucional principio do devido processo legal que há dubiedade no auto “lastreado em mera presunção de remessa"; que o auto encontrase “fincado em provas obtidas em Processo Legal no qual o impugnante nunca participou ou teve oportunidade de manusear os sigilosos dados”; que através dos “parcos documentos” que constam do processo, contatase que o fisco baseouse em transação financeira entre o Uruguai e Estados Unidos; que o fisco “de maneira que permanece obscura e completamente infundada”, entendendo que tais valores eram oriundos de rendimentos não tributados no Brasil, notificou o impugnante a comprovar sua origem; que não teve vista dos autos; que as provas “que deram inicio já eram sigilosas o mesmo se verificou no transcorrer dos autos sem a devida publicidade ”. Segue argumentando que o lançamento referese a uma suposta transferência de valor do Uruguai para os Estados Unidos, mas que, todavia não há qualquer prova de que o valor transferido advinha do Brasil; defende que, neste caso, o Fisco brasileiro não é competente para tributar tal valor pelo que o lançamento encontrase eivado de vício que o toma nulo. Cita acórdão do Conselho de Contribuintes que trata de imposto de renda retido na fonte incidente sobre remessa de juros a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. Quanto ao valor transferido, argumenta que mesmo comprovada a origem brasileira do valor transferido, ainda assim seria tarefa do fisco comprovar que tal valor não havia sido tributado. Alega que, por seu lado, se desincumbiu de demonstrar toda a tributação em sua pessoa física. Defende que, conforme consta de sua declaração de ajuste anual, à época tinha rendimentos de origem brasileira, lícita e comprovada, em um montante mais do que suficiente a comprovar o valor movimentado e que, em assim sendo, ainda que houvesse a comprovação da origem brasileira do valor transferido, a presunção deveria ser no sentido de que este advinha dos rendimentos declarados e não no sentido de se tratar de omissão de rendimentos. Fl. 139DF CARF MF 6 O impugnante põe em dúvida a própria ocorrência da operação de transferência e aponta a carência de provas nesse sentido, quando argumenta que o lançamento se baseia em “meras conjecturas, presunções que não são embasados em indícios probatórios”. Aduz que o “fato objeto da presunção legal precisa de prova indireta, ou seja, é preciso demonstrar o fato que serve de base à presunção”. Conclui que não havendo qualquer indício da omissão de rendimentos, é “completamente ilegal a incidência " do imposto, razão pela qual o auto deve ser declarado nulo. Diante das ilegalidades apontadas, requer a anulação do auto de infração. Em sessão realizada em 15 de agosto de 2008, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. A tributação independe da denominação dos rendimentos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Presentes nos autos o fundamento legal do procedimento fiscal bem como os elementos necessários ao conhecimento pelo contribuinte do que está lhe sendo imputado, viabilizado está o exercício de seu direito de defesa, pelo que não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. PRESUNÇÕES ALEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Lançamento Procedente Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 5 7 O recorrente foi intimado da decisão em 05/09/2008 (fl. 103) e interpôs recurso voluntário em 03/10/2008 (fls. 106 e seguintes), deduzindo as seguintes teses de defesa: 1. nulidade absoluta omissão no enfrentamento das teses defensivas; 2. do incorreto julgamento acerca do Auto de Infração nulidade por desatenção de requisitos formais; 3. da incorreta análise julgadora sobre o cerceamento de defesa; 4. Auto de Infração lastreado em prova apócrifa ausência de ilicitude e de materialidade; 5. indevida apreciação pelo acórdão sobre MPF desenvolvido; 6. equivocado enquadramento jurídico procedido pela decisão tangente à incompetência do fisco brasileiro; 7. consideração equivocada dos valores já declarados. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da omissão no enfretamento das teses de defesa O recorrente alega que o acórdão a quo foi omisso na análise das seguintes teses de defesa: 1. não constam provas das alegações e presunções que embasaram o Auto de Infração; 2. o Auto está baseado em provas obtidas em processo judicial ao qual o impugnante não teve acesso; 3. o Fisco constatou a ocorrência de transação financeira entre o Uruguai e os Estados Unidos e nada mais juntou aos autos; 4. o impugnante não teve vista dos autos; 5. o impugnante possuía, à época, um total de R$ 512.000,00 declarados em espécie, que seriam suficientes para comprovar a origem; 6. se houvesse qualquer indício de que a quantia era de origem nacional e já havia sido tributada, haveria necessidade de juntada aos autos; 7. nada aponta para o fato de que tais rendimentos não foram tributados pelo imposto de renda; 8. a tributação estaria sujeita à alíquota e responsáveis específicos. Todavia, dos trechos transcritos abaixo, depreendese que não houve qualquer omissão por parte da DRJ, a qual se valeu de argumentos suficientes para formar a sua convicção: Fl. 96 Pelo que se extrai dos autos: a informação referente à operação financeira ora em questão provém das bases de dados compartilhadas contendo documentos eletrônicos fornecidos por instituições financeiras dos Estados Unidos com contas do Merchantes Bank, Safra Bank, MTBCBCHudson BanK e Lespan; tal informação foi fomecida a Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e Ministério Público Federal; os arquivos digitais foram analisados pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463/04, que produziu os Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 6 9 documentos juntados às folhas 09 a 11, que originou a lavratura do presente auto de infração em ação fiscal, conforme Nota Cofis/Difin n° 2006/094, cópia à fls. 07 e 08. Destarte, não havia que ser divulgado ao contribuinte qualquer informação em relação às informações, por natureza sigilosas, de posse do Banco Central, Ministério Público ou mesmo da Recita Federal pelo menos, não aquelas que não guardassem relação com o próprio contribuinte. De outra feita, extraise dos autos que as informações obtidas a partir dos arquivos eletrônicos pertinentes ao contribuinte, necessárias e suficientes à instrução do presente processo, encontramse nos autos, assim não merecendo também ser acolhido o argumento de defesa de que o processo estaria baseado em “parcos documentos”. Também não há como aceitar a alegação de que o fisco efetuou o lançamento “de maneira que permanece obscura e completamente infundada”, entendendo que tais valores eram oriundos de rendimentos não tributados no Brasil. Com efeito, não há carência de fundamento nem obscuridade no lançamento; a autoridade fiscal deixa claro e evidente em seu relatório que o lançamento está baseado em presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada pelo fato de o contribuinte, apesar de intimado para tal, não justicar a origem do valor creditado em sua conta corrente no exterior. Portanto, contrapondo a insurgência do contribuinte contra a sumária descrição dos fatos e instrução do processo, há que se deixar patente que nos autos estão presentes todos os elementos pertinentes à infração que são necessários a sua caracterização, nos termos do que exige a legislação aplicável ao caso. (destacouse) ......................................................................................................... Fl. 98 Salientese que o próprio contribuinte, em resposta (fls. 22 e 23) ao Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 13 e 14), através do qual o contribuinte foi intimado a comprovar a origem do recurso, informou que realmente era o titular da conta no Citicorp, deixando claro ainda que a movimentava com freqüência ao afirmar que “possui residência fixa no exterior e corriqueiramente necessita de recurso para mantença de sua família, sendo que todas as remessas são devidamente declaradas ao Fisco, tanto as oriundas de pessoa física quanto de pessoa jurídica”. (destacouse) ......................................................................................................... Como se conclui, as assertivas acima derruem as alegações do recorrente, constantes dos itens 1 a 4 acima. Mais ainda, e conforme adiante se verá, a legislação brasileira prevê que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, cuja origem não é comprovada Fl. 143DF CARF MF 10 através de documentos hábeis e idôneos, são considerados como rendimentos ou receitas omitidas. Isto é, a lei impõe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a origem dos recursos, sob pena de serem tratados como valores omitidos da tributação. No item 3 da decisão recorrida, a DRJ discorreu amplamente a esse respeito. A existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, devidamente comprovada pelo agente lançador, sem a correspondente justificação pelo contribuinte, é bastante e suficiente para ensejar o lançamento, não havendo necessidade de qualquer outro esforço probatório. Quanto aos demais pontos, cuja omissão, em tese, teria havido, assim se manifestou a DRJ: Nos termos acima postos, afastada a alegação de ilegalidade do lançamento, cabe ainda afastar a pretensão do impugnante em descaracterizar a presunção de omissão de rendimentos com base no fato de à época tinha rendimentos de origem brasileira, lícita e comprovada, em um montante mais do que suficiente a comprovar o valor movimentado. É que o art. 42 da Lei n° 9.430/96, ao mesmo tempo em que delimita o ônus probatório do fisco também o faz em relação ao contribuinte quando determina que não basta para afastar a presunção, a demonstração genérica de que detinha recursos; seu ônus vai além: precisa ele justificar, de forma individualizada, cada um dos depósitos bancários. Isso por que, especificamente quanto aos critérios de apuração da omissão, o §3° do mencionado artigo determina que para se apurar o montante tributável deve ser feita a análise individualizada de cada um dos depósitos, e, em assim sendo, por óbvio que o contribuinte para afastar a tributação imposta deve apresentar documentação comprobatória da origem também de forma individualizada, coincidente em data e valor, de cada um dos ingressos efetuados em sua conta bancária. Como o contribuinte assim não procedeu, reputase não justificada a origem do crédito verificado em sua conta bancária e, portanto correta a caracterização deste valor como rendimento omitido. (destacouse) Portanto, vêse que todos os argumentos do sujeito passivo foram devidamente enfrentados e afastados. Não se sustenta, portanto, a afirmação de que teria havido omissão. Há, sim, inconformismo da parte. De toda forma, é importante deixar claro que o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, ex vi do disposto no inc. IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inc. II. Vejase: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: [...] Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 7 11 § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: [...] IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; ......................................................................................................... Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: Parágrafo único. Considerase omissa a decisão que: [...] II incorra em qualquer das condutas descritas noart. 489, § 1o. ......................................................................................................... Expressandose de outra forma, o relator não está obrigado a enfrentar todos os argumentos trazidos pela parte, desde que manifeste suas razões de decidir com abrangência sobre cada ponto suscitado. Em sendo assim, não há nulidade a ser declarada. 3 Da nulidade por inobservância de requisitos formais O recorrente assevera que "não são apontados os fatos que ensejaram a subsunção jurídica procedida, tampouco conteúdo probatório a alicerçar suposta omissão de rendimentos". Todavia, e como bem pontuado pela decisão a quo, o próprio contribuinte, em resposta (fls. 22 e 23) ao Termo de Início de Fiscalização (fl. 13 e 14), informou que realmente era o titular da conta no Citicorp. Vejase, nesse sentido, a informação constante do Termo de Verificação Fiscal TVF (fl. 43): Em sua resposta de fls. 22 e 23, o contribuinte confirma a titularidade da conta corrente no Citicorp e informa que os US$ 50.000,00 em questão seriam originários de empresa da qual é sócio. Não especificou qual seria a empresa e não juntou qualquer comprovante que identificasse a origem dos recursos depositados. Aí reside circunstância fundamental do lançamento, qual seja, a existência de valores mantidos em conta, cuja origem não foi devidamente comprovada. Quanto à subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, assim se manifestou o agente autuante: Desta forma, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, a origem dos US$ 50.000,00 creditados em sua conta bancária no Citicorp, tais recursos foram considerados Fl. 145DF CARF MF 12 rendimentos omitidos, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Ora, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu ao recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Dito de outra forma, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. Nesses termos, negase provimento ao recurso nesse tocante. 4 Do cerceamento de defesa O recorrente afirma que sofreu cerceamento no seu direito de defesa, pois, em 28 de setembro de 2007, teria pedido cópia dos autos referente ao MPF 09201002007 004418, e, no entanto, foi informado que não havia "qualquer processo protocolado relativamente ao citado MPF". Todavia, e como bem colocado pela DRJ, "os trabalhos de fiscalização encontravamse ainda em fase de instrução, como de fato pôdese verificar dos autos, pois àquela data somente tinha sido emitido o Termo de Início de Ação Fiscal (emissão em 10/09/2007 e ciência em 17/09/2007)" (fl. 95). Vigente à época do lançamento, a Portaria RFB nº 4.066/2007 dispunha, em seu art. 2º, que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil RFB eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o que corrobora a conclusão da DRJ, de que, naquela data, o procedimento ainda estava em fase inicial. Noutro giro verbal, a fiscalização não obstaculizou o direito de defesa do recorrente, pois, àquela altura, o processo não tinha passado por qualquer instrução probatória e ainda se encontrava em fase de gestação. Acrescentese, ainda, que todas as informações obtidas a partir dos arquivos eletrônicos pertinentes ao contribuinte em questão, necessárias e suficientes à instrução do presente processo, encontramse nos autos, não se vislumbrando qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. Lembrese que, segundo o TVF, a informação referente ao contribuinte provém das bases de dados compartilhadas dos bancos Merchants Bank, Safra Bank, MTB CBCHudson Bank e Lespan, contendo documentos eletrônicos fornecidos por tais instituições financeiras; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 8 13 Ministério Público Federal; e o contribuinte, por razões óbvias, não poderia ter acesso aos dados de terceiros; e as informações a ele relativas estão nos autos. Destarte, negase provimento ao recurso neste ponto. 5 Da ausência de licitude e materialidade No entender do recorrente, o lastro do lançamento consiste unicamente naquele documento "interno, apócrifo e isolado no tempo e no espaço", de forma que o lançamento seria ilícito e não teria materialidade. Entretanto, e conforme demonstrando acima, a informação referente ao sujeito passivo provém de bases compartilhadas, que contém dados e documentos fornecidos por instituições financeiras estadunidenses; tal informação foi fornecida à Receita Federal do Brasil pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal; e o próprio contribuinte informou que realmente era o titular da conta no Citicorp, o que afasta as alegações de ilicitude e de inexistência de materialidade, negandose provimento ao recurso neste tópico. A legislação brasileira (insistase) prevê que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, cuja origem não é comprovada através de documentos hábeis e idôneos, são considerados como rendimentos ou receitas omitidas. 6 Do MPF "desmotivado" Segundo o recorrente, o MPF teria que estar suficientemente motivado. No entanto, e conforme já afirmado, o MPF é a peça que instaura o procedimento fiscal e, diferentemente dos autos de infração e das notificações de lançamento, os quais devem ser adequadamente motivados (art. 38, § 1º, do Decreto 7574/20112), ele não tem qualquer conteúdo decisório e nem mesmo acusativo, prescindindo de maiores motivações. Por essa razão, a Portaria vigente à época do lançamento dispunha que o MPF deveria conter apenas o seguinte (Portaria RFB nº 4.066/2007, art. 7º): · a numeração de identificação e controle; · os dados identificadores do sujeito passivo; · a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); · o prazo para a realização do procedimento fiscal; 2 Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 1o Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. Fl. 147DF CARF MF 14 · o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; · o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso anterior; · o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; · o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF; · o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo. Reiterese, a propósito, que o Auto foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Dito de outra forma, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente, negandose provimento ao recurso nesse aspecto. 7 Da incompetência do Fisco brasileiro O recorrente alega que a tributação da renda obtida no exterior por pessoa domiciliada no exterior não é da competência do Fisco brasileiro. Entretanto, e segundo se observa às fls. 6 e seguintes, o recorrente tinha residência e domicílio fiscal no Brasil, tendo apresentado, inclusive, a Declaração de Ajuste Anual DAA neste país. Significa dizer que o recorrente está equivocado e que deve ser negado provimento ao seu recurso. Mais ainda, nos termos do art. 2º do Regulamento do Imposto de Renda RIR, as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil são contribuintes do imposto, quando titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos. Verbis: Art.2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11516.005412/200727 Acórdão n.º 2402005.592 S2C4T2 Fl. 9 15 Ademais, o imposto de renda adota o critério da extraterritorialidade, precisamente pelo disposto no § 1º do art. 43 do CTN, segundo o qual a sua incidência independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Vejase: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parte da doutrina entende, a propósito, que o critério da universalidade, previsto no art. 153, § 2º, inc I, da Constituição Federal, impõe a aplicação do critério da extraterritorialidade, conforme observa o prof. Leandro Paulsen3: O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza caracterizase pela extraterritorialidade, ou seja, alcança fatos geradores ocorridos não apenas no território nacional como fora dele. Tratase de imposto da União e não há vedação constitucional alguma a que o legislador estabeleça tal tributação. Pelo contrário, há quem defenda que o critério da universalidade, previsto no art. 43, § 2º, I, da CF, a impõe. Com efeito, o prof. Roque Antonio Carrazza afirma que, "por universalidade temos que o IR deve alcançar todos os ganhos ou lucros, de quaisquer espécies ou gêneros, obtidos pelo contribuinte no território brasileiro e desde que respeitados os acordos que visam a evitar a bitributação internacional também no exterior"4. Logo, a decisão é incensurável nesse tocante, negandose provimento ao recurso. 8 Da existência de valores já declarados No entender do recorrente, pressupondose que a transação ocorreu e que tem relação com rendimentos oriundos do Brasil, o Fisco não apresentou qualquer prova de que se trata de valores não tributados. Afirma, igualmente, que teria declarado rendimentos de R$ 4.103.032,29 àquela época e que o montante de US$ 50.000,00 seria insignificante. Equivocouse o recorrente. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por 3 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 748. 4 CARRAZZA, Roque Antonio. Imposto sobre a renda. Perfil constitucional e temas específicos. 1. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2006, p. 69. Fl. 149DF CARF MF 16 outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso vertente, o recorrente não se dignou de comprovar a origem da quantia de US$ 50.000,00 mantida junto ao banco situado no exterior, limitandose a fazer afirmações genéricas e imprecisas. Logo, a decisão da DRJ não deve ser reformada, negandose provimento ao recurso voluntário a esse respeito. 9 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.007783/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALUGUÉIS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIMOB.
Restando comprovado que os rendimentos recebidos a título de aluguéis foram imputados a dependente do sujeito passivo por equívoco no preenchimento da DIMOB, os valores correspondentes devem ser excluídos do lançamento.
Numero da decisão: 2402-005.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NÃO CONHECIMENTO. Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou da decisão de primeira instância administrativa. OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALUGUÉIS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIMOB. Restando comprovado que os rendimentos recebidos a título de aluguéis foram imputados a dependente do sujeito passivo por equívoco no preenchimento da DIMOB, os valores correspondentes devem ser excluídos do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 77 83 /2 00 8- 27 Fl. 133DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10730.007783/200827 Acórdão n.º 2402005.750 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 35/39), relativa ao ano calendário 2006 / exercício 2007. O lançamento se deu em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas pelo sujeito passivo e seus dependentes, nos seguintes valores: i) Caixa Econômica Federal, R$ 20.390,70; ii) Itaú Vida e Previdência S.A., 477,40; e iii) Light Serviços de Eletricidade S.A., R$ 10.614,00. Além disso, constatouse que foram omitidos rendimentos recebidos de aluguéis por dependente, constantes de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB, R$ 1.924,05. O contribuinte contestou a autuação por meio da impugnação de fls. 2/7, sob a alegação de que; a) quanto ao lançamento de RS 20.390,70, referentes a valores recebidos da Caixa Econômica Federal: foi proveniente de indenização por dano material, referente a acidente de trânsito, pagos em precatórios pela União; e o direito a indenização em dinheiro não pode ser considerado renda para fins de incidência do tributo em questão; b) já havia esclarecido anteriormente para a fiscalização que, em relação ao valor informado na DIMOB pela empresa Administradora Nacional S.A., de R$ 1.924,05, supostamente pago à dependente do contribuinte Sra. Ana Lúcia Lopes dos Santos, referente a aluguéis: é inverídica a informação prestada na DIMOB, cabendo à referida empresa comprovar tal pagamento, haja vista que sua dependente nunca manteve relação locatícia e sim uma relação empregatícia com a Administradora Nacional, conforme comprova documentos acostados a esta impugnação; caberá a Administradora Nacional comprovar: · através de recibo ou depósito bancário, o pagamento do valor declarado, em razão de o contribuinte em questão nunca ter sequer tomado ciência deste recebimento, pois caso contrário, o teria lançado em seu rendimento anual; · a relação locatícia por via de contrato de administração, tendo em vista que de acordo com o disposto no artigo 333 do CPC: “o ônus da prova incumbe: inciso I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”; · sua informação, de que pagou a dependente do contribuinte o valor informado, haja vista que tanto o contribuinte quanto sua dependente, Fl. 135DF CARF MF 4 Sra. Ana Lúcia Lopes dos Santos, desconhecem tal recebimento, sendo totalmente ilegal a imposição de qualquer sanção administrativa com relação a alegações infundadas e não comprovadas; não pode o contribuinte ser punido por algo que desconhece e, por uma questão de justiça e direito, requer que seja apurado o fato e não somente indeferido seu pedido sem argumento legal; c) no que se refere à parte do lançamento, relativo a valores recebidos das fontes pagadoras Itaú Vida e Previdência e Light Serviços de Eletricidade S.A, afirma não ter informado tais valores na Declaração de Ajuste Anual DAA por entender que esses estavam abaixo do limite anual estabelecido para o pagamento do tributo. Entretanto, solicita que, caso a autoridade julgadora entenda pela procedência do lançamento, seja emitida a guia de recolhimento respectiva. A 3ª Turma de Julgamento DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, conforme acórdão n° 0422.709 (fls. 50/40), por entender que: a) valores recebidos da Caixa Econômica Federal: o lançamento deve ser cancelado tendo em vista que, de acordo com os documentos acostados aos autos pelo recorrente, tais rendimentos não decorrem de ação trabalhista, mas são proveniente de indenização por dano material, referente a acidente de trânsito, que não se submetem à incidência do imposto; b) valores informados na DIMOB pela Administradora Nacional S.A: a DIMOB e a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF são declarações regulamentares que permitem à Administração Tributária, a partir das informações prestadas pelas pessoas jurídicas pagadoras de rendimentos tributáveis a pessoas físicas, aferir a exatidão das declarações de ajuste por estas apresentadas; essas informações são prestadas pelas fontes pagadoras, que, em princípio, são neutras quanto à relação tributária que se estabelece entre as pessoas físicas e o Fisco Federal, além de se submeterem às penas da lei no que se refere à sua veracidade, bem como se responsabilizam pelo recolhimento do imposto declarado como retido; a DIMOB e a DIRF são documentos idôneos para o fim de comprovação dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade das informações nelas contidas; a presunção ora enfocada é relativa, podendo o contribuinte provar o contrário. Para tanto, deve juntar elementos que respaldem seus argumentos conforme preconiza o art. 36 da Lei 9.784/99; por meio de consulta aos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, obtevese a DIMOB informado o pagamento de aluguéis à sua esposa e dependente Ana Lúcia Lopes dos Santos para o exercício 2007, cujo imóvel foi alugado a Maria Lúcia Leal Santos, CPF 408.680.95753; quanto às cópias da folhas da Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS de sua esposa, o interessado consegue comprovar que ela foi empregada da fonte pagadora Administradora Nacional S.A. entre os anos de 1992 a 2000, mas este fato é insuficiente para afastar a presunção de Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10730.007783/200827 Acórdão n.º 2402005.750 S2C4T2 Fl. 4 5 veracidade da DIMOB, pois tratase de uma informação esparsa, comprovando apenas que, num período distante dos fatos em questão, ela teve uma relação trabalhista com a empresa declarante, e nada mais, já não há uma relação de exclusão entre estas duas situações, conforme intenta o contribuinte; não tendo sido comprovado por meio de provas cabais que Ana Lúcia Lopes dos Santos não recebeu os rendimentos tributáveis informados em DIMOB, deve ser mantido o lançamento. Com relação às partes do lançamento relativas ao Itaú Vida e Previdência e à Light Serviços de Eletricidade S.A, em razão da ausência de contestação pelo sujeito passivo, não se instaurou o contencioso. Por ocasião do recurso voluntário (fls. 62/65), alega o contribuinte que, desde 2008, vem tentando provar que a constituição do lançamento em relação aos rendimentos oriundos da Administradora Nacional S/A é inverídica, mas a Receita Federal não intimou a referida fonte pagadora para apresentar o contrato de administração entre ela e a dependente do recorrente. Informa que, para comprovar o alegado, anexa os seguintes documentos: contrato de administração entre o real proprietário do imóvel e a Sra. Maria Lúcia Leal Santos, declaração da Administradora Nacional S/A reconhecendo seu erro e contrato de locação entre a Sra. Maria Lúcia Leal Santos e o real proprietário. No tocante ao valor recebido por Marvin dos Santos Menezes, R$ 10.614,00, reitera que não o informou na DAA por entender que quem auferiu o rendimento foi seu dependente e não ele (contribuinte), somado ao fato de que o valor recebido não atingia o teto anual para o devido recolhimento, não sendo razoável ser penalizado com os juros exorbitantes em relação a todos esses anos, haja vista que a demasiada demora em julgar a impugnação foi da Receita Federal e não do sujeito passivo. A mesma contestação é suscitada quanto ao resgate de contribuições à previdência privada, no valor de R$ 477,60. Requer ainda, o cancelamento de todos os lançamentos fiscais relativos aos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009 cuja matéria é a mesma ou seja, Omissão de Rendimento de Aluguéis (DIMOB /Administradora Nacional S/A). A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência (vide Resolução de fls. 105/108) para que “empresa Administradora Nacional S/A, CGC n°. 33.183.427/000121, seja (fosse) intimada a esclarecer se celebrou contrato de locação com Ana Lúcia Lopes dos Santos, CPF 675.770.75787, relativamente ao ano calendário 2006, tendo em vista as seguintes informações prestadas na DIMOB:” ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS 33.183.427/000121 ADMINISTRADORA NACIONAL LTDA. BENEFICIÁRIO 675.770.75787 ANA LÚCIA LOPES DOS SANTOS 408.680.95753 MARIA LÚCIA LEAL SANTOS DATA DA ENTREGA RENDIMENTO COMISSÃO LÍQUIDO Fl. 137DF CARF MF 6 27/02/2007 2.181,36 257,31 1.924,05 Em resposta, a Administradora Nacional S.A. esclareceu (vide expediente de fl. 116) que, com relação ao imóvel objeto da DIMOB referida na autuação, os proprietários são, em verdade: os srs. ALUÍSIO SIMIONI (CPF 003.987.30059), na proporção de 33,33%, JOÃO MÁRCIO SIMIONI (CPF 013.870.49020), na proporção de 33,33%, e MARIA ALICE SIMIONI (CPF 361.598.67091), na proporção de 33,34%, e não a sra. ANA LÚCIA LOPES DOS SANTOS (CPF 675.770.75787), conforme informado nos DIMOBs exercícios 2005. 2006, 2007, 2008 e 2009, tendo havido erro material na digitação do CPF. Apresenta contratos de locação de fls. 117/130. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10730.007783/200827 Acórdão n.º 2402005.750 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Parcela de Juros incidentes sobre o Imposto Devido Com relação aos juros incidentes sobre a parcela do lançamento relativa ao valor recebido pelo dependente Marvin dos Santos Menezes, R$ 10.614,00, e sobre a quantia referente a resgate de contribuições à previdência privada, R$ 477,60, a despeito dos argumentos suscitados pelo contribuinte, convém esclarecer que os juros moratórios são estabelecidos por determinação contida no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, não tendo o julgador administrativo competência para afastar a aplicação do dispositivo legal. Por outro lado, por virtude do inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, norma que disciplina o processo administrativo fiscal em âmbito federal, as razões de fato e de direito que fundamentam as pretensões do recorrente devem ser apresentadas na impugnação, operandose a preclusão quanto a questões não suscitadas na peça impugnatória. No mesmo sentido, o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, dispõe que o recurso voluntário deve ser apresentado em face da decisão decorrente do julgamento de primeira instância administrativa. Vejamos: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, entendo que o recurso não deve ser conhecido em relação à presente matéria, eis que essa não foi objeto de impugnação ou do acórdão recorrido. Lançamento Decorrente de Erro no Preenchimento da DIMOB Conforme informado pela Administradora Nacional S.A, os valores relativos ao contrato locatício imputado à dependente do recorrente no anocalendário 2006 foram informados pela citada empresa por equívoco no preenchimento da DIMOB. Corrobora essa informação os contratos de locação de imóveis acostados aos autos (fls. 117/130). Assim, há que se acatar a alegação do sujeito passivo, no sentido de afastar a tributação em relação aos rendimentos decorrentes de aluguéis inseridos indevidamente na DIMOB, que equivalem a R$ 1.924,05. Embora sem qualquer efeito vinculativo, importa informar que decisão no mesmo sentido foi também adotada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, nos autos do Processo nº 10730.000242/201173, do mesmo sujeito passivo, e em relação a idêntica matéria. Fl. 139DF CARF MF 8 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso em relação à preliminar suscitada e de CONHECER e DARLHE PROVIMENTO em relação às questões de mérito para afastar a tributação em relação aos rendimentos decorrentes de aluguéis inseridos indevidamente na DIMOB, equivalentes a R$ 1.924,05. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 140DF CARF MF
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