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Numero do processo: 10865.908816/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico (fl. 07), que indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação declarada na PERDCOMP de fls. 02/06, transmitida em 24/04/2009, porque o valor pleiteado foi inteiramente utilizado na quitação de débitos confessados pela contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 11/12, na qual requer a revisão do despacho decisório, alegando que tem um crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 08 81 6/ 20 09 -1 1 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908816/200911 Resolução nº 3801000.762 S3TE01 Fl. 3 2 aproveitável de R$ 3.622,59, decorrente de pagamentos a maior realizados de 01/2006 a 12/2006, conforme demonstrado na planilha de fl. 13.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Data do fato gerador: 24/04/2009 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente afirma que: “No mês de 01/2006 foi apurado o débito de IPI no valor de R$ 936,44 (DCTF nº 42.90.69.05.9296 anexa), enquanto foi recolhido indevidamente o valor de R$ 4.356,24 (guia anexa), resultando o valor recolhido a maior de R$ 3.419,80, atualizado para R$ 3.622,59, conforme planilha anexa. No mês 04/2006 foi compensado o valor de R$ 1.448,19, referente a IPI conforme PER/DCOMP nº 06144.54987.240409.1.7.042510, restando ainda R$ 2.037,68 a compensar, atualizado para R$ 1.218,32, conforme planilha anexa. No mês 05/2006 foi compensado o valor de R$ 930,33 referente a IPI, conforme PER/DCOMP nº 42728.90359.230709.1.7.041980, restando ainda R$ 1.149,78 a compensar, atualizado para R$ 1.218,32, conforme planilha anexa. No mês 06/2006 foi compensado o valor de R$ 1.149,79 referente a IPI, conforme PER/DCOMP nº 39386.26616.240409.1.040967, restando ainda R$ 64,67 a compensar, conforme planilha anexa. (..)” Para comprovar o alegado, a contribuinte apresentou: i) Cópias da DCTF nº 35.89.99.71.8410, de 6/10/2006, referente ao 1ª semestre de 2006, em cuja página 19 constou incorretamente o débito de IPI de R$ 4.356,24, e do DARF que comprova o pagamento neste valor. ii) Cópia da DCTF retificadora nº 42.90.69.05.9296, na qual corrigiu o valor do débito de IPI para R$ 936,44. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908816/200911 Resolução nº 3801000.762 S3TE01 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. As decisões da Delegacia da Receita Federal e da Delegacia da Receita Federal de Julgamento estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que tenha ocorrido erro no despacho decisório, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora fora considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, em especial, DCTF retificadora que havia sido recebida via internet por agente receptor SERPRO em 9/6/2009, fl. 69 do eprocesso, logo, anterior à emissão do despacho decisório pela DRF de origem, ocorrido em 7/10/2009, fl. 61 do eprocesso. A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908816/200911 Resolução nº 3801000.762 S3TE01 Fl. 5 4 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório está incorreto. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908816/200911 Resolução nº 3801000.762 S3TE01 Fl. 6 5 O CARF já se manifestou pela anulação de despacho decisório em circunstâncias semelhantes, conforme ementa do acórdão nº 3403001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Nesta Turma Especial, em julgamentos de casos semelhantes, votei pela anulação do despacho decisório, tendo ficado vencido sozinho. Pelo princípio do colegiado, adoto a posição majoritária desta turma para, com fundamento em que o despacho decisório foi emitido por autoridade competente, está motivado e não causou cerceamento do contraditório e da ampla defesa, propor a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem reaprecie o pleito da contribuinte, à luz da DCTF retificadora, apurando a legitimidade e o quantum do crédito pleiteado e elaborando demonstrativo que permita decidir sobre a homologação das compensações declaradas; cientifique a contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias; devolva os autos para julgamento com a manifestação da contribuinte ou declaração da unidade de que esta não foi apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000582/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratando se de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OBRIGAÇÕES DECORRENTES DE ADIANTAMENTOS DE CLIENTES. OBRIGAÇÕES JUNTO A FORNECEDORES.
A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratando se de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. No caso de adiantamentos de clientes, cabe ao interessado demonstrar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, correspondem a encomendas concluídas no período seguinte ou nos posteriores. No caso de dívidas junto a fornecedores, decorrentes de vendas a prazo, cumpre ao interessado comprovar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, foram liquidadas no período seguinte ou nos posteriores.
GLOSA DE DESPESAS. RUBRICA GENÉRICA (OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS). FALTA DE DETALHAMENTO DA COMPOSIÇÃO DOS GASTOS.
Correta a glosa dos valores agrupados sob a rubrica genérica Outras Despesas Operacionais, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixa de apresentar a composição detalhada dos gastos.
GLOSA DE DESPESAS COM FRETES, ESTIVA E CAPATAZIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Logrando o contribuinte não comprovar parte das despesas com frete, estiva e capatazia, através de documentação hábil e idônea, fornecida pelo agente marítimo, mantem se a glosa correspondente.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. DECORRÊNCIA.
O que ficou decidido em relação ao IRPJ aplica se, também, à CSLL, uma vez que se trata de lançamento decorrente da mesma matéria tributável.
Numero da decisão: 1301-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratando se de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OBRIGAÇÕES DECORRENTES DE ADIANTAMENTOS DE CLIENTES. OBRIGAÇÕES JUNTO A FORNECEDORES. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratando se de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. No caso de adiantamentos de clientes, cabe ao interessado demonstrar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, correspondem a encomendas concluídas no período seguinte ou nos posteriores. No caso de dívidas junto a fornecedores, decorrentes de vendas a prazo, cumpre ao interessado comprovar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, foram liquidadas no período seguinte ou nos posteriores. GLOSA DE DESPESAS. RUBRICA GENÉRICA (OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS). FALTA DE DETALHAMENTO DA COMPOSIÇÃO DOS GASTOS. Correta a glosa dos valores agrupados sob a rubrica genérica Outras Despesas Operacionais, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixa de apresentar a composição detalhada dos gastos. GLOSA DE DESPESAS COM FRETES, ESTIVA E CAPATAZIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Logrando o contribuinte não comprovar parte das despesas com frete, estiva e capatazia, através de documentação hábil e idônea, fornecida pelo agente marítimo, mantem se a glosa correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao IRPJ aplica se, também, à CSLL, uma vez que se trata de lançamento decorrente da mesma matéria tributável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratando se de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OBRIGAÇÕES DECORRENTES DE ADIANTAMENTOS DE CLIENTES. OBRIGAÇÕES JUNTO A FORNECEDORES. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratando se de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. No caso de adiantamentos de clientes, cabe ao interessado demonstrar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, correspondem a encomendas concluídas no período seguinte ou nos posteriores. No caso de dívidas junto a fornecedores, decorrentes de vendas a prazo, cumpre ao interessado comprovar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, foram liquidadas no período seguinte ou nos posteriores. GLOSA DE DESPESAS. RUBRICA GENÉRICA (“OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS”). FALTA DE DETALHAMENTO DA COMPOSIÇÃO DOS GASTOS. Correta a glosa dos valores agrupados sob a rubrica genérica “Outras Despesas Operacionais”, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixa de apresentar a composição detalhada dos gastos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 05 82 /2 00 9- 18 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 GLOSA DE DESPESAS COM FRETES, ESTIVA E CAPATAZIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Logrando o contribuinte não comprovar parte das despesas com frete, estiva e capatazia, através de documentação hábil e idônea, fornecida pelo agente marítimo, mantem se a glosa correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao IRPJ aplica se, também, à CSLL, uma vez que se trata de lançamento decorrente da mesma matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício manuseados contra decisão proferida pela 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Extraise do presente processo administrativo que decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro – DEFIC/RJ, foram lavrados contra a contribuinte os autos de infração de fls. 570/601, para exigência do crédito tributário relacionado ao IRPJ e seus respectivos reflexos. Verificase ainda que as detectadas pelo Auditor Fiscal autuante encontram se resumidas no Item I do Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização, abaixo reproduzido (fls.552/554): (...) Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 3 3 “I – DA VERIFICAÇÃO FINAL I.1. Aspectos Iniciais Na auditoria fiscal levada a termo junto ao contribuinte em epígrafe e referente ao anocalendário de 2005 – exercícios financeiro de 2006 –, executada e formalizada de conformidade com as normas que regem os atos administrativos vinculados e regrados foram evidenciados fatos de interesse fiscal na forma em que se passará a demonstrar. O presente procedimento de ofício consubstanciarase na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF), sob o nº 2008055160, de 16/12/2008, e com fundamento nas operações sob o nº 20104 – Passivo Fictício; nº 20212 – LR – Variação nos Estoques; nº 20.303 – LR – Despesas com Royalties, Assistência Técnica, Serviços de Terceiros e Aluguéis; nº 20399 – LR – Outras Despesas Operacionais; e, em face de evidências inquestionáveis, ampliouse as operações iniciais, adicionandose àquelas a de nº 50151 – IRRF – Pagamentos a Beneficiários Não Identificados/Sem Causa ou por Operação NãoComprovada, de acordo com a solicitação de inclusão de infração, de 13/04/2009, consoante permissivo ofertado pelo Anexo III da Ordem de Serviço Defic/RJO nº3, de 2002. Os trabalhos de auditoria se iniciaram em 18/12/2008, em acorde com termo de início do procedimento fiscal lavrado em 17/12/2008, e consubstanciado na direção do objeto do Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) antes aludido. Sucederamse outros termos na mesma direção, a exemplo do Termo Fiscal Nº 02, lavrado em 03/02/2009, e recebido pela contribuinte em 11/02/2009, via ECT (AR em anexo); o Termo Fiscal nº 03, lavrado em 03/03/2009, com submissão e ciência ao auditado em 04/03/2009, porém grafado erroneamente como lavrado em 03/02/2009; o Termo o Fiscal nº 04, lavrado em 22/04/2009, e transmitido ao sujeito passivo em 22/04/2009; e. por fim, o termo fiscal nº 05, lavrado em 15/05/2009, com ciência à contribuinte em 19/05/2009. Assente, assinalese que o foco causal deslocouse, precipuamente, para as incongruências manifestas na escrituração e estampada na DIPJ, com viés na precária comprovação do escriturado e na sintetização das respectivas rubricas apostas na DIPJ, conforme revelam as suas respostas sob pálio de “Cumprimento do Termo de Intimação Fiscal nº 02”, em ressonância ao termo fiscal cientificado à contribuinte em 04/03/2009 que, a seguir, se detalhará, objetivandose ampla compreensão. I.2. Os Notáveis Desencontros da Escrituração Contábil visà vis os Registros na DIPJ. Enfrentando, pontualmente, as veredas dos desencontros, o balanço coligido na DIPJ indica o valor de R$ 2.500.098,40 a Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 teor de ativo total. O mesmo balanço tecido pela empresa e extraído de sua escrituração indica, para o mesmo ativo, o montante de R$ 5.240.162,47 (o de Verificação). O balanço colado no livro diário nº 04 (fls.121), revela o valor de R$ 5.177.438,58. As diferenças de R$ 2.740.064,07 ou de 2.677.340,18 podem ser atribuídas ou até mesmo explicadas pelas seguintes impropriedades: o balanço patrimonial acusa, para o disponível, a verba de R$ 633.933,71; a DIPJ denuncia, para a mesma rubrica, R$ 640.427,36, fato que deságua na diferencial de R$ 6.493,65. O mesmo se sucede em relação aos direitos realizáveis: enquanto o balanço registra o grupo, R$ 4.248.796,51 (ou, ao reverso, de R$ 4.233.581,87 – livro diário nº 04, fls. 121), a DIPJ, nada indicando para a rubrica Adiantamentos, esta sabidamente no valor de R$ 2.547.916,32, contrário senso oferta o valor de R$ 1.259.603,74; contas a receber, segundo as demonstrações financeiras da contribuinte registra o montante de R$ 1.426.869,48, enquanto, por oposição, a DIPJ informa apenas a verba, a esse teor, de R$ 487.605,75. Acerca de outros créditos também constantes do balanço patrimonial, a DIPJ nada a esse título assevera. No que se refere ao realizável, a longo prazo, reiteramse os descompassos: sob o manto de “outras contas” a DIPJ assinala R$ 600.067,30; o balanço patrimonial, em sentido contrário ao que se sucedera em vinculação ao ativo circulante mostra a cifra de R$ 332.791,25 (balanço de verificação); o constante do livro diário nº 04, a verba de R$ 285.282,00. Por fim, o ativo permanente – imobilizado que inexiste grafado na DIPJ, tem, sob o manto do ativo permanente imobilizações técnicas, o diminuto valor de R$ 24.641,00. Respeitante às contas de passivo os mesmo fenômenos se replicam, encontrandose na conta “adiantamento de clientes” o seu maior pilar não coincidente, aliado ao de fornecedores propriamente dito. Por derradeiro, demonstração do resultado colacionada ao livro diário nº 04 e sob as fls.00120 acusa, para o exercício, prejuízo contábil de R$ 262.985,52; o balanço de verificação, a importância de R$ 263.585,52. O mesmo resultado trasladasdo para ficha 06 A, fls. 55 da DIPJ exibe o montante negativo de R$ 225.961,12 que, sem ajustes, culminou com igual prejuízo fiscal no período. Restara uma diferença negativa nãoexplicada e nãodetectada de R$ 37.024,40 em comparação com o balanço constante do livro diário nominado. Inferese, por conta dessas notáveis parcelas desencontradas, que o patrimônio líquido da empresa não tem correspondência com o que está na DIPJ. Cumprese lavrar, ainda, que as exacerbadas e recorrentes incompatibilidades não maculam a escrituração contábilfiscal, que subsiste, pois os seus impróprios e controvertidos registros conspurcam, sim, com aguda ofensa o ente acessório (DIPJ), sem correspondência qualitativa ou quantitativa na mesma ordem e magnitude com a escrituração. Ademais, as consideráveis incompatibilidades perfilhadas não obstaram a Auditoria fiscal, que subsistiu, não obstante. Os desvãos havidos nesses registros serão submetidos a lançamento de ofício. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 4 5 Elegerseão, pois, como prevalecentes, ora a demonstração contábil, ora a DIPJ, para erigirse o foco tributável, pois é consabido que as incompatibilidades laboradas pelo seu autor invertem o ônus da prova(a escrituração prova contra o seu autor dos fatos nela registrados em acorde com o Código Civil no seu artigo 226, aprovado pela Lei nº 10406/2002, cabendo, pois, em decorrência, à contribuinte, o deslinde solitário dos desencontros expostos. Ou seja, recuperandose um velho chavão, registrase: “quem inventou a esfinge que trate de decifrála”.” (...) Temse assim, que as infrações apuradas e as respectivas matérias tributáveis encontramse detalhadas, por sua vez, nos Itens II a VII do TVF, do qual se extrai os trechos abaixo (fls. 554/564): 001 – OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA Omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa em 31/10/2005 – cfr. Item VI do Termo: “Pelo termo de intimação fiscal nº 04, lavrado em 22/04/09, foi instada a contribuinte a justificar, com elementos seguros de prova, a presumível omissão de receitas caracterizada pelo saldo credor de caixa havido no mês de novembro de 2005 e constante de sua escrituração contábil no montante de R$ 18.447,84. Ocorre que esse saldo o deflui do saldo negativo havido em 31/10/2005 (fls. 003 do razão contábil nº 100218) e que ascende à importância de R$ 31.761,55. Se “zerarmos” o saldo inicial de novembro de 2005,o saldo negativo, antes de R$ 18.447,84, se transmuda para o saldo devedor de R$ 13.313,81. Dessa forma escolhese o maior saldo negativo do período, ou seja, o de R$ 31.761,55, referente ao mês de outubro/2005, reiterase.” Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2005 31.761,55 75,00 002 – OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação incomprovadas – cfr. Item IV do Termo: “(...) o termo fiscal a que se aludiu – em seu item 03 – determinou à contribuinte” comprovasse, com notas fiscais de compra, contratos de financiamentos ou de empréstimos, faturas, duplicatas quitadas, débitos em contacorrente bancária ou outras formas de adimplemento de obrigações, a liquidação do passivo circulante no anocalendário subsequente ou nos anos calendário ulteriores a este, máxime as seguintes contas: nº 20.1421, 20.300.9, 20185.5 e 20169.3. Contas nº 20.2207 – Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 SALDO 74.900,00; Conta nº 20.2363, no valor de R$ 203.626,00; Conta nº 20.235.5, no montante de R$ 111.323,98; e a Conta nº 20.101.4 (Fornecedores diversos), na verba de R$ 46.004,79”. Em relação aos adiantamentos laborados por terceiros e constante de seu passivo circulante (subitem 03.1), “que se detalhasse toda a operação, inclusive com identificação dos credores, formas de cumprimento das respectivas exigibilidade. Que indicasse as folhas do livro diário onde estão assentadas as respectivas operações, incluindose as contas a débito das exigibilidades a que se aludira.” O elenco das contas perfilhadas no termo de intimação, mercê do vocábulo “máxime” empregado, não descartou a exigência no tocante ao total da conta fornecedores que, segundo a DIPJ, ascende a R$ 908.795,87. Entretanto, como se verá no item a seguir (nº V – Das Despesas Pagas Sem Causa), esse valor deverá ser reduzido em R$ 69.478,01, passando a exigência, ipso facto, e sob o pálio da infração em tela, a figurar a versa incomprovada de R$ 839.317,86 = (R$ 908.795,87 – R$ 69.478,01). A resposta da contribuinte sob o abrigo dos itens mencionados não presta reverência à mais comezinha forma de comparação dos fatos contábeis e não rende similarmente obediência aos princípios fiscais aplicáveis à espécie e ao diploma legal regente da presumível infração júris tantum. Ademais, a contribuinte apresentou quitações havidas ao longo do próprio ano calendário de 2005, quando se questionava era a liquidação dos valores constantes da rubrica havida posteriormente ao término do anocalendário sob fiscalização. Os valores em aberto, em 31/12/2005, não atingem sequer a soma de suas exigibilidades. Distante estão, dramaticamente. Conflui ainda para agravar a pretensa comprovação o fato de as liquidações se processarem via Transferência Eletrônica Disponível (TED), esta nem sempre exibindo valores coincidentes com os títulos que se propõe quitar. Em face do exposto considerase nãocomprovado o passivo circulante representado pela verba antes reproduzida e ajustada, somada ao valor de R$ 5.154.933,68 integrante da conta “adiantamentos de clientes”, conforme fichas de razão nº 21951 7, 219592, 219525, 219550, 219665 (despesa liquidada no próprio exercício), 219657, 219568, 219746, 219690, 21958 4, 219720, 219576, 219533, 219703 219673 e 219711, montante aquele constante de sua escrituração; cifra, aliás, consentânea com a prevalência já decantada em “1.2”mormente em face de a declaração de rendimentos nada consignar, ou até mesmo assinalar valores supostamente contidos na rubrica, mas ainda assim inferiores ao montante expressado pelo balanço. Isso posto, inferese que a exigência presente, por certo, abarca ou compreende o valor de R$ 1.655.470,25 (vide item 05 do termo de intimação nº 03), este sob as vestes de “outras contas” e de que trata a DIPJ, ficha 37 A, linha 10. Curioso por isso mesmo impõese apontar, a resposta do intimado quando, em sua defesa acerca da conta adiantamentos, menciona “estar entregando as folhas do razão da referida conta, com a indicação no débito e no crédito a lápis da folha do diário onde se acha esta escriturada (...). Destarte, inferese ser a resposta Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 5 7 da contribuinte apartada de qualquer comprovação exigível, ainda que mínima, não obstante a soma dos seus saldos credores, em 31/12/2005, guardarem coincidência com o montante de sua escrituração contábil. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2005 5.994.251,54 75,00 003 – CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE FINAL DE MATÉRIAS PRIMAS E BENS DE REVENDA Majoração indevida de custos não caracterizada como postergação – cfr. Item III do Termo de Verificação. “De forma recorrente reconhece a auditada as incongruências apontadas, indicando novas importâncias que deveriam perfilhar a composição do custo das mercadorias vendidas. Assegura que o valor correto do CMV ascende a R$ 9.186.479,14, o que contraria o montante consignado tanto em suas demonstrações financeiras (resultado do exercício) quanto em sua DIPJ (R$ 9.171.264,50). Os estoques finais que, na DIPJ, acusam a verba de R$238.407,98, coincidentes com o seu balanço, porém em contradição com o seu registro de inventário (R$ 223.193,40), entremostram similaridade com os novos números arguidos pelo sujeito passivo em sua resposta ao termo fiscal em alusão. Entretanto, o fato inusitado é que na DIPJ – Balanço Patrimonial – Ativo, ficha 36 A, linha 04, o valor assentado é de R$ 771.997,99. Em face desse cenário, (...) resulta permanecer sem explicação e sem prova cabal a verba de R$ 15.214,58 (R$ 238.407,98 menos R$ 223.193,40), fato que implica, por prevalência e por inconsistência, exigibilidade fiscal a título de majoração de custo de mercadorias vendidas por exasperação ou superavaliação do CMV e, consequentemente redução indevida dos estoques finais via registro de inventário.” Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2005 15.214,58 75,00 004 – CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS – GLOSA DE CUSTOS (A) Falta de comprovação da rubrica “Outras Despesas Operacionais”, informada na DIPJ/2006 – Ficha 05A – Linha 30, no valor de R$ 1.180.012,55 – cfr. Item II do Termo: Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 “Tratase de despesas que ascendem ao valor consolidado de R$ 1.180.012,55, onde restou expresso pela contribuinte que tal informação deverá ser corrigida, pois, segundo a mesma auditada, in verbis, esse valor tivera o seu montante mudado, o qual será indicado em ulterior retificação. Por certo, nessa ambiência temporal não há como acolher a pretensão da fiscalizada, mormente quando não carreara para análise dos trabalhos investigativos sequer um início de provas documentais que pudessem suprir ou derruir as deficiências ou lacunas nesse mister, e que acabara por reconhecer, exasperada pelo fato de estarmos na vigência do anocalendário de 2009, enquanto a reivindicação da contribuinte se reporta ao do ano calendário de 2005, distante daquele aproximadamente quatro (4) exercícios. Ademais, tratase de rubrica que compõe o resultado do exercício, com reflexos importantes na apuração dos tributos a que está obrigada, por lei. À míngua de esclarecimentos e comprovaçãos impõese a sua glosa, plenamente, por falta de elementos probantes hábeis e tempestivos.” (B) Custos ou despesas pagos sem comprovação, no valor de R$ 928.288,67 – cfr. Item VII do Termo: “Analisados, de forma aleatória, os milhares elementos probantes de atos negociais colocados a disposição desta fiscalização, a par das nãomenos incontáveis fichas componentes do razão contábil e do livro diário da investigada, em decorrência do termo fiscal nº 04, item 4 do termo fiscal nº 03, procederase à conferência exaustiva dos valores mensais dos dispêndios, visàvis as fichas de razão individuais e os correspectivos lançamentos contábeis constantes do livro diário nº 04 postos à disposição desta fiscalização. Excetuamse, porque comprovados, os seguintes entes probantes e respectivos valores constantes do subitem 04.2.1 insertos no termo fiscal nº 03, de R$ 57.400,00, TED de 11/08/2005 e de R$ 9.566,40, TED de 16/08/2005, ambos consignados no razão contábil nº 50801 2. Os demais elementos trazidos a análise e conferência do Fisco não foram evidenciados ou acolhidos, por absoluta falta de comprovação, ainda que sob as vestes de variados códigos de razão e elencados pelo Termo Fiscal nº 03, amparados pela citação das folhas do livro razão da empresa e que abrigam, similarmente, os respectivos lançamentos. Em face dessa omissão e débeis elementos probantes intentadores de prova, impõese a caracterização de glosa de custos e despesas por falta absoluta de comprovação, conforme se detalhará a seguir: 04.2) Conta nº 50.8012 – Fretes Nacionais: 04.2.1. R$ 4.800,00, em 28/02/2005; R$ 10.755,00, em 30/06/2005; R$ 9.899,68, em 31/07/2005; R$ 8.000,00 e R$ 7.033,97, em 31/12/2005. TOTAL: R$ 40.488,65. 04.3) Conta nº 50.8020 – Fretes Marítimos Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 6 9 04.3.1. R$ 105.695,50, em 31/03/2005; R$ 70.716,00, em 30/04/2005; R$ 40.460,00, R$139.900,70, e R$ 41.508,25, em 31/08/2005; R$ 32.986,64, em 31/10/2005, R$ 67.603,32, R$ 71.386,67, R$ 87.396,20, e R$ 34.208,73, todos do dia 30/11/2005. TOTAL: R$ 691.862,01. 04.4) Conta nº 50.8063 – Estiva a Capatazia 04.4.1. R$ 10.551,25, em 3/09/2005; R$ 40.903,25, e R$ 23.912,89, em 31/10/2005; R$ 26.134,40, e R$ 81.191,02, em 30/11/2005, e R$ 13.245,20, em 31/12/2005. TOTAL: R$ 195.938,01.” Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2005 2.108.301,22 75,00 ENQUADRAMENTO: arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. 005 – PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA Despesas pagas sem causa comprovada – cfr. Item V do Termo: “Pelo termo de intimação em relevo intimouse sob o patrocínio do item 07, “que a contribuinte apresentasse a primeira via e a cópia das notas fiscais e das duplicatas, por compras efetivadas junto às empresas DI Som Produtos Eletrônicos Industria e Comércio Ltda., CNPJ nº 62.210.984/000192, e Alumínio Vigor Ltda., CNPJ nº 61.707.386/000160, sob os títulos de razão nº 201893 e de valores igualmente respectivos de R$ 298.740,00 e de R$ 204.600,00”. Do valor sobredito observouse, contabilmente, a liquidação de R$ 229.444,00. Deste montante excluase a verba de R$ 25.500,00, porque comprovada com a nota fiscal nº 6347, e TED coincidente em data e valor. Os demais pagamentos não encontram correspondência com as datas de liquidação e com os valores das notas fiscais apresentadas, sobrelevandose o fato de o dispêndio de R$ 20.000,00 havido em 02/12/2005 não apresentar qualquer indício de contrapartida, nada revelando, pois. No que se refere ao pagamento lançado no razão em 25/11/2005, nem a presença de TED tivera sua confirmação. Dessa forma restou sem causa os seguinte valores precedidos de datas, porém abrigados pela conta de razão nº 201693 como consignado na intimação a que se alude: Data Pagamento Histórico Razão Cont. Valor em R$ 19/10/05 Sem qualquer documento fiscal 201693 54.648,00 26/09/05 Sem qualquer documento fiscal 20169 54.648,00 10/11/05 Sem qualquer documento fiscal 20169 54.648,00 25/11/05 Sem qualquer documento fiscal 20169 20.000,00 02/12/05 Sem qualquer documento fiscal 20169 20.000,00 Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 TOTAL 203.944,00 As TED que perfilham a tabela similarmente não se correlacionam nem com as datas que figuram no razão contábil e nem mesmo com as notas fiscais ofertadas, a saber; a) Vr. R$ 54.648,00, de 26/09/05; R$ 54.648,00, de 19/10/05; R$ 54.648,00, de 10/11/05; R$ 20.000,00, de 02/12/2005; e, por fim, R$ 20.000,00 de 25/11/2005, reiterase. Em relação aos dispêndios havidos pelo mesmo critérios junto à empresa Alumínio Vigor Ltda constatouse, pelo livro razão, que as despesas apropriadas sob o título de razão contábil nº 20236 3 foram liquidadas, no montante de R$ 203.626,00, em 31/12/2005, contrariamente ao que se grafou no termo de intimação fiscal nº 03. Tal dispêndio referese às notas fiscais nº 28833, 28867, e 28832, de 28/02/05. Ao responder de forma precária a intimação, atesta o auditado que tais valores integram a conta fornecedor, objeto antes de arguição similar. Não há dúvida de que a empresa ao utilizarse da conta passiva fornecedores sob o título de razão nº 2101010000 confirma serem aquelas rubricas partes da referida conta passiva. Entretanto, somente o que não fora liquidado é que poderia ser deduzido do acervo avaliado como potencial infração descrita no item precedente, já que o passivo deve abrigar exigibilidade não liquidadas até 31/12/2005. Neste cenário encontramse, in casu, o valor remanescente de R$ 69.478,01 (razão contábil nº 201855), em sendo o numerário de R$ 63.672,49, consubstanciado na duplicata nº 451 paga em 04/01/2006; e o de R$ 5.805,52, nota fiscal nº 455, também em 04/01/06. Em face do exposto devem ser excluídas do montante exigível de R$ 908.795,87 e constantes do subitem “IV” as referidas verbas, sob pena de se incorrer em duplicidade de exigência, porque agasalhadas sob o mesmo título. Ainda sob pálio dessa infração hão de se consignar valores de comprovação insuficiente, a saber: a) de R$ 121.540,02 a título de pagamento a IBRAÇO – Ind. Brasileira de Artefatos de Aço Ltda., de cujo pagamento, via TED, ocorrera em 04/11/2005. A respaldar tal assunção de dívida e liquidação, apenas a presença de autorização de débito em conta lavrada pela própria fiscalização, e cópia de email detalhando a operação. Além da parca documentação e, ainda, assim, inábil, não se tem aclarada ou mesmo identificada a natureza da operação, ou a sua causa. Igual desígnio marca a transferência de recursos para KN AUF do Brasil, no valor de R$ 91.134,12, em 04/11/05, onde além de um email endereçado a “PHE Pablo/Jacob pheunion”, achase apensado um pedido de compra sob nº 1312/051, de 10/10/2005. Data Pagamento Histórico Razão Cont. Valor em R$ 28/10/2005 Sem qualquer documento fiscal 201421 121.540,02 04/11/2005 Sem qualquer documento fiscal 201421 121.540,02 Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 7 11 04/11/2005 Sem qualquer documento fiscal 202177 91.134,12 Sob a égide da Conta de razão nº 50.4181 – 5101041800 – Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, subitem 4.1.1, do termo fiscal nº 03, impõese a sua tributação, tendo em vista que nenhum documento hábil fora apresentado ao Fisco, salvo correspondências encaminhadas à instituição financeira autorizando o débito em conta corrente, sem qualquer causa explícita. Data Pagamento Histórico Razão Cont. Valor em R$ 30/06/2005 Sem qualquer documento fiscal 504181 160.000,00 06/07/2005 Sem qualquer documento fiscal 504181 73.000,00 05/09/2005 Sem qualquer documento fiscal 504181 131.000,00 14/09/2005 Sem qualquer documento fiscal 504181 48.000,00 30/09/2005 Sem qualquer documento fiscal 504181 110.400,00 30/10/2005 Sem qualquer documento fiscal 504181 90.000,00 TOTAL 612.400,00 Tipificase, pois, entrega de recursos sem justificativas e, em alguns casos, sem identificação dos reais favorecidos, finais ou de seus intermediários, entremostrandose partidas inexistentes, mormente em face de tal rubrica não ter recebido qualquer desfecho até hoje, inferese. Assinalese que a transferência bancária efetivamente ocorrera, conforme provam as TED e suas fichas do razão contábil. Suscitada a auditada a manifestarse e comprovar a razão dos adiantamentos dos numerários não logrou fazêlas, e sequer apresentou fundadas razões para derruir a presumível infração, ou até mesmo o deixou de carrear para os autos um início de provas que tivesse o condão de convencer o Fisco da efetividade e licitude dos fatos apontados. Não remanescem dúvidas, pois, de que os recursos saíram à ordem dos seus sócios, beneficiandoos direta ou indiretamente. (...) Logo, as bases de cálculo, ou os rendimentos reajustáveis a serem exigidos nas datas das ocorrências dos fatos geradores, serão, aplicandose a fórmula: Notação: de cálculo antes do reajustamento) Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 RR = RP/0,65 Fato Gerador RP em R$ 1 – T/100 = (1 – 0,35) = 0,65 RR por operação RR por mês 30/06/2005 160.000,00 0,65 246.153,85 246.153,85 06/07/2006 73.000,00 0,65 112.307,69 112.307,69 05/09/2005 131.000,00 0,65 201.538,46 14/09/2005 48.000,00 0,65 73.846,15 26/09/2005 54.648,00 0,65 84.073,85 30/09/2005 110.400,00 0,65 169.846,15 529.304,61 03/10/2005 90.000,00 0,65 138.461,54 RR = RP/0,65 Fato Gerador RP em R$ 1 – T/100 = (1 – 0,35) = 0,65 RR por operação RR por mês 19/10/2005 54.648,00 0,65 84.073,85 28/10/2005 121.540,00 0,65 186.984,65 409.520,01 04/11/2005 121.540,02 0,65 186.984,65 04/11/2005 91.134,12 0,65 140.206,34 10/11/2005 54.648,00 0,65 84.073,85 25/11/2005 20.000,00 0,65 30.769,23 442.034,07 02/12/2005 20.000,00 0,65 30.769,23 30.769,23 Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 30/06/2005 246.153,85 75,00 06/07/2005 112.307,69 75,00 30/09/2005 529.304,61 75,00 28/10/2005 409.520,01 75,00 30/11/2005 443.034,07 75,00 02/12/2005 30.769,23 75,00 ENQUADRAMENTO: art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. (...) Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 8 13 Devidamente cientificada das imputações acima transcritas, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 696/722), instruída com os documentos de fls. 723/1208, alegando em síntese, cerceamento do direito de defesa, porquanto quando do procedimento de fiscalização da autuada, foi entregue ao Fiscal a documentação requisitada no Termo de Intimação Fiscal nº 02, conforme comprovante de protocolo (fl. 749), ocorrente que, conforme atestado pelo Sr. Roberto Galvão (CRC/RJ nº 32.201/0), contador externo que presta serviços à Impugnante e que atendeu ao fiscal durante a fiscalização, parte da documentação original entregue ao Fiscal não foi devolvida (fl. 745). Aduziu ainda que em diligência na Secretaria da Receita Federal, em uma tentativa de recuperar os documentos, foi informado que o Fiscal estaria de férias, reputando ser flagrante o cerceamento de defesa, já que não estava na posse de todos os seus documentos originais, o que pode prejudicar sua defesa, requerendo que a fiscalização fosse intimada a devolver os documentos originais que permaneceram em seu poder, reabrindose o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de nova impugnação. No mais, alegou inexistência de passivo fictício e a improcedência da tributação da parcela de R$ 5.154.933,68 – Adiantamentos de Clientes, assegurando que procedimento adotado na contabilização dos adiantamentos de clientes é comum empresas fornecedoras de bens e equipamentos receberem o pagamento de clientes de forma antecipada, seja parcialmente, seja no valor integral da transação. Isto ocorre, principalmente, com empresas exportadoras, pelos riscos envolvidos na negociação internacional, sabidamente em transações com países que vivenciam graves crises financeiras ou, até mesmo, guerra civil. Afirmou ainda, que reconhecendo tal realidade, a legislação brasileira determina que as antecipações devem ser registradas no passivo circulante, representando a obrigação contratual pela entrega dos bens encomendados pelo cliente, sendo que caso a transação não se concretize — seja qual for o motivo —, o valor recebido antecipadamente deverá ser devolvido, insistindo que a figura do "adiantamento de clientes" possui duas hipóteses diversas de contabilização: i) para os casos de contratos com execução a longo prazo (superiores a um ano) e ii) para os casos de contratos com execução a curto prazo (inferiores a uma ano) e que para os contratos com prazo de execução a longo prazo, aplicase o disposto no art. 407 do RIR, computandose em cada período de apuração: I – o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos”. Alegou que situação diversa ocorre em casos de fornecimento de bens produzidos em prazo inferior a um ano. Em tal hipótese, aplicase o art. 408 do RIR, que estabelece que o resultado deverá ser apurado à medida da execução, defendendo que no seu caso, sendo empresa importadora e exportadora de produtos, tem, como uma de suas principais atividades, a venda e exportação de caminhões e afins para empresas em Angola e que por razões variadas, é praxe em todo e qualquer contrato de compra e venda para Angola a exigência dos valores de forma antecipada. Seguiu arrazoando que não possui um estoque dos produtos encomendados para pronta entrega e que uma empresa de exportação não possui armazenados caminhões, cavalos mecânicos, reboques, furgões e afins, à espera de eventual contratação. Quanto mais em se tratando de caminhões específicos para utilização em escolas itinerantes, como é o caso de muitas encomendas recebidas pela PHE Union. Reputou assim, que feita a encomenda pelo cliente, recebia por meio de adiantamento o valor total da transação e com esse valor que a empresa fazia requisições aos Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 seus fornecedores — como a Volkswagem, por exemplo — que produziam os bens encomendados. Registou que não apenas encomenda e envia, pura e simplesmente, os caminhões existentes nos estoques de seus fornecedores. Há, na realidade, uma encomenda específica para cada caso, já que cada produto será confeccionado de modo a atender às necessidades e especificidades de cada pedido recebido, sendo importante que se diga que existe um interregno de alguns meses entre a encomenda feita por clientes em Angola e a efetiva entrega do bem (confeccionado sob encomenda), observando que em nenhuma hipótese este interregno chega a doze meses, que diferenciam o contrato de execução a curto prazo, daquele a longo prazo, sendo comum que caminhões encomendados no segundo semestre de determinado ano só estejam prontos para entrega no início do ano seguinte, quando, então, será efetivamente concretizada a operação e realizado o resultado, mas a regra seria clara ao determinar o tratamento do art. 407 do RIR apenas para prazos superiores a Razão Contábil Valores indicados no Termo de Verificação (R$) 20.1421 Não indica valores 20.3009 Não indica valores 20.1855 Não indica valores 20.1693 Não indica valores 20.2207 74.900,00 20.2363 203.626,00 20.2355 111.323,98 20.1014 46.004,79 TOTAL 435.854,77 Alegou que na apuração do valor a ser supostamente tributado — ao invés de utilizar o somatório das contas, conforme valores mencionados no próprio Termo de Verificação (tabela acima) — foi utilizado como parâmetro o valor fornecido na DIPJ na ficha 37A, isto é, R$ 908.795,87 e deste valor subtraiuse R$ 69.748,01, referente ao razão contábil nº 20.1855 (única transação levada em consideração pelo Fiscal), chegandose ao valor de R$ 839.317,86, sendo evidente, ao seu sentir, a nulidade do auto de infração vez que de sua leitura não é possível extrair nenhuma imputação com a devida clareza. Não haveria descrição precisa do fato punível e os fatos concretos que justificariam a exigência dos tributos, elementos essenciais para se determinar com segurança, a infração e a falta desta descrição afrontaria o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sendo que com a simples descrição do Termo de Verificação não é possível extrair quais procedimentos a autuação entende não restarem comprovados, até mesmo porque nas folhas 4/5 do Termo são elencadas algumas contas razão sem indicação de valores e outras cujo somatório (R$ 435.854,77) representa pouco mais da metade do valor que ensejou a autuação (R$ 839.317,86), conforme exposto acima, não havendo como se defender. Em sede alternativa, reputou que na eventualidade de não ser considerada a nulidade quanto a essa parte do auto de infração, deveria a autuação ser julgada improcedente, porquanto, para a composição do valor de R$ 839.317,86, foi descartada a contabilidade da empresa, para tomar como base o valor indicado na DIPJ, ocorrendo que como reconhecido Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 9 15 pelo próprio Termo de Verificação, a DIPJ seria posteriormente retificada, por ocorrência de erro material, sendo evidente que o erro material no preenchimento da DIPJ não acarreta confissão, constitui auto lançamento, mas há previsão de sua retificação posterior (MP nº 2.18949, de 2001, art. 18 e IN SRF nº 166, de 1999, art. 1º). Insistiu que no presente caso, deveria ter sido considerada a contabilidade da empresa, através de seus balancetes, razões contábeis e notas fiscais, que demonstram, claramente, não ter havido qualquer passivo fictício e que há tributação em duplicidade das contas nº 20.1421 e 20.1693 e quanto à conta nº 20.1421, referente ao fornecedor IBRACO, o Termo de Verificação não indicou qual seria o valor questionado. Porém, esta mesma conta compõe o montante tributado no item 4 dos autos de infração, isto é, "Custos ou Despesas não Comprovadas – Glosa de Custos", em R$ 243.080,04 e que o mesmo ocorreu em relação à conta nº 20.169, referente ao fornecedor DISOM, que no item referente a "custos não comprovados", perfaz o valor de R$ 203.944,00 sendo que a comprovação referente às contas nº 20.3009, 20.1855, 20.2207, 20.2363 e 20.2355. Quanto à conta nº 20.3009 (Fornecedor Maximiliano Gaidzinsky S/A), defendeu que apesar de o Termo de Verificação não ter mencionado qual valor pretende ver comprovado, cumpria esclarecer durante o ano de 2005, foram lançados a crédito nesta conta os seguintes valores: R$ 1.321,10, R$ 3.725,52, R$ 7.235,61, R$ 22.791,04, R$ 2.529,13, R$ 749,00, R$ 2.011,93, R$ 333,66, R$ 5.916,19, R$ 3.426,04 e R$ 822,61 (total de R$ 50.861,83), sendo que tais valores podem ser facilmente confirmados através das Notas Fiscais nº 80733, 80734, 98245, 186741, 82094, 82095, 82096, 82097, 82098, 82099 e 100128, respectivamente. Defendeu que “a débito” existe apenas uma operação, referente ao pagamento de R$ 11.774,87, efetuado no dia 31.dez.2005, composto por um DOC de R$ 3.714,00 e um TED no valor de R$ 8.060,87, razão pela qual, ao término de 2005, permaneceu no razão o valor de R$ 39.086,96 (= R$ 50.861,83 + R$ 11.774,87) a crédito. Desta forma, não há que se falar em "passivo fictício" quanto a este razão. Em relação à conta 20.1855 (Fornecedor Pormade Portas de Madeiras), esta foi a única operação considerada pelo Fisco (os tais R$ 69.478,01 que foram abatidos dos R$ 908.795,87 retirados da DIPJ, assinalando a recorrente que que as duplicatas nº 45501 e 45101 foram pagas em 28.fev.2006. No tocante à conta 20.2207 (Fornecedor Alumínio São Jorge Ltda.), o Termo de Verificação menciona o valor de R$ 74.900,00 e esse valor é facilmente comprovado através da duplicata e nota fiscal nº 30441 (com recibo de "paga"). Por ter sido quitada no próprio anocalendário de 2005, o razão desta conta foi zerado, evidenciando que não há que se falar em passivo fictício. Quanto à conta 20.2363 (Fornecedor Alumínio Vigor Ltda.), defendeu que o Termo de Verificação menciona o valor de R$ 203.626,00. Esse valor é facilmente comprovado através das Notas Fiscais nº 28867, 28833 e 28832, além dos comprovantes de TED nos valores de R$ 84.010,00 e R$ 119.616,00 (= R$ 203.626,00). Por terem sido quitadas no próprio anocalendário 2005, o razão desta conta foi zerado, evidenciando a improcedência da autuação. Por fim, quanto à conta 20.2355 (Fornecedor Ferramentas Paraboni Ltda.), assinalou que o Termo de Verificação menciona o valor de R$ 111.323,98. Esse valor é Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 facilmente comprovado através da Nota Fiscal nº 85432 e do comprovante de TED a ela referente. Embora não mencionado na autuação, juntou ainda comprovantes quanto ao valor de R$ 3.316,98 (Nota Fiscal nº 88704 e TED). Quitados todos esses valores em 2005, resta evidente a improcedência da autuação também quanto a essa conta razão. Pretendeu a improcedência do item da autuação referente a “Custos ou Despesas não Comprovados”, reputando que também neste ponto o auto de infração seria nulo, na medida em que a descrição dos valores no Termo de Verificação não condiz com o valor apresentado nos autos de infração, acarretando flagrante cerceamento de defesa, porquanto os autos de infração indicam como valor tributável o montante de R$ 2.108.301,22. Tal valor teria sido composto de R$ 1.180.012,55 (retirado da DIPJ, ficha 05A, linha 30, "outras despesas não operacionais") + R$ 928.288,37 (composto por despesas com fretes nacionais, marítimos e despesas com estiva e capatazia), no entanto, na descrição elaborada no Termo de Verificação, no título "V – Das despesas pagas sem causa comprovada", há descrição precisa da composição de R$ 1.150.558,16, divergindo dos R$ 1.180.012,55, que, somados às despesas de frete, estiva e capatazia, comporiam os tais R$ 2.108.301,22 dos autos de infração. Concluiu assim, que há uma diferença a maior de R$ 29.454,39 entre o valor contido nos autos de infração para aquele descrito minuciosamente no Termo de Verificação e caso não se entenda pela nulidade, ainda assim, não merece prosperar a autuação, impugnando um a um os valores que compuseram os R$ 1.150.558,16, vez que esta é a parte dos R$ 1.180.012,55 descrita no Termo de Verificação. Quanto à comprovação dos pagamentos e de suas causas (R$ 1.150.558,16), assinalou que conforme dito anteriormente, os razões contábeis 201693 e 201421, que já haviam sido mencionados no Termo de Verificação quando da composição do tópico "Passivo Fictício", também integraram a base de cálculo quanto ao tópico "Custos ou despesas não comprovados", acarretando bis in idem e quanto ao razão 201693 foi questionado o valor de R$ 203.944,00, conforme indicação da tabela contida no Termo de Verificação, mas não haveria qualquer comprovação quanto a esses pagamentos, defendendo a contribuinte, no entanto, tais valores são referentes a compras feitas do fornecedor DISOM Produtos Eletrônicos Indústria e Comércio Ltda, conforme comprovam as duplicatas e Notas Fiscais nº 6524, 6539, 6542 (com carimbo de recebimento) e declaração de quitação, emitida pelo próprio fornecedor, anotando que o razão analítico, em cada uma das operações, descreve esses mesmos números de Notas Fiscais e que não restam dúvidas, portanto, quanto à comprovação dos pagamentos e suas causas. Sendo assim, tanto nesse item da autuação, quanto no item "passivo fictício" é completamente descabida a glosa de R$ 203.944,00, relativa à conta razão nº 201693. No tocante ao questionado valor de R$ 334.214,16, assinalou a contribuinte que o razão contábil 20.1421 é referente a compras feitas do fornecedor IBRAÇO – Indústria Brasileira de Artefatos de Madeira e Aço Ltda., e também compôs a autuação por passivo fictício, no entanto, os pagamentos elencados (R$ 243.080,04) e suas causas são facilmente comprovados através de duplicata e nota fiscal nº 44836, emitidas em 29.10.05, no valor de R$ 243.080,05, bem como através dos Recibos emitidos pelo Fornecedor, esclarecendo que juntava os comprovantes (TEDs) não apenas dos R$ 243.080,04 questionados, mas também referentes ao somatório dos outros pagamentos lançados no razão analítico, por terem sido efetuados em conjunto. Alegou que razão nº 20.2177 é referente ao Fornecedor KNAUF do Brasil Ltda. O pagamento e suas causas são facilmente comprovados as Notas Fiscais nº 38644, 38661, 38668 e 38694, a transferência bancária no mesmo valor (R$ 91.134,12) e a declaração de quitação emitida pelo fornecedor e que o valor de R$ 612.400,00, razão nº 50.4181, é Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 10 17 comprovado através do contrato de suporte técnico e logístico firmado com a empresa D.S. & H.A. LOGÍSTICA IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. e Notas Fiscais nº 000155, 000156, 000159 e 000160, bem como pelo extrato bancário que indica as transferências em tais valores para a empresa prestadora de serviços, também correntista do Banco Rural. No tocante às despesas de frete, estiva e capatazia (R$ 928.288,37), alegou que tais valores foram pagos a OCEANUS AGÊNCIA MARÍTIMA S.A. e podem ser comprovados pela análise conjunta dos razões analíticos com os recibos nºs 566202, 542661, 553847, 576608, 578586, 582819, 594720, 607819, 610481, 611814, 592421, 599269, 602535, 602538, 607211, 613359 e 617526, além de declaração do prestador de serviço. Quanto ao lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte, aduziu que na composição da base de cálculo do suposto IRRF devido, o Fisco utiliza o valor (atualizado) daqueles mesmos R$ 1.150.558,16 tributados a título de pagamentos em causa comprovada e uma vez que entende comprovados todos os pagamentos feitos aos fornecedores (Disom, Ibraco e Knauf) e prestador de serviço (DS&HA) e suas causas, através de duplicatas, notas fiscais e recibos — únicos valores que compuseram a base de cálculo para o IRRF — deve também neste ponto ser julgada improcedente a autuação. Por fim reputou inexistente saldo credor de caixa e de subavaliação de estoque porquanto após toda a exposição feita, destacando os absurdos considerados nos autos de infração, custaria crer que tenham sido configuradas a omissão de receitas quanto ao saldo credor de caixa e a subavaliação de estoque final de matérias primas e bens de revenda. Considerando a preliminar de nulidade levantada pela impugnante, o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que o Auditor Fiscal autuante se pronunciasse a respeito da alegada retenção de documentos (fl. 1.211) e dando pronto cumprimento à diligência, o Auditor Fiscal abriu vista dos autos à recorrente e promoveu o desarquivamento do dossiê de fiscalização, localizando alguns documentos originais, que foram afinal devolvidos à empresa — Termo de Devolução (fls. 1.217 – 1.218) e Informação Fiscal (fls. 1.219/1.220). Foi reaberto o prazo de defesa, a recorrente apresentou aditamento à impugnação (fls. 1.225/1.248), reiterando as razões de mérito. A 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, julgou o lançamento parcialmente procedente em acórdão que ficou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTOS NÃO DEVOLVIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. QUESTÃO SUPERADA. Devolvidos ao sujeito passivo os documentos que haviam ficado em poder do AuditorFiscal autuante, e reaberto o prazo para impugnação da exigência, temse por superada a causa do cerceamento do direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presumir omissão no registro de receita. Tratandose de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OBRIGAÇÕES DECORRENTES DE ADIANTAMENTOS DE CLIENTES. OBRIGAÇÕES JUNTO A FORNECEDORES. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, autorizada presumir omissão no registro de receita. Tratandose de uma presunção relativa, estabelecida pela lei em favor do Fisco, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar a improcedência da acusação. No caso de adiantamentos de clientes, cabe ao interessado demonstrar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, correspondem as encomendas concluídas no período seguinte ou nos posteriores. No caso de dívidas junto a fornecedores, decorrentes de vendas a prazo, cumpre ao interessado comprovar que as obrigações registradas no passivo, na data de levantamento do balanço, foram liquidadas no período seguinte ou nos posteriores. MAJORAÇÃO DO CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. SUBAVALIAÇÃO DO ESTOQUE FINAL. Para que se possa falar em subavaliação do estoque final, é preciso que o valor informado na DIPJ seja menor do que o valor escriturado no Registro de Inventário. A situação inversa não acarreta majoração, antes sim, diminuição, do custo das mercadorias vendidas. GLOSA DE DESPESAS. RUBRICA GENÉRICA (“OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS”). FALTA DE DETALHAMENTO DA COMPOSIÇÃO DOS GASTOS. Correta a glosa dos valores agrupados sob a rubrica genérica “Outras Despesas Operacionais”, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixa de apresentar a composição detalhada dos gastos. GLOSA DE DESPESAS COM FRETES, ESTIVA E CAPATAZIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Logrando o contribuinte comprovar parte das despesas com frete, estiva e capatazia, através de documentação hábil e idônea, fornecida pelo agente marítimo, afastase a glosa na proporção correspondente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário:2005 Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 11 19 CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao IRPJ aplicase, também à CSLL, uma vez que se trata de lançamento decorrente da mesma matéria tributável. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário:2005 PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIAS CONTRIBUIÇÕES. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. As receitas oriundas da exportação de mercadorias situamse fora do campo de incidência do PIS e da COFINS. Em se tratando de omissão de receitas decorrente de presunção legal, cabe à empresa autuada demonstrar que os valores omitidos provieram, efetivamente, de operações de exportação. Do contrário, mantémse a cobrança de tais contribuições. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário:2005 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, os pagamentos cuja causa não restar efetivamente comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte interpôs Recurso Voluntário contra a parte da decisão que lhe foi desfavorável, reiterando os argumentos já relatados. Houve Recurso de Ofício da parcela exonerada do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade, bem assim o Recurso de Ofício atende aos pressupostos regimentais, admitoos para julgamento. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 Considerando que parcela significativa da autuação originária fora afastada pela decisão recorrida, tendo em conta ainda que a questão apresentada gira em torno do cotejo das provas apresentadas, de rigor apreciar conjuntamente as matérias objeto dos Recursos Voluntário e de Ofício. De início, devese registar que a recorrente foi autuada por: i) omissão de receitas/saldo credor de caixa; ii) omissão de receitas/passivo fictício; iii) custo dos bens ou serviços vendidos/subavaliação de estoques final de matériasprimas; iv) custos e despesas não comprovados/glosa de despesas; v) pagamentos a beneficiários não identificados/pagamento sem causa. Sendo assim, convém seguir a sistemática da decisão recorrida e analisar cada tópico da autuação, aferindo, de uma vez, a pertinência de ambos os recursos. Inicio assim, pelo enfrentamento da imputação relativa ao saldo credor de caixa, imputação segundo a qual a Conta “100218 Caixa Geral” apresentou um saldo credor de R$ 31.761,55 (fl. 550). Assiste razão à decisão recorrida. Com efeito, a contribuinte nada esclareceu em relação ao fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa, hipótese que sabidamente desencadeia presunção legal de omissão de receita. Em relação à autuação de omissão de receitas caracterizada pela manutenção de passivo fictício, importa registrar que a decisão recorrida acatou as justificativas da recorrente no sentido de que tem como atividade preponderante a exportação de caminhões para empresas sediadas em Angola e que, não possuindo estoques, trabalha sob o regime de encomenda, sendo que ao receber a encomenda de um cliente, emite uma fatura pro forma, com a descrição do produto e o seu valor em dólares e sendo confirmada a venda, recebe do cliente, adiantado, o valor total da transação, valor este que é convertido em reais mediante um contrato de câmbio, que uma vez fechada a operação de câmbio, o adiantamento é contabilizados em seu passivo circulante, representando a obrigação contratual pela entrega dos bens encomendados pelo cliente; que muito embora exista um interregno de alguns meses entre o pedido do cliente e a efetiva conclusão da encomenda, o prazo de entrega nunca ultrapassa doze meses, o que caracteriza um contrato de execução de curto prazo; que assim que os bens se tornam disponíveis para entrega, emite uma nota fiscal de saída e a fatura comercial correspondente, que segue junto com a mercadoria exportada que à medida em que as exportações são concretizadas, os valores recebidos a título de adiantamento são oferecidos à tributação, conforme determina o art. 408 do RIR/1999 que a apropriação dos referidos valores ao resultado é realizada na conta “Receitas de Exportação”, onde aparecem identificados, em cada lançamento, o nome do cliente e o número da nota fiscal; que a execução de cada etapa da encomenda é acompanhada por meio de mapas de exportação, onde aparecem indicados os números das faturas e os respectivos Registros de Exportação (passíveis de checagem através do Siscomex). Vejase que a decisão recorrida aceita em tese o procedimento de escrituração da contribuinte: (...) Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 12 21 O procedimento adotado pela impugnante na contabilização dos adiantamentos de seus clientes, ao menos em tese, está correto. Enquanto não ocorre a entrega do bem ou a execução do serviço encomendado, o adiantamento assume a natureza de uma obrigação, devendo ser registrado em conta de passivo, circulante ou exigível a longo prazo, conforme o prazo previsto para a conclusão da encomenda. Em se tratando de fornecimentos relativos a bens e serviços produzidos em prazo inferior a um ano, o resultado é reconhecido à medida da execução (art. 10, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, base legal do art. 408 do RIR/1999). Para afastar, portanto, a presunção de omissão de receitas, é necessário que a Interessada demonstre que as obrigações registradas no passivo em 31/12/2005, decorrentes de adiantamentos de clientes, correspondem a bens entregues/exportados no ano de 2006. Tenho para mim que a decisão recorrida ao não deve ser modificada neste item, é necessário que o sujeito passivo produza prova para ensejar o afastamento da presunção legal de omissão de receitas por manutenção de passivo fictício. Entendo, destarte, que para afastar a presunção legal de omissão de receitas imputada pela Fiscalização, obrigação da contribuinte demonstrar a efetiva exportação cumpria à Contribuinte comprovar que não ocorreu omissão de receitas, não fica assim afastada a presunção, não restou descaracterizada. Diante de todos os fatos articulados e a fundamentação da decisão recorrida, não vejo como proverse o Recurso de Ofício e restaurar a parcela exonerada. O outro tópico da autuação que reclama enfrentamento, em sede de Recurso de Ofício, porquanto julgada improcedente a imputação, diz com a “majoração indevida de custos Subavaliação de Estoques Finais”. Neste item específico, como já fiz ver no relatório, a Fiscalização reputou que a recorrente teria majorado indevidamente o custo das mercadorias vendidas ao subavaliar os estoques existentes no término do exercício e em vista desta considerada majoração, glosou o montante de R$ 15.214,58. Vide demonstrativo colhido da decisão recorrida: Estoque final – Balanço Patrimonial (fl.173)............................... 238.407,98 (–)Estoque final – Registro de Inventário (fls. 185/187)......... .223.193,40 (=)Diferença tributada (Subavaliação de Estoque) ................ ....15.214,58 Andou bem a decisão recorrida ao considerar que a despeito de existir uma diferença, não é compreensível como este fato possa ter redundado em majoração indevida de custos de mercadorias. Torno a reproduzir trecho do aresto impugnado, esclarecedor da questão: Examinando o demonstrativo de apuração que consta da DIPJ, observo que o estoque final ali informado foi de R$ Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 1.771.997,99. Com base neste valor, apurouse um Custo de Mercadorias Vendidas de R$ 9.171.264,50 (fl.06): DIPJ/2006 – Ficha 04A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos Estoques no Início do Período de Apuração...................... 0,00 (+)Compras de Mercadorias à Vista .................................. 0,00 (+)Compras de Mercadorias a Prazo..................... 10.943.262,49 (–)Estoques no Final do Período de Apuração....... 1.771.997,99 (=)CUSTO DAS MERCADORIAS REVENDIDAS............ 9.171.264,50 Ora, admitindose que o valor correto do estoque fosse de R$ 238.407,98, conforme indicado no Balanço Patrimonial (fl. 173), ou mesmo de R$ 223.193,40, como consignado no Registro de Inventário (fls. 185/187), resultado final, em qualquer das duas hipóteses, seria a subvaloração, nunca majoração, do custo das mercadorias vendidas. À vista do exposto, afasta a glosa sobre o presente item. Tem razão a decisão recorrida, nada há que indique majoração indevida de custos, prevalecendo o conteúdo decisório e sendo caso de negarse provimento ao Recurso de Ofício. O item seguinte das imputações realizadas cuidou de ventilar glosa a “custos e despesas não comprovadas”, sede na qual a decisão recorrida acatou algumas despesas como comprovadas pela documentação carreada aos autos, e manteve outras pela mesma indicada falta de comprovação. Diante disso, sendo o caso de analisarse a pertinência de ambos os inconformismos (voluntário e de ofício), é oportuno verificarse a manifestação da decisão recorrida para todas as despesas glosada. Com efeito, a glosa de R$ 2.108.301,22, decorrente da falta de comprovação de custos e/ou despesas, compreende duas parcelas: — a primeira, no valor de R$ 1.180.012,55, referente à rubrica “Outras Despesas Operacionais” e a segunda, no valor de R$ 928.288,67, diz respeito às rubricas de despesas com Fretes, Estiva e Capatazia. A decisão recorrida, por seu turno, concluiu que em relação à parcela de R$ 1.180.012,55, a glosa foi acertada, porquanto recorrente foi intimada, expressamente, a “decompor, segundo os títulos de razão correlacionados aos correspondentes valores, a rubrica ‘Outras Despesas Operacionais’, constante da Ficha 05A, Linha 30, página 4 da DIPJ”, mas não logrou apresentar, em momento nenhum da ação fiscal, a composição do referido item — cfr. Termo de Intimação Fiscal nº 02, lavrado em 03/02/2009 (fl. 178) e resposta da empresa (fl. 182), limitandose a aduzir erro na identificação da matéria tributável, em relação ao qual já assentou a decisão recorrida que tratase, na verdade, de equívoco da recorrente, eis que o valor aqui glosado, de R$ 1.180.012,55, nada tem a ver com o montante de R$ 1.150.558,16, tributado no Item 005 (Pagamentos sem causa comprovada). Verificado que a recorrente de fato nada esclarece em relação a estas despesas, e que a decisão recorrida bem afastou a alegação de erro na identificação da matéria tributável, assinalando que a matéria aqui tratada nada tem a ver com o item de pagamentos Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16832.000582/200918 Acórdão n.º 1301001.289 S1C3T1 Fl. 13 23 sem causa, assinalo estar correta a decisão recorrida ao manter a glosa em relação à parcela de R$ 1.180.012,55, em relação às quais o Recurso Voluntário deve ser desprovido. Já no tocante às despesas com Fretes, Estiva e Capatazia, no valor de R$ 928.288,67, a recorrente apresentou diversos documentos comprobatórios que foram examinados pela decisão e recorrida e parcialmente acatados. A parcela da autuação que fora mantida, justificou a decisão recorrida que apesar de a contribuinte apresentar os comprovantes de depósitos bancários comprovando o dispêndio, deveriam prevalecer porque já haviam sido apresentados à Fiscalização o que a levaria a inferir que a glosa não se deu pela falta de comprovação dos pagamentos, mas sim pela falta de discriminação dos serviços prestados. Novamente entendo que a decisão recorrida deve prevalecer pelo seus próprios fundamentos mantendo se a glosa e negandose provimento ao recurso voluntário. Por fim, consignese que o decidido em relação ao IRPJ aplicase também aos lançamento reflexos, já que se trata de autuação decorrente, calcada nas mesmas matérias de fato. Diante disso, nos termos das considerações acima elaboradas, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Sala das Sessões, em 08 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10875.000709/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
Ementa:
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Na ocasião o STJ pacificou entendimento que o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria nº 256/2009).
USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 1998, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado na forma do art. 543C do CPC. Na ocasião o STJ pacificou entendimento que o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria nº 256/2009). USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 07 09 /2 00 4- 10 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 1998, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 1998, 1999 e 2000, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 143/146, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 171.347,02. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: preliminarmente, alega a extinção dos créditos tributários relativos a 1998 e anteriores a março de 1999 por decurso do prazo decadencial, uma vez que o impugnante tomou ciência das autuações ocorridas em 1998 e 1999 somente em março de 2004, argumentando o seguinte: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 2201002.548 S2C2T1 Fl. 3 3 a regra geral da decadência está contida no art. 173 do CTN e os lançamentos por homologação estão regrados pelo art. 150 do CTN; imposto de renda é tributo cujo lançamento é feito por homologação, portanto disciplinado pelo art. 150 do CTN; cita doutrina; segundo o art. 39 do RIR/94, os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, ou seja, a periodicidade de apuração do IRPF é mensal e não anual; logo, os valores referentes ao anocalendário de 1998 e aos meses anteriores a março de 1999 não podem mais ser exigidos, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN; mesmo que equivocadamente se aplicasse a regra do art. 173, I, do CTN, tais valores já estariam decaídos; cita jurisprudência administrativa e doutrina. segundo o art. 39 do Decreto nº 1.041/94 e o art. 38 do Decreto nº 3.000/99, os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, ou seja, a tributação do IRPF é de periodicidade mensal; há mês em que o valor mensal ficou aquém do considerado tributável na tabela progressiva mensal. Cita jurisprudência administrativa. a autuação fiscal baseouse em informações colhidas de arrecadação de CPMF, o que afronta a Lei nº 9.311/96, art. 11, § 3º, não podendo a alteração trazida pelo art. 1º da Lei nº 10.174/2001 ser aplicada retroativamente. inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, citando jurisprudência judicial: é indevida a utilização da taxa Selic por possuir natureza de juros moratórios e caracterizar nova hipótese de incidência tributária; a taxa Selic afronta o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, configurando enriquecimento sem causa do Poder Público; não há previsão legal do que seja a taxa Selic. A 4ª Turma da DRJ – São Paulo/SP II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei nº 8.134/90, razão Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A inexistência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados em conta de depósito ou investimento autoriza o lançamento do imposto correspondente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, à exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 25/09/2007 (fl. 186), Sérgio Ricardo Abreu de Souza apresenta Recurso Voluntário em 09/10/2007, fls. 188/201, sustentando, essencialmente, verbis: ... concluindo, assim, o acórdão que o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 30.04.99, sendo 01.01.2000 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o auto de infração poderia ter sido lavrado. Assim, diante de tal raciocínio, "data vênia" equivocado, entendeu os DD Julgadores que tendo o Recorrente ciência do Auto de Infração ocorrido em 15.03.04 (fls 149), não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar o crédito tributário relativo aos anoscalendário de 1.998 e 1.999. (...) (b) A impugnação do Recorrente, quanto ao mérito, sustenta que a autuação encontrase eivada de vícios, comprometendo a sua validade, especialmente no que tange à fórmula de cálculo anual procedida na autuação fiscal contrariando disposição legal constante do artigo 39, do Decreto n° 1.041, de 11.01.94, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 2201002.548 S2C2T1 Fl. 4 5 combinada com o disposto no parágrafo único do Decreto n° 3.000/99, cujos dispositivos legais são uníssonos, no sentido de que a tributação do imposto de renda pessoa física é de periodicidade mensal. Nesse sentido a autuação fiscal também deve ser declarada nula pelos vícios que contém, uma vez que a forma de autuação consubstanciada na autuação leva no seu bojo fatos que não possuem base legal, uma vez que inexiste preceito dispondo sobre a apuração anual do imposto de renda pessoa física... (...) Entre as garantias que compõem o devido processo legal estão o contraditório e ampla defesa, que pressupõe regras previamente definidas, neste particular, o Decreto n° 3.724/01 que regulamentou o art. 6° da Lei Complementar n° 105/01, traz, em seu art. 3°, em perfeita técnica legislativa, as hipóteses autorizadoras do indispensável exame de informações constantes em instituições financeiras. (...) Questionou, também, o Recorrente na sua peça impugnatória a respeito da forma pela qual, digase ilegal, da colheita das informações da arrecadação da CPMF para a lavratura do Auto de Infração guerreado, tendo sito ela levada à efeito através de colheitas de informações pelas arrecadações da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira, conhecida como "CPMF", fato que ofende de morte o "Principio da Legalidade", porquanto não decorreu o Auto de Infração seguramente de Exame de Escrita, ou seja, revisão de contas, de lançamentos, de números que compõem o conjunto real dos assentos e lançamentos, bem como do exame dos documentos que lhes deram origem válida, mas utilizandose de mecanismos e instrumentos governamentais sem motivação para a finalidade utilizada pelo ente fiscal ensejando, irregularmente o Auto guerreado. (...) Como bem asseverou o Recorrente junto à sua peça de Impugnação o Superior Tribunal de Justiça, admitiu o incidente de inconstitucionalidade na aplicação da taxa SELIC na exigência tributária vencida, (j. Rec. Esp. n° 193.681, p. D.J. de 20.03.2000, p.65), reconhecendo a excessiva carga que representa a taxa SELIC ao patrimônio dos contribuintes, afrontando o dispositivo constitucional colacionado no artigo 150, inciso I e IV; No presente caso, o montante da multa exigido, conduz ao confisco tributário, que os citados dispositivos constitucional veda; e tal vedação sendo norma maior, não pode ser desconhecida pela Administração Pública, nem ofendido pela legislação ordinária invocada pelo auto e mantida pela decisão recorrida, nomeadamente porque o servidor público não é Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 obrigado a cumprir normas ilegais ou leis inconstitucionais (inteligência do art. 116, inciso I e III dos Estatutos, Lei n° 8.112/90). (...) O processo em apreço foi julgado em 07 de junho de 2011 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 220101.177, decidiram dar provimento parcial para acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 1998. Posteriormente, o contribuinte apresenta Embargos de Declaração alegando que a decisão contrariou entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, relativamente à quebra de seu sigilo bancário. Os Embargos foram julgados em 19 de janeiro de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão de Embargos nº 2201001.484, decidiram acolher os embargos de declaração para anular o acórdão 220101.177, de 07 de junho de 2011, tendo em vista a não observância ao artigo 62A do RICARF (Sobrestamento do Recurso Portaria CARF nº 1, de 2012). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário 1998, 1999 e 2000. Em seu apelo, aduz o suplicante a ocorrência de decadência mensal do crédito tributário, em relação aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1.998 e 1.999. Assevera ainda que é ilegal o uso das informações da CPMF para a lavratura do Auto de Infração. Por fim, alega que a multa imposta foi confiscatória e diz ser ilegal a taxa Selic. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. No que tange à alegação de decadência, impende esclarecer que de acordo com o art. 2° da Lei n° 7.718/1988, a tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Nos casos de lançamento por homologação, devese aplicar à espécie o REsp nº 973.733/SC, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). Na ocasião, o STJ decidiu que, na hipótese de ocorrer a antecipação do pagamento do imposto, o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 2201002.548 S2C2T1 Fl. 5 7 Como o contribuinte antecipou o recolhimento do IRPF, conforme DIRPF/1999, fl. 03, aplicase para o anocalendário 1998 o § 4º do art. 150 do CTN. Nesse passo, o fato alusivo ao anocalendário de 1998 se aperfeiçoou em 31 de dezembro daquele ano (31/12/1998). Contados cinco anos a partir dessa data, o lançamento decairia em 31/12/2003. Como o sujeito passivo foi cientificado da exação em 15/03/2004, fl. 149, o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1998 já havia sido atingido pela decadência. Em outra preliminar alega o recorrente, em linhas gerais, que é ilegal o uso das informações da CPMF para a lavratura do Auto de Infração. Relativamente à preliminar supra, transcrevo a Súmula CARF nº 35, cujo conteúdo não deixa margem a dúvidas sobre a questão: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Portanto, não é ilegal a utilização das informações da CPMF para a constituição do crédito tributário. Quanto à alegação de que “... o montante da multa exigido conduz ao confisco tributário...” deve ser esclarecido que a multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco, por exemplo) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da mesma forma, não há como acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo, consoante ficou assentando na Súmula CARF nº 04, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 1998, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10746.904220/2012-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 22 0/ 20 12 -9 6 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.869, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904220/201296 Resolução nº 3803000.594 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001502/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Numero do processo: 10830.001242/2002-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - AUSÊNCIA DE ANÁLISE
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando comprovada a ausência de análise do Recurso Voluntário.
ERRO DE DCTF - COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS CONTÁBEIS - PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL
A DCTF é instrumento acessório de confissão de débito, todavia, não possui força de verdade absoluta. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, o contribuinte declarou valores em duplicidade na DCTF, e a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, alterando o resultado do julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - AUSÊNCIA DE ANÁLISE Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando comprovada a ausência de análise do Recurso Voluntário. ERRO DE DCTF - COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS CONTÁBEIS - PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL A DCTF é instrumento acessório de confissão de débito, todavia, não possui força de verdade absoluta. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, o contribuinte declarou valores em duplicidade na DCTF, e a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis. Embargos de Declaração Acolhidos. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO AUSÊNCIA DE ANÁLISE Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando comprovada a ausência de análise do Recurso Voluntário. ERRO DE DCTF COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS CONTÁBEIS PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL A DCTF é instrumento acessório de confissão de débito, todavia, não possui força de verdade absoluta. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, o contribuinte declarou valores em duplicidade na DCTF, e a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis. Embargos de Declaração Acolhidos. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, alterando o resultado do julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 12 42 /2 00 2- 71 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 450/454 – Vol. III) com base em omissão e obscuridade. Em resumo, a Embargante alega que a matéria analisada, referente à existência de processo judicial não era mais controversa por ter sido resolvida pela primeira instância administrativa e que a alegação referente à matéria ainda controversa não chegou a ser analisada. Às fls. 448/455 – Vol. III , consta o acórdão nº 20181.330, embargado, o qual restou da seguinte forma ementado: “AUTO DE INFRAÇÃO ELETRONICO – PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO – ERRO DE FATO – VICIO DE NULIDADE O Auto de Infração lavrado eletronicamente em virtude da não localização, pelo sistema da Secretaria da Receita Federal, dos processos judiciais que deram ensejo ao não recolhimento do tributo ou mesmo da guia DARF de pagamento, deve ser cancelado se o contribuinte comprovar a falsidade destas premissas. Caso a fiscalização, após constatada a efetiva existência do processo, pretenda constituir os créditos, ainda que objetive apenas evitar a decadência de valores, deve iniciar mandado de procedimento fiscal e elaborar novo auto de infração, com outro fundamento. Inclusive, neste caso, não haverá a incidência de multa. Não compete ao julgador alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora. MULTA. INAPLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA E EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS. A existência de depósito judicial, por si só, é suficiente para cancelar a multa infracional, tendo em vista que os valores devidos já se encontram disponibilizados ao Fisco e o disposto no inciso II, art. 151, do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.001242/200271 Acórdão n.º 3302002.279 S3C3T2 Fl. 11 3 Ademais, a declaração dos valores devidos em DCTF também justifica a aplicação retroativa do art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, posto que inexistente fraude, dolo ou simulação. Recurso de ofício negado e voluntário provido.” Defende a Embargante que não houve análise do Recurso Voluntário, mas apenas de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Após analisar os termos do acórdão, ementa e voto, verifico que a Embargante está com a razão. Realmente Recurso Voluntário não se insurge contra o tema julgado no acórdão, pois os períodos abarcados pelo processo judicial já estavam decididos pela primeira instância administrativa, verbis: “Fls. 429 – Vol. II Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER as impugnações, ANULAR as exigências decorrentes de “não comprovação do processo judicial indicado para suspensão da exigibilidade dos débitos”, dada a duplicidade em relação aos lançamentos formalizados nos autos dos processos administrativos nºs 10830.001656/9708 e 10830.009190/0076, e JULGAR PROCEDENTES EM PARTE as exigências por “pagamentos não localizados”, para manter, do principal lançado, apenas o valor de R$ 199.775,84, para junho/97, exonerando, também, a multa de ofício sobre ele aplicada, conforme quadro ao final deste voto.” A única matéria controversa referese ao mês de junho/1997, e a alegação da então Recorrente para o cancelamento da autuação é a inexistência de débito em virtude do erro de declaração (recurso voluntário – fls. 437/439 – Vol. III). Correta a Embargante quando pleiteia o cabimento de seu recurso pela omissão, pois esta questão não foi analisada pelo órgão colegiado, razão pela qual, passo a analisála. Alega a Embargada em seu recurso que o valor exigido no mês de junho/1997 foi declarado em duplicidade, e que a DCTF apresentada não corresponde às escriturações contábeis e à declaração de imposto de renda – DIPJ. Anexa ao seu recurso às fls. 441/442 cópia simples do Balancete do mês de junho/1997. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Registrase que às fls. 314/348, a contribuinte já havia apresentado a DIPJ do ano de 1997, sendo que às fls. 314/338 está a composição do valor devido a título de COFINS. Após analisar os documentos trazidos à colação pela Embargada (Balancete e DIPJ) verifico que a contribuinte tem razão. O valor constante como devido em junho/1997 na DCTF diverge daquele declarado na DIPJ o qual, por sua vez, diverge do valor indicado como devido no Balancete. A verdade apresentada é que não há certeza em qualquer um dos documentos da empresa, pois cada um representa uma realidade diferente. A DCTF indica como devido o valor de R$ 961.603,46 (que gera o saldo de R$ 199.775,34 não recolhido), o Balancete compõe o valor de R$ 717.780,68 e a DIPJ aponta como Cofins a pagar em junho/97 o montante de R$ 641.885,96. Dos números, planilhas, documentos trazidos aos autos, resta claro que o erro do valor indicado na DCTF foi gerado pela declaração em duplicidade débito de R$ 199.775,34, devidamente recolhido por meio de guia DARF em 10/07/1997. Esta evidência demonstra que o valor confessado em DCTF não representa a veracidade dos fatos. Todavia, o valor declarado em DIPJ também não pode ser considerado porque não esclarece a base e não se identifica com o fluxo contábil registrado no Balancete. Os valores que representam a base de cálculo da COFINS estão declarados no Balancete (efls. 888/900). O contribuinte trouxe o resumo dos números em seu recurso (efls. 883), indicando ao final o valor devido de COFINS de R$ 717.780,68. Ocorre que também este numero não está correto. É que conforme se verifica da planilha apresentada, o contribuinte retirou da base de cálculo duas vezes o valor de R$ 20.114,90, referente às vendas de exportação que foram canceladas. A primeira vez com o título de “DEDUÇÕES DE RECEITA BRUTA”, inserida na conta 311101 relativa à “Vendas Canceladas” e a segunda oportunidade com a justificativa de “EXCLUSÕES À BASE DE CÁLCULO”, valor incluído na conta 30014 de “Vendas de Produtos de Exportação”. É preciso ajustar este número, ou a “venda de exportação cancelada” é deduzida como “VENDAS CANCELADAS” ou excluída do valor de “VENDAS DE PRODUTO DE EXPORTAÇÃO”. Em virtude deste fato, a correta composição da base de cálculo é a seguinte: CONTA DESCRIÇÃO VALOR 31101 Venda de Produtos R$ 37.573.674,64 31103 Venda de Interdivisão R$ 1.702.755,12 DEDUÇÕES DE RECEITA BRUTA 311101 Vendas Canceladas R$ 691.414,18* SUBTOTAL R$ 38.585.015,58 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO 30014 Vendas de Produtos Exportação R$ 686.579,42 Fl. 945DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10830.001242/200271 Acórdão n.º 3302002.279 S3C3T2 Fl. 12 5 30014 Vendas de Produtos Exportação R$ 1.962.447,03 30014 Vendas de Produtos Exportação R$ 26.840,00 SUBTOTAL R$ 2.675.866,45 BASE DE CÁLCULO COFINS R$ 35.909.149,13 COFINS 2% R$ 718.182,26 * As vendas canceladas foram calculadas sem o valor referente à exportação cancelada. O valor correto devido a título de COFINS, portanto, conforme indicado nos documentos acostados aos autos é de R$ 718.182,26. Assim e, uma vez que foi comprovado o recolhimento por meio de guias DARF no valor de R$ 654.859,04 (R$ 231.616,31 + R$ 223.356,17 + 199.775,34 + R$ 111,22), deve ser mantido, em relação ao mês de junho/97, o débito de R$ 63.323,22. Ante o exposto, admito os Embargos de Declaração apresentados, para o fim de reratificar o acórdão nº 20181.330, fls. 356/363 – Vol. II , mantendo a conclusão em relação ao recurso de ofício para o fim de NEGARLHE provimento e conferindo efeitos infringentes aos Embargos de Declaração em relação ao recurso voluntário, para o fim de alterar o resultado de julgamento, dandolhe PARCIAL PROVIMENTO mantendo o débito de R$ 63.323,22 para o período de junho/1997. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2014 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 946DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721772/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
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DADOS NÃO RELACIONADOS COM FATOS GERADORES Recorrente SUPERMERCADOS BH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 72 /2 01 0- 19 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721772/201019 Acórdão n.º 2402004.327 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SUPERMERCADOS BH, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.275.7111, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP dados não relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de informar os valores referentes ao total das cotas de saláriofamília no período fiscalizado, deixando sem preenchimento, o campo correspondente, exceto competência 02/2006, para todos estabelecimentos. A recorrente apresentou impugnação apenas requerendo que as multas que lhe foram aplicadas, fossem reduzidas ao patamar mínimo, diante de sua primariedade. O lançamento compreende as competências de 11/2005 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado do relatório fiscal aditivo em 09/07/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a multa aplicada deve ser reduzida ao seu patamar mínimo, por ser primária no descumprimento de obrigações tributárias; 2. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Inicialmente cumpre apontar que em momento algum a recorrente insurgiuse quanto a imposição fiscal objeto do Auto de Infração, de modo que o lançamento, por este motivo, é incontroverso. Ademais, quanto a matéria de recurso, resumese a repetir os argumentos trazidos em sede de impugnação, requerendo a redução da multa diante da sua condição de primária e natureza confiscatória. Sobre o assunto, tenho que não assiste razão à recorrente. Quanto ao pedido de redução de multa, como bem apontou o v. acórdão de primeira instância, sequer houve a aplicação de qualquer agravante no presente caso, se resumindo a autoridade fiscal a efetuar o lançamento em conformidade com o disposto no art. 33 da Lei 8.212.91, a seguir: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ao assim proceder, quando verificou o descumprimento à legislação tributária, simplesmente aplicou ao caso as multas em conformidade com a legislação de regência, atentandose, ainda a observância da retroatividade benigna em decorrências das alterações trazidas pela Lei 11.941/09, cálculo este que sequer veio a ser objeto de contestação pela recorrente. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721772/201019 Acórdão n.º 2402004.327 S2C4T2 Fl. 138 5 Assim, não há que se falar em redução ao seu patamar mínimo, a uma em razão da multa ter sido aplicada em conformidade com a legislação de regência, a duas em razão de não haver qualquer previsão legal de sua diminuição no presente caso. Por fim, no que se refere ao caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que tal irresignação não pode ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16041.000149/2007-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2006
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para confirmar a decadência declinada no acórdão recorrido e aplicar a multa lançada limitada ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 14 1 13 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16041.000149/200727 Recurso nº 260.281 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.324 – 2ª Turma Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DOS TRANSPORTES DE CARGA EM GERAL DE LORENA E REGIÃO COOPERLOR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 1. 00 01 49 /2 00 7- 27 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para confirmar a decadência declinada no acórdão recorrido e aplicar a multa lançada limitada ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face da Cooperativa dos Transportes de Carga de Lorena e Região, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/69, para cobrança de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social pela parte patronal, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, contribuições destinadas a Terceiros e contribuições devidas por contribuintes individuais. A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 2403000.379, que se encontra às fls. 142/150 e cuja ementa é a seguinte: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 9202003.324 CSRFT2 Fl. 15 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO FISCAL CONTRIBUIÇÕES. INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS SAT. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, avulsos e contribuintes individuais. A contribuição destinada ao financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Seguro de Acidente do Trabalho) é devida nos termos da Lei no 8.212/91, de acordo com a atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, declarando, a impossibilidade de cobrança das contribuições apuradas até a competência de 05/2001, aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, art. 150 do CTN por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica a contribuinte. Intimada do acórdão em 04/05/2011 (fls. 151), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 154/178), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão n.º 230200.441, no tocante à decadência das contribuições sociais em razão da não antecipação do pagamento sobre as rubricas lançadas pela fiscalização e, sustentando a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n.° 2402.00.233 e 230100.283, no tocante à aplicação da multa requerendo seja determinada a aplicação da penalidade prevista no art. 35 A da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 348/2011, de 27/06/2011(fls. 206/211). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 230200.441. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2003 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4° DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regas previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em rega, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. (...)” No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, para o qual não foi identificada a existência de dolo, fraude ou simulação, sendo irrelevante a existência ou não do pagamento antecipado do tributo. O paradigma colacionado, no entanto, manifesta o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, entendendo que, nas hipóteses de inexistência de pagamento a homologar sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entendo, portanto, comprovada a divergência. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 9202003.324 CSRFT2 Fl. 16 5 Adicionalmente, em relação à aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN, foram apresentados como paradigmas os acórdãos n.º 240200.233 e 230100.283, a seguir transcritos: Acórdão nº 240200.233 “(...) MULTA DE MORA LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA INOCORRÊNCIA Havendo lançamento de oficio, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2° do art. 61 da Lei n° 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo.” Acórdão nº 230100.283 “(...)CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ha que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. (...)" Verifico, ainda, constar dos respectivos votos que integram os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 240200.233 “Quanto às alterações trazidas pela MP 449, a recorrente apresenta a tese de que com a nova redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. De acordo com o citado dispositivo, a limitação da multa se daria em 20% que é o percentual que a recorrente pretende que seja aplicado com a retroação benigna da lei. Ocorre que a MP 449, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serio aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A meu ver, a forma de cálculo que o contribuinte pretende que seja aplicada em seu favor é utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea. Entretanto, se ocorreu o lançamento de ofício que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior aos 50% previstos na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, inciso II, alínea "d" que corresponde ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância, porém anterior à inscrição em dívida ativa. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância.” Acórdão n° 230100.283 "Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n°449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cálculo de multa a ser aplicada em decorrência da retroatividade benigna, a comparação entre a multa aplicada no lançamento e a atual multa prevista no artigo 35, caput da Lei nº 8.212/1991 (conforme redação da Lei nº 11.941/2009), no percentual de 20%. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que para fins de aplicação da retroatividade benigna fosse comparada a multa lançada com aquela prevista no novel artigo 35A da Lei nº 8.212/191, que, ao fazer remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, resulta na aplicação de penalidade de 75% do valor do tributo lançado. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Decadência – Aplicação do artigo 173, I ou 150, §4º do CTN Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 9202003.324 CSRFT2 Fl. 17 7 No tocante à decadência, já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. De fato, tenho entendido que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados. No presente caso, da análise do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é possível inferir que houve o recolhimento, ainda que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo (fls. 70/71), valor que foi inclusive deduzido da apuração do valor do crédito tributário lançado na autuação. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 9202003.324 CSRFT2 Fl. 18 9 Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 19/06/2006 (fls. 75), deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/2001. Verifico, por oportuno, que a Recorrente requer a correção de erro material constante no acórdão recorrido. Sustenta que o referido acórdão, ao tratar da data em que a contribuinte foi cientificada do lançamento, equivocadamente considerou a data como sendo 14/06/2006 quando o correto seria 19/06/2006 (fls. 75). Considerando que o fato gerador no presente caso é mensal, o vício apontado pela Recorrente não interfere na conclusão acima quanto à decadência. Logo, verifico a existência do erro de grafia apontado pela Recorrente que, no entanto, não altera a conclusão do presente voto. Multa – Retroatividade benigna Discutese, ainda a multa a ser aplicada no presente caso em decorrência do advento da Lei nº 11.941/2009, que alterou os dispositivos da Lei nº 8.212/1991 que tratavam da matéria. O acórdão recorrido, ao analisar as razões de recurso da contribuinte, houve por bem manter o lançamento em relação ao principal, determinando o cálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela lei 11.941/2009, caso mais favorável ao contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra tal conclusão. Tratase de tema bastante debatido no âmbito deste egrégio colegiado. Para fins de clareza transcrevo, a seguir, a redação dos dispositivos relevantes vigentes à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 9202003.324 CSRFT2 Fl. 19 11 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.” Esse dispositivo era aplicado às contribuições previdenciárias, administradas pelo INSS, enquanto que aos demais tributos e contribuições federais aplicavamse as penalidades dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não apuração e recolhimento de outros tributos. De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era apenado com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo de tributo autolançado ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Assim, a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições previa a mesma penalidade em qualquer caso. Tal sistemática, no entanto, com o advento da Lei nº 11.941/2009, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. A Lei nº 8.212/1991, após o advento da Lei nº 11.941/2009, passou a tratar das penalidades nos artigos 32A, 35 e 35A, in verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 9202003.324 CSRFT2 Fl. 20 13 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” No presente caso, considerando que o lançamento decorreu da não apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212/1991 denominasse tal penalidade de mora, ela tem, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal, e não no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pela contribuinte de tributo autolançado. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Esta conclusão também é a mesma para aqueles que acompanham meu voto neste julgamento pelas conclusões. No entendimento deles a multa pelo descumprimento da obrigação principal deve ser acrescida à multa por descumprimento da obrigação acessória eventualmente lançada em outros autos para fins de comparação com o limite de 75% previsto na Lei n. 11.941. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada a multa prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 14 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10925.002521/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
SOCIEDADES COOPERATIVAS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS POR COOPERATIVAS. MATÉRIA EM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. Descabe o sobrestamento do julgamento administrativo se a exigência refere-se à CSLL e não a contribuições sociais incidente sobre o faturamento ou receita.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Numero da decisão: 1101-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS POR COOPERATIVAS. MATÉRIA EM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. Descabe o sobrestamento do julgamento administrativo se a exigência referese à CSLL e não a contribuições sociais incidente sobre o faturamento ou receita. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 21 /2 00 6- 27 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DE JOAÇABA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, que por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 19/12/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 291.886,38. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Em procedimento fiscal a que submetida a pessoa jurídica em epígrafe, de 19 de setembro a 15 de dezembro de 2006, nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF — Fiscalização (MPFF) às f. 1 e 2, foram constatadas as seguintes infrações tributárias de responsabilidade da contribuinte em epígrafe, conforme descritas no Auto de Infração de f. 4 a 9 e demonstrativos anexos (f. 10 a 18) e no Relatório de Atividade Fiscal (f. 19 a 40) que o integra, relativas aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004: I. APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL — Valor referente a exclusão de atos cooperados da base de cálculo da CSLL, conforme Relatório da Atividade Fiscal, anexo às fls. 19 a 40. 2. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA, conforme Relatório da Atividade Fiscal, anexo às fls. 24 a 26. O procedimento fiscal está descrito, como referido, em extenso e fundamentado Relatório da Atividade Fiscal, de f. 19 a 40, que expressamente faz parte do Auto de Infração lavrado, cujos valores são demonstrados a seguir (f. 3): [...] Por meio de intimação pessoal, a contribuinte recebeu o Auto de Infração, o Relatório da Atividade Fiscal e seus demonstrativos, no dia 19 de dezembro de 2006. Inconformada, em 16 de janeiro de 2007, a cooperativa impugna as exigências fiscais constantes no Auto de Infração, por meio da petição de f. 409 a 421, instruída com as peças processuais de fls. 422 a 454, em que alega: no item "2.1 — Inobservância dos Aspectos Formais ao Lançamento do Crédito Tributário", f. 410 a 413, em arguição preliminar, a nulidade do lançamento pela falta de informação, no Mandado de Procedimento Fiscal, do "[...] número do telefone e o endereço funcional do chefe imediato dos Auditores Fiscais da Receita Federal." (f. 412); no item "2.2 — Mérito" (f. 413 a 421), que os atos cooperativos — correspondentes a todo seu faturamento , não devem sofrer a incidência da CSLL, pelos motivos que menciona e que serão analisados no voto a seguir; que, não sendo contribuinte da CSLL, a cooperativa não tem débitos dessa contribuição a recolher e, portanto, não cabe a exigência de multa de oficio pela falta de recolhimento da CSLL, nem da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas após o encerramento de cada ano (“[...] no caso em tela, o auto de infração foi lavrado depois da apuração do lucro real da impugnante no final de Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 5 4 cada ano e não durante o ano calendário onde foi apurado lucro por estimativa.", f. 419) e pela impossibilidade de seu convívio com a multa de oficio ordinária também exigida; no item "3 — Dos Pedidos", à f. 421, assim requer: 3) Dos PEDIDOS. Por todo o exposto, a impugnante requer o recebimento da presente, para que seja ordenado o seu regular processamento, determinando o cancelamento do auto de infração ora impugnado, em virtude da inobservância aos requisitos formais ao lançamento do crédito tributário, bem como pela inocorrência da infração, eis que a impugnante não é contribuinte da CSLL, tendo em vista que seus atos cooperativos não sofrem incidência da referida exação; quando não, requer seja afastada a incidência da multa isolada por ser indevida sua cumulação com a multa de oficio. É o relatório. A Turma Julgadora rejeitou a defesa sob os seguintes argumentos: · Relativamente à ausência do número do telefone do chefe imediato nos MPF, reconhece que houve imperfeição no preenchimento das vias impressas do referido documento, mas tal falha não se repetiu nos registros do procedimento disponíveis na Internet. Quanto à falta de indicação do endereço da DRF/Joaçaba, concluiu que não houve óbice à defesa, na medida em que a contribuinte apresentou juá defesa junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC, daquela unidade. · Quanto à incidência da CSLL sobre os resultados de atos cooperativos, adotou os fundamentos da Solução de Consulta SRRF/4a RF/DISIT nº 39/2002, no sentido de que a legislação vigente até 31/12/2004 não cogitava de qualquer isenção em favor das sociedades cooperativas. Citou também o Parecer CST nº 1061/95, as Instruções Normativas SRF nº 198/88 e 390/2004, e firmou que o termo sobras líquidas designa o próprio lucro líquido da sociedade cooperativa, como inclusive já expresso pela Receita Federal em edição do “Perguntas e Respostas”. · Relativamente às disposições da Lei nº 10.865/2004, invocou a necessidade de interpretação literal das normas que dispõem sobre outorga de isenção, suspensão ou exclusão do crédito tributário (art. 111 do CTN). · Validou a exigência da multa de ofício isolada em razão das estimativas não recolhidas, mesmo se aplicada após o término do ano calendário, e defendeu a sua concomitante aplicação com a multa de ofício proporcional, em razão das disposições legais que as estabelecem, reproduzindo acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, coligidos pelo Conselheiro José Oleskowicz e constantes em artigo de sua lavra "Decisões Administrativas que Afastam as Multas Isoladas por Falta de Recolhimento de Antecipações de Tributo e Contribuição. Ausência de Amparo Legal" (publicado em www.jus.com.br e Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 6 5 www.fiscosoft.com.br ), perfeitamente coerentes com o teor dos lançamentos impugnados, com a legislação referida e com a interpretação adotada no voto. Cientificada da decisão de primeira instância em 31/03/2010 (fl. 466), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/04/2010 (fls. 467/477), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Destaca o tratamento diferenciado conferido às cooperativas, a incidência da CSLL apenas sobre lucro, e a previsão contida no art. 111 da Lei nº 5.764/71, delimitando quais resultados obtidos pelas cooperativas são tributáveis. Reportase também ao art. 79 da Lei nº 5.764/71, e conclui que o ato cooperativo não gera faturamento ou receita, nem mesmo lucro, tratandose de hipótese de não incidência e não de isenção. Transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, e pede o cancelamento da contribuição exigida e das multas aplicadas. Subsidiariamente aponta que as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas foram aplicadas depois do encerramento do anocalendário, contrariamente à jurisprudência administrativa que cita. Reportase também a doutrina que classifica de absurda a aplicação de duas multas sobre a mesma infração. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre inicialmente observar que a matéria em litígio nestes autos distingue se daquela em debate no Supremo Tribunal Federal, sob o rito da repercussão geral, e assim não se sujeita ao disposto no Anexo II do Regimento Interno do CARF, a partir da alteração promovida por meio da Portaria MF nº 586/2010: Art. 62A. [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isto porque, tratase aqui da incidência de CSLL sobre o resultado de atos cooperativos, e o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, em decisões de 21/10/2010 e 01/08/2009, assim ementadas, respectivamente: TRIBUTÁRIO – PIS – COOPERATIVA DE TRABALHO – MP Nº 2.15835/2001 LEIS Nº. 9.715/1998 E 9.718/1998 – INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS – REPERCUSSÃO GERAL – EXISTÊNCIA. A controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nº 9.715 e 9.718, ambas de 1998, ultrapassa os interesses subjetivos das partes. Repercussão geral reconhecida. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COOPERATIVAS. MP N. 1.858/99. ATOS COOPERATIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. A questão posta nos autos – constitucionalidade das alterações introduzidas pela Medida Provisória n. 1.858/99, que revogou a isenção da Contribuição para o PIS e COFINS concedida pela Lei Complementar n. 70/91 às sociedades cooperativas – ultrapassa os interesses subjetivos da causa. Repercussão Geral reconhecida. Embora um dos argumentos adotados para afastar as exigências em debate no STJ seja, também, o art. 79 da Lei nº 5.764/71, no sentido de que os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas, não há dúvidas que as decisões proferidas naqueles casos estarão circunscritas ao âmbito de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, não afetando exigências de CSLL, como a aqui veiculada. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 8 7 Passando ao tema central de mérito, cumpre inicialmente observar que se trata, aqui, de exigência formalizada contra cooperativa de crédito, calculada, consoante Relatório Fiscal à fl. 38, com base nas seguintes alíquotas e fundamentos legais: Período de janeiro/2001 até dezembro/2002: 9% (8% da MP 1.807/99, art. 7o , e o adicional de 1% da MP n° 1.85810/99, art. 6°, inciso II e suas reedições) Período a partir de janeiro/2003: 9% (Lei n° 10.637/2002, art. 37) Para maior clareza, transcrevese abaixo o conteúdo destes dispositivos legais: Medida Provisória nº 1.8075, de 17 de junho de 1999 Art.1o A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. Art.7o A alíquota da CSLL, devida pelas pessoas jurídicas referidas no art. 1o, fica reduzida para oito por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 1999, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo anterior. Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999 Art.6o A contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional: I de quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000; II de um ponto percentual, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de fevereiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 37. Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2003, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será de 9% (nove por cento). Por sua vez, a Lei nº 8.212/91, além de equiparar as cooperativas de créditos a instituições financeiras, dispôs especificamente sobre a incidência de CSLL nos seguintes termos: LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 9 8 artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: [...] II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). 11 § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. [...] 11 Alíquota elevada em mais 8% pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e posteriormente reduzida para 18% por força da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (informações extraídas do sítio “http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/L8212cons.htm”, sem contemplar as alterações promovidas a partir da edição da Lei nº 9.718/98, que instituiu novo regime de incidência das contribuições sociais para estas pessoas jurídicas, e ensejou as alterações inicialmente mencionadas, veiculadas a partir da Medida Provisória nº 1.807). Relevante observar que a eventual inconstitucionalidade desta norma, por ofensa ao princípio da isonomia ou inobservância das preferências conferidas ao cooperativismo, não é questão a ser apreciada nesta instância de julgamento, como já pacificado no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, diante desta peculiaridade, constatase que o tema não está pacificado no âmbito Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos julgados não apresentam unanimidade em favor dos contribuintes autuados, como revela o Acórdão nº 910100.207, exarado em sessão de 27/07/2009, no qual votaram por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional os I. Conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto de Freitas Barreto. Idêntica situação já se verificara no Acórdão nº 0104.910, exarado em sessão de 12 de abril de 2004, no qual negaram provimento ao recurso da contribuinte os I. Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Marcos Vinícius Neder de Lima, bem como nos Acórdãos nº 0104.445 e 0104.381, exarados em sessão de 24 de fevereiro de 2003, nos quais votaram, respectivamente, por negar provimento ao recurso da contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, os I. Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva e Zuelton Furtado. De toda sorte, quanto à incidência da CSLL em face das sociedades cooperativas em geral, temse por contundentes e válidas as razões de decidir expressas em voto da I. Conselheira e Presidente Ana de Barros Fernandes, acolhido à unanimidade pela 1a Turma Especial desta 1a Seção de Julgamento, e formalizado no acórdão nº 180100.259, em sessão de 05 de julho de 2010. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 10 9 Assim, com a devida vênia, adotase aqui os argumentos ali deduzidos e, a seguir, transcritos: De início, cumpre esclarecer à recorrente que as contribuições sociais são tributos de natureza diversa dos impostos e não é pelo fato que a norma tributária esclarece que se aplicam as mesmas normas de apuração e de pagamento para o imposto de renda às contribuições sociais sobre o lucro líquido que as imunidades ou isenções também serão compartilhadas. É cediço que o artigo 111 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/66) dispõe, claro e expressamente, que as isenções tributárias se interpretam literalmente, além da obrigatoriedade de estarem expressamente previstas em lei. Também é matéria recorrente a discussão sobre as contribuições sociais e a sua regulação por intermédio do artigo 195 da Constituição Federal, que, salientamos, trouxe às contribuições essa ‘marca’ do princípio da solidariedade, pelo qual todos devem financiar a seguridade social, com as exceções, impropriamente denominadas ‘isenções’, quando tratamos na verdade de ‘imunidades’, estão inseridas, sabiamente, pelo poder constituinte, no próprio dispositivo, em seu parágrafo sétimo. Vale a pena transcrever: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) § 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a respectiva contrapartida de recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 11 10 § 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em montante superior ao fixado em lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Ao me debruçar sobre tão importante tema, observo, ainda, que a Carta Magna cuidou das contribuições sociais com tal zelo que até aos produtores rurais, pescadores artesanais, ainda que não empreguem terceiros e se trate de economia familiar, o legislador não os poupou da obrigação tributária de contribuir para a seguridade social. É o que está escrito no parágrafo 8º. Nem a eles foi reconhecida imunidade. E, lendo os demais parágrafos a seguir, vemos que as contribuições sociais discriminadas no inciso I (e aí estão as calculadas sobre as folhas, os trabalhadores individuais, as receitas ou faturamento, ou sobre o lucro) poderão ter alíquotas ou base de cálculo diferenciadas em razão da atividade exercida. É o que dispõe o parágrafo 9º. E eu creio que o legislador deixou aqui uma porta para diferenciar as pessoas jurídicas em geral das demais, tais como as cooperativas. Mas não há concessão de imunidade, ainda. Cuidou ainda o Poder Constituinte de prever, no caso das contribuições sociais, as hipóteses de nãocumulatividade e substituição tributária, a serem reguladas por lei (§§ 12 e 13), e, limitar valores para a concessão de remissão ou anistia (§ 11). Também não pude deixar de lembrar a interpretação realizada pela Suprema Corte ao impingir aos aposentados e pensionistas a continuidade da obrigação em recolher a contribuição previdenciária, em vista de sobrepesar os princípios constitucionais, sobretudo o princípio já mencionado da solidariedade. Mesmo essa classe social está obrigada a contribuir, pois faz parte de ‘toda a sociedade’, por mais paradoxo que possa parecer. Não foram contemplados nem com imunidade, nem com lei que os isentasse. Por conseguinte, ao instituir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Lei nº 7.689/88, entendo, preservou, acuradamente, o espírito do Poder Constituinte ao dispor sobre as contribuições sociais, sujeitando toda a sociedade, respeitandose apenas a quem aquele Poder concedeu a imunidade. E, é claro, a COMPROVE não é pessoa jurídica que se classifica como entidade beneficente de assistência social. Portanto, afasto a argumentação trazida pelo contribuinte de que as cooperativas não se sujeitam à incidência da CSLL porque não possuem como objetivo o lucro, ou que não auferem ‘lucro’, mas ‘sobras’ ou resultados positivos. Este não é o alcance da norma ao criar a contribuição social em obediência e consonância com as disposições constitucionais. E como dispõe o artigo 109 do CTN, a seguir transcrito, os princípios gerais do direito privado não podem ser utilizados para definir os efeitos tributários dos institutos que regula, no caso, ao referirse a um conceito de ‘sobra’ ou ‘resultado positivo’, ao tratar das cooperativas no campo cível e da sua regulação. No aspecto tributário, lucro líquido é definido pelo art. 248 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000/99): Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 12 11 Conceito de Lucro Líquido Art.248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). E lucro operacional como (art. 277 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000/99): LUCRO OPERACIONAL Seção I Disposições Gerais Art.277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, §1º). São, pois, as tais ‘sobras’ ou ‘resultados positivos’, termos utilizados no direito privado, mas cuja utilização não impedem os efeitos tributários decorrentes. Por isso, concluo, bem tratou a Instrução Normativa SRF nº 390/04 em seu artigo 6º ao esclarecer (anteriormente a IN SRF nº 198/88): Art. 6º As sociedades cooperativas calcularão a CSLL sobre o resultado do período de apuração, decorrente de operações com cooperados ou com nãocooperados. A própria Lei nº 7.689/88 já cuidava de não excepcionar qualquer pessoa jurídica, ou definir a base de cálculo sobre esta ou aquela operação, ou mesmo sobre o ‘lucro’, preferindo referirse a ‘resultado do exercício’: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. E, retornando à discussão sobre imunidade e isenção, já visto que das imunidades tratou a própria Carta Magna (situando os fatos geradores praticados pelas entidades beneficentes de assistência social fora do campo de incidência tributária) , no que respeita às isenções é matéria afeta, privativamente, à lei (que pode retirar os fatos geradores do campo de incidência tributária). E esta, no que se relaciona às sociedades cooperativas, veio a ser editada somente em 2004 não tratando em seu bojo de ‘reconhecimento’ pretérito ou sequer de disposição ‘interpretativa’. Muito pelo contrário, expressamente dispôs que só alcançaria aos fatos geradores praticados a partir de 2005. Lei nº 10.865/04: Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. (Vide art.48 da Lei nº 10.865, de 2004) Art. 48. Produz efeitos a partir de 1o de janeiro de 2005 o disposto no art. 39 desta Lei. Em assim sendo, devo, forçosamente, curvarme à legislação vigente à época, não declarada inconstitucional, entendendo, ao contrário e conforme raciocínio esposado perfeitamente adequada aos anseios constitucionais, sistematicamente Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 13 12 coerente com o direito público, e inserida nos moldes defendidos e ensinados pela Corte Suprema. Pelas mesmas razões, não consigo encontrar argumentos para diferenciar o resultado das operações das cooperativas entre atos praticados com cooperados e não associados, para, subjetivamente, atribuir a incidência da CSLL sobre um e isentar o outro, antes da edição da norma. Importante salientar que a contribuinte não traz qualquer prova de que os valores utilizados na apuração da contribuição em questão são as tais sobras que se reverteram em benefício aos cooperados. Finalizando, vale reprisar, se toda a sociedade – incluindo aposentados, produtores rurais, pescadores artesanais, entidades sem fins lucrativos que não as definidas no parágrafo sétimo do artigo 195 da CFB – foram constitucionalmente elevados à condição de contribuintes das contribuições sociais, cuja base de cálculo instituída por lei, no presente caso, é o valor do resultado do exercício, antes da provisão do imposto de renda, não vejo como embutir na norma cogente a classificação de resultados da pessoa jurídica, diferenciando valores onde a norma tributária não o faz; nem o fez até o presente momento, digase por oportuno, o Supremo Tribunal Federal. Data venia máxima quanto aos julgados citados pela recorrente, repriso, que não comungam do raciocínio ora esposado, mas registro nesse decisório que não se pode invocar tratamento isonômico tributário entre contribuintes por causa destas decisões. Nestes termos, para ser afastada a incidência da CSLL, necessário seria que a autuada fosse entidade beneficente de assistência social, e não apenas entidade sem fins lucrativos. E, quanto ao limite imposto pelo art. 111 da Lei nº 5.764/71, não poderia ele dispor sobre a isenção da CSLL se esta somente foi instituída pela Lei nº 7.689/88, a qual nenhuma ressalva fez em favor das sociedades cooperativas. Interessante observar, ainda, que a distribuição das sobras em favor dos cooperados – distinta da devolução de sobras de caixa, porque não correspondente a valores antes entregues pelos cooperados, mas sim decorrentes da partilha do resultado auferido pela cooperativa em suas atividades – enseja a tributação destes valores, no âmbito do imposto de renda, pelas pessoas físicas que auferem tais rendimentos. Já o recolhimento da contribuição social sobre o lucro não se verifica neste segundo plano, justificando sua incidência na apuração do resultado pela pessoa jurídica. Assim, mantida a exigência do principal, correta se mostra a aplicação da multa de ofício proporcional de 75%. Quanto à multa isolada, a recorrente questiona o fato de ela ter sido formalizada depois do encerramento do anocalendário e concomitantemente com a multa de ofício aplicada sobre o ajuste anual, em decorrência da mesma infração. Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 14 13 Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 15 14 ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 16 15 Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, o que inclusive motivou a aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e a hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Com a devida vênia, ouso divergir da eminente Relatora em relação à exigência de CSLL sobre atos cooperados. Sobre o tema, tive a oportunidade de externar meu posicionamento por ocasião do julgamento do processo n. 16327.001466/200501 (acórdão n. 1101000.463), o qual adoto aqui nos termos a seguir transcritos: “A autoridade fiscal alega que a legislação do Imposto de Renda prevê desoneração da tributação do IRPJ para as cooperativas de crédito no que tange aos atos cooperativos, definidos no artigo 79, a Lei 5.764/71; mas não no que se refere à CSLL. Desse entendimento não partilhamos. A Lei n. 7.689/88, que criou a contribuição sobre o lucro das pessoas jurídicas (art. 1º), tem seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea “c”, da Constituição, que concedeu autorização à União para instituir a contribuição sobre o lucro das empresas ou entidades a elas equiparadas na forma da lei. Não só não há lei que equipara as sociedades cooperativas a empresas, como a Lei n. 5.764/71 dispõe expressamente que elas têm natureza civil. Lucro é conceito de direito privado, significado o resultado positivo da empresa, a ser partilhado entre os sócios na proporção de sua participação no capital social. Em se tratando de conceito utilizado expressamente na Constituição para definir competência, não pode ele ser alterado sequer pela lei tributária, quanto mais pelo intérprete. Se a própria lei que instituiu o regime jurídico das cooperativas define sua natureza como civil, sem fins lucrativos, é óbvio que o resultado positivo dos atos cooperados (sobras líquidas), que retorna aos associados na proporção das operações por ele realizadas (inciso VII do art. 4º), não é “lucro de empresa”, mas resultado do associado. Não se pode perder de vista que o suporte fático da CSLL é o lucro, e que a sociedade cooperativa não tem fins lucrativos (art. 3º da Lei n. 5.764/71), na medida em que é constituída para prestar serviços aos associados, tendo natureza civil (art. 4º). Temse, portanto, que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria (art. 79), de maneira que não há como sujeitar à contribuição social sobre o lucro líquido o resultado positivo (sobras líquidas) obtido nos chamados atos cooperados. Altissonante é a jurisprudência administrativa, como se verifica o entendimento exposto, dentre outros, nos acórdãos cujas ementas ficam aqui reproduzidas: ‘CSLL. COOPERATIVAS. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não Fl. 517DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.002521/200627 Acórdão n.º 1101000.475 S1C1T1 Fl. 18 17 integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Recurso provido. ’ (Ac. n. 910100.308, de 25 de agosto de 2009) ‘CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COOPERATIVA DE CRÉDITO. A exigência da Contribuição Social Sobre o Lucro das Cooperativas de Crédito só tem fundamento quando determinada sobre o resultado oriundo das operações realizadas com não cooperados, não podendo prosperar o lançamento que toma por base o resultado líquido apurado com atos cooperativos, conceituados como sobras, em virtude de não estar configurada a hipótese de incidência desta contribuição, pela inexistência de lucros. A circunstância de as cooperativas de crédito enquadraremse como instituições financeiras, segundo o artigo 22, §1°, da Lei n° 8212/91, não resulta em legitimar a tributação segundo o resultado dos atos cooperados. ’ (Ac. n. 9101 00.207, de 27 de julho de 2009) ‘CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA A base de cálculo da contribuição social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88 c/c os arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764/71. Recurso voluntário conhecido e provido.’ (Ac. n. 105.16.587, de 04 de julho de 2007) Como o resultado positivo dos atos cooperados (com associados) não constituem lucro da sociedade, as sociedades cooperativas só são contribuintes da CSLL se praticarem atos não cooperativos, e apenas sobre o resultado. Por essas razões, entendemos não haver como sujeitar à contribuição social sobre o lucro líquido o resultado positivo (sobras líquidas) obtido nos chamados atos cooperados. ” Por tal razão, entendo que, no ponto, deva ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência relativamente à de CSLL sobre atos cooperados. Por conta do provimento integral do recurso voluntário, resta prejudicada a questão atinente à multa isolada derivada de eventual não recolhimento de estimativas mensais. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10882.003531/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam acostadas aos autos cópias das decisões definitivas dos processos que tratam das obrigações principais conexas a este auto de infração de obrigação acessória.
Fez sustentação oral: Liliane Patrícia Lima OAB/DF 31.749
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz,Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 480 1 479 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.003531/200712 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.352 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 5 de novembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MOORE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam acostadas aos autos cópias das decisões definitivas dos processos que tratam das obrigações principais conexas a este auto de infração de obrigação acessória. Fez sustentação oral: Liliane Patrícia Lima OAB/DF 31.749 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz,Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 03 53 1/ 20 07 -1 2 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003531/200712 Resolução nº 2302000.352 S2C3T2 Fl. 481 2 Relatório e Voto Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 01/1999 a 08/2007, os valores pagos aos segurados empregados a título de prêmio, através de cartões eletrônicos com a intermediação das empresas Incentive House S/A., Spirit Marketing Promocional e Alquimia Marketing Ltda., os valores pagos a título de benefícios indiretos e os valores pagos a título de seguro de vida em grupo. Após a apresentação da defesa, Acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas, às fls. 419/425, julgou a autuação procedente em parte para excluir do lançamento os fatos geradores alcançados pela decadência como exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, até a competência 11/2001, inclusive. Ainda, inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega em síntese: a) a decadência quinquenal com base no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional b) que não houve a caracterização da conduta da recorrente como sustentação para o descumprimento de obrigação acessória; c) que se reporta e reitera as razões expostas nas defesas das notificações que tratam da obrigação principal, para dizer que as verbas pagas não são salário de contribuição e por conseguinte, não são passíveis de serem informadas em GFIP. Não houve fato gerador; d) que a multa aplicada é desproporcional e houve ofensa ao princípio da legalidade, porque a multa não pode ser definida por Portaria; e) que há duplicidade da multa, pois as NFLD's tratam do mesmo assunto que este auto de infração; f) Por fim, requer a reforma da decisão recorrida para tornar improcedente o lançamento, protestando pelo direito de fazer sustentação oral, para o que quer que se intimem os seus patronos. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003531/200712 Resolução nº 2302000.352 S2C3T2 Fl. 482 3 Entretanto, da análise dos autos se vê a obrigação principal, relativa aos pagamentos de salário indireto está sendo discutida em outros processos e somente após o julgamento daqueles é que se poderá julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória decorrente daquelas obrigações principais. Muito embora, esta julgadora tenha proferido voto no Processo Administrativo Fiscal 10882.003540/200703, que trata do pagamento de prêmio incentivo, através de cartões magnéticos, é necessário que seja informado também, o resultado das demais Notificações Fiscais de Lançamento de Débito, , para que se possa prosseguir com o julgamento deste Auto de Infração de Obrigação Acessória. Assim, entendo que este processo deve ser convertido em diligência para que sejam acostadas aos autos cópias das decisões definitivas dos processos que tratam das obrigações principais conexas a este auto de infração de obrigação acessória. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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