Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 15374.004418/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida
extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento.
Numero da decisão: 1201-000.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 15374.004418/2001-12
anomes_publicacao_s : 201001
conteudo_id_s : 5004688
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.214
nome_arquivo_s : 1201000214_167326_15374004418200112_010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 15374004418200112_5004688.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
id : 4753038
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360385265664
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:00:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:00:02Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:00:03Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:00:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:00:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:00:03Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:00:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:00:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:00:02Z; created: 2010-06-16T12:00:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-06-16T12:00:02Z; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:00:02Z | Conteúdo => SI-C2T1 Fl. I / MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 .fra\-- PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15374.004418/2001-12 Recurso n° 167.326 De Oficio Acórdão n° 1201-00-214 — r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente 2" Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RJ-I Interessado LTM Consultores Associados LTDA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. CLAUDEMIR ROL) IGUES M./\. LAGUIAS - Presidente. GUILH E ADOLFO D S SANTOS MENDES - Relator. EDITADO EM: 30U p.BR 2071 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente ao ano-calendário de 1998, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com multa agravada de 112,5%. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 100 a 108. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela DRF/Rio de Janeiro/RI; referentes ao ano-calendário de 1998, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - 1RPJ, no valor de R$ 927.617,00 (fls. 77/81 e termo de verificação à fl. 76), e a contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, no valor de R$ 95.161,80 (fls. 82/85), todos acrescidos da multa de 112,50 % e encargos moratórios. 2- Fundamentou, materialmente, a exação de 1RPJ: arbitramento do lucro visto que os livros razão e diário não estavam escriturados na ordem cronológica e não apresentavam registros individualizados das operações, conforme determinado pelo art. 205, §§1 0 e 2' do R1R/1994. A multa foi majorada para 112,50 %por falta de atendimento às intimações (art. 44, §2", da lei 9.430/1996). O lucro foi arbitrado com base nas receitas Informadas na declaração de imposto sobre a renda. 2.1- Enquadramento legal: arts. 15, §1°, e 16 da Lei 9.249/1995; art. 41, 1 e §§6" a 10°, da EY 93/1997; art. 47, 111, da Lei 8.981/1995; art. 27, 1, da Lei 9.430/1996. 3- CSLL. 3.1- Em decorrência da autuação de IRPJ, lançou-se esta contribuição. 3.2- Enquadramento legal: art. 2' e §§ da Lei 7.689/1988; arts. 19 e 20 da Lei 9.249/1995; art. 29, 1, da Lei 9.430/1996. 4- Ao impugnar as exigências, fls. 100/108, e documentos às fls. 109/4.193, o interessado alega, em síntese, que: - em 1/2001 alterou seu endereço do Rio de Janeiro para São Paulo, fato este informado à SRF; 3 - o autuante procedeu seus trabalhos não no novo endereço, mas no anterior, onde se situa aflua!; - não conseguiu atender, dentro dos prazos exíguos, as intimações, até mesmo parque foram entregues a pessoa que não possuía procuração para assinar em nome do interessado; - a primeira ilegalidade havida reside no fato da autuação ter sido realizada em estabelecimento filial, com débito apurado na matriz,' - junta, por amostragem, documentos que demonstram a regularidade dos lançamentos contábeis e do lucro apurado bem como cópia das folhas de pagamento que demonstram o comprometimento de grande parte da receita bruta com salários, demonstrando a total impropriedade do arbitramento do lucro; - como as intimações foram entregues a pessoas não dotadas de poderes, quer no contrato social, quer por intermédio de procuração, o interessado não foi devidamente cientificado das exigências fiscais; - os exíguos prazos fornecidos pelo autuante não foram suficientes para deslocar a documentação de São Paulo para o Rio de Janeiro; - o art. 151 c/c o art. 161 do Código Tributário Nacional — CTN, nos leva a entender que enquanto se está discutindo a legitimidade e a legalidade da cobrança efetuada, não são devidos juros de mora, uma vez que o crédito tributário está suspenso, não podendo ser exigível; - o crédito tributário só está definitivamente constituído após o encerramento do processo administrativo. Isto nos leva à conclusão de que não se pode fazer incidir juros de mora sobre algo que ainda não existe; - a aplicação da taxa Selic é inconstitucional, à medida que possui natureza remuneratória, incondizente com o caráter (:jA moratória que deve ter a taxa de juros; - requer provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive juntando documentos e da realização de diligências. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU E DO APELO OFICIAL A decisão recorrida de oficio (fls. 4.206 a 4.210) deu provimento integral à impugnação nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ORDEM CRONOLÓGICA. INDIVIDUALIZAÇÃO DOS REGISTROS. ARBITRAMEATO DO LUCRO. 4 • Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 3 Descabe o arbitramento do lucro se verificado que os registros contábeis foram realizados ao fim de cada mês, de sorte a não prejudicar a apuração do lucro real. Da mesma forma, se somente alguns registros foram feitos sem individualização das operações. A desclassificação da escrituração contábil se dá nas situações em que ficar demonstrado cabalmente a impossibilidade de apuração do lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa . LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Por ser relativamente sintético, aproveito para transcrever também o voto condutor da decisão: 6- A impugnação é tempestiva, visto ter sido apresentada em 27/12/2001 Ifl. 100) e as ciências dos autos de infração ocorreram em 27/11/2001 07. 99). Além disto, estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 7- Diligência. 8- Nego o pedido de realização de diligência por desatender o disposto no art. 16, IV (formulação de quesitos), do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), além de constar nos autos os elementos necessários a minha convicção. 9- Nulidade do auto de infração. 10- Descabe a alegação de nulidade, pois todos os requisitos do auto de infração, dispostos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, bem como no art.10 do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAI), foram atendidos. Também não ocorreram as situações previstas no art. 59 do PAF. No que se refere ao local da verificação, apesar do interessado ter comunicado a mudança de endereço de sua matriz, antes do inicio dos trabalhos, conforme documento de fl. 4.205, não há impedimento que os trabalhos se realizem na filial, muito menos que o atendimento se dê por prepostos sem poder de representação. Cabe ao interessado designar pessoa apta a atender a fiscalização. Portanto, não procedem aos argumentos de nulidade do auto de infração. 11-Arbitramento do lucro. 12- O lucro foi arbitrado por falta de obediência à cronologia nos lançamentos e falta de individualização das operações. O 5 autuante não juntou aos autos qualquer prova do alegado. O interessado junta cópias dos livros diário e razão CL 252/643), onde se venfica que os lançamentos são feitos no último dia de cada més e que, de um modo geral, as operações estão individualizadas. 13- O fato de os lançamentos estarem no último dia do mês não fere de morte os registros, nem os livros, de forma a impedir a apuração do lucro real. Aliás, esta prática é comum nas escriturações das empresas, sendo tolerável. O que poderia ocorrer seria o disfarce de saldo credor de caixa, que configura uma infração na legislação do 1RPJ. Mas isto é facilmente detectável, com uma auditoria na conta e nos documentos. 14- Observa-se que de um modo geral os registros são individuais, com exceção de emissão de cheques e recebimentos. Entretanto, caberia ao autuante demonstrar cabalmente que a falta de individualização destas operações prejudicou a apuração do lucro real, de modo a desclassificar a escrituração contábit Neste sentido, a Súmula 76 do TER: "ESCRITURAÇÃO RREGULAR — A desclassificação da escrita só se justifica na ausência de elementos que permitam a apuração do lucro real da empresa". 15- O arbitramento é medida extrema que só deve ser adotado se demonstrado a impossibilidade de se apurar o lucro real, diante da imprestabilidade dos registros contábeis. Portanto, diante da falta de comprovação de que os livros diário e razão não se prestavam para apurar o lucro real, não procede a autuação. 16- CSLL. 17- Em face da vinculação entre o lançamento principal e o reflexo, não havendo nos autos em relação a este argüições de matérias especificas ou adição de quaisquer outros elementos de prova novos, as conclusões extraídas do lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica deve prevalecer na apreciação do mesmo. É o meu VOTO. É o relatório do essencial. 6 Processo n° 15374.00441812001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 4 VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes As razões apresentadas pela fiscalização para desqualificar a escrituração da auditada foram assim sintetizadas: "os livros Razão e Diário apresentados não estavam escriturados de acordo com a legislação de regência (...), ou seja, não obedeciam a ordem cronológica e não apresentam registros individualizados das operações". De fato, em razão dos inúmeros registros contábeis ao final de cada mês, podemos inferir que houve individualização dos lançamentos. Ademais, pela leitura de seus termos de intimação, aparenta-me que a própria autoridade fiscal se equivocou na redação do termo de verificação ao afirmar que os registros não estavam individualizados. Abaixo, reproduzo trecho do termo de fl. 64: ...tendo em vista que os livros fiscais apresentados, e acima citados, não obedecem à ordem cronológica das operações [c) Solicito apresentação dos livros auxiliares nos quais estejam os registros individualizados como determina a legislação de regência 11.7 Dessarte, a desqualificação da escrita decorreu da não individualização conforme a legislação, ou seja, com o seu registro preciso no dia a que se refere o fato contábil. Apesar de minha interpretação acerca da acusação fiscal ser diferente da promovida pela autoridade julgadora de primeiro grau, o ponto a ser analisado é o mesmo, qual seja, se a ausência de registro cronológico diário é causa jurídica suficiente para a desqualificação da escrituração e o conseqüente lançamento por meio do lucro arbitrado, uma vez que concordo com a conclusão de que os registros contábeis estão, nos demais aspectos, individualizados. De início, destaco que o atual Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n° 3.000/99) reserva um dos seus artigos com vários sub-dispositivos exclusivamente para disciplinar no âmbito tributário as formalidades que devem ser atendidas para a confecção do Livro Diário. Abaixo, reproduzo-o: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obStório o uso de Livro Diário encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (Decreto-Lei n 2 486, de 1969, art. 52,). § Admite-se a escrituração resumida no Diário, poriis que não excedam ao período de um mês relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento desde que utilizados livros auxiliares para registro e conservados os documentos que permitam 7 • sua perfeita verificação (Decreto-Lei 122 486, de 1969, art. 52, § § 22 Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 32 Á pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (Decreto-Lei n2 486, de 1969, art. 52, § 12). § 42 Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no 12, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei n 2 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto-Lei n 2 486, de 1969, art. 52, § § 52 Os livros auxiliares, tais como Caixa e Contas-Correntes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 62 No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. (nossos destaques) Na parte destacada da legislação acima citada, a qual é reprodução de textos com hierarquia de lei, impõe-se o registro dia a dia. Essa obrigação só e afastada quando houver livros auxiliares devidamente registrados. No presente feito, contudo, o sujeito passivo, apesar de especificamente intimado para tal, não apresentou ao agente fiscal os referidos livros. Ainda à luz do Regulamento do Imposto sobre a Renda, merece destaque o seu art. 530: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): 1- o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Podemos já concluir qUe os fatos descritos se enquadram perfeitamente na hipótese acima transcrita de arbitramento, uma vez que o contribuinte não manteve a escrituração na forma das leis fiscais. Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Ft 5 Contudo, achamos relevante destacar ainda que não houve respeito também às leis comerciais, o que enseja, de igual sorte, o arbitramento do lucro. Ao menos desde 1850 com a edição do Código Comercial há, em nosso ordenamento, a obrigação para o registro cronológico diário das operações. Vejamos: Código Comercial de 1850 Capitulo II Das Obrigações Comuns a Todos os Comerciantes Art. I - Os livros sue os comerciantes são abri . ados a ter indispensavelmen te, na conformidade do artigo antecedente, são o Diário e o Copiador de cartas. Art. 12 - No Diário é o comerciante obrigado a lançar com individuação e clareza toda as suas operações de comércio, letras e outros quaisquer papéis de crédito que passar, aceitar, afiançar ou endossar, e em geral tudo quanto receber e despender de sua ou alheia conta, seja por que titulo1hr, sendo suficiente que as parcelas de despesas domésticas se lancem englobadas na data em que forem extraídas da caixa. Os comerciantes de retalho deverão lançar diariamente no Diário a soma total das suas vendas a dinheiro, e, em assento separado, a soma total das vendas fiadas no mesmo dia. (nossos destaques). Esses artigos, juntamente com todos os demais que compunham a primeira parte do Código Comercial, foram revogados pelo atual Código Civil (Lei n° 10.406/02), mas notadamente em grande parte apenas com o fito de reunir numa única codificação as obrigações das pessoas jurídicas de direito privado, pois a imposição de escrituração do Diário permanece e com a mesma característica cronológica, conforme podemos constatar por meio da leitura dos dispositivos abaixo reproduzidos: CAPÍTULO IV Da Escrituração Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (.) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 9 (.) Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem crono~ de dia, mês e ano sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.189. No Diário serão lançadas com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo dia a dia por escrita direta ou reprodução todas as operações relativas ao exercício da empresa. sç V Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. Poder-se-ia, contudo, afirmar que as referidas disposições não alcançam o autuado. Primeiro, o Código Comercial disciplina apenas a atividade do comerciante, categoria na qual a "LTM Consultores Associados LTDA" não se enquadra; segundo, apesar de o atual Código Civil impor o dever de escrituração não só aos comerciantes mas às atividades empresárias em geral, sua vigência é posterior aos fatos. Não podemos, porém, deixar de mencionar que o Código Civil de 1916, em seu art. 1.364, já determinava que as sociedades civis que se revestissem das formas das leis comerciais — é o caso das sociedades de responsabilidade limitada — deveriam atender às prescrições comerciais que não comflitassern com suas demais disposições, o que seguramente abarca a disciplina relativa à escrituração. Todavia, mesmo se concluíssemos que a autuada não estava, à luz do direito comercial, obrigada ao registro do livro diário, há a imposição da legislação fiscal, que é suficiente para o enquadramento dos fatos narrados em uma das hipóteses de arbitramento, conforme já sustentamos no inicio desde voto. Apesar de julgarmos que o autuado descumpriu também as imposições de direito empresarial (acepção mais adequada aos dias atuais), nosso principal propósito de investigar com minúcias a legislação não estritamente fiscal foi demonstrar que o registro cronológico dia a dia é um aspecto essencial do Livro Diário, pois presente em todos os diplomas legais de referência. Aliás, não é mera coincidência que essa característica serviu de epíteto do próprio Livro: Livro Diário. Numa certa medida, concordo com a decisão recorrida ao expressar que o arbitramento é medida extrema. Nesse caso, não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Ademais, por dois motivos, não é ónus do agente fiscal demonstrar que o referido vicio impossibilita a apuração do lucro real. io Processo n° 15374.004418/2001-12 51-C2T11 Acórdão n.° 1201-00-214 FIL Primeiro, no limite, o lucro real poderia ser determinado ainda que nenhummo escrituração houvesse; bastaria que o fiscalizado disponibilizasse à autoridade fazendária toda. a documentação de seus fatos contábeis e esta, no lugar do contribuinte, confeccionasse os livros, o que — convenhamos — é um absurdo. A autoridade fiscal não tem o dever de promover a escrita contábil. Esse ânus é do sujeito passivo, o qual, não atendido, legitima o arbitramento. O agente público não tom, pois, que demonstrar a impossibilidade de apurar o lucro real. Deve apenas comprovar que o sujeito passivo deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe. A escrituração realizada segundo as formalidades legais é o que possibilita à autoridade o exercício da atividade contábil que lhe é imposta por lei, qual seja, a de auditoria e não a de registro, e, assim, apontar as incorreções e lançar as eventuais diferenças na apuração do lucro real promovida pelo próprio suje:Sm) passivo. Segundo, o vicio de não se escriturar dia a dia os fatos contábeis contaminei toda a escrituração e inviabilize a sua auditoria. Isso não precisa ser demonstrado peei. autoridade. Na é por mera casualidade que essa exigência consta de todos os diplomas legais; que disciplinam o dever de escrituração. Ademais, é de conhecimento notório, pelo menos paro aqueles que possuem conhecimentos básicos de auditoria, que o registro diário é essencial. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao apelo oficial e parta determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau com o fito de apreciar- as demais alegações da recorrente. Ademais, recomenda-se que a autoridade julgadora de primeiro grau, no case de provimento passível de novo apelo oficial enfrente todas as questões suscitadas pela defesa, ainda que uma das remanescentes seja suficiente. (;) Guilhet-k4-; dolfo dos Santos endes iI ,;
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000803/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL.
São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10725.000803/2010-22
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5042405
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.979
nome_arquivo_s : 210201979_10725000803201022_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Francisco Marconi de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10725000803201022_5042405.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4751051
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360420917248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000803/201022 Recurso nº 916.439 Voluntário Acórdão nº 210201.979 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria IRPF MOLÉSTIA GRAVE Recorrente IVONE MUNIZ SOARES ONÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Tratase de recurso contra a notificação de Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2006 (fls. 3/5), que reduziu o valor da restituição, em decorrência da reclassificação dos rendimentos pagos pelo Comando do Exército. A contribuinte impugnou o lançamento, argumentando que os rendimentos são isentos, por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, e que foi emitido o laudo médico pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia, credenciado pelo Sistema Único de Saúde, onde é assistida, conforme já analisado pela Receita Federal para o exercício 2008/2007, sendo creditada a restituição em conta corrente em 16 de agosto de 2010. Juntou aos autos a declaração médica da Santa Casa de Misericórdia de Campos (fl. 7) e pesquisa textual do Portal do TCU, que trata da concessão da pensão. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, por meio do Acórdão nº 1334.018 (fls. 24/25), julgou improcedente a impugnação. A contribuinte, cientificada da decisão em 18 de abril de 2011, interpôs recurso no dia 15 do mês subsequente. Na sua petição alega que apresentou o Laudo Médico que comprava a deficiência cardíaca e pede o cancelamento do débito fiscal. Aos documentos já anexados aos autos, a recorrente junta uma declaração assinada por médico cardiologista da Clinica Checor Serviços Médicos Ltda (fl. 34), cópia da carteira de portador de marcapasso (fls. 35/36) e um laudo médico emitido pela Fundação Dr. João Barcelos Martins, da Prefeitura de Campos dos Goytacazes (fl. 38). É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10725.000803/201022 Acórdão n.º 210201.979 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência fiscal em teve origem em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido omissão de rendimentos tributáveis, que a recorrente declarou como isentos. Conforme o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma e pensão percebidos pelos portadores das moléstias, dentre elas a cardiopatia grave. Dispondo sobre tal concessão, o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dos dispositivos citados, extraíse que os rendimentos devem decorrer de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse é também o entendimento do STJ, como expresso no RE nº 1.286.094 CE: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 [...] 3. Recurso especial provido, em parte, tãosomente para determinar a produção da prova pericial. RECURSO ESPECIAL Nº 1.286.094 CE (2011/02415660). MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. (Grifos nossos) Além das declarações emitidas pelo médico cardiologista da Clinica Checor Serviços Médicos Ltda e da Santa Casa de Misericórdia, a requerente anexou laudo médico da Fundação Dr. João Barcelos Martins, órgão oficial da Prefeitura de Campos de Goytacazes, afirmando que a paciente sofre de cardiopatia, sendo portadora de marcapasso desde o ano de 2001. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011270/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à
empresa o ônus da prova em contrário.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA.
A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira,
inclusive bancária.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação.
Havendo um documento público com presunção de veracidade não
impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.802
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os sócios, pessoas físicas, da responsabilidade solidária passiva.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10120.011270/2007-18
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5148580
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.802
nome_arquivo_s : 230201802_10120011270200718_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10120011270200718_5148580.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os sócios, pessoas físicas, da responsabilidade solidária passiva.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4752179
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360447131648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.698 1 1.697 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.011270/200718 Recurso nº 001.802 Voluntário Acórdão nº 230201.802 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente SOCIEDADE RESIDENCIAL VACA BRAVA UM S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os sócios, pessoas físicas, da responsabilidade solidária passiva. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.699 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007. Data da lavratura da NFLD: 23/10/2007. Data da Ciência da NFLD: 31/08/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados e da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores da obra de construção civil Residencial Chateau Du Parc, matricula CEI n° 43.280.0120979, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 587/604 e anexos. Informa a Autoridade Lançadora que os valores lançados na presente notificação foram apurados por arbitramento, de acordo com o art. 33 da Lei nº 8.212/91 e arts. 229, 231, 233, 235, 243, 268 c 274, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, uma vez que foram consideradas insuficientes as contribuições recolhidas pela empresa. Para o arbitramento do custo da obra e da mãodeobra foi utilizada a tabela CUB, calculada pelo SINDUSCONGO, que representa o custo global da construção para as empresas em geral. Constatou a fiscalização a existência de interesses comuns de várias empresas na construção e na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais ora lançadas, situação que caracteriza GRUPO ECONÔMICO. Irresignadas com o supracitado lançamento tributário, a notificada e as empresas arroladas como solidárias, apresentaram impugnação a fls. 638/667; 1091/1099, 1149/1157; 1210/1219; 1257/1267; 1357/1364; 1404/1412; 1446/1455; 1472/1479, 1518/1524 e 1579/1585. Ante as alegações da Impugnante de erro na aplicação do CUB e de que não foram considerados elementos que afetam tanto o enquadramento da obra quanto a apuração da mãodeobra, os autos foram baixados em diligencia para que a fiscalização se manifestasse de forma conclusiva, conforme Despacho a fls. 1656/1664. A Fiscalização manifestouse as fls. 1.669/1.671, informando que o cálculo do saláriodecontribuição foi arbitrado corretamente, de acordo com a norma vigente, no caso a IN/MPS/SRP nº 03/2005. Os devedores principal e solidários foram cientificados da Informação Fiscal em 23 de outubro de 2008, consoante Aviso de Recebimento a fls. 1672, apresentando, ato contínuo, impugnação aditiva a fls. 1674/1678, reiterando integralmente os termos da impugnação inicial. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1686/1713, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Avisos de Recebimento a fls. 1726/1735, inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, Recorrente e devedores solidários interpuseram recurso voluntário, a fls. 1736/1772, 1777/1784; 1785/1795, 1796/1803, 1804/1815, 1816/1828, 1829/1838, 1839/1851/ 1852/1864, 1865/1874, respaldando suas inconformidades em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Nulidade da NFLD por falta de clareza e precisão; • Que a Declaração de Regularização de Obra (DRO) trouxe em seu bojo valores verdadeiramente ininteligíveis e que foram utilizados na obtenção da sobredita área regularizada; • Cerceamento de defesa; • Nulidade por desatendimento à norma previdenciária; • Inexistência de grupo econômico; • Que a inclusão de sócio em Sociedade por Conta de Participação (SCP) no grupo econômico não pode prevalecer; • Que todos os lançamentos procedidos pela Recorrente estão adequados e de acordo com princípios e convenções aplicáveis às ciências contábeis, tornando descabidas as considerações por parte da autoridade fiscal; • Que deveriam ter sido notificadas as empresas SH SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ 07.147.142/000125); J&J CONSTRUÇÕES E TERRAPLANAGENS LTDA. (CNPJ n°07.142.479/000140); • Que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, está desobrigada à apresentação da escrituração contábil; • Que a Auditoria Fiscal deveria ter observado os diversos préfabricados utilizados na obra de construção civil, assim como concreto usinado, massa asfáltica e argamassa usinada, como também serviços de terraplanagem, em atenção aos artigos 456 e 448 da IN SRP/MPS n° 3/2005 e outros Instrumentos Normativos; • Que a autuação previdenciária foi consolidada em agosto de 2007 e que o índice divulgado pelo Sindicato da Construção para área residencial era de R$ 778,39 naquele mês, mas foi utilizado o valor R$ 827,26; • Que a fiscalização detalhou inadequadamente os critérios por ela utilizados no arbitramento dos valores, atribuindo, de maneira precária e desproporcional, natureza remuneratória ao Custo Unitário Básico (CUB); Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.700 5 • Que o valor imposto à empresa como penalidade possui caráter excessivo e confiscatório; • Que, dado o volume de documentos envolvidos, a Recorrente juntou documentos a título de amostragem à sua Impugnação, os quais indicam as bases imponíveis bases de cálculo das contribuições sociais já recolhidas. Aduz que a juntada de todo o período certamente inviabilizaria o apensamento aos autos, razão pela qual pugna pela realização de diligência e de perícia; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/03/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE. Prega o Recorrente a nulidade da NFLD em julgo por falta de clareza e precisão. Pondera que a Declaração de Regularização de Obra (DRO) trouxe em seu bojo valores verdadeiramente ininteligíveis e que foram utilizados na obtenção da sobredita área regularizada. Reage afirmando que não poderia enfrentar as cogitadas faltas pois o preenchimento do Relatório Fiscal é turvo e há ausência de limpidez nos dados da DRO. Na mesma esteira, alega nulidade do lançamento por desatendimento à norma previdenciária estampada no art. 474 da IN SRP nº 3/2005. A razão não lhe sorri, porém. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional , ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.701 7 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que tais documentos não registrarem, na conformidade exata da lei, a totalidade dos fatos jurígenos tributário e o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta, transferido aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Nessa prumada, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Deve ser trazido à balha que o Código Tributário Nacional reservou de forma privativa a competência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito tributário, mediante o lançamento, estatuindo expressamente a possibilidade de a respectiva base de cálculo ser apurada mediante aferição indireta sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura do presente lançamento, estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.702 9 total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. No caso em apreciação, colhemos do Relatório Fiscal e das provas acostadas aos autos que, durante a construção do edifício Chateau du Parc, a empresa Vaca Brava realizou pagamentos a mais de 45 empresas, listadas a fls. 245/246, por serviços prestados na obra mediante empreitada parcial de construção civil, sem destas exigir as respectivas GFIP com os trabalhadores cedidos, permitindo/facilitando/concordando que os mesmos não fossem informados nas Guias de FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP. Desse modo, muitos trabalhadores que construíram a obra não foram incluídos no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, não lhes sendo garantida a condição de Segurados da Previdência Social, sendo prejudicados no momento e no futuro. No dia 02/05/2007, a fiscalização constatou a presença na obra Chateau du Parc (única obra da empresa Vaca Brava e para a qual já havia sido emitido Habitese) dos seguintes trabalhadores: da empresa EBM: Aleixo, Gerson e Valdeci; da empresa Hidrotel: Reginaldo, Domingos; da ECAB: engenheiro Eduardo; da Solis Alfa: Reginaldo; da Plane: Evandro; da JM Revestimentos: Marivaldo, Joao Carlos e um ajudante; da Mac 3: Reginaldo e um pintor, e da Eficaz: Adonel Fernandes, Urias, Lazaro, Flavio, Cleudivan, Edvaldo Rodrigues Pereira, Divino Fereira Gonçalves, Paulo, Marcia, Izabela, Antonio, Cleonice, Robson, Selma, Divina. Verificouse em 06/08/2007, nos sistemas informatizados da Previdência Social, que NÃO constava GFIP de maio/2007 da empresa Eficaz Prestadora de Serviços Ltda, CNPJ 05.660.885/000179, portanto, não haviam sido informados nenhum dos 15 segurados arrolados no parágrafo anterior, in fine, que foram cedidos, pelo menos, no inicio de maio/2007 para a empresa Vaca Brava, obra Chateau du Parc. Além disso, embora nenhum trabalhador da empresa Marmorarte, CNPJ 00339332/000103 estivesse no início de maio/2007 trabalhando naquela obra, verificou a fiscalização em 31/07/2007, mediante consulta aos sistemas informatizados da Previdência Social, que constava GFIP da Marmorarte de maio/2007 (Nº ControleC3Hb3R3uvhX00003) com 60 trabalhadores vinculados àquela obra da Vaca Brava (fls. 180/213). Após buscar explicação para esta incoerência e informações de trabalhadores de outras obras na GFIP da Vaca Brava, foi a fiscalização informada pela empresa Vaca Brava que aquela GFIP de 05/2007 havia sido reentregue em 14.08.2007, (N.ControleGahmQA9uaj100005), retirando a vinculação de todos segurados da Marmorarte com aquela obra. Também havia sido reentregue em 14.08.2007 a GFIP da Marmorarte de maio/2006, onde constava 65 segurados vinculados à Vaca Brava, N.ControleHSDEoE9zBbB00006, passando a constar 39 segurados vinculados àquela obra, N.Controle DzbFKsVI4ps00009. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Em relação à empresa SH Serviços e Construções Ltda, CNPJ 07.147.142/000125, apurou a fiscalização, mediante consulta, em 17/08/2007, aos sistemas informatizados da Previdência Social, que nas GFIP desta empresa de julho/2005 a novembro/2005, constava apenas um segurado, Nelson Dimas de Siqueira, período em foi contabilizado despesas no total de R$ 39.169,99, com aquela empreitada parcial para a obra Vaca Brava, conta contábil 2.1.1.1.00.0188, Nota Fiscal de Serviço nos 33, 65, 83, 112, 130. Em 24/11/2005, na conta contábil 3.1.1.30.2004, foi contabilizado cheque 279, c/c nº 29.274 Itau, referente a recibo da empresa SH, no valor de R$ 6.516.00, fls. 489/494, e 387/389, arquivando recibos de pagamento direto a sete trabalhadores da empresa Benildes C. Santos, Veriano Teixeira Marinho, Jose Apolinário de Jesus da Vitória, Sivaldo Batista dos Reis, Josemiro Soares da Silva, Acione Belarmino da Silva. Além disso, consta dos autos, a fls. 362/364, Reclamatória Trabalhista 01177200600118005, Inquérito Civil PRT 18ª Região nº 0936/2005, em que o empregado da empresa SH Serviços e Construções Ltda, Olivio Rodrigues de Carvalho trabalhou como pedreiro na construção do Chateau du Parc (Vaca Brava) no período de 01/2005 a 12/2005, porém não foi informado pela SH em suas GFIP referentes ao citado período. Avulta, que a empresa Vaca Brava realizou pagamentos a empresa SH Serviços e Construções Ltda, por serviços prestados na obra em foco, sem lhe exigir a respectiva GFIP com os trabalhadores cedidos pela empresa SH, permitindo/facilitando/concordando que os mesmos não fossem informados nas GFIP daquela empreitada parcial. Consta nos autos, igualmente, que, apesar de haver realizado recolhimento previdenciários previsto no artigo 31 da Lei 8212/91, referente à retenção de 11% sobre diversos serviços de empreitada na construção do edifício Chateau Du Parc, a empresa Vaca Brava não exigiu da maioria das empreitadas parciais as respectivas GFIP com informações dos trabalhadores cedidos à obra em tela, inviabilizando a sindicância, pelo fisco, da correcção quantitativa e qualitativa da mão de obra cedida à tomadora e, via de consequência, das contribuições previdenciárias devidas pelos contribuintes. Extraise do exame das Notas Fiscais de Serviço a fls. 281 a 333, que estes documentos, apesar de haverem sido emitidos por 17 empresas diferentes, conforme arrolamento a fl. 281, encontramse preenchidos com a mesma caligrafia/letra, circunstância que pode sugerir que a empreiteira não tem autonomia ou capacidade para elaborar e fornecer a sua documentação fiscal ao tomador de seu serviço. Também podem sugerir que se tratam de pagamentos fictícios ou a pessoas jurídicas fictícias. A fiscalização constatou que na contabilidade que existem saldos residuais de pagamentos não realizados a diversas prestadoras de serviço, apesar de haverem sido contabilizadas as despesas pelo valor integral da NFS. Foram apresentados alguns contratos assinados com prestadores de serviço referentes a empreitadas parciais. Não foram apresentados, porém, todos os contratos e aditivos, fls. 245 e 246, como se pode constatar pelos pagamentos contabilizados e pela numeração do contrato e valor total contratado/orçado em “Planilha de Acompanhamento de medição de empreiteiros". Nessa linhada, não foram apresentados quaisquer contratos assinados com as empresas: a) Forte Obra Ltda, CNPJ 05455947/000100, com pagamento contabilizado em janeiro/2006; b) Lazara Soares das Neves, CNPJ 01124980/000184, com pagamentos contabilizados em 10 a 12/06; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.703 11 c) Dias e Queiroz Ltda, CNPJ 73952293/000180, com pagamentos contabilizados em 12/06 a 01/07; d) F e F Engenharia e Const.Ltda, CNPJ 02668238/000115, com pagamentos de 07/2005 a 09/2006. e) Também, não foi apresentado contrato firmado com engenheiro/empresa que acompanhou a obra, por exemplo, Fundacta S/C Ltda e Construstyle. f) Não foi apresentado contrato com a empresa Incentive Premier, que repassou premiação a engenheiros e outros trabalhadores. Afirma a fiscalização que, pelos contratos apresentados, diversos tipos de serviço de execução de obra foram empreitados a grandes e a pequenos empreiteiros que alteraram suas empresas e CNPJ ao longo da obra. Nos contratos, consta que o pagamento fica vinculado à entrega de GFIP. Porém, as GFIP de poucos prestadores de serviço foram exigidas e arquivadas, conforme listagem a fls.169/171, não sendo observados art. 219 do Decreto 3048/99 e art. 425 da IN/MPS/SRP nº 03/2005. Noticiese que, conforme informação de engenheiros na obra, o grupo EBM exige dos engenheiros, diariamente, o preenchimento do "Diário de Obra" virtual, consistente no repasse de informações, via internet, sobre o andamento da obra, horas trabalhadas e mão deobra utilizada. Contudo, apesar de formalmente intimada a apresentar o "Diário de Obra", fls. 24, a empresa não os apresentou. Notese que, em razão Do elevado grau de fidedignidade das informações prestadas no Diário de Obra com a realidade de mão de obra utilizada no empreendimento em questão, tal documento seria de extrema importância para a sindicância da correção das informações prestadas pelo sujeito passivo e dos recolhimentos por ele ou a seu favor efetuados. Contudo, permanece sem resposta: Porque tal documento não teria sido apresentado? Além das razões suso expendidas, os excertos transcritos a seguir, extraídos do Relatório Fiscal a fls. 593/596, corroboram a constatação de que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, tampouco se encontra coberta de todos os requisitos essenciais e necessários, eis que os documentos contabilizados não propiciam certeza ou integridade aos registros contábeis. 30 Na Reclamatória Trabalhista n.01817200601118004, movida por Antonio Ribeiro da Silva, em face de Ferreira Santos Avelar Ltda (Construtora STAR) e EBM Incorporações, foi requerido valores não pagos em rescisão, com período trabalhado de 11.08.2005 a 20.07.2006 na obra 131, fls.390 a 399. Vide contrato de empreitada iniciado em n 01.08.05 no valor global de R$350.000,00, fls.262 a 272. Verificase nos sistemas informatizados da Previdência Social, que este trabalhador não foi informado em GFIP da Construtora STAR, como também, nenhum outro segurado vinculado à obra do grupo EBM no período 08/2005 a 07/2006. Na ação trabalhista foi pago ao trabalhador, por intermédio da EBM Incorporadora, o valor de R$ 800,00 em 15.12.2006. Foi contabilizado pela Vaca Brava, conta contábil 311303028, recibo da EBM no valor de R$ 800,00 em 15.12.2006, sendo um depósito bancário para Republica Oeste Offices. Fui informada pela equipe de Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 contabilidade que a Republica Oeste Offices é "gestora do grupo EBM", empresa Republica de Gestão de Recursos S/A. 31 Na contabilidade da Vaca Brava, verificamse pagamentos à Construtora STAR de 08/2005 a 04/2006, apesar do trabalhador Antonio Ribeiro da Silva ter atuado até 07/2006. Ainda resta, na data de 31.03.2007, um saldo a pagar para aquela construtora de R$ 14.477,84, referente às NFS contabilizadas até 04/2006. Várias das NFS da Construtora Star arquivadas na Vaca Brava foram preenchidas com a mesma letra/caligrafia utilizada em NFS de várias outras empresas. 32 Na conta Contábil 311303028Custas/Processos Judiciais consta outra despesa no valor de R$ 800,00, em 29.11.2006, referente a depósito bancário para Republica Oeste Offices. Consta no lançamento que se trata de pagamento realizado em nome da EBM Incorporações no Proc. Nº 01665200601118000, 10 VT/GO, por serviços prestados pelo trabalhador na obra 131. No processo Trabalhista, fls. 273 a 280, e 402 a 403, verificase que Joaquim de Jesus trabalhou em obra da EBM de 01.08.05 a 09.08.06, sendo remunerado através da Construtora Star. Nas GFIP da Construtora Star, não consta este trabalhador nem qualquer vinculação com obras do grupo EBM. 33 Na Reclamatória Trabalhista nº 01177200600118005, movida por Olivio Rodrigues de Carvalho, em face de SH Serviços e Construções Ltda e EBM Incorporações, por ter trabalhado na obra 131Chateau du Parc, de 10.01.2005 até 20.12.2005, foi acordado o pagamento de duas parcelas de R$ 550,00, em 21.08.06 e 21.09.06. Porém, foi contabilizada na contacontábil 311303028 Custas/Processo Judicia,. apenas uma parcela de R$ 550,00, em 27.09.06, com o lançamento indevido como Recibo de Dr. Adriano Dias Mizael, fls.361 a 364, e 404 a 405. 34 Na conta contábil 311302004, em 28/01/2005, 24/02/05 e 26/04/05, foram contabilizadas despesas com a empresa J e J Construções e Terraplanagens Ltda, CNPJ 07142479/0001 40, NFS 01, 06 e 11. Foram apresentados contratos firmados em 08.11.04 e 28.11.04, fls. 247 a 261. Verificase nos sistemas informatizados da Previdência Social que esta empreiteira informou GFIP "sem Movimento" de 12/2004 a 06/2005, e não entregou GFIP em 11/2004. Ao não exigir a GFIP e a regularização dos trabalhadores em sua obra, a empresa Vaca Brava não cumpriu cláusula estabelecida em seus próprios contratos de empreitada, além de não observar artigos 31 e 32, inciso IV, da Lei 8212/91, artigo 219, parágrafo 6°, do Decreto 3048/99 combinados com artigos 29 e 337A, inciso I, do Código Penal. 35 Na conta 311303009 Instalações Provisórias, foram realizados lançamentos todos os meses, com despesas até o final da obra. Algumas dessas despesas são documentadas com Recibos de doação para Centro Comunitário Santa Genoveva, no valor de R$150,00 ao mês, fls.365 a 366. 36 Na contabilização de despesas e custos, verificamse vários lançamentos onde consta no histórico REC, como REC Osvaldo Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.704 13 Ioshio Massuda, REC Eduardo Carlos dos Santos, REC Glauco Magalhães, REC Tânia Tome, REC Central de Suprimentos, REC EBM Incorporações. Porém, na documentação desses RECIBOS, são arquivadas diversas Notas Fiscais de empresas, com variados tipos de gastos, como combustível, material, transporte, taxas. As datas das despesas nem sempre são no mesmo mês daquele lançamento de ressarcimento, exemplos às fls. 367 a 386, 438 a 443, 495 a 555. Tais lançamentos ferem princípios contábeis, não são corretos ou claros, pois despesas e custos de obra devem ser contabilizados em contas e datas apropriadas, de modo que, pelas contas, históricos e datas, seja possível a identificação do valor, numeração do documento e do tipo de cada despesa/fornecedor/item, a fim de possibilitar a análise e discriminação dos custos da obra. 37 Para compor o valor a ser pago aos engenheiros da obra, através de NFS de Pessoas Jurídicas, Osvaldo Ioshio Massuda, Eduardo Carlos dos Santos, Glauco Magalhães, vem sendo elaborada uma planilha com os custos mensais das "empresas" daqueles profissionais, fls. 556 a 565. Na "Planilha Calculo Remuneração Engenheiros" constam discriminados itens que compõem o pagamento aos engenheiros, SalárioBase. 13° Salário, Seguro Saúde e Ticket, ou seja, itens característicos de remuneração de pessoas físicas, mas não de pessoas jurídicas. 38 Além dos valores pagos aos engenheiros através de NFS de suas empresas, Massuda Engenharia Ltda, CNPJ 03465624/000172, ECAP Engenharia Ltda, CNPJ 07269248/000100, Esquadro Engenharia Ltda, CNPJ 05129840/000172, foram pagas complementações ou premiações mensais, através de NFS da empresa Incentive Premier Ltda, CNPJ 05310037/000130, fls. 566 a 569. Apesar de notificada para apresentar todos os premiados através das NFS da Incentive Premier, a Vaca Brava não apresentou as listagens mensais daquelas bonificações ou pagamentos complementares às empresas dos engenheiros e a outros trabalhadores na obra. 39 De acordo com despesas lançadas como REC Tânia Tome, em 13.08.04, 08.09.04, 13.09.04 e 27.09.04, fls. 584, a engenheira Tânia Tome atuou na obra, pelo menos durante os meses de agosto e setembro/2004. Porém, não consta nenhum pagamento nesta empresa para sua pessoa física ou jurídica, Construstyle Engenharia Ltda, donde se deduz que seu pagamento/NFS compôs o custo de outra obra do Grupo EBM. Constatamos em visita a três obras do grupo EBM, em maio/2007 e julho/2007, que engenheiros e pessoal de obras em andamento trabalham em outras obras do grupo, principalmente no inicio e conclusão das obras. Exemplo disto é atuação da engenheira Tânia Tome nesta obra, como também, o trabalho do engenheiro Luiz Claudio, CPF 27133431653, da Castor Engenharia Ltda, fone 92219093, trabalhando para outra empresa do Grupo EBM, Sociedade Residencial Oeste Treze S/A, mas que no dia 02.05.07 encontramos trabalhando no Residencial Bela Vista Um S/A, obra Sofisticatto já com Habite Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 se. Portanto, o custo contabilizado para a obra não é completo ou devidamente contabilizado. 40 Lançamentos indevidos documentam ressarcimentos de despesas realizadas por sócios sendo lançadas como REC, RECIBO, o somatório de um conjunto de NF, Recibos, Títulos, guias de tributos, como exemplificado no dia 01.08.2006, conta contábil 311303017 Títulos e Emolumentos, cópia As fls.570 a 575. 41 Também, foram realizadas restituições ou a sócios, sem comprovação do gasto ou despesa, como exemplificado As fls. 576 a 579, dia 15.09.03 ct. ctb 311302004 Serviços contratados p/PJ. 42 Despesas foram indevidamente documentadas, como exemplificado no dia 27.03.2006. depósito bancário de R$ 3.000,00 em favor da "Soc Res Oeste Nove S/A". fls. 580, que foi documentado ou contabilizado como pagamento a Eliane M. M. da Costa. 43 Contabilização em conta indevida, como exemplifica a NF 573 da RC Equipamentos Ltda, que foi lançada despesa com Pessoa Física no dia 01.12.2003 na conta 311302003 Serviços contratados p/PF. 44 Despesa da obra 131 Vaca Brava, foi indevidamente lançada como despesa na contabilidade da obra 132Praça do Sol, em 04.10.2004 ct. ctb. 2114000001, cheque 157899, fls. 581. 45 Na contabilização, não vem sendo observado o principio da COMPETÊNCIA, visto que suas Receitas e Despesas não são lançadas nas datas de suas ocorrências, independentemente de Recebimento e Pagamento. Para a contabilização, vem sendo indevidamente utilizado o "Regime de Caixa", não obedecendo ao "Regime de Competência, não reconhecendo as despesas e receitas na época ou momento em que são realizadas, independentemente da época em que são pagas, recebidas ou informadas ao departamento contábil. Exemplificando, despesa de dezembro/2005 foi contabilizada em 05.01.2006 na conta contábil 311302004, NFS 1707 da Marmorarte no valor de R$19.037,20. O "Regime de Competência é obrigatório para a escrituração do livro Diário, conforme Resolução do CFC n°.750/93 e, também, no parágrafo 13 do artigo 225 do Decreto n°3.048/99, que regulamenta o inciso III do art. 32 da lei n'.8.212/91, além de nos artigos 1179 a 1195 do Código Civil. 46 Não foram apresentados os pagamentos ou valores despendidos com os trabalhos técnicos dos profissionais responsáveis pelos projetos e ART n. 045040022509 e 03159200601513010 no CREA/GO, fls. 582 e 583. 49 Verificouse em contratos de venda e aquisição de apartamentos construídos pela Vaca Brava por outras empresas do Grupo EBM, listagens às fls. 336 a 339, 340 a 351, 353 a 360, 436 a 422, que algumas unidades/apartamentos foram comercializadas por preço abaixo ao valor de mercado e inferior ao valor de outras unidades à mesma época, com mesmo porte e prazo para pagamento. Constatase que os apartamentos Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.705 15 entregues aos proprietários do lote, dirigentes das empresas do grupo ORBX, EBM, Logical/Opus, como pagamento do terreno da obra, são repassados/vendidos a terceiras pessoas por valor inferior ao de outros andares/apartamentos. Isto sugere indicio de sonegação e de contabilização incorreta, es,\c teia empresa Vaca Brava, que recebeu apartamento como parte de pagamento da mesma unidade, reduzindo ou negociando o preço a ser documentado. 50. Verificase que a unidade 1500 do Edifício Gran Reserva, construído no Setor Oeste da Capital por outra empresa do grupo EBM, Residencial Alameda das Rosas S/A, CNPJ 05015602/000136, foi dada como entrada da unidade 25 do Chateau du Parc, fls. 462 a 483, sendo acertado por email, fls. 470, valor inferior ao de mercado e inclusive ao de outros apartamentos, o que apresenta indícios de sonegação. De acordo com documentos a fls. 423 a 437, 462 a 469 e 338, em junho/2003, a unidade 1500 foi vendida pelo sócio da empresa Logical, Dener, para Jose João Batista Stival por RS 160.100,00, em torno da metade do valor das outras unidades. Dois anos após, Jose João B. Stival documentou, pelo mesmo valor, a entrega da unidade 1500 do Gran Reserva para a empresa Vaca Brava, como entrada da unidade 25 do Chateau du Parc. Foi acertado/ajustado o valor da documentação da entrada, RS 160.000,00 e da redução do valor para o novo apartamento, R$590.000,00, fis. 470, sendo reduzido em torno da metade do valor das outras unidades. Em julho/2006. um ano após, Jose João B. Stival, com a anuência da Vaca Brava, vende a unidade 25 para Edcel Silva Morais, pelo mesmo valor reduzido. Copia às fls. 423 a 437. 462 a 483. Valores acertados para contrato. escritura e contabilização demonstram que o Diário e Razão não estão embasados em dados e documentos fidedignos ou de valores reais. 51 A Empresa Vaca Brava, como interveniente cedente, em 20.10.06, fls. 484 a 488 e 334 e 336, assinou escritura de venda, pela Logical para Jaime dos Santos Ferreira, da unidade 20 do Chateau du Parc, pelo valor de R$ 660.000,00. em torno da metade das outras unidades à época. 52 A empresa Vaca Brava vendeu a unidade 7 do Chateau du Parc por valor inferior ao das outras unidades, em 04/2005, fis. 444 a 461 e 334 e 335. Dois anos depois, a unidade foi transferida para outro proprietário por valor similar à primeira 53 Tendo em vista o aqui exemplificado, a contabilização da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A não atende aos requisitos previstos, não se encontrando devidamente escriturados os fatos envolvidos na execução da sua única obra de construção civil. Consequentemente, a fiscalização previdenciária desconsiderou a escrituração contábil apresentadas de forma deficiente, coma também, os respectivos custos, sendo arbitrado o crédito previdenciário de acordo com a área construída e o padrão de execução da obra de Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 construção civil, como previsto nos parágrafos 3°, 4° e 6° da Lei nº 8.212/91, artigos 229, 233 a 235 e 248 do Decreto nº 3.048/99, nos Artigos 72, 73, 79, 81 a 99, 105 a 110 e 120 da Instrução Normativa INSS/DC n°.69 de 10/05/2002 e nos artigos 413 a 481 da IN SRP nº 3/2005, de 14/07/2005. Dentre esses últimos destacamos os artigos 426. 429, 434. 442 e 473. Os grifos não constam no original. De outro eito, mas vinho de outra pipa, as folhas de pagamento apresentadas não são completas e não atendem aos requisitos legais, eis que não têm sua abrangência estendida aos segurados contribuintes individuais, cuja prestação de serviços à notificada houvese por comprovada mediante análise da contabilidade e das GFIP. Recibo de Pagamento a Autônomos de Paulo Cesar Gomes, transportador autônomo contabilizado na conta 311302005, em 20.01.2006, no valor de R$240.00, não consta na folha de pagamento, como também, nenhum outro pagamento a segurado contribuinte individual. Nessas circunstâncias, as omissões/incorreções perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, etc. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância da fidedignidade no registro dos fatos geradores e das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Mostrouse, pois, deficiente a documentação fornecida pelo Recorrente. Ademais, o exame dos livros fiscais apresentados revelou que a contabilidade da empresa não registra o real movimento de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. Assim, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.706 17 Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta a serem empregados pela fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. No caso em apreciação, tratandose os fatos geradores da remuneração paga a segurados obrigatórios do RGPS empregados em obra de construção civil, a autoridade fiscal procedeu à apuração do valor da mão de obra utilizada valendose das tabelas do Custo Unitário Básico, conforme determinação expressa assentada nos artigos 89 e 90 da IN INSS/DC nº 69/2002. Instrução Normativa INSS/DC nº 69, de 10 de maio de 2002 Art. 90. Para apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do CUB, divulgadas mensalmente na internet ou na imprensa de circulação regular pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON), da respectiva localidade ou da respectiva unidade da Federação onde esteja localizada a obra. (Redação dada pela Instrução Normativa INSS/DC nº 080, de 27.08.2002). §1° Será utilizada a tabela do CUB publicada no mês de entrega da DISO, referente ao CUB obtido para o mês anterior. §2° A competência das contribuições apuradas será a do mês de entrega da DISO. §3° Será utilizada preferencialmente a tabela do CUB: I da localidade da obra; II da unidade da Federação onde se situa a obra, caso não exista tabela local; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da Gerência Executiva circunscricionante do local da obra. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 §4° Será utilizada a tabela do SINDUSCON a que o município esteja vinculado. §7º O saláriodecontribuição decorrente da mãodeobra relacionada aos custos constantes do Anexo I não poderá ser aproveitado para abater o valor das contribuições aferidas com base no CUB. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal, a fls. 587/604, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, permitindo ao autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há, portanto, qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Houve a prestação de serviços remunerados em obra de construção civil de responsabilidade do Recorrente. Restou comprovado que a contabilidade não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa, do faturamento e do lucro. Da mesma forma, a documentação apresentada pela empresa revelouse deficiente, ante a omissão e incorreção das informações relativas aos fatos jurígenos tributários em apuração, circunstâncias que motivaram a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas mediante aferição indireta, com fundamento jurídico nos artigos 148 do CTN, 33, §§3º e 6º da Lei nº 8.212/91 e art. 90 e seguintes da IN INSS/DC nº 69/2002. Como visto, verificase que a NFLD em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores objeto do lançamento, o período de apuração, a conduta omissiva que motivou a aferição indireta da base de cálculo, assim como o critério de arbitramento do montante tributável, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal toda a fundamentação legal dos procedimentos levados a efeito no curso da ação fiscal. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. O Aviso de Regularização de Obra a fls. 162/168 mostra com clareza solar as informações pertinentes à área construída (0,00 m2), a área para cálculo do montante de mão de obra (12.066,42 m2) e à área já regularizada correspondente às GPS relacionadas na Declaração de Regularização de Obra (2.207,55 m2), a qual se encontra arrolada no discriminativo a fls. 163/168, que apresenta, em cada competência, o Salário de Contribuição contido nas GPS recolhidas, o valor do Custo Unitário Básico por metro quadrado de obra, o Salário de Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.707 19 Contribuição total do projeto e a parcela absoluta de área regularizada correspondente ao recolhimento contido nas GPS em foco. O Aviso de Regularização de Obra informa, também, o tipo e uso da obra, o nº de unidades, categoria e padrão, assim como o enquadramento para fins de determinação do Custo Unitário Básico. Quanto à turbidez alegada, a lente de correção passa pelo art. 97 e seguintes da IN INSS/DC nº 69/2002, da qual demonstrou o Recorrente ter acentuado conhecimento. Para tornar mais nítida a visão do cálculo do Salário de Contribuição total do projeto, tomemos como exemplo a competência 12/2003, a fl. 163. Conforme explicitado no Aviso de Regularização de Obra a fl. 162, a área total do projeto é de 12.066,42 m2. De acordo com a tabela tatuada no art. 98 da IN INSS/DC nº 69/2002, nos primeiros 100 m2 de obra de alvenaria, aplicase o percentual de 4%, 8% nos 100 m2 seguintes, 14% sobre a área acima de 200 m2 e inferior a 300 m2, e 20% sobre a área que ultrapassar os 300 m2. Dessarte, no caso presente, conforme assinalado a fl. 162, temos: Área CUB sal. contribuição 100 m2 704,21 2.816,84 100 m2 704,21 5.633,68 100 m2 704,21 9.858,94 11.766,42 m2 704,21 1.657.206,12 Total 12.066,42 m2 1.675.515,58 Para as demais competências arroladas no discriminativo a fls. 163 a 168, basta atualizar o valo do Custo Unitário Básico. Simples assim. Nada mais. Turbidez? Não! Mostramse improcedentes, pois, as alegações de falta de clareza e precisão dos relatórios, ou mesmo turbidez ou ausência de limpidez nos dados da Declaração de Regularização de Obra. Muita vez, a causa de uma visão turva não está na turbidez do objeto, mas, sim, na capacidade do cristalino dos olhos de quem vê de projetar a imagem desse objeto, com precisão, na superfície da retina. Também se mostra improcedente o argumento de que a fiscalização detalhou inadequadamente os critérios por ela utilizados no arbitramento dos valores, atribuindo, de maneira precária e desproporcional a natureza remuneratória ao Custo Unitário Básico (CUB). Conforme já acentuado alhures, o mecanismo para apuração, por arbitramento, da base de cálculo da remuneração da mão de obra utilizada na construção civil seguiu com obstinada atenção os trilhos mandamentais assentados na legislação previdenciária, a saber, IN INSS/DC nº 69/2002, IN INSS/DC nº 100/2003 e IN SRP nº 3/2005. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Já se houve por esclarecido anteriormente que, não concordando o sujeito passivo com o cálculo operado pela fiscalização, resultado do procedimento positivado na legislação complementar, compete a ele demonstrar, mediante documentos idôneos, a discrepância entre os valores apurados e aqueles por ele considerados como representativos dos fatos geradores colhidos pela fiscalização. Para tal mister, urge advertir que são necessários mais do que meras alegações fulcradas na fluidez das palavras. Mostrase indispensável a apresentação dos documentos eleitos pela lei para o registro dos fatos geradores em palco, elaborados e constituídos em acordo com as formalidades intrínsecas e extrínsecas requeridas pelo legislador ordinário. Na mesma esteira, a alegada nulidade do lançamento, por desatendimento à norma previdenciária estampada no art. 474 da IN SRP nº 3/2005, não merece a guarida pretendida. Reza o art. 474 do IN SRP nº 3/2005, in verbis: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 474. Na regularização de obra de construção civil, em que a remuneração da mãodeobra utilizada foi apurada com base na área construída e no padrão da obra ou com base na prestação de serviços contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, se constatada a contratação de subempreiteiras, deverão ser constituídos os créditos das contribuições sociais correspondentes, em lançamentos distintos, conforme a sua natureza. §1º Os créditos referidos no caput serão constituídos da seguinte forma: I contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; II contribuições referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada; III contribuições apuradas por responsabilidade solidária; IV retenção. §2º No lançamento da base de cálculo da aferição indireta prevista no inciso I, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo previstos nos incisos II, III e IV, todos do §1º deste artigo, competência por competência, observados os critérios de conversão previstos neste Título. §3º No lançamento por responsabilidade solidária, de que trata o inciso III do §1º deste artigo, não serão cobradas as contribuições devidas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser cobradas diretamente da empresa contratada. O disposto no art. 474 da IN SRP nº 3/2005 tem que ser interpretado em conjunto com o art. 447 da mesma Instrução Normativa em foco, e não isoladamente. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 447. A remuneração relativa à mãodeobra terceirizada, inclusive ao décimoterceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 445, considerandose: Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.708 21 I até janeiro de 1999, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do prestador, com o endereço da obra, e que traga, no campo "observações", a identificação da matrícula CEI e o número da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços; II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas alíneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no § 2º e no art. 239; III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (grifos nossos) §1º Nas obras de pessoa física, poderão ser aproveitadas as remunerações de empresas contratadas, da seguinte forma: I no caso de cooperativa de trabalho, a resultante da divisão da contribuição dos segurados cooperados que trabalharam na obra por zero vírgula trezentos e sessenta e oito, tomandose como base: a) de janeiro de 1999 a março de 2003, as contribuições individuais correspondentes a vinte por cento do salário de contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pelos segurados cooperados, desde que estes tenham sido informados na GFIP referente à obra emitida pela cooperativa; b) a partir de abril de 2003, as contribuições individuais descontadas dos segurados cooperados correspondentes a vinte por cento do salário de contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pela cooperativa, desde que estes segurados tenham sido informados na GFIP referente à obra emitida pela cooperativa; II no caso de empreiteira ou subempreiteira, a remuneração declarada em GFIP referente à obra, desde que comprovado o recolhimento integral das contribuições constantes dessa GFIP. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 § 2º Para fins do previsto na alínea "c" do inciso II do caput, o valor da retenção será dividido por zero vírgula trezentos e sessenta e oito para apuração do valor correspondente à remuneração que será convertida em área pelos parâmetros definidos neste Título. § 3º A remuneração relativa ao período decadencial não poderá ser aproveitada para fins da dedução prevista neste artigo. A fiscalização atendeu não somente aos preceitos inscritos no art. 474 da IN SRP nº 3/2005, como, também, àqueles estatuídos no art. 447 da mesma Instrução Normativa, máxime, o seu inciso III. Conforme assentado no Relatório Fiscal, “os valores retidos dos empreiteiros, ou seja, adiantamentos de contribuições previdenciárias dos prestadores de serviço, caso não sejam exigidas as informações dos segurados em GFIP, não serão contribuições definitivas, podendo ser compensadas ou restituídas às prestadoras de serviço, caso seja indevidamente informada GFIP sem movimento ou com valores/segurados inferiores aos utilizados no período de atuação na obra”. Mais adiante, consigna o auditor fiscal notificante: “Portanto, foram consideradas como SaláriosdeContribuição já recolhidos e área já regularizada, as remunerações dos segurados informados em GFIP pela incorporadora, cujas atividades compõem o CUB, fls.168, as GFIP informadas pelos empreiteiros, fls.169 a 171, e o percentual de 5% das NFS de Concreto Usinado, fls.172 a 177, conforme art.107, III, da IN/INSS/DC nº69/2002. art.462, III da IN/INSS/DC nº100/2003, e art. 448, III, da IN/MPS/SRP nº 03/2005”. As provas dos autos revelam, outrossim, que quem não atendeu às determinações legislativas em comento foi a própria empresa recorrente, que deixou de exigir das subempreiteiras as GFIP específicas para cada serviço, como assim determina a legislação previdenciária. Tivesse o Recorrente observado atentamente às obrigações tributárias acessórias a que está obrigado, todos os valores oriundos de retenção seriam computados na edificação do quantum debeatur do procedimento de aferição indireta. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Seção II Obrigações Previdenciárias na Construção Civil Art. 420. Na contratação de empreitada sujeita à retenção prevista nos arts. 140 e 172, a contratada deve destacar na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços o valor da retenção, observando o disposto no art. 154. Parágrafo único. Na hipótese de subcontratação, o destaque da retenção deve observar o disposto no art. 155. Art. 422. A empresa contratada, quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, deve fazer a vinculação destes documentos à obra, neles consignando a identificação do destinatário e, juntamente com a descrição dos serviços, a matrícula CEI e o endereço da obra na qual foram prestados. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.709 23 Art. 423. A empresa contratada deverá elaborar folha de pagamento específica para a obra de responsabilidade da empresa contratante e o respectivo resumo geral, bem como a GFIP com as informações específicas para a obra, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviços, observado o disposto no art. 162. Art. 425. A empresa contratante é obrigada a manter em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, durante o prazo de dez anos, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP e, se for o caso, as cópias dos documentos relacionados no §2º do art. 155, por disposição expressa no § 6º do art. 219 do RPS. Parágrafo único. Para os fins do caput, a empresa contratante deverá exigir as cópias das GFIP emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações. (grifos nossos) Conforme demonstrado, inexiste qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de cerceamento de defesa ou de nulidade erguidas pelo Recorrente. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.2. DO GRUPO ECONÔMICO. Sustenta o Recorrente inexistir o grupo econômico apontado pela fiscalização. O apelo acima postado não reflete as provas dos autos. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é da empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. No caso ora vertido, em 24.04.2007, a extinta Secretaria da Receita Previdenciária expediu MPF cientificado em 02.05.2007 aos chefes responsáveis pela obra que vinha sendo edificada no endereço da empresa Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, na Av. T5 esquina c/ av. T66 quadra 131 Lote. 1/16, Setor Bueno, Goiânia/GO. Apesar de em todos os órgãos constar o endereço acima citado na documentação cadastral desta empresa, fls.123 a 125, constatou a fiscalização que, de fato, ela nunca teve seu escritório ou Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.710 25 administração em seu endereço oficial, visto que naquele local apenas havia estrutura ou ambiente para a construção civil. Quando a empresa Vaca Brava foi constituída naquele endereço, o terreno ainda não era de sua propriedade. Apurou a fiscalização que o escritório da empresa Vaca Brava sempre funcionou no endereço da EBM incorporadora S/A . CNPJ03024881/00274, atualmente na Av. 136, n.960, 15/18 andares, ed. Executive Tower, St. Marista, GoiâniaGO, onde a presente ação fiscal foi executada e verificados os documentos apresentados. A Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A que, de fato, nunca teve seu estabelecimento, foi constituída, em 05.06.2003, fls. 42/53, pela EBM Incorporadora S/A, CNPJ 03025881/000193, e pela ORBX Incorporadora S/A, CNPJ 05082800/000112, com prazo de tempo determinado (Sociedade de Propósito Especifico) limitado pela conclusão do objetivo Social, que se realizará após a incorporação, construção, venda e recebimento das unidades imobiliárias do empreendimento, ou seja, da Obra 131, Edifício Chateau du Parc, na Av. T5, esquina com T66, Qd. 131. Lts. 1/16, Setor Bueno, GoiâniaGO. A Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A foi constituída nos mesmos moldes de diversas outras do Grupo EBM, que vem documentando uma Sociedade Anônima de Capital Fechado para cada um de seus empreendimentos, normalmente no mesmo endereço/terreno em que é construída a obra. Cada uma das obras, uma para cada uma das S/A constituídas com esta finalidade especifica, é lançada, vendida e construída sob a responsabilidade da EBM, marca presente nas obras, folders, propagandas e cartazes no topo de cada prédio em construção ou já entregue aos seus compradores. Verificou a fiscalização que, logo no inicio das obras, é assinado contrato da EBM com a nova S/A constituída única e especificamente para aquele empreendimento, possibilitando que a EBM execute a obra. A época da finalização da obra, a EBM vem mudando as novas S/A de endereço, quase sempre para outro estado da federação, documentandoas no mesmo endereço da ORBX, EBM ou de outra de suas empresas. Em 13/02/2004, após a constituição da empresa Vaca Brava, foi concedido o Alvará de Construção possibilitando que a empresa LOGICAL Participações Ltda construísse o Chateau Du Parc, com a mesma área contida em sua matricula na Previdência Social e no Habitese, o qual, também, foi concedido para a Logical Participações Ltda. Apesar de não ter sido apresentada toda a documentação do terreno da obra 131, ou seja, endereço da empresa Vaca Brava, deduzse que o lote foi adquirido pela Logical em data anterior à constituição da empresa Vaca Brava. A empresa Logical Participações Ltda, CNPJ 05.437.233/000170, que é de um dos parceiros ou diretor da EBM, Dener Alvares Justino, fls.128, 146 a 149, teve sua denominação posteriormente alterada para OPUS Incorporadora Ltda. O Capital Social de R$ 200.000.00 é constituído por 90% da empresa ORBX Incorporadora S/A e 10% da empresa EBM Incorporadora S/A. A contabilidade cita outro sócio: Dener Alvares Justino, Diretor da EBM Incorporadora S/A, mas não consta aporte de capital em seu nome. Após a constituição do Residencial Vaca Brava S/A, foi realizada uma doação para o Município de Goiânia de 38 lotes no Setor Estrela Dalva de propriedade de terceiros avaliados em R$ 114.000,00, com a finalidade de adquirir "o direito de transferência Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 do direito de CONSTRUIR” em 2.420,00 m2 do lote 01 e 16, da quadra 131, Rua T66 com Avenida T5, Setor Bueno, Goiânia/GO, em favor de Residencial Vaca Brava Um S/A, ficando os lotes doados destinados ao banco de lotes. Em 01.03.2004, representada pelos seus dois sócios, Dener Álvares Justino e Adriano Alvares Justino, a empresa Logical Participações ltda escritura a venda daquele terreno para a Vaca Brava, o terreno em que esta empresa já havia sido constituída, fls.58 a 75, ao preço ajustado de RS 420.000,00 a ser pago com a entrega de 4 apartamentos tipo (316,66 m2 cada) e a cobertura tríplex (794,79 m2), os quais tinham valor orçado bem superior ao do terreno. Conforme estipulado na escritura a fl. 65, as unidades 12, 16, 20, 22 e a Cobertura eram os apartamentos permutados pelo lote. Naquela escritura, consta que cabia exclusivamente à Logical Participações consentir com a venda das frações ou unidades do Chateau Du Parc, a ser construído pela Vaca Brava. Também, em escritura, foi conferido poderes à Logical, sendo nomeada procuradora para alienar as 5 unidades permutadas pelo lote em foco. Através de documentos e informações na contabilidade, "Republica Oeste Offices", e na copia de contrato a fls. 116/119, verificouse que recursos financeiros da EBM vêm sendo movimentados em conta bancária de outra de suas empresas, a Republica de Gestão de Recursos S/A, CNPJ05138866/000187, cadastrada no mesmo endereço da filial goiana da EBM, Av. 136. n° 960. 15° andar, Ed. Executive Tower, S. Marista, Goiânia/GO. Constatouse. também, que o grupo empresarial EBM é composto pelas seguintes pessoas físicas: Bento Odilon Moreira CPF00262617153; Bento Odilon Moreira Filho, CPF44028857104: Elbio Moreira, CPF10108416100; Cleuner Teixeira de Souza, CPF35479655191; Dener Alvares Justino, CPF43899374134; Adriano Alvares Justino, CPF59781059134: Wanderley Borges de Melo, CPF 01149989653; Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, CPF49152106187; e João Batista Vieira de Jesus, CPF35488832149. Pintado nessas cores o quadro fático em questão, concluiu a fiscalização que a situação assim retratada caracterizavase grupo econômico de fato, em razão da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Consequentemente, além da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, o presente débito de contribuições previdenciárias foi lavrado em nome de ORBX Incorporadora S/A, EBM Incorporadora S/A, Opus Incorporadora Ltda (Logical), Dener Álvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo, tidos pela fiscalização como responsáveis solidários pelo crédito tributário em questão. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.711 27 II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Nesse diapasão, ao tratar da responsabilidade tributária, o art. 128 do CTN estatuiu que a lei poderia atribuir, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo pelo cumprimento total ou parcial da referida obrigação. A caracterização do grupo econômico, por seu turno, decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (grifos nossos) Nessa mesma toada estatui o art. 748 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à ocasião da lavratura do lançamento, in verbis: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.712 29 exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) O grupo econômico de fato se caracteriza, portanto, pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio formalmente distintos e próprios, que combinam efetivamente recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. No caso em apreciação, da Ata da Assembleia de Constituição da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, extraise que tal sociedade tem como sócios as empresas EBM Incorporações S/A e ORBX incorporadora S/A, sendo por estas dirigida, eis que sua diretoria é exercida, simultaneamente, pelos diretores Ana Célia Carvalho de Barros Amorim e Cleuner Teixeira de Souza, sócios majoritários das empresas EBM e ORBX, respectivamente. Não há como negar a existência de grupo econômico da Notificada com as empresas EBM Incorporações S/A e ORBX incorporadora S/A, figurando estas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário objeto do presente lançamento. Citese, por oportuno, que a empresa ORBX incorporadora S/A é controladora da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A e que esta também se apresenta como empresa coligada à EBM Incorporações S/A. No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124 do CTN, assentado que a expressão interesse comum utilizada pelo legislador acomoda um conceito jurídico indeterminado, mostrase alvissareiro procedermos a uma exegese mais atenta do texto legal de molde a se determinar o real conteúdo e o alcance da norma in abstrato. Autores de nomeada de há muito prelecionam que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. A respeito do tema, o eminente Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. Na mesma linha de raciocínio segue o escólio de Rubens Gomes de Sousa sobre a matéria, em sua renomada obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação". O entendimento acima esposado não se atrita com o magistério do mestre Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006, p.165), que preleciona: “... o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica” No caso vertente, avulta existir entre o Notificado e a empresa Logical Participações Ltda, hoje, Opus Incorporadora Ltda, não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico, haja vista ter esta participado ativamente do objeto social daquela. Com efeito, após a constituição da empresa Vaca Brava, foi concedido o Alvará de Construção possibilitando que a empresa Logical Participações Ltda construísse o Chateau Du Parc. Aditese que o Habitese foi concedido em nome da Logical Participações Ltda e não no da Recorrente, em teoria, a dona da obra. Registrese que o lote onde se ergueu o empreendimento foi adquirido pela Logical em data anterior à constituição da empresa Vaca Brava. Em 01.03.2004, a empresa Logical Participações ltda escritura a venda daquele terreno para a Vaca Brava, o terreno em que esta empresa já havia sido constituída, ao preço ajustado de RS 420.000,00 a ser pago com a entrega de 4 apartamentos tipo (316,66 m2 cada) e a cobertura tríplex (794,79 m2), os quais tinham valor orçado bem superior ao do terreno. Naquela escritura, consta que cabe exclusivamente à Logical Participações consentir com a venda das frações ou unidades do Chateau Du Parc, o qual seria construído pela Vaca Brava. Também, em escritura, foi conferido poderes à Logical Participações, sendo nomeada procuradora para alienar as 5 unidades permutadas pelo lote. Em ádito, diga o Contrato Social da Logical Participações ltda que tem por sócios os Srs. Dener Alvares Justino e Adriano Alvares Justino, sócios do grupo empresarial EBM. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.713 31 Resta evidente que o devedor solidário eleito pela fiscalização mais do que um mero interesse econômico, possuía verdadeiro interesse jurídico, eis que os atores em foco realizaram, de forma conjunta, a situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste lançamento. Nessas circunstâncias, é solidária a pessoa jurídica que realiza conjuntamente com outra a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Avulta, de forma flagrante uma interligação intensa entre as empresas suso elencadas, tendo sido a Notificada criada, única e exclusivamente, para a execução do empreendimento da controladora e coligada, havendo que ser citado que a Recorrente, além de não possuir autonomia administrativa, nem escritório ou sede possui, sendo consignado como endereço de registro para sua constituição o terreno onde se erigiu Chateau du Parc, que nem de sua propriedade era. A conexão é tão notória que os próprios instrumentos de defesa e de recurso oferecidos pelos responsáveis solidários são, mutatis mutandis, idênticos, fato que evidencia a concentração de comando. A Recorrente argumenta que a inclusão de sócio em Sociedade por Conta de Participação (SCP) no grupo econômico não pode prevalecer. Tal argumento, todavia, não reúne condições de ser analisado, se nos afigurando, inclusive, que tenha sido aqui postado por engano. A uma, porque não se houve por identificado o sócio oculto ao qual o Recorrente se refere. Tal sócio realmente permaneceu oculto. A duas, porque igualmente não indicou o Recorrente a qual sociedade em conta de participação estaria vinculado o oculto sócio oculto. A três, porque dos atos constitutivos das empresas acostados aos autos não nos foi possível extrair tais informações. As atividade metafísicas, por certo, não se encontram incluídas nas atribuições e competências dos membros deste Colegiado. Não concordamos, todavia, com o assentamento de responsabilidade solidária em desfavor das pessoas físicas Dener Álvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo, eis que a sua atuação no presente feito, não se ajusta a nenhuma das hipóteses de imputação de responsabilidade solidária prevista em lei. Tal exclusão de responsabilidade solidária, todavia, não implica que as pessoas físicas arroladas no parágrafo precedente sejam excluídas da relação de vínculos a fls. 11/12. Ao revés, elas devem permanecer integrando tal relação, eis que figuram como sócios Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 das pessoas jurídicas responsáveis pela satisfação do crédito tributário objeto do presente lançamento. Anotese que a Relação de vínculos suso citada prestase como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de, ao menos, uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. 2.3. DA NOTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELO DÉBITO Alega o Recorrente ser nulo o lançamento, pois deveriam ter sido notificados todos os responsáveis pelo débito. Aduz que deveriam ter sido notificadas as empresas SH Serviços e Construções Ltda (CNPJ 07.147.142/000125) e J&J Construções e Terraplanagens Ltda. (CNPJ n°07.142.479/000140), dentre outras que não citou. Razão não lhe assiste. Com efeito, devem ser citados todos os responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário, eis que o recolhimento do tributo pode ser exigido, indistintamente, de qualquer um deles, inexistindo qualquer benefício de ordem. Ocorre que os devedores solidários foram todos notificados. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.714 33 A visão do Recorrente, todavia, permanece turbada. As empresas SH Serviços e Construções Ltda e J&J Construções e Terraplanagens Ltda, por ele elencadas, não figuram neste processo como responsáveis solidárias pela exigência fiscal. Tais empresas tratamse de subempreiteiras, que realizaram no empreendimento imobiliário em realce serviços de construção civil. Os serviços por elas prestados encontramse sujeitos não ao instituto da responsabilidade solidária, como assim viu o Recorrente, mas, sim, ao regime da retenção de contribuições previdenciárias de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.711/98, devendo o contratante, in casu, o Recorrente, proceder ao desconto de 11% sobre o valor bruto das NFS/faturas e recolher o valor arrecadado em nome da prestadora. Nas circunstâncias tangidas no parágrafo precedente, a empresa contratada deve destacar na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços o valor da retenção, fazendo a vinculação destes documentos à obra, neles consignando a identificação do destinatário e, juntamente com a descrição dos serviços, a matrícula CEI e o endereço da obra na qual foram prestados. Deverá, também, elaborar folha de pagamento específica para a obra de responsabilidade da empresa contratante e o respectivo resumo geral, bem como a GFIP com as informações específicas para a obra, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviço. Em relação a tais empresas, deve o Recorrente exigir as cópias das GFIP emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações, documentos esses que, juntamente com as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços, devem ser mantidos, obrigatoriamente, em arquivo, por empresa contratada e em ordem cronológica, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Dessai das provas dos autos que o Recorrente não prestou a devida atenção às obrigações acessórias acima referidas, eis que, conforme consignado no Relatório Fiscal, de diversas empresas, inclusive da SH e da J&J, deixou de exigir as cópias das GFIP. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DOS PREMOLDADOS Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 Alega o Recorrente que a Auditoria Fiscal deveria ter observado os diversos préfabricados utilizados na obra de construção civil. Aduz que a IN SRP/MPS n° 3/2005 traz dispositivo contundente em seu art. 456. Estranhamente, a transcrição do caput do art. 456 em foco não foi completa, omitindo o desfecho de seu dispositivo, consubstanciado no termo “desde que:”. A leitura a ser empreendida pelo Recorrente deveria seguir um pouco mais adiante. Isso porque a redução do valor da remuneração não é incondicionada. Ao revés, deve o Interessado satisfazer às condições necessárias especificadas no próprio art. 456 da IN SRP nº 3/2005. Senão vejamos. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 456. A obra de construção civil que utilize componentes pré fabricados ou prémoldados será enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 437 a 440 e terá redução de setenta por cento no valor da remuneração apurada de acordo com o art. 451, desde que: (grifos nossos) I sejam apresentados, conforme o caso: a) a nota fiscal ou fatura mercantil de venda do préfabricado ou do prémoldado e a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, emitidas pelo fabricante, relativas à aquisição e à instalação ou à montagem do préfabricado ou do pré moldado; b) a nota fiscal ou fatura mercantil do fabricante relativa à venda do préfabricado ou do prémoldado e as notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidas pela empresa contratada para a instalação ou a montagem; c) a nota fiscal ou fatura mercantil do fabricante, se a venda foi realizada com instalação ou montagem; II o somatório dos valores obtidos pela divisão, em cada competência, do valor bruto das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I, pelo CUB vigente na data da emissão desses documentos e multiplicados pelo CUB vigente na data da aferição, seja igual ou superior a quarenta por cento do CGO, calculado conforme o art. 442, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria), previsto no §2º deste artigo. (grifos nossos) §1º Préfabricado ou prémoldado é o componente ou a parte de uma edificação, adquirido pronto em estabelecimento comercial ou fabricado por antecipação em estabelecimento industrial, para posterior instalação ou montagem na obra. §2º O percentual a ser aplicado sobre a tabela CUB para apuração da remuneração por aferição indireta será sempre o correspondente ao tipo 11 (alvenaria). §3º A remuneração da mãodeobra contida em nota fiscal ou fatura relativas à fabricação ou à montagem, de préfabricado ou de prémoldado, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra. §4º A edificação executada por empresa construtora, mediante empreitada total, com fabricação, montagem e acabamento (instalação elétrica, hidráulica, revestimento e outros serviços complementares), deverá ser regularizada pela própria empresa construtora, para fins de obtenção da CND. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.715 35 §5º Nos casos em que o préfabricado ou o prémoldado se resumir à estrutura, a obra deverá ser enquadrada no tipo madeira ou mista, não se lhe aplicando o disposto neste artigo. §6º Se a soma dos valores brutos das notas fiscais de aquisição do préfabricado ou do prémoldado e das notas fiscais de serviços de instalação ou de montagem não atingir o valor correspondente ao percentual previsto no inciso II do caput, o enquadramento da obra observará o disposto nos arts. 437 a 441. Compulsando os autos, verificamos que o Recorrente deixou de implementar as condições exigidas pela legislação tributária inscritas no inciso I do art. 456 da IN SRP nº 3/2005, pois que não apresentou, cumulativamente, as notas fiscais referentes à aquisição dos prémoldados e as notas fiscais relativas a sua instalação. Mas não é só. Há mais. Constituise igualmente ônus do Recorrente o cumprimento cumulativo da exigência inscrita no inciso II do mesmo dispositivo legislativo, consistente na comprovação de que o somatório dos valores obtidos pela divisão, em cada competência, do valor bruto das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I do art. 456 em debate pelo CUB vigente na data da emissão desses documentos e multiplicados pelo CUB vigente na data da aferição, seja igual ou superior a quarenta por cento do CGO, calculado conforme o art. 442 da Instrução Normativa em foco, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria). Nessa perspectiva, não havido sido eficientemente demonstrado o atendimento cumulativo de ambas as condições fincadas nos incisos I e II do art. 456 da IN SRP nº 3/2005, não há como atender ao pedido formulado pelo Recorrente. 3.2. DA CONVERSÃO EM ÁREA REGULARIZADA Pondera o Recorrente que a fiscalização não converteu em área regularizada a remuneração correspondente a 5% do valor de aquisição de concreto usinado, massa asfáltica e argamassa usinada, em atenção aos artigos 448 da IN SRP/MPS n° 3/2005. Não procede. Com efeito, estatui o art. 448 da IN SRP nº 3/2005 que será aproveitada para fins de redução da remuneração de mão de obra total a remuneração correspondente a 5% do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: (Redação dada pela IN RFB nº 774, de 29/08/2007) (Vide art. 2º da IN RFB nº 774/2007) I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 II obtida com o resultado da divisão do valor da contribuição recolhida pelo contratante, incidente sobre o valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços esteja vinculado inequivocamente à obra, por zero vírgula trezentos e sessenta e oito; III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Parágrafo único. O disposto no inciso III do caput não se aplica à argamassa em pó adquirida para preparo na obra. Conforme informado no item 59 do Relatório Fiscal, foram considerados como Salário de Contribuição já recolhido e área regularizada o percentual de 5% das notas fiscais de concreto usinado a fls. 172/177. Quanto à massa asfáltica e argamassa usinada, apesar de alegado pelo Recorrente, não logramos encontrar nos autos qualquer documento que demonstre, de forma inequívoca, como assim determina a legislação previdenciária, que tais insumos tenham sido utilizados na obra. No que pertine aos serviços de terraplanagem, cabe relembrar que o arbitramento da base de cálculo foi levado a efeito com base na área construída e no padrão da obra, e não com fundamento no valor dos serviços. Reiteramos, de modo a afastar qualquer turbidez de visão, que os serviços de construção civil, isoladamente considerados, não integram o procedimento de aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra, o qual cingese aos contornos fixados nos artigos 430 a 471 da IN SRP nº 3/2005. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 429. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Art. 605. Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.716 37 Parágrafo único. Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços relacionados nos incisos do caput e não houver discriminação individual do valor de cada serviço, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. 3.3. DO VALOR DO CUB Sustenta o contribuinte que a autuação previdenciária foi consolidada em agosto de 2007 e que o índice divulgado pelo Sindicato da Construção para área residencial era de R$ 778,39 naquele mês, mas foi utilizado o valor R$ 827,26. Razão não lhe assiste. De acordo com o informado pela Autoridade Lançadora em sua informação fiscal a fl. 1.670, para o arbitramento da remuneração houvese por utilizado o valor do Custo Unitário Básico referente à competência maio/2007, para o padrão alto, com 03 ou mais quartos, e mais de 20 pavimentos, divulgada pelo Sinduscon/GO, conforme tabelas a fls. 1.665/1668, as quais apontam para o valor de R$ 827,26 na competência maio/2007. O Recorrente alega que o valor correto seria de R$ 778,39, porém não fez coligir aos autos qualquer indício de prova material que de o Custo Unitário Básico na localidade da obra, no padrão indicado, correspondesse a tal valor. Configurandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do teor da NFLD em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Como é cediço, alegar sem nada provar equivale ao nada alegar. 3.4. DA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO Pondera o Recorrente que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, está desobrigada à apresentação da escrituração contábil. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 38 O Recorrente está corretíssimo. A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, encontrase dispensada da escrituração contábil, desde que mantenha, porém, a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário, a teor do art. 225, §16 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) §16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I O pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; III A pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. Ocorre, todavia, que o art. 45 da Lei nº 8.981/95 dispõe que, mesmo a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deve manter, além do Livro Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver o livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Lei nº 8.981/95 Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Configurandose, portanto, a não escrituração contábil do Livro Diário como uma faculdade da empresa optante pelo regime do lucro presumido, caso esta não se cline a tal Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.717 39 opção, permanecerá obrigada à escrituração contábil nos termos da legislação comercial, para todos os fins e efeitos, como é o caso do Recorrente. 3.5. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO Argumenta o Recorrente que o valor imposto à empresa como penalidade possui caráter excessivo e confiscatório. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 40 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.718 41 vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 42 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.6. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS E DA PERÍCIA Sustenta a empresa que, dado o volume de documentos envolvidos, foram juntados documentos a título de amostragem à sua Impugnação, os quais indicam as bases imponíveis bases de cálculo das contribuições sociais já recolhidas. Aduz que a juntada de todo o período certamente inviabilizaria o apensamento aos autos, razão pela qual pugna pela realização de diligência e de perícia. A alegação não reúne condições de ser atendida. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.719 43 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 44 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, não logrando o Recorrente comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Não tem fundamento o argumento de que a juntada de todo o período certamente inviabilizaria o apensamento aos autos. Ora, sendo as alegações de defesa oferecidas pelos devedores solidários, tanto em sede de impugnação administrativa quanto em grau de Recurso Voluntário, exatamente idênticas em seus fundamentos e oferecidas pelo mesmo causídico, poderiam muito bem ter sido oferecidas conjuntamente, em documento único, circunstância que abriria “espaço” para a juntada do conjunto integral das provas. Por outro viés, o Processo Administrativo Fiscal não limita o volume das provas a serem acostadas pelo impugnando. Exige, sim, que sejam todas, sob pena de preclusão. Quanto à perícia pretendida, cumpre iluminar ao Recorrente que a prova pericial tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.720 45 Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento da autoridade lançadora na ocasião da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. No caso dos autos, a realização de perícia revelase desnecessária pois em nada ira contribuir para o deslinde da questão, eis que o Processo Administrativo Fiscal em julgamento encontra devidamente instruído com todos os elementos necessários e suficientes para a prolação da decisão de mérito. 3.7. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Pondera o Recorrente que a decisão recorrida não enfrentou todas as alegações de defesa e, em alguns casos, que o Acórdão recorrido não teria analisado satisfatoriamente os argumentos de defesa. De início, não se mostra verborrágico enfatizar que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo contribuinte ou pela sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege, tão somente. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 46 Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos da responsabilidade solidária as pessoas físicas Dener Álvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo, nos termos consignados no item 2.2 supra. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.721 47 Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13558.001626/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO E O
ESCRITURADO. PROCEDÊNCIA.
Procede o lançamento por omissão de receitas, baseado na diferença entre os valores declarados à Receita Federal no regime do SIMPLES e aqueles encontrados pelo Fisco Federal na escrita contábil/fiscal e declarados ao Fisco Estadual.
ERRO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte não comprova que os valores que o embasaram, extraídos de sua escrita contábil/fiscal, conteriam algum erro.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Deve ser mantida a multa qualificada de 150% quando a conduta do
contribuinte se revela sistemática e intencional no sentido de ocultar da Autoridade Administrativa a ocorrência dos fatos geradores tributários, mediante declaração ao Fisco Federal de percentuais diminutos das receitas efetivamente auferidas, escrituradas em seus livros contábeis e fiscais e declaradas ao Fisco Estadual.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 1301-000.789
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO E O ESCRITURADO. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento por omissão de receitas, baseado na diferença entre os valores declarados à Receita Federal no regime do SIMPLES e aqueles encontrados pelo Fisco Federal na escrita contábil/fiscal e declarados ao Fisco Estadual. ERRO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte não comprova que os valores que o embasaram, extraídos de sua escrita contábil/fiscal, conteriam algum erro. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Deve ser mantida a multa qualificada de 150% quando a conduta do contribuinte se revela sistemática e intencional no sentido de ocultar da Autoridade Administrativa a ocorrência dos fatos geradores tributários, mediante declaração ao Fisco Federal de percentuais diminutos das receitas efetivamente auferidas, escrituradas em seus livros contábeis e fiscais e declaradas ao Fisco Estadual. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13558.001626/2008-44
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 5077572
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.789
nome_arquivo_s : 130100789_13558001626200844_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 13558001626200844_5077572.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4749375
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360501657600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 355 1 354 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.001626/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.789 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente NERY & MAGALHÃES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO E O ESCRITURADO. PROCEDÊNCIA. Procede o lançamento por omissão de receitas, baseado na diferença entre os valores declarados à Receita Federal no regime do SIMPLES e aqueles encontrados pelo Fisco Federal na escrita contábil/fiscal e declarados ao Fisco Estadual. ERRO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento quando o contribuinte não comprova que os valores que o embasaram, extraídos de sua escrita contábil/fiscal, conteriam algum erro. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Deve ser mantida a multa qualificada de 150% quando a conduta do contribuinte se revela sistemática e intencional no sentido de ocultar da Autoridade Administrativa a ocorrência dos fatos geradores tributários, mediante declaração ao Fisco Federal de percentuais diminutos das receitas efetivamente auferidas, escrituradas em seus livros contábeis e fiscais e declaradas ao Fisco Estadual. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 356 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório NERY & MAGALHÃES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1518.449, de 18/02/2009, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de autos de infração do Simples, lavrados contra a pessoa jurídica (PJ) acima identificada, exigindo crédito tributário no valor de R$ 518.642,28, a título de tributos, multa de ofício, e juros de mora, conforme Demonstrativo Consolidado à fl. 02, cotejando os períodos de apuração do anocalendário de 2005. A descrição dos fatos, a base legal, a forma de apuração e os elementos de prova da autuação se encontram no Relatório FiscalSimples, às fls. 117/118, e nas peças que compõem os autos de infração, às fls. 02/180. Consta no citado Relatório Fiscal que a PJ foi autuada por diferença de base de cálculo e insuficiência de recolhimento, por divergência entre a receita bruta declarada à Receita Federal do Brasil (RFB), através da DSPJSimples (fls. 78/95), e a receita escriturada nos livros fiscais (fls. 34/77), declarada integralmente à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, através da Declaração e Apuração Mensal do ICMS – DMA (fls. 22/34). Consta ainda daquele relatório que a contribuinte foi intimada a esclarecer as irregularidades apuradas pela fiscalização que pudessem afastar a incidência tributária (fls. 96/97), tendo alegado ocorrência de roubos de documentos e erros na escrituração (fls. 113/114), entretanto, não comprovou tais alegações mediante apresentação de documentação hábil e idônea. A Fiscalização aplicou multa de ofício no percentual de 150% sobre a infração 001 – diferença de base de cálculo, e de 75% sobre a infração 002 – insuficiência de recolhimento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 357 3 Em face da autuação, houve representação fiscal para exclusão do Simples a partir de 1º/01/2006, processo nº 13558.001625/200808, juntado ao presente por anexação (fl. 261), procedendose o desenquadramento através do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 17, de 12/09/2008 (fl. 310). Houve ainda representação fiscal para fins penais, prevista no art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008, processo nº 13558.001633/200846 (vide fl. 320), que se encontra no órgão de origem aguardando a decisão final da lide na esfera administrativa. A contribuinte foi cientificada em 08/09/2008, conforme AR à fl. 182, e interpôs impugnação em 08/10/2008, às fls. 143/148, alegando, em síntese, que: (i) Não teria havido intuito de fraude, pois o autuante teve conhecimento através de seus livros contábeis dos valores por ele legitimados como corretos, conforme descrito no Relatório FiscalSimples, e utilizados nos lançamentos que originaram os autos de infração. (ii) Em relação à receita omitida, no montante de R$ 2.025.945,82, resultante da diferença entre a receita apurada pela auditoria nos livros fiscais, no valor de R$ 2.290.555,67, e a receita declarada na DSPJSimples, no valor de R$ 264.609,85, alegou a fiscalizada que tem por hábito manter a guarda da sua documentação fiscal junto ao escritório de contabilidade contratado, o qual mandava todos os meses o DarfSimples no valor a ser pago, o que a fiscalizada o fazia dentro do prazo legal. E que até o momento da expedição dos autos de infração em tela não tinha conhecimento das divergências apuradas pelo autuante. Reforça que por ter tido documentos comprobatórios roubados, estaria impossibilitada de dirimir totalmente a sua culpa perante a Receita Federal. (iii) Ressalta que por se tratar de uma empresa estabelecida como mini mercado, o que pode ser comprovado através de visita à sua sede, não teria como omitir valores do seu faturamento. Houve sim erro contábil no preenchimento da DSPJ, e que a apresentação de uma declaração retificadora com os valores corretos afastaria qualquer dúvida em relação à autuada. (iv) Alude que isso descaracteriza o intuito de omissão (fraude), não podendo a autuada ser enquadrada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, nem submetida à punição prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996. (v) Em relação à exclusão do Simples, ressalva que o ADE nº 17, de 12/09/2008 (fl. 310), determinou que o desligamento do sistema fosse a partir de 1º/01/2006. Assim, a fiscalizada no anocalendário de 2005 ainda era optante do Simples, jamais podendo o autuante intimar a empresa a recolher a diferença atribuída a ela com multa de ofício de 150% e 75%, inclusive o cálculo para a previdência social de forma devastadora sobre o faturamento e não como deveria ser apurado conforme a lei da microempresa, razão pela qual os autos de infração dos tributos exigidos deveriam ser cancelados. (vi) Solicita que se faça o cancelamento ao disposto no art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 2008, em que a empresa está totalmente inocente para tal incurso, onde pugna pela retirada de tal ação. (vii) Ciente, afinal, de que a empresa é devedora perante a RFB, solicita que se faça a devida alteração nos autos de infração, para que tenha poder de pagamento dos seus débitos fiscais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 358 4 A 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1518.449, de 18/02/2009 (fls. 322/326), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. PROCEDÊNCIA É correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta escriturada nos livros fiscais e a declarada na DSPJSimples. ERRO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO A comprovação de eventuais erros da escrita contábil e de preenchimento da declaração de ajuste anual exige a apresentação de documentos hábeis e idôneos, nos termos da legislação que rege a matéria. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA Uma vez comprovado evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela prática rotineira de ações visando reduzir a base de cálculo dos tributos devidos impõese a exigência da multa qualificada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. RETIRADA DA AÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento da ação na esfera administrativa só é possível quando o crédito tributário correspondente ao ilícito penal é integralmente extinto pelo julgamento administrativo ou pelo pagamento. PROVA. RECEITA INFORMADA EM LIVROS FISCAIS E DECLARADA AO FISCO ESTADUAL. A receita informada em livros fiscais e declarada ao Fisco Estadual, para efeito de apuração do ICMS, pode ser utilizada como base de cálculo para o lançamento do Simples devido, tendo em vista a presunção de veracidade da escrituração fiscal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO Matéria não questionada expressamente em sede de impugnação constitui matéria preclusa e dela não se conhece, implicando em aceitação tácita da exclusão de ofício. Ciente da decisão de primeira instância em 25/03/2009, conforme documento à fl. 349, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/04/2009 conforme carimbo de recepção à folha 334. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 359 5 No recurso interposto (fls. 334/335), a recorrente repete, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De plano, ressalto que a recorrente não se insurge especificamente contra a decisão de primeira instância, mas sim contra o lançamento em si, limitandose a repetir, com as mesmas palavras, os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Em assim sendo, o que cabe é uma revisão da decisão recorrida, de seus fundamentos e conclusões, o que passo a fazer. Como se viu no relatório que antecede a este voto, a autuação se deu em face da constatação, pelo Fisco, de que A então fiscalizada declarou à Receita Federal, sob o regime do SIMPLES, apenas uma fração das receitas efetivamente auferidas, escrituradas em seus livros contábeis e fiscais e integralmente declaradas ao Fisco Estadual no anocalendário 2005. Os valores são, respectivamente, R$ 264.609,85, contra R$ 2.290.555,67. A interessada busca imputar essa diferença a erros de seu escritório de contabilidade, ao extravio/roubo de parte da documentação, mas não traz qualquer documento que comprove suas alegações. Os fatos comprovados nos autos apontam para a omissão de receitas, provada diretamente pelo Fisco com base nos livros escriturados pela própria contribuinte e, também nesse sentido, a decisão de primeira instância foi irretocável, ao apontar com exatidão a obrigação de escriturar e que caberia à contribuinte o ônus de provar eventuais erros. Não se pode, então, cogitar de erro escusável no preenchimento da declaração à Receita Federal, mas da dolosa ocultação de parte significativa de suas receitas, com o claro objetivo de ocultar do conhecimento da Autoridade Tributária a ocorrência dos fatos geradores, eximindose do pagamento dos tributos devidos. As receitas declaradas correspondem a meros 11,6% das receitas auferidas, distribuindose de modo mais ou menos uniforme ao longo de todos os meses do ano, revelando conduta sistemática e intencional, vide quadro à fl. 116. Tenho por correta, assim, a aplicação da multa qualificada de 150% à infração correspondente à omissão de receitas por diferenças entre os valores declarados e escriturados, amoldandose a situação ao descrito no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, c/c art. 19 da Lei nº 9.317/1996, c/c art. 71 da Lei nº 4.502/1964. No que tange à alegação de que, no anocalendário 2005, a autuação deveria ser feita conforme a lei da microempresa, é de se esclarecer que foi exatamente esse o procedimento do Fisco, o que resta claro pelo simples exame dos autos de infração, seus cálculos e enquadramentos legais (fls. 119 e segs.), sempre orientados pelas disposições da Lei nº 9.317/1996, vigente à época dos fatos geradores. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13558.001626/200844 Acórdão n.º 130100.789 S1C3T1 Fl. 360 6 Finalmente, quando ao pedido de cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais (art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 2008), é de se trazer à colação o conteúdo da Súmula CARF nº 28, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. As súmulas CARF foram objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010), e são de observância obrigatória pelos integrantes deste Conselho, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno vigente, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Por todo o exposto, não faço qualquer reparo à decisão recorrida e voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10410.007565/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO DO IRPF.
Comprovado que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário
auditado, percebendo rendimentos de aposentadoria, não pode o imposto de renda incidir sobre tais rendimentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL).
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO DO IRPF. Comprovado que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário auditado, percebendo rendimentos de aposentadoria, não pode o imposto de renda incidir sobre tais rendimentos. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10410.007565/2007-24
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5040753
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.928
nome_arquivo_s : 210201928_10410007565200724_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10410007565200724_5040753.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4751014
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360524726272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.007565/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210201.928 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOAQUIM ALVARO DA SILVA HORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO DO IRPF. Comprovado que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário auditado, percebendo rendimentos de aposentadoria, não pode o imposto de renda incidir sobre tais rendimentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos no anocalendário 2004, com origem em rendimentos percebidos do INSS (R$ 15.954,37) e da FUNDAÇÃO CEAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E PREVIDÊNCIA – FACEAL (R$ 15.290,24), a partir do confronto entre as informações das DIRFs das fontes pagadoras e da declaração de ajuste anual do fiscalizado (fl. 05). Regularmente intimado do lançamento, o contribuinte asseverou que ambos os rendimentos pretensamente omitidos estavam albergados pela isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, como se poderia comprovar a partir da carta de concessão de sua aposentação, emitida pelo INSS, e da sentença judicial proferida nos autos do processo judicial n° 2006.80.13.5188576S, com laudos médicos respectivos, que converteu a aposentadoria ordinária em por invalidez. A 2ª Turma da DRJ/REC, por intermédio do acórdão nº 1128595, de 23 de dezembro de 2009, reconheceu que o contribuinte era portador de moléstia especificada em lei no anocalendário auditado, porém entendeu que não havia comprovação de que todos os rendimentos eram provenientes de aposentadoria, pensão ou reforma, como se pode ver nos excertos abaixo: (...) 15. Observese que o LAUDO DE EXAME MÉDICOPERICIAL de fls.17/17verso, datado de 02/02/2005, traz, dentre outras, as seguintes informações : i) "diagnóstico provável"— neoplasia maligna de próstata, CID C61; ii) e "data do inicio da doença" 10/10/2000. E que a Declaração de fls.16 faz referência à ocorrência da perícia médica realizada em 02/02/2005, ao início da doença em 10/10/2000 e menciona enquadrarse o contribuinte na "Lei de Isenção do Imposto de Renda". Demonstrado, pois, que o contribuinte autuado era, no ano calendário 2004, portador de "neoplasia maligna", que vem a ser uma das moléstias graves especificadas no inciso XXXIII do art. 39 do RIR/99. 16. Cabe, agora, aferir se os valores considerados omitidos pela autoridade fiscal consistem em rendimentos de aposentadoria, como alega o contribuinte autuado, na peça impugnatória. Uma vez que os comprovantes de rendimentos emitidos pelo INSS e pela FACEAL não se encontram nos autos, há que se verificar a presença ou não de outros documentos que possam demonstrar a natureza desses rendimentos. 17. No que se refere aos rendimentos recebidos do INSS, no valor de R$ 15.954,37, observase serem, de fato, oriundos de aposentadoria por tempo de contribuição, desde 02/04/1998, consoante demonstrado na CARTA DE CONCESSÃO/MEMÓRIA DE CALCULO (fls.49/50). Registre se que o código de receita constante da Dirf enviada a Receita Federal pelo INSS é 0561, no qual se incluem os proventos de aposentadoria. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10410.007565/200724 Acórdão n.º 210201.928 S2C1T2 Fl. 2 3 18. Quanto aos valores pagos pela FACEAL, na quantia de R$ 15.290,24, não há nos autos do presente processo qualquer elemento comprobatório de que sejam rendimentos de aposentadoria. Registrese que, embora o código de receita constante da Dirf apresentada por essa pessoa jurídica seja 0561, tal código referese não só a proventos de aposentadoria mas, também, a outros rendimentos, como, por exemplo, salários, situação em que, mesmo em se tratando de beneficiário portador de moléstia grave, são tributáveis. 19. Por conseguinte, tendo em vista os dispositivos da legislação do imposto sobre a renda das pessoas físicas que tratam da isenção de rendimentos recebidos por portador de moléstia grave mencionados e/ou transcritos nos itens anteriores deste Voto, bem assim os fatos relativos à expedição de laudo médico e concessão de aposentadoria do contribuinte autuado, e, ainda, aos documentos acostados aos autos, também expostos nos itens anteriores, é de verificarse que: i) o contribuinte percebia proventos de aposentadoria pagos pelo INSS desde 02/04/1998; ii) não foi comprovado que os rendimentos recebidos da FACEAL eram de aposentadoria; e iii) desde 10/10/2000, o contribuinte é portador de "neoplasia maligna", que é uma das moléstias graves especificadas em lei que concede o beneficio da isenção sobre os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão aos seus portadores. Assim, a teor do que determina o art. 111 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional —CTN), segundo o qual se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, restou comprovado que o autuado atende aos requisitos legais para gozar da isenção apenas sobre os rendimentos recebidos do INSS. (...) Com as considerações, a decisão da Turma de Julgamento manteve a incidência do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos da FACEAL. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 29/01/2010 (fl. 86). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/02/2010 (fl. 87). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que os rendimentos percebidos da FACEAL são oriundos da complementação de sua aposentadoria, como se comprova com a documentação acostada aos autos, não podendo incidir sobre eles o imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 29/01/2010 (fl. 86), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 10/02/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 02/03/2010, terçafeira. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Nesta instância somente se controverte a natureza dos rendimentos percebidos da FACEAL, se oriundo de aposentadoria ou do trabalho ativo, pois a decisão recorrida já assentou que o contribuinte era portador de moléstia especificada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 no anocalendário da autuação, inclusive fazendo jus à isenção em face dos rendimentos percebidos do INSS, pois oriundo de aposentadoria. A documentação trazida no recurso voluntário (fls. 89 a 106) deixa claro que a FACEAL é uma entidade de previdência privada fechada dos funcionários da CEAL (Companhia Energética de Alagoas) e que o recorrente recebe uma complementação de sua aposentadoria paga pela entidade, sendo tal complementação rendimentos de aposentaria, com isenção do imposto de renda, na forma do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 15.290,24 (rendimentos pagos ao recorrente pela FACEAL). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000269/2005-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo
Pereira Barbosa.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 17883.000269/2005-13
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 4973974
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.032
nome_arquivo_s : 920202032_17883000269200513_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 17883000269200513_4973974.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4750658
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360536260608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17883.000269/200513 Recurso nº 157.284 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.032 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FERNANDO CARLASSARA DE OLIVEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Exercício: 2001 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gonçalo Bonet Allage e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa RedatorDesignado EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17883.000269/200513 Acórdão n.º 920202.032 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por suposta contrariedade à lei ou evidência de prova, em face do Acórdão n. 3805 00066 [fls. 127131]. Em desfavor do contribuinte foi lavrado auto de infração de fls. 16 a 22, por ter aquele lançado no campo rendimentos isentos de sua declaração de ajuste anual do exercício de 2001 valores recebidos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O contribuinte apresentou impugnação as fls. 25/28 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II julgou procedente o lançamento (fls. 47/52). Eis a ementa da decisão: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 58/72). A Quinta Turma Especialda Terceira Seção de Julgamento deu provimento ao recurso voluntário quanto à incidência de IRPF, na fonte ou na declaração do abono aos integrantes do Ministério Público do Rio de Janeiro (Lei Estadual n. 4.433/2004) – fls. 127/131: Exercício: 2001 IRPF DIREITO DO FISCO, DE EFETUAR A REVISÃO DOS DADO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICADORA – DECADÊNCIA. [...] IRPF. ABONO AOS INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO (LEI ESTADUAL N. 4.433/2004). Caracterizandose indenizatória a verba (abono) percebida pelos Membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, não incide, portanto, o Imposto de Renda Pessoa Física, na fonte ou na declaração. Identidade, às inteiras, com o abono percebido pelos integrantes do Ministério Público Federal, conforme Resolução STF n. 245/2002 e Parecer PFN n. 2.160/2005. [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com base em por suposta contrariedade à lei ou evidência de prova [fls. 134/139], pois teria contrariado o princípio contido no artigo 111, do CTN, de que se interpreta literalmente a legislação tributária que dispõe sobre a suspensão ou exclusão do crédito tributário. Sustenta que “a regra é sempre a tributação, sendo a isenção e os demais fatores fiscais exceções que não podem ser estendidos indiscriminadamente”. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Por meio de exame de admissibilidade, a i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção entendeu que houve comprovação dacontrariedade, tendo, por conseguinte, dado seguimento ao especial interposto [fls. 141 e verso]. O contribuinte apresentou suas contrarazões as fls. 147/159 dos autos. Ratifica, no geral, os argumentos que justificaram o decisum recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator De pronto, salientese que embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência de prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do art. 4º do RICARF, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF, aprovado pela Portaria n. 147, de 25/06/2007. Nesse sentido, atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do especial interposto. A questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pelo Contribuinte aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis, Com efeito, as Leis n. 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei n° 10.477/02, aos membros do Ministério Público Federal. O STF, em sua Resolução n° 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual n° 4,433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro MPERJ o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal, fazendo expressa remissão em seu texto à Lei Federal n. 10.477/2002. Por esta razão, o Contribuinte procedeu à retificação de sua DIRPF, para classificar os rendimentos recebidos do MPERJ a título de abono variável corno isentos ou não tributáveis, diminuindo, dessa forma, a base de cálculo do imposto de renda do período e gerando, por conseguinte, mais saldo a restituir Isto é, ao proceder à declaração retificadora, o contribuinte pretendia reaver o valor da exação incidente sobre o montante relativo ao abono variável que foi regularmente declarado e tributado pelo imposto de renda em sua declaração original. Nesse sentido, a fim de dirimir essa celeuma, cumpre enfrentar a natureza do abono concedido pela Lei n° 4433/2004 do Estado do Rio de Janeiro, identificando se o mesmo goza de natureza indenizatória, quando não poderia ser tributado, ou se guarda natureza remuneratória, o que daria ensejo a sua tributação. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17883.000269/200513 Acórdão n.º 920202.032 CSRFT2 Fl. 3 5 Dessa forma, analisando as leis federais que instituíram o abono variável aos membros do MPF, bem como a lei estadual que concedeu o abono aos membros do MPERJ, verificase que ambos os abonos são idênticos, tendo sido instituídos para os mesmos fins. Considerando que o STF já reconheceu a natureza indenizatória do abono variável, fazse mister conceder ao abono variável dado aos membros do MPERJ o mesmo tratamento tributário, isentando tais valores da tributação pelo imposto de renda. Outrossim, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer n. 2.160/2005, reconhece que é necessário conceder aos abonos variáveis em comento o mesmo tratamento tributário, sob pena de ferimento aos princípios da isonomia, proporcionalidade e razoabilidade, consagrados em nosso ordenamento jurídico. Vejase, por oportuno, elucidativo trecho desse parecer: "Entender deforma contrária, impedindo a concessão do abono variável aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, se afigura em .formalismo excessivo, ofensivo aosprincípios da isonomia, da proporcionalidade e da razoabilidade e não condizente com a eficácia vertical dos direitos .fundamentais a que deve estar vinculado o Administrador como exegeta e aplicado, das normas concessivas de direitos egarantias individuais" Nesse passo, como visto acima, negar a natureza indenizatória à verba percebida pelos Membros do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, sob o argumento de que sobre ela não teria o Supremo Tribunal Federal se manifestado, é preciosismo sem limite, data venta, o que não se coaduna com os princípios norteados de nosso Estado Democrático de Direitos. Ademais, estáse diante de hipótese de não incidência, não isenção, de forma que não aplicável o argumento contra a aplicação da analogia. Dispositivo Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Designado Divergi do bem articulado voto do i. Relator quanto ao mérito da questão discutida no recurso, qual seja, a incidência do imposto sobre as verbas recebidas pelo Contribuinte a título de abono variável. Como se colhe do relatório, o presente litígio gira em torno da natureza da verba recebida pelo Recorrente, a título de abono variável, atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Lei do Estado do Rio de janeiro nº 4.433, de 2004 dispôs ser aplicável aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o disposto no art. 2°, caput e § 1°, da Lei Federal n° 10.477, de 27 de junho de 2002. Para maior clareza, reproduzo ambos os dispositivos: Lei nº 10.477, de 2002: Art. 1º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655 de 2 de junho de 1998 é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. Lei Estadual nº 4.433, de 2004: Art. 1º Aplicase aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2º, caput e § 1º da Lei Federal nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Sustenta o Recorrente que a verba tem natureza indenizatória e, como tal, não está sujeita à tributação pelo imposto de renda. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal – STF, por meio da Resolução nº 245, de 2002 fixou o entendimentos de que a referida verba tem natureza indenizatória, entendimento que foi corroborado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, por meio do Parecer nº 529, de 2003. Pois bem, é certo que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, considerou como tendo natureza indenizatória o abono variável concedido aos membros do Poder Judiciário da União pela Lei nº 10.474, de 2002, e como tal, não sujeitas à tributação pelo imposto de renda, como também é certo que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529/2003, manifestou entendimento no sentido de que as referidas verbas não estariam sujeitas à tributação. Mas tanto a Resolução do STF quanto o Parecer da PGFN referemse especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União, e, em seguida, aos membros do Ministério Público Federal, e o que se discute neste processo é se o mesmo entendimento deve ser aplicado à verba atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. E o que passo a analisar. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17883.000269/200513 Acórdão n.º 920202.032 CSRFT2 Fl. 4 7 Vale destacar, inicialmente, que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do abono variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, por óbvio, não se trata de uma decisão judicial cujos efeitos são bem distintos dos de um ato administrativo. Enfim, é elementar e dispensa maiores considerações, que a Resolução do STF não vinculava a Administração Tributária da União. Sobreveio, todavia, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, e que concluiu que o abono variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002 tem natureza indenizatória. O referido Parecer, entretanto, não deixa dúvidas quanto aos limites desse entendimento, senão vejamos. Após destacar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do imposto de renda, fez a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, o mesmo tem natureza indenizatória. E, segundo o Parecer da PGFN, seria este, no entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, o caso do abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, no entendimento do STF. Fica claro, portanto, que o Parecer da PGFN somente reconhece a natureza indenizatória do abono variável de que tratam as Leis nº 9.655, de 1998 e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF de que tal abono destinase a reparar direito. Assim, o que se tem é, por um lado, a Resolução nº 245, do STF que, como se viu, não emana os efeitos de uma decisão judicial e, por outro, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 que se limita a reconhecer a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF. É dizer, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Nessas condições, não vejo como se estender o alcance dos dois atos acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por outro lado, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União. Tratase de mera questão de técnica legislativa, de opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios, o que de modo algum implica na equiparação de uma e de outra verba. É preciso examinar, portanto, no caso concreto, a natureza da verba recebida pela Recorrente para se poder concluir pela incidência ou não incidência, sobre ela, do imposto de renda. O Contribuinte sustenta a nãoincidência do imposto apenas na Lei Estadual nº 4.433, de 2004, que de forma singela estendeu aos Membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o disposto na Lei Federal nº 10.477, de 2002, que, por sua vez, apenas estendeu aos membros do Ministério Público Federal o abono antes concedido aos magistrados da União. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Ora, como se vê, o dispositivo em apreço cuida da remuneração dos membros da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, de tal sorte que qualquer verba paga em decorrência dessa lei terá, necessariamente, natureza remuneratória. Aliás, tanto a fonte pagadora quanto o Contribuinte entenderam dessa forma, tanto que declararam o rendimento, na DIRF e na DIRPF, respectivamente, como tributável, rendimentos estes, que, vale destacar, foram recebidos no anocalendário de 2001, quando a lei de que aqui se cuida é de 2004. O fato é que, além das referências à Resolução do STF e aos Pareceres da PGFN, o Contribuinte não apresenta nada que demonstre, objetivamente, que as verbas por ele recebidas tinham natureza indenizatória. Portanto, não vislumbro como se estender aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro os efeitos dos atos do STF e da PGFN, pois estes se reportam especificamente ao abono recebido pelos Magistrados e membros do Ministério Público da União e, examinando o caso concreto, salta aos olhos que os valores recebidos pelo Contribuinte tinham natureza nitidamente remuneratória, sujeitas à tributação pelo imposto de renda. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA , Assinado digitalmente em 07/05/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000534/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO TÉRMINO DA OBRA EM PERÍODO ABARCADO PELA DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO.
Comprovando-se que a obra de construção civil foi edificada dentro do prazo decadencial, fixado conforme as regras do CTN, deve ser extinto o crédito correspondente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.214
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO TÉRMINO DA OBRA EM PERÍODO ABARCADO PELA DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. Comprovando-se que a obra de construção civil foi edificada dentro do prazo decadencial, fixado conforme as regras do CTN, deve ser extinto o crédito correspondente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 17546.000534/2007-56
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4882328
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 30 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.214
nome_arquivo_s : 2401002214_17546000534200756_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 17546000534200756_4882328.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4748861
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360554086400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 200 1 199 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.000534/200756 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.214 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONSTRUÇÃO CIVIL Recorrente LUIZ ANTONIO POLOTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO TÉRMINO DA OBRA EM PERÍODO ABARCADO PELA DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. Comprovandose que a obra de construção civil foi edificada dentro do prazo decadencial, fixado conforme as regras do CTN, deve ser extinto o crédito correspondente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 201 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.032.7080, lavrada contra LUIZ ANTÔNIO POLOTO e outros, para exigência das contribuições devidas à Seguridade Social e aos “terceiros” (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados envolvidos na edificação da obra de construção civil matriculada sob n° 21.260.285510/69. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 15/16, o salário de contribuição foi aferido indiretamente com base no Custo Unitário Básico – CUB, obtido em tabela divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON e com base na área construída e no padrão da obra. Os sujeitos passivos apresentaram impugnação, fls. 66/98, na qual buscavam comprovar que parte da obra houvera sido edificada em período decadente. A DRJ em Campinas julgou improcedente a defesa, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 PREVIDENCIÁRIO. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. COMPROVAÇÃO. A comprovação do término de obra de construção civil em período abrangido pela decadência do crédito previdenciário, somente se faz mediante a apresentação de um ou mais dos documentos previstos na legislação respectiva. Lançamento Procedente Inconformados com o resultado do julgamento, os notificados interpuseram recurso voluntário, fls. 110/140, no qual, em apertada síntese, alegaram que: a) devem ser considerados na análise da lide os ensinamentos doutrinários que transcreve acerca de arbitrariedade e abuso de poder da lavra dos insignes juristas Hely Lopes Meirelles, Plínio Gustavo Prado Garcia e Joaquim Falcão; b) a decisão recorrida é nula, seja pelo descaso para com as argumentações defensórias e provas, seja por carência de fundamentação, seja por descompasso com o que já é pacífico na doutrina e na jurisprudência; c) é nulo o lançamento, posto que o Fisco desatendeu formalidades insanáveis e normas do processo administrativo fiscal; d) a decadência deve ser reconhecida, uma vez que, de acordo com o doc. de fl. 80, foi efetuada a matrícula de obra a ser edificada com área de 592 m2 no INSS em 24/10/1991 e a NFLD foi lavrada em 06/11/2006; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 e) há nos autos, fls. 81/84, documento que comprova que o Corpo de Bombeiros vistoriou o prédio com 740m2, no qual funciona uma padaria desde 30/11/1993; f) junta outros documentos ao recurso, os quais comprovam a decadência das contribuições lançadas; g) é cediço que a Secretaria Estadual não concede inscrição estadual se o local de funcionamento da empresa não reunir as condições exigidas pela legislação, nem a Prefeitura lança o IPTU, se o imóvel não estiver concluído e em condições de habitabilidade; h) para comprovar que a empresa L.A. Poloto funcionava no prédio em questão, bem antes do ano de 2000, apresenta: inscrição tributária concedida pela Prefeitura de Jundiaí em 16/11/1999; declaração de propriedade de obra também expedida pela Prefeitura em 04/11/1991; documentos para concessão de alvará pelo Corpo de Bombeiros, expedido em 29/05/2001; i) relativamente ao prédio situado na Rua Samuel Martins n.º 911, com área de 150m2, vale lembrar que o IPTU vem sendo exigido desde o exercício de 1992; j) a decadência deve ser contada segundo as normas do CTN, em consonância com textos doutrinários e jurisprudenciais que colaciona; k) a exigência em apreço viola os princípios da legalidade, tipicidade tributária, da segurança jurídica e da vedação ao confisco; l) do total da área construída apenas 122m2 não foi edificado em período decadente, haja vista que sua construção se deu entre os anos de 2001 e 2003; m) não foi identificado o valor do CUB usado para se chegar a base de cálculo fixada pelo Fisco, não havendo como se saber se foi levada em conta a diferenciação do padrão das áreas de padaria, depósito e residenciais; n) é necessário que sejam realizadas perícia e diligência para determinar o ano de conclusão da obra e o quantum efetivamente devido sobre a área construída em período não decadente; o) não podem ser exigidos no mesmo crédito juros SELIC e multa de ofício, sob pena de se ter dupla sanção sobre o mesmo fato; p) somente cabe aplicação da multa em caso de sonegação fiscal; q) os juros cobrados não podem superar o patamar de 1% ao mês; r) é inconstitucional a aplicação dos juros SELIC para fins tributários; t) há no processo dois atos inválidos, não passíveis de convalidação, quais sejam, a própria NFLD e a decisão de primeira instância; Ao final pede que sejam acolhidas as preliminares suscitadas e no mérito declarado insubsistente o lançamento. Requer ainda a produção de novas provas. Foram juntados ao recurso, os seguintes documentos: Cópia da planta baixa da área da padaria registrada na Prefeitura Municipal de Jundiai — Secretaria de Obras Públicas, sob n° 55.545, livro 14, de 16/05/1984; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 202 5 registro de firma individual; notificações da Prefeitura Municipal para regularização de pendências administrativas, datadas de 28/06/95, 29/02/96, 07/03/96(prorrogação de prazo para apresentação de habitese)25/03/96, 30/06/2000 e 14/07/2000; comprovantes do pagamento do IPTU + taxas, dos exercícios 2001 a 2007. É relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A apuração fiscal Arguiram os recorrentes a nulidade do lançamento em razão do Fisco haver incorrido, para confecção da NFLD, em vícios insanáveis, mormente quanto à apuração da base de cálculo. Sobre essa questão, vale a pena fazer uma abordagem acerca dos passos seguidos pela Auditoria para efetuar a constituição do presente crédito previdenciário. Verificando a existência da matrícula CEI n.º 1.260.28551/69, localizada na Rua Samuel Martins, Lote 31, Quadra, 25, Jardim Estádio, Jundiaí (SP), para a qual não havia qualquer recolhimento, a Administração Tributário encaminhou ofício à Prefeitura Municipal de Jundiaí, solicitando informações sobre o referido imóvel. A resposta veio mediante o ofício, fl. 31, o qual indicou que no endereço especificado havia uma obra em nome de JOSÉ MAURO POLOTO, ANTÔNIO POLOTO e LUIZ ANTÔNIO POLOTO, a qual consistia numa área comercial de 142m2 e numa área residencial de 572m2, correspondente a oito apartamentos. Em 18/10/2005, os interessados foram intimados pelo INSS a regularizarem a situação da referida obra, mediante a apresentação dos documentos mencionados no ofício n.º 208/2005/21026050, fls. 33/34. Informouse ainda que o não atendimento à intimação acarretaria em emissão “ex ofício” da Declaração de Informações Sobre Obra – DISO. Foram encaminhados mais dois ofícios com o mesmo teor, em 25/01/2006, fls. 37/38, e em 10/04/2006, fls. 44/45. Em 09/05/2006, o Sr. Luiz Antônio Poloto solicitou, fl.47, cópia integral do processo administrativo referente à obra em questão. Foi emitido o DISO de ofício em 03/08/2006, fls 49/50, informando o valor das contribuições necessárias a regularização da obra, que deveria ser promovida em oito dias sob pena de lavratura de NFLD. Dada a inércia dos sujeitos passivos, foi lavrada a presente NFLD, cujo valor consolidado em 06/11/2006, totalizou o montante de R$ 54.070,48 (cinquenta e quatro mil, setenta reais e quarenta e oito centavos). Era preciso efetuar a narrativa desses fatos para que possamos nos convencer de que os defeitos apontados pelos recorrentes, os quais levariam à nulidade do lançamento, não merecem acolhimento. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 203 7 Verifico que os passos seguidos pela Auditoria estão em perfeita sintonia com a legislação de regência. Vejamos o que prescrevia a Instrução Normativa SRP n.º 03/2005, vigente na data da constituição do crédito: Aviso para Regularização de Obra (ARO) Art. 431. A partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela SRP o ARO, em duas vias, destinado a informar ao responsável pela obra a área regularizada e, se for o caso, o montante das contribuições devidas, tendo a seguinte destinação: I uma via do ARO deverá ser assinada pelo declarante ou por seu representante legal e anexada à DISO; II uma via será entregue ao declarante. § 1º Caso haja contribuições a recolher e caso o declarante ou o seu representante legal se recuse a assinar, o servidor anotará no ARO a observação "compareceu nesta UARP e recusouse a assinar", indicando o dia e a hora em que o sujeito passivo tomou ciência do ARO. § 2º No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dois do mês subseqüente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dois não houver expediente bancário. § 3º O ARO deverá ser emitido até o último dia útil da competência seguinte ao da protocolização da DISO. § 4º Caso as contribuições não sejam recolhidas no prazo previsto no § 2º deste artigo, o valor devido sofrerá acréscimos legais, na forma da legislação vigente. § 5º O contribuinte poderá requerer o parcelamento das contribuições apuradas indiretamente no ARO. § 6º Não tendo sido efetuado o recolhimento nem solicitado o parcelamento espontâneo, o ARO será encaminhado ao Serviço/Seção de Fiscalização da DRP para a constituição do crédito, no prazo de sessenta dias após a data de sua emissão. Verificase na espécie que, não tendo o contribuinte atendido a solicitação da Administração para prestar as informações necessárias ao preenchimento da DISO, esta foi emitida de ofício, com base nas informações prestadas pela Prefeitura Municipal de Jundiaí. O Aviso para Regularização de Obra – ARO, fls. 48, foi emitido, tomando como competência de referência 08/2006, que é a data de emissão da DISO de ofício, posto que os contribuintes, como já assinalei, não prestaram as informações solicitadas pelo INSS. A fixação desse competência não se deu de forma aleatória, como afirma o sujeito passivo, mas obedeceu ao disposto no § 2.º do art. 431 da IN n.º 03/2005. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Quanto ao cálculo da remuneração pelo método do CUB, podese ver que o “Tipo e Uso da Obra” foi adotado conforme manda a legislação. A área de 714m2 foi considerada de uso residencial e padrão baixo, conforme determina o § 1.º do art. 437 da mesma IN, que assim dispunha: Art. 437 (...) § 1º Quando no mesmo projeto constarem áreas com as características das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, efetuarseá o enquadramento conforme a área construída preponderante, sendo que, se houver coincidência de áreas, a tabela residencial prevalecerá sobre a tabela comercial salas e lojas, que, por sua vez, prevalecerá sobre a tabela comercial andares livres. Portanto, não houve qualquer irregularidade ou falta de clareza nos critérios adotados pelo Fisco para obter a remuneração, uma vez que a adoção do tipo e padrão da obra utilizados para a aferição indireta, com base no método CUB, foram aqueles determinados pela legislação, qual seja tipo residencial, posto que no imóvel prepondera a área residencial. Embora o detalhamento do cálculo não conste do Discriminativo Sintético do Débito – DAD, como acusam os sujeitos passivos, toda a memória do cálculo da remuneração está contida no ARO, do qual os mesmos tiveram plena ciência. Não tenho dúvida que o Fisco atendeu plenamente o que dispõe o art. 142 do CTN1 quanto aos dados imprescindíveis ao lançamento. A ocorrência do fato gerador, que é a serviço prestado para execução do imóvel de propriedade dos recorrentes, é incontestável. A composição da base de cálculo está suficientemente apresentada no ARO. Também a fundamentação legal foi corretamente explicitada no Relatório Fiscal e em anexos específico da NFLD. Vejo, portanto, que a alegação de vícios no lançamento por lhe faltarem requisitos essenciais não deve ser acatada, devendo se afastar a suscitada nulidade. A decisão de primeira instância Protestam os recorrentes pela nulidade da decisão recorrida, pela falta de fundamentação e de apreciação dos argumentos e das provas juntadas na defesa. Esse argumento não deve ser acolhido. É que o órgão a quo enfrentou todos os pontos aventados na impugnação, sopesando as provas acostadas e apresentando toda a fundamentação jurídica que embasou as suas conclusões. Ademais, os notificados apenas alegam que a DRJ efetuou o julgamento apenas se baseando no conteúdo do AI, o qual contém afirmações que destoam da realidade. De fato, o órgão de primeira instância, ao enfrentar o mérito da causa, inexoravelmente vai aderir a uma das teses seja da defesa ou do ataque, posto que ao julgador, estando o processo em condições julgamento, não é dado se abster de emitir sua decisão. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao mundo pela Auditoria 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 204 9 Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim na lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito, mas a princípio não enxergo nenhum vício que pudesse tornar nulo o decisório da DRJ. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que foi anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, os autos estão a demonstrar a inexistência de recolhimentos para a obra em questão, pelo que devese aferir a decadência pela norma do art. 173, I, do CTN. A dificuldade na espécie é se determinar em que momento a obra foi concluída, uma vez que não foi acostado o Alvará de Habitese, documento que tem máxima força probatória para delimitar esse momento. Os sujeitos passivos, tanto na defesa, como no recurso, admitem que parte da obra, mais precisamente 122m2, foi construída em período não decadente, todavia, o órgão de primeira instância entendeu que não restou demonstrada a conclusão em período decadente de nenhuma parcela da obra. Passemos agora a analisar cada um dos documentos acostados pelos sujeitos passivos no intuito de comprovar a decadência parcial das contribuições lançadas: a) Certificado de Matrícula e Alteração (CMA), contendo área construída de 592m2, fl. 80. Esse documento representa mera declaração feita pelos sujeitos passivos perante o INSS em 24/10/1991, não sendo hábil para demonstrar a existência da referida área naquela data. b) Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, datado de 29/05/2001, no qual consta área de 740m2, fl. 81. O referido auto também não comprova a conclusão da área nele constante em período decadente, haja vista que o lançamento é de 11/2006. Portanto, se a obra foi concluída em 2001, a contagem do prazo decadencial pelo art. 173, I, do CTN, daria ao Fisco o direito de efetuar o lançamento até o 31/12/2006. c) Documentos que comprovam o registro e funcionamento da empresa desde o ano de 1993. Esse papéis não se prestam a atestar a conclusão da obra com a área a que se referem os recorrentes, mas apenas indicam que naquele endereço funcionou no período indicado um estabelecimento comercial, nada mais. Para comprovar a existência da área de 592m2 em período decadente somente se pode aceitar documentos relativos à própria obra. d) Cópia de planta baixa registrada na Prefeitura Municipal de Jundiaí em 16/05/1989, fl. 173. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000534/200756 Acórdão n.º 240102.214 S2C4T1 Fl. 205 11 Diz respeito a projeto para construção de padaria e edifício residencial, não indicando o momento de conclusão da obra, por isso, imprestável para demarcar o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. e) Fachada de prédio apresentada no Corpo de Bombeiros em 21/01/1998, como proposta para aprovação dos sistemas de segurança. Não se presta a comprovar o término da obra, posto que sequer contém a área construída. f) Certidão de Tributação Predial, emitida pela Secretaria Municipal de Finanças de Jundiaí atestando a existência de área de 740m2, a partir de 1999, fl. 152. Este documento, por possuir fé pública, deve ser levado em consideração por esse Julgador, principalmente aliado a constatação verificada no item seguinte. g) a recorrente apresentou documentos de lançamento do IPTU para os anos de 1992 a 1999 (área construída de 150m2) e de 2001 a 2007 (área construída de 740m2). E meu ver o lançamento do IPTU de 2001, em 16/01/2001, aliado a Certidão mencionada no item “f”, permiteme concluir com boa margem de segurança que toda a área já estava edificada em período decadente, uma vez que, se o lançamento foi cientificado aos sujeitos passivos em 2006, os fatos geradores ocorridos em 2000 já estariam decadentes. Nesse sentido, devo reconhecer a decadência de todas as contribuições lançadas, salientando que embora o contribuinte até reconheça uma área de 122m2 construída em período não decadente, opto por me curvar ao que me falam os elementos constantes dos autos. Deixo ainda de me posicionar sobre as demais alegações do recurso, posto que reconhecendo a decadência integral do crédito, as mesmas perdem o objeto. Conclusão Reconhecendo a decadência para todas as contribuições lançadas, voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000850/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casti, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.100
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casti, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11330.000850/2007-77
anomes_publicacao_s : 201002
conteudo_id_s : 5068837
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.100
nome_arquivo_s : 240101100_164026_11330000850200777_005.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11330000850200777_5068837.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4753706
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360559329280
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:33Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:33Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:33Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:33Z; created: 2010-03-30T23:57:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:33Z; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:33Z | Conteúdo => S2-C4T/ Fl. 172 '."'". --- L MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11330.000850/2007-77 Recurso n° 164.026 Voluntário Acórdão n° 2401-01.100 — 4a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COMUNIDADE EVANGÉLICA CRISTÃ DA VILA DA PENHA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO 1/12.1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casti, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da tl a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ALO ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°11330.000850/2007-77 52-01TI Acórdão n.° 2401-01.100 Fl. 173 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08. disciplinando a mataria. In casa, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. {itã? Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZE'TTI a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t, W/: QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11330.00085012007-77 Recurso n°: 164.026 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.100 Br..ilia, 12 d março de 2010 EL ;4"S IN • O FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015142/2005-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001, 2002
SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE.
O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subroga-se na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subroga-se na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10680.015142/2005-36
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 4976464
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Sep 19 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.097
nome_arquivo_s : 920202097_10680015142200536_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10680015142200536_4976464.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4752143
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360561426432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 286 1 285 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.015142/200536 Recurso nº 341.273 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.097 – 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria ITR Recorrente FLORESTAS RIO DOCE S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subrogase na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.015142/200536 Acórdão n.º 920202.097 CSRFT2 Fl. 287 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 280100.397, da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 225 a 227v), julgado na sessão plenária de 12 de abril de 2010, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, por entender que o contrato particular de alienação do imóvel, firmado em 01/01/2001, somente foi registrado em 2003, considerando o contribuinte como contribuinte do ITR para os fatos geradores do crédito tributário lançado. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEITO PASSIVO. ITR. É contribuinte do ITR o proprietário do imóvel rural à época do fato gerador do imposto, nos termos da legislação de regência, não se prestando a provar a propriedade instrumentos particulares não levados a registro na época do fato gerador correspondente. Recurso negado. Cientificado do acórdão em 22/10/2010 (fl. 231), o contribuinte apresentou, em 03/11/2010, recurso especial de divergência (fl. 234 a 271), onde defendeu que a transferência de propriedade do imóvel se deu antes da lavratura do auto de infração, sendo então a responsabilidade do adquirente, entendimento adotado pelo seguinte paradigma: Acórdão n° 30236.026 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.015142/200536 Acórdão n.º 920202.097 CSRFT2 Fl. 288 3 (...) TRANSFERÊNCIA DE TITULARIDADE DE IMÓVEL RURAL. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, sub rogase na pessoa do respectivo adquirente (arts. 5° da Lei n° 9.393/96, e 130 do CTN). (...) O recurso especial do contribuinte foi admitido pelo despacho de fl. 274. Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 277 a 285), alegando que, havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes", exegese definitivamente consolidada pelo STJ sob a sistemática do art. 543 C do CPC, cuja decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62 A do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O Imposto Territorial Rural – ITR lançado se refere e aos exercícios de 2001 e 2002. Em 2001, o imóvel foi alienado a terceiros mediante a assinatura de contrato de compra e venda (fls. 164 a 169). Entretanto, o negócio foi levado a registro apenas em 03/12/2003, constando do título a quitação do tributo (fls. 22 a 24). O auto de infração foi lavrado em 2005. O acórdão recorrido entendeu que, por ocasião dos fatos geradores, era o recorrente responsável pelo tributo, pois o registro do contrato de compra e venda ocorreu posteriormente, com a ressalva da quitação do tributo. A divergência jurisprudencial entende que, se por ocasião da lavratura do auto de infração, a propriedade já tiver sido transferida, então o responsável pelo tributo é o novo proprietário. Penso que o acórdão guerreado não merece reparos, pois seguiu entendimento estampado no art. 130 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.015142/200536 Acórdão n.º 920202.097 CSRFT2 Fl. 289 4 subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Já o art. 1.245 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, determina que a propriedade do imóvel se transfere mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis, e que, enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. Assim, o recorrente só deixou de ser considerado responsável pelos ITR relativo ao imóvel objeto do lançamento em 2003, sendo sujeito passivo dos tributos relativos aos exercícios de 2001 e 2002. O recorrente também afirma que, desde a assinatura do contrato de compra e venda, em 01/01/2001, ocorreu a imissão da posse pelo adquirente, que teria passado a ser responsável pelos tributos. Salientese, entretanto, que não há divergência comprovada quanto a esse ponto e, portanto, não cabe sequer conhecêlo. Todavia, caso fosse essa a divergência a ser enfrentada, esclareço meu entendimento de que, havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderia ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes" mas não caberia a ilegitimidade passiva do alienante. Aliás, essa é a exegese definitivamente consolidada pelo STJ sob a sistemática do art. 543 C do CPC por meio do REsp nº 1.073.846 SP, julgado em 25/11/2009, cuja decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62 A do RICARF. Diante do exposto, por julgar correta a lavratura do auto de infração contra o recorrente, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000054/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005
ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI.
Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, quando pagos em desacordo com a lei específica.
Numero da decisão: 2302-001.617
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa à cesta básica.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005 ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, quando pagos em desacordo com a lei específica.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 17883.000054/2010-60
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4879113
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.617
nome_arquivo_s : 230201617_17883000054201060_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 17883000054201060_4879113.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa à cesta básica.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4749611
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044360588689408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 90 1 89 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000054/201060 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230201.617 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de fevereiro de 2012 Matéria Terceiros. Recorrente VIAÇÃO SANTO ANTÔNIO E TURISMO LTDA EPP Recorrida DRJRIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/05/2005 ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, quando pagos em desacordo com a lei específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a parcela relativa à cesta básica. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 91 3 Relatório O presente auto de infração abrange as contribuições destinadas aos Terceiros (Outras entidades e Fundos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de cesta básica e de participação nos lucros, durante o período de abril a maio de 2005, conforme relatório fiscal às fls. 13 e 14. Não concordando com o lançamento, o autuado apresentou impugnação na forma das fls. 21 a 35. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão de fls. 48 a 53, mantendo o lançamento na integralidade. Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário conforme fls. 63 a 77. Em síntese, alega o seguinte: a) o fornecimento de alimentação in natura não integra o saláriode contribuição; b) a participação nos lucros não foi paga em substituição ao salário; c) a periodicidade dos pagamentos não é elemento essencial. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 58 a 62. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não deve persistir o lançamento em relação às contribuições sobre os valores equivalentes às cestas básicas. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Quanto aos valores relativos à participação nos lucros e resultados, melhor sorte não assiste à recorrente. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 92 5 A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 2 do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 3 de maio de 1996 (aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS) dispõe, nestas palavras: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu conteúdo o seguinte: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas, para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Nesse sentido já se pronunciou a Segunda Turma do STF no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n ° 505597, cuja ementa foi divulgada no DJe em 17 de dezembro de 2009, nestas palavras: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 93 7 do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da participação nos lucros da composição do saláriodecontribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794 de 29 de dezembro de 1994 (reeditada sucessivas vezes), e convertida na Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, se o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de serem violados os princípios da reserva legal e da isonomia. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794 de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações no texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000. Essa Lei dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17883.000054/201060 Acórdão n.º 230201.617 S2C3T2 Fl. 94 9 I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º do art. 2º da Lei n ° 10.101 foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955 de 24 de março de 1995, e o § 3º do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Quanto às participações nos lucros pagas pela recorrente, elas não atendem ao comando legal previsto no parágrafo 2º do art. 3º da Lei 10.101. Os pagamentos foram efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil, o que é vedado pela lei. Essa periodicidade somente poderia ser alterada pela próprio Poder Executivo, e não pelos contribuintes, até 31 de dezembro de 2000 (parágrafo 3º do art. 4º da Lei n 10.101 de 2000) Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento nesse ponto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela concessão de provimento parcial quanto ao mérito. Devem ser excluídas as parcelas referentes à cesta básica. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
