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Numero do processo: 11686.000124/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE.
Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não-cumulativos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.157
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não cumulativos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarouse impedido. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 134 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto parcialmente o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo apurado no período de 01/07/2004 a 30/09/2004, onde o interessado sustenta que teria direito ao creditamento de PIS e Cofins na revenda de veículos importados, em cujas operações incidiu alíquota zero destas contribuições, por estarem compreendidas no regime de tributação concentrada, também chamado de incidência monofásica, conforme regulado na Lei 10.485, de 3 de julho de 2002. No intuito de demonstrar a pertinência da sua inconformidade, aduziu o sujeito passivo, em síntese que: a) está sujeito ao regime do Lucro Real e, consequentemente, ao pagamento das Contribuições para o PIS e para o Financiamento da Seguridade Social no regime não cumulativo, instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; b) a vedação imposta no art. 3º, I, “b”, de ambos os diplomas foi alvo de revogação pelo art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 2004, posteriormente convertido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Expõe os fundamentos que levariam, por meio do critério lógico sistemático, à tal conclusão. Sustenta, que o dispositivo novel veio justamente para autorizar o creditamento nas hipóteses em que o mesmo estaria proibido, pois, se assim não fosse, não haveria justificativa para sua edição. Cita precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; c) a fixação de alíquota zero quando da saída dos produtos que revende não significaria atribuirlhe o regime monofásico, que se caracterizaria exclusivamente na hipótese em que o tributo só incidisse uma única vez na cadeia produtiva. No caso dos autos, haveria incidência em toda a cadeia, só que com alíquota zero; d) quando a legislação pretende manter o produto no campo da incidência e apenas desonerálo, atribui alíquota zero e quando intenta retirálo, por meio da subsunção tributária, taxativamente o diz não incidente; e) a Constituição empregou linguagem técnica, exigindo lei que a lei especificasse as hipóteses em que a tributação incidirá uma única vez. Transcreve o art. 155, XII, “h”e o art.149, § 4º da Carta Política de 1988; f) no intuito de exemplificar uma hipótese em que tal preceito foi aplicado, transcreve o art. 22 da Lei nº 10.560, de 2002, que trata da incidência sobre a venda de querosene de aviação; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 135 3 g) na hipótese dos autos, portanto, estarseia diante de uma hipótese de “substituição tributária informal” e desprovida de amparo legal; h) por opção do legislador, o que a lei previra teria sido a incidência com alíquota positiva no produtor e com alíquota zero, para o atacadista ou varejista; i) tal circunstância seria passível de alteração a qualquer tempo, por meio da elevação da alíquota das operações realizadas por este último; j) dado que a Administração teria o poder de alterar as alíquotas a qualquer tempo, teria igualmente que suportar o ônus da plurifasia; k) ademais, dada a “grande folga de arrecadação”, o Estado teria almejado devolver a parte do creditamento suprimido que estava descaracterizando a nãocumulatividade do PIS/COFINS. Este seria o contexto em que teria sido editado o art. 16 da MP nº 206, 2004; l) a MP nº 206, 2004 seria norma multitemática, sendo descabida a alegação no sentido de que a mesma só se aplicaria ao regime do Reporto. Transcreve trecho da exposição de motivos que demonstraria o elenco dos artigos dedicados a esse regime; m) o artigo. 16 da Lei nº 11.116/05 reforçaria a tese no sentido de que as pessoas jurídicas tributadas à alíquota zero teriam pleno direito de se creditar. Transcreve o dispositivo. n) em duas oportunidades, por meio das medidas provisórias 413 e 451, pretendera o Poder Executivo retomar a proibição original e, nas duas, tal limitação foi suprimida do texto da lei de conversão; o) o legislador elegera o método "indireto subtrativo" para disciplinar a não cumulatividade do PIS/COFINS, por meio do qual o crédito é calculado por meio da incidência da alíquota base sobre as aquisições, sem outras perquirições acerca da etapa anterior; p) a Constituição previra a aplicação de ambos os regimes e que, por determinação legal, estaria inserido no regime da nãocumulatividade. Se o Estado “se arrependera”, que passasse a aplicar o regime cumulativo para a atividade exercida. Inadmissível seria a “brincadeira” com os comandos constitucionais, “forjando uma meianão cumulatividade, restringindo direitos por atos que violam à LEGALIDADE”. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃOCUMULATIVIDADE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. Existe expressa vedação legal para o creditamento referente à comercialização/revenda de veículos importados, incluídos no escopo da Lei 10.485, de 2002. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 136 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece o Contribuinte ao processo para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa: É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi apresentada preliminar. 1. Preliminarmente Demarcação da Matéria Litigiosa Não está em discussão que a recorrente dedicase à comercialização de veículos cuja classificação fiscal estaria enumerada nos anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquire tais produtos de estabelecimento importador e, em razão de estar sujeita à tributação com base no Lucro Real, recolhe as contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) segundo o regime nãocumulativo. Consequentemente, respeitados os limites inerentes à competência deste Colegiado, impedido de promover controle de constitucionalidade em razão do comando insculpido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 19721, inserido pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, toda a discussão acerca do presente litígio passa necessariamente pela análise da vigência do inciso I, “b”, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Transcrevo, por economia, exclusivamente o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003, na versão que vigia à época dos fatos, já que ambos tinham redação idêntica. "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2° desta Lei; A seu turno, o art. 2º, caput e parágrafo 1º, III, têm a seguinte redação: 1 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 137 5 Art. 2º Para determinação do valor da Cofins aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6%% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. I° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Os dispositivos, a meu ver, são suficientemente claros: o valor da aquisição de bem para revenda, regra geral, pode ser considerado para efeito do cálculo dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, salvo se, dentre outras hipóteses, estiver sujeito ao regime da Lei nº 10.485, de 2002. Ocorre que, recordese, segundo defende o sujeito passivo, tal proibição fora tacitamente revogada pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, fruto da conversão da Medida Provisória nº 206, de 2004. Diz o dispositivo: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Segundo aduzido em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário, o propósito do dispositivo seria revogar a restrição das leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 e, por lapso, não foi consignada tal revogação no texto da medida provisória que o introduziu, nem no projeto de lei de conversão. Todos os argumentos manejados, em suma, convergem na busca pela demonstração da coerência dessa tese ou dependem da sua confirmação. 2. Mérito 2.1. Revogação Tácita 2.1.1 Demonstração Antes de enfrentar tais argumentos, julgo importante registrar a minha opinião no sentido de que a revogação tácita não é fenômeno que se presuma. Tomo emprestada, a fim de melhor expor meu ponto de vista, a lição de Carlos Maximiliano2, que, analisando as hipóteses revogação, concluiu (original não destacado): 2 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 292. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 138 6 “442 — Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilatao, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que — as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, assumindose o pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca de tal incoerência, conforme sintetizou o renomado hermeneuta3: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula. Não é outra a linha fixada na Lei de Introdução ao Código Civil (original não destacado): Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Não se pode esquecer ademais, que, como é cediço, o art. 9º da Lei Complementar nº 95, de 1998, alterado pela Lei Complementar nº 107, de 20014, orienta o legislador no sentido de que a revogação sempre se dê de forma expressa. Tal e qual não se pode presumir a incoerência do ordenamento, sem elementos robustos, não se poderia igualmente presumir a omissão. 2.1.2. Emprego dos Critérios Finalístico e Lógico Segundo sustenta a Recorrente, embora tal argumento não tenha sido manejado pelo Fisco, diferentemente do que poderia ser invocado, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 não estaria restrito ao regime do Reporto. Por outro lado, a aplicação do critério lógico, diferentemente do sustentado pelo acórdão recorrido, levaria à conclusão de que a única interpretação possível para o dispositivo novel seria a revogação das restrições impostas no já transcrito art. 3º das Leis nº 3 op. cit. p. 291. 4 Art. 9o A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 139 7 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: se o mesmo não tivesse o objetivo de revogar a proibição de creditamento, não haveria sentido na edição da norma. Penso, com a devida licença, que tais argumentos não dão amparo ao pleito de reconhecimento dos créditos, pois, apesar de não conseguir divisar a restrição da aplicação do dispositivo ao Reporto, não vejo como atribuirlhe a amplitude defendida. Com efeito, sua leitura em conjunto com os incisos IV a IX do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2007 e III a IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, permite delimitar com clareza seu universo de aplicação. Transcrevo, para demonstrar, o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Como é possível concluir, o Contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo, qualquer que seja o ramo de atividade, tem direito a acumular créditos relativos a dispêndios diversos da aquisição de mercadorias. Diferentemente do alegado, portanto, as medidas provisórias 413 e 451, de 2008, não teriam o condão de reinstituir eventual proibição, mas agregar novas, passando a restringir até mesmo o crédito decorrente daqueles dispêndios não alcançados pela proibição que sempre vigeu. Confirase, a título ilustrativo, o texto do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.637, incluído pela MP 413, não convertida em lei: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 140 8 § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1º do art. 2º desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)p Aliás, ainda que se trate de produto sujeito a tributação diferenciada, há que se recordar que a restrição só alcançaria as aquisições para revenda. Se os mesmos se destinam à incorporação ao processo produtivo, não haveria que se falar em vedação ao crédito. Nessa mesma linha de raciocínio, não vejo como extrair do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, a alegada ratificação do direito de utilizar créditos anteriormente vedados. Com efeito, o dispositivo só tratou da utilização dos créditos mantidos a partir da edição do dispositivo novel. Confirase: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em resumo, a partir do início da vigência do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, restou definido que o sujeito passivo manteria os créditos decorrentes dos dispêndios excluídos da proibição e, após a edição do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, que poderia utilizálos em uma das modalidades elencadas nos incisos I e II. Não custa registrar, finalmente, que o texto do artigo 17, de fato, é suficientemente claro quando trata da manutenção dos créditos apurados: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Embora sempre insuficiente, o critério gramatical é o ponto de partida para qualquer processo de interpretação. Nesse contexto, seria incabível pretender atribuir à expressão “manter” o mesmo sentido de “apurar”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 141 9 Assim, estou convicto de que, efetivamente, o dispositivo novel em nada impactou a proibição de se apurar crédito a partir da aquisição de veículos novos para revenda. 2.2 Regime Monofásico Sustenta a Recorrente que, na ausência de dispositivo legal que identifique a incidência monofásica, o regime de tributação dos veículos que adquiriria para revenda seria o de incidência polifásica, com aplicação da alíquota zero. Traz à colação, como forma de respaldar suas alegações, o § 4º do art. 149 da CF de 19885. Afastandose a préfalada monofasia, cairia por terra um dos fundamentos que embasaram a denegação do reconhecimento dos créditos. Reforçaria tal convicção o fato de que, a qualquer tempo, poderia o legislador alterar a alíquota vigente para a saída dos produtos que revende. Demonstrada a vedação legal para apuração de crédito quando da aquisição de produtos sujeitos ao regime da Lei nº 10.485, de 2002, pouca margem sobra ao intérprete: se a lei expressamente proíbe, não há processo exegético capaz de afastar tal proibição. De qualquer forma, entendo prudente esclarecer que, qualquer que seja o conceito doutrinário empregado, regime monofásico, de tributação concentrada, etc., o relevante é que, a meu ver, não haveria como deduzir os créditos litigiosos, salvo se houvesse lei que, a título de benefício fiscal, concedesse tal direito, como ocorre, por exemplo, com as exportações. Com efeito, mais do que consolidado na doutrina e na jurisprudência, o conceito de nãocumulatividade encontrase assentado na Constituição Federal de 1988, mais especificamente, no § 3º, II, do art. 1536: compensase o devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Se nada for devido na operação, salvo expressa disposição de lei (que não há), não haveria o que compensar. Não custa registrar que, em homenagem fenômeno conceituado por Alfredo Augusto Becker como “cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico”7, na ausência de outro conceito legal de nãocumulatividade ou de restrição legal a seu emprego, deve ser aplicado o vigente para o Imposto sobre Produtos Industrializados, gizado no dispositivo constitucional acima citado. Por outro lado, tanto no caso do PIS, como na Cofins, segundo o próprio recorrente, o legislador elegeu o método "indireto subtrativo" para disciplinar a não cumulatividade das contribuições, fato que se confirma na leitura da exposição de motivos da MP 135, de 2003. 5 § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. 6 § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; 7 Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Esta interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. (Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo Lejus, 3ª ed. p.p. 116/123) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11686.000124/200813 Acórdão n.º 310201.157 S3C1T2 Fl. 142 10 Pois bem, como é conhecimento geral, pela aplicação desse método, o crédito fiscal concedido sobre os custos e despesas é calculado na mesma proporção da alíquota que grava as receitas8. Ora, se o tributo incidente sobre o resultado obtido com venda dos bens sujeitos ao regime diferenciado da Lei nº 10485, de 2002 é “calculado” com a alíquota zero, os créditos decorrentes de tais aquisições, se tomado tal conceito à risca, seriam igualmente zero. Finalmente, acho relevante deixar claro que, a meu ver, a tributação dos veículos comercializados, com a devida vênia, se amolda ao conceito de monofasia ou de tributação concentrada, na medida em que o que caracteriza tal fenômeno é a concentração da tributação no produtor ou importador. Pouco importaria, assim, se tal concentração da tributação decorre da exclusão da operação do campo de incidência, hipótese do querosene de aviação, ou por meio da fixação da alíquota zero, hipótese dos veículos albergados pela Lei nº 10.485, de 2002, pois, em ambos, a tributação somente alcançará um dos elos da cadeia. Assim, com o devido respeito às ponderações do impugnante, a instituição de alíquota zero, para fins de conceituação do mecanismo de tributação da cadeia, produz o mesmo efeito da exclusão do bem ou da operação do campo de incidência. Até porque, como é cediço, depende igualmente de lei. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 8 Vide Martins, Ives Gandra da Silva. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS, Quartier Latin, 2007. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902825/2013-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
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COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 28 25 /2 01 3- 05 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 13888.902825/201305 Acórdão n.º 3801005.205 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000791/95-70
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPF — RECURSO PEREMPTO — É definitiva a decisão de primeira
instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Não se conhece de recurso perempto.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 102-42.856
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto
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ementa_s : IRPF — RECURSO PEREMPTO — É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se conhece de recurso perempto. Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T17:28:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T17:28:52Z; Last-Modified: 2009-07-07T17:28:52Z; dcterms:modified: 2009-07-07T17:28:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T17:28:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T17:28:52Z; meta:save-date: 2009-07-07T17:28:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T17:28:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T17:28:52Z; created: 2009-07-07T17:28:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-07T17:28:52Z; pdf:charsPerPage: 1106; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T17:28:52Z | Conteúdo => „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10510.000791/95-70 Recurso n°. : 12.911 Matéria : IRPF — EXS.: 1993 e 1994 Recorrente : EMÍLIA SANTOS LIMA Recorrida : DRJ em SALVADOR - BA Sessão de :14 DE ABRIL DE 1998 Acórdão n°. : 102-42.856 IRPF — RECURSO PEREMPTO — É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se conhece de recurso perempto. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMíLIA SANTOS LIMA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ii LI ANTONIO DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE 1-1141110 L - BRITTO • LAT* -Tf I FORMALIZADO EM: 2 1 P60 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. Ausente, justificadamente, a Conselheira URSULA HANSEN. NCA MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10510.000791195-70 Acórdão n°. : 102-42.856 Recurso n°. : 12.911 Recorrente : EMíLIA SANTOS LIMA RELATÓRIO EMILIA SANTOS LIMA, C.P.F ME n° 235.721.675-15, residente e domiciliada na Av. Francisco Porto, 54, Aracaju (SE), inconformada com a decisão de primeira instância apresenta recurso objetivando a reforma da mesma. Nos termos da Notificação de Lançamento de fls. 01, da contribuinte exige-se um crédito tributário total equivalente a 41.162,06 UF1R, decorrente de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, revelado pelas aquisições de dois automóveis, o primeiro em 02/09/92, marca Chevrolet, tipo Monza no valor de Cr$ 100.000.000,00 - e o segundo em 26/02/93, no valor de Cr$ 550.000.000,00, marca Volkswagem, tipo Quantum GL , conforme documentos juntados às fls.13 a 16. O enquadramento legal indicado são os seguintes dispositivos legais: artigos 1° a 3°, parágrafos e artigo 8° da Lei n° 7.713/88; artigos 1° a 4 ° da Lei n° 8.134/90; artigos. 4°, 50 e 6° da Lei n° 8.383/91 e artigo 60 e parágrafos da Lei n° 8.021/90. Na guarda do prazo legal apresentou a impugnação de fls.13, afirmando que, embora a destempo, estava entregando as declarações de rendimentos pertinentes aos exercícios de 1993 e 1994. Intimada a apresentar documentos que respaldassem suas alegações, nada juntou aos autos (doc. de fls. 26/32). 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA "1- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10510.000791/95-70 Acórdão n°. : 102-42.856 A autoridade julgadora de primeira instância manteve o lançamento em decisão de fls. 36/38, assim ementada: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FÍSICA Acréscimo patrimonial não justificado reflete omissão de rendimentos se o contribuinte não logra comprovar a totalidade dos recursos utilizados no incremento do patrimônio. Dessa decisão tomou ciência em 02/04/97 e só apresentou o recurso (doc. de fls. 43/50) em 14/10/97. Consta às fls. 57/58, contra-razões da lavra do Procurador da Fazenda Nacional. É o Relatório„,_ 2t5 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ' Processo n°. : 10510.000791/95-70 Acórdão n°. : 102-42.856 VOTO Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, Relatora Preliminarmente, cabe-me a análise da tempestividade do recurso apresentado. Examinado o AR de fls.41, constata-se que a contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 02/04/97. Tendo em vista que o Decreto n° 70.235/72, regulador do Processo Administrativo Fiscal, no parágrafo 2° do art. 37, fixa em trinta dias o prazo para a interposição de recurso a este Conselho e considerando-se a regra prevista no art. 5° do Decreto n° 70.235/72: "Art. 50. Os prazos serão contínuos excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único — Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato." O prazo para apresentação de sua defesa era 30/05/97 (sexta-feira), como só protocolizou seu recurso em 16/07/96, perdeu o direito de ter seu pleito apreciado. Diante disso Voto no sentido de não conhecer o recurso por ser perempto. Sal., das , - -;es - DF, - 14 de abril de 1998. j 941 IP LI Fl w 1,1,3% n BRITTO 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13502.001327/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. ADIANTAMENTOS PARA COMPRAS FUTURAS.
Consideram-se desnecessárias as despesas com juros e variação monetária pagas ou incorridas em face de remuneração por recursos financeiros obtidos de pessoa ligada, na mesma proporção dos créditos que a tomadora dos recursos possuía junto à supridora e que deixaram de ser deduzidos quando da apuração dos referidos encargos financeiros.
SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA.
Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento. Consequentemente, tais recursos devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda.
POSTERGAÇÃO.
Apurada em diligência a postergação dos tributos exigidos em lançamento, deve a mesma ser reconhecida para fins de deduzir o montante do crédito tributário exigido.
MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO.
Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária.
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
As despesas relativas a tributos com exigibilidade suspensa em função de questionamento judicial constituem-se em meras provisões e, por estarem sujeitas a evento futuro e incerto, somente poderão ser consideradas dedutíveis, para efeito de apuração da base de cálculo dessa contribuição, por ocasião do trânsito em julgado de decisão definitiva no julgamento da lide ou, no caso de desistência da ação, a partir da homologação do pedido de renúncia.
Numero da decisão: 1401-001.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de reunião de processos e, no mérito, DERAM provimento PARCIAL nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa de despesas financeiras, subvenção de investimentos e dedução de depósitos judiciais da base da CSLL, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; II) Por unanimidade de votos, para reconhecer a postergação nos termos da diligência; e III) Por maioria de votos, para cancelar a multa isolada das estimativas não pagas, vencido os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (item I).
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram do presente de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. ADIANTAMENTOS PARA COMPRAS FUTURAS. Consideramse desnecessárias as despesas com juros e variação monetária pagas ou incorridas em face de remuneração por recursos financeiros obtidos de pessoa ligada, na mesma proporção dos créditos que a tomadora dos recursos possuía junto à supridora e que deixaram de ser deduzidos quando da apuração dos referidos encargos financeiros. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento. Consequentemente, tais recursos devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. POSTERGAÇÃO. Apurada em diligência a postergação dos tributos exigidos em lançamento, deve a mesma ser reconhecida para fins de deduzir o montante do crédito tributário exigido. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 13 27 /2 00 7- 74 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 674 2 imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. As despesas relativas a tributos com exigibilidade suspensa em função de questionamento judicial constituemse em meras provisões e, por estarem sujeitas a evento futuro e incerto, somente poderão ser consideradas dedutíveis, para efeito de apuração da base de cálculo dessa contribuição, por ocasião do trânsito em julgado de decisão definitiva no julgamento da lide ou, no caso de desistência da ação, a partir da homologação do pedido de renúncia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de reunião de processos e, no mérito, DERAM provimento PARCIAL nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa de despesas financeiras, subvenção de investimentos e dedução de depósitos judiciais da base da CSLL, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; II) Por unanimidade de votos, para reconhecer a postergação nos termos da diligência; e III) Por maioria de votos, para cancelar a multa isolada das estimativas não pagas, vencido os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (item I). (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do presente de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 675 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1517.469, proferido pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, que, por unanimidade de votos, houve por bem decidir o caso da seguinte forma: PROCEDENTES as parcelas impugnadas dos lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, mantendo o valor de R$33.968.076,02 (trinta e três milhões, novecentos e sessenta e oito mil, setenta e seis reais e dois centavos); e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (reflexa), mantendo o valor de R$12.140.823,96 (doze milhões, cento e quarenta mil, oitocentos e vinte e três reais e noventa e seis centavos); bem como os lançamentos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, mantendo o valor de R$2.209.673,01 (dois milhões, duzentos e nove mil, seiscentos e setenta e três reais e um centavo); à Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ por Estimativa, mantendo o valor de R$18.360.239,32 (dezoito milhões, trezentos e sessenta mil, duzentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos); e à Multa Isolada pela Falta de Recolhimento da CSLL por Estimativa, mantendo o valor de R$6.766.615,99 (seis milhões, setecentos e sessenta e seis mil, seiscentos e quinze reais e noventa e nove centavos); e PARCIALMENTE PROCEDENTES o lançamento relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, mantendo o valor de R$9.173.843,21 (nove milhões, cento e setenta e três mil, oitocentos e quarenta e três reais e vinte e um centavos); e a parcela impugnada do lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (não reflexa), mantendo o valor de R$428.427,92 (quatrocentos e vinte e oito mil, quatrocentos e vinte e sete reais e noventa e dois centavos), todos, com exceção das Multas Isoladas, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora, prosseguindose, também, na cobrança das parcelas não impugnadas do crédito tributário, ressalvados os recolhimentos consoante DARF de fls. 03 a 08 do anexo VIII (Auto do IRPJ) e de fls. 379, 380, 382, 383, 384, 385, 387 e 388 (Auto da CSLL não reflexa), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Trata o processo em questão de Autos de Infração, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 06 a 14 e 48 a 56, relativo aos anoscalendário de 2003 a 2006, no valor de R$34.861.480,82 (trinta e quatro milhões, oitocentos e sessenta e um mil, quatrocentos e oitenta reais e oitenta e dois centavos), além da Multa Isolada pela falta de recolhimento das estimativas do IRPJ, relativa aos meses de janeiro a março, maio a julho e setembro a novembro de 2003, janeiro a junho, agosto, setembro e novembro de 2004, janeiro, fevereiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro a abril e junho a dezembro de 2006, Fl. 801DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 676 4 no valor de R$18.360.239,32 (dezoito milhões, trezentos e sessenta mil, duzentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos); dos lançamentos reflexos: de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 57 a 67, relativa aos anos calendário de 2003 a 2006, no valor de R$13.410.967,93 (treze milhões, quatrocentos e dez mil, novecentos e sessenta e sete reais e noventa e três centavos); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às fls. 68 a 81, relativa aos meses de abril a agosto de 2003 (incidência cumulativa), março a dezembro de 2004 e janeiro a dezembro de 2005 e 2006 (incidência não cumulativa), no valor de R$9.570.176,86 (nove milhões, quinhentos e setenta mil, cento e setenta e seis reais e oitenta e seis centavos); e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (incidência não cumulativa), às fls. 82 a 92, relativa aos meses de abril a agosto de 2003, março a dezembro de 2004 e janeiro a dezembro de 2005 e 2006, no valor de R$2.209.673,01 (dois milhões, duzentos e nove mil, seiscentos e setenta e três reais e um centavo); e outro, independente, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 245 a 250 e 277 a 283, relativa aos anos calendário de 2002 e 2003, no valor de R$1.128.860,33 (um milhão, cento e vinte e oito mil, oitocentos e sessenta reais e noventa e três centavos), além da Multa Isolada pela falta de recolhimento das estimativas da CSLL, relativa aos meses de janeiro a março, junho a novembro de 2003, janeiro a dezembro de 2004, janeiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro, março, abril e junho a dezembro de 2006, no valor de R$6.766.615,99 (seis milhões, setecentos e sessenta e seis mil, seiscentos e quinze reais e noventa e nove centavos), todos, com exceção das multas isoladas, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) encargos financeiros tidos como desnecessários e, portanto, indedutíveis, nos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme Termo de Verificação Fiscal — IRPJ e Reflexos, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 249, 277, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300, 374 e 377 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). 2) contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valores relativos a subvenções correntes para custeio ou operação recebidas nos anoscalendário de 2003 e 2006, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277 e 392, inciso I, do RIR11999. 3) multa isolada decorrente de insuficiência de pagamento do imposto de renda por estimativa, relativa aos meses de janeiro a março, maio a julho e setembro a novembro de 2003, janeiro a junho, agosto, setembro e novembro de 2004, janeiro, fevereiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro a abril e junho a dezembro de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 222 e 843 do RIR11999, combinados com o art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Fl. 802DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 677 5 Medida Provisória n° 351, de 2007, combinados com o art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 1966. O Auto de Infração de CSLL (não decorrente do IRPJ) foi proveniente de: 1) falta de adição ao lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSLL, da provisão com tributos com exigibilidade suspensa, nos anoscalendário de 2002 e 2003, conforme Termo de Verificação Fiscal CSLL, em anexo. O enquadramento legal aponta: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; arts. 13, I, e 19 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 2) multa isolada decorrente de insuficiência de pagamento da contribuição social por estimativa, relativa aos meses de janeiro a março, junho a novembro de 2003, janeiro a dezembro de 2004, janeiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro, março, abril e junho a dezembro de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal CSLL, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 222 e 843 do RIR11999, combinados com o art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007, combinados com o art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 1966. Os demais Autos de Infração, relativos à CSLL, à COFINS e ao PIS, decorreram do Auto de Infração do IRPJ. No caso da CSLL, decorrente dos itens 1 e 2, o enquadramento legal aponta: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. A COFINS, decorrente do item 2 do Auto de IRPJ, tem como enquadramento legal: arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002; e arts. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.833, de 2003. Quanto ao PIS, também decorrente do item 2 do Auto de IRPJ, o enquadramento legal aponta: arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. No Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, às fls. 15 a 47, o Autuante declara, em síntese, que: DESPESAS COM ENCARGOS FINANCEIROS (INDEDUTÍVEIS) o contribuinte é parte de um grupo empresarial controlado pela Monsanto Company, com sede nos Estados Unidos. No Brasil, o grupo possui duas empresas: a Monsanto Nordeste S/A e a Monsanto do Brasil Ltda., localizada em São Paulo, que controla a Monsanto Nordeste, detendo 100% das ações preferenciais e 60% das ações ordinárias. A unidade de Camaçari produz matériaprima para a fabricação de herbicidas, vendendo toda a produção para as unidades do grupo localizadas em São Paulo e no exterior (Bélgica e Argentina). No Brasil, o grupo Monsanto optou por administrar suas unidades de forma centralizada, concentrando as atividades administrativas, financeiras e contábeis em São Paulo; de 2003 a 2005, a Monsanto Nordeste escriturou despesas com juros e correção monetária, reconhecendo como devidas à Fl. 803DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 678 6 Monsanto do Brasil e lançandoas na conta "51020000 despesas de juros sobre mútuo". Intimada a justificar tais lançamentos, a fiscalizada respondeu que esses valores não seriam decorrentes de contratos de mútuo, e sim de duas espécies de operações: (1) remuneração de debêntures por ela emitidas em vista do benefício que recebe do FINOR; e (2) juros e correção monetária sobre adiantamentos para compra futura de produtos feita pela Monsanto do Brasil. Esclareceu que não existe contrato entre as partes e apresentou planilha demonstrativa da apuração dos juros e correção monetária. O índice para calcular a correção monetária foi o IGPM, além de juros de 1% ao mês. A base de cálculo para apuração dos valores é o saldo final em cada mês escriturado na conta "22102123 — MOBRAS conta corrente mercantil". O saldo final de janeiro, por exemplo, é a base para o lançamento dos encargos no último dia de fevereiro; como dito anteriormente, a Monsanto Nordeste (doravante chamada MONESA) vende seus produtos somente para as coligadas, no Brasil, a Monsanto do Brasil (doravante chamada MOBRAS), e no exterior. Da análise da contabilidade, observa se a forma de registro contábil das seguintes operações (explica cada lançamento): a MONESA vende para a MOBRAS; a MONESA vende para o exterior; a MOBRAS fornece recursos à MONESA para pagamento das despesas mensais; o pagamento dessas despesas; o encontro de contas entre os valores a receber e os devidos à MOBRAS; o recebimento das vendas para o exterior; o lançamento das despesas com juros e correção monetária. Parte dessas despesas com encargos financeiros carece dos requisitos previstos na legislação do imposto de renda para ser considerada como dedutível, conforme exposto abaixo; no modelo de administração escolhido, a MOBRAS detém o controle dos recursos financeiros da MONESA, repassandoos a esta na medida de suas necessidades. Tais repasses ocorrem várias vezes ao mês. Assim, a MONESA efetua a sua industrialização, vende seus produtos, mas não recebe por essas vendas de imediato, ficando com crédito perante sua controladora e suas coligadas no exterior. A MOBRAS, por sua vez, empresta recursos à controlada, recebendo desta juros e correção monetária, e efetua um encontro de contas dos valores ao final de cada mês. Ao analisarmos os saldos das contas 11600001 e 22102123, vemos que esse encontro de contas não é feito pelo total dos créditos da MONESA perante a MOBRAS, pois sempre resta saldo na conta 11600001. Isso faz com que a base de cálculo dos encargos seja aumentada e, conseqüentemente, os encargos financeiros devidos a cada mês; consoante a legislação do imposto de renda, não há que se contemplar como dedutível qualquer despesa contabilizada, mas somente aquelas que, sendo operacional, estejam revestidas dos predicados de necessidade, usualidade e normalidade, que guardem relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos dos artigos 377, 277, 374 e 299 do RIR/1999 (transcreve). As despesas com financiamento de capital de giro se caracterizam Fl. 804DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 679 7 como necessárias e, assim, dedutíveis. Porém, para isso, é preciso que esteja demonstrado se tratarem de gastos essenciais à exploração das atividades vinculadas às fontes produtoras dos rendimentos. Não é isso que revelam os fatos examinados; com efeito, a MONESA mantinha créditos junto à sua controladora (a MOBRAS), ao passo que possuía débitos junto a esta mesma empresa, sobre cujos valores incidiram juros e correção monetária. Assim, os recursos da fiscalizada foram postos à disposição de uma empresa, sem estarem sendo aplicados na atividade produtiva. Por outro lado, à falta de seu capital próprio, tomou recursos com essa mesma empresa, sujeitandose a encargos que lhe oneraram o resultado da atividade. Esse procedimento prejudica a admissibilidade da necessidade desses dispêndios para a manutenção da atividade produtora. Tal liberalidade produziu encargos desnecessários, na proporção do capital mantido em poder da controladora, de forma favorecida e graciosa, ou seja, gerou despesas não essenciais à obtenção de seus rendimentos operacionais. essa situação revela liberalidade, pois, se não houvesse ligação entre as empresas, esse tratamento não seria verificado. Quem se sujeitaria a tomar recursos de terceiro (com custo financeiro) para suprir a falta de capital de giro, caso esse terceiro fosse seu devedor? Ora, se uma empresa mantém créditos junto a outras empresas, supõese que ela não necessite de recursos externos para desenvolver suas atividades, ainda mais considerando que esses recursos fossem corrigidos por índice tão expressivo como o IGPM, somado a uma taxa fixa de 1% ao mês. Tal situação se mostra ainda mais esdrúxula se considerarmos que a MONESA tem como clientes a sua controladora e coligadas, e estas têm na MONESA sua única fornecedora de matériaprima. A MONESA tem um mercado cativo, não precisando se preocupar com concorrentes nem oferecer condições de venda mais favoráveis. Dessa forma, a assunção de encargos financeiros além do necessário demonstra liberalidade da empresa, tipificando melhorar o resultado de uma empresa em detrimento do resultado da outra; a análise do demonstrativo de contas a pagar e a receber deixa claro este favorecimento por parte da MONESA. A empresa apropriou despesas com juros e correção monetária no período de novembro de 2001 a agosto de 2005. A partir de março de 2004, com exceção do mês de novembro, o saldo credor junto à MOBRAS é superior ao saldo devedor, o que não impediu que a MONESA continuasse a lançar despesas com juros e correção monetária sobre o saldo devedor. Isso demonstra a extrema liberalidade com que a MONESA tratou o seu conta corrente com a MOBRAS, além do prejuízo causado ao seu resultado tributável. Em vista do exposto, as despesas decorrentes dos saldos a receber não aproveitados no cálculo dos encargos são consideradas não dedutíveis, por não atenderem os critérios de necessidade e usualidade. Para fins de quantificação, foi elaborado o demonstrativo de apuração dos valores a pagar e a receber da MONESA, além da apuração dos encargos financeiros devidos e glosados, anexos a este Termo, os quais detalham os saldos a pagar e a receber, bem como os juros e Fl. 805DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 680 8 correção monetária devidos sobre o saldo devedor, após o encontro de contas entre os saldos integrais das contas ativas e passivas; OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS — SUBVENÇÕES o contribuinte é beneficiário de subvenção fiscal concedida pelo Governo da Bahia, materializada na forma de redução do ICMS devido e tem o nome de Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. Foi criado pela Lei Estadual n° 7.980/2001 e é regulado pelo Decreto n° 8.205/2002, posteriormente alterado pelo Decreto n° 8.435/2003. Em seguida, destaca os incentivos oferecidos pelo programa e os benefícios que foram autorizados quando da habilitação da fiscalizada, através da Resolução n° 03/2002. Conforme demonstrativos apresentados em resposta à intimação n° 002, o contribuinte usufruiu o benefício da seguinte forma: 1) a empresa apura o ICMS devido no período e recolhe 10% desse valor. O restante (90%) é lançado à conta de ICMS diferido (22101010); 2) após um ano, o contribuinte paga 10% do ICMS diferido. Os 90% restantes correspondem ao desconto oferecido pelo Governo da Bahia através do DESENVOLVE. Esse valor é transferido para conta de reserva (patrimônio líquido). O contribuinte informou também que os valores foram contabilizados como subvenção para investimento, em conta de reserva, no patrimônio líquido, seguindo orientação dos Pareceres Normativos emitidos pela Secretaria da Receita Federal; o entendimento do contribuinte contraria a definição de subvenção para investimento contida no Parecer Normativo CST if 112/78 (transcreve os itens 2.11, 2.12, 3.6 e 3.7 do citado parecer). Os dispositivos referidos exigem, para que as subvenções se caracterizem como de investimento, que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado e que eles efetivamente o sejam. O beneficio concedido pelo Estado da Bahia não obriga a vinculação dos valores subvencionados com sua efetiva e específica aplicação na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Com efeito, o auxílio obtido com o desconto evidencia um não desembolso financeiro, o qual passa a integrar o giro do negocio, podendo ser utilizado pela empresa como bem lhe convier. Analisando a Lei que criou o incentivo, observase que existem algumas exigências (destaca os arts. 3° e 8° da Lei n° 7.980/2001), mas nenhuma delas cria vinculação entre o valor subvencionado e sua aplicação específica, o mesmo acontecendo quanto ao decreto regulador. Tais dispositivos também não obrigam que os recursos sejam escriturados em conta de Patrimônio Líquido nem disciplinam a forma de sua utilização; pelo exposto, fica claro que tal beneficio se enquadra no conceito de subvenção para custeio ou operação, não de subvenção para investimento. O art. 392 do RIR/1999 dispõe que serão computadas na determinação do lucro operacional as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de Fl. 806DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 681 9 pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. A SRRF na 5ª Região, através da Solução de Consulta SRRF/5aRF/DISIT n° 02/2004, concluiu que o referido beneficio não se enquadra como subvenção para investimento, devendo ser computado na determinação do lucro real, conforme esclarece o PN CST n° 112/78; o contribuinte foi intimado e apresentou os demonstrativos de apuração do beneficio fiscal, dos quais foi extraído o demonstrativo de apuração das receitas do DESENVOLVE. O contribuinte apresentou também as contas do Razão em que tais valores foram escriturados. Foi necessário então definir o momento da ocorrência do fato gerador. Este se dá no momento em que o contribuinte, ao seu critério, antecipa o pagamento e obtém o desconto correspondente. No caso em análise, o contribuinte optou por antecipar o pagamento em cinco anos, obtendo um desconto de 90% sobre o valor devido. Logo, o fato gerador se deu no momento da opção, a partir do pagamento dos 10% sobre o valor financiado, com a apropriação dos 90% restantes como reserva de subvenção; registrese que nas DIPJ dos anos de 2003 a 2006 o contribuinte apurou saldo negativo de imposto de renda. O valor referente ao ano de 2003 foi objeto de pedido de compensação, conforme informação prestada pelo próprio contribuinte em resposta ao Termo de Intimação n° 004, e declarado em Dcomp. Esse saldo não foi deduzido do imposto lançado de oficio. Os valores concernentes aos anos de 2004 a 2006 não foram objeto de pedido de compensação e foram, dessa forma, compensados no Auto de Infração do IRPJ. Em vista disso, fica o contribuinte cientificado da impossibilidade de aproveitar tais valores através de pedido de ressarcimento/compensação. Como os valores correspondentes aos incentivos constituem receita para a qual não há previsão expressa de exclusão ou isenção, haverá Influência na apuração do PIS, da COFINS e da CSLL; FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE ESTIMADA como descrito anteriormente, os valores referentes às subvenções devem ser computados na determinação do lucro operacional. As despesas com encargos considerados indedutíveis também devem ser adicionadas na apuração do lucro real. Assim, a apuração do imposto de renda sobre a base estimada também é influenciada pela inclusão dessas receitas. Como o contribuinte optou pelo regime de apuração anual do IRPJ, com recolhimento de estimativas mensais, os valores apurados pela Fiscalização devem ser adicionados à base de cálculo do imposto mensal; dessa forma, refizemos o lucro real acumulado mensalmente, apuramos o imposto mensal a pagar e comparamos com o que a empresa pagou/declarou. Sobre a diferença apurada foi lançada a multa isolada por insuficiência de pagamento do imposto de renda devido por estimativa. Foram elaborados o demonstrativo de valores das subvenções fiscais, de apuração dos valores a pagar e receber, de apuração dos encargos financeiros devidos e glosados, além das planilhas de apuração do lucro real mensal, de cálculo do imposto de renda mensal por estimativa e de Fl. 807DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 682 10 cálculo das multas isoladas, partes integrantes e indissociáveis deste Termo de Verificação Fiscal. No Termo de Verificação Fiscal CSLL, às fls. 251 a 276, o Autuante declara, em síntese, que: PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS o contribuinte escriturou, nos anoscalendário de 2002 e 2003, valores referentes a tributos com exigibilidade suspensa, mas não os adicionou à base de cálculo da CSLL. Intimada, justificou, dizendo que tal procedimento se deu por não haver orientação nesse sentido em lei, mas apenas na Instrução Normativa SRF n° 390/2004, que não teria poder para instituir ou aumentar tributo. A empresa possui ação judicial questionando aspectos da legislação do PIS e da COFINS, em especial a ampliação da base de cálculo e a majoração de alíquota. O contribuinte apura os valores integralmente, debita os à conta de despesas, conforme dispõe a legislação, porém, a parte que está sendo questionada é depositada em juízo e o contribuinte reduz o passivo exigível por meio de lançamentos em contas específicas de ativo e passivo. Assim, o resultado da empresa é afetado pela apuração dos tributos na integral idade ; ocorre que os valores discutidos judicialmente não têm um caráter de liquidez e certeza, requisitos necessários para configurálos como obrigações e despesas. Ao contrário, estão condicionados a um evento futuro e incerto. Nem a empresa desembolsou os valores nem existe a obrigação do pagamento dessas despesas. Logo, tais valores, depositados ou não, constituem mera provisão, caracterizando medida preventiva, no sentido de evitar uma surpresa indesejável, caso o julgamento final da ação seja adverso ao contribuinte. Enquanto não for proferida decisão final na ação judicial, não se pode afirmar que os valores são devidos; a base de cálculo da contribuição social é o resultado do exercício, antes da provisão para o IR, ajustado pela adição das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real. O art. 13, I, da Lei n° 9.249/95 prevê expressamente as provisões permitidas, logo, as não elencadas nesse artigo são indedutíveis, devendo ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. As provisões efetuadas pelo contribuinte, representadas pelos valores discutidos judicialmente, são indedutíveis e foram adicionadas ao lucro real, mas não à base de cálculo da CSLL. Assim, a exigência tributária deverá ser formalizada por meio de lançamento de ofício. Registrese que, nos períodos em análise, o contribuinte apurou saldos negativos de CSLL, que foram objeto de pedidos de compensação/ressarcimento. Portanto, esses saldos, por já terem sido aproveitados, não serão considerados no Auto de Infração; FALTA DO RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA como descrito anteriormente, as provisões de tributos com exigibilidade suspensa devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. O mesmo acontece quanto às receitas decorrentes das subvenções para custeio, assim como em relação às despesas não necessárias, objeto do Auto de Infração Fl. 808DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 683 11 do IRPJ constante deste processo. Como o contribuinte optou pelo regime de apuração anual, com recolhimento de estimativas mensais, os valores apurados pela Fiscalização devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social mensal; dessa forma, refizemos a apuração das bases de cálculo mensais, apuramos a CSLL devida mensalmente e comparamos com o que a empresa pagou/declarou. Sobre a diferença apurada foi lançada a multa isolada por insuficiência de recolhimento da CSLL devida por estimativa. Foram elaborados o demonstrativo de valores das subvenções fiscais, de apuração dos valores a pagar e receber, de apuração dos encargos financeiros devidos e glosados, além das planilhas de apuração da base de cálculo da CSLL mensal, de cálculo da CSLL mensal por estimativa e de cálculo das multas isoladas, partes integrantes e indissociáveis deste Termo de Verificação Fiscal. Às fls. 289 a 325 e 326 a 341, a pessoa jurídica apresentou duas impugnações ao feito fiscal (uma tratando do IRPJ e reflexos e outra relativa à CSLL não decorrente do IRPJ), alegando, em resumo, que: • antes de tudo, são necessários alguns esclarecimentos de natureza fática com relação às premissas adotadas pelas autoridades fiscais para formação de seu entendimento com relação ao assunto. Alegam essas autoridades que a administração da Impugnante é realizada pela MOBRAS. A Impugnante e a MOBRAS são empresas do grupo Monsanto, sendo a MOBRAS detentora de 100% de suas ações preferenciais e 60% de suas ações ordinárias. Não obstante, ao contrário do que afirmam, essas empresas têm estruturas administrativas autônomas, desenvolvendo suas próprias atividades financeiras e contábeis. Nesse sentido, apresenta seu organograma interno, bem como relação dos cargos e funções desempenhadas pelos profissionais da área administrativa da empresa (doc. 02), comprovando que o papel da MOBRAS é meramente de sócia da Impugnante e não de administradora; • as autoridades fiscais alegam que os adiantamentos para compras futuras foram realizados como constantes suprimentos de caixa. Essa equivocada afirmação leva a crer que a Impugnante não tem autonomia financeira, o que não é verdade. Tais antecipações ocorreram, sobretudo, no início de suas atividades, para a finalização de sua planta industrial, que seria financiada por recursos da SUDENE, no valor aproximado de R$200 milhões. Entretanto, a SUDENE se restringiu a liberar investimentos da ordem de R$30 milhões. Assim, para a conclusão do projeto, a Impugnante viuse obrigada a obter outras fontes de recursos, acordando com a MOBRAS que esta lhe enviaria recursos, a título de "adiantamento para compras futuras", sendo que esses recursos seriam utilizados para pagar as aquisições a serem realizadas pela MOBRAS dos insumos produzidos pela MONESA. Em observância da prática geral do mercado, foram acordados juros à razão de 1% ao mês acrescido do IGPM. Assim, resta claro que os adiantamentos tinham finalidade específica e eram absolutamente necessários para a MONESA, não constituindo suprimentos de caixa; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 684 12 • as autoridades fiscais alegam que os encargos financeiros assumidos pela Impugnante seriam mera liberalidade. Essa conclusão é clara decorrência das falsas premissas mencionadas acima. Na tentativa de lastrear a afirmação de que tais encargos financeiros seriam excessivos, as autoridades fiscais alegam que a suposta liberalidade da Impugnante estaria caracterizada pela existência de "mercado cativo" para seus produtos. A despeito de essa descrição ser válida para o presente momento, à época em que a maioria dos adiantamentos foi feita pela MOBRAS, a Impugnante sequer operava plenamente, quanto mais um mercado cativo para seus produtos. Cumpre mencionar que os adiantamentos concedidos pela MOBRAS para o início das operações da MONESA já foram inteiramente quitados, em 2006, mediante a extinção dos débitos da MOBRAS com a MONESA, relativos à aquisição de mercadorias; • com a situação fática relacionada aos adiantamentos já esclarecida, passase a analisar a dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros incidentes sobre esses adiantamentos. Tal como mencionado no Termo de Verificação Fiscal, tal análise deve ser fundamentada no fato de que somente são dedutíveis na apuração do lucro real as despesas usuais, normais e necessárias às atividades das empresas. Caso a Impugnante não houvesse obtido esses adiantamentos da MOBRAS, teria que arrecadar os fundos necessários a seu projeto de implantação por meio de empréstimos de instituições financeiras. Assim, seria mais fácil e eficiente o recebimento de adiantamentos, pois após o início de suas atividades poderia pagar sua dívida mediante o fornecimento de produtos, já que era sabido que a Impugnante seria fornecedora da MOBRAS, ao passo que no caso de um empréstimo teria que vender seus produtos e, só então, pagar sua dívida. Logo, não procede a imputação de que a Impugnante teria sido favorecida pela MOBRAS; • nesse sentido, os adiantamentos foram remunerados com juros equivalentes ao IGPM acrescido de 12% ao ano, taxa comum no mercado, o que sequer foi questionado pelas autoridades fiscais. Assim, fica claro que, quer seja por sua necessidade para o financiamento da planta industrial de Camaçari, quer seja por sua usualidade e normalidade, já que os juros foram pactuados em uma taxa média de mercado, fica evidente que as despesas relativas aos juros dos adiantamentos para compras futuras preenchem os requisitos para sua dedutibilidade para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; • passase a analisar a situação específica que deu origem à glosa parcial das despesas de juros relativos aos mencionados adiantamentos. Os valores recebidos pela Impugnante, assim como os juros sobre eles incidentes, foram registrados no passivo da empresa como "contas a pagar". Quando a planta de Camaçari foi concluída e a produção foi iniciada, a Impugnante passou a fornecer a mercadoria à MOBRAS de acordo com seus pedidos, com a emissão das respectivas notas fiscais de venda e o registro de "contas a receber". Tendo em vista os adiantamentos, a MOBRAS não realizava o pagamento em espécie e a Impugnante realizava a compensação mensal do saldo de contas a receber (saldo devedor) contra o saldo de Fl. 810DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 685 13 contas a pagar (saldo credor). Assim, mensalmente, o passivo da Impugnante face à MOBRAS era reduzido no exato montante das mercadorias fornecidas no período. As autoridades fiscais encontraram supostas irregularidades nos meses em que, a despeito de haver saldo devedor de contas a receber da MOBRAS no ativo da MONESA suficiente para compensar integralmente o saldo passivo credor, a Impugnante manteve em aberto parcela desse saldo credor, que permaneceu gerando despesas de juros, e então glosaram os juros calculados sobre as parcelas mensais de saldo passivo que alegadamente poderiam ser compensadas com o saldo ativo no mesmo mês; • ao rever seus procedimentos, a Impugnante reconhece sua falha em relação à compensação de obrigações, verificando, nesse ponto, que a razão assiste parcialmente às autoridades fiscais, como passa a explicar. A compensação do saldo credor com o saldo devedor era realizada no encerramento de cada mês, quando a Impugnante levantava o valor total das faturas vencidas emitidas no mês e compensava com o seu saldo de contas a pagar à MOBRAS, ou seja, a Impugnante somente realizava a compensação das faturas já vencidas no fim do mês, sendo que o valor das faturas ainda não vencidas era mantido como saldo devedor, no ativo, para compensação no próximo mês. Esse procedimento não decorreu de liberalidade, mas de determinação literal da legislação nacional, mais especificamente do art. 369 do Código Civil (transcreve), que dispõe que a compensação só é possível entre dívidas vencidas, de forma que, a Impugnante estava impedida de realizar compensação antes do vencimento indicado nas respectivas notas fiscais. Notese que as vendas à MOBRAS não eram feitas à vista, mas, na maioria dos casos, com um prazo de 15 dias para pagamento; • no entanto, em alguns meses, o saldo de contas a receber em aberto era constituído tanto por obrigações não vencidas como por obrigações vencidas, que deixaram de ser compensadas, por equívoco, na apuração mensal da Impugnante. Visando a demonstrar esses saldos devedores no ativo, apresenta quadro resumo, mês a mês, dos valores vencidos e vincendos, bem como relação completa das notas fiscais emitidas em cada mês com o respectivo vencimento (doc. 03). Assim, com relação à parcela do saldo do ativo composta por notas fiscais já vencidas, a Impugnante reconhece seu equívoco e recolheu as respectivas exigências fiscais, acrescidas de juros de mora e multa de ofício de 75%, com redução de 50% concedida na legislação fiscal (doc. 04). Por outro lado, com relação à parcela do saldo do ativo composta por notas fiscais ainda não vencidas, a Impugnante requer o reconhecimento da regularidade de seu procedimento contábil e fiscal; • quanto à impossibilidade de tributação das subvenções para investimento, há que se fazer, primeiramente, um breve histórico. O grupo Monsanto é o produtor do herbicida "Roundup", o mais vendido no mundo para o controle de plantas daninhas em pré plantio de lavouras. Em 1984, esse herbicida passou a ser produzido também no Brasil pela MOBRAS. Considerando que o principal insumo para sua produção não era produzido no Fl. 811DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 686 14 Brasil, a MOBRAS o importava dos Estados Unidos, sujeitando se às alterações no preço assim como à constantes variações na paridade entre o dólar e a moeda nacional. O grupo Monsanto, representado no Brasil pela MOBRAS, decidiu investir na manufatura do referido ácido no território nacional. Após extensa pesquisa sobre os impactos da instalação de planta industrial em diferentes localidades do Brasil, o grupo Monsanto optou pelo Pólo Petroquímico de Camaçari, no Estado da Bahia; • visando à colaboração desse Estado com o projeto de instalação, a MOBRAS e o Governo do Estado da Bahia assinaram Protocolo de Intenções em 14/09/1998 (doc. 05), que estabeleceu, de um lado, as intenções da MOBRAS em investir na instalação de unidade industrial destinada a fabricação de insumos para o herbicida "Roundup", com a geração de empregos, treinamento e capacitação de mãodeobra, etc; de outro lado, os compromissos do Estado em conceder incentivos fiscais para parte dos investimentos, sendo que nessa época os incentivos aplicáveis eram do Programa de Promoção do Desenvolvimento da Bahia (PROBAHIA). O projeto apresentado pela MOBRAS para cumprimento do Protocolo de Intenções, bem como para a aprovação de outros benefícios fiscais concedidos pela SUDENE e pelo FINOR (doc. 06), descreveu detalhadamente a forma de implantação do empreendimento em Camaçari. Então, quando da constituição da MONESA, esta, a MOBRAS e Governo da Bahia assinaram Termo de Reti Ratificação (doc. 07), através do qual a MOBRAS cedeu e transferiu à MONESA todos os seus direitos e obrigações previstos no Protocolo de Intenções, já que a implantação da unidade de Camaçari não seria realizada diretamente pela MOBRAS, mas pela MONESA; • em 2001, tendo em vista a extinção do PROBAHIA, com a sua substituição pelo DESENVOLVE, foi celebrado novo Termo de RetiRatificação do Protocolo de Intenções (doc. 08). Nesse sentido, a MONESA foi habilitada no DESENVOLVE mediante a emissão da Resolução n° 3/2002 (doc. 09), tendo como principais benefícios: a) a dilação do prazo de pagamento de até 90% do saldo devedor mensal do ICMS normal em até 72 meses; e b) o desconto de até 90% em caso de liquidação antecipada de cada uma das parcelas do ICMS com prazo de pagamento prorrogado. Assim, a MONESA apurava mensalmente o valor do ICMS devido e: 1) efetuava o recolhimento de 10% do ICMS devido no prazo normal de pagamento e postergava os 90% restantes para até 72 meses; 2) realizava, posteriormente, o recolhimento dos 90% restantes, antecipadamente, o que lhe dava direito a desconto de até 90% no valor residual. O valor do desconto concedido pelo estado da Bahia era considerado uma subvenção para investimento e registrado como reserva de capital da MONESA, sem representar receita ou lucro tributável dessa sociedade. Assim, cabe à Impugnante demonstrar que os benefícios fiscais concedidos no DESENVOLVE são autênticas subvenções para investimento e, portanto, devem ser excluídos do campo de incidência do IRPJ e da CSLL; • nesse contexto, transcreve o art. 38, § 2°, do Decretolei n° 1.598/77 e o art. 443 do RIR/99. A leitura desses dispositivos Fl. 812DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 687 15 legais permite identificar três elementos essenciais para garantir a não tributação de subvenções: (i) a transferência de recursos do Poder Público para o beneficiário, inclusive mediante isenção ou redução de impostos; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; e (iii) a constituição da respectiva reserva de capital. Diante disso, a Impugnante passa a expor as razões pelas quais os referidos incentivos concedidos no âmbito do DESENVOLVE preenchem as condições para a caracterização de subvenção para investimento; • o DESENVOLVE foi instituído pela Lei Estadual n° 7.980/2001 (doc. 10) e regulamentado pelo Decreto Estadual n° 8.205/2002 (doc. 11), abaixo transcritos. Da leitura da Lei, identificase que o DESENVOLVE visa a fomentar o desenvolvimento industrial no estado da Bahia. O termo "subvenção" é definido como "auxílio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou a alguma instituição, no sentido de os proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos", ou "auxílio pecuniário, por via de regra concedido pelos poderes públicos". Recorrendo às lições de José Luiz Bulhões Pedreira, a primeira condição para caracterização de subvenção para investimento consiste na verificação da existência de efetiva transferência de capital do ente público incentivador para o particular incentivado. A intenção de transferir capital à Impugnante pode ser claramente inferida do Protocolo de Intenções celebrado entre o Governo da Bahia e a Impugnante, como determinado em alguns trechos (transcreve); • essas disposições do Protocolo de Intenções analisadas em conjunto com a legislação do DESENVOLVE permitem concluir que o Governo da Bahia tinha a intenção de transferir capital à Impugnante como forma de incentivar a instalação e desenvolvimento da unidade industrial de Camaçari. Cumpre mencionar que o art. 38, § 2°, do Decretolei n° 1.598/77 previu expressamente a inclusão das transferências mediante isenção ou redução de impostos, ou seja, além das transferências pecuniárias, devem ser consideradas aquelas realizadas indiretamente, através da exoneração ou redução dos impostos devidos. Em vista disso, concluise pela caracterização de transferência de capital; • o segundo elemento necessário para caracterizar a subvenção para investimento consiste no "objetivo" de estímulo ao desenvolvimento econômico. A despeito de ser inquestionável tal relação, é certo que a interpretação e extensão dada a esse elemento das subvenções pelas autoridades fiscais extrapola o disposto no Decretolei n° 1.598/77. Não há qualquer indício na legislação prevendo que esse objetivo de estímulo ao desenvolvimento econômico deva ser obtido mediante a direta "vinculação dos valores subvencionados com a efetiva e específica aplicação desses valores na implantação ou expansão de empreendimento econômico", como pretendem as autoridades fiscais, com fundamento no Parecer Normativo n° 112/78. Tal conclusão é, portanto, ilegal. Transcreve o art. 111, II, do CTN, que não admite interpretação extensiva ou analógica em relação às regras de isenção. O legislador estabeleceu a isenção relativa Fl. 813DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 688 16 ao IRPJ sobre as subvenções para investimento, desde que registradas em conta de reserva de capital. Dessa forma, não cabe ao intérprete da norma de isenção criar novos requisitos para a caracterização da subvenção para investimento e, conseqüentemente, para a isenção tributária sobre esses valores; • adicionalmente, como o incentivo fiscal previsto no DESENVOLVE, concedido sob a forma de redução do ICMS devido, somente seria gerado depois do início das operações da empresa, é evidente que o Governo da Bahia não pretendia que o valor da redução fosse diretamente aplicado na implantação do projeto, mas meramente que a expectativa desse benefício estimulasse a Impugnante a se estabelecer naquele Estado. Aliás, a exigência de vinculação direta dos fundos recebidos a título de subvenção para investimento a um projeto implicaria a negativa da própria existência de subvenção para investimento sob a forma de redução ou isenção de tributos. Afinal, é necessário que a empresa esteja construída e em pleno funcionamento para que as operações se iniciem e vendas sejam aperfeiçoadas, gerando assim ICMS e outros tributos a pagar. Nesse sentido, transcreve trecho de voto dado no âmbito do Conselho de Contribuintes; • em vista do exposto, para comprovar, no presente caso, o cumprimento desse segundo requisito para a caracterização de subvenção para investimento, basta demonstrar a intenção do Estado da Bahia, na concessão dos benefícios fiscais do DESENVOLVE, em estimular o desenvolvimento econômico da região. Essa demonstração é bastante simples, pois está expressa na lei instituidora do DESENVOLVE (transcreve trecho). Na mesma linha está o Protocolo de Intenções celebrado entre a Impugnante e o Estado da Bahia. Em outras palavras, não resta dúvida que o DESENVOLVE foi criado e concedido com o objetivo máximo de fomentar a indústria baiana, de forma que as reduções e isenções de ICMS sejam entendidas como subvenção para investimento; • a título de argumentação, cumpre ainda afastar a alegação de que os valores recebidos pela Impugnante poderia ser caracterizados como subvenção para custeio. Tratase de mais uma interpretação equivocada das autoridades fiscais, que entenderam que o fato de a legislação do DESENVOLVE mencionar a "redução de custos de produtos ou processos já existentes" como uma de suas finalidades seria indicador de sua característica de subvenção para custeio. O fato de a unidade industrial já estar em operação no momento em que a Impugnante passou a usufruir do benefício fiscal já foi largamente exposto acima, não sendo hábil a descaracterizar as subvenções para investimento mediante redução de impostos. Já com relação à alegação de que a utilização das subvenções em projetos que resultariam na redução de custos caracterizaria uma subvenção para custeio, valem alguns esclarecimentos; • em primeiro lugar, a equivocada conclusão das autoridades fiscais decorreu da interpretação da expressão "redução de custos" fora do contexto dado pela legislação do DESENVOLVE. De fato, a redução dos custos não é em si uma finalidade do programa e dos respectivos benefícios fiscais, mas um possível Fl. 814DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 689 17 resultado dos projetos incentivados. A leitura do art. 3° da Lei instituidora do DESENVOLVE permite concluir que a "geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes" não são finalidades em si, mas o provável resultado da instalação de novas indústrias ou da expansão daquelas já existentes. Assim, no âmbito do programa DESENVOLVE, não se pode encarar a redução de custos como uma finalidade em si, como pretendem as autoridades fiscais; • a última condição para caracterização da subvenção para investimento consiste na correta contabilização dos recursos recebidos em conta de reserva de capital. A observância dessa condição pela Impugnante foi reconhecida pelas próprias autoridades fiscais. Logo, isso reflete sua natureza jurídica de acréscimo ou recomposição patrimonial, alheios ao conceito de receita bruta. Assim, não há que se falar de incidência do PIS e da COFINS, além do IRPJ e da CSLL, cuja isenção está expressamente prevista no art. 38 do Decretolei n° 1.598/77. Transcrevemse abaixo algumas ementas de decisões do Conselho de Contribuintes especialmente em relação ao DESENVOLVE. Em vista do exposto, verificase que os descontos de ICMS obtidos pela Impugnante nos termos do DESENVOLVE cumprem todos os requisitos para que sejam considerados subvenções para investimento; • tal como mencionado acima, a glosa das despesas financeiras e a tributação de subvenção para investimento pretendidas pelas autoridades fiscais implicaram não só o lançamento fiscal de IRPJ, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício de 75% sobre o montante do IRPJ supostamente não recolhido na apuração anual relativa aos períodos de 2003, 2004 e 2005, como também o lançamento de multa isolada de 50% sobre o montante das estimativas de IRPJ supostamente não recolhido pela Impugnante nas apurações mensais relativas aos mesmos períodos, sendo que as duas penalidades são decorrentes do recálculo do lucro desses períodos. Não obstante as cabais comprovações feitas acima, cumpre esclarecer a impossibilidade da exigência cumulativa da multa de oficio e da multa isolada em razão das mesmas supostas infrações. Assim, há a imposição de multas que somadas representam o gravoso montante de 125% em virtude da mesma situação fática, o que claramente fere os princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade esculpidos na Constituição Federal; • diante da clara impossibilidade de aplicação concomitante das multas de oficio e isolada, cabe analisar qual delas seria, em tese, aplicável no presente caso, na remota hipótese de manutenção das infrações acima. É sabido que, para os contribuintes optantes pela apuração com base no lucro real anual, a obrigação tributária somente surge se verificada a ocorrência do fato gerador dento do anocalendário, sendo que os pagamentos com base em estimativas mensais representam apenas mera forma de arrecadação estipulada pela legislação para antecipação do devido. Dessa forma, na possível existência de infração tanto à obrigação de pagamento de estimativas mensais quanto de pagamento anual do IRPJ em virtude dos Fl. 815DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 690 18 mesmos fatos, é evidente que a segunda infração se sobrepões à primeira, sendo ela a única punível mediante a aplicação da multa de oficio, ou seja, devese aplicar somente a multa de ofício sobre o valor calculado com base na apuração anual. Nesse sentido, transcreve ementas da Câmara Superior de Recursos Fiscais; • cumpre mencionar equívoco cometido pelas autoridades fiscais com relação à quantificação das exigências do IRPJ, pois utilizaram a alíquota de 15% com um adicional de 10%, mas deixaram de considerar nesse cálculo a redução de 75% que a Impugnante tem direito por ter projeto aprovado no âmbito da SUDENE. No que se refere às despesas com juros glosadas, se estas reduziram o imposto de renda a pagar à alíquota beneficiada no âmbito da SUDENE, a mesma alíquota deve ser aplicada caso tais despesas sejam desconsideradas; • também quanto ao DESENVOLVE, a alíquota do imposto aplicável deverá considerar a redução obtida no âmbito da SUDENE. Este cálculo é feito com base no lucro da exploração, que considera apenas os resultados operacionais. Assim, tratase de determinar se o cômputo do beneficio fiscal em lucros e perdas, ao invés de reserva de capital, em virtude se seu enquadramento como subvenção para custeio, como pretendem as autoridades fiscais, seria uma receita operacional ou não operacional. Sobre esse assunto não vislumbramos qualquer controvérsia, já que o próprio PN CST n° 112/78, itens 2.14 e 7.1, prevê que, no caso de subvenções para custeio, os ganhos auferidos pela empresa devem ser computados como resultado operacional. Dessa forma, mesmo na hipótese remota de prevalecer a glosa de despesas com juros e/ou o enquadramento da subvenção como sendo de custeio, seria imperativa a redução do valor do imposto de renda e adicional alegadamente devidos, em virtude do beneficio fiscal da SUDENE a que a Impugnante tem direito; • independentemente das alegações com relação ao mérito das subvenções para investimento, a Impugnante não concorda com as exigências de COFINS relativas aos períodos de abril, maio, junho, julho e agosto de 2003, contidas no item 001 do auto de infração. Isso porque, a despeito de as autoridades fiscais terem indicado como enquadramento legal somente artigos do Decreto n° 4.524/2002, essas exigências de COFINS têm fundamento no § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF no RE 357.950 e, no caso específico da Impugnante, nos autos do processo n° 2001.34.00.0311832/DF (doc. 12). Com efeito, a decisão proferida nessa ação pelo TRF da 1ª Região, transitada em julgado em 22/06/2007, após a negativa de Recurso Extraordinário da União, determina que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COF1NS pretendida pelo art. 3°, § 1 0, da Lei n° 8.718/98 é inconstitucional, de forma que deveria ser considerado faturamento para fins de incidência dessas contribuições "somente a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços de qualquer natureza". Como esse não é o caso das subvenções para investimento, a exigência da COFINS no período referido acima é inconstitucional, pelo que se requer seu imediato cancelamento; Fl. 816DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 691 19 • no segundo arrazoado, a Impugnante discorda da maior parte das exigências fiscais consubstanciadas no lançamento fiscal relativo à CSLL (não decorrente do IRPJ), como passa a demonstrar. A primeira infração referese à dedução na apuração da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003, de tributos com exigibilidade suspensa em razão de depósito vinculado a ações judiciais. As autoridades fiscais alegam que o registro contábil desses tributos teria caráter de provisão e, portanto, as respectivas despesas deveriam ser adicionadas para fins de apuração da CSLL, nos termos do art. 13, I, da Lei n° 9.249/95. Os tributos com exigibilidade suspensa referemse às seguintes matérias: (i) discussão sobre a exigibilidade de parcelas do FGTS; (ii) discussão sobre a constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3% pela Lei n° 9.718/98; e (iii) discussão sobre a constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n° 9.718/98. A seguir, mostra a composição das despesas glosadas, no valor total deR$9.174.746,06, em 2002, e de R$3.368.146,65, em 2003; • a despeito de ser altamente questionável a alegação de que tais despesas não seriam dedutíveis para a apuração da base de cálculo da CSLL, já que a Lei n° 8.981/91 trata somente do IRPJ e o registro desses tributos não consiste em provisão, as autoridades fiscais deixaram de observar o tratamento fiscal e contábil dado a esses valores nos exercícios subseqüentes, o que resultou em uma análise incompleta e equivocada dos fatos, pois não foram verificados dois elementos essenciais à solução do presente caso. O primeiro: em virtude de desistência da ação pela Impugnante, devidamente homologada pelo juízo competente (doc. 2), parte da ação judicial n° 2001.34.00.0311832, que versava sobre a constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS pela Lei n° 9.718/98, foi encerrada em agosto de 2004. Nesse momento, a COFINS calculada sobre o diferencial de alíquota passou a ser definitivamente exigível, com a respectiva conversão do depósito judicial em renda da União. Como o tributo já havia sido deduzido em 2002 e 2003, a Impugnante baixou a conta de passivo contra a conta de ativo do depósito judicial, sem que os valores transitassem por conta de resultados e, portanto, sem deduzilo na apuração da CSLL. Assim, mesmo considerando que as despesas fossem indevidas em 2002 e 2003, tais despesas poderiam ter sido apropriadas em agosto de 2004, o que reduziria o valor da CSLL a recolher naquele exercício. Dessa forma, considerando que a despesa tornouse plenamente dedutível em agosto de 2004, estáse diante de mera postergação de pagamento da CSLL; • o segundo: a parcela da mesma ação judicial, que versava sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n° 9.718/98, foi encerrada em junho de 2007, com o trânsito em julgado de decisão proferida pelo TRF da i a Região (doc. 2) em sentido favorável ao pleito da Impugnante. A decisão declarou indevidos os valores de PIS e COFINS calculados sobre receitas alheias ao conceito de faturamento e depositados pela Impugnante. Ao tomar conhecimento, a Impugnante Fl. 817DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 692 20 reverteu o valor da conta de tributos com exigibilidade suspensa contra conta de resultados, de forma a oferecer à tributação pela CSLL os valores declarados indevidos. Apresenta memória de cálculo dos recolhimentos mensais de CSLL no anocalendário de 2007, com ênfase na reversão de despesas correspondentes ao valor total de PIS e COFINS e os respectivos acréscimos moratórios (doc. 3). Assim, mais uma vez estáse diante de mera postergação no pagamento do tributo, sendo que no momento da lavratura do auto de infração, não mais havia insuficiência de recolhimento da CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003, e as autoridades fiscais não poderiam exigir o recolhimento do valor total da CSLL supostamente devida em 2002 e 2003, sendo necessários os ajustes específicos previstos na legislação. A respeito, transcreve o art. 273 do RIR11999 e trecho do Parecer Normativo n° 2/96. Assim, nos casos de pagamento de tributo indevidamente postergado em razão de inobservância do regime de competência, o lançamento fiscal não pode englobar o valor total do tributo postergado, mas tãosomente a diferença entre esse valor e o valor efetivamente pago; • no presente caso, sendo clara a postergação do pagamento do imposto, fazse necessário o reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal tal como elaborado. Nesse sentido, transcreve algumas ementas de decisões do Conselho de Contribuintes. Demonstrando sua absoluta boafé, a Impugnante está recolhendo parcialmente as exigências constantes do presente lançamento, quais sejam: 1) o valor do principal, dos juros de mora até a presente data e da multa de oficio com redução de 50%, relativos à ação judicial que versa sobre o FGTS e ainda está pendente de julgamento (doc. 3); 2) o valor dos juros de mora da data da postergação até julho de 2004 (mês anterior ao do pagamento da contribuição postergada) e da multa de oficio com redução de 50%, relativos à parcela da ação judicial que versava sobre a majoração da alíquota da COFINS (doc. 4); 3) o valor dos juros de mora da data da postergação até maio de 2007 (mês anterior ao do pagamento da contribuição postergada) e da multa de ofício com redução de 50%, relativos à parcela da ação judicial que versava sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS (doc. 5). Em vista do exposto, requer seja reconhecida a mera postergação da CSLL, cancelandose a exigência do principal e dos juros calculados da data do pagamento da contribuição postergada até o presente momento e ainda a extinção das parcelas recolhidas no presente prazo para impugnação; • tal como já mencionado, a glosa das despesas financeiras e a tributação de subvenção para investimento (apuradas no auto de IRPJ) e a glosa de tributos com exigibilidade suspensa, pretendidas pelo Fisco, implicaram não só o lançamento fiscal de CSLL, acrescidos de juros de mora e de multa de oficio de 75%, como também o lançamento de multa isolada de 50% sobre a suposta insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa nos mesmos períodos, sendo que as duas penalidades são decorrentes do recálculo do lucro desses períodos. Assim, há a imposição de multas que somadas representam o gravoso montante de 125% em virtude da mesma situação fática, o que Fl. 818DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 693 21 claramente fere os princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade esculpidos na Constituição Federal, razão pela qual, apresenta os mesmos argumentos de defesa trazidos quanto à multa isolada pela insuficiência de recolhimento das estimativas de IRPJ; • em vista do exposto, a Impugnante requer seja: (i) reconhecida a improcedência do lançamento fiscal com relação às parcelas da CSLL cujo pagamento foi meramente postergado pela sociedade; e (ii) extinta a parcela da CSLL, juros de mora e multa de oficio recolhidas pela Impugnante. Requer ainda o cancelamento da multa isolada, tendo em vista a impossibilidade de aplicação cumulativa dessa penalidade e da multa de oficio. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 342 a 388. Ressaltese que o presente processo é composto de 2 (dois) volumes e 9 (nove) anexos. O volume I encontrase numerado da folha 01 à 235 e o volume II da folha 236 à 415 (até o momento). O anexo I possui 161 folhas; o anexo II, 155 folhas; o anexo III, 179 folhas; o anexo IV, 254 folhas; o anexo V, 200 folhas; o anexo VI, 158 folhas; o anexo VII, 265 folhas; o anexo VIII, 174 folhas; e o anexo IX, 182 folhas. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, esta proferiu o acórdão nº 1517.469 (fls. 440/483), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. ADIANTAMENTOS PARA COMPRAS FUTURAS. Consideramse desnecessárias as despesas com juros e variação monetária pagas ou incorridas em face de remuneração por recursos financeiros obtidos de pessoa ligada, na mesma proporção dos créditos que a tomadora dos recursos possuía junto à supridora e que deixaram de ser deduzidos quando da apuração dos referidos encargos financeiros. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 694 22 ISENÇÃO/REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa ou ainda daqueles que foram indevidamente contabilizados. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFICIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de oficio decorrente de outras infrações apontadas, exigida juntamente com o imposto que deixou de ser pago. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Contribuição para o Programa de Integração Social – Pis Confirmada a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, com exceção de parcela da exigência relativa à COFINS, fundamentada em dispositivo legal considerado inconstitucional pelo STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. As despesas relativas a tributos com exigibilidade suspensa em função de questionamento judicial constituemse em meras provisões e, por estarem sujeitas a evento futuro e incerto, somente poderão ser consideradas dedutíveis, para efeito de apuração da base de cálculo dessa contribuição, por ocasião do trânsito em julgado de decisão definitiva no julgamento da lide ou, no caso de desistência da ação, a partir da homologação do pedido de renúncia. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A configuração da hipótese de postergação do pagamento não requer apenas que a despesa indevidamente antecipada seja oferecida à tributação em períodobase posterior, mas que resulte em efetivo pagamento, não se caracterizando se for apurada base de cálculo negativa, como também no caso de lançamento de oficio efetuado antes do encerramento do período de apuração para o qual o pagamento teria sido postergado. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da contribuição social autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de oficio decorrente Fl. 820DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 695 23 de outras infrações apontadas, exigida juntamente com a contribuição que deixou de ser paga. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os fundamentos da sua impugnação e que, neste momento, passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. Tendo em vista as alegações de postergação a ainda que não tenha sido discutido qualquer posicionamento de mérito, esta Turma Julgadora entendeu por baixar o feito em diligência, para análise da postergação alegada. É o relatório. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 696 24 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1. Da reunião dos processos nº 13502.001327/200774 e nº 13502.001328/200719 Pleiteia a Recorrente que seja restabelecida a independência dos processos administrativos nº 13502.001327/200774 e nº 13502.001328/200719, sob o fundamento de que ensejaria o cerceamento de defesa da Recorrente, principalmente em função da sustentação oral cujo tempo ficaria reduzido à metade. Não percebo o cerceamento de defesa alegado pela Recorrente, vez que apresentou devidamente os Recursos Voluntários referentes a ambos os processos e, ainda, a possibilidade de prorrogação do tempo reservado à sustentação oral, no caso de processos de maior complexidade. Fazse necessário ressaltar, ainda, que os dois processos ora analisados são oriundos do mesmo procedimento de fiscalização. Desta forma, a reunião dos PTA´s apenas facilita a compreensão dos julgadores sem trazer qualquer cerceamento de defesa, em conformidade com a Portaria SRF nº 6.129/2005. Assim, mantenho a reunião dos processos. 2. Da dedutibilidade das despesas financeiras (VOTO VENCIDO) De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, nos anos de 2003 a 2005 a Recorrente (Monsanto Nordeste MONESA) escriturou despesas com juros e correção monetária, reconhecendo como devidas à Monsanto do Brasil (MOBRAS) em função de adiantamento desta empresa para aquisição dos produtos que seriam produzidos pela MONESA . Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 697 25 A título de remuneração do capital investido na MONESA, a MOBRAS era remunerada com juros de 1% ao mês acrescidos de IGPM. Afirma a Autoridade Fiscal não restarem dúvidas que as despesas com financiamento de capital de giro, quando os recursos efetivamente ingressam no ativo da empresa e são utilizados para alavancar suas atividades, se caracterizam como necessárias e, assim, dedutíveis. Porém, para que estas despesas de juros e correção monetária sejam aceitas como necessárias, é preciso que esteja demonstrado que se trata de gastos essenciais à exploração das atividades vinculadas às fontes produtoras de rendimentos da autuada. E prossegue a Autoridade Fiscal fundamentando a ausência da necessidade das despesas escrituradas pela MONESA (fl. 21): Não é isso que revelam os fatos examinados. Com efeito, a contabilidade da empresa mostra que a MONESA mantinha créditos junto à sua controladora, no caso a MOBRAS, ao passo que possuía débitos junto a esta mesma empresa, sobre cujos valores incidiram juros e correção monetária. Com este procedimento, os recursos (capital) da fiscalizada foram colocados à disposição de uma empresa, sem estarem sendo aplicados na atividade produtiva. Por outro lado, pela falta de seu capital próprio, viuse obrigada a tomar recursos com esta mesma empresa, sujeitandose a encargos que lhe oneraram o resultado da atividade. Este procedimento coloca em prejuízo a admissibilidade da necessidade desses dispêndios para a manutenção da atividade produtora (operacional), vez que, em detrimento da utilização do capital próprio, representado pelos créditos junto à controladora, a fiscalizada, através de um tratamento diferenciado e não usual, optou pelo empréstimo de recursos junto a esta mesma controladora, com custo financeiro. Tal liberalidade produziu encargos desnecessários, na proporção do capital mantido em poder da controladora, de forma favorecida e graciosa, gerando despesas desnecessárias, ou seja não essenciais à obtenção de seus rendimentos operacionais e, onerando indevidamente o resultado tributável É importante ressaltar que as despesas financeiras foram consideradas desnecessárias, como bem argumentou a autoridade julgadora a quo, não por decorrerem de financiamento obtido junto a sua controladora, fato este aparentemente normal, desde que haja remuneração a taxas de mercado, mas por não atender aos requisitos fixados pela legislação de regência. Tendo em vista que as taxas de juros aplicáveis ao financiamento podem ser consideradas como normais de mercado (1% + IGPM), verificase que o fundamento para a glosa das despesas financeiras encontrase apenas no fato de a MONESA estar também figurando como credora da MOBRAS em relação a outras operações. Dessa forma, o fato de a Recorrente figurar simultaneamente como credora e devedora da MOBRAS seria suficiente para considerar a despesa com a correção do seu passivo como desnecessária. Para apurar o montante de despesas desnecessárias apropriadas pela Recorrente, a Autoridade utilizou o seguinte critério: confrontou o saldo devedor com o saldo credor junto à MOBRAS e somente admitiu a incidência de juros e correção quando o saldo Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 698 26 devedor fosse superior ao credor e somente sobre a diferença, efetuando de imediato o encontro de contas. Já quando o saldo credor ficou superior ao devedor, considerou as despesas financeiras desnecessárias, glosandoas integralmente. Portanto, entendeu a Autoridade Fiscal que no caso de existir saldo credor e devedor simultâneo, seria necessária a imediata compensação dos saldos e somente a diferença, caso devedora, poderia servir de base de cálculo de incidência de juros. No intuito de fixar suas premissas, a Autoridade Fiscal recorre a um texto publicado na página institucional da empresa, no item “notícias”, que afirmava (fl. 21): "A unidade baiana é a primeira da Monsanto no Brasil capaz de produzir matériasprimas para a fabricação do herbicida Roundup na América do Sul. O produto é o carrochefe da multinacional, utilizado em mais de 130 países. Com investimentos de US$ 350 milhões, a unidade é também a primeira da companhia fora dos Estados Unidos que fabrica esses produtos intermediários. A fábrica abastece ainda as unidades da Monsanto em São José dos Campos, em São Paulo, e Zarate, na Argentina, o que gera uma economia para a empresa, na medida em que não há mais necessidade de adquirir o produto dos EUA" (sala de imprensa, noticias, 11/12/2006) Em vista dessa notícia, a Autoridade Fiscal conclui que a Recorrente tinha um mercado cativo e que “não precisa se preocupar com concorrentes e, consequentemente, não necessita sacrificar suas margens de lucro ou oferecer condições de venda mais favoráveis como forma de garantir acesso ao mercado consumidor. Desta forma, a assunção de encargos financeiros além do necessário revela uma liberalidade da empresa, tipificando uma operação com vistas a melhorar o resultado de uma empresa em detrimento do resultado da outra. Lado outro, afirma a Recorrente que os valores a ela entregues pela MOBRAS foram adiantamento de compras futuras (já que a Recorrente era fornecedora da MOBRAS) e o recebimento de tais valores decorreu de absoluta necessidade de recursos adicionais para financiamento da implantação da unidade fabril de Camaçari, já que os fundos originalmente prometidos pela SUDENE acabaram por não ser disponibilizados em sua maior parte. E prosseguiu (fl. 519): Assim, caso a Recorrente não houvesse obtido esses adiantamentos da MOBRAS, teria que arrecadar os fundos necessários ao seu projeto de implantação de outras fontes, provavelmente por meio de empréstimos de instituições financeiras, que certamente implicariam em encargos mais onerosos à Recorrente. Diante dessas alternativas, ficou claro para a Recorrente que a estrutura mais eficiente seria o recebimento de adiantamentos, pois após o início de suas atividades poderia simplesmente pagar sua dívida mediante o fornecimento de produtos, ao passo que no caso de um empréstimo teria que vender seus produtos, receber o pagamento em prazos de mercado (o outro grande cliente da Recorrente era a Monsanto Argentina que efetuava os pagamentos com prazo de seis meses) e, somente então, pagar sua dívida. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 699 27 Nesse contexto, os valores recebidos pela Recorrente, assim como os juros sobre eles incidentes, foram registrados no passivo da empresa como contas a pagar; e, quando o ácido N fosfonometil iminodiacético era fornecido à MOBRAS, a Recorrente emitia as respectivas Notas Fiscais de venda e registrava contas a receber. Tendo em vista a existência dos adiantamentos, a MOBRAS não realizava o pagamento em espécie das mercadorias e a Recorrente realizava a compensação mensal do saldo de contas a receber (saldo devedor) contra o saldo de contas a pagar (saldo credor). Assim, mensalmente, o saldo passivo da Recorrente face à MOBRAS era reduzido no exato montante das mercadorias fornecidas a essa empresa no período. Ou seja ao contrário do que alegaram as dd. autoridades fiscais e chancelaram as dd. autoridades julgadoras — a Recorrente realizava mensalmente a compensação de seu saldo credor com seu saldo devedor, de forma que os encargos financeiros (juros e variação monetária) só incidiam sobre o valor líquido de seu saldo devedor com a MOBRAS. Não obstante, o que chamou a atenção das autoridades fiscais foi a existência no encerramento de alguns meses também de saldo credor que, no seu entendimento, deveria ter sido igualmente utilizado para reduzir o saldo devedor. A despeito de a Recorrente ter identificado e reconhecido alguns equívocos em seu procedimento e, em demonstração de boafé, ter efetuado o recolhimento • dos respectivos débitos no prazo de impugnação, foi exaustivamente esclarecido na impugnação que o procedimento adotado pela Recorrente era de compensar somente as faturas vencidas com o saldo de contas a pagar à MOBRAS. Ou seja, não era obrigatório que o saldo devedor, de contas a receber da MOBRAS, fosse integralmente compensado com o saldo de contas a pagar a esta empresa, uma vez que a Recorrente somente realizava a compensação das faturas já vencidas no encerramento do mês, sendo certo que o valor das faturas ainda não vencidas era mantido como saldo devedor, no ativo, para compensação no próximo mês. Critica, ainda, a Recorrente o fato de a Autoridade Fiscal utilizarse de uma notícia publicada em 2006 para realizar uma “análise” do mercado à época dos empréstimos, sendo que o adiantamento realizado pela MOBRAS em benefício da Recorrente teria sido para suportar a finalização da instalação de sua planta industrial, que seria originalmente financiada por recursos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), mas que estes foram insuficientes para a conclusão dos investimentos. Em vista dos fundamentos da autuação, entendo não ter ficado comprovado a ausência de necessidade das referidas despesas financeiras. Isso porque o único motivo realmente aventado pela Autoridade Fiscal restringiuse ao fato de a Recorrente ser também credora da MOBRAS e, dessa forma, ser necessária a compensação imediata de todos os créditos com todos os débitos. Entendo não ser razoável essa interpretação, já que a Recorrente realizava sim a compensação, mas quando os débitos dela com a MONESA estivessem vencidos, que ocorria 15 dias após a emissão da fatura de venda. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 700 28 Após realizar a produção, vendia os produtos para a MONESA e baixava o passivo neste montante, passando a contabilizar juros somente em relação ao valor restante. Até porque para realizar a compensação entre débitos e créditos é necessário que ambos estejam vencidos (art. 369 do Código Civil). Entretanto, é importante ressaltar que o fato de Recorrente figurar tanto como credora quanto devedora somente tem o condão de anular os resultados tributáveis, tendo em vista que escrituraria receitas financeiras em virtude do saldo que seria credora e despesas financeiras em virtude do montante que figurava como devedora. Assim, poderseia cogitar que a Recorrente estaria se beneficiando tributariamente caso o saldo credor não a atribuísse receita financeira e o saldo devedor implicasse em despesa financeira. Ocorre que este não foi o fundamento do Auto de Infração. Pelo simples fato de a empresa constar tanto como credora quanto devedora, entendeu a Autoridade Fiscal ser desnecessária a despesa financeira, apropriada em taxas absolutamente normais. O fato de constar previamente como credora da MOBRAS não outorga à Recorrente o direito de impor o vencimento antecipado da operação para que a MOBRAS devolvesse os recursos e, portanto, concluir que não seria necessário o passivo em favor da MOBRAS já que ela deveria pagar o empréstimo constituído anteriormente. Nesse caso, entendo que não compete ao Fisco qualquer ingerência sobre a atividade empresarial da contribuinte. Não é razoável atribuir ao Fisco a análise discricionária das operações de financiamento da empresa, atribuindolhe a faculdade de desconsiderar as despesas financeiras pelo argumento de que a Recorrente era simultaneamente credora e devedora da empresa e, dessa forma, a Recorrente deveria ter “pedido os seus recursos de volta” e não solicitado um adiantamento para as compras futuras. Sem dúvida, caso a Recorrente não estivesse cobrando juros dos valores repassados à MOBRAS e, por outro lado, atribuísse juros aos valores constantes em seu passivo, ensejaria uma outra abordagem do tema e poderseia concluir pela impossibilidade de dedução das despesas financeiras, já que trataria de negócio com pessoa ligada em condições de favorecimento (já que o capital disponibilizado à MOBRAS não estava sendo remunerado e, por outro lado, o capital disponibilizado à Recorrente pela MOBRAS estaria sendo remunerado). Entretanto, essa não foi a abordagem da Fiscalização e o fundamento para glosar as despesas financeiras foi o fato de a Recorrente ser simultaneamente credora e devedora da MOBRAS. Insta ressaltar que há diversas operações em que as empresas figuram ao mesmo tempo como credora e devedora da mesma pessoa, como é o caso das instituições financeiras que exigem a conta garantia para concessão de um financiamento. Nessas modalidades, a mesma empresa figura como devedora e credora da instituição financeira, mas o fato de a empresa ter recursos aplicados na instituição financeira não caracteriza o financiamento como desnecessário, já que há diversos fundamentos para a empresa optar por esta estrutura de financiamento. É dizer: o simples fato de a Recorrente figurar ao mesmo tempo como credora e devedora da MOBRAS não é suficiente para entender como desnecessário o passivo e, como conseqüência, despesa financeira desnecessária. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 701 29 3. Do enquadramento do benefício fiscal concedido pelo Estado da Bahia como subvenção para custeio ou investimento. (VOTO VENCIDO) Em seu recurso voluntário, buscou a Recorrente demonstrar que o entendimento da Autoridade Lançadora, apesar de supostamente equivocado, foi acolhido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, consoante se extrai do seguinte trecho por ela transcrito: "Observese que a leitura do artigo 3º da Lei n.º 7.980, de 2001, deixa claro que o incentivo em apreço foge ao conceito de subvenção para investimento, ao colocar como uma das suas finalidades a redução de custos de produtos ou processos já existentes, admitindo, portanto, a fruição do beneficio por empresa que já esteja devidamente instalada e em funcionamento, com o objetivo de reduzir os seus custos de produção, assumindo, claramente, a característica de subvenção para custeio. A respeito desse ponto, a Impugnante alega, simplesmente, que a interpretação dada pelo Autuante à expressão ‘redução de custos’ está ‘fora do contexto’, já que ela não seria uma das finalidades do Programa DESENVOLVE. Ora, o artigo 3º acima transcrito é bastante claro e taxativo, ao relacionar a 'redução de custos' entre as finalidades do DESENVOLVE. Logo, a alegação da Requerente é vazia e inócua." Afirma ainda que as autoridades julgadoras entenderam que o fato de a legislação do DESENVOLVE mencionar, como uma de suas finalidades, a "redução de custos de produtos ou processos já existentes", significaria tratarse de subvenção para custeio. Em outras palavras, os valores recebidos pela Recorrente, por meio da redução do ICMS, representariam subvenções para custeio das operações regulares da empresa, haja vista que a empresa já estava instalada e que os valores recebidos poderiam implicar a redução de custos já existentes. Depois de expor o raciocínio adotado pela Autoridade Fiscal, acompanhado pela DRJ, a Recorrente afasta os pontos abordados ao fundamento de que: “a equivocada conclusão das autoridades fiscais decorreu claramente da interpretação da expressão "redução de custos" fora do contexto dado pela legislação do DESENVOLVE. De fato, a redução dos custos não é em si uma finalidade do programa e dos respectivos benefícios fiscais, mas meramente um possível resultado dos projetos incentivados. (...) Além disso, cumpre mencionar que, ainda que a redução de custos decorrente, por exemplo, da modernização de empreendimentos industriais fosse uma finalidade do DESENVOLVE, tal fato não seria suficiente para caracterizar esse incentivo como subvenção para custeio. Isso porque, a subvenção para custeio é caracterizada pela utilização dos valores obtidos para capital de giro, para pagamento de custos, o que é absolutamente diferente de redução de custos. Ou seja, quando se paga um custo, não se está reduzindoo, mas somente cumprindo uma determinada obrigação (evento posterior à geração do custo); por outro lado, a redução de Fl. 827DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 702 30 custos está pode estar vinculada a cortes de custos ou melhorias no processo produtivo (eventos anteriores à geração do custo e que levam à sua eliminação ou diminuição), que não têm qualquer relação com a subvenção para custeio. Além disso, a redução de custos de produto, no presente caso, pode inclusive ser relacionada com a própria produção nacional do ácido nfosfonometil iminodiacético ("PIA"). Com efeito, antes da instalação da planta industrial de Camaçari, a Monsanto do Brasil importava dos Estados Unidos o ácido glifosato técnico ("GT") que é o principal insumo para seus herbicidas. Após a instalação da planta industrial em Camaçari, a Recorrente passou a importar os insumos P4 e DEA e a fabricar o PIA. Então, o PIA é vendido à MOBRAS que fabrica localmente o GT. Ou seja, deixouse de importar o GT, que tinha valor muito elevado, e passouse a importar P4 e DEA, insumos mais simples e, portanto, com valor de mercado bastante reduzido. Assim, além de todas as outras razões mencionadas acima, a instalação da planta de Camaçari, incentivada pelo programa do DESENVOLVE, certamente reduziu sensivelmente os custos de importação e logística da empresa. Em vista do exposto, verificase que o programa DESENVOLVE não tem como objetivo o custeio de operações, mas incentivar investimentos na instalação, expansão ou modernização de plantas industriais no Estado da Bahia, sendo certo que os seus benefícios claramente devem ser considerados subvenções para investimento.” (sem destaques no original) Definidas as principais questões da presente controvérsia, passo a analisar a legislação estadual que regulamenta o benefício fiscal em discussão, a fim de definir o seu enquadramento como subvenção de custeio ou para investimento. Para tanto, faço uma breve diferenciação dos conceitos dessas duas modalidades de subvenção: A subvenção para custeio (ou subvenção corrente) diz respeito aos recursos concedidos por entes públicos e destinados ao pagamento de custos ordinários da pessoa jurídica beneficiária, suprindo a sua necessidade de caixa, capital de giro, entre outras. São, portanto, normalmente destinadas a suportar custos e despesas da atividade desempenhada pela pessoa jurídica beneficiária, não tendo qualquer vinculação com o cumprimento de metas de investimento ou expansão do ente concedente (Estados, Municípios ou União). Já a subvenção para investimento, que pode ser concedida de diversas formas, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, é vinculada a uma finalidade específica de promover a expansão, desenvolvimento, e diversificação da estrutura econômica do ente concedente, visando a geração de emprego, elevação e distribuição da renda, entre outros. Nos dizeres de Reinaldo Pizolio1 as subvenções correntes, que a lei tributária trata como direcionadas para o custeio ou para a operação, são aquelas concedidas à pessoa jurídica para que esta possa fazer frente aos seus custos, por assim dizer, comuns ordinários, como, por exemplo, necessidades de caixa ou determinados déficits operacionais. 1 PIZOLIO, Reinaldo. Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Subvenções para Investimento. Artigo in Revista Dialética de Direito Tributário, v. 52. São Paulo: Dialética, 2002, p. 149. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 703 31 Para aquele autor, as subvenções para investimentos, por sua vez, caracterizamse pela destinação dos recursos à empresa para que sejam aplicados em sua expansão, em alocação de valores para implementação de seu parque industrial, ou ainda, por exemplo, para que desenvolva novas atividades econômicas. Entretanto, a Coordenação do Sistema de Tributação (CST), por meio dos Pareceres Normativos nº 02/78 e 112/78, entende ser imprescindível para caracterizar a figura da subvenção para investimento a efetiva e específica aplicação da subvenção por parte do beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Partindo daquela premissa, a orientação da Receita Federal, esboçada nestes autos, é no sentido de ser essencial para a caracterização da subvenção para investimento que os recursos recebidos pelo contribuinte sejam vinculados a uma aplicação em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Caso não haja essa aplicação específica, a subvenção seria caracterizada como de custeio (corrente) e haveria a tributação daqueles valores entregues pelo poder público. Entretanto, a interpretação dada pelo Fisco não tem amparo legal. Neste sentido, Natanael Martins2 faz severas criticas aos Pareceres Normativos CST nº 2/78 e 112/78, amparado pelo posicionamento de Bulhões Pedreira: Entretanto, a Coordenação do Sistema de Tributação interpretou incorretamente a legislação tributária, como magistralmente demonstra Bulhões Pedreira,dispensando outros comentários: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro próprio. A afirmação do PNCST nº 112/78 de que só existe subvenção para investimento quando há “a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário nos investimento previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado” não tem fundamento legal. O § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77 somente se refere à “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos” para identificar a subvenção sob a forma de isenção ou redução de impostos, e não como requisito de toda e qualquer subvenção para investimento. Pode haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos: basta que a intenção do doador seja transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital. O PN CST nº 112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas 2 Revista de Direito Tributário nº 61, fls. 175 a 186. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 704 32 duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos – de criação de bens de produção e de aplicação financeira. E continua o renomado tributarista: Não tem procedência a afirmação do PN CST nº 112/78 de que ‘as isenções, reduções ou deduções do imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento’. Configurase, portanto, subvenção para investimento quando a legislação concedente evidencia claramente o intuito de promover o desenvolvimento do Estado concedente, desde que presentes os seguintes requisitos: (i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (iii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. Acerca da possibilidade de os créditos presumidos, bem como os incentivos financeiros, para pagamento do ICMS se configurarem como subvenções para investimento, o Conselho de Contribuintes se manifestou no sentido de estes caracterizarem subvenções para investimento, (Acórdão nº 10705.912 de 2000): IRPJ/Contribuição Social Programa Fomentar Subvenção para Investimentos Caracterização Dedutibilidade dos Custos Financeiros Exonerados pelo Estado no Âmbito do Programa de Incentivos Concedidos A concessão pelo Estado, de incentivos financeiros ou crediticios, inclusive de natureza tributária, diretos ou indiretos, como forma de implantação ou modernização de empreendimentos econômicos, desde que obedecidos os preceitos do artigo 38, § 2 0 do Decreto.Iei 1598/77, na redação do Decretolei 1730/98, caracterizamse como subvenções para investimentos Observese o voto da relatora do citado Acórdão: De fato, a figura da isenção ou redução de impostos, que em última análise representam a dispensa total ou parcial de impostos, embora categorias típicas de direito tributário, em face da lei, quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, sob a forma de benefícios financeiros indiretos, portanto, foram eleitas pelo legislador como hipóteses de subvenção para investimento. Nesse contexto, caracterizandose a figura da subvenção para investimento, seja ela direta (beneficio financeiro em espécie) ou indireta (isenção ou redução de impostos, exoneração total ou parcial de correção monetária e/ou de juros concedidos pelo Estado etc...) pode e deve o contribuinte materializála. Assim, pelo princípio contábil de que todo crédito (no caso o lançamento a PL da Reserva de Subvenção) deve corresponder a um débito (no caso em resultados, no montante, exatamente, da subvenção direta ou indireta concedida pelo Estado), o contribuinte, mesmo nas hipóteses de subvenções para investimentos indiretas, pode e deve reconhecêlas em Fl. 830DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 705 33 resultados, em contrapartida de crédito no PL, em conta de Reserva de Subvenção, ou seja, devese reconhecer em resultados os impostos exonerados (isenção ou redução) como se devidos fossem, bem como demais benesses da espécie, tais como a dispensa de correção monetária e/ou de juros, desde que, reiterese, concedidas no âmbito do negócio pactuado pelo contribuinte com o Estado, visando à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Após fixadas as premissas acerca da possibilidade de se enquadrar a concessão pelo Estado de incentivos financeiros ou creditícios, inclusive de natureza tributária, diretos ou indiretos, como subvenção passouse a analisar se seriam enquadradas como subvenções para custeio ou para investimento. 1. Juridicamente, a subvenção, em qualquer de suas modalidades, caracterizase como uma doação e, quando concedida pelo poder público, desde que registrada em conta de reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não será tributada pelo imposto de renda. Consequentemente, tampouco servirá de base para cálculo da contribuição social e do imposto sobre o lucro líquido. 2. A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, "a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira" (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização.3 Dessa forma, entenderam os Conselheiros que o benefício fiscal concedido pelo Estado do Ceará seria classificado como subvenção para investimento e não comporia o lucro tributável, vez que, neste caso, a fiscalização pretende tributar a redução do passivo como ganho. Esse procedimento equivale a criar lucro tributável fictício, uma vez que o valor, por constituir reserva especial no patrimônio líquido, está representado em contas do ativo, esta sim geradoras de receitas tributáveis pelo imposto de renda e pelas contribuições. No mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao analisar o tema, fez importantes considerações no acórdão nº 910100.566 proferido em 17.05.2010, no qual é analisado o incentivo fiscal do Estado do Amazonas. De fato, desde o final do último século, os estados federados vêm travando intensa batalha para atrair investimentos para seu território e assim incrementar sua atividade econômica. No âmbito dos estados, foram instituídos sistemas de captação de investimentos voltados para a diversificação e ampliação de suas estruturas econômicas, com a consequente geração de empregos e elevação da renda. Pelas suas características, é forçoso admitir que os benefícios fiscais ora em discussão se amoldam a esta política de captação de investimentos perpetrada pelos governos estaduais. 3 Conclusão baseada no artigo do Conselheiro Natanael Martins, publicado na Revista de Direito Tributário nº 61. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 706 34 Um dos fundamentos da decisão recorrida é a não caracterização da intenção do subvencionador em transferir capital para investimentos. Sustenta o voto condutor que, para que se pudesse ter o incentivo como subvenção para investimento, o negócio realizado deveria evidenciarse por presente, de forma incontestável, a inequívoca intenção do ente público de subvencionar o empreendimento. Ora, verificase na lei estadual, que os incentivos visam promover os investimentos para integração, expansão, modernização e consolidação dos setores econômicos daquele Estado. Ao percorrer o dispositivo, notase que a lei é clara ao estabelecer que os incentivos visam essencialmente o incremento e a consolidação da atividade econômica na região. Assim, ao contrário da decisão recorrida, não há como considerar que a renúncia fiscal, consubstanciada pela restituição do ICMS à Recorrente, seja única e tão somente para recuperar custos de sua atividade operacional, desvinculada de qualquer interesse público maior. (...) Como facilmente se vê nas partes destacadas no texto, as condições estabelecidas pela lei para a concessão dos benefícios fiscais revelam que as empresas beneficiárias deverão promover o desenvolvimento da região, mediante a realização de investimentos. Desse modo, é imperioso reconhecer que a Lei Estadual manifesta a intenção do Estado do Amazonas em destinar as devoluções do ICMS na forma de subvenções para investimento e não para custeio, como impropriamente entendeu o acórdão recorrido. (...) Os trechos acima destacados revelam parte das exigências para a concessão do beneficio e indicam que o Estado quer assegurar que os recursos transferidos para o setor privado alcancem os objetivos estabelecidos pela lei. Resta patente que a concessão do beneficio está condicionada a determinados requisitos a serem atendidos pelas empresas beneficiárias, dentre eles, a apresentação de projeto técnico e de viabilidade econômica do empreendimento; a aprovação das autoridades ambientais e do Conselho de Desenvolvimento da Amazônia; além de Laudo Técnico de Inspeção para comprovar a aplicação dos recursos. Com efeito, estes procedimentos burocráticos, dentre outros, confirmam o objetivo econômico delineado pela lei para os benefícios fiscais. Ademais, demonstram a preocupação do Estado com os mecanismos de controle para que os objetivos da lei sejam alcançados. Por isso, não há como admitir que não está presente a manifestação concreta do Estado do Amazonas em subvencionar empreendimentos voltados ao desenvolvimento econômico da região. Neste ponto, assiste razão à contribuinte. (...) Os dispositivos destacados demonstram inequivocamente que a restituição do ICMS, de que é beneficiária a Recorrente, encontrase subordinada a uma série de obrigações impostas pelo ente estatal, como contraprestação do favor fiscal deferido. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 707 35 A concessão do beneficio é prevista em caráter geral às empresas que atenderem aos requisitos e cumprirem as contraprestações estabelecidas. Não significa, porém, que os recursos transferidos para a pessoa jurídica devam ser aplicados obrigatoriamente no custeio destas exigências. De fato, a restituição do ICMS, aqui tratada, tem como contrapartida gastos com benefícios sociais aos empregados (alimentação, saúde, lazer, transporte etc.), concessão de descontos em operações de vendas, abertura de vagas destinadas ao emprego de menores, dentre outras. A concessão do beneficio, por força de disposição legal, deve pautarse pelo princípio da reciprocidade, conforme disposto no art. 2 2, § 22 da referida Lei Estadual: (...) Na verdade, estas exigências constituem indicadores do desenvolvimento econômico almejado e atuam como deveres correlatos ao benefício fiscal, diante das necessidades e carências daquele Estado. As exigências legais são a contraprestação do favor fiscal, porém não soa razoável, à luz do referido diploma legal, que os valores restituídos de ICMS sejam automaticamente classificados como subvenção para custeio, pois não se destinam ao pagamento ou recuperação destas despesas. Por outras palavras, tais dispositivos não fixam o destino ou a aplicação obrigatória dos recursos mas, ao contrário, apenas especificam as contraprestações que não serão necessariamente suportadas pelos valores subvencionados. É correto, portanto, admitir que os valores restituídos de ICMS à Recorrente não podem ser considerados como subvenção para custeio ao argumento de que a pessoa jurídica beneficiária assumiu um conjunto de obrigações e cumprirá determinadas exigências de cunho social. Após as considerações acerca da caracterização do benefício fiscal como subvenção a investimento, o relator conclui: Concluindo esta análise, em resumo resta claro o entendimento de que: a) as transferências de recursos do Estado do Amazonas, realizadas com base na Lei Estadual n2 1.939/1989, constituem subvenção para investimento, pois visam essencialmente o incremento e a consolidação da atividade econômica na região; b) a concessão do beneficio, conforme o Decreto Estadual n 2 12.814A/1990, está condicionada a determinadas exigências documentais que indicam a intenção do Estado em assegurar que os recursos transferidos para o setor privado alcancem os objetivos estabelecidos pela lei; c) as exigências legais, traduzidas pelos benefícios sociais, nada mais representam que a contraprestação do favor fiscal, pois não possuem o condão de fixar o destino ou a aplicação obrigatória dos recursos, e d) os recursos decorrentes da restituição do ICMS, devidamente contabilizados em conta de Reserva de Capital, estão de acordo com a condição estabelecida pelo referido § 22 do art. 38 do Decretolei n2 1.598/77. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 708 36 Verificase, portanto, que a jurisprudência administrativa não exige a vinculação direta entre o valor subvencionado e aplicação deste montante em bens e direitos relacionados a implantação ou expansão de empreendimento econômico. Entretanto, entende que para caracterizar subvenção para investimentos é necessário que: i) o benefício fiscal vise, de forma inequívoca, o incremento e a consolidação da atividade econômica na região; ii) haja determinadas exigências por parte do Estado que visem assegurar o cumprimento daqueles objetivos; iii) haja a concretização da intenção do Poder Público em subvencionar aquele investimento, mediante transferência de capital ao patrimônio da pessoa jurídica; e iv) a pessoa jurídica incorpore os recursos em seu patrimônio (constituição de reservas). Passase, então, a analisar o benefício fiscal recebido pela Recorrente. Tratase o caso de benefício fiscal concedido pelo Governo da Bahia, por meio da Lei nº 7.980/2001, que instituiu o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – DESENVOLVE e revogou a Lei nº 7.024, de 23 de janeiro de 1997, que havia instituído o Programa de Incentivo ao Comércio Exterior – PROCOMEX. O programa DESENVOLVE tem o “objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado”. Para alcançar esse objetivo, são concedidos incentivos fiscais aos interessados, com o propósito de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. Para tanto, “em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: I dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; II diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido.”. É esse o escopo da Lei nº 7.980/2001, conforme se infere dos seguintes dispositivos: Lei nº 7.980, de 12 de dezembro de 2001: Institui o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, revoga a Lei nº 7.024, de 23 de janeiro de 1997, que instituiu o Programa de Incentivo ao Comércio Exterior PROCOMEX e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Fl. 834DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 709 37 Art. 1º Fica instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. Art. 2º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: I dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; II diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Parágrafo único Para efeito de cálculo do valor a ser incentivado com a dilação do prazo de pagamento, deverá ser excluída a parcela do imposto resultante da adição de dois pontos percentuais às alíquotas do ICMS, prevista no art. 16A da Lei nº 7.014/96 para constituir o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. Parágrafo único acrescido ao art. 2º pelo art. 7 da Lei nº 8.967, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. § 1º Para os efeitos deste Programa, considerase: I nova indústria, a que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II expansão industrial, o aumento resultante de investimentos permanentes de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; III reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica dos quais resultem aumento significativo da competitividade do produto final e melhoria da relação insumo/produto ou menor impacto ambiental. § 2º Considerase, também, expansão, o aumento da transformação industrial que objetive ganhos de escala ou de competitividade, ou a conquista de novos mercados ou que Fl. 835DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 710 38 implique em aumento real no valor da produção total do empreendimento. § 2º acrescido ao art. 3º pelo art. 14 da Lei nº 8.534, de 13 de dezembro de 2002. Art. 4º O Poder Executivo constituirá o Conselho Deliberativo do DESENVOLVE, vinculado à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração, que examinará e aprovará os projetos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios. § 1º O deferimento do pedido de enquadramento ao Programa deverá observar a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim o cumprimento de todas as suas exigências. § 2º Não poderão enquadrarse no Programa as empresas inadimplentes, ou cujos sócios ou dirigentes participem do capital ou da administração de empresa inadimplente perante o Tesouro Estadual ou perante a Agência de Fomento do Estado da Bahia S/A DESENBAHIA e em relação às normas de proteção ambiental. § 3º A Secretaria Executiva do DESENVOLVE acompanhará a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até a completa implantação do projeto base do Programa. Art. 5º O estabelecimento enquadrado no Programa deverá observar os seguintes procedimentos, para fins de apuração e recolhimento do ICMS devido: I o valor do ICMS apurado, deduzido o valor do imposto incentivado, será declarado e recolhido na forma e prazos regulamentares; II o valor do ICMS incentivado será escriturado em separado na escrita fiscal do estabelecimento, e recolhido nos prazos deferidos na autorização. Parágrafo único Sobre o valor do ICMS incentivado incidirão juros limitados à Taxa Referencial de Juros a Longo Prazo TJLP ou outra que a venha substituir. Art. 6º O prazo de fruição do benefício não poderá exceder a 12 (doze) anos. Art. 7º A liquidação antecipada de cada uma das parcelas ensejará desconto de até 90% (noventa por cento). Art. 8º O Regulamento estabelecerá, observadas as diretrizes do Plano Plurianual, critérios e condições para enquadramento no Programa e fruição de seus benefícios, com base em ponderação dos seguintes indicadores: I geração de empregos; II desconcentração espacial dos adensamentos industriais; III integração de cadeias produtivas e de comercialização; IV vocação regional e subregional; V desenvolvimento tecnológico; VI responsabilidade social; Fl. 836DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 711 39 VII impacto ambiental. Da leitura dos citados dispositivos, verificase que é o caso de financiamento favorecido de parcela do ICMS devido, constando claramente a exigência do subvencionador de que os recursos devem ser efetivamente aplicados em investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado no Estado da Bahia. Em outras palavras, é o caso de empréstimo subsidiado pelo Estado da Bahia, com a finalidade bem definida de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. Cabe mencionar, ainda, que ficou a cargo do Decreto nº 8.205/2002 regulamentar o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – DESENVOLVE, e, assim, dispôs sobre as condições específicas para a concessão do benefício fiscal discutido nos presentes autos. Confirase: SEÇÃO II DA DILAÇÃO DE PRAZO Art. 3º O Conselho Deliberativo do DESENVOLVE poderá conceder dilação de prazo de até 72 (setenta e dois) meses para o pagamento de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS, relativo às operações próprias, gerado em razão dos investimentos constantes dos projetos aprovados pelo Conselho Deliberativo. § 1º O prazo e o percentual referidos no caput deste artigo serão definidos de acordo com o índice de aderência do projeto à matriz de desenvolvimento industrial do Estado, conforme gradação estabelecida na Tabela I, anexa a este Regulamento, determinado com base nas diretrizes do Plano Plurianual e nos seguintes indicadores: I repercussão do projeto na geração de empregos diretos e indiretos e na multiplicação da renda; II capacidade de desconcentração espacial dos adensamentos industriais, favorecendo a regionalização do desenvolvimento; III integração e verticalização de cadeias produtivas e de comercialização, inclusive para o Exterior; IV vocação para o desenvolvimento regional e subregional, em especial das regiões mais pobres; V grau de desenvolvimento tecnológico dos processos produtivos e de assimilação de novas tecnologias; VI responsabilidade da empresa quanto a aspectos de interesse social na comunidade em que pretenda atuar; VII prevenção do impacto ambiental do projeto e o relacionamento da empresa com o ambiente. § 2º Compete à Secretaria Executiva do Programa elaborar a metodologia de cálculo do índice de aderência a que se refere o § 1º, bem como a sua reavaliação periódica. (...) CAPÍTULO IV DA HABILITAÇÃO AO PROGRAMA Fl. 837DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 712 40 Art. 8º Preliminarmente a empresa apresentará Carta Consulta de Investimento à Secretaria Executiva do Conselho, com as informações básicas do projeto e de acordo com modelo a ser aprovado pelo Conselho Deliberativo. Art. 9º Após a resposta à CartaConsulta de Investimento, a empresa que pretenda habilitarse aos benefícios do Programa deverá apresentar à Secretaria Executiva do Conselho Deliberativo do DESENVOLVE: I requerimento dirigido ao Presidente do Conselho, solicitando a sua habilitação; II projeto completo do empreendimento; III certidão de arquivamento, na Junta Comercial, dos atos constitutivos da empresa, bem como da sua última alteração; § 1º O projeto de que trata o inciso II desde artigo, a ser apresentado pela empresa, deverá obedecer às especificações técnicas do roteiro aprovado por esse Conselho. § 2º A empresa que apresentar certidão, ou documentação equivalente, que comprove ter sido o projeto aprovado por banco de desenvolvimento, poderá optar por modelo simplificado de projeto, como for definido em Resolução do Conselho Deliberativo. As condições são, portanto, bem específicas para a concessão da subvenção em analise, sempre vinculadas à apresentação e aprovação de projeto completo do empreendimento, a fim de analisar a sua viabilidade técnica e econômica, a fim de promover os investimentos para integração, expansão, modernização e consolidação dos setores econômicos daquele Estado. Assim, entendo que a renúncia fiscal, consubstanciada pela restituição do ICMS à Recorrente, atende os requisitos para o seu enquadramento como subvenção para investimento, nos termos do art. 443 do RIR/99, conforme redação a seguir. Não vejo considerar tal subvenção como de custeio, destinada apenas à recuperação dos custos de sua atividade operacional, desvinculada de qualquer interesse público maior. Seção IV Subvenções para Investimento e Doações Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 38, § 2 º , e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º ,inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. A esse respeito, convém notar o recentíssimo precedente proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste E. Conselho, que, por meio do acórdão nº 1202000.921, assim ementado: Fl. 838DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 713 41 IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. Inclusive, cabe notar que um dos benefícios fiscais (contratos de mútuo subsidiados pelo Estado) analisados pelo precedente acima foi o PROCOMEX, também do Estado da Bahia. Esse benefício foi instituído pela Lei nº 7.024/97 e revogado pela Lei nº 7.980/2001, que, por sua vez, instituiu o novo programa de incentivos estaduais (DESENVOLVE), que é objeto dos presentes autos. Ambos os benefícios possuem critérios e condições de concessão bem semelhantes e, por essa razão, entendo que os mesmos fundamentos utilizados no acórdão nº 1202000.921 para caracterizar o PROCOMEX como subvenção para investimentos também servem para qualificar, da mesma forma, o programa DESENVOLVE, ora analisado. Confira se: A respeito da definição de subvenção para investimento, sob o ponto de vista comercial, vejase o entendimento de Modesto Carvalhosa e Nilton Latorraca (“Comentários à Lei de Sociedades Anônimas”, Ed. Saraiva, São Paulo, SP, 1998, Vol. 3, pg. 603): “Subvenções para investimento Considerada como instituto do direito financeiro, as subvenções são ajudas ou auxílios pecuniários, concedidos pelo Estado, nos termos da legislação específica, em favor de instituições que prestam serviços ou realizam obras de interesse público. A subvenção para investimento é a contribuição pecuniária destinada à capitalização em empresas privadas, e se distingue da subvenção corrente, para custeio ou operação.” Assim, de acordo com a lei das sociedades anônimas, somente as subvenções para investimento terão suas verbas registradas diretamente nas contas de Reservas de Capital, não afetando o resultado do exercício. Em conseqüência, as verbas destinadas às demais subvenções (corrente, para custeio ou operação) transitarão pelas contas de resultado, ou seja, serão receitas para fins da legislação societária. Dessa forma, para fins societários, não constituem receitas as verbas caracterizadas como subvenções para investimentos quando esses recursos são Fl. 839DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 714 42 efetivamente aplicados em favor das companhias que prestam serviços ou realizam obras de interesse público. O Conselho Federal de Contabilidade tratou da questão das subvenções para investimento quando da publicação da Resolução nº 1.026, de 15 de abril de 2005: “Art. 3° Enquanto a Lei dispuser de forma diferente da NBC T 19.4, os incentivos fiscais e subvenções para investimento podem ser registrados no patrimônio líquido como reserva de capital e devem ser divulgados em notas explicativas os efeitos no Resultado, desde que: a) o subvencionador tenha a intenção em destinar os incentivos fiscais e subvenções para investimentos; e b) o subvencionado tenha a obrigação de aplicar tais recursos em investimentos relacionados à implantação, modernização ou expansão de empreendimentos econômicos específicos.” (destaquei) No que se refere a legislação fiscal, o Decretolei nº 1.598, de 1977, em seu art. 38, § 2º (base legal do art. 443 do RIR/99), acompanhou a lei societária e isentou as verbas destinadas a investimentos auferidas pelos subvencionados. Já as subvenções correntes continuaram tendo sua tributação regrada pela norma do art. 44, IV, da Lei nº 4.506, de 1964 (base legal do art. 392, I do RIR/99). Confirase a redação desses dispositivos: Lei nº4.506, de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” Decretolei nº 1.598, de 1977: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na Fl. 840DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 715 43 determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979)” (destaques meus) O art. 443 do RIR/99 está inserido na Seção IV do Capítulo VII do Subtítulo III do Título IV do Livro II. O Capítulo VII está intitulado como “Resultados não Operacionais”, isto porque, as subvenções para investimento têm a natureza de receitas, mais precisamente, sob a ótica da legislação do imposto de renda, de “resultados não operacionais”. Tais resultados são, via de regra, tributáveis. Para não serem tributáveis, exigese o cumprimento de alguns requisitos legais. Em outras palavras, o benefício do art. 443 do RIR/99 (art. 38 do DL nº 1.598/77) consiste em não oferecer aqueles "resultados não operacionais" à tributação, registrando contabilmente a transferência dos recursos em uma conta de reserva de capital, ao invés de transitar por uma conta de resultado (receita). A contrapartida do lançamento deverá ser a débito de contas do Ativo já que há o ingresso de recursos. Registrandose contabilmente desta forma sequer há necessidade de se efetuar exclusões do lucro líquido contábil quando da apuração do lucro real. Na obra Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas, de José Luiz Bulhões Pedreira, JustecEditora, Rio de Janeiro, 1979, Vol. II, pg. 687, encontrase os requisitos que, na opinião do autor, devem ser observados para fins de caracterização da “subvenção para investimento”: “3. Requisitos da Exclusão – O DL 1.598/77 estabelece dois requisitos para que a subvenção para investimento ou a doação seja excluída do lucro real: (a) que a pessoa jurídica, ao recebê la, reconheça contabilmente sua natureza de transferência de capital, creditandoa a conta de reserva de capital; e (b) que a pessoa jurídica, mesmo depois do recebimento, não a transforme em renda, distribuindoa a seus sócios: a reserva de capital em que é registrada somente pode ser utilizada para ser incorporada ao capital social ou absorver prejuízos.” Dessa forma, podese facilmente concluir que as subvenções para investimento, para gozar do favor fiscal do art. 443 do RIR/99, devem ter as seguintes características: 1) o subvencionador deve ser o Poder Público; 2) a verba oriunda da subvenção deve ser destinada para investimento na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos de interesse público; 3) o beneficiário da subvenção seja pessoa jurídica com a forma de companhia; 4) que a subvenção seja registrada contabilmente em conta de reserva de capital, que poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. Como resultado, Fl. 841DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 716 44 deve ser alcançada a satisfação do desejo do Poder Público quanto à efetivação do investimento. (...) Os recursos financeiros subsidiados seriam por conta do Programa de Incentivo ao Comércio Exterior PROCOMEX, criado pela Lei Estadual nº 7.024, de 23 de janeiro de 1997, contendo o seguinte dispositivo: Art.3º O PROCOMEX será financiado com recursos provenientes do Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico FUNDESE, regulado pela Lei nº 6.445, de 7 de dezembro de 1992, observados, em suas operações, os seguintes critérios: I até 8% (oito por cento) do valor das operações de comercialização de produtos recebidos do exterior, por estabelecimentos montadores de veículos automotores e industriais de autopeças; II até 6% (seis por cento) do valor FOB das operações de vendas para o exterior de produtos fabricados neste Estado, por novos estabelecimentos industriais, desde que condicionados ao emprego intensivo de mão de obra e que tenham domicílio fiscal na Região Metropolitana de Salvador; (...) Como se vê da descrição acima, restou nitidamente claras as intenções dos Estados do Ceará e da Bahia, conforme autorização legal, em promover o desenvolvimento das atividades industriais em seus territórios, notadamente em municípios localizados no interior dos Estados, de baixo desenvolvimento econômico, assegurando incentivos para implantação dos empreendimentos sob várias formas, dentre eles, com a concessão de empréstimos subsidiados e na modalidade de crédito presumido do ICMS. Pelo que se depreende dos autos, a autuada efetivamente instalou as indústrias de calçados que se comprometeu com os Estados do Ceará e da Bahia. Em ambos cumpriu com os compromissos assumidos em relação ao montante investido, ao números de calçados produzidos e ao número de empregos gerados. Esse parece ser um fato incontroverso, tanto que a fiscalização nada relata a esse respeito e o acórdão recorrido em diversas oportunidades menciona em seu voto condutor o cumprimento das metas: (...) Como bem acentuou o PN CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, nem todas as isenções ou reduções de impostos podem ser classificadas como subvenção para investimento. O retorno ao particular de uma quantia já incorporada ao patrimônio do Estado, a título de receita pública, é o que faz com que certas isenções ou reduções de impostos se equiparem às subvenções, e a efetiva aplicação em investimentos a torna subvenção na modalidade “para investimento”. O PN CST no 112, de 1978 dá exemplo de redução de imposto que preenche os requisitos para ser considerada como “subvenção para investimento”. Diz o item 3.6 do referido Parecer: Fl. 842DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 717 45 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (destaquei) No caso em exame, a interessada obteve dos Governos dos Estados do Ceará e da Bahia incentivos à implantação de novas unidades industriais nesses Estados. Os benefícios concedidos se referem às unidades implantadas naqueles Estados, nos termos dos “protocolos de intenções” e dos “contratos de mútuo subsidiados” firmados com os governos estaduais, gozando o favor fiscal após realizado o novo empreendimento. Vejase os termos de um dos “contratos de mútuo subsidiados” celebrado com o Estado do Ceará OPERAÇÃO Nº FDI/PROVIN33.0246, fls. 87/88: “1.1 Constitui objeto do presente Contrato a concessão pelo BEC de um empréstimo de execução periódica, com garantia fidejussória, equivalente a 100 % (cem por cento ) do valor do ICMS efetivamente recolhido pela MUTUÁRIA, em 180 (cento e oitenta) meses no período de Novembro/1999 a Outubro/2014, mediante entrega de Nota Promissória dentro do prazo legal, incidentes sobre operações com a produção própria. 1.2 O Empréstimo ora concedido pelo BEC tem como fonte de recursos o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI, instituído pela Lei nº 10.367/79, alterado pelas Leis nºs 10.380/80, 11.073/85, 11.524/88 e Decreto nº 822.719A de 20.08.93, aportados à conta do Programa de Incentivo ao Funcionamento de EmpresasPROVIN, decorrendo referido empréstimo do enquadramento da MUTUÁRIA como empreendimento prioritário para o desenvolvimento econômico e social do listado, em consonância com o disposto no Art. 8º do Decreto Estadual nº 22.719A de 20.08.93, decreto nº 23.113 de 18.03.94, decreto nºs 23.913, de 21.11.96 e demais normas pertinentes. [...] 4.1. Do valor de cada parcela do empréstimo, conforme previsto na Cláusula Primeira deste contrato o equivalente a 1% (hum por cento), será pago de uma só vez, no dia 30 (trinta) de cada mês a que corresponder, após 60(sessenta) meses e será devidamente corrigida desde a data do desembolso até a data do vencimento pela aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) ou outro indexador que vier a substituíla por decisão da autoridade monetária competente. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 718 46 Da leitura dos termos do contrato, verificase que o contribuinte obteve um empréstimo no montante de 100% do ICMS efetivamente recolhido. Assim, inicialmente, os recursos ingressaram no patrimônio público. Na sequência, foram liberados os recursos do empréstimo para a empresa subvencionada, os quais deveriam ser pagos no equivalente a apenas 1% (um por cento) de cada parcela liberada. Ou seja, o poder público recebe de volta apenas 1% do valor que emprestou. Portanto, como enfatizado pelo PN CST nº 112, de 1978, verificase no caso em análise que houve um retorno ao particular de uma quantia antes incorporada ao patrimônio do Estado (recolhimento do ICMS), o que faz com que as reduções de impostos (recebeu 100% do ICMS e devolveu 1%) se equiparem às subvenções e a efetiva aplicação em investimentos a torna subvenção na modalidade “para investimento”. Os demais “contratos de mútuo subsidiados”, Operação n° 34.0005/0 FDI/ PROAPI e Fundese/Procomex nº 1032 2001/18 tem idêntico tratamento ao mencionado nos dois itens precedentes, pois constituem transferência de recursos de fora, do Poder Público, para a pessoa jurídica responsável pelos empreendimentos. (...) Assim, como é fácil concluir, a outorga dos benefícios pelos Estados do Ceará e da Bahia não está restrita à concessão de empréstimos em condições especialíssimas, mas corresponde a um conjunto de medidas concretas que têm como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos para a implantação das unidades fabris. Importa, na essência, não só o conjunto de obrigações assumidas e cumpridas pelas partes, como também o objetivo visado pelo Estado, que se traduz na transferência de recursos com vistas a proporcionar efetivo aumento do estoque de capital da empresa. Presentes, i) a intenção da pessoa jurídica de direito público de subvencionar determinado empreendimento; ii) a concretização dessa intenção, mediante transferência de capital; iii) a incorporação dos recursos recebidos no patrimônio da pessoa jurídica beneficiada, do que resulta aumento do estoque de capital financeiro registrada contabilmente em conta de reserva de capital, temos o que se denomina “subvenção para investimentos”. Já o fundamento utilizado pela fiscalização para efetuar o lançamento foi de que os incentivos teriam sido aplicados em capital de giro e, portanto, não poderiam ser caracterizados como subvenção para investimentos nos termos do que dispõe o art. 443 do RIR/99. Entretanto, a razão do lançamento fiscal não encontra sustentação na legislação fiscal. Como se viu na exposição do presente voto, a empresa recebeu incentivos fiscais do Poder Público, cumpriu com as metas a que se propôs, efetuou os registros contábeis exatamente como determinam as leis comercial e fiscal, incorporando ao capital social parte dessas reservas (R$ 53.197.645,19), fls. 647, Fl. 844DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 719 47 podendose concluir caracterizada a hipótese de subvenção para investimento, exatamente como estipula o art. 443 do RIR/99. O antigo Primeiro Conselho de Contribuintes emitiu várias decisões com esse mesmo entendimento, conforme cópias juntadas pela defesa, de fls. 808 e seguintes. Para ilustrar, transcrevo a ementa do Acórdão CSRF nº 9101001.239, sessão de 21/11/2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal concedido pelo Poder Público mediante restituição do ICMS, lançado diretamente em conta do patrimônio líquido, e tendo como contrapartida a realização de investimentos em ativo fixo, à implantação ou expansão de empreendimento econômico com a geração de novos empregos diretos e indiretos, absorção de nova tecnologia de produto e/ou de processo, subsumese como subvenção para investimentos e, por conseguinte, descabe a sua tributação. Os incentivos concedidos pelo Estado da Bahia, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do financiamento de longo prazo, com descontos pela antecipação, ou do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio liquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere o art. 392 do RIR/99. Já o acórdão recorrido decidiu no mesmo sentido em relação os denominados “contratos de mútuo subsidiados”, merecendo, por isso, ser negado provimento ao recurso de ofício nessa parte. Como concordo com o posicionamento consignado no referido acórdão e sendo ele perfeitamente aplicável à situação dos presentes autos, adotoo para julgar a lide em análise. Feitas todas essas considerações e após a atenta leitura dos dispositivos da Lei nº 7.980/2001, entendo que a legislação do Estado da Bahia não se limita a simplesmente impor condições especialíssimas à concessão de empréstimos, mediante a dilação de prazo para pagamento do ICMS e condições favorecidas para posterior amortização do saldo devedor. Para mim, tal diploma representa a exigência de um conjunto de medidas concretas para a concessão do benefício, além de estabelecer como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos para a desenvolvimento das unidades fabris. Reforça ainda mais este entendimento o fato de terem sido celebrados protocolo de intenções antes da construção da Unidade Fabril em Camaçari, com posterior re ratificação, com a presença do estado da Bahia. MOBRAS e MONESA, vinculando especificamente à concessão da redução do ICMS aos investimento incorridos na construção da unidade industrial em território bahiano. Assim, entendo por caracterizado o beneficio fiscal do DESENVOLVE como subvenção para investimento, e, em decorrência, não pode ser enquadrada como receita passível de tributação, nos termos do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 720 48 4. Análise do antigo PTA nº 13502.001328/200719: das despesas de tributos com exigibilidade suspensa A primeira infração imputada pelas autoridades fiscais nesse auto de infração consiste na insuficiência do recolhimento da CSLL nos anoscalendário de 2002 e de 2003, em virtude da dedução supostamente indevida na apuração da base de cálculo dessa contribuição de tributos com exigibilidade suspensa em razão de depósito vinculado a ações judiciais. Conforme dispõe o Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente discutia judicialmente aspectos da legislação referentes ao PIS e a COFINS , em especial a ampliação da base de cálculo e a majoração da alíquota. Os créditos tributários estavam com exigibilidade suspensa em virtude de estarem sendo depositados judicialmente. A Autoridade Fiscal alegou que o registro contábil desses tributos com exigibilidade suspensa (em virtude de depósito judicial) teria caráter de provisão e, portanto, as respectivas despesas deveriam ser adicionadas para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 13, I da Lei n.° 9.249/95. Confirase o Termo de Verificação Fiscal (fls. 261 e 262): A empresa possuí ação judicial questionando aspectos da legislação referente ao PIS e COFINS, em especial a ampliação da base de cálculo de tais tributos e majoração de alíquota. Na apuração do resultado, o contribuinte apura os valores integralmente, debitadoos à conta de despesas, conforme dispõe a legislação, ou seja, com a base de cálculo ampliada e a alíquota fixada em Lei. Porém, a parte que está sendo questionada é depositada em juízo, e o contribuinte reduz o passivo exigível por meio de lançamentos em contas específicas de ativo e passivo (13610501 e 22407120, respectivamente). Assim, o resultado da empresa é afetado pela apuração dos tributos na sua integralidade. Ocorre que os valores que estão sendo discutidos judicialmente não têm um caráter de liquidez e certeza, requisitos necessários para sua configuração como obrigações e despesas. Ao contrário, estão condicionados a um evento futuro e incerto, que poderá ocorrer ou não. Nem a empresa desembolsou os valores nem tampouco existe a exigibilidade ou a obrigação do pagamento destas despesas. Nessas circunstâncias, tais valores, depositados ou não, constituem mera provisão, caracterizando medida preventiva e acautelatória, no sentido de evitar uma surpresa indesejável, caso o julgamento final da ação seja adverso ao contribuinte. A ocorrência ou não da despesa com os tributos está vinculada à decisão final da ação judicial. Enquanto esta não for proferida, não se pode afirmar que os valores são devidos. Os tributos com exigibilidade suspensa referemse às seguintes matérias: i) Discussão sobre a exigibilidade de parcelas de contribuição ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço ("FGTS); (ii) Discussão sobre a constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3% pela Lei n.° 9.718/98; e Fl. 846DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 721 49 (iii) Discussão sobre a constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n.° 9.718/98. Em relação à discussão acerca do FGTS, a empresa recolheu as exigências fiscais a título de CSLL, juros de mora e multa de ofício, fato comprovado na própria análise da DRJ. Em relação à discussão sobre a majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%, bem como sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS é importante ressaltar que ambas estavam sendo objeto de depósito judicial. Em virtude dessa especificidade, passo a analisar se as despesas podem ser consideradas como mera provisão e, portanto, passíveis de adição na base de cálculo da CSLL. Provisão x Passivo Genuíno (VENCIDO) Segundo o Pronunciamento CPC nº25, passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Assim, a empresa deverá registrar no passivo toda a obrigação que possuir em decorrência de um evento passado e que poderá provocar um desembolso futuro. A primeira avaliação a ser feita pela entidade acerca de determinado evento é saber se, como sua decorrência, existe, ou não, uma obrigação. Isso porque se a constatação da existência de uma obrigação for apenas possível, a entidade não deve registrála como passivo, mas sim divulgála como contingência passiva. Lado outro, se a identificação da existência de uma obrigação for no mínimo provável, aí sim, ela deverá ser registrada como passivo. A obrigações, conforme dispõe o Pronunciamento CPC nº 25, são oriundas de eventos que façam com que a entidade não tenha nenhuma alternativa realista senão liquidar a obrigação. Caso a obrigação derive de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), legislação ou outra ação da lei, ela será denominada “obrigação legal”. Entretanto, caso constituirá “obrigação não formalizada” a que decorra das ações da entidade em que: a) por via de padrão estabelecido de práticas passadas, de políticas publicadas ou de declaração atual suficientemente específica, a entidade tenha indicado a outras partes que aceitará certas responsabilidades; e (b) em consequência, a entidade cria uma expectativa válida nessas outras partes de que cumprirá com essas responsabilidades. Disso extraímos o primeiro elemento para caracterização de um passivo: tratase de uma obrigação presente da entidade. Ainda, referida obrigação, para ser registrada como passivo, deverá referirse a um evento pretérito, já ocorrido, em razão do qual surgiu a obrigação para a empresa. Não pode ser registrada no passivo a previsão de contração de obrigações por fatos futuros. Isso porque “as demonstrações contábeis apresentam a posição patrimonial e financeira de uma entidade no fim do período (data do balanço) e não de sua possível posição no futuro”, pelo Fl. 847DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 722 50 que “os únicos passivos reconhecidos no balanço de uma entidade são aqueles que existem na data do balanço”4. Daí extraímos o segundo elemento caracterizador do passivo: tratase de uma obrigação decorrente de um evento pretérito. Por fim, o último elemento caracterizador do passivo é a probabilidade de que a obrigação existente leve a um desembolso futuro. De fato, conclui o Pronunciamento CPC nº 25 que “para que um passivo se qualifique para reconhecimento, é necessário haver não somente uma obrigação presente, mas também a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar essa obrigação.” Dessa forma, “quando não for provável que exista uma obrigação presente, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que a possibilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja remota” Acerca do passivo contingente, fazse necessário ressaltar que a entidade não deve reconhecêlo, já que o passivo contingente deve ser divulgado apenas em notas explicativas das demonstrações financeiras. Identificado, assim, o conceito de passivo como uma obrigação presente, decorrente de fato pretérito e que certamente ou provavelmente levará a um desembolso futuro. Esse conceito atende tanto os registros de provisão quanto os registros de obrigação legal, posto que ambas são espécies de passivo. Segundo o art. 180 da lei nº 6.404/76, “as obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta Lei”. Ainda, segundo o art. 184 da lei nº 6.404/76, o registro contábil do passivo deverá levar em consideração os seguintes aspectos, in litteris: Art. 184. No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de acordo com os seguintes critérios: I as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive Imposto sobre a Renda a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço; II as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço; III – as obrigações, os encargos e os riscos classificados no passivo não circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. Disso decorre que o passivo é composto por obrigações presentes da entidade, circulantes ou exigíveis a longo prazo, apropriados por competência na data do fechamento do balanço. No entanto, algumas obrigações, dada a ausência de certeza quanto aos elementos que a compõem, em especial o valor e a data em que irão demandar o esforço financeiro da empresa, não se enquadram perfeitamente no conceito de passivo. 4 COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM. Deliberação nº 489, de 03 de outubro de 2005, que aprova o pronunciamento de Normas e Procedimentos de Contabilidade NPC 22, do IBRACON – Instituto Brasileiro de Auditores Independentes. p. 8 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 723 51 Tratase de obrigações presentes, mas das quais não se sabe, com certeza, qual o valor da obrigação ou, muitas vezes, quando exatamente irá demandar a sua liquidação. Essas situações, dada a identificação da existência de uma obrigação, não podem ser qualificadas como contingências passivas. Isso porque, como dito alhures, a identificação de uma contingência passiva deve ser feita quando não for provável que uma obrigação presente exista na data do balanço. Por outro lado, também não se tratam de obrigações genuinamente formadas, com valores definidos e prazos de liquidação determinados, como as demais obrigações caracterizadoras do passivo. Nesses casos, a obrigação deve ser registrada como provisão. Segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, “provisão é um passivo de prazo e valores incertos”. Ainda sobre as provisões, o CPC esclarece que “as provisões podem ser distintas de outros passivos tais como contas a pagar e passivos derivados de apropriações por competência (accruals) porque há incerteza sobre o prazo ou o valor do desembolso futuro necessário para sua liquidação”5. Nesse sentido, as provisões são obrigações que devem ser registradas no passivo, apesar de não constituírem, genuinamente, obrigações passíveis de exigência em valores e prazos já conhecidos em graus de certeza. Desta forma, as provisões “são reconhecidas como passivo (presumindose que possa ser feita uma estimativa confiável) porque são obrigações presentes e é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja necessária para liquidar a obrigação6”. Por isso, as provisões, assim como as demais obrigações, devem ser registradas como passivo da entidade. Necessário ressaltar que os elementos característicos de um passivo estão presentes tanto nas provisões quanto nas demais obrigações (passivo genuíno). São eles, como visto: (i) obrigações presentes; (ii) relativos a eventos pretéritos; (iii) que demandará um esforço financeiro da entidade. Por consequência, nenhum desses três elementos pode ser tomado como critério de diferenciação entre obrigação legal (passivo genuíno) e provisão. Uma obrigação somente poderá ser descrita como provisão quando se referir a fatos pretéritos e demandar prestações futuras, (i) incertas quanto ao prazo ou (ii) incertas quanto ao montante, mas prováveis dentro de uma análise confiável. Nesse sentido, “o valor reconhecido como provisão deve ser a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço”7, assim entendido como “o valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar a obrigação na data do balanço ou para transferila para terceiros nesse momento. É muitas vezes impossível ou proibitivamente dispendioso liquidar ou transferir a obrigação na data do balanço. Porém, a estimativa do valor que a entidade 5 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 5. 6 Não tratarei da provisão como perda, por não possuir relevância para o presente estudo, restrito às hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. 7 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 11 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 724 52 racionalmente pagaria para liquidar ou transferir a obrigação produz a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço” 8. Nas provisões, não existe certeza quanto ao valor que deverá ser desembolsado no futuro e/ou com relação ao prazo em que referida obrigação deverá ser cumprida, sendo os mesmos estimados dentro de um quadro de probabilidade. De fato, segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis9: Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. O objetivo da provisão, dentro desse conceito, nada mais é do que reduzir o resultado da empresa, como forma de reconhecer a obrigação em obediência ao princípio da prudência, já que a provisão é uma obrigação presente, assim considerada pela alta probabilidade10 de demandar o esforço financeiro da empresa para cumprila. Portanto, verificase que as provisões reportamse sempre a fatos contábeis pretéritos que levarão a um esperado efeito concreto futuro, qual seja, o desembolso, mas que ainda não está perfeitamente identificado quanto aos seus elementos “prazo” e “montante”. Com isso, “à medida que essas perdas de ativos ou obrigações tornamse totalmente definidas, devem deixar de ser consideradas Provisões. Assim, a Provisão para o Imposto de Renda transformase em Imposto a pagar, os Dividendos Propostos passam a ser Dividendos a Pagar etc.”11. Cabe, assim, à empresa, avaliar, dentro dos critérios definidos pelas normas contábeis, se as obrigações devem ser registradas como passivo genuíno ou como provisões. 8 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 12. 9 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 5. 10 Se tal probabilidade não existir, ou seja, existir incerteza quanto à existência da relação obrigacional, estaremos diante de um passivo contingente, entendido como “(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. p. 5. 11 FIPECAFI – Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. IUDÍCIBUS, Sérgio de. et al. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. Atlas, São Paulo, 2008. 7 ed. p. 313. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 725 53 Todavia, a correta identificação da obrigação enquanto provisão ou enquanto passivo genuíno é essencial para os fins fiscais. Isso porque, no que toca apuração da CSLL, a regra aplicável às provisões de tributos é de indedutibilidade, ao passo que, para as obrigações fiscais (passivo genuíno), a regra é a sua dedutibilidade. Analisando as diferenças entre provisões e as obrigações fiscais, verifico que, no caso das obrigações fiscais (passivo genuíno), o dispêndio financeiro para o cumprimento da obrigação fiscal ocorrerá em montante e prazo conhecidos; ao passo que o dispêndio financeiro para o cumprimento da provisão deverá ser incerto quanto ao seu momento ou estimado quanto ao seu valor. Para que se possa, assim, distinguir uma obrigação fiscal de uma provisão fiscal, é necessário que a empresa se valha de estimativas para apurar o grau de certeza dos elementos que compõem a obrigação. Cumpre ressaltar que “O uso de estimativas é parte essencial da preparação das demonstrações contábeis e não prejudica sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso das provisões, que, por sua natureza, são mais incertas do que a maior parte dos outros itens do balanço. De maneira geral, uma entidade é capaz de determinar os possíveis desfechos que envolvem uma obrigação e, dessa forma, fazer uma estimativa que seja suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento de uma provisão” 12. Cabe, todavia, à empresa realizar a análise de referidas probabilidade e mensuração de prazo e de resultados. De fato, “as estimativas de desfecho e os efeitos financeiros são determinados pelo julgamento da administração da entidade, complementados pela experiência de transações semelhantes e, em alguns casos, por relatórios de especialistas independentes. As evidências consideradas devem incluir qualquer evidência adicional fornecida por eventos subsequentes à data do balanço”. Apesar de esse julgamento ser feito pela entidade que registra as provisões, isso não significa que não esteja sujeito à revisão. Daí o importante papel das auditorias independentes, que atestam a regularidade das estimativas e graus de certeza (probabilidade e possibilidade) adotados pela empresa. Do questionamento judicial da Obrigação Fiscal: Passivo Genuíno X Provisão. A obrigação tributária é obrigação legal derivada da legislação que prescreve um fato hipotético que, se ocorrido no plano da realidade, ensejará o nascimento de uma relação jurídicoobrigacional de pagamento de determinada quantia em dinheiro do Sujeito Passivo ao Sujeito Ativo descritos no mandamento da norma. Com a obrigação, “nasce o direito de perceber o valor da prestação tributária no exato momento em que surge o vínculo jurídico obrigacional, equivale dizer, quando se realiza aquele fato hipoteticamente descrito no suposto da regramatriz de incidência”13.Nesse sentido, nascida a obrigação tributária, a mesma deve ser reconhecida como passivo. Por certo que a entidade deve analisar as suas obrigações e, com base nas regras da contabilidade, registrálas como passivo genuíno ou como provisão. No entanto, um passo anterior é o de reconhecer a existência da obrigação em si própria, decidindo se está 12 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 10. 13 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo, Saraiva, 2005. ed. 17. p. 439. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 726 54 diante de um passivo ou de uma contingência passiva. Afinal, é do resultado desses julgamentos que se poderá apurar a situação patrimonial da entidade, seja para os fins de prestação de contas e análise dos acionistas e investidores, seja para os fins fiscais. O posicionamento apresentado pelo IBRACON e pelo FIPECAFI, quanto tratam, no NPC 22, do questionamento judicial de débitos tributários, parte de dois pressupostos jurídicos que não se confirmam: primeiro, o de que haveria uma gradação entre as obrigações, como se uma obrigação decorrente diretamente da lei (como a obrigação fiscal) fosse mais “forte” do que uma obrigação contratual; ou até mesmo de que a interpretação da lei fosse mais incisiva e menos maleável do que a interpretação dos contratos; e segundo, de que todas as hipóteses em que se evidenciar a existência da obrigação (passivo) a mesma deverá ser registrada como obrigação fiscal (passivo genuíno). De fato, o IBRACON e o FIPECAFI entendem que as obrigações fiscais, por decorrem da lei, deveriam ser registradas como “contas a pagar”, e apenas excepcionalmente poderiam ser registradas como provisões ou contingências passivas. Segundo o FIPECAFI, a situação demanda um cuidado especial, respaldando o entendimento do IBRACON de que deve haver uma prudência muito maior do que a normal e em situações raríssimas. Esse posicionamento parte do pressuposto de que a obrigação tributária estaria em um grau superior de proteção jurídica, como se existissem graus de preferência entre obrigações – o que não possui o menor sentido. João Franz de Lima14, ao tratar da teoria geral das obrigações, admite a existência de graus ao classificálas em obrigações civis, obrigações naturais e obrigações morais. Todavia, apenas as duas primeiras podem ser consideradas obrigações jurídicas, sendo que as obrigações naturais referemse aquelas que não podem ser exigidas pelo credor, mas que garantem a irrevogabilidade do pagamento. Como resultado final, apenas as obrigações civis são obrigações jurídicas na teoria geral do direito. Segundo a teoria geral do direito, nas obrigações: “o objeto do direito de crédito é a prestação, isto é, a ação ou omissão da parte vinculada, mas, por abreviação, costumase dizer que a coisa a ser entregue ou o fato a ser prestado constituemno. O conteúdo compreende o poder de exigir, do credor, e a necessidade de satisfazer, do devedor. Positivado que a relação obrigacional compreende dívida e crédito, que mais não são do que aspectos sob que se apresenta, não é correto conceituála unilateralmente, ainda quando se ínsita em designá la como vocábulo obrigação, que é corriqueiro. A definição, para ser completa, deve ressaltar as duas faces, ativa e passiva. Encarada em seu conjunto, a relação obrigacional é um vínculo jurídico entre duas partes, em virtude do qual uma delas fica adstrita a satisfazer uma prestação patrimonial de interesse da outra, que pode exigila, se não for cumprida espontaneamente, mediante agressão ao patrimônio do devedor”15. 14 LIMA, João Franzen. Curso de Direito Civil Brasileiro. Direito das Obrigações. V. II tomo I. Forense, Rio de Janeiro, 1961. 2 ed. p. 26. 15 GOMES, Orlando. Obrigações. Forense, Rio de Janeiro, 1995. 10 ed. p. 10. – sem grifos no original Fl. 852DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 727 55 Do conceito extraído da Teoria Geral do Direito, temos que as obrigações são definidas pela relação jurídica de modal obrigacional, existente entre um sujeito passivo e um sujeito ativo, em que o primeiro deverá entregar ao segundo determinada prestação de cunho patrimonial. Isso não difere nas obrigações contratuais ou legais e, dentre estas, das obrigações fiscais perante outras tantas obrigações de uma empresa. Desta feita, a diferenciação de um grau de importância entre a obrigação fiscal e as demais obrigações, que restringiria aquela em ser eventualmente tratada como provisão, simplesmente não encontra amparo, seja no direito, seja na contabilidade16. No que toca à atividade interpretativa, tratase de instrumento essencial para leitura do direito em qualquer de suas formas. Isso porque, como ensina Paulo Barros Carvalho, em se identificando que o direito se expressa por meio da linguagem, é necessário que o interprete se valha dos meios hermenêuticos disponíveis para extrai a norma a partir dos enunciados que se apresentarem – sejam eles legais ou contratuais. Nesse sentido, identificada a ausência de especialidade da obrigação de natureza tributária, a primeira identificação a ser feita pela entidade é saber se ela está diante de uma provável obrigação. Segundo as lições de direito tributário, a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador, hipoteticamente descrito na norma de tributação. O tributo, tomado como relação jurídica entre contribuinte e Estado, sempre decorre de previsão legal, mediante a constatação, no plano da realidade, de um fato hipoteticamente descrito na lei, que levará ao nascimento do liame obrigacional de cunho tributário. A norma tributária, também chamada por Geraldo Ataliba de regramatriz de incidência17, é composta por uma hipótese de incidência tributária e um mandamento. Ocorrido o fato gerador tributário, desencadeiase, na percepção lógica, não cronológica, a implicação da relação jurídica contida no mandamento tributário, com a instauração da relação jurídica obrigacional de determinado sujeito passivo ao pagamento de quantia certa perante o sujeito ativo descrito na norma mandamental. O que temos, portanto, é uma intrínseca conjugação de elementos, um provocando o outro, em uma correlação direta e recíproca da ordem dos fatos com a ordem normativa. Cumprenos ressaltar que o fenômeno da incidência somente se perfaz mediante a conjugação da subsunção e da implicação18, sendo que o vício de funcionamento de qualquer dos dois elementos impede a formação do vínculo obrigacional. Para que tenhamos o nascimento do crédito tributário, tanto a subsunção quanto a implicação devem estar presentes19. 16 Isso não quer dizer que a obrigação tributária não possua garantias especiais, como as constantes do Código Tributário Nacional, ou que tenham preferência de excussão, como no caso da lei de falências. Todavia, seja na vida normal da empresa, seja sob a ótica do direito, as obrigações decorrentes diretamente da lei e as obrigações decorrentes de contratos não possuem qualquer grau de preferência ou subordinação, umas com as outras. 17 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. Saraiva, São Paulo, 1995. 18 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Saraiva, São Paulo, 2005. 17 ed. 19 Somos adeptos da teoria monista do tributo, por acreditar que a relação jurídicotributária somente existe concretamente quando (i) ocorrido o fato imponível previsto na hipótese, (ii) se instaure a relação jurídicotributária prevista no mandamento. Sobre a diferença entre as teorias monistas e dualistas dos tributos, ver melhor em DERZI, Misabel de Abreu Machado. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007. 2 ed. p. 259 e ss. , Fl. 853DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 728 56 Posta a discussão acerca da existência da obrigação jurídica, entendeo que a existência de um questionamento judicial pendente de solução acerca da existência de uma obrigação tributária é irrelevante para caracterizála como obrigação fiscal (passivo genuíno) ou como provisão. De fato, o questionamento acerca da existência da obrigação não é critério contábil de diferenciação entre passivo genuíno e provisão. Muito ao contrário, a diferença entre eles reside na previsibilidade dos elementos que compõem a respectiva obrigação de forma a que, se forem conhecidos, ou no mínimo prováveis, os valores e datas em que será demandado o esforço financeiro da empresa para arcar com a obrigação, a mesma deverá ser registrada como passivo genuíno; ao passo que, se houver incerteza quanto ao valor ou data de exigência da obrigação, a mesma deverá ser registrada como provisão. Com isso, a obrigação tributária poderá ou não ser registrada como provisão, levandose em conta grau de previsibilidade (i) do valor a ser demandado pelo cumprimento da obrigação e (ii) o tempo em que poderá ser demandado o esforço financeiro da entidade para cumprir com a obrigação. Para se identificar os graus caracterizadores de uma obrigação, e saber se estamos de um passivo genuíno ou de uma provisão, entendemos ser essencial diferençar entre (i) a suspensão de exigibilidade fundada no depósito do montante integral do tributo devido (inciso II do art. 51 do CTN) e (ii) a suspensão de exigibilidade fundada em decisão judicial prescindida de depósito (incisos IV e V do art. 151 do CTN). No caso do depósito do montante integral do tributo devido, o contribuinte realiza o desembolso do valor relativo à sua obrigação e coloca a disponibilidade financeira à conta e ordem do Poder Judiciário. Com bem ressalva Luciano Amaro, “o depósito não é pagamento; é garantia que se dá ao suposto credor da obrigação tributária, num procedimento administrativo ou judicial, no sentido de que, decidido o feito, se o depositante sucumbe, o valor depositado é levantado pelo credor, se extinguido, dessa forma, a obrigação”20. Apesar de o depósito judicial não ser pagamento, tem como efeito reflexo interromper a fluência de correção monetária, dos juros e de eventuais multas incidentes pelo não pagamento da obrigação a tempo e forma previstos na lei. Com isso, o depósito integral do tributo questionado limita o valor do dispêndio a ser incorrido pela empresa para o cumprimento da obrigação tributária. A obrigação tornase definitivamente líquida, sendo certo que não implicará em dispêndios futuros para o seu cumprimento. Demais disso, como ressalta Leandro Paulsen, o depósito judicial torna certa a relação jurídica tributária, dispensando a sua formalização por meio do lançamento. Segundo o autor, in litteris: Em face do depósito ficar vinculado, legalmente, à decisão final, estando, desde o início, vocacionado à conversão em caso de não restar o contribuinte vencedor, só será necessário o lançamento se o Fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Não haverá que se falar em decadência, pois o depósito supre a necessidade do lançamento. De fato, já tendo o contribuinte apurado o montante do tributo devido e o vinculado 20 AMARO, Luciano, Direito Tributário Brasileiro. Saraiva, São Paulo, 2008. 14 ed. p. 382. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 729 57 ao resultado da demanda mediante o depósito, não há que se exigir o lançamento, que nenhuma função teria”21. Esse entendimento é complementado pela fala do Ministro Luiz Fux, para quem o depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo “implica lançamento tácito no montante exato do quantum depositado” (REsp 757.311). Nesse sentido, não há falarse que os valores depositados em juízo devam ser registrados como provisão. Como já dito, provisão é obrigação de provável desembolso futuro, relativo a um fato pretérito, em montante ou prazo incertos. Tendo havido o depósito do montante integral e sofrido o dispêndio no montante necessário ao cumprimento da obrigação por parte do Sujeito Passivo, deve referida prestação ser registrada como obrigação fiscal; e não como provisão. Isso porque, o depósito judicial, apesar de não equivaler ao pagamento, (i) promove a liquidação da obrigação, (ii) a formalização da relação jurídica tributária, tornando a certa, e (iii) com prazo definido para o seu cumprimento. Demais disso, contabilmente, a empresa que realiza um depósito judicial lança no seu ativo, contra a conta “caixa” ou “banco”, a existência de valores depositados em juízo. Registra, ainda, as despesas oriundas do tributo e como contrapartida o passivo genuíno (obrigação fiscal). Nesse sentido, em caso de desprovimento da ação judicial em que foram realizados depósitos judiciais, o resultado ensejará um mero ajuste contábil, com a liquidação da obrigação fiscal (passivo) contra os valores depositados em juízo (ativo), sem demandar qualquer esforço financeiro da empresa. Na verdade, ao realizar o depósito judicial do montante integral do tributo questionado, a entidade reconhece contabilmente (e não juridicamente) a obrigação e todos os seus elementos (valor e data). Não há como se falar, assim, em provisão nesse caso, posto que não existem dúvidas acerca (i) do valor demandado para o cumprimento da obrigação e (ii) a data em que será demandado o esforço financeiro da empresa para liquidar referida obrigação. Muito pelo contrário: tanto esses elementos são conhecidos que a entidade (i) já realizou a individualização dos valores necessários à liquidação da obrigação tributária e (ii) utilizouse de um mecanismo que impede que, no futuro, seja realizada exigência de pagamento da obrigação tributária, demandando novo esforço financeiro da entidade. Das regras de Dedutibilidade Para fins do imposto sobre a renda, segundo o §1º do art. 41 da lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995, os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de ordem judicial, haja ou não depósito, não são dedutíveis na determinação do lucro real. Esse dispositivo dá tratamento indiscriminado para os tributos com exigibilidade suspensa, seja por força do disposto no inciso II, seja por força do disposto nos incisos IV e V do Código Tributário Nacional. Tratandose de elemento formado da renda tributável pelo imposto respectivo, referida restrição legal deve ser observada, tornando irrelevante a caracterização da 21 Paulsen, Leandro. Direito Tributário. Esmafe, Porto Alegre, 2009. p. 1050. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 730 58 obrigação como provisão ou como obrigação fiscal(passivo genuíno). Em ambos os casos, a obrigação, por força do §1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, é indedutível. No que toca à apuração do lucro líquido para fins de incidência da CSLL, temos que o art. 57 remete à legislação do imposto de renda, mas excetua expressamente os elementos de formação da base de incidência do tributo. Vejase o dispositivo legal, in litteris: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Neste sentido, devem ser observadas as normas próprias da CSLL no que toca aos elementos formadores da sua base de cálculo. Em efeitos práticos, grande parte dos elementos formadores da base de cálculo do IRPJ repetese na formação da base de cálculo da CSLL. Todavia, no que toca à restrição de dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, não existe a previsão legal genérica de indedutibilidade, como ocorre no caso do imposto de renda. Necessário, assim, aplicarse as considerações próprias da formação da base de incidência da contribuição em questão. Em se tratando de tributo com exigibilidade suspensa em que houve depósito do montante integral do tributo questionado, afasto o conceito de provisão por entender tratar se de obrigação legal. E, nesse sentido, compartilho do entendimento da Conselheira Karen Jureidini Dias, ao afirmar que “Ao contrário das provisões que têm a dedutibilidade restrita, no caso de obrigação legal, a dedutibilidade é a regra”22. 5. Postergação (VENCEDOR) No que toca ao pedido de redução do auto de infração por postergação, esta Turma Julgadora baixou o feito em diligência. Assim, feitas as análises devidas, adoto, neste particular, o resultado da diligência, que transcrevo: 10.3.2. O procedimento fiscal que resultou na lavratura do Auto de Infração da CSLL não decorrente do IRPJ teve início em 12/04/2007. O referido Auto de Infração foi lavrado em decorrência da empresa fiscalizada cometer a infração de não ter adicionado à base de cálculo da CSLL, valores referentes a tributos com exigibilidade suspensa, relativos aos anos calendário 2002 e 2003; 10.3.3. Cumpre destacar que a jurisprudência é pacífica no sentido de que os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa devem ser computados no momento da apuração da base e cálculo da CSLL. Tais valores constituem meras provisões, que poderão ser revertidas em função do trânsito em julgado de decisão judicial; 22 Declaração de voto no acórdão nº 1401.00.483, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sessão do CARF, processo nº 19740.000.209/200801. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 731 59 10.3.4. A Autuada alega que até a data da impugnação, 09/01/2008, não havia concluído a apuração da CSLL relativa ao AC 2007. Ainda, apresentou: 1) demonstrativo no qual foi apurada base positiva de CSLL no período; 2) cópia do lançamento contábil que indica a reversão da provisão relativa aos valores em discussão no processo judicial; 3) planilha informando os depósitos judiciais realizados nos autos da ação judicial, no montante de R$ 8.850.720,62; 4) planilha de demonstração do resultado relativo ao anocalendário de 2007, na qual consta a inclusão sob a rubrica de "outras receitas operacionais" do valor principal de PIS e COFINS revertidos, R$ 1.142.013,07 e R$ 7.708.707,55 respectivamente, que somam R$ 8.850.720,62; 5) planilha de apuração da base de cálculo da CSLL, partindo do lucro líquido em que os valores de principal revertidos haviam sido considerados como outras receitas, onde comprova a exclusão de R$ 6.807.888,75, que representa a somatória dos juros de mora de R$ 6.513.440,32 e de R$ 294.448,43, e corresponde ao valor adicionado à base de cálculo da CSLL em abril de 2004. Diante de todos esses argumentos, considerou que estava configurada a hipótese de postergação de pagamento de tributo, recolheu, em 08 de janeiro de 2008, DARF com código de receita 2973, nos montantes (principal + multa + juros) de R$ 115.665,73, R$ 533.841,77, R$ 78.938,10 e R$ 177.452,38, e requereu a extinção dessa parcela do crédito tributário lançado; 10.3.5. Em relação ao tema, é elucidativo o Parecer Normativo Cosit nº 02/96, no qual é disposto que “só se considera postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior”. Percebese, pois, que são dois os requisitos para se cogitar de eventual postergação de pagamento: a) efetivo pagamento; b) espontaneidade do pagamento; 10.3.6. No caso concreto, a ciência ao contribuinte da lavratura do auto de infração se deu em 10/12/2007, quando ainda não se tinha encerrado o período de apuração da CSLL, o que só ocorreu em 31/12/2007. Ademais, cabe ressaltar que o procedimento fiscal foi iniciado em 12/04/2007 e a reversão das respectivas despesas antecipadas só teria se dado em junho de 2007, após o trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte. Assim sendo, não há que se falar em espontaneidade e, conseqüentemente, em postergação do pagamento da CSLL. Com efeito, não se pode dar tratamento de postergação ao pagamento de tributo feito em período posterior ao devido quando o contribuinte estiver sob ação fiscal, uma vez que, nos termos do artigo 138, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tal circunstância acarreta a perda de espontaneidade; 10.3.7. A própria Autuada reconhece que não havia oferecido o montante em questão à tributação até o momento da lavratura do Auto de Infração, fl. 558. Ainda, o lançamento contábil da reversão da provisão, fl. 583, ocorreu em junho de 2007, quando a mesma já estava sob procedimento fiscal; Fl. 857DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 732 60 10.3.8. Dessa forma, nesse caso das despesas pertinentes à ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos anos calendário de 2002 e 2003, não resta caracterizada a hipótese de postergação de pagamento; 10.3.9. As despesas não incluídas na base de cálculo da CSLL, de R$ 1.139.619,62 e de R$ 5.259.782,89, referentes ao ano calendário 2002, e de R$ 953.485,26 e de R$ 2.143.429,53, referentes ao anocalendário 2003, resultaram em CSLL a pagar de R$ 102.565,77 e de R$ 473.380,46, referentes ao ano calendário 2002, e de R$ 85.813,67 e de R$ 192.908,68, referentes ao anocalendário 2003; 10.3.10. O débito de R$ 85.813,67 (PIS AC 2003), referente à ação judicial 2003.33.000025316, foi quitado por meio de dois DARF: o primeiro, recolhido em 08/01/2008, no valor total de R$ 78.938,10 (sendo R$ 40.416,82 de principal), e o segundo, recolhido em 19/12/2008, no valor total de R$ 85.813,67 (sendo R$ 45.396,85 de principal), conforme fls. 556 a 559 do processo; 10.3.11. Pelo exposto, em especial no item 10.3.8, concluo que são devidas as exigências da CSLL nos valores de R$ 48.959,74 e R$ 225.968,04, para o anocalendário 2002 e, no valor de R$ 102.051,88, para o anocalendário 2003. A esses valores de principal, devem ser acrescentados multa de mora de 75 % e juros SELIC; 10.3.12. Do débito de R$ 102.565,77 (PIS AC 2002), deve ser abatido recolhimento por DARF, código de receita 2973, realizado em 08/01/2008, no valor de R$ 115.665,73 (sendo R$ 53.606,03 de principal); do débito de R$ 473.380,46 (COFINS AC 2002), deve ser abatido recolhimento por DARF, código de receita 2973, realizado em 08/01/2008, no valor de R$ 533.841,77 (sendo R$ 247.412,41 de principal); e do débito de R$ 192.908,68 (COFINS AC 2003), deve ser abatido recolhimento por DARF, código de receita 2973, realizado em 08/01/2008, no valor de R$ 177.452,38 (sendo R$ 90.856,78 de principal); No que toca à espontaneidade, cumpre ressaltar posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a mesma se encerra a partir de qualquer procedimento de fiscalização. Vejase: DENUNCIA ESPONTÂNEA ART. 138 CTN PROCEDIMENTO EXCLUDENTE DA ESPONTANEIDADE – Dispõe o § único, do art. 138, do C.T.N., que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O início do Despacho Aduaneiro de Importação (Registro da D.I.), em que pese o disposto no art. 7°, inciso III e § 1°, do Decreto n° 70.235/72, não se enquadra em tal dispositivo do C.T.N., pois que não se trata de procedimento ou medida fiscal relacionados com a infração. Reconhecida a espontaneidade dadenúncia praticada pela Contribuinte, para fins de exclusão de penalidades (multas de mora e/ou de ofício), em obediência ao citado art. 138, "caput". Recurso negado. (acórdão 40303941) Fl. 858DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 733 61 Nesse sentido, voto por dar parcial provimento para reconhecer a postergação, nos termos da diligência. 6. Multa isolada em concomitância com Multa de Ofício (VENCEDOR) DAR PROVIMENTO A exigência da multa isolada decorre da obrigação legal imposta às pessoas jurídicas optantes pelo lucro real anual, que, ao realizarem essa opção, assumem o compromisso de antecipar, mensalmente, o IRPJ e a CSLL calculados pela forma estimada, nos moldes estabelecidos pelo art. 2º da Lei nº 9.430/96. Embora os fatos geradores do IRPJ e da CSLL somente ocorram no dia 31 de dezembro de cada ano, momento em que será apurada a efetiva base de cálculo desses tributos e a compensação dos valores pagos antecipadamente, ao instituir para os contribuintes a obrigação de realizar as antecipações mensais das estimativas do IRPJ e da CSLL, pretendeu o legislador antecipar os valores que provavelmente seriam devidos ao final do anocalendário, adiantando a sua arrecadação e evitando o acúmulo para os contribuintes no final do ano. Caso o contribuinte deixe de antecipar mensalmente as estimativas, suportará a multa isolada lançada de ofício pela falta de pagamento mensal dos tributos devidos, nos termos do art. 44, §1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Contudo, encerrado o anocalendário objeto das antecipações, entendo que a base imponível para fins de aplicação da multa é aquela que suportará o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário. Via de conseqüência, somente é possível a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Isso porque, como o lançamento em análise (relativo às estimativas de 2002) somente foi realizado em 2006, penso que, ainda que a contribuinte não tenha supostamente efetuado as antecipações de modo satisfatório, fato é que a exigência da multa isolada foi formalizada quando já conhecida a respectiva base de cálculo e a contribuição devida naquele anocalendário. Assim, seria cabível apenas a aplicação da multa de ofício, haja vista que não é possível coexistir, no mesmo momento (ato de lançamento), duas exações para uma mesma base de cálculo, que representaria imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Desse modo, entendo pela impossibilidade de prosperar o lançamento da multa isolada por insuficiência no recolhimento de antecipações de IRPJ (prevista no artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96) concomitantemente ao lançamento de multa de oficio (prevista no artigo 44, §1º, inciso I da Lei n° 9.430/96). Esse também é o entendimento que prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, que não admite a aplicação simultânea da multa isolada por insuficiência no recolhimento das estimativas com a multa de ofício pelo descumprimento do dever de pagar o tributo em definitivo, conforme se depreende dos acórdãos abaixo: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na Fl. 859DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 734 62 estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. (Acórdão nº 9101 00.281 em 24/08/2009). Assunto: MULTA ISOLADA Exercício: 2001, 2002, 2003 e 2004 CSLL. MULTA ISOLADA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da ao repetição da sanção tributária. CSLL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio. RETROATIVIDADE BENIGNA. O CTN consagra o princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades art. 106, inciso II, "a", do CTN. Recurso Especial da Contribuinte Provido. (Acórdão nº 910100.526 em 26/01/2010). RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº 910100.500 de 25/01/2010). A interessante fundamentação dos Conselheiros é no sentido de que, em virtude dos princípios da consunção da condutameio pela condutafim e da não repetição da sanção tributária, não deve prosperar a exigência, pois, “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada” (Acórdão nº 910100.526 em 26/01/2010). Diante do exposto, voto pelo cancelamento da multa da multa isolada. 7. MULTA ISOLADA SOBRE CSLL. (VENCEDOR) Tenho entendimento de que as estimativas da CSLL devidas na apuração do lucro real anual são antecipações do tributo que será devido quando do encerramento do ano calendário, razão pela qual, finalizado o exercício financeiro, a obrigação tributária passa a ser regida pelo ajuste anual dele decorrente. É com base nesta lógica que este Conselho, em sucessivas decisões, cancela a aplicação da multa isolada (i) quando se apura prejuízo no Fl. 860DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 735 63 exercício (acórdão 10322182) ou (ii) quando ocorre a formação de saldo negativo (acórdãos 10515806, 10708110)”. Da mesma forma, entendo que, como a obrigação de recolhimento da estimativa se encerra ao final do ano calendário, impossível a exigência de uma penalidade pelo descumprimento de uma obrigação que não mais sobrevive no ornamento jurídico. Diante do exposto, voto pelo cancelamento da multa da multa isolada pela ausência de recolhimento das estimativas de CSLL. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 861DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 736 64 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Delimitação do presente voto O ilustre Conselheiro Relator apresentou respeitável voto, onde deu provimento em relação à glosa de despesas financeiras, subvenção de investimentos e dedução de depósitos judiciais da base da CSLL. Após prolongados debates, foram colhidos os votos dos demais conselheiros integrantes desse colegiado, tendo o ilustre Relator restado vencido, pelo voto de qualidade, em relação a estas três matérias. Fui designado pelo conselheiro Presidente para redigir o voto vencedor, exclusivamente em relação a estes três temas. É o que passo a fazer, com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator. Mérito Glosa de despesas financeiras Conforme relatado, temos que o item 1 do Auto de Infração do IRPJ trata da glosa de parcela dos encargos financeiros (juros e atualização monetária) apropriados como despesa operacional, nos anoscalendário de 2003 a 2005. Tais encargos incidiram sobre recursos fornecidos por sua controladora, Monsanto do Brasil Ltda. (MOBRAS), a título de adiantamentos para compras futuras de produtos. Quando os produtos fabricados pela Autuada eram vendidos para a MOBRAS era feito um ajuste de contas entre os créditos da Autuada junto a MOBRAS, referentes ao valor dessa vendas, e suas dívidas para com a mesma empresa, decorrentes dos adiantamentos recebidos e dos encargos adicionados mensalmente. A autoridade fiscal, contudo, considerou parte desses encargos financeiros como despesa desnecessária à atividade da Autuada, posto que o aludido "encontro de contas mensal" que deveria ser realizado entre as dívidas de cada empresa para com sua coligada não aproveitava a totalidade dos créditos da Autuada junto à MOBRAS. Desta forma, ocorria um aumento da base de cálculo dos encargos calculados a cada mês e, conseqüentemente, o montante apropriado como despesa operacional. Em sua defesa, a contribuinte declarou que os adiantamentos para compras futuras, recebidos da MOBRAS, foram necessários para financiar a implantação da unidade fabril de Camaçari. Afirmou que essa forma de captação de recursos era mais fácil e eficiente do que recorrer a instituições financeiras, uma vez que a dívida poderia ser paga mediante o fornecimento de produtos para a MOBRAS. Sustentou a inocorrência de favorecimento, pois os adiantamentos foram remunerados com juros equivalentes ao IGPM acrescidos de 12% ao ano, taxa comum de mercado. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 737 65 Pelas razões expostas, considerou a contribuinte, ora recorrente, que as despesas com juros preencheriam os requisitos para sua dedutibilidade, seja por sua necessidade, seja por sua usualidade e normalidade. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 458459: [...] a Impugnante admite parcial razão ao Fisco, no que tange à compensação dos saldos devedor e credor das contas a receber e a pagar. Diz que, no final do mês, compensava o total das faturas "já vencidas" no encerramento do mês (as vendas à MOBRAS não eram feitas à vista, mas com um prazo médio para pagamento de 15 dias). Por isso, nem todo o saldo devedor de contas a receber era compensado com o saldo de contas a pagar, pois o saldo devedor referente às faturas ainda não vencidas não era compensado, como determina o próprio Código Civil, sendo mantido no ativo para compensação no mês seguinte. Contudo prossegue a Impugnante , revendo seu procedimento, constatou que, em alguns meses, por equívoco, deixou de compensar algumas faturas vencidas. Assim, com relação à parcela do saldo do ativo composta por notas fiscais já vencidas, mas não compensadas, reconhece seu equívoco, tendo elaborado quadros resumos mensais dos valores vencidos e vincendos (fls. 21 e 22 do anexo IX), apurado as exigências fiscais respectivas (fl. 23 do anexo IX) e realizado o recolhimento do IRPJ e da CSLL, acrescidos de juros de mora e multa de 75% (reduzida de 50%, conforme legislação), conforme DARF de fls. 03 a 08 do anexo VIII. Já quanto à parcela do saldo do ativo composta por notas fiscais de vendas ainda não vencidas, requer o reconhecimento de seu regular procedimento. Antes de tudo, cumpre salientar que dentre os dispositivos legais que dão sustentação ao lançamento fiscal glosa de despesas em face de sua desnecessidade o principal deles é artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR11999), abaixo transcrito, que estabelece determinados requisitos a serem atendidos pela pessoa jurídica, para que seus gastos possam ser deduzidos como despesas operacionais, e cuja base legal é o artigo 47 da Lei n° 4.506, de 1964: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. (Lei n°4.506, de 1964, art. 47) § 1°. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1°) (grifei) § 2°. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°) Destaquese que as despesas financeiras glosadas foram consideradas desnecessárias, não por decorrerem de financiamento obtido junto a sua controladora, fato este aparentemente normal, desde que haja remuneração a taxas de Fl. 863DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 738 66 mercado, mas por não atender aos requisitos fixados pela legislação de regência. [...] Portanto, são necessárias as despesas pagas ou incorridas e usuais ou normais para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Nesse sentido, a despesa é necessária justamente na medida em que, em função da atividade e da manutenção da respectiva fonte produtora, dela a empresa não pode prescindir. Logo, se a empresa opta por obter recursos financeiros de empresa ligada (empréstimos sob a forma de adiantamentos para compras futuras obtidos de sua controladora), remunerandoa mensalmente com juros e variação monetária, ao mesmo tempo em que era credor dessa mesma empresa e não deduzia integralmente esses créditos da base de cálculo sobre a qual incidiam os referidos encargos financeiros, evidente está que favorecia sua controladora enquanto onerava seu próprio resultado, configurando a desnecessidade da parcela de tais encargos proporcional aos créditos existentes e não aproveitados por ocasião de cada encontro de contas mensal. De fato, no caso sob análise é patente que a pessoa jurídica autuada remunerou pessoa jurídica ligada (sua controladora) pelos recursos que esta lhe forneceu, ao mesmo tempo em que possua créditos perante tal pessoa. Tal procedimento claramente demonstra liberalidade por parte da contribuinte, deixa de realizar seu objetivo social, para realizar o da outra pessoa jurídica (sua controladora). Assim sendo, é forçoso considerar esta parcela das despesas incorridas como desvinculada da atividade operacional da empresa. Tal fato demonstra a desnecessidade das aludidas despesas e justifica a sua glosa, conforme procedido pela autoridade fiscal. Resta, contudo, a alegação residual da recorrente no sentido de que ao proceder ao encontro de contas mensal (entre as contas que registravam os valores a pagar e a receber da MOBRAS), ela desconsiderava as notas fiscais de vendas cujo prazo de pagamento ainda não se encontrava vencido. Também em relação a este tema, não deve prosperar a alegação da recorrente. Sobre o tema, também adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes da decisão de piso, fls. 460, verbis: [...] A própria Contribuinte reconheceu que a decisão de tomar recursos financeiros junto à MOBRAS, e não de qualquer instituição financeira, deveuse ao fato de que, nesse caso, o pagamento dos empréstimos (adiantamentos) seria feito em produtos de sua industrialização, uma vez que se revestia da condição de fornecedora de sua controladora, enquanto que a outra opção (captação no mercado) implicaria devolução também em moeda. Assim, tal situação já estava perfeitamente assentada entre as partes antes mesmo do início das transferências dos recursos, ou seja, não haveria pagamento, da Autuada para a MOBRAS, em espécie, cheques ou crédito bancário, mas apenas em produtos Fl. 864DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 739 67 que, para a MOBRAS, constituíamse em insumos na produção de herbicidas. É de praxe e bastante razoável, mesmo no caso de algumas vendas de mercadorias consideradas à vista, o vendedor oferecer ao comprador um pequeno prazo para a quitação da dívida, prazo esse geralmente assinalado na própria nota fiscal/fatura. Entretanto, na hipótese ora apreciada, qual seja a de operações comerciais que não resultariam na transferência de recursos do comprador para o vendedor, não há que se falar em concessão de prazo para pagamento, até porque o pagamento já havia sido feito antecipadamente quando dos suprimentos realizados pela MOBRAS. Logo, no caso concreto, temos que, ao final de cada mês, por ocasião do ajuste de contas ativa e passiva, todo o "saldo a receber" constante no ativo da Autuada, relativo às operações de venda para a MOBRAS, correspondentes às notas fiscais regularmente emitidas no período, estava apto a ser cotejado com o "saldo a pagar" existente no passivo, descabendo a separação das faturas tidas como ainda não vencidas. Na prática, efetuada a venda, a dívida passava a existir, sendo considerada líquida e certa, bastando efetivar o encontro de contas ao final de cada mês, para efeito de apropriação dos encargos financeiros pactuados. Diante do exposto, considero procedente a autuação referente às despesas financeiras glosadas e questionadas pela contribuinte. Devese, outrossim, prosseguir na cobrança das parcelas não impugnadas, considertandose os eventuais recolhimentos já realizados a este título, conforme DARFs constantes às fls. 03 a 08 do anexo VIII. Assim sendo, em relação ao presente tema, nego provimento ao recurso voluntário. Subvenção para investimentos X Subvenção para custeio No que tange a esta parcela do lançamento, o cerne do litígio consiste em identificar a natureza das subvenções recebidas pela contribuinte. Caso tais subvenções pudessem ser enquadradas como subvenção para investimento, não caberia tributação de IRPJ e CSLL. Por sua vez, caso se entendesse que ocorreu uma redução de custo, não haveria que se falar ingresso de receitas e por consequência em incidência de PIS e Cofins. Por outro lado, se os ingressos em análise foram compreendidos como (i) subvenções correntes para custeio ou operação ou (ii) receitas de natureza operacional, o desdobramento para ambos os casos será o mesmo, ensejando a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. No entender da contribuinte, por se tratar de incentivo concedido por agente estatal, vinculado à expansão do empreendimento, os valores em questão deveriam ser contabilizados em conta de patrimônio líquido, nas reservas de capital, conforme disposto no art. 443 do RIR/99. Não assiste razão à contribuinte, ora Recorrente. Analisando o teor do contrato de empréstimo entre a contribuinte e o agente financeiro do Programa DESENVOLVE, é forçoso concluir que, na realidade, a destinação do incentivo fiscal é o reforço do capital de giro da empresa e não a realização dos investimentos. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 740 68 No caso em apreço, o beneficio do desconto sobre o saldo devedor do ICMS, não possui as características necessárias para que seja considerada subvenção para investimento não computada na determinação do lucro real, por lhe faltar a vinculação e estrita correspondência entre os benefícios financeiros auferidos pelo contribuinte e o destino desses recursos à realização do investimento, mormente na aquisição dos ativos necessários a expansão do empreendimento econômico. Afigurase correto, portanto, o procedimento da Fiscalização, de acrescentar os valores dos benefícios obtidos junto ao Programa DESENVOLVE ao resultado apurado pela contribuinte no LALUR. Para dirimir qualquer dúvida eventualmente remanescente sobre o tema, considero oportuno considerar o que dispõe o PN CST nº 112, de 1978, ao discorrer sobre as subvenções para investimento: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 [...] No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 [...], sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. A simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Analisando o caso concreto, constatase que os recursos oriundos da liquidação antecipada, ainda que estejam com sua utilização submetida a um encargo, não atendem aos requisitos necessários para serem considerados como subvenções para investimento. Merece destaque o item 2.12 do Parecer Normativo CST nº 112/1978, ao dispor sobre a necessidade de que na subvenção para investimento ocorra uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e que reste demonstrada a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, Fl. 866DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 741 69 nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Ao contrário do que considerou o ilustrre Conselheiro Relator, não basta que a lei estadual ou os correspondentes atos regulamentares demonstrem a intenção de subvencionar do Estado. Mera menção nos atos normativos estaduais de que o desconto do saldo devedor estaria vinculado ao investimento no setor industrial sob forma de expansão ou implantação de novo empreendimento, por si só, não caracteriza a subvenção para investimento. Busca o impugnante situação bastante cômoda, ao entender que poderia dispor do prazo de vinte anos para prestar satisfações sobre a destinação dos recursos obtidos pela liquidação antecipada do financiamento. Em nenhum momento restou demonstrado nos autos a efetiva aplicação dos recursos para atender às condições estabelecidas em lei. O acórdão recorrido traz algumas considerações muito relevantes sobre o tema, as quais considero oportuno adotar e transcrever, verbis (fls. 466468): Feita a análise da legislação tributária que trata da questão litigada, cabível a precisa identificação dos fatos que ensejaram a subsunção constante do lançamento impugnado. Nesse sentido, é fundamental colher elementos que permitam concluir qual a natureza das subvenções outorgadas ao impugnante, para, posteriormente, verificar o preenchimento dos requisitos legais que permitam a isenção, caso as subvenções sejam da modalidade para investimento. Na legislação aplicável ao Programa DESENVOLVE não há qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o beneficio fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. É o que se conclui a partir da leitura dos artigos 2° e 3° da Lei n° 7.980, de 2001, às fls. 148 a 151 do anexo VIII: Art. 2°. Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: I dilação do prazo de pagamento de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; II diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Art. 3° Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 742 70 § 1° Para os efeitos deste Programa, considerase: 1 nova indústria, a que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II expansão industrial, o aumento resultante de investimentos permanentes de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; III reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica dos quais resultem aumento significativo da competitividade do produto final e melhoria da relação insumo/produto ou menor impacto ambiental. § 2°. Considerase, também, expansão o aumento da transformação industrial que objetive ganhos de escala ou de competitividade, ou a conquista de novos mercados ou que implique em aumento real no valor da produção total do empreendimento. Observese que a leitura do artigo 3° da Lei n° 7.980, de 2001, deixa claro que o incentivo em apreço foge ao conceito de subvenção para investimento, ao colocar como uma das suas finalidades a redução de custos de produtos ou processo já existentes, admitindo, portanto, a fruição do benefício por empresa que já esteja devidamente instalada e em funcionamento, com o objetivo de reduzir os seus custos de produção, assumindo, claramente, a característica de subvenção para custeio. A respeito desse ponto, a Impugnante alega, simplesmente, que a interpretação dada pelo Autuante à expressão "redução de custos" está "fora do contexto", já que ela não seria uma das finalidades do Programa DESENVOLVE. Ora, o artigo 3° acima transcrito é bastante claro e taxativo, ao relacionar a "redução de custos" entre as finalidades do DESENVOLVE. Logo, a alegação da Requerente é vazia e inócua. O Regulamento do Programa Desenvolve, aprovado pelo Decreto n° 8.205, de 2002, 153 a 162 do anexo VIII, também não impõe a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação ou expansão da indústria, sendo que no seu artigo 1°, inciso VI, arrola, como uma de suas diretrizes — corroborando o artigo 3° da Lei n° 7.980, de 2001 — a "redução de custos de produtos ou processos já existentes". Nessa mesma linha, é a Resolução n° 03, de 19 de abril de 2002, do Conselho Deliberativo do Desenvolve, à fl. 146, que habilitou a Autuada aos beneficios do programa. Esse fato retira dos valores em foco, para os efeitos da legislação do Imposto de Renda, a característica de subvenção para investimento, o que Fl. 868DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 743 71 os faz tributáveis a teor do disposto no artigo 392 do RIR, de 1999. Ressaltese que entendimento idêntico ao exposto neste voto já foi manifestado pela Superintendência Regional da Receita Federal da 5 a Região Fiscal, na Solução de Consulta SRRF/5aRF/DISIT n° 2/2004, em resposta à consulta protocolizada sob o n° 13501.000228/200351, na qual a consulente informa ser beneficiária do incentivo fiscal concedido pelo DESENVOLVE e indaga se é correto o seu entendimento de que esse incentivo se caracteriza como subvenção para investimento, nos moldes do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda e do Parecer Normativo CST n° 112, de 29 de dezembro de 1978, e, desde que seja contabilizado como reserva de capital, não deve integrar o cálculo do lucro real. A propósito, a conclusão da referida Solução de Consulta é a seguinte: O beneficio fiscal de redução do ICMS previsto pela Lei n° 7.980, de 2001, do Estado da Bahia, não se enquadra como subvenção para investimento, devendo ser computado na determinação do lucro real. Também não deve prosperar o argumento da recorrente no sentido de que o PN CST n° 112, de 1978 teria excedido à lei. Analisandose o inteiro teor do aludido Parecer Normativo, em contraste com as normais legais que o embasam (com destaque para o Decreto lei nº 1.598/77), não vislumbro nenhuma incompatibilidade entre as regras do aludido Parecer e as normas legais que lhe são superiores. No tocanter aos precedentes administrativos referidos pela recorrente, vale dizer que os mesmos não possuem efeito vinculante e não constituem normas complementares da legislação tributária, por ausência de lei que lhes atribua eficácia normativa (conforme art. 100, II do CTN). Diante do exposto, considero que a subvenção concedida à recorrente pelo Governo do Estado da Bahia, devidamente analisada à luz da legislação tributária vigente, não ostenta a natureza de subvenção para investimento, mas sim de subvenção para custeio. Assim sendo, voto por negar provimento à presente parcela do recurso voluntário. Dedução de depósitos judiciais da base da CSLL No que tange ao Auto de Infração da CSLL (não decorrente do IRPJ), no item 1, foram adicionados à base de cálculo da CSLL relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003 os valores, deduzidos como despesas, das provisões de tributos com exigibilidade suspensa, em função de discussão judicial. No entender da autoridade fiscal, ratificado pelo colegiado julgador a quo, tal dedução somente poderá se confirmar com a decisão final da ação judicial. A recorrente alegou que tinha tributos com exigibilidade suspensa relativos ao FGTS, à majoração da alíquota da COFINS e à ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS. Afirmou ter desistido, em agosto de 2004, da parcela da ação judicial que tratava da majoração da alíquota da COFINS, sendo convertido o depósito judicial em renda da Fl. 869DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 744 72 União. Informou que os valores não passaram por conta de resultado, não reduzindo a CSLL do período, pois já haviam sido deduzidos em 2002 e 2003. Quanto à ação que versava sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, houve seu encerramento em junho de 2007, com o trânsito em julgado da decisão proferida pelo TRF, favorável à Impugnante, que reconheceu que as despesas deduzidas em 2002 e 2003 tornaramse indevidas e ofereceu os valores atualizados com juros de mora à tributação da CSLL, conforme memória de cálculo e recolhimentos mensais, documentos de fls. 368 a 388. Assim, não poderia ter sido exigida toda a contribuição postergada, mas somente a diferença entre esse valor e o efetivamente pago. Assim se manifestou o respeitável voto proferido pelo Conselheiro Relator: [...] no que toca à restrição de dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, não existe a previsão legal genérica de indedutibilidade, como ocorre no caso do imposto de renda. Necessário, assim, aplicarse as considerações próprias da formação da base de incidência da contribuição em questão. Em se tratando de tributo com exigibilidade suspensa em que houve depósito do montante integral do tributo questionado, afasto o conceito de provisão por entender tratarse de obrigação legal. E, nesse sentido, compartilho do entendimento da Conselheira Karen Jureidini Dias, ao afirmar que “Ao contrário das provisões que têm a dedutibilidade restrita, no caso de obrigação legal, a dedutibilidade é a regra”. Contudo, este colegiado, pelo voto de qualidade, discordou do entendimento do Relator, por entender que a norma prevista no art. 41 Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 também deve ser aplicaada à CSLL. Para maior clareza, transcrevo o aludido dispositivo legal, verbis: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutiveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1°. O dispositivo neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Uma vez que a lei referese à expressão "na determinação do lucro real", há uma corrente que considera que tal norma não se aplicaria à CSLL. A jurisprudência, contudo, é pacífica no sentido de que tais valores devem também ser adicionados quando da apuração da base de cálculo da CSLL. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 473: O objetivo do aludido dispositivo legal foi deixar patente para os contribuintes que contestam judicialmente a legalidade ou a constitucionalidade de certos tributos ou contribuições que não poderão, ao mesmo tempo, alegar tratarse de despesas incorridas e, portanto, dedutíveis. O registro desses valores na contabilidade representa a existência de meras provisões, visto que poderão ser revertidos, por ocasião da decisão final na esfera judicial, o que não aconteceria no caso de despesas incorridas. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13502.001327/200774 Acórdão n.º 1401001.284 S1C4T1 Fl. 745 73 Logo, em se tratando de provisões indedutíveis, como prevê o artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249, de 1995, deverão ser adicionadas na determinação da base de cálculo da CSLL, conforme estabelecido pelo artigo 2° da Lei n° 7.689, de 1988, e alterações promovidas pelo artigo 2° da Lei n° 8.034, de 1990. Forte nestes argumentos, também em relação a este tema voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento em relação à glosa de despesas financeiras, subvenção de investimentos e dedução de depósitos judiciais da base da CSLL. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 871DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13807.006402/00-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONFIGURADO.
O benefício da dúvida socorre ao direito da contribuinte. As datas da paralisação em razão da greve dos funcionários da Receita Federal prejudicaram de alguma forma o direito de defesa da contribuinte. Da mesma forma, a paralisação, ainda que parcial, cerceia o direito à ampla defesa. Essa amplitude não pode sofrer qualquer restrição, ainda que de forma parcial pelo órgão de recepção do exercício do direito de petição, de defesa e do devido processo legal.
Não houve qualquer manifestação do órgão de protocolo da Receita Federal de São Paulo informando que estava em pleno funcionamento. Houve afirmação que a paralisação não foi total, mas não informou quais setores estavam em pleno funcionamento ou se estavam em funcionamento.
Se o expediente não foi normal, significa dizer que de alguma forma a contribuinte foi prejudicada com o seu prazo de defesa, devendo ser reconhecido como tempestiva a manifestação de conformidade, para que a DRJ analise o mérito alegado na defesa.
Recurso conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 1201-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONFIGURADO. O benefício da dúvida socorre ao direito da contribuinte. As datas da paralisação em razão da greve dos funcionários da Receita Federal prejudicaram de alguma forma o direito de defesa da contribuinte. Da mesma forma, a paralisação, ainda que parcial, cerceia o direito à ampla defesa. Essa amplitude não pode sofrer qualquer restrição, ainda que de forma parcial pelo órgão de recepção do exercício do direito de petição, de defesa e do devido processo legal. Não houve qualquer manifestação do órgão de protocolo da Receita Federal de São Paulo informando que estava em pleno funcionamento. Houve afirmação que a paralisação não foi total, mas não informou quais setores estavam em pleno funcionamento ou se estavam em funcionamento. Se o expediente não foi normal, significa dizer que de alguma forma a contribuinte foi prejudicada com o seu prazo de defesa, devendo ser reconhecido como tempestiva a manifestação de conformidade, para que a DRJ analise o mérito alegado na defesa. Recurso conhecido e provido parcialmente.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONFIGURADO. O benefício da dúvida socorre ao direito da contribuinte. As datas da paralisação em razão da greve dos funcionários da Receita Federal prejudicaram de alguma forma o direito de defesa da contribuinte. Da mesma forma, a paralisação, ainda que parcial, cerceia o direito à ampla defesa. Essa amplitude não pode sofrer qualquer restrição, ainda que de forma parcial pelo órgão de recepção do exercício do direito de petição, de defesa e do devido processo legal. Não houve qualquer manifestação do órgão de protocolo da Receita Federal de São Paulo informando que estava em pleno funcionamento. Houve afirmação que a paralisação não foi total, mas não informou quais setores estavam em pleno funcionamento ou se estavam em funcionamento. Se o expediente não foi normal, significa dizer que de alguma forma a contribuinte foi prejudicada com o seu prazo de defesa, devendo ser reconhecido como tempestiva a manifestação de conformidade, para que a DRJ analise o mérito alegado na defesa. Recurso conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 64 02 /0 0- 49 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de pedido de restituição de IRPJ pago a maior, relativo aos anos de 1998 e 1999, protocolado em 04/07/2000. A contribuinte apresentou também junto à Receita Federal pedidos de compensação do crédito de IRPJ com débitos federais dos anos de 2000, 2001 e 2002. Vejamos os fatos narrados no Relatório da DRJ: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13807.006402/0049 Acórdão n.º 1201001.116 S1C2T1 Fl. 3 3 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade intempestiva, conforme voto abaixo: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13807.006402/0049 Acórdão n.º 1201001.116 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 18/07/2008. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, em 18/08/2008, alegando em síntese que: Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13807.006402/0049 Acórdão n.º 1201001.116 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13807.006402/0049 Acórdão n.º 1201001.116 S1C2T1 Fl. 6 9 Alegou ainda em seu Recurso a questão da decadência, sustentando a aplicação do disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, e o artigo 74, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/96, que trata do prazo de 5 anos para o fisco questionar a compensação, sob pena de homologação tácita, expirando o prazo do fisco em novembro de 2005. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A questão a ser enfrentada nos autos referese apenas a tempestividade ou não da manifestação de inconformidade, sendo que a DRJ entendeu pelo protocolo da defesa fora do prazo, não instaurando, assim, a fase letigiosa, sob o argumento de que a Receita Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Federal local estava trabalhando parcialmente em razão de greve, pública e notória nos autos, sendo amplamente divulgada pela mídia. Como sabido o direito de greve é legítimo, não sendo caso de questionamento nos autos. A questão que se põe e a existência de uma informação da Receita Federal informando que estava trabalhando parcialmente, mas que não tratou de forma objetiva e explicita se o CAC – Centro de Atendimento ao Contribuinte estava funcionando ou não quando do prazo para a interposição da manifestação de inconformidade. Segundo as notícias de jornais, notícias do sitio do Sindicato dos Auditores, a greve se arrastou por mais de 60 dias, exatamente no período em que estava contando o prazo para a apresentação de defesa da contribuinte, encerrando a greve no dia 5 de julho de 2008, quando a contribuinte conseguiu protocolar sua defesa. Contudo, o que me chama atenção é que na minuta de impugnação não há nenhuma preliminar de cerceamento do direito de defesa ou argumentação sobre a tempestividade da petição em razão da greve da Receita Federal. Somente veio a tona o problema da intempestividade da manifestação de inconformidade após a DRF expedir decisão reconhecendo que não houve a instauração da fase litigiosa. Em questionamento feito à ECRER/DIORT, fora informado que não houve paralisação total da Receita Federal, considerando que a alegação da contribuinte não prospera. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13807.006402/0049 Acórdão n.º 1201001.116 S1C2T1 Fl. 7 11 Com todo o respeito ao entendimento da DRJ, mas entendo que o benefício da dúvida socorre ao direito da contribuinte. Isso porque, além de ser perfeitamente coerente e razoável que as datas da paralisação prejudicaram de alguma forma o direito de defesa da contribuinte junto à Receita Federal, da mesma forma, a paralisação, ainda que parcial, cerceia sim esse direito à ampla defesa. Essa amplitude não pode sofrer qualquer restrição, ainda que de forma parcial pelo órgão de recepção do exercício do direito de petição, de defesa e do devido processo legal. Como muito bem trazido pela Recorrente, não houve qualquer manifestação do órgão de protocolo da Receita Federal de São Paulo informando que estava em pleno funcionamento. Houve afirmação que a paralisação não foi total, mas não informou quais setores estavam em pleno funcionamento ou se estavam em funcionamento. Se o expediente não foi normal, significa dizer que de alguma forma a contribuinte foi prejudicada com o seu prazo de defesa, devendo ser reconhecido como tempestiva a manifestação de conformidade, para que a DRJ analise o mérito alegado na defesa. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE PARCIAL provimento, para cancelar a decisão da DRJ, haja vista o reconhecimento do cerceamento do direito de defesa por conta da greve dos auditores, sendo tempestiva a manifestação de inconformidade protocolada em 05/07/2006. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 14090.000149/2006-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. RATEIO PROPORCIONAL. EXCLUSÃO.
A vedação legal constante no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003 ocasiona a exclusão das receitas de exportação daquelas mercadorias nas quais a recorrente figura tão somente como empresa comercial exportadora, concretizando a operação que produz na verdade efeitos de receita de exportação para terceiro.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE A EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
As despesas com fretes das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram créditos, em decorrência da vedação legal constante no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO E COMPENSAÇÃO. CONFUSÃO.
A dedução de crédito presumido prevista no art. 8o da Lei no 10.925/200 não se confunde com o instituto da compensação.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. RECEITAS DE MERCADO INTERNO. VEDAÇÃO.
Não geram créditos as despesas referentes a fretes não vinculados a operações de exportação, em função da vedação estabelecida no § 3o do art. 6o da Lei no 10.833/2003.
CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. ATUALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL.
Em função de vedação legal expressa, presente no art. 13 da Lei no 10.833/2003, não há atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores referentes ao crédito presumido ali disciplinado.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA LEGAL VIGENTE. SÚMULA 2 DO CARF.
Não se conhece de argumento relacionado à inconstitucionalidade de Lei por ausência de atribuição ao CARF, conforme inclusive a Súmula 2 do tribunal: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) pelo voto de qualidade, quanto ao rateio proporcional (referente a créditos de exportação de produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação). Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti; II) por maioria de votos, quanto ao direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; quanto à possibilidade de compensação de créditos presumidos do art. 8o da Lei no 10.925/2004; quanto à possibilidade de tomada de créditos sobre fretes vinculados à aquisição de adubos/cloreto de potássio - mercado interno. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista; e quanto à correção pela taxa Selic, vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Sr. Everdon Schlindwein, CRC no 018557/0-8 T-PR.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. RATEIO PROPORCIONAL. EXCLUSÃO. A vedação legal constante no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003 ocasiona a exclusão das receitas de exportação daquelas mercadorias nas quais a recorrente figura tão somente como empresa comercial exportadora, concretizando a operação que produz na verdade efeitos de “receita de exportação” para terceiro. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. FRETE SOBRE A EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. As despesas com fretes das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram créditos, em decorrência da vedação legal constante no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. DEDUÇÃO E COMPENSAÇÃO. CONFUSÃO. A dedução de crédito presumido prevista no art. 8o da Lei no 10.925/200 não se confunde com o instituto da “compensação”. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. RECEITAS DE MERCADO INTERNO. VEDAÇÃO. Não geram créditos as despesas referentes a fretes não vinculados a operações de exportação, em função da vedação estabelecida no § 3o do art. 6o da Lei no 10.833/2003. CRÉDITO PRESUMIDO À AGROINDÚSTRIA. ATUALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 00 01 49 /2 00 6- 35 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 2 Em função de vedação legal expressa, presente no art. 13 da Lei no 10.833/2003, não há atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores referentes ao crédito presumido ali disciplinado. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA LEGAL VIGENTE. SÚMULA 2 DO CARF. Não se conhece de argumento relacionado à inconstitucionalidade de Lei por ausência de atribuição ao CARF, conforme inclusive a Súmula 2 do tribunal: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) pelo voto de qualidade, quanto ao rateio proporcional (referente a créditos de exportação de produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação). Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti; II) por maioria de votos, quanto ao direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; quanto à possibilidade de compensação de créditos presumidos do art. 8o da Lei no 10.925/2004; quanto à possibilidade de tomada de créditos sobre fretes vinculados à aquisição de adubos/cloreto de potássio mercado interno. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista; e quanto à correção pela taxa Selic, vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Sr. Everdon Schlindwein, CRC no 018557/08 TPR. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Declarações de Compensações vinculadas a Cofins – Não Cumulativa – Exportação, relativas ao 4º trimestre de 2004, com diversos débitos (CSLL e IRPJ); através de formulário do anexo VI da Instrução Normativa RFB nº 563, de 23 de agosto de 2005 no valor total de R$ 3.403.005,65. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 335 3 As compensações declaradas nas DCOMPs de fls. 02, 04 e 06 foram homologadas parcialmente e a de fl. 08 não homologada, tendo em vista o resultado da auditoria que considerou como crédito o valor de R$ 1.044.030.59, conforme despacho decisório. Os fundamentos para o indeferimento parcial dos créditos foram, em resumo, reclassificação de vendas a comercial exportadora, de venda para o mercado externo para venda no mercado interno; ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim especifico de exportação; inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros; vedação quanto ao valor dos créditos presumidos agroindústria e glosas de créditos sobre fretes de adubo. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, após relato dos fatos e discorrer sobre o histórico legal da nãocumulatividade da Cofins, foi alegado que: Houve excesso de formalismo por parte da autoridade fiscal, que considerou como data da compensação aquela da formalização do processo administrativo, sendo que havia inequívoca intenção da contribuinte em efetuar a compensação pelo estorno efetuado na DACON; Não foram observados os princípios estampados no art. 2º da Lei nº 9.784/1999; As mercadorias vendidas à Cargill foram efetivamente exportadas, embora depois de seis meses da venda, e, mesmo assim, se existe alguma penalidade esta deve ser aplicada à comercial exportadora adquirente; Foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio efetuado, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim especifico de exportação; Pode ser mantido o crédito de Cofins sobre a totalidade de fretes suportados pela contribuinte e vinculados às operações de exportação, diretas ou indiretas; Há direito ao crédito presumido calculado sobre o total de aquisições efetuadas de pessoas físicas e jurídicas com suspensão das contribuições, aplicadas na produção das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, e tais créditos podem ser utilizadas para a compensação com outros tributos e contribuições; As Leis 10.637, 10.833 e 10925/2004 não fazem qualquer restrição sobre a realização e manutenção do crédito presumido quando aplicados a mercadorias exportadas, donde se deduz que o aproveitamento por compensação ou ressarcimento não poderá ser objeto de restrições por parte da Receita, conforme consta no artigo 2º do ADI nº 15/2005; A glosa dos créditos das aquisições e das despesas com fretes sobre vendas, referente ao adubo, altera o critério de apuração de créditos adotado pela contribuinte, que é o rateio proporcional, para o método de apropriação direta dos custos; Foram violados, também, os princípios da segurança jurídica, razoabilidade, proporcionalidade, coerência legislativa, estrita legalidade e isonomia; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 4 Os créditos devem ser corrigidos pela Selic. A DRJ em seu acórdão, decidiu por rejeitar a preliminar e no mérito julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade. No que se refere ao tópico Inconstitucionalidade e ilegalidade, diz a Autoridade Fazendária que a atividade do agente do fisco é absolutamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência à lei e às normas infralegais. Dessa forma, o que o auditor fiscal se limitou a fazer foi simplesmente cumprir o determinado pelos dispositivos legais e nos Atos Normativos; ademais disso, não cabe à instância administrativa decidir a respeito de inconstitucionalidade. Relativo às multas e juros de mora sobre os débitos compensados, diz a Autoridade que como pode ser visto nas DCOMPs que compõem o processo, a primeira chancela de protocolo ocorreu em 30 de novembro de 2005; independentemente da alegação de estorno do crédito nas DACONs, a IN SRF n. 460/2004 e posteriormente a IN RFB n. 900/2008 dispõem que os débitos sofrerão a incidência dos acréscimos legais até a data da entrega na Declaração de Compensação. No que se refere ao mérito, glosas de créditos, a DRJ aduz que, conforme dito no despacho decisório, estas ocorreram em face de: a) Não comprovação de que as mercadorias vendidas a comercial exportadora tenham sido exportadas dentro do prazo estipulado pela legislação; b) Alteração do critério de rateio, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim especifico de exportação; c) Inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros; d) Vedação quanto ao valor dos créditos presumidos agroindústria; e) Créditos indevidos decorrentes de frete de adubo. Com referência à letra “a”, na realidade, houve a comprovação de que as mercadorias vendidas à Cargill foram exportadas (itens 14 a 20 do Despacho Decisório fls. 141 e 142), entretanto depois de decorrido o prazo de cento e oitenta dias estabelecido pela legislação para que isso ocorra. O fato de a Cargill ter respondido à intimação informando que as aquisições haviam sido feitas “sem” o fim específico de exportação e, ainda, que a exportação ocorreu depois de decorrido o prazo previsto no art. 9o da Lei n. 10.833/2003, não podem obstar o reconhecimento de que as receitas relativas às vendas à Cargill sejam consideradas como de exportação, mesmo que indireta, para os fins de determinação dos percentuais entre vendas no mercado interno e externo. Fazse necessário, portanto, um novo cálculo de rateio e de glosas, conforme determinado no item 6 deste voto. No que se refere à letra “b”, ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, a contribuinte argumentou que o auditorfiscal alterou o critério de rateio adotado pela contribuinte, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, gerando glosa indevida. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 336 5 Não havia como se apurar o valor dessas saídas mês a mês. Tendo em vista essa situação, o auditor procedeu da forma mais favorável à contribuinte, distribuindo o valor das exportações das mercadorias recebidas com esse fim especifico proporcionalmente ao das receitas de exportação em cada mês. A obrigação de demonstrar as saídas ocorridas mês a mês relativamente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação é da contribuinte. Em não o fazendo, esta sujeitase a glosa total dos valores não comprovados. Relativamente à letra “c”, inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros, a contribuinte aduziu que pode ser mantido o crédito de Cofins sobre a totalidade de fretes suportados pela contribuinte e vinculados às operações de exportação, diretas ou indiretas. Decidiu a DRJ que as despesas de fretes sobre vendas só geram crédito conforme o art. 3o da Lei n. 10.833/2003 no caso previsto nos seus incisos I e II, não incluída aí a exportação de mercadorias adquiridas com essa finalidade específica, cujo alienante é quem tem o direito a fruir o crédito nos termos do art. 6o da Lei n. 10.833/2003. Com relação à letra “d”, vedação de ressarcimento dos créditos presumidos agroindústria, aduziu a contribuinte que “as Leis 10.637, 10.833 e 10.925/2004 não fazem qualquer restrição sobre a realização e manutenção do crédito presumido quando aplicados a mercadorias exportadas, donde se deduz que o aproveitamento por compensação ou ressarcimento não poderá ser objeto de restrições por parte da Receita, conforme consta no artigo 2o do ADI no 15/2005”. O ressarcimento de créditos pleiteado pela contribuinte neste processo diz respeito ao quarto trimestre de 2004. Está correto o entendimento de que o crédito presumido não pode ser utilizado para fins de compensação e ressarcimento, segundo a DRJ. Por fim, no que tange à letra “e”, como inclusive admitiu a contribuinte, o adubo é destinado à Divisão Agro do Grupo Maggi, cujas operações são realizadas exclusivamente no mercado interno. A glosa das despesas, na realidade, em nada altera o critério de apuração de créditos adotado pela contribuinte, que é o rateio proporcional, para o método de apropriação direta dos custos. A proporcionalidade é obtida pela relação entre as receitas no mercado interno e as de exportação. Relativamente à valoração dos créditos, a DRJ diz que a administração pública está vinculada às normas expedidas pelas autoridades superiores, portanto, conforme consta na IN SRF 660/2006 e IN SRF 900/2008, não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos. Quanto ao recálculo do crédito Cofins passível de compensação, a glosa que foi de R$ 135.718,38 no despacho decisório no 693, com o recálculo, baixou para R$ 102.455,16 restando assim um crédito para o contribuinte no valor de R$ 33.263,22. VALOR QUE DEVERIA SER RECONHECIDO OUT/2004 = 224.599,01 VALOR JÁ RECONHECIDO DESPACHO ANTERIOR = 191.335,79 VALOR RECONHECIDO DESTA DECISÃO = 33.263,22 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 6 A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que reitera os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A matéria controvertida está bem delineada nos presentes autos, restringindo se a: a) alteração do critério de rateio, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; b) inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros; c) vedação quanto ao valor dos créditos presumidos da agroindústria; e d) créditos indevidos decorrentes de frete de adubo. Saídas de Mercadorias com fim específico de exportação (exportação de terceiros) Critério de Rateio De acordo com o Despacho Decisório, às fls. 220/221, o procedimento adotado pela Autoridade Fazendária para evitar “supostas” distorções, distribuiu as mercadorias proporcionalmente às receitas de exportação de cada mês, uma vez que, segundo seu entendimento, haveria um volume muito maior de compra com fim específico de exportação em comparação à própria exportação realizada: 26. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte, a Fiscalização identificou um grande volume de compras com fim específico de exportação, porém não havia vendas em volume compatível no CFOP 7501 exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação exportação de terceiros. De acordo com o que já foi exposto, nestas operações o interessado agiu como empresa comercial exportadora e portanto está impedido de calcular créditos da Cofins. 27. Foi solicitado então ao contribuinte que apresentasse as informações referentes às exportações de mercadorias recebidas de terceiros com fim específico de exportação. Em resposta apresentou demonstrativos individualizados por produto: soja em grãos, milho em grãos, farelo hipro, farelo peletizado e óleo de soja degomado e um demonstrativo consolidado, 11.96. 28. De posse dos quantitativos destas exportações, que totalizaram R$ 458.409.437,05 (quatrocentos e cinqüenta e oito milhões, quatrocentos e nove mil, quatrocentos e trinta e sete reais e cinco centavos) no ano 2004, foi efetuado o recálculo da proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta (rateio), expurgando os valores de exportação de terceiros. Para tanto foi adotado o critério de distribuição das exportações de terceiros total do ano proporcionalmente ao total mensal de exportações informadas no DACON (cálculo à fl. 120), de Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 337 7 forma que os percentuais de exportação no quarto trimestre de 2004 passaram de 62,0901 % (outubro), 84,0275% (novembro) e 79,6907% (dezembro), para, respectivamente: 52,7282%, 79,7136% e 74,5602%, representando uma glosa, no total de créditos vinculados a exportação, da ordem de R$ 278.189,60 (duzentos e setenta e oito mil, cento e oitenta e nove reais e sessenta centavos), conforme detalhamento constante das tabelas abaixo. Ora, me parece que tanto o Despacho Decisório como a própria Decisão de Primeira Instância incidiram em fragilidade na fundamentação do procedimento adotado, eis que o método proporcional de cálculo, adotado pela Recorrente, não leva em conta necessariamente as mercadorias que ingressaram com fim específico de exportação e as distribui em conformidade com a exportação realizada, mas sim toma a receita de exportação em proporção à receita bruta. Por mais que me esforce não consigo enxergar a denominada distorção nomeada pela Autoridade Fazendária, pois a própria legislação determina que no método proporcional devese considerar a receita sujeita à incidência não cumulativa da receita bruta total, conforme o disposto no parágrafo 8o, do artigo 3o da Lei no 10.637/2002: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A Autoridade Fazendária asseverou que a Recorrente não tem direito ao crédito das aquisições realizadas com fim específico de exportação, o que, em verdade, decorre do parágrafo 4o, do artigo 6o da Lei no 10.833/2003, e a própria Recorrente, como não poderia ser diferente, reconhece como verdadeiro. Porém, o que a Recorrente verdadeiramente pretende, e insiste nesse ponto tanto em sua Manifestação de Inconformidade, como em seu Recurso Voluntário, é simplesmente ter direito ao crédito das aquisições tributadas e realizar o cálculo da proporcionalidade em conformidade com tais operações. Assim, adotando como referência a própria legislação, no cálculo da proporcionalidade do crédito presumido, em que há a manutenção de crédito de PIS em decorrência de exportação, a medida mais adequada consistiria na adoção da receita de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor. Nessa forma de cálculo, as receitas decorrentes de aquisições com fim específico de exportação ingressam tanto no dividendo, integrantes da receita de exportação, Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 8 como no próprio divisor, incluídas na receita bruta, evitandose, efetivamente, distorção pela exclusão desses valores do dividendo e manutenção no divisor. Nesse sentido, reconheço o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito presumido à agroindústria, decorrente da manutenção do crédito de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor. Frete sobre Exportações de Terceiros De acordo com a Fiscalização, às fls. 121 dos autos, a Recorrente também considerou indevidamente no cálculo do rateio proporcional as quantias pagas/despendidas a título de frete relativo às exportações de bens adquiridos para exportação, conforme raciocínio da Autoridade Fazendária descrito no tópico anterior: Da mesma forma que o contribuinte considerou indevidamente as Receitas de Exportação de Terceiros no cálculo do rateio proporcional dos créditos vinculados à exportação, no caso dos Fretes sobre as Vendas (fretes do mercado interno e das exportações próprias e de terceiros), também estão incluídos indevidamente os fretes relativos às exportações de terceiros. Com isso, a Autoridade Fazendária glosou, segundo o seu novo cálculo de rateio proporcional, todos os valores que se referiam à exportação de produtos adquiridos para comercialização, denominados exportação de terceiros. Pois bem. Não vejo como correto o procedimento adotado pela Autoridade Fazendária, que baseou o seu raciocínio em interpretação deveras ampla do parágrafo 4o, do artigo 6o da Lei no 10.833/2003, que veda a tomada de crédito vinculado à receita de exportação na hipótese de aquisição com fim específico de exportação: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: (...) § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 338 9 mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Isso porque referido dispositivo efetivamente veda a tomada de crédito, no mercado interno, de produto a ser exportado, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime nãocumulativo. Não se pode perder de vista que o parágrafo 4o, do artigo 6o da Lei no 10.833/2003 realmente veda o crédito de produto adquirido para ser exportado justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. Crédito a Agroindústria Relativamente ao crédito a agroindústria a controvérsia se instalou em razão do quanto disposto às fls. 118/119, produzidas pela Fiscalização, que afirmou que no período de agosto a dezembro de 2004 o valor do crédito presumido das atividades agroindustriais não Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 10 poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento, com base no parágrafo 4o, do artigo 8o da Lei no 10.925/2004, conforme segue: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. A Autoridade Fazendária também fundamenta o seu entendimento no Ato Declaratório Interpretativo no 15/2005, que adota redação mais enfática àquela utilizada pela Lei, ao dispor que o crédito presumido não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento: Art. 1o O valor do crédito presumido previsto na Lei no 10.925, de 2004, arts. 8o e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2o O valor do crédito presumido referido no art. 1o não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei no 10.637, de 2002, art. 5o, § 1o, inciso II, e § 2o, a Lei no 10.833, de 2003, art. 6o, § 1o, inciso II, e § 2o, e a Lei no 11.116, de 2005, art. 16. A Recorrente, por sua vez, se apega aos artigos 5o da Lei no 10.637/2002 e 6o da Lei no 10.833/2003, argumentando que tanto não fazem restrição à utilização do crédito quando aplicado sobre mercadoria importada, como principalmente que tais dispositivos estabeleceriam uma forma escalonada de creditamento, em que, a primeira forma, seria a dedução; a segunda, compensação; e a terceira, ressarcimento. Com efeito, não faz o menor sentido a Lei no 10.925/2004 criar um crédito presumido à agroindústria e, ao mesmo tempo, vedar a sua utilização, conforme a interpretação emprestada pela Autoridade Fazendária, que observou o Ato Declaratório Interpretativo no 15/2005. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 339 11 O caput do artigo 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe expressamente sobre o crédito presumido a ser deduzido do PIS e COFINS devidos em cada período de apuração, de tal forma que o crédito presumido destinase preferencialmente à dedução do valor de PIS e COFINS a pagar pela pessoa jurídica. Nessa linha de raciocínio, o parágrafo 4o, do artigo 8o da Lei no 10.925/2004 não permite o aproveitamento do crédito presumido, aproveitamento este realizado anteriormente à dedução do PIS e da COFINS eventualmente devidos naquele determinado período de apuração. Ora, caso a pessoa jurídica venha a reconhecer o crédito presumido e ela não possua débitos do PIS e da COFINS ou esses débitos não sejam suficientes à supressão de seu valor de crédito presumido, ela deverá transportar o referido saldo ao período de apuração seguinte e esse saldo não mais será carimbado como crédito presumido, e sim como crédito acumulado. Ou seja, no período seguinte ao da apuração, o valor correspondente àquele crédito presumido que não foi deduzido em sua integralidade, pode ser sim utilizado pela pessoa jurídica para fins de compensação ou ressarcimento. O que significa dizer que o saldo de crédito acumulado, ainda que decorrente do crédito presumido a agroindústria, pode ser utilizado pela pessoa jurídica no período de apuração subsequente, conforme determina o parágrafo 2o, do artigo 6o da Lei no 10.833/2003: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1opoderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1oe 2oaplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 12 receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8oe 9odo art. 3o. Interpretação contrária, além de ferir o disposto no parágrafo 4o, do artigo 8o da Lei no 10.925/2004, e o artigo 6o da Lei no 10.833/2003, cria situação jurídica insustentável, pois uma pessoa jurídica exclusiva ou preponderantemente exportadora se submeteria a uma alta de seus custos justamente por registrar um crédito presumido destinado a reduzir o preço dos produtos agrícolas relacionados a serem utilizados pela agroindústria, favorecendo a produção rural que, simplesmente, não poderia utilizálo. Efetivamente, não tenho como concordar com a interpretação dada pela Autoridade Fazendária, visto que a declaração de compensação da Recorrente foi apresentada em 30 de novembro de 2005, tendo como objeto o terceiro trimestre de 2004, referindose, portanto, a crédito acumulado decorrente de crédito presumido não integralmente utilizado na dedução em período próprio com as Contribuições ao PIS e à COFINS. Como se tal não bastasse, sob outro prisma, não tem como prosperar a decisão da DRJ nesse ponto, em razão da análise sistemática do crédito presumido à agroindústria na legislação. A Lei no 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei no 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 340 13 II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3o supra foram revogados pela Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art. 3o Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4o Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art. 5o Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8o e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 14 referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei no 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8o e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei no 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP no 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3o, §§ 10 e 11 da Lei no 10.637/2002 e no art. 3o, §§ 11 e 12 da Lei no 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei no 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3o daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8o e 15 da Lei no 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória no 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei no 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 341 15 Deste modo, em que pese à reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei no 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3o e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5o da Lei no 10.637, de 2002, e pelo art. 6o da Lei no 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3o das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 16 Neste diapasão, a IN SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei no 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei no 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e do art. 15 da Lei no 10.865/2004: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8o, § 4o, da Lei no 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8o e 15 da Lei no 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4o do art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei no 12.058, de 13 de outubro de 2009, aduziu importantes modificações no tema, a saber: a) Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; e Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 342 17 b) Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei no 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direitos concedidos pela Lei no 12.058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei no 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei no 10.925, de 2004, art. 8o, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. Frete sobre Vendas, inclusive de Adubo Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 18 De acordo com a Autoridade Fazendária, na relação de Notas Fiscais de fretes sobre vendas (CFOP 2353) identificouse fretes de adubo e cloreto de potássio (fls. 71 a 73). E, ainda, considerando que tais insumos são destinados a divisão agropecuária da Recorrente e utilizados em operações no mercado interno, não se enquadrariam no quanto disposto pelo § 3o do art. 6o da Lei no 10.833/2003, in verbis: Art. 6oo A COFINS não incidirá nobre as receitas decorrentes das operações de (...) § 3oo O disposto nos §§ 1oa e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Portanto a Autoridade Fazendária glosou os créditos calculados sobre os fretes destes produtos no 4o trimestre de 2004, insurgindose a Recorrente sob o argumento de que a Fiscalização estaria alterando a sua forma de cálculo dos créditos vinculados à exportação, realizada de forma proporcional. E mais. Aduziu a Recorrente que o artigo 15 da Lei no 9.779/1999 dispõe sobre a apuração centralizada das Contribuições ao PIS e à COFINS, e que, por essa razão, os créditos poderiam ser apropriados proporcionalmente à receita de exportação. Não vejo razão na Decisão de primeira instância, uma vez que a proporcionalidade se dá na razão entre a receita de exportação e a receita bruta total, sendo que o resultado dessa proporção é calculado de forma global sobre todos os custos e despesas da Recorrente, de maneira a determinar o valor dos custos, despesas e encargos proporcionais à exportação. Nesse ponto, entendo que a Autoridade Fazendária não pode excluir valores de tal relação de custos, despesas e encargos, pois ao proceder dessa maneira irá realmente alterar o método da proporcionalidade, penalizando indevidamente a Recorrente com o seu critério. O critério adotado, pela Fiscalização, de separar valores que não estão intimamente atrelados à receita de exportação e, posteriormente, calcular uma suposta razão proporcional, está mais próximo do método direto de apuração, que não foi adotado pela Recorrente, opção esta que deve ser observada pela Autoridade Fazendária. Desse modo, não vejo como concordar com a Decisão nesse ponto, razão pela qual dou provimento ao Recurso Voluntário. Matéria Constitucional A Recorrente, em seu Recurso, reitera sua argumentação, bradando sobre princípios e violações à Constituição, citando doutrina autorizada e, em alguns pontos, jurisprudências com temas próximos ao discutido nos presentes autos. Bem sabe a Recorrente que no âmbito administrativo esses pleitos não podem ser reconhecidos, pois implicam reconhecimento de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de atos normativos válidos e vigentes, estritamente observados pelas Autoridades Fazendárias. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 343 19 Bem por isso que foi editada a Súmula no 2 do CARF, que consolida a jurisprudência deste Órgão sob o preceito de que não detém de competência legal para se pronunciar sobre inconstitucionalidade, conforme abaixo transcrita, motivo pelo qual não há como se reconhecer desses argumentos. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Atualização Taxa SELIC A recorrente se insurge tanto com relação à data a partir da qual seus créditos devem ser atualizados, para fazer frente a débitos (inclusive os vencidos na data de registro das DCOMP correspondentes, sobre os quais defende que não incidem acréscimos moratórios após os estornos em DACON), quanto no que se refere à atualização de seus créditos pela Taxa SELIC, pois em virtude da mora na análise pelo fisco de seus pedidos e de restrições infralegais está a empresa impedida de acessar o crédito. Por certo que o encontro entre créditos e débitos se dá na data de protocolo/registro/transmissão da declaração de compensação (DCOMP). A matéria já foi inclusive decidida pelo STJ (REsp no 1.164.452/MG, na sistemática dos recursos repetitivos), sendo o entendimento vinculante para este colegiado, conforme art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010): “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. (...) 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” 1 (grifos nossos) Vejase que antes do protocolo/registro/transmissão da DCOMP não há que se falar em atualização, ou em não cômputo de acréscimos moratórios nos débitos. E, após o registro da DCOMP, só haveria que se cogitar de atualização no caso de oposição estatal, adotandose a linha do REsp no 1.037.847RS, também julgado na sistemática dos recurso repetitivos (artigo 543C do CPC). No entanto, tal REsp não se aplica ao caso concreto, no qual a vedação legal expressa ao aproveitamento do crédito, no art. 13 da Lei no 10.833/2003: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização 1 REsp 1.164.452MG, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, julgado em 25.ago.2010. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 20 monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” (grifo nosso) Assim, há expressa disposição legal no sentido da vedação, sendo incabível o pleito de atualização monetária. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário quanto às alegações de inconstitucionalidade e na parte conhecida dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reconhecer a quantia de R$ 2.785.706,81 como receita de exportação, para fins de determinação da proporção de crédito sob o método do rateio proporcional; (ii) reconhecer o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito presumido à agroindústria, decorrente da manutenção do crédito de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor; (iii) permitir a compensação do crédito presumido; e (iv) reconhecer as despesas de frete em razão da forma proporcional de cálculo adotada pela Recorrente. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 344 21 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, As compensações apresentadas pela empresa (em valor total de R$ 3.403.005,65), tendo como base créditos referentes à COFINS relativa ao 4o trimestre de 2004, foram parcialmente acolhidas pelo Despacho Decisório de fls. 139 a 148 (no montante de R$ 1.044.030,59). As negativas se deveram basicamente a glosas de: (a) exportação efetuada após venda pela empresa Cargill, fora do prazo legalmente previsto (180 dias art 9o da Lei no 10.833/2003); (b) créditos apurados em relação a operações de compras com fim específico de exportação, tendo em vista a vedação estabelecida no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003; (c) fretes sobre exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação de terceiros; (d) créditos presumidos da agroindústria, de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, que não podem ser objeto de compensação, nos termos do ADI SRF no 15, de 22/12/2005; e (e) créditos referentes a adubo e cloreto de potássio, inclusive fretes, por serem destinados a operações no mercado interno. Narra ainda a fiscalização que houve compensação com débitos já vencidos, sem que a estes fossem adicionados os acréscimos legais. Já na manifestação de inconformidade a empresa, apresentando histórico legal da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS e dos créditos presumidos em relação a tais contribuições, insurgese em relação às glosas efetuadas pelo fisco, sustentando que: (a) não devem incidir multa e juros sobre os débitos compensados, pois deve ser considerada não a data de apresentação do pedido de compensação, mas a data do estorno do saldo de créditos do DACON, havendo excesso de formalismo; (b) a exportação da empresa Cargill efetivamente ocorreu, ainda que 11 dias fora do prazo previsto na legislação, não podendo ser apenada a recorrente, devendo prevalecer a razoabilidade; (c) ao excluir as exportações originárias de aquisições com fim específico de exportação da receita bruta de exportação, no rateio, a fiscalização inovou, criando critério não previsto em lei, fazendo interpretação errônea do § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003; (d) as despesas com fretes das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação geram créditos, pois o frete foi tributado, distinguindose das mercadorias transportadas; (e) é indevida a restrição imposta à compensação com base no ADI SRF no 15/2005, que frustra os objetivos da lei, sendo que a previsão para compensação já existia antes da Lei no 10.925/2004 (nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003); (f) ao optar pelo rateio proporcional, a recorrente realiza créditos sobre o total das aquisições e apropria vinculando proporcionalmente o percentual da receita de exportação em relação à receita bruta, sendo indevida a glosa sobre adubo e cloreto de potássio destinados ao mercado interno. Ao final da manifestação de inconformidade, tece a empresa considerações sobre princípios (segurança jurídica, razoabilidade, proporcionalidade, coerência legislativa, estrita legalidade e isonomia), defendendo ainda que os créditos devem ser corrigidos pela Taxa SELIC, conforme § 4o do art. 39 da Lei no 9.250/1995, e como já entendeu a CSRF (Acórdãos no 201112.432 e 433), pois em virtude da mora na análise pelo fisco de seus pedidos e de restrições infralegais está a empresa impedida de acessar o crédito. A DRJ, de forma unânime, manteve parcialmente as glosas (afastando apenas a referente à exportação a destempo pela Cargill), ao argumento (fls. 239 a 250) de que: (a) não detém competência para análise de legalidade ou constitucionalidade de ato normativo vigente (inclusive no que se refere à aplicação da taxa SELIC); (b) como pode ser visto nas DCOMP, a primeira chancela de protocolo é de 30/11/2005, data a ser tomada como base pela fiscalização Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 22 (sofrendo os débitos incidência de acréscimos legais até tal data); (c) diante da impossibilidade de determinar as saídas mês a mês das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, por falta de apresentação de documentos pela própria recorrente, a fiscalização procedeu o rateio da forma mais favorável à empresa (que estava sujeita à glosa total); (d) as despesas de fretes sobre vendas só geram créditos nos casos previstos nos incisos I e II do art. 3o da Lei no 10.833/2003, não incluída aí a exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, cujo alienante detém o direito ao crédito, conforme art. 6o da mesma Lei no 10.833/2003; (e) os créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, como se afirma no próprio texto do artigo (caput), destinamse a dedução das contribuições, e não a compensação; e (f) o adubo, como admitiu a recorrente, é utilizado no mercado interno, e isso não altera o critério de apuração pelo rateio proporcional (relação entre receitas no mercado interno e receitas de exportação), não havendo ainda previsão para desconto de créditos em relação aos fretes decorrentes no inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003. Em seu recurso voluntário (tempestivo fls. 257 a 296), a empresa basicamente reitera as considerações expressas em sua manifestação de inconformidade. Tendo a DRJ afastado as glosas sobre exportação efetuada a destempo pela empresa Cargill (em que pese tratar novamente o voto do relator de tal rubrica, pelo que já se registra a divergência), restaram contenciosos no presente processo fundamentalmente cinco temas: (a) mecanismo de rateio proporcional adotado; (b) despesas com fretes de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; (c) (im)possibilidade de compensação em relação a créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004; (d) adubo e cloreto de potássio destinados ao mercado interno; e (e) a atualização dos créditos e débitos. Nenhuma destas matérias é nova neste CARF, já existindo vários processos da mesma recorrente julgados pelo colegiado, com teor semelhante (v.g., Acórdãos no 3803 002.184, no 3302001.339, no 3803000.169, no 3302002.654, no 3302002.655 e no 3803 006.524). É de se destacar, inclusive, que já foi apreciado pelo CARF processo relativo à mesma recorrente e ao mesmo período em análise, tratando de contribuição com idêntica base de cálculo e legislação de extrema semelhança (Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 4o trimestre de 2004, apreciada por meio do Acórdão no 3302002.216, que analisa os mesmos fatos presentes nestes autos): “INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. DÉBITOS. MULTA E JUROS DE MORA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência dos acréscimos legais até a data da entrega da DCOMP. RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao exportador de mercadorias Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 345 23 adquiridas com o fim específico de exportação creditarse de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. Por expressa previsão legal, a partir de agosto de 2004, o crédito presumido da não pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro e nem utilizado para compensar outros débitos do contribuinte. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETE VINCULADO EXCLUSIVAMENTE AO MERCADO INTERNO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as despesas com direito ao crédito do PIS e vinculadas à receita de exportação podem integrar o cálculo do rateio proporcional para estabelecer o valor do crédito ressarcir em dinheiro. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa determinação legal, é vedado (sic) a atualização monetária e a incidência de juros Selic no ressarcimento de PIS não cumulativo.” (grifo nosso) (Acórdão no 3302002.216, Rel. Cons. Walber José da Silva, maioria, vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes, que dava (sic) provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito de frete de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação e de fretes de transferências de adubos e cloreto de potássio, sessão de 23.jul.2013) Em quatro destes cinco temas manifestamos divergência em relação ao entendimento do relator, como se descreverá a seguir. No entanto, acordamos com o voto do relator na disciplina conferida à atualização dos créditos (negativa em função de vedação legalmente estabelecida). Do mecanismo de rateio proporcional adotado Argumenta a recorrente que o fisco inovou ao excluir as exportações originárias de aquisições com fim específico de exportação da receita bruta de exportação, no rateio, criando critério não previsto em lei, fazendo interpretação errônea do § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003. Vejamos o que dispõe o referido artigo: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 24 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” (grifo nosso) Mas a discussão essencial nestes autos não é sobre o direito de crédito (que, no caso, é obviamente inexistente), mas sim sobre o que se deve computar como receita de exportação para efeito do rateio proporcional a que se referem os §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833/2003. “§ 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” (grifo nosso) E, para efetuar o rateio proporcional, o fisco busca discernir as operações de exportação efetiva daquelas que são mero cumprimento de exportação que já havia produzido efeitos quando da venda à recorrente na qualidade de empresa comercial exportadora, como se percebe do teor do Termo de Encerramento de Diligência (TED) que ampara o Despacho Decisório, no tópico intitulado “Exportações de Terceiros Glosas CFOP 7501 Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação” (fls. 120/121): “Analisando a sistemática em relação às operações de aquisição de mercadorias com fim específico de exportação, a exportação dessas mercadorias, classificadas no CFOP 7501Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, bem como os benefícios concedidos, verificouse que, para quem vende com fim específico de exportação, a operação já é considerada como exportação, com os benefícios das desonerações das contribuições de PIS/COFINS das operações anteriores, e, para quem recebe com fim específico de exportação e exporta, atua como intermediário, devendo confirmar a exportação, não tendo nenhum crédito na entrada e nem débito na saída, pois a mesma mercadoria não pode gerar benefício de exportação novamente. Nesse sentido, o § 4. do art. 6. da Lei 10833/2003 veda a apuração de créditos Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 346 25 vinculados à receita de exportação no caso de aquisição de mercadorias com fim específico de exportação e conseqüentemente as receitas de exportação dessas mercadorias não podem ser computadas como Receitas de Exportação Normal para efeito do rateio proporcional de créditos vinculados à exportação. Em resumo, a operação de entrada e saída como um todo não pode afetar o cálculo das operações de compras/exportação que geram direito a crédito. Da mesma forma, as exportações de terceiros devem ser excluídas do total da Receita Bruta para efeito do cálculo do rateio proporcional. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte, verificouse que havia um grande volume de compras com fim específico de exportação. Porém, não havia vendas em volume compatível no CFOP 7501 exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação exportação de terceiros. Por esse motivo foi solicitado ao contribuinte que informasse os valores mensais das exportações de mercadorias recebidas com fim específico de exportação exportações de terceiros. Como não havia essa informação, foi então solicitado um cálculo para apuração do valor estimado com base nas informações disponíveis. Ou seja, o valor das entradas compras com fim específico de exportação, o valor das saídas dessas mercadorias e o preço médio das vendas. O contribuinte apresentou um demonstrativo para cada produto, soja em grãos, milho em grãos, farelo hipro, farelo peletizado e óleo de soja degomado e um demonstrativo consolidado. Os cálculos foram efetuados mensalmente, considerando que a quantidade entrada saiu no próprio mês, observando o limite de saída no mês em kg, multiplicado pelo preço médio de venda no mês, cujo resultado em cada mês são as exportações de terceiros por produto ou consolidado. No Demonstrativo Consolidado apresentado pelo contribuinte constam os valores mensais das exportações de terceiros, cujo total do ano de 2004 é de R$ 458.409.437,05. Os demonstrativos estão anexados a partir da folha 94. No cálculo desse demonstrativo consolidado foi considerado que todas as mercadorias recebidas com fim específico de exportação saíram no próprio mês, mas as mercadorias podem ter saído em outro mês. Para evitar essa distorção, o total das exportações de terceiros do ano de 2004 foi distribuído proporcionalmente às receitas de exportação em cada mês para apuração das glosas de PIS/COFINS não cumulativo, considerando que nos meses em que houve maior exportação total, também houve maior exportação de terceiros, conforme quadro a seguir.” (grifo nosso) Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 26 Isso resulta em glosas nos seguintes valores, em relação aos meses aqui analisados (fls. 121/122): As glosas de Contribuição para o PIS/PASEP foram analisadas pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção deste CARF, que já havia expressado posicionamento anterior sobre o tema, em sentido favorável ao argumento da recorrente: “Esta matéria já esteve em pauta nesta 2ª Turma Ordinária quando do julgamento do recurso voluntário contido no Processo no 13154.000312/200524, também de interessa da Recorrente. Na oportunidade, entendi que para o rateio proporcional de créditos vinculados à exportação não havia previsão legal para excluir, da receita bruta total e da receita de exportação, o valor da receita de exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, razão pela qual dei provimento ao recurso do contribuinte, nesta parte, no que fui acompanhado pelos demais membros do Colegiado, conforme Acórdão no 330201.339, de 10/11/2011. Ocorre que na oportunidade cometi um erro: não analisei as disposições do § 4o, do art. 6o, da Lei no 10.833/03, que fundamentou o procedimento da Fiscalização. Diz o referido dispositivo: (...) A primeira conclusão que se tira deste dispositivo é que sobre a receita de exportação de mercadorias adquirida com o fim específico de exportação é vedado apurar crédito do PIS e da Cofins, para utilização na forma prevista no § 1o, do art. 6o, da Lei no 10.833/03. A segunda conclusão que se tira é conseqüência da primeira: a empresa comercial exportadora não tem direito de apurar e Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 347 27 utilizar crédito de PIS e de Cofins na forma prevista no § 1o, do art. 6o, da Lei no 10.833/03. A terceira conclusão, também conseqüência da primeira: a empresa que é, simultaneamente, comercial exportadora e industrial (como é o caso da Recorrente) tem o direito de apurar e utilizar crédito de PIS e de Cofins, na forma prevista no § 1o, do art. 6o, da Lei no 10.833/03, sobre a receita de exportação de produtos de sua fabricação e não tem o direito de apurar e utilizar crédito sobre a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Portanto, no voto condutor do Acórdão no 330201.339, acima citado, o equívoco está na afirmação de que a Lei não autoriza ajustes “na Receita de Exportação do contribuinte, para fins de cálculo do crédito do PIS vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02”. Como acima se demonstrou, para fins de ressarcimento, a Lei veda expressamente a apuração de crédito da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Portanto, se a receita de exportação da empresa decorre da venda de mercadorias de produção própria e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação, esta última não pode e não deve compor o cálculo de apuração do crédito a ressarcir. Deve, portanto, ser excluída do valor total da receita de exportação para este fim. Quanto ao ajuste realizado pela Fiscalização na Receita Bruta Total, tem razão a Recorrente porque não existe previsão legal para tal procedimento. No entanto, não há que se prover o recurso nesta parte porque não se recorre para prejudicar e, também, porque o procedimento de excluir a receita de exportação em tela do numerador e do denominador da relação é mais coerente com as disposições do art. 6o da Lei no 10.833/03. Procedente, portanto, a metodologia de cálculo do crédito a ressarcir realizado pela Fiscalização, que não inovou em nada.” (Acórdão no 3302002.216, Rel. Cons. Walber José da Silva, unânime em relação à matéria, sessão de 23.jul.2013) No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste CARF (não tendo sido encontrado nas buscas nenhum outro julgado em direção oposta), todos em relação à mesma recorrente: “RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação.” (Acórdãos no 3302002.654 e no 3302002.655, Rel. Cons. Walber José da Silva, maioria, sessão de 23.jul.2014)” “EXPORTAÇÃO DE TERCEIROS. COMPRAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. RECEITA. SEGREGAÇÃO. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 28 As receitas de exportação consideradas na proporcionalidade com a receita bruta são aquelas decorrentes da produção própria do exportador, devendo ser segregadas daquele rol as receitas de exportação de terceiros, oriundas das compras com fim específico de exportação.” (Acórdão no 3803006.524, Rel. Cons. Belchior Melo de Sousa, unânime em relação à matéria, sessão de 14.out.2014)” Dentro de tal linha, acordamos com a afirmação de que a vedação legal constante no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003 ocasiona a exclusão das receitas de exportação daquelas mercadorias nas quais a recorrente figura tão somente como empresa comercial exportadora, concretizando a operação que produz na verdade efeitos de “receita de exportação” para terceiro. Caso contrário teríamos mais de uma empresa computando as mesmas “receitas de exportação”. E, acolhida a forma de rateio, entendese também coerente com os dispositivos legais que regem a matéria a metodologia adotada para o cálculo (inclusive de forma favorável à recorrente, pois poderia a glosa, como afirma a DRJ, ser efetuada sobre valores consolidados, diante da negativa de controle individualizado das operações pela recorrente) Recordese que o ônus probatório em processos desta natureza é da postulante ao crédito, como vem reiteradamente decidido esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Pelo exposto, mantémse o critério de rateio adotado pelo fisco, que decorre de disposição legal expressa, o que nos leva a divergir do voto do relator, no que se refere ao tema. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 348 29 Das despesas com fretes de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação A glosa em relação a este tópico tem a mesma fundamentação do anterior: a vedação estabelecida no § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003. Em oposição, afirma a recorrente que as despesas com fretes das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação geram créditos, pois o frete foi tributado, distinguindose das mercadorias transportadas. A uma, não faz prova a recorrente de que tenha efetivamente pago os fretes. A duas, e se tomado tal frete como frete de venda, a disposição legal que permitiria a tomada de créditos básicos residiria no inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (desde que provado que o ônus foi suportado pelo vendedor, o que também não se discute no presente processo): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” (grifo nosso) Contudo, recordese a vedação estabelecida no citado § 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” (grifo nosso) Assim, além de, no caso em análise, o crédito não ser vinculado a “receita de exportação”, há vedação expressa à utilização de créditos básicos previstos no art. 3o (facilmente decorrente da leitura dos §§ 1o e 4o do art. 6o da Lei no 10.833/2003). Cabe, então, também aqui, divergir do relator e negar provimento ao recurso , na linha que vem sendo adotada em outros julgamentos deste CARF da mesma empresa, inclusive em relação ao mesmo período (v.g., Acórdãos no 3302002.216, no 3302002.654 e no 3302002.655). Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 30 Da (im)possibilidade de compensação em relação a créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 A glosa em relação ao tema foi efetuada por não haver permissão de compensação no texto do art. 8o da Lei no 10.925/2004, e pela vedação expressa reconhecida no ADI SRF no 15, de 22/12/2005. A recorrente, por sua vez, sustenta que é indevida a restrição imposta à compensação com base no ADI SRF no 15/2005, que frustra os objetivos da lei, sendo que a previsão para compensação já existia antes da Lei no 10.925/2004 (nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). É preciso, já de início, distinguir os créditos presumidos aqui tratados dos créditos básicos constantes nos incisos do art. 3o da Lei no 10.833/2003. A previsão para compensação existe em relação aos créditos básicos, que decorrem objetivamente da não cumulatividade. Os créditos presumidos, por sua vez (v.g., os do art. 8o da Lei no 10.925/2004 e os que constavam nos §§ 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833/2003), são artificialmente criados (ainda que em nome da não cumulatividade), permitindo, em regra, a tomada de crédito (não integral) mesmo que a operação anterior não tenha sido efetivamente tributada, e possuem disciplina própria. A disciplina própria do crédito presumido em análise está, como exposto, no art. 8o da Lei no 10.925/2004: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” O texto da lei inegavelmente já contém o que o ADI SRF no 15, de 22/12/2005 (interpretativo, como a própria sigla aclara) viria a endossar: não há previsão, no caso, para compensação ou outra forma de utilização que não a dedução do crédito presumido do valor das contribuições devidas em cada período de apuração. Entender de forma contrária, a nosso ver, é negar vigência ao dispositivo legal (seja em nome de eventual princípio constitucional, ou em nome de princípios que sequer constam de forma expressa no corpo da Lei Maior). No entanto, a Súmula CARF no 2 impede que este tribunal afaste comando legal vigente em função de análise de constitucionalidade. Aproveitase ainda o presente tópico, já que se está a falar da Súmula CARF no 2, para refutar as considerações de natureza principiológica tecidas na peça recursal. Não possui competência este tribunal administrativo para afastar comando legal vigente, seja em nome da segurança jurídica, da isonomia, ou de qualquer outro termo ou expressão que a recorrente designe como princípio (v.g., razoabilidade). Fl. 367DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 14090.000149/200635 Acórdão n.º 3403003.659 S3C4T3 Fl. 349 31 Pelo exposto, mantémse a glosa neste item, também de forma alinhada ao entendimento que vem sendo externado em julgamentos anteriores de processos da recorrente, inclusive em relação ao mesmo período (v.g., Acórdãos no 3302002.216, no 3302002.654 e no 3302002.655), e em divergência ao voto do relator. Do crédito em relação a fretes de adubos/cloreto de potássio mercado interno Nesse tópico, fisco e recorrente acordam que os fretes se referem a transportes não vinculados a operações de exportação, mas ao mercado interno (Divisão Agropecuária da empresa). O fisco utiliza esta razão para a glosa, aliada à vedação estabelecida no § 3o do art. 6o da Lei no 10.833/2003. Novamente se trata de vedação legalmente estabelecida: “§ 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o.” (grifo nosso) O argumento da recorrente de que apenas pleiteia a inclusão de tais rubricas no rateio proporcional, ao lado das situações geradoras de créditos, não logra acolhida diante da vedação expressa em lei, e da ausência de relação (já destacada pela DRJ) entre a glosa e o critério de apuração. No mesmo sentido as considerações externadas no julgamento relativo à Contribuição para o PIS/PASEP do mesmo período (pelo já citado Acórdão no 3302002.216): “Portanto, a despesa realizada, prevista no art. 3o da Lei no 10.833/03, que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Bastam estas duas condições (direito ao crédito e vinculo da despesa com a receita de exportação) porque é só isto que a lei exige. Atendido estas condições, o crédito pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no § 2o do art. 6o da Lei no 10.833/03. Sem uma palavra e sem nenhuma prova do vínculo da despesa à receita de exportação, não há como acolher as alegações da Recorrente.” Assim, também neste tópico se diverge do relator para manter a glosa efetuada. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 368DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 32 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Numero do processo: 11080.918995/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/05/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/05/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 95 /2 01 2- 82 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918995/201282 Acórdão n.º 3801005.149 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005284/2007-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999
IPI AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não-cumulatividade. Tratando-se de instituto de direito público, deve o seu exercício dar-se nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagens isentos.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
assinado digitalmente
Joel Miyasaki Redator ad hoc para o voto vencido
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 IPI AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da nãocumulatividade. Tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagens isentos. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente assinado digitalmente Joel Miyasaki – Redator ad hoc para o voto vencido assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 84 /2 00 7- 30 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 835 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Insurgese a Contribuinte, em Recurso Especial de fls. 668/683, admitido pelo despacho de fls. 797/798, contra o Acórdão de fls. 653/665, que por maioria de votos negou provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo direito ao ressarcimento de IPI, cujo fundamento denegatório é a não existência de crédito em vista do benefício de isenção concedido às empresas integrantes da Zona Franca de Manaus. Em exame de admissibilidade, fls. 797/798, o recurso relatado teve seu seguimento restrito apenas à questão do Ressarcimento do IPI, sendo negado seguimento no tocante à incidência da Taxa Selic por não ter sido esse pedido ventilado anteriormente, deixando de preencher o requisito do préquestionamento previsto no art. 67, § 3º, do Regimento Interno. O acórdão recorrido foi ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 IPI CRÉDITOS SOBRE INSUMOS ISENTOS. INAPLICABILIDADE. Incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a entradas em que não houve o pagamento do imposto, por qualquer que seja o motivo, inclusive a isenção. Recurso Negado.” Aduz a Recorrente que a decisão combatida é divergente do entendimento adotado pela Segunda Turma deste Conselho no Acórdão CSRF/0202.154, cuja ementa traz à fl. 672 e íntegra às fls. 702/718, fundamentada na decisão do Pleno do STF (RE. 212.4842) que autoriza a creditação do IPI proveniente de aquisições sob o regime de isenção. Cita também o art. 153, CF, que prevê a compensação do IPI do que for devido em cada operação, com o montante cobrado nas anteriores, constituindo portanto, legítima a pretensão da Contribuinte verse ressarcida desse crédito. Salienta que o entendimento do STF acerca da matéria para reconhecer o crédito de IPI de aquisições isentas é o precedente definitivo e repetido, decidido nos RE´s 394.997, 504.423 e 370.771. Segue aduzindo que este Conselho deve acatar a jurisprudência do STF, a rigor do que prevê a Lei nº 11.941/2009, que acrescentou o artigo 26A ao Decreto nº 70.235/72, estabelecendo a aplicabilidade administrativa de entendimento por decisão do STF . Fl. 835DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 836 3 Cita também o art. 11 da Lei 9.779/99, pela qual constitui o direito ao ressarcimento de créditos de IPI que não possam ser compensados na saída de outros produtos, como é o caso dos autos. Por fim, requer a aplicação da taxa SELIC no montante creditório a ser ressarcido, conforme julgado nos Acórdãos deste Carf de números 0201.160, 0202.322 e 106 16.381, às fls. 651/653. Em Contrarrazões, às fls. 801/811 aduz a Fazenda Nacional que a matéria tem entendimento definitivo pelo STF e é pela inexistência de Direito ao ressarcimento do crédito postulado, conforme ementas do Supremo e deste Conselho às fls. 803/806. Segue aduzindo que, em se tratando de insumo que não foi submetido à tributação na entrada, seja por isenção ou alíquota zero ou não incidência de imposto, evidente que não há que se falar em aproveitamento de crédito de IPI na saída do produto final, pressupondose que não há o que creditar sendo a aquisição da matériaprima desonerada do Imposto. Por fim, requer seja o acórdão recorrido mantido em sua íntegra. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Joel Miyasaki – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 833, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o Acórdão 9303003.289. Ressaltese que o relator original entregou o relatório e seu voto à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Desta forma, adotase o voto entregue pelo relator original, Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva: "Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte, admitido parcialmente pelo Despacho nº 3400 6.054 (fl. 797/798) contra acórdão da 4a Câmara/2aTurma Ordinária (fl. 570) que julgou incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a aquisições não oneradas por esse imposto, restame, com base nos seus termos e no que dos autos consta, decidir o cabimento ou não do direito ao ressarcimento de saldo credor em face de aquisições de insumos isentos e decidir sobre a correção pela taxa Selic, que não foi admitida, exclusivamente, em razão da inexistência de debate sobre a matéria em razão de o recurso haver sido negado quanto ao mérito. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 837 4 A ora Recorrente está localizada na Zona Franca de Manaus com projeto produtivo aprovado pela SUFRAMA o que lhe confere isenção de IPI na aquisição de insumos, conforme previsão nos artigos 3º e 4º do Decreto – Lei nº 288/67 e tem por objeto a fabricação de aparelhos elétricos, eletrônicos e de comunicação. Segundo o art. 71 do RIPI/2002, os materiais destinados a ZFM somente terão características isencionais após sua entrada uma vez que antes dessa etapa vige a suspensão do imposto. Em 05.03.1998 o E. STF, no julgamento da VONPAR REFRESCOS S/A no RE nº 212.484, decidiu que o princípio da nãocumulatividade não restaria maculado em face de isenção incidente sobre insumos. Devo subsumir a partir de agora o meu entendimento sobre matéria destes autos relativamente ao princípio da não cumulatividade, às emanações técnicojurídicas do E. STF, na pessoa da Ministra Carmem Lúcia quando do julgamento do RE 566.819 da JOFRAN EMBALAGENS LTDA., julgamento esse que não enfrentou situação jurídica envolvendo o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e nem relativa a insumos originários da ZFM. No entanto, dito julgamento do RE 566.819 teve a temática abordada por vários Ministros dentre os quais Carmem Lúcia quando destacou veementemente que a solução para o crédito nas aquisições de insumos desonerados não decorre do princípio da nãocumulatividade, e sim, de razões ligadas a política fiscal do País. No julgamento ocorreu, também, o esclarecimento do Min. Marco Aurélio quanto a não modificação do entendimento contido no RE nº 212.484 relativamente ao princípio da não cumulatividade. Registro também excerto de decisão em sede de Embargos de Declaração opostos nos autos do mesmo RE 566.819, imprimindo inalterabilidade ao decidido no RE 212.484, verbis: “É estreme de dúvidas que o Tribunal ressalvou o exame de controvérsia apanhada quer pela regência da Lei nº 9.779/99 – art. 11 –, quer por legislação especial, como é o caso da Zona Franca de Manaus.” A Recorrente deita argumento estribado no art. 11 da Lei nº 9.779/99 para fundamentar o direito ao ressarcimento de saldo credor do IPI incluindo sua utilização para compensação com outros tributos federais, verbis: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre–calendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, Fl. 837DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 838 5 de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Enxergo agora com mais clareza do que fiz na primeira redação deste voto, que essa norma se refere a produto industrializado incluído na condição de isento, fato inconteste que ocorre no caso destes autos. Com relação a atualização monetária pretendida, entendoa ainda cabível, isto porque o Recurso Voluntário não enfrentou a matéria sob o fundamento da inexistência de direito creditório e, com base nessa ocorrência a admissibilidade restou inerte. Portanto, sendo o tema absolutamente pacífico em razão dos precedentes do Judiciário e deste CARF, dos recursos constaram pedidos explícitos sobre a incidência da Taxa Selic. Em face de todo o exposto e amparado no entendimento de que a decisão constante do RE nº 212.484 resta incólume, voto pelo provimento deste Recurso Especial, incluindo nesta minha decisão a incidência da Taxa Selic nos créditos apurados." Com base nesses fundamentos, o relator original deu provimento ao recurso especial do sujeito passivo, tendo sido vencido, por maioria dos votos. assinado digitalmente Joel Miyasaki – redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com o devido respeito ao relator original, discordo de seu entendimento quanto ao direito de crédito em relação às aquisições de insumos isentos, mesmo na hipótese dos autos, que trata de estabelecimento industrial situado na Zona Franca de Manaus. A questão do direito de crédito básico do IPI nas aquisições de insumos isentos é por demais conhecida, tendo sido tratada nesta instância em julgamento formalizado no Acórdão 930302007, de 13/06/2012, do qual fui relator. Transcrevo parte daquele julgado, por aplicarse à solução da presente lide: “A solução do litígio resumese em determinar se os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados têm direito a ressarcimento de créditos de IPI referente à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem acobertados por isenção desse tributo. A controvérsia tem como “pano de fundo” a interpretação do princípio da nãocumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o Fl. 838DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 839 6 imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inc. II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: I omissis IV produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da não Fl. 839DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 840 7 cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea “a” do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base”, (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adota, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 841 8 Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase “a” está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregouse, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase “a” forem taxados em 5% e o da “b” em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase “a”: valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase “b”: valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere Fl. 841DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 842 9 ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o princípio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos adquiridos ao abrigo de isenção do imposto não implica, absolutamente, em afronta ou restrição ao princípio da nãocumulatividade ou a qualquer outro dispositivo constitucional.” Importante ressaltar que a jurisprudência do STF tem se firmado no mesmo sentido aqui defendido. Nesse ponto, transcrevo excertos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz em julgamento consubstanciado no Acórdão 3403002.738, de 30 de janeiro de 2014, que bem historiou as mudanças ocorridas na jurisprudência: “O histórico jurisprudencial sobre o tema no Supremo Tribunal Federal pareceme ter vivido quatro momentos distintos. Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 212.484, em 1998, o Plenário da Corte reconheceu a estabelecimento contribuinte do IPI direito de crédito pela aquisição de insumos albergados por regra isentiva, por entender que o princípio constitucional da nãocumulatividade o garantia. Em 2002, o Tribunal julgou o recurso extraordinário nº 350.446, no qual se debatia sobre o direito de crédito nas hipóteses em que os insumos do processo fabril fossem adquiridos sob regime de alíquota 0% ou sob a notação “NT” na TIPI, vindo a prevalecer o entendimento de que, a exemplo do que se reconhecera para a isenção, também aqui o contribuinte faria jus ao creditamento. Cinco anos mais tarde, o Plenário do Supremo Tribunal Federal revisitou o tema quando chamado a decidir os recursos extraordinários nos 353.657 e 370.682, no âmbito dos quais novamente Fazenda Nacional e contribuintes controvertiam o direito de crédito ante a aquisição de insumos “NT” e alíquota 0%. Desta feita, entretanto, a Corte atribuiu sentido e extensão diversos ao princípio da nãocumulatividade, concluindo que o preceito constitucional não asseguraria o direito de crédito nestas situações. O capitulo mais recente desta seqüência foi escrito por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 566.819, em setembro de 2010. Sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada também quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não extrai fundamento de validade do princípio da não cumulatividade. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005284/200730 Acórdão n.º 9303003.289 CSRFT3 Fl. 843 10 Nesse sentido, vejase trecho do voto condutor do acórdão: No mais, o Plenário, ao julgar os Recursos Extraordinários nos. 353.657/PR e 370.682/SC, relativamente à aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sufragou o entendimento de que o direito ao crédito pressupõe recolhimento anterior do tributo, cobrança implementada pelo Fisco. (...) Pois bem, o raciocínio desenvolvido é próprio tanto no caso de insumo sujeito à alíquota zero ou não tributado, quanto no de insumo isento, tema não apreciado nos mencionados precedentes. Inexiste dado específico a conduzir ao tratamento diferenciado, permitindose o creditamento relativamente à isenção, em que também não se recolhe o tributo, e não se admitindo no tocante à alíquota zero e à nãotributação.” Ressaltese que o fato de o estabelecimento industrial da contribuinte estar sediado na Zona Franca de Manaus, e ser detentor de projeto aprovado pela SUFRAMA, não lhe garante o direito ao creditamento que efetuou. A Contribuinte, por estar situada na ZFM, importa ou adquire no mercado interno insumos com isenção (benefício fiscal concedido à ZFM), os quais são aplicados na industrialização de produtos que, ao dar saída da ZFM, também são isentos (a isenção na saída dos produtos decorre, igualmente, de favor fiscal dirigido à ZFM). O aproveitamento de crédito básico relativo a insumos adquiridos com isenção (crédito ficto), os quais foram utilizados na industrialização de produtos também alcançados por isenção (em virtude de incentivos próprios da ZFM), necessitaria de autorização legislativa expressa. Todavia, inexiste tal autorização. Na realidade, a pretensão da contribuinte de aproveitar crédito ficto acumulado em decorrência de saídas não oneradas pelo tributo (saídas isentas) representa cumulação de benefícios, que não encontra amparo na legislação tributária. Notese que, na situação pretendida, o Estado não só estaria incentivando a produção naquela zona de livre comércio, mas também pagando para lá se produzir. Tal cumulação de benefícios violaria, indubitavelmente, as regras da OMC, da qual o Brasil é membro. No que diz respeito à atualização monetária, constatase que tal matéria não subiu para exame deste Colegiado, haja vista que o Presidente da Câmara Recorrida não admitiu o especial nessa matéria, o que foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em seu Despacho de Reexame. Tal despacho é irrecorrível. Portanto, não cabe pronunciamento desta instância superior acerca da incidência da Selic no ressarcimento, distintamente do que entendeu o relator original. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres – redator do voto vencedor Fl. 843DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.001811/2007-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Especial da Procuradoria e a ele NEGAR PROVIMENTO.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente-substituto
(Assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-presidente), Henrique Pinheiro Torres (Presidente-substituto).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Especial da Procuradoria e a ele NEGAR PROVIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 11 /2 00 7- 60 Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidentesubstituto (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopes (Vicepresidente), Henrique Pinheiro Torres (Presidentesubstituto). Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 130100.226, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que por unanimidade dos votos, reconheceu de ofício a decadência para os fatos geradores até dezembro de 2001. Originariamente, o processo versa sobre Auto de Infração (fls. 23/46), cuja notificação foi em 08/10/2007 (fls. 43), para exigência de PIS e COFINS, decorrentes de exclusões supostamente não autorizadas na base de cálculo do IRPJ e CSLL e despesas supostamente indedutíveis, referentes a fatos geradores ocorridos de outubro de 2001 a dezembro de 2003, com aplicação de multa de 75% para os fatos geradores de 2001 e multa de 150% para os demais períodos. Na mesma fiscalização foram lavrados Autos de Infração correspondentes ao IRPJ, CSLL, IRRF (formalizados no Processo Administrativo nº 16327.001809/200791) e CPMF (formalizado no Processo Administrativo nº 16327.001813/200709). Impugnado o lançamento (fls. 486/505), a Delegacia de Julgamento de São Paulo/SP proferiu acórdão nº 1616.580, que julgou improcedente a Impugnação, o qual restou ementado da seguinte forma (fls. 560/583): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO. Na apuração da base de cálculo da contribuição ao PIS, somente poderão ser efetuadas as exclusões ou as deduções (da receita bruta) expressamente autorizadas pela legislação de regência e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO. Na apuração da base de cálculo da COFINS, somente poderão ser efetuadas as exclusões ou as deduções (da receita bruta) expressamente autorizadas pela legislação de regência e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 5 4 É cabível a exigência da multa de oficio qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, quando restar comprovada a ocorrência de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964. MULTA DE OFICIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A alegação de que a multa lançada seria confiscatória, não pode ser apreciada por esta instância de julgamento, já que passaria por um juízo de constitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, juízo esse de exclusiva competência do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. A utilização da taxa SELIC para o calculo dos juros de mora decorre de disposição expressa cm lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A perícia requerida na impugnação pode ser indeferida pelo julgador de primeira instancia se ela for considerada prescindível para o deslinde da questão. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses do art. 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente O contribuinte, então, interpôs Recurso Voluntário (fls. 595/616) em que alegou em síntese: (i) pela nulidade da decisão recorrida, vez que foi negado o pedido de realização de prova pericial e a juntada de novos documentos ao processo; (ii) que é insustentável a presunção de inexistência das empresas contratadas pelo contribuinte, visto que existem provas nos autos suficientes para a comprovação dos serviços prestados e da idoneidade da documentação; (iii) que suas despesas eram essenciais para o exercício de suas atividades; e (iv) pela inaplicabilidade da taxa de juros selic. Sobreveio o acórdão nº 130100.226 (fls. 722/746), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, que reconheceu de ofício a decadência para os fatos geradores de outubro a dezembro de 2001 e, no mérito, negou provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 PIS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Deve ser mantida a glosa de despesas que reduziram as bases de cálculo do PIS de instituição financeira quando não há qualquer comprovação nem detalhamento que possa atestar a efetiva prestação dos alegados serviços de intermediação financeira, contratados a terceiros. Além disso, o Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 6 5 conjunto das diligências empreendidas pelo Fisco nas empresas supostamente prestadores dos serviços demonstra, entre outras circunstâncias, empresas e sócios não localizados em seus endereços cadastrais e empresas que se declaravam inativas no período em que teriam prestado os serviços, levando à conclusão da utilização, pela autuada, de documentos ideologicamente falsos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 COFINS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Deve ser mantida a glosa de despesas que reduziram as bases de cálculo da COFINS de instituição financeira quando não há qualquer comprovação nem detalhamento que possa atestar a efetiva prestação dos alegados serviços de intermediação financeira, contratados a terceiros. Além disso, o conjunto das diligências empreendidas pelo Fisco nas empresas supostamente prestadores dos serviços demonstra, entre outras circunstâncias, empresas e sócios não localizados em seus endereços cadastrais e empresas que se declaravam inativas no período em que teriam prestado os serviços, levando à conclusão da utilização, pela autuada, de documentos ideologicamente falsos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito à ampla defesa quando a decisão recorrida rejeita fundamentadamente o pedido de perícia, por considerálo prescindível. Em decorrência, inexiste causa de nulidade do acórdão recorrido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Deve ser mantida a multa aplicada no percentual de 150% quando inexiste qualquer comprovação acerca da efetiva prestação dos serviços alegados e, alem disso, o conjunto das diligências empreendidas pelo Fisco nas empresas supostamente prestadores dos serviços demonstra, entre outras circunstâncias, empresas e sócios não localizados em seus endereços cadastrais e empresas que se declaravam inativas no Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 7 6 período em que teriam prestado os serviços, levando à conclusão da utilização, pela autuada, de documentos ideologicamente falsos. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Em face dessa decisão, o contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 757/782), que foi objeto de exame de admissibilidade no despacho nº 199/2011, o qual negou seguimento ao recurso, e objeto de reexame de admissibilidade no Despacho nº 199R/2011, que manteve o despacho anterior. Recurso Especial do contribuinte definitivamente não admitido. Também contra a decisão acima ementada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 945/967), em que argumenta que na decisão recorrida foi aplicado o prazo decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Alega a Fazenda Nacional que não havendo pagamento antecipado do tributo, como neste caso, o prazo decadencial aplicável seria o do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Asseverou, ainda, que o recolhimento antecipado de tributo, para fins de aplicação do art. 150, § 4º deve derivar de provas hábeis e idôneas, como DARFs ou relatórios ou planilhas elaboradas pela própria fiscalização. O recurso foi objeto de exame de admissibilidade no despacho nº 198/2011, em que lhe foi dado seguimento. O contribuinte, notificado do Recurso Especial da Fazenda, apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, em que argumentou: (i) Pela inadmissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vez que não há divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma, pois no presente caso houve pagamento parcial, conforme Comprovantes de Arrecadação (fls. 2364/2357) juntados com as Contrarrazões, emitidos do sítio da Receita Federal do Brasil, referentes ao pagamento dos tributos. (ii) Independentemente de haver pagamento parcial do tributo, deve ser aplicável o art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, por se tratarem de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. (iii) Ainda que se admita a aplicação do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o direito da Fiscalização estava decaído para os períodos em discussão, vez que o Recurso Especial 973.733/SC, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, o dies a quo desse artigo é “‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, o que seria equivalente ao “1º de janeiro do ano seguinte ao exercício em que ocorreu o fato gerador”. Dessa forma, para os fatos geradores de outubro a dezembro de 2001, o dies a quo seria Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 8 7 01/01/2002 e o dies ad quem seria 31/12/2006, estando decaído o direito da Fiscalização de lançar os tributes do período em questão, quando da ciência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 979/980, estando clara a divergência jurisprudencial, no pressuposto de que não existiria pagamento, pelo que dele conheço e passo a dispor. Quanto ao Recurso da Procuradoria, requerse a aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional, alegando que não houve pagamento parcial no período de outubro a dezembro de 2001. De outro lado, o Contribuinte alega que há pagamento parcial e, por se tratar de tributo cujo lançamento é realizado por homologação, deve ser aplicado o art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional independentemente de haver pagamento parcial. Subsidiariamente, argumenta que mesmo aplicandose o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, segundo a interpretação dada pelo Recurso Especial 973.733/SC, os tributos referentes ao período em questão estariam alcançados pela decadência. Importante mencionar que, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 10 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 11 10 Voltando ao presente caso, de fato, na decisão recorrida não houve a verificação de pagamento parcial dos tributos, justamente porque foi prolatada anteriormente à alteração do Regimento Interno deste Conselho, que adicionou o art. 62A do Anexo II, tendo sido aplicada a contagem do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, por se tratar de tributo sujeito a lançamento homologação e não restando configurado o dolo ou fraude nos meses de outubro a dezembro de 2001. Dessa forma, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho e dos acórdãos prolatados pelo Poder Judiciário nos termos do art. 543 C do CPC, fazse necessária a verificação de quitação parcial do tributo, para a aplicação da regra decadencial. Verifico que, conforme os Comprovantes de Arrecadação anexos às Contrarrazões (fls. 2364/2357), houve pagamento parcial tanto para o PIS (código de receita 4574) quanto para a COFINS (código de receita 7982) dos meses de outubro a dezembro de 2001. Importante mencionar que, como não havia sido levantado o questionamento quanto ao pagamento parcial em fase anterior ao Recurso Especial, até mesmo porque a decadência foi reconhecida de ofício no acórdão recorrido, devem ser acolhidos os documentos apresentados com as Contrarrazões, seja pela questão superveniente, seja porque se trata de documento que sempre foi de conhecimento da própria Receita Federal do Brasil, já que tratamse de DARFs de recolhimento, o que não causaria qualquer prejuízo à fazenda, seja porque a existência de pagamento pode ser aferida a qualquer momento. Nesse sentido, como há nos autos prova de que houve pagamento parcial, e não se tratando de lançamento de ofício em que houve dolo, fraude ou simulação, afastase a aplicação da contagem prevista no art. 173, inciso I. Aplico, portanto, o prazo previsto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, como no acórdão recorrido. Assim, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 16/10/2007 (fls. 48), o direito do fisco de lançar tais tributos já havia decaído para os fatos geradores dos tributos ocorreram em 31/10/2001, 30/11/2001 e 31/12/2001. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter a aplicação do dies a quo do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, vez que houve pagamento parcial dos tributos e não restou configurado evidente intuído doloso. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001811/200760 Acórdão n.º 9101002.129 CSRFT1 Fl. 12 11 Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10980.725496/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA.
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA.
Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tão-somente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecê-las, promovendo-se a glosa dos referidos dispêndios.
AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. REGULARIDADE.
Nos termos do parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, se, em exames posteriores, realizados no curso do processo, forem verificadas omissões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES.
Presentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos valores apurados por meio do procedimento de ofício, são capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, cabe incluí-lo no pólo passivo da obrigação tributária constituída.
Numero da decisão: 1301-001.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Miguel Gellert Krisgner Artur Noemio Grinbaun Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tãosomente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. REGULARIDADE. Nos termos do parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, se, em exames posteriores, realizados no curso do processo, forem verificadas omissões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 54 96 /2 01 1- 56 Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.450 2 aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. Presentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos valores apurados por meio do procedimento de ofício, são capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, cabe incluílo no pólo passivo da obrigação tributária constituída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.451 3 Relatório O litígio posto a julgamento instaurouse pela impugnação a autos de infração cientificados ao contribuinte em 20/10/2011, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos aos anoscalendário de 2007 a 2009, sob acusação de dedução indevida de despesa com amortização de ágio interno nos anoscalendário de 2007 a 2009, com imposição da multa de 75%, bem como aplicação de multa isolada em decorrência da falta ou insuficiência de pagamento de imposto com base em estimativas mensais. Auto de Infração Do Termo de Verificação Fiscal que integra os autos de infração litigados colhemse as seguintes informações: A Cálamo foi constituída como sociedade por quotas de responsabilidade limitada em 17/03/2004, com seu capital social dividido em 10.010.000 quotas, das quais 10.009.900 pertencentes a O Boticário Franchising (OBF), 80 a Miguel Gellert Krigsner e 20 a Artur Noemio Grynbaum, e pela 7ª alteração contratual foi transformada em sociedade anônima, com a denominação Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S.A., com o capital social dividido em 10.010.000 ações, sendo 8.008.000 pertencentes a Miguel Gellert Krigsner e 2.002.000 a Artur Noemio Grynbaum. A infração apontada relacionase à amortização de dois ágios, o primeiro no valor de R$ 1.168.982,33, apurado em novembro de 2003, e referente a investimento em Shopping Estação (antigo Espaço Estação Participações S.A.), pessoa jurídica incorporada pela Cálamo em 02/05/2007, e o segundo no valor de R$ 1.001.872.579,36, apurado por G&K Holding S.A. em 2006, quando da aquisição das ações da Cálamo por meio de incorporação de ações, e transferido à Cálamo via contas patrimoniais (R$ 972.017.437,44) e via Parte B do LALUR (R$ 29.855.141,92). O ágio referente a Shopping Estação decorreu de aumento de capital da sociedade G&K Empreendimentos e Participações S.A., integralizado mediante a conferência de ações, de propriedade dos subscritores Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, representativas do capital social de Estação Espaço Participações S.A. A autoridade fiscal aponta ser indedutível o ágio no valor de R$ 1.168.982,33, referente a investimento em Shopping Estação, por se tratar de ágio interno (gerado dentro do mesmo grupo). O ágio de R$ 1.001.872.579,36 foi apurado em reestruturação societária do grupo Boticário. A reestruturação iniciouse em 18/09/2006, com a criação de uma empresa mãe, a G&K Holding, com capital simbólico de R$ 1.000,00, na modalidade sociedade por ações, 80% das quais pertencentes a Miguel Gellert Krigsner e 20% a Artur Noemio Grynbaun. Essa mudança fez parte de uma reorganização mais ampla, de forma que em 18/12/2006 passaram a ser controladas integralmente pela G&K, além da Cálamo, as empresas Botica, Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.452 4 Embralog e O Boticário Franchising (OBF), todas do mesmo grupo e tendo como principais sócios Miguel e Artur. Antes de promover a reestruturação foi contratada a empresa de auditoria KPMG Corporate Finance Ltda., que elaborou laudos de avaliação das companhias que teriam suas ações incorporadas pela holding, conforme a seguir demonstrado: Companhia Valor do PL Valor da avaliação Variação (%) Diferença Botica Comercial Farmacêutica Ltda. 138.017.636,44 344.499.000,00 249,61 206.481.363,56 Cálamo Produtos de Beleza S.A. 56.726.062,67 1.068.417.000,00 1.883,47 1.011.690.937,33 Embralog – Emp. Bras. Logística Ltda. 1.445.607,50 7.693.000,00 532,16 6.247.392,50 O Boticário Franchising 53.795.131,43 605.537.000,00 1.125,64 551.741.868,57 Total 249.984.438,04 2.026.146.000,00 810,51 1.776.161.561,96 A diferença entre os valores do PL e da avaliação apontadas no quadro acima foram registradas pela G&K em seu Ativo, na conta 192080 – Ágio sobre Investimentos. Na mesma assembleia de 18/12/2006 foi aprovado aumento de capital da G&K mediante subscrição de 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas, com valor nominal de R$ 1,00 cada, integralizadas em moeda corrente pelo acionista IGP Fundo de Investimento em Participações, com preço de emissão fixado em R$ 50.000.000,00, dos quais R$ 4.613.618,00 destinados ao capital social e R$ 45.386.382,00 à constituição de reserva de ágio. As ações da G& K ficaram assim distribuídas: Acionista Ações Valor (R$) Miguel Gellert Krigsner 149.577.184 149.577.184,00 Artur Noemio Grynbaum 37.394.296 37.394.296,00 IGP fundo de Investimento em Participações. 4.613.618 4.613.618,00 TOTAL 191.585.098 191.585.098,00 Pela assembleia de 03/11/2008 foi aprovado: (i) aumento de capital social em R$ 304.049.679,00 (passou de R$ 191.585.098,00 para R$ 495.634.777,00), mediante conversão de parte das reservas de capital, de reavaliação e de lucro, com a emissão de 304.049.679 ações subscritas pelos acionistas Miguel, Artur e Votorantim G&K Fundo de Investimento; (ii) cisão parcial com versão do patrimônio cindido para as sociedades já existentes Botica, Cálamo, OBF e Embralog; (iii) redução do capital em função no montante de R$ 443.551.815,00 (passou de R$ 495.634.777,00 para R$ 52.082.962,00), em consequência da cisão. Após as alterações, o quadro societário da G&K ficou assim delineado: Acionista Ações Valor (R$) Miguel Gellert Krigsner 41.666.367 41.666.367,00 Artur Noemio Grynbaum 10.416.592 10.416.592,00 Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações 0 0,00 José Roberto de Mattos Curan 1 1,00 João Vinícius Prianti 1 1,00 João Paschoal Rossetti 1 1,00 TOTAL 52.082.962 52.082.962,00 Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.453 5 Entre os bens e direitos integrantes do patrimônio líquido da G&K vertidos constavam os seguintes: Investimentos – Botica R$ 175.536.160,00 Ágio investimento Botica R$ 193.298.809,52 () Provisão Instrução CVM 319/349 – ágio investimento Botica (R$ 193.298.809,52) Investimentos – OBF R$ 91.893.855,00 Ágio investimento OBF R$ 541.813.468,64 () Provisão Instrução CVM 319/349 – ágio investimento OBF (R$ 541.813.468,64) Investimentos – Cálamo R$ 108.930.728,00 Ágio investimento Cálamo R$ 972.017.437,44 () Provisão Instrução CVM 319/349 – ágio investimento Cálamo (R$ 972.017.437,44) Investimentos – Embralog R$ 4.727.072,00 Ágio investimento Embralog R$ 5.785.322,00 () Provisão Instrução CVM 319/349 – ágio investimento Embralog (R$ 5.785.322,00) Argumenta a autoridade fiscal que os pressupostos do ágio seriam a aquisição de participação societária e o fundamento econômico, e que o ágio, sob a ótica da legislação tributária, somente será dedutível na apuração do lucro real se originado de uma contraposição de receitas para quem vende e de um desembolso (custo) para quem compra. E que, no caso, do total de R$ 1.776.161.561,96 lançado pela G&K a título de ágio, somente houve desembolso de R$ 45.386.382,00, pagos pelo investidor externo (IGP Fundo de Investimento em Participações). Registra o TFV que a GDK amortizou o ágio mensalmente, considerandoo indedutível, e efetuou a adição no LALUR de 2007 e 2008. No que diz respeito à Cálamo, de janeiro de 2007 a outubro de 2008, a G&K amortizou R$ 29.855.141,92, sem deduzir tal despesa na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, restando um saldo de R$ 972.017.437,44. Quando da cisão esse saldo foi incorporado à própria Cálamo, passando a ser amortizado como despesa em parcelas mensais de R$ 16.200.290,62 (um sessenta avos R$ 972.017.437,44). De novembro de 2008 a março de 2009, o sujeito passivo constituiu mensalmente a provisão da amortização do ágio em sua contabilidade, no valor de R$ 16.200.290,62, e promoveu a reversão da referida provisão, tornandoa sem efeito fiscal. No entanto, no mesmo período e de abril a dezembro de 2009, excluiu mensalmente o valor de R$ 16.200.290,62 no LALUR, reduzindo as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos montantes de R$ 32.400.581,24 (relativo a novembro e dezembro de 2008) e R$ 194.403.487,49 (relativo aos 12 meses do ano de 2009). Além disso, a partir de 2008 começou a excluir, diretamente no LALUR, o montante de R$ 29.855.141,92, não usado pela G&K para fins fiscais, em 60 parcelas mensais de R$ 497.585,70. Destaca a autoridade que a G&K, embora ainda ativa, funcionou como uma espécie de empresa veículo, e que a Cálamo recebeu de volta da investidora seu próprio patrimônio devidamente acrescido do “ágio” produzido na operação anterior de incorporação de ações, não tendo ocorrido nenhuma alteração substancial com relação à efetiva titularidade patrimonial das ações nessa operação. No desenvolver de suas considerações, a autoridade fiscal faz referência: (i) à obra de Marco Aurélio Greco, “Planejamento Tributário (Editora Dialética), afirmando que seu Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.454 6 “Capítulo XVI – Operações Preocupantes” enumera algumas modalidades de planejamento tributário com escassas chances de oposição ao Fisco, mencionando a figura do “ágio em si mesmo”, tratado no item XVI. 10; (ii) ao Ofício Circular /CVM/SNC/SEP nº 01, de 14/02/2007, que trata de “ágio interno” e, (iii) a parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa, que trata da contabilização de ágio gerado internamente. A autoridade fiscal assenta ter restado caracterizado que o resultado das reestruturações foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, e que o que houve na Cálamo foi a contabilização de “ágio em si mesma”. Sobre o ofício circular da CVM a respeito do ágio gerado em operações internas, diz que a circunstância de ter sido emitido em 2007 não significa que os fatos considerados antes de sua edição sejam legais e tenham substância econômica. E argumenta que a Contabilidade nunca admitiu, nem mesmo antes da Lei nº 11.638/2007, o reconhecimento do ágio gerado intragrupo. Conclui que se contabilmente o ágio interno não é aceito, também não o é para efeitos tributários, pois se o intangível gerado internamente não é Ativo para a Contabilidade, o lucro líquido não pode ser reduzido por um ativo inexistente. Em razão das irregularidades tributárias que entendeu terem ocorrido, uma vez que “as transações que deram origem aos referidos ‘ágios’ carecem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para serem excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL” a autoridade fiscal glosou os seguintes valores: R$ 1.168.982,22, excluído em maio de 2007, quando a Cálamo incorporou a K&G Participações S.A./Espaço Estação Participações S.A./Shopping Estação Ltda., relativo ao ágio migrado da Estação Empreendimentos e Participações Ltda. em 01/09/2006, quando de sua incorporação pela Cálamo; R$ 33.395.752,64, somatório das parcelas de R$ 32.400.581,24 (Provisão p/ Realização de Ágio – Incorp. G&K) e de R$ 995.171,40 (Ágio Incorporação G&K), excluídas no LALUR em dezembro de 2008; R$ 200.374.515,87, somatório das parcelas de R$ 194.403.487,49 (Provisão p/ Realização de Ágio – Incorp. G&K) e de R$ 5.971.028,38 (Ágio Incorporação G&K), excluídas no LALUR ao longo de 2009. Em razão das glosas, as bases de cálculo das estimativas mensais tiveram um acréscimo, sendo imposta a multa isolada prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Impugnação. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva, instruída com os documentos de fls. 1541 a 1795, assim sintetizada na decisão recorrida: 1Com relação ao ágio apurado na operação de incorporação de ações no anocalendário de 2006: a) no tópico “Da operação de incorporação de ações: uma opção empresarial legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no grupo Boticário”, aduz que no começo de 2006 o organograma do grupo Boticário era integrado pelas seguintes empresas operacionais: O Boticário Franchising (OBF, a holding mista), Botica Comercial Farmacêutica Ltda. (Botica), Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza Ltda. (Cálamo, a interessada) e Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.455 7 Empresa Brasileira de Logística Ltda. (Embralog) (doc. 2); que acionistas do grupo Boticário também possuíam investimentos no Estação Empreendimentos e Participações, Shopping Estação Ltda. e Estação Convention Center Ltda.; que, nada obstante a boa performance empresarial do grupo no segmento de cosméticos, as empresas do setor de shopping center e centro de convenções vinham operando de forma deficitária; b) que, como a função de holding do grupo Boticário desviava a OBF de seu foco empresarial principal (negócio de franquia), decidiuse pela criação de uma holding pura para as empresas operacionais do grupo, para estabelecer as políticas de governança corporativa e gestão estratégica e ser a receptora do investimento do provável novo acionista; que as participações societárias na Embralog, Botica e Cálamo foram retiradas do patrimônio da OBF e transferidas para as pessoas físicas dos acionistas; a Estação Empreendimentos e Participações Ltda. (EE) foi incorporada pela Cálamo, que passou a ser controladora do Shopping Estação (SE) e da Estação Convention Center Ltda. (ECC) (doc. 3); c) em 18/09/2006 foi constituída uma holding pura, a G&K Holding S/A. (G&K); em 01/11/2006 a ECC foi incorporada pela Cálamo (doc. 3); em 18/12/2006 a G&K incorporou a totalidade das ações das empresas operacionais, transformandoas em subsidiárias integrais (art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976), com aprovação do novo Estatuto Social e assinatura de Acordo de Acionistas (Doc. 6); que constou do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações da Cálamo que: “A operação de incorporação de ações ora proposta representa a continuidade de uma ampla reestruturação societária e patrimonial já iniciada pelo grupo Boticário, a qual tem por principais objetivos a obtenção de uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial das empresas envolvidas e a segregação dos distintos segmentos de negócio do grupo”; em 28/02/2007 a Impugnante efetuou a venda dos ativos (principalmente imóveis e equipamentos) do SE e ECC a terceiros e em 02/05/2007 incorporou totalmente o acervo líquido remanescente do SE (doc. 3); d) no tópico “Apuração do ágio: uma consequência do processo de incorporação de ações determinada em lei e plenamente aplicável ao caso concreto” assevera que o critério adotado na avaliação das ações apresenta sólida justificação empresarial e trata se de um dos elementos inerentes ao instituto jurídico da incorporação de ações; que a avaliação do valor das ações é consequência do processo de incorporação, como um elemento necessário e indispensável a sua realização, mas não o objetivo ou finalidade do processo; que as ações foram avaliadas com base na efetiva capacidade econômica do negócio, dimensionada pela perspectiva de rentabilidade futura segundo o critério do fluxo de caixa descontado; e) que, concomitantemente à incorporação de ações ocorrida em 18/12/2006, o IGPFundo de Investimento em Participações (IGP), administrado pela GP Administração de Recursos S/A., subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K ao preço total de R$ 50 Milhões (doc. 4), valor equivalente a 42,85% da disponibilidade financeira do grupo em 30/11/2006 (doc. 5); que a definição do percentual de participação de 2,41% do IGP no capital da G&K foi estabelecida com base no valor econômicofinanceiro das empresas operacionais do grupo apurado no laudo de avaliação (art. 8º da Lei das S/A) elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (KPMG); que a relação de substituição das ações da Cálamo pelas da G&K foi definida com base no valor econômicofinanceiro de ambas as companhias, tendo o laudo de avaliação da KPMG estabelecido para cada ação da Cálamo o valor de R$ 60,13, perfazendo o montante de R$ 1.068.417 mil, com ágio de R$ 1.011.737.338,93; Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.456 8 f) no tópico “Das razões empresariais que motivaram a cisão parcial e seletiva da G&K em 03/11/2008: a amortização do ágio como consequência expressa da lei tributária” argumenta que o ingresso do novo sócio e a implementação da reestruturação implicou no incremento do desempenho empresarial alcançado por todas as empresas do grupo Boticário nos anos de 2007 e 2008 (doc. 3); em 09/10/2008 as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado de Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações (Votorantim); g) que a cisão parcial seletiva desta holding foi motivada por divergências na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista minoritário estratégico; que os acionistas controladores da G&K decidiram que o grupo deveria crescer não apenas de forma “orgânica” (via operações próprias), mas também através de aquisições de outras marcas e exploração de outros canais de venda, mas o Votorantim manifestou discordância, porquanto tais aquisições iriam comprometer a rentabilidade de curto prazo do investimento; em consequência, foi idealizada a cisão parcial seletiva e desproporcional do patrimônio da G&K em quatro parcelas, seguida de respectivas incorporações pelas empresas operacionais; h) com base em projeções de resultados futuros, foi acordado que, na relação de substituição das ações que detinha na G&K, caberia ao Votorantim a participação de 3,11% das ações representativas do capital da OBF e da Cálamo, as quais não seriam utilizadas no projeto de novas aquisições; que a G&K manteve 1% de participação no capital de cada uma das empresas operacionais; que coube às empresas operacionais (incorporadoras) o registro contábil de ativos representados pela parcela do investimento e respectivo ágio, tal como cindida do patrimônio da G&K; que as incorporações inversas ensejaram, como consequência expressamente prevista na legislação tributária, a possibilidade de amortização do ágio de forma dedutível e a reversão, contra o resultado do exercício, de correspondente montante da provisão do ágio; i) no tópico “Da efetiva implementação do plano de expansão” argui que a cisão parcial e seletiva da G&K permitiu que o grupo iniciasse o processo de expansão mediante aquisições e entrada no canal de venda direta (venda “porta a porta”); que a cisão parcial e seletiva da G&K foi norteada por razões empresariais sólidas; que a amortização do ágio na Impugnante foi mais uma decorrência dessa etapa, que faz parte de um processo muito mais amplo de reestruturação societária e empresarial envolvendo os acionistas originais do grupo Boticário e outros acionistas totalmente independentes, não relacionados; que as operações em questão não foram casuísticas, temporárias, inconsistentes, contraditórias ou efetivadas com base em atos societários e contratuais sucessivos e cronologicamente próximos, de forma a desnaturar a efetiva vontade das partes envolvidas ou com uso abusivo de institutos jurídicos ou mediante fraude a alguma lei que proibisse as operações e seus efeitos decorrentes; j) no tópico “Das infundadas alegações das autoridades fiscais para glosar os encargos de amortização de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL”, relata que as autoridades fiscais embasaram seu entendimento exclusivamente sob o enfoque contábil de estudos relacionados ao ágio (com base em entendimentos emitidos pela CVM, assim como pelo Professor Eliseu Martins): que os pressupostos do ágio seriam a aquisição de participação societária e o fundamento econômico; que embora seja uma sociedade devidamente constituída e ainda ativa, a G&K teria funcionado como uma “espécie de empresa veículo” e que cada uma das quatro investidas do grupo teriam recebido de volta o ágio produzido na operação anterior de incorporação de ações; se contabilmente o “ágio interno” não é aceito, não deveria ser aceito Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.457 9 também para efeitos tributários; a despesa com o ágio não era necessária e, portanto, não dedutível, nos termos do art. 299 do RIR de 1999; somente quem despendem recursos para fazer frente a um ágio, terá direito a amortizálo e deduzilo da base de cálculo dos tributos; k) no tópico “Aspectos prejudiciais a toda a linha de acusação desenvolvida pela fiscalização” aduz que a figura do ágio interno é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária que envolveu a Impugnante; que a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legítimo movimento de reestruturação muito mais abrangente; que a figura do ágio interno era, até muito recentemente (até o advento dos Comitês de Pronunciamentos Contábeis CPC, decorrentes da Lei nº 11.638, de 2007) uma construção meramente teórica, exclusiva da Ciência Contábil; todavia, mesmo segundo os conceitos da construção teórica não há como se considerar que o ágio apurado nas operações realizadas no grupo Boticário tenha conotação de ágio interno; l) que a operação de incorporação das ações da Impugnante viabilizou o ingresso do IGP como novo acionista estratégico do grupo Boticário, e o critério de avaliação (valor econômicofinanceiro) dessas ações resultou de um legítimo processo de negociação entre os acionistas da G&K e o IGP; que o ágio decorre da aquisição de participações societárias, ato que pode ser realizado pelas mais variadas formas previstas em lei, sendo que a compra e venda – única forma que pressupõe pagamento – é apenas mais uma delas; no presente caso, a aquisição se deu por meio de uma incorporação de ações, cujo custo de aquisição é o valor das ações conferidas aos titulares das ações incorporadas, tendo como contrapartida contábil a constituição de um passivo na conta capital social; m) ressalta que a norma da CVM que regula a constituição da provisão do ágio tem dois propósitos distintos: um deles é de natureza exclusivamente contábil e diz respeito ao reconhecimento do ágio na incorporadora pelo montante do efeito tributário esperado com a sua amortização (34% do valor do ágio como ativo fiscal diferido); o outro propósito é de natureza societária e diz respeito à política de preservação e incentivo de pagamento de dividendos aos acionistas minoritários; que, em atendimento ao CPC 04, regulamentado pelo CPC 02, o ágio fundamentado em rentabilidade futura passou a ser classificado no Ativo Intangível, razão pela qual no período de abril a dezembro/2009 deixou de contabilizar a apropriação desse ágio no Ativo Diferido, com estorno da apropriação feita nos meses de janeiro a março/2009; n) afirma que foi a G&K quem efetivamente apurou o ágio na Cálamo e teve parcela do seu patrimônio incorporada por esta última; a G&K não funcionou como empresa veículo, pois não transferiu o ágio de nenhuma outra entidade para a Impugnante; que a G&K é uma sociedade holding ainda ativa, que nasceu com suficientes propósitos empresariais e não teve vida efêmera, tendo sua cisão sido embasada em sólidas razões empresariais; que é descabida a tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, por versar sobre a glosa de exclusões procedidas no LALUR e cujo valor havia sido anteriormente adicionado quando da constituição da provisão; que, tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão deve ser excluído do lucro real e da base de cálculo da CSL, sob pena de tributação em duplicidade; o) no tópico “Do direito que ampara a amortização do ágio pela Impugnante independentemente da caracterização que possa lhe ser atribuída pela ciência contábil”, alega Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.458 10 que a distinção entre Ciência Contábil e Direito Contábil é da maior relevância à identificação do melhor Direito a ser aplicado ao caso, pois à época das reorganizações societárias envolvendo a Impugnante, a figura do ágio interno era uma mera construção teórica da Ciência Contábil, sem qualquer respaldo normativo no Direito Societário, bem como e principalmente, como ocorre até os dias atuais, sem qualquer respaldo normativo no Direito Tributário; p) que a Ciência Contábil é uma ciência social que tem por objeto o estudo do registro das informações econômico financeiras de determinada entidade, com a finalidade de se apurar o seu patrimônio e respectivas variações no decorrer do tempo; que o Direito Contábil tem por objeto a materialização das construções da Ciência Contábil sob o âmbito normativo, tornandoas de observância obrigatória por parte das entidades jurídicas; que o Direito Contábil divide: (i) Direito Contábil Societário e, (ii) Direito Contábil Fiscal (Tributário); que o arcabouço das normas contábeis está previsto na legislação comercial/societária, mas as regras e práticas contábeis acabaram sofrendo grande influência da legislação tributária; que a definição de muitos tributos dependem de conceitos formados a partir da Ciência Contábil, desde que necessariamente positivados pelo Direito Contábil Fiscal (Tributário); q) que, para a apuração do lucro real (contabilidade fiscal) partese do lucro líquido (regras da legislação societária/contabilidade societária) para então serem feitas as adições, exclusões ou compensações; há muitos pontos de intersecção entre a Ciência Contábil, o Direito Contábil Societário e o Direito Contábil Fiscal, especialmente no que tange às regras de apuração da base de cálculo do IRPJ, mas nem todas as regras são coincidentes; que à época da incorporação das ações da Interessada pela G&K, a figura do ágio interno era, de fato, uma construção exclusivamente teórica da Ciência Contábil; que o Ofício Circular CVM/SNC/SEP n° 01/2007, da CVM só veio a abordar o tema do “Ágio gerado em operações internas” em momento posterior, sem representar Instrução de observância obrigatória; a norma que, de fato, passou a dispor e a regular o ágio gerado internamente só veio a integrar o Direito Contábil Societário com a aprovação do CPC n° 04/10, introduzida em nosso ordenamento na esteira das normas da Lei n° 11.638, de 2007; r) no tópico “Da distorcida interpretação da fiscalização quanto ao entendimento do professor Eliseu Martins e da Comissão de Valores Mobiliários. Da inexistência de ‘empresa veículo’ no caso concreto” argui que o cerne do Parecer de Autoria de Eliseu Martins, citado pela Fiscalização, consiste no questionamento da aplicação do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002; que, conforme afirma o próprio Professor Eliseu Martins em seu Parecer, as sociedades veículo são criadas e extintas em curto intervalo de tempo, sem qualquer propósito negocial; que esse parecer concluiu no sentido de que a operação possuía respaldo na legislação tributária; s) no tópico “Das diversas formas de aquisição de bens reguladas pelo Direito” assevera que a Lei das S/A não aborda expressamente a temática do ágio na aquisição de participação societária, mas a CVM já se manifestou a esse respeito, por meio da Instrução CVM n° 247/96; que, ao analisar o caso concreto, as autoridades fiscais concluíram, equivocadamente, que o ágio gerado seria inválido, pois teria sido gerado em uma operação na qual não houve “pagamento”, com exceção daquele feito pelo IGP, e ter sido realizada entre partes vinculadas; t) no tópico “Negócio jurídico de incorporação de ações” explica que na incorporação de ações ocorre, regra geral, o aumento do capital da sociedade incorporadora, Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.459 11 que passa a ter a outra sociedade como sua subsidiária integral; que os acionistas da incorporada subscrevem aumento de capital da incorporadora com as ações de sua propriedade, tornandose acionistas da incorporadora; na incorporação de ações, não há “pagamento”, que é uma contraprestação do negócio jurídico de venda e compra, e que o valor das ações incorporadas corresponde ao valor das ações da incorporadora que serão recebidas pelos titulares das ações incorporadas, desde que tal valor esteja suportado por laudo de avaliação (art. 252, §§ 1º e 3°, da Lei das S/A); u) no tópico “Natureza jurídica do ágio para o Direito Contábil Fiscal/Tributário – Novamente as diversas formas de aquisição” ressalta que a legislação tributária brasileira (Direito Contábil Fiscal/Tributário) confere o mesmo tratamento ao ágio e ao deságio na aquisição de participação societárias que o previsto na legislação societária (Direito Contábil Societário), conforme art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977; que o custo de aquisição das ações incorporadas é o valor das ações conferidas aos titulares dessas ações, tendo como contrapartida da contabilização desse ativo a constituição de um passivo na conta capital social; em nenhum momento o art. 20, II do DL n° 1.598, de 1977, menciona a palavra “pagamento” ou “desembolso”, mas sim custo; que o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição (v.g. permuta, dação em pagamento, doação, conferência de bens para integralização de capital e incorporação de ações); v) acerca da existência de “partes relacionadas”, aduz que para fins do Direito Societário não há qualquer óbice na legislação à realização da operação de incorporação de ações entre pessoas que possuam algum tipo de vinculação; a existência de partes vinculadas pode ensejar um tratamento diferenciado para os efeitos da operação pelo Direito Tributário, como ocorre com as regras de Distribuição Disfarçada de Lucros, Preços de Transferência e subcapitalização; contudo, no presente caso, não há qualquer dispositivo previsto na legislação tributária que estabeleça algum tratamento diferenciado para a incorporação de ações entre partes vinculadas; w) no tópico “Isonomia com tratamento fiscal do deságio” afirma que, caso a aquisição da participação societária tivesse se dado por valor inferior ao valor de patrimônio líquido, a Impugnante teria reconhecido um deságio nos termos do art. 385, II do RIR de 1999, cujo valor o Fisco entende configurar receita tributável; x) no tópico “Do lançamento manifestamente contrário à Lei – violação aos arts. 142 do CTN e 8º, b, da Lei n° 9.532/97” alega que a expressão “ágio de si mesmo” embute em si um argumento de pura retórica, pois contraria frontalmente o que dispõe a legislação vigente; que o art. 7º, III da Lei n° 9.532, de 1997, com a redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998, disciplina o aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão da investida com absorção da totalidade ou parte de seu patrimônio pela investidora; todavia, o art. 8º, “b” dessa lei também dispensa o mesmo tratamento no caso de operação inversa, hipótese em que sempre haverá o denominado “ágio de si mesmo”, pois sempre a incorporada, fundida ou cindida será a investidora e não a investida; y) o que importa para fins fiscais é que o ágio apurado na aquisição de investimento e baseado em rentabilidade futura seja amortizado com o lucro produzido pela mesma entidade que recebeu o investimento, seja através da incorporação, fusão ou cisão da investida com absorção de seu patrimônio pela investidora (art. 7º da Lei n° 9.532, de 1997), seja através do inverso (art. 8º); que, o art. 142 do CTN dispõe que o lançamento é atividade vinculada à lei e não às Instruções e Ofícios Circulares da CVM, mas as autoridades fiscais Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.460 12 adotam conduta justamente contrária, fundamentando o lançamento nas normas da CVM e, quando invocam a lei, utilizando dispositivo totalmente inaplicável, qual seja, o art. 299 do RIR de 1999, ao invés dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997; z) no tópico “Do equívoco cometido pelas autoridades fiscais com relação às normas aplicáveis à dedutibilidade de despesas” argumenta que o disposto no artigo 299 do RIR de 1999 é uma norma geral de dedutibilidade que não pode se sobrepor à norma específica de dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio, prevista no art. 386, III, § 2º, do RIR, de 1999; ainda que fosse aplicável o art. 299 do RIR de 1999 ao caso concreto, as autoridades fiscais não esclareceram razão pela qual a amortização do ágio não seria necessária; por outro lado, ao capitular o lançamento no art. 299 do RIR de 1999, as autoridades fiscais admitem que o ágio seria plenamente dedutível, independentemente de se tratar de ágio interno ou externo; aa) no tópico “Da inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização” assevera que os ajustes na base de cálculo da CSL sempre foram feitos através de lei; que o regime jurídico de apuração da base de cálculo da CSL está dissociado daquele previsto para o IRPJ; que ao mesmo tempo em que o legislador, através do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, determinou a aplicação das mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ à CSL, ele também determinou que fossem mantidas a base de cálculo e alíquotas da CSL previstas na legislação em vigor; que em nenhum momento a legislação posterior (Leis n°s 9.249, de 1995, e 9.430, de 1996) determinou que os encargos com amortização do ágio ou mesmo as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real fossem adicionados à base de cálculo da CSL; bb) no tópico “Da impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com a multa de ofício – dupla penalidade sobre a mesma suposta infração” alega que a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada prevista no artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, configura o denominado bis in idem, absolutamente inadmissível em nosso ordenamento jurídico; que o art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 93, de 1997, ao disciplinar o art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, impede a exigência do tributo principal não pago no vencimento, bem como outra multa que a não a de ofício; cc) no tópico “Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício” argui que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. 2 No que se refere ao ágio apurado na operação de aumento de capital no anocalendário de 2003, acrescenta as seguintes alegações de defesa: a) no tópico “Do evento gerador do ágio apurado em 2003 e seu respectivo tratamento fiscal em 2007” argumenta que, de acordo com a AGE de 28/11/2003 (doc. 1), os acionistas decidiram aumentar o capital social da então K&G Empreendimentos e Participações (K&G ou EE) de R$ 801.000,00 para R$ 42.688.998,00; que a integralização foi efetuada mediante a conferência de 41.887.998 ações representativas do capital social da Espaço Estação Participações S/A., conforme laudo de avaliação e respectivo boletim de subscrição (fls. 634637), tendo a K&G Empreendimentos e Participações apurado um ágio no valor de R$ 1.168.982,33; b) que em 01/11/2004 a Casamoro Empreendimentos S/A. foi parcialmente cindida, tendo a parcela do patrimônio cindido sido incorporada pelo Espaço Estação Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.461 13 Participações S/A., cuja denominação social foi alterada para Shopping Estação Ltda. (SE), com modificação do tipo societário; os acionistas decidiram se desfazer dos negócios no segmento imobiliário, razão pela qual em 2006 e em 2007 efetuaram a alienação de parte dos ativos (principalmente imóveis e equipamentos) do SE e EE a terceiros, após o que a Impugnante incorporou a EE e o SE em 01/09/2006 e 02/05/2007, respectivamente; como o ágio apurado em 2003 estava registrado no ativo permanente da EE (fl. 31), este, por sucessão, veio a compor o ativo da Impugnante, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação Total (fls. 3037) ; c) com a venda dos ativos do SE em 28/02/2007, o patrimônio remanescente desta entidade restou representado apenas por disponibilidades, créditos entre empresas e impostos diferidos, ou seja, o patrimônio a mercado desta entidade passou a corresponder ao seu patrimônio líquido contábil, conforme laudo de avaliação (fl. 139 e seguintes); que com a incorporação do SE em 02/05/2007, a Impugnante apurou uma perda de capital correspondente à diferença entre o valor contábil do seu investimento, incluindo o ágio apurado em 2003, e o valor do acervo líquido incorporado, razão pela qual o ágio foi deduzido integralmente do lucro real e base de cálculo da CSL da Impugnante; d) todavia, as autoridades fiscais entenderam que este ágio era indedutível por se tratar de ágio interno, entendimento este equivocado, pois, como visto, referido ágio decorreu de movimentações societárias empreendidas com o objetivo de se organizar os investimentos no segmento imobiliário, com o legítimo propósito de subsequente alienação dos respectivos ativos a estes relacionados; e) no tópico “Da decadência/preclusão do direito do fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2003 e sua respectiva dedução quando da incorporação do ‘Espaço Estação’ pela Impugnante, ocorrida em 2007” ressalta que as autoridades fiscais não consideraram as operações acima descritas como fraudulentas ou tendo sido praticadas com dolo ou simulação, haja ter sido lançada a multa normal de 75%, e não a majorada de 150%; f) que as autoridades fiscais efetuaram a glosa do ágio apurado no aumento de capital da K&G em 28/11/2003, mediante conferência de ações da Espaço Estação Participações S/A., a qual foi incorporada pela Impugnante em 02/05/2007; que o direito à apuração do ágio foi exercido em 28/11/2003, razão pela qual o Fisco não poderia mais questionálo por meio de auto de infração lavrado em 20/10/2011, eis que transcorrido o prazo de decadência de cinco anos contados do fato “originário” do ágio; 3 Ao final, protestando desde logo provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requereu: sejam acolhidas as razões de fato e de direito anteriormente aduzidas, com a decretação da improcedência integral das presentes autuações, extinguindose, por consequência, os supostos créditos tributários de IRPJ e de CSL exigidos e arquivando se o respectivo processo administrativo; . caso não seja esse o entendimento da DRJ, requereu, de forma subsidiária: (i) a exoneração do suposto crédito tributário da CSL, eis que não há possibilidade de se glosar os encargos com dedução/amortização de ágio da sua base de cálculo com base no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995; (ii) o cancelamento da multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício e a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.462 14 O processo foi devolvido pela DRJ à DRF/Curitiba, com fundamento no art. 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, para lavratura de autos de infração complementares para qualificação da multa de ofício e atribuição de responsabilidade tributária solidária aos sócios da interessada, com reabertura de prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, haja vista restar demonstrada nos autos a criação de condições artificiais para possibilitar a amortização indevida do ágio pela interessada. Auto de infração Complementar Foram lavrados autos de infração complementares (fls. 2073/2079) exigindo recolhimento de R$ 44.051.109,53 e R$ 15.858.399,44 de diferenças das multas de ofício qualificadas de IRPJ e CSLL previstas no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, e Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária em nome de Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, respectivamente, com fundamento dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966, em face de restarem caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Impugnação Complementar Em impugnação aos autos de infração complementares foi suscitada a nulidade do despacho que devolveu os autos à DRF, por inobservância do devido processo legal, violação ao art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/72, e às Portarias SRF nº 454/2004 e MF nº 341/2011, e por ausência de motivação, cujo efeito é invalidação de todos os atos praticados posteriormente ao ato nulo, inclusive o lançamento complementar. Foi também arguida a nulidade do lançamento complementar por violação ao art. 146 do CTN. No mérito, o contribuinte defendeu a legalidade de sua conduta, afirmando inexistirem operações estruturadas em sequência com finalidade única e exclusiva de reduzir tributos. Contestou a inferência de que a declaração contida no Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações de 18/12/2006 não seria verdadeira, afirmando que não foi apresentada qualquer comprovação, documento, indício ou prova de que o objetivo ali declarado não era de fato verdadeiro, e que no auto de infração anterior, nenhuma palavra foi escrita a respeito de step transaction, mas agora, tudo se encaixaria nesse conceito. Aduziu que os Agentes Fiscais ao mencionar muitas operações praticadas antes e depois da incorporação de ações, assim como antes e depois da cisão parcial, as quais não mantêm qualquer relação de interdependência. Ponderou que embora essas operações possam e devam ser interpretadas no mesmo contexto maior de reorganização societária, elas tinham propósitos negociais específicos e a amortização do ágio não dependia de nenhuma delas. Apontou as seguintes “omissões” dos Agentes Fiscais: (i) não foi feita nenhuma menção à relevância dos recursos aportados pelo IGP (R$ 50 milhões = 42,85% da disponibilidade financeira de todo o grupo); (ii) não houve nenhuma referência ao Acordo de Acionistas firmado entre o IGP e a G&K; (iii) que a cisão da G&K foi motivada por divergências na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista estratégico. Alegou que a cisão de ativos da G&K (99% do saldo total dos investimentos e uma parte do saldo de disponibilidades) seguida de incorporações inversas pelas empresas operacionais atingiu aos seguintes objetivos: (i) cisão de investimentos: excluir o Votorantim Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.463 15 de participar na G&K Holding; (ii) cisão de disponibilidades: prover a empresa Botica de recursos a serem utilizados nas futuras aquisições de novos negócios. Enumerou as operações praticadas após a cisão parcial e seletiva da G&K: constituição da empresa GKDS Assessoramento em Produtos de Beleza Ltda., aquisição da Frajo Internacional de Cosméticos Ltda. pela Lourabe Cosméticos e Perfumaria Ltda. (controlada pelos acionistas pessoas físicas do grupo) e aquisição de participação minoritária na empresa Scalina S/A. Acrescentou que os Agentes Fiscais também deixaram de fazer referência ao desfazimento dos negócios relacionados às atividades de shopping center e centro de convenções e a incorporação dessas empresas pela Impugnante. Indagou como se pode falar em step transactions na presença de um investidor externo – cujo comportamento não está sob seu controle – que ingressou como acionista estratégico do grupo Boticário dois anos antes e que veio a discordar da forma de expansão dos seus negócios, dando ensejo a um processo de cisão parcial seletiva na holding da qual participava; Asseverou inexistir abuso de direito, aduzindo que o art. 187 do Código Civil considera o abuso de direito como um ato ilícito, mas apenas quando o ato praticado exceder manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, e que esse conceito não pode ser construído sem uma leitura conjugada com o art. 188, I, do mesmo diploma, segundo qual o exercício regular de um direito não constitui ato ilícito. Afirmou ser descabida a tese defendida pelos Agentes Fiscais, de que os eventos societários em questão teriam sido praticados com o objetivo exclusivo de economizar tributos, mas, mesmo que assim fosse, a economia de tributos não pode e não deve ser considerado um ato ilícito. Acrescentou não haver excesso à boa fé da pessoa, e que não é enganada a boa fé do Fisco quando o contribuinte age às claras, sem nada esconder, expondo ao crivo da fiscalização tudo o que fez, exatamente como ocorreu no caso analisado. Afirmou que os Agentes Fiscais não comprovaram as presenças de dolo e de fraude; que não comprovaram, através de documentos hábeis ou da demonstração de patologias nos documentos hábeis que lhes foram apresentados (falsificações, adulterações, etc.), que as declarações de vontade constantes dos documentos societários não eram efetivas; que o montante do ágio e o valor dos dividendos e juros sobre capital próprio recebidos pelos acionistas não têm qualquer relação com eventual dolo na apuração dos tributos da pessoa jurídica e nada mais representa do que o exercício de um direito previsto na legislação societária e tributária; Requereu o cancelamento do auto de infração complementar por aplicação do art. 112 do CTN, afirmando que os Agentes Fiscais socorreramse das lições do Prof. Marco Aurélio Greco a respeito de como a realidade de um planejamento tributário pode ser visualizada, mas deixaram de levar em conta sua posição radicalmente oposta no que se refere à aplicação de multas qualificadas no lançamento relacionado a planejamentos tributários. Afirmou existir dúvida na interpretação e aplicação da legislação tributária pelos Agentes Fiscais, não havendo qualquer espaço para o cabimento da multa qualificada, e que o elevado grau de incerteza na qualificação jurídica da conduta impõe a aplicação do princípio da “benigna ampliada”, consagrado no artigo 112 do CTN. Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.464 16 Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner também apresentaram impugnação, nas quais reiteram as alegações de defesa apresentadas pelo contribuinte e acrescentam que: (i) o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, não contempla a hipótese de lançamento complementar para atribuição de responsabilidade solidária; (ii) o recebimento de dividendos e JCP caracterizamse como exercício de um direito, não podendo ser usado para justificar a aplicação do art. 187 do Código Civil, pois não há que se falar em abuso de direito na qualidade de administradores da Cálamo; (iii) que os Agentes Fiscais entenderam que o simples fato de serem acionistas da Cálamo e dela receberem dividendos e JCP seria suficiente para caracterizar o “interesse comum” a que se refere o art. 124, I, do CTN; (iv) que esse interesse comum, para fins de atribuição de responsabilidade solidária, não está relacionado com eventual “interesse econômico” (efetivação do negócio), mas sim com o interesse jurídico na constituição do fato gerador, ou seja, quando duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente um determinado fato gerador e sejam, todas elas, sujeitos passivos do mesmo tributo; (v) que os acionistas não podem ser automaticamente considerados coobrigados solidários de sociedades das quais participem, posto não serem sujeitos passivos do IRPJ e CSL e não terem a menor condição ou capacidade jurídica de praticar o fato gerados desses tributos;(vi) que a solidariedade não é um tipo de sujeição passiva por responsabilidade indireta, nem tampouco é uma forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária; (vii) que os devedores solidários não são terceiros, mas sim aqueles que efetivamente realizam o fato gerador de forma conjunta e que sejam, ambos, sujeitos passivos do mesmo tributo; (viii) que os Agentes Fiscais imputaram a responsabilidade com fulcro no art. 135, III, do CTN, alegando que, na qualidade de administradores, as pessoas físicas indigitadas agiram de forma dolosa, com o objetivo de reduzir a carga tributária da Cálamo, através das denominada s step transactions; (ix) que não há a menor possibilidade de as operações em questão serem consideradas como step transactions, uma vez que (ix.1) os Agentes Fiscais omitiram muitas outras operações que estavam inseridas no contexto maior de reestruturação das empresas; (ix.2) as operações não foram encadeadas em sequência e eram independentes uma da outras; (ix.3) todas as operações ostentavam propósito negocial específico, devidamente declarado e comprovado; (ix.4) houve plena vivência dos efeitos das operações e congruência em outros ambientes; (x) que não ocorreu a prática de qualquer abuso de direito, mas, supondo que a tal lei tida por violada seja o art. 187 do Código Civil, ele não se presta a justificar a atribuição de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, pois as condutas ali descritas são típicas do direito societário, ou seja, a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza exclusivamente societária, pela prática de atos contrários ao interesse da sociedade. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba manteve na íntegra os lançamentos, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.465 17 Legítima a lavratura de auto de infração complementar quando, em exames posteriores, no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, nos termos dos art. 18, § 3º, e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. NULIDADE. ERRO DE DIREITO. FENÔMENO DISTINTO DA MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTO. O critério jurídico na feitura do lançamento engloba tanto a valorização jurídica dos fatos, mediante a apreciação das provas, como a aplicação da norma jurídica abstrata aos fatos jurídicos, mas a regra do art. 146 pouco tem a ver com erro de fato ou erro de direito, mas com a proteção do ato jurídico perfeito, tanto é que apenas veda o exercício do lançamento em relação a fatos geradores ocorridos anteriormente à modificação do critério jurídico; assim, é possível a revisão do lançamento em face de erro de direito, porquanto se trata de fenômeno distinto da mudança de critério jurídico: o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação desta seja notória e indiscutível, enquanto a mudança de critério jurídico ocorre, basicamente, com a substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma mais valia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.466 18 equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem participado diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, além de terem sido diretamente beneficiados, mediante distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois ela estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.467 19 tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Ciente da decisão em 03/04/2012, a interessada ingressou com recurso em 24/04/2012, cujas razões de defesa, que reeditam as apresentadas em impugnação, encontram se desenvolvidas ao longo de 135 páginas, assim sumariadas pela Recorrente: PARTE A: DO ÁGIO APURADO EM OPERAÇÕES DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EM 2006 A.1DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE ENSEJARAM A APURAÇÃO DO ÁGIO E SUA AMORTIZAÇÃO PELA RECORRENTE: Nesse tópico a Recorrente comprova que a apuração e amortização do ágio foi motivada por ampla reestruturação societária do grupo Boticário com propósitos negociais legítimos e verdadeiros, com suficiente motivação extratributária (pág. 08). A.2DAS ALEGAÇÕES DAS AUTORIDADES FISCAIS PARA GLOSAREM OS ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INCORPROAÇÃO DE AÇÕES EM 2006, NAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL: Síntese das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal (pág. 23) A.3 DO DESPACHO PROFERIDO PELO PRESIDENTE DA 1ª TURMA DA DRJ EM CURITIBA E DA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR: Nesse tópico a Recorrente demonstra que, em menos de (um) dia, o Presidente da DRJ chegou a conclusão diversa da qual os Srs. Agentes |Fiscais, em mais de um ano de fiscalização, não chegaram, qual seja, de que o caso requeria a aplicação de multa qualificada e atribuição de responsabilidade solidária dos acionistas pessoas físicas da Recorrente, determinando fosse efetuada diligência para lavratura de auto de infração complementar com essa específica finalidade (pág. 25) Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.468 20 A.4 DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA 1ª TURMA DA DRJ CURITIBA: Síntese das razões de decidir do acórdão de primeira instância (pág. 27) A.5DAS QUESTÕES SUPERADAS TACITAMENTE PELO ACÓRDÃO RECORRIDO E QUE DEIXARAM DE INTEGRAR O LANÇAMENTO POR NÃO SE TRATAR MAIS DE MATÉRIA LITIGIOSA: Neste tópico a Recorrente demonstra que uma série de acusações contidas no Termo de Verificação dos lançamentos original e complementar foram afastadas tacitamente pelo acórdão recorrido por absoluta ausência de manifestação a respeito (pág. 28) A.6 DAS PRELIMINARES A.6.1DAS NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR A SEREM RECONHECIDAS DE OFÍCIOS: Em sede de preliminar. A Recorrente demonstra a nulidade do despacho do Presidente da DRJ, que determinou a diligência para lançamento complementar sem a observância do devido processo legal (pág. 33) A.6.2 Da nulidade do lançamento complementar por violação ao art. 146 do CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra que houve modificação do critério jurídico em relação ao mesmo fato gerador e sujeito passivo no lançamento complementar, em frontal violação ao art. 146 do CTN (pág. 42) A.7 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO: O acórdão recorrido não analisou questão fundamental prejudicial ao mérito, qual seja, a impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, a qual foi adicionada ao lucro real e base de cálculo da CSL quando de sua constituição (pág. 51). A.8 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO OBJETO DO ACÓRDÃO RECORRIDO, QUE APRESENTOU MERA REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONTIDAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Neste tópico a Recorrente demonstra que a figura do termo “ágio interno” é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária ocorrida e que a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legítimo movimento de reestruturação muito mais abrangente, envolvendo terceiros independentes em uma única transação (pág. 53) A.9 DO DIREITO QUE AMPARA A AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PELA RECORRENTE, INDEPENDENTEMENTE DA CARACTERIZAÇÃO QUE POSSA LHE SER ATRIBUÍDA PELA CIÊNCIA CONTÁBIL: “ÁGIO INTERNO”. Neste tópico a Recorrente demonstra a total distinção entre os objetivos e campos da Ciência Contábil e do Direito Tributário para o tratamento do ágio, independentemente de sua caracterização, Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.469 21 evidenciando que as normas tributárias amparam a conduta da Recorrente (pág. 73). A.10 DAS EQUIVOCADAS CONSIDERAÇÕES FEITAS PELO ACÓRDÃO RECORRIDO QUANTO ÀS DIVERSAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DE BENS REGULADAS PELO DIREITO: Neste tópico a Recorrente demonstra que na incorporação de ações ocorrer a efetiva aquisição das ações incorporadas pela incorporadora, sem que seja necessário um “pagamento” no sentido de desembolso de recursos, devendo o custo de aquisição ser desdobrado em ágio ou deságio (pág. 73) A.11 ISONOMIA COM O TRATAMENTO FISCAL DO DESÁGIO; E SE FOSSE APURADO UM DESÁGIO EM OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES, ESTE SERIA ISENTADO DE TRIBUTAÇÃO POR SER CONSIDERADO UM “DESÁGIO INTERNO”? Neste tópico é demonstrado que a própria Receita Federal do Brasil entende ser tributável o “deságio interno”, não podendo deixar de admitir a dedução do “ágio interno” (pág. 84) A.12 DO LANÇAMENTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À LEI; VIOLAÇÃO AOS ARTS. 142 DO CTN R 8º, B DA LEI Nº 9.532/97: Neste tópico a Recorrente demonstra que a suposta figura do “ágio em si mesmo” é amparada pleo Direito Tributário (art. 8º, “b” da Lei nº 9.532/97) (pág. 87) A.13 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSL, DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADA INDEDUTÍVEL PELA FISCALIZAÇÃO: Não há previsão legal determinando a adição da despesa correspondente à amoritzação do ágio na base de cálcuo da CSL (pág. 90) A.14 DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA NO CASO CONCRETO: Neste tópico a Recorrente demonstra que não houve dolo ou fraude no caso concreto (pág. 94) A.15 DO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR POR APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra que houve duvida por parte dos Srs. Agentes Fiscais em relação à aplicação da multa qualificada e atribuição de responsabilidade solidária aos acionistas da Recorrente, atraindo a aplicação doa RT. 112 do CTN (pág. 103) A.16 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTEMENTE COM A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: DUPLA FINALIDADE SOBRE A MESMA SUPOSTA INFRAÇÃO: Neste tópico a Recorrente demonstra a impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitantemente coma multa de ofício (pág. 109) A.18 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A ULTA DE OFÍCIO (pág. 112) Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.470 22 PARTE B DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE AUMENTO DE CAPITAL EM 2003 B.1 BREVE RETROSPECTO DOS SEGMENTOS DE NEGÓCIO DO RAMO IMOBILIÁRIO (pág. 113) B.2 DA LEGITIMIDADE DO ÁGIO APURADO EM 2003 E SEU RESPECTIVO TRATAMENTO FISCAL EM 2007; DAS INFUNDADAS ALEGAÇÕES DO ACÓRDÃO DA DRJ: Neste tópico a Recorrente demonstra que o ágio apurado em 2003 é totalmente legítimo, não havendo que se falar em “ágio interno” e tampouco de dolo ou fraude (pág. 114). B.3 DA DECADÊNCIA/PRECLUSÃO DO DIREITO DO FISCO QUESTIONAR A LEGALIDADE DOS ATOS SOCIETÁRIOS QUE DERAM ORIGEM AO ÁGIO APURADO EM 2003 E SUA RESPECTIVA DEDUÇÃO QUANDO DA INCORPORAÇÃO DO “ESPAÇO ESTAÇÃO” PELA RECORRENTE, OCORRIDA EM 2007: Neste tópico a Recorrente demonstra a decadência do direito do Fisco em questionar atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2003 e sua respectiva dedução pela Recorrente em 2007. (pág. 119) B.4 DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA AO CASO CONCRETO (pag.124) Concluiu requerendo o provimento integral do recurso para cancelamento das exigências, e, se necessário, o acolhimento das nulidades decorrentes da lavratura do auto de infração complementar e seu consequente cancelamento integral. Os acionistas pessoas físicas incluídos como responsáveis solidários apresentara recurso tempestivo. Inicialmente, pontuam que o acórdão recorrido manteve a responsabilidade solidária por entender que os Recorrentes teriam participado diretamente das operações que possibilitaram à Cálamo amortizar o ágio; que teriam se beneficiado com os supostos ganhos indevidos de natureza tributária, mediante recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio (justificando a aplicação do art. 124 do CTN), e que teria havido violação do art. 386, III, do RIR/99 (justificando a aplicação do art. 135, III, do CTN). Alegam que a decisão não se manifestou sobre as questões, levantadas em impugnação, da inexistência de step transactions e de abuso de direito. Com isso, entendem que as matérias não enfrentadas restaram tacitamente superadas em primeira instância administrativa, não mais integrando o lançamento complementar, não podendo ser aventadas pelo CARF sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. Diz que, se vale para o contribuinte a regra segundo a qual os órgãos julgadores não tomarão conhecimento da matéria não impugnada, da mesma forma deve valer quando os órgãos julgadores não se manifestam sobre determinadas razões específicas e fundamentais apresentadas na impugnação, pois o silencia da administração nunca deve ser interpretado ou usado contra o administrado, mas apenas em seu favor. Pelo princípio da eventualidade, em caso de o CARF levantar qualquer dessas questões, reportase às razões apresentadas nos itens 4 e 4.1 da impugnação. Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.471 23 Reeditam as preliminares de nulidades do auto de infração complementar a serem conhecidas de ofício (decorrentes da nulidade do despacho que determinou a lavratura do auto complementar, por incompetência do agente administrativo que o praticou e por ausência de motivação), bem como nulidade do lançamento complementar por violação ao art. 146 do CTN. Reafirmam a inexistência de fraude ou dolo, destacando que nem as autoridades fiscais, nem o acórdão recorrido lograram demonstrar sua efetiva existência. Reportase à doutrina de Marco Aurélio Greco, a mesma referida pelas autoridades fiscais, e dela transcreve excertos que atestam que não basta querer um resultado para haver dolo e se configurar a infração. Repete a argumentação desenvolvida na impugnação, quanto á inaplicabilidade dos artigos 124, I e 135, III, do CTN, ao caso concreto, e aduz argumentos a respeito da inaplicabilidade do art. 135, III com fundamento nas razões de decidir do acórdão recorrido, que afirma ter modificado o critério jurídico do lançamento complementar para imputação da responsabilidade. Reitera a alegação de ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.472 24 Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recursos tempestivos e em conformidade com as disposições legais e regimentais pertinentes. Deles conheço. Os lançamentos (IRPJ e CSLL), cuja legalidade é submetida ao crivo deste CARF, fundamentamse em glosa da dedução de despesas com amortização de ágio. Como preliminar, o Recorrente alega, em síntese, que no ano de 2011 o Fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, alcançados pela preclusão, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento desse ágio, ocorridos no ano 2003, e a lavratura dos autos de infração. Esse tema já foi por mim apreciado em julgamentos anteriores, a exemplo do que foi objeto do Acórdão nº 1301000.999, que também analisava amortização de ágio, e no qual expressei o seguinte entendimento: Na análise da decadência envolvendo fatos pretéritos com repercussão futura, a primeira distinção a ser feita é quanto ao fato que está repercutindo, a fim de avaliar se o lançamento que está sendo efetuado (por repercussão do fato pretérito) implica alteração de resultado fiscal alcançado pela decadência. Sendo mais claro, não pode a fiscalização glosar compensação de prejuízo fiscal (ou base de cálculo de CSLL negativa) de período anterior, já alcançado pela decadência, porque isso implicaria em revisão de lançamento daquele período pretérito 1. No presente caso, o fato pretérito que está repercutindo no lançamento não é resultado fiscal de período anterior, mas reorganização societária que a fiscalização imputou artificiosa e simulada, para produzir uma despesa dedutível. E o que está sendo objeto de lançamento não são os atos societários, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por seus agentes, não valida ou invalida atos societários, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige os tributos porventura deles decorrentes. (...) Assim, a decadência não tem por referência a data do fato registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse fato produziu o efeito de reduzir o tributo devido. 1 A apuração de prejuízo fiscal (ou de base negativa de CSLL) resulta da determinação da matéria tributável, compreendida no procedimento do lançamento, conforme art. 142 do CTN. Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.473 25 Como a autoridade limitouse a lançar os tributos relativos aos períodos não alcançados pela decadência, rejeito a preliminar suscitada”. De se ressaltar que a administração tributária não interfere nos registros contábeis dos contribuintes, interessandolhe, apenas, os efeitos dos fatos (qualquer que seja a forma do seu registro) na apuração do crédito tributário. Enquanto o fato registrado não repercutir na apuração do crédito, nada pode fazer o representante do fisco. Assim, rejeito a alegação de “preclusão”. Em segunda preliminar, relativo ao anocalendário de 2008/2009, requer o cancelamento do lançamento, ao argumento de erro do enquadramento legal e descrição de fatos, pelo fato de que as exclusões de amortização de ágio na apuração do lucro real ter sido contabilizada em contrapartida à conta de receita, citando, inclusive, jurisprudência desse órgão neste sentido, ou seja, o ágio teria sido considerado anteriormente quando da provisão para efeito da IN da CVM. Com a devida vênia, não me parece que o fato de a fiscalização ter apontado exclusões indevidas do Lucro Real e a irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, são motivos para cancelar a exigência, eis que os fundamentos legais apontados são os mesmos, eis que a discução gira em torno da amortização do ágio e dele está se tratando, e dele o contribuinte se defendeu o tempo todo no processo. Eventual jogo de palavras no momento do lançamento, mas apontada a infração com clareza, inclusive com o seu momento temporal, não dá asno ao seu cancelamento, razão porque, afasto a preliminar suscitada. Passo ao mérito. Novamente este Conselho deve enfrentar questão relacionada com a glosa de amortização de ágio. Os auditores fiscais designados para cumprimento do procedimento fiscal, de posse da escrituração contábil e fiscal do contribuinte e com os esclarecimentos por ele prestados, analisaram os fatos à luz da legislação e entenderam que “As despesas com os ‘ágios’ que a CÁLAMO contabilizou em dezembro de 2006 e de novembro de 2008 a março de 2009 não eram necessárias e, portanto, não dedutíveis, sendo indevida e inadmissível a exclusão desses valores na apuração do lucro real (LALUR) realizada pela empresa” (item 91 do TVF). Os fundamentos por eles declinados para a glosa das deduções e exclusão foram: 1Quanto às parcelas com origem no ágio de R$ 1.168.982,33 (migrado da Estação Empreendimentos e Participações Ltda.), por se tratar de ágio gerado dentro do mesmo grupo (ágio interno) (item 44 do TVF). 2 Quanto às parcelas com origem no ágio de R$ 1.001.872.589,36, apurado quando a Cálamo se tornou subsidiária integral da G&K, mediante incorporação de suas ações, porque: (i) o ágio, sob a ótica da legislação tributária, somente será dedutível na apuração do lucro real se originado de uma contraposição de receitas para quem vende e de um desembolso (custo) para quem compra; (iii) os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico; (iii) a G&K, embora ainda ativa, funcionou como uma espécie de empresa veículo, e a Cálamo recebeu de volta da investidora seu próprio patrimônio devidamente acrescido do “ágio” ágio em si mesma; (iv) o resultado das reestruturações foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário; (v) a Contabilidade nunca admitiu, nem Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.474 26 mesmo antes da Lei nº 11.638/2007, o reconhecimento do ágio gerado intragrupo; (vi) se contabilmente o ágio interno não é aceito, também não deve ser aceito para fins tributário. Como visto do relatório, a autoridade fiscal, em síntese, apoia o auto de infração em duas premissas, quais sejam: (i) a de que o ágio gerado dentro de um mesmo grupo não pode ser registrado contabilmente e, por consequência é indedutível para fins tributários, e (ii) a de que se trata de planejamento tributário inoponível ao fisco, por se constituir em reestruturação societária sem outro propósito que não seja a redução da carga tributária, com apoio na doutrina de Marco Aurélio Greco. A exigência em julgamento não se relaciona com ágio pago na aquisição de participações societárias no processo de privatização, situação em que a tarefa do julgador restaria sobremaneira facilitada. O caso se insere na categoria do que se convencionou chamar “ágio interno” (gerado em transações entre pessoas do mesmo grupo), que a fiscalização tem invariavelmente entendido como inexistente, e glosado a respectiva amortização. Na análise da questão “ágio interno” tenho me posicionado no sentido de que as alegações de ausência de pagamento em dinheiro e de inadmissão, pela ciência contábil, do reconhecimento de ágio gerado em operação envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico não são suficientes para embasar a recusa, pelo fisco, das respectivas amortizações. Reportome aos argumentos que apresentei no voto condutor do Acórdão 1301001.299, no qual expressei que: 1O ágio é conceituado na lei como a diferença entre o custo de aquisição e o valor do investimento segundo a equivalência patrimonial. Aquisição é meio legal de transmissão de propriedade, e a lei não define a que título se faça, nem qual a modalidade de contraprestação; 2A tese de que, à luz da ciência contábil, é vedado o registro de ágio gerado em operações envolvendo empresas do mesmo grupo, amplamente utilizada pela fiscalização a partir da publicação de artigo produzido pelos professores Eliseu Martins e Jorge Viera da Costa, 2 também não tem sustentação, como esclarecido pelo próprio Professor Eliseu em parecer complementar3, no qual afirma que: 2.i Somente a partir do CPC 18 – 2010 é que surgiu a vedação do registro de ágio decorrente de operações envolvendo um mesmo grupo econômico; 2.ii Tal vedação, porém, teve vida curta, pois em 2012 o CPC voltou atrás e passou a permitir o reconhecimento; 2.iii Também voltaram atrás a CVM e o CFC, que aprovaram a mudança; 2.iv Passouse a permitir o reconhecimento do resultado em todas as transações entre partes relacionadas, com a exceção de quando a controladora é que transfere os ativos para qualquer controlada; 2.v A vedação acabou valendo tão somente para os exercícios sociais de 2010 e 2011. 2 " A incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão sobre a contabilidade." 3 Parecer que instruiu o processo que deu origemào acórdão citado. Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.475 27 Como já me manifestei em ocasiões anteriores em que enfrentei o tema, meu entendimento é de que não é todo “ágio gerado dentro do mesmo grupo” que deve ser repudiado, e reportome à lúcida “Declaração de Voto” do insigne Conselheiro Marcos Takata, no julgamento objeto do processo nº 10980.017128/200835 (Acórdão nº 110300.501). Nela o ilustre Conselheiro pondera que nem todos os ditos “ágios internos” são artificiais, sem causa, havendo ágios formados dentro do mesmo grupo que têm efetividade econômica ou significado econômico, e disso cita exemplos. Essas judiciosas considerações foram repetidas por Takata no artigo “Ágio Interno sem Causa ou ‘Artificial’ e Ágio Interno com Causa ou Real – Distinções Necessárias”, publicado pela Editora Dialética4, também ilustrado com exemplos de ágio interno sem causa ou “artificial” e de ágio interno com causa ou “real”. Essa também tem sido a diretriz que tem orientado meus votos: considero legítima a amortização, para fins tributários, de ágios internos reais (vide voto condutor do Acórdão 1301001.299), devendo ser rejeitados apenas os efeitos tributários relacionados com ágios artificialmente criados (simulação relativa), com o único objetivo de gerar uma despesa tributária. Exemplo dessa última situação é a abordada no voto condutor do Acórdão 1301 001.350, que reproduzo, substituindo o nome das empresas envolvidas: “As reorganizações societárias praticadas para justificar as despesas contabilizadas (e glosadas) transcorreram entre os dias 23 e 29 de dezembro de 2004, e envolvem a empresa “X Holding” e duas empresas das quais, praticamente, era a única quotista, a Recorrente “Y” e a “Z Holding.. De fato, em 23 de dezembro de “X Holding” era detentora de 99,97% do capital da Recorrente e de 99,99% do capital de “Z Holding”. Nessa mesma data a “X Holding” integralizou aumento do capital da “Z Holding” mediante a transferência das quotas do capital social de “Y” , reavaliadas com base na expectativa de resultados futuros. Em função disso, “Z Holding” registrou o ágio na aquisição de investimento em “Y”. Seis dias após (em 29 de dezembro) a “Z Holding” é extinta por incorporação pela “Y”, e o ágio nela registrado é transferido para “Y” como ativo diferido (amortizável como despesa). Indagase: Que reorganização societária é essa, promovida em seis dias, e em que nada se alterou, pois a situação inicial, em que “X Holding” era praticamente a única proprietária da “Y”, empresa cujo patrimônio líquido era de aproximadamente R$ 300.000,00 (em números arredondados), ao final da “reorganização relâmpago” continuou com a mesma configuração: “X Holding”, praticamente única proprietária da “Y”, empresa com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 300.000,00? A única diferença foi a “criação” da despesa amortizável em “Y”, equivalente a 100 vezes seu patrimônio líquido. Ágio, é conceituado na lei como a diferença entre o custo de aquisição e o valor do investimento segundo a equivalência patrimonial. Aquisição é meio legal de transmissão de propriedade e a lei não define a que título se faça, nem a qual 4 “Ágio Interno sem Causa ou ‘Artificial’ e Ágio Interno com Causa ou Real – Distinções Necessárias”, in "Controvérsisa JurídicoTributárias (Aproximações e Discanciamentos) Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.476 28 modalidade de contraprestação. A ausência de pagamento em dinheiro, por si só, não invalida a escrituração do ágio. Porém, não nos olvidemos de que a acusação é de simulação relativa. (...) A simulação é, pois, um vício da vontade, a vontade em desconformidade com o ato praticado. O elemento central na definição jurídica de simulação é “aparentar a realidade de uma intenção que não é a verdadeira, e que se disfarça por esse fingimento.” (De Plácido e Silva). A acusação de simulação envolve intenção de enganar. No caso concreto, enganar o fisco quanto à sinceridade na aquisição do investimento (quotas da Recorrente Y) por valor 100 vezes superior ao seu valor patrimonial, fundamentado na expectativa de resultados futuros. Qual a justificativa para Z Holding “adquirir”, de X Holding, sua controladora total, a (praticamente) totalidade das quotas da Y a um custo de aquisição com uma extraordinária mais valia baseada na expectativa de resultados futuros, se esses possíveis “resultados futuros” já eram e continuarão a ser da única controladora total de toda a cadeia, a “alienante” X Holding? Toda a vontade que comandou a “reorganização societária” foi a vontade da controladora total (X Holding), e a verdadeira intenção não foi, sequer, possibilitar se valer das normas permissivas criadas pelo Estado para reduzir a carga tributária (o que seria legítimo), mas exclusivamente fazer aparecer um ágio inexistente. No caso concreto, o ágio não é verdadeiro, porque foi forjado pela X Holding mediante a “criação” e subsequente extinção da Z Holding, sem qualquer justificativa negocial. Reafirmo que há a possibilidade de ágios reais , efetivos, com causa, formados dentro do mesmo grupo econômico. Contudo, essa qualidade não tem o ágio interno no caso em análise, carente de significado econômico.” Portanto, no enfrentamento de cada caso concreto, é necessário delinear os contornos fáticos, analisar as particularidades que o envolvem e contrapôlas às acusações fiscais, para interpretar e aplicar o direito. Antes de fazêlo, porém, destaco a preciosa abordagem teórica conceitual a respeito do ágio baseado na expectativa de resultados futuros, seu reconhecimento como um ativo, as normas contábeis internacionais e a realidade brasileira, constante do Parecer do Professor Eliseu Martins, às fls. 3380/3425, cuja leitura, na íntegra, recomendo aos meus pares. Seu caráter extremamente didático, na certa, em muito ajudará a compreender as questões envolvendo o reconhecimento contábil do ágio gerado em operações entre partes relacionadas. Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.477 29 Transcrevo a parte conclusiva desse trabalho relacionada com os aspectos contábeis envolvidos, abstendome de reportarme aos opinamentos e às conclusões do parecerista sobre seus efeitos fiscais, eis que esse é o escopo desse julgamento administrativo, de competência do Colegiado. Resposta aos quesitos: 1É correto o entendimento manifestado pelas autoridades fiscais dos respectivos Termos de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal –TVEAF de que o ágio só pode ser apurado quando há circulação de recursos financeiros, ou seja, pagamento em dinheiro pela aquisição do respectivo investimento? Resposta: Não. Conforme discutido nas páginas precedentes, a circulação financeira (pagamento em dinheiro nunca foi conditio sine qua non para a apuração do ágio. O ágio pode ser apurado de forma plena, por exemplo, em uma operação de troca de ações. Não há diferença entre os processos de mensuração de compra de uma participação societária versus o de qualquer outro ativo. 2 Na Reorganização Societária das empresas do grupo Boticário há a denominada figura do “ágio interno” tal como referido pelas autoridades fiscais no TVEAF? O “ágio interno”, a rigor, não surgiria apenas quando a própria entidade jurídica reconhecesse a mais valia do seu investimento, registrandoa de forma espontânea em seus livros contáveis? Resposta: A operação realizada pela consulente não pode ser caracterizada como ágio interno. (...). No Brasil, principalmente à época dos atos praticados, “ágio interno” se referia, de fato, exclusivamente ao reconhecimento desse ativo dentro da própria entidade jurídica, num registro que concordamos em chamar de espontâneo. 3 Ainda que se admita, por hipótese, a figura do “ágio interno” na operação de Reorganização Societária do grupo Boticário, referido ágio não deveria ter sua expressão tributária reconhecida pela contabilidade enquanto um ativo fiscal? Resposta: Sem sombra de dúvida. (...) Nunca houve qualquer vedação ao reconhecimento desse tipo de ágio. 4 A figura do “ágio interno” teria sido normatizada pelo Conselho Federal de Contabilidade –CFC como consequência do princípio do registro pelo valor original, consoante art. 7º da Resolução CFC nº 750/1993? Esse dispositivo tem alguma pertinência em relação à Reorganização Societária do grupo Boticário? Resposta: Não. Não é correto afirmarse que teria havido tal normatização pelo Conselho Federal de Contabilidade por meio dessa Resolução. Essa resolução se refere, explícita e expressamente, em registro “pelo valor original”, o que mais facilmente afasta essa possibilidade. (...) Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.478 30 5 Os entendimentos manifestados no Ofício Circular CVM nº 1/2007 e na Resolução CFC nº 1.110/2007 deveriam ter sido observados pelas empresas envolvidas na Reorganização Societária do grupo Boticário? Resposta: Tais dispositivos não possuem impacto tributário e, além disso, o da CVM dirigese exclusivamente a companhias abertas, o que não é o caso na situação presente. Além disso, mesmo para companhias abertas o Ofício Circular não tem poder coercitivo. O do CFC nem é pertinente ao caso em questão. 6 Estão corretas as conclusões a que chegaram as autoridades fiscais nos respectivos TVEAF, com base em artigo doutrinário de sua autoria intitulado “A incorporação reversa com ágio gerado internamente”? Resposta: Não. Na referida peça doutrinária tratamos de recomendação acerca de práticas contábeis de reconhecimento, mensuração e evidenciação. Essa peça se referia a pleito de mudanças nas legislações societária e fiscal, exatamente porque tudo o nele referido possuía, no nosso entender, base legal. Deixo de transcrever os quesitos 7 e 8 por serem, essencialmente, sobre a legalidade do lançamento (se estão corretas as glosas das exclusões, no LALUR, das reversões de provisões e das deduções das amortizações do ágio), resposta que cabe aos conselheiros. Registro, porém, que a resposta em tese do quesito 7 está conforme sempre tem se manifestado este Conselho: se na constituição da provisão ela foi objeto de adição no LALUR, na sua reversão é legítima a exclusão. Analisemos, inicialmente, a questão do ágio decorrente de operações entre partes ligadas. Como já dito acima, sempre que uma sociedade empresária possua investimentos em coligada ou controlada (e, após a MP 449/2008, transformada na Lei 11.941/2009, em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum), ela está obrigada a desdobrar o respectivo custo de aquisição do investimento em valor da equivalência patrimonial e ágio. Portanto, independentemente de a aquisição do investimento darse em negociação com parte relacionada, o registro do ágio não é opção da pessoa jurídica, mas imperativo legal (art. 248 da Lei nº 6.404/76). Sempre que uma sociedade adquire participação societária em outra que lhe garante o controle, como é o caso em estudo, não importa de quem adquiriu (pessoa ligada ou estranha), e a que título o fez, desde que o valor de aquisição seja superior ao valor patrimonial da participação adquirida, o registro do ágio é obrigatório. Por essa razão, devem ser relativizadas as afirmativas, tantas vezes citadas por auditores fiscais para justificar autos de infração, de que “(a) em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tãosó a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas”; (b) “à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.479 31 mesmo grupo econômico”; (c)” não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante”. Elas têm relevância no contexto em que propostas, qual seja, no corpo de trabalho acadêmico produzido pelos Professores Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins para apresentação em congresso de contabilidade. Como disse no parágrafo precedente, independentemente da interpretação que os auditores atribuam à teoria contábil à luz da ciência, o fato é que há lei determina o registro do ágio sempre que o valor de aquisição for superior ao valor patrimonial, independentemente de quem sejam as partes alienante e adquirente. Os efeitos tributários serão vistos à luz do Direito Tributário, bem como da consideração de eventual situação de simulação relativa, objetivando albergarse de efeitos tributários inaplicáveis à verdadeira situação. Aliás, o fato de a negociação se dar entre partes relacionadas não teria, em princípio, relevância fiscal, pois os direitos do fisco estão resguardados pela previsão legal de tributação do resultado positivo obtido pelo alienante, ostensiva ou disfarçadamente5. De fato, em qualquer situação (negociação entre pessoas relacionadas ou não), a legislação tributária sempre previu a tributação do ganho decorrente da alienação de bens do ativo permanente. Antes, como resultado líquido de transações eventuais6, e a partir do Decretolei nº 1.598/77, como resultado não operacional (ganho de capital). Em caso de operações entre partes relacionadas, a falta de independência fica resguardada pela aplicação da legislação de distribuição disfarçada de lucros. A apuração de ganho ou perda de capital independe da existência de uma operação precificada. Observese que o Decretolei nº 1.598/77 conceitua ganho ou perda de capital como o resultado na alienação7 de bens do ativo permanente, não especificando a que título jurídico se faça, nem a contraprestação recebida. Portanto, estão abrangidas pelo conceito todas as formas de transmissão de propriedade (alienação) de bens do ativo permanente, seja por decorrência de venda e compra, seja por permuta, dação em pagamento, ou qualquer outra. O que implica dizer que o resultado não operacional pode decorrer de confronto entre “valores”, independentemente de fixação de “preço” (que ocorre no contrato de compra e venda). Da mesma forma, também é alcançado pelo conceito de ganho ou perda de capital o resultado na baixa de bem do ativo permanente, o que independe de preço. Essa irrelevância da precificação para a apuração do resultado não operacional é evidenciada, também, no art. 34 do Decretolei nº 1.598/77, que trata de resultado não operacional decorrente da baixa, por extinção, de ações ou quotas de capital, nos casos de fusão, incorporação ou cisão de sociedades em que uma possua participação no capital da outra8. A lei sempre tributou, também, os aumentos de valor dos bens do ativo decorrentes de reavaliação. Já o Regulamento do Imposto de Renda de 1926 (Decreto nº 5 Art. 72 da Lei nº 4.506/64 e arts. 60 a 62 do Decretolei nº 1.598/88. 6 Lei nº 4.506/64, art. 37, § 2º : Considerase lucro real, para os efeitos desta lei, o lucro operacional da empresa, acrescido ou diminuído dos resultados líquidos de transações eventuais. 7 E também na baixa (por perecimento, extinção, desgaste ou obsolescência) ou na liquidação. 8 O resultado não operacional é apurado mediante comparação entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor do acervo líquido que as substituir. Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.480 32 17.390/26) continha previsão expressa nesse sentido9, que também consta do art. 43, § 1º, alínea “h” do Decreto nº 5.844/4310. O Decretolei nº 1.598/77 manteve a previsão, com permissão para diferimento da tributação quando da realização da reserva formada pela contrapartida do aumento. 11 A possibilidade de diferir a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de participação societária integrante do ativo permanente, ou de sua reavaliação, depende de previsão expressa em lei. Essa situação ocorreu, por exemplo, no período de vigência do art. 36 da Lei nº 10.637/200212 que, antes de ser revogado pela Lei nº 11.196/2005, admitia o diferimento da tributação da reavaliação para o período de sua realização. Mas em qualquer hipótese (tributação imediata ou diferimento para o período de realização), o ganho de capital é tributável. Assim, no caso em questão, em dezembro de 2006, quando ocorreu a incorporação de ações de Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S.A. à G&K Holding S.A., se o proprietário das ações incorporadas (alienante) fosse pessoa jurídica, o efeito tributário seria, simplesmente, tributar como ganho de capital na pessoa jurídica alienante a diferença entre o valor contábil das ações e o valor pelo qual elas foram transferidas (participação subscrita na G&K Holding). Assim, para fins fiscais, não importa não ter havido pagamento em moeda, nem se tratar negócio entre pessoas relacionadas, porque os efeitos tributários, para o alienante, são os mesmos em qualquer situação: tributação do ganho de capital auferido pelo alienante. Na G&K a participação em Cálamo seria registrada com o custo desdobrado em valor patrimonial e ágio (exatamente o valor tributado na pessoa jurídica que, hipoteticamente, transferiu as ações da Cálamo em integralização do capital de G&K), ágio esse que teria o tratamento tributário previsto em lei (amortização neutra, influência apenas na apuração de resultado não operacional). Portanto, se esse fosse o caso (ações da Cálamo incorporadas à G&K serem de propriedade de pessoa jurídica), a partir da cisão seletiva, quando G&K transferiu para a Cálamo o seu próprio ágio, não haveria nenhum impedimento para a amortização, pela Cálamo, do ágio, cujo valor já fora oferecido à tributação como ganho auferido pela pessoa jurídica que alienou as ações à G&K. Qualquer preocupação fiscal relacionada com possível planejamento inoponível ao fisco seria totalmente despropositada, pois a tributação do ganho de capital no momento da incorporação das ações inviabiliza a economia tributária. Observo que há manifestações doutrinárias no sentido de que, em caso de incorporação de ações, a substituição das ações não gera ganho de capital tributado. Destaco, 9 Art. 56, § 1º : Quando houver augmento de valor do activo immobilizado, em virtude de novas avaliações, ou quando se verificar a venda de parte do activo, as quantias respectivas que não representarem retribuições de capital ficam sujeitas ao imposto. 10 Art. 43, § 1º Serão adicionados ao lucro real, para tributação em cada exercício financeiro: h) as quantias correspondentes ao aumento do valor do ativo em virtude de novas avaliações, ou à venda de parte do mesmo, desde que não representem restituições de capital. (Incluída pela Lei nº 154, de 1947) 11 Art. 35 A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) 12 Embora o sistema só admitisse reavaliação de investimento (participação societária ) avaliável pelo custo de aquisição, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 admitiu essa reavaliação para fins de transferência do ativo (incorporação de a ções ao patrimônio de outra pessoa jurídica). Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.481 33 entre essas manifestações, a de Ricardo Mariz de Oliveira 13. Com a lucidez que lhe é peculiar, aponta o ilustre tributarista que a substituição das ações não gera ganho de capital tributado, por se tratar de simples troca de um título por outro, e que a substituição produz efeito jurídico e econômico igual ao de outro negócio jurídico típico, que é a permuta de bens. E que, em ambas as operações (substituição de ações ou permuta), não há ganho passível de tributação, mesmo que a ação ou bem recebido em troca tenha valor maior que o dado, pois se trata de ganho meramente potencial, dependente, para tributação, de haver efetiva realização. Reconhecendo o brilhantismo da exposição de Mariz e da sua irretocável argumentação jurídica, não posso ignorar os limites de uma apreciação num julgamento administrativo, que não pode se dissociar da legislação tributária positiva. Assim, não obstante a profundidade da análise do ilustre doutrinador quanto aos efeitos da permuta sem torna (intributabilidade), não posso deixar de considerar que essa não é a posição da legislação do imposto de renda. Como regra geral, a realização da mais valia do bem recebido (no caso, ação) em relação ao custo de aquisição não constitui condição prevista na legislação para sua tributação. De fato, a definição do fato gerador do imposto de renda (aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de acréscimo patrimonial) não se atrela à disponibilidade financeira, ou à realização do acréscimo patrimonial. A relevância da realização do acréscimo, para fins de tributação, só existirá diante de previsão expressa de lei nesse sentido. O acréscimo patrimonial ocorre pela incorporação de riqueza nova ao patrimônio existente. Importa a dimensão quantitativa, em valores monetários, do patrimônio. Nos termos da legislação, numa permuta de bens de valores diferentes, a diferença só não se sujeita à tributação se o bem recebido ingressar no patrimônio do permutante pelo mesmo valor do bem entregue. E isso, no caso de permuta de investimento representado por participações societárias, só pode ocorrer para investimentos não enquadráveis no art. 248 da Lei nº 6.404/76 (obrigatoriamente avaliáveis pela equivalência patrimonial). Assim, se a empresa A possui ações da empresa X cujo valor contábil é 100 unidades monetárias e as utiliza para integralizar capital subscrito de B no valor de 1000 unidades monetárias, o patrimônio de A fica acrescido de 900 unidades monetárias (credita investimento em X 100 e debita investimento em B 1000. Portanto, ocorreu o acréscimo patrimonial no valor de 900, representado por uma participação societária em B, da qual A pode dispor imediatamente. Para que a diferença (900) seja excluída do lucro líquido para apuração do lucro real é necessária previsão expressa na legislação. Essas divagações se prestam a demonstrar a inutilidade da exagerada preocupação dos agentes do fisco em identificar situações de “planejamento inoponível ao fisco” sempre que se deparam com o que se convencionou chamar “ágio interno”. Como visto, ainda que se suspeite do artificialismo do ágio, por não ter resultado de negociações entre partes independentes, em regra ele não se prestará a instrumento de economia tributária, porque será objeto de tributação como ganho de capital no alienante (do mesmo grupo). Naturalmente, não se pode, a priori, afirmar que o ágio gerado dentro do mesmo grupo, e sem pagamento em dinheiro, não se preste a ser utilizado exclusivamente para gerar economia 13 INCORPOROAÇÃO DE AÇÕES NO DIREITO TRIBUTÁRIO Conferência de Bens, Permuta, Dação em Pagamento e Outros Negócios Jurídicos. São Paulo: Quartier Latin, 2014. Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.482 34 fiscal. Mas, seguramente, isso não é o que acontece na generalidade dos casos. Porque a própria legislação tributária tem os meios de proteção. A situação não era diferente na vigência do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, que veio admitir expressamente a reavaliação para fins de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, instituindo um tratamento análogo ao da reserva de reavaliação: diferimento da tributação do valor correspondente à reavaliação proporcionalmente à realização. São os seguintes os termos do dispositivo: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º. De fato, a possibilidade de planejamento vislumbrada na aplicação desse dispositivo decorre exclusivamente da equivocada interpretação do seu § 2º. O “planejamento” largamente utilizado consistia no seguinte esquema: (i) A empresa A reavalia a participação societária X, com base na expectativa de resultados futuros, para incorporála ao patrimônio de Y; (ii) A exclui do lucro líquido o valor correspondente à reavaliação e o controla no LALUR, para tributálo na medida em que fosse realizado; (iii) Na empresa Y, o investimento X é registrado com o valor desdobrado em equivalência patrimonial e ágio; (iv) Em seguida, X incorpora Y, passando a figurar no patrimônio de X o seu próprio ágio, que passa a ser amortizado em 60 meses. O “planejamento” assim arquitetado baseavase no entendimento de que a incorporação de Y por X estava acobertada pela exceção prevista no § 2º, não desencadeando a tributação do ganho de capital. Contudo, tratase de entendimento equivocado, porque o que a lei (§ 2º do art. 36) não considera realização é a transferência da participação societária incorporada (no caso X) ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão, incorporação. Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.483 35 Por exemplo, se Y fosse incorporada por Z, a transferência da participação em X do patrimônio de Y para o patrimônio de Z, não desencadearia a tributação, em A, do ganho de capital controlado no LALUR. Contudo, no caso de incorporação, fusão ou cisão envolvendo as empresas Y e X, não ocorre a transferência da participação em X para outra pessoa jurídica (hipótese prevista no § 2º), mas desaparecimento da participação societária por confusão patrimonial. Nesse caso, fatalmente, deveria se dar a tributação do ganho de capital diferido auferido por A, e em caso de não oferecimento espontâneo, caberia à fiscalização exigilo de ofício. Portanto, mesmo na vigência do art. 36 da Lei 10.637/2002, a própria lei continha disposição para impedir sua utilização com fins de planejamento ilícito. Obviamente, como a criatividade humana não tem limites, podem ocorrer planejamentos ilícitos envolvendo ágio gerado dentro do mesmo grupo (artificiais, envolvendo simulação relativa). Mas outros aspectos terão que estar envolvidos, e deverão ser investigados. O fato de se tratar de ágio gerado dentro do grupo ou de ágio gerado dentro da entidade não é suficiente para, a priori, retirar deles os efeitos tributários previstos em lei. Deixemos de lado os comentários sobre o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, que não tem relação com o caso, e sobre a situação hipotética em que o detentor das ações que geraram o ágio na incorporação seja pessoa jurídica. No presente caso, as pessoas envolvidas nas operações que deram origem aos ágios em comento (incorporação de ações) não são pessoas jurídicas, mas pessoas físicas. Nessa circunstância, a legislação tributária, por si só, pode não ser suficiente para afastar uma situação de evasão fiscal. É que a conferência de bens, pela pessoa física, para integralização de capital por valor superior ao de sua aquisição não gera para a pessoa física, necessariamente, ganho de capital tributável. Confirase, na Instrução Normativa nº 84/2001, alterada pela Instrução Normativa 599/2005: Art. 16 . Na hipótese de integralização de capital mediante a entrega de bens ou direitos, considerase custo de aquisição da participação adquirida o valor dos bens ou direitos transferidos, constante na Declaração de Ajuste Anual ou o seu valor de mercado. § 1º Se a transferência não se fizer pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. Portanto, quando o ágio nasce em operação de incorporação de ações feita por pessoa física, ele pode se prestar, sim, a um planejamento tributário, cabendo, então, ter maior cuidado na investigação de sua licitude. Há que se perquirir se o ágio é verdadeiro ou artificial, se o caso se traduz como uma simulação relativa, mediante a criação de empresa com o único propósito de fazer aparecer um ágio para dar origem a uma despesa dedutível. Falemos, resumidamente, do que ocorreu no grupo Boticário. O grupo Boticário é composto das empresas Botica Comercial e Farmacêutica (Botica), O Boticário Franchising (OBB), Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza (Cálamo) e Empresa Brasileira de Logística (Embralog). Todas essas empresas sempre Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.484 36 foram controladas, direta ou indiretamente, pelas pessoas físicas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaun. Paralelamente, as pessoas físicas detentoras do capital dessas empresas possuíam, em 2005, investimentos nas atividades de shopping center e centro de convenções, que se mostraram deficitárias, motivando sua extinção em 2006 (o que foi feito mediante incorporação pela Cálamo). O grupo se originou com a criação da empresa Botica Comercial e Farmacêutica (Botica), que iniciou suas atividades em 1º de julho de 1977. A segunda empresa a ser criada foi a O Boticário Franchising (OBB), que iniciou suas atividades em 1º de julho de 1983. Em 2004 foram criadas as outras duas empresa (Embralog e Cálamo). O objeto principal de cada uma dessas quatro empresas é: 1Botica Comercial e Farmacêutica (Botica): indústria e comércio de perfumaria, cosméticos, produtos de higiene pessoal, etc. 2O Boticário Franchising (OBB): holding mista, que detinha as participações societárias nas demais empresas e desenvolve atividades de assessoramento técnico e mercadológico concernente à comercialização de produtos cosméticos de perfumaria sob o sistema de franquia. 3Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza (Cálamo): comércio e distribuição por atacado de perfumaria, cosméticos, produtos de higiene pessoal, etc. 4Empresa Brasileira de Logística (Embralog): prestação de serviços de apoio logístico em geral. Durante 30 anos o grupo funcionou como um empreendimento de administração familiar, estruturado em torno das duas pessoas físicas que o criaram. Em 2006, segundo relatou a Recorrente, decidiuse buscar novo investidor que proporcionasse ingresso de recursos financeiros, estabelecendose negociações entre o grupo e bancos de investimento e entidades semelhantes, para que prospectassem e identificassem investidores institucionais interessados em participar do grupo. Para isso foi promovida uma reorganização societária buscando, entre outros objetivos relatados pela Recorrente (estabelecer parâmetros de governança corporativa adequada ao funcionamento de um conselho de administração profissional, adaptarse à possibilidade de, no futuro, optar pela abertura do capital), implementar uma estrutura mais apta a receber novo acionista, com ingresso de recursos financeiros. A viabilização do ingresso de novo acionista no grupo como um todo seria materializada pela criação de uma holding pura de participações societárias, que concentraria em seu patrimônio as participações nas empresas operacionais do grupo, e que seria receptora do investimento do provável novo acionista estratégico. Para tanto, em agosto de 2006 se iniciaram os movimentos societários para atingir o fim visado. Retirouse, inicialmente, da O Boticário Franchising as participações societárias nas demais empresas operacionais, transferindoas às pessoas físicas dos acionistas, mediante redução de capital da OBF. Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.485 37 Com isso, a conformação societária do grupo ficou representada por quatro empresas exclusivamente operacionais, cujo capital pertencia às pessoas físicas, na proporção de 80% e 20% para cada uma. Em setembro de 2006 foi criada uma holding pura, denominada G&K Holding S/A. (destinada a receber as participações societárias das empresas operacionais). O investidor identificado pelo banco de investimento e aceito pelos acionistas do grupo foi a GP Administração de Recursos S.A. que, para subscrever as ações da G&K, constituiu o IGP – Fundo de Investimento em Participações (IGP). Em dezembro de 2006 completouse a reorganização societária em duas etapas ocorridas na mesma data: (i) incorporação das ações das quatro empresas operacionais à G&K, de modo a tornálas subsidiárias integrais, e (ii) aumento de capital subscrito pelo novo investidor. Na primeira etapa acima mencionada, as ações incorporadas foram avaliadas pela empresa especializada KPMG Corporate Finance Ltda. segundo a expectativa de resultados futuros (fluxo de caixa descontado), e seu registro na G&K ficou desdobrado em valor patrimonial e ágio (ágio esse em que se funda parte da exigência). Na segunda etapa (no mesmo dia), ocorreu a emissão de 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas, com valor nominal de R$1,00 cada, integralizadas em moeda corrente pelo acionista IGP Fundo de Investimento em Participações, com preço de emissão fixado em R$ 50.000.000,00, dos quais R$ 4.613.618,00 destinados ao capital social e R$ 45.386.382,00 à constituição de reserva de ágio. Em outubro de 2008 as quotas do fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações. Decorridos quase dois anos da incorporação das ações das empresas operacionais à G&K, em novembro de 2008 os acionistas da Holding decidiram promover a cisão seletiva da mesma, com versão do patrimônio cindido às sociedades operacionais existentes. Com isso, o ágio com base na expectativa de resultados futuros registrado na G&K foi registrado nas operacionais que receberam o acervo líquido cindido em conta de ativo, sujeito a amortizações. Essa, em síntese, a história do grupo, no que nos interessa. Retomo o curso e passo à análise de cada um dos ágios que deram causa aos autos de infração. Primeiro ágio (investimento em Shopping Estação): Para questionar esse ágio, o único motivo apontado pela fiscalização é que ele foi gerado dentro do mesmo grupo (ágio interno) (item 44 do TVF). Como já explanei, a meu ver, esse fato não é suficiente para recusar os efeitos fiscais previstos pela legislação tributária a ele relacionado. Isso me basta para cancelar a exigência nele fundada. Contudo, para tomada de decisão dos meus pares, analiso os aspectos fáticos que com esse tópico têm relação. Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.486 38 Em novembro de 2003 os Srs. Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grinbaun subscreveram aumento de capital da companhia Agatha Participações S.A. (antigo nome de K&G Empreendimentos e Participações S.A.) no valor de R$ 41.887.998,00, que foi integralizado mediante conferência das ações que possuíam na companhia Espaço Estação Participações S/A. A avaliação das ações para fins de integralização foi com base no custo de aquisição, conforme registrado nas respectivas declarações de imposto de renda do ano calendário de 2002 e nas demais movimentações financeiras ocorridas ao longo do ano calendário de 2003 (fl. 636/637 do processo). A participação de K&G Participações (antiga Agatha) em Espaço Participações S/A. era de 99,99% e, conforme determinação legal (art. 183, III, c.c. art. 248 da Lei nº 6.404/76, e art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), ao registrar o investimento, K&G Participações desdobrou o custo de aquisição em valor do patrimônio líquido e ágio de R$ 1.168.982,33. Para conferir maior clareza e facilitar a compreensão dos fatos, passamos a designar essas empresas pelos nomes que, ao final, passaram a ter, a saber: Shopping Estação, novo nome de Espaço Estação Participações S/A., e Estação Empreendimentos, derradeiro nome de K&G Participações. Portanto, temse que, em 2003, Estação Empreendimentos passou a possuir um investimento em Shopping Estação, registrado com ágio. Ressalto que o registro contábil do ágio por Estação Empreendimentos é imposição legal, não havendo como deixar de fazêlo. Em tese, o fisco poderia questionar a operação sob o prisma da distribuição disfarçada de lucros, por parte de Estação Empreendimentos, com base no inciso II do art. 60 do Decretolei nº 1.598/77 (aquisição de bem de pessoa ligada por valor notoriamente superior ao de mercado). Entretanto, tal questionamento somente poderia se reportar ao anocalendário de 2003, e perante o sujeito passivo Estação Empreendimentos, e ainda, com prova, por parte do Fisco, da diferença notória em relação ao preço de mercado (obviamente, conforme jurisprudência, não havendo preço de mercado nem recentes negociações, com base no valor patrimonial). Em 01/09/2006, quando a Estação Empreendimentos foi incorporada pela Cálamo, o investimento em Shopping Estação Ltda. migrou para a incorporadora com o respectivo ágio (R$ 1.168.982,33). Também esse fato contábil não admite contestação, porque nos lançamentos contábeis representativos da incorporação transferemse o patrimônio líquido e os elementos ativos e passivos da sociedade incorporada. Em 31 de dezembro de 2006 a Cálamo registrou dois lançamentos, o primeiro no valor de R$ 233.796,47 com o histórico “Amortização Ágio s/investimentos 2006 – EECC” e o segundo no valor de R$ 487.075,97, com o histórico “Amortização Ágio s/investimentos 2004/05”. Nos meses de janeiro a abril de 2007 contabilizou amortizações mensais de R$ 19.483,04. Em maio de 2007 a Cálamo incorporou Shopping Estação, deu baixa contábil no saldo do ágio (R$ 448.109,89), e excluiu integralmente, no LALUR, o valor do ágio baixado contabilmente (R$ 1.168.982,33). Essa exclusão foi glosada pela fiscalização, sendo Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.487 39 que o único fundamento indicado pela fiscalização para glosar a exclusão foi o de tratarse de ágio gerado intragrupo. Como expus acima, entendo que devem ser rejeitados apenas os efeitos tributários relacionados com ágios artificialmente criados (simulação relativa), com o único objetivo de gerar uma despesa tributária. E não vejo como enquadrar o ágio gerado em 2003, quando Estação Empreendimentos recebeu, em integralização do capital subscrito, ações da Shopping Estação por valor superior ao seu equivalente patrimonial. Ao serem conferidas à empresa Estação Empreendimentos, as ações de Shopping Estação não sofreram reavaliação, sendo transferidas pelo mesmo valor pelo qual foram adquiridas pelas pessoas físicas subscritoras do aumento de capital. E o ágio gerado não se prestou a criar nenhuma despesa tributária. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, o ágio amortizado contabilmente não influenciou o resultado tributável até maio de 2007, quando foi excluído no LALUR em razão da extinção do investimento por incorporação da investida pela investidora. Não se trata, pois, de dedução de despesa com a amortização de ágio, mas sim, de apuração de perda de capital (resultado não operacional) na baixa do investimento. O Decretolei nº 1.598/77 estabeleceu a neutralidade fiscal das amortizações do ágio, o qual só seria computado na apuração do resultado operacional quando da baixa do investimento. Na Subseção I da Seção III, ao tratar de Ganhos ou Perdas de Capital, referido diploma legal estabeleceu que a baixa ou liquidação de bens do ativo permanente é classificada como ganho ou perda de capital, devendo ser determinada com base no seu valor contábil (art. 31), sendo que, em se tratando de investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido, o valor contábil inclui o ágio na sua aquisição, ainda que amortizado na escrituração comercial (art. 33, II). Em caso de fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir, avaliado a preço de mercado, é dedutível como perda de capital (art. 34, I). Portanto, a fiscalização só poderia glosar a perda de capital sofrida pela Cálamo, pela extinção das quotas de Shopping Estação, quando de sua incorporação, no que excedesse o valor do acervo líquido a preço de mercado que as substituiu, o que não foi cogitado. Assim, tenho como improcedente a glosa da exclusão no LALUR em maio de 2007, do montante de R$ 1.168.982,33. Segundo ágio (apurado pela G&K na aquisição das ações da Cálamo por meio de incorporação de ações). O segundo ágio foi registrado (surgiu) na G&K Holding S.A, pela incorporação de ações de Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S.A., ocorrida em dezembro de 2006, para transformála em subsidiária integral. (Na mesma assembleia foi aprovado aumento de capital de R$ 4.615.618,00, subscrito e integralizado por IGP Fundo de Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.488 40 Investimento e Participações, mediante pagamento de R$ 50.000.000,00, dos quais o valor correspondente ao ágio R$ 45.386.382,00 – destinouse a reserva.). O ágio, no valor de R$ 1.011.690.937,33, gerado na incorporação das ações da Cálamo, foi amortizado contabilmente pela G&K relativamente aos períodos de janeiro de 2007 a outubro de 2008. Essas amortizações não tiveram efeitos tributários, tendo a G&K promovido a correspondente adição no LALUR. Em novembro de 2008 a G&K promoveu cisão parcial seletiva, transferindo para a Cálamo parte do seu Patrimônio Líquido, representado por 99% do seu investimento em Cálamo. Com essa cisão, foi transferido para a Cálamo ágio no montante de R$ 972.017.437,44, (99 % do ágio não amortizado, sendo a diferença de 1% relativa à participação que a K&G manteve na Cálamo). A partir de novembro de 2008 a Cálamo reduziu a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante exclusão no LALUR, parcelas mensais correspondentes a 1/60 do ágio R$ 972.017.437,44 transferido da G&K na cisão, e a 1/60 do montante de R$ 29.855.151,02, amortizado na G&K e por ela não deduzido. Essas foram as exclusões glosadas pela fiscalização. Portanto, aqui está a se tratar, de fato, de amortizações do ágio, e não de perda de capital na extinção do investimento. Os procedimentos adotados estão rigorosamente de acordo com o previsto em lei. Assim, a recusa dos efeitos fiscais do ágio só é possível se identificada a situação de artificialismo, simulação relativa, que os invalide. Notese que os auditores fiscais que lavraram o auto de infração não identificaram qualquer ilícito, qualquer patologia jurídica, entre elas a simulação, tanto que, para recusar os efeitos tributários das operações, reportamse à doutrina de Marco Aurélio Greco e consideramnas “planejamento inoponível ao fisco”, sem imposição da penalidade qualificada. De se lembrar que esse doutrinador exclui do campo de planejamento inoponível as condutas repelidas pelo ordenamento jurídico, entre elas a simulação14 Contudo, quando os autos chegaram à Delegacia de Julgamento para apreciação da impugnação apresentada, o Presidente da Turma julgadora, tão logo os recebeu, proferiu despacho determinando o retorno dos autos à DRF para lavratura de autos de infração complementares para qualificação da multa e atribuição de responsabilidade tributária solidária aos sócios. Constou do despacho: “Como essas duas sociedades são controladas pelos acionistas “Miguel Geller Krigsner e Artur Noemio Grynbaun, constatase que as operações que resultaram no reconhecimento de acréscimo de riqueza, em decorrência de transação dos acionistas com eles próprios, não se deram num processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as companhias. O ágio foi gerado internamente, em operações de combinação de negócios, em transações que não se revestem substância econômica e da indispensável independência entre as partes. 14 Planejamento Tributário/ Marco Aurélio Greco São Paulo: Dialética, 2004, pg. 77. Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.489 41 Logo, considerando que foram criadas condições artificiais para possibilitar a amortização indevida do ágio pela interessada, (...)” Esse despacho deu lugar à lavratura de autos de infração complementares, com a qualificação da multa e a responsabilização dos sócios. Em síntese, ainda se reportando à já referida doutrina de Greco, os autuantes identificaram a ocorrência das denominadas step transitions, em que cada deliberação societária ou negocial é encadeada com a subsequente para obter efeito fiscal vantajoso. E que as operações examinadas indicam a existência de um único objetivo, eleito previamente à escolha dos instrumentos utilizados: a redução dos tributos é o fim definido antes dos meios (assembleias, alterações contratuais, protocolos, etc.). Fizeram referência às AGEs posteriores ao evento da cisão seletiva (ocorrida em 2008) até abril de 2010, aprovando relatório de contas da administração, destinação do lucro líquido para pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, reconduzindo os membros do Conselho de Administração, fixando remuneração da Diretoria, estabelecendo pagamento de bonificação pelo desempenho dos diretores, e concluíram: “27. A concatenação dos fatos relatados expõe o lado oculto do planejamento abusivo minuciosamente arquitetado para dar aparência legal a todos os atos praticados, desviando da incidência tributária um enorme volume de recursos, os quais, em sua quase totalidade, sequer permaneceram na empresa, mas foram, sim, diretamente para o patrimônio pessoal dos administradores/acionistas supracitados. A verde cristalina é que, mais algum tempo, e a decadência se incumbiria de sepultar qualquer possibilidade de tais tributos serem lançados. Aliás, a garantia da realização do crédito tributário ora constituído somente existe em função da responsabilidade solidária dos referidos administradores/acionistas no polo passivo (a ser discutida em outro item), já que a fiscalizada não dispõe de bens suficientes a serem arrolados, pelos motivos claramente apresentados. 28. O que dizer da intenção de quem colocou em prática todo este encadeamento de operações, em seus mínimos detalhes? Resta alguma dúvida quanto ao dolo nela existente? Qualquer semelhança com o disposto no art. 72 da Lei nº 4.506/64 (“fraude é toda....) não será mera coincidência. A situação com que ora nos deparamos se enquadra no conceito de fraude. 29. Afinal, é flagrante a ação dolosa dos administradores para obterem para a empresa – e, em última análise, para si próprios – o maior benefício possível às custas do erário público. É inequívoco que os acionistas administradores da autuada agiram com plena consciência de que essas ações resultariam na indevida e vultosa redução do IRPJ e CSLL.” Não entro, por ora, na apreciação da validade dos autos de infração complementares. Cinjome a analisar os fatos apontados pelo Presidente da Turma de Julgamento, exclusivamente para avaliar a legitimidade da recusa dos efeitos fiscais do ágio, sem entrar no mérito da multa qualificada e da responsabilização dos administradores. Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.490 42 Apontou o Presidente da Turma de Julgamento que as transações que deram origem ao ágio não se revestem de substância econômica porque não se deram num processo imparcial de valoração, carecendo da indispensável independência entre as partes. Essa acusação já constava do auto de infração original, porém sem atribuição de fraude, como se constata no item 94 do TVEAF (fls. 1409): “94. Temos que reconhecer que a legislação permite a amortização do ágio. Contudo, evidentemente, a legislação se refere a ágio constituído com substância econômica, em decorrência de transações efetivas entre as partes negociantes autônomas e não relacionadas.” Tratarseia, segundo entendimento dos autuantes, de planejamento inoponível ao fisco porque, de acordo com a doutrina de Greco, embora lícito, não teve outro escopo senão a economia fiscal, como assentado no item 83 do TVRAF (fls. 1405). 83. Ante o exposto, restou caracterizado que o resultado das citadas reestruturações foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, ou seja, o único intuito foi a economia fiscal.” Ressalvando que não abraço inteiramente a doutrina de Greco sobre planejamento inoponível ao fisco, faço a análise sob esse prisma, que foi o que embasou os autos de infração. Na obra conjunta “A Prova no Processo Tributário”, coordenada por Marcos Vinícius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santo e Maria Rita Ferragut15∙, Marco Aurélio Greco participa com artigo intitulado “A Prova no Planejamento Tributário” 16. Nesse trabalho, Greco destaca que os debates sobre esse tema não envolvem grandes dúvidas quanto à legislação, mas, ao revés, estendemse pelas minúcias dos fatos e das condutas. E que certamente a operação que se imputa como planejamento pode merecer um distinto enquadramento quando se trata de saber o posicionamento do Fisco e contribuinte. Greco identifica a existência de cinco pontos sensíveis quando se trata de prova no planejamento tributário, dos quais destaco os três últimos, que, em síntese, transmitem a seguinte ideia: O objeto da prova no planejamento tributário transcende o texto escrito. Devese determinar o que ocorreu, se aquilo descrito no texto ou outro evento. E a prova direta de que teria ocorrido evento diverso daquele descrito no texto raramente existe, e por isso, em regra, a prova se dá através do conjunto de elementos que cercam o caso. No planejamento buscase provar certas operações ou negócios, o que envolve manifestação de vontade pelas partes, e se essa manifestação não está escrita, a prova há de ser da ocorrência de condutas das partes e na interpretação do seu significado, para poder qualificálas como pertencentes a uma determinada categoria jurídica. Daí pode resultar o conflito nas qualificações, pois a qualificação jurídica não está isoladamente na lei nem nos fatos, mas resulta de um processo de interpretação e aplicação 15 Publicação da Editora Dialética, São Paulo, em 2010, 16 Obra citada, fls. 191 a 205. Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.491 43 do Direito que afirma estar aquele conjunto abrangido por determinado conceito ou categoria jurídica. Assim, distintas pessoas podem enquadrar os mesmos fatos em categorias distintas. Para a qualificação é necessário examinar o contexto em que a conduta ocorreu, o quadro que a antecede e o que lhe sucede (contexto temporal), e examinar os motivos e as finalidades ou objetivos do respectivo negócio jurídico. Não basta dizer que ocorreu certa conduta: cumpre situála tanto no contexto temporal como no negocial, pois é da conjugação deles que emanará o significado da conduta realizada. A natureza jurídica do negócio realizado pelo contribuinte não é dada apenas pelo que está dito nos instrumentos, mas também do que foi feito na realidade, sendo relevante o contexto como um todo, nas suas dimensões econômicas, política, social, empresarial, de concorrência, etc. A valoração da prova no planejamento tributário, assim como a qualificação das condutas realizadas pelo contribuinte envolverão sempre um certo grau de subjetividade na respectiva apreciação, implicando maior complexidade da análise. A subjetividade necessita ser controlada para que a vontade do legislador não seja substituída pela vontade do intérprete. A manutenção da subjetividade sob controle objetivo se dá pela explicitação dos critérios e parâmetros que foram adotados para valorar e qualificar, de modo a permitir que a outra parte possa apresentar objeções às relevâncias atribuídas ou à importância reconhecida a este ou aquele fato ou conduta. Este é um grande desafio para o intérprete e aplicador, pois, diante da mesma realidade, podem surgir visões e conclusões distintas, às vezes diametralmente opostas. E sobre esse desafio com que se depara o intérprete e aplicador para qualificar a conduta, orienta Greco: “Se, em determinado caso concreto, ambas as qualificações tiverem o mesmo grau de consistência e gerarem equivalentes níveis de convicção que venham a constituir um par de alternativas em que nenhuma seja mais densa de razões, então, haverá necessidade de adotar um critério de desempate que poderá ser a ponderação de ambos – numa solução média – ou se isto não for possível, na prevalência do valor liberdade. Realmente, se não houve prova suficiente para afastar a qualificação jurídica dada pelo contribuinte aos fatos e condutas ou tornar inoponível perante o Fisco o negócio realizado, este permanece plenamente eficaz extraindose todas as consequências que lhe são próprias, inclusive aquelas que atinjam eventualmente o Fisco.” O propósito negocial para a reestruturação consistente em criar uma holding pura, para nela concentrar as ações das empresas operacionais, é plenamente justificado pela procura de um novo acionista, interessado em investir no grupo como um todo, e que trouxesse recursos financeiros para o grupo. A credibilidade do propósito é confirmada pelo que realmente aconteceu: ingresso de acionista sem nenhuma relação com o grupo, que aportou recursos financeiros equivalentes a 42,85% do total das disponibilidades financeiras de todo o grupo, conforme evidenciado nos saldos em 30/10/96 expressos nos balancetes de fls. 1641 a 1692: Saldos em 31/11/2006 (em R$) Empresa Caixa Bancos Aplic. Financeiras Total G&K 631 18.962 19.592 Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.492 44 Botica 13.467 51.584 54.698.131 54.763.182 Cálamo 1.152 14.011.735 27.259.928 41.272.815 OBF 9.706 2.511.448 17.183.763 19.704.830 Embralog 35.134 884.796 919.930 24.959 16.628.863 100.026.528 116.680.350 O aporte do novo acionista, no montante de R$ 50.000.000,00, corresponde a 42,85% de R$ 116.680.350,00. Quanto à questão da valoração das ações para fins de incorporação, ainda que se desconsiderasse a idoneidade da empresa que elaborou o laudo de avaliação, a suspeita quanto ao valor, baseada no fato de não haver independência entre as partes envolvidas, fica fragilizada com o ingresso, na mesma data, de acionista totalmente independente17, e que aceitou o valor das avaliações. De fato, o novo investidor (IGP), que nenhuma relação tinha com o grupo, recebeu um percentual de participação societária na G&K estabelecida pela proporção entre o valor aportado (R$ 50.000.000,00) e o valor econômicofinanceiro das empresas operacionais apurado nos laudos de avaliação, conforme demonstrado a seguir: Empresa OBF Embralog Botica Cálamo Total (a) Valor econômicofinanceiro conforme laudo de avaliação, expresso em 1000 R$ 605.537 7.694 344.499 1.068.417 2.026.147 (b) Valor do aporte de capital por IGP 50.000 (a) + (b) = (c) 2.076.147 Percentual de participação do IGP (b) x 100 / (c) = 5.000.000/ 2.076.147 2,41% Assim, é insuficiente invocar a ausência de independência entre as partes para sustentar a afirmativa de falta de substância econômica do ágio, pois não há nenhuma explicação lógica para um acionista totalmente independente adquirir participação no grupo pagando por ela importância correspondente à referida avaliação (que produziu o ágio). A acusação de planejamento inoponível, por não ter outro escopo senão a redução de tributos18, evidentemente foi influenciada pelo fato de a incorporação das ações ter se desfeito, mediante cisão seletiva, com devolução do acervo às empresas operacionais. 17 Vejase notícia publicada em 07/04/2007 na Gazeta do Povo Online (http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=652014), versão impressa anexada às fls. 1628 dos autos: "Desde dezembro, o Boticário não conta mais com uma administração “genuinamente paranaense”. A empresa passou a ter como acionista a GP Administração de recursos, subsidiária da GP Investiments – um grupo bilionário que detém participação na ALL, Telemar e Gafisa, entre outras empresas de porte. A mudança na sociedade foi confirmada na terçafeira pelo diretor financeiro de O Boticário, Fernando Modé. A participação da administradora ocorreu com o lançamento de um fundo de investimento para a aquisição de ações da holding G&K, que controla O Boticário" 18 Item 83 do Termo de Verificação: " Ante o exposto, restou caracterizado que o resultado das citadas reestruturações foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, ou seja, o único intuito foi a economia fiscal.” Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.493 45 Estaria na base da acusação uma suspeita de simulação relativa19 (a verdadeira intenção não seria incorporar as ações das empresas operacionais à G&K, e a operação, que teria funcionado apenas para fazer aparecer o ágio, seria desfeita mais tarde, pela cisão seletiva). Essa hipótese, não de todo impossível, fica fragilizada, primeiro, pela distância temporal entre a incorporação e a cisão (dois anos), período em que o ato jurídico (incorporação de ações) produziu os efeitos que lhe são próprios. Depois, o fato de a cisão ter ocorrido imediatamente após a alteração em relação ao acionista minoritário20, com a consequente alteração do Conselho de Administração (saída do Conselheiro Nelson Rosenthal e ingresso do Conselheiro José Roberto Curan), corrobora a explicação do contribuinte, de que a cisão foi motivada por divergência na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista minoritário estratégico (Votorantim). A Ata da 15ª Reunião do Conselho de Administração de 15/10/2008 (fls. 1726/1729) documenta essa divergência, conforme a seguir sumariado: A Ordem do Dia da reunião foi a análise das alternativas de crescimento e consolidação de mercado da Companhia. O Conselheiro Artur N. Grynbaun apresentou o resultado de trabalho iniciado em julho de 2007 junto à Consultoria Bain & Company. Das conclusões do trabalho apresentado, entenderam os Conselheiros Artur Grynbaun e Miguel Krigsner haver oportunidade para o crescimento via aquisições ou de forma orgânica, em segmentos distintos de consumidores e/ou em canais diversificados ao de franquia, com o que concordou o Conselheiro José Paschoal Rossetti. O Conselheiro José Roberto de Mattos Curan manifestouse contrário ao processo de crescimento por aquisições, em outros segmentos ou canais diversificados, tendo em vista que: (i) conforme demonstrado pelo trabalho de consultoria realizado, várias são as iniciativas de crescimento orgânico no segmento alvo para as subsidiárias, assim como várias são as oportunidades de aumento de produtividade do canal de franquias já estabelecido, seja por melhoria de produtividade de cada ponto de venda, seja pela própria expansão do número dos postos de venda da marca; (ii) a atuação em outras marcas e outros canais num momento prévio à consolidação das iniciativas de crescimento e otimização do negócio atual implica perda de foco de atuação empresarial que poderá comprometer os resultados no curto e médio prazo; (iii) há no momento, ainda, uma situação de crise econômica mundial que lança fortes dúvidas quanto à capacidade de expansão da economia no horizonte de tempo futuro imediato, 2009. Nas deliberações da reunião aprovouse: (i) por maioria, resguardada a posição contrária do Conselheiro José Roberto de Mattos Curan, autorizar a Companhia a promover as ações necessárias à execução do projeto de crescimento por aquisições e/ou de forma orgânica em outros segmentos de consumidores e canais diversificados; (ii) por 19 Em ensaio intitulado , “Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda”, publicado no Livro do 13º Simpósio IOB de Direito Tributário, Ricardo Mariz de Oliveira leciona que a simulação se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, e menciona como indícios, entre outros, proximidade temporal de atos e o desfazimento dos efeitos do ato simulado . 20 Em outubro de 2008 as quotas do Fundo IGP foram trasnferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., e a cisão deuse em novembro de 2008. Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.494 46 unanimidade, delegar ao conselheiro Artur N. Grynbaun a elaboração de estudo de revisão societária e patrimonial que preserve a participação do acionista Votorantim G&K Fundo de Investimento e Participações de qualquer impacto resultante do processo de aquisições de negócios ou de forma orgânica em segmentos distintos de consumidores e/ou em canais diversificados aos da franquia, visando sempre que possível o menor impacto operacional, societário e financeiro, devendo o mesmo ser apresentado em reunião extraordinária do Conselho a ser realizada em 23 de outubro de 2008. As demais explicações dadas pela recorrente são coerentes com esse desenho dos fatos. Explica a interessada que a cisão parcial seletiva desproporcional da G&K em quatro parcelas foi idealizada visando a preservar a participação do acionista minoritário de qualquer impacto resultante da aquisição de negócios, mantendo sua participação apenas das operações não sujeitas a tais impactos, o que necessariamente implicaria sua saída do âmbito da G&K. O sócio Votorantim passaria a participar diretamente apenas nos resultados das operações da OBF e da Cálamo, que não seriam as empresas escolhidas para levar adiante o projeto de novas aquisições. Esse projeto seria implementado pela própria G&K, pela Botica, por terceira pessoa que fosse constituída para esse fim, ou mesmo pelos acionistas pessoas físicas. No estudo antes referido21, Greco aponta que no planejamento buscase provar certas operações ou negócios, o que envolve manifestação de vontade pelas partes, investigada a partir da ocorrência de condutas e da interpretação do seu significado, para poder qualificálas como pertencentes a uma determinada categoria jurídica. E assim se expressa: “Identificar a existência de um processo de qualificação – que passa pelo exame de condutas – implica reconhecer que ele envolve o exame do contexto em que elas ocorrem. Condutas são eventos que surgem no plano dos fatos, são materialmente aferíveis e, portanto, inseremse num contexto temporal. Situam se em determinada linha do tempo, o que permite examinar não apenas a conduta, mas o quadro que a antecede, assim como o que lhe sucede. A partir desses ângulos, abrese espaço para determinar os efeitos que a conduta produziu, bem como o quadro situacional em que se deu” 22 No caso, o motivo apontado como causador da divergência que teria dado causa à cisão (crescimento via aquisições ou de forma orgânica, em segmentos distintos de consumidores e/ou em canais diversificados ao de franquia) é confirmado pelo quadro que a sucedeu, conforme comprovam os documentos anexados aos autos (fls. 1731 a 1762). Naturalmente, podese arguir a hipótese de todas essas operações terem sido preparadas desde o início, com a participação do futuro investidor (a GP Administração de Recursos), para a criação artificial de um ágio exclusivamente para gerar despesas dedutíveis. Para essa qualificação dos fatos, na linha do que entendeu o fisco, milita o fato de o ingresso do novo investidor ter se dado na mesma data em que ocorreu a 21 A Prova no Planejamento Tributário, in A Prova no Processo TributárioCoordenadores Marcos Vinicius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santo e Maria Rita Ferragut São Paulo: Dialética, 2010 22 Obra citada, pg. 197 Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.495 47 transformação das empresas em subsidiárias integrais da holding para isso criada. No curto espaço de quatro meses (entre agosto de dezembro de 2006), foi promovida uma reorganização societária e ingresso de novo acionista, que aportou R$ 50.000.000,00. Obviamente, as negociações para o ingresso do novo acionista envolveram a reorganização societária, pois ninguém investiria tal soma sem ter analisado as perspectivas de retorno. No caso, o interesse da GP Investimentos seria de investir nas empresas Cálamo (comércio e distribuição por atacado de perfumaria, cosméticos, produtos de higiene pessoal) e OBF (franquias). Na precificação da participação a ser adquirida teria sido levada em conta a economia tributária a ser conseguida, com a carência de dois anos, pela criação de uma despesa artificial equivalente a 1/60 de 1.883,47 % do patrimônio líquido da Cálamo e 1.125,64% do patrimônio líquido da OBF (as duas de maior rentabilidade futura, segundo avaliação da KPMG). Ao final de dois anos se completaria a negociação, desfazendose a operação de incorporação de ações, cujo objetivo teria sido apenas fazer surgir o ágio, ficando o novo investidor com o que realmente objetivava: adquirir participação minoritária em Cálamo e OBF (3,11% ao final23) Para avaliar a densidade dessa interpretação teríamos que aceitar que, na avaliação do novo acionista, seria vantajoso investir R$ 50.000.000,00 para adquirir uma participação correspondente a 3,11% do patrimônio líquido das duas empresas, correspondente a R$ 3.437.209,00 (PL de Cálamo + PL de OBF = R$ 110.521.194,00) para, ao final de dois anos, passar a usufruir de 3,11%24 da economia tributária gerada por essas duas empresas, de aproximadamente R$ 9.281.739,00 mensais, durante 60 meses25 Ou seja, ao final de sete anos (dois de carência), o capital investido de R$ 50.000.000,00 geraria, para o investidor, uma economia tributária de R$ 18.990.438,00. Diante desses fatos, tenho que as razões apresentadas pela fiscalização para caracterizar as operações como planejamento inoponível não são mais densas que as apresentadas pelo contribuinte para demonstrar as razões empresariais para as reorganizações societárias levadas a efeito. E, na lição de Marco Aurélio Greco, “se não houve prova suficiente para afastar a qualificação jurídica dada pelo contribuinte aos fatos e condutas ou tornar inoponível perante o Fisco o negócio realizado, este permanece plenamente eficaz extraindose todas as consequências que lhe são próprias, inclusive aquelas que atinjam os interesses do Fisco” 26. Por todas as razões acima exposta, voto pelo provimento do recurso e tenho como superadas todas as demais questões levantadas no recurso, incluindo as alegações de nulidade (do lançamento complementar e da decisão recorrida). É como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2015 (documento assinado digitalmente) 23 Notese que, conforme notociário da época, juntado aos autos pela Recorrente (fls. 1631/1632), o mercado estimava que i Grupo GP teria adquirido de 3 a 5% da Boticário. 24 Participação acionária nas empresas, ao final da reestruturação. 25 [ágio da Cálamo + ágio da OBF dividido por 60 meses e multiplicado 34% ( soma das alíquotas do IR e da CSLL)] = [ (R$ 1.068.417.000,00 + R$ 605.537.000,00) /60 x 34% = R$ 9.282.739,00]. 26 "A Prova no Processo Tributário", na obra coletiva acima mencionada, pg. 198. Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.496 48 Valmir Sandri Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.497 49 Voto Vencedor Wilson Fernandes Guimarães, redator designado. Em que pese os densos argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu pronunciamento, a Turma de Julgamento, pelo voto de qualidade, entendeu de forma diversa, relativamente às seguintes matérias: amortização de ágio; lançamento tributário complementar; qualificação da penalidade; e imputação de responsabilidade tributária aos sócios. Discorro, pois, sobre os fundamentos eleitos pela Turma Julgadora para emitir posicionamento dissonante em relação a cada uma das matérias acima mencionadas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Cumpre destacar, de início, que a Turma Julgadora não divergiu do Ilustre Conselheiro Relator em relação a inúmeras considerações trazidas por meio do seu pronunciamento acerca da possibilidade de dedução de amortizações de ágio, deduções essas realizadas aos auspícios da norma introduzida pelo art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997. Referidas considerações, que ocupou parte significativa do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Relator, dizem respeito à questão do denominado “ágio interno”; da ausência de pagamento em dinheiro; da admissibilidade ou não do reconhecimento contábil de ágio gerado em operações envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, que, na visão do Colegiado, em contexto teórico, isto é, dissociadas de situações concretas, em princípio não se prestam para servir de suporte para eventuais glosas por parte do Fisco. Embora seja objeto de controvérsia27, penso que a amortização do ágio autorizada pelo inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, por significar uma antecipação no registro de uma despesa, vez que, em regra, o sobrepreço que integra o custo de aquisição de uma participação societária só deve impactar o resultado fiscal por ocasião da efetiva alienação da referida participação, representa até certo ponto um favor fiscal, motivo pelo qual devese emprestar interpretação restritiva à referida norma autorizadora. Ademais, o aplicador da norma, frente a uma situação concreta que lhe é apresentada, deve envidar esforços no sentido de averiguar se efetivamente está diante de circunstância que autoriza a dedução do ágio. Diria mais, é necessário verificar se, de fato, o valor amortizado, considerada a operação ou operações que deu ou deram causa ao seu surgimento, representa o ÁGIO de que trata a norma que autoriza a sua dedução. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõe: 27 Penso que a controvérsia que se instala acerca do fato de a Lei nº 9.532, de 1997, ter ou não trazido um favor fiscal ao autorizar a amortização do ágio de forma antecipada, resida no fato de que, a exemplo das situações que a legislação já previa (arts. 31 e 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), mesmo na situação contemplada pelo art. 7º da referida Lei 9.532/97, é necessária a extinção da participação da societária adquirida com ágio. Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.498 50 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.499 51 O art. 8º do referido diploma legal estabelece ainda: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. O art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, por sua vez, antes das alterações promovidas pela Lei nº 12.973, de 2014, que resultou da conversão da Medida Provisória nº 617, de 2013, preconizava: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Dos referidos dispositivos legais, pois, é possível extrair os seguintes elementos: 1. a pessoa jurídica abrigada pelo favor fiscal é aquela que, detendo participação societária adquirida com ágio em outra pessoa jurídica, absorve o patrimônio dessa pessoa jurídica por meio de incorporação, fusão ou cisão; 2. é admitida o que se pode denominar absorção reversa de patrimônio, isto é, a pessoa jurídica que teve suas ações ou quotas de capital adquiridas, por meio de incorporação, fusão ou cisão, absorve o patrimônio da adquirente; 3. o ágio a que se reporta a norma autorizadora corresponde à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido desse investimento, e, Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.500 52 tratandose de contribuinte que avalia investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, deve ser registrado de forma segregada; 4. o ágio passível de amortização antecipada é aquele cujo fundamento econômico está representado pelo valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; 5. o registro de ágio com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros de coligada ou controlada impõe que o contribuinte mantenha, como comprovante da escrituração, demonstração da apuração do valor em questão. Portanto, do ponto de vista estritamente tributário, para que se possa falar em ÁGIO, é necessário verificar se, efetivamente, houve AQUISIÇÃO de participação societária; se essa aquisição teve um CUSTO, isto é, teve um “preço”, um “valor”, de modo a exigir um sacrifício de ativo; e se esse CUSTO representou “preço”, “valor”, “sacrifício de ativo” de qualquer natureza, superior ao das quotas ou ações adquiridas segundo o espelhado em seu patrimônio contábil. Diante desse contexto de substanciais condicionantes, peço licença ao Ilustre Conselheiro Relator para afirmar que a glosa de amortização de ágio com base em rentabilidade futura não deve se limitar aos casos em que se vislumbra a chamada simulação relativa, mas também deve alcançar as situações, entre outras, em que, embora tal figura não reste caracterizada, de ÁGIO não se trata. Nessa mesma linha, tenho por certo que uma eventual exasperação da penalidade aplicada não deve ficar limitada à caracterização da simulação, eis que o elemento que impulsiona a providência é o caráter volitivo de atos que foram praticados com a intenção de reduzir a incidência tributária, sendo de pouca ou nenhuma relevância os meios aplicados na circunstância em que eles, os meios, revelamse claramente distantes da norma autorizadora da redução empreendida. Apreciando o caso concreto, à luz dos elementos reunidos ao processo, e, especialmente, do que foi retratado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.373/1.411 e na decisão exarada em primeira instância, a Turma Julgadora direcionou seu posicionamento no sentido de não acolher os argumentos trazidos em sede de recurso, negando, assim, provimento ao recurso. Sirvome da descrição dos fatos contida na decisão de primeiro grau para, primeiro, tratar do ágio mais substancial, no montante de R$ 972.017.437,44. 17/03/2004: a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza Ltda. é constituída com capital social de R$ 10.000,00, tendo como sócios O Boticário Franchising – OBF (CNPJ nº 76.801.166/000179, com participação de 99,99% do capital social) e K&G Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ 04.787.143/000146, com participação de 0,01%); 21/08/2006: por meio da 7ª Alteração do Contratual da Cálamo (fls. 1123), o sócio OBF cedeu e transferiu a totalidade das 10.009.900 quotas do capital social da interessada que possuía aos sócios Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, que já haviam recebido as 100 quotas anteriormente pertencentes à K&G Empreendimentos e, em consequencia, passaram a deter 80% e 20%, respectivamente, das quotas do capital social da interessada (10.010.000 quotas); Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.501 53 também foi aprovada a transformação da sociedade empresária limitada em sociedade anônima, com a denominação Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A; 01/09/2006: a Cálamo incorpora o patrimônio da Estação Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ nº 04.787.143/000146), com patrimônio líquido de R$ 7.757.680,00, e aumenta seu capital social de R$ 10.010.000,00 para R$ 17.767.680,00, tendo o valor assim integralizado sido atribuído aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum proporcionalmente às participações que estes detinham no capital social da sociedade incorporada, conforme Ata da AGE da interessada (fls. 2428), Protocolo e Justificação de Incorporação Total(fls. 2937) e Laudo PericialContábil Para Efeito de Incorporação Total, elaborado pela ZHC Consultores S/S Ltda. com utilização do método de avaliação patrimonial através da mensuração dos saldos contábeis; 18/09/2006: G&K Holding S/A é constituída com capital social de R$ 1.000,00, tendo como sócios Miguel Gellert Krigsner (80% do capital) e Artur Noemio Grynbaum (20%) e como objeto social a participação em outras sociedades nacionais e estrangeiras, conforme Ata de Assembléia Geral de Acionistas Para a Constituição de G&K Holding S/A (fls. 656666 e 947957); 01/11/2006: a Cálamo incorpora o patrimônio da Estação Convention Center Ltda. (CNPJ nº 05.484.221/000104), com patrimônio líquido de R$ 34.844.687,61, conforme Ata da AGE da interessada (fls. 6778), Protocolo e Justificação de Incorporação Total e Laudo PericialContábil Para Efeito de Incorporação Total, elaborado pela ZHC Consultores S/S Ltda. (fls. 7999) com utilização do método de avaliação patrimonial através da mensuração dos saldos contábeis; o patrimônio líquido vertido de R$ 34.844.687,61 foi totalmente incorporado pela Cálamo e o seu quadro societário não sofreu qualquer alteração; 18/12/2006: o IGPFundo de Investimento em Participações (CNPJ nº 07.479.779/000119) subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A pelo preço total de R$ 50.000.000,00, dos quais R$ 4.613.618,00 destinados ao capital da companhia e R$ 45.386.382,00 à constituição de reserva de capital, conforme Boletim de Subscrição de Ações (fls. 759760); em consequência, o capital social da G&K Holding S/A passou a ser composto pelos seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner ....................................... 800 ações . Artur Noemio Grynbaum ..................................... 200 ações . IGPFundo de Investimento em Participações. .... 4.613.618 ações Total. ........ 4.614.618 ações 18/12/2006: a G&K Holding S/A incorpora as ações ordinárias nominativas do O Boticário Franchising S/A – OBF (CNPJ nº 76.801.166/000179), Embralog – Empresa Brasileira de Logística S/A (06.308.851/000182), Botica Comercial e Farmacêutica S/A (77.388.007/000157) e a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A (CNPJ nº 06.147.451/000132), que passam a ser subsidiárias integrais, e aumenta seu capital social em R$ 186.970.480,00 mediante emissão de 186.970.480 novas ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, em substituição às ações anteriormente detidas por Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum nas sociedades incorporadas, conforme Ata de AGE da G&K Holding S/A (fls. 667678 e 958969): Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.502 54 as 20.000.000 ações representativas do capital do OBF, com valor nominal de R$ 20.000.000,00, foram avaliadas em R$ 605.600.000,00 por laudo de avaliação com base em rentabilidade futura elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda., com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de O Boticário Franchising S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 679684 e 970975) e Laudo de Avaliação (fls. 686696 e 977987); as 10.000 ações representativas do capital da Embralog, com valor nominal de R$ 10.000,00, foram avaliadas em R$ 7.693.000,00 por laudo de avaliação elaborado pela KPMG com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de EmbralogEmpresa Brasileira de Logística S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 702707 e 993998) e Laudo de Avaliação (fls. 709719 e 10001010); as 149.192.800 ações representativas do capital da Botica, com valor nominal de R$ 149.192.800,00, foram avaliadas em R$ 344.635.368,00 por laudo de avaliação elaborado pela KPMG com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de Botica Comercial e Farmacêutica S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 721.726 e 10121017) e Laudo de Avaliação (fls. 728738 e 10191029); as 17.767.680 ações representativas do capital da Cálamo, com valor nominal de R$ 17.767.680,00, foram avaliadas em R$ 1.068.370.598,40 por laudo de avaliação elaborado pela KPMG com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão da Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 740.745 e 10311036) e Laudo de Avaliação (fls. 747757 e 10381048); o capital social da G&K Holding S/A passou a ser composto por pelos seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner .................................... 149.577.184 ações . Artur Noemio Grynbaum .................................. 37.394.296 ações . IGPFundo de Investimento em Participações. . 4.613.618 ações Total. ........ 191.585.098 ações 18/12/2006: o IGPFundo de Investimento em Participações (com 2,41% do capital social da G&K Holding S/A), Miguel Gellert Krigsner (78,07% do capital social) e Artur Noemio Grynbaum (19,52% do capital social) celebram Acordo de Acionistas (fls. 17001712) para estabelecer certas regras para regular o relacionamento como acionistas da G&K Holding S/A, estabelecendo diretrizes, direitos e obrigações recíprocas para viabilizar a execução das atividades compreendidas pelo objeto social da companhia; 18/12/2006: a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A realiza assembléia geral extraordinária, conforme Ata de AGE (fls. 100115), Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 334339) e Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 342352), Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.503 55 para aprovar a incorporação de suas 17.767.680 ações ordinárias nominativas pela G&K e conversão em subsidiária integral desta: a KPMG utilizou a metodologia do fluxo de caixa descontado para determinar o valor de mercado de R$ 1.068.417.000,00, em agosto/2006, da Cálamo e suas subsidiárias integrais Shopping Estação Ltda. e Estação Convention Center Ltda., considerando um horizonte de projeção até dezembro/2015; cada uma das 17.767.680 ações representativas do capital da interessada foram avaliadas em R$ 60,13; as 17.767.680 ações nominativas de emissão da Cálamo pertencentes aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum passaram a fazer parte do ativo da G&K Holding, que emitiu 17.767.680 novas ações nominativas de emissão da G&K, com valor nominal de R$ 1,00 cada, atribuídas a esses acionistas na mesma proporção das participações por eles detidas na interessada; 18/12/2006: a G&K Holding S/A contabiliza ágio de R$ 1.011.690.937,33 constituído sobre o patrimônio líquido da Cálamo, correspondente à diferença entre o valor de mercado (R$ 1.068.370.598,40 = 17.767.680 ações x R$ 60,13) e o PL dessa investida (R$ 56.679.661,07); 02/05/2007: a Cálamo incorpora o patrimônio do Shopping Estação Ltda. (CNPJ 03.967.151/000101), com patrimônio líquido de R$ 89.192.738,87, conforme Ata de AGE da interessada (fls. 131133), Protocolo e Justificação de Incorporação Total (fls. 134142) e Laudo PericialContábil Para Efeito de Incorporação Total (fls. 143156) elaborado pela ZHC Contabilidade S/S Ltda. com base na mensuração dos saldos contábeis; patrimônio líquido vertido de R$ 89.192.738,87 foi totalmente incorporado pela Cálamo, cujo quatro societário não sofreu qualquer alteração; 09/08/2008: as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações (Votorantim); 03/11/2008: o capital social da G&K Holding S/A (constituído de 191.585.098 ações ordinárias nominativas) é aumentado em R$ 304.049.679,00, passando de R$ 191.585.098,00 para R$ 495.634.777,00, mediante conversão de reservas de capital, conforme Ata da AGE (fls. 11931198); as 304.049.679 novas ações ordinárias nominativas foram distribuídas entre os acionistas da seguinte forma: . Miguel Gellert Krigsner ....................................... 237.382.215 ações . Artur Noemio Grynbaum ..................................... 59.345.554 ações . Votorantim G&K Fundo Invest. em Particip. ...... 7.321.910 ações Total. ........ 304.049.679 ações 03/11/2008: nessa mesma AGE foi aprovada a cisão parcial da G&K Holding S/A, cujo capital social sofreu redução de R$ 443.551.815,00, passando de R$ 495.634.777,00 para R$ 52.082.962,00, correspondente a quatro parcelas distintas a serem incorporadas pela Botica, Cálamo, OBF e Embralog, conforme Ata da AGE (fls. 11931198), Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 11991211) e Laudo Pericial Contábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.504 56 Sociedades Já Existentes (fls. 12121222), emitido pela América Auditores Independentes S/S com base na mensuração contábil do patrimônio: a incorporação na Botica foi efetivada pela transferência da parcela de R$ 238.000.160,00 do patrimônio líquido da G&K; considerando que o acervo líquido de R$ 238.000.160,00 deduzido do investimento de R$ 175.536.160,00 que a G&K detinha na Botica resultou no valor líquido de R$ 62.464.000,00, esta operação ensejou o aumento do capital social da Botica de R$ 62.464.000,00, atribuído à própria G&K, bem como, seletivamente, aos acionistas desta; o acervo líquido transferido é constituído dos seguintes bens e direitos: . aplicações financeiras ....................................... R$ 59.148.912,51 . impostos a recuperar ......................................... R$ 3.315.087,49 . investimentosBotica (147.700.872 ações) ....... R$ 175.536.160,00 . ágio investimento Botica .................................. R$ 193.298.809,52 . provisão Instrução CVM nº 319349................ R$ 193.298.809,52 Total ......... R$ 238.000.160,00 a incorporação na Cálamo foi efetivada pela transferência da parcela de R$ 108.930.728,00 do patrimônio líquido da G&K, acervo líquido este constituído dos seguintes bens e direitos: . investimentosCálamo (17.590.003 ações) ....... R$ 108.930.728,00 . ágio investimento Cálamo ................................ R$ 972.017.437,44 . provisão Instrução CVM nº 319349................ R$ 972.017.437,44 Total ....... R$ 108.930.728,00 a incorporação na OBF foi efetivada pela transferência da parcela de R$ 91.893.855,00 do patrimônio líquido da G&K, acervo líquido este constituído dos seguintes bens e direitos: . investimentosOBF (19.800.000 ações) ........... R$ 91.893.855,00 . ágio investimento OBF ..................................... R$ 541.813.468,64 . provisão Instrução CVM nº 319349................ R$ 541.813.468,64 Total ...... R$ 91.893.855,00 a incorporação na Embralog efetivada pela transferência de parcela de R$ 4.727.072,00 do patrimônio líquido da G&K, acervo líquido este constituído dos seguintes bens e direitos: . investimentosEmbralog (3.392.730 ações) ..... R$ 4.727.072,00 . ágio investimento OBF ..................................... R$ 5.785.322,85 . provisão Instrução CVM nº 319349................ R$ 5.785.322,85 Total ......... R$ 4.727.072,00 Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.505 57 as 52.082.962 ações ordinárias nominativas restantes da G&K Holding S/A foram distribuídas entre os seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner .................................... 41.666.367 ações . Artur Noemio Grynbaum .................................. 10.416.592 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação . João Vinicius Prianti ......................................... 1 ação . João Paschoal Posseti ........................................ 1 ação total. ....... 52.082.962 ações a G&K Holding S/A manteve apenas participações societárias correspondentes a apenas 1% do capital social da Botica, Cálamo, OBF e Embralog; 03/11/2008: a Cálamo realiza assembleia geral extraordinária, conforme Ata de AGE (fls. 187205), Protocolo e Justificação Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Líquido Cindido a Sociedades já Existentes e Laudo PericialContábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades já Existentes, para aprovar a incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da G&K Holding S/A: a parcela de 17.590.003 das ações ordinárias nominativas que a G&K Holding detinha (17.767.680 ações) foram revertidas e redistribuídas seletivamente a: . Miguel Gellert Krigsner .................................... 13.629.942 ações . Artur Noemio Grynbaum .................................. 3.407.486 ações . Votorantim G&K Fundo Invest.em Particip. .... 552.574 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação Total...... 17.590.003 ações 03/11/2008: a OBF também realiza assembleia geral extraordinária, conforme Ata de AGE, Protocolo e Justificação Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Líquido Cindido a Sociedades já Existentes e Laudo PericialContábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades já Existentes, para aprovar a incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da G&K Holding S/A: a parcela de 19.800.000 das ações ordinárias nominativas que a G&K Holding detinha (20.000.000 ações) foram revertidas e redistribuídas seletivamente a: . Miguel Gellert Krigsner .................................... 15.342.400 ações . Artur Noemio Grynbaum .................................. 3.835.600 ações . Votorantim G&K Fundo Invest.em Particip. .... 621.999 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação Total....... 19.800.000 ações Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.506 58 03/11/2008: do ágio de R$ 1.011.690.937,33 constituído sobre o patrimônio da Cálamo em 18/12/2006 pela G&K Holding S/A foi cindida a parcela de R$ 972.017.437,44, sendo, segundo informou a interessada, a diferença de R$ 39.673.499,89 relativa a: . amortizações efetuadas pela G&K em 2007 ....... R$ 13.467.329,92 . amortizações efetuadas pela G&K em 2008 ....... R$ 16.387.812,00 . ágio mantido na G&K pela partic.de1% ............. R$ 9.818.357,95 Total ......... R$ 39.673.499,87 03/11/2008: o ágio de R$ 972.017.437,44 foi contabilizado a débito da conta 180020Ágio sobre Investimentos e na sua conta redutora 180098Provisão para Preservação de Dividendos Futuros, no subgrupo Investimentos; esse ágio foi também contabilizado nas correspondentes contas do Ativo Diferido (192080Ágio sobre Investimentos e 192081Provisão p/Realização de Ágio); 30/11 a 31/12/2008: a Cálamo amortizou mensalmente R$ 16.200.290,62 de ágio (parcela de 1/60 do ágio) nas contas de diferido nºs 192080 e 192081, com contrapartida nas contas de despesa nº 371006Ágio sobre Investimentos e de receita nº 364003Reversão Provisão Ágio Sobre Incorporação, respectivamente; 31/12/2008: a Cálamo transferiu o ágio de R$ 972.017.437,44 e as amortizações efetuadas em novembro e dezembro/2008 das contas do Ativo Diferido para as contas do Ativo Intangível (190040Ágio sobre Investimentos e 190041Provisão p/Realização de Ágio), em cumprimento ao determinado pela MP 449, de 2008, art. 36; 31/12/2008: a Cálamo exclui R$ 32.400.581,24 do Lalur (fls 389390) a título de “Provisão p/Realização de ÁgioIncorp. G&K” para anular a receita contabilizada na conta 364003; 31/12/2008: a Cálamo também excluiu R$ 995.171,40 do LALUR (fls. 389 390) a título de “Ágio incorporação G&K”, para amortizar o encargo no ano calendário de 2008 (2/60) do valor amortizado e não excluído pela G&K no período de janeiro/2007 a outubro/2008, no montante de R$ 29.855.141,92; 31/01 a 31/03/2009: a Cálamo amortizou mensalmente R$ 16.200.290,62 de ágio (parcela de 1/60 do ágio) nas contas de intangível nºs 190040 e 192041, com contrapartida nas contas de despesa nº 371006Ágio sobre Investimentos e de receita nº 364003Reversão Provisão Ágio Sobre Incorporação, respectivamente; 30/04 a 31/12/2009: a apropriação do ágio relativa ao período de abril a dezembro/2009 não foi mais contabilizada em observância ao CPC nº 04, emitido em decorrência da Lei nº 11.638, de 2007 (fl. 377); 31/12/2009: a Cálamo exclui R$ 194.403.487,49 do Lalur (fls. 428429) a título de “Provisão p/Realização de ÁgioIncorp. G&K” para anular a receita de R$ 16.200.290,62 contabilizada na conta 364003 nos meses de janeiro a março/2009 e excluir o encargo com a amortização do período de abril a dezembro/2009; 31/12/2009: a Cálamo também excluiu R$ 5.971.028,38 do LALUR (fls. 428 429) a título de “Ágio incorporação G&K”, para amortizar o encargo no ano calendário de 2008 (12/60) do valor amortizado e não excluído pela G&K Holding no período de janeiro/2007 a outubro/2008, no montante de R$ 29.855.141,92. Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.507 59 Diante desse contexto fático, o que importa identificar, de forma objetiva, é a operação da qual o ágio objeto de amortização e que foi glosado pela Fiscalização foi constituído. Nessa linha, constatase que em 18 de setembro de 2006 foi constituída a empresa G&K HOLDING S/A, com capital social de R$ 10.000,00, tendo como sócios o Srs. MIGUEL GELLERT KRIGSNER (oitenta por cento) e NOEMIO GRYNBAUN (vinte por cento). Três meses após a constituição da G&K HOLDING S/A, ou seja, em 18 de dezembro de 2006, por meio de uma incorporação de ações, a fiscalizada transformase em subsidiária integral da empresa constituída, que aumentou seu capital social, emitindo novas ações em substituição às detidas anteriormente pelo Srs. MIGUEL GELLERT KRIGSNER e NOEMIO GRYNBAUN. A partir dessa reorganização societária, com base em laudo de avaliação elaborado pela empresa KPMG Corporate Finance, a G&K HOLDING S/A escritura ágio no montante de R$ 1.011.690.937,33 em relação à participação societária na fiscalizada, correspondente à diferença entre o valor de avaliação (R$ 1.068.370.598,40 = 17.767.080 ações X R$ 60,13) e o referente ao patrimônio líquido dela (R$ 56.679.661,07). Desse montante de R$ 1.011.690.937,33, a parcela de R$ 972.017.437,44 foi transferida em virtude do evento de cisão parcial e passou a ser amortizada pela ora Recorrente. Penso que as passagens abaixo transcritas, colhidas do voto condutor da decisão de primeiro grau, expressam com propriedade o entendimento do Colegiado acerca da absoluta improcedência da dedução pretendida pela Recorrente. [...] 87. Considerando que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o valor efetivamente despendido para aquisição de um investimento – o sacrifício econômico suportado pela sociedade investidora – supera o valor patrimonial desse investimento, não há como se admitir que as ações da interessada tenham sido incorporadas pela G&K Holding S/A por um preço que contém uma mais valia de si próprio, em transação dos sócios Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum com eles mesmos, por intermédio das sociedades investida e investidora. 88. Conforme disposto no art. 385, II, do RIR de 1999 e ressaltado pelo OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007, o ágio na aquisição de participação societária avaliada pelo patrimônio líquido corresponde à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o seu valor patrimonial à época da aquisição, razão pela qual é condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros. 89. No presente caso, a G&K Holding não suportou sacrifício econômico algum que justificasse a constituição do ágio de R$ 1.011.690.937,33 por ocasião da incorporação das ações da interessada, em 18/12/2006, porquanto recebeu as 17.767.680 ações ordinárias nominativas de emissão da Cálamo, pertencentes aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, e em contrapartida emitiu 17.767.680 novas ações ordinárias nominativas do seu capital social, Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.508 60 atribuídas a esses mesmos acionistas na proporção das participações por eles anteriormente detidas na interessada, conforme Ata de AGE (fls. 100115), Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 334339) e Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 342352). 90. A Cálamo tinha à época valor patrimonial de R$ 56.679.661,07, mas cada uma de suas 17.767.680 ações ordinárias nominativas foi avaliada em R$ 60,13 por laudo de avaliação elaborado pela KPMG, com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, perfazendo o total de R$ 1.068.370.598,40. Assim, a G&K Holding contabilizou em seu ativo permanente investimentos a importância de R$ 56.679.661,07 em conta representativa do valor do patrimônio líquido da Cálamo e R$ 1.011.690.937,33 na conta do ágio na aquisição dessa investida, além de registrar em seu patrimônio líquido a importância de R$ 17.767.680,00 na conta Capital Social e R$ 1.050.602.918,40 na conta Reserva de Capital. 91. Contudo, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. A G&K Holding não teve nenhum outro dispêndio além da entrega das 17.767.680 novas ações nominativas do seu capital social, mas constituiu um ágio de R$ 1.011.690.937,33 sobre o patrimônio líquido da interessada, cuja parcela de R$ 972.017.437,44 acabou retornando à própria Cálamo, em 03/11/2008, na operação de cisão parcial da G&K Holding S/A – conforme Ata da AGE (fls. 11931198), Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 1199 1211) e Laudo PericialContábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 12121222) –, fato que possibilitou a esta amortizar e excluir mensalmente do LALUR 1/60 do ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, ou seja, um ágio de si mesmo. 92. Assim, verificase que a operação de incorporação das ações da Cálamo em valor superior ao seu valor patrimonial não têm substância econômica, pois foi reconhecido um acréscimo de riqueza inexistente, haja vista ganho algum ter sido realizado nessa operação. Nenhuma riqueza nova foi gerada dentro do grupo Boticário com a operação de incorporação das ações da Cálamo, cujo valor após a incorporação das ações permaneceu sendo exatamente o mesmo de antes dessa operação. ... 97. Quanto à alegação da impugnante de que a incorporação de ações em 18/12/2006 não poderia ser caracterizada como uma operação intragrupo, pois foi legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no grupo Boticário, cabe salientar que o IGPFundo de Investimento em Participações realmente subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A, mas não subscreveu e nem integralizou aumento do capital algum na Cálamo. 98. É certo que a IGP pagou R$ 50.000.000,00 pelas 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A, correspondente à participação de 2,41% do capital social desta, conforme Boletim de Subscrição de Ações (fls. 759 760), mas o ágio assim apurado somente poderia ser reconhecido pela IGP sobre o patrimônio líquido da G&K Holding S/A, caso a investidora não fosse fundo de investimento. 99. Ainda que o valor de mercado da investida pudesse corresponder à avaliação efetuada pela KPMG, não é concebível, econômica e contabilmente, o Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.509 61 reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de transação dos acionistas com eles próprios. Quando a impugnante alega que na incorporação de ações não há “pagamento”, que é uma contraprestação do negócio jurídico de venda e compra, e que o valor das ações incorporadas corresponde ao valor das ações da incorporadora que serão recebidas pelos titulares das ações incorporadas, verificase que tal raciocínio é válido apenas para a operação realizada intragrupo, pois tais condições certamente não seriam aceitas pelos acionistas da Cálamo caso negociassem suas ações com terceiros, um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. Essa é exatamente a circunstância retratada nos autos impeditiva da dedução pretendida, circunstância essa que não é capaz de indicar que o sobrepreço (ágio) tenha surgido em razão de um sacrifício de ativo de qualquer natureza. As incessantes referências às ocorrências de ágio interno, ágio de si próprio, artificialismo, ágio entre partes relacionadas, etc., só têm relevância em termos tributários na situação em que se observa que o “ágio” objeto de amortização e dedução do resultado fiscal não se amolda ao conceito de “custo de aquisição” referenciado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. No caso vertente, a indagação é exatamente a seguinte: afinal, qual o custo (sacrifício econômico, no dizer do ato decisório recorrido) que justifica a constituição do ágio? Como tive a oportunidade de registrar na apreciação de situações análogas, é certo que não cabe à Administração Tributária imiscuirse nas decisões tomadas em âmbito privado por Grupo Econômico de qualquer natureza. Contudo, quando tais decisões resultam em significativo abalo no fluxo de recolhimento de tributos, deve a autoridade tributária envidar esforços para, no exercício da sua atividade fiscalizadora, verificar se os procedimentos com repercussão tributária porventura adotados encontramse em conformidade com a lei de regência. Na situação ora analisada, a constituição da empresa G&K HOLDING S/A para incorporar as ações da fiscalizada, pelo valor atualizado, transformandoa em sua subsidiária integral, trouxe significativa redução de tributos, eis que de tal processo fez emergir um ágio que nada mais representa que a própria “mais valia” da sociedade cujas ações foram objeto de incorporação. Como dito, quando se constata que a glosa empreendida pela autoridade fiscal tem por fundamento o denominado ÁGIO INTERNO, mas, resta verificado que a autoridade fiscal descortina sob esse manto a existência de uma ação deliberada de “criar” uma despesa por meio de um conjunto de reorganizações societárias, sem qualquer desembolso, orquestradas dentro de um grupo de empresas submetidas ao mesmo comando, efetivamente não se pode admitir a sua dedutibilidade, eis que totalmente desvirtuada a norma tributária autorizadora. Do ponto de vista tributário, o ágio não deve provocar efeito de qualquer natureza, ou seja, a neutralidade fiscal é a regra. Assim, quando se admite a sua dedução, é vital a existência de um custo que se contrapõe a um lucro, resultando disso a ausência de efeitos tributários. Obviamente, quando não se tem custo, não se pode falar em despesa com amortização. Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.510 62 Não resta dúvida de que, quando o art. 386 do RIR/99 fala em “participação societária adquirida”, fica evidente, ao se interpretar em conjunto com o art. 385 do mesmo diploma regulamentar, que se trata de participação societária em relação a qual se pode atribuir um custo de aquisição, que deverá ser desdobrado. A amortização de ágio interno que não corresponde a custo incorrido, indubitavelmente não se inclui na hipótese descrita na norma autorizadora da dedutibilidade; Por entender que se aplicam ao caso presente, reproduzo, abaixo, argumentos expendidos nos autos do processo administrativo nº 10880.721826/201081, do qual fui o relator. ... um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, realizado em um espaço curto de tempo, no qual não houve desembolso e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. A contrario sensu, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada pelo Grupo Econômico do qual faz parte, fez refletir no ativo de uma HOLDING constituída há pouco mais de vinte dias, os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma incorporação às avessas, efetivada em curto espaço de tempo e sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. O que salta aos olhos é que a intenção da Recorrente foi, em que pese os supostos motivos declarados, fazer surgir um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão a que chegou a Fiscalização, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almejou beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição investimento. No que tange ao ágio de R$ 1.168.982,33, sirvome, da mesma forma, do consignado no ato decisório de primeiro grau para descrever os fatos a ele relacionados. 28/11/2003: a Estação Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ nº 04.787.143/000146, cuja razão social anterior era Agatha Participações S/A e K&G Empreendimentos e Participações S/A) aumentou seu capital social em R$ 41.887.998,00, cujo valor foi integralizado por Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum mediante conferência de participações societárias por eles detidas no Shopping Estação Ltda. (CNPJ nº 03.967.151/000101, cuja razão social anterior era K&G Participações S/A e Espaço Estação Participações S/A), conforme Ata de AGE da Agatha Participações (fls. 638 e 15941595) e Laudo de Avaliação da Companhia Espaço Estação Participações S/A, Para efeito de Integralização de Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.511 63 Capital (fls. 634637), elaborado pela ZHC Consultores S/C com base no custo de aquisição (valor de declaração de imposto de renda); 28/11/2003: a Estação Empreendimentos e Participações Ltda. constituiu ágio de R$ 1.168.983,33 correspondente à diferença entre28 (fls. 629630): 01/09/2006: a Cálamo incorpora a Estação Empreendimentos e Participações Ltda., com patrimônio líquido de R$ 7.757.680,00, e aumenta seu capital social em R$ 7.757.680,00 (que passou de R$ 10.010.000,00 para R$ 17.767.680,00), atribuído aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum proporcionalmente às participações que estes detinham no capital social da sociedade incorporada, conforme Ata da AGE da interessada (fls. 2428), Protocolo e Justificação de Incorporação Total (fls. 2937) e Laudo PericialContábil Para Efeito de Incorporação Total, elaborado pela ZHC Consultores S/S Ltda. com utilização do método de avaliação patrimonial através da mensuração dos saldos contábeis; no item 2 desse laudo de avaliação consta que foi utilizado o método de avaliação patrimonial através da mensuração dos saldos contábeis, com base nas peças contábeis datadas de 01/09/2006; no item 3 consta que no acervo líquido incorporado (R$ 7.757.680,00) encontrase o saldo de R$ 1.168.982,33 da conta de ágio com expectativa de rentabilidade futura do Shopping Estação Ltda.; 31/12/2006: a interessada contabiliza despesa com amortização de ágio de R$ 720.872,44, correspondente ao período de dezembro/2003 a dezembro/2006, cujo valor foi adicionado ao LALUR em dezembro/2006 (fl. 589); 02/05/2007: a Cálamo incorpora o Shopping Estação Ltda., com patrimônio R$ 89.92.738,87, conforme Ata de AGE (fls. 131133), e Protocolo de Justificação e Incorporação Total (fls. 134142) e Laudo PericialContábil Para Efeito de Incorporação Total (fls. 143156); 31/12/2007: após contabilizar despesa com amortização de R$ 77.932,16 nos meses de janeiro a abril/2007 e de R$ 370.177,73 em maio/2007, adicionou R$ 448.109,89 ao LALUR em dezembro/2007 a título de ágio de investimentos em coligadas/controladas (fls. 618619); 31/12/2007: a interessada excluiu R$ 1.168.982,33 do LALUR em dezembro/2007 a título de ágio de investimentos em coligadas/controladas (fls. 618 619). A situação aqui, no entendimento do Colegiado, em tudo de assemelha a que foi antes analisada, isto é, o fato do qual emergiu o ágio objeto de amortização (aumento de capital) não demonstra ter ocorrido sacrifício de ativo de qualquer natureza, restando inexistente, assim, “custo de aquisição” passível de desmembramento. Ademais, conforme pode ser observado na reprodução abaixo, o ato decisório recorrido aponta circunstância impeditiva da dedução pretendida que sequer foi contraditada em sede de recurso. [...] 28 Diferença entre o custo de aquisição (R$ 54.085.398,00) e o valor de patrimônio líquido correspondente à participação (R$ 52.916.415,00). Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.512 64 102. Além de não ser possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias, conforme já analisado no tópico anterior, cabe destacar que, na realidade, inexiste o alegado ágio amortizável de R$ 1.168.982,33. 103. Conforme consta do Laudo de Avaliação da Companhia Espaço Estação Participações S/A (fls. 634637, razão social anterior do Shopping Estação), elaborado pela ZHC Consultores S/C, esta sociedade foi avaliada em R$ 41.887.998,00 com base no custo de aquisição registrado nas declarações de imposto de renda do exercício de 2003, anocalendário de 2002, assim como nas demais movimentações ocorridas ao longo ao anocalendário de 2003. 104. Assim, se as participações societárias no Shopping Estação Ltda. foram valoradas com base no seu valor patrimonial, não há que se falar em desdobramento do custo de aquisição em valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e em ágio ou deságio porventura observado, conforme exigido pelo art. 385 do RIR de 1999. 105. Dessa forma, como não existe ágio algum, muito menos que fosse passível de amortização, voto por manter a exigência correspondente à exclusão indevida no LALUR do ágio de R$ 1.168.982,33 constituído em 28/11/2003. O Colegiado pronunciouse, também, pela regularidade da lavratura do auto de infração complementar, afastando, assim, as nulidades suscitadas pela fiscalizada. O fato de a proposição resultar de uma análise supostamente realizada em “um dia” e de ela ter sido veiculada por meio de despacho do Presidente da Turma Julgadora, quando, para a contribuinte, deveria ter sido objeto de uma Resolução, efetivamente não constituem circunstâncias suficientes à decretação da nulidade do lançamento complementar. No caso, o relevante é a verificação acerca da existência de lastro legal autorizador da medida, e, quanto a isso, na linha do sustentado pelo ato decisório recorrido, o parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê de forma expressa que, se em exames posteriores, realizados no curso do processo, forem verificadas omissões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Como pode ser facilmente constatado na transcrição do dispositivo em comento (art. 18, par. 3º, Decreto nº 70.235/72), revelase equivocado o entendimento da Recorrente de que o lançamento complementar necessariamente deve ser precedido de uma diligência ou perícia e que a autoridade competente para determinar a sua realização é a Turma Julgadora, vez que a norma processual não define a autoridade responsável pelos denominados “exames posteriores” e tais “exames” representam uma entre as possibilidades ali mencionadas, sendo a diligência e a perícia outras dessas referidas possibilidades. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.513 65 § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Não identificando razões para decretar a nulidade do lançamento complementar efetivado, decidiu o Colegiado, com base nos elementos a seguir indicados, extraídos do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 2.083/2.101, pela procedência da qualificação da penalidade aplicada e pela inclusão dos Srs. Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum no pólo passivo da obrigação tributária formalizada. 1. no caso presente, embora as reorganizações empreendidas tenham sido realizadas com observância da legislação específica, as operações foram estruturadas deliberadamente em seqüência visando a obtenção de uma redução substancial da incidência tributária; 2. embora a justificativa para a concentração do controle dos diversos negócios explorados pelo Grupo Econômico em uma única empresa (HOLDING), promovida por meio de uma reorganização societária que fez emergir um ágio de R$ 1,776 bilhão, tenha sido “uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial”, ao final, esse processo de concentração simplesmente se desfez, haja vista a cisão a que se submeteu a referida HOLDING; 3. a estratégia adotada (concentração – geração de ágio – desconcentração) alcançou as quatro empresas do Grupo (a fiscalizada; OBF; BOTICA; e EMBRALOG); 4. no que diz respeito especificamente à fiscalizada, o “ágio” objeto de amortização, que refletiu uma valorização de 1.883% do seu patrimônio líquido, alcançou o montante de R$ 1,011 bilhão, o que naturalmente geraria uma expectativa de um eventual questionamento por parte do Fisco e até certo ponto explica o fato de: a) a autuada não dispor de meios patrimoniais para garantir uma eventual execução fiscal; e b) no período de 2006 a 2009, tendo obtido um resultado positivo de R$ 470.066.523,11, ter distribuído aos seus acionistas a título de dividendos e juros sobre o capital próprio a vultosa quantia de R$ 452.298.843,11 (aos senhores Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum foram destinados cerca de R$ 358 milhões); 5. os fatos acima tornam inafastável a conclusão da participação direta dos referidos sócios (Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum) no “planejamento tributário”, eis que principais beneficiários do resultado objetivado, seja no que tange à blindagem do patrimônio das empresas envolvidas, seja em razão da percepção direta dos montantes cuja tributação se pretendeu evitar; 6. as passagens a seguir transcritas, extraídas do citado Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, demonstram a efetiva participação dos Srs. Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum nas reorganizações societárias, senão vejamos: [...] 20. ..., embora os fatos geradores objeto do Auto de Infração anterior tenham ocorrido a partir de 18/12/2006, é recomendável retroagir a 21/08/2006 quando, na Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.514 66 7ª Alteração do Contrato Social da fiscalizada, foram tomadas importantes decisões, dentre outras: 1) retirada do sócio O BOTICÁRIO FRANCHISING S.A. da sociedade, transferindo 80% de suas 10.009.900 de quotas do capital social ao sócio MIGUEL GELLERT KRIGSNER e os restantes 20% ao sócio ARTUR NOEMIO GRYNBAUM; 2) alterada a cláusula quinta, que trata do capital social, informando que ele passou a ser de R$ 10.010.000,00, dividido em 10.010.000 quotas de R$ 1,00 cada; 3) aprovada a transformação da Cálamo de sociedade empresária limitada em sociedade anônima com a denominação “CÁLAMO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE BELEZA S.A. (antes chamavase “Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza Ltda.”), e, em decorrência disto, seu capital social de R$10.010.000,00 passou a ser dividido em 10.010.000 ações ordinárias nominativas, com valor nominal de R$ 1,00 cada, distribuídas à razão de 8.008.000 ações para MIGUEL GELLERT KRIGSNER e 2.002.000 ações para ARTUR NOEMIO GRYNBAUM; 4) eleita a primeira Diretoria, composta por dois diretores da seguinte forma: (1) DiretorPresidente: MIGUEL GELLERT KRIGSNER e (2) Diretor Vice Presidente: ARTUR NOEMIO GRYNBAUM; 21. A fim de se ter uma maior percepção dos poderes detidos pelos administradores, cabe ressaltar os artigos do aprovado Estatuto Social, assinado pelos dois mencionados acionistas, que tratam da administração da Companhia: “Art.15 – A administração da Companhia incumbe à Diretoria, cujos membros serão eleitos para um mandato de até dois anos, podendo ser reeleitos, prescindindo da garantia de gestão; Parágrafo Primeiro – A investidura de cada um dos membros eleitos da Diretoria farseá mediante termo lavrado no Livro de Atas de reuniões do respectivo órgão, e permanecerão no pleno exercício de suas funções até a investidura dos novos eleitos. ... Art. 17 – Compete aos Diretores, na forma prevista neste Estatuto, a representação da Companhia, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, bem como a gestão dos negócios sociais em geral e a prática de todos os atos de administração e de disposição, necessários ou convenientes ao cumprimento do objeto social, inclusive celebrar atos e contratos de qualquer natureza ou finalidade, mesmo para aquisição, alienação ou oneração de bens do ativo permanente, constituição de ônus reais e prestação de garantias às obrigações de terceiros observados especialmente os preceitos e limites do parágrafo terceiro do Artigo 19 deste Estatuto. ... Art. 19 – Com as exceções previstas neste Estatuto, qualquer ato ou contrato que implique em responsabilidade ou obrigação da Companhia perante terceiros ou a exoneração destes perante ela, serão obrigatoriamente assinados: a – individualmente pelo Diretor Presidente ou pelo Diretor Vice Presidente; Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.515 67 b – por 2 (dois) Diretores sem designação específica, sendo que, ao menos um deles deverá ser indicado “ad hoc” pelo Diretor Presidente; e c – por 1 (um) Diretor sem designação específica, indicado “ad hoc” pelo Diretor presidente, em conjunto com um procurado com poderes específicos; ... Parágrafo Terceiro – A alienação ou oneração sob qualquer modalidade dos bens móveis ou imóveis do patrimônio da Companhia caberá exclusivamente ao Diretor Presidente. ... Art. 21 – (...) Parágrafo Primeiro – Para que se possam instalar as reuniões da Diretoria e nelas validamente se deliberar, é necessária a presença, em primeira convocação, da maioria de seus membros em exercício, entre eles, obrigatoriamente o Diretor Presidente ou o Diretor VicePresidente, ou, em segunda convocação, qualquer número de membros, após expedida nova convocação. ... 22. Na Assembléia Geral Extraordinária AGE realizada a seguir, em 1º/09/2006, foi aprovada a incorporação total pela Cálamo do patrimônio (avaliado por laudo técnico em R$ 7.757.680,00) da sociedade ESTAÇÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, a qual foi representada no ato por seu Administrador, Miguel Gellert Krigsner. A título informativo, registrese que: 1) a ata da referida AGE da Cálamo foi assinada pelo acionista Miguel Gellert Krigsner, como tal e como procurador de ARTUR NOEMIO GRYNBAUM; 2) a incorporada era uma holding que controlava as empresas SHOPPING ESTAÇÃO LTDA e ESTAÇÃO CONVENTION CENTER LTDA, o que fez com (que) estas passassem ao controle direto da fiscalizada. Tal incorporação resultou na aprovação do aumento do capital social da Cálamo no exato montante da avaliação da ESTAÇÃO EMPREENDIMENTOS, ou seja, R$ 7.757.680,00 (com a emissão de 7.757.680 novas ações ordinárias), fazendo, com isto, que o mesmo aumentasse para R$ 17.767.680,00, ficando assim distribuído: Acionista CPF/CNPJ Ações Valor (R$) Miguel Gellert Krigsner 051.622.11834 14.224.617 14.224.617,00 Artur Noemio Grynbaum 722.349;54991 3.543.063 3.543.063,00 Total 17.767.680 17.767.680,00 ... 25. Chegamos, então, a 18/12/2006, momento em que, por meio de laudo técnico, a Cálamo foi avaliada em R$ 1,068 bilhão e converteuse em subsidiária integral da G&K Holding S.A., com geração nesta de ágio no valor de R$ 1,011 bilhão. A ata relativa à AGE realizada nesta data (em anexo) e que deliberou pela Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.516 68 citada conversão, ratifica que as posições de Diretor Presidente e de Diretor Vice Presidente, de ambas as companhias, permaneciam ocupadas, respectivamente, por Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum. (GRIFOS DO ORIGINAL) 7. diante da substancial migração de recursos da autuada para os sócios (boa parte fruto do que foi desviado do erário), a garantia do crédito tributário somente existe em razão da imputação de sujeição passiva a estes, pois, como já dito, a contribuinte pessoa jurídica não dispõe de bens suficientes à satisfação do crédito tributário constituído. No que diz respeito à fundamentação utilizada pela autoridade fiscal para fins de inclusão das pessoas físicas dos sócios no pólo passivo da obrigação tributária formalizada, alinhome ao entendimento de que o art. 124 do Código Tributário Nacional não se presta para definir quem é sujeito passivo, eis que isso é feito pelo art. 121 do mesmo diploma. O art. 124 do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzido, cuida na verdade de estabelecer que, na circunstância em que haja multiplicidade de sujeitos passivos concorrendo na mesma obrigação tributária, eles serão solidariamente obrigados. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Penso também, que a imputação de sujeição passiva solidária não fica invalidada pelo fato de a autoridade fiscal não ter sido precisa na indicação do dispositivo legal autorizador de tal providência, sendo irrelevante, assim, o fato de, no caso presente, servirse também das disposições estabelecidas no art. 135 do Código Tributário Nacional. Não obstante tais considerações, retornando à questão da aplicação do art. 124 do CTN, entendo que o inciso I do referido dispositivo diz respeito à solidariedade das pessoas que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação, isto é, dos contribuintes; enquanto o inciso II está relacionado aos responsáveis, ou seja, àqueles que, sem revestir a condição de contribuinte, são obrigados em decorrência de disposição expressa da lei. Analisando a imputação feita pela Fiscalização, verificase que, para as autoridades autuantes, o Srs. Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, sócios da fiscalizada, por terem atuado diretamente nos atos societários que concorreram para a artificialização da despesa redutora dos resultados tributáveis e, principalmente, por terem sido beneficiados com os recursos desviados do erário, atraíram para si a aplicação das disposições do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois, tendo relação pessoal e direta com a situação que constituiu fato gerador da obrigação, são solidariamente obrigados como contribuintes. Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10980.725496/201156 Acórdão n.º 1301001.744 S1C3T1 Fl. 3.517 69 Cabível, na visão do Colegiado, na circunstância versada nos autos, a imputação de sujeição passiva solidária nos termos do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. No entendimento do Colegiado, superada a questão da possibilidade legal de se promover o lançamento complementar, restou patente a natureza dolosa dos atos praticados pela fiscalizada e a atuação efetiva dos senhores MIGUEL GELLERT KRIGSNER e ARTUR NOEMIO GRYNBAUM na prática desses referidos atos, revelandose procedentes, assim, as imputações feitas pela Fiscalização. Por fim, cabe registro, haja vista os variados argumentos expendidos nas peças recursais trazidas ao processo, que, na esteira de reiterados pronunciamentos do Superior Tribunal de Justiça, não nega a prestação jurisdicional o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pela defesa, adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. Por todo o exposto, decidiu o Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 4/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por VALMIR SANDRI, Assina do digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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