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Numero do processo: 10925.901455/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 55 /2 01 2- 18 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901455/201218 Acórdão n.º 3801004.250 S3TE01 Fl. 49 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901455/201218 Acórdão n.º 3801004.250 S3TE01 Fl. 50 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 42056.76967.181209.1.3.046079, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Contribuição para o PIS não cumulativa, com apuração em 30/06/2007. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901455/201218 Acórdão n.º 3801004.250 S3TE01 Fl. 51 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901455/201218 Acórdão n.º 3801004.250 S3TE01 Fl. 52 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.903986/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.
A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 39 86 /2 00 8- 90 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do Acórdão nº 0946.529, pela abordagem concisa e precisa acerca dos fatos e valores fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER/DCOMP nº 01722.00354.100904.1.1.015306, relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, do 4º trimestre de 2002, no montante de R$ 6.939,96, apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205. Para a verificação da legitimidade do saldo credor foi instaurado procedimento fiscal de que resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 124/131. No referido ato, o auditor fiscal asseverou que: 2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Conforme admitido pelo próprio contribuinte, às fls. 05 do arquivo Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo ao SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações, o estabelecimento não industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais afirmarem que entre os objetivos sociais, à parte o comércio atacadista, atividade preponderante, encontrarse a "Indústria de Produtos de Panificação", não se observou a saída de qualquer tipo de pães e assemelhados, bem como não foi anotada, nos livros Registro de IPI, nenhuma saída de produto industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa a entrada de qualquer insumo: são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalha, adquiridos prontos, diretamente da fábrica, e comercializados por atacado no mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas fiscais de saídas. Portanto, estes valores solicitados em ressarcimento, e escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI pelo contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação nacional que são revendidos sem serem submetidos a qualquer tipo de industrialização pela empresa, não ocorrendo o fato gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento. Não se vislumbra como sua atividade e suas saídas de mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. [...] Diante do exposto, devese então proceder à glosa de todos os valores solicitados a título de ressarcimento pleiteados pelo Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.903986/200890 Acórdão n.º 3803006.358 S3TE03 Fl. 7 3 contribuinte, uma vez que este não promove qualquer tipo de industrialização neste estabelecimento. Os pleitos formulados pela contribuinte foram indeferidos por meio do Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº 900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo. O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado, consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e § 2º do art. 195 do Dec. 4.544/02 (RIPI/02), uma vez que não promove nenhum tipo de industrialização em seus estabelecimentos, portanto não é contribuinte de IPI, posição esta admitida pela própria interessada, e comprovado por meio de termos de verificação fiscal, documentos que lhe serviram de base e análise dos créditos suscitados nos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.018800, relativamente aos créditos do 4º trimestre/2002, pois transmitida em 10/09/04, que restou homologada por disposição legal, nos termos do § do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte. Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a própria TIPI equipara estabelecimentos atacadistas a estabelecimentos industriais, o que acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade. Aduziu, ainda, que no caso dos PAF nº 10603.903598/200817, 10603.903602/200839 e 10603.903604/200828, houve o reconhecimento parcial do ressarcimento de IPI e, que não poderia ser adotado outro critério neste momento, mesmo porque até os créditos solicitados têm os fundamentos legais. Entendeu que o processo cuja declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de IPI, para requer o cancelamento das glosas efetuadas pela fiscalização e o deferimento dos pedidos de compensação de IPI. Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por meio do Acórdão nº 0946.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório apurado pela interessada. O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de estabelecimento atacadista com o industrial, que essa tarefa diz respeito ao RIPI; que o RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº 4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Mencionou que a extensa e exaustiva lista de produtos constantes do art. 9º desse mandamus, que poderiam ensejar a referida equiparação, dela não consta nenhum dos produtos comercializados pela interessada; que o estabelecimento, conforme com o relato fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições, não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao período em questão informa à fl. 156, que não há apuração e informações de IPI no período para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório. A interessada ciente da decisão contida no Acórdão nº em 15/10/13, contra a mesma insurgindose interpôs recurso voluntário em 08/11/13, reiterando os argumentos expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos de procedência estrangeira e dava saída a esses produtos, e que por longo tempo procedia à industrialização de produtos para panificação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim não é contribuinte de IPI, nem foi observada nenhuma saída de qualquer tipo de pães ou assemelhados, ou mesmo há registros nos Livros de Registro de IPI, de saída de qualquer produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. O referido Termo informou que a fiscalização ao proceder à análise das notas fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada de nenhum insumo. Ao contrário, são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalhas, adquiridos prontos, diretamente da fábrica e comercializados por atacado no mesmo estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas. Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. O direito ao crédito presumido do IPI, originariamente, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.903986/200890 Acórdão n.º 3803006.358 S3TE03 Fl. 8 5 A recorrente não logrou refutar as acusações formuladas pela fiscalização seja com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos. É certo que o inciso I do art. 333 do CPC estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Neste sentido a fiscalização constatou no estabelecimento do sujeito passivo a inexistência de qualquer processo de industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados, inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o surgimento da incidência do dato gerador do IPI. Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a sua pretensão qual seja, de homologação das declarações de compensação e pedido de ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal. A própria DIPJ/2003 da recorrente, ano calendário de 2002, no que atine ao período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal. A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou jurídico que demonstrasse e que comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação e exportação, para lhe assegurar direito à compensação, nos termos da legislação atinente à matéria. Com isso, nos autos constatase apenas a alegação vazia da recorrente acerca do direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não há substância em sua narrativa. Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.006236/2007-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. O laudo do SUS - Prefeitura Municipal acompanhado de provas de que o recorrente é portador da doença é documentação hábil para fins da isenção. Parecer de Junta Médica que não demonstra quais foram os documentos analisados e não indica as razões pelas quais recomenda a limitação do período da isenção não pode sobrepor-se às provas supra-indicadas, notadamente quando o entendimento dominante no Superior Tribunal de Justiça - STJ é de que não se exige a prova da contemporaneidade dos sintomas da doença.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. NEOPLASIA MALIGNA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA DOENÇA. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de neoplasia maligna, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. O laudo do SUS Prefeitura Municipal acompanhado de provas de que o recorrente é portador da doença é documentação hábil para fins da isenção. Parecer de Junta Médica que não demonstra quais foram os documentos analisados e não indica as razões pelas quais recomenda a limitação do período da isenção não pode sobreporse às provas supraindicadas, notadamente quando o entendimento dominante no Superior Tribunal de Justiça STJ é de que não se exige a prova da contemporaneidade dos sintomas da doença. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que negava provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 62 36 /2 00 7- 86 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, decorrente de rendimentos declarados como isentos por moléstia grave terem sido reclassificados para rendimentos isentos, com base nas informações do Parecer Médico 013406, de 02/05/2006, que reconhecera a isenção no período de julho de 2000 a junho de 2001. (fls. 12) O aludido Parecer Médico e documentação analisada pela Junta Médica consta dos autos apensados (10680.002538/200602). Na impugnação, o contribuinte sustentou que de julho a dezembro de 2001 estava realizando tratamento contra a doença e apresentou documentos, entre os quais laudo médico que atestava tratarse de moléstia incurável e estar o paciente sujeito a controle Periódico, por tempo indeterminado, para verificar possível recidiva. (fls. 13) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ anotou que foram apresentados novos documentos e encaminhou o processo ao Núcleo de Saúde e Perícias Médicas da Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda em Minas Gerais para ratificar ou retificar o Parecer Médico 013406 (fls. 167) Foi então expedido pela Junta Médica o Parecer 27508, de 11/06/2008, que retificou o primeiro Parecer, para que a isenção fosse reconhecida de julho de 2000 a outubro de 2001. Baseandose no Parecer Médico 27508/2008, a impugnação foi deferida em parte, com o reconhecimento da isenção, no anocalendário objeto deste processo, de janeiro a outubro de 2001 e respectivo direito à restituição de R$952,39 mais os juros. Não foi providenciada a intimação do contribuinte. Procedeuse ao pagamento da restituição e arquivamento do processo, em 27/08/2008. Não foi aposta data de ciência da decisão. Na peça recursal, apresentada em 19/09/2008, em resumo, alegase: 1. preliminarmente, a carência de fundamentação do Parecer Médico 275 08, no qual se baseou a decisão recorrida, reconhecendo a neoplasia maligna somente de julho a outubro de 2001, pois a simples menção de que a conclusão se baseou na análise dos documentos apresentados não é suficiente diante do princípio da motivação das decisões administrativas e o art. 50 da Lei 9.784/1999, deveria ter indicado as razões de fato para não ter reconhecido a isenção no período de novembro e dezembro de 2001; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.006236/200786 Acórdão n.º 2802003.114 S2TE02 Fl. 211 3 2. a partir da apresentação do princípio da dignidade humana, sustenta que tem direito à isenção também nos meses de novembro e dezembro de 2001, por estarem presentes os requisitos legais; discorre sobre características da neoplasia maligna, tais como a inexistência de cura, recidiva, cita precedentes judiciais 3. discorda da restituição de R$952,39, pois nos meses de julho a outubro de 2001, a retenção totalizou R$5.869,20, requer integral restituição do IRRF acrescido de juros. O recorrente requereu prioridade de tramitação com amparo no Estatuto do Idoso. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Pela falta de aposição formal da ciência do acórdão recorrido e por ter o recurso sido interposto em prazo inferior a 30 dias do despacho de arquivamento, tomase o recurso como tempestivo. Por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Compete ao CARF solucionar o litígio sobre a questão tributária envolvida. À Junta Médica atestar a existência ou não da doença. Da forma como redigido, o laudo da Junta Médica, no qual se baseou o acórdão recorrido, não pode ser contraditado, nem indica, sem sombra de dúvidas quais foram os documentos analisados. Ao invés de atestar as condições de saúde, ocupouse exclusivamente dos efeitos tributários, matéria de competência do CARF. Não se sabe a razão porque a Junta Médica recomendava a isenção até julho de 2001, nem porque depois recomendou até outubro de 2001. Não há um elemento seguro para invalidar as provas trazidas pelo recorrente, tais como o laudo emitido por serviço médico da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte SUS (fls. 13) que atesta ser uma doença incurável a exigir um controle periódico por tempo indeterminado (fls. semestral, bem como provas da cirurgia, da quimioterapia contra a neoplasia maligna, entre outros elementos. Na impugnação, o contribuinte já alegara que nos meses de setembro e outubro de 2001 submeteuse a quimioterapia. Não houve qualquer contraposição da DRJ a essa alegação e essa informação é corroborada pela documentação dos autos, notadamente, as de fls. 13/125 (numeração digital 126/128). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Tendo o recorrente se submetido a quimioterapia em outubro de 2001.Como se pode considerar que não fosse portador de neoplasia maligna se não é possível afirmar com segurança quais documentos foram objeto de análise pela Junta Médica que proferiu os pareces que embasaram o lançamento e a decisão de primeira instância? De outro giro, o entendimento dominante no Superior Tribunal de Justiça STJ é que não se exige a contemporaneidade dos sintomas da neoplasia para que o contribuinte tenha direito à isenção, assim como ilustram as ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE (NEOPLASIA MALIGNA) ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. LAUDO OFICIAL. RESULTADO. NÃO VINCULAÇÃO. PROVAS. LIVRE APRECIAÇÃO PELO MAGISTRADO. 1. A pessoa portadora de neoplasia maligna tem direito à isenção de que trata o art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, de acordo com o entendimento do STJ, sedimentado pela 1ª Seção, no julgamento do REsp 1.116.620/BA, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 25/8/2010, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. 2. Esta Corte Superior já decidiu que o julgador não está adstrito ao laudo oficial para formação do seu convencimento, pois é livre na apreciação das provas acostadas aos autos, apesar da disposição estabelecida no art. 30 da Lei 9.250/95. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 198795/PE, julgado em 02/04/2013) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PORTADOR DE NEOPLASIA MALIGNA. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA. DESNECESSIDADE DE LAUDO MÉDICO OFICIAL E DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECEDENTES. I É considerado isento de imposto de renda o recebimento do benefício de aposentadoria por portador de neoplasia maligna, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88. II Ainda que o art. 30 da Lei nº 9.250/95 determine que, para o recebimento de tal benefício, é necessária a emissão de laudo pericial por meio de serviço médico oficial, a "norma do art. 30 da Lei n. 9.250/95 não vincula o Juiz, que, nos termos dos arts. 131 e 436 do Código de Processo Civil, é livre na apreciação das provas acostadas aos autos pelas partes litigantes" (REsp nº 673.741/PB, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA DJ de 09/05/2005). III Sendo assim, de acordo com o entendimento do julgador, esse pode, corroborado pelas provas dos autos, entender válidos laudos médicos expedidos por serviço médico particular, para fins de isenção do imposto de renda. Precedente: REsp nº 749.100/PE, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 28.11.2005. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.006236/200786 Acórdão n.º 2802003.114 S2TE02 Fl. 212 5 IV Ainda que se alegue que a lesão foi retirada e que o paciente não apresenta sinais de persistência ou recidiva a doença, o entendimento dominante nesta Corte é no sentido de que a isenção do imposto de renda, em favor dos inativos portadores de moléstia grave, tem como objetivo diminuir o sacrifício do aposentado, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e medicações ministradas. Precedente: REsp 734.541/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2.2.2006, DJ 20.2.2006 (REsp nº 967.693/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 18/09/2007). V Recurso especial improvido. (REsp 1088379 / DF, julgado em 14/10/2008) TRIBUTÁRIO – AÇÃO MANDAMENTAL – IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE PROVENTOS DE APOSENTADORIA – NEOPLASIA MALIGNA – LEI N. 7.713/88 –DECRETO N. 3.000/99 – NÃOINCIDÊNCIA – PROVA VÁLIDA E PRÉCONSTITUÍDA – EXISTÊNCIA – CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS – DESNECESSIDADE – MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO – PRECEDENTES. 1. Cingese a controvérsia na prescindibilidade ou não da contemporaneidade dos sintomas de neoplasia maligna, para que servidor o público aposentado, submetido à cirurgia para retirada da lesão cancerígena, continue fazendo jus ao benefício isencional do imposto de renda, previsto no artigo 6º, inciso XIV, da Lei n.7.713/88. 2. Quanto à alegada contrariedade ao disposto no artigo 267, inciso VI, do CPC, por ausência de prova préconstituída, não prospera a pretensão; porquanto, o Tribunal de origem, como soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a decisão recorrida e entendeu estar presente documento hábil para comprovar a moléstia do impetrante. Pensar de modo diverso demandaria o reexame de todo o contexto fáticoprobatório dos autos, o que é defeso a esta Corte em vista do óbice da Súmula 7/STJ. 3. O mesmo argumento utilizado pela Corte de origem tem a virtude de afastar a alegação de violação dos artigos 30, caput e § 1º da Lei n. 9.250/95 e 39, § 4º, do Regulamento do Imposto de Renda, a saber:o Decreto n. 3.000/99, feita pelo recorrente. 4. Ainda que se alegue que a lesão foi retirada e que o paciente não apresenta sinais de persistência ou recidiva a doença, o entendimento dominante nesta Corte é no sentido de que a isenção do imposto de renda, em favor dos inativos portadores de moléstia grave, tem como objetivo diminuir o sacrifício do aposentado, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e medicações ministradas. Precedente: REsp 734.541/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2.2.2006, DJ 20.2.2006. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 5. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógicosistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna metodologia de interpretação das normas jurídicas. (REsp 192.531/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17.2.2005, DJ 16.5.2005.) Recurso especial improvido.(REsp 967693 / DF, julgado em 04/09/2007). No mesmo sentido, foi o REsp 734.541/SP, julgado em 2.2.2006. A questão da restituição fica absorvida pelo reconhecimento da isenção em todo o anocalendário, e será solucionada pelo recálculo conforme a presente decisão. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelamento do lançamento e reconhecimento do direito à isenção por moléstia grave sobre os proventos de aposentadoria pagos durante todo o ano de 2001. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 215DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10865.721233/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
NULIDADE. DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. OMISSÃO E INOVAÇÃO INFIRMADAS. Evidenciado que a decisão recorrida responde aos argumentos veiculados em impugnação e não altera os fundamentos da exigência, não prospera a argüição de nulidade.
NULIDADE. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADES NA PRORROGAÇÃO DO MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MOTIVAÇÃO. REGULARIDADE. É válido o lançamento formalizado mediante regular descrição dos fatos, compatíveis com sua fundamentação legal.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Para os fins de cálculo da remuneração aos sócios não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, requisito que não resta atendido no caso de capitalização das reservas.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Definido em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício não se sujeita a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2), bem como não é afetado por circunstâncias subjetivas aventadas pela autuada.
Numero da decisão: 1101-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; e 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. OMISSÃO E INOVAÇÃO INFIRMADAS. Evidenciado que a decisão recorrida responde aos argumentos veiculados em impugnação e não altera os fundamentos da exigência, não prospera a argüição de nulidade. NULIDADE. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADES NA PRORROGAÇÃO DO MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MOTIVAÇÃO. REGULARIDADE. É válido o lançamento formalizado mediante regular descrição dos fatos, compatíveis com sua fundamentação legal. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Para os fins de cálculo da remuneração aos sócios não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, requisito que não resta atendido no caso de capitalização das reservas. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Definido em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício não se sujeita a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2), bem como não é afetado por circunstâncias subjetivas aventadas pela autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; e 2) por voto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 12 33 /2 01 2- 75 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 3 2 qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório INFIBRA S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 16/05/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 17.120.465,03. A autoridade fiscal recalculou os juros sobre capital próprio passíveis de dedução nos períodos de apuração de 2008 a 2010, excluindo de sua base de cálculo as importâncias relativas a reavaliações de imóveis e de marca, pois, consoante legislação que rege referida dedução, os elementos que compõe o Patrimônio Líquido, além do Capital Social efetivamente integralizado pelos sócios ou acionistas, tem que ter natureza de reservas livres, já tributadas pelo IRPJ e pela CSLL, ou de reservas autorizadas pela legislação tributária como integrantes da base de cálculo do benefício (JCP). Em outras palavras, os componentes do PL têm que ter característica de capital próprio, investido pelos sócios ou efetivamente realizados pela atividade econômica da pessoa jurídica, tributados pelo imposto de renda e pela contribuição social. Para exclusão do montante de R$ 39.265.503,00, correspondente a reserva de reavaliação de imóveis capitalizada, consignou que a reserva de reavaliação de bens e direitos somente integra a base de cálculo dos juros sobre capital próprio se já submetida a tributação (art. 9o, §8o da Lei nº 9.249/95). Quanto à contrapartida em reserva de capital das parcelas de R$ 286.000.000,00 (capitalizada) e de R$ 23.649.124,40 (não capitalizada), em razão de avaliação da “Marca Infibra”, observou tratarse de mais valia sem substância econômica, cujo registro é expressamente vedado na sistemática contábil vigente, mas já era rechaçado na forma do Pronunciamento IBRACON aprovado pela Deliberação CVM nº 183/95. Assim, tais valores nunca foram admitidos como reserva de capital e, como reserva de reavaliação, necessariamente deveria respeitar a neutralidade tributária. Para determinar os tributos devidos, a autoridade fiscal admitiu como redutores os valores pagos a título de IRRF em razão do crédito/pagamento de juros sobre o capital próprio glosados, pois tributandose o lucro recomposto na pessoa jurídica pelo IRPJ e CSLL temse que os valores pagos ou creditados aos sócios transmutamse em lucros não passíveis de tributação, nos precisos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Impugnando a exigência, a contribuinte apontou vícios nas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e na descrição dos fatos. Argumentou que o procedimento adotado não era vedado à época dos fatos, apontou erros nos cálculos da Fiscalização e imprecisão na indicação do enquadramento legal da exigência. Justificou seu procedimento e afirmou confiscatória a penalidade aplicada, requerendo perícia. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A perícia é desnecessária em face da descrição dos fatos e das alegações apresentadas pela impugnante; · A descrição dos fatos permite identificar plenamente que o fato determinante do lançamento fiscal foi o cálculo dos JCP sobre contas do Fl. 973DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 5 4 Patrimônio Líquido que não se caracterizavam como reservas livres, oferecidas anteriormente à tributação, ou então legalmente autorizadas a ser objeto de cálculo, sem tributação anterior, e a contribuinte demonstra pleno conhecimento da infração apontada; · A contribuinte baseou suas consultas em número de MPF diferente do que fora intimada e, sendo ele instrumento de controle, em nada afeta a validade do lançamento; · Como os juros sobre capital próprio glosados foram reclassificados para lucro, não há razão para seu acréscimo ao patrimônio e sensibilização do cálculo de períodos seguintes; · A multa de ofício está fundamentada em lei e o julgador administrativo não tem competência para mitigála; · A fundamentação legal da exigência e as justificativas para não admitir valores correspondentes a reavaliação ou ajuste de avaliação patrimonial na base de cálculo de juros sobre o capital próprio estão claramente expostas na acusação, e a incorporação de juros sobre capital próprio ao capital social não serviu de fundamento para a imposição tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/08/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 802), a contribuinte postou recurso voluntário, tempestivamente, em 20/09/2013 (fls. 806/862), no qual expõe entendimento assim sintetizado: [...] (i) a decisão é nula, pois parcial, i.e., considera que a minúcia e a complexidade do caso em tela “permite concluir que ela (leiase Recorrente) tem pleno conhecimento da infração apontada”; (ii) a decisão é nula porque não analisa questões centrais trazidas na Impugnação; (iii) nulidade do procedimento fiscal por subsistir erro material no lançamento que, sob a alegação de deduções indevidas a título de Juros sobre Capital Próprio, mantém a glosa de despesas amparadas em textos normativos claros e vigentes à época dos fatos e (iv) inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal Válido. Quanto ao mérito, entende, ainda a Recorrente que todas as alegações procedem e que não foram infirmadas pela Decisão da DRJ, pois que, (i) o aumento de capital da empresa se deu sob o crivo da Lei 11.638/07 e fiouse em correta tomada dos juros sobre capital próprio sobre a contrapartida da avaliação da marca “Infibra” capitalizada (reavaliação de intangível capitalizada); correta tomada dos juros sobre capital próprio sobre a contrapartida da avaliação da marca “Infibra” mantida em conta de reserva de capital; correta tomada dos juros sobre capital próprio sobre a reavaliação dos imóveis capitalizada; correta tomada dos juros sobre capital próprio sobre a capitalização pelos beneficiários (sócios) de valores creditados a título de JCP no anocalendário de 2008 (ii) a multa de ofício aplicada é ilegal porque notadamente ofensiva aos princípios da equidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, cabendo a aplicação dos artigos 67 e 68 da Lei nº 4.502/64. Pede, assim, a decretação da nulidade da decisão recorrida por não enfrentamento das questões de fato e de direito versadas na peça impugnatória; ou a nulidade do lançamento por inobservância dos requisitos essenciais para a sua elaboração ou em razão do erro no critério jurídico evidenciado pela DRJ, bem como o reconhecimento da procedência de seus argumentos de mérito, cancelandose a exigência ou convertendo o Fl. 974DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 6 5 julgamento em diligência para conferência da metodologia empregada pela fiscalização para realização dos cálculos que embasam o lançamento tributário e, ainda, para conferência dos próprios cálculos. Em memoriais, a contribuinte apontou a existência de erro de fato e erro de direito na motivação do AIIM. Observando que a base de cálculo do JCP é o somatório total das contas que façam parte do patrimônio líquido, deduzidas apenas eventuais reservas de reavaliação não tributadas, asseverou que seria erro de fato considerar que valores incorporados ao capital social e a reserva de capital corresponderiam a reserva de reavaliação para o simples efeito de se aplicar o § 8º, art. 9º, Lei 9.249/95. O erro de direito, por sua vez, decorreria da aplicação de dispositivo não vigente, na medida em que o AIIM é embasado nas Leis 11.638/2007 e 11.941/2009, posteriores ao fato gerador. Subsidiariamente aduz que admitindose que o valor da reserva capitalizada deveria ter sido oferecida à tributação antes de ser computada na base para o JCP, seria equivocada a glosa dos juros sobre o capital próprio, pois deveria o AIIM, quando muito, ter determinado a adição dos valores capitalizados à base de cálculo do IRPJ/CSLL. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente a recorrente argúi a nulidade da decisão recorrida, por entender que lhe falta motivação, na medida em que a autoridade julgadora teria se limitado a revalidar o procedimento fiscal por entender que tais despesas são indedutíveis, na medida em que desnecessárias. Argumenta que a despesa glosada permeia atividades normais da empresa e foi realizada em plena consonância com os procedimentos contábeis à época dos fatos, de modo que a análise da autoridade julgadora ignorou aspectos legais trazidos à baila, especialmente sobre a não existência de vedações de tal dedutibilidade na vigência da Lei 11.638/07. Reportase à valorização de sua marca e à correspondente avaliação promovida em 2007, defendendo que deve ser considerada a legalidade das deduções à época e o efetivo aumento do valor agregado da marca. Entende que imaginar o contrário é, no mínimo, préjulgar a causa e estabelecer um padrão ignóbil de conduta a contribuinte que agiu dentro na normalidade e legalidade, e afirma o dever da autoridade julgadora de se manifestar sobre as questões fáticas argüidas na defesa. Afirma, assim, a existência de nulidade insanável no processo administrativo, pois o cidadão e/ou contribuinte possui o direito fundamental à boa administração pública, é dizer, à administração eficaz (artigo 37 da Constituição da República), transparente, imparcial, proba, preventiva e precavida. Acrescenta que a análise dos aspectos fáticos trazidos na defesa está assegurada aos litigantes em processo judicial ou administrativo, na forma do art. 5o, inciso LV da Constituição Federal e do art. 3o da Lei nº 9.784/99, bem como de doutrina que cita. Ocorre que a decisão recorrida justifica a desnecessidade de apreciação das mencionadas questões fáticas argüidas na defesa. Vejase: A alegação de que inexistiu fundamentação legal para amparar o lançamento tributário não merece prosperar. Embora a fiscalização refirase à legislação editada posteriormente, que vedou a reavaliação de bens intangíveis, ela o fez apenas como reforço dos fundamentos da imposição, não para legitimar o lançamento. A despeito da extensa alegação da impugnante, é importante ressaltar que a avaliação e a manutenção do resultado em conta de reserva de capital não foram objeto de contestação por parte da autoridade fiscal. O que efetivamente embasou a glosa dos JCP foi utilizar a reserva de reavaliação para elevar o patrimônio líquido e justificar seu cálculo sem têla oferecido anteriormente à tributação, em descumprimento à regra do § 8º do art. 9º da Lei n° 9.249/1995, cuja determinação é no sentido de que a reserva de reavaliação somente será considerada para efeito de cálculo de JCP se ela for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 8 7 Nestes termos, a autoridade julgadora de 1a instância demonstra que os cálculos promovidos pela contribuinte não podem ser aceitos porque a reavaliação que ensejou o aumento do patrimônio líquido não foi oferecida a tributação. O fato de esta reavaliação, na parte correspondente à marca da recorrente, ser ou não admissível contabilmente à época em que registrada, portanto, mostrouse apenas como reforço argumentativo do lançamento, irrelevante para a solução do litígio porque sustentado este na vedação legal exposta pela autoridade julgadora. De toda sorte, observase que a autoridade julgadora de 1a instância expôs seu entendimento acerca dos efeitos da Lei nº 11.638/2007: A mudança da denominação, de reserva de avaliação, para ajuste de avaliação patrimonial, em termos tributários não alterou a necessidade de que os valores lançados deveriam compor o resultado do exercício, tal como preconizava a alteração do art. 182, § 3º, da Lei n° 6.404/1976, em decorrência da Lei n° 11.638/2007 e posteriormente, da Lei n° 11.941/2009. Em reforço ao relatado anteriormente, o art. 6º da Lei n° 11.638/2007 já determinava que os saldos existentes nas reservas de reavaliação deveriam ser estornados ou mantidos até sua efetiva realização; na segunda hipótese, por outras palavras, oferecidos à tributação. Inexiste, assim, qualquer omissão que afete a validade da decisão recorrida. A recorrente prossegue questionando a abordagem fiscal do tema, invocando o princípio da estrita legalidade, opondose à invocação da práxis contábil como justificativa para autuações fiscais, e cogitando de tributação, apenas, do ganho de capital evidenciado pela reavaliação. Contudo, uma vez presente justificativa na decisão recorrida para desmerecer estes argumentos, eles serão apreciados por ocasião do mérito da exigência. A exposição em favor da nulidade da decisão recorrida também se reporta ao indeferimento da perícia, a qual é novamente requerida na medida em que sua situação patrimonial não teria sido requalificada, como alegado pela Fiscalização, conferindose tratamento isolado aos fatos verificados em cada trimestre fiscalizado. A recorrente aduz que a realização de uma perícia contábil se faz de rigor na espécie, o que deveria ter sido ponto de análise da Colenda 1a Turma a fim de que os erros estampados na Autuação fossem levados a efeito, anulandose, por óbvio, o Auto. Ao final, pede a declaração de nulidade da decisão recorrida porque, também, cerceou os direitos da Recorrente em defenderse justamente. O indeferimento da perícia também está justificado na decisão recorrida: Denego o pedido de perícia feito pela impugnante por entender que é desnecessária sua realização em face de que os fatos descritos no relatório fiscal juntamente com as alegações apresentadas na peça impugnatória permitem visão compreensiva de toda a situação. Ademais, eles já se encontram analisados no decorrer deste voto. E, mais à frente, a autoridade julgadora de 1a instância expõe porque considera corretos os cálculos da Fiscalização: Dos cálculos da situação patrimonial A alegação de erro na nova qualificação do estado patrimonial e que, segundo a impugnante, teria ocasionado distorção no cálculo dos tributos lançados não procede, pois o procedimento da fiscalização foi o de considerar os valores pagos a Fl. 977DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 9 8 título de JCP como distribuição de lucros com o aproveitamento do imposto de renda retido na fonte. Tal fato pode ser observado no cálculo relativo ao primeiro trimestre de 2008, em que do imposto apurado, de R$ R$ 1.182.843,75, houve dedução de R$ 720.451,26 (fl. 560). Desse modo, deduzindose o Imposto de Renda na Fonte (IRF) do valor lançado, a decorrência lógica é não acrescentar o valor do JCP ao patrimônio e, portanto, não sensibilizar o cálculo do período seguinte, como ocorreu. Significa dizer que, se a autoridade fiscal aproveitou o IRRF incidente sobre o pagamento/crédito de juros sobre o capital próprio, assim o fez porque os reclassificou para lucros distribuídos. Assim, embora a glosa daquelas despesas aumente o lucro do período, este é considerado como distribuído, de modo que não justificaria acréscimos ao Patrimônio Líquido e alteração do limite de dedução no período de apuração subseqüente. Assim, a decisão de 1a instância está devidamente motivada nos pontos questionados pela recorrente, e não revela qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade da decisão recorrida. Na seqüência, a interessada afirma a nulidade do procedimento fiscal, argumentando que a despeito de ter consignado que cada um dos valores glosados seria analisado isoladamente, o Agente Fiscal não cuidou de tratar a respeito dos valores relativos ao JCP creditados aos sócios no ano de 2008 e revertidos ao capital social da sociedade. Observa que da leitura do Termo de Verificação Fiscal não fica claro se tal glosa se verificou, restando evidente que a acusação não descreve todos os fundamentos da autuação e, por conseguinte não revela as premissas utilizadas para a lavratura do AIIM ora combatido, restando patente o cerceamento de defesa do contribuinte, configurando vício material que impõe a declaração de nulidade do lançamento. Contudo, cumpre mais uma vez reproduzir o que disse a autoridade julgadora de 1a instância acerca do tema: Por fim, quanto à incorporação do JCP dos sócios ao capital social, embora a impugnante tivesse apresentado argumentos, fato é que a descrição de sua ocorrência apenas constou do termo e não serviu de fundamento para a imposição tributária. Esta voltouse para a impossibilidade de cálculo de JCP sobre o resultado da avaliação da marca Infibra e da reavaliação de imóveis antes de terem sido oferecidos à tributação. A ausência de argumentos contrários ao cômputo, na base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, de parcelas creditadas a este título e revertidas para o capital da sociedade, significa, apenas, que a autoridade fiscal não o contestou. As demais alterações na mencionada base de cálculo estão devidamente justificadas, de modo que não prospera a argüição de nulidade do lançamento. Ainda, nulo seria o lançamento porque lastreado em Mandado de Procedimento Fiscal ineficaz, vez que já extinto pelo decurso de seu prazo de validade. Insiste que a validade do procedimento fiscal formalizado em 19/05/2012 deve ser avaliada sob a ótica do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência – MPFD nº 08.1.12.002011003912, cujo prazo original se findou em 07/08/2011, seguindose seis prorrogações até 29/06/2012, mas que não lhe foram cientificadas por meio de intimação. Isto porque, embora a Fiscalização alegue que houve substituição daquele MPFD pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fl. 978DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 10 9 Fiscalização – MPFF nº 08.12.002011007144, não é possível acessálo no site da Receita Federal do Brasil. Como se vê, a contribuinte reconhece que o MPFD foi prorrogado até 29/06/2012, mas nega validade a estas prorrogações porque elas não lhe foram cientificadas. Contudo, nos termos da Portaria RFB nº 11.371/2007, as prorrogações se efetivam mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante do MPF: Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Assim, a ciência do sujeito passivo não é necessária para validade das prorrogações e, demais disso, seu registro estava disponível no sítio da Receita Federal para consulta, como reconhece a recorrente. Quanto ao MPFF, a recorrente insiste em indicar de forma errônea o número, pois não só no Termo de Continuidade da Ação Fiscal de fls. 173/174, como também no Termo de Verificação Fiscal, o número do MPFF indicado é 08.1.12.002011007136. De outro lado, em consulta ao sítio da Receita Federal na Internet confirmase que, com o CNPJ da contribuinte e o código de acesso a ela originalmente fornecido, somente é possível visualizar o MPFD, antes mencionado. Considerando que o resultado da consulta é a exibição direta do documento vinculado ao CNPJ e ao código de acesso, pode existir uma limitação na resposta à consulta, que não exibe o segundo MPF emitido no mesmo procedimento fiscal, ou equívoco da autoridade fiscal, que deixou de apontar outro código de acesso para consulta ao referido MPFF. Desnecessário, porém, investigar estas irregularidades porque o MPFD, como visto, era eficaz até a conclusão do procedimento fiscal, e, demais disso, é uníssona a jurisprudência deste Conselho contrária à invalidação de lançamentos em razão de vícios ou irregularidades na emissão ou na prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A inexistência de MPF ou erros na elaboração, emissão ou cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal não provocam nulidade do Lançamento de Ofício e da Autuação, pois o art. 142 do CTN não pode ter sua validade ou aplicação condicionada por normas infralegais. (Acórdão nº 10707.532) PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÉNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. (Acórdão nº 20177.049) NORMAS PROCESSUAIS INOCORRÊNCIA DE NULIDADE — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL —O MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito Fl. 979DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 11 10 passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o inicio do procedimento fiscal, o que reforça o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com o MPF, não teria como efeito tomar inválido os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados. A prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. (Acórdão nº 20309.205) COFINS. NULIDADE. MPF. O MPF é mero instrumento de controle gerencial interno da SRF, não influindo na legitimidade do lançamento, ainda mais quando, expressamente determina que sejam efetuadas as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administradas pela SRF pelo período dos últimos 5 anos e no período de execução do referido mandado de procedimento, situação esta que alberga exatamente a contribuição lançada. (Acórdão nº 240200.291) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR MPFC. Comprovada a expedição de MPFC para extensão da autorização de fiscalização inicial ao IOF e sendo o MPF um mero instrumento de controle administrativo, é improcedente a alegação de nulidade do auto de infração fundada na inexistência desta ordem. (Acórdão nº 20217.724) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Se o procedimento fiscal está devidamente acobertado em sua totalidade pelo MPF que lhe deu origem, a disponibilização na internet das informações a ele referentes supre a ciência formal das prorrogações do documento. (Acórdão nº 110200.543) NORMAS PROCESSUAIS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando o procedimento fiscal autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não há que se falar em nulidade do lançamento. (Acórdão nº 10422.190) MANDATO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) Irregularidades no MPF não tem o condão de causar nulidade no procedimento fiscal. No caso, mera falta de intimação de prorrogações. (Acórdão CSRF/0106.028) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 1402001.360) MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais Fl. 980DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 12 11 omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. (Acórdão nº 1302000.669) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. (Acórdão nº 1101000.812) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, de sorte que suas eventuais falhas não implicam em nulidade do lançamento. (Acórdão nº 2102002.305) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. A prorrogação do MPF poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. (Acórdão nº 110300.626) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. (Acórdão nº 130100.752) MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. O conhecimento das atividades envolvidas na fiscalização é realizada por meio de intimações e outros documentos com ciência do fiscalizado. (Acórdão nº 3403 000.125 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. (Acórdão nº 1302 00.513) Ou seja, o MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. O art. 142 do Código Tributário Nacional expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos do art. 6o da Lei nº 10.593/2002 (com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007), e do Decreto nº 6.641/2008, é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Logo, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever indeclinável de promover o lançamento. Deste modo, eventual inobservância da norma infralegal em nada macula o lançamento. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 13 12 Assim, também sob esta ótica não prospera a argüição de nulidade do procedimento fiscal. Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. No mérito, a recorrente defende que para a elaboração do recálculo da despesa se faria necessário (i) primeiramente, a recomposição do patrimônio líquido da Impugnante, ora Recorrente, em cada trimestre considerandose a glosa do JCP tomado pela Recorrente para que, em seguida, (ii) seja recalculado o JCP no valor tido por correto pela fiscalização e (iii) recomposto o lucro real do período, do qual serão apuradas as diferenças de IRPJ e CSLL. Porém, constatou que, muito embora a fiscalização tenha recomposto o PL, recalculado o JCP e recomposto o lucro real relativamente ao 1o trimestre de 2008, ao passar para o 2o trimestre de 2008, não transferiu os valores apurados nessa “requalificação da situação patrimonial” do 1o trimestre, assim procedendo em relação aos demais períodos. Como se vê, a interessada insiste na pretensão de que seu patrimônio líquido, a partir do segundo período de apuração fiscalizado, seja aumentado em razão do lucro apurado no período de apuração anterior, e assim submetido a tributação. Mas, como já demonstrado na preliminar de nulidade, os lucros apurados pela Fiscalização foram considerados distribuídos, na medida em que a contribuinte efetivamente beneficiou seus sócios com o pagamento/crédito a título de juros sobre o capital próprio, inclusive sujeitandoos à retenção de imposto de renda na fonte, este afirmado indevido pela Fiscalização e assim deduzido do montante exigido no lançamento. Portanto, é impossível cogitar que estes mesmos lucros possam ser automaticamente capitalizados, e assim aumentar o patrimônio líquido do período subseqüente. A capitalização dependeria de ação dos beneficiários do rendimento e, como antes mencionado, nas hipóteses em que isto ocorreu, ainda sob o título de juros sobre o capital próprio, não houve objeção da autoridade fiscal ao seu cômputo no patrimônio líquido para fins de cálculo do limite de dedução da despesa posteriormente apurada. Na seqüência, a contribuinte aponta outro erro na apuração fiscal, inicialmente questionando os termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 13/96, que teria exposto interpretação divergente do que determina a Lei nº 9.249/95, com as alterações promovidas pela Lei nº 9.430/96. Confronta, assim, as seguintes disposições: Lei nº 9.249, de 1995: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) [...] Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre Fl. 982DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 14 13 as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. [...] Ato Declaratório Normativo COSIT nº 13, de 1996 O limite, para fins de dedutibilidade, como despesa financeira, do valor dos juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, a título de remuneração do capital próprio, será de cinqüenta por cento do lucro líquido correspondente ao período base do seu pagamento ou crédito, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, o que for maior. (negrejouse e grifouse) A recorrente defende, nestes termos, que a dedutibilidade deveria ser condicionada à soma do lucro do exercício com os lucros acumulados e as reservas de lucros de períodos anteriores. Cita comentários ao art. 347 do RIR/99 no sentido de que o limite que condiciona a dedutibilidade deveria ser aferido pela soma do lucro do exercício com o lucro acumulado, eis que os dois valores impedem a descapitalização colimada na referida lei. Na realidade, os atos administrativos interpretaram literalmente o conectivo “ou” do §1o do art. 9o da Lei nº 9.249/95 como excludente, quando não era essa a pretensão da norma. A discussão, porém, é impertinente. Isto porque a exigência decorre da exclusão de parcelas na composição do Patrimônio Líquido, referência para aplicação da taxa de juros de longo prazo – TJLP e cálculo dos juros. Os limites de dedutibilidade calculados pela Fiscalização a partir da interpretação acima questionada, por sua vez, são significativamente superiores a todas as parcelas trimestralmente apuradas como passíveis de pagamento/crédito a título de juros sobre o capital próprio. De fato, os limites trimestrais calculados pela Fiscalização oscilam entre R$ 12.919.304,50 e R$ 14.089.311,84, ao passo que os juros calculados a partir da aplicação da TJLP sobre o patrimônio líquido recomposto oscilam entre R$ 658.815,96 e R$ 878.357,23 (fls. 532/555). Logo, ainda que os limites trimestrais fossem elevados em razão da interpretação pretendida pela recorrente, os juros calculados a partir do patrimônio líquido permaneceriam os mesmos, e nenhuma parcela da glosa seria revertida. Desnecessária, assim, qualquer perícia para conferência dos cálculos da Fiscalização. Também inócuos se mostram os argumentos subseqüentes, acerca dos efeitos da dedução dos juros sobre o capital próprio da base de cálculo da CSLL a partir do ano calendário 1997, e da correspondente abordagem contida no art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 93/97. A divergência manifestada pela recorrente contra o fato de a Fiscalização ter tomado como referência o montante do lucro líquido do exercício antes do IRPJ e do valor dos JCP, porém depois da dedução da CSLL, na mesma linha do que acima demonstrado, apenas ensejaria o aumento dos limites trimestrais de dedução, e não afetaria a composição do Fl. 983DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 15 14 Patrimônio Líquido para fins de aplicação da TJLP, matéria que está disciplinada no caput e no §8o do art. 9o da Lei nº 9.249/95: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) [...] § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. [...] (negrejouse) Imprópria, assim, a argumentação da recorrente no sentido de que existiria erro na apuração do montante a tributar, evidenciando vício na sua determinação, a ensejar a anulabilidade total do auto de infração. Os cálculos da Fiscalização, no que se refere ao limite previsto no §1o do art. 9o da Lei nº 9.249/95, prestaramse apenas a evidenciar que inexistiriam outras parcelas a glosar para além daquelas justificadas pela recomposição do Patrimônio Líquido. A recorrente defende, também, a dedutibilidade da despesa no âmbito da CSLL, mas observase nos lançamentos que as mesmas parcelas foram glosadas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, evidência de que idênticas parcelas foram admitidas em ambas apurações, porém até o limite dos juros sobre o capital próprio calculados a partir do Patrimônio Líquido recomposto. Por oportuno registrese que a autoridade julgadora de 1a instância, ao contrário do que afirma a recorrente, justificou que não poderia acolher seus argumentos acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas que regem a matéria porque a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. A defesa também afirma a inexistência de fundamentação legal aos fatos alegados no lançamento tributário e a imprópria alteração de critério jurídico pela DRJ – novo lançamento. Aduz que apesar da alegação anterior de que a Recorrente não pode concluir se a questão que levou a autuação ora impugnada está calcada na tomada da base de cálculo para o pagamento dos Juros Sobre Capital Próprio ou se no fato do Agente Fiscal ter entendido que não houve a realização da reavaliação dos ativos, a autoridade julgadora de 1a instância fundamentou laconicamente, mas de forma criativa, que a Fiscalização reportouse a legislação posteriormente editada apenas como reforço dos fundamentos da imposição. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 16 15 Assevera que o lançamento carece de fundamentação legal, e que a decisão guerreada insere fundamentos legais na autuação de forma escusa. Todavia, o Termo de Verificação Fiscal expõe, claramente, os argumentos defendidos na decisão recorrida: III – DA AUDITORIA CONTÁBIL/FISCAL, NO TOCANTE ÀS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO E AO PAGAMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO [...] III.1 – Dos Fatos [...] Desde a capitalização de parte da reserva criada como contrapartida da contabilização do intangível “Marca Infibra” (R$ 286.000.000,00 [...]), no 1o Trimestre de 2008, e da reserva de reavaliação de imóveis (R$ 39.265.503,00 [...]), no 4o Trimestre de 2008 e considerando, ainda, o saldo não capitalizado do intangível “Marca Infibra” (R$ 23.649.124,40 [...]), desde o 1o Trimestre de 2008, a fiscalizada vem apropriando aos seus sócios Juros sobre o Capital Próprio (JCP), incluindo tais valores na base de cálculo do benefício, reduzindo, assim, o lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL. III.2 – Do questionamento fiscal e da legislação aplicável O fim da correção monetária de balanço em 1995 acabou com o mecanismo que permitia, de forma indireta, a proteção do capital próprio contra os efeitos deletérios da inflação sobre o patrimônio da entidade empresarial, seja pela dedução das perdas inflacionárias seja pelo diferimento do ganho inflacionário. Era preciso, portanto, a inserção de novo mecanismo de remuneração financeira do capital próprio investido pelo empreendedor, além do lucro incerto. Por isso a Lei nº 9.249/95, art. 9o, assim dispõe: [...] Disciplinando este artigo, dispõe a Instrução Normativa SRF nº 11/96 (dispositivos aplicáveis ao caso em exame, ainda em vigor): Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (...) § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavaliação de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. (...) § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: (...) Fl. 985DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 17 16 b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; (...) d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. (...) Complementando a disciplina, dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93/97, art. 29: Art. 29. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: I 50% (cinqüenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou II 50% (cinqüenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, o lucro líquido do exercício será aquele após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da dedução da provisão para o imposto de renda. Art. 30. Somente serão dedutíveis na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social os juros sobre o capital próprio pagos ou creditados aos sócios ou acionistas da pessoa jurídica, descabendo a dedutibilidade nos casos em que sejam incorporados ao capital social ou mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital. Como se vê, a composição do Patrimônio Líquido da empresa assume relevância como base de cálculo do JCP. Por isso os elementos que o compõem, para tal fim, além do Capital Social efetivamente integralizado pelos sócios ou acionistas, tem que ter natureza de reservas livres, já tributadas pelo IRPJ e pela CSLL, ou de reservas autorizadas pela legislação tributária como integrantes da base de cálculo do benefício (JCP). Em outras palavras, os componentes do PL têm que ter característica de capital próprio, investido pelos sócios ou efetivamente realizados pela atividade econômica da pessoa jurídica, tributados pelo imposto de renda e pela contribuição social. Por isso, não aceitamos que os valores especificados no último parágrafo do item anterior componham, no Patrimônio Líquido, a base de cálculo do JCP. A partir daí, a autoridade fiscal apenas discorre de forma mais detalhada acerca da incompatibilidade entre as disposições legais e o cômputo, no Patrimônio Líquido, para fins de cálculo dos juros sobre o capital próprio, dos valores provenientes da reserva de contabilização de intangível e da reserva de reavaliação de imóveis. Todavia, não há dúvida que o principal argumento para não admitir aqueles valores na base de cálculo da despesa é o fato de as reservas não decorrerem de valores tributados pelo IRPJ e pela CSLL, ou de investimento dos sócios. Por sua vez, a lei não deixa dúvidas a este respeito: não integra a base de cálculo da remuneração o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. E, sem se afastar desta hipótese, a autoridade fiscal demonstra que a partir da Lei nº 9.959/2000 a capitalização de reserva de reavaliação não ensejava a tributação do resultado correspondente e, demais disso, a reavaliação de intangíveis sequer era admitida pela prática contábil. Acrescentou, ainda, que registros desta espécie jamais poderiam figurar como Reserva de Capital, mesmo depois das alterações promovidas na Lei nº 6.404/76 pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, e que a Fl. 986DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 18 17 Lei nº 11.941/2009 reafirmou a interpretação anterior, no sentido de que os agora denominados ajustes de avaliação patrimonial não poderiam integrar a base de cálculo dos juros sobre capital próprio. Claro está que é imprópria a afirmação da recorrente no sentido de que o agente autuante não teria uma fundamentação legal para dar substância ao lançamento tributário ora questionado. Os mencionados princípios contábeis e questões que tratam de contabilização apenas reforçam o argumento primeiro, em favor da exclusão das reservas e acréscimos ao patrimônio líquido que decorram de reavaliação, ou procedimentos assemelhados, sem prévio oferecimento do correspondente resultado à tributação. Irrelevante, assim, se tais reservas, ao menos parcialmente, foram utilizadas para aumento de capital, pois esta mencionada realização não autoriza o incremento da base de cálculo da remuneração, como expressamente vedado pela lei tributária. De outro lado, demonstrado está que a realização da reserva, quando destinada a aumento de capital, não enseja sua tributação desde a Lei nº 9.959/2000. A recorrente prossegue enfatizando que realizou tais atos sob a égide da legislação anterior que assim o permitia, visto que inexistia vedação expressa, somente veiculada pela Lei nº 11.638/2007, com efeitos a partir do anocalendário 2008, e pela Lei nº 11.941/2009, com efeitos a partir de maio/2009. Novamente mostrase irrelevante discutir a possibilidade de registro contábil de tais valores ou os efeitos de sua realização mediante incorporação ao capital social: a lei tributária somente admite seu cômputo na base de cálculo dos juros sobre o capital próprio se o resultado daí decorrente for submetido a tributação, aspecto sequer alegado pela recorrente. Assim, há lei vedando o procedimento desenvolvido, inexistindo qualquer desigualdade aqui produzida frente a todos os contribuintes que por décadas teriam assim atuado, pois todos aqueles que computaram registros decorrentes de reavaliação não tributada em seu patrimônio líquido para fins de cálculo de juros sobre o capital próprio estavam sujeitos a glosa das despesas indevidamente contabilizadas. Frente a tal contexto, mostrase desnecessário qualquer questionamento fiscal acerca dos valores tomados a título de reavaliação. O lançamento está validamente fundamentado, a decisão recorrida não promove qualquer inovação, e as referências nela contidas acerca da postergação da tributação da reserva de reavaliação realizada mediante incorporação ao capital social apenas convertem em dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda os artigos de lei contidos no Termo de Verificação Fiscal (art. 3o do Decretolei nº 1.598/77 e art. 4o da Lei nº 9.959/2000). Ademais, as referências da Fiscalização a princípios contábeis não podem ser depreciadas como alegações genéricas, como quer a recorrente, visto que a abordagem acerca da impropriedade de reavaliação de intangíveis é complementar, como antes demonstrado. Por esta razão, também, a referência à vedação expressa àquele procedimento por meio da Lei nº 11.941/2009 somente reforça a interpretação desenvolvida, e que tem como referência inicial, sempre, o fato de a reserva correspondente não ter sido oferecida à tributação. Frisese, por oportuno, que os juros sobre o capital próprio prestamse, justamente, a remunerar o capital próprio, de modo que reservas de reavaliação constituídas contabilmente, antecipando resultado que somente será auferido quando efetivamente realizado, apenas caracterizase como capital próprio quando é realizada, convertendose em lucro passível de distribuição aos sócios e, assim, tributável. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 19 18 Frente a todo o contexto legal é inadmissível a pretensão da recorrente de que somente a partir da Lei nº 11.941/2009 está impedido o cômputo de valores de reavaliação no patrimônio líquido para fins de cálculo de JCP. Arrematando este tópico da defesa, a recorrente argumenta subsidiariamente que a Fiscalização deveria ter tributado a mais valia decorrente destas reavaliações, e não glosado tais parcelas no cálculo dos juros sobre o capital próprio. Todavia, a justificativa para assim não proceder consta do Termo de Verificação Fiscal, visto que o art. 4o da Lei nº 9.959/2000 veda o cômputo na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido da contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica antes da efetiva realização do bem. Acrescentese que, ao assim se manifestar, o agente fiscal não está se contradizendo, mas sim enfatizando a compatibilidade de sua interpretação com os demais dispositivos legais que regem a matéria. A recorrente, na seqüência, enfatiza a correta tomada dos juros sobre capital próprio sobre a contrapartida da avaliação da marca “Infibra” capitalizada (reavaliação de intangível capitalizada), mas apenas para reiterar que a vedação a este procedimento somente se verificou com a Lei nº 11.941/2009, e destacar que o §3o do art. 182 da Lei nº 6.404/76 autorizava o registro de reserva de reavaliação em contrapartida ao aumento de valores atribuídos a elementos do ativo, tendo sido observada a comprovação por meio de laudo, como exigido no referido dispositivo. Como já dito, ainda que se admita a possibilidade de reavaliação de intangível, a capitalização não autoriza seu cômputo na base de cálculo dos juros sobre o capital próprio porque o art. 4o da Lei nº 9.959/2000 afastou esta hipótese como causa de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Assim, a adição à base de cálculo de tais tributos, exigida pelo §8o do art. 9o da Lei nº 9.249/95, não se verifica por diferimento legal do qual a contribuinte usufruiu, sem se sujeitar a objeções fiscais. Em tais condições, apenas se a contribuinte espontaneamente oferecesse à tributação os valores oriundos de reserva de reavaliação seria legitimado seu cômputo na base de cálculo daquela remuneração. Por certo, como diz a recorrente, o fato de tais registros terem sido integrados a Reserva de Capital não é razão suficiente para a sua desconsideração no cálculo da remuneração do capital próprio. Mas, como já exposto exaustivamente neste voto, este não é o aspecto determinante da autuação. Ao contrário do que defende a recorrente, as parcelas aqui questionadas, classificadas como capital próprio integrante do Patrimônio Líquido, ficam marcadas pela origem em reavaliação de bens e direitos, e a alteração de sua classificação não afasta o requisito legal de prévia tributação para sua conversão em referencial de cálculo de juros a serem pagos em favor dos sócios. Evidente, portanto, que não se confirma o erro de fato alegado em memoriais. Ainda, quanto à reavaliação de imóveis capitalizada, a recorrente afirma sua regular constituição e capitalização e argumenta que esta hipótese é expressamente excluída como causa de tributação, defendendo a interpretação conjunta da Lei nº 9.249/95 com os demais dispositivos legais que regem a matéria. Contudo, como bem demonstra a recorrente, a determinação de que tais valores não fossem computados no lucro tributável enquanto não capitalizados já existia antes da edição da Lei nº 9.249/95, e esta lei, ainda assim, exigiu a referida adição para admissibilidade da reserva correspondente na base de cálculo da remuneração aos sócios. Irrelevante, portanto, se a capitalização é admitida em lei e hoje Fl. 988DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 20 19 autoriza o diferimento da tributação antes prevista. Caso a lei (art. 9º, §8º da Lei nº 9.249/95) exigisse a realização da reserva de reavaliação para admissibilidade de seus valores como base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, o diferimento da tributação trazido com o art. 4º da Lei nº 9.959/2000 não poderia ser invocado como impedimento à majoração daquela base de cálculo em caso de incorporação ao capital social. Mas a lei, como já dito e reiterado, exigiu a tributação, pelo IRPJ e CSLL, da contrapartida da reavaliação, e esta incidência foi postergada em razão do diferimento legal. Concluise que o incremento ao Patrimônio Líquido somente opera efeitos em relação à dedutibilidade juros sobre o capital próprio dentro dos limites legais, e a determinação contida no §8o do art. 9o da Lei nº 9.249/95 é suficiente para autorizar a glosa promovida pela Fiscalização, mostrandose irrelevantes as objeções da contribuinte contra as referências feitas pela autoridade fiscal acerca das manifestações dos órgãos reguladores da atividade contábil, bem como a posterior edição do art. 59 da Lei nº 11.941/2009. Por esta razão, também, não se verifica o mencionado erro de direito apontado em memoriais. A recorrente novamente reportase à correta tomada dos juros sobre capital próprio sobre a capitalização pelos beneficiários (sócios) de valores creditados a título de JCP no anocalendário de 2008, reafirmando a nulidade da decisão recorrida acerca deste tema, a qual já foi afastada em análise preliminar. Na seqüência, demonstra a possibilidade de os valores assim capitalizados integrarem o Patrimônio Líquido para fins de cálculo da remuneração aos sócios, mas, como já dito, esta matéria não foi questionada pela Fiscalização. De fato, a autoridade fiscal descreve que a referida capitalização verificouse em 20/12/2008, pelo valor total de R$ 12.980.497,00, e que a maior parte dos créditos dos sócios junto à empresa decorre de juros sobre o capital próprio creditados no decorrer do ano calendário 2008. Por sua vez, no demonstrativo de cálculo referente ao 4o trimestre/2008 (fl. 539), referido valor é excluído do Patrimônio Líquido apenas por representar acréscimo do período, e assim não se submeter ao cálculo de juros daquele trimestre. Já a partir do 1o trimestre/2009 (fl. 541), referida exclusão não mais se verifica, sendo expurgados apenas as parcelas relativas à reavaliação de marcas e imóveis, como descrito no Termo de Verificação Fiscal. Recordese, ainda, que a Fiscalização converteu os juros sobre capital próprio pagos acima do limite legal em lucros distribuídos, de modo que subsistem créditos em favor dos sócios para suportar a referida capitalização. Assim, inexistiria motivos para a glosa destas parcelas na base de cálculo dos juros sobre capital próprio, estando correto o procedimento fiscal e equivocada a defesa, bem como revelandose desnecessária qualquer perícia para conferência dos cálculos da Fiscalização. Por fim, a contribuinte questiona a penalidade aplicada, asseverando que, se por hipótese admitirse devidos os tributos lançados, tal decorreria de equívoco, por conta da sobredita complexidade do tema, jamais por uma conduta dolosa ou proposital. Por esta razão, discorda da aplicação da penalidade no percentual de 75%, que entende confiscatório, defendendo que a concessão da redução/relevação da multa não é ato discricionário, mas sim vinculado, sem liberdade de escolha, ainda que dependente de valoração e livre convencimento do julgador. Reportase aos arts. 67 e 68 da Lei nº 4.502/64, que regulamenta o IPI, invoca a aplicação de equidade e dos princípios da proporcionalidade e capacidade contributiva. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 21 20 Em que pese a discordância da recorrente, não há reparos ao que dito na decisão recorrida: A pretendida mitigação da multa de ofício, baseada nos arts. 67 e 68 da Lei n° 4.502/1964, sob o argumento de que a autoridade julgadora pode fixálas em outro percentual não encontra respaldo, pois a lei referese ao antigo imposto de consumo, hoje denominado Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que estabelece como formas de penalidade: i) multa; ii) perda de mercadoria; iii) proibição de transformar (sic) com as repartições públicas ou autárquicas federais e com os estabelecimentos bancários controlados pela União; iv) sujeição a sistema especial de fiscalização; v) cassação de regimes ou controles especiais estabelecidos em benefício dos sujeitos passivos. Sem desconsiderar a circunstância de que nesta fase do processo a atividade de julgamento administrativo encontrase adstrita ao princípio da legalidade e de que a multa imposta está legalmente capitulada, o que afasta a possibilidade de redução do percentual aplicado, ainda que fosse dado ao julgador mitigar a penalidade imposta, não haveria como, pois não há possibilidade lógica de excluir a multa para aplicar qualquer outra das modalidades capituladas no art. 66 da Lei n° 4.502/1964. No mais, na medida em que o percentual da multa aplicada está expressamente previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, cumpre observar a Súmula CARF nº 2 (o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária), revelandose inócua a pretensão de que seja aplicada equidade ou os princípios da proporcionalidade e da capacidade contributiva. Ademais, a responsabilidade por infrações, a teor do art. 136 do CTN, é objetiva, não sendo afetada pelo fato de a autuada ter se equivocado na interpretação da legislação tributária. Assim, diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Declaração de Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O objetivo desta Declaração de Voto é tão somente esclarecer, data vênia, o meu entendimento acerca da matéria de direito discutida nos autos, bem como consignar o erro de fato e o erro de direito presentes no lançamento. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 22 21 Em síntese, os autos discutem situação fática em que a Recorrente, após capitalizar algumas reservas (oriundas da reavaliação de sua marca e de imóveis), considerou estas contas do patrimônio líquido para fins do cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP). Para melhor elucidar os fatos, didaticamente temse que: 1. A empresa constituiu reservas em função da reavaliação de sua marca “Infibra” (no valor total de R$ 309 milhões) e de imóveis (no valor de R$ 39 milhões) e as capitalizou parcialmente, da seguinte forma: a. R$ 286 milhões referentes à reserva da marca “Infibra” foi capitalizada à CAPITAL SOCIAL. b. R$ 23 milhões referentes à reserva da marca “Infibra” não foi capitalizada, sendo mantida em reserva de capital à RESERVA DE CAPITAL. c. R$ 39 milhões referente à reserva de imóvel foi capitalizada à CAPITAL SOCIAL. 2. Após estas capitalizações, a Recorrente, considerou tais montantes, na medida em que eram contas do patrimônio líquido, como base de cálculo para o JCP pago ou creditado aos seus acionistas. 3. A Recorrente recolhia o IRRF sobre o JCP pago ou creditado aos sócios. O Auto de Infração glosou as despesas com JCP, fundamentandose no art. 9º, § 8º, da Lei 9.249/1995: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido Ademais, a autoridade lançadora considerou que a capitalização das reservas não poderia ser tributada, em função do art. 4º da Lei 9.959/2000: Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Inclusive, no auto de infração, a opção pela aplicação do art. 9º, § 8º, da Lei 9.249/95, adotada pelo AFRFB foi expressamente justificada: Fl. 991DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 23 22 “Não fosse a vedação do art. 4º da Lei 9.959/2000, acima transcrito, que veda o cômputo na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido da contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica antes da efetiva realização do bem, o caminho natural do fisco seria a tributação integral pelo IRPJ e pela CSLL da mais valia atribuída ao ativo ou do valor do reconhecimento de um novo ativo, validando, assim, os cálculos posteriores de JCP.” (Item IV do TVF). Tal justificativa foi feita para embasar a aplicação do art. 9º, § 8º, da Lei 9.249/95 e para não se computar as contrapartidas da reavaliação no lucro real e na base de cálculo da CSLL. Dados estes fatos, entendo que a glosa do JCP não tem cabimento no presente caso, por erro de fato e erro de direito. O erro de fato existe na medida em que a norma aplicada para embasar a glosa do JCP é o art. 9º, § 8º, da Lei 9.249/95. Vejase. A norma geral que rege a apuração da base de cálculo do JCP (i.e. o caput do Art. 9º da Lei 9.249/95) faz menção às contas do PL como base de cálculo do JCP (portanto, aqui incluídas as contas de capital social e demais reservas, bem como lucros acumulados, dentre outras). O art. 9º, § 8º da referida lei apenas faz limitação específica à norma geral e tal limitação referese apenas às reservas de reavaliação não tributadas. No caso dos autos, no entanto, à época do pagamento do JCP não havia nenhuma reserva de reavaliação, seja em função da capitalização das reservas (logo, passaram a fazer juridicamente parte da conta de capital social) seja pelo fato de que a parcela não capitalizada da reserva da reavaliação da marca foi mantida em conta de reserva de capital. Portanto, há erro de fato do auto de infração, na medida em que aplica norma (art. 9º, § 8º da Lei 9.249/95, que trata da limitação em relação às reservas de reavaliação) à situação fática distinta da sua hipótese de incidência (i.e. aplica a norma limitadora à conta de capital social e reserva de capital). Não é só. O AIIM, também, incorre em erro de direito, pois aplica as normas das leis 11.638/2007 e 11.941/2009 a fatos geradores ocorridos antes da plena vigência destas leis (em relação à reavaliação da marca). “Hoje é vedado literalmente pela legislação societária – não se pode reconhecer intangível não adquirido de terceiros ou não formado internamente com alocação específica de recursos para tal. Nesse sentido a Lei 6.404/76, alterada pelas Leis 11.638/2007 e 11.941/2009”. (...) Fl. 992DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 24 23 “Porque agora positivado de forma escrita, não significa que antes de 2008 era permitido” (fls. 9). Afirma ainda que tãosó “A partir de 2008, o § 3º do art. 182 da Lei 6.404/76 abriga a disciplina para a conta ajuste de avaliação patrimonial, cujo saldo também deverá ser excluído da base de cálculo do JCP, nos termos do art. 59 da Lei 11.941/2009” (fls. 11 do TVF). Portanto, ao aplicar as referidas leis como fundamento jurídico do AIIM, há nulidade por erro de direito (i.e. aplicação de normas não vigentes à época dos fatos). Por fim, mesmo se fosse possível transpor o erro de fato e o erro de direito, o caminho natural para o Fisco seria a tributação das reservas na sua efetiva realização, sendo irrelevante o cômputo ou não dos valores na base de cálculo do JCP. Notese que a base de cálculo do JCP não é influenciada pela tributação da capitalização das reservas, isto é, uma coisa é a constituição e capitalização de reservas e outra é a base de cálculo do JCP. Desse modo, hipoteticamente: 1. Tributação reavaliação de marca, capitalizada: a. Situação Hipotética 1: Se o valor que estava no capital social (i.e. após a capitalização) não fosse incluído na base de cálculo do JCP: i. Tributase pelo art. 435, I, RIR na capitalização; ii. Se for considerado que o art. 435, I, foi revogado pelo art. 4º da Lei 9.959/2000, então, tributase na “efetiva realização”. b. Situação Hipotética . 2: Se o valor que estava no capital social (i.e. após a capitalização) fosse incluído na base de cálculo do JCP:: i. Tributase pelo art. 435, I, RIR na capitalização; ou ii. Se for considerado que o art. 435, I, foi revogado pelo art. 4º da Lei 9.959/2000, então, tributase na “efetiva realização”. 2. Tributação de reavaliação da marca, parcela não capitalizada (mantida em reserva de capital): a. Situação Hipotética 1: Se o valor que estava na conta de reserva de capital não fosse incluído na base de cálculo do JCP: i. Não se aplica o art. 435, I, RIR, pois não houve capitalização. ii. Aplicase o art. 4º da Lei 9.959/2000: diferimento para o momento da “efetiva realização”. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 25 24 b. Situação Hipotética 2: Se o valor que estava na conta de reserva de capital fosse incluído na base de cálculo do JCP: i. Não se aplica o art. 435, I, RIR, pois não houve capitalização. ii. Aplicase o art. 4º da Lei 9.959/2000: diferimento para o momento da “efetiva realização”. 3. Tributação da reavaliação de imóvel, capitalizada: a. Situação Hipotética . 1: Se o valor que estava na conta de capital social (i.e. após a capitalização) não fosse incluído na base de cálculo do JCP: i. Não se aplica o art. 435, I, RIR. ii. É caso de diferimento previsto no art. 436 do RIR; ou iii. É caso do diferimento para o momento da “efetiva realização” do art. 4º da Lei 9.959/2000. b. Situação Hipotética . 2: Se o valor que estava na conta de capital social (i.e. após a capitalização) fosse incluído na base de cálculo do JCP: i. Não se aplica o art. 435, I, RIR, pois não houve capitalização. ii. Aplicase o art. 4º da Lei 9.959/2000: diferimento para o momento da “efetiva realização”. É nítido, portanto, que a tributação da reserva guarda relação com a efetiva realização e não com o pagamento dos JCPs. Consequentemente, a autuação, quando presentes estes fatos, ou seja, constituição e capitalização de reservas, deve ser norteada pelo conceito de “realização”. Assim, no caso concreto, mesmo se o erro de direito e o erro de fato restassem superados, entendo que a i. fiscalização deveria buscar fundamentar o seu lançamento no raciocínio acima exposto. Tanto é verdade que se deve buscar a tributação da capitalização das reservas, ou seja, não a glosa do JCP, que existem diversas decisões da própria RFB neste sentido e também deste tribunal administrativo, vejase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 26 25 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. A tributação dos valores decorrentes da reavaliação de bens do ativo somente pode ser diferida quando tais montantes são escriturados em Reserva da Reavaliação, devendo ser oferecido à tributação na medida da realização do bem. Quando utilizados para a integralização do capital, o valor respectivo deve compor o lucro real, base de cálculo sobre o qual incide o IRPJ. (Processo nº 10805.002234/200764, Acórdão n.º 1402001.315, CARF, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Contribuinte: Telemax Telecomunicações Ltda, Sessão de 5 de março de 2013, Relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar) Fl. 995DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10865.721233/201275 Acórdão n.º 1101001.114 S1C1T1 Fl. 27 26 Desta forma, entendo que o Auto de Infração, superados os erros de fato e de direito já explorados, deveria ter sido embasado no conceito de realização da reserva, quando da capitalização, que se revela, verdadeiramente, como o fato gerador do IRPJ/CSLL, não a glosa do JCP. Portanto, a minha declaração de voto é para externar o meu posicionamento de que: a) houve erro de direito (i.e. aplicação de leis não vigentes) e erro de fato (i.e. foram desconsideradas as naturezas das contas do patrimônio líquido, isto é, o capital social e a reserva de capital foram tratadas como reservas de reavaliação apenas com o fim de, artificialmente, se aplicar o art. 9º, § 8º, da Lei 9.249/1995) no Auto de Infração, o que o torna NULO; b) mesmo se fosse sanada tal nulidade, o fato gerador tributável no caso concreto é a capitalização das reservas, que deve ser analisado em face das normas contidas no art. 435, 434 e 436 do RIR, bem como o art. 4º da Lei 9.959/200, ou seja, em relação à “realização” das reservas, que não guarda qualquer relação com o fato do pagamento do JCP. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Conselheiro Fl. 996DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005939/2002-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral a Dra. Mariana Longo Solon de Pontes, OAB/RJ nº 157.852, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral a Dra. Mariana Longo Solon de Pontes, OAB/RJ nº 157.852, advogada do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 59 39 /2 00 2- 10 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 15/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Luiz Roberto Domingo. Relatório A recorrente formalizou, em 30/12/2012, pedido de ressarcimento de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao anocalendário de 1997, como forma de ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, nos termos previstos pela Lei n° 9.363/1996 (fls.21). A interessada alegou em seu requerimento (fls.214): 1. Que é pessoa jurídica brasileira cujo objeto principal é a produção e exportação de pelotas de minério de ferro, classificadas na posição 2601.12.00, "sendo considerado produto nãotributado (N/T) pelo IPI"; 2. Que diante disso possuiria direito à fruição do beneficio pela Lei n° 9.363/96, cujo objetivo foi minimizar os efeitos da incidência cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre os produtos exportados; 3. Que, por comercializar produtos classificados na TIPI como não tributados, ficou impossibilitada de proceder à compensação dos créditos com eventuais débitos posteriores, motivo pelo qual pleiteia o ressarcimento em espécie; 4. Que o direito ao ressarcimento em espécie, não sendo possível a compensação com o IPI, encontrase consubstanciado no art. 4° da Lei n° 9.363/96; 5. Que, à época em que tais créditos foram apurados, a Secretaria da Receita Federal "possuía" entendimento, no seu entender, desprovido de fundamento legal, que as pessoas jurídicas que fabricassem e exportassem produtos não tributados pelo IPI, não teriam direito ao Crédito Presumido da Lei n° 9.363/96; 6. Que recentemente o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda vem reiteradamente reconhecendo o direito ao beneficio fiscal, nestas situações. Para tanto, cita alguns acórdãos; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.005939/200210 Acórdão n.º 3101001.604 S3C1T1 Fl. 293 3 7. Que a possibilidade de manutenção dos créditos está reconhecida no art. 4° da Lei n° 9.363/96, na Portaria MF n° 38/97 e na IN SRF 210/02; 8. Que o aproveitamento de créditos extemporâneos está condizente com a prática tributária, conforme aduz decisão do próprio Conselho de Contribuintes. Cita acórdão; 9. Que, demonstrado seu direito aos créditos requeridos, faz jus à correção monetária pela taxa SELIC. O requerimento foi analisado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Vitória, que emitiu o Parecer SEFIS n° 015/2003 (fls. 60 a 68), concluindo que o requerente não faria jus ao benefício, pelas seguintes razões: a) o objetivo da lei instituidora do benefício foi o de desonerar os contribuintes do IPI da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes nos insumos aplicados na industrialização de produtos tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posteriormente exportados; b) os julgamentos do CC não teriam efeito vinculante; c) mesmo que o interessado fizesse jus ao favor fiscal, deveria ser excluído do seu cálculo o valor das aquisições de insumos que não se subsumem ao conceito de matériaprima — MP, produto intermediário — PI e material de embalagem defendido pela legislação do IPI, e; d) em 02/01/2003, prescreveu o direito do interessado de pleitear o ressarcimento, e; e) inexiste previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais. O Despacho Decisório n° 11543.005939/200210 (fls.69) aprovou o Parecer SEFIS n° 015/2003 e indeferiu Pedido de Ressarcimento de IPI feito por CIA. ITALO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO ITABRASCO, CNPJ 27.063.874/000144, referente ao período de 1997. Regularmente intimado da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 74 a 86), instruída com os documentos das folhas 87 a 176, na qual alegou, em síntese: a) que o benefício alcança todos os exportadores de mercadorias nacionais, haja vista que a Lei n° 9.363, de 1996, em seu artigo. 1°, não faz qualquer restrição, não cabendo ao aplicador restringir o que a lei não restringiu; b) que a lei instituidora fixa que a base de cálculo do beneficio é o valor total das aquisições de MP, PI e ME, sendo assim dispensável perquirir se o insumo se agrega, ou não, ao produto em fabricação, ou ainda se há, ou não, contato do insumo com o mesmo, bastando que sejam consumidos no processo produtivo; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 c) pela inexistência de decadência, com a possibilidade de manutenção dos créditos; d) que, ao contrário do alegado na decisão recorrida, tanto o Poder Judiciário quanto o Conselho de Contribuintes vêm admitindo a aplicação da taxa Selic aos créditos requeridos extemporaneamente. e) concluiu, requerendo a reforma do Despacho Decisório, para que seja reconhecido o direito de ressarcimento do Crédito Presumido de que se julga titular. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, em sessão de julgamento realizada em 17 de setembro de 2007, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, ratificando o Despacho Decisório da unidade de origem. O acórdão 187.751 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT A fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. BASE DE CÁLCULO Os insumos admitidos no cálculo do valor do benefício são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IPI, aplicados na industrialização de produtos exportados. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO O prazo para requere ressarcimento de crédito presumido de IPI prescreve em cinco anos, contados da data de ingresso dos insumos no estabelecimento industrial exportador. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Não incidem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Solicitação Indeferida Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário (fls.224 a 249), onde alega que o beneficio do crédito presumido do IPI alcançaria todas as mercadorias nacionais exportadas; que o artigo 82, inciso I do RIPI/82 é claro no sentido de que todos os insumos consumidos na elaboração do produto final, com exceção dos bens do ativo permanente, são matériaprima ou material secundário, mesmo que não se integrem fisicamente ao produto novo; a não ocorrência da prescrição; e que deve ser Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.005939/200210 Acórdão n.º 3101001.604 S3C1T1 Fl. 294 5 aplicada a Taxa SELIC para a correção do Crédito Presumido de IPI, sob pena enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Em requerimento protocolizado em 25/05/2011 (fls.279 a 287), a recorrente expôs o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, firmado em sede de recurso repetitivo, no REsp 993.164 que, segundo seu entendimento, aplicariase ao caso em julgamento. A recorrente protocolizou requerimento (fls.320 a 322), no qual traz ao conhecimento desse Conselho a edição do Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, que versa sobre a ilegalidade da IN 23/97. A recorrente protocolizou outro requerimento (fls.324 a 327), a recorrente apresenta o entendimento extraído de alguns julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em seu entendimento, já teria consolidado posicionamento favorável ao seu, no sentido de que para fazer jus ao beneficio instituído pela Lei nº 9.363/96 bastaria ser produtor e exportador de mercadorias nacionais, além de determinar a correção dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, relator. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao anocalendário de 1998, como forma de ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, nos termos previstos pela Lei n° 9.363, de 13.12.96. O órgão julgador a quo entendeu que a interessada não faria jus ao Crédito Presumido previsto na Lei n° 9.363/1996, porque não se enquadrava no conceito de contribuinte do IPI, não existindo qualquer disposição normativa explicita quanto à extensão do beneficio aos produtos exportados classificados como "NT". Segundo seu entendimento, os produtos com a indicação "NT" na tabela de incidência do IPI/TIPI, segundo o disposto no artigo 13 da Lei n° 9.493/1997, não são considerados produtos industrializados e, portanto, estão fora da incidência do imposto, razão pela qual a exportação de produtos com tal classificação não gera direito ao benefício. Também alegou que deveriam ser excluídos do cálculo do benefício, caso fosse permitido, determinados insumos que, a despeito de se consumirem no processo produtivo, não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem; e que seria impossível a correção monetária dos créditos escriturais requeridos extemporaneamente, por falta de previsão legal nesse sentido. A recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega que o beneficio do crédito presumido do IPI alcançaria todas as mercadorias nacionais exportadas; que o artigo 82, inciso I do RIPI/82 é claro no sentido de que todos os insumos consumidos na elaboração do produto final, com exceção dos bens do ativo permanente, são matériaprima ou material secundário, mesmo que não se integrem fisicamente ao produto novo; e que deve ser aplicada a Fl. 371DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Taxa SELIC para a correção do Crédito Presumido de IPI, sob pena enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. A controvérsia cingese ao direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de produtos anotados como NT na TIPI. Reproduzo a seguir o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303001.544, o qual adoto como razões de decidir: A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI, no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais ora prevalecia a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição da Turma. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. De fato, as sociedades empresárias que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Assim, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.005939/200210 Acórdão n.º 3101001.604 S3C1T1 Fl. 295 7 Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Também nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 20, com expressa vedação ao credito do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Portanto, a correta está a decisão recorrida que confirmou o despacho decisório, no sentido de que a exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI da Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Outra questão levantada pela fiscalização é que deveriam ser excluídos do cálculo do benefício, caso fosse permitido, os insumos que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem pela legislação do IPI. Assim dispõe o artigo 3º da Lei nº 9.363/96: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Para a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. Do texto do art. 1º, da Lei nº 9.363/96, extraise que o direito ao crédito, restringe se às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, não assegurando direito ao crédito em relação aos insumos genericamente considerados. Assim, verificase que aquisições de combustíveis (óleo, carvão e gás), graxas e óleos, e dos gastos com energia elétrica não se subsumem ao conceito de matéria Fl. 373DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 prima, produto intermediário e material de embalagem, na medida em que não se tratam de produtos que integram o produto novo, tampouco que são consumidos no processo de industrialização, e não há como reconhecer o direito ao crédito relativo a tais dispêndios. Nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Dessa forma, correto está o entendimento da Fiscalização, confirmado pelo órgão julgador a quo, no sentido que, ainda que fosse permitida o crédito presumido à recorrente, deveriam ser glosados os valores referentes a aquisições de itens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 26 de março de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Inobstante a excelente interpretação da legislação atinente ao direito ao crédito presumido de IPI implementada pelo Ilustre Conselheiro Relator, Dr. Rodrigo Mineiro Fernandes, propusme a fazer declaração de voto para consignar meu entendimento a respeito, uma vez que a delegação legal da competência para que o Ministro da Fazenda regulamente o benefício fiscal em apreço não pode ser desrespeitada. Senão Vejamos. A questão que aflora nestes autos referese à obtenção da base em que será aplicada a alíquota presumida para cálculo do ressarcimento, ou seja, a relação entre receita bruta e receita de exportação indica uma proporcionalidade entre os insumos adquiridos para compor o total dos produtos industrializados e os produtos industrializados destinados ao mercado externo. Essa fórmula fornece importantes subsídios interpretativos para aplicação das normas, como veremos adiante. Importante salientar que o art. 6º da Lei nº 9.363/96, delegou competência ao Ministro de Estado da Fazenda para disciplinar quanto à efetivação do benefício, inclusive para definir o conteúdo de termos como “receita de exportação”: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.005939/200210 Acórdão n.º 3101001.604 S3C1T1 Fl. 296 9 Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. A Portaria MF nº 38/97, sobre os critérios de concessão do benefício e em seu art. 3º, §15, incisos I e II, dispôs sobre a definição dos conceitos de “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação” para efeito de apuração da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI (na forma do art. 2º da Lei nº 9.363/96): Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (grifos acrescidos) Em 26/03/2003, no entanto, foi publicada Portaria MF nº 64/2003, que alterou a definição dos termos “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, conforme art. 3º, § 12, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; Todas essas disposições estão plenamente de acordo com a estrutura sistêmica do direito positivo, pois cabe ao Ministro da Fazenda, por delegação de competência dada pela Lei nº 9.363/96, definir a extensão e composição dos termos que tratam da concessão do benefício. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Desta forma, o integral e regular cumprimento das normas vigentes à data da obtenção do benefício, qual seja, o direito ao crédito a aplicação integral das definições dadas pela Portaria MF 38/97 para os períodos sob sua vigência e aplicação correta das definições da Portaria MF 64/2003, em especial no que tange às definições de “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, passa a ser relevante para apuração da base de cálculo do benefício efetivamente concebido em lei. Assim, quanto ao tratamento jurídico conferido pelo Fisco às Receitas de exportação de produtos Não Tributados “NT”, entendo que o Fisco não atuou em conformidade com conteúdo e vigência das Portarias do Ministério da Fazenda que regem o ressarcimento da tributação do PIS e da COFINS embutidos nos insumos utilizados na produção/fabricação de mercadorias destinadas a exportação. A Lei nº 9.363/96 (a exemplo da MP n° 674/1994 e MP n° 948/1995) tratou de disciplinar a instituição de Crédito Presumido de IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS incidentes nos insumos adquiridos no mercado interno, como forma de não exportar tributos. Apesar de o art. 3º da Lei concedente do benefício prever o conteúdo semântico a ser considerado para cada um dos termos utilizados, tais como, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, receita operacional bruta e receita de exportação, a definição do alcance do benefício foi integralmente delegada ao Ministro de Estado da Fazenda a quem incumbe, inclusive, definir o conceito de Receita de Exportação, conforme art. 6º da Lei nº 9.363/961. E foi assim que se procedeu. Em 03/03/1997, o Ministro da Fazenda expediu a Portaria MF nº 38/97, cujo art. 3º, § 15, passou a definir “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, de modo que o conceito de receita operacional bruta contemplava O PRODUTO DE TODAS AS OPERAÇÕES DE VENDA DE BENS E SERVIÇOS e o resultado auferido nas operações de conta alheia; e o de receita bruta de exportação contemplava O PRODUTO DA VENDA AO EXTERIOR DE MERCADORIAS NACIONAIS. Assim, o benefício fiscal era extremamente amplo e previa que, para definição do percentual a ser considerado como base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, deveriam ser considerados serviços e vendas de mercadorias em geral, inclusive produtos não tributados e não industrializados e de terceiros, dentre outras receitas. Essas definições fixadas pelo Ministério da Fazenda com fundamento no art. 6º da Lei 9.363/96 vigeu até a revogação da Portaria MP 38/97, pela Portaria nº 64/2003, publicada em 26/03/2003, que alterou a definição dos termos “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, conforme art. 3º, § 12. É de notarse que a alteração da definição modificou substancialmente a composição da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, uma vez que, se antes englobava para receita operacional bruta todas as operações de venda de bens e serviços, agora passou a restringir a, apenas, VENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA (excluiu, portanto, as receitas de prestação de serviços, as receitas de vendas de 1 Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Fl. 376DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11543.005939/200210 Acórdão n.º 3101001.604 S3C1T1 Fl. 297 11 mercadorias não industrializadas ou não industrializadas pelo beneficiário e o resultado auferido nas operações de conta alheia). Após 26/03/2003, o conceito de receita de exportação também foi alterado, excluindo dessa definição o conceito genérico de “venda de mercadorias” para restringir à venda “de produtos industrializados nacionais”. É nítida a distinção: Portaria MF nº 38/1997 64/2003 Vigência De 03/03/1997 a 25/03/2003 A partir de 26/03/2003 “Receita Operacional Bruta” o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo D ef in iç ão le ga l “Receita Bruta de Exportação” o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais Cabe ressaltar que as delegações de competência que as normas de nível hierárquico legal outorgam à autoridade Ministerial ou ao Poder Executivo, transferem para o ato da autoridade outorgada a função complementar da norma legal ordinária de modo que, no caso em apreço, a Portaria MF nº 38/97 é norma complementar à lei, submetendo a administração tributária e os administrados ao comando da Portaria com a mesma força normativa da lei ordinária, de modo que, desatendendo o mandamento posto no ordem ministerial, descumprirseá diretamente os artigos 2º, 3º e 6º da Lei nº 9.363/96, amesquinhando o direito ao benefício ao ressarcimento do PIS e da COFINS. Assim, não é cabível a glosa da receita das exportações de produtos não tributados da base de incidência do benefício fiscal, por falta de previsão legal. Com base nessa questão intertemporal da sistemática de apuração do Crédito Presumido de IPI, é que, no meu entender, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para que os créditos seja calculados em conformidade com as sistemáticas da Portaria MF nº 38/1997 ou da Portaria MF nº 64/2003, cada qual no âmbito de sua vigência. Luiz Roberto Domingo Fl. 377DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assina do digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15249.000854/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. PARCELAS NÃO ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA.
Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, visto que no Regulamento do Imposto de Renda não há previsão para exclusão da base de cálculo do IRPF as parcelas denominadas pela contribuinte de "indenização despesas e depreciação com veículo", deve ser mantido o lançamento.
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
Não são tributáveis os juros de mora recebidos pelo contribuinte no contexto da perda de emprego.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para excluir da tributação o valor de R$ 60.546,59.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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PARCELAS NÃO ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, visto que no Regulamento do Imposto de Renda não há previsão para exclusão da base de cálculo do IRPF as parcelas denominadas pela contribuinte de "indenização despesas e depreciação com veículo", deve ser mantido o lançamento. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Não são tributáveis os juros de mora recebidos pelo contribuinte no contexto da perda de emprego. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para excluir da tributação o valor de R$ 60.546,59. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 24 9. 00 08 54 /2 00 8- 16 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2006/610450341054035, lavrada em 28/07/2008 (fls. 09/12), contra a contribuinte acima qualificada, em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 31.681,28 auferidos pela contribuinte, relativo ao Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 2.244,81, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 28/07/2008. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 10, que foi apurado, conforme os documentos apresentados pela contribuinte, recebimento, em decorrência da ação trabalhista movida contra UNIBANCO, de rendimentos líquidos correspondentes, em 22/06/2005, a R$ 97.212,93. Foi verificado que esses rendimentos eram integrados por principal e FGTS nos valores de, respectivamente, R$ 107.625,89 e R$ 7.414,93, dos quais eram previstos os descontos de imposto de renda, no valor de R$ 17.284,46, e de contribuição à previdência do empregado, no valor de R$ 543,43. Foi constatado, ainda, que parte do principal era composta por aviso prévio no valor de R$ 682,90, em 31/05/2005, o qual, subtraído de horas extras no valor de R$ 30.539,75 e de diferenças salariais no valor de R$ 1.045,77, resultava, conforme a contadoria judicial, em um total de R$ 30.902,62 na mesma data. Apurada a atualização desse total para R$ 30.969,86, em 22/06/2005, atualizandose proporcionalmente o valor do aviso prévio, para R$ 684,39. Acrescidos ainda, a esse valor, os respectivos juros, de R$ 753,96,: apurados aplicandose, ao aviso prévio, a mesma proporção existente entre o principal previsto em 22/06/2005, R$ 51.209,86, e os juros sobre este, R$ 56.416,03. Ainda segundo o Fisco, foi verificado o recebimento, quando do efetivo levantamento dos valores devidos, em 02/08/2005, de acréscimos no valor total líquido de R$ 1.006,49, "rateados proporcionalmente entre os diversos valores previstos, em 22/06/2005, inclusive imposto de renda e contribuição à previdência social. Calculado, dessa forma, o levantamento de principal bruto, com juros, no valor de R$ 108.740,19, excluindose deste o valor total do aviso prévio e dos respectivos juros na data do levantamento, R$ 1.453,24 (não apresentados comprovantes das demais verbas integrantes do principal, necessários à aplicação de eventuais isenções adicionais). Apurados, dessa forma rendimentos tributáveis brutos no valor total de R$ 107.286,95. Por fim, segundo o Fisco, comprovado o pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 9.821,94, dos quais foi excluída, para fins de dedução, a parcela proporcional aos rendimentos isentos de R$ 8.944,94 apurados (FGTS e aviso prévio atualizados até 02/08/2005, acrescidos dos respectivos juros), obtendose honorários dedutíveis no valor de R$ 9.066,07, abatidos dos rendimentos tributáveis brutos acima. Cientificada da exigência tributária na data de 12/08/2008, conforme consulta postal de fl. 260, e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15249.000854/200816 Acórdão n.º 2102002.997 S2C1T2 Fl. 304 3 impugnação em 09/09/2008 (fls. 01/08), acompanhada dos documentos de fls. 14/250, alegando, em suma, que na apuração dos valores devidos, a fiscalização deixou de considerar ou deduzir parcelas isentas do imposto de renda tais como 13° salário indenizado, gratificação semestral, férias vencidas, ferias indenizadas, aviso prévio indenizado, indenização, despesas e depreciação com veículo do recorrente, FGTS e juros, correção monetária. Esclareceu que o imposto de renda retido na fonte foi recolhido pela reclamada no valor de R$ 17.284,46 e, posteriormente, R$ 2.712,39 em 12/04/2007. Também discordou da multa por entender que não houve omissão de rendimento. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos do voto transcritos abaixo: “[...]A fiscalização informou às fls. 10 e 10, verso que do montante recebido 'pelo"notificado foram excluídas as parcelas relativas ao aviso prévio e FGTS e juros correspondentes. Portanto, em relação a estas parcelas não há justificativa para a inconformidade do notificado. Em relação ao 13° salário, denominado pelo contribuinte como "indenizado" por ter sido pago em reclamatória trabalhista, há incidência do imposto de renda nos termos definidos pelo art. 7º da Instrução Normativa n° 15 de 06 de fevereiro de 2001. No que diz respeito a gratificação semestral, férias vencidas (pagas ao tempo da vigência do contrato de trabalho) e férias indenizadas também ocorre a incidência do imposto de renda na forma prevista pelo artigo 43, c/c os artigos 2º e 38 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3000/99. Quanto à parcela denominada "indenização despesas e depreciação com veículo" não há fundamento na alegação do notificado. [...] A parcela denominada "indenização despesas e depreciação com veículo" não consta na relação de rendimentos isentos ou não tributáveis descritas no art. 39, do RIR. [...] No que diz respeito à multa não há qualquer reparo a ser feito, visto que foi aplicada em estrita obediência aos fundamentos legais descritos às fls. 12 "demonstrativo da multa de ofício e dos juros aplicados" quais sejam: art. 44, inciso I e § 3°, da Lei 9.430/96 com as alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei 11.488/07. Em relação à glosa do imposto de renda retido, na fonte no valor de R$ 179,88, verifico que não assiste razão ao contribuinte. A motivação apresentada pela fiscalização para proceder foi o fato de que houve "compensação indevida do valor integral do imposto de renda retido na fonte recolhido, com acréscimos, já no anocalendário de 2006 (os acréscimos referentes aos períodos posteriores ao recebimento dos rendimentos constituem ônus da fonte pagadora, não sendo passíveis de compensação pelo contribuinte)". Pelas mesmas razões apontadas ela Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 fiscalização, entendo que deve ser mantida a glosa do imposto de renda retido na fonte. A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1033.379 da 8ª Turma da DRJ/POA em 09/09/2011. Sobreveio Recurso Voluntário em 30/09/2011 (fls. 274/282), acompanhado dos documentos de fls. 283/301. Em síntese, a Recorrente arguiu preliminarmente que devem ser consideradas as parcelas indenizatórias pagas à recorrente oriundas da parcela combustível e depreciação do veículo e juros incidentes sobre esta rubrica, sob o fundamento de que a suposta omissão se refere a quantia pela recorrente da indenização do veículo e juros. Nesse sentido colacionou jurisprudência do TRF da 4º Região. Aduz que as despesas de combustível e demais despesas com o desgaste do veículo custeadas pelo empregado não se trata de acréscimo de patrimônio, mas sim reposição de valores, recomposição do patrimônio perdido pela recorrente e não configura hipóteses de incidência de Imposto de Renda. Alega que o único valor tributável percebido pela recorrente na reclamatória trabalhista é a importância relativa a parcela de horas extras conforme o cálculo da Justiça do Trabalho de R$ 30.539,75, e não a totalidade dos valores ou ainda a importância de R$ 66.539,60, conforme consta descrito no demonstrativo de apuração do Imposto de Renda doc. 18, realizado pelo fiscal da Receita, eis que o imposto de renda não incide sobre a totalidade das verbas recebidas pela recorrente de indenização do veículo e juros sobre a rubrica que importou em R$ 40.867,00, sem contar com as demais verbas indenizatórias que são isentas. Diz que é injusta a compensação do IRRF da importância retida na fonte de R$ 17.643,29, com o imposto de renda sobre a totalidade dos proventos percebidos pela autora como apurou o fiscal. Requer a não incidência de IRRF sobre verba indenizatória recebida pela recorrente em ação trabalhista com combustível e desgaste de veículo de propriedade da contribuinte e juros incidentes sobre tal rubrica, bem como a não incidência de IRRF sobre a totalidade dos proventos percebidos na reclamatória trabalhista relativo as parcelas e juros, correção monetária, aviso prévio indenizado, FGTS e juros incidentes. Diz ainda, que é indevida a compensação dos valores do IRRF já retidos na reclamatória trabalhista com o IRRF apurado pelo fiscal sobre a totalidade de proventos percebidos pela recorrente, e por fim requer a restituição do IRRF a que diz ter direito em receber e restituir a recorrente, eis que sobre as verbas indenizatórias recebidas na reclamatória trabalhista incide IR sobre as horas extras pagas, sendo as demais parcelas pagas a autora isentas. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15249.000854/200816 Acórdão n.º 2102002.997 S2C1T2 Fl. 305 5 O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Preliminarmente, cabe consignar que o 13° salário, denominado pela contribuinte como "indenizado", gratificação semestral, férias vencidas e férias indenizadas, não foram objeto do presente recurso, limitandose a contribuinte tão somente a requerer “a não incidência de IRRF sobre verba indenizatória recebida pela recorrente em ação trabalhista com combustível e desgaste de veículo de propriedade da contribuinte e juros incidentes sobre tal rubrica, bem como a não incidência de IRRF sobre a totalidade dos proventos percebidos na reclamatória trabalhista relativo as parcelas e juros, correção monetária, aviso prévio indenizado, FGTS e juros incidentes”. Portanto, o crédito tributário quanto as parcelas supracitadas restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal. In verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” No mérito, compulsando os autos, ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que não assiste razão os fundamentos da Recorrente no que tange as parcelas isentas do Imposto de Renda, conforme será exposto a seguir. Como bem consignou a decisão a quo, a fiscalização informou à fl. 10, que do montante recebido pela autuada foram excluídas as parcelas relativas ao aviso prévio, FGTS e juros correspondentes, não havendo justificativa para a inconformidade da Recorrente. No que concerne a parcela denominada "indenização despesas e depreciação com veículo", também ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que no Regulamento do Imposto de Renda (art. 39) não há previsão para isenção de tais parcelas. Por pertinente, cabe transcrever o art. 38, do RIR: "Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei n 7.713, de 1988. art. 3º, §4º." Assim, não há como acolher o pleito da contribuinte no sentido da não incidência do Imposto de Renda sobre tal rubrica. Sobre o tema da tributação dos juros de mora recebidos em sede de reclamatória trabalhista, vale ressaltar que este Conselho vinha se manifestando no sentido de que os juros de mora calculados em ação judicial seguem a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis “os juros Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis”. Todavia, o Superior Tribunal de Justiça, em sede de Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, que transitou em julgado em 23 de março de 2012, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil CPC, fixou o entendimento de que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Vejamos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (Relator: Ministro Cesar Asfor Rocha) No seu voto, o Ministro Relator pontuou que a “expressão ‘contexto de rescisão de contrato de trabalho’ dispensa explicação, tendo em vista que o art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/1988, [...] isenta do imposto de renda ‘a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho’”. Sendo assim, ficou reconhecida a isenção relativa a juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas postuladas em reclamação trabalhista, pagos na ocorrência de término do contrato de trabalho. No entanto, restou não esclarecido o entendimento sobre quais situações estariam abrangidas na expressão “despedida ou rescisão de contrato de trabalho”. Tal entendimento foi externado posteriormente, quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campell Marques. Vejamos a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15249.000854/200816 Acórdão n.º 2102002.997 S2C1T2 Fl. 306 7 ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item "3", subsistindo a isenção decorrente do item "4" exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n.8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: · Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; · Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; · Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta)= Incide imposto de renda; · Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; · Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); · Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (grifei) Com tal decisão, ficou definido o alcance do acórdão proferido no REsp no 1.227.133RS, que não é amplo, mas sim restrito às situações de perda do emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora da do campo de incidência do imposto sobre a renda. Confirmando essa linha interpretativa, o STJ publicou, em 23 de outubro de 2012 (às 10:09 horas), em sua “Sala de Notícias” (www.stj.gov.br), nota intitulada “Primeira Seção esclarece parâmetros para incidência de IR sobre juros de mora”, na qual se lê: “A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu entendimento sobre tema repetidamente submetido aos tribunais: o Imposto de Renda, em regra, incide sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista. Os juros só são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora da do campo de incidência do IR (regra do acessório segue o principal). O julgamento, apesar de não ter se dado no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, fixou interpretação para o precedente em recurso representativo da controvérsia REsp. 1.227.133, a fim de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15249.000854/200816 Acórdão n.º 2102002.997 S2C1T2 Fl. 307 9 orientar os tribunais de segunda instância no tratamento dos recursos que abordam o mesmo tema. [...]” (grifei) Com base no exposto, concluímos que o posicionamento do STJ é no sentido de que a regra é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos pelo contribuinte, inclusive aqueles auferidos em sede de reclamatória trabalhista. Não se sujeitam ao imposto somente os juros recebidos quando o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora da do campo de incidência do imposto sobre a renda. Só nessas hipóteses os juros de mora seriam não tributáveis. No presente caso, tratase de ação trabalhista ajuizada pelo recorrente contra o UNIBANCO, em circunstância de perda de emprego, haja vista ter ficado demonstrado nos autos, fls. 14/16. Da análise dos autos, verificase que o valor do FGTS e respectivos juros já foram excluídos pelo fiscal, conforme consta em fl. 10, e inclusive, também foram excluídos do cálculo, o aviso prévio no valor de R$ 682,90 e os juros sobre tal rubrica no valor de R$ 753,96. Portanto, conforme se depreende do Resumo de Pagamento da Ação Trabalhista em fl. 176, os juros sobre o principal que somam o valor de R$ 61.300,55, excetuado o valor do FGTS que tem cálculo próprio, e considerando que daquele montante o fiscal excluiu da tributação R$ 753,96 relativo ao juros do aviso prévio, cabe excluir para fins do cálculo do imposto de renda o valor de R$ 60.546,59, que equivale ao valor total dos juros, ou seja, R$ 61.300,55, diminuído o valor de R$ 753,96, que repiso, já foi excluído pelo fiscal. Assim, terá que ser recalculada a Declaração de Ajuste Anual, excluindose a parcela relativa aos juros no valor de R$ 60.546,59. Finalmente, no que concerne a multa de ofício, não há qualquer alteração a ser feita, visto que foi aplicada em estrita obediência aos fundamentos legais descritos à fl. 12 do Notificação de Lançamento "demonstrativo de apuração multa de ofício e dos juros de mora", quais sejam, art. 44, inciso I e § 3º, da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para excluir da tributação o valor de R$ 60.546,59, relativo ao juros de mora sobre o principal, recebidos em sede de reclamatória trabalhista, na perda de emprego. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 311DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10830.720119/2006-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que sejam apreciados os documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que sejam apreciados os documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 11 9/ 20 06 -8 7 Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.720119/200687 Resolução nº 1402000.279 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: 0 presente processo foi formalizado para analisar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, que originou o crédito levado à compensação nas Dcomp de n°s 36170.97348.050504.1.3.026790 e 12146.59272.150904.1.3.021043, apresentadas em 05/05/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Em virtude das declarações retificadoras apresentadas em 13/04/2006 e 18/04/2006, respectivamente as fls. 135/139 (42466.94391.130406.1.7.028710) e 140/144 (32959.58069.180406.1.7.026881), alterouse o crédito informado na Dcomp 36170.97348.050504.1.3.026790, para saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, no valor de R$2.827.351,68, sendo este o objeto da análise procedida. As Dcomp vinculadas àquela de nº 36170.97348.050504.1.3.026790 também foram objeto de retificação. O presente processo controla, portanto, os débitos constantes nestas declarações retificadoras, à exceção do débito constante da Dcomp n° 12146.59272.150904.1.3.021043, o qual permanece controlado nos autos do processo 10830.007902/200147 (auto de infração). Conforme Despacho Decisório de fls. 628/630, foi deferido em parte o direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido (R$1.798.116,58), face alteração dos valores informados na DIPJ/2004 a titulo de rendimentos tributáveis ("Outras Receitas Financeiras") e de imposto de renda mensal pago por estimativa. Vejamse os seguintes excertos da decisão: [....]Cientificada em 02/02/2007, sextafeira (AR de fls. 667), a contribuinte interpôs, em 05/03/2007, manifestação de inconformidade de fls. 668/671, acompanhada de documentos de fls. 672/727. Após breve resumo dos fatos, justifica as diferenças apontadas pela fiscalização. Argúi que a estimativa de jan/2003, no valor de R$173.976,71, foi extinta mediante pagamento (R$125.905,72) e compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 (R$48.070,99 — documento I). Esclarece que referido problema já havia sido apontado pela RFB, conforme Termo de Intimação n° 2, para o qual foi oferecida a resposta constante da carta n° 5040/05/2007, em anexo (documento II). Quanto ao valor dos rendimentos tributáveis, acusa que a diferença constatada, de R$4.039.802,91, já havia sido oferecida à tributação em anos anteriores pelo regime de competência. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.720119/200687 Resolução nº 1402000.279 S1C4T2 Fl. 4 3 Explica que as aplicações financeiras são registradas ao custo de aquisição, acrescidos dos rendimentos auferidos até a data do balanço, ou valor da cota de fundo de investimento. E continua, em suas palavras: "Segue embasamento legal que comprova a forma correta que a Fundação CPqD vem promovendo suas contabilizações (Lei n° 6.404/76 e oferecendo a tributação Decreto n°3.000/99). As receitas decorrentes de aplicação financeira são registradas na contabilidade pelo regime de competência, ou seja, qualquer aplicação financeira será oferecida à tributação pela apuração do Lucro Liquido pelo prazo de aplicação e não pelo resgate que é o fato gerador do imposto de renda. O informe de rendimento se baseia no resgate que é o fato gerador do imposto de renda retido na fonte, RIR/99, arts. 729, 730 e 770; IN SRF n° 25/01, arts. 17, 18 e 35, parag. 3°; RIR199 arts. 734, parag. 1° e 759 e RIR199, arts. 719 e 770. Se compararmos o montante registrado na contabilidade e oferecido tributação pela apuração do Lucro Real dos últimos tray anos, do ano de 2001 a 2003, é de R$41.703.412,32, conforme relatórios documento III e IV, e está com o mesmo valor informado na Demonstração de Resultado da DIPJ de cada ano respectivo, verificar documento VII e VIII. Os informes de Rendimentos referentes ao mesmo período têm um montante de R$ 14.254.681,74, documento V e documento VI, sendo inferior ao valor oferecido como receita de aplicação financeira na Declaração de Imposto de Renda de cada ano respectivo, documento VII e VIII. Sendo assim, oferecemos a receita um valor superior ao período analisado no valor de R$448.730,58." Acrescenta que a determinação do Lucro Real foi precedida da apuração do Lucro Liquido com observância das disposições das leis comerciais, Lei no 8.981, de 1995, art. 37, § 10, e DecretoLei no 1.598, de 1977, arts. 11 e 17. E que a legislação comercial determina obediência aos princípios contábeis geralmente aceitos devendo observar métodos e critérios contábeis uniformes no tempo e seguindo o Regime de Competência, Lei n° 6.404, de 1976, art. 177, § 1°. Reforça que o principio contábil da competência está de acordo com os princípios contábeis, Resolução CFC no 774, de 1994, art. 9°. Encerra protestando que seja acolhida a manifestação de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP prolatou o Acórdão nº 0521.994, negando provimento à manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório em sua integralidade. Cientificado, o sujeito passivo recorre a este colegiado ratificando as razões expedidas na manifestação de inconformidade no que se refere à apropriação em períodos anteriores da diferença de receitas financeiras apurada pelo Fisco. Acrescentou que, mesmo superada essa questão, ainda assim teria ocorrido apenas postergação. É o Relatório. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.720119/200687 Resolução nº 1402000.279 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Na peça recursal, a interessada reitera os argumentos no sentido de que a diferença de receitas financeiras (R$ 4.039.802,91) supostamente não apropriada e, por conseqüência, acrescentada pelo Fisco na apuração do resultado, foi oferecida à tributação em períodos anteriores. Foi trazida aos autos extensa documentação que demonstraria o alegado. Tais elementos não foram apreciados pela autoridade que prolatou o despacho decisório nem tampouco pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Como a análise dos autos envolve fundamentalmente um juízo de valoração probante, penso que não se pode prescindir do exame de documentos que acompanham as razões de defesa, ainda que apresentados apenas em sede recursal. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Unidade Local designe servidor para examinar os documentos trazidos aos autos e verificar se demonstram a apropriação da diferença de receita financeira no valor de R$ 4.039.802,91 em períodos anteriores a 2003, nos moldes alegados. O servidor responsável pelo procedimento poderá, se entender necessário, requerer ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimentos complementares. Finda a diligência, o relatório dela decorrente será cientificado à interessada com prazo para manifestação, retornando os autos em seguida ao CARF para retomada do julgamento. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10783.723544/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 382 1 381 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.723544/201106 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.428 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2014 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE PRO MATRE DE VITÓRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 23 54 4/ 20 11 -0 6 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10783.723544/201106 Resolução nº 2402000.428 S2C4T2 Fl. 383 2 Relatório Tratase de autuação resultante nos DEBCADs n° 37.347.4253 (contribuições a cargo da empresa) e 37.347.4261 (terceiros), lavrados em virtude do não recolhimento de valores devidos à Seguridade Social referentes à parte da empresa e terceiros, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, no período de 08/2006 a 08/2008. A ação fiscalizatória resultou também na lavratura do DEBCAD n° 37.309.262 8, por descumprimento de obrigação acessória. De acordo com o Relatório Fiscal, “A autuada é uma entidade isenta das contribuições previdenciárias patronais e aos terceiros citadas nos itens anteriores. Ocorre que, foi lavrada contra a mesma Informação Fiscal com proposta de cancelamento do reconhecimento da isenção em virtude de descumprimento do inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91 vigente à época da lavratura da IF (processo n° 15586.000674/200994). A citada IF com proposta de cancelamento da isenção ainda pende de decisão definitiva no âmbito administrativo. [...]”. Ainda de acordo com o REFISC, a autuação se deu porque a entidade autuada realizou cessão onerosa de mãodeobra e, nos termos de Parecer emitido pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, descumpriu um dos requisitos exigidos no inciso III do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. A fiscalização menciona também que face as alterações da legislação previdenciária pela Lei n° 11.941/09 e tendo em vista o disposto no artigo 106, II, alínea ‘c’ do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte por competência. A Recorrente foi cientificada da autuação e apresentou impugnação total às fls. 159/174 que, às fls. 316/328 foi julgada improcedente sob os seguintes fundamentos: A análise do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da imunidade deve observar a legislação vigente no momento do fato gerador e, portanto, o caso em exame é regido pelo disposto no art. 55 da Lei n° 8.212/91; Quando da lavratura da Informação Fiscal (COMPROT 15586.000674/2009 94), que propôs o cancelamento da isenção, o artigo 55 da Lei n° 8.212/91 estava vigente e, portanto, a constituição do crédito dependia de prévio cancelamento da condição de entidade imune. Entretanto, com o advento da lei n° 12.101/09, caso a fiscalização verificasse que a entidade deixara de cumprir os requisitos para manutenção da imunidade, deveria lavrar diretamente o auto de infração; Conforme parecer CJ 3272/04, as entidades de assistência social que realizam cessão de mão de obra sem observância dos critérios ali citados poderiam ter cancelada (hoje, suspensa) sua isenção, por motivo de desvirtuamento de sua natureza assistencial, descumprindo o inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91; Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10783.723544/201106 Resolução nº 2402000.428 S2C4T2 Fl. 384 3 As decisões judiciais, ainda que reiteradas,não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil e nem as disposições administrativas trazidas à colação pela defesa. Intimado do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 335/375, alegando, em síntese: Os autos de infração sob análise foram lavrados antes da decisão de cancelamento da isenção de contribuições previdenciárias a ser proferida no COMPROT n° 15586.000674/200994; Não está constatado que a Recorrente não possa gozar da imunidade na medida em que não houve julgamento definitivo do caso; Não houve contratação de cessão de mãodeobra e sim de prestação de serviços; Todas as exigências legais foram cumpridas pelo Recorrente. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10783.723544/201106 Resolução nº 2402000.428 S2C4T2 Fl. 385 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Prejudicial Tratase de autuação por descumprimento, pela Recorrente, de requisitos impostos pela legislação vigente à época dos fatos geradores para gozo de imunidade tributária concedida nos termos do art. 195, § 7°, da Constituição Federal. Conforme informações da fiscalização, foi emitida informação fiscal à Recorrente propondo o cancelamento da imunidade. A referida IF está pendente de julgamento sob o COMPROT n° 15586.000674/200994, ainda em sede de primeira instância administrativa. O resultado do processo administrativo sob análise está diretamente condicionado à decisão definitiva proferida naqueles autos, não podendo este julgador concluir pela procedência ou não da autuação ora apreciada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. É o voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16682.720889/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
Consolidada em 26/11/2012
AI nº 51.031.1156; AI nº 51.031.1164; AI nº 51.031.1172; AI nº 51.031.1180; AI nº 51.031.1199; AI nº 51.031.1202; AI nº 51.031.1210; AI nº 51.031.1229; AI nº 51.031.1237,
ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARTE PATRONAL. AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO E DE DIREITO ADQUIRIDO.
Há o contribuinte de requerer junto à Previdência Social a sua isenção para fazer jus.
No caso em tela há nos autos alegações, por parte da Recorrente, que ela acode os pressupostos e requisitos para fazer jus a isenção da cota patronal sem que junte os certificados exigidos por lei.
MULTA.
Havendo inexatidão de declaração ou falta de pagamento e de declaração há de ser mantida a multa aplicada, conforme relatório fiscal, no que reza o artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não tem competência para analisar inconstitucionalidade e ou ilegalidade, sendo matéria já sumulada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 Consolidada em 26/11/2012 AI nº 51.031.1156; AI nº 51.031.1164; AI nº 51.031.1172; AI nº 51.031.1180; AI nº 51.031.1199; AI nº 51.031.1202; AI nº 51.031.1210; AI nº 51.031.1229; AI nº 51.031.1237, ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARTE PATRONAL. AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO E DE DIREITO ADQUIRIDO. Há o contribuinte de requerer junto à Previdência Social a sua isenção para fazer jus. No caso em tela há nos autos alegações, por parte da Recorrente, que ela acode os pressupostos e requisitos para fazer jus a isenção da cota patronal sem que junte os certificados exigidos por lei. MULTA. Havendo inexatidão de declaração ou falta de pagamento e de declaração há de ser mantida a multa aplicada, conforme relatório fiscal, no que reza o artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não tem competência para analisar inconstitucionalidade e ou ilegalidade, sendo matéria já sumulada. Recurso Voluntário Negado
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AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO E DE DIREITO ADQUIRIDO. Há o contribuinte de requerer junto à Previdência Social a sua isenção para fazer jus. No caso em tela há nos autos alegações, por parte da Recorrente, que ela acode os pressupostos e requisitos para fazer jus a isenção da cota patronal sem que junte os certificados exigidos por lei. MULTA. Havendo inexatidão de declaração ou falta de pagamento e de declaração há de ser mantida a multa aplicada, conforme relatório fiscal, no que reza o artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não tem competência para analisar inconstitucionalidade e ou ilegalidade, sendo matéria já sumulada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 89 /2 01 2- 03 Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16682.720889/201203 Acórdão n.º 2301004.118 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Lançamento substanciado em 9 (nove) Autos de Infração em desfavor da Recorrente, referente a contribuições previdenciárias da i) parte patronal, ii) da parte dos segurados, iii) aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, iv) e a outras entidades e fundos. Sendo os AI’s assim manejados: 1. AI nº 51.031.1156 referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidente sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, e que foram declarados em GFIP no código 639, destinado a entidades beneficentes de assistência social, acrescido de juros e multa; 2. AI nº 51.031.1164 referente a contribuições a cargo da empresa, destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados, que foram declaradas em GFIP no código 639 destinado a entidades beneficentes de assistência social, acrescido de juros e multa; 3. AI nº 51.031.1172 referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, declaradas em contabilidade, mas que não constam nas folhas de pagamento e nas GFIP, acrescida de juros e multa; 4. AI nº 51.031.1180 referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais, acrescido de juros e multa, declarados em contabilidade, mas não informados em FP e GFIP; 5. AI nº 51.031.1199 referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidente sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, constantes de folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, acrescido de juros e multa; 6. AI nº 51.031.1202 referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados e que não foram declarados em GFIP, acrescido de juros e multa; 7. AI nº 51.031.1210 referente às contribuições descontadas, a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas em FP e não declaradas em GFIP, acrescido de juros e multa; Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 8. AI nº 51.031.1229 referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, declaradas em DIRF, mas não localizadas em contabilidade e que não foram declaradas em folhas de pagamento e em GFIP, acrescido de juros e multa. 9. AI nº 51.031.1237 referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais, declarados em DIRF, não localizados em contabilidade e não declarados em FP e GFIP, acrescido de juros e multa. Os fatos geradores de contribuições não considerados pela empresa e que foram lançados durante a ação fiscal são os valores informados nas folhas de pagamento – FP e não informados na GFIP, ou foram declarados na GFIP com código FPAS 639 (destinado a entidades beneficentes de assistência social). A Recorrente se autoenquadra como isento das contribuições sociais devidas à Seguridade Social, declarando em GFIP o código FPAS 639, quando o correto seria o código FPAS 574 (estabelecimento de ensino). E, também não consta nos registros da RFB como isenta de contribuições previdenciárias. Ciente do lançamento apresentou a peça impugnatória para o AI nº 51.031.1156, com seus argumentos, cujos quais não foram suficientes para alterarem a autuação. Em 13 de junho de 2013 tomou conhecimento da decisão de piso e no dia 15 de julho aviou o presente remédio recursivo com suas argumentações. Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16682.720889/201203 Acórdão n.º 2301004.118 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, inclusive decadência, onde o trintídio venceu num sábado e a Recorrente aviou o presente remédio no primeiro dia útil seguinte, razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila. A síntese do presente remédio recursivo são as alegações: 1. Que desde 1971 possui o reconhecimento de entidade filantrópica certificado pelo CNSS; 2. Que a Recorrente é mantenedora de várias instituições de ensino; 3. Que existe a mais de um século; 4. Sempre sua atividade foi voltada exclusivamente ao ensino; 5. Que não objetiva lucro; 6. Que não remunera seus diretores; 7. Que pratica ensino gratuito aos mais necessitados; 8. Que não distribui lucros aos sócios; 9. Que seu lucro é aplicado no Brasil, exclusivamente; 10. Que é reconhecida com entidade de utilidade pública; 11. Que foi reconhecida entidade filantrópica pelo CNSS através do processo sob nº 10.610/67; 12. Que em 1975 o certificado de entidade de fim filantrópico foi considerado definitivo; 13. Que para ter direito à imunidade/isenção, basta ter o CEBAS; 14. Diz ser indevida a multa. Desta forma, a síntese da testilha é a ausência do direito a isenção, onde alega a tese da defesa que ela sempre esteve no estrito cumprimento da lei de regência e de todas as normas aplicáveis às entidades beneficentes isentas da contribuição previdenciária, devendo, portanto, ser assim considerada, motivo pelo qual há de ser reformada a decisão de piso para julgar improcedentes os autos de infração autuados. Entretanto, a interpretação fria da lei, não nos diz da mesma forma. Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 Rezava o artigo 55 da Lei 8.212/91, que vigia na época da ocorrência dos fatos que geraram os lançamentos. ‘In verbis’: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social renovado a cada três anos; III promova,gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social/INSS,que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (DN) Dizem os latinos que na clareza da lei cessa sua interpretação. E, neste sentido, o §1º do art. 55, supramencionado, reza i) que isenção fosse requerida, ii) mas que seria dispensada do requerimento as entidades beneficentes de assistência social com “direito adquirido”. Desta forma, as entidades que em 24/07/1991, data da Lei 8.212/91, estavam em gozo da isenção prevista no DecretoLei nº 1.572/77. Nos autos ficou copiosamente demonstrado que a Recorrente não requereu a isenção, nos moldes do artigo 55 da Lei 8.212/91. Então, deveria ela comprovar que não providenciou o requerimento, porque era detentora do direito adquirido. Todavia, não logrou êxito, eis que a Recorrente não comprovou a posse do título de utilidade pública federal, na data da publicação do DecretoLei nº 1.572/1977, trazendo à baila, meras alegações. Quanto a multa, insurgese contra o valor lançado, alegando ser contra o princípio da moralidade, legalidade, afigurandose como verdadeiro confisco. Entretanto, não comporta na esfera administrativa tal irresignação, sendo, inclusive sumulado por esta Corte a incompetência para analise de pedido de inconstitucionalidade e ou ilegalidade. Todavia, como comprovado está a falta de pagamento, de declaração e inexista declaração, tenho que a multa aplicada deve ser mantida, ou seja a do artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16682.720889/201203 Acórdão n.º 2301004.118 S2C3T1 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso Voluntário aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 13888.904220/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-002.507
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Gomes
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator).
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 20 /2 00 9- 64 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 108 2 (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). Relatório A controvérsia envolvendo o presente processo foi assim resumida ela DRJ de Ribeirão Preto: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensações declaradas por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração de 31/08/2003, sobre vendas realizadas A Zona Franca de Manaus. A declaração de compensação apresentada baseiase no entendimento da requerente de que as vendas A Zona Franca de Manaus (ZFM) naquele período estavam isentas dessas contribuições e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. A DRF de Piracicaba, SP, por meio de despacho decisório de fl. 20, não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. 0 art. 40 do DecretoLei (DL) n" 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as exportações As vendas A ZFM e que, com o advento da Constituição de 1988, esse decretolei foi recepcionado e incorporado pelo ordenamento jurídico vigente pelo art. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). II. As normas editadas com o fim de restringir a isenção e, depois, a imunidade do PIS e da Cofins, relativamente As remessas para a Zona Franca de Manaus — qual seja, a Lei 9.004/95, que alterou o art. 5° da Lei n° 7.714/88, o Decreto n° 1030, de 1993, a MP n° 18586, de 1999, a MP n°2.03724, de 2000 e a Lei n° 10.996, de 2004 —também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o art. 4° do DL 288/67 e os artigos 40 e 92 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 109 3 da ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação. Ill. 0 Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn n' 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n" 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, na reedição da MP n" 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 a exclusão de isenção foi retirada do texto legal, de modo que as vendas A ZFM tornaramse isentas dessas contribuições, sendo esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. IV. Ante o exposto, requer o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, isentas de tais exações. Requer também a homologação das compensações de todos os débitos declarados pela empresa, excluindose multa e juros indevidamente considerados no demonstrativo apresentado junto à decisão em análise e a conexão de processos similares da mesma empresa, para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria. A decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Data do fato gerador: 31/08/2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. Sao isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei n° 1.248, de 1972, destinadas ao fim especifico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas as demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 110 4 Contra esta decisão foi interposto Recurso Voluntário que reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade já destacados acima. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito seria decorrente de operações de venda para a Zona Franca de Manaus. O Decreto 288/67 define a Zona Franca de Manaus como sendo “uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatôres locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos. Seguindo com o objeto principal da Lei de desenvolver aquela regisção da Amazônia, entendeuse por bem equiparar à exportação as operações realizadas com a ZFM, como se vê do art. 4º do Decreto Lei nº 288/67: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. O tratamente diferenciado permaneceu em vigor, mesmo com o advento da Constituição Federal de 1988, uma vez que Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, assim estabeleceu: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A Constituição Federal de 1988, por sua vez, determinou que as constribuiçoes sociais não incidem sobre as receitas de exportação, nos seguintes termos: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 111 5 instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação Assim, as operações realizadas com empresas sediadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para todos os efeitos legais e, portanto fora da incidência do PIS e da COFINS. Contudo, a legislação infraconstitucional tratou de impor limitações ao disposto no Decreto Lei nº 288/67 e passou a impedir expressamente a exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. Em relação a COFINS, o Decreto 1.030/93 tratou da questão nos seguintes termos: "Art. 1°. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), instituída pelo art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as recitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas; I — vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Area de Livre Comércio" No âmbito do PIS, observo que a Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e suas reedições, resultaram na edição da Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que deu nova redação ao artigo 5º da Lei nº 7.714 de 1988, disciplinando que o direito à exclusão das receitas de exportações da base de cálculo da contribuição para o PIS não se aplicava às vendas efetuadas “a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus”. Referido tratamento restritivo foi mantido pela Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995 e reedições, que restou convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1988. Neste meio tempo houve a edição da Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a Lei Complementar nº 07, de 1970, assim como a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, mas essas não trataram especificamente da exclusão da base de cálculo ou da isenção do PIS nessas operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 112 6 Foi então editada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que determinava em seu artigo 14, inciso II e § 1º, transcritos a seguir, que as receitas das vendas ao exterior estariam isentas das contribuições, mas que a referida isenção não alcançava as operações destinadas à Zona Franca de Manaus: Art. 14 – Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II – de exportação de mercadorias para o exterior; § 1º – São isentas das contribuições para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2 º – As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou área de livre comércio; A mesma redação foi repetida quando da reedição da mesma Medida Provisória nº 2.03723, que dispôs: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 113 7 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) Com base nessas prescrições legislativas podiase chegar à conclusão inicial de que a legislação ordinária específica das contribuições não assegurou, como defende a Recorrente, o direito à exclusão da base de calculo ou à isenção da contribuição do PIS e da COFINS. Pelo contrário, a legislação rechaçou expressamente a pretensão ao considerar que as operações destinadas à Zona Franca de Manaus não seriam agraciadas pelos benefícios concedidos às demais espécies de exportações. Para chegar à conclusão diversa seria indispensável que este julgador administrativo analisasse a constitucionalidade da expressão “estabelecida na Zona Franca de Manaus” diante da regra do artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais e Transitórias e do artigo 4°, do Decreto Lei n° 288/67 e declarasse sua incompatibilidade com o texto maior. Entretanto, considerando as limitações previstas no art. 62 do Refgimento Interno do CARF, é vedado ao julgador afastar dispositivo de lei ou decreto em vigor por inconstitucionalidade. Contudo, com o advento da Medida Provisória nº 2.158/01 a expressão “estabelecida na Zona Franca de Manaus” deixou de constar expressamente do art. 14, § 2º, inciso I, tendo recebido a redação que abaixo transcrevo: Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 114 8 III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: Ia empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Não havendo mais a restrição imposta anteriormente às operações realizadas com a ZFM, aplicável ao presente caso a isenção prevista no inciso II, do art. 14 da MP nº 2.15835 de 2001, posto que o pedido de restituição envolve pagamentos posteriores a janeiro de 2001. Também aplicável ao caso o que prescreve Lei nº 7.714/88 com a redação dada pela 9.004/95: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei n.º 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 115 9 de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Também a Lei n.º 10.637/2002, normatiza: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Já em relação à COFINS, a Lei Complementar n.º 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar n.º 85/96, determina que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Neste sentido também é a jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro segundo disposto no Decretolei 288/67. Tendo o artigo 40 do ADCT mantido as características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e, ainda, considerando que a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 149, § 2º, I, da Constituição Federal, enquanto não alterado ou revogado o artigo 4º do DL nº 288/67, sobre elas não incide o PIS e a COFINS. (Acórdão 3801002.026. Processo nº 11065.915446/200949. Sessão de 20 de agosto de 2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03725 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de dezembro de 2000 em diante. (Acórdão nº 3401 002.242.Processo nº 10860.901135/200883.Sessão de 21/05/13) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 116 10 Também no judiciário a posição aqui externada tem prevalecido, como vemos da posição pacificado no âmbito do STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4o. DO DL 288/67). PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo exegese do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas. 2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. ( STJ. 1ª Turma. AgRg no Ag 1420880 / PE. Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. DJe 12/06/2013) E ainda: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 117 11 Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007) 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (STJ. 2ª Turma. REsp 817847 / SC Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 25/10/10) Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a não incidência da COFINS nas operações efetuadas com destino à Zona Franca de Manaus, devendo a autoridade fiscal analisar o crédito alegado, se de fato é relativo a operações com a Zona Franca de Manaus e se são suficientes para a compensação pleiteada, para então homologala até o limite do credito reconhecido. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à não incidência de PIS/Pasep e de Cofins sobre as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Preliminarmente, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instancia, sob o fundamento de que o colegiado não teria enfrentado o principal argumento defendido pela recorrente (de que as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus possuem o mesmo tratamento conferido às exportações para o exterior) e que teria mantido a cobrança de supostos débitos de PIS e Cofins, sob o argumento de que no âmbito administrativo não seria possível a autoridade fiscal analisar a alegação da recorrente acerca da inconstitucionalidade da norma. Entretanto, em sua impugnação, alegou, em diversos trechos, ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos legais que vedavam a aplicação da isenção às vendas efetuadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, inclusive da norma que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, como no excerto abaixo: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 118 12 “Também vale enfatizar, que as normas editadas com o fim de restringir a isenção aqui defendida e, depois, a imunidade do PIS e da COFINS, relativamente às remessas para a Zona Franca de Manaus, também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o artigo 4°, do DL 288/67 e os artigos 40 e agora 92 do ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação (envolvendo remessas para a ZFM), utilizado pela Constituição Federal (art. 40 do ADCT) para limitar a competência tributária da União, dos Estados e do Distrito Federal, isto em afronta ao comando do artigo 110 do Código Tributário Nacional. ... Esta última norma, inclusive, muito embora tenha fixado, a partir de 1°/08/2004, uma alíquota O (zero) da contribuição ao PIS e da COFINS, tem efeitos nefastos para todas as empresas que, como a Manifestante, praticam vendas para a Zona Franca de Manaus, e estão inseridas na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Em primeiro, porque frauda a garantia da imunidade constitucional inserida pela EC n° 33/2001 e possibilita a quem "tem a competência de tributar à alíquota zero" também possa, de uma hora para outra, sem o atendimento ao princípio da anterioridade, elevar a alíquota das contribuições ao PIS e COFINS. Estáse tributando (hoje com alíquota zero) aquilo que nunca poderia ser tributado. ... Destarte, a partir da promulgação da EC 33/2001, por força do artigo 149 da Constituição Federal, que veio determinar que as contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, não há mais que se falar em isenção, mas sim em imunidade tributária. Logo, qualquer Lei ou ato normativo inferior que venha a dispor sobre base de cálculo ou mesmo cuidar de isenção sobre as receitas oriundas de vendas para Zona Franca de Manaus, está incorrendo em inconstitucionalidade, pois tais receitas estão fora do campo de incidência tributária, nos termos da Constituição Federal de 1988” Não há reparos a fazer na decisão de primeira instância, pois ao julgador administrativo é vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação a determinadas hipóteses, a teor do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido no art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011 e no próprio Regimento deste Conselho em seus artigos 62 e 62A1, tendo inclusive tal matéria sido objeto de publicação da Súmula CARF nº 2: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 119 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à segunda alegação, o voto condutor do acórdão da DRJ consignou expressamente que o argumento da equiparação promovida pelo art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, não deveria prosperar pela própria inteligência do dispositivo e utilizou os fundamentos e conclusão da Solução de Divergência Cosit nº 23, de 2002, para enfrentar tal argumentação. Portanto, afasto as preliminares argüidas. Quanto ao mérito, a recorrente alega, fundamentalmente, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, equiparou as vendas para a Zona Franca de Manaus a uma exportação para o exterior, se aplicando como isenção ao PIS/Pasep e Cofins e, a partir da Emenda Constitucional nº 33, de 2001, como imunidade. Decretolei nº 288, de 1967: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Vide Decretolei nº 340, de 1967) (Vide Lei Complementar nº 4, de 1969) A redação do artigo 4º, de fato, equipara as vendas para a Zona Franca de Manaus a uma exportação para o estrangeiro. Entretanto, o faz para os efeitos fiscais da legislação em vigor, ou seja, não alcançaria tributos instituídos posteriormente a esta lei, de forma automática. A interpretação da isenção segue os ditames dos artigos 111 e 177 do CTN, que assim dispõem: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 120 14 ... Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. A exegese dos dois artigos impede a aplicação extensiva da equiparação trazida pelo Decretolei nº 288, de 1967, a tributos que sequer haviam sido instituídos quando de sua publicação. O objetivo é garantir a isonomia e legalidade tributárias, vez que a regra geral é a tributação de todos os fatos que se subsumem à hipótese de incidência, enquanto a regra de isenção tem sua aplicação restrita ao comando legal de modo a evitar a aplicação extensiva ou analógica a situações de desoneração não expressamente previstas, em razão do caráter de excepcionalidade da norma isentiva. Por sua vez, a Constituição Federal de 1988 determina que as isenções devem ser criadas por lei específica que as regule, ou seja, reafirmando o caráter de excepcionalidade da exclusão do crédito tributário: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias assegurada aos contribuintes, é vedado à União, aos Estado, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6o Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. (Grifouse) Neste sentido, citase Regina Helena Costa2: “Ao determinar, nesse dispositivo, que a interpretação de normas relativas à suspensão ou exclusão do crédito tributário, à outorga de isenção e à dispensa do cumprimento de obrigações acessórias seja “literal”, o legislador provavelmente quis significar “não extensiva”, vale dizer, sem alargamento de seus comandos, uma vez que o padrão em nosso sistema é a 2 COSTA, Regina Helena, Curso de Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 164, apud PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 14º ed. Livraria do Advogado;ESMAFE, 2012. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 121 15 generalidade da tributação e, também, das obrigações acessórias, sendo taxativas as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e de anistia. Em outras palavras, quis prestigiar os princípios da isonomia e da legalidade tributárias”. O STJ já se manifestou no mesmo sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO FISCAL. EXTENSÃO A CONTRIBUINTE NÃO ALCANÇADO PELA NORMA TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. "É vedado ao Judiciário estender benefício fiscal a terceiro não alcançado pela norma legal que o instituiu." (AgRg no RMS 37.216/RJ,Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, julgado em 19.2.2013, DJe 27.2.2013.) 2. "A concessão de tal vantagem é função atribuída pela Constituição Federal ao legislador, que deve editar lei específica, nos termos do art. 150, § 6. A mesma ratio permeia o art. 111 do CTN, o qual impede que se confira interpretação extensiva em matéria de exoneração fiscal." (AgRg no RMS 35513/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 7.2.2012, DJe 13.4.2012.) Agravo regimental improvido.(AgRg no RMS 37671 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2012/00744588). Destacase no acórdão acima, reprodução de excerto do voto proferido no AgRg no RMS 35513/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 7.2.2012, DJe 13.4.2012: “A concessão de benefício fiscal é função atribuída pela Constituição Federal ao legislador mediante lei específica, nos termos do art. 150, §6º, in verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) A norma revela a preocupação do Constituinte em evitar abusos na concessão de benefícios fiscais – afinal, a regra é o exercício positivo da competência tributária , o que poderia comprometer a arrecadação de recursos públicos, frustrando as promessas do Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 122 16 próprio constituinte e a concretização de direitos fundamentais, sobretudo os de cunho social. Nessa linha, o art. 111 do CTN impede que se confira interpretação extensiva em matéria de exoneração fiscal. Eis o teor do dispositivo: .... Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A jurisprudência deste Tribunal é firme quanto à impossibilidade de se estender um benefício fiscal a terceiro não alcançado pela norma legal. Confiramse:” Mencionase, ainda, o REsp 1.116.620/BA, Recurso Especial 2009/0006826 7: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ART. 6º DA LEI 7.713/88 COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. ROL TAXATIVO. ART. 111 DO CTN. VEDAÇÃO À INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 1. A concessão de isenções reclama a edição de lei formal, no afã de verificarse o cumprimento de todos os requisitos estabelecidos para o gozo do favor fiscal. 2. O conteúdo normativo do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com as alterações promovidas pela Lei 11.052/2004, é explícito em conceder o benefício fiscal em favor dos aposentados portadores das seguintes moléstias graves: moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Por conseguinte, o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus clausus), vale dizer, restringe a concessão de isenção às situações nele enumeradas. 3. Consectariamente, revelase interditada a interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando consolidado entendimento no sentido de ser incabível Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 123 17 interpretação extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN. (Precedente do STF: RE 233652 / DF Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, DJ 18102002. Precedentes do STJ: EDcl no AgRg no REsp 957.455/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 09/06/2010; REsp 1187832/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 17/05/2010; REsp 1035266/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 04/06/2009; AR 4.071/CE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009; REsp 1007031/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/02/2008, Dje 04/03/2009; REsp 819.747/CE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/06/2006, DJ 04/08/2006) 4. In casu, a recorrida é portadora de distonia cervical (patologia neurológica incurável, de causa desconhecida, que se caracteriza por dores e contrações musculares involuntárias fls. 178/179), sendo certo tratarse de moléstia não encartada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a não extensão da isenção a tributos instituídos posteriormente, mencionase o AgRg no REsp 1.434.314/PE, Agravo Regimental no Recurso Especial 2014/00320291: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. LEI Nº 9317/96. SIMPLES. ISENÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Consoante proclamou esta Segunda Turma do STJ, ao julgar o REsp 1.039.325/PR, sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin (Dje 13.3.2009), o fato de as empresas optantes pelo SIMPLES poderem pagar de forma simplificada os tributos listados no art. 3º, § 1º, da Lei 9.317/96 não induz à conclusão de que não se sujeitam a nenhum tributo posteriormente instituído. As isenções só podem ser concedidas mediante lei específica, que regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo (art. 150, § 6º, da Constituição da República). A interpretação extensiva da lei de isenção, para atingir tributos futuramente criados, não se coaduna com o sistema tributário brasileiro. O art. 3º, § 4º, da Lei 9.317/96 deve ser interpretado de forma sistemática com o disposto no art. 150, § 6º, da Constituição e no art. 111 do CTN. As empresas optantes pelo SIMPLES são isentas apenas das contribuições que já haviam sido instituídas pela União na data da vigência da Lei 9.317/1996. Com efeito, firmouse nesta Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 124 18 Corte o entendimento de que não há isenção do PISImportação e da COFINSImportação, na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, porque a Lei 9.317/96 não poderia isentar contribuições que foram criadas por lei posterior, nos termos do artigo 177, II, do CTN, que preceitua que a isenção não é extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Ademais, pela interpretação teleológica da Lei 9.317/96, verifica se que o legislador não demonstrou interesse em isentar tais pessoas jurídicas do pagamento das contribuições que custeiam a Seguridade Social, e, com o advento da Lei Complementar 123/2006, que revogou a Lei 9.317/96, ficou expressa a intenção legislativa de tributar as empresas de pequeno porte e microempresa, mesmo optantes pelo SIMPLES. (grifos não originais). 2. Agravo regimental não provido. Inferese, assim, que a equiparação promovida pelo Decreto nº 288, de 1967, não pode ser compreendida como irrestrita e automática, sob pena de afronta aos artigos 111 e 177 do CTN, pois que não se referiu ao PIS/Pasep e Cofins, dado que tais exações não existiam no ordenamento jurídico. Ressaltese, ainda, que o legislador ordinário não estendeu a equiparação de forma irrestrita a tributos já instituídos à época do decreto, como pode ser verificado no DecretoLei nº 1.435, de 1975, evitando a cumulação com outros incentivos relativos à exportação. Citemse: Decretolei nº 1.435, de 1975: Art 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretosleis nºs 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de " draw back ". Assim, verificase que a equiparação não alcançou outros incentivos à exportação, como os acima mencionados, evidenciando o caráter restritivo da expressão “constantes da legislação em vigor” contida no artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Pontuese que a partir de 22/12/2000, com a exclusão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do §2º do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, cujas reedições culminaram no texto final da MP nº 2.15835, de 2001, a isenção para o PIS/Pasep e Cofins restou assim delineada: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 125 19 III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. A norma isentiva não traz qualquer equiparação das vendas à Zona Franca de Manaus à isenção de exportação para o exterior prevista no inciso II do caput. A interpretação literal do artigo 14 da MP nº 2.15835, de 2001, não permite esta equiparação, vez que esta somente foi efetuada pelo Decretolei nº 288, de 1967, refletindo os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente. À vista do art. 177 do CTN, tal equiparação não pode ser estendida a tributos instituídos posteriormente, como foi o caso do PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 126 20 Por sua vez, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988 manteve a Zona Franca de Manaus e seus incentivos fiscais, nos termos abaixo: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. A redação não cria nova hipótese de isenção nem de imunidade, mas convalida e recepciona o status jurídico da Zona Franca de Manaus e impede que legislação infraconstitucional mitigue a vigência ou a fruição dos incentivos fiscais a ela inerentes. Entretanto, como a equiparação promovida pelo Decretolei não se estende ao PIS/Pasep e Cofins, posto que instituídos após referido decretolei, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal não altera esta condição. Corroborando o exposto, mencionamse acórdãos deste Conselho e do antigo Conselho de Contribuintes: Acórdão nº 20180.247 proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: ... RECEITAS DE VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZFM. ISENÇÃO. É cabível a exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas decorrentes da venda a empresa estabelecida na ZFM a partir de dezembro de 2000, nos termos da Medida Cautelar exarada na ADI nº 2.3489 e da nova redação dada ao art. 14 da Medida Provisória nº 2.03425, de 21 de dezembro de 2000, e suas reedições, nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido art. 14. Acórdão 380300.456 proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2003. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplicase tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo. Acórdão nº 340200.637 proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/06/2004 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO, INCABÍVEL, As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 3303002.507 S3C3T3 Fl. 127 21 apuração: 01/11/2002 a 30/06/2004 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO, INCABÍVEL, As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidos na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a Cofins. Acórdão nº 20400.708 proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes ZONA FRANCA DE MANAUS. Por expressa determinação legal (art. 111 do CTN) as normas que excluem ou suspendem o crédito tributário, ou ainda outorgam isenção, hão de se interpretar literalmente, não podendo o caráter isencional sufragarse em normas genéricas meramente correlatas. Por fim, impõe ressaltar que a partir de 26/07/2004, com vigência da MP nº 202, de 2004, as receitas de vendas destinadas ao consumo e industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus ficaram sujeitas à alíquota zero relativamente à incidência para o PIS/Pasep e Cofins. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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