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Numero do processo: 13984.900114/2008-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
CANCELAMENTO PER/COMP.
A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 CANCELAMENTO PER/COMP. A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 14 /2 00 8- 32 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 60 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04673.04157.210104.1.3.040660 em 21.01.2004, fls. 1117, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$6.670,98 efetuado em 10.03.2003 para compensação com débitos de PIS e de Cofins. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Limite do credito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 6.670,98. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitado de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 05.05.2008, fl. 18, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.06.2008, fls. 0214, com os argumentos a seguir transcritos. 2. Ocorre que o CONTRIBUINTE apresentou a citada PER/DCOMP de n° 08368.28397.210104.1.3.045505, indevidamente, uma vez que este optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES, bem como quitou o respectivo DARF do PA 28/02/2003 hora em questão, através do Banco Caixa Econômica Federal no valor de R$6.670,98 [...], inexistindo desta forma valores a serem compensados bem como motivo para apresentação do referido PER/DCOMP, solicitando Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 61 3 compensação, uma vez que os tributos que ali se pedia compensação, não eram devidos, haja vista, reiteramos a opção pelo SIMPLES pelo CONTRIBUINTE. 3. Sendo assim, vimos informar e pedir o cancelamento da citada PER/DCOMP, bem como seja desconsiderada a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO apresentada, por tratarse apenas um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral, tem para cumprimento com o Fisco. 4. Nesta linha temos o comentário do doutrinador Helio Apoliano, que nos apresenta um ótimo exemplo, que se encaixa perfeitamente no caso presente, nos seguintes termos: "...A luz dos princípios citados, é licito afirmarse que, no exemplo de ocorrência de declaração efetuada de forma incorreta, esta não equivale • ausência de informação, mesmo restando incontroverso, quando o contribuinte esquece de discriminar os pagamentos efetuados, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos...." 5. A citação do Nobre Doutrinador, aplicase integralmente no caso presente com o CONTRIBUINTE. O erro não impede que seja reconhecido o direito. É nestes casos que devem ser aplicados os princípios de razoabilidade e de proporcionalidade. Deverá a Administração Pública se ater aos princípios que norteiam o direito tributário e administrativo, neste caso, deverá se ater aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e legalidade. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros insculpidos nestes princípios, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar, ainda mais, quando no caso presente que fica evidente o não prejuízo ao Fisco, ou o descumprimento de qualquer norma por parte do CONTRIBUINTE, que pudesse impor redução tributária indevida ou qualquer encargo ao Estado. 6. Verificandose pontualmente o caso, veremos que o único prejudicado pelo erro formal cometido foi o próprio CONTRIBUINTE, que esta sofrendo as conseqüências, inclusive que o leva a firmar estas razões. Nenhum terceiro está sendo prejudicado e muito menos a União, pois o débito ora cobrado foi devidamente quitado, com exceção de um equivoco da apresentação da PER/DCOMP. Conclui Ex positis, invocando os suplementos jurídicos sábios e justos do Eminente Julgador, requer seja conhecido e provido a presente Manifestação de Inconformidade [...], com o conseqüente cancelamento da PER/DCOMP apresentada, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES, relativo à competência 02/2003, nos termos das razões e documentos apresentados. Nesses Termos. Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0725.946, de 16.09.2011, fls. 2931: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Consta no Voto condutor Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 62 4 Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Em análise às informações cadastrais da contribuinte, verificase que ela foi excluída do Simples Federal a partir de 1º de janeiro de 2002 [processo nº 13984.001555/200345]. Diante dessa situação, a princípio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores à data de início dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. No entanto, conforme evidenciam os Acórdãos juntados ao presente processo, contra a exclusão do Simples Federal a contribuinte se insurgiu, levando a matéria, inclusive, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda Carf, o qual manteve a exclusão em Acórdão proferido em março de 2009. No presente caso, notase que a Dcomp foi apresentada em data na qual a manifestação contra a exclusão do Simples se encontrava pendente, até mesmo, de decisão de primeira instância, que só veio a correr em agosto de 2007. Ou seja, até março de 2009 (quando o Carf proferiu sua decisão), encontrava se pendente de decisão a exclusão do Simples Federal, razão pela qual, à data de apresentação da DComp em exame [...], a contribuinte não poderia utilizar os pagamentos como se indevidos fossem e, por consequência, mostrase correto o Despacho Decisório quando não reconhece o direito credit6rio e não homologa a compensação pleiteada. Além disso, considerando que o ato de exclusão do Simples, como visto, foi mantido após ter sido apreciado pelas duas instâncias do contencioso administrativo, os débitos declarados na DComp estão de acordo com o regime tributário aplicável à pessoa jurídica no período em questão, fato que revela a coerência da decisão de admitilos com os efeitos próprios de confissão de divida, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, e que a conclusão do Despacho Decisório mostrase correta, deve ser declarada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Notificada em 08.11.2011, fl. 35, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.11.2011, fls. 3739, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita O fato que simplifica esta situação é que a Recorrente, ao contrário do informado no julgamento de primeiro grau, jamais foi excluída do SIMPLES, ou seja, jamais esteve sob o regime tributário do lucro presumido e, portanto, inexistiriam os débitos lançados na DComp que se pede o cancelamento e, por conseguinte, dos débitos ali informados, pois, reiterase frente a Recorrente jamais Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 63 5 ter sido excluída do SIMPLES os débitos ali informados (calculados sob a forma do lucro presumido), jamais foram devidos. Para contestar a alegação do Fisco sobre a exclusão do SIMPLES da Recorrente juntamos a presente cópia da "COMUNICAÇÃO NURAC/DRF/LAG N° 131/2009" expedida dentro do processo n° 13984.001706/200870, que em sua ementa assim informa: "Assunto: SIMPLES NACIONAL EMENTA: CONTESTAÇÃO À EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL, ERRO DE FATO. REVISÃO DE OFÍCIO. Tendo sido efetuada com erro de fato, revisase de ofício a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Solicitação Deferida" Por esta decisão, definitiva conforme verificada na ementa e relatório do citado processo, a RECORRENTE JAMAIS ESTEVE EXCLUÍDA DO SIMPLES e, portanto, não há que se falar em débitos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos períodos de apuração compreendidos nos anos de 2002 e 2003 e, por conseguinte, as DComp's que buscavam compensação destes débitos perdem seu valor e necessidade frente a que: Os débitos pagos a título de SIMPLES nos anos de 2002 e 2003, frente manutenção da RECORRENTE neste sistema tributário são válidos, foram considerados pela Receita Federal e quitaram as obrigações este período; A RECORRENTE não era optante pelo lucro presumido nos anos de 2002 e 2003 (ou em outro período qualquer) e, portanto, não são devidos quaisquer débitos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS deste período. Conclusão À vista de todo o exposto, vimos requerer a reforma da decisão proferida no presente processo, para determinar a improcedência dos termos e inexigibilidade dos valores firmados no presente processo, nos termos e condições definidos nestas razões recursais, bem como em todos os documentos juntados na instrução processual. Requerse ainda que sejam apensados todos os documentos e demais itens [desse processo], especialmente aqueles juntados pelo Recorrente, quando da apresentação de sua defesa em 1º Grau. Por fim, requerse o CANCELAMENTO da PER/DCOMP apresentada, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES [...], nos termos da razões e documentos apresentados. Nestes Termos Pede Deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 64 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser cancelada, já que fez a opção nos termos legais. Em relação aos procedimentos do Per/DComp, temse que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. A desistência do Per/DComp pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa Per/DComp ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento1. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No que se refere à exclusão de ofício do Simples, vale esclarecer que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A pessoa jurídica que auferir, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal não pode optar pelo Simples. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, bem como Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 65 7 No caso de incorrida em situação excludente, a optante deve obrigatoriamente formalizar alteração cadastral, sob pena de ser excluída de ofício mediante ato declaratório da autoridade fiscal. Este ato surte efeito no anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite da receita bruta, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20102 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Vale esclarecer que no presente caso a desistência do Per/DComp somente foi pleiteada na manifestação de inconformidade, ou seja, depois de proferida decisão administrativa. Assim, esse pedido foi efetivado no tempo, na forma e no lugar incorretos com violação à legislação de regência da matéria. Por essa razão o cancelamento do Per/DComp não pode ser deferido. A Recorrente: apresentou o Per/DComp nº 04673.04157.210104.1.3.040660 em 21.01.2004, fls. 1117, utilizandose do pagamento a maior de Simples no valor original de R$6.670,98 efetuado em 10.03.2003; no julgamento de primeira instância, o pedido de cancelamento do Per/Dcomp foi indeferido ao argumento de que foi formalizado após a ciência válida do Despacho Decisório; foi excluída de ofício do Simples Federal a partir de 01.01.2002, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001555/200345, foi considerado correto na esfera administrativa, fls. 2025, e se encontra arquivado desde 05.08.2009, porque o sócio participa com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, e a receita bruta global ultrapassou o limite legal4; foi excluída de ofício do Simples Nacional, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001706/200870, foi cancelado na esfera administrativa, porque verificouse a inexistência de débitos inscrito em Dívida Ativa, cuja a exigibilidade não 2 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. 4 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=13984001555200345&DDMovimentoQ=05082009&SQO rdemQ=0>. Acesso em: 29 out.2013. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 66 8 estivesse suspensa, fls. 4254, e se encontra arquivado desde 22.09.20085, em cujo Despacho Decisório DRF/LAG nº 30, de 10.02.2009, fls. 4345, consta: 3.O sistema Sivex discrimina, mediante o relatório de fls. 30/32, os débitos que ensejaram a emissão do Ato Declaratório de Exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Nos termos da legislação que rege a matéria, se os débitos fossem regularizados no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato, a exclusão seria cancelada. 4.No caso em tela, após o prazo para regularização, remanesceram diversos débitos, relativos a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de períodos de apuração compreendidos nos anos de 2002 e 2003 (fls. 33/37). 5. No entanto, em consulta aos sistemas CNPJ, IRPJ e Sinal09, constatase que, naqueles anos, a empresa estava na sistemática do Simples instituído pela Lei n° 9.317/96 (fl. 38), apresentou Declarações Simplificadas (fls. 39/49) e recolheu seus tributos e contribuições federais mediante Darf/Simples 6106 (fl. 50). Portanto, nos anos de 2002 e 2003, o requerente não estava obrigado ao recolhimentos de tributos específicos a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, mas tão somente ao recolhimento de Darf/Simples. 6. Consultando o sistema Per/DComp, verificase que os débitos motivadores da exclusão originaramse das diversas Per/Dcomp que o contribuinte transmitiu indevidamente, as quais devem ser canceladas por ele próprio mediante a utilização do programa PER/DCOMP, conforme instruções da IN RFB n° 900/2008 [...]. Verificase que houve um conflito de decisões em função das datas em que foram proferidas e ainda por estarem formalizadas em processos que não foram analisados concomitantemente. Porém esse conflito está sanado com a superveniente decisão definitiva a respeito da exclusão de ofício do Simples Federal a partir de 01.01.2002, cujo procedimento, formalizado no processo nº 13984.001555/200345, foi considerado correto na esfera administrativa, fls. 2025, e se encontra arquivado desde 05.08.2009, em conformidade com o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 180300.035, de 16.03.2009, fls. 22246. Assim, a Recorrente excluída do Simples sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, ou seja, 01.01.2002, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ocasião em que o pagamento a título de Simples efetuado no período pode ser considerado indevido para fins de compensação tributária. Nesse sentido tem cabimento reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$6.670,98 efetuado em 10.03.2003. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem 5 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=13984001706200870&DDMovimentoQ=20022009&SQO rdemQ=0> . Acesso em 29 out. 2013. 6 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf> . Acesso em: 29 out.2013. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13984.900114/200832 Acórdão n.º 1801001.742 S1TE01 Fl. 67 9 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no valor original de R$6.670,98 efetuado em 10.03.2003, para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13876.000366/2005-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007.
Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96.
CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.
O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 03 66 /2 00 5- 44 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI protocolado em 12/07/2005, relativo a créditos decorrentes de aquisições de insumos isentos, nãotributados e tributados com alíquota zero, que teriam sido apurados no período compreendido entre outubro de 1999 e dezembro de 2004. O contribuinte alega que foi obrigado a formular o pedido em papel porque não conseguiu transmitir o Perdecomp. O fundamento legal indicado pelo contribuinte é o art. 153, § 3º, II, da CF/88, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e a IN 460, de 18/10/2004. Por meio do despacho decisório de fls. 105/106, o pedido foi negado ao argumento de que o art. 153, § 3º, II da CF/88 só garante o crédito em relação ao imposto que foi cobrado na operação anterior. Se a operação de entrada é não tributada, isenta ou tributada com alíquota zero, não há nenhum valor a ser tomado como crédito. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Houve o deferimento tácito do pedido de ressarcimento porque a autoridade administrativa permaneceu inerte por mais de cinco anos. O pedido foi formulado em 12/07/2005 e o contribuinte só foi cientificado do despacho decisório em 21/10/2010. O art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96 determina que o prazo para homologação de compensações é de cinco anos. O mesmo prazo deve ser aplicado para a análise do pedido de ressarcimento, pois caso isso não ocorra estaria premiada a disparidade de tratamentos em prejuízo do contribuinte. Além disso, foi extrapolado o prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e também o prazo de 30 dias previsto no art. 59, § 1º da Lei nº 9.784/99; 2) Adquire diversos insumos sujeitos à alíquota zero de IPI ou isentos, sendo certo que seus produtos são tributados na saída com alíquotas de 2%, 5%, 8%, 10%, 15% e 20%. Nesse passo, tem direito ao crédito de IPI nas aquisições desoneradas do imposto por força do art. 153, § 3º, II da CF/88. O STF colocou fim à discussão sobre o aproveitamento de créditos de IPI em relação às matériasprimas tributadas com alíquota zero, pois aplicou o mesmo entendimento dispensado ao caso de insumos isentos, conforme restou decidido no RE 350.446; 3) Tem direito à correção monetária dos créditos, pois ela configura apenas a recomposição monetária em virtude da inflação ocorrida em certo lapso temporal. Por meio do Acórdão 35.163, de 08 de setembro de 2011, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade em improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000366/200544 Acórdão n.º 3403002.568 S3C4T3 Fl. 9 3 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. DECADÊNCIA. RESSARCIMENTO. Em pedidos de ressarcimento, cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não a constituição de crédito tributário, não se aplica o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquela decisão em 06/10/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/10/2011, no qual reiterou e reforçou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou o contribuinte que houve o deferimento tácito do pedido de ressarcimento, em razão do tempo que mediou o protocolo do processo e o despacho decisório da autoridade administrativa ter sido superior aos 360 dias previstos no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. Quanto a essa questão, o art. 62A do Regimento Interno do CARF vinculou este colegiado ao que restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no RESP 1.138.306, decidido sob a sistemática do art. 543C do CPC, cuja ementa reproduzo a seguir: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.138.206 RS (2009/00847330) EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000366/200544 Acórdão n.º 3403002.568 S3C4T3 Fl. 10 5 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, a pretensão da defesa no sentido de que seja reconhecido o deferimento tácito do pedido de ressarcimento é improcedente, pois embora a Administração Tributária tenha o dever de decidir o processo no prazo de 360 dias, nem a lei e muito menos o Judiciário impuseram, como consequência jurídica do descumprimento desse prazo, o reconhecimento tácito do direito alegado pelo contribuinte. O contribuinte invocou também a ocorrência da homologação tácita, a teor do art. 74, § 5º , da Lei nº 9.430/96. O referido prazo é inaplicável ao caso concreto, pois aqui se trata apenas de um pedido de ressarcimento não vinculado a nenhuma declaração de compensação. O despacho decisório limitouse a negar o direito de crédito não se referindo a nenhuma declaração de compensação que esteja tratada neste ou em outro processo. Inexistindo compensação a ser homologada que esteja vinculada ao crédito ora solicitado, não flui contra a administração o prazo do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. No mérito, a questão colocada para deslinde deste colegiado referese à existência do direito ao crédito ficto de IPI pela entrada de insumos imunes, isentos, não tributados e tributados com alíquota zero. O exame das classificações fiscais registradas nas planilhas anexadas pelo contribuinte às fls. 35 a 100 do PDF revela que o caso concreto versa apenas sobre insumos tributados com alíquota zero, não tributados (NT) e aquisições de energia elétrica. No que tange aos créditos de IPI em relação a insumos adquiridos com alíquota zero, a inexistência do direito de crédito está pacificada nesta instância de julgamento desde a publicação da Súmula CARF nº 18, in verbis: “A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados com alíquota zero não gera crédito de IPI”. No que concerne ao crédito de IPI sobre aquisições de energia elétrica, o direito pleiteado pelo contribuinte deve ser negado, pois no caso das ferramentas e demais produtos produzidos pela recorrente a energia elétrica é produto intermediário, tendo em vista que não se agrega aos produtos finais. No caso de produtos intermediários, o direito ao crédito de IPI só existe em relação àqueles que se desgastem ou sofram alterações em suas propriedades físicas ou Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 químicas em razão de contato direto com o produto em fabricação, a teor do Parecer Normativo CST nº 65/79, o que não se verifica com a energia elétrica. A recorrente fundamenta o direito aos créditos pretendidos no princípio da não cumulatividade e no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Entretanto, o princípio da não cumulatividade não garante o direito de crédito em relação às aquisições desoneradas do imposto e o art. 11 da Lei nº 9.779/99 só garante o direito de crédito na situação oposta à que se encontra a recorrente. O direito garantido pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99 se refere ao crédito de IPI incidente sobre insumos tributados, quando aplicados na produção de insumos isentos, não tributados ou tributados com alíquota zero. No caso da recorrente a situação é inversa àquela prevista no art. 11 da Lei nº 9.779/99, ou seja, os insumos são desonerados do IPI, mas os produtos fabricados e vendidos estão sujeitos a alíquotas positivas. Definitivamente, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não ampara o pleito da recorrente. No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou no art. 153, da CF/1988 que (...) Compete à União instituir impostos sobre (...) IV produtos industrializados (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). (grifei) Conforme se pode verificar, a constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi cobrado na operação anterior. Já o art. 49 do CTN enuncia o seguinte: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Obviamente que imposto “pago” ou “cobrado” quer dizer imposto que incidiu, que foi destacado nas notas fiscais de aquisição das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e não imposto efetivamente pago. Isto porque o pagamento da nota fiscal de aquisição dos insumos ao fornecedor é um ato que extingue uma relação jurídica de direito privado, não podendo condicionar o exercício do direito de crédito que decorre de uma relação jurídica de direito público. Se houve destaque do imposto na operação anterior, poderá haver o direito ao crédito, ainda que o adquirente não tenha efetuado o pagamento ao fornecedor do valor da nota fiscal. Além disso, duas constatações imediatas surgem da análise do enunciado do art. 49 do CTN. A primeira é que a expressão ... “dispondo a lei”... que consta da cabeça do artigo, autoriza concluir que o princípio da nãocumulatividade tem como destinatário certo o legislador ordinário e não o aplicador da lei. A segunda é que créditos de IPI devem ser utilizados primordialmente para abatimento dos débitos do mesmo imposto. Existindo saldo credor, este deve ser transferido para o período seguinte, o que significa que os créditos de IPI têm natureza escritural, conforme já decidiu o STF. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000366/200544 Acórdão n.º 3403002.568 S3C4T3 Fl. 11 7 Resta claro que no direito constitucional brasileiro o conteúdo do princípio da não cumulatividade não tem a mesma amplitude que lhe pretendeu dar a recorrente, uma vez que os créditos são escriturais e não são gerados diretamente pela incidência da norma constitucional sobre situações concretas. Especificamente no caso de insumos imunes, há que se acrescentar algumas considerações. Primeiramente cabe fazer a distinção entre os dois sentidos do termo “imunidade”. O primeiro é o de norma jurídica que tem como destinatário imediato o legislador ordinário da União, dos Estados, do DF e dos Municípios. O segundo significado é o direito subjetivo de o cidadão não ser tributado quando se encontrar na situação prevista na constituição. Para o deslinde deste caso concreto, importa tomar o termo “imunidade” no sentido de norma jurídica. Segundo Paulo de Barros Carvalho, imunidade é: “(...) a classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas.(...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 7 ed. 1995, p.118). Por seu turno, Clélio Chiesa define imunidade como sendo “(...) um conjunto de normas jurídicas contempladas na Constituição Federal que estabelecem a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para instituírem tributos sobre certas situações nela especificadas.(...).” (in: Curso de Especialização em Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 921). Em resumo, podese dizer que imunidade é uma regra de competência negativa que impede a instituição de tributos sobre os fatos e as pessoas eleitos pela constituição. Tratase de verdadeira exclusão ou supressão do poder tributário das pessoas políticas constitucionais, impedindoas de alcançar certas pessoas ou certas materialidades estabelecidas na constituição. As imunidades tributárias são normas jurídicas de estrutura, pois não se voltam diretamente para a regulação de condutas intersubjetivas. As regras de imunidade voltamse para o próprio sistema tributário, limitando e delimitando a conduta dos legisladores de cada pessoa política constitucional, de forma a impedir que cada um deles edite norma impositiva sobre determinados fatos e pessoas. No caso específico dos produtos imunes, o legislador ordinário da União está impedido de submeter aqueles produtos à tributação do IPI. Tratase de verdadeira norma de estrutura, pois atinge em cheio a regramatriz de incidência do IPI impedindoa de atuar sobre operações com produtos imunizados pela Constituição. O imposto incide sobre produtos industrializados, mas caso se trate de produtos imunes, a regramatriz de incidência tornase inoperante pela supressão do poder tributário da União. A recorrente insiste na tese de que o direito aos créditos fictos ora pretendidos deflui diretamente do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, que estabelece que o imposto Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 será não cumulativo, deduzindose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Acontece que no caso da imunidade não houve incidência em nenhuma operação relativa ao produto imune porque aquela regra, que é norma jurídica de estrutura, impediu que a regramatriz de incidência do imposto atuasse. Logo, se não houve incidência da regramatriz, não pode existir cumulação de IPI em nenhuma operação com produtos imunes. A interpretação pretendida pela recorrente é absurda porque se fosse válida teríamos forçosamente que admitir a existência de um “IPI negativo” no caso dos produtos imunes, onde a União, além de não poder cobrar IPI em face da vedação constitucional, teria que “pagar” o imposto ao contribuinte via ressarcimento de créditos fictos. Os produtos imunes estão fora do alcance da normapadrão de incidência do IPI. Em outras palavras, e usandose a terminologia de Rubens Gomes de Souza, os produtos imunes estão fora do campo de incidência do IPI e, desse modo, as operações com estes produtos são insuscetíveis de gerarem débitos e créditos do imposto. A única exceção se dá em relação aos produtos imunes em decorrência da exportação, onde a lei prevê o direito de crédito do IPI a título de incentivo fiscal. Relativamente aos produtos isentos, é sabido que as normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura e introduzem modificações na regramatriz de incidência tributária, que é norma de comportamento. Segundo a lição de Paulo de Barros Carvalho, “(...) a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência, mutilandoos, parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regramatriz, inutilizandoa como regra válida no sistema. O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente. (...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 9 ed. 1995 pp. 329/330). O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência dos critérios do antecedente ou do conseqüente da regramatriz. É o encontro de duas normas jurídicas no campo abstrato, sendo uma a regramatriz de incidência tributária e outra a regra de isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da regramatriz. Ora, se a norma de isenção mutila um dos critérios da regramatriz de incidência a conseqüência é que ela não incide sobre o evento para transformálo em fato jurídico tributário. Inexistindo o fato jurídico tributário, não se instaura o liame jurídico entre os sujeitos descritos no critério pessoal do conseqüente da regramatriz. Em outras palavras, a isenção é uma hipótese de não incidência tributária. Se não existe incidência, não existe imposto “cobrado” e, conseqüentemente, a operação isenta também não pode gerar direito ao crédito de IPI, porque a não cumulatividade do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. No que tange aos insumos não tributados, tanto no caso de produtos in natura, quanto no caso de produtos industrializados que o legislador não quis tributar, estamos em que a regramatriz de incidência também não atua sobre o evento para transformálo em fato jurídico tributário. No caso de produtos in natura, isto ocorre por absoluta impossibilidade Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000366/200544 Acórdão n.º 3403002.568 S3C4T3 Fl. 12 9 de subsunção ao critério material da normapadrão de incidência, que exige que o produto seja industrializado. Já no caso dos produtos industrializados, a impossibilidade ocorre em razão da inexistência de fixação do critério quantitativo, já que não existe alíquota fixada em lei. Se não existe alíquota, não existe imposto “cobrado” e a operação com produtos não tributados também não poderá gerar direito ao crédito de IPI, porque a não cumulatividade do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. Por fim, quanto aos insumos sujeitos à alíquota zero, a regramatriz de incidência atua com toda a sua força normativa, transformando o evento em fato jurídico. Contudo, sendo zero o valor da alíquota, zero será o valor do imposto cobrado e, por conseguinte, zero será o valor a ser creditado pela aquisição dos produtos sujeitos a esta alíquota. Portanto, claro está que não se pode conceder o direito de crédito ficto de IPI em relação a entradas de produtos imunes, isentos, não tributados ou tributados com alíquota zero por meio da aplicação direta do art. 153, IV, § 3º, II da CF, sob pena de o julgador investirse na condição de legislador ao “instituir o IPI negativo”, ferindo de morte o art. 150, § 6º da Constituição, que estabelece a necessidade de edição de lei específica para a concessão de créditos presumidos. No que tange à jurisprudência do STF citada pela recorrente, o primeiro precedente sobre o direito de créditos do IPI por aquisições desoneradas ocorreu no RE nº 212.484/RS, relatado pelo Ministro Nelson Jobim, que era um caso em que se tratava de aquisições de xarope para a fabricação de refrigerantes de uma indústria localizada na Zona Franca de Manaus. No julgamento ocorrido no dia 05/05/1998, o STF decidiu o seguinte: “Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção.” A partir deste precedente, o Supremo Tribunal Federal passou a reconhecer o direito à apropriação de créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do imposto em virtude de isenção, alíquota zero e não tributados (insumos que estavam fora do campo de incidência do imposto). Exemplo disso é o RE nº 350.446, julgado em 18/12/2002, no qual se reconheceu o direito à apropriação de créditos de IPI pela aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero: “Ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Isenção e alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido.” Assim, entre maio de 1998, quando foi julgado o RE nº 212.484, e meados de 2007 o STF reconhecia o direito de os contribuintes se creditarem do IPI quando adquiriam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem sem pagamento do IPI, em razão dessas aquisições serem desoneradas por alíquota zero, isenção ou não incidência. A situação mudou a partir do julgamento dos RE nº 353.657 e 370.682, julgados em 25/06/2007, por meio dos quais o STF passou a negar o direito de crédito nas hipóteses de aquisições de insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero. Vejamos as ementas: RE 353.657: “EMENTA: IPI – INSUMO – ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO – ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – INEXISTÊNCIA DO DIREITO – EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto Sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353.657) RE 370.682: “Ementa: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.” A partir de junho de 2007 o Supremo Tribunal Federal passou a não reconhecer o direito de crédito de IPI pelas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas. Surgiu então uma situação de insegurança quanto ao direito de crédito pelas aquisições de insumos isentos. A revisão da posição do tribunal quanto aos insumos isentos veio em 29/09/2010 no julgamento do RE 566.819/RS, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, cuja ementa transcrevese a seguir: “EMENTA: IPI CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPICRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário nacional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPICRÉDITO DIFERENÇAINSUMOALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000366/200544 Acórdão n.º 3403002.568 S3C4T3 Fl. 13 11 Por fim, no RE 592.891 foi reconhecida a repercussão geral em relação ao tema direito de crédito de IPI em relação a produtos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus, onde o STF decidirá se mudará ou não o entendimento do RE 212.484. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, o STF tem negado o direito ao crédito de IPI nas aquisição de insumos desoneradas do imposto. Desse modo, inexistindo o direito material ao crédito ficto de IPI seja pelo fundamento constitucional, seja em razão do art. 11 da Lei nº 9.779/99, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.723025/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
Numero da decisão: 2301-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 30 25 /2 01 0- 15 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10680.723025/201015 Acórdão n.º 2301003.444 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de MIP ENGENHARIA S/A, por ter a empresa infringido o art. 32, I, da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 225, I, § 9º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, ao deixar de lançar na folha de pagamentos valores referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme se infere do Relatório Fiscal. Segundo informa o Relatório Fiscal, foram apurados como fatos geradores da contribuição previdenciária: (a) abono de gratificação de férias, relativo à cláusula de convenção coletiva que prevê prêmio por assiduidade que não se enquadra em nenhuma das hipóteses de não incidência previstas o §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; (b) abono indenizado, relativo a valores fixos pagos aos segurados empregados, cuja natureza não foi comprovada à fiscalização, tampouco a sua desvinculação expressa do salário, nos termos da alínea j do inciso V do §9º do art. 240 do Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99); (c) despesas com assistência médica, hospitalar e odontológica, posto que não estendidas a todos os segurados; (d) previdência privada não oferecida a todos empregados e dirigentes e; (e) aluguel residencial em localidade diversa do local da obra que não se enquadra na hipótese de não incidência da alínea m do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Em decorrência da autuação em epígrafe, foi aplicada à Recorrente multa no montante de R$ 2.863,58 (dois mil oitocentos e sessentão e três reais e cinquenta e oito centavos), com fulcro nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/1993 e arts. 283, I, “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Ademais, foi lavrado auto de infração em procedimento fiscal anterior, o AI nº 35.410.4365, pelas mesmas razões da autuação em epígrafe. Destarte, configurase a ocorrência da circunstancia agravante do art. 290, V do RPS, qual seja, reincidência genérica com relação à infração específica, tendo sido o valor mínimo da multa multiplicado por 2 (dois), nos termos do art. 292, IV do RPS. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Ato contínuo, foi mantida a autuação face ao acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10680.723025/201015 Acórdão n.º 2301003.444 S2C3T1 Fl. 4 3 Constitui infração à legislação previdenciária a empresa preparar folhas de pagamento sem incluir a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) A autuação é nula por carecer de indicação precisa de seus fundamentos, limitandose a adotar entendimento genérico, o que restringiu o exercício amplo e eficaz da defesa e do contraditório. 2) No que diz respeito ao abono de férias, incide a excludente prevista na alínea e §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, uma vez que é pago nos moldes do art. 144 da CLT, não fazendo parte da composição da remuneração pelo trabalho, pelo que não configura base de cálculo de contribuição previdenciária. 3) Em relação ao abono indenizado, este não era pago de forma habitual, tratandose de indenização eventual a título de ajuda de custo para o deslocamento para outros municípios quando dos descansos remunerados, o que exclui a exigência da contribuição previdenciária, pois não decorre da retribuição pelo trabalho. No intuito de comprovar tal afirmação, requereu a produção de prova testemunhal, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, pedido este que restou indeferido pela fiscalização. 4) Sobre as despesas com assistência médica, hospitalar e odontológica, alegou a Recorrente que, visto que a empresa pratica suas atividades em lugares remotos, em que não há cobertura de plano de saúde (que é oferecido a todos os empregados), realizou convênio com clínicas médicas localizadas nas proximidades de suas obras. Desse modo, era suprida a ausência de plano de saúde, tornando abrangente a todos os colaboradores o auxílio para despesas com a saúde. Por essa razão, é incabível a autuação também neste ponto. 5) No que tange ao plano de previdência privada, a Recorrente o disponibiliza sim, a todos os empregados e dirigentes. A legislação não estabelece restrições à condição de adesão, determina apenas que o plano deve estar disponível a todos os funcionários, o que de fato ocorre. 6) Por fim, quanto ao aluguel, afirmou incidir o disposto no art. 28, § 9º, “m” da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 214, § 9º, XII do Decreto 3.048/1999, por tratarse de ajuda de custo para habitação, uma vez que o trabalho se dá em local distante da residência dos empregados, que permanecem em alojamentos próximos aos locais das obras. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10680.723025/201015 Acórdão n.º 2301003.444 S2C3T1 Fl. 5 4 7) Uma vez procedente o recurso relativo às obrigações principais, não persistirá a autuação quanto à infração à obrigação acessória. 8) A aplicação da multa em questão configura bis in idem, uma vez que já foi aplicada multa pelo não recolhimento dos tributos. 9) A reincidência deve ser afastada, uma vez que o primeiro fato ocorreu em 2002, portanto, mais de cinco anos antes da autuação, que se deu em 2010. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada em conseqüência da Recorrente ter deixado de lançar na folha de pagamentos valores referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento nega que deixou de lançar em sua contabilidade as informações especificadas no Relatório Fiscal, ou seja, apresentou uma defesa genérica, baseada no fato de que os valores não configuram fato gerador de contribuição previdenciária, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10680.723025/201015 Acórdão n.º 2301003.444 S2C3T1 Fl. 6 5 Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Ainda, não há que se falar na ocorrência de bis in idem, uma vez que a multa ora aplicada a titulo de penalidade por descumprimento de obrigação acessória em nada se confunde com a multa decorrente do não recolhimento dos tributos. Ambas decorrem de condutas diversas, às quais devem ser especificamente cominadas as penalidades cabíveis. Irretocável, pois, o Acórdão recorrido. Por fim, não merece prosperar o argumento de que a reincidência deve ser afastada em decorrência de ter decorrido lapso temporal superior a cinco anos entre as duas infrações, posto que a autuação em vergaste diz respeito a fatos geradores ocorridos em 2006, e não em 2010 como quer fazer parecer a Recorrente. O parágrafo único do art. 290 do RPS, invocado pela Recorrente, dispõe que caracteriza reincidência a prática de nova infração, e não a constatação de sua ocorrência pelo Fisco, pelo que deve ser mantida a circunstância agravante. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10680.723025/201015 Acórdão n.º 2301003.444 S2C3T1 Fl. 7 6 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10860.001574/2001-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:1997, 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 32, DO DECRETO N. 70.235/72 E ART. 66, DO RICARF, APROVADO PELA PORTARIA MF N. 256/2010.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, mantendo a decisão prolatada.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 06/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:1997, 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 32, DO DECRETO N. 70.235/72 E ART. 66, DO RICARF, APROVADO PELA PORTARIA MF N. 256/2010. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Embargos acolhidos.
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INEXATIDÃO MATERIAL. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 32, DO DECRETO N. 70.235/72 E ART. 66, DO RICARF, APROVADO PELA PORTARIA MF N. 256/2010. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, mantendo a decisão prolatada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 15 74 /2 00 1- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 06/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial (fls. 182189), interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão n.º 10616.359, a recorrente inconformada com a decisão, por meio de sua Representante e com fundamento no art. 7º, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais ( CSRF), aprovado pela portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpôs o presente recurso visando à revisão do julgado. Alegou a recorrente de forma sucinta: Que existe divergência jurisprudencial entre o decidido no acórdão recorrido e o entendimento manifestado no acórdão nº 10244.756, colacionando a ementa a baixo: IRPF – INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS – NATUREZA JURÍDICA – As parcelas percebidas a título de “Indenização de horas extras trabalhadas”, em que pese a nomenclatura utilizada pela fonte pagadora, configuramse valores adicionais de horas extras, que constituem efetivamente contraprestação da atividade laboral, e não contraprestação por um dano sofrido a configurálo como indenização; Que se torna necessária à conjugação do art. 4º, § 3º da Lei nº 7.713/88 com o art. 43 do CTN, em homenagem à interpretação sistemática das normas. Assim, restando demonstrado o pagamento de verbas ao Recorrido, temse a inequívoca aquisição da disponibilidade econômica, razão pela qual os efeitos tributários ocorrem independente da vontade das partes e da nomenclatura da avença contratual; Por fim aduz que de acordo com a jurisprudência do STJ, a natureza jurídica do pagamento das verbas devidas em razão de horas extraordinárias não tem natureza indenizatória já que se Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10860.001574/200118 Acórdão n.º 9202002.392 CSRFT2 Fl. 7 3 trata de adimplemento forçado de uma prestação originalmente devida em dinheiro, vale dizer, uma contraprestação a serviços prestados e, não, a reparação de danos. E mesmo que indenização fosse, o pagamento também estaria sujeito á tributação do IR, tendo em vista que importou acréscimo patrimonial e não está previsto como hipótese de isenção prevista no art. 39 do RIR/99. Em 14 de abril de 2010, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial interposto pela i. PGFN [Ac. 920200.771 (fls. 226/229)], para considerar verba de caráter remuneratório a indenização de horas trabalhadas (IHT): Assunto: IRPF Período de apuração:1997 E 1998 Ementa: IRPF. INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN. Recebidos os autos pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté/SP, a Senhora Chefe Substitua apresentou petição [fls. 231/232] que apontou a erro material no texto da ementa. Remetidos os autos para minha apreciação, resolvo: por não vislumbrar demonstrada a legitimidade da peticionante para opor embargos de declaração, em face do disposto nos incisos constantes do §1º, do art. 65, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, acolho os argumentos dispostos no documento de fls. 231/232 e oponho embargos de declaração em face do Acórdão n. 9202 00.771, com espeque no inciso I [“por conselheiro do colegiado”], do dispositivo mencionado. Dessa forma, constatado o vício no texto da ementa do Acórdão n. 9202 00.77, este Conselheiro acolheu os Embargos de Declaração opostos, tãosomente para corrigir o erro material apontado. É relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Sendo tempestivo o recurso, passo análise do acolhimento ou não dos embargos de declaração. Em 14 de abril de 2010, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial interposto pela i. PGFN [Ac. 920200.771 (fls. 226/229)], para considerar verba de caráter remuneratório a indenização de horas trabalhadas (IHT): Assunto: IRPF Período de apuração:1997 E 1998 Ementa: IRPF. INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN. Recebidos os autos pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté/SP, a Senhora Chefe Substitua apresentou petição [fls. 231/232] que apontou a erro material no texto da ementa. Remetidos os autos para minha apreciação, resolvo: por não vislumbrar demonstrada a legitimidade da peticionante para opor embargos de declaração, em face do disposto nos incisos constantes do §1º, do art. 65, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, acolho os argumentos dispostos no documento de fls. 231/232 e oponho embargos de declaração em face do Acórdão n. 9202 00.771, com espeque no inciso I [“por conselheiro do colegiado”], do dispositivo mencionado. Não obstante os argumentos expostos e após reler a legislação de regência [Decreto n. 70.235/72, art. 32], entendo necessário rever o despacho prolatado anteriormente. Dispõe o art. 32, do Decreto n. 70.235/72 que: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Essa possibilidade de retificação da inexatidão material está prevista no art. 66, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2010: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10860.001574/200118 Acórdão n.º 9202002.392 CSRFT2 Fl. 8 5 titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Essa premissa [correção dos erros] segue o entendimento consolidado do e. STJ, que atribui efeitos infringentes aos embargos de declaração apenas quando vícios no julgado – omissões, contradições e obscuridades – sejam de tal monta que sua correção necessariamente infirme as premissas do decisum, ou seja, excepcionalmente: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA EFEITOS MODIFICATIVOS EXCEPCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE NA ESPÉCIE EMBARGOS DECLARATÓRIOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração constituem a via adequada para sanar omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais do decisório embargado, admitida a atribuição de efeitos infringentes apenas quando esses vícios sejam de tal monta que a sua correção necessariamente infirme as premissas do julgado. 2. In casu, a parte embargante, sem demonstrar qualquer dos vícios retrocitados, pretende tãosomente novo julgamento da causa, desiderato estranho ao perfil dos embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EDcl no AgRg nos EREsp 1123926/MG, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/06/2012, DJe 29/06/2012) Dessa forma, corrijo o acórdão recorrido para que: Onde se lê: Ementa: IRPF. INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN; Leiase: IRPF. “INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS IHT”. NATUREZA SALARIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. PRECEDENTES STJ. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. De conformidade com a jurisprudência deste Colegiado, escorada no posicionamento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, as importâncias pagas pela Petrobrás ao contribuinte a título de “Indenização de Horas Trabalhadas IHT” tem natureza salarial/remuneratória e, não, caráter indenizatório, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto de renda pessoa física, impondo seja restabelecida a multa de ofício aplicada em razão da autuação exigindo o tributo devido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Assim, ACOLHO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS, tão somente para retificar: Onde se lê: Ementa: IRPF. INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS (IHT) O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN; Leiase: IRPF. “INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS IHT”. NATUREZA SALARIAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. PRECEDENTES STJ. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. De conformidade com a jurisprudência deste Colegiado, escorada no posicionamento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, as importâncias pagas pela Petrobrás ao contribuinte a título de “Indenização de Horas Trabalhadas IHT” tem natureza salarial/remuneratória e, não, caráter indenizatório, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto de renda pessoa física, impondo seja restabelecida a multa de ofício aplicada em razão da autuação exigindo o tributo devido. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10735.900735/2010-84
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 07 35 /2 01 0- 84 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 398 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 26245.76042.180708.1.7.027634 em 18.07.2008, fls. 0210, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$1.566,74 do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real anual. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1115, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse [...] Parc. Crédito Retenções Fonte Estim. Compensadas Soma Parc. Crédito Per/DComp 599,68 3.491,99 4.091,67 Confirmadas 0,85 2.654,42 2.655,27 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$1.566,74 Valor na DIPJ: R$1.566,74 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$4.091,67 IRPJ devido: R$2.524,92 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DComp observado que este cálculo resultar negativo é zero Valor do saldo negativo disponível: R$130,35 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 399 3 PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 26245.76042.180708.1.7.027634. NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP 00362.31036.090804.4.3.020165 e 10442.20556.091101.1.3.02 0484 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 14.06.2010, fl. 16, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 12.07.2012, fls. 1724, com os argumentos a seguir transcritos. 1. No dia 14/06/2010 a Impugnante recebeu a Intimação do Despacho Decisório no de Rastreamento 863959793 (cópia anexa), em face dos fatos narrados a partir do Tópico II, abaixo, ou seja, valores NÃO ACATADOS devido a inconsistências verificadas em PER/DCOMP. 2. A importância do domínio do funcionamento e perfeita compreensão do PER/DCOMP pode ser equiparada â essencialidade do entendimento e da competência que toda pessoa física ou jurídica deve ter para administrar sua própria conta corrente bancária. 3. Isso porque é através do PER/DCOMP que a Impugnante poderá se valer da utilização da maior parte de seus créditos fiscais, como se dinheiro fosse. 4. Inúmeras são as situações que deverão ser solucionadas através do PER/DCOMP e, provavelmente, a Impugnante ainda não se deu conta de todas as situações em que estará obrigado a apresentálo. Essa confusão inicial decorre da mudança de um parâmetro antigo com o qual todos já estavam acostumados. 5. Diferentemente do pedido de compensação que era requerido apenas para compensação entre tributos e contribuições de espécies diferentes, a DCOMP deve ser apresentada em todos os casos de compensação, inclusive entre impostos e contribuições da mesma espécie, exceto em relação aos créditos a que se refere a Instrução Normativa RFB nº 900/08. 6. Assim, será necessária a apresentação de uma DCOMP no momento em que ocorrer a compensação de parte de um crédito, mesmo que com diversos débitos. Por outro lado, se diversos créditos forem necessários para se compensar um débito, diferentes DCOMPs deverão ser apresentadas. [...] 9. Mas o pior é que não se trata do mero descumprimento de uma obrigação acessória, pois, segundo as novas regras, uma compensação só é considerada efetuada quando enviada a competente DCOMP. [...] 11. A Impugnante vem declarar que sempre cumpriu suas obrigações, principal e acessória, em consonância com a legislação e que não cometeu, em momento algum, irregularidades fiscais na utilização dos créditos efetivamente pagos no período abrangido no processo de compensação. 0 tributo ora homologado parcialmente referese ao IRPJ apurado no AnoCalendário 2003. 12. Conforme dispõe o "item 3" do Despacho Decisório em tela, ao se fazer a análise das informações prestadas no PER/DCOMP no 26245.76042.180708.1.7.02 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 400 4 7634, parte dos referidos créditos declarados (Retenções na Fonte e Estimativas pagas) não foi confirmada pelo sistema da RFB, devido a alguma falha no processamento de dados da própria Receita. 13. Para comprovar a existência do crédito tributário reproduzimos a demonstração do Saldo Negativo de IRPJ declarado na filha 12A linhas 1; 13; 17 e 19 da DIPJ/2004, AnoCalendário 2003 [...] 14. 0 Despacho Decisório relata que, do montante de IRRF declarado o sistema da RFB, só confirmou R$0,85 e do montante de estimativas pagas em DARF, o sistema só confirmou R$2.654,42. Sendo assim pela análise, a Impugnante só era detentor de R$130,35 de Saldo Negativo de IRPJ. 15. Em relação ao valor de Retenções na Fonte (IRRF) a Impugnante declarou no documento de compensação (DComp) os valores constantes dos registros contábeis, que poderão ser confirmados nas cópias das páginas do Livro DIÁRIO, bem como nos Comprovantes de Rendimentos fornecidos pelas Fontes Pagadoras que seguem anexas a esta petição. 16. Em relação às estimativas pagas em DARF, a Impugnante efetivou todos os recolhimentos mensais regularmente dentro dos prazos legais de vencimentos, sendo que no Despacho Decisório é destacado que os recolhimentos referentes aos períodos de abril; julho e novembro de 2003 NÃO foram localizados. 17. É de se destacar que, independentemente das cópias dos DARF de recolhimentos que seguem anexos, buscamos pelo Certificado Digital os referidos DARF's pagos, e verificamos que justamente os meses NÃO confirmados pelo sistema da Receita Federal do Brasil, ou seja, competências de abril, julho e novembro de 2003, os comprovantes de recolhimentos impressos mostram como FATOS GERADORES dos tributos, AS MESMAS DATAS DE VENCIMENTOS, como pode ser confirmado nos DARF's anexos. Assim sendo, é provável que a NÃO LOCALIZAÇÃO e, consequentemente, a NÃO CONFIRMAÇÃO dos recolhimentos devam estar vinculadas a essa situação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui DAS PROVAS MATERIAIS Para fins de instrução a presente Defesa, o Impugnante vem apresentar: a) comprovantes de pagamento dos tributos devidos (DARF's Estimativas Mensais); b) planilha referente à apuração do Saldo Negativo do IRPJ AnoCalendário 2003; c) páginas dos Livros DIÁRIO dos anos calendários 2003 e 2004, onde constam os lançamentos contábeis relativos aos valores apropriados e ora questionados; d) Declaração de Compensação do Exercício de 2003; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 401 5 e) DCTF's dos 04 (quatro) trimestres de 2003; f) DIPJ/2004 ano calendário 2003 e g) Comprovantes de recolhimentos dos tributos obtidos através do Certificado Digital [...], onde as datas de competências e vencimentos são iguais. DO MÉRITO A Impugnante sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, principal e acessória, previstas em lei, com a devida escrituração dos livros fiscais e contábeis revestidos das formalidades capazes de garantir sua exatidão. Destarte, não deve prosperar a cobrança da exação fiscal a que lhe foi imposta através do Despacho Decisório em tela. DO EXPOSTO, requer seja reconsiderado o Despacho Decisório em tela, visto que seus valores necessitam ser retificados, para que se cumpra a mais lídima JUSTIÇA! Protesta por todos os meios de prova em Direito admitidos. Termos em que P. e E. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.113, de 04.08.2011, fls. 126130: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” para reconhecer o direito creditório no valor total de R$837,56, referente aos pagamentos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada dos períodos de apuração de abril, junho e novembro de 2003. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. Comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte, é possível a homologação das compensações por ele declaradas, até o limite do crédito reconhecido. Notificada em 17.12.2011 (sábado), fls. 144145, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.01.2012, fls. 132138, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 402 6 Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A parcela litigiosa devolvida para reexame nessa segunda instância de julgamento restringese ao valor de R$598,83 referente ao IRRF do código 1708, que foi deduzido do IRPJ devido para fins de apuração do saldo negativo do anocalendário de 2003. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 403 7 da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente4. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período5. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de IRRF referentes ao código de arrecadação nº 1708 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 52 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985). Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Dessa forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 6. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 6 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 404 8 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em relação ao anocalendário de 2003 tem cabimento fazer a comparação entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 8795 e nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) informados pelas fontes pagadoras, fls. 122125, na forma exposta na Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 Cálculo da IRPJ a Pagar (A) Valores DIPJ R$ (B) Valores Despacho Decisório R$ (C) Valores DRJ R$ (C) IRPJ Devido 2.524,92 2.524,92 2.524,92 () IRRF 599,68 0,85 0,85 () IRPJ Determinado sobre Base de Cálculo Estimada 3.491,98 2.654,42 3.491,98 (=) IRPJ a Pagar (1.566,74) (130,35) (967,91) Vale esclarecer que não foi considerado como correto o valor de R$598,83 a título de IRRF que a Recorrente diz correto, com conformidade com a Tabela 2. Tabela 2 – Comparativo entre os valores constantes na DIPJ e na DIRF do anocalendário de 2003 Descrição (A) Pessoa Jurídica (B) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do Rendimento R$ (E) Valor do IRRF R$ (F) DIPJ Sul América Cia Nacional de Seguros 33.041.062/000109 1708 25.111,66 421,72 DIPJ Marítima Seguros S/A 61.383.493/000180 1708 11.800,03 177,11 DIRF Sul América Cia Nacional de Seguros 33 041 062/000109 8045 28.153,65 422,26 DIRF Marítima Seguros S/A 61 383.493/000180 8045 41.196,30 177,11 Falta de Comprovação pela Recorrente 598,83 Temse expressamente no art. 170 do Código Tributário Nacional que o direito creditório passível de reconhecimento pela Fazenda Pública deve ser líquido e certo. Essas condições cumulativas não estão corroboradas pelos documentos trazidos aos autos. Por seu turno, a Recorrente, embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas, não juntou aos Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 405 9 autos os outros elementos de prova respectivos, pois nesse caso, cabelhe produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior7. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que tem direito ao saldo negativo de IRPJ remanescente no somatório de R$598,83 originalmente pleiteado, tampouco instruiu os autos com cálculos explícitos, claros e congruentes, uma vez que verificase claramente a discrepância entre os códigos de arrecadação e os valores informados na DIPJ e na DIRF a respeito de IRRF. Nesse caso o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a Recorrente apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. Além disso, as notas fiscais juntadas aos autos pela Recorrente, entretanto, não se constituem comprovação hábil para evidenciar inequivocamente o direito creditório requerido. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. Relativamente à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 406 10 Voto Vencedor Divirjo do entendimento esposado pela Relatora. A fundamentação da Turma Julgadora de Primeira Instância em não deferir a parcela de R$ 599, 37 a título de IRRF, compensável com o IRPJ devido pela recorrente, relativo ao anocalendário de 2003 restringiuse a dois fatos: o primeiro a diferença de código de retenção (8045/1708) utilizado pelas fontes pagadoras (em Dirf), logo superado, e o segundo e determinante motivo foi a discrepância existente entre os valores dos respectivos rendimentos oferecidos à tributação pela recorrente constantes na DIPJ/04 (fls. 89) e aqueles que constaram em DIRF (115/116) e nos Informes de Rendimentos apresentados pela recorrente às fls. 51 e 52.. Verifiquese no votocondutor do Acórdão nº 12039.113, ora recorrido: “Entretanto, os mesmos CNPJ acima indicados, informaram em suas declarações de imposto de renda retido na fonte, anocalendário de 2003, o código 8045, divergente do que havia sido informado pela interessada (fls. 51/52 e 115/117), motivo pelo qual o sistema PER/DCOMP não havia confirmado os recolhimentos. Além de códigos diferentes, não há identidade entre rendimentos tributáveis nos informes das fontes pagadoras (fls.51/52) e nas DIRF das fontes pagadoras (fls.115/116) com a Ficha 53 da DIPJ 2004 (fl.89). [...] A regra é clara. Para que o IRRF devidamente retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real, mister se faz que a receita correspondente tenha sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, tenha sido computada na determinação do lucro real no referido anocalendário. No presente caso, em que pese a comprovação do IRRF nos valores de R$ 422,26 e R$ 177,11, a interessada não logrou comprovar que as receitas correspondentes foram devidamente tributadas, condição esta imprescindível à dedução do IRRF em questão. A titulo ilustrativo, analisandose a DIPJ 2004 apresentada, verificase que na Ficha 53 — Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 89) foram declarados os valores de R$ 25.111,66 e R$ 11.800,11 a titulo de rendimentos brutos relativos aos IRRF confirmados, valores estes inferiores aos declarados pelas fontes pagadoras (R$ 28.153,65 e R$ 41.196,30 fls.115/116).” (grifos não pertencem ao original) O raciocínio esposado no aresto está correto e consoante com a Súmula nº 80 editada por este Conselho: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 407 11 No entanto, a conclusão do acórdão merece reforma. Assim foram informados os rendimentos e as retenções das empresas em questão (Sul América Cia. Nacional de Seguros e Marítima Seguros): CNPJ DIPJ/04 INFORMES DE RENDIMENTOS DIRF Rendimentos IRRF Rendimentos IRRF Rendimentos IRRF 33.041.062/000109 25.111,66 421,72 28.153,65 422,26 28.153,65 422,26 61.383.493/000180 11.800,03 177,12 41.196,30 177,11 41.196,30 177,11 Verificase, pois, que a recorrente informou na DIPJ/04 uma parte dos rendimentos correspondentes aos IRRF pleiteados, fazendo jus, de igual forma, a parte do IRRF, em mesma proporção. Por simples regra de três, depreendese que os valores de IRRF a que tem direito a recorrente são: CNPJ RECEITA AUFERIDA ( % ) IRRF ( % ) IRRF DIPJ/04 DIRF/Informes Valor Proporcional 33.041.062/000109 25.111,66 28.153,65 89,19 422,26 89,19 376,61 61.383.493/000180 11.800,03 41.196,30 28,64 177,11 28,64 50,72 Destarte, a recorrente faz jus a mais R$ 427,33 de IRRF das referidas fontes pagadoras. Considerando que no despacho decisório foram confirmadas estimativas recolhidas no valor de R$ 2.654,42, e no acórdão recorrido confirmouse mais R$ 837,56, depreendese que os pagamentos informados no Per/Dcomp estão corretos e perfazem o montante de R$ 3.491,99. Considerando também que no despacho decisório foi confirmada uma retenção de IR no valor de R$ 0,85, depreendese que a recorrente sofreu retenções de IR neste valor, mais R$ 427,33, consoante raciocínio acima esposado, perfazendo o total de R$ 428,18. Resta, portanto, assim confirmado o saldo negativo de IRPJ para o ano calendário de 2003: IRPJ devido 2.524,92 ( ) Estimativas recolhidas 3.491,99 ( ) IRRF 428,18 Saldo Negativo de IRPJ (1.395,25) E, no que concerne à diferença de códigos, entre aqueles informados pelas fontes pagadoras e pela recorrente, supõese que o correto é o informado por esta, ou seja, 1708 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.900735/201084 Acórdão n.º 1801001.720 S1TE01 Fl. 408 12 – prestação de serviços, visto que as receitas são oriundas de pagamentos de comissões e corretagens de seguros (a recorrente é corretora de seguros), não podendo ser penalizada. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 427,33 a título de IRRF, a ser acrescido aos valores já reconhecidos pela autoridade a quo e pela Turma Julgadora de primeira instância, bem como homologar as compensações até o limite deste crédito. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10875.908204/2009-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 99 1 98 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908204/200900 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.123 – 2ª Turma Especial Data 25 de junho de 2013 Assunto Dcomp Eletrônico – Pagamento a maior ou indevido Recorrente Laboratórios Pfizer Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 63/67), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 4/ 20 09 -0 0 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908204/200900 Resolução nº 3802000.123 S3TE02 Fl. 100 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 13/12/2007. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 69 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 72/79, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 81/86), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 87/92, e cópias Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908204/200900 Resolução nº 3802000.123 S3TE02 Fl. 101 3 de DARF (fls. 93/96). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908204/200900 Resolução nº 3802000.123 S3TE02 Fl. 102 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 81) que as receitas financeiras do mês de dezembro/2002 correspondem a R$ 522.506,71, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 15.675,20. Neste processo, diferente dos demais pleitos da interessada analisados nesta mesma sessão de julgamento, não foi anexada a tabela onde constam as rubricas que compõem o total das receitas financeiras. Todavia, diante dos registros que, nos outros processos, geraram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras, entendemos que aqui também há que ser analisada a natureza de tais rubricas pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas que compõem os valores contabilizados pela recorrente. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008804/2009-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
AJUDA DE CUSTO DE TRANSFERÊNCIA NACIONAL DEFINITIVA.
A ajuda de custo que não se destina a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, possui natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 AJUDA DE CUSTO DE TRANSFERÊNCIA NACIONAL DEFINITIVA. A ajuda de custo que não se destina a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, possui natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. Recurso Voluntário Negado
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A ajuda de custo que não se destina a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, possui natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 04 /2 00 9- 84 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008804/200984 Acórdão n.º 2801003.133 S2TE01 Fl. 87 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se retificou o valor a restituir constante da declaração de ajuste anual do contribuinte de R$ 29.324,37 para R$ 2.654,29. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 13/14 deste processo digital, que foi constatada, na declaração de ajuste anual do contribuinte, as seguintes omissões de rendimentos sujeitos à tabela progressiva: a) Fonte pagadora IBM Brasil, valor de R$ 96.810,00, referente à ajuda de custo de transferência nacional definitiva. Não ficou comprovado tratarse de ajuda destinada a atender despesa com transporte, frete ou locomoção em caso de remoção. A fonte pagadora informou ter incluído tal verba como tributável seguindo orientação contida na Solução de Consulta SRRF 07 DISIT nº 134, de 29/04/2005. b) Fonte pagadora Itaú Vida e Previdência S/A, no valor de R$ 378,56. Na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 56,78. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 4/7, que foi julgada improcedente por intermédio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MAJORAÇÃO DE RENDIMENTOS. AJUDA DE CUSTO. É tributável a verba paga pelo empregador a título de ajuda de custo, em virtude de remoção de um município para outro, se não destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/08/2011 (fl. 77), o Interessado interpôs, em 15/09/2011, o recurso de fl. 79/81. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Ao efetuar a declaração de ajuste anual excluiu o valor de R$ 96.810,00 do total de rendimentos tributáveis e informou o mesmo valor como “Rendimentos Isentos e não Tributáveis” (ajuda de custo), em face do caráter indenizatório da verba. O procedimento gerou divergência entre os valores declarados e os informados na DIRF da empresa IBM Brasil. Ciente da possível divergência, solicitou à empresa, antecipadamente, carta esclarecedora e retificadora das informações declaradas, a qual confirma que o valor de R$ 96.810,00 foi pago a título de indenização, na forma de ajuda de custo devido à transferência nacional, ônus este que deve ser suportado pelo empregador, e não pelo empregado. Se a ajuda de custo possui caráter indenizatório, o seu valor não pode servir de base de cálculo para o imposto de renda, porque esta aquisição de disponibilidade não representa, de forma alguma, acréscimo patrimonial ou renda. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008804/200984 Acórdão n.º 2801003.133 S2TE01 Fl. 88 3 As verbas de natureza indenizatória, tal como a ajuda de custo, visam simplesmente recompor o patrimônio do empregado, não podendo, portanto, serem tidas como um acréscimo a esse patrimônio. Arcou com todas as despesas resultantes da transferência e a indenização paga a título de ajuda de custo tem o intuito apenas de ressarcilo desses gastos, como aluguel de nova moradia e gastos diários/mensais no novo local de trabalho para sua subsistência. Após elencar ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre o tema ajuda de custo, requer o acolhimento do presente recurso e a devolução do imposto indevidamente retido. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre a verba denominada "Ajuda de Custo de Transferência Nacional Definitiva”, uma vez que a matéria relativa à omissão de rendimentos recebidos do Itaú Vida e Previdência não foi impugnada. Observo, inicialmente, que o valor pago a título de "Ajuda de Custo de Transferência Nacional Definitiva” foi lançado no contracheque do Recorrente com a denominação “VOUCHER DESPESAS GENÉRICAS” (fl. 9). Segundo o próprio Interessado, tal verba tem o intuito apenas de ressarcilo de gastos como aluguel de nova moradia e gastos no novo local de trabalho, para sua subsistência, o que evidencia, a meu ver, por si só, o seu caráter remuneratório, e, por conseguinte, a sua sujeição à incidência do imposto de renda. Por outro lado, a Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em seu art. 6º, inciso XX, classifica a ajuda de custo como rendimentos isentos do imposto de renda, desde que sejam destinados, exclusivamente, ao pagamento das despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte. Eis o teor do dispositivo: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XX ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte. No caso concreto, a verba recebida a título de "Ajuda de Custo de Transferência Nacional Definitiva” não preenche os requisitos legais para que seja afastada a tributação, conforme restou consignado nos seguintes excertos da decisão recorrida: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008804/200984 Acórdão n.º 2801003.133 S2TE01 Fl. 89 4 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal consignouse o que segue: INCLUÍDO NO TOTAL DOS RENDIMENTOS O VALOR DE R$ 96.810,00 RELATIVO A AJUDA DE CUSTO DE TRANSFERÊNCIA NACIONAL DEFINITIVA POIS NÃO FICOU COMPROVADO TRATARSE DE AJUDA DESTINADA A ATENDER DESPESA COM TRANSPORTE, FRETE E LOCOMOÇÃO EM CASO DE REMOÇÃO. A FONTE PAGADORA INFORMA TER INCLUÍDO TAL VERBA SEGUINDO ORIENTAÇÃO CONTIDA NA SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF 7 RF/DISIT 134, DE 29/04/2005. (...) A Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 134, de 29 de abril de 2005, mencionada na notificação de lançamento, orientou a fonte pagadora a informar os rendimentos como tributáveis e a proceder à retenção do imposto de renda, uma vez evidenciado naqueles autos que a empresa mantinha um “Programa de Transferência Nacional Definitiva”, em decorrência do qual concedia ajuda de custo, na qual se incluíam todas as despesas resultantes do processo de transferência para a nova localidade de moradia dos funcionários, com exceção das despesas com a mudança dos bens e da viagem dele e de seus familiares para o destino, que lhe seriam reembolsadas. (grifo no original) Ora, se a verba paga não engloba as despesas com a mudança dos bens (transporte e frete) e viagem do beneficiado e de seus familiares para o destino (locomoção), por óbvio que na está albergada pela norma isentiva do inciso XX do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, ainda que seja intitulada de “ajuda de custo”. Registro, também, que de acordo com o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção". O art. 176 do referido código, por seu turno, estabelece que "a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração". Assim, a "Ajuda de Custo de Transferência Nacional Definitiva” (VOUCHER DESPESAS GENÉRICAS) está sujeita ao imposto de renda, porquanto reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.008804/200984 Acórdão n.º 2801003.133 S2TE01 Fl. 90 5 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 11516.000986/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RECEITAS RECEBIDAS DE PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO NO LIVRO CAIXA. VALOR DE RENDIMENTOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DO FISCO COMPROVAR QUE ESSES RENDIMENTOS NÃO ESTÃO INCLUÍDOS NOS VALORES DECLARADOS NO LIVRO CAIXA.
Cabe ao Fisco comprovar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, demonstrando inequivocamente que as receitas comprovadamente recebidas não estão dentre os valores declarados como receitas no Livro Caixa.
IRPF. LIVRO CAIXA. ODONTÓLOGO. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
O odontólogo, como profissional não assalariado, está autorizado a deduzir as despesas de custeio pagas e necessárias à manutenção da atividade profissional, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea. A idoneidade de nota fiscal como prova de pagamento pode ser afastada diante de fortes indícios de que as informações ali registradas não retratam a realidade dos fatos. Nesses casos, cabe ao contribuinte apresentar outros elementos que comprovem o pagamento das alegadas despesas.
IRPF. LIVRO CAIXA. ODONTÓLOGO. DESPESAS COM CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS.
Não há restrição legal para a dedução no livro caixa de despesas, comprovadas, efetuadas pelo contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não-assalariado, com curso de especialização necessário ao desempenho da função desenvolvida pelo contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA.
A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de fraude. Ausente essa comprovação a qualificação da multa deve ser afastada.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre a mesma conduta, representada pela omissão dos mesmos rendimentos recebidos de pessoas físicas.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) alterar o valor da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas de R$20.249,65 para R$10.167,97; (b) restabelecer dedução de Livro Caixa no valor de R$8.713,00 (R$8.580,00 mais R$133,00); (c) afastar a qualificação da multa de ofício; e (d) excluir a multa isolada referente ao não recolhimento do imposto mensal obrigatório, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) que davam provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à dedução de despesas com curso de especialização, a Conselheira Dayse Fernandes Leite.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Redatora designada
EDITADO EM: 22/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RECEITAS RECEBIDAS DE PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO NO LIVRO CAIXA. VALOR DE RENDIMENTOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DO FISCO COMPROVAR QUE ESSES RENDIMENTOS NÃO ESTÃO INCLUÍDOS NOS VALORES DECLARADOS NO LIVRO CAIXA. Cabe ao Fisco comprovar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, demonstrando inequivocamente que as receitas comprovadamente recebidas não estão dentre os valores declarados como receitas no Livro Caixa. IRPF. LIVRO CAIXA. ODONTÓLOGO. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. O odontólogo, como profissional não assalariado, está autorizado a deduzir as despesas de custeio pagas e necessárias à manutenção da atividade profissional, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea. A idoneidade de nota fiscal como prova de pagamento pode ser afastada diante de fortes indícios de que as informações ali registradas não retratam a realidade dos fatos. Nesses casos, cabe ao contribuinte apresentar outros elementos que comprovem o pagamento das alegadas despesas. IRPF. LIVRO CAIXA. ODONTÓLOGO. DESPESAS COM CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS. Não há restrição legal para a dedução no livro caixa de despesas, comprovadas, efetuadas pelo contribuinte que recebe rendimentos do trabalho nãoassalariado, com curso de especialização necessário ao desempenho da função desenvolvida pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 86 /2 01 0- 12 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de fraude. Ausente essa comprovação a qualificação da multa deve ser afastada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre a mesma conduta, representada pela omissão dos mesmos rendimentos recebidos de pessoas físicas. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) alterar o valor da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas de R$20.249,65 para R$10.167,97; (b) restabelecer dedução de Livro Caixa no valor de R$8.713,00 (R$8.580,00 mais R$133,00); (c) afastar a qualificação da multa de ofício; e (d) excluir a multa isolada referente ao não recolhimento do imposto mensal obrigatório, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) que davam provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à dedução de despesas com curso de especialização, a Conselheira Dayse Fernandes Leite. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Redatora designada EDITADO EM: 22/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 425 3 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, consistente na glosa de despesas de Livro Caixa, apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão e aplicação de multa de ofício qualificada. A omissão de rendimentos de pessoas físicas referese a valores informados por pacientes do contribuinte, que é dentista, e comprovados por recibos juntados aos autos, rendimentos que a autoridade fiscal reputou não incluídos como receitas do Livro Caixa. Esses valores somam R$20.249,65 e foram discriminados às fls. 208 (item 1). A autoridade fiscal registrou que as atividades profissionais do contribuinte eram desenvolvidas na Clínica OPIC, usuária a marca CIIPO, e que, de acordo como contrato apresentado pelo contribuinte, este pagava à clínica uma quantia mensal variável, a título de aluguel de equipamentos odontológicos utilizados em sua atividade profissional. As despesas informadas em Livro Caixa no valor de R$7.742,32. Para melhor compreensão deste caso, as despesas são separadas em dois grupos: a) As mais significativas referemse ao Instituto IPENO, à Clínica OPIC, curso de especialização e locação de equipamentos, respectivamente. b) Há outros 4 pagamentos relativos a aquisição de produtos odontológicos e livros, sendo beneficiárias as empresas Dental Center, Odontex – Comércio de Produtos Odontológicos e Livros, Prodoctor e OPIC. Quanto às primeiras, o contribuinte apresentou notas fiscais que não foram consideradas aptas a comprovar o pagamentos em razão de uma série de indícios relacionados pela Fiscalização que colocaram em dúvida a realização desses pagamentos. Em síntese, esses motivos foram: Do aluguel de equipamentos OPIC a) evidências de que o contrato de locação de equipamentos não reflete a relação laboral entre o contribuinte e a Clínica OPIC; b) a empresa não comprovou ser proprietária dos bens locados, limitouse a informar à Fiscalização que não possui a comprovação porque os bens contavam mais de cinco anos de fabricação e estaria dispensada de guardar as notas fiscais; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 c) o contrato não menciona a quantidade de bens locados, embora, nos termos do Código Civil, a individualização do bem locado seja imprescindível; d) as informações vagas acerca dos bens locados juntamente com as informações sobre a OPIC demonstram que a Clínica dispõe de sala cirúrgica, modernos equipamentos, inclusive unidades de reserva, e que a quantidade de bens não se limita apenas aos locados ao contribuinte, pois outros 15 odontólogos atuam no mesmo local (fls. 158); e) o contrato de locação prevê o valor de R$35,00 por hora de locação, entretanto o número de horas locadas que foi informado pela clínica diverge do valor informado nas notas fiscais (fls. 212, item 6); f) a clínica não demonstrou a forma como controla as horas locadas; g) as despesas informadas no Livro Caixa são exageradas em relação aos rendimentos, gerando uma renda líquida anual de apenas R$14.410,29, um valor inexpressivo que contradiz o propósito divulgado pela rede CIIPO, que oferece um rentável modelo de negócios em odontologia (fls. 161/161); h) o valor mensal supostamente pago como aluguel também é desproporcional em relação ao valor mensal que a OPIC paga de aluguel pelo uso de imóvel onde os consultórios funcionam (R$6.095,96); i) o contribuinte utiliza de toda a estrutura da Clínica OPIC, não se trata de apenas alugar equipamentos, esta conclusão é baseada na análise da planta baixa da OPIC, da Resolução ANVISA que dispõe sobre a estrutura mínima para clínicas odontológicas, na ausência de despesas significativas de custeio por parte do contribuinte e entrega de documentos à fiscalização por meio de funcionária da Clínica OPIC; j) a afirmação da Clínica OPIC de que aluga apenas equipamentos e não espaço representa uma artifício para simular um contrato de locação de equipamentos odontológicos e burlar a vedação à opção pelo SIMPLES, caso locasse consultório, bem como estratégia para não violar o contrato de locação, que veda a sublocação ou cessão do imóvel para pessoas físicas; para o contribuinte, o artifício resulta na elevação das despesas ligadas à atividade e, consequentemente, redução ou inexistência de imposto a pagar, tanto que no ano fiscalizado não recolheu imposto de renda; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 426 5 k) a quantidade de horas destinadas ao curso de pós graduação em atividade profissional pactuada em contraprestação à bolsa de estudo recebida ratifica que o número de horas dedicadas à atividade na OPIC não é o que foi informado pela Clínica; Do curso de pósgraduação – IPENO a) As notas fiscais não bastam para comprovar o efetivo desembolso; b) Houve concessão de bolsa de estudo no percentual de 35%, porém há notas fiscais emitidos no valor integral, a bolsa era contraprestação a serviços prestados; c) Não há distinção entre o patrimônio do IPENO e da OPIC, o contribuinte afirmou que os pacientes eram atendidos nas dependências do IPENO, sala 201, um das duas salas onde tem sede a OPIC (fls. 47, 56, 187/192) e o responsável pelas duas empresas é o mesmo; d) Ainda que comprovadas essas despesas, é indevida a inclusão no Livro Caixa, pois cursos de pós graduação somente são dedutíveis como despesas com instrução e no ano de 2006 o limite anual foi de R$2.373,84; As demais despesas não foram admitidas pela Fiscalização porque os comprovantes não contêm requisitos legais ou não comprovam o efetivo pagamento, em sua quase totalidade, não apresentam a identificação do destinatário, com o nome e CPF, e o endereço completo do consultório, no cupom fiscal emitido pela OPIC, em 31/01/2006, não há qualquer identificação do destinatário da mercadoria e no cupom emitido pela Dental Center, em 26/04/2006, o endereço do destinatário é a rua Bento Gonçalves, 183, sala 501, o mesmo da clínica CIIPO, da qual o contribuinte foi excluído do quadro societário em 2004; e o cupom fiscal emitido pela Prodoctor não apresenta o CPF e o endereço do adquirente da mercadoria; o recibo emitido pela Odontex não constitui documento válido como prova, pois o emitente pessoa jurídica deve fornecer nota fiscal ou cupom fiscal (Anexo I, fls. 25, 33 ,37 e 41); a comprovação por meio de cupom fiscal está sujeita a requisitos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 61, §1º. O procedimento de fiscalização é resumido no Termo de Verificação Fiscal às fls. 204/221. Na impugnação, em síntese, o contribuinte alegou que o contrato era padrão e imposto aos profissionais para assinatura, que pagava com repasse de cheques de seus clientes, que sua participação da CIIPO foi de apenas 0,25% e por certo período, por decisão da clínica que exigia que todos os dentistas fossem sócios com esse percentual, no valor de R$50,00; está sendo acusado de fatos alheios à sua vontade (de responsabilidade exclusiva da OPIC e do IPENO), não tinha horário fixo a cumprir na clínica, apresentou poucos comprovantes de material dentário porque comprava diretamente dos representantes, os rendimentos imputados como omitidos foram registrados no Livro Caixa sob a denominação de “diversos” porque não localizou registros dos nomes dos pacientes; a multa é desproporcional e não cabe aplicação concomitante da multa isolada com a de ofício; não houve isonomia de tratamento, pois um colega seu, em situação semelhante, teve as notas aceitas pela Fiscalização; pagou pelo curso Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 de pós graduação e apresenta comprovante de conclusão, são despesas dedutíveis, ao menos como despesas com instrução, descreve a dificuldade financeira e comprova que possui ínfimo patrimônio, o que revela a improcedência da alegação de que as despesas foram desproporcionais A impugnação foi indeferida sob a fundamentação adiante resumida: a) cabia ao contribuinte comprovar a escrituração no Livro Caixa, não só das despesas com também das receitas, só assim comprovaria que os rendimentos apurados pela Fiscalização já haviam sido declarados no Livro Caixa; essa tributação não se confunde com a hipótese de tributação de atividades ilícitas como sugeriu o impugnante; b) foi comprovado que o contribuinte locava não somente equipamentos, e sim “toda uma estrutura indispensável a sua atividade, mas que restou totalmente omisso no contrato”; c) muito embora seja indubitável a existência de uma relação que envolve a atividade do profissional e as empresas OPIC e CIIPO, o contrato e as notas fiscais não exprimem a verdadeira natureza desta relação e os reais valores despendido por este na execução do seu trabalho na sede destas; d) devido à existência dos indícios arrolados pela autoridade fiscal, os art. 73 e 845, §1º do RIR1999 respaldam a exigência de comprovação e a decisão de não acatar as notas fiscais; e) ainda que comprovado que a participação do contribuinte na CIIPO era de 0,25% e não 25% como a autoridade fiscal considerou, esse equívoco não fragiliza o lançamento, pois não era preponderante em relação aos demais; f) os fatos imputados à OPIC e CIIPO são indissociáveis da fundamentação do lançamento à medida em que desqualificam a relação existente entre o contribuinte e a suposta locatária, não se trata de imputar responsabilidade por ato de terceiros; g) Não restou esclarecido como ocorria o controle das horas locadas e não é crível que o contribuinte pagasse por um número de horas superior àquele que apurava em seu controle; h) As alegadas dificuldades financeiras não afetam o fato gerador tributável; i) Os pagamentos referentes ao curso de pós graduação não se enquadram como despesa necessária, o que impede a dedução no Livro Caixa; como despesa com instrução não pode ser aceita por falta de comprovação do desembolso, diante das circunstâncias evidenciadas nos autos; j) As multas de ofício e isolada são devidas pois decorrem de previsão legal e não compete à DRJ afastar lei por inconstitucionalidade; l) Não cabe à DRJ manifestarse sobre a Representação Fiscal para Fins Penais; m) O momento de apresentar provas é na impugnação, sob pena de preclusão, e não se configurou qualquer das hipóteses excepcionais do §4º do art. 16 do Decreto n°70.235/1972; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 427 7 n) Os precedentes indicados não tem efeito vinculante neste processo. O contribuinte tomou ciência do acórdão no dia 05/05/2011 e interpôs Recurso Voluntário em 02/06/2011, por meio do qual o recorrente reitera tudo quanto alegou em primeira instância, acrescido das alegações abaixo resumidas: 1. nulidade da decisão recorrida por ter indeferido o pedido de produção de provas, em afronta o direito de ampla defesa e ao da busca da verdade material; 2. a afirmação do item 001 da folha n. 3 do acórdão recorrido de que o recorrente foi sócio de uma unidade da CIIPO em Bento Gonçalves não procede, pois nunca existiu essa unidade; 3. contesta a afirmação da folha n. 15 do acórdão combatido de que não tinha custo com materiais dentários, pois tinha gastos dessa natureza, nunca afirmou o contrário, simplesmente não guardou todas as notas fiscais ou estas não lhe foram fornecidas, pois comprava muito com representantes comerciais que geralmente não as emitiam; a afirmação de que se valia de matérias dentários da clínica também não é procedente, se assim o fosse, o recorrente não poderia ter apresentado notas de material dentários que foram glosadas pela autoridade fiscal; 4. contesta a afirmação da folha n. 14 do aresto recorrido, 3º parágrafo; nunca cogitou que o controle exigido pela fiscalização viesse a ser necessário, o motivo de os valores formalmente percebidos não guardarem coincidência com o valor convertido em horas porque repassava cheques de terceiros e completava com dinheiro, quando pago a maior, deixava saldo para o mês seguinte, mas pegava a nota do valor efetivamente pago; 5. o horário disponibilizado pela clínica aos colaboradores era de segunda a sexta, das 8:00 às 22h e sábados das 8h às 20h, muito clientes preferiam ser atendidos aos fins de semana (às vezes aos domingos), deste modo as horas disponíveis possibilitaram, com sobra, o uso das horas declaradas; 6. as horas formalmente destinadas ao curso de pósgraduação às sextas feiras não eram totalmente destinadas ao pósoperatório do curso, mas sim, apenas duas a três horas, ou menos, alguns módulos do curso dispensavam o pósoperatório, de maneira que o tempo restante era dedicado ao labor profissional do recorrente junto à clínica; 7. na tabela apresentada no item 6 do recurso voluntário (fls. 303) é demonstrado o ganho declarado e correlação com as horas trabalhadas/mês; 8. contesta a afirmação do acórdão recorrido (fl. n. 19, 3º parágrafo) que não havia condições para o exercício da profissão nas horas alegadas, pois contava com 35 anos de idade, ainda era um clínico geral, e não um dentista bem sucedido, com rentabilidade pequena e que exigia uma carga de trabalho estafantes, como é normal nessas circunstâncias; tanto que ingressou no curso de especialização na esperança de elevar o nível profissional e, consequentemente, a remuneração; 9. enquanto a OMS recomenda 1 para cada 1.200 habitantes, em Florianópolis há número 5,5 vezes maior que o recomendado, o que corrobora as afirmações acima; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 10. o contrato social já anexado demonstra que, de 2002 a 2004, o recorrente detinha 0,25% de participação na clínica e não 25% como constou no Termo de Verificação Fiscal, retificação relevante pois essa premissa foi levada em conta pela autoridade fiscal para concluir que o recorrente agiu em conluio, embora este equívoco tenha sido apontado na impugnação, o acórdão recorrido não se manifestou sobre ele; essa participação societária foi imposta pela clínica, mas não lhe trouxe qualquer ganho, e ainda que houve existido, seria ínfimo em razão de a participação ser de apenas 0,25%; 11 os documentos firmados com as empresas OPIC, CIIPO e IPENO representam a realidade dos fatos, as fraudes imputadas a essas empresas e seus proprietários constituem fatos alheios ao conhecimento e vontade do recorrente; à época paga esses contratos com cheques de terceiros ou dinheiro, atualmente paga com cheques próprios e a pratica atual reafirma a veracidade das operações antigas; 12. se a clínica burlou o SIMPLES, ela é que deve arcar com a responsabilidade pelas infrações, não o recorrente; se a empresa não comprovou a propriedade dos bens locados, o recorrente agiu de boa fé, pois sempre acreditou que os móveis pertenciam à clínica, presumir o contrário é absurdo; a quantidade e individualização dos bens locados não era importante para o recorrente, o que importava era o fato de ser disponibilizado um local adequado para o desempenho de suas atividades profissionais; não era de seu conhecimento se a clínica estava impedida de sublocar; 13. a própria autoridade fiscal reconheceu que a CIIPO (ou a OPIC) oferece muito mais que local aos dentistas, oferece equipamentos modernos, qualidade de instalações e, especialmente, uma marca consolidada no mercado; 14. o fato de as empresas pertencerem ao mesmo dono e estarem situadas no mesmo local não permite concluir que houve fraude e, anda que fosse uma fraude, o recorrente não tem relação com tais acontecimentos; o grupo organizacional possibilitou ao recorrente realizar o curso de pósgraduação, com bolsa de 30%, às fls. 19 consta cópia autenticada do certificado emitido pela renomada Unicastelo, cuja autenticidade não pode ser motivo de dúvida; 15. a assertiva do acórdão que o atendimento que realizava no pósoperatório era contrapartida da bolsa de estudos que recebia é inverídica, e ainda que fosse verdade, restaria ao recorrente pagar o valor de R$780,00; é este o valor que o recorrente pleiteia como dedução do imposto de renda; 16. a prolatada desproporção entre rendimentos e despesas não é signo de fraude com foi imputado ao recorrente, e sim da dificuldade financeira da profissão e de uma opção mal sucedida, sob o prisma econômicofinanceiro, referente ao contrato com a OPIC; 17. não houve omissão de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas pois todo o valor imputado a esse título foi declarado como receitas no Livro Caixa, ou sob a denominação de “diversos” ou com equívoco em relação ao nome do paciente; se não for afastada toda a infração, ao menos o valor registrado em receita como “diversos” deve ser expurgado; 18. contesta a glosa de despesas com fornecedores pois a legislação exige a comprovação das despesas e não o cumprimento de requisitos extrínsecos de documentos fiscais, o que importa é que o documento comprove materialmente a realização da despesa, as infrações formais devem ser imputadas aos emitentes desses documentos; cita precedente judicial alusivo a presunção de boa fé do adquirente; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 428 9 19. não está impedido de pagar em dinheiro ou com cheques de terceiros, se as micro e pequenas empresas estão dispensadas de manter escrituração contábil com muito mais razão a pessoa física; 20. tem direito à dedução das despesas com o curso de especialização; 21. por analogia com a legislação sobre arbitramento de lucro, não é válido aceitar toda a receita e glosar quase toda a despesa, esta deveria ser arbitrada em 50% das receitas, nos termos do DecretoLei 1.648/78; 22. conforme precedentes deste Conselho, deve ser excluída a multa isolada porque o recorrente não estava sujeito a recolhimento mensal obrigatório; de todo modo esta multa deve ser excluída pois há bis in idem pois já foi aplicada a multa de ofício; 23. a multa qualificada é improcedente pois o recorrente não agiu com dolo e não pode ser penalizado por conduta de terceiro, com as quais não participou, mas da qual está sendo vítima; 24. conforme precedentes judiciais, a multa de ofício é confiscatória e deve ser reduzida a, no máximo, 20%; e 25. contesta a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais, pois não há um lançamento definitivo contra o recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. I – Da preliminar de nulidade O acórdão recorrido indeferiu o pleito para produção de provas com fundamentação suficiente, pois consignou que a prova era um ônus do contribuinte e há dispositivo legal que define o momento processual para sua apresentação. De outro lado, o recorrente não traz outras provas e não demonstra objetivamente qual teria sido o prejuízo a sua defesa. Não há declaração de nulidade sem prejuízo. Desta forma, rejeitase a alegação de nulidade da decisão recorrida. II Da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. A autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar o Livro Caixa e respectivos documentos comprobatórios e registrou que o contribuinte apresentou cópia da documentação, na qual não constavam comprovantes das receitas escrituradas, quanto a esse ponto, o contribuinte teria afirmado que, embora não tenha encontrado todos os recibos Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 fornecidos, todos os valores auferidos foram declarados e apresentado a relação de receitas com nomes dos pacientes atendidos e respectivos valores, mês a mês. A autoridade fiscal com base diligenciou junto a pacientes, coletou diversos recibos e concluiu que foram omitidos rendimentos dos contribuinte relacionados às fls. 208 (item 1). O contribuinte insiste em afirmar que os valores que a autoridade fiscal reputou como omitidos estão incluídos dentre aqueles declarados no Livro caixa como receitas e relacionados como “diversos” porque não foi possível identificar todos os pacientes. Por sua vez, o acórdão recorrido rejeitou essa alegação sob o fundamento de que cabia ao contribuinte comprovar a escrituração no Livro Caixa, não só das despesas como também das receitas, só assim comprovaria que os rendimentos apurados pela Fiscalização já haviam sido declarados no Livro Caixa. Essa premissa não é totalmente apropriada, pois em primeiro lugar é ônus da autoridade fiscal comprovar que os valores que relacionou às fls. 208 não estavam contidos no Livro Caixa. Diante de relação elaborada pelo contribuinte, não poderia ignorar a menção a existência de receitas cujos pacientes não estavam informados. Ainda que seja dever do contribuinte comprovar documentalmente as receitas, a falta de documentação que comprove quem pagou pela receita declarada, não permite presumir que as receitas cuja comprovação foi colhida pela fiscalização sejam, necessariamente, uma omissão. Isto somente é possível, por uma questão lógicoaritmética, quando os rendimentos comprovados pela autoridade fiscal forem de valor superior ao que foi declarado no mês. A receita que na relação não tem indicação do paciente que pagou pode ou não ter sido paga pelas pessoas com as quais a fiscalização colheu a comprovação, a comprovação da omissão é ônus do Fisco. Desta forma, a tabela abaixo discrimina a diferença que espelha o quanto o Fisco tem direito de tributar como omissão. Esta tabela deve ser adotada para retificar o lançamento, onde a “diferença” é negativa não se pode presumir que houve omissão. Valor dos recibos obtidos pela fiscalização Valor declarado como diversos Diferença Janeiro 781,55 56,80 724,75 Fevereiro 1.165,00 1.106,20 58,80 Março 1.500,00 1.240,65 259,35 Abril 2.281,55 1.151,00 1.130,55 Maio 1.711,55 929,13 782,42 Junho 280,00 39,80 240,20 Julho 1.230,00 1.051,05 178,95 Agosto 1.530,00 1.339,45 190,55 Setembro 580,00 697,45 (117,45) Outubro 1.450,00 481,00 969,00 Novembro 1.800,00 1.231,00 569,00 Dezembro 5.940,00 758,15 5.181,85 Total 20.249,65 10.081,68 10.167,97 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 429 11 Alem disso, não há imputação fiscal que demonstre suficientemente o evidente intuito doloso nessa omissão de rendimentos, o que desautoriza a qualificação da multa. III – Da glosa do Livro Caixa III.1. Das despesas com “aluguel de equipamentos”. Nessa fase recursal é incontroverso que o recorrente exercia a atividade de dentista em consultório da empresa OPIC, a qual detinha direito de uso da marca CIIPO, e que, não obstante, haver um contrato formal que estipulava a locação de equipamentos, o recorrente locava mais que isso, pois usufruía de toda a estrutura disponibilizada pela OPIC. Outro fato incontroverso é que o recorrente era responsável técnico da CIIPO, marca usada pela Clínica OPIC. A questão central do litígio está nas conclusões opostas que Fisco e contribuinte desenvolvem a partir dessa premissa básica, no que concerne à comprovação do pagamento das despesas de locação representadas pelas notas fiscais emitidas pela Clínica OPIC. A dedução de despesas de locação de estrutura operacional para atividade de odontologia, assim como demais despesas de custeio pagas e necessárias à manutenção da atividade profissional, tem como requisito a comprovação com documentação hábil e idônea. Nestes autos, os únicos documentos apresentados para provar o pagamento foram as notas fiscais emitidas pela OPIC nas quais foi registrado locação de equipamentos e valores que, convertidos em horas de locação estipuladas no contrato pelo valor de R$35,00/hora, representam um númerode horas locadas superior ao que foi informado pela OPIC. Em suma: a nota fiscal indica algo que não representa a realidade dos fatos e valores que não são corroborados pela OPIC. A idoneidade de nota fiscal como prova de pagamento pode ser afastada diante de fortes indícios de que as informações ali registradas não retratam a realidade dos fatos. Nesses casos, cabe ao contribuinte apresentar outros elementos que comprovem o pagamento das alegadas despesas. A extensa argumentação desenvolvida pelo recorrente na tentativa de justificar as discrepâncias e a falta de documentação que comprove o pagamento é insuficiente, pois não foi superada a questão central: apresentar documentação hábil e idônea Essa conclusão não é alterada pelo fato de ficar esclarecido que a participação do recorrente na OPIC era de 0,25% tal como diversos outros dentistas (e não 25% como foi considerado pela autoridade fiscal). O engano da autoridade fiscal em relação à participação societária na OPIC foi apreciado pelo acórdão recorrido, no qual foi consignado que esse equívoco não foi decisivo no lançamento. Desta forma, fica rejeitada a alegação do recorrente de que o acórdão não apreciou esse ponto. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 O pleito do recorrente de arbitrar o ganho com base em legislação alusiva a arbitramento de lucro de pessoas jurídicas (DecretoLei 1.648/78) deve ser rejeitado pois não se cuida de um lançamento por arbitramento, apenas glosa de despesas. Nessas cirscunstâncias, é legítima a glosa das despesas consignadas nas notas fiscais. II2. Das despesas com o curso de especialização. Essas despesas não podem ser deduzidas no Livro Caixa como adequadamente exposto no acórdão recorrido, somente são dedutíveis como despesas com instrução. Explicase. A previsão legal acerca de dedução de despesas com instrução tem natureza de norma especifica que não pode ser suplantada pela norma genérica de despesas de Livro Caixa. Além disso, no Livro Caixa somente são dedutíveis despesas de custeio pagas e necessárias à manutenção da atividade profissional. Não são dedutíveis os investimentos que o profissional realiza para fins de ampliar as fontes de rendimentos. É uma regra geral do regime de custos e despesas, que devem ser computadas no mesmo período em que são tributadas as receitas ou rendimentos. Nessa questão, o curso de especialização é um investimento feito pelo profissional e não uma despesa de custeio. No sentido de não autorizar a dedução de despesas com instrução no Livro caixa colhemse precedentes do CARF cujos excertos são transcritos abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2004, 2005 Ementa: (...) DESPESAS. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, devese deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto de renda. ANOSCALENDÁRIO 2003 E 2004. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DISPÊNDIOS COM CURSOS LIVRES PROFISSIONALIZANTES. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DESSAS DESPESAS PARA O LIVRO CAIXA. Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95 e da legislação regulamentadora (IN SRF nº 15/2001), vigente nos anoscalendário auditados, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da préescola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo previsão para albergar cursos de especialização ou profissionalizante livres. Não foi demonstrado nestes autos que as entidades emitentes dos recibos de instrução se enquadrassem como estabelecimentos de ensino, nos termos da Lei nº Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 430 13 9.394/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional), pois são cursos livres, não regulamentados pela Lei citada. A exigência de enquadramento nessa lei citada, feita pelo IN SRF nº 15/2001, está dentro do poder regulamentar do executivo, não parecendo desbordar do comando do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95. Já quanto à conversão das despesas acima para o livro caixa, as despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e, por óbvio, que não estão especificadas como de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia). Assim, a despesa com instrução deve ser deduzida como tal, e não a título de livro caixa. (...).( Acórdão nº 2102001.398, de 29/07/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DESSAS DESPESAS PARA O LIVRO CAIXA. Quando a despesa com instrução não puder ser deduzida como tal, em observância à legislação de regência, por óbvio não poderá sêla a título de livro caixa, pois a despesa com instrução consta como despesa dedutível específica, aberta a todos os contribuintes, não sendo razoável permitir que despesas que não se enquadrem nos normativos dos dispêndios com instrução possam sêlas dedutíveis a título de livro caixa. (...) Recurso Voluntário Negado.( Acórdão nº 2801002.939, de 12/03/2013) “Despesas com Instrução O artigo 75 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), transcrito na decisão recorrida, delimita as despesas dedutíveis a titulo de livrocaixa, dentre as quais não se incluem as despesas com instrução, cuja dedutibilidade pelas pessoas fisicas têm regras próprias (artigo 81 do RIR/1999). (Voto condutor do acórdão nº 10248293, de 28/03/2007)” Ademais, se a despesa com instrução tem limites aplicáveis a todos os contribuintes, não é legitimo que apenas um grupo de contribuinte se utilize do Livro Caixa para obter dedução em valor acima do limite fixado a todos, do contrário o tratamento tributário não seria isonômico. A dedução como despesas com instrução requer a comprovação do pagamento. Pelas razões já expostas no item precedente, não se pode afastar a inidoneidade dos documentos e esclarecimentos alusivos aos pagamentos comprovados, do recorrente ao IPENO, pela realização do curso de especialização, cujos pagamentos, realização e conclusão são inequívocos. A inserção dessa dedução no Livro caixa deve ser tomada como erro de fato, com isso é legítimo retificar o lançamento para reduzir da base de cálculo o valor correspondente ao limite anual das despesas com instrução: R$2.373,84 III3. Das demais despesas do Livro Caixa. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Esse item engloba 4 documentos e o valor é menos significativo em relação às demais. A autoridade fiscal agiu corretamente ao glosar despesa com cupom fiscal sem os requisitos do art. 61, §1º da Lei nº 9.532, de 1997, pois não identifica o adquirente e/ou a natureza da despesa ( se de custeio ou bem de capital), o que implica manter a glosa da despesa representada pelo cupom fiscal emitido pela OPIC, em 31/01/2006 (fls. 25); não há qualquer identificação do destinatário da mercadoria, nem é possível aferir se é um material de custeio ou bem de capital. Quanto ao recibo de fls. 33, ainda que vencido o óbice quanto à falta da nota fiscal, não é admissível despesa com aquisição de equipamento (conversor). Por outro lado, devem ser admitidas as despesas representadas pelos documentos de fls. 37 e 41, nos valores de R$69,00 e 64,00, respectivamente, pois o primeiro documento identifica o nome do recorrente e o fato de o endereço indicado ser o mesmo da CIIPO, por si só, não o invalida (R. Bento Gonçalves, 183, sala 501), mormente porque nos autos está demonstrado que esse endereço é divulgado como de funcionamento de uma das Unidades OPIC, onde o recorrente exerce a atividade profissional; o segundo contém o nome do adquirente e identifica um material de custeio. O valor da glosa excluída neste item é de R$133,00. IV Da multa de ofício Há um distancimanento entre glosar despesas porque o recorrente não apresentou outros elementos de prova do pagamento e qualificar a multa de ofício em razão de conduta dolosa. Enquanto cabia ao recorrente trazer esses outros elementos, cabia ao Fisco provar o dolo do recorrente. De outro giro, não se pode presumir a participação dolosa do recorrente em condutas irregulares paraticadas pela OPIC e/ou pelo IPENO e seus sócios para o fim de qualificar a multa de ofício. Do mesmo modo, não se pode qualificar a multa devido à irregularidade do contrato. Ausente a prova do dolo por parte do contribuinte e não sendo lícito atribuir ao recorrente a responsabilidade de condutas imputadas às empresas OPIC ou IPENO, falta base material para qualificação da multa de ofício. Afastada a qualificação da multa, esta deve ser exigida no seu percentual ordinário de 75%, pois a atividade de julgamento é vinculada à lei, cabe ao CARF aplicar a lei e não afastar sua aplicação. A multa de ofício prevista em lei com alíquota de 75% deve ser aplicada nesse percentual, e não em qualquer outro menos gravoso. Deixase de apreciar o pleito alusivo ao caráter confiscatório, que está sujeito à aplicação da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V Da multa isolada Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 431 15 A conduta de omitir rendimentos de pessoa física teve como conseqüência a omissão de rendimentos no ajuste anual, do que decorreu a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício. Ocorre que essa concomitância tem sido repelida por este Conselho, conforme decisões abaixo transcritas que tem afastado a multa isolada: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). (...) (Acórdão 10248981 de 23/04/2008 da 2ª Câmara do 1º Conselhos de Contribuintes, Relatora José Raimundo Tosta Santos, recurso 148.735) MULTA ISOLADA CUMULATIVIDADE MULTA DE OFÍCIO – Contendo o artigo 44, I, da lei n.º 9.430, de 1996, norma que alberga a falta, genérica, de pagamento do Imposto de Renda, sua aplicação inibe a eficácia simultânea daquela contida no § 1.º, III, do mesmo artigo.(Acórdão 10247973, de 19/10/2006, relator Naury Fragoso Tanaka, recurso 143042) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.( CSRF/0400832, de 04/03/2008 da 4ª Turma, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e CSRF/0104987, de 15/06/2004 da 1 Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) VI Da Representação Fiscal para Fins Penais Não cabe ao CARF manifestarse sobre as alegações referentes à Representação Fiscal para Fins Penais, conforme disposto na Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) alterar o valor da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas de R$20.249,65 para R$10.167,97; (b) autorizar dedução de R$2.373,84, a título de despesas com instrução; (c) restabelecer dedução de Livro Caixa no valor de R$133,00 (cento etrinta e três reais); (d) afastar a qualificação da multa de ofício; e (e) excluir a multa isolada referente ao não recolhimento do imposto mensal obrigatório. (Assinado digitalmente) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Jorge Claudio Duarte Cardoso Voto Vencedor Conselheira Dayse Fernandes Leite, Redatora designada Em que pese a fundamentação utilizada pelo ilustre Conselheiro Relator, permitome discordar do voto no que diz respeito exclusivamente, no tocante à dedução, no livro caixa de despesas com o curso de especialização. É certo que a dedução de despesas de Livro Caixa deve respeitar os parâmetros legais. A base legal para essa dedução está nos arts.75 e 76 do RIR/99, a seguir transcrito: Seção II Despesas Escrituradas no Livro Caixa Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). § 1º O excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 2802002.579 S2TE02 Fl. 432 17 § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º) § 3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Da análise atenta dos referidos dispositivos, entendo que não há qualquer embasamento legal que impeça o recorrente de lançar em seu livro caixa , a despesa com curso de especialização. em implantodontia. Conforme observou o ilustre Conselheiro Relator, a previsão legal acerca de dedução de despesas com instrução tem natureza de norma especifica que não pode ser suplantada pela norma genérica de despesas de Livro Caixa. Além disso, no Livro Caixa somente são dedutíveis despesas de custeio pagas e necessárias à manutenção da atividade profissional. Não são dedutíveis os investimentos que o profissional realiza para fins de ampliar as fontes de rendimentos. É uma regra geral do regime de custos e despesas, que devem ser computadas no mesmo período em que são tributadas as receitas ou rendimentos. Nessa questão, o curso de especialização é um investimento feito pelo profissional e não uma despesa de custeio. De outro giro, na pergunta 402 – do Perguntas e Respostas IRPF para o Exercício 2007, com fundamento no Parecer Cosit CST nº 60 de 20.06.78 , verificase que os gastos decorrentes de comparecimento a encontros científicos podem ser deduzidos quando diretamente vinculados aos estudos e trabalhos e às atividades do contribuinte. . Destarte, entendo fragilizado o fundamento explorado pelo ilustre relator, vez que, encontros científicos, congressos e seminários também são “investimentos” e como tal existe permissão legal para a dedução como despesa no livro caixa do profissional autônomo, desde que apresentados o certificado de comparecimento dado pelos organizadores desses encontros. No presente caso, conforme consta nos autos o contribuinte apresentou planilha, detalhando os valores pagos referentes ao curso de Implantodontia (fls. 111/123), acompanhada das respectivas Notas Fiscais, bem como, fls. 19, o Certificado de Conclusão do curso realizado no Instituto de PósGraduação e Atualização em Odontologia. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) alterar o valor da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas de R$20.249,65 para R$10.167,97; (b) restabelecer dedução de Livro Caixa no valor de R$8.713,00 (R$8.580,00 mais R$133,00); (c) afastar a qualificação da multa de ofício; e (d) excluir a multa isolada referente ao não recolhimento do imposto mensal obrigatório. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 440DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10783.724648/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 46 48 /2 01 1- 20 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOP: 25/10/2011. Data da Ciência do AIOP: 25/10/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 37.327.6222 e 37.327.6230, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 27/31. De acordo com a resenha fiscal assinada pela Autoridade Lançadora, houve se por constatado, a partir do exame das GFIP, que no período de janeiro/2007 a dezembro/2008 a empresa autuada se auto declarava como optante do SIMPLES, havendo sido verificado que nesse período o Contribuinte em foco não era optante pelo regime simplificado de tributação em realce. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 128/129 e 191/192. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1252.176 – 4ª Turma da DRJ/RJI, a fls. 220/225, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 226. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 227/232, requerendo a nulidade do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.724648/201120 Acórdão n.º 2302002.653 S2C3T2 Fl. 246 3 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Co o tempo o prado seco reverdece, Co o tempo cae a folha ao bosque umbroso, Co o tempo para o rio caudeloso, Co o tempo o campo pobre se enriquece, Co o tempo um louro morre, outro floresce, Co tempo um é sereno, outro invernoso, Co tempo foge o mal duro e penoso, Co tempo torna o bem já quando esquece, Co tempo faz mudança a sorte avara, Co tempo se aniquila um grande estado, Co tempo torna a ser mais eminente, Co tempo tudo anda e tudo para; Mas só aquele tempo que é passado Co o tempo se não faz tempo presente. Luís de Camões 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/04/2013, quartafeira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 226. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.724648/201120 Acórdão n.º 2302002.653 S2C3T2 Fl. 247 5 II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17/04/2013, quartafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na quintafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 18/04/2013, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 17 dias do mês de maio do mesmo ano, sextafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 18/04/2013, o que implica a fixação do dia 17/05/2013, sextafeira, dia útil, como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios no dia 23 de maio de 2013, como assim denuncia o carimbo da ECT impresso no envelope de postagem a fl. 233, há que se reconhecer a intempestividade do recurso interposto, circunstância que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. A data de postagem do Recurso Voluntário em realce houvese por ratificada pelo Órgão Fazendário, conforme documento a fl. 244. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederamse os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.724648/201120 Acórdão n.º 2302002.653 S2C3T2 Fl. 248 7 b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11516.000917/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 17 /2 00 9- 67 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.867, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000917/200967 Acórdão n.º 3803004.492 S3TE03 Fl. 384 3 são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000917/200967 Acórdão n.º 3803004.492 S3TE03 Fl. 385 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...) [apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000917/200967 Acórdão n.º 3803004.492 S3TE03 Fl. 386 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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