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Numero do processo: 16327.720171/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DE PIS/COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/ MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da Cofins sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS. RE Nº 585.235-1/MG
Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
As receitas decorrentes do exercício das atividades financeiras e bancárias, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235-1/MG.
BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ART. 17 LEI Nº 4.595/1964. CIRCULAR BACEN Nº 1.273/1987.
As receitas típicas, habituais e regulares decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas decorrentes da coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins para as instituições financeiras de que trata o artigo 17 da Lei nº 4.595/1964, sujeitas ao plano COSIF, nos termos da Circular Bacen nº 1.273/1987.
CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI Nº 12.973/2014 (CONVERSÃO DA MP Nº 627/2013). INOVAÇÃO INEXISTENTE. INTERPRETAÇÃO DO RE Nº 346.084/PR.
As receitas decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins anteriormente à edição da Lei nº 12.973/2014, conforme entendimento exarado pelo STF no RE nº 346.084/PR prolatado em 2006.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Numero da decisão: 3201-005.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, na apuração da base de cálculo das contribuições, sejam considerados os conceitos de receita operacionais estabelecidos pelo plano de contas da Cosif e respeitadas as regras de apuração previstas na IN RFB nº 1.285/2012. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento parcial em maior extensão, para excluir a tributação também da aplicação dos recursos próprios. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DE PIS/COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/ MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da Cofins sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS. RE Nº 585.2351/MG Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. As receitas decorrentes do exercício das atividades financeiras e bancárias, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/MG. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ART. 17 LEI Nº 4.595/1964. CIRCULAR BACEN Nº 1.273/1987. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 71 /2 01 4- 10 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 522 2 As receitas típicas, habituais e regulares decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas decorrentes da coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins para as instituições financeiras de que trata o artigo 17 da Lei nº 4.595/1964, sujeitas ao plano COSIF, nos termos da Circular Bacen nº 1.273/1987. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI Nº 12.973/2014 (CONVERSÃO DA MP Nº 627/2013). INOVAÇÃO INEXISTENTE. INTERPRETAÇÃO DO RE Nº 346.084/PR. As receitas decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins anteriormente à edição da Lei nº 12.973/2014, conforme entendimento exarado pelo STF no RE nº 346.084/PR prolatado em 2006. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, na apuração da base de cálculo das contribuições, sejam considerados os conceitos de receita operacionais estabelecidos pelo plano de contas da Cosif e respeitadas as regras de apuração previstas na IN RFB nº 1.285/2012. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento parcial em maior extensão, para excluir a tributação também da aplicação dos recursos próprios. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 523 3 Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 0965.640: Tratase de Manifestação de Inconformidade que visa combater Despacho Decisório que indeferiu pedidos de restituição, transmitidos em virtude de alegados pagamentos a maior relativos à Contribuição para o PIS, conforme relação abaixo: Em março de 2014, por meio de Despacho Decisório a autoridade tributária indefere o pedido de restituição sob a seguinte fundamentação: 6 O Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966) traz em seu artigo 165 as hipóteses em que pode ser admitida a restituição de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. 7 Com supedâneo no parágrafo 4º, artigo 66, da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a Receita Federal do Brasil regulamentou a matéria mediante a Instrução Normativa SRF n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012. O artigo 76 do mesmo diploma prevê o reconhecimento de eventual direito creditório condicionado à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. 8 Consoante o artigo 150 do CTN, é atribuído ao próprio sujeito passivo uma série de expedientes para a realização do crédito Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 524 4 tributário. Nos termos do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, a Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF – é revestida do efeito de confissão de dívida. A Instrução Normativa SRF n.º 482, de 21 de dezembro de 2004, vigente ao tempo dos pedidos, esclarece que a declaração é passível de retificação com a entrega de nova declaração com a mesma natureza da original, a qual é integralmente substituída, com o propósito de se aumentar ou reduzir os valores dos débitos outrora informados ou outras alterações, respeitadas certas condições. 9 A interessada foi intimada a, em suma, justificar os pedidos de restituição em virtude de os valores pleiteados terem sido integralmente utilizados na extinção de débitos espontaneamente confessados e não submetidos à alteração dos montantes apurados, implicando na inexistência de qualquer saldo disponível. 10 Em resposta à intimação, alegou que o referido direito creditório invocado teria como respaldo a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º, artigo 3º, da Lei n.º 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal, cujos termos teriam sido obedecidos na realização dos recolhimentos da contribuição. 11 De notória discussão, a Lei n.º 9.718, de 1998, trouxe na redação do caput do artigo 3º e parágrafo 1º que as contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins teriam como base de cálculo o respectivo faturamento da pessoa jurídica de direito privado, assim entendido como a receita bruta correspondente à totalidade das receitas auferidas, pouco importando a atividade exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 12 Deveras, como bem citado pela interessada, o referido parágrafo foi considerado inconstitucional por entender a egrégia corte que a lei teria ultrapassado a competência prevista no artigo 195, inciso I, da Carta Magna, pois consente estaria o texto constitucional apenas com a instituição de contribuição sobre o faturamento, conceito que não abarcaria todas as receitas recebidas, como determinado na famigerada lei. 13 No entanto, a declaração de inconstitucionalidade ocorreu por via incidental, ou seja, com efeitos jurídicos somente entre as partes integrantes da lide. Para que a decisão alcançasse os demais contribuintes submetidos ao rigor da lei, caberia ao Senado Federal, por competência privativa, a suspensão de sua execução, em cumprimento ao artigo 52, inciso X, da Constituição Federal. 14 A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula nem revoga o dispositivo legal adversado, e este continua eficaz e aplicável para o período em que vigorou, visto que os efeitos da decisão atingem apenas as partes litigantes na demanda respectiva, até que o Senado Federal decida pela suspensão de sua executoriedade. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 525 5 15 Apenas a partir de 28/05/2009, com a publicação da Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009, deixou de viger no ordenamento jurídico, para os fatos geradores posteriores, o parágrafo 1º da Lei n.º 9.718, de 1998, por expressa revogação do comando legal. Não cabe ao aplicador da lei manifestarse acerca da constitucionalidade ou adequabilidade de normas infraconstitucionais regularmente editadas, já que questionamento com esse teor é competência circunscrita ao Poder Judiciário. 16 Nessa linha, o professor Hugo de Brito Machado em “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302 e 303, assim concluiu: A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional. 17 Impende destacar que a decisão de inconstitucionalidade a qual deu azo ao pedido somente determinou o afastamento da aplicação do parágrafo 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998, não atingindo a correspondência entre faturamento e receita bruta, definidas como a base de cálculo da contribuição no caput do artigo 3º da mesma lei, com as exclusões contidas nos parágrafos 5º e 6º. Ainda, no caso das instituições financeiras, a Lei n.º 9.701, de 1998, expressamente elencou Em 26/03/2014, a contribuinte toma ciência do referido despacho decisório e, em 10/04/2014, protocola manifestação de inconformidade para pleitear sua revisão. Em síntese, alega no mérito ter recolhido Contribuição para o PIS sobre base de cálculo majorada em virtude da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Afirma, em síntese, que não há relação entre faturamento e o objeto social de qualquer sociedade, uma vez que faturamento é a receita bruta decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Alega, para acolhimento, pelo menos, parcial de sua restituição, que, no caso de instituição financeira, não há que se falar em intermediação financeira quando se presta serviço a si própria, ainda que com recursos de terceiros. Pede que seja julgada procedente a manifestação e deferida a restituição. A interessada traz como elementos de prova DIPJ e balancetes referentes à apuração da contribuição em apreço. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0965.640, sessão de 08/02/2018, julgou Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 526 6 improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório, assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo que se inicia com a manifestação de inconformidade. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 REGIME DE APURAÇÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. RECEITAS FINANCEIRAS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A receita bruta sujeita à Cofins compreende as receitas oriundas do exercício de todas as atividades empresariais da pessoa jurídica relativas a seu objeto social, e não apenas aquelas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O exercício de operação financeira por instituição financeira em diversos tipos de mercados financeiros, por conta própria ou para clientes, é receita bruta típica de sua atividade empresarial, uma vez que se consubstancia em seu objeto social. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 REGIME DE APURAÇÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. RECEITAS FINANCEIRAS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A receita bruta sujeita à Contribuição para o PIS compreende as receitas oriundas do exercício de todas as atividades empresariais da pessoa jurídica relativas a seu objeto social, e não apenas aquelas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O exercício de operação financeira por instituição financeira em diversos tipos de mercados financeiros, por conta própria ou para clientes, é receita bruta típica de sua atividade empresarial, uma vez que se consubstancia em seu objeto social. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 527 7 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Para tanto, repisa os argumentos suscitados em 1ª instância. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O contribuinte, uma instituição financeira, insurgese no litígio em face do indeferimento às restituições de PIS/Pasep e Cofins com supedâneo na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 o alargamento da base de cálculo dessas Contribuições. Assevera que suas receitas são de natureza financeira e, assim, estariam excluídas do faturamento sujeito à exação A autoridade administrativa, por intermédio de despacho decisório, negou ao contribuinte o direito creditório sob fundamento de que as decisões do STF são inter partes e somente a partir da publicação da Lei nº 11.941/2009 os efeitos da inconstitucionalidade alcançaria os demais contribuintes. A decisão recorrida, superou o fundamento do indeferimento a inaplicabilidade dos RE´s ao contribuinte e adentrou no mérito da inconformidade para assentar que o conceito de faturamento identificado nos votos dos Ministros do STF não se limita à receita decorrente de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, mas que guarda relação com o objeto social e atividade operacional da empresa. Ainda, apontou que as receitas financeiras são obtidas da aplicação de recursos próprios e de terceiros em operações nos diversos tipos de mercados financeiros, caracterizandose serviços bancários/financeiros, com base na Solução de Consulta Cosit nº 112/2015. Enfrento as matérias que restaram litigiosos. Receitas das instituições financeiras: financeira x operacional De modo geral, fazse certa confusão com dois temas distintos submetidos à sistemática da repercussão geral com base no art. 343B do CPC/1973, quais sejam, (i) a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 RE 585.2351/MG, e (ii) a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras RE 609.096/RS. Quanto ao primeiro tema restou decidido pelo STF nos precedentes (REs nºs. 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG) a inconstitucionalidade do alargamento Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 528 8 da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmada no RE 585.2351/MG. O segundo tema, tratado no RE 609.096/RS, com repercussão geral reconhecida em 03/03/2001, não se tem sua decisão pela Suprema Corte: De pronto, insta constatar que o tema receita financeira das instituições financeiras não fora objeto de julgamento nos precedentes e no próprio RE 585.2351/MG, o que implica pendência de decisão no STF. Tal fato é inconteste, como se vê no AG. REG. no RE 582.258/MG, no qual o Ministro Relator Ricardo Lewandowski, em 06/04/2010, esclareceu que a inclusão das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras não se confundiam com o debate acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme excerto da ementa: EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. (...) II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. Extraise do julgamento do RE 582.258/MG, em especial do debate entre seus ministros que o cerne da discussão, e que restou assentado, fora o alargamento da base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins em relação às atividades empresarias típicas, por conseguinte, excluindo as receitas obtidas com as atividades secundárias da entidade. A análise da transcrição desse debate e síntese de seu resultado foi apontado pelo Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, relator do voto condutor do acórdão nº 3302 003.239, sessão de 22/06/2016, como se vê no excerto: Cumpre observar que, de forma geral, restou assentada a sinonímia entre faturamento e receita bruta, abrangendo o produto das atividades típicas no dizer do Ministro Cezar Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 529 9 Peluso, ou a atividade precípua da empresa, expressão utilizada pelo Ministro Marco Aurélio, ou ainda, os ingressos que decorram da razão social da empresa, termos utilizados pelo Ministro Carlos Britto. Mencionase, corroborando tal assertiva, o julgamento do agravo regimental no RE 400.4798/RJ, que questionava, dentre outros, a inclusão dos prêmios de seguros recebidos na base de cálculo da COFINS, no qual o Ministro Peluso confirmou a jurisprudência da Suprema Corte ao proferir voto nos seguintes termos: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Outrossim, importante mencionar que, se a matéria objeto da presente demanda já tivesse sido tratada nas decisões do STF que declararam a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98 não haveria razão para o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido repercussão geral nos autos do RE n° 609.096/RS, pois não o faria em caso já definitivamente julgado por este mesmo Tribunal: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Nesse contexto, as receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG. Argumento que julgo secundário mas que no caso de receitas de instituições financeiras ganha relevo gira em torno da afirmativa do contribuinte de que não há relação entre faturamento e o objeto social de qualquer sociedade, uma vez que faturamento é a receita bruta decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Ora, se assim não fosse o próprio STF não teria admitido como repercussão geral a incidência das Contribuições sobre a receita bruta/faturamento das pessoas jurídicas, em geral, e também no caso específico das instituições financeiras. Tal fato revela tratamento distinto às receitas que para sociedades empresárias mercantis não são inerentes a suas atividades, caso das financeiras, e às instituições financeiras, é ínsita à consecução de seu objeto. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 530 10 De se notar que não está dizendo que há mera e cega correspondência entre a atividade que consta na descrição do objeto social e as materialidades da incidência das Contribuições, pois ainda que a atividade não conste no rol do contrato/estatuto poderá denotar uma receita típica da pessoa jurídica a ser tributada pelo PIS/Cofins. Assim, o faturamento deve ser examinado a partir das características da atividade fim exercida pelo contribuinte. Receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios e de terceiros Matéria mais sensível e discutível é acerca da incidência das Contribuições sobre as receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios e de terceiros, com decisões do CARF favoráveis e contrárias à pretensão do contribuinte, até mesmo no âmbito deste Colegiado. Para aqueles que advogam inclusão da receita financeira próprias dessas instituições na apuração da Contribuição o argumento é que a instituição financeira obtém seu faturamento, dentre outros, atuando em diversos tipos de mercados financeiros desenvolvendo sua expertise, ainda que por conta própria, o que caracteriza uma evidente operação de sua atividade típica, com base no art. 17 da Lei nº 4.595/19641. No lado oposto, em defesa da exclusão das receitas financeiras próprias da base de cálculo das Contribuições, argumentase que a natureza dessas receitas não decorrem de operações de prestação de serviços e, evidentemente, incabível tal enquadramento, pois não se trata de uma intermediação financeira, mas operações no seu próprio interesse. A decisão na matéria esteve por curto período de tempo consolidada nesta Turma, que em sua maioria, acompanhou decisão da CSRF no Acórdão nº 9303005.051, sessão de 15/05/2017, que assentou que a Cofins não incidia sobre aquelas receitas cuja origem é a aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. 1 Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 531 11 As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros. São exemplos que acompanharam a decisão da CSRF os Acórdãos 3201 003.264 (29/01/2018) e 3201003.653 (18/04/2018). Nada obstante, este Colegiado decidiu de forma contrária no Acórdão nº 3201004.423, processo nº 16327.909418/201101, sessão de 27/11/2018, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. O excerto do voto condutor do Acórdão expressou o novo entendimento: [...] No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 532 12 Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Igualmente, a CSRF em decisão prolatada no Acórdão nº 9303007.495, sessão de 16/10/2018, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro Jorge Omiro Lock Freire, decidiu que As decisões do STF que declararam a inconstitucionalidade do § 1º. do art. 3º. da Lei 9.718/98 não se posicionaram sobre o assunto, como indica o próprio Supremo Tribunal. Por ocasião do julgamento dos RE 346.084PR, RE 357.950RS, RE 358.273RS e RE 390.840MG, o STF pacificou a discussão no sentido de que, para o PIS e Cofins previstos na Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo aplicável seria o faturamento (receita bruta de vendas de mercadorias e prestações de serviços), e não a receita bruta total, que compreendia toda natureza de ingressos, independente de sua classificação contábil. O Ministro Cezar Peluso, em seu voto, pronunciouse no seguinte sentido: Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão ‘receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço’, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento O pronunciamento mostrase preciso no sentido de que a base de cálculo das contribuições sociais previstas na Lei nº 9.718, de 1998, aplicável às instituições financeiras, decorre das atividades referentes às atividades empresariais típicas, ou seja, no caso concreto, compreende tanto as receitas de prestação de serviços bancários quanto às receitas financeiras. (grifado no original) Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 533 13 A Circular nº 1.273/1987 do Banco Central do Brasil disciplinou as normas gerais de contabilidade a serem observadas pelas instituições financeiras e instituiu o Plano de Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF. Transcrevo seus principais esclarecimentos: Seção 17 Receitas e Despesas 1. Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. 2. As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto às despesas correspondem as despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. 3. As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais 4. As despesas operacionais decorrem de gastos relacionados às atividades típicas e habituais da instituição. 5. As receitas não operacionais provêm de remunerações eventuais, não relacionadas com as operações típicas da instituição. (grifei) [...] O elenco de contas do COSIF classifica as receitas operacionais dentro do grupo 7 Contas de Resultado Credoras e permite concluir que as rendas operacionais consistem, para as instituições financeiras, em receitas relativas à sua atividade típica, regular e habitual. Dessa forma, as receitas típicas, habituais e regulares decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas decorrentes da coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins para as instituições financeiras de que trata o artigo 17 da Lei nº 4.595/1964, sujeitas ao plano COSIF, nos termos da Circular Bacen nº 1.273/1987. O conceito de receita bruta introduzido pela MP n. 627/13, convertido na Lei nº 12.973/2014. Afirma o recorrente que somente a introdução da Lei nº 12.973/14 é que a base de cálculo da contribuição passou a abarcar "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III" (não só para as instituições financeiras, seguradoras, empresas de previdência complementar e de capitalização, mas para qualquer pessoa jurídica sujeita ao regime cumulativo), o que evidencia o equívoco do entendimento defendido pela r. decisão recorrida. Percebese em essência o inconformismo do contribuinte com a interpretação dada pelo STF ao conceito e abrangência de receita bruta que a tornou sinônimo de faturamento. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 534 14 A incidência do PIS e da COFINS sobre o faturamento da empresa já existia antes da entrada em vigor da Lei nº 12.973/2014. Tanto que a conclusão a que chegaram alguns Ministros do STF ao deduzir que faturamento seria sinônimo de receita bruta, esta entendida como a receita oriunda das atividades típicas da empresa, foi obtida independentemente do teor da Lei n. 12.973/2014 (a decisão proferida no RE 346.084/PR, por exemplo, data de 2006). Entendo, portanto, que a Lei n. 12.973/2014 veio apenas deixar expresso e claro aquilo que já era interpretação do STF sobre o conceito de "faturamento", não representando uma inovação normativa. Conclusões 1. Restou superado no Acórdão da decisão recorrida a tese defendida pela autoridade fiscal acerca da inaplicabilidade ao presente caso das decisões do STF no tocante ao alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins com nº RE 585.2351/ MG, decidido na sistemática de repercussão geral. 2. O STF reconheceu a repercussão geral concernente à incidência de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras no RE 609.096/RS, pendente de julgamento. 3. As receitas típicas, habituais e regulares decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas decorrentes da coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins para as instituições financeiras de que trata o artigo 17 da Lei nº 4.595/1964, sujeitas ao plano COSIF, nos termos da Circular Bacen nº 1.273/1987. 4. As receitas decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins anteriormente à edição da Lei nº 12.973/2014, conforme entendimento exarado pelo STF no RE nº 346.084/PR prolatado em 2006. Diante do exposto, VOTO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que na apuração da base de cálculo das contribuições sejam considerados os conceitos de receita operacionais estabelecidos pelo plano de contas da Cosif e respeitadas as regras de apuração da IN RFB nº 1.285/2012. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 535 15 Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à inclusão das receitas provenientes das aplicações de recursos próprios na base de cálculo das contribuições. A presente lide administrativa fiscal encontrase em situação semelhantes à julgada no Acórdão de n.º 3201003.264, precedente desta Turma de julgamento. Em razão desta equivalência temática, é coerente que este julgamento possua a mesma conclusão: a não inclusão da receitas provenientes das aplicações de recursos próprios na base de cálculo das contribuições. Em razão dos exposto, transcrevo as razões de decidir e fundamentos legais do mencionado precedente: "Ou seja, foi exposto o entendimento de que a receita de venda de serviços, de acordo com o conceito de "faturamento" aceito no Supremo Tribunal Federal STF, em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Esta é uma conclusão que não trata das receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios, porque esta se trata de uma exceção lógica direta da conclusão das decisões, uma vez que não pode ser considerada "receita operacional", como pode ser verificado em trecho do próprio Estatuto do Banco em fls 296 dos autos, transcrito em print screen a seguir: O objeto social registrado no Estatuto do Banco é o trabalho financeiro por meio de carteiras operacionais autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, atividade que não se assemelha à aplicação de recursos próprios para a obtenção de receitas financeiras. O conceito de "carteiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil", está diretamente ligado ao objetivo de promover o desenvolvimento sócioeconômico e não à obtenção de receitas financeiras da aplicação de recursos próprios. O objeto social do banco está somente ligado à prestação dos serviços à sociedade como um todo, e não à aplicação de recursos próprios. Não há nada expresso neste sentido. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 536 16 No mundo fático, empresas ou instituições que são criadas somente para a obtenção de receitas financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios, não são empresas usuais (se é que existem), visto que não seria possível uma empresa obter recursos próprios, sem possuir uma outra atividade que gere receitas, decorrentes de alguma atividade de prestação de serviços, de comércio ou de indústria. Desse modo, toda empresa ou instituição que aplica recursos próprios e aufere receita financeira decorrente disto, necessariamente irá possuir uma outra atividade que gere receita, seja decorrente da prestação de serviços, da comercialização ou industrialização. De forma lógica, nenhuma empresa ou instituição, seja um banco ou não, tem a obrigação e sequer a necessidade de prever em seu objeto social a seguinte atividade: aplicação de recursos próprios para obtenção de receitas financeiras. Realidade societária que permite concluir que nenhuma receita financeira decorrente da aplicação de recursos próprios pode ser caracterizada como uma receita operacional. Porque, de operacional, nada tem esta atividade. Logo, por força das atribuições concedidas aos Conselheiros deste nobre Conselho, é importante reconhecer a omissão e obscuridade assim como é importante analisar se estas poderiam reformar o decidido ou não, cabendo aos Conselheiros exporem suas convicções sobre a concessão ou não dos efeitos infringentes. Antes mesmo de expor se haverá a necessidade de conceder efeitos infringentes, mister se faz colocar os fatos e fundamentos que levam à convicção de que receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios deveriam ser excluídas da base de cálculo da COFINS por não se tratarem de "receitas operacionais". Por se tratar de "receita financeira" resultante de aplicações com recursos próprios, o contribuinte estaria exercendo o mesmo direito concedido às instituições não financeiras e demais contribuintes, sem distinção: o direito de excluir da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras". O STF é claro em permitir esta exclusão da base de cálculo conforme julgamento do RE 548.422 AgR / RJ do STF, no seu parágrafo sexto: "6. As passagens em destaque revelam uma distinção conceitual sutil, mas que pode ser expressiva quanto aos reflexos. Um exemplo disso é a receita proveniente de aplicações financeiras. Caso fosse adotada a definição proposta pela instância ordinária, incidiria a Cofins sobre tal verba. Por outro lado, adotado o conceito até então vigente na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, parcela de tal natureza seria, em tese, excluída da base econômica da contribuição." Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 537 17 A única hipótese que permitiu que as autoridades administrativas admitissem que as instituições financeiras não podem excluir da base de cálculo as "receitas financeiras", é a de que instituições financeiras prestam serviços financeiros e esta seria uma hipótese clara de base de cálculo para incidência de COFINS de acordo com o conceito de "faturamento" aceito pelo Supremo Tribunal Federal STF (faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços). Vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Tal premissa utilizada pelas r. autoridades administrativas que negaram o direito creditório para o contribuinte logicamente não se aplicam às "receitas financeiras" resultante de aplicações com recursos próprios, pois estas são "receitas financeiras" que qualquer pessoa jurídica ou física pode obter se aplicar seus recursos próprios e este direito está expressamente garantido pelo RE 548.422 AgR / RJ do STF mencionado acima. Sobre as "receitas financeiras" operacionais das instituições financeiras ficou claro o entendimento das decisões a quo, inclusive expresso que estão incluídas na base de cálculo da COFINS aquelas "receitas financeiras" provenientes das aplicações com recursos de terceiros, de clientes. São as situações em que o banco aufere "receita financeira" ao realizar o serviços de empréstimo bancário, pois os clientes pagam os juros e para estas situações as instituições financeiras cobram tarifas e portanto se trata de uma prestação de serviço. Uma "receita financeira" operacional, resultante de uma prestação de serviço. Mas quais são os recursos próprios das instituições financeiras? O embargante deixa claro quais são em seu recurso voluntário, são aqueles recursos constantes do Patrimônio Líquidos Obrigatório, conforme disposições constantes no Acordo de Basiléia e originalmente na Resolução do Banco Central do Brasil BACEN n.º 2.099/94. O contribuinte alega que para a aplicação dos recursos próprios não há cobrança de tarifas, não há recursos de terceiros ou qualquer relação de consumo, para fins do Código de Defesa do Consumidor. Este recursos próprios são aplicados, investidos e geram "receitas financeiras" não operacionais. Em análise da Resolução 2.099/94, vigente a época e portanto aplicável ao caso, conforme Anexo II, verificase que há um limite mínimo deste patrimônio líquido, um capital realizado de sete milhões de reais, à época. Acontece que ao verificar a fórmula de cálculo deste Patrimônio Líquido na própria Resolução, é possível verificar que este é 0,08 % do APR, sendo APR = resultado de aplicações do ativo circulante mais resultados de aplicações do ativo permanente. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 538 18 Portanto, para que seja concedido efeito infringente aos Embargos, com o objetivo de reconhecer direito creditório, é importante que fique claro que, do ativo circulante, serão considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira. Em adição, por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira. Por fim, durante esta sessão, a Turma sugeriu que ficasse claro que, em razão de todos o exposto, inclusive no relatório, foi possível verificar que não há concomitância ou coisa julgada em âmbito judicial (Mandado de Segurança nº 2007.85.00.0058359, fls. 493/499), visto que o objeto de discussão não é a incidência da Cofins sobre as receitas advindas das aplicações de recursos próprios, assim como não ficou definido no âmbito judicial quais seriam as receitas operacionais ou não para as instituições financeiras. Da mesma forma, esta Turma de julgamento sugeriu que fosse citado como precedente recente a decisão proferida no âmbito da Câmara Superio de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF 9303005051. CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 165 do CTN e em observação ao decidido no M.S. 2007.85.00.0058359 e decisões do STF, votase para que os Embargos de Declaração sejam ACOLHIDOS e PROVIDOS para sanar a obscuridade constante nas decisões a quo sobre a exclusão das "receitas financeiras" decorrentes de aplicações de recursos próprios da base de cálculo da COFINS e conseqüentemente reformar parcialmente o Acórdão 3403003.413 – 4.ª Câmara / 3.ª Turma Ordinária, proferido em 12 de Novembro de 2014, considerando também os fundamentos do Acórdão 3403003.375, para que seja reconhecido o direito creditório do contribuinte relativo aos pagamentos indevidos resultantes de base de cálculo declarada inconstitucional, excluídas desde já da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 539 19 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima." No mesmo sentido, com respaldo de precedente da CSRF, é importante transcrever a declaração de voto proferida pelo ex Presidente Substituto desta Turma, o nobre colega e conselheiro Winderley Morais Pereira: "Conselheiro Winderley Morais Pereira A presente declaração esclarece a posição por mim adotado no julgamento do presente processo, que decidiu por afastar a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras próprias da Recorrente, acompanhando a posição adotada pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303005.051, que foi assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Neste caminho transcrevo a seguir o voto vencedor do Conselheiro Charles de Mayer Castro, que adotei como fundamentação para prolatar o meu voto no presente julgado. "Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Com a devida vênia, discordo do il. Relator. Com efeito, entendemos que a razão está com o relator do voto vencido, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O que temos aqui é uma ação judicial em que se reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo preconizado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, afastando, de conseguinte, a incidência da Cofins sobre as Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16327.720171/201410 Acórdão n.º 3201005.204 S3C2T1 Fl. 540 20 “receitas financeiras”. Contudo, conforme nele brilhantemente exposto, não há, nas decisões judiciais nela prolatadas, qualquer pronunciamento a respeito do que venham a ser, afinal, as tais “receitas financeiras” para uma instituição financeira – mesma natureza da Recorrente. Reconhecida, no bojo da ação judicial transitada em julgado, a inconstitucionalidade do alargamento, a Cofins passou a incidir apenas sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços e da venda de mercadorias – as chamadas "receitas operacionais" –, que inequivocamente incluem, no caso das instituições financeiras, as receitas decorrentes da intermediação financeira, ainda que assim contabilizada. A Cofins não incide, porém, sobre aquelas receitas cuja origem é a aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, as quais, conforme destacou o relator do voto vencido, a própria fiscalização entendeu como receita financeira, não como receita operacional, como também lá ressaltado. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial, também para excluir a glosa de crédito em relação às receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Winderley Morais Pereira Assim, para fins de liquidação do que deve ser excluído da base de cálculo, basta que a Receita Federal observe a Resolução Bacen vigente à época das apurações e determine, em analogia, o que foi determinado no mencionado precedente: "...por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira." Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para também excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeiras provenientes das aplicações de recursos próprios. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005488/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF. AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS ISENTAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista, não se sujeitam à tributação do imposto de renda no ajuste anual as verbas isentas, tais como FGTS, aviso prévio, multa estabelecida na Convenção Coletiva e do art. 477 da CLT.
Numero da decisão: 2401-006.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores referentes ao aviso prévio indenizado (R$ 5.810,08), multa estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho (R$ 5.810,08) e a multa do art. 477, § 8° da CLT (R$ 5.810,08).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS ISENTAS. NÃO INCIDÊNCIA. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista, não se sujeitam à tributação do imposto de renda no ajuste anual as verbas isentas, tais como FGTS, aviso prévio, multa estabelecida na Convenção Coletiva e do art. 477 da CLT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores referentes ao aviso prévio indenizado (R$ 5.810,08), multa estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho (R$ 5.810,08) e a multa do art. 477, § 8° da CLT (R$ 5.810,08). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 54 88 /2 00 5- 26 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.005488/200526 Acórdão n.º 2401006.007 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório FERNANDO DIAS LAGE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0222.197/2009, às efls. 35/38, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 14/16, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 20/03/2005, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com os seguintes fatos geradores: ALTERAÇÃO DOS REND.RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS TITULAR O VALOR DA LINHA O1 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS TITULAR FOI ALTERADO CONFORME DESCRITO NAS MENSAGENS CONSTANTES DESTE DOCUMENTO.,DO VALOR BRUTO CONSTANTE EM DIRF E DO PROCESSO TRABALHISTA 01/00935/98 DER$ I82.665,11 DEDUZSE OS HONORARIOS ADVOCATICIOS DE R$ 53.952,77 RESULTANDO NO TRIBUTAVEL DE R$ 118.702,34 E NÃO CONFORME O`DECLARADO RELATIVO MINERAÇAO MORRO VELHO CNPJ 22.931.299/000130. OBSERVAÇÕES: FORAM ALTERADOS OS VALORES DAS SEGUINTES LINHAS DE SUA DECLARAÇÃO: L1 RENDIMENTOS REC. PES. JURÍD. TITULAR DE R$ 110.101,58 PARA R$ 136.246,94: SUA RESTITUIÇÃO DE R$ 32.290,67, REFERENTE,AO LOTE BANCO 22 , FOI ENCAMINHADA VIA DOC AO BANCO ABN Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.005488/200526 Acórdão n.º 2401006.007 S2C4T1 Fl. 4 3 AMRO S.A, AGÊNCIA 00097, PARA CREDITO EM CONTA NO DIA 22/03/2005 (IN SRF N. 28. DE 13/O3/2001). O VALOR FOI ACRESCIDO DE JUROS, CONFORME DETERMINA O ART. 16 DA LEI N.9.250/95. SE, EVENTUALMENTE, A RESTITUIÇAO NAO FOR CREDITADA EM SUA CONTA, O VALOR ESTARA DISPONIVEL EM QUALQUER AGENCIA DO BANCO DO BRASIL,A PARTIR DO PRIMEIRO DIA UTIL SEGUINTE A DATA ACIMA ESPECIFICADA ATÉ O DIA 22/O3/2006. PARA PROCEDER AO AGENDAMENTO DE NOVA DATA PARA CREDITO EM CONTA. LIGUE PARA O BB RESPONDE OBO0'7§5B7§ OU PRO* CURE QUALQUER AGENCIA DO BANCO DO BRASIL. SE, POR QUALQUER MOTIVO, A RESTITUIÇAO NAO FOR RECEBIDA NO PERIODO INDICADO, DIRIJASE À UNIDADE ADMINISTRATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DE SUA JURISDIÇAO, ONDE PODERÁ SER FEITO O PEDIDO DE RESTITUIÇAO POR MEIO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 41/45, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo ter juntado aos autos petição inicial da reclamatória trabalhista, a sentença, o acórdão e a memória de calculo, sendo os referidos documentos suficientes para comprovar as alegações. Aduz que não foram consideradas as diversas parcelas de natureza indenizatória, claramente demonstrada na memória de calculo homologada pelo MM. Juiz. Afirma que além das parcelas de natureza indenizatória, devem ser deduzidas da base de cálculo os honorários advocatícios pagos ao procurador do Recorrente e devidamente informados na sua Declaração de Ajuste Anual. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.005488/200526 Acórdão n.º 2401006.007 S2C4T1 Fl. 5 4 De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura da presente notificação de lançamento se deu em virtude da omissão de rendimentos provenientes de ação trabalhista, constando à fl. 11 a homologação dos cálculos de fls.5/10. Desde a impugnação, o autuado informou ser a diferença referente as verbas isentas (indenizatórias). Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que [...] Não consta dos autos alvará judicial comprovando o efetivo valor recebido ou outro documento oficial que comprovasse esse valor. Assim o valor informado em Dirf (declaração de imposto de renda retido na fonte) e considerado pela Fiscalização deve prevalecer como sendo o valor tributável recebido pelo impugnante em junho de 2002, qual seja: R$182.665,11. Informase na Dirf o rendimento tributável. Nesse sentido não havendo nos autos qualquer prova que afaste a correção dessa' informação, devese considerar que o valor de R$182.665,11 informado é rendimento tributável, sujeito à retenção na fonte nos moldes da legislação aplicável. É dizer: o contribuinte não comprovou nos autos que as parcelas que ele alega estarem fora do campo de tributação do imposto de renda estariam compondo a base de cálculo do imposto, portanto não se pode afirrnar que referidas parcelas já não estavam excluídas do valor de R$182.665,11 informado na Dirf. [...] Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os rendimentos decorrentes de indenização, conforme documentação hábil e idônea acostada aos autos, observando todos os requisitos legais. Pois bem! Os rendimentos isentos pagos por ocasião da rescisão do contrato de trabalho são aqueles discriminados no art. 6°, V, da Lei n° 7.713/88, in verbis: Lei n° 7.713/88 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Tal dispositivo legal foi reproduzido no Decreto n.ª 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99, no seu art. 39, inciso XX. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.005488/200526 Acórdão n.º 2401006.007 S2C4T1 Fl. 6 5 No que se referem às verbas indenizatórias, cabe destacar que à luz do artigo 43 do CTN, o imposto de renda incidirá sobre os acréscimos patrimoniais decorrentes do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. As indenizações destacadas no caso concreto, quais sejam: o aviso prévio indenizado, a multa estabelecida em Convenção Coletiva e a multa do art. 477, § 8° da CLT, por sua vez, não representam um acréscimo patrimonial, pelo contrário, destinamse a reparar um dano e restabelecer uma situação anterior. Portanto, devem ser excluídas da base de calculo do valor tributável. Já no que concerne a dobra do salário e 6/12 avos do 13° salário, não há na legislação qualquer menção a isenção de referidas rubricas, devendo ser mantido no valor tributável. Em relação aos honorários advocatícios, não há nos autos qualquer prova, tais como: recibo, nota fiscal, contrato de prestação de serviços ou qualquer outro, que comprove o valor despendido pelo recorrente. Neste ponto, deve ser mantido o valor apurado no lançamento. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo os valores referentes ao aviso prévio indenizado (R$ 5.810,08), multa estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho (R$ 5.810,08) e a multa do art. 477, § 8° da CLT (R$ 5.810,08), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000335/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 35 /2 01 0- 15 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16349.000335/201015 Acórdão n.º 3402006.355 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.636, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16349.000335/201015 Acórdão n.º 3402006.355 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16349.000335/201015 Acórdão n.º 3402006.355 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16349.000335/201015 Acórdão n.º 3402006.355 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720881/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/03/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
TIPIFICAÇÃO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS
A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias
Numero da decisão: 3302-006.432
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade alegada.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/03/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. TIPIFICAÇÃO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade alegada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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OBSCURIDADE. TIPIFICAÇÃO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade alegada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 08 81 /2 01 4- 12 Fl. 1647DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratamse de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão n° 3302005.379, proferido em 17 de abril de 2018, pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção do CARF. Alega que o acórdão omitiuse em relação ao argumento acerca da atipicidade da conduta descrita no auto de infração como apta a desencadear a imposição da penalidade ora guerreada. Explica que em seu Recurso Voluntário a ora Embargante apontou expressamente que a distinção entre a importação por conta própria e por encomenda até o evento da nacionalização é absolutamente irrelevante, eis que os recursos empregados no comércio exterior no caso em análise estão restritas ao mesmo agente. Explicase: a DM8 atuando por conta própria ou por encomenda, necessariamente e por disposição legal, é quem deve deter a titularidade dos recursos empregados na operação de importação. Outrossim, que o acórdão é contraditório, pois além da omissão anteriormente apontada, há contradição na decisão embargada. Isso porque, para fins de ensejar aplicação da pena de perdimento, a decisão embargada trata a operação objeto dos autos como importação por conta e ordem por presunção, quando resta amplamente demonstrado, inclusive no termo de verificação fiscal, que a operação havida se deu por encomendante pré determinado. Despacho de Admissibilidade de Embargos, datado de 26 de outubro de 2018, entendeu que ainda que se considere irrelevante a qualificação original da conduta, se importação por conta e ordem ou por encomenda, já que o descumprimento da condição redunda, igualmente, na infração por interposição fraudulenta, pareceme que o aresto restou, se não contraditório, obscuro, pois qualifica a operação, simultaneamente, como realizada por encomenda e por conta e ordem. Sem dúvida, tratase de uma imprecisão que pode até mesmo tornar incompreensível o embasamento lógicojurídico da decisão proposta pela Relatora do processo. Com base nas razões acima expostas, admitiuse os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte apenas em relação à contradição/obscuridade apontada. É o relatório. Voto Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302006.432 S3C3T2 Fl. 3 3 Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 26 de outubro de 2018, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para sanar uma imprecisão, pois qualifica a operação, simultaneamente, como realizada por encomenda e por conta e ordem. 2. DA TEMPESTIVIDADE O contribuinte tomou ciência da decisão de segunda instância em 02/07/2018, como informa o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à efolha 1.623, e protocolou os embargos de declaração em 06/07/2018, conforme Termo de Solicitação de Juntada à efolha 1.624. Sendo de cinco dias o prazo para interposição dos aclaratórios, concluise que o recurso foi apresentado dentro do prazo legal. O recurso é tempestivo. 3. DA OBSCURIDADE. O Despacho de Admissibilidade assim se manifestou sobre a questão, às e folhas 1.644: Alega que o acórdão omitiuse em relação ao argumento acerca da atipicidade da conduta descrita no auto de infração como apta a desencadear a imposição da penalidade ora guerreada. Explica que: Em seu Recurso Voluntário a ora Embargante apontou expressamente que a distinção entre a importação por conta própria e por encomenda até o evento da nacionalização é absolutamente irrelevante, eis que os recursos empregados no comércio exterior no caso em análise estão restritas ao mesmo agente. Explicase: a DM8 atuando por conta própria ou por encomenda, necessariamente e por disposição legal, é quem deve deter a titularidade dos recursos empregados na operação de importação. Outrossim, que o acórdão é contraditório, pois: Além da omissão anteriormente apontada, há contradição na decisão embargada. Isso porque, para fins de ensejar aplicação da pena de perdimento, a decisão embargada trata a operação objeto dos autos como importação por conta e ordem por presunção, quando resta amplamente demonstrado, inclusive no termo de verificação fiscal, que a operação havida se deu por encomendante prédeterminado. A falta merece saneamento. Fl. 1649DF CARF MF 4 4. DO DEFERIMENTO É alegado às folhas 3 a 4 dos Recurso de Embargos: Em seu Recurso Voluntário a ora Embargante apontou expressamente que a distinção entre a importação por conta própria e por encomenda até o evento da nacionalização é absolutamente irrelevante, eis que os recursos empregados no comércio exterior no caso em análise estão restritas ao mesmo agente. Explicase: a DM8 atuando por conta própria ou por encomenda, necessariamente e por disposição legal, é quem deve deter a titularidade dos recursos empregados na operação de importação. Ainda, extraise da imputação levada a efeito pela autoridade fiscal, duas conclusões inequívocas: 1) a operação de comércio exterior se deu com recursos próprios da Recorrente; e 2) a origem desses recursos é conhecida e lícita. Ora, a natureza de ambas modalidades de importação (por conta própria ou encomenda), do ponto de vista de comércio exterior, é absolutamente idêntica, senão pela destinação que será dada à mercadoria depois de nacionalizada que, no caso da encomenda, constituirseá num único lote, integralmente dirigido a um único destinatário, e no caso da conta própria será destinada a diversos compradores internos. Aliás, outra não é a conclusão das autoridades julgadoras, eis que consta da decisão embargada: Portanto, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria” (fls. 26/1.591) Ora, se do ponto de vista material, inclusive no que toca aos efeitos fiscais, não há distinção entre as duas modalidades, a desclassificação da operação de conta própria para importação por encomenda é fato atípico a ensejar a imposição da penalidade de perdimento. Para adequar o foco da presente análise, é necessária a transcrição de trecho de folhas 29 e 30 do Acórdão de Recurso Voluntário: MOTIVAÇÃO DA OCULTAÇÃO Constatase do RF que durante a análise documental, embora a DI tenha sido registrada como uma importação por conta própria da DM8, os documentos instrutivos do despacho indicavam a pessoa jurídica MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, CNPJ n° 11.268.411/000189 em seus campos, a exemplo do Conhecimento de Carga, B/L n° HGPITJ1300171, em seu campo “Marks and Number” , fl.120, nas Faturas Comerciais nos campos "Messrs" e “Ordered to”, Faturas Comerciais: FORTUNE PROVIDER LTD n°. LJT20121009, JARLLY (HONGKONG) INTERNATIONAL TRADE CO., LIMITED n°.JI2012003 e WENZHOU BEST LEATHER CO., LTD n°. Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302006.432 S3C3T2 Fl. 4 5 BST12GW143), indicando que a operação tinha sido operacionalizada por ordem da MAMO, bem como no Paking List, fl.128/135. Referida empresa MAMO, indicada nos documentos instrutórios da DI em análise, como suposta real adquirente das mercadorias, foi habilitada a operar no comércio exterior em 31/10/2012, com ficha de habilitação cadastrada no sistema Radar sob o n° 12/00479944 na modalidade pessoa jurídica, submodalidade 4LIMITADA. A título de esclarecimento, cumpre destacar que a diferença básica entre a habilitação no Siscomex na modalidade simplificada, submodalidade pequena monta, e a modalidade ordinária, é que a primeira define um limite de importação de cento e cinquenta mil dólares no período de seis meses, e a segunda não. Na modalidade ordinária são feitas estimativas de valor, com base na análise da capacidade econômicofinanceira da empresa. Para empresas habilitadas na modalidade simplificada, tendo em vista o limite imposto pela legislação, o próprio Siscomex, automaticamente, impede o registro de declaração de importação quando o valor da declaração a ser registrada, somado aos valores das outras declarações já registradas no período anterior de seis meses, ultrapassar o valor de cento e cinqüenta mil dólares. Portanto, as empresas que pretendem importar em valores superiores a cinqüenta mil dólares no período de seis meses devem pleitear a habilitação no Siscomex na modalidade ordinária. Caso deferido o pedido de habilitação na modalidade ordinária, a empresa requerente é comunicada das estimativas para as quais foi habilitada a operar e, neste caso, o Siscomex, independentemente de valor, não impede o registro de quaisquer declarações de importação, mesmo que o valor importado seja superior a estimativa definida pela Receita Federal do Brasil. Com base no exposto, em 04/03/2013, data do registro da DI em litígio, o valor permitido para a empresa MAMO importar era de US$ 147.785,79 (valor permitido para o mês em curso = US$ 150.000,00 US$ 2.214,2110). A presente DI foi registrada com o valor de US$ 160.453,33. O importador visava nacionalizar, por meio da Declaração de Importação (DI) n° 13/04120289, modalidade de importação "direta", diversas peças de vestuário descritas como jaquetas, blusas, camisas, batas e cintos de diversos tamanhos/cores/composições, todas de origem chinesa. À vista de elementos indicativos da ocorrência de ocultação do real adquirente das mercadorias a operação foi incluída em procedimento especial de controle aduaneiro. Ao ser promovida a análise documental da operação de importação, constatado nos documentos obrigatórios de instrução ao despacho de importação da DI n° 13/04120289 a indicação da empresa MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, CNPJ n° 11.268.411/000189 nos campos “Marks and Number”, "Messrs" e “Ordered to” (a saber: Fl. 1651DF CARF MF 6 Conhecimento de Carga B/L n° HGPITJ1300171, Faturas Comerciais: FORTUNE PROVIDER LTD n°. LJT20121009, JARLLY (HONGKONG) INTERNATIONAL TRADE CO., LIMITED n°. JI2012003 e WENZHOU BEST LEATHER CO., LTD n°. BST12GW143) (vide tais documentos no Anexo I). Ao contrário da tônica das alegações apresentadas no Recurso de Embargos, o fulcro da infração não reside na ausência de limite no RADAR por parte da encomendante e sim no ato de ocultar a empresa MAMO CONFECÇÕES LTDA – ME. A argumentação veiculada pelo Embargante parte da seguinte premissa equivocada: a desclassificação da operação de conta própria para importação por encomenda é fato atípico a ensejar a imposição da penalidade de perdimento. Essa argumentação afronta a redação do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, responsável pela tipificação da pena de perdimento no caso em análise. ❖ Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Para uma adequada compreensão da conduta infracional tipificada, é necessário discorrer sobre o conceito de interposição fraudulenta de terceiros em operação de importação. O ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes: 1. O importador ➞ aquele que se apresenta às autoridades aduaneiras como responsável pela nacionalização da mercadoria. Importador é aquele que promove a entrada do bem no território nacional. Há dois pressupostos básicos para se caracterizar o importador: a) deve estar devidamente HABILITADO no Sistema SiscomexRADAR; b) é aquele que efetua o registro da Declaração de Importação em seu nome. 2. O sujeito passivo oculto (ou responsável pela operação de importação) ➞ aquele que se vale do importador para obter a nacionalização da mercadoria à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302006.432 S3C3T2 Fl. 5 7 O sujeito passivo oculto é aquele que não pode ou não quer promover a operação de importação em seu próprio nome. Por isso se vale outro ( o importador ) para obter produto importado no mercado interno. É de se frisar que é perfeitamente possível, à luz da legislação aplicável, que terceiro utilize o importador para obter produto importado no mercado interno. A legislação prevê duas formas de identificar o terceiro (REAL COMPRADOR no mercado interno ) responsável pela importação: I. modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; e II. modalidade de "importação por encomenda". Não se valendo dessas duas modalidades de importação, fica caracterizada a seguinte situação: Ø o REAL COMPRADOR no mercado interno (sujeito passivo oculto) obtém a nacionalização do bem importado, por intermédio do importador interposto, sem a adoção formas previstas na legislação aplicável, permanecendo à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 1653DF CARF MF 8 O núcleo da infração da prática de interposição fraudulenta de terceiros é o USO DE INTERPOSTA PESSOA em operação de comércio exterior com o propósito de ACOBERTAR o sujeito passivo oculto. Atualmente, duas formas de “terceirização” das operações de comércio exterior são reconhecidas e reguladas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): · A importação por conta e ordem uma empresa (a adquirente), interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços (a importadora por conta e ordem) para que esta, utilizando os recursos originários da contratante. providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente; · A importação por encomenda uma empresa (a encomendante predeterminada), interessada em uma certa mercadoria, contrata uma outra empresa (a importadora) para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante. A escolha entre importar mercadoria estrangeira por conta própria ou por meio de um intermediário, contratado para esse fim, é livre e perfeitamente legal, seja esse intermediário um prestador de serviço ou um revendedor, desde que obedecidas as normas vigentes e assim identificar o terceiro (REAL COMPRADOR no mercado interno ) responsável pelaimportação. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302006.432 S3C3T2 Fl. 6 9 Eis que no caso em análise, o bem jurídico tutelado é o controle aduaneiro e esse controle foi violado, mediante a prática de fraude ou simulação tendente a burlar a Administração Aduaneira. Por serem os Imposto de Importação e de Exportação tributos com caráter extrafiscal, o dano ao Erário não se relaciona apenas a questão de “quanto de tributo deixou de ser recolhido”. Até mesmo porque, pela própria natureza da fraude e simulação proporciona vantagens de outra natureza. Mas mesmo assim, podem vir a serem detectadas vantagens irregulares relacionadas a nãoincidência de impostos e contribuições decorrentes da prática de interposição fraudulenta de terceiros, muito embora não se mostrem imprescindíveis para configurar o dano ao Erário. Para esclarecer o assunto, listase algumas dessas vantagens que podem ser auferidas indevidamente pela prática da interposição fraudulenta de terceiros: Burlar os controles de habilitação para operar no comércio exterior: Para que uma pessoa, física ou jurídica, possa operar no comércio exterior, é necessário que a Receita Federal lhe conceda uma habilitação para acesso ao Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior. A pessoa deve possuir Radar. Procedimentos relacionados a essa habilitação estão previstos em atos normativos que estabelecem uma série de verificações fiscais atinentes à avaliação da capacidade operacionaleconômicofinanceira da empresa e ao confronto entre as informações prestadas no requerimento e aquelas constantes na base de dados da Receita Federal (auditoria preventiva). Foi citado, em mais de uma oportunidade, que na interposição fraudulenta de terceiros aquele que não possui capacidade contributiva está intencionalmente exercendo o papel daquele que a possui, com o firme propósito de burla dos controles aduaneiros e fugir da exação tributária. Mesmo que se alegue que a exação tributária foi paga pela interposta pessoa, portanto o Erário não deixou de efetuar o recolhimento que lhe cabia, a burla dos controles aduaneiros ocorreu, pois não é o real importador que se apresenta perante à fiscalização com o seu nome no despacho aduaneiro. A burla aos controles aduaneiros pode causar: Fl. 1655DF CARF MF 10 • impedir que uma determinada empresa (adquirente) seja submetida ao procedimento de habilitação; • impedir a equiparação, do real adquirente, à condição de estabelecimento industrial, contribuinte do IPI; • impedir a aplicação das restrições e determinações previstas na legislação de "valor aduaneiro" e de "preços de transferência"; . • impedir o conhecimento da verdadeira origem dos recursos; • impedir atribuir ao adquirente a condição de responsável solidário pelos tributos incidentes na importação; • impedir o devido registro contábil da propriedade dos bens, incluindo a composição de custos destes bens; • propiciar o aproveitamento indevido de incentivos fiscais estaduais (ICMS), a chamada "guerra fiscal' entre os Estados da federação que, muitas vezes, apenas fomenta a criação , ou simulação de enpresas com o fim único de se obter tais vantagens; • impedir o efetivo controle aduaneiro e fiscal; No caso específico da modalidade “importação por encomenda” ainda podem ser listadas as seguintes burlas aos controles aduaneiros: · A não vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Siscomex, via Declaração de Importação; · A não apresentação do encomendante, para fins da vinculação, de requerimento à unidade aduaneira da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. · A não habilitação do encomendante no RADAR; · A não informação pelo importador por encomenda, do número de inscrição do encomendante no CNPJ em campo próprio da Declaração de Importação; · A exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, por parte do importador por encomenda e do encomendante quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido destes; Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302006.432 S3C3T2 Fl. 7 11 E ainda traz outros efeitos: Blindar o patrimônio do real adquirente/encomendante: No caso de eventual lançamento tributário decorrente das operações, o real importador se beneficia de certa “imunidade” no âmbito patrimonial (cobrança de tributos e multa) e penal (conduta criminosa), uma vez que, aos olhos do Fisco, somente é conhecida a identidade da interposta pessoa. Quebra da cadeia de incidência do IPI: Por ordenamento constitucional, o IPI é um tributo de incidência nãocumulativa, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art. 153, § 3º, inciso II, da CF/88). O importador de mercadoria estrangeira é estabelecimento equiparado a industrial, consoante o artigo 13 da Lei 13.281/06. Desse modo, a saída de mercadoria do estabelecimento equiparado a industrial, mesmo quando a importação não tenha sido realizada diretamente por ele, constitui fato gerador do IPI, sendo efetivamente devido o valor do imposto em razão da diferença entre o preço de entrada e o preço de saída, pelo princípio da nãocumulatividade, conforme artigo 35 do Decreto nº 7.212/10 (RIPI). Ao não se apresentar à Receita Federal como importador de mercadorias importadas, o real adquirente intenta afastar sua condição de contribuinte (por equiparação) do IPI pela saída do produto de seu estabelecimento. Sonegação de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos: Em uma importação por intermédio de terceiros, o importador é contribuinte do PIS/PASEP e COFINS não cumulativos sobre a receita bruta auferida (no caso da importação por encomenda) ou sobre o valor dos serviços prestados (no caso de importação por conta e ordem), consoante o artigo 12 do Decreto nº 4.524/02. Lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores: Por lavagem de dinheiro entendese o procedimento utilizado para disfarçar a origem de bens e valores obtidos ilegalmente. No caso da ocultação mediante fraude ou simulação, abrese brecha para a utilização de recursos de origem desconhecida no pagamento das importações. Fl. 1657DF CARF MF 12 A prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros propicia uma série de possibilidades, que o legislador entendeu por bem não tolerar, tipificandoa como conduta infracional, independentemente do seu resultado. Este também parecer ser o entendimento da colenda jurisprudência, conforme a seguinte ementa de decisão emanada pela terceira turma do TRF da 4º Região, referente ao processo 2001.72.08.0023793/SC a respeito da natureza do dano ao erário: ADMINISTRATIVO. PENA DE PERDIMENTO. LESÃO AO ERÁRIO. ART. 136 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Como a responsabilidade decorrente da violação à legislação tributária é objetiva, o dano ao erário deve ser entendido como de natureza meramente potencial, sob pena de se incentivar a fraude fiscal com a aparência de inocência, dada a dificuldade de se apurar o elemento subjetivo em cada caso concreto. Neste mesmo sentido: Origem: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO Processo: 96.04.005111 UF: PR Orgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Ementa PENA DE PERDIMENTO. DEL37/66. O DEL37/66 não foi revogado pela Constituição Federal pois, o dano causado ao erário público previsto no ART153, PAR11 da Carta Magna, não exige o prejuízo decorrente da exportação sem pagamento de tributos ou mesmo a exportação proibida, bastando configurarse uma situação vedada pela lei, fato que se assemelha ao crime de perigo previsto na lei penal.” Agreguese ainda outro julgado do mesmo Tribunal, na Apelação em Mandado deSegurança nº 2001.72.03.0009910/SC (grifouse): Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302006.432 S3C3T2 Fl. 8 13 "Devese ter presente que dano ao erário não se configura unicamente pelo nãorecolhimento de tributos. Em matéria de controle aduaneiro, a questão não se limita aos aspectos tributários, pois a atividade alfandegária ultrapassa em muito a mera questão tributária. "... não é certo considerar o Direito Aduaneiro como um ramo do Direito Fiscal. É, sim, ramo independente que com aquele não se confunde, pois não lida apenas com o fenômeno impositivo, mas sobretudo com a complexa e variada gama de fenômenos que caracterizam o comércio internacional,tanto do ponto de vista da regulação quanto do controle estatal exercido” (ob. cit., p.52). Portanto, no Acórdão de Recurso Voluntário, efolhas 1.591, onde se lê: Portanto, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Leiase: A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias (art. 23 V, do Decretolei n° 1.455/76 com a redação dada pela Lei n° 10.637/02), não sendo necessário precisar taxativamente se o sujeito passivo oculto atuava como adquierente ou encomendante, bastando sua descaracterização como importador direito. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração para acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade alegada. Jorge Lima Abud. Fl. 1659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.905567/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
DESPACHO DECISÓRIO REVISOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11-A E 11-B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11-A e 11-B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal.
Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto.
Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11-A e art. 11-B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei.
Havendo a identidade de benefícios os arts. 11-A e11-B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO.
É descabida a apuração do crédito-presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados.
ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ.
O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não-cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente.
VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO.
Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o Decreto-Lei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação.
No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012.
MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-004.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11-A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Redator designado.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11-A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Redator designado. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 DESPACHO DECISÓRIO REVISOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11-A E 11-B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11-A e 11-B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11-A e art. 11-B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei. Havendo a identidade de benefícios os arts. 11-A e11-B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do crédito-presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não-cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o Decreto-Lei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação. No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11A E 11B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11A e 11B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11A e art. 11B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei. Havendo a identidade de benefícios os arts. 11A e11B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 55 67 /2 01 5- 96 Fl. 938DF CARF MF 2 art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o DecretoLei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação. No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 939 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Redator designado. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 825 em face de decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 757, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 612, apresentada em face de um segundo Despacho Decisório de fls. 272 que deferiu parcialmente os créditos presumidos de IPI. Este segundo Despacho revisou o Despacho Decisório eletrônico e original de fls. 2, após Resolução de fls. 157, determinada pela DRJ/PE para que o lançamento fosse revisto de acordo com a SCI n.º 25 de 2016. Transcrevo o mesmo relatório apresentado na decisão de primeira instância para o melhor e fiel acompanhamento dos fatos, trâmite e matérias em discussão: "Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 03/47, interposta aos 08/07/2016, fl. 02, contra o Despacho Decisório de fl. 176, do qual a contribuinte foi cientificada aos 16/06/2016, fl. 177, que deferiu, parcialmente no valor de R$ 92.474.374,26, o Pedido de Ressarcimento de IPI, no valor de R$ 142.920.374,26, relativo ao 1º trimestre de 2014. I. Do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 940DF CARF MF 4 2. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 196/261, no qual se embasou sobredito Despacho Decisório, registra que a contribuinte, fabricante de veículos automotores com fábricas em diversas cidades, dentre as quais a de Camaçari/BA, apresentou Pedidos de Ressarcimento – PER e Declarações de Compensação – DCOMP alusivos a créditos relativos aos 2º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2014, nos valores descritos na planilha a seguir: 3. Esclarece o TVF que os valores objeto dos PER e DCOMP tratados nos processos acima se referem a: (i) crédito básico disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 33/99; (ii) crédito presumido de IPI, em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal, em conformidade com o art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835/2001; e (iii) crédito presumido de IPI previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97. 4. Reporta que os créditos acima foram analisados, tendo sido detectado que estavam corretos os valores do crédito básico, do crédito presumido previsto no art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e o crédito presumido de IPI de que cuida o art. 11B, da Lei nº 9.440/97, mas que, quanto ao créditopresumido do art. 11A, desta Lei, foram detectadas irregularidades, consistentes no cálculo do incentivo em relação à revenda de produtos importados e, ainda, na apuração de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS em desacordo com a legislação aplicável. I.1. Da indevida apuração do benefício em relação à revenda de veículos importados: 5. Explica o TVF que o incentivo fiscal previsto no art. 11A, da Lei nº 9.440/97, equivale a um percentual sobre o valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas em cada mês sobre as receitas de vendas no mercado interno. Tal benefício, inicialmente atribuído à TROLLER VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA, foi transferido, após a incorporação desta pessoa jurídica pela autuada, ao estabelecimento desta em Camaçari pelo Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, de 28/02/2002. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 940 5 6. Reproduz os arts. 1º (caput e inciso IV e §1º, alienas “a”, “b” e “c”), 11A1 e 13, da Lei nº 9.440/97, e menciona que o enfocado incentivo foi regulamentado pelos Decretos nº 2.179, de 18/03/1997, e 3.893, de 22/08/2001 (este, revogado pelo de nº 7.422, de 31/12/2010), com disposições também no Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. 7. Fala que o art. 1º, da Lei nº 9.440/97, exige que, para gozar o incentivo, a empresa: (i) já estivesse instalada ou viesse a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste; e (ii) fosse montadora e fabricante de veículos automotores, tratores, colheitadeiras, dentre outros. 8. Consigna que o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, preconiza que o crédito presumido corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, e que o Decreto nº 7.422/2010, que regulamentou este artigo, dispôs que o enfocado incentivo corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos referidos no inciso IV, do art 2º, do Decreto nº 2.179/1997, quais sejam: veículos montados ou fabricados nas regiões incentivadas. 9. Diz que, no processo nº 52000.000133/200764, protocolizado perante o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, foi tratado pedido do sujeito passivo de expedição de certificado que o habilitasse à fruição do benefício do art. 1º, IX, c/c o art. 11, IV, ambos da Lei nº 9.440/97, e, no requerimento, a contribuinte deixou claro exercer atividade de industrialização e em nenhum momento adotou a palavra “importação” e, além disto, em atendimento ao disposto no art. 4º, III, da Portaria Interministerial nº 258/2001, ao pleito anexou formulário no qual informa o faturamento com a venda de produtos de fabricação própria, os veículos em produção na unidade de Camaçari, a capacidade de produção e o número de empregos. Logo, conclui o TVF que a requerente se apresentou como estabelecimento industrial para se habilitar à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97. 10. Fala o TVF que, ao apreciar o pleito acima, a Nota Técnica nº 03/SDP/2007 conclui que o benefício da Lei nº 9.440/97, originalmente concedido à TROLLER para a “instalação de fábrica para produção de veículo”, poderia ser utilizado pela FORD e, assim, foi aprovado o Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, que altera para a FORD a titularidade da habilitação dos estabelecimentos fabris da TROLLER nos municípios de Camaçari/BA e Horizonte/CE. 11. Pondera que o citado Termo Aditivo de Rerratificação é expressamente regido pela Portaria Interministerial nº 258, de Fl. 942DF CARF MF 6 14/10/2001, que disciplina o gozo do incentivo analisado e textualmente o restringe, em seu 3º, às empresas “que estejam fabricando produtos automotivos” na região incentivada e, além disto, exige, em seu Anexo I, informações relativas à quantidade de linhas de produção, à capacidade produtiva e ao número de empregos. 12. Outrossim, destaca que o Termo Aditivo de Ratificação faz menção à opção da FORD “para que a sua filial com estabelecimento fabril na cidade de CamaçariBA” goze dos benefícios da Lei nº 9.440/97, sendo que todos os certificados aditivos de rerratificação anualmente emitidos também se referem ao “estabelecimento fabril” em Camaçari. 13. Ademais, enfatiza o TVF que o aludido Termo de Compromisso, em suas cláusulas 7ª a 9ª, obriga a manutenção dos níveis de produção já existentes, sob pena de perda do benefício, atendendo, assim, ao art. 8º, §3º, da Lei nº 11.434, de 28/12/20062. Salienta, ainda, que o caput deste artigo dispõe que, no caso de transferência de incentivos e benefícios fiscais decorrentes de incorporação de empresa, sejam “observados os limites e as condições fixados na legislação que institui o incentivo ou o benefício”, em especial quanto aos aspectos vinculados “I ao tipo de atividade e de produto”, e que o seu §4º3 deixa claro que o comentado benefício apenas incide sobre a produção de veículos automotores. 14. Noutra linha de argumentação, aponta o TVF que o art. 11 A, §4º e 5º, da Lei nº 9.440/97, exige, sob pena de perda do benefício, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondente a, no mínimo, 10% do valor do crédito presumido apurado, na forma regulamentada pelos arts. 4º, I, e 5º, do Decreto nº 7.422/2010 e, como tais exigências são inerentes à industrialização, não tendo correlação com a atividade de simples revenda de veículos importados, conclui o TVF que elas explicitam a vinculação do benefício fiscal à fabricação de veículos. 15. Sopesa, ainda, que, na revenda de veículos importados, os investimentos a que se reporta o §4º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, não são realizados na região incentivada, mas no País em que produzidos os veículos, pelo que admitir o incentivo na revenda representaria uma espécie de estímulo ao investimento na indústria automobilística de outros países, o que ensejaria enormes prejuízos ao Estado Brasileiro, que arcaria com ônus do incentivo fiscal, mas não receberia qualquer contrapartida – o que configuraria grave ofensa ao interesse público. 16. Gizam as autoridades fiscais que a ora manifestante apurou, nos anos de 2012 a 2014, incentivo previsto no art. 11A no montante total de R$ 1.209.232.686,54, dos quais 63,4% se estreitam à revenda de veículos importados, e apontam o agravante de que “a partir de agosto de 2014, a empresa passou a produzir na fábrica de Camaçari um outro veículo (novo KA), que também foi habilitado à fruição do incentivo disciplinado pelo artigo 11B da Lei 9.440. A produção do Ford Fiesta foi Fl. 943DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 941 7 transferida para a filial de São Bernardo do Campo. Com isso, todos os veículos produzidos na filial de Camaçari ficaram enquadrados no incentivo do artigo 11B. Ou seja, o incentivo previsto no artigo 11A ficou sendo calculado somente para a revenda de veículos importados”. 17. Ademais, ponderam que o art. 7º, da Lei nº 9.440/97, ao possibilitar que o Poder Executivo fixe índice médio de nacionalização anual para as empresas montadoras e fabricantes de veículos e autopeças em cuja produção forem utilizados insumos importados, denota a preocupação do legislador em incentivar a industrialização dos produtos automotivos nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. 18. Outra razão indicada pela Fiscalização para não reconhecer o incentivo sobre a receita de revenda de bens importados é a disposição do §3º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, que preceitua a utilização de créditos decorrentes da importação e da aquisição no mercado interno de insumos para a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas para fins de levantamento do crédito presumido de IPI – exigência também estampada no art. 2º, §3º, do Decreto nº 7.422/2010. 19. Ponderam as autoridades fiscais que, ao estabelecer que no cálculo do incentivo devam ser usados créditos decorrentes de importação e de aquisição de insumos no mercado interno, o legislador aponta, ainda que indiretamente, que o produto incentivado é o veículo fabricado pela empresa beneficiária a partir desses insumos. 20. O TVF reforça o entendimento de que o benefício é restrito à industrialização a partir da Exposição de Motivos da Lei nº 9.440/97 (EM Interministerial nº 613/1996MF), na qual diz estar “claro que a Lei visa estimular a instalação da indústria automotiva nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, de forma a fomentar o desenvolvimento regional, aumentar o nível de emprego e descentralizar o setor industrial no Brasil, bem como neutralizar as desvantagens naturais existentes naquelas regiões em relação às demais regiões do país”. 21. Consigna que, na mesma diretriz, a Exposição de Motivos da Lei nº 12.218/2010 (EM nº 166/2009 MF/MCT/MDIC) que incluiu o art. 11A na Lei nº 9.440/97 , aduz que a intenção do incentivo “é implementar medidas complementares à política de desenvolvimento produtivo no país, reforçando a regionalização da indústria automotiva Brasileira, bem como manter o crescimento do número de pessoas empregadas na indústria. Nesse sentido, a inclusão do artigo 11A teve por objetivo a manutenção de medidas indutoras da melhoria dos níveis de investimento, produção, vendas e emprego, e propiciar a preservação do potencial competitivo da indústria automotiva brasileira, podendo atrair ainda novas inversões para a região”. 22. Acrescenta que a EM nº 175/MF/MDIC/ MCT, atinente à Lei nº 12.407/2011, que incluiu o artigo 11B na Lei nº 9.440, Fl. 944DF CARF MF 8 menciona que “o incentivo existente visa direcionar investimentos da indústria automotiva para as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Confirma, ainda, que a Lei 12.218 teve por objetivo garantir os benefícios do programa em relação ao aumento do emprego, exportações e produção do setor automotivo nas regiões abrangidas. Por fim, ressalta que a atração de investimentos na indústria automotiva tem efeitos multiplicadores devido à atração de fabricantes de autopeças para a região”. 23. Menciona, também, que, no Relatório intitulado “Prestação de Contas Ordinária Anual”, referente ao exercício de 2012, disponibilizado pelo MDIC, por meio da Secretaria do Desenvolvimento da Produção, consta “o objetivo socioeconômico do incentivo criado pela Lei 9.440, qual seja: Contribuir para instalação de unidades da indústria automotiva, fomentar o desenvolvimento regional, o aumento do nível de emprego e a descentralização industrial no Brasil”. E complementa que este Relatório “traz, também, demonstrativo do número de empregos gerados pelas empresas beneficiárias do crédito presumido, onde, no caso da FORD, mostra um total de 12.806 empregos gerados. É de fácil conclusão que esse número de empregos é conseqüência direta da atividade de fabricação e montagem de automóveis, e não da simples revenda de veículos importados”. 24. Reportase, ainda, à resposta do MDIC ao Tribunal de Contas da União –TCU transcrita no item 2.2.5.15 do 17ª página do Acórdão TCU 713/2014, que relaciona a redução das importações ao incremento dos empregos diretos e indiretos no país. 25. Outrossim, o TVF aborda os conceitos de industrialização e de estabelecimento industrial dos arts. 4º e 8º, do RIPI/2010, e pontua que, na forma do art. 609, II, deste Regulamento, as expressões “fábrica” e “fabricante” equivalem a “estabelecimento industrial”; assim, as autoridades fiscais concluem, a contrario sensu, que não são estabelecimentos industriais aqueles que executam atividades excluídas do conceito de industrialização. 26. Afiançam que os importadores não são industriais, mas são por ficção legal a estes equiparados (art. 9º, I, do RIPI/2010), sendo que esta equiparação, apesar de submeter o importador ao cumprimento das obrigações tributárias de um industrial, não transforma a natureza das operações realizadas pelo importador (compra e revenda) em típicas de um estabelecimento industrial (industrialização), pois não desempenhadas quaisquer das atividades descritas no art. 4º, do RIPI/2010. Enfatizam, ainda, que, apesar de o importador ser contribuinte do imposto quando da importação, ele só fica equiparado a industrial quando dá saída ao produto importado (art. 24, I e III, do RIPI/2010). 27. Para reforçar a diferenciação entre “industrial” e “equiparado a industrial”, o TVF registra que mesmo um estabelecimento industrial, nas operações em que der saída a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de Fl. 945DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 942 9 embalagem adquiridos de terceiros a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, fica, em relação a tais operações, equiparado a industrial (§6º, do art. 9º, do RIPI/2010). 28. Além disto, traz diversas considerações sobre a definição de estabelecimento, tais como a do art. 609, III, do RIPI4, e a do §2º, do art. 3º, das IN RFB nº 1.183, de 19/08/2011, e 1.470, de 30/05/20145. 29. Discorre, ainda, sobre o princípio da autonomia dos estabelecimentos para fins do IPI (arts. 384 e 609, IV, ambos do RIPI/2010, e parágrafo único, do art. 51, do CTN). 30. Em seguida, o TVF realça que a então fiscalizada informou que sua atividade de fabricação de veículos ocorre no complexo industrial em Camaçari/BA, enquanto a importação é totalmente feita pelo Porto Miguel Oliveira, em Candeias/BA, de onde os veículos são remetidos aos clientes/distribuidores, sem sequer transitarem pelo estabelecimento da empresa em Camaçari, habilitado à fruição do incentivo fiscal em testilha. Assim, como a importação/ revenda é feita por estabelecimento situado na cidade de Candeias/BA, concluem as autoridades fiscais que ela não é incentivada. 31. Fala, também, que o §3º, do art. 11B, da Lei nº 9.440/97, veda o “o aproveitamento do crédito presumido previsto no art. 11A nas vendas dos produtos constantes dos projetos de que trata o caput” e explica a diferença entre venda de produto (resultado da industrialização executada nos estabelecimentos industriais) e revenda de mercadoria (bem adquirido de terceiros sobre o qual não foi realizado qualquer processo de transformação no revendedor), para, ao final, depreender que o incentivo analisado apenas alcança as vendas de produtos resultantes das industrializações executadas nos estabelecimentos referidos no §1º, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97. 32. Conclui a Fiscalização, em face de todo o exposto, que a industrialização é a única atividade que vai ao encontro do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 e do objetivo desta Lei e das Leis nº 11.434/2006 e 12.218/2010 e do Termo de Compromisso firmado pela ora manifestante, pelo que inexiste direito ao incentivo nas operações de revenda de mercadoria importada, cujas receitas não devem compor a base de cálculo do incentivo. 33. O TVF corrobora seu entendimento com: 33.1. Relatório Anual de 2015 publicado pela própria FORD MOTOR COMPANY nos Estados Unidos6, consta que a maioria das instalações da companhia na América do Sul está no Brasil, onde a empresa recebe, do Governo Federal, incentivos como forma de estimular o investimento de capital, o aumento da produção e a criação de empregos; Fl. 946DF CARF MF 10 33.2. fragmento do Parecer elaborado por Ives Gandra da Silva Martins, publicado na Revista Fórum de Direito Tributário, ano 4, nº 23, setembro a outubro de 2006; 33.3. Acórdão desta 2ª Turma/DRJ/Recife no processo administrativo nº 13502.721308/201314, do qual reproduziu ementa; e 33.4. Solução de Consulta Interna SCI COSIT nº 17, de 26/07/2012, cuja ementa está assim redigida: “As receitas decorrentes das vendas no mercado interno de veículos acabados importados não devem ser utilizadas na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997”. 34. Passando à situação fática, expõe o TVF que a contribuinte industrializa veículos que classifica nos CFOP 5101 e 6101 – “Vendas de produção do estabelecimento”, bem como importa e revende veículos pelo Porto de Miguel Oliveira, situado em Candeias/BA, cujas Notas Fiscais de Entrada são emitidas pelo estabelecimento do sujeito passivo localizado em Camaçari com o CFOP nº 3102 – “Compras para Comercialização”, não sendo realizada qualquer operação de industrialização sobre os veículos importados, que são simplesmente revendidos, sendo a operação de revenda classificada pela contribuinte nos CFOP nº 5102, 5403, 6102 e 6403 – “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro”. 35. Externa que como a contribuinte calculou o incentivo do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, sobre a receita de vendas, no mercado interno, dos veículos por ela fabricados e dos importados, a Fiscalização refez os cálculos excluindo, do cômputo do incentivo, as receitas de revenda de produtos importados (assim como os custos vinculados a estas receitas). I.2. Da análise dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS calculados pela contribuinte: 36. Sobre a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida para fins de determinação do crédito presumido analisado, o TVF afirma que as normas peculiares do incentivo criaram duas exceções à regra geral de cálculo de supraditas contribuições: (i) o benefício deve ser levantado apenas no estabelecimento incentivado, com segregação das parcelas da filial, ao passo que a regra geral é a apuração centralizada na matriz; e (ii) na apuração feita pela matriz, os custos, encargos e despesas vinculados às receitas de exportação são considerados para definição dos créditos, enquanto na filial não. 37. Assegura que o cálculo do incentivo deve observar as suas normas específicas e, em caso de ausência, lacuna ou omissão, as da apuração de sobreditas contribuições, cujos valores são bases de cálculo do benefício. 38. Narra haver sido constatado que a contribuinte incorreu nos seguintes equívocos na apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, os quais afetaram, conseqüentemente, o cálculo do crédito presumido de IPI: 38.1. erro no método de determinação dos créditos destas contribuições; Fl. 947DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 943 11 38.2. equívoco no cálculo dos créditos oriundos de outras fábricas; 38.3 erro na apuração do fator de rateio em função de quatro circunstâncias: (i) redução da receita de vendas no mercado interno pela exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (ii) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (iii) inclusão de vendas para o exterior de CKD “Complete Knocked Down”, que não sofreram industrialização no estabelecimento incentivado; e (iv) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.1. Erro no método de determinação dos créditos: 39. Comenta o TVF que a Lei nº 9.440/97 determina: (i) que o incentivo fiscal aqui avaliado incida sobre as receitas de vendas no mercado interno, considerando os débitos e os créditos vinculados a estas operações de venda; e (ii) que a contribuinte apure, separadamente, os créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, e regulados pelos aos art. 21, da IN SRF nº 404, de 12/03/2004, e ao 40, da IN SRF nº 594, de 26/12/2005, cujos textos reproduziu. 40. Registra que a forma de apuração acima é igualmente utilizada para calcular os créditos vinculados à receita de exportação, consoante art. 6º, §3º, da Lei nº 10.833/2003. 41. A partir dos dispositivos acima, conclui que a pessoa jurídica deve optar, no mês de janeiro, por um dos métodos previstos na legislação para cálculo dos créditos e aplicar esta opção, que deve ser informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais –DACON, para todo o anocalendário restante. 42. Elucida que a filial em Camaçari, assim como outros estabelecimentos da contribuinte, aufere receitas no mercado interno e externo, pelo que deve optar por um dos métodos de determinação de créditos previstos no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002, e 10.833/2003, exigência que também se aplica ao levantamento do incentivo fiscal. 43. Ressalva que a legislação regente do incentivo da Lei 9.440/97 “não determina expressamente a obrigatoriedade da adoção de um ou outro método de determinação dos créditos especificamente para o estabelecimento incentivado”, mas que isto não autoriza que o beneficiário adote o método mais conveniente, porquanto, diante da lacuna, deverseia analisar a legislação aplicável para determinar o critério a ser usado para apurar o crédito presumido do IPI. 44. Cita que, neste talvegue, o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, ao que definir que o incentivo corresponde ao valor da contribuição Fl. 948DF CARF MF 12 para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas, acabou fixando, ainda que indiretamente, o método a ser usado pelo beneficiário. 45. É que, de acordo com as autoridades fiscais, para atender, de um lado, o comando da Lei nº 9.440/97 (contribuições efetivamente devidas) e o art. 15, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999 (que estipula que a apuração e o pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ocorra de modo centralizado no estabelecimento matriz da pessoa jurídica) a filial detentora do incentivo deve empregar, no levantamento do benefício, o mesmo método de determinação de créditos utilizado pela matriz, “de forma que o valor devido pela filial seja o mesmo apurado pela matriz e pago/declarado”. 46. Sublinha, ainda, que o art. 251, do RIR/99, impõe que a escrituração deva abranger todas as operações da contribuinte, sendo que o seu art. 252, embora faculte a adoção de escrituração descentralizada, exige que os resultados das filiais sejam incorporados na escrituração da matriz ao final de cada mês. Ademais, referencia a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 2.6 (aprovada pela Resolução nº 684, de 14/12/1990, do Conselho Federal de Contabilidade), que estipula que a entidade que tiver filial ou assemelhada e seja optante por sistema de escrituração descentralizada deve possuir sistema contábil único que permita a identificação de cada uma das unidades. 47. Externa que a filial (ou estabelecimento) nada mais é que a descentralização das atividades da empresa, fazendo parte de um patrimônio único, e cita o conceito de estabelecimento previsto no art. 1.142, do Código Civil, como “todo complexo de bens organizados para exercício da empresa, por empresário ou sociedade empresária” e comenta que o Código Civil, em seus arts. 1.179, 1.184 e 1.188, referese à empresa ao tratar das demonstrações financeiras e do balanço patrimonial. 48. Diz que a apuração da matriz nada mais é que a soma das parcelas das filiais; logo, o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas pela filial “deve estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive, e principalmente, o cálculo do incentivo”, pelo que o método adotado pela matriz para determinação de créditos vincula o das filiais, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado: havendo divergência entre estes métodos, um mesmo insumo pode impactar positivamente na apuração centralizada, gerando mais crédito, ou negativamente na apuração da filial, gerando menos crédito, porém, neste caso, sendo benéfico para a empresa, uma vez que o incentivo fiscal corresponde ao dobro das contribuições devidas (débitos menos créditos). 49. Exterioriza que a referida distorção ocorreu no caso da FORD, que, de acordo com informações prestadas no DACON e no DACON segregado entregue no curso do procedimento fiscal e, ainda, em resposta ao Temo de Início de Fiscalização, usou o rateio proporcional para determinar os créditos dos insumos utilizados na industrialização, mas, no cálculo do incentivo pela Fl. 949DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 944 13 filial em Camaçari, usou método divergente, que tem semelhança com o método de apropriação direta. 50. Cita exemplo concreto da citada distorção ocorrido no mês de julho de 2012, relativamente ao qual pontua que: 50.1. considerando as apurações da contribuinte e excluindo a operação de venda de veículos importados, a filial de Camaçari calculou, para fins do incentivo, contribuições devidas no valor de R$ 6.811.246,72, o que resultou num incentivo de R$ 12.941,350,10 (nesta operação, o total de crédito foi de R$ 32.299.169,01 e o débito foi de R$ 39.110.415,73); 50.2. na apuração feita pela matriz (DACON), e ainda considerando a exclusão dos veículos importados, os créditos, referentes a custos e vendas no mercado interno e externo, da filial de Camaçari totalizaram R$ 36.071.007,31, sobre o qual, aplicandose o fator de rateio de vendas no mercado interno apurado pelo contribuinte (96,63%), obtémse crédito no mercado interno no montante de R$ 34.855.414,36 e contribuições devidas no valor total de R$ 4.250.494,56 (o valor do débito informado foi R$ 39.105.908,92); 50.3. assim as contribuições devidas pela filial incentivada, conforme apurado no DACON, importaram em R$ 4.250.494,56, enquanto no cálculo do incentivo o valor devido atingiu R$ 6.811.246,72 (e o crédito presumido R$ 12.941.350,10); 50.4. considerandose as contribuições efetivamente devidas pela filial (ou seja, os R$ 4.250.494,56 apurados em DACON e declarados em DCTF), o valor do incentivo deveria ser de R$ 8.075.939,66 (1,9 vezes as contribuições devidas), em vez dos R$ 12.941.350,10 apurados pela contribuinte (3,04 vezes as contribuições devidas). 51. Assevera que o exemplo acima revela que, para que o incentivo fiscal seja equivalente às contribuições efetivamente devidas, a metodologia de apuração dos créditos das contribuições usadas pela filial deve ser idêntica à adotada pela matriz, pois, do contrário, assumirseia a possibilidade de que o valor de benefício fosse maior do que o pretendido pelo legislador, o que aumentaria, indevidamente, a renúncia fiscal. 52. Complementa que a filial em Camaçari usa o saldo credor de IPI, fortemente influenciado pelo incentivo em exame, para compensar débitos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados pela matriz, ou seja, utiliza um benefício apurado a partir dos valores devidos destas contribuições para pagar débitos destes mesmos tributos. 53. Em face de todo o exposto, a Fiscalização utilizou o método do rateio proporcional, utilizado pela matriz, para o cálculo dos créditos vinculados aos custos dos insumos dos veículos fabricados pelo estabelecimento incentivado. I.2.2. Créditos oriundos de outras fábricas: Fl. 950DF CARF MF 14 54. O TVF anuncia que a unidade em Camaçari recebe, em transferência, insumos (como motor de transmissão, estamparia, etc), produzidos por seus estabelecimentos situados em Taubaté e São Bernardo do Campo e integrados aos veículos produzidos em Camaçari. 55. Noticia que, pelo método “Bill of material”, usado pelo estabelecimento incentivado, os créditos sobre os insumos transferidos são apropriados não pela peça inteira (por exemplo, um motor), mas pelas peças individuais (parafusos, correias, pistões, etc) que compõem o insumo (no exemplo citado, o motor), sendo a transferência feita por Notas Fiscais com código CFOP 6151 (Transferência de produção do estabelecimento), sendo que a base de cálculo do ICMS indicada nestas Notas observa o disposto no art. 39, II, do Decreto Estadual nº 45.490/2000 (RICMS/2000) 7, e, assim, são retiradas parcelas que estão incluídas no preço. 56. Aduz que, pela sistemática perfilhada pela empresa, outros custos envolvidos na fabricação dos motores tais como materiais indiretos (graxa, estopa, lubrificantes, etc), energia elétrica, armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc – são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo), circunstância esta que é indiferente para o cálculo das contribuições apuradas de forma centralizada pela matriz, mas que impactam na apuração do crédito presumido de IPI discutido, pois parte dos créditos referentes aos insumos transferidos por outras filiais não é apropriada pelo estabelecimento incentivado que comercializa os veículos. 57. Pondera que a distorção decorrente da sistemática acima não ocorreria se a filial em Camaçari fabricasse os referenciados insumos (pois os correspondentes custos seriam totalmente suportados por esta Unidade) ou se os insumos fossem de terceiros, pois no seu preço estariam encartados todos os custos e despesas incorridas na fabricação. 58. Elucida que, para corrigir a situação, foi ajustada a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS da filial em Camaçari de modo a apropriar os custos e as despesas que arcaram as filiais em Taubaté e São Bernardo vinculados à produção de peças destinadas à industrialização naquele estabelecimento. 59. No item 5.5 “Créditos das filiais de Taubaté e São Bernardo (Anexos E a H)”, pág. 32 e 33 do TVF, é explicado como se procedeu ao ajuste acima. 60. No sobredito item figura ressalva de que o CFOP 6101 foi adotado pela filial de Taubaté para emitir Notas Fiscais destinadas à empresa BENTELER COMP. AUTOM. LTDA, cujas operações, consoante resposta da então fiscalizada ao Termo de Intimação nº 004, têm natureza de revenda de mercadoria, pois não realizado qualquer processo de industrialização e que, inclusive, a partir de maio de 2013, a ora Fl. 951DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 945 15 recorrente passou a utilizar o CFOP 6102; assim, tais saídas foram excluídas do cálculo do rateio da filial em Taubaté. I.2.3. Dos erros na determinação do fator de rateio: 61. O TVF diz que a contribuinte, no cálculo do incentivo analisado, utilizou dois métodos para determinar os créditos das contribuições: (i) rateio proporcional, quanto aos créditos vinculados às despesas de energia elétrica, armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços; e (ii) uma técnica assemelhada à apropriação direta, denominada Bill of material, no cálculo dos créditos vinculados ao custo dos insumos dos veículos fabricados. 62. Explica que como é definida, pelo método do rateio proporcional, a parcela dos créditos comuns vinculados às receitas de vendas no mercado e alude que, segundo planilhas de apuração entregues pela contribuinte (utilizadas para determinar a base de cálculo dos créditos sobre energia elétrica, armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços), o fator de rateio foi por ela calculado da seguinte forma: 62.1. foram apuradas “por meio de conta contábil representativa das vendas locais, as vendas brutas do mês, ajustada por lançamentos contábeis feitos ao final e ao início do mês, referentes aos veículos faturados mas que ainda estavam no pátio da empresa”; 62.2. das receitas acima foram abatidas as vendas canceladas e os tributos sobre vendas (IPI, ICMS, PIS e COFINS) e foi obtido o valor líquido das vendas no mercado interno; 62.3. foram extraídas da contabilidade as vendas para o mercado externo (tanto de produtos fabricados, quanto as do chamado CKD), que foram somadas às vendas no mercado interno para apuração do total das receitas; e 62.4. foram divididas as receitas das vendas internas pelo total das receitas, apurandose o fator de rateio. 63. Consigna que a apuração feita pelo sujeito passivo contém quatro erros que distorceram e reduziram o percentual de rateio: (i.1) redução da receita de vendas no mercado interno decorrente da exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (ii.2) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (ii.3) inclusão de vendas para o exterior de CKD que não sofreram qualquer industrialização na filial da FORD em Camaçari; e (ii.4) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.3.1. Erro na determinação da receita bruta: 64. O TVF narra que, da receita bruta apurada para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 952DF CARF MF 16 consideradas devidas no cálculo do incentivo, a contribuinte excluiu não apenas o ICMS por substituição tributária, mas também o imposto por responsabilidade própria, além dos valores de supraditas contribuições. 65. As exclusões do ICMS (por responsabilidade própria), da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a autoridade fiscal tem por indevidas, com fundamento nos arts. 3º, §8º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, no art. 31, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, no art. 2º, da Lei nº 9.718/98 e no art. 23, do Decreto nº 4.524/2002, pois a legislação não prevê a exclusão de outros tributos além do IPI e do ICMS substituição, pelo que somente estes impostos foram excluídos pelas autoridades fiscais na determinação de ofício do fator de rateio. 66. Realça o TVF que a própria contribuinte, a partir de dezembro de 2013, passou a excluir da apenas o IPI e o ICMS substituição. I.2.3.2. Erro na determinação da receita de vendas no mercado interno: 67. Expõe o TVF que a contribuinte extratou a receita de vendas no mercado interno da conta contábil “23A01A00LOCAL”, o que distorceu o cálculo, porque nesta conta figuram lançamentos que modificam o montante da receita bruta, dentre os quais os ajustes que representa os veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”). 68. Menciona que, como referenciados ajustes não foram considerados pela contribuinte na definição da receita de vendas para cálculo do débito das contribuições, também não devem ser considerados para cálculo do rateio. I.2.3.3. Erro na composição da receita de exportação: 69. O TVF expõe que, na receita de exportação, a contribuinte, além da venda de produtos fabricados pela filial em Camaçari, considerou as de “CKD” 8. 70. Fala que a filial em Camaçari adota sistema de condomínio industrial em que a participação dos fornecedores ocorre diretamente na montagem e no processo de produção, num contexto de logística unificada que reduz o número de componentes fabricados dentro das montadoras (que priorizam o desenho, a montagem e a distribuição dos veículos) e deixa para os fornecedores a fabricação dos componentes e peças e a montagem dos módulos. 71. Cita que, no caso da FORD, “a maior parte dos módulos e peças são produzidos pelos fornecedores, cabendo à filial em Camaçari apenas a compra dos kits para exportação”, fato corroborado pela resposta ao Termo de Intimação que foi lavrado em 25/09/2015, ocasião em que a intimada apresentou planilha identificando quais peças foram produzidas pela empresa e quais foram compradas e não sofreram qualquer processo de industrialização. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 946 17 72. Esclarece o TVF que “Os produtos identificados pela empresa como fabricados foram incluídos no anexo D, linha ‘exportações – peças e CKD’, influenciando no total das saídas de produção” e pontua que a “caracterização de exportação de CKD como revenda tem reflexo na determinação do percentual de rateio dos veículos vendidos no mercado interno e exportados”. 73. Consigna, outrossim, que a definição do fator de rateio é importante para a adequada distribuição dos créditos das contribuições, aqui vinculados aos custos de industrialização, e que o incentivo da Lei nº 9.440/97 deve ser calculado sobre as vendas de produtos de fabricação própria, pelo que os créditos devem ser calculados somente sobre os custos, despesas e encargos vinculados a estas vendas. 74. Ressalta que se os CKD “comprados pela empresa (revenda) fossem incluídos no anexo D, o percentual correspondente a estes componentes apropriaria uma parcela dos créditos dos custos, despesas e encargos vinculados à fabricação de bens, sem que, para isso, tivesse utilizado quaisquer destes insumos”. 75. Ademais, consigna que o próprio sujeito passivo, no cálculo do fator de rateio, computou, nas vendas no mercado interno, apenas as dos veículos fabricados e que este mesmo critério deveria ter sido adotado em relação ao CKD, pois, da forma como procedeu, acabou reduzindo o valor das vendas internas e, ao considerar todas as vendas de CKD, aumentou o valor das exportações, reduzindo, dessa forma, o percentual de vendas no mercado interno. 76. Finaliza este item expondo que, na apuração de ofício do fator de rateio, não foram incluídas as vendas de CKD que não foram submetidas na filial a qualquer industrialização, mas tão somente àqueles em houve alguma industrialização (para o que foi utilizada a informação prestada pela própria empresa) e, além disto, explicita que também não foram incluídas as saídas de motores e transmissões pois, apesar de terem sido informadas como fabricadas, estas peças foram produzidas, na realidade, exclusivamente pela filial em Taubaté e transferidas para outras filiais, consoante se poderia extrais do site da empresa (ford.com.br). I.2.3.4. Não inclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus: 77. O TVF proclama que a contribuinte não considerou, nas vendas no mercado interno, aquelas efetuadas para revendedores localizados na Zona Franca de Manaus ZFM, que são tributadas à alíquota zero (art. 2º, da Lei nº 10.996, de 15/12/2004), mas apenas as realizadas a consumidores finais e tributadas sob alíquotas positivas. 78. Menciona que o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, garantiu a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, alíquota zero e não incidência, razão por que na Fl. 954DF CARF MF 18 apuração de ofício as vendas para os revendedores localizados na ZFM compuseram as vendas internas para fins de cálculo do fato de rateio, de modo a apropriar os créditos correspondentes. I.3. Da Apuração do incentivo da Lei nº 9.440/97, da Apuração do IPI (Anexo A) e dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação: 79. No item “5 – APURAÇÃO DE OFÍCIO DO INCENTIVO DA LEI 9.440”, o TVF explica como procedeu ao cálculo do benefício, reportandose aos anexos do Termo. 80. No item 6, comenta que o incentivo analisado é concedido por meio de crédito presumido de IPI, sendo que o art. 6º, §§1º, 2º e 3º, do Decreto nº 2.179/97, dispõe sobre a escrituração e o aproveitamento dos créditos: “Art. 6º Os ‘Beneficiários’ poderão obter, até 31 de dezembro de 1999: (...) VI crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no inciso IV do art. 2º. § 1º O créditopresumido de que trata o inciso VI será escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI e utilizado mediante dedução do imposto devido em razão das saídas de produtos do estabelecimento que apurar o referido crédito.(Redação dada pelo Decreto nº 6.556, de 2008) § 2º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte.(Incluído pelo Decreto nº 6.556, de 2008) § 3º O crédito presumido de que trata o inciso VI, não aproveitado na forma dos §§ 1º e 2º, poderá, ao final de cada trimestrecalendário, ser aproveitado de conformidade com o disposto no art. 208 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, observadas as regras específicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 6.556, de 2008)”. 81. Anota que, após a apuração de ofício do crédito presumido de IPI, os valores do benefício apurados pela contribuinte foram reduzidos, influenciando na apuração do saldo do imposto, o que resultou na exigência, de ofício, consoante detalhado no Anexo A e abaixo resumido9: Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 947 19 82. Por fim, o TVF, após reproduzir o art. 268, do Decreto nº 7.212/2010, noticia, em seu item 7, que, na apuração de ofício do IPI, foram encontrados valores distintos dos apurados pela contribuinte, e, em consequência, os créditos disponíveis para ressarcimento foram ajustados pela Fiscalização, consoante segue: II. Manifestação de Inconformidade: II.1. Do incentivo previsto na Lei nº 9.440 e da sua análise jurídica: 83. A defendente expõe que, para atingir os objetivos da EM nº 613, de 18/12/1996– que segundo literalmente mencionado pela recorrente seria “estabelecer política de desenvolvimento industrial do País, em conjunto com a concessão de incentivos de natureza fiscal, para viabilizar as condições econômicas necessárias à regionalização da indústria automobilística, assegurando inclusive a importação de produtos relacionados nas alíneas ‘a’ a ‘g’ do § 1º” a MP nº 1.532, desta mesma data, convertida na Lei nº 9.440/97, concedeu diversos benefícios fiscais, dentre os quais o do inciso IX, do art. 1º, de referida Lei. 84. Afiança que os benefícios listados nos nove incisos do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, seriam correlacionados e possibilitariam uma adequada proporção entre a política de desenvolvimento Fl. 956DF CARF MF 20 regional mediante estímulos à produção de bens manufaturados, tanto destinados ao mercado interno, quanto ao externo, assegurando balanço cambial positivo entre as importações e as exportações. 85. Quanto ao crédito presumido de IPI em testilha, fala que o art. 6º, IV, do Decreto nº 2.179/97, preconizou que incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas em cada mês sobre o faturamento (sem distinguir a natureza ou a origem das receitas que o compõe), que deve ser o foco na interpretação do incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, e no art. 11A, de referida Lei. 86. Externa ser incontroverso que o faturamento engloba o valor das receitas auferidas pela pessoa jurídica com a venda de bens e mercadorias, a prestação de serviços ou com ambas e sobre isto reproduziu o texto do caput do art. 1°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como ementa de decisão do STF no RE 390.840/MG. 87. Anota ser vedado “à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente” e conjectura que, porquanto a Lei nº 9.440/97 determina que o benefício contendido corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) das contribuições incidentes sobre o faturamento, não pode o intérprete restringir ou alargar o conceito e a natureza jurídica deste instituto; ademais, afiança inexistir norma que exclua do faturamento receitas que o integra, legal e materialmente. 88. Continuando, aduz que, consoante consta da EM n° 166, de 19/11/2009, a prorrogação do incentivo previsto na Lei nº 9.440/97 foi justificada pela significativa evolução do nível de empregos formais nas Regiões onde situadas as plantas da indústria automotiva beneficiada pela Lei n° 9.440/97 e pelo desempenho das relações comerciais ligadas ao setor automotivo nestas localidades, o que demonstraria o acerto das medidas até então adotadas. 89. Aponta que, dentre outros, pelos fundamentos constantes da EM nº 166/2009, foi editada a MP 471, de 20/11/2009 (convertida na Lei nº 12.218/2010), que introduziu o art. 11A à Lei nº 9.440/97 (vide item 21 acima), estendendo o prazo para fruição do crédito presumido analisado, que passou a ser calculado a partir de fator aplicado sobre os valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas, em cada mês, decorrentes de “vendas no mercado interno”. 90. Pondera que, apesar de o legislador ter usado expressão diversa, a base de cálculo do incentivo é a mesma do inciso IX, do art. 1°, da Lei n° 9.440/97, pois o valor das “vendas no mercado interno” tem natureza jurídica e econômica igual à do faturamento. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 948 21 91. Diz que o art. 2°, caput e §§ 1°, 2° e 3°, do Decreto n° 7.422, de 31/12/2010, reitera que o incentivo analisado deve ser calculado a partir das vendas no mercado interno. 92. Acentua que “que o § único do artigo 3o do mesmo Decreto n°. 7.422/2010, estabelece que o crédito presumido de IPI preconizado no caput corresponde ao tributo incidente nas saídas do estabelecimento industrial dos produtos ‘nacionais ou importados diretamente pelo beneficiário’, com isto afastando qualquer outra interpretação que não seja a de incluir no cômputo do faturamento a que se refere o seu artigo 2o e ao disposto no inciso IX, do artigo 1o, da Lei n°. 9.440, toda a receita de venda de veículos, sejam de origem nacional, sejam importados”. 93. Encerrando este item, conclui a manifestante que a base de cálculo do crédito presumido contendido é o faturamento, sem distinção da origem das receitas que o compõem, a não ser a de que elas decorram de vendas no mercado interno. II.2. Da alegação de que o benefício deve ser apurado sobre as receitas de vendas de veículos importados: 94. A recorrente articula que “na interpretação de normas está consagrado o emprego do método sistemático, que orienta o estudioso a não examinar o dispositivo de forma isolada senão correlacionandoo dentro da pirâmide normativa que encerra o sistema jurídico, como leciona KELSEN, para extrair o alcance, a finalidade e o objetivo da norma sob investigação”. 95. Em seguida, diz que o art. 1º, do Decreto nº 3.893/2001, e art. 135, do RIPI/ 2010, encerram disposição sem amparo na Lei nº 9.440/97, que emprega a expressão “faturamento” ao se referir à base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS sobre a qual deve ser calculado o crédito presumido de IPI, e, assim, as normas regulamentares desatende ao comando do art. 99, do CTN. 96. Consigna, também, que, aos moldes do art. 1A, do Decreto n° 3.893/200110, a vigência da disposição embutida em seu art. 1° é taxativamente limitada e que nesta hipótese se enquadra a recorrente, pois, desde os anos de 2003 e 2004, apura, pela ordem, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sob o regime nãocumulativo e, portanto, o crédito presumido de IPI a que tem direito corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) do valor dessas contribuições calculado sobre as vendas no mercado interno, considerando os débitos e créditos referentes a estas operações de vendas, inclusive daquelas concernentes a veículos importados. 97. Avante, reportandose ao argumento da Fiscalização de que, em relação à revenda de bens importados, a manifestante não seria industrial, mas, tãosomente, a este equiparado, aduz que é o estabelecimento de Camaçari que promove o desembaraço aduaneiro dos veículos importados, tanto que à fl. 24 do TVF é citado que as Notas Fiscais de entrada são emitidas pelo CNPJ Fl. 958DF CARF MF 22 03.470.727/001607, que é o de inscrição deste estabelecimento fabril. 98. Ademais, censura a distinção da Fiscalização entre bens vendidos e mercadorias revendidas, pois “o elemento nuclear do incentivo fiscal é o ‘faturamento’ e/ou as ‘vendas no mercado interno’ realizadas pelas empresas nela referidas, como a Requerente, portanto, abarcando uns e outra”. 99. Também critica a tese da Fiscalização de que o incentivo examinado alcançaria apenas as vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, porquanto “o legislador dispôs é que ‘as empresas referidas no § 1º do art. 1º, poderão apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno’ (art. 11A), sendo que tais empresas são aquelas ‘instaladas nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de veículos automotores de passageiros’ (§ 1°, art. 1°)” – ao que atende a manifestante, pois é montadora e fabricante de veículos automotores que são por ela vendidos no mercado interno. 100. Adiante, realça que, como expresso na EM nº 166/2009, o estabelecimento da contribuinte em Camaçari contribuiu com números impares para a participação nacional da Bahia nos indicadores de empregos formais na indústria automobilística, nos volumes de exportação e de importação, na participação no PIB e na competitividade dos fabricantes nela instalados, o que se corrobora pela informação inserida no próprio TVF de que a FORD gerou 12.806 empregos formais, circunstância que a requerente tem como consequência direta da atividade de fabricação, montagem e venda de veículos, inclusive importados. 101. Justifica que a importação de veículos e a sua subseqüente venda no mercado interno se inserem e complementam a política desenvolvimentista de regionalização industrial da Lei n° 9.440/97, pois esta atividade é desempenhada de forma integrada, dentro de um contexto de relações comerciais amplas que agregam tanto o mercado interno quanto o de exportação, aliado à colaboração de técnicos e demais pessoas habilitadas, com a realização de investimentos necessários para a adaptação e a concretização de facilidades portuárias necessárias à operação de desembaraço dos bens, para ambos os mercados. 102. Comenta que a indústria automotiva não se estabelece nem se desenvolve sem complementação entre as diversas plantas situadas em inúmeros países e os respectivos mercados e que, neste aspecto, a recorrente projeta e desenvolve modelos no Centro de Desenvolvimento de Produtos em Camaçari (um dos oito centros globais de criação de veículos e um dos especializados em carros compactos da FORD, no âmbito do projeto Amazon). Ademais, cita que o modelo Eco Sport é o primeiro carro global de passageiros da marca FORD criado na América do Sul e exportado para outros países, o que demonstraria que a esta indústria pressupõe fluxo de importações e de exportações, não sendo a planta industrial em Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 949 23 Camaçari uma unidade isolada, mas inserida em uma organização mundial. 103. Expressa que vários dispositivos regulamentares estabelecem comandos cujos sentidos são aperfeiçoados mediante a integração entre os mercados interno e externo. No intuito de evidenciar este fato, reproduz os arts. 5º, 6º (incisos III e IV), 9º, 11 e 15, VI, do Decreto nº 2.179/97. 104. Sustenta que a Exposição de Motivos da Lei nº 12.407, de 19/05/2011, e o Relatório de Prestação de Constas Ordinária Anual, referenciados pela Fiscalização, robustecem a interpretação da manifestante em face dos investimentos realizados em Camaçari e que culminaram na instalação de planta industrial para a produção de veículos automotores. 105. Estriba sua tese no reconhecimento do MDIC, em manifestação ao TCU, de que a política instaurada pela Lei nº 9.440/97 resultou no desenvolvimento da produção nacional, na redução de importações e no aumento de empregos direitos/indiretos, pelo que tem por devida a inclusão das vendas de veículos importados no cálculo do incentivo, pois o próprio Órgão Governamental admite “as importações como fazendo parte da atividade estimulada, tanto que aponta no mesmo item 2.2.5.15 haver redução no volume das mesmas, o que implica afirmar que não veda e nem as desconhece como sendo parte integrante das especificidades do setor”. 106. Sustenta que a ausência da palavra “importação” no pedido de habilitação ao incentivo da Lei nº 9.440/97 não prejudicaria o entendimento da recorrente, pois inconcebível a instalação de qualquer planta industrial, especialmente no setor da defendente,divorciada do contexto em que seu mercado se desenvolve, e, assim, seria necessário assentir que a importação de partes, peças e veículos é parte integrante da atividade; giza, ademais, que os atos administrativos que aprovaram a habilitação da manifestante não impedem, coíbem ou vedam inclusão da revenda de veículos importados na base de cálculo do incentivo. 107. Avante, afirma que o TVF procura respaldo na SCI COSIT nº 17/2012, a qual a recorrente reputa em desacordo com a interpretação literal imposta pelo art. 111, do CTN, porquanto as Leis nº 9.440/97 e 12.218/2010 definem o faturamento ou as vendas no mercado interno como parâmetro para apuração das contribuições sociais e, assim, do crédito presumido de IPI (transcreve ementas de Acórdãos do CARF para corroborar sua alegação). 108. Historia que o art. 6º, caput e inciso VI, do Decreto nº 2.179/97, fixou o faturamento como base do incentivo analisado e que, depois, o art. 1º, do Decreto n° 3.893/2001, restringiu o benefício ao faturamento da venda de produtos de fabricação própria –o que, além de ilegal, não figura no art. 1ºA, do Decreto nº 2.179/97, introduzido pelo Decreto nº 5.710, de 24/02/2006. Consigna, além disto, que o art. 2º, do Decreto nº Fl. 960DF CARF MF 24 7.422/2010 (que estabelece que a base de cálculo do incentivo é o faturamento “decorrente das vendas no mercado interno”), alude aos produtos referidos no art. 2º, IV, do Decreto n° 2.179/97 remissão que o sujeito passivo tem por equivocada, pois tal dispositivo define os beneficiários dos incentivos (dentre os quais as montadoras e fabricantes de veículos automotores). 109. Assevera que, por ser a recorrente montadora e fabricante de veículos automotores, pode gozar do incentivo fiscal, sendo que os demais veículos por ela comercializados, ainda que importados, estão listados nas alíneas do inciso IV, do artigo 2°, do Decreto n° 2.179/97, sendo inviável a exclusão do faturamento auferido no mercado interno com a venda de veículos importados do cômputo do incentivo. 110. Reproba o raciocínio de sobredita SCI de que o alcance da Lei nº 9.440/97 deveria ser definido no contexto em que editada (a partir do que concluiu a SCI que, por ser uma norma dirigida ao desenvolvimento regional e relacionada ao aumento dos postos de trabalho, estaria afastado o benefício examinado em relação aos veículos importados), porque, além de ser inviável “interpretação extensiva ao se tratar de benefícios fiscais”, a contribuinte, ao ativar porto marítimo para realizar suas operações de comércio exterior, estaria fomentando o desenvolvimento regional e proporcionando o aumento de postos de trabalho. 111. Quanto ao índice mínimo da nacionalização de bens em cuja produção forem utilizados insumos importados (cuja possibilidade de fixação foi conferida ao Poder Executivo pelo art. 7°, da Lei n° 9.440/97), articula não ter havido a definição deste índice, sendo possível apenas a conclusão que o Poder Executivo não entendeu necessário utilizar tal faculdade e que, ao contrário da conclusão atingida pela SCI, isto milita em favor da defendente, pois não há como prever que, se regulamentação houvesse, excluiria por completo os veículos importados. 112. Repreende, ainda, a conclusão da SCI de que a possibilidade, preceituada no art. 11A, §3º, da Lei nº 9.440/97, de utilização, na base de cálculo do incentivo, de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da importação e da aquisição de insumos seria bastante para concluir ser inviável o cômputo do faturamento auferido com a venda de veículos, pois, segundo a recorrente, tal utilização sinaliza, apenas, a intenção do legislador de permitir crédito das contribuições sobre custo, despesa ou encargo suportado pelo adquirente, mas “em absoluto quer representar a vedação do PIS e da COFINS incorridos na importação de veículos, para venda no mercado interno, compondo o faturamento”. 113. A última desaprovação à enfocada SCI se dirige a ventilada analogia entre a Leis n° 9.826/99 e 9.440/97, pois inviável a comparação entre os incentivos disciplinados por estas leis, já que o primeiro tem por base o próprio IPI incidente na venda de veículos (art. 1º, §2º), enquanto o segundo. Ademais, reflexiona que, mesmo que assim não fosse, a analogia pressupõe a Fl. 961DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 950 25 ausência de norma (art. 108, I, do CTN) o que aqui inocorre e, além disto, de seu emprego não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (§1º), nem, mutatis mutandis, na glosa de crédito tributário efetuado em conformidade com a lei. 114. Para argumentar, pondera que a SCI não produz os efeitos previstos nos arts. 46 a 53, do Decreto nº 70.235/72, nos arts. 88 a 192, do Decreto nº 7.574/2011, e no art. 14, da IN RFB nº 740, de 02/05/2007, pois a requerente não formulou o questionamento e, mesmo que produzisse tais efeitos, isto somente ocorreria a partir da data de sua publicação, o que ainda não ocorreu validamente, pois o ato apenas foi divulgado na internet, o que desatenderia o ditame do art. 37, da CF/88, da Lei Complementar n° 95, de 26/02/1998, do art. 1°, da Lei de Introdução ao Código Civil, c/c o art. 101, do CTN, e, especialmente, o comando do art. 48, §4°, da Lei n° 9.430/96, pois apenas a veiculação por intermédio do Diário Oficial da União é que teria o condão de tornar o ato válido para todos os efeitos legais. 115. Conclui, ao final, ser impertinente excluir “do faturamento da Requerente as receitas auferidas com a venda de veículos importados para fins de apuração do PIS e da COFINS e, conseguintemente, do crédito presumido de IPI da Lei n° 9.440”. II.3. Da alegação de inocorrência de erro no método para determinação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: 116. A manifestante frisa que, consoante a própria Fiscalização admite na pág. 27 do TVF, a Lei nº 9.440/97 não determinar qual método deva ser utilizado para definir os créditos da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS a serem considerados no cálculo das contribuições devidas para fins de determinação do incentivo sub ocullis; por conseguinte, a defendente conclui que, no cálculo do benefício está submetida a regra específica da Lei n° 9.440/97 e não está vinculada ao critério utilizado pela matriz. 117. Medita que está sob regência, de um lado, da Lei n° 9.440, e, de outro lado, das Leis n°s. 10.637 e 10.833, que devem ser interpretadas harmonicamente entre si, não se confundindo a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS pelo estabelecimento incentivado para levantamento do crédito presumido de IPI com a quantificação destas mesmas contribuições em relação à pessoa jurídica da qual ela é parte integrante, como filial. 118. Ventila que, se adotasse o mesmo método pelo qual optou a matriz, violaria a Lei n° 9.440/97, pois há custos, despesas e encargos inerentes à matriz, mas não ao estabelecimento em Camaçari – o que inclusive reconheceu a Fiscalização ao dizer na 28ª pág. do TVF que “a apuração da matriz nada mais é que a soma das parcelas das filiais. Logo, o cálculo do PIS e Cofins devidos pela Fl. 962DF CARF MF 26 filial deve estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive e principalmente, o cálculo do incentivo, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado”. 119. Exemplifica que, na apuração dos valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidos pela matriz, podem ser apropriados créditos atinente a custos, despesas e encargos relativos a produtos exportados, ao passo que, no cálculo do crédito presumido de IPI debatido, somente podem ser computados os montantes destas contribuições que incidiram sobre o faturamento decorrente de vendas no mercado interno. 120. Sustenta ser indiferente que crédito em relação a determinado insumo seja calculado de uma forma pela matriz e de outra pela filial, pois a questão não é de lógica ou de razoabilidade, como aduz o TVF, mas legal. 121. Em face do exposto, tem por imprópria a adoção, no levantamento realizado pela Fiscalização, do método de rateio proporcional pelo qual optara a matriz, que não goza do incentivo analisado, para fins de apuração do benefício fiscal guerreado. II.4. Quanto aos créditos originados de outros estabelecimentos: 122. A contribuinte articula que o estabelecimento da FORD em Taubaté transfere insumos para a defendente para emprego na produção e, nestas operações, a remetente utiliza a base de cálculo para fins do ICMS, conforme o RICMS/SP, aprovado pelo Decreto n° 45.490, de 30/11/2000, que assim dispõe: “Artigo 39 Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo é (Lei 6.374/89, art. 26, na redação da Lei 10.619/00, art. 1.º, XV, e Convênio ICMS3/95): (...) II o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, do material secundário, da mãodeobra e do acondicionamento, atualizado monetariamente na data da ocorrência do fato gerador;” 123. Desfia que o RICMS/BA, baixado pelo Decreto n° 6.824, de 14/03/1997, assim estabelece a base de cálculo nas operações de transferências entre estabelecimentos: “Art. 56 A base de cálculo do ICMS, nas operações internas e interestaduais realizadas por comerciantes, industriais, produtores, extratores e geradores, quando não prevista expressamente de forma diversa em outro dispositivo regulamentar, é: (...) V na saída de mercadoria em transferência para estabelecimento situado em outra unidade da Federação, pertencente ao mesmo titular: (...) Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 951 27 b) o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, material secundário, acondicionamento e mãodeobra;” 124. Diz que são divergentes os dispositivos regulamentares acima, pois enquanto o primeiro determina a atualização monetária do custo, o segundo não contempla essa majoração. Ademais, menciona que, como a requerente está situada no Estado da Bahia, submetese à legislação emanada do sujeito ativo ao qual está jurisdicionada e, assim, nas operações de transferência de insumos provenientes de Taubaté, não reconhece na base de cálculo adotada pelo estabelecimento remetente aquelas parcelas não autorizadas pela legislação baiana. II.5. Da contestação da alegação fiscal de que a receita bruta teria sido indevidamente reduzida em razão da exclusão de tributos: 125. A recorrente diz que excluiu, da receita bruta, tributos não cumulativos que por ela são recuperáveis, mantendo o mesmo critério adotado na apuração dos créditos concernentes à contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. 126. Complementa que tem por descabida a inclusão do ICMS como parcela integrante do faturamento, pois não é legal, nem juridicamente possível, admitirse que, no conceito de faturamento, possa ser incluída parcela que não o integre. 127. Fala que o ICMS não constitui riqueza da contribuinte com as operações de venda de produtos e/ou mercadorias, sendo ônus fiscal a que está submetida por imperativo legal, sendo o mesmo raciocínio aplicável à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS. 128. Sublinha que, segundo palavras do Ministro Marco Aurélio, “se alguém fatura ICMS, esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria”, e sustenta ser incabível, aos moldes do art. 110, do CTN, a alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, “utilizados expressa ou implicitamente pela legislação que engloba o sistema jurídico pátrio, para definir ou limitar competências tributárias”. 129. Reportase à repercussão geral sobre a questão, declarada nos RE n° 574.7069 e n° 592.616, e à concessão de medida cautela na Ação Direta de Constitucionalidade n° 18. 130. Em razão do exposto, afirma inexistir erro na determinação da receita bruta. II.6. Dos ajustes relativos a veículos faturados que não deram saída do estabelecimento: 131. Quanto aos ajustes de “veículos faturados, mas que não deram saída do estabelecimento”, externa a manifestante que Fl. 964DF CARF MF 28 “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. II.7. Da irresignação no tocante à afirmação fiscal de erro nas receitas de exportação: 132. A recorrente diz que o TVF afirma que “No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores’” e pondera que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Requerente, o que aliás encontra se corroborado pela resposta a intimação de 25/09/2015 e acolhida pela Fiscalização”. 133. Ratifica que o CKD corresponde a kit composto por diversas partes necessárias à montagem de veículos, que são produzidas tanto pelos fornecedores como pela defendente, que por esta são reunidas para exportação e, em seguida, menciona as definições de industrialização e montagem constante do art. 3°, caput e inciso III, do RIPI/2002, a partir das quais tem como claro “que não se trata de simples revenda de bens para exportação como equivocadamente entendeu a Fiscalização, sendo desarrazoada a glosa perpetrada neste item, quanto à exclusão das receitas de exportação de CKD's do cálculo do rateio”. 134. Afirma, ainda, que o direito a crédito das contribuições alcança todos os custos, despesas e encargos necessários à atividade da defendente e que geram faturamento ou receitas de venda no mercado interno e não somente aqueles relacionados à industrialização. 135. Aduz que como a Fiscalização, no rateio, excluiu parte das exportações de CKD, caracterizadas, segundo a recorrente erroneamente, como revenda de partes produzidas por seus fornecedores no estabelecimento da recorrente, os valores estornados não poderiam ser acrescidos às vendas no mercado interno (Anexo D) e influenciar os créditos das contribuições. II.8. Da contestação à inclusão das receitas de vendas de veículos à Zona Franca de Manaus para fins de cálculo do percentual de rateio: 136. A contribuinte especula que, segundo art. 40, do Ato das Disposições Transitórias da CF/88, a ZFM tem características de área de livre comércio, de exportação e importação e que o art. 4°, do Decreto Lei n° 288, de 28/02/1967, assim preconiza: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 952 29 137. Exterioriza que o art. 5°, I, da Lei n° 10.637/2002, e o art. 6°, I, da Lei n° 10.833/2003, determinam a não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas de exportação; logo, avalia pertinente a exclusão das vendas realizadas para destinatários localizados na Zona Franca de Manaus, por serem equiparadas a exportação. II.9. Do pedido: 138. Dado todo o exposto, a manifestante requereu; (i) a suspensão da cobrança dos débitos compensados; (ii) a reforma do Despacho Decisório, na parte em que não homologou parcela das compensações, e o integral reconhecimento do crédito de IPI atinente ao 1º trimestre de 2014, com o total deferimento do PER apresentado; e (iii) por consequência, a total homologação das DCOMP objeto deste processo administrativo. III. Da Resolução: 139. Em sessão de 25/01/2017, esta Turma converteu o julgamento em diligência, consoante Resolução de fls. 280/302, nos termos literais abaixo reproduzidos: "139. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade; no entanto, constatase que o julgamento da lide depende da realização de diligência. 140. É que, ao que indicam os elementos constantes dos autos em especial o “Anexo A”, do TVF , foram considerados ressarcíveis/compensáveis tanto os valores dos créditos de IPI pelas entradas (créditos básicos), assim como as importâncias a título de “outros créditos” e, ainda, os valores dos créditos presumidos previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97. 141. Ocorre que a Solução de Consulta Interna nº 25, expedida aos 23/09/2016 pela COSIT, cuja íntegra é ora anexada aos presentes autos às fls. 270/279, conclui que os créditos previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, não seriam ressarcíveis. Confirase a ementa desta SCI: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Somente é permitido o ressarcimento de créditos presumidos do IPI quando haja expressa previsão legal ou regulamentar. Por ausência de expressa previsão legal ou regulamentar, não são passíveis de ressarcimento os créditos presumidos do IPI criados pelos artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 1997. Dispositivos Legais: IN RFB nº 1.300, de 12 de agosto de 2008, artigo 21, § 3º; Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 256 e 268; Decreto nº 7.389, de 09 de dezembro de 2010; Decreto nº 7.422, de 31 de dezembro de 2010”. 142. Além disto, visando confirmar a eventual necessidade de providências desta Turma para fins de dar atendimento à Fl. 966DF CARF MF 30 disposição contida no inciso III, do art. 3º, da Portaria RFB nº 1.668, de 29/11/201611, são necessárias informações sobre a eventual formalização da multa de ofício de que trata o §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, em razão da nãohomologação de compensações realizadas com o crédito de IPI relativo ao 2ª trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, objeto de Manifestações de Inconformidade interpostas nos processos listados no item 3 acima, cujos julgamentos também foram convertidos em diligência nesta sessão. 143. Diante do que consta acima, e levandose em conta que ainda não transcorreu o prazo de 05 (cinco) anos da entrega das Declarações de Compensação em que aproveitados os créditos de IPI alusivos aos 2º trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, voto, com fundamento no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: 143.1 verifique, a seu exclusivo juízo, relativamente à parcela do crédito cujo ressarcimento/compensação foi admitida nos processos administrativos listados no item 3 desta Resolução, eventuais reflexos decorrentes do disposto na SCI COSIT nº 25/2016 (inclusive, se for o caso, no que respeita aos “outros créditos”), e adote, quanto à parte não litigiosa do direito creditório que foi reconhecido por meio dos Despachos Decisórios proferidos naqueles autos, as medidas que a respeito entender oportunas; 143.2. do mesmo modo, avalie eventuais conseqüências que entenda advindas do disposto na SCI COSIT nº 25/2016 em relação à parcela do crédito cujo ressarcimento/compensação foi negado e que é objeto de litígio nos processos administrativos referidos no subitem anterior, as quais serão posteriormente examinadas por este Colegiado quando do julgamento das Manifestações de Inconformidade interpostas naqueles processos administrativos, cujos julgamentos também foram convertidos em diligência nesta sessão; 143.3. examine e indique, se for o caso, eventuais reflexos da SCI COSIT nº 25/2016 que entenda devam ser considerados na autuação tratada no presente processo administrativo, os quais serão examinados por este Colegiado quando do julgamento da Impugnação; 143.4. informe sobre a eventual formalização da multa de ofício de que trata o §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, em razão da nãohomologação de compensações realizadas com os créditos de IPI relativos ao 2° trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, que são tratados nos processos administrativos relacionados no item 3 desta Resolução; 143.5. dê ciência à diligenciada das conclusões a que atingir, facultandolhe pronunciamento a respeito no prazo de 30 (trinta) dias, após o que os correntes autos devem ser devolvidos a esta Turma para continuidade do julgamento". IV. Da Informação Fiscal: Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 953 31 140. Concluída a diligência solicitada, foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 304/327, que, inicialmente, expõe que, no âmbito da RFB, o ressarcimento e a compensação estão disciplinados pela Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, cujos arts. 21 e 41 foram reproduzidos. 141. Em seguida, discorre sobre o histórico normativo, abaixo sintetizado, relacionado à criação/regulamentação de diversos créditos presumidos de IPI: 141.1. crédito presumido de IPI, criado pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, como ressarcimento das contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes nas compras de insumos no mercado interno utilizados por empresas exportadoras, cujo texto legal expressamente admitiu a possibilidade do ressarcimento do crédito; 141.2. crédito presumido de IPI criado pela Lei nº 9.440, de 14/03/199712, com vigência até 31/12/1999, correspondente ao dobro da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre o faturamento das empresas referidas no §1º , do art. 1º, de referida Lei, a qual, sem prever a possibilidade de ressarcimento/compensação, autorizou que regulamento dispusesse sobre a utilização do comentado crédito (§14, do art. 1º), o que foi efetivado pelo Decreto nº 2.179, de 10/03/1997, que, inicialmente, não trouxe autorização para ressarcimento/compensação do comentado crédito presumido; 141.2.1. prorrogação, prevista no inciso IV, do art. 11, da Lei nº 9.440/97, da vigência do sobredito benefício para o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2010, o que foi promovido pelo Decreto nº 3.893, de 22/08/2001; 141.2.2. autorização de ressarcimento/compensação, dos comentados créditos presumidos de IPI excedentes, aos moldes do art. 6º, IV e §§1º a 3º, do Decreto nº 6.556, de 08/09/2008, c/c o art. 135, §6º, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010; 141.3. crédito presumido de IPI, criado pelo art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, com vigência de janeiro de 2011 a dezembro de 2015, apurado no valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, multiplicado por: (i) 2 (dois), no período de 01/01 a 31/12/2011; (ii) 1,9 (um inteiro e nove décimos), no período de 01/01 a 31/12/2012; (iii) 1,8 (um inteiro e oito décimos), no período de 01/01 a 31/12/2013; (iv) 1,7 (um inteiro e sete décimos), no período de 01/01 a 31/12/2014; e (v) 1,5 (um inteiro e cinco décimos), no período de 01/01 a 31/12/2015; 141.3.1. aduz a Informação Fiscal que, apesar de estarem no mesmo diploma legal e de guardarem semelhança, o incentivo do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 não se confunde com o do inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, pois: (i) o art. 11 não foi revogado Fl. 968DF CARF MF 32 ou alterado; (ii) os benefícios têm vigências distintas e bem delimitadas; (iii) a apuração do crédito presumido estabelecida no art. 11A, cujo multiplicador varia ao longo do tempo (de 2 a 1,5), é diferente do incentivo do art. 11, cujo multiplicado é fixo (dobro);e (iv) o novo benefício exige condicionantes para fruição, tais como investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região de instalação, que não constam do benefício anterior (art. 11A, §4º); 141.3.2. ademais, menciona que o comentado benefício foi regulamentado pelo Decreto nº 7.422, de 31/12/2010, que, tal como a Lei nº 12.218/2010, não traz qualquer referência à possibilidade de ressarcimento; 141.4. crédito presumido de IPI previsto no art. 11B, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Medida Provisória nº 512, de 25/11/2010 (convertida na Lei nº 12.407, de 19/05/2011), equivalente ao resultado da aplicação das alíquotas do art. 1º, da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, sobre o valor das vendas no mercado interno (débitos), em cada mês, multiplicado por (i) 2 (dois), até o 12º mês de fruição do beneficio; (ii) 1,9 (um inteiro e nove décimos), do 13º ao 24º mês de fruição do benefício; (iii) 1,8 (um inteiro e oito décimos), do 25º ao 36º mês de fruição do benefício; (iv) 1,7 (um inteiro e sete décimos), do 37º ao 48º mês de fruição do benefício; e (v) 1,5 (um inteiro e cinco décimos), do 49º ao 60º mês de fruição do benefício; 141.4.1. menciona que o comentado incentivo foi regulamentado pelo Decreto nº 7.389, de 09/12/2010, que, assim como a Lei nº 12.407/2011, não faz qualquer referencia ou menção à possibilidade de ressarcimento de eventual saldo credor; 141.5. crédito presumido de IPI, criado pelo art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2011, equivalente a 3% do valor do imposto destacado na Nota Fiscal, cuja norma de instituição não faz qualquer referência ou menção à possibilidade de ressarcimento de eventual saldo credor; 141.6. crédito presumido de IPI criado pela Lei nº 12.715, de 17/09/2012, para o qual o Decreto nº 7.819, de 03/10/2012, expressamente admitiu o ressarcimento/compensação, aos moldes de seu art. 15, §§1º a 3º. 142. Feito o apanhado acima, a Informação Fiscal faz remissão aos arts. 256 a 258, do Decreto nº 7.212/2010 que tratam das normas gerais para utilização dos créditos de IPI e deixam claro que o eventual saldo credor do imposto apenas pode ser utilizado de acordo com as normas expedidas pela RFB; ademais, reproduziu o art. 268, deste Decreto. 143. A partir das normas apresentadas, conclui a Informação Fiscal que "sempre que a legislação quis oferecer ao contribuinte a possibilidade de requerer o ressarcimento em espécie ou utilizar em compensações os créditos presumidos do IPI o fez expressamente" e que "Como visto, não há para o crédito presumido de IPI instituído pelos artigos 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, introduzidos pelas Leis nº 12.218/2010 e 12.407/2011, respectivamente, expressa autorização legal ou Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 954 33 regulamentar que conceda a estes créditos a prerrogativas de ressarcíveis ou compensáveis e, portanto, passíveis de utilização em PERDCOMP. Também, pelo mesmo fundamento, não é ressarcível o crédito de que trata o art. 56, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001", pelo que tais créditos "não atendem às exigências previstas no § 3º, do art. 21, da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Por esse motivo, não podem ser objeto de ressarcimento". 144. Então, comenta a sistemática da nãocumulatividade do IPI disposta no art. 225, do Decreto nº 7.212/2010, e as distintas espécies de créditos do imposto previstos na legislação tributária (básicos, por devolução ou retorno, incentivados, presumidos e de outras naturezas) e destaca que os arts. 256 e 257, do Decreto nº 7.212/2010, e o art. 11, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, estabelecem a regra geral de que os créditos de IPI apenas sejam utilizados para deduzir o imposto devido na saída de produtos do estabelecimento, repisando que o aproveitamento mediante ressarcimento/compensação depende de previsão legal expressa. 145. Alude que, nos termos dos arts. 226 a 250, do RIPI, e no art. 21, §3º, I, da IN RFB nº 1.300/2012, para que o crédito seja ressarcido/compensado é necessário que se refira à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem aplicados na industrialização, pelo que, "dos créditos escriturados pelo contribuinte somente são passíveis de ressarcimento aqueles decorrentes de aquisição de insumos e transferências para industrialização, pois todos esses insumos foram utilizados em processos de industrialização", sendo que "Os demais créditos não são ressarcíveis, uma vez que as operações de que foram originados não são definidas como industrialização. As devoluções se referem a veículos anteriormente produzidos. Ou seja, não sofreram nenhum processo de industrialização posterior. Do mesmo medo, as mercadorias recebidas em transferência de outras filiais e que foram objeto de comercialização". 146. Conclui, do mesmo modo, que "os veículos adquiridos no exterior e revendidos no país também não sofreram nenhuma operação de industrialização, ocorrendo uma simples comercialização. Esse fato foi suficientemente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em especial nas páginas 12, 21 e 24". 147. Em item intitulado "DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO", a Informação Fiscal expõe que a contribuinte apresentou Pedidos de Ressarcimento em cuja Ficha "Notas fiscais de créditos extemporâneos e demais créditos" informou créditos presumidos de IPI dos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, que foram reduzidos na apuração fiscal inicial. 148. Menciona que "adveio a publicação da SCI nº 25/2016, que, em caráter interpretativo, concluiu que os créditos presumidos Fl. 970DF CARF MF 34 do IPI criados pelos artigos 11A e 11B da Lei 9.440/97 não são ressarcíveis. Esta conclusão está corroborada no item 2 dessa informação fiscal", pelo foi necessária a apuração e classificação dos créditos, de modo a identificar quais são ressarcíveis, ou não, e o reflexo disto no lançamento de ofício e nos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação. 149. Elucida que a reclassificação de créditos pode repercutir nos valores lançados de ofício, pois os montantes objeto de pedido de ressarcimento são deduzidos na escrita fiscal do IPI e, assim, nos meses em que há excesso de débitos em relação aos créditos, o saldo devedor não é reduzido pelo saldo credor anterior que poderia existir caso não houvesse o ressarcimento, sendo que, com a reclassificação dos créditos para não ressarcíveis, referidos valores permanecem na escrita fiscal, acumulando para o mês posterior a fim de compensar com o IPI devido. 150. Adiante, no item "5 CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS EM RESSARCÍVEIS E NÃO RESSARCÍVEIS", elucida que, diante das razões expostas, foram considerados ressarcíveis as entradas sob os CFOP nº 1101, 1124, 1151, 2101, 2122, 2124, 2401, 2151 e 2653 e, por exclusão, "os demais créditos decorrentes das entradas foram considerados como não ressarcíveis. Na mesma classificação, seguindo o que já foi exposto, ficam também os créditos escriturados como 'outros créditos do IPI', uma vez que são escriturados no RAIPI como decorrentes dos créditos presumidos do IPI (artigos 11A e 11B da Lei 9.440 e artigo 56 da MP 2.15835/2001), além de ajustes diversos, como notas de crédito, estorno de material de consumo, débitos indevidos, notas canceladas, etc". 151. Registra que, na apuração do saldo passível de ressarcimento, inicialmente foram descontados, do saldo devedor, os créditos não ressarcíveis e, nos períodos em que estes foram superiores aos débitos, os créditos ressarcíveis ficaram integralmente disponíveis para ressarcimento. 152. Prosseguindo, a Informação Fiscal elabora demonstrativo, por trimestre, dos valores passíveis de ressarcimento (2º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2014), tendo ressaltado que, como os valores ressarcíveis "estão menores do que os apurados anteriormente, fazse necessária a emissão de Despacho Decisório Revisor, cuja competência é do Delegado da Receita Federal do Brasil em Lauro de Freitas. Havendo a emissão do Despacho, com o não ressarcimento dos demais créditos e a respectiva manutenção na escrita fiscal, ocorrerá alterações nos períodos em que houve saldo devedor e lançamento de ofício", conforme demonstrativo que apresenta. V. Do Segundo Despacho Decisório: 153. Embasado na Informação Fiscal acima, e, ainda, com fundamento no art. 149 da Lei n° 5.172. de 25/10/1966, nos arts. 48 e 53 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, e, também, em consonância com as Súmulas n° 346 e 473, do STF, foi proferido um segundo Despacho Decisório, que reviu aquele anteriormente proferido nos presentes autos, para deferir, Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 955 35 parcialmente, o pedido de ressarcimento de IPI, referente ao 1º trimestre de 2014, e reconhecer o direito a ressarcimento na importância de R$ 6.690.955,29 e, por decorrência, homologar, no limite direito creditório cujo ressarcimento foi admitido, as compensações declaradas pelo sujeito passivo. 154. Ressaltou o aludido Despacho Decisório que: (i) "verificou se eventuais reflexos (consequências) decorrentes do disposto na SCI COSIT n° 25/2016 (fls. 270279), tanto com relação à parte não litigiosa do direito creditório reconhecido, quanto com relação à parte litigiosa que, desde então, já era e continua sendo objeto deste Processo Administrativo"; e (ii) não foi alterado o saldo credor apurado pelo procedimento fiscal anterior, mas apenas houve a reclassificação dos créditos como "ressarcíveis" ou "não ressarcíveis", sendo que apenas a primeira parcela foi considerada disponível para fins de ressarcimento. VI. Da segunda Manifestação de Inconformidade: 155. Cientificado aos 04/08/2017, fl. 373, a contribuinte, aos 30/08/2017, fl. 375, protocolizou a Manifestação de Inconformidade de fls. 377/426, por meio da qual se pronuncia sobre a diligência realizada e sobre o Despacho Decisório de fls. 330/332. 156. Suscita, preliminarmente, nulidade da Resolução expedida nos presentes autos, que converteu o julgamento em diligência, pois seu objeto teria extrapolado os limites da competência deste Colegiado, na medida em que apenas uma das determinações de referida diligência estaria relacionada com os fatos narrados nos autos, e, destarte, esta Turma teria agido como órgão preparador e autuante, determinando a realização de lançamento, atividade privativa da autoridade fiscal, aos moldes do art. 142, do CTN. 157. Censura, ademais, ser incabível que a Resolução resolva que "que a autoridade fiscal reveja as homologações e. pior, informe sobre a formalização da multa de oficio nos processos de compensação", pois a realização de diligências e perícias "expressamente previstas no processo administrativo, visam a dirimir dúvidas acerca da matéria posta em litígio, pelo contribuinte ou de ofício, mas limitadas à parte controversa da exação". 158. Quanto à multa isolada, complementa que sequer a autoridade fiscal respondeu à DRJ o que evidenciaria a usurpação de competência por este Colegiado e afirma que, "ao se considerar o artigo 116, II do CTN, por se tratar de direito positivo, o lançamento da multa isolada somente poderia ser efetuado após a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte no processo que glosou a compensação, ocasião na qual se caracterizaria o então fato gerador". 159. Exproba que "nos termos do Decreto n° 70.235/72, art. 59, II (art. 12 do Decreto n° 7.574/2011, com a redação dada pelo Fl. 972DF CARF MF 36 Decreto n° 8.853/2016), é nula a decisão da DRJ, posto que além de proferida por autoridade incompetente, usurpou o direito de defesa da Requerente ao determinar a aplicação, pela fiscalização, de Solução de Consulta posterior e da qual a requente não foi cientificada". 160. Ademais, alega que a Solução de Consulta Interna seria inócua no caso vertente, por quatro razões: (i) extinção do crédito tributários por compensação e inaplicabilidade do art. 149, do CTN; (ii) irretroatividade dos efeitos da SCI; (iii) o objeto da SCI não atinge os fatos tratados nos presentes autos; e (iv) cerceamento do direito de defesa. 161. Quanto ao primeiro ponto, aduz que, nos termos do art. 74, §2º, da Lei nº 9.430/96, a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, que foi operada, em relação à fração inicialmente homologada, pelo primeiro Despacho Decisório proferido nos correntes autos, que extinguiu, definitivamente, os débitos compensados, nos termos do art. 156, II, do CTN, persistindo apenas a discussão da parcela da compensação que não fora homologada, aos moldes do §9º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. 162. Pondera que o legislador não previu a possibilidade de as compensações homologadas serem objeto de revisão, justamente por as considerarem definitivas e irreformáveis, tratandose a homologação de ato jurídico perfeito, completo e definitivo, cuja anulação/modificação depende da existência de eventuais vícios, o que não estaria caracterizado neste processo administrativo. 163. Censura que, apesar disto, este Colegiado teria determinado "a conversão do julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal revisse r. Despacho Decisório (...) para que fosse aplicado o entendimento perfilhado na Solução de Consulta Interna proferida em momento posterior ao Despacho Decisório", o que foi feito por Despacho Revisor da Unidade de Origem, que "fundamenta, com a devida vênia, a tentativa de refazer ressurgir o lançamento que estava extinto, no artigo 149 do CTN, nos arts. 48 e 53, da Lei nº 9.784/99 e Súmulas 346 e 473 do STF". 164. Quanto ao art. 149, do CTN, alega que não estaria caracterizada, in casu, nenhuma das hipóteses para revisão do lançamento, ali taxativamente previstas, e que a falta de indicação específica, no Despacho Decisório revisor, do inciso supostamente aplicado, dáse, justamente, porque o art. 149, do CTN, cuida de lançamento de ofício e não é aplicável às Declarações de Compensação tratadas neste processo administrativo. 165. Quanto às Súmulas 346 e 473, do STF, argumenta que elas não suportariam adequadamente a justificativa para o Despacho Decisório revisor, pois "não há qualquer vício no Despacho Decisório (...) bem como a SCI (cujo entendimento se pretendeu aplicar) sequer existia quando proferida a decisão que homologou a compensação". E pondera que "ainda que o entendimento adotado pela decisão consubstanciada no r. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 956 37 Despacho Decisório fosse divergente daquele posteriormente trazido pela Solução de Consulta Interna, isso não implica, de forma alguma, em qualquer tipo de ilegalidade ou vício da decisão a ensejar a sua revisão de ofício. Contrariedade não é ilegalidade". 166. Assegura que a revisão de ofício somente seria cabível "nas estritas hipóteses de excesso de exação, abuso de poder ou ilegalidade, mas nunca na hipótese, descontentamento do órgão julgador acerca do resultado, decorrente de exclusiva divergência de interpretação", pois, do contrário, "seria possível admitirse processo infindáveis, intermináveis, nos quais, independentemente da decisão final proferida, as autoridades administrativas sempre poderiam encontram alternativas para inovar o fundamento e impedir direito reconhecido dos contribuintes". 167. Remetese, por analogia, a julgamento do STJ no MS 8.810/DF, que conclui pela incompetência de o Ministro de Estado da Fazenda cassar decisões do CARF sob o fundamento de que o Colegiado errou na interpretação da Lei. 168. Sobre o segundo aspecto, pontua que a sobredita Solução de Consulta não poderia incidir retroativamente, porque, inexistente vício ou ilegalidade na decisão proferida, descabida a revisão de oficio pela autoridade administrativa das homologações das compensações já efetuadas; destarte, "apresentada a impugnação, caberia à autoridade julgadora, tão somente, apreciar a questão nos termos em que postos ao contribuinte, não podendo alterar o critério jurídico após a apresentação da defesa". 169. Outrossim, sublinha desconhecer a Solução de Consulta que, não publicada em repositório oficial, não produz efeitos em relação à defendente, aos moldes do art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei nº 9.784/9913. Quanto ao temário, relembra que o art. 1º, do DecretoLei n° 4.657, de 04/09/1942, a lei e também todo e qualquer ato de norma cogente "começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada", sendo que esta medida não é suprida pela veiculação em sítio na rede mundial internet. 170. Avalia que tampouco a juntada aos autos da reportada SCI tem o condão de conferir força de norma cogente a ato não oficialmente publicado; contrariamente, esta medida apenas deixa claro que a requerente apenas veio a ter conhecimento de reportado ato ao ser intimada a ser pronunciar sobre a Informação Fiscal. 171. Reportase ao disposto no art. 5º, II, da CF/88, e pondera que a "Consulta Fiscal deve ter caráter nitidamente instrutivo e deve ser aplicada pela administração pública de forma ética e orientadora, com a finalidade única de atribuir segurança jurídica no cumprimento das obrigações fiscais" e, para ter validade perante todos os contribuintes, "deve atender à legalidade, a legitimidade, a eficiência, moralidade e Fl. 974DF CARF MF 38 publicidade, vinculando o órgão Consultado à obrigação de atuação ética com a exclusiva finalidade de garantir a segurança jurídica". 172. Aduz que a alegada falta de publicidade da SCI já seria suficiente para afastar sua aplicação a fatos pretéritos, haja visto o disposto no art. 37, da CF/88, em especial o princípio da publicidade. 173. Complementa que o Decreto nº 70.235/72, justamente para garantir a segurança jurídica, veda a instauração de procedimento fiscal relativo à espécie consultada até o trigésimo dia subsequente à ciência do consulente sobre a decisão final da consulta, de modo a permitir ao contribuinte a sua adequação à orientação apontada pela Solução de Consulta; logo, a defendente reputa ainda mais gravosa a aplicação do por ela desconhecido entendimento perfilhado na SCI a fatos pretéritos e a créditos tributários já definitivamente extintos por decisão homologatória. 174. Encerrando este ponto, pondera que, ainda que fosse aplicável a SCI, isto apenas poderia ocorrer, em observância à segurança jurídica e ao direito de defesa, para casos futuros, mas jamais retroativamente, indevidamente afetando créditos tributários extintos por compensação já homologada, mediante evidente alteração de critério jurídico do lançamento. 175. Na sequência, a contribuinte expõe que o art. 11B, da Lei nº 9.440/97 que diz ser o único objeto da multicitada SCI , não foi, em momento algum, questionado no caso vertente: muito pelo contrário, foi inteiramente convalidado. 176. Exproba que a resposta à consulta formulada abrangeu, de modo equivocado como se fossem questão única, os incentivos dos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, quando apenas o segundo foi objeto da consulta, pelo que reputa que a resposta dada excedeu os limites da controvérsia e extrapolou a sua competência, razão por que não teria legítimos efeitos vinculantes às unidades da RFB. 177. Observa, ainda, que "o único intuito precípuo da Consulta Tributária foi desviado posto que somente o contribuinte (notoriamente conhecido por se tratar de Montadora sediada no Estado de Minas Gerais) localizado na jurisdição da DRF Consulente (em Contagem/MG) poderia receber em transferência créditos de IPI decorrentes da norma contida no art. 11B da Lei 9.440/97, não havendo, portanto, abrangência nacional e eventual divergência (ao menos que tenha sido expressamente demonstrada), entre unidades de RFB". 178. Critica que "a d. fiscalização passou a considerar a SCI n° 25/2016 (por indevida determinação da DRJ) como decisão verdadeiramente vinculante aos demais órgãos da administração pública, equiparando a Cosit a um órgão máximo de Julgamento administrativo". 179. Então, por mais este motivo, reputa inaplicável a SCI ao caso vertente. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 957 39 180. O quarto motivo indicado para a nãoaplicação da SCI é que seus efeitos apenas poderiam incidir sobre a requerente depois que ela conhecesse todos os seus termos, sobremaneira a suposta divergência de interpretação, dita como existente (reportase à frase "tendo em vista a divergência de entendimento sobre o assunto entre unidades da RFB", constante do item 2, do Relatório da SCI). 181. Argumenta que "se há entendimentos divergentes significa dizer que há unidades da própria RFB que se posicionam no sentido favorável ao defendido pela Requerente. Por outro lado, considerando que são pouquíssimos os contribuintes enquadrados nos termos da Lei n° 9.440/97, é muito provável que a unidade da jurisdição da Requerente seja, até então, favorável ao entendimento do contribuinte, o que é corroborado pelo Despacho Decisório n° 131/2016, que extinguiu o crédito tributário". Destarte, tem como transparente a alteração de critério jurídico, mesmo depois de extinto o débito, o que desrespeitaria o art. 146, do CTN, e ensejaria preterição do direito de defesa do sujeito passivo e, consequentemente, a nulidade do ato, haja vista o comando contido no art. 59, II, do CTN. 182. Fala que o autuante, "ao lançar de oficio e glosar parcialmente as compensações, apenas levou em consideração, naquele momento e em seu entender, a impossibilidade de inclusão das receitas de venda dos veículos importados e a metodologia utilizada, nada obstando quanto à compensação do crédito presumido, quando verificado excedente ao final do trimestrecalendário". Para evidenciar, reproduziu o seguinte trecho do TVF: "Devese considerar, ainda, que a filial de Camaçari utiliza o saldo credor do IPI, que está fortemente influenciado pelo crédito presumido decorrente da Lei 9.440 para compensar débito de PIS e COFINS apurados pela matriz. Ou seja, a filial de Camaçari utiliza um incentivo cuja base de apuração é o PIS e a COFINS devidos para pagar débitos decorrentes desses mesmos tributos". 183. Destarte, tem como nítida a alteração de critério jurídico. 184. Avante, por argumentação, censura o mérito da enfocada SCI, pois: (i) os arts. 1º, IX, 11A e 11B contêm o mesmo comando legal; e (ii) o Decreto nº 2.179/1997 prevê a possibilidade de ressarcimento de crédito presumido. 185. Inicialmente, diz que a própria COSIT considera que os arts. 11A e 11B "carregam o mesmo comando legal, sendo a interpretação da natureza de um a extensão do outro". 186. Detalha que o art. 1º, IX, da Lei nº 9.440/97, prevê o crédito presumido de IPI, com vigência até 31/12/1999 e que, por sua vez, o art. 11, desta Lei, previu a possibilidade de "extensão" Fl. 976DF CARF MF 40 deste dispositivo até 31/12/2010, como ocorreu no caso da contribuinte. 187. Comenta que, terminado o prazo de vigência do caput do art. 11, da Lei nº 9.430/97, o art. 11A, da mesma Lei, incluído pela Lei nº 12.218/2010, estabeleceu hipóteses de apuração do crédito presumido de IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, decorrentes de vendas no mercado interno, estabelecendo a forma e a quantificação destes créditos. 188. Outrossim, narra que, por sua vez, o art. 11B, da Lei nº 9.440/97, inserido pela Lei nº 12.407, de 19/05/2011, "especificando o próprio §1° do artigo 1o, prevê os mesmos benefícios, apenas estabelecendo que as empresas habilitadas nos termos do art. 12 farão jus ao benefício 'desde que apresentem projetos que contemplem novos investimentos e a pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos de produtos já existentes'". 189. Reprova a conclusão da SCI COSIT nº 25/2016 de que os créditos dos arts. 11 A e 11B, da Lei nº 9.440/97, não seriam ressarcíveis/compensáveis por falta de previsão legal nem teriam sido tratados pela IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012 que, no seu capítulo III versa, especificamente, do ressarcimento de créditos de IPI , pois, apesar deste entendimento, "não há como se negar que tais artigos são extensões da previsão legal trazida pelo artigo 1o da Lei n° 9.440/11 (sic) que trata do benefício fiscal originário do Decreto 2.179/97 (sic)". 190. Ressalta que a IN RFB 1.300, ao tratar, aos 20/12/2012, do crédito do art. 1º, inciso IX cuja vigência foi encerrada aos 31/12/1999 evidentemente o fez por considerar que os arts. 11 A e 11B são extensão do incentivo, pois, contrariamente, "é admitir que o legislador administrativo gastou tinta e seu precioso tempo com um dispositivo legal que nenhum efeito mais produzia", pelo que reputa que "as letras A e B do artigo 11 tratam tão somente de metodologias distintas de apuração do credito, razão pela qual seus respectivos decretos regulamentadores previam respectiva e somente tal metodologia diferenciada (sic)". 191. Frisa que o Relatório Fiscal, em diversas passagens, admite o entendimento de que os benefícios fiscais previstos nos art. 11 A e 11B, da Lei nº 9.440/97, seriam variações daquele instituído pelo art. 1º, desta Lei, o que pretende demonstrar pelos seguintes excertos: "Pelo exposto, concluise que o incentivo instituído pelo artigo 1o, inciso IX, combinado com o artigo 11A, da Lei n° 9.440, e disposições regulamentares, somente poderá ser utilizado pelos estabelecimentos industriais descritos no §1° do referido artigo 1o, alcançando exclusivamente as vendas dos produtos resultantes das industrializações executadas nestes estabelecimentos e referidas no artigo 4º do RIPI/2010. (pág. 14, do Relatório Fiscal, com grifo da peticionante). "Também a Exposição de Motivos da Lei 12.407/2011 (EM n° 175/MF,MDIC/MCT), Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 958 41 que incluiu o artigo 11B na Lei nº 9.440, menciona que o incentivo existente visa direcionar investimentos da indústria automotiva para as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Confirma, ainda, que a Lei 12.218 teve por objetivo garantir os benefícios do programa em relação ao aumento do emprego, exportações e produção do setor automotivo nas regiões abrangidas. Por fim, ressalta que a atração de investimentos na indústria automotiva tem efeitos multiplicadores devido à atração de fabricantes de autopeças para a região" (pág. 15, do Relatório Fiscal, com grifo da recorrente). 192. Aduz que "a fiscalização Federal, ao autuar a Requerente, pontificou o entendimento segundo o qual o art. 11A é uma extensão do art. 1o da Lei 9440/97 e, por sua vez, o art. 11B tem a mesma natureza que aquele (...) e não por outro motivo são o próprio artigo 11 em si, apenas acrescido das letras A e B", existindo uma mera "alteração de metodologia de apuração quando da introdução do 11A e do 11B, permanecendo o incentivo, sempre, como sendo um crédito de IPI como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS". 193. Sustenta, quanto ao incentivo do art. 11A, que a própria exposição de Motivos da MP nº 471/2009, convertida na Lei nº 12.218/2010, cita a necessidade de prorrogar os incentivos estabelecidos pelas Leis nº 9.440/97 e 9.826/99 e, quanto ao benefício fiscal do art. 11B, aduz que a exposição de motivos da MP nº 512/2010, convertida na Lei nº 12.407/2011, expõe que apenas as empresas já habilitadas poderiam apresentar projetos e fala de reabertura de prazo ao regime previsto na Lei: "6. A prorrogação da vigência dos incentivos fiscais estabelecidos nas Leis nº 9.440, de 1997 e nº 9.826, de 1999, por um período adicional de 5 (cinco) anos, enseja a manutenção de medidas indutoras da melhoria dos níveis de investimento, produção, vendas e emprego e propiciara a preservação do potencial competitivo da indústria automotiva brasileira, podendo atrair ainda novas inversões para a região". http:/www.planalto.gov.br/ccivil 03/ Ato2007 20iO/2009/Exm/EMl 66MFMCTMDIC 09Mpv471.htm "8. O art. 1o da presente minuta propõe, portanto, o acréscimo do Art. I 1 B à Lei n° 9,440, de 1997, para permitir, com o § 2º do novo artigo, a reabertura de prazo até 29 de dezembro de 2010 para que as empresas hoje habilitadas ao regime previsto na referida Lei possam apresentar novos projetos de investimento produtivos". http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Ato2007 2010/2010/Exm/EMI175mfmdicmct Mpv51010.htm 194. Exterioriza que apenas os empreendimentos habilitados, até 31/05/1997, "puderam e podem usufruir da norma prevista pelo art. 12 da Lei nº 9.440/1997" e que as empresas habilitadas em 1997 "firmaram um Termo de compromisso com o Ministério de Fl. 978DF CARF MF 42 Desenvolvimento Indústria e Comércio cujo número permaneceu inalterado, tendo apenas aditivos de rerratifícação quando da introdução dos artigos 11A e 11B Termo de Compromisso MDIC/SDP n° 168 I (11), II (11B) e III (11A)". 195. Finaliza este ponto dizendo que, caso prevalecesse o entendimento da discutida SCI, deveria ter sido reaberto prazo para habilitação de novos empreendimentos, quando da introdução na legislação dos aqui comentados artigos 11A e 11 B, o que não ocorreu. 196. Continuando, sustenta que os Decretos nº 7.389, de 09/12/2010, e 7.422, de 31/12/2010, apenas regulamentam as alterações da metodologia de apuração dos créditos, mas não interferem na então vigente regulamentação da Lei nº 9.440/97; logo, o Decreto nº 2.179/97 cujo art. 6º, §3º, com a redação dada pelo Decreto nº 6.556/2008, dispõe sobre o aproveitamento do crédito presumido conferido por citada Lei não foi revogado, nem expressa tampouco tacitamente, por nenhum dispositivo normativo posterior, sendo o comando normativo aplicável, portanto, tanto em relação ao incentivo do art. 1º, quanto aos dos arts. 11 A e 11B, todos da Lei nº 9.440/97. 197. Estima a contribuinte os Decretos nº 7.389/2010 e 7.422/2010 não têm sequer previsão da possibilidade de lançamento do crédito presumido de IPI na escrita fiscal do IPI para abatimento deste imposto, mas, apesar disto, seria absurdo o entendimento de que isto não poderia ser realizado, porque, do contrário, os arts. 11A e 11B representariam um "nada jurídico" e afirma que "Os Decretos não tratam da forma do aproveitamento do Crédito Presumido posto que por serem da mesma natureza do artigo 1º, inciso IX da lei n° 9.440/97, tal previsão já consta expressamente do §3° do artigo 6o do Decreto 2179/97". 198. Inobstante, advoga que, se o saldo credor, "ordinário" do IPI, decursivo de operações normais do estabelecimento industrial, é passível de ressarcimento/compensação (art. 268, do RIPI), "não é crivei interpretar que um crédito 'extraordinário', para fomento da indústria e, mais ainda, de região do País, encontre o óbice pretendido pela SC". 199. Destaca que o art. 135, do RIPI, dispõe sobre o crédito presumido da Lei nº 9.440/97 e estabelece, em seu §6º, que, caso reste saldo ao final de cada trimestre calendário, ele pode ser aproveitado segundo o disposto no art. 268, do RIPI, e nas disposições da RFB, sendo impertinente o argumento de que os incentivos dos arts. 11A e 11B teriam instituído novo crédito presumido ou de natureza distinta, pois estes artigos estão incorporados ao próprio texto da Lei nº 9.440/97, além do que " inseremse no mesmo contexto em que o Poder Legislativo estabeleceu política de incentivo e incremento ao desenvolvimento da indústria automobilística, criando estímulos a que a mesma se deslocasse para outras Regiões do País que o próprio legislador pretendeu estimular mediante a oportunidade de que indústrias nestas Regiões se instalassem e criassem novos polos de desenvolvimento e geração de riquezas e postos de trabalho". Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 959 43 200. Garante que, por meio dos arts. 11A e 11B, o legislador apenas prorrogou, até 31/12/2015, o mesmo crédito presumido já previsto no art. 11, da Lei nº 9.440/97, que possuía limitação no tempo até 31/12/2010, cujas hipóteses de utilização e aproveitamento estão contidas no art. 135, do RIPI. E diz que tanto é assim que "Houvesse a intenção do legislador ao baixar o RIPI em 15/06/2010 estabelecer hipótese diversa de aproveitamento dos créditos relativos aos arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440, introduzidas pela Lei n° 12.218, editada em 30/03/2010 e, por certo, teria ou haveria de ter estabelecido clara e expressamente, o que por evidente não o fez". 201. Em seguida, discorre sobre o aproveitamento de créditos de IPI na forma preconizada pelo §6º, do art. 135, c/c o art. 268, do RIPI, e fala que a autorização para ressarcimento/compensação deste créditos está contida no art. 21, §§ 2º e 3º, inciso III, da IN/RFB n° 1.300/2012, na medida em que os arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440 tratam do mesmo crédito presumido do inciso IX, do art. 1º. 202. Ressalta que, quando pretendeu vedar o ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, a RFB expressamente o fez, como ocorreu em relação a outro incentivo do setor automotivo o INOVAR AUTO, regulamentado pelo Decreto nº 7.819, de 03/10/2012, cujo art. 15, apesar de permitir a compensação com outros tributos federais da matriz, veda este procedimento se o crédito for transferido por outro estabelecimento. 203. Desaprova a interpretação da SCI porquanto ela tornaria "letra morta" tanto os arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, quanto o §3º, do art. 6º, do Decreto nº 2.179/1997, com a redação dada pelo Decreto nº 6.556/2008. 204. Argumenta que a interpretação literal dos dispositivos que concedem incentivo fiscal, aos moldes do art. 111, do CTN, não pode se dar ao ponto de restringir o direito e de desvirtuar a intenção da concessão do incentivo, tornandoo inócuo. 205. Outrossim, adverte que aqui não se está tratando mero incentivo fiscal, mas, sim, um contrato firmado entre as partes e que prevê diversas condições como, de um lado, as hipóteses e a forma de apuração do crédito presumido de IPI e, de outro, por exemplo, a obrigação de a Requerente em apresentar investimentos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região a ser fomentada (aqui, reporta se ao Termo de Compromisso aditivo que trata do crédito presumido de IPI no período de 01/01/2011 a 31/12/2015) e cujo descumprimento unilateral pode implicar em denúncia por descumprimento e, inclusive, render ensejo a perdas e danos. 206. Destaca que tanto a lei, como o contrato firmado, "garantem claramente que o crédito presumido será concedido como forma de RESSARCIMENTO do PIS e da COFINS", razão por que eventual dispositivo em sentido contrário estaria Fl. 980DF CARF MF 44 contrariando a legalidade, a vontade do legislador e, sobremaneira, o contrato firmado pelo Governo Federal. 207. Em item do recurso intitulado "DO MÉRITO", a interessada repisa as razões de defesa inicialmente apresentadas. 208. Neste tópico, reportandose às ponderações do TVF relatadas nos itens 50 e 51 acima, censura que elas teriam vários equívocos e que, inclusive, a exigência de "DACON segregado" foi criado pela Fiscalização e inexiste na legislação regente, que só prevê a entrega do DACON pela matriz, com as operações centralizadas. 209. Diz que, num suposto hercúleo esforço, que não pode ter o condão de confundir os intérpretes e julgadores, para retirar o que o Governo Federal formalizou por meio de contrato administrativo, a Fiscalização faz tamanho desalinho com conceitos/institutos jurídicos a partir do qual seria possível concluir que o crédito presumido da Lei n° 9440/97 se refere à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS devidas pela empresa, o que não tem amparo legal, eis que a opção da matriz não exerce qualquer interferência no valor do crédito presumido aqui tratado. 210. Fazendo remissão ao exemplo da distorção apontada pela Fiscalização em relação ao mês de julho de 2012, relatado no item 50 acima, aduz que este é o único período em que o efeito ali apontado ocorre, o que pretende patentear por meio de planilha na qual se poderia verificar que "em todos os outros períodos, a utilizar o método preconizado pela d. fiscalização, a Requerente não ultrapassa o limite do fator do crédito presumido, ao contrário, tomou crédito menor que o permitido por esse método da fiscalização. Estarseá, pois, a contrário senso, sendo reconhecido um crédito adicional no valor de 200.247.744,23". 211. E complementa que "Talvez, aí sim, estarseia a assumir a possibilidade de que seja encontrado um valor de benefício maior do que o pretendido peio legislador, aumentando indevidamente a renúncia fiscal", pelo que " a conclusão inobjetável é aquela segundo a qual a alegação fiscal é improcedente, sendo improcedente também o lançamento de oficio e as glosas", mas, caso assim não se entenda, requereu "seja reconhecido o crédito em favor da Requerente no valor acima mencionado". 212. Dadas as razões acima, requereu: (i) seja anulada a decisão da DRJ que converteu o julgamento em diligência, e, por decorrência, seja julgada a impugnação anteriormente apresentada; e (ii) seja tornada sem efeito e decretada a nulidade da Informação Fiscal proferida nos autos do processo nº 13502.721584/201536 para que ela não produza quaisquer consequências para o presente processo; e (iii) seja anulado o Despacho Decisório Revisor proferido nos presentes autos. E, se não acolhidas as preliminares, requer que: (i) seja reformado o aludido Despacho Decisório Revisor para que sejam homologados os créditos que já estavam extintos nos termos do Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 960 45 Despacho Decisório anteriormente proferido neste processo administrativo; e (ii) sejam deferido o pedido de ressarcimento aqui tratado e homologadas as compensações remanescentes, nos termos expostos na Manifestação de Inconformidade anteriormente interposta." Segue transcrita a seguir a Ementa apresentada na decisão de primeira instância: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA ESPECÍFICA. DESCABIMENTO. Descabido, por falta de falta de previsão normativa específica, o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de IPI criados pelos art. 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 1997, que não se confundem com o crédito presumido do imposto previsto no inciso IX, do art. 1º, e art. 11, IV, da Lei nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NO ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que trata o art. 11 A, da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto no art. 11A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NO ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. Fl. 982DF CARF MF 46 As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata o art. 11A, da Lei nº 9.440/97. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA. VEDAÇÃO AOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Ressalvadas as hipóteses, não configuradas nos autos, previstas do art. 26 A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 19, §5º, da Lei nº 10.522/2002, é vedado aos órgãos de julgamento administrativo de primeira instância, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO A SER RESSARCIDO/ COMPENSADO. APARENTE VÍCIO DE LEGALIDADE. DILIGÊNCIA PARA EXAME PELA AUTORIDADE ADMINSTRATIVA COMPETENTE. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Em face do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, é dever da autoridade administrativa submeter, à autoridade competente para eventualmente rever o ato, aparente vício de legalidade no reconhecimento de crédito a ser ressarcido/compensado para adoção das medidas que aquela autoridade acaso reputar pertinentes, pelo que é impertinente a preliminar de nulidade de Resolução que, sem adentrar no mérito da questão, com este objetivo encaminha os autos à Unidade de Origem em diligência. DESPACHO DECISÓRIO HOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. REVISÃO. POSSIBILIDADE NO PRAZO DE CINCO ANOS DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O Despacho Decisório que homologar compensação pode ser revisto no prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da correspondente Declaração de Compensação. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO. DEVOLUÇÃO DO PRAZO PARA A CONTRIBUINTE SE PRONUNCIAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPERTINÊNCIA. É impertinente a alegação de ocorrência de cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo de Despacho Decisório que, no prazo de cinco anos da transmissão da Declaração de Compensação, revê Despacho Decisório anteriormente emitido, deixa de homologar compensações realizadas com crédito Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 961 47 presumido de IPI não passível de ressarcimento/ compensação e devolve o prazo para que a contribuinte se pronuncie a respeito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em fls. 668, a União apresentou sua contra razões e reforçou os argumentos dos Despachos Decisório e decisão de primeira instância. Após protocolado o Recurso Voluntário, que argumentou pela nulidade do novo despacho decisório e reforçou as argumentações de Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos nos termos do Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Em Recurso Voluntário o contribuinte apresentou suas razões para a anulação do Acórdão recorrido. Em resumo, é possível verificar que a DRJ/PE impulsionou a revisão do lançamento, com reformatio in pejus ao contribuinte, de acordo com a Resolução desta delegacia de fls. 157. Ficou evidente que a glosa inicial, da autoridade lançadora, concordou com os cálculos do crédito presumido a serem ressarcidos, conforme trechos do TVF original, anexo ao primeiro Despacho Decisório, reproduzido parcialmente a seguir: . Fl. 984DF CARF MF 48 O benefício previsto no artigo 11B foi devidamente analisado e constatamos que os valores apurados estão corretos." Com fundamento na SCI n.º 25 de 2016, apontada pela DRJ, a autoridade de origem refez o Despacho Decisório original e afirmou justamente o contrário, afirmou que os créditos não são ressarcíveis, nos moldes dessa solução de consulta. Seria diferente se a autoridade de origem, sem qualquer movimentação alheia, sem inércia, revisasse seu Despacho Decisório. Ainda assim, por mais que os órgãos administrativos possam revisar seus atos, tais revisões possuem regras para acontecer e algumas delas estão dispostas no Art. 149 do CTN, exposto a seguir: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." Nenhum dos requisitos que justificasse a revisão do Despacho Decisório original pode ser verificado nos autos. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 962 49 Justamente, conforme determinado no Art. 59 do PAF (Decereto 70.235), devem ser declarados nulos os atos administrativos que criem, de forma atípica ou em desacordo com a legislação, uma reforma prejudicial ao contribuinte. O lançamento deve ser revisto e lançado somente pela autoridade de origem, jamais revisto pela Delegacia de julgamento, situação que criou a nulidade de sua decisão, conforme regras positivadas nos Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional. De acordo com a legislação que regula o processo administrativo fiscal, é inválida a decisão que enfrenta e decide litígio não existente na lide administrativa fiscal original, causa de pedir ou alegação não suscitada pela fiscalização ou pela defesa, por ofensa à segurança jurídica, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação e imparcialidade das decisões. Da mesma forma, considerando que não há previsão legal para recurso de ofício de despacho decisório, é possível concluir que a DRJ mandou apreciar matéria que já não era mais objeto da lide administrativa fiscal, o que é vedado pelo Art. 492 do CPC (com aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal), conforme reprodução a seguir: "CPC Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional." Todos os atos posteriores à revisão capitaneada pela delegacia de julgamento estão contaminados pela nulidade. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO à preliminar de nulidade. DO MÉRITO Em julgamento, o voto de provimento à preliminar de nulidade foi vencida, logo, o voto de mérito também deve ser registrado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ART. 11A, LEI Nº 9.440/1997. Após extenso debate em diversas sessões e após extensa análise da legislação, das peças recursais e de precedentes judiciais, é possível concluir que, no presente caso, o incentivo fiscal ao setor automobilístico previsto na Lei 9.440/97 continuou em vigor e não se limitou ao mero abatimento com débitos de IPI e acúmulo de saldo credor, uma vez que Fl. 986DF CARF MF 50 houve uma mera alteração de metodologia por meio do Art. 11A desta Lei e não uma limitação ou impedimento à sua aplicação. Este entendimento pode ser encontrado na seguinte decisão, proferida no âmbito do TRF da 5.ª região, processo n.º 08184519720174058300, conforme trechos de sua ementa e voto condutor expostos a seguir: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. REGIME AUTOMOTIVO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11A E 11B DA LEI N. 9.440/97. IDENTIDADE. PREVISÃO REGULAMENTAR DE COMPENSAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 1.717/2017 DA RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE RESSARCIMENTO (COMPENSAÇÃO) COM OUTROS TRIBUTOS. ILEGALIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/96. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DESTE TRIBUNAL. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL IMPROVIDAS. 1. Inexistência de discussão quanto à habilitação, por parte da apelada, para fruição do crédito presumido de IPI. Em nenhum momento a autoridade apontou a inexistência do direito de creditamento do IPI, conquanto afirme a impossibilidade de ressarcimento. 2. Não se discute, igualmente, que recentemente, a partir da Solução de Consulta COSIT n. 25/2016, foi editada a Instrução Normativa n. 1.717/2017, a qual deixou de prever de forma expressa a possibilidade de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos de IPI de que trata o inciso IX do art. 1º da Lei n. 9.440/97. 3. Para a apelante, não existe ato ilegal por parte da autoridade, isso porque: a) os benefícios previstos nos arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97 seriam distintos daquele de que trata o inciso IX do art. 1º da mesma lei; b) o art. 11B da Lei nº 9.440/97 não teria criado apenas uma nova forma de cálculo do benefício do inciso IX do art. 1º da referida lei; c) O aproveitamento como ressarcimento ou compensação, fora do próprio IPI, foi previsto no Decreto nº 6.556/2008 somente para a hipótese do inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440/97; d) o benefício previsto no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440/97 foi extinto em razão do decurso do prazo; e) falta amparo legal para a compensação de crédito presumido de IPI; f) inexistência de mudança de entendimento por parte da Receita Federal, pois a Instrução Normativa nº 1.717/2017, ao não prever mais a forma de aproveitamento mediante ressarcimento dos créditos presumidos de IPI não compensados com o próprio IPI em nada inovou no sistema, pois simplesmente deixou de prever uma forma de aproveitamento não mais existente por decurso do prazo legal desde 2010; g) violação à Separação de Poderes no comando judicial em face da ausência de autorização legislativa. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 963 51 4. Mesmo tendo ocorrido alterações na legislação no tocante à prazo de vigência, forma de apuração e requisitos de investimentos, as disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11A e 11B, todos da Lei n. 9.440/97, tratam do mesmo incentivo fiscal. 5. A própria Receita Federal, ao firmar entendimento na Solução de Consulta COSIT nº 14/2016, considerou que a sucessão de disposições referentes ao crédito presumido de IPI ora tratado revelava um único incentivo fiscal, isso na medida em que asseverou que previram três períodos de vigência distintos. 6. A exposição de motivos da Medida Provisória n. 471/2009, instituidora do art. 11A da Lei n. 9.440/97, considerou expressamente que a proposta visava "ampliar o prazo de vigência de incentivos fiscais destinados a fomentar o desenvolvimento regional". 7. Se de fato teria ocorrido o fim do aproveitamento do art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97 em 2010, permaneceria sem explicação o motivo pelo qual a Instrução Normativa n. 1.300, de 2012, previa o ressarcimento do crédito de IPI auferido em razão do referido dispositivo legal. 8. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. 9. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11A e art. 11B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei vista a partir da Constituição Federal (art. 43, parágrafo 2º, III; art. 151, I). 10. Em suma: 1) há identidade de benefícios; 2) o art. 11B não é benefício que deva ser considerado como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97; 3) Se há identidade de benefício, é possível o aproveitamento; 4) foi extinto o primeiro prazo; 5) o amparo legal existe em razão da existência do reconhecimento da identidade de incentivo fiscal; 6) houve, sim, mudança de entendimento ao ser editada a IN 1.1717/2017; 7) há lastro legal para o comando judicial que possibilitou o ressarcimento. 11. Ainda que o incentivo fiscal do art. 11B da Lei n. 9.440/97 não fosse visto como o mesmo do art. 1º, IX, da mesma lei, constatase que a própria disposição normativa estabelece que o crédito presumido de IPI será objeto deressarcimento. 12. Com a previsão de ressarcimento, aplicase o permissivo contido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. 13. Este Tribunal já teve oportunidade de se debruçar sobre a questão da limitação da possibilidade de ressarcimento, via compensação, do crédito presumido do IPI decorrente do referido benefício fiscal ao proclamar que "o art. 6º, VI e parágrafo único, do Decreto n. 2.179/97 invocado pela Fazenda , ao limitar o aproveitamento de crédito presumido à Fl. 988DF CARF MF 52 dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, desbordou do propósito insculpido na lei regulamentada (Lei n. 9.440/97), afastandose da concepção de "fiel execução" a qual deveria atender. (Proc. 080114409.2012.405.8300, Rel. Des. LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA). 14. Na linha do precedente invocado, não se poderia pensar em limitar a aplicação do incentivo fiscal em debate mediante a simples consideração de que o Executivo poderia desbordar do objetivo traçado pelo legislador para impedir a utilização do ressarcimento via compensação. 15. Apelação e remessa oficial improvidas." (PROCESSO: 08184519720174058300, DESEMBARGADOR FEDERAL MANUEL MAIA, 4ª Turma, JULGAMENTO: 20/08/2018, PUBLICAÇÃO: ) (...) "5. Na visão da apelante, a autorização de utilização de crédito presumido para abatimento de outros créditos tributários, encontrada no Decreto n. 2.179/97 (com a redação dada pelo Decreto n. 6.556, de 2008) somente diz respeito aos arts. 1º, IX, c/c art. 11, ambos da Lei n. 9.440/97. 6. O Juízo de primeiro grau, atendendo ao reclamo da impetrante, ora apelada, considerou que as disposições contidas nos arts. 1º, IX, 11A e 11B, todos da Lei nº 9.440/97, tratam do mesmo benefício fiscal, pois anotou que "indústrias que já estivessem habilitadas no 'Regime Automotivo' e que visassem à continuação de investimentos hipótese dos autos, consoante se verifica do exame dos elementos de convicção amealhados nas referidas regiões, a partir da apresentação e concretização de novos projetos de desenvolvimento, poderiam continuar a fazer uso do crédito presumido de IPI estabelecido no inciso IX do art. 1º da Lei n. 9.440/97". 7. Importante registrar, em primeiro lugar, que não se está diante de uma situação que possa ser resolvida sem maior esforço por parte do intérprete. 8. Os dispositivos da Lei n. 9.440/97 que provocam o presente debate são as seguintes: "Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: (...) IX crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no § 1º deste artigo. § 1º O disposto no caput aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 964 53 Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de: a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores, de quatro rodas ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; (...) h) partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores. (...) § 14 A utilização dos créditos de que trata o inciso IX será efetivada na forma que dispuser o regulamento. "Art. 11. O Poder Executivo poderá conceder, para as empresas referidas no § 1º do art. 1º, com vigência de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2010, os seguintes benefícios: (...) IV extensão dos benefícios de que tratam os incisos IV, VI, VII, VIII e IX do art. 1º."(grifo acrescido) "Art. 11A. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, poderão apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por: (...) § 4º O benefício de que trata este artigo fica condicionado à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, 10% (dez por cento) do valor do crédito presumido apurado." (redação dada pela Medida Provisória n. 471, de 2009, convertida na Lei n. 12.218/2010). "Art. 11B. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, habilitadas nos termos do art. 12, farão jus a crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7, de 7 de setembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, desde que apresentem projetos que contemplem novos investimentos e Fl. 990DF CARF MF 54 a pesquisa para desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos já existentes. (...) § 4º O benefício de que trata este artigo fica condicionado à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, dez por cento do valor do crédito presumido apurado. (....) § 6º O crédito presumido de que trata o caput extinguese em 31 de dezembro de 2020, mesmo que o prazo de que trata o § 2º ainda não tenha se encerrado." (redação dada pela Medida Provisória n. 510, de 2010, convertida na Lei n. 12.407, de 2011). 9. Mesmo tendo ocorrido alterações na legislação no que diz respeito "à forma de apuração, prazo de vigência e requisitos de investimentos regionais", considero que as disposições acima tratam do mesmo incentivo fiscal. 10. Explico. 11. Cumpre observar, neste momento, que tal visão não foi dada exclusivamente pela apelada e pelo Juízo de primeiro grau. 12. Bem acentua a recorrida, nas suas contrarrazões, que a própria Receita Federal, ao firmar entendimento na Solução de Consulta COSIT nº 14/2016, considerou que a sucessão de disposições referentes ao crédito presumido de IPI ora tratado revelava um único incentivo fiscal, in verbis: "Em relação a tal benefício fiscal, as normas previram três períodos de vigência distintos: a) o primeiro, com vigência até 31 de dezembro de 1999, conforme caput do art. 1º da Lei n. 9.440/97, regulamentado pelo Decreto n. 2.179, de 18 de março de 1997; b) o segundo, com vigência entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2010, conforme art. 11 da Lei n. 9.440, de 1997, regulamentado pelo Decreto n. 3.893, de 22 de agosto de 2001; c) o terceiro, com vigência entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, conforme art. 11A da Lei n. 9.440, de 1997, regulamentado pelo Decreto n. 7.422, de 31 de dezembro de 2010." (grifei) 13. Por sua vez, a exposição de motivos da Medida Provisória n. 471/2009, que gerou o art. 11A da Lei n. 9.440/97, considerou expressamente que a proposta visava "ampliar o prazo de vigência de incentivos fiscais destinados a fomentar o desenvolvimento regional" (grifei). 14. Mais uma vez, a exposição de motivos da Medida Provisória 512/2010, a qual gerou a inclusão do art. 11B à Lei n. 9.440/97, revela a intenção de possibilitar às empresas abrangidas pelo Regime Automotivo de continuar a fazer uso do crédito do IPI (item 8): Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 965 55 15. A apelante diz que a modificação feita pela Instrução Normativa 1.717/17 não significa mudança de entendimento por parte da Receita Federal ao não mais estabelecer a forma de aproveitamento mediante ressarcimento dos créditos presumidos de IPI não compensados com o próprio IPI, porque esse aproveitamento já não existia por decurso de prazo desde 2010. 16. Se de fato teria ocorrido o fim do aproveitamento em 2010, deixa a apelante de explicar o motivo pelo qual a Instrução Normativa n. 1.300, de 2012, previa o ressarcimento do crédito de IPI auferido em razão do disposto no art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97. 17. O que é perceptível é que a própria Receita Federal, pelo menos até recentemente, considerava o incentivo fiscal do art. 1º, IX, da Lei n. 9.444/97 o mesmo previsto nos arts. 11A e 11B da mesma lei, daí ser possível afirmar que o seu prazo de vigência somente findará em dezembro de 2020. 18. Explicase o posicionamento aqui adotado levando em conta que os "incentivos fiscais devem ser interpretados de modo a atingir a maior amplitude possível dos resultados pretendidos pela norma, em busca do bem comum, sempre dentro dos limites da razoabilidade" (DINIZ, Marcelo de Lima Castro; FORTES, Fellipe Cianca; Incentivos Fiscais no STJ; in Incentivos fiscais: questões pontuais nas esferas federal, estadual e municipal/Ives Gandra da Silva Martins, André Elali, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores); São Paulo: MP Ed, 2007, p. 281). 19. Respondendo à indagação feita pela apelada em suas contrarrazões, não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. 20. Destaco da referida peça o seguinte esclarecimento quanto ao creditamento do IPI e a falta de razoabilidade na interpretação dada pela apelante: "Segundo dispõe o artigo 1º da Lei n. 10.485/04, os veículos produzidos pela Apelada estão sujeitos à incidência monofásica do PIS/COFINS, o que lhes impõe a observância de alíquotas de 2% e 9,6% respectivamente. Como o crédito presumido outorgado é de 1,5 a 2 vezes o montante devido pela apelada de PIS/COFINS, na prática a venda dos veículos asseguralhes crédito de 17,4% até 23,2%. Por outro lado, a alíquota média de IPI para o setor automotivo e especificamente para a apelada é de cerca de 11%. Ora, não é necessário nada além de raciocínio lógico elementar para se identificar que os créditos presumidos de IPI serão, inexoravelmente, muito superiores ao imposto devido pela Apelada." Fl. 992DF CARF MF 56 21. Portanto, não se poderia pensar na instalação no Nordeste de indústria automobilística de tal magnitude sem que o incentivo fiscal atribuído à contribuinte não permitisse ter ganhos que compensassem a instalação de parque fabril distante dos maiores centros consumidores. 22. O incentivo fiscal em debate tem de ser visto como "medida para impulsionar ações ou corretivos de distorções do sistema econômico" (TORRES, Heleno Taveira, apud ELALI, André; Incentivos fiscais, neutralidade da tributação e desenvolvimento econômico: a questão da redução das desigualdades regionais e sociais, in Incentivos fiscais: questões pontuais nas esferas federal, estadual e municipal/Ives Gandra da Silva Martins, André Elali, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores); São Paulo: MP Ed, 2007, p. 51) e não se pode permitir que sua aplicação, de fato, resulte em quase nulo proveito econômico para quem acreditou nas ofertas do Poder Público. 23. Na verdade, a interpretação aqui dada aos dispositivos da Lei nº 9.440/97 levam em conta, ademais, a finalidade da lei vista a partir da Constituição Federal (art. 43, § 2º, III; art. 151, I). 24. Por outro lado, a atitude da apelada revela desprestígio e desrespeito ao princípio da segurança jurídica, "pois as relações jurídicas, mormente as estabelecidas entre Poder Público e particulares eis que é neste campo de tensão que se justifica, em um primeiro momento, a afirmação dos direitos fundamentais devem pautarse, além dos parâmetros especialmente definidos na Lei Fundamental (repitase, aqui novamente: ato jurídico perfeito, direito adquirido, coisa julgada, irretroatividade das normas penais e anterioridade da norma tributária, devido processo legal, dentre outros) por padrões gerais de estabilidade, previsibilidade e calculabilidade (CLÈVE, Clèmerson Merlin Clève; parecer sobre "créditoprêmio de IPI"; in Crédito Prêmio de IPI: estudos e pareceres; Paulo de Barros Carvalho...[et. al]; Barueri: Manole, 2005, p. 132, grifos acrescidos). 25. Em resposta aos argumentos da apelante: a) há identidade de benefícios; b) o art. 11B não é benefício que deva ser considerado como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97; c) Se há identidade de benefício, é possível o aproveitamento; d) foi extinto o primeiro prazo; e) o amparo legal existe em razão da existência do reconhecimento da identidade de incentivo fiscal (questão referente à lastro legal para compensar, mesmo que não se considere o mesmo incentivo, será abordada logo mais); f) houve, sim, mudança de entendimento ao ser editada a IN 16/2017; g) se há lastro legal, cai por terra a alegação de violação à separação de poderes. 26. Ainda que o incentivo fiscal do art. 11B da Lei n. 9.440/97 não fosse visto como o mesmo do art. 1º, IX, da mesma lei, constatase que a própria disposição normativa estabelece que o crédito presumido de IPI será objeto de ressarcimento. 27. Ora, como registra a doutrina, "no ressarcimento do crédito tributário, à semelhança da restituição do indébito, o sujeito Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 966 57 passivo pode receber, em moeda ou por meio de compensação, a liquidação de um direito de crédito contra a Fazenda Pública", sendo que "quanto aos objetivos a serem atingidos pelo ressarcimento, os mesmos variam, seja o ressarcimento realizado por meio de liquidação em moeda ou por meio de compensação" (PETRY, Rodrigo Caramori; Restituição, repetição de indébito, ressarcimento, compensação e creditamento teoria geral e aplicação às contribuições Cofins e PISPasep; in Revista Dialética de Direito Tributário, p. 70). 28. Aliás, com a previsão de ressarcimento, aplicase o permissivo contido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. 29. Este Tribunal já teve oportunidade de se debruçar sobre a questão da limitação da possibilidade de ressarcimento, via compensação, do crédito presumido do IPI decorrente do referido benefício fiscal. 30. Eis a ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DECRETO. LIMITAÇÃO DAS HIPÓTESES DE COMPENSAÇÃO. REDUÇÃO DO ALCANCE DA LEI REGULAMENTADA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos normativos (caso do Decreto) têm o efeito de complementar a lei (ato normativo originário e autônomo), "para sua fiel execução". Tais atos não podem inovar na ordem jurídica, sob pena de afrontar o comando do art. 5º, II, da CF/88, devendo apenas complementar a legislação, preocupandose não em alterála, mas em tornála exeqüível. 2. A Lei n. 9.440/97, visando ao desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, autorizou às empresas do ramo automotivo instaladas ou que viessem a se instalar) em tais regiões creditaremse do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições para o PISPASEP e a COFINS, incidentes sobre o seu faturamento. 3. Na hipótese dos autos, verificase que o art. 6º, VI e parágrafo único, do Decreto n. 2.179/97 invocado pela Fazenda , ao limitar o aproveitamento de crédito presumido à dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, desbordou do propósito insculpido na lei regulamentada (Lei n. 9.440/97), afastandose da concepção de "fiel execução" a qual deveria atender. 4. Apelação e remessa oficial desprovidas." (Proc. 0801144 09.2012.405.8300, Rel. Des. LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA, Terceira Turma, julgado em 20.03.2014). 31. Ao aplicar o precedente acima, temse que não se poderia pensar em limitar a aplicação do incentivo fiscal em debate mediante a simples consideração de que o Executivo poderia desbordar do objetivo traçado pelo legislador para impedir a utilização do ressarcimento via compensação. Fl. 994DF CARF MF 58 32. Não se trata aqui de ato jurisdicional que invada a competência do Poder Executivo, pois, na verdade, estáse a impedir que o Executivo retire a eficácia da leI. 33. Registrese, por fim, quanto à possibilidade de cumprimento do comando judicial, isso desde o provimento de urgência concedido pelo Juízo de primeiro grau, a disposição contida no art. 170A diz respeito a demanda na qual o tributo esteja sendo objeto de discussão. No presente caso, a discussão não trata de indébito tributário, pois é fato incontroverso o crédito do IPI. 34. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO à apelação e à remessa oficial." Diante do exposto, o Recurso Voluntário merece provimento neste tópico. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VEÍCULOS IMPORTADOS. Apesar do montante das vendas de veículos importados constituir parcela integrante do faturamento oriundo das receitas no mercado interno, conforme alegado pelo contribuinte, o ressarcimento do IPI, no caso em concreto, não pode ser aplicado em uma mera revenda, por falta de previsão legal e previsão expressa ao contrário, de forma que o incentivo aplicase exclusivamente nas atividades industriais. Somente a receita da venda dos produtos industrializados pela recorrente e vendidos no mercado interno é que serão objeto da apuração do incentivo fiscal previsto na Lei 9.440/97. O contribuinte, por sua vez, deixou de comprovar que os produtos importados sofreram qualquer tipo de industrialização, o que permite concluir que houve uma mera revenda, situação incompatível com o benefício fiscal. A matéria foi muito bem abordada no voto do colega e conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira nos Acórdãos nº 3301004.691 e 3301004.703. As razões expostas no mencionados Acórdãos, as quais são adotadas neste voto, em resumo são as seguintes: é descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. Portanto, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODOS DE APURAÇÃO DA MATRIZ E FILIAL. Com relação aos métodos de apuração da matriz e da filial, a especialidade das regras previstas na Lei n.º 9.440/97 não cria uma regra de exceção à regra geral de Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 967 59 apuração, de forma que o valor das contribuições devidas pela pessoa jurídica segundo o método adotado pelo estabelecimento matriz, abrange todos os estabelecimentos. Para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, deve ser adotado o método de rateio proporcional, aplicado pela matriz, conforme determinação do inciso I, do § 8°, do Art. 3° da Lei n° 10.833/03. Por mais que faça sentido, não há previsão legal que permita a forma mista de apuração utilizada pelo contribuinte. A matéria foi muito bem abordada no voto do colega e conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira nos Acórdãos nº 3301004.691 e 3301004.703 As razões expostas no mencionados Acórdãos, as quais são adotadas neste voto, em resumo são as seguintes: o método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos Arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Diante do exposto, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. DOS INSUMOS TRANSFERIDOS PARA FILIAL DE CAMAÇARI. A simples exposição a respeito dos regulamentos do ICMS de São Paulo de da Bahia e argumentação a respeito da distinção de tratamento das legislação a respeito da atualização monetária dos custos não enfrentou a questão colocada pela fiscalização e analisada em decisão de primeira instância. De fato, tanto a fiscalização quanto a DRJ analisaram em detalhes o efeito das transferências dos insumos na sistemática de aproveitamento, de forma que houve influência negativa nos valores dos créditos a descontar das contribuições, conforme razão de decidir da decisão de primeira instância transcrita parcialmente a seguir: "315. Enquanto o TVF explica, em detalhes, no que os insumos transferidos pelas filiais de Taubaté e de São Bernardo do Campo, diante da sistemática de aproveitamento adotada pela empresa, influenciam, negativamente, os valores dos créditos a descontar da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS [não aproveitamento de créditos com materiais indiretos (graxa, estopa, lubrificantes, etc), energia elétrica, armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc, que são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo)], o sujeito passivo, na sua Manifestação de Inconformidade, Fl. 996DF CARF MF 60 limitase a, simplesmente, expor o texto dos regulamentos do ICMS de São Paulo e da Bahia e a falar de questão de distinção de tratamento das legislações paulista e baiana quanto à atualização monetária de custos, não tendo enfrentando a questão colocada no TVF, cuja sistemática de cálculo não foi, no peculiar, expressamente combatida. 316. Assim, diante do que dispõe o art. 16, III, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, mantenho o levantamento realizado pelas autoridades fiscais em relação aos créditos das contribuições sobre insumos oriundos das duas filiais acima mencionadas." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. INCLUSÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE ICMS, DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS NO CÔMPUTO DA RECEITA BRUTA PARA FINS DE APURAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgado proferido no RE nº 574.706, solidificou o tema, conforme ementa a seguir transcrita: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos." (Processo nº 10880.674237/201188; Acórdão nº 3201004.124; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 25/07/2018). Contudo, é possível verificar que não houve comprovação a respeito dos pagamentos ou contabilizarão do Pis e Cofins sobre o ICMS, assim como não houve demonstração material acerca do cômputo do ICMS no cálculo dos créditos presumidos de IPI. Com acerto o conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira abordou o tema no julgamento do Acórdão nº 3301004.693, conforme trecho de seu voto transcrito a seguir: Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 968 61 "Contudo, no presente caso, para que pudesse dar provimento aos argumentos da recorrente, teria de constar na peça de defesa, que: i) o contribuinte comprovadamente não pagava e tampouco contabilizava PIS e COFINS sobre ICMS; ii) ao calcular as contribuições devidas, sobre as quais calculou o crédito presumido de IPI, também não computou o ICMS, pois, caso contrário, haveria distorções no cálculo do incentivo fiscal. Isto posto, não tenho fundamento para propor alterações nos cálculos da fiscalização, efetuado com base nos registros contábeis e fiscais do contribuinte." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA RECEITA DE VENDAS NO MERCADO INTERNO E EXPORTAÇÃO. É possível verificar que ocorreu um erro material na determinação da receita de vendas no mercado interno e na composição de receitas de exportação, situação em que as provas apresentadas pelo contribuinte foram insuficientes. Neste tópico, utilizase as mesmas razões de decidir expostas na decisão de primeira instância, transcritas a seguir: "335. Quanto ao equívoco visualizado pela Fiscalização na determinação das receitas de vendas no mercado interno a partir da conta contábil “23A01A00LOCAL” em razão da adoção do “Revenue Recognition”, correspondente a ajustes que representam os veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”), limitouse a contribuinte a dizer que “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” (g.n.) e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. 336. Ocorre que a manifestante não apontou a base legal com fundamento na qual considerou “suspenso” o faturamento e chega mesmo a admitir a possibilidade de que tenha ocorrido postergação, diante do que, e considerando que a Nota Fiscal é importante documento de controle fiscal, não há como se desconsiderar ocorrido o faturamento quando de sua emissão. Fl. 998DF CARF MF 62 Neste sentido, consta da ementa da Solução de Consulta COSIT nº 4, de 12/01/2017, que trata da contribuição para o PIS/PASEP e das COFINS, que “A emissão de nota fiscal pela pessoa jurídica tem caráter instrumental e probatório em relação ao fato gerador da contribuição, gerando contra ela presunção relativa de veracidade de seus dados, aplicável pelo fisco, a seu critério, inclusive no caso de irregularidade na emissão”. 337. Logo, mantenho, no peculiar, o levantamento realizado pelas autoridades fiscais. 338. A contribuinte questiona a exclusão, do cômputo das receitas de exportação no cálculo do fator de rateio apurado pela Fiscalização, da parcela correspondente às receitas de revenda de CKD cujos componentes foram integralmente fabricados por outras pessoas jurídicas. 339. Em atenção ao argumento da contribuinte no sentido de que no “primeiro parágrafo às págs. 30 do TVF e lá consta a afirmação segundo a qual: ‘No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores ...’” e de que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Impugnante, o que aliás encontrase corroborado pela resposta a intimação de 25/09/2015 e acolhida pela Fiscalização”, impõese inicialmente elucidar que a Fiscalização, justamente porque admitiu que parte dos CKD eram de fabricação da ora recorrente, considerou esta parcela na receita de exportação, como bem se verifica na linha “EXPORTAÇÕES CKD” do Anexo “D” do TVF. 340. Além disto, convém desde logo esclarecer que, diferentemente do que alega a recorrente, não se visualiza, no citado Anexo “D”, qualquer adição de receitas de exportação de CKD às receitas no mercado interno. 341. Também preliminarmente neste tópico, registro que a contribuinte não apresentou qualquer contestação expressa de que as receitas de CKD indicadas no Anexo D correspondem aos dos kits por ela fabricados (no sentido de que não foram industrializados seus componentes por outras pessoas jurídicas). 342. Ultrapassadas as questões acima, passo a analisar a exclusão, do cômputo das receitas de revenda de CKD, daqueles cujos componentes foram totalmente fabricados por outras pessoas jurídicas. 343. Ora, os custos, encargos e despesas que incorre a contribuinte – que foram proporcionalmente rateados pela Fiscalização são, essencialmente, incorridos em sua atividade de industrialização. Portanto, não estão associados à mera revenda de produtos fabricados por outras pessoas jurídicas e, por isto, não tem sentido incluir no rateio a venda de CKD, cujos componentes já são recebidos prontos pela contribuinte de outras pessoas jurídicas. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 969 63 344. Notese, por outro lado, que, aos moldes já explicados, o incentivo apenas deve ser calculado em relação aos veículos de fabricação própria da Impugnante. 345. Em face do exposto, julgo improcedente no particular as Manifestações de Inconformidade." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. DA RECEITAS DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente às receitas de exportação, conforme exposto a seguir: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Fl. 1000DF CARF MF 64 FABRÍCIO DA SOLLER" Em virtude de uma questão temporal da legislação, a jurisprudência deste Conselho não foi pacifica com relação à incidência da Pis e Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus, mas no Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, em especial do seu Art. 4.º. Nesse sentido, é importante considerar o entendimento jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, por meio do Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), assim como por meio dos seguintes precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. Diante do exposto, o Recurso Voluntário merece provimento neste tópico. CONCLUSÃO. Em face do exposto, votase para que a preliminar de nulidade da reformatio in pejus seja acolhida e que, conseqüentemente, somente o primeiro Despacho Decisório (fls. 272) proferido tenha validade. Superadas as preliminares, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Com a devida vênia, divergimos do il. Relator. Segundo consta dos autos, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, instou a unidade preparadora a promover a revisão do Despacho Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13819.905567/201596 Acórdão n.º 3201004.921 S3C2T1 Fl. 970 65 Decisório, a fim de que se pudesse tomar "as medidas que a respeito entender oportunas", em face do que disposto em Solução de Consulta Interna que dispunha sobre a mesma matéria nele tratada. Entende ter havido reforma para pior de sua situação, violação do princípio da imparcialidade e decisão "extra petita". Bom, cabe ressaltar, que, como sabido, o tema da reforma para pior no processo administrativo é um tanto quanto controverso. Em síntese, o princípio da non reformatio in pejus veda que o órgão ad quem, ao julgar o recurso apresentado pela parte, profira decisão que lhe seja mais desfavorável. Contudo, o fato aqui não é de reforma para pior, mas de controle da legalidade – o poder de autotutela da Administração Pública de rever seus próprios atos quando eivados de vícios de legalidade. Não há, ademais, no processo administrativo, a figura do trânsito em julgado, como se verifica em sede judicial. O fato de serem tais hipóteses diferentes resta bem pontuado nessa sintética passagem escrita por Lúcia Valle Figueiredo (FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de direito administrativo. 8ªed. São Paulo: Malheiros Editores, 2006. p. 455), nos seguintes termos: “E, nesta hipótese, falase impropriamente em reformatio in pejus. Houve, na verdade, ato de controle de legalidade, por importar nulidade do procedimento; caso assim não se procedesse, estaria a Administração agindo contra legem.” Esse poderdever conferido à Administração Pública, que decorre do princípio da indisponibilidade do interesse público sobre o privado, encontrase plasmado no art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, segundo o qual “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos (o dispositivo positivou matéria já sumulada pelo Supremo Tribunal Federal: Súmula nº 473 – “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”). Enfim, nada obstava – aliás, tudo exigia – pudesse a DRJ agir como agiu, mas desde que à Recorrente fosse conferida a oportunidade de comparecer novamente aos autos, apresentando os argumentos que entendesse necessários, o que, como se viu, findou por ocorrer. Nulidade, portanto, não há. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1002DF CARF MF 66 Fl. 1003DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.012357/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso de Ofício apresentado não alcança o valor de alçada. nos termos dos normativos que regulamentam a matéria.
RELATÓRIO FISCAL E ANEXOS. o Auto de Infração foi lavrado com estrita observância às determinações legais vigentes, encontrando-se revestido das formalidades legais exigidas, justificando de forma clara e objetiva a origem, fundamentação e os motivos da lavratura, descrevendo os documentos utilizados, conforme se verifica do correspondente relatório fiscal, não havendo nenhuma afronta ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, os quais foram regiamente respeitados
RECOLHIMENTOS E RETIFICAÇÃO. Cumpridas as diligências e retificado o lançamento, bem como analisada a matéria pelo Colegiado do E. CARF, não há que se falar em cerceamento de defesa e do contraditório.
VALORES RETIDOS (GFIP´S). Todos os recolhimentos observados e efetuados pelos tomadores dos serviços foram devidamente apropriados e utilizados .
GRUPO ECONÔMICO. O grupo econômico caracterizado, apesar de não ser dotado de formalização legal, na forma da Lei 6.404/1976, possui empresas interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Assim, as empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias, conforme previsão contida no inciso IX do art. 30 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991. A definição de grupo econômico encontra-se positivada no art.748 da Instrução Normativa - IN SRP nº 3/2005, ratificada pelo artigo 494 da IN RFB nº 971/2009.
INCLUSÃO DOS SÓCIOS NO RELATÓRIO - REPLEG. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 88 DO CARF O Relatório de Representantes Legais - RepLeg, anexo ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO (MPT) - A presente autuação não refere-se às irregularidades verificadas perante o MPT, razão pela qual a análise das alegações acerca da fiscalização do Ministério do Trabalho encontram-se prejudicadas.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
JUROS DE MORA.APLICAÇÃO DA SÚMULA 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. ARTIGO 142 DO CTN. NULIDADE. IMPROCEDENTE..Conforme observa-se dos autos, dentro do possível, a autoridade fiscal cumpriu as determinações exaradas pelo Colegiado Soma-se ainda que o Colegiado propiciou ao Contribuinte a juntada de documentos, objetivando assim, sanar qualquer alegação de cerceamento de defesa e do contraditório, bem como privilegiando a busca pela verdade material.
Numero da decisão: 2401-005.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares apresentadas no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam apropriados os recolhimentos efetuados conforme guias de fls. 184, 261 e 1.374. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir a responsabilidade solidária. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso de Ofício apresentado não alcança o valor de alçada. nos termos dos normativos que regulamentam a matéria. RELATÓRIO FISCAL E ANEXOS. o Auto de Infração foi lavrado com estrita observância às determinações legais vigentes, encontrandose revestido das formalidades legais exigidas, justificando de forma clara e objetiva a origem, fundamentação e os motivos da lavratura, descrevendo os documentos utilizados, conforme se verifica do correspondente relatório fiscal, não havendo nenhuma afronta ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, os quais foram regiamente respeitados RECOLHIMENTOS E RETIFICAÇÃO. Cumpridas as diligências e retificado o lançamento, bem como analisada a matéria pelo Colegiado do E. CARF, não há que se falar em cerceamento de defesa e do contraditório. VALORES RETIDOS (GFIP´S). Todos os recolhimentos observados e efetuados pelos tomadores dos serviços foram devidamente apropriados e utilizados . GRUPO ECONÔMICO. O grupo econômico caracterizado, apesar de não ser dotado de formalização legal, na forma da Lei 6.404/1976, possui empresas interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Assim, as empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias, conforme previsão contida no inciso IX do art. 30 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991. A definição de grupo econômico encontrase positivada no art.748 da Instrução Normativa IN SRP nº 3/2005, ratificada pelo artigo 494 da IN RFB nº 971/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 23 57 /2 00 8- 87 Fl. 127478DF CARF MF 2 INCLUSÃO DOS SÓCIOS NO RELATÓRIO REPLEG. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 88 DO CARF O Relatório de Representantes Legais RepLeg, anexo ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO (MPT) A presente autuação não referese às irregularidades verificadas perante o MPT, razão pela qual a análise das alegações acerca da fiscalização do Ministério do Trabalho encontramse prejudicadas. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. JUROS DE MORA.APLICAÇÃO DA SÚMULA 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. ARTIGO 142 DO CTN. NULIDADE. IMPROCEDENTE..Conforme observase dos autos, dentro do possível, a autoridade fiscal cumpriu as determinações exaradas pelo Colegiado Somase ainda que o Colegiado propiciou ao Contribuinte a juntada de documentos, objetivando assim, sanar qualquer alegação de cerceamento de defesa e do contraditório, bem como privilegiando a busca pela verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares apresentadas no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam apropriados os recolhimentos efetuados conforme guias de fls. 184, 261 e 1.374. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir a responsabilidade solidária. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 127479DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 126.471 a 126.500) interposto por Stefanini Assessoria em Informática Ltda. e outros contra o acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – São Paulo, que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração DEBCAD n. 37.191.0994, relativamente às contribuições previdenciárias no período compreendido de 12/2002 a 12/2007, cuja ciência ocorreu em 23/12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, a Fiscalização constatou que a Recorrente deixou de recolher contribuições previdenciárias, no período de 12/2002 a 12/2007, correspondentes às diferenças encontradas entre os valores declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e os constantes nas Guias de Previdência Social (GPS), apuradas através de planilhas e relatórios juntados aos autos. O lançamento referese aos VALORES APURADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS, referente às diferenças entre a base de cálculo considerada pela empresa, declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social e os recolhimentos efetuados. As bases de cálculo das contribuições empresariais são as constantes do Relatório DAD Discriminativo Analítico do Débito, entregue em meio digital á empresa, nos termos do Recibo de Arquivos em Meio Digital, conforme cópia anexa. No período 12/2002 a 12/2007 foi utilizado o Código de Levantamento DG – DECLARADO EM GFIP, no aplicativo SAFIS – Sistemas de Auditoria Fiscal. Foram consideradas as GFIPs entregues após o início da ação fiscal, para os fins de redução da multa. Foram aplicadas as seguintes alíquotas: · 20% (vinte por cento) – Contribuição da empresa destinada à Seguridade Social; · 1% (um por cento) – RAT – Contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. escrituração contábil (Livro Diário) e Folha de Pagamento, apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético. GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS e GPS), relativamente ao período 12/2002 a 12/2007, bem como os demais documentos apresentados na ação fiscal e devidamente relacionados nos Termos e Intimações lavrados. (fls. 3638) O Auditor Fiscal entendeu que sobre as diferenças encontradas deveriam incidir as seguintes contribuições: Fl. 127480DF CARF MF 4 I. Contribuição da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados, nos termos do art. 22, inciso I da Lei 8.212/91; II. Contribuição da empresa para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT),conforme art. 22, inciso II da Lei 8.212/91. Ademais, o Auditor fiscal lavrou termo de sujeição passiva solidária, entre a Autuada, ora Recorrente, e as Empresas Stefanini Networking Comércio e Consultoria de Informática Ltda., S.G.E. Stefanini Gestão Empresarial Ltda., Stefanini Quality Tools Cons. de Sistemas Ltda., Stefanini Financials Cons. em Informática Ltda., Stefanini Training Treinamento em Informática Ltda., por se constituírem em grupo econômico, tendo justificado tal procedimento com base nos argumentos indicados a seguir: III DO GRUPO ECONÔMICO E DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 3. O Grupo STEFANINI é um grupo econômico regular de fato, cuja empresa controladora é a empresa STEFANINI PARTICIPAÇÕES S/C LTDA., C.N.P.J 04.300.0491000110, e são controladas as demais empresas constantes da Folha de Continuação do Auto de Infração e do Relatório Vínculos Relação de Vínculos, onde estão qualificadas na situação de "grupo econômico", reconhecido na Declaração IRPJ, ficha 52 Participação Permanente em Coligadas ou Controladas da empresa controladora perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, nos registros contábeis da STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S.A., Contratos Sociais, Atas, Demonstrações Financeiras, e na internet, em sua página eletrônica http://www.stefanini.com.br, dentre outras fontes internas e externas. Caracterizado o grupo econômico, foram emitidos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária para as empresas integrantes situadas no país. Por fim, o Auditor Fiscal elaborou listagem dos responsáveis pela empresa,conforme demonstra a Relação de Representantes Legais (REPLEG). A Recorrente foi notificada em 23/12/2008 e, juntamente com as demais empresas que integravam o suposto grupo econômico, apresentou impugnação (fls. 100 a 122), alegando, dentre outros argumentos, que o relatório fiscal e seus anexos não esclarecem adequadamente o objeto da autuação, o que se verifica, por exemplo, da coluna “crédito diverso” do Relatório de Apropriação de Documentos apresentados (RADA), a qual apresenta informações divergentes em relação ao Discriminativo Analítico de Débito (DAD). Alega a Recorrente que não é possível identificar se a autuação envolve valores retidos por seus clientes, além de os valores recolhidos não terem sido integralmente reconhecidos, o que, se acontecesse, geraria a diferença de centavos. Aduz, por fim, que, no auto, não há indicação da legislação que fundamenta a existência de grupo econômico, devendo esta acusação fiscal ser desconsiderada. Após a análise das impugnações e os documentos que as acompanharam, a DRJ, na forma da Resolução nº 2.536, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que o Auditor Fiscal se manifestasse em relação aos documentos juntados e acerca da existência de grupo econômico, cujas ponderações seguem abaixo transcritas: Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" na forma da Lei 6.404/76). Fl. 127481DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 4 5 Admitida, assim, a possibilidade jurídica dos "grupos econômicos de fato", é necessário, pois, que seja informado, pormenorizadamente, como se verificou a caracterização de tal grupo, isto porque o relatório fiscal faz referências a certos documentos, assim como aos registros contábeis e a outras fontes internas e externas, porém, sem discriminação e/ou especificação dos fatos verificados. (fl. 1923) Sobreveio resposta da fiscalização, por meio da qual foi alegado o seguinte: Os Auditores Fiscais ressaltaram que os documentos anexados à Impugnação são cópias sem autenticação de qualquer espécie – nem do servidor da RFB atestando a apresentação dos originais ou do cartório – tampouco as assinaturas dos documentos estão com firma reconhecida, o que, no entender dos Auditores, seria indispensável e imprescindível, nos termos dos arts. 9º e 10º do Decreto nº 6.932/2009, art. 22 da Lei 9.784/99 e art. 300 do DecretoLei nº 2.848/1940. Vejamos as ponderações realizadas pelo Auditor em relação ao tema: Como não pode o serviço público recusar protocolo, sob pena de se permitir a alegação de cerceamento de defesa, os documentos foram recebidos pela RFB e agora adicionados ao processo digital (eprocesso), todavia não se revestem da necessária condição de prova válida, especialmente em se tratando de documentos com fraudes e/ou irregularidades constatadas pelo Fisco. Desde já são impugnados por este AuditorFiscal e não devem ser conhecidos tais documentos [...]. Logo, após as retificações realizadas, determinou que, havendo alguma outra reclamação de inclusão de documentos de recolhimento ou abatimento do débito, estaria intimado a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da Informação Fiscal, mediante apresentação de cópia autenticada e com firma reconhecida, já que “TODOS os documentos apresentados como prova e anexados ao eprocesso são inservíveis”. Os Auditores Fiscais aduziram novas informações acerca do grupo de empresas, como: 1. as empresas integrantes do grupo têm a marca “Stefanini”, que é o sobrenome dos sócios fundadores da empresa fiscalizada, assim como da pessoa jurídica controladora (holding); 2. as empresas envolvidas desempenham atividades correlatas e esforços comuns, como atestam documentos oficiais e pesquisas efetuadas na internet; 3. as empresas relacionadas como devedoras solidárias são todas controladas pela empresa Stefanini Participações Ltda. Após diligências e Impugnação, os autos foram enviados para a DRJ, que julgou o lançamento parcialmente procedente através do acórdão de fls. 126.445/126.465 constante Fl. 127482DF CARF MF 6 destes processo nº 10830.012357/200887 (processo principal), por meio do qual foram enfrentados todos os argumentos trazidos pela ora Recorrente, inclusive nestes autos. Tendo em vista a exoneração de crédito procedida na primeira instância, em face do processo principal, foi apresentado Recurso de Ofício, nos termos insculpidos no inciso I, artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no inciso I, § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, já que de valor superior ao comandado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Inconformada com a decisão a quo, a empresa repisa parte de seus argumentos iniciais e apresenta Recurso Voluntário às fls 126.471/126.500 , alegando em síntese que: DO RELATÓRIO FISCAL E ANEXOS o relatório fiscal e os seus anexos não esclarecem adequadamente o objeto da autuação, ou seja, o fisco não identifica com clareza as informações utilizadas; nos anexos DAD e no RADA há uma coluna de “Crédito Diverso” sobre a qual não há qualquer informação, como na competência 02/2004, onde no DAD é reconhecido um crédito de R$ 132.181,17, mas que o RADA indica haver recolhimento no valor de R$ 189.091,93!!; tão pouco o Fiscal esclarece se considera valores retidos por seus clientes, o que dificulta a sua defesa; em relação à grande maioria das competências faz prova de que recolheu o valor tido como “devido” ou “não recolhido” pelo fiscal; os créditos considerados, nos meses de 02/2004 e 01/2005 a 12/2007, são muito inferiores aos das contribuições recolhidas, como se observa dos documentos que junta; se fossem considerados os valores efetivamente recolhidos o Fiscal constataria diferenças de centavos, como se verifica do demonstrativo que apresenta. DOS RECOLHIMENTOS E DA RETIFICAÇÃO No anexo RDA – Relatório de Documentos Apresentados, onde se encontram todos os recolhimentos efetuados pela Autuada por competência e pelo correspondente estabelecimento, e o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos (ambos anexados ao eprocesso por este relator às fls. 126.161 a 126.293), estão as apropriações (aproveitamento/dedução) desses recolhimentos, isto é, em face de todos os lançamentos lavrados. Pelo que a fiscalização, em sede de diligência, esclarece que no RADA consta a apropriação efetuada, sendo que parte foi apropriada no DEBCAD 37.191.0994, parte no 37.191.0986 e parte de terceiros no DEBCAD 37.198.1001. DOS VALORES RETIDOS Fl. 127483DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 5 7 A DRJ ignorou os documentos juntados em sede de Impugnação os quais estariam aptos a demonstrar que os valores lançados pela fiscalização não foram calculados levando em conta os valores pagos pela Recorrente em suas GPS´s mensais. Na medida que esses valores foram desprezados para cálculo do presente lançamento, além da evidente nulidade, verificase que, em persistindo diferenças a favor do Fisco, estas são em valor inferior às lançadas. Caso a fiscalização tivesse analisado atentamente a planilha lançada na Impugnação (fls.153/154), elaborada com base no DAD e no RADA apresentados pelo próprio fiscal, constataria que os valores lançados não consideraram os valores pagos pela Recorrente em GPS´s mensais. DO GRUPO ECONÔMICO A Recorrente argui que não há na legislação fiscal ou previdenciária a definição de “grupo econômico”, do que se conclui que o conceito é aquele estabelecido pela legislação trabalhista, a qual pressupõe a existência de mesma direção, controle ou administração, de duas ou mais empresas para que se possa considerar que fazem parte do mesmo grupo econômico, mas que tal critério não foi observado, uma vez que a fiscalização configurou a existência de grupo em face da participação de uma em outra empresa, seja como coligada, seja como controlada, isto é, sem verificar a existência ou não de mesma direção, controle ou administração. Alega ainda a inconstitucionalidade do inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212/1991, e conclui argumentando pela ausência de provas válidas que caracterizem a responsabilidade solidária e o suposto grupo econômico. DA INCLUSÃO DOS SÓCIOS NO RELATÓRIO REPLEG Argui que o REPLEG foi incluído na Instrução Normativa nº 03/2005, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação de contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária SRP, pela Instrução Normativa nº 20/2007. Contudo, a Instrução Normativa nº 03/2005 foi revogada pela Instrução Normativa nº 971/2009, não havendo mais nenhuma norma que determine a constituição e a validade do REPLEG no processo administrativo fiscal, devendo ser desconsiderado. DA FISCALIZAÇÃO DO MPT Ressalta inicialmente que esta matéria é totalmente estranha ao caso em debate, contudo,como foi mencionada pela autoridade lançadora às fls. 149 a 162 e pelo Relator a quo, , esclarece que a fiscalização da PRT da 15ª Região , que estava em curso quando originou o presente lançamento, terminou com parecer favorável à Recorrente, constatando a regularidade dos procedimentos por ela adotados em relação à contratação de Fl. 127484DF CARF MF 8 pessoas jurídicas prestadoras de serviços chamados serviços "meio", necessários ao desenvolvimento de seus serviços "fim" a seus clientes, conforme atesta o documento anexado aos autos às fls. 149 a 162 Assim, em uma leitura mais atenta dos documentos de fls 149/162, verificase que o Relator se equivocou em sua conclusão. DOS JUROS MORATÓRIOS Entende em que pese a fundamentação da autoridade lançadora, o artigo 161 do CTN determina que os juros devem inicidir somente sobre o crédito tributário, do qual não faz parte a multa aplicada, motivo pelo qual os juros de mora devem ser afastados da multa aplicada sobre o crédito tributário ora em debate conforme entendimento deste E. Conselho de Contribuintes, citando jurisprudência Ao final requer, que sejam afastados os juros de mora calculados com base na taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente Auto, por ser manifestadamente ilegal a sua existência. Diante de todo o exposto, requer seja dado provimento integral ao Recurso Voluntário apresentado, julgandose nula a autuação, ou alternativamente, julguese improcedente o AI, com seu consequente arquivamento nos termos acima pleiteados. Após análise do Recurso Voluntário, o julgamento foi convertido em diligência por esta 1ª Turma Ordinária, por intermédio da Resolução nº 2401000.399, da lavra da Ilustre Relatora Carolina Wanderley Landim (fls. 126.570/126.582), para que: a) o presente processo retorne à unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o contribuinte para que seja realizada diligência in loco na sede da Recorrente, com o objetivo de verificar se as notas fiscais que respaldam os valores retidos alegados pela Recorrente sofreram a devida retenção e, portanto, devem ser computadas como crédito para fins de apuração do crédito tributário; b) os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582 sejam efetivamente analisados, sendo elaborado novo levantamento fiscal que nos possibilite a conclusão dessa análise; c) sejam devidamente identificados os valores lançados como crédito (tratamse de GPS pagas e identificadas pelo Fisco ou de valores objeto de retenção pelos clientes da Recorrente, somatório de ambos, ou, ainda, outros créditos); d) os valores recolhidos pela filial de Brasília (001010), CNPJ nº 58.069.360/001010, sejam apropriados unicamente na apuração da base de cálculo do presente Auto de Infração nº 37.191.0994 (patronal) e seus respectivos apensos 37.191.0986 (segurados); 37.191.1001 (terceiros); e) seja informado se há outros créditos relativos a pagamentos ou retenção ou outros que tenham sido apropriados indevidamente nos Autos de Infração 37.198.6516 (principal/ Fl. 127485DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 6 9 parte patronal), 37.198.6508 (segurados) e 37.198.6524 (terceiros), correspondentes aos valores não declarados em GFIP, tal como ocorreu com os créditos de que trata a alínea ‘d’ acima. Diante do não cumprimento pela fiscalização dos comandos acima mencionados, este Colegiado novamente converte os autos em diligência por intermédio da Resolução nº 2401000.615 – fls. 126.998/127.016, , nos seguintes termos: a) Com base nas planilhas juntadas pelo Contribuinte no curso do processo, analise, cotejandoas com as cópias das Notas Fiscais também juntadas pelo Contribuinte nos presentes autos e, se houver necessidade de confirmação,verifique os originais na sede da empresa, verificando e confirmando os valores totais destacados pela empresa; b) Dessa análise, por competência, verificar qual o montante destacado que deve ser computado como crédito para fins de apuração que implique em eventual retificação; c) No caso de retificação, apresentar a planilha indicando os valores; d) os valores recolhidos pela filial de Brasília (001010),CNPJ nº 58.069.360/001010, sejam apropriados unicamente na apuração da base de cálculo do presente Auto de Infração nº 37.191.0994 (patronal) e seus respectivos apensos 37.191.0986 (segurados); 37.191.1001 (terceiros); e) seja informado se há outros créditos relativos a pagamentos ou retenção ou outros que tenham sido apropriados indevidamente nos Autos de Infração 37.198.6516 (principal/ parte patronal), 37.198.6508 (segurados) e 37.198.6524 (terceiros), correspondentes aos valores não declarados em GFIP, tal como ocorreu com os créditos de que trata a alínea ‘d’ acima.” Devidamente notificados, os Recorrentes apresentaram suas respectivas manifestações, argumentando, em síntese, o descumprimento da determinação do CARF – tendo em vista que o Auditor Fiscal não realizou quaisquer das diligências necessárias e determinadas por este órgão, requerendo a nulidade do procedimento fiscal e seu respectivo Auto de Infração em homenagem ao princípio da impessoalidade, com fulcro no caput do artigo 37 da CF/88 e pelo desrespeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa previsto no artigo 5º, inciso LV da CF/88 já que as provas carreadas aos autos não foram analisadas. Em atendimento à diligência solicitada a fiscalização informa que: Preliminarmente, requer a aplicação da presunção de veracidade em relação aos fatos e informações prestados pela autoridade lançadora e que o Recorrente prove eventual informação/relato não corresponde a realidade, o que não tem ocorrido até o presente momento, em especial em relação à última diligência cumprida pelo auditor fiscal; Fl. 127486DF CARF MF 10 que a fiscalização ao longo desses dez anos vem, sempre que legalmente possível, buscando atender às diligências solicitadas pela DRJ e pelo CARF, procurando provas que deveriam ter sido apresentadas pelo Contribuinte; que a última manifestação do contribuinte foi intempestiva, ferindo assim os regramentos do PAF; existe um CD DO CONTRIBUINTE onde consta vários documentos extraídos da contabilidade e da Folha de Pagamento do contribuinte, que por determinação da área técnica está arquivado com o processo físico, caso seja de interesse do colegiado o acesso a esses documentos, basta requisitálo ao Serviço de Fiscalização da DRF de Campinas; que foram lavrados 15 Autos de Infração, dos quais 3 foram baixados/liquidados na DRF. Esclarece ainda que todos os fatos são comuns e relacionados entre si, pois a base do conjunto probatório é a mesma, preservandose as condições legais para julgamento de cada processo; Reitera, resumindo os fatos, que o presente procedimento se iniciou por requisição do Ministério Público Federal , requisitante e principal destinatário da ação fiscal, aliás membro integrante da Operação Zelotes; Durante o procedimento fiscal foi contatado pelo auditor fiscal todas as denúncias formuladas por diversas fontes o que resultou em prejuízo de milhões ao erário; Em resumo o Contribuinte promoveu ilegalmente em seus registros de Folha e de Contabilidade, uma brutal redução nas bases de cálculos das contribuições previdenciárias, sendo que os fatos e a fundamentação legal dos Autos de obrigações acessórias constam dos próprios e autos e relatórios fiscais dos processos de obrigações principais, a saber: a) empregados sem registros contratados ilegalmente à título de estagiários; b) redução ilegal da base de cálculo das contribuições previdenciárias; c) redução ilegal da base de cálculo das contribuições previdenciárias modelo híbrido; d) redução ilegal da base de cálculo das contribuições previdenciárias modelo easy system; redução ilegal da base de cálculo das contribuições previdenciárias modelo genérico; QUANTO AO REQUISITADO PELO CARF (Página 20 da Resolução) Quesito “a” Que na análise detida dos autos confirmou que não existe sequer uma única Nota Fiscal de Serviços relativa à retenção dos 11%, razão pela qual é impossível realizar o cotejamento determinado pelo Colegiado, lembra que essa obrigação é do sujeito passivo já que ele é o emissor, detentor e responsável pela guarda dos referidos documentos. Ressalta ainda que as milhares de páginas, relatórios de SEFIP/GFIP anexados aos autos ocorreram de forma extemporâneas, em diversas datas de 2009, portanto vários meses após o encerramento da ação fiscal ocorrida em dezembro de 2008. Assim, ante a ausência de Fl. 127487DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 7 11 suporte documental legalmente válido, não tem como atribuir supostos créditos relativos à documentos não apresentados, e sobre os quais sequer se pode afirmar que existiam. Que não há recusa da fiscalização, e sim IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA E LEGAL de cumprir o solicitado por exclusiva responsabilidade do sujeito passivo . Somase ainda que não há elementos nos autos que permitam avaliar com segurança as alegações e relatórios meramente auxiliares produzidos após o encerramento da ação fiscal. Registrese ainda que na última diligência realizada, justamente para resolver esse quesito, o Contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar provas válidas de suas alegações, não se manifestando no prazo concedido e sem apresentar nenhum elemento novo em favor de suas alegações. Quesito "b" Atendimento ao quesito também resta prejudicado diante de todo o exposto no quesito "a", ou seja, a documentação apresenta é insuficiente, pela ausência de elementos probatórios fundamentais (Notas Fiscais de Serviços, com os destaques dos valores retidos e supostamente não recolhidos). Os elementos auxiliares apresentados foram devidamente examinados, mas sem os elementos fundamentais (NFS), não há como realizar o cotejamento requerido. Quesito "c" Com base nos elementos e quesitos examinados anteriormente, não cabe retificação (exceto quanto ao que consta expressamente no quesito "d" adiante. Faltam as Notas Fiscais de Serviços com os destaques dos valores retidos e supostamente não recolhidos; já as GFIP´s e relatórios apresentados extemporaneamente e sem espontaneidade pelo Contribuinte, não bastam legalmente por si próprios. Quesito "d" Apropriação dos recolhimentos da filial 001010 Preliminarmente a fiscalização esclarece que os problemas ocorreram nos registros da Receita Federal, onde não constava a matrícula /inscrição da referida filial, lembrando, entretanto, que a obrigação cadastral é do sujeito passivo. Depois esclarece que a forma de realização de compensação (entre estabelecimentos distintos) constante na Informação Fiscal nº28/07/2011, deveuse ao interesse do serviço (inconsistências entre as bases de cálculo e recolhimentos dessa filial e também para se abater os maiores débitos), bem como devido às especificidades das contribuições previdenciárias, onde a parte relativa a terceiros como o próprio nome diz, referemse a outras entidades e fundos conveniados , não devendo mesclar valores de rubricas diferentes. Entendeu a autoridade lançadora que as distorções e irregularidades encontradas nos recolhimentos e na Folha de Pagamento, bem como o alvitamento da base de cálculo das contribuições previdenciárias não recomendam adotar quaisquer providências em favor do infrator, pois é absolutamente incomum a situação encontrada pelo fiscal autuante Fl. 127488DF CARF MF 12 na documentação do sujeito passivo, isto é, os supostos recolhimentos a maior na filial 001010 não se coadunam com o volume de sonegação constatado pelo Fisco na empresa. Acrescenta que entende que o procedimento originalmente adotado é legal, permitido pela Receita Federal e atende ao interesse público, tendo em vista remanescerem, em decorrência dos Autos lavrados na ação fiscal, elevados valores de débito do sujeito passivo. Todavia, por entender que a determinação da Sra Relatora não é manifestamente ilegal e que os procedimentos de compensação podem gerar interpretações e formas diversas de realização e mesmo entendendo que deveria ser mantida a proposta anteriormente formulada na Informação Fiscal de 28/07/2011, passa a cumprir ao determinado, apresentando as propostas e planilhas constante desta Informação Fiscal, dos valores originais do Processo nº 108.830.012358/200821, a qual fica resumida na forma seguinte: 1 Em relação aos totais originais gerais do processo nº 10830.012358/200821, proposta de alteração de R$ 905.230,54, para R$ 874.551,48, valor apurado conforme sistemática descrita na planilha de fls. 127.039/127.043; 2 Conforme consta na Informação Fiscal, ainda restou um saldo final em favor do Contribuinte de R$358.139,73 ( ressalta que na forma de compensação inicialmente realizada, todo o saldo era liquidado). Por fim, informa que diante do volume de irregularidades constatadas na ação fiscal, entende que nenhum centavo deve ser compensado/restituído ao sujeito passivo enquanto remanescerem débitos contra si, devendo o saldo ser corrigido monetariamente e abatido de seus débitos, na forma das instruções vigentes, mediante análise final dos julgadores. Quesito "e" Com relação especificamente ao solicitado no item "e" informo que, diante do relatado detalhadamente na IF, das propostas de retificação ora efetuadas em substituição às anteriores, na forma determinada pela Srª Relatora, não há outros valores a compensar e/ou restituir, logicamente com exceção do saldo em favor do contribuinte apurado no quesito anterior. Após, cientificada da informação fiscal encimada, a Recorrente apresenta nova manifestação reiterando seus argumentos anteriormente expendidos. Em sessão de julgamento do dia 08/11/2018, o Colegiado solicitou ao advogado da empresa que promoveu a sustentação oral, que trouxesse aos autos as Notas Fiscais de Serviço com os destaques de retenção. Em cumprimento a empresa junta a documentação de fls. 127.115/127.473. É o Relatório. Voto Fl. 127489DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 8 13 Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO a) Recurso de Ofício O Recurso de Ofício foi apresentado, nos termos insculpidos no inciso I, artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no inciso I, § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, já que o valor, na ocasião, era superior ao comandado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Ocorre que, conforme se verifica da análise dos autos, a soma dos valores envolvidos nos três processos: 10830.012358/200821; 10830.012356/200832 e 10830.012357/200887, não alcançam o valor de alçada, razão pela qual NÃO CONHEÇO DO RECURSO, já que ausentes os requisitos de admissibilidade. b) Recurso Voluntário O Recorrente e responsáveis solidários foram cientificados da r. decisão em debate e o Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO a. DO RELATÓRIO FISCAL E ANEXOS Conforme já esclarecido pela instância a quo, a validade do lançamento está relacionada com o preenchimento de formalidades legais, nos termos dos artigos 33 e 37, caput (nas redações vigentes à época) da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 c/c o artigo 243 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999. Exigese, para a validade do ato, que as razões que ensejaram a sua prática sejam externadas aos seus destinatários com razoável nível de detalhamento (motivação), com o que se viabiliza a compreensão quanto aos fundamentos que levaram à sua realização, possibilitandose, ainda, o controle de sua legalidade e legitimidade pelos administrados, pela própria administração pública e pelo Poder Judiciário. O motivo do ato deve ser apresentado pela autoridade administrativa. Essa é a motivação do lançamento fiscal. Impende salientar que o relatório fiscal, correspondente ao Auto de Infração em comento, é suficientemente claro e preciso quanto aos fatos geradores que motivaram o lançamento, que consiste: a) Processo nº 10830.012358/200821 nas contribuições para outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados, decorrente da diferença entre a base de cálculo declarada em GFIP e os efetivos recolhimentos, nas competências 12/2002 a 12/2007; Fl. 127490DF CARF MF 14 b) Processo nº 10830.012356/200832 nas contribuições dos segurados empregados incidentes sobre a folha de pagamento, decorrente da diferença entre a base de cálculo declarada em GFIP e os efetivos recolhimentos, nas competências 12/2003 a 12/2007; c) Processo nº 10830.012357/200887 nas contribuições à cargo da Empresa destinada a Seguridade Social e RAT, incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados, decorrente da diferença entre a base de cálculo declarada em GFIP e os efetivos recolhimentos, nas competências 12/2002 a 12/2007. Nesse diapasão, tendo e vista que o Auto de Infração ora guerreado foi lavrado com estrita observância às determinações legais vigentes, encontrandose revestido das formalidades legais exigidas, justificando de forma clara e objetiva a origem e os motivos da lavratura, descrevendo os documentos utilizados, conforme se verifica do correspondente relatório, verificase, então, que o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa foram regiamente respeitados. Assim, sob qualquer aspecto que se examine o procedimento fiscal, conclui se que está em consonância com a legislação que rege a matéria, razão pela qual mantenho incólume a decisão atacada, nesse particular. b. DOS RECOLHIMENTOS E DA RETIFICAÇÃO DA DESCONSIDERAÇÃO DAS VERBAS RECOLHIDAS PELA FILIAL BRASÍLIA (001010) O anexo RDA – Relatório de Documentos Apresentados, onde se encontram todos os recolhimentos efetuados pela Autuada por competência e pelo correspondente estabelecimento, e o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos, estão as apropriações (aproveitamento/dedução) desses recolhimentos, isto é, em face de todos os lançamentos lavrados. Pelo que a fiscalização, em sede de diligência, esclarece que no RADA consta a apropriação efetuada, sendo que parte foi apropriada no DEBCAD 37.191.0994, parte no 37.191.0986 e parte de terceiros no DEBCAD 37.198.1001. Quando do julgamento pela DRJ, o colegiado acatou a retificação precedente, proposta pela fiscalização e deu provimento parcial ao débito em debate. Porém, quando do cumprimento da última diligência solicitada, por este E. CARF, às fls. 126.998 a 127.016, a fiscalização esclareceu que os problemas decorrentes da desconsideração das verbas recolhidas pela filial Brasília (001010), ocorreram nos registros da Receita Federal, onde não constava a matrícula /inscrição da referida filial, lembrando, entretanto, que a obrigação cadastral é do sujeito passivo. Depois esclareceu que a forma de realização de compensação (entre estabelecimentos distintos) constante na Informação Fiscal nº 28/07/2011, deuse em razão do interesse do serviço (inconsistências entre as bases de cálculo e recolhimentos dessa filial e também para se abater os maiores débitos), bem como devido às especificidades das contribuições previdenciárias, onde a parte relativa a terceiros como o próprio nome diz, referemse a outras entidades e fundos conveniados , não devendo mesclar valores de rubricas diferentes. Todavia, por entender que a determinação da Sra Relatora, naquela solicitação de diligência de fls. 126.998 a 127.016 , não era manifestamente ilegal e que os procedimentos de compensação podem gerar interpretações e formas diversas de realização e mesmo entendendo que deveria ser mantida a proposta anteriormente formulada na Informação Fiscal de 28/07/2011, passou a cumprir ao determinado, apresentando as propostas e planilhas constante daquela Informação Fiscal de fls. 127.024/127.044, apropriando, inclusive, os recolhimentos referentes ao Processo nº 10830.012358/200821, conforme as guias de fls. 184, Fl. 127491DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 9 15 261, 1.374, 1.471 e 1.472 e para o Processo nº 10830.012357/200887, as guias de fls. 184, 261 e 1.374, (todas essas guias estão juntadas no processo principal nº 10830.012357/200887). Dessa forma, em relação aos totais originais gerais do processo nº 10830.012358/200821, proposta de alteração de R$ 905.230,54, para R$ 874.551,48; Já para o processo nº 10830.012356/200832, em relação aos totais originais gerais do processo, apresentou proposta de alteração de R$ 238.075,07 para R$ 1.473,87 E, por fim, para o Processo nº 10830.012357/200887, em relação aos totais originais gerais do processo, apresentou proposta de alteração de R$ 2.086.124,06 para R$ 1.099.044,72. Notese ainda, pelas planilhas colacionadas às fls. 127.039/127.043, que valores referentes aos três processos, foram apurados e compensados conforme sistemática descrita nas mencionadas planilhas, restando um saldo final em favor do Contribuinte de R$358.139,73. Com efeito, considerando as retificações procedidas pela autoridade lançadora e explicitada nas planilhas de fls. 127.024 a 127.044, onde, inclusive, apropriouse dos recolhimentos efetuados conforme as guias de fls. 184, 261, 1.374, 1.471 e 1.472 , constantes do processo principal nº 10830.012357/200887, dou provimento parcial ao recurso voluntário. c. DOS VALORES RETIDOS (GFIP´S) Impende salientar que o que se refere aos valores retidos por seus clientes, em face das notas fiscais emitidas para os mesmos, em decorrência de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, ressaltamos que todos os recolhimentos observados (efetuados pelos tomadores dos serviços sob os códigos 2631 e 2640) foram devidamente apropriados e utilizados. Acrescentese que foi constatada divergência entre os valores declarados e os recolhidos, relativamente às retenções sofridas sobre as notas fiscais/faturas de serviços. Pelo que, inclusive, lavrouse o Auto de Infração nº 37.198.6605, em face da não apresentação dos documentos correspondentes original ou cópia autenticada Diante do exposto, nego provimento nesse particular, mantendo a decisão de piso. d. DO GRUPO ECONÔMICO No caso sub examine, o grupo econômico caracterizado, apesar de não ser dotado de formalização legal, na forma da Lei 6.404/1976, possui empresas interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, conforme Relatório Fiscal e Informações Fiscais constantes dos autos. O que se observa, é que as empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias, conforme previsão contida no inciso IX do art. 30 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991. Fl. 127492DF CARF MF 16 Já a Instrução Normativa – IN SRP nº 3/2005, art. 748, assim define “grupo econômico”, o que é ratificado pela IN RFB nº 971/2009, art. 494, como segue: IN nº 3/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. IN nº 971/2009: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Quanto à tese de inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, impõese destacar que, em sede de processo administrativo, são estranhas as discussões em torno da suposta inconstitucionalidade de lei, ou de ilegalidade de decretos regulamentares e demais atos normativos expedidos pelo Poder Executivo. Isto porque as leis, uma vez aprovadas pelo Poder Legislativo, possuem presunção de constitucionalidade. Esta presunção ocorre, em âmbito do Poder Executivo, porque o Presidente da República, ao não vetála, concordou com a sua constitucionalidade, nos termos do § 1º do artigo 66 da Constituição Federal A autoridade lançadora, como integrante da Administração Pública, deve cumprir a legislação que disciplina a matéria em análise, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, concluise que o alcance e competência do julgamento na esfera administrativa, deve aterse às previsões do Decreto nº 70235/72, art. 26A, na redação da Medida Provisória MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, como segue: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa esteira de entendimento, resta claro a impossibilidade deste julgamento fazer análise da constitucionalidade de leis ou decretos. Inclusive essa matéria, está sumulada no âmbito deste Conselho, a saber: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, mantenho incólume a decisão proferida pela instância a quo. DA INCLUSÃO DOS SÓCIOS NO RELATÓRIO REPLEG Como bem se pronunciou a primeira instância, a inclusão dos sócios no relatório denominado “REPLEG – Relatório de Representantes Legais”, dáse em caráter meramente informativo, não implicando a colocação dessas pessoas físicas no pólo passivo da relação jurídica processual instaurada com a lavratura da presente notificação fiscal de lançamento de débito. Fl. 127493DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 10 17 Dessa forma, reiterase a menção de que as pessoas naturais constantes do relatório “REPLEG”, tem índole meramente informativa, significando apenas que poderão ser acionadas, em eventual ação executiva do crédito ora exigido – mas, aí, nos termos da legislação específica que rege a questão da responsabilidade dos sócios pelas obrigações da pessoa jurídica de cujo capital são detentores. Assim, como tal ação executiva não se confunde com o processo administrativo iniciado com a lavratura deste Auto de Infração, não há incompatibilidade entre a manutenção do CORESP e a alegação da defesa. Vale dizer, podese acatar (como de fato acatamos) a tese de impugnante, de que seus sócios não integram o pólo passivo de relação jurídica meramente administrativa, estabelecida com a autuação, e, ao mesmo tempo, manter o dito relatório nos presentes autos, desde que com a finalidade acima apontada. Corrobora esse entendimento, a Súmula CARF nº 88 "A Relação de Co Responsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Razão pela qual a decisão atacada deve se mantida, nesse particular. DA FISCALIZAÇÃO DO MPT Cumpre esclarecer que a presente autuação não se refere às irregularidades verificadas perante o MPT, razão pela qual a análise das alegações acerca da fiscalização do Ministério do Trabalho encontramse prejudicadas. DOS JUROS MORATÓRIOS Conforme muito bem fundamentado no Acórdão recorrido, os juros moratórios aqui aplicados estão em conformidade com o art. 34 (vigente à época) da Lei nº 8.212/1991, como segue: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Ademais, o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza que a lei ordinária fixe taxa de juros diferentes da prevista na própria lei complementar. É de acrescentar, ainda, que o Código Civil atual, através do art. 406, permite que, na esfera civil, os juros de mora sejam fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de tributos devidos à Fazenda Federal: Fl. 127494DF CARF MF 18 Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados mencionados no acórdão recorrido. Por fim, respalda a aplicação dos referidos juros moratórios a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". De notarse, portanto, que os juros moratórios aplicados, calculados com base na taxa SELIC, se encontram legalmente previstos, não podendo ser afastados, como pretende a Recorrente. e. DO DESCUMPRIMENTO DA DILIGÊNCIA FISCAL Nesse particular, após a análise dos autos, inclusive da documentação juntada pela Recorrente solicitada pelo Colegiado em Tribuna, no curso da sessão de 08/11/2018, o que se observa é que, de fato, a obrigação de juntar aos autos as Notas Fiscais de Serviço, relativamente à retenção de 11% é do Recorrente, nos termos da legislação de regência ( Lei nº 9.711/98), para validação do respectivo crédito. Assim, conforme verificado em uma análise mais detida dos autos, inexiste nos autos possibilidade técnica e legal para a autoridade fiscal cumprir o solicitado nos itens a, b e c, do pedido de diligência de fls. 126.998 a 127.016, formulado por este Colegiado, razão pela qual não vislumbro o alegado cerceamento de defesa e do contraditório alegados pela Recorrente, nem tampouco "descumprimento" da determinação superior. Noutro giro, a possibilidade de juntada de eventuais Notas Fiscais de Serviço com destaque de 11% deferida por este Colegiado, quando da sessão de julgamento de 08/11/2018, pela defesa da Recorrente, objetivou, além de privilegiar a busca pela verdade material, sanar qualquer omissão ou cerceamento de defesa e contraditório em face do Sujeito Passivo. Nessa linha de entendimento, é improcedente o requerimento de anulação do Auto de Infração e o cancelamento do lançamento com fulcro no artigo 142 do CTN. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para NÃO CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam apropriados os recolhimentos efetuados conforme guias de fls. 184, 261 e 1.374. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 127495DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 11 19 Declaração de Voto Conselheiro, Rayd Santana Ferreira Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pela nobre julgadora, quanto a solidariedade passiva, capaz de ensejar o conhecimento do pleito da recorrente, como passaremos a demonstrar. A solidariedade apontada pela fiscalização sustentase no art. 30, inciso IX, da Lei nº. 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Com efeito, e no entender deste relator, não basta que a lei ordinária estenda a relação jurídicotributária a uma terceira pessoa, sendo necessário, sim, que tal pessoa tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação. Noutro giro, a regra matriz de solidariedade tem pressupostos legais próprios, entre os quais se inclui a realização do fato gerador por mais de uma pessoa. Em outras palavras, entendo que o art. 30 acima reproduzido deve ser aplicado aos casos em que lançadas as contribuições previdenciárias e, naquelas situações específicas, verificase a existência de uma ou mais empresas que, ante a constatação fática, formem grupo econômico e, primordialmente, se beneficiem da situação ensejadora do lançamento. Neste sentido, inclusive, o Supremo Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a existência de grupo econômico, por si só, não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional. Colacionase, abaixo, a ementa de duas decisões recentes, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. Fl. 127496DF CARF MF 20 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). [...] (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) ...................................................................................... PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTENTE. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. [...] 4. Correto o entendimento firmado no acórdão recorrido de que, nos termos do art. 124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. [...] (AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 16/12/2013) No mesmo sentido, a Corte Suprema já se manifestou e, cravou, a limitação da responsabilidade tributária solidária, deve se ater às disposições do art. 124, II, combinado com os artigos 128, 134 e 135 do CTN, nos termos da ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente Fl. 127497DF CARF MF Processo nº 10830.012357/200887 Acórdão n.º 2401005.947 S2C4T1 Fl. 12 21 designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que Fl. 127498DF CARF MF 22 aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 562276, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 10022011 EMENT VOL0246102 PP00419 RTJ VOL0022301 PP00527 RDDT n. 187, 2011, p. 186193 RT v. 100, n. 907, 2011, p. 428442) Logo, muito embora o art. 30, inc. IX, da Lei 8.212/1991, preveja a existência de solidariedade entre as empresas que integram o mesmo grupo econômico, interpretase tal dispositivo em conformidade com o art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional, que requer um plus para a efetiva existência de solidariedade, a saber: o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A solidariedade (ou a responsabilidade, conforme o caso) pressupõe a regra matriz de incidência, bem como a regra matriz de solidariedade (ou responsabilidade), cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes e contribuintes solidários). O simples fato de as pessoas jurídicas integrarem o grupo econômico encabeçado pela STEFANINI não significa que elas tenham realizado os fatos geradores. A contrario sensu, muito provavelmente elas estavam e estão totalmente alheias aos fatos jurídicos que ensejaram as contribuições lançadas na presente autuação. Outrossim, a existência de grupo econômico também não permite inferir qualquer presunção de realização em comum do fato imponível, sendo imprescindível, pois, a demonstração, pela autoridade lançadora, da circunstância jurídica prevista no art. 124, inc. I, do Código. Não se pode ignorar o princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas, que inspirou, exemplificativamente, os arts. 1024 e 1052 do Código Civil brasileiro. Em sendo assim, e na medida em que a notificação baseouse apenas no comando do art. 30, inc. IX, da Lei 8212/91, deve ser afastada a responsabilidade das contribuintes solidárias. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração em parcial consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a ilegitimidade passiva das solidárias, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 127499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.008934/2002-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. IRREGULARIDADE. PROC JUD DE OUTRO CNPJ. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ALTERAÇÃO NO SUPORTE FÁTICO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O auto de infração eletrônico lavrado em decorrência da falta comprovação do processo judicial informado na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais - DCTF não pode subsistir quando exsurge dos autos a informação de que o processo judicial já existia por ocasião da entrega da Declaração e era apto à suspensão da exigência.
Numero da decisão: 9303-008.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. IRREGULARIDADE. PROC JUD DE OUTRO CNPJ. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ALTERAÇÃO NO SUPORTE FÁTICO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O auto de infração eletrônico lavrado em decorrência da falta comprovação do processo judicial informado na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais - DCTF não pode subsistir quando exsurge dos autos a informação de que o processo judicial já existia por ocasião da entrega da Declaração e era apto à suspensão da exigência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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IRREGULARIDADE. PROC JUD DE OUTRO CNPJ. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ALTERAÇÃO NO SUPORTE FÁTICO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O auto de infração eletrônico lavrado em decorrência da falta comprovação do processo judicial informado na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF não pode subsistir quando exsurge dos autos a informação de que o processo judicial já existia por ocasião da entrega da Declaração e era apto à suspensão da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 89 34 /2 00 2- 21 Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10166.008934/200221 Acórdão n.º 9303008.201 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 340101440, de 03/06/2011, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento, vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis (relator) e Odassi Gerzoni Filho, que votaram por cancelar apenas a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente justificadamente o conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Observase que apesar de constar a palavra nulidade na ementa, o auto de infração foi cancelado em razão do provimento do recurso voluntário do contribuinte. A razão determinante é que a turma entendeu que não seria possível manter o lançamento com base em outros fundamentos, como fez a DRJ. Outra observação necessária é que ao contrário do que consta na ementa e voto do acórdão recorrido, a acusação fiscal, conforme auto de infração, efls. 66 e segs, não é "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e sim "PROC JUD DE OUTRO CNPJ". Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10166.008934/200221 Acórdão n.º 9303008.201 CSRFT3 Fl. 4 3 Em sua impugnação o contribuinte demonstrou a existência do processo judicial em que discutia a possibilidade de compensação da Cofins com créditos do Finsocial e PIS recolhidos a maior pela empresa. Sua impugnação foi a julgamento e a DRJ/Brasília, efls. 104, declarou a concomitância entre os processos administrativos e judiciais e não conheceu da impugnação. Acórdão CARF, efls. 182 e segs, julgou recurso voluntário apresentado pelo contribuinte e anulou o acórdão da DRJ/Brasília, acima citado, afastou a concomitância e determinou que fosse analisado o mérito da impugnação. A DRJ/Brasília então deteminou a realização de diligência, efl. 191, para que a unidade de origem atestasse a existência dos valores compensados. Relatório de diligência, efls. 197 e segs, afirma que o contribuinte deixou de atender à intimação para apresentação de documentos e, por esta razão, "implica na invalidação das compensações realizadas com base na ação judicial". A DRJ/Brasília julgou a impugnação improcedente, por meio do acórdão nº 0337176, efls 200 e seg, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF LANÇAMENTO COFINS IMPUGNAÇÃO PROVAS. Se na fase impuunatória, bem como em diligência demandada a contribuinte não comprovar às suas alegações de defesa, o lançamento deverá ser mantido, pois, alegar e não provar é mesmo que não alegar. COMPENSAÇÃO Na hipótese de ação de repetição de indébito a compensação somente poderá ser efetuada se a contribuinte comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do titulo judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios referentes ao processo de execução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10166.008934/200221 Acórdão n.º 9303008.201 CSRFT3 Fl. 5 4 Como visto mais acima, o contribuinte obteve êxito em seu recurso voluntário, tendo a turma recorrida determinado o cancelamento do lançamento, o qual não poderia ser mantido por motivos outros que não o constante do auto de infração. A Fazenda Nacional, em seu recurso especial, efls. 680 e segs, sustenta que "o pressuposto fático do auto de infração eletrônico em que surge a expressão 'proc jud não comprov' não é simplesmente a inexistência de processo judicial, mas sim a ausência de créditos; e de que a simplicidade da descrição não implica em cerceamento ao direito de defesa se o contribuinte compreende a autuação em sua inteireza, o que também aconteceu nestes autos". Para comprovar a divergência jurisprudencial apresentou o acórdão nº 203 12427. Não foram apresentadas contrarrazões pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10166.008934/200221 Acórdão n.º 9303008.201 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Inicialmente é de se lembrar que o lançamento foi efetuado e a acusação foi que o processo judicial em que se originavam os créditos pertenciam a outro CNPJ. Em impugnação o contribuinte comprovou que fazia parte das ações judiciais em que se originavam os créditos apropriados em sua DCTF. Como não poderia deixar de ser sua impugnação, apresentada em 05/07/2002, foi bem concisa, uma página e meia, efls. 2/3, porém apresentou vários elementos de prova relativos à existência das ações judiciais. Como visto no relatório, no julgamento da impugnação, a DRJ não a conheceu por entender que havia concomitância entre o presente processo administrativo e os judiciais. Tendo seu acórdão anulado, resolveu baixar o processo em diligência para que a unidade de origem verificasse a existência e suficiência dos créditos informados. A DRF/Brasília em atendimento ao pedido de diligência, remeteu, em 13/01/2010, o termo de intimação fiscal, efl. 194, no qual intima o contribuinte a apresentar uma série de documentos relativos ao seu crédito e seus processos judiciais. Como o contribuinte não atendeu a intimação, concluiuse que ele não fazia jus à compensação pleiteada nos referidos processos judiciais. Por fim a DRJ/Brasília julgou improcedente a impugnação fundada em basicamente dois motivos: a) falta de provas da existência da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação e b) não comprovou a homologação, pelo poder judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de ececução. Concordo com o acórdão recorrido. A acusação era muito simples: o contribuinte não fazia parte das ações judiciais de onde provinham os créditos declarados em Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10166.008934/200221 Acórdão n.º 9303008.201 CSRFT3 Fl. 7 6 DCTF. O contribuinte comprovou em sua impugnação que fazia parte das referidas ações judiciais. O lançamento não questionou quanto à efetividade e o montante dos créditos utilizados e nem se o contribuinte havia desistido da execução dos títulos judiciais. De forma que não era possível ao contribuinte trazer esses elementos em sua impugnação. Sem contar que, definitivamente, o suporte fático do lançamento foi afastado pela impugnação apresentada. Penso não ser cabível, tentar complementar o lançamento exigindo outros elementos em data bem posterior, como foi feito no presente caso em diligência efetuada cerca de oito anos após a lavratura do auto de infração. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 733DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.005072/2003-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/07/2002
REFORMA EM DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO.
A manutenção de auto de infração visando a constituir crédito tributário, decorrente de compensação não foi homologada, ainda sob a égide do artigo 90, da MP 2158/2001, está condicionada à decisão terminativa referente ao processo administrativo de compensação. Tendo em vista que o processo relativo à compensação fora favorável ao contribuinte e, na esteira da diligência realizada para identificação dos saldos devedores, é de se reformar parcialmente o lançamento.
CONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 4.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para créditos federais.
Numero da decisão: 3401-005.930
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para cancelar os valores lançados que foram considerados já quitados mediante compensação nos termos do resultado da diligência e, de ofício, em cancelar os valores relativos à multa de ofício, em função de retroatividade benigna
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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DECORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO. A manutenção de auto de infração visando a constituir crédito tributário, decorrente de compensação não foi homologada, ainda sob a égide do artigo 90, da MP 2158/2001, está condicionada à decisão terminativa referente ao processo administrativo de compensação. Tendo em vista que o processo relativo à compensação fora favorável ao contribuinte e, na esteira da diligência realizada para identificação dos saldos devedores, é de se reformar parcialmente o lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para créditos federais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para cancelar os valores lançados que foram considerados já quitados mediante compensação nos termos do resultado da diligência e, de ofício, em cancelar os valores relativos à multa de ofício, em função de retroatividade benigna (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 50 72 /2 00 3- 69 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 452 2 Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 5a Turma, da DRF CampinasSP, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra Auto de Infração, exarado pela DRF Guarulhos, para a constituição de crédito tributário relativo ao PIS/Pasep cumulativo dos períodos de apuração compreendidos entre março de 2000 e julho de 2002. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lavrou auto de infração decorrente do indeferimento de pedido de ressarcimento e compensação de créditos aos quais haviam sido vinculados, constantes nos PTA nºs. 10875.004090/200323 e 10875.004091/200378. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 17.12.2003 (fl. 97), e apresentou impugnação, em 12.01.2004 (fls. 108 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: 3.2. preliminarmente, as decisões denegatorias da restituição/compensação encontramse com a eficácia suspensa, pois pendentes de recursos administrativos ainda não julgados pelas autoridades competentes. (...) 3.5. acaso assim não se entenda, tendo em vista a interdependência existente entre os processos de restituição e o lançamento ora guerreado, o julgamento da presente impugnação deve aguardar a decisão definitiva a ser proferida nos procedimentos de restituição, razão pela qual requer o sobrestamento deste feito; 3.6. no mérito, o lançamento decorre da não homologação dos pedidos de restituição/compensação. Referidos pedidos fundamentaramse na inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2445/85 e 2449/88, sendo que a LC 7/70 previa que a contribuição do PIS das empresas preponderantemente prestadoras de serviços seria de 5% sobre o imposto de renda devido, possuindo a impugnante o direito à restituição da quantia paga a maior. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 453 3 3.7. por outro lado, o prazo para pedido de restituição do indébito do PIS somente originouse com o Parecer Normativo PGFN 437, de 1998, data a partir da qual os contribuintes passaram a ser credores do Fisco Federal; 3.8 também pode se adotar a contagem do prazo a partir de 10/10/1995, com a publicação da Resolução n° 49 do Senado Federal, momento em que os Decretos leis 2.445/88 e 2.449/88 deixaram de produzir efeitos a todos os contribuintes; 3.9 ademais, conforme doutrina e jurisprudência, inclusive do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; 3.10. é improcedente, também, a cobrança de juros de mora com embasamento na taxa Selic, uma vez que sua natureza é remuneratória de títulos federais, não se podendo misturar conceitos de títulos e tributos, sob o risco de se criar o tributo rentável; 3.11. a aplicação da taxa Selic implica, ainda, aumento de tributo sem lei específica, uma vez que referida taxa não foi criada por lei, mas por resolução do Banco Central do Brasil, o que vulnera o artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, a par de ofender os princípios da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica, de fora à parte infringir o disposto no artigo 193, § 3o, da Constituição Federal; Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio exarado pela 5a Turma, da DRF CampinasSP, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2000 a 31/07/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECORRÊNCIA. A lavratura de auto de infração visando a constituir crédito tributário, cuja compensação não foi homologada, não está sujeita ao prévio exaurimento da via administrativa, do processo relativo ao pretenso direito creditório. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. Procede a cobrança de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Lançamento Procedente Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na sua Impugnação. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 454 4 Da Resolução 3401001.551 Os autos foram encaminhados ao CARF, quando, em 21.08.2012, foi proferida a Resolução 3401001.551, por esse colegiado – com diferente composição, convertendo o julgamento em diligencia, nos seguintes termos: (...) Não há qualquer dúvida que a manutenção da exigência contida no presente auto de infração está na completa dependência do que restar definitivamente decidido na esfera administrativa quanto aos pedidos de compensação desses mesmos débitos, formulados em outros processos administrativos. E, não obstante o atendimento à determinação constante da Resolução nº 20400.034, de 15/06/2005, noticiada acima, creio que o presente processo não está ainda em condições de ser julgado, porquanto encontrome diante de dúvidas pontuais, cuja respostas não logrei encontrar nos autos. A primeira delas envolve o “cancelamento” do processo nº 10875.001228/00092. É que, não obstante eu encontrasse nos autos menção a algo que sugere, de fato, o “cancelamento” do referido processo, haja vista os excertos que destaquei, tanto no voto da DRJ, no Recurso Voluntário e na Resolução, não estou seguro quanto aos seus efeitos, isto é, não sei se houve uma desistência pura e simples da interessada, ou se esse “cancelamento” se deu de ofício e a interessada contra isso ainda se insurge. E essa informação é relevante para o deslinde deste julgamento, porquanto, o referido processo tratou de dar suporte às vinculações feitas pela interessada em sua DCTF quanto aos débitos do PIS/Pasep dos períodos de apuração compreendidos entre março de 2000 e maio de 2001. Ao menos é o que consta expressamente da observação existente nas respectivas DCTF e que estão acostadas às fls. 54/67. Dito de outra forma, dentre os débitos constituídos de oficio por meio do presente lançamento, estão esses débitos de PIS/Pasep dos períodos de apuração de março de 2000 a maio de 2001, os quais, como dito alhures, e assim eu acreditava, estão na completa dependência do que restar decidido no bojo do referido processo nº 10875.001228/0009. Basta ver os documentos de fls. 2/22. Procurando ser mais claro ainda: caso se decida, nesse processo, que o crédito objeto do pedido de restituição existe em montante suficiente para suportar as compensações de débitos a ele atreladas, o lançamento do auto de infração em relação ao PIS/Pasep de março de 2000 a maio de 2001 há de ser cancelado. A outra dúvida, não menos relevante, a ponto, inclusive, também de impedir o julgamento neste momento, é quanto ao montante do crédito que restou efetivamente reconhecido à interessada no bojo do outro processo, de nº 10875.001227/0038. Lembrese aqui que este processo possui relação direta com a outra parte do lançado no auto de infração, isto é, versa sobre a compensação dos débitos do PIS/Pasep dos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2001 e julho de 2002, de sorte que, a exemplo do que dito acima para o outro processo, caso o crédito reconhecido seja suficiente para suportar todas as compensações, também haverá de ser cancelada essa segunda parte do auto de infração. Feitas essas considerações, voto por converter o presente julgamento em nova diligência, desta feita para que a Unidade de origem informe a este Colegiado quais Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 455 5 os reflexos, neste processo, do desfecho definitivo na esfera administrativa, por este entendido aquele que contemple decisão contra a qual não caiba mais nenhum recurso, dos dois processos relacionados às compensações [10875.001227/0038 e 10875.001228/0009]. Dito de outra forma, o que se deseja saber é se o resultado definitivo havido nos dois processos propiciou a homologação total ou parcial das compensações dos débitos neles indicadas, e/ou se os débitos constituídos de oficio no presente processo ainda permanecem em aberto, e em que períodos e montantes, após eventuais homologações dessas compensações. (...) Diante da resolução acima transcrita, os autos aguardaram o desfecho dos PTA’s 10875.001227/0038 e 10875.001228/0009, quando, finalmente, foi proferido Despacho DESPACHO DRF/GUA/SEORT Nº 0085 /2017, nos seguintes termos: Em atendimento à Resolução nº 3401001.551 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 397/401 do Processo 10875.005071/200314); Resolução nº 3401 000.552 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 394/399 do Processo 10875.005072/200369); Resolução nº 110200.094 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (efls. 387/391 do Processo 10875.005073/200311) e Resolução nº 1102 00.095 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (efls. 397/401 do Processo 10875.005075/200301), elaboramos o seguinte relatório PROCESSO DE CRÉDITO Nº 10875.001227/0038 Em cumprimento à decisão da CSRF, o SEORT/DRF/GUA elaborou o Despacho Decisório nº 275/2014 (efls. 902/908), de 22/10/2014, reconhecendo em parte o direito creditório passível de restituição, no valor original de R$ 153.790,68 (atualizado até 31/12/1995), a ser utilizado na compensação dos débitos informados nos Pedidos de Compensação indeferidos e objeto de lançamento de ofício. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade que apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão nº 1461.132 – 11ª Turma da DRJ/RPO (efls. 936/947), julgando Procedente em Parte e decidiu RECONHECER o direito creditório adicional do PIS Faturamento no valor originário de R$ 54.035,30 (base em 31/12/95), e Homologar as compensações em litígio, até o limite do crédito concedido. Após a operacionalização das compensações, a contribuinte foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade através do DESPACHO DRF/GUA/SEORT Nº 0052/2017 (efls. 977) que também demonstrou a existência de Saldo Devedor referente às compensações Não Homologadas pleiteadas no processo de crédito 10875.001227/0038. A ciência do Acórdão nº 1461.132 ocorreu em 27/04/2017 conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (efls. 981) e tendo em vista que não houve a apresentação de Recurso Voluntario, considerase que o processo nº 10875.001227/0038 teve o desfecho definitivo na esfera administrativa. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 456 6 PROCESSO DE CRÉDITO Nº 10875.001228/0009 A contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 078/2002 (efls. 155/157), que Indeferiu o Pedido de Restituição/Compensação de PIS relativo ao processo nº 10875.001228/0009, em 02/09/2002 (conf. AR efls. 165), através da Intimação nº 300/02 (efls. 159/164), que também procedeu a cobrança dos débitos relacionados nos Pedidos de Compensação embasados no pleito ora indeferido. Como não houve a apresentação de Manifestação de Inconformidade, em 25/08/2003 os Pedidos de Compensação foram encaminhados, através do processo 10875.004090/200323, ao SAPAC da DRF/GUA para lançamento de ofício. Em 16/09/2004, foi realizado a Auditoria no processo 10875.001228/0009, nos termos da Ordem de Serviço G/0800/001 de 31/05/00 e SRRF08 s/n, concluindose que o processo se encontra em perfeitas condições de arquivamento (conf. desp. efls. 207). O processo 10875.001228/0009 foi Arquivado, no Arquivo Geral da GRA SP, em 17/09/2004, portanto, considerase concluído definitivamente na esfera administrativa. CONCLUSÃO Estando os processos 10875.001227/0038 e 10875.001228/0009 definitivamente concluídos na esfera administrativa, elaboramos a planilha, anexa, demonstrando os valores compensados por homologação das compensações e os débitos constituídos de ofício que ainda permanecem em aberto. Assim, após o cumprimento da Resolução, os autos retornaram ao CARF e foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; pelo que lhe tomo conhecimento. Da Preliminar de Nulidade da Decisão de Primeira Instância A Recorrente entende pela nulidade da decisão de primeiro grau em virtude de esta não ter suficientemente abordado todos os itens da sua impugnação, afirmando que “a ausência de apreciação, pelo órgão julgador a quo, de todos os argumentos apresentados na fase impugnatória, constitui preterição do direito de defesa e determina a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, a teor do disposto no artigo 59, inciso II do Decreto n° 70.235/1972. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 457 7 Ocorre que a decisão não apreciou o conjunto de argumentos por entender ser desnecessário diante do fato de que a matéria de mérito está sendo abordada nos processos decorrentes do indeferimento dos pedidos de ressarcimento/compensação: Afastadas as preliminares levantadas, no mérito, como assevera a própria impugnante, a questão referese à existência ou não de direito creditório favorável ao contribuinte. Como já tido, tal questão é objeto dos processos 10875.001227/0038 e 10875.001228/0009, pelo que apenas na hipótese de deferimento ou deferimento parcial daqueles processos é que haverá a correspondente repercussão nestes autos. Porém, como ambos os processos de restituição foram indeferidos, configurase integralmente procedente o lançamento efetivado. Não há que se discutir neste processo as questões relativas ao alegado direito creditório, por ser o objeto daqueles processos de restituição. Não há, portanto, cerceamento do direito de defesa, mas tão somente foi exarado um posicionamento de que o tema referente à existência do direito creditório não está a ser discutido no presente processo, sendo ele uma mera decorrência processual daqueles que abordam a compensação. Inexistindo tal vício, devese afastar a preliminar de nulidade da decisão de piso. Do Mérito Diante de todo o abordado no relatório e no destaque da preliminar, está claro que a análise do Recurso Voluntário está inteiramente atrelada ao resultado dos PTA´s 10875.001227/0038 e 10875.001228/0009. Assim, a conclusão emitida através do Despacho nº 85/2017 resta consignada em planilha a qual se transcreve: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 458 8 Como se vê, acolhendose o resultado da diligência, verificase a remanescência de pagamento a menor, de forma que se deve dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nesse particular. Quanto à alegação de inconstitucionalidade e não aplicação da Taxa Selic para a correção do indébito, valhome de citar a Súmula CARF nº 4, de aplicação mandatória por esse Colegiado: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 459 9 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por outro lado, verificase, de ofício, que diante do fato que se trata de um lançamento decorrente da não homologação parcial de compensações realizadas antes da entrada em vigor do artigo 18, da Lei Federal 10.833/2003, que veio deu novo tratamento à multa de ofício decorrente da não compensação. O dispositivo inaugurado pela mencionada Lei assim dispõe: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. Com essa dispensa, tendo em vista que, nos autos das compensações inexiste menção aos eventos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei Federal 4.502/1964, é de se, de ofício, reconhecer a aplicação do artigo 18, acima mencionado, com fulcro na retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, conheço do Recurso, dando provimento parcial para anular os valores lançados que foram considerados já quitados mediante compensação nos termos do resultado da diligência e, de ofício, cancelar os valores relativos à multa de ofício. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10875.005072/200369 Acórdão n.º 3401005.930 S3C4T1 Fl. 460 10 Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.720640/2017-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. NÚMERO DE MESES.
Para comprovar o número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente, faz-se necessária a apresentação de documentos atinentes à ação judicial correspondente.
Numero da decisão: 2002-000.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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RENDIMENTOS ACUMULADOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Recorrente MILTON PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. NÚMERO DE MESES. Para comprovar o número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente, fazse necessária a apresentação de documentos atinentes à ação judicial correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 72 06 40 /2 01 7- 10 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13886.720640/201710 Acórdão n.º 2002000.770 S2C0T2 Fl. 282 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 54/62), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2015. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$4.389,91 para saldo de imposto a pagar de R$18.537,49. A notificação alterou o número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente no montante de R$54.449,95, de noventa e três meses para um, uma vez que, intimado, o contribuinte não apresentou cópia do processo judicial, tampouco a planilha de cálculos correspondente (fl.57). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 27/4/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 18/5/2017, à fl. 2/51 dos autos, na qual o contribuinte alegou que o número de meses declarado estaria correto, como comprovaria a documentação juntada a sua defesa. Afirmou ainda que informou os rendimentos em conformidade com os dados extraídos do processo judicial. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgoua improcedente por deficiência da comprovação apresentada (fls. 76/79). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/12/2017 (fl. 160), o contribuinte, em 24/1/2018 (fl. 85), apresentou recurso voluntário, às fls. 85/159, no qual reitera os termos da impugnação, insistindo que os rendimentos recebidos correspondem a 93 meses. Indica a juntada de documentação comprobatória (fl.87). Resolução Em 26/9/2018, o julgamento foi convertido em diligência por este colegiado, por meio da Resolução nº 2002000.040 (fls. 164/168), nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime o recorrente a apresentar sentenças e decisões proferidas nos autos da ação trabalhista nº 004140007.2008.5.15.0087, peças retiradas dos autos que demonstrem quais os valores efetivamente homologados em favor do recorrente, alvarás de todos os levantamentos expedidos nos autos em seu benefício, ainda que em outros anos calendário, e certidão de objeto e pé da ação mencionada. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13886.720640/201710 Acórdão n.º 2002000.770 S2C0T2 Fl. 283 3 Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que votou contra a realização da diligência. Em atendimento, o recorrente se manifestou às fls.174/175, juntando a documentação de fls. 176/276. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado, o litígio recai sobre o número de meses associado aos rendimentos recebidos acumuladamente pelo recorrente e pagos pela Caixa Econômica Federal (fl.58). O sujeito passivo sustenta que o rendimento abrange o período de noventa e três meses. Na autuação, ficou consignado que o sujeito passivo não apresentara a documentação referente à ação fiscal correspondente. Por seu turno, na análise dos documentos acostados à impugnação, a decisão do colegiado de primeira instância consigna: Para comprovar sua alegação, o contribuinte juntou aos autos os documentos de fls. 19/51, que corresponde à cópia de parte da Reclamatória Trabalhista 00414200808715005, impetrada pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de SP, conforme inicial juntada às fls. 19/38. Às fls. 41/49, constam demonstrativos relacionados ao contribuinte, referente à suplementação devida pela PETROS, com valores atualizados até 01/11/2011. Todavia, além de não ser possível correlacionar o referido processo ao valor declarado como recebido acumuladamente, também não consta o alvará de pagamento, bem como o valor atualizado até a data de pagamento, de forma que não é possível, com a documentação apresentada, chegar a conclusão de que o valor declarado pelo mesmo está correto, que foi pago no ano calendário de 2014 e que se refere a 93 competências. (destaques acrescidos) Do exame dos documentos acostados aos autos, inclusive aqueles decorrentes da diligência realizada, constatase que o recorrente integrou ação em que foram reclamados valores de sua fonte pagadora do período de setembro de 2004 a outubro de 2011, incluindo 13º salário, perfazendo o total de 93 meses (fls. 177/194). Da leitura das decisões proferidas, constatase que pleito dos recorrentes foi acolhido (fls.211/242). Também constatase que o Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13886.720640/201710 Acórdão n.º 2002000.770 S2C0T2 Fl. 284 4 recibo de quitação passado pelo recorrente ao patrono da ação está em consonância com os cálculos da ação judicial (fls.151/152 e 272/276). Ocorre que, como apontado na diligência realizada, no caso de levantamentos de alvarás em diferentes anos, o número de meses deve ser proporcionalizado entre os levantamentos, em função de seus valores. Nesse sentido, a diligência solicitou que o recorrente apresentasse os valores levantados em outros anoscalendário. A sentença de fls. 39/40, datada de 4/3/2015, determinou o levantamento em favor da reclamante dos valores retidos a título de IR. Em atendimento à diligência, o recorrente juntou guia de retirada judicial, datada de 12/3/2015, a qual determinou a "...liberação dos valores retidos a título de imposto de renda aos substituídos em função da aplicação da IN 1127/2011 da RFB". O documento consigna ainda que ficaria "a cargo do patrono dos reclamantes o rateio do valor levantado para os substituídos conforme o crédito líquido de cada um" (fl.270). Não obstante, o recorrente não juntou outros documentos de forma a demonstrar a parcela que teria sido destinada a ele em 2015 em decorrência da referida sentença. Isto posto, por deficiência na instrução probatória, não se mostra possível fazer a proporcionalização do número de meses entre os levantamentos efetuados em 2014 e 2015, conforme disposto do artigo 45, da IN RFB nº 1500, de 2014: Art. 45. Para efeitos de apuração do imposto de que trata o art. 37, no caso de parcelas de RRA pagas: I em meses distintos, a quantidade de meses relativa a cada parcela será obtida pela multiplicação da quantidade de meses total pelo resultado da divisão entre o valor da parcela e a soma dos valores de todas as parcelas, arredondandose com uma casa decimal, se for o caso; II em um mesmo mês: a) ao valor da parcela atual será acrescentado o total dos valores das parcelas anteriores apurandose nova base de cálculo e o respectivo imposto; b) do imposto de que trata a alínea “a” será deduzido o total do imposto retido relativo às parcelas anteriores. Parágrafo único. O arredondamento do algarismo da casa decimal de que trata o inciso I do caput será efetuado levandose em consideração o algarismo relativo à 2ª (segunda) casa decimal, do modo a seguir: I menor que 5 (cinco), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; II maior que 5 (cinco), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e III igual a 5 (cinco), Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13886.720640/201710 Acórdão n.º 2002000.770 S2C0T2 Fl. 285 5 deverá ser analisada a 3ª (terceira) casa decimal, da seguinte maneira: a) quando o algarismo estiver compreendido entre 0 (zero) e 4 (quatro), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e b) quando o algarismo estiver compreendido entre 5 (cinco) e 9 (nove), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal. Dessa feita, cabe manter o número de meses apontado na autuação Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001341/2005-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULAVINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. EQUIVALENTE A PAGAMENTO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.Configurado o lançamento por homologação e realizado recolhimento antecipado do tributo e depósitos judiciais pela Contribuinte, que se equivalem a pagamento, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado pela impossibilidade de equiparação dos depósitos judiciais a pagamento antecipado do tributo para efeitos de aplicação do art. 150, §4º do CTN como termo inicial da contagem do prazo decadencial. Assim, a realização dos depósitos judiciais não equivale a pagamento antecipado do tributo. No entanto, no caso dos autos, o enquadramento no dispositivo em referência deu-se em virtude da existência de pagamento parcial. Por esta razão, a maioria acompanhou a Relatora pelas conclusões do julgado.
Numero da decisão: 9303-007.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULAVINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. EQUIVALENTE A PAGAMENTO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.Configurado o lançamento por homologação e realizado recolhimento antecipado do tributo e depósitos judiciais pela Contribuinte, que se equivalem a pagamento, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado pela impossibilidade de equiparação dos depósitos judiciais a pagamento antecipado do tributo para efeitos de aplicação do art. 150, §4º do CTN como termo inicial da contagem do prazo decadencial. Assim, a realização dos depósitos judiciais não equivale a pagamento antecipado do tributo. No entanto, no caso dos autos, o enquadramento no dispositivo em referência deu-se em virtude da existência de pagamento parcial. Por esta razão, a maioria acompanhou a Relatora pelas conclusões do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULAVINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. EQUIVALENTE A PAGAMENTO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.Configurado o lançamento por homologação e realizado recolhimento antecipado do tributo e depósitos judiciais pela Contribuinte, que se equivalem a pagamento, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operandose em cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado pela impossibilidade de equiparação dos depósitos judiciais a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 41 /2 00 5- 34 Fl. 742DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 743 2 pagamento antecipado do tributo para efeitos de aplicação do art. 150, §4º do CTN como termo inicial da contagem do prazo decadencial. Assim, a realização dos depósitos judiciais não equivale a pagamento antecipado do tributo. No entanto, no caso dos autos, o enquadramento no dispositivo em referência deuse em virtude da existência de pagamento parcial. Por esta razão, a maioria acompanhou a Relatora pelas conclusões do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 340100.519, de 3 de dezembro de 2009 (fls. 478 e 479 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem nos autos de infração de lavrados contra o Contribuinte, em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para Fl. 743DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 744 3 o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor total de R$202.370,20, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 02/1999 a 12/1999; incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/09/2005 e de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS, no valor total de R$43.846,70, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 02/1999 a 12/1999, incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/09/2005. O Contribuinte apresentou impugnação alegando que: na data da ciência dos Autos de Infração em questão (20/10/2005) já havia decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário, no período de fevereiro a dezembro de 1999, tendo em vista o disposto no § 4o do art, 150, do CTN; o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n° 357950, 390840, 358273 e 346084, declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da Lei n° 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para incidência de PIS e Cofins (doe. n° 04 fls. 234/235); a observância da decisão do STF é obrigatória, nos termos do art. 1º do Decreto n° 2.346/97; diante do exposto, requer a extinção do crédito tributário objeto dos autos de infração em questão. A DRJ em Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos em face da decadência constatada pela aplicação do disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, na linha do enunciado da Súmula Vinculante 08 do STF, conforme acórdão assim ementado, in verbis: Fl. 744DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 745 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. No caso, a ciência dos lançamentos ocorreu em 20/10/2005. Recurso Voluntário Provido O Contribuinte apresentou petição às fls. 510 requerendo que fosse desconsiderada a referência feita em sua petição anterior no sentido de que a desistência e renúncia estariam condicionadas à aceitação definitiva do pedido de parcelamento e posterior consolidação dos débitos pela PGFN/RFB, que a desistência do recurso e a renúncia ao direito são feitas de forma expressa irrevogável e não condicionada. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 491 a 500) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à questão da regra aplicável para contagem da decadência quando não houve o pagamento antecipado do tributo. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de nº 910100.460. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma, documento de fls. 501 a 50. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 526, sob o argumento que pelo exame dos acórdãos confrontados, verificouse que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência de entendimento quanto à Fl. 745DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 746 5 questão da regra de contagem do prazo de decadência quando não houve o pagamento antecipado do tributo. Enquanto o Acórdão recorrido aplicou a regra do art. 150, § 4 do CTN para reconhecer a decadência em relação a fatos geradores em relação aos quais não houve pagamento antecipado do tributo; o paradigma colacionado, em situação fática semelhante, aplicou a regra prevista no art. 173,1, do CTN. Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 597 a 609, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário referente ao PIS. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou os cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não Fl. 746DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 747 6 obstante, em virtude da Súmula Vinculante n.º 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei n.º 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp n.º 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Fl. 747DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 748 7 Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a princípio, seria importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. A priori, depreendendose da análise dos autos, recordase que a autuação se refere ao PIS referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 02/1999 a 12/1999 e com notificação em 20/10/2005. Aquele Colegiado entendeu pela decadência daquele período, aplicandose o prazo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Inicialmente vale ressaltar que nos autos revela se tratar somente de cobrança de diferenças de Cofins não recolhida durante o período em que vigia a liminar no processo n. º 99.00139240, ou seja, houve pagamento parcial, conforme fls. 10. Segundo o ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO, fls 17, a empresa vinha declarando em DCTF, os valores que deveriam ser recolhidos com base nas Lei n° 9718/98 em virtude de deter LIMINAR JUDICIAL. Em 21/07/ 2005, o TRF 2 o através do processo n° 2000.02.01.0537140 RJ deu ganho de causa UNIÃO. Face ao exposto, os valores não declarados em DCTF foram lançados nos respectivos autos de infração. E fls 22 constou que: Fl. 748DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 749 8 Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergência entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme demonstrativos em anexo, que passam a fazer parte integrante e indestacável do presente auto de infração A empresa em 10/12/1999 obteve Liminar Judicial para não recolher a contribuição para PIS e COFINS, com base na LEI 9.718/98, a qual foi revogada pelo TRF DA 2R, através do processo 2000.02.01.0537140 RJ. As diferenças tributadas não foram declaradas em DCTF pelo contribuinte Depreendese, portanto, ter a Contribuinte efetuou pagamento parcialmente e ter declarado os valores que entendia como devidos. Quanto a declaração entendo que em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº. 973.733, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por este Colegiado, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que tendo havido a declaração dos valores entendidos como devidos a título de PIS, a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º, do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Em relação à DCTF, conforme preconiza o art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, a mesma é o documento que formaliza a obrigação acessória e comunica à Fazenda Pública a existência de débito, constituindose em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Nestes termos, em caso de insuficiência ou falta de pagamento do débito, a legislação autoriza que seja efetuada a inscrição do mesmo em dívida ativa da União, com os acréscimos moratórios. A Instrução Normativa RFB nº 1599, de 11 de dezembro de 2015, que estabelece as normas disciplinadoras da DCTF, confirma a natureza de confissão de débito da referida declaração ao consignar no §1º, do art. 8º que "os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, [...] poderão ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU)". Fl. 749DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 750 9 Nesse sentido é o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, afirmando que a entrega de DCTF ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei é forma de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência para formalizar o valor declarado. A jurisprudência reiterada do Tribunal Superior conduziu à edição da Súmula nº 436 do Superior Tribunal de Justiça, de 13 de maio de 2010: Súmula 436 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Portanto, inequívoco que a declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Embora não seja a DCTF equiparável ao pagamento, para efeitos da contagem do prazo decadencial, tanto o pagamento quanto a declaração prévia do débito se equivalem, sendo aplicável a regra contida no art. 150, §4º do CTN. Assim, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 20/10/2005, encontramse extintos pela decadência os créditos tributários de COFINS dos períodos de apuração anteriores a outubro de 2000, abrangidos, nos presentes autos, nos termos do art. 150, §4º do CTN, mantendose incólume o acórdão recorrido, ainda que por outro fundamento. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 750DF CARF MF Processo nº 18471.001341/200534 Acórdão n.º 9303007.980 CSRFT3 Fl. 751 10 Fl. 751DF CARF MF
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