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Numero do processo: 10580.722011/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 11 /2 00 8- 80 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 3 2 José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1525.976, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 148), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 327.326,70, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Uma parte destes rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Tais diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Uma segunda parcela dos rendimentos classificados indevidamente pelo contribuinte como isentos ou não tributáveis foram recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.000070074, onde se pretendia a isenção do imposto sobre a integralidade dos proventos de aposentadoria recebidos pelos maiores de 65 anos. A segurança concedida foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região em 16/04/2002, e transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação parcial, contestando apenas a infração relativa à diferença de URV. Foi, alegado, em síntese, que: a) a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 4 3 estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 5 4 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. Efetuado sobrestamento do julgamento deste recurso, consoante Resolução de nº 2101000.066, de 17/04/2012. É o Relatório. Voto Conselheira José Raimundo Tosta Santos, relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O crédito tributário foi constituído sob a acusação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual de rendimentos tributáveis como sendo nãotributáveis. Não foi impugnada pelo contribuinte a parte dos rendimentos classificados indevidamente como isentos, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.000070074, onde pretendeu a isenção do imposto sobre a integralidade dos proventos de aposentadoria recebidos pelos maiores de 65 anos, tendo em vista o trânsito em julgado de decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em seu desfavor. A matéria em litígio neste processo decorre, tãosomente, da discussão acerca da natureza nãotributável dos rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003, a seguir transcritos: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 6 5 Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Inicialmente, cumpre esclarecer que a matéria foi colocada em pauta de julgamento nesta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção do CARF, tendo em vista a transferência deste Relator para compor o Colegiado. Constatei, então, que esta Turma não sobrestava o julgamento dos recursos que tratam da tributação de valores auferidos acumuladamente, a título de “Indenização URV”, por considerar, no mérito, em votação unânime, indevida a exigência tributária em exame. Após analisar os fundamentos para cancelamento da exigência tributária, firmei convencimento do seu acerto, razão pela qual peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102 001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 7 6 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 8 7 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 9 8 estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar a parte do crédito tributário impugnado, de modo que se torna desnecessária a análise das demais questões suscitadas pela defesa. No mesmo diapasão se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), sessão realizada em 17/08/2010, cuja ementa se transcreve: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.722011/200880 Acórdão n.º 2102002.711 S2C1T2 Fl. 10 9 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. BrasíliaDF, 17 de agosto de 2010(Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar a parte do crédito tributário impugnado. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10325.721252/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Ausência momentânea: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Relatório
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Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Ausência momentânea: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .7 21 25 2/ 20 11 -2 8 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.721252/201128 Resolução nº 2302000.270 S2C3T2 Fl. 1.003 2 Relatório O presente processo referese aos Autos de Infração de Obrigação Acessória abaixo listados, lavrados em 12/12/2011 e cientificados pessoalmente ao Presidente da Câmara Municipal de Itinga do Maranhão em 14/12/2011, relativos ao período de 01/2006 a 12/2008: AIOA DEBCAD 51.015.7785, referente ao Código de Fundamento Legal 30, por ter deixado o autuado de preparar as folhas de pagamento nos moldes especificados pela legislação e por não ter incluído nas mesmas, os segurados contribuintes individuais. AIOA DEBCAD 51.015.7807, referente ao Código de Fundamento Legal 35 , porque não foram apresentados os arquivos digitais da contabilidade e das folhas de pagamento, no formato definido pelo MANAD, Instrução Normativa MPS/SRP n.º 121/2006. AIOA DEBCAD 37.364.8553, Código de Fundamento Legal 59, por não ter a autuada procedido ao desconto da contribuição previdenciária das remunerações dos segurados. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para que o Município fosse cientificado das autuações procedidas , uma vez que tinham sido encaminhadas apenas ao Presidente da Câmara Municipal, a qual não possui personalidade jurídica para responder pelos débitos. Assim, o Município na pessoa de seu representante legal foi cientificado dos autos de infração lavrados e lhe foi aberto prazo de defesa. Após a impugnação, Acórdão de fls. 970/979, julgou as autuações procedentes. Inconformado, o autuado apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que os gestores da época dos fatos geradores devem ser intimados, pois os autos de infração referemse aos exercícios financeiros de 2006, 2007 e 2008, de responsabilidade do Sr. Francisco Valbert Ferreira de Queiroz, sendo Prefeito o Sr. Domingos Fernandes dos Reis e Presidente da Câmara a Sra. Ivone Maria Franciscetto; b) que o período fiscalizado está confessado em parcelamento da Lei n.º 11.960, de 29/06/2009; c) que os autos de infração contém várias ilegalidades com ausência de clareza dos dispositivos legais que os sustentam; d) que a fixação do valor da multa não obedeceu a teoria dos motivos determinantes, pois os fatos imputados pela fiscalização não aconteceram. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.721252/201128 Resolução nº 2302000.270 S2C3T2 Fl. 1.004 3 Requer o acolhimento do recurso para cancelar o débito fiscal. É o relatório. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.721252/201128 Resolução nº 2302000.270 S2C3T2 Fl. 1.005 4 Voto DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO Compulsando os autos, verifiquei que não consta dos autos o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, e que o Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls.03/04 e seu respectivo AR fls. 05/06; Termo de Reintimação Fiscal, fls. 07/08 e AR, fls.09/10, Termo de Intimação Fiscal, fls. 15/16, AR, fls. 22/23, foram lavrados em nome de CÂMARA MUNICIPAL DE ITINGA DO MARANHÃO e cientificados à Presidente da Câmara, mas não foram cientificados a quem de direito, ou seja o Prefeito Municipal, que representa o Município. No trâmite do processo administrativo , a Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, converteu o julgamento em diligência, através da Resolução de fls. 427/433, porque a Câmara Municipal sabidamente não possui personalidade jurídica, sendo vinculada e dependente do Município, de forma que deviam ser entregues a este, as cópias dos Autos de Infração e aberto prazo de defesa. A Resolução mencionada, entendeu que havia vício formal na autuação, assim se manifestando: Inicialmente é expeditivo alumiar que o crédito tributário foi constituído no CNPJ 01.621.258/000178, conforme determinação contida na legislação vigente. Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 Art. 11. São também obrigados a se inscrever no CNPJ: I órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento; Isso porque, quando a Auditoria Fiscal Previdenciária se desenvolve nos órgãos da administração pública direta, tais como ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias e tribunais, a emissão do AI – auto de infração deverá ser feita em nome do ente estatal com a identificação do CNPJ do respectivo órgão. Temos assim, que o sujeito passivo da obrigação correspondente foi devidamente identificado. A identificação ou qualificação do sujeito passivo compreende a indicação do seu nome, domicílio, número de registro nos cadastros da pessoa física ou jurídica, mantidos pelas repartições públicas, os quais são qualidades do sujeito passivo da obrigação, de modo que se possa saber de quem se trata. Entretanto, considerando que os citados órgãos não dispõem de personalidade jurídica, deve o representante legal do Município ser cientificado do ato (auto de infração), na figura do Prefeito ou Procurador. Isso porque o ato processual só tem eficácia após a ciência do interessado. A data da ciência, por sua vez, assume Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.721252/201128 Resolução nº 2302000.270 S2C3T2 Fl. 1.006 5 relevância, visto que se consubstancia como marco inicial na contagem de prazos legais administrativos. Isso posto, o presente auto de infração deixou de atender a um fato jurídico que influi positivamente em sua conformação jurídica, in casu, a publicidade, que é um dos elementos do ato administrativo. Publicidade é o fato jurídico que se configura mediante ato comunicacional para informar ao destinatário que a norma individual e concreta foi produzida em conformidade com os pressupostos legais. Nela, constam os dêiticos da autoridade, do motivo do ato, do procedimento e da própria publicidade. Tendo em conta a lição de Paulo de Barros Carvalho, o defeito jurídico porventura ocorrente no ato administrativo comunicacional, cujo propósito é o de dar conhecimento ao contribuinte do lançamento, afetará apenas a eficácia deste e não sua validade (é condição do ato), pelo que não falar em invalidade do lançamento fundada em nulidade, anulabilidade ou ineficácia da notificação do lançamento. 1 Apenas para melhor esclarecer a questão, peço vênia, ao ilustre julgador Raimundo Parente de Albuquerque Júnior, para reproduzir suas idéias e adotálas como fundamentos (Nulidades no lançamento tributário, 2º lugar no Prêmio Schöntag – 2006 promovido pela, à época, Secretaria da Receita Federal, ver www.receita.fazenda.gov.br/publico/ premios/schontag/2006/SegundoLugar.pdf): a) O critério de invalidades do ato de lançamento, que permite distinguir entre nulidade relativa (anulabilidade) e absoluta (nulidade), assentase na distinção entre pressupostos e requisitos do ato. b) São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; ao passo que são seus pressupostos o subjetivo e o procedimental. c) A nulidade relativa tem sede nas violações dos pressupostos, os quais integram o procedimento preparatório do lançamento, enquanto a nulidade absoluta tem sede nas violações dos requisitos, os quais decorrem da norma jurídica tributária. d) A nulidade relativa constitui vício sanável pela preclusão temporal, por isso deve ser invocada na primeira oportunidade que o interessado tiver de falar nos autos, e o ato imperfeito correspondente é, por esse motivo, convalidável; assim, a nulidade absoluta constitui vício insanável, por isso pode ser suscitada de ofício pelo julgador administrativo, e o ato imperfeito correspondente jamais se convalida. (...) f) Vinculamos a nulidade relativa ao vício de forma e a nulidade absoluta ao vício de matéria ou de conteúdo, para daí identificarmos com segurança o vício formal a que alude o inc. II do art. 173 do CTN, o qual autoriza a reabertura do prazo decadencial para a efetivação de um novo lançamento, no caso de o lançamento anterior ter sido anulado por vício formal. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.721252/201128 Resolução nº 2302000.270 S2C3T2 Fl. 1.007 6 g) Algumas das formalidades previstas nos arts. 10 e 11 do PAF, as quais extrapolam a formulação do art. 142 do CTN, estão ligadas ao fenômeno da “irregularidade”, cuja regulação é trazida pelo art. 60 do PAF; são elas: o local, a data e a hora da lavratura. e .[...] a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Do acima exposto, em que pese o vício formal, temse que o mesmo pode ser sanado com a devida ciência ao representante do Município de Itinga, com reabertura de prazo para apresentação da defesa. Todavia, embora concorde com a decisão recorrida quando diz que houve vício formal no lançamento, não comungo com a maneira explicitada para sanar o vício. Entendo que os documentos constantes das fls.03/04,07/08, 15/16 do processo, foram endereçados à Câmara Municipal de Itinga e se encontram assinados por quem não tinha competência para tanto, de forma que não se prestam para sustentar o lançamento em questão. Ou seja, o sujeito passivo Município de Itinga do Maranhão – Câmara Municipal não foi devidamente cientificado de que estava sob procedimento fiscal, não lhe foram solicitados documentos e somente depois de lavrados os débitos é que veio a tomar conhecimento das autuações. Embora o Município tenha apresentado impugnação e recurso aos autos de infração lavrados, não posso deixar de evidenciar a ocorrência do vício formal na identificação do sujeito passivo quando do início da ação fiscal. Desta forma, entendo que primeiramente, os autos devem baixar em diligência para que seja juntado o Mandado de Procedimento Fiscal para que reste evidenciado se o Município de Itinga do Maranhão – Câmara Municipal teve ciência , através de seu representante legal, de que estava sob ação fiscal. Tal medida se mostra fundamental a meu ver, a falta de ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório se constitui em vício insanável. A legislação vigente, Decreto n. 3.969/2001, exige emissão e ciência do MPF para a instauração do procedimento de fiscalização, conforme vemos a seguir. Decreto n. 3.969/2001... Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por servidores habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.721252/201128 Resolução nº 2302000.270 S2C3T2 Fl. 1.008 7 II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração previdenciária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Art. 4 o O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. É de se notar, pela legislação retrocitada, que do MPF será dada ciência ao contribuinte na forma do disposto pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ou seja , por intimação pessoal, via postal, ou por edital, quando se mostrarem, as outras duas formas, improfícuas. Portanto, resta evidente que o Mandado de Procedimento Fiscal somente se perfectibiliza com a ciência do contribuinte e, igualmente, só terão validade os atos fiscais praticados após a sua emissão e devida cientificação. A ausência de MPF válido, quando da formal solicitação de documentos que sustentaramo lançamento de débito, inviabiliza todo o procedimento fiscalizatório. A legislação em vigor exige a precedência de Mandado de Procedimento Fiscal para a prática da ação fiscal e por tudo que foi exposto, não basta a emissão do MPF, mas é exigência legal que do mesmo seja dada ciência ao contribuinte para perfectibilizar o inicio do procedimento fiscal. No caso em questão, o sujeito passivo dos Autos de Infração de Obrigação Principal e Acessória advindos da ação fiscal instaurada pelo MPF é o Município da Itinga do Maranhão Câmara Municipal, que é representado por seu Prefeito ou procurador, nos termos do inciso II, do artigo 12 do Código de Processo Civil: Art. 12. Serão representados em juizo, ativa e passivamente: (...) II o Município, por seu Prefeito ou procurador; .......................................................................................... Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que seja juntado aos autos o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, que sustentou os lançamentos consubstanciados nos autos de infração DEBCAD 51.015.7807 DEBCAD 51.015.7793, DEBCAD 51.015.7785. O contribuinte deve ser cientificado desta Resolução, bem como do resultado da diligência efetuada e lhe deve ser aberto prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15504.018414/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/11/2005
DA DECADÊNCIA
Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF.
No presente caso a Recorrente equivocou-se quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/11/2005 e ela requer exclusão de agosto a outubro de 2003
ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE.
O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento.
No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Relatório de Representantes Legais - REPLEG tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Não atribui responsabilidade solidária ou subsidiária.
Aplicação da Súmula 88 do CARF;
JUROS E MULTAS - EFEITO CONFISCATÓRIO
Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios.
Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de Co-Responsáveis (CORESP), o Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Voluntário Acórdão nº 2301003.296 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MANGABEIRAS ENSINO FUNDAMENTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/11/2005 DA DECADÊNCIA Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. No presente caso a Recorrente equivocouse quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/11/2005 e ela requer exclusão de agosto a outubro de 2003 ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS “Relatório de Representantes Legais REPLEG tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Não atribui responsabilidade solidária ou subsidiária. Aplicação da Súmula 88 do CARF; JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 14 /2 00 8- 57 Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de CoResponsáveis (CORESP), o “Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a “Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018414/200857 Acórdão n.º 2301003.296 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de infringência ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991 c/c o artigo 225, inciso I, § 9°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, por ter deixado a empresa de incluir nas folhas de pagamento, valor pago aos empregados a titulo de alimentação e seguro de vida em grupo, no período de 03/2004 a 11/2005. Várias empresas fazem parte do grupo econômico, e por isto foi emitido Termo de Sujeição passiva para cada um. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 165 a 171 do processo 15504.018415/200800, uma vez que adquiriu do grupo econômico PROMOVE, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Já a Autuada não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último ato constitutivo a 4' alteração contratual datada de 30/05/2005, registrada na JUCEMG em 07/07/2005 sob o n° 3.378.965. Em 17.FEV.2011 alguns dos Recorrentes foram intimados da decisão e em 30.MAR.2011 interpuseram um só recurso, sendo que nos autos consta que muitos dos que figuram no pólo passivo não foram intimados e ou não tem a data certo no AR, estando em branco. Alegam nos Recurso Voluntário aviado: i) decadência; ii) que a SOEBRAS arrendou a marca PROMOVE; iii) exclusão dos representantes legais da relação de co responsáveis; iv) juros e multa – efeitos confiscatório; iv) do trespasse e da imunidade econômica da SOEBRAS. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 É a síntese do necessário. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018414/200857 Acórdão n.º 2301003.296 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Nos autos do processo administrativo não foi localizado data da ciência, pelos últimos Recorrentes, da Decisão Notificação, razão pela qual tenho como o presente Recurso Voluntário foi protocolizado tempestivamente e por isto acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. DA DECADÊNCIA Diz a Recorrente que deverá ser considerado o período que compreende agosto a outubro de 2003, como período decaído, haja vista que o prazo decadencial para que a Administração Pública possa constituir o crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. Assiste razão quanto a Súmula mencionada e equivoca quanto ao período fiscalizado, eis que é de 03/2004 a 11/2005. Sem razão. QUE A SOEBRAS ARRENDOU A MARCA PROMOVE Alega que dos documentos juntados aos autos, em 01/11/2006 a SOEBRAS arrendou o uso da marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro. E, como arrendou a marca, tem direito às benesses de entidade sem finalidade lucrativa. Todavia, sem razão a Recorrente, porque não existe a transferência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social de uma instituição para outra. Em 2008 e 2009 houve intensa discussão acerca da Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS. Em verdade, isto era necessário porque a legislação já era ultrapassada e as entidades vinham aprimorandose, merecendo maiores segurança jurídica, bem como necessitava o Governo de melhor Fiscalizar o setor. Foi por isto que a edição da Medida Provisória 446/2009 fez com que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deixasse de ser responsável pela concessão e renovação do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Em 27 de novembro de 2009 foi sancionada a Lei n. 12.101, que de acordo com ela, a análise e decisão dos requerimentos de concessão e renovação dos certificados das Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 entidades beneficentes de assistência social serãofeitas no âmbito dos Ministérios da Saúde, quanto às entidades da área de saúde, da Educação, quanto às entidades educacionais, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. A entidade que atuar em mais de uma área deverá requerer a certificação e sua renovação no Ministério responsável pela área de atuação preponderante , definida esta como a atividade principal no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda (CNPJ). A Lei 12.101/2009 define os seguintes requisitos estatutários para as entidades que intentam obter a certificação: • É necessário que a entidade seja uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecida como entidade beneficente de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação. Portanto, sua qualificação jurídica e área de atuação devem constar do estatuto. • O estatuto deve informar que, em caso de dissolução ou extinção, a ONG destine o patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; • É importante que o estatuto disponha queseus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não recebem remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; • Da mesma forma, o estatuto deve trazer informações sobre a não distribuição de resultados, dividentos, bonificações, participações ou parcelas de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. • Ademais, deverá haver previsão estatutária informando que a aplicação das rendas da ONG, seus recursos e eventual superávit seráaplicadointegralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da ONG; Portanto, não se faz transferência de certificado como quer a SOEBRAS, e por isto não lhe assiste razão este quesito. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS A pouco tempo atrás pensava este Julgador que, com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” teria tão somente a finalidade de tão somente identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Sendo, somente, os representantes da autuada. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018414/200857 Acórdão n.º 2301003.296 S2C3T1 Fl. 5 7 Todavia, a pratica mostrouse diferente, pois estes representantes legais podem, querendo, comporem o pólo passivo dos autos, devendo ser intimados e aperto prazo para contestação e outros quejandos. Tenho que várias anomalias processuais podem causar a permanência do representante legal no rol de autuados, ainda como representantes. E, de mais a mais, como dito no Recurso ‘...mera inadimplência não implica redirecionar a cobrança para as pessoas físicas dos sócios, uma vez que aquela situação decorre de vários fatores inerentes à atividade econômica, independente da vontade dos sócios das empresas.’ Desta feita, assiste razão as Recorrentes, devendo ser excluídos do pólo passivo da presente processo administrativo todos os sócios delas, apesar de ser meramente informativa a relação existente, conforme sumulou esta corte. ‘In verbis’: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade JUROS E MULTAS – EFEITO CONFISCATÓRIO Diz que Os juros e a multa aplicados têm efeitos confiscatórios, contrariando o artigo 150, IV da Carta Maior. Urge dizer que a multa aplicada na autuação não foi inventada pela Fiscalização que, como servidor público que é, uma de suas obrigações é ter seus atos respaldado em lei, ou seja, o princípio da legalidade, e, neste sentido a multa e os juros aplicados foram determinados pelos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, e 283 — inciso II — alínea "b" e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 1999. Sem razão a Recorrente, neste quesito. DO TRESPASSE As Recorrentes, mas uma vez torna a afirma que a SOEBRAS possui imunidade tributária na conformidade que assumiu todos os compromissos, obrigações e direitos da PROMOVE. Todavia, este quesito já foi espancado juridicamente anteriormente, não merecendo outra análise. Sem razão a Recorrente. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 8 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído da lide administrativa todos os sócios de todas as Recorrentes, conforme requerido, julgando improcedentes as demais questões trazidas ao presente Recurso Voluntário aviado. É o voto. Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator (assinado digitalmente) . Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903610/2009-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de Campinas, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida para compensar débitos de COFINS, com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 10 /2 00 9- 78 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 crédito proveniente do recolhimento indevido do mesmo tributo, referente ao período de 31/12/2003, arrecadado em 31/12/2003, conforme DARF indicado pelo contribuinte no valor de R$ 125,442,08. À fl. 34 está anexo o despacho decisório, que indeferiu a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou sintética manifestação de inconformidade às fls. 03/05, argumentando basicamente que possui direito a compensação em razão do recolhimento a maior da Cofins. Às fls. 46/49 sobreveio o acórdão n.º 0536.219 9° Turma da DRJ de Campinas, que indeferiu o pedido sobre o pressuposto de que o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório. Além do que, a Lei n.10.637/2002 apregoa que a compensação é realizada pelo sujeito passivo através da entrega da Dcomp, que por sua vez extingue o débito em condição resolutória. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário às fls. 80/98 alegando que o DARF indicado no PER/DCOMP é suficiente para extinguir o seu débito. Afirma que a origem do indébito que fundamenta o seu direito creditório decorre 4 (quatro) razões: a) alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins em razão do extravazamento do conceito de receita; b) exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins em decorrência do regime de substituição tributária; c) exclusão da base de cálculo das contribuições sobre operações com combustível em virtude da incidência monofásica; d) exclusão do ICMS e ISS da base de cálculo das contribuições. Em relação ao alargamento da base cálculo, fez considerações de que o faturamento é decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços e não da totalidade da receita das pessoas jurídicas. Além do que, a instituição de contribuição sobre a receita somente poderia ser feita por meio de lei complementar, por força do art. 195, § 4° da CF, logo a Lei n. 9.718/98 não possui validade. Esclarece que após a promulgação da Lei n. 9.718/98 até a edição da Lei n. 10.637/2002 recolheu indevidamente o PIS sobre outras receitas que não as que integravam o conceito de faturamento. Já no tocante ao direito ao crédito das contribuições relacionado as operações com combustíveis em razão da substituição tributária, o contribuinte afirma que não abastecia seus caminhões em postos de combustíveis e que mantinha bomba de combustível própria. Deste modo, adquiria combustível diretamente das distribuidoras de petróleo. Logo, teria ocorrido recolhimento indevido do tributo em regime de substituição tributária, nos termos da IN n.º 006/1999, já que não houve o fato imponível “presumido” referente à operação do posto de combustível, que neste caso foi eliminado da cadeia. O contribuinte comentou ainda que até julho de 2000 a Cofins e o PIS incidiam sob a sistemática da substituição tributária e posteriormente sofrendo a incidência monofásica. Argumenta que quando presta serviço de transporte está sujeito a incidência da Cofins e do PIS, mas que tal receita configura hipótese de incidência do ICMS e do ISS, dependendo do fato imponível praticado. Assim, defende que não é todo ingresso na contabilidade que deve ser compreendida como receita, mas somente valores que integram o Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903610/200978 Acórdão n.º 3803004.666 S3TE03 Fl. 102 3 patrimônio da empresa. Neste caso, afirma que o direito creditório decorre da exclusão do ISS e do ICMS da base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou resumidamente possuir direito a compensação em razão do DARF indicado em PER/DCOMP. Entretanto, não trouxe qualquer outro argumento no sentido de justificar a origem do direito creditório. Já em seu recurso voluntário, inova em sua defesa na medida em que apresentou argumentos novos, antes não trazidos na manifestação de inconformidade. Deste modo, os contornos da lide foram construídos a partir da linha de defesa formulada pelo contribuinte na manifestação de inconformidade, logo a decisão de primeira instância se limitou a discorrer apenas a respeito da ausência de prova do direito alegado, conforme os elementos existentes da exordial. Com efeito, os julgadores de primeiro grau não foram instados a se manifestarem a respeito do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, nem mesmo sobre a exclusão da base de cálculo das contribuições sobre operações com combustível em virtude da incidência monofásica e muito menos a respeito dos demais argumentos elencados no recurso. Consequentemente, não há que se falar em constituição de lide no tocante a matéria de defesa não trazida na manifestação de inconformidade, mas que veio aos autos somente no recurso voluntário em razão da preclusão. A preclusão encontra fundamento no art. 303 do CPC: Art.303. Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo Além do que, o Decreto n.º 70235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Em relação à preclusão, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903610/200978 Acórdão n.º 3803004.666 S3TE03 Fl. 103 5 desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do recurso voluntário há necessidade de que exista coerência entre a manifestação de inconformidade e o recurso apresentado, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado conforme os contornos estabelecidos pela manifestação de inconformidade. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alegou defesa que não constam na manifestação de inconformidade, por certo que se opera a inovação da defesa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, caso contrário, implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade, principalmente porque ao julgador de piso não foi dada a possibilidade de enfrentar as questões agora trazidas no recurso. Além do que, como já dito, a falta de adequação entre o recurso e a manifestação de inconformidade configura necessariamente ausência de lide em relação à matéria agora impugnada apenas em segundo grau. Vale lembrar ainda que se a intenção do contribuinte era demonstrar que o débito confessado inexiste, então deveria ter apresentado prova do seu direito com a finalidade de reduzir ou extinguir a dívida por meio de documentos contábeis, visto que sobre o sujeito passivo recai o ônus probatório, nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. O que é inadmissível é a alegação fazia de que a origem do crédito decorre de receitas tributadas indevidamente, sem demonstrar a sua origem. Neste aspecto, o contribuinte deveria ter elaborado planilhas contendo os valores recolhidos indevidamente, bem como ter apontado no Livro Razão e no Livro Diário o motivo do recolhimento indevido. Ante o exposto, não conheço do recurso em face da ocorrência de inovação dos argumentos de defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 22 de outubro 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13710.001170/2001-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/05/2001, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de outubro de 1995 a fevereiro 1996.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/05/2001, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de outubro de 1995 a fevereiro 1996. Recurso Extraordinário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/05/2001, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de outubro de 1995 a fevereiro 1996. Recurso Extraordinário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 11 70 /2 00 1- 36 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0202.910, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 14/05/2001, restituição/compensação de valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre outubro de 1995 e fevereiro 1996. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação, em 09/10/1995, da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.001170/200136 Acórdão n.º 9900000.756 CSRFPL Fl. 287 3 com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. Em despacho de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre outubro de 1995 e fevereiro 1996, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 14/05/2001, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 289DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.001170/200136 Acórdão n.º 9900000.756 CSRFPL Fl. 288 5 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido, protocolado em 14/05/2001, de restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS, os quais são relativos ao período de apuração de outubro de 1995 a fevereiro 1996. Nanci Gama Fl. 291DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13603.000920/2003-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DECADÊNCIA – TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – RETENÇÃO NA FONTE. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, havendo retenção na fonte, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.251
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Extraordinário.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, havendo retenção na fonte, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Extraordinário. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), SUSY GOMES HOFFMAN, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, NANCI GAMA, MARCELO OLIVEIRA, KAREM JUREIDINI DIAS, JULIO CESAR ALVES RAMOS, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, JOSE RICARDO DA SILVA, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 2 2 OLIVEIRA, VALMAR FONSECA DE MENEZES, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ELIAS SAMPAIO FREIRE, VALMIR SANDRI, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RODRIGO DA COSTA POSSAS, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, PEDRO ANAN JUNIOR. Relatório Versam os presentes autos sobre lançamento de ofício efetuado pela SRF em 23/04/2003, visando constituir créditos tributários de IRPF apenas no que tange aos valores omitidos da SRF apurados em depósitos bancários não oferecidos à tributação durante o ano calendário de 1997. O contribuinte ao apresentar manifestação de inconformidade alegou a decadência do crédito tributário autuado, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, uma vez que, conforme atestado pela própria fiscalização, ele procedeu à declaração e ao pagamento antecipado do IRPF, só que a menor do que o apurado pela autoridade fiscal. Ao analisar a questão, a DRJ entendeu que o valor apurado e declarado pelo contribuinte a título de IRPF estava sujeito à contagem do prazo decadencial pela regra especial do § 4º do artigo 150 do CTN. Todavia, em relação aos valores omitidos a DRJ entendeu que houve lançamento de ofício e que, portanto, este crédito ora constituído se sujeita à contagem do prazo decadencial previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, considerando como dies a quo para a contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte ao da declaração, ou seja, 01/01/1999, encerrandose em 01/01/2004. Todavia, este E. Conselho Administrativo ao apreciar a matéria, tanto em grau de Recurso Voluntário quanto em grau de Recurso Especial, entendeu que o contribuinte procedeu à constituição do crédito tributário, mediante entrega de declaração, bem como efetuou o pagamento antecipado, tanto que tinha valor a ser restituído a título de IRPF. Assim, em que pese a fiscalização discordar dos valores declarados e recolhidos pelo contribuinte considerou que, de acordo com a natureza do tributo, qual seja, sujeito a lançamento por homologação, deveria ser aplicada a regra especial prevista no § 4º do artigo 150 do CTN, cancelando todo o crédito tributário. Nesse sentido, imperioso se faz transcrever a ementa do acórdão ora recorrido, conforme a seguir transcrito: "DECADÊNCIA — Sujeitando o rendimento das pessoas físicas à incidência na declaração de ajuste anual é independente de Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 3 3 exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Recurso especial negado". Em 2007 a Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário a esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 9º do Regimento Interno desta E. Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147 de 25/06/2007, oportunidade em que alegou que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, representado pelo acórdão nº CSRF/0103.103, uma vez que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário quando não houver o pagamento antecipado do tributo é o do artigo 173, inciso I e não o do § 4º do artigo 150 do CTN, conforme trecho do Recurso Extraordinário e da ementa do citado acórdão paradigma a seguir transcrita: A respeito do prazo para o lançamento do Imposto de Renda, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e está representado no acórdão paradigma emanado da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa está abaixo transcrita (cópia anexa): Acórdão CSRF/0103.103 IRPJ — LANÇAMENTO EX OFFICIO — PRAZO DECADENCIAL — Tratandose de lançamento de oficio, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido". É o relatório. Voto Em diversas oportunidades manifestei meu entendimento no sentido de que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por sua natureza, são passíveis de lançamento no prazo previsto no artigo 150 §4º do CTN, ou seja, o dies a quo do prazo quinquenal para constituição desses tributos é o fato gerador, independentemente de ter ou não havido pagamento. Assim ementava minhas decisões: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 4 4 IRPJ Ex(s): 1999 IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.373 em 18.10.2007 Publicado no DOU em: 09.09.2008) Com as alterações recentes no Regimento Interno do CARF, foi incluído o mandamento do Art. 62 –A: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A partir de então, para os casos que se enquadram nos ditames da regra acima, o Julgador deste Conselho não mais desenvolve plenamente sua atividade de julgar, pois esta foi substituída pela atividade de reproduzir. O órgão de julgamento administrativo se torna, com a entrada em vigor do novo regimento, seguidor fiel do posicionamento dos tribunais máximos do país. Nada mais fácil, basta copiar e colar. Errado, nada mais difícil, pois estamos diante de matéria tributária, o que envolve um número inimaginável de situações empíricas, levando a uma complexidade infinita na aplicação dos ditames, inclusive quando devemos meramente reproduzir decisões. Esse milagre da multiplicação das possibilidades causado pelo emaranhado de situações concretas faz surgir alguns questionamentos no momento de ‘reproduzir” os julgados, causando inúmeros debates e dúvidas sobre a aplicação do Regimento Interno, principalmente em relação à extensão da ordem “reproduza”. Nos debates, os visitantes mais frequentes são: A atividade de reprodução permite interpretação do julgado reproduzido? Devemos reproduzir a qualquer custo? É possível a adequação do julgado reproduzido ao caso concreto em julgamento neste Conselho? O que fazer com as diferenças entre o caso que serviu de direcionamento para a decisão a ser “reproduzida” e o caso em julgamento neste Conselho, se nossa atividade é de reprodução? O problema acima aparece claro quando aplicamos a decisão proferida pelo STJ ao julgar o mérito do RESP nº 973.733SC aos casos concretos que se apresentam perante este E. Conselho Administrativo Fiscal. Explico exemplificando, nos casos que se apresentam perante este E. Conselho temos hipóteses em que o contribuinte apura o valor do IRPJ e ao Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 5 5 invés de efetuar o recolhimento antecipado em espécie, efetua a compensação do tributo apurado como devido com crédito que possui contra o Fisco. Ainda, hipóteses em que terceiros incumbidos pela lei que instituiu o tributo efetuam a retenção do valor do tributo devido pelo contribuinte originário e posteriormente procedem ao seu repasse em favor dos cofres públicos. Temos ainda situações em que o contribuinte simplesmente não possui tributo a pagar, pois não apurou renda ao longo do ano, mas prejuízo, ou seja, o fato gerador do IR sequer ocorreu. Assim, abandonamos a atividade de buscarmos a melhor aplicação do sistema jurídico ao caso em julgamento e iniciamos a tarefa de melhor aplicarmos a decisão do STJ ou do STF, os quais, presumese, já se ocuparam com a aplicação do direito ao caso “modelo” (representativo de controvérsia). Para iniciarmos a busca por nossas respostas, vale passarmos primeiro pela letra do artigo 543C do Código de Processo Civil, pois é sobre a aplicação dele que estamos tratando no recurso ora em julgamento: "Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. § 1º Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. § 2º Não adotada a providência descrita no § 1º deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. § 3º O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. § 4º O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. § 5° Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4º deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. § 6º Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 6 6 § 7º Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. § 8º Na hipótese prevista no inciso II do § 7º deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. § 9º O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo." A aplicação sistemática desta norma em conjunto com o Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais cria a figura da jurisprudência normativa na esfera dos tribunais administrativos, se aproximando, no que diz respeito ao papel da jurisprudência no mundo do direito, da corrente unitarista. Vicente Greco Filho melhor explica a questão: “É possível dividir as concepções sobre o papel da jurisprudência na vida do direito em duas grandes correntes: A) a dos que a entendem como fonte criadora de normas; b) a dos que entendem que a função jurisdicional se limita a reconhecer e a declarar a vontade concreta da lei. A primeira, que encontra seus fundamentos na teoria filosóficojuridica de Hans Kelsen, no processo se reflete como a teoria unitarista na relação entre direito e processo, e a segunda, como a posição dualista, como afirma Gustav Radbrush. Os atos jurídicos e as sentenças realizam o direito mas não influem em sua existência lógica, podendo influir em sua compreensão histórico cultural. Pois bem, se estamos diante de Jurisprudência Normativa, ou seja, a decisão do recurso representativo de controvérsia deve ser aplicada, independentemente da interpretação que este Tribunal dá à Lei, estamos diante de uma norma. A decisão “modelo” (representativa de controvérsia) perde sua característica de norma individual e concreta e veste a fantasia de norma geral e concreta, serve para todos e deve ser aplicada segundo o seu conteúdo. Chegamos então à primeira premissa necessária para alcançarmos a conclusão que necessitamos para respondermos as perguntas feitas acima: (a) O acórdão representativo de controvérsia que deve ser “reproduzido” é uma norma e tem sua força. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 7 7 Desta premissa advém novo questionamento: Norma deve ser reproduzida quando se faz o ofício de aplicála? Entendo que não, norma foi criada para ser aplicada através da interpretação e não por meio de reprodução, mesmo que tenhamos o limite de sua letra. Aceita a mera reprodução estaríamos diante de latrocínio da hermenêutica, pois não só roubaríamos dela sua função como acabaríamos com sua existência. Aceitar a reprodução da norma oriunda do julgamento do recurso representativo de controvérsia é tirar a semelhança entre os casos e transformálos em iguais. Cada caso, mesmo que semelhante a outro, abarca peculiaridades, tem sua própria história e existência, se parecem muito, mas não são iguais. Lembram os seres humanos, semelhantes, mas diferentes. Esta alquimia da transformação da semelhança em igualdade, como querem aqueles que insistem em meramente reproduzir a decisão modelo, impede a aplicação do direito e desvirtua o real conteúdo da norma trazida pelo artigo 62A do Regimento. A possibilidade de interpretação das normas evita as decisões monstruosas, as injustiças patentes e o congelamento do Direito face à evolução social. Do exposto temos nossa outra premissa : (b) As normas devem ser interpretadas e não meramente reproduzidas. Encarando essas duas premissas, (a) O acórdão representativo de controvérsia que deve ser “reproduzido” é uma norma e tem a sua força e (b) As normas devem ser interpretadas e não meramente reproduzidas, chego à conclusão que permite responder com tranquilidade todas as questões que atormentam este julgador ao aplicar o comando “reproduzir” trazido no texto do artigo 62A do Regimento Interno, qual seja: a ordem “reproduza” encerra uma determinação maior, “reproduza interpretando”. O termo “reproduzidos” deve ser recebido de maneira a permitir a interpretação e adequação ao caso concreto. Assim interpreto o Regimento. Armados com essa conclusão, passemos a analisar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733, o qual tratou de decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário, ao caso ora sob análise. O Acórdão assim ficou ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 8 8 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Negritamos. Quando focamos nossos olhos nos olhos da ementa acima, surgem algumas celeumas que precisam ser apuradas antes de “reproduzirmos” a decisão. A definição “pagamento” deve ser interpretada restritivamente ou comporta seu alargamento para alcançar Compensação e Retenção na Fonte? No caso de IR a necessidade de pagamento pode ser afastada quando há prejuízo fiscal e nada há o que se pagar? A frase contida na ementa “inexistindo declaração prévia do débito” significa que se houver declaração não é preciso o pagamento? A afirmação “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível modificando o prazo do artigo 173, I, do CTN? Como dito adrede, é importante encararmos o fato de que em matéria tributária a quantidade de possíveis situações fáticas faz com que a compreensão humana seja colocada em xeque, tanto pelo número de tributos e seus diferentes regimes jurídicos existentes, quanto pela complexidade destes. As questões citadas acima não exaurem o rol de possíveis conflitos que o recurso representativo de controvérsia pode trazer, mas uma vez adotada uma posição em relação às mesmas, a partir de então, mais tranquila fica a caminhada. Assim, importante iniciarmos nosso trabalho de interpretação nos atentando para o fato de que o tributo objeto do recurso que representou a controvérsia era Contribuição Previdenciária, enquanto o nosso processo trata de Imposto sobre a Renda. As diferenças entre eles não podem ser esquecidas daqui para frente. Para tanto, necessário se faz rememorarmos o caso ora em análise: Tratam os autos de lançamento de ofício efetuado pela SRF em 23/04/2003, visando constituir créditos tributários de IRPF apenas no que tange aos valores omitidos da SRF apurados em depósitos bancários não oferecidos à tributação durante o ano calendário de 1997. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 9 9 Em suma, no caso em análise temos que: i) cuida de tributo sujeito a lançamento por homologação; ii) houve declaração em DIRPF pelo contribuinte, oportunidade em que informou que o IR devido já tinha sido recolhido na fonte pelo banco; iii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do IR restou adimplida por terceiro em razão da retenção e recolhimento do tributo efetuado por terceiro; iv) a data do fato gerador ocorreu em 31/12/1997; v) a ciência do contribuinte sobre a lavratura do auto de infração ocorreu em 23/04/2003. Agora sim, após relembrarmos o caso concreto passemos à interpretação e aplicação do julgado do STJ ao presente caso. Passemos inicialmente à análise da necessidade de declaração e pagamento. Questão que vem atormentando o aplicador do direito é a opção feita pelo relator do Recurso nº 973.733, representativo de controvérsia, de inserir na ementa a frase “inexistindo declaração prévia do débito”. Vejamos in loco: (...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” (negritamos) A interpretação literal do texto nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste a declaração prévia do débito. Portanto encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, Par. 4º : 1) Não haver o pagamento e 2) Não haver declaração prévia. Assim, mesmo não existindo o pagamento a declaração prévia do débito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Para aqueles que entendem que o comando “reproduzir” inserido no artigo 62A do Regimento Interno não autoriza “interpretar”, outro caminho não há que não seja adotar esta conclusão. Porém, como fico entre os que não reproduzem o recurso repetitivo a qualquer custo, me atenho a tentar entender a opção do Relator ao redigir a ementa. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 10 10 Ao analisarmos o conteúdo do voto proferido pelo douto relator, não vislumbramos em momento algum o enfrentamento da questão relacionada à necessidade de declaração. Muito pelo contrário, em toda sua fundamentação o relator discorre sobre a necessidade de pagamento antecipado para que se possa aplicar a regra decadencial inserta no artigo 150, § 4º do CTN. É certo que, quando tal recurso foi admitido como o representativo da controvérsia, o Ministro Luiz Fux, em decisão proferida em 18/09/2009, vislumbrou a análise do caso sob o prisma da inexistência do pagamento antecipado e da inexistência declaração, vejamos o trecho abaixo transcrito: “O presente recurso especial versa a questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (discussão acerca da possibilidade de aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN). (...)” (grifos acrescidos) Contudo, no voto exarado não há qualquer menção quanto à influência da declaração da ocorrência do fato gerador no cômputo do prazo decadencial. No mesmo sentido, se observarmos os demais julgados proferidos pelo STJ acerca do tema e que são citados no voto do recurso repetitivo, novamente nada encontramos acerca da obrigatoriedade de se informar o Fisco sobre a ocorrência do fato gerador e do montante do pagamento efetuado a título de adimplemento do tributo. Pelo contrário, todo o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça é uníssono no sentido de que, para se aplicar a regra especial da contagem do prazo decadencial prevista no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN fazse necessário somente o pagamento antecipado do tributo, nos casos em que a lei assim o preveja. Tal entendimento decorre da interpretação de que a homologação mencionada no referido artigo é do pagamento antecipado e não da declaração, que é dever instrumental. Assim, discorrer durante todo o voto que o pagamento é requisito indispensável para a aplicação da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador e, após, concluir, ao redigir a ementa, que basta a declaração do tributo devido desacompanhada do pagamento, é negar todo o conteúdo do acórdão exarado!! O contrassenso é ainda maior quando nos atemos aos exatos termos dos § 1º e §4º do artigo 150 do CTN. Isto porque, o § 1º deixa expresso que “o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”. Ou seja, a antecipação do recolhimento é que extingue o crédito tributário, sendo Fl. 648DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 11 11 reservado ao Fisco o direito de conferir o lançamento realizado pelo contribuinte para homologálo ou não. Por seu turno, o § 4º dispõe textualmente que, decorrido o prazo de 05 anos “considerase homologado o lançamento” de forma tácita. Ora, não há que se falar em homologação da declaração apta a ensejar a extinção do crédito tributário sem que haja pagamento. Assim, concluo que a declaração desacompanhada do pagamento antecipado não tem o condão de extinguir o crédito tributário. Trilhemos agora o rastro do acórdão representativo de controvérsia no que diz respeito à existência de recolhimento de Imposto Retido na Fonte, esclarecendo que tratamos aqui da retenção e recolhimento efetuado por terceiro e não da retenção e recolhimento de terceiro efetuado pelo contribuinte. Não tenho dúvida que o senso comum entende o recolhimento do Imposto Retido como um pagamento, pois assim o é. A celeuma nasce quando encaramos o fato de que o contribuinte absolutamente nada realizou para contribuir para tal retenção e o recolhimento é atividade exclusiva do terceiro obrigado a reter; outrossim, pode ter havido ou não a declaração do contribuinte e/ou do terceiro em relação à retenção que o primeiro sofreu, o que apimenta a questão, pois sem informação ao Fisco este não teria como tomar conhecimento da atividade para poder homologála. Analisando a decisão que representa a controvérsia, percebemos que a mesma não tratou do assunto em nenhum momento. Diferentemente da extinção por compensação, que como explicado acima tem o mesmo regime do pagamento, os casos de retenção possuem tantas especificidades que torna tarefa árdua tentar encaixálos no campo de incidência do recurso representativo de controvérsia aqui dissecado. Não encontro, do começo ao fim do acórdão, nada sobre o recolhimento ser feito por terceiro retentor do tributo, nada sobre a ausência de atividade do contribuinte no momento da retenção e/ou recolhimento, nada sobre ter havido ou não a declaração dessa retenção e nada sobre quem reteve ter ou não efetivamente recolhido aos cofres públicos. Desta feita, outra conclusão não posso chegar que não seja a de que o Recurso que representa a controvérsia não tratou dos casos em que há retenção na fonte e portanto não obriga o Julgador Administrativo a reproduzilo quando está diante de tal situação fática. Havendo retenção na fonte, cabe ao Conselheiro aplicar sua convicção e decidir sem cabrestos. Porém, não podemos abandonar a idéia de que temos uma lógica criada pela decisão modelo em relação à interpretação do sistema no que diz respeito à decadência, o que nos impede de raciocinarmos em conflito com as orientações dadas pela norma geral e concreta emanada pelo STJ. Se ela aqui não nos obriga, sem dúvida nos orienta. Passemos à análise. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 12 12 A retenção de tributos ocorre quando a lei, para facilitar a arrecadação e a fiscalização, atribui a terceiro vinculado ao fato gerador a responsabilidade (deverobrigação) de reter do contribuinte e recolher aos cofres públicos os tributos por este devidos. Em resumo, o procedimento de retenção compreende 04 (quatro) atos distintos, sendo eles: (i) a retenção em si, destacada nos documentos fiscais e que implica no recebimento pelo contribuinte de valor já deduzido; (ii) o recolhimento do tributo retido a ser efetuado pelo responsável legal; (iii) a declaração ao Fisco dos tributos retidos efetuada pelo responsável e (iv) a declaração ao Fisco prestada pelo contribuinte demonstrando que sofreu a retenção. Preliminarmente, para que analisemos a decadência sob o prisma da retenção é imperioso que, realmente, haja a retenção. Isto é, que do valor bruto a ser pago ao contribuinte sejam deduzidos os tributos incidentes na operação. Após efetuada a retenção, o segundo passo é verificar se ocorreu ou não o recolhimento do tributo retido. Havendo a retenção e o pagamento, passase diretamente à análise do próximo requisito a ser observado para fins de contagem do prazo decadencial, qual seja, a análise da existência ou não de declaração. Todavia, se não houver pagamento, temos que nos debruçar sobre as relações jurídicas decorrentes da retenção. A primeira relação é a existente entre o contribuinte e o responsável legal. Quando a lei atribuiu a um terceiro a obrigação de reter e recolher aos cofres públicos o tributo devido pelo contribuinte, na realidade este terceiro é colocado na função do próprio Fisco, pois pode impor ao contribuinte que seja efetivada retenção, independentemente da sua concordância. Esta relação se finda quando o contribuinte, que suporta o ônus econômico da tributação, entrega o numerário ao responsável. A partir deste momento não cabe mais ao Fisco exigir do contribuinte o adimplemento do tributo, pois este já cumpriu o que lhe foi determinado. A segunda relação jurídica, por derradeiro, se dá entre o responsável e o Fisco. Ou seja, uma vez efetuada a retenção, o responsável tem o dever de efetuar o recolhimento do tributo. Ressaltese que, havendo a retenção e o não repasse, o responsável pode responder criminalmente por tal ato. Assim, sendo o dever de efetuar o repasse uma relação jurídica que se dá estritamente entre o responsável e o Fisco, concluo que não pode o contribuinte, parte alheia a Fl. 650DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 13 13 esta relação, sofrer qualquer prejuízo em virtude da falta de pagamento dos valores retidos, de modo que o não repasse não pode influir na contagem do prazo decadencial. Passemos então ao próximo passo da análise perpetrada, qual seja, uma vez efetuada a retenção e tendo ou não ocorrido o repasse, se existe a necessidade de se levar ao conhecimento do Fisco a retenção ocorrida através da competente declaração. Este ponto é de fundamental relevância, pois inobstante o E. STJ não tenha se manifestado acerca da necessidade da declaração na contagem do prazo decadencial, não é possível concluir este julgamento sem enfrentarmos esta questão. Neste norte, quando o Ministro Luiz Fux proferiu seu voto no recurso representativo da controvérsia, ele citou o entendimento do tributarista Eurico De Santi, para o qual o sentido de pagamento é amplo, não se restringindo à entrega do dinheiro para que seja extinta a obrigação patrimonial, sendo também necessário o fornecimento de informações ao Fisco acerca do lançamento incorrido. Ao analisarmos os diversos tipos de declarações a serem prestadas pelos contribuintes não vislumbramos em qualquer delas uma específica para a constituição do crédito tributário oriundo de retenção. Por exemplo, o contribuinte declara os valores retidos na DACON e na DIPJ, mas estas declarações são meramente informativas, não tendo o condão de constituir o crédito tributário. Por sua vez, compete ao responsável declarar em sua DCTF os tributos retidos de terceiros, sem, contudo, individualizar os contribuintes que sofreram as retenções e os respectivos montantes retidos. Apenas através da posterior entrega da DIRF anual (que engloba o PIS, COFINS, IRRF e a CSLL) é que tais informações serão fornecidas. Desta forma, por estarmos diante de uma situação singular, eis que inexiste declaração específica para a constituição do crédito tributário oriundo da retenção, não há como se adotar integralmente o entendimento esposado. Contudo, entendo que, de algum modo, o Fisco deve tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador e da retenção havia. Assim, se o terceiro responsável declara ao Fisco a retenção por ele efetuada através da DIRF, por exemplo, tal medida já é suficiente para que possa haver a futura homologação do pagamento. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 14 14 Por outro lado, caso não haja declaração pelo terceiro, mas o contribuinte declara a retenção sofrida através da DIPJ (IRRF e CSLL) ou da DACON (PIS e COFINS), entendo que também está suprida a falta de declaração do terceiro. Isto porque, em qualquer dos casos foi permitido ao Fisco tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador, possibilitando a futura homologação do pagamento. O que não pode existir é a completa ausência de declaração. Diante do exposto concluo que, no atinente à decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para que seja aplicado o prazo inserto no artigo 150, § 4º do CTN, deve ocorrer indubitavelmente a efetiva retenção, compreendida pela entrega de numerário do contribuinte ao responsável e, ainda, deve ser possibilitado ao Fisco tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador, seja através de declaração prestada pelo contribuinte ou pelo responsável. Contudo, no que tange ao repasse dos valores retidos aos cofres públicos, por se tratar de relação jurídica firmada entre o responsável e o Fisco, não deve ser oponível ao contribuinte para influenciar na contagem do prazo decadencial. O caso ora em análise: i) cuida de tributo sujeito a lançamento por homologação; ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do IR restou adimplida pela retenção efetuada pela fonte pagadora (fls. 226/229); iii) a data do fato gerador ocorreu em 31/12/1997; iv) a ciência do contribuinte sobre a lavratura do auto de infração ocorreu em 23/04/2003. Assim, entendo que a decadência deve ser aplicada com base no artigo 150, § 4º do CTN, portanto, o início da contagem do prazo decadencial ocorreu em 31/12/1997 e terminou em 31/12/2002. Desse modo, concluo que se operou a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 652DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13603.000920/200331 Acórdão n.º 9900000.251 CSRF‐PL Fl. 15 15 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/1 2/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 19515.722154/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRATO POR PREÇO PREDETERMINADO. INCIDÊNCIA.
O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação da COFINS no regime cumulativo.
A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELETRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRATO POR PREÇO PREDETERMINADO. INCIDÊNCIA. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação da COFINS no regime cumulativo. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 54 /2 01 1- 45 Fl. 3286DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, apenas para excluir da autuação os débitos declarados em DCOMP e não aproveitados de ofício pela fiscalização. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Autos de Infração de fls. 2498 a 2500 e de fls. 2507 a 2510, lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 16.12.2011 (fls. 2498 e 2507), constituindo crédito tributário de: i) COFINS (fls. 2507 a 2510) no valor total de R$ 269.249.956,13, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 12.2011, referente aos períodos de 01.2007 a 12.2008, com enquadramento legal exposto às fls. 2509, 2510, 2514 e 2515; ii) PIS (fls. 2498 a 2500) no valor total de R$ 58.975.215,73, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 12.2011, referente aos períodos de 01.2007 a 12.2008, com enquadramento legal exposto às fls. 2500, 2505 e 2506. 6. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 2479 a 2484 a autoridade fiscal autuante informa que: i) Intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 003 lavrado em 04/08/2011, o contribuinte apresentou, em 29/08/2011, arquivos contábeis digitais, e demonstrativos de cálculos do PIS/PASEP e da COFINS, cópias do Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão/Prorrogação de Energia Elétrica nº 59/2001 ANEEL, firmado em 20/06/2001, acompanhado de termos aditivos, e Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica nº 143/2001 ANEEL, firmado em 21/12/2001, também acompanhado de termos aditivos. O contribuinte alegou, ainda, manter em vigor Contratos Bilaterais de Transmissão de Energia Elétrica, os quais não foram apresentados a Fiscalização; ii) Foram verificados os valores constantes da escrituração contábil, em confronto com os livros fiscais de entradas e de saídas, identificandose, além dos valores relativos à receita bruta de vendas de bens e serviços, eventuais vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos. Foram, ainda, verificados os registros das operações de compras de bens e serviços utilizados como insumos, bem como os das operações de entrada que geraram créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, de que tratam respectivamente a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003. Os valores contabilizados foram confrontados com as informações declaradas pelo contribuinte em DIPJ, DCTF e DACON. iii) Análises sobre os valores contabilizados, em face dos contratos apresentados, evidenciaram que a composição das receitas registradas pelo contribuinte nos períodos de 2007 e 2008 decorreram essencialmente da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica (CPST), contratados anteriormente a 31/10/2003. Fl. 3287DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 12 3 iv) A Lei nº 10.833/2003 fixou, em seu art. 10, inciso XI, alínea "b", que permanecem sujeitas às normas do regime cumulativo da COFINS as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços v) A Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, concluiu que os Contratos Iniciais, os Contratos Bilaterais, os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) não são contratos a preços predeterminados, dado que, na sistemática de reajuste de preços normalizada pela ANEEL, incidem diversos fatores, os quais não expressam variação de custos de produção ou de insumos. Também concluiu a mesma Nota Técnica, que, pela mesma razão, os Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão e os Contratos de Prestação de Serviço de Transmissão (CPST) não se subsumem ao inciso XI do art. 10° da Lei n. 10.833, de 2003. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CAT n. 1610/2007, de 1º de agosto de 2007, ratificou a interpretação da Nota Técnica COSIT n. 1/2007; vi) Nesse sentido, procedeuse a apuração do PIS/PASEP e da COFINS em consonância com a Nota Técnica COSIT n. 1/2007, tributandose as receitas oriundas da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica, auferidas nos anos calendário de 2007 e 2008, segundo o regime não cumulativo das contribuições; vii) Por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 004, lavrado em 05/10/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo indicando as bases de cálculo dos créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, bem como a disponibilizar a documentação suporte correspondente a tais operações. viii) Da análise sobre os elementos objeto dos registros de entradas e saídas apresentados pelo contribuinte, em confronto com os valores contabilizados, declarados em DIPJ e informados em DACON, reconstituímos a composição da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS sobre o faturamento; ix) Foram aproveitados de ofício os valores relativos aos créditos da não cumulatividade, apurados no curso da presente fiscalização e comprovados pelo contribuinte. Foram, ainda, aproveitados de ofício os valores recolhidos de PIS/PASEP e de COFINS anteriormente ao início do presente procedimento fiscal; x) Das análises citadas foram identificadas divergências injustificadas entre os valores dos tributos apurados na contabilidade e os declarados em DCTF e pagos, ensejando, desta forma, lançamentos por insuficiência de declaração/recolhimentos de PIS/PASEP e de COFINS. Fl. 3288DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 7. Inconformada com os lançamentos, a interessada interpôs em 16.01.2012 a impugnação de fls. 2566 a 2629, onde alega, em síntese, o que se segue: 7.1 A Impugnante é empresa concessionária de serviços públicos e tem como atividade principal a transmissão de energia elétrica, regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL; 7.2 Conforme os artigos 10º, XI e 15, V da lei nº 10.833/03, o legislador excluiu do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dentre outras hipóteses, as receitas relativas a contratos que, cumulativamente: (i) tenham sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (ii) com prazo superior a 1 (um) ano; (iii) envolvam fornecimento de bens ou serviços; e, (iv) a preço predeterminado. O motivo dessa regra de exclusão é preservar a situação idealizada pelas partes quando da assinatura do contrato a longo prazo, sem, dessa forma, acarretar prejuízos a uma das partes ou desequilíbrio duradouro na relação originalmente acordada, nem ferir o negócio jurídico perfeito; 7.3 A Impugnante firmou contratos de serviços de transmissão de energia elétrica e prestação de serviços correlatos a sua atividade principal, imprescindíveis, portanto, à consecução de seu objeto social, todos anteriormente a 31 de outubro de 2003 e com prazo superior a 1 ano, em que ela se obrigou a transmitir energia elétrica mediante a concessão de serviço público; 7.4 Os contratos de transmissão de energia elétrica firmados entre a Impugnante e os contratantes e que foram objeto de análise no presente Auto de Infração foram os seguintes: (i) Contrato de concessão do serviço público de transmissão/prorrogação de energia elétrica nº 59/2001; e (ii) Contrato de concessão de serviço público de transmissão de energia elétrica n° 143/01; 7.5 Apesar da devida interpretação da IN SRF n° 658/06 estar em linha com a Lei n° 11.196/2005, declarando que a aplicação de cláusula de reajuste (IGPM) em contratos de longo prazo não descaracteriza o preço predeterminado, foi lavrada a autuação em análise, a qual, a pretexto de interpretar as IN's n°s 468/2004 e 658/2006 e com "fundamento" em (i) Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na (ii) Nota Técnica COSIT n° 01/07 e no (iii) Parecer PGFN/CAT n.° 1.610/07, inovou no ordenamento jurídico, elegendo critérios não previstos pelo art. 10, XI da Lei n° 10.833/03 para definição do conceito de preço predeterminado, bem como violando diretamente o art. 109 da Lei n.° 11.196/06, a Nota Técnica da ANEEL n.° 224/2006 e o próprio §3º, do art. 3º da IN n° 658/2006 e, principalmente, ferindo o conceito econômico de monetização e atualização da moeda no tempo, que sofre pela corrosão da inflação; 7.6 A D. Fiscalização sustenta que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM descaracterizaria a predeterminação do preço, o que excluiria a Impugnante da sistemática cumulativa, nos termos do art. 10, XI da Lei n° 10.833/03. A autuação Fl. 3289DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 13 5 objetiva a cobrança dos valores supostamente devidos das contribuições sociais apuradas no regime nãocumulativo, como entende o I. Auditor Fiscal, em razão da pretensa "alteração" dos preços predeterminados pelo IGPM (cláusula de reajuste); 7.7 A presente autuação cobra em duplicidade valores pretensamente devidos a titulo de PIS e COFINS que estão sendo pagos pela Impugnante em razão da sua adesão a Programa de Recuperação de Créditos Fiscais retratado pela lei n.° 11.941/09 ("REFIS IV"). 7.8 A presente autuação é nula, haja vista a sua precariedade. Para se chegar a tal conclusão, convém destacar que, ao confrontar o montante supostamente devido pela Impugnante, o I. Auditor Fiscal ignorou os valores por ela regularmente recolhidos a titulo de PIS e de COFINS para o período fiscalizado; 7.9 Conforme se observa do Recibo de Consolidação da divida objeto do citado parcelamento (doc. 05), a Impugnante optou por quitar um passivo de R$ 156.847.629,70, o qual, com os benefícios do Programa de parcelamento, redundou em um valor consolidado a pagar de R$135.833.731,99. Desse montante consolidado, R$ 38.207.774,18, valor este atualizado em 30.06.2011, referese ao PIS e à COFINS com fatos geradores ocorridos entre os anos de 2007 e 2008, ou seja, exatamente para o mesmo período objeto de fiscalização; 7.10 Entre os meses de março e maio de 2007, a Impugnante pagou R$ 7.876.380,43 a titulo de débitos de PIS e COFINS, o que fez mediante compensação com créditos de PIS decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior para o período compreendido entre fevereiro e outubro de 2004. Tais pagamentos foram formalizados em 7 Declarações de Compensação (DCOMPs), declarações essas que, todavia, não foram homologadas pela União. Diante desse quadro, entre os dias 8 e 9 de dezembro de 2009, a Impugnante apresentou 7 Manifestações de Inconformidade (doc. 06) para cada uma das compensações não homologadas, as quais estão todas pendentes de julgamento. Acontece que, de forma absolutamente indevida, o montante de R$ 7.876.380,43 acima referido não foi excluído pela fiscalização do importe cobrado no presente Auto de Infração; 7.11 Logo o I. Auditor Fiscal não efetuou o lançamento tributário aqui combatido nos exatos termos em que prescritos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional. Isso porque, ao realizar seu mister, a fiscalização não foi capaz de apurar a exata determinação da matéria tributável, de modo a apresentar cálculos efetivos e concretos acerca do montante exigido pela autuação. Ao definir o quantum devido pelo contribuinte a título de tributo, a fiscalização foi incapaz de perceber todos os fatos relevantes para essa delimitação, em especial a existência de causas suspensivas da exigibilidade de parte do crédito aqui Fl. 3290DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 exigido, o que torna a presente autuação precária e acaba por eivála de notória nulidade; Não obstante, caso a preliminar seja superada, o que se admite apenas de forma hipotética, mister se faz destacar que também no mérito não pode prevalecer a presente autuação; 7.13 A presente autuação parte do equivocado pressuposto de que o conceito de preço predeterminado é desnaturado pelo simples fato dos contratos celebrados pela Impugnante estarem sujeitos à atualização monetária pelo índice IGPM; 7.14 Não é competência da Secretaria da Receita Federal a definição do que é preço predeterminado para fins da Lei n.° 10.833/03. Assim, por óbvio, os "fundamentos" invocados para embasar a presente autuação, quer dizer, as Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Nota Técnica COSIT n° 01/07, o Parecer PGFN/CAT n.° 1.610/07, e, ainda, a Instrução Normativa n.° 658/06, extrapolaram o que autoriza a Lei n° 10.833/03, ao preverem que o implemento de cláusulas de reajuste do preço inicialmente contratado teria o condão de alterar a predeterminação do preço; 7.15 A preocupação do Poder Constituinte em atribuir somente à lei, em sentido estrito, a competência para instituição de tributo ou o aumento deste em razão da alteração da base de cálculo ou da alíquota. Ou seja, somente a lei em sentido estrito, emanada do Poder Legislativo, poderá criar, alterar, aumentar ou diminuir tributo preexistente. Dessa forma, jamais atos infralegais como é o caso das Soluções de Consulta, Nota técnica COSIT n° 01/07, Parecer da PGFN/CAT n.° 1610/07 e a Instrução Normativa n° 658/06 – poderiam ultrapassar ou modificar os limites estabelecidos na lei o que de fato aconteceu em concreto; 7.16 Com isso, acabou o Poder Executivo por criar mandamentos não previstos em lei, haja vista que a Lei n. 10.833/03 não criou nenhum critério para definição de preço predeterminado prevalecendo o conceito civil e econômico vigente, pelo contrário, apenas o citou como um dos requisitos para a manutenção do contribuinte no regime da cumulatividade, razão pela qual os "fundamentos" invocados pela fiscalização para fundamentar a presente autuação padecem de gritante injuridicidade; 7.17 O presente lançamento apenas gira em torno do cumprimento do quarto requisito estabelecido pelo art. 10, XI da Lei n° 10.833/03, qual seja, a predeterminação dos preços estipulados nos contratos em análise. Acontece que, conforme se verá a seguir, esse quarto requisito estipulado pela Lei n° 10.833/03 também foi cumprido, sendo necessário o cancelamento integral do presente Auto de Infração; 7.18 A remuneração de empresa transmissora de energia, como é o caso da Impugnante, se dá mediante a fixação de Receita Anual Permitida (RAP), a qual é estabelecida pela ANEEL por intermédio da sua Resolução n° 167/2000 e serve para remunerar as concessionárias de serviços públicos de transmissão de energia elétrica. Essa receita também cobre os Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 14 7 custos de operação e manutenção que as empresas têm com esses empreendimentos. A Receita Anual Permitida (RAP), por seu turno, é fixada pela Agência Reguladora do setor elétrico (ANEEL) mediante fórmula própria e preestabelecida contratualmente e que respeita os limites fixados em lei e que redundou nos contratos celebrados objeto de autuação; 7.19 Convém destacar que essa fórmula é imutável, ou seja, não é passível de revisão, uma vez que tem por escopo remunerar a concessionária, ora Impugnante, pela sua atuação em relação às rede de transmissão de energia elétrica já existentes antes da concessão. Tendo em vista a dificuldade em precificar as instalações absorvidas pelas empresas concessionárias, e partindo do pressuposto de que a remuneração de tais empresas estaria no ganho de produtividade a ser auferido ao longo do contrato de concessão, quer dizer, em tempo futuro, o preço do serviço então prestado foi estabelecido previamente, não sendo passível de revisão; 7.20 O preço estabelecido nos contratos objeto da presente autuação é imutável, sendo alcançado pela aplicação de uma fórmula própria e previamente estabelecida. O que existe, apenas, é o reajuste do valor nominal desse preço (até para que ele se mantenha imutável e não defasado) por intermédio da aplicação do IGPM, o que implicará, tão somente, a sua recomposição no tempo; 7.21 É por isso, pois, que as receitas que foram objeto de autuação no caso em concreto são imutáveis, decorrentes da incidência de uma fórmula prefixada contratualmente e delimitada pela ANEEL. Percebese, portanto, que a referida forma de remuneração, estabelecida previamente e referendada pela ANEEL, enquadrase, perfeitamente, ao conceito de preço determinado; 7.22 É predeterminado aquele preço em que as partes contratantes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no exato instante em que celebrado o negócio jurídico, ainda que este preço esteja sujeito a eventuais ajustes futuros. O preço determinado, pois, diferese do preço variável, em que as partes não têm, no momento da celebração do contrato, qualquer conhecimento objetivo do quantum a ser pago, o qual será fixado apenas em instante futuro. Ora, no caso em análise as partes contratantes tinham a exata dimensão da fórmula (inalterável) que delimitaria a composição do preço pelo serviço prestado pela Impugnante. A existência de elementos para a recomposição nominal desse preço não desnatura, em absoluto, o caráter prefixo do preço objeto dos contratos fiscalizados, o que já seria suficiente para extinguir a presente autuação; 7.23 Em razão das dúvidas de interpretação que surgiram em relação à Lei n° 10.833, art. 10, XI, no que se refere às situações de definição do preço predeterminado, o legislador ordinário editou a Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, que em seu art. 109 reconhece expressamente que a aplicação de cláusulas Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 de reajuste de preços decorrentes do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não teria o condão de alterar o preço predeterminado dos contratos celebrados pelas partes. Essa também foi a posição da Agência Reguladora do mercado de energia (ANEEL), conforme teor da Nota Técnica n° 041/2008SRT/ ANEEL; 7.24 O IGPM reflete o reajuste de preços em função do custo da produção da Impugnante, considerando fatores diversos e sendo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas para a utilização por todos os setores, conforme reconhecido pela própria ANEEL. Tal índice é resultante da média ponderada de três índices de preços: índice de Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPADIM), índice de Preços ao Consumidor(IPCM) e índice Nacional de Custo da Construção(INCCM); 7.25 As operações de energia elétrica geralmente apresentam como custo majoritário para composição do seu preço contratual despesas com a depreciação/amortização de seu ativo imobilizado, custos com reposição de peças e em menor escala, temse as despesas com prestação de serviços de terceiros. Nesse contexto e considerando o peso financeiro que cada uma delas impõe na demonstração de resultado, o IGPM configura índice confiável para aferir a variação ponderada dos custos de transmissão de energia elétrica incorridos pela Impugnante, o que demonstra a absoluta impropriedade dos "fundamentos" invocados na presente autuação. A ANEEL, agência competente para atuar, na forma da lei e do contrato, nos processos de definição e controle de preços e tarifas de energia elétrica, atestou que o IGPM objetiva refletir o custo de produção ou dos insumos utilizados no setor elétrico; 7.26 A Nota Técnica n° 224/2006SFF/ ANEEL, de 19 de junho de 2006, que, dentro da competência exclusiva do Órgão Estatal, analisou especificamente a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados nos termos do art. 10, inciso XI, da Lei n° 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei n° 11.196/2005, e entendeu que o índice aplicável para o ajuste dos preços seria o IGPM. Nesse mesmo sentido foi a resposta à consulta sobre ajustes de preços previstos em cláusulas contratuais por meio do Oficio n° 1431/2006SFF/ ANEEL, de 23 de agosto de 2006; 7.27 Desse modo, o IGPM é o índice que reflete o custo da produção dos serviços prestados pela Impugnante, o que foi expressamente reconhecido pela ANEEL (único órgão competente para tanto) e pelo art. 109 da Lei n° 11.196/05, e, portanto, em nada altera condição de predeterminação do preço acordado nos contratos iniciais celebrados pela companhia. Assim, por mais esse motivo, em obediência ao disposto no art. 109 da Lei n° 11.196/05, na Lei n° 9.427/96, na Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL e no Oficio n° 1431/2006SFF/ ANEEL, demonstrado está que a presente autuação merece integral cancelamento; 7.28 O I. Auditor Fiscal limitouse a desabonar o IGPM como índice de correção para o setor econômico da Impugnante sem, Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 15 9 todavia, (i) demonstrar qualquer fundamento que justificasse tal medida e, ainda, sem (ii) provar qual seria o índice a ser aplicável em concreto para, nessa hipótese, (iii) verificar se os reajustes promovidos pela Impugnante teriam ou não superado o hipotético índice; 7.29 Dessa feita, demonstrada está que a existência, nos contratos de preço predeterminado, de cláusulas de correção monetária não descaracteriza o quarto e último elemento previsto na Lei 10.833/03, devendo a Impugnante continuar a se submeter aos ditames do regime cumulativo do PIS e da COFINS, sendo mister o cancelamento da presente autuação; 7.30 Subsidiariamente, alega que os juros de mora e a multa aplicada são indevidas, haja vista o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. O citado artigo do Código Tributário Nacional é enfático ao prescrever que, se um dado contribuinte pautou o seu comportamento em qualquer uma das espécies de normas complementares da legislação tributária nele elencadas, expedidas por autoridade administrativa, não se pode cogitar a cobrança do suposto tributo inadimplido acompanhado de penalidades, juros de mora e multa de ofício; 7.31 No caso concreto, o art. 109 da Lei n° 11.196/05, a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL e a Instrução Normativa n° 658/2006, em seu art. 3º, determinam que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM aos contratos firmados nos termos do art. 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, ao seguir a orientação das Autoridades Administrativas no sentido de tributar seus contratos de longo prazo pelo regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, nenhuma penalidade poderia ter sido imputada à Impugnante, que apenas seguiu a lei e as orientações administrativas vigentes à época da autuação; 7.32 Ainda subsidiariamente, alega que eventual incidência de juros de mora e multa só poderia ocorrer para fatos geradores ocorridos a partir de agosto de 2007. Como visto anteriormente, o art. 109 da Lei n° 11.196/05, a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL e a Instrução Normativa n° 658/2006, em seu art. 3º , determinam que a aplicação de cláusulas de reajuste aos contratos firmados nos termos do art. 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracterizam a condição de preço predeterminado; 7.33 Essa orientação, entretanto, só foi supostamente alterada pela Secretaria da Receita Federal caso tivesse competência legislativa com a edição do Parecer PGFN/CAT n° 1.610, de 30 de julho de 2007. Sendo assim, para parte do período autuado, compreendido entre janeiro e julho de 2007, a orientação da Secretaria da Receita Federal era no sentido de que a aplicação de cláusulas de reajuste não descaracterizam o preço predeterminado, razão pela qual a Impugnante não pode, nesse período, sofrer quaisquer penalidades por ter procedido dessa forma; Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 7.34 Por fim, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa alegando afronta ao disposto no art. 61 da lei nº 9.430/96; 7.35 Em vista de todo o exposto, demonstrada a total ilegitimidade da autuação aqui combatida, a Impugnante requer seja a presente Impugnação julgada procedente, com o consequente cancelamento do Auto de Infração, determinandose o arquivamento do respectivo processo administrativo. Sucessivamente, caso o presente Auto de Infração não seja integralmente cancelado, o que se admite apenas hipoteticamente, a Impugnante requer o afastamento dos valores exigidos em duplicidade, bem como o cancelamento da incidência de multa e juros na presente cobrança (ainda que apenas para o período compreendido entre janeiro de 2007 a julho de 2007), haja vista o disposto no art. 100 do CTN ou, no pior dos cenários, ao menos a exclusão da incidência da taxa SELIC sobre a multa aplicada ao caso em concreto. A DRJ em São Paulo julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. PREÇO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO NÃOCUMULATIVA. O reajuste dos contratos de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado, firmado antes de 31 de outubro de 2003, por índice geral de preços, implica a descaracterização do preço contratado como sendo preço predeterminado, pelo que, a partir da primeira alteração, as respectivas receitas estão sujeitas ao regime de tributação nãocumulativa das contribuições sociais. AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. DUPLICIDADE. Os débitos declarados em DCOMP e não aproveitados de ofício pela fiscalização devem ser deduzidos dos valores lançados. NORMAS TRIBUTÁRIAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RESOLUÇÕES ANELL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fisco/contribuinte. A autoridade administrativa a que se refere o art. 100 do CTN é a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 16 11 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista o valor da exoneração, a DRJ em São Paulo recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Recurso de Ofício Como é possível perceber do relato dos fatos, a DRJ em São Paulo acolheu o argumento da ora Recorrente no sentido de que existiriam valores no Auto de Infração exigidos em duplicidade com débitos incluídos em Parcelamento ou declarados em DCOMP. Com efeito, como bem sintetizado pela autoridade recorrida, “alega a impugnante que optou por quitar um passivo de R$ 156.847.629,70, o qual, com os benefícios do Programa de parcelamento, redundou em um valor consolidado a pagar de R$135.833.731,99. Que desse montante consolidado, R$ 38.207.774,18, valor este atualizado em 30.06.2011, referese ao PIS e à COFINS com fatos geradores ocorridos entre os anos de 2007 e 2008, ou seja, exatamente para o mesmo período objeto de fiscalização. Que entre os meses de março e maio de 2007 a impugnante pagou R$ 7.876.380,43 a titulo de débitos de PIS e COFINS, mediante compensação com créditos de PIS decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior para o período compreendido entre fevereiro e outubro de 2004. Que Tais pagamentos foram formalizados em 7 Declarações de Compensação (DCOMP’s), declarações essas que, todavia, não foram homologadas pela União. Que diante desse quadro, entre os dias 8 e 9 de dezembro de 2009, a Impugnante apresentou 7 Manifestações de Inconformidade (doc. 06) para cada uma das compensações não homologadas, as quais estão todas pendentes de julgamento. Que de forma absolutamente indevida o montante de R$ 7.876.380,43 não foi excluído pela fiscalização do importe cobrado no presente Auto de Infração”. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal autuante informa que: “Foram aproveitados de ofício os valores relativos aos créditos da não cumulatividade, Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 apurados no curso da presente fiscalização e comprovados pelo contribuinte. Foram, ainda, aproveitados de ofício os valores recolhidos de PIS/PASEP e de COFINS anteriormente ao início do presente procedimento fiscal, conforme o demonstrado em anexo ao presente termo de verificação.”. Analisando os Demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal, é possível verificar que foram aproveitados de ofício pela fiscalização os valores de PIS e COFINS não cumulativos declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados de PIS e COFINS cumulativos e não cumulativos (fls. 2490, 2491, 2495 e 2496; vide linhas das deduções efetuadas do PIS/COFINS NÃO CUMULATIVA A PAGAR para se obter o PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO A LANÇAR) Nos termos dos documentos de fls. 2847 a 2859, o contribuinte incluiu no parcelamento previsto na lei nº 11.941/2009 débitos de PIS e COFINS, dos períodos de apuração que foram objetos da fiscalização em discussão. No referido parcelamento foram incluídos débitos de PIS e COFINS dos períodos de 2004 a 2007, e na fiscalização foram verificados débitos dos anos de 2007 e 2008. Cotejando os valores incluídos no parcelamento com aqueles aproveitados de ofício pela fiscalização (fls. 2490 e 2491; linhas das deduções efetuadas do PIS/COFINS NÃO CUMULATIVA A PAGAR para se obter o PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO A LANÇAR), constatase que: (i) os valores de PIS e COFINS Cumulativos (8109 e 2172), incluídos no parcelamento, não foram aproveitados de ofício pela fiscalização, pois somente os valores de PIS e COFINS Não Cumulativos (6912 e 5856) declarados em DCTF e os valores recolhidos de PIS e COFINS (cód. 8109, 6912, 2172 e 5856) foram considerados pela fiscalização (fls. 2490/2491); (ii) os valores de PIS Não Cumulativo (6912) dos períodos de fevereiro, maio e junho de 2007 e os de COFINS Não Cumulativo (5856) dos períodos de maio e junho de 2007, incluídos no parcelamento, não foram aproveitados de ofício pela fiscalização, pois tais valores não foram informados em DCTF e, portanto, não considerados pela fiscalização (fls. 2490/2491); (iii) os valores de PIS Não Cumulativo (6912) dos períodos de janeiro, julho, setembro, outubro e novembro de 2007 e os de COFINS Não Cumulativo (5856) dos períodos janeiro, fevereiro, março, julho, setembro, outubro e novembro de 2007, incluídos no parcelamento, foram aproveitados de ofício pela fiscalização, pois tais valores foram declarados em DCTF (fls. 1031, 1033, 1061, 1085, 1164, 1177, 1210, 1212, 1242, 1255, 1262 e 1265) e considerados pela fiscalização (fls. 2490/2491). Neste contexto, andou bem a decisão recorrida ao reconhecer que, como os valores de PIS e COFINS anteriormente incluídos no parcelamento não foram aproveitados de ofício pela fiscalização, devem ser deduzidos dos valores lançados. Entendimento esse que acompanho integralmente pelos seus próprios fundamentos. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato, a presente controvérsia se resume à definição de “contrato de fornecimento a preço predeterminado” e à verificação de se o Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 17 13 contrato de concessão celebrado pela Recorrente para a transmissão de energia elétrica e serviços correlatos se subsome ao seu conceito. Afinal, restando incontroverso nos autos que se está diante de contrato de fornecimento, com vigência superior a um ano, firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003, este é o único ponto que merece equacionamento para definir se a Recorrente se mantém no regime cumulativo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em face do prescrevem os arts. 10 , XI, “b”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Defende o Fisco que o fato de o contrato celebrado pela Recorrente determinar a correção monetária do valor do serviço com base em percentual equivalente à variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) afastaria possibilidade de qualificalo como de “fornecimento a preço predeterminado” o que, como consequência, afastaria a possibilidade de a Recorrente permanecer sujeita ao regime não cumulativo de recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. Para chegar a tal conclusão, parte da premissa de que a interpretação conjunta da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, com as disposições da IN SRF nº 658/06 e do art. 27, II, § 1º, da Lei nº 9.069/95 conduziriam à interpretação de que a utilização do IGPM como índice de correção monetária do preço do serviço, além de desvirtuar o conceito de preço predeterminado, não cumpriria as condições necessárias para afastar a referida descaraterização, fixadas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, que assim dispõe: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Com efeito, o dispositivo legal acima transcrito estabelece duas hipóteses em que o reajuste do preço do contrato não descaracteriza a sua natureza de predeterminado, quais sejam: (i) quando é feito em função dos custos de produção ou (ii) mediante a aplicação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ocorre que, de acordo com o entendimento do Fisco, como (i) não foi realizada qualquer análise acerca da variação dos custos de produção de energia elétrica e (ii) tendo em vista o IGPM é formado pela conjugação do Índice de Preços por Atacado IPA; do Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 Índice de Preços ao Consumidor IPC e do Índice Nacional de Custo de Construção INCC, não seria possível qualificalo um índice setorial de custos, tampouco como índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção. Dai a razão de concluir que a sua utilização configuraria revisão contratual que altera o preço predeterminado do contrato. Por ouro lado, a Recorrente defende justamente o contrário: (i) que o reajuste, nos termos em que foi determinado, visaria apenas à manutenção do equilíbrio econômico financeiro que prevelecia à época da contratação; e (ii) que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, no exercício de sua função regulamentar, emitiu Nota Técnica nº 224/2006–SFF/ANEEL reconhecendo expressamente que o IGPM reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por conta disso, concluiu que a utilização do IGPM para o reajuste do seu contrato de fornecimento de energia se enquadraria dentre as hipóteses legais que excepcionam a descaracterização do preço predeterminado, suficiente para mantêla no regime cumulativo de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS. Delimitado os contornos da lide, passemos a enfrentar o ponto central da controvérsia: o uso do IGPM no caso concreto efetivamente descaracteriza o preço predeterminado? Pois bem, os elementos constantes nos autos levam à conclusão de que a correção monetária, nos termos em que foi feita, não implicou aumento de preço, mas somente manutenção do poder da moeda, o que, no meu sentir, foi garantido pela legislação (Lei nº 10.833/03). Para tanto me apoio na Nota Técnica nº 224/2006–SFF/ANEEL, a qual esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real): Art. 8º A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. O artigo 2º deste mesmo diploma legal, por sua vez, permite ainda correção monetária por índices de preços gerais ou que reflitam a variação de custos de produção: Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. Sendo este o contexto normativo que regula os índices de correção monetária, constatase que o art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o caráter restritivo pretendido pela fiscalização e que afastaria, por si só, a possibilidade de qualificar a aplicação do IGPM como índice de correção monetária que não descaracteriza a predeterminação do preço do contrato. Pelo contrário, não se identifica no texto legal qualquer indício que possa sugerir que o Fl. 3299DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 18 15 legislador tenha elevado aquelas duas hipóteses como únicas possibilidades em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Assim, o que se vê é que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no art. 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Afinal, não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Neste ponto vale esclarecer que a presente matéria já foi submetida à apreciação desta Turma. Naquela oportunidade, chegouse a conclusão de que, a despeito de o IGPM não se ajustar exatamente às hipóteses enumeradas no art. 109 da Lei nº 11.196/05, não se trata de impeditivo para qualificálo como hipótese de reajuste suficiente para descaracterizar o preço predeterminado do contrato, face ao caráter meramente exemplificativo do referido dispositivo legal. Nas palavras do Relator Luis Marcelo Guerra de Castro: Ocorre, entretanto, que há uma premissa que orienta a conclusão do Fisco, que, a meu ver, com o devido respeito, está equivocada. Diferentemente do defendido, imagino, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 não possui o caráter restritivo suscitado por aquela autoridade lançadora. A meu ver, o dispositivo não restringiu as hipóteses em que o reajuste contratual não desvirtua a predeterminação do preço, elencou duas dessas circunstâncias. Com efeito, se analisarmos a redação do artigo, ponto de partida para a compreensão do comando legal nele veiculado, podese averiguar que o legislador, em nenhuma passagem, afirmara que aquelas seriam as únicas hipóteses em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Afirmou que aquelas hipóteses não desvirtuariam a predeterminação. Reforça essa convicção o fato de que, nos termos do seu parágrafo único, já transcrito acima, o dispositivo novel teria vigência retroativa à vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Se o objetivo do comando inserido na “MP do Bem” fosse restringir e, consequentemente, aumentar o universo de contribuintes sujeitos à incidência mais gravosa, não haveria espaço para tal claúsula de vigência. Evidentemente, registrese, não se está defendendo que se possa interpretar ampliativamente a norma de caráter excepcional. Como é cediço, a lei que dispõe sobre exceção deve ser interpretadas restritivamente. A meu ver, tal e qual as demais hipóteses previstas na Lei nº 11.196, de 2005, a utilização do índice referendado pela ANEEL, órgão legalmente competente para tanto, visa à manutenção do preço determinado pelas partes. Explico. Embora a lei, civil ou tributária, não forneça o conceito de preço pre determinado, até o presente momento só previsto em instruções normativas que veiculam a interpretação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, penso que a busca do seu significado não pode deixar de considerar o conceito de preço determinado, previsto na legislação civil. De se relembrar, em primeiro lugar, o que diz o art. 481 Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 2002). Fl. 3300DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 16 Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Do dispositivo extraise a definição de preço, entendido como a quantia que o comprador se obriga a pagar ao vendedor. A dicotomia entre determinado e determinável está presente nos artigos 485 a 487 do mesmo diploma. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Podese concluir, a partir da leitura dos dispositivos, que determinado é o preço estabelecido pelas partes no momento da celebração do contrato e determinável, o que as partes, no momento da celebração do contrato, estabelecem os parâmetros segundo os quais, futuramente, se dará fixação do preço. Se não houver previsão contratual acerca do preço, não se está diante de um contrato de compra e venda. Nesse contexto, não consigo imaginar uma definição de contrato a preço predeterminado, citado na Lei nº 10.833/2003, diversa da de contrato a preço determinado, fixada na Lei Civil. Predeterminado, é aquilo que se determinou de antemão. A transcrição foi longa, mas oportuna na medida em que bem sintetiza o que acabamos de expor: (i) o art. 109 da Lei nº 11.196/05 não traz rol taxativo e (ii) preço predeterminado é aquele em que as partes, no momento da celebração do contrato estabelecem os parâmetros segundo os quais, futuramente, se dará o seu reajuste, como ocorre no presente caso. Por outro lado vale esclarecer que a correção monetária não representa grandeza econômica nova, mas apenas a manutenção do poder de moeda. Posto isso, verifica se que, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência, claramente, não tem o poder de descaracterizar os preços predeterminados dos contratos, servindo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “predeterminado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. Este entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento REsp nº 1.089.998. Com efeito, naquela oportunidade o Colendo Tribunal concluiu que a cláusula de correção monetária não altera o caráter predeterminado do contrato e que a Instrução Normativa 468/2004 extrapolou seu poder normativo ao dispor de forma diversa: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso Fl. 3301DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 19 17 especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços "e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação. Também é este o posicionamento praticamente pacífico deste Tribunal Administrativo, o que se comprova pelas ementas baixo transcritas: Acórdão 34020018871: CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM. Acórdão 33020016592 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica 1 Julgado em 25/09/2012, unânime, Gilson Macedo Rosemburg Filho. 2 Julgado em 26/06/2012, maioria, Redadora Designada Cons. Fabíola Cassiano Keramidas Fl. 3302DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 18 a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Tecidos estes esclarecimentos, resta claro que, seja por uma razão, seja por outra, não há como sustentar a interpretação pretendida pela fiscalização, consubstanciada na Instrução Normativa nº 658/067, no sentido de que a existência e aplicação da cláusula de reajuste contratual pelo IGPM descaracteriza o caráter predeterminado do preço do contrato. A referida Instrução Normativa, vale ressaltar, inovou, estabelecendo restrição que a Lei não previu e, por via indireta, definiu alíquota mais gravosa aos que não atenderem tais restrições, razão pela qual deve ser afastada, dada a sua flagrante ilegalidade. Por fim devese esclarecer que as conclusões acima expostas aplicamse ao caso concreto haja vista que, de acordo com os instrumentos contratuais sob análise, o reajuste do contrato é feito a partir de aplicação de uma fórmula imutável, citada na Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, a qual reflete, em síntese, a variação do IGPM e o aumento da carga tributária. Isto fica bem evidente no seguinte trecho da decisão recorrida 36. No caso concreto, analisando as Cláusulas Sexta dos Contratos de Concessão de Transmissão nº 59/2001 (fls. 27342736) e nº 143/2001 (fls. 28112813), verificase que a receita decorrente do serviço de transmissão (Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão CPST) consiste de uma Receita Anual Permitida (RAP), a ser reajustada anualmente conforme as fórmulas lá postas, da qual é integrante o Índice Geral de Preços Mercado – IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 37. A Quinta Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 59/2001 prevê que: “No atendimento ao disposto no § 3º, art. 9º, da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a assinatura deste CONTRATO, quando comprovado seu impacto, implicará revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA, para mais ou para menos, conforme o caso.”. Igual previsão consta da Oitava Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 143/2001. 38. Portanto, estes contratos não só são corrigidos pelo IGPM, mas como também pela variação tributária. O fato de tais reajustes estarem expressamente previstos em cláusula contratual de reajuste, periódico ou não em princípio já afastaria o caráter predeterminado das tarifas acordadas, a partir da implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Fl. 3303DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.722154/201145 Acórdão n.º 3102002.003 S3C1T2 Fl. 20 19 Andréa Medrado Darzé Fl. 3304DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10166.001337/00-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1102-000.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e Manoel Mota Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 396 1 395 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.001337/0013 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.188 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de setembro de 2013 Assunto Compensação. Recorrente ITSA INTERCONTINENTAL COMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e Manoel Mota Fonseca. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 01 33 7/ 00 -1 3 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001337/0013 Resolução nº 1102000.188 S1C1T2 Fl. 397 2 Tratase de recurso voluntário interposto por ITSA INTERCONTINENTAL COMUNICAÇÕES LTDA contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade contra despacho decisório que havia indeferido pedido de compensação, não reconhecendo o valor creditório alegado. O pedido de compensação (fls. 03 do processo em papel), no valor de R$ 33.658,04, é motivado pela existência de um suposto crédito oriundo de valores retidos no ano calendário de 1999, a título de imposto de renda na fonte, os quais totalizaram o montante de R$ 1.674.336,98 e que deu início a uma sequência de pedidos de compensação protocolados em outros processos. Cumpre também mencionar que o pedido referese à compensação com débitos de terceiros. Contudo, esse tipo de compensação somente foi vedado, pela IN/SRF nº 41/00, posteriormente à protocolização do seu pedido. Nesta ocasião, tal procedimento era autorizado pelo artigo 15 da IN/SRF nº 21/97. Apenso ao presente processo, consta o de nº 10280.000602/0068, em que a terceira interessada na compensação solicita o cadastramento de seus débitos. Anexo ao pedido, a requerente juntou demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 4 a 179 do processo em papel). O despacho decisório da delegacia de origem indeferiu o pedido fundamentado no fato de que o imposto de renda retido na fonte, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. A requerente haveria que determinar o saldo negativo e, ainda, no caso dos débitos de terceiros, comprovar a impossibilidade de sua utilização com débitos próprios. Em sua manifestação de inconformidade, essencialmente, a interessada alegou que, apesar de o pedido referirse às antecipações do IRPJ, antes de apresentar o pleito de compensação já verificara saldo negativo do imposto de renda ao final de 1999, como demonstrava a DIPJ anexada, e que a mesma indicava a opção pelo lucro real anual. Por isso, no início de 2000, os créditos inseridos no pedido já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da sua apreciação, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. Invocou, nesse sentido, o efeito declaratório da DIPJ e o princípio da instrumentalidade das formas. Ademais, quanto aos débitos de terceiros, alegou que a legislação à época permitia esta compensação. A já mencionada 4ª Turma da DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0323.066, de 31 de outubro de 2007, por meio do qual decidiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido fundamentou sua decisão, quanto ao essencialmente alegado, amparado no fato de que não ficou provado nos autos, mediante registros contábeis e fiscais, acompanhados da documentação hábil, que: (i) as receitas auferidas, que sofreram retenções, foram oferecidas à tributação no cômputo do lucro real e (ii) que seria impossível a utilização de débitos próprios pela pessoa jurídica detentora do suposto crédito. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001337/0013 Resolução nº 1102000.188 S1C1T2 Fl. 398 3 Inconformada, a requerente apresentou recurso voluntário no qual oferece os seguintes argumentos: a) Apesar de o pedido referirse às antecipações do IRPJ, antes da decisão da 1ª instância, o saldo negativo já havia se consolidado através do decurso do tempo e da apresentação da DIPJ, a qual, por sua vez, já indicava a opção pelo lucro real anual. b) No momento do protocolo do pedido de compensação, os créditos inseridos já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da apreciação do pedido, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. c) Sobre o efeito declaratório da DIPJ, o 1º Conselho de Contribuintes já o havia reconhecido em várias oportunidades, tal como no Acórdão nº 101 94503, do qual transcreve alguns trechos. d) Considerar a existência do crédito compensável a partir da apresentação da DIPJ, em que pese a equivocada menção à antecipações no pedido, encontra respaldo no princípio da instrumentalidade das formas. O formalismo deve servir apenas e exclusivamente para alcançar seu fim e não para obstálo. Nesse sentido, cita doutrina de Eros Grau e alguns julgados do STJ. e) As teorias da invalidação e convalidação dos atos administrativos devem ser consideradas para suprir a invalidade com efeitos retroativos. Cita, nessa linha, os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo. Posteriormente, a título de razões complementares, em nova peça recursiva, acrescenta: f) A Receita Federal, através de despacho decisório prolatado nos autos do processo administrativo nº 10166.000417/200394, do qual anexa cópia, reconheceu o crédito do saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23. g) Quanto à alegada necessidade de comprovação da impossibilidade de se aproveitar dos próprios créditos, cabe salientar fato já comprovado à Receita Federal, de que a ITSA sofreu prejuízos fiscais no período de 1999 a 2006, conforme valores informados em tabela que anexa, os quais foram regularmente declarados nas DIPJs do período. A recorrente, como holding, quase não auferiu receitas no período e o recolhimento de impostos federais não foi suficiente para consumir todo o crédito. Ademais, a exigência de COFINS e PIS sobre receitas financeiras no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004 foi contestada perante o Judiciário. As ações transitaram em julgado em seu favor, sendo que, relativamente à COFINS, obteve sua homologação nos autos de pedido de compensação deferido em 17/11/06, conforme anexa, e relativamente ao PIS, ainda não teria solicitado a habilitação do crédito. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001337/0013 Resolução nº 1102000.188 S1C1T2 Fl. 399 4 Ao final, requer o provimento do recurso para que seja deferido o pleito de compensação, reconhecendose como válido o valor creditório apresentado para tanto. Antes de o processo ser remetido para o CARF, a delegacia de origem entendeu que o direito creditório havia sido definido pelo mesmo despacho decisório citado pela recorrente, ou seja, aquele proferido nos autos do processo nº 10166.000417/200394. Com isso, visando uniformidade de procedimento com relação a todas as compensações com origem no mesmo direito creditório, as quais foram pleiteadas em diversos processos, procedeu à elaboração de um relatório denominado Demonstrativo Analítico de Compensação por meio do Sistema Operacional – SAPO, no qual detalha a situação de compensação de todos os pedidos por entender que o direito creditório é suficiente. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio Como se vê, pelo que foi relatado entre a prolação do acórdão recorrido e a chegada dos autos para julgamento no CARF, deuse conhecimento a fatos de fundamental importância para o deslinde da questão que se apresenta na presente demanda. Ao que parece, a delegacia de origem teria reconhecido um crédito de saldo negativo do IRPJ, referente ao anocalendário de 1999, no montante de R$ 3.058.784,23. Com efeito, o referido despacho decisório, nos itens 19 a 21, assim se manifestou: 19. Desta forma temse, dividido por código de arrecadação, o total de retenção no ano calendário de 1999 conforme consolidado na Tabela 2 (fl. 214). Portanto, o montante passível de utilização para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 a título de IRRF é de R$ 3.058.784,23. 20. Como a contribuinte não apurou imposto devido no anocalendário de 1999 e sofreu retenções no valor de R$ 3.058.784,23, o montante total passível de utilização com crédito de saldo negativo de IRPJ seria de R$ 3.058.784,23. Mas a contribuinte optou neste processo a solicitar com crédito apenas o valor de R$ 393.416,18 (fl. 02). 21. Portanto validase, como optou a contribuinte, o montante de R$ 393.416,18 como crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Não obstante a recorrente ter informado em sua DIPJ, referente ao ano calendário de 1999, que havia apurado um saldo negativo no valor de R$ 3.199.593,37, o despacho decisório só teria reconhecido o crédito referente à R$ 3.058.784,23. Essa Fl. 399DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001337/0013 Resolução nº 1102000.188 S1C1T2 Fl. 400 5 constatação é inclusive confirmada pela própria recorrente no documento que juntou às fls. 385 do processo em papel. Diante disso, a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT – da delegacia de origem elaborou o mencionado relatório do Sistema Operacional – SAPO (fls. 333 a 374 do processo em papel), no qual detalha a situação dos pedidos de compensação de 111 débitos, reunidos em diversos processos, inclusive o presente, e perfazendo um total de R$ 1.990.071,66, por entender que o direito creditório reconhecido seria suficiente. Contudo, não ficou claro se o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 efetivamente reconheceu os R$ 3.058.784,23 como crédito referente ao saldo negativo do IRPJ de 1999 ou se apenas reconheceu os R$ 393.416,18 utilizados na compensação do referido processo. A dúvida exsurge, principalmente, a partir do que está estatuído no item 21 do despacho decisório. Além disso, não ficou também claro se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório (conforme seu item 19), estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98, inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Ademais, há que se aferir também a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização dos pedidos em que solicita compensação com débitos de terceiros. De fato, o artigo 15 da IN/SRF nº 21/97, autorizado pelas disposições legais então vigentes, assim dispunha: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (grifo nosso) Portanto, tratase de verificar se a contribuinte possuía débitos de sua própria titularidade em aberto quando protocolou o pedido. As alegações e documentos juntados pela recorrente em suas razões complementares, apesar de sugestivas dessa inexistência de débitos, não se prestam à comprovação efetiva da condição estabelecida na norma. Em face do exposto, proponho a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: 1. Confirmar se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 (conforme seu item 19) estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98 inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Observar que junto aos pedidos a requerente havia anexado demonstrativos das retenções efetuadas, cópias Fl. 400DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001337/0013 Resolução nº 1102000.188 S1C1T2 Fl. 401 6 de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 4 a 179 do processo em papel). 2. Verificar a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização do pedido em que solicita compensação com débitos de terceiros (fls. 03 do processo em papel). Para os itens solicitados, deverá ser lavrado relatório de diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 401DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13839.903618/2009-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 03 61 8/ 20 09 -6 9 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903618/200969 Resolução nº 3801000.607 S3TE01 Fl. 140 2 Relatório Trata o presente caso de Declaração de Compensação transmitida pela Recorrente em 12/12/2005 através da qual se objetivou a compensação de débitos da COFINS referentes ao período de apuração de novembro/2005 . Segundo a Recorrente, os créditos que embasariam referida compensação teriam sua origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e do COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo artigo 14, § 2°, inciso 1, da Medida Provisória n°. 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. Anotese que referidos créditos foram objeto do Pedido de Ressarcimento n.º 42035.92450.170604.1.2 043900, em discussão no processo n.º 13839.912089/201117, transmitido em 17/06/2004, referentes ao período de apuração de agosto de 1999. O pleito foi indeferido conforme Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, que restou julgada improcedente pela DRJ de origem, conforme acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. PIS. CRÉDITO VEDADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903618/200969 Resolução nº 3801000.607 S3TE01 Fl. 141 3 Não poderá ser objeto de compensação o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário de fls, perpetrando os mesmos argumentos suscitados em sua defesa inicial. É o que importa relatar. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903618/200969 Resolução nº 3801000.607 S3TE01 Fl. 142 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, o principal fundamento apontado pelo acórdão da DRJ de origem para o indeferimento do pleito consiste no fato do Pedido de Ressarcimento em que são efetivamente discutidos os créditos utilizados na Compensação ora pleiteada, estarem sendo tratados nos autos de outro processo administrativo, impossibilitando assim sua análise nos presentes autos. Nesse sentido, havendo vinculação desse processo ao ressarcimento supra apontado e dependendo o resultado da compensação do crédito ainda em discussão no processo administrativo n.º 13839.912089/201117, voto por converter o presente julgamento em diligência para os fins de remetêlo à DRF de origem para que aguarde o julgamento final do mesmo e após junte cópia integral a esse processo, retornandoo para julgamento nesse Conselho. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10166.900150/2009-22
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA.
A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 50 /2 00 9- 22 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900150/200922 Acórdão n.º 3803004.726 S3TE03 Fl. 105 2 Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Brasília/DF que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 15.182,82, e não homologara a respectiva declaração de compensação, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação da notificação de lançamento, em razão da existência de vícios decorrentes da inobservância dos preceitos estabelecidos para a constituição da exação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) sem fundamentação alguma, a fiscalização deixara de considerar os saldos credores do PIS existentes em decorrência de recolhimento a maior, procedimento esse operado em desconformidade com o disposto no artigo 14 da Instrução Normativa SRF n° 21/97, em que se determina que a compensação de créditos pode se efetivar independentemente de requerimento da parte interessada; b) a Fazenda não poderia simplesmente indeferir o pedido formulado e efetuar o lançamento da diferença sem a devida ação fiscal, esta destinada a apurar o direito de se compensar ou não o referido valor, nos termos do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972; c) a atuação da Fazenda Nacional feriu também, de forma clara, o direito de defesa e o contraditório, configurandose expressamente cerceamento aos referidos princípios estabelecidos no art. 5º , inciso LV, da Constituição Federal, assim como no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. A DRJ Brasília/DF não reconheceu o direito creditório, por ausência de comprovação do indébito reclamado, afastandose a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, em razão do fato de que a decisão denegatória da homologação de compensação não se confundiria com a notificação de lançamento prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dado que o débito declarado pelo contribuinte em PER/DCOMP constituiria confissão de dívida. Cientificado da decisão em 16 de abril de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de maio do mesmo ano e requereu a reforma da decisão de primeira instância, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo alegado, ainda, o seguinte: a) “a dimensão do direito de defesa, viabilizado por meio do exercício do contraditório (binômio informaçãopossibilidade de reação), não pode ser compreendida como simples direito de manifestação no processo”, pois engloba, também, “o direito de informação, o direito de manifestação e o direito de ver os seus argumentos considerados”, devendo a defesa do sujeito passivo ser ampla e prévia à decisão a ser tomada, conforme posição externada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ocasião do julgamento do MS nº 22.693/SP; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900150/200922 Acórdão n.º 3803004.726 S3TE03 Fl. 106 3 b) “uma vez vilipendiado o direito de defesa amplo e prévio à decisão, essa mesma decisão passa a ficar destituída de motivação justamente nos pontos em que os argumentos e as provas eventualmente declinados pela parte acusada deveriam ser considerados e sopesados”. Em 3 de julho de 2012, juntaramse aos autos nova peça recursal, sem qualquer identificação da data de seu recebimento, e cópia da DCTF retificadora, esta transmitida para se corrigir o erro cometido no preenchimento da DCTF original, procedimento esse, segundo o Recorrente, autorizado pelo art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008. Requereuse, então, o provimento da retificação da DCTF, a fim de que a decisão de não homologação da compensação fosse reformada, tendo em vista que a DCTF retificadora teria a mesma natureza jurídica da declaração originária, substituindoa integralmente, servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em relação ao aditivo ao recurso voluntário, dada a inexistência de informação acerca da data de sua recepção, ele também é considerado tempestivo. De início, registrese que se mostram descabidos os argumentos apresentados pelo Recorrente para requerer a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, uma vez que esta se pautou pelas regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, tendo aquela autoridade se pronunciado com base nos elementos fáticos e de direito presentes nos autos. Nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade e o recurso apresentados pelos contribuintes para se contraporem às decisões administrativas relativas à compensação tributária devem obedecer o rito processual do PAF. No voto condutor do acórdão recorrido, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a ausência de comprovação do indébito reclamado, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, em razão do fato de que, diferentemente do alegado pelo então Manifestante, a decisão denegatória da homologação de compensação não se confundiria com a notificação de lançamento prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dado que o débito declarado pelo contribuinte em PER/DCOMP constituiria confissão de dívida. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900150/200922 Acórdão n.º 3803004.726 S3TE03 Fl. 107 4 Ressaltese que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Notese que o julgador administrativo, a par da defesa dissonante do contribuinte, que apenas alegara a existência de vícios no despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, deixou claro que os argumentos do requerente não se encontravam em consonância com a matéria controvertida nos autos. Conforme constou do voto condutor do acórdão recorrido, a não homologação da compensação sempre é comunicada ao interessado, sendolhe informados os motivos da recusa, assim como procedida à cobrança do débito indevidamente compensado. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900150/200922 Acórdão n.º 3803004.726 S3TE03 Fl. 108 5 Destacou, ainda, o relator a quo, que, tendo o sujeito passivo discordado dos motivos que levaram à recusa da compensação, a ele fora assegurado o direito de expressar a sua irresignação em manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Lei nº. 10.833, de 2003. Inexiste, portanto, qualquer preterição do direito de defesa do Recorrente. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Além da nulidade argüida, o Recorrente trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora, esta apresentada após a ciência do despacho decisório, e requereu a reforma da decisão de não homologação da compensação, alegando que a DCTF retificadora teria a mesma natureza jurídica da declaração originária, substituindoa integralmente. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse as alterações promovidas na declaração. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Para se comprovar o direito creditório, há a necessidade de se trazerem aos autos a respectiva escrituração contábilfiscal e a documentação que a lastreia, documentos esses consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovar o direito pleiteado, não havendo nada que demonstre as alegações do Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada inoperância da Fiscalização. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao alegar a necessidade de instauração prévia de ação fiscal para se analisar o seu pedido, pois aqui se está diante de provas que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900150/200922 Acórdão n.º 3803004.726 S3TE03 Fl. 109 6 A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900150/200922 Acórdão n.º 3803004.726 S3TE03 Fl. 110 7 Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da prolação do despacho decisório. Nesse contexto, voto por voto por REJEITAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por total falta de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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