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Numero do processo: 44021.000263/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA -GFIP SEM INFORMAÇÃO DE EMPRESA CONTRATANTE -
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - - NULIDADE - DECADÊNCIA - Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação.
MULTA - PRIMARIEDADE - PREVISÃO LEGAL PARA MULTA.
O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Porém a simples primariedade do recorrente não é suficiente para atenuação ou relevação da multa, devendo ser cumpridos os requisitos do art. 291 da Lei 8212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA -GFIP SEM INFORMAÇÃO DE EMPRESA CONTRATANTE - PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - - NULIDADE - DECADÊNCIA - Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. MULTA - PRIMARIEDADE - PREVISÃO LEGAL PARA MULTA. O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Porém a simples primariedade do recorrente não é suficiente para atenuação ou relevação da multa, devendo ser cumpridos os requisitos do art. 291 da Lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP SEM INFORMAÇÃO DE EMPRESA CONTRATANTE PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NULIDADE DECADÊNCIA Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontramse alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. MULTA PRIMARIEDADE PREVISÃO LEGAL PARA MULTA. O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Porém a simples primariedade do recorrente não é suficiente para atenuação ou relevação da multa, devendo ser cumpridos os requisitos do art. 291 da Lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 02 63 /2 00 7- 21 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000263/200721 Acórdão n.º 2403002.201 S2C4T3 Fl. 57 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV, § 1º, que consiste em a empresa deixar de apresentar documentos solicitados pela fiscalização. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 06) a apresentou Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) sem informar as empresas para quem prestou serviços mediante cessão de mãodeobra. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou procedente a autuação através do Acórdão 0532.789, que restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 ELABORAR GFIP SEM INFORMAR A EMPRESA CONTRATANTE DO SERVIÇO. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) sem informar as empresas para quem prestou serviços mediante cessão de mão deobra constitui infração à legislação previdenciária, nos termos do artigo 32, inciso IV e § Io , da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o § 5o do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1.999. DECADÊNCIA. O Fisco tem o prazo de cinco anos para autuar contribuinte por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1.966. RELEVAÇÃO DA MULTA. Nos termos do inciso I do artigo 291 do RPS, para que a empresa tenha direito à relevação da multa é imprescindível que tenha corrigido a falta dentro do prazo para a apresentação de defesa, o qual não pode ser prorrogado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com referida decisão a empresa apresenta recurso a este conselho onde alega em síntese: Inicialmente sustenta a nulidade da decisão recorrida por vício formal porquanto o julgado de primeira instância, embora tenha reconhecido parcialmente a decadência com relação a diversas infrações cometidas pela recorrente, na redação da parte dispositiva entendeu pela total improcedência da impugnação. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 No mérito pugna pela aplicação da retroatividade benigna contida no art. 106 do Código Tributário Nacional, em face da Medida Provisória nº 449/2008. Defende ainda a relevação da multa pela aplicação do art. 291, § 1º do Decreto 3048/99 pois, segundo entende, a recorrente teria cumprido todas as exigências previstas na referida legislação, tendo requerido prazo suplementar de 60 dias para sanar a falta, o que foi indeferido pelo julgador ad quo, o que impediu a recorrente de fazer a retificação dos documentos. Tendo em vista tal indeferimento, espera que deste colegiado, a conversão do julgamento em diligência para permitir que a recorrente junte a documentação devidamente retificada, com a relevação da penalidade aplicada. Por fim, requer: Seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância ou, sucessivamente, seja o julgamento convertido em diligência nos termos acima expostos, caso contrário, seja aplicada a retroatividade benigna para redução da multa. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000263/200721 Acórdão n.º 2403002.201 S2C4T3 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese a irresignação da recorrente contra a presente autuação, seus argumentos não merecem prosperar. DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A recorrente pretende ver declarada a nulidade da decisão de primeira instância por entender ter ocorrido vício formal no julgamento. Seu entendimento encontrase equivocado. Ao analisar a questão da decadência, o julgador ad quo deixou claro em seu voto, as razões pelas quais deixou de aplicar tal instituto. Inobstante a aplicação do prazo decadencial do CTN, nos termos do artigo 173, inciso I, ou do 150, § 4º, não há como se acolher a pretensão da recorrente relativamente a períodos já fulminados pela decadência, bem como outros dentro do prazo decadencial encimado. É que, como é do conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, tratandose de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de parte do período já ter sido alcançado pela decadência, não tem o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente, devendo ser rejeitada a decadência pretendida, o que corretamente foi feito no julgamento ora guerreado. DA RELEVAÇÃO DA MULTA A relevação da multa pleiteada também deve ser rechaçada porquanto a interpretação tida pela recorrente, não nos parece a mais correta. Ora, façamos a leitura do art. 291, § 1ª do Decreto 3048/99, mencionado no recurso, para analisarmos os argumentos da empresa autuada: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § Io A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifei) Da análise, ainda que superficial, do dispositivo acima mencionado, não resta dúvidas quanto ao procedimento a ser adotado pela autuada para que seja beneficiada com a relevação da multa aplicada. É preciso, tanto formular o pedido como este deve ser comprovado conjuntamente com a correção da falta e ainda dentro do prazo de defesa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Do que se depreende dos autos, nenhum das exigências foram cumpridas. A recorrente tenta justificar seu pedido sob o argumento do número de autuações por ela suportadas. Tal fato não tem amparo legal para que lhe seja ampliado o prazo contido no Decreto 3048/99 ou em outro diploma legal. DA DILIGÊNCIA Pelas mesmas razões acima expostas, não há razão para que seja deferido o pedido de diligência. Caso assim o fizesse, este colegiado estaria suprimindo a letra da lei em detrimento de entendimentos subjetivos acerca da possibilidade de reabertura de prazo para a correção da falta cometida pela recorrente. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Ao contrário do que quer fazer entender a recorrente, a edição da MP 449/2008 em nada altera a multa aplicada na presente autuação. O valor constante no § 3º do art. 283 do Decreto 3048/99, mencionado pelo julgador de primeira instância como sendo de R$ 636,17 e que a recorrente quer ver aplicado no presente AI é o da redação original do decreto supra mencionado. Quando da ocasião da lavratura do presente auto, aquele valor, corrigido naquela data, correspondia ao valor da multa aplicada a recorrente. Portanto, não houve a redução da penalidade pretendida pela autuada, devendo a multa ser mantida nos patamares aplicados. No caso em apreço, o valor da autuação é o constante da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 77, de 11 de março de 2008 DOU de 12/03/2008 Art. 8º A partir de 1º de março de 2008: V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, previsto no seu art. 283, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos) a R$ 125.487,95 (cento e vinte e cinco mil quatrocentos e oitenta e sete reais e noventa e cinco centavos); Ante ao exposto voto no sentido de Conhecer do Recurso e Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902834/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3801-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl,- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 34 /2 00 8- 92 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902834/200892 Acórdão n.º 3801002.053 S3TE01 Fl. 81 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Campinas/SP: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento do campo relativo ao documento de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do crédito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim, requer a homologação da compensação por força da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o crédito requerido. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob a alegação de que o crédito tributário não foi provado e com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902834/200892 Acórdão n.º 3801002.053 S3TE01 Fl. 82 3 pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso e pede a homologação da compensação com base nos seguintes argumentos: (a) Que a retificação da DCTF pode ser procedida a qualquer momento; (b) que retificada a DCTF é possível identificarse o crédito da contribuinte; (c) Que a Receita Federal tem na sua base de dados as demais informações e documentos fiscais hábeis para comprovar o direito creditório, inclusive a DIPJ. É o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902834/200892 Acórdão n.º 3801002.053 S3TE01 Fl. 83 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado a Recorrente apresentou PER/DCOMP cujo crédito não foi reconhecido pelo sistema da Receita em decorrência de já ter sido alocado com outro débito em DCTF. Retificada a DCTF a contribuinte entende que está feita a demonstração do seu crédito e que não é necessário a produção de outras provas porque todos os dados estão nos bancos de dados da Receita. Entretanto, também é certo que a Contribuinte a qualquer momento e especialmente após instalado no processo administrativo fiscal por informação contrária deve a apresentar as provas de seu direito creditório, porque a DCTF, apesar de representar uma confissão de dívida, é uma declaração unilateral sujeita a exame para que se possa homologar as compensações pleiteadas. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo. É essa a informação que constou, inclusive no acórdão da DRJ, que se pronunciou acerca da ausência da prova do direito creditório – ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido – e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. A alegação da Recorrente de que todos os dados e provas estão na base da Receita, não havendo necessidade de prova suplementar, pode até parecer uma suposição interessante, mas o que é certo á que a inteligência da Receita Federal está ainda muito distante do PRISM, programa de vigilância eletrônica, denunciado pelo exagente da CIA, Edward Snowden. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902834/200892 Acórdão n.º 3801002.053 S3TE01 Fl. 84 5 Além disso, estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, competiria ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Assim, na hipótese da compensação declarada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito e sequer informou a origem dos mesmos. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902834/200892 Acórdão n.º 3801002.053 S3TE01 Fl. 85 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720094/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
Auto de Infração Debcad nº 37.318.079-9
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaídas as competências até junho de 2006.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCONGRUÊNCIA E CONTRADIÇÃO.
No presente caso, não há que se falar em nulidade do lançamento, haja vista que o objeto da autuação foi exposto de forma clara e precisa, oportunizando o contraditório ao Recorrente.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização às pessoas constantes naquela relação.
ENTREGA DE PRODUTO RURAL À COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO.
Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão as receitas ser apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa.
PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF.
Auto de Infração Debcad nº 37.318.082-9
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaídas as competências até junho de 2006.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com o artigo 62, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2 do CARF, e ainda com o art. 26-A do Decreto 70.235/1972, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência.
SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e destinadas à intervenção no domínio econômico, não se estendendo ao SENAR, que se trata de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
Autos de Infração Debcad nº 37.318.080-2 e 37.318.081-0
PRAZO DECADENCIAL POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I DO CTN.
Ressalvado o entendimento pessoal desta relatora, curvo-me ao posicionamento já sedimentado na Turma de que o prazo decadencial por descumprimento de obrigação acessória rege-se pelo art. 173, I do CTN, em qualquer hipótese.
FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. RECEITAS DECORRENTES DA EXPORTAÇÃO VIA COPERSUCAR. IMPROCEDÊNCIA.
Limitando-se as multas aplicadas à falta de declaração em GFIP das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação via COPERSUCAR, e tendo o lançamento da obrigação principal sido julgado improcedente, devem também ser afastadas as multas correspondentes, por falta de declaração em GFIP.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) declarar a decadência até a competência de 06/2006 nos Autos de Infração cadastrados sob o DEBCAD nº 37.318.079-9 e DEBCAD nº 37.318.082-9 (SENAR), ii) rejeitar as preliminares de nulidade, e iii) no mérito, dar provimento parcial para julgar improcedentes os Autos de Infração cadastrado sob os DEBCAD nº 37.318.079, nº 37.318.080-2 e nº 37.318.081-0.
Elias Sampaio Freire Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose de contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaídas as competências até junho de 2006. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCONGRUÊNCIA E CONTRADIÇÃO. No presente caso, não há que se falar em nulidade do lançamento, haja vista que o objeto da autuação foi exposto de forma clara e precisa, oportunizando o contraditório ao Recorrente. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização às pessoas constantes naquela relação. ENTREGA DE PRODUTO RURAL À COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão as receitas ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 94 /2 01 1- 86 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Auto de Infração Debcad nº 37.318.0829 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose de contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaídas as competências até junho de 2006. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 62, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do CARF, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência. SENAR. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e destinadas à intervenção no domínio econômico, não se estendendo ao SENAR, que se trata de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Autos de Infração Debcad nº 37.318.0802 e 37.318.0810 PRAZO DECADENCIAL POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 173, I DO CTN. Ressalvado o entendimento pessoal desta relatora, curvome ao posicionamento já sedimentado na Turma de que o prazo decadencial por descumprimento de obrigação acessória regese pelo art. 173, I do CTN, em qualquer hipótese. FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. RECEITAS DECORRENTES DA EXPORTAÇÃO VIA COPERSUCAR. IMPROCEDÊNCIA. Limitandose as multas aplicadas à falta de declaração em GFIP das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação via COPERSUCAR, e tendo o lançamento da obrigação principal sido julgado improcedente, devem também ser afastadas as multas correspondentes, por falta de declaração em GFIP. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 965 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) declarar a decadência até a competência de 06/2006 nos Autos de Infração cadastrados sob o DEBCAD nº 37.318.0799 e DEBCAD nº 37.318.0829 (SENAR), ii) rejeitar as preliminares de nulidade, e iii) no mérito, dar provimento parcial para julgar improcedentes os Autos de Infração cadastrado sob os DEBCAD nº 37.318.079, nº 37.318.0802 e nº 37.318.0810. Elias Sampaio Freire – Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 893918 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 870884, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração, no período compreendido entre 01/2006 a 12/2008, o qual exige: · AIOP/DEBCAD nº 37.318.0799: contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta auferida com a comercialização da produção rural, inclusive SAT/RAT. · AIOP/DEBCAD nº 37.318.0829: contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, ditas “terceiros” SENAR incidentes sobre a comercialização da produção rural. · AIOA/DEBCAD 37.318.0802: descumprimento da obrigação acessória de declarar em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias CFL 68. · AIOA/DEBCAD nº 37.318.0810: Apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. Segundo o Relatório Fiscal (fls.5264), ficou constatado que: O contribuinte atendeu às referidas intimações informando na resposta ao TIF nº 2 que “a empresa é associada à COPERSUCAR Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, cujo ato cooperado entre as partes implica na entrega, imediata e definitiva, da produção de açúcar e etanol nos estabelecimentos da cooperativa, os quais tornam patrimônio comum e indivisível dos cooperados” e que “o resultado da comercialização desses produtos, nos mercados interno e externo, é rateado para cada cooperado conforme estabelecido no estatuto da COPERSUCAR”. Informou ainda que “os contratos celebrados relativos às exportações diretas e indiretas ficam de posse da cooperativa em sua sede localizada no município de São Paulo, estado de São Paulo”. De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte em resposta às intimações, toda a produção de açúcar e álcool é comercializada via COPERSUCAR, tanto no mercado interno quanto para o mercado externo e, portanto, não comercializava diretamente o açúcar e álcool produzidos. Para isso, em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa, sendo que diariamente a usina emite notas de entrega para venda da produção de açúcar e álcool em favor da COPERSUCAR, que a partir daí fica investida da posse dos produtos. A COPERSUCAR comercializa os produtos dos mercados interno e externo e ao final de cada mês elabora Fl. 975DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 966 5 planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer Normativo PN/CST nº 66/86 PN 66, de 05 de setembro de 1986, publicado no DOU de 10 de setembro de 1986), conforme planilhas anexas apresentadas pela empresa. Com isso, a comercialização da produção rural para o mercado externo por intermédio da COPERSUCAR não está abrangida pela imunidade prevista na IN RFB nº 971/2009. Em 25/07/2011, o contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 690712) alegando, em síntese, que: · Os autos de infração ora impugnados referemse apenas às exportações de álcool e açúcar que foram feitas pela Recorrente por intermédio da COPERSUCAR sem intermediação de qualquer outra empresa, razão pela qual deverão ser consideradas como realizadas pela própria Recorrente. · Não há fundamento legal para a inclusão dos sócios no Auto de Infração ou em futura CDA, uma vez que não foi praticado nenhum ato infracional que justificasse tal inclusão, razão pela qual requereu a exclusão dos diretores e sócios do presente Auto. · A nulidade do Auto de Infração, diante da contradição e confusão ao estabelecer inicialmente que o objeto são as exportações realizadas pela Recorrente, via Coopersucar, e, posteriormente, aduzir que não consideram as operações realizadas pela Recorrente, via Coopersucar, como de mercado externo, mas sim de mercado interno. · A Recorrente apresentou todos os documentos requisitados pela fiscalização, os quais comprovam que as operações não foram de mercado interno, e sim de mercado externo. · As exportações realizadas por intermédio da cooperativa devem ser tidas como realizadas pela própria Recorrente, diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Isto porque, as operações entre esta e suas associadas são “transparentes”, não existindo venda da produção da cooperada para a cooperativa. · A ilegalidade e inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 245, da Instrução Normativa nº 03/2005, por ter extrapolado os limites que possuía, invadindo esfera reservada à legislação, ferindo também o princípio da estrita legalidade em matéria tributária. · A legislação prevê a necessidade de aplicação de penalidade mais benéfica ao contribuinte, quando a legislação nova comine penalidade menor do que a anterior (art. 106 e 112 CTN), devendo ser aplicada a multa que tiver menor expressão econômica. · A contribuição ao SENAR é inconstitucional, vez que a Lei 10.256/01 prevê a alíquota de 0,25% não sobre a folha de pagamento, como ocorre com o SENAI e SENAC, mas sim sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. Por fim, pleiteou que fosse julgado improcedente o lançamento diante da sua nulidade, e, eventualmente, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade das disposições contidas no §§ 1º e 2º art. 245 da IN 03/2005, art. 170 e §§1º e 2º da IN/RFB 971/2009. Requereu, ainda, a exclusão da multa de ofício, vez que inexiste infração. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente a autuação, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. CONSIGNAÇÃO DO PRODUTO A COOPERATIVA. Incidem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de comercialização da produção de agroindústria com cooperativa, ainda que o produto seja destinado à exportação. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO, ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal o Anexo “Relatório de Vínculos”, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Cabível a aplicação da multa de ofício no lançamento de contribuição previdenciária não declarada em GFIP, referente a período anterior à vigência da Lei nº 11.941/09, quando demonstrado ser esta mais benéfica ao contribuinte. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO; É devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categoria econômica. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 967 7 Constituiu infração de obrigação acessória a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e/ou com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão acima, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 893918, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Antes de adentrar no mérito das razões recursais aduzidas pela Recorrente, é necessário analisar se o lançamento em debate encontrase fulminado, no todo ou em parte, pela decadência. Como se sabe, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, o qual determinava o prazo decenal para o lançamento das contribuições previdenciárias, reconhecendo com efeitos vinculantes que tais contribuições sujeitamse às regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional, consoante Súmula Vinculante n. 8. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Ressaltese que, para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária devida pelo contribuinte, não sendo necessário que o recolhimento parcial se refira à rubrica específica que foi objeto do lançamento. No caso em apreço, o contribuinte foi cientificado da autuação em 25/07/2011, sendo nela exigidos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos desde janeiro de 2006 até dezembro de 2008. Se aplicado o artigo 173, I do CTN ao lançamento, não há que se falar em decadência, vez que o prazo decadencial se esgotaria em 01/01/2012, posteriormente, portanto, à data da notificação do lançamento. Aplicandose o artigo 150, §4o do CTN, contudo, estariam decaídas as competências de janeiro a junho de 2006, vez que o prazo decadencial relativo a essas competências esgotouse anteriormente a 25/07/2011, data da notificação do lançamento. Sendo assim, é necessário aferir se houve pagamento antecipado, ainda que parcial, de contribuição previdenciária nas competências cuja decadência pode vir a ser reconhecida, para que seja possível a aplicação do artigo 150, §4o do CTN. Diante do caso em análise, constatase que o presente auto de infração objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita decorrente da exportação, não sendo cobrado nenhuma parcela referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita que decorre das vendas no mercado interno. Dessa forma, devese concluir pelo contexto probatório que houve recolhimento antecipado das demais contribuições previdenciárias, razão pela qual se mostra forçoso reconhecer a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o do CTN, devendo, portanto, ser afastada a parcela do lançamento referida a esse período. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 968 9 Sendo assim, considerando que a Recorrente foi notificada em 25/07/2011, reconheço a decadência parcial da autuação, relativamente ao período até junho de 2006. Em seguida, cumpre analisar o argumento de nulidade do lançamento invocado pelo Recorrente, diante da suposta incongruência e contradição ao estabelecer que o objeto da autuação são as exportações realizadas pela Recorrente via cooperativa e posteriormente aduzir que não se consideram realizadas diretamente pela Recorrente as operações realizadas via cooperativa, considerandoas como de mercado interno. Da análise do Relatório Fiscal do Auto de Infração, verificase que inexiste qualquer incongruência ou contradição, vez que o Fiscal foi claro ao estabelecer que “estão sendo lançados no presente AI as contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no mercado externo via COPERSUCAR sem o devido recolhimento nos prazos legais” (fls. 57). Ou seja, a Fiscalização está considerando que, embora as operações com a COPERSUCAR tenha o fim específico de exportação, por haver a “intermediação” da cooperativa a exportação não foi direta, razão pela qual entende que tais vendas não estão albergadas pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Deste modo, não há que se falar em nulidade do lançamento, haja vista que o objeto da autuação foi exposto de forma clara e precisa, oportunizando o contraditório ao Recorrente. Passamos, então, à análise do mérito do recurso apresentado. A questão travada nos presentes autos gira em torno da obrigatoriedade de inclusão das receitas decorrentes da exportação, através de transação por intermédio de cooperativa, na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Como se sabe, o art. 149 da Constituição Federal determinou a não incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Vejamos o que determina o referido dispositivo constitucional: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; Como se vê, o legislador constitucional estabeleceu que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Ocorre, contudo, que, embora a Constituição Federal não tenha restringido o conceito de receita de exportação abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do Fl. 980DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 art. 149 da CF, o Poder Executivo, ao regulamentar esta previsão constitucional, através da IN SRP nº 03/2005, estabeleceu que apenas haverá a imunidade quando a receita de exportação decorrer de comercialização diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Vejamos o que dispõe o §1º do art. 245 do referido ato normativo: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Diante disso, o ponto fundamental para o deslinde da presente demanda reside em definir se as receitas das vendas precedidas pela Recorrente, por intermédio da COPERSUCAR, para o mercado externo, podem ser consideradas como receita decorrente de exportação e, por consequência lógica, se tal receita é imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. No relatório fiscal há a descrição da operação ora analisada: a COPERSUCAR, cooperativa da qual a Recorrente é associada, exporta açúcar e álcool para o mercado externo e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação. Entretanto, conforme veremos abaixo, o fato de a Recorrente exportar seus produtos por meio da COPERSUCAR para o mercado externo não afasta a aplicabilidade da imunidade prevista no art. 245 e seus parágrafos da IN 3/2005, visto que a cooperativa nada mais é do que uma projeção dos seus cooperados, sendo certo que, em termos práticos, seria como se a própria agroindústria estivesse exportando diretamente para o mercado externo. Isso porque, quando há transferência de produtos da cooperada para a cooperativa, não há que se falar em operação de mercado ou contrato de compra e venda, uma vez que se trata de ato cooperativo, conforme estabelece o art. 79 da Lei 5.764/1971. Vejamos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dessa forma, a cooperativa é uma extensão do cooperado, não havendo como enquadrar a entrega da produção à cooperativa como um ato de comércio, vez que não há transferência formal da propriedade, mas apenas a entrega do produto para que seja estocado até a sua venda para terceiros, momento em que o produtor irá receber os rendimentos por tal operação. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 969 11 A cooperativa nada mais é do que a união dos seus cooperados, que tem por objetivo promover a aproximação da atividade produtiva de seus membros ao usuário final dos bens produzidos, sem a intermediação lucrativa. Esse, inclusive, é o entendimento desta Turma, conforme se depreende da leitura do Acórdão n° 240100.6901: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PRODUTOR RURAL QUE EXPORTA A PRODUÇÃO ATRAVÉS DE COOPERATIVA. IMUNIDADE. Não descaracteriza a venda direta ao exterior, para configuração da imunidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, quando há exportação intermediada por cooperativa de produção rural, da qual o produtor seja membro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Concluise, portanto, que a entrega de produção rural pelo cooperado à cooperativa para posterior comercialização no mercado externo configura ato cooperativo, vez que a cooperativa é considerada como um prolongamento da atividade dos seus associados, não atuando em nome próprio ou na busca de resultados para si, mas sim para aqueles que representam. Nesse sentido é que as operações realizadas entre cooperativa e cooperado são operações “transparentes”, de forma que as exportações realizadas por cooperativas devem ser consideradas como tendo sido realizadas pelo próprio cooperado. Ademais, é importante esclarecer que, diferente do que entendeu a DRJ, a imunidade não deve ser interpretada de forma restritiva, mas sim de modo a atingir a finalidade do legislador constitucional ao criála. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal entende que é necessário estender o alcance dos dispositivos imunitórios em prol da observância da finalidade da norma criada pelo constituinte, senão vejamos: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Imunidade tributária da entidade beneficente de assistência social. Imprescindibilidade de o imóvel estar relacionado às finalidades essenciais da instituição. Interpretação teleológica das normas de imunidade tributária, de modo a maximizar o seu potencial de efetividade. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem flexibilizando as regras atinentes à imunidade, de modo a estender o alcance axiológico dos dispositivos imunitórios, em homenagem aos intentos protetivos do constituinte originário. 2. A Corte já reconhece a imunidade 1Processo n° 11070.001196/200727, Sessão de 25 de setembro de 2009, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 do IPTU para imóveis locados e lotes não edificados. Nesse esteio, cumpre reconhecer a imunidade ao caso em apreço, sobretudo em face do reconhecimento, pelo Tribunal de origem, do caráter assistencial da entidade. 3. Agravo regimental não provido. (STF, AI 742230 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 12/03/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe082 DIVULG 02052013 PUBLIC 0305 2013) Seguindo esta mesma linha, o Professor Roque Carrazza, ao apreciar as regras gerais de imunidade, a define como um limite constitucional à ação estatal de criar tributos e, sendo assim, desenvolve o seguinte raciocínio: Vai daí que as imunidades tributárias têm assento constitucional, motivo pelo qual o tema reclama análise sob a exclusiva óptica da Carta Magna. Deveras, o alcance desses benefícios não deve ser construído com base na normatividade infraconstitucional (v.g., no Código Tributário Nacional), mas apenas com apoio na própria Constituição Federal, que há de ser entendida e aplicada de acordo com os valores por ela consagrada. As normas imunizantes limitam e impedem que as normas de tributação atuem, por isso criam situações permanentes de não incidência, que nem mesmo a lei pode anular. É que a imunidade é, em si mesma, um princípio constitucional, que protege os interesses e valores fundamentais da sociedade. Como corolário, a Administração Fazendária não pode pretender tributos das categorias imunes, por impossibilidade jurídica de lei válida a respaldar tal pretensão. 2 (Grifamos) Desse modo, verificase que a norma constitucional que institui a imunidade não pode ser mitigada por lei, muito menos por ato normativo expedido pela autoridade administrativa. É preciso, então, que seja respeitada a limitação do exercício da competência imposta pelo legislador constituinte. Diante disto, cabe analisar o intuito do constituinte derivado ao instituir a imunidade das receitas de exportação em relação às contribuições sociais. Neste particular, é pertinente citar a justificativa da Proposta nº 277B/2000, que resultou na Emenda Constitucional n° 33/01: O dispositivo que desonera as receitas de exportação das contribuições sociais e das contribuições de intervenção no domínio econômico é bastante pertinente, e até mesmo imprescindível, pois, dada a acirrada concorrência no comércio internacional não se pode admitir qualquer forma de agregação de tributos a bens e serviços exportados.3 Do trecho acima transcrito, verificase, com bastante clareza, que a intenção do legislador constituinte ao introduzir essa norma imunizante foi a de desonerar os produtos 2 CARRAZZA, Roque Antônio. ICMS. 15ª edição, revista e ampliada, até a EC 67/2011, e de acordo com a Lei Complementar 87/1996, com suas ulteriores modificações. Editora Malheiros. 2011. Pg. 527528. 3Ítem 11 do Voto do Relator Basílio Villani. Link: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=24437&filename=Tramitacao PEC+277/2000 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 970 13 brasileiros destinados ao exterior, com o objetivo de tornálos competitivos no mercado internacional. Diante disto, interpretandose de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, inferese que a imunidade consagrada neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das vendas realizadas através de cooperativas cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. Até porque, em inúmeros casos, a comercialização direta com adquirente domiciliado no exterior é inviável, pelos custos envolvidos, tornandose necessária a participação de entidades intermediárias para efetivar esta transação, a exemplo da cooperativa. Entender de modo diverso seria o mesmo que negar a diversos pequenos produtores rurais ou agroindustriais o direito ao benefício da imunidade constitucionalmente garantido. Isso porque, estes produtores, em muitos casos, auferem receitas decorrentes de exportação por intermédio da cooperativa, que atua nesta transação comercial justamente para tornála viável. Diante deste cenário, entendo que a Receita Federal do Brasil extrapolou sua função meramente regulamentadora ao limitar a abrangência da referida norma imunizante para as operações de exportação direta, no §1º do art. 245 da IN SRP nº 03/2005, vigente à época dos fatos geradores. Ou seja, se o legislador constituinte estabeleceu, no art. 149 da CF, que as receitas decorrentes de exportação são imunes às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, não cabe à autoridade administrativa expedir ato normativo limitando tal imunidade apenas aos casos em que a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Por tais razões entendo que as receitas das vendas precedidas pela Recorrente, por intermédio da COPERSUCAR, para o mercado externo, não devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Seguindo este entendimento, tampouco há que se falar na incidência das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). No entanto, em relação à contribuição ao SENAR, o mesmo entendimento não deve ser aplicado, conforme passo a demonstrar. É assente na doutrina e na jurisprudência que a contribuição ao SENAR possui a natureza jurídica de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Tendo, portanto, a natureza de contribuições de interesse das categorias profissionais, a contribuição ao SENAR não está incluída na regra de imunidade prevista no inciso I, §2 º do art. 149 da Constituição Federal. Conforme transcrito em linhas acima, o referido artigo prevê em seu caput que “Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas”. Como se vê, existem três tipos de contribuições previstas no art. 149 da Constituição, quais sejam: (i) contribuições sociais stricto sensu; (ii) contribuições de intervenção no domínio econômico; e (iii) contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas. Entretanto, no §2º, inciso I, apenas encontrase prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Observese que se o termo “contribuições sociais” tivesse sido utilizado pelo constituinte em seu sentido amplo, para abranger as contribuições de interesse de categorias profissionais e as de intervenção no domínio econômico, não teria repetido esta última espécie na redação do já citado inciso I do § 2o do artigo 149. Logo, resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. Ainda em relação à contribuição ao SENAR, o Recorrente sustenta a inconstitucionalidade desta exação, uma vez que a Lei 10.256/01 prevê a alíquota de 0,25% sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção e não sobre a folha de pagamento, como ocorre com o SENAI e SENAC. No entanto, esse argumento levantado pela Recorrente não é cabível de ser apreciado em sede de processo administrativo fiscal, tendo em vista que não compete aos órgãos administrativos fiscais se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário, senão vejamos: Decreto 70.235/1972 – “Regula o processo administrativo fiscal”. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. *** Portaria 256/2009 – “Regimento interno do CARF” ANEXO II Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. *** Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 971 15 Por fim, passase à análise das multas aplicadas à Recorrente. Descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 37.318.0802 e 37.318.0810 Decadência Diante do reconhecimento da decadência parcial do crédito tributário relativo à obrigação principal, fazse necessário verificar, inicialmente, se a decadência também atinge as multas lançadas por descumprimento de deveres instrumentais que lhe são diretamente relacionados. Embora seja certo que o prazo decadencial aplicável para lançamento das contribuições previdenciárias é qüinqüenal e regese pelo Código Tributário Nacional, entendo que o prazo decadencial aplicável aos casos de descumprimento de obrigação acessória regese pelo mesmo prazo aplicável ao descumprimento da obrigação principal a que está relacionada. O descumprimento da obrigação acessória de declarar em Guias de Recolhimento do FGTS, bem como a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas, são infrações diretamente relacionadas à suposta falta de pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica e, como tal, sujeitamse ao mesmo prazo previsto para lançamento das contribuições que eventualmente tenham deixado de ser recolhidas. De fato, não faria sentido que a contribuição previdenciária que eventualmente tivesse deixado de ser recolhida estivesse fulminada pela decadência, enquanto a obrigação acessória a ela relacionada ainda pudesse dar ensejo à aplicação de penalidade ao contribuinte que a descumpriu. Sendo assim, tendo sido aplicado o art. 150, §4o às NFLD que se referem à falta de recolhimento da contribuição previdenciária e SENAR, incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação realizada via cooperativa, o mesmo dispositivo deveria servir de base para a contagem do prazo decadencial a que se sujeitam as multas lançadas por descumprimento das correlatas obrigações acessórias. No entanto, curvome ao posicionamento já consolidado nesta Turma, segundo o qual deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN para os casos de descumprimento de obrigação acessória, independentemente de tal obrigação decorrer ou não do descumprimento da obrigação principal. Sendo assim, adotandose o art. 173, I do CTN, resta afastada a decadência, vez que a notificação do contribuinte acerca do lançamento ocorreu em 25/07/2011, enquanto o prazo decadencial se encerraria em 01/01/2012. Afastada a decadência, passemos à análise das multas aplicadas à Recorrente. De acordo com o relatório fiscal (fls. 58), o auditor fiscal autuante, com o intuito de avaliar a legislação mais benéfica a ser aplicada, efetuou quadro comparativo de multas, na forma abaixo descrita: Para a aplicação da penalidade menos severa nas infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, de acordo com o contido na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, é do entendimento de Fl. 986DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 que se deve comparar as penalidades previstas nas legislações posterior e anterior à Lei nº. 11.941/09 para a mesma conduta, tanto na aplicação da multa isolada, quando houver apenas descumprimento de obrigação acessória, quanto na aplicação da multa de oficio, quando ocorrer a sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido. Na comparação das multas para a aplicação da mais benéfica devese excluir do cálculo o valor devido referente às contribuições para outras entidades e fundos. No caso das outras entidades e fundos a multa a ser aplicada será sempre a multa de mora do inciso I do art. 35 da Lei nº. 8.212/91 (24%), já que não existe a obrigação de declarar o valor devido destas contribuições. (...) 12.4. Na planilha de comparação de penalidades anteriores e posteriores à Lei nº. 11.941/2009 (COMPARATIVO DE MULTAS ANTERIOR E POSTERIOR A MP 449.pdf), prevista na Lei nº.11.941/2009 e SAFIS – Comparação de Multas, estão demonstrados por competência os valores das multas acima descritas e a comparação da legislação anterior e posterior. No presente caso, nas competências 11 e 12/2007 e 08 a 11/2008 verificouse que a multa anterior à estipulada pela Lei nº. 11.941/09 é mais benéfica ao contribuinte e nas demais competências a multa atual da Lei nº. 11.941/09 é a mais benéfica. Pelo que se vê da leitura do trecho acima, no caso das outras entidades e fundos, ou seja, da contribuição ao SENAR, a multa a ser aplicada será sempre a multa de mora, já que não existia a obrigação de declarar o valor devido dessas contribuições. Diante disso, inferese que, no cálculo das multas por descumprimento de obrigação acessória, o fiscal autuante não levou em consideração a falta de declaração dos valores devidos ao SENAR sobre as receitas de exportação, mas apenas a falta de declaração das contribuições previdenciárias e SAT sobre as receitas de exportação efetuadas via Copersucar. Desse modo, considerando que foram afastadas por completo as contribuições previdenciárias devidas sobre as receitas de exportação efetuadas via Copersucar, sendo mantidas apenas as contribuições devidas ao SENAR, devem ser julgados improcedentes os Autos de Infração decorrentes do descumprimento de obrigação acessória. Vale ressaltar que, se não fossem julgados improcedentes os Autos de Infração em comento, os mesmos deveriam ser julgados nulos, vez que, além de o relatório fiscal ser contraditório e confuso, não diferenciando de maneira apropriada o Auto de Infração que decorre do DEBCAD 37.318.0802, do relativo ao DEBCAD 31.318.0810, o quadro comparativo de fls. 670 não aponta a origem dos valores ali indicados, nem explica a metodologia adotada. Tais circunstâncias acabam por cercear do direito de defesa do Recorrente, que não consegue sequer compreender a forma de cálculo das multas aplicadas. A despeito da nulidade que vicia o lançamento das multas isoladas, devem os autos de infração objeto dos DEBCAD 37.318.0802 e 37.318.0810 ser julgados improcedentes, em decorrência da improcedência da cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas de exportação auferidas via Copesucar. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15956.720094/201186 Acórdão n.º 2401003.187 S2C4T1 Fl. 972 17 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer, quanto aos DEBCAD 37.318.079 9 e 31.318.0829, a decadência dos fatos geradores ocorridos até junho de 2006, e, quanto ao mérito, julgar: · IMPROCEDENTE o Auto de Infração cadastrado sob os DEBCAD nº 37.318.0799 (exportações via Copersucar); · PROCEDENTE o Auto de Infração cadastrado sob os DEBCAD 37.318.0829 (SENAR); · IMPROCEDENTES os Autos de Infração cadastrados sob os DEBCAD 37.318.0802 e 37.318.0810, vez que decorrem da falta de declaração das contribuições relacionadas ao DEBCAD 37.318.0799, julgado improcedente. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 10920.002773/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência .
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
RELATÓRIO.
Na forma da Resolução n° 2403-000.061, de 18 de abril de 2012, exarada por esta E. Turma, resolveram os membros do Colegiado, em converter o julgamento em diligência.
Transcrito das fls. 1.304, se observa determinado conferir vistas aos sujeitos passivos, verbis:
Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas aos sujeitos passivos, abrindo-se prazo normativo para eventual manifestação.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência . Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RELATÓRIO. Na forma da Resolução n° 2403-000.061, de 18 de abril de 2012, exarada por esta E. Turma, resolveram os membros do Colegiado, em converter o julgamento em diligência. Transcrito das fls. 1.304, se observa determinado conferir vistas aos sujeitos passivos, verbis: Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas aos sujeitos passivos, abrindo-se prazo normativo para eventual manifestação.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência . Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 02 77 3/ 20 07 -8 7 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10920.002773/200787 Resolução nº 2403000.182 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO. Na forma da Resolução n° 2403000.061, de 18 de abril de 2012, exarada por esta E. Turma, resolveram os membros do Colegiado, em converter o julgamento em diligência. Transcrito das fls. 1.304, se observa determinado conferir vistas aos sujeitos passivos, verbis: “Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas aos sujeitos passivos, abrindose prazo normativo para eventual manifestação.” Às fls. 1.319, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade alegando que não fora intimada do Acórdão que determinou a conversão do julgamento em Diligência e que somente o fora da resposta do Auditor Fiscal . Na seqüência alegou que também não fora intimada para apresentar novos documentos, julgados pela Autoridade aututante como insuficientes para apurar a integralidade do alegado, o que demonstraria que a diligência em tela foi realizada às escuras, sem conceder à requerente o seu direito de defesa, inviabilizando a busca da verdade material e por essa razão, impossibilitando a colaboração com o julgamento do presente processo. Continuando, afirmou que nas circunstâncias se observa maculado o princípio do contraditório e ampla defesa restando configurado evidente cerceamento de que justifica a nulidade da diligência realizada de maneira contrária do processo administrativo tributário, bem como aos constitucionais norteadores da relação jurídicotributária. Concluiu pedindo nova diligência nos moldes legais. É o relatório. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10920.002773/200787 Resolução nº 2403000.182 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Tempestiva a manifestação, acolhoa. O pleito tem previsão do art. 28 da Lei n° 9.784/99,verbis: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.”( grifos de minha autoria) Aduz que tal determinação é feita sob o comando do § 4° do art. 63 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, verbis: “ § 4° Dos acórdãos será dada ciência ao recorrente ou ao interessado e, se a decisão for desfavorável à Fazenda Nacional, também ao seu representante.” Assim, diante do exposto, destacando não se tratar de caso de nulidade, cabe reparar o procedimento em nome do devido processo, da ampla defesa e do contraditório. CONCLUSÃO Determino o retorno dos autos às origens para que a Recorrente seja intimada do inteiro teor da Resolução bem como ao Auditor, se quiser, refaça suas respostas dado que , muito embora o objeto seja o mesmo, tratase, na essência, de nova diligência. Após, reenvie ou informe a nova redação ao contribuinte abrindose novos prazos para eventual manifestação. É como voto. Ivacir Julio de Souza Relator Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10730.001550/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Somente são dedutíveis a título de pensão alimentícia as importâncias devidamente comprovadas e pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, a partir de 05/01/2007, nos termos de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei 5.869/1973. A dedução é legítima a contar da data de ajuizamento da ação judicial na qual foi veiculado o acordo, pagamento feitos antes dessa data são indedutíveis.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que restabeleça R$3.600,00 (três mil e seiscentos reais) de dedução de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis a título de pensão alimentícia as importâncias devidamente comprovadas e pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, a partir de 05/01/2007, nos termos de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei 5.869/1973. A dedução é legítima a contar da data de ajuizamento da ação judicial na qual foi veiculado o acordo, pagamento feitos antes dessa data são indedutíveis. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que restabeleça R$3.600,00 (três mil e seiscentos reais) de dedução de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis a título de pensão alimentícia as importâncias devidamente comprovadas e pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, a partir de 05/01/2007, nos termos de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei 5.869/1973. A dedução é legítima a contar da data de ajuizamento da ação judicial na qual foi veiculado o acordo, pagamento feitos antes dessa data são indedutíveis. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que restabeleça R$3.600,00 (três mil e seiscentos reais) de dedução de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 15 50 /2 00 8- 11 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de glosa de: a) dedução de pensão alimentícia de R$16.278,28 por falta de comprovação; b) despesa médicas de R$5.455,24 em relação ao CNPJ 28.630.531/000187 por se tratar de despesa indedutível; c) despesas médicas de R$4.000,00 e R$420,00, referente aos CPF 899.130.94704 e 785.009.23768, respectivamente, por não constar o endereço nos recibos; d) omissão de rendimentos pagos pela Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda no valor de R$863.23. A impugnação restringiuse aos itens “a” e “c” apontados acima. O acórdão recorrido restabeleceu a dedução de R$4.000,00 do item “c”, porem rejeitou a dedução da outra cujo valor é R$420,00, quanto ao item “a”, restabeleceu pensão alimentícia no valor de R$5.918,28 que reputou comprovado pela documentação apresentada em sede de impugnação. O impugnante foi intimado da decisão em 10/08/2011. A sucinta peça recursal foi apresentada em 01/09/2011 com alegação de que foi injusta a glosa da pensão paga em favor do filho Matheus Daflon Assad, por intermédio de Liliane Lutterback Daflon, e que em virtude da dificuldades de obter cópia de cheques, apresenta declaração da Srª Liliane, com firma reconhecida, bem como cópias dos cheques (canhotos) que deram origem aos pagamentos, que eventual dúvida pode ser esclarecida pela Srª Liliane. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio referese exclusivamente à dedução de pensão alimentícia em favor do filho Matheus Daflon Assad, por intermédio da Srª Liliane L. Daflon. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.001550/200811 Acórdão n.º 2802002.473 S2TE02 Fl. 100 3 O recorrente pleiteia o restabelecimento do valor declarado (R$9.970,00) que foi integralmente glosado. No acórdão recorrido essa dedução não foi admitida por falta de comprovação, uma vez que, apesar de o impugnante ter juntado o acordo homologado judicialmente em 07/12/2004 e alegado o pagamento em cheque e ter solicitado à Instituição Financeira as cópias dos documentos correspondentes em 10/01/2008, não os apresentou. Com a peça recursal o recorrente carreia aos autos declaração da Srª Liliane de que recebeu no anocalendário 2004 o valor de R$9.970,00 referente à pensão alimentícia em comento, bem como apresenta canhotos de seis cheques supostamente depositados, cujas cópias microfilmadas teriam sido solicitadas ao Banco, contudo não anexadas aos autos. Um fato incontroverso é a homologação judicial em 07/12/2004. A petição do acordo foi ajuizada em 04/11/2004. Os canhotos de cheques referemse a cheques que teriam sido emitidos entre 02/07/2004 e 06/12/2004 e somam R$9.970,00, o mesmo valor que a Srª Lílian declarou ter recebido. Conforme disposto na alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei 9.250/1995, somente são dedutíveis a título de pensão alimentícia as importâncias pagas em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente, de forma que não são dedutíveis valores pagos antes de haver o acordo homologado judicialmente que fixou a pensão em 8 salários mínimos a serem pagos até o dia 5 de cada mês. Para que não se prejudique o contribuinte em razão da mora do Poder Judiciário em homologar o acordo, a dedução, uma vez comprovado o pagamento, é possível a contar da data de ajuizamento da ação judicial de dá origem ao acordo. Pagamentos porventura feitos antes do ajuizamento da petição de acordo judicial são considerados mera liberalidade e indedutíveis. Destarte, a comprovação do pagamento só tem valia em relação a pagamentos feitos após o ajuizamento da petição judicial de acordo para pagamento de alimentos, o que corresponde aos dois últimos canhotos de cheques no valor de R$1.800,00 cada, que foram citados nas solicitações de microfilmagem. Não há indícios de inidoneidade nas informações prestadas pelo recorrente e pela Srª Lílian. Diante das circunstâncias e com amparo no princípio do formalismo moderado a documentação apresentada é hábil e idônea para comprovar o pagamento de pensão alimentícia dentro dos limites acima definidos. Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que restabeleça R$3.600,00 (três mil e seiscentos reais) de dedução de pensão alimentícia. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10480.916791/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO INDICADO EM DOCUMENTO RETIFICADOR. INAPLICABILIDADE.
Tendo sido apresentada DCTF retificadora, que importa em confissão de dívida, inaplicável o instituto da denúncia espontânea sobre o montante ali indicado.
Numero da decisão: 3802-001.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes,Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO INDICADO EM DOCUMENTO RETIFICADOR. INAPLICABILIDADE. Tendo sido apresentada DCTF retificadora, que importa em confissão de dívida, inaplicável o instituto da denúncia espontânea sobre o montante ali indicado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes,Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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DÉBITO INDICADO EM DOCUMENTO RETIFICADOR. INAPLICABILIDADE. Tendo sido apresentada DCTF retificadora, que importa em confissão de dívida, inaplicável o instituto da denúncia espontânea sobre o montante ali indicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes,Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 67 91 /2 00 9- 36 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório A contribuinte COMPANHIA HIDRO ELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1134.460, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO NO RECIFE – DRJ/REC, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 26518.91637.060707.1.7.046433, fls. 001 a 005), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em, 06/07/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS, cobrança nãocumulativa, apresentando o DARF as seguintes características: (...) Na DCOMP sob análise (que seria, então, um "Filhote", ou seja, um novo aproveitamento do que teria restado de um mesmo crédito, informado em outra DCOMP), pretendeuse utilizar uma parcela daquele pagamento, no valor original de R$ 30.762,33, que, com o acréscimo da Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito do IRRF, Código 3426, relativo ao 30 decêndio de agosto/2006, vencimento 05/09/2006, no valor de R$ 37.834,59. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações — SCC, e, constatada a inexistência de direito creditório, a compensação não foi homologada pela autoridade competente — no caso, o titular da DRF/Recife —, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis, tudo conforme Despacho Decisório emitido eletronicamente, N° de Rastreamento 851559396 (fls. 005 a 007), do qual o contribuinte foi cientificado, por via postal, em 03/12/2009 (fls. 009). DARF foi encontrado nos Sistemas de RFB, mas não foi reconhecido, como já dito, para esta DCOMP, qualquer direito creditório, pois todo o valor do pagamento já teria sido utilizado, conforme detalhado no corpo do Despacho Decisório, e resumido a seguir, com uma pequena inversão na ordem das utilizações, para melhor compreensão do que será aqui abordado: (...) Irresignada a interessada apresentou, em 30/12/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 010 a 012), onde diz, em resumo, que o pagamento a destempo foi decorrente de uma interpretação da legislação, que depois se conformaria equivocada, no que tange ao regime a ser adotado na apuração Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.916791/200936 Acórdão n.º 3802001.756 S3TE02 Fl. 112 3 da Contribuição para o PIS sobre a receita de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003. A empresa vinha se utilizando do regime cumulativo até que, em 2005, passou a entender que, em função dos preços que teriam sido reajustados pelos índices de variação monetária, estaria descaracterizado, em primeira análise, o preço determinado previsto no contrato original, levando à necessária adoção do regime nãocumulativo, inclusive retroativamente, o que implicou o pagamento, em atraso, da diferença decorrente desta mudança. Em 02/05/2005, protocolizou denúncia espontânea (fls. 028 e 029), prevista no art. 138 do CTN, acompanhada de diversos pagamentos, dentre os quais o que seria a origem do crédito utilizado na DCOMP em tela. Conforme já visto, o DARF não contempla a multa de mora, o que a empresa procura justificar na denúncia espontânea, ressaltando que “os valores dos referidos tributos foram recolhidos fora dos seus vencimentos, acrescidos de juros de mora sem incidência de multas, antes do início de quaisquer procedimentos administrativos ou medidas de fiscalização por parte do fisco”. Com o advento da Lei nº 11.196/2005, no entender da interessada, a dúvida teria sido dissipada, já que estaria expresso que a simples correção dos preços não descaracterizaria o preço predeterminado e, portanto, não traria alterações ao contrato original: Art. 109 Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a varação ponderada dos custos de insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Assim, a CHESF voltou a aplicar o regime cumulativo às receitas em questão, também retroativamente, o que levou, após o recálculo, à identificação de valores pagos a maior, os quais se constituiriam então em créditos contra a Fazenda Pública, passíveis de utilização para compensação. Analisando os valores consignados no Despacho Decisório, em confronto com os informados nas DCTF, a empresa chega logo à conclusão de que o objeto da cobrança seria precisamente a multa de mora que deixou de ser incluída no pagamento extemporâneo, procedimento, segundo a reclamante, “justificado mediante denúncia espontânea com características especiais.” “Como a denúncia espontânea ainda está sob análise”, entende que “a referida cobrança neste momento é inadequada, permitindo assim, a utilização do crédito pela PER/DCOMP.” Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Ao final, requer “o cancelamento do cobrança do débito de R$37.834,59”. É que importa relatar.” Os motivos fornecidos pela 2ª Turma da DRJ de Recife para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denúncia seja espontânea, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. COBRANÇA DA PARCELA NÃO HOMOLOGADA. Constatada insuficiência de crédito para fazer frente aos débitos declarados em DCOMP, cabe a cobrança da parcela não homologada, com os acréscimos legais cabíveis (§§2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega reiterando os argumentos aventados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Inicialmente cumpre esclarecer a situação enfrentada nos presentes autos para que não pairem quaisquer dúvidas acerca do posicionamento aqui adotado. De modo bem sucinto, pelo que se vê da DCTF retificadora (fl. 27 dos autos), o contribuinte confessou originalmente um débito de PIS (R$ 777.276,59 de principal), pago com atraso, superior a outro, resultante de retificação, quitado também com atraso. Do seu pagamento feito com relação ao débito maior (retificado), o contribuinte utilizou uma parte para quitar o débito menor de PIS, retificador (de R$ 80.235,11 de principal). O restante (R$ 681.044,94) foi utilizado para quitar débitos diversos. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.916791/200936 Acórdão n.º 3802001.756 S3TE02 Fl. 113 5 Contudo, a RFB entende que o crédito remanescente não é de R$ 681.044,94, e sim R$ 534.765,21. Tal se deve ao fato de que os débitos decorrentes das retificações feitas pelo contribuinte, por terem sido pagos com atraso, sofreram a incidência de multa de mora, no montante de R$ 242.765,18. Essa diferença entre o montante considerado disponível para compensação pela RFB, e aquele que o contribuinte entende disponível, resulta da imputação da multa de mora ao pagamento de PIS de abril de 2004 feito com atraso. A DRJ, ao julgar o feito, indica numericamente o que trouxemos nos parágrafos acima, para concluir que sobre esse pagamento espontâneo deve incidir a multa de mora. E mais: tantas foram as utilizações de créditos (sete, conforme acórdão juntado pela própria DRJ aos autos), que não remanesceram quaisquer créditos a homologar no processo que ora se examina. Ao meu ver, a decisão recorrida não merece reparos. Isso porque, ao retificar seu débito para menor, o contribuinte não tem condições de formalizar denúncia espontânea, dado que já houvera confessado débito em montante superior – o que impede a elisão da multa de mora. Assim sendo, não se reconhecendo a existência de denúncia espontânea para o débito “retificador”, é de se manter a exigência de multa de mora, o que leva à conclusão de ser correto o levantamento da autoridade administrativa. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 16327.000838/2003-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
CSLL. COOPERATIVAS.
Os valores oriundos da prática de atividades regulares das cooperativas, os atos eminentemente cooperativos, estão fora do campo de incidência da CSLL, sujeitando-se à exação os resultados positivos (lucros) obtidos em operações com não associados, os chamados atos não cooperativos.
Numero da decisão: 1801-000.371
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes, que negaram provimento.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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COOPERATIVAS. Os valores oriundos da prática de atividades regulares das cooperativas, os atos eminentemente cooperativos, estão fora do campo de incidência da CSLL, sujeitando-se à exação os resultados positivos (lucros) obtidos em operações com não associados, os chamados atos não cooperativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes, que negaram provimento. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 09/11/2010. Fl. 481DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que exige da contribuinte acima identificada o crédito tributário no valor total de R$ 340.044,16, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 83 a 91), tendo em conta a constatação das seguintes irregularidades, apuradas nos anos-calendário 1998, 1999, 2000 e 2001, e assim descritas no Termo de Constatação Fiscal à fl. 80/82, parte integrante da exigência: “... A empresa é uma sociedade cooperativa de crédito que tem por objeto fomentar recursos financeiros e prestar serviços aos seus associados. Rege-se pelas disposições da Lei n° 5.764/71 e da Lei n.° 4.595/64, uma vez que é considerada instituição financeira. A legislação do Imposto de Renda possui regra especifica que desonera as cooperativas de crédito, bem como outras cooperativas, da tributação do IRPJ sobre atos cooperativos (aqueles definidos pelo artigo 79 da Lei 5764/71). O mesmo não acontece com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), ou seja, não há legislação especifica semelhante à do IRPJ. Desta forma, ocorrendo fato gerador da CSLL, ela será apurada e o pagamento deverá ser efetuado nos termos da Lei, da mesma forma que as demais instituições financeiras apuram e recolhem. ... O contribuinte, desde o ano de 1998 até 2001, vem excluindo, sistematicamente, da base de cálculo dessa contribuição todos os resultados positivos relativos aos atos cooperativos ou não. Tal exclusão é indevida, pois não está prevista na legislação da CSLL. Cientificada da exigência, na pessoa de seu presidente, em 13/03/2003, a contribuinte apresentou, em 14/05/2004, a impugnação de fls. 93 a 112 alegando, resumidamente, que no âmbito próprio dos atos cooperativos, neles incluídos aplicações financeiras, dada a natureza jurídica da Cooperativa em foco (creditícia), não caberia falar de incidência da exação em destaque. Nesse sentido, os atos que pratica seriam cooperativos, livres, assim, de qualquer incidência tributária, nos termos do que dispõe a Lei n° 5.764/71. Entende que a aplicação de excedentes de caixa no mercado financeiro — daí resultando rendimento — também não poderia ser rotulado de ato não cooperativo, em respeito ao preceito constitucional que determina o "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo". Observa, ainda, que a auditoria fiscal não teria considerado, como elemento redutor da base de calculo ao final autuada, daquilo que denomina de "despesas financeiras de captação de recursos, despesas operacionais e encargos, anexando cópias de livros contábeis onde estariam anotados tais itens redutores, protestando, ao final, contra a multa de ofício imposta, os juros Selic e pugnando por prova pericial. Fl. 482DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.371 S1-TE01 Fl. 448 3 Pelo Acórdão no. 05-14.961, a 1 a . Turma da DRJ em Campinas/SP julgou o lançamento procedente, ao argumento de que a Lei no. 7.689, de 15 de dezembro de 1988, editada posteriormente à Lei no. 5.764, de 1971, não teria disposto, explicitamente, de nenhuma forma de isenção ou não incidência que poderia aproveitar às sociedades cooperativas, determinando, ao contrário, que a contribuição seria devida por todas as pessoas jurídicas, aí incluídas as cooperativas. Analisando os dispositivos da Lei no. 7.689, de 1988 e artigo 9 o . da IN SRF no. 198, de 1998, concluiu que a contribuição incidente sobre não-associados seria mera parcela da contribuição devida, o que equivaleria a dizer que haveria montante devido de contribuição não só em relação ao resultado com não-associados, mas também com em relação aos resultados dos atos cooperativos propriamente ditos. No voto vencedor restou consignado ainda que: “A cooperativa, em relação aos atos com os cooperados, apura sobras líquidas a serem distribuídas na proporção das operações realizadas por aqueles com a cooperativa. Sob esse aspecto conceitual, merece ser rechaçada a argumentação daqueles que interpretaram literalmente a norma tributária, na tentativa de eximirem- se do encargo dirigido, isonomicamente, a todas as pessoas jurídicas que exploram atividade econômica. Dizer que apuram sobras liquidas e não lucro - porque os atos cooperativos não implicam operações de mercado c nem contratos de compra e venda de mercadorias e produtos - para concluir que o resultado positivo dessas operações não constitui lucro da cooperativa e sim dos cooperados, parece mais sofisma que interpretação de regra jurídica. A sociedade cooperativa, participando de parcerias no mercado, operando com fornecedores (cooperados) e clientes, para bem comercializar seus produtos e compra de insumos de que tem necessidade, obtém valores expressivos no resultado dessas operações; querer identificar como sendo sobras e não lucros, amparando-se na conceituação prescrita no art. 79 da Lei n° 5.764/1971 "que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria", não parece razoável o argumento para ilidir da exigência tributária. O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluí-la do conceito de lucro, mas permitir um regramento específico da destinação desses resultados (sobras), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto que o lucro deve guardar relação com a contribuição do capital.” Intimada da decisão, em 27/11/2006, como comprova o A.R. à fl. 239, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 244 a 267, em 22/12/2006, argüindo, em preliminares, a nulidade da autuação pois, o fiscal autuante ao não identificar e apartar os resultados de atos cooperativos e atos não cooperativos da sociedade teria, de forma indireta, descaracterizado a entidade como cooperativa, falecendo de competência para tal ato que estaria no âmbito de competência do Banco Central do Brasil por tratar, a entidade, de cooperativa de crédito, ilustrando seu entendimento com jurisprudência deste Colegiado. No mérito discorre extensamente sobre as características das sociedades cooperativas, com especial atenção à ausência de lucro nos resultados apurados por tais entidades, o que invalidaria a exigência, já que a CSLL teria por base de cálculo o lucro líquido do período base. Fl. 483DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Observa que, da mesma forma que eventuais prejuízos sofridos pela sociedade seriam suportados por seus associados, eventuais resultados positivos, denominados de sobras líquidas, também pertenceriam a seus associados cooperados, razão pela qual o sistema normativo teria desonerado tais sociedades de tributação de qualquer espécie. Aduz que nas cooperativas de crédito o ato cooperativo envolveria tanto a captação de recursos, quanto a realização de empréstimos efetuados aos cooperados, bem assim a movimentação financeira da cooperativa, no objetivo de viabilizar os empréstimos concedidos. Nesse sentido, a movimentação de dinheiro seria diferente das demais cooperativas, porque a captação de recursos, empréstimos e aplicações financeiras não seriam eventuais e sim da íntima e própria essência do ato cooperativo, que teria por objeto o próprio dinheiro. Esclarece que o próprio BACEN, órgão supervisor das atividades das cooperativas de crédito, entenderia que a essência do cooperativismo de crédito se assentaria, precipuamente, em três premissas: captação de recursos dos cooperados, empréstimos aos cooperados e aplicações financeiras, práticas estas que se amoldariam com perfeição à realidade estatutária de tais entes, tendo em vista que o BACEN também imporia restrições à atuação dessas sociedades, restringindo o âmbito de suas operações ao estreito contorno do art. 79 da Lei n° 5.764/71, ou seja, à prática exclusiva de atos cooperativos. Ressalta que nas cooperativas de crédito as aplicações financeiras teriam, em especial, grande relevância, a ponto de se destacarem como imperativo de existência dessas sociedades, viabilizando, ou não, o auxilio financeiro aos seus associados, viabilizando-se ou não o cumprimento do seu objeto social pois, seria por intermédio de aplicações financeiras que a sociedade atingiria o resultado social almejado. Colaciona doutrina e jurisprudência e, ao final, pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Afasto a preliminar de nulidade da autuação. O cerne do litígio, nos presentes autos, cinge-se a esclarecer se a sociedade cooperativa Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Médicos de Taubaté é contribuinte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 484DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.371 S1-TE01 Fl. 449 5 Nos termos da autuação e do voto vencedor do acórdão da DRJ em Campinas/SP, a discussão a respeito da distinção entre atos cooperativos e atos não cooperativos seria irrelevante, in casu, pois todas as sociedades cooperativas em geral seriam contribuintes da CSLL, uma vez que a norma instituidora da exação, a Lei no. 7.689, de 1988, (editada posteriormente à Lei no. 5.764, de 1971, que definiu a política nacional do corporativismo), não teria excetuado as sociedades cooperativas de pagar a contribuição. Pela tese da auditoria, referendada no voto vencedor da DRJ em Campinas/SP, as cooperativas, em geral, estariam desobrigadas, apenas, de pagar o IRPJ e, ainda assim, em relação aos resultados obtidos com atos cooperativos. Tal discussão, portanto, ou seja, a diferenciação entre atos cooperativos e atos não cooperativos e se são submetidos à tributação, me parece bastante pertinente para o deslinde da questão. Nesse contexto, importa trazer à análise os comandos normativos que regem a matéria. As cooperativas, em linhas gerais, são definidas como empresas de serviços, criadas para atender às necessidades de seus associados, em que estes exercem, em relação a elas, simultaneamente, o papel de sócio e de usuário ou cliente. A Lei n o 5.764, de 1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas, ao se referir aos atos que podem ser praticados pela cooperativa alude expressamente (art. 79) somente se refere aos atos cooperativos. O mencionado artigo 79 assim dispõe: “Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução de seus objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Na lição de Walmor Franke (in ISS e Cooperativas; Revista de Direito Tributário, 17-18 p. 90), há três famílias de atos que podem ser praticados pelas cooperativas: (1) atos cooperativos, (2) atos não-cooperativos intrínsecos e (3) atos não-cooperativos extrínsecos à atividade cooperativa. Os atos cooperativos, segundo o autor, também são conhecidos por atos-fim, operações internas, operações privativas dos associados ou negócios cooperativos. Estes atos, embora possam implicar transferência patrimonial, não caracterizam compra e venda ou operação de mercado, pela própria definição legal (§ único do art. 79). Divirjo do voto vencedor do acórdão da DRJ/Campinas – SP. Não há sofisma na afirmação de que as sociedades cooperativas, na prática de atos cooperativos, não apuram lucro. É a própria Lei no. 5.764, de 1971, que assim o dispõe. Não há, na Lei no. 5.764, de 1971, qualquer menção ao vocábulo lucro. É certo que, por sua natureza, os atos cooperativos, não sofrem a incidência do Imposto de Renda, em razão de que a transferência patrimonial, quando ocorre (p. ex., na Fl. 485DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 entrega da produção em cooperativas agrícolas), não se configura em operação de mercado, nem contrato de compra e venda e não constitui a base de cálculo do tributo (lucro real, presumido ou arbitrado). Não há, em princípio, resultados positivos em relação a estes atos, nem para a cooperativa, nem para os associados. São, portanto, os resultados desses atos, denominados de atos cooperativos, que recebem a proteção da legislação especial e específica das cooperativas. Os atos não-cooperativos intrínsecos são inerentes aos objetivos da sociedade. São dois os grupos de atos, os quais assim são classificados: (i) Atos-meio, operações externas, operações de contrapartida ou operações instrumentais - são os atos que a cooperativa perfaz com terceiros no atendimento de seu objetivo social, sendo meio ou instrumento por intermédio do qual a cooperativa se coloca na posição de poder realizar aquelas operações internas que dizem respeito à prestação de serviços aos sócios. Nos atos-meio existe sempre a presença de um terceiro, não cooperado, negociando com a cooperativa, no atendimento dos objetivos sociais desta. O não-cooperado aparece em apenas uma ponta da relação negocial. Em uma cooperativa de trabalho, por exemplo, o terceiro será o consumidor dos serviços prestados. Em uma cooperativa agrícola, o terceiro compra os produtos dos cooperados, agricultores. É essencial o atendimento aos objetivos sociais da cooperativa e a presença de um cooperado em uma das pontas da relação negocial. (ii) Como atos acessórios ou auxiliares à regular administração da empresa, podem ser citados, dentre outros, os atos de contratar ou demitir empregados e alugar salas. São os inúmeros atos em que a cooperativa age na busca de bem atender seus objetivos sociais, através da boa administração da sociedade. Os atos não-cooperativos intrínsecos não geram lucro para a sociedade por sua própria essência, pois, caso contrário, não estariam atendendo aos objetivos sociais. Os resultados positivos resultantes destas operações constituem, por opção do legislador e em atenção aos princípios cooperativos, sobras. Isto se dá porque a cooperativa que exerce atividade econômica em conformidade com seus objetivos sociais legalmente aceitos não visa ao lucro, mas sim ao beneficiamento de seus associados. Já, os demais atos não-cooperativos praticados pela cooperativa – denominados atos não-cooperativos extrínsecos - geram efetivamente lucros para esta, sendo regularmente tributados. Alguns desses atos foram expressamente previstos pela Lei no 5.764/71, que os chamou de “operações com não-associados” e estão previstos nos artigos. 85 a 87: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possua. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Fl. 486DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.371 S1-TE01 Fl. 450 7 O tratamento tributário a ser dispensado a essas operações com não associados – ato não cooperativo extrínseco - é aquele previsto no artigo 111 do citado normativo: Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operação de que tratam os arts. 85, 86 e 88 desta Lei. (grifei). A própria Administração Tributária reconheceu a existência de tais atos, diferenciando-os entre si, como se verifica do seguinte trecho extraído do Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação - CST nº 38, de 30 de outubro de 1980, publicado no Diário Oficial de 5 de novembro de 1980, que, após definir, em seu item 2.3.1, os atos cooperativos que seguem a conceituação dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, esclarece: “... 2.3.2 – Atos Não-Cooperativos Legalmente Permitidos. A segunda categoria corresponde a alguns atos não-cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por servirem ao propósito de pleno preenchimento dos objetivos sociais, mas sujeita-os, por isso mesmo, à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. São estas as operações admitidas: I – Aquisição, por cooperativas agropecuárias e de pesca, de produtos de não associados quer sejam agricultores, pecuaristas ou pescadores, para o fim de completar lotes destinados ao cumprimento de contrato ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuam (art. 85); II – Fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim entendidos estes bens e serviços como sendo os mesmos que a cooperativa, em obediência ao seu objetivo social e que estejam em conformidade com a lei, oferecer aos seus próprios associados (art.86); III – Participação, em caráter excepcional, em sociedades não cooperativas públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, mediante prévia e expressa autorização do Conselho Nacional de Cooperativismo, hipótese em que as inversões serão contabilizadas em títulos específicos (art. 88). 2.3.3 – Destinação dos Resultados dos Atos Não-Cooperativos. Os rendimentos dessas operações, além de tributáveis, não podem ser distribuídos, pois passam a integrar obrigatoriamente a conta do “Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social” (arts. 87 e 88, § único). (.............................................................................................................…) 2.4 – Atos Incompatíveis com o Regime Cooperativo. Tendo a Lei nº 5.764 indicado quais os negócios que, dentro do universo econômico, podem ser exercitados pelas cooperativas, é lícito deduzir que quaisquer outros que elas realizem serão juridicamente incompatíveis com o regime especial que foi estabelecido e, portanto, com o próprio conceito legal dessas entidades.” Fl. 487DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 De acordo com a tese da auditoria fiscal, adotada pelo voto condutor do acórdão da autoridade julgadora “a quo”, os atos cooperativos, definidos no artigo 79, estariam fora apenas do campo de incidência do IRPJ. Neste ponto relevante destacar, como já o havia feito o relator do voto vencido do acórdão da DRJ em Campinas/SP, que não é possível concluir, apenas pela redação da Lei no. 7.689, de 1988, que as sociedades cooperativas seriam contribuintes da CSLL no resultado apurado pela prática de atos eminentemente cooperativos. A Lei no. 7.689, de 1988, instituidora da CSLL assim dispõe: Art. 1°. Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2°. A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto sobre a renda. Ora, a regra matriz de incidência da CSLL pode, então, ser assim decomposta: Se apurar lucro, então, deve ser o pagamento da CSLL. O fato gerador da CSLL é o lucro. Como visto, as sociedades cooperativas só apuram lucro tributável quando auferem rendimentos oriundos da prática de atos não cooperativos (extrínsecos), não sendo possível, por expressa disposição legal, apurar lucros tributáveis ou resultados positivos quando tais resultados forem oriundos da prática de atos eminentemente cooperativos. Nesse sentido já vem se pacificando a jurisprudência deste Órgão Colegiado: CSL. COOPERATIVA DE CRÉDITO. A exigência da Contribuição Social sobre o Lucro das Cooperativas de Crédito só tem fundamento quando determinada sobre o resultado oriundo das operações realizadas com não cooperados, não podendo prosperar o lançamento que toma por base o resultado líquido apurado com atos cooperativos, conceituados como sobras, em virtude de não estar configurada a hipótese de incidência desta contribuição, pela inexistência de lucros. 1o. C.C, 4a. Câmara. Ac. 108-09.412, de 13/09/2007. Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. (No mesmo sentido 1 o . CC. 4 a . Câmara. Ac. 108-05.997, de 22/02/2000) COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RESULTADO DA APLICAÇÃO FINANCEIRA COM COOPERATIVA DE CRÉDITO ASSOCIADA. As aplicações de recursos realizadas pelas cooperativas de crédito dentro do sistema cooperativo associado são tratadas como efetivos atos cooperativos, isentos do imposto sobre a renda e não geradores de lucros tributáveis pela contribuição social, mas sim sobras. CSRF. Ac. 01-05.284, de 20/09/2005. Relator Dorival Padovan. E ainda: COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RESULTADOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS COM NÃO ASSOCIADOS. TRIBUTAÇÃO. As aplicações de recursos realizadas pelas cooperativas de crédito dentro do sistema cooperativo associado são as únicas que devem ser tratadas como efetivos atos cooperativos, isentos do imposto Fl. 488DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.371 S1-TE01 Fl. 451 9 sobre a renda e não geradores de lucros tributáveis pela contribuição social, mas sim sobras. A verdadeira essência da cooperativa de crédito não é servir de intermediário do cooperado com o mercado financeiro, mas sim permitir, dentro da cooperativa e seus associados, maior acesso ao crédito, captando recursos com esses mesmos associados. Quando, por questões de mercado ou de sobra de reservas, aplicar tais valores em outras instituições financeiras, estará realizando ato não cooperativo, cujo resultado positivo deve ser tributado. CSRF Ac. 01-05.153, de 29/11/2004. Relator Mário Junqueira Franco Júnior. Tal entendimento vem se alinhar com a interpretação adotada pelo STJ em recentes julgados que trataram do assunto, como se vislumbra da seguinte ementa de acórdão proferido no julgamento do Resp. 611.217 - MG (2003/0213892-0), Relatora Ministra Eliana Calmon, na parte que pertine ao caso: “... TRIBUTÁRIO – PIS – LEI 9.718/98 – COOPERATIVA DE CRÉDITO – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ATOS COOPERADOS. 3. Na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo , a que se refere o art. 146, III, "c", da Carta Magna e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 4. Apenas os atos cooperativos típicos, assim entendidos aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71, gozam de isenção, retirando-se do alcance isencional os atos cooperativos atípicos ou impróprios (praticados por terceiras pessoas, mesmo em torno do objetivo da cooperativa. 5. Não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos das cooperativas de crédito confirmada pelo art. 30, da Lei 11.051, de 29/12/2004, sendo legítima a cobrança quando se tratar de operação realizada com não-cooperado. 6. Recurso especial parcialmente provido”. E ainda das lições extraídas do voto proferido pelo Exmo. Ministro Francisco Falcão no julgamento do AgRg em Resp no.. 1.057.481 - CE (2008/0104852-0): “... Este STJ com o apoio do entendimento do STF conceituou o faturamento pelo conjunto dos contratos de compra e venda de mercadorias e serviços. Nesse diapasão, destaco os seguintes julgados: AgRg no REsp nº 983.061/AL, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe de 07/04/2008; REsp nº 828.106/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 15/05/2006 e AgRg no REsp nº 911.778/RN, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 24/04/2008. A Lei das sociedades cooperativas (Lei nº 5.764/71) dispõe que o ato cooperativo não implica em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 489DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Também remanesce pacificado o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não auferem lucro, porquanto as despesas e os resultados são divididos entre seus cooperados. Esse entendimento está consagrado em inúmeros precedentes desta Corte, a exemplo dos que se seguem: REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004, p. 282; AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO , DJ de 17/12/2004; AgRg nos EDcl no Ag 980095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008, este último assim ementado, verbis : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS. 1. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.084-6/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 2. Os atos normativos e exegese jurisprudencial descaracterizam as cooperativas de crédito como entidades bancárias assemelhadas, a saber: (Resolução 3.106/2003 BACEN, restringiu as atividades das cooperativas de crédito somente com cooperados, limitando-as à prática de atos cooperados; Circular BACEN 3.238/2004, que, ao estabelecer o Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional - COSIF, e aduzir à centralização financeira como sendo autêntico ato cooperativo, atesta, jurídico-contabilmente, a efetiva prática destes atos pelas cooperativas de crédito; Resolução 2.788/2000 CMN, que, ao permitir que somente as cooperativas centrais de crédito participem acionariamente de bancos, e como forma de viabilizar sua atividade, o que por si os diferencia; Parecer PGFN/CPA 1.088/99, que concluiu pelas diferenças estruturais e funcionais existentes entre as sociedades cooperativas de crédito e os bancos, obstando, assim, que aquelas atuassem como órgãos arrecadadores federais, posto não ostentarem natureza de agência ou posto bancário; RR 5.919/1988.2-SP, Rel. Min. Ermes Pedro Pedrassani, DJU 25.08.1989; RR 214.732/1995.3- MG, Rel. Min. Armando de Brito, DJU 16.05.1997). 3. Deveras, a Lei 5.764/71, mercê de posterior à Lei do Mercado de Capitais, é especial em relação à mesma. Art. 2º, § 2º, da LICC. Lex generalis convive com a lex specialis. 4. No campo da exação tributária com relação às cooperativas, a aferição da incidência do tributo impõe distinguir os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus fins e os atos não cooperativos; estes extrapolantes das finalidades institucionais e geradores de tributação; diferentemente do que ocorre com os primeiros. Precedentes jurisprudenciais. Fl. 490DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.371 S1-TE01 Fl. 452 11 5. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. 6. Os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, porquanto o art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 7. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia legal. 8. A Lei 5.764/71, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo, e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu art. 79, que constituem 'atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais', ressalva, todavia, em seu art. 111, as operações descritas nos arts. 85, 86 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros 'serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos (art. 87). 9. É princípio assente na jurisprudência que: "Cuidando-se de discussão acerca dos atos cooperados, firmou-se orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro ". (Min. Milton Luiz Pereira, Resp 152.546, DJU 03/09/2001, unânime) 10. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. 11. Incidindo o PIS e a COFINS sobre o faturamento/receita bruta, impõe-se aferir essa definição à luz do art. 110 do CTN, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturamento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vernacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Conseqüentemente, a cooperativa, posto não realizar contrato de venda, não se sujeita à incidência do PIS ou da COFINS. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. A intributabilidade pelo PIS do ato cooperativo alcança todas as aplicações financeiras, conducentes à consecução dos objetivos sociais das cooperativas. 14. Agravo regimental desprovido. Também é de rigor observar as ressalvas contidas nos artigos 86 e 87 da Lei nº 5.764/71 que viabilizam operações com terceiros, verbis : Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. No ponto transcrevo excerto do voto proferido no AgRg no REsp 749345/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 08/08/2005 p. 209, verbis : ... 4. No entanto, no julgamento dos REsps nºs 616219/MG e 591298/MG, afetados à 1ª Seção, esta Corte Superior uniformizou posicionamento no sentido de que: - “o ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71); - toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados; Fl. 492DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 16327.000838/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.371 S1-TE01 Fl. 453 13 Do acima explicitado remanesce clarividente que no caso das cooperativas de crédito, observando que seus atos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda, haja vista a falta de interesse negocial, não há que se falar em tributação do seu faturamento, observado o conceito restrito da Lei nº 5.764/71. Igualmente deve se reconhecer, com as ressalvas encimadas, que os atos cooperativos, pelas suas peculiaridades não produzem lucro para a cooperativa”. Verifica-se, de todo o exposto, a impossibilidade jurídica de se exigir CSLL sobre as sobras líquidas obtidas pelas cooperativas na prática de atos cooperativos. A legislação determina a incidência tributária sobre os resultados positivos (lucros) apurados em operações com não cooperados – atos não cooperativo e, neste Colegiado a natureza jurídica dos atos praticados é o balizador da hipótese de incidência da CSLL. Entretanto, in casu, a auditoria fiscal sequer cuidou de apartar os valores oriundos de atos cooperativos daqueles obtidos com a prática de atos não cooperativos pela interessada Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Médicos de Taubaté, ainda que existentes e disponíveis os elementos necessários para averiguar se a sociedade praticou tais atos, como exemplifica a documentação acostada às fls. 127 a 190. Cumpre observar, ainda, que a atual legislação da CSLL já se encarregou de encerrar as possíveis dúvidas que poderiam remanescer sobre o assunto, como se observa pelas disposições do art. 39 da Lei no. 10.865, de 30 de abril de 2004: Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Assim, diante da ausência de identificação da origem dos valores tomados como base de cálculo para incidência da contribuição, não há como prosperar o lançamento. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 9 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) ________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Fl. 493DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 Fl. 494DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 13808.000771/99-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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COIMBRA DE FERRAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 08 .0 00 77 1/ 99 -8 5 Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.125 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 8544 a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULOSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração, sendo exigidos os recolhimentos de IRPJ (fls. 40/43), PIS (fls. 44/47), COFINS (fls. 48/51), CSLL (fls. 52/55) e IRFON (fls. 56/59), além de multa de ofício e dos demais acréscimos legais. 2No Termo de Constatação (fls. 37), foi consignado que: 2.1A fiscalização, baseandose nos Quadros de Informações Gerais, de fls. 04/15, e demais documentos apresentados pela empresa, elaborou as planilhas de fls. 17/23, onde, no confronto dos recursos auferidos com os dispêndios, constatouse excesso deste último, nos meses de janeiro, março, maio, junho, setembro, outubro e novembro de 1995. 2.2Dada a existência desses excessos de dispêndios, a contribuinte foi devidamente intimada a esclarecer (fls. 16). Ao se manifestar, a interessada alegou que havia extraído os dados do Diário, motivo pelo qual houve algumas distorções no fluxo de caixa. Além dos recursos auferidos não contemplarem as receitas financeiras, incorreuse em erro na apuração do valor das despesas efetivamente pagas (fl. 24). 2.3Todavia, a fiscalização, ao examinar os novos quadros apresentados, constatou outras distorções, uma vez que, ao alterar algumas rubricas de despesas, a empresa não procedeu o acerto nos saldos das contas passivas. Assim, considerouse os mesmos imprestáveis para apuração do fluxo de caixa. 2.4Por outro lado, deuse razão à contribuinte quanto à necessidade de se inserir as receitas financeiras aos recebimentos dos períodos. 2.5Diante disso, foram elaborados os Demonstrativos de Ajuste do Fluxo de Caixa – Anocalendário de 1995, de fls. 38/39, constatando se, assim, excessos de dispêndios sobre os recursos auferidos nos meses de janeiro, fevereiro, abril, junho, setembro e outubro de 1995. 3Foram citadas as seguintes disposições legais infringidas: 3.1. IRPJ Fundamento legal: artigo 5231, § 3º , 7392 e 8923 do RIR/1994. 1 § 3º Verificada omissão de receitas, os valores serão tributados na forma dos arts. 739 e 892 (Lei nº 8.541/92, arts. 43 e 44). 2 Art. 739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei nº 8.541/92, art. 44). Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.126 3 3.2.PIS Fundamento legal: artigo 3o, alínea “b”, da Lei Complementar n° 7/1970, c/c artigo 1o, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/1973, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/1982, artigo 43 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995 e artigos 2o, inciso I, 3o, 8o, inciso I, e 9o da MP 1.249/1995 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.715/1998. 3.3.COFINS Fundamento legal: artigos 1o a 3o da Lei Complementar n° 70/1991 e artigo 43 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995. 3.4.CSLL Fundamento legal: artigo 2º, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigo 43 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995 e artigo 57 da Lei 8.981/1995, com redação do artigo 1º da Lei 9.065/1995. 3.5.IRFON Fundamento legal: artigo 739 do RIR/1994, artigo 44 da Lei 8.541/1992, com redação dada pelo art. 3º da MP 492/1994 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.064/1995 e artigo 62 da Lei 8.981/1995 4Em 16/06/1999, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 15/07/1999, apresentou defesa, fls. 62/89, por intermédio de seu procurador (fl. 91), alegando em síntese que 4.1O lançamento de tributo ou contribuição social efetuado mediante análise de documentos contábeis carece de validade jurídica e deve ser considerado nulo caso o agente fiscal não comprove ser profissional legalmente habilitado para exercer a atividade mencionada no item 36 e parágrafo 1º do art. 3º da Res. CFC 560/1983 e art. 25 do Decreto lei 9.295/1946. 4.2Assim, ficam configuradas as infrações previstas na Lei 4.898/1965, art. 5º, incisos XIII e XXXIV, 22, inciso XVI, “a” e art. 37 da Constituição Federal, além da Súmula do CFC 04/1980, do art. 3º, item 36, e § 1º da Res. do CFC 560/1983, do art. 82, 129, 130 e 145, incisos III e IV da Lei 3.071/1916 (Código Civil), do art. 2º, inciso III, da Lei 8.027/1990, do art. 177, § 4º, da Lei 6.404/1976 e do DL 24.337/1948. 4.3A empresa colocou à disposição da fiscalização todos os documentos societários, comerciais e fiscais, conforme termos elaborados durante a ação fiscal no estabelecimento. 4.4Apesar de ter analisado e constatado que a contabilidade da empresa estava corretamente registrada de acordo com as leis comerciais, a ficalização insistiu na apresentação de formulário planejado para receber informações escrituradas em livro caixa. 3 Art. 892. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida (Lei nº 8.541/92, art. 43). (V. NOTA 1563 APÓS O § 2º) § 1º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo (Lei nº 8.541/92, art. 43, § 2º). Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.127 4 4.5O autuante considerou em seus ajustes as contas Fornecedores, Contas a Pagar, Obrigações Trabalhistas e Fiscais, e Comissões a Pagar. Porém, deixou de considerar as demais contas patrimoniais, tais como Adiantamento a Fornecedores, Adiantamento de Salários, Depósitos Judiciais, Imobilizado e Provisões Passivas. 4.6Os balanços patrimoniais, balancetes mensais e Razão das contas Caixa, Bancos e Aplicações Financeiras deveriam, por princípio legal e contábil, servir de base para os levantamentos fiscais. 4.7Os registros nesses documentos confirmam que a empresa não apresentou insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios registrados. 5A impugnante requer a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente juntada de novos documentos, depoimento do autuante, diligências ou perícias que se fizerem necessários, indicando o perito, os motivos e os quesitos às fls. 89, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/1972. 6Por ocasião da diligência efetuada, foram acostados aos autos os documentos de fls. 1319/1482.” A DRJ, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996 Ementa: ATRIBUIÇÕES DO AFRF. VALIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Dentre as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal, especificadas na legislação federal, incluise o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício da profissão de contador. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. Da constatação, com amparo em informações prestadas pelo sujeito passivo, de que os dispêndios excederam os recursos financeiros, concluise que a diferença não justificada provém de receitas omitidas. AUTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS, CSLL e IRRF o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A DRJ indeferiu a prova pericial alegando de forma singela que essa seria dispensável, considerando que os documentos presentes nos autos eram suficientes para dirimir a questão. Se os documentos eram suficientes para tanto, ainda assim ficou evidente que os julgadores não compreenderam ou por algum motivo dúvida restou, que se deferisse a prova pericial nos termos do devido processo legal e do consagrado direito de defesa; A DRJ informa que abriu nova oportunidade para que se pudesse produzir as provas e isso não foi feito. É que a Intimação Fiscal solicita que se comprove o montante de Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.128 5 compras efetuadas e despesas efetivamente pagas e não dos recursos para tanto. E mesmo assim o fiscal se dá por satisfeito no cumprimento da diligência. Ademais para recorrente, os recursos estavam sobejamente comprovados, mas mesmo assim requereu prova pericial para provar isso aos julgadores. O processo foi novamente baixado em diligência pelo CARF. Às fls. 2003/2006, consta retorno de diligência desfavorável à Recorrente. Às fls.2011/2023 consta a manifestação de inconformidade contra o retorno de diligências. É o relatório. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.129 6 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. A fiscalização, baseandose nos Quadros de Informações Gerais, de fls. 04/15, e demais documentos apresentados pela empresa, elaborou as planilhas de fls. 17/23, onde, no confronto dos recursos auferidos com os dispêndios, constatouse excesso deste último, nos meses de janeiro, março, maio, junho, setembro, outubro e novembro de 1995. Dada a existência desses excessos de dispêndios, a contribuinte foi devidamente intimada a esclarecer (fls. 16). Ao se manifestar, a interessada alegou que havia extraído os dados do Diário, motivo pelo qual houve algumas distorções no fluxo de caixa. Além dos recursos auferidos não contemplarem as receitas financeiras, incorreuse em erro na apuração do valor das despesas efetivamente pagas (fl. 24). Saldo Credor do Fluxo de Caixa O principal ponto da peça impugnatória foi o pedido de perícia e diligência. Em busca da verdade material e tendo em vista que a contribuinte apresentou livros contábeis que aparentemente continham divergências entre os valores indicados nas planilhas que deram suporte à autuação, a DRJ decidiuse por dar à defesa nova oportunidade para comprovar as suas alegações. Eis parte do teor da diligência proposto pela DRJ: "(...) Argumenta a defesa que as sobras de recursos auferidos sobre os dispêndios observadas em alguns meses não foram computadas no demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal. Asseverese que não. foi objeto de investigação a utilização dessas sobras de recursos, porquanto o levantamento efetuado pelo autuante teve como base o cotejo entre o saldo inicial das disponibilidades e as movimentações do período com o saldo final dessas disponibilidades. Se os saldos iniciais e/ou finais das contas Caixa e Bancos C/ Movimento apresentavam equívocos pelo não cômputo dessas sobras, cabia à impugnante proválo. Entretanto, em busca da verdade material e tendo em vista que a impugnante apresentou cópia do Razão, balancetes mensais e balanços patrimoniais, cujos montantes divergiam daqueles indicados nas planilhas que deram suporte à autuação, decidiuse por dar à defesa nova oportunidade para comprovar as suas alegações." Eis o resultado dessa diligência, nas palavras da DRJ: “Assim, em diligência realizada, foilhe solicitado a apresentação do livro Razão (fl. 1316). O resultado da diligência (fl. 1484/1485) não foi conclusivo em relação ao solicitado por esta delegacia (fl. 1312/1313), tendo se restringido a atestar a veracidade dos desembolsos informados pela impugnante às fls. 1319 e 1479/1483, não havendo, contudo, manifestação sobre a existência ou não de excessos de dispêndios sobre os recursos auferidos nos meses autuados. Por outro lado, a interessada, por sua iniciativa, acostou aos autos os documentos de fls. 1319/1483, documentação essa de natureza comercial e fiscal dela própria, não se caracterizando, dessa forma, em fatos novos ou desconhecidos para a impugnante. Notese que a defendente limitase a apresentar cópias de alguns pagamentos Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.130 7 efetuados nos meses autuados, em montante inferiores aos informados nas planilhas, o que, por certo, favorece a sua tese. Mais uma vez, no entanto, a empresa não envidou esforços para demonstrar quais equívocos teria cometido no preenchimento dos aludidos quadros de informações gerais, que pudessem infirmar a exigência fiscal.” O colegiado vislumbrou a necessidade de se baixar novamente em diligência em face do fato de constarem inúmeras inconsistências carentes de esclarecimentos, que foram extraídas no caso do resultado de diligência, cujo teor em parte segue abaixo: "(..) Com vistas a infirmar o lançamento efetuado, na fase impugnatória, a interessada junta aos autos cópia dos balanço mensais relativos aos meses de janeiro a novembro/1995 (fls. 180/316) e do Razão, quanto às contas Caixa e Bancos (fls. 320/438), devidamente autenticada pela 9o Subdistrito de Vila Mariana; além disso, apresentou balancetes mensais elaborado pelo regime de caixa (fls. 466/644).Ao analisar os dados contidos nos balancetes mensais, constatamos que os valores das despesas de cada período, utilizandose o método indireto de apuração (Saldo inicial de Obrigações Trabalhistas e Fiscais, Impostos a Apropriar, Provisões Diversas e Comissões a Pagar + Despesas Incorridas + Saldo Final de Despesas Antecipadas – Sdo final de Obrigações Trabalhistas e Fiscais, Impostos à Apropriar, Provisões Diversas e Comissões a Pagar Saldo inicial de'Despesas Antecipadas), não coincidem com aqueles informados pela empresa nos Quadros de Informações Gerais de fls. 04/15 e tampouco com os indicados às fls. 25/36. Acrescentese que as despesas lançadas nos balancetes elaborados pelo regime de caixa também apresentam divergência em relação às informadas nos referidos quadros àquelas obtidas com base nos balanços mensais.(grifos do original) No tocante às compras, notase também divergência entre os valores informados nas planilhas e nos balancetes apresentados. (...) " Outro fator que contribuiu para que o colegiado se decidisse em favor da diligência foi o fato de a DRJ ao receber o resultado de diligência, apesar de ao fim e ao cabo negar provimento ao recurso, ter antes demonstrado sua insatisfação em parte quanto a esse resultado, taxandoo categoricamente não ter sido conclusivo: Assim, em diligência realizada, foilhe solicitado a apresentação do livro Razão (fl. 1316). O resultado da diligência (fl. 1484/1485) não foi conclusivo em relação ao solicitado por esta delegacia (fl. 1312/1313)} tendo se restringido a atestar a veracidade dos desembolsos informados pela impugnante às fls. 1319 e 1479/1483. não havendo, contudo, manifestação sobre a existência ou não de excessos de dispêndios sobre os recursos auferidos nos meses autuados. Nesse contexto, diante das inconsistências não de todo resolvidas na diligência, o feito foi baixado em diligência. O resultado de diligência retorna de forma desfavorável às pretensões da Recorrente. nos seguintes termos; (...) 6. Em 20/12, em atendimento à intimação desta origem, apresentou a petição de fls, juntando laudo elaborado por terceiro, descrito como seu Assistente Técnico, "pelo qual se pretende demonstrar a existência de recursos, necessários e suficientes.....para suprir as despesas,e ou pagamentos efetuados, referentes aos meses que foram objeto do auto de infração em questão." Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.131 8 7.Analisando a documentação apresentada, de inicio .se pode verificar que a ilustre manifestação da parte vendo sendo alicerçada em equívoco basilar. Com efeito, as considerações apresentadas decorrem sobre os valores, que seriam objeto da autuação, vindo elas concentrarem os seus debates nas . informações constante dos demonstrativos de fls 4 a 15 dos autos. 9 • Ocorre; entretanto, que tais demonstrativos foram objeto de substituição, substituídos que foram pelos documentos constantes de fls 25 a 36 dos. autos. Isso foi originado por manifestação da própria empresa recorrente, à.época da autuação, conforme petição anexada (vide fls 24 destes autos). 10.A constatação de manifestação da parte está baseada em informações equivocadas, se torna possível pelo exame dos anexos VI a XVII da petição apresentada em 20/12/2010, quando se pode verificar que detalhamento dos valores das despesas neles constantes, se reportam aquelas mencionadas nos demonstrativos de fls;4'a 15, não obstante terem sido substituídos. 11.Em relação à questão mencionada várias vezes nestes autos, inclusive na manifestação apresentada pela empresa em 20/12 passado, especificamente com referencia o descrito no item 5 do Termo de Constatação de fls 37, não é demais esclarecer que o assunto se complementa pelo descrito no item seguinte, de número 6, do citado Termo. Os .ajustes realizados, conforme demonstrativo de fls 39 destes autos, também estariam complementando o assunto. 12. Assim, isso faz com que seja. possível o entendimento que fica prejudicada a manifestação da parte recorrente, quando, à fls 9 do no "PARECER PERICIAL CONTÁBIL" apresentado, quando tenta esclarecer que os ajustes foram feitos em duplicidade, uma vez que se tratam de obrigações assumidas em 1994 e liquidadas em 1995. Nesse caso, o que houve foi o necessário ajuste ,do saldo a pagar de fornecedores/contas a pagar existentes em 31/12/1994, vindo a influir diretamente na apuração do fluxo de caixa do mês de janeiro de 1995. 13.Ademais, a recorrente não veio demonstrar em momento nenhum, quais os valores que entende como efetivos para o seu fluxo financeiro do ano calendário em questão. 14.No presente caso, salvo melhor juízo, o assunto aqui tratado alicerçase em matéria de fato, estando a autuação baseada em apuração de omissão de receita presumida, pelo recalculo de fluxo de caixa, quando foram apurados excessos de dispêndios sobre os valores dos recursos auferidos nos meses elencados. De plano discordo do autuante quando diz que a Recorrente não demonstrou em momento algum, quais os valores que entende como efetivos para efeito da composição do fluxo de caixa: É que ela trouxe aos autos várias planilhas denominadas Composição Comparativa dos Valores Informados pelo Regime de Caixa nos Quadros de Informações Gerais" (docs. VI a XVII do "Laudo Pericial Contábil"), onde tenta demonstrar analiticamente os pagamentos efetuados pelo regime de caixa no período, fundamentando sua os valores inclusive nos registros denominados Livro Diário e Razão da Recorrente. Eis as sua manifestação de inconformidade a esse respeito: Pelo documento denominado "Composição Comparativa dos Valores Informados pelo Regime de Caixa nos Quadros de Informações Gerais" (does. VI a XVII do "Laudo Pericial Contábil"), a Recorrente demonstrou analiticamente os pagamentos efetuados pelo regime de caixa no período, fundamentando sua explicitação nos Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.132 9 registros denominados Livro Diário e Razão da Recorrente, documentos legais esses de todos conhecidos. Todos os lançamentos efetuados mensalmente, constantes do documento denominado "Quadro de Informações Gerais" (doe. 05), que deram origem ao auto de infração, foram compostos, item a item, pelo regime de caixa, com base nos registros contábeis, Diário e Razão, tudo como explicitado, nos (does. anexos VI a XVII do Laudo Pericial Contábil). Foi elaborado, ainda, no encerramento dos demonstrativos, um resumo geral das operações mensais, pelas quais, e pelos demais esclarecimentos já mencionados, pode se verificar que os recursos foram plenamente suficientes para suprir os dispêndios referentes aos meses do ano de 1995 que foram objeto da autuação fiscal (doe. IXX do Laudo Pericial Contábil). Com base nos documentos já mencionados, foi elaborado um documento denominado "Demonstrativo de Ajuste de Fluxo de Caixa Ano Calendário de 1995 (doe. 06 anexo XX do Laudo Pericial Contábil), pelo qual comprovase que durante todo o exercício, também pelo regime de caixa, não houve insuficiência de recursos para os dispêndios referentes aos meses objeto da autuação. E sequer no ano de 1995 isso ocorreu. Por todo o exposto, com todo o respeito, não pode prevalecer a decisão do ilustre agente fiscal, que pretende desprezar os esclarecimentos do Assistente Técnico da Recorrente, devidamente fundamentados e amparados nos documentos legais da empresa, sem analisálos com os cuidados que merecem, em busca da realidade, informando apenas que foram substituídos os documentos anteriormente juntados com a defesa. Afora isso, a Recorrente aponta ainda inúmeras inconsistências ou duplicidades cometidas pelo autuante que merecem ser esclarecidas. Eis a manifestação de inconformidade da Recorrente, apontando uma parte das duplicidades cometidas pelo Fiscal que lhe prejudicaram: (...)O equívoco pode ser constatado pela análise do lançamento de ajuste efetuado pela fiscalização com os dados do mês de Dez/94 registrados pelo regime de competência, enquanto os "Quadros de Informações Gerais" foram preenchidos pelo regime de caixa, resultando em duplicidade nas informações, visto que os mesmos valores constantes dos ajustes efetuados pela fiscalização como provisão aparecem na composição das despesas pagas pelo regime de caixa conforme demonstrado nas folhas 7, 8 e 9 do "Parecer Pericial contábil" apresentado pela recorrente. Verificando as planilhas "Apuração dos Montantes Mensais de Fornecedores/Contas a pagar" e "Demonstrativo de Ajuste de Fluxo de Caixa" fls. 8 e 9 dos autos, que serviram de base para a elaboração do auto de infração, constatamos claramente que os valores utilizados pela fiscalização, correspondentes ao mês de dezembro de 1994, para efeito dos ajustes no Quadro de Informações Gerais de janeiro de 1995, constam também na composição das Despesas Operacionais e Gerais Pagas no mês, somando o valor de R$ 332.010,89, que posteriormente é transportado para o quadro dos dispêndios, que apresenta o montante de R$ 1.695.161,86, ao qual a fiscalização soma novamente os valores dos ajustes de R$ 126.669,42, duplicando, portanto, itens já registrados. (...) Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000771/9985 Resolução nº 1401000.249 S1C4T1 Fl. 2.133 10 Nesse contexto, diante das inconsistências não de todo resolvidas na diligência, na forma que fora proposta; por não ter analisado as planilhas trazidas pela Recorrente informando o que ela reputa como, tornase indispensável a conversão novamente do julgamento em diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Em relação a cada rubrica indicada na coluna “Apurado” e constante das planilhas denominadas “Composição Comparativa dos Valores Informados pelo Regime de Caixa nos Quadros de Informações Gerais" (docs. VI a XVII do "Laudo Pericial Contábil"), fazer o confronto entre o que foi lançado e o proposto pela Recorrente. Caso não aceite, fundamentar a negativa. Manifestarse objetivamente a respeito das inconsistências e duplicidades constantes na manifestação de inconformidade entregue por ocasião da ciência do retorno de diligência anterior. Apresentar outras informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide Elaborar relatório final conclusivo das novas verificações efetuadas nos itens anteriores, inclusive, se for o caso, propondo alteração do lançamento. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dia. para que ela se pronuncie sobre as suas novas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000743/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2005
DECADÊNCIA - Não havendo recolhimento de qualquer contribuição do segurado empregado, a decadência a ser aplicada deve obedecer ao contido no art. 173, I do Código Tributário Nacional.
AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE - A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91.
CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA-. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. A Auditoria Fiscal detém competência para efetuar a interpretação da legislação previdenciária e constituir o crédito tributário.
CONSTATAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Havendo a constatação de que determinados trabalhadores atuaram habitualmente na execução de serviços para a empresa, com subordinação e mediante o pagamento de remuneração, abre-se ao Fisco a possibilidade de enquadrá-los como segurados empregados. Os serviços prestados por pessoas jurídicas para a realização de serviços de natureza não eventual que, de fato, são realizados por pessoas físicas com subordinação, pessoalidade, habitualidade e mediante remuneração deve ser desconsiderado para efeitos previdenciários. Nesses casos, caracteriza-se o prestador de serviço pessoa física como segurado empregado, conforme previsto na letra "a" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, e a remuneração paga ou creditada constitui fato gerador de contribuições previdenciárias.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de Ofício. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de decadência; b)rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e c) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91. CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. A Auditoria Fiscal detém competência para efetuar a interpretação da legislação previdenciária e constituir o crédito tributário. CONSTATAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Havendo a constatação de que determinados trabalhadores atuaram habitualmente na execução de serviços para a empresa, com subordinação e mediante o pagamento de remuneração, abrese ao Fisco a possibilidade de enquadrálos como segurados empregados. Os serviços prestados por pessoas jurídicas para a realização de serviços de natureza não eventual que, de fato, são realizados por pessoas físicas com subordinação, pessoalidade, habitualidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 07 43 /2 00 7- 73 Fl. 4676DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 e mediante remuneração deve ser desconsiderado para efeitos previdenciários. Nesses casos, caracterizase o prestador de serviço pessoa física como segurado empregado, conforme previsto na letra "a" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, e a remuneração paga ou creditada constitui fato gerador de contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de Ofício. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de decadência; b)rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e c) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4677DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.671 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativo a exigência de contribuições sociais dos segurados, da empresa, aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e a de Terceiros (INCRA, SALÁRIOEDUCAÇÃO, SENAC, SESC e SEBRAE) no período de maio de 1998 a junho de 2005, com ciência do contribuinte em novembro de 2006. De acordo com o relatório fiscal, fls. 217 e segs., os fatos geradores foram os pagamentos de remuneração à prestadores de serviço enquadrados pela fiscalização, na categoria de segurado empregado. Afirmase que as contribuições incidem sobre os valores pagos, através de notas fiscais de serviço, à trabalhadores tidos pela contratante como empresários e por esta denominados consultores, porém considerados pela fiscalização como autênticos empregados , tendo em vista que prestam ou prestaram serviços de forma pessoal, direta, habitual, remunerada, subordinada e não eventual à notificada. Sustenta o fisco que, os serviços contratados, basicamente de consultoria em informática, constituem função necessária ao desenvolvimento das atividades normais da empresa notificada, caracterizandoos, desta forma, como de natureza não eventual. A notificada (que possui três filiais) prestou serviços de consultoria em informática para várias empresa no período 04/98 a 06/03 sem ter nenhum funcionário registrado, ficando claro que os contratados foram responsáveis pela prestação de serviço, sendo implícita a subordinação e os serviços foram prestados diretamente pelo(s) sócio(s) , caracterizando assim, a pessoalidade. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, foi verificado que boa parte das empresas foram abertas aproximadamente na mesma época que iniciaram a prestação de serviço à empresa notificada e emitiram notas fiscais em seqüência numérica, em ordem cronológica e com valores mensais próximos sendo que tais fatos demonstram claramente que estas empresas prestam serviços de maneira habitual e exclusiva à notificada. Outro fato que demonstra a pessoalidade são os relatórios de pagamento (banco Itaú SISPAG sistema de pagamentos) onde aparecem como favorecidos diversos consultores pessoa física. Em anexo (fls. 246 a 250), relatórios de pagamentos efetuados em 05/12/02 e 13/12/02 e relação que demonstra a vinculação destes consultores às pessoas jurídicas por estes constituídas (parceiro). Que a partir da análise dos livros diário e documentos apresentados, foi verificado que a empresa faz empréstimos e reembolsa despesas e também disponibiliza planos de saúde aos seus consultores. A seguir, são apresentadas as justificativas que levaram a Auditoria a concluir pela ocorrência do liame empregatício, onde, mediante análise do contrato padrão firmado entre a notificada e as prestadoras que apresentam elementos que demonstram claramente o vínculo empregatício existente entre a fiscalizada e o consultores. Fl. 4678DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Conclui a auditoria que, a partir da análise da documentação apresentada pela empresa, da análise dos livros contábeis e dos contratos apresentados pelos prestadores que os prestadores de serviço (consultores ) têm uma relação de emprego com a fiscalizada, motivo pelo qual foram desconsideradas as pessoas jurídicas e os valores pagos a estas foram considerados salários Cientificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação e as fls. 2353 a Seção do Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária entendeu por bem baixar os autos em Diligência por entender que não seriam todas as empresas constantes no Relatório de Lançamento que estariam sujeitas à desconsideração realizada pela fiscalização. Em resposta à diligência solicitada a fiscalização manifestouse as fls 2363 e seguintes, informando que “ocorreram alguns equívocos inerentes à situação encontrada (falta de colaboração da fiscalizada, não apresentado todos os documentos solicitados, não apresentação dos livros Razão ) que aliados à analise dos documentos apresentados na defesa motivaram a exclusão da presente notificação, de alguns lançamentos referentes à empresas classificadas na contabilidade como consultores e para as quais a comprovação da relação de emprego ficou prejudicada pela não comprovação da habitualidade e ou não eventualidade.” A notificada tomou ciência da diligência e aditou a defesa anexando, dentre outros documentos, guias de recolhimento de diversas empresas que a fiscalização procedeu a desconsideração da personalidade jurídica. A 13ª Turma da DRJ/SPOI fls 2718/2736 considerou que a Fiscalização não se manifestou quanto a algumas empresas, expressamente, mencionadas pela Impugnante nos autos, como por exemplo, a empresa LAVELE INFORMÁTICA, para a qual consta, inclusive, sentença do Poder Judiciário (doc. 11 — fls. 2064/2067), a qual julgou improcedente a reclamatória trabalhista ajuizada por Pedro Luiz da Silva que prestou serviços à Notificada por meio da referida empresa (LAVELE), mantendo, assim, no presente lançamento fiscal, esta empresa e outras como prestadores desconsiderados e também que, parte do lançamento foi feita por aferição indireta, no entanto, não consta fundamentação legal nem no referido anexo FLD e nem no relatório fiscal que ampare tal procedimento. Entendeu ainda que na diligência não foi rebatida a alegação da empresa de que sua atividade preponderante é de consultoria em tecnologia da informação (fls. 2377/2378 e fls. 2662/2664), isto é, diferente do enquadramento na atividade preponderante de desenvolvimento de programas de informática (código CNAE 7220.6) feito pela Fiscalização a partir da competência 06/2004 conforme anexo "DAD Discriminativo Analítico de Débito" (fls. 22/25). Desta forma, os autos foram novamente baixados em diligência fls. 2718 e segts; ao do Auditor Notificante para: verificar, atentamente, todas as alegações e documentos da Impugnante, bem como, as considerações feitas acima, prestando os esclarecimentos e adotando as providências seguintes, no tocante à presente NFLD; emitir, em duas vias, Relatório Fiscal Substitutivo com a justificativa do procedimento de aferição indireta utilizado no presente lançamento fiscal, mencionando, expressamente, a devida fundamentação legal e o(s) correspondente(s) auto(s) de infração lavrado(s); Fl. 4679DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.672 5 verificar os documentos apresentados pela Impugnante e as empresas, expressamente, por ela contestadas, dentre estas, especialmente, a empresa LA VELE INFORMÁTICA, manifestandose, conclusivamente, sobre a manutenção ou não da descaracterização destas empresas; verificar e manifestarse sobre a alegação de reconhecimento de vínculo empregatício simultâneo entre os prestadores de serviço e as duas empresas mencionadas (PIMENTEL e ABS). Em caso de necessidade de correção do lançamento, justificar e elaborar planilha de retificação ("DE PARA"); verificar as considerações feitas, demonstrando, mensalmente, a partir da competência 06/2004, o enquadramento da empresa no código CNAE 72.206, no que se refere a atividade preponderante da empresa; verificar todos os valores lançados em todas as competências, demonstrando o cálculo das contribuições dos segurados e, em caso de não observância do limite máximo do salário de contribuição, previsto no art. 28, §5° da Lei n° 8.212/91 com as alterações posteriores, justificar e fundamentar, bem como, informar o número das páginas dos Livros Diário em que constam os lançamentos contábeis apurados na presente NFLD, que, no entanto, não constaram do campo "Observação" do anexo "RL — Relatório de Lançamentos" (fls. 35/204); manifestarse, conclusivamente, se existe alguma retificação a ser feita no presente lançamento fiscal, especialmente, no tocante às contribuições dos segurados apuradas e em relação aos prestadores de serviços, considerados pela Fiscalização como segurados empregados. Em qualquer caso, justificar a manutenção ou a retificação do lançamento, apontando e/ou anexando documentos que amparem o pronunciamento fiscal. E, em caso de retificação, elaborar planilha ("DE PARA"); informar os nomes das pessoas físicas, suas respectivas remunerações e as contribuições por elas devidas, e, em caso de impossibilidade, justificar e fundamentar. Em qualquer caso, verificar e informar se há alguma retificação ou necessidade de lançamento complementar, especialmente, em relação às contribuições dos segurados apuradas, considerando as alegações contidas no tópico "NÃO OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO" às fls. 2378/2379, reiteradas às fls. 2664; demonstrar e justificar as exclusões propostas na planilha de fls. 2359/2362, verificando e manifestandose, ainda, quanto às alegações apresentadas pela Impugnante, especialmente, nas planilhas de fls. 2698/2713, informando também as providências cabíveis para regularização em caso de procedência de quaisquer destas alegações; cientificar a empresa do presente despacho e do respectivo pronunciamento da Fiscalização, fornecendolhe cópias destes, juntamente com o despacho de fls. 2355 e demais documentos emitidos pela Fiscalização, como por exemplo, Relatório Fiscal Substitutivo e planilhas, porventura, elaboradas. Tendo em vista que o Auditor Fiscal Notificante não era mais lotado na Delegacia de origem, os autos foram encaminhados à outro auditor que, atendendo à diligência solicitada e emitiu novo Relatório Fiscal às fls. 3161 e seguintes, do qual foi cientificada a empresa que apresentou nova defesa e documentos (fls. 3186 e sgts.). Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Às fls. 3604 e seguintes, a 13ª Turma da DRJ/SP1, proferiu o Acórdão 16 26.760, julgando procedente em parte o lançamento através da seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO D A EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE)possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF. OCORRÊNCIA PARCIAL. A exigibilidade das obrigações acessórias decorre do interesse da fiscalização, razão pela qual, em face da inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08, aplicase às mesmas o disposto no Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. DESCARACTERIZAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. SEGURADOS EMPREGADOS. O contrato estabelecido entre pessoas jurídicas para a prestação de serviços de natureza não eventual que, de fato, são realizados por pessoas físicas com subordinação, pessoalidade, habitualidade e mediante remuneração deve ser desconsiderado para efeitos previdenciários. Nesses casos, caracterizase o prestador de serviço pessoa física como segurado empregado, conforme previsto na letra "a" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, e a remuneração paga ou creditada constitui fato gera contribuições e as destinadas a Terceiros. MULTA. LEGALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO VERIFICADO. A multa é devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal, de caráter irrelevável. A vedação ao confisco e o respeito à capacidade contributiva determinados pela Constituição Federal são dirigidos ao Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.673 7 legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN). De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a alíquota da multa moratória incluída em lançamento tributário será definida no momento do pagamento, ocasião em que deverá ser realizada o confronto entre a legislação vigente à época do lançamento e a atual, para a fixação daquela menos severa ao contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face da exclusão de valores no lançamento que superam o limite de alçada houve o recurso de ofício. Inconformada com referida Decisão, a empresa recorre à este conselho (fls. 3650 e sgts.) alegando em síntese: a Alega que a NFLD apresenta vícios insanáveis, como, por exemplo, ausência de identificação do fato gerador e base de cálculo das contribuições lançadas, bem como dos segurados obrigatórios; b Questiona o arbitramento realizado pois em seu entendimento, partindo de uma única premissa, a fiscalização presume que todos esses contratos são dissimulações de relação empregatícia, com as características presentes na legislação, que configuram essa relação, motivo pelo qual então estaria autorizada, a entender que guardariam a mesma natureza dos demais casos por ela analisados. Salienta que o auditor informa que nunca esteve no estabelecimento da empresa ou de seus prestadores c – Afirma ter havido alteração dos fundamentos dos autos após três realizações de diligência que culminaram em novo Relatório Fiscal e que, uma vez estabelecida a Lide, nem a acusação nem a defesa, podem ser complementadas, sob pena de inovação do ato originário; d – Sustenta que somente em relatórios de diligência que o fiscal aponta como fundamento para desconsideração da personalidade jurídica o § 2° do artigo 229 do Decreto n° 3.048/99; e – Que deve ser declarada a decadência do crédito com base no art. 150, § 4º do CTN; Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 f Advoga no sentido de que o fisco se baseou em indícios para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas, e imputar vínculo de emprego em relação contratual efetivada entre empresas; g – Afirma que todos os critérios utilizados para apontar o reconhecimento de vínculo entre a recorrente e as empresas contratadas foram rechaçados em defesa e no presente recurso, pois não configuram os elementos essenciais de pessoalidade, habitualidade, exclusividade e subordinação; h – Que ocorreram absurdos nos critérios para configuração de vínculo empregatício, como por exemplo a emissão de quatro notas fiscais seqüenciais; os prestadores serem os sócios com maior capital nas PJs; existência de contratos com prazo indeterminado; reembolso de despesas e etc.... i – Cita algumas das empresas mantidas pela DRJ, cujos valores vultuosos, diferenciados e alternados comprovariam que se tratam de empresas com know how qualificados para o trabalho específico contratado. j Defende que, nos termos do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, a prestação de serviços de natureza intelectual, como é o caso dos contratados pela notificada, está sujeita exclusivamente à legislação aplicável às pessoas jurídicas; l) cabe tãosomente ao Poder Judiciário declarar a desconsideração da personalidade jurídica, para fins fiscais e previdenciários, tendo por base o suposto abuso ou desvio de finalidade; m) a Autoridade Fiscal ignorou por completo a realidade fática; Requer a declaração de nulidade da NFLD, pelas razões preliminares apontadas, como a irregularidade do MPF, ausência de identificação do fato gerador e base de cálculo das contribuições sociais, ausência de prova inequívoca e fundamentação legal, ou a declaração de improcedência do lançamento, por não se verificarem os pressupostos da relação empregatícia entre os sócios das prestadoras e a recorrente ou ainda a aplicação da decadência com base no art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.674 9 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Os recursos são tempestivos e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DO RECURSO DE OFÍCIO Da análise da decisão de primeira instância, verificase que os valores excluídos do lançamento decorreram da aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso, entendeu a fiscalização que por não haver a antecipação do pagamento, deveria ser aplicado o art. 173, I do CTN, razão pela qual foram excluídos dos levantamentos os valores lançados até a competência 11/2000. Vejamos a conclusão do voto neste aspecto. Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 17.4 Observese que, de acordo com o art. 150, § 4º, o lançamento por homologação tem como pressuposto básico a apuração do fato gerador e o pagamento da obrigação surgida com a ocorrência do fato gerador, tendo a Fazenda Pública que se pronunciar em 5 anos a contar da sua ocorrência, ou do contrário, considerar homologado e extinto o crédito. Não ocorrendo os dois requisitos mencionados, a decadência será regida pelo art. 173, inciso I Da retificação do lançamento decorrente das diligências Da mesma forma que a decisão não merece reparo por parte da decadência aplicada, também deverá ser mantida na parte retificada, tendo em vista o resultado das diligências realizadas que permitiram à fiscalização verificar a existência prestadores de serviços, que não se caracterizavam como empregados. Foi apresentada planilha discriminada contendo os prestadores excluídos e, nos casos onde a empresa não apresentou contratos e documentos necessários à identificação dos segurados, foi realizada a aferição indireta. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Das Preliminares Da decadência com aplicação do art. 150, § 4º do CTN Em que pese o entendimento da recorrente pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, razão não lhe assiste. Do que depreende dos autos, todos os valores lançados referemse à caracterização de segurados empregados, ou seja, a empresa não efetuou nenhum recolhimento capaz de ensejar o deslocamento da contagem do prazo decadencial do art. 173, I pára o art. 150, § 4º do CTN como quer a recorrente. Desta forma, esta preliminar na mercê ser acolhida. Da Ausência de Indicação do Fato Gerador Embora a recorrente se insurja contra a forma como foi procedido o lançamento fiscal, tenho que a terceira diligência acabou por suprir eventuais dúvidas acerca dos fatos geradores constantes no lançamento. Resta claro que a presente autuação contempla as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, pela empresa (quota patronal e GIILRAT) e as contribuições destinadas aos Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e S EB RAE) incidentes sobre salário de contribuição aferido nas competências 05/1998 a 06/2005 em face da desconsideração da personalidade jurídica das empresas contratadas pela recorrente e caracterizadas como empregados. Constam nos autos os relatórios que, de acordo com as orientações normativas vigentes, são necessários e suficientes para apresentar ao sujeito passivo as informações pertinentes aos procedimentos realizados no decorrer da ação fiscal, bem como sobre a origem das contribuições previdenciárias lançadas. Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.675 11 O Relatório Fiscal resultante das diligências realizadas explicitou os fatos que entendeu relevantes para a caracterização dos prestadores de serviços como segurados, sendo oportunizado ao recorrente o exercício do direito de defesa, bem como a juntada de documentos que entendia serem aptos a comprovar suas alegações. Da Aferição Indireta Com relação ao questionamento sobre o arbitramento, tal insurgência é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal, visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Notese que inicialmente não foi apresentado nenhum contrato da recorrente, o que somente ocorreu e de forma parcial no decorrer do processo, não apresentando a recorrente os devidos elementos probatórios, sendo a técnica de aferição indireta adequada e razoável, nos termos do art. 33, § 3º da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Da competência da Fiscalização para caracterizar segurados A recorrente afirma que a fiscalização teria invadido a competência do Judiciário ao caracterizar relação empregatícia entre os sócios das empresas prestadoras com a tomadora dos serviços, a notificada. Não lhe assiste razão. A Auditoria Fiscal tem a atribuição de aplicar a legislação previdenciária e é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego Assim disciplina o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Já a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Em surgindo a obrigação tributária, a fiscalização está autorizada para constituir o crédito tributário, não se verificando, desta forma, qualquer invasão da competência da Justiça do Trabalho. A fiscalização caracteriza empregado para fins previdenciários, aquele cujas peculiaridades da prestação de serviço indiquem a presença dos requisitos da relação de emprego. No que diz respeito à aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005 este deve ser observado em confronto com o art. 9º da CLT: Lei 11.196/2005 Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Verificase assim, que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço seja obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Já da análise do art. 9.º da CLT, assim dispõe:: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Desta forma, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas sim o art. 9º supra transcrito. Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.676 13 Entendase que este procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Logo, mesmo após a edição da Lei n.º 11.196/2005 é aplicável os preceitos do § 2.º do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária. Afastamse assim estas preliminares de nulidades e passamos à análise do mérito. DO MÉRITO No mérito a recorrente se insurge sob a alegação de que ocorreram absurdos nos critérios para configuração de vínculo empregatício, como, por exemplo, a emissão de quatro notas fiscais seqüenciais; os prestadores serem os sócios com maior capital nas PJs; existência de contratos com prazo indeterminado; reembolso de despesas e etc.... e ainda que não teriam sido analisadas as situações fáticas. A fiscalização deixou claro no relatório Fiscal Complementar as razões que levaram a Auditoria a caracterizar o vínculo de emprego entre os prestadores de serviços e a autuada, senão vejamos: Da pessoalidade Nos casos apresentados pelo fisco, os serviços eram prestados exclusivamente pelos sócios da empresa contratada que não possuíam empregados. Os próprios contratos entre a recorrente e as supostas empresas previam em cláusula expressa esta obrigatoriedade. Verificase assim que eram definidas as pessoas físicas que deveriam executar os serviços para a contratante, ficando patente a existência de pessoalidade nos contratos. Esta cláusula pode ser verificada nos itens 2.4.3 dos contratos entre a recorrente e os prestadores de serviço, como por exemplo, as fls. 266; 273; 281; 289; 297; 415; 433; 452; 467; 503; 514 e etc... Nos contratos sociais das empresas contratadas verificase ainda que estas eram compostas majoritariamente pelas pessoas físicas contratadas pela recorrente tendo os demais sócios com cotas mínimas e sem participação direta nas empresas Assim, a pessoalidade restou demonstrada pela fiscalização. Da nãoeventualidade Sobre este quesito temos que os serviços prestados diziam respeito a atividades relacionadas ao objeto social da recorrente, logo, não há como afirmar que eram eventuais. Para cumprir as suas obrigações empresariais, a notificada não poderia prescindir dos serviços prestados pelos sócios das empresas contratadas, fato que nos leva a concluir que o pressuposto da não eventualidade está presente no caso em apreço. Fl. 4688DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 Ademais, os próprios contratos rezam que os prestadores são contratados por tempo indeterminado, o que nos leva a verificar que a prestação de serviços se daria por um longo período, ou seja, não eventual e de forma continuada. Também foi constatado pela fiscalização que as prestadoras de serviços emitiram Notas Fiscais mensais, seqüenciais e com valores iguais, bem como estes serviços foram realizados por um longo período e se tratavam de atividades normais da recorrente c) onerosidade Como é sabido, o contrato de prestação de serviço é sempre oneroso, mas o que levou a fiscalização a observar este requisito foi a forma de pagamento que, como já dito acima, ocorria mensalmente, com valores fixos e por um longo período. Ora, uma das exigências do contrato de trabalho com vínculo empregatício é o prévio ajuste do salário a ser pago ao empregado. Desta forma, como os contratos previam o valor a ser pago antes mesmo da execução dos serviços, indica a existência do vínculo entre as pessoas físicas e a recorrente. Da subordinação Conforme bem esclarecido no Relatório Fiscal a própria natureza dos serviços e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vínculo de subordinação do profissional responsável pela prestação dos serviços perante a contratante. O contratado age sob a direção da empresa que o contratou para suprir a ausência de empregados de seu quadro, que limitados em número ou inexistentes, não são suficientes para cumprimento integral do serviço. A subordinação se define independentemente da afirmação contrária das partes, uma vez que ela se estabelece em função das próprias condições em que o trabalho é realizado. Vejamos as cláusulas existentes nos contratos entre a recorrente e as contratadas que definem a subordinação dos contratados e a Pimentel: Item 2. DO OBJETO O objeto do presente Anexo é a prestação de serviços, pela CONTRATADA à CONTRATANTE, dos serviços de um consultor (variável entre ABAPSAP, Funcional SAP, Basis SAP), atividade esta acessória para a execução de projetos pela CONTRATANTE em seus Clientes. Ou seja, não se verifica aqui a autonomia dos contratados, que não podem sequer realizar contratos com outras empresas. Logo, entendo como correta a caracterização realizada pela fiscalização, estando presentes os elementos necessários para tanto. No presente caso temos duas situações: 1ª Em vários casos não foram apresentados os contratos para a análise dos elementos essenciais à comprovarem as alegações da recorrente; 2ª Nos casos em que os contratos foram apresentados, houve uma análise por parte da fiscalização que excluiu aquelas empresas onde reconheceu a devida prestação de serviço e manteve as demais onde verificou os critérios caracterizadores da relação de Fl. 4689DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.000743/200773 Acórdão n.º 2401002.852 S2C4T1 Fl. 4.677 15 emprego. Ademais, também foram analisadas as Notas Fiscais emitidas para o cálculo das contribuições devidas. Impende esclarecer que, ao contrário do que entendeu a recorrente, a realização de três diligências acabou por beneficiar a empresa ao ponto de garantirlhe a juntada de documentos que fizeram com que a fiscalização retificasse o levantamento excluindo as empresas onde realmente foi verificada a prestação de serviço, o que junto com o período decadente fez com que houvesse uma redução substancial no valor lançado. Temos por fim que, todos os argumentos suscitados pela empresa foram rebatidos na decisão recorrida não havendo razões para sua reforma. Ante ao exposto, voto no sentido de Conhecer dos Recursos, rejeitar a preliminar de decadência com base no art. 150, § 4º do CTN, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, Negar provimento aos recursos. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 4690DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.720949/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO DECLARADO.
Deverão ser lançados de ofício os créditos tributários do IPI, apurados no Livro de Registro de Apuração do IPI, que não tenham sido declarados ou confessados espontaneamente pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO DECLARADO. Deverão ser lançados de ofício os créditos tributários do IPI, apurados no Livro de Registro de Apuração do IPI, que não tenham sido declarados ou confessados espontaneamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720949/200784 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.284 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PLÁSTICOS BEIJA FLOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO DECLARADO. Deverão ser lançados de ofício os créditos tributários do IPI, apurados no Livro de Registro de Apuração do IPI, que não tenham sido declarados ou confessados espontaneamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 49 /2 00 7- 84 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.720949/200784 Acórdão n.º 3302002.284 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa PLÁSTICOS BEIJA FLOR LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre março de 2003 e agosto de 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a Empresa não declarou em DCTF e nem efetuou o pagamento dos saldos devedores do IPI apurado no Livro de Registro de Apuração do IPI (LRAIPI). O valor do principal lançado é exatamente o apurado no LRAIPI. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões de defesa estão sintetizadas no Relatório do Acórdão recorrido. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 15029.841, de 15/02/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. DIVERGÊNCIAS. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas da própria escrituração do contribuinte. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Ciente desta decisão em 21/03/2012 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 09/04/2012, com Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: 1) comercializa matéria prima e matérias de embalagem destinadas a estabelecimentos que se dedicam a elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.720949/200784 Acórdão n.º 3302002.284 S3C3T2 Fl. 4 3 2) partir de 01.10.2002, as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI sairão do estabelecimento industrial com suspensão do citado imposto, conforme art. 29 da Lei n° 10637/02, que está em consonância com o art.44, I, do Regulamento do IPI; 3) industrializa produtos plásticos que servem de embalagens destinadas a comercialização de outros produtos, podendo e devendo usufruir do tratamento tributário previsto no art. 44 do RIPI e do art. 29 da Lei n° Lei n° 10637/02, sendo este o entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme ementa que transcreve; 4) não resta dúvida que o auto de infração deve ser julgado improcedente, pois industrializa produtos plásticos que servem de embalagens destinadas a comercialização de outros produtos, usufruindo do tratamento tributário previsto no art. 44 do RIPI, vigente a época e do art. 29 da Lei n° Lei n° 10637/02; Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais, dele se conhece. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração de IPI para exigir o pagamento do imposto apurado no Livro de Registro de Apuração de IPI e não pago. Em sua defesa, a empresa autuada alega que produziu e deu saída a produtos de plástico que servem de embalagens destinadas a comercialização de outros produtos, devendo usufruir da suspensão prevista no art. 44 do RIPI e no art. 29 da Lei nº 10.637/02. Como disse a decisão recorrida, conforme trecho abaixo transcrito, a empresa Recorrente não juntou aos autos nenhuma prova de que deu saída dos produtos de plásticos que fabrica com suspensão do IPI e que, também, não destacou o valor do imposto na nota fiscal de saída. Disse a decisão recorrida: A interessada não anexou nenhuma nota fiscal que viesse comprovar que de fato promoveu saídas de MP, PI ou ME ao amparo do art. 29 da Lei nº10.637, de 2002. Além disso, não demonstrou que as saídas se deram sem o respectivo lançamento do IPI nas respectivas notas fiscais e que estas atendiam ao Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.720949/200784 Acórdão n.º 3302002.284 S3C3T2 Fl. 5 4 comando legal, contendo a expressão “saída com suspensão do IPI”. Ademais, a interessada não trouxe aos autos a comprovação de que as empresas adquirentes dos seus produtos se dedicam preponderantemente à elaboração dos produtos já mencionados e que estavam amparadas pelo benefício legal. No presente caso, não tendo a empresa comprovado as suas alegações, resta evidente que apurou imposto na saída das mercadorias vendidas de sua produção, escrituradas no LRAIPI, contudo não efetuou o recolhimento e tampouco declarou os débitos apurados. Quanto aos alegados erros na apuração dos valores lançados também não logrou a interessada demonstrar qualquer equívoco na transcrição dos valores de IPI escriturados no LRAIPI, que foram os constantes do auto de infração. Diante da ausência de prova do direito alegado e da efetiva existência dos débitos lançados, não há como acolher a pretensão da Recorrente, devendose manter o lançamento. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.720949/200784 Acórdão n.º 3302002.284 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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